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Numero do processo: 10930.000388/2007-86
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa Selic. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 9101-003.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demétrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa Selic. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demétrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 88 /2 00 7- 86 Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 21/04/2014, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1802002.066, por meio do qual os membros da 2a Turma Especial da 2ª Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A decisão recorrida manteve a exigência dos créditos tributários de IRPJ, constituídos pela Fiscalização em razão de a contribuinte INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE JUNTAS UNIVERSAL LTDA, tributada com base no lucro presumido, ter declarado, nas DIPJ e DCTF relativas aos anoscalendário 2002 a 2004, receitas brutas trimestrais inferiores àquelas verificadas em seus livros fiscais e contábeis. Em decorrência das mesmas irregularidades, foram lançados também adicionais trimestrais de IRPJ e créditos relacionados aos tributos reflexos CSLL e PIS. A autuação descrita fora integralmente mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância. Posteriormente, a 2a Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção manteve os créditos principais, mas deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte para afastar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: RECEITA BRUTA. CONCEITO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO ICMS. A receita bruta compreende o preço dos serviços prestados, não sendo incluídos os impostos não cumulativos, cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o prestador dos serviços seja mero depositário. Portanto, não há permissivo legal para que se exclua da receita bruta, o ICMS incidente sobre as vendas. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 4 3 Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL e PIS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Após a formalização do acórdão, os autos foram encaminhados de forma eletrônica à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 21/05/2014, para fins de ciência do teor da decisão. A intimação pessoal do Procurador se deu, portanto, em 20/06/2014, nos termos do § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010. Em 24/06/2014, a PGFN interpôs tempestivamente recurso especial insurgindose contra o Acórdão nº 1802002.066, sob a alegação de que a decisão teria dado à legislação tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF, no que toca à regularidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009, a recorrente apontou acórdãos de turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que teriam dado ao tema debatido interpretação diversa daquela esposada pela decisão recorrida. A PGFN narra que o acórdão recorrido afastou a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício por entender que tal multa não integra o débito sobre o qual a legislação autoriza a incidência de juros moratórios. Sendo assim, a recorrente defende que a decisão recorrida teria interpretado a legislação aplicável ao caso de forma conflitante com a adotada nos Acórdãos nº 910100.539 (proferido pela 1ª Turma da CSRF) e nº CSRF/0400.651 (prolatado pela extinta 4ª Turma da CSRF), que consideraram que os juros de mora, calculados à taxa Selic, incidem sobre todo o crédito tributário constituído, aí incluída a multa de ofício. Após defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, a PGFN apresenta alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: Nos termos do § 1º do art. 113 do CTN, o que caracteriza a obrigação tributária principal é seu conteúdo pecuniário (obrigação de dar dinheiro). Assim, evidentemente a multa de ofício teria natureza de obrigação principal; Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 5 4 Já o art. 39 do CTN preceitua que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A única conclusão possível seria, portanto, que o crédito tributário engloba tanto o tributo (principal) quanto a multa; Assim, o § 1º do art. 161 do CTN, ao determinar que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, estaria contemplando tanto o tributo quanto a multa de ofício como base de incidência dos juros moratórios; O art. 61 da Lei nº 9.430/1996 também se refere tanto ao tributo (principal) quanto à multa de ofício quando menciona "débitos para com a União". Assim, seu § 3º determina a incidência da taxa Selic ("taxa a que se refere o § 3º do art. 5" da mesma Lei), a título de juros de mora, sobre ambas as verbas; Corrobora tal conclusão o art. 950, § 3º, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999), que determina que não incide multa de mora quando o valor do imposto já tiver servido de base para aplicação da multa de ofício. Assim, afastase a possibilidade de que o caput do art. 61 da lei nº 9.430/1996 pudesse permitir a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício; Além disso, o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 fala na incidência de multa de mora e de juros moratórios apenas sobre débitos "não pagos nos prazos previstos na legislação específica". Como a multa de mora e os juros de mora não têm prazo de vencimento (salvo quando exigidos isoladamente em virtude de lançamento de ofício), a única interpretação possível é que o art. 61 e seu § 3º, ao se referirem a "débitos para com a União" e a "débitos a que se refere este artigo" tratam dos tributos e das multas de ofício (cujo prazo para pagamento é de trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo); Também o art. 2º, § 2º, da Lei nº 6.830/1980 e o art. 39 da Lei nº 4.320/1964 corroboram a conclusão pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício ao disporem que os débitos inscritos na Dívida Ativa da União abrangem os juros moratórios. Não haveria razão jurídica suficiente para determinar a aplicação de tais acréscimos ao mesmo débito quando apto a ser executado (Dívida Ativa) e afastála quando ainda em discussão administrativa, embora não pago no vencimento; Por fim, os arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002 vão no mesmo sentido, ao determinarem a incidência da taxa Selic sobre débitos de qualquer natureza devidos à União. A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja admitido e provido para reformar o acórdão recorrido, reconhecendose a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada. A irresignação da Fazenda Nacional foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar a observância dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 04/02/2016, que entendeu ter sido devidamente comprovada pela recorrente a existência de dissenso jurisprudencial entre os Acórdãos nº 1802002.066 (recorrido) e nº 910100.539 e nº CSRF/0400.651 (paradigmas) no que concerne à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, deuse seguimento ao recurso especial interposto pela PGFN. Em 31/03/2016, a contribuinte foi intimada, por via postal, a tomar ciência do Acórdão nº 1802002.066, do recurso especial apresentado pela PGFN e do despacho que o Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 6 5 admitiu. Em resposta, e em consonância com as disposições infralegais, o contribuinte protocolou, em 15/04/2016, de forma tempestiva, dois documentos: i) contrarrazões aos argumentos constantes do recurso especial da PGFN e; ii) seu próprio recurso especial, em que questiona partes do Acórdão nº 1802002.066 que lhe foram desfavoráveis. Nas contrarrazões opostas ao recurso especial da Fazenda Nacional, a contribuinte perfilou alegações que podem ser assim resumidas: Não há que se falar em divergência jurisprudencial a respeito do tema da incidência de juros de mora sobre multa de ofício, uma vez que existem diversos precedentes com o mesmo entendimento exposto pelo acórdão recorrido; A aplicação de juros de mora só é possível mediante o inadimplemento do tributo. Este consubstancia "retenção" de capital do Estado, motivo pelo qual o contribuinte é legalmente obrigado a remunerar o Ente Público pelo período em que detém os referidos valores, o que se dá mediante a aplicação dos juros de mora; Já as multas (sejam moratórias, sejam decorrentes do lançamento de ofício) devem ser excluídas da incidência de juros, uma vez que não consubstanciam capital do Estado, sendo também decorrentes justamente da "retenção" indevida (inadimplemento) de valores pertencentes ao Estado (natureza jurídica sancionatória); O art. 3º do CTN corrobora tal entendimento ao excluir as multas do conceito de tributo. Por conta de tudo que expôs, a contribuinte recorrida requer que seja negado provimento ao recurso especial interposto pela PGFN. Conforme se adiantou, na mesma data em que protocolou suas contrarrazões, a contribuinte apresentou também recurso especial, com o objetivo de contestar o posicionamento do acórdão recorrido em relação às matérias: i) nulidade do lançamento em razão da ausência de notificação quanto ao MPF; ii) nulidade do lançamento em razão de erro na apuração da base de cálculo da COFINS; e iii) erros de cálculo do montante lançado a título de IRPJ adicional e nos demais tributos objeto do lançamento. Quanto à primeira matéria questionada, a contribuinte relata que o acórdão recorrido teria concluído que a ausência de notificação quanto à emissão de MPF não invalida o lançamento tributário correspondente. Assim, teria se configurado divergência jurisprudencial frente ao Acórdão nº 340300.380, cujo entendimento é no sentido de que o MPF é relevante para determinar a espontaneidade do contribuinte, sendo necessário à validade do lançamento que haja a regular intimação do início da fiscalização. No que toca à segunda matéria, a contribuinte argumenta que o acórdão recorrido, ao considerar que o ICMS se inclui na base de cálculo da COFINS, teria entrado em conflito com o Acórdão nº 1201001.396, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF teria decidido que a base de cálculo da COFINS é o "faturamento mensal, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, compreendendo a totalidade das receitas decorrentes da venda de bens ou da prestação de serviços, permanecendo fora do campo de incidência das contribuições as receitas financeiras auferidas". Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 7 6 Por fim, o recurso especial da contribuinte defende a existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 1201001.342 em relação a erros de cálculo do montante lançado a título de IRPJ adicional e dos demais tributos lançados. Isso porque a decisão recorrida teria consignado que o lançamento sob análise abrangeu créditos tributários que já haviam sido declarados pela recorrente em suas DIPJ, além de algumas diferenças apuradas, o que contrariaria o teor do acórdão paradigma, que entende que o lançamento de ofício de créditos já constituídos pelo contribuinte via lançamento por homologação é totalmente descabido, uma vez que a obrigação já foi regularmente formalizada pelo contribuinte, ainda que não tenha havido o pagamento. Após arguir a existência de divergência jurisprudencial acerca das três matérias citadas, a contribuinte conclui pedindo que seu recurso especial seja conhecido e provido para reformar o Acórdão nº 1802002.066 e anular os créditos tributários objeto do presente processo. Despacho de 10/02/2017 analisou o cumprimento dos requisitos regimentais de admissibilidade pelo recurso especial interposto pela contribuinte. Concluiuse que a contribuinte não logrou êxito em comprovar nenhum dos dissensos jurisprudenciais alegados, pelos seguintes motivos: i) matéria "nulidade do lançamento em razão da ausência de notificação quanto ao MPF": Tanto a decisão recorrida quanto o acórdão paradigma (nº 340300.380) chegaram à mesma conclusão, no sentido de que a ausência de notificação relativa ao MPF não prejudica a validade de um auto de infração. Além disso, a contribuinte não abordou o fato de o acórdão recorrido ter afirmado que a matéria não fora contestada em sede de impugnação, o que, por si só, já inviabilizaria esta parte do recurso especial; ii) matéria "nulidade do lançamento em razão de erro na apuração da base de cálculo da COFINS": Os acórdãos recorrido e paradigma tratam de situações fáticas distintas, o que demanda, obrigatoriamente, decisões diversas. Enquanto o acórdão recorrido discute a inclusão de ICMS na base de cálculo da COFINS, a decisão paradigma (nº 1201001.396) discute a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS; iii) matéria "erros de cálculo do montante lançado a título de IRPJ adicional e nos demais tributos objeto do lançamento": Os acórdãos recorrido e paradigma tratam de situações fáticas distintas, o que demanda, obrigatoriamente, decisões diversas. Enquanto a decisão recorrida discute declaração de débitos em DIPJ, o que não constitui confissão de dívida, o acórdão paradigma (nº 1201001.342) aborda a declaração de débitos em DCTF e PER/DComp, que constitui confissão de dívida. Além disso, a contribuinte não abordou o fato de o acórdão recorrido ter afirmado que a matéria não fora contestada em sede de impugnação, o que, por si só, já inviabilizaria esta parte do recurso especial. Com base nas constatações descritas, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu negar seguimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. Intimada em 23/05/2017, por via postal, a respeito do aludido despacho, a contribuinte apresentou agravo tempestivo em 26/05/2017, com o objetivo de reverter a decisão e obter o seguimento recursal em relação a duas das três matérias contestadas. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 8 7 Quanto à matéria "nulidade do lançamento em razão de erro na apuração da base de cálculo da COFINS", a contribuinte agravante defende que o despacho do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção deveria ser revisto em razão de decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em sede de repercussão geral, quanto à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A agravante defende que tal decisão judicial afetaria o presente processo de duas formas: a) segundo o art. 62 do RICARF, os julgadores administrativos seriam obrigados a seguir o entendimento construído pelo STF; e b) nos termos do art. 19 da Lei 10.522/2002, lançamentos tributários realizados com base em matérias decididas pelo STF de maneira desfavorável à Fazenda Pública devem ser revistos de ofício. Já tratando da matéria "erros de cálculo do montante lançado a título de IRPJ adicional e nos demais tributos objeto do lançamento", o agravo da contribuinte repisa os argumentos do recurso especial e acrescenta que, segundo entendimento já exarado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a DIPJ constitui instrumento de confissão de dívida, contrariamente ao afirmado no despacho de exame de admissibilidade do seu recurso. Na conclusão, a contribuinte pede que seu agravo seja conhecido e provido e que seu recurso especial seja admitido. Requer ainda que seja dado provimento ao seu recurso a fim de se reformar o Acórdão nº 1802002.066. O agravo foi analisado em despacho de 11/09/2017, aprovado pelo Presidente da CSRF. Em relação à matéria "nulidade do lançamento em razão de erro na apuração da base de cálculo da COFINS", expôsse que o propósito do agravo é discutir a verificação do atendimento aos pressupostos de admissibilidade dos recursos especiais, previstos no RICARF/2015, e não a análise acerca de eventuais efeitos decorrentes de fatos supervenientes (no caso concreto, proferimento de decisão judicial pelo STF). Já no que se relaciona à segunda matéria abordada no agravo, "erros de cálculo do montante lançado a título de IRPJ adicional e nos demais tributos objeto do lançamento", o despacho concluiu que a decisão agravada foi acertada ao negar seguimento ao recurso, diante da patente ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, o que impede a configuração de dissídio jurisprudencial. Assim, o agravo da contribuinte foi rejeitado e os autos seguiram para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) para o julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conforme relatado, tanto a Fazenda Nacional quanto a contribuinte interpuseram recursos especiais contra o Acórdão nº 1802002.066, questionando os aspectos que lhes foram desfavoráveis. No entanto, apenas a irresignação fazendária obteve seguimento. A contribuinte, por ocasião do oferecimento de contrarrazões ao recurso especial interposto pela PGFN, não apresentou arguições preliminares de não conhecimento recursal, razão pela qual adoto os fundamentos do despacho de exame de admissibilidade exarado em 04/02/2016 e CONHEÇO do recurso da Fazenda Nacional, que contestou apenas a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, matéria que passo a analisar. A cobrança de juros de mora sobre os créditos não pagos até a data de vencimento é prevista no art. 161 do CTN, nos seguintes termos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A expressão "crédito", utilizada no caput do artigo reproduzido, obviamente se refere ao crédito tributário, pela própria natureza do diploma legal que habita. Para se definir o alcance de tal expressão, recorrese a outro dispositivo do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já a definição de obrigação principal, mencionada no art. 139 do CTN, é trazida pelo §1º do art. 113 do mesmo Código. Tal obrigação tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. In verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 10 9 O critério utilizado pelo CTN para enquadrar determinada obrigação tributária como principal é, portanto, seu conteúdo pecuniário. Uma vez que a multa de ofício tem a característica de penalidade pecuniária, fica claro que ela integra a obrigação principal, ao lado dos tributos. Interpretando em conjunto os dispositivos reproduzidos, concluise que incidem juros de mora sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento (art. 161) e que tais créditos decorrem da obrigação principal (art. 139), englobando o tributo e a multa de ofício (art. 113, §1º). Assim, a conclusão construída é a de que o CTN prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional. Os defensores da tese da ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício argumentam que a interpretação literal do caput do art. 161 do CTN impossibilitaria tal incidência em razão da presença da expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Se a penalidade referente à multa de ofício já estiver contemplada na expressão "crédito não integralmente pago no vencimento", a que outras penalidades cabíveis estaria se referindo o legislador? indagam. Ocorre que, frequentemente, a interpretação de uma norma tributária demanda a consideração da realidade jurídica e fática a que se aplica. Mais do que isso, a norma deve ser interpretada sistematicamente, levandose em conta todo o sistema tributário pátrio. A este respeito, examinese a interessante colocação da Ilustre Conselheira Viviane Vidal Wagner, designada para redigir o voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101 00.539, de 11/03/2010: "Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema." Sendo assim, a melhor interpretação a ser dada ao art. 161 do CTN é, sem dúvida, aquela que guarda harmonia com os demais dispositivos daquele Código que tratam do tema sob análise, quais sejam, os arts. 113 e 139. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 11 10 Além do CTN, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 61, caput e §3º, também dispõe sobre o cabimento de juros de mora sobre multa de ofício: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Depreendese do artigo reproduzido que incidem juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. A multa de ofício se amolda perfeitamente a tal definição, já que sua cobrança decorre, entre outras hipóteses, da falta de pagamento de imposto ou contribuição, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1997. Sendo assim, a exemplo do que ocorre com o art. 161 do CTN, também o art. 61 da Lei nº 9.430/1997 fundamenta a possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Corrobora ainda tal entendimento o art. 43 da Lei nº 9.430/1997 que, em seu parágrafo único, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. Assim, vêse que a legislação não enxerga incompatibilidade entre os juros de mora e uma multa pecuniária de caráter punitivo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou a respeito da legalidade da cobrança de juros de mora nos moldes praticados no presente processo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10930.000388/200786 Acórdão n.º 9101003.661 CSRFT1 Fl. 12 11 multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (STJ, 1ª T., AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, dez/2012) Por fim, tanto o § 3º do art. 61 quanto o parágrafo único do art. 43, ambos da Lei nº 9.430/1997, fazem alusão à taxa aplicável a título de juros de mora: taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais. Quanto a este ponto, a matéria já foi inclusive pacificada por meio da edição da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 702DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.903366/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS.
Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
Numero da decisão: 1401-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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EMPREITADA Recorrente TESCON ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 33 66 /2 00 9- 40 Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10166.903366/200940 Acórdão n.º 1401002.665 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório [...], em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento, relativo ao ano calendário de 2004, bem aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2005, pelo percentual de 32%, da receita bruta a ser considerada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando o correto seria aplicar o percentual de 12%, conforme determina a Solução de Consulta nº 337, de 28 de novembro de 2008. “A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todo os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita ao percentual de 12% na determinação da base de calculo da CSLL, pela sistemática do lucro presumido. A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita a percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ, pela sistemática do lucro presumido”. Alega que à época informou nas DIPJ 2005 e 2006, bem com nas DCTF do período os valores recolhidos indevidamente. Ciente do equivoco providenciou as devidas retificações das declarações a fim de regularizar tal situação. A fim de provar sua condição de beneficiária da aplicação do percentual de 12% para a apuração da base de cálculo da CSLL no regime de lucro presumido, junta cópia da Décima Terceira Alteração do Contrato Social e DIPJ e DCTF retificadoras. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10166.903366/200940 Acórdão n.º 1401002.665 S1C4T1 Fl. 4 3 Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a homologação da compensação solicitada. Em 4 de agosto de 2011 a DRJ em Brasília DF julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente alegando, em síntese, a correção quanto ao percentual de presunção de 12% para fins da CSLL, na medida em que todos os contratos por ela firmados o são na modalidade empreitada por preço unitário, o que se identifica com a empreitada total. Ainda, em resposta à decisão recorrida, que considerou imprescindível a juntada aos autos de documentação comprobatória, a Recorrente apresentou anexos contendo todos os contratos por ela firmados, acompanhados das notas fiscais faturadas e recebidas no período de 01/04/2004 a 30/09/2005, as DIPJs referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005 acompanhadas dos comprovantes de pagamento de tributos, além de comprovantes de valores retidos, registros contábeis e demonstrativos de apuração. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.660, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10166.903369/2009 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.660): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10166.903366/200940 Acórdão n.º 1401002.665 S1C4T1 Fl. 5 4 A Recorrente apurou seus tributos na sistemática do lucro presumido tendo originalmente utilizado como base de cálculo o percentual de presunção de 32% para fins de CSLL. Posteriormente retificou suas declarações e demonstrativos a fim de utilizar o percentual de 12%, sendo essa a origem do pagamento a maior que ela pretende ver compensado em suas declarações de compensação. Portanto, a discussão de fundo do presente processo reside em definir qual o percentual de presunção aplicável às atividades realizadas pela Recorrente. A legislação aplicável é a seguinte: Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10166.903366/200940 Acórdão n.º 1401002.665 S1C4T1 Fl. 6 5 Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) A decisão recorrida, citando o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, afirmou que "No caso da CSLL, as receitas decorrentes da construção por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 12% (doze por cento) para fins de cálculo dessa contribuição. As receitas oriundas de construção por empreitada com fornecimento parcial de materiais ou unicamente de mãodeobra, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento)." Não obstante concordem quanto ao conceito, a decisão recorrida considerou que a Recorrente não teria apresentado a documentação comprobatória de seu direito a aplicar o percentual de 12% para fins da CSLL, entendendo que apenas a análise do objeto social não seria suficiente. Em resposta, como relatado, a Recorrente trouxe a documentação que comprova que ela era contratada para execução de obras por preço unitário, devendo fornecer todos os equipamentos, pessoal e materiais necessários, tratandose assim de empreitada total/global. A aplicação do percentual de 12% de CSLL para casos como o presente é corroborada pela jurisprudência deste CARF, conforme recentemente decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), considerase atividade de construção civil aquela que envolva a produção de uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada, não se tratando, pois, de fixação de um bem já construído ao solo, ou de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10166.903366/200940 Acórdão n.º 1401002.665 S1C4T1 Fl. 7 6 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (Acórdão nº 9101002.545 Sessão de 7 de fevereiro de 2017) Ante o exposto oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, de modo que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000328/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 03 28 /2 00 9- 02 Fl. 681DF CARF MF Processo nº 12898.000328/200902 Acórdão n.º 2402006.380 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 12898.000328/200902 Acórdão n.º 2402006.380 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 12898.000328/200902 Acórdão n.º 2402006.380 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 684DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000308/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
Ementa:
Multa Isolada. Compensação.
Deve ser reduzida a multa isolada aplica em função de alteração legislativa posterior ao lançamento, mesmo que a Medida Provisória que veiculou a alteração benéfica ao contribuinte tenha perdido vigência posteriormente.
Numero da decisão: 1302-000.708
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: Multa Isolada. Compensação. Deve ser reduzida a multa isolada aplica em função de alteração legislativa posterior ao lançamento, mesmo que a Medida Provisória que veiculou a alteração benéfica ao contribuinte tenha perdido vigência posteriormente.
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Compensação. Deve ser reduzida a multa isolada aplica em função de alteração legislativa posterior ao lançamento, mesmo que a Medida Provisória que veiculou a alteração benéfica ao contribuinte tenha perdido vigência posteriormente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello , Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 186DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000308/200618 Acórdão n.º 130200.708 S1C3T2 Fl. 160 2 Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 04/05, para constituição de crédito tributário relativo à multa isolada, em razão de compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo. No Termo de Termo de Constatação Fiscal (fls. 07/09), parte integrante do auto de infração, são relatadas detalhadamente as razões pelas quais a unidade de competência originária considerou não declaradas as compensações. As disposições legais encontramse descritas no auto de infração. Em 13/09/2006, a interessada tomou ciência do auto de infração (fl. 51) e, em 29/09/2006, apresentou defesa (fls. 56/64), resumidamente, nos seguintes termos: Respaldada pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, a Lei 9.430/1996 possibilitou ao sujeito passivo a utilização do crédito, mediante compensação com débitos próprios e de quaisquer espécies de tributos, desde que administrados pela Receita Federal. A partir daí, vieram outras legislações permissivas do direito de realizar a compensação (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e IN SRF 21/1997 e 210/2002), todas garantidoras do direito do contribuinte de compensar seus créditos. A escritura pública ou instrumento particular de cessão de direitos creditórios, emitidos em razão de ação expropriatória, são legalmente e comumente apresentadas para demonstrar a “propriedade” de direitos e consequentemente noticiam uma cessão de direitos. A impugnante e terceira pessoa participaram de negócio jurídico bilateral, consistente na cessão de direitos creditórios decorrentes de ação expropriatória, a qual já tem o condão de Execução do julgado, vez que o direito à indenização aos expropriados é líquido e certo. A Receita Federal tem punido os contribuintes que tenham pago seus débitos tributários de outra forma que não seja em dinheiro, com a aplicação de multa de 75% sobre o valor do tributo, mesmo nos casos em que os débitos foram objeto de compensação e que estejam “sub judice” na esfera administrativa. Tais multas são abusivas porque violam os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, além disso, o procedimento adotado ofende os princípios fundamentais do processo administrativo fiscal, elencados no artigo 2º da Lei 9.784/1999. É cediço que, a partir do indeferimento pela unidade administrativa já se inicia o processo de cobrança, sem ao menos respeitar o direito do contribuinte de ampla defesa, acarretando danos irreparáveis como a negativa da CND e impedimento de participação em licitações. O artigo 151 do Código Tributário Nacional determina que não se pode molestar o contribuinte na tentativa de receber o montante compensado enquanto não houver o trânsito em julgado do processo administrativo em que se discute ser devido a restituição ou o ressarcimento pleiteado. A DRJ decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000308/200618 Acórdão n.º 130200.708 S1C3T2 Fl. 161 3 Aplicase multa isolada sobre débitos objeto de compensação considerada não declarada, ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo, em sede de julgamento administrativo, proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento, salvo nas hipóteses legalmente previstas. Cientificada do acórdão DRJ em 09/06/2009, apresentou recurso voluntário em 08/07/2009. Em seu recurso alega: que há nulidade do lançamento por violação ao art. 10 do Decreto 70235, pois quando do lançamento o art. 44 da Lei 9430 havia sido alterada pelo art. 18 do MPV 303 de 29/06/2006, prevendo multa de 50% para a situação descrita nos autos, sendo que o lançamento aplicou multa de 100%; que a Lei 11.488/2007 prevê a aplicação de multa em dobro, mas tal lei não pode retroagir para alcançar fatos pretéritos; que não houve a práticas das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei 4502/64 e que isso também não foi alegado pela fiscalização; que, em 03/08/2006 (antes da autação) ingressou nos autos do processo administrativo 10845000746/200558 com pedido de desistência das compensações efetuadas, uma vez que pretendia ingressar com pedido de parcelamento dos débitos oriundos de tais compensações; que ingressou com o pedido de parcelamento de todos os tributos objeto das compensações não homologadas Voto Fl. 188DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000308/200618 Acórdão n.º 130200.708 S1C3T2 Fl. 162 4 O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Início pela análise da argüição de nulidade feita pela recorrente. Afirma a recorrente: “ A presente autuação fora efetuada em 04/09/2006, constando como enquadramento legal da mesma o artigo 18 da Lei 10.833/03 com redação dada pelo artigo.11.051/2004, in verbis. Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1 o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (grifamos) Ao tratar das alíquotas a serem aplicadas para a apuração da multa isolada, o § 4º do artigo 18 da Lei 10833/2003 remete ao instituído pelo inciso I (75% para os casos de falta de pagamento etc) e II (150% para os casos de evidente intuito de fraude) do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n°303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do • inciso seguinte; (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei n° 10.892, de Fl. 189DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000308/200618 Acórdão n.º 130200.708 S1C3T2 Fl. 163 5 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Ii isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Ocorre que na época da autuação (setembro/2006) o o artigo 44 da Lei 9.430/96, havia sido alterado pelo artigo 18 da MPV 303 de 29/06/2006, passando por esta razão a vigorar com a seguinte redação: Art. 18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Tendo em vista que nem a autuação, nem o acórdão recorrido fazem qualquer menção a hipótese prevista no § 2 0 do artigo 44 da Lei 9.430/96, podese concluir que a aliquota a ser utilizada para a pretensa aplicação de multa isolada deveria ser aquela prevista no inciso II do caput do artigo 44 da Lei 9430/96, qual seja de 50%. 13. Ocorre que pela simples analise dos demonstrativos anexos ao Auto de infração podese verificar que a multa isolada cobrada no presente processo é exatamente o mesmo valor das compensações tidas por não declaradas nos autos do Processo Administrativo 10845.000746/200558. Concluise então que o que se cobra através do presente Auto de Infração é multa isolada no percentual de 100% sobre os valores indevidamente compensados, o que não está previsto na legislação utilizada como fundamentação do presente processo, posto que a mesma prevê a aplicação de multa no percentual de 50%. 15. Desta maneira, tendo em vista o flagrante erro cometido pela Administração Pública ao autuar o recorrente com fulcro em legislação que na época da autuação havia sido extirpada do mundo jurídico pela MPV 303/2006 e que a aliquota de 100% sobre as compensações não declaradas, aplicada para o calculo da multa isolada que se pretende cobrar não está prevista na Fl. 190DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000308/200618 Acórdão n.º 130200.708 S1C3T2 Fl. 164 6 legislação que rege a matéria, resta clara a nulidade do presente processo, devendo a mesma ser decretada por estes nobres julgadores o que desde já se requer. Verifico que a base legal do lançamento da multa isolada foi o art. 18 da Lei 10833, abaixo transcrita: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) A MPV 303 de 2006 prescreveu: O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b)na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2oOs percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não Fl. 191DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000308/200618 Acórdão n.º 130200.708 S1C3T2 Fl. 165 7 atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Somente a Lei 11.488 de 2007 deu a redação abaixo ao § 2º do art. 18 da Lei 10833: § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Embora possa parecer involuntária a mudança, a verdade é que a multa que deveria ser aplicada no momento do lançamento era de 50 %, conforme o disposto no art. 18 da Lei 10833, que previa o percentual prescrito no inciso II do art. 44 da Lei 9430, que à época era de 50%. Foi a Lei 11488 de 2007 que alterou o percentual de multa a ser aplicado para o previsto no inciso I do art. 44. Poderia se argumentar que a MPV 303 perdeu sua eficácia, conforme o ato abaixo transcrito: ATO DO PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL Nº 57, DE 2006 O PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL, nos termos do § único do art. 14 da Resolução nº 1, de 2002CN, faz saber que a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que "Dispõe sobre parcelamento de débitos junto à Secretaria da Receita Federal, à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social nas condições que especifica e altera a legislação tributária federal.", teve seu prazo de vigência encerrado no dia 27 de outubro do corrente ano. Congresso Nacional, 31 de outubro de 2006Senador RENAN CALHEIROS Presidente da Mesa do Congresso Nacional No entanto, no momento da lavratura do auto de infração, setembro de 2006, a MPV estava vigente e tinha plena eficácia, produzindo efeitos até a data descrita no ato acima. Tendo sido prescrita a multa de 50% na MPV 303 e estando esta medida vigente no momento do lançamento este era o percentual a ser aplicado. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000308/200618 Acórdão n.º 130200.708 S1C3T2 Fl. 166 8 O lançamento descreve corretamente a base legal, mas se equivoca ao aplicar o percentual, que deve ser reduzido a 50% sobre os valores indevidamente compensados. Afasto portanto, a nulidade alegada. Quanto ao fato de ter apresentado pedidos de desistência e parcelamento dos débitos confessados nas Dcomp´s, não produz qualquer efeito em relação às multas isoladas aplicadas no presente processo. O pedido de desistência foi protocolado após a negativa de reconhecimento do direito creditório e das compensações (26/09/2006 X 09/08/2005 ) e também do lançamento da multa isolada (26/09/2006 X 13/09/2006), não produzindo efeitos sobre o lançamento da multa isolada, tendo em vista que haveria redução de 40% se o parcelamento fosse da própria multa isolada e não dos débitos confessados em Dcomp e que estavam em fase de cobrança executiva e foram efetivamente parcelados Diante do exposto, voto por afastar a nulidade alegada e reduzir a multa isolada aplicada para o percentual de 50%. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Relator Fl. 193DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724622/2011-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento.
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva.
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrentes FAZENDA NACIONAL E CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 22 /2 01 1- 41 Fl. 3999DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 3 2 harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301002.812, de 29/01/2016, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 4 3 dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Fl. 4001DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 5 4 Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado". O acórdão foi cientificado pelo eprocesso à Fazenda, que interpôs embargos declaratórios alegando omissões no julgado. Todavia, os embargos foram rejeitados. Não conformada com tal decisão a Fazenda Nacional apresentou o presente Recurso, aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos para fins do direito à tomada de créditos do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade. Para comprovar a divergência apontou o acórdão nº 20312.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao Recurso, apenas quanto ao conceito geral de insumos para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Inconformada com o seguimento parcial dado ao Recurso, a Fazenda Nacional apresentou agravo. Contudo, o Presidente do CARF, com fundamento no artigo 71, do Anexo II do RICARF, rejeitou o agravo interposto. Por sua vez, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda e também interpôs Recurso Especial aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente a quatro matérias: 1) creditamento dos valores despendidos com o treinamento de funcionários; 2) crédito relativo a serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser reconhecido; 3) crédito referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo. Para comprovar a divergência, aponta os acórdãos nºs 3401002.857, 3402 001.982, 3401002.075. O Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, mediante despacho de admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos. Fl. 4003DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 7 6 Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos com treinamento de pessoal, com serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controle e com a juntada e análise de provas a qualquer tempo, foram prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas. O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade, e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º, do art. 71, do RICARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pelo improvimento do Recurso. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.068, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade dos recursos e quanto ao mérito (Acórdão 9303007.068): Da admissibilidade "Restrinjome à redação do presente voto vencedor apenas com relação ao conhecimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, por, também nesse ponto, respeitosamente, discordar do relator. No recurso especial da Procuradora foram suscitadas duas divergências: a) quanto ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade; e b) quanto ao direito de crédito de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, calculado sobre insumos que antecedem o processo produtivo. O despacho do Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamentos admitiu apenas a divergência descrita em a), que trata do conceito genérico de insumo para fins dos Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 8 7 gastos geradores de créditos para as contribuições do PIS e Cofins não cumulativas. Inadmitida essa divergência, caberia a segunda, que trata de um gasto específico com serviços de logística considerados, ou não, antecedentes ao processo produtivo. Inicio por salientar que a própria contribuinte não indica qualquer argumento que leva ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda, afirmando apenas sua improcedência. O trecho do voto condutor do acórdão paradigma de nº 20312.448, trazido a baila pela Procuradora claramente demonstra um conceito mais restritivo de insumo do que aquele utilizado no acórdão recorrido, ao tomar por base a legislação do IPI para tal, senão vejamos: Assim, a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumo” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.” (Negritei.) Partindo desse entendimento, como bem argumentou a Procuradora, para considerar bens ou serviços, como insumos, fazse necessário o emprego destes diretamente sobre os produtos utilizados na fabricação, e, nesse sentido, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Claramente a vinculação com o critério de insumo do IPI está posta no paradigma. Já o acórdão a quo se posiciona claramente noutro sentido, o que já se observa no seguinte extrato de sua ementa: O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8º, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. (...) (Negritei.) Assim, há desde logo que se admitir a existência da divergência arguida no recurso especial e analisarse a posteriori a situação fática dos serviços de logística para utilização da sistemática just in time. Nesse ponto, há discussão específica no paradigma que foi em seguida apresentado, o acórdão nº 9303002.659, especificidade esta que fica bem aparente no excerto do voto vencedor abaixo transcrito: Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos Fl. 4005DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 9 8 ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. (Negritei.) Nessa quadra, a especificidade, de acordo com a Procuradora da Fazenda seria a prestação de serviços anteriores à produção, mas pela leitura adotada pelo Presidente da 3ª Câmara em seu despacho ás efls. 3683 a 3687, o acórdão recorrido entendia que os serviços em questão estavam sendo aplicados na produção; inexistiria divergência por serem situações fáticas distintas. O afastamento desta última divergência em nada afetaria a primeira, que, no meu entender, foi corretamente conhecida. Assim, a divergência quanto ao critério de insumo, utilizando, ou não, aquele da legislação do IPI, estava adequadamente posta, apesar de a divergência específica quanto aos serviços da GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda serem anteriores à produção, não o estava por falta de similitude fática. Concluindo, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional relativamente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da nãocumulatividade." (..)1 Do mérito "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Com efeito, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. 1 A admissibilidade do recurso especial do contribuinte não foi contestada pelo relator do processo paradigma (Acórdão 9303007.068). A divergência entre os Conselheiros, quanto ao conhecimento, foi apenas em relação ao recurso da Fazenda Nacional, que restou conhecido por maioria de votos. Assim, ao final, os dois recursos foram conhecidos pelo Colegiado. Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 10 9 Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 2argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito3”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. 2 3 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 4007DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 11 10 Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/0209115 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 12 11 desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Em que pese a matéria estar parcialmente decidida pelo Poder Judiciário, pelo menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária. Recurso da Procuradoria Por sua vez, o exame de admissibilidade do Recurso, o examinador entendeu que a divergência instaurada diz respeito quanto aos insumos serem diretamente vinculados à produção, ou não, os serviços de controle de estoque “just in time” prestados pela GFL, que segundo o acórdão recorrido são relativos a “controle de fluxo de componentes nas instalações fabris”. E tal divergência existe entre o acórdão recorrido e a Fazenda, mas não perante o paradigma, que não trata desse tipo de serviço especificamente. Com efeito, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário referente "à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3565/3570". A matéria aceita como divergente, diz respeito a interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de Pis e Cofins no regime da nãocumulatividade. Sem embargo, o conceito de insumos foi levado ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu o conceito tem como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. A jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou Fl. 4009DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 13 12 classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Recurso da Contribuinte Créditos inerentes aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Conforme depreendese do despacho de admissibilidade a matéria aceita como divergente diz respeito ao direito de crédito de fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração Fl. 4011DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 15 14 de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 4012DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 16 15 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que Fl. 4013DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 17 16 essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 18 17 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a Fl. 4015DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 19 18 conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 20 19 Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 4017DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 21 20 Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 13603.724622/201141 Acórdão n.º 9303007.235 CSRFT3 Fl. 22 21 "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte foram conhecidos e, no mérito, o colegiado negou provimento ao recurso da Fazenda e deu provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 4019DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727587/2014-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 04/03/2012, 11/03/2012, 18/03/2012, 19/03/2012, 25/03/2012, 17/05/2012, 27/05/2012, 03/06/2012, 08/07/2012, 15/07/2012, 22/07/2012, 01/10/2012, 08/10/2012
IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A impugnação apresentada fora do prazo legal de 30 dias não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, logo o recurso voluntário, ainda que tempestivo, não pode ser conhecido (art. 14 e 15 do Decreto n° 70.235/72).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A impugnação apresentada fora do prazo legal de 30 dias não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, logo o recurso voluntário, ainda que tempestivo, não pode ser conhecido (art. 14 e 15 do Decreto n° 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 75 87 /2 01 4- 92 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.727587/201492 Acórdão n.º 3301004.977 S3C3T1 Fl. 179 2 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre Auto de Infração decorrente de penalidade pecuniária imposta à pessoa jurídica denominada AMERICAN COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ME, nome fantasia 'Wall Magazine', e, solidariamente, a seu sócio administrador, LUIS OSCAR MORENO NADER, lavrada por AuditorFiscal em exercício na Divisão de Repressão DIREP/SRRF 8ª RF , equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, com fundamento no art.23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, mediante o qual é exigido da interessada supra identificada o crédito tributário no valor de R$ 1.333.443,30, por infrações capituladas no artigo 23, V e §2º, do DecretoLei nº 1.455/76 (folhas 9/14). A empresa foi cientificada do Auto de Infração em 16/04/2015, por meio eletrônico, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização dos documentos através de Caixa Postal ocorrida em 01/04/2015, Módulo eCAC do site da Receita Federal, nos termos da alínea 'a', inciso III, §2º do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972 (fl. 108). Não obstante a ciência digital da pessoa jurídica, a Unidade Local cientificou o sócio solidário pessoa física da referida autuação em 13/04/2015 (fls.110/111), via postal, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, na forma do artigo 23, inciso II e § 2º, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. O contribuinte apresentou contestação em 16/07/2015 (fls. 120/153), alegando, preliminarmente: a) Que a impugnação não deve ser tida como intempestiva porque o impugnante não foi pessoalmente intimado, nos termos do inciso I, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/72. b) Que o impugnante estava em viagem à época da intimação e, portanto, só tomou ciência quando de seu retorno, sendo que o prazo de trinta dias para impugnação já havia se passado. c) Que o mesmo se sucedeu à intimação enviada à empresa. d) Que a falta de intimação pessoal fere o princípio da ampla defesa, nos termos do art.5º, LV, da Constituição Federal. A 8ª Turma da DRJ/REC, no acórdão n° 11054.465, não conheceu a impugnação, com decisão assim ementada: INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo sido, portanto, instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal. INTIMAÇÃO POR MEIO POSTAL. É válida a intimação encaminhada e recebida no domicílio indicado pelo contribuinte e constante no cadastro da SRF. Cientificados, a empresa e o responsável solidário apresentaram o presente recurso voluntário, com as seguintes alegações: 1 não houve intimação pessoal, nos termos do Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.727587/201492 Acórdão n.º 3301004.977 S3C3T1 Fl. 180 3 art. 23, I, do Decreto n° 70.235/72; 2 O sócio administrador à época da intimação estava em viagem e só retornou após esgotado o prazo da impugnação e 3 a intimação postal não foi válida, porque não foi o Recorrente que assinou o AR. Ao final, requerem o reconhecimento de que a impugnação não é intempestiva e, consequentemente, que os autos retornem à DRJ para análise do mérito. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário não atende aos pressupostos legais de interposição, como explico a seguir. De início, ressaltese que não há razão no inconformismo pelo não conhecimento da impugnação, por intempestividade. Sobre as intimações, o Decreto n° 70.235/72, no art. 23, prescreve o seguinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10830.727587/201492 Acórdão n.º 3301004.977 S3C3T1 Fl. 181 4 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Consta nos autos que a empresa American foi cientificada do Auto de Infração em 16/04/2015, por meio eletrônico, após o decurso do prazo de 15 dias a contar da disponibilização dos documentos através de Caixa Postal ocorrida em 01/04/2015, Módulo e CAC do site da Receita Federal, atendendo ao comando da 'a', III, §2º do art. 23 (efl. 108): Por sua vez, o responsável solidário foi cientificado em 13/04/2015 pela via postal, com AR, no domicílio tributário eleito por ele, de acordo com o art. 23, II e § 2º, II (efl. 110): Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10830.727587/201492 Acórdão n.º 3301004.977 S3C3T1 Fl. 182 5 Entretanto, a impugnação foi ofertada apenas em 16/07/2015 (efl. 120), ou seja, muito depois do prazo de 30 dias estipulado pelo art. 15 do Decreto n° 70.235/72: Em sede de recurso voluntário, alegam os Recorrentes que o sócio administrador à época da intimação da impugnação estava em viagem e só retornou após esgotado o prazo da impugnação. Tal assertiva não procede, porquanto o comprovante da passagem de retorno à Campinas, local de residência do responsável solidário e também da sede da empresa, juntado nas efls. 148150, estampa a data de 10/04/2015: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10830.727587/201492 Acórdão n.º 3301004.977 S3C3T1 Fl. 183 6 Prosseguem, afirmando que a intimação postal não foi válida, porque não foi o Recorrente que assinou o AR. Esse argumento também não procede, pois o AR foi enviado para o endereço declarado pelo sócio à Receita Federal. Na dicção do art. 23, II e § 2º, II, considerase efetivada a intimação apenas com a "prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo", e não com o recebimento pessoal. É caso, inclusive, de aplicação da Súmula CARF n° 9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por outro lado, quanto ao recurso voluntário, a empresa American foi cientificada do acórdão da DRJ, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização em Caixa Postal, no eCAC, em 10/02/2017 (efl. 167), ao passo que o sócio tomou ciência pela via postal, com AR, em 01/02/2017 (efl. 166). E, o recurso foi protocolado em 03/03/2017 (efl. 171), logo é tempestivo. Ressalto que os meios de intimação da empresa e do responsável solidário foram exatamente os mesmos da impugnação, mas com diferente resultado: a apresentação tempestiva do recurso voluntário, o que esvazia ainda mais os argumentos recursais. Entretanto, ainda que o recurso voluntário seja tempestivo, não pode ser conhecido, por todo o exposto acima e por mais uma razão, a principal: a intempestividade da impugnação acarreta a não instauração da fase litigiosa do processo administrativo, como dispõe o art. 14 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Em suma, voto por não conhecer o recurso voluntário, por ausência de instauração da fase litigiosa do processo administrativo, diante da impugnação intempestiva na origem. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10830.727587/201492 Acórdão n.º 3301004.977 S3C3T1 Fl. 184 7 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.914514/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
DIREITO CREDITÓRIO - COMPENSAÇÃO - PROVA
O direito creditório somente pode ser reconhecido se devidamente comprovado pelo contribuinte a origem de seu direito através de documentação hábil e suficiente.
Numero da decisão: 1401-002.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 45 14 /2 01 6- 18 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10480.914514/201618 Acórdão n.º 1401002.798 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2013, no valor de R$ 100.983,24, transmitida através do PER/Dcomp nº 06082.33186.200416.1.3.04 0232. A DRF Recife não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico [...], já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado [...], o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade [...]para alegar que o crédito teria origem no recolhimento a maior de CSLL, incidente em 06/2013. Juntou recibos de entrega da DCTF e DIPJ do anocalendário 2013, bem como do envio da ECD e ECF retificadas, cópia do DARF recolhido em 31/07/2013, cópia do balanço dos meses 12/2013, 12/2014 e 06/2015 e planilha de apuração do IRPJ e da CSLL. Quando do julgamento da DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão da DRJ, interpôs a recorrente, o competente recurso voluntário, repetindo as mesmas razões de sua manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10480.914514/201618 Acórdão n.º 1401002.798 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.797, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.914513/2016 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.797): "O recurso é tempestivo e dele conheço. Tendo em vista que as razões são as mesmas expostas na impugnação, invoco o Regimento Interno desse Conselho art. 57, § 3 e transcrevo a decisão de primeira instância: O contribuinte se insurge contra a não homologação de compensação e alega que o crédito teria origem em recolhimento a maior de CSLL. Na DCTF entregue em 20/08/2013, original e ainda ativa, pois foi a única entregue no período, o débito de CSLL foi declarado no mesmo valor que o pagamento, R$ 215.547,35, motivo pelo qual não foi encontrado saldo disponível para compensação. O contribuinte não retificou a DCTF e o único documento apresentado para demonstrar a suposta existência do crédito é a planilha constante à fl. 37, a qual só teria valor probatório se acompanhada da documentação contábil e fiscal. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Assim, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10480.914514/201618 Acórdão n.º 1401002.798 S1C4T1 Fl. 5 4 No presente, o interessado limitouse a alegar que teria recolhido tributo a maior, sem apresentar documentação comprobatória que lastreasse tal argumento. Resta impedida, portanto, a análise da liquidez e certeza do crédito. Mesmo tendo sido juntado novamente documentação que teoricamente seria capaz de comprovar o alegado crédito, não restou demonstrado o direito do recorrente. Ante o exposto, por falta de comprovação do direito creditório, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.000516/2006-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Auto de Infração Exclusões da base de cálculo da CSLL e multa
isolada por falta de recolhimento de estimativas„
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 e 2004.
Ementa: SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL CALCULADO SOBRE AS SOBRAS. NÃO INCIDÊNCIA, As sociedades cooperativas que obedecem ao disposto na legislação especifica,
relativamente aos atos cooperativos, não sofrem a incidência de CSLL sobre as sobras, por esses resultados não encerrarem a mesma natureza de lucro e por não estarem expressamente referidos na Lei n" 7.689/88. Portanto, por quedarem fora do grupo de situações compreendido pela regra de incidência da CSLL são pertencentes ao campo da não incidência pura c simples.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO — IMPROCEDÊNCIA, O art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, não autoriza a aplicação, simultaneamente, sobre uma mesma base, da multa de oficio e da
multa isolada por não antecipado o imposto lançado de oficio. 0 artigo prevê a possibilidade de exigir multa de oficia, juntamente com o imposto, quando este não houver sido pago anteriormente (inciso I de parágrafo único do art, 957, do RIR199). Alternativamente, autoriza o lançamento de multa de oficio, isoladamente, quando a pessoa jurídica, estando sujeita ao pagamento de antecipações por estimativa, deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente (inciso IV do parágrafo único do art„ 957, do RIR/99).
Numero da decisão: 1103-000.386
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o cqpselheiro Hugo Correa Settero.
Nome do relator: Gervásio Nicolau Recktenvald
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ementa_s : Auto de Infração Exclusões da base de cálculo da CSLL e multa isolada por falta de recolhimento de estimativas„ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 e 2004. Ementa: SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL CALCULADO SOBRE AS SOBRAS. NÃO INCIDÊNCIA, As sociedades cooperativas que obedecem ao disposto na legislação especifica, relativamente aos atos cooperativos, não sofrem a incidência de CSLL sobre as sobras, por esses resultados não encerrarem a mesma natureza de lucro e por não estarem expressamente referidos na Lei n" 7.689/88. Portanto, por quedarem fora do grupo de situações compreendido pela regra de incidência da CSLL são pertencentes ao campo da não incidência pura c simples. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO — IMPROCEDÊNCIA, O art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, não autoriza a aplicação, simultaneamente, sobre uma mesma base, da multa de oficio e da multa isolada por não antecipado o imposto lançado de oficio. 0 artigo prevê a possibilidade de exigir multa de oficia, juntamente com o imposto, quando este não houver sido pago anteriormente (inciso I de parágrafo único do art, 957, do RIR199). Alternativamente, autoriza o lançamento de multa de oficio, isoladamente, quando a pessoa jurídica, estando sujeita ao pagamento de antecipações por estimativa, deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente (inciso IV do parágrafo único do art„ 957, do RIR/99).
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Ementa: SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL CALCULADO SOBRE AS SOBRAS. NÃO INCIDÊNCIA, As sociedades cooperativas que obedecem ao disposto na legislação especifica, relativamente aos atos cooperativos, não sofrem a incidência de CSLL sobre as sobras, por esses resultados não encerrarem a mesma natureza de lucro e por não estarem expressamente referidos na Lei n" 7.689/88. Portanto, por quedarem fora do grupo de situações compreendido pela regra de incidência da CSLL são pertencentes ao campo da não incidência pura c simples. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO — IMPROCEDÊNCIA, O art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, não autoriza a aplicação, simultaneamente, sobre uma mesma base, da multa de oficio e da multa isolada por não antecipado o imposto lançado de oficio. 0 artigo prevê a possibilidade de exigir multa de oficia, juntamente com o imposto, quando este não houver sido pago anteriormente (inciso I de parágrafo único do art, 957, do RIR199). Alternativamente, autoriza o lançamento de multa de oficio, isoladamente, quando a pessoa jurídica, estando sujeita ao pagamento de antecipações por estimativa, deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente (inciso IV do parágrafo único do art„ 957, do RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o cqpselheiro Hugo Correa Setter°, , ALOYSIO JOSIPE1INIO DA SILVA - Presidente. GERVAS Ii NICOLAU kECKTENVALP Relator. EDITADO EM: 2 o JAI',1 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Pereinio da Silva (Presidente da Turma), Marcos Shigueo Takata, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo( Suplente Convocada), Mário Sérgio Fernandes Barroso e Gervzisio Nicolau Recktenvald, 2 Processo n" 13982.000516/2006-93 SI-CI T3 Ac6rdiio o " 1103-00,386 Fl 2 Relatório A COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE SÃO MIGUEL DO OESTE LTDA, CNP,1 n" 81.607.046/0001-75, instituição financeira, veio perante este Conselho para, através do regular recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade corn o decidido pela 3" Turma da DRJ de Florianópolis, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento de CSLL sobre sobras, contido no presente processo. Compulsando os autos, vê-se que este processo administrativo foi formalizado a partir de um procedimento fiscal externo, conduzido pela DRF de Joaçaba/SC, que redundou na lavratura de um auto de infração de CSLL (fl. 05), num total de R$ L306,598,92, composto das seguintes parcelas: CSLL de R$ 5.34.058,64; juros de mora pela taxa SELIC, calculados até .31/10/2006, de R$ 235.295,15; multa de oficio, no percentual de 75%, de R$ 400,543,96; multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, no percentual de 75%, de R$ 136.701,17., Segundo a descrição dos fatos (fl, 07 e 486), a autuação decorreu da "apuração incorreta da CSLL por exalts& indevida do ato cooperado", com enquadramento no art. 2" e §§, da Lei IV 7.689/88, nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, quando a interessada adotou a apuração pelo lucro real anual. No relatório fiscal (if 488), após concluir que "a CSLL incide sobre a totalidade dos resultados do período-base da cooperativa, isto é, sabre as receitas decorrentes de atos cooperativos e não-cooperativos", o autuante informa que "a glosa efetuada pela .fiscalização refere-se ao valor do ato cooperado, o qual havia sido informado pelo contribuinte nas DIPJ's respectivas" (fl, 488).. Ao mesmo tempo informa que "recalculamos a apuração da CSLL anual da autuada", pois "a contabilidade do contribuinte não contempla qualquer segregação entre ato cooperado e não cooperado, inclusive quando regularmente intimado a esclarecer tal situação o contribuinte quedou-se inerte" (fl. 488). Além, nesses mesmos autos foi constituída multa isolada por "falta de recolhimento da Contribuição Social sobre a base estimada" (fl. 07 e 489), o que teria sido verificado em todos os meses dos quatro anos fiscalizados, com enquadramento no art, 44, § 1°, inciso IV, da Lei re 9.430/96. Ainda segundo o fisco, a multa isolada incidiu sobre a CSLL apurada pelo autuante com base na receita bruta e acréscimos . Notificada do processo e da autuação em 20/11/2006 (fl. 493), tempestivamente, em 11/12/2006, a interessada impugnou o lançamento (fl. 494), onde arguiu, em extenso e bem fundamentado arrazoado, que: (a) não existia embasamento legal para a tributação, pela CSLL„ das sobras de entidades cooperativas, pois os atos legais citados como infringidos não previam tal situação; (b) que o art. 57 da Lei n" 8981/95 manda adotar, quanto à CSLL, as mesmas normas de apuração do IRPJ e neste contexto, em vista do disposto no art,. 182 do R1R199, concluiu que as sobras são casos de não incidência também em relação à CSLL; (c) que todos os resultados da cooperativa decorrem de atos cooperativos, pois as sociedades cooperativas de crédito, por exigência do BACEN, só podem operar com associados (Lei n° 4,595/64, art. 18, inc. 1); (d) que o art, 2' da Lei n° 7,689/88 não possibilitaria a exigência da CSLL sobre as sobras apuradas por cooperativas, onde a finalidade lucrativa é inexistente, ao teor do disposto nos artigos 3", 4°, 79, 84 e 111, da Lei n° 5,764/71; (e) que o art, 110 do CTN não permite confundir sobras com lucros; (f) que a Lei n" 10„865/04 é equivocada quando estabeleceu isenção para caso de não incidência. 3 Por fim, nos pedidos, a interessada requereu a extinção da exigência principal e de seus concernentes acréscimos legais. Encaminhado o processo para a DRJ de Florianópolis, a contestação foi julgada improcedente, concedendo-se apenas a retroatividade benigna em relação h multa isolada, que foi reduzida de 75% para 50%, conforme exposto no acórdão n° 07-16.626, de 19 de junho de 2009 (fl, 565), assim ementado: COOPERATIVA ATOS COOPERATIVOS E NÃO- COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos a operações com associados ou não (Lei n" 8,212, de 1991, art. 10, Lei n" 7.689, de 1988, art. 4 0, e IN SRF n" 198, de 1988), 0 fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de exclui-la do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento especifico da destinação desses resultados ("sobras"), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto a distribuição do lucro deve guardar relação coin a contribuição de cada sócio na formação do capital (Lei n°6.404, de 1976, art. 187). RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. MULTA DE OFICIO APLICADA ISOLADAMENTE REDUÇÃO DE 75% PARA 50%. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente .julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (Lei n" 5.172, de 1966, art. 106) Tal decisão, em síntese, foi fundamentada nos seguintes argumentos: (a) que o art. 195, da CF/88, que dispõe sobre as fontes de financiamento da seguridade social, apenas prevê a exclusão das entidades beneficentes de assistência social e não as cooperativas; (b) que a Lei IV 7.689/1988 não prevê a exclusão da base de cálculo da CSLL dos resultados das sociedades cooperativas decorrentes da prática dos atos cooperativos; (c) que os arts, 10 e 15 da Lei n° 8.212/90 não prevêem a isenção para a CSLL e equiparam as cooperativas As demais empresas de fins lucrativos; (d) que existe previsão legal para a desoneração da tributação do IRPJ para as cooperativas de crédito, no que tange aos atos cooperativos, mas não no que se refere a CSLL, que incidiria sobre todo o resultado, nos termos do disposto no item 9, da IN SRF 198/88; (e) que, através do art 39, c/c o art, 48, ambos da Lei IV 10.865/2004, o legislador ordinário concedia isenção da CSLL As sociedades cooperativas, exceto As de consumo, mas apenas a partir de 1 0 de janeiro de 2005; (f) que a pergunta 647 da publicação "Perguntas e Respostas" considera que as sobras liquidas são o próprio lucro líquido apurado ern balanço; (g) que o art, 111 do OTN exige lei específica para conceder isenção; (h) que a multa isolada foi aplicada corretamente, em vista do disposto no art, 44 da Lei n" 9,430/96, merecendo o reconhecimento da redução, de 75% para 50%, em vista da.retroatividade benigna trazida pelo art 14 da Lei IV 11.488/2007, De tudo isso a DR...1 concluiu que a ordem legal vigente confirmava a subsistência da tributação exigida no auto de infração sob controvérsia, corn a redução da multa isolada, de 75% para 50%. Notificada do acórdão em 15/07/2009 (fl. 578) e inconformada corn o decidido a interessada interpôs recurso voluntário (fl, 579), alegando, em síntese, o que segue: (a) que o art. 57 da Lei n° 8,981/95 manda adotar, quanto à CSLL, as mesmas normas de apuração do IRPJ, e neste contexto, em vista do disposto no art. 182 do RIR/99, concluiu que as sobras são casos de não incidência também em relação à CSLL; (b) que a recorrente, por imposição de normas do 4 Processo n" I 3982 00051672006-93 S1-C1T3 Acórdiio n." 1103-00386 H 3 BACEN só opera corn associados, e corno tal não apura lucros, mas sim sobras, sobre as quais não incide IRPJ e nem CSLL, por se tratar de caso de não incidência; (c) que nos termos do art, 79 da Lei n" 5.764/71, os atos cooperativos não representam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, do que conclui que as cooperativas de crédito não objetivam lucro; (d) que de acordo corn o disposto no art. 3" da Lei n" 5,764/71, as sobras são distribuidas aos associados, que as tributam; . (e) que os arts. .3", 4 e 79 da Lei n° 5..764/71 definem as sociedades cooperativas corno sem fins lucrativos, do que conclui, no concernente à base de cálculo da CSLL autuada, que se trata de um caso de não incidência; (f) que, segundo o art. 111 da Lei n" 5.764/71, os resultados das operações com não associados "serão contabilizados em separado, de molde a permitir' cálculo para incidência de tributos", do que deduz que os resultados de atos cooperativos não sofrem incidência tributária; (g) que, conforme o disposto nos arts. 85, 86 e 88, da Lei n° 5,764/71, somente os resultados corn atos não cooperativos seriam tributáveis, o que não seria o caso da recorrente que, por ser cooperativa de crédito, estaria proibida de operar com não associados . Ainda, a interessada cola diversas decisões do ST,1 e do Conselho de Contribuintes, que reconhecem a não tributação, pela CSLL, das sobras apuradas pelas sociedades cooperativas, Por fim, nos pedidos, requer a procedência do recurso voluntário, para que se decrete a insubsistência integral do Auto de Infração. E o Relatório. 5 Voto Conselheiro Gervásio Nicolau Reckrenvald 0 recurso voluntário interposto 6 tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a exigência fiscal constituída neste processo cinge-se ir tributação, pela CSLL, em 2001, 2002, 2003 e 2004, dos resultados obtidos pela interessada, representativos das sobras derivadas dos atos cooperativos. Nesse contexto, e já adentrando na controvérsia, vê-se, mesmo por um superficial exame das posiçôes que rivalizam na discussão apresentada para deslinde, que a essência do debate cinge-se à identificação da verdadeira natureza das sobras, ou seja, o resultado econômico, jurídico e financeiro apurado por sociedade cooperativa, e sua parecença com o lucro das empresas em geral, de fins lucrativos. Essa sinopse extrai-se da posição adotada pelo fisco, no que foi apoiado pelo acórdão a quo, de que a legislação pertinente à CSLL, no concernente à hipótese de incidência, não fazia distinção entre sobras e lucros, enquanto que, por outro lado, a recorrente, com muita veemência, propugna pelo reconhecimento das diferenças fundamentais existentes entre os dois institutos, de modo que, por não expresso na legislação, as sobras estariam situadas fora do campo de incidência, tanto da CSLL como do Diante desses respeitáveis posicionamentos, e consultando a melhor doutrina, vê-se que são inegáveis e relevantes as diferenças entre lucros e sobras, o que, aliás, ao menos superficialmente, nem o autuante e nem a DM recorrida negam, tanto é que respeitam a denominação, não usando os dois termos como sinônimos. Nesse panorama, é indiscutível que as sociedades cooperativas são uma espécie de sociedade diferente das empresas em geral, pois não têm fins lucrativos próprios. Sua finalidade 6 inteiramente voltada a auxiliar o desenvolvimento econômico de seus associados, que são os cooperados, e é a eles que pertencem os resultados positivos alcançados nas operaçbes desenvolvidas pela cooperativa. Assim, as sobras, representativas das diferenças entre receitas e despesas relacionadas as atividades cooperativas, embora possam aparentar lucro, tecnicamente não são lucros. Represent= o saldo de valores inicialmente retidos ou cobrados a maior dos associados, pela sociedade cooperativa, com a finalidade de garantir uma margem de segurança operacional. Ultrapassada essa cautela, nada mais justo do que devolver a cada um, na sua proporção, o retido em excesso. Em decorrência, essas sobras liquidas, mesmo que quantificadas com base em demonstraçôes contábeis similares As das empresas de fins lucrativos em geral, não podem ser imputadas ir cooperativa que os apurou, pois não são dela. A propósito, também das normas contdbeis surgem aspectos que marcam as diferenças entre sobras e lucros,. Isso emerge da regulamentação, pelo Conselho Federal de 6 Processo n" 13982.000516/2006-93 S1-C1T3 Ac61dilb n." 1103-00386 Fl 4 Contabilidade, do tratamento contábil a ser adotado em relação ao conteúdo e As formas de apresentação das demonstrações financeiras das sociedades cooperativas . Para exemplificar, vale referir a Resolução CFC IV 920, de 2001, que aprovou a NBC T 10, relacionada a Aspectos Contábeis Especificas em Entidades Diversas, O item NBC T 10.8 — Entidades Cooperativas, assim dispõe: 10.8 4 1 — A denominação da Demonstração do Resultado da NBC T 3.3 é alterada para Demonstração de Sobras ou Perdas, a qual deve evidenciar, separadamente, a composição do resultado de determinado período, considerando os ingressos diminuídos dos dispêndios do ato cooperativo, e das receitas', custos e despesas do ato não-cooperativo, demonstradas segregadantente por produtos, serviços e atividades desenvolvidas pela Entidade Cooperativa Como se vê, a Resolução em comento implantou urna modificação na designação das demonstrações financeiras, obviamente, por considerar relevante a apuração diferenciada. Tais demonstrações, nas empresas de fins lucrativos são denominadas de Demonstração do Resultado do Exercicio e nas sociedades cooperativas são denominadas de Demonstração de Sobras e Perdas. Ainda, estas últimas apresentam urna peculiaridade, pois demonstram, separadamente, a composição dos resultados vinculados ao ato cooperativo, daquele representativo de eventuais resultados do ato não cooperativo, que é normalmente tributável. Ademais, 6 de repisar que a doutrina, e também a jurisprudência, reconhecem e respeitam as profundas diferenças entre lucro e sobras, especialmente quando enfocaraa a natureza dos dois institutos sob o aspecto tributário, direcionado à hipótese de incidência voltada â renda e proventos de qualquer natureza. Sob outro enfoque, percebe-se a relevância das diferenças entre sobras e lucros, tanto é que desde há muitos anos a legislação tributária, especialmente a do imposto sobre a renda, trata os lucros como uma das variáveis indiscutíveis da hipótese de incidência desse imposto, enquanto que as sobras, por não abarcadas pela previsão do art. 43 do CTN, são tratadas, coerentemente, corno caso de não incidência. Para aprofundar esse entendimento, que 6 relevantíssimo para o deslinde desta controvérsia, mister se faz trazer, inicialmente, algumas considerações teóricas acerca do conceito de não incidência, por possivelmente meio esquecido Para tanto, reproduzo estudos de Edgar Neves da Silva e Marcello Martins Motta Filho, inseridos no livro Curso de Direito Tributário, que foi coordenado por Ives Gandra da Silva Martins (Ed. Saraiva, 11" edição, p, 303): Conceituahnente, incidência nada mais é do que a descrição prévia e abstrata de ulna situação em lei, onde o legislador lintinti um tributo, associando-a a uni comando, determinando o recolhimento da exação. Em outras palavras, havendo um . fato econômico, o legislador lhe dá releviincia jurídica, colocando-o na hipótese de incidência da norma, Ocorrido o fato haverá a oneração e, consequentemente, o dever de pagar o tributo, por nascida a obrigação tributária. Por seu turno, a não incidência é o inverso ou o seu reverso Haverá fatos econômicos outorgados à competência de 7 determinado enie tributante, porém seu legislador-, ao exercê-la, re.solve excluir alguns daqueles fatos, não lhes dando relevância jurídica, isto é, não os inserindo na hipótese de incidência ou fato gerador. Por conseguinte, não lhes dando a natureza positiva de furidicidade, não são transformados em fato gerador, e, assim, mesmo que venham a ocorrer não estarão submetidos qualquer oneraçao, ficando, destarte, na- seara da desoneração. Diante disso, mesmo antes da instituição da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido através da Lei 11° 7.689/88, que, frise-se, já nasceu viciada de inconstitucionalidade parcial, era usual tratar-se corn denominações diferentes, e de forma distinta, os resultados de empresas de fins lucrativos - chamados de lucros - e os resultados de sociedades cooperativas - denominados de sobras o que se infere, por exemplo, do Parecer Normativo CS if 522, de 8 de dezembro de 1970 (DOU em 21/12/70): As -un oraincias devolvidas selas coo erativas aos seus associados como retorno ou sobra, não são consideradas como rendimentos e sim como ressarcimento de capital correspondente ao reajustamento de prep's, anteriormente pagos ou recebidos destes. (Lei n" 506-64, artigo 31, ,sç 1", "b", Decreto 58,400-66, artigo 23, parágrafo único "b') Depois, já abrindo a década de 1980, outro Parecer Normativo CST, o de n" 38/80 (DOU de 09A 1,80), que disseca o ato cooperativo sob o aspecto contábil/tributário nos casos em que há operações corn terceiros, continua tratando as sobras separadamente dos lucros de atividades corn terceiros: As despesas gerais relativas aos atos cooperativos são cobertas pelo cooperado, em regra através de rateio na proporção direta da fruição dos serviços (art 80, capita podendo ocorrer, também, rateio de sobras liquidas verificadas em balanço de exercício (artigo 80, parágrafo único) . Reconhecendo essa fundamental diferença entre as sobras e lucros, a partir de certa época, situada mesmo antes da edição da Lei n° 5364/71 que regula o ato cooperativo, alguns intérpretes da legislação relacionada ao IRPJ deram-se conta de que vinham designando de forma incorreta a não tributação das sobras, que diziam isentas, enquanto a doutrina dominante dizia tratar-se de não incidência. Essa transição está registrada no item 3 do Parecer Normativo CST IV 73/75 (DOU 11,08,75) que teceu orientações sobre a apuração, por cooperativas, de resultados de atos não cooperativos: 3. 0 Parecer Normativo CST n" 155/73 . já intopretou os dispositivos legais acima transcritos, menos quanta a .1brina de apuração dos resultados das operações com terceiros, objeto deste parecei... então, que a ISENÇÃO de que gozavam as coo erativas com base no arti o 23 do RIR vi ente Decreto número 58.400/66 — Oriundo do artigo 31 da Lei n" 4.506/64 or substituída ida NÃO INCIDÊNCIA ex vi do disposto no art. 18 do Decreto-lei n" 59, de 21.11.66. Nos termos do referido artigo 18, ficaram abrangidos pela não 8 Processo n" 13982.000516/2006-9.3 SI-C11-3 A.c6rdilo ii " 1103-00.386 Fl. 5 incidência os resultadas positivos das operações sociais. Tributados, portanto, os provenientes de transações alheias ao objeto social das cooperativas (transações eventuais) Revogado que fbi o Decreto-lei n" 59/66 pelo artigo 117 da Lei n" 5.764/71, e vistas os termos do supratranscrito artigo 111 desta mesma lei, ficaram fora do campo da incidência do imposto de renda os resultados das "atividades inerentes a esse tipo societário" (cooperativas), e sujeitos ao tributo os derivados de transações eventuais e os de operações realizadas com terceiros. Também nesse direcionamento, é enfático o Parecer Normativo CST IV 155, de 15 de outubro de 1973 (DOU 05/11/73), acima citado, que orientou dizendo que "a não incidência de imposto de renda, de que gozam as cooperativas, não se estendia és operações alheias ao seu objeto social". No corpo do Parecer em questão, depois de reproduzir os artigos 85, 86 e 88 da Lei n" 5364/71, então de recente vigência, o parecerista esclarece: 7, Da análise sistemática desses dispositivos, tem-se que o campo da não incidência corresponde às atividades inerentes a esse tipo societário, 8, 0 que exorbita desse campo é tributável, como se htfere dos artigos supra transcritos, em todos os quais se verificam des-caracterizações das atividades normais das cooperativas: ou porque adquiram produtos de não associados (art, 85), ou porque fOrnegam bens ou serviços, que deveriam destinar-se aos associados, a pessoas que não se revestem dessa condição (art 86), ou porque participem de outras sociedades, não cooperativas (art 88). 10, Fica, assim, bent definido o campo da não incidência, compreensivo das atividades próprias das cooperativas, e não daquelas que, ainda quando exigidos por determinadas circunstancias, se insiram estritamente entre aquelas. Avançando no tempo, a questão da no incidência permaneceu inalterada, conforme referiu o Parecer Normativo CST IV 38, de 31 de outubro de 1980, que esclareceu acerca de critérios para o arbitramento do lucro em sociedades cooperativas (DOU 0911,80): 6..2 Desta forma, et administração tributária incumbe quantificar a parte dos inj rcz_= totais que não se comporta denim da regra da lido incidência, a ,fim de servir de base de cálculo ao lucro arbitrado. Nesse compasso, a caracterização das sobras como sendo um caso de "não incidência" persiste até hoje, Para confirmá-la, basta examinar o art, 182 do RIR199, atualmente vigente: Art 182, As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica não terão incidência cio imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Ainda, acerca da coerente e apropriada distinção das sobras - no enfoque tributário - como urn caso de não incidência, vale referir que as decisões do Conselho de Contribuintes, invariavelmente, se referiam a "não incidência", e não a isenção ou imunidade, o que seria incorreto.. Para exemplificar, reproduzimos duas ementas: RENDIMENTOS DE ATOS NÃO COOPERATIVOS — O resultado de atos não cooperativos, tais como de aplicações financeiras, não se inclui entre aqueles amparados pela não incidência (Ac. I" CC 103-8.989/89 e 9,008/89 — DO 31/08/89). OPERAÇÕES TRIBUTADAS — As operações referentes a aplicações financeiras, excesso de retiradas de administradores, ganhos e perdas na venda de bens do ativo permanente, juros recebidos de não associados, vendas de combustíveis e lubrificantes a não associados e juros recebidos da Eletrobras, or estarem ora do cam o da tulo incidência e por serem consideradas atividades atípicas não abrangidas pelo ato cooperativo, devem ser tributadas à aliquota normal (Ac. 1" CC 103-10, 292/90 — DO 11/10/90). Vê-se, assim, que 6 inequívoca a distinção entre lucro e sobras, constatação que levou o legislador e o interprete de então a classificar estas últimas, com pleno acerto, como urn caso de "não incidência". Disso se constata que as sobras não se subsumem ao disposto no art_ 43 do CTN, que define o fato gerador do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, E só por isso que não incide 1RPJ sobre essa base. E não 6 porque tenha sido editada uma lei que expressamente isente as sabias da tributação do 1RPJ, como impropriamente muitas vezes 6 afirmado. Em decorrência, a interpretação pretendida pelo fisco, de que a Lei n" 7.689/88 alcança os resultados das atividades típicas das cooperativas, 6 ultrapassar o alcance do determinado pelo texto legal, pois este, por seu artigo 1°, 6 taxativo quanto ao lucro, não permitindo alargamentos para sobras ou outras hipóteses não previstas: Art 1° Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social (grifamos). Ademais, não há qualquer ato legal posterior à edição da Lei n° 7,689/88 que unifique ou funde, para fins tributários, o conceito de lucro e sobras. Prova disto é a constatação, acima exposta,.que persiste ate hoje, de que não incide IRPJ sobre as sobras, por estes resultados se encontrarem fora da abrangência do artigo 43 do CTN, isto 6, também se trata de caso de não incidência. Compre lembrar, ainda, que a não incidência da CSLL sobre as sobras independe de alguma determinação expressa de exclusão, pretendida pelo acórdão recorrido (fl. 569 v). Para se pensar em exclusão, necessitar-se-ia de uma norma de inclusão, anterior.. Afinal, como é óbvio, não é possível isentar da CSLL o que ainda não 6 por ela tributado, Pioces;io n" 13982.000516/2006-93 Sl-C1T3 Acórdilo n " 1103-00386 Fl 6 Diante disso, para se manter o lançamento, seria imprescindível apontar-se o ato legal que submeteu as .sobras à tributação da CSLL. E isso não está nos autos. A propósito, o acórdão a quo faz referência a vários diplomas legais que, diretamente ou indiretamente, regulariam a tributação do ato cooperativo no período alcançado pelo lançamento fiscal. Tais dispositivos legais estariam a mostrar que a cooperativa estaria sujeita ao recolhimento da CSLL, toda vez que produzisse resultados positivos, fossem eles gerados pelos atos cooperativos ou não cooperativos . Todavia, os aludidos atos, embora expressos quanto A tributação dos atos não cooperados, não autorizam a tributação da CSLL sobre as sobras, isto 6, sobre os resultados dos atos cooperados. Dentre os diplomas legais em comento, o acórdão recorrido faz referência, inicialmente, ao art. 195 da CF/88, que é apontado como instrumento legal a afiançar o lançamento . Porém, tal artigo não contém a pretendida determinação, pois em momento algum a CF equipara, para efeitos de fonte de financiamento da seguridade social, as sobras a lucros. Além, o fato do artigo em foco ter excluido somente as entidades beneficentes de assistência social da obrigatoriedade de contribuir para a seguridade social não autoriza a tributação, pela CSLL, das sobras das cooperativas, sob o argumento de que as cooperativas não teriam sido contempladas com imunidade tributária. Efetivamente, ha incidência de CSLL sobre os lucros das cooperativas . Porém, tal incidência limita-se aos lucros referidos no art, 111 da Lei n" 5,764/71. Esse determina que os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88, portanto, relativos a resultados de atividades não cooperadas, seriam considerados como renda tributável. Todavia, no caso, segundo a recorrente, tais resultados inexistem, Também, o fisco não demonstra sua existência. Por outro lado, as sobras, confer= já mencionado anteriormente, não são consideradas renda das cooperativas, nem para fins de IRPJ e nem para a CSLL, pois são valores que pertencem aos associados, os quais têm a obrigação de tributá-los, diferentemente dos lucros que são distribuídos aos sócios, isentos da CSLL e do IRP.1. Assim, as sobras estão fora do campo de incidência tributária das cooperativas, e isto se deve a uma razão simples: as sobras não têm natureza de lucro, conforme entendimento já consolidado desde 1975: 3.[...] Nos termos do referido artigo 18, .ficaram abrangidos pela não incidência os resultados positivos das operações sociais. Tributados, portanto, os provenientes de transações alheias ao objeto social das cooperativas (transações eventuais). Revogado que foi o Decreto-lei n" .59/66 pelo artigo 117 da Lei n" 5.764/71, e vistas os termos do supratranscrito artigo 111 desta mesma lei, ficaram fora do campo da incidência do imposto de renda os resultados das "atividades inerentes a esse tipo societário" (cooperativas), e sujeitos ao tributo os derivados de transações eventuais e os de operações realizadas con? terceiros (PN CST 73/7.5) Nesse ponto, somente para relacionados à imunidade, à isenção e A ensinamentos de Luciano Amaro, trazidos Saraiva, 16 edição, 2010, p. 308): ilustrar, vale lembrar alguns conceitos básicos não incidência. Para tanto, socorro-me dos no livro "Direito Tributário Brasileiro" (Ed, 11 1( Examinadas as figuras da imunidade e da isenção (e sabido que, em ambas, não incide tributo), vê-se que as demais situações de não-incidência (que .formam o campo da chamada não- incidência pura e simples) abrangem um complexo heterogêneo, que abarca desde as hipóteses que, ti visa do texto constitucional, quedaram não compreendidas pot nenhum rol de competências, até aquelas que, podendo embora ser oneradas pelo tributo, &arum fora do grupo de situações compreendido pela regra de incidência. Por exempla, se o legislador, ao instituir imposto sobre os fatos do grupo "Y", arrolar as subespécies "y3" a "y8", estará deixando no campo da não- incidência pura e simples outras subespécies do referido grupo. Como vimos, as diferenças entre as várias . formas de não- incidência dizem respeito à técnica legislativa. Se o ordenamento jurídico declara a situação não tributável, em preceito constitucional, temos a hipótese de imunidade tributitria. Se a lei exclui a situação, subtraindo-a da regra de incidência estabelecida sobre o universo de que ela faz parte, temos a isenção. Se o fato simplesmente não é referido na lei, diz-se ele pertencente ao campo da não incidência pura e simples, ou da não-incidência, tout court. Não se nega que essas diferenças de técnica legislativa tenham relevância. O que se afirma é que não há diferença substancial entre as várias formas de que se pode revestir a não-incidência, Obviamente, a alteração de uma imunidade demandaria reforma constitucional (o que pode esbarrar no disposto no art, 60, § 4", IV, da Constituição, pois a imunidade foi inserida entre os direitos e garantias individuais art. 150, VV.. A tributação de uma situação isenta depende da revogação do preceito definidor da isenção. E a tributação de uma situação que não se encontra abrangida por nenhuma regra de incidência depende da edição de norma que positive a tributação da hipótese.. No embalo das lições de Luciano Amaro, na sequência, analisa-se outro "marco" da legislação tributária ordinária que normatiza as operações das cooperativas, isto 6, a Lei n° 10.865/2004, que por seu artigo 39 declarou "isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL" as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica, corn vigência a partir de 01.012005 (art.. 48). Disso, o digno relator a quo conclui: "Desse modo, até 31/12/2004, não há que se falar em não incidência de CSLL sobre o resultado da sociedade cooperativa, qualquer que seja a denominação adotada, sejam esses resultados decorrentes de atos cooperativos ou não" (fl. 568 v). Todavia, mais uma vez, peço vênia para discordar do remate suso reproduzido. As conclusões extraidas dos citados artigos da Lei IV 10.865/2004 e utilizadas para decretar a improcedência da impugnação, embora lógicas em tese, não podem prosperar no caso em tela, pois o art. 39, com todo o respeito a quem pensa diferente, ao decretar uma isenção para urna situação de não incidência, mostrou-se inócuo. Nesse pensamento, aproveitando os ensinamentos de Luciano Amaro, antes reproduzidos, que, evidentemente, não contemplam a estranha situação de conceder isenção para urna situação de não incidência, mostram-se úteis para estudar o caso, o que se extrai da parte em que o reconhecido tributatista explica que "a tributação de uma situação isenta 12 Pnacesso n" 13982 000516/2006-93 SI-Cl T3 AceIrdiie n 0 1103-00.386 Fl 7 depende da revogação do preceito definidor da isenção". A partir disso, raciocinando em sentido inverso, tem-se como óbvio que "a concessão de uma isenção implica revogação do preceito definidor da tributação". Essa afirmação expõe o equivoco da lei, pois no caso abarcado pelo art. 39 não existe tal preceito definidor da tributação, por ser caso de não incidência . Nesse raciocínio, a afirmação de que o lançamento 6 procedente porque inexiste "a con cessão de isenção, suspensão ou exclusão do crédito tributário 11„.1 conforme disposto no art, 111 da Lei 11" 5172/1966" (1, 569 v) não é válida para os casos de não incidência. E é exatamente essa a natureza da base de cálculo indevidamente submetida tributação nestes autos, De outra parte, inferir que a malsinada disposição legal, ao conceder a inusitada isenção, autorizou se concluir que antes dela as sobras apuradas pelas cooperativas eram tributadas, é admitir que a lei ordinária possa retroagir em situações outras que não as previstas no art. 106 do CTN. Hostilizando outro ponto, o recurso voluntário contesta a ilação, contida no acórdão a quo, de que a Lei ri° 8.212/91 também estaria referendando o procedimento fiscal em litígio. Quanta a isso, mais uma vez me inclino a concordar com as arguições da recorrente, pois não enxerguei na mencionada lei nenhum aspecto que pudesse cimentar o embasamento legal informado no auto de infração. Por fim, cumpre mencionar que são reiteradas as decisões do ST.1 e do CARF que reconhecem a improcedência da exigência de CSLL nos termos do aqui discutido, cujas decisões, basicamente, são apoiadas na arguição da não incidência. Para exemplificar, abaixo 6 reproduzida a ementa do AgRg no Resp 1037701/ES, processo 2008/0050914-5, relatado pelo Ministro Humberto Martins, da Segunda Turma (Dje 08/08/2008): TRIBUTÁRIO NATUREZA JURÍDICA DAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — ATOS COOPERATIVOS EXCLUSIVAMENTE REALIZADOS ENTRE A COOPERATIVA E SEUS ASSOCIADOS NÃO- INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA IN CASU — SÚMULA 7/STJ — MATÉRIA CONSTITUCIONAL — COMPETÊNCIA DO STF. 1, A incidência da Contribuição Social Sobre a Lucro, CSLL, sabre atos cooperativos, traduz, em essência, a controvérsia destes autos. 2, A prática de atos cooperativos, realizados na. forma descrita na Lei 11, 5 764/71, não configura hipótese de incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro — CSLL .sobre tais atos, caracterizando-se, consequentemente, indevida. 3, A não-incidência da CSLL, nos terms da jurisprudência dominante do STI, em caso.s de cooperativas, restringe-se a atos cooperados praticados exclusivan2ente entre a cooperativa e seus associados, 041 13 4.. In casu, o acórdão a quo declarou que os atos realizados pela ora agravada revelam-se estritamente cooperativos, ou seja, entre a cooperativa e seus associados, segundo prevêem as disposições da Lei n, 5 674/71. Logo, diante de tal delineamento fatico, incabível o exame pela via estreita do especial, por força no disposto na Súmula 7/STJ, pois não há como determinar a alegada incidência da CSLL, que pressupõe a prática de atos não-cooperativos. Agravo regimental improvido. Ainda, e também para ilustrar, cola-se ementa que decidiu matéria similar Pe ante o CARF (Ac, 101-97.104, 04/02/2009): CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — BASE DE CÁLCULO — As sobras obtidas pelas Sociedades Cooperativas corn seus associades não se configuram como lucro, não subsumindo, podanto, a incidência da contribuição Exegese do art. 3" da Lei n.. 5.764/71 e arts, 1" e 2" da Lei n. 7,689/88. Ante o exposto, por entender que as sobras situam-se fora do campo de incidência da CSLL, opino pela insubsistência integral do lançamento quanto à exigência de CSLL. Em decorrência, também sucumbem a multa de oficio, os juros de mora e a multa de oficio isolada sobre as pretensas estimativas não recolhidas. Todavia, mesmo que não fosse afastada a exigência principal, o que se admite para possibilitar a argumentação, ainda assim a multa isolada não poderia subsistir, por aplicada em concomitância corn a multa de oficio . Nesse passo, inicialmente, 6 de ressaltar que na época da ocorrência dos fatos, a matéria ainda era regulada pela redação original do art, 44 da Lei ri° 9430, de 1996, reprisada no art 957 do RIR/99, isto 6, antes da redação introduzida pelo art. 14 da Lei n" 11.488/2007, que efetivamente criou a base legal para a exigência de multa isolada quando constatada falta de recolhimento de estimativa. O art. 44, na data da ocorrência dos fatos em tela, tinha a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição,' I — de setenta e cinco por cento nos caso de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte ./ Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas.. 14 Process° nn 13982.000516/2006-9.3 S1-CIT3 Acórdrio n.n 1103-00.386 Fl 8 I — .juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos,' 1.1 IV — isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art, .2", que deixar de/àzê-io, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente. Como se vê, o comando legal transcrito não autoriza a simultânea aplicação, sabre urna mesma base, da multa referida no inciso I do parágrafo único e da multa referida no inciso IV desse mesmo parágrafo . Aliás, a determinação do inciso IV sequer se subsume ao disposto no caput do artigo 44, ao menos na redação anterior A8 modificações inseridas pelo art. 14 da Lei n° 11..488/2007, que é a reproduzida acima . Segundo o caput, a base de cálculo das multas, tanto das ordinárias como das isoladas, 6"a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", e a estimativa é urna mera antecipação que não caracteriza tributo devido . E mesmo que se pudessem ter dúvidas sobre a precisa interpretação acerca da simultânea aplicação das multas em questão, socorre a recorrente o artigo 112 do CTN, que diz: Art 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe cantina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto I — à capitula çâo legal cio fato; ii — à natureza ou às circunstancias materiais do fato, ou à natureza ou eVensilo dos seus deltas,. III — à autoria, imputabilidade, ou punibilidade,' IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Ademais, é farta a jurisprudência do Conselho de Contribuintes no sentido de inadmitir a concomitância da multa de oficio e da multa isolada sobre uma mesma base de cálculo . Inclusive, há decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa está reproduzida no voto do acórdão 102-48,852: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO CONCOMITÁNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada e da mullet de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n" 01-04 987 de 15/06/2004). HA outras decisões recentes, a exemplo da relatada por Alexandre Barbosa jaguaribe, também abaixo reproduzida: MULTA ISOLADA — A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o 15 total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor Pelo principio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que não ocorreu no presente lançamento (Ac 103-23,386, de 05/03/2008) Nesse panorama, mesmo que a CSLL e seus consectdrios acréscimos legais fossem mantidos, hipótese no contemplada neste voto, ainda assim a multa isolada no poderia prosperar . Ante o exposto, dou provimento integral ao recurso voluntário para votar pela insubsistência integral do lançamento contido neste process < Nicolau ck en a d - Relator 16
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Numero do processo: 10510.900317/2006-45
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA.
Descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 9101-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a independência do presente processo em relação aos processos 10510.900339/2006-13, 10510.900324/2006-47 e 10510.900344/2006-18. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luis Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a independência do presente processo em relação aos processos 10510.900339/200613, 10510.900324/200647 e 10510.900344/200618. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luis Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 03 17 /2 00 6- 45 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10510.900317/200645 Acórdão n.º 9101003.660 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte BANESE Banco do Estado de Sergipe S/A em face da decisão proferida no Acórdão nº 1801000.828 (fls. 170 e segs.), pela 1ª Turma Especial da Primeira Seção, na sessão de 17 de janeiro de 2012, pela qual o Colegiado, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O processo analisa o direito creditório do interessado, que pretende utilizar o valor de R$ 47.171,46, pago mediante DARF, a título de estimativa de CSLL devida para o mês de dezembro de 2000 como crédito a compensar com débito apurado em fevereiro de 2003, no montante de R$ 64.752,26. Constatase dos autos que o interessado entregou DCTF retificadora informando CSLL a pagar no valor de R$ 94.922,27 e que a autoridade a quo indeferiu o pedido de restituição e declaração de compensação sob o argumento de que parte do valor devido a título de CSLL foi efetivamente pago com o crédito requerido, razão pela qual não há como reutilizálo em outra quitação. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alegou que: no mês de dezembro de 2000 a Recorrente apurou CSLL na ordem de R$ 1.334.681,27, de cujo valor foi deduzida a "Recuperação de créditos de CSLL (art. 8o da MP n° 1.807/99), no montante de R$ 400.404,38"; em face da dedução mencionada, a Recorrente informou na ficha 16 da DIPJ de 2000, que deveria efetivar um pagamento a título da CSLL, no valor de R$ 934.276,89, de modo que o valor recolhido em jan/2001, para aquele período foi indevido; isto porque, conforme se depreende da análise da ficha 17, ao final do exercício financeiro, a Recorrente apurou um saldo negativo de CSLL no valor de R$ 1.845.106,98; desta feita, cabe à Recorrente a integral restituição, operacionalizada através da compensação já realizada no valor de R$ 47.171,46, pois como já informado nesta exordial, tal Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10510.900317/200645 Acórdão n.º 9101003.660 CSRFT1 Fl. 4 3 recolhimento não foi utilizado para o pagamento da CSLL do mês de dezembro/2000, já que aquele débito fora automaticamente compensado com a base negativa verificada no final do exercício; A DRJ/Salvador julgou improcedente a manifestação de conformidade, nos seguintes termos: Da análise dos autos, verificase que, efetivamente não pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte, pois a legislação tributária não permite que se modifique a forma de extinção de um débito tributário. Consoante relatado, na DCTF Original, a contribuinte declarou CSLL devida por estimativa, em dezembro de 2000, no valor de R$ 47.171,46, quitada com pagamento de igual valor, por meio de DARF, em 31/01/2001. Posteriormente, retificou a DCTF, confessando CSLL, para o citado período de apuração, no valor de R$ 94.922,27, ao qual vinculou duas DCOMP. Efetivamente, tal pretensão é inadmissível, pois quando a contribuinte apresentou a DCTF retificadora, parte do débito ali declarado já se encontrava extinta por meio do pagamento de R$ 47.171,46, efetuado anteriormente e, portanto, caberia à contribuinte efetuar o pagamento ou a compensação da diferença, no montante de R$ 47.750,81. Desta forma, acertou a DRF/AJU, ao decidir que um pagamento efetuado em valor inferior ao devido jamais poderia constituir em pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN, passível de restituição ou utilização na compensação de débitos do próprio contribuinte, na forma da legislação fiscal. Também, cabe ratificar a afirmação contida no Despacho Decisório da DRF/AJU, no sentido de que o débito da CSLL de dezembro de 2000, a ser considerado na DCOMP n° 30698.32553.240903.1.3.040986, é no montante de R$ 47.750,81 (R$ 94.922,27 R$ 47.171,46) e de que deve ser cancelada a parcela do débito compensada na DCOMP n° 29705.66076.240903.13.046788 Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repisou os argumentos já formulados. Na sessão de 17 de janeiro de 2012, a 1ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF negou provimento ao recurso interposto, em decisão assim ementada: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Constatado nos autos que o crédito utilizado em Declaração de Compensação Dcomp já foi utilizado para quitar outro indébito tributário, não se homologa a compensação pleiteada. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10510.900317/200645 Acórdão n.º 9101003.660 CSRFT1 Fl. 5 4 Foi interposto recurso especial (fls. 181 e ss) em que o contribuinte defende a possibilidade de uma DCTF retificadora servir não apenas para alterar o valor dos débitos nela declarados, mas também para vincular novos créditos para sua extinção, em substituição às formas de pagamento originalmente declaradas na DCTF original. Aduz que, diante da constatação de que o valor informado pela DCTF e DIPJ originais estava equivocado, resolveu retificar a DCTF original para constituir o valor devido a título de CSLL de dezembro de 2000, no montante de R$ 94.922,27, vinculando este novo débito tributário a um novo e integral pagamento realizado mediante compensações nos valores de R$ 51.515,76 e R$ 43.406,51, através das DCOMP n. 30698.32553.240903.1.3.040986, e 29705.66076.240903.13.046788, sendo que a primeira inclusive já foi objeto de homologação. Nesse contexto, defende que o valor de R$ 94.922,27 foi extinto por novo pagamento, razão pela qual apresentou a Declaração de Compensação (DCOMP) n. 18027.44472.230503.1.3.043706 (sob análise nestes autos) objetivando (i) o reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 47.171,46 a título da CSLL, e (ii) a homologação da compensação do montante integral do crédito em destaque com parte da estimativa mensal de IRPJ de fevereiro de 2003, pedidos que foram indeferidos. Por fim, alega que a decisão recorrida não possui amparo legal e ofende o princípio da moralidade administrativa. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 243 e seguintes. Por seu turno, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 248), em que pugna pela manutenção da decisão recorrida, por entender que a rejeição do pedido de compensação não se fundamentou na impossibilidade de apresentação, pelo contribuinte, de DCTF retificadora, mas sim ante a inexistência de pagamento a maior ou indevido. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial do contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 248, por ter atendido aos requisitos para seguimento do dissenso jurisprudencial, relativo à possibilidade de a retificação da DCTF ensejar, além da alteração dos valores declarados, a vinculação de novos créditos para sua extinção, em substituição às formas de pagamento anteriormente declaradas na DCTF original. Nesse contexto, conheço do recurso especial do contribuinte, ratificando os termos do referido despacho de admissibilidade. A matéria em discussão objetiva saber se o contribuinte tem direito ao aproveitamento, a título de crédito, do valor da estimativa de CSLL do mês de dezembro de Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10510.900317/200645 Acórdão n.º 9101003.660 CSRFT1 Fl. 6 5 2000, originalmente declarado no montante total de R$ 47.171,46, após substituir o valor devido para R$ 94.922,27 , por meio de DCTF retificadora, vinculandoo a outros créditos. Assim, a questão central dos autos em que o contribuinte pretende a homologação da compensação do débito de IRPJ devido a título de estimativa no período de fevereiro de 2003, diz respeito à possibilidade de se reconhecer um crédito a partir do recálculo efetuado pelo contribuinte e considerálo, como este deseja, como débito tributário novo por força da DCTF retificadora, que substituiu os valores e vinculações originais A partir de tal premissa o interessado pretende compensar suposto "excesso de antecipação", como resultado das retificações por ele promovidas. Apesar de a mesma sistemática ter sido adotada pela Recorrente nos processos de nºs 10510.900320/200669, 10510.900324/200647, 10510.900339/200613, 10510.900344/200618 e 10510.900317/200645, todos distribuídos a esta relatora, verificase que inexiste prejudicialidade entre eles. Muito embora a Recorrente sustente seu direito de apresentar declarações retificadoras para alterar as informações de débitos e créditos como bem entender, como bem apontado pela decisão recorrida, no caso dos autos a administração tributária considerou as declarações retificadoras entregues pela Recorrente, de sorte que não foi este o fundamento para o indeferimento do direito creditório. Como visto, a Recorrente aduz que a DCTF retificadora deve servir não apenas para alterar o valor dos débitos nela declarados, mas também para vincular novos créditos passíveis de extinção, em substituição às formas de pagamento originalmente declaradas. Todavia, a Administração Tributária considerou as declarações retificadoras entregues, de sorte que não foi este o fundamento para o indeferimento do direito creditório. Penso que não assiste razão à Recorrente, pois não prospera o argumento de que a retificadora constituiu um "novo débito", independente do anterior. O que houve foi apenas uma alteração no quantum debeatur, de sorte que a dívida remanesce, inclusive quanto à sua natureza. É certo que, dentre as modalidades de extinção do crédito tributário encontramse tanto o pagamento quanto a compensação, nos termos do art. 156, incisos I e II do Código Tributário Nacional, respectivamente. Mais à frente, o mesmo estatuto jurídico disciplina o direito à restituição, incluindo o pagamento indevido ou maior que o devido, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (destacamos) Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10510.900317/200645 Acórdão n.º 9101003.660 CSRFT1 Fl. 7 6 Sobre a compensação, cumpre destacar que essa modalidade de extinção do crédito tributário pressupõe a liquidez e certeza do crédito, a teor do disposto no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A compensação em análise ainda deve observar as seguintes regras dispostas no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, vigentes à época da entrega da DCOMP: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Consoante o caput do art. 74 acima transcrito, somente pode ser utilizado, na compensação de débito próprio de tributos administrados pela RFB, o crédito apurado pelo sujeito passivo que for "passível de restituição ou de ressarcimento". Sobre a possibilidade de restituição ou compensação de valor pago a maior ou indevidamente a título de estimativa, é de se reconhecer o caráter interpretativo do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro 2008, que retirou a restrição anteriormente existente em relação aos indébitos decorrentes de estimativas, sendo aplicável aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Nesse sentido, cabe referir o voto vencedor do Acórdão CARF nº 110100.330, da lavra da exConselheira Edeli Pereira Bessa, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, julgado em 9 de julho de 2010, que dispõs: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10510.900317/200645 Acórdão n.º 9101003.660 CSRFT1 Fl. 8 7 mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Considerando o ônus probatório, para ter direito à restituição do crédito e utilizálo em compensação, cumpre ao interessado demonstrar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Assim, não se trata aqui de desconsiderar o direito da Recorrente de apresentar uma DCTF retificadora para alterar o valor do débito. Mas o que interessa para a solução do litígio referente à pretendida homologação total da compensação é a demonstração de que o montante integral do pagamento, via DARF, caracterizase ou não como pagamento indevido ou a maior, nos termos do art.165, inciso I, do CTN. Como visto, a Recorrente pretende o reconhecimento de determinado valor, a título de crédito, que foi, originalmente, objeto de quitação na modalidade pagamento (art. 156, inciso I, do CTN) e que, posteriormente, a partir da entrega de DCTF retificadora, foi alterado em valor e em modalidade de quitação (para compensação, nos termos do art. 156, inciso II, do CTN). Ora, a possibilidade de criação de um indébito pela simples alteração na modalidade de quitação, quando se declara que o valor devido não é X, mas Y, não parece conforme ao ordenamento jurídico acima exposto, o qual pressupõe que o crédito a ser utilizado na compensação deve ser líquido e certo. A certeza, nesse caso, deve ser pautada em fundamentos fáticos e jurídicos sólidos, o que não se verifica no caso de se declarar que se deve um tributo referente a determinado período de apuração ao mesmo tempo em que se pleiteia um indébito referente ao mesmo tributo e período de apuração. Podese afirmar, assim, o valor recolhido inicialmente serviu para extinguir, nos termos do art. 156 do Código Tributário Nacional CTN, o crédito tributário declarado na DCTF retificadora, mostrandose descabida a pretensão da Recorrente de aproveitar como indébito o que não era indébito. Concluise, pois, que descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. Nesse contexto, não merece reparos a decisão recorrida, que negou provimento ao recurso do contribuinte, nos seguintes termos: A própria recorrente admite que retificou a CSLL estimada apurada em dezembro de 2000 de R$ 47.750,81 para o valor de R$ 94.922,27. Ocorre, todavia, que o valor anteriormente informado já encontravase efetivamente quitado, pelo que cabia à instituição financeira somente quitar o saldo restante, fosse por meio de compensação ou por meio de efetivo pagamento, através de DARF. Tem razão a autoridade a quo, bem como o aresto proferido em primeira instância, quando ressaltam a impossibilidade da recorrente em querer “trocar” a forma de quitar parte da referida estimativa, uma vez este valor já estar parcialmente satisfeito e o débito extinto, ainda que em parte. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10510.900317/200645 Acórdão n.º 9101003.660 CSRFT1 Fl. 9 8 Desta forma, incabível o pedido de restituição e conseqüente Dcomp do valor já alocado como pagamento do indébito tributário. Também não procede a alegação da instituição financeira de que por haver apurado saldo negativo da CSLL, pode deixar de recolher a estimativa devida pelo mês de dezembro, quando o valor desta já compôs o referido saldo de forma a reduzir a CSLL devida (informada como estimativas recolhidas). A propósito, a recorrente sofreu autuação no anocalendário em questão que culminou em significativas alterações nos dados informados na DIPJ/01 que apresentou junto à impugnação, não trazendo aos autos as referidas mudanças efetuadas ex officio (processo nº 10510.000365/200551). Mas estas alterações não influenciam por ora na solução deste litígio. A Dcomp objeto deste processo deve ser não homologada pelo fato de ser inadmissível o pleito da interessada em: primeiramente, apresentar nova quitação para indébito tributário já extinto, ainda que parcialmente; em segundo, tendo sido utilizado o crédito em apreço na quitação de outro indébito tributário não há mais crédito a ser aproveitado. O objeto desta Dcomp é impossível juridicamente, por inexistente o crédito alegado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Acrescentese que eventual cobrança em duplicidade do valor declarado como débito em outra Dcomp é afastada pela autoridade fiscal que analisou o processo na Delegacia da Receita Federal do Brasil, ratificada pela decisão colegiada de primeira instância (DRJ), conforme transcrições abaixo, que integram o presente julgado. Do Despacho decisório DRF/AJU nº 474, de 18/06/2007 (fls.2123 do vol.1), se extrai: Na verdade, o procedimento correto seria o interessado efetuar o pagamento da diferença, no valor de R$ 47.750,81, ou compensála com outro crédito, jamais querer converter em indevido um pagamento inferior ao devido. Como se vê, resta evidente que o contribuinte é totalmente descabida, por ausência de dispositivo legal que autorize, a devolução integral do pagamento reinvindicado. Conforme está transcrito alhures, o CTN prevê apenas a restituição total ou parcial do pagamento, não a sua permuta por outro tipo de crédito. Por fim, como o débito de CSLL de dezembro de 2000 a ser compensado é de R$ 47.750,81, deverá ser este o valor a ser considerado na DCOMP nº 30698.32553.240903.1.3.040986, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10510.900317/200645 Acórdão n.º 9101003.660 CSRFT1 Fl. 10 9 devendo ser cancelada a parcela do débito compensada na DCOMP nº 29705.66076.240903.13.046788. (grifouse) Do Acórdão nº 1414.255, da 2ª Turma da DRJ/SDR, de 14/11/2007 (fls.81 85 do vol.1), se extrai: Também, cabe ratificar a afirmação contida no Despacho Decisório da DRJ / AJU no sentido de que o débito de CSLL de dezembro de 2000, a ser considerada na DCOMP nº 30698.32553.240903.1.3.04098 é de R$ 47.750,81 (R$ 94.922,27 R$ 47.717,46) e de que deve ser cancelada a parcela de débito compensada na DCOMP 29705.66076.240903.13.04 6788. (grifouse) Igualmente não prospera o argumento da Recorrente acerca de qualquer ofensa a princípios constitucionais, pois as decisões proferidas nos autos atenderam, como visto, aos preceitos normativos que regem a matéria. Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso especial do Contribuinte e, no mérito, por NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720947/2016-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 09 47 /2 01 6- 94 Fl. 57DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "Omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 50.013,84, recebidos da ponte pagadora CNPJ 00.394.452/053334, O laudo pericial apresentado pelo contribuinte não possui identificação do serviço médico oficial emissor do documento." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 46/51. Em síntese, informa que apresenta novo Laudo, subscrito por médico coordenador do Programa de Assistência Domiciliar – PAD, programa este implementado na rede de saúde pública no âmbito do Município de Campos dos Goytacazes/RJ. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10725.720947/201694 Acórdão n.º 2001000.510 S2C0T1 Fl. 3 3 adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Fl. 59DF CARF MF 4 O lançamento, assim como o faz a decisão de primeira instância, fundamenta o não reconhecimento da isenção, ao argumento de que o Laudo não atente o disposto na legislação. Com o recurso, o recorrente apresenta novo Laudo (f. 52) , suprindo as falhas apontadas pelas autoridades lançadora e julgadora. Desta forma, deve ser aceito o documento. Portanto, devese reconhecer o direito à isenção pleiteado pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
