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Numero do processo: 11030.902235/2012-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
null
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep null PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 22 35 /2 01 2- 49 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902235/201249 Acórdão n.º 3801003.167 S3TE01 Fl. 65 2 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902235/201249 Acórdão n.º 3801003.167 S3TE01 Fl. 66 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise de Pedido Eletrônico de Restituição, transmitido em 27/02/2007, sendo o crédito pretendido correspondente à Contribuição para o PIS/Pasep cujo pagamento ocorreu em 14/06/2002, relativo ao período 01/05/2002 a 31/05/2002. De acordo com o Despacho Decisório emitido eletronicamente, o crédito pleiteado pelo interessada não foi reconhecido, uma vez que o pagamento indicado já estava totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. A ciência do Despacho Decisório ocorreu mediante AR em 15/08/2012. A interessada por sua vez, alega basicamente a existência de direito creditório oriundos de pagamentos de Pis e Cofins, apurados com a inclusão do ICMS na base de cálculo, parcela esta incluída indevidamente quando do cálculo do pagamento do tributo em questão. Aduz argumentação em favor de sua tese. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902235/201249 Acórdão n.º 3801003.167 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902235/201249 Acórdão n.º 3801003.167 S3TE01 Fl. 68 5 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902235/201249 Acórdão n.º 3801003.167 S3TE01 Fl. 69 6 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000205/2010-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 05 /2 01 0- 96 Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep exportação relativo ao 2 e 3º trimestres de 2005, no valor de R$ 2.367.890,05. De acordo com o Despacho Decisório DRF/Santos/Seort/SP nº 12, de 6 de março de 2012, fls. 652 a 663, apoiado nas conclusões da ação fiscal levada a efeito junto ao requerente, objeto dos processos 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, e cujo desfecho a contribuinte já tomou ciência em 02.03.2012, parte dos créditos reclamados não teve sua liquidez e certeza assegurados, vez que sua obtenção está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. O Despacho Decisório dá conta de que, em operações empreendidas pela Receita Federal, Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (Operação Tempo de Colheita, Operação Broca e Operação Robusta), apurouse que o requerente participou de fraudes, “comprando” notas fiscais de venda de café, emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para o fim de permitir a obtenção de créditos de contribuições sociais não cumulativas “cheios”, quando, por se tratar de fornecimento de pessoas físicas, ensejariam tão somente crédito presumido1. Constatouse também que o requerente tomou crédito por compras de café feitas a cooperativas de produtores, que haviam excluído de suas bases de cálculo o valor da receita repassada ao seus associados, de forma que as contribuições sociais nelas não incidiram, situação que não admite o creditamento, nos termos do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O pleito foi parcialmente deferido, em R$ 586.368,07, reconhecendose direito ao crédito presumido, quando foi o caso: DACON FISCALIZAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO CRÉDITO EXPORTAÇÃO CRÉDITO MERCADO INTERNO PIS A PAGAR CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO DISPONÍVEL 04/05 295.797,11 61.515,33 0,00 233.580,35 62.217,36 05/05 131.156,23 23.169,31 177.558,62 110.114,85 21.041,38 1 O modusoperandi empregado nas operações efetuadas com diversos fornecedores de café, de acordo com o relatório da Operação "Tempo de Colheita", era o seguinte: os grandes adquirentes de café exigiam notas fiscais de pessoas jurídicas para poderem aproveitar o crédito de PIS/COFINS integralmente à razão de 9,25% do valor da operação. Se os vendedores fossem pessoas físicas só seria possível o aproveitamento de crédito presumido, no valor de 3,5% do valor integral. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000205/201096 Acórdão n.º 3403002.963 S3C4T3 Fl. 1.355 3 06/05 407.665,81 60.461,42 57.508,05 343.088,61 64.577,20 07/05 324.174,22 80.223,94 116.214,59 270.093,54 54.080,68 08/05 847.666,41 80.539,71 68.899,69 726.355,70 121.310,71 09/05 947.797,74 235.158,32 280.182,25 684.657,00 263.140,74 Total 586368,07 O interessado interpôs manifestação de inconformidade de fls. 684 a 712, na qual, como preliminar, requer o imediato ressarcimento do crédito reconhecido no despacho decisório atacado, remanescendo o contraditório administrativo apenas em relação à diferença de 6% entre o crédito presumido de 3,25% decorrente de compras de pessoas físicas e o percentual de 9,25% decorrente de aquisições de pessoas jurídicas. Quanto ao mérito das glosas dos créditos apurados sobre as compras de café de pessoas jurídicas, argumenta que, em que pese a provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, não praticou crime algum, afirmando seu interesse no esclarecimento dos fatos. Lembra que o preço pago pelo café era o de mercado e que nunca cogitou em repassar os lucros obtidos por estas empresas referidas como de fachada, no qual estava embutida a contribuição, de forma que houve despesa que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros. Aduz que a falta de pagamento das contribuições por fornecedores não implica a ausência do direito de crédito ao adquirente, dispondo a Receita Federal e a PGFN de meios próprios de cobrar tais tributos. Discorre sobre a cena econômica do mercado cafeeiro. Rechaça a extensão das conclusões da operação da Polícia Federal ao pedido de ressarcimento em tela. Reafirma sua condição de adquirente de boafé, sem conhecimento das irregularidades societárias dos seus fornecedores. Entende legítima a tomada de crédito, porquanto ao pagar pelo café ao valor de mercado, cobrado mediante nota fiscalfatura de pessoa jurídica, estava embutido o valor das referidas contribuições. Quanto à anotação, nas notas fiscais, de suspensão de PIS e Cofins na operação de venda, o que vedaria a apuração de créditos não cumulativos para o adquirente, adiciona que de acordo com o art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, teria havido erro por parte das cooperativas na medida em que tais operações não se poderiam cursar com suspensão das contribuições tendo em vista o disposto no inciso II do citado artigo. Finalizando, pleiteia que os valores a serem ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. Ao final, postula a reforma do despacho decisório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0540.598, de 13 de maio de 2013, fls. 989 a 1037, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 1101 a 1152, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede a decretação da nulidade da decisão recorrida, que não teria enfrentado todos os seus argumentos de defesa. Insiste em não ter conhecimento, muito menos participado do que chama de “pretenso esquema fraudulento” de que trata a Fiscalização, acusandoa de fundar suas conclusões em meras presunções no sentido de que todos os seus fornecedores pessoas jurídicas inidôneas por serem omissas nas entregas de suas declarações, procedimento vedado, segundo a jurisprudência do CARF. Lembra que a decretação da inidoneidade dos fornecedores, abaixo listados, não pode retroagir para alcançar as operações da recorrente: RAZÃO SOCIAL CNPJ DATA ABERTURA Columbia Comércio de Café Ltda. 04.497.908/000103 08/06/2001 Cafeeira São Sebastião Ltda. 00.837.387/000135 29/09/1995 Ceiba Comercial Importação e Exportação Ltda. 00.323.994/000187 28/11/1994 Séculos Comercio de Café Ltda. 05.516.878/000106 30/12/2002 Sancosta Comercio, Importação e Exportação de Café Ltda. 06.222.888/000193 15/04/2004 F.J.B. Baroni 07.155.547/000105 16/12/2004 Cerealista Carmo Sul Ltda. 04.439.727/000120 21/03/2001 P Fernandes 04.460.832/000141 22/05/2001 Vila Rica Coffee Comercio de Café Ltda. 03.740.999/000101 07/04/2000 V. Munaldi ME 06.078.929/000110 12/01/2004 Comercial São Lourenço Ltda. 04.580.404/000233 22/10/2002 E M Gomes 05.688.607/000120 14/05/2003 Nova Brasilia Comércio de Café Ltda. 05.206.408/000138 24/07/2002 Enseada Comércio de Café e Sacaria Ltda. 06.201.690/000123 07/04/2004 Na continuação, retoma as digressões sobre a cadeia de produção do café no Brasil e sobre a comercialização do café sob o ponto de vista comercial e civil, já oferecida na Manifestação de Inconformidade. Com relação às compras de café a sociedade cooperativas de produtores, argumenta que nas notas fiscais apresentadas pela Fiscalização, todas as cooperativas exerceram beneficiamento, situação que não admite a suspensão da incidência da contribuição. Nesse sentindo, retoma a arguição de erro nas notas fiscais em que constou a suspensão. Transcrevo os requerimentos finais (grifos do original): 3 Conclusão E Pedidos Diante do acima exposto, requer seja provido o presente recurso para que seja reformado o Despacho Decisório e acórdão de fIs., para o fim de chancelar e reconhecer os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorrente na compra perante fornecedores posteriormente entendidos como inidôneos pela Receita Federal, bem como perante cooperativas diversas, e assim deferirse também esta parte do crédito a ser ressarcido, homologandose as respectivas compensações, quando for o caso. Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e a supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000205/201096 Acórdão n.º 3403002.963 S3C4T3 Fl. 1.356 5 cotejar um a um os bons argumentos da defesa, limitandose a "emprestar" o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial. Subsidiariamente, ainda, considerando que a inidoneidade posteriormente declarada em nada reflete para Recorrente, e que toda a alegação posterior ao Despacho decisório exarado nos autos em 2010 é inaplicável, dado que não há fato julgado na esfera criminal, é de se revogar o atual despacho decisório, revigorando se o despacho decisório anterior, e intimado novamente a Recorrente para, em querendo, que apresente manifestação de inconformidade. Requer, de imediato, contudo, que a parte incontroversa de créditos presumidos seja imediatamente ressarcida, tanto no que tange à compras de fornecedores considerados inidôneos, como perante cooperativas, conforme página 284 do Termo de Verificação Fiscal: "9.2. DO CRÉDITO PRESUMIDO Conforme explicado acima, o crédito ordinário correspondente às empresas inidôneas não pode ser concedido integralmente, já que sua origem é referente a vendas de pessoas físicas produtoras de café. Entretanto, é cabível o aproveitamento do crédito presumido correspondente. Mesmo raciocínio se aplica ao crédito referente às observações que tratam da suspensão das contribuições. No caso das notas fiscais com suspensão existe a possibilidade de crédito presumido." Ou seja, o valor referente ao crédito presumido deve ser creditado para a Recorrente, seguindose em debate apenas a diferença entre o presumido e o integral, aplicandose a legislação mais benigna Lei n° 12.350/2010, artigo 56A, de forma retroativa. Para facilitar a liquidação deste montante a Recorrente anexa planilha de cálculo extraído do trabalho de fiscalização, em cumprimento do trecho acima reproduzido, (doc. anexo) Ainda, subsidiariamente, caso não seja reconhecida a integralidade dos créditos decorrentes das compras de café realizadas no período de 2005 a 2007, no mínimo, deve ser reconhecido o crédito decorrente das operações efetuadas com os fornecedores que foram presumidos inidôneos pela Fiscalização e que, ainda, continuavam com o CNPJ ativo quando da ciência do termo de verificação fiscal. No mais, tendo decorrido anos do direito de crédito, é aplicável a atualização dos créditos pela SELIC, o que desde logo se requer em execução da parte incontroversa do Despacho Decisório, inclusive. Caso esse Conselho entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública, considerando ainda parte integrante destes autos, os procedimentos n° 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247. De qualquer forma, estão documentalmente comprovadas a operação e as alegações acima, ficando ao dispor do órgão julgador todos os documentos, inclusive notas fiscais já examinadas pela fiscalização, para eventuais diligências. Requer sejam admitidos todos os meios de provas, incluindo diligências e juntada de novos documentos que privilegiem a verdade material. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Protesta a RECORRENTE pela realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento do presente Recurso, nos termos regimentais. Para tanto, requer seja notificada com antecedência da data, hora e local da sessão de julgamento. Nestes termos, Pede deferimento. Santos, 7 de maio de 2013. O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com os processos nºs 15987.000230/200936, 15987.000231/200981 e 15987.000232/200925, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1101 a 1152 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS3ª Turma nº 0540.598, de 13 de maio de 2013. Pedido de liberação imediata do valor do crédito incontroverso. Em atendimento aos Despachos de fls. 545 a 547, o valor do crédito deferido foi compensado de ofício com o processo de nº 10845.721242/201202, após manifestação do Contribuinte, e o saldo do crédito foi pago por meio da Ordem Bancária 2012OB801049, emitida em 21/08/2012, fls. 645, conforme despacho de fls. 988, quedando plenamente satisfeito o pedido de liberação da parcela incontroversa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 3ª Turma da DRJ em Campinas é hígida e enfrentou a Manifestação de Inconformidade sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000205/201096 Acórdão n.º 3403002.963 S3C4T3 Fl. 1.357 7 No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Mérito – glosa dos créditos amparados em notas fiscais infirmadas nas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” O argumento recursal fundamental é o de que jamais participou das fraudes apontadas nessas operações e que nunca obteve vantagens econômicas em decorrências das práticas ilícitas, sempre adquirindo o café a preço de mercado. Diz ter pesquisado sempre a situação da empresa vendedora no CNPJ e SINTEGRA. Lembra, além disso, que o mercado de compra e venda de café é complexo e que as suas peculiaridades não foram consideradas nas conclusões alcançadas ao fim das citadas operações. Assim, não seria possível afirmar que necessariamente as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais examinadas sejam de fachada. Ainda, entende que eventuais fraudes verificadas em determinados elos da cadeia comercial do café não podem ser estendidas para os demais atores sem prova inconteste, o que não ocorreria nos autos. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. A culpa da recorrente é objeto do processocrime no qual ela foi denunciada. O fato é que, na extensa e profunda auditoria levada a cabo, segregaramse do pedido de ressarcimento formulado pela Outspan todas as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas comprovadamente interpostas com o fito de “inchálo”, admitindose tão somente as notas fiscais idôneas. A quantidade de empresas "laranja" explica a magnitude da glosa: Columbia Comércio de Café Ltda.; L & L Com. Exp. De Café Ltda.; Do Grão Com. E Exp. E Imp. Ltda.; Nova Brasília Com. De Café Ltda.; J. C. Bins; Café Brasile Com. E Exp. Ltda.; G. H. Moschem; V. Munaldi ME; Miranda Com. Imp. e Exp. de Café Ltda.; F. G. Comissária Ltda.; W.R. da Silva; Reicafé Com. de Café; R. Araújo Mercantil CAFECOL; M. C. da Silva Brasil Blend; Cafeeira Arruda; Ypiranga Com. de Café; P. A. de Cristo; Acádia Comércio Ltda.; V. & F. Comercial; C. Dario ME; GB. Armazéns; Enseada Com. de Café; Luciano Giubert Alves Café; Conara; Ceiba Com. Imp.; Roma Com. de Café e Sacaria; Café Arabilon; WG de Azevedo Brasil Coffee; Do Norte Café; Aracê Mercantil; Agrosanto Comércio de Cereais; Cafeeira JJ.; Cafeeira São José; Canaã Café; Meriades Distr. Ind. e Com. de Alimentos; BR 2 Cito apenas a título exemplicativo, muito de longe de esgotar todos os elementos existentes, a prova testemunhal dos depoimentos de Paulo Zache, Luiz Fernandes Alvarenga, Renato Mielke, Gabriel Francisco Krohling, Marcelo Fausto Tamanini, entre outros; e documental, como a confirmação de pedido nº 6/00, de 05/01/2007, da Case de Café Corretora, e a planilha de fls. 19773 do processo 15983.720078/201247, elaborada pela recorrente, que demonstra o total controle que mantinha sobre seus fornecedores pessoas físicas, sobre os vendedores (empresas "laranjas" noteiras) e qual a origem do café fornecido. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000205/201096 Acórdão n.º 3403002.963 S3C4T3 Fl. 1.358 9 Armazéns Gerais; Continental Trading Ltda.; Caparão Com. de Cereais; Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” Contra essas glosas o recorrente tergiversa. Insurgese contra retroação de declarações de inaptidão de empresas, que lista. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19933 e no art. 824 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diploma que instituiu também (art. 815) a Declaração de 3 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 4 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 5 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/07/2005 a 30/09/2005, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007), que, em sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha (negrito na transcrição): IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000205/201096 Acórdão n.º 3403002.963 S3C4T3 Fl. 1.359 11 Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 12 V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Portanto, quanto ao efeito temporal objetado pelo recorrente, frisese que, no caso de créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Sustenta, também, a recorrente que os fornecedores mantinham cadastro ativo no CNPJ, e cita em seu favor o entendimento do E. STJ consolidado no REsp n 1.148.444, segundo o qual “a boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS”. A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Importante salientar que a Fiscalização deferiu o crédito presumido, quando foi o caso, reconhecendo o negócio jurídico subjacente. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000205/201096 Acórdão n.º 3403002.963 S3C4T3 Fl. 1.360 13 A recorrente não logrou convencerme de que as glosas procedidas pelas DRF/Santos – uma sequer – foram improcedentes. Por essa razão, julgoas corretas, ratifico a decisão recorrida e nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Mérito – glosa dos créditos por aquisições de mercadorias não oneradas pela contribuição social não cumulativa No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). A base da contestação dirigida pela interessada contra a glosa dos créditos referente aos bens adquiridos de sociedades cooperativas diz respeito ao fato de que o mencionado art. 3º, §2º da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplicaria ao café, já que este é um bem sujeito à incidência das contribuições. Assim, ainda que a legislação autorize a exclusão, pelas cooperativas, dos valores repassados aos associados, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, isto não impediria a apropriação de créditos pelos adquirentes já que a legislação não cogita de isenção ou imunidade das cooperativas. Diz ainda que a suspensão de PIS e Cofins praticada por algumas cooperativas não se aplicava às operações de venda de café por força do que diz o art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004. Aduz que as notas fiscais de cooperativas nas quais houve suspensão de PIS e Cofins tratavase de operações nas quais as sociedades cooperativas procederam à redução do grão de acordo com os tipos da classificação oficial, não sendo aplicável, assim, a possibilidade de suspensão de PIS e Cofins prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, e consequentemente, incabível a glosa do crédito sobre as correspondentes aquisições. A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario 6 As respostas estão às fls. 19.539 e seguintes do processo administrativo nº 15983.720078/201247. Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela de fls. 20015 e 20016. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 14 sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Quanto à alegação de erro na emissão de notas fiscais com suspensão por cooperativas que de alguma forma beneficiaram o grão, a insurgência recursal, mais uma vez, é inespecífica e omitiuse em denunciar em quais casos o trabalho fiscal mereceria reparos. Compulsandose a planilha de fls. fls. 20015 e 20016 do processo 15983.720078/201247, anexo ao presente, constato que o Fiscalização foi minuciosa, detalhando, cooperativa por cooperativa, fornecedoras da recorrente, quais executavam o beneficiamento excepcionado no art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004, e, simultaneamente, excluíam de sua base de cálculo, o valor das receitas repassados aos cooperados, caso em que o creditamento não foi admitido, muito embora não fosse caso de suspensão. Omitindose a recorrente em infirmar especificamente esse levantamento, que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente para decidir sobre a admissibilidade da tomada de crédito, tenho o com correto. Mérito – atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusão Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de maio de 2014 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 16682.720017/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/11/2007 a 30/11/2007
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA.
É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral.
Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante integral do tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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AÇÃO JUDICIAL. Recorrente VALE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/11/2007 a 30/11/2007 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. EXCLUSÃO DOS JUROS E MULTA. É cabível o lançamento para prevenir a decadência ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade do crédito em razão do depósito do montante integral. Não cabe a inclusão de juros e multa nos lançamentos para prevenir a decadência em que há depósito do montante integral do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 17 /2 01 2- 37 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720017/201237 Acórdão n.º 2401003.508 S2C4T1 Fl. 485 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 57.362 de lavra da 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.321.6734. O crédito diz respeito à contribuição destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, incidente sobre as remunerações pagas a segurados empregados. Os valores lançados são objeto de discussão judicial, na qual ocorreu o depósito do montante integral. Informase no relatório fiscal que a empresa não declarava a contribuição apurada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e que, em razão do depósito do montante integral no processo judicial, a lavratura foi efetuada para prevenir a decadência. Conforme o Discriminativo do Débito – DD, os juros foram calculados com esteio no art. 34 da Lei n. 8.212/1991 e a multa incidiu a taxa de dez por cento. Ofertada a impugnação, a DRJ declaroua improcedente, mantendo integralmente o lançamento em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/11/2007 a 30/11/2007 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. CONCOMITÂNCIA ENTRE CONTENCIOSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que a formalização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Tratandose de lançamento cuja legalidade da contribuição cobrada esteja sendo discutida judicialmente, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais. Impugnação Improcedente Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Crédito Tributário Mantido Inconformada, a empresa interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, fez as alegações que se seguem. Antes da lavratura do AI atacado, ajuizou, em litisconsórcio, demanda judicial visando a declaração de inexistência da relação jurídica que lhe obrigava a recolher as contribuições ao INCRA, sob o fundamento de que, sendo empresa industrial urbana, não poderia ser contribuinte de tributo destinado à assistência do trabalhador rural. Após autorização judicial, passou a efetuar nas datas de vencimento da contribuição o depósito integral das parcelas supostamente devidas, sem que o INSS se manifestasse acerca desse procedimento. A sentença de primeiro grau julgou improcedentes os pedidos, tendo sido confirmada pelo TRF – 1.ª Região, com respectivo trânsito em julgado. Os autos retornaram a vara de origem e aguarda providências tendentes à conversão do depósito em renda. Ante a efetiva antecipação do valor devido, aliada à expressa concordância do fisco, devese concluir que o lançamento já se operou, nos moldes do “caput” do art. 150 do CTN, nesse sentido, seria descabido o lançamento, posto que a Fazenda já tem assegurado o recebimento do eventual crédito. Assim tem decidido o STJ, conforme precedentes colacionados. Ao efetuar integralmente os depósitos das contribuições devidas, não há de incidir qualquer encargo de juros e multa, conforme tem decidido reiteradamente o CARF. Ao final, pede a declaração de improcedência do AI ou, alternativamente, que sejam expurgados os acréscimos legais aplicados às contribuições lançadas. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720017/201237 Acórdão n.º 2401003.508 S2C4T1 Fl. 486 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Lançamento para prevenir a decadência – cabimento A recorrente alega que não caberia o lançamento para prevenir a decadência, posto que os depósitos já haviam sido efetuados, o que corresponderia à constituição do crédito. Nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa com o depósito do montante integral do tributo. Por força de tal dispositivo legal, fica o fisco impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança judicial, tais como a inscrição do crédito tributário em dívida ativa ou o ajuizamento de execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. Acerca dessa questão o entendimento prevalente no Egrégio Superior Tribunal de Justiça é o de que não há impedimento para que a Fazenda, mesmo diante de provimento judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, efetue o lançamento para prevenir a decadência. É o que se pode ver desse julgado: "TRIBUTÁRIO.EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 05/09/2005). Assim, mesmo ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão do depósito do tributo, inexiste óbice legal para a constituição do crédito tributário visando à prevenção da decadência. Esse entendimento também se encontra consagrado na jurisprudência do CARF como se pode ver do Acórdão n. 2403002.041, assim ementado: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ART. . 150, § 4º do CTN. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial). AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS QUANDO REALIZADO DEPÓSITO JUDICIAL NO VALOR INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. (...) Observese que nenhum prejuízo sofrerá o sujeito passivo com o lançamento, pois os atos tendentes a execução das contribuições em tela não serão levados adiante e, quando da conversão em renda dos depósitos, o crédito tributário será extinto pelo pagamento. A jurisprudência colacionada, embora fale na desnecessidade de lançamento de ofício nos casos de depósito do montante integral, não determina o cancelamento das lavraturas que tenham sido efetuadas nessas circunstâncias. Portanto, não têm o condão de tornar improcedente o AI guerreado. Assim, cabível o lançamento para prevenir a decadência, mesmo diante da ocorrência de depósitos judiciais. Exclusão da Multa e dos Juros O pedido da exclusão dos acréscimos legais aplicados ao lançamento deve ser atendido. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo é no sentido de que no lançamento efetuado para prevenir a decadência em razão da existência de depósito do montante integral do tributo não é cabível a inclusão de juros e multa. Tenho seguido o mesmo entendimento do acórdão n. 2403001.485 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720017/201237 Acórdão n.º 2401003.508 S2C4T1 Fl. 487 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/08/2001 PREVIDENCIÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA.INDEVIDOS A súmula n° 5 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF pacificou a questão dos juros de mora, no sentido de que existindo depósito no montante integral são indevidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. No que diz respeito a multa de mora, o comando do § 2º do artigo 63 da Lei n° 9.430/96 aduz que: “ Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, (..) A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição”. CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA. O depósito é garantia do pagamento do tributo, com destino vinculado à decisão que vier a transitar em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte Sobre essa questão, vale salientar que esta turma, em julgamento realizado no mês de fevereiro de 2014, adotou por unanimidade esse mesmo entendimento, quando apreciou o recurso interposto no processo n. 10680.725040/201090. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa e os juros aplicados ao lançamento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10675.906658/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO NA FONTE. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos comporá o saldo negativo se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Não se estende ao beneficiário do rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento da legislação de regência, cometido pela fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento aos cofres públicos do valor descontado.
Numero da decisão: 1401-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO NA FONTE. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos comporá o saldo negativo se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Não se estende ao beneficiário do rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento da legislação de regência, cometido pela fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento aos cofres públicos do valor descontado.
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos comporá o saldo negativo se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Não se estende ao beneficiário do rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento da legislação de regência, cometido pela fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento aos cofres públicos do valor descontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 66 58 /2 00 9- 94 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1C4T1 Fl. 162 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1C4T1 Fl. 163 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, que manteve o lançamento. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Por meio do Despacho Decisório n° Rastreamento 843129514, de 7 de julho de 2009, exarado pela DRF/UBE, assim foi decidido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃ O DO CREDITO INFORMADA S NO PER/DCOMP PARC.CREDI TO IR EXTER IOR RETENÇÕ ES FONTE PAGAME NTOS ESTIM.C OMP. SNPA ESTIM. PARCEL ADAS DEM.ESTI M COMP. SOMA PARC.CRE D. PER/DCOMP ,00 .263.244,86 .879.788,88 ,00 ,00 .001.955,09 .144.988,83 CONFIRMAD AS ,00 .259.523,41 .879.788,88 ,00 ,00 30.496,48 .069.808,77 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: RS 1.690.627,74 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: RS 5.144.988,83 IRPJdevido: R$ 3.454.361,10 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) Valor do saldo negativo disponível: R$ 1.615.447,67 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 34599.49925.081104.1.3.021329 NAO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1C4T1 Fl. 164 4 42621.39146.101204.1.3023808 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: Uma parte dos valores que compõem o crédito (saldo negativo de IRPJ, ano base 2003) referese a estimativas de IRPJ compensadas com crédito presumido de IPI, relativo ao ano de 2002, cujo pedido de ressarcimento foi instrumentalizado pelo PAF 10675.000613/200319. Assim, a fiscalização não homologou as compensações requeridas neste processo, uma vez que não haviam reconhecido integralmente o crédito presumido de IPI, requerido no PAF 10675.000613/200319, razão pela qual a compensação realizada no âmbito do IRPJ estimativa, não resultaria crédito ao final do período. Ocorre, no entanto, que a fiscalização não levou em consideração que a Impugnante recorreu da decisão que não homologara integralmente o direito creditório (crédito presumido de IPI) e, quando daquele recurso, houve a suspensão da exigibilidade dos referidos créditos tributários. Segue relato sucinto do desenvolvimento do PAF 10675.000613/200319: Outra parte que compõe o direito creditório levado à compensação da PIS, referese ao IRRF de aplicação financeira, no qual o Banco responsável realizou a retenção na fonte, conforme comprovam os extratos anexos. Outra exigência da Receita Federal no referido Despacho Decisório é a que imputa à Recorrente a obrigação do pagamento do IR/Retido pela Fonte Pagadora com CNPJ 58.257.619/000166. Solicita ainda a manifestante a suspensão e reunião do presente processo ao processo n° 10675.000613/200319, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A DRJ INDEFERIU a solicitação, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DÉBITO DE ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COMPOSIÇÃO. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito solicitado/oferecido em compensação e proveniente de saldo negativo apurado em período anterior, deve se revestir dos requisitos de certeza e liquidez exigidos pela legislação tributária, o que não se verifica quando em suas parcelas de composição constar débito(s) de estimativa cuja compensação não foi homologada. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. As manifestações de inconformidade e os recursos apresentados em razão da não homologação da compensação suspendem a exigibilidade dos débitos não compensados. SOBRESTAMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PROCESSUAL. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionálo até sua decisão final. A autoridade administrativa não tem poderes para sobrestar o julgamento de litígio regularmente instaurado. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1C4T1 Fl. 165 5 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o Relatório Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1C4T1 Fl. 166 6 Voto . Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Tratase de indeferimento de Dcomp em função da não comprovação de parte do saldo negativo declarado. Acontece que uma parte do montante indeferido (saldo negativo de IRPJ, ano base 2003) referese a estimativas de IRPJ compensadas com crédito presumido de IPI, relativo ao ano de 2002, cujo pedido de ressarcimento foi instrumentalizado pelo PAF 10675.000613/2003 19. A outra parte do indeferimento se deveu à não confirmação de IRRF na composição do saldo negativo. Em relação ao primeiro ponto do indeferimento, as compensações requeridas neste processo não foram homologadas em parte, uma vez que não haviam reconhecido integralmente o crédito presumido de IPI, requerido no PAF 10675.000613/200319, razão pela qual a compensação realizada no âmbito do IRPJ estimativa, não resultaria crédito ao final do período. A DRJ identificou essa conexão, mas prosseguiu no julgamento considerando o princípio da oficialidade e a ausência de normas reguladoras que suspendam o prosseguimento do feito em casos tais. Em consulta efetuada nos sistemas informatizados do CARF, verificouse que o processo n° 10675.000613/200319 encontravase atualmente na CSRF, mas ainda não transitado definitivamente em julgado o que levou a ser feito o sobrestamento do mesmo. O presente processo retornou para prosseguimento do julgamento após trânsito em administrativo do Acórdão n 9303002.322, julgado na CSRF, conforme ementa abaixo: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI CRÉDITO PRESUMIDO LEI Nº 9.363/96. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1 7 POSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DA RESISTÊNCIA DO FISCO. CABIMENTO. ART. 62A DO RICARF. A Lei nº 9.363/96 não estabelece a proibição para inclusão das aquisições de insumos provenientes de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do incentivo. Comprovada a rejeição por parte do fisco quanto atualização monetária do crédito incentivado, de ser admitida. REP da Fazenda Nacional negado. REP da Contribuinte provido. Pelo exposto, como a não homologação decorreu em parte diretamente do não reconhecimento do direito creditório que estava sendo discutido nos autos do processo n. 10675.000613/200319 e este teve seu desfecho totalmente favorável à Recorrente e a decisão já tendo transitada em julgado, dou provimento ao recurso nesta parte. Retenção não confirmada – IRRF R$ 3.721,45 A DRJ nega provimento a este item, nos seguintes termos: Sobre o direito creditório solicitado pertinente à parcela de IRRF não confirmada, a contribuinte apenas aduz que o banco responsável efetuou a retenção devida, conforme extratos anexados aos autos. A despeito disso, analisando a documentação, constatase que o comprovante anexado está exatamente de acordo com o valor confirmado pelo sistema que trata eletronicamente as compensações declaradas (ver doc. Análise das Parcelas de Crédito, anexo ao Despacho Decisório), ou seja, a documentação anexada não comprova a retenção da parcela do IRRF não confirmada, no valor de R$ 3.721,45. Outrossim, consta DIRF apresentada exatamente conforme relatado no parágrafo anterior, IRRF no valor de R$ 198.442,44, valor confirmado pelo sistema, ou seja, não há como aceitar as alegações da contribuinte de que o IRRF informado fora totalmente retido pela Instituição Financeira responsável. Por fim, alega ainda a recorrente que a Receita Federal lhe imputa a obrigação pelo pagamento do IRRF pela fonte pagadora, CNPJ n° 58.257.619/000166. Isso não é verdade e nem poderia ser, simplesmente porquanto não há previsão legal para tanto. A Recorrente, por sua vez, defendeuse da seguinte forma: (...) Equivocase a r. decisão recorrida ao entender que o valor não comprovado já se encontrava no sistema da Receita Federal "confirmado pelo sistema", e que "a documentação Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1 8 anexada não comprova a retenção da parcela do IRRF não confirmada, no valor de R$ 3.721,45." Essa constatação, destituída de contraprova ou de fundamentação jurídica para afastar o provado, constitui cerceamento do direito à ampla defesa e, em especial, ao contraditório, pois a autoridade administrativa apenas diz que a prova não é bastante, mas não motiva a sua insuficiência. Quando a lei atribui à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção dos tributos no momento do pagamento ao beneficiário contribuinte, o sujeito passivo que sofre a retenção dos impostos deve apenas comprovar que o responsável realizou cumpriu o dever legal da retenção, não sendo possível exigirlhe qualquer outra providência. A lei escolheu transferir a responsabilidade pela declaração e recolhimento dos impostos à fonte, liberando o sujeito passivo originário do imposto deste encargo. No caso de investimento junto à instituição financeira que tem a obrigação tributária de realizar a retenção na fonte sobre os rendimentos, essa prova se dá pelo Informe de Rendimentos Financeiros, no caso, emitido de forma complementar pelo Banco Santos, no qual indica o rendimento em Renda Fixa em Nov/2003, e respectiva retenção. Ora, não atende ao princípio do contraditório a autoridade dizer que o documento apresentado não comprova a retenção. E necessário explicar por quais motivos o documento não é válido sob pena de não conferir à Recorrente o direito de ampla defesa e do devido processo legal.(...) Como se vê, a Recorrente trouxe aos autos Informe de Rendimentos Financeiros emitido pelo Banco Santos, no qual consta rendimento tributável em RENDA FIXA no mês de novembro de 2003, no valor de R$ 18.607,09, cuja retenção na fonte ocorreu no importe de R$ 3.721,42, ou seja, exatamente o valor glosado pela Receita Federal, sob o pretexto de não estar confirmado pelo Sistema. Ora, tratase de declaração fornecida pela fonte que, por previsão legal é bastante e suficiente para dedução do imposto de renda devido. Através desses documentos, comprovase que foi efetuado o desconto pela Fonte dos valores relativos ao Imposto de Renda daquele período, os quais deveriam ter sido declarados e recolhidos pela fonte pagadora (Banco Santos). Sendo assim, os Informes de Rendimentos não deveriam ter sido desprezados pela DRJ, sem algo mais substancial que os comprometam. A inconsistência com a DIRF pode indicar o problema na informação da fonte pagadora e não necessariamente em quem teve o seu imposto retido. Outrossim, o Informe de Rendimentos é exatamente a prova legal da retenção admitida pela Receita Federal do Brasil, desde que o documento não seja viciado. Cumpre reiterar que a prova das retenções observou legislação própria, na forma adiante prescrita: Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985 “(...) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1 9 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (...)” Regulamento do Imposto de Renda/99 “(...) Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). (...) § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Instrução Normativa SRF n° 119/2000, de 28 de dezembro de 2000 “Aprova o modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte relativo a rendimentos pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, sujeitos à retenção na fonte. (...) Art. 4o O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica será utilizado para comprovar o imposto de renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído. (...)” Ato Declaratório Normativo Cosit n° 9/94, de 9 de fevereiro de 1994 “1. Para efeito de demonstrar o imposto de renda retido na fonte dedutível do imposto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10675.906658/200994 Acórdão n.º 1401001.145 S1 10 apurado mensalmente, inclusive quando calculado por estimativa, ou por ocasião do encerramento do períodobase, deverá ser utilizado o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica, aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 129, de 9 de dezembro de 1992.” O Manual de Preenchimento da Declaração de Rendimentos MAJUR também orienta que: “(...) O imposto retido na fonte somente poderá ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora.” (...)” Vêse, pois, que a compensação do imposto na fonte está condicionada à existência do respectivo comprovante de retenção, cujo modelo é aprovado mediante ato normativo baixado pela Administração Tributária. O documento de fl.121 anexado pela defesa constitue, assim, comprovante hábil de retenção do imposto na fonte, nos termos da legislação de regência. Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904403/2012-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 44 03 /2 01 2- 31 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904403/201231 Acórdão n.º 3801003.217 S3TE01 Fl. 85 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904403/201231 Acórdão n.º 3801003.217 S3TE01 Fl. 86 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/06/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904403/201231 Acórdão n.º 3801003.217 S3TE01 Fl. 87 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904403/201231 Acórdão n.º 3801003.217 S3TE01 Fl. 88 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904403/201231 Acórdão n.º 3801003.217 S3TE01 Fl. 89 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904403/201231 Acórdão n.º 3801003.217 S3TE01 Fl. 90 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10880.934632/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.156
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Pagamento indevido a título de estimativa de IRPJ. Recorrente MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 46 32 /2 00 9- 19 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934632/200919 Acórdão n.º 1102001.156 S1C1T2 Fl. 390 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase recurso voluntário interposto por MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela improcedência integral de pedido de compensação (PER/DCOMP anexada de fls. 03 a 11 do processo digital) de débitos de tributos federais com o crédito de R$ 9.488.421,61 decorrente de pagamento indevido realizado a título de estimativa de IRPJ em 19/04/2000. A Derat/São Paulo, mediante despacho decisório eletrônico, não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada pela não localização do DARF informado na PER/DCOMP. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade na qual informou que houve engano no preenchimento da data do período de apuração no DARF. A mencionada 2ª Turma da DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 1627.897, de 23 de novembro de 2010, por meio do qual manteve o não reconhecimento do direito creditório alegado. Cumpre esclarecer que, por tratarem do mesmo direito creditório, a mesma decisão foi proferida para o julgamento da lide contida neste e em outros vinte processos. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934632/200919 Acórdão n.º 1102001.156 S1C1T2 Fl. 391 3 As estimativas pagas devem ser levadas ao ajuste anual como dedução do valor devido no ano (§4°, inciso IV do artigo 2° da Lei n° 9.430/96), só então configurandose o saldo a restituir, se for o caso, não cabendo falar em pagamento a maior da própria estimativa. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem com indevidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em que deduz os seguinte argumentos: a) Por equívoco, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior na base de cálculo para a apuração da estimativa de março/2000. No entanto, conforme dispõe o artigo 25 da Lei nº 9.249/95, tais rendimentos só devem ser computados no balanço de 31 de dezembro de cada anocalendário. b) Em decorrência desse equívoco, efetuou a maior o recolhimento da estimativa referente ao período de março de 2000. Recolheu R$ 9.488.442,61, quando o correto seria recolher R$ 291.101,75. Assim, possui um indébito passível de compensação no montante de R$ 9.197.340,86. c) Ao contrário do que alega o acórdão recorrido, tratase de recolhimento a maior e não de estimativa mensal. d) Referido valor não compôs a apuração do ajuste anual, portanto, não se aplica o disposto no §4º, inciso IV, do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. e) O DARF não foi localizado no sistema da Receita Federal por causa do equívoco no período de apuração informado. Ao invés de 19/04/2000, o correto seria 31/03/2000. Tal erro não foi detectado em tempo hábil, razão pela qual não foi possível efetuar o REDARF. f) Os rendimentos auferidos no exterior foram corretamente ofertados à tributação e compuseram o ajuste anual em 31/12/2000. g) O saldo negativo do ano de 2000 não é objeto de discussão no presente processo. O que se pretende é o reconhecimento do crédito referente ao recolhimento indevido ocorrido em março de 2000. h) A veracidade de suas alegações pode ser comprovada através de seus registros contábeis, os quais fazem prova da regular existência do crédito. i) Esclarece que incorreu em erro formal no preenchimento do PER/DCOMP ao não informar que o crédito estava vinculado a IN 27/1997. j) Seu pedido encontra amparo no direito de propriedade, do devido processo legal, na legalidade, na moralidade administrativa e na verdade material. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934632/200919 Acórdão n.º 1102001.156 S1C1T2 Fl. 392 4 Ao final, requer a homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A DRJ não reconheceu o direito creditório pleiteado porque entendeu que não se pode restituir estimativas pagas, as quais devem ser deduzidas no ajuste anual, em conformidade com o estabelecido no artigo 2º, IV, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Neste sentido, só se pode requerer restituição/compensação de eventual saldo negativo apurado no referido ajuste anual. Tal entendimento, de fato, é o correto e vem sendo seguidamente adotado nos diversos julgamentos proferidos nesta Casa. Nada obstante, verifico que o presente caso não trata da estimativa que deveria ser paga na conformidade do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. Isso porque a recorrente agiu de forma equivocada ao calcular a antecipação que seria devida no mês de março de 2000. Com efeito, na apuração desse mês, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior quando o artigo 25 da Lei nº 9.249/95 dispõe que tais rendimentos só devem ser computados no balanço de 31 de dezembro de cada anocalendário. Por tal motivo, recolheu a título de estimativa do mês de março de 2000, o valor de R$ 9.488.442,61, quando o correto seria recolher R$ 291.101,75. Tanto é assim que foi este último valor que foi incluído na dedução a título de estimativas no ajuste anual. Por outro lado, os rendimentos auferidos no exterior foram corretamente ofertados à tributação e compuseram o ajuste anual em 31/12/2000. Tais fatos estão relatados no recurso apresentado e os documentos juntados aos autos apontam para a verossimilhança dessas alegações. Houve, portanto, pagamento maior que o devido na data do respectivo recolhimento, configurando um indébito passível de restituição/compensação no montante de R$ 9.197.340,86. Isso, a despeito do erro formal no preenchimento da PER/DCOMP, a qual indicava um crédito de R$ 9.488.421,61. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934632/200919 Acórdão n.º 1102001.156 S1C1T2 Fl. 393 5 A possibilidade de restituição/compensação de pagamentos indevidos a título de estimativa já é matéria consolidada no âmbito do CARF desde a edição da seguinte súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a verificação efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte e documentação juntada aos autos com os sistemas de controle da Receita Federal, pois a autoridade julgadora negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de março de 2000, se o valor pago a maior não foi efetivamente apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à instância a quo para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à DRJ para análise do mérito do pedido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 393DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934632/200919 Acórdão n.º 1102001.156 S1C1T2 Fl. 394 6 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900353/2009-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 53 /2 00 9- 00 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração julho de 2001, no valor original de R$ 5.786,91, com débitos de IRPJ que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900353/200900 Acórdão n.º 3803005.701 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900353/200900 Acórdão n.º 3803005.701 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900353/200900 Acórdão n.º 3803005.701 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 16004.000098/2008-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ULTRAPASSAR O LIMITE DE RECEITA BRUTA.
Não pode permanecer na sistemática do Simples a empresa que ultrapassa o limite de auferição de receita bruta disciplinado em Lei.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo a recorrente tomado ciência de todos os termos e documentos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1803-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações EXCLUSÃO DO SIMPLES. ULTRAPASSAR O LIMITE DE RECEITA BRUTA. Não pode permanecer na sistemática do Simples a empresa que ultrapassa o limite de auferição de receita bruta disciplinado em Lei. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo a recorrente tomado ciência de todos os termos e documentos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
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J. RIO PRETO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações EXCLUSÃO DO SIMPLES. ULTRAPASSAR O LIMITE DE RECEITA BRUTA. Não pode permanecer na sistemática do Simples a empresa que ultrapassa o limite de auferição de receita bruta disciplinado em Lei. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo a recorrente tomado ciência de todos os termos e documentos que compõe o processo, e neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 98 /2 00 8- 61 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração em decorrência de omissão de receita por depósitos bancários cuja origem não foi justificada, relativa aos anoscalendário de 2003 e 2004. No que se refere ao anocalendário de 2003, em que a recorrente havia optado pela sistemática de tributação do Simples, porém a soma da receita informada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (PJSI), de R$141.434,82, acrescida da omissão apurada no procedimento fiscal, de R$1.777.489,25, totalizou R$1.918.924,07, superior ao limite de R$1.200.000,00 para permanência no sistema. Em decorrência, lavrouse a representação fiscal para exclusão do Simples (fls. 01/03) baseada no fato de a contribuinte ter excedido durante o anocalendário de 2003 o limite de receita bruta estabelecido para empresa de pequeno porte, em consonância com a regra prevista no art. 192, II, do Regulamento do Imposto de Renda/1999 (RIR/1999). O Ato Declaratório Executivo n. 27 excluiu a contribuinte do sistema por ter excedido durante o anocalendário de 2003 o limite de receita bruta estabelecido para empresa de pequeno porte optar pelo Simples, com efeitos a partir de 01/01/2004 (fl.29). Com isso, deu se início o procedimento fiscal cuja origem remonta à operação desenvolvida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil denominada Dispêndios/Repasses de Cartão de Crédito, em que houve cruzamento das informações prestadas pelas administradoras de cartões de crédito (Decred) com os registros constantes da Declaração de Informações EconômicoFiscais da 2 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2003 e Declaração de Pessoa Jurídica optante pelo Simples, correspondente ao anocalendário de 2004. Do referido procedimento fiscal resultou a lavratura de auto de infração que lhe exigiu IRPJ,PIS/Pasep, CSLL, Cofins, acrescidos de juros de mora e multa de ofício. Ocorreu arbitramento do lucro em vista de que a após a exclusão do Simples a contribuinte ficou sujeita à tributação com base no lucro real. Intimada a exibir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, a autuada nada apresentou, declarandose estar dispensada de escrituração contábil, por força da legislação em vigor. Desse modo, após ter sido constatado que a receita bruta declarada em PJSI era significativamente inferior à movimentação com cartões de crédito, informada pelas administradoras, intimouse a empresa recorrente para que apresentasse extratos bancários, livros diário e caixa, além de outras informações conforme constou do Termo de Início de Fiscalização (fls. 208/210). Porém, em resposta a recorrente apresentou extratos bancários de titularidade das sociedades empresárias Cláudia Mara Bronzelli Estivaneli ME, CNPJ 73.042.384/0001 89, doravante denominada Cláudia Mara, e Hombre Confecções e Acessórios Ltda., CNPJ 05.087.001/000139, doravante denominada Hombre, além do expediente de fls. 218/221, que capeia diversos demonstrativos por ela elaborados. Aduz a recorrente que em relação aos cartões de crédito, assinou contratos com redes de cartões de crédito, em que as maquinetas foram instaladas na sede de Cláudia Mara. Embora as vendas fossem realizadas por esta empresa, os valores correspondentes eram lançados na conta bancária mantida pela contribuinte, n. 002.1801, ag. 12100, do Banco Safra S. A. Já quanto aos créditos nas contas de sua titularidade, mantidas na rede bancária, alegou que além da sociedade empresária em questão, a titular participa de outra, Hombre. Em vista de que esta última necessitava de linhas de crédito, contraiu dívidas em nome de Lucinda Piedade ME para suprir o caixa da Hombre. Acrescentou que ofereceu seus limites bancários para suprir o caixa da sociedade empresária Cláudia Mara, pertencente a sua nora, que se encontrava em dificuldades financeiras. No que diz respeito aos créditos e financiamentos alegou que firmou empréstimos, financiamentos, contratos e contas garantidas em seu nome, para pagamento dos fornecedores além de outras despesas, ao que consta, de responsabilidade de Cláudia Mara, todas as vezes que solicitou. As alegações da recorrente, no sentido de tomar para si as mencionadas dívidas das outras sociedades empresárias não foram levadas em conta pela fiscalização sob o fundamento de que convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas ao Fisco, tal como previsto no art. 123 do CTN. A autoridade fiscal acrescentou que em desfavor dos argumentos expendidos pela recorrente pesava o fato de as outras sociedades empresárias também serem titulares de contas bancárias que apresentaram movimentação financeira. Segundo relatado, a empresa Lucinda Piedade utilizouse, além de seu reduzido faturamento, do faturamento das outras empresas, declarado à administração tributária, na tentativa de justificar a movimentação financeira (fl. 467). Após cotejar as informações prestadas pela empresa recorrente com os registros dos extratos bancários, deduzindo importâncias cuja origem considerou comprovada, notadamente aquelas relativas às vendas que pertenciam à empresa Cláudia Mara, além das exclusões legalmente permitidas, elaborou a autoridade fiscal relação que denominou 3 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 "Demonstrativo de Valores Creditados Extratos Bancários", sintetizada na planilha constante do relatório de fls. 392/407. Intimou a empresa a comprovar a origem de tais valores sob pena de ser lançada por omissão de receitas caso não atendesse. Cientificada, a empresa recorrente mantevese silente, o que ocasionou a imposição tributária sob análise. Importa frisar que a empresa recorrente foi excluída do Simples e tendo declarado não possuir escrituração contábil, ocasionou a impossibilidade de apuração do lucro real e ensejou o arbitramento do lucro nos termos dos arts. 529 e 530, I, do Regulamento do Imposto de Renda/1999 (RIR/1999), tendo sido utilizada como base de cálculo sua receita bruta conhecida. Para obtenção da receita omitida, a fiscalização excluiu do demonstrativo de fls. 392/407 todas as transferências bancárias de titularidade da contribuinte provenientes das empresas Cláudia Mara e Hombre, além das origens comprovadas pela contribuinte, que foram consolidadas no Demonstrativo Final dos Valores Excluídos (fls. 444/462). Do cotejo entre os depósitos bancários e as exclusões aceitas pela fiscalização resultou o demonstrativo dos depósitos bancários com origem não comprovada (fls. 476), que serviu de base para apuração do arbitramento do lucro e do conseqüente lançamento tributário, com a dedução dos pagamentos efetuados pela recorrente, relativos ao período em questão, sob o código de arrecadação n. 6106. Devidamente intimada da exclusão do Simples e posteriormente do lançamento tributário, ingressou a contribuinte com as impugnações de fls. 31/106 e 515/606, respectivamente. Quanto ao Ato Declaratório n. 27 pleiteou a suspensão dos efeitos do referido Ato Declaratório até decisão final da impugnação interposta, relativamente ao crédito tributário lançado, correspondente ao anocalendário de 2003. No mérito, alegou que a movimentação financeira da recorrente engloba a de outras duas empresas, aí compreendidas a obtenção de financiamentos e operações com cartões de crédito. A seguir, elaborou uma série de demonstrativos que, segundo arguiu, justificam a origem dos recursos financeiros. Argumentou que nenhuma das empresas possui contabilidade. Livro Diário e Livro Razão, por enquadraremse na condição de microempresa. Em conclusão, aduz que as operações bancárias não constituem comercialização de mercadorias, que fora regularmente tributada. Alegou que a existência de depósitos bancários não representa omissão de receita e não autoriza apurarse base imponível presuntivamente. Afirma que ao faturamento anual das três empresas, conjuntamente, supera o valor dos depósitos apontados pelo Fisco. Escorou sua defesa no enunciado da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) que estatui ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. No final, pleiteou o apensamento do procedimento relativo ao Ato Declaratório de Exclusão àquele em que fora apurado o excesso de receita relativo ao ano calendário de 2003, em vista de que as provas que dispunha estão juntadas naqueles autos. Posteriormente, apresentou a impugnação de fls. 112/167 na qual alega ter ingressado com "recurso contra a decisão do chefe da Sacat, que indeferiu o pedido de revisão da exclusão do Simples SRS". Apresentou argumentos idênticos àqueles veiculados na peça anteriormente citada, à exceção do que suscitou a incompetência do chefe da Sacat pelo 4 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 indeferimento do pedido de revisão da exclusão do Simples, sob o fundamento de que não pode um servidor subalterno revisar o ato de autoridade superior, no caso o delegado da Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto. Em ato contínuo, a recorrente requereu o cancelamento da exclusão do Simples em vista de que a soma dos depósitos bancários e da receita declarada foi de R$1.063.736,64, abaixo do teto de R$1.200.000,00 para permanência no sistema. Alegou que o recurso apresentado contra o procedimento fiscal relativo ao anocalendário de 2003, que lhe exigiu tributo baseado nos depósitos bancários e suscitou a exclusão do sistema, pende de decisão, ao mesmo tempo em que pleiteou sua manutenção no Simples até decisão final do recurso interposto. No mérito, alegou que a movimentação financeira da contribuinte engloba a de outras duas empresas, aí compreendidas a obtenção de financiamentos e operações com cartões de crédito. A seguir, elaborou uma série de demonstrativos que, segundo arguiu, justificam a origem dos recursos financeiros. Prossegue argumentando que nenhuma das empresas possui contabilidade. Livro Diário e Livro Razão, por enquadraremse na condição de microempresa (fl. 584). Aduziu que a movimentação financeira que apresentou em conta de depósitos não representa receita da contribuinte, o que pode ser confirmado pelo fato de que os contratos para recebimento das operações com cartão de crédito em nome de Cláudia Mara foram creditados na conta de depósitos da contribuinte, corroborado pela própria fiscalização (fls. 585/6). A autorização dada por Cláudia Mara no sentido de que o resultado das operações fosse lançado em conta de depósitos da contribuinte representa manifestação de vontade, em que se contabilizam as vendas, recolhemse os impostos sobre elas, contabilizase o crédito dos cartões, registrandose nos balanços a transferência do numerário para conta bancária de terceira pessoa. O fisco não pode considerar a operação de venda realizada pela empresa Cláudia Mara e a transferência para a conta de depósitos decorrente de tais vendas como operações distintas. Argui ainda que a existência de depósitos bancários não representa omissão de receita e não autoriza apurarse base imponível presuntivamente. Alegou que ao faturamento anual das três empresas, conjuntamente, supera o valor dos depósitos apontados pelo Fisco. Escorouse no enunciado da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) que estatui ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Sob a alegação de cerceamento de defesa, motivado pela restituição de diversos documentos utilizados pela fiscalização no decorrer do procedimento fiscal, relacionados nas fls. 595/6, anexouos à impugnação apresentada, para que fossem integrados aos autos. Requereu a nulidade da imposição tributária sob a alegação de cerceamento de defesa em vista de que o procedimento fiscal abrangeu os anoscalendário de 2003 e 2004 enquanto que para constituir o crédito tributário a autoridade fiscal o fez inicialmente para o anocalendário de 2003 para em seguida lavrar crédito tributário relativo ao anocalendário de 2004. Decorreu daí que a documentação apresentada pela recorrente, relativa ao período de 2004, fora anexada aos autos relativos ao ano de 2003, em flagrante prejuízo. 5 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Acrescentou que a autoridade fiscal restituiu à recorrente documentos dos anoscalendário de 2003 e 2004, em flagrante prejuízo, uma vez que o auto de infração relativo ao ano de 2003 "está sendo julgado sem as provas que foram restituídas, que permaneceram dormindo na gaveta do fisco, e o auto do anocalendário de 2004 também foi lavrado sem que elas fossem consideradas. Prossegue aduzindo que no decorrer do ano de 2004 inexistiu circulação física de mercadorias no período de janeiro a novembro, tendo havido apenas uma operação de devolução de mercadoria, no valor de R$1.334,00, no mês de dezembro daquele ano, tampouco o fisco logrou comprovar ter existido qualquer operação de venda que suscitasse a incidência de crédito tributário. Arguiu que após o fisco ter deflagrado o procedimento fiscal relativo aos anoscalendário de 2003 e 2004, foram desdobrados procedimentos em desfavor de Claudia Mara e Hombre, no âmbito do MPF 081072006003292, sem que as provas tivessem sido carreadas para os respectivos autos, motivo pelo qual pleiteou apensamento de todos os autos junto ao original para apreciação simultânea, em decorrência da conexão que se instaurou. Ao final, pleiteou sua permanência no Simples até julgamento do recurso interposto contra a exclusão do sistema e acolhimento de suas alegações no sentido de afastar a exclusão do Simples e anulação do crédito tributário lançado. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, assim como a exclusão do sistema Simples. Aduz tratarse, o presente feito, da análise da exclusão do Simples, decorrente de ter excedido o limite de receita para permanecer no sistema, bem como a imposição tributária cujo substrato achase assentado em omissão de receitas, decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Salienta o julgador que consta dos autos, antes de ter sido expedido o ato declaratório de exclusão e a constituição do crédito tributário ora questionado, outro procedimento fiscal, autuado sob n. 16004.001067/200746, em que se apurou omissão de receita decorrente de depósitos bancários cuja origem não fora comprovada e que suscitou a exclusão do sistema por excesso de receita. O processo em questão pende de análise perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Afere que o julgador a quo foi o relator do outro processo citado e que a decisão, por unanimidade, foi no sentido de que o lançamento era procedente. Contudo, observa que foi pleiteada a suspensão dos efeitos oriundo do Ato de Exclusão, decorrente de previsão legal, art. 151, III do CTN. Assim, entendeu por bem deferir a suspensão da exigibilidade até julgamento final em sede administrativa. No que diz respeito à pretendida conexão decorrente dos procedimentos fiscais instituídos em desfavor da recorrente e das contribuintes Cláudia Mara e Hombre não há como atender à pretensão da interessada em face de que se trata de procedimentos distintos, com instrução probatória individualizada. Se existem documentos comuns, eles devem compor os autos dos respectivos processos, sob pena de instrução probatória insuficiente por parte da fiscalização, o que, em última análise, beneficia as contribuintes lançadas. 6 Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Quanto às provas e perícia requerida pela recorrente, entende o julgador a quo ser dispiciendo, em face de que as informações carreadas aos autos pela autoridade fiscal permitirem aquilatas a matéria tributável cujo substrato são omissão de receita e o arbitramento ora tratados. Atenta que o pedido da recorrente pretende, subrepticiamente, deslocar para o Fisco a atribuição de ilidir o que fora apurado por presunção legal, questão que será abordada em tópico próprio. Ademais, eventual pleito de diligência ou perícia deve necessariamente atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que instituiu o Processo Administrativo Fiscal (PAF). Fundamenta a rejeição ao pedido de diligência e perícia no art. 16 do Decreto 70235/72, posto que eventual deferimento de realização de diligência reclama exposição prévia dos motivos, formulação de quesitos, além da qualificação do perito indicado. Ainda que houvesse necessidade de esclarecimento, não haveria como atender ao pedido da recorrente por falta de atendimento dos requisitos legais. No que diz respeito à prova documental, admitese a juntada posterior se houver enquadramento em alguma das hipóteses previstas nas alíneas do § 4° do art. 16 do PAF. No tocante à Exclusão do Simples, afere a autoridade julgadora de primeira instância ser imprescindível observar os arts. 9, 12, 13, 14 e 15 da Lei 9.317/96. Considera superada a alegação de incompetência do chefe da Sacat para decidir acerca da revisão do procedimento de exclusão do Simples pelo fato de que o inconformismo da recorrente, manifestado na peça impugnatória que apresentou, é objeto de apreciação nesta assentada. Ademais, o pedido de revisão a que alude a contribuinte é próprio do Processo Administrativo regulado pela Lei n. 9.784/1999, de ser observado no âmbito da Administração Pública Federal, aplicável quando inexistir procedimento específico regido por lei própria. No caso presente, existe regra específica aplicável, reguladora do Processo Administrativo Fiscal, instituída pelo Decreto n. 70.235/1972. Entende o julgador que também foi transposta a alegação da recorrente referente ao fato de que deveria ser apensada a documentação correspondente à imposição tributária que decorreu do excesso de receita em vista de que o respectivo processo já foi julgado no âmbito desta Delegacia de Julgamento, com decisão desfavorável à impugnante, conforme consta do acórdão antes referido. Assim, no âmbito desta esfera de julgamento administrativo a exclusão do Simples já se encontra pacificada, a teor do acórdão que por unanimidade considerou procedente o lançamento efetuado. Daí decorre naturalmente que a contribuinte foi excluída do Simples por ter a receita excedido o limite de R$1.200.000,00, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2004, conforme prescrito no Ato Declaratório Executivo n. 27, de 14/02/2008, do delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (fl. 27). Frisa que não há que se falar em suspensão dos efeitos do ato declaratório até solução do processo em que a matéria fática referese a omissão de receita superior ao limite para enquadramento no Simples. 7 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Quanto ao cerceamento do direito de defesa, atesta serem infundadas as alegações da recorrente porquanto, abstraindose aqueles que foram emitidos no decorrer de 2003, que não se prestam a justificar o lançamento tributário ora debatido, os documentos que a autoridade fiscal restituiu foram utilizados como prova em favor da contribuinte, pois prestaramse a justificar eventuais transferências para contas da mesma titularidade. Ademais, observa que a matéria fática que serviu de substrato para a imposição tributária repousa em créditos bancários de origem não justificada; não em débitos decorrentes de emissão de cheques. Quanto aos extratos bancários, ressalvandose aqueles emitidos em 2003, que não têm relação direta com o lançamento ora em questão, entende o julgador que os demais emitidos em 2004 já compõem os autos, como se verifica, por exemplo, do extrato relativo ao mês de janeiro de 2004, anexado inicialmente sob fls. 337 e posteriormente apresentado pela impugnante, sob fls. 766. Ressalta que todas as alegações vertidas pela recorrente, em atendimento das intimações que lhe foram apresentadas, não justificam a origem dos créditos. Nos atendimentos das intimações e nas impugnações apresentadas a recorrente apenas enumerou diversas importâncias sem apresentar qualquer forma de justificativa da origem, tampouco exibiu documentação contábil, o que motivou o arbitramento do resultado. No que concerne à presunção legal da omissão de receita, afere o julgador a quo que há que se levar em conta que as importâncias que a contribuinte relacionou em sua peça impugnatória (segundo ela seriam decorrentes de operações praticadas pelas outras empresas com as quais mantém vínculos estreitos) já foram consideradas pela autoridade fiscal. Observa que consta do relatório toda a movimentação que se referia às empresas Cláudia Mara Bronzelli Estivanelli e Hombre Confecções e Acessórios Ltda. e foi deduzida da base de cálculo que serviu à imposição tributária. Ademais, salienta que o fato de se tratar de microempresa não isenta a recorrente do cumprimento das obrigações que a legislação determina sejam atendidas. Há que se levar em conta que em face da mesma enquadrarse na modalidade de tributação pelo Simples estava obrigada ao cumprimento das normas editadas pelas Instruções Normativas SRF (IN) n. 250, de 2002, e IN 355, de 2003, notadamente entrega de declaração simplificada e escrituração de Livro Caixa e de Registro de Inventário. Embora a citação abaixo refirase às regras da IN 355, de 2003, elas reproduziram o que constava da IN 250, de 2002. Assim, entende que a alegação de que não dispunha de escrita fiscal organizada, tal como previsto nas normas antes citadas, não tem o condão de afastar sua responsabilidade por tributos que eventualmente sejam apurados. Consigna que toda a relação de valores que, segundo a recorrente, referemse a depósitos de terceiras empresas, receita de vendas e financiamentos bancários obtidos não se presta a fazer prova em seu favor, haja vista que não se encontram alicerçados em documentação suficiente, ressalvandose que os depósitos relativos a empresas coligadas foram devidamente excluídos pela autoridade fiscal. Ressalta que durante o procedimento fiscal em mais de uma vez foilhe dada oportunidade de contrapor o que havia sido apurado. Entretanto, não houve qualquer manifestação de sua parte, daí implicando considerarse como receita 8 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 omitida aqueles valores cuja origem não fora comprovada. Registrese, inclusive, que parte das informações bancárias somente foi obtida após intimação dirigida às instituições financeiras. Já no tocante à apuração do crédito tributário, o julgador de primeira instância aduz que foi adotada a forma de tributação pelos depósitos bancários em dista de que a recorrente não justificou a origem, tampouco dispunha de escrituração regular que justificasse a adoção de outra forma de apuração do resultado. Elabora arrazoado a respeito das presunções. O julgador faz menção quanto às presunções legais e de fato, discorrendo a respeito. Aduz que sendo o lançamento tributário resultante do exercício da atividade administrativa, em consequência, exigirse tributo quando expressamente autorizado por lei. Atenta que se o resultado da incidência do tributo basearse em presunções erigidas pela norma legal, os resultados podem e devem constituir a base imponível da exação. De outro lado, indícios, suspeitas ou suposições não autorizam concluir pela ocorrência do fato imponível, no caso vertente, omissão de receita. Salienta a autoridade julgadora de primeira instância que incumbe ao fiscalizado elidir a imputação por meio de prova hábil e idônea. Afere que o tributo só pode ser exigido quando o fato apurado ajustase perfeitamente à hipótese de incidência, por essa razão a Fazenda Pública não pode considerar ocorrido um fato descrito abstratamente na hipótese de incidência sem a efetiva verificação, valendose de mera presunção de seu agente, a menos que esta presunção esteja prevista em lei. Assim, se o agente fiscal presume, por conta própria, a ocorrência de omissão de receitas sem que a lei o autorize, está atribuindo a si função que é inerente ao legislador. Por essa razão ou o agente prova que efetivamente houve omissão de receitas ou valese de uma presunção legal. Cita que as hipóteses de omissão de receita decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi justificada constitui exemplo de presunção legal em que há a inversão do ônus da prova, ou seja, se o Fisco demonstra tal hipótese, cabe ao contribuinte provar a origem dos depósitos. Ressaltese que em homenagem ao principio constitucional da ampla defesa à empresa recorrente foi dada, até o momento em que apresentou a impugnação ao auto de infração a possibilidade de refutar dita presunção. Entende que se, conforme alegou na peça impugnatória, as operações estavam acobertadas por justificativa suficiente para afastar a presunção, abstraindose o que já havia sido desconsiderado pela autoridade fiscal, competia à empresa recorrente comprovar a veracidade de sua alegação. Porém, em vez de comprovar seus argumentos por meio da contraposição de fatos, limitouse a tecer comentários sem fundamentação comprobatória. Afere que no que diz respeito, especificamente, aos depósitos bancários, a empresa recorrente pretende ver declarada a nulidade do procedimento fiscal em face da Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos que considerou ilegítimo o imposto de renda arbitrado com base em extratos ou depósitos bancários. Afirma que nenhuma razão assiste neste aspecto à recorrente. Observa que o enunciado citado suscitou o advento do Decreto Lei 2471/88 cancelou o débito relativos a impostos de renda arbitrado com base exclusivamente em valores 9 Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 de extratos ou comprovantes de débitos bancários. Assim, enquanto vigorou tal instrumento legal a fiscalização não pôde se valer de tais provas. Mas, observa que, o entendimento expresso na Súmula 182, do TFR, publicada no DJ de 07/10/1985 e baseado em julgados publicados entre 1981 e 1984, já se encontrava superado após a edição das Leis n° 7.713 de 1988 e 8.021 de 1990, razão pela qual não pode servir de fundamento para o presente caso. Atenta que com o advento da Lei n° 8.021/90, art. 6°, a fiscalização ficou livre para constituir crédito tributário com base nos extratos bancários, pois, em se tratando de lei posterior, o referido dispositivo tem efeitos derrogatórios ao Decretolei n° 2.471 de 1988. Porém, conforme se depreende do relatório a exigência tributária decorre da tributação de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Com base no preceptivo da Lei n° 9.430/96, art. 42, que passou a considerar receita ou rendimentos omitidos, conforme o regime de tributação ao qual a contribuinte estiver submetida. Desse modo, basta a comprovação dos depósitos em nome da recorrente, para os quais ela não comprovou a origem dos recursos, para que sejam considerados omitidos. Portanto, aduz o julgador a quo que com o advento da Lei n° 9.430/96, que introduziu novas presunções legais no campo tributário, passou a ocorrer a inversão do ônus da prova, ou seja, agora cabe ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Discorre sobre o tema. Com essa nova prescrição legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não compre adiante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder o lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Cita artigos do CPC e do PAF. Portanto, ao contrário do que alegou a contribuinte, não existe ilegalidade no lançamento feito com base em depósito bancário de origem não comprovada, principalmente na vigência da Lei n° 9.430 de 1996, como é o caso dos autos, razão pela qual há que se considerar improcedente sua alegação quanto à imprestabilidade da movimentação financeira para fins de caracterização da omissão de receita. Observa que tomando em conta que a empresa recorrente enquadrase na modalidade de tributação pelo Simples, a mesma estava obrigada ao cumprimento das normas editadas pela Instrução Normativa SRF (IN) n° 355, de 2003, conforme relatado anteriormente. E, tomando em conta que a empresa recorrente, a despeito das reiteradas instâncias da autoridade fiscal, não apresentou os livros fiscais exigidos pelo fisco, tampouco regular escrituração contábil, procedeuse à constituição do crédito tributário considerando como receita omitida o valor correspondente aos depósitos bancários cuja origem não fora comprovada e que serviu de base de cálculo para o lançamento tributário, em consonância com a Lei n° 9.317, de 1996, que trata da matéria. Quanto à tributação reflexa afere que os lançamentos relativos à CSLL, Cofins e PIS, objeto do presente processo constituem reflexos da exigência pertinente ao IRPJ. Conforme explanação feita nos itens precedentes, foi confirmada integralmente a exigência, inclusive no tocante à multa de ofício majorada e qualificada e aos juros de mora aplicados. 10 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Desta forma, entende o julgador que tendo os lançamentos em questão se pautado nos estritos limites da legislação de regência, deve ser mantido integralmente o crédito tributário apurado em relação à Contribuição Social, Cofins, PIS, dado seu caráter reflexivo. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões em grau de recurso voluntário, de forma tempestiva. Alega, sucintamente o já disposto em seara de impugnação. É o relatório Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração em decorrência de omissão de receita por depósitos bancários cuja origem não foi justificada, relativa aos anoscalendário de 2003 e 2004, bem com exclusão do Sistema Simples por extrapolar os limites legais de faturamento no ano calendário de 2003, com efeitos a partir de 01.01.2004. Temse que a controvérsia está relacionada ao fato de a Recorrente movimentar em suas contas bancárias recursos de outras duas empresas, Hombre Confecções e Acessórios Ltda. e Cláudia Mara Bronzelli EstivaneliME. A empresa recorrente foi excluída do sistema Simples por ultrapassar o limite de auferição de receita bruta anual, disposto na Lei 9.317/96, em seu artigo 15 e com isso foi autuada nos demais tributos: IRPJ, PIS, COFINS, INSS. Alega a empresa cerceamento do direito de defesa, tomando em conta a não juntada de documentos pertinentes ao feito. Ocorre que em demasiadas oportunidades, inclusive na propositura do recurso voluntário, a empresa poderia ter juntado os documentos que entendesse razoáveis a sua defesa. Contudo, mesmo intimada diversas vezes a justificar e comprovar a origem dos depósitos bancários, a recorrente não procedeu. Importa salientar que os documentos restituídos à empresa recorrente foram utilizados como prova em favor da mesma, pois prestaramse a justificar eventuais transferências para contas da mesma titularidade. E, nesse caminho, cumpre frisar que estamos diante de imposição tributária concernente a créditos tributários e não a débitos decorrentes de emissão de cheques. Ademais, a empresa recorrente, conforme já mencionado, teve ciência de todos os termos e do auto de infração deste processo. Assim, não merece procedência a 11 Fl. 927DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 alegação de cerceamento do direito de defesa quando a empresa teve acesso às descrições que motivaram o lançamento, as infrações que lhe foram imputadas e seus fundamentos legais, e na posse de plena condição para exercer seu direito de defesa. Temse que a omissão de rendimentos por depósitos bancários é considerada, dentro do ordenamento jurídico pátrio, uma presunção, necessitando de sua comprovação. Ocorre que essa comprovação, em se tratando de depósitos bancários, invertese, devendo a recorrente demonstrar, com identidade de data e valor, a origem dos valores. Ademais, ainda que se trate de uma presunção, de igual modo cumpre à empresa, interessada em demonstrar que não se encontrar em situação de devedora dos seus tributos, comprovar que os depósitos não se tratavam de renda omitida, já que a norma nesse caso específico determina a inversão em favor da fiscalização, impondo a conduta demonstrativa à recorrente, tal com já referido. Nesse sentido, importa citar jurisprudência corroborando o entendimento: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. É regular o procedimento de fiscalização que verifica incompatibilidade entre os registros efetuados no Livro Caixa do contribuinte, e aqueles informados ao fisco, e a movimentação financeira espelhada nos extratos bancários. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, especificamente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com Mero no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITO BANCÁRIO. PROVA. Não pode o contribuinte, pessoa jurídica, pretender que se admita, para provar a origem dos créditos bancários individualizados, o total do rendimento bruto do sócio, informado em DIRPF, sem provar, com documentação hábil, a efetiva transferência de valores nas datas dos créditos. (Processo n. 11543.003273/200427, Acórdão: 19100.079, Ministério da Fazenda, 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Turma Especial, 29.01.2009, Relatora Ana de Barros Fernandes)” No caso presente a empresa recorrente limitase, tão somente, a referir que os supostos valores pertenceriam às empresas sob sua administração e por efetuar transferências entre contas de suas coligadas. Mas, a recorrente apenas alega referidas transferências e não comprova tratarse dos mesmos valores ou de valores já tributados anteriormente. A recorrente não junta ao feito qualquer documento, contrato ou recibo que lhe dê embasamento às suas argumentações. Nesse caminho, temse que sem a legitimidade da comprovação, demonstrando pertencer os valores a outra pessoa jurídica ou de que de fato não lhe pertenciam 12 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 valores que transitavam em sua conta bancária, não resta outro caminho senão manter o auto de infração, tal como lavrado. Importa frisar que os valores não poderiam ser depositados na conta bancária da empresa recorrente, ainda que pertencentes a outra empresa que detinha poderes para movimentar as contas, sem um contrato que lhe desse respaldo. Em ato contínuo, cumpre salientar que a comprovação de origem dos depósitos bancários é obrigação da empresa recorrente, que pode se dar a partir de livros contáveis e fiscais, bem como documentação hábil e idônea que indiquem a origem dos valores depositados em suas contas bancárias (notas fiscais de venda, contratos de mútuo, entre outros). Assim, sendo a empresa recorrente a conhecedora da origem dos valores que transitaram em suas contas bancárias, não pode furtarse com argumentações sem embasamento em documentação, apenas alegando tratarse de uma presunção. Importa frisar que há, no presente caso, inversão do ônus da prova, cabendo à empresa recorrente a tarefa de comprovar a origem dos depósitos, sob pena de serem os mesmos considerados receitas. Cumpre frisar que a recorrente insiste, em suas razões de recurso voluntário, na alegação de que os valores autuados representariam receitas de outras duas empresas já mencionadas, bem como simples transferências de valores entre as três empresas. Contudo, não junta ao feito qualquer documento que ampare tais assertivas. Limitase a recorrente a frisar tratarse de operações bancárias comuns entre empresas coligadas, chamadas de "borboletas" e que a persistência do auto de infração levaria a uma dupla tributação entre essas empresas. Mas, há que se atentar para o fato de que a improcedência da autuação de omissão por depósitos bancários requer fundamentação dessas referidas transferências em forte documentação contábil e fiscal que demonstre tratarse apenas de simples transferências, fato este que não ocorreu neste feito. Não foram apresentados os Livros Caixa e nem os documentos referentes às operações autuadas, de modo a caracterizar que as mesmas correspondiam a venda realizadas pelas demais empresas ou que as citadas transferências diziam respeito a operações já tributadas anteriormente. No que diz respeito à argumentação da recorrente, na qual cita a Súmula n.182 do TRF, importa frisar que em nada perturba a presente autuação, posto que embasada em lei anterior a que fundamentou o presente feito, qual seja: Lei 9.430/96. Segundo a normativa citada, o contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Assim, não procedem as argumentações da recorrente por estarem embasadas em normativa diferente da atual e em vigor. Quanto à Exclusão do Simples e seus efeitos, temse que a mesma está fundamentada no artigo que determina a manutenção das receitas dentro de um limite, qual seja R$ 1.200.000,00. Tendo a empresa recorrente ultrapassado esse limite, não cabe a manutenção de sua tributação pela sistemática simplificada. De igual modo, seus efeitos, tal como disciplinado na Lei 9.317/96 serão produzidos a partir do primeiro dia do exercício seguinte, no caso 01.01.2004. 13 Fl. 929DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Assim, entendo que tendo ultrapassado os limites legais, disciplinados em lei de auferição de receita bruta, não pode a empresa permanecer na sistemática do Simples. Razão pela qual entendo que o Ato encontrase correto. Diante do exposto, voto por NEGAR procedência ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 14 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/05/201 4 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 19515.000428/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, apenas para afastar a exigência da multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o relator e os conselheiros André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Júnior, que deram provimento integral. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
Numero da decisão: 1201-000.803
Decisão: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006
PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%.
Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplica-se, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO.
Deve-se afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 276DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 277DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 278DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 279DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 280DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 281DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 282DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 283DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por 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digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724031/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES- STOCK OPTIONS - NATUREZA SALARIAL - DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL - CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO
Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço pré-fixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindo-lhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período pré-determinado ao longo do curso do contrato de trabalho.
Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração.
Na maneira como executado, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES; não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria alterado os planos existentes em 2006 e 2007, permitido empréstimos cuja quitação dava-se pela venda de ações cujo totalidade do direito ainda não havia se integralizado ou recebimento de participação em lucros e resultados, em relação a contribuintes individuais.
Correto o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra de ações.), considerando os vícios apontados pela autoridade fiscal.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS - PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS.
Acredito que, no momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício, valor inferior naquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Conforme demonstrado acima, houve o
UTILIDADES FORNECIDAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONSTITUEM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O fato de o dispositivo legal previdenciário não ter detalhado expressamente o termo utilidades, como fazendo parte do salário de contribuição dos contribuintes individuais, não pode, por si só, ser o argumento para que as retribuições na forma de utilidades sejam afastadas como ganho indireto dessa categoria de trabalhadores. O texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais.
PLANOS ANTERIORES A 2004 - AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO NO RELATÓRIO FISCAL DOS FUNDAMENTOS PARA DESCARACTERIZAÇÃO DOS PLANOS .
Partindo do pressuposto de que os planos de opções de compra de ações (Stock Options) possuem natureza mercantil. Cabe a autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar que houve desvirtuamento dos referidos planos, a ponto de que venham a ser desnaturados como decorrentes de uma operação mercantil e caracterizados como remuneração indireta.
Não comungo do entendimento de que a ausência de demonstração do desvirtuamento dos planos de opções de compra de ações (Stock Options) trate-se de mero vício formal, posto que caso a fiscalização não demonstre o efetivo desvirtuamento há de ser mantida a natureza mercantil dos referidos planos, que não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, o que acarreta a improcedência do lançamento.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO - POSSIBILIDADE LEGAL
Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional - CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo.
EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Dessa forma, não há motivos para que os mesmos sejam excluídos do relatório de Vínculos ou Corresponsáveis.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições decorrentes dos fatos geradores referentes aos programas anteriores ao ano de 2004. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, que excluía as referidas contribuições por vício material e a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que excluía por vício formal. II) Pelo voto de qualidade, manter as contribuições decorrentes dos fatos geradores referentes aos programas posteriores ao ano de 2004. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento, também, nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire. Apresentarão declaração de voto os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire Presidente e Redator Designado
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES; não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria alterado os planos existentes em 2006 e 2007, permitido empréstimos cuja quitação davase pela venda de ações cujo totalidade do direito ainda não havia se integralizado ou recebimento de participação em lucros e resultados, em relação a contribuintes individuais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 40 31 /2 01 1- 88 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Correto o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra de ações.), considerando os vícios apontados pela autoridade fiscal. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Acredito que, no momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício, valor inferior naquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Conforme demonstrado acima, houve o UTILIDADES FORNECIDAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONSTITUEM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O fato de o dispositivo legal previdenciário não ter detalhado expressamente o termo “utilidades”, como fazendo parte do salário de contribuição dos contribuintes individuais, não pode, por si só, ser o argumento para que as retribuições na forma de utilidades sejam afastadas como ganho indireto dessa categoria de trabalhadores. O texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. PLANOS ANTERIORES A 2004 AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO NO RELATÓRIO FISCAL DOS FUNDAMENTOS PARA DESCARACTERIZAÇÃO DOS PLANOS . Partindo do pressuposto de que os planos de opções de compra de ações (Stock Options) possuem natureza mercantil. Cabe a autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar que houve desvirtuamento dos referidos planos, a ponto de que venham a ser desnaturados como decorrentes de uma operação mercantil e caracterizados como remuneração indireta. Não comungo do entendimento de que a ausência de demonstração do desvirtuamento dos planos de opções de compra de ações (Stock Options) tratese de mero vício formal, posto que caso a fiscalização não demonstre o efetivo desvirtuamento há de ser mantida a natureza mercantil dos referidos planos, que não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, o que acarreta a improcedência do lançamento. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Dessa forma, não há motivos para que os mesmos sejam excluídos do relatório de Vínculos ou Corresponsáveis. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 3 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições decorrentes dos fatos geradores referentes aos programas anteriores ao ano de 2004. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, que excluía as referidas contribuições por vício material e a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que excluía por vício formal. II) Pelo voto de qualidade, manter as contribuições decorrentes dos fatos geradores referentes aos programas posteriores ao ano de 2004. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento, também, nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire. Apresentarão declaração de voto os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire – Presidente e Redator Designado Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 51.008.0774, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período compreendido entre 03/2009 a 10/2010. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 728 a 743, o débito teve como origem o levantamento de contribuições previdenciárias sobre remunerações na forma de Opções de Compra de Ações (Stock Options). Tais remunerações foram pagas a executivos e empregados da empresa, de suas coligadas e controladas e a prestadores de serviço das mesmas. Trouxe o auditor incialmente a definição sobre o Plano de Opção de Compra de Ações: 6) Aos poucos vem sendo abandonado o modelo único de salário fixo e sendo introduzidos sistemas de remuneração variável. Dentre esses se destacam os planos de opção de compra de ações a preço préfixado. 7) A Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº. 6.404/76) dispõe em seu art. 168, §3°: Art. 3. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou as pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. 8) A oferta dos planos, inicialmente voltados para empregados estrangeiros expatriados, passou a ser estendida a empregados brasileiros. 9) Os planos de opção de compra de ações dão aos seus detentores o direito de comprarem ações da sua empresa a um preço fixado dentro de certo período. Frequentemente as opções só podem ser exercidas depois de decorrido um período de aquisição de direitos e/ou se tiverem sido preenchidas certas condições. 10) Em geral os planos possuem os seguintes elementos: a) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção; b) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções; c) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação. 11) O preço de exercício é o preço a pagar para se obter a ação quando a opção é exercida, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Caso o desconto ou prêmio seja significativo a ponto de eliminar o risco Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 4 5 da operação futura, a concessão poderá enquadrarse como salárioutilidade. A existência de risco é de fundamental importância na caracterização mercantil de qualquer relação contratual. 12) O prazo de carência costuma variar entre 3 e 5 anos e o termo de opção entre 5 e 10 anos da data da concessão da opção de compra. Ainda em seu relatório disserta o auditor sobre a natureza remuneratória dos planos de opção de compras de ações. Neste caso, cita sentença trabalhista na qual o juiz reconheceu a natureza salarial dos planos de opção nas situações em que a empresa entrega ações ao beneficiário, a preço prefixado, para que opte por sua compra a qualquer tempo, auferindo lucro sem enfrentar qualquer risco. A ausência de risco é reforçada considerandose que nem sempre há a necessidade de pagamento antecipado para a compra das ações. A decisão implica na integração do resultado obtido pelo beneficiário daquela operação em todos os títulos contratuais pertinentes. No mesmo sentido, ressalta que em outra sentença trabalhista o juiz reconheceu a natureza salarial dos planos de opção ao julgar ação em que o autor postulava o benefício. Segundo o auditor, descreveu o magistrado que o relevante é determinar se a vantagem decorreu ou não do serviço prestado, se foi concedido pelo serviço ou para o serviço. Se a concessão foi pelo serviço prestado, para remunerálo, gratificálo ou premiálo, fica evidente a natureza salarial. Assim, ele pondera que o fato do valor dessa remuneração depender de eventos futuros e incertos, como por exemplo, o valor da ação no momento da subscrição, é condição inerente à modalidade salarial in natura concedida, podendo a mesma ter valor neutro, ou zero, isso quando o valor de subscrição for superior ao valor de compra no mercado de balcão. O fato de o trabalhador ter que comprar ações da empresa por um preço fixo também não afasta a natureza salarial, na visão do magistrado. Ele entende que é uma situação atípica, na qual o salário in natura está condicionado à lucratividade da operação mercantil a ser realizada. Para explicar o seu raciocínio, o juiz cita, como exemplo, a hipótese de determinada empresa ter a política de vender seus veículos usados para seus empregados a preços subsidiados, muito abaixo do preço de mercado. Nessa circunstância, ele considera indiscutível a natureza remuneratória da vantagem, e, ainda assim, o empregado terá que comprar o veículo e também não terá garantia de que conseguirá vendêlo, obtendo lucro na transação. Portanto, o julgador entende que afastar a natureza jurídica salarial do instituto apenas pela imprevisibilidade do valor, pela incerteza quanto ao lucro, ou mesmo, pela necessidade de exercício de compra, significaria possibilitar a prática de fraudes. Isso porque bastaria a um empregador que pretende dar um prêmio ou luvas a seu empregado conceder a ele “Stock Options” com preço abaixo do mercado, com prazo de carência curto. Dessa forma, esse empregador conseguiria, com facilidade, negar a integração salarial da parcela, mesmo se a vantagem fosse concedida pelo trabalho prestado. Por fim, demonstra o auditor como a empresa ALL – América Latina, realizou o plano de opção de compra de ações: 15) A empresa criou “Plano de Opção de Compra de Ações”, aprovado pela Assembléia Geral de 01 de abril de 1999 (fls. 69/75). O Plano é administrado por um Comitê composto especificamente para este fim que periodicamente cria “Programas de Opção de Compra de Ações”. Os Programas têm por objeto a aprovação do modelo de “Contrato de Oferta à Subscrição ou Compra a Termo de Ações e Outros Pactos”, Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 definindo, dentre diversas questões, os Beneficiários, a quantidade de opções outorgadas a cada Beneficiário e o valor e a forma de contribuição para aquisição das ações. A Empresa instituiu Programas anualmente entre 1999 e 2010, com exceção de 2002 e 2004. Os Programas de 2007 e 2008 foram cancelados em 03 de agosto de 2009 e os Beneficiários tiveram as suas opções trocadas por opções do Programa 2009, em condições de exercício mais favoráveis ao cenário econômico da época. 16) Os Programas são aprovados pelo Comitê de Administração do “Plano de Opção de Compra de Ações”, o qual aprova também os modelos de “Contrato de Oferta à Subscrição ou Compra a Termo de Ações e Outros Pactos”, “Relação de Beneficiários Indicados pela Diretoria da Companhia”, e modelos de “Contrato de Empréstimo”, os quais passam a fazer parte integrante do Programa. As “Relações de Beneficiários” dos diversos Programas foram tabuladas na “Relação de Beneficiários do Plano de Opção de Compra de Ações” (fls. 710/716), na qual podemos observar a distribuição das concessões de outorga entre os Beneficiários. (...) 18) A empresa esclarece que o “Plano de Opção de Compra de Ações” é uma vantagem adicional concedida a seus colaboradores com a finalidade de compor, motivar e manter o seu quadro. O “Plano de Opção de Compra de Ações” é gerido por um Comitê que define quem serão os Beneficiários e a quantidade de ações que cada Beneficiário poderá subscrever. O Comitê tem autonomia para dar tratamento diferenciado aos Beneficiários conforme suas atribuições e desempenho. O Anexo V da Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 1º de abril de 1999 (“Plano de Opção de Compra de Ações”) esclarece: a) A empresa reconhece como objetivo do “Plano de Opção de Compra de Ações” criar uma vantagem adicional oferecida a administradores, empregados e profissionais com a finalidade de atraílos e mantêlos a seu serviço (item “1.b” do “Plano de Opção de Compra de Ações”); b) O “Plano de Opção de Compra de Ações” é administrado pelo Conselho de Administração da empresa ou por um Comitê eleito especificamente para este fim, o qual pode “tratar de maneira diferenciada Beneficiários que se encontrem em situação similar, não estando obrigado, por qualquer regra de isonomia ou analogia, a estender a outros Beneficiários qualquer condição ou deliberação que entenda aplicável apenas a um ou mais Beneficiários determinados (itens “2.a” e “2.e” do “Plano de Opção de Compra de Ações”)”; c) O Comitê cria os “Programas de Opção de Compra de Ações”, definindo “as pessoas a quem serão outorgadas opções de fazer contribuições para aquisição de ações no âmbito do Plano (os "Beneficiários")” e o “número de ações que os Beneficiários terão direito de subscrever com o exercício da opção (itens “2.1.a” e “2.1.b” do “Plano de Opção de Compra de Ações”)”; d) “O Comitê escolherá, para cada Programa, aqueles que farão jus à outorga da opção, conforme as atribuições, Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 5 7 responsabilidades e/ou desempenho de cada um” (item 3 do “Plano de Opção de Compra de Ações”). 19) Os “Programas de Opção de Compra de Ações”, tanto nos Contratos Modelo “A” quanto nos Contratos Modelo “B” preveem que o beneficiário deve efetuar o pagamento de 10% do valor das ações, no ato da assinatura do contrato, como condição para aquisição do direito à opção de compra de ações. Este ônus é afastado pela concessão feita pela empresa aos Beneficiários de empréstimo para quitação desta obrigação, conforme abaixo: 20) Por ocasião da Crise Financeira Internacional de 2008, os “Programas de Opção de Compra de Ações” 2007 e 2008 ficaram, a partir de certo momento, com o preço de exercício superior ao preço de mercado. O Programa 2007 tinha preço de exercício estipulado em R$ 21,00 por Unit e o Programa 2008 em R$ 20,00 por Unit. As Units da ALL compõemse de certificados de depósito de ações representando, cada certificado, 1 (uma) ação ordinária (ON) e 4 (quatro) ações preferenciais (PN) de emissão da empresa. No período 2007/2008 as Units superaram a cotação de R$ 25,00, mas com a depreciação experimentada com a Crise Econômica criouse uma situação que faria com que os Beneficiários não tivessem interesse em exercer seus direitos, já que o exercício se traduziria em prejuízo no momento em que as ações fossem negociadas no mercado. A empresa então procedeu ao cancelamento das opções dos Programas 2007 e 2008, substituindoas por opções do programa 2009 – com preço de exercício mais baixo, na razão de 9 para 5. O Programa 2009 foi lançado com o preço de exercício de R$ 11,00 por Unit (o preço de mercado na data era de R$ 12,35). A deliberação do Comitê está documentada na Ata de 03 de agosto de 2009, conforme abaixo: 21) Em 10 de setembro de 2010 foi instituído o Programa de Opção de Compra de Ações 2010, o qual prevê preço de exercício de R$ 0,01 por ação (o preço médio de mercado nessa data era de R$ 16,50). O Programa 2010 condiciona o direito à outorga das opções a parâmetros de desempenho global da empresa (meta para o EBIDTA) e a parâmetros de desempenho individual dos Beneficiários (pontuação igual ou superior a 80 pontos na média dos exercícios sociais de 2010, 2011 e 2012, de acordo com o Sistema Integrado de Gestão). As outorgas poderão ser exercidas a partir do cumprimento das condições referidas no Programa, conforme abaixo: 22) A Deliberação CVM nº 562, de 17 de dezembro de 2008, da Comissão de Valores Mobiliários aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata de Pagamento Baseado em Ações, o qual descreve em sua Visão Geral: COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 10 (R1) Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Pagamento Baseado em Ações Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IFRS 2 (IASB – BV 2010) 12. Via de regra, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos. Normalmente não é possível mensurar de forma direta cada componente específico do pacote de remuneração dos empregados, bem como não é possível mensurar o valor justo do pacote como um todo. Portanto, é necessário mensurar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados. Além disso, ações e opções de ações são concedidas como parte de um acordo de pagamento de bônus ao invés de o serem como parte da remuneração básica dos empregados, ou seja, tratase de incentivo para permanecerem empregados na entidade ou de recompensa por seus esforços na melhoria do desempenho da entidade. Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais. Em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurálos de forma indireta, ou seja, deve tomar o o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados como o valor justo dos serviços recebidos (grifo nosso). 23) Em observância às disposições do Pronunciamento Técnica CPC 10, a empresa passou a reconhecer as despesas registradas com serviços recebidos de empregados nos períodos, decorrentes de transações de pagamento baseadas em ações, somando R$ 22.247.000,00 em 31 de dezembro de 2010 e R$ 20.290.000,00 em 31 de dezembro de 2009, conforme Notas Explicativas abaixo: 24) As Notas Explicativas da Administração às Demonstrações Financeiras para o exercício findo em 31/12/2010 esclarecem que as contribuições de cada Beneficiário são contabilizadas como “Adiantamento para Futuro Aumento de Capital” a partir de controles individuais. 25) A empresa apresentou o “Controle Histórico de Exercícios de Opções e Entrega de Ações aos Beneficiários” (fls. 680/697). Consiste em contacorrente por Beneficiário onde são registradas as suas contribuições. Existem duas formas de contribuição: por depósito em contacorrente da empresa ou retenção em folha de pagamento. A retenção em folha de pagamento ocorre principalmente no mês de fevereiro, quando são creditados os valores referentes ao Programa de Remuneração Variável mantido pela empresa. Na análise da cláusula sexta dos “Contratos de Oferta à Subscrição ou Compra a Termo de Ações e Outros Pactos” verificamos a possibilidade de os Beneficiários, a partir da integralização de 30% das suas obrigações, requererem a emissão das ações, alienálas por corretora designada pela empresa. Nesta operação a corretora repassará os 70% restantes das obrigações do Beneficiário diretamente para a empresa, creditando o saldo remanescente ao Beneficiário. O procedimento é detalhado no item 6.2. 26) Conforme observado nos itens precedentes, concluímos: Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 6 9 a) O “Plano de Opção de Compra de Ações” tem natureza remuneratória, destinandose a criar um atrativo ao Beneficiário e a mantêlo na empresa pela promessa de ganhos futuros; b) O lançamento de Programas tem caráter de habitualidade, com periodicidade anual, à exceção de 2002 e 2004; c) O Comitê afasta o eventual risco das operações por meio de empréstimos aos Beneficiários, de modo que todos possam aderir ao Plano e intervêm quando as condições de mercado tornam o exercício das opções desvantajosas aos Beneficiários, conforme demonstrado por ocasião da substituição das opções dos Programas 2007 e 2008 pelo Programa 2009; d) O Comitê possibilita aos Beneficiários a alienação de suas opções não integralizadas, retendo o valor referente ao pagamento do exercício. A alienação é feita por corretora designada pela empresa. Combinando a possibilidade de contrair empréstimo para o pagamento da parcela inicial de 10% para adesão ao Programa e a alienação das ações em operação simultânea à quitação do valor do exercício, o Beneficiário evita o próprio desembolso e afasta qualquer risco na operação, já que tem condições de escolher a melhor ocasião para a venda, em momento anterior ao da integralização de suas opções; e) O Comitê possui poderes para definir os Beneficiários e para outorgar opções de acordo com as suas atribuições e como o desempenho individual de cada um; f) A empresa ofertou Programa 2010 por valor vil (R$ 0,01 por ação), dirimindo qualquer dúvida quanto ao caráter remuneratório do mesmo; g) O Programa 2010 explicita condições para o exercício do Programa, as quais são metas de natureza coletiva (EBITDA da empresa) e de natureza individual (avaliação por meio de Sistema Gerencial), corroborando a contraprestação. Apesar de o período de carência para o exercício das opções estenderse até 31/12/2012, o Programa 2010 expõe de maneira cristalina os objetivos do “Plano de Opção de Compra de Ações” da empresa. No que pertine ao objeto do lançamento, qual seja pagamentos aos contribuintes individuais na forma de Plano de Opção de Compra de Ações, destaca o auditor que o benefício concedido não encontrase no rol de exclusão descrito no artigo 28, § 9 da lei 8212/91. Com relação a apuração da base de cálculo descreveu o auditor que foi elaborado “Demonstrativo do Valor Intrínseco das Opções por Ocasião do Exercício” (fls. 717/727) com subtotais por competência e discriminação por Beneficiário e Operação, com as seguintes informações: a) Valor pago no exercício: valor apurado a partir do “Controle Histórico de Exercícios de Opções e Entrega de Ações aos Beneficiários” (fls. 680/697) apresentado pela empresa, detalhando a quantidade de opções de ações ON e PN, o custo por ação e o valor total Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 pago no exercício (incluídos os valores contabilizados a título de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital); b) Valor de mercado na data do exercício: valor apurado a partir do preço médio da ação na data do exercício, segregando as ações ON e PN. As cotações são as registradas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa. Para as datas de exercício em que não houve pregão na Bovespa (ou que não houve negociação dos papéis da ALL) foram utilizadas as cotações imediatamente anteriores e registrada a data da cotação na coluna “Pregão”. O valor de mercado é apurado pelo produto da quantidade de ações pela sua cotação média, somados os valores das Ações ON e PN; c) Resultado: valor apurado pela diferença entre o valor de mercado na data do exercício e o valor pago no exercício. Representa o acréscimo patrimonial recebido pelo Beneficiário na operação. Após a descrição dos argumentos trazidos pela autoridade fiscal para consubstanciar o lançamento, passemos as demais questões pertinentes ao processo. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 13/09/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/09/2011. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 767 a 811, requerendo basicamente a nulidade da autuação em razão da ausência de configuração da hipótese de incidência da contribuição previdenciária exigida, bem como em razão da ilegalidade da base de cálculo; Caso assim não se entenda, seja julgado improcedente, uma vez que os argumentos trazidos pelo agente fiscal não são suficientes para atribuir natureza remuneratória aos Planos de Opção de Compra de ações, e por último seja vedada a aplicação de juros sobre a multa, bem com determinada a exclusão dos diretores do impugnante no polo passivo. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 897 a 907. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2010 STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA MERCANTIL. DESCARACTERIZAÇÃO. REMUNERAÇÃO UTILIDADE. Atuando a empresa para garantir uma efetiva vantagem econômica ao segurado contribuinte individual a seu serviço, mitigando os riscos e os custos do exercício de opção de compra de ações, em afronta ao caráter mercantil da operação, e estando a eleição dos beneficiários dos habituais Programas de Opção de Compra de Ações vinculada ao critério desempenho individual do trabalhador, impõese o reconhecimento da remuneraçãoutilidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 912 a 944, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever: 1. A aquisição do direito de opção de compra das ações da recorrente está condicionada ao pagamento, pelo beneficiário, de 10% do valor das ações, no ato da assinatura do Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 7 11 contrato entre as partes. A partir de então, o saldo das ações disponíveis (90%) pode ser adquirido em lotes anuais correspondentes a 18%, com o que, ao final do quinto ano, a totalidade de ações foi disponibilizada para aquisição do beneficiário. O preço de aquisição das ações é corrigido anualmente pelo IGPM, acrescido de juros de 6%, até o efetivo pagamento pelo beneficiário, sendo fixado com base no valor de mercado pelo modelo de precificação “Black & Scholes”. Acaso transcorridos mais de 3 (três) anos, a contar da data possibilidade de exercício da opção de compra das ações, o direito do beneficiário é extinto. A entrega efetiva das ações ao beneficiário ocorre após o transcurso do prazo de 10 (dez) anos (podendo ser antecipado em caso de término do contrato de trabalho, aposentadoria, falecimento ou invalidez permanente), sendo possível, após o término do segundo ano da assinatura do contrato de compra das ações, solicitar a emissão das ações já adquiridas, as quais somente poderão ser alienadas após 6 meses (da referida emissão). 2. Conforme se verifica, não há qualquer espécie de pagamento aos beneficiários dos Planos de Opção de Compra de Ações. Os valores eventualmente recebidos pelos beneficiários os quais a recorrente não possui meios de apurar – advém de fonte totalmente diversa e desvinculada da recorrente. As ações são alienadas para terceiros. 3. Na lição de Paulo Cezar Aragão, exsuperintendente jurídico da Comissão de Valores Mobiliários, a respeito do tema: (...) a companhia não efetua pagamento algum ao empregado quando lhe outorga opções de compra de ações, mas simplesmente permite que ela subscreva ações a um preço determinado. O possível ganho de capital decorreria de fato alheio à companhia e ao contrato de trabalho, e seria pago pelo terceiro comprador. 4. A instituição de um plano de opção de compra de ações não garante, por si só, a geração de uma ganho financeiro, e mesmo se restar configurado (o que só pode ser apurado na alienação das ações adquiridas), fato é que que não foi proporcionado pela recorrente, mas sim por quem adquiriu. 5. Da mesma forma, não há de se acatar a tese trazida pela DRJ, que o valor da ação definido nos planos em discussão representaria uma utilidade concedida pela recorrente aos seus trabalhadores. Tal entendimento não possui respaldo na legislação em vigor, uma vez que o art. 22, III da lei 8212/91 não elegeu a concessão de utilidade como fato gerador, apenas os fatos destinados a retribuir o trabalho estão sujeitos à tributação. 6. Logo, o lançamento é nulo pela não configuração do "fato gerador" da obrigação tributária em discussão. 7. A cobrança de tributo decorre da adequação à hipótese descrita na norma legal (CTN, art. 97 e 142) e não do fato de não constar nas hipóteses de isenção (Lei n° 8.212, de 1991, art. 28, § 9°). No presente caso, não se demonstrou a existência de pagamentos de natureza remuneratória, nos termos do artigo 22, III, da Lei n.° 8.212, de 1991, não havendo fundamento legal para a autuação. 8. A habitualidade é irrelevante diante da contribuição prevista no artigo 22, III, da Lei n.° 8.212/91, bastando o pagamento de natureza remuneratória. Apesar disso, a existência de Programas anuais, à exceção dos anos de 2002 e 2004 não configura habitualidade por não haver certeza quanto aos trabalhadores eleitos, por não haver identidade entre os beneficiados dos diversos planos e por não ter sido concedida qualquer ganho a ser considerado habitual. Desta forma, não há comprovação da materialidade da obrigação tributária imputada. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 9. A base de cálculo adotada desrespeita a legislação em vigor, pois o suposto "acréscimo patrimonial" nunca foi pago pela recorrente aos Beneficiários do Plano. 10. Assim, exigiuse o recolhimento de contribuição previdenciária com base em mera presunção. 11. Um eventual acréscimo patrimonial somente pode ser apurado no momento da efetiva alienação das ações (Decreto n° 3.000, de 1999, art. 117), antes há mera expectativa de direito. 12. A diferença entre o valor da ação no pregão da Bolsa de Valores e o valor pago pelo beneficiário é irrelevante e imprestável para a cobrança de qualquer tributo, eis que a base de cálculo da contribuição em tela (Lei n.° 8.212, de 1991, art. 22, III) consiste na remuneração paga ou creditada decorrente da atividade dos contribuintes individuais, não havendo nos autos qualquer indício ou evidência de que os valores atrelados ao Plano de Opção de Compra de Ações se prestavam a substituir ou complementar sua remuneração. 13. A concessão da opção e seu exercício instauram uma nova relação jurídica puramente mercantil, pois representa uma mera compra e venda de ações, relacionada, em última análise, com um investimento feito pelo empregado nas ações da empresa e um investimento da empresa no engajamento de seus empregados. 14. A implantação de Planos de Opção de Compra de Ações está prevista na Lei das Sociedades Anônimas (Lei n.° 6.404, de 1976, art. 168), mas não há regulamentação dos efeitos tributários de tais Planos. Há tão só norma expedida pelo "Comitê de Pronunciamentos Contábeis" acerca da forma de escrituração das despesas incorridas pela empresa, cuja implicação na configuração de obrigações tributárias é nula. 15. Desta forma, a incidência da contribuição previdenciária exigida (Lei n.° 8.212, de 1991, art. 22, III) depende da comprovação de que os valores eventualmente recebidos se referem à remuneração paga ou creditada em decorrência da prestação dos serviços. É dentro deste contexto que deverão ser analisados o Plano e os respectivos Programas de Opções de Compra de Ações da Impugnante, sob pena do julgamento restar distante da legislação em vigor. 16. Os Programas de Opção de Compra de Ações, aprovados pela Assembleia Geral, instituídos entre os anos de 1999 a 2009, ora autuados: (1) não possuem qualquer relação com os serviços prestados pelos trabalhadores que foram beneficiados; (2) não possuem qualquer relação com metas de resultado (da empresa ou individual); e (3) não possuem qualquer relação com a remuneração destas pessoas. Os Programas tem por finalidade a retenção de determinados trabalhadores na empresa pelo oferecimento da oportunidade de se tornarem sócios do empreendimento, mediante um investimento financeiro de longo prazo. 17. Tratase de verdadeiro investimento por parte do Beneficiário, já que deve dispor de seu patrimônio antecipadamente (para aquisição das ações da recorrente) e, somente depois de transcorrido um determinado prazo de tempo (um ano e seis meses depois do primeiro pagamento referente a 10% ou seis meses, a contar da aquisição, que somente poderá ocorrer depois do pagamento do percentual de 28%: 10% no primeiro ano e 18% no segundo ano), poderá alienálas (e eventualmente auferir "lucro"). 18. O fato de o valor de aquisição das ações ter sido previamente definido (com base em metodologia aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários) não garante lucro, apurável apenas no momento da alienação da ação, a ser definido pelo próprio Beneficiário. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 8 13 19. Portanto, a única vantagem que a recorrente concede ao Beneficiário (se assim se pode chamar) é o prévio conhecimento do valor da ação em uma data futura, para que ele possa avaliar se é interessante investir o seu patrimônio na empresa. 20. A seguir, refutamse, um a um, os argumentos apresentados pela fiscalização. 21. Argumento 1: decisões proferidas em reclamatórias trabalhistas. Não há nos autos qualquer subsídio fático que permita vincular os julgamentos colacionados ao presente caso. Além disso, tais julgados não refletem o posicionamento majoritário das Cortes Trabalhistas e já foram reformados pelos respectivos Tribunais Regionais do Trabalho Argumento 2: posicionamento da CVM a respeito do assunto. O legislador reconhece que o Direito Contábil Societário possui campo de aplicação distinto do Direito Contábil Fiscal, prevalecendo este quando se tratar da apuração de tributos (norma especial prevalece sobre a norma geral). Logo, as disposições contidas no CPC 10 (Deliberação n.° 562/2008 da Comissão de Valores Mobiliários), apesar de serem observadas pela recorrente (por força de regulamentação legal), em absolutamente nada afetam o presente caso, pois tratam apenas dos efeitos contábeis relativos aos Planos de Opção de Ações, tendo a legislação criado o "RTT Regime Tributário de Transição” para neutralizar os efeitos decorrentes da aplicação das normas internacionais de contabilidade. O próprio Pronunciamento do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, a respeito do CPC 10, é no sentido de que o seu objetivo é exclusivamente contábil (não fiscal). Argumento 3: As características dos Planos deflagrariam a natureza remuneratória e habitual do benefício a eles vinculado. 22. O fato de se almejar a retenção dos trabalhadores na empresa não possui qualquer liame cognitivo com os serviços por eles prestados ou com a remuneração por eles percebida. Tratase de uma política de recursos humanos e não um simples instrumento para pagamento de remuneração variável. 23. Não consta dos autos qualquer evidência ou prova nesse sentido, sendo totalmente presunçosa alegação em sentido contrário. Nestes moldes, cita os autores Amauri Mascaro Nascimento, e Alice Monteiro de Barros. A habitualidade dos Programas não é relevante (Lei n° 8.212, de 1991, art. 22, III). Havia incerteza quanto a quem poderia se beneficiar, não identidade entre os beneficiários dos sucessivos Programas, conforme relação de beneficiários (fls. 710/715). 24. Além disso, não houve concessão de ganho a ser considerado habitual, mas a mera concessão da opção de comprar ações da empresa. 25. O cancelamento dos Programas de 2007 e 2008, por conta da crise financeira mundial, não pode ser considerado como meio de se afastar os riscos financeiros inerentes ao mercado de ações. Isso porque, alcançou apenas os lotes de ações cujo direito de as adquirir ainda não havia sido exercido, tratandose de medida para preservar a finalidade dos Programas (manter e reter talentos), mediante a manutenção de uma mínima expectativa de ganhos futuros. Ademais, não se concedeu qualquer garantia acerca da inocorrência de prejuízos financeiros, o que somente pode ser aferido no momento da alienação das ações adquiridas. 26. Para se ter uma ideia do que se alega, confirase o seguinte exemplo concreto: (1) o Programa de 2009 foi lançado em meados daquele ano, com preço de exercício de R$ 11,00 por ação; (2) o preço de mercado da ação, naquela época, era de R$ 12,35; (3) o Programa determina que as ações só podem ser alienadas um ano e seis meses após a sua aquisição no caso das opções de compra de ações terem sido exercidas em março de 2010 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 (pouco menos de 1 ano após a implantação do Programa), a alienação poderia ocorrer a partir de setembro de 2011; e (4) em setembro de 2011, as ações adquiridas por R$ 11,00 estavam cotadas na Bolsa de Valores a uma média aproximada de R$ 9,00 (tendo o valor mais alto naquele mês atingido R$ 9,67). Portanto, o fato da ação estar cotada a R$ 12,35, na Bolsa de Valores na data de implantação do Programa de Opção de Compra de Ações, e ter sido vendida a R$ 11,00, não significa que a Impugnante atribuiu ao Beneficiário uma vantagem econômica. 27. Os empréstimos relativos ao pagamento correspondente a 10% das ações que se pretendia adquirir, apenas possibilitavam o ingresso do trabalhador sem recursos disponíveis no momento de manifestar sua opção pelo exercício do direito de compra de ações. 28. Além disso, os contratos de empréstimo determinavam que toda e qualquer remuneração variável percebida pelo trabalhador seria parcialmente destinada à quitação desta obrigação, assim como a totalidade do produto de eventual alienação de ações anteriormente adquiridas. Ou seja, os valores devidos pelos Beneficiários foram efetivamente pagos. 29. O valor de compra das ações era corrigido monetariamente pelo IGPM (até o seu efetivo pagamento), não expurgando o risco financeiro inerente à aquisição das ações. 30. Noutro passo, agora tratando da questão da possibilidade do Beneficiário alienar suas opções ainda não integralizadas, devese esclarecer que é totalmente equivocada a alegação de que o Beneficiário evitaria o próprio desembolso e o risco na operação. Isso porque, o fato da quitação do exercício da opção de compra das ações poder ser postergado para o momento da alienação das ações, não afasta a obrigação do Beneficiário efetuar o pagamento devido (inclusive corrigido monetariamente). Além disso, a postergação do pagamento não afasta a variação do valor da ação no mercado, o que significa dizer, que eventuais prejuízos financeiros podem ocorrer de qualquer maneira, conforme exemplo citado acima. Ademais, o procedimento em questão apenas busca possibilitar que todos os Beneficiários possam aderir ao Programa, mesmo quando não possuem recursos financeiros no momento do exercício da opção de compra das ações. Por fim, procedimento idêntico poderia ser adotado pelo próprio Beneficiário, por intermédio da contração de empréstimo em rede bancária, contra o que nada o Fisco poderia alegar. 31. Em relação ao fato de que o Comitê da empresa deter poderes para definir os beneficiários, de acordo com suas atribuições e desempenho individual, devese compreender que não há razão lógica para que um trabalhador com poucas atribuições e péssimos resultados individuais fosse credenciado como alvo de retenção pela empresa. Os beneficiários são os trabalhadores que a empresa deseja como sócios. Não há na legislação qualquer restrição à definição de quem pode ou deve ser beneficiário. 32. Por fim, o Programa de 2010 tem características totalmente distintas dos Programas em discussão (até 2009), não estando qualquer trabalhador apto a exercer as opções nele contidas (em virtude do prazo de amadurecimento das opções de compra das ações ainda não ter se completado). Desta forma, as características do Programa de 2010 jamais poderiam ter sido utilizadas como fundamento da presente autuação fiscal. 33. Conclusivamente, por qualquer ângulo que se analise a questão, sobressai o entendimento de que as autuações fiscais não deverão prosperar. 34. Os juros não podem incidir sobre a multa de mora aplicada, por absoluta ausência de previsão legal. O art. 13 da Lei 9.065, de 1995, remete ao artigo 84 da Lei 8.981, de 1995, que estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos, não se podendo Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 9 15 confundir os conceitos de tributo e de multa. O artigo 43, da Lei n.° 9.430, de 1996, autoriza apenas a cobrança em relação à multa exigida isoladamente. Assim, a incidência de juros sobre a multa de mora afronta ao Princípio constitucional da Legalidade, bem como não encontra abrigo na jurisprudência administrativa. 35. Não se justificou a inclusão das pessoas listadas na "Relação de Vínculos" mediante a caracterização de uma das hipóteses autorizadoras a tal expediente (CTN, art. 134 e 135). O simples inadimplemento da obrigação tributária não caracteriza infração legal capaz de ensejar a responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN. Portanto, os diretores do impugnante deverão ser excluídos do presente processo administrativo. 36. Requer ao fim: 36.1. Seja declarada a nulidade da autuação em razão da ausência de configuração da hipótese de incidência da contribuição previdenciária exigida. 36.2. Seja declarada a nulidade da decisão recorrida e do AI, em razão da ilegalidade da base de cálculo eleita para cobrança do tributo. 36.3. Caso assim não se entenda, seja integralmente reformada a decisão recorrida, uma vez eu os argumentos trazidos pelo agente fiscal não são suficientes para atribuir natureza remuneratória aos Planos de Opção de Compra de ações. 36.4. Por último seja vedada a aplicação de juros sobre a multa, bem com determinada a exclusão dos diretores do impugnante no polo passivo. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 960. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO A AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Em sede preliminar alega o recorrente que a autoridade fiscal não se desincumbiu de demonstrar que os planos de opção por ações – Stock Options constituiriam salário de contribuição. Contudo, nesse primeiro momento, sem adentrar ao mérito, se os “supostos ganhos” constituem salário de contribuição, afasto a nulidade pretendida pelo recorrente. No caso, ao apreciarmos o relatório fiscal, observase que o auditor descreveu não apenas o que entendeu ser o “ganho” ou “pagamento” feito pela empresa aos contribuintes individuais, como detalhou como foi, no seu ver a constituição do plano de opção por ações e em que momento passou a constituir salário de contribuição. Assim, acredito que a divergência do recorrente quanto ao mérito da incidência de contribuições sobre o stock options, não implica considerar a nulidade do lançamento pela ausência de configuração do fato gerador ou do salário de contribuição. Descreveu o auditor devidamente em seu relatório: · o que entendeu ser o “pagamento” ou benefício concedido, sendo que o mesmo não se encontra no rol de exclusão do salário de contribuição. · quando o mesmo ocorreu, conforme descrito as fl. 717 a 727, descreve as competências e os beneficiários. · qual o dispositivo legal que fundamenta o lançamento em relação aos contribuintes individuais, bem como os motivos que o levaram a inclusão do stock options no conceito de salário de contribuição. Dessa forma, não há a nulidade a ser acatada em relação ao lançamento Destacase que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ausência de fundamentação, nem tampouco existe qualquer nulidade na decisão de primeira instância. O contribuinte foi devidamente intimado a apresentar os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, tendo o débito sido lavrado, com base nesses próprios documentos, Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 10 17 por entender o auditor possuir caráter remuneratório a opção pela compra de ações quando verificada a intenção de remunerar indiretamente o trabalhador. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação ou mesmo configuração do salário de contribuição, entendo que razão não assiste ao recorrente. Superada a preliminar suscitada, passo ao mérito. DO MÉRITO No mérito, foi atacado basicamente o caráter remuneratório do plano de Opção por Ações – Stock Options, a aplicação de multa sobre juros e a exclusão dos diretores como corresponsáveis. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Antes mesmo de apreciar o mérito da questão, convém fazer um breve histórico acerca da legislação trazida pela autoridade fiscal, para caracterizar a verba como salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28, III da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado contribuinte individual, entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 11 19 canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 20 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Pelo exposto, o fato do legislador não ter detalhado o conceito de remuneração para o contribuinte individual é simplesmente porque não é comum se ajustar outra modalidade de pagamento pela prestação do serviço que não dinheiro, mas não existe qualquer óbice a consideração de outras formas de remuneração aos trabalhadores tidos por autônomos ou eventuais, como é o caso das utilidades e direitos concedidos DA DEFINIÇÃO DO STOCK OPTIONS Doutrinariamente, Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinador trabalhadores da possibilidade de aquisição de ações da empresa. Esses trabalhadores podem encontrase na situação de empregados, autônomos, administradores (contribuintes individuais para a previdência social). A opção por ações proporciona ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor prédeterminado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa) e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76, verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Para elucidar a definição do Plano de Opção de Compra de Ações, podemos citar o texto da lavra de “CALVO, Adriana Carrera. A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, Brasília DF: 25 ago. 2007”, que assim aborda a matéria: 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 12 21 Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa; “a outorga a um individuo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não pode dispor imediatamente do valor dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganhaganha” no ambiente de trabalho. 2. O plano de opção de compra de ações O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 22 máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. Como bem trazido pelo recorrente segundo o dicionário 'Barrons Dictionary of Legal Terms', o termo stock option significa: “a outorga a um indivíduo do direito de comprar, em uma data a futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. Assim, as opções representam o direito de comprar ações a um preço fixo, definido na data em que as opções são concedidas (preço de exercício). Após um determinado período (prazo de carência, também chamado de 'vesting'), esse direito de opção de compras pode ou não ser exercido, já que não se trata de obrigação, como mencionado acima e envolve risco para o empregado, Ou seja, em termo conceituais, no entender desta relatora, a stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso da prestação de serviços (seja no contrato de trabalho, seja em contrato autônomo). No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ª ed., São Paulo: LTR, 2010, p. 783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n. 420, de 2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. É no mesmo sentido, que discordo de um dos argumentos trazidos pelo auditor, citando uma reclamatória trabalhista, a qual encaminhou o magistrado o julgamento no sentido de que toda a forma de stock options, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Embora, a concessão da opção por ações tenha decorrido da prestação de serviços, tratase, em regra, de típico contrato mercantil, envolvendo riscos, podendo o trabalhador, auferir lucros ou não com a outorga de ações, tudo a depender da situação do mercado. Também expressa a ilustre professora Vólia Bomfim Cassar, sua visão acerca dos Stock Options ((in Direito do Trabalho, 5.ª ed., Rio de Janeiro: Ed. Impetus, 2011, p. 888): “Alguns empregadores oferecem aos seus empregados o direito de adquirir ações da companhia por um custo abaixo do mercado (stock option). Uma vez adquiridas voluntariamente pelo trabalhador, será possível a venda quando da valorização de seu valor econômico. Esse exercício de opção de compra de ações da empresa empregadora envolve riscos, pois o empregado poderá ganhar ou perder com a operação. Por isso entendemos que “ganho” eventualmente obtido pelo trabalhador com a venda das ações de sua empregadora não tem natureza salarial, pois é espécie de operação financeira no mercado de Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 13 23 ações. Ademais, pago em razão do negócio, e não da prestação de serviços.” Entendo que ao contrário dos prêmios, que são concedidos de forma gratuita, bastando o atingimento de metas, ou situação particular da prestação de serviços, no stock options o trabalhador pode ou não obter benefícios, e caso a opção lhe seja vantajosa, terá que pagar o preço de exercício estipulado, donde o seu caráter oneroso, afastaria a pretensão de reconhecimento da natureza de prêmio do plano de compra de ações. Neste mesmo sentido, temse encaminhados os julgamentos da matéria no âmbito do TST. Citese acórdãos a respeito do tema. SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO. A Turma a quo consignou expressamente que, diante do exame das provas produzidas, o fornecimento do veículo ao empregado se deu para o desempenho de seu labor, muito embora também utilizado para fins particulares. Incidência da Súmula 126 do TST. Ademais, o fato de o Reclamante fazer uso do veículo também para uso pessoal não transmuda a finalidade para o qual foi concedido, qual seja, a execução do contrato de trabalho, consoante a Súmula 367, I, do TST. Recurso de Revista não conhecido. SEGURO DE VIDA. SEGUROSAÚDE. REEMBOLSOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA.O art. 458, § 2º, da CLT estabelece que a assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde, assim como seguros de vida não são considerados salário utilidade. Recurso de Revista não conhecido. GRATIFICAÇÃO ANUAL. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO.O eg. Tribunal Regional consignou expressamente que a verba gratificação anual não era concedida por mera liberalidade do empregador, mas, na verdade, dependia dos resultados obtidos pela empresa ao longo do exercício e do cumprimento de metas individuais pelos empregados. Para se chegar a conclusão diversa, seria necessário o reexame do conjunto fático probatório dos autos, procedimento vedado nessa instância recursal, nos termos da Súmula 126 do TST. Recurso de Revista não conhecido. BONIFICAÇÃO EM AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. Apesar da verba "bonificação em ações" ser concedida anualmente, não pode ser considerada como uma gratificação propriamente dita, já que para o seu "recebimento" o Reclamante deveria investir na compra das ações e estava a mercê das oscilações do mercado financeiro. Recurso de Revista não conhecido. (grifei) DANO MORAL. A controvérsia suscitada pelo Autor encontra óbice na Súmula 126 do TST, uma vez que a análise de suas alegações recursais envolveria o revolvimento do conjunto fáticoprobatório. Recurso de Revista não conhecido. ACÚMULO DE FUNÇÕES.ADICIONAL.Consta do v. acórdão que o Reclamante não comprovou acúmulo de funções. Desse Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 24 modo, a aferição da alegação recursal ou da veracidade da assertiva do Tribunal Regional depende de nova análise do conjunto fáticoprobatório dos autos, procedimento vedado nesta instância recursal, nos termos da Súmula 126 do TST. Recurso de Revista não conhecido. (Processo:RR 106500 98.2000.5.02.0070Data de Julgamento:08/10/2008,Relator Ministro:José Simpliciano Fontes de F. Fernandes, 2ª Turma,Data de Publicação: DEJT24/10/2008.) AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. QUITAÇÃO. SÚMULA 330 TST. Pela leitura do acórdão de fls. 296/299, inferese que em nenhum momento o Órgão Colegiado a quo se manifestou a respeito da tese de contrariedade ao conteúdo do art. 477, §1o da CLT, tanto é que o Agravante sequer transcreveu ou mencionou o trecho pertinente em suas razões do Agravo. Ademais, não opôs embargos declaratórios no momento oportuno objetivando o pronunciamento sobre este tema. Incidência da Súmula n. 297, por falta de prequestionamento. ABONO ANUAL. Partindo do quadro fático probatório delineado pelo Tribunal, cuja reapreciação encontra óbice na Súmula 126 do TST, não há qualquer alteração ilícita do contrato de trabalho (art. 468 da CLT) ou supressão de indenização por rescisão de contrato por prazo indeterminado (art. 468 da CLT). Dispositivos legais invocados não ofendidos. AÇÕES. NÃOINTEGRAÇÃO. REMUNERAÇÃO. A não integração dos "stock options" ou ações na remuneração do empregado decorre da literalidade do disposto no §1o do art. 457 da CLT. Agravo de Instrumento a que se nega provimento. ( AIRR 3874045.2003.5.15.0045 , Relator Ministro: Carlos Alberto Reis de Paula, Data de Julgamento: 24/09/2008, 3ª Turma, Data de Publicação: 17/10/2008. Contudo, a análise realizada acima, teve por escopo aspectos doutrinários do termo “stock options”, sendo que a conclusão acerca da procedência do lançamento merece uma análise não apenas conceitual, mas especialmente, se o pagamento feito pela recorrente encontrase em perfeita consonância com a concepção original descrita acima DA APRECIAÇÃO DO PLANO DE COMPRA DE AÇÕES NO ÂMBITO DA ALL – AMÉRICA LATINA DA CITAÇÃO DE RECLAMATÓRIAS TRABALHISTA Argumenta o recorrente que as sentenças proferidas nas reclamatórias trabalhistas, utilizadas como fundamento da autuação, foram reformadas e reconheceram a natureza não salarial dos planos de opção de compra de ações, razão pela qual deve ser decretada a improcedência do lançamento. Contudo, não concordo que esse fato, por si só, poderia desconstituir o lançamento. O auditor não trouxe as reclamatórias como único fundamento para o lançamento. Pelo contrário, partindo do entendimento de magistrados acerca do assunto “stock options” procedeu a análise de como eram realizados os pagamentos, bem como a caracterização dos motivos pelos quais entendeu que os pagamentos constituiriam salário indireto. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 14 25 Aliás, concordo com o recorrente que o stock options é abordado de forma diversa pelos magistrados, tribunais e no âmbito do TST. Conforme descrito no tópico anterior já manifesteime acerca do entendimento de que o Stock Options originalmente caracterizaria operação mercantil, tendo citado inclusive decisão do TST a respeito do tema. Contudo, embora tanto o auditor quanto o julgador de primeira instância, tenham considerado corretos os argumentos trazidos pelos ilustre magistrados, não vislumbro que isso tenha cerceado o direito de defesa, ou configurado imparcialidade, capaz de promover a anulação seja do AIOP, seja da Decisão recorrida. Os atos administrativos seja o de lançamento, ou o de julgamento devem estar devidamente motivados e fundamentados. Entendo que desse vício não padece o lançamento. O fato de, tanto julgador, como o auditor comungarem do mesmo pensamento dos magistrados citados, não nulidifica o procedimento fiscal, posto ter sido cumprido o rito, que permitiu ao recorrente apresentar, diante desse colegiado, seus argumentos. Aliás, destaco que não entendo absurda a tese descrita nas reclamatórias, tanto o é que por vezes, encontramos sim, magistrados defendendo a natureza salarial da verba. Não fosse a previsão na lei das S.A, acerca do caráter mercantil do Stock Options, e considerando os argumentos apontados pelos ilustres doutrinadores acima transcritos, com tranquilidade também poderia aderir a tese externada pelos citados magistrados. Contudo, entendo que esse argumento, não serve como elemento isolado para manutenção do presente lançamento, razão pela qual teremos que aprofundar nossa análise, sobre os demais pontos trazidos pelo auditor. CONFIGURAÇÃO DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DO STOCK OPTIONS Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opção pela Compra de Ações – chamado de stock options, deuse na lei da S.A em seu art. 128, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. Mas, o objetivo desse lançamento e de toda a discussão acerca do tema, é se o fato de a previsão para outorga de ações ter se dado na lei das S.A, afastaria qualquer possibilidade de considerar o benefício como salário indireto, e por conseguinte, incluílo na base de cálculo de contribuições? Acredito que não! O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Vimos, no decorrer dos últimos anos, nascer, disseminar, e morrer diversas formas de pagamentos indiretos, como é o caso das empresas de premiação, que surgiram como ideias legítimas de satisfação dos empregados, ou mesmo de diminuição dos custos das empresas. É certo que o planejamento tributário, muito presente nos dias atuais, impulsiona as empresas a buscar formas de vencer no mercado, com a consequente diminuição de custos. Não condeno de forma alguma essa prática, mas o liame que separa a concessão de um benefício do seu caráter remuneratório é tão estreito, que acaba por confundir os limites legais para sua exclusão do conceito de remuneração. Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma, que o mesmo veja Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 26 no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. Destaco, porém, que embora, não concorde com a frase dita de forma isolada, no contexto apresentado pelo auditor, entendo que a conclusão mostrase acertada. E aqui, conforme descrito acima, não importa se estamos falando de empregado, ou mesmo prestador de serviços contribuinte individual como no presente lançamento. O termo “remuneração” deve ser tomado em sua acepção mais ampla, como qualquer pagamento tendente a remunerar o trabalho. Ou seja, houve trabalho, as opções de compras foram outorgadas ao trabalhador (ou no caso, contribuinte individual) como forma de estímulo (acredito que isso encontrase claro), como o próprio recorrente argumenta e o próprio plano prevê., como se transcreve do próprio plano aprovado em 1999: a) estimular a expansão, o êxito e os objetivos sociais da companhia e de seus acionistas, permitindo aos administradores, empregados de alto nível e ou profissionais à Companhia, às suas coligadas e controladas adquirir ações da Companhia, nos termos e nas condições previstas neste plano, desta forma incentivando a integração desses administradores, empregados e profissionais na Companhia e nas suas coligadas e controladas. b) Possibilitar à Companhia, suas coligadas e controladas obterem e manterem os serviços de administradores e empregados, como vantagem adicional, tornaremse acionistas da Companhia, nos termos e condições previstos no Plano. c) Alinhar os interesses dos administradores e empregados da Companhia, de suas coligadas e controladas com os interesses dos acionistas da empresa. Deixou claro o auditor que tributou o valor ganho, ou seja a diferença entre o valor do exercício e o valor de mercado no momento da outorga, por considerar que nas condições como pago caracterizou um pagamento indireto. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL NORMATIZANDO O PAGAMENTO O grande problema acerca da interpretação sobre a natureza tributária dos benefícios concedidos aos trabalhadores, repousa na ausência de legislação própria, capaz de normatizar a forma como deve se dar a concessão, e principalmente, os limites para o seu exercício. Nesse sentido, argumentou o recorrente que os efeitos tributários da implantação de uma Plano de Opção de Compra de Ações, não se encontram descritos em qualquer lei, sendo que a norma expedida pelo Comitê de Pronunciamento Contábil, trata apenas da forma de escrituração das despesas incorridas pela empresa, sem qualquer implicação fiscal. Quanto a este ponto, concordo com o recorrente, assim, como já o fiz em relação a concepção original do Stock Options. Não é a orientação da CVM que atribuirá natureza salarial ao pagamento, mas devemos, novamente, identificar o que mais o auditor descreveu como elementos suficientes a identificação da base de cálculo. Realmente como a norma descreve, fazendo referência a “remuneração na forma de ações”, poderseia atribuir caráter salarial a verba, mas entendo que não é Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 15 27 simplesmente a “nomenclatura” utilizada, seja pelo recorrente ou pelo próprio parecer que deve servir de fundamento para identificar a natureza do pagamento. Conforme já defendi em outras oportunidades, a essência do pagamento, sua natureza é que será determinante na identificação do caráter salarial do benefício, ou fato gerador de contribuições previdenciárias. Se assim não o fosse, bastaria atribuir a um benefício concedido uma das nomenclaturas descritas no art. 28, § 9º da lei 8212/91, para afastar a natureza salarial da verba. Notese que, assim como ocorreu com diversos outros benefícios, o legislador brasileiro apresentase moroso, para acompanhar a evolução do mercado de trabalho e das formas de remunerar. Passamos por referido problema, por exemplo, quando o constituinte de 1988 incluiu a participação dos trabalhadores no capital da empresa na forma de participação nos lucros. Mesmo diante da expressa previsão constitucional de que o pagamento sofre limitações, inúmeros são os recursos, ainda hoje, no sentido que a concessão dos benefícios não possui qualquer limitação. Imagine em relação a uma verba que não possui qualquer legislação em relação aos seus efeitos na esfera trabalhista e previdenciária. Por isso, nestes casos, devese confrontar a natureza do pagamento, com a forma como o mesmo vem sendo executado, para analisando individualmente, identificar a verdadeira essência do mesmo, e por consequência sua natureza enquanto pagamento. O FATOR DETERMINANTE PARA QUE O STOCK OPTIONS SE AFASTE NA NATUREZA MERAMENTE REMUNERATÓRIA – O RISCO Acredito, conforme descrito anteriormente, que o argumento consistente para que a opção de compra de ações se afasta da natureza remuneratória é o fato do risco atribuído ao empregado ou contribuinte individual, quando lhe é feita a opção pela compra de ações. No caso, destacou o auditor em seu relatório dois pontos: Os “Programas de Opção de Compra de Ações”, tanto nos Contratos Modelo “A” quanto nos Contratos Modelo “B” preveem que o beneficiário deve efetuar o pagamento de 10% do valor das ações, no ato da assinatura do contrato, como condição para aquisição do direito à opção de compra de ações. Este ônus é afastado pela concessão feita pela empresa aos Beneficiários de empréstimo para quitação desta obrigação, conforme abaixo: ATA DE REUNIÃO DO COMITÊ DE ADMINISTRAÇÃO DO PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES REALIZADA EM 10 DE MARÇO DE 2006.... 4.4. Autorizar a Companhia a conceder aos Beneficiários do Programa 2006 empréstimo para pagamento da Contribuição para Aquisição (tal como definida nos Contratos 2006) relativa ao lote inicial de 10% (dez por cento) das ações previsto na cláusula 2.1 dos Contratos 2006 ("Lote Inicial"). CONCESSÃO DE EMPRÉSTIMOS COM RECURSOS EXTERNOS PARA SUA QUITAÇÃO Ou seja, até mesmo o pagamento dos 10% iniciais referente a garantir a opção pela compra de ações não era suportando pelo empregado, pois a empresa poderia Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 28 conceder empréstimo para seus beneficiários. Empréstimos esses, que eram quitados quando do recebimento de remuneração variável ou da venda antecipada do lote de ações incorporado parcialmente. Ou seja, o direito era adquirido, sem nem mesmo ter o trabalhador integralizado qualquer montante. Estamos falando de contribuintes individuais, digase, sem vinculo permanente com a empresas que fazem opção pela compra de ações, sem contrapartida imediata. Ou seja, onde está o risco inerente a essa modalidade de transação. Da mesma forma, a própria quitação do empréstimo demonstra a clara intenção de facilitar ao trabalhador, mesmo que não disponha de recursos, acesso e a implementação da opção pelas ações. Às fls. 136, item 5, podemos citar como formas de quitação do empréstimo: I) 30% de qualquer remuneração variável que venha a receber; b) 100% do ganho de capital auferido pelo beneficiário em caso de alienação de quaisquer ações; III) Caso não cumpra, incidirá multa e juros. Veja termos da deliberação que fala a respeito. Fl. 111, determinando a criação de planos 2006 – A e B. ^Reunião para premissas do plano de opção de Compra de ações aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária 1999. Item 4.4 – Conceder empréstimo para pagamento da contribuição para aquisição ... Fl. 125 – Ao final de 5 anos o beneficiário incorpora o direito de ações (anualmente) (...) Fl. 126 item 3.4.1 4.1 – Utilizar a remuneração variável para aquisição (...) TROCA DOS PLANOS DE 2007 E 2008. Outro ponto relevante diz respeito a troca de planos com cancelamento dos anteriores que se mostravam desvantajosos frente a crise do mercado financeiro. Assim, descreveu o auditor, fl. 148: 20) Por ocasião da Crise Financeira Internacional de 2008, os “Programas de Opção de Compra de Ações” 2007 e 2008 ficaram, a partir de certo momento, com o preço de exercício superior ao preço de mercado. O Programa 2007 tinha preço de exercício estipulado em R$ 21,00 por Unit e o Programa 2008 em R$ 20,00 por Unit. As Units da ALL compõemse de certificados de depósito de ações representando, cada certificado, 1 (uma) ação ordinária (ON) e 4 (quatro) ações preferenciais (PN) de emissão da empresa. No período 2007/2008 as Units superaram a cotação de R$ 25,00, mas com a depreciação experimentada com a Crise Econômica criouse uma situação que faria com que os Beneficiários não tivessem interesse em exercer seus direitos, já que o exercício se traduziria em prejuízo no momento em que as ações fossem negociadas no mercado. A empresa então procedeu ao cancelamento das opções dos Programas 2007 e 2008, substituindoas por opções do programa 2009 – com preço de exercício mais baixo, na razão de 9 para 5. O Programa 2009 foi lançado com o preço de exercício de R$ 11,00 por Unit (o preço de mercado na data era de R$ 12,35). A deliberação do Comitê está documentada na Ata de 03 de agosto de 2009, conforme abaixo: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 16 29 ATA DE REUNIÃO DO COMITÊ DE ADMINISTRAÇÃO DO PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES REALIZADA 3 DE AGOSTO DE 2009.......................................................... 4. Deliberação: Por unanimidade, e observadas as diretrizes do Plano de Opção de Compra de Ações aprovado na Assembléia Geral Extraordinária realizada em Io de abril de 1999 ("Plano"), o Comitê resolve: 4 . 1 . Cancelar, dos Contratos de Oferta à Subscrição de Ações e Outros Pactos ("Contratos") relativos aos Programas de Opção de Compra de Ações aprovados pelo Comitê para os anos de 2007 e 2008 ("Programas 2007 e 2008"), todos os Lotes não Incorporados até esta data, bem como os Lotes Incorporados a cujo respeito o Beneficiário não tenha efetuado por qualquer motivo a correspondente Contribuição para Aquisição (conjunta e indistintamente, "Lotes Cancelados"). 4 . 2 . Aprovar, em substituição aos Lotes Cancelados, a criação do Programa de Opção de Compra de Ações 2009 ("Programa 2009"), subdividido em Programa de Opção de Compra de Ações 2009A ("Programa 2009 A") e Programa de Opção de Compra de Ações 2009B ("Programa 2009B"), de com as seguintes características: (i) Os Beneficiários do Programa 2009 serão os mesmos dos Programas 2007 e 2008, observado o disposto no item 4.1.1 acima. ( i i ) Para cada 9 (nove) ações integrante dos Lotes Cancelados, os Beneficiários receberão 5 (cinco) ações da mesma espécie e classe no âmbito do Programa 2009. ( i i i ) Quantidade total de ações: 6.850.805 (seis milhões, oitocentos e cinqüenta mil e oitocentos e cinco) ações de emissão da Companhia, sendo 1.370.161 (um milhão, trezentas e setenta mil, cento e sessenta e uma) ações ordinárias e 5.480.644 (cinco milhões e quatrocentas e oitenta mil, seiscentos e quarenta e quatro) ações preferenciais, todas nominativas, escriturais, sem valor nominal, correspondentes nesta data a 0,23% (vinte e três centésimos por cento) do total de ações de emissão da Companhia. (iv) Preço por ação: R$ 2,20 (dois reais e vinte centavos), equivalente a R$ 11,00 (onze reais) por certificado de depósito de ações da Companhia Unit. Ou seja, destacou a autoridade fiscal que a troca de planos em função da desvantagem econômica gerada pelo plano anterior pela crise mundial de ações, demonstra que a empresa afastou o fator determinante ao Stock Options, qual seja: o risco da oscilação do valor das ações no mercado. No caso, ao criar novo plano baixando o valor de exercício das ações, adequando o valor para o novo valor de mercado, e efetuando a troca de ações, afastou o recorrente o prejuízo do trabalhador (ou mesmo seu desinteresse), o que demonstra a sua nítida intenção em atribuir o plano como uma modalidade de ganho indireto ao trabalhador. O direito de trocar as ações era permitido até mesmo para aqueles as quais já havia decaído o direito de opção. Não merece guarida o argumento de que a troca de plano tem por objetivo proteger patrimônio da entidade. No próprio recurso o recorrente descreve que o cancelamento Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 30 dos planos de 2007 e 2008, também almejou a preservação da sua finalidade: manter talentos, por intermédio da adesão a um plano de opção de compra de ações que pudesse proporcionar uma mínima expectativa de ganhos futuros aos trabalhadores. Ora, o risco do Stock Options é justamente esse, enfrentar o trabalhador, a incerteza de possíveis perdas. Não vejo, que o recorrente tenha se desincumbido de afastar as alegações fiscais quanto a esse ponto, razão porque mantenho o lançamento. A empresa cria planos anualmente, conforme dito anteriormente, nada impede que os planos posteriores estabeleçam novas regras, e se adequem dali em diante a realidade do mercado. Mas, o fato de promover o cancelamento, promovendo regras mais benéficas, demonstra, no meu entender, que a empresa desejou afastar o risco consumado pela crise internacional. Ou seja, a intenção era que o trabalhador obtivesse ganho, com a opção. Às fls. 148, identificamos o cancelamento do plano 2009, bem como transcrições das deliberações acerca do tema nas páginas subsequentes. PLANO DE COMPRA PARA 2010 Segue o auditor identificando para o ano o plano seguinte, assinado em setembro de 2010, como se daria a opção: 21) Em 10 de setembro de 2010 foi instituído o Programa de Opção de Compra de Ações 2010, o qual prevê preço de exercício de R$ 0,01 por ação (o preço médio de mercado nessa data era de R$ 16,50). O Programa 2010 condiciona o direito à outorga das opções a parâmetros de desempenho global da empresa (meta para o EBIDTA) e a parâmetros de desempenho individual dos Beneficiários (pontuação igual ou superior a 80 pontos na média dos exercícios sociais de 2010, 2011 e 2012, de acordo com o Sistema Integrado de Gestão). As outorgas poderão ser exercidas a partir do cumprimento das condições referidas no Programa, conforme abaixo: NOTAS EXPLICATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS PARA OS EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2010 E DE 2009........ 26. Remuneração baseada em ações.... Em assembléia realizada em 1º de setembro de 2010, o Comitê de Administração do Plano de Opção de Compra de Ações aprovou o programa de “restricted share options”. O programa consiste na concessão de opções, equivalentes a 3.000.000 de ações, a um grupo determinado de funcionários e administradores da Companhia, em caráter intransferível, cujo exercício está condicionado cumulativamente à manutenção da relação de trabalho com a Companhia até 31 de dezembro de 2012, ao atingimento de metas operacionais individuais e ao sucesso da Companhia em atingir suas metas de EBITDA. As opções não têm direito a dividendos antes de seu exercício. O prazo de exercício é de seis meses a partir do decurso do período de aquisição que termina em 31/12/2012. O preço de exercício é de R$ 0,01 por ação. Como o preço de exercício tende a zero, o valor justo da opção equivale ao valor de mercado da ação na data de outorga do programa (R$ 16,50). ATA DA REUNIÃO DO COMITÊ DE ADMINISTRAÇÃO DO PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES REALIZADA EM 10 DE SETEMBRO DE 2010.......................................................... Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 17 31 4. Deliberações: Tomadas por unanimidade, observadas as premissas do Plano de Opção de Compra de Ações aprovado na Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1º. de abril de 1999: 4.1. Aprovar a criação do Programa de Restricted Option Shares ("Programa"), com as seguintes características: (i) Volume Global de Ações: 0,44% (zero vírgula quarenta e quatro por cento) do capital social da Companhia, correspondente a, nesta data, 3.000.000 ações ordinárias e 12.000.000 ações preferenciais de emissão da Companhia, passíveis da criação de 3.000.000 de certificados de depósito de ações ("Volume Global de Ações"). (ii) Condições do Programa: A) Para ser beneficiário: A opção é outorgada em caráter personalíssimo e é intransferível. A opção somente será exercida pelos beneficiários se atendida a conjugação de todos os termos a seguir estabelecidos: (a) sejam administradores, empregados ou consultores da Companhia ou de suas controladas em 04 de janeiro de 2010; (b) permaneçam como administradores, empregados ou consultores da Companhia ou de suas controladas até 31 de dezembro de 2012; (c) tenha obtido pontuação igual ou superior a 80 pontos na média dos exercícios sociais de 2010, 2011 e 2012, de acordo com o Sistema Integrado de Gestão (SIG); B) Para adquirir as opções: O direito dos beneficiários de adquirir opções para aquisição do Volume Global de Ações achase condicionado pelos seguintes parâmetros: (a) Caso o EBITDA da Companhia ao final do exercício de 2012 seja igual ou superior a R$ 1.750.000.000,00, os beneficiários terão a opção de adquirir o Volume Global de Ações; (b) Caso o EBITDA da Companhia ao final do exercício de 2012 seja inferior a R$ 1.750.000.000,00, mas igual ou superior a R$ 1.604.000.000,00, o Volume Global de Ações que os beneficiários terão a opção de adquirir será ajustado proporcionalmente, de forma que R$ 1.750.000.000,00 corresponda ao Volume Global de Ações e R$ 1.604.000.000,00 a 50% do Volume Global de Ações; ou (c) Caso o EBITDA da Companhia ao final do exercício de 2012 seja inferior a R$ 1.604.000.000,00, os beneficiários não terão direito de adquirir nenhuma ação do Volume Global de Ações. Para fins de clareza, o EBITDA da Companhia ao final do exercício de 2012 é o lucro antes de juros, impostos (imposto de renda e contribuição social), depreciação e amortização do exercício social de 2012, ajustado por itens não recorrentes e/ou Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 32 não caixa, conforme apresentado no relatório de resultados da Companhia e aprovado pelo Conselho de Administração. (iii) Data de Outorga: 1º. de setembro de 2010. (iv) Preço de Exercício: R$ 0,01 (um centavo de real) por ação. Novamente ao descrever o auditor, que a definição do valor das ações encontrase muito abaixo do valor de mercado R$ 0,01 contra R$ 16,50), podemos identificar a ausência do risco, o que demonstra que a opção pela compra sempre beneficiará o trabalhador, passando neste caso, afastado o risco inerente ao negócio a constituir uma simples forma de remunerar indiretamente o empregado. Esse fato, analisado isoladamente, embora não oferte sustentáculo ao lançamento, posto , auxilia na demonstração da intenção da empresa de criar políticas de remuneração indireta a seus colaboradores (empregados ou CI). Quando tratamos da definição de Stock Options, citamos as palavras de Adriana Carrera. Calvo, in A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, BrasíliaDF: 25 ago. 2007”, onde a mesma bem retrata a questão do valor de exercício da ação para não desconfigurar a natureza mercantil: Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. (grifei) Contudo, importante destacar o argumento do recorrente de que o plano de 2010, somente seria implementado para o período posterior as competências ora lançadas, sendo que a outorga de ações aqui englobadas referese aos planos anteriores, 2005, 2006, 2007 e 2008 (cancelados) e 2009. Realmente, o fato de o plano estabelecer valor ínfimo, não serve como fundamento para os fatos geradores lançados no presente AI. Contudo dito fato já foi inclusive citado pela autoridade julgadora, conforme transcrito abaixo: 7.5.1. Quando o custo de aquisição passou a ser superior ao de mercado, os Programas de 2007 e 2008 foram cancelados e trocados pelo Programa de 2009 (tendo o Programa de 2010 estabelecido o custo simbólico de R$ 0,01, ainda que não aplicável ao período objeto do lançamento). DA INTERFERÊNCIA DA EMPRESA NO CURSO DO PLANO Como trazido pelo próprio recorrente, na lição de Paulo Cezar Aragão, ex superintendente jurídico da Comissão de Valores Mobiliários, a respeito do tema: (...) a companhia não efetua pagamento algum ao empregado quando lhe outorga opções de compra de ações, mas simplesmente permite que ela subscreva ações a um preço determinado. O Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 18 33 possível ganho de capital decorreria de fato alheio à companhia e ao contrato de trabalho, e seria pago pelo terceiro comprador. Essas palavras traduzem o que entendo ser o argumento mais consistente trazido pelo próprio auditor para manutenção do lançamento como um todo, ou seja, à medida que a empresa interfere no plano de opções de ações de forma a afastar o risco do seu beneficiário (seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, torca de planos etc), fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Ou seja, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES, não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo ela teria alterado os planos existentes em 2006 e 2007, permitido empréstimos cuja quitação davase pela venda ou recebimento de participação em lucros e resultados. Novamente, vale mencionar que tratamos de contribuintes individuais, sem vínculo efetivo. VENDA ANTECIPADA PARCIAL DOS LOTES INCORPORADOS Outro ponto, que afasta o plano outorgado pela recorrente da concepção original do stock options, trazida pelo auditor é a possibilidade dos Beneficiários de alienar sua opções não integralizadas, retendo o valor referente ao pagamento do exercício. Conforme dito no relatório fiscal, a alienação é feita por corretora designada pela empresa, ou seja, o trabalhador beneficiado, pode escolher momentos oportunos de alta de ações (após um tempo mínimo), sem nem mesmo ter integralizado a totalidade de suas opções, nem ter que esperar uma longa data de fidelização (carência). Isto acaba por afastar o risco do empregado que escolhe momentos oportunos e efetiva a venda com “ganho”, sem nem mesmo possuir a totalidade do direito a ação. Neste caso, também entendo ter sido desvirtuado o stock options, o que consiste em mais um argumento para manutenção do crédito. (fls. 127, item 5.1) – “Se pagar pelo menos 30% do respectivo valor de contribuição, o beneficiário poderá requerer a emissão das ações. (...); item 6.1 – Venda com reversão de 70% (...) ESTABELECIMENTO DE METAS PARA EXERCÍCIO DA OUTORGA, Entendo ainda, que existe outro ponto que corrobora o entendimento de que os valores configurariam salários indiretos. Trouxe o auditor em seu relatório, transcrevendo trechos dos próprios programa de que: (...) explicita condições para o exercício do Programa, as quais são metas de natureza coletiva (EBITDA da empresa) e de natureza individual (avaliação por meio de Sistema Gerencial), corroborando a contraprestação. Apesar de o período de carência para o exercício das opções estenderse até 31/12/2012, o Programa 2010 expõe de maneira cristalina os objetivos do “Plano de Opção de Compra de Ações” da empresa. Assim, apresentou o recorrente sua defesa a respeito do desempenho individual ser utilizado como balizador na escolha dos beneficiários. “Em relação ao fato de que o Comitê da empresa deter poderes para definir os beneficiários, de acordo com suas atribuições e desempenho individual, devese compreender que não há razão lógica para que um trabalhador com poucas atribuições e péssimos resultados individuais fosse credenciado como alvo de retenção pela empresa. Os beneficiários são os trabalhadores que a empresa deseja como sócios. Não há na legislação qualquer restrição à definição de quem pode ou deve ser beneficiário.” Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 34 Concordo com o fato de que a legislação não prevê quem seriam os destinatários, contudo, atrelar a opção pela compra ao desempenho profissional, (como já abordado), torna evidente que se buscar premiar o desempenho, o que não se coaduna com operação meramente mercantil. Analisando os documentos colacionados aos autos pelo auditor e pelo recorrente, mencionados tanto no relatório, como na defesa e recurso, observase que o plano de 1999, que instituiu o programa, também passa essa ideia de atrelar a concessão do stock options a metas, senão vejamos: Fl. 70 d) os períodos aquisitivos após cujo transcurso os beneficiários do plano terão adquirido o direito a contribuir para a efetiva subscrição de ações as condições ou metas que deverão ser atingidas; Fl. 71 – Para efeitos do item d, acima, definise com lote incorporado aquele lote de ações cuja condição de transcurso de prazo ou atingimento de metas para aquisição tenha sido cumprida A indicação dos trabalhadores que poderão efetivar a outorga, como dito anteriormente, tem na sua concepção a manutenção de profissionais, contudo, após essa escolha, ainda condicionar os pagamento a desempenho faz com que, nitidamente, o benefício esteja condicionado ao exercício profissional. Um dos argumentos doutrinários para afastar a natureza remuneratória do plano de opção por compra de ações é que o mesmo não se assemelha a prêmio (que possui natureza salarial), nem a participação nos lucros, posto que nos dois casos, identificase que o pagamento do benefício condicionase ao desempenho do empregado, ou do trabalhador no geral, como no caso dos contribuintes individuais. Ao descrever no plano, como condição para o seu exercício, o alcance de metas coletivas e individuais, acaba novamente por desvirtuar sua natureza, atribuindolhe feição salarial. Aliás, a empresa só vai ofertar o plano aos que entende ter interesse em manter, posto que já são “talentos”, por isso não se faz necessário a vinculação de metas na concepção original do benefício. Cito os autores Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Cavalcante, in Direito do Trabalho, Tomo I, 5 edição, Ed. Lumem Juris, fl. 586: O employee stock option não pode ser visto como uma forma de participação nos lucros. O direito de opção de compra relacionase com o valor da ação da empresa à época d efetivo exercício do direito e não com a existência ou não de lucros ou resultados positivos da empresa. Vale dizer, o empregado não tem metas ou produtividade a ser implementada, como ocorre, geralmente na participação nos lucros, para fins de se exercitar o direito de opção de compra de ações negociáveis da empresa no mercado de capitais. Também não pode ser visto como um prêmio na medida em que a opção nada tem a ver com o esforço do empregado. Stock Option não é um salário condição, como ocorre com o prêmio. O empregado somente poderá aguardar o implemento do prazo de carência para adquirir o direito a opção. Assim, ao condicionar a opção de compras de ações a condições relacionadas ao desempenho profissional, o recorrente acaba por desnaturar a operação mercantil do Stock Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 19 35 options aproximando sua concessão a de um mero prêmio, demonstrando sua feição salarial, vez que acaba vinculando o seu pagamento ao implemento da prestação de serviços. Aqui ressalto, questão abordada no início deste voto, qual seja, não devemos nos ater apenas a nomenclatura utilizada pelo contribuinte para definição do salário de contribuição, mas identificar como, na prática davase o pagamento. Apenas para ilustrar cito o ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, que em relação ao pagamento de prêmios, assim trata o assunto: (...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Ao contrário da PLR que possui expressa previsão legal para exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias , a opção pela compra de ações feita de forma desvirtuada consiste salário indireto, e como não se encontra no rol do art. 28, § 9º da lei 8212/91, correto o lançamento que considerou a outorga de ações, nos meses em que foram feitas as opções como ganhos para os empregados. Não identifiquei no recurso argumentos consistentes para rebater pontualmente aqueles trazidos pela autoridade fiscal. Observando a planilha trazida pelo recorrente comparando os fatos descritos pelo auditor e pelo julgador, não identifiquei qualquer nulidade. Vislumbro pontos básicos a serem observados que demonstram os motivos para vincular a compra de ações, a uma espécie de remuneração indireta: · Prestação do serviços, o que restou demostrado inclusive com a vinculação da opção pela compra ao desempenho global da empresa e parâmetros de desempenho individual, mantendo os ditos “talentos” dentro do foco de interesse da empresa. · Ideia de fidelização do prestador do serviços, com a indicação de prazo para o exercício do direito a compra, ou seja, era necessário estar com um vínculo em determinada data, para poder exercer o direito de compra, relacionando diretamente a opção como contrapartida pela prestação de serviços. · Ausência de risco para o trabalhador, o que afasta a concepção original de contrato mercantil, na medida que a empresa estabeleceu valores abaixo do valor de mercado, concedeu empréstimos, facilitando a opção, seja pela ausência de desembolso imediato, seja pela possibilidade de pagamento com ganhos incertos, ou mesmo pelo ganho com a venda antecipada de ações (digase até mesmo cujo Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 36 direito à totalidade das ações ainda não havia se integralizado), cancelou planos que pela crise no mercado financeiros não ofertaria vantagem aos trabalhadores, bem como possibilidade de venda, sem nem mesmo ter integralizado a totalidade do direito a ação. Isto posto, ao considerar que, na maneira como disponibilizado, a opção pela compra de ações, visou remunerar indiretamente os contribuintes individuais, correta a indicação da autoridade fiscal, de que o benefício não se encontra no rol de exclusão do conceito de salário de contribuição, descrito no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, razão pela qual entendo corretos os fundamentos (em sua maioria, com as observações descritas no voto) para manutenção do crédito. Destaco, que embora tenha trazido o auditor ainda, como fundamento, o caráter habitual do plano, também não entendo ser esse fundamento relevante para identificação da natureza do pagamento no presente caso. Contudo, considerando ter o auditor indicado que o benefício constituiria remuneração indireta, apenas descreveu que sua concessão deuse com habitualidade. Não vislumbro falha que vicie o lançamento, uma vez não ter sido esse o único ponto para manutenção do crédito, bem como fazer o requisito parte do conceito de remuneração. Notese que o argumento de que a decisão recorrida acabou por se distanciar da realidade, não merece guarida. Novamente, bastanos olhar o acordão proferido para identificar, o devido enfrentamento das questões, bem como identificar que a autoridade julgador rebateu todos os pontos trazidos pelo recorrente. Assim, enfrentou o julgador: 7.2. Nesse ponto, devemos ponderar que o conceito legal de “remunerações pagas ou creditadas a qualquer título” (Lei n° 8.212, de 1991, art. 22, III) não se limita ao pagamento em dinheiro, abarcando também o pagamento mediante dação de um benefício, de uma utilidade. Logo, a base de cálculo abrange não apenas o valor pago em numerário, mas também a utilidade; apurada, no caso concreto, a partir do valor de mercado. 7.3. A fiscalização sustenta que os segurados auferiram benefício econômico ao adquirirem as ações, no âmbito dos Programas de Opção de Compra de Ações. Segundo a defesa, o preço de aquisição era fixado com base no valor de mercado, pelo modelo de precificação “Black & Scholes”. 7.3.1. O Plano de Opção de Compra de Ações (fls. 69/75), ato que disciplina a criação periódica dos Programas de Opção de Compra de Ações, determina que: 5.1. O valor da contribuição para aquisição das Ações a serem subscritas pelos beneficiários do Plano, em decorrência do exercício da opção, será determinado pelo Comitê, respeitados os parâmetros legais, sendo corrigido por índice de correção monetária a ser definido pelo Comitê para cada Programa, bem como incidindo juros em percentual também a ser definido pelo Comitê. 7.3.2. A impugnante não apresentou prova demonstrando que a precificação observou o modelo invocado. Por outro lado, a fiscalização demonstrou que o preço pelo qual a opção poderia ser vendida na Bolsa de Valores superava o preço de exercício Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 20 37 da opção, consistindo a diferença entre o valor recebido da empresa (valor de mercado) e o valor pago (valor de exercício) a remuneraçãoutilidade. 7.5. O Plano de Opção de Compra de Ações em questão tem por pressuposto o caráter oneroso, contudo, conforme demonstrou a fiscalização, a contribuição para aquisição das ações enseja um valor inferior ao de mercado. 7.5.1. Quando o custo de aquisição passou a ser superior ao de mercado, os Programas de 2007 e 2008 foram cancelados e trocados pelo Programa de 2009 (tendo o Programa de 2010 estabelecido o custo simbólico de R$ 0,01, ainda que não aplicável ao período objeto do lançamento). 7.5.2. Se os contratos eram efetivamente mercantis, não se justifica o cancelamento e substituição, mesmo diante da finalidade de retenção dos trabalhadores; o preço e as condições previamente estipuladas nos Programas deveriam ter sido honrados e os trabalhadores, enquanto investidores de longo prazo, deveriam ter se sujeitado às flutuações inerentes ao mercado de ações. 7.5.3. Segundo a defesa, não se pode aferir ganho no momento de exercício da opção (mediante confrontação com o valor de mercado), mas apenas quando da alienação das ações pelo empregado para terceiros. 7.5.4. Entretanto, o cancelamento e substituição dos Programas de 2007 e 2008 em 2009 revela a confrontação do custo do exercício da opção com o valor de mercado. 7.5.5. A própria conduta da empresa evidencia o intuito de assegurar um efetivo ganho ao trabalhador no momento de exercício da opção, sendo coerente com tal intenção o fato de o cancelamento e substituição não alcançar os lotes de ações cujo exercício da contribuição para a aquisição já havia sido exercido. 7.6. A disponibilização pela empresa de empréstimo (fls. 136/137) no momento do pagamento dos 10% do total das ações oferecidas para se ingressar nos Programas (mantido em conta de adiantamento para a futura subscrição), somada com a possibilidade de se adquirir ações em relação às quais tenha sido pago apenas 30% do respectivo valor de contribuição (devendo alienálas em até 30 dias da emissão para ressarcimento da impugnante) demonstra que a empresa não apenas depreciava o valor das ações e reduzia os riscos de mercado, mas também financiava e facilitava a obtenção de lucros mediante um reduzido desembolso por parte dos trabalhadores. 7.6.1. A argumentação da defesa não afasta a constatação de financiamento e de facilitação, eis que o trabalhador não tinha de buscar o mercado, além de ter condições favoráveis. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 38 7.7. A fiscalização não imputou habitualidade ao pagamento, mas ao lançamento de Programas, reforçando a evidência de vinculação ao desempenho individual. 7.8. Destarte, constatase que a autuada estruturou os Programas para mitigar o risco e os custos envolvidos nas operações e que agiu, quando o mercado apresentouse desfavorável ao exercício das opções, para assegurar lucro no exercício das opções, possibilitando aos trabalhadores um efetivo benefício na aquisição das ações, tendo escolhido os beneficiários em razão do desempenho individual dos mesmos na prestação de trabalho havida. 7.9. Logo, está preenchido o suporte fático do art. 22, III, da Lei n°8.212, de 1991, ou seja, o pagamento de remuneração em utilidade pelos serviços prestados por segurado contribuinte individual. 7.9.1. Além disso, como bem ressaltou a fiscalização, diante da constatação da ocorrência de fato descrito no art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991, e da não especificação da remuneração por Plano de Opção de Compra de Ações, nos moldes implementados pelo contribuinte, dentre as parcelas constantes do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, resta caracterizado o salário de contribuição. Dessa forma, a decisão recorrida enfrentou os argumentos apresentados pelo recorrente (como parte do acordão transcrito acima). Em todos os momentos tanto o julgador, quanto a própria autoridade fiscal em seu relatório, destacam que é a ausência do risco e a intenção de beneficiar diretamente o trabalhador é que formam o sustentáculo para o lançamento. Assim, adoto a decisão proferida também como razões de decidir, com as devidas ressalvas feitas no corpo deste voto. DOS PLANOS ANTERIORES A 2004. Muito discutimos acima acerca dos argumentos trazidos pelo auditor para sustentar o lançamento, tendo o mesmo fundamentado o lançamento sob diversos primas. Contudo, vislumbro uma falha que aqui merece ser enfatizada. Para os planos posteriores a 2004, descreveu o auditor os pontos que atribuíram ao stock options fornecido pela ALL América Latina natureza salarial, contudo em relação aos planos anteriores a 2004, não observamos o mesmo cuidado. Embora o lançamento não envolva fatos geradores anteriores ao ano de 2004, alguns benefícios concedidos posteriormente, referemse aos planos criados nesses períodos, sendo que não vislumbrei nos autos elementos que fundamentos, os motivos que levaram o auditor nos planos anteriores a 2004, a considerar a outorga como salário de contribuição. No corpo do processo identificamos uma planilha, fls. 680 a 697 – Documentos diversos, donde a autoridade fiscal, destaca a qual programa os valores apurados referemse, destacando programas de 1998, 2001, 2003, sem que o mesmo tivesse identificado, pontualmente para esses programas, quais os vícios afastariam o pagamento do mero contrato mercantil. Talvez para a autoridade fiscal, dita minucia não mostravase tão importante, na medida que o primeiro argumento para consubstanciar o lançamento era que o plano de opção de ações por si só já possuiria natureza salarial. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 21 39 Contudo, tendo sido afastado esse argumento, os demais elementos, é que tornaramse contundentes para manutenção do crédito, ou seja, a indicação em cada plano dos elementos que afastaram direta ou indiretamente o risco do negócio. Assim, sendo, por não ter identificado nos presentes autos as irregularidades dos planos de Stock Options anteriores a 2004, entendo devam ser excluídos por vício formal, ditos lançamentos. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida o lançamento como o fez descrevendo para os planos posteriores a 2004, os vícios que afastariam aos outorgas de ações como meras operações mercantis. Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal discriminado de forma clara e precisa, os fatos geradores que ensejariam a descaracterização dos plano de stock options anteriores a 2004,. Dessa forma, entendo que a falta da descrição pormenorizada levaria a anulação da NFLD por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 40 lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, Muito discutiu o recorrente argumentando que não houve pagamento ou mesmo ganho, e portanto, a verba não poderia constituir salário de contribuição, sendo indevida o lançamento em relação a este período, o que não venho a concordar. Argumenta que tão somente se o beneficiário vendesse a ação, poderia se vislumbrar alguma espécie de ganho, e mesmo assim, caso ocorresse, seria uma relação desvinculada da autuada, não havendo como estabelecer o liame jurídico, capaz de determinar sua sujeição passiva pelos créditos ora lançados. Acho que o entendimento levado a efeito pela autoridade fiscal, encontrase acertado. Ora, em que momento houve o “ganho”, ou conforme descrito anteriormente a remuneração indireta do trabalhador? Acredito que, no momento em que houve o direito de opção (com a efetiva outorga) pela ações ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiro, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva compra das ações sobre o preço de exercício, valor inferior aquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Conforme demonstrado acima, houve o desvirtuamento do stock options em sua natureza inicial, qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual procedeu o auditor ao lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da opção pela compra de ações.). Não tivesse ocorrido ditos fatos não se discutiria a ocorrência do fato gerador, posto que não restaria caracterizada a remuneração indireta. Afasto, dessa forma, o argumento de eventual diferença entre o valor da ação no pregão da bolsa e o valor da ação pago pelo beneficiário do Plano de Opção de Compra de Ações da Recorrente seria irrelevante e imprestável para a cobrança do tributo. Pelo contrário, ao fornecer o benefício ao trabalhador, inclusive com a possibilidade de venda, sem nem mesmo ter completado o prazo de carência determinado, ofertou a recorrente ao trabalhador um ganho indireto, cuja definição da base de cálculo deuse sobre o ganho auferido pelo beneficiário. Assim, como já demasiadamente descrito, realmente entendo que o ganho inicial pela outorga de ações não constitui salário de contribuição, vez tratarse de operação mercantil, contudo, na forma como pago, representando um ganho na forma de utilidade (como veremos adiante), correto o lançamento realizado. Ademais, também afasto o argumento de que o fato gerador (se existisse) só se daria no momento da venda a terceiros. O momento da ocorrência do fato gerador, deuse com a concretização da opção, auferindo um ganho indireto. (o direito de compra). Não podemos dizer que se dará apenas com a venda, pois poderemos nos deparar com situações em que o empregado nunca realizasse essa venda. Mas, possua o “bem” (direito a ação) direito esse concedido, como no presente caso, pela contraprestação do serviços. DA NOMENCLATURA UTILIDADE Também não vislumbro qualquer nulidade ou incorreção em descrever o pagamento como uma espécie de utilidade. Pelo contrário, entendo estar correto o argumento trazido pelo auditor para descrever o fato gerador e o momento da sua ocorrência. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 22 41 Entendo importante firmar entendimento do papel das utilidades dentro do conceito de salário de contribuição para contribuintes individuais. Conforme, já transcrito anteriormente a definição de salário de contribuição encontrase prevista no art. 28, III da Lei n° 8.212/1991, para o segurado contribuinte individual: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Dessa forma, pela análise dos dois dispositivos legais, podemos estabelecer que não existe nenhuma distinção entre a base de cálculo da contribuição dos segurados empregados e dos contribuinte individuais. Entendo que o detalhamento do dispositivo com relação aos segurados empregados, visa simplesmente transcrever o que a Consolidação da Leis do Trabalho – CLT, destaca como remuneração para os trabalhadores por ela amparados. A preocupação do legislador trabalhista, reafirmada pelo previdenciário, foi simplesmente enfatizar que tudo aquilo que o empregador der ao seu empregado, como contraprestação pelo trabalho realizado, deve ser incluído no conceito de remuneração e, por consequência refletir nos direitos trabalhistas, por exemplo, férias, gratificação natalina, FGTS etc. A intenção foi deixar claro para os empregadores que, mesmo que retribuam por outras formas, que não em dinheiro, terão que repercutir esses ganhos nos direitos dos seus empregados. Agora, qual seria a necessidade de detalhar o conceito de remuneração para os trabalhadores contribuintes individuais, se os mesmos não possuem qualquer espécie de direito trabalhista. Quando analisamos o trabalho de profissionais autônomos (contribuintes individuais), identificamos um contrato civil de prestação de serviços, onde a execução do trabalho, dentro da conformidade do contrato, gera um ganho. Imaginemos que ao contratar, por exemplo, um pedreiro, o mesmo cobre R$ 1.000,00 pelo serviço, sendo assim pactuado: R$ 500,00 em dinheiro, R$ 300,00 em passagens aéreas compradas na loja X e R$ 200,00 em ações da empresa sem que se oferte qualquer risco. Será que os R$ 500,00 em utilidades Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 42 (passagens e ações) não representam um ganho para esse trabalhador, ou melhor, não foram pactuados como contraprestação pelo serviço. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Pelo exposto, o fato do legislador não ter detalhado o conceito de remuneração para o contribuinte individual é simplesmente porque não é comum se ajustar outra modalidade de pagamento pela prestação do serviço que não dinheiro. Porém resta evidente que qualquer espécie de pagamento feito ao contribuinte individual, caracterizase como contraprestação pelo serviço realizado integrando a base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não se pode descartar o fato de que os valores ganhos pela compra de ações abaixo do valor de mercado, sem atribuir ao trabalhador os riscos, não sejam um ganho indireto, obtido por meio da aquisição de ações, mesmo sem haver a conversão em pecúnia. É justamente aí que identificamos o conceito de utilidade, que é a forma de remunerar sem que envolva a transferência de numerário ao trabalhador. Essa modalidade de benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço pactuado. Este tópico, bem afasta o argumento do recorrente que não há nos autos qualquer indício ou evidência de que os valores atrelados ao Plano de Opção se prestavam a substituir ou complementar a remuneração. Não houve presunção do fisco, como argumentado. Pelo contrário o auditor (como já afastado em sede preliminar), bem fundamentou o lançamento, com a correta descrição dos fatos geradores., estando o lançamento em conformidade com a legislação. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 23 43 Entendo, que a possibilidade inclusive de venda das ações adquiridas parcialmente, auferindo lucro, em relação aos contribuintes individuais, mostrase, mais fortemente como uma forma de remuneração, considerando que não existe nenhum vínculo capaz de obrigalos a permanecer na empresa após as efetivas vendas. Estamos falando de um contrato civil de prestação de serviços, onde além do ganho mensal previsto inicialmente no contrato, os trabalhadores estão se beneficiando com a oportunidade de participação no capital da empresa por meio de outorga de ações adquiridas de maneira subsidiada. Ademais não teriam acesso a “utilidade” beneficio, caso não prestassem o referido serviço. No próprio contrato de oferta o compra de ações, fl. 226, identificamos a ideia da utilidade incorporada como um bem ao trabalhador: (ii) que, a partir da assinatura do presente instrumento, o Beneficiário incorporará anualmente ao seu patrimônio o direito à aquisição de lotes de Ações compostos por parte das Ações referidas no considerandum acima, de forma que, ao final de alguns anos, o Beneficiário terá incorporado a seu patrimônio o direito à aquisição de todas as Ações; (iii) que, uma vez adquirido pelo Beneficiário o direito à aquisição de lotes de Ações, terá ele um prazo para efetuar as respectivas contribuições financeiras visando à efetiva aquisição dos referidos lotes, tratando a Companhia os valores antecipadamente recebidos como adiantamentos para futura subscrição; Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; DA INCONSTITUCIONALIDADE No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a exigência da contribuição ora exigida, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as exigências previstas na Lei n ° 8.212/1991. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis não apena a contribuição ora exigida, como o juros e multa correspondentes. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 44 Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SOBRE EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS Quanto a exclusão dos corresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de AI pelo descumprimento de obrigações acessórias, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de Corresponsáveis – CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de Corresponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento, posto que a indicação dos sócios e diretores não é realizada em função de dolo, fraude ou mesmo simulação, razão porque não se aprecia a administração dos mesmos, mas, conforme descrito DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 24 45 Alega o recorrente que ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício, contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela autoridade julgadora, 8. No caso concreto, aplicouse a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e os juros de mora disciplinados no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, por força dos arts. 35 e 35A da Lei n° 8.212, de 1991, nos termos da Lei n° 11.941, de 2009, conversão da Medida Provisória n° 449, de 2008. 8.1. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, determina a incidência da SELIC “sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições", ou seja, "débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições". 8.2. Além disso, não há óbice à incidência de juros sobre a multa, pois esta integra a própria obrigação principal (CTN, art. 113, § 3º) e os juros incidem sobre a totalidade do crédito tributário (CTN, art. 161). Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício ´´e aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. No mesmo sentido, manifestouse por maioria a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 46 A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 25 47 "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Face a decisão proferida, entendo plenamente aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme demonstrado na decisão acima transcrita, a qual adoto como razão para determinar a procedência da multa aplicada. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, em sua maioria, são insuficientes para refutar o Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 48 lançamento. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento na forma acima especificada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito dar provimento parcial ao recurso para excluir por vício formal as contribuições decorrentes dos fatos geradores referentes aos programas anteriores ao ano de 2004, mantendo as contribuições decorrentes dos fatos geradores referentes aos programas posteriores ao ano de 2004, nos termos descrito no voto. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 26 49 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Redator Designado Ouso divergir da ilustre relatora acerca da improcedência do lançamento decorrentes dos fatos geradores referentes aos programas anteriores ao ano de 2004, ao invés de declarar a nulidade por vício formal ou até mesmo material, justamente por concordar coma relatora em sua premissa básica, no sentido em que "Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho." Como bem delineado em seu voto, a ilustre conselheira relatora manifestou se pela nulidade formal dos fatos geradores referentes aos programas anteriores ao ano de 2004, nos seguintes termos: "Para os planos posteriores a 2004, descreveu o auditor os pontos que atribuíram ao stock options fornecido pela ALL América Latina natureza salarial, contudo em relação aos planos anteriores a 2004, não observamos o mesmo cuidado. Embora o lançamento não envolva fatos geradores anteriores ao ano de 2004, alguns benefícios concedidos posteriormente, referemse aos planos criados nesses períodos, sendo que não vislumbrei nos autos elementos que fundamentos, os motivos que levaram o auditor nos planos anteriores a 2004, a considerar a outorga como salário de contribuição. No corpo do processo identificamos uma planilha, fls. 680 a 697 – Documentos diversos, donde a autoridade fiscal, destaca a qual programa os valores apurados referemse, destacando programas de 1998, 2001, 2003, sem que o mesmo tivesse identificado, pontualmente para esses programas, quais os vícios afastariam o pagamento do mero contrato mercantil. Talvez para a autoridade fiscal, dita minucia não mostravase tão importante, na medida que o primeiro argumento para consubstanciar o lançamento era que o plano de opção de ações por si só já possuiria natureza salarial. Contudo, tendo sido afastado esse argumento, os demais elementos, é que tornaramse contundentes para manutenção do crédito, ou seja, a indicação em cada plano Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 50 dos elementos que afastaram direta ou indiretamente o risco do negócio. Assim, sendo, por não ter identificado nos presentes autos as irregularidades dos planos de Stock Options anteriores a 2004, entendo devam ser excluídos por vício formal, ditos lançamentos." Partindo do pressuposto de que os planos de opções de compra de ações (Stock Options) possuem natureza mercantil. Cabe a autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar que houve desvirtuamento dos referidos planos, a ponto de que venham a ser desnaturados como decorrentes de uma operação mercantil e caracterizados como remuneração indireta. Não comungo do entendimento de que a ausência de demonstração do desvirtuamento dos planos de opções de compra de ações (Stock Options) tratese de mero vício formal, posto que caso a fiscalização não demonstre o efetivo desvirtuamento há de ser mantida a natureza mercantil dos referidos planos, que não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, o que acarreta a improcedência do lançamento. Ante o exposto, voto por provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições decorrentes dos fatos geradores referentes aos programas anteriores ao ano de 2004, ante a sua improcedência. Elias Sampaio Freire Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 27 51 Declaração de Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim. Pedi vistas do processo com o objetivo de aprofundar a minha análise dos autos, a fim de possibilitar a melhor apreciação dos elementos que levaram a fiscalização à lavratura dos autos de infração objeto do presente processo, assim como dos argumentos levantados pela Recorrente com o objetivo de desconstituir o lançamento contra si efetuado. O objeto deste processo já foi devidamente esmiuçado no voto da Eminente Conselheira Relatora, que narrou com fidedignidade tanto a motivação da autuação, exposta no Relatório Fiscal, como também os argumentos de defesa apresentados pela Recorrente e decisão de primeira instância administrativa, proferida pela DRJ em Curitiba (PR). Tratase, em brevíssima síntese, da caracterização como remuneração de contribuintes individuais, com a conseqüente exigência da contribuição previdenciária patronal, das ações negociadas pela Recorrente com determinados executivos que lhe prestaram serviços, no bojo de Programas de Opção de Compra de Ações lançados nos anos de 1999 a 2010, cujos exercícios ocorreram no período de março de 2009 a outubro de 2010. A remuneração foi calculada pela diferença entre o valor pago pelos beneficiários dos Programas, quando do exercício da opção de compra de ações, e o valor de mercado das mesmas ações, na data do exercício. A Ilustre Relatora, em seu bem lançado voto, adotou o posicionamento – com o qual concordo de que a concessão de opção de ações tratase, em regra, de típico contrato mercantil, em que o trabalhador poderá ou não obter benefícios, cujo caráter oneroso decorre do pagamento do preço de exercício estipulado. E que o fator determinante para que o stock options se afaste da natureza meramente remuneratória seria o risco. Aliás, o próprio auditor fiscal parece concordar com o caráter mercantil da opção de compra de ações, ao pontuar, no item 11 do seu relatório fiscal, que caso o desconto ou prêmio seja significativo a ponto de eliminar o risco da operação futura, a concessão poderá enquadrarse como “salário utilidade”, sendo a existência de risco de fundamental importância na caracterização mercantil de qualquer relação contratual. De fato, sendo, via de regra, a opção de compra de ações facultativa e onerosa ao beneficiário, que, inclusive, poderá experimentar prejuízos na operação, caso o preço de venda seja inferior ao preço pago pelas ações adquiridas, não é possível caracterizar a opção de compra de ações como remuneração, já que esta decorre diretamente da prestação de serviço, não estando sujeita a risco, muito menos à opção do trabalhador – prestado o serviço, a remuneração deve ser paga pelo contratante. É certo, contudo, que, não estando presentes as características essenciais do contrato mercantil de opção de compra de ações, poderá a fiscalização provar que se trata de forma de remuneração indireta, sobre a qual incidiria a contribuição previdenciária patronal. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 52 No caso sob exame, a fiscalizou buscou descaracterizar o caráter mercantil das opções de compra de ações ofertadas, sob o argumento principal de que o risco havia sido afastado pela Recorrente, ao adotar as seguintes medidas: 1. concessão de empréstimo para pagamento do valor de adesão ao programa, correspondente a 10% das ações ofertadas; 2. intervenção quando as condições de mercado tornam o exercício das opções desvantajoso, o que foi feito por ocasião da substituição das opções dos programas de 2007 e 2008 pelo programa de 2009; 3. possibilidade de alienação das opções não integralizadas, com retenção do valor referente ao pagamento do exercício; 4. oferta do programa de 2010 por preço vil. Acrescentou ainda a fiscalização que o caráter contraprestacional da opção de ações estaria ainda corroborado pelo fato de o programa de 2010 ter estabelecido como condições metas de natureza coletiva (EBITDA) e individual (avaliação por sistema gerencial) e que, mesmo não tendo ainda se dado o exercício das opções do programa de 2010, o mesmo demonstraria de maneira cristalina os objetivos do “Plano de Opção de Compra de Ações” da Recorrente. Da análise dos autos, julguei por bem pontuar os seguintes aspectos a respeito dos itens acima destacados da autuação – itens estes que refletem a motivação para a autuação aqui debatida. Inicialmente, julgo importante debater a metodologia utilizada pelo auditor fiscal para lavratura do auto de infração em comento. Conforme se infere da leitura do relatório fiscal, a fiscalização, com base em características identificadas em um, ou em alguns dos diversos programas anuais de opções de compras de ação aprovados pela Recorrente, afastou a natureza mercantil da totalidade dos programas apresentados – sem indicar, individualmente, em que programas estariam presentes as cláusulas que, no seu entender, afastavam o risco e caracterizavam o pagamento de remuneração. Por exemplo, oferta de ação a preço vil (R$ 0,01) e vinculada a metas de natureza coletiva e individual, características presentes apenas no programa lançado no ano de 2010, foram utilizadas como argumento para descaracterização da natureza mercantil do Plano de Ações como um todo, independentemente das características específicas de cada programa anualmente lançado. Do mesmo modo, a concessão de empréstimo para pagamento da adesão ao programa, correspondente a 10% das ações ofertadas, aplicase apenas ao programa instituído no ano de 2006, conforme se verifica dos documentos que acompanharam a autuação fiscal – mas foi utilizado como argumento apto a demonstrar, de forma genérica, o afastamento do risco contratual pela Recorrente. O mesmo aconteceu com o cancelamento de opções ainda não exercidas, situação que ocorreu unicamente quanto aos programas de 2007 e 2008. Na avaliação desta Conselheira, é preciso, primeiro, identificar a que programas se referem os exercícios de opção de ações autuados, para, em seguida, verificar em quais deles estão presentes as características listadas pela fiscalização como hábeis a justificar a incidência da contribuição previdenciária patronal. Ora, admitamos que nenhum dos pontos Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 28 53 levantados pela fiscalização estava presente em determinado programa. Seria razoável manter a autuação quanto aos exercícios de opções dele decorrente, com base em características encontradas em programas que o antecederam ou sucederam? Me parece que não. Sob outro giro, admitamos que esta Turma julgadora entenda que apenas a oferta de ações a preço vil, correspondente a R$ 0,01, seria motivo suficiente para descaracterizar a natureza mercantil da opção de compra de ações e, como tal, sujeitar os exercícios correspondentes à tributação. Sendo que esta característica está presente apenas no programa do ano de 2010, seria admissível manter a presente autuação, levando em consideração que nenhum exercício de opção do programa de 2010 deu ensejo ao lançamento aqui discutido? Por certo que não! Nesse contexto, é preciso, inicialmente, cotejar os programas de opção de compra de ações, cujos exercícios foram listados pelo auditor fiscal autuante no levantamento denominado “Demonstrativo do Valor Intrínseco das Opções por Ocasião do Exercício”, com as características indicadas no relatório fiscal que, no entender da fiscalização, seriam suficientes para a sua sujeição à incidência da contribuição previdenciária. Analisando o referido Demonstrativo (fls. 717/727), constatase que os exercícios listados referemse aos programas de 1998, 2000, 2001, 2003, 2005, 2006, 2009. Compulsando os autos, é possível identificar, da vasta documentação que integra o lançamento, listada às fls. 742, cópia das atas de Reunião do Conselho de Administração ou do Comitê de Administração do Plano de Opção de Compra de Ações, que aprovaram os programas de opção de compra de ações dos anos de 1999, 2000, 2001, 2003, 2005, 2006, 2009 e 2010, bem como cópia das minutas de contrato de opção de compra de ações aprovadas pelas referidas atas, relativas aos programas dos anos de 2003, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2010. Iniciando a análise pelas minutas dos contratos de opção de compra de ações, onde estão disciplinadas as suas cláusulas, constatase que, quanto ao programa relativo ao ano de 2003: a) não há previsão de concessão de empréstimo por parte da Recorrente para efetivação da opção de compra, em valor correspondente a 10% dos lotes de ações ofertados; b) não há cláusula prevendo a possibilidade de emissão de ação com pagamento de 30% do seu preço de exercício, condicionada ao pagamento dos 70% restantes em trinta dias. Por óbvio, não se aplicam ao programa de 2003 as características que a própria fiscalização atribuiu exclusivamente a outros programas, como o cancelamento posterior de lotes de ações (aplicável aos programas de 2007 e 2008), a oferta de ações a preço vil e condicionada a metas de natureza individual e coletiva (programa 2010). Quanto ao contrato relativo ao programa do ano de 2005, este difere do programa de 2003 apenas quanto à possibilidade de emissão de ações mediante o pagamento de 30% da contribuição para aquisição. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 54 Para os contratos relativos ao programa do ano de 2006, constatase que nele há previsão de obtenção de financiamento para pagamento da parcela de adesão, correspondente a 10% dos lotes ofertados, além da possibilidade de emissão de ações mediante pagamento de 30% do valor de contribuição. Os modelos de contrato de opções de ações relativos aos programas de 2007, 2008 e 2010 não serão analisados, vez que não foram localizados exercícios de opções de ações desse programa no demonstrativo da base de cálculo da presente autuação. Por fim, quanto aos anos de 1998, 2000, 2001 e 2009, a fiscalização não juntou ao processo cópia dos contratos de opção de compra de ações, diante do que não foi possível analisar o seu teor, com o objetivo de verificar se neles estão presentes as cláusulas que, no entender da fiscalização, afastariam o risco da operação, com a conseqüente caracterização dos programas como remuneração dos beneficiários, passível de tributação. A vinculação da motivação utilizada pela fiscalização para desnaturação dos programas de Stock Options oferecidos pela Recorrente com os respectivos programas anuais pode ser resumida na tabela abaixo: PROGRAMA EMPRÉSTIMO 10% INICIAIS CANCELAMENTO DE LOTES (2007/2008) ALIENAÇÃO DE OPÇÕES NÃO INTEGRALIZADAS (30%/70%) OFERTA POR VALOR VIL (2010) VINCULAÇÃO A METAS DE NATUREZA COLETIVA E INDIVIDUAL (2010). 1999 CONTRATO INDISPONÍVEL NÃO CONTRATO INDISPONÍVEL NÃO NÃO 2000 CONTRATO INDISPONÍVEL NÃO CONTRATO INDISPONÍVEL CONTRATO INDISPONÍVEL CONTRATO INDISPONÍVEL 2001 CONTRATO INDISPONÍVEL NÃO CONTRATO INDISPONÍVEL CONTRATO INDISPONÍVEL CONTRATO INDISPONÍVEL 2003 NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO 2005 NÃO NÃO SIM NÃO NÃO 2006 (A e B) SIM NÃO SIM NÃO NÃO 2007 (A e B) NÃO SIM SIM NÃO NÃO 2009 CONTRATO INDISPONÍVEL NÃO CONTRATO INDISPONÍVEL NÃO CONTRATO INDISPONÍVEL Da análise da tabela acima, já é possível concluir, de plano, pela exclusão dos exercícios autuados vinculados ao programa de oferta de ações do ano de 2003, diante da ausência de quaisquer das cláusulas apontadas pela fiscalização como hábeis a afastar o elemento risco inerente aos contratos mercantis e caracterizar o plano de oferta de ações como política de remuneração da Recorrente. Além disso, a análise do programa de opção de compra de ações relativo ao ano de 2003 não deixa dúvidas de que se trata de típico contrato de stock options, não havendo como cogitar da presença de elementos caracterizados do contrato como remuneração passível de tributação. Vejamos: Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 29 55 Mediante a assinatura do contrato, o beneficiário adquire o direito de contribuir para a aquisição a prazo de determinados lotes de ações que lhe são ofertados, a preço prédeterminado. Para assinar o contrato e, como tal, aderir ao programa, o beneficiário deve efetuar o pagamento à vista de 10% do valor total dos lotes de ações que lhe são oferecidos. A partir daí, a cada ano o beneficiário adquire o direito de comprar 18% dos lotes de ações ofertados, de modo que, ao final do quinto ano, já se adquiriu o direito de contribuir para a aquisição da totalidade dos lotes de ações ofertados. Adquirido o direito de contribuir para a aquisição de determinado lote de ações, o beneficiário possui prazo de 3 anos para exercer a sua opção de compra e efetuar o pagamento respectivo. O valor de contribuição para aquisição do lote de 1.000 ações foi de R$ 21,00, sendo esse valor corrigido pelo IGPM e acrescido de juros correspondentes a 6% do valor corrigido por ano. Após dois anos contados da assinatura do contrato, o beneficiário poderá solicitar a emissão das ações para as quais já houver contribuído integralmente para a sua aquisição. Nesses casos, a venda das ações só poderá ocorrer seis meses após a emissão das ações (lock up). Constatase da análise das características essenciais do programa de ações do ano de 2003 que o beneficiário não tem nenhuma garantia de ganho na venda das ações adquiridas, muito menos recebe as ações por gratuidade. É preciso contribuir para a sua compra e aguardar mais de dois anos para vender as ações adquiridas quando da assinatura do contrato, o que sujeita o beneficiário inevitavelmente às oscilações de preço que são inerentes ao mercado de ações. Também não há notícia nos autos de que o preço ofertado seja inferior ao de mercado na data da concessão, o que também evidencia que a Recorrente não adotou preço baixo o suficiente para anular qualquer possibilidade de risco futuro pelo aderente. O Programa instituído pela Recorrente em 2003 não pode ser caracterizado como remuneração, por ser optativo, oneroso, haver prazo para venda das ações inicialmente adquiridas e não existir cláusula que evite as perdas que podem advir com a futura desvalorização das ações. Ao aderir ao programa, o beneficiário sentese estimulado a permanecer na empresa e trabalhar pelo seu crescimento, com o objetivo de ver o preço das ações aumentar no mercado e poder obter ganhos futuros com a sua alienação. Não há nada, contudo, que evite as perdas que são inerentes ao mercado de ações. Não se trata, assim, de remuneração pelo serviço prestado, já que esta é certa, não depende de evento futuro, nem de adesão do trabalhador, muito menos de pagamento por parte deste. Também devem ser excluídos da autuação os exercícios de opção de ações relacionados aos programas dos anos de 1998, 2000, 2001 e 2009, pois, para estes, a fiscalização não anexou aos autos cópia dos respectivos programas, de modo a comprovar a existência de quaisquer das cláusulas que, no entender da fiscalização, atrairiam a tributação pela contribuição previdenciária. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 56 Ora, como se sabe, tendo em vista o caráter vinculado do lançamento e do ato de aplicação da penalidade tributária, é dever da autoridade administrativa certificarse da ocorrência ou não do fato jurídico que desencadeia a obrigação tributária. Nesse sentido, dispõe o art. 9 do Decreto nº 70.235/72, senão vejamos: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Ademais, não custa lembrar que a motivação é um dos elementos do ato administrativo, que deve ser pautado em provas que substanciem o ato. Até porque, a presunção de legitimidade dos atos administrativos não exime o fiscal da construção probatória que sustente o ato por ele praticado. Sobre o tema, Marcos Vinicius Neder leciona: No processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. (NEDER, Marcos Vinicius. A prova no processo tributário/ coordenadores Marcos Vinicius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santi, Maria Rita Ferragut. – São Paulo: Dialética, 2010, pg. 19). Karen Jureidini Dias vai mais além ao dispor sobre o podedever da autoridade administrativa frente à produção probatória no procedimento fiscal: Insistimos que não há competência jurídica para a autoridade administrativa no âmbito fiscal desconstituir juridicamente um fato ou ato de natureza civil, mas tal autoridade administrativa tem o poderdever de averiguar a suficiência da prova do suporte fático na constituição do fato jurídico tributário. (DIAS, Karen Jureidini, Fato Tributário, Revisão e Efeitos Jurídicos, São Paulo: Editora Noeses, 2013, pg. 190). Sendo assim, não há como prevalecer o lançamento no tocante aos exercícios de opção de ações vinculados aos programas dos anos de 1998, 2000, 2001 e 2009, por não estarem presentes elementos suficientes à comprovação de que tais programas foram atingidos pelas cláusulas que os sujeitariam à incidência da contribuição previdenciária patronal. Passemos, assim, à análise da possibilidade de integralização de 30% do valor de contribuição para emissão de ações, objeto da cláusula 6a dos programas dos anos de 2005 e 2006. Assim se posicionou a fiscalização: “Na análise da cláusula sexta dos “Contratos de Oferta à Subscrição ou Compra a Termo de Ações e Outros Pactos”, verificamos a possibilidade de os Beneficiários, a partir da integralização de 30% de suas obrigações, requererem a emissão das ações, alienálas por corretora designada pela empresa. Nesta operação a corretora repassará os 70% Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 30 57 restantes das obrigações do Beneficiário diretamente para a empresa, creditando o saldo remanescente ao Beneficiário.” Para melhor análise, convém transcrever o teor da cláusula 6 dos citados programas: CLÁUSULA SEXTA. ENTREGA DAS AÇÕES AO BENEFICIÁRIO. II – INTEGRALIZAÇÃO DE NO MÍNIMO TRINTA POR CENTO DA RESPECTIVA CONTRIBUIÇÃO PARA AQUISIÇÃO. A partir de cada Data de Aquisição do Direito de Contribuir, o Beneficiário poderá requerer a emissão das Ações em relação às quais já tiver efetuado o pagamento de pelo menos 30% (trinta por cento) do respectivo Valor de Contribuição. 6.1. Caso o Beneficiário opte por efetuar o pagamento de apenas 30% (trinta por cento) do Valor de Contribuição das Ações, tais Ações serão emitidas pela Companhia e deverão ser alienadas pelo Beneficiário no prazo máximo de 30 (trinta) dias, exclusivamente através de corretoras designadas pela Companhia. Imediatamente após a venda das Ações, quantia igual a 70% (setenta por cento) do respectivo Valor de Contribuição deverá ser repassada diretamente pela corretora à Companhia, por conta e ordem do Beneficiário, e o saldo remanescente, se houver, deverá ser imediatamente creditado ao Beneficiário. 6.2. O Beneficiário neste ato, em caráter irrevogável e irretratável, constitui a Companhia sua bastante procuradora para fins de, por conta e ordem do Beneficiário, (a) proceder à venda das Ações na forma do item 6.1, (b) dar instruções à corretora quanto à transferência de valores relativos à venda das Ações, na forma do mesmo item 6.1, (c) descontar, dos valores relativos a tal venda, valor igual a 70% (setenta por cento) do respectivo Valor de Contribuição, (d) transferir para conta a ser indicada pelo Beneficiário eventual saldo remanescente em seu favor, e (e) praticar todos os atos suficientes e necessários à efetividade do mecanismo previsto nesta Cláusula Sexta. 6.3. O direito a que se refere o caput desta Cláusula Sexta e o item 6.1 acima pode ser suspenso ou suprimido, a qualquer tempo, por deliberação do Comitê, independentemente de qualquer aviso prévio ou justificativa. Avaliando a cláusula contratual acima transcrita, entendo que ela não afasta o risco assumido pelo beneficiário ao optar pelo programa de compra de ações, já que tal faculdade não podia ser exercida no momento da opção pelo programa – quando, teoricamente, a ação adquirida possuía valor de mercado ligeiramente superior ao de compra. Isto porque, havia nos programas dos anos de 2005 e 2006 cláusula prevendo a proibição de alienação das ações por dois anos contados da data da adesão, sendo que, dois anos após, não é possível prever se as ações originalmente ofertadas por determinado valor Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 58 terão preço superior ou inferior no mercado. Esse risco, por certo, não é afastado com a possibilidade de integralização de 30%, ao invés de 100% do valor de contribuição das ações. Não se pode, portanto, tratar tal faculdade como hábil a caracterizar o plano de ações como remuneração, já que não é possível saber se, dois anos após a adesão ao programa, as ações terão valor superior ou inferior ao preço de exercício estipulado. Tal certeza só poderia existir se a Recorrente tivesse ofertados suas ações nesses anos a preço vil, fato que não foi demonstrado em momento algum pela fiscalização (apenas quanto ao ano de 2010). Uma cláusula dessa natureza poderia ser contestado no contexto de planos que permitem imediatamente após a opção a venda das ações, ações estas que são ofertadas por valor consideravelmente inferior ao de mercado, na data da concessão (não do exercício). Nesses casos, pode ficar demonstrado que o plano tinha por objetivo propiciar um ganho certo e imediato ao beneficiário, o que não me parece ser o caso ora analisado. O fato de ser estabelecido contratualmente que a venda será feita por corretora designada pela Recorrente também não desnatura o plano, já que tal previsão visa afastar o risco de a Recorrente (e não do beneficiário) não receber a parte do produto da venda das ações que lhe cabe, o que aconteceria caso o beneficiário recebesse o produto da venda e descumprisse com a sua obrigação de pagar os 70% do preço restantes. Na verdade, a cláusula aqui comentada acaba por comprovar a onerosidade do contrato, já que garante que o preço integral da ação será pago, sem o risco de o beneficiário não cumprir com a sua obrigação contratual. A possibilidade de integralização de 30% do preço das ações para seu recebimento e venda não provoca, assim, afastamento de risco por parte do beneficiário. Quanto à concessão de empréstimo para pagamento da contribuição para aquisição do lote inicial correspondente a 10% das ações ofertadas no programa do ano de 2006, também entendo que não há, no caso, afastamento do risco inerente à compra de ações com tal faculdade, como já muito bem fundamentado no voto proferido pelo Ilustre conselheiro Igor Araújo Soares. Não se trata de doação, mas de efetivo empréstimo, sujeito, como tal, a remuneração correspondente a 100% da taxa média referencial dos depósitos interfinanceiros apurada pela CETIP, conforme cláusula 7 da minuta do contrato de empréstimo acostada às fls. 136 dos autos. O beneficiário, portanto, assumia um passivo perante a Companhia, sujeito à incidência de juros, para compra inicial de suas ações, ações estas que, dois anos após, poderiam valer muito menos do que o valor pago para a sua aquisição. Não há, portanto, qualquer afastamento de risco com a concessão do empréstimo comentado. Ao contrário, a assunção de dívida para aquisição de ações implica na assunção de um risco ainda maior por parte do beneficiário do programa, já que o investimento no mercado de ações é por natureza arriscado, sujeito às desvalorizações e perdas que lhe são inerentes. O beneficiário pode, assim, sofrer perdas em decorrência da desvalorização das suas ações e, ainda assim, assumir um passivo decorrente do empréstimo tomado, o qual inclusive aumentará de valor com o tempo. Por fim, quanto ao argumento utilizado pela fiscalização relativo ao cancelamento, em 2009, dos lotes não integralizados, ou integralizados mas não pagos, das ações relativas aos programas dos anos de 2007 e 2008, deixarei de analisar esse ponto quanto ao presente processo, vez que não há no demonstrativo do débito destes autos qualquer exercício de opção de compra de ações dos programas dos anos de 2007 e 2008. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 31 59 Conclusão Diante de todo o exposto, seja por não ter a fiscalização comprovado que as características supostamente eliminadoras do risco estariam presentes nos programas de opção de compra de ações da Recorrente dos anos de 1998, 2000, 2001, 2003 e 2009, seja por não serem as características específicas atribuídas aos programas dos anos de 2005 e 2006 hábeis a eliminar o risco inerente ao stock options, voto pelo provimento integral do recurso. Carolina Wanderley Landim Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 60 Declaração de Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator Ilmo. Sr. Presidente, Pedi vista dos autos diante da relevância da matéria. Conforme muito bem traduzido no voto da Em. Relatora, tratase do lançamento de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidentes sobre remunerações creditadas aos beneficiários na forma de Opções de Compra de Ações (Stock Options). Tais remunerações foram pagas a executivos e empregados da empresa, de suas coligadas e controladas e a prestadores de serviço às mesmas. Inicialmente reitero que o il. Auditor entendeu pela incidência das contribuições sobre tais verbas, calcado, em síntese, nos seguintes fundamentos, conforme se depreende do item 26 do Relatório Fiscal, a seguir: 26) Conforme observado nos itens precedentes, concluímos: a) O “Plano de Opção de Compra de Ações” tem natureza remuneratória, destinandose a criar um atrativo ao Beneficiário e a mantêlo na empresa pela promessa de ganhos futuros; b) O lançamento de Programas tem caráter de habitualidade, com periodicidade anual, à exceção de 2002 e 2004; c) O Comitê afasta o eventual risco das operações por meio de empréstimos aos Beneficiários, de modo que todos possam aderir ao Plano e intervêm quando as condições de mercado tornam o exercício das opções desvantajosas aos Beneficiários, conforme demonstrado por ocasião da substituição das opções dos Programas 2007 e 2008 pelo Programa 2009; d) O Comitê possibilita aos Beneficiários a alienação de suas opções não integralizadas, retendo o valor referente ao pagamento do exercício. A alienação é feita por corretora designada pela empresa. Combinando a possibilidade de contrair empréstimo para o pagamento da parcela inicial de 10% para adesão ao Programa e a alienação das ações em operação simultânea à quitação do valor do exercício, o Beneficiário evita o próprio desembolso e afasta qualquer risco na operação, já que tem condições de escolher a melhor ocasião para a venda, em momento anterior ao da integralização de suas opções; e) O Comitê possui poderes para definir os Beneficiários e para outorgar opções de acordo com as suas atribuições e como o desempenho individual de cada um; f) A empresa ofertou Programa 2010 por valor vil (R$ 0,01 por ação), dirimindo qualquer dúvida quanto ao caráter remuneratório do mesmo; g) O Programa 2010 explicita condições para o exercício do Programa, as quais são metas de natureza coletiva (EBITDA da empresa) e de natureza individual (avaliação por meio de Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 32 61 Sistema Gerencial), corroborando a contraprestação. Apesar de o período de carência para o exercício das opções estenderse até 31/12/2012, o Programa 2010 expõe de maneira cristalina os objetivos do “Plano de Opção de Compra de Ações” da empresa. Da mesma forma, o v. acórdão de primeira instância, em trecho de seu voto condutor, assim ventilou sobre a autuação lavrada (fls. 917): No caso concreto, a fiscalização considerou que os Programas de Opção de Compra de Ações foram estruturados e geridos de forma a remunerar os trabalhadores mediante a obtenção de um efetivo benefício econômico, afastandose os riscos de um contrato mercantil, sendo os beneficiados e as outorgas de opções fixadas com base no desempenho individual de cada trabalhador. [...] Assim, como muito bem apontou a relatora, em regra, o contrato de STOCK OPTIONS, a meu ver, se traduz em instrumento de negociação que ostenta em regra o caráter mercantil, que lhe é garantido diante, obviamente, da maneira como veio a ser empreendida a contratação do plano, de modo a que reflita a condição de todo e qualquer negócio jurídico, ou seja, com a existência de um ônus a ser exercido por ambas as partes. O principal objetivo de um plano dessa natureza é tornar os colaboradores ou empregados em verdadeiros acionistas da empresa e estimulálos cada vez mais no comprometimento do exercício de suas funções, inclusive, com o próprio negócio que estão inseridos, as missões, políticas e metas da empresa. Ressaltese que a instituição de um plano de Stock Options possui previsão legal na Lei das Sociedades Anônimas, se tratando, pois, de uma faculdade a ser eleita pela companhia. Vejamos o que diz o art. 168 da Lei 6.404/76: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. [...] § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Num primeiro momento há de se apontar que o exercício da compra das ações num plano de referida natureza, a meu ver, é facultativo e depende da exclusiva deliberação do empregado na análise das condições da oferta. Assim, embora possua o intuito da realização de um negócio vantajoso, obviamente, deverá considerar, também, que ao efetuar sua opção por participar de determinado plano estará assumindo um risco que poderá resultar em futuros prejuízos financeiros. Se trata, portanto, de situação que, a meu ver, se afasta do pagamento de verbas salariais que ocorrem rotineira e independentemente da deliberação subjetiva do funcionário, e que assim o são, em sua essência, desatreladas da possível assunção de riscos ou mesmo de eventuais prejuízos, figura alheia a remuneração decorrente do trabalho. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 62 E no presente caso, ao efetuar o lançamento, o fiscal também considerou tais elementos afetos a natureza de um contrato de STOCK OPTIONS. Tanto o foi que assim apontou o fiscal no item 11 de seu relatório fiscal: O preço de exercício é o preço a pagar para se obter a ação quando a opção é exercida, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Caso o desconto ou prêmio seja significativo a ponto de eliminar o risco da operação futura, a concessão poderá enquadrarse como salárioutilidade. A existência de risco é de fundamental importância na caracterização mercantil de qualquer relação contratual. Ou seja, dessa forma, já nos é possível depreender que há um elemento essencial para diferenciação entre o caráter mercantil e remuneratório de um plano de Stock Option, qual seja, a existência de um risco real na operação que deverá ser suportado pelo empregado. E um dos elementos a caracterizar a existência deste risco, remonta a análise da diferença entre o preço de mercado da ação e o preço de exercício da opção. Esta diferença não pode ser fixada de maneira que o risco da operação venha a ser anulado ou altamente minimizado. Além do elemento preço, tenho que para os fins da legislação previdenciária, as partes deverão, ainda, valerse de mecanismos que da mesma forma reflitam que a tratativa firmada possui critérios que ensejem o reconhecimento de uma típica relação civil bilateral e sinalagmática, e não simplesmente retributiva ou contraprestacional do trabalho. E diante da situação fática do presente processo, já explicitada na transcrição do relatório fiscal acima, achou por bem o fisco configurar os pagamentos como verbas salariais, pois vislumbrou que a forma de execução do plano resultou em risco mínimo ao empregado/colaborador, além de possuir mecanismos que evitam o desembolso de quantias pelos mesmos, configurando que o explícito objetivo do plano, em verdade era o de garantir ao empregado uma remuneração disfarçada. Em que pesem referidos argumentos, não compartilho do entendimento, motivo pelo qual peço licença a eminente relatora para divergir dos bem lançados fundamentos de seu voto. Num primeiro momento, tenho inclusive como afastada pela própria relatora a argumentação do fiscal no sentido de que sentenças trabalhistas demonstrariam a natureza salarial da verba, motivo pelo qual deixo de considerar tal ponto na presente oportunidade. Ademais, o fiscal apontou que a concessão de empréstimos aos funcionários teria o condão de evitar que os mesmos não tivessem desembolso de quantias e permitiria a todos a adesão ao plano. Ressalto, à primeira vista, que tal situação não se verifica em relação ao plano de 2009, conforme documento às fls. 148/162, o qual veio em substituição a planos anteriores em decorrência da crise mundial apontada como justificativa em sua realização. Noutro giro, a concessão de empréstimos não garante a todos adesão incondicional ao plano. Tratase, conforme apontado e reconhecido no próprio lançamento, de efetivos empréstimos, com a correspondente cobrança de juros e correção monetária de cada um dos colaboradores. A mera existência do mecanismo de empréstimo, a meu ver, não permite a conclusão adotada pela fiscalização. E digo isso exatamente pelo fato de que com o exercício de tal opção, o colaborador vai ficar sujeito a um desembolso financeiro maior do que Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 33 63 aquele caso efetivasse a opção sem o uso de referido mecanismo, estando sujeito, inclusive, a um desconto compulsório para a quitação de referidas parcelas em folha de pagamento ou mesmo do desconto de 50% (cinquenta) por cento dos valores de sua remuneração variável a ser recebida. Confirase, a propósito a Cláusula Quarta (fls. 239): CLÁUSULA QUARTA. CONTRIBUIÇÃO PARA AQUISIÇÃO ATRAVÉS DO PROGRAMA DE REMUNERAÇÃO VARIÁVEL. A outorga da opção de aquisição das Ações está condicionada a que o Beneficiário destine, para o pagamento dos Valores de Contribuição, parte da Remuneração Variável, nos termos desta Cláusula. 4.1. Se na data em que o Beneficiário receber a Remuneração Variável houver Lotes Incorporados não integralmente pagos, o Beneficiário deverá utilizar pelo menos 50% (cinqüenta por cento) da Remuneração Variável, já líquida de imposto de renda e outros encargos, na amortização dos referidos Lotes Incorporados, ficando a Companhia, ou suas subsidiárias ou coligadas, conforme o caso, desde já autorizadas e instruídas (mas não obrigadas) a reter, especificamente para tal fim, o percentual indicado. O que justificaria a adesão, portanto, não seria, diante do caso em concreto, o fato da recorrente conceder os empréstimos, mas sim a análise feita por cada um dos colaboradores se mesmo com a concessão do empréstimo, entendiam que se tratava de um negócio que lhe gerasse ou pudesse lhes gerar ganhos financeiros, já que, pelos termos do contrato, continuaria obrigado a efetuar o pagamento subsidiado. Ou seja, mesmo com o empréstimo, a adesão ficava condicionada exclusivamente a deliberação própria do colaborador. Também não vislumbro que a concessão dos empréstimos minimizaria o risco inerente à operação. Ora, o risco do colaborador/empregado vir a auferir prejuízos financeiros continua a existir, por se tratar de questão que não influencia no preço das ações cotadas no mercado, portanto, sujeitos a outros fatores econômicos e mercadológicos totalmente alheios ao fato de terse efetuado o empréstimo. Ao contrário, quando o empregado contrai um empréstimo para fazer a compra, seu risco, de certo modo, pode até ser considerado como maior do que aquele que fez um dispêndio a vista, pois se o valor das ações despenca no mercado, ainda irá ficar obrigado a arcar com os juros e correção monetária incidentes na operação. A concessão do empréstimo tampouco elidiu os empregados do pagamento dos valores de aquisição, gerandolhes uma vantagem incondicional ou mesmo gratuita pelo empregador, mas apenas os postergou, como pode ocorrer em qualquer outro negócio jurídico. Interessante frisar que o programa de Stok Options constante nos autos tinha como condições específicas as seguintes determinações: 1. Para que o empregado ingresse no programa deve adquirir 10% do lote inicial de ações, por preço préfixado; Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 64 2. Com a aquisição dos 10%, passa a deter o direito de aquisição de efetuar, a cada ano, contribuições para a aquisição de 18% do número total de ações pelo preço préfixado quando da aquisição dos 10%; 3. Ao final do 5º ano o Beneficiário terá incorporado ao seu patrimônio o direito a efetuar contribuições para a aquisição de 100% das ações; Tais condições, a meu ver, demonstram e reforçam que o exercício de qualquer direito que possa vir a gerar vantagens para o empregado originase exclusivamente de sua vontade, e não da vontade do empregador propriamente dito, que simplesmente mantém o pacto firmado no sentido de garantirlhe o direito a contribuir na compra de ações, mas, somente, se assim for da vontade do empregado/colaborador beneficiário do plano. Outrossim, da análise dos contratos juntados aos autos, percebese que além do colaborador deter a possibilidade de efetuar sua opção pela adesão ao Programa, existe um período no qual as ações não poderiam ser cedidas (Programas de 2005 a 2009). Confirase o teor da cláusula 10ª, a seguir: CLÁUSULA OITAVA. LIBERAÇÃO DAS AÇÕES EMITIDAS PARA VENDA. Exceto na forma dos itens 10.3 (aposentadoria), 11.1 (falecimento) e 12.1 (invalidez permanente), o Beneficiário ou seus sucessores não poderão ceder, transferir ou de qualquer forma alienar as Ações, bem como bonificações, desdobramentos, subscrições e outros direitos delas decorrentes, antes de completado o 2º (segundo) aniversário de celebração do presente Contrato. Dessa forma, o fato de não poderem ser comercializadas, mesmo que o empregado tenha contribuído para sua aquisição, não traduz, a meu ver, que no momento da aquisição ao lote incorporado, este tenha auferido qualquer vantagem, mas somente no momento em que permitida/liberada a negociação das ações, pois havia condição a ser implementada para que estivesse presente a vantagem que justificou a tributação (diferenças de preços das ações), o que também não fora observado pelo fiscal autuante. Também ressalto que em casos de rescisão do contrato de trabalho a que o mesmo der causa, ele perderá os direitos que detém sobre o programa, perdendo valores eventualmente gastos com a aquisição dos direitos às ações de Lotes já Incorporados. Sobre o assunto, confirase o teor de sua cláusula NONA, que trata sobre a rescisão do contrato de STOCK OPTIONS: CLÁUSULA NONA. FIM DO CONTRATO DE TRABALHO OU DO MANDATO DO BENEFICIÁRIO. Cessada, por qualquer razão, a relação de emprego entre a Companhia, suas coligadas e/ou controladas, e o Beneficiário, ou o mandato de administrador do Beneficiário, exceto nos casos previstos nas Cláusulas Décima (aposentadoria), Décima Primeira (falecimento) ou Décima Segunda (invalidez permanente), aplicarseá o previsto nesta Cláusula. 9.1. Caso (i) o contrato de trabalho do Beneficiário tenha sido encerrado por justa causa, como definida na legislação trabalhista, ou (ii) o mandato de administrador do Beneficiário tenha sido encerrado por motivo que constitua justa causa na forma da mesma legislação, o Beneficiário perderá automaticamente (a) o direito a efetuar a Contribuição para Aquisição referente a Lotes Incorporados porventura ainda não Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 34 65 contribuídos, ainda que não tenha decaído do direito de efetuar a Contribuição para Aquisição na forma do item 2.2, bem como (b) a expectativa de futura incorporação dos Lotes Não Incorporados à data. [...] 9.3. Não haverá qualquer pagamento ou indenização ao Beneficiário (i) por conta das Ações integrantes de Lotes Incorporados, cujo direito à contribuição o Beneficiário tenha perdido em decorrência do previsto no item 9.1 acima, nem (ii) por conta das Ações integrantes dos Lotes Não Incorporados, cuja expectativa de futura incorporação o Beneficiário tenha perdido em decorrência do previsto nos itens 9.1 ou 9.2.2 acima, extinguindose de pleno direito a opção concedida em qualquer hipótese de extinção do contrato de trabalho ou do mandato do administrador Beneficiário, exceto se a extinção do contrato de trabalho ou do mandato se der em decorrência das hipóteses previstas nas Cláusulas Décima Primeira (falecimento) e Décima Segunda (invalidez permanente). E em casos de rescisão do contrato de trabalho por iniciativa da recorrente, digase, sem justa causa, ou mesmo quando o empregado/colaborador beneficiário peça demissão da empresa, este manterá os direitos a lotes já incorporados. Ou seja, poderá exercer a aquisição mesmo com o seu contrato de trabalho extinto. O contrato também prevê a cominação de multa em favor da parte inocente relativamente ao adimplemento de qualquer das obrigações nele previstas. Confirase: CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA. MULTA. A Parte que infringir as obrigações contratuais incorrerá no pagamento à Parte inocente, além daquilo a que por este Contrato se obrigou, de uma multa cominatória não compensatória e irredutível no valor total equivalente a 10% (dez por cento) do total do Valor de Contribuição para aquisição do total das Ações, bem como todas e quaisquer despesas judiciais ou extrajudiciais em que a Parte inocente incorrer, inclusive os honorários de advogados à razão de 20% (vinte por cento) sobre o valor da dívida se e quando houver ajuizamento de qualquer ação judicial. De fato, a meu ver, é um contrato sinalagmático, que enseja obrigações de ambas as partes envolvidas, todavia, somente se o empregado beneficiário fizer a opção pelo programa. E mesmo assim, em cumprindo todas as obrigações, não há garantias de que a opção irá gerar obrigatoriamente um ganho ao empregado, que fica a margem da variação do valor das ações no mercado. Entendo, portanto, que no presente caso não se trata de uma situação na qual o empregador incondicionalmente, garanta ao seu empregado determinada vantagem ou benefício em decorrência do contrato de trabalho, seja pelo fato de que existe no presente caso a figura da assunção do risco de prejuízos decorrentes de opção exercida unicamente pelo empregado e o desembolso financeiro de valores de exercício relativamente semelhantes, porém menores que os valores de mercado, para que então pudesse vir a fazer parte do programa, não tendo sido agraciado, no caso, com valor do exercício ao direito de aquisição de ações por preço vil. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 66 E nas palavras do professor Sérgio Pinto Martins: “a Stock Option é a possibilidade de o empregado ter a opção de aquisição de ações da empresa por um preço em média abaixo do mercado e vendêlas com lucro.” Dessa forma a fixação de um preço de exercício, em valor menor que o de mercado, em meu entendimento, também é figura inerente ao programa de STOCK OPTIONS, aliado ao fato da existência do risco suportado pelo empregado, bem como de sua independência e facultatividade na aquisição das ações. E da verificação nos autos das diferenças constantes nas planilhas que sustentaram o lançamento, verificase que estas não estão demasiadamente distantes dos valores de mercado que a época da opção eram praticados. Também no que se refere a minimização dos riscos, verifiquei dos autos que o Programa 2009, que visava substituir os de 2007 a 2008 foi lançado com o preço de exercício de R$ 11,00 por Unit, ao passo em que o preço de mercado na data era de R$ 12,35, ou seja, R$ 1,35 (hum real e trinta e cinco centavos) maior. Tal diferença, a meu ver, no presente caso, não pode ser traduzida como em patamar apto a caracterizar eliminação do risco ou mesmo uma diminuição significativa. Ora, o preço negociado é muito semelhante ao preço de mercado, que se mantido sem qualquer desconto, de fato não seria nem um pouco chamativo para que o empregado viesse a ingressar no novo plano. Seria muito mais fácil que adquirisse as ações em bolsa e as negociasse no mercado como bem entendesse, de modo que sob tal ótica não seria necessária a criação do plano ou mesmo sua manutenção para realização de sua finalidade, que é inclusive de manter o funcionário de alto nível dentro da empresa e obviamente com a consciência de que o empregado passa a ser acionista da empresa, certamente este buscará melhores resultadosno seu diaadia de trabalho. Até mesmo a própria necessidade da modificação do programa deuse pelo fato do empregado beneficiado terse sujeitado a riscos na opção, diante da crise mundial, argumento este que sequer chegou a ser contestado pelo fiscal autuante, mas, ao contrário, efetivamente aceito. Todavia, ressalto que na ata que cancelou os contratos e criou o Programa 2009, restou claro que o cancelamento dos contratos dos programas 2007 e 2008, aplicouse exclusivamente aos contratos em vigor naquela data (2009) e relativamente a todos “os Lotes não Incorporados até esta data, bem como os Lotes Incorporados a cujo respeito o Beneficiário não tenha efetuado por qualquer motivo a correspondente Contribuição para Aquisição”. Logo, sobre os lotes já incorporados e sobre os quais tenha o empregado feito a respectiva contribuição para aquisição, este continuou a sofrer os efeitos da crise. Ainda sobre o assunto esclareço que o programa de 2010 sequer foi objeto de lançamento nos autos do presente processo, motivo pelo qual deixo de considerar qualquer questão relativa aos seus termos e condições, uma vez que não foram efetivamente praticados nos períodos objeto do presente lançamento. Com relação a retenção do valor de exercício pela recorrente, ressalto que o fiscal não apontou em seu relatório um caso sequer no qual tal opção veio a ser exercida por qualquer dos beneficiários, de modo que por este motivo não posso entender que tal cláusula tenha sido relevante como meio de minimizar a assunção de riscos pelos empregados na forma como fora efetuado e conduzido o lançamento. Diante do quadro fático constante dos autos, não vislumbro que as condições trazidas como fundamento do lançamento tenham descaracterizado o programa objeto da Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401003.045 S2C4T1 Fl. 35 67 análise, de modo a extinguir ou minimizar os riscos e garantir ao empregado uma vantagem incondicional em decorrência do trabalho. O programa não é obrigatório, nem mesmo extensível a todos, somente dele fazendo parte aqueles que assim optarem e cumprirem todas as regras atinentes à aquisição das ações, decidindo, ainda, qual o momento certo para adquirí las ou mesmo negociálas, dentro dos prazos e limites fixados no contrato, assumindo os ônus de sua opção, além do dispêndio (investimento) para vir a apurar ganhos, se for o caso. Em meu sentir, todas as características específicas de execução do plano dirigemse a uma forma não simplesmente de retribuir trabalho, como em outros casos rotineiramente analisados por esta Eg. Turma, mas de efetivamente criar um mecanismo de manutenção dos optantes dentro do quadro de funcionários da empresa e melhora de seu desempenho, agora como acionistas, o que depende, repitase, da vontade de participação e deliberação do próprio funcionário, mesmo que sua escolha a participar do programa tenha sido baseada em metas préestipuladas. Ante todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digi talmente em 01/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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