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Numero do processo: 17546.000827/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2006
ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA.
RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas,
montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
FATOS GERADORES APURADOS NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA. REPRODUÇÃO INTEGRAL NO RELATÓRIO FISCAL.
DESNECESSIDADE.
É despicienda a integral reprodução, no Relatório Fiscal, dos fatos geradores apurados diretamente nas folhas de pagamento, GFIP e escrita fiscal da empresa, eis que a responsabilidade pela sua elaboração e conteúdo é do próprio sujeito passivo, tendo este, já, o pleno conhecimento de toda a matéria tributável ali presente.
MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2006 ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. FATOS GERADORES APURADOS NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA. REPRODUÇÃO INTEGRAL NO RELATÓRIO FISCAL. DESNECESSIDADE. É despicienda a integral reprodução, no Relatório Fiscal, dos fatos geradores apurados diretamente nas folhas de pagamento, GFIP e escrita fiscal da empresa, eis que a responsabilidade pela sua elaboração e conteúdo é do próprio sujeito passivo, tendo este, já, o pleno conhecimento de toda a matéria tributável ali presente. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 88 3 Relatório Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2006. Data da lavratura da NFLD: 17/11/2006. Data da Ciência do NFLD : 17/11/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais, conforme declaradas em GFIP, de acordo com o relato assentado no Relatório Fiscal a fls. 39/40. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 41/51. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 68/71 julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/01/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 72. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente, em 30/01/2008, interpôs recurso voluntário, a fls. 73/85, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que não restou comprovada a motivação da autoridade autuante para a instituição do suposto crédito previdenciário de forma a demonstrar, clara e precisamente, a ocorrência de suposta infração, ofendendo dessa forma, as garantias do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa; • Que a NFLD em questão foi lavrada através de um procedimento fiscal realizado no estabelecimento da empresa Recorrente, através do qual se procedeu à análise dos livros e documentos contábeis relativos às contribuições exigidas, sendo necessária a verificação dos valores constantes da escrita fiscal no intuito de apurar o crédito previdenciário julgado devido. Aduz que, para a análise de tais documentos fiscais, são necessários os conhecimentos técnicos de um profissional de contabilidade, sendo que a análise de escritas fiscais é atribuição privativa de contador diplomado; • Que a multa de mora aplicada tem efeito de confisco; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 • Que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional. Ao fim, requer que seja declarada a nulidade da Notificação Fiscal. Alternativamente, requer o afastamento da multa de mora e a incidência da taxa Selic. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 89 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 02/01/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 30 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO Alega o Recorrente que não restou comprovada a motivação da autoridade autuante para a constituição do suposto crédito previdenciário de forma a demonstrar, clara e precisamente, a ocorrência de suposta infração, ofendendo dessa forma, as garantias do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa. O apelo do Recorrente não espelha a realidade consignada nos relatórios que integram a NFLD em debate. De início, cabe iluminar que o Lançamento Tributário configurase como um ato administrativo por excelência, sendo, por tal motivo, dotado de presunção de veracidade e legitimidade que, segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, pág. 191, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191, grifos do original). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, ônus do qual não se desincumbiu o recorrente. Consoante o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Assim, a presunção de veracidade diz respeito aos aspectos jurídicos do ato administrativo, e, em decorrência desse atributo, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade” dos atos administrativos, e, em decorrência desse atributo, serão presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração. Robustecida a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, operase a inversão do ônus probante, recaindo sobre o notificado a carga de desconstituir o lançamento levado a efeito. Dessai do Relatório Fiscal, a fl. 39, itens 01 a 04, que os fatos geradores apurados mediante o levantamento “FPG FOLHA DE PAGTO DECL EM GFIP” foram apurados diretamente pelo exame das folhas de pagamento e das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Assentado que a responsabilidade pela elaboração das folhas de pagamento e pelo seu conteúdo repousa sobre o próprio sujeito passivo, conforme assim estatui o inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91, tornase despicienda a sua integral reprodução no Relatório Fiscal da NFLD em apreço, eis que o Recorrente já possui conhecimento de toda a matéria tributável objeto deste lançamento. Cuidouse a Autoridade Lançadora de consignar no item 01 de seu Relato Oficial que o recolhimento, em suas épocas próprias, das contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social, relativas à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros, incidentes sobre as folhas de pagamento de empregados e contribuintes individuais, não foi comprovado pelo notificado. Nesse contexto, tendo em vista, repisese, o consagrado atributo da presunção iuris tantum de veracidade que caracteriza os atos administrativos, e a consequente inversão do encargo probatório, repousa sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Tal incumbência lograria o êxito esperado pela mera apresentação de cópias autenticadas dos comprovantes de recolhimento, em suas épocas próprias, das contribuições previdenciárias objeto da vertente Notificação Fiscal. De forma análoga, caso o Recorrente houvesse vislumbrado qualquer erro cometido pela fiscalização na mensuração da base de cálculo, bastaria instruir a sua Impugnação com as cópias autenticadas de suas folhas de pagamento e das GFIP – documentos a partir dos quais foram apuradas as matérias tributáveis – para, assim, desconstituir a presunção em realce. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria registrados em suas folhas de pagamento e GFIP, não se encontravam condizente com a realidade tanto na fase de impugnação, quanto agora em sede Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 90 7 de Recurso Voluntário. Assim não o fez, optando por opor alegações vazias, não ancoradas em indícios de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, tão somente, as quais são insuficientes para elidir o lançamento tributário em exame, não logrando, assim, desincumbirse do ônus probatório que lhe era avesso. Mas não é assim que a banda toca. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária comprovou a ocorrência dos fatos geradores, pelo exame dos documentos elaborados pelo próprio Recorrente, enquanto que este, de forma sintomática, uma vez mais, deixouse transcorrer in albis o momento oportuno para produzir as provas aptas à desconstituição do lançamento tributário ora em julgo. Verificase que os relatórios que integram a presente NFLD foram elaborados em sintonia com as normas que disciplinam o Processo Administrativo Fiscal. O Relatório Fiscal e documentos anexos descrevem de forma detalhada e clara os fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas no curso da ação fiscal, indicando em cada caso, a fonte onde foram coletadas as informações bem como a natureza de cada contribuição lançada, indicando, para cada competência e código de levantamento, o valor da base de cálculo apurada, sindicável, portanto, quanto a sua correcção. O Discriminativo Analítico de Débito, por seu turno, apresenta ao notificado as bases de cálculo apuradas, as rubricas exacionais associadas, as alíquotas correspondentes, os valores originários das contribuições devidas, os eventuais crédito tributários de titularidade Sujeito Passivo, bem como as diferenças a recolher, tudo isso discriminado por rubrica, por levantamento e por competência. Quanto ao embasamento jurídico a dar suporte à atividade levada a cabo pela fiscalização, os fundamentos legais aplicáveis ao lançamento encontramse detalhadamente arrolados no relatório "Fundamentos Legais do Débito — FLD", além das menções pontualmente distribuídas no corpo do Relatório Fiscal. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão ao Recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal: A empresa remunerou segurados obrigatórios do RGPS mas não logrou comprovar o recolhimento, em suas épocas próprias, das contribuições previdenciárias correspondentes. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 3. DO MÉRITO Cumpre assentar, de plano, que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DO EXAME DA CONTABILIDADE Sustenta o Recorrente que a NFLD em questão foi lavrada através de um procedimento fiscal realizado no estabelecimento da empresa Recorrente, através do qual se procedeu à análise dos livros e documentos contábeis relativos às contribuições exigidas, sendo necessária a verificação dos valores constantes da escrita fiscal no intuito de apurar o crédito previdenciário julgado devido. Aduz que, para a análise de tais documentos fiscais, são necessários os conhecimentos técnicos de um profissional de contabilidade, sendo que a análise de escritas fiscais é atribuição privativa de contador diplomado; A rogativa acima reclamada encontrase totalmente dissociada do procedimento levado a efeito na apuração das contribuições previdenciárias objeto da NFLD em debate. Conforme expressamente consignado no Relatório Fiscal, a fl. 39, itens 01 a 04, os fatos geradores apurados mediante o levantamento “FPG FOLHA DE PAGTO DECL EM GFIP” foram apurados diretamente pelo exame das folhas de pagamento e das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, e não pelo exame da escrita contábil do Recorrente. Além disso, a alegação de que o exame da de escritas fiscais é atribuição privativa de contador diplomado encontrase em flagrante atrito com o Ordenamento Jurídico Pátrio. O art. 37, I da CF/88 estabelece, de forma clara e precisa, que os cargos públicos são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, cuja investidura dependerá de aprovação prévia em concurso público. Constituição Federal de 1988 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) II a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 91 9 títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) A formação acadêmica e as atribuições conferidas aos Auditores Fiscais encontramse elencadas na lei que rege a aludida carreira, a saber, Lei nº 10.593/2002, a qual não estabelece nenhuma precedência ou exclusividade de qualquer profissão regulamentada sobre outra, conforme se depreende das disposições inscritas em seu art. 3º, caput, e 8º, em excerto rememorado adiante para a melhor compreensão de seus fundamentos: LEI Nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Art. 2º Os cargos de AuditorFiscal da Receita Federal, de Técnico da Receita Federal, de AuditorFiscal da Previdência Social e de AuditorFiscal do Trabalho são agrupados em classes, A, B e Especial, compreendendo, a primeira, cinco padrões, e, as duas últimas, quatro padrões, na forma dos Anexos I e II. (grifos nossos) Art. 3º O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) §1º O concurso referido no caput poderá ser realizado por áreas de especialização. (...) Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; (grifos nossos) b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; (grifos nossos) c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial; (grifos nossos) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; (...) Tal competência também se revela nos termos inscritos no art. 33 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à ocasião da lavratura do presente Auto de Infração. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art.33 – Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art.11, cabendo ambos os órgãos, na esfera da sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. §1 É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e do Departamento da Receita Federal – DRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos artigos 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) A Lei nº 11.457/2009 promoveu a fusão da Secretaria da Receita Federal SRF com a Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, dela originando a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, permaneceram irretocadas, no entanto, as atribuições do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme dessai da redação do texto legal a seguir transcrito: LEI Nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 92 11 não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos nossos) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (Incluída pela Lei nº 11.457, de 2007) Mais adiante, de molde a espancar qualquer dúvida ainda persistente, a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, modificou a redação do art. 33 da Lei nº 8.212/91 sem, no entanto, alterarlhe a essência, assim dispondo: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifos nossos) Mas não é só. Há mais ... Perfilando o mesmo desenho legal, este Colegiado firmou entendimento no sentido oposto à pretensão do Recorrente, materializado na Súmula nº 5, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007, e publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28, com a seguinte redação: SÚMULA Nº 5 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A julgar pelo entendimento do Recorrente, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, além de ter formação acadêmica em contabilidade, teria concomitantemente que ter habilitação em Direito, pois interpreta e aplica leis, decretos, regulamentos, etc.; Formação em engenharia, pois analisa obras de construção civil, aplica o método CUB em aferição indireta, etc.; Formação em Tecnologia da Informação, pois opera com computadores, identifica, extrai e analisa dados essenciais armazenados em arquivos e Fl. 11DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 mídias digitais; Formação em comércio exterior, dada às suas atribuições de controle aduaneiro e classificação de mercadorias; Formação em matemática, pois a realização de cálculos, equacionamentos e resolução de problemas aritméticos fazem parte do seu cotidiano, Formação em letras, eis que a redação de relatórios, a solução de consultas e a lavra de decisões de natureza tributária constituemse prerrogativas do seu cargo; Formação em psicologia, para entender o animus de certas razões recursais, dentre outras. Por esses e tantos outros motivos, não assiste razão ao Recorrente quanto a sua alegação de ilegitimidade do Auditor Fiscal. 3.2. DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Pondera o Recorrente que a multa aplicada tem caráter de confisco, o que não é permitido na ordem jurídica brasileira. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias Fl. 12DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 93 13 arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 13DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Escapa da competência desta Corte Administrativa, entretanto, a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 14DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 94 15 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.3. DA TAXA SELIC. Pondera em defesa o Recorrente que a utilização da taxa Selic como juros moratórios é ilegal. As alegações acima postadas não merecem o albergue pretendido. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: Fl. 15DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 16DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 95 17 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 18 Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17546.000827/200733 Acórdão n.º 230201.099 S2C3T2 Fl. 96 19 Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de que de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 19DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 10980.009580/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2006
PEDIDO DE PERÍCIA. CONSIDERA-SE NÃO FORMULADO SE AUSENTES OS REQUISITOS LEGAIS PARA SUA APRESENTAÇÃO.
Em conformidade com o §1º do art. 16 do Decreto 70.235/72, o pedido de perícia que não preenche os requisitos legais é considerado não formulado.
NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação,preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial
é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não existem pagamentos em relação aos fatos geradores lançados, o que impõe a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I.
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária. Ausentes provas que infirmem os fatos apontados pela fiscalização, o lançamento deve prevalecer.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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PREV NFLD PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Recorrente CRE PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2006 PEDIDO DE PERÍCIA. CONSIDERASE NÃO FORMULADO SE AUSENTES OS REQUISITOS LEGAIS PARA SUA APRESENTAÇÃO. Em conformidade com o §1º do art. 16 do Decreto 70.235/72, o pedido de perícia que não preenche os requisitos legais é considerado não formulado. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não existem Fl. 1784DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 pagamentos em relação aos fatos geradores lançados, o que impõe a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária. Ausentes provas que infirmem os fatos apontados pela fiscalização, o lançamento deve prevalecer. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1785DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.756 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.044.5791, lavrada em 29/12/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais, no período de 12/1999 a 03/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 338.719,57, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 02/01/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 587/614, na qual apresentou alegações similares àquelas que resumiremos a seguir quando tratarmos do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Curitiba, no Acórdão de fls. 1695/1705, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 11/12/2007, fls. 1707. No decisório foi excluído o lançamento em duplicidade da competência 09/00. O recurso voluntário, apresentado em 10/01/2008, fls. 1708/1746, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia apontando que muitos dos pagamentos considerados pela fiscalização referemse à quitação de serviços prestados por pessoas jurídicas, e a reembolsos de viagem. Aponta que a fiscalização lhe concedeu um prazo exíguo para a apresentação de documentos, o que caracterizaria uma atuação arbitrária que resulta na nulidade do lançamento. Teria ocorrido cerceamento de defesa no indeferimento da prova pericial e documental pela decisão a quo. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Alega que muitos pagamentos referemse a pagamentos feitos a pessoas jurídicas mediante notas fiscais e retenção na fonte. Sustentou a recorrente que contratou mútuo com a empresa Formato em 1999 e que a quitação de tal mútuo foi feita por meio de pagamentos a pessoas físicas que eram funcionários da mutuante Formato. Argumenta que teriam sido incluídas no lançamento algumas despesas operacionais que não representaram prólabore indireto aos sócios. Alega que fez a retenção e recolhimento sobre o pagamento de vários contribuintes individuais( Mauro Rassi Júnior (06/03 e 07/03), Wilson Pedroso (07/03, 10/04 e 01/05, João Arlindo dos Santos (02/04)). Insiste que provas foram desconsideradas caracterizando um formalismo excessivo, ferindo o princípio da verdade real do processo contencioso tributário. Fl. 1786DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 É o relatório. Fl. 1787DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.757 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Da violação ao devido processo legal por ofensa ao contraditório e/ou ao direito à ampla defesa na fase fiscalizatória A recorrente aduz que houve violação do devido processo legal durante a fase fiscalizatória, na medida em que o prazo originalmente concedido era muito curto e seu pedido de dilação deste não foi atendido. Não há como acolher a pretensão da recorrente de violação ao devido processo legal, seja por ofensa ao contraditório ou à ampla defesa , pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Pedido de perícia sem os requisitos legais Alega a recorrente que a decisão a quo é nula, pois não apreciou seu pedido de perícia. No entanto, observamos que o pedido de perícia constante da impugnação foi genérico sem apontar os motivos que a justificariam e sem qualificar o perito de sua parte que Fl. 1788DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 indicava. Assim, de acordo com o art. 16, §1º, o pedido é considerado não formulado. Se o pedido não foi formulado adequadamente não pode ser considerado como causa de nulidade sua não apreciação. Ademais, o item 13 da decisão justificou a negativa para a realização de perícia. Do pedido de produção de provas A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se ficar caracterizada algumas das hipóteses do §4º do art. 16, o que não foi demonstrado pela recorrente. Por seu turno, a decisão de primeira instância justificou a negativa de produção de provas no item 13 do decisório. O pedido para produção de provas é, portanto, negado, bem como fica afastada a nulidade da decisão de primeira instância por esse motivo. Decadência A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada Fl. 1789DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.758 7 inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Fl. 1790DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Fl. 1791DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.759 9 Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). Fl. 1792DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 1793DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.760 11 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei Fl. 1794DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade Fl. 1795DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.761 13 dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Não constam dos autos quaisquer pagamentos feitos pela recorrente em relação aos fatos geradores considerados pela fiscalização, logo é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 31/12/2001, o que inclui tanto a competência 12 como a competência 13 do respectivo ano, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. Como relatado, no mérito alega que os pagamentos a contribuintes individuais são, na verdade, referentes a : 1 — pagamentos de pessoas jurídicas; 2— pagamento da folha de subempreiteiro; 3 — pagamento de pessoas físicas como forma de saldar mútuo com a empresa formato; 4 — despesas operacionais, em especial os pagamentos caracterizados como prólabore; 5— retenção e recolhimento das contribuições dos contribuintes individuais; Pagamentos a pessoas jurídicas Conforme consignado na decisão a quo, a recorrente não especificou nas planilhas de fls. 624/665, quais pagamentos teriam sido efetuados a pessoas jurídicas com a correspondente emissão de nota fiscal, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar Fl. 1796DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 Pagamento da folha de subempreiteiro A recorrente afirma que assumiu o pagamento de alguns trabalhadores que deviam ser remunerados por seu subempreiteiro. Mais uma vez, a decisão de primeira instância, fls. 1701, foi precisa ao afirmar que : “(...)[como o] subempreiteiro desapareceu, como evidencia a comunicação interna que determina o adiantamento dos salários de outubro de 2003. Portanto, nas competências 12/03 e 01/04 o subempreiteiro estava ausente e os trabalhadores não estavam recebendo ordens de serviço de seu empregador desaparecido (não havia subordinação). A fiscalização não detectou a presença dos elementos caracterizadores do vínculo de emprego direto com a Notificada. Logo, diante da inequívoca prestação de serviços dos trabalhadores para a CRE e da ausência do subempreiteiro, os trabalhadores são contribuintes individuais, pessoas físicas que prestaram serviços para a Notificada.” Pagamento de pessoas físicas como forma de saldar mútuo com a empresa formato Sustentou a recorrente que contratou mútuo com a empresa Formato em 1999 e que a quitação de tal mútuo foi feita por meio de pagamentos a pessoas físicas que eram funcionários da mutuante Formato. No tocante aos empréstimos e sua comprovação, os argumentos da recorrente não prosperam. Tratase de matéria já extensamente examinada pelos tribunais administrativos, sendo que a jurisprudência firmouse mansa e pacificamente no sentido de não acolher as alegações de empréstimos não acompanhadas do respectivo contrato de mútuo e das provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e data coincidentes. Abaixo seguem alguns acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO MÚTUO A contratação de empréstimo entre particulares despida de comprovação da transferência do correspondente numerário, ainda que constante das declarações de ajuste anuais dos contratantes apresentadas a destempo e após o início do procedimento de ofício, não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto. (Acórdão 10245383 de 20/02/2002) MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este Fl. 1797DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.762 15 ultimo possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 10612836 de 23/08/2002) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO os fatos registrados na escrituração de pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio majoritário, são tidos como verdadeiros desde que respaldados por documentação hábil e idônea. O simples registro do empréstimo na escrituração, por si só, é insuficiente para comprovar a saída do numerário da pessoa jurídica. Na falta de documentos, coincidentes em datas e valores, que comprovem o efetivo ingresso dos recursos alegados no patrimônio da pessoa física do sócio, mantémse o lançamento a título de omissão de rendimentos revelada por acréscimo patrimonial a descoberto. (Acórdão 10612357 de 07/11/2001) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO MÚTUO A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. (Acórdão 10613763 de 05/12/2003) “NORMAS PROCESSUAIS PROVA MÚTUO O evento econômico de referência expresso em documento apresentado como prova, deve estar em harmonia com os demais que constituíram o suporte fático para incidência do tributo. O empréstimo do tipo mútuo requer suporte em instrumento contratual, revestido das formalidades intrínsecas e extrínsecas previstas na lei e a comprovação da efetiva entrega de seu objeto.” (2ª Câmara, Ac. 10246120, sessão de 10/09/2003) “EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO MÚTUO A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor.” (6ª Câmara, Ac. 10613763, sessão de 05/12/2003) “EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação mediante cópia do contrato de mútuo, cheque, comprovante de depósito bancário ou do extrato da conta corrente ou outro meio hábil e idôneo admitido em direito, da efetiva transferência dos recursos, coincidente em datas e valores, tanto na concessão como por ocasião do recebimento do empréstimo, não sendo suficiente a apresentação apenas de recibo ou nota promissória.” (2ª Câmara, Ac. 10246568, sessão de 01/12/2004) Portanto, para a comprovação do empréstimo, há necessidade da efetiva comprovação da saída do numerário do patrimônio do mutuante, respaldado pelo respectivo contrato ou da informação nas escriturações autenticadas de ambos os contratantes, e da comprovação da quitação efetuada pelo mutuário. Ausentes tais elementos probantes, resta sem comprovação a efetividade do mútuo. Destacamos, por oportuno, o que foi anotado na decisão a quo: Fl. 1798DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 16 “9.3.3. Notese que, sem os contratos celebrados e sem documentos que os corroborem, a situação é pouco verossímil: Formato aliena obras e acervo técnico para CRE, mas esta empresta dinheiro da Formato e salda o mútuo através do pagamento dos salários e contribuições da mãodeobra da Formato que foi cedida para a CRE, devendo a CRE, por decorrência lógica, pagar também pela cessão da mãodeobra da Formato nas obras agora de titularidade da CRE. 9.3.4. Portanto, diante da ausência de prova do contrato de cessão da mãodeobra e da ausência de prova do teor do contrato de mútuo, não há como negar que a CRE remunerou mãodeobra de contribuintes individuais, tal como detectado pela fiscalização.” Despesas operacionais Segundo a recorrente, teriam sido incluídas no lançamento algumas despesas operacionais que não representaram prólabore indireto aos sócios. Conforme anotado na decisão a quo, tal argumento não diz respeito ao presente lançamento, mas à NFLD 37.044.5848. A título argumentativo, no entanto, esclarecemos que a qualificação de despesa operacional em nada afeta a incidência da contribuição previdenciária. Aqui o que importa é quem foi beneficiário do pagamento e qual o vínculo que este possui com a empresa. Toda a folha de pagamentos é despesa operacional, mas, nesse caso, a incidência da contribuição previdenciária é determinada pela existência de remuneração a empregados. Por outro lado, se são feitos pagamentos a pessoas físicas que possuem a característica de remuneração por serviço prestado sem vinculo trabalhista, estes devem sofrer a incidência da contribuição por serem remuneração de contribuintes individuais, como é o caso dos autos. Retenção e recolhimento das contribuições dos contribuintes individuais A recorrente alegou que fez a retenção e recolhimento sobre o paga,mento de vários contribuintes individuais( Mauro Rassi Júnior (06/03 e 07/03), Wilson Pedroso (07/03, 10/04 e 01/05, João Arlindo dos Santos (02/04)). No entanto, como já assinalado no decisório de primeira instância não trouxe aos autos a prova de tais pagamentos, o que impede o acatamento de seus argumentos. Fl. 1799DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10980.009580/200742 Acórdão n.º 230101.960 S2C3T1 Fl. 1.763 17 Desconsideração de provas Por fim, não compartilho do entendimento da recorrente de que provas foram desconsideradas sem qualquer justificativa, o que teria comprometido a busca pela verdade real. Observamos que a decisão a quo analisou detidamente todas as provas apresentadas, relacionando para cada uma delas o motivo da desconsideração de seu valor probante, particularmente no item 12 da decisão atacada. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a afastar os fatos geradores ocorridos até 31/12/2001, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1800DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.004253/2004-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000, 2001, 2003
Ementa: VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela
ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para informar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por
infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.966
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as
preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4) Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Fl. 154DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório AGRO PECUÁRIA LUNARDELI LTDA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 119) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 47/59, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente aos exercício de 2000, 2001 e 2003, nos valores, respectivamente, de R$ 10.049,05, 14.810,37 e 45.463,32, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 146.924,09. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão das DITR de 2000, 2001 e 2003 das quais foram alterados os valores da terra nua (VTN) declarados. Segundo o relatório fiscal, a Contribuinte não logrou comprovar os valores declarados, tendo sido arbitrados os VTN com base na tabela SIPT. No seguinte trecho do relatório fiscal a autoridade lançadora declina os critérios de arbitramento que foram adotados: Para chegarmos aos valores mais próximos da realidade, ou seja, o valor de mercado em 1° de janeiro do ano da entrega da declaração, na elaboração da planilha citada, consideramos os valores das terras tendo por base os seguintes critérios: 1. As utilizadas com plantio de Produtos Vegetais, como área mecanizada, que é a mais valorizada; 2.As utilizadas com Pastagens também como área mecanizada, visto não ter • preço definido para mecanizável; 3.As utilizadas com Benfeitorias como área não mecanizável, que são menos valorizadas que as anteriores; 4.As utilizadas com Preservação Permanente e Utilização Limitada (Reserva Legal), como área inaproveitável, conforme definição do próprio DERAL, e estas por sua vez, são as que apresentam a menor avaliação; Cabe esclarecer que as terras utilizadas como Pastagem foram avaliadas como mecanizadas, primeiro por não existir na Tabela do DERAL preços definidos para mecanizável, e também pelo fato de o contribuinte ter reduzido a área de pastagem nos anos de 2002 e 2003, e aumentado à área de produtos vegetais, ficando comprovado que de fato a área é mecanizada. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10930.004253/200447 Acórdão n.º 220100.966 S2C2T1 Fl. 2 3 A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 64/77 na qual alegou que o procedimento fiscal encontrase viciado por afrontar inúmeros princípios e garantias fundamentais consagrados na Constituição Federal e, ainda, por presumir a apuração do valor de mercado do VTN, através de planilha — DERAL; que, portanto, o auto de infração não poderia prosperar porque está eivado de vícios, que o nulificam; que o Fisco Federal tomou como base para a apuração do valor de mercado da terra nua o VTN constante na tabela DERAL, disponível na Internet, deixando de apurar o real valor de mercado do imóvel junto às áreas limítrofes da região e aos profissionais da área de corretagem; que a tabela do DERAL trouxe distorções com relação ao VTN para o exercício de 2003, em 162,21% a mais que o ano anterior. A Recorrente afirmou que sempre apresentou as declarações do ITR dentro do prazo previsto na legislação e sempre informou o VTN com base no preço de mercado da região e que o Laudo de Avaliação apresentado deve ser considerado pelo Fisco, vez que o valor do DERAL não tem consistência, não podendo servir como parâmetro para se apurar a base de cálculo do ITR; que recolheu o imposto com base no VTN constante do Laudo, com os acréscimos legais. Por fim, a Recorrente questionou os juros calculados com base na Taxa SELIC e a multa de ofício de 75%. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJ rejeitou, inicialmente, a arguição de nulidade do lançamento sob a alegação de vícios relacionados com a violação de princípios constitucionais. Ressaltou a regularidade do lançamento nesse aspecto, destacando a incompetência dos órgãos julgadores administrativos para apreciarem esse tipo de alegação. Quanto ao mérito, no que se refere ao procedimento utilizado pela fiscalização para apuração do VTN, com base nos valores constantes em sistema da Secretaria da Receita Federal, a DRJ ressaltou que o mesmo encontra amparo no artigo 14, da Lei n° 9.393/1996 e destacou que o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, e que demonstre que o imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município; que, para tanto, seria indispensável a apresentação de um laudo de avaliação que detalhasse completamente o imóvel e todas as suas possíveis benfeitorias e/ou melhoramentos, comprovando que o VTN é menor do que o apurado com base no SIPT. Pois bem, a DRJ, após analisar o laudo técnico apresentado pela Contribuinte (fls. 78/95), concluiu que o mesmo não atendeu aos requisitos estipulados na norma da ABNT; que, para tanto, o deveria demonstrar os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram o perito a forma convicção sobre o valor atribuído ao imóvel, demonstrando, de forma inequívoca, que não houve subavaliação nos valores declarados, o que não fez. Quanto à multa de ofício e os juros de mora, a DRJ anotou, em síntese, que se trata de exigências baseadas em disposições legais expressas às quais os órgãos julgadores administrativos estão vinculados. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 23/04/2007 (fls. 130) e, em 18/05/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 131/147, que ora Fl. 156DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 se examina e no qual reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação para, por fim,. Formular pedido nos seguintes termos: Diante do exposto requer: a) que seja julgado totalmente procedente a presente Recurso; b) que seja atribuído ao valor da terra nua o constante no Laudo de Avaliação do Imóvel conforme apresentado para a análise dos senhores julgadores; c) Mantida a exigência fiscal que seja excluído a cobrança da SELIC como taxa de juros, atribuindo o percentual de 1% conforme o art. 161 do CTN. d) Mantida a exigência fiscal, que seja excluída a multa de oficio por ser confiscatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da revisão das DITR apresentadas pela Recorrente para os exercícios de 2000, 2001 e 2003, das quais foram alterados os valores informados como VTN. Segundo o relatório fiscal, a Contribuinte foi intimada a informar os parâmetros utilizados para o cálculo do VTN e como o Contribuinte nada apresentou, foi então arbitrado o VTN, com base no sistema SIPT. Os parâmetros de cálculo utilizados pela autoridade lançadora estão detalhados na planilha de fls. 46. Ali se vê, os valores estabelecidos na tabela SIPT/DERAL para cada tipo de área. A partir desses cálculos a autoridade lançadora chegou a valores diferentes dos lançados da DITR, conforme planilha a seguir: EXERCÍCIO DECLARADO (R$) APURADO (R$) 2000 5.429.024,00 9.616.137,20 2001 9.299.148,00 10.280.560,00 2003 13.494.046,65 32.436.681,31 Na fase impugnatória, a Recorrente apresenta laudo técnico de avaliação que, em síntese, confirma os valores originalmente declarados. Inicialmente, quanto à validade do procedimento fiscal no que se refere ao arbitramento do VTN, o art. 14 da lei nº 9.393, de 1996 prevê que, nos casos de subavaliação do VTN, a Receita Federal procederá ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre o preço de terras, constante de sistema a ser por ela instituído, que é o SIPT, in verbis: Fl. 157DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10930.004253/200447 Acórdão n.º 220100.966 S2C2T1 Fl. 3 5 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Neste caso, como a Contribuinte intimada que foi a comprovar os valores declarados, poderia o Fisco, como fez, verificar os preços constantes do sistema SIPT e, constatada discrepância em relação aos valores declarados que caracterizem a subavaliação proceder ao lançamento. Caberia ao Contribuinte, então, na fase do contencioso, demonstrar por meio de laudo técnico de avaliação porque o valor do imóvel discrepa do valor médio da região. Neste caso, a Recorrente apresentou, juntamente com a impugnação, o laudo de fls. 78/96 o qual, todavia, foi rejeitado pela decisão de primeira instância como elemento idôneo de prova porque o laudo não atendia a certos requisitos básicos previstos nas normas da ABNT como a explicitação dos critérios avaliatórios e as fontes de informação que levaram ao convencimento do perito sobre a avaliação. A questão a ser examinada na fase recursal, portanto, diz respeito à comprovação ou não da Contribuinte do valor declarado, por meio do referido laudo. Penso que no caso de arbitramento feito com base no SIPT, sistema que é construído a partir da verificação do valor médio das terras de cada região, para infirmar os valore assim apurados, o Autuado deve apresentar laudo técnico que demonstre analiticamente porque o valor do imóvel em particular discrepa dessa média. Deve demonstrar, portanto, características particulares do imóvel que justifiquem uma avaliação menor. Além disso, o laudo deve basear os valores apurados em pesquisa de mercado, com a indicação das fontes. Não se trata, portanto, de mera indicação subjetiva de um preço, que entenda o perito seja o preço de mercado do imóvel. Pois bem, neste caso, o laudo de avaliação em momento algum demonstra os aspectos que justificariam uma avaliação menor do imóvel em relação à média regional e, embora referindose a preços de mercado praticados na região, não indica as fontes de onde extraiu essa informação. No seguinte trecho do laudo isto fica bem claro: Segue os valores avaliados das terras agrícolas para o município de São Sebastião da Amoreira, tendo como referência o mês de Janeiro de 2.000, Janeiro de 2.001, Janeiro de 2002 e Janeiro de 2.003, foram os seguintes: TERRA ROXA VALOR R$/HA JAN/2000 JAN/2001 JAN/2002 JAN/2003 MECANIZADA 3.597,00 4.000,00 4.570,00 5.255,00 MECANIZÁVEL NÃO MECANIZÁVEL 1.384,00 1.600,00 1.900,00 2.185,00 INAPROVEITÁVEL 208,00 400,00 450,00 518,00 Fl. 158DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Foram consideradas cotações feitas junto a corretores de imóveis que atuam na região e dados obtidos junto ao departamento de avaliação de imóveis para fins de cobrança do ITBI (Imposto sobre transmissão de Bens Imóveis) da Prefeitura do município de São Sebastião da Amoreira. TERRA ROXA Área do Imóvel(ha) VALOR DA TERRA NUA DO IMÓVEL (R$) JAN/2000 JAN/2001 JAN/2002 JAN/2003 MECANIZADA 2.381,33 4.565.644 8.234.512 10.882.678 12.025.889 MECANIZÁVEL NÃO MECANIZÁVEL 619,76 857.747 991.616 1.777.5441 1.354.176 INAPROVEITÁVEL 432,55 89.970 173.020 194.647 244.061 TOTAL 3.433,84 5.513.361 9.399.148 12.254.869 13.604.126 MÉDIA/HA 1.459,98 2.737,37 3.568,85 3.962,01 MÉDIA/ALQ 3.533,37 6.624,43 8.636,62 9.588,06 Notase que, na primeira tabela, o Perito indica os valores médios das terras para o Município de São Sebastião da Amoreira, por hectare, e na segunda tabela apresenta o VTN do imóvel, valor total, por tipo de área e o valor médio por hectares e, como se vê, os valores apurados para o imóvel em particular estão muito abaixo dos valores médios, e o Laudo não explica a razão dessa discrepância, que deveria ser os eu principal objetivo. Limitase a afirmar que foram considerados cotações feitas junto a corretores de imóveis que atuam na região, sem especificar fontes e quais operações consideradas, e valores considerados para fins de ITBI. O laudo, portanto, não demonstra que não houve subavaliação do imóvel, antes confirma a subavaliação. Nestas condições, penso que devem prevalecer os valores apurados com base no SIPT. Quanto à multa de ofício que o Recorrente afirma ser confiscatória, tratase de exigência baseada em disposição expressa de lei. Tratase do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Não cabe ao julgadora administrativo avaliar, subjetivamente, o efeito econômico da multa, tarefa que coube ao legislador ao calibrar a penalidade. Por outro lado, qualquer juízo sobre a compatibilidade da lei ao ordenamento jurídico, será um juízo de constitucionalidade, que escapa à competência dos órgãos administrativos fazer. Portanto, quanto á multa de ofício, nada há a rever no lançamento. Também quanto aos juros calculados com base na taxa Selic este Conselho já há muito firmou o entendimento a respeito da regularidade de sua aplicação, entendimento este que está consolidado em súmula, a saber: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não merece reparos o lançamento também quanto a este aspecto. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10930.004253/200447 Acórdão n.º 220100.966 S2C2T1 Fl. 4 7 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 160DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 13983.000138/2004-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA.
BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.
A condição imposta para o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, gerados pela aquisição de insumos com incidência da contribuição, é a efetiva utilização do insumo no processo produtivo, não podendo o termo "insumo" ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tão-somente, aqueles bens/serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, sejam efetivamente aplicados na produção ou fabricação do produto.
CRÉDITO PRESUMIDO/ESTOQUE DE ABERTURA.
O Crédito Presumido/Estoque de Abertura, representado pelas operações de mercado interno e de exportação no mês de dezembro de 2003 deve ser objeto de glosa, já que a apropriação do crédito presumido em questão, iniciada em dezembro de 2002, somente poderia se dar ao longo de 12 meses, encerrando-se,
portanto, em novembro de 2003, descabendo a apropriação do
crédito presumido ora em comento para o mês de dezembro de 2003,
TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
As meras transferências internas de mercadorias, vale dizer, entre os estabelecimentos da própria recorrente, não ensejam a geração de créditos de PIS/Pasep, nos termos delineados no art. 3º, § 3º, I e II da Lei nº 10.637, de 2002, porquanto, de acordo com a sistemática da nãocumulatividade o que se busca é evitar a incidência em cascata da aludida contribuição, e, se em momento anterior não houver a incidência de contribuição não justifica a geração de crédito destinado compensar o fabricante.
AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR.
Somente as aquisições de pessoas jurídicas domiciliadas no País garantem o direito ao crédito presumido de PIS nãocumulativo,
conforme disposto no art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n° 10.637/2002,
AQUISIÇÕES DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS.
As aquisições de pessoas não contribuintes da Cofins, inclusive pessoas físicas, não dão direito ao crédito de PIS e COFINS não cumulativos.
DESPESAS FINANCEIRAS.
Somente as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e
financiamentos são capazes de gerar crédito de PIS/COFINS com direito de seu respectivo aproveitamento, meras despesas financeiras, não decorrentes de empréstimos e financiamentos não são capazes de gerar crédito com direito ao respectivo aproveitamento.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Ementa: PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. A condição imposta para o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS não cumulativos, gerados pela aquisição de insumos com incidência da contribuição, é a efetiva utilização do insumo no processo produtivo, não podendo o termo "insumo" ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tão somente, aqueles bens/serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, sejam efetivamente aplicados na produção ou fabricação do produto. CRÉDITO PRESUMIDO/ESTOQUE DE ABERTURA. O Crédito Presumido/Estoque de Abertura, representado pelas operações de mercado interno e de exportação no mês de dezembro de 2003 deve ser objeto de glosa, já que a apropriação do crédito presumido em questão, iniciada em dezembro de 2002, somente poderia se dar ao longo de 12 meses, encerrandose, portanto, em novembro de 2003, descabendo a apropriação do crédito presumido ora em comento para o mês de dezembro de 2003, TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As meras transferências internas de mercadorias, vale dizer, entre os estabelecimentos da própria recorrente, não ensejam a geração de créditos de PIS/Pasep, nos termos delineados no art. 3º, § 3º, I e II da Lei nº 10.637, de 2002, porquanto, de acordo com a sistemática da nãocumulatividade o que se busca é evitar a incidência em cascata da aludida contribuição, e, se em Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 momento anterior não houver a incidência de contribuição não justifica a geração de crédito destinado compensar o fabricante. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. Somente as aquisições de pessoas jurídicas domiciliadas no País garantem o direito ao crédito presumido de PIS nãocumulativo, conforme disposto no art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n° 10.637/2002, AQUISIÇÕES DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de pessoas não contribuintes da Cofins, inclusive pessoas físicas, não dão direito ao crédito de PIS e COFINS não cumulativos. DESPESAS FINANCEIRAS. Somente as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos são capazes de gerar crédito de PIS/COFINS com direito de seu respectivo aproveitamento, meras despesas financeiras, não decorrentes de empréstimos e financiamentos não são capazes de gerar crédito com direito ao respectivo aproveitamento. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello. Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ IIRJ) de fls.3254/3264, que manteve o indeferimento ao pedido de ressarcimento de PIS/Pasep, referente ao quarto trimestre de 2003, decorrente de operações com o mercado externo, apurado sob o regime da não cumulatividade, a ser compensado com débito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – Estimativa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.295 3 (código 2484), do período de apuração de julho de 2004, conforme declaração de compensação Dcomp anexado à inicial, conforme depreendese da ementa de fl. 1601, in verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Quando não devidamente comprovadas, as despesas com a aquisição de bens, supostamente utilizados como insumos no processo produtivo da empresa, não ensejam a apuração de créditos do PIS/Pasep, segundo o regime nãocumulativo da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA DE BENS. A apropriação de créditos do PIS nãocumulativo correspondentes ao estoque de abertura de bens encerrase em novembro de 2003. IPI DESTACADO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. O IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o custo dos bens, para efeitos da apropriação de créditos no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS. DESPESAS FINANCEIRAS. Somente as despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil da pessoa jurídica, exceto de optante pelo SIMPLES, ensejam a apropriação de créditos no regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS, considerando a redação—da—Lei—n° 10.637/2002, até o início de vigência da Lei n° 10.865, de 2004. PIS/PASEP. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Quando se está a tratar da aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos ou na prestação de serviços destinados à venda, ou, ainda, fornecidos por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas não domiciliadas no País, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos do PIS. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. AVISO DE COBRANÇA. DRJ. INCOMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) apreciar recurso do contribuinte de caráter impugnatório a avisos ou cartas de cobrança. Solicitação Indeferida” Em razão da clareza e objetividade, por bem descrever detalhadamente os fatos envolvidos no recurso em apreço, peço vênia para transcrever, em parte, o relatório de fls. 3255/3256, nos seguintes termos: após efetuadas verificações por amostragem, constatouse que as receitasde exportação e operacional, informadas no Livro Registro de Saída de Mercadorias e constantes dos arquivos magnéticos enviados pela empresa em resposta a intimações contra ela formuladas, coincidem com os valores informados nos demonstrativos e planilhas de cálculo; também em relação à aquisição de mercadorias, matérias prima, insumos e custos, despesas e os encargos vinculados às receitas retro mencionadas que geram direito a crédito, encontramse as citadas aquisições escrituradas no Livro Registro de Entrada de Mercadorias e nos livros contábeis (Razão), constantes dos arquivos magnéticos encaminhados pelo interessado; entretanto, nas amostragens examinadas, foram detectadas algumas divergências de valores, discriminadas a seguir: Bens Utilizados como Insumos/Comprovação — há divergências entre os valores informados nas linhas 2 a 6 da Ficha 04 do Dacon (v. fls. 3249/3253) e os valores comprovados pelos arquivos magnéticos enviados pela empresa em resposta a intimações (de fls. 04/05, 216/904 e 2453) contra ela formuladas, contemplando a relação de notas fiscais de aquisição, utilizadas no cálculo do crédito do PIS nãocumulativo no trimestre (que se referem às aquisições de materiais e de serviços de pessoas jurídicas, de pessoas físicas, de cooperativas, e os gastos com fretes de materiais pagos a pessoas físicas, pessoas jurídicas e cooperativas), e cujos montantes encontramse sintetizados no "Resumo" de fl. 09, divergências essas, respectivamente, nos valores de R$ 2.762.777,88, R$ 9.875.943,13 e R$ 5.519.389,95, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; Crédito Presumido/Agroindústria — o contribuinte informou às fls. 08/09 que os valores_ constantes de seus registros eletrônicos correspondentes a "AquisiOW—deMateriaisPessoa____Física" compõem o "Crédito Presumido/Agoindústria", e, nesse sentido, como "Resumo", de R$ 51.928.798,67 (Mats/PF: 51.859.999,40 + PF/Serv: 68.799,27, v. fl. 09), é inferior ao valor de R$ 57.456.135,43, informado no Dacon para o mês de novembro de 2003 (na linha 18 da Ficha 04, v. fl. 3250), devese glosar a diferença (R$ 5.527.336,76), sendo que, com a aplicação da alíquota de 1,155% sobre o valor comprovado (R$ 51.928.798,67), chegase a um valor (R$ 599.777.62) que é inferior ao valor do "Crédito Presumido/Agjoindústria" utilizado no Dacon (R$ 663. Crédito Presumido/Estoque de Abertura — inobstante o contribuinte não houvesse computado nas memórias de cálculo do crédito a parcela relativa ao estoque de abertura correspondente ao mês de dezembro/2003 (vide "Resumo" de fl. 09), todavia, uma vez que o mesmo computou tal parcela no Dacon no referido mês (cf. linha 20 da Ficha 04, v. fl. 3251) e a cota correspondente a 1/12 da contribuição Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.296 5 incidente sobre os estoques se esgotou no mês de novembro/2003, impõese efetuar a glosa sobre o montante de R$ 480.767,94, por falta de previsão legal; IPI destacado na Aquisição de Insumos — o contribuinte computou nos custos dos insumos adquiridos o valor de R$ 81.379,33, que se refere ao IP1 destacado na nota fiscal n° 2749, de 07/11/2003 (v. fl. 961), que se constitui em tributo recuperável, não podendo, portanto, integrar o valor de aquisição dos bens ou mercadorias utilizados como insumos, conforme disposto no art. 1°, § 3°, Vb, da Lei n° 10.637/2002, e tal como consta do Manual Eletrônico do Dacon — versão 1.0, pág. 05 (linha 04/02), aprovado pela IN SRF n° 387/2004; também a IN SRF n° 404/2004, art. 8 0, § 3°, determina a impossibilidade de uso do tributo como custo, impondose, por conseguinte, a glosa do citado valor no mês de novembro de 2003; Aquisição de Insumos — observouse também que o contribuinte computou nos créditos, a título de custos dos insumos adquiridos, operação relativa a empréstimo, sujeita a devolução, formalizada mediante a emissão da nota fiscal n° 7841 (v. fl. 971), sob o CFOP 6.949 — "Outras Saídas", e que contém no seu quadro "Fatura/Condições de Pagamento" a expressão "Empréstimo", não se caracterizando, portanto, em operação de venda pela emitente e de aquisição pela destinatária (Sadia), com ofensa, portanto, ao art. 3 0, II, da Lei n° 10.637/2002 (valor glosado na base de cálculo de créditos: R$ 125.387,54, para o mês de outubro de 2003); Aquisição de Exterior — devem ser glosadas da base de cálculo de créditosdo PIS nãocumulativo as aquisições de insumos de fornecedor no exterior (fls. 3193/199), em desconformidade com a disposição legal (art. 3 0, § 3°, da Lei n° 10.637/2002), que permite apenas o cômputo de insumos adquiridos de pessoa jurídica estabelecida no território nacional, no valor de R$ 2.744.695,59 para o mês de outubro de 2003; Serviços Diversos — o contribuinte também computou como crédito, gastos relativos a despesas gerais correspondentes a serviços médicos e exames radiológicos ou de imagem, prestados por clínicas a empregados/diretores, despesas com encadernação de livros e com limpeza, tratandose, portanto, de gastos e desembolsos, que não se enquadram no conceito de "insumos" utilizados na produção de bens ou de serviços, caracterizandose como despesas normais e usuais, que não se incorporaram aos bens produzidos e deles dissociadas, sem arrimo, portanto, na Lei n° 10.637/2002, devendose proceder à sua glosa (respectivamente, R$ 143.908,25, e R$ 83.334,00, para os meses de outubro e novembro de 2003); Aquisições de não pessoas jurídicas — impõese efetuar a glosa sobre as parcelas de R$ 4.392.743,21, R$ 5.549.793,17, e R$ 3.256.502,26, correspondentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2003, que se referem a aquisições constantes das notas fiscais detalhadas no Anexo "A" do despacho decisório (fls. 2685/2728), cujos emitentes, todavia, não se constituem em pessoas jurídicas, não sendo possível a utilização do crédito correspondente a referidas compras, consoante §§ 2° e 3° do art. 3° da Lei n° 10.637/2002; Despesas Financeiras — relativamente aos créditos do PIS não cumulativo apropriados sobre "despesas financeiras", a análise dos registros do livro Razão às contas "3670201Desp.Financeiras Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Contratos de Financiamentos", "3670210Desp.FinanceirasI0E Comissões s/ Financiamentos", e "3670635Desp.FinanceirasTarifa de Contrato de Câmbio", evidenciou a apropriação de valores que não se caracterizam como receitas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, conceituadas no art. 374 doRIR/99 (Decreto n° 3.000/99), a exemplo de: despesas com repasse de custo — IOF cartão, diferença de custo — IOF cartão, pagamento de corretagem, despesas sobre prépagamento a instituição financeira, e despesa referente à anulação de aplicação de despacho aduaneiro, etc, sendo, portanto, passíveis de glosa os valores de R$ 1.782.577,23, R$ 79.783,98 e R$ 5.927,83, respectivamente, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; Despesas que não se constituem em Insumo — devem ser glosadas, respectivamente, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003, as despesas com aquisições de materiais de pessoas jurídicas (doações — APAE; despesas médicas com empregados; despesas diversas, em lojas de conveniência, de viagens, com supermercado, manutenção de veículos e máquinas industriais, etc v. fls. 3203/3209), nos valores de R$ 160.933,50, R$ 347.678,26 e R$ 171.701,52, para as quais não há vínculo entre os produtos vendidos pelo interessado e os correspondentes gastos; devem ser também glosadas as despesas com aquisições de serviços prestados por pessoas jurídicas, respectivamente, nos valores de R$ 4.532.824,70 (cf. Anexo 1, fls. 2729/2889), R$ 3.851.785,35 (cf. Anexo 2, fls. 2890/3031), e R$ 5.079.297,63 (cf. Anexo 3, fls. 3032/3187), que se referem a: despesas médicas; despesas com assessoria, planejamento e consultoria; despesas com segurança, vigilância e limpeza; despesas com telecomunicações; despesas ativáveis em construções; despesas de viagem e locomoção; despesas com conservação e manutenção; despesas diversas, tais como com encadernações, locação de veículos, serviços de limpeza de veículo/reparo de pneus; serviço de guincho, chapeação e pintura de veículo, serviços de locução de rádio, serviços de sinalização, tinta automotiva, restaurantes, refeições, lanches, panificadora, casas de carne, de peixes, com supermercados,_bebidas,suprimentos de informática e confecção de chaves e fotografias e imagens, brindes e mudanças, joalheria, decoração e lojas de vestuário, sindicatos, uma vez que somente podem ser considerados como insumos os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção dos serviços ou fabricação dos bens, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente na produção dos bens ou na produção dos serviços, sendo que, nos casos de desembolsos com gastos em construções que devem ser ativados, representados por projetos e mãodeobra na construção de instalações, ampliações ou reformas, efetuados a construtoras e empreiteiras, e de "despesas com manutenção de máquinas e equipamentos" dos quais resultem aumento de vida útil superior a um ano, como tais gastos contribuem para mais do que um exercício, devem os mesmos segundo a técnica contábil, serem ativados para futura depreciação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.297 7 Cientificada em 03/08/2009 (AR fl. 3265), a interessada protocolou o recurso de fls. 3266 e seguintes, em 02/09/2009, alegando, em síntese, que: Em relação ao item: "A) BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS — COMPROVAÇÃO Aduz que em que pese a Recorrente ter informado valor superior do crédito na DACON, a mesma utilizouse tão somente de valor que efetivamente restou apurado do crédito, não encontrando guarida o procedimento do Fisco no sentido de glosar eventual diferença. B) CREDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA E C) CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA. Ora, a Recorrente demonstrou à exaustão as aquisições de mercadorias, matériasprimas, insumos e custos, despesas e os encargos vinculados às receitas de exportação, que geraram direito ao crédito, não agindo de forma alguma em discordância com a legislação de regência. Como bem destacado no despacho decisório, os insumos foram adquiridos de pessoas físicas e não de pessoas jurídicas. Por tal razão, a ora Recorrente teria direto à dedução de crédito presumido no valor de 80% (oitenta por cento) nos moldes preconizados pelo artigo 3°, §§ 5° e 6°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 (MP nº 66/2002), senão vejamos: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam ou comercializem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 0504.00, 0710, 0712 a 0714, 1507 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 1517, 1701.11.00, 1701.99.00, 17.02.90.00, 1803, 1804.00.00, 1805.00.00, 2009, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 6o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 70% (setenta por cento) daquela constante do art. 2o; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Considerando os pontos supra levantados e o posicionamento adotado pela mais especializada doutrina pátria, há que se reconhecer à nulidade das exigências supracitadas. II. b) DA AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADE RELATIVA AO ITEM — "1 — IPI DESTACADO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS" nas notas fiscais relacionadas a aquisição dos insumos se tornou um custo/despesa para a mesma, razão pela qual se enquadra perfeitamente ao disposto no artigo 10 da Instrução Normativa n° 379/2003, verbis: "Art. 1° Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços a pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso I, do § 1° do art. 5° da Lei 10.637, de 2002 e do inciso I do § 6° da Lei 10.833, de 2003, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF) (...)" (grifos e destaques acrescidos do original) Portanto, sendo o IPI um custo suportado pela Recorrente no momento da aquisição dos insumos, resta para esta o direito de creditarse deste imposto para fins de dedução dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos moldes preconizados pela legislação supra. III DESPESAS FINANCEIRAS — DIREITO AO CRÉDITO III. a) AUSENCIA DE IRREGULARIDADES APONTADAS PELA DRF RELACIONADOS AOS SEGUINTES ITENS: "II — AQUISIÇÃO DE INSUMOS (EMPRÉSTIMOS)" E "VI — DESPESAS FINANCEIRAS (EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA)" Recorrente, na qualidade de pessoa jurídica, poderá descontar créditos, conforme determinação disposta no artigo 3°, inciso V, da Lei n° 10.637/2002, IV — DESPESAS E INSUMOS — ENTENDIMENTO EQUIVOCADO DO FISCO — DIREITO DA MANIFESTANTE AO CRÉDITO Argumenta que tal entendimento padece de fundamento, na medida que o conceito de insumo no que diz respeito às contribuições ao PIS e COFINS possuem conotação contrária ao dos impostos IPI e ICMS, como quer fazer crer o Ilustre Julgador Singular. A fim de esclarecer ainda mais a questão ora em discussão, a Recorrente valese das brilhantes palavras do Conselheiro do 1° Conselho de Contribuintes, Natanael Martins: “4. O Conceito de Insumos em face do PIS e da COFINS Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.298 9 Mas, no caso da Contribuição ao PIS e da COFINS, a materialidade do tributo vai além da atividade meramente mercantil, fabril ou de serviços, alcançando todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica. Não sem razão que o PIS e a COFINS "nãocumulativos" elegem outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil. Nesse contexto, a toda evidência, o conceito de insumo erigido pela nova sistemática do PIS e da COFINS não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Vale dizer para que se possa garantir a eficácia do §12 do art. 195 da Constituição Federal, o rol de operações passíveis de creditamento deveria ser interpretado de maneira extensiva ou entendido como tendo caráter meramente explicativo. Não obstante a Receita Federal relativamente a insumos consumidos na produção, tomando como paralelo, indevidamente, o conceito de insumos da legislação do IPI, na IN SRF 247/024, na redação da INSRF 358/03, disciplinou como tais, além dos próprios serviços consumidos na produção, apenas as matérias primas, os produtos 'intermediários e os materiais de embalagem aplicados no processo de produção, o que certamente provocará conflitos entre Fisco e Contribuintes, como já se pode observar em soluções de consulta já editadas por diversas divisões de tributação.” Assim, por exemplo, todos aqueles bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine mia non da Própria existência e/ou funcionamento estariam abrangidos, ensejando o direito ao respectivo creditamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo, pois a recorrente foi cientificada em 03/08/2009 (AR fl. 3265), tendo protocolado o recurso de fls. 3266 e seguintes, em 02/09/2009, bem como revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ do Rio Janeiro (II), que manteve parcialmente as glosas quanto ao aproveitamento de créditos de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 PIS/Pasep nãocumulativo do 4º trimestre de 2004, segundo a DRJ a recorrente apropriouse de crédito em valor superior ao devido, tendo se detectado ainda algumas divergências de valores, nas seguintes rubricas: Bens Utilizados como Insumos/Comprovação — há divergências entre os valores informados nas linhas 2 a 6 da Ficha 04 do Dacon (v. fls. 3249/3253) e os valores comprovados pelos arquivos magnéticos enviados pela empresa em resposta a intimações (de fls. 04/05, 216/904 e 2453) contra ela formuladas, contemplando a relação de notas fiscais de aquisição, utilizadas no cálculo do crédito do PIS nãocumulativo no trimestre (que se referem às aquisições de materiais e de serviços de pessoas jurídicas, de pessoas físicas, de cooperativas, e os gastos com fretes de materiais pagos a pessoas físicas, pessoas jurídicas e cooperativas), e cujos montantes encontramse sintetizados no "Resumo" de fl. 09, divergências essas, respectivamente, nos valores de R$ 2.762.777,88, R$ 9.875.943,13 e R$ 5.519.389,95, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; No recurso a Recorrente aduz que as glosas apontadas são improcedentes e ao mesmo tempo inexistentes, sustentando que a decisão recorrida não considerou como base para apuração dos créditos as aquisições de serviços (pessoa física e jurídica), conforme demonstrado através de planilhas, denominada "Resumo". Apesar de alegar a improcedência da glosa, citando inclusive planilhas, todavia, conforme constou da decisão recorrida, as glosas se referem às divergências encontradas pela Fiscalização entre os valores informados e os efetivamente comprovados, e, no recurso a recorrente não logrou afastar as divergências encontradas pela Fiscalização, devendo ser mantida a respectiva glosa. Crédito Presumido/Agroindústria — o contribuinte informou às fls. 08/09 que os valores_ constantes de seus registros eletrônicos correspondentes a "Aquisição de Materiais Pessoa Física" compõem o "Crédito Presumido/Agoindústria", e, nesse sentido, como "Resumo", de R$ 51.928.798,67 (Mats/PF: 51.859.999,40 + PF/Serv: 68.799,27, v. fl. 09), é inferior ao valor de R$ 57.456.135,43, informado no Dacon para o mês de novembro de 2003 (na linha 18 da Ficha 04, v. fl. 3250), devese glosar a diferença (R$ 5.527.336,76), sendo que, com a aplicação da alíquota de 1,155% sobre o valor comprovado (R$ 51.928.798,67), chegase a um valor (R$ 599.777.62) que é inferior ao valor do "Crédito Presumido/Agjoindústria" utilizado no Dacon . A glosa relativa ao crédito presumido/agroindústria, assegurado pelos §§10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, incluído pela Lei nº 10.684, de 30.05.2003 (e revogado pela Lei nº 10.925, de2004), contrariamente ao que é alegado no recurso, só foi glosada a diferença existente entre as aquisições relativas ao crédito presumido/agroindústria (R$51.928.798,67) e os valores informados no Dacon (R$57.456.135,43), resultando em uma diferença de R$5.527.336,76, consequentemente apurandose um crédito inferior em R$63.840,74 (5.527.336,76 x 1,155%), nos termos do art. 25, da Lei nº 10.6784/2003, só esta diferença foi glosada, devendo por isso ser mantida. Crédito Presumido/Estoque de Abertura — inobstante o contribuinte não houvesse computado nas memórias de cálculo do crédito a parcela relativa ao estoque de abertura correspondente ao mês de dezembro/2003 (vide "Resumo" de fl. 09), todavia, uma vez que o mesmo computou tal parcela no Dacon no referido mês (cf. linha 20 da Ficha 04, v. fl. 3251) e a cota correspondente a 1/12 da contribuição incidente sobre os estoques se esgotou no mês de novembro/2003, impõese efetuar a glosa sobre o montante de R$ 480.767,94, por falta de previsão legal; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.299 11 Da mesma forma procedeuse em relação ao "Crédito Presumido/Estoque de Abertura", o crédito total de R$ 480.767,94, representado pelas operações de mercado interno e de exportação no mês de dezembro de 2003 (v. linha 20 da Ficha 04 do Dacon, fl. 3251), também deve ser objeto de glosa, já que a apropriação do crédito presumido em questão, iniciada em dezembro de 2002, somente poderia se dar ao longo de 12 meses, encerrandose, portanto, em novembro de 2003, descabendo a apropriação do crédito presumido ora em comento para o mês de dezembro de 2003, consoante disposto nos dispositivos da Lei n° 10.637/2002 a seguir: Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3 º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1° de dezembro de 2002. § 1 O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. § 2° O crédito presumido calculado segundo os §§ 1° e 7° será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (gn) Importando frisar, porém, que nos termos do § 4º do art. 3º, da mesma lei, “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Portanto, correta a glosa levada a efeito em relação à apropriação do crédito presumido referente o mês de dezembro de 2003. IPI destacado na Aquisição de Insumos — o contribuinte computou nos custos dos insumos adquiridos o valor de R$ 81.379,33, que se refere ao IP1 destacado na nota fiscal n° 2749, de 07/11/2003 (v. fl. 961), que se constitui em tributo recuperável, não podendo, portanto, integrar o valor de aquisição dos bens ou mercadorias utilizados como insumos, conforme disposto no art. 1°, § 3°, Vb, da Lei n° 10.637/2002, e tal como consta do Manual Eletrônico do Dacon — versão 1.0, pág. 05 (linha 04/02), aprovado pela IN SRF n° 387/2004; também a IN SRF n° 404/2004, art. 8 0, § 3°, determina a impossibilidade de uso do tributo como custo, impondose, por conseguinte, a glosa do citado valor no mês de novembro de 2003; Segundo a Recorrente, "sendo o IPI um custo suportado pela manifestante no momento da aquisição de insumos, resta para esta o direito de creditarse deste imposto para fins de dedução dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal". Todavia, conforme bem registrou a decisão recorrida, pelo fato do IPI destacado tratrarse de um crédito recuperável pela empresa, não compõe a base de cálculo do PIS segundo a sistemática da nãocumulatividade, também não enseja o mesmo IPI a apropriação de seu valor na base de cálculo de créditos nãocumulativos da mesma contribuição (PIS). Havendo, inclusive, disposição normativa sobre o assunto, com expressa vedação à apropriação de crédito do PIS nãocumulativo, decorrente do IPI destacado na nota Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 fiscal de aquisição, conforme disposto no parágrafo 3°, do art. 66, da IN SRF n° 247/2002, a seguir transcrito, in verbis: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: 1— das aquisições efetuadas no mês: § 3º. O IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o custo das bens, para efeitos do disposto no inciso I.” Aquisição de Insumos — observouse também que o contribuinte computou nos créditos, a título de custos dos insumos adquiridos, operação relativa a empréstimo, sujeita a devolução, formalizada mediante a emissão da nota fiscal n° 7841 (v. fl. 971), sob o CFOP 6.949 — "Outras Saídas", e que contém no seu quadro "Fatura/Condições de Pagamento" a expressão "Empréstimo", não se caracterizando, portanto, em operação de venda pela emitente e de aquisição pela destinatária (Sadia), com ofensa, portanto, ao art. 3º, II, da Lei n° 10.637/2002 (valor glosado na base de cálculo de créditos: R$ 125.387,54, para o mês de outubro de 2003); Despesas Financeiras — relativamente aos créditos do PIS não cumulativo apropriados sobre "despesas financeiras", a análise dos registros do livro Razão às contas "3670201Desp.Financeiras Contratos de Financiamentos", "3670210Desp.FinanceirasI0E Comissões s/ Financiamentos", e "3670635Desp.FinanceirasTarifa de Contrato de Câmbio", evidenciou a apropriação de valores que não se caracterizam como receitas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, conceituadas no art. 374 doRIR/99 (Decreto n° 3.000/99), a exemplo de: despesas com repasse de custo — IOF cartão, diferença de custo — IOF cartão, pagamento de corretagem, despesas sobre prépagamento a instituição financeira, e despesa referente à anulação de aplicação de despacho aduaneiro, etc, sendo, portanto, passíveis de glosa os valores de R$ 1.782.577,23, R$ 79.783,98 e R$ 5.927,83, respectivamente, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003; Relativamente às aquisições de insumos decorrentes de empréstimo sujeita a devolução e despesas financeiras, as quais a Recorrente considera estarem os respectivos créditos assegurados pelo teor do disposto no art. 3º, V, da Lei nº 10.637, de 2002, todavia, de acordo com o referido dispositivo, que previa a geração de créditos decorrentes de empréstimos e operações financeiras, vigente nos períodos de apuração em apreço, posto que posteriormente alterado, no sentido de não mais prever a apropriação de créditos do PIS nãocumulativo, por força da Lei nº 10.865/2004 (em vigor a partir de 1º de maio de 2004), cuja redação era a seguinte: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.300 13 pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) ( V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (redação atual) As glosas relativas à rubrica “despesas financeiras” levadas a efeito pela fiscalização e mantidas pela decisão recorrida, se deram porque não se enquadram no conceito de “despesas financeiras” acima transcrito, tais como as “despesas de: repasse e diferença de custo IOF — Cartão, pagamento de corretagem, despesas sobre prépagamento a instituição financeira (Standard Bank London Ltda.), despesas referentes à anulação de aplicação de despacho aduaneiro”. Da mesma forma, as despesas apontadas pela recorrente como sendo decorrente de “empréstimo”, também não se enquadram no conceito de despesa financeira capaz de justificar o referido crédito, pois, o referido empréstimo se referiu especificamente, a "suplemento alimentar p/ produção de ração animal", não foi efetivamente adquirido pelo interessado, mas sim objeto de empréstimo, sem qualquer espécie de desembolso, o que pode ser constatado pela descrição constante do campo "Condições de Pagamento" do documento fiscal em questão, onde se lê a expressão "Empréstimo", não guardando qualquer semelhança com empréstimo financeiro ou mesmo financiamento. Aquisição de Exterior — devem ser glosadas da base de cálculo de créditos do PIS nãocumulativo as aquisições de insumos de fornecedor no exterior (fls. 3193/199), em desconformidade com a disposição legal (art. 3 0, § 3°, da Lei n° 10.637/2002), que permite apenas o cômputo de insumos adquiridos de pessoa jurídica estabelecida no território nacional, no valor de R$ 2.744.695,59 para o mês de outubro de 2003; Aquisições de não pessoas jurídicas — impõese efetuar a glosa sobre as parcelas de R$ 4.392.743,21, R$ 5.549.793,17, e R$ 3.256.502,26, correspondentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2003, que se referem a aquisições constantes das notas fiscais detalhadas no Anexo "A" do despacho decisório (fls. 2685/2728), cujos emitentes, todavia, não se constituem em pessoas jurídicas, não sendo possível a utilização do crédito correspondente a referidas compras, consoante §§ 2° e 3° do art. 3° da Lei n° 10.637/2002; Somente as aquisições de pessoas jurídicas domiciliadas no País garantem o direito ao crédito presumido de PIS nãocumulativo, conforme disposto no art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito, in verbis: "§ 3º. O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.” Desta forma não há reparos a ser feito na decisão recorrida, mantendose as referidas glosas. Serviços Diversos — o contribuinte também computou como crédito, gastos relativos a despesas gerais correspondentes a serviços médicos e exames radiológicos ou de imagem, prestados por clínicas a empregados/diretores, despesas com encadernação de livros e com limpeza, tratandose, portanto, de gastos e desembolsos, que não se enquadram no conceito de "insumos" utilizados na produção de bens ou de serviços, caracterizandose como despesas normais e usuais, que não se incorporaram aos bens produzidos e deles dissociadas, sem arrimo, portanto, na Lei n° 10.637/2002, devendose proceder à sua glosa (respectivamente, R$ 143.908,25, e R$ 83.334,00, para os meses de outubro e novembro de 2003); Despesas que não se constituem em Insumo — devem ser glosadas, respectivamente, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003, as despesas com aquisições de materiais de pessoas jurídicas (doações — APAE; despesas médicas com empregados; despesas diversas, em lojas de conveniência, de viagens, com supermercado, manutenção de veículos e máquinas industriais, etc v. fls. 3203/3209), nos valores de R$ 160.933,50, R$ 347.678,26 e R$ 171.701,52, para as quais não há vínculo entre os produtos vendidos pelo interessado e os correspondentes gastos; devem ser também glosadas as despesas com aquisições de serviços prestados por pessoas jurídicas, respectivamente, nos valores de R$ 4.532.824,70 (cf. Anexo 1, fls. 2729/2889), R$ 3.851.785,35 (cf. Anexo 2, fls. 2890/3031), e R$ 5.079.297,63 (cf. Anexo 3, fls. 3032/3187), que se referem a: despesas médicas; despesas com assessoria, planejamento e consultoria; despesas com segurança, vigilância e limpeza; despesas com telecomunicações; despesas ativáveis em construções; despesas de viagem e locomoção; despesas com conservação e manutenção; despesas diversas, tais como com encadernações, locação de veículos, serviços de limpeza de veículo/reparo de pneus; serviço de guincho, chapeação e pintura de veículo, serviços de locução de rádio, serviços de sinalização, tinta automotiva, restaurantes, refeições, lanches, panificadora, casas de carne, de peixes, com supermercados,_bebidas,suprimentos de informática e confecção de chaves e fotografias e imagens, brindes e mudanças, joalheria, decoração e lojas de vestuário, sindicatos, uma vez que somente podem ser considerados como insumos os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção dos serviços ou fabricação dos bens, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente na produção dos bens ou na produção dos serviços, sendo que, nos casos de desembolsos com gastos em construções que devem ser ativados, representados por Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13983.000138/200476 Acórdão n.º 330100.820 S3C3T1 Fl. 3.301 15 projetos e mãodeobra na construção de instalações, ampliações ou reformas, efetuados a construtoras e empreiteiras, e de "despesas com manutenção de máquinas e equipamentos" dos quais resultem aumento de vida útil superior a um ano, como tais gastos contribuem para mais do que um exercício, devem os mesmos segundo a técnica contábil, serem ativados para futura depreciação. Em relação aos itens acima relacionados, para o deslinde dessa questão das glosas promovida pela Fiscalização, cabe inicialmente aqui transcrever o art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, in verbis: Lei n°10.637/2002: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n°10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) Logo, a condição imposta para o aproveitamento dos créditos de PIS não cumulativo, gerados pela aquisição de insumos com incidência da contribuição, é o efetiva utilização do insumo no processo produtivo, não podendo o termo "insumo" ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tãosomente, aqueles bens/serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, sejam efetivamente aplicados na produção ou fabricação do produto. Assim sendo, sem razão a recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida em sua integralidade. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/08/20 11 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 19679.002680/2004-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Constatado que as pessoas indicadas
como dependentes do contribuinte enquadram-se nas situações definidas na lei que prevê o direito à dedução, deve ser reconhecida a regularidade da dedução.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.173
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer a dedução de dependente.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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DEPENDENTES. Constatado que as pessoas indicadas como dependentes do contribuinte enquadramse nas situações definidas na lei que prevê o direito à dedução, deve ser reconhecida a regularidade da dedução. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer a dedução de dependente. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório RINALDO RIBEIRO interpôs recurso voluntário contra acórdão daRJSÃO PAULO/SP II (fls. 58) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 17/18, que alterou o resultado da declaração de rendimetos apresentada pelo contribuinte de imposto a restituir de R$ 1.402,93 para imposto a pagar de R$ 1.556,22. O lançamento decorreu da glosa total do valor declarado como dedução de dependentes (R$ 7.832,00) e pela glosa parcial do valor declarado como despesas de instrução, que foi reduzido de R$ 5.126,54 para R$ 1.998,00. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual afirma que a dedução de despesa com instrução, sem a observância do limite legal, foi feita com amparo em liminar impetrada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, em vigor à época. O Contribuinte também expressa discordância com a glosa dos dependentes. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a dedução da despesa com instrução, a DRJ ressaltou que, como a matéria está em discussão no âmbito do Poder Judicial, descabe examinar a matéria em sede administrativa e, por outro lado, a medida judicial não impede a formalização da exigência por meio de auto de infração ou notificação de lançamento. Sobre os dependentes, a DRJ observou que o Contribuinte não apresentou nenhum comprovante do direito à dedução. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 02/10/2007 (fls. 6) e, em 24/10/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 66/67, que ora se examina e no qual expressa concordância com a glosa das despesas com instrução e reitera a discordância com a glosa dos dependentes. Sobre este último ponto, apresenta documentos comprobatórios das relações de dependência. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 19679.002680/200493 Acórdão n.º 220101.173 S2C2T1 Fl. 2 3 Como se colhe do relatório, permanece em discussão em sede recursal apenas a glosa de dependentes, eis que o Contribuinte expressou concordância com a glosa das despesas com instrução. Sobre o ponto em discussão, o Contribuinte se limita a apresentar os documentos comprobatórios das relações de dependências, o que não havia feito na impugnação. Segundo a declaração apresentada pelo Contribuinte, foram indicados como dependentes Robson Lima, Eliana Bosnick Lima, Renan Ribeiro Lima, Paula Bosnick Lima, Jéssica Bosnick Lima e Carolina Bosnic Lima. Foram declarados, portanto, 06 dependentes. Cumpre examinar, portanto, se estas pessoas, de fato, poderiam ser indicadas como dependentes do Contribuinte. Examinando os documentos de fls. 70/75, certidões de nascimentos e casamento, verificase que Robson Lima é pai do Recorrente, com mais de 65 anos; que Eliana Bosnick Lima é esposa do Recorrente e que os demais são seus filhos. Os documentos, portanto, comprovam as relações de dependência e o direito à dedução. Nestas condições, deve ser restabelecida a dedução, como dependente, conforme declarado. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução de dependente. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 08/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002845/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2000
COFINS E PIS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS
ANTECIPADOS. AUSÊNCIA.
Em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991,
reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula
Vinculante nº 8, de 2008, aplicamse
às contribuições sociais os prazos de
decadência previstos no CTN. Ainda que não haja pagamentos antecipados, o
prazo iniciase
na data do fato gerador da obrigação tributária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-000.877
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os
Conselheiros José Antonio Francisco (Relator) e Walber José da Silva, que davam provimento
parcial ao recurso. Designado o Conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2000 COFINS E PIS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. AUSÊNCIA. Em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante nº 8, de 2008, aplicamse às contribuições sociais os prazos de decadência previstos no CTN. Ainda que não haja pagamentos antecipados, o prazo iniciase na data do fato gerador da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. AUSÊNCIA. Em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante nº 8, de 2008, aplicamse às contribuições sociais os prazos de decadência previstos no CTN. Ainda que não haja pagamentos antecipados, o prazo iniciase na data do fato gerador da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco (Relator) e Walber José da Silva, que davam provimento parcial ao recurso. Designado o Conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 305 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Alan Fialho Gandra Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 285 a 300) apresentado em 13 de maio de 2009 contra o Acórdão no 1518.690, de 18 de março de 2009, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 277 a 283), cientificado em 16 de abril de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro de 2000 a março de 2001, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2001 COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no Código Tributário Nacional. Para fins de cômputo do prazo decadencial qüinqüenal, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN. ESCRITURAÇÃO FISCAL. REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no Lucro Presumido podem adotar o regime de caixa para fins de incidência da Cofins, desde que a escrituração do Livro Caixa obedeça aos requisitos previstos na legislação de regência. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta e ou insuficiência de recolhimentos da contribuição, decorrente de exclusões da base de cálculo não autorizadas na legislação, ou não comprovadas, correto o lançamento de ofício para exigência do crédito tributário apurado a partir dos registros contábeis e declarações da contribuinte. MULTA AGRAVADA Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 306 3 Nos termos da legislação de regência, o desatendimento a intimações fiscais dá ensejo ao agravamento da multa de ofício, § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2001 PIS. DECADÊNCIA Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no Código Tributário Nacional. Para fins de cômputo do prazo decadencial qüinqüenal, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN. Tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do código. ESCRITURAÇÃO FISCAL. REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no Lucro Presumido podem adotar o regime de caixa para fins de incidência da Contribuição para o PIS, desde que a escrituração do Livro Caixa obedeça aos requisitos previstos na legislação de regência. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta e ou insuficiência de recolhimentos da contribuição, decorrente de exclusões da base de cálculo não autorizadas na legislação, ou não comprovadas, correto o lançamento de ofício para exigência do crédito tributário apurado a partir dos registros contábeis e declarações da contribuinte. MULTA AGRAVADA Nos termos da legislação de regência, o desatendimento a intimações fiscais dá ensejo ao agravamento da multa de ofício, § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 30 de novembro de 2005, de acordo com os termos de fls. 32 e 33, 84 a 86 (Cofins) e fls. 212 a 215 (PIS). A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração (fls. 80/82 e Demonstrativos de fls.83/90), para exigir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins referente ao período compreendido entre janeiro/2000 e março/2001, no valor de R$452.077,61, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 307 4 Em face da edição da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, o processo nº10530.002847/200515 foi juntado por anexação ao presente, que ora também pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (Auto de Infração fls.209/219), relativa aos mesmos períodos de apuração acima relacionados, no valor de R$97.959,66, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A infração relatada no auto de infração corresponde à falta de recolhimento ou pagamento da contribuição. Para o no ano calendário de 2000, informa que a contribuinte deixou de declarar nas DCTF, receitas tributadas, apuradas a partir do confronto entre as cópias das declarações de apuração mensal do ICMS DMA, obtidas através do Convênio Cooperação Técnica entre a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e a Secretaria da Receita Federal, deduzidas as devoluções, e as receitas declaradas nas DCTF, para as quais a contribuinte, em correspondência datada de 20/10/2005, alega que decorriam de contabilização diferenciada, regime de competência para a DMA e regime de caixa para a DIPJ, não logrando, contudo apresentar qualquer demonstrativo que sustentasse suas alegações. Para o ano de 2001, utilizouse do demonstrativo apresentado pelo contribuinte, acrescido das receitas informadas nas DIRF. Com base no art.44, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996, relativamente ao anocalendário de 2000, foi lavrada a multa agravada para 112,5%. O enquadramento legal do lançamento para exigência da Cofins aponta infração ao art.1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações da Medida Provisória nº1.807, de 1999, e reedições, com as alterações da Medida Provisória nº1.858, de 1999 e reedições. Quanto ao PIS, consta no enquadramento, os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 07 de setembro de 1970; art.2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715, de 1998; arts. 2º e 3º da Lei nº9.718, de 1998. Cientificado das exigências em 30/11/2005 (Cofins, fl.80, e PIS, fl.209), o contribuinte apresentou impugnações aos lançamentos em 28/12/2005 (fls. 94/106Cofins e fls. 223235PIS), alegando em síntese que: • Preliminarmente pugna pela decadência parcial do crédito tributário com origem no auto de infração datado de 29/11/2005 com notificação em 30/11/2005, para fatos geradores do tributo de janeiro a outubro de 2000; • Transcreve jurisprudência e ementas dos Conselhos de Contribuintes que entende apoiar sua alegação, de que a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral prevista no art.173 do CTN para §4º do art.150 deste mesmo Código, a ocorrência do fato gerador é estabelecida em Lei Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 308 5 nº9.718, de 27/11/1998, mensalmente, a medida em que aufere receitas; • Quanto ao mérito, no período de janeiro a dezembro de 2000, a autuada optou pela tributação com base no Lucro Presumido (conforme doc. Em anexo), conseqüentemente, a receita submetida à tributação das contribuições para o período pautou se no regime de caixa, o fato gerador ocorre quando do efetivo recebimento das faturas emitidas que suportaram as vendas; • O auditor utilizou como base de cálculo da autuação as informações extraídas da DMA/SEFAZ, haja vista que no exercício de 2000 a autuada tinha sua escrituração contábil com base no Livro Caixa, porém quando intimada informou a autoridade fiscal o procedimento utilizado, fls.28/30; • Visando dirimir qualquer dúvida, efetuou um demonstrativo para fins de comparação entre os demonstrativos apurados pela fiscalização às fls.83/84 e o presente, detalhando todas as operações das vendas e as correspondentes exclusões, IPI e devoluções, as quais não foram consideradas, conforme inciso I, §2º, art.3º, da Lei nº9.718, de 1998, segundo o regime de competência, apesar de em 2000 ter optado pelo Lucro Presumido, tendo sido tal demonstrativo entregue a fiscalização, porém não anexada aos autos, vindo a reproduzilo na impugnação, para obtenção da base de cálculo das contribuições em 2000, processando as informações no Livro Caixa, erro material no cálculo; • Em 2000 houve o agravamento da multa para 112,5% com base no art.959 do RIR/99, mas no ano de 2000 optou pelo Lucro Presumido, estava obrigada a escrituração do Livro Caixa e por este motivo não possuía escrituração contábil contendo o Livro Razão solicitado, mas não deixou de prestar informações à autoridade fiscal, como é o caso da intimação datada em 14/10/05 entregue em 01/11/2005 (fls.28/30), não se aplicando o agravamento porque não possuía Sistema Escritural Eletrônico previsto nos arts.265, 266 e 267 do RIR/99 e não estava submetida ao regime de apuração do lucro real, conforme acórdãos que transcreve; • Requer retirar dos autos os valores indevidos: de janeiro a outubro/2000, alcançado pela decadência, haja vista a notificação em 30/11/2005; mesmo utilizandose do regime de competência, houve erro material por não ter havido a exclusão dos valores autorizados pela legislação: o IPI sobre as vendas e as devoluções; não existe prova nos autos da ausência de informação deliberada pela autuada, haja vista que não estava obrigada a escrituração do Livro Razão por ser optante do Lucro Presumido no exercício de 2000. Os débitos do PIS foram transferidos no Sistema RFB Profisc para o presente processo, conforme despacho de fl.249 e extratos de fls.250/254. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 309 6 A contribuinte, em setembro/2006 (fl.258), solicitou, para efeito do que dispõe a Medida Provisória nº 303, de 29/06/2006, a desistência parcial da impugnação/recurso, para inclusão dos débitos do PIS e da Cofins dos períodos de apuração de 11 e 12/2000 e 01, 02 e 03/2001 no parcelamento PAEX (fl.274), os quais foram transferidos para o processo 16151.000576/200687 (fl.257 e extratos PROFISC de fls.260/261), permanecendo para análise os débitos constantes do PROFISC de fls.262/271." No recurso, a Interessada alegou inicialmente, a decadência de parte do lançamento, sustentando a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN ainda que não tenha havido pagamento antecipado, conforme acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que cita. No mérito, alegou que no período de janeiro a dezembro de 2000 optara pelo lucro presumido (fls. 60 a 71 dos autos, segundo alega), ficando as contribuições sociais sujeitas ao regime de caixa. Assim, a apuração fiscal, que adotou o regime de competência, conteria erro material. Ademais, “Na comparação do demonstrativo indicado no item 2.6 acima, preparado pela Autuada segundo o Regime de Competência e o demonstrativo da Fls. 83 e 84 do processo preparado pelo Auditor Fiscal, saltase aos olhos a ausência das exclusões das devoluções e do IPI, constantes do inciso I,§2°, art. 30 da Lei n° 9.718/98”. Contestou o agravamento da multa para 112,5%, alegando não haver deixado de prestar informações à autoridade fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à decadência, o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20 de junho de 2008, do seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A Súmula teve origem no julgamento do RE nº 559.8829, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, que reconheceu as referidas inconstitucionalidades. O texto da decisão que tratou da modulação temporal dos efeitos da decisão foi o seguinte (http:// www.stf.gov.br/ portal/ processo/ verProcessoTexto.asp? id= 2393382&tipoApp= RTF): Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 310 7 esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 12.06.2008. A decisão, portanto, atribuiu efeito preclusivo aos casos não litigiosos na data da decisão, aplicandose aos casos em julgamento. A referida súmula, nos termos da Emenda Constitucional nº 45, de 2004, art. 2º, tem efeito vinculante “em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal [...]”. Portanto, aplicase ao PIS, em princípio, o prazo o art. 150, § 4º, do CTN, a não ser que não tenha havido pagamento antecipado, hipótese que desloca o termo inicial do prazo para o estabelecido no art. 173, I, do CTN. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. No caso dos autos, não houve recolhimento dos valores, razão pela qual se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em relação ao regime de apuração e à exclusão do IPI da base de cálculo, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, que abaixo reproduzo, uma vez que a Interessada não trouxe, além de demonstrativos, prova material do que foi alegado: Quanto ao IPI, verificase que de fato caberia sua exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, analisandose a DIPJ do exercício 2001, anocalendário 2000, temse que não consta na declaração valores declarados de IPI (fls.60/68), não tendo a interessada apresentado o Livro Fiscal de Apuração e Registro de IPI que viesse amparar suas pretensões. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 311 8 [...] No caso específico, alega a interessada que houve um descompasso entre as receitas informadas ao Estado nas DMA, que seguiram o regime de competência, e os valores declarados a Secretaria da Receita Federal, os quais obedeceram ao regime da caixa, que determina o momento da escrituração quando do ingresso de dinheiro no caixa por conta dessa venda. Apesar de apresentar tais argumentos para justificar as diferenças encontradas ainda na fase de fiscalização, a interessada não logrou comprovar o alegado e que os procedimentos adotados seguiam os ritos previstos na legislação aplicável, escrituração do Livro Caixa indicando a nota fiscal correspondente a medida em que ocorreram os recebimentos. O fato de adotar o regime de caixa não retira a materialidade para a concretização da hipótese de incidência do PIS/Cofins, conforme legislação transcrita. As exclusões foram exaustivamente tratadas no art.3º da lei pelo legislador ordinário. Não ficando comprovado o recebimento posterior e o respectivo cômputo da receita quando do seu recebimento, com vinculação à nota fiscal que lhe deu origem, é de se considerar procedente o lançamento para exigência da contribuição declarada e/ou recolhida com falta ou insuficiência. Entretanto, em relação ao agravamento da multa, a Fiscalização apenas justificou sua aplicação pelo argumento de que, “Com base no art. 44, parágrafo 2°, da Lei 9.430/96, para as infrações relativas ao anocalendário de 2000, a multa foi agravada para 112,5%.” A argumentação desenvolvida no acórdão de primeira instância, que apresentou um histórico de intimações e reintimações, não constou da fundamentação original. Dessa forma, o agravamento não foi suficientemente fundamentado no auto de infração, não podendo ser suprida tal falta pelos fundamentos do acórdão de primeira instância. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar o agravamento da multa de ofício. Sala das Sessões, em 01 de março de 2011 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, RedatorDesignado quanto a decadência do período de apuração de 01/01/2000 a 31/10/2000. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 312 9 Data vênia o posicionamento defendido por outros julgadores deste Conselho, entendo que o início do prazo decadencial citado acima independe de ter ou não havido pagamento, conforme previsto no artigo 150, §§ 1º e 4º; em razão de tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Façamos uma análise jurídica de nosso sistema tributário. O Código Tributário Nacional adotou três modalidades distintas de apuração de tributos, sendo elas: modalidade por declaração (artigo 147), modalidade de ofício (artigo 149) e modalidade por homologação (artigo 150). A sistemática de apuração por homologação – que é a mais utilizada nos dias atuais é regida pelo artigo 150 do Código Tributário Nacional, o qual, em seu parágrafo 4º, impõe à Autoridade Administrativa o prazo de 5 (cinco) anos para homologação dos procedimentos adotados pelo particular. No silêncio do Fisco, uma vez decorrido o prazo em questão, os lançamentos são tacitamente homologados. Neste particular é imperioso reconhecer que a homologação não é do pagamento do tributo, mas sim do seu lançamento. Uma vez estando o tributo lançado, nada – exceto a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação justifica o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para o artigo 173 do Código Tributário Nacional – CTN. E no presente caso não há sequer menção à comportamento doloso, fraudulento ou simulado, razão pela qual a conduta da Recorrente não está tipificada no artigo 173 do CTN. Contrario sensu, é inquestionável o fato de que o PIS e COFINS são tributos e estão sujeitos à apuração por homologação, sendolhes aplicáveis, pois, as disposições do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Neste sentido já se pronunciou a C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões assim ementadas, verbis: “CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, ‘b’, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, ‘b’, da Constituição Federal.” (Recurso Especial nº107133.941, Acórdão nº CSRF/0105.473, sessão de 19.06.06) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10530.002845/200518 Acórdão n.º 330200.877 S3C3T2 Fl. 313 10 Vale ressaltar, ainda, que o Pleno do Conselho de Contribuintes (antiga denominação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), em dezembro/2008, consolidou o entendimento que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pela Fazenda Nacional tem seu início no mês seguinte à ocorrência do fato gerador, independente da realização do pagamento, nos termos dos § 1º e 4º do artigo 150 do CTN. (RE 201121531 Processo 10980.003190/200254; RE 201122746 Processo 10280.005672/00 21; RE 201123568 Processo 13891.000209/0029; RE 301125569 Processo 10805.002709/9824). Desta forma, não há meios de se manter a exigência em relação aos fatos geradores anteriores a outubro/2000 (inclusive), uma vez que estão decaídos eis que a ciência do auto de infração ocorreu em 30/11/2005. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do PIS e COFINS relativa ao período compreendido entre 01/01/2000 a 31/10/2000. (ASSINADO DIGITALMENTE) Alan Fialho Gandra Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 21/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 10580.006118/2004-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO.
É de 30 (trinta) dias o prazo de interposição do recurso voluntário, nos termos do artigo 33 do Decreto n. 70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.177
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 17883.000234/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
Ementa:
PEDIDO DE PARCELAMENTO. RECURSO. VIA INADEQUADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso na parte em que o Recorrente formula pedido de parcelamento.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não às penalidades.
Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais” (Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.098
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer em parte do recurso e, nessa parte, negarlhe
provimento, nos termos do voto do
relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: PEDIDO DE PARCELAMENTO. RECURSO. VIA INADEQUADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso na parte em que o Recorrente formula pedido de parcelamento. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não às penalidades. Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Recurso negado.
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RECURSO. VIA INADEQUADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso na parte em que o Recorrente formula pedido de parcelamento. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplicase aos tributos e não às penalidades. Ademais, a aferição do argumento da contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF n. 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, nessa parte, negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 17883.000234/200665 Acórdão n.º 210101.098 S2C1T1 Fl. 9.4 2 (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Maria Paula Farina Weidlich (convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 60) interposto em 04 de março de 2010 contra acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) (fls. 55/56), do qual o Recorrente teve ciência em 11 de fevereiro de 2010 (fl. 59), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 31/34, lavrado em 12 de dezembro de 2006, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, com instrução, pensão judicial e previdência privada, verificadas nos anos calendário de 2003 e 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003, 2004 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, consoante previsão do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 17883.000234/200665 Acórdão n.º 210101.098 S2C1T1 Fl. 10.4 3 Uma vez constatada infração à legislação tributária, o crédito apurado somente pode ser satisfeito com a multa do lançamento de oficio expressamente prevista em lei para o pagamento do tributo a destempo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 55). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 60), requerendo a reconsideração do quanto decidido, a fim de que seja excluído o lançamento da multa arbitrada e eventuais juros moratórios, para cobrança apenas da receita principal, bem como o parcelamento do crédito tributário constituído. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Inicialmente, necessário se faz salientar que o presente recurso, no que tange ao requerimento de parcelamento do crédito tributário, não pode ser conhecido, por falta de interesse recursal, uma vez que esta não é a via adequada para referido pedido. Ainda nesse sentido, cumpre destacar que, de acordo com o art. 25 do Decreto n.º 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, a competência desse Conselho é para julgamento de processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ora, o pedido de parcelamento não está abrangido pelo processo de determinação e exigência do crédito tributário. Ademais, devese esclarecer que a competência desta 2ª. Seção está definida no art. 3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; conforme se verifica, não compete ao Conselho manifestarse, em sede de recurso, a respeito de pedido de parcelamento. Resta, portanto, analisar o pedido de exclusão da multa arbitrada e eventuais juros moratórios, para cobrança apenas da receita principal. Nessa parte, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Com relação à argüição de inconstitucionalidade da multa de ofício por violação ao art. 150, IV, da Lei Maior, temse que igualmente insubsistente. Cabe afirmar, ab initio, que o princípio da vedação ao confisco, tal como explicitado no art. 150, IV, da Constituição Federal, impede a cobrança confiscatória de tributos e não de penalidades. Nessa esteira, é bem de ver que, a teor do que se extrai do art. 3º do Código Tributário Nacional, “tributo é toda prestação pecuniária, em moeda, ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 17883.000234/200665 Acórdão n.º 210101.098 S2C1T1 Fl. 11.4 4 Ora, se o conceito de tributo, como preleciona o CTN, não abrange sanções de atos ilícitos, temse que as normas relativas a tributos não se estendem às penalidades, por tratarem de objetos absolutamente distintos. Confirase, neste ponto, a jurisprudência firmada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, ora CARF: “MULTA DE OFÍCIO É correto o lançamento da multa de ofício, como sanção por descumprimento da legislação tributária, o que não se confunde nem resulta do conceito de "caráter confiscatório" que é dirigido a tributos e não a penalidades.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 134.381, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 14/04/2004) “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO É correta a exigência, e de conseqüência, a cobrança da multa de lançamento de ofício, quando o dever legal venha de ser cumprido por iniciativa da autoridade administrativa, fato que não se confunde com o conceito de ‘caráter confiscatório’.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 133.777, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 05/11/2003) Não bastasse essa razão, por si só suficiente para rejeitar o pleito do Recorrente, vale ressaltar que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que, como se viu, é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula n. 2 do CARF. Por derradeiro, cumpre salientar a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, consoante jurisprudência mansa e pacífica firmada por este e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, traduzida na Súmula de n.º 04: Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Eis o motivo pelo qual voto no sentido de conhecer em parte do recurso e, nessa parte, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 17883.000234/200665 Acórdão n.º 210101.098 S2C1T1 Fl. 12.4 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001695/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO.
SAT. INCRA. SEBRAE.
A compensação não pode ser realizada em razão de suposta
inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário de forma definitiva.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à
constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SAT. INCRA. SEBRAE. A compensação não pode ser realizada em razão de suposta inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário de forma definitiva. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 159 1 158 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001695/200713 Recurso nº 257.242 Voluntário Acórdão nº 230102.189 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria Cooperativa de Tabalho Recorrente BL BITTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SAT. INCRA. SEBRAE. A compensação não pode ser realizada em razão de suposta inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário de forma definitiva. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 160 2 redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damiao Cordeiro de Moraes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 08/12/2006, em desfavor de BL BITTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA., correspondente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor dos serviços prestados por cooperados, por intermédio da Unimed de Limeira Cooperativa de Trabalho Médico. Relata o AFRFB, em seu Relatório Fiscal de fls. 22/25, que se trata de contrato coletivo de serviços médicos e hospitalares celebrado entre a empresa notificada e a Unimed Limeira Cooperativa de Trabalho Médico, que garante aos usuários assistência médica de natureza clínica e cirúrgica através dos médicos cooperados, serviços auxiliares de diagnóstico, terapia e rede hospitalar credenciadas pela UNIMED. Salienta, ademais, que o lançamento de crédito está devidamente embasado no disposto no inciso IV, do art. 22, da Lei n° 8.212/91, acrescentado pelo art. 1°, da Lei 9.876/99. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fls. 68/95, tendo sido proferido acórdão de fls. 105/112, que julgou procedente o lançamento, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. JUROS E ACRÉSCIMOS LEGAIS. COMPENSAÇÃO. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 161 3 Ocorrido o fato gerador das contribuições previdenciárias, exsurge o dever de recolher as respectivas contribuições previdenciárias, descontandoas dos segurados empregados a seu serviço e repassandoas aos cofres públicos. É devida a contribuição a cargo da empresa incidente sobre os valores de serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho. Aplicabilidade dos percentuais de multa e juros de mora, de acordo com a legislação de regência, às contribuições sociais em atraso. Não cabe à instância administrativa manifestarse acerca de inconstitucionalidade de Lei, cujo julgamento é prerrogativa dos Tribunais Federais. O exercício do direito de compensação depende da existência do crédito titularizado pelo sujeito passivo, não podendo este, sponte própria, inferilo e proceder à autocompensação. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 116/144, alegando, em síntese: a) Que a tributação decorrente das faturas de mãodeobra prestadas por cooperados, tendo como base de cálculo o total bruto das faturas de serviços, não tem previsão constitucional; b) Que o crédito cobrado é indevido, haja vista que fora compensado com valores credores apurados, tais como pagamentos indevidos da contribuição salárioeducação, SAT, SEBRAE e INCRA; c) Que a multa imposta tem caráter indevido, haja vista a declaração do débito, a denúncia espontânea e, ainda, a compensação do crédito cobrado consoante autoriza a Lei 8.383/91; d) Que a multa deve ser certa e líquida para que goze de presunção de validade, pois a sua progressividade leva a majoração da alíquota somente permitida naqueles impostos previstos como progressivos; e) Que somente seria possível a aplicação da Taxa SELIC se seus juros fossem correspondessem a 1% (um por cento), conforme dispõe o §1° do art. 161 do CTN; Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 162 4 Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da impossibilidade de analisar inconstitucionalidade de contribuições previdenciárias do salárioeducação, SAT, INCRA e SEBRAE. Ilegalidade na compensação O contribuinte alega que procedeu à compensação de contribuições recolhidas indevidamente a título de salárioeducação, SAT e das contribuições destinadas aos terceiros INCRA e SEBRAE, contudo, tal argumento não encontra fundamento na legislação vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. O Regulamento da Previdência Social também dispõe sobre a compensação de contribuições previdenciárias nos seguintes termos: Art. 247. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social, arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. No caso dos autos, não restou comprovado que o contribuinte tivesse recolhido valores indevidamente que suscitassem compensação. Isto porque a cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, tendo o STF publicado a Súmula de n ° 732, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIO EDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Portanto, totalmente inócua a alegação da ora recorrente de que procedeu a compensações por valores recolhidos indevidamente a título de salárioeducação. Quanto ao argumento da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, verifico que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 163 5 Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto enquadramento em qualquer tempo. (...) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 164 6 § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementam passo a transcrever: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei. O Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que esta contribuição tem natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 165 7 Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócio econômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 166 8 A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art. 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 167 9 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 168 10 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Outrossim, cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 169 11 “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Neste diapasão, não sendo possível aos órgãos administrativos reconhecer inconstitucionalidade de norma, qualquer compensação considerando como crédito os valores supostamente inconstitucionais é indevida, já que sem qualquer respaldo para afastar a incidência das contribuições. Ocorrendo essa hipótese, os valores compensados serão glosados pelo Fisco, tendo em vista a presunção de legalidade da lei, cuja aplicação somente pode ser afastada quando for declarada sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta; quando for publicada resolução do Senado Federal que suspensa a sua execução; ou ainda quando for proferida decisão no caso concreto, afastando a aplicação da norma por inconstitucionalidade ou ilegalidade, e a extensão dos efeitos da decisão seja autorizada pelo Presidente da República. Por outro lado, ainda que fossem inconstitucionais as contribuições apontadas, não poderia haver a compensação, tendo em vista que, em se tratando de contribuições destinadas a terceiros, o INSS e, atualmente a Receita Federal, apenas é responsável pelo recolhimento, sendo os valores transferidos aos órgãos correspondentes, não sendo possível a devolução pelo Fisco de montante do qual não mais dispõe. Não é por outra razão que o art. 249, do RPS dispõe que “somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, valor decorrente das parcelas referidas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195”, não englobando as contribuições destinadas a Terceiros. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 170 12 A Instrução Normativa nº 3/2005 também dispunha, no art. 193, I, que a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos, vedando expressamente a possibilidade de compensar as contribuições previdenciárias devidas com valores destinados a outros fundos. Por todo o exposto, não há que se falar em inconstitucionalidade, menos ainda em compensação de contribuições recolhidas indevidamente. Da alegação de inconstitucionalidade da contribuição sobre valores pagos às cooperativas e da progressividade da multa O contribuinte insurgese contra a contribuição sobre os valores pagos às cooperativas, aduzindo que “a criação desta nova contribuição social devida sobre as faturas de prestação de serviços de mãodeobra prestados por cooperados, sob qualquer ângulo que seja avaliada, não possui amparo constitucional”. Outrossim, opõese à progressividade da multa, sob o fundamento de que representa uma majoração do tributo, permitida apenas naqueles tributos previstos na CF/88, que são postos de maneira taxativa. Conforme já demonstrado no item supra, a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Portanto, não merecem prosperar os argumentos expostos pelo ora recorrente. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 171 13 Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa aplicada No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001695/200713 Acórdão n.º 230102.189 S2C3T1 Fl. 172 14 Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000618/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/07/2007
Ementa:
SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a
remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam que a parcela não integra o salário de contribuição.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/07/2007 Ementa: SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado
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Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam que a parcela não integra o saláriodecontribuição. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13976.000618/200779 Acórdão n.º 230201.177 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 01/11/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 05/11/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de auxílioeducação, nas competências de 03/2004 a 07/2007. O relatório fiscal de fls. 76/79, traz que os valores foram pagos aos segurados lotados no setor administrativo para custear as despesas relativas a curso superior, sendo por isso considerado salário de contribuição. Após a impugnação, Acórdão de fls. 148/149, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo arguindo em síntese: a) que os valores pagos não configuram salárioindireto porque não tem natureza salarial, não retribuem trabalho; b) que o auxílio é extensivo a todos os segurados, o que comprova com os documentos anexos: o manual do colaborador e a carta circular que dispõe sobre a política de concessão de auxílioescolar; c) que o fato de ser concedido o auxílio somente para os funcionários admitidos a mais de uma ano, não desvirtua a natureza indenizatória do pagamento, o que é corroborado pela jurisprudência a que se refere. Requer o provimento do recurso pelas razões expostas, que demonstram a legalidade do procedimento adotado pela recorrente. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Referese o lançamento ao custeio de despesas com curso superior dos funcionários, com mais de um ano de atividade, lotados no setor administrativo da empresa recorrente. Os documentos trazidos por ora da defesa, às fls. 105 a 138, comprovam que foram pagos cursos de nível superior em direito, administração, tecnologia em gestão de negócios e ciências contábeis. A questão de mérito reside no fato dos valores pagos para custear o ensino superior integrar ou não a remuneração dos segurados empregados da recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13976.000618/200779 Acórdão n.º 230201.177 S2C3T2 Fl. 3 5 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13976.000618/200779 Acórdão n.º 230201.177 S2C3T2 Fl. 4 7 não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, pois o que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Como se pode depreender da análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica. O curso de capacitação profissional também não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. Concluise portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente ao plano de ensino superior teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de ensino superior aos funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o seu ensino. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação superior possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Como visto, é despicienda a análise de extensão a todos os segurados da empresa, pois a verba relativa a ensino superior integrará em qualquer hipótese o saláriode contribuição. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Nesse contexto, os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13976.000618/200779 Acórdão n.º 230201.177 S2C3T2 Fl. 5 9 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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