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Numero do processo: 10803.000007/2007-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE. AUSÊNCIA DE DCTF.
RECOLHIMENTOS.
A ausência de entrega de DCTF confessando os valores devidos dos tributos federais enseja os lançamentos tributários, realizados de ofício, a fim dos referidos tributos serem devidamente constituídos, ainda que a contribuinte tenha procedido aos recolhimentos. Os pagamentos deverão ser alocados pela
unidade de controle do crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.RECOLHIMENTOS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Recolhidos os tributos objetos de autuação, antes de iniciado o procedimento fiscal, descabe a exigência dos acréscimos legais pertinentes aos lançamentos realizados de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS ANTES DE TRINTA DIAS DA CIÊNCIA DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.
A multa de ofício aplicada nos lançamentos tributários sofre redução de 30% nas hipóteses do contribuinte recolher os tributos até trinta dias da ciência da decisão proferida em primeiro grau, por força do artigo 962 do RIR/99. JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
Numero da decisão: 1801-000.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE. AUSÊNCIA DE DCTF. RECOLHIMENTOS. A ausência de entrega de DCTF confessando os valores devidos dos tributos federais enseja os lançamentos tributários, realizados de ofício, a fim dos referidos tributos serem devidamente constituídos, ainda que a contribuinte tenha procedido aos recolhimentos. Os pagamentos deverão ser alocados pela unidade de controle do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.RECOLHIMENTOS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Recolhidos os tributos objetos de autuação, antes de iniciado o procedimento fiscal, descabe a exigência dos acréscimos legais pertinentes aos lançamentos realizados de ofício. MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS ANTES DE TRINTA DIAS DA CIÊNCIA DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. A multa de ofício aplicada nos lançamentos tributários sofre redução de 30% nas hipóteses do contribuinte recolher os tributos até trinta dias da ciência da decisão proferida em primeiro grau, por força do artigo 962 do RIR/99. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
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NECESSIDADE. AUSÊNCIA DE DCTF. RECOLHIMENTOS. A ausência de entrega de DCTF confessando os valores devidos dos tributos federais enseja os lançamentos tributários, realizados de ofício, a fim dos referidos tributos serem devidamente constituídos, ainda que a contribuinte tenha procedido aos recolhimentos. Os pagamentos deverão ser alocados pela unidade de controle do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.RECOLHIMENTOS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Recolhidos os tributos objetos de autuação, antes de iniciado o procedimento fiscal, descabe a exigência dos acréscimos legais pertinentes aos lançamentos realizados de ofício. MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS ANTES DE TRINTA DIAS DA CIÊNCIA DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. A multa de ofício aplicada nos lançamentos tributários sofre redução de 30% nas hipóteses do contribuinte recolher os tributos até trinta dias da ciência da decisão proferida em primeiro grau, por força do artigo 962 do RIR/99. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 572DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1624.875 exarado pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP, fls. 477 e seguintes, que manteve em parte a autuação sofrida, consubstanciada no Auto de Infração lavrado para a exigência fiscal de CSLL relativas aos primeiro, terceiro e quarto trimestres de 2005, aos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2006 e primeiro e segundo trimestres de 2007 – fls. 202 a 223, perfazendo o total de R$ 34.661,29, incluídos os juros e as multas pertinentes. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: [...] Certifica, ainda, que o exame das informações prestadas das DCTF semestrais correlatas aos períodos fiscalizados evidenciouse que: A contribuinte apresentavase omissa em relação a entrega das declarações pertinentes aos segundo semestre do anocalendário de 2005 e do primeiro semestre do anobase de 2006; No tocante ao período de 17/07/2006 a 31/12/2006, embora tenha formalizado a transmissão da correlata DCTF semestral (original), as informações declaradas não apontavam a confissão de nenhum debito apurado nos períodosbase correspondentes (Declaração n° 2007.206266348 Entregue em 09/04/2007); Finalmente, no que concerne ao período de 17/01/2007 a 30/06/2007, os dados transmitidos pelo contribuinte refletem uma quantidade reduzida de débitos, bem como dos valores confessados. Especificamente, porém, aos débitos de CSLL restou constatado que a DCTF semestral (original) do 2o semestre de 2007 não integrou parcialmente o débito atinente ao 1o trimestre, contudo, não computou a exigência fiscal do 2° trimestre do períodobase (Declaração n° 2007.2090136172 Entregue em 05/10/2007). Vale frisar também que autoridade fiscal tornou manifesto que não foram consideradas no universo da análise as DCTF transmitidas extemporaneamente pelo sujeito passivo, ou seja, após a perda de espontaneidade do exercício de entrega das aludidas declarações originais ou retificadoras. Fl. 573DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10803.000007/200714 Acórdão n.º 180100.640 S1TE01 Fl. 570 3 Regularmente notificado do auto de infração e do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal em 18/12/2007, por via postal, consoante AR's anexados às fls. 228/229 o contribuinte apresentou impugnação em 17/01/2008 (fls. 231/248), acompanhado da documentação de fls. 249/379 e 382/403, segundo a qual pede que o cancelamento integral do auto de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: Preliminarmente, após breve relato dos fatos, bem como avocando interpretações emanadas pela doutrina tributária, excertos de preceitos legais que regulam a prestação de informações mediante DCTF e ementas de decisões proferidas pelo Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, reclama a nulidade e insubsistência do lançamento defronte a dispensabilidade de autuação de créditos tributários que estejam reportados em DCTF apresentada pelo contribuinte; Completa, inclusive, destacando os termos da redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, alterada pela redação do art. 18 da Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que a sujeição do lançamento de ofício e a aplicação da multa de 75% somente pode ser atribuída ao sujeito passivo nas circunstâncias de falta de declaração e nos de declaração inexata, razão porque na hipótese em que o contribuinte declara seus débitos em DCTF de forma correta, tal como procedeu a impugnante, os débitos não estão sujeitos à aplicação da sanção, tão pouco à realização de lançamento de ofício, devendo ser encaminhados diretamente para inscrição em Dívida Ativa da União e ulterior ajuizamento da execução fiscal; Assegura, portanto, que ante a declaração em DCTF dos valores informados a título de CSLL, devidamente recolhidos, consoante ulterior demonstração, fica claro que a constituição dos créditos tributários devem ser declarados nulos, uma vez que em razão da apresentação da DCTF as exigências fiscais estariam passíveis unicamente à cobrança por meio da inscrição em Divida Ativa da União, caso não estivessem extintos; Destaca, ainda, que a declaração relativa ao 1o semestre de 2007 apresenta erro de fato no preenchimento, uma vez que, por lapso, não informou a quantia que efetivamente promoveu o recolhimento (pagamento em DARF e retenções) a título de CSLL no mês de março do ano em questão (1o trimestre de 2007), consoante se pode comprovar mediante DARF acostada à defesa. Sustenta suas arguições arrogando o dispositivo legal previsto no art. 147, §2° do CTN e o princípio da verdade material, este último, baseado nos termos de ementa relacionada a decisão proferida pelo Conselho de Contribuinte; No campo do mérito, enfatizando ensinamento extraído da doutrina tributária, protesta a nulidade material do lançamento, agora, por afronta ao art. 142 do CTN, sob a argumentação de que autoridade fiscal não exerceu seu dever de comprovar se a empresa efetuou ou não o recolhimento do imposto relativo aos períodos fiscalizados; Sustenta que se tivesse o AFRFB examinado as guias de recolhimento concernentes aos períodosbase, bem como as informações integrantes da escrituração contábil da entidade, constataria a ocorrência da extinção por pagamento dos créditos tributários; [...] Fl. 574DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Desse modo, acentua que, em mais uma clara afronta c desrespeito ao art. 142 do CTN, a autoridade administrativa sequer levou em conta as referidas retenções, assim, deixando de apurar o efetivo quantun debeatur, eivando de nulidade a autuação, por conseqüência, imperando o cancelamento da exigência fiscal; Seqüencialmente, repisa o argumento de que o cancelamento do auto de infração é imprescindível eis que os créditos tributários lançados encontramse extintos em razão da entidade ter realizado seus pagamentos quando da ocorrência dos respectivos fatos geradores; Assim, objetivando ratificar a assertiva supra citada, depreende que deverá ser realizado o cotejo entre os importes integrantes do auto de infração ora refutado, bem como os pagamentos e retenções efetuados pelo contribuinte, conforme quadrodemonstrativo expresso na peça impugnatória, cujos valores tem correlação com o mesmo tributo e períodos constantes do lançamento de ofício. Salienta, inclusive, que em relação ao período de apuração encerrado em 31/03/2006, no valor de R$ 3.196,78, os AFRFB se equivocaram nas informações detalhadas no auto de infração, pois fizeram constar que se tratava de fato gerador apurado no período de março do ano base 2005; Desse modo, insiste ser notória a inconsistência do referido lançamento de ofício quando analisadas as guias de recolhimento de CSLL carreadas aos autos, haja vista que comprovam o efetivo pagamento do crédito tributário exigido pela autoridade lançadora; [...] Finalmente, no tocante aos juros moratórios incidentes sobre os valores integrantes do lançamento, invocando votos de julgados prolatados no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, aduz arguições de direito visando questionar a legalidade c a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC para fins de apuração e cálculo dos juros incidentes sobre os créditos tributários devidos à Fazenda Nacional, reivindicando o afastamento da sua aplicação sobre os débitos autuados diante de sua desarmonia com os princípios que baseiam o Sistema Constitucional Tributário.” Apresenta mais dois aditamentos à impugnação colacionando documentos que entende comprovar o pagamento das exigências fiscais, pelo que insubsistente o Auto de Infração. Após a análise de todos os documentos e alegações trazidas em fase impugnatória, a retro mencionada turma julgadora verificou que a empresa entregou DCTF/DCTF retificadoras após o início do procedimento fiscal, não padecendo o lançamento tributário de qualquer vício ou insubsistência neste tocante. Todavia, verificou que, com efeito, a empresa procedeu a recolhimentos de CSLL antes do início da ação fiscal, valores estes não computados pela fiscalização, que não impede o lançamento realizado de ofício do valor da contribuição em si, mas traz efeitos em relação à aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios, devendo ser exonerada destes acréscimos. Constatou, ainda, erro da autoridade lançadora no que se refere aos valores e fatos geradores pertinentes ao 1º trimestre de 2005, cancelando a exigência neste ponto, também. Com relação à apresentação de notas fiscais que comprovariam, ao ver da interessada, a retenção de CSLL, concluiu que a mera apresentação destas não é suficiente para comprovar o recolhimento da parcela destacada, sem os respectivos informes de rendimentos, registros contábeis etc. Por fim, remanesceu o lançamento tributário da seguinte forma: Fl. 575DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10803.000007/200714 Acórdão n.º 180100.640 S1TE01 Fl. 571 5 30/09/2005............... 717,15 s/ multa de ofício 31/12/2005............... 1.444,13 s/ multa de ofício 30/06/2006............... 644,84 s/multa de ofício 30/09/2006............... 5.152,34 s/multa de ofício 30/12/2006............... 5.687,74 c/ multa de ofício 31/03/2007............... 294,57 c/ multa de ofício 30/06/2007............... 1.026,32 c/ multa de ofício Irresignada com a manutenção ainda de parte do lançamento tributário, a empresa, tempestivamente, interpôs o Recurso de fls. 509 e seguintes requerendo o cancelamento do Auto de Infração em questão pelas seguintes razões, em apertada síntese: a) a desídia fiscal em verificar a contabilidade da empresa e os valores efetivamente recolhidos, tratandose de lançamento fiscal nulo por não observado os ditames estabelecidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional; b) requer a consideração dos valores retidos pelas empresas no segundo trimestre de 2007 por estar fartamente comprovado nos autos as retenções sofridas a título de CSLL; c) argumenta que a unidade preparadora não acatou parte da decisão em primeiro grau que determinou fossem imputados os pagamentos no que se refere ao terceiro trimestre de 2006; d) solicita o imediato cancelamento da autuação nos pontos em que obteve êxito no julgamento em primeira instância; e) argumenta sobre a impossibilidade de restar a exigência da multa de ofício e juros moratórios sobre os valores efetivamente pagos/declarados em DCTF pela recorrente; f) contesta a aplicação dos juros cobrados à taxa Selic. É o suficiente para o relatório. Passo a análise das razões recursais. Voto Fl. 576DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, apesar de visivelmente precário o lançamento fiscal na forma em que foi efetuado, não entendo que esta simplicidade no procedimento possa causar a sua nulidade. A empresa ao não preencher devidamente as DCTF dos períodos lançados não constituiu os créditos tributários, em se tratando de lançamentos por homologação, como se abordará neste voto. O fato da autoridade lançadora não haver computado os pagamentos realizados, ou computar as retenções de fonte consoante alega serem devidas, não fulminam os lançamentos, mas exoneram a contribuinte da obrigação de efetuar novos recolhimentos por força da exação fiscal. No aresto ora combatido, às fls. 495 a 497, foram explicitados os valores e períodos que remanesceram à exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração objeto desta lide. Passo à análise do objeto do litígio trazido a este segundo grau, após a decisão de primeira instância, abstendo de referirme àqueles valores e períodos já integralmente exonerados. I) Valores confessados durante o curso da ação fiscal em DCTF ou valores pagos antes de iniciado o procedimento de ofício: I.a) O valor de R$ 717,15 lançado a título de CSLL no 3º trimestre de 2005 é pertinente ao 1º trimestre de 2006 e foi confessado em DCTF em 21/11/2007 – fls. 433 e 440. I.b) Os valores relativos aos 4º trimestre de 2005, 2º e 3º trimestres de 2006 foram efetivamente pagos pela contribuinte antes de iniciado o procedimento fiscal – fls. 436. Com relação a estes períodos e valores duas considerações há que serem feitas. Primeiro, não estão sendo exigidos da contribuinte os acréscimos pertinentes aos lançamentos de ofício – nem juros, nem multa de ofício. Todavia, não se pode declarar a exigência fiscal nula porque estes débitos de CSLL devem ser constituídos por meio do lançamento fiscal, tendo em vista que a própria contribuinte não os constituiu. A constituição do crédito tributário só ocorre por duas formas nos lançamentos ditos por homologação (ou autolançamento). Ou a empresa informa em DCTF os valores devidos ou são lançados de ofício, visto que, como já explicado no acórdão combatido, a DIPJ é documento meramente informativo que não possui o condão de constituir o crédito tributário. Assim os pagamentos efetuados pela recorrente antes do início do procedimento fiscal serão alocados às CSLL lançadas pelo Auto de Infração no sistema de contacorrentes da Receita Federal do Brasil (RFB), estando já quitados, não sendo mais nada exigido da contribuinte (nem juros, nem multa) – 4º trimestre de 2005, 2º e 3º trimestres de 2006. Mas (grifei), os lançamentos fiscais da CSLL não devem ser cancelados, somente os acréscimos legais pertinentes. Fl. 577DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10803.000007/200714 Acórdão n.º 180100.640 S1TE01 Fl. 572 7 Exceção com relação ao 3º trimestre de 2005, R$ 717,15, a turma julgadora constatou que referese ao 1º trimestre de 2006 e foi informado em DCTF entregue durante a ação fiscal. Tendo em vista esta circunstância, a turma julgadora entendeu que a DCTF não pode ser processada, pelo que manteve a constituição do crédito, via Auto de Infração, mas exonerou a cobrança dos acréscimos legais. Neste ponto, divirjo. É certo que as declarações entregues após iniciada a ação fiscal não podem ser admitidas (Súmula nº 33 do CARF), mas a vedação deve ser válida apenas para aqueles documentos que se refiram à mesma matéria tributária lançada. Percebo que não houve lançamento tributário em relação ao 1º trimestre de 2006, período que a própria turma julgadora diz referirse o valor de R$ 717,15, devendo este crédito ser constituído pela DCTF entregue pela recorrente. Para restar bem claro, a exigência fiscal de CSLL lançada no valor de R$ 717,15 relativa ao 3º trimestre de 2005 deve ser cancelada, pela autoridade fiscal não haver verificado que correspondia a outro período. Não tendo sido objeto de lançamento fiscal a CSLL relativa ao 1º trimestre de 2006 e estando confessada em DCTF, este é o documento hábil a constituir o referido crédito tributário. II) Valores pagos após o início da ação fiscal, sem espontaneidade da contribuinte: II.a) Os valores relativos à exigência das CSLL do 4º trimestre de 2006, 1º trimestre de 2007 e 2º trimestre de 2007 foram mantidos na integralidade pela turma julgadora de primeira instância, com os acréscimos pertinentes, mas verificouse que houve pagamentos, via DARF – fls. 437 e 438. Excluída a espontaneidade da contribuinte, as multas de ofício e os juros moratórios a serem calculados até a data do pagamento são devidos. Por isto que a orientação da turma julgadora é para que a unidade de controle do crédito tributário proceda à imputação do pagamento realizado pela contribuinte, que equivocadamente recolheu multa de mora como se estivesse fazendo recolhimentos espontâneos, no percentual de 20% da contribuição, e não 75%, restando, ainda, remanescente a saldar. No entanto, a multa de ofício não pode ser aplicada no percentual integral dos 75% cominados na autuação, mas deve sofrer redução em 30% por força do artigo 962 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99): Art. 962. Se houver impugnação tempestiva, a redução será de trinta por cento se o pagamento do débito for efetuado dentro de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância (Lei nº 8.218, de 1991, art. 6º, parágrafo único). A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 24/05/10 (fls. 505) e procedeu aos recolhimentos das CSLL relativas ao 4º trimestre de 2006 e 1º trimestre de 2007, em 29/08/08 e 28/08/08, respectivamente. Destarte, pode ser beneficiada nos termos legais da redução de 30% sobre o valor aplicado a título de multa de ofício. A unidade de jurisdição deverá cuidar, pois, da imputação dos pagamentos em vista de haver recolhido com multa moratória de 20% extratos de pagamentos às fls. 437 e 438. Fl. 578DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Observo, ainda, que há um DARF às fls. 562 com recolhimento de multa e juros (sem o principal) relativo ao 4º trimestre de 2006 (cód. 2973), efetuado em 18/06/2010, que também será devidamente alocado pela autoridade responsável pelo sistema de conta correntes da RFB. O mesmo se aplica em relação ao 2º trimestre de 2007, em se tratando da redução em 30% da multa de ofício haja vista o pagamento do DARF ter sido efetuado em 17/01/08, consoante concluído pela turma julgadora a quo: [...] 2) No que tange ao recolhimento atinente ao 2° trimestre do anocalendário de 2007, efetuado em 17/01/2008, sob o código de receita 2973, importa ressaltar que, similarmente ao DARF supracitado, caberá somente ser objeto de alocação para fins de extinção da parcela do crédito tributário a ele correspondente. [...] Ressalto à recorrente, pelo exposto, que os lançamentos fiscais não podem ser cancelados em vista dos pagamentos efetuados por constituírem os créditos tributários devidos a título de CSLL nos períodos citados, todavia, os pagamentos serão devidamente alocados, sendolhe exigido somente o pagamento da diferença em virtude da multa de ofício aplicada e não recolhida (computada a multa de mora paga e a redução da multa de ofício aplicada em 30%). III) Retenções sofridas de CSLL por serviços prestados a terceiros: A respeito do requerimento da empresa em ver descontado da CSLL devida, para o primeiro trimestre de 2007 as retenções sofridas desta mesma contribuição, no valor de R$ 294,57, a turma julgadora assim fundamentou o indeferimento: “Encerrada as questões correlatas a presença de erro na identificação de fato gerador do imposto apurado no 1° trimestre de 2005 e em relação aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, passando a analisar a contestação relacionada as retenções reclamadas sob a justificativa de que a autoridade administrativa não as computou para fins de apuração do tributo devido no períodobase, compete assinalar que a defesa acostada pelo impugnante demonstrase com insuficiência quanto a apresentação de prova inequívoca hábil e idônea que permitam conceder argumentos admissíveis de incitarem eventual elisão dos créditos tributários integrantes do aludido auto de infração. A propósito, importa notar que a entidade se resume a defender suas arguições pautado exclusivamente em cópia de notas fiscais de serviços das transações que estariam atreladas à origem da retenção da contribuição, porém, desprovido de qualquer lastro firmado na escrituração contábil e fiscal, bem como nos correspondentes Comprovantes Anuais de Rendimentos Retidos pela Fonte Pagadora, consoante orienta o art. 943, caput e §2° do RIR/99 combinado com o art. 12 da Instrução Normativa SRF n° 459, de 18/10/2004, cujas informações viabilizariam atestar as particularidades suportadas nas peças impugnatórias.” A recorrente minuciosamente demonstra fazer jus aos valores de R$ 294,57 e 143, 20 por retenções sofridas, relativas a CSLL dos 1º e 2º trimestres de 2007, escrituradas em sua contabilidade e devidamente informadas na DIPJ, consoante documentos acostados aos autos às fls. 556 a 560. Fl. 579DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10803.000007/200714 Acórdão n.º 180100.640 S1TE01 Fl. 573 9 Destarte, a exigência fiscal para o 1º trimestre de 2007, no valor de R$ 294,57, deve ser cancelada. O valor exigido a título de CSLL relativa ao 2º trimestre de 2007, deve ser mantido, pelo fato de a recorrente não haver informado em DCTF e, por conseguinte, não haver constituído o crédito – R$ 1.026,32, mas o valor a ser exigido da recorrente deve ser reduzido em R$ 143,20 e considerado o DARF citado no item II deste relatório pertinente ao mesmo período. No mais, no que respeita às contestações sobre a cobrança dos juros à razão da taxa Selic, a matéria encontrase sumulada por este órgão julgador, não competindo às turmas julgadoras divergir ou mesmo apreciar: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, devem ser mantidos os lançamentos tributários de CSLL relativas aos: a) 4º trimestre de 2005, 2º e 3º trimestres de 2006 – sem os acréscimos legais lançados de ofício por já quitados pela empresa antes do início da ação fiscal, devendo os pagamentos serem devidamente alocados; b) 4º trimestre de 2006 e 2º trimestre de 2007 com as alterações da multa de ofício e redução de retenção na fonte, consoante decidido neste voto. A unidade de jurisdição deverá alocar os pagamentos efetuados pela recorrente após a lavratura do auto de infração e antes de encerrado os trinta dias para ciência da decisão de primeira instância para verificar se há valores a serem exigidos ainda da contribuinte. Voto, em preliminar, para afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 580DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Fl. 581DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 08/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10711.003388/88-52
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 1996
Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA -Formulada de acordo com o art. 138 do CTN e
acompanhada do recolhimento ou depósito do tributo, elide a penalidade
Negado provimento ao recurso do Procurador e julgado perempto o recurso de divergência
Numero da decisão: CSRF/03-02.445
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por
unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso de Divergência face à intempestividade, e NEGAR provimento ao Recurso do Procurador, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Fausto de Freitas e Castro Neto
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RP1302-0 146 e RD1302-0 131 MATÉRIA MANIFESTO RECORRENTE UNIIVIARÉ AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. e FAZENDA NACIONAL RECORRIDA r CÂMARA DO 3° CC SUJEITO PASSIVO . UNIMARÉ AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA DENÚNCIA ESPONTÂNEA -Formulada de acordo com o art. 138 do CTN e acompanhada do recolhimento ou depósito do tributo, elide a penalidade Negado provimento ao recurso do Procurador e julgado perempto o recurso de divergência Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UNIIVIARÉ AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA e FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso de Divergência face à intempestividade, e NEGAR provimento ao Recurso do Procurador, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado ,..- . . --„,--,---, „, 4. k ON PERE,0á R • i O- ' ei -P • - IDENTEe, ,,,, , , .,. , 1,--- ide4.4-42---~,IC:-, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO - RELATOR 43-. FORMALIZADO EM. 2,1 miARmwr ..I. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MOACYR ELOY DE MEDEIROS, ELIZABETH EMÍLIO MORAES CHIEREGATTO, UBALDO CAMPELO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA Ausente o Conselheiro SÉRGIO SILVEIRA MELO (suplente convocado) MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCES SO N° 10711/003 388/88-52 ACÓRDÃO N° C SRF/03 -2 445 RECURSO N° RP/302-0 146 e RD/302-0 131 RECORRENTE UNIIIVIARÉ AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. e FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO UNIMARE AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA RELATÓRIO Inconformada com a decisão contida no Acórdão n° 302-31-557, de 28 de junho de 1989, da 2a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos acolheu a tese da denúncia espontânea (art 138 do CTN) para fins de exclusão de penalidade, recorre agora a Fazenda Nacional à Câmara Superior de Recursos Fiscais em Recurso Especial de Divergência e apresenta como paradigmas os Acórdão n's 301-25 898 e 301-25 926 O sujeito passivo, por seu turno, apresentou um recurso de Divergência, o qual, por se manifestar perempto não mereceu seguimento, conforme despacho do digno Presidente da mesma 2 Câmara do 3° Conselho de Contribuintes No seu recurso especial, a Fazenda Nacional insurge-se contra o provimento com relação às multas, com base na denúncia espontânea da infração Argumenta que, após a Visita Aduaneira, medida de fiscalização não se pode ter por espontânea a denúncia de infração relativa à descarga do veiculo transportador Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Sessão de 22 de agosto de 1991, decidiu, com a Resolução n° CSRF/03-0 042, converter o julgamento do processo em diligência à repartição de origem para que esclarecesse as incongruências nas datas referentes á intimação que deu ciência ao contribuinte da decisão da 2' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes e, bem assim, do Recurso de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional A resposta da IRF no Porto do Rio de Janeiro, de 11 de fevereiro de 1994, foi no sentido de que a Intimação n° 2328 (fl 170) consta como de 21 de agosto de 1989 enquanto r2,-+ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10711/003 388/88-52 ACÓRDÃO N° CSRF/03-2 445 que o AR está com data de recebimento de 15 de agosto de 1989 No entanto, após o exame da Guia de Entrega de Objetos aos Correios GEOC, a expedição da Intimação foi feita, realmente, em 11 de agosto, de modo que está correta a data de recebimento aposto no AR, a saber, 15 08 89 Quanto ao Recurso de Divergência apresentado pelo Sujeito Passivo, consta dos documentos de fls 237/238, que a entrada deste e das contra-razões da autuada, foi em data de 11 de setembro de 1989 (fls. 238/248) o que comprova a intempestividade, tendo, havido, portanto, a perempção É o relatório PA)/ 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10711/003 388/88-52 ACÓRDÃO N° CSRF/03-2 445 VOTO CONSELHEIRO FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, RELATOR Cabe a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, inicialmente, manter o Despacho de fls 214/215, com o qual o Presidente da douta 2 Câmara do 3° Conselho de Contribuintes negou seguimento ao pedido do sujeito passivo, de recurso de divergência, dado o descumprimento do prazo de 15 dias a partir da ciência do Acórdão proferido pela mesma 2' Câmara Quanto ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo que não deve ser acolhido Com efeito, ao contrário da argumentação que desenvolve sobre visita aduaneira impeditiva da denúncia espontânea - a visita aduaneira não constitui inicio de qualquer fiscalização relacionada com a infração, como já decidiu numerosas vezes esta Câmara Superior Por outro lado a denúncia espontânea feita pelo sujeito passivo o foi dentro dos parâmetros estabelecidos pelo art 138 do CTN, pelo que não pode deixar de ser reconhecida Quanto ao recurso de divergência do sujeito passivo, por perempto, dela não tomo conhecimento Por todo o exposto, nego provimento ao recurso da douta Procuradoria da Fazenda Nacional Sala das Sessões - DF, 19 de agosto de 1996 (3~62.4 FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.905869/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.505
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 58 69 /2 01 1- 71 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.905869/201171 Acórdão n.º 3302004.505 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06043.096. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.905869/201171 Acórdão n.º 3302004.505 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.905869/201171 Acórdão n.º 3302004.505 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.905869/201171 Acórdão n.º 3302004.505 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.905869/201171 Acórdão n.º 3302004.505 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.905869/201171 Acórdão n.º 3302004.505 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.904341/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 43 41 /2 00 9- 42 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.904341/200942 Acórdão n.º 1402002.657 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.904341/200942 Acórdão n.º 1402002.657 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.904341/200942 Acórdão n.º 1402002.657 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11040.904341/200942 Acórdão n.º 1402002.657 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720198/2012-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS.
Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizam-se como remuneração, constituindo-se, assim, em fato gerador das contribuições previdenciárias.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões do voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento. A conselheira relatora alterou seu posicionamento sobre o recurso fazendário em relação à reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 04/2017 e concluído em 24/05/2017.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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STOCK OPTIONS. Os pagamentos efetuados a funcionários, executivos e demais prestadores de serviço da empresa, por meio de opção de compra de ações, caracterizamse como remuneração, constituindose, assim, em fato gerador das contribuições previdenciárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 98 /2 01 2- 78 Fl. 3906DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões do voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Solicitaram apresentar declaração de voto as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento. A conselheira relatora alterou seu posicionamento sobre o recurso fazendário em relação à reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 04/2017 e concluído em 24/05/2017. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o Contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de contribuição social previdenciária incidente sobre rendimentos decorrentes de "Planos de Opções de compra de Ações para Empregados" (Stock Option Plans), no período de 01/01/2008 a 31/12/2008. O lançamento compreende os DEBCADs 37.3088612 (auto de obrigação acessória), 37.3088620 (patronal) e 37.3088639 (terceiros). Segundo relatório fiscal: 2.5 Foi constatado no decorrer deste procedimento que a remuneração dos principais executivos da fiscalizada é composta por duas parcelas, uma fixa e outra varíável, sendo Fl. 3907DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.907 3 esta composta por uma parcela de bônus de curto prazo (em dinheiro) e outra parcela de longo prazo (baseada em ações). ... 5.3. Tendo em vista que a fiscalizada atribui direitos para a aquisição/subscrição de ações de sua própria emissão, a preços e condições definidos antecipadamente, aos seus administradores e empregados, doravante será abordado especificamente o incentivo salarial Plano de Opções de Compra de Ações para Empregados e Administradores (Stock Options Plans). ... 7.21. Portanto, ao contrário da legislação fiscal dos países acima citados, onde a regra é a natureza remuneratória dos ganhos advindos de planos de ações para empregados, no Brasil, para que haja incidência das contribuições previdenciárias sobre os rendimentos das Stock Options é necessário que a natureza das mesmas não seja mercantil, pois “se o empregado paga para exercer o direito de opção e, conseqüentemente, assume o risco de ganhar ou perder, resta caracterizada uma mera compra e venda de ações”. 7.22. Entretanto, se ficar constatado, entre outras coisas, que não houve riscos para o empregado, ou que o valor das ações foi subsidiado pela empresa, proporcionando assim um ganho certo ao beneficiário, restará caracterizada a natureza remuneratória. ... 13.1. Conforme já explicitado, para que ocorra o lançamento das contribuições previdenciárias sobre os rendimentos advindos dos planos de opções é necessário que se determine se a natureza jurídica é remuneratória ou mercantil. No caso em tela, em vista dos fatos apurados, restou comprovada a natureza remuneratória, senão vejamos. Em sede de impugnação o contribuinte defendeu a nulidade do lançamento por ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material, a natureza mercantil dos valores pagos e, subsidiariamente, arguiu erro na apuração da base de cálculo e nas multas aplicadas. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários exigidos. Por meio do recurso voluntário a contribuinte reiterou seus argumentos e requereu a reforma do acórdão defendendo a natureza mercantil dos ganhos advindos dos planos de stock option, afinal tratamse de planos onerosos com riscos aos beneficiários e representam um ganho eventual. A 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por meio do acórdão nº 2302003.536, assim decidiu sobre o recurso voluntário: Fl. 3908DF CARF MF 4 1) por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito do lançamento, porque as vantagens econômicas oferecidas aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição – base de cálculo das contribuições previdenciárias. 2) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.308.8612, CFL 68, devendo a multa aplicada ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. 3) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que as multas aplicadas mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.308.8620 e 37.308.8639 sejam recalculadas, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias. Defende que ao caso devese levar em conta a soma das multas previstas pelo descumprimento das obrigações principais e acessórias, aplicáveis na sistemática anterior à Medida Provisória nº 449/2008, em comparação com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única, aplicável ao caso por força do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões e também recurso especial pretendendo rediscutir dois pontos: i) natureza mercantil dos Stock Option Plans, pois presentes as características de onerosidade, desvinculação do contrato de trabalho e risco, e ii) impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. Embora o recurso do contribuinte tenha sido admitido em relação as duas matérias, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões apenas quanto a primeira divergência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Ambos recursos atendem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, reiterando os despachos de fls. 3.708/3.713 e 3.870/3.880, deles conheço. Fl. 3909DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.908 5 Do recurso do contribuinte: Diante da relação de causa e efeito, passo a analisar o mérito do recurso do contribuinte cujo objeto principal é a discussão acerca da natureza jurídica dos denominados 'Stock Option Plans' ou 'Planos de Opções de Compra de Ações'. Adotando os termos do relatório fiscal, esclareço que Stock Option Plans são os planos de incentivos a empregados, administradores ou prestadores de serviço baseados em opções para aquisição de ações da própria companhia ou de outra empresa do mesmo grupo (a controladora final, ou holding, por exemplo) em que o profissional trabalha. Nesses planos, é dada opção de compra de ações para determinados profissionais a um preço prefixado, cujo exercício será realizado em data futura predeterminada. Importante citar que embora a previsão de uso de Stock Option esteja prevista no art. 168, §3º da Lei das Sociedade Anônimas, Lei nº 9.604/76, o mesmo dispositivo não nos traz qualquer elemento de definição acerca da natureza jurídica do instituto: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. ... § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. E quanto a este ponto, ao contrário do entendimento do acórdão recorrido, e citando a premissa adotada pelo próprio lançamento, na essência tais planos possuem natureza mercantil, pois decorrem de contrato particular firmado entre as partes e por meio do qual a empresa se obriga a, implementadas as condições, vender ao beneficiário parte de suas ações. Peço vênia para transcrever parte das considerações feitas pela Ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva, no acórdão 2401003.045, citado pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões: Como bem trazido pelo recorrente segundo o dicionário 'Barrons Dictionary of Legal Terms', o termo stock option significa: “a outorga a um indivíduo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, então ao tempo em que as ações são adquiridas”. Assim, as opções representam o direito de comprar ações a um preço fixo, definido na data em que as opções são concedidas (preço de exercício). Após um determinado período (prazo de carência, também chamado de 'vesting'), esse direito de opção de compras pode ou não ser exercido, já que não se trata de obrigação, como mencionado acima e envolve risco para o empregado. Ou seja, em termos conceituais, no entender desta relatora, a stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja Fl. 3910DF CARF MF 6 empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso da prestação de serviços (seja no contrato de trabalho, seja em contrato autônomo). No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ªed., São Paulo: LTR,2010,p.783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n.420, de2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente." É no mesmo sentido, que discordo de um dos argumentos trazidos pelo auditor, citando uma reclamatória trabalhista, a qual encaminhou o magistrado o julgamento no sentido de que toda a forma de stock options, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Embora, a concessão da opção por ações tenha decorrido da prestação de serviços, tratase, em regra, de típico contrato mercantil, envolvendo riscos, podendo o trabalhador, auferir lucros ou não com a outorga de ações, tudo a depender da situação do mercado. Percebese que nem toda vantagem ofertada ao empregado ou contribuinte individual pode ser classificada como remuneratória, tal característica somente estará presente se de fato o beneficio assumir caráter primordial de retribuição pelo trabalho, e nos planos de opção de compras de ações não é isso que ocorre. Para o Professor André Mendes Moreira (in 'Plano de Stock Optins. Análise sob o prisma da não incidência de Contribuições Sociais', Revista Dialética de Direito Tributário nº 214) o objetivo perseguido pela empresa é incentivar seus empregados ou prestadores de serviço a aumentar os índices de desempenho da companhia, bem como fomentar o compromisso e a lealdade à empresa. Corroborando com o entendimento acima, cito o jurista Fábio Ulhoa Coelho, que em sua obra intitulada Curso de Direito Comercial (volume 2, p. 170/171, 6ª edição) nos apresenta alguns elementos essenciais deste instrumento: As companhias muitas vezes buscam motivar seus administradores (diretores e membros do Conselho de Administração) e executivos de elevado nível, concedendolhes a oportunidade de participarem dele como acionistas. Quando assumem a condição de sócio, eles passam a ter interesse na distribuição dos lucros, e, por via de conseqüência, nos resultados da companhia. Os administradores e executivos que são também acionistas da sociedade presumivelmente se encontram mais motivados com as tarefas correspondentes às Fl. 3911DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.909 7 suas funções e cargos. É, assim, comum que as sociedades anônimas outorguem aos membros da administração superior opção de compra de ações. Tratase de negócio jurídico, pelo qual a companhia se obriga, a partir da declaração de vontade do executivo beneficiário (exercício da opção) e pagamento por este do preço, a entregarlhe ações de sua emissão, em quantidade e espécie previamente definidas no instrumento de opção. Além do aspecto citado, ainda há na Stock Options particularidades que no entender desta Relatora afastam, em regra, o caráter remuneratório do benefício ofertado. Para melhor compreensão citamos os momentos temporais envolvidos no instituto, considerando os contratos envolvidos no presente lançamento: 1) Aprovação do plano de opção de compras de ações: nos termos art. 168, §3º da nº 9.604/76, a outorga de opção de compra ao empregado ou prestador de serviço exige prévia autorização estatutária, com aprovação, em Assembléia Geral, de um Plano de Concessão e capital autorizado. Considerando que os requisitos acima são prévios a celebração do 'contrato de opção de compra', podem ocorrer casos e que os mesmo são definidos em data posterior a contratação do beneficiado, ou seja, estaríamos diante de vantagem não considerada pelo contratado quando da assinatura do respectivo contrato de trabalho ou de prestação de serviços. No mais, entendo que é nesta etapa que se tornam públicos e delimitados os critérios e condições que compõem o Plano de Concessão e portanto estamos diante de critérios objetivos e desvinculados do serviço prestado. Feita a eleição daquele a quem poderá ser outorgada a opção de compra de ações, não mais se exige pelo menos nos contratos juntados aos autos o cumprimento de condições vinculadas exclusivamente aos trabalhos desempenhados pela parte envolvida. O que quero dizer é que se há análise de desempenho pessoal essa é feita como condição para oferta do benefício e não para fruição desse, considerando neste ultimo caso o momento do exercício de compra das ações. 2) Celebração do contrato de outorga de opção de compra: neste momento firmase o contrato mercantil por meio da qual a empresa se compromete, mediante pagamento em pecúnia realizado pelo empregado/prestador, a vender determinado número de ações. Fixamse as condições do contrato como número de ações disponibilizadas, valor de cada ação, prazo para o exercício do direito de compra e carência. Considerando os elementos, em especial o temporal (vesting), o que temos até aqui é o mero surgimento de uma expectativa de direito condicionada a evento futuro e incerto para pessoa contratada. Assim, vejo um conflito entre a essência de uma parcela tida como remuneratória com o fato de o contrato prever a necessidade de pagamento para o exercício desse direto e ainda o risco de, ao final, não existir qualquer ganho ao empregado/prestador seja pela não implementação de uma condição seja pela própria variação do mercado que leve decisão pela não efetivação da compra. E aqui cabe um apontamento acerca do argumento de que o caráter remuneratório seria reforçado por cláusula que prevê a perda de direito nos casos de desligamento do empregado antes de encerrado o prazo de carência. Ora, se o direito Fl. 3912DF CARF MF 8 decorrente da stock option assumisse feição de remuneração pelo serviço prestado deverseia reconhecer, nessas circunstâncias, ao beneficiado direito a parcela proporcional ao período trabalhado. 3) Da aquisição (ou não) das ações: aqui iniciase a discussão acerca de eventual ganho ao empregado/prestador. Implementadas as condições do contrato de outorga nasce para o empregado o direito de adquirir as ações. Essa aquisição é facultativa e depende exclusivamente da vontade do empregado. Em regra o valor de aquisição das ações é fixado no contrato de outorga e levase em consideração o valor médio de mercado dos títulos quando da celebração daquele instrumento. Assim, pode ocorrer que na data da opção de compra, o valor das ações esteja avaliado pelo mercado em patamares inferiores ou superiores ao preço pactuado. No primeiro caso poderia haver um ganho ao empregado/prestador, em contrapartida estando o valor abaixo do pactuado deixará de obter qualquer vantagem com a operação. Vale destacar que é comum haver nos contratos desta natureza cláusula que mitiga a propriedade do colaborador sobre os títulos, é a denominada cláusula 'lock up'. Nestes casos ainda que feita a opção pela compra das ações o colaborador não assume a total disponibilidade dos títulos ficando impedido ceder, transferir ou alienar este direito por determinado período, assim, embora em um primeiro momento possa parecer ter havido um ganho, esse pode simplesmente desaparecer quando da implementação dessa condição temporal suspensiva. Importante destacar mais uma vez que, para fazer a opção pela compra da ação, necessariamente deverá haver a contraprestação consubstanciada no pagamento em pecúnia da parte assumida pelo adquirente (empregado/contribuinte individual), ou seja, não representa a stock option uma liberalidade do empregador. O empregador não está retribuindo eventual trabalho realizado, ao contrário, por força contratual, havendo o pagamento ele se obriga a transferir as ações ao novo sócio, caso contrário extinguese a oferta objeto daquele contrato (ainda que tenha havido a efetiva prestação de serviços). No mais, a empresa independente de qualquer movimento não consegue interferir no mercado a ponto de assegurar que o empregado ao final do vesting e cumpridas as demais condições realizará um ganho, ou seja, ainda que se tenha ofertado no passado suposto benefício de adquirir a preço prédeterminado ações no futuro, tal benefício não pode assumir caráter remuneratório pelos simples fato de não assegurar um ganho ao envolvido quando da sua contratação. Como dizer que remunera trabalho se para receber o empregado tem que pagar pelas quotas e se ainda pode ocorrer situações em que tal remuneração simplesmente não venha existir? Neste ultimo caso, se fosse remuneração pela trabalho, entendo que mais uma vez deveria ser reconhecido o direito de recebimento de indenização pela perda registrada, afinal o labor deve ser remunerado. Assim, no caso das stock options, diante da sua natureza não remuneratória seria desnecessário que o art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 nos trouxesse exceção expressa em relação as essas verbas, pois estamos diante de hipótese de não incidência da contribuição previdenciária haja vista o disposto no art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, Fl. 3913DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.910 9 mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; O legislador infraconstitucional ao regulamentar a Contribuição, por meio da Lei nº 8.212/91, reproduzir no art. 22 a essencialidade das verbas que compõe o fato gerador: total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Entendo que o citado §9º do art. 28, observando as limitações legislativas impostas pode ampliar as hipóteses nas quais dispensará o recolhimento do tributo, mas jamais pode utilizar essa norma para fazer incluir na base de cálculo do fato gerador o recebimento de verba que não foi paga ou creditada em razão do trabalho. Ao delimitar a base de cálculo a Lei nº 8.212/91 e a Constituição Federal abarcam apenas as verbas que atendam, cumulativamente, os requisitos da retributividade e o da habitualidade, os quais como dito não estão presentes nos planos em questão. Vale destacar que, embora entenda pela natureza eminentemente mercantil desses planos, não podemos aplicála indistintamente, pois é comum que empresas objetivando reduzir os reflexos decorrentes deste utilizem mecanismos para camuflar pagamentos diretamente relacionados com o contrato de trabalho, aqui adotado no sentido amplo. No caso de a empresa descumprir os requisitos legais e contratuais fixados, por exemplo subsidiando o valor das ações, aplicando formas de se evitar qualquer desembolso efetivo do empregado/prestador, simulando situações para eliminar prejuízo aos beneficiários, deverá sim ser atribuída natureza remuneratória a tais vantagens. Estaríamos diante de abuso de forma que deve ser veemente combatido. Neste sentido se faz essencial, para fins de incidência da contribuição previdenciária, analisar se no caso concreto o programa ofertado pela empresa cumpriu ou não a finalidade e os requisitos essenciais da stock option. E aqui, embora o lançamento tenha feito uma extensa explanação dos motivos que levaram a desconsideração dos planos atribuindolhe efeito remuneratório, alguns pontos merecem destaque: 1) comprovação de tratarse de opção onerosa ao adquirente das ações, exigindose o pagamento (desembolso efetivo) do valor corresponde aos títulos adquiridos. Relevante mencionar que em alguns contratos firmados pela recorrente com seus colaboradores era necessário, já no momento de assinatura do contrato de outorga, o desembolso efetivo correspondente ao valor de parte das ações que lhe foram destinadas. Fl. 3914DF CARF MF 10 2) Valor de aquisição não foi subsidiado: a definição do preço de aquisição levava em consideração a média do valor de mercado das ações nos trinta dias anteriores a assinatura do contrato e estavam sujeitas a incidência de juros e correção monetária até o momento da compra. Inexistiu cessão gratuita ou subsidiada quando da oferta ou aquisição das dos títulos. 3) Cláusula lock up: mesmo após o exercício da opção de compra das ações o beneficiário não adquiria a propriedade plena, era necessário o cumprimento de um novo prazo de carência para que as ações pudessem ser negociadas pelo adquirente, ou seja, o risco da obtenção de vantagens pelo trabalhador era maximizado após a compra das ações. 4) Quanto a aplicação da regra do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 10, usando as palavras de Thiago Barbosa Wandeley no artigo "Stock Option: não incidência da Contribuição Previdenciária e Momento da Incidência do IRPF" (Revista Dialética de Direito Tributário nº 238): Interessante notar que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis determinou por meio do CPC 10 que os valores das ações a serem conferidas na hipótese do exercício da opção devem ser mensurado, já no momento da outorga (data da contratação) sendo apropriados proporcionalmente em sua contabilidade como se fosse uma verba remuneratória do funcionário. Contudo, a forma de contabilização como uma remuneração não possui o condão de alterar a natureza jurídica mercantil do instituto, uma vez que as normas jurídicas pertinentes à remuneração exigem uma retributividade vinculada ao trabalho prestado que não é verificada no contrato de stock option, conforme já consolidado inclusive pela justiça especializada. Somandose as razões acima, ainda cito e adoto como razões de decidir as considerações feitas pela Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, em declaração de voto apresentada no acórdão recorrido, que se debruçando sobre modificações contratuais e distratos promovidos pela empresa entendeu pela não incidência da contribuição, tendo os planos ora analisados cumprido os requisitos essenciais das stock options: Ao meu ver, as interferências realizadas pela empresa assim foram efetuadas como medidas protetivas da própria Companhia. Isto porque, as mudanças pelas quais a empresa se predispôs a passar – a exemplo, abertura do capital ensejou uma reformulação do que antes havia sido pactuado com os funcionários que aderiram aos programas como meio de equilibrar a composição societária. Ora, após a abertura do capital, uma das primeiras alterações que observei foi a transformação das as ações preferenciais (PN) em ações ordinárias (ON). Naquelas, ao titular é assegurado prioridade na distribuição de dividendos e no reembolso do capital. Entretanto, não lhe dá direito a voto. Nas ações ordinárias, ao titular é conferido direito de voto e participa nos resultados da companhia, no entanto, não possui preferência na distribuição de dividendos. As ações ordinárias tiveram ampla aceitação na Bolsa de Valores. As primeiras negociações resultaram na venda de mais de 50 milhões de ações. Por causa da procura e do volume de venda, a empresa desdobrou as ações na proporção de 1/3 para que pudesse atrair mais investidores, objetivando aumentar a liquidez de seus ativos. O desdobramento (Split) é a divisão de uma ação em mais. Exemplificando, se uma empresa com 500 ações a R$ 60,00 Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.911 11 anuncia um desdobramento de 1/3, isso significa que a partir da data do evento, a ação passará a custar R$ 20,00 e o número de ações será de 1500. Assim, cada investidor/funcionário que tinha uma ação, passou a ter três. Como o número de ações da empresa triplicou sem haver um aumento no capital social, conseqüentemente, o valor das ações é reduzido na mesma proporção. Desse modo, não obstante o desdobramento afete diretamente o valor das ações, a alteração decorre da imposição normativa estabelecida no art. 12 da Lei nº 6.404/76, vejamos: “ Art. 12. O número e o valor nominal das ações somente poderão ser alterados nos casos de modificação do valor do capital social ou da sua expressão monetária, de desdobramento ou grupamento de ações, ou de cancelamento de ações autorizado nesta Lei.” Todavia, isto não provoca benefício econômico nenhum para o funcionário/investidor até porque esta medida provoca a redução do valor das ações no mercado. Quanto à transferência do controle acionário, tão amplamente comentado pelo auditor, entendo que ocorreu nos termos delineados pelo art. 254A, da Lei nº 6.404/76, abaixo transcrito: Art. 254A. A alienação, direta ou indireta, do controle de companhia aberta somente poderá ser contratada sob a condição, suspensiva ou resolutiva, de que o adquirente se obrigue a fazer oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no mínimo igual a 80% (oitenta por cento) do valor pago por ação com direito a voto, integrante do bloco de controle. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001) § 1o Entendese como alienação de controle a transferência, de forma direta ou indireta, de ações integrantes do bloco de controle, de ações vinculadas a acordos de acionistas e de valores mobiliários conversíveis em ações com direito a voto, cessão de direitos de subscrição de ações e de outros títulos ou direitos relativos a valores mobiliários conversíveis em ações que venham a resultar na alienação de controle acionário da sociedade. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001) § 2o A Comissão de Valores Mobiliários autorizará a alienação de controle de que trata o caput, desde que verificado que as condições da oferta pública atendem aos requisitos legais. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001) § 3o Compete à Comissão de Valores Mobiliários estabelecer normas a serem observadas na oferta pública de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001) § 4o O adquirente do controle acionário de companhia aberta poderá oferecer aos acionistas minoritários a opção de Fl. 3916DF CARF MF 12 permanecer na companhia, mediante o pagamento de um prêmio equivalente à diferença entre o valor de mercado das ações e o valor pago por ação integrante do bloco de controle. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001) Diante dos fatos acima elucidados, não entendo que a ingerência da Companhia nos stock option plans de 2002 objetivou maximizar os resultados a serem obtidos pelos funcionários, eliminando o risco da operação. Ao contrário, as medias adotadas tiveram a única finalidade de proteger a composição societária, mantendo sólida a sua integridade financeira. Importa ressaltar que as remunerações recebidas pelos funcionários não teve qualquer ligação do trabalho por eles prestado. Seu vínculo decorre de fato exterior ao vínculo empregatício, qual seja, valorização das ações na Bolsa de Valores. Logo, não podem, nem devem, ser saláriode contribuição. No que tange aos Planos 2006 e 2008, foi relatado que no período dos respectivos programas houve uma desvalorização muito grande no preço das ações. Por causa disso, a empresa aditou os contratos, agrupando as ações e, posteriormente, formalizando distratos. Neste contexto, ainda que diretamente a empresa tenha protegido os funcionários efetivando os distratos, de qualquer sorte, com a desvalorização das ações, não houve qualquer acréscimo patrimonial do funcionário a ensejar o lançamento do valor pretendido pelo auditor. Inexistindo liquidação financeira, o funcionário além de não ter recebido dividendo, ficou prejudicado ante o pagamento que efetuou na época que aderiu ao Programa (pagamento antecipado). Logo, não havendo qualquer pagamento, não poderia o auditor calcular o valor devido a título de contribuição previdenciária sobre uma base de cálculo negativa razão pela qual invalido a exigência efetuada em relação aos respectivos Planos. Assim, diante do exposto, havendo nos autos requisitos que afastam a caracterização do benefício como remuneração, considerando que os valores apurados pela fiscalização não compõem o conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, da Lei nº 8.212/91, dou provimento ao recuso especial do contribuinte, restado prejudicada a análise da segunda divergência: juros sobre multa de ofício. Do recurso da Fazenda Nacional: Diante do julgamento conjunto dos recursos e do entendimento do Colegiado quanto ao aspecto processual, vencida em relação ao mérito do recurso especial interposto pelo contribuinte e considerando a decisão da maioria pela manutenção do fato gerador, passo à análise do mérito do Recurso Especial da Fazenda Nacional. No caso cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.912 13 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 3918DF CARF MF 14 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991 regra já adotada pelo fiscal quando do lançamento do débito. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.000: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.913 15 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 3920DF CARF MF 16 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, a multa aplicada ocorreu nos termos da Lei nº 8.212/91, art. 35A, c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser considerada mais favorável. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Sobre o assunto foi editada a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.914 17 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 3922DF CARF MF 18 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia, ouso discordar da nobre relatora em relação ao mérito do Recurso Especial da contribuinte, tanto no que diz respeito: (i) à natureza não remuneratória (mercantil) do contrato de opções de ações como quanto (ii) à incidência de juros sobre a multa de ofício aqui lavrada. Os itens serão tratados separadamente, a seguir. 1. Quanto à natureza remuneratória (supostamente mercantil) dos planos de opção de compras de ações. Pertinente, a meu ver, que se reproduza novamente todos os elementos já citados pelo recorrido (mais especificamente colacionados às efls. 3650 a 3652), todos estes retirados de documentos de emissão da própria empresa autuada, verbis (grifos nossos): (...) IAN – Formulário de Informações Anuais DataBase 31/ 12/2006 Sistemas Gerenciais e Estrutura Organizacional Única. Nossos sistemas gerenciais e estrutura organizacional são baseados na nossa cultura orientada a resultados. Todos os nossos funcionários têm sua remuneração alinhada com o nosso desempenho, incluindo planos de opção de compra de ações para os nossos principais empregados. Formulário 20F DataBase 31/12/2007 O plano de opção objetiva: (1) estimular a expansão e o êxito no desenvolvimento dos nossos objetivos sociais, permitindo aos nossos conselheiros, diretores e profissionais seniores adquirirem ações de nossa Fl. 3923DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.915 19 emissão, incentivando a integração destes a nossa companhia; (2) permitir que identifiquemos e possamos contratar os serviços de conselheiros, diretores e de empregados de alto nível oferecendolhes o benefício adicional de se tornarem nossos acionistas; e (3) alinhar os interesses dos conselheiros, diretores e profissionais seniores aos interesses dos nossos acionistas. IAN Informações Anuais DataBase 31/ 12/2007 A equipe da Gafisa S.A. mescla profissionais experientes na indústria imobiliária a pessoas oriundas de diversos segmentos de mercado, o que confere o dinamismo exigido pelos desafios de crescimento. Os sistemas gerenciais e a estrutura organizacional são baseados na meritocracia, em uma cultura orientada a resultados. Todos os funcionários têm remuneração variável definida a partir do cumprimento de metas coletivas e individuais, o que estimula a busca por soluções inovadoras e o compartilhamento das melhores práticas para o alcance de resultados expressivos. DFP Demonstrações Financeiras Padronizadas DataBase 31/ 12/2007 A Companhia possui, no total, cinco planos de aquisição de ações, o primeiro lançado no ano de 2000, administrados por um comitê que periodicamente cria novos programas de compra de ações, estipulando os seus termos de forma geral, os quais, entre outros, (i) define o tempo de serviço necessário para os funcionários estarem elegíveis aos benefícios dos planos, (ii) a seleção dos empregados que terão direito a integrar os planos; e (iii) estabelece os preços das opções de compra de ações preferenciais a serem exercidas em atendimento aos planos. Relatório Anual 2007 Ao adotarmos, em 2000, um plano de opções de ações que privilegia a meritocracia e valoriza os profissionais que revelam seu compromisso com a companhia, formamos uma equipe que compartilha a mesma ambição: Ser a maior empresa em vendas e a melhor em retorno aos acionistas do setor de incorporação desenvolvimento urbano e construção no segmento residencial. (...) Remuneração Outro programa em andamento na empresa é o de Stock Option, aplicável a todos os colaboradores. Com base na apuração dos resultados do ano e nas situações de superação de metas, a companhia elege os profissionais que podem exercer a opção de compra de papéis. Em 2007, o benefício foi concedido a 48 colaboradores. IAN Informações Anuais DataBase 31/ 12/2008 Nossa política de remuneração envolve a outorga de opção de compra de ações de nossa emissão aos nossos executivos. O fato Fl. 3924DF CARF MF 20 de uma parcela relevante da remuneração de nossos executivos estar ligada ao valor de mercado de nossas ações (inclusive na medida em que nossos executivos poderão exercer suas opções de compra de ações a um preço inferior ao valor de mercado das ações) pode levar nossos executivos a dirigir nossos negócios e atividades de forma conflitante com os interesses de nossos acionistas, por exemplo, nossos administradores poderão priorizar resultados de curto prazo o que poderá conflitar com os interesses de acionistas que tenham uma visão de investimento de longo prazo. (...) Oferecemos a nossos empregados os seguintes benefícios: seguro de vida, assistência odontológica, seguro saúde, assistência médica, valerefeição, participação nos lucros e resultados e Plano de Opção de Compra de Ações estendido a alguns empregados. (...) Remuneração indireta (i) as opções outorgadas no âmbito dos planos de opções de compra de Ações, cujos exercícios já podem ocorrer a critério dos outorgados, referentes a 2.112.056 ações ou 1,6% das ações representativas do nosso capital social, nossos administradores fariam jus a um adicional de remuneração indireta de R$ 480,2 mil, valor esse, calculado com base no modelo de “diluição imediata“,considerandose (a) o exercício da totalidade das opções de compra de ações remanescentes, tomandose por referência a cotação das ações ordinárias de nossa emissão em 9 de junho de 2009 de R$16,50 na BM&FBOVESPA e o preço de exercícios dos respectivos planos de compra; e (ii) as opções já outorgadas no âmbito dos planos de opções de compra de ações, cujas condições de exercício ainda não ocorreram, referentes a 3.719.578 ações ou 2,8% do nosso capital social, nossos administradores farão jus a um adicional de remuneração indireta de R$1,8 milhões, calculado com base no modelo de “diluição imediata”, tomandose por referência a cotação das ações ordinárias de nossa emissão em 9 de junho de 2009 de R$16,50 na BM&FBOVESPA e o preço de exercícios dos respectivos planos de compra; O modelo de “diluição imediata“apresenta o montante obtido pelos nossos administradores em decorrência do exercício das opções de compra de ações, subtraindose, do valor de mercado da ação, o preço de exercício de cada opção e, posteriormente, multiplicandose este valor pela quantidade total de opções exercidas. Assim, o total adicional da remuneração indireta que os nossos administradores fariam jus com relação ao Plano de Opção de Ações da Companhia seria de R$ 2,3 milhões. DFP Demonstrações Financeiras Padronizadas DataBase 31/ 12/2008 A Companhia oferece aos executivos, devidamente aprovado pelo Conselho de Administração, plano de remuneração com base em 18 ações ("Stock Options"), segundo o qual recebe os Fl. 3925DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.916 21 serviços como contraprestações das opções de compra de ações outorgadas. (...) Opção de compra de ações Nós temos planos de remuneração com base em ações para nossos executivos. As opções, calculadas na data da outorga, devem ser reconhecidas como despesas no patrimônio líquido durante o período em que os serviços são prestados até a data da transferência do direito. (...) Diretoria Os membros da Diretoria estatutária e não estatutária fazem jus à remuneração fixa e variável, esta última composta por uma parcela de bônus de curto prazo em dinheiro e outra parcela de longo prazo, baseada em ações. Os valores pagos a título de remuneração fixa ficam normalmente abaixo dos padrões de mercado, permitindo assim que a Companhia concentre parte significativa da remuneração total nos incentivos variáveis de curto e longo prazo, o que faz com que os Diretores compartilhem o risco e o resultado com a Companhia, permitindo maior alinhamento de interesses entre os executivos e acionistas da Companhia. O objetivo da remuneração variável de curto prazo é recompensar o resultado do ano, se as metas estipuladas para o período tiverem sido alcançadas. Da mesma forma, a remuneração variável de longo prazo, baseada em ações, visa recompensar o resultado de um período mais longo (geralmente acima de 2 anos), também na hipótese das metas estipuladas para este período terem sido alcançadas, metas essas que são diferentes daquelas estipuladas para o curto prazo. Esta política visa alinhar os interesses dos executivos com aqueles dos acionistas. É importante ressaltar que a Companhia possui um Comitê de Remuneração que analisa a estratégia de remuneração fixa e variável a ser adotada, os modelos de Stock Options e as indicações de beneficiários, para serem aprovados posteriormente pelo Conselho de Administração. (...) “ii. qual a proporção de cada elemento na remuneração total”: No caso do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, a remuneração fixa corresponde a 100% da remuneração total, conforme já mencionado anteriormente. Já no caso da Diretoria (tanto estatutária quanto não estatutária), a remuneração fixa corresponde a aproximadamente 30% da remuneração total, enquanto que a remuneração variável corresponde Fl. 3926DF CARF MF 22 aproximadamente aos demais 70%, incluindo a parcela relativa à remuneração baseada em ações. Dentro da parcela referente à remuneração variável, a parte relacionada à remuneração baseada em ações (longo prazo) representa aproximadamente 60% e a parte relacionada ao bônus (curto prazo) representa aproximadamente 40%. Esses percentuais podem variar em função de mudanças nos resultados obtidos pela Companhia no período, dado ao componente de compartilhamento de riscos e resultados existente na remuneração variável. (...) iv. Razões que justificam a composição da remuneração A Companhia adota um modelo de composição da remuneração que concentra uma parcela significativa da remuneração total nos componentes variáveis (tanto de curto como de longo prazo), o que é parte de sua política de compartilhar o risco e o resultado com seus principais executivos. c. principais indicadores de desempenho que são levados em consideração na determinação de cada elemento da remuneração: Para a determinação de todos os itens de remuneração, são levadas em consideração a performance do empregado e suas metas individuais. A remuneração variável está diretamente atrelada aos indicadores contidos no Score Card da Companhia, o qual é aprovado pelo Conselho de Administração e contém as metas definidas para o período, como por exemplo, o EBITDA e o volume de vendas, entre outros. d. como a remuneração é estruturada para refletir a evolução dos indicadores de desempenho: Qualquer mudança nos itens da remuneração está diretamente atrelada à performance individual e da Companhia e alcance das metas no período em questão, já que os aumentos salariais, as variações dos múltiplos salariais recebidos como bônus e a quantidade de opções outorgadas estão diretamente ligados ao desempenho demonstrado no período avaliado. e. como a política ou prática de remuneração se alinha aos interesses de curto, médio e longo prazo da Companhia: A prática adotada pela Companhia com relação aos componentes da remuneração total está diretamente alinhada aos interesses de curto, médio e longo prazos da Companhia: a remuneração fixa reflete uma compensação abaixo do praticado pelo mercado neste item, porém como o ciclo do segmento é de médio e longo prazos, entendese que a concessão de parcela expressiva da remuneração deva se remeter a esses períodos, estando totalmente de acordo com o acompanhamento da performance da Companhia e, portanto, reafirmando o compartilhamento do risco e do resultado entre o executivo e a Companhia. Fl. 3927DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.917 23 Tais documentos admitem, de forma expressa, a outorga de opções como parcela de remuneração variável e indireta, notese, a executivos da recorrente (Conselheiros, Diretores e Empregados de Alto Nível) ou seja, assim, se tratando de parcela exclusivamente atribuível a titulares que possuem vínculo de efetiva prestação de serviço à outorgante, de forma a alinhar o interesse daqueles ao dos acionistas da recorrente. Como elementos de convicção adicionais do caráter contraprestacional e remuneratório, caracterizados, ainda, na forma de Anexos 23 a 38, de efls. 1689 a 2366, o caráter intransferível das opções outorgadas sem prévia anuência da emissora, a necessidade de não desligamento por justa causa e, ainda, a não manutenção de atividades após certo prazo da ocorrência de aposentadoria durante determinado período de carência, para fins de direito, do beneficiário, à diferença integral entre o valor de mercado das ações na data de exercício e o valor contribuído pelo beneficiário para fins de aquisição das ações, diferença esta aqui objeto de tributação. Resumidamente, entendo, pelos elementos supra, carreados aos autos, que se está, aqui, diante do nítido recebimento, pelos beneficiários, de remuneração decorrente de serviços prestados à recorrente, ou seja do cumprimento de obrigação pecuniária previamente assumida pela recorrente, decorrente dos serviços prestados pelos beneficiários. Repitase, de se notar que o que se discute aqui é justamente a tributação do excesso entre o valor de mercado na data de exercício e o valor das contribuições para aquisição de ações pelos beneficiários, ou seja, não se tratando aqui de tributação de qualquer parcela de valor que tenha sido objeto de contribuição (vide a propósito item 14 do Relatório de Fiscalização de efls. 18 a 103). Desta forma, só houve a tributação do ganho, ou melhor, da remuneração, nas situações onde, utilizandose de expressão utilizada pela recorrente, havia ganho "efetivo e palpável", no momento do exercício das opções, decorrendo este, de forma nítida, a partir do conjunto de elementos acima, de uma contraprestação de serviço anteriormente prestado pelos respectivos beneficiários dos planos de opções à recorrente. Ainda, entendo que os elementos de risco apontados pelo contribuinte em seu recurso como já caracterizados antes do momento de exercício pelo beneficiário (tais como pagamento de parcela anteriormente ao exercício pelo empregado, correção monetária do preço de exercício e, ainda, possibilidade de flutuação do preço das ações antes do exercício) não desnaturam o seu caráter remuneratório, sendo perfeitamente factível, notese, a existência de risco assumido pelo beneficiário, quando se está a tratar, como no presente caso, de remuneração de caráter eminentemente variável. Por sua vez, quanto aos elementos de risco posteriores, decorrentes da manutenção voluntária das ações pósexercício, entendo que este não guarda qualquer relação com a remuneração, já auferida pelo beneficiário em momento pregresso. Já em situação diametralmente oposta, percebase, se encontram as opções de ações comumente negociadas em mercados de renda variável organizados (bolsa de valores), impessoais, visto que disponíveis a qualquer investidor, não havendo, aqui, qualquer vínculo de prestação de qualquer tipo de serviço entre as figuras do lançador, titular e companhia emissora das ações. Adicionalmente, as opções adquiridas em mercado podem, via de regra, ser livremente exercidas e negociadas com terceiros participantes do mercado imediatamente após sua aquisição, ou seja são plenamente transferíveis até a data de expiração. Assim, somente a este último grupo de opções (que não abrangem as opções sob Fl. 3928DF CARF MF 24 análise no presente feito), em meu entendimento, poderia haver caracterização de operação ou negócio de natureza societária (mercantil, nãolaboral). Assim, ao levar em conta tais elementos, resta plena a convicção deste Conselheiro no sentido de que as opções de compra decorrentes dos Planos de efls. 1689 a 2366 são instrumentos remuneratórios, respaldada, derradeiramente, de forma mais detalhada, tal conclusão, inclusive, pelo melhor conceito sobre o instituto, de Greenspan (2002), de forma bastante feliz trazida aos autos em sede de contrarrazões pela Fazenda Nacional (efl. 3887), verbis: " (...) concessão unilateral de valor por parte dos acionistas para um empregado. É uma transferência feita pela companhia de parte da capitalização de mercado detida pelos acionistas. A concessão é feita para adquirir os serviços do empregado, e presumivelmente tem valor equivalente ao dinheiro ou outra compensação que teria sido necessária para obter esses serviços (...)". A partir dos elementos já citados carreados aos autos, entendo como plenamente amoldados ao conceito acima os Planos de Opções da recorrente. Finalmente, quanto ao fato das opções outorgadas e exercidas darem origem a ações subjacentes (ativoobjeto) que sofrem restrição temporal de venda (cláusula de "lock up"), ou seja, só voluntariamente alienáveis após certo tempo, entendo, como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos, que tal restrição influenciaria tão somente a apuração da base de cálculo feita pela autoridade autuante, através da redução do preço das ações restritas em relação às ações sem restrição, quando do apreçamento comparado de ambas. Esta, em meu entendimento, seria a seara onde a referida restrição à venda poderia influir no presente lançamento (mais especificamente, repitase, através da redução do valor intrínseco na data de exercício, de uma opção com ativoobjeto restrito, quando comparada com uma opção que tem ativoobjeto não sujeito a tal restrição), ressaltandose, todavia, não ser tal matéria objeto do presente litígio. Ou seja, entendo que tal cláusula só possa influir na discussão do valor efetivamente remunerado através de opções, ou seja da base tributável (e não na eventual descaracterização das opções recebidas como verba de natureza eminentemente remuneratória, esta, sim a matéria aqui recorrida), tratandose, assim, de matéria estranha ao pleito, pleito este que, em meu entendimento e também da relatora, se limita a discutir a natureza mercantil dos planos de opções de compra das ações, consoante claramente evidenciado no item 126 constante do Pedido do Recurso analisado. Diante do acima exposto, entendo como perfeitamente caracterizada a natureza remuneratória dos planos de opções de compra de ações sob análise, restando, em meu entendimento, perfeita a subsunção dos fatos objeto de lançamento ao disposto no art. 22, incisos I e II da Lei no. 8.212, de 1991, incidentes, assim, as contribuições previdenciárias sobre os montantes objeto de lançamento, bem assim caracterizada a infração prevista no art. 32, §5o. da Lei no. 8.212, de 1991, vigente à época de ocorrência dos fatos geradores em questão. Escorreito, assim, o procedimento da autoridade fiscal e, desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto à matéria da natureza dos Planos de Opções de Compra de Ações. 2. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Quanto a esta segunda matéria, entendo inexistir, in casu, dúvida sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício (posicionamento esposado pelo vergastado, ao qual acedo integralmente), adotando como razões de decidir aquelas brilhantemente expostas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor Fl. 3929DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.918 25 na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, verbis: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. (...) Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. Fl. 3930DF CARF MF 26 De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. (...) A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° Fl. 3931DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.919 27 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.(g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: Fl. 3932DF CARF MF 28 "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." De se ressaltar, ainda, que, no âmbito administrativo deste Conselho, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal (dos quais não vislumbro se poder excluir os valores a título de multa de ofício) já foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, diante do exposto, concluo pela incidência dos juros de mora, calculados pela taxa SELIC, sobre a multa de ofício constante do lançamento e, destarte, também nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto a esta matéria. Conclusivamente, diante do acima exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 3933DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.920 29 O objetivo da presente declaração é deixar claro as razões pelas quais acompanhei o relator pelas conclusões. Apenas para melhor esclarecer, trago meu entendimento a respeito da questão, já abordado em outros processos aos quais tive a oportunidade de ser relatora. Da Definição do Stock Options Doutrinariamente, ou seja, em sua concepção original, o Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinados trabalhadores da possibilidade de aquisição de ações da empresa. Esses trabalhadores podem encontrarse na situação de empregados, autônomos, administradores (contribuintes individuais para a previdência social). A opção por ações proporciona ao beneficiário a assinatura de um contrato mediante pagamento de um valor, para ter direito de compra de ações por uma valor pré determinado, após um período de carência previamente fixado (permanência na empresa) e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro ao final desse prazo. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76, verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Para elucidar a definição do Plano de Opção de Compra de Ações, podemos citar o texto da lavra de “CALVO, Adriana Carrera. A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, BrasíliaDF:25 ago. 2007”, que assim aborda a matéria: 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos Fl. 3934DF CARF MF 30 novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa; “a outorga a um individuo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não pode dispor imediatamente do valor dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganhaganha” no ambiente de trabalho. 2. O plano de opção de compra de ações O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salário utilidade. Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. Segundo o dicionário 'Barrons Dictionary of Legal Terms', o termo stock option significa: “a outorga a um indivíduo do direito de comprar, em uma data a futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. Assim, as opções representam o direito de comprar ações a um preço fixo, definido na data em que as opções são concedidas (preço de exercício). Fl. 3935DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.921 31 Após um determinado período (prazo de carência, também chamado de 'vesting'), esse direito de opção de compras pode ou não ser exercido, já que não se trata de obrigação, como mencionado acima e envolve risco para o empregado. Ou seja, no meu entender, na sua concepção original o stock options, ao possibilitar a assinatura de um contrato com o correspondente pagamento de um preço ajustado para ter o direito de comprar ações futuras (sem a devolução do valor já pago), é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador). Consistiria em um regime de opção de compra de ações por preço prefixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo, dentro dessa concepção caráter salarial. Assim, não parto da premissa, de que qualquer plano de stock options teria natureza salarial, como também não há como se afirmar que ao atribuir a nomenclatura de "stock options", estará a empresa desobriga de incluir tal verba na base de cálculo de contribuições previdenciárias ou de qualquer outro tributo. No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ª ed., São Paulo: LTR, 2010, p. 783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n. 420, de 2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. É no mesmo sentido, que entendo que o simples fato de uma empresa ofertar aos seus trabalhadores, um plano de outorga de opção pela compra de ações de forma onerosa, não pode ser fundamentação isolada para a configuração de fato gerador de contribuições previdenciárias, partindo da premissa de que toda a forma de STOCK OPTIONS, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Contudo, a análise realizada acima, teve por escopo aspectos doutrinários do termo “STOCK OPTIONS”, sendo que a conclusão acerca da procedência do lançamento, ou seja, sobre a efetiva natureza salarial do plano de outorga ora apresentado, merece uma análise não apenas conceitual, mas especialmente, se o pagamento feito pela recorrente encontrase em perfeita consonância com a concepção original descrita acima, afastandose a natureza remuneratória, conforme argumentado pelo recorrente. Entendo que, apenas restando respeitada essa concepção original que envolveria um risco na assinatura do contrato, já que o trabalhador teria que pagar um valor para ter direito a participar do plano de stock options é que poderíamos dizer que a natureza seja mercantil. Em todos os demais casos, como nos presentes autos, onde a única exigência para que se tenha direito a participar do plano e comprar ações com um valor de deságio futuro, seja permanecer trabalhando, ou seja, cumprir uma carência de tempo de trabalho, fica nítido o carater salarial do plano, pois não envolve qualquer risco ao trabalhador. Configuração Da Natureza Remuneratória Do Stock Options Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opção pela Compra de Ações – chamado de stock options, deuse na lei da S.A em seu art. 128, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. Fl. 3936DF CARF MF 32 Mas, o objetivo desse lançamento e de toda a discussão acerca do tema, é se o fato de a previsão para outorga de ações ter se dado na lei das S.A, afastaria qualquer possibilidade de considerar o benefício como salário indireto, e por conseguinte, incluílo na base de cálculo de contribuições? Acredito que não! O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. Vimos, no decorrer dos últimos anos, nascer, disseminar, e morrer diversas formas de pagamentos indiretos, como é o caso das empresas de premiação, que surgiram como ideias legítimas de satisfação dos empregados, ou mesmo de diminuição dos custos das empresas. É certo que o planejamento estratégico, muito presente nos dias atuais, tanto na contratação de trabalhadores, como organização das empresas, impulsiona os empresários a buscar formas de vencer no mercado, com a conseqüente diminuição de custos e aumento da eficiência. Mas, não podemos entender que o simples uso de uma nomenclatura seja capaz de excluir determinado benefício do conceito de remuneração. No caso, deve a autoridade fiscal e órgão julgador verificar se na essência o pagamento cumpriu sua premissa básica, aquela na qual original encontravase consubstanciado. Assim, não interessa se a nomenclatura atribuída a verba conferi lhe caráter indenizatório, se o pagamento da mesma consubstanciase em verba com cunho remuneratório. Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma, que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. Destaco, porém, que embora, não concorde com a frase dita de forma isolada, no contexto apresentado pelo auditor, entendo que a conclusão mostrase acertada. Os próprios comunicados e instrumentos de gerenciamento descrevem a nítida intenção de remunerar os trabalhadores por meio do stock options. E aqui, conforme descrito acima, não importa se estamos falando de empregado, ou mesmo prestador de serviços contribuinte individual. O termo “remuneração” deve ser tomado em sua acepção mais ampla, como qualquer pagamento tendente a remunerar o trabalho prestado ou o tempo a disposição do empregador. Partindo do posicionamento acima exposto, o qual já adoto nos meus julgados a respeito do tema, discordo do entendimento da relatora de que a fiscalização não aponta as características do plano que demonstram a sua natureza salarial. Realmente a primeira indicação da auotridade fiscal, é que o plano em questão é na verdade remuneração, mas ao contrário do que tenta demonstrar a relatora foram apreciados pontualmente características que me fazem concordar com o caráter salarial do benefício fornecido. Uma leitura do termo de verificação fiscal, deixa claro, ter a autoridade fiscal se debruçado sobre os planos e demais instrumentos e comunicados gerenciais da empresa, assim, como descrito pelo ilustre relator desse voto. No caso, restou suficientemente demonstrado que a nítida intenção do plano ofertado era de conferir um ganho indireto ao trabalhador, razão pela qual restou caracterizada a sua natureza salarial. Conforme descrito anteriormente, o argumento consistente para que a opção de compra de ações se afasta da natureza remuneratória e assuma a sua condição conceitual é o fato do risco atribuído ao empregado ou contribuinte individual, quando lhe é feita a opção pela compra de ações. Todavia, no presente caso, esse elemento resta mitigado, na medida que a Fl. 3937DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.922 33 empresa, vai criando políticas que permitem o acesso ao plano sem o desembolso de qualquer valor no momento de assinatura do contrato de opção pela compra de ações. Conforme podemos identificar no acórdão recorrido, ao qual adoto em parte como razões de decidir a própria empresa reconhece em seus documentos de gestão que adota modelo de composição da remuneração que concentra uma parcela significativa da remuneração total de servidores de alto escalão em componentes variáveis de longo prazo baseados em ações, o que corrobora com o entendimento de que no presente caso, o plano de stock options não ofertada qualquer risco no momento da concessão, mas tão somente a possbilidade de ganho efetivo caso os trabalhadores No caso em apreciação, do exame dos documentos corporativos analisados, a Fiscalização apurou que a Gafisa elaborou e pôs em prática um plano de concessão de opções de compra de ações a colaboradores previamente selecionados, visando à motivação e produtividade desses trabalhadores, com o objetivo de criar um comprometimento com os valores e bem estar da companhia, levandoos a trabalhar mais e melhor, bem como à retenção de pessoal, eis que tais programas foram usados para proteger o investimento em capital humano, e “reter” os colaboradores de alto desempenho. Extraise do item 8 do Relatório Fiscal, a fls. 37/48, que a escolha dos beneficiários do plano de concessão de opções de compra de ações tinha por critério de seleção a atribuições e o desempenho individual do empregado, e que a finalidade do plano focavase na retenção desses profissionais na empresa, mediante uma retribuição diferenciada pelos serviços prestados, consoante critérios de desempenho individual/atingimento de metas. Para melhor elucidar tais conclusões, transcrevemos excertos colhidos em diversos documentos da empresa: [...] Remuneração Outro programa em andamento na empresa é o de Stock Option, aplicável a todos os colaboradores. Com base na apuração dos resultados do ano e nas situações de superação de metas, a companhia elege os profissionais que podem exercer a opção de compra de papéis. Em 2007, o benefício foi concedido a 48 colaboradores. [...] Remuneração indireta (i) as opções outorgadas no âmbito dos planos de opções de compra de Ações, cujos exercícios já podem ocorrer a critério dos outorgados, referentes a 2.112.056 ações ou 1,6% das ações representativas do nosso capital social, nossos administradores fariam jus a um adicional de remuneração indireta de R$ 480,2 mil, valor esse, calculado com base no modelo de “diluição imediata“,considerandose (a) o exercício da totalidade das opções de compra de ações remanescentes, tomandose por referência a cotação das ações ordinárias de nossa emissão em 9 Fl. 3938DF CARF MF 34 de junho de 2009 de R$16,50 na BM&FBOVESPA e o preço de exercícios dos respectivos planos de compra; e (ii) as opções já outorgadas no âmbito dos planos de opções de compra de ações, cujas condições de exercício ainda não ocorreram, referentes a 3.719.578 ações ou 2,8% do nosso capital social, nossos administradores farão jus a um adicional de remuneração indireta de R$1,8 milhões, calculado com base no modelo de “diluição imediata”, tomandose por referência a cotação das ações ordinárias de nossa emissão em 9 de junho de 2009 de R$16,50 na BM&FBOVESPA e o preço de exercícios dos respectivos planos de compra; O modelo de “diluição imediata“apresenta o montante obtido pelos nossos administradores em decorrência do exercício das opções de compra de ações, subtraindose, do valor de mercado da ação, o preço de exercício de cada opção e, posteriormente, multiplicandose este valor pela quantidade total de opções exercidas. Assim, o total adicional da remuneração indireta que os nossos administradores fariam jus com relação ao Plano de Opção de Ações da Companhia seria de R$ 2,3 milhões. [...] Diretoria Os membros da Diretoria estatutária e não estatutária fazem jus à remuneração fixa e variável, esta última composta por uma parcela de bônus de curto prazo em dinheiro e outra parcela de longo prazo, baseada em ações. Os valores pagos a título de remuneração fixa ficam normalmente abaixo dos padrões de mercado, permitindo assim que a Companhia concentre parte significativa da remuneração total nos incentivos variáveis de curto e longo prazo, o que faz com que os Diretores compartilhem o risco e o resultado com a Companhia, permitindo maior alinhamento de interesses entre os executivos e acionistas da Companhia. O objetivo da remuneração variável de curto prazo é recompensar o resultado do ano, se as metas estipuladas para o período tiverem sido alcançadas. Da mesma forma, a remuneração variável de longo prazo, baseada em ações, visa recompensar o resultado de um período mais longo (geralmente acima de 2 anos), também na hipótese das metas estipuladas para este período terem sido alcançadas, metas essas que são diferentes daquelas estipuladas para o curto prazo. Esta política visa alinhar os interesses dos executivos com aqueles dos acionistas. É importante ressaltar que a Companhia possui um Comitê de Remuneração que analisa a estratégia de remuneração fixa e variável a ser adotada, os modelos de Stock Options e as indicações de beneficiários, para serem aprovados posteriormente pelo Conselho de Administração. [...] A partir da assinatura dos “CONTRATOS DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES”, os beneficiários selecionados incorporam aos seus patrimônios o direito à aquisição de lotes de ações da companhia, de sua própria emissão, especificadas em cada contrato. Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.923 35 Convém ressaltar que, após adquirido o direito de opção (Lote Incorporado),o beneficiário pode optar pelo não exercício de tal Direito de Aquisição, mediante a não efetuação do pagamento das ações (Contribuição para Aquisição dos Lotes Incorporados). Encontrase à calva de fundamento fático e principiológico o discurso recursal de que as vantagens auferidas pelos beneficiários das stock options não teriam natureza remuneratória. A própria empresa reconhece em seus documentos de gestão que adota modelo de composição da remuneração que concentra uma parcela significativa da remuneração total de servidores de alto escalão em componentes variáveis de longo prazo baseados em ações. Corrobora tal compreensão os expressivos ganhos com ações experimentados por servidores selecionados, conforme descrito no item 10 do Relatório Fiscal, a fls. 68/74. Em virtude de os ganhos patrimoniais auferidos pelos beneficiários proporcionados pelos exercícios das opções não terem transitado pelas folhas de pagamento, DIRF e GFIP da fiscalizada, dificultando o trabalho da fiscalização, tornouse imprescindível para uma efetiva compreensão dos fatos apurados uma averiguação nas declarações anuais de ajustes (AC 2006/2007/2008/2009) de alguns dos beneficiários, a título de amostragem, listados a fl. 69 do Relatório Fiscal. A documentação obtida nas diligências fiscais demonstrou uma grande assimetria entre os valores das remunerações e ganhos resultantes das Stock Options, os quais superaram em muito o valor dos salários, consoante exposição pormenorizada no item 10 do Relatório Fiscal, a fls. 68/74. Outro fato que chamou a atenção da Fiscalização foi o de que os referidos ganhos, apesar de vinculados ao contrato de trabalho, foram tributados como de mais valia (15%). Não procede o argumento de que os stock options plans têm natureza mercantil, pois seriam onerosos, trazendo riscos aos beneficiários, e proporcionando ganhos eventuais e não habituais. A suposta natureza mercantil poderia até ter sua primazia aferida caso as referidas opções fossem oferecidas, nas mesmas condições, à toda a sociedade, numa operação de mercado, ou mesmo, se fossem oferecidas aos empregados em foco nas mesmas condições em que as de mesma natureza são oferecidas aos interessados externos estranhos ao contrato de trabalho. Mas não foi assim que se sucedeu a operação em foco, porquanto tal direito de opção houvese por oferecido, nas condições do plano, somente e tão somente, a empregados selecionados pelo Comitê de Remuneração, após exame da estratégia de remuneração fixa e variável a ser adotada, dos modelos de Stock Options e as indicações de beneficiários, e Fl. 3940DF CARF MF 36 dependentes de ulterior aprovação pelo Conselho de Administração. A sistemática de aquisição do direito de opção é, igualmente, diversa daquela experimentada no mercado. a) A fase preliminar visa a selecionar os empregados de interesse da companhia, em função dos critérios adotados pelo Comitê de Remuneração, em função da estratégia de remuneração fixa e variável a ser adotada em cada plano, dos modelos de Stock Options, e da aprovação pelo Conselho de Administração; b) A contar da assinatura do instrumento particular intitulado “Contrato de Outorga de Opção de Compra de Ações”, o empregado beneficiário selecionado incorpora, anualmente, o direito à aquisição de lotes de ações, de maneira que, ao término de alguns anos, terá incorporado ao seu patrimônio o direito à aquisição de todas as ações que lhe foram outorgadas no plano; c) Uma vez adquirido o direito à aquisição de lotes de ação, o beneficiário tem um prazo para efetuar as respectivas contribuições financeiras visando à efetiva aquisição dos lotes de ações acima referidos, sendo que a empresa trata os valores antecipadamente pagos pelo Beneficiário para a compra de tais ações como “Adiantamento para Futura Subscrição”; d) A emissão das ações não se verifica na mesma ocasião das contribuições feitas pelo Beneficiário para a sua aquisição; e) As ações só serão objeto de entrega efetiva ao Beneficiário após o cumprimento de determinados prazos e situações, Nos planos em realce, o beneficiário se investe no direito de adquirir ações da Empresa, em condições vantajosas em relação à oferta de mercado. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. A aquisição e o exercício do direito de fazer contribuições para aquisição das ações obedecem às seguintes regras e condições: a) Mediante o pagamento antecipado, no ato da assinatura do “Contrato de Outorga de Opção de Compra de Ações”, de um percentual do valor total das ações (ex: 10%), o beneficiário adquire o direito de efetuar, a partirdas respectivas datas de aquisição do direito de contribuir, contribuições para aquisição de um percentual (ex: 18%) do número total de ações que lhe foram outorgadas, de forma que, ao término de um número de anos (ex: 5), o beneficiário terá incorporado o direito de efetuar “Contribuições para a Aquisição da totalidade das ações”; b) Cada conjunto de ações, cujo direito à contribuição já tenha sido adquirido na forma do item acima, é denominado “Lote incorporado”; Denominase “lote não incorporado” ao lote de ações cujo direito à contribuição por parte do Beneficiário ainda não tenha sido adquirido, na forma do item acima; c) O Beneficiário tem prazo determinado, contado da Data de Aquisição do Lote Incorporado, para exercer, total ou Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.924 37 parcialmente, a opção de proceder ao pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição das Ações” que compõem o referido “Lote Incorporado”; d) O exercício da faculdade de efetuar a “Contribuição para Aquisição dos Lotes Incorporados” dáse por mero aviso à empresa, acompanhado do pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere; e) O “valor da Contribuição para Aquisição” tem valor certo e ajustado no contrato, o qual é acrescido de juros e correção monetária; f) Todos os “Valores de Contribuições para Aquisição das Ações” recebidos pela Empresa, na forma dos itens anteriores, são mantidos em conta de “Adiantamentos para Futura Subscrição”, até a entrega efetiva das ações ou a ocorrência de qualquer dos eventos de liquidação contratualmente previstos, sendo vedada a qualquer das partes requerer ou proceder à sua capitalização antecipada, ou devolver ou requerer a devolução desta “contribuição para Aquisição de Ações”; g) A partir da quitação de todas as parcelas dos “Valores de Contribuições para Aquisição das Ações”, a empresa tem o prazo de dez anos para a efetiva entrega das ações; h) A contar da efetiva entrega, todos os direitos decorrentes das ações entregues pertencerão ao Beneficiário; i) O Beneficiário só poderá ceder, transferir ou de qualquer forma alienar as ações, bem como bonificações, desdobramentos, subscrições e outros direitos dela decorrentes, após a entrega efetiva das ações; Conforme elucidado acima, o Beneficiário tem prazo determinado (ex: 3 anos), contado da Data de Aquisição do Lote Incorporado, para exercer, total ou parcialmente, a opção de proceder ao pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição das Ações” que compõem o referido “Lote Incorporado”. O beneficiário tem ao seu dispor a faculdade de exercer ou não tal direito de aquisição. O exercício da faculdade de efetuar a “Contribuição para Aquisição dos Lotes Incorporados” dáse por mero aviso à empresa, acompanhado do pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere. O ganho patrimonial, portanto, há que ser apurado nesse momento histórico e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. Com efeito. Se um investidor qualquer fosse ao mercado de valores mobiliários ou mercado de balcão adquirir ações da Companhia, iria pagar um preço de “x” Reais por ação. Por outro lado, o beneficiário do plano adquire na mesma data a mesma ação por um preço ‘y’ Reais, inferior ao preço de mercado. O ganho patrimonial “GP” desse Beneficiário Fl. 3942DF CARF MF 38 corresponderá, logicamente, à diferença entre o valor “x” de mercado e o valor “y” de aquisição, multiplicada pelo número de ações adquiridas “n”. GP = (x – y) * n. Tal montante “GP” representa exatamente a importância que o empregado Beneficiário deixou de desfalcar o seu patrimônio inercial para a aquisição do mesmo quantitativo de ações no mercado de valores mobiliários. No caso presente, de acordo com o Relatório Fiscal, a data do fato gerador corresponde à data em que houve o exercício das opções, o qual se deu pelo pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere e a Base de Cálculo é, exatamente, a diferença entre o valor das “Contribuições para Aquisição das Ações” previstos nos contratos e o Valor de Mercado das Ações na data da liquidação financeira das referidas “Contribuições para Aquisição das Ações”. Assim, pelas razões apresentadas acima, transcritas em parte do p´roprio acordão recorrido e relatório fiscal, chego a mesma conclusão do redator de restar nitidamente caracterizado o caráter salarial do plano de stock options ofertado pela recorrente aos seus trabalhadores. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o excelente voto da relatora peço vênia para registrar meu entendimento pessoal que corrobora o posicionamento por ela adotado. A meu ver atualmente o comportamento da Administração Pública face ao conceito de salário de contribuição tem demonstrado uma insistente tentativa de alargamento forçado da base de cálculo das contribuições previdenciárias. É estranho acreditar que a Justiça do trabalho com viés nitidamente social e protetivo ao trabalhador, o qual é muitas vezes criticado pela sociedade, desconsidere a natureza remuneratória de uma verba sem elementos legais para tanto. Dessa forma, o que vemos é que a jurisprudência majoritária dos Tribunais do Trabalho não atribui natureza salarial a stock option, conforme se vê das seguintes ementas: “STOCK OPTIONS – INCENTIVO AO EMPREGADO – CARÁTER NÃO SALARIAL. Tratandose as denominadas stock options de incentivo ao empregado no desenvolvimento de seus misteres, condicionado, porém, a regras estabelecidas e não sendo gratuito, visto que sujeito a preço, embora com desconto, Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.925 39 temse que não guardam tais opções de compra da empresa caráter salarial. Recurso Ordinário obreiro a que se nega provimento, no aspecto” (TRT 2ª Região – 42364200290202002 ROAc.20030636234 – 7ª T – Relª Juíza Anélia Li Chum – DOESP 5.12.2003) OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES ("STOCK OPTION"). REMUNERAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Os lucros decorrentes de opções de compra de ações (stock options) não configuram remuneração, nos termos do artigo 457 ou do artigo 458, da Consolidação das Leis do Trabalho. Embora normalmente resultem em acréscimo patrimonial, não visam a remunerar o trabalho, mas a incentivar a obtenção de um melhor desempenho da companhia empregadora, o que as aproxima da participação nos lucros ou resultados. Por outro lado, a aquisição não é obrigatória e, sim, opcional, e as ações são transferidas a título oneroso, o que exclui a hipótese de constituirse salárioutilidade. Além do mais, tais opções implicam risco para o empregado adquirente, uma vez que as ações adquiridas podem valorizarse ou desvalorizarse, circunstância que a distingue do salário "stricto sensu", cujo caráter "forfetário" é conhecido. TRT 15ª Reg. (Campinas/SP), RO 0387200304515857, (Ac. 31971/07PATE, 3ªC.), Rel. Juiz Ricardo Regis Laraia. DJSP 13.7.07, p.76) “STOCK OPTIONS. NATUREZA JURÍDICA. Não se tratando de parcela destinada a contraprestação pelos serviços prestados,os Planos de Opção de Compra de Ações (Stock Option Plan) não ostentam natureza salarial, não integrando a remuneração do empregado nos termos definidos pelos artigos 457 e 458 da CLT.(TRT 15ª Região, RO 0212520071091500 2, Ac 80161/08 PATR 1ªC, DOE 05.12.08, p.54, Luiz Antonio Lazarim) AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. Compra de ações vinculada ao contrato de trabalho. Stock options. Natureza não salarial. Exame de matéria fática para compreensão das regras de aquisição. Limites da Súmula nº 126/TST. As stock options, regra geral, são parcelas econômicas vinculadas ao risco empresarial e aos lucros e resultados do empreendimento. Nesta medida, melhor se enquadram na categoria não remuneratória da participação em lucros e resultados (art. 7º, XI, da CF) do que no conceito, ainda que amplo, de salário ou remuneração. De par com isso, a circunstância de serem fortemente suportadas pelo próprio empregado, ainda que com preço diferenciado fornecido pela empresa, mais ainda afasta a novel figura da natureza salarial prevista na CLT e na Constituição. De todo modo, tornase inviável o reconhecimento de natureza salarial decorrente da possibilidade de compra de ações a preço reduzido pelos empregados para posterior revenda, ou a própria validade e extensão do direito de compra, se a admissibilidade do recurso de revista pressupõe o exame de prova documental O que encontra óbice na Súmula nº 126/TST. Agravo de instrumento desprovido. (TST; AIRR 85740 33.2009.5.03.0023; Sexta Fl. 3944DF CARF MF 40 Turma; Rel. Min. Mauricio Godinho Delgado; DEJT 04/02/2011; Pág. 2143) PRELIMINAR DE NÃOCONHECIMENTO DO RECURSO DE REVISTA ARGUIDA EM CONTRARAZÕES. I. (...) STOCK OPTION PLANS. NATUREZA SALARIAL. Não se configura a natureza salarial da parcela quando a vantagem percebida está desvinculada da força de trabalho disponibilizada e se insere no poder deliberativo do empregado, não se visualizando as ofensas aos arts. 457 e 458 da CLT. (...). (TST; RR 3273/199806402 00; Quarta Turma; Rel. Min. Antônio José de Barros Levenhagen; Julg. 15/03/2006; DJU 31/03/2006) Este entendimento não nasceu pronto, ele veio sendo construído ao longo do tempo pela doutrina e jurisprudência. Para o desembargador Sérgio Pinto Martins, no plano de ‘stock option’ o empregado aceita os riscos inerentes ao negócio que lhe é oferecido e às condições contratualmente estabelecidas, pois não há garantia alguma contra perdas decorrentes das flutuações do preço das ações, que são negociadas na Bolsa, o que afasta qualquer natureza salarial: “Stock option plano. Natureza comercial. O exercício da opção de compra de ações pelo empregado envolve riscos, pois ele tanto poderá ganhar como perder na operação. Tratase, portanto, de operação financeira no mercado de ações e não de salário. Não há pagamento pelo empregador ao empregado em decorrência de prestação de serviço, mas risco do negócio. Logo, não pode ser considerada salarial a prestação" (TRT 2ª R. (20030145141) 3ª T Rel. Sérgio Pinto Martins DOESP 08.04.2003). Em decisão ainda mais recente o Tribunal Superior do Trabalho no RR 20100002.2008.5.15.0140, manteve este posicionamento, não entendendo pela natureza remuneratória: (...) PLANO DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. INTEGRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Em que pese a possibilidade da compra e venda de ações decorrer do contrato de trabalho, o trabalhador não possui garantia de obtenção de lucro, podendo este ocorrer ou não, por consequência das variações do mercado acionário, consubstanciandose em vantagem eminentemente mercantil. Dessa forma, o referido direito não se encontra atrelado à força laboral, pois não possui natureza de contraprestação, não havendo se falar, assim,em natureza salarial. Precedente. Recurso de revista de que não se conhece. Alegações de que o que é considerado pela Justiça do Trabalho não impactam naquilo que é compreendido pela Fazenda Nacional no momento de tributar o Contribuinte não podem prosperar. Repiso aqui meu próprio entendimento já registrado no Processo 10680.722449/201054, que embora trate de situações bem diversas aproveita na discussão central. Sendo a meu ver inadmissível para a segurança jurídica que o mesmo fato seja considerado de diferentes formas para o Estado ao mesmo tempo, ou seja, que para a Justiça do Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 16561.720198/201278 Acórdão n.º 9202005.470 CSRFT2 Fl. 3.926 41 Trabalho não seja reconhecida natureza remuneratória de uma verba e para a Receita Federal o seja, unicamente com a finalidade de cobrar contribuição previdenciária O mesmo fato não pode ser considerado de forma distinta quando aplicado sobre a ele a mesma lei. Para cobrar contribuição previdenciária é necessário que seja reconhecida a relação de emprego ou a natureza da verba havida nesta relação, dentro das hipóteses de prestação de serviço previstas em lei que o tomador é o responsável tributário. Nesta seara, a manifestação da Justiça do Trabalho se mostra mais específica, pois é de sua competência o reconhecimento destas relações. Entendo que vínculo de emprego deve ser vínculo de emprego ou a natureza da verba deve ser a mesma sob as mesmas circunstancias seja para o direito do trabalho seja para o tributário. Fato é que, em havendo sua comprovação aí sim, gera efeitos reflexos tributários que estão previstos na legislação previdenciária/tributária. As decisões judiciais que negam natureza salarial as ‘stock options’ fundamentamse no fato destas operações financeiras serem onerosas, porque os empregados compram as ações da empresa pelo preço ajustado previamente, não as recebendo do empregador a título gratuito (doação), e o ganho financeiro obtido pelos trabalhadores resulta da valorização do valor das ações da empresa no momento da alienação, que ocorre muito após a outorga da opção de compra, não caracterizando, portanto, natureza remuneratória, pois, em que pese a possibilidade da compra e venda de ações decorrer do contrato de trabalho, o trabalhador não possui garantia de obtenção de lucro. Desse modo, não há que se falar em incidência de Contribuição Previdenciária sobre tais verbas, ainda que se falasse em tributação, a discussão poderia girar em torno do ganho de capital para tributação de imposto de renda pessoa física. Diante do exposto voto por conhecer o Recurso Especial da Contribuinte e no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 3946DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.001589/00-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-004.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos - Relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 15 89 /0 0- 58 Fl. 372DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício). Relatório Controverte a Fazenda Nacional decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei nº. 9.430/96, art. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei nº. 9.430/96, art. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. Aduz a representação fazendária que, nas declarações de compensação decorrentes de pedidos formulados antes da edição da Lei 10.637 a homologação tácita aí prevista tem como termo inicial de seu prazo o dia 30/10/2003, data em que editada a Medida Provisória 135, posteriormente convertida na Lei 10.833, que o fixou, posição defendida no paradigma. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, Relator O recurso foi bem admitido, na medida em que a decisão recorrida considerou que o prazo de cinco anos para homologação tácita das compensações comunicadas Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10909.001589/0058 Acórdão n.º 9303004.926 CSRFT3 Fl. 373 3 à SRF é a data de protocolização dos pedidos, mesmo em relação àqueles que se iniciaram antes da existência do próprio prazo. Já o paradigma advoga que, para tais casos, esse prazo somente pode se iniciar com a sua formal edição, ou seja, na data em que entra em vigor a Lei 10.833, que o definiu. Conheço, pois, do recurso. E lhe dou inteiro provimento, adotando as razões brilhantemente defendidas no acórdão paradigma, da lavra do i. exconselheiro Odassi Guerzoni, a quem rendo as minhas homenagens, transcrevendo na íntegra o seu excelente voto: Descumprimento do prazo de trinta dias para proferir a decisão x Homologação tácita da compensação Ainda que a irresignação da recorrente tenha se apoiado em dispositivo legal incorreto, fez, ao final, surgir uma questão das mais relevantes, qual seja, a ocorrência ou não da homologação tácita da compensação, por ter transcorrido o prazo de cinco anos entre a data da entrega do pedido de compensação e a data em que o mesmo foi decidido pela autoridade administrativa. Primeiramente, há que se afastar o dispositivo invocado o artigo 49 da Lei 9.784/99, e trazer à baila os que realmente se aplicam ao caso. Dispõe o artigo 49 da Lei 9.784/99: "Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada." Ora, a Lei n* 9.784/99 expressamente prevê sua aplicação subsidiária, ao definir, no seu artigo 69, que os procedimentos administrativos específicos ''continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselh.es apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei". Assim, havendo disposição específica, vale esta por conta do princípio da especialidade. A "leiprópria" a que se refere o dispositivo acima é o Decreto 70.235/72, que trata exclusivamente do Processo Administrativo Fiscal Tributário, e nele, não há mais qualquer menção ou delimitação de prazo para que a autoridade administrativa conclua seus julgamentos. Havia, de fato, na redação original do artigo 27, a determinação "O processo será julgado no prazo de trinta dias, a partir de sua entrada no órgão incumbido do julgamento". Porém, em face de seu difícil, senão impossível, cumprimento conseqüência da carência de recursos humanos suficientes para atender a demanda processual , desde 10 de dezembro de 1997, com a edição da Lei n° 9.532, passou a ser esta a sua redação: "Art. 27. Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de primeira instância de tercio ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles que estiverem presentes as circunstancias de crime contra a ordem Fl. 374DF CARF MF 4 tributária ou de elevado valor, este definido em ato do Ministro da Fazenda." Assim, as regras do PAF não mais impõem aquela camisa de força às atividades de julgamento de processo, de modo que este tema do presente processo não está no descumprimento do prazo de trinta dias e deve ser analisado sob o lume de outros dispositivos legais, notadamente os relacionados ao instituto da compensação. E sobre a compensação tributária, há que se destacar as alterações havidas nos últimos anos quanto aos procedimentos de sua execução, senão vejamos. O artigo 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, deu no\a redação ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, passando este a dispor que "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão". Em outras palavras, com essa alteração foi instituída a Declaração de Compensação, procedida pelo próprio contribuinte, tendo a mesma o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutoria de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente. Assim, dispõe o parágrafo Io do art. 74 da Lei n° 9430/96 (incluído pela Lei n° 10.637/2002), que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração (DCOMP) na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O parágrafo 2o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, dá à compensação declarada à SRF o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutoria de sua ulterior homologação. O parágrafo 3o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, trata das hipóteses em que os débitos ou créditos não podem ser objeto de compensação. O parágrafo 4o, incluído pela Lei n° 10.637/2002, merece sua reprodução literal, qual seja: "§ 4" Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo" (redação dada pelo artigo 49 da Lei 10.637, de 30/12/2002, conversão da MP 66, de 29/08/2002). O alcance temporal desse novo dispositivo está previsto no artigo 68 da mesma lei, que diz: "Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: / a partir de 1° de outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49 (...)" (grifo meu) Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10909.001589/0058 Acórdão n.º 9303004.926 CSRFT3 Fl. 374 5 Assim, subsumindo os fatos do presente processo às regras acima descrita, temos que os pedidos de compensação entregues pela interessada nas datas de 19/11/1999, 10/12/1999, 10/01/2000, 12/02/2000, 10/07/2000 e 25/08/2000, ainda se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 1710/2002, tendo, por força do citado § 4o acima reproduzido, sido convertidos em declarações de compensação (DCOMP). No ano seguinte, foram feitas novas alterações no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, merecendo destaque para o presente caso a do parágrafo 5o, a saber: "§ 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" (redação dada pelo artigo 17 da Lei n" 10.833. de 29/12/2003, conversão da MP a" 135, de 30/10/2003). Até a edição desse ato legal, portanto, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes, de maneira que toda DCOMP entregue anteriormente a 30/10/2003 e cuja análise ou apreciação pela autoridade administrativa tenha se dado em período superior a cinco anos, contado a partir da data de sua protocolização, não pode ser considerada , tenha sido homologada tacitamente, a teor do parágrafo § 5o acima reproduzido. Se, de um lado, o alcance temporal do § 4o acima mencionado está claramente delineado quando diz que "Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo (...)", o mesmo não se pode dizer, de outro, do § 5o, que deixa no ar uma ambigüidade por mim posta nos seguintes termos: retroagiria e alcançaria a todos pedidos de compensação convertidos em DCOMP entregues em data anterior a 30 de outubro de 2003, ou se aplicaria somente às DCOMP entregues após referida data. Essa minha suposição quanto à ambigüidade presente no referido. § 5o parece não existir se interpretados literalmente os enunciados dos artigos 29 e 70, da IN SRF 460, de 18/10/2004. que regulavam os procedimentos da autoridade administrativa para a análise das Declarações de Compensação, após as alterações acima mencionadas, senão vejamos: "Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias. contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados". "§ 2S O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação" Ou seja, a própria Secretaria da Fl. 376DF CARF MF 6 Receita Federal admitiu o efeito retroativo do citado parágrafo 5o. Tenho comigo, porém, que a segunda das alternativas deve prevalecer, haja vista a aplicação do princípio da irretroatividade das leis, ou seja, em princípio, os fatos regulam se juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Em princípio, pois o Código Tributário Nacional trata das hipóteses em que é possível a aplicação de lei nova a fatos ocorridos em momento anterior ao de sua vigência. Tais hipóteses estão previstas no artigo 106, incisos I e II, quais sejam, quando as leis forem interpretativas, ou quando, se referindo a atos ou fatos não definitivamente julgados, deixar de definilos como infração; deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão; e quando lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. E para o caso em que estamos debruçados nenhuma dessas hipóteses ocorreu. Invoco julgado do Superior Tribunal de Justiça em que, embora tenha tratado de matéria envolvendo a decadência de ato administrativo, bem pode servir de lume para o presente caso, senão vejamos a sua ementa: "MANDADO DE SEGURANÇA N' 9.115DF (2003/0101899 6). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. REVOGAÇÃO. VANTAGEM FUNCIONAL DECADÊNCIA. LEI N" 9.784/99. DIREITO ADQUIRIDO. A Lei n° 9.784/99. que disciplina o processo administrativo, estabeleceu em seu art. 54, o prazo de cinco anos para que a Administração Pública possa revogar seus atos. Contudo, dentro de uma lógica interpretativa, esse lapso temporal há de ser contado da vigência do dispositivo, e não da data em que o ato foi praticado, sob pena de se emprestar efeito retroativo à citada Lei. (...)". (destaques meus) Dito isto, podese afirmar que o argumento da interessada, ainda que formulado mediante a indicação de dispositivo legal inapropriado, não procede, ou seja, aquele seu pedido de compensação entregue no dia 19/11/1999, por força de dispositivo legal convertido em DCOMP, não foi homologado tacitamente, ainda que entre a data de sua protocolização e a data de sua apreciação tenha transcorrido o prazo de cinco anos. Com essas considerações, que, creio, esgotam o assunto, voto pelo integral provimento do recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10909.001589/0058 Acórdão n.º 9303004.926 CSRFT3 Fl. 375 7 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Discordamos do il. Relator. As razões do nosso convencimento são as seguintes: O PRIMEIRO: A homologação tácita das compensações é matéria de direito material – corpo de normas que disciplinam as relações jurídicas entre as pessoas, entre as pessoas e seus bens etc –, não de direito adjetivo, o qual se destina a determinar o modo pelo qual se dá o exercício da jurisdição, as ações que cabem ao demandante e como se dão as defesas do demandado. O SEGUNDO: O Art. 106 do CTN é norma cuja finalidade é dar segurança jurídica ao contribuinte, estabelecendo limites ao exercício da atividade legiferante do Estado (em total consonância com o que disciplina a própria Constituição Federal). Disciplina, também, a retroatividade benigna, a fim de que não se penalize diferentemente contribuintes diversos que cometeram a mesma falta. Não vemos como aplicálo para disciplinar os efeitos intertemporais das inovações legislativas quanto à homologação tácita das compensações. O TERCEIRO: O aresto do STJ citado no mesmo acórdão versa, tão somente, sobre o direito à compensação – modo de extinção de uma relação jurídica obrigacional mediante o confronto de créditos e débitos do Fisco e do contribuinte, que, no entendimento nele plasmado, regese pela legislação vigente à época em que requerida (ver o item 3 do aresto). Dele não se pode concluir que o prazo de cinco anos para que se dê a homologação tácita estabelecida na Lei nº 10.833, de 2003, só operaria efeitos futuros, ou seja, quanto às DCOMPs apresentadas somente depois do início de sua vigência, notadamente porque, se assim fosse, o legislador o teria dito expressamente. A propósito: por que, afinal, transformar os pedidos de compensação apresentados antes da Medida Provisória MP nº 135, de 2002, se não fosse para lhes aplicar toda a disciplina da novel Declaração de Compensação DCOMP? Por fim, o entendimento que ora vimos de expor é o mesmo adotado pela própria RFB, como se pode observar da ementa da Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 04/01/2006: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃO Fl. 378DF CARF MF 8 RECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “crédito prêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Na hipótese de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, após reconhecer a homologação tácita da compensação declarada, deve se posicionar quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União. Quando o crédito for reconhecido e tiver valor superior ao total do débito objeto da compensação tacitamente homologada, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal deverá promover a restituição do saldo creditório remanescente que foi objeto de pedido de restituição, desde que inexistam outros débitos a serem compensados com o referido crédito. Ainda que haja o reconhecimento da homologação tácita da compensação pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório quando o crédito informado pelo sujeito passivo em seu pedido de compensação convertido em declaração de compensação não for integralmente reconhecido. A DRJ, ao apreciar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, pode reconhecer o exato valor do crédito do sujeito passivo para com a União, bem como o exato valor do débito compensado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decretolei nº 491, de 1969, art. 1º; Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59; Lei nº 8.748, de 1993, arts. 2º e 3º, inciso I, este com a redação determinada pelo art. 28 da Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10909.001589/0058 Acórdão n.º 9303004.926 CSRFT3 Fl. 376 9 Lei nº 10.522, de 2002; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002 e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, arts. 48, 69 e 70. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 35335.000276/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2002
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. INCLUSÃO DE PARTES DE OUTRA DECISÃO AO FINAL DO ACÓRDÃO EMBARGADO. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO.
Verificada que houve a inclusão de partes de outra decisão após a proclamação do voto da relatora, o acórdão embargado deve ser corrigido para afastar tais falhas e evitar interpretações equivocadas, mantendo-se in tottum a decisão anterior.
Numero da decisão: 2201-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, transcrever o acórdão 2302-003.494 extirpando o conteúdo inserido indevidamente.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Lapso Manifesto. Embargante CONSELHEIRO DO COLEGIADO Interessado RONDONIA SECRETARIA DE ESTADO DA SAUDE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2002 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. INCLUSÃO DE PARTES DE OUTRA DECISÃO AO FINAL DO ACÓRDÃO EMBARGADO. POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO. Verificada que houve a inclusão de partes de outra decisão após a proclamação do voto da relatora, o acórdão embargado deve ser corrigido para afastar tais falhas e evitar interpretações equivocadas, mantendose in tottum a decisão anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, transcrever o acórdão 2302003.494 extirpando o conteúdo inserido indevidamente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 33 5. 00 02 76 /2 00 6- 94 Fl. 675DF CARF MF Processo nº 35335.000276/200694 Acórdão n.º 2201003.836 S2C2T1 Fl. 676 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratamse de Embargos Inominados opostos pela Conselheira Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara à fl. 669 em face do acórdão de fls. 656/665, que negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte para manter “mantendo o lançamento quanto aos acréscimos de contribuições para financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho”. No entanto, a Conselheira Presidente e Relatora do acórdão requereu em seus Embargos a substituição do Acórdão nº 2302003.494, de 06/11/2014, pois o mesmo contém erro na formalização, já que após o Relatório, Voto e o nome da relatora, constou por equivoco partes de outro voto. Assim, em razão ao manifesto erro material, foram opostos os embargos “para que o acórdão seja desconsiderado, desanexado dos autos do presente processo e substituído por outro íntegro ao que foi decidido no julgamento efetuado”. No mesmo ato, a própria Conselheira Presidente acolheu os embargos, no uso da competência conferida pelos arts. 65 e 66 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso preenche aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente caso não comporta maiores digressões. Verifico que, de fato, após a manifestação do voto da Conselheira Relatora, pela negativa de provimento ao recurso voluntário, existem partes de outro voto que não guardam relação com a presente processo. Sendo assim, não é caso de novo julgamento da questão, mas sim de mera correção do lapso manifesto representado pelo erro de formalização do acórdão nº 2302003.494 (fls. 656/665). Portanto, em respeito à segurança jurídica, entendo ser de rigor replicar, ipsis litteris, o acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Isto posto, voto no sentido de conhecer e ACOLHER os embargos inominados apresentados, para, sanando a inexatidão material apontada, transcrever o Acórdão nº 2302003.494 (fls. 656/665) extirpado o conteúdo inserido indevidamente: Fl. 676DF CARF MF Processo nº 35335.000276/200694 Acórdão n.º 2201003.836 S2C2T1 Fl. 677 3 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2002 AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL PARA APOSENTADORIA ESPECIAL A legislação relativa à concessão de aposentadoria especial busca, justamente, restringir o benefício, que só deve ser concedido a quem, efetivamente esteve exposto a agentes nocivos de forma habitual e intermitente. A falta de apresentação de documentos hábeis a comprovar ou não a exposição a agentes nocivos, permite o lançamento por aferição indireta. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento quanto aos acréscimos de contribuições para financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme disposição do §6° do Art. 57 da Lei 8.213/91 e no § 1º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que não houve a efetiva demonstração de exposição aos riscos ambientais do trabalho. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 342/352) interposto contra a Decisão Notificação n° 26.401.4/010312006, de fls. 330 a 334, proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Velho Rondônia, que indeferiu a defesa administrativa apresentada pelo Contribuinte. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 35335.000276/200694 Acórdão n.º 2201003.836 S2C2T1 Fl. 678 4 A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 35.818.2352 referese a acréscimos de contribuições para financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme disposição do §6° do Art. 57 da Lei 8.213/91 e no § 1º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A Decisão Notificação julgou a defesa administrativa sem se basear em qualquer laudo pericial capaz de aferir a existência de riscos na atividade desempenhada pelos segurados, não havendo como ter sido fixado o grau de nocividade do trabalho a que estavam expostos, nem a alíquota adicional da contribuição social para financiamento da aposentadoria especial. Diante do exposto, os autos baixaram em diligência para que fosse realizada perícia, por profissional competente, a fim de ser levantada a existência e o grau de nocividade à saúde dos segurados, para que, posteriormente, fosse fixada a alíquota da contribuição adicional a aposentadoria especial. Todavia, os autos retornaram da primitiva instância com a seguinte resposta: 1. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.818.2352 referente a contribuição do adicional para o financiamento da aposentadoria especial, lançada por arbitramento com fundamento legal previsto no § 3°, do art. 33, da Lei n° 8.212/91, devido a falta de apresentação dos documentos que demonstram o gerenciamento do Ambiente de Trabalho; 2. O processo foi baixado em Diligência pelos membros da 3'• Camara / 2'• Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para a realização de perícia, por profissional competente, a fim de ser levantada a existência e o grau de nocividade A, saúde dos segurados; 3. O documento pericial capaz de aferir a existência de riscos na atividade desempenhada pelos segurados é o Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT. É uma declaração pericial emitida para evidenciação técnica das condições ambientais do trabalho de responsabilidade do Empregador, podendo ser substituído pelo Programa de Riscos Ambientais PPRA. O LTCAT é expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, conforme § 1° do art. 58 da Lei 8213/91, com a redação dada pela Lei 9732/98; 4. No Despacho de folhas 360, não ficou claro se a relatora baixou o procedimento para que a DRF providencie a perícia ou intime o contribuinte apresentála; Fl. 678DF CARF MF Processo nº 35335.000276/200694 Acórdão n.º 2201003.836 S2C2T1 Fl. 679 5 5. Diante do exposto, e não havendo previsão legal para que esta DRF realize a perícia solicitada, devolvo os autos para apreciação da relatora e se for o caso, remeter novamente o processo para diligência junto ao contribuinte a fim de obter o laudo pericial solicitado. O julgamento foi novamente convertido em diligência, para que fosse realizada a perícia técnica, porque a matéria é complexa e depende de uma análise pericial da realidade fática encontrada onde os serviços são prestados. Se solicitou na diligência que restasse comprovado que o contribuinte, pela respectiva atividade desenvolvida, expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial ou efetua precariamente o controle desses agentes, de tal sorte que efetivamente permaneçam expostos a tais riscos. Considerando a natureza eminentemente técnica do crédito lançado, o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que fosse elaborado parecer técnico conclusivo, por Médico do Trabalho ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, mediante inspeção técnica no local, de forma a comprovar que os segurados empregados da recorrente encontramse efetivamente expostos a agentes nocivos (considerando, inclusive, se havia ou não utilização eficaz de equipamento de proteção para cada um dos agentes), que lhes garanta aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 e seguintes da Lei n° 8.213/91. Os autos retornaram com informação de fls. 373/374, dizendo que intimada a apresentar a documentação capaz de comprovar a exposição dos segurados a riscos ambientais do trabalho, a recorrente apresentou alguns documentos, ainda sem assinaturas e disse que realmente não possuia a documentação solicitada, motivo pelo qual o auditor autuante mantém o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente á tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. O levantamento referese ao adicional para a aposentadoria especial onde as demonstrações ambientais são as peças fundamentais para a auditoria do gerenciamento dos riscos ocupacionais, constituindose nos documentos primários de informações, que dão suporte ao direito do benefício. A partir da edição da Lei n.º 9.032/95, ocorreu grande mudança no regime da aposentadoria especial, pois tal diploma redefiniu os conceitos e critérios para a concessão da mesma. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 35335.000276/200694 Acórdão n.º 2201003.836 S2C2T1 Fl. 680 6 O art. 57 da Lei n.° 8.213/91 passou a ter a seguinte redação: “A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme a lei.” Assim, verificamos que a concessão da aposentadoria especial passou a depender de comprovação, pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado para a concessão do benefício, nos termos do disposto no art. 57, § 3° e 4°, da Lei n.° 8.213/91. O propósito da auditoria em riscos ocupacionais é a verificação, por parte da empresa, do eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e, conseqüentemente, o controle dos riscos ocupacionais. E, com relação à exposição a agentes nocivos e à cobrança da contribuição previdenciária prevista no § 6.º do art. 57 da Lei n.º 8.213/91, o trabalho do Auditor Fiscal deverá basearse nos aspectos de natureza formal dos documentos ambientais, e na análise das informações prestadas pela própria empresa nos documentos já mencionados, assim como a verificação da existência de evidências materiais da exposição a agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho acima dos limites de tolerância previstos. Há que se buscar as evidências materiais que demonstrem o efetivo ou potencial prejuízo à saúde ou à integridade física dos trabalhadores, a exposição aos agentes nocivos acima dos limites de tolerância estabelecidos ou o exercício daquelas atividades arroladas no Anexo IV do Decreto 3.048, que por si só já bastam para a concessão da aposentadoria especial e a correspondente cobrança do adicional à contribuição estabelecida no inciso II do art. 22 da Lei n.º 8.212/91. Como regra, a empresa deve demonstrar que gerencia adequadamente o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores. A existência ou não de riscos ambientais em níveis que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador é comprovada mediante as demonstrações ambientais. No caso presente, algumas demonstrações ambientais apresentadas pela recorrente não foram consideradas pelos fiscais notificantes como aptas a fazer prova quanto à inexistência de agentes nocivos ou ao seu controle, e outras tantas não foram apresentadas com justificativa do contribuinte de que realmente não as possui, por este motivo foi lavrada a presente notificação. O Fisco tem competência e prerrogativa de efetuar lançamento de contribuição previdenciária por arbitramento, na falta de apresentação ou inexistência de documentos válidos para exame Fl. 680DF CARF MF Processo nº 35335.000276/200694 Acórdão n.º 2201003.836 S2C2T1 Fl. 681 7 do cumprimento das obrigações principal e acessória, conforme dispõe o artigo 33 e seus parágrafos da Lei n.º 8.212/91. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputarr devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Lei 8.212/91 “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas “d” e “e” do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Fl. 681DF CARF MF Processo nº 35335.000276/200694 Acórdão n.º 2201003.836 S2C2T1 Fl. 682 8 Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” O lançamento não é fundamentado em simples presunção, e sim nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. O artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, explicita o que é documento deficiente: Art.233 (...) Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. No caso em tela, os documentos apresentados pelo contribuinte não se prestaram a fazer prova a seu favor e outros tantos sequer foram apresentados sob a alegação de que , com efeito, não existiam, o que valida o lançamento como efetuado. Por derradeiro, entendo inócua nova diligência ou perícia, posto que os documentos existentes e relativos à época já foram examinados, apreciados e o lapso temporal já transcorrido não permite, hoje, uma avaliação em loco para retratar as condições existentes no período lançado. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 35335.000276/200694 Acórdão n.º 2201003.836 S2C2T1 Fl. 683 9 Pelo exposto, Voto por negar provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora" (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 683DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720194/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
MULTAS FISCAIS. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis, na apuração do lucro real, as multas fiscais que não decorram de falta ou insuficiência de pagamento de tributo.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
MULTAS FISCAIS. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas fiscais que não decorram de falta ou insuficiência de pagamento de tributo.
Numero da decisão: 1301-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Bianca Felicia Rothschild, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis, na apuração do lucro real, as multas fiscais que não decorram de falta ou insuficiência de pagamento de tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 MULTAS FISCAIS. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas fiscais que não decorram de falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Bianca Felicia Rothschild, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 94 /2 01 4- 19 Fl. 11646DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.647 2 Relatório TRANSOCEAN BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0132.312 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belém que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração relativos a: · Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, anoscalendário 2009 e 2010, no valor total de R$ 52.743.466,53 (fls. 94339442); · Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, anos calendário 2009 e 2010, no valor total R$ 11.450.884,39 (fls. 9443 9453); · Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, anocalendário 2009, sem crédito tributário apurado (fls. 94549458), e; · Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, anocalendário 2009, sem crédito tributário apurado (fls. 94599463). Os valores acima incluem o principal, a multa de ofício e os juros de mora, e estão atualizados até 05/2014. Também integra os Autos de Infração o Termo de Constatação e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 94679535). De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): · Subvenções para custeio/operação recebidas de pessoas jurídicas de direito privado não incluídas na base de cálculo do PIS e COFINS, com reflexo exclusivo nessas Contribuições; · Despesas indedutíveis não adicionadas ao Lucro Líquido do período, que resultou em ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Sobre a exigências principais de PIS e COFINS foi aplicada a multa de ofício de 150 %. Para justificar o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSLL a autoridade fiscal assevera: Fl. 11647DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.648 3 · No processo administrativo nº 10074000191/9237 foram lançados tributos incidentes na importação (II e IPI), suspensos na ocasião da aplicação do regime de admissão temporária, e a multa de ofício devida pelo descumprimento do regime pela beneficiária (a autuada); · Beneficiada pelo programa de anistia fiscal a que ser refere o §3º, inciso I, do art. 3º da Lei nº 11.941/2009, a autuada efetuou os seguintes recolhimentos: o R$ 51.137.020,64 (composto por: R$25.619.814,00 relativo ao IPI e R$25.517.206,64 relativo aos juros de mora com redução de 45% sobre o valor original); o R$ 59.166.800,74 (composto por: R$29.642.760,00 relativo ao II e R$29.524.040,74 relativo aos juros de mora com redução de 45% sobre o valor original); o R$ 21.009.602,57 {composto por: R$ 8.892.828,00 relativo a multa isolada do II com redução de 40% sobre o valor original e R$ 21.009.602,57 relativo aos juros de mora com redução de 45% sobre o valor original); o R$ 54.474.898,11 (composto por R$ 23.057.832,60 relativo a multa isolada do IPI com redução de 40% sobre o valor original e R$ 31.417.065,11 relativo aos juros de mora com redução de 45% sobre o valor original); o R$60.027.435,94 (composto por R$ 25.408.080,0 relativo a multa isolada pelo descumprimento da admissão temporária e R$ 34.619.355,94 relativo aos juros de mora com redução de 45% sobre o valor original); · O valor pago à Fazenda Nacional foi contabilizado integralmente como despesa operacional e levado ao resultado do exercício. Contudo, os valores pagos, relativos às multas isoladas e à multa administrativa, discriminados a seguir, são indedutíveis por força do § 5º do art. 344 do RIR/99: o R$ 8.892.828,00 (multa isolada do II); o R$ 23.057.832,60 (multa isolada do IPI); o R$ 25.408.080,00 (multa isolada por descumprimento do regime de importação temporária). O sujeito passivo tomou ciência dos lançamentos em 19/05/2014 (fls. 9538) e apresentou uma impugnação distinta a cada tributo, em 18/06/2014. O processo retornou a unidade de origem para apartamento dos autos (IRPJ/CSLL e PIS/COFINS), em conformidade com o que dispõe a Portaria RFB nº 1006/2013 Fl. 11648DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.649 4 (fls. 1151811526), em razão dos lançamentos de PIS e COFINS não serem decorrentes do lançamento de IRPJ. Os créditos de PIS e COFINS foram transferidos para o processo nº 15582 720.087/201501 (fl. 11522). Na impugnação contra o lançamento do IRPJ a recorrente alegou em síntese que (fls. 95439575): · A despesa glosada não foi objeto de qualquer questionamento. É incontroverso o caráter operacional da despesa em questão, pois, a única objeção levantada foi a vedação contida no § 5° do artigo 344 do RIR; · Nos termos do art. 344 do RIR, as multas de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo são dedutíveis; · Na forma do Parecer Normativo nº 61/79, as multas administrativas que não se relacionem com a apuração do tributo, como é o caso, não possuem qualquer vedação à sua dedutibilidade; · A assertiva é ainda corroborada pelo Perguntas e Respostas, IRPJ 2005; · Há normas no Direito Aduaneiro que são de cunho estritamente administrativo e, como tal, não se confundem com as normas tributárias; · As sanções no direito aduaneiro são de três espécies: tributárias, administrativas e focadas no controle aduaneiro propriamente dito; · Tanto o CARF como o STJ reconhecem a existência de multas de natureza administrativa e de multas tributárias, na legislação aduaneira; · As multas são decorrentes do descumprimento do regime de admissão temporária à plataforma SEDCO 710, e foram capituladas nos artigos 526, II, do Decreto n° 91.030/85, e 364, I, do Decreto n° 87.981/82; · Os dispositivos supra demonstram que as multas isoladas pagas pela Impugnante, cujas despesas vieram a ser glosadas pelo autuante, são todas desvinculadas do pagamento de tributos, e portanto são dedutíveis; · As multas isoladas em comento têm por fundamento o controle das importações, tal como ilustram os Acórdãos DRJSPO II nº 17.35466, de 08/10/2009, e 1749899, de 12/04/2011; Fl. 11649DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.650 5 · O STJ já reconheceu que as multas isoladas/autônomas de controle aduaneiro não possuem natureza jurídica de tributo; · É inaplicável a exigência de juros sobre a multa de ofício, pois o art. 61 da Lei nº 9.430/96 trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Essa prática somente seria válida nos casos em que a multa aplicada correspondesse ao valor principal do débito fiscal, como na hipótese de autuação por descumprimento de obrigação acessória/regulamentar; · A jurisprudência vem reconhecendo a inaplicabilidade da taxa referencial SELIC aos créditos tributários, uma vez que esta taxa não foi criada por lei para fins tributários; · Embora as autoridades administrativas não tenham competência para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de regras vigentes no ordenamento, elas podem afastar a sua aplicação com base em precedentes jurisprudenciais que vêm reconhecendo a inexigibilidade de juros de mora calculados pela Taxa Referencial SELIC; · Reitera que recebe intimações nas pessoas dos signatários da impugnação (Leonardo Alfradique Martins, OAB/RJ 98.995, e Horácio Veiga de Almeida, OAB/RJ 124.159) à Av. Rio Branco n° 1, 19° andar, setor B, na Cidade e Estado do Rio de Janeiro. Na impugnação contra o lançamento da CSLL a recorrente, alem de repetir os argumentos apresentados contra o lançamento do IRPJ, aduz ainda que (fls. 96019638): · A base de cálculo CSLL, no que se refere especificamente às deduções, obedece suas próprias regras; · O art. 13 da Lei n° 9.430/1996, que prevê a indedutibilidade das despesas com o pagamento de multas administrativas e isoladas todas elas desvinculadas do pagamento de tributos, não prevê a adição das despesas aqui glosadas pelo fisco na base de cálculo dessa contribuição, motivo pelo qual não pode subsistir a exigência fiscal; · A jurisprudência do Conselho de Contribuintes já se pronunciou, reiteradas vezes, que a base de cálculo da CSLL não se confunde com a do IRPJ, de forma que as despesas indedutíveis para este imposto não o são para aquela contribuição. Ex: Acórdão n° 107 05.150, da 7a Câmara do Conselho de Contribuintes; · O cancelamento da exigência de Contribuição Social sobre as despesas consideradas indedutíveis é medida que se impõe, posto que inexiste previsão legal para sua incidência. Fl. 11650DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.651 6 Analisando a impugnação apresentada o colegiado a quo julgoua parcialmente procedente, afastando a glosa das despesas com a multa administrativa de controle aduaneiro, em razão de vício na fundamentação do lançamento. A Recorrente foi intimada da decisão em 21 de outubro de 2015 (fls. 11548 11549), apresentando em 09 de novembro de 2015 recurso voluntário de fls. 1155011587, reafirmando em relação ao mérito da exigência os termos de sua de sua impugnação. Arguiu ainda nulidade da decisão de primeira instância e nulidade do lançamento. Em relação à nulidade do acórdão recorrido, aduz que: por ter deixado de analisar todos os fundamentos trazidos em impugnação, bem como teria alterado o critério jurídico do lançamento ao invocar normativos que nem sequer foram mencionados pela autoridade administrativa autuante; traz como exemplo de ausência de análise de todos os seus argumentos de defesa o de uso de analogia para fundamentar a exigência e a equiparação das regras de dedutibilidade aplicáveis para fins de IRPJ e também para fins da CSLL, matérias não abordadas pela decisão recorrida; em relação à inovação do lançamento, argumenta que o fundamento para exigência da CSLL utilizado pela autoridade fiscal autuante foi o art. 344, § 5º do RIR/99, enquanto a decisão recorrida fundamentou a decisão nos art. 56 e 57 da IN SRF nº 390/04, caracterizando nítida inovação e descabida modificação do critério jurídico do lançamento; no que atine à exigência de IRPJ, aduz que para justificar a manutenção da glosa das multas isoladas de IPI e do II, o acórdão recorrido teria se socorrido de atos normativos que não foram utilizados pela autoridade administrativa responsável pelo lançamento, citando como exemplo a análise do art. 364 do RIPI/82 e art. 521 do Regulamento Aduaneiro de 1985, caracterizando inovação e modificação do critério jurídico do lançamento. E quanto à nulidade do lançamento afirma que os autos de infração careceriam de fundamentação em lei, pois não teriam feito qualquer relação entre as despesas glosadas e a ausência de usualidade, normalidade e necessidade das despesas glosadas, tendo o lançamento sido realizado com base em analogia, em afronta ao § 1º do art. 108 do CTN. Argumenta ainda que a própria DRJ cancelou a exigência referente à glosa de despesas referentes à multa administrativa de controle aduaneiro, mas não o fez em relação às demais glosas. O restabelecimento da dedutibilidade das despesas referentes à multa administrativa de controle aduaneiro indicaria existir indícios suficientes para o cancelamento das demais glosas. É o relatório. Fl. 11651DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.652 7 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 PRELIMINARES DE NULIDADE 2.1 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Para a recorrente, o lançamento seria nulo pois careceria de fundamentação em lei, não analisando as despesas glosadas com os critério de usualidade, normalidade e necessidade, tendo o lançamento sido realizado com base em analogia, em afronta ao § 1º do art. 108 do CTN. Aduz ainda que o restabelecimento da dedutibilidade das despesas referentes à multa administrativa de controle aduaneiro realizado pela DRJ indicaria existir indícios suficientes para o cancelamento das demais glosas. Entendo não assistir razão à recorrente. A fundamentação legal do auto de infração é o § 5º do art. 344 do RIR/99, o qual dispõe que não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Em razão disso, não houve qualquer análise quanto à usualidade, normalidade e necessidade das despesas glosadas, matéria tratada no art. 299 do RIR/99. Tanto assim que a decisão de primeira instância, apesar de considerar indedutíveis as despesas com multa administrativa de controle aduaneiro, cancelou a exigência justamente por entender não se enquadrar a infração no que dispõe o § 5º do art. 344 do RIR/99. Não há que se falar, portanto, em lançamento baseado em analogia no que diz respeito à exigência do IRPJ. No que atine à exigência de CSLL, aplicouse a mesma base legal no lançamento. Se há ou não base legal para a exigência, entendo dizer respeito ao mérito do lançamento e será analisado oportunamente. Com efeito, rejeito a arguição de nulidade do lançamento. Outra sorte não merecem as razões trazidas pela recorrente para buscar a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Fl. 11652DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.653 8 Ora, a decisão da DRJ encontrase absolutamente fundamentada e explicita o porquê de seu entendimento sobre o tema, não sendo obrigatório que se pronuncie sobre todos os fundamentos de defesa apresentados. Em relação à suposta necessidade de se refutar todos os argumentos de defesa, nem mesmo o § 1º do art. 489 do CPC/2015 agasalha tal entendimento. Tal exegese foi confirmada por unanimidade por todos os Ministros da Primeira Seção do STJ no julgamento dos Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315DF, cuja parte de interesse da ementa reproduzse a seguir: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. [...] 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. No que diz respeito à suposta inovação do lançamento, argumenta a recorrente que o fundamento para exigência da CSLL utilizado pela autoridade fiscal autuante foi o art. 344, § 5º do RIR/99, enquanto a decisão recorrida está fundamentada nos arts. 56 e 57 da IN SRF nº 390/04, caracterizando nítida inovação e descabida modificação do critério jurídico do lançamento. Ora, não há qualquer inovação no fundamento jurídico da exigência, tampouco alteração no critério jurídico: a decisão da DRJ confirmou ser indedutível, a seu ver, despesas com multa decorrentes de infrações fiscais. Citar como um dos fundamentos da razão de decidir o exposto em norma complementar, no caso, os arts. 56 e 57 da IN SRF nº 390/04, não traduz qualquer alteração ou inovação do que já constava na exigência inicial, até mesmo porque jamais uma norma complementar, por si só, seria apta a fazer surgir uma obrigação tributária, havendo sempre uma base legal que lhe dê sustentação. No caso, resta evidente que entendeu ser aplicável a base legal do art. 344, § 5º do RIR/99 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º) para se manter parcialmente a exigência de IRPJ e de CSLL. Se essa decisão está correta, ou não, diz respeito ao mérito da exigência, não caracterizando qualquer hipótese de nulidade da decisão. Fl. 11653DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.654 9 No que diz respeito à exigência de IRPJ, aduz ainda a recorrente que para justificar a manutenção da glosa das multas isoladas de IPI e do II, o acórdão recorrido teria se socorrido de atos normativos que não foram utilizados pela autoridade administrativa responsável pelo lançamento, citando como exemplo a análise do art. 364 do RIPI/82 e art. 521 do Regulamento Aduaneiro de 1985, caracterizando inovação e modificação do critério jurídico do lançamento. O argumento da recorrente, com a devida vênia, é absolutamente desarrazoado: a decisão está tão somente se manifestando a respeito dos argumentos apresentados pela própria recorrente em sua impugnação. Vejase a passagem do voto condutor do aresto recorrido a esse respeito: No que tange à multa isolada do II e a multa isolada do IPI, patente sua indedutibilidade, posto que as infrações são derivadas da própria falta de recolhimento dos impostos. Vejase que os impostos suspensos por ocasião da importação temporária da plataforma Sedco 710, foram lançados e exigidos conjunta e precipuamente à aplicação dessas multas. O que revela uma relação de causa e efeito entre a infração, a falta/insuficiência de pagamento desses impostos, e a multa isolada aplicada. Nos termos do art. 364 do RIPI/82 e art. 521 do Regulamento Aduaneiro RA/85, trazidos pela recorrente como fundamentação legal das multas isoladas de II e IPI (fls. 95649565), observase que o imposto não recolhido é a base de cálculo dessas multas. [grifos nossos] [RIPI/82] Art. 364. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva NotaFiscal, ou a falta de recolhimento do imposto lançado na NotaFiscal, porém não declarado ao órgão arrecadador, no prazo legal e na forma prevista neste Regulamento, sujeitará o contribuinte às multas básicas (Lei nº 4.502/64, art. 80, e Decretosleis nº. 34/66, art. 29, art. 22a., e 1.680/79, art. 29): I de 50% (cinquenta por cento) do valor do imposto se o contribuinte o lançou devidamente e apenas não efetuou o seu recolhimento até 90 (noventa) dias do termino do prazo; II de 100% (cem por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado, ou que, devidamente lançado, não foi recolhido depois de 90 (noventa) dias do término do prazo; [RA/85] Seção V Multas na Importação Art. 521. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decretolei nº 37/66, art. 106, I, II, IV e V): [...] II de cinqüenta por cento (50%): [...] b) pelo não retorno ao exterior, no prazo fixado, de bens ingressados no País sob regime de admissão temporária; [...] Conforme se observa, não se trata de qualquer inovação no lançamento ou alteração de critério jurídico, mas tão somente contraargumentos às razões trazidas pela Fl. 11654DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.655 10 própria recorrente em sua impugnação que, certamente, se a decisão recorrida não tivesse se manifestado, iria a recorrente, como já o fez em relação a outros itens, suscitar a nulidade pela ausência de refutação de sua tese de defesa. Desse modo, rejeito também as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância. 3 MÉRITO O mérito da exigência que ainda permanece em litígio diz respeito à dedutibilidade de multas. O lançamento citou como base legal dispositivo atrelado à dedutibilidade das multas por infrações fiscais o §5º do art. 41 da Lei nº 8.981/95, base legal do art. 344, §5º, RIR/99, assim vazado: § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. A recorrente, por sua vez, alega que o fundamento das multas isoladas aplicadas não teria sido a falta ou insuficiência de pagamento de tributo, pois a penalidade decorreria do não cumprimento de Termo de Responsabilidade apresentado em garantia da importação da Plataforma Sedco 710 (descumprimento de admissão temporária). Em razão disso, a autoridade fiscal responsável pela lavratura daqueles autos de infração intimou a recorrente a “recolher o crédito tributário suspenso em virtude da concessão do regime especial de admissão temporária à plataforma SEDC 710 [...]”. Aduz que entre os valores objeto de execução no mencionado Termo de Responsabilidade havia as multas decorrentes do descumprimento do regime de admissão temporária, capituladas no art. 526, II do Decreto nº 91.030/85 e a multa do artigo 364, I, do Decreto nº 87.981/82. Ressalta que o caput do art. 526 é claro ao tratar de infrações administrativas. Discorre ainda sobre critérios de usualidade, normalidade e necessidade das despesas em questão. Na assentada do mês agosto, apresentei meu voto ao colegiado no sentido de negar provimento ao recurso, entendendo que as multas em questão teriam sido aplicadas em razão da falta de pagamento do II e do IPI. Durante os debates, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild teve a oportunidade de discorrer sobre as características das penalidades aplicadas e as especificidades do regime de admissão temporária e as consequências do descumprimento de seus termos. Em seguida, o Conselheiro Flávio Franco Corrêa, baseado nos argumentos apresentados pela Conselheira Bianca Felicia Rothschild, abriu divergência, votando por dar provimento ao recurso voluntário. Na sequência, o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acabou por requerer vista dos autos. A par das discussões travadas na sessão anterior, reanalisando a matéria, entendo por bem reformular meu entendimento: concluo que a decisão recorrida esteja incorreta ao considerar que as multas em questão referiamse à penalidade por falta de recolhimento de tributos. Fl. 11655DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.656 11 A parte teórica da decisão de primeira instância mostrase absolutamente acertada, equivocandose, a meu sentir, em sua conclusão a respeito da natureza das penalidades cujos valores foram considerados indedutíveis no lançamento. Conforme bem abordado pela decisão recorrida, antes do advento da Lei nº 8.981/95 que veio a tratar da hipótese em que as multas fiscais poderiam ou não ser dedutíveis, idêntico texto constava no § 4º do art. 16 do DecretoLei nº 1.598/77 e no § 5º do art. 7º da Lei nº 8.541/92, que revogou aquele. Sob esse contexto, o Parecer Normativo CST – nº 61 de 01/01/1979 foi exarado para melhor elucidar o disposto em tais dispositivos legais, entre os quais destaco os seguintes excertos: [...] Em discussão o conteúdo e alcance da norma inscrita no parágrafo 4º do artigo 16 do Decretolei nº 1.598/77, "in verbis": "Não são dedutíveis como custos ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo". 2. INDEDUTIBILIDADE COMO REGRA 2.1 Depreendese do texto que os preceitos nele contidos têm por campo de atuação o conjunto das multas qualificadas como fiscais. Compreendemse como tais aquelas impostas pela lei tributária, ou fiscal. Este conteúdo é revelado não só pelo adjetivo que restringe o universo das multas, como pela rubrica Tributos que sintetiza o art. 16. e seus parágrafos. 2.2 Disciplinando o efeito das multas fiscais, relativamente à apuração do lucro real, o preceito em estudo firma a regra básica de sua indedutibilidade, à qual, por exceção, não se subordinam duas espécies: a) as multas impostas por infrações de que não resulte falta ou insuficiência de pagamento de tributo; e b) as multas fiscais de natureza compensatória. 3. MULTAS DEDUTÍVEIS, PORQUE RELATIVAS A INFRAÇÕES DE QUE NÃO RESULTA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. 3.1 O estudo das obrigações tributárias revela que só a inadimplência de obrigação principal é capaz de gerar falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Mas que há um tipo de obrigação acessória de cuja inadimplência resulta infração da principal e, em conseqüência, falta ou insuficiência de pagamento de tributo. E o que passamos a demonstrar. 3.2 O Código Tributário Nacional (CTN, Lei nº 5.172/66) distingue, no artigo 113, a obrigação tributária em principal ou acessória: Fl. 11656DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.657 12 "A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente". (art. 113. , § 1º). "A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos". (art. 113, § 2º) 3.3 A distinção fundase precipuamente na natureza do objeto da obrigação. Se tributo ou penalidade, a obrigação será "de dar", classificandose como principal; se for outras prestações, positivas ou negativas, ela será "de fazer" ou "não fazer", classificandose como acessória. E óbvio que somente pode ocasionar falta ou insuficiência de pagamento de tributo a inadimplência de obrigação que o tenha por objeto, isto é, a principal. 3.4 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e se extingue juntamente com o cumprimento do crédito dela decorrente. Nesse ínterim, coexiste a possibilidade de sua inadimplência, passível de manifestarse por dois modos: a) por mora; b) por falta de cumprimento de obrigação acessória necessária à efetivação do lançamento normal estabelecido pela legislação do tributo. 3.5 A inadimplência da obrigação principal, por mora, independe de execução de possíveis obrigações acessórias correlatas e reportase tanto aos tributos lançados quanto àqueles sujeitos, pela legislação, a pagamento antecipado. Caracterizase a simples falta de recolhimento por ocasião do vencimento. 3.6 A outra modalidade de inadimplência envolve necessariamente a inexecução, total ou parcial, de obrigação acessória. E que a legislação do tributo pode cominar ao sujeito passivo ou terceiro a prática de ato (obrigação de fazer:acessória), cuja omissão (infração à acessória) implicará falta de pagamento de tributo (infração à principal). Estas obrigações acessórias possuem esse efeito por terem sido erigidas, pela legislação, em condição do lançamento normal. Como tais se incluem, por exemplo, a obrigação de prestar informações quanto a matéria de fato indispensável à constituição do crédito tributário (lançamento com base em declaração art. 147. , CTN) e a obrigação de reter o imposto de renda na fonte, ato indispensável à homologação (art. 150. , CTN). 3.7 Ante o exposto, podese concluir que as infrações de que não resulta falta ou insuficiência de pagamento de tributo são aquelas relativas às obrigações acessórias que não se constituam em condição do lançamento normal. As multas a Fl. 11657DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.658 13 elas correspondentes são, pois, dedutíveis. (Como exemplos de multas por essa razão dedutíveis, sejam citadas as previstas nos artigos 533, II, "c", "d", "e" e "f"; 534, "a"; 539 do Regulamento do Imposto de Renda RIR e 405, 408 e 396 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI ). Já as multas relativas a infrações de que resulte falta ou insuficiência de pagamento de tributos serão dedutíveis quando de natureza compensatória. E o que passamos a ver. [grifos nossos] [...] Conforme se extrai desse ato interpretativo normativo, em regra as multas por infrações tributárias são indedutíveis na apuração do lucro real. Excepcionalmente essas multas poderão vir a ser dedutíveis, de acordo com as exceções previstas em lei, a saber: (a) as que não resultem em falta ou insuficiência de pagamento de tributo, e (b) as de caráter compensatório, assim entendidas as que não puderem ser excluídas com a denúncia espontânea e guardarem proporção ao dano produzido. Retornando ao caso concreto, as despesas glosadas ainda em litígio se referem ao pagamento da multa isolada do Imposto de Importação e multa isolada do Imposto sobre Produtos Industrializados, uma vez que a multa isolada por descumprimento do regime de importação temporária foi considerada multa administrativa pela decisão de primeira instância, e, embora considerasse tal despesa indedutível, cancelou a exigência correspondente em razão de a base legal utilizada no lançamento referirse a indedutibilidade de multas fiscais (§ 5º do art. 344 do RIR/99), e não o art. 299 do RIR/99 (despesas desnecessárias). Ressaltase que todas essas infrações se referem à transferência irregular da plataforma semissubmersível de perfuração Sedco 710, admitida no país sob regime de importação temporária. Ao contrário do alegado pela decisão recorrida, tanto a multa isolada relativa ao II quanto a multa isolada atinente ao IPI possuem origem não na falta de recolhimento de tributos, mas sim no descumprimento atinentes à importação temporária da plataforma Sedco 710. Tanto que na Intimação nº 13/Sarat/2007 (fls. 95959596), resta evidente que as multas de II e de IPI cobradas se deu de forma isolada, não guardando correlação com a exigência de II e de IPI, uma vez que esses foram cobrados, com juros de mora, com base no Termo de Responsabilidade firmado pela recorrente quando da importação da plataforma em questão. A titulo de raciocínio, se não tivesse sido firmado tal Termo de Responsabilidade, o lançamento de IPI e de IPI teriam que ser feitos acompanhados da cobrança de multa de ofício, sem prejuízo das multas isoladas efetivamente exigidas no caso concreto. Naquele contexto hipotético, se as duas penalidades isoladas tivessem sido cobradas em razão da falta de recolhimento de II e de IPI, estaríamos diante de uma espécie de bis in idem relativas à aplicação de penalidade por falta de recolhimento de tributo. Tal situação não se configura porque as multas isoladas exigidas estão ligadas ao descumprimento das normas referentes à admissão temporária. Em razão de tal descumprimento o contribuinte necessita realizar dois atos distintos: (i) pagar o II e o IPI suspensos na importação, acrescidos de juros moratórios; (ii) recolher as multas isoladas de IPI e IPI lançadas de ofício. A proporcionalidade de tais multas isoladas em relação ao II e IPI devidos devese tão somente ao critério material de fixação da base de cálculo da penalidade Fl. 11658DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.659 14 isolada, e não dos impostos não recolhidos na importação. A lei poderia estipular outras bases de cálculo, mas preferiu fixar com base no II e IPI não recolhidos por ocasião da admissão temporária. Como já abordado, essas multas não são cobradas em razão do não recolhimento desses tributos, mas sim em função do descumprimento das normas relativas à admissão temporária. A obrigação descumprida que deu ensejo às penalidades isoladas foi uma obrigação de “fazer”, e não de “dar” (no caso, o pagamento de tributos). Embora entenda que tais penalidades sejam indedutíveis por não serem necessárias às atividades da empresa (art. 299 do RIR/99), essa não a infração imputada a recorrente, no caso, indedutibilidade de multas punitivas decorrentes da falta de pagamento de tributos art. 344, §5º, RIR/99. Embora ambos os dispositivos legais impliquem a indedutilidade de tais despesas, ambas possuem fundamentação jurídicas distintas. Embora eu entenda que a decisão no âmbito do processo administrativo fiscal – PAF não deva se limitar às razões trazidas pela autoridade fiscal e pelo contribuinte, tal decisão não poderá alterar o fundamento legal da infração imputada ao sujeito passivo, isso em razão de dispositivo legal expresso aplicável ao PAF, no caso, o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 18. [...] § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. A propósito, esse mesmo entendimento foi firmado pela própria decisão de primeira instância ao exonerar a infração relativa à glosa de penalidade administrativa de que tratava o art. 526 do Regulamento Aduaneiro/1985. Conforme se observa, para alteração do fundamento legal de exigência se faria necessário lançamento complementar e abertura de prazo ao sujeito passivo para que apresentasse nova impugnação, hipótese não aplicável a presente fase processual, e, ainda que fosse possível, no caso concreto o novo lançamento não poderia ser efetuado em razão da decadência (fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2009). Por consequência, deve ser provido o recurso voluntário do contribuinte, exonerandose a glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em razão do restabelecimento da dedutibilidade das despesas em questão. Fl. 11659DF CARF MF Processo nº 15586.720194/201419 Acórdão n.º 1301002.558 S1C3T1 Fl. 11.660 15 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 11660DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.721130/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Verificada a existência de obscuridade no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência, devendo ser aplicado a esses rendimentos as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
Numero da decisão: 2202-004.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2101-002.639, de 02/12/2014: a) retificar a ementa do acórdão nº 2101-002.639, suprimindo da ementa a expressão "APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63."; b) alterar a decisão original para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito do Recorrente de deduzir o valor de R$ 79.348,72, pago a título de honorários advocatícios, assim como aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que os acolheram com efeitos infringentes, para: a) retificar a ementa do acórdão nº 2101-002.639, suprimindo da ementa a expressão "APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63."; b) cancelar o lançamento. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Verificada a existência de obscuridade no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência, devendo ser aplicado a esses rendimentos as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2101-002.639, de 02/12/2014: a) retificar a ementa do acórdão nº 2101-002.639, suprimindo da ementa a expressão "APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63."; b) alterar a decisão original para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito do Recorrente de deduzir o valor de R$ 79.348,72, pago a título de honorários advocatícios, assim como aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que os acolheram com efeitos infringentes, para: a) retificar a ementa do acórdão nº 2101-002.639, suprimindo da ementa a expressão "APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63."; b) cancelar o lançamento. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
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OBSCURIDADE. Verificada a existência de obscuridade no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência, devendo ser aplicado a esses rendimentos as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2101002.639, de 02/12/2014: a) retificar a ementa do acórdão nº 2101002.639, suprimindo da ementa a expressão "APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63."; b) alterar a decisão original para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito do Recorrente de deduzir o valor de R$ 79.348,72, pago a título de honorários advocatícios, assim como aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que os acolheram com efeitos infringentes, para: a) retificar a ementa do acórdão nº 2101002.639, suprimindo da ementa a expressão "APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63."; b) cancelar o lançamento. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 11 30 /2 01 2- 98 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 168 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos nos autos do processo nº 13807.721130/201298, em face do acórdão de Recurso Voluntário nº 2101002.639, julgado pela 1ª. Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, na sessão de julgamento de 02 de dezembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por dar parcial provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LEI 7.713/88, ART. 12. APLICAÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros atualização monetária, deduzidos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive honorários advocatícios, nos exatos termos do art. 12 da Lei no 7.713/88, art. 12. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF) O despacho de admissibilidade, de 25 de fevereiro de 2015, foi no sentido de admitir os embargos e determinar o retorno dos autos à Turma de Julgamento. Segue abaixo a decisão: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 169 3 "Inicialmente cumpre destacar que os documentos juntados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional às fls. 147/157 são estranhos aos presentes autos, motivo pelo qual deles não conheço. Esclarecida a questão, passo à análise da admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Tratase de embargos de declaração (efls. 142/146), de iniciativa da Fazenda Nacional, tempestivamente intentados, contra o Acórdão nº 2101002.639 da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 136/140), julgado na sessão 02 de dezembro de 2014. Aduz o embargante que a decisão atacada incorreu (i) em obscuridade ao citar a Súmula CARF nº 63 em sua ementa e (ii) em omissão ao deixar de aplicar entendimento consolidado pelo STJ relacionado ao Rendimentos Recebidos Acumuladamente. Em relação à obscuridade arguida, entendo que assiste razão à Fazenda Nacional, uma vez que o tema tratado nos presentes autos não guarda nenhuma relação com a Súmula CARF nº 63. O que ocorreu no presente caso foi erro na redação da ementa, mas que não contaminou o voto e o resultado do julgamento. Já quanto à omissão, também tem razão a Embargante. Conforme peças judiciais do processo judicial juntadas à impugnação, o Contribuinte foi um dos autores da ação ordinária movida contra o Estado de São Paulo com pedido de pagamento de complementação de aposentadoria. O comprovante de depósito judicial juntado pelo contribuinte (e fl. 7) demonstra que a Procuradoria do Estado de São Paulo efetuou o depósito, em 28/12/2006, na conta vinculada ao processo 723/1987 (26.6923581), de R$ 4.625.574,07. O Mandado de Levantamento Judicial de (efl. 6) comprova que, em 14 de junho de 2007, os autores da ação sacaram da mesma conta o valor de R$ 2.250.116,94. O Demonstrativo de Atualização (efl. 8) discrimina as verbas pagas aos autores da ação. Ao contribuinte Sebastião Ambrósio Gonçalves coube o valor total de R$ 587.768,30 (R$ 284.570,24 de principal e R$ 303.108,05 de juros moratórios), tendo sido retido a título de IRRF o valor de R$ 161.133,70. Conforme corretamente exposto pela Embargante, ao analisar a questão sob o rito dos recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão já transitada em julgado, firmou o entendimento de que no caso de recebimento acumulado de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 170 4 valores decorrente de ação revisional de aposentadoria, o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Assim, a decisão ora embargada restou omissa ao não aplicar o entendimento do STJ acima, conforme determinado no art. 62A do anexo II do RICARF. Assim, por todo o exposto, opino pela admissibilidade dos presentes embargos e proponho o retorno dos autos à Turma de Julgamento. (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator A parte dispositiva do acórdão possui a seguinte redação: "ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do Recorrente de deduzir o valor de R$ 79.348,72, pago a título de honorários advocatícios, da base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no exercício de 2008. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, que votou pela dedução apenas proporcional dos honorários advocatícios e pela aplicação da maior alíquota vigente do tributo a cada período de apuração, e Eduardo de Souza Leão, que votou por negar provimento ao recurso." Portanto, o despacho de admissibilidade entendeu que o acórdão incorreu (i) em obscuridade ao citar a Súmula CARF nº 63 em sua ementa e (ii) em omissão ao deixar de aplicar entendimento consolidado pelo STJ relacionado ao Rendimentos Recebidos Acumuladamente. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 171 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram opostos dentro do prazo legal e reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, entendo por conhecêlos. Em relação à obscuridade arguida, entendo que assiste razão à embargante, uma vez que o tema tratado nos presentes autos não guarda nenhuma relação com a Súmula CARF nº 63. Ocorreu, no presente caso, erro na redação da ementa, mas que não contaminou o voto e o resultado do julgamento, conforme já manifestado pelo relator do acórdão em seu despacho de admissibilidade. Portanto, deve ser retificada a ementa do acórdão, suprimindose o trecho "APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63". Portanto, onde se lê: [...] APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. [...] Passa a contar com o seguinte teor: "[...] JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. [...]" Alega também omissão por ter deixado o acórdão de aplicar entendimento consolidado pelo STJ relacionado ao Rendimentos Recebidos Acumuladamente, contrariando ao Regimento Interno do CARF. Conforme corretamente exposto pela Embargante, ao analisar a questão sob o rito dos recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão já transitada em julgado, firmou o entendimento de que no caso de recebimento acumulado de valores decorrente de ação revisional de aposentadoria, o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 172 6 deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência, obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Assim, a decisão ora embargada restou omissa ao não aplicar o entendimento do STJ acima, conforme determinado no art. 62A do anexo II do RICARF. No presente caso, a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. No entanto, ao sanar a omissão do acórdão, deixase de aplicar o entendimento do STJ, consoante pretende a Embargante, pois houve após o julgamento do recurso voluntário o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS. Ao meu entender, o lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 173 7 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para a) retificar a ementa do acórdão nº 2101002.639, suprimindo da ementa a expressão “APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63.”; b) cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Inobstante o bem fundamentado voto do ilustre Relator, peço vênia para divergir em relação à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. No que se refere a rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a Fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, decidiu: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 174 8 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010). (destaquei) Recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sobre a matéria, no âmbito do RE 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, na sistemática do art. 543B, do CPC, quando acordou por manter a decisão do STJ sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, afastando o regime de caixa, mas adotando o regime de competência, ou seja, concordando com a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor. Em nenhum momento se cogitou de eventual cancelamento integral de lançamentos efetuados em obediência ao art. 12 da Lei nº 7.713/88, o qual estava plenamente vigente à época do lançamento. Transcrevo a seguir excerto do voto vencedor do Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no Acórdão nº 9202003.695, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca desse tema. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 175 9 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. O artigo 62, § 2º, do RICARF, determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Art. 62 [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, deve ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, não sendo legítima a cobrança com base no montante global pago extemporaneamente. Seguem alguns julgados recentes da Câmara Superior nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. Recurso especial conhecido e provido. (Acórdão nº 9202 004.518, de 26/10/2016 2ª Turma. Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 176 10 [...] IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 2ª Turma de 27/01/2016. Relator originário: José Cheffe Rahal. Redator designado: Heitor de Souza Lima Junior). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. (Acórdão nº 9202004.182, de 21/06/2016 2ª Turma. Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). (Acórdão nº 2202002.785, de 09/09/2014. Rel. Antonio Lopo Martinez). Ante o exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2101002.639, de 02/12/2014: a) retificar a ementa do acórdão nº 2101002.639, suprimindo da ementa a expressão "APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63."; b) alterar a decisão original para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito do Recorrente de deduzir o valor de R$ 79.348,72, pago a título de honorários advocatícios, assim como aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2202004.115 S2C2T2 Fl. 177 11 Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.900464/2008-86
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PER/DCOMP. CANCELAMENTO.
Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento.
BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA.
O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR.
CONFISSÃO DE DÍVIDA
A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1801-000.425
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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CANCELAMENTO. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento. BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA. O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. CONFISSÃO DE DÍVIDA A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30/01/2004, fls. 01/02, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$18.927,48 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 31/10/2003, para compensação do débito de IRPJ, código nº 5993, referente ao fato gerador de dezembro de 2003 no valor de R$19.629,69. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 03/04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 30/04/2008, fl. 05, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20/05/2008, fls. 06/07, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que Trata-se de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. Acrescenta que procedeu a todos os pagamentos dos tributos devidos. Instrui o processo com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano- calendário de 2003, fls. 20/80, bem como com as cópias dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), fls. 81/94. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14-23.847, de 08/05/2009, fls. 96/98:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900464/2008-86 Acórdão n.º 1801-00.425 S1-TE01 Fl. 173 3 Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Notificada em 30/07/2008, fl. 101, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28/08/2009, fl. 102, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Instrui o processo com a cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), fls. 125/155, onde estão escriturados os balancetes mensais, bem como cópia do Livro Diário, fls. 104/124, onde está transcrito o balancete de dezembro de 2003. Explica que a) A empresa, no ano base em causa, optou pela tributação pelo Lucro Real, com base em Balanço Geral Anual. Levantou mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à • pagar, tendo recolhido todos os meses que acusaram valor à pagar. b) Esta exigência fiscal decorreu de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolheu por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que não existe. Esse foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim, esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. c) E a DCTF Trimestral foi preenchida incorretamente, para corresponder aos valores impropriamente lançado no PER/DCOMP. d) Desta forma, pode-se concluir, força da realidade dos fatos, que a DCTF e PER/DCOMP relativos a este período são imprestáveis. e) Declara este contribuinte que não é titular dos créditos impropriamente lançados no PER/DCOMIP em questão. f) No acórdão epigrafado, afirma seu relator que a contabilidade regularmente executada, vale como prova à favor ou contra o contribuinte (Artigo 923 do RIR). No caso anexa, as peças mencionadas no item g, para demonstrar a inexistência de outro débito fiscal da empresa, que não os já pagos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 g) Para demonstrar que a empresa nada deve à Receita Federal do Brasil, e que os valores erradamente inscritos nos DCTFs e PER/DCOMPs, não tem origem válida, anexa a esta cópia dos Balancetes Mensais de Verificação, transcritos no Livro Diário n.° 45, autenticado sob n.° 1.200, no Cartório de Registro de Salto, mês a mês, e do Lalur e Demonstrativo de Cálculo correspondente a toda apuração do imposto e contribuições devidos, mês a mês, estes todos pagos, conforme cópias de guia que se anexa. h) Ao final, há de se constatar a inexistência de débito, que se comprova por este recurso. Termos em que, Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que a Per/DComp deve ser cancelada por erro no preenchimento, uma vez que o crédito já foi corretamente utilizado e que o débito confessado é inexistente. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Sobre o Pedido de Cancelamento da Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, determina: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900464/2008-86 Acórdão n.º 1801-00.425 S1-TE01 Fl. 174 5 do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 145927 Número do Processo 14033.000033/2004-19 Turma 3ª Câmara Contribuinte PHD TRANSPORTES LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Outros Data da Sessão 08/08/2007 Relator(a) Paulo Jacinto do Nascimento Nº Acórdão 103-23143 Tributo / Matéria - Cofins- processo que não versem s/ exigências de credito tributário Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Paulo André Vacari Beloni, inscrição OAB/DF nº 12.671. Ementa COMPENSAÇÃO [...] PEDIDO DE CANCELAMENTO – Não merece ser acolhido o Pedido de Cancelamento de Compensação formulado após a ciência do despacho decisório que a indeferiu. Recurso improvido. Publicado no D.O.U. nº 185 de 25/09/2007. [...] Nº Recurso 148271 Número do Processo 10480.001708/2002-56 Turma 3ª Câmara Contribuinte COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 09/08/2007 Relator(a) Antonio Carlos Guidoni Filho Nº Acórdão 103-23167 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe em face das disposições do artigo 15, §1º, inciso II, do RI. A contribuinte foi defendida pelo DR. Ivo de Lima Barboza, OAB/PE nº 13.500D Ementa ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Hipótese inocorrente nesses autos. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se nega provimento. Publicado no D.O.U. nº 230 de 30/11/2007. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento, o que não ocorreu no presente caso. Em relação ao erro material que a Recorrente alega ter cometido, vale privilegiar o princípio da verdade real. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157222 Número do Processo 10768.100409/2003-68 Turma 1ª Câmara Contribuinte BANCO FINIVEST SA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Valmir Sandri Nº Acórdão 101-96829 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, no sentido de reconhecer o erro de fato no pedido interposto, determinando-se o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação das compensações pretendidas, considerando os créditos existentes relativos aos anos-calendário de 2000 e 2001. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 229272 Número do Processo 10283.009117/99-51 Turma 5ª Câmara Contribuinte IMPORTADORA BELMIROS LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 14/09/2007 Relator(a) Wilson Fernandes Guimarães Nº Acórdão 105-16675 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO: 1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO - ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO - Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900464/2008-86 Acórdão n.º 1801-00.425 S1-TE01 Fl. 175 7 homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. Neste sentido, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos. O Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999, prevê: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). A pessoa jurídica tributada com base no lucro real pode optar pelo recolhimento do tributo mensal calculado com base nas regras da estimativa a título de antecipação obrigatória ou do apurado com base em balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do ano-calendário (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Ainda, sobre a matéria, a Instrução Normativa SRF nº 97, de 24 de dezembro de 1997, prevê: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I - suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano- calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II - reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. [...] § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano- calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. [...] § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano- calendário; Art. 13. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 12, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, observando-se o seguinte: I - a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo ano-calendário; II - as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157989 Número do Processo 11522.000275/2005-93 Turma 3ª Turma Especial Contribuinte ETENGE EMP DE ENG ELET LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 13/10/2008 Relator(a) Ester Marques Lins de Sousa Nº Acórdão 193-00014 Tributo / Matéria IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal) Decisão Por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) para excluir do IRPJ lançado o valor de R$ 1.450,00 e seus consectários, referente ao fato gerador de 31/12/2000, e II) quanto à multa isolada, reduzir o percentual de 75% para o percentual de 50% , em face da retroatividade benigna. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001. [...] SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO PAGAMENTO DO IRPJ MENSAL - ESTIMATIVA - A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, por estimativa, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900464/2008-86 Acórdão n.º 1801-00.425 S1-TE01 Fl. 176 9 O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. Sobre a confissão de dívida, o Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, determina: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Em relação à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, determina: Art. 1º As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas a fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2010, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. [...] Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: [...] § 1º Os valores relativos a impostos e contribuições exigidos em lançamento de ofício não deverão ser informados na DCTF. [...] Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa e, caso não sejam regularizados, enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. A DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito tributário declarado. No que se refere à DIPJ, foram editados atos normativos evidenciando que se trata de documento informativo (Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999 e Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Analisando os dados constantes na DIPJ do ano-calendário de 2003, bem como com as cópias dos DARF, do LALUR, e do Livro Diário, tem-se que a CSLL devida mensalmente é: Meses de 2003 DIPJ – R$ LALUR – R$ DARF – R$ Livro Diário – R$ Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 0,00 0,00 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 1.507,35 1.507,35 1.507,35 0,00 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 0,00 0,00 0,00 0,00 Setembro 6.826,53 6.826,53 6.826,53 0,00 Outubro 10.578,60 10.578,60 10.578,60 0,00 Novembro 11.341,65 11.341,65 11.341,65 11.341,65 Dezembro 4.216,40 4.216,40 4.216,40 4.216,40 Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou as provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o valor do débito informado em Per/DComp referente ao débito de CSLL, deve ser cancelado. Não consta nos autos a integralidade da cópia do Livro Diário comprovando a transcrição obrigatória do balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo, bem como não há prova de que todos os valores devidos estão corretamente confessados em DCTF. Pelo contrário, o referido crédito tributário não está regularmente constituído, embora possa existir DARF correspondente. Por esta razão, a PER/DComp não pode ser cancelada, já que é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do presente crédito tributário. Logo, não cabem reparos ao procedimento fiscal. Em face do exposto voto: a) para que a DRF que jurisdicione a Recorrente fique alerta para a possível existência de pagamentos; b) no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900464/2008-86 Acórdão n.º 1801-00.425 S1-TE01 Fl. 177 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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