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Numero do processo: 13888.005527/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno.
PRAZO DE DECADÊNCIA SEM ANTECIPAÇÃO PARCIAL DO PAGAMENTO. REsp 973733/SC
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação e havendo parcial pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Nos demais casos, o prazo é contados nos termos do art. 172,I, do CTN.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Cabe lançamento de multa ofício na hipótese de o crédito tributário constituído não estar com sua exigibilidade suspensa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. PRAZO DE DECADÊNCIA SEM ANTECIPAÇÃO PARCIAL DO PAGAMENTO. REsp 973733/SC Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação e havendo parcial pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Nos demais casos, o prazo é contados nos termos do art. 172,I, do CTN. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabe lançamento de multa ofício na hipótese de o crédito tributário constituído não estar com sua exigibilidade suspensa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 55 27 /2 01 0- 14 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por entender que (i) não teria ocorrido a decadência do crédito, ante a ausência de prova do pagamento parcial; (ii) não haveria que se falar em cerceamento do direito de defesa; e (iii) seria aplicável ao caso concreto a multa de ofício. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica posteriormente, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. Trata o presente de Auto de Infração (fls. 03/08) lavrado para constituir o IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos inexistentes, conforme a legislação do imposto, decorrentes da aquisição de insumos não onerados pelo tributo (produtos classificados na TIPI como de alíquota 0% ou NT), tampouco existindo qualquer concessão de liminar ou tutela antecipada concedida pelo Poder Judiciário que ampare tal pretensão. Por conseguinte, é exigido do contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 62.839.796,63, inclusos juros e multa de ofício, conforme descrito no auto de infração e Relatório Fiscal de fls. 09/22. Regularmente cientificada em 23/12/2010, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 168/185, alegando, em síntese, que: a) Teria ocorrido a decadência de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, para o período de janeiro a novembro de 2005, conforme § 4º do art. 150 do CTN; b) Analisando os autos não se apresenta possível o exercício do direto de defesa, pois não consegue entender a impugnante quando o Fisco faz a afirmação: “os saldos credores apurados foram transferidos para o período seguinte”; c) Quanto ao mérito, o Fisco anexou aos autos (fls. 43/61) gráficos que indicou como anexo 1, os quais estão sendo objeto de conciliação, pelo que necessário para o trabalho, uma Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005527/201014 Acórdão n.º 3102002.380 S3C1T2 Fl. 11 3 prorrogação de 30 dias. Isto se justifica pelo simples fato de que quando, passado mais de 15 dias da entrega do auto de infração, ainda dependia da devida autuação, já que sequer numeradas as fls. do processo administrativo; d) Devese afastar a multa considerando que a questão de direito sob análise era de fato conturbado, conforme julgados em sede de STF, sendo evidente que a multa aplicada se apresenta injusta, excessiva e até arbitrária; e) Acrescenta que não se está no caso se opondo diretamente a impugnante à reclamação do tributo, considerando que tendo proposto ação específica, ainda pendente de julgamento o RE, não obteve sucesso até agora. O que se apresenta questionada é a sanção aplicada, ou seja, a multa imposta. Por outro lado, não há concomitância entre a presente impugnação e a ação judicial, pois as matérias sob enfoque são distintas. Ao final, requer a devida análise do quanto posto, que por certo levará à nulidade do lançamento. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: IPI. GLOSA DE CRÉDITOS Constatada a escrituração de crédito indevidos, é correta a glosa dos créditos e o conseqüente lançamento do imposto que deixou de ser recolhido. DECADÊNCIA. IPI. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. IMPROCEDÊNCIA. A alegação de cerceamento ao direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais carece de fundamento, pois há que ser identificado real prejuízo à contribuinte. APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DE PRAZO. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO. LEGALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado é aplicada no percentual determinado expressamente em lei. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário repetindo basicamente as mesmas alegações de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como é possível perceber do relato acima, três foram os argumentos de defesa apresentados pelo Recorrente: (i) que tinha operado a decadência do período compreendido entre 01 e 17.01.02; e (ii) que o lançamento seria nulo pro cerceamento do direito de defesa e (iii) deveria ser excluída a multa de oficio já que a questão de direito sob análise era de fato conturbada. Passemos à análise de cada um deles. Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Preliminarmente, alega a Recorrente que o lançamento seria nulo por ter havido preterição do direito de defesa, pois não conseguiu entender a afirmação do Fisco de que: “os saldos credores apurados foram transferidos para o período seguinte”. Ora, a transferência de saldo credor para o período seguinte é procedimento determinado pela própria lei de regência do tributo. Tratandose de questão básica da escrituração dos créditos e débitos do imposto no Livro de Registro de Apuração do IPI, nos termos prescritos pelo art. 195 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), não poderia o contribuinte ignorálo, muito menos entender que com esta afirmação o Fisco teria cerceado Desta forma, não procede a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Decadência Analisando o presente processo, verificase que (i) tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação; (ii) não há prova nos autos de antecipação parcial do pagamento; (iii) o contribuinte tomou ciência do AI em 23.12.10; (iv) a autuação se refere a fatos ocorridos entre 01.01.05 a 31.12.08. Sendo assim, a despeito do meu posicionamento pessoal sobre a matéria, não deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de exigir parte dos créditos tributários em discussão, uma vez que, não havendo antecipação do pagamento, o prazo de decadência tem como termo a quo o primeiro dia do exercício seguinte, e não do fato gerador do tributo. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005527/201014 Acórdão n.º 3102002.380 S3C1T2 Fl. 12 5 Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 973.733/SC, o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e). (REsp 973733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo) Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste contexto, não deve ser acolhida a alegação de decadência. Multa de ofício Por fim, pleiteia o Recorrente que seja afastada a multa de ofício. Para tanto, alega que questão de direito sob análise era de fato conturbada, existindo inúmeros julgados do STF a favor da tese do contribuinte, sendo evidente que a manutenção da multa aplicada se apresenta injusta, excessiva e até arbitrária. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 Pois bem. À época dos fatos, a multa de ofício era regulada pela Lei nº4502/64, com a redação dada pela Lei nº 9.430/96, nos seguintes temos: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Ill multa básica de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do impôsto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada, observado o disposto no artigo 86. (Incluído pelo DecretoLei nº 34, de 1966) III multa básica de 300%(trezentos por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada, observado o disposto no art. 86 (Redação dada pela Lei nº 8.218, de 1991) Por outro lado, o art. 63 da Lei nº 9.430/96 traz hipótese se exclusão da presente penalidade: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Como visto, situação concreta não se encaixa na hipótese de não cabimento da multa de ofício. Afinal, à época do Início do Mandado de Procedimento Fiscal não vigorava qualquer medida suspendendo a exigibilidade ou mesmo reconhecendo o direito de o contribuinte se creditar de insumos sujeitos à incidência de alíquota zero. Sendo assim, e em face do principio da estrita legalidade tributária, não há como a afastar a aplicação da presente multa. A circunstância de existir à época decisões do STF favoráveis à tese da Recorrente, proferidas em controle difuso e em relação a terceiros, em nada beneficia a Recorrente. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.005527/201014 Acórdão n.º 3102002.380 S3C1T2 Fl. 13 7 [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15553.720385/2012-98
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - COMPROVAÇÃO
Para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem estar relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão, e a comprovação de existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência de moléstia grave prevista no inc. XXXIII do art. 39 do RIR/99, como ficou comprovado nestes autos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-004.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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XXXIII do art. 39 do RIR/99, como ficou comprovado nestes autos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 3. 72 03 85 /2 01 2- 98 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720385/201298 Acórdão n.º 2801004.008 S2TE01 Fl. 130 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7a Turma da DRJ/RJ1 (Fls. 93), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de notificação de lançamento (fls. 04 a 08), emitida em nome do contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), referente ao exercício de 2009, ano calendário de 2008, tendo sido ajustado o saldo de IR a restituir de R$ 6.625,07, para R$ 4.754,49. Conforme descrição dos fatos, foi: • Apurada omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 71.450,76, relativos à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (CNPJ 42.498.634/000166); • Efetuada glosa do valor de R$ 643,91, indevidamente compensado a título de IRRF, correspondente à diferença entre o valor declarado e aquele informado pela fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão em DIRF. Cientificado da notificação por edital (fls. 68/71), o contribuinte apresentou impugnação em 20/03/2012 (fl. 02), alegando que: • Já era aposentado quando foi diagnosticado com cardiopatia grave, que o isenta do recolhimento do IR; • Não obstante, a fonte pagadora continuou a reter o IR sobre a aposentadoria paga e com base nos informes de rendimento foram feitas as DAA nos respectivos prazos; • A doença foi diagnosticada em dezembro de 2006, conforme laudo oficial em anexo; • Desde a época do diagnóstico, o contribuinte vem tentando junto à fonte pagadora que não houvesse o desconto, o que somente aconteceu em novembro de 2011; • Porém, a fonte pagadora se recusa a retificar as DIRF dos anos anteriores, informando que o pedido deve ser feito diretamente a RFB, conforme carta em anexo, o que inviabiliza a retificação das DAA; • Por outro lado, não há como fazer o PER/DCOMP e, após solicitação por processo administrativo, o interessado foi orientado a retificar suas DAA, mesmo não sendo retificada a DIRF. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720385/201298 Acórdão n.º 2801004.008 S2TE01 Fl. 131 3 Às fls. 59/64 e 73/77 consta cópia da DIRPF/2008 retificadora, apresentada pelo contribuinte em 31/01/2012, da qual decorreu o lançamento que ora se analisa. Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Somente a moléstia grave reconhecida por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, confere direito à isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Não deve prosperar a impugnação não instruída com elementos de prova hábeis a promover o convencimento do julgador. Cientificado em 18/10/2012 (Fls. 101), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/10/2012 (fls. 103 e 104), alegando: (...) 1. Quanto à natureza dos valores recebidos: proventos de aposentadoria ou reforma e pensão: 2. Quanto à comprovação da moléstia. Por não haver qualquer objeção quanto ao segundo item, pois o requerente, mediante a apresentação de documentos comprobatórios obteve em 09/11/2011 da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão SEPLAG, órgão responsável pelo pagamento de seus proventos, a isenção do pagamento de Imposto de Renda, buscarei me ater, neste recurso, somente na elucidação do primeiro requisito: 1.1 O requerente pertencia ao quadro de pessoal do extinto Banco do Estado do Rio de Janeiro BANERJ, tendo sido admitido em 05/11/1968 e, aposentado em 22/10/1993, conforme cópia do D.O.E.RJ datado de 10/11/1993 (Doc.01). Nesse período, até o mês de outubro os seus vencimentos eram pagos diretamente pelo citado Banco / CNPJ 33.147.315/000115 (doc. 02); 1.2 A partir da sua aposentadoria, ocorrida em 22/10/1993, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banerj /CNPJ n°. 34.054.320/000146 já a partir de novembro de 1993 passou a assumir pelos pagamentos de meus vencimentos (doc 03); 1.3 Após a venda do Banco do Estado do Rio de Janeiro S/A BANERJ para o Banco ITAU, fato ocorrido em 1995, os vencimentos mensais do requerente proventos de aposentadoria (e de todos os outros funcionários que se encontravam em Fl. 131DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720385/201298 Acórdão n.º 2801004.008 S2TE01 Fl. 132 4 situação equivalente) passaram a ser efetivados através da SECRETARIA DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E GESTÃO SEPLAG /CNPJ N°. 42.498.634/000166 (doc.04) 1.4. Portanto, a partir do confronto dos seus informes de rendimentos, da carta da . Fonte Pagadora, da publicação da aposentadoria (D.O.E.RJ de 10/11/1993) e do Contrato de Assunção de Obrigações em Negócios Jurídicos com o Banco do Estado do Rio de Janeiro S/A e Caixa de Previdência PREVI BANERJ, ambos em Liquidação Extrajudicial (conforme cópia do D.O.E.RJ de 09/11/1988 doe. 04), acredito não restar dúvidas sobre a natureza dos valores recebidos pelo requerente: proventos de aposentadoria; Diante do apresentado acima pode se concluir que o requerente não possuiu em nenhum momento duplicidade de empregos, e sim, fontes pagadoras diversas para uma só situação, qual seja o exercício de suas atividade apenas pelo BANCO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO BANERJ, onde trabalhou por mais de 25 (vinte e cinco) anos, estando aposentado, como dito acima, desde 22/10/1993. E é por esse motivo, amplamente justificado nos itens acima, que o requerente solicita uma nova apreciação do seu pedido, de modo a ser concedido o que requer, o ressarcimento das parcelas retidas a título de IMPOSTO DE RENDA correspondente ao exercício de 2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A matéria em litígio restringese aos rendimentos pagos pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro ao longo do anocalendário de 2008, exercício 2009. Sustenta o contribuinte que faria jus a concessão de isenção por serem seus proventos proviniente de aposentadoria e ser portador de cardiopatia grave, espécie de moléstia grave tipificada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052/2004, que segue abaixo transcrita: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720385/201298 Acórdão n.º 2801004.008 S2TE01 Fl. 133 5 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como os §§ 4º e 5o do mesmo artigo, assim dispõem: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º).” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifei). Fl. 133DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720385/201298 Acórdão n.º 2801004.008 S2TE01 Fl. 134 6 De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Em relação a ser o contribuinte portador de moléstia grave à época em que tais rendimentos foram auferidos, não resta qualquer dúvida pois junta aos autos, desde sua impugnação, laudo médico oficial em que comprova ser portador de cardiopatia grave desde o ano de 2006 (fls. 10 dos autos). Inclusive a DRJ já se manifestou quanto a este quesito, reconhecendo que o contribuinte fez juntar aos autos o laudo oficial que em que comprova sofrer de moléstia grave, conforme colacionado de extrato do Acórdão de Impugnação (fls. 97): O contribuinte junta aos autos os seguintes documentos: Laudo oficial, emitido em 27/10/2011, assinado por profissional médico do Hospital Universitário Pedro Ernesto – UERJ, declarando ser o contribuinte portador de cardiopatia grave, desde dezembro de 2006 (fls. 10, 15 e 91). A mesma informação consta no atestado de fl. 35, emitido pelo Hospital Universitário Antônio Pedro UFF; Do exposto acima não restam dúvidas de que o contribuinte logrou êxito em comprovar o requisito de ser portador de moléstia grave à época da percepção dos rendimentos tidos como isentos. Como se verifica dos autos a DRJ entendeu que os documentos trazidos pelo contribuinte não comprovavam que os rendimentos auferidos pelo mesmo seriam relativos à aposentadoria, por não ter logrado êxito demonstrar a relação existente entre a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão(SEPLAG) e o antigo BANERJ. Não estaria, portanto, presente o segundo requisito para concessão da isenção e por tal razão o lançamento foi julgado procedente. Entretanto, após ser alertado pela DRJ, o contribuinte, por ocasião de seu Recurso Voluntário, fez juntar Comprovante de Rendimentos em que resta comprovado que o mesmo já era aposentado do BANERJ no ano de 1993(fls. 107). Juntou ainda Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (fls. 108 à 118 dos autos) em que comprova a assunção pelo Estado do Rio de Janeiro, através da SEPLAG das obrigações em negócios jurídicos tanto do BANERJ quanto de sua caixa de previdência – na época responsáveis pelo pagamento da aposentadoria do contribuinte. Vale ainda destacar que conforme se verifica da DIRPF (fls. 59) o supracitado rendimento é a única fonte declarada pelo contribuinte, e, por tal razão, não cabível a possibilidade de após a aposentadoria por tempo de serviço ter assumido nova atividade laboral Desta feita, entendo que restam devidamente comprovadas tanto que os rendimentos percebidos são provenientes de aposentadoria, quanto a relação existente entre a Fl. 134DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720385/201298 Acórdão n.º 2801004.008 S2TE01 Fl. 135 7 obrigação originária do BANERJ e posteriormente assumida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro através da SEPLAG. Neste sentido, tendo em vista os documentos trazidos aos autos quando da interposição do Recurso Voluntário, entendo que foram, então, atendidos ambos os requisitos da isenção pleiteada pelo contribuinte, se fazendo forçoso o reconhecimento desta. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722024/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
PRELIMINAR - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL
As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente.
GANHO DE CAPITAL. VENDA DE IMÓVEL - Deve ser tributado o ganho de capital na venda de imóvel, apurado pela diferença entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição
Preliminares rejeitadas
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.961
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. PRELIMINAR - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. GANHO DE CAPITAL. VENDA DE IMÓVEL - Deve ser tributado o ganho de capital na venda de imóvel, apurado pela diferença entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição Preliminares rejeitadas Recurso negado.
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PRELIMINAR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 20 24 /2 01 1- 29 Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. GANHO DE CAPITAL. VENDA DE IMÓVEL Deve ser tributado o ganho de capital na venda de imóvel, apurado pela diferença entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição Preliminares rejeitadas Recurso negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.722024/201129 Acórdão n.º 2202002.961 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MARCIO SOARES DE QUEIROZ, foi lavrado por Auditor Fiscal da DRF/Anápolis – GO, o Auto de Infração de fls. 3/41, referente ao imposto de renda pessoa física do ano calendário 2007. O crédito tributário apurado está assim constituído: A presente ação fiscal foi levada a efeito com o objetivo de verificar a regularidade do imposto de renda do período em apreço, levando se em consideração empréstimos contraídos pelo fiscalizado, perante pessoas físicas e pessoas jurídicas, para empreender loteamento e integralizar capital social de várias empresas. No decorrer da ação fiscal foram emitidos Mandado de Procedimento Fiscal, Termo de Início do Procedimento de Fiscal, Termos de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal, Termos de Intimação Fiscal e Termo de Constatação de Infração, todos devidamente notificados ao contribuinte, conforme demonstra as fls. 13/23 do Relatório Fiscal. A autoridade do órgão lançador emitiu ofícios solicitando documentos relacionados à ação fiscal ao Cartório de Registro de Imóveis e Tabelionato de Notas de Luziânia. Também foram realizadas diligências em nome de Elisa Carvalho do Carmo Rosa, Cleo Ernesto Benedetti e Marcos Domingos Terra, visando a efetiva comprovação de contratos de mútuos supostamente pactuados com o contribuinte fiscalizado, fls. 25/29. Depois da análise da documentação e das informações obtidas, a autoridade fiscal apurou as infrações a seguir enumeradas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 4/5 e 29/41: 001 – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO no ano calendário de 2007; Os esclarecimentos e a Planilha de Demonstrativo de Variação Patrimonial foram expostos às fls. 30/34 e 39/41. 002 – GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, com fato gerador em 30/04/2007, com valor apurado de R$ 3.647,95. Depois da ciência do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 1093/1137. Inicialmente faz referência aos termos do Auto de Infração para, em seguida, suscitar preliminares de nulidade e expor as razões de sua defesa. Mandado de Procedimento Fiscal Alega que obteve ciência do lançamento em 06/12/2011, contudo, não teve conhecimento de qualquer ato de prorrogação do MPF recebido em 18/3/2010, tornando sem efeito os trabalhos de lançamento. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 O instrumento de prorrogação deveria ser apresentado ao contribuinte dentro do prazo de vigência do MPF. A doutrina leciona no sentido de que só existe prorrogação de algo que esteja em vigor. Ultrapassada a sua vigência, surge a necessidade de um novo MPF. Menciona que a autoridade fiscal, além de usar MPF para período e tributo diverso, ampliou o horizonte de atuação sem ordem ou poderes para tal. Discorre e faz considerações sobre o MPF. Transcreve dispositivos da Portaria DRF nº 3.007/2001 para, em seguida, repisar a necessidade de acolhimento da Preliminar de Nulidade do MPF e anular o auto de infração por falta de legitimidade ativa e ausência de poderes da autoridade autuante. Cerceamento do Direito de Defesa Comenta que o feito possui mais de 1.000 páginas e foi construído por uma fiscalização que durou mais de um ano. Diz que não obteve acesso ao conteúdo de diversos documentos fruto de diligencias e solicitações da fiscalização, cujas cópias lhe foram negadas, caracterizando flagrante desrespeito e agressão ao direito constitucional de defesa do contribuinte. Ressalta que a fiscalização, no decorrer da ação fiscal, insistia em verificar documentos e dados de exercício não contemplado no MPF, intimando o contribuinte e terceiros. Informa que sempre atendeu às solicitações da fiscalização. Posteriormente, sem qualquer validade, o contribuinte foi informado que o MPF – já com prazo vencido e sem determinação de ampliação dos poderes de forma legal – foi estendido para o ano de 2008. Pela agressão ao princípio da ampla defesa e do estrito processo legal, pede que tais documentos sejam afastados. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Ratifica os negócios realizados, conforme as fls. 923/946 dos autos, incorporando tais documentos e explicações como razão de defesa. Relativamente ao Termo de Constatação de Infração, o contribuinte informa que apresentou suas razões dentro das limitações de seu conhecimento, pois das mais de 1.000 folhas do processo não conhecia nem a metade. Assevera que os contratos de mútuos foram firmados e preenchidos dentro da legislação civil brasileira. Não há na lei a necessidade de registro destes contratos, prática abolida pelo CC/2002. O registro em cartório tem a finalidade de dar conhecimento a terceiros interessados, mas quando se tratar de ato da vida civil pode e deve ficar em sigilo, não do fisco, tanto que foram declarados pelas partes. Recorre a doutrinadores para concluir pela ausência de obrigatoriedade de registro dos contratos de mútuos, regra apontada pela fiscalização nos termos do art. 221 do CC/2002. Mesmo se fosse requisito, a ausência de registro não descaracterizaria o mutuo, já que no ano seguinte a fiscalização aceitou os seus pagamentos como despesas, mas desprezou as origens dos valores para justificar ingressos no passado, o que Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.722024/201129 Acórdão n.º 2202002.961 S2C2T2 Fl. 4 5 configura inconformidade da autuação e atribuição de dois pesos e duas medidas. Argumenta que, em respostas a diligencias realizadas pela fiscalização, os contratos de mútuos foram confirmados pelas pessoas que concederam os empréstimos – Elisa Carvalho do Carmo Rosa, Cleo Ernesto Benedetti e Marcos Domingos Terra. No entanto, a autoridade fiscal aceitou apenas as despesas decorrentes dos pagamentos dos mútuos, desprezando indevidamente os ingressos. A diferença de receita da atividade rural declarada acima do valor comprovado deve ser aceita – R$ 12.873,00 –, pois os valores foram declarados espontaneamente. Discorre sobre as operações a título de entrega futura, meio recorrente de financiar a atividade rural, acrescentando que a mercadoria nem sempre é entregue no ano seguinte. Assim, em um universo considerável de negócios jurídicos, pequenas diferenças devem ser desprezadas e ajustadas de maneira que possa dar ao contribuinte a eterna presunção de verdade em suas alegações. Discorda da variação patrimonial apurada nas planilhas de receitas e despesas, pois o contribuinte utilizava cheque especial e tomava empréstimos para cobrir as diferenças negativas. Entende que o método mais certo de apuração é o do ajuste anual. Aduz que a decisão de lançar 50% do Acréscimo Patrimonial a Descoberto em nome de sua esposa à época, por ter apresentado declaração em separado, carece de validade jurídica, uma vez que as rendas deveriam ser somadas e não segregadas como quer a fiscalização. Elabora nova planilha, considerando os mútuos e a diferença da receita da atividade rural, na qual apura somente saldo positivo, sem Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Ganho de Capital Esclarece que a aquisição da Fazenda Ana Maria ocorreu em 29/1/2004, na qual foram edificadas diversas benfeitorias até a sua efetiva venda. Primeiro, deve se apurar se há incidência de tributação por ser a alienação inferior a R$ 340.000,00. Pode o contribuinte atribuir à terra nua 20% do valor da venda, e 80% para as benfeitorias, levando a apuração para a declaração de ajuste anual. Pode ainda levar tudo a tributação do ganho de capital, descontando os custos e os valores dos investimentos. Impugnase a infração de omissão decorrente de ganho de capital pela venda da Fazenda Ana Maria, reservando o direito de anexar e juntar novos esclarecimentos e documentos para corroborar com as teses expostas. Pedidos Por fim, requer: 1. O acolhimento das preliminares de nulidade; 2. Oportunidade para apresentar novos documentos e esclarecimentos, e realização de perícia para provar as alegações; Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 3. Improcedência da autuação e, conseqüentemente, arquivamento dos autos do presente processo administrativo; 4. A desconstituição da Representação Fiscal para fins penais. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O Mandado de Procedimento Fiscal é documento destinado a controle e uso interno da Administração. A ciência do mandado por meio eletrônico não caracteriza causa de nulidade do lançamento. Descabe a argüição de cerceamento do direito de defesa relativamente à ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, acompanhado da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Indefere se o requerimento de diligência e perícia, quando prescindíveis à apreciação da matéria litigiosa. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos especificados na legislação de regência. Não compete ao órgão julgador de primeira instância produzir prova que legalmente compete ao sujeito passivo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributam se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita em separado, na proporção de 50% do valor da variação para cada cônjuge, caso o casal não faça apresentação da Declaração de Ajuste Anual em conjunto. EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. Inaceitável a prova de empréstimo consignado apenas na declaração de rendimentos apresentada tempestivamente pelo contribuinte, sem Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.722024/201129 Acórdão n.º 2202002.961 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Vício no MPF Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. O contribuinte argüiu, como preliminar de nulidade, da suposta incompetência da fiscalização para determinar a continuidade da fiscalização, bem como a prorrogação do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. Ocorre, no entanto, como já decidiu este Conselho em outra oportunidade (Acórdão nº. 10421.690, Sessão de Julgamentos em 23/06/2006, Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa) as normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. No que toca ao reexame do período já fiscalizado, assim se pronunciou a autoridade recorrida: De acordo com a exposição no relatório, o impugnante alega irregularidade no MPF, tais como prazo de vigência, prorrogações, período e tributo diverso, ampliação do horizonte de atuação sem ordem ou poderes. De início, registre se que estes autos versam sobre infrações do anocalendário 2007, conforme anotação feita pela autoridade lançadora no Relatório Fiscal – item 02 constante da fl. 13. O MPF foi originariamente instituído pela Portaria SRF nº. 1.265/1999, como instrumento de planejamento e controle da atividade de fiscalização, sendo posteriormente disciplinado pela Portaria SRF nº. 3.007/2001. Foram ainda editadas as Portarias RFB nºs 4.328/2005, 6.087/2005, 4.066/2007 e 11.371/2007. Atualmente vigora a Portaria RFB nº 11.371/2007, sendo as demais revogadas. Vale ressaltar que o MPF é imprescindível para o início da ação fiscal e foi implementado para dar maior garantia tanto ao contribuinte quanto à Administração; ao primeiro para que fique ciente de que aquele auditor foi autorizado a promover a Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 fiscalização; à Administração, para que tenha controle dos trabalhos externos de suas autoridades e de que nenhum servidor desautorizado promova fiscalização indevida. A presente ação fiscal teve início na vigência da Portaria RFB nº 11.371/2007, quando foi emitido em 25/02/2010 o MPF nº 01.2.02.002010000135. Posteriormente, em 18/03/2010, o contribuinte foi cientificado do Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 120/122, informando lhe sobre a ação fiscal em apreço, designada por meio do MPF nº 01.2.02.002010000135. Todas as informações contidas no referido MPF sempre estiveram à disposição do contribuinte, que poderia acessálas a qualquer momento por meio da Internet (www.receita.fazenda.gov.br), mediante a utilização do código 50245582, o qual foi formalmente a ele fornecido em 18/03/2010, mediante o Termo de Início do Procedimento Fiscal. Pesquisa no sítio da RFB, na Internet, utilizando o código antes mencionado, mostra que o MPF nº 01.2.02.002010000135 foi emitido com o objetivo de fiscalizar a regularidade do recolhimento do imposto de renda, no período de 01/2007 a 12/2007. Em seguida, a autoridade competente – o Delegado da DRF/Anápolis GO –, em 03/5/2011, alterou o período de fiscalização para 01/2007 a 12/2008. Da mesma forma, nos prazos legais, várias prorrogações do período de validade do MPF também foram realizadas, conforme documentos constantes dos autos e registro no corpo do MPF, disponível ao contribuinte na Internet. O demonstrativo das prorrogações está assim disposto: O Auto de Infração levado a efeito pela autoridade lançadora está em perfeita consonância com as exigências estampadas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Também não se verifica a ocorrência de nenhuma das causas de nulidade previstas no art. 59 do mesmo Decreto. Ante ao exposto rejeito a preliminar de nulidade por vício no MPF. Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Direito de Defesa Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.722024/201129 Acórdão n.º 2202002.961 S2C2T2 Fl. 6 9 os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto Cabe registrar que a omissão rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto a recorrente, questiona que a mesma foi baseada tão somente em presunções e conjecturas, indicando que possuía os recurso para efetivar a aquisição o imóvel. Como explicado na decisão recorrida, o meio utilizado, no caso, para provar a omissão de rendimentos é a presunção. É o meio de prova admitido em Direito Civil, consoante estabelecem os arts. 136, V, do Código Civil (Lei nº 3.071, de 01/01/1916) e 332 do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11/01/1973), e é também reconhecido no Processo Administrativo Fiscal e no Direito Tributário, conforme art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e art. 148 do CTN. Tendo sido evidenciado pelo fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. Isto é, a prova ex ante, de iniciativa do Fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. A Lei nº 7.713/88 estabeleceu uma presunção legal ao definir que os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados constituem rendimentos omitidos e, portanto, sujeitos à tributação. De modo geral, toda presunção é a aceitação como verdadeiro de um fato provável. Na maioria das vezes, a presunção é simples ou relativa (praesumptio iuris tantum) e seu efeito é a inversão do ônus da prova, cabendo à parte interessada a produção de prova contrária para afastar o presumido. É o que ocorre no presente caso. A presunção legal aqui enfocada é relativa, impondo ao agente público o lançamento de ofício do imposto correspondente sempre que o contribuinte não justifique, por meio de documentação hábil e idônea, o acréscimo patrimonial a descoberto. Deste modo deve a recorrente evidenciar a origem de recursos que possibilitem cobrir as aplicações apontadas. No caso concreto, a recorrente não logrou apresentar uma documentação que possibilite demonstrar de modo claro, como obteve os recurso para formalizar a realização de dispêndio tão expressivos. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Primeiramente nesse ponto, cabe registrar que o acréscimo patrimonial no caso concreto foi computado mês a mês , tal como se depreende do termo de verificação fiscal., atendendo todos os requisitos da legislação. A autoridade recorrida ao apreciar a matéria apresentou o seguinte arrazoado: Compulsando os autos, nota se que os documentos de fls. 922/946, indicados pelo contribuinte como documentos comprobatórios de sua defesa, foram analisados e considerados pela autoridade lançadora no procedimento de ofício em causa, como mostra o conteúdo das fls. 17/21 e 31. Esforça se o contribuinte para que sejam acatados como origem de recursos os contratos de mútuos realizados com Cleo Ernesto Benedetti, Marcos Domingos Terra e Elisa Carvalho do Carmo Rosa, nos valores de R$ 160.000,00, R$ 100.000,00 e R$ 800.000,00, respectivamente. Foca sua argumentação no sentido de que a falta de registro no cartório competente não é motivo para exclusão dos respectivos valores das origens de recursos na planilha de variação patrimonial elaborada pela autoridade lançadora. Diz ainda que a fiscalização foi incoerente ao aceitar os pagamentos dos empréstimos nas planilhas e recusar as origens dos recursos decorrentes dos contratos de mútuos. Do cotejo do Demonstrativo de Variação Patrimonial constante das fls. 39/41, depreende se que não há valores de pagamentos de tais empréstimos registrados como dispêndio/aplicação de recursos na apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto no ano calendário 2007. Contudo, o Relatório Fiscal esclarece exaustivamente, de acordo com as normas legais aplicáveis à matéria, os motivos pelos quais não foram considerados como origem de recursos os valores supostamente obtidos por meio de contratos de mútuos. A fiscalização, ao efetuar o Demonstrativo da Evolução Patrimonial do Contribuinte e apurar Acréscimo Patrimonial a Descoberto, caracterizou, por presunção legal, a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do art. 43, inciso II do CTN. Nesse passo, por inversão legal do ônus da prova, cabe ao contribuinte a obrigação de desconstituir a ocorrência do fato gerador por presunção legal, mediante a apresentação de argumentos acompanhados de documentos hábeis e idôneos. Nota se, pelo conteúdo do Relatório Fiscal, folha 30, que a fiscalização apontou a ausência de registro dos contratos de mútuos antes citados, todavia, o motivo crucial que levou o Auditor Fiscal a recusar as alegadas origens de recursos foi a não comprovação hábil e idônea do efetivo recebimento do numerário representado pelas supostas operações de crédito. O contribuinte autuado e as pessoas físicas concedentes dos mencionados empréstimos foram intimados nesse sentido, contudo, nenhuma prova foi juntada aos autos para provar a transferência dos valores, tais como comprovante de saque, cópia de cheque, transferência bancária. Portanto, embora tenha informado que os valores dos contratos foram recebidos no decorrer do ano calendário 2007, conforme Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.722024/201129 Acórdão n.º 2202002.961 S2C2T2 Fl. 7 11 discriminado no Relatório Fiscal, fls. 19/20, é fato que a obrigação de provar os ingressos não restou satisfeita pelo contribuinte. Importante esclarecer que os dados informados nas Declarações de Ajuste Anual (DAA), voluntariamente declarados sob a responsabilidade do sujeito passivo, estão sujeitos à comprovação, nos ditames determinados pelo artigo 806 do RIR/1999. Compulsando o conjunto probatório constante dos autos, conclui se que as alegações e documentos trazidos – contratos não registrados, DAA do autuado e de supostos cedentes dos empréstimos, respostas às intimações – não são suficientes para considerar como origem de recursos os contratos de mútuos nos valores de R$ 160.000,00, R$ 100.000,00 e R$ 800.000,00. A comprovação incontestável para considerar tais valores como origens de recursos no ano calendário 2007 – a efetiva transferência dos recursos para o contribuinte nas datas alegadas – não foi apresentada nesta fase contenciosa do lançamento e nem durante o procedimento fiscal, mesmo depois de várias oportunidades concedidas. Não se identifica nos autos qualquer elemento que afaste o entendimento expresso pela DRJ, de modo que o acompanho no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto. Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos mediante empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo feita somente com declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer documento hábil e idôneo que comprove a efetiva transferência dos recursos para o mutuário. No que toca ao Receita da Atividade Rural, questionada pelo recorrente: Inexiste amparo legal para aproveitar como origem de recursos a diferença de R$ 12.873,00 a título de receita da atividade rural. Esta importância corresponde à diferença entre valor declarado (R$248.373,00) e o efetivamente comprovado (R$ 235.000,00), conforme exposição constante da fl. 31 dos autos. A atividade rural está sujeita a uma tributação mais benigna. Nessa esteira, a legislação exige que a receita bruta e as respectivas despesas de custeio/investimentos sejam rigorosamente comprovadas por documentos hábeis e idôneos. No que toca a proporção de 50% de cada cônjuge, em consonância com o § 3º do artigo 7º do RIR/1999, quando se tratar de bens em comum na vigência de regime de comunhão parcial ou total de bens, deve ser elaborado um único fluxo de apuração da variação patrimonial. É necessário que metade do valor da variação patrimonial apurada seja acrescida aos rendimentos de cada cônjuge, sendo tributada separadamente em cada declaração. Nesse sentido, como a esposa do fiscalizado, à época do fato gerador, apresentou declaração em separado, a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto também foi feita em separado, na proporção de 50% para cada cônjuge, fl. 34. Não há reparos a ser realizado nessa parte do lançamento. Das Provas nos Autos Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Em linhas gerais inexiste a comprovação dos seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Do Ganho de Capital No que tange aos valores lançados a titulo de ganho de capital na alienação da Fazenda Ana Maria, a autoridade recorrida já havia exposto com clareza a matéria: O instituto de isenção na Alienação do Único Imóvel de propriedade do sujeito passivo sugerido na peça de defesa não se aplica na situação em litígio, pois o interessado possui vários imóveis, conforme declaração de bens integrante da DAA, fls. 54/62. A isenção mencionada no parágrafo anterior permite excluir da base de cálculo do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos e quarenta mil reais, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos, conforme estabelece o art. 23 da Lei nº 9.250/1995. No item 71 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal constata que as escrituras públicas de compra e venda não discriminam os valores das benfeitorias da Fazenda Ana Maria. Da mesma Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13116.722024/201129 Acórdão n.º 2202002.961 S2C2T2 Fl. 8 13 forma, nas DAA dos anoscalendário de aquisição e de alienação, fls 52 e 63, não existem benfeitorias declaradas. Os VTNs de aquisição e de alienação foram declarados pelos valores de R$ 40.000,00 e R$ 12.446,48, respectivamente, caracterizando subavaliação ou prestação de informações incorretas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, fl. 36. Em consequência, a fiscalização considerou inadequada a aplicação da regra de apuração do custo de aquisição e valor da venda pelos VTNs declarados, estampada no conteúdo do artigo 19 da Lei nº 9.393/1996. Nesse passo, a autoridade lançadora, de acordo com a legislação citada na descrição dos fatos e no Relatório Fiscal, apurou como custo de aquisição e valor da alienação os VTNs de R$ 71.736,54 e R$ 80.619,88, respectivamente, fls. 37 e 118/119. Aplicando se as reduções da base de cálculo do ganho de capital permitidas pelo artigo 18 da Lei nº 7.713/1988 e artigo 40 da Lei nº 11.196/2005, apurou se omissão de ganho de capital de R$ 7.295,91, fl. 37. A tributação foi realizada na proporção de 50% para o contribuinte e sua esposa, cuja sociedade conjugal vigia no ano calendário 2007, os quais apresentaram DAA em separado. Uma vez que não encontro reparos no arrazoado, não há como afastar essa parte do lançamento. Ante ao exposto, rejeito a preliminar e nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10950.006816/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A argüição de nulidade do procedimento tendo em vista a discussão judicial da exigibilidade das contribuições previdenciárias a que se refere o lançamento, por não ser objeto da ação judicial, se trata de matéria diferenciada sobre a qual não operam os efeitos da renúncia à via administrativa.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991.
A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou posteriormente a autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991. Todavia, não implica em nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96, não incide multa de ofício, bem como multa de mora, nos casos de suspensão da exigibilidade do crédito em razão de liminar em mandado de segurança, a contrario sensu , cabível se faz a multa quando não há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-003.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termosdo relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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MATÉRIA DIFERENCIADA. A argüição de nulidade do procedimento tendo em vista a discussão judicial da exigibilidade das contribuições previdenciárias a que se refere o lançamento, por não ser objeto da ação judicial, se trata de matéria diferenciada sobre a qual não operam os efeitos da renúncia à via administrativa. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991. A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou posteriormente a autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991. Todavia, não implica em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96, não incide multa de ofício, bem como multa de mora, nos casos de suspensão da exigibilidade do crédito em razão de liminar em mandado de segurança, a contrario sensu , cabível se faz a multa quando não há liminar suspendendo a exigibilidade do crédito. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termosdo relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 68 16 /2 00 9- 16 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD nº 37.235.3932, consolidado em 06/01/2010, em face de PONTAL DO PARANA FRIGORIFICO LTDA, no valor de R$ 190.456,65 (Cento e noventa mil, quatrocentos e cinqüenta e seis reais e sessenta e cinco centavos), referente à penalidade por omissão de Fatos Geradores de Contribuições Previdenciária da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP (AI 68), no período de 07/2007 a 11/2008. Segundo relatório fiscal, os Fatos Geradores omitidos da GFIP referemse a valores pagos na aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física, e na comparação das multas foi utilizado o critério apurandose a mais benigna ao contribuinte, conforme a legislação vigente. Tendo em vista a requisição de informações, pelo relator responsável, à Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN e à autoridade lançadora no processo principal (10950.00666/200932 AIOP no 37.260.5060), estes e todos os demais autos apensados àquele foram remetidos àqueles órgãos, retornando com as informações requeridas e a devida intimação do sujeito passivo para que se pronunciasse se assim desejasse. Desta feita, seguiuse o julgamento, e o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 AIOA 37.235.3932 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A argüição de nulidade do procedimento tendo em vista a discussão judicial da exigibilidade das contribuições previdenciárias a que se refere o lançamento, por não ser objeto da ação judicial, se trata de matéria diferenciada sobre a qual não operam os efeitos da renúncia à via administrativa de que trata o ADN COSIT n° 03/96, devendo, pois, ser analisada pela autoridade julgadora administrativa. MULTA DE OFICIO. INEXISTÊNCIA DE ILÍCITO. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10950.006816/200916 Acórdão n.º 2302003.255 S2C3T2 Fl. 3 3 Deixar de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias implica na imposição de penalidade pecuniária conforme previsto na legislação tributária. Não havendo no lançamento exigência a título de multa de mora ou de oficio, é descabida a aplicação do artigo 63 da Lei 9.430/96 ao caso. SOBRESTAMENTO ATÉ 0 RESULTADO DA AÇÃO JUDICIAL Regendose o Processo Administrativo Fiscal, dentre outros, pelo Princípio da Oficialidade, não pode haver sobrestamento dos autos sem que para tanto haja previsão normativa ou determinação judicial. ALEGAÇÕES DE MÉRITO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL, RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO A opção do contribuinte pela discussão da matéria dos autos perante o Poder Judiciário implica na renúncia à esfera administrativa do contencioso fiscal conforme definido pelo ADNCOSIT n° 03, de 14/02/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) Deve a decisão ser reformada, para decretar a nulidade do lançamento diante da opção pelo Poder judiciário para discutir a legalidade da exação relativa à contribuição previdenciária estabelecida pela Lei 8.540/92 que alteração a redação do art. 25 da Lei 8.212/91, aviltando as disposições do art.195, § 8 2. da CF/88. Ocorrendo identidade entre ambas as matérias (contidas no lançamento impugnando e no Mandado de Segurança) o lançamento é nitidamente nulo, não havendo se falar em definitividade da exigência; b) Indevida se apresenta a exigência de multa de ofício no presente caso, já que não ocorreu ato volitivo típico de sanção. Enquanto não esgotada a discussão pela via judicial, a ausência de recolhimento não incorre em mora. c) Não se pode exigir Contribuição Previdenciária sobre as aquisições feitas pela recorrente junto aos seus fornecedores, produtores rurais pessoas físicas, tomando como base de cálculo o resultado ou receita bruta proveniente da comercialização da produção agrícola, quando estes exercem atividade empregadora, haja vista trataremse de contribuintes cuja hipótese de incidência tributária subvenciona à folha de salários. Sem contrarrazões. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da Nulidade do Lançamento. Alega o contribuinte a nulidade do lançamento diante da opção pelo Poder judiciário para discutir a legalidade da exação relativa à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto de aquisição da produção rural de Produtor Rural Pessoa Física. Tal alegação não merece êxito, vejase: Primeiramente, importa consignar que a renúncia à esfera administrativa não implica em nulidade do lançamento, como pretende a Empresa. No entendimento do recurso, o simples fato de ingressar em juízo para discutir a legalidade ou a inconstitucionalidade da exação previdenciária operaria sua total renúncia à esfera administrativa e, com isso, estaria o Fisco impedido até mesmo de constituir o eventual crédito decorrente da matéria levada à discussão judicial. Esse entendimento é de todo equivocado e não encontra respaldo algum seja na doutrina, seja na jurisprudência trazida em sede recursal. A propositura de ação de mesmo objeto em sede judicial apenas afasta desta Corte a decisão, tendo em vista que sobrepondose decisões judiciais às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, inócuo se faz um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. De outra parte, ressaltase que não há coincidência entre as matérias aventadas nestes autos e nos Autos da Ação Judicial referida pelo contribuinte. O objeto do presente lançamento é a aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória autônoma, penalidade esta decorrente da não exibição à Fiscalização previdenciária de documentos regularmente requisitados em Termo de Intimação para a Apresentação de DocumentosTIAD. Já o objeto da Ação Judicial, por sua vez, é a discussão da legalidade e da constitucionalidade da obrigação principal. Desta feita, resta evidente que seu objeto não coincide com o da presente exigência, pelo que não se há de falar em renúncia ao contencioso administrativo no presente caso. O que há, sim, é ausência de impugnação quanto à não apresentação da documentação requisitada, mas isso tratarseá a seguir. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10950.006816/200916 Acórdão n.º 2302003.255 S2C3T2 Fl. 4 5 Preclusão sobre matérias não impugnadas A penalidade decorrente do Auto de Infração recorrido foi aplicada em conseqüência da omissão, na GFIP, de informações referentes a fatos geradores de contribuição previdenciária. Da leitura das razões recursais em apreço, verificase que a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento nega que deixou de informar os dados especificados no Relatório Fiscal. Ou seja, apresentou uma defesa genérica, baseada na nulidade do Lançamento, bem como da renúncia ao procedimento administrativo posto a propositura de Mandado de Segurança. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da aplicação de penalidade benéfica De início, é preciso deixar claro que não há no presente processo lançamento de multa de ofício e tampouco de multa de mora, afinal estes autos se tratam de Auto de Infração de Obrigação Acessória — AIOA, onde se exige uma penalidade pecuniária do contribuinte pela constatação de descumprimento de uma obrigação acessória, no caso a falta Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 6 de declaração em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Assim, de pronto já se pode afirmar que não se aplica ao caso a disposição do artigo 63 da Lei 9.430/96. Em que pese, como dito anteriormente, não tenha sido impugnada a matéria, por ser matéria de ordem pública, necessário se apresenta discorrer sobre a aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte. No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10950.006816/200916 Acórdão n.º 2302003.255 S2C3T2 Fl. 5 7 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 8 previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo integralmente o lançamento. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10660.001184/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento.
DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No presente caso, a Fiscalização procedeu a intimação de todos os titulares.
IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação idônea, prova a origem dos recursos depositados em suas contas bancária. No presente caso, o Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos valores que transitaram em suas contas correntes.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS CAPAZES DE COMPROVAR AS ALEGAÇÕES.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
Numero da decisão: 2101-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No presente caso, a Fiscalização procedeu a intimação de todos os titulares. IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação idônea, prova a origem dos recursos depositados em suas contas bancária. No presente caso, o Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos valores que transitaram em suas contas correntes. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS CAPAZES DE COMPROVAR AS ALEGAÇÕES. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 11 84 /2 00 9- 51 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relatório Em 2009 foi lavrado o Auto de Infração de efls. 03/10 para a exigência de IRPF acrescido de juros e multa de ofício por omissão em depósitos bancários. Após o procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Recorrente, a fiscalização entendeu que haveria (i) omissão de rendimentos de atividade rural, e (ii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada realizados durante os anos de 2004, 2005 e 2006 (Termo de Verificação Fiscal, e fls. 18/26). Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou a Impugnação de efls. 168/178, alegando, em síntese (i) o mero depósito bancário não configura renda; (ii) Argumenta ser nulo o lançamento por não constar intimação para o Sr. Luiz Gonzaga Ribeiro, cônjuge e cotitular da conta conjunta mantida com a Recorrente no Unibanco S.A., e (iii) que a única atividade por ele exercida é a rural, sendo todos os seus rendimentos provenientes do comércio de frutas. Ao analisar a Impugnação, a DRJ de Juiz de Fora julgou o lançamento procedente (acórdão de efls 185/200): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. MOTIVOS. Tendo o Auto de Infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10660.001184/200951 Acórdão n.º 2101002.737 S2C1T1 Fl. 225 3 necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA MANTIDA EM CONJUNTO. INTIMAÇÃO. TRIBUTAÇÃO PROPORCIONAL. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados. Assim, o total dos créditos/depósitos, cuja origem ainda restar não comprovada, deve ser dividido pela quantidade de titulares. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA 182 DO TFR. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não é parâmetro para decisões proferidas relativas a lançamentos fundamentados na Lei n° 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE. Tributase como atividade rural apenas a parcela dos depósitos bancários para a qual restar demonstrado nos autos que, de fato, teve origem na referida atividade. Por outro lado, tendo em vista a não apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem que a outra parcela da omissão de receita foi proveniente da atividade rural, não há como efetuar a tributação com base nas regras próprias desta atividade. ATIVIDADE RURAL. FORMAS DE APURAÇÃO. O resultado da atividade rural pode ser apurado de duas maneiras distintas, isto é, podese fazer o confronto receita Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 versus despesas, apurandose de fato um lucro (ou prejuízo) ou simplesmente calcular um lucro presumido a ser tributado (sem possibilidade de apuração de prejuízo), aplicandose sobre a receita bruta o percentual de 20%. Sendo assim, não há que se falar em utilizar uma metodologia após a outra; na realidade, existe a opção entre uma ou outra. ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. A falta de apresentação das declarações de rendimentos a que se achava obrigado o contribuinte ou sua apresentação, sob procedimento fiscal, totalmente zerada, implica no arbitramento do rendimento tributável à vista dos elementos de que dispuser a Fiscalização. Não há como se apurar o resultado da atividade rural pelo confronto receita versus despesas, quando o contribuinte sequer apresenta elementos para tanto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efls. 185/200) Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 204/219), alegando, em síntese, os mesmos argumentos já expendidos na impugnação, sem nada acrescentar. É o relatório. Voto Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. NULIDADE DO LANÇAMENTO Inicialmente, em relação à nulidade do lançamento tributário em virtude da aplicação súmula 182 do TFR. A súmula 182 do extinto TFR, com edição anterior ao ano de 1988, não pode ser utilizada para embasar a nulidade do lançamento tributário, tendo em vista que, os lançamentos são posteriores ao ano de 1996 devem ser fundamentados conforme a Lei nº 9.430/1996 a qual possibilita a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Na questão da inobservância do preceito do art. 43 do CTN, alegada pela Recorrente, cabe ressaltar que o disposto no referido dispositivo legal não foi infringido, uma vez que a Lei nº 9.430/1996 não institui uma nova hipótese de incidência do imposto de renda, o que ofenderia o princípio da legalidade, mas Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10660.001184/200951 Acórdão n.º 2101002.737 S2C1T1 Fl. 226 5 sim, autoriza a presunção de que recursos depositados fossem versados como rendimentos da contribuinte. Além disso, no caso concreto, entendo que o procedimento de fiscalização seguiu todas as normas pertinentes e que o lançamento foi feito de maneira válida, tendo sido corretamente individualizados os depósitos bancários, excluídos os cheques devolvidos, etc, conforme citado no Termo de Verificação Fiscal: "Conforme análise dos extratos bancários das contas mantidas pelo contribuinte (Anexo I), há créditos significativos de origem não comprovada. Com base nesses créditos foram elaboradas e encaminhadas ao contribuinte, por meio de Termos de Início (fls. 94 a 95), Reintimação (fls. 107 a 109) Constatação (fls. 108 a 110 e 111 a 113), planilhas mencionando os valores a serem comprovados e/ou justificados individualmente. Registrese que, por economia processual, tais planilhas foram anexadas ao presente processo fiscal uma única vez às fls. 30 a 35, 37 a 42 e 44 a 55. Referidas planilhas consolidam, mês a mês, os créditos/depósitos movimentados nas referidas contas bancárias e excluem os valores referentes a receitas da atividade rural e as devoluções de valores depositados. Também foram excluídos dos créditos não comprovados as rubricas referentes a transferências de uma conta para depósito em outra, estornos, cheques devolvidos, cheques sem fundos, empréstimos bancários, resgates de aplicações e créditos correspondentes a débitos de igual valor até 7 dias antes da operação entre as contas correntes e poupanças nas referidas instituições financeiras." Assim, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. A Recorrente argumenta que o lançamento é nulo, em virtude de supostamente não ter havido a intimação para o Sr. Luiz Gonzaga Ribeiro, cônjuge e cotitular da conta conjunta 1047052, agência 409 do Banco Unibanco S.A.; No inteiro teor dos autos, verificase que o lançamento tributário diz respeito às seguintes contas bancárias da Recorrente: BANCO BRADESCO S.A – Agência 1497; Conta 10543. BANCO DO BRASIL S.A. – Agência 03689; Conta 1.1754. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 BANCO MERCANTIL DO BRASIL S.A – Agência 0153; Conta 0153. BANCO UNIBANCO – Agência 409; Conta 1047052. Em relação ao questionamento da falta de intimação do cotitular da conta 1047052 do Unibanco, cabe destacar nos autos a seguinte afirmação da Recorrente: "Os recursos depositados na conta 1047052, Banco Unibanco, Agência 409 (conta conjunta com meu esposo LUIZ GONZAGA RIBEIRO, produtor rural, CPF 859.652.78691) referentes a 2004; 2005 e 2006 são originados da atividade de produtor rural, conforme Notas de Produtor Rural de 2004 a 2006 em anexo" (efl. 116) Além disso, No Termo de Verificação Fiscal está expresso que "através do Termo de Inicio (fls. 94), também foi dado ao contribuinte ciência dos atos praticados relativamente ao MPF nº 06.1.06.002008007448, uma vez que a mesma foi identificada como titular da conta 1047052 do Unibanco S.A." O referido MPF autorizava a ação fiscal junto ao Sr. Luiz Gonzaga Ribeiro, cônjuge da autuada. Referida ação teve como foco o questionamento dos valores creditados/depositados na conta conjunta mantida pela contribuinte e seu cônjuge no Unibanco S.A. Fica evidente, então, que não apenas foi feita a intimação do cônjuge, como também havia ação fiscal (Termo de Inicio do Procedimento Fiscal enviado ao Sr. Luiz Gonzaga Ribeiro efls. 183/184). Como ocorreu a intimação de todos os titulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos, fica descaracterizado o vício no lançamento. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, uma vez que restou comprovada a ciência do Sr. Luiz Gonzaga Ribeiro, cônjuge e cotitular da conta conjunta mantida com a Recorrente no Unibanco S.A.; ATIVIDADE RURAL Durante o procedimento de fiscalização, a Recorrente comprovou que exercia atividade rural nos anos de 2004 a 2006. Assim, analisando a documentação apresentada, a Fiscalização entendeu que as provas apresentadas eram suficientes para comprovar a origem de parte dos depósitos bancários, posto que o montante acobertado pelos documentos era inferior ao somatório dos depósitos durante os períodos fiscalizados, submeteu esses valores às normas de tributação específica (atividade rural) e, portanto, estes não compuseram a base de cálculo da infração sob o título de "Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada". "Comprovado que alguns valores são recursos da atividade rural e sendo 20% do valor da Receita Bruta a opção mais favorável ao contribuinte em relação à diferença entre receita e despesa, foi levado Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10660.001184/200951 Acórdão n.º 2101002.737 S2C1T1 Fl. 227 7 para o Auto de Infração, como omissão de receita da atividade rural, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 29, 36 e 43." (Termo de Verificação Fiscal de efls. 18/26) Com relação ao método utilizado na apuração do imposto decorrente da omissão de receitas da atividade rural, a Recorrente alega que "...o fisco acionou diretamente o art. 5° da Lei 8.023/90..., sem primeiro, observar a determinação do art. 4° da lei 8.023/90, sem efetuar as deduções do art. 7° e sem aplicar as alíquotas corretas previstas no art. 10°." Ora, o Decreto 3000/99 nos seus artigos 57 a 71 traz a consolidação dos dispositivos que, à época dos fatos geradores (anoscalendário 2004 a 2006), disciplinavam a tributação do imposto de renda da atividade rural. Da leitura dos dispositivos citados, concluímos que o resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, desde que a contribuinte comprove "a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização". O art. 61, § 5°, dispõe que "a receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais". Além disso, segundo o art. 71, à opção da contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do anocalendário. No entanto, essa opção não dispensa a contribuinte da comprovação das receitas e das despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado, conforme o § 1° desse mesmo artigo, conforme corretamente decidido pela decisão de 1a Instância. Assim, mesmo que a legislação estadual dispense o produtor rural de emitir notas fiscais para o trânsito de "fruta fresca nacional" dentro do Estado de Minas Gerais, a legislação do imposto de renda é clara no sentido de que tanto as receitas quanto as despesas vinculadas à atividade rural devem ser comprovadas mediante documentação idônea, o que não foi feito no presente caso. Do exposto, percebese, também, que o resultado da atividade rural pode ser apurado de duas maneiras distintas, isto é, podese fazer o confronto receita versus despesas, apurandose de fato um lucro (ou prejuízo) ou simplesmente calcular um lucro presumido a ser tributado (sem possibilidade de apuração de prejuízo), aplicandose sobre a receita bruta o percentual de 20% (arbitramento). Sendo assim, descabida a pretensão da contribuinte de utilizar uma metodologia após a outra; na realidade, existe a opção entre uma ou outra. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Dessa forma, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, quando o produtor rural apurar resultado positivo, o mesmo integrará a base de cálculo do seu IRPF sujeitandose à tabela progressiva (alíquotas entre 15% e 27,5%) e não alíquotas de 10% e 25%. Compulsando os autos, percebemos que a Recorrente nunca declarou as despesas de custeio ou investimentos vinculados à atividade rural. Assim, correto o arbitramento realizado pela Fiscalização ao apurar o resultado da atividade rural como sendo 20% da receita bruta para cada ano calendário fiscalizado. É de ressaltar o esmero da Fiscalização ao pesquisar com bastante cuidado o mercado dos produtos produzidos pela Recorrente, bem como a capacidade de produção do imóvel: "Em estatística descritiva, a moda é o valor que detém o maior número de ocorrências, ou seja, o valor ou valores mais freqüentes. Assim, a mesma conta com o preço de R$ 1,00 por caixa (preço encontrado em 87% das notas fiscais) a produção necessária para gerar os também já citados recursos corresponderia a 2.190.049 quilos de morango. Segundo informações retiradas do site da Embrapa Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Estado de Minas Gerais, a produtividade média do morango em t/ha (toneladas por hectare) é 25,2, durante o ciclo da cultura, citando Pouso Alegre e Estiva como os maiores produtores do extremo sul do estado (Vide folhas 134 a 139). Relevante acrescentar que a Embrapa Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária que está vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi criada em 26/04/1973, com a missão de viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, atuando por intermédio de Unidades de Pesquisa e de Serviços e de Unidades Administrativas, em quase todos os Estados da Federação, estando sob a sua coordenação o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária SNPA, constituído por instituições públicas federais, estaduais, universidades, empresas privadas e fundações, que, de forma cooperada, executam pesquisas nas diferentes áreas geográficas e campos do conhecimento cientifico, gerando tecnologias que mudaram a agricultura brasileira. A contribuinte é possuidora de um pequeno imóvel rural e apresentou somente um Contrato de Arrendamento de 2,42 ha. Além disso, foram encaminhados, pelas instituições bancárias, dois Fl. 427DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10660.001184/200951 Acórdão n.º 2101002.737 S2C1T1 Fl. 228 9 contratos de financiamentos bancários junto ao Banco do Brasil (fls. 118 a 128). Observese que, se considerado o somatório das Notas Fiscais de Produtor Rural apresentadas pela contribuinte e cônjuge, a área comprovada para o seu exercício profissional já estaria sendo utilizada muito acima de sua capacidade de produção, perfazendo um total, nos três anos analisados de aproximadamente 91.500 caixas representado 109.800 quilos, em 2004 (vide Declaração de Produtor Rural fls. 135 a 137); 215.700 caixas e 258.840 quilos; e 96.100 caixas e 115.320 quilos de morangos produzidos. Acrescente se que não estão computadas as NFPR relativas aos demais produtos, tais como, pimentão, maxixe, jiló, etc. Levandose em conta os avanços tecnológicos e uma possível defasagem nos dados coletados no site da Embrapa, a fiscalização houve por bem aceitar a utilização da área conforme apresentada pelos contribuintes. Porém, não há como aceitar, numa área tão pequena, o acréscimo produtivo representado pelos depósitos de origem não comprovada na conta corrente dos contribuintes (+ 2.190 toneladas). Pelo exposto, entendo que não merecer reparo a decisão da DRJ que julgou improcedente a Impugnação da Recorrente em relação à parte relacionada à atividade rural. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Em relação às alegação de que o simples depósito/crédito bancário não caracteriza obtenção de rendimentos e a totalidade da movimentação bancária era decorrente de receitas de Atividade Rural, entendo que não assiste razão à Recorrente. O caput do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 determinar que “Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” O referido dispositivo legal instituiu uma presunção legal relativa que “dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” (Súmula CARF nº 26). Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Entretanto, dado o caráter relativo, a presunção poderia facilmente ser desconstituída caso a Recorrente comprovasse que os montantes depositados não podem ser caracterizados como renda auferida ou que seriam decorrentes da atividade rural. Ora, a Recorrente poderia ter apresentado todas as provas que considerasse necessárias à sua defesa no momento da apresentação da sua impugnação e, até mesmo, em fase de recurso voluntário, na hipótese de ter conseguido a documentação hábil nesse momento da sua defesa. Apesar do esforço argumentativo desenvolvido pela Recorrente, as afirmações não vieram acompanhadas de provas hábeis. No decorrer do procedimento de fiscalização a autuada limitouse a que a sua única atividade seria a de produtor rural. Entretanto, conforme destacado no tópico anterior, a Fiscalização arbitrou corretamente o que poderia ser decorrente da atividade rural. O restante dos depósitos não restou comprovado. Caso a Recorrente tivesse comprovado através de documentação idônea que os valores depositados em suas contas bancária eram relativos à sua atividade rural, não restariam dúvidas de que o lançamento tributário deveria ser anulado. Assim, devem ser rechaçadas as afirmações genéricas feitas pela Recorrente de que os valores depositados em suas contas bancárias representam renda receitas de Atividade Rural, uma vez que não foi apresentada documentação hábil a comprovar as alegações. Por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É o meu voto. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 429DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/03/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15374.914593/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, ALEXANDRE KERN, JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 346 1 345 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.914593/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.571 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria COFINS Recorrente BUREAU VERITAS DO BRASIL SOCIEDADE CLASSIFICADORA E CERTIFICADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 45 93 /2 00 9- 69 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, ALEXANDRE KERN, JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914593/200969 Acórdão n.º 3402002.571 S3C4T2 Fl. 347 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de IRPJ, com crédito decorrente de pagamento considerado a maior, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 05/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da Perd/Comp juntada aos autos (fls. 04/08). A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 11), pela não homologação da compensação efetuada, pela inexistência do direito creditório pleiteado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A contribuinte tomou ciência do despacho em 03/04/2009, conforme se verifica no AR de fl. 10 e apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 13/16) em face ao referido despacho. Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição para o COFINS, no montante de R$130.611,36, está incorreto; sendo que o valor correto do débito corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$122.516,46. Ressalta que o crédito original informado no PER/DCOMP (fls. 04/08), no valor de R$6.814,53 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado. Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1331.775 (fls. 128 a 130), de 14/10/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado.. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 349DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Para a DRJ, a Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 05 de 2002, se o confessado na DCTF ou aquele informado em DIPJ. Para o órgão julgador, a Contribuinte deveria ter trazido documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o que ocorreu, para a DRJ, foi uma alegação não comprovada, por parte da Contribuinte, pelo que votouse no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo se integralmente o despacho decisório recorrido, conservando exigível a cobrança do débito não compensado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, a contribuinte apresentou tempestivamente o recurso de fls. 135 a 140. A recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Apresentou, ainda, Livro de Balancetes Retificadores (doc. 06) onde, segundo a recorrente, resta clara a existência de um crédito em seu favor no montante de R$6.814,53. Ao fim requer o recebimento do recurso voluntário e seu regular processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral do crédito de COFINS informado, homologando a compensação objeto do recurso. DA DILIGÊNCIA DO CARF Em 01/09/2011, às fls. 162 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acordou por converter o julgamento em diligência, sustentando que os balancetes retificadores apresentados não contêm a comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário. Ao final requereu as seguintes providências: 1 – Intime o contribuinte a apresentar a cópia dos Livros de Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, especificamente quanto ao período objeto deste processo administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de encerramento; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914593/200969 Acórdão n.º 3402002.571 S3C4T2 Fl. 348 5 2 – Intime o contribuinte a apresentar cópia fiel e autenticada pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao período objeto deste processo administrativo, contendo os lançamentos que compõem os Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, como também os próprios Balancetes, nos termos da legislação pertinentes aos livros societários, que contenha ainda os Termos de Início e Encerramento respectivos; 3 – Que a Repartição de Origem certifique que as cópias acostadas correspondam ao que contam dos originais contidos no Livro Diário e respectivos Balancetes. 4 – Finalmente, que a Repartição de Origem se manifeste, através de relatório circunstanciado, se o crédito apontado na DIPJ do contribuinte está em consonância com os dados contidos no Livro Diário e Livro de Balancetes, referente ao período objeto deste processo administrativo, certificando a existência ou não de pagamento indevido ou a maior pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Intimado às fls. 169, na data de 29/10/2013, às fls. 179 (n.e.), o contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF. Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente. Intimada às fls. 335, não houve manifestação da contribuinte sobre o resultado da diligência. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 339 (trezentos e trinta e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto João Carlos Cassuli Junior – Relator Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados a seguir colacionados: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302002.979 em 18.02.2004) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914593/200969 Acórdão n.º 3402002.571 S3C4T2 Fl. 349 7 Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / ACÓRDÃO 2302002.424 em 02.05.2013) Ante o exposto, votase pelo não reconhecimento do recurso. .É como voto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 12466.004285/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 05/04/2005 a 07/03/2006
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA.
Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas transações, tem-se por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Cabível, pois, a pena de perdimento ou posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada.
OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
PROVAS. RELEVÂNCIA. DIREITO A SER EXERCIDO PELAS PARTES.
A prova consiste em um dos elementos mais importantes do processo. A aplicação do direito ao caso concreto para a solução do litígio será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos.
O evento (ocorrido no mundo fenomênico) deve ser relatado em linguagem jurídica competente e demonstrado através das provas, que devem ser submetidas à refutação em atendimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Cabe às partes em litígio - Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam, de modo a esclarecer o julgador, proporcionando-lhe o conhecimento dos mesmos.
O julgador, então, a partir da discussão racional no processo (alegação/refutação; provas/contraprovas), aprecia e valora as provas existentes nos autos, formando o juízo de probabilidade da ocorrência dos fatos, para ao fim decidir o litígio com base em sua livre convicção motivada.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.480
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 05/04/2005 a 07/03/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas transações, tem-se por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Cabível, pois, a pena de perdimento ou posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. PROVAS. RELEVÂNCIA. DIREITO A SER EXERCIDO PELAS PARTES. A prova consiste em um dos elementos mais importantes do processo. A aplicação do direito ao caso concreto para a solução do litígio será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos. O evento (ocorrido no mundo fenomênico) deve ser relatado em linguagem jurídica competente e demonstrado através das provas, que devem ser submetidas à refutação em atendimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Cabe às partes em litígio - Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam, de modo a esclarecer o julgador, proporcionando-lhe o conhecimento dos mesmos. O julgador, então, a partir da discussão racional no processo (alegação/refutação; provas/contraprovas), aprecia e valora as provas existentes nos autos, formando o juízo de probabilidade da ocorrência dos fatos, para ao fim decidir o litígio com base em sua livre convicção motivada. Recurso voluntário negado
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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. Recorrente K2 LOGÍSTICA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (importador) e CLEAMAX COMÉRCIO REPRESENTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA (responsável solidário) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 05/04/2005 a 07/03/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas transações, temse por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Cabível, pois, a pena de perdimento ou posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. PROVAS. RELEVÂNCIA. DIREITO A SER EXERCIDO PELAS PARTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 42 85 /2 00 8- 25 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 A prova consiste em um dos elementos mais importantes do processo. A aplicação do direito ao caso concreto para a solução do litígio será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos. O evento (ocorrido no mundo fenomênico) deve ser relatado em linguagem jurídica competente e demonstrado através das provas, que devem ser submetidas à refutação em atendimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Cabe às partes em litígio Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam, de modo a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. O julgador, então, a partir da discussão racional no processo (alegação/refutação; provas/contraprovas), aprecia e valora as provas existentes nos autos, formando o juízo de probabilidade da ocorrência dos fatos, para ao fim decidir o litígio com base em sua livre convicção motivada. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração lavrado em 17/11/2008 e regulamente cientificado em 03/12/2008 (efls. 04/ss), para a cobrança da multa de conversão do perdimento no montante de R$ 125.148,38. A fiscalização informou no auto de infração os seguintes sujeitos passivos: (i) a empresa "K2 Logística , Importação e Exportação Ltda", como contribuinte; (ii) a empresa "Cleamax — Comércio Representação e Distribuição Ltda" e "Márcio Campos Gonçalves", como responsáveis solidários. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.004285/200825 Acórdão n.º 3202001.480 S3C2T2 Fl. 493 3 Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da decisão recorrida: Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 125.148,38 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decreto n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que este derivou de fiscalização iniciada em razão do seguinte fato: Ao se analisar solicitação da interessada para devolução de mercadorias ao exterior, surgiram indícios de irregularidades que findaram com a pena de perdimento daquelas mercadorias. No curso da verificação física das mercadorias, se constatou que as embalagens traziam informações que denotavam serem diversos os vendedores estrangeiros e que os compradores eram empresas, também estrangeiras, que prestavam serviços equivalentes aos de empresas de carrier. Em verdade, se concluiu que os reais compradores eram nacionais que adquiriram mercadorias nos EUA, em viagens ou por meio da internet, e que as encaminharam a essas empresas, que coordenam todos os procedimentos de importação, simulando uma exportação para o País, fornecendo documentos e coordenando o transporte, nacionalização, distribuição dessas mercadorias, que são encaminhadas diretamente à residência dos reais adquirentes das mercadorias. Por essas razões a solicitação de devolução das mercadorias ao exterior foi indeferida, pois se caracterizou a simulação da operação, com o objetivo de ocultar os reais compradores, configurando a interposição fraudulenta, além de utilização de documentos ideológica e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas. Foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias e a interessada foi incluída no procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF n° 228/2002. No decorrer do procedimento especial de fiscalização se constatou que: A interessada é empresa que opera no Sistema Fundap — Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias, que concede a empresas importadoras sediadas no Estado do Espírito Santo benefícios financeiros, tais como, diferimento do pagamento do ICMS devido nas importações, que retorna às mesmas empresas na forma de financiamentos de longo prazo e cujos contratos podem ser quitados com o pagamento de apenas 10% em leilões do Bandes — Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo. A habilitação provisória para operação no Siscomex foi concedida com base na informação de que o capital integralizado era de R$ 50.000,00 e a estimativa de operações de importação era de US$ 400.000,00 por semestre ou US$ 800.000,00 ao ano. No período compreendido entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006 a interessada promoveu importações "por conta própria" na ordem de R$ 14.191.726,00, valor CIF. A interessada não detinha capacidade econômicofinanceira para realizar importações por conta própria no montante declarado e, portanto, houve simulação Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 com o objetivo de encobrir irregularidades, tais como subfaturamento, ocultação de reais adquirentes das mercadorias importadas e interposição fraudulenta de terceiros. A empresa apresentou um Patrimônio Líquido de R$ 201.067,53 (2006) e efetuou nos anos de 2004 a 2006 gastos com importações por conta própria num valor total de R$ 21.552.753,00, incluídos os pagamentos dos tributos internos (conforme quadro de fls. 21). A integralização do capital social foi comprovada parcialmente, sendo que o aumento do capital para R$ 200.000,00 com aproveitamento de reservas foi realizado sem esclarecer a origem das reservas. Está omissa em relação à entrega da declaração de IRPJ do ano de 2007, anobase 2006. As intimações tiveram respostas parciais depois de várias prorrogações, ou não foram respondidas. Análise dos documentos demonstram que a interessada é interposta pessoa, agindo no interesse da empresa All Trade Logistics Corp, registrada como exportadora em diversas importações. Essa empresa tem como sócio Marcio Campos Gonçalves e Darcio Campos Gonçalves "e não atua no comércio de mercadorias, nunca exportou qualquer tipo de bens, o comércio e exportação não são seus objetivos sociais, é unicamente uma prestadora de serviços no transporte internacional de cargas, esse entendimento é ratificado em sua página na internet, conforme indica é uma prestadora de serviços em logística e facilitadora de negócios nos EUA." Essa empresa esteve envolvida nas investigações intituladas como operações Narciso e Dilúvio, acusada de importações subfaturadas. A All Trade Logistics não é, como quer fazer crer, o exportador das mercadorias em trato, e sim, mero prestador de serviços agindo como facilitador para compras nos EUA. Intimada, a empresa "Cleamax — Comércio Representação e Distribuição Ltda" informou que as notas fiscais se referiam a suas importações e que os valores pagos à K2 Logística eram destinados ao fechamento de câmbio das importações. Foi realizada a revisão aduaneira das Declarações de Importação listadas às fls. 33. Da análise dos documentos se concluiu se tratar de operações por conta e ordem de terceiros, com interposição fraudulenta, e simulação de preço/valor declarado, através de apresentação de faturas comerciais que não refletem a verdadeira transação comercial realizada, ou seja, ideologicamente falsas. A simulação, com ocultação do real sujeito passivo mediante interposição fraudulenta foi comprovada por meio da análise das contas bancárias e documentos da interessada. Foram localizados "depósitos em valores e datas compatíveis com os encargos da importação, com características inequívocas de antecipação de valores para cobrir os custos da importação, visto que o depositante é, em tese, o real interessado e responsável pela operação. A All Trade Logistics se utilizava da K2 Logística, para efetuar a operação, simulando que as mercadorias pertenciam a K2 Logística, e que seriam posteriormente revendidas à "Cleamax — Comércio Representação e Distribuição Ltda". Toda essa operação era orquestrada pela All Trade, na figura de seu sócio, o Sr. Marcio Campos Gonçalves. A análise das notas fiscais de entrada e saída revelaram que tinham datas de emissão coincidentes ou muito próximas umas das outras, assim como os valores que, em alguns casos, os de saída não cobriam os custos primários das importações (valor aduaneiro mais tributos). Também revela a fraude, o fato de a totalidade das mercadorias amparadas pelas Declarações de Importação analisadas serem Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.004285/200825 Acórdão n.º 3202001.480 S3C2T2 Fl. 494 5 imediatamente faturadas à Cleamax e depósitos não identificados na conta da K2 Logística, em datas próximas às de cumprimento das obrigações financeiras das importações, demonstram que os recursos provinham da Cleamax, real importadora. A própria Clemax declarou que os depósitos que realizou eram para fins de fechamento de câmbio das importações. A K2, em nenhum momento informou possuir ou ter alugado depósito para as mercadorias importadas. Não havia identificação contábil dos clientes, apenas contas genéricas de "clientes diversos" no Ativo e Passivo. A fiscalizada não atendeu à intimação de detalhar as contas de clientes. "Pelo que se apresenta a operação de importação de mercadorias em questão, de nacionalização de mercadorias adquiridas nos EUA, por brasileiros, em viagens ou através da internet, ou anteriormente encomendadas para a All Trade, pois como já demonstramos anteriormente, essa empresa oferece esse serviços no seu site na internet. Esse tipo de comércio vem se alastrando devido à rápida evolução tecnológica desse tipo de equipamento, e aos preços praticados nesse país. Conhecedores da evolução do consumo desses equipamentos, empresas oferecem, tanto nos EUA, como no Brasil o serviço típico de carrier, já bastante divulgada na internet, essas empresas coordenam todos os procedimentos, chegam inclusive a fornecer um endereço em Miami/EUA, para que a compra seja feita sem maiores embaraços. Quando recebem essas mercadorias, essas empresas simulam uma exportação, fornecendo documentos e coordenando todo o transporte, nacionalização e distribuição dessas mercadorias, que são encaminhadas diretamente à residência dos reais adquirentes das mercadorias." A ocultação dos reais importadores impediu a caracterização dos ocultos como importadores equiparados a industrial e, por conseguinte, como contribuintes do IPI. Caracterizouse a interposição fraudulenta de terceiros. A simulação nas operações de importação, com ocultação dos reais adquirentes mediante interposição fraudulenta, determinou a caracterização de uso de documento com falsidade ideológica nas Declarações de Importação autuadas. Essa infração também é punida com a pena de perdimento das mercadorias importadas. Concluiu a fiscalização pela caracterização do disposto no inciso VI do artigo 105 do Decretolei n° 37/1966 e no inciso V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, infrações penalizadas com a pena de perdimento das mercadorias. Considerando a impossibilidade de apreensão das mercadorias, foi proposta, por meio do auto de infração do presente processo, a conversão da penalidade em multa correspondente a seu valor aduaneiro, nos termos do parágrafo 3° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Constam como "Contribuinte" a empresa "K2 Logística , Importação e Exportação Ltda" e como "Responsável Solidário" a empresa "Cleamax — Comércio Representação e Distribuição Ltda" e "Márcio Campos Gonçalves". Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Foi lavrada representação fiscal para fins penais em função da fraude verificada. As interessadas foram cientificadas por via pessoal (ciência da contribuinte às fls. 02) e por via postal (AR às fls. 658v e 660v). A contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de folhas 662 a 696, com os documentos de folhas 697 a 799, 802 a 999, 1002 a 1180, anexados. A impugnante relata que se tratam de 9 (nove) Autos de Infração nos quais figura como contribuinte responsável e são elencadas outras pessoas jurídicas e físicas na condição de contribuinte solidários. Todos referidos autos de infração iniciam com a narrativa de importação distinta das importações autuadas, na qual solicitou a devolução das mercadorias para o exterior. O pedido foi indeferido e foi aplicada a pena de perdimento daquelas mercadorias. As suposição e presunções adotados naquele processo foram generalizadas para todas as importações do impugnante que tinham como exportador a empresa All Trade, conforme se observa pela descrição dos fatos dos autos de infração. Apesar de se tratar de outro processo, pelo fato de ter sido utilizado como paradigma, contesta as conclusões a que a fiscalização chegou no processo que fez referência. Relativamente ao presente processo, contesta as afirmações da fiscalização de que trabalha "mediante o pagamento conforme o peso e tamanho da encomenda" e que "os serviços envolveriam a entrega de produtos diretamente no estabelecimento e/ou residência dos "viajantes" ou "internautas". Discorda da generalização realizada de que o fato de o exportador All Trade Logistic Corp e seu sócio Márcio Campos Gonçalves terem praticado operações ilícitas investigadas nas operações Narciso e Dilúvio, impliquem em ser participe do mesmo ilícito. Informa que não possui qualquer envolvimento com aquelas operações de comércio exterior e que não pode ser punida em função de relações comerciais que não representam mais do que 8% do total de suas importações. Contesta a forma com que a fiscalização iniciou os autos de infração, narrando um único caso em que foi penalizada com a pena de perdimento, ainda que tenha requerido de boafé a devolução ao exterior das mercadorias, para tentar fazer crer o julgador de que se o contribuinte praticou um ilícito em uma oportunidade, certamente o fez em todas as demais. Aponta contradições na tese defendida pela fiscalização que não informa quais seriam realmente as interpostas pessoas, se lojas de departamentos nos EUA, "viajantes" ou "internautas", ou a exportadora Ali Trade Logistics. Argumenta que, no período fiscalizado, as operações desse exportador representam apenas 8% de suas operações e que o leque de seus clientes abrange mais de 100 empresas no período. Alega que, ao que sabe, a empresa All Trade existe de fato e de direito nos EUA, operando regularmente perante as autoridades daquele país, exportando mercadorias que adquire, principalmente no mercado norteamericano. Argumenta que bastaria solicitar informações oficiais às autoridades daquele país ao invés de realizar meras consultas na internet. Defende, assim, a total ausência de provas em relação às suposições e ilações da autoridade fiscal, que tem o ônus da prova. Alega ausência de relação entre o processo relativo à pena de perdimento, as operações Dilúvio e Narciso, e as declarações de importação referidas no auto de infração em trato. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.004285/200825 Acórdão n.º 3202001.480 S3C2T2 Fl. 495 7 Discorda da autuação embasada na ausência de sua capacidade financeira, primeiro porque não foi comprovada e, segundo porque estabelecida em razão de relação entre o capital social e o volume de importações em três anos analisados, parâmetro não previsto legalmente. Argumenta que o volume total de importações no período, de acordo com a fiscalização, foi de R$ 14.191.726,00 e foram autuadas 100% do valor das mercadorias em pauta, em um montante de R$ 2.033.160,39. Defende, assim, que o fato de não ter sido autuada a totalidade das importações, torna regular o saldo importado. Dessa forma, a capacidade financeira da empresa deveria ter sido analisada em relação apenas às importações autuadas e não sobre o total de importações. Alega irregularidade na aplicação da multa pelo fato de não se ter buscada a localização das mercadorias, como prevê a legislação. Cita o Decretolei n° 1.455/1976 e o artigo 73 da Lei n° 10.833/2003, entre outros. Alega ausência de comprovação do cometimento de outras infrações, tais como, subfaturamento, classificação fiscal indevida, declaração falsa ou inexata de mercadorias, falta de licenciamento ou o descumprimento de qualquer outro trâmite legal. Discorda da acusação do cometimento de fraude. Alega que, utilizandose o próprio critério adotado pela fiscalização ao habilitála provisoriamente para operar no Siscomex, a elevação de seu capital social verificada no curso do procedimento fiscal ampararia as importações realizadas pela empresa. Ressalta que o valor total das importações não se refere a poucas DI, mas sim a mais de cem, em sua maioria com valores inferiores a CIF R$ 50.000,00. Defende que a movimentação e os saldos em suas contascorrentes demonstram com muita folga a existência de recursos próprios para promover as importações em tela, inclusive nas dos depósitos indicados pela fiscalização. Alega que não é empresa de "fachada" e que, ao contrário do que afirma a fiscalização, atendeu às intimações e apresentou ampla documentação contábil, fiscal e financeira. A última resposta a intimação, em 03/12/2008, foi considerada intempestiva e não analisada, pois na mesma data foi cientificada dos autos de infração. Alega que "a pluralidade de pessoas jurídicas elencadas como solidárias nos Autos de Infração em pauta, por si só, já demonstra a fragilidade da argumentação da fiscalização, pois não é razoável crer que uma importadora devidamente estabelecida, que tem imóvel próprio, que paga impostos, que possui sócios com patrimônio, seria empresa "de fachada" de várias outras que não possuem qualquer ligação entre si. Como a autoridade fiscal autuou apenas os casos de mercadorias oriundas do exportador ALL TRADE e encerrou definitivamente a ação fiscal, concluise que, nos demais casos, o impugnante agiu corretamente." Discorda da análise da fiscalização sobre sua capacidade financeira, pois de um total de mais de 14 milhões de importações entendeu que não possuía capacidade financeira para importar pouco mais de 2 milhões, mas o mesmo raciocínio não é aplicado para os demais 12 milhões importados. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Analisa as alegações feitas pela fiscalização para defender a total falta de provas. Defende que, ao contrário, a análise de suas contascorrentes fazem prova a seu favor, pois demonstram que os recursos utilizados nas importações tinham origem regular de suas operações de compra e venda de mercadorias. Em relação às Declarações de Importação autuadas, defende a exclusão, de plano, dos valores referentes às DI n° 05/13651009, por não terem sido sequer relacionados depósitos de recursos a ela referentes, ou qualquer outra prova de vinculação entre os recursos e a DI citada. Defende que as demais (3) três Declarações de Importação autuadas (fls. 33) tiveram o fechamento de câmbio realizado com recursos próprios e que o depósito referido como ocorrido em 20/09/2006 não consta do extrato bancário do Banco do Brasil. Alega que, nas datas dos pagamentos apontados, possuía saldo bancário suficiente para arcar com aquelas despesas, o que demonstra sua capacidade financeira. Defende que não se tratavam de adiantamentos de clientes, pois, nas datas dos fechamentos de câmbio as mercadorias já haviam sido adquiridas pelo cliente. Alega que as operações foram regulares. Aponta incoerências no auto de infração ao relacionar casos diferentes ao da autuação em tela. Declina sua incompreensão do fato de a fiscalização não ter considerado, para fins de avaliação de sua capacidade financeira, os depósitos existentes na conta corrente do Banestes e o financiamento decorrente do estímulo financeiro criado pela Fundap. A título de "crédito Fundap" foram creditados no período de 2004 a 2006 um total de mais de dois milhões de reais e seu limite de financiamento no Fundap, em 2006, era de um milhão e seiscentos mil reais. Fatos não considerados pela fiscalização em sua análise. Contesta a penalidade aplicada frente à legislação vigente, em especial a questão da sujeição passiva, solidariedade, Decretolei n° 37/1966, Decretolei n° 1.455/1976 e Lei n° 11.488/2007. Defende que, "mesmo que os fatos apontados pela fiscalização fossem verídicos e estivessem inequivocamente comprovados, o ilícito deveria ter sido enquadrado no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, atendendo os requisitos da pessoalidade, da graduação e da especificidade da pena, bem como o incontrastável princípio da retroatividade benigna prevista no inciso II,"c", do artigo 106 do Código Tributário Nacional. A acusação genérica de falsidade documental e/ou ideológica que consta no relatório fiscal também não merece prosperar, uma vez que tais documentos pretensamente falsos (INVOICE, BL e DI) seriam mera decorrência da existência ou não do primeiro ilícito, qual seja, a interposição fraudulenta." Defende haver equívoco ao se confundir a presunção contida no artigo 5° da IN SRF 225/2002 com a prevista no parágrafo 2° do artigo 23 do Decretolei 1.455/1976. Alega que "a presunção contida no artigo 27 da Lei n° 10.637/2002 não conduz à aplicação do artigo 23, V, do Decretolei n° 1.455/1976, pois a aplicação desse último depende de prova inequívoca do dolo do agente em fraudar o Fisco (..) ou simular situação jurídica inexistente com o verdadeiro objetivo de ocultar o sujeito passivo, protegendo o patrimônio do real beneficiário, via de regra uma grande empresa ou conglomerado." Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.004285/200825 Acórdão n.º 3202001.480 S3C2T2 Fl. 496 9 Reconhece que não havia detalhamento das contas "clientes diversos". Atribui o fato à grande quantidade de operações que realizava, mas entende justificável a técnica contábil adotada nas operações por conta e ordem. Alega que a autoridade fiscal, a despeito de deixar claro em diversas passagens do relatório fiscal que a simulação que afirma existir é de difícil comprovação, que não teria prova cabal, que se baseou em provas indiciárias e presuntivas, deixou de aplicar o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional. Quanto aos valores praticados serem diferentes dos declarados, defende que a fiscalização somente alegou, mas não apresentou nenhuma prova. Com relação à eventual sonegação de IPI defende que, caso tivesse ocorrido, caberia um auto de infração contra o cliente que adiantou pagamentos, que seria o equiparado a industrial, mas sem nenhum vínculo com as hipóteses ensejadoras da penalidade aplicada. Discorda dos quadros apresentados pela fiscalização para comprovar que os valores de venda foram realizadas com baixa margem de lucro, por não terem sido considerados o beneficio do Fundap e que há diferimento do ICMS. Alega que não há nada de irregular em não possuir depósito de mercadorias, que podem ficar no armazém alfandegado, e que na maioria dos casos as mercadorias realmente já tinham compradores certos ao finalizar as DI' s. Defende que faz parte da estratégia de atendimento a seus clientes conciliar os prazos de entrega das mercadorias com os prazos do transporte. Finaliza reiterando que é o real e efetivo importador das mercadorias, "que contratou a compra de mercadorias estrangeiras diretamente da exportadora ALL TRADE, sem nenhuma intervenção dos clientes que vieram a comprar as mercadorias no Brasil. Se a ALL TRADE adquiria as mercadorias desse ou daquele fabricante, atacadista ou varejista no exterior, isso não diz respeito ao impugnante, e não tornam irregular, de forma alguma, as importações em pauta." Requer seja julgado nulo o auto de infração e declarada extinta a relação jurídico tributária. A responsável solidária "Cleamax — Comércio Representação e Distribuição Ltda" apresentou a impugnação tempestiva de folhas 1182 a 1194, com os documentos de folhas 1195 a 1199, 1202 a 1399 e 1402 a 1426, anexados. A impugnante, resumidamente, alega que "(i) que a ora impugnante exerce habitualmente atividades mercantis e possui vida própria e autônoma, (II) valese de outras empresas prestadoras de serviço para a realização de suas importações; (iii) não possui nenhuma relação societária ou de subordinação com a empresa K2 LOGÍSTICA (iv) que todos os atos praticados pela CLEAMAX estão pautados na estrita legalidade não havendo infrações quanto ao cumprimento de obrigações tributárias principais." (sic) Alega ainda a impugnante que contratou a "K2 Logística" para atuar em operações de importação por sua conta e ordem e que não houve dolo, fraude ou simulação nas atividades, no máximo equívoco de declaração proferida pela "K2 Logística" no momento da regularização das importações. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Defende que não houve respeito à verdade material, pois a análise fria dos documentos encaminhados concluiu de forma equivocada, fato que compromete os princípios constitucionais do contraditório, do devido processo legal e da legalidade. Informa que não é empresa "ficta" e sim "uma sociedade cujo sócio tem nome, endereço, histórico profissional e recursos financeiros que frutificam a 'razão de ser' da CLEAMAX." Alega que é terceira de boafé pois contatou a K2 Logística para realizar importações por sua conta e ordem, seguindo então as orientações por ela repassadas, nunca participando de atividades ilícitas ou concordando com artifícios dolosos. Defende que realiza operações de importação por sua conta e ordem com outras empresas, conforme documentos que apresenta, sempre observando os procedimentos regulamentares. Alega que não ode ser responsabilizada solidariamente e que, se houve equívoco, não pode ser a ela atribuído. Requer seja julgado improcedente o auto de infração e concedido prazo de 90 dias para apresentação da documentação restante. O responsável solidário "Márcio Campos Gonçalves" não apresentou impugnação (Termo de Revelia às fls. 1428). É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0717.133, em 7 de agosto de 2009 (efolhas 1.430/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/03/2008 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário à ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 05/04/2005 a 07/03/2006 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo ou adquirente na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.004285/200825 Acórdão n.º 3202001.480 S3C2T2 Fl. 497 11 MULTA. LEI N° 11.488/2007, ARTIGO 33. PENA DE PERDIMENTO. A multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, de 15 de junho de 2007, não prejudica a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2005 a 07/03/2006 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão recorrida deu provimento parcial à impugnação, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 85.410,09 Foi feita uma primeira tentativa de dar ciência do acordão à empresa K2 Logística, Importação e Exportação Ltda. via Correios (efls. 453/456, 460/461 e 482), contudo esta via mostrouse improfícua. Posteriormente a ciência foi efetivada via Edital (efl. 484). Como a empresa não apresentou Recurso foi lavrado o Termo de Perempção (efl. 485). O responsável solidário "Márcio Campos Gonçalves" não apresentou Impugnação, por isso o contribuinte foi declarado revel (vide Termo de Revelia à efl. 432). O contribuinte Cleamax – Comércio, Representação e Distribuição Ltda. foi cientificado do acórdão em 29/08/2009 (efolhas 457/458) e apresentou Recurso Voluntário em 29/09/2009 (efolhas 462/ss), onde alega, em apertada síntese: que há nos autos apenas Notas Fiscais emitidas pela K2 à Cleamax (fls. 605,625 e 651), assim como, da K2 à ALL TRADE. Assim, a relação jurídica comprovada seria de compra e venda entre cliente e fornecedor, praxe esta que demonstrou se repetir entre a K2 e uma vasta gama de outros clientes, no qual a mesma rotina de compra e venda acontece frequentemente (fl. 1145/1180); há nos autos narrativas genéricas que nada têm a ver com as partes envolvidas; não há comprovantes de transações na internet, sendo certo que nessas espécies de operações são sempre efetuadas por cartão de crédito e não de fechamento de câmbio a Recorrente foi responsabilizada também pela operação proveniente da DI 05/03421280, em momento algum mencionada na documentação relativa à Cleamax; devese buscar a verdade material para caracterização do ilícito tributário; não houve o concurso de agentes necessário para a caracterização da responsabilidade solidária. Assim, mesmo que se mantenha o crédito tributário a Recorrente deve ser afastada do polo passivo da obrigação; por fim, requer seja provido o presente recurso, por falta de suporte fático da autuação; na hipótese de manutenção da multa, a Recorrente seja excluída do polo passivo; supletivamente, mantida a autuação, seja excluída a parcela da dívida relativa à DI 05/03421280. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 O processo foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário apresentado pela empresa Cleamax – Comércio, Representação e Distribuição Ltda é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da caracterização da interposição fraudulenta de pessoas: não comprovação de origem e disponibilidade de recursos A controvérsia em discussão nestes autos tem a ver com a acusação fiscal no sentido de que a empresa K2 Logística, Importação e Exportação Ltda. não seria real adquirente das mercadorias importadas em seu nome e que a mesma operava como interposta pessoa, notadamente pelo fato de não comprovar a origem e disponibilidade de recursos próprios para fazer frente às operações de importação. Razão pela qual foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de apreensão das mesmas, conforme determina o art. 23, inciso V, §§ 2 e 3° do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, verbis: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (destaquei) Essa, portanto, é a exigência que se encontra formalizada por meio do auto de infração em julgamento. Para comprovar a acusação fiscal a fiscalização juntou aos autos extenso rol de elementos probantes (vide documentos anexados às efls. 79 e ss) para demonstrar que os recursos utilizados nas operações de importação objeto da autuação provieram dos reais adquirentes das mercadorias. Compulsandose os autos do processo, notadamente diante da quantidade de elementos probantes sobejamente juntados pela autoridade fiscal, estou plenamente convencido quanto à conduta infracional praticada pela empresa K2 Logística, Importação e Exportação Ltda., consubstanciada na nãocomprovação da origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação em análise. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.004285/200825 Acórdão n.º 3202001.480 S3C2T2 Fl. 498 13 Como bem destacou a decisão recorrida, “as transferências de recursos por parte dos reais adquirentes à interessada, ocorreram em datas anteriores à efetivação das importações e próximas ou coincidentes, em valores e datas, do momento de fechamento de câmbio e do pagamento de despesas aduaneiras a elas referentes”. Por sua vez, a empresa K2 Logística, Importação e Exportação Ltda. não trouxe elementos probantes em sua Impugnação para infirmar as acusações e provas juntadas aos autos pela fiscalização. Somese a isso, o fato de a citada empresa nem se dar ao trabalho de recorrer da decisão proferida pela DRJ – Florianópolis. Destarte, entendo que está suficientemente evidenciado o uso de recursos de terceiros nas operações de importação tratadas nestes autos, o que, por conseguinte, demonstra a nãocomprovação da origem e disponibilidade dos recursos empregados, prevista art. 23, inciso V, § 2° do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Da responsabilidade solidária da empresa Cleamax Com relação ao Recurso apresentado pela empresa Cleamax – Comércio, Representação e Distribuição Ltda, autuada na condição de sujeito passivo solidário, há que se verificar o contido no artigo 95 do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.472/1988, Medida Provisória n°2.15835/, in verbis: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Redação dada pela Medida Provisória n°2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei n°11.281, de 2006) (destaquei) No caso em tela, a fiscalização incluiu a Cleamax como solidária pelo crédito tributário decorrente da infração cominada, em razão de se verificar que os recursos utilizados nas operações de importação eram originados daquela empresa. Como detalhado na peça de exação, havia transferências de recursos por parte do real adquirente (Clemax) ao importador de direito (K2 Logística) nas mesmas datas (ou em data anterior) em que os contratos de câmbio eram liquidados, ou seja, a empresa Cleamax Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 14 efetuava depósitos nas contas da K2 Logística para o fechamento dos contratos de câmbio. Confiramse os dados extraídos dos autos (efl. 43/ss): DI nº 05/03421280: Dispêndios Data do pagamento Valor Depósitos recebidos Valor Data Banco Contrato de Câmbio 05/015863 26/04/2005 R$ 9.624,06 Depósito Cleamax R$ 9.949,38 26/04/2005 Banco do Brasil DI nº 06/02618830: Dispêndios Data do pagamento Valor Depósitos recebidos Valor Data Banco Contrato de Câmbio 06/023419 22/09/2006 R$ 10.013,36 Depósito Cleamax R$ 10.225,67 20/09/2006 Banco do Brasil DI nº 06/00423098: Dispêndios Data do pagamento Valor Depósitos recebidos Valor Data Banco Contrato de Câmbio 06/001879 24/01/2006 R$ 60.952,56 Depósito Cleamax R$ 61.377,95 24/01/2006 Banco do Brasil Ademais, a própria empresa Cleamax reconheceu em sua Impugnação (ver e fl. 388 e 393/394) que as importações eram efetuadas por sua conta e ordem, o que corrobora o entendimento de que tal empresa era a real importadora das mercadorias. Confiramse os trechos abaixo transcritos: Trechos transcritos da efl. 388: (...) Que a CLEAMAX contratou a K2 LOGÍSTICA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA para atuar em operações para a importação de produtos na modalidade "por conta e ordem", tal qual faz com as demais tradings com quem opera; (...) A CLEAMAX desconhece as demais operações citadas na exposição de motivos do Auto de Infração, bem como todos os agentes diversos da K2 LOGÍSTICA, e ainda assim com quem mantinha, tão e somente, um relacionamento comercial de prestação de serviços. (...) Trechos transcritos da efl. 388: (...) A CLEAMAX desconhece qualquer esquema fraudulento orquestrado pela então prestadora de serviços K2 e a ALL TRADE. Ao procurar a K2 LOGÍSTICA para lhe prestar serviços de despachante aduaneiro a idéia era de que tal sociedade atuasse por conta e ordem da CLEAMAX. A partir de então, a CLEAMAX atuou de acordo com as orientações que eram recebidas da K2 LOGÍSTICA, sempre imaginando que a operação que estava sendo perpetrada se tratava verdadeiramente da modalidade de "conta e ordem". Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.004285/200825 Acórdão n.º 3202001.480 S3C2T2 Fl. 499 15 (...) Fica, dessa forma, plenamente caracterizado o uso de recursos de terceiros nas operações em análise, isso porque o artigo 27 da Lei n° 10.637/2002 estabelece a seguinte presunção legal, in verbis: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (destaquei) Com isso, fica demonstrado que as mercadorias foram importadas por conta e ordem da real adquirente – a empresa Cleamax, que permaneceu oculta na operação e recebeu as mercadorias imediatamente depois de desembaraçadas. Caracterizada a infração prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Destarte, a realização de operação de importação por conta e ordem de terceiro, com a utilização de documentos emitidos em seu nome, tais como fatura, packing list e conhecimento de carga, deixam evidente o intuito de fraude e a simulação da operação, elementos caracterizadores da infração imputada. Em outro giro, não se pode acatar a alegação de que a Recorrente tenha agido de boafé e que “não participou de nenhuma estrutura fraudulenta, não cabendo, portanto, a pretensa responsabilidade tributária”, especialmente porque estas alegações foram lançadas desacompanhadas de documentos que a comprovem. Não se pode aceitar que operações de importação, que envolvem trâmites legais e altos valores financeiros, sejam contratadas sem um mínimo de formalidade ou garantia das partes. No processo administrativo fiscal as partes submetemse à regra geral do ônus da prova, de modo que incumbe à autoridade fiscal o ônus de provar os fatos constitutivos do direito da Fazenda Nacional, vale dizer, provar a ocorrência do fato jurídico tributário e demais circunstâncias necessárias à constituição do crédito tributário. De outro lado, cabe ao acusado provar a não ocorrência do fato jurídico tributário ou eventualmente a improcedência de algum dos seus elementos lançamento tributário. A autoridade fiscal formulou a exigência tributária a partir de um conjunto probatório extenso e robusto. Caberia aos autuados desconstituírem a exigência refutando os argumentos e apresentando, fundamentalmente, as suas provas. Não basta apresentar meras alegações desacompanhadas ou desconectadas de provas capazes de demonstrar o seu direito. Assim, o evento (ocorrido no mundo fenomênico) deve ser relatado em linguagem jurídica competente e demonstrado através das provas, que devem ser submetidas à refutação em atendimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Cabe às partes em litígio Fisco e contribuintes, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. O julgador, então, a partir da discussão racional no processo (alegação/refutação; provas/contraprovas), aprecia e valora as provas existentes nos autos, formando o juízo de probabilidade da ocorrência dos fatos (Calamandrei), para ao fim decidir o litígio com base em sua livre convicção motivada. Conclusão Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 16 Em conclusão, a meu ver, a fiscalização demonstrou que efetivamente a K2 Logística, Importação e Exportação Ltda. não comprovou a origem e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, bem como ocultou da fiscalização aduaneira características essenciais dessas operações, notadamente o real importador – a empresa Cleamax – Comércio, Representação e Distribuição Ltda., restando caracterizada a interposição fraudulenta de pessoas punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de apreensão das mesmas, nos termos do que dispõe o art. 23, inciso V, §§ 2 e 3° do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907073/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE (IRPF)
Fato Gerador: 25/04/2001
IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da
tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF
nº 20.919.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF nº 20.919. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.907073/200931 Acórdão n.º 210202.053 S2C1T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 13623.30525.071005.1.3.041338, transmitida eletronicamente em 7 de outubro de 2005, relativo a crédito do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 21/04/2001 5204 787.500,00 25/04/20001 A Declaração de Compensação foi considerada não homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equivoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Cientificado da decisão, a recorrente interpôs recursos voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, no qual foi recebido R$ 15.750.000,00 com retenção de R$ 787.00,00 de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu nenhum erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.907073/200931 Acórdão n.º 210202.053 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. Os autos tratam de Dcomp não homologada pela DRF Brasília por não confirmação do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A DRJ Brasília considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que a requerente pretendia a retificação das informações prestadas no PER/Dcomp, passando de “pagamento indevido ou a maior” para "saldo negativo de IRPJ”, o que somente seria possível com a emissão de um novo pedido, pois não se pode modificar o objeto da manifestação de inconformidade para alterar o PER/Dcomp. O requerente, no recurso, rebate o argumento da DRJ dizendo que “a decisão proferida não merece prosperar, pois [está] eivada de erros quanto às premissas discutidas na Manifestação de Inconformidade” e “o procedimento de utilizar o crédito como ‘pagamento indevido ou a maior’ foi a única opção da contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa”. Compulsando os autos, observase que a discussão gira em torno da retenção na fonte sobre receita tributada na pessoa jurídica, que o contribuinte pretende compensar com débitos de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e IRRF. E, também, que a DIPJ/2002 foi entregue no dia 28 de novembro de 2003, em atraso, e a Receita em questão, de R$ 15.750.000,00, não foi declarada no segundo trimestre de 2001, como deveria, pois a receita desse período é de apenas R$ 1.882.642,13. Entretanto, por se tratar de antecipação do IRPJ, deve ser aplicado aqui o disposto no inc. IV do art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), não tendo esta Turma competência para julgar o recurso voluntário em questão. Pelo exposto, voto em reconhecer a incompetência desta Turma para processar o recurso voluntário, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10384.721477/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Multa Isolada. Cancelamento.
Exonerado o principal, do qual a multa isolada decorre por reconstituição do lucro mensal, imperioso seu cancelamento. Exigência cancelada.
Os valores assim obtidos podem ficar ao abrigo da tributação do IRPJ, por força do artigo 443, do RIR/1999.
Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
Numero da decisão: 1101-001.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Comprovação. Não Tributação. Constatado que os benefícios fiscais instituídos pela Lei Estadual 4.859, de 27/08/1996, do Estado do Piauí visam, precipuamente, estimular a implantação, relocalização, revitalização ou ampliação de empreendimentos industriais naquele ente federado, requisitos que o artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77 adota para definir a subvenção como “de investimento”, e não tendo a Fiscalização trazido aos autos elementos suficientes para caracterizar a subvenção como sendo de custeio, os lançamentos não podem subsistir. Os valores assim obtidos podem ficar ao abrigo da tributação do IRPJ, por força do artigo 443, do RIR/1999. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 Multa Isolada. Cancelamento. Exonerado o principal, do qual a multa isolada decorre por reconstituição do lucro mensal, imperioso seu cancelamento. Exigência cancelada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 14 77 /2 01 3- 41 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de procedimento fiscal realizado pela Fiscalização da DRF/Teresina PI, concluído com a lavratura de Autos de Infração em face da contribuinte INDÚSTRIAS DUREINO S.A. – CNPJ nº 10.981.488/000139, no total de R$ 7.137.529,32, abrangendo os anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, contemplando lançamentos de IRPJ, CSLL e Multa Isolada de IRPJ. Impugnada a exigência, foram os autos submetidos à apreciação da 5ª Turma da DRJ/São Paulo que, mediante Acórdão nº 58.000, de 20/05/2014, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando parte dos lançamentos e mantendo parcela remanescente, em decisão assim ementada naquilo que compõe o objeto da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. COMPROVAÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. Comprovando a contribuinte que as receitas de incentivos fiscais de ICMS classificamse como subvenções para investimento, correta a sua não tributação. Exigência exonerada. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA APÓS O TÉRMINO DO ANO CALENDÁRIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas (de 50%) é cabível após o encerramento do anocalendário correspondente, inclusive nos casos em “que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido”. EXONERAÇÃO PARCIAL. Em face da exoneração de parte da matéria tributável (subvenções para investimento), exonerase parcialmente a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Tendo em conta que a decisão inaugural julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando valores que suplantaram o limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda MF nº 3 de 03 de janeiro de 2008 (DOU 07/01/2008), tornouse obrigatório o devido reexame dos autos por parte deste Colegiado de 2º Grau relativamente aos montantes exonerados. De outro lado, em relação ao que restou mantido pela DRJ, a contribuinte optou por extinguir, mediante pagamento, o crédito tributário ali constituído. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 5 4 Deste modo, ainda que a defesa da contribuinte tenha, tempestivamente, acostado aos autos peça contestatória que nominou de “Recurso Voluntário” (fls. 972/987), é certo que inexiste litígio a se apreciar, posto que extinto o crédito tributário, extinto estará eventual refrega, por falta de objeto. Dizendo de forma diferente, ao optar por pagar o valor do crédito tributário mantido pela DRJ, inexiste a exigência que permita a instauração de litígio (art. 14, do PAF), ainda que a empresa tenha aposto em sua peça “ser prudente a interposição de recurso em razão do recurso de ofício a ser julgado e que poderá restabelecer exigências exoneradas pela DRJ e trazer reflexos nas demais”. Discordo da recorrente por entender que eventuais conseqüências advindas do julgamento agora iniciado somente afetará o tema em litígio, não aquele cujos lançamentos foram exonerados. Ademais, a própria contribuinte, por seus patronos, literalmente expôs (fls. 973): “Logo de saída e antes mesmo de qualquer comentário à r. Decisão recorrida, fazse o registro do fato de que a Recorrente, com o intuito de comprovar sua absoluta boafé, promoveu prontamente o pagamento do saldo devedor que restou após o acolhimento parcial de sua impugnação, independentemente de o crédito tributário correspondente ser ou não devido sob sua ótica” Situação confirmada pela autoridade preparadora (fls. 969): Assim, de prelúdio, embora tempestivo, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário ofertado, por falta de objeto. Com relação à parcela exonerada e motivo do Recurso de Ofício da 5ª. Turma da DRJ/SPO, por bem resumir a celeuma remanescente, reproduzemse excertos do Relatório ali estampado e que dizem respeito à matéria objeto do R.O.(fls. 929 e seg): DA ACUSAÇÃO FISCAL Fl. 992DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 6 5 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS “A contribuinte, estabelecimento industrial fabricante de produtos derivados da soja e palma (óleos, margarinas, farelos, sabonetes, sabão etc.) e produtos de limpeza (detergentes, amaciantes, desinfetantes etc.), auferiu, nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, receitas de incentivos fiscais de ICMS, em decorrência de dispensa de recolhimento do ICMS apurado nos períodos acima citados, concedidos pelo governo do Estado do Piauí, a título de subvenção, nos termos expressos no Decreto n° 10.258/2000, com texto atualizado até o Decreto n° 12.054/2005, incluído entre os documentos apresentados em resposta ao Termo de Início de Fiscalização. Os valores de incentivos fiscais foram contabilizados nas contas 3.3.01.01 RECEITA COM INCENTIVO FISCAL ICMS, no ano de 2008, 45617 RECEITA COM INCENTIVO FISCAL ICMS, no ano de 2009, e 30478 RECEITAS COM SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS, no ano de 2010, e provém, exclusivamente, dentre as hipóteses estabelecidas no artigo 2° do Decreto n° 10.258/2000, com texto atualizado até o Decreto n° 12.054/2005, da hipótese elencada no inciso I do referido artigo, dada a igualdade entre os valores contabilizados nessas contas de receitas e os valores contabilizados nas contas de ICMS a RECOLHER, no passivo circulante, e ICMS s/FATURAMENTO, conta redutora da receita bruta. A contribuinte excluiu, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, dos períodos objetos do presente procedimento fiscal, os valores contabilizados nas contas de receitas acima referidas, dando lhes o tratamento tributário estabelecido no artigo 443 do RIR/99, revelando, assim, seu entendimento de que as receitas de incentivos fiscais de ICMS auferidas são subvenções concedidas em contrapartida à realização de investimentos de implantação e/ou expansão de seu empreendimento”. Após reproduzir considerações expressas pela Administração Federal no Parecer Normativo nº 112/1978, prossegue: “O exame das contas do Ativo Imobilizado, constantes da escrituração contábil dos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, bem como do demonstrativo elencando a movimentação ocorrida nessas contas, apresentado pela contribuinte em resposta ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 001, demonstrou que as mutações patrimoniais registradas nesse grupo de contas representam mutações normais, condizentes com o funcionamento ordinário de qualquer empresa em operação, com mesmo porte e organização da contribuinte, revelando transações corriqueiras de aquisição de bens móveis, para aprimoramento das atividades e/ou em substituição a bens obsoletos, defeituosos, ultrapassados ou inservíveis, mas não revelando, de forma nenhuma, a aplicação de recursos em investimentos, condizentes com a relevância das Fl. 993DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 7 6 mutações patrimoniais que se espera sejam produzidas nas contas do Imobilizado em razão da implantação e/ou ampliação de um empreendimento econômico. O quadro abaixo, levantado com os dados informados nas DIPJs dos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, clarificam o que foi dito acima (valores em reais)”: Anocalendário Saldo inicial Saldo final Alteração 2008 8.611.397,05 8.653.579,94 42.182,89 2009 8.653.579,94 9.015.732,31 362.152,37 2010 9.015.732,31 9.527.497,25 511.764,94 “As diligências efetuadas na escrituração da contribuinte revelaram também que não foi constituída reserva específica de lucros exigida no inciso III do artigo 18 da Lei n° 11.941/2009, que permitiria o controle das restrições legais referentes à utilização dos valores recebidos em decorrência de subvenção para investimentos. Assim sendo, a fiscalização entende que os valores auferidos pela contribuinte em razão de incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Piauí, a despeito da denominação dada e/ou das contrapartidas aceitas por este ente público para gozo do benefício, caracterizaramse como subvenção para custeio, já que integrados ao capital de giro da contribuinte, pois ausente a realização de investimentos em implantação e/ou ampliação de empreendimento econômico nos períodos fiscalizados, e proporcionaramlhe a aplicação desses recursos maior capacidade econômica para suportar os custos e despesas decorrentes das atividades operacionais e administrativas desenvolvidas por ele no período. Diante do exposto, entende a fiscalização que o correto tratamento tributário dos valores auferidos em decorrência dos incentivos de ICMS usufruídos nos períodos fiscalizados é sua inclusão no lucro operacional, com vedação de sua exclusão na apuração do lucro real, de acordo com norma estabelecida no artigo 392 do RIR/99, caracterizando a infração aqui descrita”. MULTA ISOLADA SOBRE FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ/CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA “Em face das infrações acima descritas (EXCLUSÕES INDEVIDAS e DESPESAS NÃO COMPROVADAS), há que se cobrar multa isolada sobre falta e/ou insuficiência de pagamento de IRPJ/CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. A base de cálculo com base em balanço de suspensão ou redução, informadas pela contribuinte nas Fichas 11 (IRPJ) e 16 (CSLL) das DIPJs 2009, 2010 e 2011 (anoscalendário 2008, 2009 e 2010, respectivamente), foram refeitas em razão da inclusão das infrações supracitadas, conforme Fl. 994DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 8 7 demonstrativos Multa Isolada – IRPJ e Multa Isolada – CSLL, integrantes dos Autos de Infração”. DOS LANÇAMENTOS “Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010”: Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 3.782.336,27 IRPJ mar/13 1.456.577,38 Multa exigida isoladamente IRPJ 1.415.040,57 CSLL 483.575,10 Multa exigida isoladamente CSLL (*) 7.137.529,32 TOTAL (*) No Termo de Verificação está grafado erroneamente como Multa exigida isoladamente IRPJ DA IMPUGNAÇÃO “Cientificada dos lançamentos em 22/05/2013, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 10/06/2013, a impugnação de fls. 781/828, alegando, em síntese, o seguinte: A pretensão fiscal pode ser desdobrada, essencialmente, em 3 exigências, a saber: 1. Despesas não comprovadas; 2. Exclusões indevidas; e 3. Multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada”. EXCLUSÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL DOS VALORES RELATIVOS A INCENTIVOS FISCAIS A TÍTULO DE ICMS (SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO) Da indevida desclassificação, para fins de IRPJ e CSLL, do incentivo fiscal de ICMS deferido à empresa. Sua induvidosa caracterização como subvenção para investimento. Ilegalidade da pretensão fiscal (Decretolei nº 1.598/77, artigo 38, § 2°; RIR/99, artigo 443) · Da ilegalidade do Parecer Normativo CST nº 112/78. Estabelecimento de restrição/condição não contida no comando do artigo 38, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77 (artigo 443 do RIR/99) “Antes de qualquer coisa, o que está em questão, em última análise, é a possibilidade de o Fisco Federal, por via indireta, "apropriar Fl. 995DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 9 8 se" de parcela significativa (mais de 1/3) das receitas renunciadas pelos Estadosmembros como forma de fomentar o seu desenvolvimento, o que, sem qualquer exagero, constitui grande ameaça a toda política de incentivos fiscais por meio da qual os Estados do Norte e Nordeste tentam, a duras penas, superar a desigualdade histórica que sempre lhes descolou das demais regiões da Federação. O "x" da questão está na correta interpretação do comando do artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, incorporado pelo RIR/99 em seu artigo 443. Inicialmente, cumpre relembrar a clássica advertência do imortal Fracesco Ferrara, de que “nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que gostaria que lá estivesse, mesmo que lá não estivesse, ou de lá retirar o que lhe desagradasse” (grifado pela impugnante). E, ao que tudo indica, o Parecer Normativo CST nº 112/78 (PN CST n° 112/78), a pretexto de interpretar o artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, parece ter se desviado desta recomendação. De fato, não é necessário maior esforço hermenêutico para se isolar do comando legal unicamente 3 elementos postos como pressupostos para a sua atuação, a saber: (1) a intenção do subvencionador de “estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”; (2) o registro dos valores renunciados “como reserva de capital”; e (3) a exatidão “do balanço do contribuinte”. E isso em nada seria alterado pela eventual tentativa de se fazer incidir o comando do artigo 11 do CTN, que trata dos casos em que a interpretação da legislação tributária é literal. Ocorre que o PN CST nº 112/78 estabeleceu novo requisito, não previsto no comando legal “interpretado" (artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77), qual seja, o de que: “7.1. (...) (...) II Subvenções para Investimento são as que apresentam as seguintes características: (...) b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (...)” (grifado pela impugnante). “Houve, aí, evidente excesso interpretativo, que, ao invés de apenas revelar o conteúdo da norma legal interpretada, claramente alteroulhe, ao estabelecer condição por ela não prevista. O grande José Luiz Bulhões Pedreira, incontroversamente a maior autoridade pátria no assunto, há muito já havia desmontado a base Fl. 996DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 10 9 normativa do PN CST nº 112/78, colocando a descoberto não apenas a sua exorbitância em relação aos limites do artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, mas também sua incompatibilidade com os próprios conceitos dos institutos envolvidos (vide fl. 786). Destaquese que o autor chega a admitir que a subvenção para investimento seja utilizada para fomentar o próprio capital de giro do empreendimento, o que, pelo critério do PN CST nº 112/78, seria quase uma heresia. Além da ilegalidade consubstanciada na criação de condição/restrição não prevista no artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.59 8/77, o PN CST nº 112/78 está acometido, ainda, de outra: apequenar a importância do animus do ente subvencionador, reputandoo abertamente insuficiente para a qualificação de uma subvenção na modalidade de investimento, quando, na realidade, a tipificação do auxílio é dada, exatamente, por aquela intenção. Mas, mais do que ilegal, o critério estabelecido pelo PN CST nº 112/78 mostrase também ilógico e inconsistente, pois”: Primeiro: “Como a atuação da regra isentiva pressupõe, logicamente, a geração de débitos passíveis de serem por ela neutralizados e, naturalmente, que o empreendimento já esteja em fase de operação, o aproveitamento do benefício pelo subvencionado, via de regra, só ocorrerá depois da montagem/ampliação do parque fabril, tornando impraticável a pretendida destinação específica dos recursos subvencionados em investimentos ativáveis. Este "deslize" foi devidamente percebido pela CSRF/CARF, conforme Acórdão nº 9101001.094, processo nº 13558.000107/200788 (vide ementa à fl. 788). Assim, admitese que a subvenção seja utilizada para a recomposição do capital de giro do negócio, o que debela o principal pressuposto do PN CST nº 112/78, de que a única destinação possível dos recursos transferidos pelo subvencionador fossem o incremento do ativo imobilizado do beneficiário”. Segundo: “O modus operandi estabelecido pelo PN CST nº 112/78 é simplesmente inexequível, na medida em que o seu cumprimento implicaria, paradoxalmente, a própria perda da posição jurídica deferida pelo artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, justamente o direito cujo gozo ele regulamentar. Como visto, a teor do artigo 38, § 2°, letra “a”, d o Decretolei nº 1.598/77, uma das 3 condições sine qua nons para a atuação da regra de nãotributação em questão é que as subvenções para investimentos sejam Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 11 10 contabilizadas, necessariamente, na conta reservas de capital, disciplina, aliás, coincidente com a conferida pela Lei nº 6.404/76 ("Lei das S/A"): Ora, se, como quer o PN CST nº 112/78, os valores relativos aos incentivos devem ser utilizados em investimentos ativáveis, passando a compor, por conseguinte, a conta do Ativo Imobilizado, então, inevitável e paradoxalmente, estaria sendo desatendido o artigo 38, § 2°, letra “a”, do Decretolei nº 1.598 /77 c/c artigo 182, §1°, letra "d", da Lei nº 6.404/76, pois eles não poderia ser contabilizados simultaneamente como reservas de capital. Este paradoxo foi diagnosticado de forma irrespondível pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior em seu votocondutor do Acórdão nº 110100.661 (vide fls. 789/790)”. Terceiro: “Como é lógico e intuitivo, dinheiro não se "carimba", motivo pelo qual seria um autêntico non sense tentar “rastrear”, com a precisão e o rigor exigidos pelo PN CST nº 112/78, o "caminho" que os valores renunciados pelo subvencionador percorreram dentro da operação e da contabilidade da empresa, o que seria indispensável para que pudesse ser verificada a (in)existência da vinculação específica prevista naquele ato infralegal. Nesse sentido, o votocondutor do Acórdão nº 110300.555, da lavra do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, põe a descoberto esta outra anomalia da regulamentação que sustentou o lançamento combatido (vide fl. 790)”. Quarto: “As condições exigidas para o usufruto do benefício fiscal, bem como a sua específica mecânica de atuação, são questões intramuros na relação entre o subvencionado e o subvencionador (no caso, o Estado do Piauí), tocando exclusivamente a este a definição dessas condições, e, a fortiori, a verificação do seu (des)cumprimento pelo beneficiário. Ocorre que a pretensão do Fisco Federal em questão equivale, no fundo, ao próprio estabelecimento de condições não previstas pelo Fisco Estadual”. Quinto: “A diferença de destinação aos recursos oriundos das 2 modalidades de subvenções (para investimento ou para custeio) já é, de certo modo, assegurada pela própria forma particular de contabilização de cada uma delas: enquanto as para investimento estão submetidas a regime contábil rigoroso, devendo transitar direto para as reservas de Fl. 998DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 12 11 capital, ficando terminantemente afastada sua distribuição para os acionistas/sócios a teor do artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, as para custeio estão sujeitas a uma disciplina bem flexível, sendo perfeitamente admitida a sua distribuição aos acionistas, na proporção em que contribuíram para o incremento do resultado do exercício. Ou seja, a só vinculação dos recursos relativos às subvenções para investimentos, necessariamente, à conta reservas de capital já garante, em grande medida, a permanência dos mesmos no próprio empreendimento que o incentivo pretendeu fomentar. E, como antecipam os excertos e ementas colacionados às fls. 792/795, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é francamente contrário à interpretação contida no PN CST nº 112/78 e, por conseguinte, à essência da pretensão fiscal aqui impugnada. Mas, ainda que se admitisse, por hipótese, que o PN CST nº 112/78 é compatível com o artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, a só reclassificação dos valores concernentes aos incentivos em questão como subvenção para custeio – conseqüência da aplicação do critério proposto por aquele ato infralegal não teria, por si só, o condão de autorizar a tributação pretendida pela fiscalização. · Do caso concreto. Os incentivos concedidos pelo Decreto nº 10.258/2000 e sua inequívoca natureza de subvenção para investimento “Embora, como visto no encerramento do tópico anterior, a só qualificação dos incentivos fiscais em causa como subvenção para custeio não teria o condão de autorizar sua tributação por IRPJ/CSLL, adotando se, por hipótese, a linha mais ortodoxa, qual seja, a de que o contribuinte faria jus ao regime tributário do artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77 somente em relação às subvenções para investimento, cabe, agora, aplicar as premissas genericamente firmadas acima ao caso concreto, isto é, ao específico incentivo fiscal em pauta. E, estando o fator decisivo e determinante da natureza da subvenção, como demonstrado exaustivamente, justamente no animus do subvencionado, cumpre identificar qual foi a intenção que levou o Estado do Piauí a decidir fomentar o empreendimento da contribuinte. No caso, essa iniciativa foi formalizada através do Decreto nº 10.258/2000 (cujo inteiro já se encontra nos autos do presente processo administrativo), transcrito, em parte, às fls. 798/799, que fez as vezes do ato administrativo a que se refere o artigo 179 do CTN”. “Embora não diga muito, até porque sua função era apenas certificar o preenchimento dos requisitos legais, ele já fornece um eloqüente indício acerca do móvel da subvenção, revelado pela onipresente referência à implantação do empreendimento da empresa. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 13 12 E isso resulta de forma mais ostensiva e aberta de rápida leitura da Lei nº 4.859/96 (inteiro teor em anexo, transcrita em parte à fl. 800), diploma que, efetivamente, formata os contornos do incentivo em questão. Em face da clareza legal, não há a mínima margem para se contestar que o incentivo embasado na Lei nº 4.859/96 está voltado, essencialmente, para o auxílio à implantação (relocalização, revitalização ou ampliação) de empreendimentos industriais, o que, aliás, não poderia ser diferente, eis que ele se constitui no principal instrumento da política de desenvolvimento econômico do Estado do Piauí. É, assim, manifesta a precisa coincidência do objetivo desta modalidade específica de incentivos com o propósito da categoria referida pelo artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, a qual abrange a “isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”. E, embora se trate de circunstância absolutamente irrelevante para os específicos fins da presente impugnação, haja vista que não cabe ao Fisco Federal averiguar o (des)cumprimento, pela contribuinte, das condições e requisitos antepostos ao usufruto daquele benefício, cumpre sublinhar que a empresa tem seguido à risca a sua parte no referido acordo, fato comprovado por ela continuar em pleno gozo da isenção, sem qualquer queixa por parte do maior interessado (Fisco Estadual). Com efeito, o Auditor Fiscal, talvez imaginando que desta forma conseguiria um "atalho" para desqualificar a subvenção deferida à contribuinte, requisitou do órgão estadual competente informações sobre a regularidade do incentivo usufruído pela empresa. A resposta não poderia ter sido "melhor": do Ofício nº 008/2012, da Comissão Técnica de Assessoramento do CODIN (Conselho de Desenvolvimento Industrial), cujo teor já consta dos presentes autos, destacamse as seguintes informações (destaques da impugnante): (...) 2) Quanto aos registros fiscais a empresa apura regularmente o imposto devido e a conseqüente aplicação do percentual de dispensa, objeto dos incentivos fiscais concedidos à mesma; (...) 4) De todo modo, foram mantidos em nosso sistema informações que permitem, na medida do possível, dar continuidade ao acompanhamento e avaliação da empresa no tocante ao desempenho das metas estabelecidas pela Comissão de Incentivos Fiscais, isto com relação ao cumprimento das finalidades dos incentivos recebidos; 5) Segue, assim, também em anexo, informações sobre o faturamento da empresa que evidenciam o incremento das atividades desenvolvidas pela mesma; Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 14 13 6) A vista das informações que dispomos, consideramos que os incentivos fiscais em questão viabilizaram a implantação e a expansão do empreendimento, fortalecendo, dessa forma, o desenvolvimento industrial do Estado do Piauí, de conformidade com a Lei Estadual n. 4.859/96, que os instituiu”. “Uma análise superficial do próprio desempenho da contribuinte evidencia claramente que o incentivo está, indiscutivelmente, cumprindo seu papel, contribuindo sobremaneira para a consolidação do empreendimento da empresa e, por conseguinte, para o desenvolvimento industrial do Estado. Com efeito, conforme demonstram os relatórios de sua operação (em anexo), há uma constante e significativa evolução da quantidade de soja por ela processada em sua principal atividade, que pode ser resumida na planilha de fl. 802. Portanto, restando claro e inequívoco que (1) os incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Piauí com base na Lei nº 4.859/96 tem por objetivo essencial o auxílio à implantação de empreendimentos industriais, e, ainda, que (2) a contribuinte vem cumprindo religiosamente as condições estabelecidas para o usufruto desta isenção contratual, não pode haver dúvida honesta quanto à sua qualificação como autêntica subvenção para investimento e, por tabela, na intributabilidade dos respectivos valores na forma do artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, colocando a descoberto a manifesta improcedência da pretensão fiscal”. Do suposto descumprimento do artigo 18, inciso III, da Lei nº 11.941/2009. Expressa permissão para que os valores sejam utilizados na amortização de prejuízos. “Para justificar a tributação pretendida, o Auditor Fiscal ainda imputou à contribuinte seguinte irregularidade: “As diligências efetuadas na escrituração do sujeito passivo revelou também que não foi constituída reserva específica de lucros exigida no inciso III do art. 18 da Lei nº 11.941/09, que permitiria o controle das restrições legais referentes à utilização dos valores recebidos em decorrência de subvenção para investimentos”. (...) Primeiramente, é incontroverso que a revogação, pelo artigo 10 da Lei nº 11.638/2007, do artigo 182, §1°, letra "d", da Lei das S/A, que determinava a classificação das subvenções para investimento na conta "reservas de capital", e a instituição, pelo novo artigo 195A da Lei das S/A, da conta "reservas de incentivos fiscais", em nada afetou o regime tributário em questão. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 15 14 Mas a "inovação" em que se embasou, no particular, a autuação foi a supostamente promovida artigo 18 da Lei nº 11.941/2009, mais especificamente pelo seu inciso III, a teor do que a companhia deveria “manter em reserva de lucros a que se refere o artigo 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício”. Mas também aí a modificação é mais de forma do que de substância: houve apenas uma ligeira permuta do nome da conta na qual deveriam ser lançados os valores em questão (de "reserva de capital" para "reserva de incentivos fiscais"), sem a mínima pretensão de alterar o respectivo regime tributário. (...) Recente Solução de Consulta (nº 16, de 16/10/2012) reconhece que o RTT não alterou substancialmente, sob a perspectiva tributária, o tratamento das subvenções para investimento previsto no artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77 (artigo 443 do RIR/99). E, confirmando a equivalência substancial do regime tributário das subvenções para investimento pré e pós Lei nº 11.941/2009, foi expressamente reafirmada a possibilidade da sua utilização para fins de absorção de prejuízos (artigo 18, § 3º, da Lei nº 11.941/2009), sendo exatamente esse o aspecto daquela lei que mais interessa para debelar a imputação ora em xeque feita pelo lançamento impugnado. Aliás, é sintomático que a fiscalização tenha centrado sua análise exclusivamente no inciso III do artigo 18 da Lei nº 11.941/2009, não dizendo uma única palavra sobre o seu § 3°, incorrendo em um aparente “silêncio eloqüente”. E justamente o comando legal solenemente "ignorado" pela autoridade lançadora que evidencia, sem sobre para dúvidas, a absoluta regularidade do procedimento adotado pela contribuinte. Como se constada do teor das DIPJs e LALURs relativos aos períodos abrangidos pela autuação, a contribuinte invariavelmente apurou prejuízos naqueles exercícios, o que, naturalmente, exclui de antemão a possibilidade de se constituir a reserva a que se refere o artigo 18, inciso III, da Lei nº 11.941/2009. Além disso, a empresa ainda possuía, no início do anocalendário 2008, um saldo de R$ 7.490.770,52 a título de prejuízos relativos a exercícios anteriores. Portanto, o procedimento da contribuinte está devidamente respaldado no artigo 38, § 2°, letra "a", do Decretolei nº 1.598/77 (ar tigo 443, inciso I, do RIR/99) e no art. 18, § 3°, da Lei nº 11.941/2009, não merecendo qualquer censura”. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 16 15 Da incerteza do acréscimo patrimonial representado pelos incentivos fiscais. Pendência de decisão judicial acerca da sua validade na ADI nº 4.537/PI e em razão da iminente aprovação da PSV nº 69 “Ademais, há que se observar que o acréscimo patrimonial em tese representado pelos valores relativos ao incentivo fiscal de ICMS está longe de ser certo e incontroverso. Muito pelo contrário: é fato público e notório que os incentivos fiscais concedidos pelos Estados do Norte e Nordeste no contexto da sua política de atração de investimentos, como o ora em questão, constituem o principal instrumento da chamada "guerra fiscal", a qual é exercida sem a prévia anuência dos demais Estadosmembros, manifestada através de Convênios celebrados perante o CONFAZ/MF, como seria exigido pelo artigo 155, § 2°, inciso XII, letra "g", da CF/88. Sem entrar no mérito da (ir)regularidade do referido incentivo fiscal, até porque a contribuinte é a maior interessada na sua manutenção, o certo é que, queira ou não, a sua validade encontrase, atualmente, sub judice, visto que está pendente de julgamento no STF a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.537/PI. E, paralelamente à referida ADI, tramita, ainda, no STF a já notória Proposta de Súmula Vinculante nº 69, cujo objetivo é colocar uma "pádecal" definitiva sobre todos os incentivos fiscais aprovados naqueles moldes. (...) Tampouco se poderia reputar improvável a possibilidade de o Fisco Estadual, "empurrado" por aquelas deliberações, tomar a iniciativa de exigir/cobrar da empresa os créditos tributários a título de ICMS que deixaram de ser recolhidos em virtude do incentivo glosado: além de ser inerente à decisão que pronuncia a inconstitucionalidade de ato normativo a eficácia ex tunc, o STF já teve oportunidade de, em caso análogo, rejeitar o pleito de Estadomembro no sentido da modulação temporal dos efeitos da glosa do incentivo questionado. Em síntese, o benefício auferido pela contribuinte com os incentivos fiscais em questão é perfeitamente passível de reversão. E isso é o suficiente para retirarlhes os atributos da definitividade e incondicionalidade e, assim, desqualificar a aparente disponibilidade jurídica que a contribuinte teria sobre o apresente acréscimo por eles proporcionados, conditio sine qua non para sua tributação por IRPJ e congêneres, a teor do artigo 43 do CTN. É esta também a lógica que sustenta o orientação do CARF no sentido de que o reconhecimento de receitas relacionadas a direitos sub judices só deve ocorrer quando do trânsito em julgado da sentença favorável ao contribuinte, como ilustram as ementas transcritas à fl. 812. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 17 16 (...) Até lá a pretensão fiscal é flagrantemente precipitada e, portanto, improcedente”. MULTA ISOLADA POR FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ/CSLL Da prejudicialidade exercida pelas demais imputações (infrações nºs 1 e 2). Conseqüente esvaziamento deste aspecto do lançamento caso infirmado o prejudicial “É lógico e intuitivo que infirmada as exigências principais (infrações nºs 1 e 2), também cai por terra a exigência acessória (infração nº 3, “multa isolada”), porque o acessório segue a sorte do principal”. Da inexigibilidade de multa isolada após o encerramento do anobase. Sua indevida cumulação com multa de ofício “E, ainda que se desconsiderasse, por hipótese, sua condição de mera exigência reflexa, ainda assim deveria ser infirmada a presente imputação. É que a jurisprudência do CARF já se consolidou no sentido da inexigibilidade da multa isolada após o encerramento do anocalendário das respectivas estimativas, bem assim da impossibilidade da sua cumulação com a multa de ofício, sob pena de bis in idem, como ilustram os acórdãos de fls. 827/828. Por mais essa razão, deve o lançamento ser julgado improcedente também quanto a este ponto”. Apreciando o caso, a DRJ/SPO manteve integralmente os lançamentos relativos à “glosa de despesas” (item 0001 do AI) e julgou procedente a impugnação ofertada em relação à irregularidade descrita no item 0002 do AI, ou seja, “exclusões do Lucro Real e base da CSSL”, entendendo que as receitas de incentivos fiscais de ICMS restaram comprovadas como “subvenções para investimento”, portanto não sujeita à tributação pelo IRPJ e CSLL. Na sequência, igualmente exonerou (e de outro lado manteve) parcialmente a multa isolada lançada em razão de insuficiência nos recolhimentos estimados de IRPJ, fruto direto do decido em relação aos tópicos precedentes. É o relatório do essencial. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso de Ofício, art. 34, inciso I, e art. 37 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, c/c art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda MF nº 3 de 03 de janeiro de 2008 (DOU 07/01/2008), delo conheço. DOS LANÇAMENTOS RELATIVOS À SUBVENÇÃO O tema em discussão tem frequentado assiduamente as sessões das Câmaras deste Colegiado, inclusive da CSRF e, basicamente, visa solucionar conflito que se instaura entre o Fisco e os contribuintes em relação às nominadas “subvenção para investimentos” e “subvenção para custeio”, a primeira, como se sabe, ao abrigo da tributação do IRPJ por força do artigo 443, do RIR/1999, e a seguinte sem o apoio deste benefício, devendo compor as bases imponíveis das duas exações (art. 392, do diploma citado). Neste contexto, a correta dicotomia entre os dois termos fazse imperativa para melhor definir a refrega. No caso em contenda, a Fiscalização pontuou que “a contribuinte excluiu, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, dos períodos objetos do presente procedimento fiscal, os valores contabilizados nas contas de receitas acima referidas, dando lhes o tratamento tributário estabelecido no artigo 443 do RIR/99, revelando, assim, seu entendimento de que as receitas de incentivos fiscais de ICMS auferidas são subvenções concedidas em contrapartida à realização de investimentos de implantação e/ou expansão de seu empreendimento”, e, depois de citar e transcrever parcialmente o Parecer Normativo CST nº 112/1978, advertiu: “O exame das contas do Ativo Imobilizado, constantes da escrituração contábil dos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, bem como do demonstrativo elencando a movimentação ocorrida nessas contas, apresentado pela contribuinte em resposta ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 001, demonstrou que as mutações patrimoniais registradas nesse grupo de contas representam mutações normais, condizentes com o funcionamento ordinário de qualquer empresa em operação, com mesmo porte e organização da contribuinte, revelando transações corriqueiras de aquisição de bens móveis, para aprimoramento das atividades e/ou em substituição a bens obsoletos, defeituosos, ultrapassados ou inservíveis, mas não revelando, de forma nenhuma, a aplicação de recursos em investimentos, condizentes com a relevância das mutações patrimoniais que se espera sejam produzidas nas contas do Imobilizado em razão da implantação e/ou ampliação de um empreendimento econômico. O quadro abaixo, levantado com os dados informados nas DIPJs dos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, clarificam o que foi dito acima (valores em reais)”: Anocalendário Saldo inicial Saldo final Alteração 2008 8.611.397,05 8.653.579,94 42.182,89 2009 8.653.579,94 9.015.732,31 362.152,37 2010 9.015.732,31 9.527.497,25 511.764,94 Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 19 18 Para prosseguir: “As diligências efetuadas na escrituração da contribuinte revelaram também que não foi constituída reserva específica de lucros exigida no inciso III do artigo 18 da Lei n° 11.941/2009, que permitiria o controle das restrições legais referentes à utilização dos valores recebidos em decorrência de subvenção para investimentos”. E concluir: “Assim sendo, a fiscalização entende que os valores auferidos pela contribuinte em razão de incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Piauí, a despeito da denominação dada e/ou das contrapartidas aceitas por este ente público para gozo do benefício, caracterizaramse como subvenção para custeio ...” Contrapondo, a defesa rebateu as colocações da Fiscalização, repeliu ferozmente o entendimento exposto no PN CST nº 112/1978, inclusive louvandose em Bulhões Pedreira (segundo seu dizer “incontroversamente a maior autoridade pátria no assunto”), e que tal autor, “há muito já havia desmontado a base normativa do PN CST nº 112/78” (fls. 785/786). Na continuidade, proclama que “mais do que ilegal, o critério estabelecido pelo PN CST nº 112/78 mostrase também ilógico e inconsistente, pois (...) como a atuação da regra isentiva pressupõe, logicamente, a geração de débitos passíveis de serem por ela neutralizados e, naturalmente, que o empreendimento já esteja em fase de operação, o aproveitamento do benefício pelo subvencionado, via de regra, só ocorrerá depois da montagem/ampliação do parque fabril, tornando impraticável a pretendida destinação específica dos recursos subvencionados em investimentos ativáveis”, e que “este ‘deslize’ foi devidamente percebido pela CSRF/CARF, conforme Acórdão nº 9101001.094, processo nº 13558.000107/200788” (ementa às fls. 788). Sobre a possível não contabilização em conta específica de Reserva de Lucros do valor da subvenção, aduz ser “sintomático que a fiscalização tenha centrado sua análise exclusivamente no inciso III do artigo 18 da Lei nº 11.941/2009, não dizendo uma única palavra sobre o seu § 3°, incorrendo em um aparente “silêncio eloqüente (...), justamente o comando legal solenemente ‘ignorado’ pela autoridade lançadora que evidencia, sem sobre para dúvidas, a absoluta regularidade do procedimento adotado pela contribuinte”. Em resumo, para a Fiscalização a aplicação de valores no ativo imobilizado não foi condizente com o benefício obtido, ofendendo o entendimento do PN CST nº 112/1978, levando ao deslocamento da subvenção de “investimento” (não tributada), para “custeio”, sujeita à imposição dos tributos IRPJ e CSLL. Além disso, não teria sido constituída Reserva de Lucros específica, como preconiza o inciso III do artigo 18 da Lei n° 11.941/2009. De sua parte a contribuinte defende que o citado Parecer Normativo estaria desmontado em sua essência e que o § 3º, do artigo 18, da Lei citada, daria suporte ao procedimento por ela realizado. De fato, notase um quadro de pequenas inversões realizadas pela contribuinte no período de 2008 a 2010 (planilha acima reproduzida), somado ao fato de que a maior parte das aquisições foi de móveis, utensílios e outros bens de pequeno valor (fls. 137/138), excetuadas as compras de dois “caminhões tratores” (em torno de R$ 230.000,00 cada um e que provavelmente não tenham qualquer finalidade industrial direta, mas de apoio) e de um “grupo de gerador” de R$ 200.000,00, este, sim, presumivelmente parte integrante do parque fabril. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 20 19 De qualquer modo, não foram inversões de porte, de forma que, analisados os fatos sob este ângulo, caberia, em princípio, razão ao Fisco. Todavia, a este Relator parece claro que somente esta visão restrita de incremento de ativo imobilizado não é fator determinante para diferenciar a subvenção de investimento da de custeio. É, com certeza, um dos parâmetros a ser levado em conta, mas não o único. Primeiro porque o PN 112/1978, embora se reporte a outros textos que tratem de inversões em ativo imobilizado, não faz literal alusão a esta condição, ao contrário, pontua: 2.11. Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de Subvenções para Investimento é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU 16.01.1978). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a Subvenção para Investimento seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as Subvenções para Custeio ou Operação e as Subvenções para Investimento, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específica. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU 16.10.1973), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que Subvenção para Investimento é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas mas sim na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. (negrejouse e sublinhouse) Depois porque, a própria evolução histórica e cronológica da economia nas últimas décadas mostra ser possível, nos dias de hoje, ampliar, implantar, implementar, incrementar fatores de crescimento e investimento sem grandes aportes de imobilizado, como por exemplo, investindo em tecnologia, em treinamento de pessoal, em maciça publicidade, em logística, pela melhor exploração de pontos de vendas, pela racionalização da produção, etc., de modo que, no pensar desta Relatoria, não é o simples incremento do “ativo imobilizado” que mostra a linha divisória entre “subvenção para investimento” e “subvenção para custeio”. Ademais, vejase que o PN expressa literalmente que “subvenção para investimento é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas mas sim na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos”, digase, não se restringe a bens corpóreos ou incorpóreos, mas avança no sentido de que haja inversões em “direitos”, nítida rubrica presente no “circulante” (Curto Prazo) ou no “não circulante” (subgrupo Realizável Longo Prazo) das empresas (cf. NBC T.3, aprovada pela Resolução CFC nº 686/1990 e alterada pela Res. CFC nº 1.049/2005, item 3.2.2.3). Neste cenário, induvidoso que somente o pequeno aporte em imobilizado não desnatura a essência da subvenção, se presentes outros pontos a lhe dar suporte. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 21 20 Outro aspecto levantado pelo Fisco diz respeito a uma possível não contabilização pela contribuinte dos valores subvencionados em conta de Reserva de Lucros especialmente criada para isso. Por bem focar o tema, lanço mão dos articulados argumentos do voto condutor da decisão de 1º Grau, com os quais concordo e aqui são adotados, neste aspecto específico, como razão de decidir: “Quanto ao alegado (pela fiscalização) descumprimento do artigo 18, inciso III, da Lei nº 11.941/2009 (que dispõe que se deve “manter em reserva de lucros a que se refere o artigo 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício”), a impugnante, entre outras alegações: ∙ menciona o artigo 18, § 3º, da Lei nº 11.941/2009, que dispõe que “Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subseqüentes” (grifei); ∙ argumenta que, conforme DIPJs e LALURs relativos aos períodos abrangidos pela autuação, a contribuinte invariavelmente apurou prejuízos naqueles exercícios, o que, naturalmente, exclui de antemão a possibilidade de se constituir a reserva a que se refere o artigo 18, inciso III, da Lei nº 11.941/2009. Analisandose as DIPJs dos anoscalendário 2008, 2009 e 2010 (em anexo), observase que, em todos esses períodos, a contribuinte apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, bem como lucro líquido contábil inferior às subvenções, conforme a seguir sintetizado (valores em reais): Anocalendário 2008 2009 2010 Prejuízo fiscal 978.389,54 4.579.991,54 2.022.605,06 Base de cálculo negativa CSLL 978.389,54 4.579.991,54 2.022.605,06 Lucro líquido contábil 502.634,56 1.480.345,22 4.144.531,56 Subvenções 4.321.613,40 6.066.778,62 6.181.855,15 Dessa forma, considerando o disposto no artigo 18, § 3º, da Lei nº 11.941/2009, de fato, não foi possível à contribuinte constituir a reserva de lucros prevista no artigo 18, inciso III, da Lei nº 11.941/2009, nem no ano calendário corrente, nem nos subseqüentes. Descabe, assim, esse empecilho colocado pela fiscalização ...” Antes de se passar ao estudo da legislação do Estado do Piauí que criou e implementou o benefício, impende, por pertinente, refutar argumentos da defesa em relação ao PN CST nº 112/1978, dentre eles: Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 22 21 a) o de que o “modus operandi estabelecido pelo Parecer seria inexequível, na medida em que o seu cumprimento implicaria, paradoxalmente, na própria perda da posição jurídica deferida pelo artigo 38, § 2°, do Decretolei nº 1.598/77, justamente o direito cujo gozo ele regulamentar, isto porque (...) a teor do artigo 38, § 2°, letra “a”, d o Decretolei nº 1.598/77, uma das 3 condições sine qua nons para a atuação da regra de nãotributação em questão é que as subvenções para investimentos sejam contabilizadas, necessariamente, na conta reservas de capital, disciplina, aliás, coincidente com a conferida pela Lei nº 6.404/76”; e, b) que, “se, como quer o PN CST nº 112/78, os valores relativos aos incentivos devem ser utilizados em investimentos ativáveis, passando a compor, por conseguinte, a conta do Ativo Imobilizado, então, inevitável e paradoxalmente, estaria sendo desatendido o artigo 38, § 2°, letra “a”, do Decretolei nº 1.598 /77 c/c artigo 182, §1°, letra "d", da Lei nº 6.404/76, pois eles não poderia ser contabilizados simultaneamente como reservas de capital”. Tenho que labuta em erro a defesa. Na verdade, inexiste qualquer paradoxo na determinação de se contabilizar o benefício da subvenção para investimento na forma proposta no PN. De fato, sabem os que militam na ciência contábil que as contas de Ativo (Imobilizado, no caso) são contas de natureza devedora, enquanto que as do Patrimônio Líquido (como Reservas de Capital até 2007 e Reservas de Lucros, a partir de 2008) têm função credora, de modo que não apenas é possível – como correto e natural – que os lançamentos entre elas ocorram na forma estatuída no Parecer, debitandose as primeiras e creditandose as do PL. Vejo que o voto exarado pelo I. Conselheiro desta Câmara, Benedicto Celso Benício Júnior no Acórdão nº 110100.661, citado pela defesa, foi tomado em outro contexto e especificamente em relação ao trabalho fiscal desenvolvido naquele procedimento, não sendo aplicável ao caso presente. Por todo o exposto, não vislumbro qualquer ilegalidade no PN CST nº 112/1978, com as ressalvas de tratamento, já feitas. Colocadas estas considerações primeiras, cabe, agora, a análise específica da legislação piauiense, instituidora das subvenções aqui tratadas. Prescrevia a Lei estadual nº 4.859, de 27/08/1996 (hoje revogada, mas vigente à época dos fatos), que dispunha sobre a “concessão de incentivos fiscais de dispensa de pagamentos do ICMS para empreendimentos industriais e agroindustriais, estabelecidos no Estado do Piauí”: “Art. 1º. O incentivo fiscal de dispensa do pagamento referente ao (...) ICMS, a ser concedido aos empreendimentos industriais e agroindustriais, considerados prioritários para o Estado do Piauí, por motivo de implantação, relocalização, revitalização e Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 23 22 ampliação de unidades fabris já instaladas, obedecerá a forma e as condições previstas nesta Lei. Art. 2º. Para os efeitos desta Lei, considerase: *I empreendimento industrial ou agroindustrial prioritário aquele que adquira, sempre que possível, matérias primas e insumos produzidos e/ou extraídos no Estado, absorva mãode obra local, disponha de mercado consumidor garantido, interna e/ou externamente, possa influir na criação de pequenas e microempresas e explore, preferencialmente, os potenciais agrícolas e minerais, podendo, excepcionalmente, ser formado por empresa especializadas necessárias à instalação da planta industrial; *Inciso I com redação dada pela Lei nº 5.875, de 20/07/2009, art. 2º. II – implantação – a instalação de estabelecimento industrial ou agro industrial que venha a entrar em operação a partir da data da publicação do Regulamento desta Lei; III – relocalização – o deslocamento de estabelecimento de sua área original para outro município, segundo a política estabelecida pelo Governo; IV – revitalização – a reativação das atividades do estabelecimento, desativado há mais de 12 (doze) meses, contados do último faturamento, na forma em que dispuser o Regulamento; V – ampliação – o aumento da capacidade instalada do estabelecimento, do qual resulte incremento real de receita e/ou absorção de mãodeobra, de pelo menos 1/3 (um terço) da já existente, exceto se decorrente de fusão ou incorporação de empresas, de que trata o § 6º do art. 4º; VI – industrialização – qualquer operação da qual resulte alteração da natureza, funcionamento ou utilização do produto, como: a) transformação – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova; b) beneficiamento – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização ou o acabamento do produto; c) montagem – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e da qual resulte um novo produto ou unidade autônoma, nos termos em que dispuser o Regulamento; VII – atividades prioritárias – as que utilizem matériasprimas produzidas e/ou extraídas dentro do próprio Estado, a serem definidas através de ato do Poder Executivo. (...) Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 24 23 § 3º A ampliação de que trata o inciso V deste artigo será aferida pelo incremento real da receita, que se constitui no valor monetário proveniente das saídas de bens de sua produção, hipótese em que o benefício alcançará, apenas, o valor do imposto decorrente da parcela excedente da receita, entendida na forma em que dispuser o Regulamento”. Da leitura da lei verificase a exigência de que as empresas, para usufruírem dos incentivos fiscais, submetamse ao cumprimento dos requisitos nela presentes, em quaisquer das categorias elencadas (implantação, relocalização, revitalização, ampliação, etc.), sendo que seu não atendimento impõe a aplicação de penalidades, inclusive a exclusão do regime, como cristalinamente expressa o Decreto regulamentador (Decreto Estadual nº 9.591/1996): (destaques acrescidos): Art. 5º A Comissão Técnica de que trata o art. 8º. da Lei nº 4.859, de 27 de agosto de 1996,será constituída por representantes das Secretarias da Fazenda, do Planejamento, da Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia e da Agricultura e por um assessor jurídico, sendo sua coordenação exercida pelo representante da primeira, obrigatoriamente ocupante do cargo de Agente Fiscal de Tributos Estaduais. Art. 6º Compete, também, à Comissão Técnica: I manter cadastro especial, em que se inscreverão os estabelecimentos das empresas beneficiárias de incentivos fiscais, sem prejuízo das demais obrigações estabelecidas na legislação do ICMS; II acompanhar e avaliar o projeto de viabilidade econômico financeira do empreendimento; III comunicar ao Departamento de Arrecadação e Tributação DATRI e ao Departamento de Fiscalização DEFIS, da Secretaria da Fazenda SEFAZ, para a adoção de providências cabíveis, o não atendimento, pelo beneficiário, dos requisitos e condições estabelecidos para a concessão e/ou fruição do incentivo fiscal, constatado na fase de execução do projeto; IV recomendar ao Conselho de Desenvolvimento Econômico CODEN, através de parecer técnico circunstanciado, a revisão, suspensão ou revogação do benefício concedido, conforme o parágrafo único do art. 7º, da Lei nº 4.859, de 27 de agosto de 1996. (...) * Art. 24 Fica criado o Conselho de Desenvolvimento EconômicoCODEN, de que trata o art. 14 da Lei nº 4.859, de 27 de agosto de 1996, órgão colegiado de caráter deliberativo, composto pelos Secretários da Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura, Abastecimento e Irrigação, pelos Presidentes da Federação das Indústrias do Estado do Piauí, da Federação da Agricultura do Estado do Piauí e da Associação Industrial do Piauí, por um Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 25 24 representante de instituição de financiamento e fomento de âmbito federal que atue na Região Nordeste e por um representante do Poder Executivo do Município de Teresina, sendo os dois último indicados pelos respectivos órgãos. * Art. 24 com redação dada pelo Dec. nº 9.676, de 31 de março de 1997, art. 1º. § 1º O CODEN tem as seguintes atribuições: I formular a política industrial do Estado; II aprovar a concessão de incentivos fiscais, após a análise de parecer da Comissão Técnica; III avaliar , periodicamente, o desempenho das empresas incentivadas, propondo, quando for o caso, a suspensão, a revogação ou a revisão do benefício; IV exercer outras atribuições necessárias ao cumprimento dos objetivos do programa de incentivos fiscais; V aprovar formulários, normas, rotinas e procedimentos a serem adotados para a execução do programa; VI elaborar e aprovar seu regimento interno; VII analisar e resolver os casos omissos. § 2º O CODEN será assessorado pela Comissão Técnica de que tratam os arts. 5º e 6º deste Decreto. Nesse passo, para se habilitar aos benefícios contemplados na citada legislação, os interessados obrigamse a atender o que deles exige o Decreto, findo o que, cumpridas tais determinações, o Poder Executivo expede ato concessivo do incentivo fiscal à pessoa jurídica, como ocorreu com a contribuinte, via edição do Decreto nº 10.258, de 29/02/2000 (doc. de fls. 66 e seg) no qual o Governador do Estado do Piauí, considerando o cumprimento de todos os requisitos e acolhendo pareceres técnicos da CODEN (art. 24, § 1º, II – Decreto nº 9.591/1996) e despacho autorizativo do Secretário da Fazenda, decretou: “Art. 1º Fica concedido ao estabelecimento da empresa INDÚSTRIAS DUREINO S.A, inscrito no CNPJ sob o nº 10.981.488/000139 e no CAGEP sob o nº 19.405.8123, estabelecido na Rua Livramento nº 206, Bairro Terminal de Petróleo, município de Teresina – PI, incentivo fiscal pelo prazo de 10 (dez) anos, prorrogado em parte, por mais 05 (cinco) anos, na forma do Decreto nº 10.472/2000, alterado pelo Decreto nº 10.653/2001, na forma abaixo”: Nos incisos seguintes, são listados os diversos empreendimentos a implantar e os incentivos decorrentes, exemplificativamente: Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 26 25 “I – no período de 1º de dezembro de 1994 a 30 de novembro de 1998, à IMPLANTAÇÃO SEM SIMILAR, com dispensa de 100% (cem por cento) do ICMS apurado, na forma do disposto no art. 4º, inciso I, da Lei nº 4.503, de 10 de setembro de 1992, para fabricação dos produtos derivados da soja: óleos, farelos, sabão, sabonetes, margarina e outras gorduras, conforme consta no Decreto nº 9.042, de 04 de novembro de 1993; II no período de 1º de dezembro de 1998 a 31 de julho de 1999, à IMPLANTAÇÃO SEM SIMILAR, com dispensa de 60% (sessenta por cento) do ICMS apurado, na forma do disposto no inciso I do art. 4º da Lei nº 4.503, de 10 de setembro de 1992, para fabricação dos produtos de que trata o inciso anterior, tudo conforme estabelece o Decreto nº 9.042, de 04 de novembro de 1993; (...) * VI – a partir de 01 de dezembro de 2005, à IMPLANTAÇÃO SEM SIMILAR, para fabricação de detergente em pó, nos termos do art. 4º, I, “a”, da Lei nº 4.859, de 27 de agosto de 1996, correspondente a: a) dispensa de 100% (cem por cento) do ICMS apurado no período de 01 de dezembro de 2005 até 30 de novembro de 2012; b) dispensa de 70% (setenta por cento) do ICMS apurado no período de 01 de dezembro de 2012 até 30 de novembro de 2015; * VII – a partir de 01 de dezembro de 2005 até 30 de novembro de 2015, à IMPLANTAÇÃO COM SIMILAR, para fabricação de desinfetantes, amaciante e detergente líquido, na forma do disposto no art. 4º, II, da Lei nº 4.859, de 27 de agosto de 1996, com dispensa de 60% (sessenta por cento) do ICMS apurado, durante esse período de tempo; * VIII – a partir de 01 de dezembro de 2005 até 30 de novembro de 2015, à IMPLANTAÇÃO COM SIMILAR, para fabricação de multiuso, limpador perfumado, água sanitária comum e água sanitária perfumada, na forma do disposto no art. 4º, II, da Lei nº 4.859, de 27 de agosto de 1996, com dispensa de 60% (sessenta por cento) do ICMS apurado, durante esse período de tempo”; Referido Decreto teve dispositivos alterados pelos Decretos nº 10.455, de 20/12/2000 (fls. 75), nº 10.692, de 13/11/2001 (fls. 79), e nº 12.054, de 28/12/2005 (fls. 89), sem perder sua essência. Parecem induvidosas, portanto, i) a intenção do legislador piauiense em incrementar o desenvolvimento do Estado, para isso adotando mecanismos que entendeu cabíveis em tributo de sua esfera de competência (ICMS), procedimento nitidamente enquadrável dentre aqueles que se adotou chamar de “guerra fiscal” e do qual lançam mão alguns entes federativos na busca de investimentos em seus territórios, e, ii) a fiel observância, pela contribuinte, das normas impositivas para obtenção do benefício, tanto que teve sua inclusão autorizada no regime e sua permanência nele, sem restrições. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 27 26 Exprimindo diversamente, se a contribuinte obteve permissão para usufruir dos benefícios fiscais significa, em última análise, que cumpriu com os requisitos exigidos, posto que, não o tivesse feito, não obteria o Decreto concessivo ou, caso obtido, teria sofrido sua revogação por desatendimento às normas que lhe eram impostas. A respeito, os artigos 6º e 24, do Decreto nº 9.591/1996 (regulamentador da Lei), sobre isso não deixam dúvidas. Conjunto que se completa com os dizeres do artigo 13, do Decreto concessivo, por si só autoexplicativo: “Art. 13. A autorização, objeto deste Decreto, não gera direito adquirido, podendo ser revista e o benefício revogado, de ofício, quando comprovado que o contribuinte: I – incorreu em infração dolosa, com simulação, fraude ou conluio, respondendo, inclusive os responsáveis, criminalmente, na forma da lei, sem prejuízo do disposto no inciso seguinte; II – beneficiouse, indevidamente, do incentivo fiscal, hipótese em que o imposto tornase devido, integralmente, com atualização monetária e acréscimos legais, de conformidade com a legislação tributária vigente; III – desativou ou reduziu a produção do estabelecimento não incentivado, para proveito de outro incentivado, do mesmo grupo empresarial.” Dito isto, é indubitável que os dispositivos retro transcritos mostram impositivas normas que devem observar os contribuintes piauienses se quiseram obter os favores fiscais trazidos pela Lei nº 4.859, de 27/08/1996, sob pena de exclusão do regime favorecido e até responsabilização na área criminal. Neste eito, imperativo concluir: i) se a contribuinte apresentou os devidos projetos de “implantação” de unidades; ii) se os órgãos reguladores do Estado e o Secretário da Fazenda analisaram os projetos e deram aval autorizativo para concessão do benefício; iii) se este se exteriorizou mediante edição de Decreto do Executivo, diversas vezes complementados, sem afetar sua essência, ao contrário, mantendo a concessão e a prorrogando e, iv) se ao longo de mais de uma década a empresa não foi excluída nem suspensa do programa, parece claro que o empreendimento foi implementado e executado, presumindo seu caráter de investimento. Não bastasse, exsurge nos autos que, ainda no curso da ação fiscal, o Titular da Unidade da RFB em TeresinaPI requisitou ao órgão CODEN, a quem cabe, como visto, “avaliar, periodicamente, o desempenho das empresas incentivadas, propondo, quando for o caso, a suspensão, a revogação ou a revisão do benefício”, o fornecimento, “no prazo mais breve possível, de relatórios de avaliação periódica de desempenho da empresa incentivada INDÚSTRIAS DUREINO S.A. CNPJ: 10.981.488/000139, emitidos pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico – CODEN, conforme previsto no art. 24, III, do Decreto nº 9.591, de 21/10/96” (Ofício nº 051/2012DRF/TSA/Safis, de 04/06/2012 – fls. 107). Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 28 27 Atendendo ao requerido, o Sr. Secretário da Fazenda do Estado enviou Ofício à RFB capeando informações do CODEN, abaixo reproduzidas (fls. 108/111): Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 29 28 Antes de prosseguir na análise, registrese, como bem suscitado pela decisão recorrida, que a Fiscalização, além de não mencionar na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos Autos de Infração, a requisição feita ao CODEN (Ofício nº 051/2012 DRF/TSA/Safis, de 04/06/2012), nem a resposta correspondente (Ofício GSF nº 656/2012, de 21/06/2012), ainda intimou posteriormente a contribuinte (em 12/07/2012), quando já estava de posse das informações requeridas, a “apresentar relatórios de avaliação periódica de empresa incentivada, emitidos pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico – CODEN; De 01/01/2008 até 31/12/2010” (item 5 do Termo de Intimação Fiscal nº 1, de 12/07/2012, fl. 127), procedimento no mínimo sem sentido. Em síntese, enquanto a Fiscalização fincou estacas apenas no exame da variação do Ativo Imobilizado da empresa ao longo dos anos e na suposta não contabilização em conta de Reserva de Lucros do montante da subvenção (temas já analisados anteriormente), a contribuinte trouxe justificativas suficientes de modo a comprovar a regularidade de seu proceder, dentre elas, i) a entrada e mantença no sistema por longos anos, sem nenhuma contestação pelas Autoridades do Estado que concederam o benefício; ii) o atestado fornecido pelo Órgão fiscalizador – CODEN – comprovando a regularidade, iii) o substancial acréscimo no faturamento, fato que, embora não seja isoladamente capaz de comprovar o Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 30 29 empreendimento, não deixa de ser uma variável importante a considerar, afinal, dificilmente se duplica faturamento sem investimentos antecedentes, e, iv) o potencial aumento na matéria prima (soja) por ela utilizada (fls. 840), fato nem de longe tratado pelo Fisco, e que, assim como no caso do faturamento, se de um lado e de per si não tem o condão de atestar investimentos, de outro impõe inevitáveis questionamentos de como seria possível aumentar em torno de 50% a matéria prima processada sem que houvesse estrutura para isso, sugerindo investimentos necessários para tal desiderato. Ademais, repisese, frente à conclusiva e pontual resposta do CODEN, Órgão competente para avaliar (e atestar) a conformidade da subvenção concedida à pessoa jurídica e que não foi infirmada (nem sequer mencionada) pela Fiscalização, há que se concluir que o procedimento da contribuinte enquadrouse nos ditames da legislação vigente, inclusive nos conformes do PN CST n° 112/78, devendo a subvenção por ela recebida ser classificada como “investimento” e assim, com abrigo no artigo 443, do RIR/1999, ficar ao largo da tributação de IRPJ e CSLL. Antes de finalizar, entretanto, há outro aspecto que envolve as conclusões do PN CST nº 112/1978 que entendo deva ser analisado de forma consentânea com aquilo que concretamente o benefício contemplou. Tratase da “sincronia” referida no seu item 2.1, verbis: 2.12. Observase que a Subvenção para Investimento apresenta características bem marcantes exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o animus de subvencionar para investimento. Impõese também a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como Subvenção para Investimento. Data vênia, não vejo a restrição que muitos observam na redação do item acima. Melhor explicando, não visualizo que a “perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado” e que “a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado” referidas no PN signifiquem que os recursos obtidos pelo benefício subvencional devam ser aplicados no mesmo momento em que havidos (no caso, a redução do ICMS), nos empreendimentos e investimentos pactuados ou assumidos com o subvencionador. Pareceme claro que o que o redator do PN quis traduzir foi que o benefício subvencional obtido não pode tomar outro rumo que não aquele contratual e legalmente previsto, ou seja, a empresa não poderá desviálo da aplicação originalmente prevista. Concretamente, o que se tem no caso é que a subvencionada apresenta projeto de implantação de unidade, submeteo ao órgão legalmente competente para análise, recebe a aprovação, promove a implementação e só depois, às vezes depois de anos, é que consegue usufruir do incentivo de redução do ICMS. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 31 30 Vejase, a propósito, o inciso III, do art. 1º, do Decreto Estadual do Piauí nº 10.258, de 29/02/2000 (doc. de fls. 66 e seg) que concedeu a subvenção ora em análise à contribuinte: “Art. 1º. Fica concedido ao estabelecimento da empresa INDÚSTRIAS DUREINO S.A, inscrito no CNPJ sob o nº 10.981.488/000139 (...), incentivo fiscal pela prazo de 10 (dez) anos, prorrogado em parte, por mais 05 (cinco) anos, na forma do Decreto nº 10.472/2000, alterado pelo Decreto nº 10.653/2001, na forma abaixo: (...) *III – a partir de 1º de agosto de 1999, até 30 de novembro de 2004, à IMPLANTAÇÃO COM SIMILAR, para fabricação de desinfetantes, sabão em pó, este até 31 de dezembro de 2002, amaciante e detergente líquido, na forma do disposto no art. 4º, inciso II, da Lei nº 4.859, de 27 de agosto de 1996, com dispensa de 60% (sessenta por cento) do ICMS apurado, durante esse período de tempo”. Exsurge destes termos que a implantação inicial do projeto será feita com recursos próprios ou de terceiros (mercado financeiro, sócios, por emissão de debêntures, etc), somente conseguindo a subvencionada utilizarse do benefício da redução do ICMS apurado após a implementação dos investimentos, o que implica, por elementar, a assunção preliminar dos encargos do projeto, só recuperáveis em momento futuro. Em linguagem diversa, a beneficiária dos incentivos comprometese a promover os investimentos e, efetivados estes, recebe em troca a redução da carga tributária mediante dispensa dos recolhimentos que seriam devidos. É neste patamar que entendo tenha o PN 112/1978 focado suas lentes, ou seja, a de que os benefícios se revertam ao investimento realizado (no dizer do parecerista, “a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado”), ainda que isso não ocorra “no mesmo momento” entre os dois fatos, até porque, via de regra e no caso de incentivos como o aqui analisado, é praticamente impossível que isso ocorra, dado o lapso temporal que inevitavelmente transcorre entre a aplicação de recursos para implementação do investimento e o nascimento de fatos geradores (no caso, saídas por vendas), que permitam o aparecimento da obrigação tributária (ICMS) que será exonerada, total ou parcialmente, dando origem à subvenção. O voto condutor da I. Conselheira Edeli Pereira Bessa, desta 1ª Turma, da 1ª Câmara, da 1ª Seção, em julgado recente, ainda que relativo a lançamentos de PIS e COFINS, muito bem definiu o fato, em tudo semelhante ao apreciado nestes autos, ponderando (os destaques são meus): Em tais condições, não há dúvida que a subvenção é concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, consoante exige o §2º, do art. 38 do Decretolei nº 1.598/77, mormente porque a beneficiária é obrigada a Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 32 31 apresentar projeto de reativação, implementação ou ampliação de empreendimento econômico, e somente com a aprovação deste o incentivo é concedido, sempre sob a condição de comprovação contábil e física da integral realização do investimento projetado, comprovada por laudo de inspeção emitido pela Secretaria Executiva do DESENVOLVE, e, quando necessária, com assistência do DESENBAHIA, nos termos do art. 16 do Decreto nº 8.205/2002. Reiterese: os projetos de reativação, implementação ou ampliação de empreendimento econômico são apresentados antes de o benefício ser formalmente concedido. Desta forma, o fato de a vantagem tributária verificarse depois de implementadas as aplicações necessárias ao empreendimento econômico não é suficiente para afirmar que a subvenção destinouse à cobertura de déficits ou custeio de operações correntes. Os investimentos foram realizados com a expectativa deste retorno”. Acórdão nº 1101001.193 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de setembro de 2014 Deveras, na esteira de entendimentos firmados em diversas decisões deste Conselho, a caracterização de subvenção para investimento não depende exclusivamente da vinculação da aplicação dos recursos recebidos em empreendimentos da contribuinte, posto que, sabidamente, a comprovação dessa vinculação é praticamente impossível para o contribuinte que recebe o incentivo em um dado momento e o investe em outro. Resumo: havendo comprovação de que os valores vertidos pelo Estado como modo de incentivar o desenvolvimento do Piauí, na forma da Lei estadual nº 4.859, de 27/08/1996, foram corretamente aplicados, a característica de subvenção para investimento resta confirmada, até porque, ao contrário da Fiscalização que se limitou a comparar a evolução do “ativo imobilizado” entre 2008 e 2010 (quando, provavelmente, a maior parte dos investimentos já deveria estar concluída – lembrese, o Decreto concessivo é de 2000, oito anos antes), constam nos autos informações do órgão fiscalizador (CODEN) autenticando a regularidade do procedimento da subvencionada (documento antes reproduzido). Neste sentido e também sob este aspecto, entendo que a melhor leitura a se fazer da “perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado” e da “efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado” a que alude o PN CST nº 112/1978, é a de que o que se exige é que os incentivos sejam efetivamente destinados a subvencionar investimentos, ainda que não haja absoluta concomitância no recebimento dos recursos e sua imediata aplicação, caso específico dos incentivos que versem sobre redução do ICMS, que se exteriorizam somente quando das operações de vendas, geralmente em períodos posteriores à implementação do projeto e, em muitos casos, só possível graças justamente à consecução destes empreendimentos. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 33 32 Exemplificativamente, decisões deste Colegiado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007, 2008, 2009 Ementa: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. A vinculação dos recursos recebidos à empreendimentos não se mostra necessária para a caracterização dos mesmos como subvenções para investimentos. O que se mostra indispensável para tanto é o propósito da subvenção, pois, uma vez concebido pelo subvencionador como estimulo à implantação ou expansão de um empreendimento econômico deve ser registrado como reserva de capital e não como receita, nos termos do art. 443 do RIR/99. Assim, demonstrado o cumprimento dos requisitos do art . 443 do RIR/99 e a intenção do ente público no estímulo fiscal ao desenvolvimento empresarial, nos termos da legislação estadual pertinente, correto o enquadramento como subvenção para investimentos. Ac. 1202001.175 – 29/07/2014 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o dinheiro não precisa ser carimbado. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. Ac. 1102 001.203 – 24/09/2014 Por fim, não posso deixar de tecer algumas considerações a respeito da infeliz redação do Decreto Estadual nº 10.258, de 29/02/2000 que concedeu o benefício à contribuinte. A redação diz tudo (ou nada...): “Art. 1º Fica concedido ao estabelecimento da empresa INDÚSTRIAS DUREINO S.A, inscrito no CNPJ sob o nº 10.981.488/000139 e no CAGEP sob o nº Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 34 33 19.405.8123, estabelecido na Rua Livramento nº 206, Bairro Terminal de Petróleo, município de Teresina – PI, incentivo fiscal pelo prazo de 10 (dez) anos, prorrogado em parte, por mais 05 (cinco) anos, na forma do Decreto nº 10.472/2000, alterado pelo Decreto nº 10.653/2001, na forma abaixo: I – no período de 1º de dezembro de 1994 a 30 de novembro de 1998, à IMPLANTAÇÃO SEM SIMILAR, com dispensa de 100% (cem por cento) do ICMS apurado, na forma do disposto no art. 4º, inciso I, da Lei nº 4.503, de 10 de setembro de 1992, para fabricação dos produtos derivados da soja: óleos, farelos, sabão, sabonetes, margarina e outras gorduras, conforme consta no Decreto nº 9.042, de 04 de novembro de 1993; II no período de 1º de dezembro de 1998 a 31 de julho de 1999, à IMPLANTAÇÃO SEM SIMILAR, com dispensa de 60% (sessenta por cento) do ICMS apurado, na forma do disposto no inciso I do art. 4º da Lei nº 4.503, de 10 de setembro de 1992, para fabricação dos produtos de que trata o inciso anterior, tudo conforme estabelece o Decreto nº 9.042, de 04 de novembro de 1993”; Reduzindo a termo os dizeres do Decreto, temse que foi concedido incentivo fiscal, pelo prazo “x”, à empresa “y”, para “implantação sem similar”, com dispensa de percentual de ICMS, para fabricação de ....”. Ora, “Implantação sem similar DE QUÊ”? De uma fábrica inteiramente nova, de uma unidade fabril, de um prédio, de um barracão, de uma linha de produção, de um anexo, de um pátio? É evidente a ausência do “objeto indireto” na oração e que lhe daria sentido. É até possível que em relatórios internos e outros documentos venha explicitado o que se exige. Mas, nos autos, nada existe, o que dificulta a análise, confunde a interpretação e permite entendimentos os mais diversos. Considerando que o texto é da lavra de um ente público, não deixa de ser preocupante uma redação tão confusa. Fica o registro. Finalmente, acerca das alegações da contribuinte de “incerteza” do acréscimo patrimonial representado pelos incentivos fiscais em face de julgamento pendente de decisão judicial na ADI nº 4.537/PI e em razão da iminente aprovação, pelo STF, da Proposta de Súmula Vinculante nº 69 e que, por isso mesmo, “deixariam de existir os atributos da definitividade e incondicionalidade, desqualificandose a aparente disponibilidade jurídica que a contribuinte teria sobre o apresente acréscimo por eles proporcionados”, discordo dos argumentos da defesa e perfilo com a decisão recorrida, entendendo que a contribuinte obteve, sim, a disponibilidade econômica exigida pelo artigo 43 do CTN. Mais, ainda que essa disponibilidade fosse acompanhada das condições levantadas pela defesa, há que se observar serem condições resolutórias, e não suspensivas, produzindo efeitos imediatos, nos termos do artigo 117, inciso II, do CTN. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 35 34 Ademais, a própria contribuinte reconheceu tais subvenções em sua contabilidade como receitas, independentemente se sua inclusão ou exclusão nas bases imponíveis do IRPJ e da CSLL. Conclusão que não sofre alteração mesmo que o Fisco Estadual, por força da ADI ou da Súmula Vinculante, possa vir a exigir da empresa os créditos tributários a título de ICMS que deixaram de ser recolhidos em virtude desse incentivo fiscal, posto que estes deverão ser lançados na contabilidade como despesas, no momento em que isso ocorrer (e se ocorrer), também respeitando o regime de competência. Dessa forma, como bem articulado pela decisão recorrida, não têm qualquer influência no caso em tela nem a futura decisão judicial na ADI nº 4.537/PI, nem o resultado da Proposta de Súmula Vinculante nº 69 e nem a possibilidade de o Fisco Estadual vir a exigir o ICMS não recolhido. Cabe uma palavra final a respeito do reclamo da defesa de que, ao auditar os procedimentos e resultados relativos aos benefícios concedidos na área do ICMS, o Fisco Federal estaria intrometendose em assunto de estrito campo de competência de um Estado Membro da Federação. Equivocase a contribuinte. Na verdade, existem nas “subvenções para investimentos ou custeio” implicações tributárias na seara do IRPJ e da CSLL que não podem ser ignoradas pela Administração Tributária Federal, impondo exercer seu regular direito de auditar a apuração das bases imponíveis de exações que, por expressa delimitação constitucional, a ela (União) pertencem. Em expressar diferente, não se cuida de imprimir restrições ao desejo do EstadoMembro de legislar sobre tributos de sua competência constitucional, desejo manifestado por lei votada e promulgada regularmente pelos representantes do Piauí, mas de verificar a exatidão dos montantes eventualmente devidos ao Erário Federal. Só isso. Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício em relação aos lançamentos presentes no item 0002 do Auto de Infração e que se referem a “Exclusões Indevidas” na apuração do lucro real (subvenções). DOS LANÇAMENTOS RELATIVOS À MULTA ISOLADA Consoante exposto pela Decisão Recorrida, em face das autuações relativas à glosa de despesas (Ativo Diferido) e exclusão do lucro tributável de incentivos fiscais a título de ICMS (subvenções para investimento), a contribuinte teria efetuado pagamentos a menor de estimativas (de IRPJ e CSLL), sujeitandose à multa de 50% sobre a diferença, prevista no artigo 44, inciso II, letra “b”, da Lei n° 9.430/96 (com redação dada pela Lei n° 11.488/2007). Em relação à primeira infração (glosa de despesas), como dito preambularmente, a contribuinte optou por liquidar o crédito tributário mantido pela DRJ, de modo que não há litígio a apreciar. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.721477/201341 Acórdão n.º 1101001.232 S1C1T1 Fl. 36 35 No que tange ao valor remanescente, oriundo da infração nº 0002 (exclusões – subvenções para investimentos), por acompanhar o principal e dele ser originário, sendo negado provimento ao recurso de ofício naquele tópico, igual sorte acomete o presente. Dito isto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício em relação às multas isoladas remanescentes e incidentes sobre os valores relativos às exclusões de valores pertinentes à subvenção para investimento, já tratadas neste voto. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sobre os lançamentos reflexos, a medida está definida no artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Certo, pois, que os autos devem ser lavrados de forma concomitante – artigo 9º, § 1º, do PAF e artigo 142 do CTN e que o julgamento do principal, no caso o IRPJ, refletirá nos demais, observadas as peculiaridades de cada tributo. Vale exprimir, a decisão a ser dada nos presentes autos em relação ao IRPJ constituirá matéria julgada para as demais exações lançadas e seguirá a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Nesta linha, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício em relação ao lançamento pertinente à CSLL. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10680.723886/2010-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. FORMALIZAÇÃO DO PACTUADO.
Restando provado acerto prévio contendo as metas, resultados e prazos para pagamento de participação nos lucros ou resultados - PLR, a aposição das assinaturas no mesmo exercício contábil, com anuência do sindicato da categoria aperfeiçoa o pactuado formalizando-o na forma do que é exigido no art. 2°, II, da Lei 10.101/2000.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.621
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza
Carlos Alberto Mees Stringari -Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza-Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza Carlos Alberto Mees Stringari -Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza-Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. FORMALIZAÇÃO DO PACTUADO. Restando provado acerto prévio contendo as metas, resultados e prazos para pagamento de participação nos lucros ou resultados PLR, a aposição das assinaturas no mesmo exercício contábil, com anuência do sindicato da categoria aperfeiçoa o pactuado formalizandoo na forma do que é exigido no art. 2°, II, da Lei 10.101/2000. Recurso Voluntário Provido Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 38 86 /2 01 0- 95 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Ivacir Julio de SouzaRelator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0240.077 da 6ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a Empresa Brasileira de Engenharia e Comércio S/A, no montante de R$134.004,68, consolidado em 20/10/10, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 98/109, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre os valores da Participação nos Lucros e/ou Resultados, pagos em desacordo com a Lei 10.101, de 19/12/2000. Considerando a alteração da legislação que trata da aplicação das multas de mora e das multas por infração à legislação previdenciária, em razão da ocorrência de falta de recolhimento de contribuição cumulada com omissão de informação em GFIP, e considerando, ainda, a possibilidade de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, a autoridade lançadora comparou as multas aplicadas conforme Demonstrativo de fls. 168. O Auto de Infração foi recebido pela autuada em 25/10/2010 (fls. 01), Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 tendo sido cientificada, também, através de Termo de Sujeição Passiva Solidária, a empresa EBEC LOCAÇÃO DE VEÍCULOS S/A, componente do grupo econômico do sujeito passivo. A empresa autuada apresentou impugnação, em 24/11/2010, consoante documentos de fls. 185/215, onde contesta o procedimento fiscal sob os seguintes argumentos relatados em síntese. Inicialmente ressalta a tempestividade da defesa apresentada. No mérito, diz que a Participação nos Lucros e Resultados, nos termos da Constituição Federal de 1988, não tem caráter salarial. Transcrevendo o artigo 2º da Lei 10.101/2000 diz que o referido dispositivo é claro quando determina que a PLR será objeto de negociação entre as partes. Alega que a PLR, distribuída pela EBEC em sua filial de Ipatinga, respeita integralmente a Lei 10.101/2000, bem como a forma de celebração determinada em seu art. 2º, uma vez que foi criada através de negociação entre as partes, por intermédio do acordo coletivo com o sindicato local da categoria, fora arquivado na entidade sindical dos trabalhadores, possui regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, a periodicidade de distribuição é de apenas 1 vez ao ano, e o prazo de vigência e de revisão do acordo está previsto no mesmo. Argumenta que em nenhum momento o texto da Lei 10.101/00 dispõe sobre a proibição ou descaracterização da PLR quando esta for paga apenas para empregados de uma das filiais da empresa, bem como, sobre a obrigatoriedade da PLR ser devida ou paga para todos os empregados da empresa, ficando excluído o pagamento por estabelecimento. Diz que o sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. Se a empresa possui diversos estabelecimentos terá necessariamente diversos acordos coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR e outros não, respeitando as particularidades de cada região e de cada sindicato. Diz que a interpretação de que a PLR não poderia ser paga apenas para os funcionários de um determinado estabelecimento, não se preocupando com as particulariedades de cada base territorial, chega até a ser ofensiva à Carta Magna, contrariando um dos seus postulados, ou seja, a participação nos resultados prevista no art. 7º, IX, como um “direito do trabalhador”, desvinculado da remuneração. Conclui que se a Lei 10.101/00 admite a PLR pela via do acordo coletivo, a hipótese contempla, necessariamente, um determinado estabelecimento da empresa, e não todos, que se vincula à base territorial do sindicato profissional. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 4 5 Assevera que, com mais razão ainda, podese comprovar que a Lei 10.101/00 admite o pagamento da PLR específica por estabelecimento, respeitando as singularidades deste, uma vez que em seu art. 2º determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, com a presença do representante do sindicato local. Alega que a suposta irregularidade apontada na autuação pelo fato das metas só terem sido assinadas após o pagamento da PLR é descabida, pois tais metas já eram de conhecimento dos empregados desde o início do ano, tendo as mesmas sido criadas de comum acordo com a recorrente, o sindicato e um grupo de empregados selecionados pelo sindicato. Diz que em 27/12/2006 (para o ano de 2006) e 28/12/2007 (para o ano de 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. Invocando o art. 2º da Lei 10.101/00 diz que ele determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, sendo, portanto, um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem por escrito, em um documento formal. Pressupõese, assim, que as metas, assim como a PLR podem ser feitas verbalmente, oralmente, não tendo nenhuma exigência legal de estarem por escrito. Alega que a empresa não infringiu as orientações legais quando criou, oralmente, mas em comum acordo com o sindicato da categoria e empregados, metas para serem alcançadas ao longo do ano e só formalizou as mesmas através de um aditivo ao acordo coletivo no mês de dezembro, logo após o pagamento da PLR. Argumenta ser pacífica a jurisprudência quanto à natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitando se o disposto no art. 7º XI da CF e art. 2º da Lei 10.101/00, bem como que esta é objeto da livre negociação entre as partes, não existindo requisitos formais para a sua criação. Transcreve julgados do STJ para reforçar seus argumentos. Requer seja extinto o auto de infração, bem como toda e qualquer anotação feita em nome da impugnante. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 · A PLR distribuída para a filial de Ipatinga está conforme a lei 10.101/2000. · A lei não proíbe pagar PLR apenas para 1 estabelecimento e não obriga pagar para todos. · A lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa. · A Lei 10.101/00, estipula que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante negociação direta com os empregados, formados em comissão, dela constando um representante do sindicato da respectiva categoria ou mediante acordo coletivo. · O sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. · Se a empresa possui diversos estabelecimentos, ou seja, é "repartida" relativamente aos sindicatos com os quais interage, terá necessariamente, diversos acordo coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR, outros não, respeitando as particularidades de cada regido e de cada sindicato · A Lei 10.101/2000 admite pagamento da PLR específica por estabelecimento. · A alegação do auto de infração que aponta como motivo da autuação uma suposta irregularidade, pelo fato de as metas só terem sido assinadas após o pagamento da LPR, é descabida, pois tais metas já eram de conhecimento dos empregados desde o início do ano. · Em 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/207 (para o ano 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. · O artigo 2º da lei 10.101/2000 determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funconários, portanto, é um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem escritas num documento formal. · A jurisprudência já é pacifica quanto a natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art.7°'XI da Constituição Federal e art. 2° da Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o voto condutor da decisão recorrida, o lançamento apresentou 2 situações de não conformidade com a Lei 10.101/2000: pagamento exclusivamente para 1 estabelecimento (filial Ipatinga) e assinatura dos acordos após o pagamento da PLR. O Relatório Fiscal registra que no período de 12/2006 a 12/2007 a empresa efetuou pagamentos a título de PLR, em desacordo com a referida lei uma vez que: • os instrumentos de acordo celebrados entre a empresa e seus empregados, relativos aos exercícios de 2006 e 2007, beneficiaram somente os trabalhadores lotados no estabelecimento 17.162.280/000218 (filial Ipatinga), • os referidos instrumentos, denominados “Programas de Metas de Participação nos Lucros e/ou Resultados” foram assinados nas datas de 27/12/2006 (para o ano de 2006) e 28/12/2007 (para o ano de 2007). A decisão foi por maioria, sendo que o voto condutor considerou conforme a Lei 10.101/2000 o pagamento apenas a 1 estabelecimento e considerou não conforme a negociação que “exige a fixação em instrumento de negociação, de regras claras e objetivas quanto às metas e à forma de verificação de seu cumprimento, devendo o acordo ser ultimado antes do início do cumprimento das metas.”, confome transcrito abaixo. No que toca ao PLR beneficiar somente os trabalhadores lotados na filial Ipatinga, assiste razão à impugnante uma vez que a lei não exige que o acordo sobre a PLR seja extensivo a todos os empregados da empresa. Nos casos em que a extensão à totalidade dos trabalhadores constitui requisito para a não incidência das contribuições previdenciárias sobre determinada Fl. 250DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 verba, essa condição é expressa no texto legal. Entretanto, não existe tal condição na alínea “j” do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. Todavia, quanto aos instrumentos de negociação, contrariando a tese da defesa, dentre os requisitos para a não incidência de contribuição sobre a Participação nos Lucros e Resultados, a Lei 10.101/00 exige a fixação em instrumento de negociação, de regras claras e objetivas quanto às metas e à forma de verificação de seu cumprimento, devendo o acordo ser ultimado antes do início do cumprimento das metas Consta do acórdão recorrido declaração de voto, harmônico com decisões desta Turma, porém, entendendo que ocorreu a preclusão “pro judicado” que impede o órgão julgador de decidir novamente a matéria já julgada, nos termos do art. 471, do CPC, a questão do pagamento apenas para 1 estabelecimento não será apreciada. CPC Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Declaração de Voto No que toca ao PLR beneficiar somente os trabalhadores lotados na filial Ipatinga, tal fato macula o art. 2º, caput, da Lei 10.101/2000, uma vez que o referido dispositivo legal faz referência à negociação feita entre empresa e seus empregados e não entre empresa e parte de seus empregados. Em assim sendo, ao privilegiar apenas os empregados prestadores de serviço da filial Ipatinga, deixou de se enquadrar na hipótese legal de não incidência das contribuições previdenciárias, sujeitando o pagamento das verbas a título de participação nos lucros à tributação. Osmar Pereira Costa PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR GERAL Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 6 9 A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 7 11 a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 8 13 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. PLR CASO CONCRETO – REGRAS PACTUADAS A POSTERIORI. O Relatório Fiscal apresenta que os pagamentos ocorreram nos dia 22/12/2006 e 20/12/2007 e que os acordos foram assinados nos dias 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/2007 (para o ano 2007) e que as metas deveriam ser definidas previamente. A Lei 10.101/2000 textualmente estabelece que as metas devem ser pactuadas previamente. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 9 15 categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Entendo que o pagamento antes do estabelecimento do acordo definindo as metas nada contribui para a integração capital e trabalho e caracterizase como abono. Entendo também que o procedimento da empresa está em desarmonia com a Lei 10.101/2000 e que devese considerar procedente o lançamento. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, à época dos fatos geradores, a multa de ofício não existia. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 10 17 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão da multa de ofício e o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 Voto Vencedor Extraído do Relatório do voto em comento, a recorrente alega que as assinaturas deram caráter formal ao que fora anteriormente pactuado entre as partes, verbis: “ que em 27/12/2006 (para o ano de 2006) e 28/12/2007 (para o ano de 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. Invocando o art. 2º da Lei 10.101/00 diz que ele determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, sendo, portanto, um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem por escrito, em um documento formal. Pressupõese, assim, que as metas, assim como a PLR podem ser feitas verbalmente, oralmente, não tendo nenhuma exigência legal de estarem por escrito.” DA MOTIVAÇÃO DO RELATOR O i. Relator, sem outro aspecto levantado, centrou sua motivação e concluiu seu convencimento na forma dos registros abaixo transcritos: “ PLR CASO CONCRETO – REGRAS PACTUADAS A POSTERIORI.O Relatório Fiscal apresenta que os pagamentos ocorreram nos dia 22/12/2006 e 20/12/2007 e que os acordos foram assinados nos dias 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/2007 (para o ano 2007) e que as metas deveriam ser definidas previamente.” “ Entendo que o pagamento antes do estabelecimento do acordo definindo as metas nada contribui para a integração capital e trabalho e caracterizase como abono. Entendo também que o procedimento da empresa está em desarmonia com a Lei 10.101/2000 e que devese considerar procedente o lançamento. ” O i. Relator exortou , ainda, que “a Lei 10.101/2000 textualmente estabelece que as metas devem ser pactuadas previamente”. De fato no art. 2°, II, assim exige. Relevante ressaltar que a palavra utilizada é “ pactuados ”, verbis : “ II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente” Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723886/201095 Acórdão n.º 2403002.621 S2C4T3 Fl. 11 19 A lei fala da necessidade de pacto anterior o que num primeiro momento implica concomitante assinatura.Entretanto, os pactos ainda que informais devem ser respeitados sobretudo se aperfeiçoados com as assinaturas. Pactuar é apalavrar, contratar, acertar, combinar, estabelecer, prometer, acordar. ajustar, unir , concordar e vários outros sinônimos. Admitese que é de se estranhar o incomum e reiterado procedimento das partes em tela. Cumpre notar que, à rigor, a lei não exige que os procedimentos estejam previamente assinados mas sim pactuados. Editado nos termos do sobredito art. 2°, II da Lei 10.101/2000, o Legislador deixou aberta a possibilidade de se apor as assinaturas em momento posterior ao que fora pactuado. Entretanto, faço ressalva de que fora observado o mesmo exercício contábil. No caso em comento, na forma dos acordos colacionados, os pactos, embora assinados depois dos pagamentos, contêm as metas, resultados , prazos e as datas dos pagamentos previstas tal qual foram executados. Relevante notar que do modo descrito os documentos foram referendados pelo forte Sindicato da categoria de siderúrgicos e metalúrgicos o que torna implícito contemplar que os termos foram previamente acordados. O episódio faz lícito excluir eventual comunhão de desígnios entre empresa, sindicato e até mesmo os empregados beneficiados para meramente implementar uma fraude anual com a pretensão de dissimular a ocorrência de um fato gerador de incidência previdenciária. Considerando que os acordos não foram levados à autenticação em cartório de registros, penso que se houvesse de fato a intenção de fraudar seria simples reeditar os documentos com datas tempestivas para ilidir qualquer questionamento inclusive o lançamento. Cumpre ressaltar que a decisão ora implementada se faz compulsória em face do contexto o que mitiga a hipótese de servir de paradigma noutra circunstância e cenário. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, ouso divergir do i. Relator para NO MÉRITO DAR PROVIMENTO ao contribuinte. É como voto Ivacir Julio de SouzaRelator Designado Fl. 262DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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