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Numero do processo: 10865.003784/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/12/2009
Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.186
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/12/2009 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Recorrente CERAMICA FORMIGRES LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO SP Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/12/2009 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003784/200958 Acórdão n.º 230201.186 S2C3T2 Fl. 115 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 2004 a dezembro de 2007, conforme fls. 05 a 07. Às fls. 72 a 80, a autuada apresenta impugnação ao lançamento fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão de fls. 89 a 95, mantendo o lançamento na integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 102 a 110. Alega em síntese que: a) O auditor aplicou dispositivo legal já revogado; b) O número de segurados não corresponde aos beneficiados; c) A multa com efeito confiscatório é inconstitucional; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 113. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que o Auditor Fiscal teria aplicado dispositivo legal já revogado, não confiro razão à recorrente. Conforme expressamente consignado no relatório fiscal, fl. 05, houve indicação dos dispositivos aplicados, nestas palavras: Desta forma, deixou de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de calculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS a que se refere a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, § 9°, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com redação dada pela Medida Provisória 449, de 03.12.2008, combinado com o art. 32A da Lei n° 8.212, de 24.07.91, acrescentado pela Medida Provisória 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n° 11941 de 27/05/2009. Na aplicação da multa utilizouse a retroatividade prevista no art. 106 do CTN. Entretanto, entendo que a aplicação foi realizada de forma equivocada pelo órgão previdenciário. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003784/200958 Acórdão n.º 230201.186 S2C3T2 Fl. 116 5 I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.003784/200958 Acórdão n.º 230201.186 S2C3T2 Fl. 117 7 Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10865.001660/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/03/2006
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN.
REMUNERAÇÃO DECLARADA EM FOLHA DE PAGAMENTO E/OU GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a
remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.933
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recorrente ALLIANCE COMÉRCIO DE FRUTAS E VERDURAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/03/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM FOLHA DE PAGAMENTO E/OU GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001660/200776 Acórdão n.º 230101.933 S2C3T1 Fl. 442 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a Empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 56/58), constitui fato gerador das contribuições lançadas o pagamento de remuneração aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à notificada. A autoridade notificante informa que os documentos que serviram de base para o lançamento foram as GFIPs, folhas de pagamento, recibo de férias e demais documentos apresentados pela notificada e que a empresa foi excluída do SIMPLES em 01/11/2000, conforme consta da tela extraída do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 21.424.4/1115/2006 (fls. 383 a 390), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 395), repetindo basicamente as alegações da impugnação. Preliminarmente, salienta que apenas deixou de recolher momentaneamente, pois acreditava estar incluído na sistemática do SIMPLES e não sabia que havia sido retirada injustamente desta sistemática e que, caso necessário, poderá apresentar a comprovação de sua defesa para retomo no SIMPLES, não estando, portanto, em mora, pois com certeza voltará, nem que de forma judicial, a operar na sistemática do SIMPLES. No mérito, reafirma que não deixou de recolher o imposto e sim não pagou em dia as contribuições em virtude de ter sido excluída injustamente do simples federal em virtude de uma inadimplência inexistente e entende que todos os débitos originados na última fiscalização devemse à saída arbitrária, ilegal e injusta da impugnante em sua opção pelo SIMPLES, uma vez que não existe motivação idônea para sua saída desta opção. Reitera que a penúria financeira em que vive a impugnante não possibilitou o pagamento da forma como estipulada pelo Regulamento da Previdência Social e que todo o débito constante na notificação ocorreu em virtude das dificuldades financeiras que a empresa vem passando ao longo dos últimos anos, que a levaram a beira do precipício, ou seja, beirando a falência. Sustenta que no regular exercício de suas atividades, sempre apresentou devidamente todas as suas GF1Ps e em virtude da mudança de direção da empresa e de sua constante reestruturação, houve um erro no envio destes dados, não havendo dolo por parte desta ou qualquer atitude com intuito de omitir ou burlar as informações prestadas ao INSS, havendo no caso em baila apenas mero erro operacional. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Entende que existem disparidades na NFLD que ensejam sua nulidade, ou seja, existem diferenças entre o valor nominal lançado e o real valor devido, o que enseja dúvidas quanto ao valor a ser pago, ou seja, existem inconstâncias e juros sobre juros uma vez que a taxa SELIC também é aplicada. Defende que a inadimplência por si só não gera uma infração legal, não podendo a exclusão da sistemática do simples se dar exclusivamente por tal motivo, e argumenta que tem sido formada uma sólida posição jurisprudencial na senda de que o mero inadimplemento, por si só, não constitui infração para os fins do art.135, III do CTN, sendo que a exclusão não deveria ter acontecido. Salienta que a requerente foi retirada da sistemática do SIMPLES por inadimplência de tributos devidos ao INSS e mesmo assim algumas parcelas pequenas e que estão parceladas, o que não deveria têla excluído, e que essa exclusão injusta e arbitrária causoulhe enormes prejuízos, uma vez que, ao não notar sua exclusão, já que tal decisão arbitrária não chegou ao seu conhecimento, a requerente deixou de recolher os tributos fora da sistemática do SIMPLES, motivando essa injusta autuação por parte do INSS. Infere que toda a autuação havida pelo INSS ocorreu em virtude das disparidades ocorridas na entrega das GFIP , uma vez que o código utilizado pela requerente é aquele utilizado por quem está no SIMPLES e exatamente por não saber que estava fora ocorreu o erro operacional. Deixa consignado que todos os documentos requeridos pelo fiscal foram entregues em tempo hábil e alguns desses documentos foram entregues após a fiscalização, mas também em tempo estipulado pelo fisco, e que em nenhum momento a recorrente deixou de apresentar qualquer documento requerido pelo fisco ou apresentou com informação diversa, mas apenas foi excluída da sistemática do SIMPLES e recolheu os tributos de forma simplificada sem dolo ou culpa. Entende que tanto os juros de mora quanto a multa aplicada apresentam caráter confiscatório e violam os direitos e garantias constitucionais. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001660/200776 Acórdão n.º 230101.933 S2C3T1 Fl. 443 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela recorrente em seu recurso, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verificase, dos autos, que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso presente, houve recolhimento antecipado de parte do débito, conforme se verifica do RDA (fl. 41). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001660/200776 Acórdão n.º 230101.933 S2C3T1 Fl. 444 7 A NFLD foi consolidada em 28/07/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 01/08/2006. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para os valores lançados nas competências entre 01/2001 a 07/2001, inclusive. Dessa forma, reconheço a decadência de parte do débito. Verificase, do recurso apresentado, que a recorrente não questiona as bases de cálculo apuradas pela fiscalização. Ela apenas tenta demonstrar que a sua exclusão do SIMPLES foi injusta e ilegal e que a multa aplicada e a utilização da taxa SELIC apresentam caráter confiscatório e violam os direitos e garantias constitucionais. Porém, entendo que cabe à recorrente demonstrar seu inconformismo no processo que discute a exclusão da empresa do SIMPLES, e não nos presentes autos, cujo objeto é o lançamento da contribuição devida e não recolhida pela empresa. Constatase que a empresa foi excluída do SIMPLES em 01/11/2000, e as contribuições lançadas por meio da NFLD em tela se referem a período posterior a 12/00, ou seja, a período em que a empresa não era mais optante do referido sistema de tributação. E o fato de a recorrente ter apresentado, junto à Receita Federal, defesa contra a sua exclusão do SIMPLES não macula o procedimento fiscal, já que a matéria não se encontrava, à época da lavratura da NFLD, sob a apreciação do Poder Judiciário. Portanto, sendo o lançamento um ato vinculado, a autoridade fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador e o não recolhimento da contribuição devida, agiu corretamente lavrando a presente NFLD, em estrita observância aos ditames legais. Assim, não há que se falar em nulidade ou cancelamento da NFLD, que foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. A recorrente alega, ainda, que não foi cientificada da decisão relativa à exclusão do SIMPLES, o que lhe causou um enorme prejuízo, uma vez que, ao não notar sua exclusão, deixou de recolher os tributos fora da sistemática do SIMPLES, motivando essa injusta autuação por parte do INSS No entanto, reiterase, a exclusão da empresa do SIMPLES se deu em 01/11/00, e débito lançado vai até a competência 03/06. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 Ou seja, a recorrente alega que passou quase seis anos sem ter conhecimento de sua exclusão do SIMPLES. Ocorre que a Administração Pública não pode ser a responsável pela desatenção do contribuinte, que passa mais de cinco anos sem se informar sobre a sua situação ou seu enquadramento junto à Receita Federal do Brasil. Assim, o lançamento, como ato administrativo, é válido, e o fiscal, a quem compete o lançamento, ao constatar o não recolhimento das contribuições devidas incidentes sobre as remunerações pagas a seus empregados, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Em relação afirmação feita pela notificada de que todos os documentos requeridos pelo fiscal foram entregues em tempo hábil e que recolheu os tributos de forma simplificada sem dolo ou culpa, cumpre esclarecer que não se discute, no presente processo, o agir doloso da recorrente. O que está sendo cobrado por meio da NFLD em comento é a contribuição social prevista na Lei 8.212/91, conforme restou consignado nos relatórios integrantes da notificação. E no processo que discute o lançamento de contribuições devidas e não recolhidas não há a necessidade de se comprovar a existência de dolo ou culpa. È oportuno observar que o que é lançado na NFLD é a multa de mora. Na NFLD, que é um dos instrumentos de constituição de crédito tributário, o fiscal não impõe uma penalidade e sim notifica o valor que a recorrente deve ao Fisco. E o valor notificado é acrescido de juros e multa moratória, tendo em vista o não recolhimento da contribuição no prazo legal. Tal procedimento encontra amparo nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91, vigentes à época do lançamento. Portanto, ao se deparar com a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento do total do valor devido, o agente fiscal lavrou a competente NFLD, em observância aos normativos legais que regem a matéria. Em relação ao entendimento de que tanto os juros de mora quanto a multa aplicada apresentam caráter de reparação e penalidade e violam os direitos e garantias constitucionais, apresentando natureza confiscatória, o que é vedado pela CF/88, cumpre reiterar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, dispositivos vigentes à época da lavratura da NFLD. Vale registrar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001660/200776 Acórdão n.º 230101.933 S2C3T1 Fl. 445 9 não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Salientese, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 01/2001 a 07/2001, inclusive. É como voto. Bernadete Oliveira Barros – Relatora. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 06/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10580.722273/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantida a exigência referente à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários em relação aos valores cuja origem o sujeito passivo não logrou demonstrar.
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA.
Ainda que o contrato social da pessoa jurídica mencione o exercício de atividade vedada pelo SIMPLES, descabe a exclusão do sistema se demonstrado que as receitas auferidas no período sob exame referem-se exclusivamente a operações admitidas.
Numero da decisão: 1102-000.505
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a exigência referente à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários em relação aos valores cuja origem o sujeito passivo não logrou demonstrar. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. Ainda que o contrato social da pessoa jurídica mencione o exercício de atividade vedada pelo SIMPLES, descabe a exclusão do sistema se demonstrado que as receitas auferidas no período sob exame referemse exclusivamente a operações admitidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto relator. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Fl. 825DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO 2 EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Manoel Mota Fonseca, Leonardo de Andrade Couto e João Carlos de Lima Júnior. Fl. 826DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO Processo nº 10580.722273/200844 Acórdão n.º 110200505 S1C1T2 Fl. 2 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de autos de infração do Simples Federal (fls. 01/71), em nome da pessoa jurídica (PJ) retroidentificada, por omissão de receitas, provenientes de valores de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário de 2005 (AC/2005). Em função da omissão de receita apurada, os percentuais aplicados sobre a receita bruta declarada foram menores, gerando insuficiência de valor recolhido, que foi objeto de lançamento. Assim, o crédito tributário lançado alcançou a cifra de R$ 2.469.425,52, de acordo com o Demonstrativo de folha inicial, consolidado na data de emissão dos autos de infração, contemplando o principal (imposto e contribuições), multas de ofício nos percentuais de 75% e de 150% (qualificada), e juros de mora. Também foi lançada a multa regulamentar no valor de R$ 14.854,82, por falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. Consta do Relatório Fiscal, às fls. 493/508, que a ação fiscal começou em 25/06/2008, visando apurar a incompatibilidade entre a movimentação financeira da PJ com a receita declarada no AC/2005, mediante a DSPJ Simples daquele ano, em que a declarante informou, para todos os meses do ano, não ter auferido nenhuma receita de prestação de serviços ou do comércio de bens. O responsável pelo preenchimento da referida declaração foi o Sr. Joaquim Ragosino da Silva Neto, CPF nº 095.055.55504, contador da empresa. Através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03/05), cuja ciência se deu em 25/06/2008, a empresa foi intimada a apresentar, em 20 (vinte) dias contados da ciência, sua escrituração contábil (Livro Caixa ou Diário e Razão e Livro de Registro de Inventário) e fiscal para o ano de 2004, incluindo os extratos bancários das contas correntes movimentadas pela empresa naquele ano (Bancos do Brasil, HSBC, ABN Real e Bradesco) e o contrato social da empresa, com suas alterações. Em 08/07/2008, a intimada entregou cópia do ato constitutivo e alteração datada de 20/12/2006 (esta sem visibilidade de assinaturas e registro na Junta comercial do Estado da Bahia (JUCEB), de alguns extratos bancários dos bancos do Brasil e Bradesco e talões de notas fiscais emitidas no AC/2005 (fls. 25/28). Em 17/07/2008, após análise da documentação fornecida pela intimada, que incluía grande quantidade de notas fiscais de venda de mercadorias, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal nº 0001 (fls. 36/37), requerendo a apresentação da sua contabilidade, originais do ato constitutivo com as alterações posteriores, e informação quanto ao regime de reconhecimento das receitas adotado, uma vez que ao optante pelo SIMPLES é facultada a escolha entre o regime de caixa ou de competência. Quanto aos extratos bancários demandados através do Termo de Início Fl. 827DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO 4 de Procedimento Fiscal, contando que os mesmos foram fornecidos de forma desordenada e de apenas dois bancos (Bradesco e Brasil), com diversas folhas ilegíveis por se tratarem de papel de facsímile, o fisco optou pela requisição dos extratos necessários à auditoria diretamente das instituições financeiras envolvidas, nos termos do art. 33 da Lei nº 9.430/96 e inciso VII do art. 3º do decreto nº 3.724, de 2001. Em 17/07/2008, o sócio da PJ compareceu à DRF/SDR, declarando inexistir contabilidade organizada para o AC/2005, em virtude do contador à época responsável pelo trabalho não ter escriturado os lançamentos, como obrigado estava por lei a fazê lo (art. 7º, §1º, da Lei nº 9.317/96). Reconhecendo seu dever legal de fazêlo, solicitou prazo de mais 20 (vinte) dias para apresentar, o que lhe fora concedido, procedendose à devolução de todas as notas fiscais de saída entregues ao fisco. Em 21/07/2008, a PJ intimada declara que tem suas receitas reconhecidas pelo regime de competência, ao tempo em que também fornece cópia autenticada do ato constitutivo e das alterações contratuais até 20/12/2006. Em 06/08/2008, a PJ protocolizou a entrega do livro Diário e notas fiscais de saídas até então em seu poder. Em 11/08/2008, foi entregue o livro Razão e lavrado Termo de Constatação nº 0003, no qual constata a contabilização das receitas obtidas no AC/2005 através de apenas 12 (doze) lançamentos, todos feitos no último dia de cada mês, na conta 4.1.1.01.001 (vendas), sem lançamento individualizado das notas fiscais de venda, e sim por grupo de notas. Constatouse também que a contabilização das notas não obedeceu ao regime da competência, a exemplo das notas de nº 3607, 3608, 3609 e 3610, contabilizadas no mês de janeiro/05 e emitidas em fev/05. Verificouse também a falta de notas fiscais emitidas em vários períodos (01 e 02/01; 08/03 a 08/05; 07/06 a 03/08; 29/08 a 18/10 e de 04/11 a 31/12/2005), o que resultou na devolução de todas as notas fiscais de saída ao contribuinte, para que este cumprisse o exigido no Termo de Intimação Fiscal nº 004: a) organizar as notas fiscais de saída, por mês de competência, apresentando planilha organizada contendo todas as informações das vendas; b) reescriturar os livros Diário e Razão obedecendo o regime de competência e contemplando todas as vendas efetuadas no período; c) registrar os livros Diário e Razão, opção do contribuinte ao livro Caixa, na JUCEB. Finalmente, em 11/09/2008 a contribuinte, através de seu representante legal, contador Ari Teles de Oliveira, CPF nº 267.798.03553, cumpre as exigências do Termo de Intimação Fiscal nº 004, inclusive fornecendo planilha com todas as informações das notas fiscais emitidas, planilhas estas rubricadas e componentes deste processo fiscal. As notas fiscais de saída elencadas nas planilhas da contribuinte somam R$ 1.434.673,39, valor este coincidente com a Demonstração do resultado do Exercício (DRE) constante do livro Diário fornecido ao fisco. Registrese que o livro de Registro de Inventário não foi apresentado ao fisco. De posse dos extratos bancários requisitados diretamente junto aos bancos Bradesco, do Brasil, HSBC e Real, a autuante notou uma movimentação financeira superior a cinco milhões e quinhentos mil reais. Após fazer a conciliação das contas bancárias envolvidas, expurgandose lançamentos entre contas da mesma titularidade; os créditos de cheques devolvidos e a estornos de lançamento, a PJ foi intimada, em 23/10/2008, mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 005, a justificar a origem dos créditos feitos nas contas correntes auditadas, conforme planilha e extratos anexos. Na sua resposta, em 06/11/2008, a contribuinte apresentou planilhas apontando créditos que, ao seu ver, não deveriam ser tributados. Dentre eles consta a alegada venda de um bem do ativo imobilizado da empresa, com Fl. 828DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO Processo nº 10580.722273/200844 Acórdão n.º 110200505 S1C1T2 Fl. 3 5 lançamentos nos meses de fevereiro, março e julho do AC/2005, no valor de R$ 10.000,00 cada um, mas não apresentou nenhum comprovante da alienação, tal como documento de transferência de propriedade ou contrato de compra e venda. Apontou estornos de débitos, cheques devolvidos, reduções de CPMF e redução de saldo devedor que não haviam sido expurgados quando da conciliação prévia, o que foi feito na etapa final da auditoria. Quanto aos créditos alegados como "empréstimos" supostamente efetuados pelas instituições financeiras para suprir o capital de giro da empresa, foram expurgados apenas aqueles valores que tinham na descrição do campo histórico, tal informação, nos extratos dos bancos. A autuante ressaltou que a contribuinte não apontou nenhuma correlação entre os créditos efetuados em suas contas correntes e as notas fiscais por ela emitidas, evidenciando trataremse de fontes distintas de receitas. De posse de todas essas informações, foi elaborado "Demonstrativo das Receitas Omitidas", com bases nos créditos de origem não comprovada e nas vendas efetuadas, valores estes todos não declarados e não oferecidos à tributação, cujo montante é de R$ 7.153.922,09, sendo R$ 5.719.248,80 de depósitos bancários e R$ 1.434.673,29 de notas fiscais. O mencionado demonstrativo encontrase anexo aos autos e acompanha o relatório fiscal, parte integrante do auto de infração. Assim, no AC/2005, a fiscalização lançou de ofício o montante da receita omitida, com base, entre outros, no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 199 do RIR de 1999. Em decorrência da autuação, foi formalizada representação fiscal para fins penais, objeto do processo nº 10580.7222274/200899 (fl. 741), bem como representação para exclusão do Simples, a partir de 1º/01/2006, por excesso de receita bruta no AC/2005 (fl. 600), cuja exclusão se deu consoante Ato Declaratório Executivo nº 008, de 11/12/2008 (fl. 601). A contribuinte foi cientificada pessoalmente em 10/12/2008, conforme assinatura do seu contador nos autos de infração, às fls. 550, 560, 568, 578 e 586. Em 09/01/2009, apresentou a impugnação de fls. 602/666, resumida nos argumentos a seguir: (i) Que não deve prosperar a autuação pela sistemática do Simples, pois em 1º/10/2004 a impugnante protocolou na Junta Comercial do Estado da Bahia (JUCEB), alteração e consolidação do Contrato Social da firma, estabelecendo em sua cláusula primeira: "O objetivo da sociedade que é comércio e representações de produtos para limpeza, gêneros e alimentos, fardamentos e calçados, serviços de manutenção, hidráulico e elétricos. Neste ato fica alterado para: Comércio atacadista e REPRESENTAÇÃO de produtos para limpeza, produtos alimentícios, fardamentos e calçados, serviços de manutenção hidráulico e elétrico”. (ii) Que, em face da citada mudança do objetivo social a PJ não poderia ser optante do Simples no AC/2005, nos termos do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9317, de 5 de dezembro de 1997, tendo a RFB a obrigação legal de efetivar o desenquadramento retroativo àquele ano, estabelecendo como sistemática de apuração dos seus tributos o regime tributário do Lucro Presumido. Insiste, em extensa argumentação, que a autuante deixou de observar diversas normas legais, elidindo diversos princípios constitucionais e até o estado de direito. Fl. 829DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO 6 (iii) Que, houve erro material e de cálculo na apuração fiscal, por ter a autuante somado o valor por ela encontrado como saldo bancário com o valor apurado nos lançamentos das emissões de talonário fiscal, indicando que, caso tivesse a intenção de camuflar uma suposta sonegação, qual seria a razão da empresa recorrente movimentar na conta bancária valores não lançados, e deixar fora da conta bancária os valores das emissões das notas fiscais. Ressalta que os valores de vendas lançados nas emissões das notas fiscais já faziam parte da movimentação bancária analisada pela Fiscalização. (iv) Que, na própria descrição da evolução da PJ a autuante identifica a inclusão no contrato social da empresa conduta impeditiva à opção pelo Simples, sob o qual se deu todo o cálculo da exigência fiscal, fato este que, por si só, invalidaria a autuação. E, desse jeito, teria havido erro de fato, posto que a fiscalização fora fundada na suposição de um fato inexistente, ou considerou inexistente um fato efetivamente ocorrido. (v) Neste contexto, conclui que o feito merece reformulação pelas razões seguintes: (1) existiriam valores creditados em janeiro de 2005, de vendas a prazo em 2004, conforme constam dos extratos bancários, resultando num montante de R$ 341.185,99; (2) empréstimos bancários decorrentes de saldos devedores em conta corrente em 31/12/2004 no BB (R$ 17.308,34), Banco Real (R$ 4.314,63) e Bradesco (R$ 33.869,55); (3) diversos valores de empréstimos bancários no ano de 2005, conforme saldos devedores em contas correntes no BB e no Bradesco, conforme quadros constantes da defesa; (4) e valores de vendas efetivas do período, não consideradas como depositadas em banco, no valor total de R$ 1.434.673,29. (vi) A impugnante nega que tenha havido qualquer procedimento por parte dos sócios da empresa que justifique qualquer ação penal, posto que a impossibilidade da apresentação da documentação exigida se deu em face da negativa da RFB em não recepcionar as declarações do contribuinte pelo regime tributário do lucro presumido, não concorrendo com conduta de omissão fraude ou qualquer outra prevista pela legislação citada no feito. (vii) Por todo o exposto, solicita que os autos de infração sejam julgados improcedentes, decretandose o desenquadramento de ofício do Simples Federal referente ao AC/2005, conforme previsão legal; a homologação dos envios das DACONs, DCTFs e a DIPJ do AC/2005, que acompanham a presente defesa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento prolatou o Acórdão 1520.744 (fls. 678/690) considerando o lançamento integralmente procedente, em decisão consubstanciasa na seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE RECEITA BRUTA Fl. 830DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO Processo nº 10580.722273/200844 Acórdão n.º 110200505 S1C1T2 Fl. 4 7 Uma vez comprovado que a pessoa jurídica ultrapassou o limite de receita bruta previsto para a empresa de pequeno porte no anocalendário de 2005, impõese a exclusão de ofício com efeito a partir de 1º/01/2006. APURAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE A legislação tributária veda a retificação de declaração quando iniciado o procedimento de ofício ou quando tiver por objetivo alterar o regime de tributação anteriormente adotado, impossibilitando a tributação pelo Lucro Presumido da empresa optante do Simples Federal no período fiscalizado. ATIVIDADE VEDADA NO CONTRATO SOCIAL. REPRESENTANTE A atividade de Representante Comercial, desde que efetivamente exercida, veda a opção pelo Simples. Mas, ainda que conste no contrato social o registro de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, a opção pelo Simples será mantida caso se comprove que a pessoa jurídica não obteve receita proveniente do exercício de atividade vedada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. VALIDADE É válida a lavratura de representação fiscal para fins penais, bem como a aplicação da multa qualificada, nos casos em que se verifica o intuito de sonegação fiscal, pela adoção de práticas reiteradas visando impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando, em essência, as razões da peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 831DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO 8 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Na peça recursal a interessada sustenta que os depósitos nas contas correntes de titularidade da pessoa jurídica, que serviram de base para a formalização da exigência, estariam justificados por empréstimos bancários e por vendas ocorridas em 2004. Em relação aos empréstimos a argumentação da recorrente tem natureza genérica, sem identificar quais depósitos teriam origem nesses contratos e, portanto, não poderiam ser incluídos na base de cálculo da tributação. Essa identificação mostrase fundamental a partir do momento em que a autoridade lançadora afirmou ter excluído da apuração todos os valores que tinham na descrição do campo “histórico” a denominação “empréstimo”. Quase todos os contratos apresentados junto com o recurso voluntário venceram em 2004 ou nos primeiros dias de 2005. Sendo assim, seria mesmo difícil a existência de depósitos a eles referentes, ao longo do anocalendário. No caso do contrato 40/000516, referente à abertura de crédito no montante de R$ 30.400,00; o valor correspondente está claramente identificado na conta corrente sob a rubrica “empréstimo”, depositado em 23/03/2005 e devidamente excluído da apuração pela autoridade lançadora. Assim, pareceme que a Fiscalização foi criteriosa nessa questão e, ratifico, caberia à recorrente indicar quais valores depositados e considerados na exigência representariam créditos decorrentes de empréstimos (ainda que com histórico distinto no extrato bancário) e, como tal, passíveis de exclusão na apuração. No que se refere à depósitos que alegadamente teriam origem em vendas a prazo realizadas no ano de 2004, não há como aceitar o pleito pois, apesar da decisão recorrida já ter se manifestado nesse sentido, a interessada não se preocupou em demonstrar a contabilização em 2004 da receita correspondente. Como argumento final, a recorrente requer o desenquadramento do SIMPLES a partir do próprio anocalendário de 2005, tendo em vista que seu contrato social indica o exercício de atividade em relação a qual seria vedada a opção pelo sistema. A questão foi bem enfrentada pela decisão recorrida. De fato, tanto no âmbito das normas da RFB como na jurisprudência deste Colegiado, prevalece o entendimento de que a menção no contrato social de atividade vedada pelo SIMPLES não implica em exclusão do sistema se demonstrado que tal atividade não é exercida de fato, e o objeto social efetivamente praticado não encontra restrição na legislação. Foi exatamente o que ocorreu no presente caso. Em atendimento à intimação expedida pela Fiscalização a interessada admite textualmente que, no período sob exame, não auferiu qualquer receita decorrente da atividade de representação – vedada para optantes pelo SIMPLES – mas sim de venda de mercadorias. Sob esse aspecto, o pleito da recorrente mostra se contraditório e não merece guarida. Fl. 832DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO Processo nº 10580.722273/200844 Acórdão n.º 110200505 S1C1T2 Fl. 5 9 De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 833DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 10/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 13739.000481/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.064
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unaniidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasungi
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HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os resentes autos. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. roLNTIf !CACAO DO CONTRIBUINTE 44,,A INSCR 324 ALOISIO ROSA PIMENTEL NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO 0 ir 1.74:34) Relatório Assim, contra ALOÍSIO ROSA PIMENTEL foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 20/21, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2002, exercício 2003, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Did), para o titular constatou-se os seguintes valores nos termos do auto de infração: EXERC. - • A,CALEND,'.I' :'.'./PLDA DECLARACI1447K4ICASEVC.104 0710202/5897 414LOCAL/PADPBCTPIOITaiiK4EMIS$B0 19/04/2007 736/3.500.060 2003 2002 07/40.014.701 5528/30 ,.. • "-,: , MJAÇoiat.ALcuL000mvosTaimkAls VALORES DECLARADOS VALORES APURADOS APOS REVISA0 I MENOWENIOS TRIBOTAVEIG I LICZANIO S WM- IF ICADO 7E CALCMLO f.00slo Dt01.03 cc INctsiiv0 1 i APOSTO DEVIDO Im.OSTO RETSDO NA FCNTE cAclI4-1.60 iwasiO COMPLEMENT AM CATM.E-LEÃO E MENSALÀ0 io IWO= PAGO 14 EXTERICST '01At 00 ImPOSTO PAGO IM POSTO A REST1TUIR 1 SALDO CO WPCGIO A PAGAR : GAw0 DE CAPITAL -m0EDA EM EV'ECIE 25.797,60 5.159,56 20.636,24 1.191,33 1.191,33 5.158,00 5.158.00 . 3.966,67 41.541,53 8.306,30 33.233,23 4.062,23 1 , 4.062,23 5.156,00 1.095,77 5.158.00 . . ..,. . . • :' -• FTESIMJAPO . FII■Mi0Wi»,. ''''' .' , r '' ,V*,T,Pj.' '.;:ST'%& '" VALORES.EM REAM •A, IMPOSTO A RESTITUIR DECLARADO . ,E1 IMPOSTO A RESTITUIR APÓS REVISÃO ici IMPOSTO JA RESTITUIDO 1 RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER E JUROS MORA S/REST. RECEB. INDEVIDA CALCULADOS Alt 04/2007 ,,..„1 ..4 , 3.966,67 1.095,77 1.095,88 0,11 0.07 Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 10 da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 05/19. A DRJ em acordão tombado sob o n°. 13-18.214, l a . Turma da DRJ/RJ011, em sessão de julgamento datado de 20/12/2007, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 37/41, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificada, em 27/03/2008, fls. 49, o contribuinte apresentou, em 08/04/2008, recurso voluntário, fls. 45/48, onde repisa os argumentos elencados impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal n Processo n° 13739.000481/2007-55 S2-C1T2 Acórdão n° 2102-01.064 Fl. 52 8.852/94, em seu art. 1 0, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Organica, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instancia que, aqui transcrevo, em partes: O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3 0 da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1 0, Ill, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso Ill do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa fisica, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. asugi - Relatora Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas fisicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, A. mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigênc \ Desta arna, estando correto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a i e isão de pnimçir 1 instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. 4
score : 1.0
Numero do processo: 37324.001562/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA DEVIDA.
1 Constitui infração punível com multa administrativa, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei nº 8212/91.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias
administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA.
APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Considerando a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese
aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.749
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) dar provimento parcial, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, de forma que prevaleça esse valor, caso seja mais benéfico que a soma da multa aplicada no auto sob julgamento com a multa mora presente nas NFLD correlatas.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA DEVIDA. 1 Constitui infração punível com multa administrativa, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei nº 8212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Considerando a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 158 1 157 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37324.001562/200711 Recurso nº 146.127 Voluntário Acórdão nº 240101.749 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente ROBERT BOSCH LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA DEVIDA. 1 Constitui infração punível com multa administrativa, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei nº 8212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Considerando a alteração da legislação, que instituiu sistemática de cálculo da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) dar provimento parcial, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, de forma que Fl. 165DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 prevaleça esse valor, caso seja mais benéfico que a soma da multa aplicada no auto sob julgamento com a multa mora presente nas NFLD correlatas Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 166DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37324.001562/200711 Acórdão n.º 240101.749 S2C4T1 Fl. 159 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 27/09/2006, em face da empresa em epígrafe, lavrado com fundamento no artigo 32, inciso IV e §§ 3º e 5º da Lei nº 8212/91, c/c os art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Segundo o relatório fiscal da infração, fls. 8, o contribuinte apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP, com omissão de fatos geradores de contribuições providenciarias em relação à exposição de trabalhadores a agentes nocivos no ambiente de trabalho, no período de 06/2003 a 10/2004. A multa foi aplicada de acordo com o artigo 32, § 5º da Lei nº 8212/91, acrescentado pela Lei nº 9528/97 e RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, artigo 284, inciso II e artigo 373. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua impugnação fls. 19/28, juntando documentos, fls. 29/81, alegando em síntese: que foi surpreendida com a lavratura do auto de infração n° 35.639.6770, pelo descumprimento de suposta obrigação acessória do período de 01/1999 a 10/2004, tendo apontado na defesa a inconsistência da referida autuação e da Notificação Fiscal NFLD n°35.6396789, relativa as obrigações principais conexas, e posteriormente, a fiscalização qualquer circunstância fática para tal, o que importa em revisão do lançamento não permitido pela legislação tributária, devendo ser anulado o presente auto; sustenta que a revisão de lançamento por mudança de critério jurídico é vedada pelo ordenamento jurídico, não havendo previsão desta hipótese no casos previstos no artigo 149 do Código Tributário Nacional/CTN, inclusive sendo vedada a revisão do lançamento por erro de direito, conforme súmula 227 do extinto TRF, devendo ser anulada a autuação; assevera que a presente autuação comporta os mesmos vícios sustentados na preliminar de defesa do AI retificado n° 35.639.6770, devendo ser considerados no presente julgamento, devendo a presente autuação ser julgada em conjunto com a NFLD n° 35.639.678 9, descrevendo em síntese as alegações feitas na impugnação à referida notificação, tendo demonstrado que dispensa as precauções necessárias quanto a exposição dos funcionários aos agentes nocivos (calor, químico e ruído), não havendo que se falar em aposentadoria especial e consequentemente em descumprimento de obrigação acessória quanto a omissão de informações em GFIP relativas a exposição de seus funcionários a agentes nocivos; requereu ao final, a improcedência da autuação, pois vedada a revisão do lançamento por mudança de critério jurídico para a capitulação de infração acessória e o julgamento conjunto com a NFLD n° 35.639.6789 e AI n° 35.639.6770 por tratarem de matéria conexa Fl. 167DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A Secretaria da Receita Previdenciária em Campinas/SP, por meio da DecisãoNotificação – DN nº 21.424.4/1309/2006, julgou procedente a autuação. Intimado da decisão, o contribuinte ingressou com recurso a este Conselho, fls. 100/121, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação, em que, preliminarmente, argúi a nulidade da autuação. Requer a reforma decisão proferida, julgandose o lançamento fiscal totalmente improcedente, seja em virtude do acolhimento da preliminar de nulidade, seja em virtude da revisão de lançamento baseada tãosomente em mudança de critério jurídico para a capitulação de infração acessória, o que é vedado pelo ordenamento jurídico tributário e pela jurisprudência maciça, seja em virtude do reconhecimento da total improcedência das exigências pleiteadas pela d. fiscalização do INSS. Caso assim não entendam V.Sas., requerse subsidiariamente seja o presente AI sobrestado e julgado em conjunto com a NFLD n.° 35.639.6789, em virtude da patente prejudicialidade que o julgamento (definitivo) em apartado desse processo, cujas matérias são conexas representa para o contribuinte. A SRP ofereceu contrarrazões. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37324.001562/200711 Acórdão n.º 240101.749 S2C4T1 Fl. 160 5 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora O recurso preenche os requisitos exigidos para sua admissibilidade, devendo, portanto será conhecido. Antes de adentrar às questões de mérito, mister proceder à análise da preliminar de nulidade suscitada. Alega o impugnante que o presente auto comporta os mesmos vícios, reiterando a argumentação trazida na impugnação quanto a falta de busca a verdade material e ausência de motivação fática e legal para o lançamento. Quanto a verificação pela fiscalização da efetiva exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos (ruído, calor, agentes químicos), remeto aos comentários trazidos na Decisão de primeiro grau: da NFLD n° 35.639.6769, conexa a este auto: "... a comprovação da exposição efetiva a agentes que potencialmente causam dano a integridade física dos trabalhadores foi verificada nos documentos de gerenciamento de riscos apresentados para cada estabelecimento uma vez que a comprovação da exposição ou não dos trabalhadores a riscos determinantes do custeio de aposentadoria especial deve ser feita pela empresa mediante os documentos obrigatórios instituídos nas normas legais vigentes quanto a proteção á saúde e integridade física do trabalhador, em especial PPRA, PCMSO, LTCAT". É de se ver assim, a ação fiscal pautouse na análise dos documentos de gerenciamento de riscos apresentados pela empresa, no caso PPRA, PCMSO, LTCAT, para, em confronto com o declarado pela própria empresa em guia GFIP, validar ou não os dados relativos a exposição a agentes nocivos. Para tanto a fiscalização intimou a empresa a apresentar os documentos mencionados, e após analise destes concluiu que a notificada não demonstrou efetivo controle do ambiente de exposição aos riscos potenciais, no caso, ruído, calor e agentes químicos, que ensejam concessão de aposentadoria especial, para os estabelecimentos matriz, Filial Curitiba, Filial Aratu e São Paulo. Os argumentos de afronta ao principio da verdade material e pretenso cerceamento do direito de defesa não merecem prosperar, uma vez que a fiscalização efetuou minuciosa análise dos documentos apresentados para cada estabelecimento em que houve o lançamento de contribuições previdenciárias relativas a aposentadoria especial.(Matriz, às fls.161/202 do relatório fiscal da NLFD conexa, filial Curitiba, às fls.203/221, filial Aratu, às fls. 222/234, filial São Paulo, às fls. 235/245), especificando quais documentos fundamentaram a conclusão de exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos e ainda os setores e tipo de risco a que os trabalhadores estavam expostos, com discriminação individual destes trabalhadores nos anexos ao relatório fiscal, fornecendo o suporte legal e fático para o contribuinte se defender. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Alega, ainda, o contribuinte que a presente autuação comporta revisão de lançamento por erro de direito, o que é vedado pelo ordenamento tributário, pois a autuação ocorreu em substituição aos lançamentos relativos às infrações supostamente cometidas nos períodos de junho de 2003 a outubro de 2004. Em verdade o auto de infração n° 35.639,6770, relativo ao período de 01/1999 a 10/2004, foi lavrado por infração ao artigo 32, § 6°, da Lei n° 8.212/91, com penalidade expressa neste dispositivo e regulamentada no artigo 284 inciso III do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. O valor da multa, aplicada no auto acima referido, foi retificado para exclusão das competências 062003 a 10/2004 mediante emissão do Despacho Decisório n° 21.424.4/0054/2006, de 28/09/2006. A exclusão das competências a partir de 06/2003 no auto de infração n° 35.639.6770, deuse uma vez que o Decreto n°4.729, de 09/06/2003, alterou a redação do inciso II, do artigo 284, do Decreto n°3.048/99, passando a não informação correta quanto ao código de ocorrência relacionado a concessão de aposentadoria especial, a ser considerado dado relacionado a fato gerador de contribuição previdenciária, pois esta informação altera o valor da contribuição com a aplicação das aliquotas do adicional da aposentadoria especial. Dessa forma, a partir da competência junho/2003, com a edição do Decreto n° 4.729, o erro de preenchimento de GFIP em campo relacionado a exposição do trabalhador a risco passou a ser penalizado de acordo com o artigo 32 inciso IV § 5°, da Lei n°8.212/91. e artigo 284, inciso II, do Decreto n° 3.048/99. Ao contrário do que o Recorrente afirma, e como sobejamente demonstrado na DecisãoNotificação, não houve alteração de critério jurídico vedada pelo ordenamento jurídico, uma vez que a vedação contida no artigo 146 do Código Tributário Nacional/CTN referese à aplicação retroativa da legislação, o que não ocorreu no presente caso, eis que o que houve foi a lavratura de autos distintos para períodos distintos, hipótese inclusive contemplada no artigo no Decreto n° 70.235/72. Pelas razões expostas rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. Superada as preliminares suscitadas, passo à análise das razões de mérito, esclarecendo que, conforme relatado, tratase de AUTO DE INFRAÇÃO, lavrado contra a empresa, por descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a qual tem por objeto as prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme o disposto no art. 113 § 2º do Código Tributário Nacional –CTN. No presente caso, a obrigação consiste em informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social –GFIP, os fatos geradores de contribuições sociais, nos termos do art. 32, inciso IV (abaixo transcrito): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37324.001562/200711 Acórdão n.º 240101.749 S2C4T1 Fl. 161 7 (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Impõe esclarecer que todas as razões de mérito apresentadas, versam sobre a hipótese de não incidência das alíquotas adicionais, alegando que a empresa sempre adotou rígidas medidas de segurança do ambiente de trabalho, exigindo a utilização de EPI e, ainda a instalação de EPC visando diminuir a exposição de seus funcionários aos agentes nocivos. Nesse sentido, importa salientar, como já devidamente enfrentado na Decisão de primeiro grau, não lhe confiro razão ao argumento, eis que a fiscalização verificou em documentos apresentados pela empresa que "a única medida de controle do ruído citado no PPRA da matriz, que pode ser considerada sistemática é a distribuição de EPI (equipamentos de proteção individual). Contudo, nem essa medida deve ser considerada eficaz, pois há um grande número de trabalhadores obrigados pelo PPRA ao uso de equipamentos individuais de proteção auditiva, e que conforme dado do Relatório de Auditoria de EPI's de 11/05/2005 e da ReOrientação de Funcionários de 23/04/2005 não faziam uso do protetor auricular e EPls." "Constatado que o ruído é o que atinge praticamente todo o setor fabril, a empresa foi Intimada formalmente por TIAD a apresentar Relatório Anual, conforme NR7 — Quadro III, discriminando, por setores da empresa, o número e a natureza dos exames médicos, os registros dos exames audiométricos realizados, números de resultados anormais e percentuais por setor de produção, do período, inclusive dos funcionários demitidos. Nas duas formas de apresentação dos exames audiométricos, a empresa deixa de cumprir os requisitos exigidos pela norma (item 7.4.6.1. da NR07), no que diz respeito a discriminar os exames admissionais, demissionais e de planejar o número de exames para o ano seguinte para todos os setores" "No cruzamento das informações do PPRA — avaliações quantitativas e PCMSO exames audiometricos realizados, verificamse que trabalhadores de setores que ultrapassaram o limite de tolerância estabelecido da NR15, não foram submetidos exames audiométricos com a freqüência exigida”. "As conseqüências da ineficácia do gerenciamento da empresa em relação ao ambiente de trabalho, a que expõe os seus trabalhadores, foram as perdas auditivas por PAIR registradas nos PCMSO's de 2000 a 2002, e as CAT's decorrente de doença ocupacional por perda auditiva neurosensorial." Dessa forma, restou evidenciado pela Fiscalização que a empresa não demonstrou que gerencia adequadamente os riscos ambientais existentes em suas unidades fabris, devendo a presente autuação ser mantida uma vez que a empresa deve informar em guias GFIP todos os fatos geradores de contribuições providenciarias, informando a exposição dos trabalhadores a riscos que ensejem a concessão de aposentadoria especial. Com relação ao pedido de julgamento conjunto coma NFLD nº 35.639.6789, por tratarem de matéria conexa, cabe esclarecer que tal processo já foi julgado pela então 6ª Fl. 171DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Câmara e por meio do Acórdão nº 20601130, de 06/08/2008, foi declarada a decadência até 12/2000 e no mérito negouse provimento ao recurso. Quanto a alegação de ilegalidade da aplicação da Taxa Selic importa salientar que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal.ou mesmo da Lei. Cumpre destacar, outrossim, que nos termos dos artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. No entanto, quanto à aplicação da multa, vale ressaltar que, para esse tipo de infração, houve alteração do cálculo pela Medida Provisória n.º 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que inseriu o art. 35A na Lei n. 8.212/1991, prevendo para os casos de lançamento de ofício a aplicação do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. Consoante a norma inserta no referido dispositivo legal não pode haver acumulação da multa de ofício aplicada no lançamento da obrigação principal com a multa decorrente do inadimplemento de obrigação acessória Assim, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN , verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, há que se verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NFLD correlatas resulta em valor mais benéfico ao contribuinte. Por todo o exposto; VOTO no sentido rejeitar as preliminares de nulidade suscitada, CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, de forma que prevaleça esse valor, caso seja mais benéfico que a soma da multa aplicada no auto sob julgamento com a multa mora presente nas NFLD correlatas Cleusa Vieira de Souza Fl. 172DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37324.001562/200711 Acórdão n.º 240101.749 S2C4T1 Fl. 162 9 Fl. 173DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001837/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasungi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado.
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HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discuti s os presente autos. 011 provimento ao recurso, nos te Acordam os Memb • 4 G Christian. s C • • - idente It . asugi s do Colegi o voto da Rei • o, .1! or unanimidade de votos, em negar EDITADO EM:09/11/20 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Nóbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Assim, contra ANDERSON SERGIPE VIEIRA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/08, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2006, exercício 2007, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular constatou-se omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.926,00 percebido das fontes pagadoras. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 680,92. Em síntese, o presente processo fiscal de lançamento, fora lavrado após o processamento da declaração de ajuste e resultado da solicitação de retificação de lançamento - SRL, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 09/24. A DRJ em acordão tombado sob o n°. 13-24.364 la. Turma da DRJ/RJOII em sessão de julgamento datado de 30/04//2009, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 29/33, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidancia de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. MATÉRIA NA° IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo a matéria não impugnada (Decreto n 2 70.235, de 1972, art. 17). Lançamento Procedente" Cientificada, por AR em 12/08/2009, fls. 38, o contribuinte apresentou, em 11/09/2009, recurso voluntário, fls. 39/40, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. 2 Process o if 13736.001837/2008-89 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.050 Fl. 44 Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e atica para que seja aceita a tese da defesa, conforme se ye no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3 0 da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa fisica, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. (-..)" Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. sugi - Relatora Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 I RPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, A mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências Desta 'correto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a de3 de primeira 1h ancia, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. 1 e. 4
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001784/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Datas dos Fatos Geradores: 03/11/2004; 11/11/2004; 17/11/2004;
19/11/2004; 26/11/2004.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei
no 37/1966, na redação dada pela Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.345
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência; no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Ausente momentaneamente o Conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pela Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência; no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Ausente momentaneamente o Conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa. Jose Luiz Novo Rossari Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior e Paulo Sergio Celani. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Relatório Para fins de resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 06, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 30.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados às fls. 04 e 05, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 61 da Medida Provisória nº 135, de 2003, publicada no DOU de 31/10/2003, e confirmada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 11 a 21, argumentando, em síntese: a) a falta de proporcionalidade e razoabilidade da penalidade diante da infração acusada; b) que não pode ser punida de forma repetida pelo mesmo fato, sob pena de se caracterizar bis in idem; c) não houve prejuízo ao Erário Público; d) atendida a obrigação, mesmo que a destempo, mas acompanhada do pagamento integral do principal, ineficaz a aplicação da multa, já que o cumprimento do principal extingue o acessório.” A impugnação foi considerada improcedente pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Contra a decisão, a interessada ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual afirma ter ocorrido a decadência antes de ter sido cientificada do auto de infração e repete os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001784/200961 Acórdão n.º 3202000.345 S3C2T2 Fl. 95 3 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. Observo que a recorrente apenas apresenta argumentos de direito; ela não nega os fatos descritos no auto de infração, o que nos impõe considerálos verdadeiros. Quanto à alegação de decadência, que aprecio como preliminar, não deve ser aceita, pois a efetivação dos registros, cuja falta ocasionou a exigência em discussão, poderia ter ocorrido até as datas de 03/11/2004, para o navio LIBRA RIO 015N, 10/11/2004, para o navio CAP SAN AUGUSTIN 027N, 10/11/2004, também para o navio LYKES FLYER 016N, 16/11/2004, para o navio LYKES RANGER 021N, 18/11/2004, para o navio ELQUI 4373N, e 25/11/2004, para o navio CAP SAN MARCO 029N, de modo que, a partir dos dias seguintes a estes, a fiscalização poderia e deveria formalizar a aplicação da multa, no prazo de cinco anos, à luz dos arts. 138 e 139 do DecretoLei n.º 37, de 18/11/1966. Vejamos os citados dispositivos: “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” Assim, o prazo decadencial extinguirseia em 04/11/2009, para o navio LIBRA RIO 015N, 11/11/2009, para os navios CAP SAN AUGUSTIN 027N e LYKES FLYER 016N, 17/11/2009, para o navio LYKES RANGER 021N, 19/11/2009, para o navio ELQUI 4373N, e 26/11/2009, para o navio CAP SAN MARCO 029N. Conforme aviso de recebimento à folha 9 dos autos, a interessada foi cientificada do auto de infração em 06/10/2009, logo, antes de incidir a decadência, para todos os navios. De acordo com o que já assentado pelo relator do acórdão recorrido, as infrações que ensejaram a lavratura do auto de infração que deu origem a este processo não dizem respeito a operações de importação, mas sim a exportações. Especificamente, a conduta atribuída à recorrente foi deixar de registrar nos sistemas informatizados de controle aduaneiro, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 A recorrente não nega que procedeu aos registros somente após terem sido transcorridos sete dias do embarque. Afirma que, não obstante isto, tal intempestividade não seria suficiente para justificar a imposição da multa. A infração e a sanção em discussão estão definidas e fundamentadas na legislação aduaneira, em especial no DecretoLei n.º 37, de 18/11/1966, que possui status de lei. Vejamse alguns de seus dispositivos em vigor na data dos fatos e que fundamentaram a lavratura do auto de infração: “Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ...” “Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” “Art.96 As infrações estão sujeitas às seguintes penas, aplicáveis separada ou cumulativamente: ... III multa; ....” “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001784/200961 Acórdão n.º 3202000.345 S3C2T2 Fl. 96 5 e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e ... § 2o As multas previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)” A autoridade fiscal fundamenta a aplicação da penalidade, também no art. 37 da Instrução Normativa SRF n.º 28/94, de 27/04/1994, que com a redação dada pela IN SRF n.º 510/2005, de 14/02/2005, dispõe: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo.” Da leitura destes dispositivos, restaria claro que, ao deixar de registrar os dados de embarque de mercadorias objeto de declarações de exportação, no prazo de sete dias, contados da data do embarque, a recorrente não se conduziu do modo exigido no art.37 e na alínea “e” do inciso IV do art. 107, do DL n.º 37/66, fazendo incidir o comando do caput e do inciso IV deste artigo 107, ou seja, caracterizarseia infração, que, por força de lei, ensejaria aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao infrator por infração. Há aqui, porém, um equívoco. É que, no caso, os embarques dos navios ocorreram no ano de 2004,quando ainda não havia sido editada a IN SRF n.º 510/2005. O artigo 37 da IN SRF n.º 28/94 possuía, então, a seguinte redação: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho.” Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Logo, não se podia aplicar, na época dos fatos, o prazo de sete dias para o registro de dados de embarque de mercadoria, na via marítima, vez que a Secretaria da Receita Federal o estabeleceu apenas em 15/02/2005, por meio da IN SRF n.º 510/2005. Verificase, portanto, que o auto de infração está fundamentado em norma inadequada para aplicação da sanção, o que, por si só, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, haja vista que a recorrente teve conhecimento dos fatos e da sanção que lhe foram imputados, tendo impugnado a exigência com argumentos que demonstram tal conhecimento. Por outro lado, verificase que a lei determina que a infração se dá com o descumprimento da obrigação de prestar informações na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, de sorte que se estes não tiverem sido estabelecidos, não há que se falar em infração. Como vimos, conforme art. 37 da IN SRF n.º 28/94, com a redação vigente à data dos fatos, a forma estabelecida pela Receita Federal para a prestação de informações relativas ao embarque de mercadoria seria o registro dos seus dados no Sistema Integrado de Comércio ExteriorSiscomex. O momento para a efetivação destes registros era “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. O termo “imediatamente”, no caso, pode levar à interpretação de que o prazo seria indeterminado ou que seria no instante seguinte ao do embarque. De uma ou de outra forma, não pode a imposição da penalidade se sustentar, pois se “imediatamente” implica um prazo indeterminado, não há como aplicar a pena sob a alegação de que o prazo de sete dias, ou qualquer outro, foi descumprido; e, se o termo “imediatamente” significa que o transportador ou o agente de carga deve proceder aos registros do embarque nos instantes seguintes a este, vale dizer, nos segundos ou minutos seguintes, então, este termo não define um prazo. Determinar que alguém deve fazer algo imediatamente não pode ser equiparado a dar um prazo a este alguém para fazêlo. Ora, o comando da norma é claro: deve haver um prazo para o cumprimento da obrigação. A própria RFB reconheceu a impropriedade de se exigir que o registro dos dados de embarque se fizesse nos instantes seguintes à sua efetivação que expediu a Notícia Siscomex no 105/1994, pela qual veiculou que o termo “imediatamente” deveria ser entendido como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”. Por outro lado, uma vez que Notícia Siscomex não possui caráter normativo, nem sequer consta da Portaria SRF n.º 1, de 02/01/2001, que disciplina a edição de atos de natureza tributária e aduaneira, de atos administrativos, despachos e correspondência da Secretaria da Receita Federal, o prazo de 24 horas nela referido não pode ser considerado como o prazo a ser exigido do transportador ou agente de carga. Deste modo, o prazo somente foi estabelecido com a edição da IN SRF n.º 510/2005, portanto, só após a sua entrada em vigor se pode dizer que o prazo foi descumprido. Não vejo, pois, como manter a autuação nos termos em que formalizada, especialmente, porque à época dos fatos não havia um prazo estabelecido pela Secretaria da Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001784/200961 Acórdão n.º 3202000.345 S3C2T2 Fl. 97 7 Receita Federal para a efetivação dos registros dos dados de embarque de mercadoria destinada ao exterior, motivo pelo qual dou provimento ao recurso voluntário, consideradas prejudicadas as alegações da recorrente. Paulo Sergio Celani Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10665.000935/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 31/10/2008
COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. Em se tratando de DCOMP transmitida em janeiro de 2005, correta a exigência da multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros,
ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.451
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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LUCRO REAL Recorrente PRO CALCAREO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. Em se tratando de DCOMP transmitida em janeiro de 2005, correta a exigência da multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros, ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório PRO CALCAREO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 02/05, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência do crédito tributário no valor de R$ 55.543,81 (Cinqüenta e cinco mil, quinhentos e quarenta e três reais e oitenta e um centavos), a título de Multa Regulamentar, exigida isoladamente, cuja data de referência é 31/10/2008. (...). De acordo com a descrição dos fatos à fl. 03, o lançamento reportase a aplicação de multa isolada em face de o sujeito passivo ter efetuado compensação indevida de valores em declaração de compensação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do auto de infração. Impugnação A contribuinte foi cientificada do auto de infração, por via postal, em 03 de julho de 2009, conforme evidencia a cópia do Aviso de Recebimento “AR”, dos Correios à fl. 18. Por não se conformar com a exigência apresentou impugnação, consubstanciada na petição de fls. 21/24, recepcionada na Repartição de origem em 03 de agosto de 2009. Apresentase a seguir um repositório das razões de discordância expendidas, mantidos os subtítulos e a numeração adotada pela defendente: I – DA TEMPESTIVIDADE. .diz que recebeu o auto de infração no dia 03/07/2009 (sextafeira), devendo o prazo de 30 (trinta) dias, ser contado a partir de 06/07/2009 (primeiro dia útil após o recebimento); II DO CONTEÚDO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. II.1 – Das Descrições dos Fatos, e Enquadramentos..diz que os fatos descrevem a apuração de infrações e o conseqüente lançamento de ofício; II.2 – Da Multa Isolada – Compensação indevida..transcreve o inteiro teor da “descrição dos fatos” do auto de infração, grifando, textualmente, as seguintes expressões e excertos: “O sujeito passivo efetuou compensação indevida...” “...as compensações pretendidas pela interessada...” “...a constatação de que a compensação é indevida...” “...“valor total do débito indevidamente compensado”,...” “...que compõem o débito que pretendeu compensar...” (grifos como no original) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 3 .após essa transcrição, acrescentou a observação de que: “todos os destaques são de nossa autoria, pela pertinência da impugnação que seguirá”; II.3 – Do Crédito Tributário notificado. diz que o lançamento de ofício importa na exigência de R$ 55.543,81, equivalentes à 75% (setenta e cinco por cento) dos tributos “a que buscara compensar”. III – DA IMPUGNAÇÃO. reportase ao Código Penal, para afirmar que “não se pune a intenção”. Requer que tal determinação seja usada como paradigma, aludindo que em matéria penal, a cogitação seria impunível; para arrimar sua tese reportase à doutrina e discorre acerca do “iter criminis”, qual seja “o conjunto de fases que se sucedem cronologicamente no desenvolvimento do delito doloso, ou seja, no delito que é dominado pelo seu autor” (ipsis litteris); em seqüência, faz alusão às fases do “iter criminis”, subdividida em atos preparatórios e em atos executórios; daí então, faz alusão às expressões que destacou na transcrição da descrição dos fatos, raciocinando que a fiscalização terseia equivocado, pois ao mesmo tempo que teria dito ter havido compensação indevida, teria dito também que ela pretendeu compensar os mencionados tributos; sustenta, pois, que não foram consumadas as compensações, e que para comprovar que essa consumação não se efetivou, teria optado pelo PAEX, como estaria demonstrado no PTA oriundo do auto de infração ora combatido; entende que se os débitos tivessem sido compensados, não seriam objeto de parcelamento; alega que não se conhece de que as mencionadas compensações tivessem sido estornadas, exatamente porque elas não teriam acontecido; enfatiza que o comando legal do § 2º da Lei nº 10.833, de 2003, é de que a multa isolada seja calculada sobre o valor do débito indevidamente compensado. Porém, segundo alega, no presente caso o débito não teria chegado a ser compensado; daí, reitera que por isso mesmo, referido débito foi objeto de parcelamento, via PAEX; .conclui, alegando que a seu ver a multa isolada carece de base legal para sua aplicação, devendo ser cancelada e extinta a exigência; sustenta que a empresa não pode ser penalizada por algo que não fez, haja vista que teria apenas pretendido a compensação, o que teria sido barrado pela Receita. A seu ver, a multa isolada vingaria se fosse o caso de compensação levada a cabo, mas não pelo simples pedido de compensação não consumada; IV – CONCLUSÕES / REQUERIMENTOS requer a “reformulação do auto de infração que compõe o processo em referência, de forma a excluir do mesmo, a multa ali lançada, condicionando sua baixa e arquivo definitivo...” (ipsis litteris) (destaques como no original) Anexos à impugnação Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 4 Com a impugnação a defendente juntou aos autos, unicamente, cópia reprográfica da 3ª alteração de seu instrumento constitutivo (fls. 25/30). A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. Em se tratando de DCOMP transmitida em janeiro de 2005, afigurase cabível a exigência da multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros, ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado a fiscalização aplicou multa isolada pelo fato de ter sido considerada “Compensação não Declarada”, em face de os créditos serem de terceiros e também por não se tratar de crédito referente a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida: De tal modo, resta apreciar a alegação da defendente de que a compensação não teria sido consumada. Ora, o pressuposto para aplicação da multa é justamente a fundamentação legal prelecionada no § 4º, do art. 18, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com redação dada pelas Leis nºs 11.051, de 29 de dezembro de 2004 e 11.196, de 21 de novembro de 2005, e pelo art. 18, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Foram citados, ainda o art. 74, § 12, inc. II, alíneas “a” e “e”, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 31, § 1º, inc. II, alíneas “a” e “e”, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, in verbis: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente.” Lei nº11.051, de 29 de dezembro de 2004: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 6 “Art. 4o O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. “ (grifo nosso) (…) “Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (grifo nosso) Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005: “Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 18. ........................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 7 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo." (grifo nosso) Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: “Art. 18. Os arts. 3º e 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 3º (...) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (...) " "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. .(...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo." (grifo nosso) Instrução Normativa nº 600, de 28 de dezembro de 2005: “Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. § 1º Também será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º do art. 26; II em que o crédito: a) seja de terceiros; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 8 b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF. § 2º Às hipóteses a que se refere o caput e o § 1º não se aplica o disposto nos §§ 2º e 4º do art. 26 e nos arts. 29, 30 e 48. § 3º A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados ou a cobrança dos débitos já lançados de ofício ou confessados. § 4º Verificada a situação a que se referem o caput e o § 1º em relação a parte dos débitos informados na Declaração de Compensação, somente a esses será dado o tratamento previsto neste artigo. § 5º Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 1º, aplicandose o percentual de: I 75% (setenta e cinco por cento); ou II 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 6º As multas a que se referem os incisos I e II do § 5º passarão a ser de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) e 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos ou arquivos magnéticos.” Ainda que não tenha sido provada a alegada adesão ao PAEX, a saber o parcelamento Excepcional instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 e, fundamentalmente, muito menos tenha sido provado que os débitos constantes da DCOMP em referência tenham sido incluídos nesse parcelamento, circunstância que por si só determina a inépcia da alegação para os fins colimados, insta considerar que se assim fosse, estaria caracterizada a desistência e o conseqüente cancelamento da declaração de compensação. Todavia, o “Cancelamento de Declaração de Compensação”, obedece a rito próprio, formalmente expresso nos artigos 61 e 62 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18/10/2004, vigente à época da transmissão da DCOMP em referência; bem como no artigo 62 da Instrução Normativa SRF nº 600 de 28/12/2005, citada no enquadramento legal do auto de infração, e vigente no período em que foi facultada a adesão ao PAEX. E esse rito previa que o pedido do cancelamento fosse requerido expressamente à Receita Federal, mediante a transmissão do “Pedido de Cancelamento”, gerado a partir do Programa PER/DCOMP, além de obedecer alguns requisitos. Ora, sem esse Pedido de Cancelamento, a Receita Federal não tem conhecimento eficaz da intenção do contribuinte e prossegue na tramitação da DCOMP respectiva. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 9 Todavia, tal pedido de cancelamento, também não foi apresentado, ainda que fosse o caso, e não é, nem que fosse para subsidiar a incomprovada tese de que os débitos foram incluídos posteriormente no PAEX. Por oportuno, cumpre considerar que nos Sistemas de controle da Receita Federal não consta transmissão de pedido de cancelamento em relação à DCOMP em referência. Confirase, por relevante, a inteira dicção da legislação de regência da matéria: Instrução Normativa SRF nº 460 de 18 de outubro de 2004: “Desistência de Pedido de Restituição e de Pedido de Ressarcimento e Cancelamento de Declaração de Compensação Art. 61. A desistência do Pedido de Restituição ou do Pedido de Ressarcimento poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Art. 62. O cancelamento pelo sujeito passivo da Declaração de Compensação apresentada à SRF, seja ela gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel), somente será admitido na hipótese de total inexistência do crédito ou dos débitos informados na Declaração de Compensação. Parágrafo único. Na hipótese de deferimento do Pedido de Cancelamento da Declaração de Compensação por total inexistência do crédito, deverá ser promovido o lançamento de ofício dos créditos tributários não lançados de ofício nem confessados.” Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005: “Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação.” De tal forma, se os débitos foram incluídos no PAEX, o que não está comprovado, também remanesceram na DCOMP em tramitação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 10 Aditese, ainda que nada tenha sido provado em relação à alegada adesão ao PAEX, muito menos da inclusão dos débitos respectivos, que a adesão ao PAEX estava condicionada à desistência formal de processos administrativos e judiciais que versassem sobre os débitos correspondentes que se pretendesse incluir no parcelamento. No entanto também nesse particular, nada foi apresentado para comprovar a alegação e ensejar procedimento diverso por parte da Receita Federal. A propósito, consulta à situação do parcelamento PAEX da contribuinte na página da Receita Federal na internet, denota “opção não validada por ausência de pagamento da primeira parcela”. Devidamente contraditada a tese e ultrapassada essa questiúncula, comporta apreciar a alusão de que não seria cabível a exigência da presente multa isolada, em face de a compensação não ter sido consumada, mas apenas intentada, de modo tal que dever seia aplicar, paradigmaticamente, regra de natureza processual penal, acerca de não punição de ilícito tentado. Ora, nas circunstâncias discutese aplicação de regras de natureza eminentemente tributárias, devidamente explicitadas, que prescindem de interpretação, analogia, adoção de paradigmas, etc, devendo aterse o julgador à interpretação literal. A propósito, nem sequer está em discussão, mesmo porque a defendente não discorda, que não se trata de crédito próprio e de que tal crédito não se refere a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, o que enseja, nos termos da legislação citada no enquadramento legal da aplicação da multa no auto de infração, e transcrita anteriormente, considerar a compensação não declarada. Então, não há que se falar em ausência de consumação da hipótese que enseja aplicação da penalidade da multa isolada. Ora, a hipótese dos presentes autos, subsumese, com exatidão ao pressuposto no dispositivo legal que embasa a aplicação da penalidade, qual seja o mandamento de que será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou seja nas hipóteses, dentre outras, em que o crédito, ou seja de terceiros, ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Como se vê, não há nenhuma antinomia, eis que a própria lei se refere ao débito indevidamente compensado, o que exclui toda a digressão sobre atos preparatórios, atos executórios, consumação da infração tributária, alusão à que as compensações deveriam ter sido estornadas. É após a análise, que a autoridade tributária, se presentes as hipóteses ensejadoras previstas nas alíneas do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, vai formalmente considerar a compensação não declarada. No entanto, nesse momento já se operou e materializou a figura típica da prática da infração, surgindo a conseqüente obrigatoriedade da exigência da multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. A meu ver, aos fundamentos acima transcritos nada cabe acrescentar, pelo que peço vênia para adotálos como razões de decidir. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10665.000935/200972 Acórdão n.º 140200.451 S1C4T2 Fl. 0 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13828.000053/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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SÓCIO OU TITULAR DE PESSOA JURÍDICA INAPTA. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração (Súmula CARF nº 44). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso (ASSINADO DIGITALMENTE) Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 29/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de Notificação de Lançamento (fl. 2), decorrente da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente ao exercício 2004, com aplicação do valor mínimo da multa, estipulada em R$ 165,74. O requerente apresentou impugnação em Primeira Instância solicitando, nos termos do relator “o cancelamento da multa por desconhecimento da legislação na época da declaração de isento, que não foi aceita por possui empresa aberta, cujo fechamento havia solicitado no ano de 1992”. A 10ª Turma da DRJ/SPOII decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo a exigência do crédito tributário. O voto é fundamentado no art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, e no art. 30 da Lei nº 9.249, de 1995. Acrescenta o relator que o art. 7º da Lei nº 9.250, de 1995, não comporta exclusão a regra e que, conforme estabelecido pela IN SRF nº 393, de 2 de fevereiro de 2004, o contribuinte está obrigado a apresentação da Declaração de Ajuste Anual. O recorrente recebeu ciência do julgamento em 3 de março de 2008 (fl. 13) e apresentou recurso no dia 28 seguinte (fl. 14), solicitando que seja cancelada a cobrança da multa por atraso na entrega pois não sabia que devia fazer a declaração. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 13828.000053/200561 Acórdão n.º 2102001.212 S2C1T2 Fl. 17 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004. A Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determina que a declaração de rendimentos pessoa física seja apresentada, anualmente, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subsequente, conforme modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. A falta de apresentação da declaração ou a sua apresentação fora do prazo sujeita a pessoa física à multa, nos termos do artigo 88 da Lei 8.981, de 1995. A aplicada ao caso tem o valor mínimo estipulado em duzentas Ufirs (inciso II, §1º, alínea “a” do art. 88 da Lei 8.981/1995), convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A Lei nº 9.779, de 1999, artigo 27, estabelece competência à Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. A norma disposta pela Receita Federal, que para o exercício 2006 era a Instrução Normativa 616/2006, determina, no inciso III do artigo 1º, estar obrigado à entrega da declaração no prazo legal estabelecido o sujeito passivo que “participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou cooperativo”. Entretanto, a empresa vinculada ao requerente está inapta perante no cadastro da Secretaria da Receita Federal muito antes da data da entrega da declaração. É isso o que demonstra a consulta ao sistema informatizado da Receita Federal anexada à folha 7. Está a seu favor jurisprudência deste Tribunal, que desobriga o contribuinte da entrega da declaração quando a empresa que for sócio ou titular estiver inativa. A situação ficou de fácil deslinde com a publicação da Súmula CARF nº 44: Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Assim, como a empresa está na situação cadastral inapta e a declaração que provocou a multa por atraso deste processo referede ao exercício 2004, período em que a empresa já estava inativa, há subsunção perfeita com a situação da súmula, o que impende considerar a multa aplicada como indevida. Também não há nos autos quaisquer outros motivos que induza o contribuinte estar obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.000393/2003-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
Não sendo reconhecido direito creditório sobre o qual se funda pedido de compensação, deve ser este indeferido, por não satisfazer os requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Alegações de direito não expressamente impugnadas devem ser rechaçadas com base no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-000.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não sendo reconhecido direito creditório sobre o qual se funda pedido de compensação, deve ser este indeferido, por não satisfazer os requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Alegações de direito não expressamente impugnadas devem ser rechaçadas com base no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Tratase de Manifestação de Inconformidade (fl. 66 a 89) apresentada pela interessada anteriormente qualificada, acompanhada de documentos (fls. 90 a 125), em face do Despacho Decisório nº 011/08 (fls. 53), proferido no âmbito da Derat/RJO, com base no Parecer Conclusivo nº 011/08 (fls. 51 a 52). A interessada havia formalizado, em 15/01/2003, Declaração de Compensação – DCOMP (fls. 01/02), acompanhada de documentos (03 a 27), pleiteando a compensação de débitos de PIS (cód. 8109) e Cofins (cód. 2172), do anocalendário de 2002, nos valores respectivos de R$ 11.683,07 e R$ 21.241,94, com crédito de IRRF incidente sobre juros sobre capital próprio, do anocalendário de 2000, cujo valor original montaria a R$ 2.616.685,73. Por meio do Despacho Decisório e Parecer Conclusivo nº 011/08 (fls. 51 a 53), a autoridade fiscal da Derat/RJO não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada (fls. 01 e 02). Eis o entendimento daquela autoridade: “Cabe considerar, preliminarmente, que o crédito, cujo reconhecimento é objeto do presente processo, já foi analisado anteriormente no Processo Administrativo nº 10768.008524/200110, que tem como apenso o Processo nº 10768.001304/200246, este indicado na Declaração de Compensação como origem do crédito (fls. 01/02), todos de interesse da requerente, cujas cópias do Parecer Conclusivo e Despacho Decisório (nº 150/2005) exarados naquele processo estão sendo juntadas a este (fls. 37/43). Naquele processo, pelos motivos e fundamentos expostos no Parecer Conclusivo e Despacho Decisório nº 150/2005, com cópia juntada às fls. 37/43 do presente processo, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado, referente ao saldo negativo de IRPJ apurado pela interessada no anocalendário de 2000, exercício de 2001 e, conseqüentemente, não foram homologadas as compensações efetuadas naquele processo. Relevante ressaltar ainda que a interessada não apresentou motivos ou fatos novos que justifiquem nova análise do suposto crédito.” Nestes termos, a autoridade fiscal da Derat considerou que não era cabível nova análise do crédito no presente processo e, em face do não reconhecimento do mesmo em exame anterior no processo nº 10768.008524/200110, não reconheceu o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 e não homologou a compensação declarada à fl. 01. Em sua extensa Manifestação de Inconformidade (fls. 66 a 89), a interessada alega, inicialmente, que a análise do presente processo deveria ficar sobrestada até decisão definitiva a ser proferida pelo Conselho de Contribuintes, ao apreciar seu recurso interposto nos autos do processo nº 10768.008524/200110, uma vez que o direito creditório aqui pleiteado constituiria objeto de discussão no referido processo. Em seguida, enumera resumidamente os fundamentos denegatórios do Despacho Decisório proferido no processo nº 10768.008524/200110 e os seus Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.000393/200394 Acórdão n.º 130200.493 S1C3T2 Fl. 212 3 argumentos contrários expostos na manifestação de inconformidade apresentada por ela naquele processo (itens “a” a “e” e “f” a “j” de sua manifestação de inconformidade; às fls. 69 a 71) e prossegue, argumentando que: ela buscaria, por meio deste e do outro processo, o reconhecimento ao direito creditório correspondente ao saldo negativo do IRRF do anocalendário de 2000, bem como a homologação das compensações neles formalizadas; seu crédito seria oriundo do recolhimento antecipado do IRRF que teria sido efetuado pela empresa Valepar S.A. sobre receitas distribuídas a título de juros sobre o capital próprio, pagas ou creditadas a ela no ano de 2000; o acórdão proferido no processo nº 10768.008524/200110, embora reconheça um saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 no montante de R$ 13.290.472,40, acaba por concluir (à vista da DCTF (retificadora) do 4º trim/2001), que o valor já teria sido compensado com os valores de R$ 6.412.901,09 e 3.922.129,45, devidos a título de IRPJ em novembro e dezembro de 2001, não havendo certeza e liquidez do crédito pleiteado; ao contrário da conclusão exposta no referido acórdão, os valores de IRPJ de novembro e dezembro de 2001 teriam sido liquidados com crédito de IRRF sobre JCP retido no próprio ano de 2001, havendo erro nas DCTF (complementar e retificadora) do 4º trimestre de 2001, apresentadas após o pedido de restituição formalizado no final de 2001; para consertar o erro, ela teria apresentado, junto com o recurso voluntário oferecido no processo nº 10768.008524/200110, outra declaração retificadora, indicando a compensação do IRPJ 2001 com o crédito correto (retido no próprio ano de 2001), em espontaneidade, uma vez que não teria havido até aquela data autuação do montante devido; as DCTF complementar e retificadora do 4º trim/2001, que incluíram (ao contrário da original) as compensações de IRPJ de 2001 com o saldo negativo de IRPJ de 2000, teriam sido apresentadas posteriormente ao pedido de restituição e à maior parte das compensações pleiteadas. A interessada esclarece que pretende obter, por meio do recurso voluntário interposto no processo nº 10768.008524/200110 e da manifestação de inconformidade apresentada neste processo: o reconhecimento do seu saldo negativo apurado ao final do ano de 2000, decorrente da retenção do IRRF sobre JCP no ano de 2000; a homologação das compensações realizadas com esse crédito formalizadas nos processos; o processamento da retificação das DCTF apresentadas, a fim de que se reconheça a compensação do IRPJ (11 e 12/2001) nos montantes de R$ 6.412.901,09 e R$ 3.922.129,45 com o crédito de IRRF sobre JCP do próprio ano de 2001 (§ 6º, art. 9º da Lei nº 9.249/95). Argumenta ainda que, caso a autoridade julgadora entenda que o valor devido de imposto de renda informado como compensado na DCTF não seja considerado como tal e que não seja possível processar a retificação das declarações apresentadas, caberia à Secretaria da Receita Federal do Brasil exigir, dentro do prazo legal, os valores supostamente em aberto de imposto de renda, acrescidos da multa de mora, para que ela possa, a partir daí, efetuar o pagamento ou a compensação dos valores com outros créditos que possuísse. A interessada pondera também, a título de argumentação, que os valores de PIS e COFINS exigidos no presente processo, constantes da DCOMP, não seriam Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 devidos, mesmo no caso em que a autoridade julgadora entenda que a compensação informada na DCTF retificadora entregue posteriormente ao Pedido de Restituição deva se sobrepor às compensações realizadas no processo de restituição por meio de "Pedidos de Compensação" e ser motivo para o não reconhecimento do crédito e homologação das compensações. Ela alega que sua receitas, sobre as quais incidiriam PIS e Cofins, decorreriam de juros sobre capital próprio (e não de venda de mercadorias ou serviços), e, por isso, não estariam sujeitas às duas contribuições, à vista dos argumentos expostos às fls. 11 a 21 de sua manifestação de inconformidade (fls. 76 a 86 dos autos). Argumenta que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1999, que ampliou a base de cálculo para a totalidade das receitas, seria inconstitucional e ressalta que o Pleno do Supremo Tribunal Federal teria considerado, nesse sentido, que a Emenda Constitucional nº 20/1998 não poderia corrigir o vício de constitucionalidade daquele dispositivo (RE 346.084; 09/12/2005). Em resumo, em sua Manifestação de Inconformidade, a interessada: a) requer, preliminarmente, que seja sobrestada a análise deste processo até o posterior julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 10768.008.524/200110, ao qual o presente processo se encontraria vinculado; b) requer, sucessivamente, caso assim não entenda a autoridade julgadora, que: seja reconhecido o direito à restituição do seu saldo negativo apurado ao final do ano de 2000, decorrente da retenção de IRRF sobre JCP no ano de 2000; sejam homologadas as compensações de PIS e COFINS realizadas com esse crédito por meio dos Pedidos de Compensação apresentados no processo; seja processada a retificação da DCTF do final do ano de 2001, a fim de que se reconheça a compensação do imposto de renda (de dez e nov de 2001) nos montantes R$ 6.412.901,09 e R$3.922.129,45 com o crédito de IRRF sobre JCP do próprio ano de 2001; c) requer caso a autoridade julgadora entenda que o valor devido de imposto de renda informado na DCOMP como compensado não possa ser considerado como tal e que não seja possível processar a retificação das declarações, que: seja reconhecido o direito à restituição do seu saldo negativo apurado ao final do ano de 2000, decorrente da retenção de IRRF sobre JCP no ano de 2000; sejam homologadas as compensações de PIS, COFINS e CSLL realizadas com esse crédito por meio dos Pedidos de Compensação apresentados nos processos; a Secretaria da Receita Federal calcule, dentro do prazo legal, os valores supostamente em aberto de imposto de renda do ano de 2001, acrescidos da multa de mora, informandoa do cálculo efetuado, a fim de proceder ao pagamento ou à compensação do débito com outros créditos que possui. d) requer, por fim, que caso a autoridade julgadora entenda que a compensação efetuada por meio das DCTF do final do ano de 2001, mesmo sendo posterior ao Pedido de Restituição apresentado em junho de 2001, se sobreponha às compensações realizadas no processo de restituição por meio de "Pedidos de Compensação" e seja motivo para o não reconhecimento do crédito e homologação das compensações seja cancelada a cobrança em relação aos valores de PIS e COFINS exigidos, em razão de que eles incidiriam sobre receitas não operacionais, que não seriam tributadas por essas contribuições. A 1ª Turma da DRJ/RJOI, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado no valor originário de R$ 2.616.685,73 e, por conseguinte, considerar NÃO HOMOLOGADA a compensação declarada Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.000393/200394 Acórdão n.º 130200.493 S1C3T2 Fl. 213 5 na DCOMP de fls. 01/02 e não quitados os débitos nela indicados, com supedâneo nos seguintes fundamentos: Sobrestamento do presente processo O crédito objeto das compensações aqui pleiteadas (fls.01/02) já foi analisado e não reconhecido pelo Despacho Decisório/Parecer Conclusivo nº 150/2005 da Derat/RJO, proferido no processo nº 10768.008524/200110, sob a justificativa de que o crédito não se encontrava revestido de certeza e liquidez. Contra tal decisão foi apresentada manifestação de inconformidade, apreciada pela 8ª turma da DRJ/RJOI no acórdão nº 8.960/2005, que considerou que o saldo negativo de IRPJ de 2000, pleiteado a título de crédito, já teria sido anteriormente compensado com IRPJ de novembro e dezembro de 2001, conforme informado pela interessada na DCTF do 4º trimestre de 2001 (tanto na DCTF complementar quanto na retificadora, apresentadas, respectivamente, em 08/07/2002 e 03/01/2005 –fls.149 a 156). Do acórdão proferido no processo 10768.008524/200110 foi interposto Recurso Voluntário ao 1º Conselho de Contribuintes, que aguarda julgamento do mérito (fls. 143 a 148). Segundo a Portaria RFB nº 666/2008, as Dcomp que tenham por base o mesmo crédito devem ser objeto de um processo único. Para sanear esta omissão, a Derat/RJO proferiu (fls. 51/53) no presente processo o Despacho Decisório/Parecer Conclusivo 11/2008, no qual acatou os motivos e fundamentos expostos no Despacho Decisório/Parecer Conclusivo nº 150/2005, não reconhecendo o direito creditório pleiteado na forma do saldo negativo de IRPJ de 2000, e, conseqüentemente, não homologando as compensações declaradas às fls. 01/02 do presente processo. Assim, não cabe o sobrestamento do presente processo, haja vista o andamento passos a frente do processo 10768.008524/200110. Melhor seria a juntada de ambos, para que seguissem a mesma sorte (no caso, a juntada por anexação deste àquele). Contudo, para isso, devem estar no mesmo nível processual. Como naquele outro processo já existem duas decisões contrárias ao reconhecimento do crédito, deve prevalecer a decisão ali exarada, não se podendo, neste processo, reconhecer o direito creditório no valor originário de R$ 2.616.685,73 pleiteado neste processo, pelas razões já apontadas, devendo, por conseguinte ser considerada não homologada a compensação declarada às fls. 01/02. Inconstitucionalidade do PIS e da Cofins Quanto a este ponto, falta competência ao órgão julgador administrativo para se pronunciar a respeito de conformidade de lei validamente editada pelo Poder Legislativo. Além disso, o Pleno do STF decidiu o caso alegado não em ADIN mas em recurso extraordinário, o qual produz efeitos inter partes, não se tendo notícia de que o Senado tenha expedido Resolução para retirar a vigência do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ou que o STF tenha editado Súmula Vinculante. Desta forma, devem prevalecer os débitos nos valores de R$ 11.683,07 e R$ 21.241,94, a título de PIS e Cofins, indicados na Dcomp (fl. 01). No entanto, como a declaração foi formalizada antes de a interessada ter tomado ciência das decisões administrativas proferidas no processo 10768.008524/200110 os débitos indicados na Dcomp e não compensados devem ficar com exigibilidade suspensa enquanto pendente de decisão do Conselho de Contribuintes, nos termos do §4º do art. 21 da IN SRF 210/2001 e dos §§7º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 Anuência para nova retificação da DCTF do 4º trimestre de 2001 A recorrente busca anuência para retificar a DCTF do 4º trimestre de 2001, para excluir dela a utilização do crédito correspondente ao saldo negativo de IRPJ de 2000 na compensação ali indicada, para tornálo disponível para ser utilizado tanto nos pedidos de compensação constantes do processo 10768.008524/200110 (e demais apensos a ele), como na compensação indicada no presente processo. Contudo, não compete à DRJ apreciar em caráter originário a solicitação de retificação de DCTF, que deve seguir os procedimentos estabelecidos nas instruções normativas que tratam o assunto. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho repisando argumentos expendidos na impugnação, e alegando, em síntese, que: embora o direito creditório pleiteado no presente processo seja objeto de discussão no processo nº 10768.008524/200110, no presente processo se requer compensações distintas daquelas solicitadas naquele outro. Todavia, a matéria é a mesma, Saldo Negativo de IRRF relativo ao anocalendário de 2000, em razão do que se reitera toda a argumentação expendida naqueles autos. Tal crédito deriva do recolhimento antecipado de IRRF pela empresa Valepar S/A sobre receitas distribuídas de JCP pagos ou creditados no anocalendário de 2000 à recorrente; os valores sujeitos à compensação são relativos ao PIS e à Cofins exigidos sob a égide do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, os quais, na parte relativa às receitas não operacionais, não eram devidos, em razão da inconstitucionalidade do alegado dispositivo, conforme decidiu o Plenário do STF no RE 340.840/MG. Assim, ainda que negado o mérito, não podem tais valores ser exigidos do recorrente, por ser uma sociedade holding, suas receitas, que foram tributadas pelo PIS e pela Cofins, não são decorrentes da venda de mercadorias ou de serviços, mas da contabilização dos JCP recebidos e de outras receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.000393/200394 Acórdão n.º 130200.493 S1C3T2 Fl. 214 7 O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. MÉRITO SOBRE DIREITO CREDITÓRIO JÁ DECIDIDO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO A presente questão versa sobre pedido de compensação cujo direito creditório já foi discutido e decidido nos autos do processo administrativo nº 10768.008524/200110. Consoante relatado na decisão de 1º grau, bem como pela recorrente, tal direito não foi reconhecido pela Derat/RJO que ao decidir entendeu, no Despacho Decisório/Parecer Conclusivo nº 150/2005, que o crédito não se encontrava revestido de certeza e liquidez. Manifestada inconformidade, foi novamente apreciado pela 8ª turma da DRJ/RJOI, que, no acórdão nº 8.960/2005, considerou que o saldo negativo de IRPJ de 2000, pleiteado a título de crédito, já teria sido anteriormente compensado com IRPJ de novembro e dezembro de 2001, conforme informado pela interessada na DCTF do 4º trimestre de 2001 (tanto na DCTF complementar quanto na retificadora, apresentadas, respectivamente, em 08/07/2002 e 03/01/2005 –fls.149 a 156). Neste momento, sabese que o Recurso Voluntário interposto contra esta decisão foi julgado pela 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, a qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. No voto condutor, o ilustre Conselheiro Relator, Alexandre Barbosa Jaguaribe destaca, como razões de decidir que: a) a própria recorrente reconhece seu erro, e a correção das decisões que negaram seu pleito, tanto que em 2006, com o fito de consertar o erro, procedeu à retificação das DCTF; b) o pedido não pode ser inovado no curso do procedimento fiscal, para incluir novos pleitos derivados de retificações procedidas após a decisão da DRJ. Dessa decisão foram opostos embargos, os quais foram julgados no acórdão 1402000.389, que, por unanimidade de votos, acolheu os embargos interpostos pelo contribuinte contra o Acórdão nº 10323.585, de 19/09/2008, e sanou a omissão apontada, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Não há, portanto, em nenhuma fase do curso daquele processo administrativo, uma decisão sequer que reconheça o direito creditório pleiteado. Pelo contrário. No voto condutor do julgamento procedido pela 3ª Câmara do 1º CC, acompanhado por unanimidade, o relator conclui que após o envio das DCTF prestadas em 2002 o pedido perdeu inclusive seu objeto. Sendo a compensação aqui discutida dependente daquele resultado, e havendo já apreciação da matéria pelo CARF, com o não reconhecimento do direito creditório, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 não vejo possibilidade jurídica de se conceder o pedido, que não prescinde de tal reconhecimento. As alegações concernentes ao processamento de DCTF apresentadas no final do ano 2001, reconhecimento do direito à restituição do saldo negativo apurado ao final do ano 2000, decorrente da retenção de IRRF sobre JCP no ano de 2000, e o pedido para que se oficie a RFB para que calcule, no prazo legal, os valores “em aberto” de IR do ano de 2001, acrescidos de multa de mora, também dizem respeito ao direito creditório alegado, e não à estrita compensação aqui pedida, inexistindo competência deste colegiado para apreciálas. Ademais, o pedido foi expressamente feito e apreciado no processo 10768.008524/200110. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Relativamente ao pedido para que se reconheça no caso concreto a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e se cancele a cobrança de PIS e Cofins que se tentou extinguir por meio das compensações pleiteadas neste processo, não há possibilidade jurídica para concedêlo. Embora pudesse este colegiado, em tese, reconhecer a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9718/98 in casu, com base no art. 26A, §6º, I, do Decreto nº 70.235/72, porquanto já decidido de forma definitiva pelo plenário do STF, a questão pende de instrução, não se podendo aferir neste momento a natureza das receitas alegadas pelo recorrente por não ser este o meio processual adequado para obtenção do pleito desejado. Pretende o recorrente uma reviravolta neste processo, que desde o início foi voltado para discutir a extinção de crédito tributário certo, por meio da compensação, para que passe a questionar o próprio crédito, querendoo, agora, declarado inconstitucional, e extinto por forma diversa, a saber, pela decisão administrativa irreformável. Não vejo cabível tal extensão, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, posto que o questionamento relativo ao crédito não foi expressamente impugnado, e não se trata de questão meramente documental relativa a direito superveniente, mas de questão de direito ulteriormente posta. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 22 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.000393/200394 Acórdão n.º 130200.493 S1C3T2 Fl. 215 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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