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Numero do processo: 10735.720048/2006-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PEDIDOS DE CANCELAMENTO E MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INDEFERIMENTO E NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS REJEITADOS POR DECISÃO JUDICIAL.
Afastados os pronunciamentos administrativos que indeferiu pedidos de cancelamento de declarações de compensação e que não deu seguimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, há que se restituir os autos à unidade administrativa de origem para que nova apreciação seja promovida, observando-se, em tudo, os exatos termos da decisão proferida em seara judicial.
Numero da decisão: 1301-001.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular os atos administrativos rejeitados pela autoridade judicial, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PEDIDOS DE CANCELAMENTO E MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INDEFERIMENTO E NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS REJEITADOS POR DECISÃO JUDICIAL. Afastados os pronunciamentos administrativos que indeferiu pedidos de cancelamento de declarações de compensação e que não deu seguimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, há que se restituir os autos à unidade administrativa de origem para que nova apreciação seja promovida, observandose, em tudo, os exatos termos da decisão proferida em seara judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular os atos administrativos rejeitados pela autoridade judicial, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 00 48 /2 00 6- 09 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.720048/200609 Acórdão n.º 1301001.653 S1C3T1 Fl. 264 2 Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.720048/200609 Acórdão n.º 1301001.653 S1C3T1 Fl. 265 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débitos diversos com crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no ano calendário de 2002. Nos termos da Informação Fiscal de fls. 57/59, tendo em vista a constatação de que haviam sido formalizados processos relativos a autos de infração lavrados contra a contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu decidiu pela realização de diligência fiscal para que fossem adotadas as seguintes providências: a) fosse verificado, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas na DIPJ, na DCTF e no presente processo; b) fosse informado se, em razão de eventual procedimento fiscal, havia sido alterado o valor do prejuízo fiscal relativo ao ano de 2002. Encaminhado o processo ao setor competente, foi produzido o Parecer nº 002/2012 (fls. 62/63), no qual foi consignada informação no sentido de que, em virtude do disposto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as compensações pleiteadas por meio do presente processo deveriam ser consideradas homologadas tacitamente, motivo pelo qual o direito creditório indicado para o encontro de contas deveria ser reconhecido. Por meio do Despacho Decisório de fls. 64, o Delegado da Receita Federal em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, reconheceu o direito creditório no montante requerido (R$ 871.758,98) e homologou as compensações. Às fls. 78/79, consta PARECER COMPLEMENTAR ao Parecer nº 002/2012, do qual extraio as seguintes informações: i) o citado Parecer aborda PEDIDOS DE CANCELAMENTO relacionados a DCOMPs anteriormente apresentadas; ii) analisandose os débitos indicados nas DCOMPs objeto de cancelamento, constatouse que eles (os débitos) não haviam sido declarados em DCTF; iii) tomando por base as disposições do parágrafo 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, concluiuse pela impossibilidade do cancelamento requerido com base no argumento de que a DCOMP, na ausência de DCTF, constituía o único instrumento de confissão de dívida dos débitos. O PARECER COMPLEMENTAR acima mencionado, identificado com o número 054/2012, foi aprovado por meio do DESPACHO DECISÓRIO de fls. 79, in fine. Cientificada do PARECER COMPLEMENTAR, a contribuinte apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 94/1071), em que, pelas razões ali expostas, 1 Numeração correspondente ao arquivo digitalizado. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.720048/200609 Acórdão n.º 1301001.653 S1C3T1 Fl. 266 4 requereu o deferimento dos pedidos de cancelamento das DCOMPs formalizados e, aproveitandose o saldo de direito creditório decorrente de tais cancelamentos, fossem integralmente homologadas as compensações cujos débitos representam o objeto do processo de cobrança nº 10735.722301/201207. Encaminhado o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, ele foi devolvido à Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu com base no nas disposições do art. 67 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, abaixo transcrito. Art. 67. É definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir pedido de retificação ou cancelamento de que tratam os arts. 76 a 79 e 82. Cientificada do pronunciamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, a contribuinte interpôs o “recurso” de fls. 195/213, requerendo, com base nos fundamentos nele esposados, o reconhecimento do cabimento da MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE apresentada, bem como do recurso, e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários controlados por meio do processo de cobrança nº 10735.722301/201207. Em virtude da interposição do recurso acima referenciado, a Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu proferiu despacho nos seguintes termos (fls. 241): CONFORME O DESPACHO DA DRJ, FLS 189, NÃO SE APLICA AO DESPACHO DECISÓRIO, QUE INDEFERI (U) O PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DCOMP, O RITO DO DECRETO 70.235/72. DESTA FORMA, RECEBO O RECURSO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE, FL. 94 E SS, COMO RECURSO HIERÁRQUICO, CONTUDO, NEGO SEGUIMENTO POR INTEMPESTIVIDADE. POR OUTRO LADO, NÃO TOMO CONHECIMENTO DO RECURSO DE FLS 195/239, POIS INCABÍVEL. PROCEDASE A COBRANÇA IMEDIATA. Às fls. 254/255, consta MANDADO DE INTIMAÇÃO, expedido pela 1ª Vara Federal de Nova Iguaçu, por meio do qual o Delegado da Receita Federal em Nova Iguaçu é instado a cumprir a decisão exarada nos autos do processo nº 0136963 32.2013.4.02.5120 (2013.51.20.1369635). Na decisão em questão, anexada ao presente às fls. 256/260, a Juíza Federal Titular da 1ª Vara Federal de Nova Iguaçu, deferindo ANTECIPAÇÃO DE TUTELA, determinou à autoridade impetrada que reconhecesse o cabimento do recurso voluntário, atribuindo efeito suspensivo aos créditos objeto do processo de cobrança nº 10735.722301/201207. É o Relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.720048/200609 Acórdão n.º 1301001.653 S1C3T1 Fl. 267 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Conheço o recurso voluntário interposto, por força da decisão judicial anexada por cópia às fls. 256/260 do presente. Cuida o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débitos diversos com crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no ano calendário de 2002. Em razão do transcurso do prazo previsto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, o direito creditório pleiteado foi reconhecido e as compensações tributárias correspondentes foram homologadas, observandose, obviamente, o limite do crédito apontado para o encontro de contas. Digo isso porque o extrato de fls. 66/68 aponta para a existência de débito remanescente, o que é confirmado pela CARTA DE COBRANÇA de fls. 69/70. Destaco que às fls. 62 do presente consta a seguinte informação, in verbis: [...] Juntouse por apensação o processo nº 10735720047/200656 por se tratar de compensação de Saldo Negativo de CSLL (2484) referente, igualmente, ao Ano Calendário 2002, no valor de R$581.185,07 (quinhentos e oitenta e um mil, cento e oitenta e cinco reais e sete centavos), onde a requerente deseja compensálo com diversos débitos declarados na DCOMP eletrônica nº 13936.43170.141103.1.3.03 0239. Portanto, o presente parecer surtirá efeito não só para o processo principal, mas também para o processo apensado. (GRIFOS DO ORIGINAL) De acordo com o controle de processos do Ministério da Fazenda (COMPROT), o referido processo foi arquivado em 09 de outubro de 2012. O arquivamento em referência leva a crer que, uma vez homologadas tacitamente as compensações que constituíam o objeto do processo, nenhuma outra questão restou pendente (o processo nº 10735720047/200656 foi desapensado do presente em 12/01/2012, conforme Termo de fls. 65). Todavia, a exemplo do ocorrido no presente processo, a CARTA DE COBRANÇA de fls. 73/74 indica que, não obstante a homologação tácita das compensações, o direito creditório reconhecido no processo nº 10735720047/200656 não foi suficiente para extinguir os débitos. Em conformidade com o PARECER (complementar) nº 054/2012 (fls. 78/79), a contribuinte apresentou pedidos de cancelamento das DCOMPs nºs 03883.71113.150903.1.3.028070 e 11487.35805.230305.1.7.023925. Os pedidos de cancelamento acima mencionados, como já visto, foram indeferidos e, tendo a contribuinte se insurgido contra tal decisão por meio MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, nenhum pronunciamento foi feito pela instância julgadora de Fl. 271DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.720048/200609 Acórdão n.º 1301001.653 S1C3T1 Fl. 268 6 primeiro grau, vez que, nos termos do despacho de fls. 189, no presente caso seria aplicável o disposto no art. 67 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008 (“É definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir pedido de retificação ou cancelamento de que tratam os arts. 76 a 79 e 82”). Como dito, o recurso voluntário impetrado pela contribuinte está sendo conhecido em razão do decidido nos autos do processo judicial nº 013696332.2013.4.02.5120 (2013.51.20.1369635). Além de ser taxativa no sentido de que o recurso voluntário deveria ser conhecido, a decisão prolatada pela Juíza Federal Titular da 1ª Vara Federal de Nova Iguaçu estabeleceu ainda que: i) as disposições da Instrução Normativa nº 900, de 2008, não podem servir de suporte para o não conhecimento da Manifestação de Inconformidade, pois a decisão que indeferiu os pedidos de cancelamento não teve por base a sua intempestividade, mas, sim, o fato de que os débitos, que eram objeto das declarações de compensação, não haviam sido declarados em DCTF; ii) a informação de que o recurso voluntário também não poderia ser admitido em razão de não ser possível aplicar ao despacho decisório que indeferiu o pedido de cancelamento das DCOMPs as disposições do Decreto nº 70.235/72, não se coaduna com o disposto nos parágrafos 7º a 11 do art. 74 da Lei nº 10.833/032, visto que a conseqüência lógica do indeferimento dos pedidos de cancelamento é justamente o indeferimento das homologações das compensações realizadas em 2007; iii) no caso, são cabíveis tanto a manifestação de inconformidade quanto o recurso voluntário, como forma de atacar o despacho decisório que indeferiu os pedidos de cancelamento. Vêse, pois, que dois são os pronunciamentos administrativos que foram rejeitados pela decisão judicial. O primeiro, representado pelo PARECER nº 054/12, fls. 78/79, e correspondente despacho decisório, que indeferiu os pedidos de cancelamento das DCOMPs; e o segundo, representado pelo DESPACHO de fls. 189, que não deu seguimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Penso, pois, que o adequado cumprimento da decisão exarada em seara judicial exige o afastamento dos atos repudiados pela autoridade judicial, motivo pelo qual conduzo meu voto no sentido de determinar o cancelamento do PARECER nº 054/12 (fls. 78/79) e do DESPACHO de fls. 189, devendo a unidade administrativa de origem pronunciar se sobre os pedidos de cancelamento das DCOMPs nºs 03883.71113.150903.1.3.028070 e 11487.35805.230305.1.7.023925, oportunizando, se for o caso, prazo para que a contribuinte apresente Manifestação de Inconformidade. “documento assinado digitalmente” 2 Os dispositivos, à evidência, dizem respeito à Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10735.720048/200609 Acórdão n.º 1301001.653 S1C3T1 Fl. 269 7 Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 13888.003801/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/10/2002
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DETERMINAÇÃO LEGAL. ART. 173, I, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN possui determinações legais que devem ser seguidas para a aplicação de regra decadencial. No presente caso, devido a ausência de recolhimento parcial, deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, que determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/10/2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DETERMINAÇÃO LEGAL. ART. 173, I, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN possui determinações legais que devem ser seguidas para a aplicação de regra decadencial. No presente caso, devido a ausência de recolhimento parcial, deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, que determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Recurso Voluntário Negado.
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DETERMINAÇÃO LEGAL. ART. 173, I, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN possui determinações legais que devem ser seguidas para a aplicação de regra decadencial. No presente caso, devido a ausência de recolhimento parcial, deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, que determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 01 /2 00 7- 15 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 13888.003801/200715 Acórdão n.º 2402004.353 S2C4T2 Fl. 150 3 Relatório Tratase de autuação decorrente do descumprimento de obrigação principal, qual seja o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, correspondente à parte dos segurados, empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre salários de contribuição aferidos com base nos valores dos serviços contidos em notas fiscais ou faturas, na área de construção civil, emitidos pela empreiteira Teor Engenharia Ltda. Relatório Fiscal às fls. 39/41. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 44/67, que restou parcialmente procedente às fls. 108/113, sob os seguintes fundamentos: 1. Considerandose que a presente NFLD foi lavrada em 30/10/2007, com cientificação ao sujeito passivo na mesma data, temse que, para a empresa prestadora de serviços, Teor Engenharia, nas competências 11/2000, 12/2000, 01/2001, 03/2001 é 09/2001 ocorre a decadência; 2. As contribuições relativas à competência 06/2002 restaram atingidas pela decadência, vez que se verifica no conta corrente da prestadora recolhimento de contribuições efetuado nesta competência (tela impressa e juntada às fls. 99), dando ensejo, por conseguinte, à aplicação da regra contida no artigo 150, parágrafo 4º do CTN, com a contagem dos cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador; 3. Para as contribuições lançadas nas competências 07/2002 a 10/2002, como não houve recolhimento parcial da obrigação (conforme fl. 99), aplicase a regra contida no inciso I do artigo 173 do CTN, não estando, portanto, abrangidas pela decadência qüinqüenal; 4. No tocante às alegações da impugnante sobre a impossibilidade de se lavrar NFLD contra a tomadora de serviços antes de ser realizada fiscalização na empresa prestadora e também que sequer houve verificação da existência do débito antes de iniciada a fiscalização, elas não merecem acolhida, uma vez que os trabalhos fiscais pautaramse estritamente na legislação previdenciária vigente à época dos fatos — inciso VI do artigo 30 da Lei n° 8.212/91; 5. Em se tratando de prestação de serviços na construção civil, o contratante, para eximir se da responsabilidade solidária determinada pelo art. 30 da Lei n° 8.212/91, deveria, no momento de quitar a nota fiscal devida ao prestador de serviço, deste exigir a apresentação dos documentos previstos no artigo 220 do Decreto n°3.048/ 99 — RPS; 6. A não apresentação pela empresa tomadora dos documentos solicitados pela fiscalização, autoriza a aferição indireta, cabendo à impugnante a prova em contrário; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 125/142 alegando, em síntese: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 4 1. Independente da ocorrência do pagamento parcial do crédito tributário, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a correr da ocorrência de seu fato gerador, nos termos do artigo 150, §4° do CTN. Por essa razão, ocorreu, também, a decadência do direito da fazenda de constituir créditos tributários competências de 07/2002 a 10/2002; 2. Quanto aos fatos anteriores a outubro de 2002, operouse a decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário; 3. A presente NFLD não merece prosperar uma vez que lavrada antes da fiscalização da empresa prestadora de serviço; 4. Mesmo que se aplique a responsabilidade solidária no presente caso, a empresa contratante (Recorrente) é responsável pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/91 juntamente com a empresa prestadora dos serviços executados, isto é, o contratante responde com o executor, não em lugar dele; 5. Assim, a devedora principal e a primeira responsável pelas obrigações previdenciárias é a empresa que emprega trabalhadores e que estabelece vínculos empregatícios diretos com os mesmos. Dessa forma, cabe à fiscalização do INSS se reportar, primeiramente, à empresa prestadora de serviços e não à Recorrente, mera contratante dos serviços prestados; 6. Ademais, a aplicação do instituto da solidariedade pressupõe, inicialmente, a existência do débito. Inexistindo o débito, não há que se falar em solidariedade; 7. A Recorrente só poderia ter sido acionada depois de frustrada a tentativa de receber, da empresa prestadora de serviços contratada, o respectivo crédito previdenciário; Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 13888.003801/200715 Acórdão n.º 2402004.353 S2C4T2 Fl. 151 5 Voto Conselheiro Relator Thiago Taborda Simões, Relator O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre os quais o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No mérito Da decadência Pleiteia a Recorrente pelo reconhecimento da decadência do direito creditório quanto aos fatos anteriores a outubro de 2002. O lançamento foi consolidado em 30/10/2007, conforme AIIM (Fl. 03). Assim, reconhecido que houve pagamento a menor pela Recorrente, aplicouse o disposto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, segundo o qual quando do recolhimento a menor do tributo pelo contribuinte, contarseá o prazo decadencial a partir da data do fato gerador. Nesse sentido, o acórdão proferido em análise à impugnação apresentada reconheceu a decadência dos créditos tributários das competências 11/2000, 12/2000, 01/2001, 03/2001, 09/2001e 06/2002. Não satisfeita com o reconhecimento da decadência, a Recorrente insiste na idéia de que a decadência deveria, da mesma forma, ocorrer em relação à todas as competências anteriores a outubro de 2007, uma vez que a autuação ocorreu em novembro de 2007. O prazo decadencial iniciase, no caso de recolhimento a menor, na ocorrência do fato gerador. Seu término, nos termos da legislação tributária, ocorrerá cinco anos mais tarde, ou, para melhor demonstrar, 60 meses – completos – após o fato gerador. Ocorre que não houve recolhimento parcial das contribuições lançadas nas competências 12/2001 a 02/2002 e 07/2002 a 10/2002 (conforme fl. 99), não estando, portanto, abrangidas pela decadência qüinqüenal, conforme reconhecido no v. acórdão recorrido. Para estas competências, aplicase a regra contida no inciso I do artigo 173 do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)” Assim, considerando que o lançamento do crédito tributário ocorreu em 10/2007 e aplicando o prazo quinquenal nos termos do art. 173, I, temse que todas as competências anteriores a 11/2001, inclusive, foram atingidas pela decadência. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO 6 Todavia, as competências 07/2002 a 10/2002, não foram atingidas pela decadência, vez que o prazo decadencial destas competências se iniciou em 01/01/2003, portanto, dentro do prazo qüinqüenal, a teor do art. 173, I, CTN. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: “DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.” (CARF. Processo nº 16045.000519/200796. Data da Sessão: 21/01/2014) “RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO COMO UM TODO E NÃO POR RUBRICA ISOLADA. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Para contribuições previdenciárias apurase a ocorrência de antecipação referida no caput do art. 150 do CTN se houve pagamento no período de competência, ainda que não especificamente sobre a rubrica lançada ou a lançar.” (CARF. Processo nº 35366.001448/200507. Data da sessão: 06/05/2014.) Da responsabilidade solidária No presente caso as contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei n° 8.212/91, a seguir: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO Processo nº 13888.003801/200715 Acórdão n.º 2402004.353 S2C4T2 Fl. 152 7 “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Esclareçase, primeiramente, que o presente lançamento não fora fundamentado no art. 31 da Lei 8.212/91 por tratarse da imputação de responsabilidade solidária decorrente da contratação de obra de construção civil. Em assim sendo, não havendo comprovação do recolhimento prévio das contribuições previdenciárias nos termos do art. 30, VI, patente a manutenção da responsabilidade solidária do Recorrente, eis que o dispositivo exclui expressamente o benefício de ordem em qualquer hipótese. Conclusão Por todo o exposto, voto para CONHECER do recurso voluntário e a ele NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assi nado digitalmente em 04/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO
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Numero do processo: 16707.006066/2004-28
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 32/37 dos autos), mediante o qual foi apurado "imposto suplementar" no valor de R$ 4.214,52, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física IRPF, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até o mês de outubro de 2004, em decorrência de revisão efetuada em sua declaração de ajuste anual RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 06 06 6/ 20 04 -2 8 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16707.006066/200428 Resolução nº 2801000.325 S2TE01 Fl. 80 2 correspondente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002 (cópia às fls.39/41). O crédito tributário alcançou o montante de R$ 8.467,39. 2. De acordo com a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls.33), que acompanha o Auto de Infração, foi detectada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de : a) trabalho com vinculo empregatício com a pessoa jurídica BRASINOX BRASIL INOXIDÁVEIS S/A no valor de R$ 6.226,69 (fls.14 e 43); e b) trabalho sem vinculo empregando com a empresa HARVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA., no valor de R$ 9.575,00 (fls.13 e 45). Foram, assim, infringidos os seguintes dispositivos legais: Lei M 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. 1° a 3° e 6°, Lei n°8,134, de 27 de dezembro de 1990, arts 1° a 3º ; Lei n°9.250, de 26 de dezembro de 1995, arts. 1°, 3°, 5°, 60, 11 e 32; Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 21; Lei n°9887, de 7 de dezembro de 1999; Lei n° 10.451, de 10 de maio de 2002, arts. 1°, 2° e 15; e Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), arts.43 a 45. 3. Em decorrência das infrações detectadas, foram alterados os valores das linhas da declaração do contribuinte (fls.34) a seguir relacionadas, do que resultou a alteração do valor do "imposto a pagar" de R$ 5.040,97 (fls.39) para "imposto a pagar suplementar" de R$ 4.214,52, como já referido no item 1 deste Relatório a) rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas para R$ 85.858,47; b) imposto de renda retido na fonte para R$ 4.181,11. 4. Regularmente cientificado do lançamento (fls.28/29), o contribuinte autuado apresentou, por intermédio de seu procurador, impugnação (fls.01/06), acompanhada de documentos (fls. 07/26), na qual alega, em síntese, que: 4.1. em sede de preliminar, deve ser excluído da autuação por não ser responsável pela falta de pagamento do imposto de renda sobre os rendimentos oriundos da BRASINOX, uma vez que a fonte pagadora deveria ter procedido a retenção, nos termos do ad. 121, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN ; 4.2. quanto ao mérito, não omitiu rendimentos do trabalho com vinculo com a BRASINOX porque não recebera os salários, tanto que ajuizou ação trabalhista contra essa empresa perante a Justiça do Trabalho da 21ª Regido, no Rio Grande do Norte (processo n° 1141/2002, r Vara), conforme documentos anexados; 4.3. ao final, requer : a) seja acatada a preliminar, que denominou de "ilegitimidade passiva ad causam para figurar como responsável pela obrigação tributária dos rendimentos decorrentes da empresa Brasinox"; b) "no mérito, seja acatada a presente impugnação para que seja excluída a obrigação do contribuinte de pagar o imposto de renda sobre os rendimentos oriundos do contrato de trabalho com a BRASINOX, haja vista o não recebimento dos salários"; c) "sejam excluídas as obrigações acessórias decorrentes dos rendimentos supracitados, haja vista inexistir obrigação principal, devendo ser, os juros e multa de oficio, calculados apenas sobre o imposto suplementar devido”; d) redução de vinte por cento sobre o valor do imposto Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16707.006066/200428 Resolução nº 2801000.325 S2TE01 Fl. 81 3 suplementar devido, a ser deferido após a decisão de primeira instância. nos ternos do art.60, § 10 da Lei e 8.383/1991. O lançamento foi julgado procedente, conforme Acórdão de fls. 55/61, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002 PRELIMINAR, ILEGITIMIDADE PASSIVA. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE, RESPONSABILIDADE Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Devem ser oferecidos à tributação todos os rendimentos tributáveis auferidos pelo declarante no anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Não apresentada contestação expressa quanto a item da autuação, pressupõese a concordância do impugnante, o que implica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. Lançamento Procedente Regularmente cientificado daquele acórdão em 08/02/2008 (fl. 64), o Interessado, representado por seu advogado (fl. 76), interpôs recurso voluntário de fls. 68/75 em 10/03/2008, no qual, em síntese, repete os argumentos da impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Recorrente sustenta que não ocorreu omissão de rendimentos trabalho com vinculo empregatício junto à BRASINOX, uma vez que os salários pelos serviços prestados nunca lhe foram pagos, razão pela qual postula na Justiça do Trabalho os salários não pagos pela BRASINOX no ano de 2001/2002, conforme demonstram as cópias dos autos da Reclamação Trabalhista 01.11412002 em anexo. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16707.006066/200428 Resolução nº 2801000.325 S2TE01 Fl. 82 4 Em face do acima exposto e com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fonte pagadora BRASINOX BRASIL INOXIDAVEIS S/A, CNPJ 09.863.622/000118, seja intimada a esclarecer se os pagamentos informados na DIRF de fls. 52, com retenção do imposto de renda na fonte, no anocalendário de 2002, referemse aos valores pleiteados pelo Contribuinte ANTONIO CARLOS LEOPOLDO DA CÂMARA na Reclamação Trabalhista 01.11412002 (fls. 19/30). Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o Recorrente acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurando lhe prazo para sua manifestação. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000108/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, determinar o SOBRESTAMENTO do processo, enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 611.586.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benicio Junior, Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo Da Silva, Monica Sionara Schpallir Calijuri, Nara Cristina Takeda Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, determinar o SOBRESTAMENTO do processo, enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 611.586. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benicio Junior, Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo Da Silva, Monica Sionara Schpallir Calijuri, Nara Cristina Takeda Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 10 8/ 20 10 -5 7 Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário contra decisão da DRJ que manteve parcialmente o lançamento de IRPJ e CSLL correspondente aos anoscalendário de 2004 a 2007. O lançamento em comento indica quatro infrações que podem ser assim resumidas: 1.Despesas Desnecessárias – correspondentes às variações cambiais passivas registradas segundo o regime de competência sobre o valor remetido inicialmente como investimento em controladas no exterior; 2.Preços de Transferência – falta de reconhecimento do valor mínimo de juros sobre mútuos com empresas ligadas situadas no exterior, cujos contratos não foram registrados no BACEN; 3.Lucros auferidos por meio de controladas no exterior – falta de oferecimento à tributação dos lucros das controladas situadas no exterior; e 4.Despesas Desnecessárias – Falta de adição de despesas de seguro consideradas desnecessárias. A tabela a seguir transcrita sintetiza o valor tributável apontado no lançamento correspondente a cada uma das quatro infrações mencionas, a saber: Inconformada com o lançamento a recorrente apresentou sua impugnação, cuja apreciação pela DRJ manteve parcialmente o lançamento apenas em relação aos lucros auferidos no exterior dos anos de 2005 e 2006 para o IRPJ e para a CSLL, e em relação à glosa de despesas de seguro correspondentes ao mesmo período para o IRPJ. Eis o que o acórdão em exame versa (in verbis): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. GLOSA. LANÇAMENTO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível falar em nulidade do lançamento. VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE SIMULAÇÃO. Inexistindo prova de simulação, há que se admitir como verdadeiras as operações envolvendo empresas coligadas da contribuinte, comprovadas por documentos Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000108/201057 Resolução nº 1101000.070 S1C1T1 Fl. 4 3 hábeis e idôneos, e correta a dedução, pelo regime de competência, da despesa com variação cambial passiva. Exonerase a exigência correspondente. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS SOBRE MÚTUOS COM CONTROLADAS NO EXTERIOR. No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo o valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. LUCROS DE CONTROLADAS NO EXTERIOR. FALTA DE OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. DECADÊNCIA Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, considerase como início da contagem a data do fato gerador. Tendo sido parte do crédito tributário formalizado após o prazo decadencial, exonerase a exigência correspondente. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE / INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. METODOLOGIA ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. Descabe a alegação de nulidade, visto que a metodologia adotada pela fiscalização acabou por beneficiar a contribuinte. COMPENSAÇÃO DE RESULTADOS POSITIVOS DE COLIGADAS NO EXTERIOR COM RESULTADOS NEGATIVOS DE OUTRAS COLIGADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitida a compensação dos resultados positivos de coligadas no exterior com os resultados negativos de outras coligadas, devendo ser os lucros tributados de forma individualizada. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. GLOSA. Na apuração do IRPJ, a dedutibilidade das despesas está condicionada à comprovação de sua necessidade às atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DESPESAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL, JUROS SOBRE MÚTUOS COM CONTROLADAS NO EXTERIOR E LUCROS DE CONTROLADAS NO EXTERIOR. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000108/201057 Resolução nº 1101000.070 S1C1T1 Fl. 5 4 DESPESAS DESNECESSÁRIAS. GLOSA. FALTA DE AMPARO LEGAL. Na apuração da base de cálculo da CSLL, não há previsão legal para que sejam adicionadas ao lucro líquido as despesas desnecessárias, consideradas indedutíveis para efeito de apuração do IRPJ. Matéria tributável excluída da autuação relativa à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Tendo conhecimento da decisão em 15/06/2012 (fl. 892), sextafeira, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/07/2012, alegando em síntese que: •A matéria relativa à tributação dos lucros auferidos no exterior está pendente de apreciação pelo STF, cuja repercussão geral foi reconhecida no RE nº 611.586, requerendo assim o sobrestamento do feito até que seja proferida decisão pelo Pretório Excelso, nos termos do art. 62A, § 1º do RICARF; •O lançamento correspondente aos lucros auferidos no exterior foi promovido sem a comprovação das premissas fáticas, caracterizando uma tributação por presunção; •A falta de disponibilização dos lucros auferidos no exterior não pode ensejar tributação, não se tratando de declaração de inconstitucionalidade, a qual já está sendo apreciada pelo STF na ADI nº 2.588, mas sim de aplicar a norma à situação concreta em consonância com o art. 43 do CTN; •A necessidade de compensação entre lucros e prejuízos auferidos no exterior; •Nulidade do termo de verificação por equívoco quanto ao valor tributável das despesas desnecessárias glosadas; •Nulidade do auto de infração por cerceamento ao direito de defesa por falta de motivação correspondente à glosa de despesas desnecessárias; •Correta dedutibilidade das despesas glosadas por serem necessárias preenchendo os requisitos necessários para tal; e •Indevida a exigência de juros de mora sobre multa punitiva por falta de fundamento legal. É o relatório. Voto Por força do art. 62A, § 1º do RICARF, voto pelo sobrestamento do processo, enquanto não sobrevier decisão definitiva do RE nº 611.586 (assinado digitalmente) Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000108/201057 Resolução nº 1101000.070 S1C1T1 Fl. 6 5 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721648/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO. DEDUÇÃO LÓGICA.
A discordância das razões por que a decisão recorrida apreciou de ofício questão legal não é uma contradição, não é omissão e não é obscuridade a, nos termos do RICARF, autorizar o provimento dos Embargos de Declaração.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2102-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura, que os acolhiam. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA - Relatora
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Redator do voto vencedor
EDITADO EM: 06/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura, que os acolhiam. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA - Relatora Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Redator do voto vencedor EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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ACÓRDÃO RECORRIDO. DEDUÇÃO LÓGICA. A discordância das razões por que a decisão recorrida apreciou de ofício questão legal não é uma contradição, não é omissão e não é obscuridade a, nos termos do RICARF, autorizar o provimento dos Embargos de Declaração. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura, que os acolhiam. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator do voto vencedor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 16 48 /2 01 1- 70 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, As sinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102003.045 S2C1T2 Fl. 375 2 EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 366/371, argüindo a existência de omissão no Acórdão nº 2102002.807, de 22/01/2014, fls. 358/364. O dispositivo do acórdão embargado está assim redigido: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada de 225% para 75%. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que somente desqualificava a multa de ofício e Alice Grecchi, que também reduzia a multa de ofício incidente sobre a infração de dedução indevida de livro caixa, de 112,5% para 75%. Segundo a Fazenda Nacional, o acórdão embargado incorreu em omissão, posto que apreciou a qualificação e o agravamento da multa de ofício, sem que tal matéria tenha sido contestada e sem justificar as razões que levaram à apreciação da matéria: Observese o pedido formulado pelo contribuinte no seu recurso voluntário (fle.349), verbis: “Requer assim, o provimento do recurso, para o fim de determinar que seja ofertada ao contribuinte a oportunidade de apresentar todas as cópias dos cheques depositados, lembrando que a movimentação se deu em apenas um banco (Bradesco) ou decretar a nulidade do auto em vista da impossibilidade de se tributar IR apenas considerando depósitos bancários.” Outrossim, nas razões do recurso voluntário o contribuinte fez referência a multa de ofício apenas uma vez e, ainda assim, de forma extremamente genérica, afirmando apenas que ela não tem sentido jurídico algum (fle. 344), verbis: “A multa imposta levando em conta apenas os depósitos bancários, com multa de 150% não tem sentido jurídico algum.” Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, As sinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102003.045 S2C1T2 Fl. 376 3 Sabese que, nos termos da legislação vigente, “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” (Decreto nº 70.235/72, art. 17), operandose a preclusão. É certo que as matérias de ordem pública são cognoscíveis de ofício, não havendo necessidade de a parte recorrente alegálas expressamente. Porém, não é menos certo que a decisão administrativa deve conter os fundamentos de fato e de direito nos quais se baseou o julgador para chegar a determinada conclusão, possibilitando à parte vencida impugnálos por meio dos recursos cabíveis. Desse modo, a Egrégia Turma pode até entender que a qualificação e o agravamento da multa de ofício são questões de ordem pública e independem de pedido do contribuinte, analisando a questão mesmo de ofício; porém, deve fazêlo expressamente, possibilitando à Fazenda Nacional a interposição do recurso especial, tendo em vista a existência de precedentes em sentido contrário, verbis: ACÓRDÃO Nº 2301003.811 “Matérias não recorridas em recurso voluntário não há de ser apreciado se não se trata de matéria de ordem pública. Julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente.” Caso a questão não seja expressamente analisada pela Egrégia Turma, a via especial poderá ficar fechada à Fazenda Nacional, tendo em vista a necessidade de prequestionamento da matéria objeto do recurso, nos termos do art. 67, § 3º, do RICARF. É o Relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, As sinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102003.045 S2C1T2 Fl. 377 4 Voto Vencido Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional preenchem os requisitos legais para sua admissibilidade e devem ser conhecidos. No recurso, fls 327/351, o contribuinte menciona a multa de ofício, em apenas um momento, nos seguintes termos, fls. 344: A multa imposta levando em conta apenas os depósitos, com multa de 150% não tem sentido jurídico algum. É acertada a afirmação do embargante, quando diz que a multa imposta ao contribuinte não foi expressamente contestada no recurso. De fato, uma única frase, de teor genérico, contida em uma extensa petição, de 25 páginas, não pode ser tomada como expressa contestação. Nesse sentido, trazse o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de outubro de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Do dispositivo acima transcrito, verificase que a matéria, para ser considerada impugnada, deve estar expressamente contestada, sendo certo que a simples menção de que a multa imposta levando em conta apenas os depósitos, com multa de 150% não tem sentido jurídico algum, não atende ao disposto no art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) A frase contida no recurso, que menciona a multa aplicada, não contém os motivos de fato e de direito que a fundamenta. Ou seja, diz apenas que a multa não tem sentido jurídico, sem fazer a indicação da razões que fundamentam tal afirmação. É fato também que em suas conclusões, a defesa não faz nenhuma menção à multa de ofício, conforme se infere dos dois últimos parágrafos, a seguir reproduzido: O contribuinte no caso pode demonstrar as origens dos depósitos, porque precisa apenas de tempo para que o Banco forneça as cópias dos cheques depositados. A renda nos períodos considerados que podem receber a tributação do Imposto de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, As sinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102003.045 S2C1T2 Fl. 378 5 Renda, são aquelas que constam de suas declarações anuais. Não há aqui omissão alguma e ato em si, tributar apenas em cima de depósitos, sem considerar mais nada, implica numa inversão total de valores, não podendo a presunção ser válida. Requer, assim, o provimento do recurso, para o fim de determinar que seja ofertada ao contribuinte a oportunidade de apresentar todas as cópias dês cheques depositados, lembrando que a movimentação se deu em apenas um banco (BRADESCO) ou decretar a nulidade do ato em vista da impossibilidade de se tributar IR apenas considerando depósitos bancários. E mais, da leitura da impugnação, fls. 270/275, e da decisão de primeira instância, fls. 315/322, resta claro que a multa de ofício não foi impugnada, de modo que operouse a preclusão temporal, nos termos do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972., sendo certo que considerase definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria não contestada de forma expressa na impugnação, de sorte que não se conhece da argüição apresentada somente na peça recursal em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição. Veja que, de conformidade com o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso voluntário é interposto contra a decisão de primeira instância. Logo, não se pode admitir, que matérias estranhas à decisão recorrida sejam tratadas no recurso, salvo nos excepcionais casos de decisão proferida com cerceamento do direito de defesa, quando matérias abordadas na impugnação não tenham sido apreciadas na decisão ou nos casos de matéria de ordem pública. No caso dos autos, cuidase de cancelamento do agravamento e da qualificação da multa de ofício, que não são matérias de ordem pública, sendo certo que os embargos de declaração devem ser acolhidos, dado que o voto que conduziu a decisão embargada incorreu em omissão, posto que não esclareceu porque enfrentou a matéria sem que a mesma houvesse sido contestada. Logo, devese rerratificar o acórdão embargado para que seja considerada sem efeito a apreciação indevida da multa de ofício, no que concerne ao seu agravamento e sua qualificação. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeito infringentes, rerratificando o Acórdão nº 2102002.807, de 22/01/2014, para considerar sem efeito a apreciação da multa de ofício, no que concerne ao seu agravamento e sua qualificação, e NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Voto Vencedor Apesar do preciso relato e do voto da Conselheira Relatora, discordo do provimentos dos Embargos de Declaração. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, As sinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102003.045 S2C1T2 Fl. 379 6 Como visto no relato, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 366/371, argüindo a existência de omissão no Acórdão nº 2102 002.807, de 22/01/2014, fls. 358/364. É o dispositivo do acórdão embargado: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada de 225% para 75%. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que somente desqualificava a multa de ofício e Alice Grecchi, que também reduzia a multa de ofício incidente sobre a infração de dedução indevida de livro caixa, de 112,5% para 75%. Como corretamente afirmado pela Conselheira Relatora, a Fazenda Nacional pretende o aclaramento do acórdão embargado; isso porque entende que a decisão incorreu em omissão ao apreciar a qualificação e o agravamento da multa de ofício, sem que tal matéria tenha sido contestada e sem justificar as razões que levaram à apreciação da matéria. Ressalto, de logo, que a Fazenda Nacional não opôs contrarrazões ao voluntário, o que já põe dúvida sobre a possibilidade de alegar "omissão" da decisão recorrida. Não se tratava o recurso originário, ademais, de Recurso de Ofício. Nesse passo, da leitura do voto condutor do acórdão embargos, entendo que a matéria objeto dos aclaratórios está sim debatida, ainda que não diretamente como pretendia a Procuradoria da Fazenda Nacional; a conferir: Por fim, devese examinar a alegação do recorrente de que a multa imposta,no percentual de 150%, levou em conta apenas os depósitos bancários, não tendo sentido jurídico. Na verdade, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada foi imputada ao contribuinte com multa de ofício agravada e qualificada, no percentual de 225%. De plano, devese aplicar ao caso o disposto na Súmula CARF nº 25, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 25 Apresunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Vale observar que a autoridade fiscal fundamentou a qualificação da multa de ofício apenas na incompatibilidade verificada entre os rendimentos declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual e sua movimentação financeira. Contudo, tal Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, As sinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102003.045 S2C1T2 Fl. 380 7 fato não é suficiente para comprovar que o contribuinte tenha incorrido em uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Logo, não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício. Já o agravamento da multa de ofício foi foi justificado pela autoridade fiscal nos seguintes termos: Pertinente ainda o agravamento da multa pois, no transcurso da ação fiscal, o comportamento do contribuinte ensejou o enquadramento deste no inc. I, do § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. É bem verdade que o contribuinte, intimado, não atendeu aos Termos de Intimação formulados pela autoridade fiscal, não apresentou os extratos bancários e também não esclareceu a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Ressaltese que a não apresentação de documentos que respaldassem suas justificativas para a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias não obsta a atividade fiscal, pelo contrário, a facilita, pois tal conduta tem como conseqüência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, também não pode prevalecer o agravamento da multa de ofício. Nestes termos, devese reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de 225% para 75%. A leitura do voto vencedor demonstra que a Turma entendeu por apreciar a ilegalidade da qualificação e agravamento da multa de ofício, reduzindo o percentual incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de 225% para 75%. Não obstante, ressaltese que se o crédito principal estava contestado, razão por que a multa que segue o principal também estava em litígio. Se a Fazenda Nacional entende que o acórdão recorrido está errado, pois não poderia/deveria ter apreciado de ofício a qualificação e o agravamento da multa de ofício, sem que tal matéria tenha sido contestada pelo RECORRENTE e sem justificar as razões que levaram à apreciação da matéria, esse suposto vício não é uma contradição, não é omissão e não é obscuridade a, nos termos do RICARF, autorizar o provimento dos Embargos de Declaração. Em razão do exposto, voto por rejeitar o recurso de Embargos de Declaração. Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, As sinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102003.045 S2C1T2 Fl. 381 8 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, As sinado digitalmente em 19/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19740.000072/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine a verificação dos cálculos apresentados na nova planilha apresentada, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
documento assinado digitalmente
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine a verificação dos cálculos apresentados na nova planilha apresentada, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. documento assinado digitalmente Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000072/200887 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.177 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 04 de dezembro de 2013 Assunto IRRF/RESTITUIÇÃO Recorrente CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO SISTEMA BANERJPREVI (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine a verificação dos cálculos apresentados na nova planilha apresentada, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 07 2/ 20 08 -8 7 Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Em 25/05/2006, a Interessada apresentou 03 (três) PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO (PER/DCOMP N° 17146.88049.250506.1.2.040472, FLS. 06/08; PER/DCOMP N° 42127.27645.250506.1.2.041100 FLS. 09/11 e PER/DCOMP N° 07161.97136.250506.1.2.04 3947 FLS. 12/14), todos fundamentados em PAGAMENTOS INDEVIDOS E/OU A MAIOR efetuados com código de receita 8998 Imposto de Renda recolhido pelas entidades de previdência complementar optantes pelo Regime Especial de Tributação instituído pela Medida Provisória n° 2.222, de 04/09/2001. Na busca de mais subsídios para analisar o pedido, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro DEINF/RJO, intimou a Interessada a esclarecer a origem de seu crédito, apresentando a respectiva documentação comprobatória, inclusive planilhas com a apuração das bases de cálculo — cf. Termo de Intimação n° 160, de 12/03/2008 (fl. 15). Em atendimento à referida intimação, a Interessada esclareceu (fls. 26/29): QUE, na condição de entidade de previdência complementar fechada, aderiu ao Regime Especial de Tributação criado pela Medida Provisória n° 2.222, de 04/09/2001; QUE, na oportunidade, recolheu imposto de renda, retroativamente, sobre rendimentos de aplicações financeiras auferidos entre janeiro de 1997 e agosto de 2001; QUE, mais tarde, procedendo à revisão dos cálculos, verificou que havia recolhido imposto de renda, indevidamente, sobre supostos ganhos líquidos no mercado de renda variável, sendo que, na verdade, apurou perdas líquidas em todos os meses do período em questão. Para comprovar suas alegações, apresentou planilha com demonstrativo de apuração das referidas perdas (fls. 33/112), além das demonstrações financeiras relativas aos anos de 1997 a 2001 (fls. 113/287). Entendendo que os elementos apresentados ainda não eram suficientes para a emissão de um parecer conclusivo, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da DEINF/RJO determinou a realização de diligência, a fim de que fosse verificada a correta tributação dos rendimentos auferidos pela Interessada, especialmente no que diz respeito aos ganhos auferidos no mercado de renda variável (cf. informação fiscal, fls. 288/292). Em atendimento ao solicitado, a Divisão de Fiscalização da DEINF/RJO procedeu às verificações propostas, apresentando suas conclusões conforme segue (Relatório Fiscal, fls. 453/454): "O objetivo do presente procedimento de diligência é comprovar os ganhos líquidos em operações de renda variável informados nas planilhas às fls. 34 a 112, que são a origem do pedido de restituição do presente processo. Em 06/05/2009, foi dada ciência ao contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 307 a 309). No item 1 do termo são solicitados documentos referentes às planilhas de apuração de renda fixa, dos períodos de apuração de janeiro de 1997 a agosto de 2001, Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 13 3 anexadas pelo contribuinte às fls. 33 a 102 do processo administrativo 19740.000481/200611, referente ao RET, no qual se verificou que a entidade cumpria os requisitos necessários à fruição do beneficio fiscal de que trata o art. 5° da Medida Provisória n° 2.222/2001. Como amostragem, foram selecionadas operações de renda fixa com prejuízo, ainda que parcial, superior a RS 100.000,00. Mais especificamente, foram solicitados documentos contábeis que comprovem o valor aplicado e o valor de resgate de OFND resgatados em agosto de 1997 e de debêntures conversíveis resgatadas em janeiro de 1998. No item 2 do termo são solicitados documentos referentes às planilhas de apuração de renda variável, dos mesmos períodos, anexadas pelo contribuinte às fls. 33 a 112 do presente processo. Como amostragem, foram selecionadas operações de renda variável com prejuízo superior a R$ 3.000.000,00. Foram solicitados documentos contábeis que comprovassem o valor do custo (Valor Presente) e o valor de venda dos papéis ali listados: ações da Petrobrás, da Siderúrgica Tubarão, das Lojas Americanas, da Telebrás, da White Martins e da Gerasul. Em resposta ao item 1, referente à renda fixa, a empresa apresentou: 1 Em relação às OFND, a documentação às fls. 322 a 362. Os documentos comprovam a aplicação, em 31/08/1987, em 14.008.591 OFND, por Cr$ 420.000.000,00, com vencimento em 01/08/1997. Comprovam o resgate, na data do vencimento, de 12.606.164 OFND. Mostram a atualização do valor de compra, ao longo dos anos. E, ao final, a legislação que rege essa atualização. Os ganhos parciais assinalados, em 31/12/1994 e 31/12/1995, são apenas para cálculo do IRRF (cálculo fls. 323 e 324). 2 Em relação às debêntures conversíveis, a documentação às fls. 363 a 389. Os documentos comprovam a aplicação, em 31/08/1987, em 1.703 debêntures conversíveis da Cia Enersul S.A., por Cr$ 273.854.303,97. Comprovam o resgate, em 23 de janeiro de 1998, das mesmas debêntures, por R$ 2.866.073,32. E mostram a atualização do valor da aplicação. Os ganhos parciais assinalados, em 31/12/1994 e 31/12/1995, são apenas para cálculo do IRRF (cálculo fls. 323 e 324). Em resposta ao item 2, referente à renda variável, a empresa apresentou, primeiramente, os documentos que comprovam o valor de venda dos papéis, os quais juntei no Anexo I do presente processo. São as notas de corretagem referentes às vendas, acompanhadas do respectivo extrato da conta corrente bancária onde entra o valor da venda. Quanto ao custo dos papéis vendidos, na planilha chamado de Valor Presente, origem dos prejuízos que dão origem ao pedido de restituição objeto do presente processo, prestou os seguintes esclarecimentos: A época, não procederam à correta atualização do valor das ações, e por isso não apuraram os prejuízos posteriormente constatados. Sua contabilidade reflete esse cálculo equivocado. Posteriormente, uma empresa contratada efetuou os cálculos corretos, apurandose os prejuízos que deram origem ao pedido de restituição. A apuração do custo se dá conforme planilhas a mim apresentadas em meio magnético, denominadas Previbanerj Ações Individualizadas (meio magnético anexado Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 14 4 à fl. 406). Imprimi e anexei às fls. 390 a 405 as que apuram o ganho líquido das ações que selecionei no item 2 do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 307 e 308). Nas planilhas verificase: Ações da Gerasul (fl. 390) O valor presente indicado, custo da ação, é zero, e não o indicado na planilha do contribuinte. Assim, não resta comprovado prejuízo na venda dessas ações. Ações das Lojas Americanas ON (fl. 391) O valor presente indicado corresponde ao informado na planilha do pedido de restituição. Em cada venda, obtémse o valor presente, custo das ações vendidas, multiplicandose a quantidade vendida pelo custo unitário. O primeiro custo, da primeira linha da planilha, é apurado com base no Ato Declaratório 17/92, cuja cópia anexei às fls. 408 a 422. Este traz uma cotação unitária, em CR$ e em UFIR, para cada ação, em 30/12/1991. Multiplicandose a quantidade de ações pelo custo indicado no Ato Declaratório, encontrase o custo das ações nesta data. Depois esse valor deveria ser atualizado, com base na variação da UFIR, em 31/12/1994. Exemplificando, na Ia linha da planilha à fl. 391, referente às ações das Lojas Americanas, temse a quantidade de 117.614.700 ações. Multiplicando essa quantidade pelo valor unitário da ação de 0,5391 UFIR, a empresa obteve o valor total de 63.406.084,77 UFIR A empresa deveria então ter apurado o valor total, em Reais, em 31/12/1994, multiplicando o valor em UFIR pelo valor da UFIR naquela data: 63.406.084,77 UFIRxR$ 0,6767 (valor da UFIR em 31/12/94) = RS 42.906.897,56 O custo unitário em reais seria: R$ 42.906.897,56/117.614.700 = RS 0,3648 Ou, calculando de outra forma: 0,5391 UFIR (valor unitário da ação em UFIR) x R$ 0,6767 (valor da UFIR em 31/12/94) = RS 0,3648 Essa apuração do valor unitário em reais é necessária porque a partir da segunda linha da planilha, na venda, o valor de venda informado em reais (RS 103.036,94) será comparado com o custo, calculado em reais. Na planilha do contribuinte, ele compara o valor de venda em reais com o custo unitário da ação calculado em UFIR. Planilhas subseqüentes (fls. 392 a 405). Em todas as outras planilhas ocorre o mesmo erro. O custo unitário, na primeira linha das planilhas é calculado em UFIR. A partir dele são calculados todos os custos subseqüentes. Mas os valores de venda das planilhas são em reais. E os prejuízos são calculados através dessa comparação equivocada. Do mesmo modo, nas planilhas em que há compras registradas a partir de 1995, os valores das compras que constam nas planilhas são em reais. Ainda, para comprovar os valores de compra registrados nas planilhas, o contribuinte foi intimado, através de Termo de Intimação do qual foi cientificado em Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 15 5 16/07/2009 (fls. 423 e 424), a apresentar documentos contábeis que comprovassem os valores de compra dos papéis ali listados, selecionados por amostragem. Em resposta, apresentou as notas de corretagem cujas cópias anexei àsfls. 425 a 452, que comprovam os valores informados nas planilhas. Conclusão Não restaram comprovados os prejuízos informados pela empresa às fls. 34 a 112. Na amostragem analisada através da resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, (fls. 307 e 308), confirmaramse os valores de venda das ações (notas de corretagem no Anexo 1). O custo, denominado pela empresa Valor Presente, foi calculado deforma equivocada. A apuração deste custo deuse conforme planilhas às fls. 390 a 405. A totalidade das planilhas encontrase em arquivo magnético anexado à fl. 406 (Previbanerj ações individualizadas.xls). Verificase, na amostragem analisada (fls. 390 a 405), que o custo inicial calculado em UFIR com base no Ato Declaratório 17/92 (fls. 408 a 422), é carregado até o fina! Das planilhas, sendo comparado com valores de compra e de venda em moeda. O equívoco compromete todo o resultado apurado. Deste modo, sugiro o encaminhamento do presente processo de volta à Diort desta Deinf para a devida apreciação. Por fim, informo que procedi à abertura do Anexo I do presente processo, com 137 folhas, que recebeu identificação com o n° do processo, o nome do interessado e o n° seqüencial do anexo, e que contém os documentos que comprovam o valor de venda dos papéis relacionados no item 2 do Termo de Início de Ação Fiscal, às fls. 307 e 308 do presente processo." Com base nos resultados da referida diligência, o Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária da DE1NF/RJO indeferiu o pedido de restituição — cfr. Despacho Decisório (fl. 458). As razões que motivaram a denegação do pleito encontramse expostas no Parecer DIORT/DEINFRJO n° 060/2008 (fls. 455/457), abaixo transcrito: "01. Com o encerramento do procedimento fiscal de diligência realizado pela DeinfRJO/Difis, conforme registra o despacho exarado às fls. 453/454, o pedido de restituição transmitido pelo Contribuinte passa a ter condições de análise e de manifestação conclusiva pela Diort. 02. Os principais dados inerentes ao pedido propriamente foram especificados em três PER acima citadas, com valor total do crédito de pagamento a maior solicitado de R$ 6.762.437,37. 03. De acordo com as informações prestadas pelo interessado, observados os registros contemplados no despacho exarado às fls. 288/292, a importância tipificada como pagamento indevido ou a maior tem sua origem vinculada ao imposto de renda retido na fonte, incidente sobre operações financeiras realizadas entre 1997 e agosto de 2001, cujo recolhimento na sua totalidade foi efetuado sob o código 8998, abrangendo, ao mesmo tempo, renda fixa e variável, tudo por conta da adesão ao regime de anistia regulado pela Medida Provisória n° 2.222/2001. 04. Os dados extraídos do processo 19740.000481/200611 e mencionados no despacho às fls. 288/292 (parágrafos 09 e 10) confirmam o recolhimento de importância Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 16 6 suficiente para fazer face ao quantum informado pelo Contribuinte como imposto de renda retido na fonte, sob o código 8998, atribuído às operações de renda fixa. A diferença, tipificada como pagamento a maior, corresponde ao montante obtido com o somatório dos valores especificados nos PER relacionados no parágrafo 02 deste parecer e, portanto, considerada como imposto de renda devido incidente sobre rendimentos auferidos com renda variável, compreendendo aplicações financeiras realizadas entre 1997 e agosto de 2001. 05. Para comprovar a ausência de base de cálculo para renda variável no período abrangido pelo regime de anistia, observadas as planilhas fornecidas pelo interessado às fls. 34/112, a Divisão de Fiscalização desta Deinf/RJO foi acionada (fls. 306), resultando nas apurações relatadas, conforme despacho que integra este processo fls. 453/454. 06. Daquela manifestação, dentre inúmeras remissões ao material utilizado no trabalho desenvolvido, podem ser extraídas as seguintes conclusões: a) Os prejuízos demonstrados nas planilhas elaboradas pelo Contribuinte às fls. 34/112, não restaram comprovados a partir da diligência efetuada, de acordo com o pronunciamento às fls. 454, tópico "conclusão"; e b) A não comprovação resulta de falha na marcha de cálculo desenvolvida, considerando as situações explicitadas às fls. 453verso e 454, permitindo concluir que a composição do custo das operações encontrase influenciada pelo equívoco cometido, fato que compromete todo o processo construído pelo interessado na identificação de crédito passível de restituição, em razão de suposto pagamento a maior que teria ocorrido na oportunidade dos recolhimentos efetuados sob o código 8998. 07. Os PER relacionados no quadro que integra o parágrafo segundo deste parecer foram transmitidos em 25 de maio de 2006, permitindo enquadrálos nas disposições previstas a partir da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, com as alterações subseqüentes, quando aplicáveis, cabendo destacar os artigos 2°, 3° e 4°, cuja reprodução é apresentada a seguir: "Art. 2o. Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2o. poderá ser efetuada: 1a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer quantia; ou (...) Art. 4° A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo afim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." 08. Confirmada a ausência de liquidez e de certeza do crédito pleiteado, à luz do pronunciamento da Divisão de Fiscalização desta Deinf/RJO, fls. 453/454, e considerando as disposições normativas e legais aplicáveis ao presente caso, o conjunto Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 17 7 de informações que integram este processo, compreendendo os dados extraídos dos sistemas da RFB, a documentação disponível e as conclusões aqui proferidas, proponho o não reconhecimento do direito ao crédito pleiteado, assim como o indeferimento dos pedidos de restituição relacionados no quadro que integra o parágrafo segundo deste parecer. Cientificada do despacho decisório em 09/09/2009 (fl. 470), a Interessada apresentou, em 08/10/2009, manifestação de inconformidade dirigida a esta Delegacia de Julgamento, alegando, em síntese (fls. 479/497): QUE, na condição de entidade de previdência complementar fechada, entendia gozar da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "a", da Constituição Federal; QUE em virtude, todavia, de decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em 2001, contrária à pretensão das entidades de previdência complementar, viuse obrigada a recolher, retroativamente, imposto de renda sobre rendimentos de aplicações financeiras referentes aos últimos cinco anos; QUE no intuito de regularizar sua situação fiscal, aderiu ao Regime Especial de Tributação criado pela Medida Provisória n° 2.222, de 04/09/2001, e recolheu imposto de renda sobre rendimentos de aplicações de renda fixa e sobre supostos ganhos líquidos auferidos no mercado de renda variável entre janeiro de 1997 e agosto de 2001; QUE, tempos depois, revendo os cálculos referentes à apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável, verificou que não havia avaliado corretamente os custos de aquisição dos estoques de ações existentes em 31/12/1994; QUE procedendo a uma nova avaliação, com base nas cotações de mercado indicadas no Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, constatou haver apurado, na verdade, perdas líquidas em todos os meses do período em questão; QUE, em virtude de tais fatos, pleiteou a restituição do imposto recolhido a maior, instruindo seu pedido com uma planilha de cálculo na qual teriam sido demonstradas, mês a mês, as perdas líquidas anteriormente mencionadas; QUE muito embora tenha cometido um erro na elaboração da referida planilha, deixando de converter alguns valores em UFIR para REAIS, tal inexatidão material não constitui motivo para negar reconhecimento ao direito creditório pleiteado, até porque a autoridade fiscal reconheceu a veracidade de todas as operações realizadas pela requerente; QUE uma vez que foram detectadas incorreções na planilha de apuração, caberia à autoridade fiscal intimar a requerente a corrigir os referidos erros; deixando de fazêlo, encerrou o procedimento de verificação de forma não igualitária para as partes; QUE se a autoridade fiscal, por outro lado, tinha acesso à planilha apresentada pela requerente, em meio magnético, poderia, perfeitamente, em respeito ao princípio da verdade material, retificar de ofício as incorreções detectadas, apurando, assim, o valor correto do direito creditório. Junto com a peça impugnatória, foi trazida nova planilha de apuração (fls. 498/552). Uma vez na condição de relator do feito, intimei a Interessada a apresentar a versão corrigida do arquivo "Previbanej ações individualizadas.xls", que instruiu o pedido de restituição — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 003, de 08/03/2010 (fls. 556). Em atendimento ao solicitado, a Interessada forneceu, em 08/04/2010, CDROM com o arquivo agora denominado "Previbanej ações individuaIizadas_versão corrigida.xls" (cfr. envelope anexado à fl. 559). A partir do referido CDROM, extraí cópias impressas das planilhas corrigidas, que passaram a constituir, então, os ANEXOS II, III e IV do presente processo. Entendendo não estar ainda suficientemente claro o critério de avaliação das ações existentes em 31/12/1994, intimei a Interessada a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os custos de aquisição dos papéis abaixo listados, alertando que, na falta de Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 18 8 documentação comprobatória para qualquer dos ativos referidos, deveria a empresa corrigir sua planilha de apuração, atribuindo custo zero ao ativo em questão — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 008, de 31/05/2010 (fls. 561/562). Após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, a Interessada apresentou, em 24/09/2010, cópias de diversos documentos relacionados com aquisições e vendas dos papéis acima referidos (fls. 588/1590). De posse dos referidos documentos, intimei a Interessada a demonstrar como foram afinal calculados os custos de aquisição dos ativos existentes em 31/12/1994 — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 048, de 16/11/2010 (fls. 1593/1594). Em resposta a esta última intimação, a Interessada limitouse a informar (fls. 1595/1597): QUE os documentos apresentados comprovam as quantidades de ações existentes em 31/12/1994; QUE para calcular o custo de aquisição de um determinado conjunto de ações, na referida data, apurou, primeiramente, o custo unitário daquele papel em UFIR, tomando por referência as cotações indicadas no Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, e depois procedeu à atualização monetária do referido valor, com base na variação da UFIR, até 31/12/1994. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RJI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1234.878, de 16/12/2010, julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de pedido de restituição de indébito, é ônus do sujeito passivo demonstrar, de forma cabal, a certeza e a liquidez do seu direito creditório. O respeito ao princípio da verdade material não impõe à autoridade administrativa a obrigação de produzir provas em lugar e no interesse do particular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 PERDAS LÍQUIDAS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. ALEGAÇÃO INCOMPROVADA. ERROS NA PLANILHA DE CÁLCULO. A ocorrência de perdas líquidas no mercado de renda variável há de ser demonstrada através de planilha de cálculo, elaborada de acordo com a legislação aplicável à espécie e acompanhada de documentos capazes de comprovar os preços de venda dos ativos e os seus respectivos custos de aquisição. A autoridade administrativa deixará de reconhecer as alegadas perdas, quando as planilhas apresentadas pelo sujeito passivo revelarem inconsistências em tal proporção que prejudiquem a apuração da base tributável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 19 9 Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Passo ao voto. Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 20 10 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Na peça recursal a ora recorrente aduz, em síntese, que: Inicialmente, cabe mencionar que a Recorrente, é entidade complementar de previdência privada fechada, cuja tributação pelo IR fonte entendia ser imune, e, por esta razão, deixou de efetuar os recolhimentos a título deste imposto. Com o advento do RET (Regime Especial de Tributação) introduzido pela MP 2.222/2001 bem como pela possibilidade de parcelamento dos valores atinentes ao IR fonte não recolhidos anteriormente, vislumbrouse a possibilidade de regularizar sua situação perante o fisco, realizando a adesão ao regime e ao parcelamento dos débitos em atraso no que diz respeito ao IR fonte incidente sobre os seus investimentos. O artigo 5o da referida MP 2.222/2001 assim estabeleceu: Art. 5o Os optantes pelo regime especial de tributação poderão pagar ou parcelar, até o último dia útil do mês de janeiro de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, os débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidentes sobre os rendimentos e ganhos referidos no caput do art. 2o e os lucros que lhes sejam, total ou parcialmente, decorrentes, bem assim em relação à movimentação dos respectivos recursos. Assim sendo, por meio do processo administrativo, aderiu ao Regime Especial de Tributação e efetuando o parcelamento dos valores atinentes ao IR fonte de seus investimentos. Referido processo administrativo foi reconhecido pelo fisco que atestou a qualidade da Recorrente para aderir ao programa concedendo a autorização necessária para que a tributação fosse realizada naquelas hipóteses previstas pela Medida Provisória. Ocorre que após realizar os levantamentos devidos, a Recorrente percebeu que havia efetuado o parcelamento e o conseqüente pagamento das parcelas em montantes superiores àqueles efetivamente devidos. A apuração dos valores pagos a maior foi realizada com base nos cálculos efetuados à época a título de IRRF em comparação com os valores que eram efetivamente devidos, por tipo de aplicação financeira e por ano. Desta forma, a Recorrente levantou as operações de renda variável, efetuando o recalculo com base no Ato Declaratório n° 17/92. Reportase, ainda, aos Princípios da Verdade Material, Motivação, Razoabilidade e Proporcionalidade, aduzindo que “No processo administrativo, o julgador deve buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados”. Enfim finaliza sua defesa nos seguintes termos: III DO PEDIDO Diante do exposto, requer o recebimento deste Recurso Voluntário para que inicialmente, sejam baixados os presentes autos em diligência por Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 21 11 tratarse de medida imprescindível para fins de comprovação da existência do direito creditório da Recorrente. Após as diligências fiscais, requer o reconhecimento in totum do direito creditório pleiteado pela contribuinte, tendo em vista a comprovação do direito creditório aqui postulado. Pois bem, compulsando os autos vêse que o pedido de restituição foi indeferido pela constatação de incorreções detectadas nas planilhas de cálculo apresentadas pela ora recorrente. Neste passo, convém reproduzir os seguintes argumentos que nortearam a decisão de primeira instância: “Muito bem. Em que pese o esforço da impugnante em demonstrar a existência de seu crédito junto à Fazenda Nacional, o fato é que a nova planilha de apuração trazida aos autos continua coalhada de erros. Senão vejamos. De acordo com os esclarecimentos prestados pela Interessada, os ativos existentes em 31/12/1994 foram, todos, avaliados a preço de mercado, tomando por base as cotações do Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992. Ora, esta afirmativa não é totalmente verdadeira. Em alguns casos, o custo unitário que vem informado na planilha, em UFIR, não confere com a cotação do papel no Ato Declaratório; em outros casos, o papel nem sequer aparece listado no Ato Declaratório: • BAHIA SUL PNA (Anexo III, fl. 50) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • BANCO DO BRASIL PN (Anexo III, fl. 59) — O custo unitário que foi informado na planilha, de 0,1890 UFIR (= 40.189.511,12 UFIR /212.642.516 ações), não está de acordo com a cotação indicada no Ato Declaratório, que é de 0,0927 UFIR; • CELESC PNB (Anexo III, fl. 98) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • CIA SIDERÚRGICA TUBARÃO PNB (Anexo IV, fl. 31) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • COTEMINAS PN (Anexo III, fl. 86) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • EDNESTIRENO PNA (Anexo III, fl. 117) — O custo unitário informado na planilha, de 0,1900 UFIR (= 7.600 UFIR / 400.000 ações), não está de acordo com a cotação indicada no Ato Declaratório, que é de 0,0041 UFIR; • MULTIBRÁS ON (Anexo III, fl. 185) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • MULTIBRÁS PN (Anexo III, fl. 184) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • PARANÁ EQUIPAMENTOS PN (Anexo III, fl. 194) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 22 12 • PETROFLEX ON (Anexo III, fl. 195) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • PRONOR PNB (Anexo III, fl. 189) — O custo unitário que foi lançado na planilha, de 0,0772 UFIR por lote de mil (= 21.286,70 UFIR /275.734.400 ações), não confere com a cotação do papel no Ato Declaratório, que é de 0,0200 UFIR por lote de mil; • TELESP ON (Anexo IV, fl. 37) — O custo unitário informado na planilha, de 0,2430 UFIR (= 9.185.400,00 UFIR / 37.800.000 ações) não está de acordo com a cotação do referido papel no Ato Declaratório, que é de 0,1625 UFIR. Diante de tais circunstâncias, caberia à Interessada demonstrar como apurou o custo de aquisição dos referidos ativos. Por duas vezes foi intimada a fazêlo: — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 008, de 31/05/2010 (fls. 561/562); e Intimação DRJ/RJOI n° 048, de 16/11/2010 (fls. 1593/1594). Por duas vezes não logrou atender ao que lhe foi solicitado. Mas os problemas não param por aí. Mesmo nos casos em que utilizou corretamente a cotação indicada no Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, a Interessada acabou apurando, de forma equivocada, o custo unitário das ações existentes em 31/12/1994. Neste ponto, cabe uma explicação. A Instrução Normativa DpRF n° 19, de 20/02/1992, que disciplinou a apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável a partir de 01/01/1992, ofereceu, realmente, às pessoas jurídicas não tributadas pelo lucro real, inclusive isentas, a possibilidade de avaliar suas ações a preço de mercado, utilizando as cotações informadas no Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992. Esta possibilidade de avaliar as ações a preço de mercado, com base nas cotações do Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, só valeu, todavia, para os ativos adquiridos até 31/12/1991. Em havendo novas aquisições a partir de 01/01/1992, seria preciso recalcular o custo unitário do estoque, com base no critério da média ponderada. Em outras palavras: — a cotação de mercado de um determinado ativo, em UFIR, constante do Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, só poderia constituir custo unitário do estoque ao fim de 1994, caso não tivesse havido nenhuma aquisição deste papel no período de 01/01/1992 a 31/12/1994. Não é isto, todavia, o que se verifica no caso em exame. Para quase todos os ativos existentes em 31/12/1994, foram registradas aquisições no decorrer dos anos de 1992, 1993 e 1994: • ACESITA PN (Anexo III, fl. 35): — O custo unitário informado na planilha, de 0,1083 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas conversões de debêntures em ações — uma em 29/07/1994 (fl. 590) e outra em 14/12/1994 (fl. 594) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • ALPARGATAS PN (Anexo III, fl. 45): — O custo unitário informado na planilha, de 0,0709 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 23 13 Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, uma operação de compra de ações, realizada em 02/08/1994 (fl. 598), que obrigaria a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • ARACRUZ PNB (Anexo III, fl. 47): — O custo unitário informado na planilha, de 3,6088 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas subscrições de ações — uma realizada em 27/05/1992 (fl. 657) e outra em 02/06/1992 (fl. 659) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • BANCO NACIONAL PN (Anexo III, fl. 82): — O custo unitário informado na planilha, de 0,1890 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas subscrições de ações — uma realizada em 15/10/1992 (fl. 820) e outra em 01/06/1994 (fl. 856) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • CESP ON (Anexo III, fl. 92): — O custo unitário informado na planilha, de 0,9001 UFIR, está de acordo com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas operações de aquisição — uma compra efetuada em 05/07/1993 (fl. 907) e uma subscrição realizada em 03/11/1994 (fl. 909) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • ELETROBRÁS ON (Anexo III, fl. 133): — O custo unitário informado na planilha, de 0,0616 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve diversas operações de aquisição — compras realizadas em 14/07/1993 (fls. 920/921), 15/07/1993 (fls. 922/923), 18/02/1994 (fl. 947), 10/03/1994 (fl. 948), 11/03/1994 (fl. 949), 25/10/1994 (fls. 954/955) e 25/10/1994 (fl. 956) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • ELETROBRÁS PNB (Anexo III, fl. 144): — O custo unitário informado na planilha, de 0,2106 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas operações de compra, ambas realizadas em 25/10/1994 (fls. 958/959), que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • LIGHT ON (Anexo III, fl. 180): — O custo unitário informado na planilha, de 0,0997 UFIR, está de acordo com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, há registros de diversas operações de aquisição — compras realizadas em 16/01/1992 (fl. 993), 17/01/1992 (fl. 994), 21/01/1992 (fl. 995), 22/01/1992 (fl. 996), 20/07/1993 (fl. 1001), 21/07/1993 (fl. 1002), 22/07/1993 (fl. 1005), 28/09/1993 (fls. 1006/1008) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • LOJAS AMERICANAS ON (Anexo III, fl. 178): — O custo unitário informado na planilha, de 0,5391 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve diversas operações de aquisição — compras realizadas em 21/05/1993 (fl. 1182), 27/07/1993 (fl. 1183), 28/07/1993 (fl. 1184), 29/07/1993 (fl. 1185), 18/08/1993 (fl. 1186), 19/08/1993 (fl. 1187), 09/09/1993 (fl. 1188), 10/09/1993 (fl. 1189), 13/09/1993 (fl. 1190) e 15/09/1993 (fl. 1191) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 24 14 • PETROBRÁS PN (Anexo III, fl. 196): — O custo unitário informado na planilha, de 8,4405 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve diversas operações de aquisição de ações — compras realizadas em 02/08/1993 (fls. 1103/1104), 03/08/1993 (fls. 1105/1107), 04/08/1993 (fl. 1108), 05/08/1993 (fls. 1109/1110), 06/08/1993 (fls. 1111/1112), 26/01/1994 (fl. 1160), 27/01/1994 (fl. 1161) e 27/01/1994 (fl. 1162), 04/05/1994 (fls. 1280/1281), 05/05/1994 (fls. 1282/1284), 10/05/1994 (fl. 1285), 31/05/1994 (fls. 1288/1291), 01/06/1994 (fls. 1292/1293), 03/06/1994 (fl. 1294), 06/06/1994 (fl. 1295) e 07/06/1994 (fl. 1296) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • SIBRA PNC (Anexo IV, fl. 86): — O custo unitário informado na planilha, de 0,1983 UFIR por lote de mil, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve pelo menos uma operação de subscrição de ações (fi. 1365) que obrigaria a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • SUZANO PN (Anexo IV, fl. 33): — O custo unitário que aparece informado na planilha, de 6,7350 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve pelo menos três operações de aquisição de ações — compras realizadas em 15/05/1992 (fl. 1383), 19/05/1992 (fl. 1384) e 14/05/1993 (fl. 1385) — que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • VALE DO RIO DOCE PN (Anexo IV, fl. 98): — O custo unitário informado na planilha, de 0,0939 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve diversas operações de aquisição — compras realizadas em 24/01/1994 (fl. 1391), 25/01/1994 (fl. 1392), 18/02/1994 (fl. 1393), 21/02/1994 (fls. 1394/1395), 22/02/1994 (fl. 1396), 25/02/1994 (fl. 1397), 01/03/1994 (fl. 1398), 02/03/1994 (fls. 1399/1400), 04/03/1994 (fl. 1401), 11/03/1994 (fl. 1402), 12/04/1994 (fls. 1403/1404), 18/05/1994 (fl. 1407), 26/05/1994 (fl. 1408), 03/06/1994 (fl. 1410), 06/06/1994 (fls. 1411/1412), 20/06/1994 (fls. 1413/1414), 29/06/1994 (fl. 1415), 15/08/1994 (fl. 1416), 19/08/1994 (fl. 1417), 22/08/1994 (fl. 1418), 25/08/1994 (fl. 1419), 02/09/1994 (fl. 1421), 13/09/1994 (fl. 1422), 22/09/1994 (fl. 1423), 29/09/1994 (fl. 1424), 30/09/1994 (fl. 1425), 17/10/1994 (fls. 1426/1428), 21/11/1994 (fls. 1429/1430), 22/11/1994 (fls. 1431/1434), 24/11/1994 (fl. 1435/1437), 21/12/1994 (fls. 1438/1440), 23/12/1994 (fl. 1441), 26/12/1994 (fls. 1442/1443), 29/12/1994 (fl. 1444) — que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; Ora bem, a ocorrência de perdas líquidas no mercado de renda variável há de ser demonstrada de forma cristalina, através de planilha de cálculo elaborada de acordo com a legislação aplicável à espécie, e devidamente acompanhada de documentos hábeis e idôneos, capazes de comprovar não apenas os preços de venda dos ativos, mas também os seus respectivos custos de aquisição. No caso em apreço, as incorreções existentes na planilha apresentada pela impugnante, sobretudo no que diz respeito à metodologia de determinação dos custos de aquisição dos ativos existentes em 31/12/1994, tornam simplesmente impossível a confirmação das perdas líquidas alegadas no pedido inicial.” Acontece que foi protocolizado nesta Corte Administrativa, em 17/10/2012 e em 15/04/2013, nova versão da planilha demonstrativa de cálculos na qual se incorporam as alterações de critério determinadas pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de fls.1600 e seguintes dos autos. Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 25 15 A nova planilha recebida e anexada aos autos, contem o seguinte pedido por parte da recorrente: “A Recorrente pede, por ser medida de lídima justiça, que as planilhas anexadas sejam devidamente analisadas pela Autoridade Competente (consoante pedido de diligência já suscitado no Recurso Voluntário), para que se constate que nelas foram corrigidos todos os óbices apontados pelo voto condutor do acórdão da DRJ. Por fim, em vista do fato de que referidas alterações dão cabo das objeções suscitadas nos autos e demonstram que não houve, ainda assim, ganhos a serem tributados no período em comento, requer a Recorrente seja afinal deferida a restituição pleiteada.” Vêse, portanto, que a matéria versada é essencialmente de fato e as provas correspondentes encontramse diretamente relacionadas com os cálculos demonstrados em planilhas de custos (resultados das operações com renda variável). Em que pese ter a Turma julgadora a quo analisado todos os documentos e planilhas apresentados até a data de sua decisão, concluindo pela não confirmação das perdas líquidas alegadas e, sendo certo que o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 determina a apresentação da prova no momento da impugnação, no meu entender, neste caso, pela exposição dos fatos sou pelo acolhimento das provas conforme apresentadas. Neste passo, no que tange à compensação (mérito), o Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – condiciona a hipótese de compensação, à existência de créditos líquidos e certos, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Embora no processo de compensação tributária o ônus probatório do fato constitutivo do direito (da liquidez e certeza do crédito demandado) seja da contribuinte, pois ela é a autora da demanda nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro e do art. 170 do Código Tributário Nacional, entendo que esse rigor probatório deve ser mitigado, com base no princípio da verdade material, no caso, o indeferimento teve por fundamento inconsistências apontadas na planilha de cálculos apresentada. Assim, a meu ver, havendo a mera verossimilhança das alegações elencadas pelo sujeito passivo, respeitando o campo e a natureza das “probabilidades”, entendo que ao processo merecem ser efetuadas elucidações acerca da correta apuração dos cálculos, sendo a mesma realizada por meio de diligência, que deve observar tanto os documentos acostados pelo contribuinte aos autos (nova planilha de cálculos), quanto outros mais que entenda necessários. Com base nas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine a verificação dos cálculos apresentados na nova planilha. O contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 19740.000072/200887 Resolução nº 1301000.177 S1C3T1 Fl. 26 16 Em seguida retornese os autos do presente processo a esta Corte Administrativa prosseguir ao seu julgamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001339/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/12/2006
GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/12/2006 GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 13 39 /2 00 7- 69 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001339/200769 Acórdão n.º 2401003.704 S2C4T1 Fl. 184 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a pessoa física acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. Tendo sucumbido no julgamento administrativo de primeira instância, o autuado recorreu ao CARF. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A exclusão da responsabilidade do gestor Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; (...) Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não podemos deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, até o momento não aprovado pelo Ministro da Fazenda, mas que já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001339/200769 Acórdão n.º 2401003.704 S2C4T1 Fl. 185 5 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003390/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º -
Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF no.29).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Rejeitar as preliminares
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$13.771,52 e R$ 17.878,23, relativos aos anos calendários 2000 e 2001, respectivamente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º - Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF no.29). OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$13.771,52 e R$ 17.878,23, relativos aos anos calendários 2000 e 2001, respectivamente. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
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IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF no.29). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 90 /2 00 5- 11 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$13.771,52 e R$ 17.878,23, relativos aos anos calendários 2000 e 2001, respectivamente. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003390/200511 Acórdão n.º 2202002.787 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, Vanderlei D'Angelo, foi lavrado auto de infração, tendo sido apurados os valores de R$ 153.068,55 de imposto, R$ 114.801,40 de multa proporcional de oficio (75%) e R$ 109.791,26 de juros moratórios calculados até 31 de novembro de 2005, totalizando R$ 377.661,21 de crédito tributário. O lançamento ocorreu em face de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anoscalendário 2000 e 2001. Como se vê nos autos, durante todo o procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar documentos e a prestar esclarecimentos. 0 Termo de Verificação (f. 592 a 610) evidencia com detalhes todo o procedimento efetuado. A ciência quanto ao lançamento ocorreu em 13 de dezembro de 2005 (Aviso de Recebimento A f. 618). Inconformado, o autuado apresentou impugnação em 5 de janeiro de 2006 (f. 620 a 640 — anexos as f. 641 a 645), firmada por procuradores (instrumento de mandato A f. 641 e documentos pessoais dos procuradores A f. 645). Nesta é aduzido, em apertada síntese, que: a) a exigibilidade do crédito tributário está suspensa por ordem judicial; b) os depósitos estão todos justificados e são relativos a vendas de bens; c) a conta no banco HSBC era conjunta com outros profissionais, e utilizada para pagamento de despesas do consultório médico; d) o ônus da prova da omissão de rendimentos cabe ao Fisco; e) os rendimentos declarados são superiores aos valores das movimentações bancárias apurados pelo autuante, tendo havido assim bitributação; Os extratos bancários não servem para provar a que titulo se deram os depósitos, não existindo obrigatoriedade de o titular da conta fazer essa correlação; g) foi utilizada lei posterior para fiscalizar período em que a legislação vigente vedava a utilização dos dados da CPMF para esse fim; h) a sentença proferida no Mandado de Segurança 2004.61.00.0194949 anula os efeitos do Auto de Infração em tela. Ao final, o autuado requer o cancelamento do Auto de Infração. Protesta por prova pericial e por diligência, apontando o seu perito. Requer, ainda, que as comunicações sejam enviadas aos advogados procuradores do autuado. A DRJCampo Grande ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente, mantendo o credito tributário inalterado, nos termos da ementa a seguir: Fl. 800DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Sentença em Mandado de Segurança que faz menção tãosó a Auto de Infração relativo ao anocalendário1998 só produz efeitos no que tange ao período em questão. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação e a perícia só é determinada no caso de questões que demandem essa providência. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tendose em vista o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 que criou presunção legal, depósitos bancários cuja origem não for comprovada são considerados como rendimentos omitidos, podendo haver o correspondente lançamento de IRPF. DADOS FINANCEIROS. UTILIZAÇÃO. E licita a utilização dos dados da CPMF para a apuração de outros tributos, após a edição da Lei Complementar n. 105/2001 e da Lei n. 10.174/2001. CONTA CONJUNTA. DIVISÃO PELO NÚMERO DE TITULARES. No caso de conta conjunta, os valores dos créditos bancários não comprovados, para fins de tributação,são divididos pelo número de titulares. CRÉDITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. Os valores de créditos bancários que foram devidamente comprovados devem ser expurgados da base de cálculo do imposto. RENDIMENTOS DECLARADOS. OMISSÃO. Os depósitos bancários não justificados caracterizamse como omissão de rendimentos, não importando se na correspondente DIRPF haja valores declarados em montante superior à soma daqueles. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida entendeu por bem excluir da base das infrações os valores de R$ 76.065,00 e R$ 70.000,00, respectivamente nos anos calendários 2000 e 2001, por entender justificados, tal como se nota do voto condutor do acórdão da DRJ de fls 750 a 751. Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação. Apresentados os seguintes novos pontos: Preliminarmente que a decisão da 2ª,Turma da DRJ CGA, não faz menção a intimação No. 74/2009, não faz referência ao número do auto de infração apreciado por ela. Por outro lado, consta que o único auto de infração que o recorrente tem conhecimento é o de no 08.1.90.002003 013595 que referese aos anos calendários de 1998, 1999, 2000 e 2001, sendo que o mesmo foi objeto de apreciação judicial onde foi concedido mandado de segurança Fl. 801DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003390/200511 Acórdão n.º 2202002.787 S2C2T2 Fl. 4 5 para anular os efeitos do Auto de Infração no 08.1.90.00.2003013595, conforme consta da sentença do MM. Juiz da 22a Vara Federal Cível de São Paulo nos autos do Processo no 2004.61.00.0194949 em 14/09/2005, como já alegado nos autos da impugnação, e de perfeito conhecimento da autoridade fazendária. Talvez por este motivo, o julgamento da 2a Turma da DRJ/CGE deixou de mencionar qual o no do AUTO DE INFRAÇÃO julgado a fim de não configurar desacato à ordem judicial, vez que no que diz respeito ao auto de infração acima identificado, há decisão judicial de primeira instância declarando nulo os efeitos do Auto de Infração no 08.1.90.00 2003013595. No mérito, alega o princípio do ônus da prova, alem disso indica que tem um rendimento informado em sua declaração de rendimento de 2000 e 2001, superior a movimentação bancária verificada. Da ofensa ao princípio da irretroatividade da lei. Em 13/03/2012, os membro da 2. Turma Ordinária da 2a Camara da 2 Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem anexe ao processo a prova de que os titulares foram regularmente intimados a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. A autoridade preparadora indicou que não houve intimação formal dos demais titulares por falta de dispositivo legal ou mesmo infralegal que impusesse essa obrigatoriedade. É o relatório. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Conforme mencionado pela autoridade recorrida: Na impugnação o contribuinte noticia a existência do Mandado de Segurança n. 2004.61.00.0194949 que corre na 22 8 Vara Federal Cível de São Paulo, cujo autor é o autuado. Na sentença cuja cópia foi acostada as f. 642 a 644 foi decidido que a Lei Complementar é inconstitucional e que, mesmo que constitucional fosse, não poderia retroagir seus efeitos, nem tampouco poderia retroagir a modificação introduzida na Lei n. 9.311/1996 pelo art. 10 da Lei n. 10.174/2001. Ao final, na parte dispositiva, consta "ISTO POSTO, concedo a segurança, para anular os efeitos do Auto de Infração n° 08.1.90.00200301359 5" (os destaques constam no original). Ocorre, contudo, que, compulsandose a sentença supra referida, verificase que esta se refere somente a ato concernente ao anocalendário 1998. Pelo Auto de Infração objeto deste processo foi efetuado o lançamento de tributo relativo aos anoscalendário 2000 e 2001. Deste modo não há como se falar que a decisão judicial se aplique ao ano calendário em questão, pois o auto de infração é outro tal como se nota as fls. 611. Deste modo rejeitase a preliminar suscitada. Da Ilegitimidade Passiva Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Da Irretroatividade da LC 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003390/200511 Acórdão n.º 2202002.787 S2C2T2 Fl. 5 7 O contribuinte se mostrou inconformado com a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e da Lei 10.174/2001. Entendeu que ao proceder com base em tais instrumentos legais o Fisco acabou por obter provas de origem ilícita. Não procede tal argumento. O parágrafo 1º do art. 144 do CTN permite a aplicação de legislação posterior à ocorrência do fato gerador, que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Desta forma é notória a possibilidade de aplicação dos mencionados instrumentos legais de forma retroativa, uma vez que, tão somente, ampliam os poderes de investigação do Fisco. O STJ já manifestou o seu entendimento neste sentido no RESP 529818/PR e no ERESP 726778/PR. De igual modo o CARF já consolidou a posição sobre a suposta irretroatividade: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF No. 35). É de se negar provimento a essa parte do recurso. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários A parte questionada do lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Das contas conjuntas Fl. 805DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003390/200511 Acórdão n.º 2202002.787 S2C2T2 Fl. 6 9 Cabe, entretanto, reconhecer um vício no lançamento. Conforme se depreende dos autos 1 (uma) das contas bancárias que estavam sendo objeto de apreciação tratavamse de conta bancária conjunta, tal como se verifica da documentação acostada aos autos. A conta bancária da HSBC Bank Brasil eram mantida em conjunto. O fato é que, conforme a própria fiscalização, o cotitulares não foram chamados aos autos para justificar ou informar a respeito da movimentação que lhes cabia na referida contas bancária, o que macula o procedimento fiscal como um todo, para a contas mantida em conjunto Não há dúvidas de que nas hipóteses de contas conjuntas, deve ser observado o comentado do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, acrescentado pela Lei nº 10.637/2002. Mas, deve ele ser interpretado conjuntamente com seu caput: “Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. .... “§ 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” (grifouse) Tratase, pois, de um comando impositivo e incondicional, que prevê um critério objetivo de quantificação da base de cálculo, justamente para conferir critérios de liquidez, certeza e justiça ao lançamento. Constatese que há dois requisitos exigidos pelo dispositivo retrotranscrito: 1º. que os titulares da conta conjunta tenham apresentado declaração de rendimentos em separado; 2º. que todos os titulares da conta corrente sejam intimados para, querendo, comprovarem a origem dos depósitos bancários. É dever da Fiscalização, pois, observado o prazo decadencial, intimar o outro titular da referida conta bancária para que ele, na condição de cotitular e contribuinte do IRPF, comprove a origem dos depósitos, independentemente do percentual de sua real participação em tal conta, e do motivo pelo qual participa como cotitular, o que, todavia, como visto, não foi feito no caso concreto, nas situações de ambas as contas bancárias. Aliás, esse é o posicionamento desse Conselho, como se da recente Súmula do CARF aprovada: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento(Súmula CARF No. 29). Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento no tocante a contas conjuntas, por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, supratranscrita, uma vez que a conta corrente cujos depósitos não tidos como não Fl. 806DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 comprovados são de titularidade conjunta, não bastando, apenas, reduzir o montante tributável pelo número dos titulares. É de se afastar do lançamento todos os depósitos efetuados na conta do HSBC Bank Brasil no montante de R$13.771,52 e R$ 17.878,23 no ano calendário 2000 e 2001, respectivamente, tal como se depreende do documento de fls. 579 e 588. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares, e no mérito, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$13.771,52 e R$ 17.878,23 no ano calendário 2000 e 2001. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 807DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16024.000285/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO - CAT. AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO À EMPRESA POR PARTE DO MÉDICO. AUSÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO DA NATUREZA DA DOENÇA E DO NEXO COM O TRABALHO.
Verificando que o profissional médico não solicitou à empresa a emissão de CAT, não havendo ainda no processo qualquer demonstração do tipo da doença encontrada e seu nexo com o trabalho, é indevida a penalidade por deixar a empresa de comunicar ao INSS, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho - CAT, a ocorrência ou agravamento de doença ocupacional e alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2402-004.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO CAT. AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO À EMPRESA POR PARTE DO MÉDICO. AUSÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO DA NATUREZA DA DOENÇA E DO NEXO COM O TRABALHO. Verificando que o profissional médico não solicitou à empresa a emissão de CAT, não havendo ainda no processo qualquer demonstração do tipo da doença encontrada e seu nexo com o trabalho, é indevida a penalidade por deixar a empresa de comunicar ao INSS, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho CAT, a ocorrência ou agravamento de doença ocupacional e alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 85 /2 00 7- 25 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16024.000285/200725 Acórdão n.º 2402004.362 S2C4T2 Fl. 690 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 19/09/2007 para exigir multa por deixar a empresa de comunicar ao INSS, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT, a ocorrência ou agravamento de doença ocupacional e alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico. A Recorrente apresentou impugnação pleiteando a total insubsistência da autuação (fls. 151/174). A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto determinou a realização de diligência (fls. 178/180) para que fosse informado: (i) se as perdas constatadas nos exames de audiometria decorreram do ambiente de trabalho; (ii) sobre a utilização de Equipamentos de Proteção Individual – EPI pela empresa; e (iii) sobre a natureza das ocorrências (se doença profissional ou se doença do trabalho). Foi apresentada informação fiscal (fls. 185/186) destacando que, após análise do relatório fiscal e diligência efetuada, não houve fatos novos ou documentos que pudessem alterar o que já foi exposto no processo. Ainda, em relação aos argumentos de defesa, informou tratarse de matéria técnica, pois somente a perícia médica do INSS poderia dizer se há relação do dano físico com o trabalho realizado pelo segurado. A Recorrente apresentou manifestação (fls. 194/198) reiterando os pedidos formulados na impugnação. A d. DRJ julgou a impugnação improcedente (fls. 202/207), sob os argumentos de que: (i) o cálculo da multa foi devidamente demonstrado; (ii) o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), a que faz referência o Relatório Fiscal, instituído através da NR nº 07, estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implantação do PCMSO por parte dos empregadores, havendo expressa determinação de emissão da CAT quando, ao se realizar exames, dentre os quais os de audiometria, for constatado qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico; (iii) é inquestionável que somente a perícia médica do INSS poderia dizer se há relação do dano físico com o trabalho realizado pelo segurado. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 215/222), alegando em suma que não consta no auto de infração se as ocorrências foram resultantes de doenças profissionais ou do trabalho, não tendo sido o lançamento devidamente fundamentado. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Sustenta a Recorrente que não consta no auto de infração se as ocorrências foram resultantes de doenças profissionais ou do trabalho, não tendo sido o lançamento devidamente fundamentado. Analisando o relatório fiscal de fl. 17, constatase que o “acidente do trabalho” abrange tanto a doença profissional como a doença do trabalho, as quais estão previstas no art. 20 da Lei nº 8.213/91, in verbis: “Art. 20. Consideramse acidente do trabalho, nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades mórbidas: I doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; II doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. § 1º Não são consideradas como doença do trabalho: a) a doença degenerativa; b) a inerente a grupo etário; c) a que não produza incapacidade laborativa; d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. § 2º Em caso excepcional, constatandose que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerála acidente do trabalho.” Pontua a fiscalização que, nos termos da alínea “a” do item 7.4.8 da NR 7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, quando constatada, por meio de exames médicos, a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, deve o médico ou encarregado solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT. Vejase o que diz a norma: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16024.000285/200725 Acórdão n.º 2402004.362 S2C4T2 Fl. 691 5 “7.4.8. Sendo constatada a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, através de exames médicos que incluam os definidos nesta NR; ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, através dos exames constantes dos Quadros I(apenas aqueles com interpretação SC) e II, e do item 7.4.2.3 da presente NR, mesmo sem sintomatologia, caberá ao médicocoordenador ou encarregado: a) solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; (107.0410 / I1)” Com base na previsão acima, a Recorrente foi autuada por deixar de comunicar, mediante CAT, as ocorrências de doenças reconhecidas pelo serviço médico da empresa, conforme Relatório Anual do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional de 2003, que apresentou 24 exames audiométricos alterados. Com base nas normas acima, concluise que, para que seja emitida a CAT, devese estar diante de uma doença profissional, devendo haver solicitação do médico ou encarregado à empresa no sentido de emitir a CAT. Analisando o Relatório Médico juntado às fls. 19/21, verificase uma listagem de colaboradores, dentre os quais 12 apresentaram perda bilateral, e 12 verificaram perda unilateral. Contudo, não há no referido relatório qualquer solicitação de emissão de CAT à empresa, como dispõe a norma regulamentadora, não sendo possível saber o motivo dessa ausência, se por alguma questão técnica, ou qualquer outro motivo. Além disso, não há também qualquer comentário sobre a natureza das ocorrências, se doença profissional ou se doença do trabalho, para fins de aplicação da norma acima. Destacase que, mesmo após a realização de diligência solicitando essa informação, nada foi fornecido pela fiscalização. Além da ausência de informação sobre o tipo de doença, não houve qualquer apontamento sobre o nexo das ocorrências com o ambiente de trabalho, condição necessária para se configurar a necessidade de emissão de CAT. Não houve qualquer questionamento à clínica responsável sobre a ausência de solicitação à empresa para emissão da CAT, bem como sobre o nexo das ocorrências com o ambiente de trabalho. Concluise, assim, que o relatório médico e, consequentemente, o lançamento, não foram devidamente fundamentados, não sendo possível afirmar que os requisitos normativos vigentes, no tocante à emissão de CAT, teriam sido descumpridos pela empresa. Destacase que, a rigor, com base nas informações contidas nos autos, sequer é possível vincular o relatório médico à Recorrente. Desta forma, entendo que o relatório médico fornecido pela Clínica de Fonoaudiologia (fls. 19/21), utilizado como alicerce da autuação, não demonstra, por si só, que Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 a Recorrente teria descumprido a obrigação de emitir as CAT’s, não sendo cabível a penalidade em tela. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para, no mérito, DARLHE TOTAL PROVIMENTO, a fim de que a presente penalidade seja extinta. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720519/2008-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo (ARL), ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à reserva legal.
Por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à reserva legal. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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ÁREAS DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo (ARL), ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 05 19 /2 00 8- 22 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à reserva legal. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório GENY RATIER PEREIRA MARTINS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, em 27/11/2008 (AR fl. 07), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2003, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda São José”, localizado no município de Corumbá/MS, inscrita na RFB sob nº 2.270.7450, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/06, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0422.560/2010, às fls. 79/89, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 13/03/2012, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2102001.882, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10140.720519/200822 Acórdão n.º 9202003.349 CSRFT2 Fl. 195 3 Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 132/136, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30239.244, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada decorre do art. 17O, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, alinhandose com a norma que consagrou o benefício tributário (Art. 10, § 1°, II, da Lei n° 9.393/96) e apontando o meio para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de reserva legal e preservação permanente são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente artigo 17 da Instrução Normativa SRF n° 60/2001, c/c Decreto n° 4.382/2002. No presente caso, tratandose do exercício de 2003, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho S/N, de 08/03/2013, de fl. 173/174. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 178/189, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão guerreado, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma (Acórdão nº 302 39.244) trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10140.720519/200822 Acórdão n.º 9202003.349 CSRFT2 Fl. 196 5 exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA quanto às áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludida área, como se constata nestes autos. Registrese, que a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, oferece proteção ao entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de reserva legal e preservação permanente, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admiti las para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10140.720519/200822 Acórdão n.º 9202003.349 CSRFT2 Fl. 197 7 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 57, contemplando as áreas objeto da demanda, ainda que intempestivamente protocolizado, datado de 31/03/2005 (anterior ao início da ação fiscal), corroboradas pelo Laudo Técnico, de fls. 25/37. Por sua vez, o que torna ainda mais digno de realce relativamente à área de reserva legal, é que o contribuinte trouxe à baila documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a averbação à margem da matrícula do imóvel fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, em 14/09/2001, como se a própria autoridade lançadora reconheceu no anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 02/04, nos seguintes termos: “[...] Reserva Legal: Apresentou cópia autenticada da matrícula do imóvel onde consta averbação, de 14/09/2001, informando Área de Reserva Legal no valor de 20% da área total do imóvel, o equivalente a 1.990,00 ha. Entretanto, não foi apresentado o comprovante de solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6 (seis) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10140.720519/200822 Acórdão n.º 9202003.349 CSRFT2 Fl. 198 9 meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. O comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental – ADA apresentado pelo contribuinte foi protocolizado em 31 de março de 2005, não abrangendo os exercícios 2003 e 2004.[...]” (grifamos) Nesse sentido, o certo é que a Averbação tempestiva da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada e a informação da APP constante do ADA, mesmo intempestivo, e do Laudo Técnico, às fls. 25/37 e anexos, apresentados pela contribuinte se prestam a comprovar a existência de aludidas áreas, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material, na linha do que restou assentado no Acórdão recorrido. Partindo dessas premissas, tratandose de áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que apresentado o ADA intempestivamente, impõese o restabelecimento de referidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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