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Numero do processo: 11065.722073/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
Numero da decisão: 1301-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Preliminarmente, nos termos dos arts. 42 e 44 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, foi apreciada arguição de impedimento dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, feita pela embargante, em documento juntado aos autos. Consultados, os Conselheiros cujo impedimento foi arguido não o reconheceram e farão juntar aos autos pronunciamento escrito como parte integrante do acórdão. Submetida a questão à deliberação do Colegiado, a arguição de impedimento foi REJEITADA por unanimidade de votos. Superada essa questão, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Preliminarmente, nos termos dos arts. 42 e 44 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, foi apreciada arguição de impedimento dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, feita pela embargante, em documento juntado aos autos. Consultados, os Conselheiros cujo impedimento foi arguido não o reconheceram e farão juntar aos autos pronunciamento escrito como parte integrante do acórdão. Submetida a questão à deliberação do Colegiado, a arguição de impedimento foi REJEITADA por unanimidade de votos. Superada essa questão, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 20 73 /2 01 1- 89 Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.894 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 2851/2872) opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301001.982 (fls. 2825/2847), prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 06 de abril de 2016. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse à unanimidade no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correta a glosa de despesas de amortização de ágio, na situação em que referido ágio decorre de reorganizações societárias levadas a efeito dentro de um mesmo grupo empresarial, sem qualquer propósito negocial ou efeito societário a não ser a redução da carga tributária, e sem que se tenha verificado qualquer pagamento ou outro sacrifício patrimonial capaz de validar a alegada maisvalia. ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio é fato econômico, cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. ÁGIO INTERNO. MODIFICAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO FATO GERADOR. CONDUTA INTENCIONAL. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. O conjunto de operações praticadas para constituição e transferência de ágio interno, por intentar conferir aparência de legalidade à redução de tributos devidos, modificando as características essenciais do fato gerador tributário constitui ação dolosa determinante da imposição da multa de ofício qualificada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.895 3 Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. ALCANCE. INOCORRÊNCIA. A decadência incide sobre o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários ocorridos em determinado período, e não sobre o direito de examinar fatos econômicos (não se trata aqui de fatos geradores tributários), quando quer que tenham ocorrido. Com isso, o que se pretende é permitir a validação, ou não, de sua influência (dos fatos econômicos pretéritos) sobre fatos geradores tributários ocorridos em períodos não alcançados pela decadência. Não se verifica, pois, a decadência, no caso concreto sob exame. ENQUADRAMENTO LEGAL INADEQUADO. FALTA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Deve ser rejeitada a arguição de nulidade do lançamento, ao se constatar que o enquadramento legal é adequado à infração imputada ao contribuinte, e que o ato administrativo foi devidamente motivado e fundamentado. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de omissões e contradições várias, que especifica, tanto no que tange às preliminares quanto no que se refere ao mérito. Seus argumentos podem ser sintetizados como segue. 1. Omissão Da preliminar de decadência da pretensão fiscal para questionar a constituição do ágio. Sustenta a embargante que "o objeto da decadência no presente caso não é o lançamento de ofício da autoridade fiscal e, sim, a atividade do contribuinte e o prazo para o Fisco verificar sua regularidade ou a suposta fraude. Passados cinco anos da realização da atividade do contribuinte (da constituição e contabilização do ágio), extinguese o direito de revisão do fisco dos reflexos decorrente da operação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN". Por sua ótica, esse argumento não teria sido devidamente apreciado pelo acórdão embargado. Haveria, ainda, contradição e obscuridade na afirmação de que "o prazo decadencial para homologação do Fisco na suposta infração em apreço se iniciaria dia 31/12/2006, quando em verdade a data para verificação da suposta fraude e do suposto computo indevido das despesas dedutíveis nos exercícios posteriores se iniciou no dia 31/12/2005, quando da ocorrência do fato gerador da reestruturação societária da Embargante". Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.896 4 2. Omissão/contradição Da preliminar sobre a capitulação legal. A embargante sustenta que o acórdão embargado não teria percebido que o auto de infração, ao não indicar a capitulação legal que fundamentaria a infração combatida, teria descumprido requisito indispensável de validade. Haveria, ainda, contradição quando a decisão refere que, embora genéricos, os dispositivos legais seriam adequados. Por sua ótica, caso correto o fato tributado, o enquadramento deveria ser de exclusão indevida das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, e não no âmbito de despesas indedutíveis. Outra contradição residiria na afirmação de que "o combatido auto de infração demonstra de forma clara e adequada a infração constada, com base nos dispositivos legais pertinentes, pois, como se viu, este se baseou tão somente em legislação genérica, deixando de aplicar a legislação específica que trata sobre a matéria em apreço". Haveria, finalmente, omissão quanto ao suposto descumprimento do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, o qual "estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem obrigatoriamente, ser motivados". 3. Omissão Da preliminar sobre o princípio da legalidade. A alegada omissão residiria na afirmação do acórdão embargado de que este ponto seria analisado no mérito. Autoridade Fiscal teria desconsiderado um ato jurídico perfeito, sem previsão legal que lhe conceda essa prerrogativa, ponto que não teria sido enfrentado pela decisão embargada. 4. Omissão/contradição Da ausência de fraude. Nas palavras da embargante: [...] o r. acórdão recorrido incorreu em omissão/contradição, visto que deixou de se manifestar acerca das alegações da Embargante no tocante a ausência de fraude, em decorrência do permissivo legal contido nos artigos art. 20, § 2º, “b”, do DecretoLei nº 1.598/1977 e art. 385, § 2º, II, do RIR/99 e, em relação a amortização do ágio, que foi realizada com base no art. 7º, III, da Lei nº 9.532/1997 e art. 386, III, § 6º, II, do RIR/99. Ademais, conforme já destacado, a reestruturação societária praticada pela Embargante estava amparada em na legislação vigente à época do fato (art. 36 da Lei nº 10.637/02), conforme já mencionado, no entanto, de forma contraditória, o r. acórdão embargado aduz que a Embargante teria buscado vantagens fiscais por mais de uma vertente, o que, em verdade não ocorreu, haja vista que essa agiu conforme determinava a legislação vigente à época do fato, acima destacada. 5. Omissão/contradição Do propósito negocial e da ausência de fraude. Sustenta a embargante que, a decisão embargada afirma que as operações societárias não revelaram qualquer propósito negocial. Haveria omissão, diante do fato de que o ágio teria substrato econômico lastreado em laudo de avaliação de rentabilidade futura, não questionado pelo auto de infração nem pelo acórdão embargado. Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.897 5 Haveria, ainda, contradição no acórdão embargado "ao admitir, o propósito negocial na incorporação realizada pelas Irmão Oderich, mas não admitir o objeto fim da incorporação pela Embargante que além de centralizar a estrutura administrativa financeira passou a contar com duas novas fábricas". 6. Omissão Da desclassificação da multa qualificada de 150%. A alegada omissão residiria no fato de que "a Autoridade Fiscal não possui autorização para desconsiderar um ato ou negócio jurídico perfeito, sob pena de ofender a segurança jurídica e o princípio da legalidade tributária, argumento trazido pela Embargante em sede de Recurso Voluntário que não foi apreciado pela r. decisão embargada". 7. Omissão Do afastamento da SELIC sobre a multa. Alega a embargante que não teriam sido apreciados seus argumentos contrários à incidência de juros, calculados à taxa SELIC, sobre outra espécie tributária que não tributos e contribuições, referindose, especificamente, à incidência de juros sobre a multa de ofício. Às fls. 2881/2890 encontro documento datado de 18/01/2017 e protocolado no CARF em 23/01/2017. Tratase de requerimento da interessada, no qual é arguido o impedimento dos Conselheiros indicados pela Fazenda Nacional. Entende a requerente que, com a instituição do Programa de Produtividade da Receita Federal e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, instituídos pela Medida Provisória nº 765/2016, haveria nítido interesse dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional no deslinde das causas por eles julgadas. Isso porque a base de cálculo do bônus que perceberão esses Conselheiros, AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, dependerá diretamente do valor de tributos e multas arrecadados por aquele órgão. Considera, desta forma, configurado o impedimento de que trata o art. 43, inciso II, do Anexo II do RICARF e prejudicada a imparcialidade indispensável ao julgamento. A requerente se manifesta, ainda, no sentido da ilegalidade da interpretação dada ao art. 42 do RICARF pela Portaria CARF nº 01/2017. Por sua ótica, tal ato teria sido editado em desconformidade com a Lei nº 9.784/1999, e seu conteúdo afrontaria os princípios da moralidade e da impessoalidade. Por esses motivos, a Portaria CARF nº 01/2017 não poderia ser aplicada no âmbito administrativo sob pena de nulidade dos atos decorrentes de sua observância. Ao final, em razão da ausência de quorum mínimo previsto no RICARF, a requerente solicita a suspensão do presente julgamento até que sejam sanados os vícios de impedimento apontados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.898 6 Preliminarmente, a arguição de impedimento dos Conselheiros indicados pela Fazenda Nacional deve ser apreciada com a observância das disposições dos arts. 42 e 44 do Anexo II do RICARF vigente, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Os Conselheiros deste Colegiado indicados pela Fazenda Nacional, inclusive este Relator, não reconheceram o impedimento arguido, e se pronunciarão por escrito, em declaração que será juntada aos autos, como parte integrante deste acórdão. Submetida a questão à deliberação do Colegiado, foi rejeitada a preliminar de impedimento dos Conselheiros Fazendários. Passo, então, à apreciação dos embargos declaratórios. A ciência do acórdão ora embargado se deu em 20/04/2016, quartafeira (AR à fl. 2874). Considerando que o dia seguinte (21/04) foi feriado nacional, o prazo para oposição de embargos teve início no dia 22/04/2016, sextafeira. Tendo sido os embargos apresentados em 26/04/2016, terçafeira (fl. 2850), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente as omissões e contradições que pretende ver sanadas, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, na sequência em que formulados os questionamentos. 1. Omissão Da preliminar de decadência da pretensão fiscal para questionar a constituição do ágio. Sustenta a embargante que "o objeto da decadência no presente caso não é o lançamento de ofício da autoridade fiscal e, sim, a atividade do contribuinte e o prazo para o Fisco verificar sua regularidade ou a suposta fraude. Passados cinco anos da realização da atividade do contribuinte (da constituição e contabilização do ágio), extinguese o direito de revisão do fisco dos reflexos decorrente da operação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN". Por sua ótica, esse argumento não teria sido devidamente apreciado pelo acórdão embargado. Haveria, ainda, contradição e obscuridade na afirmação de que "o prazo decadencial para homologação do Fisco na suposta infração em apreço se iniciaria dia 31/12/2006, quando em verdade a data para verificação da suposta fraude e do suposto computo indevido das despesas dedutíveis nos exercícios posteriores se iniciou no dia 31/12/2005, quando da ocorrência do fato gerador da reestruturação societária da Embargante". Equivocase a embargante. Restou claro o entendimento do Colegiado de que a decadência deve ser verificada em relação à data de constituição de créditos tributários, sendo irrelevante, para tais fins, a ocorrência de fatos econômicos em períodos pretéritos. Confirase à fl. 2837 (grifos não constam do original): O que se discute, nos presentes autos, são fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2006, 2007, 2008 e 2009, tendo sido o lançamento efetuado em 24/05/2011. Claramente não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Nacional de Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.899 7 constituir esses créditos tributários. Para o fato gerador mais antigo, completado em 31/12/2006, e considerandose a hipótese mais favorável ao contribuinte (aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN), o prazo decadencial se iniciaria em 31/12/2006 e se extinguiria em 31/12/2011. A redução das bases de cálculo, em 2006 a 2009, se deu porque a fiscalizada apropriou ao resultado desses anos a amortização de ágio formado anteriormente, em 2005. Ora, se fatos ocorridos em anos pretéritos vieram a influenciar os períodos posteriores sob exame, tenho por certo o direito do Fisco de examinálos, e igualmente certo o dever da fiscalizada de manter sob boa guarda os documentos comprobatórios, exibindoos quando solicitada, à vista do art. 37 da Lei nº 9.430/1996. A decadência incide sobre o direito de constituir créditos tributários ocorridos em determinado período, e não sobre o direito de examinar fatos econômicos (não se trata aqui de fatos geradores tributários), quando quer que tenham ocorrido. Com isso, o que se pretende é permitir a validação, ou não, de sua influência (dos fatos econômicos pretéritos) sobre fatos geradores tributários ocorridos em períodos não alcançados pela decadência. Não há, pois, omissão, contradição nem obscuridade. Evidenciase a intenção da embargante de rediscutir matéria já decidida, pelo que os embargos devem ser rejeitados, quanto a este ponto. 2. Omissão/contradição Da preliminar sobre a capitulação legal. A embargante sustenta que o acórdão embargado não teria percebido que o auto de infração, ao não indicar a capitulação legal que fundamentaria a infração combatida, teria descumprido requisito indispensável de validade. Haveria, ainda, contradição quando a decisão refere que, embora genéricos, os dispositivos legais seriam adequados. Por sua ótica, caso correto o fato tributado, o enquadramento deveria ser de exclusão indevida das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, e não no âmbito de despesas indedutíveis. Outra contradição residiria na afirmação de que "o combatido auto de infração demonstra de forma clara e adequada a infração constada, com base nos dispositivos legais pertinentes, pois, como se viu, este se baseou tão somente em legislação genérica, deixando de aplicar a legislação específica que trata sobre a matéria em apreço". Haveria, finalmente, omissão quanto ao suposto descumprimento do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, o qual "estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos que devem obrigatoriamente, ser motivados". Mais uma vez, a embargante busca a rediscussão de matéria já decidida. Os seguintes excertos do acórdão embargado mostram com clareza o entendimento do Colegiado sobre a matéria (fl. 2837, grifos não constam do original): Também aqui os reclamos da recorrente não merecem acolhida. Tratando o lançamento de glosa de despesas com amortização de ágio, tidas pelo Fisco como indedutíveis, os dispositivos legais que constam no auto de infração à fl. 2211, não obstante genéricos, são adequados. Além disso, dispositivos específicos atinentes à formação, registro e amortização de ágio são não apenas Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.900 8 mencionados mas também transcritos no Relatório da Ação Fiscal (parte integrante do auto de infração, vide fl. 2211), confirase às fls. 2250/2260, no bojo da minuciosa descrição da infração, conforme compreendida pelo Fisco. Corrobora a conclusão pela inexistência de qualquer nulidade o fato de que a autuada se defende com desenvoltura e em detalhes, revelando perfeita compreensão da infração que lhe foi imputada. Quanto à alegação de que teria sido descumprido o dispositivo da Lei nº 9.784/1999 que obriga a motivação e a fundamentação dos atos administrativos, melhor sorte não assiste à recorrente. A motivação de um auto de infração é, no caso concreto, a constituição de créditos tributários, diante da constatação de infração à legislação tributária que implicou redução dos tributos devidos. A fundamentação do auto de infração consiste em descrever de forma clara e adequada a infração constatada, sempre com base nos dispositivos legais pertinentes (os motivos de fato e de direito), o que, conforme visto no parágrafo anterior, ocorreu no caso sob exame. Observese: a capitulação legal deve ser considerada como um todo, aquela que consta no auto de infração (fl. 2211) integrada e complementada pelo Relatório de Ação Fiscal (fls. 2250/2260), parte integrante e inseparável do Auto de Infração. Assim considerado, o enquadramento legal parte dos dispositivos genéricos para os específicos, os quais chegam a ser mesmo transcritos no Relatório. Ainda que assim não fosse, a infração foi minuciosamente descrita, sendo certo que o contribuinte se defende de fatos e não de dispositivos legais. O Colegiado considerou correto o conjunto de enquadramento legal mais descrição dos fatos, diante da infração autuada, descabendo cogitar, em sede de embargos, de hipotético erro no enquadramento. A corroborar o exposto, a constatação de que a defesa foi igualmente minuciosa e feita com desenvoltura, confirmando que a autuada compreendeu perfeitamente a infração que lhe foi imputada e seus fundamentos, afastando qualquer hipotética nulidade. Da mesma forma, inexiste qualquer omissão no acórdão embargado quanto à motivação da autuação (art. 50 da Lei nº 9.784/1999). Embora alguma discussão exista sobre esses conceitos, a melhor doutrina entende que motivo são os fatos e fundamentos jurídicos de um ato e motivação é a explicitação desses fatos e fundamentos jurídicos, indispensável para que se possa permitir a ampla defesa. Essa explicitação (motivação) se encontra nos autos, como visto. Por todo o exposto, também este ponto dos embargos deve ser rejeitado. 3. Omissão Da preliminar sobre o princípio da legalidade. A alegada omissão residiria na afirmação do acórdão embargado de que este ponto seria analisado no mérito. A Autoridade Fiscal teria desconsiderado um ato jurídico perfeito, sem previsão legal que lhe conceda essa prerrogativa, ponto que não teria sido enfrentado pela decisão embargada. Também aqui não assiste razão à embargante. Em primeiro lugar, a alegação acerca de desconsideração pela autoridade fiscal de um ato jurídico perfeito, sem previsão legal que assim autorize, foi prontamente afastada pelo acórdão embargado (fl. 2838): A esse respeito, digase que em parte alguma do auto de infração ou do Relatório da Ação Fiscal se encontra qualquer referência à desconsideração de atos Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.901 9 ou negócios jurídicos feita com base no § único do art. 116 do CTN. Quanto ao alegado cumprimento das disposições legais pertinentes à situação analisada e a estar sofrendo imposição de infração não prevista em lei, é o que se há de analisar no mérito, posto que a afirmação do Fisco é em sentido diametralmente oposto. Em seguida, de se constatar que o acórdão embargado não deixou de apreciar as razões da recorrente. Ao contrário, a discussão do mérito foi exatamente esta, ou seja, a verificação da afirmação do Fisco sobre o descumprimento das disposições legais atinentes à formação de ágio em operações societárias e seu aproveitamento fiscal, em face da defesa da interessada em sentido oposto, a saber, a regularidade das operações e do aproveitamento do ágio. Os seguintes excertos dão conta do entendimento do Colegiado e da conclusão a que chegou (fls. 2840 e 2842, grifos não constam do original): Em tais circunstâncias, tenho que o cerne da questão não é a possibilidade, ou não de aproveitamento do ágio, autorizado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, mas sim a própria formação dessa maisvalia, desvinculada de qualquer fundamento econômico e originada de atos meramente aparentes, sem substância ou existência real, ainda que formalmente regulares. [...] No caso concreto, como visto, as operações societárias foram integralmente realizadas dentro do grupo econômico (mesmas pessoas físicas e jurídicas), em curto espaço de tempo, sem qualquer desembolso, sendo que, ao final das operações, tudo retornou ao statu quo ante, no que toca às participações societárias, mas com a apropriação de “ágio”. As operações não revelaram qualquer propósito negocial ou necessidade societária, nem modificaram algum aspecto da organização empresarial do grupo econômico. Em 10/10/2005 os irmãos Srs. Marcos e Cláudio Oderich eram os únicos sócios da ODEPAR e esta controlava diretamente a IRMÃOS ODERICH. Em 03/11/2005 a LUC PAR já havia entrado e saído do panorama, e novamente os irmãos Srs. Marcos e Cláudio Oderich eram os únicos sócios da ODEPAR e esta controlava diretamente a IRMÃOS ODERICH. Mas agora havia um ágio, supostamente amortizável, registrado na IRMÃOS ODERICH. Nenhuma riqueza nova foi gerada, nenhum pagamento foi feito para a aquisição de uma riqueza inédita, externa ao grupo econômico. O “ágio” assim criado, registrado e amortizado é artificial, não corresponde a uma maisvalia surgida em operações de mercado entre partes livres e independentes e confirmada mediante seu pagamento. Tratase, de fato, de uma reavaliação espontânea de participação societária, à qual não se pode atribuir o condão de reduzir o resultado tributável. Não se trata do ágio apurado nos termos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977, que por sua vez deve ser reconhecido contabilmente conforme com as normas da escrituração comercial estabelecidas pela Lei nº 6.404, de 1976. Como se vê, descabida a alegação de omissão do acórdão embargado sobre esse ponto. Não houve desconsideração de ato jurídico perfeito, mas a constatação, pelo Fisco, de que os fatos ocorridos não correspondiam às normas legais que permitem o aproveitamento fiscal de ágio. Nesse sentido foi a conclusão do Colegiado. Pelo exposto, nego provimento aos embargos também quanto a este ponto. 4. Omissão/contradição Da ausência de fraude. Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.902 10 Nas palavras da embargante: [...] o r. acórdão recorrido incorreu em omissão/contradição, visto que deixou de se manifestar acerca das alegações da Embargante no tocante a ausência de fraude, em decorrência do permissivo legal contido nos artigos art. 20, § 2º, “b”, do DecretoLei nº 1.598/1977 e art. 385, § 2º, II, do RIR/99 e, em relação a amortização do ágio, que foi realizada com base no art. 7º, III, da Lei nº 9.532/1997 e art. 386, III, § 6º, II, do RIR/99. Ademais, conforme já destacado, a reestruturação societária praticada pela Embargante estava amparada em na legislação vigente à época do fato (art. 36 da Lei nº 10.637/02), conforme já mencionado, no entanto, de forma contraditória, o r. acórdão embargado aduz que a Embargante teria buscado vantagens fiscais por mais de uma vertente, o que, em verdade não ocorreu, haja vista que essa agiu conforme determinava a legislação vigente à época do fato, acima destacada. Mais uma vez, os argumentos da embargante evidenciam seu propósito de rediscutir matéria julgada. Apesar de alegar a ocorrência de “omissão/contradição”, em momento algum torna explícita qualquer contradição entre a decisão e seus fundamentos, hipótese capaz de ensejar a oposição de embargos declaratórios1. Quanto à alegação de omissão, seu argumento de que estaria amparada no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 foi rejeitada pelo acórdão embargado, por não ter sido esse o fundamento da autuação, confirase (fl. 2840): [...] Fica bem claro, agora, que o mencionado art. 36 seria aplicável ao ganho eventualmente auferido por ODEPAR na operação em questão. Mas o presente auto de infração não pretende tributar essa diferença. E apenas uma razão já é suficiente para que isso fique compreendido (embora seja possível demonstrar isso por outros caminhos): é que a ODEPAR não é o sujeito passivo da atuação, nem mesmo de forma indireta, visto que não há notícia de que tenha sido incorporada por outra sociedade. A menção ao art. 36 da Lei nº 10.637/2002, tanto no Relatório da Ação Fiscal quanto no acórdão recorrido, se faz no contexto de buscar esclarecer que reestruturações societárias semelhantes à analisada podem ser (e de fato foram) usadas como planejamento tributário na busca de vantagens fiscais por mais de uma vertente. Hipoteticamente, a parte que entrega a participação societária aufere um ganho com tributação diferida, enquanto que a parte que recebe essa participação registra um ágio amortizável. Todos ganham, e só o Fisco perde. [...] No que toca ao permissivo legal para apuração de ágio (DL nº 1.598/1977) e sua amortização para fins fiscais (Lei nº 9.532/1997), o acórdão recorrido deixou claro que os fatos descritos pelo Fisco e comprovados nos autos conduziam à conclusão de que as operações societárias mais se assemelhavam a uma reavaliação espontânea de ativos, não se tratando do ágio apurado nos termos do art. 20 do DL nº 1.598/1977 (fl. 1842): 1 RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 345/2015, Anexo II: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.903 11 O “ágio” assim criado, registrado e amortizado é artificial, não corresponde a uma maisvalia surgida em operações de mercado entre partes livres e independentes e confirmada mediante seu pagamento. Tratase, de fato, de uma reavaliação espontânea de participação societária, à qual não se pode atribuir o condão de reduzir o resultado tributável. Não se trata do ágio apurado nos termos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977, que por sua vez deve ser reconhecido contabilmente conforme com as normas da escrituração comercial estabelecidas pela Lei nº 6.404, de 1976. Como se vê, omissão não houve. O que aconteceu é que a análise e as conclusões às quais chegou o Colegiado não coincidiram com as expectativas da então recorrente. A irresignação com a decisão não consiste em motivo para a oposição de embargos de declaração, os quais devem, assim, ser rejeitados. 5. Omissão/contradição Do propósito negocial e da ausência de fraude. Sustenta a embargante que a decisão embargada afirma que as operações societárias não revelaram qualquer propósito negocial. Haveria omissão, diante do fato de que o ágio teria substrato econômico lastreado em laudo de avaliação de rentabilidade futura, não questionado pelo auto de infração nem pelo acórdão embargado. Haveria, ainda, contradição no acórdão embargado "ao admitir, o propósito negocial na incorporação realizada pelas Irmão Oderich (sic), mas não admitir o objeto fim da incorporação pela Embargante que além de centralizar a estrutura administrativa financeira passou a contar com duas novas fábricas". De fato, não houve na autuação nem no acórdão embargado qualquer questionamento acerca de um laudo de avaliação de rentabilidade futura. Isso porque não foi esse o ponto central da autuação, mas sim o entendimento do Fisco (ratificado pelas instâncias administrativas) de que o “ágio” apurado nas operações societárias não era de fato o ágio a que se refere o DL nº 1.598/1977 e, por consequência, era indedutível para fins tributários. Confira se (fl. 2842, grifos não constam do original): A legislação tributária se integra e busca conceitos, portanto, na ciência contábil, pelo que não se pode aceitar que haja conceitos e efeitos distintos de ágio e de custo de aquisição para a contabilidade e para fins tributários. O custo de aquisição deve ser aquele resultante de efetivo desembolso (sacrifício patrimonial), em operação de mercado, em negócio realizado entre partes independentes. No caso concreto, como visto, as operações societárias foram integralmente realizadas dentro do grupo econômico (mesmas pessoas físicas e jurídicas), em curto espaço de tempo, sem qualquer desembolso, sendo que, ao final das operações, tudo retornou ao statu quo ante, no que toca às participações societárias, mas com a apropriação de “ágio”. As operações não revelaram qualquer propósito negocial ou necessidade societária, nem modificaram algum aspecto da organização empresarial do grupo econômico. Em 10/10/2005 os irmãos Srs. Marcos e Cláudio Oderich eram os únicos sócios da ODEPAR e esta controlava diretamente a IRMÃOS ODERICH. Em 03/11/2005 a LUC PAR já havia entrado e saído do panorama, e novamente os irmãos Srs. Marcos e Cláudio Oderich eram os únicos sócios da ODEPAR e esta controlava diretamente a IRMÃOS ODERICH. Mas agora havia um ágio, supostamente amortizável, registrado na IRMÃOS ODERICH. Nenhuma riqueza nova foi gerada, nenhum pagamento foi feito para a aquisição de uma riqueza inédita, externa ao grupo econômico. Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.904 12 Comprovada a inexistência de efetivo desembolso (sacrifício patrimonial) e que as operações se deram internamente a um mesmo grupo empresarial, em curto espaço tempo e com retorno à configuração empresarial inicial, a conclusão foi de inexistência de propósito negocial e artificialidade das operações societárias. Quanto à alegada contradição, estaria no parágrafo a seguir transcrito (fls. 2842/2843, grifos não constam do original): Observese que, a partir de 03/11/2005, o ágio estava registrado na IRMÃOS ODERICH e, se dedutível fosse, já poderia ser amortizado ali. Afinal, aquela empresa era operacional. Nesse sentido, o evento societário de 31/12/2005, a saber, a incorporação de IRMÃOS ODERICH pela autuada CONSERVAS ODERICH nada introduziu de novo. Até se poderia admitir que essa última incorporação guardasse algum propósito negocial relevante para o grupo econômico, visto que ambas eram empresas operacionais que atuavam em áreas por vezes sobrepostas, por vezes complementares. Mas o vício que macula o ágio se deu na etapa anterior, sendo certo que sua transferência não serve para tornar dedutível o que já antes era indedutível. Como se vê, tratase da última etapa da sequência de operações societárias, realizada em 31/12/2005. A afirmação é de que essa última etapa poderia se revestir de algum propósito negocial relevante, mas que isso não seria capaz de validar a artificialidade do ágio, formado na etapa anterior. O que já era antes indedutível assim permanece. Não há nessa conclusão qualquer contradição com o raciocínio desenvolvido. Por todo o exposto, nego provimento aos embargos, também quanto a este ponto. 6. Omissão Da desclassificação da multa qualificada de 150%. A alegada omissão residiria no fato de que "a Autoridade Fiscal não possui autorização para desconsiderar um ato ou negócio jurídico perfeito, sob pena de ofender a segurança jurídica e o princípio da legalidade tributária, argumento trazido pela Embargante em sede de Recurso Voluntário que não foi apreciado pela r. decisão embargada". O argumento da então recorrente, acerca da "desconsideração de negócio jurídico" e do "princípio da legalidade" mereceram menção do acórdão embargado à fl. 2844: Os argumentos do recurso voluntário, em apertada síntese, reiteram a legalidade e correção da reorganização societária levada a efeito, com a consequente dedutibilidade do ágio, o que já foi afastado, neste voto. O mesmo ocorre com a alegação de que teria ocorrido a desconsideração de um negócio jurídico com base em dispositivo legal não regulamentado (§ único do art. 116 do CTN). Vêse com clareza a insistência da embargante em que teria havido desconsideração de atos ou negócios jurídicos perfeitos, o que já se demonstrou à exaustão, tanto no acórdão embargado quanto neste voto, que não ocorreu. E, ainda, que sua conduta, no que se refere à apuração do ágio e aproveitamento para fins tributários estaria amparada em lei, o que, de igual modo, se demonstrou que não ocorreu. Isso restou evidenciado nos tópicos anteriores, neste voto, pelo que se rejeita a alegação de omissão. Também aqui, a intenção de rediscutir matéria julgada não pode ter acolhida pela estreita via dos embargos. Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.905 13 7. Omissão Do afastamento da SELIC sobre a multa. Alega a embargante que não teriam sido apreciados seus argumentos contrários à incidência de juros, calculados à taxa SELIC, sobre outra espécie tributária que não tributos e contribuições, referindose, especificamente, à incidência de juros sobre a multa de ofício. O acórdão embargado tratou da matéria às fls. 2844/2847 com clareza e objetividade, cabendo destacar o seguinte excerto (grifos não constam do original): A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), [...]. [...] A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Foram ainda expressamente adotados os fundamentos e razões de decidir empregados no Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, do qual foram transcritos trechos que bem esclarecem sobre os motivos que levaram este Colegiado à decisão que afinal proferiu, rejeitando os argumentos da então recorrente. Demonstrada a inocorrência da alegada omissão, transparece o intuito da embargante de reabrir discussão sobre matéria já decidida, para o que não se prestam os embargos declaratórios. Rejeito os embargos, quanto a este ponto. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por rejeitar os embargos declaratórios, ratificando integralmente o quanto decidido no acórdão nº 1301001.982, de 06/04/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 11065.722073/201189 Acórdão n.º 1301002.234 S1C3T1 Fl. 2.906 14 Fl. 2906DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720508/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de 1ª instância, que negou provimento a Impugnação interposta pela recorrente, a qual foi autuada por insuficiência de recolhimento do ajuste do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do ano calendário 2008 (código de arrecadação 2390), nos termos do artigo 841, IV, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). Para a devida síntese do processo, adoto o relatório da decisão da DRJ/SPO, litteris: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 50 8/ 20 13 -1 6 Fl. 775DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 776 2 Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 777 3 Fl. 777DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 778 4 Fl. 778DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 779 5 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 780 6 Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 781 7 Fl. 781DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 782 8 A 8ª Turma Julgadora da DRJ São Paulo (SP) ao apreciar a impugnação do contribuinte, entendeu por sua improcedência. Vejamos a ementa a seguir transcrita (fls. 664/676): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 IRPJ. AJUSTE ANUAL. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDO. ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. A Legislação tributária autoriza que o IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio seja considerado como antecipação do devido no ajuste anual, ou compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito da remuneração a mesmo título. A autorização legal pressupõe o oferecimento à tributação do correspondente rendimento. IRPJ.ESTIMATIVA NÃO PAGA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Impõese a aplicação da multa no percentual de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do imposto de renda mensal calculado sobre base estimada (IRPJ Estimativa) que deixar de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal, no anocalendário correspondente. Cabe trazer a baila trechos da decisão da DRJ, litteris: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 783 9 (...) Fl. 783DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 784 10 Fl. 784DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 785 11 Fl. 785DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 786 12 Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 787 13 Cientificada da decisão (fls.682/703), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 682/703 suscitando o seguinte: Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 788 14 Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 789 15 Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 790 16 Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 791 17 Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 792 18 Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 793 19 (...) Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 794 20 Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 795 21 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 796 22 (...) Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 797 23 É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA. Como se pode inferir do relatado acima, o cerne da controvérsia reside na (i) existência (ou não) de retenção de R$ 658.847,70 à título de IRRF, sobre R$ 4.392.318,02 pago pela Cia. Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191) ao Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S.A, à título de juros sobre capital próprio, além do (ii) oferecimento da correspondente receita (JCP) à tributação no AnoCalendário de 2008 por esta, hoje sucedida pela Recorrente. A DRJ bem constatou que a DIRF constante na fl. 660, de fato, confirma que a instituição financeira Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A recebeu, no ano calendário de 2008, a título de Juros sobre Capital Próprio, da Cia Créd. Fin. Inv. Renault do Brasil (CNPJ 61.784.278/000191), o rendimento bruto no valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido retido IRRF de R$ 658.847,70 sobre esta cifra. No entanto, aquele órgão julgador reconhece que, em suas declarações, o contribuinte não informa nenhum valor à título de juros sobre capital próprio (JCP), o que confere razão ao lançamento. Aqui, faço um breve registro do motivo da autuação que, segundo a própria decisão recorrida é o seguinte: Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 798 24 Fica claro, portanto, que o lançamento de ofício se deu em função da insuficiência de recolhimento de IRPJ, que gerou um total de R$ 535.105,18 de diferença entre o imposto recolhido e o efetivamente devido. Com efeito, à época da impugnação, o contribuinte afirmou que, apesar de não ter informado em linha própria de sua DIPJ do anocalendário 2008 da receita proveniente de juros sobre capital próprio, o valor de R$ 4.392.318,02, que teria sido pago à título de JCP, e de onde proviria o pagamento antecipado do IRRF, estaria contido no valor de R$ 12.450.675,20 informado na linha 47 (Outras receitas operacionais) da Ficha 06B da DIPJ 2009. Para comprovar suas alegações, anexou aos autos deste processo o Balancete Patrimonial Analítico (doc. 10 – fls. 581/612) e a DRE Analítica (doc. 11 fls. 613), em que podem ser facilmente constatadas todas as receitas que compõem os R$ 12.450.675,20. Da análise dessa documentação a primeira instância administrativa constatou o seguinte, litteris: “9.4. No documento 09 apresentado com a impugnação (“Balancete Patrimonial analítico – ref. Dezembro/2008”), à fl. 586, consta a conta 188450060047473000742988 – IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES A COMP – DECORRENTES DE ANTECIPAÇÕES – IRRF S/ TJLP – EXERC. ATUAL, na qual foi debitado o valor de R$ 658.847,70. No mesmo documento, às fls. 603/604, consta a conta 719990090052515565251071 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS S/ TJLP, na qual foi creditado o valor de R$ 4.392.317,02. 9.5. O documento extraído do sistema DIRF, à fl. 644, atesta que a “Cia Créd. Fin. E Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191, pagou à instituição Banco Comercial e de Investimento Sudameris S/A, CNPJ nº 61.230.165/000144, a título de Juros sobre Capital Próprio, no anocalendário de 2008, o valor de R$ 4.392.318,02, tendo sido retido na fonte o imposto no valor de R$ 658.847,70. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 799 25 9.6. À fl. 617, no Doc. 11“Composição DRF – analítico” consta a composição da Conta “Outras Receitas Operacionais” informada na linha 47 da Ficha 06B da DIPJ 2009 da instituição BCI Sudameris, estando inserido no valor de R$ 12.450.675,20, o valor de R$ 4.392.318,08, recebido a título de Juros sobre Capital Próprio de “Cia Créd. Fin. E Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191, conforme excerto do documento abaixo: Do trecho acima, notadamente do item 9.5, onde se faz menção ao documento extraído do sistema DIRF (onde há erro na indicação da fl. 644, uma vez que o documento descrito se reporta à fl. 660), notase que a DRJ não contesta a retenção do imposto, pelo contrário, faz menção à DIRF (fl. 660) que comprova a referida antecipação. Ademais, o órgão julgador ainda traz à baila o §1º, do art. 668 do RIR/99, que autoriza o reconhecimento do IRRF sobre JCP como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Assim, resta claro que, quanto à existência de retenção na fonte sobre o valor recebido à título de JCP, em decorrência da ausência de contestação, a primeira instância administrativa aceitou como existente a referida retenção na fonte. À partir disso, a DRJ passou à análise da efetividade do oferecimento à tributação da receita correspondente aos juros sobre capital próprio, conforme trecho do item 9.7, seguinte: “9.7. Cumpre pois verificar o saldo no Balancete Analítico (fls. 603/604) de cada uma das contas acima relacionadas para poder ser considerado comprovado que a receita correspondente a juros sobre capital próprio tenha de fato sido oferecida à tributação, apesar do erro de preenchimento cometido por BCI Sudameris:” • 71930006 0052386 000730596 – RECUP ENCARGOS E DESPESAS – PRODUTOS, no valor de R$ 623,83: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71930006 0054194 000000000 – RECUPERAÇÃO CUSTAS JUDICIAIS DCL, no valor de R$ 64.648,53: o saldo dessa conta é de R$ 37.803,33 no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603); • 71930006 0082259 000000000 – RECUP. ENC. DESP. –PRECATÓRIOS FISCAI, no valor de R$ 779.964,14: encontrada a conta e o valor no Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; • 71999009 0050474 000703346 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 4.281,92: o saldo dessa conta (Outras Rendas Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 800 26 Operacionais – Acertos Financeiros) é de R$ 531,08, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 603; • 71999009 0050474 000704377 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 1.096,99: não encontrada a subconta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71999009 0050474 000763219 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 611.339,22: o saldo dessa conta (Outras Rendas Operacionais – INVEST. AVAIB. FOR SALE TJLP) é de R$ 78.375,62, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0052215 000759711 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, no valor de R$ 353.534,76: o saldo dessa conta (OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS – SUDAOUT. RDAS. OPER. ATUAL. MONET) é de R$ 176.948,75, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0052215 585251071 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS S/ TJLP: o saldo dessa conta é de R$ 4.392.318,02, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604 (vide parágrafo 9.4 do voto); • 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, no valor de 3.762,43: não encontrada a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico (fls. 603/604); • 71999009 0081969 000764556 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 1.479.916,67: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISFISCAIS) é de R$ 649.037,23, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0081969 000764557 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 2.614.185,07: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.290.994,44, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 71999009 0081969 000764558 – ATUALIZAÇÕES DE DEPÓSITOS JUDICIAIS no valor de R$ 1.664.901,62: o saldo dessa conta (DEPÓSITOS JUDICIAISTRABALH.) é de R$ 1.196.595,63, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604; • 73920007 0080199 000000000 – RENDAS DE ALUGUEISIMÓVEIS RETOMADOS no valor de R$ 480.000,00 – o saldo dessa conta que pertence ao sub grupo de Receitas não Operacionais é de R$ 240.000,00, conforme Balancete Patrimonial Analítico à fl. 604. 9.8. Deste modo, confrontando os dados alegados na impugnação como componentes do valor informado na linha 47 (Outras Receitas Operacionais) da Ficha 06A da DIPJ 2009, com os dados do Balancete Patrimonial Analítico que estariam a comprovar a inserção da receita de juros sobre capital próprio na citada linha, os dados e documentos apresentados pela impugnante revelamse inconsistentes, conforme abaixo demonstrado: Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 801 27 9.9. Portanto, os dados alegados e documentos contábeis apresentados por se encontrarem inconsistentes entre si não demonstram de maneira inequívoca que, na linha 47 da Ficha 6A da DIPJ, está inserida a receita de juros sobre capital próprio recebida no ano calendário de 2008 de Cia Créd. Fin. e Inv. Renault do Brasil”, CNPJ nº 61.784.278/000191.” (grifos aditados) Pois bem, os documentos contábeis reputados inconsistentes pela DRJ, são: a Composição da DRE Analítica e o Balancete referente a Dezembro do ano calendário 2008. Quanto a isso, alega a recorrente que, por ter desviado o foco sobre o real problema da autuação (que era a desconsideração indevida do crédito de IRRF sobre receitas de JCP devidamente tributadas), a DRJ equivocouse ao analisar apenas o balancete de dez/08, e não a DRE (que é composta da somatória dos Balancetes de Jun/08 e Dez/08), cujos valores das receitas auferidas pela Recorrente estão devidamente registradas na Linha 47 da Ficha 6B da DIPJ e oferecidos à tributação. Isto porque, segundo a Recorrente, o procedimento que adota é o de efetuar o levantamento de balancete semestralmente, sendo que, para demonstração de tal procedimento, anexou aos autos, juntamente com o Recurso Voluntário, o balancete analítico de 30/06/2008, 31/12/2008. Em sua peça, há excerto do referido documento, abaixo reproduzido: Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 802 28 Notase, do cotejo entre este balancete analítico e as constatações ínsitas no item 9.7 do Acórdão da DRJ (fls. 673/674), que as contas 71930006 0052386 000730596 – RECUP ENCARGOS E DESPESAS – PRODUTOS; 71999009 0050474 000704377 – OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS; 71999009 0055310 582652013 RECEITAS DE CORREÇÕES DE SELIC, cuja DRJ registrou “não ter encontrado a conta, nem a cifra no Balancete Patrimonial Analítico de fls. 603/604”, são exatamente as contas que no Balancete de dez/08 (Balancete analisado pela DRJ) encontravamse “zeradas”. Tal fato confere força ao argumento da Recorrente de que a DRJ equivocouse ao analisar apenas o balancete de dez/08, e não a DRE (composta da somatória dos Balancetes de Jun/08 e Dez/08), de forma a merecerem uma análise detida da veracidade das informações ali prestadas. Nada obstante, a Recorrente ainda alega que, mesmo que os valores fossem totalmente divergentes (e a quantia de JCP não fosse coincidente), a DRJ não poderia decidir da forma como o fez, pois a DRJ não tem competência para modificar o lançamento tributário. A esse respeito, é oportuno reforçarse que o lançamento se deu por insuficiência de recolhimento do ajuste do IRPJ do anocalendário 2008, reconhecido pela própria Recorrente que, por meio de sua Impugnação e reiterado em seu Recurso Voluntário, afirma tratarse de erro de fato no preenchimento da DIPJ. Ora, todo o procedimento de fiscalização e constituição do crédito tributário decorreu de uma insuficiência de recolhimento de IRPJ, devidamente instruída e inclusive reconhecida pela Recorrente que, em sua defesa, alega ter incorrido em erro no preenchimento da DIPJ. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201316 Resolução nº 1302000.474 S1C3T2 Fl. 803 29 Sabese que o lançamento tributário constituise em uma presunção relativa de certeza jurídica, que pode ser ilidida caso o interessado demonstre por meio de provas necessárias e suficientes a desconstituir tal presunção. Logo, após ocorrido todo o procedimento para constituição de relativa certeza quanto à existência do crédito tributário, nada mais justo que a detida análise quanto à veracidade dos documentos que geram considerável dúvida ao órgão julgador. A verificação da congruência entre os documentos reputados pela Recorrente como aptos a desconstituir a exigência do Fisco atende a princípios constitucionais como a indisponibilidade do interesse público e a capacidade contributiva que, juntos, orientam a atividade obrigatória e vinculada da autoridade fiscal. Por isso, não é admitido que a constituição do crédito tributário coexista com quaisquer incertezas. Assim, para dirimir o conflito mister é que a unidade preparadora: 1. Intimar o contribuinte a decompor, analiticamente, o valor da receita de R$ 12.450.675,20 informada na Linha 47 da Ficha 6B da DIPJ já anexada aos autos, destacando os valores que compõe a rubrica devidamente contabilizados (apontando as folhas do Razão) e qual o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 2008; 2. Verificar se o balancete analítico de 30/06/2008 a 31/12/2008 (fls. 719/769) é válido. Ou seja, as informações ali contidas descrevem a realidade dos fatos ocorridos conforme relatado pelo contribuinte e escriturado na sua contabilidade; 3. Caso o quesito acima possua resposta positiva, responder: Existe divergência entre os valores declarados na Ficha 6, Linha 47 da Composição da DRE DE 2008(fl. 617) e os valores declarados no Balancete analítico de 30/06/2008 a 31/12/2008? 4. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá elaborar relatório fiscal demonstrando a veracidade, ou não, das indagações acima suscitadas, confirmando ou não ao final, se no valor de R$ 12.450.675,20 está contido a quantia de R$ 4.392.318,02, e que tal montante (R$ 12.450.675,20) foi efetivamente oferecido à tributação. A recorrente deverá tomar a devida ciência deste Relatório Fiscal, podendo se manifestar no prazo regulamentar, se assim o desejar, retornando os autos a este Conselheiro, após expirarse o prazo. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 803DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.013819/2006-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/11/2002
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle da importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-004.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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MULTA. LICENCIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/11/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle da importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 38 19 /2 00 6- 51 Fl. 295DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3802000.400, de 06/04/2001, proferido pela 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/10/2006 MULTA. CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a alteração da classificação fiscal não acarreta um controle administrativo específico sobre a mercadoria importada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a exoneração da multa por falta de licença de importação. Alega divergência de interpretação em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 30133.363 e 30132.955. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 261/264. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 286/292). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos, entendemos, tal como proposto no exame de admissibilidade, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse não aplicável a multa pela falta de Licença de Importação – LI, porque os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e, portanto, da obrigatoriedade de sua emissão, independentemente da classificação fiscal adotada, nos acórdãos paradigmas chegouse à conclusão diversa: para afastar a exigência da mesma multa, seria imprescindível que o produto importado houvesse sido corretamente descrito na Declaração de Importação DI, com todos os elementos necessários à classificação, independentemente de tratarse, o caso examinado, de licenciamento automático ou não automático. Contudo, embora conhecido, ao recurso especial devese negar provimento. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10314.013819/200651 Acórdão n.º 9303004.593 CSRFT3 Fl. 296 3 É que, em linha com o que já decidido nesta mesma Turma da CSRF (Acórdãos nº 930301.567, sessão de 06/07/2011, 9303001.706, de 05/10/2011 e 9303 002.780, de 22/01/2014), entendemos que o mero erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, sendo indispensável que reste caracterizado prejuízo ao controle administrativo das importações. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com os fundamentos expostos no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11128.007425/9989 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 9303 01.567, sessão de 06/07/2011), passamos a adotálos, também aqui, como razão de decidir. Ei los: Passando ao julgamento da matéria sobre a qual deve este Colegiado se manifestar, entendo que razão assiste ao sujeito passivo. Como é cediço, o regime de licenciamento de importações é regido pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Pois bem, na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual. Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O Fl. 297DF CARF MF 4 licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, o licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estado parte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10314.013819/200651 Acórdão n.º 9303004.593 CSRFT3 Fl. 297 5 antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI, do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, sob a égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, Fl. 299DF CARF MF 6 não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento.(grifei) Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática. Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Da mesma forma, sem ao menos saber se a mercadoria estava sujeita a licenciamento, não se pode assumir que a descrição inexata, por si, tenha prejudicado tal controle administrativo. Trazendo tal discussão para o presente litígio, estou convicto de que, de fato o Fisco não logrou êxito em demonstrar que a nova classificação estaria sujeita a algum tratamento administrativo diverso do empregado, limitandose a apontar como motivadora da autuação a prestação de declaração inexata. A fim de Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10314.013819/200651 Acórdão n.º 9303004.593 CSRFT3 Fl. 298 7 demonstrar, transcrevo trecho da descrição dos fatos que trata da infração: Tendo em vista que o produto não está corretamente descrito com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento fiscal pleiteado, caracterizouse a condição de declaração inexata, constituindo infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do R.A., aprovado pelo Decreto 91.030/85 (Ato Declaratório nr. 12/97). No caso ora em julgamento, conforme informado, pelo relator, no acórdão recorrido (fl. 237), “ao regime da então vigente Portaria Secex nº 14, de 2004, temos que as classificações fiscais adotadas pelo contribuinte (original e retificada) referemse a produtos que não estavam sujeitos a licenciamento automático ou não automático, caracterizando, por conseguinte, uma importação dispensada de licenciamento”, descabe a aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decretolei n.º 37, de 1966, porque ausente um dos requisitos necessários a sua aplicação. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720041/2015-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 00 41 /2 01 5- 72 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11065.720041/201572 Acórdão n.º 3401003.316 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado. Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14 057.389, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de pré questionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.720041/201572 Acórdão n.º 3401003.316 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.313, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/201423, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.313): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.720041/201572 Acórdão n.º 3401003.316 S3C4T1 Fl. 5 4 Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.00 2014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.720041/201572 Acórdão n.º 3401003.316 S3C4T1 Fl. 6 5 à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0 Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.720041/201572 Acórdão n.º 3401003.316 S3C4T1 Fl. 7 6 carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301 002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 37284.004079/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
EMBARGOS INOMINADOS.
Na existência de erro de fato no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. APROPRIAÇÃO DE GUIAS DE RECOLHIMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.
O pagamento do tributo extingue o crédito tributário constituído, art. 156, I, do CTN. As Guias de Recolhimento da Previdência Social apresentadas devem ser apropriadas nas respectivas competências.
Levantamento DAL - Diferenças de Acréscimos Legais - a competência do fato gerador referente à cobrança de diferenças de acréscimos legais ocorre no mês do pagamento em atraso e não na competência paga em atraso.
Numero da decisão: 2301-004.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos do contribuinte e da Fazenda, para no mérito, rerratificar a decisão embargada, nos termos do voto da relatora.
Fez sustentação oral pela embargante (Clube de Golfe de Brasília), Dra. Joana Renata F. Miranda OAB 40.636.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora.
EDITADO EM: 08/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora)Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. EMBARGOS INOMINADOS. Na existência de erro de fato no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. APROPRIAÇÃO DE GUIAS DE RECOLHIMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. O pagamento do tributo extingue o crédito tributário constituído, art. 156, I, do CTN. As Guias de Recolhimento da Previdência Social apresentadas devem ser apropriadas nas respectivas competências. Levantamento DAL Diferenças de Acréscimos Legais a competência do fato gerador referente à cobrança de diferenças de acréscimos legais ocorre no mês do pagamento em atraso e não na competência paga em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em acolher os embargos do contribuinte e da Fazenda, para no mérito, rerratificar a decisão embargada, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela embargante (Clube de Golfe de Brasília), Dra. Joana Renata F. Miranda OAB 40.636. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 4. 00 40 79 /2 00 5- 31 Fl. 339DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 08/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora)Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD Debcad nº 35.722.5619, referente às contribuições sociais previdenciárias (parte patronal, SAT e Terceiros) e diferenças de acréscimos legais, declarados em GFIP, do período de 06/2000 a 13/2004, totalizando R$ 150.049,97, consolidado em 31/03/2005 (efls. 3 e ss). Cientificado do lançamento, apresentou impugnação alegando parcelamento do débito objeto da NFLD. Os autos foram baixados em diligência e, conforme informação fiscal de efls. 124/126, procedida a retificação do valor do débito excluindo os valores parcelados (tabela I) e novo demonstrativo de Guias de Pagamento apropriadas (tabela II). A Delegacia da Receita Previdenciária DRP em Brasília emitiu a Decisão Notificação nº 23.401.4/0006/2005, dando parcial provimento à impugnação determinando que o débito fosse retificado no período compreendido entre as competências 10/2003 a 07/2004, conforme informado pela Fiscalização., mantendo créditos constituídos no valor de R$ 58.783,64. (efls. 143/147) A empresa apresentou Recurso Voluntário (efls. 152/156) alegando, em síntese que o auditor cometeu vários equívocos, que não houve a apropriação de guias e a cobrança indevida de juros e multa e que não houve apropriação dos recolhimentos relativos às competência 06/2000 a 12/2003. Requereu o recebimento do recurso no efeito suspensivo, para reformar a DecisãoNotificação, retificando o lançamento e expurgando a multa e juros SELIC sobre a diferença encontrada. O INSS ofereceu contrarrazões (efls. 235/239). A 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, julgou parcialmente procedente o recurso, nos termos do Acórdão.nº 2227/2006 (efls. 240/245), cuja ementa reproduzo: EMENTA PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A TERCEIROS. JUROS COM APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. 1 Nos termos do disposto no art. 33, c/c o art. 94 da Lei n°8212/91, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS é competente para arrecadar e fiscalizar, as contribuições devidas pela empresa a terceiros. 2 nos termos do art. 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento de débito, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes á taxa referencial do Sistema Especial de Fl. 340DF CARF MF Processo nº 37284.004079/200531 Acórdão n.º 2301004.998 S2C3T1 Fl. 3 3 Liquidação e de Custódia SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora todos de caráter irrelevável. 4 Os valores recolhidos devem ser deduzidos dos levantamentos efetuados na competência. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. Transcrevo excertos do voto da relatora para maior clareza acerca do decidido: A recorrente em suas razões de recurso alegou que os recolhimentos efetuados pela empresa não foram devidamente analisados e considerados no cálculo do débito apurado, juntando cópias de GPS, bem como extrato de contribuição, relativos às competências em que alega ter havido recolhimento não deduzidos dos levantamentos. Nesse sentido, após análise dos documentos constantes dos autos, é imperioso reconhecer que alguma razão assiste ao contribuinte. Com efeito, de acordo com o Discriminativo analítico do Débito Retificado DADR, de fls. 128, está demonstrado o levantamento, para a competência 09/2000 juros e multa sobre o recolhimento (706,55) e no DADR de fis 129, está demonstrado o levantamento, para a mesma competência, do valor de 1.866,26, relativo à contribuição da empresa, SAT e terceiros. Todavia, • como se pode verificar dos documentos às fls. 203 e 209 (extrato de contribuição e cópia da GPS), o recolhimento em dia do referido valor, sendo, portanto, indevidos, tanto o valor levantado relativo às contribuições quanto aquele a titulo de juros e multa. Com relação ao levantamento relativo à competência 02/2002, envolvendo contribuições da empresa, SAT e terceiros, no valor total de 7.383,60 (DADR 133), não restou demonstrado a apropriação da GPS recolhida em 19/07/2002, no valor total de 1.867,47 (doc. fls. 214/215). De igual sorte, o levantamento relativo à competência 10/2002, envolvendo contribuições da Empresa, SAT e terceiros, no valor de 3.007,61 (DADR fls, 134), não se verifica a apropriação das GPS recolhida em 04/11/2002, com valores de 4.614,41; 1.591,62 e 2.731,04 (doc de fls 217/221). Em que pesem as alegações relativas as demais competências, vale esclarecer que como se verifica dos documentos de fls.124/126, os recolhimentos efetuados, bem como as contribuições incluídas no parcelamento, foram devidamente deduzidas dos levantamentos e outras são diferences de contribuições relativas ao SAT e a terceiros, apuradas em conformidade com as declarações constantes na GFIP e de acordo com o Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 128/141). Com relação aos juros de mora e a multa exigidos sobre os valores apurados no presente lançamento, há que se esclarecer que decorrem de legislação específica, conforme fundamentada nos artigos 34 e 35 da Lei n°8212/91, que em face do caráter Fl. 341DF CARF MF 4 irrelevável, imposto pelos dispositivos legais citados, não ha possibilidade de seu expurgo, conforme quer a recorrente. Isto posto e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, CONCLUSÃO: pelo exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de que seja excluído do lançamento os valores relativos ao levantamento da competência 09/2000 (DADR fls. 128/129) e sejam apropriados os recolhimentos das competências 02/2002 e 10/2002, para que sejam igualmente excluídos os valores efetivamente recolhidos. (doc. fls. 214/215 e 217/221). A DRP/Brasília apresentou pedido de revisão do Acórdão 4ª CAJ Nº 2227/06 às efls. 252/256, alegando em síntese erro de fato da decisão proferida "ao considerar que nas competências 09/2000 e 10/2002 não foram abatidos todos os valores efetivamente recolhidos, cuja conclusão é equivocada, de acordo com as provas constantes dos autos". Por sua vez, a recorrente apresentou pedido de revisão às efls. 267/269 alegando omissão do Acórdão quanto à competência 13/2004. Os pedidos de revisão, ambos com fulcro no art. 60, IV do Regimento Interno do CRPS (aprovado pela Portaria MPS/GM nº 88/2004), foram acolhidos por meio do Despacho de efls. 278/280, verbis: Salientese que de acordo com o que preconiza o parágrafo 2º do artigo 5º da Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, ao presente pedido será aplicado o Regimento Interno do CRPS, aprovado pela Portaria MPS/GM nº 88, de 22 de janeiro de 2004. ... No caso específico em questão, os pedidos de revisão de acórdão foram propostos sob a alegação de ter havido vício insanável no aresto atacado. Segundo a SRP, temos que, “No caso em tela, o Acórdão ora questionado funda se em erro de fato (inciso IX e § 1° do art. 485, do Código de Processo Civil), ao considerar que nas competências 09/2000 e 10/2002 não foram abatidos todos os valores efetivamente recolhidos, cuja conclusão é equivocada, de acordo com as provas constantes dos autos.” O contribuinte, por sua vez, vislumbra vício insanável por não ter o acórdão recorrido se manifestado acerca da competência 13/2004. Destaca o que segue: “O Clube de Golfe de Brasília requereu no Recurso Voluntário a exclusão da cobrança da competência da GPS 13/2004 da quantia de R$6.700,31 (...) uma vez que, conforme cópia extrato de contribuições anexa no processo administrativo, consta no Fl. 342DF CARF MF Processo nº 37284.004079/200531 Acórdão n.º 2301004.998 S2C3T1 Fl. 4 5 sistema da Receita Federal o pagamento de R$8.884,06 (...) referente à competência 13/2004.” Mediante análise dos autos, entendo estarem preenchidos os pressupostos de admissibilidade dos presentes pedidos, ante a possível ocorrência de vícios insanáveis no acórdão recorrido, conforme preconizado no inciso IV do art. 60 do Regimento Interno do CRPS (aprovado pela Portaria MPS/GM nº 88/2004). Ante ao exposto, ACOLHO os pedidos de revisão formulados e DESIGNO relator ad hoc o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza, para que adote as providências cabíveis. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Primeiramente, cumpre esclarecer que o presente processo foi objeto de sorteio eletrônico através do qual fui sorteada como relatora, tendo em vista que o conselheiro designado relator ad hoc não integra mais este Conselho. Presentes os pressupostos de admissibilidade dos pedidos de revisão formulados, nos termos do despacho de efls. 278/280, passo a analisálos como embargos inominados, o da Fazenda Nacional (extinta DRP/Brasília) art. 66, Portaria MF 343/2015 RICARF) e como embargos de declaração, o do contribuinte (art. 65, Portaria MF 343/2015 RICARF). Embargos da Fazenda Nacional Alega a Fazenda Nacional que o Acórdão da 4ª CAJ contém "erro de de fato (inciso IX e § 1° do art. 485, do Código de Processo Civil), ao considerar que nas competências 09/2000 e 10/2002 não foram abatidos todos os valores efetivamente recolhidos, cuja conclusão é equivocada, de acordo com as provas constantes dos autos.” O voto da relatora do Acórdão atacado apresenta as seguintes conclusões com relação às competências 09/2000 e 10/2002, verbis: Nesse sentido, após análise dos documentos constantes dos autos, é imperioso reconhecer que alguma razão assiste ao contribuinte. Com efeito, de acordo com o Discriminativo analítico do Débito Retificado DADR, de fls. 128, está demonstrado o levantamento, para a competência 09/2000 juros e multa sobre o recolhimento (706,55) e no DADR de fis 129, está demonstrado o levantamento, para a mesma competência, do valor de 1.866,26, relativo à contribuição da empresa, SAT e terceiros. Todavia, como se pode verificar dos documentos às fls. Fl. 343DF CARF MF 6 203 e 209 (extrato de contribuição e cópia da GPS), o recolhimento em dia do referido valor, sendo, portanto, indevidos, tanto o valor levantado relativo às contribuições quanto aquele a titulo de juros e multa. (...) De igual sorte, o levantamento relativo à competência 10/2002, envolvendo contribuições da Empresa, SAT e terceiros, no valor de 3.007,61 (DADR fls, 134), não se verifica a apropriação das GPS recolhida em 04/11/2002, com valores de 4.614,41; 1.591,62 e 2.731,04 (doc de fls 217/221). Compulsando os autos, verificase que assiste razão em parte à embargante. Vejamos. Na competência 09/2000 realmente já foram apropriados os pagamentos de e fls. 205 e 206, conforme o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA (e fls. 38) (duas GPS totalizando o valor de R$ 6.095,09). Todavia constatase que há um terceiro recolhimento em 02/10/2000 no valor de R$ 1.866,27 que consta no Relatório de Documentos Apresentados RDA (efl. 32) na competência 08/2000. Analisando a apropriação na competência 08/2000 (Relatório RADA efl. 37), verificase que do total de recolhimentos na competência de R$ 9.267,74, foi apropriado o valor de R$ 7.401,46, restando disponível o valor de R$ 1.866,28, exatamente o valor que o contribuinte alega ter pago para a competência 09/2000, na data do vencimento 02/10/2000.Tal situação pode ser corroborada pela cópia do cheque acostado à efl.206, no valor de R$ 7.961,36 (correspondente à soma das 3 GPS quitadas no dia 02/10/2000) com o histórico "Pagto ref a INSS Mês 09/00". Verificase, assim, tratarse de erro na GPS constante do sistema. Portanto, deve ser feita a correção na competência da GPS recolhida em 02/10/2000 no valor de R$ 1.866,27 de 08/2000 para 09/2000, após deve ser apropriada tal Guia à competência 09/2000, restando excluído o Levantamento GFP na competência 09/2000. Entretanto, ainda em relação à competência 09/2000, o Levantamento DAL, ao contrário do decidido pelo Acórdão embargado, subsiste, pois, como bem explicado no pedido de revisão do INSS, a competência do fato gerador referente à cobrança de diferenças de acréscimos legais ocorre no mês do pagamento em atraso e não na competência paga em atraso. Assim, na competência 09/2000 são cobradas diferenças de acréscimos legais de pagamentos efetuados em atraso no mês de setembro de 2000, referentes a competências anteriores. Portanto, o Levantamento DAL na competência 09/2000 não deve ser excluído, como decidido pelo Acórdão embargado. Na competência 10/2002, ao contrário do que concluiu o Acórdão da 4ª CAJ, as GPS recolhidas em 02/11/2002, com valores de R$ 4.614,41; 1.591,62 e 2.731,04 (doc de fls 217/221), foram apropriadas na competência de referência, conforme se observa do Relatório RADA (efl.45). Portanto, para a competência 10/2002 não há nenhum pagamento que não tenha sido apropriado ao débito, devendo também ser reformada a decisão embargada, mantendo o valor de R$ 3.007,61 Levanmento GFP. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 37284.004079/200531 Acórdão n.º 2301004.998 S2C3T1 Fl. 5 7 Embargos do Contribuinte (Clube de Golfe de Brasília) O contribuinte, em seu pedido de revisão, alega, em síntese, omissão do órgão julgador na análise da competência 13/2004. Sustenta que apresentou pagamento referente a esta competência no valor de R$ 8.884,06 (GPS às efls. 93, confirmação de pagamento telas de sistemas efls. 120 e extrato de recolhimentos efls. 202), entretanto o Acórdão da 4ª CAJ nada mencionou sobre a competência. Entendo que assiste razão à embargante, todavia, não por omissão, mas por verificação de erro de fato. Explico. O acórdão da 4ª CAJ, apesar de não mencionar expressamente a competência 13/2004, faz referência às "demais competências", além das mencionadas 09/2000, 02/2002 e 10/2002, concluindo que todos os pagamentos apresentados foram apropriados: Em que pesem as alegações relativas as demais competências, vale esclarecer que como se verifica dos documentos de fls.124/126, os recolhimentos efetuados, bem como as contribuições incluídas no parcelamento, foram devidamente deduzidas dos levantamentos e outras são diferences de contribuições relativas ao SAT e a terceiros, apuradas em conformidade com as declarações constantes na GFIP e de acordo com o Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 128/141). E aí, constatase o erro material, pois a GPS referente à competência 13/2004 no valor de R$ 8.884,06 não foi apropriada na competência correspondente conforme DADR de efl. 142, apesar da informação fiscal e tabelas de efls. 124 e 127. Portanto, para a competência 13/2004 deve ser apropriada a GPS correspondente apresentada, restando excluído o Levantamento GFP na competência 13/2004, conforme Informação Fiscal de efl. 124 e Tabela de efl. 127. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por acolher os embargos apresentados, para rerratificar a decisão embargada, corrigindo o voto da relatora nos seguintes termos: Nesse sentido, após análise dos documentos constantes dos autos, é imperioso reconhecer que alguma razão assiste ao contribuinte. Com efeito, de acordo com o Discriminativo analítico do Débito Retificado DADR, de fls. 128, está demonstrado o levantamento, para a competência 09/2000 juros e multa sobre o recolhimento (706,55) e no DADR de fls 129, está demonstrado o levantamento, para a mesma competência, do valor de 1.866,26, relativo à contribuição da empresa, SAT e terceiros. Todavia, como se pode verificar dos documentos às fls. 203 e 209 (extrato de contribuição e cópia da GPS), o recolhimento em dia do referido valor, sendo, portanto, indevido Fl. 345DF CARF MF 8 o valor levantado relativo às contribuições, permanecendo apenas aqueles a titulo de juros e multa. Com relação ao levantamento relativo à competência 02/2002, envolvendo contribuições da empresa, SAT e terceiros, no valor total de 7.383,60 (DADR 133), não restou demonstrado a apropriação da GPS recolhida em 19/07/2002, no valor total de 1.867,47 (doc. fls. 214/215). De igual sorte, o levantamento relativo à competência 13/2004, envolvendo contribuições da Empresa, SAT e terceiros, no valor de R$ 6.700,31 (DADR fls 142), não se verifica a apropriação das GPS recolhida em 17/12/2004, com valores de R$ 8.884,06 (doc de fls 228). (...) Isto posto e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, CONCLUSÃO: pelo exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de que seja retificado o campo Competência de 08/2000 para 09/2000 da GPS recolhida em 02/10/2000 no valor de R$ 1.866,27 e sejam apropriados os recolhimentos das competências 09/2000, 02/2002 e 13/2004, para que sejam igualmente excluídos os valores efetivamente recolhidos. (doc. fls. 203/209, 214/215 e 217/221). A ementa do Acórdão CaJ nº 2227/2006 permanece inalterada. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001624/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente MARIA IZAURA TEIXEIRA FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 24 /2 00 3- 14 Fl. 129DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 18471.001624/200314 Acórdão n.º 2402005.641 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 40 a 46, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício(s) 1999 e 2001, ano(s) calendário 1998 e 2000, no valor total de R$47.526,87 (quarenta e sete mil, quinhentos e vinte e seis reais e oitenta e sete centavos), sendo: Imposto R$19.447,66 Juros de Mora (calculados até 30/05/2003) R$13.493,47 Multa Proporcional (passível de redução) R$14.585,74 A descrição dos fatos encontrase no Termo de Constatação de Infração às fls. 37 a 39, e o enquadramento legal, no Auto de Infração, à(s) fl(s). 41 e 42, versando sobre as seguintes infrações: “00l DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROYADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPOSITOS BANCARIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA” “002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO” No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fls. 45. Cientificada do Auto de Infração em 30/06/2003, a Contribuinte apresentou, em 12/08/2003, a impugnação de fls. 48 a 52, instruída com documentos de fls. 53 a 87, na qual traz as alegações a seguir sintetizadas. Preliminarmente, afinna que, apesar de seu estado de saúde e de sua condição fisica, foi diversas vezes à Receita Federal do Brasil sem conseguir protocolar sua impugnação por força de greve dos servidores. Em seguida, diz que colaborou com a Autoridade Fiscal no curso da fiscalização, que, no entanto, ao lavrar o Auto de Infração, desconsiderou suas explicações e os documentos apresentados. Em relação aos depósitos bancários, explica que vendeu um imóvel ao final de 1997 e que recebeu valores relativos à Fl. 131DF CARF MF 4 operação por meio de cheques nos primeiros meses do ano de 1998. Anexa Contrato por Instrumento Particular de Compra e Venda e Mútuo com Obrigações e Hipoteca (fls. 55/72). No que tange o acréscimo patrimonial, aduz que cometeu erros no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual (DIRPF), exercício 2001, e que esses podem ser constatados pelo cotejo entre essa e as Declarações anteriores. Infomra que, com os rendimentos que recebe da Previdência Social, não tem condições de pagar o valor apurado, o qual considera descabido. Requer, ao final, a anulação do Auto de Infração. A impugnação não foi apresentada dentro do prazo legal do Decreto nº 70.235/72 (que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF). Entretanto, em sua defesa, a Contribuinte afirma que a greve dos servidores impediua de entregar sua impugnação no prazo regular. Esta instância de julgamento promoveu a diligência de fl. 91, a fim de obter informações sobre o funcionamento da repartição da Receita Federal do Brasil de origem no prazo que a Contribuinte teria para se defender. Em atendimento, o chefe do Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) da Tijuca informa que os meses de julho e agosto de 2003 foram marcados por movimentos de paralisação dos técnicos da Receita Federal. Cita paralisações ocorridas nos dias 29 a 31 de julho, bem como no periodo de 11 a 15 de agosto (fl. 93). Em sessão realizada em 23 de junho de 2009, a DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. CRITÉRIO DE APURAÇAO. A análise da evolução patrimonial para fins de levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, cuja finalidade é detectar a existência de omissão de rendimentos tributáveis, implica no confronto mensal de origens e aplicações, não podendo subsistir a tributação que não traduz a devida adequação técnica e consistência material para presunção da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Lançamento Procedente em Parte Fl. 132DF CARF MF Processo nº 18471.001624/200314 Acórdão n.º 2402005.641 S2C4T2 Fl. 4 5 A recorrente foi intimada da decisão em 08/03/2010 (fl. 108) e interpôs recurso voluntário encaminhado via Sedex no dia 08/04/2010 (fls. 111, 112 e 124), recebido na repartição no dia 09/04/2010 (fl. 113) no qual suscitou as seguintes teses de defesa: (a) Da nulidade da fiscalização; (b) Da violação aos princípios do processo administrativo; (c) Da ilegalidade na aplicação da omissão de receitas; (d) Da ilegalidade da apuração dos valores com base nos depósitos bancários. Sem recurso de ofício e sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é intempestivo, vez que a contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 08/03/2010 (fl. 108) e o interpôs somente em 08/04/2010 (fls. 111, 112 e 124), quando já transcorrido o prazo legal de trinta dias para fazêlo. A contagem do prazo se iniciou no dia 09/03/2010 e terminou no dia 07/04/2010, de conformidade com o art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972, segundo o qual “os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Vale observar, a propósito, que o § 6º do art. 1.003 do Código de Processo Civil vigente, corroborando o entendimento uníssono da jurisprudência aplicável antes mesmo da sua edição, prevê que o “recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso”. No caso vertente, os dias de início e de fim de prazo retro mencionados não coincidem com feriado nacional, tampouco a recorrente demonstrou não ter havido expediente na repartição local. Vejase que o recurso foi interposto por via postal (fls. 111/112), possibilidade admitida, mutatis mutandis, pelo § 5º do art. 56 do Decreto 7.574/2011 e pelo Ato Declaratório Normativo COSIT 19/1997: Decreto 7.574/2011 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 5º Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. § 6º Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. .................................................................................................. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 18471.001624/200314 Acórdão n.º 2402005.641 S2C4T2 Fl. 5 7 Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997 – [...] a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo. c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso. [...] Diante da inexistência do aviso de recebimento da postagem do recurso, bem como da data de envio no carimbo aposto pelos Correios no envelope da remessa, considerase que a postagem ocorreu efetivamente no dia 08/04/2010, consoante Histório do Objeto de fl. 124. Na dicção do art. 33 do Decreto 70.235/1972, o recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. Por sua vez, o seu art. 42, inc. I, preleciona que são definitivas as decisões de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Noutro giro verbal, o recurso intempestivo não deve ser conhecido, razão pela qual não se conhece do recurso da contribuinte. 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001468/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 14 68 /2 00 7- 81 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11853.001468/200781 Acórdão n.º 9202004.907 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 328DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000489/2010-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 04 89 /2 01 0- 51 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 15983.000489/201051 Acórdão n.º 9202004.986 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000497/2001-58
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-002.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à DRF. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à DRF. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos autos à DRF. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 04 97 /2 00 1- 58 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10855.000497/200158 Acórdão n.º 9101002.701 CSRFT1 Fl. 248 2 Relatório Tratase, em brevíssima síntese, de recurso especial interposto pela empresa VALEO SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), contra o acórdão nº 153.112 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (doravante “Turma a quo”), o qual julgou improcedente o recurso voluntário . A recorrente requereu a compensação do saldo credor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”) apurado no anocalendário de 1994 e 1995, sendo o seu pleito parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal de Sorocaba (SP). O deferimento foi restrito ao anocalendário de 1995. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 32 e seg.), a qual foi decidida pela 4ª Turma da DRJ/CPS, acórdão n. 12.430 (efls. 39 e seg.), ementado da seguinte forma: COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO DE CSLL (AC 1994 e 1995). DÉBITOS DE IPI. Deferido apenas parcialmente o pedido de restituição de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, resultando em direito creditório insuficiente para a quitação total dos débitos, consideramse não homologadas as compensações pleiteadas no presente processo. Compensação não Homologada. O contribuinte interpôs recurso voluntário contra a referida decisão (efls. 60 e seg.). A Turma a quo, no acórdão n. 10709.123 (efls. 102 e seg.), negou provimento ao recurso voluntário em decisão assim ementada: RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO O direito de postular a restituição do saldo negativo do IRPJ somente exsurge após o encerramento do exercício, e não a cada pagamento mensal (por estimativa ou por retenção), pagamentos isolados que, por si, não deram direito a restituição. Assim, o direito de postular a restituição do saldo negativo da CSLL referente ao anocalendário de 1994 teve seu dies a quo no dia 01/01/1995, e o dies ad quem no dia 31/12/99. Formulado o pedido de restituição somente em 20/10/2000, caracterizada está a decadência do direito de postular a restituição, a teor do que dispõe o art. 168 do CTN Recurso improvido. No mérito, a Turma a quo compreendeu que o direito de postular a restituição do saldo credor da CSLL nasceria com o encerramento do exercício. Como o pedido teria sido realizado mais de cinco anos após o nascimento desse direito, teria se consumado a prescrição do direito do contribuinte restituílo ou compensálo. A recorrente interpôs recurso especial (efls. 118 e seg.), o qual teve sua admissibilidade integralmente reconhecida (efls. 211 e seg.). Em breve síntese, alega que o prazo para requerer a compensação seria de cinco anos contados a partir do fim do prazo da homologação, portanto, de dez anos. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10855.000497/200158 Acórdão n.º 9101002.701 CSRFT1 Fl. 249 3 A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante “PFN”) apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 217), alegando que o prazo para o pedido de restituição seria de cinco anos, de forma que teria se consumado a prescrição no presente caso. Destacase que a PFN não se opôs, em suas contrarrazões, à admissibilidade do recurso especial interposto pela contribuinte. Concluo, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos de admissibilidade, não merecendo reparos. O caso deve ser solucionado pela aplicação da Súmula n. 91 do CARF: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Considerando que o pedido de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, atinente ao período de apuração de 1994 e 1995, foi formalizado pelo contribuinte em 20/10/2000, ou seja, dentro do prazo de 10 anos, o recurso especial do contribuinte deve ser provido. Nesse seguir, conduzo o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo contribuinte, com o retorno dos autos à DRF para a análise do mérito. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.729381/2012-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO.
Para a caracterização da subvenção para investimento, não basta a mera intenção do subvencionador, mas a existência de regras e contrapartidas que assim a caracterizem, bem como o cumprimento destas pela entidade subvencionada.
RETORNO DOS AUTOS À TURMA ORDINÁRIA. VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS REGRAS E CONTRAPARTIDAS.
Necessário o retorno dos autos à instância a quo para a aferição quanto ao cumprimento das regras e contrapartidas exigidas pela legislação que concedeu a subvenção para investimento.
Numero da decisão: 9101-002.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à turma a quo para a análise do cumprimento dos requisitos e contrapartidas previstos pela legislação estadual, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator), Marcos Aurélio Pereira Valadão e Adriana Gomes Rego, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano (suplente convocada). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Flávio Neto. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano, que votou apenas quanto ao mérito, pois na sessão de 22/09/2016, o conselheiro suplente Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa já havia participado da votação quanto ao conhecimento, em substituição à mesma conselheira. Julgamento iniciado na sessão de 14/06/2016 no período da manhã e concluído na sessão de 09/02/2017 no período da tarde, na qual foram mantidos os votos já proferidos nas reuniões anteriores.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Para a caracterização da subvenção para investimento, não basta a mera intenção do subvencionador, mas a existência de regras e contrapartidas que assim a caracterizem, bem como o cumprimento destas pela entidade subvencionada. RETORNO DOS AUTOS À TURMA ORDINÁRIA. VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS REGRAS E CONTRAPARTIDAS. Necessário o retorno dos autos à instância a quo para a aferição quanto ao cumprimento das regras e contrapartidas exigidas pela legislação que concedeu a subvenção para investimento.
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CARACTERIZAÇÃO. Para a caracterização da subvenção para investimento, não basta a mera intenção do subvencionador, mas a existência de regras e contrapartidas que assim a caracterizem, bem como o cumprimento destas pela entidade subvencionada. RETORNO DOS AUTOS À TURMA ORDINÁRIA. VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS REGRAS E CONTRAPARTIDAS. Necessário o retorno dos autos à instância a quo para a aferição quanto ao cumprimento das regras e contrapartidas exigidas pela legislação que concedeu a subvenção para investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial com retorno dos autos à turma a quo para a análise do cumprimento dos requisitos e contrapartidas previstos pela legislação estadual, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator), Marcos Aurélio Pereira Valadão e Adriana Gomes Rego, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano (suplente convocada). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Flávio Neto. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano, que votou apenas quanto ao mérito, pois na sessão de 22/09/2016, o conselheiro suplente Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa já havia participado da votação quanto ao conhecimento, em substituição à mesma conselheira. Julgamento iniciado na sessão de 14/06/2016 no período da manhã e concluído na sessão de 09/02/2017 no período da tarde, na qual foram mantidos os votos já proferidos nas reuniões anteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 93 81 /2 01 2- 11 Fl. 4594DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.595 2 (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 4267/4279) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1202001.175 (efls. 4256/4265), pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 29/07/2014, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e negado provimento ao recurso de ofício. Resumo Processual A autuação fiscal, relativa ao anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, discorre sobre contabilização, como subvenção para investimentos, de valores relativos a benefícios de crédito presumido de ICMS concedidos pelo Estado do Paraná. Entendeu a Fiscalização que se tratavam de subvenções para custeio, razão pela qual foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL. A decisão da primeira instância (DRJ) julgou a impugnação procedente em parte, para ajustar a base de cálculo apurada em razão de erro material. Por conta do crédito tributário exonerado, foi interposto recurso de ofício. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário. Fl. 4595DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.596 3 A PGFN interpôs recurso especial em relação à matéria subvenção para investimentos, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal O Termo de Verificação Fiscal (efls. 3975/4017) discorre sobre a falta de oferecimento à tributação de receitas operacionais oriundas de créditos presumidos de ICMS, com base no Decreto Estadual nº 5.375, de 28 de fevereiro de 2002, relativas a programa de incentivos fiscais do Governo do Estado do Paraná. Contesta a Fiscalização que os dispêndios em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) realizados no período analisado não poderiam ser considerados como investimento. Discorre que conforme as normas contábeis internacionais as despesas de P&D devem ser baixadas diretamente contra o resultado, no decorrer do anocalendário, assumindo a natureza de custeio. Por outro lado, o ativo investido significa um ativo que produzirá resultado por mais de um exercício. Relaciona características essenciais das subvenções para investimento, faz análise contábil e tributária para concluir que os valores do benefício referemse a subvenções para custeio, e não para investimento conforme entendimento da Contribuinte. Assim, foram efetuados os lançamentos fiscais de IRPJ e CSLL. Da Fase Contenciosa A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 4056 e segs), que foi julgada procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/Curitiba, nos termos do Acórdão nº 0639.685 (e fls. 4124 e segs.), para reconhecer erro material e ajustar a base de cálculo, conforme a ementa da decisão: SUBVENÇÕES DO PODER PÚBLICO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. UTILIZAÇÃO EM DESPESAS DE CUSTEIO. NÃO APLICAÇÃO EM BENS E DIREITOS. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE TRIBUTÁVEL DO IRPJ E CSLL. Contribuinte que goza de Crédito Presumido de ICMS, beneficiandose de não desembolso de numerário, deve canalizar esses recursos para a aquisição de bens e direitos previstos em projetos de expansão de seu empreendimento econômico, afinado com a vontade e estipulação do Poder Público Concedente, que outorga o benefício, para que os recursos sejam considerados como Subvenção para Investimentos, e, ato contínuo, sejam colocados à margem da tributação do IRPJ e CSLL. Aplicação dos recursos em despesas correntes e de custeio descaracterizados como matéria excludentes da tributação. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, Fl. 4596DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.597 4 e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL.. Tendo em vista o crédito tributário exonerado pela DRJ, foi interposto recurso de ofício. Também foi interposto recurso voluntário (efls. 4145 e segs) pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 29/07/2014, por meio do Acórdão nº 1202001.175 (efls. 4256/4265), decidiu no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. A vinculação dos recursos recebidos à empreendimentos não se mostra necessária para a caracterização dos mesmos como subvenções para investimentos. O que se mostra indispensável para tanto é o propósito da subvenção, pois, uma vez concebido pelo subvencionador como estimulo à implantação ou expansão de um empreendimento econômico deve ser registrado como reserva de capital e não como receita, nos termos do art. 443 do RIR/99. Assim, demonstrado o cumprimento dos requisitos do art . 443 do RIR/99 e a intenção do ente público no estímulo fiscal ao desenvolvimento empresarial, nos termos da legislação estadual pertinente,correto o enquadramento como subvenção para investimentos. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 4267/4279), discorrendo que a subvenção fiscal concedida pelo Estado do Paraná enquadrase na modalidade de subvenção para custeio. Valese dos arts. 392 e 443 do RIR/99 e da interpretação dada pelo PN CST nº 112, de 1978, e da análise dos dispositivos do Decreto Estadual nº 5.375, de 2002, para concluir que não restou demonstrado nenhuma intenção do Poder Público para subsidiar a Contribuinte na instalação ou ampliação do empreendimento econômico. Discorre que o propósito do Governo do Estado do Paraná foi de subsidiar o custeio de centros ou institutos de pesquisa para desenvolver a área de tecnologia da informação, e que as condições estabelecidas na legislação estadual não apresentam qualquer vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos relacionados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Teria havido, na realidade, incentivo para custear atividade de terceiros, mediante aplicação dos recursos em centros ou institutos de pesquisa visando desenvolver a tecnologia da informação, e custear atividades operacionais internas da própria empresa. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 4294/4299 deu seguimento ao recurso da PGFN. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 4306 e segs). Primeiro, protesta sobre a admissibilidade do recurso especial, por entender que não foram atendidos requisitos formais dispostos no art. 67, §§ 7º e 9º do RICARF, e que os temas tratados nos paradigmas não seriam idênticos ao caso concreto. Sobre o primeiro acórdão paradigma, nº 9101001.094, ao invés de contrariar o acórdão recorrido, ratifica o seu entendimento, tendo sido inclusive negado o apelo fazendário. Portanto, em vez de restar Fl. 4597DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.598 5 caracterizada a divergência, consolidouse a convergência. Quanto ao segundo acórdão paradigma, nº 10805767, tampouco se presta para demonstrar a divergência, vez que trata do benefício do programa FOMENTAR, consistente no financiamento de 70% do ICMS pelo prazo de 5 a 10 anos com juros favoráveis e sem correção monetária, situação completamente diferente da discutida no caso concreto. Sobre o mérito, discorre (1) sobre a fragilidade do PN CST nº 112/78, que não reflete o real sentido das subvenções para investimento, e que se vale do entendimento do PN CST nº 142, de 1973, cuja redação remete à situações anteriores à entrada em vigor do DecretoLei nº 1.598, de 1977; (2) que a expressão "aplicação em bens ou direitos" não é sinônima de aplicação em projeto específico aprovado em bens de direito para o ativo não circulante; (3) que as contrapartidas legais para que as pessoas jurídicas façam jus ao benefício fiscal não podem ser entendidas como investimento em bens de ativo fixo para que se configure a subvenção para investimento; (4) que o crédito presumido de ICMS é caracterizado pela a intenção do Estado do Paraná em conceder a subvenção para atração de implantação e empreendimentos econômicos, e não as contrapartidas por ele exigidas; (5) que o art. 38, § 2º do DecretoLei nº 1.598, de 1977 ao ser referir a "subvenções para investimento, INCLUSIVE MEDIANTE redução ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, o faz a título exemplificativo, mas sem colocar tal hipótese de forma taxativa como subvenção para investimentos; (6) que o PN CST nº 112, de 1978 teria ido além do alcance da norma; (7) sobre a legislação do Estado do Paraná, para concluir que o legislador estabeleceu uma série de exigências a serem cumpridas pela Contribuinte para gozar do benefício e que não há dúvida sobre a intenção em estimular o desenvolvimento econômico da região; (8) que durante o período autuado houve efetivo incremento das atividades da pessoa jurídica; (9) e que, ainda assim, a caracterização do crédito presumido de ICMS como subvenção para investimento decorre da sua própria finalidade, pouco importando as contrapartidas a ele vinculadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura Admissibilidade. Em relação à admissibilidade, foram apresentados no Recurso Especial da PGFN dois paradigmas. Em relação ao primeiro acórdão paradigma nº 9101001.094, aduz a Contribuinte em contrarrazões que não teria restada caracterizada a divergência que, inclusive, a decisão foi favorável ao contribuinte autuado, ou seja, na ocasião foi negado provimento ao recurso especial interposto pela PGFN. Sobre o dispositivo da decisão, de fato foi favorável ao contribuinte. Contudo, não se pode olvidar que também são elementos essenciais da sentença o relatório e os seus fundamentos.1 1 CPC, art. 489. São elementos essenciais da sentença: Fl. 4598DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.599 6 Quanto aos fatos apresentados no relatório da decisão paradigma, tratase de recursos oriundos de redução ou concessão de crédito presumido referente ao ICMS, em benefício concedido pelo Estado da Bahia, que foram contabilizados com subvenção para investimento. Quanto aos fundamentos, o voto discorreu se os dispositivos da norma, em tese, do ente subvencionador (Estado da Bahia), e demais atos, seriam aptos a vincular a aplicação dos recursos à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Transcrevo excerto do voto: (...) Realmente, o Decreto nº 6.734/97 do Estado da Bahia, que regulamentou a matéria não impõe qualquer vinculação entre a receita de subvenção a gastos específicos na implantação ou expansão do empreendimento, se não vejamos com dispõe o § 5º do art. 1º: (...) Como se verifica, nas condições postas no § 5º acima transcrito, não há qualquer vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal do ICMS e a aplicação específica desses recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico, mas apenas parâmetros para calibragem do percentual do crédito presumido a ser concedido caso a caso. Por outro lado, o termo de compromisso firmado (vide transcrição a fls. 531) traz a seguinte disposição: “relações obrigacionais que entre si ajustam, como partes, ESTADO DA BAHIA (...) e a Indústria de Meias Scalina Ltda. (...), obrigações essas decorrentes do apoio de infraestrutura e da concessão de incentivos administrados pelo Poder Público Estadual e Municipal à aludida empresa, em virtude da implantação de uma indústria destinada à fabricação de meias, cuecas, malhas, confecções e congêneres, fios de algodão e produtos têxteis semiacabados (...)" Ora, houve, então, uma vinculação entre a obtenção do benefício e a implantação da indústria no Estado da Bahia. Resta, então, saber se, para o enquadramento como subvenção para investimento, havia de ter expressa disposição, no referido termo de compromisso, que todos os valores obtidos com o benefício deveriam ser aplicados integralmente nos gastos de implantação da indústria. Primeiramente, há que se perquirir se tal interpretação encontra amparo no § 2o do art. 38 do DL 1.598/77? (...) (grifei) Ao questionamento realizado, discorreu o voto do relator sobre o § 2º do DecretoLei nº 1.598, de 1977: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. Fl. 4599DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.600 7 O § 2º do art. 38 é uma norma excepcional, logo deve ser interpretada estritamente, sem qualquer ampliação dos seus parâmetros hermenêuticos. Assim sendo, implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, há que se entender que a concessão do benefício fica condicionada ao cumprimento pelo beneficiário da exigência de ampliar ou expandir o empreendimento. Agora, se o Estado abre mão de cobrar o tributo do contribuinte, sem que se exija dele qualquer obrigação de ampliar ou expandir seu empreendimento, tal benefício será enquadrável como subvenção para custeio, pois o beneficiário terá total liberdade para aplicar os valores oriundos do benefício. Situação diferente é esta em que o Estado, para conceder o benefício, obriga o contribuinte a ampliar ou expandir seu empreendimento. (...) Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. Daí, há que se entender que, na hipótese sub examine, o estímulo à implantação do empreendimento de que trata o § 2º do art. 38 do DL no 1598/77, darseá com o reforço do caixa da empresa, sem que com isso desnaturese a subvenção para investimento. Notese que não está em discussão se houve ou não investimento no montante de R$ 60 milhões alegado pela contribuinte. Toma se, assim, por verdade aquilo que não foi expressamente refutado. Assim, entendo que o compromisso de aplicação de R$ 60 milhões na implantação da indústria de malharia, atende a vinculação exigida, por lei, entre a concessão do benefício e a obrigação de ampliar ou expandir o empreendimento. Observase, com clareza, que o fundamento da decisão foi constatar se a legislação estadual e atos normativos complementares demonstrariam a vinculação entre os recursos subvencionados auferidos e a aplicação em ampliação ou expansão do empreendimento. E, analisando os fatos, constatou o relator que o termo de compromisso firmado entre subvencionador e subvencionado estabelecia a aplicação do importe de R$60 milhões para a implantação de uma indústria destinada à fabricação de meias, cuecas, malhas, confecções e congêneres, fios de algodão e produtos têxteis semiacabados. Por sua vez, no voto vencedor do acórdão recorrido, considerouse prescindível tal análise, como se pode observar da redação da ementa: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. A vinculação dos recursos recebidos à empreendimentos não se mostra necessária para a caracterização dos mesmos como subvenções para investimentos. O que se mostra indispensável Fl. 4600DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.601 8 para tanto é o propósito da subvenção, pois, uma vez concebido pelo subvencionador como estimulo à implantação ou expansão de um empreendimento econômico deve ser registrado como reserva de capital e não como receita, nos termos do art. 443 do RIR/99. Assim, demonstrado o cumprimento dos requisitos do art . 443 do RIR/99 e a intenção do ente público no estímulo fiscal ao desenvolvimento empresarial, nos termos da legislação estadual pertinente,correto o enquadramento como subvenção para investimentos.. (grifei) Em relação ao segundo acórdão paradigma, de nº 10805.767, entendo que trata de suporte fático diferente do tratado nos presentes autos, razão pela qual não se presta a caracterizar a divergência. De qualquer forma, tendo em vista que o primeiro acórdão paradigma (nº 9101001.094) interpretou a lei de forma divergente2 com o acórdão recorrido, conforme demonstrado nos fundamentos da decisão, que apreciou fatos que guardam similitude com os presentes autos mediante cognições conflitantes, conheço do Recurso Especial da PGFN. Mérito. Espécie do gênero benefícios fiscais, as subvenções podem ser classificadas em (1) correntes para custeio ou operação ou (2) para investimentos. A primeira mereceu tratamento na Lei nº 4.320, de 17/03/1964, que estatuiu normas gerais de direito financeiro, para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, estabelecendo diretrizes gerais para a contabilidade pública. Sob a ótica do ente federativo, são consideradas as subvenções sociais e econômicas como despesas correntes, da espécie transferências correntes, destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. Observase que não havia nenhuma discriminação quanto à destinação que o ente subvencionado daria às receitas recebidas. E precisamente sob essa ótica, as receitas oriundas das transferências do ente subvencionador governamental, independente da destinação dada pelo subvencionado, foram consideradas como tributáveis, conforme art. 44, da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, que atualmente encontrase recepcionado pelo art. 392 do RIR/99: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Ocorre que, posteriormente, passou a ser adotar um tratamento específico para subvenções que tivessem uma destinação própria, particular, qual seja, que fossem concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. 2 RICARF, Anexo II, art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 4601DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.602 9 Nesse caso, passaram a receber ser entendidas como transferências de capital, como se pode observar no art. 182, § 1º, alínea "d", da Lei nº 6.404, de 15/12/1976: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007); d) as doações e as subvenções para investimento (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 3(grifei). Fato é que a legislação tributária acompanhou o entendimento, como se pode observar pela redação do art. 38, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o Contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (Vide) I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na 3 Apesar de o dispositivo em debate ter sido revogado pela Lei nº 11.638, de 2007, as subvenções para investimento, para fins de apuração do lucro real, continuaram fora do alcance da tributação do IRPJ e da CSLL, já que, apesar de ter o ingresso contabilizado em conta de resultado pelo regime de competência, integrando o lucro líquido do exercício, devem ser excluídas no LALUR. Fl. 4602DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.603 10 determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifei) Restou nítida a diferenciação imposta às subvenções de custeio e investimento. A primeira, entendida como transferência de renda, integra a base de cálculo para apuração do tributo, enquanto que a segunda, transferência de capital, não seria contabilizada como receita, mas sim como reserva de capital no patrimônio líquido, não submetida à tributação. Contudo, há que se registrar que a categorização de uma transferência como subvenção para investimento deve obedecer determinadas condições. A Receita Federal manifestouse sobre a questão no PN CST nº 112, de 1978: 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 ...No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 (...), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. (grifei) Fl. 4603DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.604 11 Observase que, segundo interpretação do parecer, a subvenção para investimento estaria caracterizada quando, cumulativamente, (1) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não em suas despesas, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (2) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (3) não basta o "animus", mas também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (4) mero registro contábil em conta própria de reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Entendo que cabem observações sobre os itens (1) e (2). Aqui registro uma observação complementar em relação a voto apresentado na sessão anterior sobre o mesmo assunto (Acórdão nº 9101002.335), apenas para acrescentar uma observação em relação ao item (1). Sobre o item (1), de fato não há que se considerar que tais recursos sejam empregados para auxiliar nas despesas do ente subvencionado. Devem ser aplicados em bens ou direitos visando a consecução da finalidade da subvenção para investimentos, qual seja, implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Tal aplicação poderá estar refletida em diferentes ativos da empresa, como, por exemplo, estoques, ativo permanente, em proporções que dependerão do ramo de atividade do subvencionado, mas que deverão estar devidamente refletidos na contabilidade. Já em relação ao item (2), a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção 4. Por sua vez, quanto aos demais itens (3 e 4), entendo que consagram o disposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Dispõese com clareza que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, além de terem de estar contabilizadas em conta reserva de capital e feitas em 4 Vide acórdão nº 9101001.094, da CSRF, de 29/06/2011, do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior: "Além disso, em regra, nenhum empreendimento vai ser implantado com receita oriunda da subvenção para investimento. Isso porque durante a implantação, a empresa encontrase em fase préoperacional, logo, ordinariamente, não aufere receitas e, consequentemente, não tem ICMS a pagar nem muito menos redução de ICMS em virtude de subvenção para investimento. Assim, na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício. Razão pela qual seria impossível, no caso em tela, constar do termo de compromisso firmado a obrigação de a indústria ser implantada, ainda que parcialmente, com os valores oriundos do benefício fiscal. Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operarações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. (...)" Fl. 4604DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.605 12 cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas 5. Quando se fala em estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta a mera intenção do subvencionador. Se os recursos deve ser aplicados para estimular implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta uma mera disposição legislativa, editada pelo ente subvencionador, para que reste caracterizada a subvenção para investimento. Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. Resta completamente desvirtuado o instituto quando a lei estadual, por exemplo, ao mesmo tempo que estabelece condições para a transferência do recurso, deixa em campo cinzento quais seriam os mecanismos claros de controle para verificar se as condições estabelecidas para a fruição do benefício, no caso, implantação ou expansão de investimentos, estarão sendo cumpridas. Esclareço que aqui não se fala em comprovação imediata da aplicação das transferências. O que se quer dizer é que o papel do ente subvencionador não está restrito apenas a editar diploma legal concedendo a transferência mediante condições que ficarão apenas "no papel", submetidos unicamente à vontade do ente subvencionado. O diploma legal também deve dispor sobre mecanismos claros de controle e acompanhamento dos recursos transferidos. Não se fala em "carimbar o dinheiro", e que precisamente o recurso ingressado por meio de transferência seja aplicado na implantação/expansão do investimento. Não se fala em simultaneidade. Nada disso. O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Devese se identificar, mediante elaboração de um plano de contas os ativos que foram objeto de implementação ou expansão. Sim, a contabilidade se presta para refletir, com clareza e transparência, as mutações econômicas da empresa, ainda mais se tratando de um benefício fiscal dessa natureza. Dever de escrituração é obrigação do Contribuinte. Assim, devem ser cumpridas duas etapas de verificação para atestar se os recursos podem ser reconhecidos como subvenção para investimentos: primeiro, se a legislação do ente subvencionante, em tese, estabelece critérios objetivos e efetua o devido controle para acompanhar a efetividade da aplicação dos recursos; e segundo, se os requisitos de ordem formal (art. 38, § 2º, alíneas "a" e "b" do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977) e material (aplicação efetiva dos recursos em investimentos) foram atendidos. Estabelecidas as premissas, passo para a análise do caso concreto. Vale transcrever a redação que interessa dos atos relativos ao benefício fiscal em debate. Primeiro, o Decreto do Estado do Paraná, n° 5375/2002: 5 Vide nota anterior. Fl. 4605DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.606 13 Art. 3º. Fica concedido crédito presumido, opcionalmente ao previsto na Lei n° 13214, de 29 de junho de 2001, ao estabelecimento industrial que atenda às disposições do artigo 4º da Lei Federal n° 8248, de 23 de outubro de 1991, por ocasião da saída dos produtos adiante discriminados, que estejam relacionados em portaria conjunta dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, baixada por força do artigo 6º do Decreto Federal n° 792, de 02 de abril de 1993, ou do artigo 2º da Lei n° 8387, de 30 de dezembro de 1991, regulamentada pelo Decreto Federal n° 1885, de 26 de abril de 1996, no percentual que resulte na carga tributária correspondente a 3%. (...) Parágrafo único A opção pela utilização do crédito presumido de que trata este artigo fica condicionada: a) à celebração de termo de acordo, na forma dos arts. 78 a 84, que estabelecerá os demais requisitos para a fruição do benefício; b) a que haja a indicação, no documento fiscal correspondente à operação, dos dispositivos da legislação federal pertinente e do número do termo de acordo referido na alínea anterior; c) a indústria tenha seus projetos de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação aprovados mediante portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União e assinada pelos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia; d) a indústria realize investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme definido no art. 11 da Lei Federal n° 8.248/91, sendo que: 1 percentual não inferior a 1%, de que trata o inciso I do parágrafo único do referido art. 11, deve ser aplicado mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná; 2 percentual não inferior a 2,7% dos investimentos fixados no referido art. 11, deve ser aplicado internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme disposto no parágrafo 5º do art. 9º do Decreto Federal n° 3.800, de 20 de abril de 2001. (grifei) Como se pode observar, encontramse no caput e no parágrafo único do art. 3º do Decreto n° 5.375/2002 as condições para fruição dos recursos recebidos, na alínea "d", 1 e 2. O caput predica que o crédito presumido é concedido ao estabelecimento industrial que atenda ás disposições do art. 4º da Lei Federal nº 8.248, de 1991 (que dispõe sobre a capacitação e competitividade do setor de informática e automação além de dispor sobre outras providências). No parágrafo único, estabelecese que a Contribuinte deve realizar investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, Fl. 4606DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.607 14 conforme definido no art. 11 da Lei Federal n° 8.248/91, sendo que (1) percentual não inferior a 1% ao definido pelo inciso I do parágrafo único do referido art. 11 deve ser aplicado mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná, e (2) percentual não inferior a 2,7% dos investimentos fixados no referido art. 11, deve ser aplicado internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme disposto no § 5º do art. 9º do Decreto Federal n° 3.800, de 20 de abril de 2001. Na realidade, o Decreto Estadual n° 5.375/2002 concede o crédito presumido estabelecendo condições que são uma compilação do que foi disposto no art. 4º da Lei Federal n° 8.248/91, que determina que as empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação farão jus aos benefícios de que trata a Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991. Por sua vez, a Lei nº 8.191, de 1991, dispõe sobre a isenção de IPI para equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, inclusive aos de automação industrial e de processamento de dados, importados ou de fabricação nacional, bem como respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas e a depreciação acelerada para máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos novos destinados ao uso na produção industrial. O Decreto Federal nº 3.800, de 2001, regulamenta, dentre outros, precisamente o art. 4º da Lei Federal n° 8.248/91, para estabelecer no art. 9º, § 5º que observadas as aplicações mínimas previstas no § 1º do art. 11 da Lei nº 8.248, de 1991, o complemento de até dois inteiros e sete décimos por cento do percentual fixado no caput do referido artigo poderá ser aplicado em atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas diretamente pelas próprias empresas ou por elas contratadas com outras empresas ou instituições de ensino e pesquisa. Registrese que o Decreto Federal nº 5.906, de 2006, que sucedeu o Decreto nº 3.800, de 2001, continuou regulamentando, com diretrizes similares ao diploma anterior, o art. 4º da Lei Federal n° 8.248/91. E o caput do art. 11 da Lei nº 8.248, de 1991, estabelece a base de cálculo para a aplicação do investimento em pesquisa e desenvolvimento, qual seja, o faturamento bruto da empresa. Assim, em termos quantitativos, as condições são de se aplicar, tomandose por base o faturamento bruto, pelo menos 1% por meio de convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná, e pelo menos 2,7% internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação. No caso em tela, devese apreciar se as condições estabelecidas em norma federal, para gozo de isenção de IPI, aplicadas em norma estadual, para gozo do crédito presumido de ICMS, também se mostram aptas para caracterizar os recursos com subvenção para investimentos. Fato incontroverso é que as condições para gozo da isenção do IPI e do crédito presumido de ICMS são conciliáveis. A questão assume outros contornos quando a Contribuinte tenta qualificar o benefício estadual também como subvenção para investimento. Ora, ao contrário dos outros Fl. 4607DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.608 15 dois benefícios aqui apresentados, a operação de subsunção às condições previstas no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977 não ocorre automaticamente. Como já dito, não basta mera "intenção" do legislador. O diploma do Poder Público deve dispor sobre condições claras de aplicação e estabelecer mecanismos de acompanhamento e controle para se consumar a implantação ou expansão do empreendimento econômico, e estabelecer parâmetros que possibilitem que a aplicação seja proporcional ao montante subvencionado. Sob essa perspectiva, há que se apreciar aspecto preliminar do caso em debate, para verificar se a aplicação em investimentos em pesquisa e desenvolvimento poderia ser enquadrada como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, conforme condição expressa no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Em razão do ramo de atividade da Contribuinte, de tecnologia de informação, entendo que se pode considerar que os investimentos seguiriam uma destinação diferente dos demais setores de produção, no qual aplicações em ativo fixo poderiam receber uma menor proporção, em comparação a investimentos em pesquisa e desenvolvimento e qualificação de mão de obra, por exemplo. Portanto, considerandose o ramo de atuação da Contribuinte, a norma do Poder Público, ao predicar a aplicação de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, preenche condição no sentido de estimular a implantação ou a expansão do empreendimento econômico. Portanto, passo seguinte é verificar se, de acordo com o prescritivo da norma estadual, os valores a título de Pesquisa e Desenvolvimento foram aplicados efetivamente na empresa e em montantes proporcionais àqueles escriturados como subvenção para investimento. De plano, constatase condição atípica prescrita pelo Poder Público, no sentido de que os recursos não deveriam ser aplicados em sua integralidade no ativo da Contribuinte. A legislação estadual deixou claro que, sobre o faturamento, pelo menos 2,7% deveriam ser investidos internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, e 1% em outras pessoas jurídicas, por meio de convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino. Quanto ao acompanhamento ou controle a ser realizado pelo ente subvencionador, sobre a aplicação dos recursos, verificase que os projetos de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação devem ser aprovados pelos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia, e há requisitos de ordem formal e procedimentais a serem cumpridos. Nesse sentido, resta atendida a primeira etapa de verificação. Passemos ao exame da segunda etapa. A norma estadual, ao dispor sobre aplicação em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), toma como base de cálculo o faturamento da empresa, mediante aplicação de percentual (1% para terceiros, 2,7% para a própria empresa. Tal condição pode se mostrar apta para funcionar, automaticamente, para fins de gozo do crédito presumido (estadual) e para o gozo da isenção do IPI (federal). Mas não necessariamente se mostra suficiente para caracterizar os recursos como subvenção para investimentos. A aplicação de percentual sobre o faturamento da empresa, por si só, não se sustenta. Para que se possa caracterizar a subvenção Fl. 4608DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.609 16 para investimento, há que haver proporcionalidade entre os valores escriturados como subvencionados e os valores efetivamente empregados. E, apreciando a efetiva aplicação dos recursos conforme destinação prescrita pelo ente subvencionante (P&D), as discrepâncias são evidentes ao se comparar com os valores que ingressaram os cofres da Contribuinte. A autuação fiscal apurou o montante de R$34.533.636,93 para os três anos calendário fiscalizados, e foi revisada para o valor de R$29.552.137,76 pela decisão de primeira instância. Por sua vez, os recursos aplicados pela Contribuinte, relativos ao valores de subvenção apurados pela Fiscalização, são apresentados nos documentos de efl. 291, 1050 e 1079 (Relatórios Demonstrativos do Cumprimento das Obrigações Decorrentes da fruição dos benefícios previstos na Lei de Informática, segundo o Decreto 5.906/06 Prestação de Contas ao MCT Ministério de Ciência e Tecnologia). Tratase de demonstrativo elaborado pela Contribuinte para o MCT, com base no art. 33 do Decreto nº 5.906, de 2006 6. Os demonstrativos são corroborados pelas planilhas demonstrativas elaboradas pela Contribuinte e apresentadas à Fiscalização, para os anos de 2007 (efl. 295), 2008 (efl. 633) e 2009 (efl. 1199). Os demonstrativos apresentados ao MCT e as planilhas delimitam com precisão o "Total de Compromissos em P&D" (valores que foram alocados para o investimento) e o valores efetivamente realizados, ou seja, os valores que foram, de fato, aplicados em investimento de pesquisa e desenvolvimento. No quadro a seguir, a tabela para aplicações em investimento (1) na própria empresa e (2) em convênios com terceiros. AC 2007 AC 2008 AC 2009 TOTAIS P&D próprio 2.431.330,93 2.924.643,18 3.706.803,09 9.062.777,20 P&D convênios 1.986.766,72 3.914.212,57 2.955.645,22 8.856.624,51 4.418.097,65 6.838.855,75 6.662.448,31 17.919.401,71 Observase que, do montante de R$29.552.137,76, apenas R$9.062.777,20 foram efetivamente aplicados pela Contribuinte, percentual de 30,67%. Outra parcela do valor (R$8.856.624,51) foi investido em terceiros, situação que não recebe amparo da legislação tributária para fins de caracterização da subvenção para investimentos. 6 Art. 33. Até 31 de julho de cada ano, deverão ser encaminhados ao Ministério da Ciência e Tecnologia os relatórios demonstrativos do cumprimento das obrigações estabelecidas neste Decreto, relativas ao anocalendário anterior, incluindo informações descritivas das atividades de pesquisa e desenvolvimento previstas no projeto elaborado e os respectivos resultados alcançados. § 1º Os relatórios demonstrativos deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. § 2º Na elaboração dos relatórios, admitirseá a utilização de relatório simplificado, no qual a empresa poderá, em substituição aos dispêndios previstos nos incisos de IV a X do caput do art. 25, adotar os seguintes percentuais aplicados sobre a totalidade dos demais dispêndios efetuados nas atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologias da informação: (...) Fl. 4609DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.610 17 Ainda, cabe registrar constatação do Termo de Verificação Fiscal (efl. 3982)7, que, ao auditar a rubrica "Equipamento" para o anocalendário de 2007, lançada no montante de R$3.088.773,00, verificou que para um lançamento de R$1.950.804,00 não havia documento fiscal apto a lastrear o valor. E, considerando que a rubrica "Equipamento" corresponde a lançamento de "P&D Próprio", ou seja, aplicado na própria empresa, conforme figura na sequência (que esquematiza as obrigações previstas no Decreto nº 5.906/2006, efls. 297 e 3981), cabe subtrair o montante de R$1.950.804,00 do total de R$9.062.777,20. Dessa maneira, encontrase o valor de R$7.111.973,20, o que reduz o percentual de aplicação em investimentos em P&D para 24,07%. Reforço que não se fala em sincronia ou, mais uma vez, em "carimbar o dinheiro". Mas há que se haver um mínimo de proporcionalidade entre os recursos subvencionados e aqueles efetivamente aplicados. Não há sentido norma concessória de benefício estabelecer contrapartida meramente amparada na "intenção" do ente subvencionado em atender as condições estabelecidas. Não é o PN CST nº 112, de 1978 que diz isso, mas sim a redação do § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977, de que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Da mesma forma carece de lógica entender que, se o montante dos recursos subvencionados foi de 100 unidades monetárias, seria "irrelevante" averiguar qual o valor efetivamente foi aplicado em investimentos para a empresa, ou que a aplicação de 5, 10 ou 30 unidades seriam suficientes para que o valor de 100 unidades pudesse ser caracterizado como subvenção de investimento. 7 Por exemplo, em 2007 há um valor de R$ 1.950.804,00 lançado a "equipamento" na prestação de contas ao MCT (planilha “3 2007 Projetos Próprios.xlsx”, pasta “equipamento”), sendo que não há declaração de documentos fiscais correspondentes a este valor. Fl. 4610DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.611 18 Não há nenhum problema em a Contribuinte, ao mesmo tempo, mediante atendimento de condições previstas na legislação tributária, beneficiarse de isenção de IPI, mediante norma federal, de crédito presumido de ICMS, mediante norma estadual, e ter reconhecido os recursos derivados do crédito presumido como subvenção para investimentos. Mas o caso concreto demonstra que, se por um lado, as condições previstas na lei federal (isenção de IPI), mostraramse eficazes para o gozo do crédito presumido do ICMS, por outro, não se mostraram aptas a caracterizar os recursos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, nos termos do § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Nesse sentido, mediante análise da aplicação efetiva de recursos, observase que não há que se falar em subvenções para investimento conforme entendimento exposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Voto Vencedor Conselheiro Luís Flávio Neto, redator designado. Rendo minhas homenagens ao bem fundamentado voto do i. Conselheiro relator, do qual divirjo apenas parcialmente. O núcleo do presente caso reside no art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977: Art. 38. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o Contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) Fl. 4611DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.612 19 a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (...) A partir desse enunciado, não serão computadas na determinação do lucro real (i) “subvenções para investimento” (ii) “registradas como reserva de capital”. O Colegiado concordou com o i. Conselheiro relator deste recurso especial quanto ao entendimento de que, para que determinado valor possa ser classificado como “subvenção para investimento”, não basta a mera intenção do subvencionador, ao contrário do que decidiu a decisão a quo. Fazse necessário verificar (i) se a legislação que a concede prevê regras e contrapartidas capazes de caracterizála como subvenção para investimento e (ii) se as referidas regras e contrapartidas foram cumpridas pela entidade subvencionada. Notese que a decisão recorrida adotou como premissa que seria irrelevante verificar (i) se a lei que concede a subvenção prevê regras e contrapartidas que a caracterizem como subvenção para investimento ou para custeio e (ii) se as referidas regras e contrapartidas foram cumpridas. Ocorre que, pela adoção dessa premissa, a decisão recorrida não se debruçou sobre os elementos fáticos e provas presentes nos autos, ou mesmo requereu diligências que compreendesse necessárias, para assentar a verdade material quanto a estes elementos. Ao julgar o recurso especial interposto, por sua vez, o i. Conselheiro relator compreendeu presentes na legislação editada pelo Estado subvencionador os caracteres da subvenção para investimento. Contudo, no ponto em que reside a divergência da maioria do Colegiado, i. Conselheiro relator compreendeu que seria possível proceder, em sede de recurso especial, a investigação dos fatos e provas quanto ao cumprimento dos requisitos e contrapartidas em questão. A maioria do Colegiado, por sua vez, compreendeu que haveria supressão de instância caso a CSRF inaugurasse essa investigação no âmbito do CARF, fazendose necessário que a Turma Ordinária proceda a análise dos elementos fáticos e provas presentes nos autos, ou mesmo requeira diligências que compreenda necessárias, para aferir se foram cumpridas as regras e contrapartidas previstas no Decreto do Estado do Paraná n° 5375/2002, inclusive aquelas referidas por remissão à Lei Federal n° 8.248/91, para a caracterização da subvenção para investimento. Nesse cenário, assim como a maioria, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial, a fim de determinar o retorno dos autos à Turma a quo para a análise do cumprimento dos requisitos e contrapartidas previstos pela legislação estadual em questão. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 4612DF CARF MF Processo nº 10980.729381/201211 Acórdão n.º 9101002.562 CSRFT1 Fl. 4.613 20 Fl. 4613DF CARF MF
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