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Numero do processo: 10880.041358/89-92
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 203-00.400
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CELSO ANGELO LISBOA GALLUCCI
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score : 1.0
Numero do processo: 13963.000278/93-50
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 203-00.399
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: OSVALDO JOSE DE SOUZA
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Processo Sessão de Recurso Recorrente : Recorrida : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13963.000278/93-50 09 de novembro de 1995 98.303 MECRIL METALÚRGICA CRICIÚMA LTDA DRJ em Florianópolis - SC DILIGÊNCIA N° 203-00.399 I'.::. ".'- .~I'; , , /. " . ~",, :"',"'".,,',C •.• r. . ,,-, . , " , .' \';".' . ,"' ,- . .~." - ~-.,'!. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 1995//....;;/ OSvald6 José d;;~ Presidente e Relator itmlir-gb 1 Por bem descrever os fatos em exame no presente processo, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a decisão recorrida (fls. 278/279): , ' " I'. I ,\ \ • ,j Processo Diligência Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13963.000278/93-50 203-00.399 98.303 MECRIL METALÚRGICA CRICIÚMA LTDA. RELATÓRIO "Trata o presente do auto de infração (fl. 183), de falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, no qual é formalizado a exigência do imposto, na importância equivalente a 887.395;96 UFIR (Oitocentos e oitenta e sete mil trezentos e noventa e cinco inteiros e noventa e seis centésimos), acrescida da multa de oficio e juros de mora. Em trabalho de auditoria fiscal a autoridade lançadora constatou que a empresa deixou de pagar o imposto no periodo de agosto/90 a outubro/93, como se verifica às folhas 162/163. Pessoalmente, tomou ciência do Auto de Infração, apresentando impugnação tempestiva na forma prevista no art, 15 do Decreto nO70.235/72.: Com fundamento no art. 38 ~ único da Lei 6.830/80 (fl. 245), a autoridade julgadora de la instância deixou de tomar conhecimento da impugnação. Intimada a pagar ou parcelar o débito constante do Auto de Infração, formalizou recurso tempestivo ao Conselho de Contribuintes, cujas razões, tanto as levantadas na peça impugnatória (fls. 190/215), endereçada à autoridade julgadora de la instância, quanto às mencionadas no recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes deixo de relatar, tendo em vista às circunstâncias que envolvem este feito, como abaixo colocado: - A interessada, para resquardar o que entende ser direito seu, ingressou em 22/01193, na esfera judicial com Mandado de Segurança _ processo n° 92.0000973-7, (fls. 05/29), prevenindo-se por antecipação, de forma ampla e abrangente, contra possíveis cobranças do IPI, cuja legislação indíque período de apuração quínzenal ou decendíal e prazo de pagamento inferior a sessenta dias. 2 - Pelo exposto, com base na documentação acostada aos autos, demonstrado está haver em tramitação na esfera judicial ação contra idêntica matéria questionada na esfera administrativa, o que torna inócua a decisão desta esfera de julgamento pela superveniência daquela." Na mencionada decisão, a autoridade singular não tomou conhecimento da impugnação, por ser incabivel a sua apreciação, tendo em vista o apelo efetivado pela interessada ao Poder Judiciário, o que implica renúncia da discussão da matéria na esfera administrativa. Determinou, portanto, que se prosseguisse na cobrança do débito, tendo em vista o ~ IOdo art. 585 do Código de Processo Civil e considerando não haver os impeditivos previstos nos incisos 11 e IV do art. 151 do Código Tributário Nacional- CTN. Processo Diligência MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13963.000278/93-50 203-00.399 - Em 15 de fevereiro de 1993 (fi. 242), foi deferida a Medida Liminar, condicionada ao depósito judicial das parcelas questionadas. - Como a impetrante não efetuou referidos depósitos (fi. 243), a liminar foi revogada. •• • Cientificada em 19/06/95, a interessada interpôs recurso voluntário em 13/07/95 a este Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes às fls. 286/287, reiterando os motivos elencados na peça impugnatória e trazendo ao recurso, a matéria julgada pelo Acórdão n° 203-01.615 deste Conselho, expurgo da IR incluso no imposto que deveria ser recolhido no periodo de fevereiro ajulho/91, assim ementado: "IPI - ISENÇÃO - O parágrafo 1° do art. 41 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988 revogou os incentivos fiscais de natureza setorial que não vierem a ser confirmados, após transcorridos dois anos da promulgação da referida Constituição. ENCARGOS DA TRD _ não são devidos no periodo de 04.02.91 a 29.07.91 - Recurso parcialmente provido" (Recorrente: Ind. e Com. de Brita Costeira Ltda. e Recorrida: DRF em Florianópolis - Segundo Conselho de Contribuintes, j. 16.06.94)." É o relatório . 3 O meu voto é no sentido de diligenciar à repartição de origem para que se digne anexar aos autos a sentença da autoridade judiciária impetrada no "mandamus" em tela, isto é, deverá o órgão preparador providenciar para que seja anexada aos autos a sentença proferida no mandado de segurança impetrado pela recorrente. A discussão está guiando em tomo do fato de a recorrente ter optado pela via judicial, com isto abdicando da via administrativa. No entanto, necessário se faz conhecer a decisão judicial para aquilatar em que termos terá sido prolatada. É o meu voto. Processo Diligência MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13963.000278/93-50 203-00.399 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OSVALDO JOSÉ DE SOUZA Sala das Sessões, em 09 de novembro de 1995 • UZA 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 37169.002836/2004-78
Turma: Sexta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO AO FISCO DE DOCUMENTOS SEM AS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
A apresentação deficiente de documentos, por não estarem preenchidos conforme prescreve a norma de regência, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
INSS. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE DOCUMENTOS RELACIONADOS À CONDIÇÕES DE TRABALHO.
A Lei atribuía ao INSS competência para verificar documentos relacionados às condições ambientais de trabalho, posto que esses são necessários à apuração das contribuições para financiamento da aposentadoria especial.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 31/12/2003
MATÉRIA CONSTITUCIONAL JÁ RESOLVIDA EM DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STJ. POSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO DO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO SOBRE A QUESTÃO.
O órgão de julgamento administrativo pode deixar de aplicar ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, em decisão plenária definitiva.
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO.
Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 296-00.080
Decisão: Acordam Os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente
Dr(a). Clayton Rafael Batista, OAB/SC n° 14922.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO AO FISCO DE DOCUMENTOS SEM AS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. A apresentação deficiente de documentos, por não estarem preenchidos conforme prescreve a norma de regência, caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. INSS. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE DOCUMENTOS RELACIONADOS À CONDIÇÕES DE TRABALHO. A Lei atribuía ao INSS competência para verificar documentos relacionados às condições ambientais de trabalho, posto que esses são necessários à apuração das contribuições para financiamento da aposentadoria especial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 31/12/2003 MATÉRIA CONSTITUCIONAL JÁ RESOLVIDA EM DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STJ. POSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO DO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO SOBRE A QUESTÃO. O órgão de julgamento administrativo pode deixar de aplicar ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, em decisão plenária definitiva. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam Os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Clayton Rafael Batista, OAB/SC n° 14922.
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Siape 75 16F3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA TURMA ESPECIAL 37169.002836/2004-78 148.377 Voluntário AUTO DE INFRAÇÃO 296-00.080 10 de fevereiro de 2009 TEKA TECELAGEM KUEHNRICH S.A. SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA - SRP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO AO FISCO DE DOCUMENTOS SEM AS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS. INFRAÇÃO .1k LEGISLAÇÃO. A apresentação deficiente de documentos, por não estarem preenchidos conforme prescreve a norma de regência, caracteriza infração a legislação por descumprimento de obrigação acessória. INSS. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE DOCUMENTOS RELACIONADOS A CONDIÇÕES DE TRABALHO. A Lei atribuía ao INSS competência para verificar documentos relacionados As condições ambientais de trabalho, posto que esses são necessários à apuração das contribuições para financiamento da aposentadoria especial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 31/12/2003 MATÉRIA CONSTITUCIONAL JA RESOLVIDA EM DECISÃO PLENARIA DEFINITIVA DO STJ. POSSIBILIDADE LE PRONUNCIAMENTO DO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO SOBRE A QUESTÃO. O órgão de julgamento administrativo pode deixar de aplicar ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, em decisão plenária definitiva. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Walmi~wromm■NMIN MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBZ CONFERE COM 0 ORIGINAL Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.° 296 -00.080 oe , M ..1.ria de nitima r" .eira de Cariziho Mat. Siape 75I63 Inexiste no âmbito do Processo Admiris`ti--anitiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. Recurso Voluntário Negado. CCO2/T96 F1s. 410 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam Os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Clayton Rafael Batista, OAB/SC n° 14922. ELIAS SAMPAIOFRTEIRE Presidente d)V\ KLEBER FERREIRA DE ARAUUO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Lourenço Ferreira do Prado (Suplente convocado). 2 MF - SEGUNDO CQNSELHO D CONTRIBU- CONFERE COM O on:mkt. Brasilix, / 06— CCO2./T96 Fls. 411 &P-A ..... .1 Maria de Fitirna their e Carvalho Mat. Siape 751683 •••14m11■111111•111W-ONemils Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.° 296-00.080 Relatório Trata o presente processo do Auto-de-Infração — AI, DEBCAD n.° 35.635.095- 9, pelo fato da empresa fiscalizada haver apresentado documentos sem o cumprimento das formalidades legais exigidas. Tal fato contraria ao que dispõe o art. 33, §§ 2.° e 3.° da Lei n.° 8.212/1991 combinado com o art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.098, de 06/05/1999. A penalidade foi aplicada no montante de R$ 9.910,21 (nove mil e novecentos e dez reais e vinte e um centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 21/30, para o período de 1998 a 2003, a empresa apresentou os seguintes documentos sem observância das formalidades previstas na legislação de regência: a) Programa de Prevenção de Riscos Ambientais — PPRA; b) Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional — PCMSO; e c) Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho LTCAT. A seguir o Auditor passa a citar, para cada um dos documentos, a norma regulamentadora aplicável e a desconformidade verificada. Foram juntados pela Auditoria os documentos que supostamente comprovariam as afirmações apresentadas no relato fiscal. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 316/337, na qual ventilou alegações preliminares e de mérito. A Gerência Executiva do INSS em Blumenau (SC), emitiu a Decisão Notificação n.° 21.421.4/0087/2004, de 02/07/2004, fls. 350/358, declarando procedente a autuação, concluindo também pela correção da multa aplicada. Inconformado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, fls. 362/372, alegando que a decisão a quo deve ser revista. Alega que é causa de nulidade o indeferimento do seu pedido de reunido para julgamento conjunto do presente processo com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n.° 35.635.098-3. Afirma que a negativa contraria o disposto no art. 9.°, § 1.°, do Decreto n.° 7.235/1972, o qual é aplicável ao caso sob testilha, além de que não se pode negar a clara conexão existente entre os processos, o que reclama o julgamento conjunto dos mesmos. Depois, afirma que o INSS não detém competência para analisar o cumprimento das formalidades legais relativas aos documentos mencionados. A autoridade competente é aquela prevista no Decreto n.° 4.552/2002, ou seja, o Ministério do Trabalho. Assevera que, no momento que esse órgão certificou a regularidade dos seus PPRA, PCMSO e LTCAT, é inaceitável que o INSS os desconsidere. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUNTESf CONFERE COM O ORIGINAL Maria dc Ft'ettetia ae de Carvalho Mat. Siape 751683 A seguir o recorrente passa lançar argumentos con ra as supolrarifregularidades apontadas na autuação. 0-C CCO2/T96 Fls. 412 Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.°296-00.080 Br2silia,_ Q-6? / Em relação ao PPRA afirma: a) a decisão recorrida deixou de enfrentar vários pontos ventilados na defesa, o que leva a crer que o julgador monocrático concorda que muitas irregularidades apontadas inexistiram; b) mesmo as falhas sustentadas na decisão de primeira instancia não podem prevalecer. E o caso da falta de especificação no PPRA dos virus e bactérias presentes nos ambulatórios da empresa. 0 próprio INSS, no relatório fiscal do AI n.° 35.635.096-7, admite que os trabalhadores que atuavam no setor de saúde da recorrente não estariam expostos a agentes nocivos; c) ademais, o contato com pacientes infectados para os trabalhadores lotados nos ambulatórios dependeria de evento futuro e incerto. Como se exigir, então, que o plano de riscos ambientais já especificasse previamente os virus e bactérias presentes no ambiente de trabalho? d) em relação aos agentes químicos, pode afirmar que, ao contrário do que está consignado na decisão do INSS, a NR n.° 01 (item 9.3.1) não exige a discriminação do principio ativo dos produtos químicos, mas apenas a antecipação e reconhecimento dos riscos. Essa exigência é suprida na medida em que os PPRA citam o tipo de produto usado e, em alguns casos, a sua marca; e) os setores em que se omitiu no PPRA os produtos químicos e os seus princípios ativos, conforme indica o relatório fiscal, são exatamente aqueles onde não há exposição a agentes nocivos, seja por neutralização dos mesmos, seja por exposição apenas eventual, ou mesmo por outras razes que afastam o risco ambiental; f) a neutralização dos efeitos dos agentes nocivos além de ser atestada nos PPRA são também confirmadas nos LTCAT; g) o fato de funcionários que laboraram na empresa apresentarem problemas de saúde não é suficiente para comprovar a existência de agentes nocivos, é imprescindível que o INSS demonstre o nexo causal entre a enfermidade e o trabalho desenvolvido pelo segurado; h) a falta de previsão nos PPRA da etapa de avaliação das medidas de controle pode ser afastada pela leitura dos itens 14.1, "c" e 14.2, "d" e "e" da sua peça de defesa; i) o fisco não pode se prender a formalidades desnecessárias, quando a prova documental produzida atesta que os seus funcionários não estavam expostos a agentes nocivos. Em relação as irregularidades atribuidas aos PCM SO: a) para aplicar aos trabalhadores lotados nos setores de tecelagem c fi ação o item 7.4.3.2, "a.1" da NR n.° 07, que exige realização de audiometrias anuais, era necessário que o fisco comprovasse que os funcionários teriam doenças ocupacionais derivadas da exposição a ruídos excessivos. Nos autos não consta tal demonstração; MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTIUBi_ CONFERE COM O ORIGINAL Brs ilL , 0S9 es /09 a,0 Maria de wen- oe Carvalho Mat. Siape 7516S3 .....NIMMemr•MM,44.•/•■• MOM! trams. Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.° 296-00.080 b) sendo inaplicável a espécie o dispositivo acima, o AI fica carente de fundamento para exigência da realização de audiometrias anuais para os setores de tecelagem e fiação; c) a situação em tela aplica-se o item 7.4.3.2, "b.2", da NR n.° 07, mas apenas em relação aos trabalhadores dos setores de fiação e tecelagem que não estejam expostos a riscos ambientais; d) também é improcedente a afirmação de que, em relação ao PCMSO de 2001, faltaria o planejamento para o ano seguinte. Primeiro porque a prova colacionada pelo fisco é o documento relativo ao ano de 2002, depois porque o PCMSO efetivamente prevê extenso rol de exames a serem realizados nos doze meses seguintes, portanto, houve claro planejamento para o ano seguinte; e) com relação a perda da capacidade auditiva apontadas pela auditoria, a recorrente tem plena convicção de que tal fato não se relaciona com a atividade laboral dos segurados a seu serviço; f) a afirmação da decisão recorrida de que os PCMSO apenas transcrevem dispositivos da NR n.° 07 de maneira genérica não pode ser aceita, corno pode se concluir a partir dos argumentos acima apresentados e dos itens 20 a 22 da defesa; Em relação ás irregularidades atribuidas aos LTCAT: a) o primeiro Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, lavrado em 14/10/2003 não exigiu a apresentação dos LTCAT para todos os estabelecimentos e também não mencionou qual o período desejado, assim, o sujeito passivo não estaria obrigado a disponibilizar elementos não expressamente requeridos; b) a suposta omissão dos dados relativos ao tempo de exposição não pode ser aceita. A informação do nível equivalente de ruído já satisfaz esse requisito, haja vista que o cálculo desse dado leva em conta o tempo de exposição e a intensidade do agente, o que foi consignado nos LTCAT; c) conforme mencionado no item 34 da defesa há referência nos LTCAT da existência de atividades praticadas eventualmente, com indicação da periodicidade da exposição dos funcionários; d) a OS n.° 600/1998 não pode trazer exigência não contida no RPS. Como esse se refere a existência de agente nocivo quando nível ruído ultrapassa 90 dB com exposição permanente, não poderia a norma hierarquicamente inferior fazer exigências outras, como o tempo de exposição; e) como os Equipamentos de Proteção Individual — EPI, por si só já neutralizavam o efeito do ruido,não havia necessidade nem de menção a Equipamentos de Proteção Coletiva - EPC, tampouco a implantação dos mesmos; f) a despeito disso, vários 17,PC foram instalados como revelam as fotografias anexadas a impugnação contra a NFLD n." 35.635.098-3; „.... MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL / (23 Maria de Fatim erreira de Carvalho Mat. Siape 731683 g) ao contrário do que afirma a decisão monocrática, os LTCAT apresentaram a conclusão de que os riscos ocupacionais relacionados ao ruído haviam sido neutralizados, sendo evidente que não poderiam causar qualquer dano à saúde dos empregados; h) embora não tenha sido analisado na decisão recorrida, o fato do fisco ter se servido de informações constates do LTCAT para chegar a determinadas conclusões é um reconhecimento da validade desses documentos. Por fim, pede a declaração de nulidade do AI em razão da falta de julgamento conjunto do mesmo com processo conexo ou o cancelamento da autuação, com exclusão da multa. Beneficiada por decisão liminar em MS, fls. 373/375, a empresa apresentou arrolamento de bens e direitos, fls. 376/382, em substituição ao depósito recursal para garantia de instância. O órgão de primeira instância apresentou contra-razões, fl. 386, pugnando pela manutenção integral da autuação. Tendo em vista que a medida liminar foi revogada na sentença de mérito, a Segunda Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS exarou o Acórdão n.° 375/2005, fls. 391/392, convertendo o julgamento em diligência, para que a recorrente providenciasse o depósito no valor de trinta por cento da exigência fiscal. Cientificada do Acórdão, a empresa quedou-se inerte. o relatório. Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator 0 recurso é tempestivo e a recorrente deixou de fazer o deposito necessário ao conhecimento do recurso. No caso, a recorrente havia conseguido liminar garantindo o direito de recorrer independente do depósito de 30% da exigência disposto no § 10 do art. 126, da Lei n° 8.212/1991. Porém, antes que o recurso fosse conhecido, a liminar foi expressamente cassada. ).k recorrente foi oportunizado efetuar o depósito recursal necessário ao seguimento do recurso, porém a mesma deixou de fazê-lo. Entretanto, ainda que a recorrente não tenha efetuado o depósito recursal, no âmbito do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que agora detém a competência para o julgamento do caso, o recurso pode ser conhecido pelas razões que se seguem. Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.° 296-00.080 , 06 CCO2/T96 Fls. 414 6 I- MF. SEGUNDO CONSELHO DE CONT l IUBI; 'TES asows.■■■■=rw............•■•■■■••■.....retemesaammffaaro7.ea CONFERE COM 0 ORIGINAL BG..silia, 09 O 'C / Maria de Piitirna rreira de Carvalho Mat. Siape 751683 CCO2/T96 Fls. 415 Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.° 296-00.080 No que tange ao depósito recursal previsto no dispositivo encimando, o plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389.383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1° e 2° do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: "RECURSO ADMINISTRATIVO — DEPÓSITO - §§ 1° E 2 0 DO ARTIGO 126 DA LEI N°8.213/1991 — INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo." A situação acima aplica-se ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal." Ocorre que o Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 no artigo 49, parágrafo único, inciso I prevê o seguinte: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;" Portanto, com amparo no dispositivo acima, entendo que o recurso deve ser conhecido. Passo agora as preliminares. 0 pedido da reunido dos processos lavrados contra o recorrente, de forma que sejam julgados conjuntamente, apesar de desejável, não obrigatório, posto que não há norma legal na seara do processo administrativo fiscal que preveja esse procedimento. Por outro lado, para o AI sob cuidado, os dados constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros processos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. 0 alegado § 1.° do art. 9.° do Decreto n.° 70.235/1972 coloca a disposição do fisco a faculdade de reunir em um mesmo processo autos de infração e notificações, quando houver conveniência para fins de prestigiar o principio da economia processual, todavia percebe-se que o referido dispositivo não é direcionado para o contencioso administrativo, mas para o procedimento de constituição do crédito. Eis o preceptivo: Os autos de infração e as not de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de uni único proccsso, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova." 7 CCO2a96 Fls. 416 IMF - SEGUNDO CONSELII0 DE CONTRIBUINTES CONFERE COM 0 ORIGINAL, Brasilia, 03 / , Maria de Fátima rreira de Carvan Mat. Siape 7516'6 1° Não posso acatar o argumento de que o INSS não disporia de competência para verificar as formalidades legais relativas ao PPRA, PCMSO e LTCAT. 0 art. 33 da Lei n.° 8.212/1991 na redação vigente à época da autuação concedia ao INSS a competência para arrecadar, fiscalizar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previdencidrias. E cediço que dentre essas contribuições há aquela destinada a custear a aposentadoria especial prevista no art. 57 da Lei n.° 8.213/1991. Eis o dispositivo: "Art. 57 A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade fisica, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. §6°0 beneficio previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas aliquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei n° 9.732, de 11.12.98). §7° 0 acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito as condições especiais referidas no capuz. Os documentos em questão, sem dúvida, são necessários à verificação das condições ambientais de trabalho e, por conseguinte, identificam os setores da empresa onde há agentes nocivos em níveis que permitem a concessão de aposentadoria especial. Inquestionável, então, que o INSS detinha a competência para verificar o PPRA, LTCAT e PCMSO, haja vista que os mesmos estão relacionados a contribuições para financiamento do beneficio de aposentadoria especial. Assim, ao contrário do que entende a recorrente, a auditoria previdenciária possui competência para analisar os documentos relacionados com os risco ambientais do trabalho, cabendo à empresa comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e controle dos riscos ocupacionais existentes no período abrangido pelo lançamento, o que poderia ter sido realizado com a apresentação dos documentos elaborados em conformidade com a legislação que rege a matéria. Por outro lado, também não assiste razão à recorrente quando alega que o fato da Fiscalização do Ministério do Trabalho haver atestado a regularidade dos documentos tidos como falhos impediria que a auditoria previdencidria lavrasse a autuação sob cuidado. Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.°296-00.080 / MP' - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL ce O6 Maria de Fidirn eiTeira de Carvallto. Mat. Siape 751683 Brasilia, o_g Pwarmeenweaseserawarnesse•Maar Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.° 296-00.080 CCO2/T96 Fls. 417 Esse argumento não se sustenta. Primeiro porque a recorrente não juntou provas de que a Fiscalização do Trabalho explicitamente atestou a regularidade dos documentos. lid na defesa a menção de que o PPRA, LTCAT e PCMSO foram encaminhados a Delegacias Regionais do Trabalho para análise de requerimentos para redução do intervalo intrajornada, tendo os pleitos sido deferidos. Esse fato no meu pensar não é suficiente para vincular a Fiscalização das Contribuições Previdencidrias, a qual não desconsiderou os documentos, mas tão somente apontou falhas nos mesmos, que ensejaram a aplicação da penalidade constante na presente autuação. Sem querer ainda entrar no mérito da ocorrência ou não da infração, entendo que a apresentação dos documentos ao órgão do Ministério do Trabalho não é motivo a ensejar que o Fisco Previdencidrio aceite sem ressalvas os laudos e programas em questão. A preliminar de que a empresa estaria desobrigada de apresentar os LTCAT, pelo fato do TIAD não haver especificado na solicitação dos mesmos o período e os estabelecimentos da empresa envolvidos, não pode ser levada em conta. A autuação se deu pelo descumprimento de formalidades legais na confecção dos documentos e não pela falta de sua apresentação. Uma vez apresentada a documentação, essa deve estar em consonância com as normas de regência, não sendo cabível nesse momento se falar em defeito no termo de intimação, para se eximir da obrigação de apresentar os laudos em conformidade com a legislação. Passo agora as questões de mérito, as quais se resumem em investigar a ocorrência ou não da infração. Para facilitar o entendimento, farei minhas considerações para cada um dos documentos em separado. Infrações Relativas ao PPRA Esse programa está estabelecido em uma das Normas Regulamentadoras (NR-9) da CLT- Consolidação das Leis Trabalhistas, sendo a sua redação inicial dada pela Portaria n° 25, de 29/12/1994, da Secretaria de Segurança e Saúde do Trabalho, do Ministério do Trabalho. Tem por desiderato estabelecer uma metodologia de ação que garanta a preservação da saúde e integridade dos trabalhadores frente aos riscos dos ambientes de trabalho. Conforme já mencionado a infração detectada pelo fisco foi a sua confecção ern desacordo com as formalidades legais previstas na NR n.° 09. Passemos As alegações recursais. Inicialmente o sujeito passivo alega que várias das suas razões deixaram de ser enfrentadas pela decisão a quo. Recorramos aos autos. Compulsando a decisão de primeira instância pude verificar no item 6.3 que efetivamente todas as controvérsias relativas As falhas apontadas pelo fisco foram suficientemente debatidos. Apenas um aspecto deixou de ser enfrentado diretamente: o reconhecimento pelo fisco, em outro AI, de que os trabalhadores do setor de saúde não estariam sujeitos A condições especiais de trabalho. Todavia, esse ponto da defesa é irrelevante para fins de solução da controvérsia, posto que foge do objeto da presente autuação. O que efetivamente tem que ser decidido é se os PPRA apresentados guardam obediência As formalidades legais. Isso foi enfrentado. Até porque o que foi reconhecido no bojo do AI n.° 35.635.096-7 é que os trabalhadores não teriam direito ao beneficio de aposentadoria especial, por não estarem os mesmos expostos de forma habitual e permanente aos agentes nocivos. 9 \w` Processo n°37169.002836/2004-78 Acórd5o n.° 296-00.080 NSF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB. CONFERE COM O ORMINAL Brasilia, 0.9 _ (0 6 _ 09 (Oat) Maria de Fatirna r eira de Carvaiho Mat. Siape 751683 .1.141M11.01.11.10, 'TES! CCO2/T96 • Fls. 418 Assim, percebe-se que o fisco não afastou a possibilidade de existência no ambiente de trabalho dos agentes biológicos nocivos, apenas não reconheceu a exposição permanente. Portanto, penso que essa alegação defensória teve por fim dar interpretação diversa as afirmações do fisco, tarefa que definitivamente não prosperou. 0 item 9.3.2 da NR n.° 09 assim dispõe: "9.3.3 0 reconhecimento dos riscos ambientais deverá conter os seguintes itens, quando aplicáveis: a) a sua identificação; b) a determinação e localização das possíveis fontes geradoras; c) a identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação dos agentes no ambiente de trabalho; d) a identificação das funções e determinação do número de trabalhadores expostos,. e) a caracterização das atividades e do tipo da exposição; J) a obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível comprometimento da saúde decorrente do trabalho; g) os possíveis danos a saúde relacionados aos riscos identificados, disponíveis na literatura técnica; h) a descrição das medidas de controle já existentes." induvidoso que a falta de indicação dos virus e bactérias existentes no ambiente de trabalho, assim como a omissão na identificação dos compostos químicos componentes dos produtos manipulados pelos trabalhadores, não garantem a identificação dos agentes nocivos, impedindo que sejam adotadas as ações necessárias ao controle da exposição dos trabalhadores a ambientes hostis a salubridade. Não se concebe que um programa que visa preservar a saúde e a integridade das pessoas que laboram em determinado ambiente deixe de identificar precisamente os potenciais agentes nocivos presentes nos diversos setores da empresa. Não posso, então, acatar os argumentos recursais relativos à falta de identificação dos agentes biológicos e de que a mera indicação dos produtos manipulado pelos trabalhadores dispensaria a menção As substâncias químicas que os compõem. Vê-se então que há falha nos PPRA no que se refere ao correto reconhecimento dos riscos ambientais, isso por si só já seria suficiente para justificar a autuação, posto que sabemos que a penalidade aplicada não varia com a quantidade de falhas verificadas. Mas, vamos adiante. A exposição de trabalhadores ao agente fisico ruído é induvidosa. Todavia, para o Setor de Acabamento pertencente ao Departamento de Beneficiamento, o PPRA de 1999 estranhamente não o pre-ye. O LTCAT do ano anterior apontava a exist&ncia no referido ambiente de exposição a dose excessiva de ruído (da ordem de 91 db(A ), situação que se manteve conforme constatado pela fiscalização in loco. 0 fato do ruído ser neutralizado pelo ftlIWIMMIL84110../MMOOM•1116, MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL 'TES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.° 296-00.080 Maria de F- a refreira de Carvalho Mat. Siape 751683 uso de proteção adequada não é motivo, como quer fazer crer a recorrente, para se omitir a existência desse agente nocivo no PPRA. Agregue-se a isso o fato da alta incidência de segurados a serviço da recorrente afetados por redução ou perda da capacidade auditiva, o que inquestionavelmente é um forte indicio de existência de ruído excessivo no ambiente de trabalho. A carência na avaliação da eficácia das medidas controle é patente. Para ilustrar tal falha, reporto-me ao PPRA da Unidade de Blumenau para o ano de 1999, fls. 32/59, onde não se constata qualquer menção à ações que tenham como fim obter conclusão sobre o resultado das medidas de controle dos riscos ocupacionais. Também é assim no PPRA do ano de 2001 relativo à Unidade de Indaial (SC). Essa irregularidade sem dúvida contraria o que dispõe o item 9.3.5.6 da NR n.° 09, in verbis: "9.3.5.6 0 PPRA deve estabelecer critérios e mecanismos de avaliação da eficácia das medidas de proteção implantadas considerando os dados obtidos nas avaliações realizadas e no controle médico da saúde previsto na NR-7." 0 argumento de que o fisco exigiu formalidades desnecessárias, simplesmente no afã de autuar a empresa também deve ser afastado. A atividade fiscal é por natureza vinculada, então, uma vez verificado que o preenchimento de determinado documento foge das prescrições normativas, não cabe à auditoria ponderar sobre a necessidade ou não da formalidade exigida. Observada a infração, é obrigação do agente estatal competente aplicar a penalidade, não sendo cabível qualquer juizo de valor acerca da obrigação imposta ao sujeito passivo. Infrações Relativas ao PCMSO O PCMSO é um programa que especifica procedimentos e condutas a serem adotadas pelas empresas em função dos riscos aos quais os empregados se expõem no ambiente de trabalho. Seu objetivo é prevenir, detectar precocemente, monitorar e controlar possíveis danos A saúde do empregado. Sua regulamentação é dada pela NR n.° 07, com redação inicial dada pela Portaria n.° 24, de 29/12/1994, da Secretaria de Segurança e Saúde do Trabalho, do Ministério do Trabalho. Contrapondo-se As alegações da fiscalização, a recorrente afirma que não restou comprovado que os funcionários dos setores de tecelagem e fiação teriam doenças ocupacionais derivadas de exposição a ruídos excessivos, portanto , não seria obrigatória a realização de audiometrias anuais nesses trabalhadores, conforme prevê o item 7.4.3.2, "a.1" da NR n.° 07. Eis a norma: "7.4.3.2. no exame médico periódico, de acordo com os intervalos mínimos de tempo abaixo discriminados: a) para trabalhadores expostos a riscos ou a situações de trabalho que impliquem o desencadeamento ou agravamento de doença ocupacional, ou, ainda, para aqueles que sejam portadores de doenças crónicas, os exames deverão ser repetidos: Brasilia, 09 ,06 CCO2/T96 Fls. 419 Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.° 296-00.080 warmIelimilNINMMIIIIIMI.1~0MOVNIIMMIAW14....M070.7,0=1.32MONNAMIN.IMMOIO MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB. " 'TES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia. 09 ' ,6 / Maria de Eitima rerrura e Car: Met. Siape 751,283 a.1) a cada ano ou a intervalos menores, a critério do médico encarregado, ou se notificado pelo médico agente da inspeção do trabalho, ou, ainda, como resultado de negociação coletiva de trabalho; (107.019-3 /13) A norma é clara: havendo exposição de trabalhadores a riscos ocupacionais deverão os exames ser realizados pelo menos uma vez por ano. Acompanhando a legislação o PCMSO da Unidade de Blumenau, de 2002, determina a execução dos exames audiometricos anuais para todos os segurados lotados nos setores de fiação e tecelagem (ver fl. 119). Nessa mesma linha trilha o Programa de Conservação Auditiva — PCA (ver. fl. 126). V8-se então que tanto a NR n.° 07, quanto os programas da própria empresa previam a avaliação audiométrica anual para todos os empregados dos setores de fiação e tecelagem, todavia, o Auditor Fiscal demonstrou em seu relato que o planejamento relativo a esses exames não foi cumprido pela empresa. Outra falha apontada diz respeito a realização dos exames complementares previstos no item 7.4.2 da NR n.° 07. 0 PCMSO da filial de Indaial (SC) é omisso quanto a esses exames. Chama atenção fato de o LTCAT do estabelecimento identificar a existência de "exposição das vias respiratórias a concentrações ambientais de poeira respirável de algodão acima do limite de tolerância" sem que o PCMSO contenha Programa de Controle de Pneumopatias Ocupacionais. 0 relato fiscal enfoca que quando solicitou a apresentação dos exames de espirometria (medição da capacidade inspiratória e expiratória do indivíduo) para esse estabelecimento, obteve a informação de que os mesmos não vinham sendo realizados. Para a filial de Artur Nogueira (SP), os PCMSO de 1999 a 2003 determinam a realização da espirometria na admissão em periodicidade bienal para os funcionários dos departamentos de fiação e tecelagem, nos termos da NR n.° 07, porém, em detalhado demonstrativo ficou patente que o exame só atingiu parcela minoritária dos trabalhadores. Essas evidencias tornam claro que, no item realização de exames obrigatórios, a empresa deixou de atender a legislação. A auditoria alega que os PCMSO do estabelecimento de Blumenau não fixam diretrizes a serem cumpridas no ano subseqüente, no sentido de reduzir as ocorrências de anomalias nos trabalhadores, para comprovar sua assertiva junta o documento relativo ao ano de 2002, ver fls. 117/138. Compulsando os autos, efetivamente não localizamos a previsão dos exames a serem realizados no ano seguinte, fato que contraria a norma inserta no item 7.4.6.1 da referida NR, verbis: 12 arawra.■.womnsammommearr.wm~ennmerra tecasseeoatIllio MF - SEGUNDO CONSELHO FiF CONTRIBUINTES CONFE R E COM O ORIGNAL Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.°296-00.080 Brasilia, Maria de Fátima erreira Can'aiho Mat. Siapc 751(>83 "7.4.6.1. 0 relatório anual deverá discriminar, por setores da empresa, o número e a natureza dos exames médicos, incluindo avaliações clinicas e exames complementares, estatísticas de resultados considerados anormais, assim como o planejamento para o próximo ano, tomando como base o modelo proposto no Quadro III desta NR. (107.037-1 /11)." Das observações acima exposta, fica claro que há falhas nos PCMSO que justificam a autuação em tela. Infrações Relativas ao LTCAT Observe-se inicialmente que a empresa não estaria obrigada a apresentar o LTCAT, posto que nos termos do inciso V do art. 381 da Instrução Normativa — IN SRP n.° 03, de 14/07/2005, este documento poderia ser substituído pelo PPRA. Contudo, ao apresentá-lo, o mesmo deve estar em consonância com a legislação aplicável. Passemos as razões recursais. Alega a recorrente que não teria que indicar nos LTCAT o tempo de exposição ao ruído, posto que já informa o nível equivalente, o qual é determinado por fórmula matemática que leva em conta o tempo de exposição e a intensidade do agente. Posso até concordar com essa afirmação especifica para indicação do tempo de exposição ao ruído, todavia, essa justificativa não serve para amparar a falta de demonstração no LTCAT do tempo de exposição a outros agentes nocivos, como é o caso da poeira e dos produtos químicos. Sendo o LTCAT a declaração pericial emitida para comprovação técnica das condições ambientais do trabalho, as informações exigidas pela norma não podem ficar restritas apenas a um único agente nocivo. Ao contrário do afirma a recorrente, o RPS não trata das formalidades necessárias à preparação do LTCAT, essas estão previstas no item 2.2.4, da Ordem de Serviço INSS/DSS n.° 600, de 02/07/1998, e alterações posteriores, a qual exige na alínea "e" que o laudo informe a duração do trabalho que exponha o trabalhador aos agentes nocivos, não havendo qualquer conflito nesse ponto com o RPS, que apenas define o limite a partir do qual o agente ruído dá direito a aposentadoria especial. A informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva é outro dado obrigatório no LTCAT , conforme a alínea "f" do mesmo dispositivo. O fato do EPI neutralizar o agente não dispensa a empresa de informar sobre a existência de EPC. Também merece repúdio o argumento de que o fisco não poderia desconsiderar o LTCAT e , , ao mesmo tempo, lançar mão de dados ali constantes para chegar a suas conclusões. E que, na verdade, o agente fiscal não desconsiderou os laudos, tão-somente apontou falhas na confecção dos mesmos, as quais ensejam autuação por descumprimento de obrigações acessórias. Tendo em conta as ininneras infrações acima apontadas relativas ao PPRA, PCMSO c LTCAT, quando, conforme já assinalado, apenas uma seria suficiente para justificar a aplicação da multa presente no AI sob julgamento, entendo que o lançamento da penalidade é procedente. Processo n°37169.002836/2004-78 Acórdão n.°296-00.080 wascrwarsrammorrunwsmindibt MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia, 09 ' CCOZ/T96 Pls. 422 Maria de Fatima "" eira ae Carva.h Mat. Sinpe 751683 essarocuosoe. Diante do exposto, voto por afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2009 KLEBER FERREIRA DE A OJO 14
score : 1.0
Numero do processo: 13890.000554/2007-56
Turma: Sexta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 03/11/1999 a 08/12/1999
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 296-00.100
Decisão: Acordam Os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Slain 751683 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA TURMA ESPECIAL 13890.000554/2007-56 153.398 Voluntário AUTO DE INFRAÇÃO 296-00.100 10 de fevereiro de 2009 RIO CLARO FUTEBOL CLUBE SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA - SPY ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 03/11/1999 a 08/12/1999 PREVIDENCIARIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. 0 fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBU:NTES CONFERE COM 0 ORIGINAL Brasilia, o,e ,cg o arvai (11) , Maria de Fittitna er Mat. Siane 751683 CCO2/T96 Fls. 190 Processo n 0 13890.000554/2007-56 Acórdão n.° 296-00.100 Acordam Os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente \AL4N, - KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Lourenço Ferreira do Prado (Suplente convocado). 2 Processo n° 13890.000554/2007-56 Acórdão n.°296-00.100 CCO2/T96 Fls. 191 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM 0 ORIGINAL Brasilia, 00_, 06 CL Maria de Fitirna ,an ac Carvalho Mat. Siape 751683 Relatório Trata o presente processo administrativo do Auto-de-Infração — AI, DEBCAD n.° 35.927.321 .-1, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, II, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o art. 225,11 e §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999. 0 valor da penalidade aplicada atingiu a cifra de RS 11.569,42(onze mil e quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fl. 02, a empresa deixou de lançar na contabilidade os fatos geradores relativos a obra de construção de matricula CEI 38.070.00913- 74, a qual realizou-se no período de 03/11/1999 a 08/12/1999. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 44/50. A Delegacia da Receita Previdenciária em Campinas, emitiu a Decisão Notificação n.° 21.424.4/0289/2007, de 29/03/2007, fls. 127/133, declarando procedente o lançamento. Inconformado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, fls. l 38/146, alegando que não foi a responsável pela execução da obra de construção civil em destaque. Afirma também que a decisão a quo não buscou a verdade material, preferindo apegar-se a fonnalismos. Pede o cancelamento do AI. o relatório. Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator 0 recurso foi apresentado no prazo legal, conforme data da ciência da DN em 24/04/2007, fl. 135, e data de protocolização da peça recursal em 22/05/2007, fl. 138. A exigência do depósito recursal prévio como condição de admissibilidade do recurso foi afastada por decisão judicial colacionada, fls. 149/151, assim, deve o mesmo ser conhecido. Há nesse processo uma questão que, por ser de ordem pUblica, merece o conhecimento de oficio por esse órgão de julgamento. Falo da verificação da perda do direito da Fazenda de constituir o crédito pela decadência. cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.'' 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para tt constituição do crédito tributário relativo ás contribuiç ■-)cs previdencidrias passou a ser regido, corn efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional — CTN, posto que o art. 45 da Lei n.° 8.21911991 foi declarado inconstitucional. MF - SEGUNDO C1)NSELI-10 DE CONTRIBUINTES I F CONFERE COM 0 ORIGINAL CCO2JT96 F1s. 192 aPINNIZOO.Peal...17214•111ONWIIMINNII4VMDIONNINIIIII.III0+0 Maria de Fatirn ..ITtira de Carvalho Mat. Siape 731683 Processo n° 13890.000554/2007-56 Acórdão n.° 296-00.100 Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação As exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados A fiscalização das contribuições. Diante disso que, fixou-se a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o credito relativo A penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)." Tendo-se em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 10/10/2006, pelo critério acima, o período da infração, 11 a 12/1999, já estava alcançado pela decadência. Reconhecendo o a perda do direito do fisco de lançar a multa dado o transcurso do prazo decadencial, voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2009 \dbL,4\ KLEBER FERREIRA DE A I:JJO 4
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001516/2010-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
COOPERATIVA DE CRÉDITO. RECEITAS COM APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO MERCADO. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO.
As receitas obtidas por cooperativas de crédito com aplicações financeiras feitas no mercado constituem ato cooperativo e não se sujeitam à incidência de IRPJ e CSLL. Inteligência da Súmula CARF nº 141. Precedentes da 1ª Turma da CSRF.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Tratando-se de exigências fundamentadas na irregularidade apurada em ação fiscal realizada no Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável aos lançamentos decorrentes.
Numero da decisão: 1001-003.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Gustavo de Oliveira Machado – Relator
Assinado Digitalmente
Carmen Ferreira Saraiva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Anchieta de Sousa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RECEITAS COM APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO MERCADO. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. As receitas obtidas por cooperativas de crédito com aplicações financeiras feitas no mercado constituem ato cooperativo e não se sujeitam à incidência de IRPJ e CSLL. Inteligência da Súmula CARF nº 141. Precedentes da 1ª Turma da CSRF. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. Tratando-se de exigências fundamentadas na irregularidade apurada em ação fiscal realizada no Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável aos lançamentos decorrentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Anchieta de Sousa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-06-02T15:39:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-06-02T15:39:08Z; Last-Modified: 2025-06-02T15:39:08Z; dcterms:modified: 2025-06-02T15:39:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-06-02T15:39:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-06-02T15:39:08Z; meta:save-date: 2025-06-02T15:39:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-06-02T15:39:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-06-02T15:39:08Z; created: 2025-06-02T15:39:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2025-06-02T15:39:08Z; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-06-02T15:39:08Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 16327.001516/2010-17 ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 9 de maio de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE COOPERATIVA DE ECONOMIA E CREDITO MUTUO DOS FUNCIONARIOS DA TICKET SERVICOS COMERCIO E ADMINISTRACAO INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RECEITAS COM APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO MERCADO. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. As receitas obtidas por cooperativas de crédito com aplicações financeiras feitas no mercado constituem ato cooperativo e não se sujeitam à incidência de IRPJ e CSLL. Inteligência da Súmula CARF nº 141. Precedentes da 1ª Turma da CSRF. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. Tratando-se de exigências fundamentadas na irregularidade apurada em ação fiscal realizada no Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável aos lançamentos decorrentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Fl. 542DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 2 Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Anchieta de Sousa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 02- 87.738, proferido em 25 de Setembro de 2018, pela 7ª Turma da DRJ/BHE, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. A DIFIS de São Paulo- SP elaborou o Termo de Verificação de Infração em face da Cooperativa de Econ. E Crédito Mútuo dos Func. da Ticket Serv. Com. e. Admin, cujo teor segue em síntese abaixo (e-fls. 73/82): “Contexto No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e com base nos artigos 927 (Lei n 2 2.354, de 1954, art. 7 2 ) e 928, caput e parágrafos, (Decreto-Lei n2 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 22 e Lei n 2 5.172, de 1966, art. 197) do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 2 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), demos inicio ao procedimento fiscal junto à empresa acima epigrafada, em 22/04/2010, tendo sido verificada a ocorrência da seguinte infração fiscal: IRPJ - IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA — CDB — ATO NÃO COOPERATIVO — NÃO OFERECIMENTO TRIBUTAÇÃO — ANOS-CALENDÁRIO 2006, 2007 E 2008. CSLL — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO — FALTA DE RECOLHIMENTO - APURAÇÃO REFLEXA — ANO CALENDÁRIO 2008 PIS — CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA — CDB - FALTA DE RECOLHIMENTO - PERÍODOS DE APURAÇÃO JANEIRO/2007 A DEZEMBRO/2008. COFINS — CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA — CDB - FALTA DE RECOLHIMENTO - PERÍODOS DE APURAÇÃO JANEIRO/2007 A DEZEMBRO/2008. I — OS FATOS A Cooperativa de Econ. e Crédito Mútuo dos Func. da Ticket Serv. Com . E Admin., "Cooperativa", é instituição financeira constituída nos termos da Lei 5.764/71 de 16/12/71, que da forma jurídica às Sociedades Cooperativas, e disposições da Lei Fl. 543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 3 n 2 4.595/64, de 31/12/64 e regulamentações do Banco Central, conforme Estatuto Social vigente. Conforme art. 2 2 do seu Estatuto Social tem como objeto social "a educação cooperativista e financeira dos seus associados, através da ajuda mútua, economia sistemática e do uso adequado do crédito. Procurará, ainda, e por todos os meios fomentar a expansão do cooperativismo de economia e crédito mútuo". Com relação à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, o contribuinte está obrigado a apurar o lucro real na forma do disposto no art. 14, ll da Lei 9.718/98 c/c art. 28 da Lei 9.430/96. Nos anos-calendário de 2007 e 2008 a instituição financeira apurou o IRPJ e a CSLL pelo regime de apuração anual, cujos lucros apurados não incidiram o IRPJ e a CSLL. Com efeito, conforme estabelecido no art. 182 do RIR/99, não há incidência do imposto de renda sobre as suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Nessa concepção, seus atos, denominados atos cooperativos, que são aqueles praticados entre a cooperativa e seus associados, não implicam em operação mercantil, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, conforme a lei de regência dessas entidades (Lei n 2 5.764/71, art. 79). Por outro lado, outros atos praticados pela Cooperativa com terceiros não associados, são considerados como atos não-cooperativos. Estas operações realizadas com não associados deverão ser contabilizadas em separado de forma a permitir a apuração dos tributos sobre elas incidentes (Lei n 2 5.764/71, art. 88, com a redação dada pela MP n 2 2.168/2001). São exemplos destes atos, dentre outros, as "aplicações financeiras". Assim, verificou-se que a Cooperativa realizou aplicações financeiras em renda fixa — CDB nos anos-calendário 2007 e 2008 nos montantes de R$ 342.529,17 e R$ 420.255,64 respectivamente, conforme contabilização levada a efeito na conta contábil COSIF n 2 7.1.5.10.00-0 — Rendas de Títulos de Renda Fixa — CDB conforme Balancetes Analíticos de Verificação (fl. 40 a 63). (...) IV - DO ILÍCITO FISCAL Constatada a aplicação financeira em títulos de renda fixa - CDB realizadas pela Cooperativa nos anos-calendário 2007 e 2008, verifica-se rendimentos de R$ 342.529,17 e R$ 420.255,64 sobre os quais deixaram de ser recolhidos o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Além disso, não foram recolhidas as Contribuições ao Programa de Integração Social -PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, Fl. 544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 4 os mesmos rendimentos auferidos nos períodos de apuração de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Diante de todo o exposto, procederemos ao lançamento de ofício com base nos dispositivos legais abaixo citados, bem como naqueles transcritos nos autos de Infração do qual o presente Termo passa a fazer parte integrante e indissociável. FUNDAMENTOS LEGAIS: (IRPJ/CSLL) LEI N° 5.764/71, ARTS. 85, 86, 88 E 111 (ART. 183 DO RIR/99, APROVADO PELO DECRETO N° 3.000/99); LEI N° 9.430/96, ARTS. 12 E 22; IN SRF N2 333/03, ART. 12; PARECER NORMATIVO CST N° 73/75; PARECER NORMATIVO CST N° 04/86. (PIS/COFINS) LEI N° 9.817/98, ARTS. 22 E 32 COM AS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELA MP N° 1807/98 E SUAS REEDIÇÕES, SENDO A ÚLTIMA A MP N° 2.158-35, DE 2001; DECRETO N° 4.524/02, ARTS. 22, INCISO I, ALÍNEA A, PARÁGRAFO ÚNICO, 32, 102, 222 262 E 51; LEI N° 10.684/03, ART. 18; IN SRF N° 247/02. (...)”. A DIF de São Paulo- SP lavrou o Auto de Infração- Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no dia 23/novembro/2010, cujos dados seguem abaixo e-fls. 83/89: “AUTO DE INFRAÇÃO Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (...) DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) Imposto de Renda Pessoa Jurídica Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração (ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 - OMISSAO DE RECEITAS FINANCEIRAS Omissão de receita financeira conforme Termo de Verificação de Infração lavrado nesta data, o qual passa a fazer parte integrante e indissociável do presente auto de infração. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 288, 373 e 729 do RIR/99. (...) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Fl. 545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 5 (...) Enquadramento Legal MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 15/06/2007. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15.06.2007. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1998 - APURAÇÃO ANUAL (p/ Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. 0 valor dos juros sera calculado a partir de primeiro de fevereiro do ano do vencimento. Art. 6°, § 2 ° da Lei n° 9.430/96”. A DIF de São Paulo- SP lavrou ainda, o Auto de Infração- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no dia 23/novembro/2010, cujos dados seguem abaixo e-fls. 90/95: “AUTO DE INFRAÇÃO Contribuição Social s/Lucro Líquido (...) DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) Contribuição Social Lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apuradas as infrações abaixo descritas, ocasionando, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de cálculo desta contribuição. 001 - CSLL (FINANCEIRAS) CSLL Omissão de receita financeira conforme Termo de Verificação de Infração lavrado nesta data, o qual passa a fazer parte integrante e indissociável do presente auto de infração. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 10 da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. (...) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA Fl. 546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 6 Contribuição Social s/Lucro Líquido (...) Enquadramento Legal MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 15/06/2007. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15.06.2007. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1998 - APURAÇÃO ANUAL (p/ Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. 0 valor dos juros será calculado a partir de primeiro de fevereiro do ano do vencimento. Art. 28 c/c art. 6°, § 2 ° da Lei n ° 9.430/96”. A DIF de São Paulo- SP lavrou ainda, o Auto de Infração- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social no dia 23/novembro/2010, cujos dados seguem abaixo e-fls. 96/106: “AUTO DE INFRAÇÃO Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (...) DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) infração(ões) abaixo, descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 - COFINS (FINANCEIRAS)FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS (FINANCEIRAS) Valor apurado conforme Termo de Verificação de Infração lavrado nesta data, que passa a fazer parte integrante e indissociável do presente auto de infração. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°. 4.524/02; Art. 18 da Lei n° 10.684/03. (...) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA Fl. 547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 7 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (...) Enquadramento Legal MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 22/01/2007 e 14/06/2007. 75,00% Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n°70/91; e art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07. Fatos Geradores a partir de 15/06/2007. 75,00% Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n°70/91; e art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15.06.2007. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96”. A DIF de São Paulo- SP lavrou ainda, o Auto de Infração- Contribuição para o PIS/PASEP no dia 23/novembro/2010, cujos dados seguem abaixo e-fls. 107/117: “AUTO DE INFRAÇÃO Contribuição para o PIS/Pasep Auto de Infração (...) DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) Contribuição para o PIS/Pasep Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 - PIS (INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS) FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS Valor apurado conforme Termo de Verificação de Infração lavrado nesta data, o qual, passa a fazer parte integrante e indissociável do presenta auto de infração. (...) Fl. 548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 8 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 26 e 51 do Decreto n°. 4.524/02. (...) DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA Contribuição para o PIS/Pasep (...) Enquadramento Legal MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 22/01/2007 e 14/06/2007. 75,00% Art. 86, § 1°, da Lei n ° 7.450/85; art. 2 ° da Lei 7.683/88; e art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07. Fatos Geradores a partir de 15/06/2007. 75,00% Art. 86, § 1°, da Lei n ° 7.450/85; art. 2 ° da Lei 7.683/88; e art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15.06.2007. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96”. A DEINF de São Paulo- SP lavrou, o TERMO DE ENCERRAMENTO no dia 23/novembro/2010, cujo teor segue abaixo em síntese (e-fls. 118): “CONTEXTO Encerramos, nesta data, a ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo acima identificado, tendo sido verificado, por amostragem, o cumprimento as obrigações tributárias relativas ao IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E SEUS REFLEXOS, A CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS e A CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - PIS, onde foram constatadas as irregularidades mencionadas nos Demonstrativos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito. CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO Imposto de Renda Pessoa Jurídica.....................................................R$ 280.022,74 Fl. 549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 9 Contribuição Social s/ Lucro Líquido................................................. R$ 183.039,87 Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social.......................R$ 61.551,99 Programa Integração Social.............................................................. R$ 10.001,88 (...)”. Da Impugnação da Contribuinte Afirmou a Contribuinte que conforme a justificativa apontada no termo de verificação de infração, entendeu a autoridade fiscal que as aplicações financeiras da empresa se configuram como "atos não cooperativos", estando, portanto, sujeitos à tributação dos referidos tributos. Informou que sobre os valores objeto da aplicação financeira da impugnante, aplicou as alíquotas respectivas referentes aos tributos supramencionados, efetuando o lançamento deles através do auto de infração referido. Asseverou que é uma cooperativa de economia e crédito, constituída para prestar serviços aos seus associados, serviços esses consistentes na viabilização de sua atividade econômica e financeira, desenvolvida através do crédito mútuo, sem qualquer finalidade de lucro. Pontuou que todo o resultado da cooperativa, seja ele positivo ou negativo, é de titularidade dos seus associados, que o repartem (no caso de positivo), ou o assumem (caso negativo), sempre obedecendo um critério de proporcionalidade em função das atividades desenvolvidas, ou seja, em função dos serviços prestados pela cooperativa. Ressaltou que a cooperativa não possui qualquer receita ou despesas próprias, praticando todos os seus atos em nome dos seus associados, que são os titulares de todo resultado e de todas as despesas realizadas pela sociedade, que tem natureza meramente instrumental. Aduziu que as cooperativas são sociedades meramente instrumentais, constituídas para prestar serviços a seus associados, serviços esses consistentes na viabilização da atividade econômica de seus associados. Defendeu que não há como se considerar o ato instrumental como ato não cooperativo, eis que necessário para gerar o ato cooperativo principal (prestação de serviços da cooperativa para o sócio), e não gera qualquer receita própria à cooperativa. Esclareceu que não há fato gerador nem base de cálculo para a tributação, eis que o resultado apurado é titularidade dos associados e não da cooperativa. Sustentou que não ocorrendo a hipótese (não houve renda ou resultado), e inexistindo a base de cálculo (o resultado da cooperativa é zero, eis que todo o resultado é Fl. 550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 10 revertido aos associados), não há como se falar em ocorrência da incidência do tributo em questão. Salientou que os atos cooperativos, admissíveis de ser praticado com terceiros com a função de possibilitar à cooperativa prestar serviços a seus sócios, não geram, de forma alguma, a incidência de tributos, posto que não pressupõem a obtenção de lucro, receita ou faturamento por parte da cooperativa. Pleiteou que seja julgado procedente a Impugnação para desconstituir-se a infração apontada, bem como a inexigibilidade dos valores ali lançados. DO ACÓRDÃO PROLATADO Nº. 02-87.738- DRJ/BHE A DRJ analisou a impugnação apresentada, julgando-a improcedente (e-fls. 492/498). Inconformada com a decisão da DRJ, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 506/539), destacando, em síntese, que: “À 1a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo n.° 16327.001516/2010-17 Recurso Voluntário COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS FUNCIONÁRIOS DA TICKET SERVIÇOS COMERCIO E ADMINISTRAÇÃO, CNPJ n°57.440.521/0001-87, com sede à rua Silvia, 23, conjunto 14. Bela Vista, São Paulo - SP, CEP 01331-010„ por seu representante legal, não se conformando com o auto de infração e a decisão de primeira instância, da qual foi cientificada em 28/09/2018, vem, respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõe o art, 33 do Decreto n° 70.235/72, apresentar seu recurso, pelos motivos que se seguem. I — FATOS A Recorrente é uma cooperativa de crédito, instituição financeira autorizada a funcionar paio Banco Central do Brasil. Mantém estrutura operacional e organizacional que a classificam como cooperativa de capital e empréstimo. 2. Tais cooperativas, caracterizam-se pela realização de operações simples, onde através da mutualidade, são realizadas operações de crédito, com o suporte do capital dos outros sócios, capital esse que pode ser remunerado até o limite da taxa SELIC, conforme prescreve o art. 7° da Lei Complementar n. 130. 3. Ou seja, o sócio ingressa na cooperativa com a finalidade de economizar(poupar) e obter crédito, daí a nomenclatura dessas cooperativas (economia e crédito mútuo). Fl. 551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 11 4. Todavia, em determinados momentos, a demanda por crédito é inferior à quantidade de capital aportado, capital esse que deve ser corrigido e remunerado nos limites legais, a fim de evitar a sua corrosão. 5. A fim de preservar o capital do sócio, e permitir que o sócio que mantém esse capital realize a atividade de economizar, muitas vezes a cooperativa é obrigada a aplicar esse valor no mercado financeiro convencional, sempre em aplicações que detenham pouca possibilidade de risco. 6. O resultado dessas aplicações não se configura em receita da cooperativa, eis que por força do art. 40, VII. da Lei Federal n. 5764/71, todo o resultado da cooperativa deve ser destinado aos seus associados, sendo certo que a cooperativa de crédito, ao aplicar o excedente de capital no mercado financeiro nada mais faz que preservar o patrimônio de cada associado, materializado em seu capital social aportado. 7. Na impugnação apresentada, a Recorrente apresentou exatamente como é o seu funcionamento, sua natureza e operações, demonstrando efetivamente a sua natureza meramente instrumental. 8. Demonstrou que as aplicações financeiras das cooperativas de crédito constituem-se em atos cooperativos (atos típicos), e que portanto, não se sujeitam à tributação. 9. Esse conceito aplica-se tão somente às cooperativas de crédito, não se aplicando às cooperativas dos demais ramos. II — DIREITO 10. Foi justamente a equiparação das cooperativas de crédito às demais cooperativas que ensejou o erro da 7a Turma de Julgamento com relação à Recorrente, e que se pretende corrigir através do presente recurso. 11. Foram invocados alguns julgados do Conselho de Contribuinte e a Sumula 262, do STJ, sempre no sentido de que incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas. 12. Em que pese seja esse o entendimento genérico, tanto do Conselho de Contribuintes quanto o STJ já decidiram que o mesmo não se aplica às cooperativas de crédito, constituindo-se essa espécie de cooperativas como uma exceção ao entendimento uma vez que as aplicações financeiras são necessárias aos seu funcionamento e essenciais em sua atividade mutual. 13. Neste sentido cabe trazer à cola o Acórdão n. 105-17.222, relatado pelo D. Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, com a seguinte ementa: (...) 14. Essa ementa praticamente se repete em todos os julgados do CARF sobre o tema, demonstrando que a regra geral da tributação das aplicações financeiras das cooperativas não se aplica às cooperativas de crédito. Fl. 552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 12 15. No âmbito do Poder Judiciário o entendimento é o mesmo. Não obstante a Súmula 262 do STJ consagrar que incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, é unívoco no sentido que as cooperativas de crédito não se submetem ao disposto na Súmula, e tampouco à tributação do resultado de suas aplicações. 16. Neste sentido, vale transcrever os seguintes acórdãos: (...) Entre inúmeras outras decisões. III — A CONCLUSÃO 17. Resta-se claro que o embasamento que sustenta a decisão que ora se requer, ainda que aplicável às cooperativas, NÃO É APLICÁVEL ÀS COOPERATIVAS DE CRÉDITO, motivo pelo qual, considerando-se toda a argumentação da impugnação, requer seja dado provimento ao presente recurso no sentido de que se reforme integralmente a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), decretando-se a não incidência de tributação sobre o resultado das aplicações financeiras da Recorrente, com a consequente desconstituição do auto de infração lavrado, cancelando-se o débito fiscal reclamado, como única e efetiva medida de cumprimento da lei. Pede e Espera deferimento COOPERATIVA ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS FUNCIONÁRIOS DA TICKET SE COMERCIO E ADMINISTRAÇÃO”. É o relatório. VOTO Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Dos Atos Não Cooperativos e tributação Alegou a Contribuinte em sede de impugnação que “os atos cooperativos, admissíveis de ser praticado com terceiros com a função de possibilitar à cooperativa prestar Fl. 553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 13 serviços a seus sócios, não geram, de forma alguma, a incidência de tributos, posto que não pressupõem a obtenção de lucro, receita ou faturamento por parte da cooperativa”. Pontou que a aplicação de recursos no mercado financeiro é uma das operações possíveis de serem realizadas pela mesma como cooperativa de economia e crédito mútuo e que sendo atos cooperativos e não gerando repercussão econômica própria para a cooperativa, as aplicações no mercado financeiro não configuram as hipóteses nem as bases de cálculo dos tributos PIS, COFINS, CSLL e Imposto Sobre a Renda. Asseverou que o STJ recentemente consolidou o entendimento que as aplicações financeiras das cooperativas de crédito não se sujeitam a incidência de Imposto sobre a Renda, CSLL, PIS e COFINS, sendo inaplicável a Súmula 262 para essa espécie de cooperativas. Assim, a DRJ após a análise da impugnação apresentada, julgou-a improcedente, mantendo a exigência formalizada, nos seguintes termos que seguem em síntese: “A contribuinte defende que todas as suas aplicações financeiras, independentemente de envolverem instituições financeiras não cooperativas, se configuram como ato cooperativo e, portanto, estão fora do alcance das tributações aqui tratadas. Registre-se que a Lei 5.764/1971, que disciplina o regime jurídico das cooperativas, oferece, em seu artigo 79, adiante transcrito, definição bastante estrita de ato cooperativo, como aquele praticado entre as cooperativas e seus associados ou entre cooperativas. Estabelece, no parágrafo único, que somente o ato praticado, na forma aqui descrita, a saber, cooperativa-associado e cooperativa-cooperativa, não implica operação de mercado. Resulta, portanto, desta definição legal que o ato praticado entre cooperativas e terceiro, não associado, ou com outra instituição de natureza diversa de Cooperativa constitui operação de mercado, e, assim, não pode ser qualificado como ato cooperativo, beneficiado com isenção de tributo, como pretende a autuada. No presente caso, não constituem atos cooperativos as operações financeiras realizadas entre a autuada, na qualidade de Cooperativa de Crédito, e instituições financeiras não cooperativas. Lei 5.764/1971 Do Ato Cooperativo Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifos acrescentados) Fl. 554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 14 Em conformidade com a legislação acima, foi editada a IN SRF 333/2003, adiante transcrita, visando regular os aspectos tributários das aplicações financeiras das Cooperativas de Crédito em instituições financeiras não cooperativas, que é a hipótese do presente processo. Ficou estabelecido, expressamente, que tais operações não constituem atos cooperativos, e estão, desta forma, sujeitas à incidência de Imposto de Renda sobre o seu resultado. IN SRF 333/2003 Art. 1º As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não se caracterizam como atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido pela cooperativa nessas aplicações. (...) A referida IN consoante estabelecido no CTN, art. 100, constitui norma complementar das leis, no caso, das normas legais que disciplinam o regime jurídico das cooperativas, para fins tributários, e, assim, vincula as autoridades fiscais, tanto as lançadoras como as julgadoras, no âmbito da Administração Fiscal. Desse modo, por força do estabelecido no art. 79 da Lei 5.764/1971 e nº art. 1º da IN SRF 333/2003, não se pode acatar a tese da impugnante”. Pois bem. A matéria não é nova no âmbito deste Conselho. Trago, inicialmente, o precedente discutido na 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, Acórdão nº 1402001.541, da Relatoria do Ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, julgado em 05 de dezembro de 2013, do qual extraí os seguintes trechos: “Entretanto, embora as cooperativas sejam, nos termos da lei civil, pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade, o regime jurídico aplicável a elas é diferente das sociedades empresárias ou simples, visto que possuem uma finalidade peculiar. Isto porque as cooperativas, na exegese dos arts. 3° e 4° da Lei n°. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Portanto, será considerado ato cooperativo todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. Nesse caso, a cooperativa atuará como intermediária entre o cooperado e o mercado financeiro, sendo que o resultado obtido com a realização deste negócio jurídico será, posteriormente, repassado ao cooperado. Fl. 555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 15 Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que "os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos". Desta forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, tem se que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Sobre o tema, o STJ pacificou o entendimento, determinando que, tratando se de cooperativas de crédito, qualquer aplicação financeira caracteriza se como ato cooperado. Na sessão de 20 de novembro de 2012, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou o tema (Acórdão 9101001.518 – Relatora Susy Gomes Hoffmann, embasando se em precedente do STJ: A Súmula n° 262 do STJ, no mesmo sentido, estabelece que “incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”. Tal entendimento, contudo, refere-se às cooperativas em geral. Na sua consolidação, o STJ não trouxe à baila a análise específica da situação das Cooperativas de Crédito. Pelo contrário, ao fazê-lo, o Egrégio Tribunal manifestou se, por diversas vezes, no sentido de excluí-las do entendimento retratado no acórdão e na súmula acima transcritos. Isto porque, tratando se de Cooperativa de Crédito, as receitas financeiras, efetivamente, consubstanciam atos cooperativos. Neste sentido, os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse nº sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a Fl. 556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 16 realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Infere se que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresça-se que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, faz se necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Trata se de aplicação do direito à espécie. [...] 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tão somente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente. (AgRg no AgRg no REsp 717.126/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 24/02/2010) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. (EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611.217/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência da Cofins sobre o resultado de tal atividade. 2. O STJ assentou o entendimento de que, em se tratando de cooperativas de crédito, toda a sua movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações Fl. 557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 17 financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não havendo incidência do PIS e da Cofins. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 823.207/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 21/08/2009) Neste sentido, deve se ter em mente que o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça pode ser resumido da seguinte forma: o imposto sobre a renda incide sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, salvo em relação às cooperativas de crédito. Isto justamente porque, no caso particular das cooperativas de crédito, as aplicações financeiras realizadas inserem se no conceito de atos cooperativos. Com efeito, como bem se demonstrou no acórdão recorrido, as cooperativas são pessoas jurídicas criadas com uma finalidade central de prestar serviços relevantes de assistência a seus associados, conforme se depreende dos artigos 3° e 4° da Lei n° 5.764/71. E mais, sem objetivo de lucro. Neste sentido, a Lei n° 5.764/71 (artigo 79) qualifica juridicamente como cooperativos os atos praticados “entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Tais atos, como se sabe, não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. No caso específico das Cooperativas de Crédito, o respectivo objetivo social, em síntese, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro. Na hipótese dos autos, a contribuinte, conforme se depreende do artigo 3° do seu Estatuto Social, tem por objetivo “a organização em comum e em maior escala dos serviços econômico financeiros e assistenciais de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços.” Tratando se de atos cooperativos, incide, portanto a Súmula 83 do CARF, assim vazada: “O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004.” Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Outro precedente é o Acórdão nº 9101002.782 1 ª Turma da CSRF, julgado em 06 de abril de 2017, do qual extraí os seguintes trechos: “Quanto ao mérito, tem razão a contribuinte em alegar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), embasada em posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), modificou o entendimento manifestado no acórdão paradigma proferido em 2004, e que a CSRF tem decidido reiteradamente que as receitas de aplicações financeiras realizadas por cooperativa de crédito não sofrem incidência de IRPJ e CSLL. Fl. 558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 18 Dentre as várias decisões da CSRF apontadas pela contribuinte, vale reproduzir a ementa da mais recente delas, que foi exarada por unanimidade de votos: Acórdão nº 9101001.825 Sessão de 20 de novembro de 2013 [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO ATO COOPERATIVO. ENTENDIMENTO DO STJ. IRPJ E CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. Nos casos de cooperativas de crédito, tendo em vista a sua especificidade, as receitas decorrentes de aplicações financeiras, que não lhe originam lucro, mas que são destinadas aos próprios cooperados, não sofrem a incidência de IRPJ nem de CSLL, pois que referidas aplicações, conforme entendimento do próprio STJ, enquadram-se no conceito de atos cooperativos. Não se desconhece que de acordo com a Lei nº 5.764/1971, os resultados obtidos com a prática de operações que não envolvam atos cooperativos estão sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Também não se desconhece que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da Súmula 262, pacificou o entendimento de que, embora os atos das cooperativas de um modo geral sejam isentos de Imposto de Renda (IR), quando se trata do resultado de aplicações financeiras realizadas por estas entidades o IR incide sim, porque tais operações não são referentes a atos cooperativos típicos: Súmula STJ nº 262: Incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas. Contudo, no caso específico das cooperativas de crédito, há de se levar em conta algumas particularidades, conforme evidencia a Lei Complementar nº 130/2009, que, ao tratar desse tipo de cooperativa, assim dispõe: Art. 2º As cooperativas de crédito destinam-se, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados, sendo-lhes assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro. (grifos acrescidos) É forçoso concluir que a captação de recursos e a realização de aplicações nº mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados atos praticados pelas cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, não passíveis da incidência tributária em questão. Nesse sentido, vale registrar o que foi decidido pela 2ª Turma do STJ no AgRg do AgRg no REsp 717126/SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, julgado em 09/02/2010, quando o referido tribunal deixou claro que a Súmula 262 não se aplica às cooperativas de crédito, e que "toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras Fl. 559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 19 no mercado — constitui ato cooperativo", não sujeito, portanto, à incidência tributária em questão: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que os atos cooperativos típicos — assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais — não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado — constitui ato cooperativo. 3. Infere se que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresça-se que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. [...] VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 27.10.2009. Os Agravos Regimentais não merecem prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971: [...] Fl. 560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 20 Confiram-se os seguintes precedentes desta Corte: [...] Por sua vez, a Primeira Seção do STJ, com o julgamento do REsp 591298/MG, Relator p/ acórdão Ministro Castro Meira, DJ 07/03/2005, pacificou o entendimento de que "toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo". Eis a ementa do mencionado acórdão, que sedimentou a orientação desta Corte Superior: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. LEI N.º 5.764/71. 1. Milita em favor das normas jurídicas a presunção de que foram recepcionadas pelo sistema normativo ante a ruptura constitucional. Enquanto não provocada a Suprema Corte ou declarada a não recepção, a Lei n.º 5.764/71 continua em pleno vigor, não havendo óbice ao conhecimento do recurso especial por violação de um ou alguns de seus dispositivos. 2. O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por consequência, não há base imponível para o PIS. 3. Já os atos não cooperativos geram faturamento à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação (art. 87 da Lei n.º 5.764/71). 4. Toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, circunstância a impedir a incidência da contribuição ao PIS. 5. Salvo previsão normativa em sentido contrário (art. 86, parágrafo único, da Lei n.º 5.764/71), estão as cooperativas de crédito impedidas de realizar atividades com não associados. 6. Atualmente, por força do art. 23 da Resolução BACEN n.º 3.106/2003, as cooperativas de crédito somente podem captar depósitos ou realizar empréstimos com associados. Assim, somente praticam atos cooperativos e, por consequência, não titularizam faturamento, afastando-se a incidência do PIS. 7. A reunião em cooperativa não pode levar à exigência tributária superior à que estariam submetidos os cooperados caso atuassem isoladamente, sob pena de desestímulo ao cooperativismo. Fl. 561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 21 8. Qualquer que seja o conceito de faturamento (equiparado ou não a receita bruta), tratando-se de ato cooperativo típico, não ocorrerá o fato gerador do PIS por ausência de materialidade sobre a qual possa incidir essa contribuição social. 9. Recurso especial provido. (REsp 591298/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/10/2004, DJ 07/03/2005 p. 136, grifei) Dessa forma, da conjugação dos entendimentos jurisprudenciais em referência denota-se que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre incidência do imposto de renda. Mister se faz salientar que nenhum dos precedentes que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ analisou a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios de seus associados. [...] De acordo com o STJ e com decisões reiteradas da CSRF, os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito são atos cooperativos, não passíveis de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Seguindo esta jurisprudência, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Consta-se das decisões acima que o ato cooperativo é todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. No caso específico das cooperativas de crédito, o objetivo social, em resumo, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro; assim, toda movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não sendo tributável, portanto, por não estar incluído na hipótese de incidência da norma tributária. Isto porque as cooperativas, de acordo com os arts. 3° e 4° da Lei n° 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria", razão pela qual tais atos não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. Tal matéria é sumulada neste CARF, que em sua Súmula nº 83, assim dispôs: “O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Fl. 562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 22 Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004”. O teor da Súmula 83 é claro e carece de maiores comentários. Combinado com o conceito de ato cooperativo aplicável às cooperativas de crédito não deixa nenhuma dúvida de que é incabível a exigência da CSLL sobre o resultado auferido por essas instituições, mesmo antes da edição da Lei nº 10.865/2004. Posteriormente, a jurisprudência do CARF se consolidou sobre o tema, tendo sido aprovado o enunciado da súmula CARF n. 141, de seguinte teor: “Súmula CARF 141: As aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, o que afasta a incidência de IRPJ e CSLL sobre os respectivos resultados”. Neste diapasão, o Acórdão nº 9101-004.466, de relatoria da Conselheira Livia de Carli Germano que, por se tratar de caso que se exigiu IRPJ sobre receitas auferidas com aplicações financeiras com não cooperados, senão vejamos o teor do julgado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NO CARF. SUMULA CARF 141. A interpretação das regras sobre cooperativas não pode ser literal, devendo ser realizada à luz de seu especial tratamento. Neste sentido, a efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado, muito embora consista em ato praticado com um terceiro não cooperado, constitui ato cooperativo não sujeito à tributação. Súmula CARF 141 As aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, o que afasta a incidência de IRPJ e CSLL sobre os respectivos resultados. (Acórdão n°. 9101-004.466, CSRF, 1ª Turma, Sessão: 10/10/2019)”. Assim, pode-se concluir que a inteligência da Súmula CARF nº 141 deve ser aplicada nos casos de lançamentos para exigência de IRPJ e CSLL. Tratando-se ainda, o presente processo de lançamentos de PIS e COFINS, o decidido quanto o lançamento de IRPJ é aplicável aos lançamentos dele decorrentes. Dispositivo Isto posto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.876 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16327.001516/2010-17 23 Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Fl. 564DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 35207.000085/2004-26
Turma: Sexta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE PREPARAR O LTCAT. INFRAÇÃO.
Deixar a empresa de preparar o Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho - LTCAT em relação aos segurados expostos a agentes nocivos à saúde configura infração à legislação, por descumprimento de obrigação acessória.
APLICAÇÃO CONJUNTA DE MULTA MORATÓRIA E DE PENALIDADE DECORRENTE DE INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A multa moratória por atraso no recolhimento do tributo tem fundamento jurídico diverso daquela aplicada por inobservância de obrigação acessória pelo sujeito passivo, inexistindo interferência de uma na aplicação da outra.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 296-00.038
Decisão: Acordam os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Siape 751683 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA TURMA ESPECIAL 35207.000085/2004-26 141.968 Voluntário AUTO DE INFRAÇÃO 296-00.038 28 de novembro de 2008 USINA IPOJUCA S/A SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA - SRP CCO2/T96 Fls. 148 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE PREPARAR 0 LTCAT. INFRAÇÃO. Deixar a empresa de preparar o Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho - LTCAT em relação aos segurados expostos a agenids nocivos saúde configura infraçao h legislação, por descumprimento de obrigação acessória. APLICAÇÃO CONJUNTA DE MULTA MORATÓRIA E DE PENALIDADE DECORRENTE DE INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa moratória por atraso no recolhimento do tributo tem fundamento jurídico diverso daquela aplicada por inobservância de obrigação acessória pelo sujeito passivo, inexistindo interferência de uma na aplicação da outra. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2° CC/IVIF - Sexta câmara CONFERE COM 0 ORIGiNAL Brasilia,23 / Maria de Fatima a de a lho Mair. Siape 751683 CCO2/1-96 Fls. 149 \ki ‘twiiv.,, cud Lk, KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO Relator Processo n° 35207.000085/2004-26 Acórdão n.° 296-00.038 Acordam os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Lourenço Ferreira do Prado (Suplente convocado). 2 Processo n° 35207.000085/2004-26 Acórdão n.° 296-00.038 2° CC/MF Sexta Camara CONFERE COM O OR1GiNAL Brasilia X3 / 3 C).= CCO2/T96 Fls. 150 Maria de Ft.tima rreira ialho Matr. Siape 751683 Relatório Trata o presente processo administrativo do Auto-de-Infração — AI, DEBCAD n° 35.485.550-6, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 58, § 3°, da Lei n° 8.213, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 68, § 4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 0 valor da penalidade aplicada atingiu a cifra de R$ 9.910,21 (nove mil e novecentos e dez reais e vinte e um centavos). Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fl. 02, a empresa, mesmo intimada por termo próprio, desatendeu à solicitação do fisco para exibição do Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho - LTCAT relativamente aos trabalhadores expostos aos agentes nocivos prejudiciais à saúde e a integridade fisica, os quais são considerados para fins de aposentadoria especial. Assevera o Auditor que foi constatada a existência de riscos ambientais pela análise de outros elementos, tais como PPRA, PCMSO e formulários DIRBEN —8030. A metodologia e fundamentação legal utilizadas no cálculo da penalidade encontram-se expostas no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 03. Ressalta-se que a -multa-foi-aplicada no seu-valor mínimo dada a -ausência-de circunstâncias-agravantes: - - - - - - - - - Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 12/15, na qual ventila, em síntese, as seguintes alegações: a) que todos os processos decorrentes da mesma ação fiscal devem ser reunidos para julgamento conjunto, haja vista a conexão existente entre os mesmos; b) que sejam consideradas as razões expostas em relatório anexo, subscrito por Engenheiro de Segurança do Trabalho, onde se demonstra que a empresa não procedeu conforme a auditoria apontou nos seus lançamentos fiscais; c) o documento que supostamente não teria sido disponibilizado a fiscalização (LTCAT) encontra-se anexado à defesa contra a NFLD no 35.485.553-0. Afirma que o mencionado laudo possivelmente não foi entregue ao agente fiscal devido a lapso do setor competente, ocasionado pelo exíguo tempo disponibilizado para a exibição dos elementos necessários ao trabalho da auditoria. Assim, com a entrega do LTCAT deve a autuação ser cancelada; d) que tendo havido aplicação de multa por falta de pagamento do tributo, não pode ser exigida penalidade em razão do descumprimento de obrigação acessória relativa ao mesmo fato gerador. 0 contribuinte não pode ser duplamente punido pelo mesmo fato. 0 sistema jurídico pátrio não admite essa solução, sendo certo que a multa por obrigação acessória é absorvida pela penalidade pelo descumprimento da obrigação principal. Por fim, pede o acatamento de suas razões, de modo que o AI seja declarado insubsistente e ainda que possa ampliar o seu conjunto probatório com a juntada de novos documentos e a realização de diligências fiscais e perícia contábil. 3 Processo n° 35207.000085/2004-26 Acórdão n.° 296-00.038 20 CC/ME - Sexta Ca - iar CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia Maria de Fatima r ra de Carvalho Matr. Siape 751683 CCO2/T96 Fls. 151 A Gerência Executiva do INSS em Caruaru (PE) emitiu a Decisão Notificação n° 15.421.4/015/2004, de 08/03/2004, fls. 180/183, declarando procedente o lançamento. Eis a ementa da decisão a quo: "EMENTA: AUTUAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA COM VISTAS AO CONTROLE DE RISCOS AMBIENTAIS. passível de autuação a empresa que deixa de apresentar à auditoria fiscal do INSS Laudo Técnico de Condições Ambientais, previsto no art. 58, ,sS 3 0, da Lei n° 8.213, de 24/07/1991, documento imprescindível ao controle dos riscos ambientais a que se expõem trabalhadores." Inconformado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, fls. 185/188, alegando inicialmente que a sua peça recursal foi interposta tempestivamente, posto que o prazo para a sua apresentação foi suspenso devido à greve dos servidores do INSS. Afirma ainda que efetuou o depósito para garantia de instância, conforme guia juntada. No seu recurso o sujeito passivo reprisa os mesmos argumentos trazidos com a impugnação, requerendo, por fim, que o mesmo seja recebido no efeito suspensivo e que possa produzir novas provas, tais como documentos, diligências fiscais e perícia contábil. Arremata pedindo a declaração de insubsistência do AI sob testilha. - 0 órgão-de-primeira instância apresentou-contra-razões, -fls194R 95,- pugnando - - -- pela manutenção de sua decisão. Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator 0 recurso foi apresentado no prazo legal, conforme data da ciência da DN em 31/03/1994, fl. 191, e data de protocolização da peça recursal em 11/06/2004, fl. 185, haja vista a Resolução INSS n° 154, de 08/06/2004, que suspendeu no período de 20/04/2004 a 04/06/2004, os prazos para impugnação e recurso. A exigência do depósito recursal prévio como condição de admissibilidade foi suprida pelo comprovante de pagamento colacionado, fl. 189, assim, deve o mesmo ser conhecido. As argumentações trazidas com o recurso fundamentalmente são de duas naturezas. A primeira diz respeito à verificação da existência da própria infração, haja vista que o sujeito passivo defende a inocorrência da conduta tida como violadora da norma previdencidria. A outra alegação prende-se à matéria jurídica. Afirma a recorrente que a multa por descumprimento de obrigação acessória não pode ser cumulada corn a multa por inadimplemento da obrigação principal, posto que essa absorve aquela. Passo a verificar inicialmente a matéria fática. Afirma o fisco que intimou a empresa a apresentar diversos documentos, relativos a fatos geradores ocorridos no período de 10/1999 a 12/2002, conforme Termos de Intimação para apresentação de Documentos - TIAD, fls. 09/10. Todavia, o LTCAT deixou de ser exibido. cciwitz - ei,eta Cazviara CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia 4,323 /OT 0 Maria de Fatima _ ira e tho Matr. Siape 751683 Processo n° 35207.000085/2004-26 Acórdão n.° 296-00.038 CCO2fT96 Fls. 152 0 Auditor ressaltou ainda que havia a obrigação do sujeito passivo de preparar o referido laudo, posto que ficou demonstrado a existência de segurados expostos a riscos ambientais decorrentes de agentes nocivos à saúde dos trabalhadores. A recorrente, para afastar a imposição, juntou relatório confeccionado por especialista em segurança no trabalho, fls. 22/24, o qual analisa a exposição dos trabalhadores a dois tipos de agentes fisicos: ruído e calor. Afirma que o ruído é neutralizado pelo uso de protetor auricular. Quanto ao calor, é admitida a existência, em setor especificado, de segurados sujeitos a condições de trabalho que lhes garante a aposentadoria especial. Hi ainda na peça recursal a justificativa de que o LTCAT deixou de ser entregue durante a ação fiscal em razão do exíguo tempo fixado no TIAD, que acabou levando o Departamento de Pessoal a disponibilizar apenas parte da documentação. Assevera que a entrega do documento com a defesa é suficiente para tornar sem efeito o AI. Dos comentários acima, é inconteste que havia na empresa segurados expostos a agentes nocivos à saúde, tornando-se obrigatória a elaboração do LTCAT, conforme determina o art. 58, § 3°, da Lei n° 8.213/1991 1 . Concluo, assim, que a não preparação do documento caracteriza infração ao comando normativo invocado na autuação, sendo obrigação do fisco a imediata imposição da multa prevista na Lei. Ademais, o LTCAT apresentado as fls. 38/100, foi elaborado em junho de 2003, no entanto, a documentação solicitada no TIAD é relativa ás competências de 10/1999 a -12/2002,- o-que comprova- que para-o -período fiscalizado inexistia- o-laudo-,- configurando-se,- - - - sem sobra de dúvida, a infração que deu ensejo ao presente AI. Não há como acatar o argumento recursal de que o LTCAT exibido sanearia a falha, posto que, conforme já asseverei, o mesmo não corresponde ao período da verificação fiscal. No que diz respeito a impossibilidade de aplicação da presente multa em razão da mesma ser absorvida pela multa decorrente do descumprimento da obrigação principal, é alegação que não deve ser considerada. 0 invocado principio da consunção, de tão comum aplicação na seara criminal, não se presta para utilização no campo tributário. Embora o termo "obrigação acessória" possa sugerir a sua dependência de outra que seja a principal, não é essa a relação que se estabelece entre os dois deveres que a lei atribui ao sujeito passivo, quais sejam: o de pagar o tributo (obrigação principal) e aquele relativo a prestações positivas e negativas no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos (obrigação acessória). Apesar da multa moratória assumir feição sancionatória, como têm afirmado os tribunais pátrios (ver STJ AgRg no Ag 945534 / DF, Relator Min. Luiz Fux, 03/03/2008, Dje 18/06/2008), essa decorre de causa jurídica diversa daquela aplicada em razão de descumprimento de obrigação acessória. A multa aplicada por atraso no recolhimento do tributo funda-se no art. 35, I, da Lei n° 8.212/1991, o qual faço questão de transcrever: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I § 30 A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referencia aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita A penalidade prevista no art. 133 desta Lei. 2° CC/IVIF - 3 xtaCmara CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, 6z3 ijO9 Maria de Fatim- erreira 4e-C-t-r?valho Maw. Siape 751683 CCO2r1.96 Fls. 153 Processo n° 35207.000085/2004-26 Acórdão n.° 296-00.038 I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificaçã o fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do 777eS de vencimento da obrigagdo; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo 171gS seguinte ao do vencimento da obrigação; II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não _inscrito em Divida Ativa; III - para pagamento do crédito inscrito em Divida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (..)." A penalidade presente no AI sob julgamento tem como fato gerador o descumprimento da obrigação da empresa de preparar o LTCAT, prevista no art. 58, § 3 0, da Lei n° 8.213/1991. Tem-se, então, que o fisco, uma vez constatada a infração, deverá aplicá-la (a multa) independentemente do cumprimento da obrigação de recolher o tributo devido, não havendo possibilidade jurídica de se afastar a imposição dessa penalidade pelo fato de se exigir a multa de mora. 0 pedido da reunião dos processos lavrados contra o recorrente, de forma que sejam julgados conjuntamente, apesar de desejável, não é obrigatório, posto que não há norma legal na seara do processo administrativo fiscal que preveja esse procedimento. Por outro lado, para o AI sob cuidado, os dados constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros processos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. 2° CC/MF - Soxta Câmara CONFERE COIVI O ORIGINAL Brasilia, 3 =•■•'" Maria de Fatima e Carvalho Matr. &ape 751683 CCO2rf96 Fls. 154 Processo n° 35207.000085/2004-26 Acórdão n.° 296-00.038 Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela existência da infração, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Por fim, cabe esclarecer que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com a apresentação do recurso é decorrência da própria lei, não havendo interesse processual (necessidade) no seu requerimento, conforme a dicção do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n° 5.172, de 25/10/1966): "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; " De todo o exposto voto por conhecer do recurso e no mérito negar-lhe provimento. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2008 _ _ _VA ‘k,V■tj 63- KLE Eh FERREIRA DE ARAUJO 7
score : 1.0
Numero do processo: 35405.003328/2006-11
Turma: Sexta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 16/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. AUTUAÇÃO.
Configura-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pelo fisco, mediante intimação regularmente efetuada.
AUDITOR FISCAL SEM HABILITAÇÃO COMO CONTABILISTA. COMPETÊNCIA PARA EXAME CONTÁBIL.
Dentre as atribuições legais dos Auditores da Receita Federal do Brasil está a de efetuar o exame da contabilidade dos sujeitos passivos, independentemente de habilitação em Conselho de Contabilidade.
INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES.
Para as infrações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda possa aplicar a multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 296-00.056
Decisão: Acordam os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Siape 751683 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA TURMA ESPECIAL 35405.003328/2006-11 143.492 Voluntário AUTO DE INFRAÇÃO 296-00.056 28 de novembro de 2008 CERÂMICA JK LTDA SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA- SRP CCO2/T96 Fls. 106 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. AUTUAÇÃO. Configura-se infração à legislação previdencidria deixar a empresa de apresentar documentos solicitados pelo fisco, mediante intimação regularmente efetuada. AUDITOR FISCAL SEM HABILITAÇÃO COMO CONTABILISTA. COMPETÊNCIA PARA EXAME CONTABIL. Dentre as atribuições legais dos Auditores da Receita Federal do Brasil está a de efetuar o exame da contabilidade dos sujeitos passivos, independentemente de habilitação em Conselho de Contabilidade. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as infrações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda possa aplicar a multa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 cz tiMAiN\a, Chi KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 CC/IVIV - tAtexteti Camara CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia, , ,93 i 0 , 0... Maria de Fatima Ferr e eatIII0 Ivlatr. Sipe 751683 Processo n°35405.003328/2006 -li Acórdão n.° 296-00.056 CCO2/1-96 Fls. 107 Acordam os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unan as idade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SA PAIO FREIRE Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Lourenço Ferreira do Prado (Suplente convocado). 2 2° CC/EV1F - .E.;exita CONFERE CON. O Brasilia, 23 / 0 .3 C.-im a ra ORIGINAL Oz Maria de F .atow..... Ferre.:r Matr. S:ape 751 e CLIrv,2);ifie 683 CCO2TF96 Fls. 108 Processo n° 35405.003328/2006-11 Acórdão n.° 296-00.056 Relatório Trata o presente processo administrativo do Auto-de-Infração — AI, DEBCAD no 35.797.563-4, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 33, § 2°, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o art. 232 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 0 valor da penalidade aplicada atingiu a cifra de R$ 11.017,50(onze mil e dezessete reais e cinqüenta centavos). Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fl. 06, a empresa deixou de apresentar fiscalização o Livro Caixa referente aos exercícios de 1995 e 1996 ou, opcionalmente, para o período de 1997 a 2004, o livro Diário. Não foi apresentado também o livro de Registro de Empregados n° 01 e 03, assim como as folhas de pagamento do período de 11/1997 a 13/1999 e 01/2003 a 04/2003. A metodologia e fundamentação legal utilizadas no cálculo da penalidade encontram-se expostas no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 15/22, na qual ventila, em síntese, as seguintes alegações: a) a imposição da multa é ilegal, devendo o AI ser declarado nulo; b) como a fiscalização pode desenvolver seu trabalho lançando mão das informações da RAIS e do sistema informatizado do órgão, não se constatou nenhum impedimento ao desenvolvimento da auditoria; c) não havia obrigação da empresa de guardar os livros e documentos relativos ao período de 1995 a 1999, haja vista que já havia ocorrido decadência do direito de lançar as contribuições correspondentes. Para corroborar sua tese, junta diversos julgados sobre a matéria. A Delegacia da Receita Previdencidria em Baum (SP), emitiu a Decisão Notificação n° 21.423.4/191/2006, de 22/05/2006, fls. 75/78, declarando procedente o lançamento. Inconformado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, fls. 85/98, alegando o transcurso do prazo decadencial, a exigência de habilitação como contabilista para proceder a análise de documentação contábil e a inconstitucionalidade dos juros SELIC quando aplicados para fins tributários. Por fim, pede a reforma da decisão de primeira instância e, por conseguinte, a anulação do AI. O órgão a quo apresentou contra-razões, fls. 102/104, pugnando pela manutenção integral da autuação. 3 Processo n°35405.003328/2006-11 Acórdão n.° 296-00.056 2° CC/IVIF - Sexta C.:Arnatra CONFERE CON! O OF.IGINAL Brasiiia, £3 i / 0 Maria de Fatima Ferre,, de Carvalho Matr. Sapo 751683 CCO2/1-96 Fls. 109 Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator 0 recurso foi apresentado no prazo legal, conforme data da ciência da DN em 31/05/2006, fl. 82, e data de protocolização da peça recursal em 29/06/2006, fl. 85. A exigência do depósito recursal prévio corno condição de admissibilidade do recurso foi afastada por decisão judicial colacionada, fl. 80, assim, deve o mesmo ser conhecido. E cediço que após a edição da Súmula Vinculante n° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do credito tributário relativo As contribuições previdencidrias passou a ser regido, com efeitos retroativos, pelas disposições do Código Tributário Nacional — CTN, posto que o art. 45 da Lei n° 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação As exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados fiscalização das contribuições. Por conta disso, uma vez ocorrida a infração teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Porém, para a infração sob desvelo — deixar de apresentar os documentos solicitados - é necessário que se perquira acerca da efetiva ocorrência da infração, tomando-se como critério o prazo decadencial de cinco anos previsto no CTN. A data da lavratura do AI foi 10/12/2005 e a documentação tida como não apresentada é relativa ao período 07/1995 a 03/1999, portanto, houve a exigência de livros e documentos concernentes a fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos do momento da autuação. Entendo que a infração somente restaria configurada, caso o fisco ainda pudesse exigir os papéis daquele período. 0 prazo para a guarda documental aparece previsto no art. 33, § 11, da Lei n°8.219/1991, nos seguintes termos: "§ 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização." A constatação de que esse dispositivo não teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF poderia levar-nos a fixar o entendimento de que, embora o fisco somente possa lançar contribuições dentro do prazo de cinco anos, a obrigação dos contribuintes de guardar os documentos e livros por dez anos persiste e, por conseguinte, a autuação em tela, pelo menos com relação a esse aspecto, seria legitima. Todavia, imagino não ser a melhor exegese. A norma que prescreve a obrigação de guardar os documentos, por veicular um dever tributário do tipo instrumental, deve ser interpretada a luz do art. 113 do CTN, in verbis: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. 2° CCAVIF - 8exta Câmara CONFERE Cam O ORICANAL Brasilia n:23 / Maria de Fatima Fe 3 de Carvalho Matr. Siape 751683 • VW. CCO2/T96 Fls. 110 Processo n° 35405.003328/2006-11 Acórdão n.° 296-00.056 § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente coin o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislagdo tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." (grifei) Está estampado no § 2° acima que a obrigação acessória deve necessariamente vincular-se a um interesse da arrecadação ou fiscalização, o que nos leva ao entendimento, a contrario sensu, de que não é legitima uma obrigação que não apresente a finalidade de favorecer a atividade da máquina do fisco, qual seja a arrecadação de tributos ou outra situação que o caso concreto possa fazer surgir. Posso concluir, então, que a obrigação de guardar livros e documentos por prazo superior aquele que a auditoria dispõe para lançar a contribuição não deve subsistir, posto que desprovida de razoabilidade, dito de outro modo, não se pode instituir um ônus ao sujeito passivo sem que se justifique a serventia de tal medida como necessária ao fisco para cumprir o seu mister. Fosse a solicitação baseada em justificativa plausível, v.g., para instruir um processo de concessão de beneficio, haveria motivação e, ai sim, poder-se-ia aplicar o art. 32, § 11, da Lei n° 8.212/1991, haja vista que a obrigação acessória estaria claramente lastreada em uma necessidade da Auditoria. Nesse sentido assiste razão A recorrente quando alega que o fisco não poderia exigir documentos e livros relativos ao período de 1995 a 1999, todavia, esse fato não altera a penalidade aplicada, posto que há documentos e livros não apresentados de competências em que a decadência não havia se operado na data da autuação, como se pode ver da leitura do Relatório Fiscal da Infração, fl. 06. Assim, considerando que a multa não se altera em razão do número de documentos sonegados, mesmo tendo ocorrido decadência para parte do período fiscalizado, deve ser mantido o AI pelos elementos não apresentados relativos As competências de 01/2000 em diante. Quanto A falta de competência de Auditor Fiscal, por não possuir registro no Conselho de Contabilidade, não pode representar como causa de nulidade do lançamento. A análise de escrita fiscal, é respaldada por norma vigente, a qual autoriza o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a verificar a escrita contábil dos contribuintes. Essa matéria já se encontra, inclusive sumulada pelo Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos seguintes termos: "SÚMULA NO 5 0 Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador." (aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007. Publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28) Processo n° 35405.003328/2006-11 Acórdão n.° 296-00.056 2° CC/MF - Sexta (.1.ttaira COIFE COM O ORiGINAL _222 / 09 Maria de Fatima Fedirf f radeaiho Matr. Siape 751683 Brasilia CCO2fr96 Fls. 111 A inexistência de aplicação de juros SELIC sobre a multa imposta, torna o argumento recursal quanto a essa questão totalmente impertinente. Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso, negando-lhe provimento. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2008 \Q)k) \ I Wkki\■}A ,t 6-1 KLEBER FERREIRA DE ARAO 6
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721502/2014-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Jun 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
CONHECIMENTO. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 163.
A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte.
O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SÚMULA CARF Nº. 162.
O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12, INCISO I, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. PRESENÇA DOS ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. ANÁLISE DOS ELEMENTOS FÁTICOS PROBATÓRIOS.
Demonstrada nos autos, a partir dos elementos probatórios apresentados pela autoridade fiscal, a interposição de pessoas jurídicas na contratação de serviços, mediante averiguação quanto à presença dos requisitos da relação de emprego, correto o procedimento fiscal ao enquadrar as pessoas físicas, contratadas em tais condições, como segurados empregados do tomador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Uma vez transposta a fase do lançamento fiscal, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Restando comprovada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, cabível a aplicação da multa de ofício qualificada. Contudo, em função da alteração legislativa trazida pelo Art. 14 da Lei 14.689/2023, o montante desta multa restringe-se ao montante de 100% do crédito tributário apurado.
Numero da decisão: 2101-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos argumentos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa ao percentual de 100%, em razão da alteração promovida pela Lei nº. 14.689/2023.
Assinado Digitalmente
Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Wesley Rocha, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos argumentos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa ao percentual de 100%, em razão da alteração promovida pela Lei nº. 14.689/2023. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Wesley Rocha, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 CONHECIMENTO. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 163. A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SÚMULA CARF Nº. 162. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12, INCISO I, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. PRESENÇA DOS ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. ANÁLISE DOS ELEMENTOS FÁTICOS PROBATÓRIOS. Demonstrada nos autos, a partir dos elementos probatórios apresentados pela autoridade fiscal, a interposição de pessoas jurídicas na contratação de serviços, mediante averiguação quanto à presença dos requisitos da relação de emprego, correto o procedimento fiscal ao enquadrar as pessoas físicas, contratadas em tais condições, como segurados empregados do tomador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Uma vez transposta a fase do lançamento fiscal, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Restando comprovada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, cabível a aplicação da multa de ofício qualificada. Contudo, em função da alteração legislativa trazida pelo Art. 14 da Lei 14.689/2023, o montante desta multa restringe-se ao montante de 100% do crédito tributário apurado.
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REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 163. A prova produzida em processo administrativo tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 3453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 2 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SÚMULA CARF Nº. 162. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12, INCISO I, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. PRESENÇA DOS ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. ANÁLISE DOS ELEMENTOS FÁTICOS PROBATÓRIOS. Demonstrada nos autos, a partir dos elementos probatórios apresentados pela autoridade fiscal, a interposição de pessoas jurídicas na contratação de serviços, mediante averiguação quanto à presença dos requisitos da relação de emprego, correto o procedimento fiscal ao enquadrar as pessoas físicas, contratadas em tais condições, como segurados empregados do tomador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em Fl. 3454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 3 instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Uma vez transposta a fase do lançamento fiscal, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Restando comprovada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, cabível a aplicação da multa de ofício qualificada. Contudo, em função da alteração legislativa trazida pelo Art. 14 da Lei 14.689/2023, o montante desta multa restringe-se ao montante de 100% do crédito tributário apurado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos argumentos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa ao percentual de 100%, em razão da alteração promovida pela Lei nº. 14.689/2023. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Fl. 3455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 4 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Wesley Rocha, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 3404/3450) interposto por GERSON MIRANDA, em face do Acórdão nº. 15-38.785 (e-fls. 3378/3396), que julgou a impugnação procedente em parte. Em sua origem, o crédito tributário resultou do lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos-calendário de 2010, 2011, 2012, para exigência de imposto, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos referentes às receitas da ANGIOMOC atribuídas ao sócio, nos valores de R$ 418.858,30, R$ 659.062,84 e R$ 653.846,17, nos anos de 2010, 2011 e 2012. A ANGIOMOC não existiria de fato, tendo sido utilizada por seus sócios para reduzir o recolhimento de tributos federais de forma indevida e fraudulenta. Foi aplicada multa de ofício qualificada de 150%; b) omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, de titularidade do autuado, nos montantes de R$ 130.714,09, R$ 161.955,42 e R$ 157.362,10, nos anos de 2010, 2011 e 2012. Foi aplicada multa de ofício de 75%. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação (e-fls. 3227/3277), assim sintetizada pela decisão de piso: 1. o lançamento seria nulo por afronta aos princípios da impessoalidade, imparcialidade e da moralidade, na medida em que a fiscalização teve motivação política, principalmente quanto ao fato de os rendimentos já terem sido tributados na pessoa jurídica; 2. a desconsideração de que a ANGIMOC teria prestado os serviços médicos, tendo faturado, destacado, apurado e recolhido os tributos e, somente depois distribuído os lucros aos sócios, e a conclusão pela existência de relação de emprego do autuado com a Santa Casa de Montes Claros, com a consequente tributação na pessoa física, decorreram de pura presunção originada nas declarações políticas do Prefeito Municipal de Montes Claros; 3. a ação fiscal teria se iniciado logo após as notícias veiculadas pela imprensa local e em sítios da internet que informavam a guerra política instaurada pelo Prefeito Municipal de Montes Claros e a Santa Casa, em maio de 2013. Dentre Fl. 3456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 5 outras acusações, o prefeito teria afirmado que 30% da receita do hospital seria para pagar empresas terceirizadas que funcionavam dentro da própria Santa Casa, que o hospital sonegava 27,5% do imposto de renda e que os médicos se utilizavam da filantropia da Santa Casa para não pagar impostos; 4. inexiste dispositivo legal cível ou tributário que vincule o local da sede de uma pessoa jurídica como sendo o local onde a mesma deva desenvolver suas atividades. A ANGIOMOC seria uma prestadora de saúde de alta complexidade, que atua no atendimento direto aos pacientes internados nas unidades hospitalares, e mantém parcerias com laboratórios, tais como BIOTRONIK e a SIGNUS, com o objetivo de compartilhar e adquirir conhecimento. A realização de procedimentos como os de cateterismo, arteriografia, angioplastia e angioprótese não poderiam ser prestados fora das dependências específicas das unidades hospitalares. Seria impossível o autuado, de forma isolada, sem a soma dos esforços de seus sócios e sob a forma de uma sociedade de profissionais, prestar os serviços de maneira tão ampla como realizado; 5. todas as pessoas jurídicas diligenciadas afirmaram e comprovaram documentalmente que a relação jurídica delas foi com a ANGIOMOC, com a emissão e escrituração de todos os documentos legais para acobertar as prestações de serviços e que inexiste qualquer relação de emprego ou de prestação de serviço autônomo com os sócios da empresa. Mesmo os valores depositados diretamente em conta bancária do autuado, foram devidamente declarados e tributados pela AGIOMOC, foram recebidos a título de distribuição de lucros; 6. a Sra. Eleusa Maria Alves, funcionária da ANGIMOC, e a Sra. Lorrans Gizele Soares Correa, administradora da CARDIOCENTER, diligenciadas pela fiscalização, fizeram referência à pessoa jurídica ANGIOMOC e somente afirmaram que a ANGIOMOC prestava serviços exclusivamente dentro da Santa Casa, e que a mesma funcionava no setor de hemodinâmica da Santa Casa, nada mais; 7. em 05/06/2014, a ANGIOMOC foi intimada de que teve sua inscrição no CNPJ suspensa em razão de representação fiscal constante no processo nº 10670.720794/2014-04, mas esta apresentou defesa e, em 07/07/2014, foi publicado despacho tornando sem efeito o edital de intimação e reativando o CNPJ; 8. ainda em 07/07/2014, foi publicado o Ato Declaratório Executivo nº 3, tornando inapta a inscrição no CNPJ da ANGIOMOC, sob o único fundamento de não ter sido localizada no endereço cadastral. Portanto, afastou-se qualquer hipótese de se considerar a ANGIOMOC como pessoa jurídica inexistente de fato, posto não se tratar, neste caso, da hipótese do art. 27, inciso II, alínea “b” e art. 29 da Instrução Normativa RFB nº 1470, de 2014, em razão dos integrantes de seu quadro societário sempre terem sido localizados e comparecerem sempre que solicitados pela fiscalização; Fl. 3457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 6 9. contudo, a inaptidão do CNPJ e inclusão da ANGIOMOC e de seus sócios no CADIN, por determinação do Ato Declaratório Executivo nº 3, mesmo com a fiscalização em andamento, antes de qualquer exigência fiscal formalizada, evidenciam o cunho político e a perseguição pessoal física do autuado. Tais medidas foram arbitrárias e desnecessárias, e trouxeram enormes danos financeiros, econômicos, creditícios à ANGIOMOC e ao autuado; 10. em 15/08/2014, foi exarado despacho decisório afastando de forma definitiva a inaptidão do CNPJ da ANGIOMOC. Restou comprovado a condição de pessoa jurídica apta, devidamente regular e em pleno exercício de suas atividades fins, demonstrando que a simples eleição do local de sua sede não é elemento suficiente para lhe atribuir a condição de inexistente de fato ou determinar a inaptidão de seu CNPJ; 11. as legislações civil, comercial e a tributária não proíbem ou vedam a livre associação, sob a forma de pessoa jurídica, de pessoas que exerçam profissões regulamentadas e nem tampouco, condiciona que tais atividades só possam ou devam ser praticadas na sede da pessoa jurídica assim constituída; 12. não procede a alegação de que falte a ANGIOMOC ativo imobilizado que justifique sua existência de fato, pois, por se tratar de sociedade de profissionais, seu maior patrimônio são intangíveis, representados pelo conhecimento, acervo técnico/científico, intelectual, ético e nas competências específicas de cada um de seus sócios; 13. não procede a alegação de que o autuado e seus sócios desempenhem suas funções médicas exclusivamente na Santa Casa de Montes Claros, nem restou provada a alegada relação de emprego com tal instituição. A própria fiscalização reconheceu a relação de trabalho do impugnante com vários outros estabelecimentos hospitalares, como a Fundação de Saúde Dílson de Quadros Godinho e a Prontoclínica e Hospitais São Lucas S/A; 14. A Santa Casa, a Prontoclinica e Hospitais São Lucas, a Biotronik, a Signus, a Fundação de Saúde Dílson Godinho e a SANCOOP, são tomadores dos serviços/trabalhos (intermediários) e a ANGIOMOC é a prestadora dos serviços/trabalhos, porém seus serviços não são prestados diretamente aos tomadores e sim aos usuários finais (pacientes/clientes). Não realiza portanto trabalho assalariado (exercício de emprego) ou do trabalho não assalariado (trabalho autônomo), mas sim prestação de serviços sob a forma de sociedade de profissionais; 15. inexistem nos autos quaisquer elementos fático-jurídicos que permitam às autoridades fiscais concluírem pela existência dos requisitos indispensáveis à caracterização da relação de emprego, tais como: a subordinação, a pessoalidade, a continuidade e da onerosidade; 16. inexistiu qualquer omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo autuado, sendo que a totalidade das receitas da ANGIOMOC, a ele atribuídas na Fl. 3458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 7 condição de sócio, foram, integralmente, faturadas e tributadas pela pessoa jurídica; 17. os depósitos bancários apontados como de origem não comprovada seriam provenientes de distribuição de lucros pela ANGIOMOC. Os demais créditos, em valores superiores aos originados da pessoa jurídica, estariam relacionados a alienações de participações societárias e a simples movimentação financeira. Relaciona, às fls. 3278/3282, os depósitos cuja documentação comprobatória junta à sua impugnação, às fls. 3289/3359; 18. o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial, portanto, é improcedente o lançamento realizado com base exclusivamente em depósitos ou extratos bancários, sem provas ou indícios de que tais valores tenham se agregado ao patrimônio do contribuinte. Caberia à fiscalização comprovar o nexo causal entre os depósitos e a aquisição de renda ou variação patrimonial não justificada pelos rendimentos declarados; 19. vários depósitos objeto do lançamento fiscal tiveram origem comprovada, tais como os decorrentes da alienação de suas quotas do capital social da Angiosete Sociedade Médica Ltda., para os sócios remanescentes, pelo valor total de R$ 150.872,39 (parcelas identificadas, às fls. 3365); e de suas quotas no capital social da Angiosemprer Sociedade Médica Ltda., para os sócios remanescente, pelo valor total de R$ 251.000,00 (parcelas identificadas, às fls.3361). Se estes valores configurarem lucro, devem ser apurados sob a forma de ganho de capital e, não se sujeitam a tributação na tabela progressiva; 20. não foi deduzido, para efeito do lançamento dos rendimentos presumidos como omitidos, o limite anual de R$ 80.000,00, previsto no inciso II, do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; 21. a ANGIOMOC é pessoa jurídica constituída nos termos das leis brasileiras e tem por atividade a prestação de serviços médicos, se encontrando em plena e regular atividade, sendo impossível, sob qualquer ótica ou sob qualquer fundamento, querer supor que sua constituição e funcionamento tenham por objetivo ocultar ou dificultar a apuração e recolhimento de qualquer tributo. Não foi demonstrada de forma clara a existência de dolo por parte do contribuinte em relação à infração apurada, sendo incabível a aplicação da multa qualificada; 22. mesmo a exigência da multa de ofício no percentual de 75% fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Impossível se imputar penalidade em caso de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, nos termos do art. 112 do CTN; 23. requer a realização de prova pericial contábil para responder os quesitos relacionados às fls. 3268/3271, em razão de “que a Administração Federal tem interesse próprio envolvido nessa fiscalização, podendo ser, e o é muitas vezes, parcial nas suas análises e averiguações, o que não acontece com o perito que Fl. 3459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 8 elabora o seu laudo em atenção à realidade dos fatos e não para atender a interesse das partes”. Indica seu assistente técnico, às fls. 3272. Os autos foram encaminhados para julgamento e, como antecipado, foi proferido o Acórdão nº. 15-38.785 (e-fls. 3378/3396), que julgou a impugnação procedente em parte, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumem-se rendimentos omitidos os depósitos de origem não comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte As exigências relativas aos créditos não relacionados à ANGIOMOC, foi excluído o valor de R$ 60.052,50, tendo sido mantidos os demais valores. O contribuinte foi cientificado do resultado de julgamento pela via postal, conforme Aviso de Recebimento (e-fl. 3401) em 11/06/2015, e apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 3404/3450) em 10/07/2015, conforme carimbo de protocolo, com os seguintes argumentos (em tópicos): TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO; DA LAVRATURA DO AI E DO ACÓRDÃO RECORRIDO, NULIDADE; MÉRITO: DA MATÉRIA LITIGIOSA. DA INEQUÍVOCA EXISTÊNCIA DA ANGIOMOC COMO SOCIEDADE DE PROFISSIONAIS MÉDICOS - SERVIÇOS DE ALTA COMPLEXIDADE - RELAÇÃO DE TRABALHO - INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DE EMPREGO DO RECORRENTE COM OS TOMADORES DE SERVIÇOS - RENDIMENTOS INTEGRALMENTE TRIBUTADOS NA PESSOA JURÍDICA. II - INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS RELACIONADA AOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO -MOVIMENTAÇÃO DE VALORES PRÓPRIOS JÁ TRIBUTADOS -ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA - NOVA TRIBUTAÇÃO PELA \ TABELA PROGRESSIVA DO IRPF - IMPOSSIBILIDADE. III - DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA PRESUNÇÃO TRAZIDA PELO ART. 42 DA LEI 9.430/96 Fl. 3460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 9 IV - ALEGAÇÃO DE INTUITO DE FRAUDE - PESSOA JURÍDICA REGULAR E APTA - OPERAÇÕES TRIBUTADAS E DECLARADAS -MERA PRESUNÇÃO - MULTA DE OFÍCIO DE 150% -INAPLICABILIDADE - PENALIDADE EXTREMAMENTE DESPROPORCIONAL À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - REDUÇÃO. V - DA DESNECESSÁRIA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA E DA INTENÇÃO DOLOSA DE FRAUDAR O FISCO. Na sequência, o processo foi encaminhado para julgamento do Recurso Voluntário pelo CARF. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, como também reconhece o despacho de encaminhamento (e-fl. 3452). Porém, atende parcialmente aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235/72, devendo ser parcialmente conhecido. É que o recorrente traz no tópico V do seu Recurso Voluntário, intitulado “DA DESNECESSÁRIA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA E DA INTENÇÃO DOLOSA DE FRAUDAR O FISCO” argumentos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) que não são de competência do CARF, nos termos da Súmula nº. 28: Súmula CARF nº 28 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2009 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Sendo assim, deixo de conhecer dos argumentos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais. 2. Resumo da autuação Conforme Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 15/202) e documentos (204/32019), o Auto de Infração foi lavrado após a fiscalização colher documentos e informações não só do recorrente, mas também das empresas: Fl. 3461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 10 ANGIOMOC SERVICOS MÉDICOS LTDA – ME IRMANDADE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS DE MONTES CLAROS, que é Hospital Santa Casa de Montes Claros; CENTRO DE CARDIOLOGIA DO NORTE DE MINAS LTDA – EPP (CARDIOCENTER); ANGIOSEMPER SOCIEDADE MÉDICA LTDA; PRONTOCLÍNICA E HOSPITAIS SÃO LUCAS AS; FUNDAÇÃO DE SAÚDE DILSON DE QUADROS GODINHO; BIOTRONIK COMERCIAL MÉDICA LTDA; SIGNUS DO BRASIL COMÉRCIO DE MATERIAIS HOSPITALARES LTDA – ME; COOPERATIVA DE TRABALHO DOS MÉDICOS E PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE DO NORTE DE MINAS LTDA; ANGIOSEMPER SOCIEDADE MÉDICA LTDA – EPP. A fiscalização esclareceu que, em suas declarações de ajuste anual, o recorrente teria declarado, para os anos-calendário de 2010 a 2012, ter recebido rendimentos da ANGIOMOC, decorrentes de distribuição de lucros, ou seja, rendimentos isentos e não tributáveis. Após o início da fiscalização, as DIRPFs referentes aos anos-calendário 2011 e 2012 foram retificadas em 21/mar/2014. Foram alterados os lucros recebidos da ANGIOMOC, reduzindo os valores originalmente declarados. Gérson Miranda é sócio da ANGIOMOC juntamente com dois outros médicos, Vagner Vinícius Ferreira e Zandonai Miranda1. Conforme esclarecido pela fiscalização, eles são médicos, cardiologistas, e trabalharam ou trabalham como hemodinamicistas no setor de hemodinâmica da Santa Casa de Montes Claros. Nos anos fiscalizados os três foram plantonistas nesse setor e a chefia foi exercida por Gérson. A fiscalização entendeu que o recorrente e seus sócios teriam adotado planejamento tributário abusivo ao usar uma empresa inexistente para reduzir a tributação de forma fraudulenta. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização elabora cálculo comparativo da tributação na pessoa física ou na pessoa jurídica da ANGIOMOC para mostrar as vantagens na constituição da pessoa jurídica. Ademais, aponta como outras vantagens da estrutura adotada: A ANGIOMOC teve como cliente em 2012 a BIOTRONIK, que optou pela apuração do lucro real nesse ano. A BIOTRONIK pagou R$ 783.886,81 a ANGIOMOC nesse ano. Considerando que apurou o IRPJ pelo lucro real e que pagou serviços à pessoa jurídica, o pagamento gera um crédito total de R$ 72.509,53, a deduzir da COFINS e do PIS devidos pela BIOTRONIK 1 Ambos os sócios parecem ter sido autuados na mesma ocasião (10670.721505/2014-86, 10670.721503/2014-97). Porém, os processos ainda não foram julgados no âmbito do CARF. Fl. 3462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 11 em 2012, calculados às alíquotas de 7,6% para a COFINS e 1,65% para o PIS. Se o pagamento fosse à pessoa física não haveria esse crédito. O pagamento à pessoa jurídica também reduz o recolhimento de contribuições previdenciárias por parte da fonte pagadora e implica em não pagamento de benefícios aos empregados como FGTS, férias e adicional de férias. A fiscalização entendeu que a empresa ANGIOMOC não existia na época dos fatos, e que não poderia ter prestado os serviços, com base nas seguintes apurações: O endereço da ANGIOMOC no sistema CNPJ é rua Irmã Beata, nº 468, centro, Montes Claros/MG. Em 2013 foram realizadas diligências relativas à atividade da ANGIOMOC. Nessas diligências foram constatados os seguintes fatos: · Que no endereço da ANGIOMOC constante no cadastro CNPJ, ou seja, rua Irmã Beata, nº 468, centro, Montes Claros/MG, existia uma obra em andamento. · ELEUSA MARIA ALVES, CPF 586.318.446-91, informou que trabalhava na ANGIOMOC há aproximadamente sete anos; que era a única empregada da empresa; que a empresa não tinha sede; que prestava seus serviços exclusivamente dentro da Santa e que por isso não tinha contas de luz, água, etc; que trabalhava dentro do hospital Santa Casa de Montes Claros/MG; que desempenhava o serviço de acompanhamento de pacientes e suas famílias na hemodinâmica - serviço prestado pela ANGIOMOC, da recepção da Santa Casa até o bloco cirúrgico; que prestava auxílio no pós-cirúrgico para a família dentro da estrutura do referido hospital; que acompanhava o pagamento/faturamento das guias da ANGIOMOC dentro da Santa Casa, conforme termo de depoimento lavrado em 28/mar/2013. · A Santa Casa informou por meio da resposta ADM 118/2013, datada de 22/mai/2013, que com relação aos critérios para a contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços médicos, obedecer às normas do Regimento Interno do Corpo Clínico, em especial em seu artigo 8º, que estabelece as categorias que compõem o corpo clínico, ou seja, membros efetivos, membros aspirantes, membros contratados, membros eventuais, membros consultores, membros residentes e estagiários, membros honorários, membros plantonistas e membros licenciados; que as características de cada membro, encontram-se especificadas nos artigos 9º ao 17; estão previstas também nos artigos 31 a 41 do Regulamento da Santa Casa de Montes Claros; que os critérios utilizados para efetivar a contratação estão previstos nos artigos 44 a 47 do Regimento Interno do Corpo Clínico; que somente após a aprovação do profissional médico, pessoa física, é contratada a pessoa jurídica, da qual ele é sócio; que o procedimento de admissão envolve um dossiê individual. Com base nos documentos apresentados pela ANGIOMOC, vale ressaltar as seguintes observações: Fl. 3463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 12 1) CONTRATO SOCIAL E ALTERAÇÕES - Foram apresentados o contrato social e a 1ª a 4ª alterações contratuais. Destaco os seguintes dados que constam nesses atos: · CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE SIMPLES LTDA – Datado de 29/mar/2005 e registrado no Cartório de registro civil de pessoas jurídicas em 08/bar/2005; sede na rua irmã Beata, nº 468, centro, Montes Claros/MG; objeto prestação de serviços médicos em geral; GÉRSON MIRANDA, CPF 618.221.086-91, é um dos sócios, com 99% do capital social. · PRIMEIRA ALTERAÇÃO CONTRATUAL - Datada de 12/fev./2007 e registrada em 08/mar/2007; sede continuou no mesmo endereço; inclusão do sócio VÁGNER VINÍCIUS FERREIRA, CPF 772.327.636-20. Cada um ficou com 50% do capital social. · SEGUNDA ALTERAÇÃO CONTRATUAL - Datada de 08/out/2009 e registrada em 10/no/2009; sede continuou no mesmo endereço; inclusão do sócio ZANDONAI MIRANDA, CPF 037.956.006-26. Gérson ficou com 33,34 % do capital social de R$ 10.000,00 e os demais ficaram com 33,33% do capital, cada um. · TERCEIRA ALTERAÇÃO CONTRATUAL - Datada de 23/no/2009 e registrada em 17/dez/2009; sede continuou no mesmo endereço; alteração da participação nº capital social, Gérson e Wagner ficaram com 48% cada e Zandonai Miranda com 4%. O capital social permaneceu em R$ 10.000,00. · QUARTA ALTERAÇÃO CONTRATUAL - Datada de 14/fev./2013 e registrada em 12/jun./2013; transferência do registro do cartório de registro civil de pessoas jurídicas para a JUCEMG; alteração do objeto social para prestação de serviços de avaliações médicas de materiais/produtos de equipamentos para exames/ procedimentos diagnósticos e terapêuticos em cardiologia em âmbito hospitalar. Nota-se que embora essa alteração contratual esteja datada de 14/fev./2013 foi registrada em 12/jun./2013. Ou seja, foi registrada após o depoimento prestado por ELEUSA MARIA ALVES, empregada da ANGIOMOC, em 28/mar/2013, no qual ficou evidente inexistência de fato da ANGIOMOC. É nítido que a data da lavratura que consta da alteração, 14/fev/2013 , anterior ao depoimento, teve a intenção de simular que a alteração não foi provocada pelo depoimento e dar uma aparência de existência de fato da empresa. 2) IMÓVEL - Apresentou CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL datado de 01/mai/2005, sem firmas reconhecidas e não registrado em cartório. Embora seja datado de 2005, o contrato tem aparência de ser recente. O locador é a CARDIOCENTER e O endereço rua irmã Beata, nº 468. Gérson foi sócio da CARDIOCENTER no período de 07/ago/1997 a 10/set/2002. No contrato consta que o objeto da locação é uma sala do imóvel situada na rua Irmã Beata, nº 468; que a duração é de 120 meses, contados a partir da assinatura (01/mai/2005) e que o pagamento será de R$ 12.000,00, pagos integralmente na data do término do contrato. Uma das testemunhas do contrato é Eleusa Maria Alves, a mesma Fl. 3464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 13 que, mediante depoimento prestado à fiscalização em 28/mar/2013; declarou que a ANGIOMOC não tem sede, que presta seus serviços exclusivamente dentro da Santa Casa de Montes Claros e por isso não tem contas de luz, água, etc; que trabalha dentro do Hospital Santa Casa de Montes Claros/MG, e que as informações prestadas são a expressão da verdade. Esse contrato foi nitidamente elaborado para tentar demonstrar que a ANGIOMOC existiu de fato. Ciente que provavelmente a fiscalização solicitaria a comprovação do pagamento do aluguel, no contrato consta que o aluguel seria pago após dez anos da assinatura, em 2015. Essa condição de pagamento é totalmente incomum e implausível. Nitidamente foi colocada em data futura porque não houve pagamento e nem poderia haver, visto que não houve aluguel de fato. 3) COMPROVANTES DE ÁGUA, ENERGIA E OUTROS - Declarou que as contas de energia, água e incêndio foram pagas em nome da CARDIOCENTER, proprietária do prédio, visto que as prestações de serviços são feitas nos hospitais. Foram apresentadas contas de água e energia referentes a 2009 em nome da CARDIOCENTER. (grifos acrescidos) Sobre empregados da ANGIOMOC, a fiscalização apurou o seguinte: 7) REGISTRO DE EMPREGADOS E COMPROVANTES DE PAGAMENTOS DE SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS – Apresentou livro registro de empregados nº qual consta o registro dos seguintes empregados: · ELEUZA MARIA ALVES, CPF 586.318.446-91; função secretaria; admitida em 07/Jul/2006; · DIEGO FELIPE ALVES LIMA, CPF 089.712.636-01, função OFFICE-BOY, admitido em 03/mai/2007 e demitido em 10/mar/2010. · WANDERDSON CHARLES RAMOS DA CRUZ, CPF 091.021.896-07, função OFFICE- BOY, admitido em 01/Jul/2010 e demitido em 04/jan./2011. · FAGNER JUNEO FERREIRA CRUZ, CPF 109.049.686-93, função OFFICE-BOY, admitido em 02/dez/2011 e demitido em 13/bar/2012. Constatei no sistema CPF que DIEGO FELIPE ALVES LIMA é filho de ELEUZA MARIA ALVES. No CNIS – Cadastro nacional de informações sociais – Consulta vínculos empregatícios do trabalhador – consta que após ser demitido da ANGIOMOC, em 04/jan./2011, WANDERDSON CHARLES RAMOS DA CRUZ foi admitido na Santa Casa em 10/jan./2011, com CBO 5.152, que corresponde a auxiliares de laboratório da saúde. No dia 23/jan./2014 fui a Santa Casa para coleta de informações com WANDERSON. Fui informado que ele trabalha a noite. Fui então a sua residência, localizada na rua WELLINGTON CÉSAR ALVES, Nº 553, bairro Novo Delfino, nesta Fl. 3465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 14 cidade. Wanderson informou que trabalhava no hospital Santa Casa; que antes trabalhou no setor de hemodinâmica da Santa casa, localizado dentro do hospital, que lá fazia trabalhos de Office-boy para os médicos Gérson Miranda, Zandonai Miranda e Vágner Vinícius Ferreira; que o seu trabalho incluía serviços pessoais dos médicos, como pagamentos de contas e serviços em bancos, inclusive serviços para as esposas dos médicos; que no período que lá trabalhou, Edileuza, conhecida como Eleuza, também trabalhou na hemodinâmica da Santa Casa; que nunca trabalhou na rua Irmã Beata, onde funciona a Cardiocenter, que lá ia só para pegar correspondências. Certamente Edileuza trata-se de Eleuza Maria Alves. Nota-se que Eleuza foi a única empregada nos períodos de 11/mar/2010 a 30/jun./2010, 05/jan./2011 a 01/dez/2011 e a partir de 14/bar/2012. Apresentou folhas de pagamentos, recibos de pagamento de salários, guias da previdência social (GPS), guias de recolhimento de FGTS, comprovantes de entrega de GFIPs e outros. A Santa Casa informou sobre os pagamentos feitos aos médicos: · Solicitação: Informar a forma de pagamento pelos serviços prestados por cada um dos três sócios nos anos-calendário 2010 a 2012. Se os pagamentos foram realizados a pessoa física, a pessoa jurídica ou a ambas. Que caso os pagamentos tivessem sido feitos a pessoas jurídicas, que fossem especificadas (nome e CNPJ). Declarou que os pagamentos a GÉRSON foram realizados através de notas fiscais da pessoa jurídica em nome da ANGIOMOC; que não houve pagamentos à pessoa física ou jurídica para Vágner e Zandonai. · Solicitação: Que caso os serviços executados por cada um dos três sócios nos anos-calendário 2010 a 2012, faturados em nome de pessoa física ou jurídica, tivessem sido pagos por outras pessoas jurídicas e não pela Santa Casa, que fosse informado o nome e CNPJ dos responsáveis pelos pagamentos. Declarou que os pagamentos efetuados às pessoas físicas Gérson, Vágner e Zandonai foram realizados pela SANCOOP. (...) · Solicitação: Especificar quais foram os serviços prestados pela ANGIOMOC nos anos-calendário 2010 a 2012, independente dos pagamentos terem sido realizados pelo próprio hospital Santa Casa ou por terceiros. Declarou que os serviços prestados pela ANGIOMOC foram os especificados no item 2-3, ou seja, os mesmos serviços prestados por Gérson. Consequentemente foram os mesmos serviços prestados pelos demais sócios, Vágner e Zandonai. · Solicitação: Especificar quais foram os médicos prestadores dos serviços faturados em nome da ANGIOMOC. Especificar nome e CPF dos médicos. Informou que foram Gérson, Vágner e Zandonai. Fl. 3466DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 15 A Santa Casa ainda prestou informações sobre data de admissão, carga horária semanal e escala de trabalho de plantões, esclareceu que o recorrente exerceu e exerce o cargo de chefia de hemodinâmica da Santa Casa, inclusive como responsável técnico pelo serviço e que Vágner e Zandonai não exerceram e não exercem cargo de chefia. Dessa forma, ficou claro que os três médicos trabalhavam na Santa Casa e recebiam por meio da ANGIOMOC, e ainda que recebiam em proporções iguais: · Solicitação: A SANTA CASA foi intimada a apresentar planilha contendo todos os pagamentos a ANGIOMOC nos anos-calendário 2010 a 2012, conforme item 8 do termo de intimação fiscal lavrado em 21/jan./2014. Em 03/fev./2014 foi apresentada planilha com dados das notas fiscais de serviços emitidas pela ANGIOMOC. No termo de intimação fiscal constou expressamente que a planilha deveria conter o médico prestador dos serviços (nome e CPF) e que caso houvesse nota fiscal com mais de um médico prestador dos serviços, deveriam ser especificados os médicos e a parcela do valor da nota fiscal correspondente aos serviços executados por cada médico. Na planilha apresentada não constaram esses dados. Ante o exposto, foi intimada novamente a apresentar essas informações. Informou que os valores pagos pela Santa Casa a ANGIOMOC são divididos em proporções iguais, ou seja, 33,33% para cada um dos médicos, Gérson, Zandonai e Vágner. A fiscalização realizou diligência in loco, apresentando fotos que mostram que não há identificação da empresa ANGIOMOC, na fachada da Santa Casa ou no setor de Hemodinâmica, concluindo que: Indubitavelmente o setor de hemodinâmica integra a estrutura hospitalar da Santa Casa. Não se trata de uma empresa que funciona dentro da Santa Casa. Os médicos e funcionários que trabalham nesse setor utilizam toda a infraestrutura do hospital Santa Casa. A ANGIOMOC, por sua vez, apresentou as notas fiscais e notas fiscais eletrônicas emitidas e fez algumas declarações: Declarou que quanto aos comprovantes de distribuição de lucros aos sócios, apresentou quadro com as datas e respectivos valores dos pagamentos a cada um dos três sócios. Os valores que constam nesse quadro correspondem aos recebimentos de lucros informados pelos três sócios, em resposta ao termo de intimação fiscal de cada um deles. Declarou que embora de maneira inadequada, mas sem deixar de emitir as correspondentes notas fiscais e de informar e oferecer os valores à tributação, a maior parte dos valores distribuídos a título de lucros foram feitas diretamente por meio de cheques dos tomadores dos serviços diretamente nas contas bancárias dos sócios, porém, somente após a emissão da nota fiscal; que embora a prática dos depósitos diretos aos sócios seja uma medida imprópria à espécie, Fl. 3467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 16 também é fato inquestionável que a emissão das notas fiscais e a apresentação das declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa jurídica – DIPJ - à RFB, denotam de forma cabal que inexistiu qualquer tentativa de omissão de receita e/ou de se ocultar os fatos, posto que tal “depósito direto” não acarretou omissão de receitas da PJ ou redução da carga tributária. Os depósitos de “clientes” da ANGIOMOC em contas bancárias dos sócios demonstram de forma cabal que não se trata de distribuição de lucros. Indubitavelmente se trata de pagamentos por serviços prestados por cada um dos médicos sócio da ANGIOMOC. Se fosse distribuição de lucros, a empresa apuraria o resultado (receitas deduzidas de custos/despesas) e distribuiria os lucros mediante transferências de recursos diretamente dela para os sócios. Ademais, a empresa sequer existe de fato. (grifos acrescidos) A fiscalização apontou a discrepância entre os valores escriturados e declarados em ECD pela empresa e os extratos em contas correntes. Os saldos bancários demonstram claramente que os saldos contábeis da conta caixa são irreais. A título de exemplo, em 31/dez/2011 a empresa “tinha” em caixa R$ 1.023.532,10 e ao mesmo tempo tinha saldo devedor em contas correntes de mais de R$ 24.000,00. · Os honorários dos médicos sócios da ANGIOMOC foram contabilizados como receitas da ANGIOMOC. A empresa não existe de fato. Portanto praticamente não tem custos/despesas. Assim sendo, quase tudo que “ingressa” no caixa é lucro. Considerando que a empresa quase não tem custos/despesas, o lucro é muito elevado. Se “distribuísse” todo lucro, geraria indícios veementes de infrações à legislação tributária e de irregularidades. Como não distribui todo o “lucro”, ocorre expressiva elevação no saldo contábil da conta caixa. · Os custos/despesas contabilizados foram praticamente só impostos/taxas e com empregado. Não houve custos/despesas essenciais e usais ao funcionamento regular de uma empresa, como energia, água, telefone, materiais de limpeza, imóveis, móveis e utensílios, máquinas e equipamentos, material de expediente e outros. A mesma análise foi feita para as demais empresas para as quais os médicos prestaram serviços, além dos serviços médicos, na área de especialidade, prestaram também serviços de consultoria médica, treinamento de vendedores, apoio a congressos, palestras e prospecção de novos produtos em eventos médicos e receberam por meio da ANGIOMOC. Em alguns casos, a fiscalização concluiu que o pagamento realizado não era pela prestação de serviços médicos: · A SIGNUS informou pagamentos mensais nos meses de jun./2012 a dez/2012, no valor total bruto mensal de R$ 45.000,00, totalizando R$ 315.000,00. Foram Fl. 3468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 17 realizados pagamentos mensais líquidos de R$ 14.077,500 a cada um dos três sócios da ANGIOMOC. · A descrição dos serviços que consta nas notas fiscais emitidas pela ANGIOMOC referente aos serviços prestados a SIGNUS é acerto de honorários médicos. Intimada a discriminar os serviços prestados, a SIGNUS Informou que os serviços prestados foram de consultoria médica, treinamento de vendedores, apoio a congressos, palestras e prospecção de novos produtos em eventos médicos, conforme planilha “SERVIÇOS PRESTADOS PELA ANGIOMOC SERVIÇOS MÉDICOS LTDA A SIGNUS DO BRASIL COMÉRCIO DE MATERIAIS HOSPITALARES LTDA”, que integra este termo. · Vários créditos em contas bancárias dos três sócios da ANGIOMOC foram provenientes diretamente da SIGNUS. · A BIOTRONIK e a SIGNUS realizaram pagamentos mensais vultos aos três sócios da ANGIOMOC. No final de 2012 o total bruto mensal pago pelas duas empresas foi de aproximadamente R$ 110.000,00, sendo R$ 45.000,00 pagos pela SIGNUS e próximo de R$ 65.000,0 pagos pela BIOTRONIK. · A BIOTRONIK e a SIGNUS são fornecedoras de materiais utilizados pelos sócios da ANGIOMOC em procedimentos realizados no setor de hemodinâmica da Santa Casa. · É nítido que não houve a prestação dos serviços que constam nas notas fiscais emitidas pela ANGIOMOC para acobertar os pagamentos realizados pela BIOTRONIK e pela SIGNUS. · A ANGIOMOC não existiu no endereço que constou no cadastro CNPJ nos períodos fiscalizados. Os seus sócios exerceram suas atividades no setor de hemodinâmica da Santa Casa. A ANGIOMOC não possuiu patrimônio necessário à realização de seu objeto. A empresa inexistiu de fato. Ademais, a fiscalização apurou que o recorrente é chefe do serviço de cardiologia, tem vínculo empregatício com a Santa Casa e que lá atua efetivamente como pessoa física, tendo concluído que: · A forma de prestação dos serviços pelos sócios da ANGIOMOC caracteriza nitidamente que os recebimentos devem ser tributados como rendimentos de pessoa física. Os serviços foram prestados quase que integralmente no setor de hemodinâmica da Santa Casa, onde atuaram como plantonista, com horários preestabelecidos e com utilização de toda estrutura operacional da Santa Casa, como água, energia elétrica, móveis e utensílios, equipamentos e empregados. Na diligência que realizei na Santa Casa no dia 22/jan./2014, constatei que no setor de hemodinâmica da Santa Casa há atendentes e outros empregados, que não são empregados da ANGIOMOC. · Os sócios da ANGIOMOC utilizaram toda a estrutura operacional da Santa Casa, inclusive empregados e enfermeiros e nada pagaram por isso, conforme Fl. 3469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 18 escrituração contábil apresentada. Se fosse uma empresa de fato, não haveria uma utilização gratuita. Haveria cobrança pela Santa Casa pela atuação de uma empresa em suas instalações, com utilização de seus empregados, que gera custos e despesas. Na situação simulada pelos sócios da ANGIOMOC, a empresa estaria atuando dentro da Santa Casa, sendo os custos e despesas operacionais suportados graciosamente pelo hospital. · Há e houve nos anos fiscalizados relação de pessoalidade, subordinação e habitualidade dos serviços prestados pelos sócios da ANGIOMOC na Santa Casa. Os rendimentos auferidos por eles devem ser tributados como rendimentos recebidos por pessoas físicas, conforme disposto nos artigos 43 e 45, inciso I, do regulamento do imposto de renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR 99. No que diz respeito à segunda infração, de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o recorrente apresentou os valores que teriam sido recebidos referentes a lucros da ANGIOSEMPER, nos anos de 2010 a 2012, tendo apresentado recibos de tais recebimentos. Contudo, a fiscalização apurou o seguinte: Gérson não especificou os créditos bancários correspondentes aos recebimentos de lucro da ANGIOSEMPER. Não localizei em seus extratos bancários, anteriormente apresentados, créditos correspondentes às distribuições de lucro especificadas por ele. Ante o exposto, Gérson foi intimado novamente a apresentar esclarecimentos referentes aos recebimentos de lucros da ANGIOSEMPER, conforme termo de intimação fiscal lavrado em 13/jun./2014, (...) Tendo sido novamente intimado, o recorrente não apresentou novos documentos. A fiscalização concluiu: Gérson protocolizou atendimento em 01/Jul/2014. Declarou que os recebimentos de lucros da ANGIOSEMPER foram comprovados no atendimento anterior, conforme recibos; que foi apresentada planilha com valores, datas e forma de recebimentos; que os recebimentos poderão ser comprovados pelos registros contábeis da ANGIOSEMPER e em informações apresentadas à Receita Federal, mediante cumprimento de obrigações acessórias. Não houve comprovação nos termos solicitados. Reitero que nos extratos bancários de Gérson não constam créditos correspondentes aos supostos recebimentos de lucros da ANGIOSEMPER, conforme recibos apresentados por ele. Os documentos apresentados pela ANGIOSEMPER também não esclareceram os pagamentos: · ITEM 2 – Cópia de folhas dos livros contábeis diário e razão referentes aos anos- calendário 2010 e 2012, com escrituração das distribuições de lucro a Gérson. O segundo termo de intimação fiscal foi lavrado em 17/Jul/2014. Nota-se que os três livros foram autenticados em 23/Jul/2014. Ou seja, as autenticações foram Fl. 3470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 19 realizadas após a fiscalização intimar a ANGIOSEMPER de forma reiterada a apresentar documentos/esclarecimentos referentes aos pagamentos a Gérson. Foram escrituradas distribuições de lucro correspondentes aos recibos apresentados (item 4). · ITEM 3 – Relacionou os pagamentos. Gerson relacionou um pagamento de R$ 10.000,00 em 28/dez/2012, que não consta na relação da ANGIOSEMPER. Esse pagamento também não consta na cópia do diário e nos recibos apresentados pela ANGIOSEMPER. · ITEM 4 – Apresentou somente os recibos de pagamentos emitidos por Gérson, já apresentados por ele. Não foi apresentada qualquer comprovação nos termos solicitados. Ou seja, não houve comprovação que os pagamentos foram efetivamente realizados. Ante os fatos expostos, os recebimentos de lucros da ANGIOSEMPER informados por Gérson nas DIRPFs referentes aos anos-calendário 2010 a 2012 foram considerados como não efetivamente recebidos. Ainda que tivessem sido efetivamente recebidos, para que fossem deduzidos dos créditos bancários com origem não comprovada na apuração de omissão de rendimentos deveriam ter sido creditados em suas contas bancárias. Nas contas de Gérson não constam créditos compatíveis em datas e valores com os dados dos recibos. Considerando os fatos relatados, ficou evidente que os supostos recebimentos da ANGIOSEMPER não foram creditados em contas correntes de Gérson. No que diz respeito às demais divergências de valores recebidos, o recorrente também deixou de apresentar documentos hábeis e idôneos para respaldar as suas alegações, os valores também não foram identificados nos livros contábeis da ANGIOSEMPER. Da mesma forma não foram apresentadas provas hábeis e idôneas para identificar os valores constantes em suas contas bancárias, de modo que a fiscalização, por força do art. 42 da Lei nº. 9.430/96 houve por bem manter a autuação. É importante ressaltar que a fiscalização deduziu o IRPJ pago pela ANGIOMOC do IRPF devido apurado de ofício, conforme as seguintes ponderações: V. DEDUÇÃO DO IRPJ PAGO PELA ANGIOMOC DO IRPF DEVIDO APURADO DE OFÍCIO: A ANGIOMOC apurou imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ - referente aos anos-calendário 2010 a 2012 pelo lucro presumido. Foram realizados pagamentos desse imposto. O IRPJ se tratado imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza, previsto no artigo 153, inciso II, da constituição federal de 1988. IRPF é o mesmo imposto. Trata-se apenas de modalidades diferentes do mesmo imposto, um cobrado de pessoas jurídicas e o outro de pessoas físicas. Sendo o mesmo tributo, também têm a mesma destinação constitucional. Fl. 3471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 20 A ANGIOMOC foi considerada inexistente de fato. Suas receitas foram atribuídas aos sócios. Consequentemente foram apurados créditos tributários de IRPF incidentes sobre essas receitas omitidas pelos sócios em suas DIRPFs. Considerando que se trata do mesmo tributo, os pagamentos de IRPJ realizados pela ANGIOMOC foram deduzidos de ofício dos valores devidos de IRPF apurados pela fiscalização. Considerando que as receitas da ANGIOMOC foram atribuídas aos sócios, a fiscalização somou os pagamento de IRPJ realizados pela ANGIOMOC ao imposto de renda retido na fonte, conforme DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, e distribuiu o total do imposto aos sócios, na mesma proporção da atribuição das receitas, conforme planilha “DISTRIBUIÇÃO DO IRPJ DA ANGIOMOC PROPORCIONALMENTE AOS RENDIMENTOS ATRIBUÍDOS AOS SÓCIOS”, que integra este termo. As parcelas de IRPJ atribuídas a cada sócio foram deduzidas de ofício do IRPF devido pelo sócio correspondente. Estas foram, de forma resumida, as apurações realizadas pela fiscalização. Passemos agora, à análise do Recurso Voluntário. 3. Preliminares 3.1. Nulidade em razão do indeferimento do pedido de perícia Conforme relatado, o recorrente apresentou preliminar de nulidade, alegando que a decisão de piso não teria justificado de forma precisa os motivos que ensejaram o indeferimento do pedido de perícia, e que a perícia seria indispensável para apurar a regularidade da ANGIOMOC. Sustenta que o entendimento trazido no Auto de Infração não teria respaldo legal e que a Administração Federal teria interesse próprio no caso, sem a necessária isenção técnica. Ademais, argumenta que os 17 quesitos apresentados comprovariam de forma cabal e incontestável a inexistência de qualquer acréscimo patrimonial que não tivesse sido tributado anteriormente na ANGIOMOC e/ou de depósitos bancários sem origem comprovada (e-fl. 3409/3410). A decisão de piso analisou o pedido de perícia e os quesitos apresentados pelo recorrente na Impugnação, tendo decidido pelo indeferimento do pedido, senão, vejamos: Ainda nesta linha, requer o impugnante a realização de perícia sob a alegação de que a Administração Federal muitas vezes é parcial em suas análises e averiguações. Contudo, além de não trazer em sua impugnação a comprovação da parcialidade das autoridades lançadora ou julgadora, elabora quesitos (fls. 3268/3271) com o objetivo de transferir ao perito atribuições que competem à autoridade julgadora, como as de interpretar a legislação (quesitos 4, 11), analisar a aplicabilidade da legislação ao caso em concreto (quesitos 5, 16) e apreciar provas constantes nos autos ou que deveriam ter sido juntadas pelo impugnante (quesitos 1, 2, 3, 6, 7, 8, 9, 10, 12, 13, 14, 15, 17 e 18). Diante do exposto, e Fl. 3472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 21 constando nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador, indefiro o requerimento pela realização de perícia, em consonância com o art. 18 do Decreto n.º 70.235 de 1972. Contudo, entendo que não assiste razão ao recorrente. A começar, entendo que a decisão de piso enfrentou a argumentação tecida pelo recorrente, em sua defesa, deixando consignado, inclusive, que o pedido de perícia seria uma forma de transferir para a Administração uma comprovação que deveria ser realizada por ele. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância, eis que proferida por autoridade competente, e está devidamente fundamentada, sendo que a insatisfação do contribuinte, sobre os pontos suscitados, não tem o condão de anular a decisão de primeira instância, sendo matéria atinente à interposição de recurso voluntário, a ser objeto de deliberação pelo colegiado de 2ª instância. Para além do exposto, também entendo que agiu com acerto a decisão de piso ao decidir pelo indeferimento do pedido de perícia, eis que não há matéria de complexidade que demande sua realização. Em outras palavras, a perícia tem por finalidade elucidar questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, mormente quando a análise da prova apresentada demande conhecimento técnico especializado, fora do campo de conhecimento da autoridade julgadora, não sendo essa a hipótese dos autos. A fiscalização promoveu investigação detalhada, intimou todas as empresas envolvidas, fez visitas aos locais de trabalho dos médicos, analisou todos os documentos apresentados e evidenciou os fundamentos do Auto de Infração. Entendo que os elementos de prova a favor do recorrente, no caso em análise, poderiam ter sido por ele produzidos, apresentados à fiscalização no curso do procedimento fiscal, ou, então, na fase impugnatória, com a juntada de todos os documentos e o que mais quisesse para sustentar seus argumentos, não podendo o pedido de perícia ser utilizado como forma de postergar a produção probatória, dispensando-o de comprovar suas alegações. Assim, o pedido de prova pericial técnica, não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensando-o de comprovar suas alegações. Dessa forma, entendo que o presente feito não demanda maiores investigações e está pronto para ser julgado, dispensando, ainda, a produção de prova pericial técnica, por não depender de maiores conhecimentos científicos, podendo a questão ser resolvida por meio da análise dos documentos colacionados nos autos, bem como pela dinâmica do ônus da prova. Fl. 3473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 22 Por fim, destaco que o princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal, não afasta a necessidade de prova das alegações de defesa contrárias ao lançamento fiscal e o enunciado da Súmula CARF nº. 163, que se aplica ao presente caso: Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo sujeito passivo. 3.2. Nulidade do lançamento em razão da motivação política e inobservância aos princípios da impessoalidade, imparcialidade e da moralidade Em sede de Recurso Voluntário, o recorrente reitera argumento trazido em sede de Impugnação, de que a fiscalização teria cunho político pois teria se iniciado após divulgação de notícias sobre irregularidades cometidas pela Prefeitura de Montes Claros e a Santa Casa de Misericórdia de Montes Claros, listando notícias divulgadas na imprensa para embasar o seu argumento. Afirma que a ANGIOMOC teria sido auditada entre 2010 e 2012, e que não teria sido identificada qualquer irregularidade e que a fiscalização teria simplesmente desconsiderado a existência da empresa para estabelecer vínculo empregatício do recorrente com a Santa Casa, tendo se contaminado pelas falas do Prefeito. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Foram resumidos os procedimentos adotados pela fiscalização durante a investigação e da leitura do Termo de Verificação Fiscal e da documentação que instruiu o processo é possível constatar que a fiscalização não sofreu qualquer pressão política. A decisão de piso analisou o argumento e rechaçou que o burburinho político possa ter contaminado de alguma forma a lavratura do Auto de Infração. Vale o destaque: Preliminarmente, o impugnante alega que a fiscalização teve motivação política, em decorrência de conflitos entre Prefeito Municipal de Montes Claros e a Santa Casa. Contudo, não comprova a interferência de cunho político no processo de seleção ou no lançamento fiscal. A seleção do contribuinte para fiscalização pode decorrer das mais diversas fontes de informação, inclusive notícias veiculadas na internet, imprensa ou telejornais, sem que com isso haja uma violação aos princípios da impessoalidade, imparcialidade ou da moralidade. Já o lançamento fiscal impugnado está fundamentado em provas colhidas junto ao contribuinte e pessoas físicas e jurídicas diligenciadas, bem como em legislação aplicável ao caso concreto, sem nenhum argumento de autoridade ou política. Desta forma, não há de se falar em nulidade de lançamento fiscal lavrado por autoridade Fl. 3474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 23 competente, sem cerceamento do direito de defesa, e com todo os requisitos formais indispensáveis para sua realização. (grifos acrescidos) Portanto, mesmo que a Santa Casa de Misericórdia de Montes Claros estivesse enfrentando problemas políticos quando da autuação, não há qualquer comprometimento dos fundamentos do Auto de Infração, uma vez que o procedimento fiscalizatório proporcionou extensa documentação na qual se baseou a fiscalização e não foi verificado qualquer empecilho ao exercício da ampla defesa e do contraditório pelo recorrente, que apresentou Impugnação fundamentada, exercendo o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Ademais, conforme a Súmula CARF nº. 162: Súmula CARF nº 162 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. 4. Da prestação de serviços via pessoa jurídica e do vínculo empregatício Conforme relatado, a fiscalização constatou que a empresa ANGIOMOC não existia na realidade, e que, portanto, os recebimentos por meio da empresa não eram decorrentes de distribuição de lucros. Os valores pagos a título de remuneração pelos serviços prestados pelos sócios da ANGIOMOC à Santa Casa de Misericórdia de Montes Claros foram imputados como valores recebidos a título de remuneração pelo sócio e tributados como tais. O recorrente, por sua vez, defende que a ANGIOMOC era pessoa jurídica apta, devidamente regular e em pleno exercício de suas atividades fins. Alega que não há que se falar em omissão de rendimentos, tendo em vista que as receitas da ANGIOMOC foram integralmente faturadas e tributadas pela pessoa jurídica. Argumenta, ainda, que os valores não podem ser tributados como recebimento de remuneração pelos serviços prestados. O recorrente reitera argumentos no sentido de que a fiscalização desconsiderou a regularidade da ANGIOMOC simplesmente em razão do problema relacionado ao endereço. Contudo, a fiscalização de demonstrou que as irregularidades da ANGIOMOC não eram apenas relacionadas ao seu domicílio. As provas coletadas evidenciaram que a ANGIOMOC não podia ser considerada regular na época dos fatos, nem apta a prestar serviços médicos. Como destacado pela decisão de piso: Alegou, também, que nos autos do Processo nº 10670.720794/2014-04, que tratou sucessivamente da suspensão, revogação da suspensão, declaração de inaptidão e deferimento do pedido de regularização cadastral do CNPJ da ANGIOMOC, teria restado comprovada a condição de pessoa jurídica apta, Fl. 3475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 24 devidamente regular e em pleno exercício de suas atividades fins, demonstrando que a simples eleição do local de sua sede não seria elemento suficiente para lhe atribuir a condição de inexistente de fato ou determinar a inaptidão de seu CNPJ. Contudo, não é o que se extrai do parágrafo final da análise de mérito do Despacho Decisório nº 93/2014 DRF/MCR/GABINETE, de 15/08/2014, às fls. 3159/3167, abaixo transcrito: “Entretanto, a impetrante junta anexo a seu pleito cópia de contrato de locação de imóvel para novo estabelecimento da Angiomoc. Por outro lado, tal providência não possui o condão de validar a engenhosa evasão tributária cujos envolvidos são os sócios da referida empresa. Em razão disso, prevalece todos os procedimentos fiscais tendentes a apurar a responsabilidade pela malfadada conduta dos sócios da Angiomoc, para o fim de se apurar o crédito tributário evadido. Tal regularização cadastral dá-se para o fim exclusivo de a Angiomoc exercer suas atividades cingindo os contornos da ordem tributária, porém com efeitos ex nunc, ou seja, com validade para o futuro a partir da ciência dessa decisão. Em outras palavras, os sócios da Angiomoc serão responsabilizados pelos fatos pretéritos em processo distinto, conforme Mandado de Procedimento Fiscal.” A decisão no referido processo não tem o alcance pretendido pelo impugnante; somente declara a aptidão da ANGIOMOC para exercer suas atividades fins (objeto social) a partir daquela data, cingidos os contornos da ordem tributária, rechaçando enfaticamente a conduta pretérita dos sócios da ANGIOMOC, especialmente pela eleição de domicílio tributário em local já ocupado por outro estabelecimento (CARDIOCENTER), e por utilizar a ANGIOMOC para camuflar o vínculo empregatício que tinham com a Santa Casa de Montes Claros, com o objetivo de acobertar infrações tributárias. Mesmo que atualmente a ANGIOMOC esteja apta e regular para prestar serviços médicos, e que inexista vedação legal à livre associação de médicos, sob a forma de pessoa jurídica, nem que tais atividades só possam ou devam ser praticadas na sede da pessoa jurídica assim constituída, a omissão de rendimentos pelo impugnante no período autuado permanece. Demonstrado o vínculo empregatício do autuado com a Santa Casa e a relação pessoal (autônomo) com os demais tomadores de serviços da ANGIOMOC naquele período, exige-se a tributação na pessoa física do mesmo, nos termos dos artigos 43 e 45 do RIR/1999. A tributação somente passará a ser na pessoa jurídica quando a mesma prestar serviço de fato como uma sociedade, sem o vínculo pessoal e de subordinação de seus sócios com os tomadores de serviços. Os problemas apontados pela fiscalização vão além da ausência de endereço da ANGIOMOC. Outros elementos foram apresentados pela fiscalização: · A forma de prestação dos serviços pelos sócios da ANGIOMOC caracteriza nitidamente que os recebimentos devem ser tributados como rendimentos de pessoa física. Os serviços foram prestados quase que integralmente no setor de Fl. 3476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 25 hemodinâmica da Santa Casa, onde atuaram como plantonista, com horários preestabelecidos e com utilização de toda estrutura operacional da Santa Casa, como água, energia elétrica, móveis e utensílios, equipamentos e empregados. Na diligência que realizei na Santa Casa no dia 22/jan/2014, constatei que no setor de hemodinâmica da Santa Casa há atendentes e outros empregados, que não são empregados da ANGIOMOC. · Os sócios da ANGIOMOC utilizaram toda a estrutura operacional da Santa Casa, inclusive empregados e enfermeiros e nada pagaram por isso, conforme escrituração contábil apresentada. Se fosse uma empresa de fato, não haveria uma utilização gratuita. Haveria cobrança pela Santa Casa pela atuação de uma empresa em suas instalações, com utilização de seus empregados, que gera custos e despesas. Na situação simulada pelos sócios da ANGIOMOC, a empresa estaria atuando dentro da Santa Casa, sendo os custos e despesas operacionais suportados graciosamente pelo hospital. (...) · Com relação à alegação de erro em atribuição dos valores recebidos da BIOTRONIK integralmente ao sócio Gérson no período de 2010 a out/2011, reitero que no período de jan/2010 a out/2011 os pagamentos foram creditados em conta corrente da ANGIOMOC. A BIOTRONIK declarou que os serviços foram executados exclusivamente por Gérson. A tributação foi realizada pela fiscalização com atribuição integral a Gérson dos recebimentos nesse período. Todos os pagamentos em cheque no período de nov/2011 a dez/2012 tiveram o valor líquido divido em três cheques de igual valor. Os pagamentos que foram divididos em 3 cheques tiveram como destino principalmente as contas de cada um dos sócios. Ficou nítida que a divisão dos pagamentos em 3 cheques teve a intenção de destinar 1/3 dos pagamentos a cada um dos médicos. Assim sendo, os pagamentos realizados pela BIOTRONIK no período de nov/2011 a dez/2012 foram tributados pela fiscalização com atribuição de 1/3 dos valores brutos a cada médico. Ademais, foram apontadas irregularidades na Escrituração Contábil Digital (ECD) da ANGIOMOC, como apresentado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal: ITEM 8 – ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD) – Apresentou as ECDs referentes aos anos-calendário 2010 a 2012. Destaco as seguintes considerações sobre as ECDs apresentadas: · Os dados escriturados demonstram uma situação totalmente irreal e fantasiosa para uma empresa regular e existente de fato. Os saldos da conta caixa que constam nº quadro a seguir, demonstram esse fato: SALDOS CONTÁBEIS DA CONTA CAIXA ANO-CALENDÁRIO SALDO FINAL EM R$ Fl. 3477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 26 2009 326.803,81 2010 523.916,28 2011 1.023.532,10 2012 1.717.370,74 A ANGIOMOC apresentou à fiscalização os extratos de contas correntes no BANCO DO BRASIL e no SICOOB CREDICOM. Saldos dessas contas estão demonstrados no quadro a seguir: SALDOS FINAIS DE CONTAS CORRENTES EM REAIS ANO-CALENDÁRIO BANCO DO BRASIL SICOOB CREDICOM 2009 3.967,60 C 15.308,84 C 2010 6 634,82 C 2.888,13 C 2011 15.651,33 D 8.501,14 D 2012 2.887,53 C 1.810,81 D Os saldos bancários demonstram claramente que os saldos contábeis da conta caixa são irreais. A título de exemplo, em 31/dez/2011 a empresa “tinha” em caixa R$ 1.023.532,10 e ao mesmo tempo tinha saldo devedor em contas correntes de mais de R$ 24.000,00. · Os honorários dos médicos sócios da ANGIOMOC foram contabilizados como receitas da ANGIOMOC. A empresa não existe de fato. Portanto praticamente não tem custos/despesas. Assim sendo, quase tudo que “ingressa” no caixa é lucro. Considerando que a empresa quase não tem custos/despesas, o lucro é muito elevado. Se “distribuísse” todo lucro, geraria indícios veementes de infrações à legislação tributária e de irregularidades. Como não distribui todo o “lucro”, ocorre expressiva elevação no saldo contábil da conta caixa. · Os custos/despesas contabilizados foram praticamente só impostos/taxas e com empregado. Não houve custos/despesas essenciais e usais ao funcionamento regular de uma empresa, como energia, água, telefone, materiais de limpeza, imóveis, móveis e utensílios, máquinas e equipamentos, material de expediente e outros. Com base nos elementos apresentados pela fiscalização e na defesa apresentada pelo recorrente, vejo que não foram trazidas provas no sentido de que a ANGIOMOC realmente estava com a sua situação regular e que, portanto, o recorrente não teria prestado seu trabalho como pessoa física, devendo ser tributado como tal. Fl. 3478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 27 A fiscalização e a decisão de piso reconhecem que é possível a organização de médicos pessoas físicas para prestação de serviços, e realmente têm sido verificadas transformações nas relações do trabalho. A possibilidade de terceirização foi reconhecida pelo STF, quando assegurou às empresas o direito de se organizarem e de contratar outras empresas para a execução de quaisquer atividades a serem desempenhadas, inclusive suas atividades-fim. A tese firmada foi a seguinte: Tema 725: É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante. No julgamento da ADC nº. 66/DF, o STF declarou a constitucionalidade do art. 129, da Lei nº. 11.196/2005, e a relatora Ministra Cármen Lúcia, em seu voto, fez relevantes apontamentos sobre a necessidade de que seja assegurada a liberdade de organização da atividade econômica empresarial, dotando-a da flexibilidade e da adequação atualmente exigidas, e da necessária compatibilização com os valores sociais do trabalho. A Ministra apontou ainda, que eventual conduta de maquiagem do contrato, deverá ser avaliada, por inexistirem no ordenamento constitucional garantias ou direitos absolutos. Dessa forma, mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, é permitido à fiscalização tributária desconsiderar a contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços intelectuais, desde que demonstre que os serviços, no plano fático, são efetivamente prestados pelo sócio desta, na condição de segurado empregado. E foi o que demonstrou a fiscalização nos presentes autos. Muitas decisões da Justiça do Trabalho têm sido canceladas pelo STF após os julgamentos mencionados. O teor das decisões proferidas pelo CARF também acompanhou as mudanças2, passando a avaliar, de forma mais detida, a presença dos requisitos caracterizadores da situação de segurado empregado: pessoalidade; da habitualidade e não-eventualidade; da subordinação e pagamento de remuneração. A decisão de piso entendeu que estavam presentes os requisitos da relação em emprego do recorrente com a Santa Casa. Da leitura do Recurso Voluntário, verifica-se que a recorrente reitera ipisis litteris os argumentos apresentados na Impugnação e a decisão de piso apreciou os argumentos. Dessa forma, com base no artigo 1143, § 12, inciso I, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 1.634 de 2023), abaixo transcrito, confirmo e adoto integralmente a decisão da primeira instância julgadora administrativa, pelos seus próprios fundamentos. 2 PINTO, Alexandre Evaristo. (2019) CONJUR. Direto do CARF. Carf analisa tributação da pejotização pela contribuição previdenciária, Disponível em < https://www.conjur.com.br/2019-abr-03/direto-carf-carf-analisa- fenomeno-pejotizacao-tributacao/> Acessado em 05/07/2024. 3 “Art. 114. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e” Fl. 3479DF CARF MF Original https://www.conjur.com.br/2019-abr-03/direto-carf-carf-analisa-fenomeno-pejotizacao-tributacao/ https://www.conjur.com.br/2019-abr-03/direto-carf-carf-analisa-fenomeno-pejotizacao-tributacao/ D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 28 Alega no mérito que inexistiria nos autos quaisquer elementos fático-jurídicos que permitissem às autoridades fiscais concluírem pela existência dos requisitos indispensáveis à caracterização da relação de emprego, tais como: a subordinação, a pessoalidade, a continuidade e da onerosidade. Não é o que se conclui da análise da documentação acostada aos autos. Diligenciada, a Santa Casa esclareceu, às fls. 205/206, que “somente após a aprovação do profissional médico, pessoa física, é contratada a pessoa jurídica, da qual ele é sócio”. O impugnante submeteu-se a tal procedimento, conforme documentação anexa, às fls. 383/402. O requisito da pessoalidade está claro, somente o médico previamente admitido pela Santa Casa é quem presta o serviço à entidade, e em escala determinada pela mesma. A ANGIOMOC não tem autonomia para admitir novos sócios ou contratar médicos especializados para substituir o impugnante na prestação dos serviços que lhe foi estabelecida pela Santa Casa. Na relação de médicos do corpo clínico da Santa Casa, às fls. 3199/3203, o autuado aparece como Vice Chefe da Clínica Cardiológica. Dentre os deveres dos membros integrantes do Corpo Clínico previstos no art. 49 do Regimento Interno do Corpo Clínico, consta o de “colaborar com os colegas na assistência aos seus clientes, quando solicitado”, o que constitui mais um elemento que demonstra a pessoalidade na prestação dos serviço dentro da Santa Casa e subordinação ao seu regimento. A continuidade dos serviços prestados pelo impugnante, cumprindo horário de trabalho previamente estabelecido pela Santa Casa, também se mostra em todo o período autuado. Conforme esclarecimento prestado por esta entidade, às fls. 1081/1082, o impugnante “foi plantonista no setor de Hemodinâmica da Santa Casa, no período de 2010 a 2012. Os plantões de sobreaviso do período noturno e finais de semana que ocorreram dos dias 21 a 31 dos meses de janeiro a dezembro. Os plantões diurnos foram realizados nas segundas e quartas-feiras no período da tarde (13:00 às 19:00 horas), quartas, quintas e sextas no período da manhã (07:00 às 13:00 horas).” A subordinação do impugnante à administração da Santa Casa está presente tanto na sujeição daquele às diretrizes, metas e valores estabelecidos pela entidade de saúde, quanto por exercer cargo de chefia. A Santa Casa esclareceu, às fls. 1081/1082, que “O Doutor Gerson Miranda exerceu e exerce cargo de chefia na Hemodinâmica da Santa Casa, inclusive como Responsável técnico do serviço”. O edital para o processo seletivo de especialização médica – 2014, às fls. 3204/3206, confirma o cargo de Chefe do Serviço de Cardiologia. Trata-se de uma função de confiança da entidade, que não poderia ser exercida senão de forma personalíssima e com subordinação à Santa Casa. Quanto à onerosidade, o impugnante junta declaração da Santa Casa, às fls. 3287, na qual a mesma informa que todos os três sócios da ANGIOMOC fazem parte de seu corpo clínico e que “exercem atividades médicas e docentes sem vínculo Fl. 3480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 29 empregatício e não remuneradas. Tais como preceptoria da residência médica e especialização em cardiologia, participação das reuniões clínicas e cargos de chefias da cardiologia e da hemodinâmica (Dr. Gerson Miranda), assim como presidência do Centro de estudos até Julho/2014 (Dr. Gerson Miranda) e vice- diretoria clínica da Santa Casa até Julho de 2014 (Dr. Gerson Miranda). A única atividade remunerada dos referidos médicos é a prestação de serviços de hemodinâmica e cardiologia intervencionista no setor de Hemodinâmica...”. Contudo, tal declaração reforça ainda mais a existência do vínculo empregatício entre os sócios da ANGIOMOC e a Santa Casa em razão da descrição das atividades e cargos de chefias exercidos, sendo a afirmação por parte da entidade de que tais atividades eram exercidas sem vínculo empregatício e sem remuneração, mero subterfúgio para se eximir dos encargos trabalhistas. A remuneração por estes serviços era realizada por meio da ANGIOMOC. Em resposta à intimação fiscal, a ANGIOMOC esclareceu, às fls. 2106/2107, que “embora de maneira inadequada, mas sem deixar de emitir as correspondentes NF e de informar e oferecer os valores à tributação, a maior parte dos valores distribuídos a título de lucros foram feitas diretamente por meio de cheques dos tomadores dos serviços diretamente nas contas bancárias dos sócios, porém, somente após a emissão da nota fiscal”. Alega que inexistiu qualquer tentativa de omissão de receitas e/ou de se ocultar os fatos, mas a infração apontada foi justamente a de utilizar a pessoa jurídica para acobertar os rendimentos da pessoa física. Ou seja, a tributação mais favorecida na pessoa jurídica ocultou os rendimentos recebidos pela pessoa física. O recebimento dos rendimentos pelos sócios da ANGIOMOC diretamente dos tomadores de serviços constitui mais uma prova de que não se tratava de receitas da pessoa jurídica, mas sim de rendimentos da pessoa física. Junta, às fls. 3288, declaração da Cooperativa de Trabalho dos Médicos e Profissionais da Área da Saúde do Norte de Minas Ltda., de que “a partir da admissão na SANCOOP, da pessoa jurídica Angiomoc Serviços Médicos Ltda, CNPJ 007.312.993/0001-86, em 30/12/2005, e de seus titulares, os cooperados Dr. Gerson Miranda, CRM 20.352, Dr. Zandonai Miranda, CRM 43.197 e Dr. Vagner Vinicius Ferreira, CRM 29.972, recebem seus proventos faturados através desta cooperativa exclusivamente pela pessoa jurídica acima identificada.”. Mais uma prova da utilização da ANGIOMOC para camuflar o recebimento de rendimentos da pessoa física decorrente de serviços prestados na Santa Casa. Ainda que o impugnante alegue que o mesmo e seus sócios desempenhem funções médicas em outras instituições médicas que não a Santa Casa de Montes Claros, a exemplo da Fundação de Saúde Dílson de Quadros Godinho e a Prontoclínica e Hospitais São Lucas S/A, isto não descaracteriza a prestação dos serviços ora com vínculo empregatício, presentes todos atributos da relação de emprego, ora como autônomo, prestados de forma pessoal, inclusive com o recebimento dos rendimentos diretamente dos tomadores do serviço. As Fl. 3481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 30 referidas instituições afirmaram ainda inexistir contrato formalizado com a Angiomoc. (grifos acrescidos) O CARF já se manifestou em algumas oportunidades sobre a terceirização na atividade médica, mas sempre ressaltando que cada caso deve ser analisado de forma particular, juntamente com as provas apresentadas pela fiscalização e pelas partes. Vale ressaltar o voto do Conselheiro Presidente Mário Hermes Soares Campos no caso do Acórdão nº. 9202-011.423, por meio do qual a 2ª Turma da CSRF houve por bem negar provimento ao Recurso Especial apresentado pelos Hospitais, e entender que estariam presentes os elementos caracterizadores da relação empregatícia dos médicos com a instituição, inadmitindo, assim, a interposição de pessoa jurídica de forma fraudulenta. A declaração de voto da Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira ressalta a importância de se continuar analisando as provas trazidas nos autos: Adequando o fecho do voto da Min.ª Rel.ª da nossa Corte Constitucional ao âmbito no qual estamos, certo poder dizer que “eventual conduta de maquiagem de contrato – como ocorre em qualquer caso – “, há de ser apurada pela fiscalização tributária, com a consequente lavratura do auto de infração. Certo que, com arrimo na livre iniciativa, pode a empresa optar pela forma de organização de sua atividade econômica, desde que observe os limites constitucionais e legais postos. Em nosso ordenamento, inexiste uma única liberdade absoluta, como também fez questão de destacar o Min. Alexandre de Morais no julgamento do já citado Tema de nº 725: Em nenhum momento a opção da terceirização como modelo organizacional por determinada empresa permitirá, seja a empresa “tomadora”, seja a empresa “prestadora de serviços”, desrespeitar os direitos sociais, previdenciários ou a dignidade do trabalhador. (...) Caso isso ocorra, seja na relação contratual trabalhista tradicional, seja na hipótese de terceirização, haverá um desvio ilegal na execução de uma das legítimas opções de organização empresarial, que deverá ser fiscalizado, combatido e penalizado. Não é compatível com a ordem constitucional demandar da autoridade fazendária a caracterização do fato gerador dissociada da realidade fática, privilegiando aquilo que quiseram fazer constar em documentos. Se rótulos vêm sendo atribuídos para conferir a negócios jurídicos um verniz de legalidade, tem a administração fazendária não só o poder, como o dever, de desconsiderá-los. (...) A bem da verdade, ainda que não houvesse a autorização contida no § 2º do art. 229 do RPS, da conjugação das previsões contidas no art. 142 e 149 do CTN, bem como em atenção ao disposto no parágrafo único do art. 116 do Digesto Tributário, cuja constitucionalidade igualmente já veio ser reconhecida pelo Fl. 3482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 31 Supremo Tribunal Federal, resta evidente a possibilidade de reclassificar atos que visam escamotear a realidade dos fatos. Isso porque, no exercício de seu poder de polícia, pode a autoridade fazendária, desde que de forma fundamentada, desconsiderar situações que, embora previstas no papel, não se descortinam na realidade. Como é, exatamente o caso, sob apreciação. Não se está a negar o que decidido pela Mais Alta Corte do país, tanto no Tema nº 725, quanto na ADC nº 66. Apesar de despicienda a advertência acerca da autoridade dos Tribunais pátrios, prescreve o Novo RICarf, em seu art. 99, que [a]s decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Da análise do arcabouço fático-probatório, como fartamente demonstrado no voto do em. Relator, colhidos elementos capazes de comprovar que a forma eleita pela parte recorrente para a prestação dos serviços afronta o ordenamento pátrio. Não basta a aparência de que há conformidade com o direito, arvorando-se nas decisões proferidas pelo Pretório Excelso. Imprescindível que, no caso concreto, as características de uma verdadeira prestação de serviços por pessoas jurídicas estejam presentes. (sem grifos no original) Diante do exposto, rejeito os argumentos apresentados pelo recorrente no sentido de que a prestação de serviços por meio da ANGIOMOC se deu de forma regular e que os serviços não teriam sido prestados pela pessoa física devendo ser assim tributados. 5. Da omissão de rendimentos decorrentes de depósitos sem origem comprovada No que diz respeito aos lançamentos mantidos pela decisão de piso, decorrentes da infração de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos sem origem comprovada, o recorrente também reitera que não seria possível tributar-se os valores com base na presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº. 9.430/96. Não assiste razão ao recorrente. A infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada encontra fundamento no artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que dispõe: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diferentemente da Lei nº. 8.021/90, que considerava como rendimento o depósito sem origem comprovada, desde que demonstrados sinais exteriores de riqueza (comprovação da Fl. 3483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 32 utilização dos valores depositados como renda consumida), a Lei nº. 9.430/96 exige apenas que os depósitos deixem de ser comprovados por meio de documentos hábeis e idôneos para que estes sejam considerados hipótese de incidência tributária, independentemente da existência de acréscimo patrimonial. Por meio do referido dispositivo, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e/ou de receita. Assim, uma vez intimado o contribuinte para comprovar a origem dos rendimentos, se não forem trazidos para a fiscalização documentos hábeis e idôneos que comprovem a origem dos depósitos, poderá a Fiscalização constituir o Auto de Infração, considerando os rendimentos presumidamente auferidos. Trata-se de presunção relativa, ou seja, admite-se que o contribuinte apresente provas que demonstrem que tais rendimentos não deveriam ser tributados, invertendo o ônus da prova. Ou seja, a presunção em favor da Fiscalização transfere ao contribuinte o ônus de comprovar que os valores depositados em suas contas bancárias têm uma justificativa e não são decorrentes de receitas ou rendimentos omitidos da tributação. Sobre o dispositivo em questão, transcrevo trechos elucidativos do voto do Conselheiro Matheus Soares Leite, no Acórdão nº. 2401-009.827: Com efeito, a regra do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, presume a existência de rendimento tributável, invertendo-se, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Trata-se, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos, a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. É importante salientar que, quando o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o art. 43 do CTN. Nessa linha de raciocínio, verifica-se que os depósitos bancários são apenas os sinais de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o (s) titular(es) das contas bancárias, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. Fl. 3484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 33 É importante destacar que não há necessidade de o Fisco comprovar o consumo da renda relativa à referida presunção, conforme entendimento já pacificado no âmbito do CARF, por meio do enunciado da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, por definição legal, a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações constitui-se em fato gerador do imposto de renda, nos termos do disposto no artigo 43 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Como bem destacado pela decisão de piso: Na presente hipótese, os depósitos bancários com origem não comprovada, por força de presunção legal, configuram rendimentos omitidos e se sujeitam ao imposto de renda. Faz-se mister ressaltar que de forma alguma se está atribuindo aos depósitos bancários a natureza de hipótese de incidência tributária. O que está sendo tributado é o rendimento omitido, apurado por meio de presunção legalmente estabelecida não afastada pelo Contribuinte. A propósito, o Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 855.649, e consolidou a tese no sentido de que o artigo 42, da Lei n° 9.430/96 é constitucional (Tema 842). Dessa forma, foi reconhecida a constitucionalidade da incidência tributária sobre os valores depositados em conta mantida junto a instituição financeira, cuja origem não for comprovada pelo titular — pessoa física ou jurídica —, desde que ele seja intimado para tanto (aspecto observado no caso concreto), em face da previsão contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tratando-se de matéria de prova, o ônus de demonstrar de maneira convincente a origem dos depósitos e que eles não devem ser tributados pertence a quem alega tal fato, no caso o recorrente. É o que dispõe o art. 373 do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (grifos acrescidos) Não basta, para comprovar a origem dos valores depositados, declinar a pessoa do depositante e/ou apresentar justificativas desacompanhadas de documentação comprobatória dos fatos, eis que a comprovação a que se refere a lei deve ser entendida como a explicitação do negócio jurídico ou do fato que motivou o depósito, além, obviamente, da pessoa do depositante. Fl. 3485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 34 Por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. A decisão de piso analisou um a um os depósitos e não vejo reparos a fazer na análise procedida, de modo que rejeito também o argumento apresentado pelo recorrente. 6. Da multa qualificada A autuação fiscal aplicou a multa qualificada de 150% sobre o imposto apurado a partir da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Considerou-se como clara a intenção do recorrente de omitir em suas declarações de ajuste anual valores de rendimentos muito acima daqueles declarados e o conluio entre ele e seus sócios com o objetivo de sonegação fiscal. O Termo de Verificação fiscal justificou a multa qualificada da seguinte maneira: As DIRPFs apresentadas são fraudulentas, visto que os rendimentos tributáveis declarados são muito inferiores aos efetivamente recebidos. Os três sócios da ANGIOMOC, Gérson, Vágner e Zandonai, agiram em conluio, com o objetivo de sonegação fiscal, mediante procedimento fraudulento de utilização de empresa inexistente de fato, ANGIOMOC, conforme demonstrado neste termo. Ficou demonstrado neste termo que os procedimentos adotados pelos sócios da ANGIOMOC se enquadram nas hipóteses previstas na legislação tributária que implicam em aplicação de multa de ofício qualificada de 150%. Foi aplicada multa de ofício de 150% sobre o IRPF incidente sobre a infração “OMISSÃO DE RENDIMENTOS REFERENTES A RECEITAS DA ANGIOMOC ATRIBUÍDAS AO SÓCIO GÉRSON”, em virtude da constatação de sonegação fiscal, fraude e conluio, conforme disposto no artigo 44, inciso I, e § 1º da Lei 9.430, com redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. Segundo a Fiscalização, ao informar nas declarações de ajuste anual rendimentos exageradamente inferiores aos valores recebidos de pessoas jurídicas, a conduta do Interessado se caracterizaria como sonegação fiscal, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, juntamente com a alegação de que o recorrente e seus sócios, agiram em conluio para sonegar tributos por meio da ANGIOMOC. O recorrente alega que não está caracterizada a fraude. Sustenta que é aplicável no caso a Súmula CARF nº. 14: Súmula CARF nº 14 Aprovada pelo Pleno em 2006 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 3486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.131 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.721502/2014-42 35 No presente caso, entendo que ficou comprovada a intenção de fraudar o Fisco e que a multa qualificada deve ser mantida. Não se trata de simples omissão de rendimentos. Ressalto que, com a alteração promovida pela Lei nº. 14.689/2023, no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96, e a aplicação do princípio da retroatividade da norma mais benigna, a penalidade deve ser reduzida a 100%. 7. Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos argumentos relacionados à Representação Fiscal para Fins Penais, e na parte conhecida, rejeito as preliminares, e dou parcial provimento para reduzir a multa ao percentual de 100%, em razão da alteração promovida pela Lei nº. 14.689/2023. É como voto. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 3487DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16062.720165/2018-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
É perempto o recurso voluntário interposto intempestivamente, dele não se admitindo conhecimento.
INTIMAÇÃO. DESTINATÁRIO. ADVOGADO DA PARTE. DESCABIMENTO.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo (Súmula CARF n° 110).
ATO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. HIPÓTESE NÃO CARACTERIZADA. DESCABIMENTO.
São nulos os atos e termos lavrados por autoridade incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses não caraterizadas nos autos.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DISPOSITIVO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. APRECIAÇÃO. AFASTAMENTO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA.
Ao julgador administrativo é defeso afastar a aplicação de dispositivo legal ao argumento de sua inconstitucionalidade, por absoluta incompetência (Súmula CARF n° 2).
ARROLAMENTO DE BENS. ALEGAÇÕES DO SUJEITO PASSIVO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens (Súmula CARF n° 109).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017
DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM. TERMO DE INÍCIO. ARTIGO 173, I, DO CTN.
Quando presente o dolo, a fraude ou a simulação, o prazo para que se constitua o crédito tributário, mediante lançamento de ofício, rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (Súmula CARF n° 72).
IRPJ. CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS. INADIMPLEMENTO. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. TERMO A QUO. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF n° 104).
INTERESSE COMUM. ARTIGO 124, I, DO CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO. CABIMENTO.
Caracterizado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, pertinente a imputação de responsabilidade solidária fundamentada no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional.
PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE. ART. 135 DO CTN. DESCABIMENTO.
O art. 135 do Código Tributário Nacional é endereçado, em sua inteireza, às pessoas naturais nele elencadas que praticam atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não a pessoas jurídicas.
INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa.
Numero da decisão: 1102-001.649
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário de CROSS FILTER BRASIL LTDA, DIACEL GD INDÚSTRIA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, EDIFY BRASIL ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIAL EIRELI, SEPROM ASSESSORIA COMERCIAL DE PRODUTOS GRÁFICOS LTDA, THOMAZ SOARES AMBRÓSIO e LUIS CARLOS AMBRÓSIO e em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário de AMBROPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES – EIRELI, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, rejeitar o pedido de conversão do julgamento em diligência e, no mérito, dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para afastar o art. 135, inciso III, do CTN como fundamento de sua responsabilização solidária - mantendo-a no polo passivo apenas com fulcro no art. 124, inciso I, do Códex; (ii) por maioria de votos, para reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 100% (cem por cento), haja vista a retroatividade benigna de lei superveniente, vencidas as Conselheiras Cristiane Pires McNaughton e Andrea Viana Arrais Egypto, que davam provimento em maior extensão, para afastar a qualificação da multa; e (iii) por maioria de votos, não conhecer de matéria suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Schneider Fossati alusiva à multa isolada, exigida por inadimplemento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL concomitantemente com a multa de ofício - vencido o proponente, que em a conhecendo, por entender se tratar de matéria de ordem pública, aplicava o princípio da consunção para afastar a exigência da multa isolada. Manifestou intenção de declarar voto a Conselheira Cristiane Pires McNaughton.
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires McNaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Andrea Viana Arrais Egypto (substituta) e Fernando Beltcher da Silva.
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É perempto o recurso voluntário interposto intempestivamente, dele não se admitindo conhecimento. INTIMAÇÃO. DESTINATÁRIO. ADVOGADO DA PARTE. DESCABIMENTO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo (Súmula CARF n° 110). ATO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. HIPÓTESE NÃO CARACTERIZADA. DESCABIMENTO. São nulos os atos e termos lavrados por autoridade incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses não caraterizadas nos autos. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DISPOSITIVO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. APRECIAÇÃO. AFASTAMENTO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. Ao julgador administrativo é defeso afastar a aplicação de dispositivo legal ao argumento de sua inconstitucionalidade, por absoluta incompetência (Súmula CARF n° 2). ARROLAMENTO DE BENS. ALEGAÇÕES DO SUJEITO PASSIVO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens (Súmula CARF n° 109). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM. TERMO DE INÍCIO. ARTIGO 173, I, DO CTN. Quando presente o dolo, a fraude ou a simulação, o prazo para que se constitua o crédito tributário, mediante lançamento de ofício, rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (Súmula CARF n° 72). IRPJ. CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS. INADIMPLEMENTO. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. TERMO A QUO. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF n° 104). INTERESSE COMUM. ARTIGO 124, I, DO CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO. CABIMENTO. Caracterizado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, pertinente a imputação de responsabilidade solidária fundamentada no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE. ART. 135 DO CTN. DESCABIMENTO. O art. 135 do Código Tributário Nacional é endereçado, em sua inteireza, às pessoas naturais nele elencadas que praticam atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não a pessoas jurídicas. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa.
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PEREMPÇÃO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É perempto o recurso voluntário interposto intempestivamente, dele não se admitindo conhecimento. INTIMAÇÃO. DESTINATÁRIO. ADVOGADO DA PARTE. DESCABIMENTO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo (Súmula CARF n° 110). ATO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. HIPÓTESE NÃO CARACTERIZADA. DESCABIMENTO. São nulos os atos e termos lavrados por autoridade incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses não caraterizadas nos autos. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DISPOSITIVO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. APRECIAÇÃO. AFASTAMENTO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. Ao julgador administrativo é defeso afastar a aplicação de dispositivo legal ao argumento de sua inconstitucionalidade, por absoluta incompetência (Súmula CARF n° 2). ARROLAMENTO DE BENS. ALEGAÇÕES DO SUJEITO PASSIVO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens (Súmula CARF n° 109). Fl. 1211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 2 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM. TERMO DE INÍCIO. ARTIGO 173, I, DO CTN. Quando presente o dolo, a fraude ou a simulação, o prazo para que se constitua o crédito tributário, mediante lançamento de ofício, rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (Súmula CARF n° 72). IRPJ. CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS. INADIMPLEMENTO. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL. TERMO A QUO. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF n° 104). INTERESSE COMUM. ARTIGO 124, I, DO CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO. CABIMENTO. Caracterizado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, pertinente a imputação de responsabilidade solidária fundamentada no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE. ART. 135 DO CTN. DESCABIMENTO. O art. 135 do Código Tributário Nacional é endereçado, em sua inteireza, às pessoas naturais nele elencadas que praticam atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não a pessoas jurídicas. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário de CROSS FILTER BRASIL LTDA, DIACEL GD INDÚSTRIA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, EDIFY BRASIL ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIAL EIRELI, SEPROM ASSESSORIA COMERCIAL DE PRODUTOS GRÁFICOS LTDA, THOMAZ SOARES AMBRÓSIO e LUIS CARLOS Fl. 1212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 3 AMBRÓSIO e em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário de AMBROPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES – EIRELI, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, rejeitar o pedido de conversão do julgamento em diligência e, no mérito, dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para afastar o art. 135, inciso III, do CTN como fundamento de sua responsabilização solidária - mantendo-a no polo passivo apenas com fulcro no art. 124, inciso I, do Códex; (ii) por maioria de votos, para reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 100% (cem por cento), haja vista a retroatividade benigna de lei superveniente, vencidas as Conselheiras Cristiane Pires McNaughton e Andrea Viana Arrais Egypto, que davam provimento em maior extensão, para afastar a qualificação da multa; e (iii) por maioria de votos, não conhecer de matéria suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Schneider Fossati alusiva à multa isolada, exigida por inadimplemento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL concomitantemente com a multa de ofício - vencido o proponente, que em a conhecendo, por entender se tratar de matéria de ordem pública, aplicava o princípio da consunção para afastar a exigência da multa isolada. Manifestou intenção de declarar voto a Conselheira Cristiane Pires McNaughton. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires McNaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Andrea Viana Arrais Egypto (substituta) e Fernando Beltcher da Silva. RELATÓRIO Em desfavor de CROSS FILTER BRASIL LTDA foram lavrados Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de multas isoladas incidentes sobre o valor de estimativas mensais inadimplidas e da multa prevista no art. 32 da Lei n° 4.357, de 16 de julho de 1964 (por distribuição de lucros enquanto em débito com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social). Isso porque em procedimento de revisão interna de dados a Fiscalização constatou que o contribuinte não confessou, tampouco recolheu, os tributos em questão, conquanto suas apurações constassem de Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (“Dipj”) e de Escriturações Contábeis Fiscais (“ECF”). A par da situação, a autoridade fiscal intimou a pessoa jurídica a regularizar sua situação, sob pena de lançamento de ofício. Fl. 1213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 4 O contribuinte se manifestou, mas não confessou a integralidade dos tributos escriturados, nem efetuou os correspondentes pagamentos de IRPJ e CSLL, tudo alusivo aos fatos geradores ocorridos ao longo dos anos 2012 a 2017. Diante dos fatos, o autuante constituiu créditos tributários mediante lançamentos de ofício, que totalizaram R$ 42.912.171,69, aí incluída a multa proporcional qualificada (150%), em razão da sonegação (art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964). Foram arrolados no polo passivo as pessoas jurídicas e físicas relacionadas a seguir: DIACEL GD INDÚSTRIA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. Responsabilidade solidária de fato EDIFY BRASIL ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIAL EIRELI SEPROM ASSESSORIA COMERCIAL DE PRODUTOS GRÁFICOS LTDA AMBROPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES - EIRELI THOMAZ SOARES AMBRÓSIO Responsabilidade solidária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto LUIS CARLOS AMBRÓSIO O autuante justificou as responsabilidades imputadas aos solidários no seguinte: - o contrato social da CROSS FILTER dispunha que a administração da entidade competia isoladamente a THOMAZ SOARES AMBRÓSIO; - aquele ato constitutivo foi alterado em 2014, passando a admitir a administração da sociedade por não sócio, ocasião em que foi outorgada procuração para que LUIS CARLOS AMBRÓSIO administrasse a CROSS FILTER; - LUIS CARLOS havia se retirado formalmente do quadro societário da CROSS FILTER em 2012, momento em que ingressou EDIFY BRASIL ADMINISTRAÇAO PATRIMONIAL EIRELI, cuja participação no capital social lhe conferia o controle da CROSS FILTER; - LUIS CARLOS foi sócio administrador da controladora da CROSS FILTER (EDIFY) até 2016, ocasião em que dela (EDIFY) se retirou, mas, em contrapartida, foi-lhe outorgada procuração para gerir a controladora; - CROSS FILTER, ao arrepio do contrato social e da sua condição de devedora de tributos não garantidos (art. 32 da Lei n° 4.357, de 1964), distribuiu lucros às entidades DIACEL e EDIFY entre 2014 e 2017, sob a roupagem de concessão de empréstimos milionários1; - tais movimentos foram avaliados pela autoridade fiscal como caracterizadores de falsidade ideológica e de fraude à execução, pois LUIS CARLOS se desfizera de suas participações societárias para obstaculizar a cobrança de cerca de R$ 17 milhões movida pela Fazenda Nacional 1 Invocou, o autuante, a hipótese de presunção de distribuição disfarçada de lucros de que trata o inciso V do art. 60 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 1214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 5 contra a CROSS FILTER nos autos de n° 0004390-21.2014.403.6105, cuja inscrição em Dívida Ativa da União mais antiga se processara em 2011, reportando-se a fatos geradores ocorridos em 2008; - AMBROPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES EIRELI teria servido à blindagem patrimonial de móveis e imóveis passíveis de registro, outrora pertencentes ao titular da pessoa jurídica, LUIS CARLOS AMBRÓSIO, e a THOMAZ AMBRÓSIO, acumulando bens em valores incompatíveis com seu capital social; - parte do patrimônio que foi repousar na AMBROPAR se originara de lucros distribuídos pela CROSS FILTER e pela EDIFY em 2012, 2013 e 2014 a LUIS CARLOS e THOMAZ, também em violação ao art. 32 da Lei ° 4.357, de 1964; - SEPROM ASSESSORIA COMERCIAL DE PRODUTOS GRÁFICOS LTDA era integralmente controlada pelo responsável legal e administrador da CROSS FILTER, de onde provieram recursos para constituição da SEPROM, daí decorrendo a confusão patrimonial; - CROSS FILTER, DIACEL, EDIFY e SEPROM compunham, então, grupo econômico liderado por LUIS CARLOS e THOMAZ, o que atrairia a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas em razão do que dispõe o art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 124, inciso II, do Código Tributário Nacional; - as pessoas jurídicas, aqui incluída a AMBROPAR, teriam interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores, o que importaria a atribuição de suas responsabilidades com fundamento no art. 124, inciso I, do CTN; - a responsabilidade imputada a LUIS CARLOS e THOMAZ encontraria fundamento no art. 135, inciso III, do CTN, e a autoridade fiscal imputou, cumulativamente, a responsabilidade à AMBROPAR com base nesse dispositivo, já que seria inexistente de fato e servira aos propósitos das pessoas físicas; - e a THOMAZ foi atribuída a responsabilidade também em razão do que reza o art. 1.009 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Os sujeitos passivos, contribuinte e solidários, foram notificados das autuações em 27 de setembro de 2018. CROSS FILTER, DIACEL, EDIFY, SEPROM, THOMAZ e LUIS CARLOS apresentaram impugnação em conjunto, alegando, em síntese, o que segue: (i) CROSS FILTER é uma empresa familiar, fundada em 1994, dissidente da DIACEL, iniciada por THOMAZ, pai de LUIS CARLOS; (ii) enchente ocorrida em 2005 comprometeu a saúde financeira da CROSS FILTER, que acumulava dívidas superiores a R$ 17 milhões, o que deu início a um quadro de síndrome de pânico e de ansiedade no Sr. LUIS CARLOS, acarretando sua saída definitiva da sociedade em 2012; Fl. 1215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 6 (iii) diante da dificuldade financeira, as empresas do grupo reestruturaram suas atividades, demitindo pessoal, parcelando dívidas tributárias e trabalhistas e celebrando acordos com fornecedores; (iv) as empresas do grupo agiram de boa-fé, buscando regularizar suas pendências, ao contrário do que afirmado pelo autuante; (v) foram criadas as sociedades EDIFY e SEPROM, para, respectivamente, atuação financeira e comercial; (vi) para restabelecer os sistemas de controle financeiro e fiscal, avariados pela inundação, CROSS FILTER e DIACEL contrataram nova plataforma, a qual, devido a diversos problemas de, por exemplo, migração de dados, não funcionou a contento, o que levou à implantação de novo sistema, fatos que levaram a novas prestações de obrigações acessórias ao Fisco, o que, ao fim e ao cabo, deu origem à ação fiscal; (vii) as pessoas jurídicas impugnantes seriam empresas familiares; (viii) ocorre que o Sr. THOMAZ foi acometido de moléstia grave, razão pela qual foram preventivamente outorgadas procurações ao seu filho, LUIS CARLOS; (ix) LUIS CARLOS não teria efetivamente exercido os poderes a si conferidos, já que THOMAZ não se afastara das suas funções, administrando todas as empresas do grupo; (x) a autoridade fiscal atribuiu sanções e responsabilidades sem ao menos intimar os envolvidos, impedindo, assim, o esclarecimento dos fatos; (xi) comprovaram-se as retificações de DCTF e a Fiscalização verificou a escrituração contábil via SPED e em outras obrigações acessórias, não se cogitando omissão de receita; (xii) não há que se cogitar suposto crime contra a ordem tributária, pois a Fiscalização utilizou as informações da DIPJ regularmente apresentada ao Fisco Federal, pelo próprio contribuinte, para apurar a base tributável posteriormente constituída no lançamento fiscal, ou seja, não foi impedido o conhecimento da ocorrência do fato gerador; (xiii) a autuação fiscal seria nula, por ausência de motivação, por violar, no que se refere aos solidários, a legalidade, o contraditório e a ampla defesa; (xiv) não restou provada a fraude ou o dolo, não se cogitando a inversão do ônus ao contribuinte; (xv) em relação aos solidários, a Fiscalização limitou-se a afirmar que a sujeição passiva deles decorreria de disposição legal, o que, associado aos demais argumentos, deveria levar à exclusão do polo passivo; Fl. 1216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 7 (xvi) o simples inadimplemento e a omissão em DCTF não caracterizariam o dolo, pois as informações foram prestadas ao Fisco em Dipj/ECF; (xvii) CROSS FILTER e DIACEL seriam os principais vetores financeiros do grupo, pertencente ao mesmo sócio, o Sr. THOMAZ, sendo óbvia a inexistência de objetivos estranhos às atividades e interesses sociais, o que afastaria a premissa de que fora infringido o contrato social do contribuinte; (xviii) decaíra o direito de constituir créditos tributários alusivos aos fatos ocorridos em 2012, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; e (xix) a multa de ofício exigida seria confiscatória. Aqueles impugnantes peticionaram (1) pelo reconhecimento da insubsistência dos autos de infração, devendo ser declarada suas nulidades, (2) subsidiariamente, que fossem canceladas as exigências do ano-calendário 2012, em razão da decadência, (3) pelo afastamento das responsabilidades a si atribuídas e da qualificação da multa, (4) pela exclusão do Sr. LUIS CARLOS do polo passivo, pois não pertencia ao quadro societário desde setembro de 2012 e não exerceu a gerência/gestão da CROSS FILTER no período em que era sócio, tampouco quando fora outorgado procurador, (5) que fosse instaurada fiscalização/diligência em face de cada impugnante, para fins de apuração de eventual conduta ilícita cometida, e (6) a exclusão da multa aplicada em dobro, por ser manifestamente confiscatória, abusiva e desprovida de razoabilidade. AMBROPAR apresentou impugnação em separado, socorrendo-se de diversas alegações dos demais sujeitos passivos, e acrescentou que: - fora fundada em outubro de 2012, dedicando-se à gestão de bens próprios e de terceiros (venda, locação, comodato, permutas e ações afins), vindo a posteriormente atuar em serviços combinados de escritório e de apoio administrativo e em consultoria em gestão empresarial; - é empresa independente, ativa; - não acoberta terceiros, supostos reais beneficiários, como acusa a Fiscalização; - originou-se de reestruturação societária, cujo planejamento tributário visava a uma redução lícita de carga fiscal, relativa ao IRPJ, ao ITBI e à tributação derivada da sucessão patrimonial, objetivando, ainda, a formatação da linha sucessória sem maiores entraves em inventários; - a Autoridade Fiscal elucida de forma vil, que os imóveis, bem como as transações comerciais e fiscais, divergem com as declarações apresentadas. Conforme esclarecido, novamente a Autoridade Fiscal se baseia com dados e informações obtidas de declarações que já haviam sido retificadas, inclusive, as declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física do sócio, ou seja, os bens foram incorporados ao patrimônio, constantes no ativo da Impugnante2; e 2 Trecho do relatório do acórdão de primeira instância. Fl. 1217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 8 - os veículos e os imóveis estão devidamente escriturados. AMBROPAR pugnou (a) pela sua exclusão do rol de devedores, (b) que, subsidiariamente, em procedimento fiscal/diligência, fosse apurada eventual conduta ilícita por si cometida, (c) que fosse excluída a multa impingida, desprovida de qualquer razoabilidade e não ter havido a prática de fraude ou dolo, e (d) fosse suspensa a baixa do CNPJ formalizada em processo diverso, até que fossem julgadas, em caráter definitivo, as defesas interpostas neste processo de exigência. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgou as impugnações improcedentes, cujo Acórdão n° 15-46.274 recebeu a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Tratando-se de lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Descabida a arguição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação vigente. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de ofensa a princípios constitucionais, cuja apreciação encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ. IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano-calendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa de ofício isolada sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, independentemente da exigência do imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, Fl. 1218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 9 acrescido de multa de ofício e de juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. MULTA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS POR EMPRESA EM DÉBITO. EMPRÉSTIMOS A PESSOAS LIGADAS. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. Aplica-se multa às pessoas jurídicas que distribuírem lucros enquanto estiverem em débito para com a União, em montante igual a 50% das quantias distribuídas ou pagas indevidamente, limitada a 50% do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. Empréstimos a pessoas ligadas, com a contemporânea ocorrência de lucros acumulados ou reserva de lucros, caracteriza distribuição disfarçada de lucros. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. É cabível o lançamento da multa qualificada, no percentual de 150%, quando constatadas condutas que configuram, em tese, os crimes capitulados no art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. INTERESSE COMUM. EXCESSO DE PODERES. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelos créditos tributários. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e as pessoas expressamente designadas por lei. São responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Não elididos os fatos que lhes deram causa, mantém-se a responsabilidade solidária. Todos foram regularmente notificados da decisão de primeira instância. CROSS FILTER, DIACEL, EDIFY, SEPROM, THOMAZ e LUIS CARLOS apresentaram recurso voluntário em conjunto. AMBROPAR, isoladamente. Fl. 1219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 10 As datas das correspondentes ciências da decisão recorrida e das apresentações dos recursos voluntários (“RV”) seguem dispostas no quadro a seguir: Sujeito Passivo Ciência RV CROSS FILTER BRASIL LTDA 22/04/2019 12/07/2019 DIACEL GD INDÚSTRIA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. 02/05/2019 12/07/2019 EDIFY BRASIL ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIAL EIRELI 24/04/2019 12/07/2019 LUIS CARLOS AMBRÓSIO 02/05/2019 12/07/2019 SEPROM ASSESSORIA COMERCIAL DE PRODUTOS GRÁFICOS LTDA 23/04/2019 12/07/2019 THOMAZ SOARES AMBRÓSIO 24/04/2019 12/07/2019 AMBROPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES - EIRELI 14/06/2019 23/05/2019 Os recorrentes reiteram as alegações e os pedidos lançados nas impugnações e adicionam que todas as intimações e publicações devem ser realizadas exclusivamente em nome dos advogados constituídos. É o Relatório. VOTO Conselheiro Fernando Beltcher da Silva, Relator. O recurso voluntário apresentado em conjunto por CROSS FILTER BRASIL LTDA, DIACEL GD INDÚSTRIA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, EDIFY BRASIL ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIAL EIRELI, SEPROM ASSESSORIA COMERCIAL DE PRODUTOS GRÁFICOS LTDA, THOMAZ SOARES AMBRÓSIO e LUIS CARLOS AMBRÓSIO é manifestamente intempestivo (art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Não há qualquer defesa correlata à perda do prazo para interporem o dito recurso. Logo, o recurso é perempto (art. 35 do Decreto n° 70.235, de 1972) e dele nada há a conhecer. O recurso voluntário da AMBROPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES EIRELI é tempestivo3 e atende aos demais requisitos de admissibilidade, mas dele conheço parcialmente, pelas razões expostas adiante. Inicio dizendo ser, no processo administrativo fiscal, incabível endereçar intimação a advogado do sujeito passivo (Súmula CARF n° 110). Passo às questões preliminares e de mérito suscitadas pela AMBROPAR, destacando, desde já, que CROSS FILTER violou dever fundamental de pagar tributos por, pelo menos, 6 (seis) anos-calendário (setenta e dois meses) consecutivos e contra si operava ação de execução fiscal, quando entrou em cena, em 2012, a AMBROPAR. 3 § 4º do art. 218 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). Fl. 1220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 11 Ressalto que AMBROPAR não apresenta defesa contrária às exigências principais de IRPJ e de CSLL, tampouco quanto à multa isolada (estimativas inadimplidas) e à multa regulamentar (lucros distribuídos pela CROSS FILTER, enquanto devedora da União). PRELIMINARES DE NULIDADE A Recorrente apresenta irresignação quanto à baixa de ofício do seu cadastro perante o Fisco Federal (Cnpj), suscitando a nulidade do correspondente ato administrativo. AMBROPAR solicita a suspensão da baixa do seu cadastro no CNPJ até que sobrevenha decisão final neste processo de exigência fiscal. Ocorre que aquele ato administrativo é autônomo, sendo, nestes autos de exigência fiscal, irrelevante o deslinde daquela questão. Dito de outro modo, em nada se altera a fundamentação deste voto se o cadastro da AMBROPAR se encontra baixado ou ativo. De qualquer modo, percebe-se que dito cadastro foi restabelecido por determinação judicial, cuja respectiva ação (5000376-30.2019.4.03.6105) é acompanhada via processo/dossiê n° 13032.062679/2019-13. Vejamos o teor da ementa da decisão transitada em julgado: DIREITO ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. IN RFB 1.634/2016. SUSPENSÃO E BAIXA DO CNPJ. INTIMAÇÃO POR EDITAL. PRÁTICA DE ATO ADMINISTRATIVO ANTES DE DECORRIDO O PRAZO DE EVENTUAL RECURSO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. SUSPENSÃO ATÉ DECISÃO DEFINITIVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. 1. É indevida a publicação do ato declaratório que determinou a baixa, de ofício, do CNPJ antes do decurso do prazo regular intimação do contribuinte, feita por edital, inclusive para efeito de interposição recursal, tendo sido, ademais, protocolos os recursos. 2. Consolidada a jurisprudência no sentido de que a restrição da inscrição, sem que tenha sido concluído o procedimento administrativo como ocorrido na espécie, importa em ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. 3. Apelação provida. Como a parte levou o assunto ao Poder Judiciário e lá se decidiu como se decidiu, não conheço do pedido de suspensão da baixa de ofício e de suas respectivas alegações (Súmula CARF n° 1). Saliento que o controle de legalidade do ato de baixa de ofício do cadastro da AMBROPAR deve se dar no correspondente processo administrativo, qual seja, o de n° 16062.720169/2018-22. A Recorrente alega ser nula a autuação, por ausência de motivação. Aduz que a Fiscalização não apresentou qualquer razão para a instauração do procedimento fiscal. Fl. 1221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 12 Tal alegação é completamente descabida. A uma, porque o lançamento de ofício pode se dar sem qualquer intimação prévia, quando a autoridade fiscal dispuser dos elementos necessários (Súmula CARF n° 46). A duas, porque o procedimento fiscal é inquisitório, não se exigindo qualquer justificativa para sua regular instauração e republicano andamento. A três, porque a autuação fiscal foi claramente motivada, contando, inclusive, com uma prévia concessão de oportunidade ao contribuinte para regularização de sua caótica situação fiscal espontaneamente, com inconteste e objetiva apresentação das divergências levantadas em cruzamento de dados pela autoridade fiscal. E a quatro, porque os precedentes invocados pela Recorrente não guardam qualquer similitude fática ou jurídica com o presente caso. O que a Recorrente inutilmente pretende é induzir o julgador a erro, já que autuações canceladas por falta de provas em nada se comunicam com a sofrida pela CROSS FILTER e exigida dos solidários. Logo, rejeita-se a preliminar. Outra nulidade da autuação fiscal suscitada pela Recorrente refere-se à ausência de sua intimação no curso do procedimento fiscal, sendo, segundo alega, patente a violação à legalidade, ao contraditório, à ampla defesa, ao direito de petição e ao devido processo legal. Novamente sem razão. Garantia alguma foi violada. A inclusão da Recorrente no polo passivo foi fundamentada e notificada. A par de tal situação, foi-lhe oportunizado o exercício pleno ao contraditório e à defesa, tudo dentro do estrito cumprimento das leis de regência e em total obediência ao devido processo. Tanto assim o foi que a Recorrente apresentou sua defesa, contrapondo os argumentos da autoridade fiscal, mostrando-se totalmente conhecedora dos motivos que levaram à imputação de sua responsabilidade solidária. A propósito, o contencioso somente se instaura com a impugnação, sendo assegurado ao sujeito passivo a exposição de sua inteira ou parcial indignação, nos termos do enunciado da Súmula CARF n° 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Aplica-se aqui, também, a inteligência da Súmula CARF n° 46. Logo, rejeita-se a preliminar suscitada. MÉRITO Fl. 1222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 13 A Recorrente discorre longamente acerca do seu papel no planejamento tributário que considera lícito: inicialmente, administradora de bens e, posteriormente, holding patrimonial. Tal mecanismo elisivo seria vantajoso sob diversos aspectos da tributação federal, estadual e municipal. Quanto à aquisição de veículos e outros ativos imobiliários, AMBROPAR diz não ser vedada. Ao contrário, a compra de tais bens por pessoas jurídicas goza de incentivos. Diz que a ECF de 2014 foi retificada entre outubro e dezembro de 2017, para inclusão dos automóveis em seu ativo. Insiste não ter havido prova da fraude e/ou dolo pela Fiscalização, não se podendo inverter o ônus. Traz argumentos de defesa, também, do Sr. LUIS CARLOS, que não se conhecem neste voto (inteligência das Súmulas CARF n° 71 e 172). Alega que não há que se cogitar omissão de valores em DCTF da CROSS FILTER, pois a Fiscalização se valeu das informações das DIPJ/ECF regularmente apresentadas. Classifica a acusação fiscal de pífia, jocosa, destemperada e de outros adjetivos tendentes à desqualificação do procedimento conduzido e concluído pelo autuante. Por tais razões, pleiteia sua exclusão do rol dos sujeitos passivos. Digo que devedores contumazes merecem reprimenda. O bom contribuinte, que não é o caso da CROSS FILTER, não pode assistir a esse teatro de horrores e se ver impelido a continuar a adimplir, espontaneamente, tributos. Todo o discurso da Recorrente é de vitimização. Não há pretexto para a sonegação, para a fraude a credores, para a concorrência desleal decorrente do favorecimento ilícito - quando comparado ao contribuinte que, às vezes a duras penas, mantem-se em dia perante a Sociedade, perante o sujeito ativo, que se veem representados, nesse peculiar, pela Administração Tributária. Enquanto CROSS FILTER devia à União, lucros - disfarçados, ou não - foram distribuídos, alimentando o blindado patrimônio das entidades familiares e dos Srs. THOMAZ e LUIS CARLOS na AMBROPAR, distante da execução fiscal. AMBROPAR prestou-se somente a isso: blindagem e ocultação de bens de quem estava em inadimplência fiscal recorrente. Fl. 1223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 14 O colegiado de primeira instância, valendo-se das constatações da autoridade fiscal, confirmou a responsabilidade imputada à AMBROPAR, cujos fundamentos de fato e de direito adoto como razões de decidir4: Transcritos os argumentos das Impugnantes sobre a responsabilização solidária da Ambropar, importa trazer à baila os argumentos da autoridade fiscal neste ponto: • a Ambropar possui patrimônio incompatível com seu capital social, tendo recebido valores do único sócio, Sr. Luis Carlos, conforme consta nos registros das operações imobiliárias (DOI, anexo XII ao auto de infração); • a Ambropar adquiriu imóvel, de seu único sócio, avaliado por R$ 582.000,00, sendo que possui capital social de R$ 88.000,00, portanto, incompatível. Seguem extratos de aquisição deste imóvel e de direitos no valor de R$ 225.000,00: [...] • a transferência dos bens passíveis de registro para a Ambropar objetiva a blindagem patrimonial de Luis Carlos Ambrósio e Thomaz Soares Ambrósio; • foram adquiridos diversos veículos de alto valor pela Ambropar, os quais não guardam ligação com o objeto social da empresa: [...] • a Ambropar foi criada com o único objetivo de abrigar os bens do sócio, acobertando as operações de aquisição por este; • após o início dos procedimentos de cobrança no processo 10830.727323/2017- 81, a Ambropar retificou sua escrituração, para constar parte dos veículos (não declarou alguns que constam do sistema Renavam), deixando de escriturar seus imóveis, como segue: [...] • a Ambropar foi formada com a ajuda dos valores distribuídos a título de lucros pela Cross Filter e Edify (controladas por Luis Carlos Ambrósio), informações estas obtidas das DIRPF de Luis Carlos Ambrósio e Thomaz Soares Ambrósio. Os valores foram distribuídos contrariando o disposto no art. 32 da Lei nº 4.357/64, que veda a distribuição de lucros com a pessoa jurídica devedora da União. Segue demonstrativo dos lucros distribuídos: [...] A Ambropar, em sua impugnação, intenta dissociar suas atividades das demais empresas ditas familiares, constantes do rol de responsáveis solidários. Afirma ser empresa patrimonial, independente, ativa e sadia. Não pode prosperar os argumentos trazidos pelas impugnantes neste ponto, tendo em vista que a Ambropar foi constituída utilizando-se de valores de lucros distribuídos pela Cross 4 § 1º do art. 50 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e inciso I do § 12 do art. 114 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Fl. 1224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 15 Filter e Edify, ao arrepio da lei. Ademais é nítida a incompatibilidade entre o capital social da empresa e os imóveis e veículos adquiridos. A empresa tem capital social no valor de R$ 88.000,00, tendo adquiridos bens que montam valor superior a R$ 1.000.000,00. Improcedente também a alegação de que a fiscalização utilizou-se em sua análise de declarações e escrituração fiscal já retificadas, pois, da análise do TVF, constata-se que o auditor fiscal tratou das citadas retificações, comparando inclusive a ECF original com a retificada. A Impugnante não é empresa independente das demais; ao contrário, ela faz parte do grupo econômico juntamente com as demais empresas, por ter gestão comum, ter sido formada com capital advindo das empresas Cross Filter e da Edify, além de servir de "porto seguro" para os bens de Luis Carlos Ambrósio e Thomaz Soares Ambrósio. A Ambropar, apesar de sua extensa defesa, não explica: o motivo de seu patrimônio ser incompatível com o seu capital social; as transferências dos bens dos sócios para ela, sem o devido registro no momento correto; a existência de veículos de luxo não relacionados ao objeto social da empresa; o fato de existirem imóveis transferidos pelos sócios sem registro em sua contabilidade. Os elementos acima também fundamentaram a manutenção da baixa da empresa por inexistência de fato no processo 16062.720169/2018-22, cuja decisão transcrevo: Nos termos da Lei 9.430/96, Art.80, §1º, I, disciplinada pela IN RFB 1.863/2018, Art.31, §5º, mantenho a decisão de BAIXA por INEXISTENCIA de FATO da pessoa jurídica AMBROPAR. Dessa forma, participando a Ambropar do grupo econômico administrado pelo Sr. Luis Carlos Ambrósio e comprovado o interesse jurídico da empresa na situação vinculada ao fato jurídico tributário, tendo em vista que serviu de instrumento de proteção dos bens do sócio das dívidas da autuada para com a União, a empresa deve responder solidariamente pelos créditos tributários lançados, com fulcro no art. 124, I e II, do CTN. Ressalvo que AMBROPAR não foi arrolada no polo passivo com base no inciso II do art. 124 do CTN, mas apenas com fundamento no inciso I daquele artigo e no inciso III do art. 135 do CTN. E aqui cabe uma reflexão quanto à aplicabilidade do art. 135 à situação da AMBROPAR, já que, ainda que genericamente, a recorrente pede o afastamento de sua responsabilidade. É que o art. 135 é endereçado, em sua inteireza, às pessoas naturais nele elencadas, que praticam atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não a pessoas jurídicas. Assim, não se justifica a responsabilidade da AMBROPAR com fundamento no art. 135 do CTN, mesmo que se conteste sua existência de fato, mesmo que sua constituição e funcionamento tenham por exclusiva finalidade a blindagem patrimonial de terceiros, pois esta, Fl. 1225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 16 isso sim corretamente, deu azo à responsabilização solidária com fulcro no art. 124, inciso I, do Códex. Ademais, THOMAZ e LUIS CARLOS, tidos por efetivos beneficiários e administradores, foram arrolados no polo passivo, não sendo tais circunstâncias aptas a atrair o art. 135, III, do CTN, para a AMBROPAR. Dito isso, afasto o art. 135, inciso III, como fundamento da responsabilidade da AMBROPAR, a qual se mantém apenas com lastro no art. 124, inciso I, tudo do CTN. CROSS FILTER deliberada e reiteradamente apostou na inércia do Fisco, financiando sua atividade à custa de tributos inadimplidos, distribuindo lucros e fraudando a execução. A estratégia de prestar informações em DIPJ/ECF para se ver livre da qualificação da multa e, em decorrência, das responsabilidades solidárias, não pode servir de muleta, especialmente no enredo narrado pela autoridade fiscal. A responsabilidade visa à garantia, à satisfação do crédito tributário, que ficaria a descoberto em situações como a do presente caso, onde o patrimônio acumulado restaria protegido sob o manto de uma entidade que serviu exclusivamente aos interesses do devedor grupo econômico encabeçado por núcleo familiar, em detrimento do recolhimento de tributos por anos a fio – restando, sim, caracterizada a clara intenção dolosa de evadir-se, contexto em que a qualificação da multa de ofício proporcional se impõe. Trago alguns dos milhares de precedentes deste Conselho: FALTA DE RECOLHIMENTO. REITERADA DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A prática de prestar declarações ao Fisco deixando de informar, em todos os meses dos anos-calendário examinados, os valores sabidamente devidos em razão das operações escrituradas, caracteriza evidente intuito de fraude e autoriza a aplicação de multa de ofício qualificada. [Acórdão n° 9101-006.332] MULTA QUALIFICADA - Não obstante a prestação de declaração inexata não seja suficiente para caracterizar o dolo ensejador da qualificação da multa, se tal conduta é adotada de forma consistente e sistemática, não há como entender que se tratou de equívoco do contribuinte, e que não houve intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. [Acórdão n° 9101-001.291] MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO. Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos. [Acórdão n° 9101-003.928] AMBROPAR se insurge, ainda, contra a multa de ofício proporcional em razão do seu caráter supostamente confiscatório. Tal alegação se rechaça de pronto, pois ao julgador Fl. 1226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 17 administrativo é defeso deixar de aplicar a lei sob o enfoque da sua suposta inconstitucionalidade (Súmula CARF n° 2). Por outro lado, o recurso deve ser parcialmente provido, em razão de alteração legislativa superveniente, como passo a expor. Dado o acervo probatório e o contexto em que se inseriu a autuação fiscal, o atuante corretamente qualificou a multa de ofício ao patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Ocorre que em 21 de setembro de 2023 foi publicada a Lei n° 14.689, a qual alterou substancialmente o § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No que toca ao caso em apreço, às infrações autuadas foi cominada penalidade menos severa, reduzindo-a para 100%: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) [...] VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Aplica-se ao presente, então, a retroatividade benigna de que trata o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, da qual se aproveitam o contribuinte e os responsáveis, nos termos do art. 125 do Códex. Quanto aos fatos geradores ocorridos em 2012, AMBROPAR invoca a decadência. A contagem do prazo decadencial, nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, rege-se pelo art. 173, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 1227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 18 I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Nesse sentido, forte em diversos precedentes, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula n° 72, cujo enunciado reproduzo: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. A contagem do prazo para lançamento de ofício relativo aos fatos geradores ocorridos em 2012 iniciou-se em 1º de janeiro de 2014. Considerando que a ciência dos lançamentos de ofício se deu em setembro de 2018, revela-se descabida a alegação de decadência. Acrescento que a multa isolada mais antiga, exigida em razão de inadimplemento de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, reporta-se a dezembro de 2012, a qual somente poderia ser exigida após o vencimento do prazo regulamentar para espontânea quitação, ou seja, a partir de 1º de fevereiro de 2013, levando o termo a quo do prazo decadencial também para 1º de janeiro de 2014. Levando-se em conta o que reza a Súmula CARF n° 104, igualmente descabe a alegação de decadência: Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Quanto à multa exigida por distribuição de lucros enquanto devedora da União, o fato gerador mais antigo reporta-se a 2014, igualmente não se aplicando o instituto da decadência. AMBROPAR traz alegações alusivas a arrolamento de bens, que não devem ser conhecidas, nos termos da Súmula CARF n° 109. AMBROPAR peticiona a conversão do julgamento em diligência, para fins de apuração de eventual conduta ilícita cometida. A acusação fiscal foi clara e objetiva, motivando a inclusão da recorrente no polo passivo, como dito alhures, sendo descabida a pretensão de instauração de procedimento de diligência fiscal para apurar o que já foi devidamente apurado. O julgador administrativo deve lançar-se sobre a situação colocada nos autos, não lhe competindo, na tentativa de suprir deficiências causadas pela Recorrente, substituí-la na obrigação de produção de provas de suas alegações, preponderando, ao fim e ao cabo, o princípio do livre convencimento conferido à autoridade julgadora (art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972). Logo, rejeita-se o pedido. DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário de CROSS FILTER BRASIL LTDA, DIACEL GD INDÚSTRIA, COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, EDIFY BRASIL ADMINISTRAÇÃO Fl. 1228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 19 PATRIMONIAL EIRELI, SEPROM ASSESSORIA COMERCIAL DE PRODUTOS GRÁFICOS LTDA, THOMAZ SOARES AMBRÓSIO e LUIS CARLOS AMBRÓSIO e conheço parcialmente do Recurso Voluntário de AMBROPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES – EIRELI, para na parte conhecida rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, rejeitar o pedido de conversão do julgamento em diligência e, no mérito, dar parcial provimento unicamente para afastar o art. 135 do CTN como fundamento de sua responsabilização solidária - mantendo-a no polo passivo apenas com fulcro art. 124, inciso I, do Códex, e reduzir a multa de ofício qualificada ao patamar de 100% (cem por cento), haja vista a retroatividade benigna de lei superveniente. É como voto. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Cristiane Pires McNaughton. A minha declaração de voto se volta especificamente ao ponto da aplicação da multa qualificada. A fiscalização entendeu aplicável a referida multa uma vez que a contribuinte não haveria declarado o IRPJ e a CSLL na DCTF. Vejamos: Verificamos que no anos-calendário 2012-2017 o contribuinte informou na DIPJ/ECF(Registro N630-IRPJ e N670-CSLL) valores devidos de IRPJ e CSLL no ajuste anual, os quais sabidamente NÃO declarou em DCTF, deixando de constituir e recolher os valores de ajuste anual: Os registros da DIPJ e ECF se encontram no ANEXO II, a verificação da NÃO declaração do ajuste em DCTF no ANEXO III; (...) A autoridade fiscal entendeu, então, que a qualificação da multa de ofício decorreria da conduta enquadrada como sonegação (art. 71 da Lei 4.502/64), uma vez que o contribuinte teria retardado o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Aplicou, assim, o percentual de multa de ofício previsto no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 e atribuiu a responsabilidade aos sócios da pessoa jurídica supostamente sonegadora. O referido artigo 44, da Lei 9.430/1996, apresentava a seguinte redação à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 20 I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Percebe-se que a legislação previa a aplicação de multa de 150% (75% duplicado), nos casos em que o sujeito passivo deixasse de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, mediante a prática das infrações previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. O artigo 71 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “sonegação” nos seguintes termos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente Portanto, a sonegação é a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente ou o fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou as condições pessoas do contribuinte suscetíveis a afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Entendo que esse dispositivo não é aplicável ao caso, seja em uma visão que privilegia mais a literalidade, seja em uma análise sistemática, seja teleológica. Em termos literais: na DCTF não é declarado, propriamente, o fato gerador, mas o quantum do débito tributário e a forma de seu pagamento, constituindo-se a dívida. Toda a apuração do IRPJ, em que o Fisco pode identificar a existência de renda auferida é apresentada em dados que constam da DIPJ. Por isso, se o sujeito passivo informa os dados cabíveis em DIPJ está dando notícia, à autoridade administrativa, do fato gerador. Ora, se o artigo 71, inciso I, da Lei n. 4.502/64 emprega a expressão “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais” e se, na configuração da obrigação acessória, o fato gerador é efetivamente informado na DIPJ – já que na DCTF apenas se informa o valor do débito e a forma de seu pagamento – não há perfeito enquadramento da conduta praticada e à hipótese legal da incidência da multa qualificada. Fl. 1230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 21 Pensando-se, agora, em uma visão sistemática, é preciso considerar que existe penalidade específica para a não entrega da DCTF que é prevista no artigo 7º da Lei n. 10.426/2002: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II - de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) Ora, se existe multa específica para ausência de entrega de DCTF, não se poderia admitir a aplicação da qualificação sob pena de se punir a omissão do sujeito passivo duas vezes. Portanto, em havendo regra específica para a não apresentação da DCTF, prevalece o princípio da especialidade, do que se pode concluir que por uma interpretação sistemática também não seria possível entender que a qualificação da multa poderia ser aplicada para ausência de entrega de declaração. Bem verdade que o §1º do artigo 44 da Lei n. 9.430/96 utiliza a expressão “independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” No entanto, não se pode confundir a multiplicidade de penalidades incidentes em um mesmo contexto, mas com hipóteses diferentes, com a possiblidade de se punir exatamente a mesma conduta com duas multas diferentes. No primeiro caso, punem-se condutas diferentes, no segundo, tolera-se o bis in idem que me parece vedado no sistema jurídico atual. Por fim, em termos finalísticos, entendo que o ato ou omissão dolosa a que se refere o artigo 1º da Lei n. 4.502/64 não é, propriamente, relacionado ou relacionada à apresentação ou confecção da obrigação acessória – cujas omissões inexatidões são punidas com penalidades específicas - mas sim que aqueles que buscam, mediante elementos que transcendem a obrigação acessória, encobrir a identificação do fato gerador. Ora, se o artigo 1º da Lei n. 4.502/64 for interpretado de modo muito elástico, a rigor, qualquer atraso na entrega de obrigações acessórias poderia ser visto tido como qualificadora de penalidade. Nesse sentido, a Súmula CARF n. 14 aponta o seguinte: Fl. 1231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 22 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. É preciso considerar que embora a Súmula CARF n. 14 tenha sido aprovada em 2006, quando a redação do inciso II do artigo 44 da Lei n. 9.430/96 expressamente utilizava a expressão “evidente intuito de fraude”, o intuito de fraude mencionado no dispositivo era justamente os definidos no artigo 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Portanto a supressão de tal expressão não me parece ter mudado a abrangência da penalidade. No mais, a Súmula CARF n. 14 continua em vigor, não tendo sido superada. Ora, quando se examina a exposição de motivos da Medida Provisória n. 351/2007 que alterou a redação da penalidade, nota-se que o intuito foi reduzir a abrangência da multa isolada e não alargar a hipótese de incidência da multa qualificada. Confira-se: 8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Veja-se que na exposição de motivos, em momento algum, houve ciência ao Congresso de que o intuito da norma seria alargar a hipótese de incidência da multa qualificada, mas, pelo contrário, transmitiu-se uma mensagem de intenção benevolente em termos de imposição pecuniária, o que, evidentemente, correspondia à intenção do legislador. Portanto, não se deve concluir que uma alteração efetivada com objetivo de reduzir a multa isolada seja interpretada como alargando a hipótese de incidência da multa qualificada. Assim, entendo que a Súmula 14 do CARF permanece plenamente aplicável. Ora, a ausência de entrega de DCTF não pode ser considerada fraude, muito menos quando o sujeito passivo entrega DIPJ. Portanto, entendo que no mínimo enquanto vigente a referida Súmula, não se deveria considerar a multa qualificada em casos sem fraude evidente. Por fim, gostaria de lembrar que o artigo 112 do Código Tributário Nacional prescreve o seguinte: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 1232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1102-001.649 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16062.720165/2018-44 23 IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Como se nota, a lei tributária que define infrações ou lhe comina com penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. No caso concreto, é aplicada a qualificação muito embora, literalmente, não haja enquadramento perfeito; é aplicada a qualificação da multa, muito embora, sistematicamente, haja outra penalidade mais específica; é aplicada a penalidade qualificada, muito embora haja Súmula do CARF que diga que só em caso de fraude; é aplicada qualificação da penalidade, muito embora não haja o evidente intuito de fraude. Em suma, há diversos casos que, no mínimo, deveriam gerar dúvida sobre a aplicabilidade da penalidade. E, em caso de dúvida, deve-se conferir a interpretação mais favorável ao sujeito passivo. No mais, e talvez o mais importante, a gradação das penalidades é elemento essencial em matéria de punibilidade. Se o sujeito passivo que deixa de apresentar DCTF mas fornece informações em DIPJ, for qualificado, da mesma forma, do que aquele que o tempo todo confere dados falsos que são encobertos por fraude, a qualificação da multa perde seu caráter didático e indutor de comportamentos. Por isso, a prudência em sua aplicação que só deve ocorrer em casos de completa ausência de dúvida do intuito de fraude na prática do sujeito passivo. Portanto, meu voto é por afastar a aplicação da multa qualificada. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton Fl. 1233DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
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Numero do processo: 11634.720290/2011-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
TITULAR DE CARTÓRIO. TABELIÃO. OFICIAL DE REGISTRO E REGISTRADOR. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por Regime Próprio de Previdência Social, conforme o disposto no art. 51 da Lei nº 8.935, de 1994, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Numero da decisão: 2302-003.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento..
Assinado Digitalmente
Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo – Relatora
Assinado Digitalmente
Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: ANGELICA CAROLINA OLIVEIRA DUARTE TOLEDO
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TABELIÃO. OFICIAL DE REGISTRO E REGISTRADOR. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por Regime Próprio de Previdência Social, conforme o disposto no art. 51 da Lei nº 8.935, de 1994, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). Fl. 153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 2 RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração referente às contribuições a cargo do sujeito passivo contribuinte individual, incidentes sobre a remuneração recebida pelos serviços prestados a pessoas físicas no exercício da função de titular de cartório e informada pelo contribuinte, mês a mês, na declaração de rendimentos recebidos de pessoas físicas no período de 01/2006 a 12/2009. No Relatório Fiscal (e-fls.16 e seguintes ), a Autoridade Fiscal menciona o art. 9º da IN RFB n. 971/09 que estabelece que deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual “o notário, tabelião ou registrador nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por RPPS, conforme o disposto no art. 51 da Lei n° 8.935, de 1994, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional n° 20, de 1998”. Ainda, em atendimento ao artigo 106, II, alínea c do CTN foi promovida comparação entre o regramento vigente à época dos fatos geradores e o vigente na data do lançamento, considerando a vigência da MP n. 449/08, convertida na Lei n. 11.941/09 (que trouxe novo regramento para o cálculo de penalidades). Desta comparação, detalhada a e-fls. 34/36, foi verificado que a legislação mais benéfica para o contribuinte: se a anterior, aplicando a multa de mora de 24% ou a atual, que prevê a multa de ofício de 75%. O lançamento foi impugnado e os autos foram encaminhados à DRJ. Os membros da 7a Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificada do acórdão, a recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo (e- fls.140 e seguintes), alegando, em breve síntese: a) Após expor a legislação pertinente, tece considerações acerca da ADIN, defendendo que “o caso em testilha não se relaciona à controvertida Lei Estadual n2 12.607/99, que deu nova redação ao artigo 34, da Lei que rege a ParanáPrevidência, pois, protegidos pelo ato jurídico perfeito estão todos os serventuários que foram incluídos no sistema, na vigência do ordenamento legal anterior à Lei 8.935/94, proteção esta dispensada a recorrente nomeada para o cargo público em 13/07/1985 através do decreto 5908 que lhe proveu no cargo de Escrivã Distrital de São João, comarca de Uraí/PR, conforme se comprova dos documentos em anexo”; b) Em resumo, entende que “a ADIN 2.791-3 teve por objeto exclusivo a Lei 12.607/99 de forma que o julgamento ateve-se tão somente a inconstitucionalidade dos efeitos trazidos com a promulgação da aludida norma. Assim a norma declarada inconstitucional por incluir os serventuários não Fl. 154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 3 remunerados pelos cofres públicos deixa de existir, observando-se, desta forma, no que tange a questão do recorrente a edição da Lei Federal n9 8.935/1994, ou seja, a condição de que "aqueles que já estavam incluídos no sistema antes de 21.11.1994 (data da publicação da Lei 8.935/94), com contribuição regular, têm direito à permanência no sistema privado, pois, protegidos pelo ato jurídico perfeito, repise-se, já que essas inclusões se deram mediante permissivo legal expresso por legislação vigente à época da inclusão". Portanto, aplicável à espécie, por evidente, o contido no artigo 51 da referida Lei, que vincula a percepção de qualquer benefício à regularidade da contribuição previdenciária”; c) Assim, “com a procedência da ADIN n9 2.791-3 que o artigo 34 da Lei Estadual ne 12.398/98 voltou a contar com a sua redação original; ou seja, "serão obrigatoriamente inscritos na PARANAPREVIDÊNCIA os servidores públicos estaduais ativos, com vínculo funcional permanente de todos os Poderes, inclusive o Ministério Público, o Tribunal de Contas e as Instituições de Ensino Superior, bem como das respectivas administrações públicas, direta, autárquica e fundacional, os servidores inativos e os militares estaduais da ativa, na reserva remunerada e os reformados", enquadrando-se nestes "os serventuários de justiça remunerados pelos cofres públicos". d) “A redação do artigo supra nada menciona acerca dos não remunerados pelos cofres públicos, de forma que aos demais aplicam-se as disposições legislativas anteriores, ou seja, aqueles que iá estavam incluídos no sistema antes de 21.11.1994 (data da publicação da Lei 8.935/94), com Contribuição regular, têm direito à permanência, pois protegidos pelo ato jurídico perfeito, repise-se, já que essas inclusões se deram mediante permissivo legal expresso por legislação vigente à época da inclusão”; e) “Destarte, diante de todo o exarado, pode-se tão somente entender que do julgamento da ADIN alhures mencionada restou evidenciado que todos os serventuários que ingressaram no sistema previdenciário por ocasião do extinto IPE, até 21.11.1994, têm o direito a permanecer nesse sistema, mesmo após a criação da Paranáprevidência”. É o relatório. VOTO Conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 4 1 MÉRITO O litígio recai sobre o enquadramento da recorrente (titular de cartório de registro de imóveis) no regime geral da previdência social como contribuinte individual. Por outro lado a contribuinte alega que o seu sistema previdenciário é o do Paranáprevidência (Regime Próprio de Previdência Social), vez que “protegida pelo ato jurídico perfeito”, considerando que foi incluída no sistema, na vigência do ordenamento legal anterior à Lei 8.935/94, com sua nomeação para o cargo público em 13/07/1985. Não obstante, entendo que a decisão de piso mostra-se escorreita. Nos termos do art. 114, § 12, inciso I do Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: A Constituição Federal de 1988, dispôs em seu art. 236 que os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público, verbis: Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. (Regulamento)§ 1º - Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário. § 2º - Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. § 3º - O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. (...)A Lei 8.935/94 (Lei dos Cartórios), que regulamenta o art. 236 da Constituição Federal, dispondo sobre serviços notariais e de registro, garante aos titulares de serviços notariais, escreventes e demais auxiliares nomeados antes de sua publicação à percepção de proventos de acordo com a legislação que anteriormente os regia, quando de suas aposentadorias, desde que tenham mantido as contribuições nela estipuladas até a data do deferimento do pedido ou de sua concessão. Cito: Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos. Parágrafo único. Ficam assegurados, aos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares os direitos e vantagens previdenciários adquiridos até a data da publicação desta lei. (...)Art. 51. Aos atuais notários e oficiais de registro, quando da aposentadoria, fica assegurado o direito de percepção de proventos de acordo com a legislação que anteriormente os regia, desde que tenham mantido as contribuições nela estipuladas até a data do deferimento do pedido ou de sua concessão. Fl. 156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 5 Nesse sentido, a Portaria MPAS nº 2.701/95 disciplinou a situação, estabelecendo em seus artigos 1º e 2º que: Art. 1º O notário ou tabelião, oficial de registro ou registrador que são os titulares de serviços notariais e de registro, conforme disposto no art. 5º da Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994, têm a seguinte vinculação previdenciária: a) aqueles que foram admitidos até 20 de novembro de 1994, véspera da publicação da Lei nº 8.935./94, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia; b) aqueles que foram admitidos a partir de 21 de novembro de 1994, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, como pessoa física, na qualidade de trabalhador autônomo, nos termos do inciso IV do art. 12 da Lei nº 8.212/91.(...) Ocorre que a Emenda Constitucional - EC nº 20/1998, publicada em 15/12/98, modificou essa situação ao dar nova concepção aos Regimes Próprios de Previdência Social, na medida em que restringiu a abrangência dos Regimes Próprios para apenas os servidores titulares de cargo público de provimento efetivo: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (...) Sob esse novo contexto constitucional, a Lei nº 9.717/98, ao disciplinar o art. 40 da EC 20/98, determinou como um dos requisitos para inserção ao Regime Próprio de Previdência a exigência de cobertura exclusiva de servidores públicos titulares de cargos efetivos, litteris: Art. 1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: (...)V - cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; (...) (destaques nossos)Nesse diapasão, a partir da vigência da EC 20/98, os titulares de cartório nomeados antes da Lei nº 8.935/94, que não eram servidores titulares de cargo público de provimento efetivo, tiveram modificadas as suas situações pela Lei nº 9.717/98. Fl. 157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 6 Cediço que os titulares de serviços notariais não são remunerados pelos cofres públicos, logo, não são servidores titulares de cargo público de provimento efetivo, mas sim agentes públicos com delegação de função, e por essa razão vinculados obrigatoriamente ao regime geral. As Instruções Normativas sobre o assunto, vigentes à época dos fatos geradores e na data do lançamento fiscal, assim dispuseram: Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 9° Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual: (...)XXIV - o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por RPPS, conforme o disposto nº art. 51 da Lei nº 8.935, de 1994, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998; Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 9º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual: (...)XXIV - o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por RPPS, conforme o disposto nº art. 51 da Lei nº 8.935, de 1994, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998; (grifei)Assim, nos termos da legislação de regência, em que pese a Titular do Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de São Jerônimo da Serra - PR ter sido nomeada antes de 20/11/1994 e estar amparada por Regime Próprio de Previdência – RPPS(PARANAPREVIDÊNCIA), a partir de 16/12/1998, estava obrigada a contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS, na qualidade de segurado contribuinte individual. Esclarece-se que, de acordo com o caput do art. 40 da Lei nº 8.935/94, as contribuições vertidas ao regime próprio tem assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço, podendo ser computado esse tempo mediante critérios e procedimentos estabelecidos pela legislação previdenciária. Registre-se ainda que, conforme mencionado no Relatório Fiscal, o Supremo Tribunal Federal declarou na ADIn nº 2791-PR a inconstitucionalidade da expressão “bem como os não remunerados pelos cofres públicos”, contida na parte final do § 1º do art. 34 da Lei nº 12.398/98, na redação dada pela Lei nº 12.607/99, todas do Estado do Paraná. Vejamos: Art. 34. Serão obrigatoriamente inscritos na PARANAPREVIDÊNCIA os servidores públicos estaduais ativos, com vínculo funcional permanente de todos os Poderes, inclusive o Ministério Público, o Tribunal de Contas e as Instituições de Ensino Superior, bem como das respectivas administrações públicas, direta, autárquica e Fl. 158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 7 fundacional, os senadores inativos e os militares estaduais da ativa, na reserva remunerada e os reformados. § 1°. Enquadram-se no conjunto de servidores públicos, abrangidos pelo caput deste artigo, aqueles que se encontrem à disposição, cedidos ou em disponibilidade e os serventuários da Justiça remunerados pelos cofres públicos, bem como os não remunerados, admitidos anteriormente a vigência da Lei Federal n° 8.935, de 18 de novembro de 1994. (grifei)Diante das situações jurídicas concretizadas sob a égide da lei declarada inconstitucional que comprometem a segurança jurídica, o Governador do Estado do Paraná opôs Embargo de Declaração (fls. 91/127) peticionando a explicitação dos efeitos (ex tunc ou ex nunc) da declaração de inconstitucionalidade. Por maioria de votos, os ministros do STF decidiram rejeitar o embargo oposto diante da ausência, na ação direta de inconstitucionalidade, de pedido de restrição dos efeitos da declaração no tocante a determinados serventuários ou situações, o que afasta a apontada omissão sobre o ponto. Convém transcrever trecho do voto do relator, Ministro Menezes Direito, no Acórdão proferido em 22 de abril de 2009, que ao se manifestar sobre a segurança jurídica nos casos em que o serventuário já tenha preenchido todos os requisitos legais para a obtenção dos benefícios, assim concluiu: Nos termos do art. 27 da Lei n. 9.868/99, o STF poderá proferir, em tese, uma das seguintes decisões: a) declarar a inconstitucionalidade apenas a partir do trânsito em julgado da decisão (declaração de inconstitucionalidade ex nunc), com ou sem repristinação da lei anterior; b) declarar a inconstitucionalidade com a suspensão dos efeitos por algum tempo a ser fixado na sentença (declaração de inconstitucionalidade com efeito pro futuro), com ou sem repristinação da lei anterior; c) declarar a inconstitucionalidade sem a pronúncia da nulidade, permitindo que se opere a suspensão de aplicação da lei e dos processos em curso até que o legislador, dentro de prazo razoável, venha a se manifestar sobre a situação inconstitucional (declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia da nulidade restrição de efeitos); e, eventualmente, d) declarar a inconstitucionalidade dotada de efeito retroativo, com a preservação de determinadas situações. Portanto, como parece exigir o presente caso, poderá ser declarada a inconstitucionalidade com efeito retroativo (hipótese "d"), desde que sejam preservadas as situações singulares (v.g., razões de segurança jurídica) que, segundo entendimento do Tribunal, devam ser mantidas incólumes. No caso em exame, entendo que, tendo em vista a necessidade de preservação de situações jurídicas formadas legitimamente e com inteira boa-fé, a declaração de inconstitucionalidade deva ser retroativa, porém ressalvados os benefícios Fl. 159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 8 previdenciários (aposentadorias e pensões) já assegurados, assim como as hipóteses em que o serventuário já preencheu todos os requisitos legais para a obtenção desses benefícios. Ante o exposto, conheço dos embargos e os provejo para esclarecer que a declaração de inconstitucionalidade não afeta os casos de benefícios previdenciários (aposentadorias e pensões) já assegurados, assim como as hipóteses em que o serventuário já preencheu todos os requisitos legais para a obtenção desses benefícios, até a data da publicação, no Diário da Justiça e nº Diário Oficial da União, da decisão da declaração de inconstitucionalidade, ocorrida em 23 de agosto de 2006. (...)Do exposto, percebe-se que a segurança jurídica aventada em decorrência da ADIn refere-se à preservação do direito ao gozo dos benefícios previdenciários nos casos em que o serventuário já tenha preenchido todos os requisitos legais para a obtenção desses benefícios. Não abarca, portanto, o direito do titular de cartório não remunerado pelos cofres públicos, mesmo que nomeado anteriormente à publicação da Lei 8.935/94, continuar filiado normalmente ao regime próprio desobrigando-se de contribuir para o Regime Geral de Previdência Social. Da decisão judicial colacionada aos autos. Não há dúvida que a decisão judicial trazida ao autos, que garante aos associados da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná – Anoreg/PR filiação ao sistema PARANÁPREVIDÊNCIA, confirma o direito da autuada aos benefícios desse regime. Por sua vez, os efeitos da ação judicial que a mantém filiada a tal regime não possuem o condão de modificar a sua condição de filiada obrigatória ao Regime Geral de Previdência Social, a qual decorre do exercício de atividade remunerada, na redação do art. 28 da Lei 8.212/91: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...)III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º;” (grifei para destacar)Ademais, repiso que, nos termos da IN RFB 971/2009, deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, mesmo que amparados por RPPS, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Assim, os valores recebidos pelo titular de serviço notarial a título de emolumentos inserem-se no conceito acima de remuneração pelo exercício de sua atividade por conta própria e, dessa forma, estão incluídos na base de cálculo da contribuição previdenciária do titular de cartório enquanto contribuinte individual, observado o limite máximo. Fl. 160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 9 Por tudo exposto, verifico que a fiscalização atuou dentro dos ditames legais com relação ao lançamento tributário ao constatar a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, conforme preceito insculpido no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional – CTN.- grifou-sel Como se vê, a partir da vigência da EC 20/98 não foi recepcionada a situação definida na Lei n. 8.935/94 para os escreventes e demais auxiliares nomeados antes de 21/11/94 e que não eram servidores titulares de cargo público de provimento efetivo, bem como para todos os titulares de serviços notariais. Após a referida norma constitucional, a vinculação ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) ficou adstrita aos servidores detentores de cargos de provimento efetivo, o que não é o caso da recorrente. Consequentemente, os demais trabalhadores, mesmo que nomeados antes de 21/11/94, passaram a pertencer ao RGPS e não pode ser afastada por opção pessoal quando a filiação é obrigatória. Portanto, a contribuinte estava obrigada ao recolhimento para o Regime Geral de Previdência Social no período do lançamento, haja vista ser segurada obrigatória desse regime após o advento da EC 20/98, ainda que estivesse contribuindo para regime próprio. Como bem exposto pela decisão de piso, “a segurança jurídica aventada em decorrência da ADIn refere-se à preservação do direito ao gozo dos benefícios previdenciários nos casos em que o serventuário já tenha preenchido todos os requisitos legais para a obtenção desses benefícios”. Não abarca, portanto, o direito do titular de cartório, mesmo que nomeado anteriormente à publicação da Lei n. 8.935/94, continuar filiado normalmente ao regime próprio desobrigando-se de contribuir para o Regime Geral de Previdência Social. Corroborando o exposto, destaco que o tema em debate possui jurisprudência em sentido desfavorável à pretensão recursal: Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. NOTÁRIOS. TABELIÃES. OFICIAIS DE REGISTRO E REGISTRADORES. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. O notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por Regime Próprio de Previdência Social, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais. Acórdão n. 2202-010.683 Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CARTÓRIO EXTRAJUDICIAL DO ESTADO DO PARANÁ. NÃO OFICIALIZADO JÁ AO TEMPO DO ADVENTO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. TITULAR. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Nos anos de 2006 a 2009, o titular de serviço notarial e de registro não oficializado Fl. 161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.969 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11634.720290/2011-32 10 filia-se ao Regime Geral de Previdência Social por não ser ocupante de cargo público efetivo. Acórdão n. 2401-011.918 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA. Cabível a aplicação do artigo 114, §12, inciso I, do RICARF - faculdade do relator transcrever a decisão de 1ª instância quando este registrar que as partes não inovaram em suas razões de defesa. TITULAR DE CARTÓRIO DISTRITAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. OBRIGATORIEDADE Os tabeliães, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais. Acórdão n. 2001-006.736 2 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo Fl. 162DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Mérito 2 Conclusão
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