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Numero do processo: 10380.730581/2013-67
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA.
É conhecido o recurso especial diante da similitude entre os fatos analisados nos autos e os fatos tratados por acórdãos paradigmas.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL.
O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobreleva-se dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio torna-se extinto.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO.
Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 9101-003.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceu do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões em relação ao conhecimento os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. É conhecido o recurso especial diante da similitude entre os fatos analisados nos autos e os fatos tratados por acórdãos paradigmas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL. O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobrelevase dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio tornase extinto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 05 81 /2 01 3- 67 Fl. 6527DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.528 2 IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceu do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões em relação ao conhecimento os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ e CSLL quanto a 2006, 2007 e 2008, com imposição de multa de 150% sobre o crédito tributário, relacionada a (i) amortização de ágio e (ii) despesas financeiras (hedge). O contribuinte foi intimado quanto aos Autos de Infração em 29/11/2013. Ressaltese trecho do Termo de Verificação Fiscal: 2.1) Falta de Adição de Amortização de Ágio pago na Aquisição de Participações Societárias Os valores amortizados correspondem a parcelas do ágio pago pelo grupo australiano Nufarm para aquisição da Fl. 6528DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.529 3 empresa Agripec Química e Farmacêutica S.A. Esta aquisição se deu em dois momentos: inicialmente em 31/01/2005, a Nufarm aduiriu 49.9% das ações da Agripec; posteriormente, em 30/09/2007 foram adquiridos os outros 51.1%.(...): De todo o acima exposto, podemos concluir, em relação à amortização do pago na aquisição de 49,9% das ações da Agripec, o seguinte: a) A constituição e utilização; e os atos societários praticados envolvendo a empresaveículo Bramans Holding S/A cumprimram uma dupla função no planejamento tributário abusivo acima descrito; de um lado, prestaramse a obscurecer uma pura e simples operação de compra e venda de participações societárias, de outro permitiram a internalização do ágio pago e, com a incorporação da Bramans pela Agripec, propiciouse a amortização deste ágio. b) Este último fato fica evidente pois, em sua curtíssima vida, a empresa Bramans se prestou somente a receber os recursos da empresa australiana Nufarm para pagamento da participação societária comprada, registrar o ágio pago e ser, finalmente, incorporada pela empresa eu “aduirira” e, assim, ensejar a amortização sob exame; c) Na verdade, quem efetivamente comprou a participação societária na Agripec e pagou o ágio em tela foi o grupo australiano Nufarm (através das empresas NUFARM AUSTRALIA LIMITED e NUFARM NZ LIMITED). Como acima visto, a conformação final da titularidade das ações da Agripec e a efêmera existência da empresaveículo Bramans Holding S/A assim o demonstra. (...) Por outro lado, para eu o benefício fiscal de amortização do ágio possa ser utilizado é necessário eu o ágio pago tenha como fundamento a expectativa de rentatibilidade futura, o eu deve ser demonstrado por meio de documento escrito, o qual deverá ser arquivado como comprovante da escrituração (art. 385, RIR/99). Ou seja, o documento referido na lei deve ser anterior ao pagamento do ágio e deve ser produzido por um terceiro independente das partes envolvidas na operação de compra e venda da participação societária. (...) Ou seja, evidenciase, pelo acima exposto, que o documento apresentado pela Nufarm para fins de dedução do ágio pago pela aquisição das ações da Agripec não se presta ao contido no art. 385 do RIR/99, uma vez que o mesmo: 1) foi elaborado posteriormente à compra e venda dessas ações, e, 2) o documento foi confeccionado pela própria Agripec, uma das interessadas no negócio (...) Fl. 6529DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.530 4 Quanto à venda da segunda parcela da Agripec (as 50,1% ações restantes) verificouse que esta se deu mediante contrato de compra e venda de ações (...), em eu figuram (...) como “compradora” a empresa CSRPAR Participações Ltda. (...) empresa constituída em 18/10/2006 e encontrase, perante cadastro da RFB, na condição de SUSPENSA, por indeferimento da solicitação de baixa. No contrato consta como intervenientes as empresas Agripec, a Nufarm Australia Limited e Nufarm do Brasil Ltda. Por outro lado, consta ainda eu estas duas últimas empresas junto com a “compradora ” (a CSRPAR) serão designadas coletivamente como o “Grupo Nufarm” (...) Os recursos para efetuar o pagamento daquela valor vieram de vultosos empresas obtidos junto ao Citibank, ao HSBC, ao Rabobank e ao DLL Bank (De Lage Landen Bank) (...). Empréstimos estes concedidos para uma sociedade com o irrisório capital social acima visto e constituída menos de um ano antes, mas eu tem, entretanto, como praticamente única sócia justamente a mundialmente conhecida Nufarm Australia Limited (detentora de 99% do capital social da CSRPAR). As constatações acima demonstram a ausência de qualquer propósito negocial para a constituição e utilização da empresa CSRPAR, outro dado eu realça este aspecto, a artificialidade e o caráter efêmero da empresa CSRPAR (“compradora” das ações da Agripec) é o fato de ela não possuir, como afirmado pela própria fiscalizada, para o ano de 2007, livros Razão e Diário registrado, ainda eu tenha realizado uma operação de valor tão expressivo como o acima. Ora, a utilização da empresa CSRPAR como “compradora das ações da Agripec decorreu única e exclusivamente da necessidade de tentar tornar o ágio pago nessa aquisição dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL”(...) Convém também ressaltar que, conforme o protocolo e o termo de justificação da incorporação da CSRPAR pela Agripec, ocorrida em 30/09/2007 (ou seja, um mês após o pagamento do preço), as ações da Agripec “adquiridas pela CSRPAR foram “transferidas” às suas “quotistas” (...), isto é, à Nufarm Australia e à Nufarm Brasil, chegandose à configuração patrimonial desejada pelas partes desde o início. (...) Por seu turno, o laudo apresentado (....) é intempestivo, pois só foi elaborado em 13/06/2008, enquanto o pagamento do ágio, conforme acima visto, ocorreu em 13/08/2007, exatamente 10 (dez) meses antes, tendo a operação de incorporação ensejadora das amortizações em exame ocorrido em 30/09/2007 (...) Fl. 6530DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.531 5 O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto pela manutenção parcial do lançamento, conforme acórdão do qual se destaca ementa (fls. 6.250): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. Confirmada a hipóteses de dolo, o termo a quo do prazo de decadência é contado do 1o. dia do período de apuração seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso dos autos, ocorreu a decadência quanto ao anocalendário de 2006, haja vista que a ciência do auto de infração ocorreu em novembro/2013. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INTERNAÇÃO DE AGIO. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, após, deve haverá incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada. A inexistência da segunda operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado, mormente quando se trata de tentativa de internação do ágio por adquirente estrangeiro. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS (HEADGE). FALTA DE CONTRAPARTIDA EM RECEITAS DE MESMA NATUREZA. Correta a glosa de despesas relativas a perdas com heage quanto a empresa não comprova a tributação dos ganhos que teria obtido em contrapartida a tais perdas. Em síntese, a Delegacia da Receita Federal entendeu pela decadência quanto ao ano de 2006, apresentando recurso de ofício ao CARF. Extraise trecho do acórdão da DRJ: Cabe razão à Impugnante, caso venha prevalecer o entendimento do Fisco, inexistiria prazo para fixação do termo de inicio da contagem do prazo decadencial. Tanto a jurisprudência administrativa quanto a judicial são uniformes no sentido de que na hipótese de fraude, aplicase o disposto no art. 173, inciso I, ou seja, a contagem iniciase no 1o. dia do período de apuração seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Portanto, a decadência ocorreu somente em relação a 2006, isso porque quanto ao anocalendário de 2007 (lucro real anual, fato Fl. 6531DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.532 6 gerador em 31/12/2007) o inicio da contagem se deu em 1/1/2009, encerrandose em 31/12/2013. Em recurso voluntário (fls. 6.299), o contribuinte alega: (i) legitimidade da amortização do ágio; (ii) a insubsistência dos lançamentos quanto à exclusão de perda em operações no mercado de renda variável; (iii) a improcedência da multa qualificada e a decadência quanto ao ano de 2007. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a glosa de amortização de ágio, negando provimento quanto à glosa de despesas com hedge, além de negar provimento ao recurso de ofício. O acórdão tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Os efeitos tributários do ágio é gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, após, deve haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada, como se verifica nos autos. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS (HEDGE). FALTA DE CONTRAPARTIDA EM RECEITAS DE MESMA NATUREZA. Mantémse a glosa de despesas relativas a perdas, relativamente a operações de hedge quando a empresa não comprova que adotou as necessárias providências para o recebimento das sacas de soja. A Procuradoria recebeu os autos do processo em 17/06/2016 (fls. 4475), interpondo recurso especial em 21/04/2017 (fls. 6.481/6.506), no qual alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997 e 20, §3º, do DecretoLei nº 1.598 (art. 385 do RIR/1999), constando como paradigmas os seguintes acórdãos: (i) 9101002.213 (processo administrativo nº 10845.722254/201165), do qual se extrai: “Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com as suas reais investidoras” (ii) 9101002.188 (processo administrativo nº 16643.720001/201118), verbis: “Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida”. Fl. 6532DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.533 7 A Procuradoria ainda pede a manutenção da multa qualificada, com o afastamento de prazo decadencial. A Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial relativamente a dois paradigmas, em decisão da qual se reproduz trecho a seguir: Com relação a essa matéria, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida admitiu o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da Recorrente, com ágio, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 9101002.213, de 2016, e 9101002.188, de 2016) decidiram, de modo diametralmente oposto, que o ágio deduzido pela recorrente (investida) é indedutível, nos termos da legislação fiscal, pela inexistência da necessária confusão patrimonial com as suas reais investidoras CC HOLDCO (CC HOLDCO LTD CAYMAN + CC HOLDCO LUXEMBURGO) (primeiro acórdão paradigma) e que não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio, por meio de interposta pessoa jurídica, da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar (segundo acórdão paradigma). Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos arts. 18, inciso III, c/c 68, § 1º, ambos do Anexo II do RI/CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ADMITO o Recurso Especial interposto. Em 13/10/2016 o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão do recurso voluntário, recurso especial e sua admissibilidade (fls. 6.517), sem que tenha apresentado contrarrazões ao recurso especial. Em memoriais apresentados na data da reunião de julgamento, o contribuinte questiona o conhecimento do recurso especial, por inexistência de similitude fática do acórdão recorrido com acórdãos paradigmas. Estes memoriais não constam dos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento Fl. 6533DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.534 8 O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, sem que o contribuinte tenha apresentado contrarrazões. Assim, adoto as razões da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial, rechaçando o pedido de não conhecimento formulado em memoriais pelo contribuinte. Ressalto que consta do Termo de Verificação Fiscal trata da necessidade de "confusão patrimonial" entre a real adquirente e a participação societária adquirida: Com efeito, para que o benefício fiscal possa ser implementado é necessário que., com a incorporação acima referida, se encontrem num mesmo patrimônio a participação societária adquirida e o ágio pago por essa participação. Em face dessa "confusão patrimonial", a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu investimento e que o ágio pago com a sua aquisição seja deduzido para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No presente caso, isso jamais ocorreu, uma vez que o investimento feito pelas empresas estrangeiras reais e verdadeiras adquirentes da participação societária sob exame, posto que efetivamente suportaram o seu integral pagamento continua até hoje figurando em seus balanços patrimoniais. Apenas foi constituída uma empresaveículo (a Bramans) com o objetivo de internalizar o ágio pago pelo grupo estrangeiro Nufarm com vistas à utilização do benefício fiscal sob análise. A qualificação jurídica dos fatos pelo acórdão recorrido não modifica os eventos descritos no Termo de Verificação Fiscal, que expressamente trata da adquirente (estrangeira) sem a "confusão patrimonial" desta com o investimento. Caso similar foi analisado pelos acórdãos paradigmas, que concluíram de forma distinta. Extraise do primeiro acórdão paradigma (9101002.213) trecho que demonstra a similitude com o caso ora julgado: É que, para que se possa processar essa amortização, é pressuposto inarredável a existência de confusão patrimonial, consistente em haver, no mesmo patrimônio da empresa resultante da incorporação, ágio e rentabilidade, ou ágio e valorização patrimonial, conforme o caso. O que não ocorreu no presente caso, já que o adquirente CC HOLDCO (CC HOLDCO LTD CAYMAN + CC HOLDCO LUXEMBOURG) a adquirida (COLUMBIAN CHEMICALS DO BRASIL) continuam entidades absolutamente distintas após as operações societárias objeto de discussão, mormente em virtude de que os recursos da aquisição apenas transitam pela economia brasileira, sendo originados no exterior e em sequência retornados ao exterior. As pequenas distinções fáticas não são suficientes para afastar a similitude com o caso ora em análise. Por tais razões, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria nos exatos termos da decisão da Presidente de Câmara. Fl. 6534DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.535 9 Pondero que a Procuradoria ainda questiona, em razões recursais, os laudos que embasaram a amortização do ágio: Ademais, a par da inexistência de união do patrimônio do real adquirente com a investida, há ainda, no presente caso, a questão da irregularidade dos laudos de avaliação em ambas as aquisições envolvidas, o que também se presta a obstar o aproveitamento fiscal do ágio. (...) Na primeira aquisição, a autoridade fiscal constatou que o laudo de avaliação foi elaborado pela própria AGRIPEC, isto é, a própria adquirida se “auto avaliou” para fins de dar suporte ao valor de sua própria aquisição pela NUFARM (por intermédio da BRAMANS). Além disso, da análise dos documentos, sobressai evidente que o laudo foi elaborado posteriormente à compra e venda das ações, tanto que já se refere à AGRIPEC como “uma empresa do grupo NUFARM”. Na segunda aquisição, o laudo utilizado para supostamente fundamentar a aquisição com base em expectativa de rentabilidade futura também se mostra intempestivo, eis que elaborado em 13/06/2008, quando o pagamento do ágio se deu em 13/08/2007 – ou seja, 10 meses depois da realização da compra. E não apenas isso: o laudo é posterior até mesmo à incorporação da “investidora”, e inclusive posterior ao próprio início da amortização fiscal do ágio! (trechos do recurso) Ocorre que a Turma a quo não enfrentou a questão dos laudos, sem que tenham sido apresentados embargos de declaração. Até por isso, provavelmente, não houve apresentação de acórdão paradigma em recurso especial, mas apenas de “precedente” no sentido das razões recursais (Acórdão nº 1101001.113). O tema, aliás, não foi apreciado pela Presidente de Câmara à ocasião da admissibilidade do recurso. Assim, entendo por não conhecer as alegações recursais a respeito dos laudos de avaliação. Passo, assim, à análise do mérito deste recurso no tema conhecido. Dedutibilidade do ágio O Termo de Verificação Fiscal, em síntese, efetuou a glosa da despesa com amortização do ágio porque utilizadas empresas “veículo” na aquisição de participação societária em duas operações para aquisição da participação societária na Agripec. Além disso, o auditor fiscal autuante questiona os laudos de avaliação em ambas as operações. Diante disso, tratarei, inicialmente, no presente voto da possibilidade de surgimento de ágio com a utilização de holding de investimento, denominada informalmente de "empresa veículo". O lançamento tributário e o acórdão recorrido tratam da interpretação do s artigos artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997. Lembro o teor do artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha Fl. 6535DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.536 10 participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. Fl. 6536DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.537 11 § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. E a previsão do artigo 8º, da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Em comentários aos citados dispositivos legais, Marcos Vinicius Neder e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira tratam da possibilidade de holding e incorporação reversa, sem prejuízo do reconhecimento do ágio dedutível: A Lei nº 9.532/1997 expressamente veio a permitir a dedução do ágio, no caso da "incorporação reversa", algo que não estava claro na legislação anterior. Ou seja, o ágio passou a ser dedutível também no momento em que a investida incorpora a investidora. Tratase, claramente, da incorporação da investidora direta. Essa permissão expressa que autoriza deduzir o ágio na "incorporação reversa" teve como objetivo estimular o interesse da iniciativa privada na aquisição de participação societária em empresas públicas em fase de privatização. (...)" A Lei não proibiu o aproveitamento do ágio no caso de incorporação de empresas holdings, constituídas pelos controladores indiretos com o propósito de adquirir, consolidar e gerir a participação na empresa investida. Não apenas isso não foi proibido como foi expressamente autorizado, na medida em que a Lei permitiu a dedução do ágio no caso da incorporação reversa pela empresa investida na empresa que nela detém a participação acionária e estimulou os processos de privatização (...) A norma tributária, ao conceder o incentivo tributário de aproveitamento do ágio na Lei 9.532/1997, não fez restrição ao uso de holdings, muito pelo contrário as incentivou, como comentamos anteriormente, inclusive ao permitir a dedução do ágio na incorporação reversa. Assim, a mera existência da Instrução CVM 349/2001, que dispõe sobre o tratamento contábil do ágio na incorporação reversa de holdings em empresas de capital aberto, e a existência dos procedimentos contábeis nela sugeridos não afetam em nada a possibilidade de dedução do ágio na incorporação reversa da holding. (...) A Lei não restringiu a apuração ou a dedução fiscal de ágio quando a empresa incorporada, adquirente do investimento, fosse empresa pura de holding, ou quando a empresa tivesse recebido recursos de seu sócio ou acionista em aumento de capital, ou ainda quando tivesse recebido a participação acionária em subscrição de ações de sua emissão. Logo, o Fl. 6537DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.538 12 tratamento de todas essas hipóteses, quando da incorporação reversa da holding Y, é alcançado, de forma equivalente, pela Lei" (Análise do Tratamento Contábil e Fiscal do Ágio em Estrutura de Aquisição ou Titularidade de Sociedades quanto há a Interposição de Holding, in Controvérsias JurídicoContábeis, 4ª Volume, São Paulo, Dialética, 2013, fls. 161, 162 e 179). Destaco, ainda, trecho do voto do Relator do acórdão recorrido, Conselheiro Rogério Aparecido Gil, cujas razões adoto para decidir: Com relação à glosa da amortização do ágio entendo que o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da Recorrente, com ágio, não se constitui em conduta simulada, pois, não poderia se imaginar a opção pelo caminho, por meio do qual se adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7° e 8º da Lei 9.532/97. Foi nesse sentido o entendimento anteriormente citado. Ressaltese, ainda, que à vista da real expectativa de rentabilidade futura, temse como certo o fato de que sobre tais resultados positivos incidirão tributos. Desta forma, devem ser dedutíveis as despesas com a amortização do valor (ágil) atribuído à da empresa, a título de rentabilidade futura, pois, sobre esta haverá tributação e, assim, não resultará em prejuízo ao erário público. E nesse sentido, não se trata o caso de simulação, mas de correta dedução das amortizações de ágio. Adoto as razões do acórdão recorrido, acima colacionado, para confirmar a legitimidade do ágio tratado nos autos, sem que se vislumbre artificialidade na criação das empresas acima citadas. Acrescento que é legítima a transferência de ágio em operação societária, fundamentandose a hipótese no artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 e no artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. Desde a original redação, a Lei nº 6.404/1976 obrigava que o investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial. O artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos tratados nestes autos (anos de 2005 a 2008), regulando o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e Fl. 6538DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.539 13 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 trata indistintamente das hipóteses de aquisição da participação, sem qualquer restrição. Portanto, a exigência da Fl. 6539DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.540 14 aplicação do método de equivalência patrimonial decorre da própria lógica do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976, como também do conceito adotado pelo artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. A transferência de ágio por meio de operações societárias devidamente registradas , portanto, decorre da regular transferência de investimento em observância a estas normas. Ressalto que o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original". A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Tenho manifestado neste Colegiado a minha posição sobre a dispensabilidade de confusão patrimonial (fundada pelos artigos 7º e 8º, acima citados) entre investidora original e investida original, na medida em que a legislação não atribui interpretação restritiva nesse sentido. Afinal, há que se ponderar se a origem do ágio é legítima (com a existência de partes independentes, pagamento, demonstração da rentabilidade futura, etc.). Nesse contexto, uma vez demonstrada a legítima origem do ágio, não há restrição legal à sua transferência juntamente com o investimento a ele relacionado. Diante disso, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, adotando razões de decidir do voto vencido acima reproduzido. Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria. No mérito, voto por negar provimento ao recurso especial, mantendo o acórdão recorrido. Caso vencida, voto pela baixa dos autos à Turma Ordinária para julgamento das matérias do recurso voluntário ainda não apreciadas pelo Colegiado a quo. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator designado. Coubeme expor os fundamentos do voto vencedor. Tais são os fatos de relevo ao presente julgamento, relacionados em Termo de Verificação Fiscal constante do processo n° 10380723.317/200991: 1) em 28/06/2004, ALEXANDRE GOSSN BARRETO (também sócio constituinte de BRENSDELPHIA) e RONALD HERSCOVICI integralizaram o capital de R$ 10,00, na constituição de BRAMANS HOLDINGS S/A (BRAMANS); Fl. 6540DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.541 15 2) em 07/12/2004, ALEXANDRE GOSSN BARRETO transfere para NUFARM AUSTRÁLIA LIMITED 50 ações ordinárias da BRAMANS, e RONALD HERSCOVICI transfere 1 ação ordinária de BRAMANS para NUFARM NZ LIMITED e 49 ações ordinárias da mesma pessoa jurídica para NUFARM AUSTRÁLIA LIMITED; 3) em 28/12/2004, BRAMANS, JORGE ALBERTO VIEIRA STUDART GOMES, CARLOS ALBERTO STUDART GOMES NETO e AGP CONSTRUÇÕES LTDA celebraram contrato de investimentos por meio do qual os acionistas de BRAMANS comprometeramse a investir em AGRIPEC e em DELPHIA PARTICIPAÇÕES S/A o montante equivalente em moeda corrente nacional a US$120.000.000,00 (cento e vinte milhões de dólares dos Estados Unidos), com o objetivo de deter 49,90% das ações emitidas e em circulação de AGRIPEC, considerando os termos do Memorando de Entendimento assinado em 29/09/2004 por JORGE ALBERTO, CARLOS ALBERTO e AGP, designados VENDEDORES, e NUFARM AUSTRÁLIA; 4) na Assembléia Geral Extraordinária (AGE) de AGRIPEC ocorrida em 31/01/2005, às 10hs, em Maracanaú/CE, presidida por JORGE ALBERTO, cumpriuse o que havia sido acordado no Contrato de Investimento, mencionado no item 3, supra, aprovandose o aumento do capital social de companhia, passando de R$ 36.425.376,72 para R$ 47.416.527,90, mediante a emissão de 654.152 novas ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal. Os acionistas da companhia expressamente renunciaram seus direitos de preferência à subscrição das novas ações emitidas em favor da BRAMANS, que subscreveu e integralizou, no ato, a totalidade das 654.152 ações emitidas, em moeda corrente nacional, mediante depósito em conta corrente, conforme Boletim de Subscrição; 5) na AGE de DELPHIA ocorrida em 31/01/2005, às 10hs, em São Paulo/SP, também presidida por JORGE ALBERTO, cumpriuse o que havia sido acordado no Contrato de Investimento, mencionado no item 3, supra, aprovandose o aumento do capital social da companhia, passando de R$ 43.710.552,08 para R$ 58.909.097,54, mediante a emissão de 753.798 novas ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal, ao preço de emissão total de R$163.322.316,39. Os acionistas da companhia expressamente renunciaram seus direitos de preferência à subscrição das novas ações emitidas em favor da BRAMANS, que subscreveu e integralizou, no ato, a totalidade das 753.798 ações emitidas, em moeda corrente nacional, mediante depósito em conta corrente, conforme Boletim de Subscrição; 6) em 28/02/2005, realizouse AGE de DELPHIA, quando foi aprovado o resgate da totalidade das 753.798 ações ordinárias classe B, objetivandose o cancelamento destas pelo valor total de R$ 62.691.871,93, sem qualquer redução no valor do seu capital social. Todas as 753.798 ações resgatadas eram de propriedade de BRAMANS e foram pagas mediante a transferência para citada proprietária, a título de dação em pagamento, de 754.052 ações ordinárias detidas pela DELPHIA, representativas de 26,72% do capital social total de AGRIPEC; 7) com a saída de BRAMANS do capital de DELPHIA, esta retornou para a mesma composição acionária de 15/01/2005, após a AGE; 8) em 15/03/2005, realizouse AGE de AGRIPEC, quando se aprovou a incorporação de BRAMANS por AGRIPEC, nos termos estabelecidos no Protocolo e Termo de Justificação de Incorporação, anexos I e II da Ata desta AGE; Fl. 6541DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.542 16 9) após a AGE de 15/03/2005, a composição acionária de AGRIPEC passou a ser a seguinte: 50,10% pertencendo a JORGE ALBERTO, CARLOS ALBERTO e AGP, por intermédio de DELPHIA, e 49,90% pertencendo a NUFARM (como consequência da atuação sequencial de atos jurídicosocietários de que BRAMANS participou, como signatária); 10) em 02/06/2005, realizouse AGE de DELPHIA, quando foram aprovados: a) o aumento de seu capital social, passando de R$ 58.909.097,54 para R$ 142.723.363,70, mediante a capitalização de reserva de ágio no valor de R$ 83.814.266,16, sem a emissão de novas ações; b) a distribuição a seus acionistas, a titulo de dividendos intercalares, do valor de R$ 42.000.000,00, tendo como base os lucros apurados no Balanço Patrimonial levantado em 31/05/2005; c) a redução do seu capital de R$142.723.363,70 para R$ 14.004.230,77, bem como a restituição a seus acionistas do valor de R$ 59,37 por ação, do montante correspondente à redução do capital social; 11) a avaliação econômicofinanceira de AGRIPEC foi realizada por ela própria com o auxílio de ERNST&YOUNG BRASIL, que forneceu um gerente e um consultor. O objetivo dessa avaliação era o de estabelecer o valor da AGRIPEC para fins de alienação de 49,9% de suas ações para o Grupo NUFARM; 12) quanto à venda da segunda parcela de AGRIPEC (a parcela de 50,1% das ações), verificouse que esta se deu mediante o contrato de compra e venda de ações, firmado 13/08/2007 entre as pessoas físicas proprietárias (vendedores) e a pessoa jurídica CSRPAR Participações Ltda (compradora), constituída em 18/10/2006; 13) CSRPAR fazia parte do Grupo NUFARM (NUFARM AUSTRÁLIA LIMITED era detentora de 99% do capital social da CSRPAR); 14) consta no contrato de compra e venda que o valor do negócio de compra e venda com CSRPAR foi de R$ 350.000.000,00 (trezentos e cinquenta milhões de reais), não obstante o capital de R$ 1.000,00 da compradora, durante todo o tempo; 15) os recursos para efetuar o pagamento daquele valor vieram de vultosos empréstimos obtidos do Citibank, ao HSBC, Rabobank e DLL Bank (De Lage Landen Bank), todos liberados no dia 13/08/2007 para a compradora. Ressaltese que o valor do negócio contrasta com o irrisório capital social de CSRPAR e com o fato de ter sido constituída há menos de um ano; 16) não havia qualquer propósito negocial para a constituição de CSRPAR, que não possuía, no anocalendário de 2007, livros Razão e Diário registrados, embora houvesse realizado uma operação de valor tão expressivo, como acima descrito; 17) conforme o protocolo e o termo de justificação da incorporação de CSRPAR por AGRIPEC, ocorrida em 30/09/2007 (ou seja, um mês após o pagamento do preço), as ações desta última, "adquiridas" por CSRPAR, foram "transferidas" às suas "quotistas", isto é, à NUFARM AUSTRÁLIA e à NUFARM BRASIL; Fl. 6542DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.543 17 18) NUFARM, detentora de 49,9% das ações de AGRIPEC, poderia comprar diretamente o restante das ações desta, mas, se assim o fizesse, não aproveitaria a amortização do ágio, para fins fiscais. Daí, concebeuse a criação de CSRPAR com a função de empresa veículo para ser, logo em seguida, incorporada; 19) é intempestivo o laudo apresentado (denominado Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira, elaborado por Ernst & Young) para embasar a contabilização do ágio decorrente da aquisição da participação societária sob exame (fundado em expectativa de rentabilidade futura de AGRIPEC), porquanto fora elaborado em 13/06/2008, enquanto o pagamento ocorrera em 13/08/2007, exatamente 10 (dez) meses antes, e a incorporação ora em foco data de 30/09/2007; 20) no documento que encaminha o laudo acima não existe qualquer referência à "adquirente" CSRPAR e, sim, à NUFARM LIMITED, ou seja, o documento é mais um elemento a demonstrar que o adquirente de AGRIPEC foi NUFARM AUSTRÁLIA. Assim postos os fatos, cumpre observar que a situação fática em exame deve ser apreciada, no que diz respeito ao IRPJ, sob a perspectiva dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, e do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, este último com a redação anterior à Lei nº 12.973/2013: a) artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997: "Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: Fl. 6543DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.544 18 a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." b) artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977: "Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 6544DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.545 19 c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicamse às sociedades que, de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada" Diante de tais dispositivos normativos, depreendese que a dedutibilidade do ágio amortizado, na apuração do lucro real, carece de amparo legal, no caso concreto, já que o ágio não foi suportado, com sacrifício patrimonial, pela pessoa jurídica incorporada ou pela pessoa jurídica incorporadora. Percebase a esse respeito que o caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária, na pessoa jurídica incorporada, tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Como se pode ver, este artigo se refere ao ágio previsto no artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, e este dispositivo trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido na época da aquisição. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporada adquirir a participação societária na incorporadora com a referida mais valia. Sobrelevase dos preceitos normativos supracitados como já adiantado que o verbo adquirir implica sacrifício patrimonial da incorporada ou da incorporadora. No caso em exame, coube às pessoas jurídicas NUFARM NZ LIMITED e NUFARM AUSTRÁLIA LIMITED suportar o sacrifício patrimonial pela aquisição da participação societária no capital da fiscalizada. A vedação à influência da amortização dos ágios pagos, in casu, é consequência da inexistência de confusão patrimonial entre a investida e as verdadeiras investidoras. A alternativa que pareceu viável ao Grupo NUFARM, para o propósito de se beneficiar do ágio pago na aquisição de AGRIPEC, foi a de constituir as empresasveículo BRAMANS e CSRPAR. Importa considerar que as sócias no capital dessas pessoas jurídicas, ao tempo da aquisição das ações de AGRIPEC, eram as sociedades estrangeiras NUFARM NZ LIMITED e NUFARM AUSTRÁLIA LIMITED. Nas circunstâncias comentadas, pareceu aos idealizadores do planejamento tributário que seria legítima a dedução do ágio amortizado pela fiscalizada, depois de incorporar as empresasveículo. Nesse contexto, devese ressaltar, ademais, a falta de propósito negocial, na constituição de BRAMANS e CSRPAR. Conforme denotam os autos, BRAMANS e CSRPAR não desenvolveram qualquer atividade operacional, prestandose exclusivamente ao objetivo de transportar os ágios pagos por NUFARM NZ LIMITED e NUFARM AUSTRÁLIA LIMITED. Em outras palavras, BRAMANS e CSRPAR não tinham propósito econômico, revelandose desprovidas de objeto social de fato. Sua função de empresasveículo é decorrência de um projeto que unicamente visava a revestir a aparência de Fl. 6545DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.546 20 obediência aos requisitos da Lei nº 9.532/1997, para a dedução da amortização dos ágios pagos por NUFARM NZ LIMITED e NUFARM AUSTRÁLIA LIMITED. Cabe enfatizar que NUFARM NZ LIMITED e NUFARM AUSTRÁLIA LIMITED, pessoas jurídicas estrangeiras, não podiam diretamente gozar da dedução dos ágios referidos, pois não se submetem ao IRPJ previsto no ordenamento jurídico pátrio. No entanto, a amortização dos ágios que foram pagos, na aquisição de AGRIPEC, poderia beneficiar o grupo investidor, sob o ponto de vista tributário, com a diminuição do IRPJ da investida, desde que se concretizasse a confusão patrimonial entre esta e as investidoras, o que nunca esteve presente nos planos do investimento realizado. No tocante à acusação de infração à legislação da CSLL, impõese salientar, antes de tudo, que o ágio pago com lastro em rentabilidade futura deve ser contabilmente amortizado ao longo do tempo, conforme orienta o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI1: "11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio [. . .] c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. [...] 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO V Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente). (...)" (grifei) 1 Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke. São Paulo: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FEA/USP), 7a Edição. Fl. 6546DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 9101003.571 CSRFT1 Fl. 6.547 21 Portanto, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, na aquisição de investimento, é despesa amortizável; como tal, está sujeita à norma veiculada pelo artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Isso porque, como é cediço, as ações são bens móveis, conforme previsão do artigo 82 do vigente Código Civil. Nesses termos, o ágio pago sob a justificativa de rentabilidade futura, na aquisição de ações, constitui gasto que deve ser amortizado, como despesa, dentro do período pelo qual se pagou por lucros futuros. Nessas circunstâncias, tal despesa de amortização não pode afetar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do já mencionado artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995. Ademais, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, darlhe provimento, com a determinação do retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 6547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.915384/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO.
O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
Numero da decisão: 1401-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PRECLUSÃO. Recorrente BROTO LEGAL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 53 84 /2 01 1- 17 Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10830.915384/201117 Acórdão n.º 1401002.715 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou compensação do(s) débito(s) discriminado(s) na Dcomp transmitida pela empresa. O Despacho Decisório considerou que, partir das características do DARF descrito na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas estes foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Em sua manifestação de inconformidade a Contribuinte alegou, em síntese, que na DIPJ e DCTF do respectivo anocalendário não foram levadas em consideração algumas despesas que mudariam a base de cálculo do IRPJ, juntando DIPJ e DCTF retificadoras. A DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Mantémse o despacho decisório se não comprovado o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo alegando, em síntese, que no anocalendário em discussão, não obstante tenha sido aprovada a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP), referidos valores não haviam sido contabilizados e declarados nas apurações dos respectivos tributos. Anos depois, ao verificar tal situação, a empresa então contabilizou os JCP, procedendo ao recolhimento do respectivo IRRF. Junta, então, documentos demonstrando o cálculo do JCP, Razão das contas demonstrando a contabilização extemporânea, comprovante de recolhimento do IRRF, memória de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme a apuração "antiga" e respectivos comprovantes de recolhimento, memória de cálculo do IRPJ e CSLL retificadas e alteração contratual referente ao aumento do seu capital social. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10830.915384/201117 Acórdão n.º 1401002.715 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Relator Luiz Augusto de Souza Gonçalves O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.709, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10830.915387/2011 42, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.709): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Pleiteia a contribuinte, via declaração de compensação, o reconhecimento da dedutibilidade de juros sobre o capital próprio (JCP) que vieram a ser registrados na contabilidade em momento posterior. A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade por considerar que a DCTF original serviu como confissão de dívida e a empresa não apresentou documentação que comprovasse erro que desse fundamento à retificação do tributo declarado e recolhido. De fato, em sua manifestação de inconformidade a contribuinte se limita a afirmar que o recolhimento foi indevido e a anexar declarações retificadoras, sem tecer qualquer explicação da razão pela qual a retificação estaria sendo feita, nem juntar qualquer documento relativo a tal apuração. Apenas em sede recursal é que a empresa explica o motivo pelo qual entende que ocorreu pagamento a maior de tributos e anexa documentos tais como o Razão e a memória de cálculo dos JCP. Entendo que no caso se operou a preclusão contra a Recorrente. Nos termos da legislação que regula o processo administrativo fiscal (em especial o Decreto 70.235/1972), os fundamentos do pedido ou de defesa, conforme o caso – assim como o pedido de diligência e as provas documentais devem ser apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade ou da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, em regra. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10830.915384/201117 Acórdão n.º 1401002.715 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa (conforme o caso) e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão nesta ocasião precluem. E digo em regra porque existem as hipóteses de exceção. Por exemplo, os incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 trazem hipóteses em que provas podem ser apresentadas em momento processual diverso da impugnação, quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; e/ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Neste caso, cabe ao contribuinte demonstrar, em petição fundamentada, a ocorrência de uma dessas condições, nos termos do § 5º do mesmo dispositivo. Outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. No caso, nenhuma de tais hipóteses de exceção resta configurada. Cumpre notar que, mesmo que assim não fosse, a Recorrente não logra sequer comprovar adequadamente seu direito, já que não foi juntado aos autos qualquer documento societário referente à deliberação dos JCP. Assim, mesmo que se 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10830.915384/201117 Acórdão n.º 1401002.715 S1C4T1 Fl. 6 5 admitisse a análise da documentação juntada e a supressão de instância daí decorrente, não seria possível verificar a procedência das alegações da Contribuinte. Neste sentido, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 490DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.002805/00-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1999
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE N.º 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO.
Configurado o lançamento por homologação e ausente a realização de pagamentos e/ou declaração pela Contribuinte, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 173, I do CTN, operando-se em cinco anos contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento
Numero da decisão: 9303-007.253
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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Acordo Internacional. Companhias Aéreas. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CANADIAN AIRLINES INTERNACIONAL LTDA (sucedida por AIR CANADA) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE N.º 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Configurado o lançamento por homologação e ausente a realização de pagamentos e/ou declaração pela Contribuinte, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 173, I do CTN, operandose em cinco anos contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 28 05 /0 0- 81 Fl. 4183DF CARF MF Processo nº 13808.002805/0081 Acórdão n.º 9303007.253 CSRFT3 Fl. 4.183 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 210200.121, de 03 de junho de 2009 (fls.3445 a 3451 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência para os períodos de apuração até 08/95. A discussão dos presentes autos tem origem auto de infração lavrado contra o Contribuinte para exigir o pagamento de Cofins, relativa a fatos geradores ocorridos entre abril de 1992 e janeiro de 1999, tendo em vista que a fiscalização constatou a falta de recolhimento da exação. O Contribuinte apresentou impugnação, a DRJ – Curitiba/PR julgou improcedente, mantendo o lançamento, cuja ementa abaixo se transcreve. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/01/1999 Fl. 4184DF CARF MF Processo nº 13808.002805/0081 Acórdão n.º 9303007.253 CSRFT3 Fl. 4.184 3 Ementa: ISENÇÃO DA COFINS POR FORÇA DE ACORDO OU CONVENÇÃO INTERNACIONAL ENTRE O BRASIL E O CANADA. DESCABIMENTO. O Acordo sobre Transporte Aéreo celebrado entre o Brasil e o Canadá (Decreto nº299.093, de 1990) se limita, apenas, a permitir a conversão e o envio, a qualquer momento, para o pais onde estiver situada a sede da direção efetiva da empresa, das receitas obtidas, deduzidas das despesas feitas no Brasil, não tratando de sua nãotaxação. Por outro lado, não se aplica à Cofins a isenção prevista na Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda firmada entre o Brasil e o Canada (Decreto n292.318, de 1986), e que é especifica para os impostos sobre a renda. LANÇAMENTO PROCEDENTE" Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência para os períodos de apuração até 08/95, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1999 COFINS. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL —5 ANOS. O prazo decadencial para o lançamento da COFINS é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos exatos termos do §1°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional — CTN. Jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. ISENÇÃO. ACORDO INTERNACIONAL. INAPLICABILIDADE. Fl. 4185DF CARF MF Processo nº 13808.002805/0081 Acórdão n.º 9303007.253 CSRFT3 Fl. 4.185 4 Não se aplica à Cofins a isenção prevista na Convenção firmada entre o Brasil e o Canada para evitar a dupla tributação do imposto sobre a renda para as empresas brasileiras e suíças, inclusive as de navegação aérea. Recurso A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 3465 a 3469) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito a contrariedade à lei. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 3887 e 3888. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 3956 a 3960, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão na parte em que reconheceu a decadência da cobrança da Cofins apurada até agosto/1995. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 3961 a 3985) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário. O Recurso Especial do Contribuinte não foi admitido por se tratar de pleito intempestivo, conforme despacho de fls. 4102/4103, 4105, 4109. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls. 3887 a 3888. Fl. 4186DF CARF MF Processo nº 13808.002805/0081 Acórdão n.º 9303007.253 CSRFT3 Fl. 4.186 5 Do mérito No que tange à decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, vêse, primeiramente, ser importante trazer que o tema abrangente do prazo – se aplicável os dez anos ou cinco anos, à época, foi amplamente debatido no CARF. Não obstante, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, houve clarificação dessa questão, ao afastar o art. 45 da Lei 8.212/1991. Restando, portanto, a priori, analisar se o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN considera a da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4º ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp n.º 973.733SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: Fl. 4187DF CARF MF Processo nº 13808.002805/0081 Acórdão n.º 9303007.253 CSRFT3 Fl. 4.187 6 a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). É de se trazer ainda que, por conta dessa decisão, foi emitida Súmula STJ 555 – que traz o seguinte enunciado: “Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa.” Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. Destarte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. Sendo assim, depreendendose da análise dos autos, é de se verificar que os fatos geradores da presente autuação cingemse aos períodos de apuração de abril de 1992 a janeiro de 1999 (fls. 287 a 305). e que a ciência pelo sujeito passivo aconteceu em 28.09.2000. Decorreu esse procedimento fiscal da constatação de ter havido, nesses períodos, falta de recolhimento da referida contribuição, por entender a Contribuinte que o Acordo sobre Transporte Aéreo celebrado entre o Brasil e o Canadá (Decreto n.º 99.093, de 1990) permitir a conversão e o envio, a qualquer momento, para o pais onde estiver situada a sede da direção efetiva da empresa, das receitas obtidas, deduzidas das despesas feitas no Brasil, sem taxação. E que seria aplicado à Cofins a isenção prevista na Convenção Destinada a Fl. 4188DF CARF MF Processo nº 13808.002805/0081 Acórdão n.º 9303007.253 CSRFT3 Fl. 4.188 7 Evitar a Dupla Tributação Matéria de Impostos sobre a Renda firmada entre o Brasil e o Canada (Decreto n.º 92.318, 86), e que é especifica para os impostos sobre a renda. No caso concreto, como o Contribuinte entendia que havia isenção da Cofins sobre as receitas auferidas com venda dos seus serviços de transporte aéreo internacional auferidas e diante disso não fez o seu recolhimento. Sendo que a Fazenda Nacional entendia que haveria incidência da Cofins. No Recurso Voluntário de fls. 3445, o Colegiado entendeu que não se aplica à Cofins a isenção prevista na Convenção firmada entre o Brasil e o Canadá, para evitar a dupla tributação do imposto sobre a renda para as empresas brasileiras e suíças, inclusive as de navegação aérea, senão vejamos: COFINS. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL —5 ANOS. 0 prazo decadencial para o lançamento da COFINS é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos exatos termos do §1°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional — CTN. Jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. ISENÇÃO. ACORDO INTERNACIONAL. INAPLICABILIDADE. Não se aplica à Cofins a isenção prevista na Convenção firmada entre o Brasil e o Canada para evitar a dupla tributação do imposto sobre a renda para as empresas brasileiras e suíças, inclusive as de navegação aérea. O que resta claro, a meu ver, que deverse aplicar o art. 173, I, do CTN para se definir o termo inicial do prazo decadencial. Eis que não houve pagamento e nem declaração dos débitos questionados. Assim, se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: devese aplicar o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Fl. 4189DF CARF MF Processo nº 13808.002805/0081 Acórdão n.º 9303007.253 CSRFT3 Fl. 4.189 8 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 4190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.907688/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 NULIDADE. AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.907688/201311 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.844 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ASIAN CENTER ADMINISTRACAO DE BENS PROPRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007 NULIDADE. AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 88 /2 01 3- 11 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907688/201311 Acórdão n.º 1302002.844 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1149.856, de 16 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao mês de setembro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 21.126,23, originarseia de pagamento efetuado em 31/10/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907688/201311 Acórdão n.º 1302002.844 S1C3T2 Fl. 4 3 quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 20/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907688/201311 Acórdão n.º 1302002.844 S1C3T2 Fl. 5 4 c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907688/201311 Acórdão n.º 1302002.844 S1C3T2 Fl. 6 5 demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907688/201311 Acórdão n.º 1302002.844 S1C3T2 Fl. 7 6 pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907688/201311 Acórdão n.º 1302002.844 S1C3T2 Fl. 8 7 Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907688/201311 Acórdão n.º 1302002.844 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.729484/2011-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2007
CIDE ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA.
O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei nº 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE.
Numero da decisão: 9303-006.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2007 CIDE ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei nº 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 5.412 1 5.411 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.729484/201129 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.993 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria CIDE AI Recorrente NET SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 CIDE ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei nº 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 94 84 /2 01 1- 29 Fl. 5412DF CARF MF Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 9303006.993 CSRFT3 Fl. 5.413 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3102002.020, de 25 de setembro de 2013, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. As matérias tributadas no lançamento de ofício, conforme discriminado no Termo de Constatação Fiscal (TCF) às fls. 110/118 do processo eletrônico, foram: a) transmissão de eventos (programas televisivos); b) importações gerais (direito autorais e software); c) serviços técnicos e profissionais; e, d) cursos e congressos. O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos das ementas transcritas abaixo, na parte que interessa ao litígio em discussão: "(...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 LICENÇA DE USO OU AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, e royalties. A transferência de conhecimento tecnológico não é condição para incidência da Contribuição. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO REGULAMENTAR. DECRETO. DEFINIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Fl. 5413DF CARF MF Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 9303006.993 CSRFT3 Fl. 5.414 3 Decreto editado com a finalidade de regulamentála deve ser interpretado em conformidade suas disposições. Harmonizase com esse pressuposto, a ausência, no Decreto, de expressões taxativas, que delimitem, ainda que no fito de interpretar, o universo das hipóteses de incidência previstas na Lei. Recurso Voluntário Negado" Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs embargos de declaração alegando omissão. Contudo, analisados os embargos, estes foram rejeitados pelo Presidente da Primeira Câmara, nos termos do despacho às fls. 4.977/4.980. Inconformado com a rejeição, apresentou recurso especial, requerendo o seu provimento a fim de que seja cancelado o lançamento, alegando, em síntese: 1) em preliminar: 1.1) a nulidade da decisão de primeira instância; e 1.2) a nulidade do auto de infração (lançamento); e 2) no mérito: 2.1) a necessidade de haver transferência de tecnologia para que as remessas para o exterior se subsumam à hipótese de incidência da CIDERoyalties; e 2.2) o pagamento de royalties não autoriza a incidência da CIDE por não se amoldar às hipóteses do Decreto nº 4.195/2002. Por meio do despacho Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 5.194/5.201, o recurso do contribuinte foi admitido em parte, em relação às matérias do item 2, ou seja, 2.1) incidência da CIDE sobre pagamentos de royalties; e 2.1) a exigência da CIDE sobre o pagamento de royalties não está autorizada no referido decreto. Irresignado com a admissão parcial do seu recurso, apresentou Agravo insistindo na admissão integral. Contudo, o agravo foi rejeitado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF e mantida a admissibilidade somente com relação àquelas duas matéria, conforme despacho às fls. 5202/5203. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão recorrido, alegando, em síntese, que a exação tem fundamento na Lei nº 10.168/2000, arts. 1º e 2º, § 2º. Sustentou ainda que não há exigência da efetiva transferência de tecnologia para que haja a incidência da contribuição na remessa de valores para pagamento de direitos sobre as aquisições de programas televisivos; e, quanto, ao de as operações não terem sido expressamente relacionadas no Decreto nº 4.195/2002, não representam obstáculo para a incidência da CIDE. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 5414DF CARF MF Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 9303006.993 CSRFT3 Fl. 5.415 4 A matéria em litígio, conforme consta expressamente do recurso especial do contribuinte restringese à incidência da CIDE sobre “as remessas feitas ao exterior para pagamento de licença para transmissão de programação televisa (alínea 'a') direito de transmissão”. O Acórdão paradigma nº 30134.753, comprova a divergência suscitada, a não incidência da CIDERoyalties e a sua não capitulação no art. 10 do Decreto nº 4.195/2002. Segundo o despacho de admissibilidade do recurso especial, o contribuinte suscitou as seguinte matérias: 1) nulidade da decisão de primeira instância; 2) nulidade do auto de infração; 3) transferência de tecnologia como condição para incidência da CIDE; e 4) efeitos do Decreto nº 4.195/2002. O recurso especial foi admitido parcialmente, em relação aos itens 3 e 4. Inconformado, o contribuinte apresentou Agravo, visando a admissão do recurso, na íntegra, ou seja, em relação às 4 (quatro) matérias. Contudo, analisado o Agravo, este foi rejeitado pelo Presidente da CSRF. A CIDE foi criada e regulamentada pela Lei nº 10.168/2000 que assim dispõe: "Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer Fl. 5415DF CARF MF Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 9303006.993 CSRFT3 Fl. 5.416 5 título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001 (...)." O Decreto nº 4.195/2002, que regulamentou essa lei, assim dispõe: "Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes." Desses dispositivos legais, extraise que o legislador determinou a incidência da contribuição tanto nos casos em que a pessoa jurídica é detentora de licença de uso como nos casos de aquisição de conhecimentos tecnológicos. Interpretase que, pelo texto legal, a licença de uso não está vinculada à suposta necessidade de haver a transferência de conhecimento tecnológico. De acordo com o art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, as hipóteses de incidência da CIDE são: a) pagar, creditar, entregar e/ ou remeter a residentes/domiciliados no exterior, royalties a título de remuneração decorrente de contratos de licença de uso e de aquisição de conhecimentos tecnológicos que impliquem transferência de tecnologia, dentre eles, os relativos à exploração de patentes, ao uso de marcas ao fornecimento de tecnologia e à prestação de assistência técnica; b) pagar, creditar, entregar e/ ou remeter a residentes/domiciliados no exterior, royalties a título de remuneração decorrente de contratos de prestação de serviços técnicos, de assistência administrativa e assemelhados; c) pagar, creditar, entregar e, ou remeter a residentes/domiciliados no exterior, royalties a qualquer título. Fl. 5416DF CARF MF Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 9303006.993 CSRFT3 Fl. 5.417 6 Os valores tributados, objeto do lançamento em discussão, estão elencados nas hipóteses acima, royalties a título de contratos de licença e royalties a qualquer título. Destacamos ainda que, dentre os objetivos sociais e econômicos da recorrente estão a prestação de serviços de telecomunicações, tais como serviço de telefonia fixa comutada, serviço de comunicação multimídia, prestação de serviço de TV por assinatura, bem como a exploração de serviços de valor adicionado, preparatórios, correlatos, complementares a esses serviços. Assim, entendemos que os serviços pagos a domiciliados/residentes no exterior, pelo direito de transmitir filmes e programas de televisão são royalties por contraprestação pela aquisição de obras autorias de terceiros. A Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que trata de direitos autorais assim dispõe: “Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...); VI as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; (...).” Já a Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, assim define royalties: “Art. 22. Serão classificados como ‘royalties’ os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...); d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. (...).” Portanto, a remessa de royalties ao exterior, a título de pagamento por licença para exploração e transmissão de programas de TV, configura hipótese de incidência da CIDE, nos termos da Lei nº 10.168, de 2000. Com relação à alegação de que o Decreto nº 4.195/2002, art. 10, não ampara a exigência da exação em discussão, independentemente, de se aceitar ou não esse entendimento, sua exigência, conforme demonstrado anteriormente esta amparada em leis. Assim, demonstrado e provado que, independentemente de transferência de tecnologia, as remessas de valores feitas ao exterior para pagamento de licença para transmissão de programação televisa estão sujeitas a CIDE, mantémse a exação. Fl. 5417DF CARF MF Processo nº 10880.729484/201129 Acórdão n.º 9303006.993 CSRFT3 Fl. 5.418 7 À luz do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 5418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.728981/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL.
A impugnação apresentada fora do prazo hábil previsto na legislação pertinente não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância.
Por sua vez, o recurso voluntário que não é capaz de fazer superada a matéria quanto à intempestividade da impugnação, não deve ser conhecido quanto ao mérito do lançamento.
Numero da decisão: 2402-006.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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NÃO CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL. A impugnação apresentada fora do prazo hábil previsto na legislação pertinente não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância. Por sua vez, o recurso voluntário que não é capaz de fazer superada a matéria quanto à intempestividade da impugnação, não deve ser conhecido quanto ao mérito do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 89 81 /2 01 2- 51 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10469.728981/201251 Acórdão n.º 2402006.530 S2C4T2 Fl. 169 2 João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que não conheceu da Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança do IRPF, relativo aos exercícios 2008, 2009, 2010 e 2011, no importe de R$ 35.283,77, acrescido de multa de oficio (75%) e juros legais Selic. Como infração, foi apontada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que, como dito, não foi conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com a seguinte ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA NÃO CONHECIMENTO. A impugnação apresentada fora do prazo hábil previsto na legislação pertinente não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância. Apresentou Recurso Voluntário às fls. 132/163. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 20.02.2017 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 21.03.2017. Preenchido os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Como bem assentado na decisão de piso, o autuado tomou ciência do lançamento em 12.09.2012 (fls.79) e apresentou sua impugnação em 22.11.2012 (fls. 83). Considerando a inexistência de preliminar de tempestividade, sua impugnação foi, sumariamente, não conhecida por aquela primeira instância de julgamento. Em que pese a impugnação não ter abordado a questão do descumprimento do prazo para impugnar, o recurso voluntário tratou de sua (da impugnação) intempestividade nas seguintes palavras: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10469.728981/201251 Acórdão n.º 2402006.530 S2C4T2 Fl. 170 3 Isso porque não há provas nos autos de que o contribuinte tenha sido notificado em 12 de setembro de 2012, como se pressupõe no acórdão recorrido. Notese que quem assinou o aviso de recebimento (cópia na f. 79 do PAF) é possivelmente José Ricardo dos Santos (o campo nome legível está em branco), que sequer pode ser identificado, por não constar no aludido comprovante referência a RG ou a outro documento a fim. Dessa forma, o aviso de recebimento é nulo de pleno direito e não se pode presumir que o contribuinte tenha sido notificado do lançamento na data que o órgão julgador tomou como termo a quo. Os campos "documento de identificação" não foi preenchido pelos correios, o que afasta qualquer presunção de que o documento tenha sido entregue a pessoa com legitimidade para recebêlo. O termo fiscal de fls. 44/45 foi encaminhado ao autuado para o endereço na "Rua Doutor Francisco Maiorana, 1.766, apto 500 Lagoa Nova/RN CEP 59075060", que foi lá regularmente recebido. Vejase: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10469.728981/201251 Acórdão n.º 2402006.530 S2C4T2 Fl. 171 4 Em resposta, o recorrente protocolizou o requerimento de fls. 47, no qual, preambularmente, fez constar seu endereço tal como o acima reproduzido. Da mesma forma, tanto o Auto de Infração, quanto o Aviso de Recebimento foram encaminhados àquele mesmo endereço, sendo certo que, de igual sorte, foram lá recebidos. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10469.728981/201251 Acórdão n.º 2402006.530 S2C4T2 Fl. 172 5 A alegação de que não haveria prova da intimação não merece, ao meu ver, prosperar. A pessoa que recebeu a correspondência está perfeitamente identificada. Inclusive por meio de sua assinatura se é capaz de chegar a seu nome: José Ricardo dos Santos Em decorrência dessa intimação, o autuado apresentou sua impugnação, intempestivamente é verdade, mas apresentou. Com isso, inexistindo nos autos a evidência de intimação por outro meio ou em outra oportunidade, penso que referida intimação fora eficaz ao ponto de propiciar a defesa do autuado. Quanto à matéria, impõese trazer à colação o texto da Súmula CARF nº 9, verbis: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721303/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2011 a 13/06/2012
OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3402-005.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2011 a 13/06/2012 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
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Recorrente SEGER COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2011 a 13/06/2012 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 13 03 /2 01 5- 91 Fl. 315DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança de multa por cessão de nome prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 lavrada em razão da interposição fraudulenta comprovada da empresa SEGER COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA S.A. (SEGER) em operações de comércio exterior que teriam sido de fato promovidas pela SMS INFOCOMM SERVIÇOS E GERENCIAMENTO DE SOLUÇÕES DE TECNOLOGIA LTDA (“SMS”). A multa decorrente da conversão da pena de perdimento1 é cobrada no Auto de Infração objeto do processo n.º 10983.721304/201536 igualmente posto em julgamento nesta sessão em julgamento. A autuação fiscal se respaldou nas informações prestadas pelas duas empresas no curso da fiscalização, concluindo que as importações incorridas pela SEGER em 2011 e 2012 ocorreram com a SMS como destinatário predeterminado, que inclusive procedia com adiantamentos a título de sinal. Como indicado no Relatório de Ação Fiscal: "Com o objetivo de investigar mais a fundo as importações realizadas pela Seger e cuja destinação era a empresa SMS e sanar dúvidas que ainda não haviam sido esclarecidas pela empresa fiscalizada, em 22/05/2015, encaminhamos Termo de Início de Ação Fiscal (TIAFAdq), relativo ao TDPF 0925200.2015.000425, cuja ciência ocorreu em 28/05/2015 (ARTIAF Adq). Nesta Intimação, solicitamos que a Seger apresentasse cópia das Notas Fiscais de Entrada e de Saída que estariam relacionadas às vendas das mercadorias importadas por meio das DI sob fiscalização, apresentar TODOS OS COMPROVANTES DE PAGAMENTO (onde apareça a data do recebimento e o valor) relativos à venda realizada, esclarecesse sobre como foi feita a programação das importações acima mencionadas e quem determinou quantidade e características das mercadorias importadas, além de explicar se existia uma destinação prévia para um cliente específico em cada operação de importação sob fiscalização e se existe algum contrato entre a SEGER e os clientes das mercadorias importadas. Em 15/06/2015, a Seger apresentou uma listagem discriminando todos os contratos de câmbio (e seus dados) celebrados com os exportadores constantes das declarações de importação sob fiscalização (Tabela Contrato Cambio). Em 17/06/2015, a empresa Seger respondeu ao Termo relativo ao TDPF 0925200.2015.000425 (RespTIAF Adq): encaminhou cópia das notas fiscais de entrada e saída solicitadas; encaminhou uma tabela onde constam os valores recebidos da SMS relativos às notas fiscais de saída emitidas (TabelaPagto) bem como seus comprovantes de depósito. Resposta sobre os itens restantes da intimação. Ainda, para coletar mais informações sobre as importações realizadas pela Seger, cujas mercadorias foram destinadas à SMS, foi emitido o MPFD nº 0925200.2015.000450, em nome da empresa SMS Infocomm, em 22/05/2015, por meio do Termo de Intimação Fiscal 01/2015 (TI SMS). No Termo de Intimação Fiscal nº 01/2015, foram solicitados os seguintes documentos e esclarecimentos: se a empresa mantém ou manteve algum contrato de fornecimento, ou de qualquer outra espécie, com a empresa SEGER, relativamente 1 Com fulcro no art. 23, inciso V, §§1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10983.721303/201591 Acórdão n.º 3402005.494 S3C4T2 Fl. 316 3 às importações efetuadas, detalhamento de como foi realizado o contato da empresa com a SEGER para efetuar a compra das mercadorias importadas (motivo de ter escolhido a SEGER como fornecedora data do pedido, nome do contato na empresa SEGER, detalhe do pedido, quantidade, etc), explicação sobre como foram feitos e comprovação (encaminhando a cópia dos comprovantes) dos pagamentos relativos às mercadorias importadas e adquiridas da SEGER e explicação sobre como se deu a entrega do produto importado pela SEGER à empresa. Em 17/06/2015, a SMS respondeu às referidas solicitações (Resp SMS), alegando que manteve relações comerciais com a empresa Seger, e que sua contratação se deu de forma contratual, apresentando os Contratos de Importação por Encomenda (Contrato por Encomenda). Encaminhou uma planilha de pagamentos realizados à Seger (PlanilhaPagtosSMS) e seus respectivos comprovantes. Informou também que o frete foi contratado e pago pela Seger." (efls. 23/24 grifei) "Os dados da citada tabela revelam que a maioria das notas de saída foram emitidas na mesma data da nota fiscal de entrada ou datas bem próximas, inclusive no caso onde há um * na coluna “Data NFe Saída” houve emissão de nota fiscal de saída em data anterior à data do desembaraço da DI! Isso nos revela que a mercadoria importada não chegou a fazer parte do estoque de mercadorias da empresa Seger, pois no dia em que a nota fiscal de entrada das mercadorias importadas foi emitida, o que representa a data da entrada destas mercadorias no estoque da empresa Seger, também foi emitida a nota fiscal de saída destas mercadorias para a empresa SMS, ou seja, a mercadoria não chegou a constar do estoque de mercadorias da empresa Seger. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas na Tabela 1, tinham um destinatário predeterminado: a empresa SMS Infocomm. A Seger já sabia antes mesmo de seu despacho que a mercadoria importada seria destinada à empresa SMS porém nega essa condição em suas respostas à fiscalização. Esse entendimento é corroborado pela própria resposta da empresa Seger, em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF Adq), abaixo transcrito e contido na resposta da Seger (Resp TIAF Adq): “As importações eram realizadas após a constatação da carência de oferta desses produtos no mercado de eletrônicos e identificação dos interessados para quem eram posteriormente revendidos. Não há contrato entre a SEGER e os clientes das mercadorias importadas.” Ocorre, que a única interessada nos produtos importados pela Seger nas DI sob fiscalização era a empresa SMS Infocomm. Pesa também o fato de a SMS haver apresentado dois contratos de importação por encomenda celebrados com a Seger (Contratos Encomenda). Não é menos importante o fato de a maior parte das importações terem como fornecedor estrangeiro, declarado em todas as DI sob fiscalização, uma empresa sócia da SMS no exterior, a empresa Wistron Corporation e também a SMS Infocomm Corporation, empresa com sede no Texas, Estados Unidos das Américas, homônima da empresa destinatária das mercadorias importadas. Após a análise das declarações de importação (DI) e das respostas da própria empresa Seger, cristalino está que as mercadorias importadas por meio das declarações sob fiscalização tinham, antes mesmo de serem nacionalizadas no despacho aduaneiro, um destinatário prédeterminado: a empresa SMS Infocomm Serviços e Gerenciamento de Soluções de Tecnologia Comercial Importadora e Exportadora Ltda. E esse fato era conhecido pela empresa Seger no momento do registro destas declarações, oportunidade onde deveria ter sido informado à Receita Federal do Brasil quem era o real destinatário das mercadorias (SMS Infocomm). Fl. 317DF CARF MF 4 Logo, concluímos que a proximidade entre as datas de entrada e de saída das notas fiscais relativas às mercadorias importadas, amoldandose à figura de importação por encomenda, sendo que a fiscalizada declarou realizar importação “por conta própria” é o primeiro grande indício da ocultação dos reais adquirentes. Lembramos que esse indício é corroborado pela própria Seger, em sua resposta acima reproduzida, ao declarar que o interesse do destinatário das mercadorias importadas no mercado interno era manifestado antes do início da operação de importação, ou seja, antes de estas terem sido nacionalizadas." (efls. 29/30 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, que foi julgada improcedente pela 23ª Turma da DRJ/SPO, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/02/2011 A infração por "cessão de nome" é um sucedâneo da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros. Cessão de nome. Ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” agindo em descompasso em relação à higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 198) Intimada dessa decisão em 18/04/2016 (efl. 263), a empresa SEGER apresentou Recurso Voluntário em 18/05/2016 (efls. 266/304) alegando em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instância em razão de sua omissão quanto a argumentos trazidos na Impugnação Administrativa quanto ao mérito e por inovar na argumentação (indicando uma quebra da cadeia de IPI); (ii) no mérito, indica a inexistência de interposição fraudulenta de terceiros no presente caso, diante: (ii.1) da não comprovação do dolo, necessária para a própria tipicidade da infração; (ii.2) do respaldo da fiscalização apenas em critérios subjetivos e em indícios, não comprovando a cessão de nome com o fim de ocultar o real adquirente das mercadorias importadas, alegada na autuação. Sustenta que esses indícios já teriam sido afastados por este Conselho em conformidade com o Acórdão 3301002.638; (ii.3) da ausência de simulação na hipótese, sendo que adota política de redução de custos para eliminação de estoques (just in time) sendo que as mercadorias efetivamente entraram em seu estoque. Sustenta que a empresa assumiu risco no negócio, sendo que a SEGER sempre dispôs de capacidade econômico e financeira para realizar suas importações, sendo que a existência de um cliente potencial no mercado interno, cujo interesse pela compra era manifestado previamente à importação mediante o pagamento de um sinal, não elimina o risco da operação face a instância de contrato que previsse sanções em caso de desistência ou falência da empresa interessada na compra; (ii.4) a ausência de fraude tributária, fundamentada pela fiscalização na indevida utilização de benefício fiscal relativo ao ICMS, que teria sido adimplido em conformidade com a legislação estadual, inexistindo na hipótese uma operação interestadual como indicado pela decisão recorrida; Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10983.721303/201591 Acórdão n.º 3402005.494 S3C4T2 Fl. 317 5 (iii) a ausência de comprovação de dano ao erário e a desproporcionalidade entre a penalidade aplicada e a infração cometida; e (iv) a impossibilidade da aplicação cumulativa das multas de cessão de nome e a multa por conversão da pena de perdimento. Após ser dado cumprimento à Resolução n.º 3402001.160 para avocar o presente processo conexo ao processo principal n.º 10983.721304/201536, os autos foram direcionados para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Atentando para o argumento preliminar suscitado pela Recorrente de nulidade da decisão de primeira instância, entendo que a ele cabe provimento, na forma a seguir exposta. Como relatado, sustenta a Recorrente que a decisão de primeira instância seria nula por ter deixado de analisar os argumentos de mérito trazidos na Impugnação Administrativa e por inovar na argumentação (indicando uma quebra da cadeia de IPI). Aponta a Recorrente que teriam deixado de ser analisados os seguintes argumentos: (a) que a SEGER teria incorrido em risco comercial para proceder com as importações objeto da autuação; (b) a ausência de obrigatoriedade de remissão às declarações de importação no fechamento dos contratos de câmbio e a vinculação do contrato de câmbio e a declaração de importação; (c) a comprovação que não houve ocultação dos participantes da operação de importação e a revenda no mercado interno; (d) as considerações de cunho temporal trazidas pela fiscalização (data da intenção de compra, proximidade das datas de emissão das noras fiscais de entrada e saída, tempo das mercadorias em estoque) não são determinantes para a qualificação da modalidade de importação; e (e) importação direta não é caracterizada pela realização de vendas pulverizadas. Atentandose para a r. decisão recorrida, observase que ela se enquadra nas mesmas circunstâncias já identificados em dois processos da mesma Recorrente (SEGER), na sessão de 19/04/2018, nos acórdãos 3402005.230 (processo de cessão de nome) e 3402 005.229 (processo de perdimento), ambos de minha relatoria. Isso porque ela segue um formato não ordinariamente aceito por esta Colenda Turma, como já tivemos a oportunidade de discutir nos Acórdãos n.º 3402004.875, de relatoria da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz e 3402004.134, de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. De fato, a decisão aqui analisada foi proferida nos exatos moldes daqueles casos, com um longo, detalhado e genérico levantamento da legislação e dos procedimentos administrativos sobre o exercício dos controle aduaneiros. Inicialmente, evidencia a necessidade de confirmar a prática de interposição fraudulenta de terceiros para verificar a incidência da infração autuada neste processo de cessão de nome. Desenvolve em uma perspectiva geral, não relativa ao presente caso, qual a forma necessária para proceder com uma importação (habilitação no RADAR efls. 205/206), Fl. 319DF CARF MF 6 o combate às práticas de interposição fraudulenta de terceiros (efls. 206/209), o conceito de interposição em operação de importação e os elementos necessários para admitir uma prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros (efls. 209/227). Por sua vez, o trato específico das questões de mérito do presente processo teria sido feito quando da descrição dos fatos que embasaram a autuação fiscal entre as efls. 227/237. Contudo, como se observa da leitura dessas folhas, elas são uma reprodução ipsis litteris dos principais trechos do Relatório de Ação Fiscal (efls. 16/48). Em seguida, às efls. 237, o acórdão traz menção a uma possibilidade de desconsideração do 1º método de valoração aduaneira, que sequer consta do presente processo. Prosseguindo, adentra efetivamente em argumento específico trazido pela Recorrente, quanto à ausência de dano ao erário (efls. 237/247), ponto no qual novamente ingressa em questões que não se referem ao presente processo por não constar no Relatório de Ação Fiscal (sonegação de PIS/COFINS, quebra da cadeia de incidência do IPI, lavagem de dinheiro). Adentra na questão do benefício fiscal do ICMS (efls. 247/249) para ao final efetivamente enfrentar a discussão em torno da multa por cessão de nome cobrada cumulativamente à multa decorrente da conversão da pena de perdimento (efls. 249/257). Pela leitura da r. decisão recorrida é possível atestar que efetivamente os argumentos de mérito do processo, em torno da inexistência de interposição fraudulenta de terceiros no caso, não foram enfrentados. Com efeito, observase que a r. decisão recorrida efetivamente não adentrou nos pontos (a) a (e) indicados acima, da discussão instaurada na Impugnação em torno do mérito objeto da autuação. Diante disso que é possível adotar as considerações e a exata conclusão alcançada no mencionado Acórdão 3402004.875, de relatoria da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, de 30/01/2018, que passa a integrar as razões de decidir desse acórdão com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99: "De fato, com a simples alusão ao direito aduaneiro vigente e subsequente transcrição do TVF, as razões e documentos apresentadas como mérito nas defesas não foram sequer mencionadas no julgamento a quo (e.g. o impacto do acordo de parceria e distribuição na impossibilidade de se caracterizar as operações como importação por conta e ordem de terceiro; o aumento do limite da habilitação das empresas para operarem no comércio exterior; as vendas serem faturadas e recebidas pela Adaime, conforme notas fiscais, a diversos clientes além da Res Brasil; provas sobre a Res Brasil não ser a única responsável pelas negociações; e o risco operacional assumido pela Adaime). Com relação ao mérito, saliento que as razões são pertinentes ao bom julgamento desse processo, uma vez que, caso verificado nos autos que as operações fiscalizadas não se tratam de importação por conta e ordem, cujo ato dissimulado seria a prestação do serviço, mas sim, eram de importações por encomenda (por não serem importações financiadas por empresa oculta nas operações), o lançamento poderia ser cancelado, conforme a jurisprudência desse Tribunal (Acórdão n. 3402002.275). (...) Dessarte, é hialino que não se trata de matéria que pode simplesmente deixar de ser analisada no julgamento administrativo, sob pena de restar configurada nulidade em função da omissão do órgão judicante. No caso, houve incontestável omissão da DRJ ao julgar as impugnações dos sujeitos passivos, sendo portanto nula, por preterição do direito de defesa dos sujeitos passivos, conforme já decidiu esse Colegiado, entre outros, nos seguintes casos: Acórdãos 3402003.029 e 3402003.047. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10983.721303/201591 Acórdão n.º 3402005.494 S3C4T2 Fl. 318 7 Destaco abaixo a lição de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa López2 sobre o tema: No processo administrativo fiscal, dentre as nulidade mais comuns podemse destacar: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; ou com preterição do direito de defesa; a ilegitimidade de partes; omissão do julgador no enfrentamento das questões de defesa e o não atendimento aos requisitos formais do lançamento. Algumas dessas questões arguidas em preliminar são suficientes para a nulidade dos atos correspondentes e para a extinção de todo o processo administrativo, como a questão da ilegitimidade das partes; outras permitem o saneamento da irregularidade, como é o caso de cerceamento de defesa gerada pela falta indispensável da análise de uma tese arguida pelo contribuinte, ocasionando apenas a nulidade da decisão de primeira instância e o seu saneamento com a prática de ato novo. Efetivamente, ausência de análise dos citados argumentos e provas das impugnações, nesse contexto, ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria por este Conselho, estarseia atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico brasileiro, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. Nesse sentido o artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972 confere efetividade ao texto constitucional ao determinar que: Art. 59. São nulos (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por fim, destaco que foi no intuito de coibir tal sorte de problema que o Novo Código de Processo Civil, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos essenciais da sentença, bem como as situações em que considera não fundamentada qualquer decisão: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 558559. 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 321DF CARF MF 8 IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; (grifei) Resta a este Colegiado, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente ao julgamento a quo que pode ser percebido como supressão de instância administrativa, culminando em preterição do direito de defesa." (grifei) Assim, por uma deficiência na análise do mérito da Impugnação Administrativa apresentada nos presentes autos, deve ser declarada a nulidade da r. decisão recorrida. DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão da 23ª Turma da DRJ/SPO, exarado no presente processo, afetando as peças processuais que lhe sucederam. Objetivando considerações úteis ao prosseguimento e à solução do processo, com base no artigo 59, §2º do Decreto n.º 70.235/724, destaco que deve a DRJ, em seu novo julgamento, guardar observância ao artigo 489, §1º do Código de Processo Civil/2015, analisando os argumentos e provas de defesa com relação ao mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. 4 "Art. 59 (...) § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo" Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720592/2007-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI.
Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata.
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI. Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI. Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 05 92 /2 00 7- 46 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10768.720592/200746 Acórdão n.º 3002000.259 S3C0T2 Fl. 3 2 Tratase de processo de pedido de Declaração de Compensação de IPI com débitos de IRPJ conforme relatório da 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 153/157) exarado nos seguintes termos: "Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação — DCOMP Eletrônica n°42704.41572.130804.1.3.012627 (fls. 04/22), baixada para tratamento manual no presente processo, transmitida em 13/08/2004, cujo débito compensado monta R$ 19173,27, tendo por lastro crédito decorrente de Ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado ao final do trimestre 2°/2004, apurado pela filial n° 036204, localizada no município de BetimMG, com lastro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Do procedimento de fiscalização instaurado por intermédio do MPF d 31 resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 99/105, que concluiu pelo indeferimento do direito creditório sob a seguinte motivação, em síntese: =>em visita A unidade operacional da Petrobrás Distribuidora SA denominada FASBET — Fábrica de Emulsões Asfalticas de Betim constatouse que o estabelecimento industrializa emulsões asfálticas classificadas na TIPI aprovada pelos Decretos 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002, na posição 2715.00.00, com alíquota de 5% (conforme declarou a empresa As fls. 36/37); => até dezembro/2006 a empresa dava saída aos produtos que industrializava — emulsão asfáltica, posição 27.15.00.00 na TIPI — sem destaque do IPI, sob o argumento de se tratar de produto derivado de petróleo, sujeito à imunidade, com amparo na Solução de Consulta favorável obtida pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Asfaltos (da qual é associada) por meio do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 854, de 1993 (fls. 45/47), que expressamente reconheceu tratarse de produto imune, baseado no Parecer Técnico exarado pelo DNC (fls. 43/44); => dai decorreu o acúmulo de créditos que originou diversos pedidos de ressarcimento/compensação; => ocorre que o produto industrializado pelo estabelecimento detentor do crédito, a emulsão asfáltica, posição 27.15.00.00, apresenta aliquota de 5% na TIPI, denotando, assim, não se tratar de produto imune e nem derivado de petróleo nos termos do art. 18, inciso IV, §3 0, do RIPI/2002; => assim ao se proceder a reconstituição da escrita fiscal fazendo incidir o IPI à aliquota de 5% na saída e considerando se os créditos escriturados no RAIPI verificouse a apuração de saldo devedor ao final de todos os trimestres, desde outubro/2001 até junho/2004 (conforme demonstrativos de fls. 73/93 e 94/98), razão por que não existe direito ao ressarcimento/compensação nos moldes previstos nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, tendo, sido, inclusive, os saldos devedores Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10768.720592/200746 Acórdão n.º 3002000.259 S3C0T2 Fl. 4 3 apurados não alcançados pela decadência objeto de lançamento mediante auto de infração; => acerca da conclusão do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP no 854, de 28/07/1993, é de se lembrar que quando o mesmo foi exarado não havia qualquer regulamentação acerca da EC no 03/1993 e, ainda, que o mesmo só tem validade até a publicação de ato ou norma que adote outro entendimento sobre a matéria consultada (aplicação da imunidade A emulsão asfáltica), que, como visto, apresentase atualmente, na TIPI aprovada pelo Decreto n° 4.542/2002 com alíquota de 5%, indicando não se tratar de produto abrangido pela imunidade atribuída aos derivados de petróleo; =>propôsse, assim, o indeferimento do pedido de ressarcimento. 0 auto de infração a que se refere o TVF foi formalizado por meio do processo administrativo n° 10976.000214/200878 — cujo extrato encontrase anexado As fls. 143/146do presente processo — que se encontra enviado A PFN desde 30/12/2008. Na seqüência foi proferido o Despacho Decisório de fls. 106/108, que, mencionando a conclusão do Termo de Verificação Fiscal pelo Indeferimento do pleito e destacando excerto do citado Termo que esclarece não se tratar a emulsão asfáltica de produto abrangido pela imunidade a que se refere o art. 153, §3° da CF, mas, sim, de produto tributado à alíquota de 5% na TIPI, concluiu pelo indeferimento do direito creditório e pela não homologação da compensação declarada. Ciente do despacho decisório em 19/01/2009 (fls. 112/113) manifestou a interessada a sua inconformidade em 13/02/2009 (fls. 114/124), alegando, em apertada síntese: i) a nulidade do despacho decisório por falta de motivação; ii) eventual equivoco na tributação de emulsão não reflete inadequação na tomada de crédito de IPI pelas entradas de MP, PI e ME, assim, procede o creditamento realizado, conforme já reconhecido tantas vezes pela SRF, a exemplo do DOC. 07; iii) requer a produção de prova documental suplementar e diligência fiscal no estabelecimento tendente a determinar a adequação dos créditos tomados, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a homologação da compensação declarada. Ocorre que, não obstante o Despacho Decisório mencionasse o Termo de Verificação Fiscal — o que nos leva a inferir ter sido o mesmo adotado como fundamento para o indeferimento do pleito — não se verificou dos autos ter sido remetida sua cópia à pleiteante (que também não se valeu da faculdade de vista dos autos durante o prazo de impugnação), o que motivou o retorno do processo A. DRF de origem, em diligência (fls. 147/148), a fim de que fosse remetida cópia do Termo de Verificação Fiscal e reaberto prazo para apresentação de razões adicionais de defesa, de modo a se assegurar o pleno exercício do contraditório e ampla defesa. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10768.720592/200746 Acórdão n.º 3002000.259 S3C0T2 Fl. 5 4 Cumprida a diligência (fls. 149/150) e oportunizada a se manifestar a interessada não se pronunciou." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 114/124), alegando, em resumo, que deveria ser anulado o r. Despachos Decisório DRF/CON nº 61 (fls. 106/108) de 13/01/2009 por conter vício a decisão proferida pela DRF, informando que os créditos referemse à aquisição de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários, apontando o equívoco na tributação da emulsão asfáltica e, por fim, devendo reconhecer a totalidade do crédito compensado com base no art. 21, § 3º e 6º da Instrução Normativa SRF nº 900/08. Analisado os argumentos do contribuinte pela 3ª Turma da DRJ/JFA na manifestação de inconformidade (fls. 114/124) que julgou improcedente, por entender que o contribuinte deixou de destacar o IPI (até dezembro/2006, passando a fazêlo somente a partir de janeiro/2007) nas vendas de emulsões asfálticas, produto classificado sob o código 2715.0000, sujeito à alíquota de 5% na TIPI, sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 SALDO DEVEDOR. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL.CONVALIDAÇÃO. À apresentação de defesa dissociada da motivação do indeferimento do direito creditório implica convalidação da reconstituição da escrita fiscal que apurou saldos devedores após o registro dos débitos decorrentes das saídas de emulsão asfáltica, não havendo se falar em direito creditório a ser reconhecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PROVA DOCUMENTAL/DILIGÊNCIA. Indeferemse os pedidos de apresentação de prova documental suplementar em momento posterior à impugnação e de diligência quando a autoridade julgadora os entende desnecessários e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez constatada a inexistência do saldo credor passível de ressarcimento indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da(s) DCOMP(s) em análise, cabe a não homologação da(s) compensação (ões) sob exame. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10768.720592/200746 Acórdão n.º 3002000.259 S3C0T2 Fl. 6 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 164/170) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) a suposta incidência de IPI nas saídas das emulsões asfálticas, em . face da .sua respectiva imunidade constitucional e ausência de TIPI especifica para seu efetivo enquadramento.; b) o efeito suspensivo e, por fim, c) a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator É oportuno esclarecer que, embora tenha o contribuinte denominado o seu recurso de "RECURSO ADMINISTRATIVO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE" em atenção ao princípio da fungibilidade, recebo e processo como Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte a nulidade do despacho decisório por falta de motivação, o que não se pode prosperar, pois como bem descrito no acórdão proferido pela DRJ "além de mencionar a conclusão do Termo de Verificação Fiscal pelo Indeferimento do pleito, destacou excerto do citado Termo que esclarece não se tratar a emulsão asfáltica de produto abrangido pela imunidade, mas sim de produto tributado à alíquota de 5% na TIPI", claramente demonstrado as razões de fato e de direito que fundamentaram o indeferimento, ademais pode se perceber que seguiuse todos trâmites regulares e legais quanto ao seu processamento, afastando também qualquer narrativa de cerceamento de defesa. Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações, passo a analisar o cerne da lide, qual seja, se a emulsão asfáltica, supostamente abrangida pela imunidade, darseia direito a crédito ou se é produto tributado à alíquota de 5% classificada na TIPI. Por oportuno, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 99/105) é esclarecedor para demonstrar que "se o produto está sujeito à alíquota do IPI na TIPI (aprovada pelos Decretos nºs 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002), ela deve ser aplicada, salvo disposição em contrário. Concluindo, as emulsões asfálticas, classificadas na TIPI na posição 27.15.00.00, não estão incluídas na imunidade prevista no artigo 155, §3° da CF, e devem ser tributadas Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10768.720592/200746 Acórdão n.º 3002000.259 S3C0T2 Fl. 7 6 pelo IPI à aliquota de 5%.". Sendo assim, "incorretas as atitudes tomadas pelo contribuinte no sentido de não promover o recolhimento do IPI nas operações que têm por objeto os produtos em apreço". Cabe aqui, observar que na reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo devedor de IPI em todos os trimestres, não tendo assim, o contribuinte, direito a restituição/compensação nos moldes previstos nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Ademais, a compensação tributária é regulada pelo art. 170 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública" (grifo nosso). Ainda que se assim não fosse, prevalecendo a tese preconizada pelo contribuinte que a emulsão asfáltica "cuja imunidade constitucional é decorrente do mesmo ser integralmente derivado de petróleo, conforme art. 155 §39 da CF/88", entendo que não assiste razão o contribuinte em sua tese. É o que se infere nos termos do art. 11, da Lei nº 9.779/99, instituidora do regime de creditamento em discussão, é expresso em garantir o benefício somente quanto à produção de mercadorias isentas e sujeitas à alíquota zero, não se estendendo às mercadorias imunes ou não tributadas, nos seguintes termos: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." A imunidade tributária se diferencia das figuras exonerativas da isenção e da alíquota zero principalmente pelo fato de que, nessas situações, os entes políticos têm competência para instituir o tributo, mas que, por razões extrafiscais, decidem exonerar determinados setores ou produtos por meio de normas infraconstitucionais, cuja tributação encontravase constitucionalmente autorizada. Por fim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem reconhecendo a vedação do aproveitamento de créditos de sobre insumos utilizados na industrialização de produtos imunes ao IPI. (Acórdão nº 9303006.516 e Acórdão nº 9303004.581). No tocante ao efeito suspensivo requerido pelo contribuinte a fim de garantir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ressalta não ser necessário qualquer provimento por parte do relator, uma vez que tal suspensão já está garantida na forma do art. 151, III do CTN, "in verbis": "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10768.720592/200746 Acórdão n.º 3002000.259 S3C0T2 Fl. 8 7 III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.001583/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade - ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001.
PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação do rendimento omitido, os créditos serão analisados individualizadamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. TITULARIDADE. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. LIMITES. PESSOAS FÍSICAS.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária.
Numero da decisão: 2202-004.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, por considerarem decaído o lançamento relativamente ao ano-calendário 1998.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade - ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação do rendimento omitido, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. TITULARIDADE. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. LIMITES. PESSOAS FÍSICAS. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, por considerarem decaído o lançamento relativamente ao ano-calendário 1998. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2011; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 309 1 308 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.001583/200450 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.611 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente MARIO CESAR VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação do rendimento omitido, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. TITULARIDADE. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. LIMITES. PESSOAS FÍSICAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 15 83 /2 00 4- 50 Fl. 309DF CARF MF 2 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, por considerarem decaído o lançamento relativamente ao anocalendário 1998. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1118.281, proferido pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (DRJ/REC), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10410.001583/200450 Acórdão n.º 2202004.611 S2C2T2 Fl. 310 3 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/13, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (TRPF), relativamente aos anos calendário de 1998 e 1999, no valor total de R$ 69.901,66 (sessenta e nove mil, novecentos e um reais e sessenta e seis centavos), acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 31/03/2004, perfazendo um crédito tributário total de R$ 175.358,74 (cento e setenta e cinco mil, trezentos e cinqüenta e oito reais e setenta e quatro centavos). 2. Foi expedido o Termo de Início de Fiscalização de fls. 14/15, pelo qual foi solicitado ao contribuinte que apresentasse, relativamente aos anoscalendário de 1998 e 1999, entre outros documentos, os extratos bancários relativos às contas bancárias mantidas por ele junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior. 3. Cientificado em 05/05/2003 (AR de fls. 16), o contribuinte, após solicitar prorrogação de prazo (fls. 17), apresentou os documentos de fls. 24/81. 4. Foram expedidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira de fls. 21/23, pelas quais as instituições financeiras Banco do Brasil S/A e Caixa Econômica Federal foram intimadas a apresentar dados relativos à movimentação das contascorrentes do contribuinte nos anos calendário de 1998 e 1999. Em atendimento, foram apresentadas as cartasresposta/documentos de fls. 83/84 e 123/175. 5. A fiscalização, então, de posse da documentação coletada, procedeu à elaboração de planilha contendo os depósitos bancários efetuados nas contas bancárias de titularidade do contribuinte e a encaminhou ao contribuinte, mediante intimação, solicitando que ele comprovasse, mediante a apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas mesmas (fls. 85/88). 6. O contribuinte, em atendimento, após ser reintimado (fls. 89/90), apresentou a cartaresposta/documentos de fls. 91/108. 7. Novos esclarecimentos foram solicitados ao contribuinte (fls. 109/111), que, em resposta, apresentou a cartaresposta de fls. 112, na qual informa não ter mais qualquer documento a apresentar. 8. A fiscalização, então, procedeu à lavratura do Auto de Infração, em virtude de ter sido constatada omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme descrição dos fatos de fls. 06/07. 9. Ciência do lançamento em 14/04/2004, conforme AR de fls. 176. Fl. 311DF CARF MF 4 10. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 14/05/2004, a impugnação de fls. 180/188, alegando, em síntese: I que a simples movimentação financeira não pode servir de base para a incidência da regra matriz do imposto de renda, pois tal movimentação não constitui renda, citando doutrina e jurisprudência administrativa; II que os fatos geradores verificados no período de janeiro de 1998 até abril de 1999 não poderiam originar obrigação tributária, pois já estava extinto o crédito tributário de referido período, face ter se operado a homologação tácita, de que trata o art. 150, § 4o, do CTN; III que o lançamento tomou como base provas ilícitas, face à quebra de seu sigilo bancário sem prévia autorização judicial, as quais devem ser desentranhadas do processo, citando jurisprudência. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/REC, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1o de Janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DO VALOR OMITIDO. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada não se confunde com a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, por se tratarem de infrações distintas, apuradas de forma distinta, pois na primeira não é procedido ao levantamento das origens e aplicações de recursos do contribuinte em cada mês; cada depósito, individualizadamente, deve ser objeto de comprovação pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999 SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10410.001583/200450 Acórdão n.º 2202004.611 S2C2T2 Fl. 311 5 E lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. IRPF. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O termo inicial para a fluência do prazo decadencial, para fins de lançamento do imposto de renda das pessoas físicas, na hipótese de não ter havido pagamento do imposto, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, objeto da decisão. Lançamento Procedente O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/REC em 15/03/2007. Inconformada com a decisão, apresentou Recurso em 16/04/2007 (efls. 223/235), repisando os argumentos da impugnação, e inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens ou de depósito recursal. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e extinção do processo fiscal. Fl. 313DF CARF MF 6 O Recurso Voluntário do contribuinte foi julgado em 01/06/2009, momento em que foi exarado o acórdão nº 340100.098, que teve a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 IRPF PRINCIPIO DA IRRETROAT1V1DADE DA LEI TRIBUTARIA LANÇAMENTO COM ORIGEM NA LEI N° 10.174 DE 2001 IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. A vedação prevista no art. 11, § 3o, da Lei 9.311 de 1996, referiase expressamente à constituição do crédito tributário. A revogação desse dispositivo pela Lei n° 10.174, de 2001, deve ser entendida como nova possibilidade de lançamento. Em se tratando de nova forma de determinação de imposto de renda, hão de ser observados o princípio da irretroatividade e anterioridade da lei tributária. Os fatos geradores ocorridos antes de 9 de janeiro de 2001, praticados então sob a égide da Lei n° 9.311/96, estavam consumados, perfeitos e acabados, quando foi editada a Lei n° 10.174/2001, motivo pelo qual não é possível admitir sobre esses fatos geradores a aplicação retroativa da referida Lei, sob pena de ofensa ao Princípio da Segurança Jurídica. Preliminar de irretroatividade acolhida. Recurso provido. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial argumentando, em síntese, a divergência de entendimento quanto à retroatividade da Lei 10.174/2001, entre o acórdão recorrido, que entendeu pela irretroatividade, cancelamento da exigência, e o acórdão paradigma, que entendeu pela retroatividade; e por contrariedade à Súmula CARF nº 35. O recorrente foi cientificado do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, em 28/01/2011, e não apresentou contrarrazões. O Recurso Especial foi julgado em 26/10/2016, tendo sido exarado o acórdão nº 9202004.520, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 APLICABILIDADE RETROATIVA DA LEI 10.174/2001 Aplicação da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3o, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente, com retorno dos autos a Turma a quo. Diante dessa decisão, a Câmara Superior determinou o retorno dos autos a esta Turma, para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10410.001583/200450 Acórdão n.º 2202004.611 S2C2T2 Fl. 312 7 Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Considerando a decisão da Câmara Superior, pela retroatividade do art. 11, § 3o, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, retorno análise aos argumentos do Recurso Voluntário. Das preliminares Inconstitucionalidades. Inocorrência Alega o recorrente ser inconstitucional a exigência de arrolamento de bens e direitos ou depósito recursal de 30% do valor do débito para interposição de recurso voluntário. Assevera que a fiscalização se baseou em provas ilícitas, visto que quebraram o sigilo bancário sem prévia autorização judicial. Acrescenta que o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, além de ser inconstitucional, não poderia ser aplicada a fatos geradores já constituídos, nos termos do art. 106 do CTN. Primeiramente, observo ao recorrente que não é dado a este Conselho se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei em plena vigência, nos termos da Súmula Carf nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Além disso, os julgadores de segunda instância devem obediência ao Regimento Interno deste Conselho, nos termos de seu art. 62: "Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.". Entretanto, esclareço à defesa que não há mais exigência de arrolamento de bens ou depósito judicial como condição para apresentação de Recurso Voluntário, conforme Atos Declaratórios Interpretativos RFB nº 09/2007 e 16/2007. Quanto à quebra de sigilo bancário ser possível apenas por determinação judicial, essa questão já foi matéria de debate no STF, tendo consolidado o entendimento pela constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza a fiscalização a obter informações bancárias dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, o que pode ser visto nas decisões do Recurso Extraordinário nº 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade nºs 2390, 2386, 2397 e 2859. Conforme relato fiscal e provas acostadas aos autos (efls. 8/24), verificase que o contribuinte foi intimado a apresentar extratos bancários, dentre outros documentos, após solicitação de prorrogação de prazo para entrega de documentos, concedido pela fiscalização, sem que fosse atendida no novo prazo. Diante disso, foi solicitada à autoridade competente Fl. 315DF CARF MF 8 autorização para emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF para o Banco do Brasil, e a Caixa Econômica Federal, que foi deferida, e, em sequência foram emitidas as requisições, e atendidas por essas Instituições bancárias. Como se verifica, a fiscalização atendeu a todos os requisitos dispostos na Lei Complementar nº 105, quanto à obtenção dos extratos bancários do contribuinte, vez que a RMF foi emitida com procedimento fiscal em curso, e diante da inércia do recorrente em apresentar, no prazo, os extratos solicitados pela auditoria, mesmo após esta ter concedido a prorrogação requisitada; e o exame de tais dados eram imprescindíveis à autoridade fiscal, nos termos do art. 2º, § 5 c/c art. 3º do Decreto nº 3.724/2001: Art. 2º [...] §5oA Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis.(Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). [...] Art.3oOs exames referidos no § 5odo art. 2osomente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país com tributação favorecida ou beneficiária de regime fiscal de que tratam os art. 24 e art. 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996;(Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; [...] §1oNão se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10410.001583/200450 Acórdão n.º 2202004.611 S2C2T2 Fl. 313 9 Analisando o relato fiscal, e documentos acostados aos autos, entendo que a emissão de RMF estava justificada dada a elevada movimentação bancária que ultrapassava mais que 10 vezes os rendimentos declarados (fls. 7): Portanto, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. Decadência O recorrente argumenta que ao tempo do lançamento fiscal, já teria ocorrido a homologação tácita das declarações feitas pelo contribuinte, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, e por isso não seria possível lançar de ofício. Assim, os fatos geradores do período de 01/1998 a 04/1999 estariam decadentes, não cabendo a aplicação do art. 173 do CTN como entende a DRJ. Em relação à decadência dos tributos lançados por homologação, há que se observar a decisão do STJ, no sentido Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4o, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rei Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rei. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rei Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ28.02.2005). 2. E que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 317DF CARF MF 10 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10aed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., MaxLimonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão acima transcrita deve ser reproduzida pelos conselheiros do CARF, conforme alínea "b" do inciso II do § 1º art. 62 do Anexo II de seu Regimento Interno: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10410.001583/200450 Acórdão n.º 2202004.611 S2C2T2 Fl. 314 11 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF n° 152. de 2016) Considerando que não há nos autos evidência de dolo, fraude ou simulação, para a análise da decadência há que se observar se houve o pagamento antecipado efetuado pelo recorrente, a fim de que seja aplicada a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Compulsando o autos, efls. 54/56 e 79/82, as Declarações de Ajuste Anual, referentes aos AnosCalendário 1998 e 1999, demonstram que não houve pagamento antecipado, devendo ser aplicada a regra decadencial do art. 173, inciso I, do CTN. De outra sorte, no caso dos autos, cabe lembrar que o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física ocorre em 31 de dezembro do anocalendário. Aliás, o acórdão 2102003.221, de 20/01/2015, explica de forma sucinta e objetiva essa questão: Quanto ao tempo de ocorrência do fato gerador, a doutrina adotou a seguinte classificação: instantâneos, periódicos e continuados. Os fatos geradores periódicos, também denominados complexivos, são aqueles que se realizam ao longo de um intervalo de tempo, como é o caso do IRPF, que embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Tal posicionamento já está consolidado neste Conselho na Súmula Carf nº 38: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.". Portanto, estabelecido está que os fatos geradores do IRPF relativo aos anos calendário 1998 e 1999 ocorreram em 31/12/1998 e 31/12/1999. Aplicando a regra do art. 173, inciso I, do CTN, a contagem do prazo decadencial para o ano de 1998 iniciou em 01/01/2000, e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 14/04/2004 (efls. 177), não há que se falar de decadência em relação ao ano de 1998, e, muito menos para o ano de 1999. Do Mérito Arrazoa o recorrente que, a simples movimentação financeira não é base para a incidência de imposto, pois não constitui renda. Não concorda com a decisão de piso, de que não comprovou a origem, uma vez que o ônus é do Fisco. Em relação a essa alegação, lembro que não se está tributando o depósito bancário, por si só. O lançamento foi baseado em uma presunção legal, estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.420/96, que permite a tributação apenas sobre os créditos cuja origem não tenha Fl. 319DF CARF MF 12 sido comprovada, não cabendo à autoridade autuante a prova do consumo da renda, nos termos da Súmula Carf 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Aliás, oportuna a transcrição da exposição da Conselheira relatora Núbia Matos Moura no Acórdão nº 156.673, de 08/10/2008, um dos que serviram como paradigma para a edição da citada Súmula, acerca da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96: [...] a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em outras palavras, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu no caso. (Grifei) Portanto, não se trata aqui de estabelecer se os depósitos bancários são renda ou proventos, mesmo porque, na presunção legal aqui debatida, a Lei não atribuiu tal dever ao Fisco. A competência é de saber se o contribuinte comprovou a origem de tais recursos, o que lhe afastaria a tributação. Aliás, é obrigação do contribuinte manter em boa guarda os documentos enquanto não extinto o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário, pelos mesmos prazos concedidos à Administração Tributária para rever de ofício o lançamento efetuado, na forma dos artigos 149 e 173, ambos do CTN. No caso dos autos, após a análise dos documentos fornecidos pelas Instituições Financeiras, e documentos apresentados após o prazo, pelo contribuinte, auditoria intimou e reintimou o recorrente a comprovar as origens dos depósitos em suas contas bancárias, com documentação hábil e idônea, conforme relação anexada ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 86/88). Analisando a documentação apresentada pelo recorrente (fls. 92/109), há que se concordar com as razões da fiscalização para considerar que elas não eram suficientes para comprovar a origem dos recursos (efls. 8): Em 22/12/2003, como resposta ao Termo de Intimação para justificar os depósitos bancários, o fiscalizado encaminhou vários recibos particulares de transações comerciais, contudo, não mereceram crédito em função de não serem documentos hábeis e idôneos, pois são recibos emitidos pelo próprio contribuinte, sem nenhuma comprovação da operação comercial descrita, além do que, não são compatíveis com as datas e os valores dos depósitos a serem justificados, ver fls. 91 a 108. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10410.001583/200450 Acórdão n.º 2202004.611 S2C2T2 Fl. 315 13 Portanto, dada a inércia do recorrente em comprovar durante o procedimento fiscal a origem do recurso, e não tendo trazido aos autos quaisquer documentos nesse sentido, quer na Impugnação, quer no Recurso Voluntário, limitandose a fazer alegações genéricas, não vejo razão para reforma do acórdão recorrido, devendo ser mantida integralmente a exigência fiscal. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13404.720027/2015-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que não possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
Numero da decisão: 1001-000.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 04) para o ano calendário 2015, tendose em vista a existência de débito (COFINS, código de receita 2172, do período de apuração 05/2013) com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 4. 72 00 27 /2 01 5- 14 Fl. 41DF CARF MF 2 Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 12/14) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o débito que deu causa ao indeferimento não foi pago. Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 25/02/2016 (efl. 16) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 24/03/2016 (e fl. 32), em que aduz, em resumo, que pagou de fato o débito na época devida, anexando cópia de documento de pagamento do débito. Esta Turma extraordinária converteu o julgamento o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem envidasse esforços no sentido de averiguar a idoneidade do documento citado, para : a) intimar a instituição bancária a confirmar o recolhimento em 19/06/2013, no importe de R$513,85 (efl. 07); b) atestar se o recolhimento foi suficiente para a quitação do débito citado (COFINS, código de receita 2172, do período de apuração 05/2013). A Unidade de Origem respondeu (efl. 38), atestando: Vale saliente que este débito foi pago no seu vencimento legal, porém, com erro no campo identificador do DARF. Em 22 de março de 2016, apresentou nesta ARF, pedido de retificação de DARF – REDARF doc. fls. 18/21, constante do processo administrativo 13404.720.021/201610, que após retificação liquidou o débito em referência (DARF fls. 37). Diante dos fatos exposto, devolvo o processo ao CARF, certificando o pagamento pela empresa, e, até o presente momento inexistindo débitos vencidos conforme informações de apoio para emissão de certidão fls. 36. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 06) para o ano calendário 2015. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13404.720027/201514 Acórdão n.º 1001000.685 S1C0T1 Fl. 42 3 (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) O documento de arrecadação (efl. 07) que o recorrente afirma referirse a recolhimento em 19/06/2013, no importe de R$ 513,85, foi confirmado pelo sistema de arrecadação da Receita Federal. Ou seja, o débito que deu causa ao indeferimento foi pago, conforme registra o extrato de pagamento anexado (efl. 11), período de pesquisa: 15/06/2013 a 20/06/2013. Desta forma, concluo que não havia impedimento para a adesão. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 43DF CARF MF
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