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Numero do processo: 10830.001868/2003-69
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
EXERCÍCIO: 1999
PRELIMINAR. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF. INSTRUMENTO DE FISCALIZAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001.
A alteração do §3º do art. 11 da Lei 9.311/96 pelo art. 1º da Lei 10.174/2001, permitindo a utilização de dados relativos à CPMF, retroage aos fatos pretéritos à sua vigência, por caracterizar mera ampliação dos instrumentos de fiscalização, estando em consonância com a regra do §1º do art. 144 do CTN.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 106-17.075
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, vencidos os Conselheiros Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Ana Paula Locoselli Erichsen (suplente convocada) e Gonçalo Bonet Allage. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Sérgio Galvão Ferreira Garcia
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Numero do processo: 10768.015214/2001-51
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: FINSOCIAL.
DECADÊNCIA. FINSOCIAL. A partir da Lei 8212 de 24de julho e 1991 é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído o prazo decadencial para lançamento da contribuição para Finsocial. Antes do advento da referida lei, o prazo decadencial era o previsto na regra geral do artigo 150, § 4º do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 301-32.668
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do terceiro conselho de contribuintes,por unanimidade de votos,negar provimento ao recurso,na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Numero do processo: 13609.000765/2005-65
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - FALTA
DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE.
A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não
possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a
responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas fisicas, as
quais não interpuseram recurso voluntário. A falta de interesse de agir se
evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa
matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E,
por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a
ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não
podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de
conhecer desse pedido.
NULIDADE DO LANÇAMENTO - DIVERSOS AUTOS DE INFRAÇÃO
EM UM ÚNICO PROCESSO - INOCORRÊNCIA.
Não é causa de nulidade a reunião de vários autos de infração em um mesmo
processo se, como é o caso, a apuração de infração a um tributo implica
também a exigência de outros tributos, todas dependentes dos mesmos
elementos de prova e, ainda, a legislação vigente por ocasião dos
lançamentos albergava expressamente essa possibilidade.
NULIDADE DO LANÇAMENTO - DESATENDIMENTO AO ART. 10
DO PAF - INOCORRÊNCIA.
Não restando comprovado o descumprimento das determinações do art. 10 do
Decreto n° 70.235/1972, e corretos o enquadramento legal e a descrição dos
fatos, de tal forma a permitir a compreensão das infrações e a ampla defesa,
não se há de declarar a nulidade do lançamento MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO.
Caracteriza a sonegação a que se refere o art. 71 da Lei n° 4.502/1964 a conduta do contribuinte que, ao longo de todos os meses de dois anos, de forma reiterada, ofereceu à tributação percentual diminuto de suas receitas, com o intuito inequívoco de esquivar-se à tributação, além de permanecer na sistemática do SIMPLES e manter a aparência de regularidade fiscal. Irrelevante se as receitas se encontravam escrituradas. A tentativa de ocultação se deu mediante a entrega de declarações em que constavam valores muito inferiores aos escriturados. Nessas condições, é de se manter a
multa de 150% aplicada
Numero da decisão: 1301-00.068
Decisão: ACORDAM os membros da 3° câmara / 1° turma ordinária da primeira
seção de julgamento, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos argumentos quanto a responsabilidade das pessoas físicas, rejeitar as preliminares argüidas e no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Jacinto do Nascimento, Leonardo Henrique M. de Oliveira e José Carlos Passuello que davam provimento parcial para reduzir a multa para 75%.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas fisicas, as quais não interpuseram recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. NULIDADE DO LANÇAMENTO - DIVERSOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM UM ÚNICO PROCESSO - INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade a reunião de vários autos de infração em um mesmo processo se, como é o caso, a apuração de infração a um tributo implica também a exigência de outros tributos, todas dependentes dos mesmos elementos de prova e, ainda, a legislação vigente por ocasião dos lançamentos albergava expressamente essa possibilidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO - DESATENDIMENTO AO ART. 10 DO PAF - INOCORRÊNCIA. Não restando comprovado o descumprimento das determinações do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, e corretos o enquadramento legal e a descrição dos fatos, de tal forma a permitir a compreensão das infrações e a ampla defesa, não se há de declarar a nulidade do lançamento MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO. Caracteriza a sonegação a que se refere o art. 71 da Lei n° 4.502/1964 a conduta do contribuinte que, ao longo de todos os meses de dois anos, de forma reiterada, ofereceu à tributação percentual diminuto de suas receitas, com o intuito inequívoco de esquivar-se à tributação, além de permanecer na sistemática do SIMPLES e manter a aparência de regularidade fiscal. Irrelevante se as receitas se encontravam escrituradas. A tentativa de ocultação se deu mediante a entrega de declarações em que constavam valores muito inferiores aos escriturados. Nessas condições, é de se manter a multa de 150% aplicada
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n0 13609.000765/2005-65 Recurso n° 154.762 Voluntário Acórdão n° 1301-00.068 — 3' Câmara I 1' Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS - EX: 2003 Recorrente DATAPRINT LTDA. Recorrida 4' TURMA I DRJ BELO HORIZONTE / BH Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas fisicas, as quais não interpuseram recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. NULIDADE DO LANÇAMENTO - DIVERSOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM UM ÚNICO PROCESSO - INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade a reunião de vários autos de infração em um mesmo processo se, como é o caso, a apuração de infração a um tributo implica também a exigência de outros tributos, todas dependentes dos mesmos elementos de prova e, ainda, a legislação vigente por ocasião dos lançamentos albergava expressamente essa possibilidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO - DESATENDIMENTO AO ART. 10 DO PAF - INOCORRÊNCIA. Não restando comprovado o descumprimento das determinações do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, e corretos o enquadramento legal e a descrição dos fatos, de tal forma a permitir a compreensão das infrações e a ampla defesa, não se há de declarar a nulidade do lançamento. fr Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 2 MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO. Caracteriza a sonegação a que se refere o art. 71 da Lei n° 4.502/1964 a conduta do contribuinte que, ao longo de todos os meses de dois anos, de forma reiterada, ofereceu à tributação percentual diminuto de suas receitas, com o intuito inequívoco de esquivar-se à tributação, além de permanecer na sistemática do SIMPLES e manter a aparência de regularidade fiscal. Irrelevante se as receitas se encontravam escrituradas. A tentativa de ocultação se deu mediante a entrega de declarações em que constavam valores muito inferiores aos escriturados. Nessas condições, é de se manter a multa de 150% aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" câmara / 1' turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos argumentos quanto a responsabilidade das pessoas fisicas, rejeitar as preliminares argüidas e no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Jacinto do Nascimento, Leonardo Henrique M. de Oliveira e José Carlos Passuello que davam provimento parcial para reduzir a multa para 75%. J•OVIS ES ' residente ir,../.7..ed WALDIR VE A ROCHA Relator Formalizado em: 19 JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros. Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. 2 Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 3 Relatório DATAPRINT LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 02-11439, de 18/08/2006, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/BH, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, datados de 26/08/2005, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 271), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl. 277), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) (fl. 291) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl. 284), acrescidos de multa de oficio de 150%, além de juros de mora, perfazendo o crédito tributário de RS 5.169.514,53, tudo relativo ao ano-calendário 2002, conforme demonstrativo consolidado de fl. 03. Sustenta a autuante que, para preservar os interesses da Fazenda Nacional, foi imputada responsabilidade tributária aos Srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima - CPF: 702.524.406-68; Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima — CPF: 834.096.298-15; Walmir de Andrade Fadul — CPF: 091.494.656-00 e Rachel Alves de Lima — CPF: 000.050.526-96, pelo crédito tributário apurado em nome de Dataprint Ltda, eis que exerceram a gerência da empresa, inclusive no caso dos três primeiros, sem fazer parte do quadro societário da fiscalizada, lavrando-se os Termos de Sujeição Passiva Solidária, fls. 306, 308, 310 e 312, para estender a estes contribuintes devidamente qualificados nos termos dos artigos 121, inciso II e 124, inciso I da Lei n°5.172, de 1966 — CTN — a responsabilidade tributária, como solidários, cientificando-os das obrigações resultantes. A empresa tomou ciência dos autos de infração em 06/09/2005, fls. 271, 277, 291 e 284 e os responsáveis solidários em 13/09/2005 e 20/09/2005, fls. 307, 309, 311 e 313. Depreende-se dos Autos de Infração - Descrição dos Fatos e do Termo de Vercação Fiscal às fls. 258/270, que a autuada, optante pelo Lucro Presumido no ano- calendário de 2002, declarou receita em valor inferior àquela escriturada. As diferenças foram constatadas cotejando os valores de receita declarada na DIRPJ/2003 (Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica do exercício 2003, ano-calendário 2002, fls. 09/40) com as escrituradas nos livros fiscais e informadas à fiscalização em 22/11/2004 (fls. 78/98). Intimada a apresentar justificativa a respeito das diferenças apuradas, a autuada reconheceu (fl. 171) como existentes as diferenças de receitas demonstradas nas planilhas de fl. 168 e 169. Ressalta-se que a receita declarada refere-se somente à receita de revenda de mercadorias, sujeita ao percentual de oito por cento (8%), sendo que nenhuma receita de prestação de serviços foi informada. A mesma irregularidade DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO foi apurada no ano-calendário de 2001 (formalizada no processo n° 13609.000763/2005-76), período em que a empresa era tributada com base no SIMPLES. Acerca da qualificação da multa e da representação fiscal para fins penais, afirma a autuante (fls. 264/266, grifos do original): 9 3 * ••• ri ~-SSO n° 13609.00076512005-65 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.068 11.4 O fiscalizado declarou à Secretaria da Receita Federal, valores de receitas muito aquém do real, para todos os meses dos anos-calendário de 2001 e 2002. De forma REITERADA o contribuinte informou ao fisco receitas que variavam entre 4% a 6% do montante real escriturado no Livro Registro de Saídas, no Livro de Apuração do ICMS e no Livro Registro de Serviços Prestados (exceto nos meses de maio e junho de 2002, nos quais foram declarados 7% e 9%, respectivamente, do valor real), conforme demonstrado [...]. [...l. Sendo a empresa de porte razoável, com boa estrutura, afastamos a idéia de erro quando da apresentação das declarações e do pagamento de tributo. Entendemos, [...], que o contribuinte sabia perfeitamente o que estava fazendo. [...]. Intimado a justificar as diferenças apuradas pela fiscalização a empresa [...] RECONHECE COMO EXISTENTES AS DIFERENÇAS DE RECEITAS DEMONSTRADAS NAS PLANILHAS. De todo o exposto, conclui a fiscalização, [...], que foi comprovado o intuito doloso do contribuinte em impedir o conhecimento, por parte do fisco, da ocorrência do fato gerador de tributos federais, quando da apresentação das declarações relativas aos anos-calendário de 2001 e 2002, informando valores de receitas muito inferiores ao real. [...] Restou configurado, portanto, evidente intuito de fraude, justificando a aplicação da multa qualificada, tipificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, qual seja, 150%. Sobre os fatos que levaram o Fisco a atribuir responsabilidade tributária aos Srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima, transcrevo o trecho a seguir, o qual consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 267/270, grifo no original): A empresa Dataprint Ltda foi constituída em 29/01/1998, sendo o quadro societário composto por Sodete Russi dos Santos, CPF 162.239.438-06 e Luzia Rotta, CPF 074.851.888-60 (fls. 49 a 51). Em 30/09/2002 saem da sociedade as Sras. Sodete Russi dos Santos e Luzia Rotta, sendo as cotas transferidas para Rachel Alves de Lima, CPF 000.050.526-96 (participação de 74%), Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima Júnior, CPF 011.883.786-94 (participação de 20%) e Patrícia Morato Fadul, CPF 037.974.756-16 (participação de 6%) (fls. 56 a 59). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°08 (fls. 211 a 213), o Cartório do Registro Civil das Pessoas Naturais - Cartório Souza Machado, do Distrito de Venda Nova em Belo Horizonte, apresentou diversas procurações outorgadas pela empresa fiscalizada, a saber: 28/08/1998, Livro 264, folha 002: instrumento público de procuração constituindo como procuradores da Dataprint, com amplos e gerais poderes para administrar e gerir os negócios da firma (sempre em conjunto de dois), inclusive _0 5abrir e movimentar contas bancárias, o lso Renato Alves de Vasconcelos il, 4 Processo rr 13609.000765/2005-65 SI-C3TI Acórdão n.• 1301-00.068 Fl. 5 Lima - CPF 834.096.298-15, Walmir de Andrade Fadul - CPF 091.494.656-00 e Rachel Alves de Lima - CPF 000.050.526-96 (fl. 215). 28/08/1998, Livro 264, folha 003: instrumento público de procuração constituindo como procurador da Dataprint, com amplos e gerais poderes para administrar e gerir os negócios da firma, inclusive abrir e movimentar contas bancárias, o Sr. Luiz Antonio Vasconcelos Alves de Lima - CPF 702.524.406-68 (fl. 216). 02/07/2001, Livro 203, folha 088: escritura pública de revogação de mandato, revogando os instrumentos de procurações de fls. 02 e 03 do livro 264 (itens acima) (fl. 219); 02/07/2001, Livro 317, folha 017: instrumento público de procuração, com validade até 02 de julho de 2003, constituindo como procurador da Dataprun, com amplos e gerais poderes para administrar e gerir os negócios da firma, inclusive abrir e movimentar contas bancárias, a Sra. Rachel Alves de Lima - CPF 000.050.526-96 (fl. 219); 14/05/2002, Livro 334, folha 096: instrumento público de procuração, sem prazo de validade, constituindo como procurador da Dataprint, com amplos e gerais poderes para administrar e gerir os negócios da firma, inclusive abrir e movimentar contas bancárias, a Sra. Rachel Alves de Lima - CPF 000.050.526-96 (fl. 220); 14/05/2002, Livro 334, folha 097: instrumento público de procuração sem prazo de validade, constituindo como procurador da Dataprint, com amplos e gerais poderes para administrar e gerir os negócios da firma, inclusive abrir e movimentar contas bancárias, o Sr. Walmir de Andrade Fadul - CPF 091.494.656-00 (fl. 221); 14/05/2002, Livro 334, folha 098: instrumento público de procuração sem prazo de validade, constituindo como procuradores da Dataprint, com amplos e gerais poderes para administrar e gerir os negócios da firma, inclusive abrir e movimentar contas bancárias, os Srs. Walmir de Andrade Fadul - CPF 091. 494.656- 00 e Rachel Alves de Lima — CPF 000.050.526-96 (fls 222); Através de Termo de Intimação Fiscal n° 09 (fls. 223 a 226), intimamos a Sra. Sônia Maria Ferraz Bastos, CPF 766.683.206-00 a apresentar cópias de documentos que comprovem a venda, em 2002, de imóvel rural localizado no município de Jaboticatubas/MG, para o contribuinte Dataprint Ltda, assim como, informar quem foi o contato e com quem foram realizadas as negociações para a venda de tal imóvel. Em 04/04/2005 a Sra. Sônia apresentou à fiscalização documento de Promessa de Compra e Venda (f1s219 a 231), assinado em 18/03/2002, constando como vendedora a Sra. Sônia Maria Bastos Ferreira e como compradora, Dataprint Ltda O objeto do instrumento foi a venda de imóvel rural em Jaboticatubas/MG. Importante observar, que quem assinou tal Promessa de Compra e Venda, pelo lado da compradora, foi a Sra. Rachel Alves de Lima, que até então não fazia parte, ainda, do quadro societário da fiscalizada, tendo agido acobertada por instrumento público de procuração. Complementando resposta já apresentada, a Sra. Sônia Maria encaminhou carta à fiscalização afirmando que toda a negociação da venda do imóvel rural foi feita com o Sr. Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, o qual se apresentou como "sócio-fundador" da empresa fls. 234 a 235. 9 t 5 • Processo n° 13609.000765/2005-65 S1-C3T1 Acórdão n, 1301-00.068 Fl. 6 Em 12/04/2005 compareceram Delegacia da Receita Federal de Sete Lagoas a Sra. Rachel Alves de Lima, acompanhada do seu pai, o Sr. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima. Conforme Termo de Declaração lavrado na ocasião (fls. 161 a 164) a Sra. Rachel declarou: Que é administradora de empresas; Que a sua única fonte de renda, de aproximadamente R$1.500,00, é a Dataprint Ltda; Que já trabalhou na empresa Metalplan Ltda; Que já foi funcionária da Dataprint Ltda; Que a sua participação na Dataprint Ltda é de 74%, e que recebeu tais cotas por doação; Que as sócias anteriores, Sodete Russi dos Santos e Luzia Rotta, são suas avós; Que também foi sócia da empresa WWA Imports, CNPJ 03.594..953/0001 - 13. Que tal empresa era do seu ex-marido, o Sr. Walter Costa Amaral Junior, e que já não faz parte da sociedade há aproximadamente um ano e meio; Que atua na área financeira da Dataprint; Que quem assina pela empresa é ela, isoladamente, ou os dois outros sócios, em conjunto; Que já outorgou procurações a terceiros, com poderes específicos para representarem a empresa em concorrências públicas; Que nunca assinou qualquer documento sem conhecimento do seu teor; Que o principal mentor da empresa é o seu pai, o Sr. Luiz Antonio Vasconcelos Alves de Lima. O Sr. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima declarou: Que por estar impedido de exercer atividade mercantil, devido a processo falimentar da empresa Metalplan, CNPJ: 21.178.562/0001-37, não está à frente das atividades da Dataprint; Que tal impedimento encerra-se em maio de 2005; Que de fato a Dataprint é de sua propriedade, mas que fez constar sua filha, Rachel Alves de Lima, como sócia majoritária da empresa, de forma a representá-lo; Que o mesmo acontece com os Srs. Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima e Walmir de Andrade Fadul, o primeiro pai de Celso Renato de Vasconcelos Lima Júnior e o segundo tio de Patrícia Morato Fadul, que os substituíram no quadro societário da Dataprint Ltda; Que a empresa Dataprint adquiriu, em 2002, uma fazenda no município de Jaboticatubas, com objetivo de desenvolver projeto de reflorestamento; Que a empresa Pinus Co • estedora de Papel Ltda, que funciona no mesmo endereço da Dataprint Lt s. . ,dor .. strada pela sua esposa, Sra. Vera Lúcia dos 41, /ft 6 Processo n°13609.000765/2005-65 SI-C3TI Acérdào n.° 1301-00.068 Fl. 7 Santos Lima, e que presta serviço de mão-de-obra única e exclusivamente para a Dataprint Ltda; Que o faturamento mensal atual da Dataprint Ltda gira em tomo de aproximadamente 4,5 milhões de reais; Que alguns dos principais fornecedores da Dataprint são: Nobrecei, Aracruz Celulose, Cenibra, Lwarcel, Ripasa e VCP; Que alguns dos principais clientes da Dataprint são: Correios, Banco do Brasil e BRB; Que é proprietário de cotas das empresas Cadergraf Convertedora de Papeis Ltda, localizada em Pirassununga/SP e Datapel Ltda, localizada em Guarulhos/SP; Que as Sras. Luzia Rotta e Sodete Russi dos Santos foram incluídas no quadro societário da empresa, quando da sua constituição, pelo fato dele (Sr. Luiz Antonio) e dos Srs. Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima e Walmir de Andrade Fadul estarem impedidos. Percebe-se, pelas declarações, que o Sr. Luiz Antônio conhece bem os negócios da Dataprint Ltda. Em 31/05/2005 o Sr. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima apresentou cópia da publicação da decretação da falência da Metalplan Ltda (fls. 239 a 240), que, segundo o contribuinte, foi motivo do impedimento ao exercício de atividades mercantis. Enviamos ao Sr. Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 12 (fls. 241 a 244) dando ciência ao mesmo das declarações prestadas pela Sra. Rachel e pelo Sr. Luiz Antônio e solicitando manifestação, caso entendesse necessário. Tal termo foi respondido em 23/05/2005 (fls. 245 a 247). Foi confirmada a ciência do Termo de Declaração e apresentada cópia da declaração de falência da firma Metalplan. Enviamos ao Sr. Walmir de Andrade Fadul o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n.° 13 (fls. 248 a 251), dando ciência ao mesmo das declarações prestadas pela Sra. Rachel e pelo Sr. Luiz Antônio e solicitando manifestação, caso entendesse necessário. Tal termo foi respondido em 23/05/2005 (fls. 252 a 253). O contribuinte confirmou a ciência do Termo de Declaração e afirmou, ainda, que não existe, para o seu caso, impedimento para o exercício de atividade mercantil. Cumpre ressaltar que o Mandado de Procedimento Fiscal e o Termo de Início de Fiscalização foram assinados pelo Sr. Wahnir de Andrade, o qual, munido de procuração, foi cientificado do início da ação fiscal. Quanto aos antigos sócios, Sodete Russi dos Santos e Luzia Rotta e aos atuais sócios Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima Júnior e Patrícia Morato Fadul, conclui a fiscalização, s.m.j., que os mesmos pouco participaram da administração da empresa As duas primeiras são avós da atual sócia Rachel Alves de Lima, conforme a mesma informa no Termo de Declaração, e, consoante consultas aos sistemas da SRF, possuem condição financeira insignificante. O Sr. Celso Alves de Vasconcelos Lima Júnior é filho de Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, constando como dependente na DIRPF do pai, e é, inclusive, funcionário da Dataprint, conforme consta no Livro Registro de Empregado na 02, folha 92 (fls. 159 a 160), e no CNIS - Cadastro Nacional de Informações Sociais, da Previdência Social (fls. 19,4, a 196 A Sra. Patrícia Morato Fadul é sobrinha de Walrnir de Pie 7 • Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3TI Acórdão n, 1301-00.068 Fl. 8 Andrade Fadul e é funcionária da empresa RM Sistemas Ltda, CNPJ 21.867.387/0001-58, conforme CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais, da Previdência Social (fls. 197 a 199). A Sra. Rachel Alves de Lima consta como responsável perante a SRF desde 14/10/2002. Também é dela as assinaturas constantes nos livros fiscais registrados na AF de Lagoa Santa/MG e na Prefeitura Municipal de Lagoa Santa/MG (Anexo I, fls. 02, 28 e 55). Destarte, imputamos a responsabilidade solidária, aos Srs. Luiz António Vasconcelos Alves de Lima — CPF 702.524.406-68, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima - CPF 834.096.298-15, Wahnir de Andrade Fadul — CPF 091.494.656-00 e Rachel Alves de Lima — CPF 000.050.526-96, pelo crédito tributário apurado em nome do contribuinte Dataprint Ltda. Conforme demonstrado acima os mesmos exerceram a gerência da empresa, inclusive, no caso dos três primeiros, sem fazer parte do quadro societário do fiscalizado. Para preservar os interesses da Fazenda Nacional, utilizando Termo de Sujeição Passiva Solidária, estendemos a notificação deste Termo de Verificação Fiscal, assim como dos Autos de Infração, aos contribuintes supra citados, qualificados nos termos dos artigos 121, inciso II e 124, inciso! da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEIS pelo crédito tributário constituído, cientificando-os das obrigações resultantes. Inconformada com os autos de infração, a interessada, devidamente representada, apresentou, em 06/10/2005, fl. 363, impugnação separada para cada auto de infração, porém com idêntico conteúdo e cada uma delas acompanhada de documentação de igual teor (fls. 318 a 499). Também inconformados com a condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário apurado em nome de Dataprint Ltda, em 07/10/2005, os Srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima apresentaram, cada um, impugnação, fls. 500 a 554, de conteúdo idêntico e com as mesmas razões expostas pela empresa. Eis as alegações dos impugnantes, conforme sintetizadas pelo relator do acórdão recorrido: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Argumentando que o Termo de Verificação Fiscal faz parte integrante do auto de infração transcreve-o assim como todo o auto de infração e os dispositivos legais nele indicados, fls. 318 a 362, e que exercitando seu direito ao contraditório e ampla defesa previstos na Constituição Federal, impugna todos os pontos controvertidos dos autos para que não ocorra a preclusão aludida pelo artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também afirma que nunca houve intenção de fraude. Das Preliminares: 1- Nulidade da autuação fiscal. Requer a impugnante a nulidade do auto de infração porquanto o mesmo desatende o disposto no artigo 10 e seus incisos, do Decreto 70.235 de 06/03/1972, caracterizando cerceamento de defesa, eis que indica de maneira _rgenérica os dispositivos legais sem qual inciso ou parágrafo se refere. Também , 8 e Processo e 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão ft° 1301-00.068 Pl. 9 alega que a sanção aplicável não pode ser mantida porque não encontra amparo legal correspondente. 2- Da correção do débito pela taxa Selic. Admite a ausência de previsão legal para esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte —DRJ/13HE - decidir sobre a constitucionalidade ou não da aplicação da taxa Selic (eis que não foi criada e nem autorizada a sua aplicação por lei complementar) para correção dos créditos tributários, porém, por extrema cautela, e já "formatando suas razões de pedir em sede de ação anulatória de débito fiscal ou mesmo em sede de embargos a execução", impugna a aplicação da Selic. Assevera que a melhor doutrina indica que para que os juros de mora não sejam calculados à taxa de 1% ao mês é necessário que a lei disponha qual o valor da taxa de juros que será aplicada, para que o contribuinte saiba proceder ao cálculo do seu quantum devido. 3 — Da inclusão dos Srs Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves Vasconcelos de Lima e Wahnir Andrade Fadul, na condição de responsáveis solidários. 3.1 Dataprint Ltda. Aduz a ausência do devido processo legal de que trata o texto constitucional, porque as pessoas supra referidas não tiveram ciência da responsabilidade que lhes é imputada e que impugna as inclusões apenas para prevenir direitos ou obrigações que no futuro possam lhe ser impostas por referidas pessoas. Entre suas alegações, indica que o pai da sócia majoritária (Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima) foi incluído na condição de responsável solidário ao arrepio da lei, eis que os procedimentos utilizados incidiram em excesso: as declarações colhidas se deram por coação psicológica, além de ferir o sigilo fiscal intimando os Srs Celso Renato Alves Vasconcelos de Lima e Walmir Andrade Fadul a tomar ciência de tais declarações; todo o procedimento visou, unicamente, incluir as pessoas fisicas já referidas, como responsáveis solidários uma vez que não houve sonegação fiscal: a receita real da empresa foi declarada ao fisco estadual, municipal e quando solicitada, ao fisco federal. Afirma que não importa e tampouco interessa à autoridade fiscal se os sócios da fiscalizada compraram ou receberam por doação as suas quotas, se outorgaram procurações ou mesmo quem seja o mentor intelectual da empresa; o direito de outorgar poderes por meio de procurações encontra amparo nos arts. 653 e seguintes do CCB, alterado pela Lei n° 10.406/2002, não se confundindo procuradores por meio de mandato com os administradores de que tratam o artigo 47 do mesmo CCB. Impugna todas as declarações dos pais dos sócios alegando vicio de vontade - o temor infundido pelo fisco aliado aos procedimentos adotados pelos fiscais autuantes induziram na assinatura de documentos que não representam a verdade dos fatos; os verdadeiros proprietários administradores são aqueles constantes dos contratos sociais, onde declaram que a empresa é gerida e administrada por eles. Contesta a inclusão na relação processual da figura das pessoas fisicas já referidas, com fundamento nos artigos 121, II e 124, I, ambos da Lei n° 5.172/66, porque não se aplicam às hipóteses de responsabilidade solidária: a) ausência da previsão legal aludida no inciso lido artigo 121, b) inexistência de interesse comum de que trata o inciso Ido artigo 124, c) o responsável solidário aqui imp apenas permanece na condição de procurador '7 9 • Processo n° 13609.00076512005-65 SI-C3T1 Acórdão n? 1301-00.068 Fl. 10 através de mandato d) confissão explícita da Sra Raquel, sua filha, de que é formada em Administração, recebeu as cotas por doação e é sócia majoritária da impugnante. Não se comprova nos autos que os administradores da impugnante tenham agido com excesso de poderes; ao contrário, os fiscais que assim o fizeram, eis que declinando de suas competências funcionais se colocaram na posição de acusadores e juízes, colhendo informações, distribuindo intimações e fornecendo declarações de caráter sigiloso a terceiros e emitindo julgamento tal como o prolatado "intuito de fraude". Transcrevendo jurisprudência, destaca que a lei somente autoriza a inclusão do responsável tributário — aquele que esteve à frente de sua gestão no período que compreende o crédito tributário - em sede de execução fiscal quando a empresa encerra de forma irregular suas atividades, ou os sócios tenham agido com excesso de poderes ou infração à lei. Em sede administrativa não há que se falar em inclusão de sócio na condição de responsável tributário, mormente quando o débito já se encontra garantido pelo arrolamento de bens e estando a empresa em atividade. Alega que a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores, segundo o art. 1.158, §3° do CCB, ocorre com a omissão da palavra "limitada", (na sua razão social) o que não se aplica ao caso. E, conclui: Admitir a tese da (...) fiscalização seria o mesmo que desprezar o instituto da entidade familiar (.) embora o Sr. Luiz Antônio Vasconcelos, seja o principal mentor da empresa Impugnante, não significa dizer que é o seu verdadeiro sócio, não sendo demasiado lembrar, que não se trata de empresa fantasma ou laranja, trata-se de uma empresa em plena expansão, que (.), apresentou irregularidades junto ao fisco na insuficiência de recolhimento de impostos, porém, não os sonegou (..) urna vez que apresentou ao fisco, todos os livros fiscais auxiliares devidamente escriturados com a real situação da empresa. Junta cópias de reportagens da revista EXAME, que abordam o "desafio de trabalhar com o pai" e "saber administrar a delicada relação entre o fundador de uma empresa e seus herdeiros". 3.2 Responsáveis Solidários Inconformados, com a condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário apurado em nome de Dataprint Ltda, os Srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima apresentaram, cada um, impugnação, fls. 500 a 554, de conteúdo idêntico e com as mesmas razões expostas pela empresa, enfatizando que: o fato de ter sido procurador da empresa não autoriza sua inclusão na condição de responsável tributário; não ficou comprovado: a utilização de interpostas pessoas no quadro societário ou que as supostas pessoas tenham sido utilizadas para compor o quadro societário infringindo lei ou com propósito de burlar a fiscalização omitindo direitos e obrigações; que os Administradores da Impugnante tenham agido com excesso de deres. io Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 11 Afirma que as supostas pessoas foram efetivamente sócios proprietários da empresa, como o são até hoje, não importando a filiação ou mesmo o grau de parentesco. 4- Do crime contra a ordem tributária: ausência de fraude a justificar aplicação da multa de 150% de que trata o art. 44, II da Lei n° 9.430/96. Descrevendo o procedimento fiscal e a legislação em que foi fundamentada a aplicação da multa de 150%, assegura que em momento algum a empresa deixou de cumprir a legislação. A pecha de omissão dolosa ou mesmo o crime de sonegação fiscal não se aplica à impugnante e tampouco aos seus administradores; seu único "pecado" foi o de não ter tido tempo hábil para refazer sua escrita antes do início do procedimento fiscal, ora impugnado. Discorrendo sobre a história da empresa, com início das atividades em 1998 e optante pelo Simples, sustenta que até o final do ano calendário de 2002 não contava em seu quadro funcional profissional da área de contabilidade capaz de atender a todas as exigências impostas à tributação pelo lucro real, e a época para se evitar ausência de entrega de declaração, ou mesmo deixar de participar de concorrências públicas, optou por fazer as declarações pelo modo mais simples, para em seguida, reorganizar seu departamento contábil, o que de fato aconteceu (...). Salienta que pretendia nos "exercícios de 2001 e 2002" alterar sua forma de tributação do Simples para o Sistema do Lucro Real, pois a empresa cresceu e não mais poderia figurar no regime do Simples Corroborando suas alegações, informa que nos anos de 2003 e 2004 apresentou DIPJ pelo lucro real, e também iria apresentar as declarações retificadoras dos anos-calendário de 2001 e 2002 pelo lucro real com o devido recolhimento das diferenças de impostos ou de compensações na hipótese de recolhimento a maior, utilizando a prerrogativa do artigo 138 da lei n° 5.172, de 1966, alegações amparadas no livro Diário relativo ao ano calendário de 2001, já devidamente refeito e já se iniciando a escrituração do ano-calendário de 2002, quando se deu o inicio do procedimento fiscal. No início de 2003 tomou ciência de que havia sido excluído do simples a partir de 01/01/2002 e agiu de acordo com determinação do artigo 16 da Lei n° 9.317, de 1996, que indica que as empresas excluídas do Simples sujeitar- se-ão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. De todo o procedimento fiscal, verifica-se a total ausência de dolo assim como a prática dos crimes previstos nos artigos 1 0, inciso I e art. 2°, inciso I da Lei n° 8.137, de 1990, e da conduta prevista no artigo 71 da Lei n° 4.502/64: os livros fiscais e a contabilidade foram dados como corretas pela fiscalização; não fez declaração falsa; não omitiu declarações sobre rendas, bens ou fatos; não se eximiu do pagamento do tributo - apenas houve a opção de se manter no Simples pelos motivos já mencionados para após fazer as retificações das declarações. Enfatiza que fraude significa ação praticada de má-fé, falsificação ou adulteração, o que não é o caso presente. Os livros fiscais auxiliares da contabilidade encontram-se em sua forma escorreita e foram apresentados à fiscalização, assim como todas as intimações atendidas, nada tendo sido omitido. Os valores lançados na contabilidade refletem a efetiva venda e entrada de mercadoria; os estoques, as despesas, os lançamentos fiscais, a movimentação financeira, tudo se encontra na mais absoluta correção e em conformidade com a legislação fiscal exceto a diferença de recolhimento do Simples. rffi • Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 12 Cumpriu a legislação municipal, estadual, previdenciária e trabalhista, recolhendo todos os impostos e taxas por ela devidos. Que o fato da empresa ter reconhecido a diferença de receitas demonstradas nas planilhas não significa dizer que reconheceu a sonegação fiscal, ou lucro não declarado, uma vez que pretendia retificar suas declarações. 5- Da retenção dos livros fiscais auxiliares. Os autores do feito retiveram, sem justificativa e fundamentação legal, os livros fiscais originais auxiliares da contabilidade da empresa, devolvendo, apenas, as cópias dos livros fiscais de entrada e saída de mercadoria, apuração do ICMS e ISS, dos anos de 2001 e 2002, ao contrário do previsto no artigo 64 do Decreto 70.235, de 1972. Do Mérito Alega que a fiscalização embora tenha reconhecido, deixou de deduzir da base de cálculo os valores mensais, a título de devolução de vendas, no valor de R$ 322.292,77 contaminando toda a autuação fiscal, consoante quadro de apuração de receitas, fl. 264 do TVF (fl 7 de 13). Alega irregularidade da autuação fiscal que não aferiu se as receitas da atividade gráfica foram geradas pela prestação de serviços gráficos ou se a atividade gráfica provém da própria atividade comercial e industrial da impugnante; textualmente: Por outra senda, se faz imperioso colacionar a irregularidade da autuação fiscal, ao inserir as receitas da atividade gráfica, determinando sobre ela o percentual de 32%, sem contudo aferir se referidas receitas foram geradas pela prestação de serviços gráficos com ou sem fornecimento de material, o que autorizaria a aplicação do percentual de 32%, ou se a atividade gráfica provem da própria atividade comercial e industrial da impugnante, como na hipótese, é o caso da impugnante, que revende industrializa para seus clientes o papel, e o comercializa com o serviço de impressão, cabendo mais na hipótese o beneficiamento de que trata o artigo 4° inciso .11 do regulamento do IPI, bem como a legislação anexa presente e ainda consoante conforme ato declarató rio n°18 COS1T de 27.09.2000, anexo. Do Pedido Seja retificada a capitulação da multa aplicada para o fim de reduzi-la para 75%, com fundamento no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, eis a evidente ausência de má-fé, dolo ou mesmo crime contra a ordem tributária. Sejam excluídos da condição de responsáveis solidários as pessoas fisicas dos Srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima e Waldir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima. Seja expurgado do auto de infração o resultado da atualização monetária calculada pela Selic. /19— 119 12 , Processo n° 13609.000765/2005-65 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 13 Seja restituída à Impugnante os livros fiscais que deram suporte a fiscalização, sendo eles, os livros de entrada e saída de mercadorias, apuração de ICMS e ISS, na forma do que dispõe o artigo 64 do Decreto 70.235, de 1972. Seja reconsiderada a representação fiscal para fins penais, constante do processo 13.609.000766/2005-18, apensada ao processo 13.609.000765/2005-65, por absoluta ausência de comprovação da conduta delituosa, e do devido processo legal de que trata a Constituição FederaL Na possibilidade de procedência parcial, culminando com a correção por parte da autoridade fiscal, dos erros de tipificação e de constituição do crédito tributário, requer a devolução de prazo para possíveis manifestações e adequação da defesa à retificação da autuação, evitando o cerceamento de defesa. Protesta pela produção das provas documentais acostadas aos autos, em atendimento ao artigo 16 do Decreto n°70.235, de 1972. Protesta pela produção de perícia técnica contábil, indicando perito, para apuração e cálculo dos valores efetivamente corretos, eis que os valores constantes da autuação fiscal não se apresentam de forma escorreita, não se sabendo precisar, se os percentuais aplicados nas bases de cálculos se encontram coretos. Os documentos juntados aos autos, pela fiscalização, encontram-se organizados nos anexos I (cópias xerografadas do livro de Registro de Serviços Prestados (2001/2002), Registro de Apuração do ICMS (2001) e Registro de Saídas (2001)) e II (cópias xerografadas do Livro Registro de Apuração do ICMS n° 06 (2002) e Registro Saídas n° 08 (2002)). Os documentos juntados pela impugnante: cópias da 68 alteração contratual, procuração, autuação fiscal, certidão emitida pela Receita Federal, procurações outorgadas por terceiros, termo de constatação fiscal de terceiros, revista Exame; livro Registro de Entradas — 2001; do livro de Registro de Saídas —2001 e do livro de apuração de ICMS e Diário —2001, foram reunidos nos anexos III a XIV: (CSLL: anexos III a V; COFINS: anexos VI a VIII; IRPJ, anexos IX a XI; PIS anexos XII a XIV). A 48 Turma da DRJ em Belo Horizonte/BH analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 02-11439, de 18/08/2006 (fls. 564/586), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 Normas Processuais CONSTITUCIONALIDADE. O julgamento da inconstitucionalidade das leis é matéria privativa do Poder Judiciário e ultrapassa os limites da competência administrativa. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A invocação não minudenciada da norma não caracteriza cerceamento do direito de defesa, mormente quando a impugnante demonstra pleno ior conhecimento dos fat, • 7 reito que lhe foram imputados. i." M.- 13 Processo n° 13609.000765/2005-65 S I-C3 TI Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 14 PROVAS, A impugnação é o momento adequado, definido na lei para a apresentação de documentos e produção de provas. PERÍCIA. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados que não sejam do domínio dos participantes do processo. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento encontra amparo legal, nas hipóteses de ação ou omissão dolosa tendentes impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendá ria da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. JUROS DE MORA - SELIC - Cobram-se juros de mora com a aplicação da taxa SELIC por expressa determinação legaL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 Responsabilidade Tributária. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2002 Lucro Presumido. Atividade Gráfica. Para apuração do lucro presumido aplica-se o percentual de 32% sobre a receita bruta da prestação de serviço. Tributação Reflexa - CSLL - P15— COFINS Os lançamentos reflexos observam o mesmo procedimento adotado no lançamento do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. Ciente da decisão de primeira instância em 06/09/2006, conforme Aviso de Recebimento à fl. 592, a contribuinte Dataprint Ltda. apresentou recursos voluntários em 06/10/2006, separadamente para cada um dos tributos objeto de lançamento: CSLL (fls. 595/611); COFINS (fls. 612/629); PIS (fls. 630/648); e IRPJ (fls. 649/666). Segue breve síntese de suas razões: Afirma que cada uma das autuações tem natureza jurídica própria e fundamentos distintos. Assim, reclama do fato de que a Autoridade Julgadora em primeira instância apreciou as impugnações em conjunto. Aduz que, segundo o § 1° do art. 9° do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 21/11/2005, os autos de infração formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo podem ser objeto de um único processo. No entanto, essa regra não se aplicaria ao presente caso, posto que a autuação se deu em 06/09/2005, devendo reger-se pela lei anteriormente vigente. Por sua ótica, tal procedimento caracterizariacerceamen - - direito de defesa, implicando nulidade do acórdão recorrido. tto u 616- 14 • Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.• 1301-00.068 Fl. 15 Alega a nulidade do lançamento, por desatendánento ao art. 10 e seus incisos do Decreto n° 70.235/1972 e, ainda, por erros e omissões na tipificação das supostas infrações apontadas, alegações rejeitadas em primeira instância. Reclama, também, contra o indeferimento do pedido de perícia, a qual, afirma, serviria para o deslinde da questão suscitada quanto ao correto percentual a ser aplicado à receita de prestação de serviços gráficos. Entende aplicável a hipótese de beneficiamento de que trata o art. 4°, inciso II, do Regulamento do IPI e, ainda, o Ato Declaratório COSIT n° 18, de 27/09/2000, que transcreve. Reitera que, no seu caso, o percentual aplicável seria de 8%, e não de 32%, como consta da autuação. Ainda sobre a matéria, quanto ao fato de estarem as referidas receitas (de prestação de serviços) escrituradas no livro de apuração de serviços, lembra que "seguindo a linha de entendimento do decreto lei 406/68, trata exclusivamente do imposto sobre circulação de mercadorias e do imposto sobre serviços". Insurge-se contra a não dedução, da base de cálculo dos tributos, das vendas canceladas, a exemplo do que já havia sido constatado no processo n° 13609.000763/2005-76 (ano-calendário 2001), em que esse erro foi corrigido ainda em primeira instância. Sobre a multa de oficio de 150%, pede sua redução para 75%, por não ter havido nem restado configurada a conduta criminosa prevista no art. 1°, inciso I, da Lei n° 8.137/1990, e, ainda, "porque a recorrente e seus prepostos não omitiram informação, nem prestaram declaração falsa às autoridades fazendárias, e tão pouco fraudaram os livros fiscais, e a contabilidade da empresa foram dados como corretas pela fiscalização, apenas houve a opção de se manter no simples pelos motivos já declinados, para após fazer as retcações das declarações". Acrescenta que também não teria restado configurada a fraude aludida no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, "porque a recorrente não fez declaração falsa e tão pouco omitiu declaração sobre rendas, bens ou fatos, e tão pouco empregou fraude, para se eximir do pagamento do tributo" e que "em nenhum momento se configurou dolo por parte da Recorrente que não agiu nem omitiu, tão pouco retardou o fato gerador da obrigação tributária, porque o fato gerador da obrigação tributária foi apurado pela Ilustrada Fiscalização com base nos livros fiscais devidamente escriturados, estando nele o fato gerador da apuração do imposto". Lembra, ao final, que "dolo é a vontade conscientemente dirigida ao fim de obter um resultado criminoso ou de assumir o risco de o produzir", o que, afirma, não é a hipótese. Acerca da responsabilidade tributária imputada às pessoas fisicas que constam dos autos, sustenta: (i) que aquelas pessoas não teriam tido ciência da responsabilidade que lhes é imputada, o que ocasionaria nulidade, por contrariar o devido processo legal; (ii) que aquelas pessoas teriam sido meros procuradores através de mandato, não se confundindo esse status com o de administradores, à luz do art. 47 da Lei n° 10.637/2002 (Código Civil Brasileiro); e (iii) que inexiste nos autos comprovação de qualquer ilicitude fiscal. Colaciona, também, jurisprudência dos tribunais no sentido de que somente seria autorizada a inclusão do responsável tributário, em sede de execução fiscal, quando a empresa encerra suas atividades de forma irregular, o que não é o caso dos autos. Pede, então, a exclusão do pólo passivo da relação jurídico-tributária dos Srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima. 15 Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 16 Reafirma que pretendia retificar as declarações de rendimentos apresentadas na sistemática do SIMPLES, referentes aos anos-calendário 2001 e 2002, para a apuração com base no lucro real. Por sua ótica, essa afirmação se sustenta pelo fato de que, para os anos- calendário 2003 e 2004, já teria apresentado suas declarações de rendimentos pelo lucro real. Aduz, ainda, que, ao contrário do que afirmou a Autoridade Julgadora em primeira instância, poderia, sim, retificar suas declarações, com base nas disposições dos arts. 12; 13, inciso II, alínea "a" e § 1 13 ; 15, inciso II; e 16, todos da Lei n°9.317/1996. Ao final, pede a devolução de prazo para novas manifestações quanto à matéria que venha a ser modificada, se atendidos seus pedidos anteriores. Os Srs. Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima e Walmir de Andrade Fadul, apontados como responsáveis tributários, foram cientificados da decisão de primeira instância em 08/09/2006 (fls. 594 e 593, respectivamente), e não apresentaram recurso voluntário. O processo veio a julgamento na extinta 5' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sob a relatoria do eminente Conselheiro Irineu Bianchi. O julgamento foi convertido em diligência', em face da constatação de que não havia nos autos prova da intimação dos outros dois responsáveis solidários. Foram, então, cientificados os Srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima e Rachel Alves de Lima (fls. 674 e 675), em 22/04/2008. Também estes responsáveis tributários deixaram de interpor recurso voluntário. O processo retornou, então, para seqüência do julgamento nesta 1' Turma Ordinária da 3' Câmara da l' Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório.k... Resolução n° 105-1.362, de 22/01/2008, fls. 668/670. 16 Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 17 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente, a Dataprint traz argumentos contrários à atribuição de responsabilidade tributária solidária aos Srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima para, ao final, pedir a exclusão dessas pessoas do pólo passivo da relação jurídico-tributária. Após a ciência dos lançamentos, tanto a contribuinte Dataprint quanto as pessoas fisicas apontadas como responsáveis solidários pelo crédito tributário apresentaram impugnação. Particularmente, observo que os responsáveis questionaram tanto sua inclusão no pólo passivo da relação jurídico-tributária quanto os aspectos materiais do lançamento. Em primeira instância, a Turma Julgadora apreciou as razões trazidas pelos impugnantes e manteve a responsabilidade tributária que lhes foi atribuída. Em sede de recurso, apenas a contribuinte Dataprint compareceu ao processo. Os srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Wahnir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima, apesar de regularmente intimados da decisão de primeira instância que lhes foi desfavorável, especialmente porque os manteve como responsáveis solidários pelo crédito tributário, não interpuseram o recurso voluntário que lhes era facultado. Entendo que a contribuinte Dataprint Ltda. carece de interesse de agir e de legitimidade processual, no que toca à responsabilidade tributária atribuída aos srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima. O Decreto n° 70.235/1972 não se refere de forma específica às condições de interesse e legitimidade para propor impugnação e recurso, mas, do conteúdo de seus artigos 14 e seguintes depreende-se que é legitimado para tanto aquele indicado como sujeito passivo no lançamento. A Lei n° 9.784/1999, em seu artigo 9°, inciso II, traz de forma expressa o vínculo entre legitimidade no processo administrativo e interesse de agir, nos seguintes termos: Art. 52 São legitimados como interessados no processo administrativo: Ui II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; Releva, também, observar o que dispõe a Lei n° 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil — CPC), aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo ....„..927fiscal. Transcrevo, abaixo, os artigos 2°, 3° e 6°. Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 18 Art. 22 Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais. Art. 3g Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. 11-1 Art. 6" Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. O interesse de agir e a legitimidade de parte são duas das três condições da ação2, segundo a teoria do Direito Processual Civil. Ensina Humberto Theodoro Júnior? que: E...] a existência da ação depende de alguns requisitos constitutivos que se chamam "condições da ação", cuja ausência, de qualquer um deles, leva à "carência de ação", e cujo exame deve ser feito, em cada caso concreto, preliminarmente à apreciação do mérito, em caráter prejudicial. Nessa ordem de idéias, condições ou requisitos da ação, como os conceitua Arruda Alvim, "são as categorias lógico-jurídicas, existentes na doutrina e, muitas vezes na lei (como é claramente o caso do direito vigente), mediante as quais se admite que alguém chegue à obtenção da sentença final". Por conseguinte, à falta de uma condição da ação, o processo será extinto, prematuramente, sem que o Estado dê resposta ao pedido de tutela jurisdicional do autor, isto é, sem julgamento de mérito (art. 267, n° VI). Haverá ausência do direito de ação, ou, na linguagem corrente dos processualistas, ocorrerá carência de ação. Prossegue o Mestre'', especificamente acerca do interesse de agir: A segunda condição da ação é o interesse de agir, que também não se confunde com o interesse substancial, ou primário, para cuja proteção se intenta a mesma ação. O interesse de agir, que é instrumental e secundário, surge da necessidade de obter através do processo a proteção ao interesse substancial. Entende-se, dessa maneira, que há interesse processual "se a parte sofre um prejuízo, não propondo a demanda, e daí resulta que, para evitar esse prejuízo, necessita exatamente da intervenção dos órgãos jurisdicionais". Localiza-se o interesse processual não apenas na utilidade, mas especificamente na necessidade do processo como remédio apto à aplicação do direito objetivo no caso concreto, pois a tutela jurisdicional não é jamais outorgada sem uma necessidade [...]. Essa necessidade se encontra naquela situação "que nos leva a procurar uma solução judicial, sob pena de, se não o fizermos, vermo-nos na contingência de não podermos ter satisfeita uma pretensão (o direito de que nos afirmamos titulares)". [...] Só o dano ou o perigo de dano jurídico, representado pela efetiva existência de uma lide, é que autoriza o exercício do direito de ação. Quanto à legitimidade de parte, o trecho a seguir transcrito s é de clareza lapidar e, entendo, perfeitamente aplicável à situação sob exame: 2 A terceira condição da ação é a possibilidade jurídica do pedido, de que aqui não se trata. 3 THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 40* Ed., vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 49. 4 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 52. 5 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 54. 18 Processo e° 13609.000765/2005-65 S I -C3T1 Acórdão n, 1301-00.068 Fl. 19 Destarte, legitimados ao processo são os sujeitos da lide, isto é, os titulares dos interesses em conflito. A legitimação ativa caberá ao titular do interesse afirmado na pretensão, e a passiva ao titular do interesse que se opõe ou resiste à pretensão. De par com a legitimação ordinária, ou seja, a que decorre da posição ocupada pela parte como sujeito da lide, prevê o direito processual, em casos excepcionais, a legitimidade extraordinária, que consiste em permitir-se, em determinadas circunstâncias, que a parte demande em nome próprio, mas na defesa de interesse alheio. Ressalte-se, porém, a excepcionalidade desses casos que, doutrinariamente, se denominam "substituição processual", e que podem ocorrer, por exemplo, com o marido na defesa dos bens dotais da mulher, com o Ministério Público na ação de acidente do trabalho, ou na ação civil de indenização do dano ex delicio, quando a vitima é pobre etc. A não ser, portanto, nas exceções expressamente autorizadas, em lei, a ninguém é dado pleitear, em nome próprio, direito alheio (art. 6°) [-J. Quanto à falta de interesse de agir, observo que o pedido, feito pela Dataprint, de exclusão da responsabilidade solidária atribuída aos srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima em nada aproveita à recorrente. Examinemos, por hipótese, a situação em que o crédito tributário fosse mantido, e excluída a responsabilidade das pessoas fisicas indicadas: a Dataprint ocuparia, sozinha, o pólo passivo da relação jurídico-tributária, e somente dela poderia ser exigido o crédito mantido. Vejamos, agora, outra situação igualmente hipotética, em que o crédito tributário fosse mantido, e também assim a responsabilidade das pessoas fisicas indicadas: desde que a responsabilidade, no caso, é solidária, o crédito tributário mantido poderia ser exigido, integralmente, de qualquer um dos sujeitos passivos solidários, inclusive a Dataprint, sem beneficio de ordem. Uma terceira hipótese seria a exoneração integral do crédito tributário, caso em que não faria qualquer sentido se falar em responsabilidade tributária. Como se vê, esse pedido é absolutamente desnecessário aos interesses da recorrente Dataprint. Não lhe adviria qualquer prejuízo, se negado, nem ganho algum, se provido. Não há dano nem perigo de dano jurídico, caracterizando-se, assim, a falta de interesse de agir. Diretamente ligada ao exposto verifico a ilegitimidade da Dataprint como parte, no que toca à responsabilidade tributária. Aqueles que teriam direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada nessa matéria seriam os srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima. E estes, conforme visto, não vieram ao processo em sede de recurso. Ao pleitear a exclusão da responsabilidade tributária atribuída às pessoas físicas, a Dataprint pleiteia direito alheio em nome próprio, o que somente seria admissivel em caráter excepcional, mediante expressa autorização legal. Pelos fundamentos acima desenvolvidos, deixo de conhecer dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Dataprint Ltda. acerca da responsabilidade tributária atribuída aos srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima. Em face da não interposição de recurso por parte daqueles que teriam interesse de agir e seriam partes legítimas 19 Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 20 no que toca a essa matéria, a decisão de primeira instância se torna definitiva, na esfera administrativa. Em preliminares, a recorrente afirma que cada uma das autuações tem natureza jurídica própria e fundamentos distintos. Assim, reclama do fato de que a Autoridade Julgadora em primeira instância apreciou as impugnações em conjunto. Aduz que, segundo o § 1° do art. 9° do Decreto n°70.235/1972, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 21/11/2005, os autos de infração formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo podem ser objeto de um único processo. No entanto, essa regra não se aplicaria ao presente caso, posto que a autuação se deu em 06/09/2005, devendo reger-se pela lei anteriormente vigente. Por sua ótica, tal procedimento caracterizaria cerceamento de seu direito de defesa, implicando nulidade do acórdão recorrido. Não lhe assiste razão. Por clareza, eis a redação do referido art. 9° e seu parágrafo primeiro, do Decreto n°70.235/1972, vigentes a partir das modificações introduzidas pela Lei n°8.748/1993: Art. 9°A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) § 1° Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) A partir de 22/11/20056, o art. 113 da Lei n° 11.196/2005 modificou a redação do parágrafo primeiro, que passou a ser a seguinte: § 12 Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei n°11.196, de 2005) De se observar que em 06/09/2005, data da ciência dos lançamentos ora discutidos, a legislação já estabelecia a reunião dos autos de infração em um único processo, na situação em que as infrações apuradas quanto a um imposto implicassem exigência de outros tributos, e a comprovação dos ilícitos dependesse dos mesmos elementos de prova. É exatamente esta a situação dos autos. A diferença apurada entre os valores escriturados e aqueles oferecidos à tributação motivou o lançamento dos diversos tributos reunidos sob a forma simplificada de pagamento (SIMPLES), tendo como elementos de prova, 6 Data da publicação no D.O.U. 20 Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 21 em todos os casos, as cópias da escrita contábil/fiscal da interessada, os termos lavrados e respostas apresentadas, além dos demais documentos juntados aos autos. É certo que o lançamento de cada tributo se assenta em fundamentos próprios. De se verificar que o enquadramento legal é distinto para cada tributo e que, se fosse o caso de haver alegações específicas sobre um determinado tributo, inaplicáveis aos demais, essas alegações teriam que ser tratadas individualmente. Ao contrário do que afirma a recorrente, não vislumbro motivo de nulidade da decisão recorrida quanto a este ponto, e rejeito a preliminar argüida. Melhor sorte não assiste à recorrente ao alegar a nulidade do lançamento, por desatendimento ao art. 10 e seus incisos do Decreto n° 70.235/1972 e, ainda, por erros e omissões na tipificação das supostas infrações apontadas. Tais alegações já haviam sido rejeitadas em primeira instância, e o mesmo faço aqui. Eis a redação do mencionado art. 10: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Não vejo, nos autos, qualquer irregularidade ou desatendimento a essas disposições. Particularmente quanto aos dispositivos legais infringidos, a recorrente alega que o lançamento, em determinados momentos, indica o artigo da lei sem especificar o parágrafo, ou, em outros casos, indica artigo e parágrafo, sem especificar incisos. Entendo que a minuciosa e exaustiva descrição dos fatos levada a cabo no Termo de Verificação Fiscal de fls. 258/270, do qual a autuada tomou ciência e recebeu cópia junto com os autos de infração, é perfeitamente capaz de suprir eventual lacuna pela falta de especificação de um inciso ou parágrafo no enquadramento legal. O conjunto formado pela descrição dos fatos e pelos enquadramentos legais permitiu à recorrente a perfeita compreensão das infrações que lhe são imputadas e a ampla defesa de seus direitos, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, pelo que não se há de acolher a alegação de nulidade, quer do lançamento, quer do acórdão recorrido, por esse motivo. Rejeito, também a reclamação genérica sobre o indeferimento do pedido de perícia. De fato, a recorrente não questiona os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a afirmar que a hipótese dos autos seria a de necessidade cidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados. 21 Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 22 O pedido de perícia foi fundamentadamente rejeitado pela autoridade julgadora a quo, nos termos da lei, por considerá-la prescindível, vez que todos os elementos necessários à convicção do julgador estavam presentes nos autos. A afirmação de que a perícia pretendida serviria para apurar se o percentual aplicável para presunção do lucro, em seu caso, seria de 32%, como utilizado pelo Fisco, ou de 8%, como afirma a recorrente, não se sustenta. Trata-se de prova a ser produzida nos autos, dispensando a realização de perícia. À míngua de novos argumentos, não faço reparos à decisão recorrida, também quanto a este ponto. Passo, então, a apreciar os questionamentos de mérito. A recorrente retoma questão suscitada, em fase impugnatória, quanto ao correto percentual a ser aplicado à receita de prestação de serviços gráficos, para determinação do lucro presumido. Entende aplicável a hipótese de beneficiamento de que trata o art. 40, inciso II, do Regulamento do IPI e, ainda, o Ato Declaratório COSIT n° 18, de 27/09/2000, que transcreve. Reitera que, no seu caso, o percentual aplicável seria de 8%, e não de 32%, como consta da autuação. Os artigos 518 e 519 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR199) dispõem sobre os percentuais aplicáveis, por tipo de atividade, para a determinação do lucro presumido: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7 2 do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei te 9.249, de 1995, art. 15, e Lei te 9.430, de 1996, arts. PE e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera- se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo única §12Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei te 9.249, de 1995, art. 15, §1f9: 1-um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II-dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no capta; 111-trinta e dois por cento, para as atividades de: a)prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b)intermediação de negócios; c)administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. Át 22 Processo n° 13609.00076512005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 23 §22 No caso de serviços hospitalares aplica-se o percentual previsto no caput §3Wo caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei re 9.249, de 1995, art. 15, §29. §42A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei rf 9.250, de 1995, art. 40, e Lei rf 9.430, de 1996, art. 19. 0'20 disposto no parágrafo anterior não se aplica às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas (Lei na 9.250, de 1995, art. 40, parágrafo único). §62A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de que trata o O', para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja receita bruta acumulada até determinado mês do ano-calendário exceder o limite de cento e vinte mil reais, ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. §rPara efeito do disposto no parágrafo anterior, a diferença deverá ser paga até o último dia útil do mês subseqüente ao trimestre em que ocorreu o acesso. Como se observa, a regra geral é o percentual de 8%, estabelecido no art. 518. O art. 519 fixa percentuais diferentes, a serem aplicados de acordo com o tipo de atividade desenvolvida pelo contribuinte. Em particular, à prestação de serviços em geral aplica-se o percentual de 32% (inciso III), com exceções para algumas modalidades de serviços, tais como o de transporte de passageiros (16%), transporte de carga (8%), serviços hospitalares (8%). Também dispondo sobre a matéria, especialmente quanto à atividade gráfica, foi editado o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 18, de 27/09/2000, com o seguinte teor (grifo não consta do original): I - A atividade gráfica pode configurar-se como industrial, comercial ou de prestação de serviços. Consideram-se como prestacão de servicos as operacões realizadas por encomenda nos termos do art. 5o, V, c/c art. 7o, II, do Decreto No 2.637, de 1998. II - A alíquota aplicável, na apuração do lucro presumido, será de 8%, quando atuar nas áreas comercial e industrial, sendo aplicada a de 32% na hipótese de prestação de serviços com ou sem fornecimento de material. Trata-se, a meu ver, de interpretação coerente e integrada da norma legal. Quando se tratar de prestação de serviços gráfi , pura e simplesmente, com ou sem o fornecimento de material, inclusive as opera 7kealizadas por encomenda, o percentual it 23 Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 24 aplicável para a presunção do lucro deve ser de 32% (serviços em geral). Entretanto, quando a atividade gráfica mais se assemelhar ao contexto comercial ou industrial, com a produção, compra e venda de produtos e mercadorias, em que a atividade gráfica em si é meramente acessória, o percentual deve ser de 8%. A recorrente deseja seu enquadramento nesta última categoria, ao afirmar, desde a impugnação e novamente no recurso (fl. 604) que suas receitas têm "origem na venda de formulários contínuos, acompanhadas do serviço impresso". Na fase de fiscalização, entretanto, ao ser intimada a se manifestar sobre as diferenças de receitas apuradas, inclusive sobre a natureza dos serviços prestados (fl. 167), a então fiscalizada respondeu, textualmente (fl. 171) que "reconhece como existentes as diferenças de receitas demonstradas nas planilhas e as declaradas à Secretaria da Receita Federal em 2001 e 2002" e que "os serviços gráficos foram realizados por encomenda" (grifo não consta do original). Com base nesta informação, prestada pela própria contribuinte, e considerando ainda que os valores correspondentes aos serviços foram escriturados no Livro Registro de Serviços, a fiscalização efetuou o lançamento considerando o percentual de 32% para as receitas de serviços e 8% para as receitas de vendas de produtos, conforme demonstrado à fl. 264. Se, após o lançamento, a interessada decidiu corrigir a informação anteriormente prestada, corroborada por sua escrituração, cabe a ela, interessada, carrear aos autos os elementos comprobatórios do que agora afirma. Mas não encontro qualquer documento que possa comprovar o agora alegado. Não há contratos, notas fiscais, correspondências, nada que sustente sua pretensão de enquadrar sua atividade gráfica como comercial ou industrial, e não como prestação de serviço. De se observar que a regra para serviços em geral é o percentual de 32%. Serviços específicos, sujeitos a outro percentual, constituem exceções e, como tal, estão sujeitos a comprovação de que, de fato, se excepcionam. Esse ônus cabe à interessada, não sendo aceitável a pretensão de realização de diligência ou perícia com o fito de suprir deficiência probatória que caberia ao sujeito passivo. Assim, considero correto o procedimento da fiscalização e a decisão de primeira instância, que o manteve, e nego provimento ao recurso voluntário, quanto a este aspecto. A seguir, a recorrente alega que as vendas canceladas não teriam sido deduzidas da base de cálculo dos tributos, a exemplo do que já havia sido constatado no processo n° 13609.000763/2005-76 (ano-calendário 2001), em que esse erro foi corrigido ainda em primeira instância. No que tange ao ano-calendário, 2002, de que trata o presente processo, o contribuinte se refere ao demonstrativo elaborado pelo Fisco à fl. 263. Ali se encontram discriminados, mês a mês, as receitas declaradas, as escrituradas e as diferenças apuradas. Atendo-me apenas, a titulo exemplificativo, ao primeiro trimestre, constato que nessa tabela ocorreu erro de cálculo, que se repete em todos os meses, a saber: 24 Processo n°13609.00076512005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 25 Receita Receita Receita Vendas Devolução. Receitas Total - tabelaTotal - valor Diferença - Diferença - Mês Declarada Produtos Vendas Serviços fl. 263 correto tabela fl. 263 valor correto janeiro 83.659,00 1.699.245,88 339,92 358.628,62 2.057.874,50 2.057.534,58 1.974.215,50 1.973.875,58 fevereiro91.726,00 1.421.240,65 61.233,90 189.886,31 1.611.126,96 1.549.893,06 1.519.400,96 1.458.167,06 março 92.832,00 1.292.275,25 127.161,68 172.601,32 1.464.876,57 1.337.714,89 1.372.044,57 1.244.882,89 Como se observa, a tabela de fl. 263 deixou de considerar as devoluções de vendas, como afirmou a recorrente. Entretanto, esse erro não influenciou no lançamento. Os valores utilizados na autuação foram aqueles que constam da tabela de fl. 264, segregando as receitas por atividade em vendas (sujeitas ao percentual de 8% para presunção do lucro) e serviços (32%). A seguir, reproduzo apenas os dados referentes ao primeiro trimestre, totalizados para permitir a conferência com os valores lançados de oficio. Vendas Devolução Receita Receita não Base IRPJ Receitas Base IRPJ Mês Produtos Vendas Declarada Declarada (8%) Serviços (32%) janeiro 1.699.245,88 339,92 83.659,00 1.615.246,96 129.219,76 358.628,62 114.761,16 fevereiro 1.421.240,65 61.233,90 91.726,00 1.268.280,75 101.462,46 189.886,31 60.763,62 março 1.292.275,25 127.161,68 92.832,00 1.072.281,57 85.782,53 172.601,32 55.232,42 1T2002 3.955.809,28 721.116,25 Observo que, na tabela de fl. 264, a receita não declarada leva em conta as devoluções de vendas, e que o valor assim calculado é que foi objeto de autuação. Para o primeiro trimestre, encontro à fl. 274 os valores de R$ 3.955.809,28 e R$ 721.116,25 como diferenças de base de cálculo. O mesmo se repete para todos os demais trimestres do ano- calendário 2002. Os valores que constam das colunas intituladas Receita Total e Diferença, na tabela de fl. 263, conquanto errados, por não levarem em conta as devoluções de vendas, não foram transportados para lugar algum, e não influenciaram o lançamento. Esta foi, também, a conclusão da autoridade julgadora em primeira instância. Assim, não faço reparos à decisão recorrida, quanto a este aspecto, e nego provimento ao recurso voluntário. O próximo questionamento trazido diz respeito à multa de oficio de 150% aplicada. A recorrente pede sua redução para 75%, por não ter havido nem restado configurada a conduta criminosa prevista no art. 1°, inciso I, da Lei n°8.137/1990, nem tampouco a fraude aludida no art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/1996. A Lei n°8.137/1990 é relevante para fins da tipificação criminal, por ocasião de eventual denúncia a ser oferecida pelo Ministério Público, com base na Representação Fiscal para Fins Penais lavrada pelo Fisco. Não é objeto da lide ora discutida, muito embora sua desconsideração seja um dos pedidos formulados pela recorrente. Ocorre, no entanto, que este Conselho não tem competência para apreciar esse pedido, à luz do caput dos artigos 1° e 20 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC 7), a seguir transcritos, com grifos que não constam do original: hes._ 7 O RICC foi aprovado pela Portaria MF n° 147, d 06/2007, publicada no DOU de 28/06/2007. ooDe se observar, ainda, o art. 2° da Portaria MFd.. r ./ 17/02/2009, publicada no DOU de 19/02/2009. 25 Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3TI Acórdão nf 1301-00.068 Fl. 26 Art. ./2 O Primeiro, o Segundo e o Terceiro Conselhos de Contribuintes, órgãos colegiados judicantes integrantes da estrutura do Ministério da Fazenda têm por finalidade julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicacão da letislacão referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas suas competências e dentro dos limites de sua alçada. [.1 Art. 20. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicacão da legislacão referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuicões inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: A multa qualificada questionada pela recorrente encontra seu fundamento no art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/1996, a seguir transcrito em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 2 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Observe-se que a Lei n° 11.884/2007 introduziu alterações na redação do art. 44, acima, pelo que a multa de 150% passou a ser prevista pelo § I°, e não mais pelo inciso II. As hipóteses de sua aplicação, no entanto, restaram inalteradas, sempre que presente alguma das situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/1964. Em particular, o art. 71 trata da sonegação, relevante para o assunto aqui discutido: Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; - das condições • o• *.9 de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tri • itit, principal ou o crédito tributário correspondente. 26 Processo n° 13609.00076512005-65 SI-C3T1 Acórdão n.• 1301-00.068 E. 27 Conforme dispõe o texto legal, a multa qualificada somente se pode aplicar na presença de situação dolosa, do intuito deliberado de ocultar ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade Tributária da ocorrência do fato gerador. E é das circunstâncias e da conduta adotada pelo contribuinte em cada caso concreto que se hão de extrair os elementos que permitirão concluir pela correção ou não da multa aplicada. Já foi visto no relatório que precede este voto que o Fisco aplicou a multa de 150% por constatar que a então fiscalizada havia declarado à Receita Federal percentuais diminutos das receitas auferidas, reiteradamente, ao longo de todos os meses dos anos calendário 2001 e 2002. As diferenças, apesar de se encontrarem escrituradas, não foram submetidas à tributação federal pois, se o fizesse, a empresa perderia a possibilidade de se beneficiar com a permanência no SIMPLES. Considero relevante, para a formação da convicção quanto à matéria, a reprodução dos quadros que constam à fl. 265, no Termo de Verificação Fiscal: Ano-calendário de 2001 % Receita Declarada / Receita Declarada - Receita Total Receita Total Més PJ 2002 Simples Escriturada Escriturada Janeiro 72.884,00 1.870.789,82 4% Fevereiro 90.415,00 1.434.602,37 6% Março 93.916,84 2.004.665,98 5% Abril 97.464,31 1.694.904,04 5% Maio 99.670,18 1.981.246,03 5% Junho 94.466,69 1.623.072,65 6% Julho 93.551,26 2.018.560,58 5% Agosto 92.533,24 1.942.591,93 5% Setembro 98.915,40 1.717.976,95 6% Outubro 91.657,49 1.972.268,73 5% Novembro 95.419,70 1.757.68188 5% Dezembro 99.896,31 1.598.608,40 6% Total Anual 1.120.790,42 21.816.969,36 5% Ano-calendário de 2002 % Receita Declarada / Receita Declarada - Receita Total Receita Total Mês DIPJ 2003 Escriturada Escriturada Janeiro 83.659,00 2.057.874,50 4% Fevereiro 91.726,00 1.611.126,96 6% Março 92.832,00 1.464.876,57 6% Abril 150. • • ii 2.035.594,63 7% Maio ,I d 1.984.952,97 9% Junho ,00 1.868.592,59 6% 27 Processo n° 13609.00076512005-65 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 28 Ano-calendário de 2001 % Receita Declarada / Receita Declarada - Receita Total Receita Total Mês PJ 2002 Simples Escriturada Escriturada Julho 105.018,00 2.021322,50 5% Agosto 99.969,00 2.121.177,85 5% Setembro 97.282,00 2.160.933,30 5% Outubro 109.016,00 2.668.398,28 4% Novembro 106.441,00 2.441.904,39 4% Dezembro 118.883,00 1.888.434,69 6% Total Anual 1.339.630,00 24.325.389,23 6% Em sua defesa, desde a impugnação a interessada afirma que até o final do ano calendário de 2002 não contava em seu quadro funcional com profissional da área de contabilidade capaz de atender a todas as exigências impostas à tributação pelo lucro real, e à época, para se evitar ausência de entrega de declaração, ou mesmo deixar de participar de concorrências públicas, optou por fazer as declarações pelo modo mais simples, para em seguida, reorganizar seu departamento contábil. O dolo em sua conduta, a intenção de produzir o resultado, é evidenciado não apenas pelos números dos quadros acima, que são eloqüentes por si só, afastando qualquer possibilidade de erro, mas também pelos argumentos utilizados pela própria empresa. Veja-se que a recorrente deixou de tributar, em dois anos, mais de 94% de suas receitas, intencionalmente, com o objetivo confessado de manter formalmente sua regularidade fiscal, de forma a participar de concorrências públicas, além do óbvio beneficio de deixar de pagar os tributos devidos. Além disso, com sua conduta, manteve-se indevidamente albergada por um sistema simplificado de pagamentos (SIMPLES) do qual deveria ter-se auto-excluído, nos termos da legislação vigente. As circunstâncias acima descritas denotam claramente ações tendentes a impedir ou retardar o conhecimento do fisco sobre a ocorrência do fato gerador, condição necessária e suficiente, nos termos da lei, para a aplicação da multa qualificada de 150%. Tenho por irrelevante a afirmação da recorrente de que pretendia retificar as declarações de rendimentos apresentadas na sistemática do SIMPLES, referentes aos anos- calendário 2001 e 2002, para a apuração com base no lucro real. Ao contrário do que sustenta a recorrente, a declaração de rendimentos para o ano-calendário 2003 foi apresentada pelo lucro presumido, e não pelo lucro real. Sua apresentação se deu em 24/06/2004, antes do início do procedimento fiscal (em 28/10/2004), e a receita ali consignada totaliza, no ano, R$ 2.222.185,44, patamar compatível com os totais declarados para os anos-calendário 2001 e 2002 (respectivamente R$ 1.120.790,42 e R$ 1.339.630,00), mas muito inferior aos totais de receitas efetivamente auferidos naqueles anos (respectivamente R$ 21.816.969,36 e R$ 24.325.389,23, vide Termo de Verificação Fiscal, fl. 265). Para o ano-cale • 2004 (tributação baseada no lucro real trimestral), a DIPJ foi apresentada em 29/1. 10., quando se encontrava em curso o procedimento de le 28 Processo n° I 3609.000765/2005-65 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 29 fiscalização referente aos anos-calendário 2001 e 2002. Curiosamente, o total da receita líquida declarada no ano é de R$ 40.733.223,89, compatível com a declaração firmada pelo Sr. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima (fl. 161) em 12/04/2005, de que o faturamento mensal da Dataprint, por ocasião da declaração, giraria em tomo de 4,5 milhões de reais. Em primeira instância, a autoridade julgadora deixou bastante clara a falácia contida na alegada intenção de retificar as declarações, alterando a forma de tributação para o lucro real, por impossibilidade legal. No que tange ao ano-calendário 2001, na sistemática do SIMPLES, pela vedação do art. 8°, § 2°, da Lei n°9.317. Quanto ao ano-calendário 2002, pelo lucro presumido, em face da proibição estabelecida pelo art. 13, § 1°, da Lei n° 9.718/1998, base legal do art. 516, § 1§, do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99). Em sede de recurso, a interessada insiste na tese, escorando-se nas disposições dos arts. 12; 13, inciso II, alínea "a" e § 1 1); 15, inciso II; e 16, todos da Lei n° 9.317/1996. Esses artigos tratam da exclusão obrigatória do SIMPLES, mediante comunicação da pessoa jurídica. A recorrente parece ter-se olvidado, no entanto, do prazo para a auto- exclusão do sistema, já há muito expirado, ex-vi do § 3° do art 13 da mesma lei, abaixo transcrito: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-á: 1- por opção; II - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9'; § 1° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. T.1 § 3° No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: a) até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente àquele em que se deu o acesso de receita bruta, nas hipóteses dos incisos lei! do art. 9°: b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. Assim, por todo o exposto, não tenho reparos a fazer à decisão de primeira instância, que manteve a multa de oficio de 150% aplicada, pelo que nego provimento ao recurso voluntário, quanto a esta matéria. Finalmente, quant • ao pedido de devolução de prazo para novas manifestações quanto à matéri • quel, nha a ser modificada, se atendidos seus pedidos fr if 29• Processo n° 13609.000765/2005-65 SI-C3T1 Ir Acórdão n.° 1301-00.068 Fl. 30 anteriores, não há como acolhê-lo, em face das disposições dos arts. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: An. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em quefor feita a intimação da exigência. C-1 Art. 16. A impugnação mencionará: III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) Assim, todos os motivos de fato e de direito que fundamentem eventuais discordâncias quanto ao lançamento, bem como as provas pertinentes devem ser juntadas aos autos nos trinta dias seguintes à intimação da exigência, em atenção ao princípio da eventualidades, tão presente no Direito Processual Civil e aqui aplicado de forma subsidiária. Naturalmente, isto não se aplica a eventual recurso especial que venha a ser interposto, se cabível, em conformidade com as disposições regimentais e nos limites ali estabelecidos. Em conclusão, por todo o exposto, não conheço dos argumentos acerca da responsabilidade tributária atribuída aos srs. Luiz Antônio Vasconcelos Alves de Lima, Celso Renato Alves de Vasconcelos Lima, Walmir de Andrade Fadul e Rachel Alves de Lima, rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 13 de maio de 2009 WALDIR VEI ROCHA $ Pelo principio da eventualidade ou da preclusão, cada faculdade processual deve ser exercitada dentro da fase adequada, sob pena de se perder a oportunidade de praticar o ato respectivo. (Theodoro Júnior, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 40 Edição, Vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 41). 30 Page 1 _0049500.PDF Page 1 _0049600.PDF Page 1 _0049700.PDF Page 1 _0049800.PDF Page 1 _0049900.PDF Page 1 _0050000.PDF Page 1 _0050100.PDF Page 1 _0050200.PDF Page 1 _0050300.PDF Page 1 _0050400.PDF Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050600.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050800.PDF Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051000.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051600.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1 _0051800.PDF Page 1 _0051900.PDF Page 1 _0052000.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052200.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.005500/2002-34
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ESCLARECIMENTOS
Constatada a possibilidade de interpretação diferente da decisão, quanto à aplicação de atualização monetária e juros compensatórios, acolhem-se os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão, eliminando-se a aventada, dubiedade.
INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS. DECISÃO JUDICIAL. REPETIÇÃO.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS
O montante dos indébitos tributários cujo direito à repetição/compensação foi obtido perante o Poder Judiciário deve ser apurado de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado.
Embargos de Declaração Acolhidos
Numero da decisão: 2201-000.280
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de
Julgamento do CARF, por unanimidade, de votos em acolher os Embargos de Declaração, para , rerratificar o Acórdão nº203-13.436, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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'• # . CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, lk-.4:... .4•kk -44inil. ii, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO • Processo n° 10380.005500/2002-34 Recurso n° 135.476 Embargos Acórdão n° 2201-00.280 — r Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2009 Matéria PIS Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado Ia Turma Ordinária da r Câmara da r Seção do CARF 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 1 Data do fato gerador: 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, . 31/10/1997 . EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ESCLARECIMENTOS Constatada a possibilidade de interpretação diferente da decisão, quanto à aplicação de atualização monetária e juros compensatórios, acolhem-se os ,embargos de declaração para re-ratificar o acórdão, eliminando-se a aventada dubiedade. INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS. DECISÃO JUDICIAL. REPETIÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS O montante dos indébitos tributários cujo direito à repetição/compensação foi obtido perante o Poder Judiciário deve ser apurado de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado. Embargos de Declaração Acolhidos , Vistos, rela • dos e discutidos os presentes autos. ACORD • /Membros i f. 2' Câmara/l a Turma Ordinária da r Seção de Julgamento do CARF, o 4, animidade, • do - 1. er os Embargos de Declaração, para , rerratificar o Acórdã ep • /41 3) . 4 3 i. 'lio : a tal do Relator. , 1 ': • ‘ • 'E 10 • • ' NOirlerFILHO 'residente , 1 Pio JOSÉ ADÃO V 00 ',' O DE MORAIS Relator iv Processo n° 10380.005500/2002-34 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.280 Fl. 83 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda • Relatório Inconformada com o acórdão 203-13.436, às fls. 68/74, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs os embargos de declaração às fls. 78/79, visando esclarecer a atualização monetária e o pagamento de juros compensatórios, à taxa Selic, determinado naquele acórdão, sob o argumento de que a decisão judicial transitada em julgado que autorizou a repetição/compensação dos indébitos tributários excluiu expressamente a incidência de juros compensatórios sobre a correção monetária para evitar o "bis in idem". É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, Relator .• Os embargos foram postos tempestivamente, assim deles conheço. A Procuradoria questiona a decisão sob o argumento de que esta contrariou a decisão judicial transitada em julgado que excluiu expressamente o pagamento de juros compensatórios sobre a restituição/compensação dos indébitos tributários a serem repetidos/ compensados. O acórdão embargado decidiu, "pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor, parte integrante deste acórdão". Por sua vez, o voto vencedor dispôs, in verbis: "Em face do exposto, voto pela procedência parcial do lançamento para que a Autoridade Administrativa competente, adotada a semestralidade da base de cálculo do PIS, apure os valores pagos indevidamente pela requerente, a título dessa contribuição, nos termos Decretos-lei n°2.445 e n°2.449, ambos de 1988, em relação aos devidos segundo as LCs n° 7, de 1970, e n° 17, de 1975, atualize-os monetariamente e sobre o total acrescente juros compensatórios de conformidade com a decisão judicial transitada em juizado, inclusive quanto ao prazo prescricional para compensação daqueles valores, efetuando-se, posteriormente, a homologação da compensação dos débitos, objeto do lançamento contestado, até o limite do montante do crédito apurado, exigindo-se possível saldo remanescente." (grifo não-original). Já a decisão judicial transitada em julgado determinou, in verbis: - - - - 2 • Processo n° 10380.005500/2002-34 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.280 Fl. 84 Olf TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. • 1. A Lei 9.250/95 estabeleceu como índice de correção para o • pagamento dos tributos a taxa SELIC. 2. Na repetição de indébito, do mesmo modo, deve fazer-se a atualização pelo mesmo índice. 3.. A taxa SELIC, além do índice de correção, abriga taxa de juros, o que retira a incidência de juros mais taxa SELIC, em repetição de indébito, para evitar bis in idem. Embora, no meu entendimento, a decisão embargada não esteja contrariando a decisão judicial transitada em julgado, uma vez que os juros compensatórios, à taxa Selic, somente incidirão a partir de 1° de janeiro de 1996, quando se extinguiu a correção monetária, e que aplicação da taxa Selic não constitui atualização monetária, mas sim juros compensatórios, para evitar que outros tenham a mesma interpretação da Procuradoria da Fazenda Nacional, voto pelo acolhimento dos presentes embargos para re-ratificar a decisão embargada para que não haja "bis in idem" no cálculo dos indébitos tributários a serem repetidos/compensados, passando a conclusão do voto para os seguintes termos: Em face do exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado cujo resultado passa ser: pela procedência parcial do lançamento para que a Autoridade Administrativa competente, adotada a semestralidade da base de cálculo do PIS, apure os valores pagos indevidamente pela recorrente, a título dessa contribuição, 'nos termos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, em relação aos devidos segundo as LCs n° 7, de 1970, e n° 17, de 1975, atualize-os monetariamente e apure o seu montante de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, inclusive quanto ao prazo prescricional para a repetição/compensação daqueles valores, efetuando-se, posteriormente, a homologação da compensação dos débitos fiscais, objeto do lançamento contestado, até o limite do montante do crédito apurado, exigindo-se possível saldo remanescente. Sala das Sessões, em 04 de junho de 200 JOSÉ ADÃ ele :4 O DE MORAIS _ 3 Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.015373/91-41
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2005
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇAS DE ESTOQUE- OMISSÃO DE VENDAS E OMISSÃO DE COMPRAS - Cabe a presunção de omissão de receita em face à diferenças de estoque. Uma vez apuradas diferenças de estoque tanto em razão de omissão de vendas, bem como em virtude de omissão de compras, há que se abater das receitas de vendas, os custos das aquisições tidos como omitidos.
IRPJ POSTERGAÇÃO - EFEITOS DA MORA - A apropriação de custos de período seguinte em ano anterior leva á postergação da tributação do imposto. Há, entretanto, que se levar em conta a tributação efetuada no período seguinte, aplicando-se as exigências pertinentes à mora e não a tributação integral como se devida fosse.
LANÇAMENTOS DECORRENTES – O que for decidido no processo principal aplica-se aos decorrentes, dado a relação direta de causa e efeito.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 108-08.444
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes,por unanimidade de votos,DAR provimento PARCIAL ao recurso para adequar ao decidido no processo principal de nº10768.015371/91-15,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Margil Mourão Gil Nunes
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ementa_s : OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇAS DE ESTOQUE- OMISSÃO DE VENDAS E OMISSÃO DE COMPRAS - Cabe a presunção de omissão de receita em face à diferenças de estoque. Uma vez apuradas diferenças de estoque tanto em razão de omissão de vendas, bem como em virtude de omissão de compras, há que se abater das receitas de vendas, os custos das aquisições tidos como omitidos. IRPJ POSTERGAÇÃO - EFEITOS DA MORA - A apropriação de custos de período seguinte em ano anterior leva á postergação da tributação do imposto. Há, entretanto, que se levar em conta a tributação efetuada no período seguinte, aplicando-se as exigências pertinentes à mora e não a tributação integral como se devida fosse. LANÇAMENTOS DECORRENTES – O que for decidido no processo principal aplica-se aos decorrentes, dado a relação direta de causa e efeito. Recurso parcialmente provido.
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Numero do processo: 10980.002823/2003-98
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2201-000.018
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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RESOLVEM os membros da r Câmara / 1' Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência o termos do voto do Relator. )1P4,/ j ig'• E rd O R ei SE RG FILHO r - : • nt DASSI GUERZONI HO R -lator Parti.' • . ainda do pr- .ente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ em Curitiba/PR, por meio do Acórdão n° 06-13.158, de 17/01/2007, que manteve o indeferimento ao pedido de restituição de PIS/Pasep no valor de R$ 24.286,59 formulado pela interessada e, consequentemente, não homologou as compensações de débito a ele atreladas. Para a parte dos créditos que se referiam ao período de apuração de setembro de 1994 a 28 de fevereiro de 1998, a DRJ considerou que houve a ocorrência da decadência do direito de pleitear a restituição, haja vista que o pedido fora formulado no dia 28/03/2003, portanto, após os cinco e • Processo n° 10980.002823/2003-98 S2-C2T1 Resolução n.° 2201-00.018 Fl. 2 anos estabelecidos pelo artigo 168, I, do Código Tributário Nacional. Para os créditos restantes, relativos aos períodos de apuração de março de 1998 a outubro de 2002, a DRJ negou o pleito por considerá-lo sem base legal, já que a alegação da interessada é que considerara indevida a exigência de efetuar os recolhimentos da contribuição sobre os valores das vendas faturadas que não foram recebidas por conta da inadimplência de alguns de seus clientes. À fl. 131 consta o "Aviso de Recebimento" dos Correios que acompanhou o oficio noticiando a interessada do resultado do julgamento da DRJ, sobre o qual foram apostos dois carimbos indicando as datas de 26 de janeiro de 2007 e de 29 de janeiro de 2007. Todavia, embora conste a assinatura do recebedor do "AR", não se consegue identificar em que data isso se deu, visto que no campo próprio consta o número de um documento e, no outro lado, alguns "rabiscos" indecifráveis. Emblematicamente, o despacho da Equipe de Análise de Restituições e Compensações do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF em Curitiba/PR, datado de 14/03/2007, à fl. 148, informa ter anexado a "Relação de Correspondências Expedidas", na qual, à fl. 147, se verifica que a postagem do mencionado oficio encaminhado à interessada se deu no dia 26 de janeiro de 2007, o que se confirma com a data aposta no "AR". O Recurso Voluntário foi entregue na DRF em Curitiba/PR no dia 14/03/2007 e nele a Recorrente faz uma série de considerações a respeito da hipótese de incidência, do fato gerador e dos negócios jurídicos condicionais para defender a tese, de que quando há a inadimplência do cliente, a contribuição incidente sobre a venda correspondente deve ser ressarcida ao sujeito passivo. É o Relatório. Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator Acima usei a expressão "emblematicamente", pois, a DRF, ao, de forma inusual, juntar ao processo o comprovante de entrega de documento aos Correios, de fl. 147, e a ele se referir de maneira explícita, está, s.m.j., sugerindo que o Recurso Voluntário não foi entregue tempestivamente, já que, conforme dito acima, o mesmo foi recepcionado pela DRF em Curitiba no dia 14 de março de 2007, bem depois, portanto, da última data que constou do "AR", qual seja, 29 de janeiro de 2007. A experiência para situações análogas aponta que a data mais antiga que consta dos "AR" é a que mais se aproxima da data do efetivo recebimento da correspondência por parte do sujeito passivo, visto que os "Correios", de longa data, tem se portado com eficiência no seu mister, o que pode ser comprovado, por exemplo, se verificarmos sob quais condições se deu ciência à interessada do oficio que tratou do Despacho Decisório da DRF, quais sejam, foi entregue nos Correios no dia 6/12/2006 e recebida pelo destinatário dois dias depois, no dia 08/12/2006, conforme atestam os carimbos apostos no respectivo "AR", à fl. 80. iDe sorte que é pouco provável que se tenha demorado mais de quinze dias # ra entregar a correspondência em questão, única hipótese em que poderia restar confi , 4 * a t .1i& / 2P • Processo n° 10980.002823/2003-98 S2-C2T1 Resolução n.° 2201-00.018 Fl. 3 tempestividade do recurso, tirante, evidentemente, qualquer outra ocorrência ou evento de força maior de que não saibamos. De qualquer modo, o processo não fornece condições ou elementos para que se possa declarar a tempestividade ou intempestividade da apresentação do Recurso Voluntário, razão pela qual, prestigiando o princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência de modo a se obter a informação, preferencialmente junto aos Correios, acerca da efetiva data em que o acórdão ora recorrido foi entregue à interessada. Do resultado da diligência a Recorrente deverá ser cientificada para, em o desejando, se manifestar no prazo de vinte dias. Sala das Sessões, em O de junho de 2009 FI O jDA,ssi GCJERzoNI • 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000668/2003-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ITR. ÁREA ISENTA. RESERVA LEGAL.
Existindo nos autos prova suficiente para comprovar a existência das áreas de reserva legal, a mesma deve ser reconhecida.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-39.401
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ITR. ÁREA ISENTA. RESERVA LEGAL. Existindo nos autos prova suficiente para comprovar a existência das áreas de reserva legal, a mesma deve ser reconhecida. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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Numero do processo: 10283.000677/00-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia se o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, quando esta apenas requer conhecimentos e argumentos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.
OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA. Não há ofensa ao devido processo legal se a Turma de origem, ainda que sucintamente, pronuncia-se de forma clara e precisa sobre as questões debatidas nos autos, assentando-se em fundamentos suficientes para embasar a decisão, afinal o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos aduzidos pela impugnante.
NULIDADE NO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INTIMAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. IMPROCEDÊNCIA. Considera-se cientificada a pessoa jurídica cuja ciência do lançamento de ofício está registrada em Aviso de Recebimento expedido por repartição dos Correios, pois a remessa do auto de infração, por via postal, é meio legal para a comunicação da exigência tributária.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO RECINTO DA PESSOA JURÍDICA. IMPROCEDÊNCIA. O auto de infração deve ser lavrado no local de verificação da falta, o que não é causa impeditiva à lavratura fora dos recintos da fiscalizada ou, ainda, no interior da repartição fiscal.
NULIDADE. DESCUMPRIMENTO À LEI nº 9.784, de 1999. IMPROCEDÊNCIA. A Lei nº 9.784, de 1999, introduziu norma geral para regular o processo administrativo, no âmbito da Administração Pública Federal. Sua aplicação é subsidiária, portanto, na disciplina do processo administrativo fiscal, que é regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, fonte de norma especial que afasta a incidência daquela, a teor do artigo 2º, § 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil.
COMPENSAÇÃO EXCESSIVA DA BASE NEGATIVA DA CSSL. POSTERGAÇÃO. APLICAÇÃO ANALÓGICA - O artigo 6º, § 3º, alínea c, do DL 1.598, de 1977, inseriu, no conceito amplo de exclusão, a compensação de prejuízos fiscais. Nesse sentido, os prejuízos fiscais compensados acima do limite legal podem ensejar a postergação no recolhimento do IRPJ, consoante o disposto no parágrafo 4º do referido artigo, que determina a adição de quaisquer parcelas excluídas com a inobservância do regime de competência. Por outro lado, a CSSL só foi instituída em 1989. É dizer, o legislador de 1977 não poderia imaginar que em 1989 seria instituída a contribuição referida, cuja base de cálculo, assim como o imposto de renda, parte da apuração do lucro líquido e prevê ajustes de adição e de exclusão. Diante disso, a semelhança dos regimes de apuração entre as exações autoriza a conclusão de que o legislador de 1977 teria pensado na hipótese, o que nos leva a estender, por analogia, as regras acima mencionadas, estabelecidas no DL nº 1.598, de 1977, às bases negativas da CSSL compensadas além do teto legal, a exemplo do que se admite para os prejuízos fiscais, quando compensados em valor superior ao permitido. Assim, restando comprovado o posterior recolhimento de CSSL, o Fisco deveria destacar, no montante pago, a importância relativa ao período em que a compensação ultrapassou o limite da lei, diminuindo o valor total faltante, para fins de exigência em lançamento de ofício.
Numero da decisão: 103-22.389
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pela contríbuinte e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para excluir a exigência, vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber (Relator) que negou provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
Nome do relator: Cândido Rodrigues Neuber
1.0 = *:*
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ementa_s : PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia se o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, quando esta apenas requer conhecimentos e argumentos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA. Não há ofensa ao devido processo legal se a Turma de origem, ainda que sucintamente, pronuncia-se de forma clara e precisa sobre as questões debatidas nos autos, assentando-se em fundamentos suficientes para embasar a decisão, afinal o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos aduzidos pela impugnante. NULIDADE NO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INTIMAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. IMPROCEDÊNCIA. Considera-se cientificada a pessoa jurídica cuja ciência do lançamento de ofício está registrada em Aviso de Recebimento expedido por repartição dos Correios, pois a remessa do auto de infração, por via postal, é meio legal para a comunicação da exigência tributária. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO RECINTO DA PESSOA JURÍDICA. IMPROCEDÊNCIA. O auto de infração deve ser lavrado no local de verificação da falta, o que não é causa impeditiva à lavratura fora dos recintos da fiscalizada ou, ainda, no interior da repartição fiscal. NULIDADE. DESCUMPRIMENTO À LEI nº 9.784, de 1999. IMPROCEDÊNCIA. A Lei nº 9.784, de 1999, introduziu norma geral para regular o processo administrativo, no âmbito da Administração Pública Federal. Sua aplicação é subsidiária, portanto, na disciplina do processo administrativo fiscal, que é regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, fonte de norma especial que afasta a incidência daquela, a teor do artigo 2º, § 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. COMPENSAÇÃO EXCESSIVA DA BASE NEGATIVA DA CSSL. POSTERGAÇÃO. APLICAÇÃO ANALÓGICA - O artigo 6º, § 3º, alínea c, do DL 1.598, de 1977, inseriu, no conceito amplo de exclusão, a compensação de prejuízos fiscais. Nesse sentido, os prejuízos fiscais compensados acima do limite legal podem ensejar a postergação no recolhimento do IRPJ, consoante o disposto no parágrafo 4º do referido artigo, que determina a adição de quaisquer parcelas excluídas com a inobservância do regime de competência. Por outro lado, a CSSL só foi instituída em 1989. É dizer, o legislador de 1977 não poderia imaginar que em 1989 seria instituída a contribuição referida, cuja base de cálculo, assim como o imposto de renda, parte da apuração do lucro líquido e prevê ajustes de adição e de exclusão. Diante disso, a semelhança dos regimes de apuração entre as exações autoriza a conclusão de que o legislador de 1977 teria pensado na hipótese, o que nos leva a estender, por analogia, as regras acima mencionadas, estabelecidas no DL nº 1.598, de 1977, às bases negativas da CSSL compensadas além do teto legal, a exemplo do que se admite para os prejuízos fiscais, quando compensados em valor superior ao permitido. Assim, restando comprovado o posterior recolhimento de CSSL, o Fisco deveria destacar, no montante pago, a importância relativa ao período em que a compensação ultrapassou o limite da lei, diminuindo o valor total faltante, para fins de exigência em lançamento de ofício.
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' CRN _R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia Lida. I ~ Processo nO Recurso n° Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÃMARA : 10283.000677/00-91 : 142.997 : CSLL - Ex(s): 1996 : PETRO AMAZON PETRÓLEO DA AMAZÔNIA LTDA. : 1" TURMA/DRJ-BELÉM/PA : 24 de março de 2006 : 103-22.389 PERíCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de pericia se o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, quando esta apenas requer conhecimentos e argumentos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA. Não há ofensa ao devido processo legal se a Turma de origem, ainda que sucintamente, pronuncia-se de forma clara e precisa sobre as questões debatidas nos autos, assentando-se em fundamentos suficientes para embasar a decisão, afinal o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos aduzidos pela impugnante. NULIDADE NO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INTIMAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURíDICA. IMPROCEDÊNCIA. Considera-se cientificada a pessoa juridica cuja ciência do lançamento de ofício está registrada em Aviso de Recebimento expedido por repartição dos Correios, pois a remessa do auto de infração, por via postal, é meio legal para a comunicação da exigência tributária. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO RECINTO DA PESSOA JURíDICA. IMPROCEDÊNCIA. O auto de infração deve ser lavrado no local de verificação da falta, o que não é causa impeditiva à lavratura fora dos . .' o ainda no interior da repartição fiscal. NULIDADE. DESCUMPRIMENTO À LEI nO 9.784, de 1999. IMPROCEDÊNCIA. A Lei nO9.784, de 1999, introduziu norma geral para regular o processo administrativo, no âmbito da Administração Pública Federal. Sua a[)licação é subsidiária, portanto, na disciplina do processo __ admil)iWativo fiscal, que é regido pelo Decreto n"l"O:235-,-de--1-9'1-2,-foote- de norma especialque -afasta a inciCiêrfciadaqüela, ateor-do artigo-2°, S --- ;- a ::el COMPENSAÇÃO EXCESSIVA DA BASE NEGATIVA DA CSSL. POSTERGAÇÃO. APLICAÇÃO ANALÓGICA - O artigo 6°, S 3°, alinea c, do DL 1.598, de 1977, inseriu, no conceito amplo de exclusão, a compensação de prejuízos fiscais. Nesse sentido, os prejuízos fiscais compensados acima do limite legal podem ensejar a postergação no recolhimento do IRPJ, consoante o disposto no parágrafo 4° do referido ~-_ .. ~ f) Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 artigo, que determina a adição de quaisquer parcelas excluidas com a inobservância do regime de competência. Por outro lado, a CSSL só foi instituída em 1989. É dizer, o legislador de 1977 nâo poderia imaginar que em 1989 seria instituída a contribuição referida, cuja base de cálculo, assim como o imposto de renda, parte da apuração do lucro líquido e prevê ajustes de adição e de exclusão. Diante disso, a semelhança dos regimes de apuração entre as exações autoriza a conclusão de que o legislador de 1977 teria pensado na hipótese, o que nos leva a estender, por analogia, as regras acima mencionadas, estabelecidas no DL nO 1.598, de 1977, às bases negativas da CSSL compensadas além do teto legal, a exemplo do que se admite para os prejuízos fiscais, quando compensados em valor superior ao permitido. Assim, restando comprovado o posterior recolhimento de CSSL, o Fisco deveria destacar, no montante pago, a importância relativa ao período em que a compensação ultrapassou o limite da lei, diminuindo o valor total faltante, para fins de exigência em lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PETRO AMAZON PETRÓLEO DA AMAZÔNIA LTOA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pela contríbuinte e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para excluir a exigência, vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber (Relator) que negou provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. c. ER FLÁVIO CO CORRÊA RELA TORDESIGNADO __ ~FO~RMAI IlADD EM' o 8 DEL2006 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, MAURíCIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, PAULO CINTO DO NASCIMENTO e VICTOR Luís DE SALLES FREIRE. 2 CRN - R142.997 - Palro Amazon Petróleo da Amazônia Uda. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO Acórdão nO : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 Recurso nO Recorrente : 142.997 : PETRO AMAZON PETRÓLEO DA AMAZÔNIA LTDA. RELATÓRIO PETRO AMAZON PETRÓLEO DA AMAZÔNIA LTDA., foi autuada para eXlgencia de crédito tributário de CSLL, no montante de R$ 62.154,40, inclusive os consectários legais, sob a acusação fiscal de compensação indevida de bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquído - CSLL, superior ao limite de 30% do lucro liquido ajustado, antes das compensações, referente aos fatos geradores dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1995, com enquadramento legal nos art. 2°, da Lei nO7.689/88; art. 58, da Lei nO8.981/95; e arts. 12 e 16, da Lei nO9.065/95, segundo descrito no auto de infração e seus demonstrativos de fls. 04 a 09. Cíentificada em 31/01/2000, conforme "A. R", de fls. 55, a contribuinte apresentou impugnação em 22/02/2000, fls. 58 a 104, instruida com os documentos de fls. 105 a 128. Insurgiu-se contra a pretensão fiscal suscitando diversas preliminares de nulidades. No mérito, propugnou pela improcedência do lançamento. Alfim, requereu a realização de pericia e o cancelamento do auto de infração. A decisão de primeira instância, fls. 140 a 147, julgou procedente o lançamento do CSLL, decidindo com base nos seguintes fundamentos: - rejeitou todas as preliminares suscitadas pela contribuinte; - no mérito, manteve a exigência com amparo nas disposições do art. 58, da Lei nO8.981/95 e art. 12 e 16, da Lei nO9.065/95; . manteve a exigência da multa de lançamento do oficio, com base nas disposições dos arts. 44 e 61 da Lei nO9.430/96, rejeitando, assim, o pleito da contribuinte de se aplicar a multa de mora de 20%; -...----r-ejeitOtl-também-o-pedido-de--reaHzação-de-pBrícia, considerada --~desnecessária-a's0Iuçã0-dalide.' ------ ------.- ... lencia da decisão de primeira instância em 14/07/2004, segundo "A. R." afixado às fls. 148 verso. recurso 3 Irresignada, a contribuinte, em 13/08/2004, fls. 150, interpôs voluntário, fls. 152 a 208, instruido com os documentos de fls. 209 a 252. ~CRN - R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia LIda. Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 O recurso voluntário está estruturado em quatro tópicos, a saber: A) - sinopse fática; B) - razões jurídicas, fáticas e legais do recurso, subdividido em 43 (quarenta e seis) itens; C) - requerimento de aplicação do artigo 37 da Lei nO9.784/1999; e D) - requerimento de realização de perícia. No seu alentado recurso voluntário, nos 43 (quarenta e três) itens do tópico "B", intitulado "B) - razões jurídicas, fáticas e legais do recurso", a contribuinte reprisa as preliminares e razões de mérito declinadas na impugnação e aduz novas preliminares e argumentos, tudo a seguir relacionado, resumidamente: 1 - nulidade do julgamento de 1" instância por falta de realização da pericia. Caracterização do cerceamento do direito de defesa; 2 - nulidade do julgamento de 1" instância por não apreciar todos os itens da defesa; 3 - nulidade do julgamento de 1" instância: a falta de apreciação de todos os itens da defesa contraria o item X, do artigo 93 da Constituição Federal; 4 - nulidade do julgamento de 1" instância por contrariar o artigo 59, 11, do Decreto Federal nO70.235, de 06/03/1972; 5 - a falta de julgamento contraria o artigo 48 da Lei nO9.784, de 29 de janeiro de 1999; 6 - nulidade do auto de infração, por falta de intimação do representante legal da empresa; 7 - ausência de assinatura no auto de infração pelo representante legal da-empresa;- 8 - nlllidade d.o--<l.UÍQde infr<l.Ç.ãop_orviola ão do arti o 8° do decreto nO 70.235; 9 - falta de cumprimento do artigo 23 do Decreto nO70.235, nulidade do ,"lo d, ;,frnção.NoUd,d,d" ;'I;m'çõ,,: , 4 CRN. R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazónia Ltda. Processo nO Acórdão nO 70.235; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 10 - nulidade do auto de infração por violação do artigo 10 do Decreto nO 11 - nulidade do auto de infração por violação da Lei nO9.784, de 29 de janeiro de 1999; 12 - nulidade do julgamento de 1" instância por falta de fundamentação de todos os itens da defesa; 13 - a recorrente tem direito de compensar prejuízo do próprio exercício; 14 - força do Parecer Normativo nO41/78; 15 - a fiscalização não compensou o prejuízo fiscal do próprio exercício de 1995 de R$ 156.907,86; 16 - o v. Acórdão do Tribunal Regional Federal, trazido à colação pelo julgamento de 1" instância, diz exatamente o contrário do que foi decidido; 17 - penalidade pecuniária; 18 - inaplicável a multa de ofício de 75%; 19 - na compensação dos prejuízos, mesmo que ultrapasse o limite de 30%, Q imposto de renda lançado e contribuição social sobre o lucro são indevidos, por representarem mera postergação temporal; 20 - o 1° Conselho de Contribuintes vem decidindo pela legalidade da compensação de 100% dos prejuízos de que se trata de mera postergação do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, se houve Ilucros nos anos posteriores; 21 - houve simples postergação; 22 - erros perpetrados pela fiscal federal, Maria Evangelina S. De Carvalho, no preenchimento do demonstrativo de valores apurados -IRPJ; ~-- ------ ----- -- -- -- ---23---a aplicação-da taxa-SELlC~ não pod!Lretroag!Lpara fatos geradores anteriores De!:ad.ê.Qcja.Lançamento por homologação; -- 24 - as multas e os juros não podem ultrapassar o principal; 25 - o v. acórdão do Supremo Tribunal Federal, trazido à colação pelo CRN - R142.997 - Petra Amazon Petróleo da Amazônia Ltda. ~ ! Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 26 - tributação dos reflexos: a exigência deve ficar suspensa até que seja proferida decisão definitiva no procedimento contra a pessoa juridica; 27 - a Lei nO8.981/95 não poderia vigorar em 1995, em face do artigo 195, S 6° da Constituição Federal. Somente poderia produzir efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996 para a Contribuição Social sobre o Lucro; 28 - a lei aplicável é a vigente antes de iniciar-se o período que se realizam os fatos jurigenos; 29 - tendo em vista que a Lei nO8.981/95 somente teve sua vigência a partir de 1° de abril de 1995, todo o periodo-base de 1995 está exonerado da incidência da Lei nO8.981/95, em face de três meses do seu fato gerador já terem ocorrido quando da sua efetiva incidência, nos termos do artigo 195, S 6° da Constituição Federal; 30 - caso semelhante, na vigência da Lei nO 9.689/88 (sic) (provavelmente quis se referir á Lei nO7.689/88); 31 - para satisfazer o principio da anterioridade, é necessário que a lei de regência do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro esteja vigente em 31 de dezembro do ano anterior ao do ano-base; 32 - demonstrativos da compensação da base negativa da CSLL do próprio ano-calendário de 1995, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1995; 33 - nulidade do auto de infração por não indicar dispositivo legal referente á compensação do prejuízo fiscal do próprio ano-calendário de 1995; 34 - para apuração da CSLL aplicam-se as mesmas regras do IRPJ; o prejuizo do ano-calendário de1995 é inteiramente dedutível, sem limite de 30%; 35 - efeitos juridicos do artigo 195, S 6° da Constituição Federal vigente; 36 - Contribuição Social - falta de observância do prazo de 90 días; 37 - vaca tio legis - o princípio nonagesimal contém a mesma natureza e efeitos 'urídicos da anterioridade; enquanto pendente o prazo de vacatio le9is, a lei '. .• tril5utariãnãb-in-dde-s'Obre-as- 'po ses" e-mcl encta; 38 - as Leis nO8.981 e 9.065/95 foram publicadas em 1965 (sic); não podem alcançar prejuizos apurados em 1994 e anterior; direito adquirido de a contribuinte 6 CRN - R142.997 - Petro Amazon Petróleo da Amaz6n/a Ltds. Processo na Acórdão na MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 + 39 - iurisprudência', transcre\leu a ementa do acórdão na 342ACl3, da 4a Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região; 40 - direito adquirido da CSLL - o artigo 16, da Lei na 9.065/95, pri\lou a contribuinte de compensar as bases negati\las, cujo direito já havia se consolidado em 31/12/1994; 41 - ofensa ao princípio da anterioridade e da irretroatividade - o artigo 16, da Lei na 9.065/95, somente seria aplicável às bases negativas apuradas a partir de 1° de janeiro de 1996; 42 - jurisprudência - cita jurisprudência judicial oriunda do Tribunal Regional Federal da 3a Região, no sentido da irretroatividade das disposições da Lei na 8.981/95, quanto à limitação da compensação de prejuízos; 43 - não se poderia aplicar multa de 75%; a multa não poderia ultrapassar 20%; a multa de 75%, na época da estabilização da moeda, representa verdadeiro confisco, sendo a multa máxima de 20%, conforme Ato Declaratório na 1, de 07/01/1997. No tópico "C", (por equívoco intitulado como tópico B) requer aplicação do art. 37 da Lei na 9.784/99, no sentido de o órgão competente para instruir o processo prover, de ofício, a obtenção de cópias de documentos, que contemplem fatos e dados registrados em documentos existentes na Administração responsável pelo processo. No tópico "O", (por equívoco intitulado de tópico C) requer a realização de pericia, para que o perito responda se "Foi compensado integralmente, 100%, do prejuízo do ano-calendário de 1995?". Alfim,pede a contribuinte provimento do seu recurso. Em 22/03/2006 foi juntada aos autos petição de fls. 258 a 265, instruída com os documento 266 a 311, enviada à Secretaria da Terceira Câmara via postal, nominada "recurso complementar" no qual, a contribuinte, a título de esclarecimento, em resumo, alega que na compensação de prejuízos fiscais, mesmo que ultrapassado o ~imite---ae-30"/o,- o-imposto oe-renda ~f1çadQ-e-.a-CSlL são-indeyid-ºª, por representarem ~ . -----mera postergação temporal; junta comprovantes de recolhimento d_oIBPJ e CSLL; evocou xpr.e.s.so ela.?dministra ão tributária no Parecer Normativo na Ó2/19-96~-- sobre a inobservância do regime de competencia-na-apuraçao e-res , infração refere-se ao ano calendário de 1995; no ano-calendário de 1996 a- empresa apresentou lucro; os prejuízos do exercício podem ser integralmente compensados dentro do próprio exercício em 100%, sem o limíte de 30%; assim a empresa pode deduzir o - - - prejuízos do próprio exercício de 1995, no valor de R$146.907,86; erro no cálculo do _ adicional, por falta de exclusões, para cálculo do adicional, dil!!ndimentos auferidos em CRN _R142 997 _ Patro Amazon Petróleo da AmaZÔnia Lida 7 U1J' ()/l/\ f Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 -I i T i operações financeiras; o imposto de renda e CSLL sobre o lucro do ano-calendário de 1996 e os devidos posteriormente foram parcelados e recolhidos, segundo documentação aportada aos autos, em anexo. Houve arrolamento de bens, para seguimento do recurso voluntário, segundo documentos e providências adotadas pela repartição de origem, noticiadas ás fls. 251 a 256. ~- ----- ~-- --~ -- .~_. -~~- ~~ .. CRN - R142.997 - Palro Amazon Petróleo da Amaz6nia LIda. 8 Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator Preliminares de nulidades da decisão de primeira instância. 9 VOTO VENCIDO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 CRN - R142.997 - Petro Amazon Petróleo da Amaz6nia Uda. ;- e, "a a realiza ão de perícia para confirmar se "Foi compensado integralmente, 100%, do prejUlzo do ano-Cae -ano- e 1995". Essa comprovação é de responsabilidade da contribuinte e deve ser efetuada, e perfeitamente possível, com elementos de prova colhidos na sua escrituração contábil e controles extracontábeis, sem necessidade de se incomodar os peritos ou de aparelhar as autoridades fiscais na produção de prova no interesse e de responsabilidade da- contribuinte. Essa é uma questão que será analisada em sede de mérito. ~ Processo nO Acórdão n° Cerceamento do direito de defesa e pedido de realização de perícia. É um direito da contribuinte pleitear a realização de diligência e perícia, entretanto, é prerrogativa da autoridade julgadora analisar tal pedido e deferi-lo somente iza ão indis ensáveLà solJ,Jçãodolitígio. O importante é que o indeferimento seja devidamente motivado e, nes e passo, -. - . procedeu escorreitamente ao manifestar o entendimento de que os autos possuem todos os elementos necessários à formação de convicção. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O indeferimento, pela autoridade julgadora em primeira instância, do pedido de realização de perícia, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, tal como alegado pela recorrente. À vista da prodigalidade e fartura com que lançou questões preliminares e atento aos princípios da objetividade, da finalidade e da economia processual, essas preliminares serão analisadas, englobadamente, em dois tópicos principais: nulidades da decisão de primeira instância e nulidades do auto de infração. Algumas preliminares versam sobre questões de mérito e assim serão enfrentadas. A contribuinte suscitou várias preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e do auto de infração ao longo dos 43 itens em que estruturou seu recurso voluntário. No tópico "O", (por equívoco intitulado de tópico C) requer a realização .de perícia,.pasa que o perito responda se --- ----- Ademais, não se faz necessana a realização de pencla contábil solicitada pela contribuinte, para que fosse verificada in loco a existência dos prejuizos contábeis ou a regularidade de sua compensação, esta uma questão de mérito. Ocorre que a existência ou não de prejuízos fiscais compensáveis não é o núcleo do liligio, mas sim a inobservância do limite de 30% do lucro real, para a sua compensação, ou seja, o litígio haverá de ser solucionado a partir da análise de questão de direito, não havendo, segundo me parece, controvérsias quanto aos fatos. I, Processo nO Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 [ i :-; ! Rejeito essa preliminar de cerceamento do direito de defesa, bem como, pelos mesmos fundamentos, voto pelo indeferimento do pedido de realização de pericia. Outras preliminares de nulidades da decisão de primeira instância, em razão de alegado cerceamento do direito de defesa, suscitadas pela contribuinte, foram expendidas sob o argumento de que a autoridade julgadora a quo não teria enfrentado todos os itens da impugnação. Aqui também a razão não assiste à recorrente. Os julgadores não são obrigados a se manifestar sobre todos os argumentos de defesa lançados pela contribuinte. O que se torna indispensável é transmitir uma visão clara da matéria litigiosa e decidi-Ia fundamentadamente, apreciando as provas e os principais argumentos de defesa necessários à solução da lide de modo que, ao interessado nos autos, reste claro os motivos que embasam a decisão proferida. No caso presente, a decisão recorrida está devida e amplamente fundamentada e tendo em vista o elastério e abundância com que se houve a contribuinte no formular argumentos de defesa, tanto na impugnação como no presente recurso voluntário, resta indubitável que teve perfeita compreensão, não só dos motivos da allÍ! lação como da decisão ora atacada tendo se defendido sem peias. Dessarte, não houve nenhuma ofensa aos dispositivos constitucional e legais mencionados pela recorrente, a saber: inciso X, do artigo 93, da Constituição Federal; artigo 59, inciso 11, do Decreto nO70.235/72; e artigo 48, da Lei nO9.784199. Rejeito as preliminares ae cerceamento -dol:lireito-de defesa.-- A contribuinte suscitou preliminares de nulidade do auto de infração sob o argumento de falta de intimação do representante legal da empresa e ausência de assinatura no auto de infração pelo representante legal da empresa, bem como por alegadas inobservâncias de dispositivos do Decreto nO70.23 2 e da Lei nO9.784/99. 10 CRN - R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia Ltda. Preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 Processo n° Acórdão nO A fiscalização lavrou por escrito todos os termos fiscais e intimações feítas à contribuinte e lhe entregou cópias de todos eles, não tendo a contribuinte logrado comprovar a alegada ofensa ao disposto no artigo 8°, do Decreto nO70.235/72. Da mesma forma, revi o auto de infração e constatei que o fisco, quando da sua lavratura, observou todos os requisitos previstos no artigo 10, do Decreto nO 70.235/72. A razão não lhe socorre. No caso presente, a contribuinte foi regularmente cientificada do auto de infração, no seu domicilio tributário, via postal, segundo "A. R." de fls. 55, que é uma das formas de intimações prevista no artigo 23, do Decreto nO70.235/72, especificamente no seu inciso 11, sem ordem de preferência em relação às outras formas de intimações previstas no referido dispositivo legal, sem necessidade de assinatura ou de intimação pessoal do representante da empresa. Basta que os correios, comprovadamente, tenham entregue o auto de infração no domicilio fiscal da empresa e isto ocorreu e, desse fato, não decorreu nenhum prejuízo à contribuinte quanto ao conhecimento das irregularidades que lhe foram imputadas. Tanto assim é que apresentou longas peças de defesa, tempestivamente. O auto de infração deve ser lavrado no local da verificação da falta, não necessariamente no recinto da empresa. O fisco pode iniciar as suas investigações dentro da empresa e prossegui-Ias em outros locais inclusive em outras empresas e dentro da própria repartição fiscal, vindo a lavrar o auto de infração no local onde concluir os seus trabalho, que vem a ser o "local da verificação da falta" a que se refere o caput do artigo 10, bem como o seu inciso 11, do Decreto nO70.235/72. A evocação de diapositivos da Lei nO 9.784/99 em nada aproveita a contribuinte, no presente caso. Esse diploma legal regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, mas aplica-se apenas naquelas situações em que n '. "'. - . . 'co reido, ar lei própria, a teor do disposto no artigo 69, da evocada Lei nO9.784/99, cujos dispositiVOS sao ap I outros tipos de processos administrativos, regulados por leis próprias, apenas subsidiariamente. Destarte, não houve nenhuma inobservância das disposições os artigos 8°, 10 e 23, do Decreto nO 70.235/72, razões pelas quais rejeito essas preliminares. 11 CRN - R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia Ltda. No-easo-presente, não vislumbrei a ocorrência de qualquer hipótese não -disciplinada -pelo Decreto., nO_.70~Z_35/J], que justificasse a aplicaçáo---subsidiária-de ositivos da Lei nO9.784/99. - . '_. -. - .. -. Processo na Acórdão na MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 A contribuinte incorreu em erro ao suscitar preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário, no item "B-23" do recurso voluntário, ao afirmar que "..., o período anterior a janeiro de 1995, incorreu em DECADÊNCIA. O Auto de Infração foi lavrado em 26 de janeiro de 2000.". O crédito tributário, ora discutido, refere-se aos fatos geradores dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1995 e o auto de infração foi cientificado à contribuinte em 31/01/2000, segundo "A. R." afixado às fls. 55. Desse modo, por quaisquer critérios de contagem do lustro decadencial, seja pela regra do artigo 150, S 40, ou pela regra do artigo 173, I, do CTN, não ocorreu a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento tributário, cujo termo final, pela regra do artigo 150, S 40, do CTN, seria 31/10/2000. Rejeito a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário. Enfrento o mérito. A questão litigiosa ora em análise é por demais conhecida dos membros deste colegiado, bem como da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já tendo sido analisada inúmeras vezes No que tange ao suposto direito adquirido à compensação integral da base de cálculo negativa da CSLL acumulada anteriormente ao ano-calendário de 1995, a partir da Lei na. 8.981/95, sob o pressuposto de que aquele direito já integrava o patrimônio jurídico das pessoas jurídicas, não comungo da idéia de que o direito adquirido à compensação íntegral nasceu (para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real) no instante em que foi apurado o prejuízo no levantamento do balanço. Entendo que descabe qualquer ofensa aos princípios constitucionais da anterioridade e. . . A questão ora apreciada encerra no seu cerne a discussão acerca da limitação de 30%, imposta à compensação, em exercícios subseqüentes, de bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas, apuradas em exercícios anteriores, como jsGipJínado-r:lo~rtigo_5a, da Lei na. 8.981/95 e no artigo 16, da Lei na 9.065/95. -- -- ---- ---- .1 I, 'I ' / 1:) I" {' - --I: . -\~'. \ ,\ ambém não \lá o,uese 1alar em o\ensa ao d\reo ado,u\~\do. CRN - R142,997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia Ltda. 12 Sobre a matéria- venho- reíTeraaamente sostentando'que-as-tJases-de- -' - cálculo negati'i7âS'ila-G-S€t=, afml'acIas=a-partiL:do~onG@J+amento dO-<lllO-calendário de 1995, podem ser compensadas, cumulativamente com as bases de cálculo negativas <ia CSLL apuradas até 31 de dezembro de 1994, com os resultados futuros das pessoas iuridicas, obsef\lado o limite máximo de 30% (trinta \lm cento) do re1erido lucro lio,uido a\us\ado, \al como ~~e\J\s\onas ~es~ec\\\Jasle~lslal<ões do IR? ~ e da contú'm.ill<ãosoc\al. ; :il ", Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677100-91 : 103-22.389 r I, A este propósito o Supremo Tribunal Federal, pela sua 1". Turma, decidiu ser legitima a limitação da compensação, sem que isto implique em ofensa aos princípios da anterioridade e da irretroatividade e nem afronta ao direito adquirido, com se vê na seguinte ementa: "EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N°. 812, DE 31.12.94, CONVERTIDA NA LEI N°. 8.981/95. ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A PARCELA DOS PREjuízos FISCAIS, DE EXERCíCIOS ANTERIORES, SUSCETíVEL DE SER REDUZIDA NO LUCRO REAL, PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS EM REFERÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCípIOS DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROA TlVIDADE E DO DIREITO ADQUIRIDO. Diploma normativo que foi editado em 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercicio financeiro encerrado. Descabimento da alegação da ofensa aos principios da anterioridade e da irretroatividade, relativamente ao imposto de renda, o mesmo não se dando no tocante á contribuição social, sujeita que está á anterioridade nonagesimal do art. 195, S 6°., da CF, que não foi observado. Inocorrência de afronta ao direito adquirido. Recurso conhecido, em parte, e nela provido ". (RE-263026/MG. No mesmo sentido RE-232.084-9 e RE-244.293-SC, todos reI. Ministro ILMAR GALVÂO). O fato de que, até a edição da MP nO.812/94, depois Lei nO.8.981/95, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real pudessem compensar integralmente os seus prejuízos fiscais de um ano com o lucro de até 4 (quatro) anos-calendário subseqüentes, não significa venham elas (as pessoas juridicas tributadas pelo lucro . '. . de como direito ilimitado. A lei poderia mudar o critério de compensação dos prejuízos fiscais, o que o fez, a las, a el n. . posteriormente, a Medida Provisória nO.812/94, entendimento que se aplica igualmente à compensação das bases de cálculo negativas da CSLL. ----.- O..e.. longa data a regra das compensações dos prejuizos fiscais segue o princípio denominado"tempusregitaCtum";ouseja-:-aquele-que-pretender-efell:lar-a--- compensação, a legislação aplicável é obviamente aquela do tempo em-que'esta-é Cumpre destacar, ainda, com relação aos fundamentos acima mencionados, a seguinte jurisprudência do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes: "LEGISLAÇÃO APLICÁ VEL - O valor do prejuízo a ser compensado é .- determinado pela legislação vigente no exercício de sua apuração e as,~."'".~-~~c:::::..~::::.:.~:U'd,"e"O a, in,e, no momentoda I l I i i, Processo na Acórdão na MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677100-91 : 103-22.389 compensação do prejuízo. Interpretação deste artígo" (Acs. 10.. CC - 101-74.113/83 e 101-75.001/84). "REGRAS PARA COMPENSAÇÃO (EX. 86) - O valor a ser compensado é determinado pela legislação vigente no exercício de sua apuração e as condições para uso da faculdade são as vigentes no momento da compensação dos prejuízos" (Ac. 10. CC - 105-3.259/89 - 00 27.11.89). "PREjuízo DE PERíODO-BASE ANTERIOR A 1977 - Indevida a compensação de prejuízo que não leve em conta a legislação em vigor no exercício financeiro correspondente" (Ac. 10. CC - 103-5.114/83). J t I O entendimento expresso nas ementas acima, reflete, em sua plenitude, a opinião que defendo no presente caso a luz da lei e também do direito, por ser uma matéria que se ajusta ao art. 16 da Lei na. 9.065, de 20106/1995, estabelecendo que o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, só poderia ser reduzido em no máximo 30% (trinta por cento), mesmo que as bases de cálculo negativas da CSLL, acumuladas, ficassem aguardando nova base de cálculo positíva. Em síntese, de acordo com o princípiO juridico "tempus regit actum': a compensação será efetuada sempre em consonância com a legislação aplicável à época em que o contribuinte optar por sua realização, do mesmo modo que a apuração das bases de cálculo negativas rege-se pela legislação vigente no ano-calendário em que foram geradas. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, recentemente, dentre outros inúmeros julgados sobre o tema, quando do julgamento do recurso especial na 105-130.758, no processo na 13971.000184/2001-61, acórdão na ÇSRE/Q1-05 277 de 20109/2005 no q' 'a' proferi o ,,0+0 "encedor, COrroboro!! esse entendimento, o qual veste ao presente caso, como luva em mão de dono, sob a seguinte ementa, in verbis: "CSL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGA TlVAS - LIMITAÇÃO A30% - A compensação da base de cálculo negativa da . ._ÇS~, 8fJiJr..adª-_ª-pa_rti! do encerral7Jª-nto do ano-c.alendMº J!.e. 1995, acumulada com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de=1:fJ94;=está=limitada a J(}%=d0=I'eSGi1ae(HjG=PfH'leGeqjtFaf'i&r:a~ifjé ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, em conformidade com as disposições do artigo 58 da Lei na. 8.981/95 e do artigo 16 da Lei na. 9.065/95. Recurso especial negado. ". 14CRN. R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia Lfda. :! MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 so a aprecrar-o ras--qu Assim, esses argumentos de defesa também não podemser acolhidos-. Ademais, fosse aplicável ao caso presente, a carência nonagesimal, a mesma foi observada, seja contando o prazo de 90 (noventa) dias a partir de 31/12/1994, data da publicação da Medida Provisória nO812, ou de 20/01/1995, data de . - . , . oduziriam os efeitos legais desejados, visto que os fatos geradores autuados referem-se aos meses de outubro, novembro e dezembro de 1995, da mesma forma se considerarmos que a declaração de ajuste anual, fls. 14 a 52, referente ao ano-calendário de 1995, foi apresentada no exercício financeíro de 1996. recorrente. No item "B-22" a contribuinte dardejou possível erro de preenchimento do demonstrativo fiscal, fls. 06, que teria sido cometido pela autuante. Equivocou-se a recorrente. A título meramente informativo, anoto que, num primeiro momento, a jurisprudência administrativa oriunda desta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sobre o tema ora em comento, era favorável à tese defendida pelos contribuintes, embora por escassa maioria, cujas decisões objeto de recursos especiais por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional foram todas reformadas pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, inclusive com o concurso do meu voto na Câmara de origem e na CSRF. Contudo, o Colegiado da Terceira Câmara, a partir de determinado momento, a exemplo também da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, adotou a jurisprudência majoritária das demais Câmaras, também na linha da jurisprudência judicial emanada do STF, já referida neste voto. Processo nO Acórdão nO CRN - R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia Uda. 15 Nos itens "B-27" a "B-31 " e "B-35" a "B-37" de seu recurso voluntário, a contribuinte evocou a observância do princípio da anterioridade nonagesimal, na aplicação da legislação relativa à contribuição social. A razão não lhe assiste. O referido princípio esculpido no ~ 6°, do artigo 195, da Constituição Federal, refere-se às hipóteses em que a lei institui ou modifica contribuições sociais, o que não é o caso dos dispositivos da Medida Provisória nO812, de 31/12/1994, convertida na Lei nO 8.981, de 20/01/1995, ora em comento, que . simplesmente disciplinou critérios de compensação de bases de cálculos negativas da CSLL, acumuladas até 31/12/1994, cumuladas com as bases negativas apuradas a partir de 01/01/1995, com os lucros apurados em períodos futuros, ou seja, não houve qualquer alteração ou modificação quanto aos critérios de apuração da CSLL, nos respectivos períodos de apuração. Processo na Acórdão na MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 Referido demonstrativo não apresenta nenhum erro, pois é mera recomposlçao do lucro real mediante cômputo da compensação de prejuizos fiscais, calculado com base no limite de 30%. Na verdade, o que a recorrente assevera ser erros cometidos pela auditora fiscal no preenchimento do demonstrativo integrante do auto de infração, fls. 06, decorre do fato de que ela (a recorrente), na sua visão, entende que teria direito a compensar integralmente prejuizos apurados dentro do próprio ano-calendário, no valor de R$ 146.907,86. Então não se trata de erro cometido pela auditora fiscal, mas sim do núcleo do litígio, atinente à própria irregularidade imputada à contribuinte, questão de mérito que é apreciada em outro item deste voto. Refeito, pelo fisco, a base de cálculo da CSLL a ser tributada, mediante o cômputo da compensação de bases negativas, calculadas com observância do limite de 30% do lucro liquido do periodo ajustado, resultou nos valores tributáveis especificados no demonstrativo fiscal de fls. 06, que instruí o auto de infração. Portanto, correto o procedimento fiscal, no particular. Outro argumento de defesa relevante aportado pela contribuinte refere- se à alegada possibilidade de compensação integral dos prejuizos gerados nos meses do próprio ano-calendário de 1995 com os lucros gerados dentro do próprio ano- calendário. A razão não lhe socorre. Segundo os fundamentos legais, que já declinei neste voto, o limite de 30% aplica-se sobre o lucro real do período, antes da compensação, de acordo com o eríodo de apuração adotado pela contribuinte, seja esse período mensal, ou trimestral ou anua. sSlm,' - lucro real é mensal, a compensação de prejuizos está limitada a 30% do lucro real mensal, se anua o pen lucro real a compensação está limitada a 30% desse lucro real anual. Essa tese, da compensação integral dos prejuízos gerados em alguns -meses-com-os-lllGres-de-outros_mes~~próprio ano-calendário, realmente foi adotada - .- - - - algumas' vezes por. Câmaras deste Conselho ae-COntribuintes; -inGlusive-P0Le.sí_a __ ._ ceira C.âmé!ra, entretanto referidas decisões foram reformadas pela.Primeira_Turma da Câmara Supenor de Remrsos-FíSéaisi"tjQe=paejfjsol,l (;)eptendilllento de que o limite de 30% aplica-se ao período mensal de apuração do lucro real, mesmo que o próprio ano-calendário. Outro aspecto adstrito a essa questão está em que, segundo a legislação regente dessa matéria, já declinada neste voto, as bases negativas da CSLL apuradas, a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, podem ser compensadas, cumulativamente com as bases negativas aC4 uladas apuradas até 31 16 CRN - R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia Ltda. Discordo dessa tese de defesa. - contribuinte, uma vez autuada em verificar ntuais repercussões da MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 É um direito e um dever da determinado exercício financeiro, identificar e CRN. R142.997 - Pelro Amazon Petróleo da Amazônia Ltda. 17 Em segundo lugar, a fiscalização circunscreveu-se ao ano-calendário de 1995, não estando o fisco obrigado a ampliá-Ia para exercícios futuros com vistas a identificar eventual postergação no pagamento do imposto. Primeiro porque entendo que o instituto da postergação, adotado na legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas, consubstanciado no artigo 273 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto na 3.000, de 26/03/1999, RIR/99, que tem por matriz legal o artigo 60, S 50, do Dercreto-Lei na 1.598, de 1977, é de trato contábil, referindo-se à postergação do pagamento imposto em razão da inobservância do regime de competência contábil, devido a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receitas, rendimentos, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, ou seja, opera-se antes da apuração do resultado do exercício, cujo lucro líquido será o ponto de partida para quantificação do lucro real, base de cálculo do IRPJ. A contribuinte evocou o instituto da postergação do pagamento da CSLL para o exercício seguinte, alegando que a compensação integral do lucro do ano- calendário de 1995, com os prejuizos acumulados, implicaria no pagamento de contribuição social a maior nos exercícios subseqüentes. Portanto, sem razão a contribuinte ao alegar que o fisco glosou integralmente os prejuizos do próprio ano-calendário de 1995, no valor de R$ 146.907,85. O fisco, ao limitar a compensação dos prejuízos em 30% do lucro líquido ajustado, do período mensal, simplesmente observou a legislação de regência aplicável ao caso presente. de dezembro de 1994, com os lucros futuros das pessoas juridicas, observado o limite máximo, para compensação, de 30% (trinta por cento) do referido lucro liquido ajustado, ou seja, antes da compensação das bases negativas. Processo na Acórdão na ucro real, obtido a partir do lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições e exclusões autoriza as . de trato extracontábil, no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, quando então se compensa eventuais prejuízos fiscais acumulados, inexistindo previsão legal para o tratamento de postergação do pagamento do imposto em virtude de irregularidades com idas'-na'eemol"1stração-Sl~lucro real, ao contrário do que ocorre com eventual --inobservância -do- regime .de competênciacontábiJ;-deviee-a--il"1exatidã-º--iluanto ao . do-de apuração de escrituração de receitas, 'custose despesas,.entendimento este que se aplica tamberrràcdega(la-fJGste,.~ -. -- -. I I I I I, Processo na Acórdão na MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 ._-- ---~-~- autuação fiscal em relação aos exercícios seguintes, não abrangidos pela fiscalização, e promover os ajustes contábeis e fiscais, extracontábeis, especificamente no LALUR, refazendo as demonstrações do lucro real dos exercícios seguintes e, sendo o caso, promover a retificação das correspondentes declarações de rendimentos perante a Secretaria da Receita Federal, o que pressupõe o acatamento e aplicação, por parte da contribuinte, da legislação reguladora da compensação dos prejuizos fiscais, inclusive quanto ao limite de 30%. A postergação, no caso presente, não é algo que se alega genericamente que ocorreu, mesmo que se demonstre que houve pagamento de CSLL no exercício seguinte. É indispensável que seja comprovada e seja providenciada a recomposição da base cálculo da CSLL dos exercícios seguintes, considerando a base de cálculo de cada período mensal ou anual e o montante da base negativa compensável, dentro do limite de 30%, o que demanda também a retificação das respectivas declarações de rendimentos em troca das já apresentadas pela contribuinte, ocasião em que a contribuinte poderá compensar eventuais parcelas de CSLL que tenha pago a maior no respectivo período, em função de não ter compensado o montante da base negativa possivel nesse periodo, providências necessárias para controle, dos estoques das bases de cálculo negativas da CSLL compensáveis, pela própria contribuinte bem como pela Administração Tributária, mas são providências que competem à contribuinte, não ao fisco. Esse argumento de defesa, ao par de representar uma confirmação da irregularidade autuada, traz em seu bojo o vicio de tornar letra morta a legislação fiscal disciplinadora do limite para a compensação de prejuízos fiscais, na medida em que, para elidir a exigência fiscal, bastaria a contribuinte alegar, genericamente, que houve mera postergação do pagamento do imposto, sem efetuar as demonstrações, comprovações e controles típicos das declarações de rendimentos retificadoras. A contribuinte, nos itens "B-17", "B-18" e "B-43", insurgiu-se contra a cobrança da multa de lançamento ex officio e de juros de mora alegando que não podem ultrapassar o montante do principal, com fulcro no artigo 920 do Código Civil de 1~16-e.artigo----4j.2_doJ]oyo...c.ódigo_Civil,bem como alegª-9ue a multa de lançamento ex ---_ --officiode 75%, prevista.oo artigo 44.,. da Lei _na.Q..430/1996, não poderia ser aplicada ara fatos geradores anteriores a 1996. Asseverou também que a multa de 75%-te~--- na ureza confiscatóna---e-que-;-no-caso--pres ;-. evéfia=seFdpliGdGa=a:muIWuie=l'lwf - 20%. O inconformismo da recorrente não merece prosperar, visto que a eXlgencia dos consectários legais em matéria tributária é disciplinada por legislação específica, capitulada no auto de infração, fls. 08, que não limita o montante dos acréscimos legais ao valor do principal, 18 CRN - R142.997 - Petro Amazon Petróleo da Amazônia Ltda. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 Processo nO Acórdão nO Juros calculados com base na Taxa SELlC. A razão não lhe socorre. Em se tratando de lançamento ex afficia, ao fisco era obrigatória a aplicação da multa de lançamento ex afficia, no percentual de 75%, previsto na legislação de regência, o artigo 4°, inciso I, da Lei nO8.218/91, combinado com o artigo 44, inciso I, da Lei nO9.430/1996, não sendo possível a aplicação da evocada multa de mora de 20%, a qual deve ser cominada em outras situações, quando a contribuinte, espontaneamente, efetua recolhimentos de tributos após os prazos de vencimentos. No demonstrativo de cálculo da multa de lançamento ex afficia, fls. 08, a base legal para cominação da penalidade pecuniária foi o artigo 4°, inciso I, da Lei nO 8.218/91, que a definiu em 100%. Entretanto, com o advento do artigo 44, inciso I, da Lei nO 9.430/1996, o percentual da multa foi reduzido para 75%, aplicada ao caso presente, por se tratar de penalidade mais benéfica que a anterior, isto com fulcro nas disposições do artigo 106, inciso li, alínea "c", do Código Tributário Nacional. A multa de lançamento ex affieia de 75%, também não se reveste de características confiscatória como acredita a contribuinte. O que é defeso ao legislador é instituir tributo com natureza confiscatória, mas multa é penalidade pecuniária tributária, não é tributo, e pode ser definida no percentual entendido pelo legislador com desencorajador do sujeito passivo de praticar infrações à legislação tributária. No caso dos autos a exasperadora foi lançada regularmente, com base na legislação própria em plena vigência. Portanto, correta a autuação, também neste particular. Os juros de mora são calculados sobre os créditos da União, vencidos e não pagos, de acordo com as legislações vigentes ao longo dos períodos de apuração, in ependentemente-da-data-da-ocorrêncLa do fato gerador. No item "B-23", a contribuinte alega impossibilidade de eXlgencia de juros calculados com base na taxa SELlC retroativamente a fatos geradores anteriores, alem de questionar a legalidade da sua exigência. Assim, no caso dos autos, os juros de mora para o período de janeiro a março de 1995, devem ser calculados com base na legislação então vigente, a Lei nO 8.981/1995, artigo 84, inciso I, ess 1°, 2° e 6°. A partir do mês de abril de 1995, os juros de mora passam a ser calculados com base na nova legislação, a partir dai, com base' nas dísposições da Lei nO9.065/1995, artigo 13, e Lei nO9.43 /1996, artigo 61, S 3°. CRN - R142.997 - Palro Amazon Pelróleo da Atnazónia Ltda. 19 EUBER MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 Processo nO Acórdão nO O art. 161 do Código Tributário Nacional, prevê a possibilidade de os juros de mora serem fixados em percentual superior a 1% (um por cento). Sob o pálio desse dispositivo as Leis nOs.8.981/95, 9.065/95, 9.430/96 fixaram juros moratórios em percentuais superiores a 1% (um por cento). A cobrança dos juros de mora com base na taxa SELlC foi introduzida pelo art. 26 da Medida Provisória n° 1.542/96, encontrando em plena consonância com as disposições do art. 161 do CTN e também é de observância obrigatória por parte das autoridades fiscais lançadoras, bem como pelos julgadores administrativos. O mesmo ocorre em relação á exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa SELlC. Trata-se de uma exigência legal em pleno vigor. A contribuinte no tópico "C", pede pela aplicação das disposições do artigo 37, da Lei nO9.784/1999. Entretanto, deixou de especificar o documento ou dados que existiria na repartição, que desejava fossem carreados aos autos pela repartição fiscal. Certamente haveria de ser algum documento ou dados relativos a negócios da contribuinte, que existiria apenas na repartição fiscal, não podendo se referir a documentos da escrituração da contribuinte que seria dever dela (contribuinte) juntar aos autos, não o fisco, considerando que em matéria de imposto de renda das pessoas juridicas e contribuições sociais a fiscalização se processa no âmbito da contabilidade da contribuinte e respectivos documentos comprovantes da escrituração comercial e fiscal, sendo ônus da contribuinte juntar aos autos as provas em prol de seus interesses de defesa, sem atribuir ao fisco tal incumbência. De qualquer forma, a contribuinte deixou de especificar os dados ou documentos que desejava fossem juntados aos autos pela repartição fiscal, além de que como já mencionado anteriormente, neste voto, o pedido da contribuinte haveria de ser fundamentado em dispositivo do Decreto nO 70.235/72, legislação especifica que disciplina o processo administrativo de exigência dos créditos tributários da União, não . . o • Na esteira destas considerações, oriento o meu voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. CRN- R142.997 - Patro Amazon Petróleo da Amazônia Lida. 20 Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 VOTO VENCEDOR Conselheiro FLÁVIO FRANCO CORRÊA - Relator De plano, partilho da compreensão de que se deve aplicar a analogia ao caso em exame, estendendo as regras do artigo 6° e parágrafos do Decreto-Lei nO 1.598, de 1977, que tratou exclusivamente do IRPJ, às postergações no pagamento de CSSL para período posterior ao que seria devido. Com efeito, destaco, especialmente, o parágrafo 4° do artigo 6° do citado diploma, fonte de onde se obtém a regra segundo a qual "os valores que, por competirem a outro período-base, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente" (não há grifos no texto original). Aproveito para assinalar que o parágrafo 3°, aliena c, do mesmo artigo inclui, no conceito de exclusão, a compensação de prejuízos. • ~--.- --- idvllto-parâ-o . __ . r.ada..t.o u ciência do lançamento em janeiro de 31.01.2000, quando já estavam disponíveis ao Fisco as informações sobre os fatos geradores correspondentes ao intervalo entre 1996 a 1998. Nesses termos, poderia o autuante verificar se houve recolhimentos da CSSL posteriores a 1995, com o ~-- ~.. - fim de calcular as postergações referentes ao ano-calendário retratado na autuação, Por outro lado, a CSSL só foi instituida em 1988. É dizer, o legislador de 1977 não poderia imaginar que em 1989 sería criada tal contribuição, cuja base de cálculo, assim como o impos o e cro li uido e prevê ajustes de adição e de exclusão. Ou seja, a semelhança dos regimes de apuração entre as exações mencionadas autoriza a conclusão de que o legislador teria pensado na hipótese,-0{jloJe-I'1QsJeva.à_a(:)licAÇãodo preceito ao caso semelhante.------- CRN - R142.997 - PetroAmazan Petróleo da Amazônia Lida. 21 --~-------~ Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 levando em consideração a antecipação da compensação da base de cálculo negativa, que só poderia ser compensada futuramente. Essa percepção também inspirou o relator do acórdão nO107-06.572, Relator Conselheiro Luiz Martins Valero, verbis: "CSSL - POSTERGAÇÃO EM FUNÇÃO DA LIMITAÇÃO EM 30% - É cabivel a aplicação do instituto da postergação, quando se verificar, em período posterior, pagamento de contribuição maior que a devida, em decorrência da inexistência ou insuficiência do saldo a compensar, motivada pela compensação integral em periodos anteriores. O limite temporal para esse ajuste é o último período de apuração encerrado durante a ação fiscal." A existência de débitos relativos a fatos geradores ocorridos em 1996 está visivel no "Demonstrativo de Consolidação Para Pagamento Parcelado - processo nO10283.005258/97-79", à fI. 278, onde está consolidada a CSSL decorrente dos fatos geradores compreendidos entre maio e novembro de 1996, no montante de R$ 21.008,38, importância que abrange R$ 14.859,78, para os valores originais da contribuição em alusão, além de R$ 2.971,93, de multa, e R$ 3.176,67, de juros. 22 Também merece realce o quadro "Demonstrativo de Prestações em Atraso e a Vencer dos Parcelamentos Relacionados Acima", à fI. 296, no qual se revela que o parcelamento referido foi integralmente pago, com registros do primeiro DARF à fI. 279, com a data e artindo-se da primeira parcela e atentando-se para o total de 20 quotas deferidas, conforme fI. 278, conclui-se que a última venceu em junho de 1999. Acrescentem-se ao exposto os DARF de R$ 838,33.e-R$..5..7.J..9.,5~.,vinculados, respectivamente, aos períodos de apuraçâo de março e abril de 1996, consoante fI. 286. CRN. R142.997 - Patro Amazon Patrotao da Amazônia Lida. Como relatado, são indubitáveis os recolhimentos ocorridos em 1996, 1997, 1998 e 1999, todos relativos ao ano-calendário de 1996, efetuados, todavia, antes da data da ciência do lançamento de oficio. ",: \~.:;" 'J'i"Fi~~m\.~::: "'~;~r::>'~.:;-~~~"".:"'i"'.~.'~~',."" -'. - -~-----~~~-~ Em suma, estou convencido de que o Fisco deveria ter procedido ao cálculo dos recolhimentos postergados, já que há provas de pagamentos posteriores a 1995. Em outras palavras, entendo que o lançamento de oficio da CSSL está eivado de equívocos, com a cobrança de valores já recolhidos, ainda que posteriormente ao prazo legal, razão por que DOU provimento ao recurso voluntário. Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10283.000677/00-91 : 103-22.389 'l. - É como voto. Sala da/7;;s~ DF, em 24 de março de 2006 I///-~ FLÁVIO FRANCO CORRÊA --------------- -- ---- ---_._-- ----- ~--------- 23CRN - R142.997 - Petro Amazon Petróleo da Amazônia Uda, 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023
score : 1.0
Numero do processo: 10166.008707/2002-03
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2005
Ementa: COFINS. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. VALOR CONFESSADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA IMPROCEDENTE. Os saldos a pagar de tributos informados em DCTF constituem-se em confissão de dívida, não carecendo de lançamento de ofício para serem cobrados. Quando recolhidos com atraso, mas sem a multa de mora, descabe o lançamento da multa de ofício isolada, devendo no lugar desta ser cobrada a primeira. Inteligência dos arts. 44, § Iº, II, e 47, da Lei n° 9.430/96, interpretados conjuntamente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN refere-se a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. Recurso provido.
Numero da decisão: 203-10.183
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antônio Bezerra Neto, Leonardo de Andrade Couto e Sílvia de Brito Oliveira. A Conselheira Maria Teresa Martínez López apresentará declaração de voto
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis
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ementa_s : COFINS. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. VALOR CONFESSADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA IMPROCEDENTE. Os saldos a pagar de tributos informados em DCTF constituem-se em confissão de dívida, não carecendo de lançamento de ofício para serem cobrados. Quando recolhidos com atraso, mas sem a multa de mora, descabe o lançamento da multa de ofício isolada, devendo no lugar desta ser cobrada a primeira. Inteligência dos arts. 44, § Iº, II, e 47, da Lei n° 9.430/96, interpretados conjuntamente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN refere-se a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. Recurso provido.
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Numero do processo: 16004.000479/2006-88
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA
Exercício: 2002, 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA - Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal
permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996,
DECADÊNCIA - Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4 0 do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional).
IRPJ/CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS
SEM COMPROVAÇÂO DE ORIGEM. Quando o sujeito passivo, apesar
de regularmente intimado, não comprova e nem esclarece a origem dos valores depositados nas contas bancarias, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados.
Além disso, quando demonstrado que o sujeito passivo deixou de apresentar as declarações determinadas por lei ou apresentou declarações inexatas, este comportamento do sujeito passivo espelham indícios veementes de omissão de receitas e cabível a mensuração do montante omitido com base em depósitos bancários.
IRPJ. CSLL. COFINS. PIS/FATURAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. RECEITAS DE BINGO OU VIDEO BINGO. 0 ingresso financeiro relativo 6. venda de cartelas ou entradas nas máquinas de video bingo não representa receita bruta da operadora vez que a receita de prestação de serviços é a parcela liquida
dos ingressos financeiros excluidos os prêmios pagos e, também, conforme esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, o resultado auferido nas operações de conta alheia, OPERADORA DE BINGO. Mesmo que a autorização não tenha sido renovada uma vez comprovada que se trata de operação de bingo em que os
prêmios foram efetivamente pagos aos ganhadores, a receita bruta da operadora de bingo é o valor liquido após o pagamento de prêmios.
CSLL. COFINS. PIS/FATURAMENTO. Quando a omissão de receita está caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de
origem e falta de contabilização de receitas de prestação de serviços, a parcela menor de receita omitida está contida na parcela maior, salvo demonstração inequívoca de que constituem receitas diferentes e que subsiste tributação separadamente.
Preliminar de decadência acolhida e, no mérito, recurso voluntário conhecido e parcialmente provido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1301-000.022
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, manter a multa qualificada. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Paulo Jacinto do Nascimento, Leonardo Henrique M. de Oliveira e Alexandre Antonio Allanim Teixeira. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: José Carlos Passuello
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Exercício: 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA - Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, DECADÊNCIA - Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4 0 do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). IRPJ/CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÂO DE ORIGEM. Quando o sujeito passivo, apesar de regularmente intimado, não comprova e nem esclarece a origem dos valores depositados nas contas bancarias, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados. Além disso, quando demonstrado que o sujeito passivo deixou de apresentar as declarações determinadas por lei ou apresentou declarações inexatas, este comportamento do sujeito passivo espelham indícios veementes de omissão de receitas e cabível a mensuração do montante omitido com base em depósitos bancários. IRPJ. CSLL. COFINS. PIS/FATURAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. RECEITAS DE BINGO OU VIDEO BINGO. 0 ingresso financeiro relativo 6. venda de cartelas ou entradas nas máquinas de video bingo não representa receita bruta da operadora vez que a receita de prestação de serviços é a parcela liquida dos ingressos financeiros excluidos os prêmios pagos e, também, conforme esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, o resultado auferido nas operações de conta alheia, OPERADORA DE BINGO. Mesmo que a autorização não tenha sido renovada uma vez comprovada que se trata de operação de bingo em que os prêmios foram efetivamente pagos aos ganhadores, a receita bruta da operadora de bingo é o valor liquido após o pagamento de prêmios. CSLL. COFINS. PIS/FATURAMENTO. Quando a omissão de receita está caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem e falta de contabilização de receitas de prestação de serviços, a parcela menor de receita omitida está contida na parcela maior, salvo demonstração inequívoca de que constituem receitas diferentes e que subsiste tributação separadamente. Preliminar de decadência acolhida e, no mérito, recurso voluntário conhecido e parcialmente provido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). IRPJ/CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÂO DE ORIGEM. Quando o sujeito passivo, apesar de regularmente intimado, não comprova e nem esclarece a origem dos valores depositados nas contas bancarias, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados. Além disso, quando demonstrado que o sujeito passivo deixou de apresentar as declarações determinadas por lei ou apresentou declarações inexatas, este comportamento do sujeito passivo espelham indícios veementes de omissão de receitas e cabível a mensuração do montante omitido corn base em depósitos bancários. IRPJ. CSLL. COFINS. PIS/FATURAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. RECEITAS DE BINGO OU VIDEO BINGO. 0 ingresso financeiro relativo 6. venda de cartelas ou entradas nas máquinas de video bingo não representa receita bruta da operadora vez que a receita de prestação de serviços é a parcela liquida dos ingressos financeiros excluidos os prêmios pagos e, também, ç,rroime esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, o resultado aujéiçl6 nas operações de conta alheia, ANDRADE COUTO - Presidente C.XUOS PASSUELLO - Relator LEO ES - Redator Designado Processo n° 16004 000479/2006-88 S1-C3 I 1 Acórdão n 1301-00..022 F. 2 CSLL. COFINS. PIS/FATURAMENTO. RECEITA DE OPERADORA DE BINGO. Mesmo que a autorização não tenha sido renovada uma vez comprovada que se trata de operação de bingo em que os prêmios foram efetivamente pagos aos ganhadores, a receita bruta da operadora de bingo é o valor liquido após o pagamento de prêmios. CSLL. COFINS. PIS/FATURAMENTO. Quando a omissão de receita está caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem e falta de contabilização de receitas de prestação de serviços, a parcela menor de receita omitida está contida na parcela maior, salvo demonstração inequívoca de que constituem receitas diferentes e que subsiste tributação separadamente. Preliminar de decadência acolhida e, no mérito, recurso voluntário conhecido e parcialmente provido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, manter a multa qualificada. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Paulo Jacinto do Nascimento, Leonardo Henrique M. de Oliveira e Alexandre Antonio Allanim Teixeira. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves (Presidente da Câmara na data do julgamento). 2 Processo nÕ 16004.000479/2006-88 S1-C3T1 Acórdilo n ° 1301-00,022 Fl 3 Relatório A INTERCEPT PROMOÇÕES E EVENTOS S/C LTDA, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob n° 04,268„111/0001-34, inconformada com a decisão de 1° grau proferida pela P Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirao Preto (SP), apresenta recurso voluntário a este Conselho objetivando a reforma da decisão recorrida. A exigência contida nestes autos diz respeito aos seguintes tributos e contribuições: TRIBUTOS LANÇADOS JUROS 1141.1LTAS TOTAIS IRPJ 291.323.75 190.222,35 291,112,24 772.658,34 COFINS 105,309,59 70.372,01 111.31.3,87 286.995,47 PIS/FAT 22,816,84 15.246,89 24.117,58 62,181,31 CSLL 39.191,30 25.286,21 41.908,02 106.385,53 TOTAIS 458 715,73 301127,46 468.451,71 1 228.220,65 Nos lançamentos correspondentes a IRPJ e CSLL, foram arbitrados os lucros sobre as receitas consideradas omitidas e em virtude da imprestabilidade da escrituração do livro CAIXA para identi ficar a efetiva movimentação nos bancos (BRADESCO Agência 2,152— c/c 16.113/6 e BANCO MERCANTIL DE SAO PAULO S.A c/c 149-6.193.016-4), nos anos-calendário de 2001, 2002 e 200.3. a) receitas operacionais omitidas decorrentes de prestação de serviços denominado de realização de bingo e/ou video bingo sem autorização ou com a autorização vencida (corn a multa qualificada); e, b) depósitos bancários não contabilizados e sem comprovação de origem (sem a multa qualificada); 0 arbitramento de lucro para fins de incidência de IRPJ foi capitulado nos artigos 530, inciso II, 532 e 537 do RIR/99 e arts. 27, inciso I e 42 da Lei ri° 9.4.30/96 enquanto que para fins de incidência de CSLL, o fundamento legal adotado foi o art. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88, arts. 19 e 24 da Lei n° 9,249/95, art. 29 da Lei n° 9,430/96 e art. 6° da Medida Provisória n° L858/99 e suas reedições. Além disso, foi imputada a falta de recolhimento da CSLL (sem a multa qualificada), no período de setembro a dezembro de 2003, com fundamento no artigo 22 da Lei n° 10.684/2003, adotando-se as mesmas bases de cálculo utilizadas para a incidência de IRPJ. As contribuições para o COFINS e PIS/FATURAMENTO foram lançadas sobre as mesmas receitas consideradas omitidas e apuradas mensalmente, corn fundame arts. I' e .3° da Lei Complementar ri° 70/91, art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95, arts. 2', 3° e Processo n° 16004.000479/2006-88 51 -C311 AcórdIio n.° 1301 -00A22 Fl. 4 Lei n° 9.718 com as alterações da MP n° 1858/99 e suas reedições e, ainda, os arts. 2', inciso I, alínea 'a', inciso II e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n°4.524/02. Na decisão de I' grau, de fis.845 a 856, foi rejeitada a preliminar de decadência face ao entendimento adotado pela autoridade julgadora de que não houve pagamento de tributos e contribuições e, ainda, porque a infração imputada estaria caracterizada como dolo fraude ou simulação e, no mérito, foi julgado procedente o lançamento. A decisão de 1 0 grau (Acórdão 14-14.456, de 11/12/2006, da la Turma de Julgamento da DRFRIBEIRÁO PRETO) está sintetizada na seguinte ementa: "Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA-IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 e 2003 RECEITA OMITIDA. VALORES CREDITADOS EM CONTA-CORRENTE BANCÁRIA SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita a existência de valores creditados em contas-correntes bancárias, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECEITA BRUTA. LUCRO ARBITRADO. Para efeito de apuração do lucro arbitrado, a receita bruta das empresas que exploram a atividade de bingo, inclusive coin a utilização de máquinas de video bingo, abrange o valor total das apostas recebidas, Eventuais deduções somente seriam cabíveis na apuração do lucro real, desde que devidamente escrituradas e comprovadas, Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano-calendário: 2001, 2002 e 2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Esta modalidade de lançamento se dei quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar ern homologação, restando o lançamento de oficio, cujo prazo de decadência conta-se de acordo com o art. 173, I, do CTN. Idêntica situação se verificada na existência de dolo, fraude ou simulação, DOLO. PRÁTICA REITERADA. MULTA AGRAVADA. dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática da contribuinte, consistente na prática de atos que impliquem em evasão tributária ilícita. Assunto: NORMA SDE ADMINISTRA (740 TRIBUT Ano-calendário: 2001, 2002 e 2003 4 Processo n° 16004 000479 12006-88 S1-C3T1 Acórao n ° 1301-00.022 H 5 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. P15. COFINS. Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisiio proferida no lançamento do IRPJ pela intima relaçlio de causa e efeito existente, Lançamento Procedente." Como se vê, nenhum dos argumentos expostos pela impugnante sensibilizou a autoridade julgadora de 1' grau que confirmou o lançamento tal coma consta dos autos de infração. No recurso voluntário apresentado no prazo legal, de fls. 868 a 887, a recorrente reitera a preliminar de decadência, argumentando que o dolo, fraude ou simulação não se presume e a fiscalização não apresentou qualquer fato que possa caracterizar a infração como passível da multa qualificada e, também que a falta de recolhimento de tributos e contribuições não descaracteriza o lançamento por homologação. Expõe a recorrente que o que 6 passível de ser ou não homologado 6 a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários e que limitar a atividade de homologação exclusivamente A quantia paga significa reduzir a atividade a administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a 'contrario sensu' , não homologado o que não está pago e, mesmo que assim não fosse, 6 certo que a avaliação da suficiência de urna quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos h tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao 'conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado' na linguagem do próprio artigo 150 do Código Tributário Nacional, Acrescenta que o CTN refere-se aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo a obrigação de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa e, portanto, a obrigação de pagar não se confunde com o ato do pagamento e mesmo que o sujeito passivo não antecipe o pagamento, continua obrigado a fazê-lo, tanto assim que se submete a multa e juros a contar da data em que esse pagamento deveria ter sido realizado. Concluiu a recorrente que não é o pagamento que se homologa, até porque o pagamento é ato próprio do sujeito passivo, que, por isso, não precisa ser homologado pelo Fisco, mas a atividade de apuração desenvolvida pelo contribuinte não vincula o Fisco, que não 6 obrigado a aceitar seu resultado e deve fazer o lançamento conforme a sua interpretação da lei. Em reforço a sua tese, a recorrente transcreve as ementas dos acórdãos n° 101-92.642, 101-93.457 e 106-1 1838 e CSRF/01-04.737 . No mérito, tece longas considerações sobre o conceito de fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas e que simples depósito bancário não constitui disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de acréscimos patrimoniais e que os depósitos bancários podem ser simples indícios, mas nunca um fato gerador para a incidência de tributos e contribuições a não ser o IOF e CPMF. Entre os argumentos expostos pela recorrente, destacam-se os ensin do Prof. Geraldo Ataliba e Cléber Giardina e sentença do Supremo Tribunal Fe Processo n° 16004.000479/2006-88 Si-Call 1 Acórdão n,° 1301-00.022 Ft 6 Tribunal Pleno, no Recurso Extraordinário n° 117.887-SP, relatado pelo Ministro Carlos Velloso, em 11/02/93, publicado no DJU-I, de 23/04/93, página 6.923. Em seguida, aponta irregularidades cometidas pela autoridade lançadora na determinação do valor tributável dos tributos lançados e sobreposição à receita da contribuinte do montante dos créditos bancários com as receitas apuradas de forma estimada e argüi, ainda que a fiscalização desconsiderou a receita declarada. A exposição da recorrente pode ser sintetizada nas seguintes assertivas: "E' que ao . firmar a presunção de que todo o movimento bancário da fiscalizada, isto é, de que todos os depósitos ou créditos de qualquer natureza, até o mais ínfimo valor, são caracterizadores de receita omitida, o fisco, não satisfeito, acrescentou a base tributável a receita apurada e tida como de Prestação de Serviços Gerais, A decisão recorrida, por seu turno, preferiu passar ao largo na análise dos fatos propriamente ditos, preocupando-se, pura e simplesmente, em demonstrar o conceito de receita bruta segundo a definição da legislação tributária, Porém, em momento algum apresenta justificada plausível que corrobore o tratamento dispensado pelo fisco, eu ao tomar todo o movimento bancário da empresa e taxei-lo como fruto da receita omitida, sobre ele acrescentou a receita de serviços apontada pela fiscalizada. Ora, é obvio que se a contribuinte obteve receitas da prestação de serviços, que as levou a depósito ern suas contas bancarias, Isso é incontestável. Então, para além de toda a movimentação bancária, tributar também a receita de serviços, só é possível se o ,fisco comprovar que tal receita não foi depositada na conta bancária Isso ele não fez. E conforme se vê do Termo de Verificação, a partir do mês de outubro de 2001, a empresa passou a movimentar caritas bancárias nas quais passou a depositar a receita de serviços.. Além de tudo, com relação ao ano-calendário de 2002, o ,fisco constatou que a empresa fez opção pela tributação com base no lucro presumido, conforme se verifica pela declaração de fls. 250/282.. Ocorre que ao efetuar o lançamento, tampouco considerou a receita declarada pela empresa no lucro resumido, deixando de excluida- do montante tributado a partir do movimento bancário, Então, por mera argumentação, se considerarmos que todos os recursos levados a depósito nos estabelecimentos bancários são fruto do auferimento de receita, agiu irregularmente o ,fisco ao acrescentar ao montante tributado da movimentação financeira a receita da prestação de serviços, que são o objeto a recorrente. E também errou ao desconsiderar a receita in dada do lucro presumido, oferecida a tributação no ano-calen ario de 2002, 6 Processo n° 16004000479/2006-88 S1-C3T1 Acórdão n" 1301-00.022 Fl. 7 Isso, sem dúvida, denota a iliquidez e incerteza do crédito tributário apurado, o que compromete a autuação fiscal," Sustenta a recorrente que o fisco deixou de realizar as verificaçeies necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário e sem nenhum exame à escrita fiscal e contábil da fiscalizada, optou por simplesmente intimá-la a que comprovasse a origem dos recursos creditados nas contas bancárias. A recorrente traz aos autos, a jurisprudência administrativa estampada nos acórdãos 107-05.497, de 26/01/99 e 103-21,744, de 20/01/2004, onde foi consagrado o entendimento de que o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e que a fiscalização deve realizar as auditorias necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis para a constituição do crédito tributário, conforme expresso no artigo 142 do CTN e que subsistindo a incerteza como no caso dos autos, a fiscalização deve abster-se de efetuar o lançamento em homenagem à máxima in dúbio pro reu'. Quanta à tributação a titulo de receita operacional omitida de valores consignados como 'entrada' e de valores tomados como prêmios nos sorteios de bingo, sustenta a recorrente que a fiscalização aceitou a planilha LEITURA SEMANAL DAS MAQUINAS que foi apresentada pela fiscalizada, onde registra que apenas a parcela de .37% dos ingressos financeiros pertence à recorrente vez que a parcela de 63% constitui prêmios pagos aos apostadores. A recorrente esclarece que na coluna 'ENTRADA' representa o dinheiro que o jogador adentrou na máquina de jogo no inicio de sua participação e que não há corno considerar que a simples entrada do dinheiro na máquina possa configurar uma receita da atividade, porque nesse momento não ficou determinado o resultado da operação, isto 6, se houve ganho ou se houve perda para o jogador. Esclarece ainda a recorrente que constitui uma situação corriqueira nas casas de jogos quando o mesmo dinheiro inicial ou parte dele passa por mais de uma máquina de jogo, na expectativa de que alguma delas lhe esteja mais favorável e neste caso haverá, sem dúvida, registro de várias 'ENTRADAS' e de várias `SAIDAS', sem que com isso se possa afirmar que o total das entradas seja a receita da empresa, e nem mesmo que o total das saídas corresponda a ganhos ou vantagens. Esclarece mais que só configura receita o valor que o apostador deixar para a operadora ao final da operação, e não aquilo que entrou na máquina no inicio do jogo e conseqüentemente, a planilha de fl. 604 indica que o valor da "ENTRADA' no inicio da participação do jogador, e não a receita bruta da fiscalizada. Em seguida, a recorrente apresenta os seguintes argumentos: "Porém, ainda que se admitisse que o valor registrado como 'ENTRADA' configurasse a obtenção de receita, o que se repudia, agiu irregularmente a fiscalização ao tributar como receita omitida também a parcela consignada coma distribuição de lucro para o apostador, isto é, sem proceder sua exclusão do valor da receita presumich E que tal parcela se 'dud de valores com destinação especifica determinada le te, qt 7 Processo n° 16004,000479/2006-88 S1 -C3T1 Acórdão n.° 1301 -00.022 Fl. 8 no momenta da aposta se reverte ao ganhador sob a . forma de vantagem em relação ao que foi apostado. Por essa condição, não há como se imputar como receita omitida a parcela destinada a ganhadores, porquanto são de imediato a eles repassadas. Por esse motivo, ao calcular o percentual de participação da Intercept, de 37% sobre o total da 'ENTRADA' (63% pertence empresa Alefer), irregularmente, repita-se, o fisco também majorou ilegalmente a base de cálculo dos tributos, haja vista que deixou de excluir a parcela tomada como repasse de ganhos concernente ao montante da 'SAIDA', conforme demonstrado na planilha de fi, 604." Para reforço de sua tese, a recorrente cita as ementas dos seguintes acórdãos: 101-93.070, de 12/05/2000 e 101-93.226, de 18/10/2000 e conclui que a simples entrada de moeda na máquina de jogos, introduzida por vontade do apostador, não configura a receita bruta de que fala o art. 224 do RIR/99, eis que naquele instante não restou materializada uma operação de venda de bens e não compreendeu o preço de um serviço prestado e tampouco um resultado de conta alheia pelo simples fato de que no instante seguinte A introdução da moeda o apostador pode desistir da aposta e resgatar o mesmo dinheiro, não configurando receita alguma para a casa de jogos. Assim, entende a recorrente que a falha cometida pelo fisco compromete toda a base tributável tomada para efeito dos lançamentos, tanto em relação ao IRPJ como com referencia aos autos reflexos da CSLL, do PIS/FATURAMENTO e da COFINS, contaminando a insegurança e incerteza o lançamento tributário. Ao final, a recorrente contesta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre parte do crédito tributário lançado tendo em vista que o próprio auditor fiscal afirma categoricamente que a falta de recolhimento de tributos por apresentação de declaraOes inexatas caracteriza o evidente intuito de fraude. A apresentação de declaração inexata não significa a intenção de fraudar o recolhimento do imposto, acaso fosse devido porque a fraude seria, se na apuração do imposto constante da declaração, o contribuinte tivesse se utilizado de documentação fiscal inidôrrea, de nota fiscal calçada, de conta bancaria fictícia, etc., mas nada disso restou comprovado nos autos. Para que a multa de lançamento de oficio se transforme de 75% em 150% é imprescindível que o procedimento do contribuinte tenha sido doloso sem esquecer o principio de direito de que fraude não se presume'. No caso dos autos, insiste a recorrente que inexiste o elemento subjetivo de dolo onde o contribuinte age com vontade de fraudar — reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos e invoca as ementas dos seguintes acórdãos do Primeiro, Segundo e do Terceiro Conseihi Contribuintes: 103-19.420, 104- 17.830, 201-72.609 e 303-29.280 Processo n 16004000479/2006-88 S1-C3T1 AcOrdffo n° 1301-00,022 Fl 9 Com estas considerações, requer o acolhimento do recurso voluntário, com a reforma da decisão recorrida e cancelamento da autuação fiscal para afastar a exigência do crédito tributário exigido e determinar o arquivamento do processo administrativo fiscal. Assim se apresenta o processo para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, inclusive o arrolamento de bens que era exigido à época, 1. PRELIMINARES SUSCITADAS 1.1 — Multa qualificada No caso dos autos, a fiscalização explicitou que o sujeito passivo deixou de apresentar DIPJ no ano-calendário de 2001 e apresentou a declaração inexata nos anos- calendário de 2002 e 2003 e que os fatos apontados caracterizariam prática reiterada no sentido de retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazenddria. Efetivamente tem razão a recorrente quando afirma que a fiscalização não comprovou e nem demonstrou a ocorrência de qualquer falsidade ideológica ou documental, bem como a prática de qualquer procedimento que possa qualificar como dolo, fraude ou simulação. A fiscalização constatou e demonstrou que o sujeito passivo deixou de cumprir a obrigação acessória de apresentar a DIPJ no ano-calendário de 2001 e cumpriu as obrigações acessórias de apresentar as DIPJ relativas aos anos-calendário de 2002 e 2003. A DIPJ Declaração de Informações Econômico-Fiscais, nos anos- calendário de 2001 a 2003, não 6 um documento constitutivo de crédito tributário e nem de confissão espontânea do débito calculado. De fato, a DRPJ — a Declaração de Rendimentos de Pessoa Jurídica era uma forma de confissão espontânea de crédito tributário, consoante a redação do artigo 5' do Decreto-lei n° 2A24/84, "verbis": "Art, 5 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos. federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. 1" 0 documento que formalizar o cumprimento obrigação acessária, comunicando a existência de cr'dito tributário, 9 Processo n° 16004..000479/2006.88 SI-C3 Acórdão n 1301-00.022 Fl. 10 constituirá confisslio de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, § 2" Niio pago no prazo estabelecido pela legisla çâo o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do art 7' do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983, ,§ 3' omissis" (grifas da transcrigiia) O dispositivo acima transcrito delegou competência ao Ministro da Fazenda para instituir ou eliminar obrigações acessórias relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e determinar que o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito e inclusive a sua inscrição em divida ativa para efeito de cobrança executiva, A competência outorgada ao Ministro da Fazenda no artigo 5° do Decreto-lei n{) 2,124/84 foi delegada ao Secretário da Receita Federal através da Portaria MF n° 118, de 28 de junho de 1984 e o Secretário da Receita Federal através da Instrução Normativa n° 127, de 30/10/1998, extinguiu a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica — DRPJ e instituiu a Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, a ser apresentada a partir do ano-calendário de 1999 e com o advento da Instrução Normativa SRF n° 14, de 14 de fevereiro de 2000, a declaração de pessoas jurídicas não são mais equiparadas a DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Assim, a declaração (DIPJ), diferentemente daquela (DRPJ), passou a ser meramente informativa, não constituindo instrumento hábil de confissão de divida, cuja função ficou reservada à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF instituída pela IN SRF no 126, de 30/10/1998. Ora, se a apresentação da DIPJ constitui mera obrigação acessória e embora venha a espelhar as atividades desenvolvidas pelo sujeito passivo, o descumprimento de uma obrigação acessória ou a reiteração no descumprimento de obrigação acessória não afeta a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A obrigação acessória e obrigação principal constituem dois fatos distintos e, portanto, o descumprimento de uma obrigação acessória, por si só, não comporta a extensão do seu efeito para outra obrigação a menos que a legislação tributária federal estabeleça os respectivos efeitos como ocorria e era definido que a reincidência no descumprimento de obrigação principal constituiria causa determinante para a aplicação da multa qualificada conforme o disposto nos 69, inciso IV e 70 da Lei IV 4,502/66 Os fatos geradores da obrigação tributária principal não foram simulados e nem objetos de dolo ou fiaude e muito pelo contrário, quando fiscalizado e intimado apresentou todos os elementos disponíveis e tanto é verdade que o lançamento tributário está baseado em registros de máquinas de vídeo bingo que comprovam as entr das e saídas de movimento financeiro. ■ 10 Processo o° 16004.000479/2006-88 S1.-C31- 1 Acórdão o." 1301-00.022 Fl. 11 Pelas razões expostas, conclui-se que a autuação não demonstrou que o descumprimento de obrigações acessórias tenha afetado ao disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4,502/64 e, portanto, não subsiste a aplicação da multa qualificada. 1.2 - Decadência A recorrente argüiu que no lançamento objeto do litígio, a fiscalização não demonstrou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e a aplicação da multa qualificada deu- se, única e exclusivamente, por presunção de ocorrência de situação agravante. A decisão recorrida rejeitou a preliminar de decadência sob o argumento de que o sujeito passivo não efetuou qualquer pagamento de tributos e contribuições nos períodos objetos de lançamentos e, por isso não estaria demonstrado o lançamento por homologação e, ainda, a infração apontada estaria caracterizado o dolo, fraude ou simulação. O posicionamento adotado pela autoridade julgadora de 1 grau quanto descaracterização do lançamento por homologação em virtude de falta de pagamento de tributos e contribuições já esta superado conforme pacifica jurisprudência firmada pela Camara Superior de Recursos Fiscais. De fato, o entendimento assentado foi no sentido de que o que se homologa é a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo para a apuração dos créditos tributários em virtude da obrigação de antecipar o pagamento dos tributos e contribuições, independentemente do prévio exame da autoridade administrativa fiscal, A Camara Superior de Recursos Fiscais tem reiterado o entendimento conforme explicitadas nas ementas i abaixo transcritas onde comprovam de forma insofismável a assertiva acima: "DECADÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto de renda, a partir do ano- calendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da Lei n" 8,383/91, deixou de ser lançador por declaração e ingressou no rol dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Passou ao contribuinte o dever de, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houver tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado pode ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN, art. 150). Amoldou-se, assim, a natureza dos impostos sujeitos a lançamento por homologação a ser feita, expressamente ou por decurso do prazo decadencial estabelecido no art. 150,§ 4", do código Tributário Nacional, No caso concreto, a obriga çãoa tributária ocorreu em 31/12/93. Como o lançamento foi feito fora do exercício de correspondência (AC 95, Ex 1996), em 08/11/99, decaiu o direio da Fazenda Nacional. "(Ac. CSRF/01-05.301, de 21/09/2005)./ BRASIL. Conselhos de Contribuintes. Disponível em www.conselhosSazenda.gov.br e acesso em 11/03/2008 II "ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CAPUT DO ART. 45 DA LEI N° 8.212/91, Ê inconstitucional o caput do 2 BRASIL Tribunal Regional Federal da 4' Região. Disponível em www.trI/4.2,ov.br e acesso em 11/04/2008, 12 Processo n° 16004.00047912006-88 Si -C3T1 Acórdão n° 1301-00.022 Fl 12 CSLL. LANÇAMENTO, PRELIMINAR DE DECADÊNCIA HOMOLOGAÇÃO, ART 45 DA LEI IV 8.212/91, INAPLICABILIDADE PREVALÊNCIA DO ART 150, § 40, DO CTN, COM RESPALDO NO ART 146, III, 'b', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL A regra de incidência de cada tributo e que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que amolda-se a sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art, 173, do OW) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador E inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei re 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido assegura a aplicação do § 4', do artigo 150, da Lei re 8 212/91 ern estrita obediência ao disposto no artigo 146,inciso III, `1,', da Constituição Federal,. Recurso Especial do contribuinte conhecido e provido, (Ac, n" CSRF/01-04,988, de 15/06/2004). "DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF, A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 d Lei re 8383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude ou simulação, nos termos do § 4' do artigo 150 do CTN, Tendo o Pleno do STF .já se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculagao de normas regulando as matérias contidas no artigo 146-111 da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar a referida tese, aplicando-se o Código Tributário Nacional em detrimento de Lei Ordinária (STF TRIBUNAL PLENO — RE 407190/RS — SESSÃO DE 27/10/2004), (AC. n° CSRF/01-05 .513, DE 18/09/2006), Como se vê, a jurisprudência administrativa já está consagrada no sentido de que a regra de incidência de cada tributo ou de cada contribuição define a sistemática de seu lançamento e não a existência de pagamento antecipado ou não dos tributos ou contribuições. Como o MN e a CSLL devem obrigatoriamente ser recolhidos no respectivo vencimento, independentemente de qualquer procedimento por parte da administração fiscal, tratam-se de lançamento por homologação e como tal, rege-se pelo § 4°, do artigo 150, do CTN. No âmbito judicial, a matéria está pacificada porquanto a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei IV 8.212, de 1991, já foi decretada pelo Tribunal Regional Federal da 4n Região no processo n° 2000,04,0L092228-3/PR, com a seguinte ementa2 : Processo n° 16004.000479/2006-88 St-C31- 1 Acárd5o n " I301-00.022 Fl 14 b) esse entendimento foi reiterado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n° 396.266-3/SC5 também, relator o Ministro Carlos Velloso, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça de 27 de fevereiro de 2004, onde ficou assentado: "As contribuições do art, 146 a C,F., de regra, podem ser instituídas por lei ordinária.. Por não serem impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu .fato gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art, 146, Ill, 'a), No mais, estão sujeitas ãs regras das alíneas `b' e 'c' do inciso III, do art. 146, da CF. Assim, decidimos, por mais de uma vez, como v.g., RE 138..284/CE por mim relatado (RTJ 14.3/313). e RE 146733/SP, Relator o Ministro Moreira Alves (RTJ 143/684)." (destaquei) Na recente sentença proferida de 13 de agosto de 2007, no Recurso Extraordinário n° 552.710-7/SC, o Ministro Marco Aurélio faz um retrospecto das decisões anteriores e sintetizou a sentença com a seguinte ementa 6 : "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL E PRESCRIC1ONAL. REGÊNCIA. ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212191. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELA CORTE DE ORIGEM. HARMONIA COM A CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES. RECURSO EXTRA ORDINÁRIO. NEGATIVA DE SEGUIMENTO." Como se vê, o Supremo Tribunal Federal não está admitindo o recurso extraordinário, por se tratar de uma matéria já pacificada em todas as instâncias do Poder Judiciário Diante da jurisprudência administrativa e judicial firmada não vejo como deixar de acolher a preliminar de decadência suscitada tendo em vista ao disposto no artigo 1' do Decreto if 2.346, de 10 de outubro de 1997. Ainda, é de se invocar a Súmula Vinculante n° 08, STF, que agasalha decisão nesse sentido, favorável ao contribuinte. Assim, opino pelo acolhimento da decadência do direito de a Fazenda Pública da União de constituir crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL no 2° trimestre do ano-calendário de 2001 e crédito tributário de PIS/FATURAMENTO e COFINS do período de .30/05/2001 e .31/07/2001, vez que os autos de infração foram lavrados em 08 de agosto de 2006, 2. MÉRITO No mérito, os argumentos apresentados pela recorrente podem ser sintetizados nos seguintes tópicos: 1) depósitos bancários não constituem fatos geradores do Imposto sobre a Renda por não caracterizar disponibilidade econômica ou jurídica de rendimen e •, quando muito poderia ser aceito como indícios de omissão de receitas; 5 BRASIL Supremo Tribunal Federal. Disponível em www.stEgov.br e acesso em 11/03/2008. 6 BRASIL, Supremo Tribunal Federal, Disponível em www.stfgob.br e acesso em 11/03/2008 14 Processo o° 16004,000479/2006-88 S1-C3T1 Acórao " 1301-00.022 Fl 13 artigo 45 da Lei n°8212/91 que prevê o prazo de 10 anos para que a seguridade social apure e constitua seus créditos, por invadir a área reservada à lei complementar; vulnerando, dessa forma, o art. 146, III, 'b', da Constituição Federal" A Primeira Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça já julgou procedente a argüição de ineonstitucionalidade do artigo 45 da Lei no 8.212, de 1991 e, assim se pronunciou no acórdão proferido no AI no Recurso Especial no 616348/MG (2003/029004- 0), de 15/08/2007, relatado pelo Ministro TEORI ALBINO ZAVASCK, sintetizada na seguinte ementa 3 : "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL, CIVIL E TRIBUTÁRIO INCIDENTE DE INCOSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991 OFENSA AO ART 146, III, 'b', DA CONSTITUIÇÃO, 1, As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art, 195), tern, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, da Constituição, segundo o qual cabe et lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a ,fixação dos respectivos prazos . Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formar o artigo 45 da Lei 8,212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamewnto das contribuições sociais devidas a Previdência Social 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente. 0 Supremo Tribunal Federal já manifestou em diversas oportunidades, sobre o tema: a) no julgamento do Recurso Extraordinário n° 138.284/CE 4, foi decidido unanimidade de votos pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 1' de julho de 1992, onde o Ministro Relator Carlos Velloso, expressa quanto A. natureza da norma par a a disciplina do instituto da prescrição quanto as contribui93es sociais, nos seguintes termos: "Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se a lei complementar de normas gerais, assim ao C. TN (art, 146, III, ex-vi do disposto no art. 149). Isto não quer dizer que a instituição dessas contribuições exige lei complementar: porque não são impostos, não há a exigência no sentido de que os seus .fatos geradores, bases de cálculo e contribuições sejam definidos na lei complementar' (art. 146, III, 'at). A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. E que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III 'b') Quer dizer; os prazos de decadência e de prescrição inscritos nas leis complementares de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, its contribuições para fiscais (CT, art. 146, 1H, 41,'; art. 149)." (destaquei) 3 BRASIL Superior Tribunal de Justiça Disponivel em www.sti.gov.br e acesso em 11/04/2008 4 REVISTA DIALÉTICA DE DIREITO TRIBUTÁRIO N° 149, Sao Paulo: Dialética, fev. 2008, pág. 1291140, 13 Processo n° 16004.000479/2006-88 S1 -C31- 1 Ac6rdao n!' 1301 -00.022 Fl. 15 2) a fiscalização cometeu urn equivoco tomando como receita bruta a totalidade dos ingressos financeiros pela venda de cartelas de bingo quando a receita efetiva do sujeito passivo 6 a parcela correspondente a 37% do total de ingressos financeiros; a parcela de 6.3% dos ingressos correspondem aos prêmios distribuídos aos apostadores e, portanto, não constitui receita bruta da recorrente; e, 3) a fiscalização computou em duplicidade as receitas consideradas omitidas com base nos registros das máquinas de video bingo e os depósitos bancários tendo em vista que somente as receitas efetivamente auferidas foram depositadas nas respectivas contas bancárias e, ainda, alguns cheques que serviram para pagamento de entradas não corresponderiam as verdadeiras receitas de prestação de serviços. 2.1 — Depósitos Bancários 0 argumento exposto pela recorrente de que os depósitos bancários não constituem disponibilidade económica ou jurídica de renda esta consoante com a Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos. Entretanto, o entendimento hoje vigente 6 de se o sujeito passivo mantém depósitos bancários não contabilizados e quando intimado, não comprova a origem daqueles depósitos, é assegurado ao fisco presumir que se trata de receitas à margem da contabilidade e, portanto, omitidas do seu giro normal, como assegurado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. No caso dos autos, os depósitos bancários não são apenas indícios posto que foram constatados e demonstrados pela autoridade lançadora os verdadeiros indícios, tais como a existência de contrato de prestação de serviços relacionados com o bingo, a realização de sorteios mediante registros em máquinas de video bingo, apresentação de declaração inexata e descumprimento de obrigaçks acessórias (falta apresentação de DCTF e DIN) e por esse motivo, 6 perfeitamente viável o arbitramento do valor da receita omitida com base em depósitos bancdrios . Desta forma, os depósitos bancários serviram para mensurar as receitas omitidas tendo em vista que os indícios de omissão de receitas foram cabalmente demonstrados pela autoridade lançadora. Assim, mesmo que inexistisse o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o arbitramento da receita omitida com base em depósitos bancários estaria correto e teria respaldo nos artigos 841, incisos I e III, e 845, incisos I a HI, do RIR199. No caso destes autos, a minha convicção 6 a de que está perfeitamente caracterizada a omissão de receita operacional e está correta aplicação do disposto no artigo 42 da Lei ri° 9.430/96. 2,2 — Apuração da Receita Omitida Quando intimado pela fiscalização, as pessoas jurídicas INTERCEPT PROMOÇÕES E EVENTOS S/C LTDA e ALEFER PROMOÇÕES E EVENTOS S/C LTDA, apresentaram os demonstrativos denominados LEITURA MAQUINAS S • NAL, anexados as fls. 411 a 585, cujos valores informados foram resumidos na planilh de fls. 25 a 29 e 406 a 410, de 12 de setembro de 2005,como segue: 15 Processo n° 16004.000479/2006-88 Acárd5o n.° 1301-00.022 MÊS RECEITA TOTAL RECEITA ALEFER RECEITA INTERCEPT 05/2001 5.840,75 3.679,67 2.161,08 06/2001 10.975,00 6.914,25 4.060,75 07/2001 14.749,75 9292,34 5457,41 08/2001 5.349,75 3.370,34 1.979,41 09/2001 7.645,25 4.816,51 2.828,74 10/2001 9.576,00 6.032,88 3.543,12 11/2001 5.526,25 3.481,54 2.044,71 12/2001 11.40,75 6.955,67 4.085,08 TOTAIS 59.714,5 44.543,2 26.160,3 01/2002 10.894,25 6.863,38 4.030,87 02/2002 6.416,25 4.042,24 2.374,01 03/2002 8,301,75 5.230,10 3.071,65 04/2002 12.738,75 8.025,41 4.713,34 05/2002 6.806,50 4.288,10 2.518,41 06/2002 7.791,25 4.908,49 2.882,76 07/2002 9.017,75 5.681,18 3.336,57 08/2002 8.835,00 5.566,05 3.268,95 09/2002 13.154,25 8.287,18 4.867,07 10/2002 13.250,00 8.347,50 4.902,50 11/2002 11.603,75 7.310,36 4.293,39 12/2002 25.538,25 14,829,10 8.709,15 TOTAIS 134.347,75 83.379,09 48.968,67 S1-C3í1 Fl 16 MÊS RECEITA TOTAL RECEITA ALEFER RECE INTEI 01/2003 11.698,75 7.370,21 4.328, 02/2003 12.631,00 7.957,53 4.673, 03/2003 7.971,75 5.022,20 2.949, 04/2003 11.511,50 7.252,25 4.259, 05/2003 12.450,25 7.843,66 4.606, 06/2003 11.436,75 7,205,15 4.231, 07/2003 19.365,25 12.200,11 7.165, 08/2003 9.643,00 6,075,09 3.567, 09/2003 23.833,50 15.015,11 8.818, 10/2003 11,112,50 7.000,88 4.111, 11/2003 14.127,25 8.900,17 5.227, 12/2003 7.749,75 4.882,34 2.867, TOTAIS 153.531,25 96.724,7 56.130( 01/2004 23.978,25 15.106,30 8.871, 02/2004 26.836,75 16.907,15 9.929, 06/2004 25.465,00 16.042,95 9.422, 07/2004 30.601,00 19.278,63 11.322 08/2004 32.989,75 20.783,54 12.20( 09/2004 38.862,00 24.483,06 14.37 10/2004 37.039,50 23.334,89 13,704 11/2004 60.873,25 38.350,15 22.52.2 12/2004 50.763,75 31.981,16 18.782 TOTAIS 327.409,25 206.267,83 121.1z A fiscalização registrou as seguintes assertivas no Termo de Verificação da Infração, fl, 02, quanto a forma de atuação das duas pessoas jurídicas: "Pelo exposto, apurou-se que o BINGO CATANDUVA, é operado pelas promotoras INTERCEPT e ALEFER e, figurando como entidade desportiva a ASSOCIAÇÃO LINCOLN DE JUDO, que encontra em plena atividade "com autorização veneida", ressalte-se que o fimcionamento do bingo era regulado pelo art. 59 da Lei n'9.615, de 1998 (Lei Pelé), que foi 16 Processo n° I6004.000479/200688 Aceird5o n 130140.022 SI-C3T1 FL 17 revogado pelo art 2' da Lei n° 9.981, de 2000 (Lei Maguito Vilela), a partir de 31/12/2001," Em 25 de maio de 2006, a recorrente apresentou uma planilha onde registram os valores denominados entrada, saída, a leitura e as parcelas de receitas pertencentes ALEFER e INTERCEPT. Com base nestas informações a fiscalização estimou a receita omitida, sob o fundamento de que se o ganho da autuada era de 37% a receita bruta total seria de 100%, mediante o seguinte calculo: MÊS ENTRADA SAÍDA LEITURA RECEITA INTERCEP T (informada) % RECEITA CALCULA,D A INTERCEPT RECEITA BRUTA (trimestral) 05/2001 28,605,00 22,764,25 5,840,75 2161,08 37% 10.583,85 06/2001 53.763,00 42,788,00 10 975,00 4.060,75 37% 19.892,31 30.776,16 07/2001 71 086,00 56,336,25 14 749,75 5.457,41 37% 26,301,82 08/2001 26 202,00 20,852,25 5349,75 1.979,41 37% 9,694,74 09/2001 37,444,00 29.798,75 7645,25 2,828,74 37% 13.854,28 49,850,84 10/2001 101,651,00 92.075,00 9576,00 3.543,12 37% 37.610,87 11/2001 63,027,25 57,501,00 5.526,25 2,044,71 37% 23,320,08 12/2001 49.347,00 38.306,25 11.040,75 4.085,08 37% 18.258,39 79.189,34 2001 431.125,25 360.421,75 70.703,50 26.160,30 159.516,34 159.816,34 01/2002 138.388,50 127,494,25 10,984,25 4 030,87 37% 51.203,75 02/2002 56 169,00 49,752,75 6,416,25 2 374,01 37% 20,782,53 03/2002 153.509,00 145.207,25 8.301,75 3,071,65 37% 56.798,33 128.784,61 04/2002 126.174,00 113,435,25 12.738,75 4,713,34 37% 46.684,38 05/2002 210,806,00 203.999,50 6,806,50 2,518,41 37% 77,998,22 06/2002 120,032,50 112,241,25 7,791,25 2,882,76 37% 44.412,03 169.094,63 07/2002 197.694,00 188,676,25 9.017,75 3 336,57 37% 73.146,78 08/2002 194,662,00 185 827,00 8,835,00 3.268,95 37% 72.024,94 09/2002 181,253,00 168,098,75 13.154,25 4.867,07 37% 67.063,61 212.235,33 10/2002 259,875,00 246.625,00 13,250,00 4.902,50 37% 96,153,75 11/2002 223,678,00 212,074,25 11,603,75 4.293,39 37% 82.760,86 12/2002 282.050,00 258.511,75 23.538,25 8.709,15 37% 104.358,50 283.273,11 2.144.291,00 2.011.943,25 132.437,75 48.968,67 793.387,68 793.387,68 01/2003 277,675,00 265.976,25 11.698,75 4,328,54 37% 102.739,75 02/2003 326.560,5 313,929,50 12.631,00 4 673,47 37% 120.827,39 03/2003 278.050,00 270.078,25 7,971,75 2.949,55 37% 102.878,50 326,445,64 04/2003 30.540,00 19,028,50 11.511,50 4,259,26 37% 11.299,80 05/2003 50.317,00 37,866,75 12,450,25 4,606,59 37% 18.617,29 06/2003 55,891,00 44.454,25 11.436,75 4,231,60 37% 20,679,67 50.596,76 07/2003 59,666,00 40.300,75 19.365,25 7,165,14 37% 22,076,42 08/2003 54 394,00 44.751,00 9,643,00 3,567,91 37% 20.125,78 09/2003 49 383,00 25.549,50 23,833,50 8,818,40 37% 18.271,71 60,473,91 10/2003 40.107,50 28,995,00 11.112,50 4,111,63 37% 14.839,78 11/2003 69,206,00 55,078,75 14.127,25 5,227,08 37% 25.606,22 12/2003 16.512,00 8.762,25 7.749,75 2.867,41 37% 6,109,44 46.555,44 TOTAIS 1.308.302,00 1.154.770,75 153.531,25 56.806,58 484.071,75 484.071,75 Como se vê, a receita bruta da INTERCEPT foi calculada por estimativa e fundada nas informações fornecida pela mesma e pela ALEFER e com base na presunção de que a INTERCEPT teria direito a 37% do valor da entrada embora o sujeito pasio2ten1ia esclarecido que o bingo era operado com a ALEFER, Processo n° 16004.000479/2006-88 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.022 Fl. 18 A conclusão adotada pela autoridade lançadora e homologada pela autoridade julgadora de 10 grau está baseada em simples presunção e cuja premissa não estão coerente com os fatos informados pelo sujeito passivo e objeto de registro efetuado pela fiscalização no Termo de Verificação da Infração. Os argumentos expostos pela recorrente de que o valor da entrada seria apenas o valor inserido nas máquinas de video bingo e o valor da saída não representa o premio auferido pelo jogador e que o valor da entrada representa apenas o valor inserido e que pode ser retirado e inserido na outra máquina ou, o jogador que esta com pouca sorte, dar saída de valores e vai embora. Desta forma, a entrada não representa a receita bruta da INTERCEPT e nem da ALEFER e, além disso, como há uma seqiiencia de entrada e saída, somente a diferença que também é denominado de LEITURA na máquina representaria o montante do ingresso financeiro. Na seqüência e tendo em vista que apenas a diferença ou a LEITURA constitui o ingresso financeiro, apenas a parcela de 37% constitui a receita da INTERCEPT já que a parcela de 63% pertence h ALEFER, 0 Presidente da Associação Lincoln de Judô firmou declaração no sentido de que o bingo de Catanduva é operado pelas empresas INTERCEPT e pela ALEFER, que opera a mesma atividade, especificamente na parte de salão (venda das cartelas, etc) que, do valor total da movimentação financeira, é repassado mensalmente para a Associação 7%. As fls. 53, consta que a procuradora da recorrente entregou para a fiscalização, as cópias dos extratos, do período de 02/07/2002 a 27/09/2004, da ALEFER PROMOÇÕES E EVENTOS S/C LTDA, mas não foi tornado qualquer providência relativamente a esta empresa que recebe o valor correspondente a entrada. Como se vê, existe uma intima relação entre a INTERCEPT e a ALEFER para operacionalização de jogos de bingo e, aparentemente são empresas ligadas, mas são duas pessoas jurídicas distintas. Ora, se a atividade de bingo era realizada por INTERCEPT e ALEFER em nome da Associação Lincoln de Judô que alugava as máquinas de video bingo e, ainda, se a ALEFER era responsável pelas operações realizadas especificamente na parte de salio, inclusive a venda das cartelas e, também era responsável pela totalidade da movimentação financeira, a conclusão adotada pela autoridade lançadora não coaduna com os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. De acordo com o disposto no § 1 0, do artigo 845 do RIR/90, os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão (art. 5.844, de 1943, art. 79, § 1 0). A fiscalização, em nenhuma fase processual ou durante a auditoria desqualificou as atividades que foram ou seriam desenvolvidas pela ALEFER e, sem qualquer justificativa ou motivação suficiente, imputou à INTERC o montante equivalente à 37% do valor das entradas nas máquinas. 18 Processo n° 16004000479/2006-88 S1-C3TI AcOrd5o n ° 1301-00.022 Fl 19 Por outro lado, a fiscalização informou que a autorização para a realização de bingo não foi renovado e, portanto, a INTERCEPT ou Associação Lincoln de Judô, não esta autorizado para a realização de bingo, na foirna da lei. Entretanto, a fiscalização não desqualificou as operações de bingo, ou seja, não demonstrou e nem comprovou que o jogo de bingo teria sido desvirtuado a ponto de alocar todos os ingressos pela venda de cartelas como receita bruta da empresa INTERCEPT. Desta forma, não há como negar que a atividade desenvolvida pela INTERCEPT era de fato um jogo de bingo permanente ou de video bingo, operado por uma contratada e onde as cartelas eram vendidas pela ALEFER. Em se tratando de bingo permanente ou video bingo, mesmo não autorizado, existia certas regras corno o pagamento de premio para o(s) ganhador(es) e no caso destes autos, não há qualquer referencia h falta de pagamento de prêmios para subsistir a presunção de que todos os ingressos pela venda de cartelas seriam receitas operacionais da INTERCEPT. Se houve pagamento de prêmios e este fato parece incontestável porque a própria fiscalização não desqualificou a atividade de bingo, emerge claro que a receita operacional da autuada seria o valor correspondente a 37% do valor dos ingressos financeiros já que a diferença de 63% corresponderia aos prêmios pagos ou corresponderia a atividade desenvolvida pela ALEFER nos saldes pela venda de cartelas, Uma operadora de jogos de bingo, quando vende as cartelas, tem um ingresso financeiro que, ainda não constitui receita operacional, 0 objetivo da INTERCEPT é a prestação de serviços de bingo e, portanto somente quando é realizado o sorteio e pago o premio, °cone o fato gerador da prestação de serviços, no valor correspondente a 37% dos ingressos financeiros. Antes da consumação do jogo de bingo, o ingresso financeiro corresponde muito mais uma responsabilidade pela realização do sorteio e nem constitui receitas porque a cartela pode ser repassada para outros jogadores ou até ser revolvidos para a operadora de bingo Consoante o disposto no artigo 279, o conceito da receita bruta está delimitada nos seguintes termos: "Art. 279— A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o prep dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, (Lei te 4,506, de 1964, ar!. 44 e Decreto-lei n°1.598, de 1977, art, 12)," Ora, se as cartelas eram vendidas por ALEFER, para a INTERCEPT a receita bruta seria apenas o resultado auferido nas operações de conta alheia, ou seja, apenas a parcela correspondente a 37% que corresponde aos serviços prestados pela INTERCEPT após a segregação dos ingressos financeiros da ALEFER e que sairam a titulo de pagamento de premio e caso queira examinar por um outro ângulo resultaria que a prestação d5.seiOço seria a realização de bingo e desta forma, a venda de cartela não representa presta9 -6 de ser iços, mas sim a venda de urna mercadoria denominada cartela e, ai, o percentual de I ro arbitrado não poderia ser de 38,4%, mas sim, de 8% da receita bruta 19 Processo n° 16004000479/2006-88 S1-C3I 1 Acórdão n.° 1301 -00.022 F1 20 Desta forma, a receita bruta da recorrente seria apenas aquela parcela declarada como recebida pela INTERCEPT correspondente a 37% do montante total da coluna denominada LEITURA e não 37% do valor da venda de carteias ou valor da entrada registrada na máquina. Pelo exposto, sou pelo provimento parcial do recurso voluntário para excluir das receitas imputadas como omitidas as parcelas estimadas pela fiscalização, de forma indireta, mantendo o arbitramento de lucro sobre a receita informada como própria pela INTERCEPT e correspondente a 37% do valor constante da coluna denominada LEITURA, como segue: TEU/ANO AUTUADA RECEITA INFORMADA RECEITA EXCLUIDA RECEITA TRIBUTADA r TRIM/2001 30.776,16 6.221,83 24.554,33 6.221,83 3' TRIM/2001 49.850,84 10.265,56 39.585,28 10.265,56 4° TRIM/200 1 79 189,34 9.672,91 69.516,43 9.672,91 I' TRIM/2002 128 784,61 9.476,53 119 308,08 9.476,53 2' TRIM/2002 169 094,63 10.114,51 158 980,12 10.114,51 3' TRIM/2002 212 235,33 11.472,59 200 762,74 11.472,59 4° TRIM/2002 283.273,11 17.905,04 265.368,07 17.905,04 1° TRIM/2003 326 445,64 11.951,56 314 494,08 11.951,56 20 TR1M/2003 50 596,76 13.097,45 37.499,31 13.097,45 3° TRIM/2003 60 473,91 19.551,45 40.922,46 19.551,45 4' I R11v1/2003 46.555,44 12.206,12 34.349,32 12.206,12 TOTAIS 1.437.275,77 131.935,55 1.305.340,22 131.935,55 23 — Dupla tributação das receitas omitidas: como 37% da LEITURA e como depósitos bancários sem comprovação da origem. A recorrente argumentou que a imputação de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem estaria sendo tributada em duplicidade com as receitas consideradas omitidas e determinadas com base em leituras de video bingo. Efetivamente, este argumento é relevante e merece acolhida posto que, efetivamente, se todos os depósitos bancários foram considerados receitas omitidas e ao mesmo tempo calculou a receita omitida, também, com base em registros de video bingo, as duas receitas podem estar sendo tributadas em duplicidade . A planilha abaixo demonstra como foram tributadas as receitas consideradas omitidas: TRI/ANO DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE Prestação de Serviços Depósitos Bancários 2TRIM/2001 Receitas Omitidas — por presunção 6.221,83 0 3*TRIM/2001 Receitas Omitidas — por presunção 10.265,56 0 4°IRIM/2001 Receitas Omitidas — por presunção 9.672,91 426.121,70 TOTAL/2001 26.160,30 426.121,70 PIRIM/2002 Receitas Omitidas — por presunção 9.476,53 210.650,33 2°'IRIM/2002 Receitas Omitidas — por presunção 10 114,51 327.678,19 3°T RIM/2002 Receitas Omitidas — por presunção 11,472,59 293.570,35 4*TRIMJ2002 Receitas Omitidas — por presunção 17.905,04 390.362,68 TOTAL/2002 48.968,67 1,222.261,55 1 °IRIM/2003 Receitas Omitidas — por presunção 11.951,56 411.163,16 2°TRIM/2003 Receitas Omitidas — por presunção /0\097,45 3.994,00 3°IRIM/2003 Receitas Omitidas — por presunção f 19351,45 4571,00 20 Processo n° 16004000479/2006-88 Acórdão n 1301-00.022 S1-C3T1 H. 21 49-RIM/2003 Receitas Omitidas — por presunção 12.206,12 5.240,00 TOTAL 2003 56.806,58 424.968,16 TOTAL/AUTO 131.935,55 2.072.351,41 Conforme demonstrativo acima, no 4° trimestre de 2001, no 1° a 4° trimestre de 2002 e no 1° trimestre de 2003, as receitas omitidas e correspondentes a prestação de serviços gerais estão contidas nas receitas consideradas omitidas e apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada e no período de 2° trimestre a 4° trimestre de 2003, as receitas consideradas omitidas por depósitos bancários estão contidas nas receitas omitidas relativas A prestação de serviços gerais. As duas infrações referem-se A omissão de receitas que representam receitas não contabilizadas e, portanto, a menos que a fiscalização demonstre que cada infração subsiste independentemente da tributação da outra omissão de receitas, deve ser considerado que a receita omitida a menor está contida na receita omitida a maior, no mesmo período. Este entendimento consta de reiteradas decisões deste Primeiro Conselho de Contribuintes e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas 7 "IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. Constatado que houve inclusão ern duplicidade de mesmo montante em dois itens do auto de infração relativos a omissão de receitas, deve ser afastada a exigência correspondente a receita omitida indevidamente incluída no item que não compreende a matéria. Recurso de oficio negado," (Mc, 108-07.992, de 20/10/20042 "IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. PERÍODO EM QUE SE VERIFICOU OMISSÃO COM PROVA E POR PRESUNÇÃO LEGAL. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Não se admite a duplicidade de tributação de receita omitida, detectada por presunção legal e por prova, no mesmo período-base. É muito provável que a receita omitida detectada por presunção (depósito bancário,) seja a mesma verificada por Nota Fiscal de Venda não registrada. Corn efeito, o valor correspondente venda não registrada pode corresponder ao depósito na conta bancária, cuja origem o contribuinte não comprovou durante a fiscalização, " (Ac, 108-09.19.5, de 24/01/2007),. "OMISSÃO DE RECEITAS. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. A acusação de omissão de receitas em razão de pagamentos não contabilizados e em falta de comprovação da origem de depósitos em conta corrente bancária, se os pagamentos foram contra a mesma conta corrente implica duplicidade de tributação." (Ac. 101-94.483, de 29/01/2004).. "IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. PERÍODO EM QUE SE VERIFICOU A OMISSÃO COM PROVA. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Não se admite a presunção de omissão de receita, ainda que legal, quando no mesmo período-base a fiscalização tenha comprovado omissão de receita por nota fiscal não escriturada e/ounota fiscal calçada.. E razoável a ocorrência de duplicidade de apuração de 7 BRASIL Conselhos de Contribuintes . Disponível em www.conselhos.fazenda.gov.hr e acesso en /04/2008. 21 Processo n° 16004.000479/2006-88 Ae6rd5o n,° 1301-00.022 S1-C3T1 FL 22 receita omitida, o que deve ser afastada, tendo em vista que o tributo pode ter natureza sancionatória," (Ac, 108-07.523, de 10/09/2003). De todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência do direito de constituir crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL no 2' trimestre do ano- calendário de 2001 e crédito tributário de PIS/FATURAMENTO e COFINS do periodo de 30/05/2001 e 31/07/2001, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reduzir o valor da receita bruta omitida (prestação de serviços gerais) para fins arbitramento de lucro (JIM e CSLL), nos seguintes trimestres TRIMESTRES ANOS AUTO DE INFRAÇÃO EXCLUÍDA NESTA DECISÃO BASE PARA ARBITRAMENT() 2° TRIM/2001 30.776,16 30776,16 DECADENTE 3° TRIM/2001 49,850,84 39.585,28 10.265,56 4° TRIM/2001 79,189,34 79.189,34 0 1° 1 RIM/2002 128.784,61 128 784,61 0 2° IR1M/2002 169 094,63 169,094,63 0 3° TRIM/2002 212.235,33 212.235,33 0 4° TRIM/2002 283.273,11 283,273,11 0 1° TRIM/2003 326.445,64 326,445,64 0 2° TRIM/2003 50.596,76 37,499,31 13.097,45 3° TRIM/2003 60.473,91 40,922,46 19.551,45 4° TRIM/2003 46.555,44 34.349,32 12.206,12 TOTAIS 1.437.275,77 1.382.155,19 55.120,58 b) reduzir as bases de cálculo (prestação de serviços gerais) para incidência de COHN'S e PIS/FATURAMENTO, nos seguintes meses: MÊS/ANO AUTO DE INFRAÇÃO EXCLUÍDA NESTA DECISÃO TRIBUTAÇÃO MANTIDA 05/2001 10 583,85 10.583,85 DECADENTE 06/2001 19.892,31 19.892,31 DECADENTE 07/2001 26.301,82 26.301,82 DECADENTE 08/2001 9 694,74 7.715,33 1.979,41 09/2001 13.854,28 11.025,54 2.828,74 10/2001 37.610,87 37.610,87 0 11/2001 23.320,08 23,320,08 0 12/2001 18.258,39 18,258,39 0 01/2002 51.203,75 51.203,75 0 02/2002 20,782,53 20 782,53 0 03/2002 56.798,33 56 798,33 0 04/2002 46,684,38 46 684,38 0 05/2002 77,998,22 77.998,22 0 06/2002 44,412,03 44.412,03 0 07/2002 73.146,78 73.146;78 0 08/2002 72.024,94 72.024,94 0 09/2002 67,063,61 67,063,61 0 10/2002 96,153,75 96.153,75 0 11/2002 82.760,86 82,760,86 0 12/2002 104.358,50 104.358,50 0 01/2003 102 739,75 102,739,75 0 02/2003 120 827,39 120,827,39 0 03/2003 102.878,50 102,878,50 0 04/2003 11,299,80 7.040,52 4.259,28 05/2003 18,617,29 14,010,70 4.606,59 06/2003 20,679,67 16,448,07 4.231,60 07/2003 22,076,42 14,911,28 7.165,14 22 TRIMESTRES ANOS 3° TRIM/2001 4° TRIM/2001 I' TRIM/2002 2' TRIM/2002 3' TRIM/2002 RECEITA BRUTA (arbitramento de lucro) 10.265,56 426.121,70 210.650,33 327,678,19 293.570,35 TRIMESTRES ANO 4° TRIM/2002 1° TRIM/2003 20 TRIM/2003 3' TRIM/2003 4' TRIM/2003 RECEITA BRUTA (arbitramento de lucro) 390.362,68 411.163,16 13.097,45 19 551,45 12.206,12 MES/ANO OUT/2001 NOV/2001 DEZ/2001 .IAN/2002 FEV/2002 MAR/2002 ABR/2002 MA1/2002 JUN/2002 33,137,18 28,870,20 364,114,32 49.203,34 66 162,43 95,284,56 78 486,84 132.459,52 116.731,83 MES/ANO JUL/2002 AG 0/2002 SET/2002 OUT/2002 NOV/2002 DEZ/2002 JAN/203 FEV/2003 MAR/2003 RECEITA BRUTA 122.924,47 91.632,21 79.013,67 102 729,20 116.933,40 170.700,08 191 598,13 137 338,83 82.226,20 RECEITA BRUTA Processo n° 16004..000479/2006-88 81-C3T1 Acórd5o n.° 1301-00.022 Fl 23 08/2003 20.125,78 16 557,87 3.567,91 09/2003 18,271,71 9.453,31 8.818,40 10/2003 14.839,78 10.728,15 4.111,63 11/2003 25.606,22 20.379,14 5.227,08 12/2003 6.109,44 3.242,03 2.867,41 TOTAIS 1.436.975,77 1.387.312,58 49.663,19 c) excluir as receitas omitidas (depósitos bancários sem comprovação de origem) para fins de arbitramento de lucro (IRPJ e CSLL) nos 2°, 3' e 4° trimestre de 2003, nos valores de R$ 3.994,00, R$ 4,571,00 e R$ 5.240,00; d) excluir as bases de cálculo (depósitos bancários sem comprovação de origem), para fins de incidência de COFINS e P1S/FATURAMENTO, no período de 1° de abril a .31 de dezembro de 200.3, respectivamente de R$ 11,299,80, R$ 18.617,29, R$ 20.679,67, R$ 22,076,42, R$ 22,076,42, R$ 20.125,78, Cr$ 18.271,71, R$ 14,839,78, R$ 25,606,22 e R$ 6.109,44; e) reduzir o percentual da multa de lançamento de oficio de 150% para 75%, f) remanesce a tributação das seguintes receitas brutas sobre as quais devem ser arbitrados os lucros, para fins de incidência de IRPJ e CSLL: g) além das parcelas tributadas no item 'b' acima, remanesce a tributação das parcelas de receitas consideradas omitidas (depósitos bancários), para fins de incidência de COF1NS e PIS/FATURAMENTO: g .4 JOSÉ C OS.PASSUELLO - Relator 23 Processo n° 16004.000479/2006-88 SI-C31-1 Acórdão ° 130140022 Fl 24 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator Designado Respeitada a solidez dos argumentos trazidos pelo ilustre Conselheiro Relator, este Colegiado, amparado pelas razões de fato e de direito adiante expostas, houve por bem discordar, em parte, dos fundamentos que indicavam o provimento parcial, em maior extensão, do recurso voluntário interposto O ponto de divergência centrou-se na aplicação da multa qualificada e, por decorrência, na inocorrência de caducidade do direito de a Fazenda promover os lançamentos tributários, Entendeu o Colegiado que os elementos reunidos pela autoridade autuante autorizaram a aplicação da multa qualificada, não merecendo guarida a argumentação de que teria ocorrido, no caso, presunção de dolo . Discordou a Turma Julgadora do entendimento de que a Fiscalização não teria comprovado e nem demonstrado a ocorrência da prática de procedimento capaz de qualificar a conduta como dolosa. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 592/606), a contribuinte, relativamente As obrigações tributárias a que estava submetida, prestou as seguintes informações à Receita Federal: ANO-CALENDÁRIO DE 2001: declarou-se INATIVA (fls, 248/249); ANO-CALENDÁRIO DE 2002: apresentou declaração pelo LUCRO PRESUMIDO (fls. 250/282) com valores infimos de RECEITA BRUTA (declarou que auferiu, em cada um dos trimestres, R$ 9.000,00); ANO-CALENDÁRIO DE 2003: apresentou declaração pelo LUCRO REAL toda ZERADA (fls. 283/329); Não obstante tais informações, a Fiscalização apurou, com base em planilha apresentada pela própria contribuinte (Termo de Verificação Fiscal, fls, 603 e seguintes), auferimento de receita no period() de maio de 2001 a dezembro de 2003. Trata-se, para a Turma Julgadora, de 'nova direta de omissão de receitas, o que justifica a aplicação da penalidade qualificada . Ressaltou-se, ainda, que não se poderia imputar simples "erro" da contribuinte na transmissão das informações ao Fisco, visto que aquele que aufere receitas e se declara inativo ou nada informa em determinado ano, ou mesmo consigna quantias exatas que não guardam qualquer relação com os resultados efetivamente auferidos, demonstra, por meio dessas condutas, o intuito deliberado de subtrair parcela (ou atém mesmo a totalidade) das receitas auferidas da incidência dos tributos e contribuições devidos, 24 Assim, os valores originais restabelecidos e que devem ser adicionados aos mantidos no voto vencido são os seguintes. 25 Processo n° 16004,00047912006-85 S1-C3T1 Acórdão n 1301-00,022 Fl 25 Correta, para o Coiegiado, a assertiva da autoridade autuante de que "o artificio doloso ficou comprovado pelo fato de, sistematicamente (maio de 2001 a dezembro de 2003) e premeditadamente ilícita, o contribuinte omitir, ao conhecimento da autoridade fazendária, seu faturamento efetivamente auferido constante no livro Diário da sua escritura geio contribil (fly. 349/405), no intuito de retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador". Cabe observar que a multa em questão (qualificada) só foi aplicada sobre a parcela da receita apurada com bases nos controles colhidos pela autoridade fiscal junto a empresa, ou seja, sobre a parte da receita que derivou de depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicada multa de setenta e cinco por cento. A partir da proposição de desqualificação da multa, o ilustre Conselheiro Relator conduziu seu voto no sentido de reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de .30 de maio a 31 de julho de 2001. Entretanto, restabelecida a multa qualificada e, considerando que, presente o dolo, o prazo decadencial é regido pelo disposto no inciso I do art, 173 do Código Tributário Nacional, descabe falar, no caso vertente, em caducidade do direito de constituir créditos tributários . Com efeito, a ciência dos autos de infração foi efetivada em 08 de agosto de 2006 (Es, 587, 617, 632 e 647) e os lançamentos tributários alcançaram fatos geradores ocorridos nas seguintes datas: IRPJ e CSLL (LUCRO ARBITRADO) 30,062001 30,09,2001 31,12,2001 2002 (todos os trimestres) e 2003 (todos os trimestres) PIS/COFINS 31,05,2001 a 31,12,2003 Diante disso, obedecida a regra preconizada pelo inciso I do art, 173 do Código Tributário Nacional, o termo fatal para constituição dos créditos seria 31 de dezembro de 2006. Nesse diapasão, decidiu o Coiegiado, pelo voto de qualidade, a partir da manutenção da MULTA QUALIFICADA, considerar devido os valores relativos ao período de maio a julho de 2001, devendo-se atentar ., contudo, que a Turma Julgadora acolheu, por unanimidade, o argumento do Conselheiro Relator de que a receita bruta da contribuinte seria apenas a parcela declarada corno recebida, correspondente a 37% do montante total da coluna denominada LEITURA nas planilhas apresentadas, e não 37% do valor da venda de cartelas (valores consignados na coluna ENTRADA das referidas planilhas) . WIL ON FERN GUIMARÃES - Redator Designado Processo If 16004,000479/2006-88 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.022 Fl 26 a) para fins de IRPJ e CSLL: a receita tributável de R$ 6.221,83, relativo ao 2° trimestre de 2001; e b) para fins de PIS e COFINS: as receitas tributáveis de R$ 2A61,07, R$ 4.060,76 e R$ 5.457,40, correspondentes aos meses de maio, junho e julho de 2001, respectivamente. 26
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