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Numero do processo: 10580.720906/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO.
Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em cuja Ementa é JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.052, de 28 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$32.032,90, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 06 /2 00 9- 61 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão 2802001.052, de 28 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$32.032,90, em cada um dos anos calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos por ANA CARLA FONSECA LAGO (fls. 276/288), em face do Acórdão 2802001.052, de 28 de setembro de 2011, fls. 81/86. de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “No que tange à preliminar suscitada relativa `a falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado, esse tópico merece sim, data vênia, uma posição esclarecedora de V. Exa. No acórdão recorrido, a matéria em debate não é sequer ventilada, seno utilizado como argumento justificador que “a decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta; portanto, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do Fl. 308DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720906/200961 Acórdão n.º 2802001.839 S2TE02 Fl. 11 3 órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido”. (grifos nossos) Ora, E. julgadores, não se pode negar a importância da matéria trazida a baila pelo Recorrente, a qual não fora elucidada de maneira fundamentada pela decisão guerreada. Deve, portanto, tal preliminar ser analisada de forma exaustiva, esclarecendo todos os pontos atacados e não de forma suscinta, como fora realizado em primeira instância e mantido no acórdão em discussão. A questão da ilegitimidade da União e, sem dúvidas, questão de suma importância para deslinde do embate, devendo ser deferido tratamento com a sua situação. Impende destacar a necessidade de analisar os princípios e limites constitucionalmente impostos, delineando, de fato, a competência para enfrentar a presente demanda. Nessa senda, é imperioso realizar a análise de previsão constitucional referente à matéria, vez que esta irá fornecer os limites balizadores da aplicação da norma ao caso concreto. Portanto, não é cabível a análise meramente sucinta acerca do quanto alegado e reiterado pelo Recorrente. No mais repisa as alegações já abordadas na peça recursal. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora. A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis.. O acórdão embargado, por unanimidade de votos rejeitou as preliminares e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Na fase recursal, em preliminar recorrente solicita a reabertura em primeira instância, onde deve ser analisada e decidida a questão suscitada, relativa à falta de legitimidade ativa da União para cobrar suposto imposto de renda que por determinação constitucional pertence ao Estado da Bahia, sob pena de supressão de instância administrativa, e violação dos dispositivos constitucionais alegados, o que acarretaria nulidade do presente processo administrativo tributário, devendo na primeira instância, ser reconhecida a ilegitimidade ativa da União para cobrar o suposto imposto de renda, que não foi objeto de retenção pelo Estado da Bahia e que seja anulado o lançamento que originou o crédito tributário que ora se discute e deslocado o julgamento desse litígio instaurado, para o âmbito da Fazenda Estadual. Ao apreciar a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, trazida pelo recorrente, o acórdão embargado asseverou que tal preliminar foi suficiente abordada, na decisão de primeira instâncias e entendeu como sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. E, nessa conformidade, quando superou a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, a decisão de primeira instância demonstrou suficientemente que a exigência contida nos autos se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Ainda, esclareceu que as nulidades argüidas sobre a decisão de primeira instância se repetiam nas razões do voluntário, de sorte a rejeitálas sob os mesmos argumento. Ora, o fato de o Acórdão embargado ter entendido que a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal,foi suficientemente combatida na decisão de primeira instância e adotar como razão de decidir os mesmos fundamentos nela contido, não pode ser visto como uma contradição ou obscuridade, a uma porque não há qualquer obscuridade no acórdão guerreado, que adotou como razão de decidir o mesmo entendimento explicitado, na decisão de primeira para a rejeição das preliminares argüidas pela recorrente; e a duas porque ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC) utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. No caso em debate, a Turma entendeu que as matérias argüidas como preliminares pela contribuinte, foram suficientemente abordadas, na decisão de primeira instância. Daí não se pode, na via dos embargos, querer obrigar a Turma a decidir de acordo com o pleiteado pela parte. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802001.052, de 28 de setembro de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Voto Vencedor Fl. 310DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720906/200961 Acórdão n.º 2802001.839 S2TE02 Fl. 12 5 Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Em que pese o judicioso voto da Conselheira Relatora, a quem presto minhas homenagens, dele ouso divergir em uma pequena parte, por entender que a questão veiculada pelo Embargante em seu Recurso Voluntário acerca da incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia não foi devidamente apreciada quando do julgamento do recurso voluntário do Embargante. Com efeito, o Embargante pede a expressa manifestação desta Turma sobre esta tese, citando inclusive entendimento jurisprudencial que possui efeitos normativos de efeitos vinculantes aos conselheiros do CARF, segundo o art. 62A do seu Regimento Interno. E neste sentido, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Isto posto, voto no sentido de acolher em parte os Embargos, e excluir da tributação os valores de R$32.032,90, em cada um dos anoscalendários, discriminados como juros de mora, bem como a respectiva multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901797/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.
Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório.
DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE.
Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantémse a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 17 97 /2 00 8- 19 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 11 3 Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, peço licença para transcrever o relatório encartado na decisão de primeiro grau: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 18.120,09 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 29/07/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 19/08/2008, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Seu crédito decorre de ter considerado equivocadamente na base de cálculo da contribuição do período em questão algumas vendas de produtos que se encontravam relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002; Transmitiu a DCOMP utilizando aquele crédito, mas, por um lapso, deixou de retificar a DCTF relativa ao período, para que nela passasse a constar o valor correto da contribuição devida; Somente com a ciência do Despacho em tela é que percebeu seu equívoco. Assim, procedeu imediatamente à retificação da DCTF; Tratase de mero erro de preenchimento de obrigação acessória, que não afasta a existência inequívoca de seu crédito, e não pode lhe tolher o direito à compensação. Jurisprudência administrativa e judicial corroboram seu entendimento; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Não há prejuízo ao Fisco. Ao contrário, não lhe permitir utilizar tal crédito configuraria enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a Recorrente alegou, em preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, com base no argumento de que houve inovação dos motivos e fundamentos expostos no vergastado Despacho Decisório, que apontou a insuficiência de crédito como causa da não homologação da compensação declarada, ao invés da suposta não comprovação da origem do crédito compensado, apresentada no referido Acórdão. No mérito, em síntese, alegou a Recorrente que (i) a origem do crédito utilizado era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico; (ii) por um lapso, somente retificou a DCTF, para informar o valor correto débito, após a ciência do Despacho Decisório; (iii) a guia Darf, a DComp e a DCTF retificadora, apresentados com a manifestação de inconformidade, eram documentos hábeis e idôneos para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado; e (iv) o princípio da verdade material , deveria se sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, em consequência, meros erros de preenchimento de declaração não poderia tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior. Caso não fosse acolhida a preliminar de nulidade nem acatada as provas já carreadas aos autos, requereu a Recorrente a realização de diligência, com o objetivo de obter a documentação complementar destinada a comprovar o que alegara. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do não conhecimento da suposta prova documental não colacionada aos autos. Na sustentação oral realizado durante a Sessão de julgamento, alegou o patrono da Recorrente que havia entregue na Secretaria da 2ª Câmara desta 3ª Seção petição com pedido de juntada aos autos de notas fiscais de venda, emitidas durante o período de apuração do crédito informado na DComp em apreço. No memorial, naquele momento entregue, consta a informação de que tais notas foram exemplificativamente apresentadas. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 12 5 Na oportunidade, consultei o e.processo e verifiquei que tais documentos ainda não constavam dos autos. Além dessa circunstância, entendo que, no estágio em que se encontram os autos, tal documentação não pode ser admitida nem conhecida, uma vez que consumada a preclusão do direito de apresentála, estabelecida no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ainda que destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, situação que vislumbro no caso em tela, conforme a seguir explicitado. Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que ele havia alterado a motivação e a fundamentação do presente Despacho Decisório, pois, enquanto este apontara a insuficiência de crédito como sendo a causa da não homologação da compensação declarada, aquele indicara a não comprovação da origem do crédito compensado. Não procede argumento suscitado pela Recorrente, com a devida vênia. A uma, porque insuficiência e inexistência tem o mesmo efeito em relação à utilização do direito creditório na compensação, o que equivale, para fim de compensação, a ausência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado. A duas, porque ambas as decisões apontaram a falta do suposto crédito como motivo para não homologação da compensação. Na verdade, em decorrência das novas razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que a diferença entre uma e outra decisão está apenas nos argumentos utilizados para respaldar a conclusão de que o crédito compensado não existia. Com efeito, segundo o teor do vergastado Despacho Decisório, a compensação em tela não foi homologada porque a existência do valor do crédito informado não foi comprovada, pois, embora o pagamento referente à origem do crédito, informado na DComp, tivesse sido localizado na base de dados da Administração Tributária, o seu valor fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do respectivo período de apuração, confessado pela própria Recorrente na DCTF original. Logo, o real o motivo da não homologação da compensação foi a inexistência do crédito compensado. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, que deu origem ao presente contencioso, alegou a Recorrente que o débito da Cofins informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria aquele declarado na DCTF retificadora, o que significa que a não comprovação do alegado pagamento a maior fora motivada por erro no preenchimento da DCTF original, retificada somente após a emissão e ciência do citado Despacho Decisório. Em face dessa alegação, o Acórdão recorrido manteve a não homologação da compensação em tela, desta feita, com base no argumento de que a Recorrente não havia comprovado, com documentação contábil e fiscal adequada, as razões de fato e de direito que ensejaram a retificação do valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Aliás, asseverou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples apresentação da DCTF retificadora, sem suporte em documento comprobatório do alegado erro de apuração do valor débito original, por si só, não tinha o condão de comprovar a existência do alegado indébito, mantendo inalterado o valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Em suma, o motivo da não homologação da compensação também foi a falta de comprovação da existência do crédito compensado. Ratifica o asseverado, o teor do enunciado da ementa do referido julgado, a seguir transcrito: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, comparando o teor dos dois julgados, fica evidenciado que a diferença entre ambos está no argumento utilizado para não reconhecimento do direito creditório alegado, pois, enquanto o Despacho Decisório limitouse a comparar o valor do pagamento informado com o valor do débito declarado na DCTF original, o Acórdão recorrido foi além da análise meramente formal, uma vez que também analisou o alegado equívoco na apuração do valor débito retificado, porém, não acatou a retificação, porque não foi comprovada, por meio de documentação contábil e fiscal adequada, a origem do alegado erro de apuração do valor do debito retificado, consistente no montante das supostas receitas de vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, submetidas a alíquota 0% (zero por cento) da Cofins, por força do regime de tributação monofásica, estabelecido nos arts. 1º e 3º1 do citado diploma legal. Assim, se a Turma de Julgamento a quo não admitiu a retificação do valor do débito original, obviamente, ficou mantido o valor do débito declarado na primeira DCTF e, portanto, mantido o mesmo motivo, para a não homologação da compensação, exposto no referido Despacho Decisório, a saber: o fato de o valor do pagamento, informado como origem do crédito, ter sido “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados” na presente DComp. No caso em tela, teria havido alteração de motivação da decisão originária, caso a Turma de Julgamento de primeiro grau tivesse acatado a retificação do valor original do débito, porém, por motivo diverso da inexistência do crédito, tivesse mantido a decisão de não homologação da compensação em apreço, como por exemplo, em decorrência do indébito não ser passível de restituição, por falta de previsão legal, o que, evidentemente, não ocorreu no caso em tela. 1 "Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dos produtos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) às alíquotas de 1,47% (um inteiro e quarenta e sete centésimos por cento) e 6,79% (seis inteiros e setenta e nove centésimos por cento), respectivamente. [...] Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1º, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. [...]" Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 13 7 Por fim, cabe ainda ressaltar que, no caso em tela, não tem qualquer relevância a alegação da Recorrente de que houve violação ao art. 146 do CTN, pois, como de sabença, o referido preceito legal aplicase aos casos de revisão do lançamento de ofício, situação que não ocorreu nos presentes autos. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade, para manter incólume o Acórdão recorrido. Da análise do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da existência do valor do crédito utilizado pela Recorrente na quitação dos débitos confessados na DComp colacionada aos autos. Para Recorrente, contrariando o princípio da verdade material, a simples retificação do valor do débito, por meio da DCTF retificadora, acompanhada apenas da guia de recolhimento (Darf), era suficiente para comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado. Por outro lado, ao meu ver, em consonância com o princípio da verdade real, entenderam os integrantes da Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples retificação da DCTF desacompanha da comprovação, por documentação contábil e fiscal adequada, do motivo do erro de apuração do débito retificado, não era suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito informado na DComp em apreço. No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento, pois, se foi a própria Recorrente quem informou os dois valores distintos para um mesmo débito, não há como saber qual deles é o correto (se o valor do débito informado na DCTF original ou o declarado na DCTF retificadora), sem que haja a confirmação por uma outra fonte de informação idônea. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a confirmação do alegado equívoco. A Recorrente ainda alegou que o débito informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria o informado na DCTF retificadora, porém, não trouxe aos autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitandose a apresentar apenas as cópias da Guia de Recolhimento (Darf) e da DCTF retificadora. Tal alegação trata de questão defesa que este Colegiado já apreciou e, por unanimidade, tem manifestado o entendimento de que, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova robusta do alegado equívoco, não tem o condão de comprovar a existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a redução do valor débito, objeto da compensação não homologada, somente seria admitida se demonstrada e comprovada, por meio de documentação adequada, a origem do erro na apuração do valor do débito retificado. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, em consonância com o referido preceito legal, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1° e 2º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame 2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. [...]”. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 14 9 em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) [...]. (grifos não originais) Inequivocamente, o presente Despacho Decisório representa o ato administrativo final, resultante do procedimento de controle da legalidade da compensação declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Nesta hipótese, a redução do valor do débito somente será admitida se existir prova inequívoca da ocorrência de erro de fato cometido no preenchimento da DCTF retificada. Além disso, por ter efeito direto sobre desfecho do julgamento da presente controvérsia, inaugurada com a citada manifestação de inconformidade, obviamente, a comprovação da origem da redução do valor do débito retificado deve ser tratado como um questão de defesa. Dessa forma, para que seja aceita tal retificação, ela deve atender, necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege contraditório na esfera do processo administrativo fiscal, dentre os quais merece destaque a comprovação, com documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em questão. Neste último caso, admitir a simples retificação da DCTF como suficiente para comprovar a existência do crédito glosado, resultaria sem efeito a atividade de controle da regularidade da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, uma vez que o Despacho Decisório, regularmente prolatado, tornarseia juridicamente inexistente, sem que fosse pronunciada a sua inexistência ou nulidade, afrontando regras basilares que regem o processo administrativo fiscal. Nos presentes autos, para justificar a origem da redução do valor original do débito, a Recorrente alegou que a quantia paga a maior era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico, contudo, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, não apresentou qualquer documento que confirmasse tal alegação. Assim, em sintonia com o entendimento aqui esposado, como o erro apontado pela Recorrente referese a erro de apuração do valor do débito, logo, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), era ônus da Interessada trazer aos autos os documentos hábeis e idôneos que comprovassem o montante da receita submetida ao referido regime de tributação monofásico. Para esse fim, a simples apresentação das cópias autenticadas dos livros contábeis (Diário e Razão) e fiscais (Apuração do IPI e ICMS), corroborados pelas respectivas notas fiscais de venda, ao meu ver, eram suficientes para tal comprovação. No entanto, nem sequer o demonstrativo de apuração da referida Contribuição, instituído pela legislação tributária, foi apresentado pela Recorrente. Da mesma forma, também evidencia a insuficiência da instrução probatória da incumbência da Recorrente, o fato de ela não ter relacionado sequer os produtos que se encontravam submetidos a mencionada incidência monofásica. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 Não é demais lembrar que, em relação ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, segundo, expressamente, dispõe inciso I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentindo, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização da compensação, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento. Entretanto, no caso em tela, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado, o que confirma a falta de comprovação da existência do crédito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa dizer que a autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º4 do art. 16 do PAF, aplicável ao processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 115, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. No presente caso, ao pretender atribuir a simples retificação da DCTF a condição de prova suficiente do indébito informado, contraditoriamente, a Recorrente está agindo em dissonância com a orientação expressa no princípio em comento. 3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". 4 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 5 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 15 11 Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, não foi comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF original, portanto, não há que se falar na alegada afronta ao princípio da verdade real. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a aceitação da redução do valor do débito confessado na DCTF original, especialmente, após a ciência do despacho decisório, somente pode ser acatada se respaldada em provas documentais robustas do alegado equívoco. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Do pedido de realização de diligência. No presente Recurso, a Recorrente ainda pleiteou a realização de diligência, para fim de obtenção da documentação complementar, com a finalidade de comprovar, em relação aos anos calendários de 2002 a 2004, que: a) a Recorrente recolheu valores a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em montante superior ao devido, em virtude da desconsideração do regime monofásico e redução das alíquotas das aludidas Contribuições a 0% (zero por cento); e b) as declarações e retificações apresentadas pela Recorrente eram suficientes para comprovar a existência do saldo credor, bem como para efetuar as compensações realizadas. Em consonância com o princípio verdade material, determina o art. 18 do PAF que a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência, de ofício ou a requerimento do interessado, quando entendêla necessária. No presente caso, a realização da diligência requerida, para fim de juntada de provas complementares, revelase totalmente desnecessária, pois, como visto, no presente caso, tratase de documentos da escrituração contábil e fiscal da própria Recorrente que, se existentes, poderiam ter sido facilmente por ela carreadas aos autos nas duas oportunidades em que nele se manifestou, especialmente, na presente fase recursal, quando ela já tinha pleno conhecimento de que tais documentos eram imprescindíveis para comprovação do alegado equívoco. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 Com base nessas considerações, reputo desnecessária a realização da diligência pleiteada. Em consequência, com respaldo no art. 18 do PAF, sou pelo seu indeferimento. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 16408.000489/2007-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA
MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela
lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art.
32A
à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN,
deve-se
aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito
Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a aplicação da
sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A,
I, da Lei n. 8.212/1991, com a
redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação apenas à
aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida
Provisória n. 449/2008. (Assinado Digitalmente).
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação apenas à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 280301.253 S2TE03 Fl. 174 2 Relatório Tratase de recurso voluntário que busca a reforma da decisão que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração lavrado em virtude deo Autuado apresentar a GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto em lei. Inicialmente, as competências objeto do lançamento foram competências 07, 08, 09 e 12/2004, 01, 02 e 03/2005, 01, 02, 03, 04, 06, 07, 12 e 13/2006, conforme planilha elaborada (fls. 14/15). O fundamento da obrigação descumprida e sua sanção foi colocado como o disposto no artigo 32, inciso IV, §§ 3º e 5°, da Lei n.° 8.212/91, combinado com o art. 225, IV, e § 4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 1999. Cientificada em 02/08/2007, em 30/08/2007 a empresa ingressou com defesa, alegando em síntese que foram recolhidas todas as contribuições previdenciárias e sociais dos segurados que lhe prestaram serviços. E que todas as notas fiscais e todas as remunerações dos segurados que lhe prestam serviços estão registradas no livro Diário. Agregou ainda argumentos sobre a sua importância regional e dificuldades econômicas, financeiras e de gerenciamento. Por final, informou que a requerente vem retificando seus lançamentos para sanar a irregularidade e atender as determinações da administração tributária. Dessa forma, corrigiu a falta, fazendo jus ao pedido de relevação da multa. Após o protocolo, o órgão julgador a quo, solicitou diligências à autoridade autuadora, solicitando pronunciamento fiscal além de outros esclarecimentos. Respondido o pedido às fls. 126, o Auditor Fiscal autuante retornou os autos a esta DRJ prestando esclarecimentos. Em esclarecimentos, requereu a retificação dos valores lançados, pois foi verificado que as competências 07/2004 a 09/2004, apesar de não constarem do GFIP WEB, existiam no sistema, v. fls. 72/77. Dessa manifestação foi dada ciência à recorrente, sendo lhe proporcionado o prazo de 10 (dez) dias para manifestarse a respeito — fl.133, que restou in albis. Assim os autos foram a julgamento de primeira instância, que julgou parcialmente procedente o lançamento, acatando as retificações oriundas da resposta da diligência. Também, por ter sido retificado com base nas alegações da contribuinte, mas que por esta não ter apresentado manifestação quanto ao realizado em diligência, entendeu que não haveria mais matéria contestada, inclusive quanto ao pedido de relevação. Cientificada da decisão recorrida, apresentou seu Recurso Voluntário tempestivo que repetiu integralmente as alegações da impugnação de primeira instância. Os autos foram devolvidos à apreciação no CARF/MF, e distribuído por esta Turma Especial e este relator. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 280301.253 S2TE03 Fl. 175 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Ao que se verifica os únicos argumentos trazidos que são juridicamente relevantes, pois as dificuldades gerenciais e econômicas da Recorrente não afetam a aplicação da norma sancionatória. A sanção aplicada tem fundamento fático e jurídico claro, no artigo 32, inciso IV, §§ 3º e 5°, da Lei n.° 8.212/91, combinado com o art. 225, IV, e § 4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 1999, por ter a recorrente apresentado a GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto em lei. Feito a apresentação de documentos que teriam corrigido a infração, aberta a oportunidade ao autuante e recorrente, somente o primeiro se manifestou e solicitou correção da lavratura, por entender que apenas parte das informações foram corrigidas pela contribuinte. Contudo, em nada se manifestou a Recorrente, aceitando tacitamente a situação de não correção total das faltas apontadas pela fiscalização, sob a interpretação de que matéria não impugnada expressamente é considerada não contestada (art. 17, do Dec. 70235/1972). Assim, entendo que a Recorrente não atende aos requisitos para relevação da sanção aplicada, nos termos do art. 291, do Regulamento da Previdência Social (Dec. 3048/1999), que exige a correção total da falta. Todavia, por dever de ofício, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§ 3º e5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 280301.253 S2TE03 Fl. 176 4 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 280301.253 S2TE03 Fl. 177 5 por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação apenas à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Sala de Sessões, 19 de janeiro de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16327.001337/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2007
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC.
Como débito decorrente de tributo e contribuição administrado pela Receita Federal, incidem sobre a multa de ofício, a partir da data de vencimento, juros Selic.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas apresentarão declaração de voto.
Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera - OAB/SP 83755, e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Rodrigo Moreira Lopes Procurador.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ação, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ação, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC. Como débito decorrente de tributo e contribuição administrado pela Receita Federal, incidem sobre a multa de ofício, a partir da data de vencimento, juros Selic. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 37 /2 01 0- 71 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 521 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas apresentarão declaração de voto. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera OAB/SP 83755, e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Rodrigo Moreira Lopes – Procurador. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 411 a 440) apresentado em 13 de julho de 2011 contra o Acórdão no 1631.190, de 27 de abril de 2011, da 7ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 385 a 397), cientificado em 23 de junho de 2011 (edital e termo de ciência pessoal), que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS de outubro de 2007, julgou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir em parte reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DECORRENTE DE VENDA DE AÇÕES DA SOCIEDADE BOVESPA HOLDING S/A RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA ASSOCIAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES NO ATIVO CIRCULANTE. INCLUSÃO NO FATURAMENTO. O recebimento de ações da Bovespa Holding S/A, em decorrência da operação de desmutualização da Bovespa Associação, seja em decorrência da devolução de patrimônio representado pelos títulos patrimoniais da associação, seja em decorrência da incorporação de ações da CBLC, caracterizase como aquisição de ativo, e não como mera troca ou substituição. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 522 3 Demonstrada a intenção de venda no curto prazo, devem as ações serem classificadas no ativo circulante, e não no ativo permanente, não cabendo a sua exclusão da base de cálculo da COFINS. O faturamento deve ser entendido como as receitas decorrentes da atividade empresarial típica, o que, no caso de corretoras de títulos e valores mobiliários, inclui a compra e venda de ações de carteira própria. [...] Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 05 de outubro de 2010, de acordo com o termo de fls. 231 a 248. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O AuditorFiscal inicia relatando que a Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA , constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, foi objeto de uma operação denominada de "desmutualização", no ano de 2007, resultando na criação de sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A, que passou a realizar as atividades compreendidas anteriormente no objeto social da associação. Para isso, os títulos patrimoniais anteriormente detidos pelas corretoras associadas, representativos da sua participação no patrimônio da Bovespa e que lhes permitiam nela operar, foram substituídos por ações da Bovespa Holding. A fiscalizada detinha, em 31.03.2007, 27 títulos patrimoniais da Bovespa, sendo que o valor de cada título era de R$ 1.568.890,19, e recebeu em substituição a eles 19.082.574 ações da Bovespa Holding. Adicionalmente, as 1.500 ações da CBLC que possuía foram convertidas em 3.882.732 ações da Bovespa Holding, com isso totalizando 22.965.306 ações daquela sociedade. Em outubro de 2007 alienou 6.889.592 ações da Bovespa Holding pelo valor de R$ 158.460.616,00, o que gerou um ganho de R$ 144.078.080,59. Tal ganho não foi considerado pela empresa para fins de apuração do PIS e da COFINS, sob a alegação de que as ações tinham sido classificadas contabilmente como ativo permanente, uma vez que era essa a classificação dos títulos patrimoniais substituídos, e que por isso a receita da sua venda não sofria incidência daquelas contribuições, por força do artigo 3o , §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/98. O AuditorFiscal observa que aquele dispositivo legal permite a exclusão, para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, da receita decorrente de venda de bens do ativo permanente. Porém, no caso em questão, entende que as ações Fl. 523DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 523 4 da Bovespa Holding deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante. Citando o artigo 179 da Lei n° 6.404/76, observa que o seu inciso I determina que as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente sejam classificados no Ativo Circulante, e o inciso III, que as participações permanentes em outras sociedades, não classificáveis no ativo circulante, sejam classificadas em investimentos, ou seja, no Ativo Permanente. Toma a definição de participações permanentes em outras sociedades de empréstimo do Parecer Normativo CST n° 108/78, que esclarece serem elas as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária com a intenção de mantêlas em caráter permanente, intenção essa manifestada no momento de sua aquisição, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos, caso haja interesse de permanência, ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Cita ainda doutrina no sentido de que as participações podem \ ser consideradas como permanentes quando se trata de investimentos que tenham a característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, existindo efetiva intenção de usufruir dos rendimentos proporcionados por esse investimentos. Lembra ainda que a própria Bovespa emitiu um documento de orientação a seus antigos associados quanto à classificação contábil das ações, no sentido de que deveriam ser classificadas no ativo circulante se a decisão fosse a de considerálas como "títulos disponíveis para negociação ou venda", e no ativo permanente caso a decisão fosse de considerálas como investimento, sendo possível também uma alocação mista. Portanto, a correta classificação contábil das ações depende da intenção da corretora no momento de sua aquisição. No caso em questão, observa que as ações foram recebidas pela corretora em agosto de 2007, e vendidas em outubro do mesmo ano, com um intervalo de apenas 2 meses, e no mesmo exercício social, o que revela a clara natureza de ativo circulante, destinado à realização de curto ou médio prazo. Reforça seu ponto destacando que em 26.09.2007 a fiscalizada outorgou à Bovespa Holding uma procuração para a venda de 6.889.592 ações, o que demonstra que o objetivo da empresa era o de alienar a curto prazo a referida parcela das ações. Conclui, então, que a receita proveniente da venda das ações não poderia ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, já que as ações não são classificáveis no ativo permanente. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 524 5 Além disso, afirma que o resultado da venda das ações não compõe o resultado não operacional, uma vez que este é formado apenas pelos lucros ou prejuízos na venda ou baixa de bens do ativo permanente. Entende que o resultado da venda das ações faz parte do resultado bruto operacional, de acordo com o artigo 11 do DecretoLei n° 1.598/77, que define lucro operacional como o resultado das atividades principais ou acessórias que constituam objeto da pessoa jurídica, considerando ainda que a Resolução n° 1.655/89 do Conselho Monetário Nacional estabelece em seu Anexo, artigo 2o , que sociedades corretoras têm por objeto social, entre outras atividades, comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria. Observa que a declaração de inconstitucionalidade no Recurso extraordinário n° 357.9509/RS restringiuse ao §1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, que havia ampliado o conceito de receita bruta para abarcar toda e qualquer receita da pessoa jurídica, e com isso conclui que a receita bruta a que se refere o citado artigo abrange aquela vinculada à atividade mercantil típica da empresa, o que inclui a compra e venda de ações de carteira própria. Discorre sobre o Mandado de Segurança n° 2005.61.00.010929 0, em que o contribuinte pretende afastar o artigo 3o , caput e §1° da Lei n° 9.718/98 e pleiteia a aplicação do conceito de faturamento da Lei Complementar n° 70/91 (produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços), ressaltando que a segurança foi denegada em 1ª instância, e que, em 2a instância, há decisão suspendendo a exigibilidade do PIS e da COFINS calculados com base no artigo 3o , caput e §1° da Lei n° 9.718/98, vigente em 30.09.2010. No entanto, considera que a Lei Complementar n° 70/91, ao definir faturamento como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços; e de serviço de qualquer natureza, abarcou os resultados ligados ao produto do exercício das atividades empresariais típicas, e por isso a venda de ações de carteira própria faz parte do faturamento da empresa, ainda que afastado o artigo 3o , caput e §1° da Lei n° 9.718/98. Dessa forma, formalizou autos de infração de PIS e de COFINS, tributando o resultado de R$ 144.078.080,59 obtido na venda das 6.889.592 ações da Bovespa Holding. O AuditorFiscal lavrou ainda um Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 298 a 305), com ciência ao sujeito passivo em 21.10.2010, em face de SANTANDER S/A CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS (CNPJ n° 61.510.574/000102) "Santander CCT", com base no artigo 124, inciso I do CTN. Relata que os acionistas da autuada aprovaram em assembléia a sua incorporação pela Santander CCT. No entanto, conforme o artigo 10, inciso X, alínea "c" da Lei n° 4.595/64, a operação Fl. 525DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 525 6 societária depende de autorização do Banco Central, e também do arquivamento dos respectivos atos na Junta Comercial, por força do artigo 32, inciso II da Lei n° 8.934/94, providências ainda pendentes. Na situação de potencial incorporador da autuada, a Santander CCT foi considerada como tendo interesse comum na situação, com isso sendolhe imputada responsabilidade tributária solidária. Foi dada ciência à responsável do termo de sujeição passiva, bem como dos autos de infração lançados contra a Santander Brasil CTVM, e respectivo termo de verificação. Em 03.11.2010 a autuada apresentou impugnação. Inicia afirmando que os títulos patrimoniais da Bovespa e as ações da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) que detinha foram contabilizados em conta do ativo permanente, já que foram adquiridos para possibilitar a atuação como corretora da Bovespa e a sua intenção sempre foi a de permanecer com tais ativos. Os membros da Bovespa decidiram que suas atividades passariam a ser realizadas na forma de sociedade anônima, e assim ocorreu a cisão parcial da Associação Bovespa, em que parte do patrimônio cindido foi incorporado pela recém criada Bovespa Serviços e Participações S/A e a parte restante foi incorporada pela também recém criada Bovespa Holding S/A, que em seguida incorporou a CBLC e a Bovespa Serviços e Participações. Tais operações são expressamente autorizadas pelo artigo 2.033 do Código Civil de 2002. Com isso, os títulos da Bovespa e as ações da CBLC foram substituídos por ações da Bovespa Holding, em operação denominada desmutualização. Afirma que houve mera troca de nome dos bens registrados sob a rubrica "Títulos", para ativos de idêntico valor denominados "Ações", de modo que as ações recebidas permaneceram contabilizadas em seu ativo permanente. O mesmo raciocínio se aplica à incorporação da CBLC pela Bovespa Holding (troca de ações da CBLC por ações da Bovespa Holding). Observa que a própria fiscalização reconheceu que ocorreu mera "transformação" dos títulos em ações, porém, de forma contraditória, conclui que a impugnante teria aadquirido ações. Repisa que ocorreu apenas a transformação ou substituição dos títulos/ações por ações da sociedade anônima, mera reclassificação de um direito, ou, quando muito, uma permuta de ativos, inexistindo aquisição de ações, e que por isso as ações deveriam permanecer contabilizadas de forma idêntica à dos títulos e ações anteriormente registrados, ou seja, no ativo permanente. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 526 7 Argumenta que o processo de desmutualização não possibilitou às corretoras qualquer outra alternativa que não fosse a referida substituição, não existindo a prerrogativa de venda dos títulos ou de permuta por um outro ativo, e que em nenhum momento durante o processo verificouse a intenção de as corretoras se desfazerem de seus ativos antigos (títulos/ações). Por isso, não há que se falar na reclassificação contábil dos ativos, ainda que a autuada pretendesse alienar parte deles futuramente, pois a contabilização de um determinado ativo em conta do permanente deve se basear na intenção da sociedade no momento de sua aquisição, no caso específico, no momento de aquisição dos títulos da Bovespa e das ações da CBLC, que eram indispensáveis/inerentes à realização do seu negócio e, por isso, foram adquiridos com a intenção de permanência. Assim, nos termos do artigo 3o , §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/98, a receita decorrente da venda das ações devem ser excluídas da quantificação da receita bruta. Especificamente quanto à incorporação da CBLC pela Bovespa Holding, o caráter de troca de ações fica ainda mais evidente, pois, como em qualquer operação societária de incorporação de ações, houve a entrega das ações da incorporada e o recebimento de ações da incorporadora, continuando a CBLC a existir e operar, tendo como sua controladora integral a Bovespa Holding S/A. Ainda que as ações tivessem que ser contabilizadas no ativo circulante, a impugnante entende que a receita decorrente de sua venda não integra o seu faturamento, já que não é derivada da venda de mercadorias ou serviços. A alienação das ações não foi realizada no exercício de seu objeto social (apesar de coincidir com um dos seus objetos sociais), pois o que ocorreu foi a venda de ativos próprios, que não haviam sido adquiridos para negociação, mas sim para a realização da sua atividade: operar nos recintos da Bovespa. Afirma que o STF já afastou a inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS e da COFPNS (Recurso Extraordinário n° 346.0846), e solicita que a Turma Julgadora aplique a decisão do Supremo sobre a questão, nos termos do artigo 1o do Decreto n° 2.346/97. Contesta a aplicação de juros calculados com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, já que o artigo 13 da Lei n° 9.065/95, combinado com o artigo 84 da Lei n° 8.981/95, estabelece a sua incidência apenas sobre tributos, não sobre multas, que com aqueles não se confundem, conforme artigos 3 o e 113, §1°, ambos do CTN. Por outro lado, o artigo 43 da Lei n° 9.430/96 apenas autoriza a cobrança de juros sobre multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. Conclui requerendo o cancelamento dos autos de infração lavrados. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 527 8 Não consta dos autos impugnação do responsável tributário Santander CCT. No recurso, a Interessada contestou as conclusões do acórdão de primeira instância, reafirmando as alegações da impugnação. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 460 a 503), em que alegou o seguinte: [...] a desmutualização das Bolsas brasileiras partiu de decisão interna corporis das associações e de seus associados, detentores dos títulos de propriedade, seguindo tendências mundiais do setor; não houve, repitase, qualquer determinação estatal para tanto. [...] Por mais engenhosas que tenham sido as operações societárias que culminaram com a transferência das atividades das Bolsas para uma S.A., não há como fugir da simplicidade dos fatos. Ou seja, ao final das operações, as associações civis sem fins lucrativos estavam extintas e, em seu lugar, constituíramse sociedades anônimas. Ora, os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização topográfica indica sua aplicação somente às sociedades empresárias (Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade; Subtítulo II – Da Sociedade Personificada; Capítulo X – Da Transformação, Da Incorporação, Da Fusão e Da Cisão das Sociedades). Corrobora esse entendimento, ou seja, de aplicação daqueles institutos jurídicos somente às sociedades mercantis, a Instrução Normativa Nº 88 do DNRC3, que, em pleno vigor, dispõe sobre o arquivamento dos atos de transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades mercantis. [...] Como se observa, ilustres Conselheiros (as), uma vez que a cisão e a incorporação não podem ser aplicadas às sociedades civis, as operações societárias resultaram, em verdade, na extinção das sociedades civis Bovespa e BM&F. Em casos como estes, a regra aplicável não é outra senão o artigo 61 do Código Civil. Citou trechos de decisões judiciais no sentido de suas alegações. Na sequência, tratou da classificação contábil das ações recebidas pela Interessada, mencionando o Ofício Circular n. 225/2007DG e destacando o seguinte: Ocorre que, por outros instrumentos firmados ao longo do processo de Desmutualização, os Associados da Bovespa se obrigaram, desde o início, a destinar parte das ações recebidas Fl. 528DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 528 9 para negociação ou venda em IPO promovida pela S.A. recém criada. Dessa forma, não havia possibilidade de considerar tais ações como investimento, contabilizadas no Ativo Permanente, se, desde o início, já se destinavam à venda. Também mencionou o “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A e Outorga de Poderes” e afirmou que a Fiscalização não teria procedido com base em meras suposições, uma vez que aplicou o disposto no art. 179 da Lei n. 6.404, de 1976, destacando que “a alienação das ações foi realizada até o final do exercício subsequente ao ingresso dos bens no patrimônio do contribuinte – ou seja, entre 2007 e o final de 2008 – conforme atestam os documentos tomados em consideração pela Fiscalização”. A seguir, tratou da tributação dos valores pelas contribuições sociais e da aplicação dos juros sobre a multa. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, analisase a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, à vista da disposição do art. 62A do Regimento Interno do Carf e do RE n. 609.096. A ementa do acórdão de repercussão geral do referido RE foi a seguinte: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Podese verificar que se trata de incidência de Cofins e PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, natureza que, em determinado momento da defesa, a Interessada avoca para definir os resultados tributados no presente auto de infração. Há dois aspectos distintos a serem analisados: primeiramente, a de se a Cofins incide sobre receitas financeiras por ser a obtenção de tais receitas própria da atividade das instituições e, além disso, a existência ou não de sobrestamento dos processos no âmbito do próprio STF. Em relação à primeira questão, como se verá mais adiante, a conclusão dependeria da análise do mérito da matéria, em que se discute a natureza específica dos valores sujeitos à tributação. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 529 10 No tocante à segunda, não houve, no acórdão mencionado, ordem de sobrestamento dos recursos extraordinários, condição para o sobrestamento dos recursos administrativos no âmbito do Carf, de acordo com o dispositivo citado do Ricarf e a Portaria Carf n. 1, de 2012. Além disso, no julgamento da Petição n. 73.745/201STF, em que a Febraban, ao solicitar suas inclusão no processo como “acimus curiae”, requereu o sobrestamento das demais ações e recursos, o relator destacou o seguinte: Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Portanto, nada disse o relator sobre o sobrestamento dos RE que estariam pendentes de julgamento no âmbito do Carf. Portanto, não é o caso de sobrestar o julgamento do recurso. Feitas as considerações acima, passase à análise das questões de nulidade. Nessas matérias, descabe razão à Interessada, uma vez que o Regulamento das contribuições baseiamse nas leis que as instituíram, citadas nos dispositivos regulamentares. Quanto aos demais aspectos, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1998. Quanto ao mérito, a Fiscalização considerou, para concluir que a totalidade das vendas de ações estaria sujeita à incidência das contribuições, os fatos de que a empresa tem como objeto social a negociação de títulos e valores mobiliários, de que adquiriu as ações em questão para revenda e que as vendeu, representando o produto da venda faturamento de venda de serviços, segundo entendimento do Parecer PGFDN/CAT n. 2.773, de 2007. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 530 11 À vista das questões levantadas no recurso, as questões a serem analisadas são: a natureza do resultado da venda das ações após a desmutualização; a caracterização do resultado da venda como faturamento; e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em relação à primeira questão, a Interessada alegou, em resumo, que teria havido apenas transformação do patrimônio, que se trataria de bens classificados no ativo permanente e que, portanto, não estaria o resultado sujeito à incidência das contribuições. Em relação a aspecto importante da questão, devidamente destacado abaixo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu o seguinte, na AC n. 313.991 (processo n. 000870605.2008.4.03.6100): TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. [...] 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 531 12 [...] (<http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/PesquisarDocumento ?processo=00087060520084036100>) Portanto, segundo os fundamentos acima citados, os quais adoto plenamente, não houve, no caso, mera transformação para além do objetivo de continuidade e preservação patrimonial , mas alteração substancial do direito em questão, uma vez que a Interessada não era, anteriormente, detentora de ações da nova sociedade. Essa conclusão não é suficiente ao raciocínio que permite a tributação pela contribuição, uma vez que, segunda a Interessada, tratarseia de bem do ativo permanente e não do circulante. A Fiscalização considerou que, desde o início, as ações foram emitidas com a finalidade de venda em curto prazo (Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A e Outorga de Poderes) e, assim, não poderiam ser registradas no permanente. Tal interpretação está de acordo com o art. 179, I, da Lei das SA, sendo aplicável ao caso o Parecer Normativo CST n. 108, de 1978. Conforme consta dos autos, houve orientação no mesmo sentido pelo Ofício Circular n. 228DG, de 2007. Ao contrário do que alegado pela Interessada, a operação, embora não houvesse documentação formal a respeito de seus passos constituída previamente, teve todos esses passos planejados desde o começo, para a consecução do objetivo de formar a nova Bolsa de Valores. Ainda assim, quanto à incidência das contribuições, restaria saber qual a natureza específica das receitas decorrentes da alienação das ações. Alega a Interessada que não representaria faturamento, conceituado como receita bruta da venda de produtos e serviços, à vista da inconstitucionalidade parcial do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. A respeito da matéria, a Interessada apresentou ação judicial, o que poderia implicar a renúncia às instâncias administrativas de parte da matéria. Nas ações impetradas, a Interessada requereu o reconhecimento do direito de recolher as contribuições com base na Lei Complementar n. 70, de 1991. Na referida ação, nada alegou a Interessada especificamente quanto ao tratamento dado aos títulos e valores mobiliários, não negando nem afirmando que se tratassem de mercadorias ou serviços. De fato, a tributação das referidas operações ou é efetuada de acordo com o que foi acima exposto ou de acordo com os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, uma vez que o caput do referido artigo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 532 13 Segundo os referidos §§, as exclusões seriam as mesmas do PIS, definidas na Lei n. 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Portanto, para as instituições financeiras, a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, a venda das referidas ações, conforme já exposto anteriormente. Esclareçase que tais considerações não compreendem inovação, já que a Fiscalização, embora tenha defendido a incidência pela definição de faturamento, também fundamentou a exigência na apuração do resultado operacional e citou expressamente os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. Ademais, o fato de a Fiscalização haver exposto sua interpretação sobre os fatos (de que se trataria de prestação de serviços), não altera a sua subsunção, ainda que não tratasse de serviços, ao que dispõe a lei. Nesse contexto, não é relevante para o deslinde da questão a aplicação do GATS, muito embora a aplicação dos §§ 5º e 6º da Lei n. 9.718, de 1998, ao caso da Cofins e a aplicação das disposições da Lei n. 9.701, de 1995, ao do PIS sejam fundamentais para a questão. À vista do exposto, verificase que a autuação não sofre impedimento por conta das ações judiciais apresentadas, uma vez que as receitas em questão representam faturamento, no sentido de receita bruta operacional. Em relação às ações da CBLC, o raciocínio é semelhante, uma vez que, já com a proposta de criação da BM&F e da Bovespa tinhase a intenção de efetuar a alienação das ações. Finalmente, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a questão foi constatada quando do encaminhamento dos valores devidos, o que não permitiu a discussão prévia da matéria no âmbito da impugnação e do recurso. Vejase que a Portaria SRF n. 379, de 23 de dezembro de 1988, que tinha por pressuposto outra legislação, já revogada, determinava a incidência de correção monetária sobre a multa, o que é situação diversa do caso dos juros de mora. O Parecer SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 2 de abril de 1998, estabeleceu o seguinte: 3. Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referncial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, desde que estejam associadas a: Inicialmente, no caso da Selic, não havia previsão legal para incidência de juros sobre a multa, mas apenas sobre o tributo. O art. 84 da Lei n. 8.981, de 1995, dispunha expressamente que o tributo ou contribuição não pago no vencimento sujeitarseia à incidência Fl. 533DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 533 14 dos juros. Ao instituir a Selic, a Medida Provisória n. 947, de 1995, art. 13, reportouse ao referido artigo, não prevendo incidência de juros sobre a multa. A Lei n. 9.065, de 1995, convertida da mencionada MP, manteve a disposição do art. 13, da seguinte forma: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Entretanto, a Lei n. 9.430, de 1996, art. 61, § 3º, alterou a disposição: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A disposição não diz que os débitos devam decorrer diretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB. Como a multa de ofício decorre indiretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB, os juros incidem sobre a multa de ofício. Quanto à adoção da taxa Selic, aplicase a Súmula Carf n. 4 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. À vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 534DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 534 15 Declaração de Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre os fatos. A controvérsia dos autos referese à incidência do PIS e da COFINS sobre a receita derivada da venda de participação societária da Recorrente, em sociedades que passaram por processo de transformação (de associações transformaramse em sociedades anônimas). Vale destacar que a tributação imposta no lançamento tem por base as disposições contidas na Lei nº 9.718/98, pois a Recorrente é uma sociedade corretora (submetida às disposições de referida norma), norma esta que estabelece que a base de cálculo das contribuições é o faturamento (e não a receita bruta). O Fisco entende que as receitas advindas das vendas das participações que a Recorrente possuía na BOVESPA e na BM&F – pós transformação em sociedades anônimas – é tributável pelas referidas contribuições porque (i) tais participações não poderiam estar classificadas no ativo permanente da Recorrente, bem como porque (ii) advém do desenvolvimento de seu objeto social, qual seja, a compra e venda de títulos e valores mobiliários, compondo então sua receita do desenvolvimento das atividades empresariais, receita esta que corresponderia à base de cálculo do PIS e da COFINS. Passo a analisar os pontos debatidos. (i) Do Registro em Ativo Permanente Em primeiro lugar, deve ser analisado se procede o questionamento fiscal, quanto à classificação destas participações societárias em conta do ativo permanente da Recorrente. Para tanto é necessário analisar se, com a transformação das associações em sociedades anônimas as respectivas participações societárias deveriam sofrer reavaliação e reclassificação, sendo retiradas da conta de ativo permanente e transferidas para contas de ativo circulante – como alega a fiscalização. Vale destacar que não se discute, em momento algum nestes autos, quanto à adequação da classificação no ativo permanente das participações societárias mantidas pela Recorrente nas associações (antes da transformação da BOVESPA e da BM&F), representada pela propriedade de títulos patrimoniais (que lhes garantia a atuação como corretoras de valores perante as duas instituições). Fl. 535DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 535 16 A controvérsia limitase, portanto, ao momento da transformação das associações, quando o Fisco desconsidera a operação societária da forma como realizada pela BOVESPA e BM&F. Assim, para melhor compreensão da matéria, mister se faz dividila em dois aspectos: a primeira questão a ser avaliada referese à (a) operação societária; a qual consequentemente gera efeitos na conclusão da (b) classificação contábil das ações. (i.a.) Da Operação Societária Conforme esclarecido, a premissa da fiscalização para realizar o lançamento fiscal foi interpretar que, em decorrência das operações societárias procedidas, ocorreu a devolução – à Recorrente do capital investido na então associação sem fins lucrativos. Este capital devolvido teria sido novamente investido, agora em outra sociedade. Como não poderia deixar de ser, este novo investimento, em decorrência das regras contábeis, teve que ser avaliado para poder adentrar ao patrimônio da nova sociedade e, uma vez que se tratava de ações, para as quais a Recorrente tinha intenção de venda, o registro contábil deveria ser realizado no ativo circulante. Em outras palavras, o Fisco entende que a conferência das ações das sociedades anônimas (pós transformação) aos associados da BOVESPA e da BM&F, representou uma nova aquisição de participação societária o que implicou na necessidade de reavaliação (e eventual reclassificação) do ativo, quando então, segundo entendimento fiscal, as ações deveriam ser registradas no ativo circulante, pois a Recorrente tinha, naquele momento, a intenção de vender tais ações. A Recorrente, por sua vez, defende que não houve devolução de capital, tampouco “nova” aquisição de participação societária, mas a mera substituição de um tipo de participação (títulos patrimoniais), por outro tipo de participação (ações). O que, portanto, não demandaria a necessidade de nova avaliação ou reclassificação destes ativos. Por este raciocínio, temse que estes ativos seriam, em verdade, o mesmo ativo até então contabilizado, apenas sob uma forma/título diferente. Esta diferença de interpretação realizada pelo Fisco e contribuinte é extremamente relevante, pois na hipótese de tratarse de investimento novo e não de manutenção de investimento antigo, já classificado contabilmente não resta dúvida que haveria a necessidade de nova avaliação do ativo com a conseqüência de uma nova classificação contábil deste ativo. Resumidos os fatos, passo a analisar as opções apresentadas. De acordo com a interpretação da fiscalização, a operação realizada resultou na devolução do capital para os associados. Mister se faz discorrer sobre este fato. A devolução de capital ocorre quando alguém que detém participação na sociedade decide desligarse ou, ainda, quando uma sociedade se extingue. Em ambas as ocasiões, a sociedade devolve o capital investido ao participante (que deseja se retirar, ou a todos, no caso de extinção). Logo, temse que a devolução do capital alcança as situações em que ocorre a extinção do investimento, ainda que para aquele associado em particular. A devolução deste capital ao investidor, faz com que este adquira total liberdade sobre o destino deste novo capital, o que Fl. 536DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 536 17 significa disponibilidade econômica e jurídica. Logo, a operação deve ter a forma e a substância de extinção. Na situação em tela, contudo, formalmente não ocorreu nem uma nem outra hipótese (devolução do capital para todos os associados ou para um associado em particular). Conforme consta dos autos a Associação BOVESPA, em agosto/2007, se submeteu a uma operação societária que resultou na versão de boa parte de seu patrimônio para uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Nos termos do voto do ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, proferido nos autos do processo administrativo nº16327.001339/201061, que discutiu matéria idêntica à presente: “Inicialmente, a instituição sujeitouse a uma cisão parcial, com alocação dos ativos e passivos cindidos em duas sociedades, a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A., ambas constituídas imediatamente antes da operação. Em seguida, as ações emitidas por esta última sociedade foram incorporadas pela primeira, daí decorrendo a formação de uma subsidiária integral. Concluídos os atos societários, portanto, parte dos títulos patrimoniais emitidos pela Associação Bovespa foi extinta e substituída por ações representativas do capital social da incorporadora, a Bovespa Holding S.A., a significar que, no ativo da recorrente e dos demais associados, as novas ações passaram a ocupar a posição dos antigos títulos (a ‘Desmutualização’).” A primeira questão a ser avaliada, portanto, referese à operação societária ocorrida. É possível à associação sem fins lucrativos submeterse a processo de cisão? Mais do que isso, é possível, à fiscalização desconsiderar o procedimento da forma como realizado? Ainda, é possível o entendimento apresentado pela fiscalização? No que se refere a possibilidade de uma associação sem fins lucrativos proceder à cisão, passo a análise dos dispositivos específicos referentes a este assunto. A fiscalização entendeu que, por ser tratar de associação sem finalidade lucrativa, aplicase ao caso o artigo 61 do Código Civil, o qual da seguinte forma determina, verbis: “Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.” – destacamos. Ao interpretar o dispositivo legal citado, a fiscalização concluiu que não seria possível, à uma associação sem fins lucrativos, transferir patrimônio para uma sociedade com Fl. 537DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 537 18 finalidade lucrativa. Por outro giro, em vista desta impossibilidade, o agente fiscal considerou que a operação realizada pela BOVESPA gerou a devolução do patrimônio investido na associação para o associado, o qual procedeu a novo investimento, agora em sociedade com fins lucrativos. Alguns aspectos apresentamse relevantes. O primeiro é: pode ser realizada a cisão? Neste ponto divirjo do entendimento apresentado pela fiscalização. Data vênia, entendo que sim, é possível proceder a cisão, ainda que a parte cindida seja vertida para a constituição de uma sociedade lucrativa. É que entendo que a obrigatoriedade de versão do patrimônio para outra entidade sem fins lucrativos se aplica apenas no caso de dissolução da entidade, isto é, de extinção da personalidade jurídica. Este entendimento está pautado na interpretação dos termos da lei, verbis: “Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, (...) será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes” Vale salientar que não houve extinção das pessoas jurídicas, mas sim transformação. A transformação, por sua vez, de acordo com o Código Civil (artigo 1.1131) e a Lei das S/A (Lei nº 6.404/76 artigo 220), é meio de reorganização societária que se dá independentemente da dissolução ou liquidação da sociedade. Aliás, por tratarse de mera alteração do tipo da sociedade, esta não poderia, mesmo, extinguirse ou liquidarse, sob pena de não restar pessoa jurídica para ter seu tipo alterado. Por outro giro, a possibilidade de cisão está prevista no Código Civil, artigo 2.033, que expressamente se refere às entidades sem fins lucrativas, a saber: “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Neste sentido, determina o artigo 44 do mencionado Código: “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos; VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. 1 Código Civil: "CAPÍTULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse." Fl. 538DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 538 19 § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.” Confesso que o procedimento adotado pela BOVESPA suscitou dúvidas nesta relatora, mas não encontrei na legislação a limitação interpretada pela fiscalização, ao contrário, outras entidades sem fins lucrativos como clubes, entidades de ensino, etc já realizaram este procedimento, passando a auferir lucros e apurar tributos na pessoa jurídica cindida. Neste diapasão, é de meu entendimento que a cisão poderia ter sido realizada e que não houve extinção da pessoa jurídica, como interpretou a fiscalização. Imperioso esclarecer que, com isso não estou validando procedimentos societários abusivos realizados por associados. O ilustre Procurador Federal, ao proceder à sustentação oral em defesa do lançamento da forma como realizado, argumentou que as associações são constituídas e mantidas com incentivo público e que consiste abuso, após a associação estar consolidada justamente por contar com estes incentivos públicos, converter quase totalidade deste patrimônio para a iniciativa privada. Neste particular concordo com a Procuradoria. Realmente, ao proceder a análise sistemática do ordenamento, pareceme abusivo permitir que alguns particulares se aproveitem de patrimônio constituído e consolidado com base em incentivos públicos. A lei permite a cisão, mas não o abuso, operação com este supedâneo deve ser desconstituída por abuso de forma e até mesmo erro de substância. Todavia, in casu o auto de infração não foi lavrado com base na ocorrência de fraude, tanto é assim que não houve majoração de multa para o percentual de 150%. Da mesma forma, não houve alegação/comprovação, por parte da Fazenda, de que as operações societárias ocorreram com abuso de forma ou da ocorrência de lesão ao patrimônio público. Em conseqüência deste raciocínio, passemos ao próximo ponto, sendo a cisão ilegal para entidades sem fins lucrativos, a fiscalização poderia desconsiderála da forma como desconsiderou? Entendo que não. É importante ponderar que a operação societária foi efetivamente realizada, que os documentos societários foram devidamente registrados na Junta Comercial e que não houve desvio de finalidade por parte dos contribuintes envolvidos na operação societária, uma vez que os documentos de cisão demonstram claramente o objetivo pretendido pelos associados da BOVESPA. Não resta dúvida que a operação de cisão foi formalmente realizada e aceita. Tais aspectos são relevantes porque, conforme mencionado, a fiscalização desconsiderou a operação da forma como realizada para considerar como ocorrida outra Fl. 539DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 539 20 realidade, qual seja, a restituição do capital investido e o novo investimento na pessoa jurídica que procedeu ao IPO. Todavia, esta desconsideração precisa ser justificada. Que os fatos ocorreram – ainda que formalmente desta maneira, não resta dúvida, assim, como é que poderiam ser desconsiderados? De acordo com a jurisprudência deste Tribunal, os atos podem ser desconsiderados se o propósito negocial, a razão que os justificam, não forem verdadeiras. Na hipótese da formalização do procedimento destoar com a realidade dos fatos. Ocorre que este não é o caso dos autos. Os fatos demonstram que os contribuintes pretendiam proceder a desmutualização e posterior abertura de capital da BOVESPA, e para atingir este objetivo procederam à cisão parcial. Não houve alteração em relação ao propósito negocial pretendido. Na hipótese de a fiscalização entender que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal, deveria rever o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN). Entretanto, o ato da desmutualização, que gerou efeito na contabilidade da Recorrente, não foi revisto. A operação societária realizada até o momento, pelas informações contidas nos autos – consiste em negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderada enquanto válida. Com este raciocínio, a meu sentir, somente seria possível desconsiderar os efeitos da desmutualização para a Recorente se a própria operação societária tivesse sido desconsiderada. O ato jurídico que deve ser analisado e, se o caso, desconsiderado, é a operação realizada pela própria BOVESPA. Caso o fato em si – a cisão da BOVESPA – não seja desconsiderado, tem que ser admitido como válido pelo Fisco, uma vez que foi devidamente formalizado e registrado nos órgãos competentes. Esclareço que com isso não estou dizendo que a JUCESP tem o poder de validar atos nulos ou ilegais, apenas que um ato jurídico perfeito tem que ser devida e justificadamente desconsiderado para deixar de surtir efeitos no mundo jurídico. Desta feita, haja vista que a cisão foi realizada, registrada e validada, que não há razão que fundamente a desconsideração do procedimento realizado posto que o propósito negocial foi devidamente atendido, entendo que não é permitido à fiscalização simplesmente desconsiderar a operação societária de cisão, interpretando que “na verdade” o que ocorreu foi uma devolução de capital com sucessivo investimento em nova sociedade. Ademais, e agora adentrando no aspecto da substância pretendida pelo Fisco, os investidores não tiveram, entre a desmutualização e a criação na nova sociedade, a disponibilidade jurídica dos valores investidos na entidade sem fins lucrativos, tanto é assim que não tinham opção de investir em outra sociedade qualquer. Este fato não ocorreu e não pode ser presumido. Portanto, concluo que a alegação do Fisco de que as ações recebidas quando da transformação da BOVESPA e da BM&F se deu em razão de devolução de capital, não se sustenta. No mesmo sentido, não há de se falar em “novas” empresas ou “novas” participações. As empresas sofreram alteração do tipo societário, modificando a forma de se organizar. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 540 21 O Fisco utiliza este argumento – de que houve devolução do capital – também para justificar seu entendimento de que as ações detidas pela Recorrente não se confundem com os títulos patrimoniais que detinha. Em decorrência do raciocínio acima apresentado, concluo que as premissas adotadas pelo Fisco estão equivocadas. Em primeiro lugar porque, como dito, não houve devolução de patrimônio e, em segundo lugar, porque justamente a equivalência das ações e dos títulos patrimoniais anteriormente detidos, no que se refere aos valores, bem como o fato de ter havido uma transformação do tipo societário, evidenciam que não se trata de nova aquisição de participação, mas mera substituição de um tipo de participação por outro, em razão da transformação das entidades. Tanto assim, que como bem observou o Fisco, quando da substituição dos títulos patrimoniais pelas ações, foi necessário conferir ações que representassem o mesmo valor dos títulos patrimoniais anteriormente detidos. Esta equivalência também evidencia se tratar de mera substituição de um tipo de título representativo de capital por outro. Por esta razão, a interpretação fiscal de que deveria ter sido registrado na contabilidade uma devolução de capital, distribuição de superávit, incorporação de bens e obrigações ao patrimônio da Recorrente, com posterior aquisição de novas participações em “outras” sociedades anônimas, não se mantém pois esta realidade não ocorreu. (i.b.) Da Classificação Contábil das Ações A questão da operação societária é absolutamente relevante para a análise da classificação contábil das ações recebidas como troca pelos títulos que a Recorrente possuía da entidade sem fins lucrativos. Isso porque pelo raciocínio da fiscalização, como houve um novo investimento, necessária se faria uma nova classificação. Neste sentido, se a classificação contábil correntemente se faz no momento em que o ativo é adquirido, claro que a constituição de uma nova sociedade é o momento de classificação do ativo, assim, no instante da constituição da BM&F, antes da venda das ações, deveria ser verificada a intenção do contribuinte para com o ativo, classificandoo como permanente (se a intenção era de manutenção do investimento a longo prazo) ou circulante (se a intenção era disponibilizar as ações para venda). Todavia, conforme esclarecido, discordo deste posicionamento, no sentido de que a meu ver não se trata de novo investimento mas de manutenção de investimento antigo, haja vista que não coaduno com a interpretação de que houve a devolução do capital investido mas procedimento de cisão. Neste diapasão, a questão que me parece relevante é saber se haveria, para a Recorrente, no momento da desmutualização ou em qualquer outro instante antes da venda das ações, obrigação de reclassificar o ativo, alterando a forma de contabilização de permanente para circulante. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 541 22 É de se observar que os títulos foram adquiridos para o fim de investimento, sem que houvesse a intenção, por parte de Recorrente, de utilizálos para obtenção de lucros. Até porque, à época, a obtenção do título era requisito para a que a Corretora pudesse operar na Bolsa de Valores. Neste sentido, imperioso relembrar que, como bem esclarece o Parecer Normativo nº 03/80, citado pela Recorrente em sua defesa, temse como regra que a classificação contábil é determinada no momento da aquisição deste bem. Neste sentido, destaco trecho do citado Parecer, verbis: "5. Por conseguinte, tendo em vista os reflexos da alteração pretendida na apuração dos resultados da pessoa jurídica, é evidente que o contribuinte não tem faculdade de classificar as contas, ou reclassificálas, segundo critérios subjetivos de sua conveniência. Ao contrário, impõe se a rigorosa observância dos preceitos da lei comercial e fiscal. 6. Os critérios de classificação a serem observados devem ser aqueles consubstanciados nos arts. 178 a 182, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável por expressa determinação do § 4° do art. 70 do DecretoLei n° 1.598/77. No caso sob exame, a reclassificação, para o ativo circulante, de direitos registrados no ativo imobilizado fere frontalmente disposições do art. 179 da Lei n° 6.404/76. Segundo a alínea I desta norma, somente podem ser incluídos no ativo circulante os direitos de crédito e os que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio ou da indústria da companhia, além das disponibilidades e das aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem." (destaquei) Assim, no momento da desmutualização, não resta dúvida que os títulos estavam registrados no ativo permanente da Recorrente e que esta classificação estava correta. Da mesma forma, pareceme claro que a classificação do bem deve obedecer à intenção de seu proprietário no momento de sua aquisição2, o que aliás, é confirmado pela boa técnica contábil, que determina a avaliação do bem no momento de seu registro na contabilidade da empresa. Tanto é assim que a fiscalização, para justificar a necessidade de nova classificação do bem, 2 No presente caso, quando os títulos patrimoniais das entidades foram adquiridos a intenção da Recorrente era mantêlos, até porque deles dependia o desenvolvimento de sua atividade de corretora de valores, na medida em que era condição para o exercício de tal atividade a propriedade de tais títulos. Aliás, não se discute nestes autos o fato de que estes títulos foram adequadamente classificados como ativo permanente, visto que a fiscalização e DRJ concordaram expressamente com esta classificação. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 542 23 entendeu que houve uma devolução de patrimônio com investimento em nova sociedade, pois sem dúvida neste momento – realização de nova contabilidade – deve ser realizado o registro contábil, bem como deve ser questionada a intenção do contribuinte para referido o bem (se investimento permanente ou não). A dúvida, a meu sentir, é: a modificação de “título” para “ação” é condição suficiente para demandar a revisão/alteração do registro contábil ? Existe um momento para a reavaliação do registro contábil ? As ações são mercadorias ? A fiscalização cita, para justificar a autuação, informação da BOVESPA a todos os associados no sentido de que as ações “trocadas” deveriam ser registradas: no Ativo Circulante, em subconta especifica da conta Títulos. de Renda Variável, se a decisão for a de alienar as ações e no Ativo Permanente, em subconta especifica da conta Ações e Cotas se a decisão for a de .considerar essas ações como investimento. Fato é que não consta da nomenclatura jurídica uma regra clara que determine o momento de reclassificação do patrimônio na contabilidade. Neste sentido não se determina que a alteração tenha que ser realizada durante o ano calendário, no exato momento em que a empresa entende pela venda do ativo. Ao buscar as normas complementares que esclarecerem os dispositivos legais e constitucionais, localizei o Parecer Normativo 108/78 – PN que da seguinte forma determina verbis: 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” A permanência do bem no patrimônio se presume na hipótese de o bem não ser vendido no mesmo exercício em que foi adquirido. In casu, o bem permaneceu no ativo da Recorrente durante muitos anos, o que demonstra que, neste aspecto, a “intenção de permanência” quando o bem foi adquirido está clara. Podese dizer que a alteração desta intenção de permanência se iniciou em agosto de 2007, quando realizados os procedimentos societários para desmutualização da Fl. 543DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 543 24 BOVESPA. Isso porque o Protocolo de Intenções da cisão esclareceu o objetivo de transformação da parte da sociedade cindida em sociedade privada, bem como a posterior abertura de capitais. No caso em análise a venda das ações ocorreu nos meses subseqüentes ao IPO, ainda no ano de 2007. Todavia, ainda assim entendo que não se trata de venda de mercadorias, mas efetiva venda de ativos. É que o fato de o contribuinte tomar providências para que seu ativo fique mais valioso não significa que transformou este ativo em mercadoria. Não vejo como possível a mudança de substancia do bem, a meu ver este bem sempre foi um ativo, um investimento próprio. Por outro giro, a legislação expressamente exclui, da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, o valor referente à venda do ativo permanente. Logo, claro está que é possível realizar a venda de bens classificados no ativo permanente, no sentido de que não é preciso transferir o bem para o ativo circulante para proceder à sua venda. Os investimentos em discussão iniciaram o ano como título patrimonial e ficaram assim desde a existência da bolsa. O fato de a BOVESPA ter sido desmutualizada em agosto e do IPO ter ocorrido mais ao final do ano não altera a natureza do bem que continua sendo investimento próprio e, consequentemente, não, justifica a mudança de classificação contábil no próprio exercício e a reclassificação. Raciocínio inverso levaria à conclusão de inexistência/impossibilidade de opção de venda de ativo permanente. Isto porque, se as empresas forem obrigadas à reclassificação contábil do bem sempre que houver a intenção de venda do ativo, não haverá venda de ativo permanente, posto que antes da venda ocorrerá mudança de rubrica contábil (de circulante para permanente ou de permanente para circulante). Neste sentido está a já citada redação do Parecer Normativo CST nº 3/80, a saber: “8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.” No mais, vale perscrutar qual é a essência do negócio jurídico em discussão. Da análise que faço, entendo que desde o início a Recorrente pretendeu vender seu ativo permanente, mesmo que na forma de ações e em procedimento de IPO. Para tal objetivo realizou a permuta de participações societárias (título x ação), sendo que corrobora esta interpretação o fato de serem sociedades com mesmo capital, mesmos investidores e mesma atividade econômica. Inicialmente cumpre registrar que a Deliberação CVM nº 29/86 esclarece que a contabilidade se baseia na essência e não na forma jurídica dos institutos, verbis: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 544 25 “(...) 2º) A contabilidade possui um grande relacionamento com os aspectos jurídicos que cercam o patrimônio, mas, não raro, a forma jurídica pode deixar de retratar a essência econômica. Nessas situações deve a Contabilidade guiarse pelos seus objetivos de bem informar, seguindo, se for necessário para tanto, a essência ao invés da forma.” (destaquei) No mesmo sentido, a Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade determina que nos registros contábeis devem seguir a essência do ato jurídico: “Art. 1º. (...) §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais.” (destaquei) As ações não foram adquiridas com a finalidade de mercancia, mas de investimento. E ainda que a desmutualização tenha ocorrido com o aval da Recorrente – os atos societários da cisão denotam que os associados estavam de acordo com o procedimento de alteração do tipo societário exatamente para alcançar a finalidade de proceder ao IPO – isso não significa, em minha interpretação, que o título se transformou em produto, ao contrário, significa que a Recorrente pretendia tornar seu ativo permanente bom para venda. Claro que o título ganhou “mais valia”, mas o fato de terse tornado mais valioso não mudou a situação e natureza de ser investimento próprio da Recorrente, inclusive registrado em seu próprio patrimônio. Por outro giro, o fato de terse transformado um investimento valioso justifica o interesse da Recorrente na venda do bem. Ademais, mister se faz avaliar os instrumentos assinados pela Recorrente no sentido de se comprometer com a alienação de parte das ações que receberia após a transformação das entidades em sociedades anônimas. Este fato faz com que tais ações devessem estar registradas no ativo circulante da Recorrente? Algumas considerações, neste particular, precisam ser realizadas. A Recorrente – assim como todas as demais associadas da BOVESPA e da BM&F – precisou se comprometer a vender parte das ações que receberia (em substituição aos títulos patrimoniais), como condição da realização da própria transformação das associações em sociedades anônimas. Na ocasião todas as corretoras que participavam da BOVESPA e da BM&F através de investimentos em títulos patrimoniais se comprometeram a alienar parte das ações substitutivas que viriam a receber, como forma de possibilitar a realização da própria transformação social. Quer dizer, para que as entidades pudessem se transformar em uma sociedade anônima, e considerando ainda que antes era uma entidade sem finalidade lucrativa, precisaria apresentar ao mercado uma oferta de ações, de modo a viabilizar a operação societária (abertura do capital). Assim, cada associado precisou se comprometer a alienar uma parte das ações que lhes caberia, em substituição aos títulos patrimoniais que até então detinham, para que pudesse ser aberto (ofertado) o capital das entidades, sob pena de a transformação não ocorrer (na hipótese, por exemplo, de nenhum dos associados às entidades, ofertar/vender as ações que receberiam). Por isso as associadas (inclusive a Recorrente) tiveram de assinar um instrumento através do qual se comprometiam a realizar a venda de parte Fl. 545DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 545 26 das ações que receberiam em substituição aos títulos patrimoniais das associações, como forma de garantir a realização da transformação societária. Ainda, para garantir o sucesso da operação, as corretoras assinaram, também junto às entidades, termos através dos quais se comprometiam a alienar uma parcela das ações diretamente a um determinado fundo, que de acordo com negociações prévias com a BOVESPA e com a BM&F, garantiria a liquidez das operações, e o sucesso (mínimo) da abertura do capital (referido fundo comprometeuse a realizar a aquisição de parte do capital das entidades, no momento da abertura do capital, como forma de garantir a transformação das associações em sociedades anônimas). Portanto, a alienação destas participações societárias foi realizada como condição da realização da própria transformação societária que se realizaria. Este fato se comprova da análise dos instrumentos através dos quais a Recorrente se comprometeu a fazê lo, que foi assinado com as próprias entidades, e não com o potencial comprador (fls. 15/22). Registro ainda que, por mais que a Recorrente, neste momento, apresentasse a firme intenção de venda, isso não desnaturaria, a meu ver, a característica de investimento do patrimônio em comento, o qual foi adquirido com intenção de permanência no patrimônio. Significa, outrossim, que houve existe a intenção de venda do ativo imobilizado. Reiterando que a tese de que a Recorrente recebeu as ações em devolução de capital, o que justificaria nova avaliação contábil, com dito anteriormente, a meu sentir não procede, sendo que entendo que efetivamente houve a substituição dos títulos patrimoniais. Em relação à outra parcela das ações vendidas, também não se pode concluir que no momento da obtenção destes ativos a Recorrente visava sua venda, pois ainda que tais vendas tenham sido realizadas por liberalidade das corretoras (e da própria Recorrente), a venda da participação claramente não foi a razão pela qual tais participações adentraram o patrimônio das empresas. As ações não foram compradas no mercado para venda, já existiam no patrimônio da Recorrente como investimento permanente. A meu ver, são investimentos próprios que se tornaram valiosos, razão pela qual a empresa decidiu vendêlos. O motivo pelo qual a Recorrente decidiu vender as ações foi porque elas foram valorizadas, não porque foram transformadas em mercadorias. Diante deste cenário – e mesmo que por hipótese se admita, apenas ad argumentandum, que se tratasse de aquisição de novos/outros bens – é evidente que também neste caso as ações não teriam sido adquiridas com a finalidade de serem alienadas. As ações teriam sido adquiridas, então, para substituir o capital investido nas entidades – ou seja, como afirma o Fisco, para recuperação do capital anteriormente investido. Aliás, ainda que fossem adotadas as alegações da autoridade fiscal, de que se trata de conferência de ações como forma de devolução de capital, mister constatar que, se devolução de capital é, então não poderia ser aquisição de ações para revenda. E, assim, sendo, não poderiam ser (re)classificados tais bens no ativo circulante da Recorrente, como pretendia a fiscalização. Com estas considerações, posto que adotada a premissa de que os bens em comento integram ao ativo permanente, cabe razão à Recorrente quanto à não incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado das alienações de tais bens, na medida em que há previsão legal expressa na Lei nº 9.718/98 afastando a tributação sobre tais receitas. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 546 27 Ante o exposto, conheço do recurso apresentado para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reformando assim a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Cabe a esse colegiado decidir acerca da procedimento que se convencionou designar por “desmutualização” da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e da Bolsa de Mercadorias e Futuros BMF, especificamente no que se refere ao tratamento tributário a ser dispensado ao ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da alienação pelo contribuinte das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais de Bovespa e BMF, por ele detidos, para fins de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. 1. Aspectos gerais da “desmutualização” As instituições autorizadas a operar na Bovespa e na BMF (conjuntamente denominadas “bolsas”), eram proprietárias de títulos patrimoniais representativos do capital dessas entidades, devidamente registrados em seus livros contábeis. As bolsas, até recentemente, eram entidades civis sem fins lucrativos, contudo, tendo passado pelo processo de “desmutualização”, seu objeto passou a ser desenvolvido através de sociedades por ações, constituídas nos termos da Lei nº 6.404/76.. Nesse processo, os títulos patrimoniais foram substituídos por ações representativas do capital das novas sociedades. Em etapa subseqüente procedeuse à alienação, no mercado, das ações recebidas pelos antigos detentores de títulos patrimoniais de forma a democratizar o capital dessas sociedades. A alienação se faz mediante ofertas públicas, secundárias das ações de Bovespa e BMF, transferindo os contribuintes a sua participação societária para os novos adquirentes. Por ocasião da alienação das ações, apurouse ou não ganho de capital, nos casos em que o valor de realização dos ativos foi superior ao seu respectivo custo de aquisição. Nesse contexto, esse colegiado deverá decidir sobre a incidência sobre o referido ganho de capital (sim, é de ganho de capital que estamos aqui a discorrer), para fins de incidência do PIS e da COFINS, o que exigirá transpassarmos pela legislação do IRPJ e da CSLL, inclusive no tocante à forma de determinação do custo de aquisição das ações que seria computado para fins de determinação do ganho de capital a ser tributado, caso esse colegiado decida adotar essa interpretação. 2. Da análise das operações realizadas Fl. 547DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 547 28 2.1 Natureza da “desmutualização” De forma geral, a “desmutualização” consistiu na conversão das bolsas, antigas entidades sem fins lucrativos, em sociedades com fins lucrativos constituídas sob a forma de companhia. O processo se fez observados os seguintes passos: (i) cisão parcial de Bovespa e BMF, com versão das parcelas de seus patrimônios para pessoas jurídicas com fins lucrativos; e (ii) troca dos títulos patrimoniais por ações das companhias criadas. Efetivada a “desmutualização “, procedeuse à venda compulsória firmada em compromisso de acionistas, pelos antigos detentores de títulos patrimoniais, no mercado, de parte das ações recebidas. O acordo firmado entre as partes envolvidas, bolsas e acionistas, determinou que essa venda se fizesse em até 180 dias a contar da desmutualização. As operações indicadas em (i) e (ii) acima integram um contrato amplo, atípico, formado a partir de contrato típico regulado em lei, a cisão, autorizada também para entidades sem fins lucrativos, pelo art. 2033, do Código Civil/CC, convergindo, ao mesmo tempo, para obter os efeitos da figura jurídica da transformação, também autorizada para entidades sem fins lucrativos no mesmo art. 2033 do CC. “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) Fl. 548DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 548 29 § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)” O artigo 61 do Código Civil, por seu turno, poderia lançar dúvidas sobre da possibilidade da destinação do patrimônio para uma nova sociedade, empresária, por sua redação: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. Porém, ao referirse ao artigo 56, esta admite claramente essa possibilidade: Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. A interpretação conjunta dos dois dispositivos afirma a possibilidade dessa destinação, ao determinar que sejam destinadas a outras associações sem fins lucrativos apenas a parcela remanescente “depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais do art. 56”, e quem são essas quotas ou frações ideais ? as dos associados. Se um clube de lazer decidir resolverse, e uma sociedade empresária for titular de quotas para o desfrute de seus empregados (aliás, indedutíveis para fins de IRPJ), ela receberá a sua quota ou fração, em seu nome. Não vejo portanto qualquer impeditivo legal para a execução da operação. É de se observar que pela cisão, parcelas de patrimônio das antigas bolsas, entidades sem fins lucrativos, foram transferidas para sociedades por ações, com fins lucrativos, sucedendo essas sociedades todos os direitos e obrigações referentes às referidas parcelas recebidas. De seu lado, os antigos detentores dos títulos patrimoniais tornaramse sócios das novas sociedades, capitalizandoas com suas antigas participações, sem qualquer alteração em sua situação patrimonial. A cisão está prevista no CC, art. 1122 e, de forma subsidiária no presente caso, na lei societária, art. 229. O recebimento das parcelas cindidas das bolsas, por sociedades com fins lucrativas, deu nascimento à transformação dessa parcela de patrimônio de entidade sem fins lucrativos para um patrimônio de entidade com fins lucrativos, convergindo, portanto, para a figura da transformação. Pela transformação a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro, devendo observar os preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado, no caso companhia. O tema é tratado nos arts. 1113 a 1115 do CC e 220 e 221 da lei societária. A transformação tem como principal decorrência a continuidade da sociedade transformada, no caso representada pelas parcelas Fl. 549DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 549 30 patrimoniais parcelas vertidas no momento da cisão, atribuindose aos detentores dos títulos, convertidos em ações, todos os direitos de que anteriormente desfrutavam em relação a essas parcelas, apenas que, agora, sob uma entidade com fins lucrativos. É certo, pois, que os sócios das novas companhias mantiveram suas condições anteriores de detenção e tratamento dos ativos, da mesma forma que as novas sociedades sucederam direitos e obrigações das parcelas de patrimônio das bolsas. O que ser poderia arguir, e o que agora se faz, é se o contribuinte poderia ter agido de forma distinta, ou se estaríamos diante de uma operação sem propósito negocial ou desprovida de substância econômica, com o único fito de elidir a parcela dos tributos sobre o lucro, ou para evitar o surgimento de uma receita, ou seja, se esse “ganho de capital”, não tributável pelo PIS e pela COFINS desde tempos imemoriais, poderia em algum momento ter se constituído em uma “receita”, ainda que independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 2.2 Histórico do tratamento contábiltributário dos títulos patrimoniais De forma a permitir a adequada compreensão de todos os aspectos relevantes aplicáveis à matéria, mister se faz recuperar o conjunto de dispositivos legais que regularam, ao longo do tempo, os títulos patrimoniais das bolsas. 2.2.1 Tratamento contábil A Lei n° 4.595/64 que dispõe sobre a atividade financeira no País , dentre outras matérias, deu competência ao Conselho Monetário Nacional – CMN para expedir normas gerais de contabilidade a serem observadas pelas instituições financeiras (art. . 4°). De sua vez, a Lei n° 6.385/76, em seu art. 223, §§ 1º, II e IV, e § 2º, conferiu igual prerrogativa à Comissão de Valores Mobiliários CVM, determinando ainda que tais disposições se apliquem, no que não forem incompatíveis, às instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil BACEN. Assim, o BACEN está autorizado a editar normas contábeis cuja observância pelas instituições financeiras e demais entidades por ele autorizadas a funcionar é obrigatória, sendo que a CVM goza de idêntica prerrogativa, desde que as normas por ela editadas não sejam conflitantes com as determinações do BACEN. No que se refere à contabilização dos títulos patrimoniais das bolsas, nas instituições financeiras que os detinham, ela obedecia às disposições da Circular nº 1.273/87, do BACEN, que instituiu o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeira Nacional COSIF, de adoção obrigatória pelas referidas entidades.4. Dentre as normas instituídas pelo COSIF, mais especificamente no Elenco de Contas (e suas seções Relação de Contas e Função das Contas), destacamse as seguintes rubricas: (a) No Ativo Permanente, subgrupo Investimentos: 2.1.4.10.002 Títulos Patrimoniais, e seu desdobramento, 3 Com a redação dada pelo Decreto Federal nº 3.995/01. 4 A partir do período findo em 30.06.1988. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 550 31 2.1.4.10.105 De Bolsas de Valores (b) No Patrimônio Líquido: 6.1.3.00.000 Reservas de Capital, e seu desdobramento, 6.1.3.70.009 Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais No descritivo da Função das Contas, dispõe o COSIF acerca das funções correspondentes às rubricas acima especificadas: (a) Títulos Patrimoniais (2.1.4.10.002), com seus desdobramentos De Bolsas de Valores (2.1.4.10.105) e demais. Função: Registrar os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e outros de propriedade da instituição, inclusive as contas patrimoniais da CETIP5. Ver itens 1.11.3.3 a 5 das Normas Básicas. As cotas patrimoniais da CETIP devem ser registradas nesta conta. (b) Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais (6.1.3.70.00 9) Função: Registrar o valor das atualizações anuais de títulos patrimoniais de bolsas e da CETIP. Nas disposições contidas nas Normas Básicas, acima mencionadas, encontramse as orientações a serem observadas para fins de registro do valor dos títulos patrimoniais, bem como sua respectiva atualização: Seção: Ativo Permanente 11 Tópico: 3 Outros Investimentos 1 Constituem a carteira Outros Investimentos as seguintes aplicações: (...) (b) títulos patrimoniais; (...) 3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na database do balanço, debitase TÍTULOS 5 Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 551 32 PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS, até o limite de seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. Assim, no que se refere ao tratamento contábil a ser adotado para fins de registro do valor correspondente aos títulos representativos dos patrimônios das bolsas, bem como sua respectiva atualização, o COSIF determinava que essa atualização deveria ser registrada em conta de ativo permanente, tendo como contrapartida reserva de capital no patrimônio líquido intitulada Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais. Ressaltese, apenas para enfatizar, que o registro da contrapartida da atualização dos títulos diretamente em conta de reserva de capital, de per si, já teria o condão de afastar qualquer efeito no resultado do período. 2.2.2 Tratamento tributário As manifestações oficiais quanto ao tratamento tributário da contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais remontam a período anterior à instituição do COSIF. Assim, a Portaria 785, datada de 23/12/77, editada pelo Ministro da Fazenda, dispunha: “O Ministro do Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no dispõe o artigo 223, “m”, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 76.186, de 2 de setembro de 1975, resolve: 1. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita, nem ganho de capital das corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas, desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. 2. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei n° 1.109, de 28 de junho de 1970, artigo 3°, § 3° (RIR, artigo 237)”. (D.O.U. de 23/12/1977).” (Grifos nossos) O dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda – RIR atinente à matéria, vigente à época e citado pela Portaria, trazia a seguinte redação: “Art. 223. Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência de aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos...” (com remissão, entre outros diplomas legais, ao art. 3° e respectivo § 1° do DecretoLei n° 1.109/70, que determinava que a não incidência se estendia aos sócios, acionistas ou titulares beneficiários, pessoas físicas ou jurídicas, Fl. 552DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 552 33 podendo estas realizar aumentos de capital nas mesmas condições, mediante a incorporação dos valores distribuídos). À época da edição da citada Portaria, e até o final do exercício de 1987 (quando da publicação da Circular BACEN n° 1.273/87, que instituiu o COSIF), a contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas deveria ser efetuada em conta de resultado, integrando assim o lucro líquido do exercício e, por conseguinte, também o lucro real, base de cálculo do IR. Como se depreende, a Portaria foi editada com o fim precípuo de afastar a incidência do IR sobre o valor correspondente à atualização dos títulos, mediante a exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, respeitadas 3 (três) condições: que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas não fosse distribuído aos acionistas; que esse acréscimo constituísse reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital; e que não ocorresse redução de capital ou extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subsequentes, sob pena de tributação da parcela corresponde ao aumento de capital mediante a incorporação de reservas oriundas da atualização daqueles títulos, na pessoa jurídica, como lucro distribuído, ficando os respectivos sócios ou acionistas sujeitos à tributação pelo IR na declaração, ou na fonte, como disposto no DL 1109/70. A partir do exercício social de 1988, por força da entrada em vigor do Plano Contábil COSIF, a contrapartida credora da atualização positiva dos Títulos Patrimoniais das Bolsas de Valores deixou de transitar em resultado, passando a ser registrada em conta específica de Reserva de Capital, integrante do patrimônio líquido. A ausência de trânsito em resultado, por determinação do BACEN, eliminou qualquer reflexo tributário, exceto se houvesse uma especial determinação no sentido de que tal verba devesse ser tributada, o que não era o caso. Contudo, continuavam pertinentes as determinações da Portaria 785/77 no sentido de que somente o registro em conta de reserva de capital, agora autorizada pelo BACEN, afastava o risco de tributação. As condições referentes à não distribuição dos lucros para afastar a tributação, na forma prevista na Portaria, decorriam do fato de que, à época, a distribuição de lucros e dividendos estavam sujeitas à incidência do Imposto sobre a renda na fonte IRF. A Portaria sob exame, embora não expressamente, foi revogada por ser incompatível com o sistema jurídico, pois que além de haver especial previsão do BACEN para registro da contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais, a partir de janeiro de 1996, por força do disposto no art. 10 da Lei nº 9.249/95, a distribuição de lucros e dividendos, não mais está sujeita à incidência do IRF, nem tampouco devem eles integrar a base de cálculo do IR do beneficiário. A restrição da Portaria, entretanto, continua aplicável a lucros anteriores a 1996. 2.3. Ações: aspectos contábeis e tributários 2.3.1. Considerações preliminares Primeiramente, importante mencionar dois fatos: no lançamento de ofício as autoridades fiscais cuidam de tentar configurar a operação como passível de tributação pelas Fl. 553DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 553 34 contribuições do PIS e da COFINS nos seguintes termos, que transcrevemos por pensar ser importante para adequadamente contextualizarmos os fatos: II – DO DIREITO 8. Fazem parte da fundamentação jurídica do lançamento todos os elementos citados neste Termo de Verificação e nos Autos de Infração anexos. 9. O lançamento do PIS e da COFINS dos períodos de janeiro a dezembro de 2007, enquadrase nos seguintes normativos: Lançamento do PIS • Artigos 2 o e 3o , da Lei n° 9.718/98; • Artigo 1 o , da Medida Provisória n° 2.158/2001 e reedições; • Artigo 179, da Lei n° 6.404/76. Lançamento da COFINS • Artigos 2 o e 3o , da Lei n° 9.718/98; • Artigo 18, da Lei n° 10.684/03; • Artigo 179, da Lei n° 6.404/76. 10. A sociedade corretora é tributada pelo PIS e pela COFINS, nos termos da Lei n° 9.718/98. Os artigos 2o e 3o da referida Lei estabelecem que as citadas contribuições devem ser calculadas com base no faturamento das pessoas jurídicas, faturamento esse que corresponde à sua receita bruta. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, são permitidas algumas exclusões da receita bruta. Tais exclusões estão prescritas no parágrafo 2 o do art. 3o da Lei n° 9.718/98. 11. A exclusão que será analisada neste item está prevista no inciso IV, do parágrafo 2°, que transcrevemos a seguir: Art. 3 O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica (...) § 2 o Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2 o , excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) 12. Nosso interesse acerca da exclusão da receita decorrente da venda de bens do ativo permanente da base de cálculo do PIS/COFINS está ligado à vendadas ações pertencentes à Fl. 554DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 554 35 corretora em outubro de 2007, que a empresa classificou no ativo permanente. 13. A classificação correta para tais ações alienadas em outubro/2007, de acordo com o plano de contas COSIF, é a seguinte: 1.0.0.00.007 Circulante e Realizável a Longo Prazo 1.3.0.00.004 Títulos e Valores Mobiliários 1.3.1.00.007 Livres 1.3.1.20.001 Títulos de Renda Variável 1.3.1.20.104 Ações de Companhias Abertas Como somente a receita decorrente de venda de bens do Ativo Permanente pode ser excluída da base de cálculo do PIS/COFINS, não há que se falar em exclusão da receita obtida na venda das ações da BOVESPA S./A. em outubro de 2007. A seguir, demonstraremos por que tais ações devem ser classificadas no Ativo Circulante. Vemos aqui, portanto, que a fiscalização fundamenta seu lançamento no fato de que a classificação contábil procedida pelo contribuinte fora incorreta, e que por isso o tratamento tributário seria inadequado. Com a devida vênia, é o oposto do que temos visto nesse E. Conselho, onde a fiscalização tem buscado, mormente nos casos em que se analisam reestruturações societárias, desconstituirse eventuais deduções (tais como de ágio), pelo fato de que as operações careceriam de fundamentação econômica. Há portanto uma inversão da ordem, a contabilidade sobreporseá à substância econômica da operação, caso prevaleça o entendimento desposado nesse lançamento. Teria, portanto, a ciência contábil de per si o poder de transformar a substância de uma operação em outra, para fins meramente tributários ? tecerei alguns comentários, de resto absolvidos de artigo que escrevi em outras circunstâncias: A ciência econômica em sua vertente neoclássica compreende o mundo pela ótica de que pessoas, empresas e governos são agentes racionais que escolhem também racionalmente a melhor opção para valeremse de recursos escassos para atender necessidades ilimitadas. Dentro do nosso contexto, as expressões econômicas que devem ser capturadas nesse estudo e que são capturadas pela ciência contábil e pelo Direito são renda, patrimônio e consumo. Resumidamente, estas são riquezas essenciais e que interagem dentro do nosso sistema e, também, que se comportam e podem ser medidas das mais diferentes formas. Ainda que existam vários métodos de medição e apuração, não podemos esquecer requisitos essenciais que são, respectivamente, riqueza nova acrescida, riqueza acumulada e riqueza consumida. Essas expressões econômicas ganham envergadura em diversas disciplinas específicas dentro da contabilidade e do direito seja ele comercial ou tributário. Tais disciplinas estão separadas basicamente pelas funcionalidades específicas de seus propósitos, todavia, sem se deslocar da unidade que deve ser mantida tanto no Direito quanto na Contabilidade. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 555 36 A Contabilidade é outra das ciências sociais que mede a riqueza, diferentemente da ciência econômica, entretanto, por meio de um processo de (i) reconhecimento, (ii) mensuração e (iii) evidenciação das ações econômicas em determinada entidade apurandose seu patrimônio e suas variações no tempo. No processo de reconhecimento, verificase qual é a classificação da ação de natureza econômica. Para obterse a classificação dessa ação econômica é necessário um conjunto de definições próprias da contabilidade, que não necessariamente fazem parte da economia ou do Direito, muito embora o fenômeno ocorra no mundo real para todas essas ciências. Assim também se comporta quando a contabilidade mensura, quando a ação de natureza econômica devidamente classificada recebe sua expressão monetária contábil. Essa expressão monetária pode não corresponder à expressão jurídica (uma venda registrada a valor presente, não tem o mesmo valor expresso no contrato de compra e venda) ou à expressão econômica (o patrimônio líquido não reflete, em regra, o valor de utilidade da marca desenvolvida pela entidade). Por isso a contabilidade exige método específico que conduza à evidenciação e que torne possível demonstraremse ao usuário das informações contábeis quais foram esses procedimentos de reconhecimento e de mensuração utilizados. Dessa forma o processo contábil possui uma lente própria – com seus usos, métodos e costumes para enxergar a realidade e retratála. 6 Fabio Konder Comparato também sistematiza esse entendimento7 afirmando que (...) o balanço como de resto toda a contabilidade não pode jamais ser um simples reflexo de fatos econômicos, porque, se trata de uma interpretação simbólica e, portanto, convencional, da realidade. De fato, a contabilidade é um instrumento de medição de riqueza, que adota como meio a organização sistemática e consistente dos registros econômicofinanceiros. Esse instrumento é frequentemente utilizado por especialistas de outras ciências, dentre elas o próprio Direito, que por sua vez, outras ocasiões também é utilizado pela ciência contábil. Um é fonte do outro em diversas situações, outrossim, não raro ambos distanciamse um do outro. Certamente a ciência contábil é importante para mensurar e reduzir consistentemente a uma linguagem universal as informações econômicas, todavia, ela não será sempre utilizada como parâmetro para fins de legislação societária ou tributária. Conforme Rodrigo de Freitas8 as hipóteses de incongruência entre a ciência contábil e o Direito devem ser procuradas na própria legislação (societária/tributária). 2.3.2 Do Fato gerador e base de cálculo do PIS e da COFINS Desde a Constituição Federal de 1988, com redação conferida pela Emenda Constitucional nº 20/1998, já havia a previsão da incidência dessas contribuições sobre a receita ou o faturamento da empresa, sendo que a base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos teve sua definição por meio das referidas Medidas Provisórias nº 66/2002 e nº 135/2003, respectivamente convertidas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, como seguem, prevendo como base de cálculo o valor do faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela empresa, independentemente da denominação ou 6 Lopes, Alexsandro broedel e Roberto Quiroga Mosquera. In O Direito Contábil. Fundamentos Conceituais, aspectos da Experiência Brasileira e Implicações. , Controvérsias JurídicoContábeis São Paulo, Ed. Dialética, 2011, p. 59 7 Ensaios e pareceres de direito empresarial, forense,1977, p. 32 8 Freitas, Rodrigo de. In Ciência Contábil e Direito Contábil: a Nova Relação. Controvérsias JurídicoContábeis, Ed. Dialética, p. 424. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 556 37 classificação contábil a ela atribuídas, ou seja todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica nos seguintes termos: Lei nº 10.637/2002: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” Lei nº 10.833/2003: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” 2.3.3 Principais aspectos sobre o conceito de receita para fins de tributação do PIS e da COFINS O legislador ao escolher como base de cálculo do PIS e da COFINS a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”, no exercício da nova competência constitucional outorgada à União através da Emenda Constitucional nº 20/1998, olvidou de delimitar o sentido e alcance do termo “receita”. Ocorre que a simples menção ao termo “receita” em nossa Carta Constitucional implica na delimitação da liberdade do legislador infraconstitucional pelo legislador constituinte derivado, já que permitir ao intérprete ou ao legislador ordinário definir o sentido e alcance de institutos e conceitos constitucionalmente empregados seria autorizálos a que, arbitrariamente, firmassem nova discriminação de competência – hipótese não aceita pelo ordenamento jurídico pátrio. A nossa doutrina também se manifesta no sentido de que receita é uma espécie do gênero entrada, como ensina Geraldo Ataliba: “(...) Entrada é todo o dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. (...) Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que recebe (...)”. Neste sentido, Marco Aurélio Greco considera que: “Nem todo “dinheiro” que “entra” no universo da disponibilidade da pessoa jurídica integra a base de cálculo da COFINS. Não basta ser uma “entrada” (mera movimentação Fl. 557DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 557 38 financeira) é preciso que se configure como “ingresso”, no sentido de entrada como sentido de permanência e que resulte da atividade que corresponda ao seu objeto social (ou dele decorrente).” Ainda neste sentido, manifestouse Aires Fernandino Barreto (RDDT nº 5): “i.e.1. Ingressos e receitas Nem todos os valores que entram nos cofres das empresas são receitas. Os valores que transitam pelo caixa das empresas (ou pelos cofres públicos) podem ser de duas espécies: os que configuram receitas e os que se caracterizam como meros ingressos (que, na Ciência das Finanças, recebem a designação de movimentos de fundo ou de caixa). Receitas são entradas que modificam o patrimônio da empresa, incrementandoo. Ingressos envolvem tanto as receitas como as somas pertencentes a terceiros (valores que integram o patrimônio de outrem). São aqueles valores que não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe, para posterior entrega a quem pertencem. Apenas os aportes que incrementam o patrimônio, como elemento novo e positivo, são receitas.” José Antonio Minatel, por sua vez, após longo e aprofundado estudo acerca do conceito de receita no contexto constitucional, na lei societária, na ciência contábil, na economia, nas finanças públicas, na lei tributária, bem como sobre a diferença entre receita, faturamento e ingresso, entre outras análises, verificou ser possível “reconhecer os seguintes atributos imprescindíveis para qualificar essa específica realidade expressa sob o signo de receita”: “a) conteúdo material: ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica; b) natureza do ingresso: vinculada ao exercício de atividade empresarial; c) causa do ingresso: contraprestação em negócio jurídico que envolva a venda de mercadorias ou prestação de serviços, assim como pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos e pela remuneração de investimentos; d) disponibilidade: pela definitividade do ingresso; e) mensuração instantânea: isolada em cada evento, abstraindo se dos custos e de periodicidade para a sua apuração. “ Nesse sentido, como bem observado por Ricardo Mariz de Oliveira, tratando em específico sobre o conceito de receita (onde não por acaso tece criticas à obra de De Plácido e Silva por, em sua ótica, confundir receita com ingresso ou entrada), para a contabilidade (1) a receita é algo que integra o resultado do período, (2) que existe quando terceiros efetuem o pagamento de uma transação ou assumam o compromisso firme de efetivá lo em decorrência de uma venda ou de serviços, (3) podendo também existir pelo desaparecimento de uma dívida ou pela geração natural de ativos. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 558 39 Relevante relembrar que tanto a lei que disciplina a contribuição ao PIS quanto aquela que aborda a COFINS preveem que a caracterização da receita independe da denominação ou classificação contábil. Não obstante a ressalva em questão possa inferir que todas as receitas podem ser objeto de tributação pelas contribuições em tela – exceto as exclusões, isenções e outros benefícios previstos em lei – não há como afastar os conceitos econômico e contábil de receita, mormente quando afirmados pelo novel denominado (mas não consensuado quanto à sua existência) Direito Contábil. Observamos, ainda, que o conceito de receita delimitado não é similar ao de renda, ou seja, que auferirse receita apenas ocorra quando há lucro ou ganho. Isto porque, para caracterização da receita, não se leva em conta nem custos nem despesas. Ou seja, “ainda quando haja uma venda com prejuízo, por ser o custo da coisa vendida maior que o preço da sua venda, este, de per si, representa um elemento positivo na formação do patrimônio. (...) Este isolamento do fator positivo, para a identificação do que seja receita, é que distingue receita de lucro, renda ou ganho (...)” (OLIVEIRA, Ricardo Mariz de apud SEHN, Solon. Op. cit., p. 159160). Além dessas espécies de receitas, existem outras, antes denominadas “não operacionais”, mas hoje consideradas simplesmente “outras receitas” (vide, por exemplo, a atual redação do art. 187, IV, da Lei 6.404/1976, em contraposição com a sua redação original). Como ensina a doutrina: “Com a edição da Lei nº 11.941/09, art. 187, inciso IV, deixa de existir a segregação dos resultados em operacionais e não operacionais. A partir do exercício de 2008, os normativos fazem referência apenas à segregação das atividades em continuadas e não continuadas. Assim, passam a ser reconhecidas como outras receitas e despesas operacionais os ganhos ou perdas que decorram de transações que não constituam as atividades ordinárias de uma entidade. Ou seja, o conceito de lucro operacional engloba os resultados das atividades principais e acessórias, e essas outras receitas e despesas operacionais são atividades acessórias do objeto da empresa” (IUDÍCIBUS, Sérgio, et al. op. cit., p. 516). As outrora denominadas receitas nãooperacionais incluíam as receitas financeiras, as receitas com vendas de ativo permanente e as receitas extraordinárias. Essas espécies de receitas foram contempladas na legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, quando a norma literalmente dispôs que a totalidade das receitas inclui, além da receita bruta das vendas de bens e serviços, “todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica” (art. 1º, § 1º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003). Vêse, portanto, que a base de cálculo do PIS e da COFINS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela empresa, porém, não qualquer ingresso, mas aquelas cujo conceito jurídico e técnicocontábil encerra uma repercussão patrimonial positiva para a empresa. Concluindo, no caso concreto, tivemos, como consta dos autos, a alienação das ações recebidas em troca pela sua posição inicialmente mantida, porém, não deixou de ser uma alienação de ações, que resultou contabilmente em uma receita de natureza não operacional. Se ainda assim julgássemos que essas receitas fossem submetidas á tributação, caberia a aplicação dos dispositivos da Lei nº 11.638/07 no sentido de que qualquer efeito Fl. 559DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 559 40 decorrente das alterações da lei societária, que ocorreu de fato após a operação aqui analisada, seria necessariamente neutra do ponto de vista tributário. Prosseguindo, na percepção desse julgador, nada do que houve a posterior, ou independentemente de ter havido uma operação complexa, elidiria o fato de que a operação teve como propósito negocial a alienação da participação societária detida pelo contribuinte no mercado. Essa alienação apenas foi viável, sob a ótica do direito societário, pelo processo de conversão e troca de títulos representativos de um patrimônio por outros títulos, cuja colocação no mercado era possível, de acordo com a legislação de regência dos mercados de capitais. Não fazêlo significaria não apenas uma perda de oportunidade econômica para o contribuinte, mas também para a sociedade, para outros investidores, desejosos de adquirir essa participação do outro lado. Na origem, o contribuinte detinha títulos representativos de um patrimônio, cuja aquisição era obrigatória para o exercício, ai sim, de sua atividade econômica. A atividade principal do contribuinte, como instituição financeira, sempre foi negociar com ações em nome de terceiros, ou intermediar operações financeiras. As instituições financeiras, entretanto, não estão impedidas de negociar ações em seu próprio nome, podendo fazêlo inclusive à guisa de maximizar a sua rentabilidade, e manter a sua saúde financeira. Entretanto, a norma regulatória sempre exigiu que essas operações fossem registradas em contas separadas. Esses títulos representativos da antiga Bovespa sempre tiveram intenção de permanência até porque era a única forma de operação naquele mercado, e o fato de ter sido alienada não poderia transmutar a sua natureza, ainda que por força de uma interpretação e até mesmo de observância contábil dessa interpretação, em uma operação simples de negociação com ações realizadas por ordem de terceiros, no curto prazo, com fins meramente especulativos. O mesmo afirma o Professor Eliseu Martins às fls. 19 e ss. do seu parecer, às fls. 632 e ss. dos autos do Processo no. 16.327.001329/200991 2.3.4 Tratamento contábil das ações Como já foi comentado, os ativos têm seu registro contábil definido por ocasião de sua aquisição, considerandose a destinação que a sociedade pretende dar ao bem ou direito. Nesse sentido, como o título patrimonial era investimento diretamente vinculado às suas finalidade se e nos estritos termos do COSIF suscetível de registro como investimento permanente, suscetível de receber atualizações, sua conversão em ações de companhia não poderia merecer tratamento diferente. Dessa forma, até o momento da venda das ações deveriam elas estar classificadas como investimentos permanentes, ainda que sua venda parcial tivesse sido previamente ajustada, por força do acordo já mencionado. Observese que a manutenção de investimentos permanentes, nessa condição, até a data de sua venda, sempre fora aceita inclusive pelas autoridades fiscais, que não submetem o ganho oriundo da venda de investimento permanente à tributação antecipada, em nenhuma hipótese. De acordo com os autos, o contribuinte não detinha investimento relevante nas bolsas o que, por ocasião da substituição dos títulos anteriormente detidos, pelas ações representativas do capital das bolsas, determinava a sua classificação contábil sob a rubrica Fl. 560DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 560 41 2.1.9.90.003 Outros Investimentos que deveriam ser mantidos até o momento da venda se concretizada no ano de 2007, o mesmo exercício social da “desmutualização”. Ainda que as ações tenham sido alienadas em data posterior ao término do prazo pelo qual tivesse sido firmado o compromisso de manutenção da respectiva participação acionária, em decorrência da assinatura do referido acordo de acionistas, o tratamento contábil seria o mesmo: manutenção em conta de ativo permanente, até a venda dos bens, rubrica (2.1.9.90.003). Esse registro prestouse, exclusivamente, a substituir aquele correspondente aos títulos até então detidos (2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores), também classificáveis em conta integrante do Grupo Permanente – Investimentos. Ou seja, em nossa visão, o conjunto de atos praticados não poderia em qualquer hipótese, caracterizar uma “aquisição” de participação societária nova que justificasse a sua contabilização em conta diversa, como pretenderam as autoridades fiscais. Por fim, importante ressaltar que, a partir da data de recebimento das ações em substituição aos títulos anteriormente detidos, o valor do investimento que não estivesse sujeito à avaliação com base no método de equivalência patrimonial, de que tratam o art. 248 da Lei das S.A. e a Instrução CVM nº 247/96, deveria ser avaliado pelo método do custo de aquisição, nos termos do disposto no art. 183, III daquela lei, não mais se lhes aplicando as disposições anteriormente citadas, sobretudo a Circular BACEN nº 1.273/87 (no que se refere ao registro dos Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores). 2.3.5 Tratamento tributário da atualização dos títulos A primeira questão a ser avaliada diz respeito ao tratamento a ser dado à contrapartida da atualização dos títulos, registrada como reserva de capital, no momento em que estivessem sendo alienadas as ações das novas sociedades. A matéria deve ser analisada sob 2 (duas) diferentes linhas de interpretação que conduzem, sempre, à não tributação desse valor, a saber: (i) primeiramente, por causa da ausência de comando para cômputo da reserva na determinação do lucro real: a Portaria 785/77 foi editada com a finalidade de evitar a tributação da atualização dos títulos, vigorando ela, plenamente, para os lucros gerados até 1995. Nesse caso há dois diferentes aspectos a serem observados: cômputo da atualização no lucro real e cômputo da atualização para fins de IRF. No que tange ao cômputo no cálculo do lucro real, o RIR dispõe no art. 442 , parágrafo único:: “Art. 442 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 561 42 § único O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real.” (Grifos nossos) A reserva de capital constituída pelas instituições financeiras, em decorrência da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas, não está contemplada dentre as reservas de capital não tributadas pelo IR, contudo essa atualização foi expressamente excluída do lucro real pelo Poder Executivo, nos exercícios em que foi reconhecida (até dezembro de 1995), não havendo, hoje, qualquer possibilidade de se determinar a sua inclusão no lucro real por força do princípio da segurança jurídica, que mantém a proteção de que ela desfrutou, no passado e, adicionalmente, por força da decadência que já teria se operado em relação aos períodos em que essa regra vigorou. Tampouco há previsão de que o montante da reserva devesse ser revertido para resultado, devendo ela ser usada, apenas, para aumento de capital ou compensação de prejuízos. Quanto à incidência do IRF, não ocorrendo a distribuição do lucro, ele não poderia ser cobrado e o evento da cisão das bolsas, seguido de sua transformação em companhia, bem como da venda das ações, não caracterizaram distribuição de lucros, para fins de IRF, na forma da Portaria 785/77. (ii) finalmente, pela “equiparação” dessa atualização àquela decorrente dos resultados oriundos de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação: o fundamento dessa interpretação decorre de específica manifestação da então Secretaria da Receita Federal SRF, contida no Parecer Normativo da então Coordenadoria do Sistema de Tributação CST n° 78/78, com a seguinte ementa: “Investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas devem ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido: 1) nas sociedades anônimas; 2) nas demais sociedades quando devam refletirse no balanço de sociedade anônima e 3) nas sociedades em que o exija lei especial.” (Grifo nosso) Muito embora o referido Parecer aborde apenas o tratamento tributário da contrapartida da avaliação, pelo método de equivalência patrimonial, de investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas, as fundamentações legais nele descritas, que embasaram o entendimento das autoridades fiscais, são aplicáveis ao tratamento a ser dispensado às atualizações dos títulos patrimoniais das bolsas, creditadas em conta específica de reserva de capital pelas instituições financeiras. Observese que os títulos eram investimentos próprios da operação das sociedades, relevantes para sua atuação negocial, o que justifica a assemelhação pretendida. Ressaltese que o BACEN também entendia a natureza dos títulos dessa forma, pois que o COSIF determinou fossem eles classificados como ativo permanente, investimentos sujeitos a atualização. Além da expressa determinação procedimental do COSIF e a ausência de qualquer efeito tributário decorrente dessa metodologia são suficientes para concluir que o seu uso estava autorizado pelo sistema como se depreende da leitura do conteúdo do trecho, abaixo citado, do Parecer em questão: “7 Não obstante a generalidade das regras acima discutidas, ressalvese a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de empresas estabelecer outros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido. Particularmente, a Lei da Reforma Bancária (n° 4.595/64, art. 4°, item XII) atribui ao Fl. 562DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 562 43 Conselho Monetário Nacional a fixação de normas contábeis para as instituições financeiras, assim como a Lei n° 6.385/76 (art. 22, parágrafo IV) deferiu às companhias abertas a fixação de padrões de contabilidade para companhias abertas. 7.1 – Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária, a imposição pelo Banco Central ou Comissão de Valores Mobiliários de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com os reflexos pertinentes na apuração do lucro real.” (Grifos nossos) Com base nos fundamentos legais mencionados no item 7 do Parecer, bem como nas referências por ele efetuadas aos atos normativos anteriormente citados, é possível afirmarse que, considerando a obrigatoriedade das instituições financeiras de registrarem a contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais, em conta específica de Reserva de Capital, por força das determinações emanadas do CMN (notadamente aquelas previstas pelo COSIF), à semelhança da contrapartida da aplicação da metodologia de equivalência patrimonial, os mesmos reflexos devem ser por elas observados no tocante à determinação do lucro real, portanto, nenhum efeito fiscal quanto ao Imposto de Renda e à Contribuição Social. À vista dos fatos, podemos concluir que os acréscimos correspondentes à atualização dos títulos não estão sujeitos à tributação pelo IR ou pelo IRF, no momento da venda, integrando o custo de aquisição dedutível para todas as finalidades. Nessa afirmativa, dois aspectos são importantes: (i) o respeito às disposições da Portaria 785/77 e ao sistema jurídico e (ii) a ausência da característica de distribuição de lucros da troca de títulos por ações. Ou seja, como anteriormente descrito, a única base imputável possível para fins de IRPJ e de CSLL seria como ganho de capital, o que no caso equipararseia ao resultado de equivalência patrimonial, de resto também não tributável para fins de PIS e da COFINS, por expressa previsão legal. 2.3.6 Tratamento tributário do ganho ou perda de capital na venda das ações 2.3.6.1 IR e CSLL Em que pese já repute suficiente para o deslinde da questão, teceremos comentários acerca do tratamento tributário pelo IRPJ e pela CSLL como se ganho de capital tributável fosse, para ao fim concluir quanto às nossas contribuições sociais. De acordo com o disposto no art. 418 do RIR/999, os resultados da alienação de bens do ativo permanente serão computados na determinação do lucro real. Ao tratar da forma pela qual se determina o ganho ou perda de capital, nos casos de alienação de investimentos avaliados pelo valor de patrimônio líquido, assim dispõe o RIR, em seu art. 426: “Art. 426 O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio 9 Disposição contida no Livro II, Título IV, Subtítulo III, Capítulo VII, que trata da tributação dos resultados não operacionais. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 563 44 líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” (Grifos nossos) Assim, em consonância com o anteriormente disposto, o valor de custo das ações a ser computado para fins de determinação do ganho ou perda de capital, por ocasião de sua alienação, deveria equivaler ao valor de “patrimônio líquido” pelo qual o investimento estivesse registrado. Nesse valor estaria contemplado, portanto, o montante correspondente à contrapartida da atualização dos títulos, com base no valor informado pelas respectivas bolsas. No que se refere à determinação da base de cálculo da CSLL, a Lei nº 7.689/88 dispõe que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, apurado com observância da legislação comercial, antes da provisão para o imposto de renda. Diversas normas concernentes à apuração dessa base de cálculo foram posteriormente editadas sem, contudo, haver na legislação ordinária dispositivo legal que consolide as normas de apuração e pagamento da CSLL, o que somente foi efetuado pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal10 IN SRF nº 390/0411. Por ocasião da edição da Portaria nº 785/77 e do Parecer Normativo CST nº 78/78, normas que delimitaram, conforme abordado anteriormente, o tratamento fiscal a ser dispensado à contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais representativos do capital das bolsas de valores, a CSLL não havia sido instituída. Não obstante, são aplicáveis à CSLL os comentários anteriormente descritos em relação ao lucro real, no tocante ao cálculo do ganho de capital a ser tributado por ocasião da alienação das ações, uma vez que o ganho ou perda de capital decorrente da alienação de bens ou direitos integra o resultado do período, apurado em consonância com a legislação comercial (Lei nº 6.404/76 e alterações). A atualização dos títulos segue protegida de tributação, pois quando registrada não transitou em resultado e, hoje, nas diversas operações não se constitui em lucro ou resultado tributável, como já comentado. Outrossim, o tratamento tributário desse conjunto de operações para fins de IRPJ e de CSLL não vem sendo adequadamente compreendido por parte das autoridades fiscais. Manifestaramse de forma equivocada pela incidência do IR, porém, em momento anterior à venda (realização) das ações, no momento designado por “desmutualização”. De fato, as Soluções de Consulta da CoordenadoriaGeral de Tributação nº 10, de 26 de outubro de 2007, e da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil nº 521, de 07 de novembro de 2007, cujas respectivas ementas são idênticas pronunciaramse de forma diversa. 10 Atual Receita Federal do Brasil RFB. 11 Neste caso, as disposições da IN devem, necessariamente, estar suportadas por disposições constantes da legislação ordinária, sob pena de não aplicação, pelo contribuinte, naquilo que lhe for mais oneroso. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 564 45 A consulta acima mereceu por parte da Bovespa e da BMF, publicação de fato relevante onde questionaram a orientação tomada RFB. De fato, a consulta acima contém impropriedades diversas, a saber: (i) ignora o contrato atípico (cisão seguida de transformação) e os efeitos pretendidos pelas partes; (ii) ignora que os institutos previstos em lei podem ser utilizados por todo tipo de entidade exceto se o procedimento for vedado ou se a sua implementação for total e completamente incompatível com a situação à qual se pretende aplicálo. No que tange à cisão das bolsas, deixou de observar que o já citado art. 2033 do CC autoriza o uso desse instituto nas entidades sem fins lucrativos; (iii) considera que houve destinação de parcela de patrimônio das bolsas para entidade com fins lucrativos, em desacordo como o art. 61 do CC, quando a situação não é de destinação mas de cisão seguida de transformação (iv) considera que a avaliação das cotas, ou frações ideais das bolsas, deva ser feita pelo custo de aquisição, afastando desse conceito o valor da atualização determinada e protegida por lei; (v) conclui pela incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores;. (vi) muda entendimento manifestado anteriormente (Solução de Consulta COSIT nº 13, de 10.11.1997), em consulta então formulada pela Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (“ANCOR”), que tinha por objeto operação semelhante ao processo de “desmutualização”; (vii) descumpre o princípio da segurança jurídica, não observando as regras aplicáveis ao reconhecimento da atualização dos títulos e seus reflexos tributários, ao longo do tempo. Em termos práticos, a Solução de Consulta afirma que será tributado o resultado de atualização (equivalência patrimonial) do patrimônio das antigas bolsas, refletido no custo contábil dos títulos patrimoniais de seus associados, e que o fato gerador desse ganho de capital seria a cisão parcial do patrimônio das bolsas. A operação de cisão, feita a valores patrimoniais, não gera para os partícipes, sócios ou associados, nenhum reflexo tributário, caracterizada que é pela sucessão universal, afastandose as hipóteses de alienação, realização, devolução ou similares de ativos. Não há qualquer acréscimo patrimonial gerado para os antigos detentores dos títulos, quando trocados por ações, razão pela qual mais uma vez equivocase a autoridade fiscal. Entendo pois que a manifestação das autoridades fiscais excedera completamente os limites da lei, concluindose que: (i) no momento da “desmutualização”, por configurarse mera sucessão, não há incidência de tributação, pelo IR ou pela CSLL, sobre eventual ganho gerado e (ii) na venda das ações, o ganho de capital deve ser calculado a partir do custo de aquisição atualizado pela forma preconizada pela Portaria 785/77 e pelo COSIF e, após, submetido à tributação pelo IR e pela CSLL. 2.3.6.2 PIS e COFINS Fl. 565DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 565 46 No que se refere à incidência das contribuições devidas ao PIS e à COFINS, pelas instituições financeiras, determina a Lei nº 9.718/98 que a sua base de cálculo é o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida a totalidade de receitas por ela auferida, sendo irrelevantes a classificação contábil adotada para as receitas. Admite a lei sejam excluídas à base de cálculo das contribuições o valor das receitas oriundas da venda de ativo permanente (art. 3º, § 2º, IV ). Como a participação societária oriunda da troca de títulos, por ações, caracterizase como sucessão, não afetando a natureza de investimento permanente de que os títulos já desfrutavam, cabe o registro das ações em igual rubrica. É de se entender, portanto, que a receita correspondente à venda das ações deve ser excluída de tributação a essas contribuições, especialmente porque, como já comentado, o adequado registro contábil deve ele ser feito na conta 2.1.9.90.003 Outros Investimentos (COSIF), integrante do Ativo Permanente, Investimentos Nesse contexto, entendo não haver incidência das contribuições ao PIS e COFINS, nos termos do art. 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718/98, sobre o montante do ganho de capital apurado (ou que vier a ser apurado enquanto durar a vigência do citado dispositivo) por ocasião da alienação das ações representativas do capital das novas companhias. Caso houvesse a incidência, ainda assim entendo que deveria para esse fim, ser computado como custo o valor atualizado do investimento na data da substituição dos títulos anteriormente detidos por ações, cujo montante deveria corresponder ao percentual de participação detido pela sociedade no patrimônio líquido informado pelas respectivas bolsas de valores. Enfatizese, novamente, que o fato de o ativo ser destinado à venda, por acordo de sócios, não o caracteriza como bem realizável, de curto ou longo prazo, pois que essa caracterização é dada no momento da aquisição. Dessa forma, eventual transferência da conta de ativo permanente para conta de circulante, como pretendeu a fiscalização, além de ser procedimento contrário à lei societária, não poderia gerar qualquer reflexo tributário para fins de PIS e COFINS, pois a alienação é de bem destinado ao objeto da sociedade que mantém essa característica até sua transferência ao comprador. Observese que a legislação atinente ao PIS e à COFINS considera irrelevante a contabilização (classificação), em que pese meu entendimento de que essa norma carece sempre de interpretação casuística, dada à receita auferida para fins de tributação, no sentido de que à tributação não se excluem verbas que revestindo a natureza de receita bruta foram contabilizadas em rubricas que não permitem inferir essa condição. Esse é justamente o caso em que a norma deve ser interpretada à luz dos fatos, do caso concreto, sob pena de relegar à insignificância todo o ordenamento jurídico econômica pátrio, em especial a lei societária e as normas cogentes reguladoras. A suposta irrelevância de que se revestiria a norma contábil, em termos de contribuições sociais, permite afirmar, em contrapartida, que uma indevida e antecipada contabilização de investimento, que sempre se caracterizou como permanente e assim esteve registrado, em rubrica do circulante, não ensejaria a tributação da correspondente receita, por ocasião da venda, sob a alegação de que a operação foi de investimento voltado à operação, sempre classificado no permanente e que essa transferência não seria suficiente para retirarlhe tal condição. Reforça esse argumento a ausência de operação nova, alienação, distribuição de lucros ou similares. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 3302001.840 S3C3T2 Fl. 566 47 Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário.. É como voto. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 567DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11080.010647/2005-36
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001
IRPJ - GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS - SALDOS INEXISTENTES - Cancelados os lançamentos que deram origem à reversão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela empresa, prevalecem os saldos originalmente apurados pelo contribuinte.
MATÉRIA CONEXA COM LANÇAMENTO ANTERIOR - Se o lançamento litigado contém valores que ajustam a base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social, a decisão que põe fim à lide deve ser compatível com a emitida no primeiro, em face da relação de causa e efeito que os vincula.
CSLL- LANÇAMENTO DECORRENTE - A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, aplica-se, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1301-001.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(documento assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA
Presidente
(documento assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS SALDOS INEXISTENTES Cancelados os lançamentos que deram origem à reversão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela empresa, prevalecem os saldos originalmente apurados pelo contribuinte. MATÉRIA CONEXA COM LANÇAMENTO ANTERIOR Se o lançamento litigado contém valores que ajustam a base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social, a decisão que põe fim à lide deve ser compatível com a emitida no primeiro, em face da relação de causa e efeito que os vincula. CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documento assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 06 47 /2 00 5- 36 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11080.010647/200536 Acórdão n.º 1301001.167 S1C3T1 Fl. 3 2 VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA LTDA., já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar arguida e, no mérito, julgou procedente o lançamento efetuado. De acordo com a Autoridade Administrativa, as autuações tiveram origem na Revisão de Declarações de Rendimentos DIPJ apresentada pela Contribuinte, oportunidade em que foi constatado que a empresa compensou indevidamente, no anocalendário 2000 e nos três primeiros semestres do anocalendário 2001, prejuízos fiscais inexistentes de exercícios passados, conforme especificado no Relatório da Ação Fiscal às fls. 04/05 e 321/322. Foram, por isso, lavrados Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, às fls. 02/03, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 319/230. O auto de infração referente à CSLL foi inicialmente objeto do Processo Administrativo autuado sob o nº 11080.010646/200591. No entanto, por ter o mesmo fato gerador do presente processo, aquele processo foi a esse anexado (fls. 316), em atendimento ao pedido feito pela contribuinte em sua impugnação. Inconformada com as exigências fiscais, das quais teve conhecimento em 15.12.2005, às fls. 205 e 501, a contribuinte apresentou, tempestivamente, em 12.01.2006, as impugnações de fls. 226/231 (IRPJ) e 502/507 (CSLL), a seguir sintetizadas. Inicialmente, requer que o auto de infração referente à CSLL, objeto do Processo Administrativo nº 11080.010646/200591, seja apensado ao presente processo referente ao IRPJ, uma vez possuírem os mesmos fatos geradores, o que foi cumprido. Prossegue afirmando que os autos de infração ora discutidos devem ser extintos de ofício pela autoridade administrativa, uma vez que são decorrentes do Processo Principal nº 11080.008088/200171, o qual foi julgado insubsistente pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, que reconheceu a legitimidade dos atos praticados pela contribuinte. Nesse sentido, junta aos autos cópia do acórdão nº 10194.340. Discorre, ainda, sobre o mérito do Processo Administrativo nº 11080.008088/200171, afirmando ser inaceitável uma tributação em função da equivalência de efeitos econômicos; afirmando que isso seria tributar por analogia mediante utilização da Fl. 859DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11080.010647/200536 Acórdão n.º 1301001.167 S1C3T1 Fl. 4 3 condenada interpretação econômica, e que, no máximo, terseia um negócio indireto fiscal legítimo e oponível à administração fiscal. Esclarece que, quando lavrado o auto de infração originário, a empresa já havia efetuado as compensações de resultados negativos, razão pela qual desde aquele momento a fiscalização poderia ter formalizado as presentes exigências. Não as fazendo, não poderia efetuálas enquanto vigente a decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes. Finalmente, requer seja julgada improcedente a ação fiscal, com o consequente cancelamento do crédito constituído. À vista da Impugnação, a 5a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL. Como razões de decidir, apontaram os julgadores que, ao contrário do que pretende demonstrar a contribuinte em sua defesa, o Fisco pode a qualquer momento, desde que não consumada a decadência, constituir os créditos que entender devidos. Assim, não existe nenhum óbice para que, em nova fiscalização referente a outros períodos, sejam lavradas novas autuações. Quanto à suposta nulidade do lançamento face à decisão proferida pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte no Processo Administrativo nº 11080.008088/200171, ressaltaram que os recursos têm efeito devolutivo e suspensivo, não exonerando a contribuinte da exigência até a decisão definitiva, da qual não caiba mais recurso ou esse não tenha sido apresentado, nos termos dos arts. 33 e 42, do Decreto nº 70.235/72. Sendo assim, no momento em que a contribuinte tomou ciência da lavratura dos presentes autos de infração, a decisão proferida no referido processo pelo Conselho de Contribuintes estava com seus efeitos suspensos em razão da apresentação do recurso perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais. No mérito, destacaram os julgadores que não cabe à análise da ocorrência ou não das infrações que originaram o Processo Administrativo nº 11080.008088/200171, uma vez que este se encontra com a exigibilidade suspensa em razão do recurso. Pelo exposto, os julgadores rejeitaram as preliminares arguidas e, no mérito, mantiveram os lançamentos. Inconformada com a decisão de primeira instância, da qual foi intimada em 15.02.2007, às fls. 600, a Contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário em 15.03.2007, fls. 601/608. Inicialmente, a Recorrente fez um breve relato dos fatos que deram origem ao presente processo, bem como dos fundamentos apresentados em sua impugnação e das razões que fizeram com que os julgadores de primeira instância decidissem pela manutenção do lançamento. Em seguida, requer seja cancelada a exigência ora guerreada em razão da decisão proferida no Processo Administrativo nº 11080.008088/200171, o qual, no mérito, Fl. 860DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11080.010647/200536 Acórdão n.º 1301001.167 S1C3T1 Fl. 5 4 cancelou a autuação originária, reconhecendo a legitimidade dos atos praticados pela contribuinte. Dessa forma, em razão da íntima relação existente entre o referido processo e as autuações ora discutidas, afirma que deve ser reconhecida de ofício a extinção do crédito tributário aqui apurado. Corroborando seu entendimento, ressalta que a própria decisão de primeira instância reconheceu que os processos, caso não tivessem em instâncias diferentes, deveriam ser reunidos para uma solução conjunta. Discorre, ainda, sobre o mérito do Processo Administrativo nº 11080.008088/200171, afirmando ser inaceitável uma tributação em função da equivalência de efeitos econômicos. Afirma que isso é tributar por analogia mediante utilização da condenada interpretação econômica; e que, no máximo, terseia um negócio indireto fiscal legítimo e oponível à administração fiscal. Esclarece que quando foi lavrado o auto de infração originário a empresa já havia efetuado as compensações de resultados negativos, razão pela qual desde aquele momento, a fiscalização poderia ter formalizado as presentes exigências. Não o tendo feito, não poderia fazêlo enquanto vigente a decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes. Salienta que, até o momento, não foi apreciado o recurso especial interposto face à decisão proferida pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual julgou insubsistente o lançamento realizado no Processo nº 11080.008088/200171 em 09 de setembro de 2003. Destaca que, ao contrário do que entenderam os julgadores a quo, o recurso da PFN contra uma decisão que cancela um crédito fiscal não pode desconsiderar a vigência da decisão que julgou insubsistente o lançamento. Ou seja, não se pode admitir autuações reflexas referentes a uma autuação originária já cancelada. Insurgese, ainda, em relação à aplicação da multa de ofício, uma vez que o crédito foi constituído diante de uma condição suspensiva, apenas com o objetivo de prevenir a decadência. Sendo assim, apenas por amor ao debate, requer seja reconhecida à impossibilidade da exigência da multa de ofício no percentual de 75%, caso os julgadores decidam pela manutenção da autuação, conforme disposto no art. 63, da Lei nº 9.430/96 e art. 151, III, do CTN. Finalmente, requer seja reformada a decisão de primeira instância, julgando improcedente a ação fiscal, com o consequente cancelamento do crédito constituído. Incluído em pauta de julgamento do dia 25 de junho de 2008, acordaram os membros da antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar o retomo dos autos à DRF de origem para aguardar o julgamento final do Processo nº. 11080.008088/200171, do qual este é decorrente. Proferida decisão final naquele processo, retorna o presente a julgamento. É o relatório. Voto Fl. 861DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11080.010647/200536 Acórdão n.º 1301001.167 S1C3T1 Fl. 6 5 Conselheiro Valmir Sandri, Relator Como visto do relatório, os lançamentos têm origem na reversão, efetuada pela fiscalização, do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, relativo ao ano calendário de 1999, discutida nos autos do PA 11080.008088/200171. Assim, o destino dos lançamentos ora discutidos estão umbilicalmente ligados à decisão final proferida naquele processo. O recurso proferido nos autos do PA 11080.008088/200171 foi julgado pela Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes na Sessão de 09 de setembro de 2003 – Acórdão nº 10194.340 e, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário. Em razão da interposição de recurso especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os efeitos da decisão ficaram suspensos. Em 14/10/2008 o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi julgado pela 1ª Turma da CSRF que, pelo Acórdão 0106.015, negoulhe provimento, confirmando o decidido pelo Acórdão n. 10194.340. Interpostos embargos pela Fazenda Nacional, não foram eles admitidos. Em seguida, foram interpostos novos embargos pela autoridade competente para executar o acórdão (DRF em Porto Alegre), que foram levados a julgamento em sessão de 25/01/2010 quando, pelo voto de qualidade, foram conhecidos e, por maioria de votos, foram acolhidos com efeitos infringentes, tendo sido integralmente restabelecidas as exigências (Acórdão CSRF 910100483). O Acórdão CSRF 910100483 foi embargado pela contribuinte, sob alegação de que o voto padecia de obscuridades, omissões e contradições, apontando objetivamente seis omissões, três contradições e uma obscuridade. Na sessão de 28 de março de 2011, pelo Acórdão 910100.900, a 1ª Turma da CSRF acolheu os embargos de declaração para suprir as contradições apontadas, atribuindo lhes efeitos infringentes para rerratificar o Acórdão CSRF nº 910100.483, de 25 de janeiro de 2010, restabelecendose, sem novo julgamento de mérito, o Acórdão CSRF nº 0106.015, de 14 de agosto de 2008. Tendo se tornada definitiva a decisão que cancelou as exigências com base nas quais foram revertidos os prejuízos fiscais e bases negativas, prevalecem os saldos originalmente apurados pela contribuinte e deixa de se caracterizar como indevida a compensação glosada pela fiscalização objeto do presente processo. Isto posto, DOU provimento ao recurso ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de março de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 862DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11080.010647/200536 Acórdão n.º 1301001.167 S1C3T1 Fl. 7 6 Fl. 863DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.004318/2007-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/09/2006
PREVIDENCIÁRIO.RETENÇÃO 11% NAS NOTAS FISCAIS. RESTITUIÇÃO. INFORMAÇÕES NÃO PRESTADAS NA GFIP. EXIGÊNCIA EXTEMPORÂNEA.
Na forma do comando do art. 144. do Código Tributário Nacional - CTN, o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2403-001.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto . Convocados os Conselheiros Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO.RETENÇÃO 11% NAS NOTAS FISCAIS. RESTITUIÇÃO. INFORMAÇÕES NÃO PRESTADAS NA GFIP. EXIGÊNCIA EXTEMPORÂNEA. Na forma do comando do art. 144. do Código Tributário Nacional - CTN, o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto . Convocados os Conselheiros Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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RESTITUIÇÃO. INFORMAÇÕES NÃO PRESTADAS NA GFIP. EXIGÊNCIA EXTEMPORÂNEA. Na forma do comando do art. 144. do Código Tributário Nacional CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Leôncio Nobre de Medeiros, Marcelo Magalhães Peixoto . Convocados os Conselheiros Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 43 18 /2 00 7- 13 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório A instância “ ad quod” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “ Tratase de pedido de restituição de valor retido em nota fiscal de prestação de serviço por tomadores de serviços na forma do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, referente às competências 12/2004 a 09/2006, no valor originário informado pela empresa de R$ 42.659,89 (quarenta e dois mil, seiscentos e cinqüenta e nove reais e oitenta e nove centavos). A empresa protocolou o pedido em 09 de maio de 2007. Em 25/01/2011, a DRF de Brasília, emitiu o Despacho Decisório deferindo parcialmente a restituição no valor originário de R$ 25.975,55 (vinte e cinco mil, novecentos e setenta e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos), por ter a empresa deixado de informar nas GFIP´s do período todas as retenções sofridas em notas fiscais. Irresignado com o Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese, que: a exigência de informar as retenções na GFIP não passa de mera obrigação, uma vez que o próprio Fisco pode comprovar o recolhimento dos valores retidos pelas tomadoras de serviço. os dispositivos utilizados pela fiscalização para indeferir o pedido integral da restituição foram: o inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/91 e o art. 48 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, porém pela leitura desses dispositivos concluise que o que o contribuinte deixou de cumprir foi obrigação acessória, cuja exigência para restituição não está contida nem no art. 31 da Lei 8.212/91 e nem no art. 219 do Decreto 3.048/99. Transcreve os textos citados, afirmando que os dispositivos citados regulam a possibilidade de se restituir o valor que exceder aquele devido à Previdência Social e que as formalidades aí dispostas foram cumpridas pela empresa. o que se deve buscar e se atingir no processo administrativo é a verdade material. Os documentos anexos aos autos do processo provam, de maneira cabal, que o tributo foi recolhido no período verificado, sem qualquer erro, omissão ou supressão e que uma mera obrigação acessória não pode prevalecer face a obrigação principal plenamente adimplida e comprovada no processo. é dever da Administração, quando verificar a existência de erros na declaração, proceder com a retificação de ofício daquela incorreção. Não se trata, portanto, de mera faculdade conferida ao Fisco, conforme § 2º do art. 147 do Código Tributário Nacional “Os erros contidos na declaração e apuráveis Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10166.004318/200713 Acórdão n.º 2403001.644 S2C4T3 Fl. 3 3 pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” Cita decisão do CARF e decisão judicial que entende corroborar seu entendimento. Requer a reforma da decisão do despacho homologatório para que lhe seja restituído o montante integral das retenções havidas, comprovadas pelas respectivas notas fiscais e demais documentos anexos aos autos.” É o relatório. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.845, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Brasília DF DRJ/BSB, em 09 de agosto de 2011, exarou o Acórdão n° 0344.323, mantendo parcialmente procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Analisando os autos concluise o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. MÉRITO Conforme registro no Requerimento de fls. 03, tratase de empresa optante pelo sistema de tributação SIMPLES. Em sede de impugnação a Recorrente não teve êxito em razão do Julgador “ ad quod ”, acompanhado pela unanimidade da turma, entender que a informação na GFIP é requisito imprescindível para a concessão da restituição. Neste sentido, na condução do seu voto, exortando a Instrução Normativa IN RFB nº 900, assim manifestou : “ conforme dispõe o caput do art. 17 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, que disciplina a matéria, in verbis: Art. 17. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção de contribuições previdenciárias no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços que não optar pela compensação dos valores retidos, na forma do art. 48, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor, poderá requerer a restituição do valor não compensado, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP).” Adiante, em complemento registrou: “ O motivo do indeferimento parcial foi a falta de informação do valor da retenção na GFIP e não erro no valor informado. Portanto, a empresa deixou de informar os valores da retenção que é condição prevista no art. 17 da Instrução Normativa da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, já citado. A Administração não pode complementar as informações da empresa na GFIP. Para que a decisão fosse revista, a empresa deveria ter efetuado a correção da GFIP, transmitindo nova declaração com os valores retidos e anexado o comprovante do envio desta correção na impugnação. Como a empresa não comprovou e nem alegou que corrigiu a falha apontada, não é possível modificar a decisão que indeferiu parcialmente a restituição dos valores retidos.” Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10166.004318/200713 Acórdão n.º 2403001.644 S2C4T3 Fl. 4 5 No Despacho Decisório de fls. 793, consta que a empresa , entre outros, apresentou os seguintes documentos: Demonstrativo de Notas Fiscais/Faturas/Recibos de Serviços Prestados, Notas fiscais de serviço do período (fl.25 a 77 ); GFIP do período ( fls. 186 a 399); No mesmo Despacho supra, a Autoridade Fiscal NÃO NEGA que os valores foram descontados nas notas fiscais e recolhidos no conta corrente do contribuinte, pelo contrário, às fls. 797, colaciona planilha extraída de consulta de telas GFIP/WEB confirmando os valores retidos abrindo uma coluna onde registrou os valores que são de restituir. Entretanto para negar a restituição dos valores descontados e recolhidos exorta descumprimento de obrigação acessória assentada no comando do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 inciso IV, parágrafo 2 o da Lei n° 8.212/91, e o artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, que trata das obrigações acessórias da empresa e estabelece que a empresa é obrigada a declarar todos os fatos geradores da contribuição previdenciária em GFIP . Tendo em vista que os artigos elencados para sustentar a conclusão não eram suficientes para motivar a decisão, em reforço, buscou as determinações da IN RFB N° 900 de 30.12.2008, com exigências que surgiram posteriores à data do requerimento do pedido de restituição conforme registro de fls. 01 ocorrido em de 09 de maio de 2007. É compulsório notar que a exigência de declarar em GFIP contida no item I da sobredita IN 900, não constava do documento original posto que fora introduzida pela redação , dada mais tarde ainda, pela Instrução Normativa RFB n° 973. de 27 de novembro de 2009, verbis: “ I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mão de obra ou pela execução da empreitada total; e (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 973. de 27 de novembro de 2009)” Como se lê no registro de fls. 799, o Despacho Decisório é datado de 21/01/2011 razão pelo qual a Autoridade Fiscal se valeu de instruções extemporâneas aos fatos geradores. Assim procedendo, entendo que concedeu tratamento desigual a Recorrente posto que não foram observadas as mesmas regras para os contribuintes que eventualmente requereram restituição na mesma ocasião em que fizera o contribuinte em apreço e tiveram tempestivamente analisados seus pedidos. Antevendo tal hipótese supra, não sendo caso de apuração por novos critérios ou processo de fiscalização, o Código Tributário Nacional – CTN, na forma do art. 144, aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Buscando elementos de convicção na Legislação que abriga os comandos para efeito da restituição requerida, socorrome com ainda vigente preceituado no artigo 31 da Lei 8.212/91, bem como o que determina o § 9° do art. 219 do Decreto 3.048/99: “ Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. ” § 9° do art. 219 do Decreto 3.048/99: “ Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 9º Na impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3º do art. 247.” Destaquese que não obstante as determinações das sobreditas Instruções Normativas, não se vislumbra na legislação de regência as exigências “ ad quod ”. Ademais, se for o caso de fazer prevalecer legislação extemporânea, exortandose o princípio da retroatividade benigna, há que prevalecer a determinação prevista na INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 938, de 15 de maio de 2009, anterior ao Despacho Decisório,de 21/01/2011 bem como ao Acórdão n° 0344.323, datado de 09 de agosto de 2011. O contrato social da empresa registra atividade excluída do rol dos Anexos IV e V da Lei Complementar nº 123, de 2006. Assim, conforme o art. 274C da sobredita instrução as ME e EPP optantes pelo Simples Nacional que prestarem serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada não estão sujeitas à retenção referida no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, “ verbis”: Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10166.004318/200713 Acórdão n.º 2403001.644 S2C4T3 Fl. 5 7 "Art. 274C. As ME e EPP optantes pelo Simples Nacional que prestarem serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada não estão sujeitas à retenção referida no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitidos, excetuada: I a ME ou a EPP tributada na forma dos Anexos IV e V da Lei Complementar nº 123, de 2006, para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2008;” Em razão do circunstanciado, entendo que se deva dar provimento às alegações da Recorrente . CONCLUSÃO. Por tudo que foi exposto, conheço do recurso para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10530.004747/2008-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO
FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as
circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA
POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA
JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por
descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não
cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA
DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA
DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL
DO BRASIL - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento
das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo
com os padrões e normas estabelecidos pela RFB.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.339
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 83 1 82 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.004747/200868 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 240301.339 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente HOSPITAL NOSSA SENHORA DA SAUDE S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10530.004747/200868 Acórdão n.º 240301.339 S2C4T3 Fl. 84 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – HOSPITAL NOSSA SENHORA DA SAÚDE S/C contra Acórdão nº 1522.272 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador BA que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.211.3966, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.254,89. A Recorrente está sendo autuada por descumprimento de obrigação acessória CFL 30 – por deixar de incluir nas Folhas de Pagamento do período fiscalizado as informações dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Ao Relatório Fiscal da Infração foram anexados: (i) o Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 37.211.3931; (ii) a cópia do contrato de prestação de serviços com Pessoa Física. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 07, houve infração ao disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa aplicada está capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes e atenuantes previstas no Decreto no 3.048/1999. A Recorrente teve ciência do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 09 a 11, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0510200.2008.00234. A Recorrente teve ciência deste AIOA em 30.12.2008, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, às fls. 09 a 11, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1522.272 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador BA, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. FOLHA DE PAGAMENTO. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Constitui infração deixar, a empresa, de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Administração Tributária. LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário,, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Cumprimento da obrigação principal – pagamento de GPS. Vêse que a obrigação acessória existe, sempre, em função da obrigação principal, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dessa obrigação principal, vale dizer, a obrigação de pagar o tributo. Desse entendimento decorre a primeira característica da obrigação acessória que é a sua transitoriedade. E dizer que uma vez cumprida a obrigação principal, digase, o pagamento do tributo, desaparece a sua razão de ser. Afinal, se a obrigação acessória existe tão somente com a finalidade de fazer com que a obrigação principal seja cumprida é meridiano entenderse que, uma vez esta adimplida, desaparece a razão de ser da obrigação acessória. Assim sendo, no exercício de 2004 a Impugnante realizou os pagamentos de GPS. Contudo, a despeito da realização de pagamento, foi instituída multa por descumprimento de obrigação acessória de forma a violar a sistemática normativa instituída pelo CTN. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10530.004747/200868 Acórdão n.º 240301.339 S2C4T3 Fl. 85 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação da RFB às fls. 82. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e para o Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da regularidade da autuação Analisemos. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. TIAF –Termo de Início da Ação Fiscal; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. TEAF –Termo de Encerramento da Ação Fiscal. h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10530.004747/200868 Acórdão n.º 240301.339 S2C4T3 Fl. 86 7 do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. DO MÉRITO (ii) Cumprimento da obrigação principal – pagamento de GPS. Vêse que a obrigação acessória existe, sempre, em função da obrigação principal, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dessa obrigação principal, vale dizer, a obrigação de pagar o tributo. Desse entendimento decorre a primeira característica da obrigação acessória que é a sua transitoriedade. E dizer que uma vez cumprida a obrigação principal, digase, o pagamento do tributo, desaparece a sua razão de ser. Afinal, se a obrigação acessória existe tão somente com a finalidade de fazer com que a obrigação principal seja cumprida é meridiano entenderse que, uma vez esta adimplida, desaparece a razão de ser da obrigação acessória. Assim sendo, no exercício de 2004 a Impugnante realizou os pagamentos de GPS. Contudo, a despeito da realização de pagamento, foi instituída multa por descumprimento de obrigação acessória de forma a violar a sistemática normativa instituída pelo CTN. Analisemos. A Recorrente está sendo autuada por descumprimento de obrigação acessória CFL 30 – por deixar de incluir nas Folhas de Pagamento do período fiscalizado as informações dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Ao Relatório Fiscal da Infração foram anexados: (i) o Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 37.211.3931; (ii) a cópia do contrato de prestação de serviços com Pessoa Física. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 07, houve infração ao disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa aplicada está capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Por outro lado, a Recorrente alega que a obrigação principal descrita no procedimento já foi cumprida pelo pagamento de GPS. Entretanto, devese anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres1, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2, observase que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submetese o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Auto de Infração de Obrigação Principal, no presente caso o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n° 37.211.3931. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendose o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas, inclusive conforme muito bem exposto pela a Recorrida, às fls. 72: 10. Ao deixar de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Administração Tributária, a empresa infringiu o artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, inciso I e §90, do RPS. 11. A penalidade aplicada encontrase fundamentada nos arts. 283, inciso I, alínea "a", e 373 do RPS, cujo valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 2008. 12. A empresa descumpriu obrigação tributária acessória ao infringir os dispositivos legais anteriormente descritos, tendo sido a presente autuação constituída com observância das formalidades legais e regulamentares próprias. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236. 2 PAULSEN, Leandro. Op. cit., p. 900. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10530.004747/200868 Acórdão n.º 240301.339 S2C4T3 Fl. 87 9 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004358/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2002
FATO GERADOR: 31/07/2002, 19/08/2002 - RESPONSABILIDADE DA
FONTE. RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR - Compete à fonte pagadora reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior.
MULTA DE OFICIO - APLICABILIDADE - Legitima a imposição da multa
de oficio, na forma preconizada pela legislação vigente.
SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(1° CC - Súmula n° 4)
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.354
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2002 FATO GERADOR: 31/07/2002, 19/08/2002 - RESPONSABILIDADE DA FONTE. RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR - Compete à fonte pagadora reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. MULTA DE OFICIO - APLICABILIDADE - Legitima a imposição da multa de oficio, na forma preconizada pela legislação vigente. SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(1° CC - Súmula n° 4) Preliminar rejeitada. Recurso negado.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ágg-` SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.004358/2007-53 Recurso n° 160.735 Voluntário Acórdão n° 2201-00.354 — 2 Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRRF - Ex.: 2002 Recorrente REPLECTA PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida 1' TURMA/DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2002 FATO GERADOR: 31/07/2002, 19/08/2002 - RESPONSABILIDADE DA FONTE. RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR - Compete à fonte pagadora reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. MULTA DE OFICIO - APLICABILIDADE - Legitima a imposição da multa de oficio, na forma preconizada pela legislação vigente. SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(1° CC - Súmula n° 4) Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. 1,1 nIè tV 1 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.354 Fl. 2 ‘$) MOISÉ "1"̀ I: _e D ILVA — Presidente EDUARD ' • DEU FARAH Relator FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Cons; heiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Manoel Coelho Arruda Júnior (Suplente convocado) Eduardo Tadeu Farah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia Moreira : nos Mazza (Suplente convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em ercício). 2 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00354 Fl. 3 Relatório REPLECTA PARTICIPAÇÕES LTDA, recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 1" TURMA - DRJ - CURITIBA/PR, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 183 a 205. Trata-se de exigência de IRRF com valor total de R$ 2.195.775,00, incluídos multa de oficio de 75 % e juros de mora. A infração apurada pela fiscalização foi de falta de recolhimento do IRRF sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. De acordo com o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, de tis. 112 a 116, ocorreu o fato gerador do IRRF incidente sobre ganho de capital auferido pela integralização de imóveis pela empresa estrangeira de nome Kennyblock Sociedade Anônima no capital social da autuada, da qual é sócia majoritária, e sem a correspondente retenção na fonte do imposto. Cientificada do lançamento, a autuada apresenta impugnação de fls. 129 a 148, sustentando, em síntese: a) que não há nenhuma norma que determine a responsabilidade de retenção do imposto de renda para a empresa, que é a adquirente dos imóveis integralizados em seu capital pela empresa Kennyblock; b) que a própria Receita Federal, ao editar a Instrução Normativa SRF n° 73/1998 e Instrução Normativa SRF n° 208/2002, esclarece que o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital deverá ser efetuado na data da alienação, sendo responsável o alienante ou o seu procurador; c) que, para a indicação de um sujeito como responsável tributário, deve haver a previsão expressa em lei (art. 121, II, do Código Tributário Nacional); d) que nenhuma das normas citadas pela fiscalização possui força de lei ordinária; e) que, ao determinar a imposição da retenção e do pagamento do imposto de renda à adquirente, está a autoridade fiscal a inobservar a Constituição Federal, além de negar o princípio da legalidade, posto que não há lei que defina tal obrigatoriedade; f) que é ilegítima a incidência do imposto de renda na transferência de bens imóveis do patrimônio de pessoa jurídica, a título de integralização do capital social, por não se constituir acréscimo patrimonial tributável; g) que a multa aplicada ofende o princípio constitucional do não-confisco; of h) que é ilegal e inconstitucional a taxa Selic. 3 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.354 Fl. 4 A i a Turma da DRJ de Curitiba/PR proferiu Acórdão 06-14.291, mantendo integralmente o lançamento, sob os argumentos postos, resumidamente: De acordo com o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, de fls. 112 a 116, a norma legal que determina a responsabilidade de retenção do imposto de renda para a autuada (fonte pagadora) é o art. 100, do Decreto-Lei n2 5.844, de 23 de setembro de 1943 - instrumento jurídico que, à época de sua instituição, tinha força de lei (art. 180 da Constituição Federal de 10 de novembro de 1937). As Instruções Normativas SRF n 2s 73, de 23 de julho de 1998, e 208, de 27 de setembro de 2002, mencionadas na Impugnação tratam de hipótese diversa, devendo ser rejeitada a preliminar argüida de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. A integralização de bens no capital de pessoa jurídica configura, indubitavelmente, uma alienação, não só para efeitos fiscais, mas também para efeitos civis e comerciais. A operação significa a transferência de bens ou direitos de um patrimônio para outro mediante qualquer negócio jurídico translativo da propriedade, ou, na definição mais precisa de De Plácido e Silva (in Vocabulário Jurídico, Editora Forense), termo jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designa todo e qualquer ato que tem o efeito de transmitir o domínio de uma coisa para outra pessoa. Desta forma, deve ser mantida a exigência, assevera o relator. A multa de oficio constitui penalidade imposta como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo, pois, inaplicável a ela o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. As leis determinadoras da taxa de juros Selic procuraram, justamente, compensar a Fazenda Nacional na exata medida do prejuízo causado pelo atraso do sujeito passivo naquele recolhimento. É sabido que a União paga juros à taxa Selic pelo dinheiro tomado no mercado financeiro. Os juros de mora não configuram uma sanção, senão uma indenização pelo dano causado pelo retardamento no recolhimento dos tributos e contribuições devidos. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório refere-se a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. Assim, deve ser mantida a multa de oficio no percentual de 75 %, finaliza o relator. Cientificada da decisão de primeira instância (fl.182), Replecta Participações Ltda interpôs Recurso Voluntário, alegando, basicamente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. eg. 4 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.354 Fl. 5 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega a recorrente, preliminarmente, ilegitimidade passiva, pois segundo seu ponto de vista, a responsabilidade pelo recolhimento do imposto sobre o ganho de capital é do alienante ou seu procurador, conforme Instrução Normativa SRF n° 73, de 23 de julho de 1998 e Instrução Normativa SRF n° 208, de 27 de setembro de 2002. Inicialmente, há de se tecer um breve histórico a cerca da responsabilidade sobre a retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital quando o alienante é residente no exterior. O desenvolvimento natural das relações internacionais suscitou intenso debate sobre a tributação da renda internacional, se no país onde se apura o rendimento (princípio da territorialidade), ou se no pais onde reside o investidor (principio da universalidade). O Estado brasileiro adotou os dois princípios, entretanto, relativamente ao ganho de capital, convencionou-se, em Direito Internacional, que os rendimentos sujeitam-se à legislação do país onde estão situados, quer seu proprietário resida ou não no mesmo território, excetuando-se, por obvio, os acordos entre Estados soberanos com previsões especificas sobre determinada matéria tributária. Aliás, os acordos internacionais solucionaram um grande dissídio tributário, ou seja, a dupla tributação. Desta feita, foi editada o Decreto-Lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943 e os seus arts. 97 e 100 preceituam: Art. 97. Sofrerão o desconto do impôsto à razão de 15% os rendimentos percebidos. (Redação dada pela Lei n° 154, de 1947) a) pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no estrangeiro; (Vide Lei e 154, de 1947) Art. 100. A retenção do imposto, de que tratam os arts. 97 e 98, compete à fonte, quando pagar, creditar; empregar, remeter ou entregar o rendimento. (Vide Lei n°9.249, de 1995) / \ Parágrafo único. Excetuam-se os seguintes casos, em que competirá ao procurador a retenção: Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.354 Fl. 6 a) quando se tratar de aluguéis de imóveis; b) quando o procurador não der conhecimento à fonte de que o proprietário do rendimento reside ou é domiciliado no estrangeiro. O Decreto-Lei n° 5.844/1943, ferramenta legislativa usada à época com força de lei, a exemplo do Código Penal vigente, determinou a retenção do imposto sobre os rendimentos recebidos pela pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. Por sua vez, atribuiu à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção quando esta pagar, creditar, empregar, remeter ou entregar o rendimento. Pelo que se vê, o argumento é extremamente simples, ou seja, em que pese o beneficiário ser residente no exterior, seu acréscimo patrimonial ocorreu no país, razão pela qual se deve tributar no país o rendimento aqui produzido. Como o ganho de capital representa um acréscimo patrimonial, não haveria sentido tratá-lo de forma diferente. É o que prevê os arts. 18 e 28 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no Pais. (.) Art. 28. A aliquota do imposto de renda de que tratam o art. 77 da Lei n° 3.470, de 28 de novembro de 1958 e o art. 100 do Decreto-Lei n" 5.844, de 23 de setembro de 1943, com as modificações posteriormente introduzidas, passa, a partir de I° de janeiro de 1996, a ser de quinze por cento. Dessa forma, o ganho de capital auferido por não-residente, nas operações com bens situados no Brasil, se sujeita à legislação tributária brasileira, sofrendo incidência de imposto ou, na hipótese de haver acordo entre o Brasil e o país de residência do alienante, o determinado nesse ato internacional, se essa hipótese estiver expressa no acordo. Não poderia ser de outro modo, em face da determinação contida no art. 98 do CTN I , em que as convenções internacionais revogam e/ou modificam a legislação tributária interna. Ressalte-se, ainda, que na ausência de acordo entre os sujeitos de Direito Internacional, sobre determinado assunto, deve-se utilizar a legislação interna para solução da lide. 1 Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária w interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. 6 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00354 Fl. 7 Neste sentido, houve a consolidação da matéria pelos arts. 685 e 702 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda (RIR11999): Art.685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa fisica ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 100, Lei n2 3.470, de 1958, art. 77, Lei n2 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n2 9.779, de 1999, arts. 72 e 89: I- à aliquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: b)os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; §12Prevalecerá a alíquota incidente sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos residentes ou domiciliados no País, quando superior a quinze por cento (Decreto-Lei n 2 2.308, de 1986, art. 22, e Lei n2 9.249, de 1995, art. 18). $22No caso do inciso II. a retenção na fonte sobre o ganho de capitai deve ser efetuada no momento da alienação do bem ou direito, sendo responsável o adquirente ou o procurador, se este não der conhecimento, ao adquirente, de que o alienante é residente ou domiciliado no exterior, §320 ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País (Lei n 2 9.249, de 1995, art. 18). Art.702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 100, Lei n2 3.470, de 1958, art. 77, e Lei n 2 9.249, de 1995, art. 28). Então, pelo que se verifica de todo exposto, na alienação de bens localizados no Brasil, o imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido por pessoa jurídica com sede no exterior, deverá ser retido e recolhido pelo adquirente ou procurador no momento da alienação. 7 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00354 Fl. 8 Esse também é o entendimento do Primeiro conselho de Contribuintes, consoante à ementa abaixo transcrita: RESPONSABILIDADE DA FONTE. RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. Compete à fonte pagadora reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. (Acórdão 102-49101 de 29/05/2008) Em relação à alegação de que o responsável pelo recolhimento do imposto é o alienante ou seu procurador, na forma Instrução Normativa SRF n° 73, de 23 de julho de 1998 e Instrução Normativa SRF n° 208, de 27 de setembro de 2002, esclareço que os referidos atos normativos não se subsume ao caso em apreço. Em verdade, se referem à tributação de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior e dos ganhos de capital apurados na alienação de bens e direitos situados no exterior por pessoa física residente no Brasil e dos rendimentos recebidos e dos ganhos de capital apurados no País por pessoa fisica não-residente no Brasil, respectivamente. Ressalte-se que embora a autoridade fiscal tenha também mencionado no auto de infração, o art. 26 da Lei n° 10.833/2003, todavia, determinado ato não prejudica a compreensão do lançamento, pois a matriz legal relativa ao enquadramento da exigência foi devidamente informada, qual seja o art. 100 do Decreto-Lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943. Em relação ao mérito, sustenta a recorrente que não houve fato gerador do imposto, pois, de acordo com seu entendimento, a integralização de bens imóveis não caracteriza alienação para efeito de incidência do imposto de renda. De pronto, deve ficar claro que o fato gerador do ganho de capital é a integalização do capital social de uma empresa, mediante transferência de bens imóveis, em valor superior ao custo de aquisição. Nessa senda, a integralização do capital com imóvel representa negócio jurídico valido, cujo efeito é a transmissão do domínio ou do direito de propriedade do bem. No caso em apreço, houve de fato a transmissão dos imóveis para a pessoa jurídica, sendo o novo proprietário o detentor de direito absoluto e exclusivo, podendo usar, gozar e dispor na forma que melhor lhe convém. Portanto, repise, no caso de transmissão de bem imóvel para fins de integralização de aumento de capital de empresa, o ganho é calculado entre a diferença do constante do custo de aquisição e o valor ajustado na alteração de contrato da empresa incorporadora do bem. Assim, de acordo com o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fl. 113), o ganho de capital representou a quantia de R$ 14.638.500,00, relativo C:4%) f'\ 8 Processo n° 10980.00435812007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00354 Fl. 9 incorporação de quatro imóveis (matriculas n's 1.729, 1730, 42.578 e 7.040) expressos nos respectivos registros carreados as fls. 19 a 43. Destarte, como foi constatado ter havido integralização do capital social da empresa, mediante a transferência de bens imóveis em valor superior ao custo de aquisição, deve ser mantida a exigência na forma concebida pela autoridade fiscal. Relativamente à multa de oficio, entendo, pois legal e legitima sua imposição. Contudo, para que se afira a natureza confiscatória da multa ou se ela afronta a capacidade contributiva do contribuinte, é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que não têm os órgãos administrativos julgadores, na forma da Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a incongtitucionalidade de lei tributária. Por fim, a Selic foi adequadamente aplicada, conforme entendimento pacificado neste Conselho de Contribuintes, consoante a Súmula n° 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso. Sala das S -sões, em 30 de julho de 2009 100*-7 E B ARDO /5 EU FARA - Relator 9
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Numero do processo: 11040.900885/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .9 00 88 5/ 20 08 -5 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Resolução nº 3402000.514 S3C4T2 Fl. 75 2 Relatório Tratamse os autos de Declaração de compensação realizada pelo contribuinte, que objetivou parte do pagamento de CSLL do período de Dez/2003, no valor de R$935,94 (novecentos e trinta e cinco reais e noventa e quatro centavos), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior relativo à multa de mora em débito de COFINS (confessado espontaneamente), do período de Jun/2004, no valor de R$1.044,15 (hum mil e quarenta e quatro reais e quinze centavos). Em análise à compensação transmitida a Autoridade Preparadora houve por bem em não homologar o pleito do contribuinte, alegando que para o DARF declarado no PER/DCOMP havia sido encontrados um ou mais pagamentos, tendo o referido valor sido utilizado integralmente na quitação de débitos. O contribuinte insurgiuse, argüindo que a multa paga através do referido DARF era indevida, uma vez que o pagamento ali realizado havia sido denunciado espontaneamente, o que materializaria o indébito utilizado na compensação. O julgamento em primeira instancia rechaçou os fundamentos da manifestação de inconformidade, apresentando entendimento suportado por decisão do STJ, no sentido de que a declaração de débito em DCTF e o seu respectivo recolhimento em atraso não configuram denúncia espontânea, não esclarecendo, todavia, o momento efetivo da declaração e do recolhimento ocorrido nos autos. O recurso foi apresentado nos mesmos termos da Manifestação de Inconformidade e no julgamento em 2ª instância o CARF houve por bem em converter o julgamento em diligência para apurar a ocorrência ou não de declaração do débito em DCTF, bem como o momento (posterior ou ulterior) do pagamento realizado, a fim de observar a caracterização ou não do pagamento espontâneo afirmado pelo sujeito passivo Realizada a diligência foi apresentado parecer conclusivo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes, numerado até a folha 73 (setenta e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Resolução nº 3402000.514 S3C4T2 Fl. 76 3 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam estes autos de diligência, designada pela Resolução nº. 3401000.290, na qual o Ilustre Relator, Julio Cesar Alves Ramos, solicitou informações à Autoridade Preparadora afim de apurar fatos ocorridos nos autos, que lhe desse suporte ao efetivo deslinde da causa. É que, conforme o relatório acima tratase o processo de compensação formalizada pelo sujeito passivo, na qual a origem do direito creditório, segundo consta, é o pagamento indevido efetuado pelo contribuinte a título de multa, relativo a débito por ele “confessado espontaneamente”. Bem ponderada a diligência estabelecida pela Resolução acima citada, pois que objetivou a verificação da existência ou não da declaração de débito em DCTF e sua direta co relação com a data do pagamento efetuado, de forma a poderse observar a existência ou não do instituto da denúncia espontânea e daí, constatar ou não o pagamento indevido a título de multa como alegado pelo contribuinte. Entretanto, de forma absolutamente breve, cumpre informar que ainda que a diligência realizada nos autos tenha de fato esclarecido pontos cruciais ao deslinde da causa, sendo extremamente conclusiva, o fato é que ao contribuinte não foi dada vistas de seu resultado, prejudicando o bom andamento do processo, em necessária observação ao princípio do contraditório e ampla defesa respeitado no processo administrativo fiscal. Sem mais delongas, mesmo que o resultado desta diligência permita a averiguação concreta da existência (ou não) do pagamento espontâneo, e por via de conseqüência, a materialização (ou não) do indébito apontado pelo contribuinte, ao mesmo não foi dada a oportunidade de se manifestar, nos termos do que dispõe o artigo 26 e seguintes da Lei 9.784/99. Sendo, assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, afim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10680.017255/2003-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF.
COFINS. BASE DE CÁLCULO AMPLIADA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0, § 1°, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editado o mencionado dispositivo legal. As receitas financeiras, no caso concreto, extrapolam o conceito de faturamento.A repercussão geral da matéria relativa à inconstitucionalidade do referido dispositivo foi reconhecida pelo Tribunal Pleno da Suprema Corte.
TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA
Não incide Cofins sobre as entradas financeiras decorrentes da pratica de atos cooperativos, por não caracterizarem receita ou faturamento sujeitos à tributação.
Numero da decisão: 1401-000.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, CONHECERAM e ACOLHERAM dos embargos, DANDO-LHES efeitos infringentes, nos seguintes termos:
- Por maioria de votos, acolheram a omissão e deram-lhes provimento para excluir da tributação os atos cooperativos, após a MP , nos termos da diligência. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos, que rejeitavam essa omissão, acolhendo parcialmente embargos com efeitos infringentes apenas em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições sobre o faturamento (Cofins). Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor.
- Por unanimidade de votos, conheceram da omissão relativa aos juros de mora sobre a multa de ofício para então rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF. COFINS. BASE DE CÁLCULO AMPLIADA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0, § 1°, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editado o mencionado dispositivo legal. As receitas financeiras, no caso concreto, extrapolam o conceito de faturamento.A repercussão geral da matéria relativa à inconstitucionalidade do referido dispositivo foi reconhecida pelo Tribunal Pleno da Suprema Corte. TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA Não incide Cofins sobre as entradas financeiras decorrentes da pratica de atos cooperativos, por não caracterizarem receita ou faturamento sujeitos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 72 55 /2 00 3- 12 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, CONHECERAM e ACOLHERAM dos embargos, DANDOLHES efeitos infringentes, nos seguintes termos: Por maioria de votos, acolheram a omissão e deramlhes provimento para excluir da tributação os atos cooperativos, após a MP , nos termos da diligência. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos, que rejeitavam essa omissão, acolhendo parcialmente embargos com efeitos infringentes apenas em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições sobre o faturamento (Cofins). Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, conheceram da omissão relativa aos juros de mora sobre a multa de ofício para então rejeitálos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 897 3 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissão/obscuridade no Acórdão nº 140100.498, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: Transcrevo relatório do Acórdão embargado naquilo de mais relevante: (...) “1. Contra a contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 06/11, o qual exige a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 481.117,46, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 30/10/2003. 2. Na descrição dos fatos, a Fiscalização, reportandose ao Termo de Verificação Fiscal – TVF, apontou uma infração à legislação tributária, qual seja, a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição. Do Termo de Verificação Fiscal – TVF, de fls. 24/33. 3. Eis os principais pontos que a Fiscalização aborda no TVF 4. Inicialmente, destaca o art. 2º, “caput” e seus parágrafos, do Estatuto Social da Fiscalizada, os quais definem os seus objetivos sociais (fls. 48/49). 5. Enfocando preceitos da Lei nº 5.764, de 1971, que definiu a política nacional de cooperativismo, salienta que as cooperativas são sociedades de pessoas, constituídas para prestar serviços aos associados e que são atos cooperativos, exclusivamente, aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, quando associadas, para consecução dos objetivos sociais. 6. Lembra que as cooperativas podem, porém, praticar atos nãocooperativos, os quais serão considerados como renda tributável, à luz do art. 111 da Lei nº 5.764, de 1971. 7. Aduz que, no âmbito administrativo, foi editado o Parecer Normativo CST nº 38, de 30/10/1980, visando a esclarecer dúvidas acerca da base de cálculo do IRPJ em relação aos atos nãocooperativos. 8. Diz que as cooperativas de trabalho médico (como é o caso da Fiscalizada), ao contratarem com terceiros a prestação de serviços de pessoas físicas ou jurídicas não associadas, estarão praticando atos nãocooperativos. 9. Nesse sentido, acentua que a Lei nº 5.764, de 1971, estabeleceu a não incidência objetiva, submetendo as cooperativas, em relação aos atos não Fl. 898DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 cooperativos, às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas jurídicas. 10. A Fiscalização constatou que a contribuinte (UNIMED – Ponte Nova) pratica, com habitualidade, atos nãocooperativos, quando contrata com os usuários, a preço global, não discriminativo, a prestação de serviços de assistência médica e hospitalar, com cobertura de despesas relativas a tratamento clínico ou cirúrgico, honorários profissionais, diárias e taxas hospitalares, enfermagem e medicação, cujas receitas, provenientes dos planos de saúde, estão fora do alcance da isenção. 11. Salienta que os fatos configuram mercancia, quando haja prática habitual de atos nãocooperativos. 12. Destaca, está claro a figura do plano de saúde, conforme o parágrafo 1º do art. 2º do Estatuto Social da Fiscalizada. 13. Esclarece, as receitas auferidas com os pagamentos mensais não são dos médicos. Nesse sentido, existem receitas de naturezas diversas: uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde; a outra, pelo serviço prestado ao cliente, que a cooperativa paga ao médico a título de honorários. 14. Examinando os contratos de plano de saúde, verificou a autuante que: a) a UNIMEDPonte Nova se obriga a prestar ao contratante e seus dependentes, que não são, via de regra, participantes da cooperativa como cooperados, os serviços de assistência médica e cirúrgica, em consultórios de médicos cooperados, internações, além dos serviços de diagnóstico e terapia, tais como exames laboratoriais, serviços radiológicos e etc., dentre a rede contratada, de acordo com o referido contrato; b) como decorrência da disponibilização desses serviços, o contratante se obriga a pagar à UNIMED uma mensalidade de acordo com os serviços oferecidos, utilizandoos ou não. 15. Enfatiza, uma cooperativa de médicos atua primordialmente para buscar captação de clientela para os médicos cooperados. Quando a UNIMEDPonte Nova realiza a venda dos chamados “Planos de Saúde”, ela recebe receitas não dos cooperados, mas de pessoas contratadas como USUÁRIAS DE PLANO DE SAÚDE. Assim podemos observar nas cópias dos contratos apresentados pela Fiscalizada, em anexo ao processo. 16. Perquirindo os dispositivos da Lei nº 5.764, de 1971, conclui a autuante que: a) essa lei definiu o que são atos cooperativos típicos das sociedades cooperativas, quais são os atos nãocooperativos legalmente permitidos, como controlálos e contabilizálos adequadamente, qual o tratamento tributário pertinente e como conseqüência, quais os atos nãocooperativos que não são legalmente permitidos, que são todos aqueles não englobados nos arts. 85, 86 e 88; b) portanto, como decorrência, se uma sociedade cooperativa exercer atividades que se definam como atos não cooperativos legalmente não permitidos, para efeitos tributários se descaracterizará como cooperativa e terá um tratamento idênticos a uma sociedade mercantil qualquer; c) caso a sociedade cooperativa exerça, além dos atos cooperativos, apenas atos não cooperativos legalmente permitidos, aí sim, e somente caso atenda aos demais requisitos da legislação em vigor, como por exemplo, a contabilização em separado desses atos, é que se tributaria os atos não cooperativos legalmente Fl. 899DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 898 5 permitidos, preservando os atos cooperativos dessa tributação, em consonância com a legislação acima citada. 17. A autuante esclareceu que, conforme resposta datada de 15/09/2003, ao Termo de Intimação Fiscal nº 001 (fls. 172/181), a respeito dos valores excluídos da base de cálculo da COFINS, a fiscalizada declarou que: “Deduzimos os valores acima da base de cálculo da Cofins por não concordarmos com a MP 18587 de 29/7/99, na qual determina que as cooperativas teriam com base de cálculo para a Cofins o seu faturamento bruto, a partir de novembro/99. Que confirmamos com o processo nº 2000.38.00.030.8605, que aguarda julgamento da apelação imposta pela UNIMED”. 18. Evidenciou a Fiscalização que: mesmo que, ainda considerássemos a UNIMEDPonte Nova como uma cooperativa não haveria como tributar os atos não cooperativos, de acordo com legislação, pois a fiscalizada não faz de forma correta a segregação das receitas de atos cooperativos e de atos nãocooperativos, porque considera a maior parte de seus atos como cooperativos.” 19. Diante disso, concluiu o Fisco que a contribuinte é uma empresa comercial como outra qualquer, não podendo usufruir de privilégios ao excluir da base de cálculo do IRPJ e contribuições federais, valores que deveriam ser tributados normalmente, pois tratamse de receitas de atividades comerciais normais, apesar da impugnante considerálas como atos cooperativos em quase toda a sua totalidade. 20. Então, a Fiscalização lavrou o presente Auto de Infração da COFINS, cujos valores tributáveis são os totais das receitas mensais apuradas pela Fiscalizada, excluídos os valores já oferecidos à tributação, conforme Declarações do Imposto de Renda – IRPJ, dos exercícios de 1999 a 2003 (Anexo “01”, fls. 143/383), e demonstrativos da contribuinte (fls. 73/89 e Anexo “01”, fls. 122). 21. Salientou, ainda, o Fisco que com respeito à ação impetrada na Justiça Federal pela contribuinte, verificase que o Mandado de segurança nº 2000.38.00.030.8605, tem por objetivo a suspensão da exigibilidade da Cofins sobre os atos cooperativos a partir de 11/99. A liminar foi indeferida e a segurança denegada. Não se trata do mesmo objeto do presente Mandado de Procedimento Fiscal. Da impugnação. 22. Tendo sido dele notificado, em 25/11/2003, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 18/12/2003, mediante o instrumento de fls. 132 a 139. Adiante compendiamse suas razões. 23. Inicialmente, a impugnante realça a tempestividade da presente defesa. 24. Salientando um trecho do TVF, no qual a Fiscalização argumenta no sentido de descaracterizar os atos cooperativos, a contribuinte discorda desse entendimento, afirmado que, de fato, os atos tidos pela autuante, como de mercado, são meros atos cooperativos. 25. Ressalta que o principal erro cometido pelo Fisco foi com relação à conceituação dos atos praticados por ela. 26. Discorre acerca das características jurídicas das cooperativas. 27. Quanto ao ato cooperativo, diz, este pode ser detalhado, levandose em conta sua natureza, delimitação, agentes e utilização como valor de referência: Fl. 900DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 a) Tratase se, “sic”, ato de natureza exclusivamente operacional, sem que configure operação de mercado ou contrato de compra e venda de produto, mercadoria ou serviço. O ato de associarse não é ato cooperativo mas précondição para praticálo. Das três qualidades do associado, proprietário, gestor dos negócios sociais e usuários dos serviços sociais, o ato cooperativo é a terceira qualidade, sem a qual as duas primeiras seriam inócuas. Cooperativa alguma sobreviverá, muito menos desenvolverseá, sem que seus associados se utilizem dos serviços sociais, pouco importando que tenha capital e administradores; b) O ato cooperativo é delimitado pelo objeto social da cooperativa, ou seja, pela sua consecução. E por quê? Porque o objeto social estatutário das sociedades define os empreendimentos comuns aos associados; c) Os agentes deste ato são as cooperativas e seus associados naqueles atos praticados entre as primeiras e os segundos ou entre estes e aqueles; e, também pelas cooperativas entre si, quando associadas; e d) O ato cooperativo é o único valor de referência para atribuição de sobras ou de prejuízos aos associados, ou, em outras palavras, é o denominador da fórmula proporcional do retorno ou prejuízo. 28. Citando o art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, argumenta que na cooperativa não há a subordinação de uns em proveito de outros. Ao contrário, nesta forma societária, os associados se agrupam para mutuamente se ajudarem. Daí advém a finalidade da cooperativa: prestação recíproca de um auxílio que vai substituir uma atividade que, não fora a cooperativa, teria que ser desempenhada, individualmente, por cada um. 29. Indaga, apenas os atos praticados entre a cooperativa e os associados ou entre estes e aquela são considerados atos cooperativos? 30. Aduz, no seu caso, a cooperativa age como mera intermediária de seus associados ao vender planos de saúde que serão atendidos por estes mesmos associados. O que se paga é apenas pelo direito de que os médicos cooperados possam prestar seu serviço a quem tenham interesse. 31. Fala, assim, como no caso da cooperativa de produção, que recebe de seus associados a produção pra venda a terceiros, no presente caso, também se está diante de um ato puramente cooperativo. 32. Diz, no caso de prestação de serviços por quem não seja associado, caso em que o valor despendido pelo adquirente do plano é reembolsado, este valor é normalmente oferecido à tributação. 33. Destaca, se se aceitasse a proposta do Fisco de que seriam atos cooperativos apenas os praticados entre os sócios, então até mesmo as cooperativas de produção somente poderiam vender a produção de seus associados para eles mesmos, o que é impossível. 34. Esclarece, vejase que no caso presente, ela é mera intermediária da relação médico versus paciente e os valores recebidos pela cooperativa são, descontadas as despesas administrativas, todos repassados para seus associados; não é a cooperativa que presta os serviços, mas sim os médicos. 35. Concluindo, assevera que, data máxima venia, não se pode concordar com o entendimento da Fiscalização que desconsiderou os atos cooperativos praticados por ela. 36. Alega que, na hipótese de prevalecer o entendimento do Fisco, da base de cálculo utilizada deve ser decotado todos os valores que estejam em trânsito na sua Fl. 901DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 899 7 contabilidade, fazendose quando muito, a incidência do tributo nos valores utilizados pela cooperativa para sua própria manutenção. 37. Além disso, assevera que a Fiscalização não reconheceu o seu direito à dedução das parcelas previstas no § 9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001. 38. Ao final, pede o cancelamento do presente Auto de Infração. 39. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2003 Ementa: COOPERATIVA DE SERVIÇO MÉDICO. As sociedades cooperativas de serviços médicos ao desenvolverem atos diversos dos previstos na Lei n° 5.764, de 1971, não se encontram alcançadas pelos benefícios fiscais próprios dos atos cooperativos. DEDUÇÕES AUTORIZADAS NA BASE DE CÁLCULO. Segundo a legislação tributária vigente, na determinação da base de cálculo da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (I) co responsabilidades cedidas; (II) a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; e (III) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e ressaltando: a nulidade do auto de infração por considerar ilegal a descaracterização da recorrente como sociedade cooperativa, alegando que a SRF é incompetente para tal procedimento. Em apoio desta tese junta jurisprudência que admite a prática de atos não cooperativos por este tipo de sociedade, sem que isto a torne uma pessoa jurídica comum. No mérito, defende a ilegalidade da tributação do ato cooperativo, citando jurisprudência do STJ em que se teria reconhecido a não incidência da Cofins sobre o ato cooperativo praticado por outra Unimed. Diz a recorrente que só presta serviços aos seus cooperados angariando clientela, sendo seus cooperados que prestam serviços aos usuários. Insiste, ainda, na inexistência de receita quando do repasse dos valores recebidos pela cooperativa aos cooperados e, ao final, aduz que, na qualidade de cooperativa Operadora de Planos de Saúde, tem direito de excluir da base de tributação da Cofins aquelas deduções que a própria lei lhe permite (art. 3 2, § 92, da MP nº 2.15835/2001 c/c o art. 26 da IN/SRF nº 247/2002), desde o início da exigência da exação. Sem estas exclusões, a tributação não se daria sobre as receitas Fl. 902DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 mas sobre as entradas, o que se mostra desarrazoado pela ordem jurídica (e como corolário da legalidade: art. 150, I, da CF/88 e art. 97 do CTN). Ao final, requer a nulidade do lançamento fiscal, tendo em vista que a autuação embasouse fundamentalmente na descaracterização da recorrente como sociedade cooperativa, ou que, no mérito, que se reforme parcialmente a decisão recorrida para anular integralmente o auto de infração. Em qualquer das hipóteses, que se observe a regra específica para Operadoras de Planos de Saúde, sendo reconhecido o direito de proceder as deduções previstas em lei desde o início da exação e não somente no anocalendário de 2002, como admitiu a DRJ. Em 08 de maio de 2008, a então Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes resolveram declinar competência ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DOS MESMOS FATOS QUE LEVARAM À EXIGÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes o julgamento do auto de infração de Cofins, quando a exigência esteja lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica. Esta 1ª turma ordinária da 4a Câmera da 1ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência de forma a segregar as receitas e resultados decorrentes da pratica de atos cooperativos daquelas decorrentes dos atos considerados como não cooperativos. Consta da fls. 345/347 o resultado de diligência fazendo a segregação de atos cooperativos e nãocooperativos através do rateio de custos. Conforme documento de fls. 357/358, a Recorrente desiste parcialmente de seu recurso para as alegações de direito sobre as quais se funda o presente processo, em relação aos débitos descritos na tabela de fls. 359, envolvendo todos os débitos anteriores a dezembro de 2001, inclusive. Consigna ainda que o objetivo foi o de ingressar no parcelamento de que trata a Lei n.° 11.941/2009. Em sede de Embargos aponta três omissões: Alega equívoco da decisão embargada quando declara a inexistência de regra expressa que determine a "isenção" da COFINS após a revogação do artigo 6o, I da Lei Complementar n.° 07/70, eis suas próprias palavras: Esquivouse o julgador, no entanto, de diferenciar juridicamente os institutos que menciona, a "não incidência". Confirma a doutrina de Hugo de Brito Machado3 que, ao passo que a "isenção" consiste em favor fiscal, razão pela qual deve estar disposto expressamente na legislação, a "não incidência" caracterizase quando determinado fato ou ato, em ocorrido, não materializa a subsunção da regra de Fl. 903DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 900 9 incidência, exatamente por não se enquadrar nesta mesma hipótese, não representando benesse ao contribuinte. (...) E, neste ponto, independentemente do advento da Lei n.° 9.718/98, persiste a vigência da Lei n.° 5.764/71 e o tratamento tributário que esta confere aos atos cooperativos, que não representam faturamento da cooperativa, conceito este adstrito à prática de atos não cooperativos. Esclareçase que não se pretende o reexame de mérito da matéria, qual seja, a extensão do ato cooperativo de trabalho (a ser aviada em sede de Recurso Especial). Embargase do acórdão para a definição quanto à aplicabilidade ou não da não incidência da COFINS (e não isenção) sobre os atos cooperativos, afastandose a oscilação interpretativa acima demonstrada, e que merece reparo. A outra omissão apontada relacionase ‘a não aplicação pelo CARF de entendimento já sufragado pelo Plenário do STF, em decisão definitiva a respeito do “alargamento da base de cálculo” das Contribuições sociais que incidem sobre o faturamento, a partir da vigência dos artigos 2° e 3°, § 1º da Lei n. ° 9.718/98. Entendeu o acórdão que durante a vigência daquele dispositivo, a base de cálculo da discutida contribuição abrangeria a totalidade das receitas, "independentemente da natureza dos atos negociais que lhes dão origem.". Dessa forma, omitiuse acerca da determinação contida no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, que conduz à aplicação, em sede administrativa, do entendimento firmado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal. Omissão sobre a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Alega que não poderia ter argüido tal matéria em momento anterior, já que somente com a intimação do acórdão embargado, teve conhecimento de que as guias emitidas geraram atualização indevida da multa de ofício, não autorizada pela legislação em se tratando de auto de infração com tributo. É o relatório. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. a) 1a Omissão – isenção/Não incidência Alega a Embargante omissão, pois quando declara a inexistência de regra expressa que determine a "isenção" da COFINS após a revogação do artigo 6o, I da Lei Complementar n.° 07/70. Não prospera a alegada omissão, a uma porque se trata notoriamente de inconformismo do embargante referente ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entende que: (...) independentemente do advento da Lei n.° 9.718/98, persiste a vigência da Lei n.° 5.764/71 e o tratamento tributário que esta confere aos atos cooperativos, que não representam faturamento da cooperativa, conceito este adstrito à prática de atos não cooperativos. Por outro lado, o Acórdão embargado abraçou o entendimento divergente: (...) cabe salientar que a MP 1.8589, de 24 de setembro de 1999, no lugar da não incidência, introduziu exclusões à base de cálculo do Cofins, representado pela menção direta à aplicação da Lei nº 9.718/99 às sociedades cooperativas, encerrando um texto que se tornou definitivo nas reedições sucessivas, até a derradeira e ainda vigente MP nº 2.15835, de 2001. Eis o artigo 15, caput e §§ 1º e 2º, da MP nº 1858 9, repetido na atual vestimenta da MP 2.15835: A divergência está bastante clara, entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Outrossim, conforme jurisprudência do STJ não é necessário que o Acórdão seja exaustivo analisando ponto por ponto da defesa quando os fundamentos alinhavados por ele são suficientes para a justificação da decisão. Dessa forma, rejeitase a primeira omissão apontada. 2a OMISSÃO – Alargamento da base de cálculo A outra omissão apontada relacionase ‘a não aplicação pelo CARF de entendimento já sufragado pelo Plenário do STF, em decisão definitiva a respeito do “alargamento da base de cálculo” das Contribuições sociais que incidem sobre o faturamento, a partir da vigência dos artigos 2° e 3°, § 1º da Lei n. ° 9.718/98. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 901 11 Com razão à Recorrente. De fato, o Acórdão foi omisso nessa questão. A Suprema Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria relativa à inconstitucionalidade do referido dispositivo, na Sessão Plenária realizada no dia 10 de setembro de 2008, como se constata no resumo abaixo transcrito: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3 0, § 1°, da Lei n° 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE n° 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1°.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98. (RE 585235 RGQO, Relator(a): MM. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL 0234310 PP02009) Assim, acolho parcialmente os embargos para dar provimento parcial admitindose a exclusão das receitas estranhas ao faturamento, como é o caso das receitas financeiras, conforme decisão definitiva do Pleno do STF (nos RE n. 357.950 e 358.273) onde foi restringido o alargamento da base de cálculo das contribuições incidentes sobre faturamento (artigo 3°, § 1º da Lei n. ° 9.718/98). 3a OMISSÃO – juros sobre multa de ofício Aponta omissão sobre a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Alega que não poderia ter argüido tal matéria em momento anterior, já que somente com a intimação do acórdão embargado, teve conhecimento de que as guias emitidas geraram atualização indevida da multa de ofício, não autorizada pela legislação em se tratando de auto de infração com tributo. Apesar dessa autoridade julgadora também não ter como se pronunciar sobre algo que não fora alegado, esta Turma tem admitido a omissão em função da peculiaridade da matéria que só se apresenta quando da ciência do Acórdão. Juros de mora sobre Multa de Ofício Conhecese, portanto, dos embargos, mas rejeitaos pelos motivos a baixo expostos. Insurgese a Embargante contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Na defesa desse tese, geralmente se utilizam do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa estaria consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em Fl. 906DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento da Recorrente no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 902 13 Por todo o exposto, conhecer dos embargos e acolher parcialmente com efeitos infringentes apenas em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições sobre o faturamento (Cofins). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 908DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Redator designado: Dentre as questões trazidas pela Embargante como razões de recurso, apresenta o não tratamento da matéria posta em julgamento quando da análise do recuros voluntário, da nãoincidência da COFINS sobre os chamados atos cooperativos; em detrimento da discussão acerca da existência, ou não, de isenção sobre o mesmo fato. De fato, a decisão embargada, a par de referenciar essa discussão, não abordou, no aspecto constitucional, a ausência de competência impositiva sobre os atos cooperativas, de forma a cotejar a existência de obrigação tributária quando da prática de atos cooperativos. No mérito, a Recorrente sustenta a desconstituição do auto de infração, porquanto os resultados submetidos por esse à tributação são provenientes da prática de atos tipicamente cooperativos. A controvérsia resumese à classificação das receitas da Embargante em receitas oriundas da prática de atos cooperativos ou atos não cooperativos, visto que as provenientes de atos cooperados não estão sujeitas à tributação. Para tanto, devese analisar a legislação em vigor, sobretudo a Lei nº. 5.764/71. As cooperativas, na exegese dos arts. 3º e 4º da Lei nº. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Dispõe os referidos artigos, in litteris: “Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa;” Fl. 909DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 903 15 Nesse contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, “não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que “os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos”. Dessa forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, tem se que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Todavia, os atos não cooperativos, ou seja, os praticados pela cooperativa com não associados estarão sujeitos à tributação federal, vez que resultam em lucro. Nesse diapasão, o Min. Castro Meira, ao analisar os resultados provenientes da prática de atos cooperativos e não cooperativos por sociedades cooperativas, concluiu que “os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para a sociedade cooperativa. O resultado financeiro deles decorrente não está sujeito à incidência do tributo. Cuidase de uma nãoincidência pura e simples, e não de uma norma de isenção. Já os atos não cooperativos, praticados com não associados, geram receita à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação.” (REsp nº. 807.690/SP, 2ª Turma do STJ, DJ de 01/02/2007). Após a definição e a delimitação do ato cooperativo, cabe promover a segregação de receitas realizada pela Fiscalização, no que tange à sua legalidade. Isso porque, no termo dos arts. 15 e 16 da Medida Provisória nº. 2.158/2001, os valores deocrrentes da prática de atos cooperados não estão sujeitos à tributação pela COFINS. Dispõe os referidos artigos, in litteris: “Art.15.As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos art. 2º e 3º da Lei nº. 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Ios valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; IIIas receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; Fl. 910DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 Vas receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; Vas receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; IIserão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Art.16.As sociedades cooperativas que realizarem repasse de valores a pessoa jurídica associada, na hipótese prevista no inciso I do art. 15, deverão observar o disposto no art. 66 da Lei nº. 9.430, de 1966”. (grifos acrescidos) Assim, sanando a omissão apontada nos embargos de declaração, deve ser concedido efeito infringente ao recurso, com o cancelamento do auto de infração relativos à tributação os atos cooperativos, após a MP , nos termos da diligência. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 911DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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