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Numero do processo: 10167.001350/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004
CONSELHEIRO TUTELAR. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAI.
São segurados obrigatórios do RGPS, na qualidade de segurado contribuinte individual, os membros do conselho tutelar de que trata o art. 132, da Lei nº 8.069, de 1990, quando remunerados.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO SEGURADO
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003.
A empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.
PARCELAMENTO. PEDIDO DE INCLUSÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA DO CARF.
Escapa à competência do CARF, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. De forma análoga, não dispõe esta Corte de Poder legal para impingir à Secretaria da Receita Federal do Brasil a concessão de parcelamento não acatado pela lei.
CARF. COMPETÊNCIA.
À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente, a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, e a penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal tributo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.814
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 CONSELHEIRO TUTELAR. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAI. São segurados obrigatórios do RGPS, na qualidade de segurado contribuinte individual, os membros do conselho tutelar de que trata o art. 132, da Lei nº 8.069, de 1990, quando remunerados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. A empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. PARCELAMENTO. PEDIDO DE INCLUSÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA DO CARF. Escapa à competência do CARF, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. De forma análoga, não dispõe esta Corte de Poder legal para impingir à Secretaria da Receita Federal do Brasil a concessão de parcelamento não acatado pela lei. CARF. COMPETÊNCIA. À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente, a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, e a penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal tributo. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 CONSELHEIRO TUTELAR. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAI. São segurados obrigatórios do RGPS, na qualidade de segurado contribuinte individual, os membros do conselho tutelar de que trata o art. 132, da Lei nº 8.069, de 1990, quando remunerados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003. A empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. PARCELAMENTO. PEDIDO DE INCLUSÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA DO CARF. Escapa à competência do CARF, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. 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À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente, a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 substituição e as devidas a terceiros, e a penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal tributo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 Data da lavratura da NFLD: 31/10/2006. Data da Ciência da NFLD: 31/10/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do Município em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social a cargo dos segurados contribuintes individuais – Conselheiros Tutelares, incidentes sobre o total das remunerações por eles auferidas no mês, observado o limite legal, que deixaram de ser arrecadadas pelo Município, de acordo com o previsto no art. 4º da Lei n° 10.666/2003, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 25/28 e Discriminativo Nominal a fls. 30/32. Informa a Autoridade Lançadora que as referidas remunerações foram obtidas pelo exame das Folhas de Pagamento dos Conselheiros Tutelares, mês a mês, conforme discriminado no Anexo I a fls. 30/32. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 34/36. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001350/200729 Acórdão n.º 230201.814 S2‐C3T2 Fl. 93 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 40/43, julgando procedente o Lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04/12/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 48. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 61/65, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a hipótese pretendida de parcelamento não se enquadra na vedação encapsulada no art. 38, §1º da Lei nº 8.212/91; Ao fim, requer que seja tornado sem efeito o procedimento fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 03/01/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O Município de Orizona recorre a esta Corte Administrativa requerendo autorização para parcelamento do débito apurado, em caráter excepcional e a autorização para incluílo no parcelamento em 240 duzentos e quarenta meses, juntamente com os demais débitos lavrados na mesma ação fiscal. Mesmo ciente da precariedade da situação financeira do Município, com suas receitas totalmente comprometidas com o pagamento de dívidas anteriores, infelizmente, não há como atender ao pedido por ele formulado, ante à calva de competência para tanto. O Parcelamento Ordinário Administrativo constituise num acordo celebrado entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e o devedor, que tem por finalidade o pagamento parcelado das contribuições e demais importâncias devidas à Seguridade Social e não recolhidas em época própria, incluídas ou não em notificação. Tal pedido tem que ser formulado diretamente pelo devedor ao órgão competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, eis que sua formulação implica confissão irretratável da dívida e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. De posse do Requerimento, o pedido será analisado pelo Órgão Fazendário competente para a verificação do adimplemento integral dos requisitos legais para a sua concessão. Aditese que tal modalidade de parcelamento não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições, ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, a teor do art. 155 do CTN. O parcelamento ordinário, mantes tratado no art. 38 da Lei nº 8.212/91, houvese por revogado por determinação expressa da Medida Provisória nº 449/2008, revogação essa referendada pela Lei nº 11.941/2009. O parcelamento ordinário é hoje regido pelos preceitos insculpidos na Lei nº 10.522/2002, cujo art. 14, inciso I veda, expressamente, a concessão de parcelamento de tributos que hajam sido descontados de terceiros, como exatamente assim se revelam as contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento. Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 14. É vedada a concessão de parcelamento de débitos relativos a: I – tributos passíveis de retenção na fonte, de desconto de terceiros ou de subrogação; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) (...) Ocorre, todavia, que a esta 2ª Seção houvese por outorgada, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001350/200729 Acórdão n.º 230201.814 S2‐C3T2 Fl. 94 5 Foge à competência deste Colegiado, por óbvio, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. De forma análoga, não dispõe esta Corte de Poder legal para impingir à Secretaria da Receita Federal do Brasil a concessão de parcelamento não acatado pela lei. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.000889/2002-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REMESSA EX OFFICIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
ATIVO NÃO COMPROVADO.
Não há previsão legal para a presunção de omissão de receitas a
partir de ativo não comprovado.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO DA CONTA ESTOQUES
NÃO COMPROVADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Para lançar os tributos presumindo a omissão de receita com base
de falta comprovação da totalidade do saldo da conta de estoque
exige da fiscalização o atendimento do previsto no art. 41, da Lei
n°9.430/1996.
Remessa ex officio a que se nega provimento
Numero da decisão: 1201-000.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao apelo oficial nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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ementa_s : REMESSA EX OFFICIO. OMISSÃO DE RECEITAS. ATIVO NÃO COMPROVADO. Não há previsão legal para a presunção de omissão de receitas a partir de ativo não comprovado. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO DA CONTA ESTOQUES NÃO COMPROVADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Para lançar os tributos presumindo a omissão de receita com base de falta comprovação da totalidade do saldo da conta de estoque exige da fiscalização o atendimento do previsto no art. 41, da Lei n°9.430/1996. Remessa ex officio a que se nega provimento
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-07T11:12:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-01-07T11:12:28Z; Last-Modified: 2011-01-07T11:12:30Z; dcterms:modified: 2011-01-07T11:12:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:0a76e735-039e-44cb-8415-484af36276e0; Last-Save-Date: 2011-01-07T11:12:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-01-07T11:12:30Z; meta:save-date: 2011-01-07T11:12:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-01-07T11:12:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-01-07T11:12:28Z; created: 2011-01-07T11:12:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-01-07T11:12:28Z; pdf:charsPerPage: 1020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-01-07T11:12:28Z | Conteúdo => ACORD4 provimento ao ape1o,o0 olegiado, por unanimidade de votos, negar «'do Relator. Regis Magalhães Soare SI-C2T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10730.000889/2002-12 Recurso n° 151.330 De Oficio Acórdão n° 1201-00.310 - 2 Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 05 de agosto de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente 8a TURMA DRJ RIO DE JANEIRO -RJ Recorrida ROMA REVENDA E OFICINA MECÂNICA DE AUTOMÓVEIS S.A. Ementa: REMESSA EX OFFICIO. OMISSÃO DE RECEITAS. ATIVO NÃO COMPROVADO. Não há previsão legal para a presunção de omissão de receitas a partir de ativo não comprovado. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO DA CONTA ESTOQUES NÃO COMPROVADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Para lançar os tributos presumindo a omissão de receita com base de falta comprovação da totalidade do saldo da conta de estoque exige da fiscalização o atendimento do previsto no art. 41, da Lei n°9.430/1996. Remessa ex officio a que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo o° 10730.000889/2002-12 S1-C2T1 Acórdão m° 1201-00.310 Fl. 2 EDITADO EM: 1 6 UEZ. 2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Claudemir Rodrigues Malaquias, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho. 2 Processo n° 10730.000889/2002-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.310 Fl, 3 Relatório Cuida-se de remessa oficial para revisão do r. acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro que cancelou parcialmente lançamento de IRPJ, CSL,L, PIS e COFINS, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 Ementa: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. ATIVO NÃO COMPROVADO. Não há previsão legal para a presunção de omissão de receitas a partir de ativo não comprovado. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO DA CONTA ESTOQUES NÃO COMPROVADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A não comprovação do saldo da conta Estoques não se enquadra na presunção legal de omissão de receitas constante do art. 41 da Lei n° 9.430/1996. Os autos de infração subjacentes versam sobre presunção de omissão de receitas em decorrência de suprimento de numerário e presunção de omissão de receita por falta de contabilização ou contabilização a menor de bem do ativo permanente, respectivamente Itens IN 001 e 003, que estão fundamentados nos termos seguintes (tomando-se como base o auto de infração de IRPJ). Como os mencionados Itens n's 001 e 003 foram tratados conjuntamente pela r. decisão a quo, aqui também serão conjugados para melhor compreensão (fls. 10 e seguintes): 001 - Omissão de Receitas 3 4 Processo n0 10730.000889/2002-12 S1-C2T1 Acórdão n,° 1201-00.310 FL 4 Suprimento de Numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega: Omissão de Receitas caracterizada pela não comprovação de parte dos saldos das contas Clientes e Outras Contas do Ativo Circulante, em 31/12/1998, onde se conclui tratarem-se (sic) de créditos inexistentes e em aberto na contabilidade da empresa, cujos valores correspondentes indicarem que já foram recebidos pelos sócios sem os devidos lançamentos de entradas de numerários nas contas bancárias da empresa. Valor Tributável— 31/12/1998: R$ 335.200,12 — Conta Clientes Valor Tributável — 31/12/1998: R$ 93.421,00— Conta Outras Contas Enquadramento legal: art. 195, inciso II, 197 e parágrafb único, 226, e 229, do R1R11994; art. 24 da Lei n°9.249/95. 003 - Omissão de Receitas Bens do Ativo Permanente não contabilizados e/ou contabilizados a menor: Omissão de Receita caracterizada pela contabilização como aquisição de bens, no ano-calendário de 1998, usando lançamento de correção monetária de anos anteriores, como aumento dos saldos das contas representativas de Bens do Ativo Permanente referentes às contas Edifícios e Instalações e Veículos, contrariando o estabelecido do RIR/1994, que extinguiu a correção monetária no ano-calendário de 1995. Valor Tributável — 31/12/1998: R$ 322.606,50 — Conta Edifícios e Instalações. Valor Tributável — 31/12/1998: R$ 146.000,02 — Conta Veículos. Enquadramento legal: art. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 220, 225, 226, e 227, do RIR11994; art. 24 da Lei n°9.249/95. Ao apreciar a impugnação, a DRJ deu-lhe provimento nesta parte para cancelar integralmente os lançamentos atinentes aos referidos itens (001 e 003), ao fimdamento de inexistência de base legal autorizando o Fisco a presumir omissão em razão dos fatos constatados pela fiscalização. O Item n° 002 do auto de infração versa sobre presunção de omissão de receita em razão de passivo fictício. Com relação a este item, a r. decisão a quo negou provimento à impugnação e manteve integralmente o lançamento, com espeque no art. 228 do RIR/1994. Já o Item n° 4 trata de presunção de omissão de receita em razão de supostamente não ter o contribuinte comprovado a existência de estoques nos valores contabilizados, tendo sido assim fundamentado o lançamento (fls. 11 e seguintes do auto de infração de IRPJ): Processo n° 10730.000889/2002-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.310 FI, 5 004 - Omissão de Receitas Diferença de Estoque: Omissão de Receita Operacional, caracterizada por não ter sido comprovada a totalidade dos estoques, através do livro Registro de Inventário e apresentação dos documentos hábeis. Valor Tributável — 31/12/1998: R$ 167.059,36— Conta Estoques Enquadramento legal: art. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 207, 220, 226, e 231, do RIR/1994; art. 24 da Lei n° 9.249/95; art. 41 da Lei n°9.430/96; Este lançamento também foi afastado pela r. decisão sub examen, em vista de não ter a fiscalização procedido conforme determina o art. 41 da Lei n° 9.430/96, que autoriza ao Fisco presumir omissão de receita por falha de estoque mediante levantamento quantitativos de insumos utilizados na indústria do contribuinte. Com relação ao Item n° 005 do auto de infração a fiscalização assim descreveu a infração: 005 - Resultados Operacionais não Declarados: Valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não tributado, tendo em vista o contribuinte ter contabilizado correção monetária de anos anteriores à crédito da conta de Prejuízos Acumulados, constante do Patrimônio Líquido da empresa, contrariando o RIR/94, que aboliu qualquer correção monetária de Balanço a partir de 01/01/1996. Valor Tributável — 31/12/1998: R$ 544.702,34 — Conta Prejuízos Acumulados Enquadramento legal: art. 195, 196 e 960 do RIR/94. A DRJ também cancelou este lançamento ao argumento de que (i) "não restou comprovado que os valores referentes à correção monetária de 1994/1995 não foram tributados nesses anos" e tal verificação demandaria um aprofundamento da fiscalização e (ii) "o fato gerador da tributação a ser formalizada deveria reportar-se ao período de 1994/1995 (..) E, neste caso, diversas seriam a capitulação e a fimdamentação da autuação". É o relatório. 5 6 Processo n° 10730.000889/2002-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.310 Fl 6 Voto Conselheiro Relator, Regis Magalhães Soares de Queiroz Não havendo recurso voluntário, iremos cuidar apenas do reexame dos itens 001, 003, 004 e 005 do auto de infração subjacente, uma vez que o lançamento do item 002 foi mantido pela r. decisão a quo. 1. Itens 001 e 003 Como enquadramento legal para lançar os tributos — presumindo a omissão de receita — foram invocados 1 os arts. 228 e 229, do RIR/1994; art. 24 da Lei n° 9.249/95 e art. 40 da Lei n° 9.430/96. Sucede que os fatos investigados pela fiscalização não se enquadram na presunção legal em exame. Correta, pois, a decisão da DRJ, cujas razões de decidir adoto e transcrevo para maior clareza: Ou seja, tendo em vista a interessada não ter logrado comprovar os saldos em 31 de dezembro de 1998 de contas do Ativo Circulante (Clientes e Outras Contas) nos montantes de R$ 335.200,12 e R$ 93.421,00 e do Ativo Permanente (Edifícios e Instalações e Veículos) nos montantes de R$ 322.606,50 e R$ 146.000,02, tais valores foram considerados Ativo de origem não comprovada e tributados como omissão de receita. Inicialmente, deve-se esclarecer que o tributo só pode ser exigido quando o fato apurado ajusta-se peifeitamente à hipótese de incidência. Por esta razão, a Fazenda Pública não pode considerar ocorrido um fato descrito abstratamente na hipótese de incidência sem a sua efetiva verificação, valendo-se de mera presunção de seu agente, a menos que esta presunção esteja prevista em lei. Deste modo, a falta de comprovação dos saldos das contas Clientes e Outras Contas (Ativo Circulante) e Edificios e Instalações e Veículos (Ativo Permanente) não autoriza ao Fisco a presumir, de imediato, a ocorrência de omissão de receitas, antes recomendando o aprofundamento da investigação, a fim de demonstrar o nexo causal entre os referidos direitos e a operação tributável que lhes deu causa. Neste sentido, cabe ao Fisco demonstrar cabalmente, quando afirma que a interessada omitiu receitas, que sua escrita comercial não retrata Ha também referência a dispositivos que tratam da apuração do IRPJ e da manutenção de contabilidade, tais como o art. 195, inciso II que trata da adição ao lucro liquido de resultados, rendimentos, receitas que devam ser computados na determinação do lucro real, o art. 197 e parágrafo único do mesmo diploma que dispõe sobre a manutenção de escrituração e também o art. 226 que dispunha sobre a definição de receita bruta, todos do RIR194. Processo n° 10730.000889/2002-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.310 Fl, 7 fielmente os fatos apurados, provando que tais receitas ditas omitidas foram ganhas, apesar de não escrituradas, a menos que a lei o autorize a presumir a ocorrência do ilícito, se constatados outros fatos nela enumerados. Assim, ou o agente do Fisco prova que as receitas foram ganhas, mas não foram escrituradas, ou ele se vale das presunções legais. No caso concreto, não há previsão legal para a presunção de omissão de receitas a partir de ativo não comprovado. Ressalte-se ainda que, embora tenha constado do enquadramento legal do item I da autuação o art. 229 do RIR!] 994, que constitui uma presunção legal, os fatos apurados pelo autuante não correspondem ao previsto no referido dispositivo legal, conforme veremos a seguir. O art. 229 do RIR/] 994 dispõe que: "Art. 229 - Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base nos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto-lei n° 1.598/77, art. 12, §3°e Decreto-lei n°1,648/78, art. 1°, II)," Com base no presente artigo, é estabelecida a presunção de que a contabilização da entrada de dinheiro na conta caixa, por meio de valores fornecidos à empresa por administradores, sócios, titular da empresa individual, etc, no intuito de se evitar que aquela resulte em saldo credor, em decorrência de pagamentos efetivamente realizados e sem a devida comprovação de que o numerário utilizado tenha se originado de fonte externa, caracteriza-se como a .figura legal do suprimento de caixa realizado com recursos desviados da própria pessoa jurídica, em decorrência de omissão de receitas. Assim, a presunção legal versa sobre a procedência e efetiva entrega de importâncias por sócios e/ou administradores a título de empréstimos (conta do Passivo Circulante — exigibilidade) na conta Caixa da empresa. Portanto, mister se faz que seja produzida prova irrefutável da transferência de recursos da pessoa física para o patrimônio da pessoa jurídica, pois quando os elementos apresentados não forem suficientes à comprovação, a lei autoriza que se presuma que os valores contabilizados a título de suprimento se originaram em recursos da própria pessoa jurídica provenientes de anterior omissão de receitas. No presente caso, o autuante concluiu que a não comprovação dos saldos das contas do Ativo Circulante tratar-se-iam de créditos inexistentes e em aberto na contabilidade da empresa, cujos valores correspondentes indicariam que já foram recebidos pelos sócios sem os devidos lançamentos de entradas de numerários nas contas bancárias da empresa. Constata-se, do exposto, que dispositivo invocado no item I da autuação, não se aplica, absolutamente, aos fatos anteriormente 7 Processo n° 10730.000889/2002-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.310 Fl, 8 descritos. Os recebimentos decorrentes de clientes e outras contas não constituem, de forma nenhuma, suprimentos de sócios ou administradores. Do exposto, constatando-se que não há previsão legal para a presunção de omissão de receitas a partir de saldos de contas de ativo circulante ou ativo permanente não comprovados e não restando comprovado nos autos aprofundamento da investigação que demonstrasse a efètiva ocorrência de omissão de receitas, concluo pelo cancelamento dos itens 1 e 3 da autuação. 2. Item 4 Como enquadramento legal para lançar os tributos presumindo a omissão de receita com base de falta comprovação da totalidade do saldo da conta de estoque, 2 foi invocado o art. 41, da Lei n° 9.430/96, que dispõe: Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias-primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1° Para os fins deste artigo, apurar-se-á a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matérias-primas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. § 2° Considera-se receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. § 3" Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicam-se, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. Neste item, corno bem destacou a r. decisão a quo, "considera-se como receita omitida o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários levantados (diferença entre estoques, aquisições, aplicações e vendas) pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, praticados em cada período de apuração abrangido pelo procedimento", ou seja, para o lançamento do tributo com fundamento em presunção de omissão de receita nesta hipótese, deveria a 2 O citado art. 207 trata do registro do livro de inventário; o att 220 trata das demonstrações financeiras e o art, 231 trata do custo de mercadorias revendidas e matérias-primas utilizadas, no registro do livro de inventário, ambos do RIR/1994, 8 Processo n° 10730.000889/2002-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.310 Fl. 9 fiscalização ter efetuado a "auditoria de produção, tal como disposto no art. 41 da Lei n° 9.430/1996, que conduzisse à presunção de omissão de receita" (fls. 247). Ante a ausência da referida auditoria, impossível o lançamento fundado em presunção de omissão de receita por suposta omissão de falta comprovação da totalidade do saldo da conta de estoque. Assim, em relação ao Item 004 do auto de infração, mantenho a r. decisão a quo, que havia dado provimento à impugnação para julgar improcedente esta parte do lançamento. 3. Item 005 Neste item, a fiscalização supôs ter o contribuinte contabilizado valores de correção monetária de anos anteriores na conta de Prejuízos Acumulados e concluiu que eles corresponderiam, em verdade, a receitas não lançadas na conta de Resultado do Exercício e, assim, tributou os referidos valores como omissão de receitas. A este entendimento objetou a r. decisão a quo, posto não ter a fiscalização se reportado aos períodos em que apurada a correção monetária, ou seja, 1994 e 1995. Sobre o tema, decidiu a DRJ o seguinte, com fundamentos que adoto: Depreende-se do exposto que a autoridade autuante, ao constatar a contabilização à crédito da conta de Prejuízos Acumulados de valores a título de correção monetária de anos anteriores, concluiu que tais valores correspondiam na verdade a receitas cuja contrapartida contábil foi feita à conta de Prejuízos Acumulados ao invés da conta de Resultado do Exercício. Deste modo, tributou os referidos valores como omissão de receitas. Entretanto, cabem algumas considerações acerca dos fatos apurados. Da análise dos autos, constata-se, inicialmente, que não restou comprovado que os valores referentes à correção monetária de 1994/1995 não foram tributados nesses anos. Tal fato demandaria um aprofundamento da fiscalização. Ressalte-se, ainda, que, se a referida prova constasse dos autos e efetivamente tais valores não tivessem transitado em conta de resultado, ou seja, não tivessem sido devidamente tributados, o fato gerador da tributação a ser formalizada deveria reportar-se ao período de 1994/1995. Isto porque as receitas devem ser oferecidas à tributação, no caso das pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, obedecendo o regime de competência. E, neste caso, diversas seriam a capitulação e a findamentação da autuação. Embora tenha constado na descrição dos fatos que "os créditos tributários serão cobrados como omissão de receitas", não seria este o caso dos autos, uma vez que tais receitas encontrar-se-iam escrituradas. Esclareça-se, ainda, que os fatos apurados pelo autuante não se enquadram em nenhum dos casos de presunção de omissão de receitas previstos na legislação tributária. 9
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Numero do processo: 16641.000094/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 18/10/2007
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e A administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
0 inicio do prazo decadencial é A partir da data do fato gerador com respaldo no art. 150, § 4° do CTN
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.080
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade dos valores lançados a titulo de multa. Vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que votaram por declarar a decadência até 11/2001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/10/2007 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e A administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. 0 inicio do prazo decadencial é A partir da data do fato gerador com respaldo no art. 150, § 4° do CTN RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-19T14:21:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-19T14:21:26Z; Last-Modified: 2011-08-19T14:21:26Z; dcterms:modified: 2011-08-19T14:21:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9849d736-b6f4-4729-8924-078b7fa84df8; Last-Save-Date: 2011-08-19T14:21:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-19T14:21:26Z; meta:save-date: 2011-08-19T14:21:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-19T14:21:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-19T14:21:26Z; created: 2011-08-19T14:21:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2011-08-19T14:21:26Z; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-19T14:21:26Z | Conteúdo => S2-C4TI Fl. 143 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16641.000094/2007-96 Recurso n° 156.009 Voluntário Acórdão n° 2401 -01.080 — 4' Camara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente INDUSTRIA DE CONSERVAS SCHRAMM LTDA Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/10/2007 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo corn a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange A decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e A administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. 0 inicio do prazo decadencial é A partir da data do fato gerador com respaldo no art. 150, § 4° do CTN RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Camara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade dos valores lançados a titulo de multa.. Vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que votaram por declarar a decadência até 11/2001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. i 1 ELIAS SAM AIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora MARCELO 05A COSTA — Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 2 Processo n° 16641.000094/2007-96 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.080 Fl. 144 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5 0 da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdencidria, o autuado não informou A. previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdencidrias. NO caso, a empresa deixou de informar em GFIP, remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais e empregados que lhe prestaram serviços, bem como a aquisição de produtos rurais de pessoas fisicas no período compreendido entre as competências 01/1999 a 12/2001, conforme relatório fiscal, fls. 06. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/10/2007. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls.77 a 96. A DRFB de Julgamento em Porto Alegre emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 110 a 114, mantendo a autuação em sua integralidade. Tendo em vista que a empresa não foi encontrada para recebimento do AR encaminhado com os acórdãos proferidos pelos membros da 7' Turma da DRJ — Porto Alegre/RS, que julgou procedente os débitos, foi publicado edital de n° 04/013/2008 em 24/03/2008. Não concordando com a decisão do órgão previdencidrio, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 120 a 140. Em síntese a empresa alega: 1. Preliminannente, impossibilidade de constituir o crédito em virtude da fluência do prazo decadência nos teimos do art. 150, §4°. 2. Necessário o julgamento em conjunto do AI em tela corn a NFLD no 37.066.958-4, isso porque a multa ora lançada refere-se a NFLD, também alvo de recurso voluntário. 3. Descabida a multa do art. 291, § 1°, visto que não se identifica qualquer ato doloso da impugnante. 4. Ilegal, ainda a aplicação dos juros posto que afronta o art. 97 e 161 do CTN. 5. Requer a insubsistência e improcedência da decisão proferida em primeiro grau, para que se cancele o auto de infração hostilizado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. 4 Processo n° 16641.000094/2007-96 S2-C4T1 Fl. 145 Acórdão n.° 2401-01.080 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 0 recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 142. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fi sco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de "fazer" ou "deixar de fazer", sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Já quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos analisar o contexto da NFLD,ora objeto de julgamento, qual seja, o não recolhimento por parte da empresa, dos valores descontado dos segurados empregados, o que ern tese caracteriza crime de apropriação indébita. Porem, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. 0 STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, sendo vejamos: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo iinico do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário ". 0 texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da sumula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que lido argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, 5 aprovar stimula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração publica direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder ci sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdencidrias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁ RIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.° DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATORIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. I. 0 Imposto sobre Sei-viços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 36I829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de In até ria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.° 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de Processo n° 16641.000094/2007-96 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.080 Fl. 146 execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado a causa ou a condenação, nos termos do artigo 20, § 40, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Sumula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologa cão em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Soria, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qiiinqüenal com dies a quo diversos. 11. 7 Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte aquae em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como in existindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4", e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos cm que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação,), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido ern fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4 0, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei niio fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Sang, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qiiinqiienal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário 8 Processo n° 16641.000094/2007-96 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.080 Fl. 147 em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por Jim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificaça- o de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adirnplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. ('GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, corn o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdencidrias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se (Id com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, ser á ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Sendo vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. sS* 1° - 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. ,§ 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores a homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3' - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § - Se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador,. expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdencidrias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4°, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, trata-se de lavratura de Auto de Infração por não ter o Processo n° 16641.000094/2007-96 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.080 Fl. 148 a empresa declarado em GFIP fatos geradores de contribuição previdencidria. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Em assim sendo, considerando que a lavratura do AI deu-se em 18/10/2007, com a cientificação do sujeito passivo em 19/10/2007 e que os fatos geradores omitidos em GFIP ocorreram no período de 01/1999 a 12/2001, pela aplicação do art. 173 do CTN, nos termos acima expostos, ha de se declarar a decadência do lançamento até a competência 11/2001. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 /CLUL EL"Â INA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora li MARCELOrtvA (7A/ OSTA — Redator Designado Voto Vencedor Consel heir° Marcelo Freitas de Souza Costa, Redator Designado Em que pese o zelo e a coerência sempre presentes nos votos da Ilustre Relatora, peço vênia para discordar de seu entendimento quanto a aplicação do dispositivo legal do Código Tributário Nacional — CTN, no que diz respeito ao inicio do prazo para a contagem da decadência. Embora tenha o entendimento de que apenas para os casos de dolo ou fraude deva ser aplicado o art. 173 do CTN, no presente caso, mesmo para aqueles que dão relevância a antecipação do pagamento para aplicar o art. 150, há que se entender que houve a referida antecipação. Ao meu ver, não se pode decompor a remuneração para dizer que parte da verba não foi declarada em GFIP e, portanto, com relação a esta rubrica não haveria a antecipação do pagamento. Entendo a remuneração do trabalhador corno um todo, ou seja, o valor total auferido no fim de cada rnês e como conseqüência o desconto de impostos e contribuições a que se sujeitam. Ao não declarar ou recolher a contribuição previdencidria de parte desta remuneração, não se pode deixar de levar em consideração que houve declaração ou recolhimento, ainda que parcial, devendo sim ser encarado como antecipação de pagamento e consequentemente ter o inicio do prazo decadencial a partir da data do fato gerador com respaldo no art. 150, § 4° do CTN. Desta forma, como a ciência do lançamento ocorreu em 19/10/2007, ocorreu a decadência do lançamento até a competência 09/2002, o que engloba todas as contribuições contidas na presente autuação. Ante ao exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA E DAR PROVIMENTO TOTAL AO RECURSO. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 12 abril de 2010 Brasilia, , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS j QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 16641.000094/2007-96 Recurso n°: 156.009 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão no 2401-01.080 ELIAS SAMIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10166.720635/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade o lançamento feito com estrita observâncias das normas legais; não há preterição do direito de defesa quando os fatos enquadrados como infrações estão claramente descritos e convenientemente caracterizados.
Na hipótese, os elementos de prova apresentados pela fiscalização dão suporte ao lançamento. Ao contribuinte incumbe o ônus de provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando ficar demonstrada nos autos a intenção de fraudar o Fisco, por meio da dedução reiterada de despesas inexistentes, com o objetivo de reduzir o montante do imposto devido para aumentar o valor de imposto a ser restituído.
Numero da decisão: 2101-001.551
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o lançamento feito com estrita observâncias das normas legais; não há preterição do direito de defesa quando os fatos enquadrados como infrações estão claramente descritos e convenientemente caracterizados. Na hipótese, os elementos de prova apresentados pela fiscalização dão suporte ao lançamento. Ao contribuinte incumbe o ônus de provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa qualificada quando ficar demonstrada nos autos a intenção de fraudar o Fisco, por meio da dedução reiterada de despesas inexistentes, com o objetivo de reduzir o montante do imposto devido para aumentar o valor de imposto a ser restituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de MARIA THEREZINHA RIBEIRO SOARES foi emitido o Auto de Infração às fls. 66 a 75 (eprocesso), no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 25.804,24 (vinte e cinco mil, oitocentos e quatro reais e vinte e quatro centavos), que, acrescido de juros de mora calculados até 31 de março de 2010 e multa de lançamento de ofício qualificada, perfaz um total exigido de R$ 67.864,35 (sessenta e sete mil e oitocentos e sessenta e quatro reais e trinta e cinco centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 68 a 71) a Fiscalização informa ter apurado as seguintes infrações: a) Dedução indevida com dependentes; b) Dedução indevida com despesas médicas; c) Dedução indevida de pensão judicial; d) Dedução indevida de despesa com instrução; e) Dedução indevida de previdência privada/Fapi. Inconformada, a contribuinte apresentou, às fls. 104 a 111, Impugnação, na qual alega, em preliminar, a nulidade do auto de infração por vício de ilegalidade insanável, o cerceamento do direito de defesa, pelo fato de não restar comprovada a sua participação nas irregularidades praticadas por Luis Joubert dos Santos Lima – Dr. Santos –, com a intenção de se beneficiar de restituições indevidas. No mérito, invoca o Princípio da Legalidade para asseverar que é indispensável que a pena prevista na lei atenda a uma finalidade específica e obedeça aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo necessário que a conduta descrita como infração represente uma ofensa a um bem juridicamente tutelado. Requer que o Auto de Infração seja extinto, anulandose seus efeitos, ou julgado improcedente; que seja afastada a multa de ofício para o mínimo determinado por lei, caso não considerada a improcedência total do lançamento. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou o lançamento procedente, mediante o Acórdão n.º 0342.026, de 28 de fevereiro de 2011, cuja ementa a seguir transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10166.720635/201078 Acórdão n.º 210101.551 S2C1T1 Fl. 176 3 Exercício: 2008, 2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIOS NA ORIGEM DO PROCEDIMENTO FISCAL E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a argüição de vício na origem do procedimento fiscal. Não há cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração preenche os requisitos legais. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DEPENDENTES, DESPESAS MÉDICAS, PENSÃO JUDICIAL, INSTRUÇÃO E PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. A prática dolosa e reiterada tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido para evitar ou diferir o seu pagamento, bem como para a obtenção de restituições indevidas, enseja a aplicação da multa qualificada. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE Ao órgão colegiado de julgamento administrativo de primeira instância não é dada a competência para pronunciarse sobre inconstitucionalidade de norma legal que instituiu a aplicação de multas e cobrança de juros de mora. Os mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. Somente produzem efeitos no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões judiciais definitivas do Supremo Tribunal Federal acerca de inconstitucionalidade da lei em litígio, e desde que emitido ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 17 de maio de 2011 (fls. 160), a contribuinte interpôs, em 27 de maio do mesmo ano, Recurso Voluntário (fls. 161 a 171), no qual: a) alega, em síntese, que a análise das supostas infrações cometidas restou prejudicada, haja vista não haver elementos comprobatórios de que a contribuinte tenha incorrido na participação no esquema do Sr. Luís Joubert dos Santos Lima, conforme relatório Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 do Espei/1.ª RF. Afirma estar anexando documentos dos anos de 2004 a 2008, que corroboram seu posicionamento; b) transcrevendo o artigo 136 do Código Tributário Nacional e trechos de doutrina e de julgados dos Tribunais Superiores, invoca os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da igualdade para combater a aplicação da multa qualificada que, a seu ver, não foi aplicada a todos os contribuintes com as mesmas infrações e gravidade. Alega que, no direito brasileiro, vigora o princípio da legalidade e sustenta que, na aplicação da multa, desconsiderouse o princípio da vedação ao confisco. Pede, ao final, que se examine sua “impugnação” em seus aspectos substanciais e materiais, e seja adotado o princípio da razoabilidade na aplicação da multa aos processos de mesma natureza, nos quais observa ilegalidade, e determine multa fixa de 75% ou 150%. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A ação fiscal levada efeito no presente processo decorreu de investigação realizada pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1ª Região Fiscal Espei/1ª RF (fls. 50 a 61). Na oportunidade, foram identificadas, mediante cruzamentos de informações contidas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, várias pessoas que se beneficiaram de restituições indevidas. Tais restituições, segundo a RFB, teriam origem em declarações transmitidas por meio de determinados Protocolos da Internet – IP. Segundo o Relatório do Espei/1.ª RF, o esquema para se beneficiar das restituições indevidas era executado por um grupo comandado por Luis Joubert dos Santos Lima, conhecido por Dr. Santos, o qual cobrava pelos “serviços” de elaborar declarações com deduções fictícias, além de exigir um percentual sobre o valor do imposto restituído indevidamente. A pedido do Ministério Público Federal, foi expedido Mandado de Busca e Apreensão pela juíza Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Martins Alves, da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. No cumprimento do referido mandado, foram apreendidos computadores e documentos em residências e escritórios de pessoas envolvidas na fraude tributária efetuada nas declarações de ajuste anual de vários contribuintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília DF, de posse dos documentos relativos à investigação realizada pelo Espei/1ª RF e da documentação oriunda da Busca e Apreensão determinada pela Exma. Juíza da 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, expediu aproximadamente setecentos Mandados de Procedimento Fiscal, incluindo o que deu origem à ação fiscal que resultou no auto de infração de que trata este processo. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10166.720635/201078 Acórdão n.º 210101.551 S2C1T1 Fl. 177 5 Contra a contribuinte, foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, RFFP, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. No curso da ação fiscal, a contribuinte não apresentou documentos ou justificativas à fiscalização, embora tenha sido, para isso, regularmente intimada. Na impugnação, não trouxe aos autos comprovantes das deduções efetuadas em suas declarações de ajuste dos exercícios de 2008 e 2009. Seus argumentos de defesa limitaramse a alegar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa e a atacar o percentual da multa aplicada, de 150%. Em sede de recurso voluntário, repisa os argumentos da impugnação. Afirma estar juntando documentos dos anos de 2004 a 2008, que corroboram seu posicionamento, mas tal afirmativa não encontra respaldo nos autos. Da preliminar de nulidade A contribuinte sustenta que a análise das supostas infrações cometidas restou prejudicada, por não haver elementos comprobatórios de que ela tenha participado do esquema do Sr. Luís Joubert dos Santos Lima, conforme relatório do Espei/1.ª RF. Sobre o tema cabe, primeiramente, apontar as hipóteses de nulidade dos atos e termos processuais, de acordo com o que prevê o Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Demonstrado ter havido cerceamento do direito de defesa, conforme argumenta a contribuinte, deve ser declarada a nulidade do lançamento, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. No presente processo, a Recorrente foi selecionada para fiscalização por meio da identificação do IP – Protocolo da Internet, utilizado na transmissão de sua declaração de ajuste dos exercícios em pauta, o mesmo IP utilizado para transmitir declarações irregulares, em um esquema de fraude ao fisco, tudo conforme o Relatório do Escritório de Pesquisa e Investigação da 1.ª Região Fiscal. Tal esquema fraudava declarações de imposto de renda de pessoas físicas mediante a utilização de deduções fictícias, com a finalidade de aumentar o montante de imposto a ser restituído. O lançamento decorreu de ação fiscal, que resultou na lavratura do Auto de Infração às fls. 66 a 75. Os requisitos de validade do Auto de Infração são aqueles previstos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235, que a seguir transcrevese: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Auto de Infração constante deste processo, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O ato contém local, data e hora da lavratura; o contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infrações estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida e penalidade aplicável, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. A análise dos autos, notase que, durante a ação fiscal, a contribuinte foi regularmente intimada e reintimada a apresentar os comprovantes das despesas deduzidas em suas declarações de ajuste. Este fato denota que, em sentido contrário do que foi alegado, já na fase investigatória foi oferecida à contribuinte oportunidade de defesa. Após a ciência do Auto de Infração, a contribuinte foi intimada para, dentro do prazo legal, recolher o tributo ou apresentar sua impugnação. Com o início da fase litigiosa do processo, com a apresentação da impugnação ao lançamento, a contribuinte teve a oportunidade de apresentar provas das despesas declaradas e deduzidas. Intimada da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, com as razões da sua irresignação quanto à manutenção do lançamento. Como se vê, foi garantido à Recorrente o pleno exercício da ampla defesa no processo administrativo fiscal, em duas instâncias, em observância ao princípio do duplo grau de jurisdição. Em todos os momentos em que a lei permite, ela poderia ter apresentado argumentos e provas que contrapusessem as da fiscalização, demonstrando que as deduções feitas em suas declarações de ajuste eram verdadeiras. Se não o fez, é porque entendeu por bem omitirse, e não porque seu direito de defesa foi cerceado. Ante o exposto, do exame dos autos, não vislumbro qualquer indício de irregularidade que possa ocasionar a alegada preterição do direito de defesa, de modo a ensejar uma declaração de nulidade no processo administrativo fiscal. Da multa qualificada Invocando os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da igualdade, a Recorrente insurgese contra a aplicação da multa qualificada que, a seu ver, não foi aplicada a todos os contribuintes com as mesmas infrações e gravidade. Alega que, no direito brasileiro, vigora o princípio da legalidade e sustenta que, na aplicação da multa, desconsiderouse o princípio da vedação ao confisco. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10166.720635/201078 Acórdão n.º 210101.551 S2C1T1 Fl. 178 7 Pede que, adotandose o princípio da razoabilidade na aplicação da multa aos processos de mesma natureza, observese a legalidade, determinandose multa fixa de 75% ou 150%. Salientamos, primeiramente, que as multas de lançamento de ofício estão previstas no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1.° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (g.n.) Os casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 1964 são os seguintes: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Para a correta aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%, conforme previsto no § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, é preciso que haja descrição e comprovação razoável da ação ou omissão dolosa do contribuinte, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, na forma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, acima transcritos. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Em nome da legalidade, a contribuinte insurgese contra o percentual da multa qualificada, aplicado pela Fiscalização, entendendo que há, na hipótese, violação aos princípios da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Sobre o alegado, cabe ressaltar que, em sentido contrário ao que sugere a contribuinte, a autoridade lançadora agiu dentro dos estritos limites da legalidade ao aplicar o percentual de multa de 150%. É que esse percentual, como visto, foi estipulado no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, para as hipóteses em que, tal como no caso da contribuinte, fique claramente demonstrada a intenção de fraudar o Fisco. No presente processo, entendo que tal demonstração foi feita com sucesso. Ficou demonstrado que a contribuinte foi selecionada para fiscalização porque utilizou, para o envio de suas declarações de ajuste, o mesmo IP – Protocolo da Internet utilizado em um esquema de fraude ao Fisco. Além disso, tendo em vista que a contribuinte não desconstituiu, por meio de provas, as acusações da Fiscalização, restou comprovado que ela efetuou, reiteradamente, deduções fictícias e declarou ter dependentes que não existiam, entre outras irregularidades. Examinando as declarações de ajuste da contribuinte, anexadas aos autos às fls. 3 a 24, é possível observarse claramente a mudança no patamar e nos tipos de deduções efetuadas nas DIRPF a partir do exercícios de 2008, quando as declarações inseremse no padrão da fraude descrita no Relatório da Espei/1.ª RF, conforme apurado pela Fiscalização e não desconstituído pela Recorrente. Sobre uma suposta violação aos princípios da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade, na qualificação da multa, compete destacar que, por ser a atividade administrativa plenamente vinculada à lei, deve ser aplicado o § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sempre que se demonstrar a prática de sonegação, fraude ou conluio, a teor dos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. Nessas hipóteses, a autoridade administrativa não tem outra escolha a não ser proceder ao lançamento do tributo e aplicar a multa qualificada, tendo em vista o que dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional Os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre a razoabilidade e a proporcionalidade da multa de ofício estipulada na lei, haja vista que, como dito, a fixação do percentual das penalidades aplicáveis é atribuição do legislador. Também, pelos mesmos motivos, não é cabível, no processo administrativo fiscal, apreciar a ocorrência de violação ao princípio da vedação ao confisco. No caso em apreço, ficou plenamente demonstrado pela Fiscalização (vide Termo de Verificação Fiscal, itens 30 a 35, fls. 83 e 84) que a contribuinte prestou declaração falsa à Secretaria da Receita Federal do Brasil, nas suas declarações de ajuste correspondentes Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10166.720635/201078 Acórdão n.º 210101.551 S2C1T1 Fl. 179 9 aos exercícios 2008 e 2009, fato este que a contribuinte não logrou descaracterizar por meio de provas, nas oportunidades e mediante os meios que a lei lhe confere. Sendo assim, pelos motivos apresentados, não há reparos a fazer na decisão de primeira instância administrativa, que manteve a qualificação da multa de ofício. Por fim, no tocante à aplicação do princípio da igualdade, via de regra, não é possível, em um determinado processo, haver qualquer manifestação quanto à situação configurada em outro, de outro titular, comparando um com o outro. Além do mais, sobre o tema da igualdade, a Recorrente faz alegações vagas e imprecisas, que, por terem intuito claramente protelatório, não merecem prosperar. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11020.002174/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007, 01/02/2008 a 29/02/2008.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. POSSIBILIDADE DE SEREM TRAÇADOS PLANOS E METAS DIFERENCIADOS EM FUNÇÃO DA ATIVIDADE EXERCIDA. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos.
É possível que sejam traçados planos e metas diferenciados para cada tipo de empregado, assim considerando a função exercida em cada atividade.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, deve ser comparada a penalidade nesta prevista, para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da
Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 2301-002.769
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente as contribuições oriundas do pagamento efetuado a gestores que excederam o valor acordado, nos termos do voto do Relator, b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do cálculo da Participação nos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro
Mauro José Silva, que dava provimento parcial ao recurso, a fim de manter na base de cálculo os valores oriundos de lucros de diversas empresas do grupo; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao
Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. POSSIBILIDADE DE SEREM TRAÇADOS PLANOS E METAS DIFERENCIADOS EM FUNÇÃO DA ATIVIDADE EXERCIDA. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. É possível que sejam traçados planos e metas diferenciados para cada tipo de empregado, assim considerando a função exercida em cada atividade. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, deve ser comparada a penalidade nesta prevista, para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente as contribuições oriundas do pagamento efetuado a gestores que excederam o valor acordado, nos termos do voto do Relator, b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do cálculo da Participação nos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que dava provimento parcial ao recurso, a fim de manter na base de cálculo os valores oriundos de lucros de diversas empresas do grupo; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face SUSPENSYS SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA, do qual foi notificada em 26/07/2010, em virtude de ter deixado de informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores distribuídos aos segurados empregados ocupantes de cargos de Diretor, Gerente e Coordenador a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, estando caracterizada, portanto, a omissão das correspondentes contribuições por ela devidas. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 12 e seguintes) que a ora Autuada apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, documento a que se refere o inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incorrendo na infração de que trata o art. 32, inciso IV, e § 3o , da mesma Lei n° 8.212/91, na redação anterior à publicação da MP n° 449, de 2008, combinado com o art. 225, inciso IV e § 4o , do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 3 3 Para o Fisco, os segurados empregados ocupantes de cargos de Diretor, Gerente e Coordenador receberam remunerações a título de "Participação nos Resultados" de forma diferenciada, dos empregados ocupantes das demais funções, pertencentes ao quadro da empresa ora autuada, pois para aqueles não houve o estabelecimento de regras claras e objetivas, ao contrário destes, para os quais havia determinações específicas estabelecendo indicadores de eficiência; credibilidade na entrega de produtos /peças; rejeições internas e retrabalhos; custo fixo; giro de estoque total; devoluções de clientes (PPM de clientes); a partir das quais, os demais empregados terão o direito de participar do rateio na participação dos resultados. Para os gestores, os "Acordos de Participação" apenas fixam percentuais (de acordo com a função exercida pelo Gestor) sobre o lucro líquido da empresa e do grupo empresarial, a serem destinados a estes, induzindo a crer que tais pagamentos são gratificações e mantendo relação com o valor do salário percebido, que não satisfaz as exigências previstas em lei. Além do mais, afirma o Relato Fiscal, que o fato dos Gestores receberem, a título de participação nos resultados na presente empresa, valores decorrentes de resultados de "outras" empresas, embora pertencentes ao mesmo grupo econômico, está em desacordo com o previsto na Lei n° 10.101/2000, já que a mencionada participação depende de negociação entre "a empresa" e seus empregados, e evidencia ainda mais o tratamento diferenciado aos referidos beneficiários. A multa aplicada, no valor de R$ 107.384, 25 (cento e sete mil, trezentos e oitenta e quatro reais e vinte e cinco centavos), foi apurada, em cada competência, respeitando se o disposto nos arte. 32, § 5o , da Lei 8.212/1991, c/c 284, II e 373, do RPS, demonstrandose ainda por meio de comparativos a multa mais benéfica. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação ao referido Auto de Infração, pleiteando pela nulidade deste, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente conforme ementa a seguir transcrita: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado definitivamente na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n° 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeita com a decisão proferida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, pleiteando, em suma: a) A possibilidade de haver diferenciação nas formas de pagamento de Participação nos Lucros e Resultados entre os Gestores e demais empregados; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 4 4 b) O reconhecimento da clareza e da objetividade das determinações do PRL formulado; c) A nulidade do lançamento em razão da impossibilidade de aceitação da glosa integral dos valores pagos aos Gestores a título de PLR, pois, uma vez desqualificada as regras para esse pagamento, subsidiariamente, deveriam ser aplicadas as disposições referentes aos demais empregados, as quais se encontram plenamente válidas, devendo, portanto, servir de base para o cálculo da participação dos Diretores, Gerentes e Coordenadores. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Do Mérito Da regularidade dos critérios de distribuição formulados no Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR Em seu Recurso, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da regularidade do seu Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, alegando a possibilidade de serem estabelecidos critérios nas formas de pagamento de Participação nos Lucros e Resultados entre os gestores e demais empregados, inexistindo, portanto, quaisquer fatos geradores que dessem causa à incidência de contribuição previdenciária. Ora, a Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador que guarda uma relação direta com o desempenho da empresa. Não deve, portanto, ser confundida com aumentos reais de salários que são incorporados devidamente à remuneração, mesmo quando baseados na produtividade ou qualquer outro indicador de eficiência. Tão pouco se trata de um simples abono sem nenhuma ligação com o resultado do empreendimento. A PLR é, simultaneamente, uma parcela variável da remuneração do trabalhador e um prêmio pelos resultados econômicos – financeiros ou físico – operacionais alcançados. Tal programa permite que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, estabelecidas por meio de critérios claros e objetivos, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Tratase, portanto, da interligação de vários indicadores que, a partir de uma análise conjunta, irão definir o valor final a ser pago àqueles que dele participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 5 5 desempenho dos empregados. O PRL é, portanto, um tipo de remuneração flexível, pois é influenciado pelos resultados da produtividade, pela performance da empresa com relação a seu lucro. Assim, por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes de todos os interessados na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei 10.101/2000, que versa sobre o PLR dos empregados, não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do Programa, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Vejae que a Lei não faz qualquer exigência quanto ao mesmo percentual de lucro para todos os empregados e colaboradores da empresa, pois é perfeitamente possível que haja uma distribuição conforme o cargo ou função desempenhado. O fato de haver diferenças nos percentuais acordados não descaracteriza o caráter coletivo e de incentivo à produtividade que tem o PLR, uma vez que serve, inclusive, como estímulo ao desenvolvimento interno do quadro de funcionários. É possível, portanto, que sejam traçados planos e metas diferenciados para cada tipo de empregado, assim considerando a função exercida por cada um. Ora, quanto mais específica for a meta a ser atingida por um determinado cargo, maior objetividade haverá no critério estabelecido e mais fácil será a aferição dos resultados alcançados, o que, por sua vez, facilitará a execução do PLR, dado o fato de ter sido elaborado em função das especificidades de cada serviço desempenhado pela empresa. Além do mais, no que pertine aos cargos de diretores, gestores e coordenadores, vêse que, em razão de seu elevado grau de complexidade, não é possível estabelecer rigorosamente as mesmas metas designadas aos cargos de menor complexidade, pois a função daqueles é muito mais de gestão e controle, atividades que, por sua própria natureza, são mais abrangentes. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 6 6 Dessa forma, enquanto que para os cargos de menor complexidade será mais fácil se estabelecer critérios objetivos partindo da verificação do binômio qualidade/quantidade devido à maior especificidade do serviço prestado, para os cargos de maior complexidade, em razão do trabalho desenvolvido, haverá uma predominância do fator qualidade na determinação das metas atingidas, o que não significa fechar os olhos para o fator quantitativo, visto que este pode ser aferido por meio de critérios como o lucro líquido, por exemplo. Em outras palavras, quanto maior específico para a atividade do empregado for o critério de participação, mais objetivo este será, o que deveria ser buscado por todas as empresas e estimulado pelo próprio Fisco. Ao contrário, um critério uniforme para todos os níveis e atividades da empresa levaria ao distanciamento do fim precípuo do PLR, já que teria que ser o mais abrangente possível e, consequentemente, o mais difícil de ser detectado. Destarte, não há que se falar em impossibilidade de estabelecimento de percentuais diferentes de participação nos lucros e resultados em função dos cargos desempenhados, pois tal política serve não só como um estímulo ao crescimento pessoal do funcionário, mas também para o desenvolvimento coletivo da empresa. O que não é possível, na verdade, é a diferença nos percentuais de participação distribuídos entre o mesmo nível hierárquico, o que, de fato, fera o ideal de isonomia e desenvolvimento coletivo da empresa, mas que não ocorre no caso concreto em análise. As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos, tendose em vista, por outro lado, que a finalidade do Programa é desenvolver a empresa com a participação do empregado nos resultados alcançados. O que o legislador quis dizer ao estabelecer a clareza e a objetividade das regras como um dos pressupostos para a validade do PLR foi que tais premissas apresentam um eminente caráter teleológico, ou seja, que devem tem por escopo o desenvolvimento coletivo dos funcionários, diretores e da própria empresa, devendo, portanto, os critérios estabelecidos serem condizentes com tal finalidade, o que é verificado no PLR ora em análise. Além do mais, não procede o argumento do Fisco de que o fato de os gestores receberem, a título de participação nos resultados na presente empresa, valores tomados como parâmetros resultados de outras empresas, embora pertencentes ao mesmo grupo econômico, enalteceria o suposto tratamento diferenciado a eles conferidos. A Lei nº 10.101/2000 estabelece como requisito de validade para o PLR a negociação entre a empresa e os empregados ao longo do processo de elaboração, o que ocorre no caso concreto e é, inclusive, atestado pelo Relatório Fiscal que afirma que a celebração do referido Programa de Distribuição de Lucros e Resultados teve a participação da comissão indicada pela empresa, a comissão escolhida para representar os funcionários (empregados), além da participação de um membro indicado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, representando também os funcionários, estando, portanto, devidamente preenchido o requisito legal em comento. O fato de ter sido estabelecido como critério de aferição das metas realizadas fatores não internos da própria empresa, porém não totalmente alheios, já que pertinentes ao grupo empresarial, não macula o PLR em análise. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 7 7 Ora, a afirmação de que o critério atinente ao grupo empresarial confrontaria a exigência legal de que o PLR fosse discutido entre empregados e a mesma empresa não tem qualquer pertinência. Isto porque no caso concreto foi efetivamente a SUSPENSYS quem negociou os termos dos critérios. Se um destes toma como base dados do grupo empresarial, não há qualquer irregularidade na formalização do acordo. Por outro lado, não se pode perder de vista que as empresas do mesmo grupo econômico apresentam relações bastante próximas, tanto que o Fisco sempre as considera conjuntamente na ocasião do lançamento, até por imposição legal, já que teriam um mesmo comando de decisões, às vezes até com mesma administração. Estabelecer que os resultados alcançados por outra empresa do grupo econômico sirvam de critério para aferição da participação nos lucros e resultados é medida condizente com a própria sistemática adotada pela legislação previdenciária e trabalhista, já que tratam as empresas como solidárias e intrinsecamente relacionadas umas as outras, inclusive quanto aos fatos geradores das contribuições. Destarte, como os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 foram devidamente observados pela Recorrente, não há, no caso concreto, o dever de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as verbas repassadas a título de PLR, em virtude da ausência de fato gerador de obrigação principal, pois o PLR da Recorrente obedeceu aos critérios legalmente exigidos. Da multa aplicada Na eventualidade de ser superado o entendimento acima, cabe discorrer sobre a penalidade aplicada à Recorrente, que nos moldes da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores ocorridos antes de novembro/2008, encontravase prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 8 8 falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 9 9 A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando a multa aplicada com a multa prevista no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte em relação aos períodos até novembro/2008. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, mantendo o lançamento apenas sobre os valores repassados a título de PLR que ultrapassaram os limites no programa pela Recorrente formulado, bem como para que seja aplicada a penalidade mais benéfica aos fatos geradores ocorridos até novembro/2008, comparandose a multa prevista no art. 32A, I da Lei n. 8.212/1991 com o disposto na redação anterior do art. 32, §5o da mesma Lei. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de maio de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 110200.02174/201075 Acórdão n.º 2301002.769 S2C3T1 Fl. 10 10 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 11543.000019/2004-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto Territorial Rural- ITR.
EXERCÍCIO:2000
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. COMPROVAÇÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. SÚMULA N° 41 DO CARF
Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 2000, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Área de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARF
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ÁREA.
A não incidência do ITR sobre a Área de reserva legal não se condiciona A sua averbação à margem da matricula do imóvel, contudo deve o contribuinte provar a existência e preservação da referida Área.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação A Area de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam, A Conselheira-Relatora, ressalvando sua posição pessoal, consignará as razões pelas quais o recurso foi conhecido, dispensando se assim a designação de conselheiro-redator de voto vencedor, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para restabelecer o
lançamento em relação à área de reserva legal.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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S/A. ASSUNTO: Imposto Territorial Rural- ITR. EXE.RCÍCIO:2000 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. COMPROVAÇÃO DA AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. SÚMULA N° 41 DO CARR Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 2000, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Area de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARR AREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA AREA. A no incidéneia do 1TR sobre a Area de reserva legal não se condiciona A sua averbação 6. margem da matricula do imóvel, contudo deve o contribuinte provar a existencia e preservação da referida Area. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Processo n" 11543 000019/2004-77 Accirdzio n " 9202 -0L2I3 CSRF - T2 Fl 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação A Area de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam, A Conselheira-Relatora, ressalvando sua posição pessoal, consignará as razões pelas quais o recurso foi conhecido, dispensando se assim a designação de conselheiro-redator de voto vencedor, Por unanimidade de votos, 11 dar provimento parcial para restabelecer o lançamento em relação A area de reser la legal. Carlos Alberto Fie arret —,\Pr esidente • ot.' Susy G dtb FIST; n Rela ora EDITADO EM: 07 DE 20 0 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candid°, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, corn base em divergência jurisprudencial. Lavrou-se auto de infração contra o contribuinte, referente ao ITR do exercício de 2000, relativo ao imóvel denominado "Bloco 13 AR", localizado no município de Aracruz-ES, no valor de R$ 6L364,33, acrescidos de multa de oficio e juros de mora. Conforme o documento de fls. 33/34 (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal), tem-se que o contribuinte, instado a comprovar as areas de reserva legal e de preservação permanente declaradas, apresentou os seguintes documentos: requerimento dirigido do 1 0 Oficio de Aracruz, solicitando o registro das informações contidas em laudo técnico, elaborado pelo IDAF, relativamente A vegetação existente em urna Area de 1527,89 ha; certidão da area do Registro de Títulos e Documentos, de 26111/1999, de Area de preservação permanente, de 1527,89 ha; laudo técnico do IDAF; ADA, corn protocolo de pedido datado de 20/10/2003, concernente a Area de 1527,89 ha. Considerou-se, assim, não comprovadas a area de preservação permanente, poi ausência de ADA tempestivo; e a area de reserva legal, por ausência de sua averbação junto ao registro de imóveis. 2 Processo n" 11543 000019/2004-77 CSI2F-T2 Accirao r r. 9202-01.213 Fl 3 Constatou-se a existência, de outro lado, de Ato Declaratório Ambiental, datado de 1998, em que se reconhece como área de preservação permanente a Area de 584,46 há, e de reserva legal o total de 652,78 ha. Diante disso, a area de preservação permanente constante do referido ADA foi aceita no que tange ao exercício de 2000. No entanto, quanto à area de reserva legal, também mencionada no ADA, não foi aceita, em razão da ausência de sua averbação no registro de imóveis. O contribuinte apresentou impugnação As fls. 47/49 dos autos. Alegou que, não obstante tenha declarado, na DIAT de 2000, como área de preservação permanente o total de 1.374,6 ha, e 787,4 ha, como area de reserva legal; posteriormente, em vistoria perpetrada pelo 1DAF (fls. 54/55), constatou-se existir, na verdade, área de preservação permanente no total de 1527,89 ha, realidade que já fora retratada no ADA de 200.3. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, As fls. 64/71 dos autos, julgou procedente o lançamento. Eis a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural- ITR Exercício : 2000. Ementa: AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL DO IMÓVEL RURAL CONDIÇÃO A exclusão de área como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuragrro do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou et comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas de utilização limitada da área tributável do imóvel rw -al, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Alo Declaratório Ambiental (ADA), ou á comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende (1,, sua averba cão ã margem de inscrigão da matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fim to gerador Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Exercício • 2000 3 Processo n" 11543 000019/2004-77 CSRF-12 Acórdao n ° 9202-01.213 1 4 Ementa: ISENÇÃO INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre °taw ga de isenção deve se; interpretada literalmente Lançamento Procedente 0 contribuinte, então, interpôs recurso voluntário As fls. 76/83. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, As fls. 149/158 dos autos, deu provimento ao recurso do contribuinte, por unanimidade, em relação Area de preservação permanente, e por maioria de votos, no que concerne A área de utilização limitada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL— TTR Exercicio: 2000. ITR. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E' RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE REQUERIMENTO DO ATO DECLARATORIO AA/MIEN:7AL AO IBAMA, comprovação da área de reset vu legal, bem como daquela de preservação permanente para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, excht.slvamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental- ADA, no prazo estabelecido . Precedentes do Conselho de Contribuintes, STI e TRF: RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpós o presente recurso especial (fls. 164/177), corn base em divergência jurisprudencial, no que tange à exigência do Ato Declaratório Ambiental para a comprovação da Area de Preservação Permanente. Fundamentou-se, por outro lado, na violação aos artigos 1° e 10, inciso II, da Lei n° 9.393/96, art 111, inciso II, e 144, ambos do CTN; e art. 10, §4°, da IN SRF 43/97, relativamente A necessidade de averbação da Area de reserva legal A margem da matricula do imóvel. 0 contribuinte apresentou contra-razões às fls. 202/218 dos autos. o Relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora 0 presente recurso especial é tempestivo. Quanto à comprovação da diverymcia jurisprudencial suscitada pela recorrente, relativa a. comprovação da Area de Reserva Legal e da Area de Preservação 4 Processo n" 115 ,13 000019/2004-77 CSRF-1 2 Acórd;io n.° 9202-01.213 Fl 5 Permanente por meio do Ato Declaratório Ambiental, o recurso não deve ser conhecido, por ausência de preenchimento de tal requisito de admissibilidade. Corn efeito, o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional teve corno fundamento divergência jurisprudencial relativa à exigência de apresentação tempestiva do ADA para o reconhecimento das Leas de preservação permanente e da área de reserva legal. Tem-se que o auto de infração refere-se ao exercício de 2000. A súmula n° 41 do CARF dispõe que: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo MAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo aflitos geradores ocorridos até o exercício de 2000" Conforme se depreende do atual Regimento Interno do CARF, tern-se que: Seção 11 Do Recurso Especial Art. 67. Compete ri CSRF, por suas !Limas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que The tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF § 2 0 Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique siimula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar; decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 10. 0 acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já liver sido superada pela CSRF, não servirei de paradigma, independentemente da reforma especifica do paradigma indicado. CAPITULO V DAS SÚMULAS Art 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em stimula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar proposta) de enunciado de súmula quando se ti atar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF § 2° As farms da CSRF poderão aprovar enunciado-de súmula que trate de matéria concernente a sua atribuição. § 3° As simuias serão aprovadas por 2/5 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiada 5 Process o IV 11543.000019/2004-77 CSRF-12 AcÓrcklo ri " 9202-01/13 Fl 6 § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARE Desta forma, diante dos dispositivos acima, e existindo súmula a respaldar a decisão recorrida, verifica-se que inexiste a divergência jurisprudencial suscitada pela recorrente. A minha posição pessoal é que se não cabe recurso especial contra decisão que aplique súmula da jurisprudência administrativa no âmbito deste tribunal, também não se pode admitir recurso especial contra decisão que tenha sido proferida no mesmo sentido de súmula consolidada, ainda que tal súmula assome posteriormente à decisão combatida, já que, além de a súmula constituir-se em expressão do entendimento pacifico do tribunal, também é de observância obrigatória pelos membros do CARP.. Contudo, tendo em vista que se tem entendido, nesta 2'. Turma da CSRF que em casos que tais deve ser admitido o recurso considerando a data da sua interposição, pois A época, ainda não havia a súmula. Portanto, curvando-me A posição majoritária do colegiado, admito o Recurso. Refere-se, o recurso especial, A questão concernente A. comprovação da area de preservação permanente, que se sustenta deva-se fazer . por meio da apresentação do Ato Declaratório do IBAMA ou pela apresentação do protocolo do seu pedido dentro do prazo de seis meses da entrega da DITR. Tratando-se, a autuação, do exercício de 1998, a questão já se encontra consolidada, nos termos da súmula n° 41 do CARF: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exerci cio de 2000". Diante do exposto, é de se negar provimento ao recurso da Fazenda neste ponto. Por outro lado, relativamente à necessidade de averbação da área de reserva legal A margem da inscrição da matricula do imóvel, verifico que o recurso deve ser conhecido. A decisão, no ponto, foi tomada por maioria de votos, e a recorrente especificou os dispositivos legais que reputa violados. A recorrente sustenta que, para a exclusão da incidência do 1TR sobre Area de Reserva Legal declarada pelo contribuinte, é imprescindível que este tenha procedido A averbação da referida área A margem da inscrição da matricula do imóvel junto ao registro de imóveis, antes da ocorrência do fato gerador do imposto. Não procedem, contudo, em parte, as suas alegações.. O STJ, em recentes decisões, tem consolidado sua jurisprudência no sentido da prcscindibilidade da averbação da Area da Reserva Legal anteriormente ao fato gerador. Veja-se os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR 6 Pt ocegso 1" 11543.000019/2004-77 CSRF-T2 At:enact 10 9202-01,213 Fl 7 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA AREA DE PRESERVA ÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ISENÇÃO , P.RINCiP10 DA LEGALIDADE TRIBUTARIA. LEI N "9,393/96 1 A circa de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, S 1, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996. 2 0 ITR é tributo sujeito ri homologação, por isso o § 7", do art. 10, daquele diploma normativo dispõe que. - Art. 10. A apuiação e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento cla administração tributária, nos prazos- e condições- estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, -sujeitando-se a homologação posterior 7o A declaração para Jim de isenção do ITR relativa ris áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso lo, deste não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o IlleS1110 responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caw) fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Incluído pela Medida Provisória 2 166-67, de 2001) 3. A isenção não pode ser conjurada por força de interpretação ou integração analógica, máxime quando a lei tributária especial I-oath-luau o beneficio através da Lei n." 11.428/2006, reiterando a exclusão da área de reserva legal de incidência da exação (art 10, II, "a" e IV, "b"), verbis: Ai -t. 10. A apuração e o pagamento do ITR Sera() efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior'. área tr(butável, a área total cio imóvel, menos as áreas a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 11 " 7.803, de 18 de julho de 1989; V- área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqílícola ou florestal, excluídas as áreas a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias, b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; 4 . A imposição fiscal obedece ao principio da legalidade estrita, impondo ao julgador na apreciação da lide at aos critérios estabelecidos em lei .5. Consectariantente, decidiu com acerto o acórdão a qua ao .firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feint após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fin(' impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei n"41.771/1965. Reconhece-se 7 Processo n" 11543 000019/2004-77 CSII.F-1(2 Acórdilo n."9202-01..213 Fl 8 o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do estabelecido pelo artigo 16 da Lei n" 4.771/1965, relativo h &ea de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbaçlio, que não á fato constitutivo, mas meramente declamatório, já havia a proteção legal sobre tal drea". 6. Os embargos de declaração que enfientam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do az ligo 535, IL do CPC. 7, Ademais, o magisn ado não está obrigado a t ebater, um a um, os al gumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para enzbasar a decisão 8. Recurso especial a que se nega provimento (REsp I060886/PR, Rel , Ministro LUIZ FLIX; PRIMEIRA TURMA,. julgado em 01/12/2009, Die 18/12/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO , ITR BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ISENÇÃO PRINCIPIO DA LEGALIDADE TRIBUTARIA/ LEI N 9.393/96. I. A Lei n. 9 393/96, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, preceitua que a área de reserva legal deve ser excluida do cômputo da área ti ibutável do imóvel para fins' de apuração do ITR devido (art. 10, ,sç - I", II, a). 2. Por sua vez, a Lei it 11.428/2006 redfirma o beneficio e retie, a a exclusão da circa de reserva legal de incidência da exação (art. 10, II, "a" e IV; "b"), 3 A relação jurídica tributária pauta-se pelo principio da legalidade estrita, razão pela qual impõe-se ao julgador atei -se aos critérios estabelecidos em lei, não lhe sendo permitido qualquer intedpretação extensiva pala determinar a incidência ou aftatamento de lei tributária isentiva Recutso especial imp; ovido. (REsp 998.727/TO, Rei, Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/04/2010, Die 16/04/2010) Este é o meu entendimento. Todavia, para ser coerente com a posição aqui adotada, entendo necessário que o contribuinte comprove que havia a efetiva Area de reserva legal, o que, no meu entender, pode ser provado par outros meios diversos à averbação da reserva legal junto a. matricula do imóvel. No presente caso não há prova de que esta Area consolida-se em Area de reserva legal, ao contrário, verifica-se pelos documentos que parte desta Area seria de preservação permanente . Realmente, conforme o próprio contribuinte deixou expresso nos autos, o IDAF, após realização de vistoria, elaborou o Laudo Técnico presente ás fls. 54/55 dos autos, Processo n" 11543 000019/2004-77 CSRF-T2 AeOrdzio n." 9202 -01,213 Fl 9 constatando existir tão-somente Area de Preservação Permanente, num total de 1527,89 ha, no lugar de 1374,6 ha de APP e 787,4 ha de Area de Reserva Legal declarados no exercicio apurado.. Corn efeito, em suas contra-razões, o contribuinte expôs que: "Tanto na impugnação quanta no i ecurso apresentados a Recorrente salientou que não existe área de reserva legal a averbar, uma vez que o órgão florestal competente constatou que a área então registrada no Ral como de reserva legal possuia características de preservação permanente, que dispensa a indigitada averbação " Ora, se é assim, não há como se aquiescer corn a exclusão da incidência do ITR sobre area de reserva legal que, incontroversamente, inexiste. Desta forma, dou provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer o lançamento em relação ir area de reserva legal.. Susy 9
score : 1.0
Numero do processo: 10660.003493/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO.
É de 30 (trinta) dias o prazo de interposição do recurso voluntário, nos termos do artigo 33 do Decreto n. 70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.539
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por intempestividade.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 13839.005021/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003,
30/11/2003, 31/12/2003
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. Aplicação direta da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 3201-000.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.005021/200795 Recurso nº 269.586 Voluntário Acórdão nº 320100.840 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2012 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente CASA DE REDAÇÃO EDITORA E JORNALISMO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 Ementa: JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação direta da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 26/01/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Armando Marcondes , Luciano Lopes de Almeida Morais, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls.209/232, que se prestaram a exigir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e a Contribuição para o PIS/PASEP — PIS, e respectivos consectários legais, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos de 2001 e 2003, lançados em decorrência da constatação de falta do recolhimento/declaração dos tributos apurados com base na escrituração contábil da fiscalizada. A ação fiscal, realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.24.00.2007.000689 (fl. 01), encontrase relatada no Termo Conclusivo da Ação Fiscal, acostado às fls. 201/208, por meio do qual se noticia a lavratura de autos de infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), também por falta de recolhimento, assim como de multa regulamentar do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por falta de entrega da Declaração de Informações sobre o Papel Imune (DIF — Papel Imune). Os valores consolidados do crédito tributário exigido, relativos à Cofins, estão compostos dos seguintes montantes: VALOR DO TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO VALOR TOTAL 90.773,38 70.607,76 68.079,96 229.461,10 Enquadramento legal: Art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as respectivas alterações legais; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. A tabela abaixo, por sua vez, demonstra a consolidação dos valores do crédito tributário relativo ao PIS. VALOR DO TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO VALOR TOTAL 30.853,07 22.511,09 23.139,71 76.503,87 Enquadramento legal: (2001) — arts. 1° e 3°, da Lei Complementar n° 07/70; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9º, da Fl. 315DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.005021/200795 Acórdão n.º 320100.840 S3C2T1 Fl. 2 3 Lei n° 9.715/98; arts. 2° e 3°, da Lei n° 9.718/98. (2003) — arts. 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637/2002. Importa relatar que a exigência do PIS foi segmentada em dois códigos de arrecadação (2986 e 6656), respectivamente relativos ao ano de 2001 e 2003, tendo em vista a vigência do sistema não cumulativo a que estava submetida a fiscalizada a partir de dezembro de 2002. Consta também relatada, no referido Termo Conclusivo da Ação Fiscal, a formalização de processo de representação fiscal para fins penais (processo n° 13839.000866/200794), em razão da constatação do não recolhimento do IRRF, assim como pela "omissão de informações pela falta de entrega da DIF — Papel Imune", assim como da realização do arrolamento de bens, nos termos IN SRF n° 264/2002. O sujeito passivo foi noticiado acerca do lançamento, em 26/11/2007, por meio de correspondência enviada com Aviso de Recebimento (fl. 234), tendo apresentado sua impugnação em 21/12/2007, conforme peça de fls. 236/243 e anexos, a qual, segundo consta informado pela unidade preparadora (fl. 236) se trata de cópia da impugnação original, acostada ao processo n° 13839.005019/200716, relativo à autuação pela falta de entrega de DIF Papel Imune, já julgado por esta turma, conforme Acórdão n° 1419.675, de 26 de junho de 2008. Da consulta à referida peça, constatase que a impugnante reportase simultaneamente aos quatro processos de autuação. Em relação aos protestos relativos ao lançamento agora relatado, são os seguintes, em síntese, os protestos trazidos pela impugnante: a) "ao aplicar os juros de mora, estes também foram aplicados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), restando o valor de R$ 76.503,87 para o PIS e R$ 229.461,10 para COFINS"; b) "ocorre que os valores constantes para os tributos apurados são irreais pela indevida aplicação da taxa de juros em patamar superior a 12% ao ano, em violação ao artigo 161 do Código Tributário Nacional (CTN)". A lei ordinária só poderia estipular juros menores do que aqueles que estão prescritos no referido artigo. Para maiores valores seria necessária uma lei complementar; c) "ainda que reconhecida a dívida como existente, o valor apresentado pela Sr. Auditor Fiscal é irreal, por conter juros em patamar acima de 12% ao ano". Conclui a impugnante pedindo pelo cancelamento do auto de infração, "ante a impossibilidade da atualização do imposto em valor superior a 12% ao ano". Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 07/08/2008, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Fl. 316DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Preto (SP) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 14 19.957 (fls. 264/269): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor da INTIMAÇÃO/SECAT N°3034/2008, em 10/11/2008 (f1. 281), tendo protocolado seu recurso voluntário em 04/12/2008 (fls. 282/286), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 236/241). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. O argumento de defesa que foi trazido à via recursal pela Recorrente é singular e diz respeito à matéria sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a saber: a aplicação de juros moratórios calculados com base na Taxa Selic. Vejamos: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.005021/200795 Acórdão n.º 320100.840 S3C2T1 Fl. 3 5 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Consoante o disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009 e alterações posteriores, a observância de súmulas é obrigatória para os conselheiros. Por essa razão, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo na íntegra a decisão recorrida. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11618.001116/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS COM DEPENDENTES. COMPANHEIRA. Devese
restabelecer a dedução quando o conjunto probatório nos autos
comprovam a relação marital com a companheira, relacionada como
dependente.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas
médicas, e indica os elementos que deve conter.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis da base de
cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do direito de família, sempre em decorrência de decisão judicial ou constituído mediante escritura pública, nos termos do artigo 1.124-A do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei nº 11.127, de 2008.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Se o Comprovante de Rendimentos Pagos
e de Retenção de Imposto de Renda, apresentado pelo contribuinte, traz idêntica informação ao que consta em DIRF, resta caracterizada a omissão de rendimentos quando os rendimentos declarados são inferiores.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-01.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução com a dependente Maria Aparecida da Silva, de despesa médica no montante de R$1.661,82 e de pensão judicial no
montante de R$34.940,37.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS COM DEPENDENTES. COMPANHEIRA. Devese restabelecer a dedução quando o conjunto probatório nos autos comprovam a relação marital com a companheira, relacionada como dependente. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas médicas, e indica os elementos que deve conter. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do direito de família, sempre em decorrência de decisão judicial ou constituído mediante escritura pública, nos termos do artigo 1.124-A do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei nº 11.127, de 2008. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Se o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda, apresentado pelo contribuinte, traz idêntica informação ao que consta em DIRF, resta caracterizada a omissão de rendimentos quando os rendimentos declarados são inferiores. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESPESAS COM DEPENDENTES. COMPANHEIRA. Deve se restabelecer a dedução quando o conjunto probatório nos autos comprovam a relação marital com a companheira, relacionada como dependente. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas médicas, e indica os elementos que deve conter. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do direito de família, sempre em decorrência de decisão judicial ou constituído mediante escritura pública, nos termos do artigo 1.124A do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei nº 11.127, de 2008. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Se o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda, apresentado pelo contribuinte, traz idêntica informação ao que consta em DIRF, resta caracterizada a omissão de rendimentos quando os rendimentos declarados são inferiores. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução com a dependente Maria Aparecida da Silva, de despesa médica no montante de R$1.661,82 e de pensão judicial no montante de R$34.940,37. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1130.795, proferido pela 2ª Turma da DRJ Recife (fl. 102), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para restabelecer a dedução com a dependente . A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO (fls.04/11 dos autos, inclusive demonstrativos), mediante a qual foi exigido i) o "imposto de renda pessoa física — suplementar" de R$ 15.499,79, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 28/02/2007, e ii) o "imposto de renda pessoa física" de R$ 276,29, acrescido de multa de mora e juros de mora também calculados até 28/02/2007. 0 montante do crédito tributário apurado atingiu R$ 31.909,75. Cabe registrar que a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls.05/09), o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO (fls.10) e os DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA — IRPF SUPLEMENTAR e DE APURAÇÃO DA MULTA DE MORA E DOS JUROS DE MORA — IRPF (fls.11) fazem parte integrante da NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO como se nela transcritos estivessem. 2. De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, onde também se encontra a capitulação legal, foram detectadas a infrações especificadas como deduções indevidas de dependentes, despesas médicas e pensão alimentícia judicial, nos valores de R$ 2.544,00, R$ 12.308,70 e R$ 39.055,97, respectivamente, e como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, nas quantias de R$ 4.914,19 e R$ 288,34, respectivamente. 2.1. Esclareceu a autoridade autuante, no que se refere às deduções de dependentes, despesas médicas e pensão alimentícia judicial, que, apesar de regularmente intimado, o contribuinte não atendera â intimação, ou seja, não apresentara os necessários comprovantes das referidas deduções. 2.2. No que se refere à compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, informou que, não tendo o contribuinte respondido â intimação referenciada, dessa feita para comprovar o valor compensado, foi glosada a diferença entre o valor do imposto de renda informado pelo contribuinte como retido pela UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA — UFPB e o valor informado por essa fonte pagadora por intermédio de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf, a qual corresponde ao valor de R$ 288,34. 2.3. Quanto â omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, afirmou a autoridade fiscal : "Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Fl. 181DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11618.001116/200717 Acórdão n.º 210101.329 S2C1T1 Fl. 172 3 Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 4.914,19, como relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00." 3. Regularmente cientificada do lançamento em 05/03/2007 (fls.69), o contribuinte autuado apresentou, em 23/03/2007, impugnação (fls.01/02), acompanhada de documentos (fls.03161). Por meio dessa peça de defesa, afirma, em resumo, o que segue. 3.1. Não foi intimado anteriormente, como afirmado, de forma repetitiva, pela autoridade fiscal. 3.2. Não omitiu rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Departamento Nacional de Obras contra as Secas — DNOCS. Relacionou os valores recebidos mês a mês, que totalizaram R$ 47.783,55 e não os R$ 52.697,74 informados pela fonte pagadora , ressaltando que, no mês de julho e no mês de dezembro, excluiu as quantias relativas ao 13° salário, que se sujeita tributação exclusiva na fonte. 3.3. Suas dependentes são MARIA APARECIDA DA SILVA, companheira há mais de 5 anos, e LUIZA LEAL DE SOUSA, sua mãe, aposentada do Funrural. 3.4. As despesas médicas deduzidas são : i) HAPVIDA, plano de saúde identificado nos comprovantes de rendimentos emitidos pelo DNOCS, no total de R$ 535,58; ii) UNIMED TERESINAPI, plano de saúde da dependente LUIZA LEAL DE SOUSA, no valor de R$ 2.646,88; iii) UNIODONTO JOAO PESSOA, plano de saúde do próprio contribuinte; iv) UNIMED JOÃO PESSOA, plano de saúde da dependente MARIA APARECIDA DA SILVA, na quantia de R$ 908,24; v) UNIMED JOÃO PESSOA, "despesa de coparticipação plano de saúde, da dependente acima citada;" e vi) Dr. Aureliano L. de Souza, "correspondente a tratamento psiquiátrico em minha pessoa e de minha companheira", na quantia de R$ 8.000,00. 3.5. As pensões alimentícias foram pagas a JOAN ALVES DE SOUSA, VALESKA ALVES DE SOUZA E QUEIROZ e MICHELE ALVES DE SOUZA E QUEIROZ, nos valores respectivos de R$ 17.852,48, R$ 8.554,24 e R$ 8.554,24, comprovados por meio dos contracheques emitidos pelas fontes pagadoras. Acrescentou que a MICHELE ALVES, pagou, ainda, a importância de R$ 4.095,01 a titulo de pensão alimentícia complementar voluntária, conforme recibo por ela firmado e depósitos bancários efetuados. 3.6. Não omitiu o valor de R$ 5.453,74, Correspondente a dedução de previdência oficial, segundo se pode verificar na cópia da declaração. 3.7. "(...) não houve redução (sic) indevida de imposto pago, pelo contribuinte, no valor de R$ 288,34, haja vista, que o valor informado na síntese da fonte pagadora, UFPB, está a menor que os valores apurados nos contracheques mensais, conforme demonstrativo abaixo: [relacionou os valores, nos meses de janeiro a dezembro de 2004]." O total, no ano, foi de R$ 2.317,21 e não de R$ 2.028,87, como declarado pela fonte pagadora. 3.8. Por fim afirma: "Desta maneira e, diante do exposto acima, acredito ter agido de boafé, de forma válida e procedente. Esta é a minha CONTESTAÇÃO" 4. A autoridade lançadora acostou aos autos : i) a Declaração de Ajuste Anual — DIRPF 2005 (fls.62/64), ii) extratos de diversos sistemas da Receita Federal (fls.65/68), iii) extrato do sistema SUCPOSRF.SERPRO/CONSULTAS/POSTAGEM, relativo A ciência do Fl. 182DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 lançamento (fls.69); e iv) despacho proferido por servidor com anuência da chefia da Sacat/DRF JOÃO PESSOAPB, em que se noticia a tempestividade da impugnação e se encaminham os autos a esta DRJ/Recife, para julgamento do feito. 5. E, após pesquisas na base de dados da Receita Federal, esta Julgadora trouxe aos autos extratos de diversos sistemas, necessários à apreciação dos fatos tributários que originaram o presente processo (fls.71177). 6. Na sessão realizada em 29 de abril de 2010, os membros da 2a Turma da DRJ/Recife acordaram, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação, nos termos do Voto desta Relatora, tendo sido, por conseguinte, proferido o Acórdão n° 11 29.6512a Turma da DRJ/REC (fls.78/93). 7. Tendo o contribuinte mudado de endereço, passando a ser jurisdicionado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em TeresinaPI, foram os autos do presente processo encaminhados Aquela unidade local (fls.99), onde foram detectadas as seguintes inexatidões materiais : i) divergência entre o valor do IRPF apurado no quadro do item 46 do titulo VI (R$ 14.410,06) e o valor mantido parcialmente na conclusão apresentada no item 50 do titulo VIII (R$ 10.410,06), ambos As fls.92; e ii) troca do nome da dependente Luiza Leal de Sousa pelo de Maria Aparecida da Silva, no item 11.5 do titulo I (fls.83). Assim sendo, retornaram os autos a esta DRJ/Recife. Registrese que o contribuinte não havia sido cientificado do Acórdão DRJ/Recife/2ª Turma n° 29.651. 8. Tendo esta Relatora verificado a existência das inexatidões materiais apontadas e, ainda, detectado equivoco quanto ao valor do IRPF indicado no subitem 50.1 — R$ 77,99, que corresponde aos juros de mora, ao invés dos R$ 276,29, que correspondem, efetivamente, ao IRPF sujeito à multa de mora, conforme indicado no item (B)DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA MULTA DE MORA E DOS JUROS DE MORA do lançamento (fls.11) —, entendeu aplicarse ao caso o disposto pelo § 10 do art. 22 da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, a seguir reproduzido, verbis : "Art. 22. A decisão é assinada pelo relator e pelo presidente, dela constando o nome dos membros da turma presentes ao julgamento, especificandose, se houver, aqueles vencidos e a matéria em que o foram, os impedidos e os ausentes. § I° Para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, é proferido novo acórdão. (...)( g. n.) A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a teor do art. 73 do RIR/99. DEDUÇÃO. DESPESAS COM DEPENDENTES. Assiste ao contribuinte o direito de efetuar a dedução realizada em consonância com a legislação de regência e devidamente comprovadas, mantendose a glosa em relação àquela efetuada em desacordo com essa legislação. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11618.001116/200717 Acórdão n.º 210101.329 S2C1T1 Fl. 173 5 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções realizadas em conformidade com a legislação de regência e mantémse a glosa das pleiteadas pelo contribuinte que não forem devidamente comprovadas mediante documentação hábil para tanto e/ou cujos recibos não atenderem integralmente aos requisitos de formalidade exigidos na legislação. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Uma vez que apenas são dedutíveis da Declaração de Ajuste Anual as despesas que, comprovadas com documentos hábeis e idôneos, foram pagas a titulo de "pensão alimentícia" em cumprimento de acordo, decisão judicial ou escritura pública, mantémse a glosa em relação As efetuadas em desacordo com a legislação aplicável A matéria. OMISSÃO DE RENDIMENTOS E IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. INFORMAÇÕES DA DIRF E DO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COINCIDENTES. As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) possuem força probatória suficiente para dar sustentação ao lançamento fundamentado em compensação indevida do imposto de renda na fonte e em omissão de rendimentos tributáveis, ainda mais quando o total dos rendimentos tributáveis nela informados coincidem com aqueles constantes do Comprovante de Rendimentos. LAPSO MANIFESTO. EDIÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO. Para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, é proferido novo acórdão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo, na parte que lhe foi desfavorável, e junta novos documentos que entende comprovar os fatos alegados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, analisemos a glosa relativa à dependente Maria Aparecida da Silva, companheira do autuado, mantida na decisão recorrida. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 6 Nos termos da Lei nº 9.250, de 1995, poderão ser considerados dependentes O companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por um período menor se da união resultou filho. A legislação tributária não elegeu um documento como prova cabal desta relação. O Perguntas e Respostas elaborado anualmente pela Receita Federal do Brasil para auxiliar os contribuintes no preenchimento da DIPF, no item 320, esclarece que em relação ao companheiro, é necessária a prova de coabitação. Para comprovar tal fato, o contribuinte acostou aos autos uma declaração por ele mesmo subscrita, em que afirma ser ela sua companheira desde 1997 e ter tido com ela uma filha, conforme certidão de nascimento (fls.41/42). Anexou, também, aos autos, i) extratos de cartão de crédito (fls.45/46), em que aparecem movimentações efetuadas por ele próprio e por essa senhora, e ii) cópia de extrato de conta bancária junto à Caixa Econômica Federal, em que aparecem como clientes o contribuinte autuado e Maria Aparecida da Silva. Juntamente com a peça recursal, o contribuinte trouxe à colação uma declaração da Sra. Maria Das Graças Arruda Escorel, RG 196 906 SSPPB, moradora vizinha à sua residência, com a firma reconhecida, que confirma a convivência marital há mais de cinco anos, anteriores a 2007, entre o autuado e sua companheira, Sra. Maria Aparecida da Silva (fl. 126). Analisandose tal conjunto probatório, firmo convencimento de que resta satisfatoriamente comprovada a relação de dependência em comento. O depoimento testemunhal é o principal meio de prova para a comprovação de situações de fato, como o divórcio direto consensual de que trata os documentos às fls. 129/124, com suporte na separação de fato, no ano de 1994, entre o autuado e sua exesposa. Assim, não encontro óbice à relação de dependência estabelecida a partir do ano de 1997 entre o autuado e sua atual companheira. Como conseqüência, as despesas médicas relacionadas a esta dependente: UNIMED JOÃO PESSOA, seja sob a forma de mensalidades relativas ao plano de saúde, no valor de R$ 908,24 (fls. 50), seja sob a forma de coparticipação, na quantia da R$ 50,00 (fls. 48) devem ser restabelecidas. Quanto ao psicólogo Aureliano Lima de Souza, entendo que os recibos devem ser emitidos pelo profissional à medida que os pagamentos são recebidos, até porque o profissional liberal escritura o livro caixa, que tem base mensal. No presente caso isso não ocorreu, havendo o contribuinte apresentado um único recibo, com valor global anual de R$ 4.000,00 (fl. 49, parte superior), que não satisfaz as exigências legais, pois não especificam as datas das sessões e respectivos valores. Como não foi apresentado nenhum outro elemento de prova relacionado ao efetivo pagamento, devese manter a glosa. Pelo mesmo motivo, deve ser mantida a glosa da despesa médica com referido psicólogo, relacionada ao próprio contribuinte, no valor total anual de R$ 4.000,00 (recibo à fl. 49, parte inferior). No que concerne às despesas relativas aos planos de saúde HAPVIDA, no total de R$ 535,58 e UNIODONTO JOÃO PESSOA, no total de R$ 168,00, consoante Comprovantes de Rendimentos emitidos, respectivamente, pelo DNOCS (fls. 27 e 28/40) e pela UFPB (fls.14 e 15/26), respectivamente, observase que os citados documentos apontam os pagamentos, efetuados mediante descontos mensais dos rendimentos do contribuinte e totalizados, no anocalendário 2004, e que o contribuinte, juntamente com a peça recursal, atendendo a ressalvas indicadas no voto condutor da decisão recorrida, apresenta novos documentos que o identifica como único usuário dos mencionados planos de saúde. Devese, portanto, restabelecer referidas deduções. Em relação à glosa da pensão alimentícia, a legislação transcrita no voto condutor da decisão recorrida não merece qualquer reparo. Resta claro, portanto, que somente Fl. 185DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11618.001116/200717 Acórdão n.º 210101.329 S2C1T1 Fl. 174 7 o pagamento determinado por decisão judicial ou constituída através de escritura pública, nos termos do artigo 1.124A do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei nº 11.127, de 2008, está apto a ser deduzido dos rendimentos tributáveis declarados. Deve ser mantida, portanto, a glosa da pensão alimentícia voluntária, no valor de R$ 4.095,01, paga por liberalidade à dependente Michele Alves Sousa e Queiroz., conforme Declaração à fl. 52. Para dirimir quaisquer dúvidas a respeito da aplicação da legislação tributária, a Receita Federal edita anualmente o “Perguntas e Respostas” para orientar os contribuintes no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. Para a DIPF do exercício de 2005 colaciono as seguintes perguntas e respostas abaixo transcritas: PENSÃO JUDICIAL DEDUTÍVEL 329 — Quais são as pensões judiciais dedutíveis pela pessoa física? São dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Atenção: As despesas com instrução e as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome do alimentando, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, podem ser deduzidas somente na declaração de rendimentos, em seus campos próprios, observado o limite anual relativo às despesas com instrução (R$ 1.998,00). Na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, devem ser informados o nome e o número de inscrição no CPF de todos os beneficiários da pensão e o valor total pago no ano, mesmo que tenha sido descontado pelo empregador em nome de apenas um dos beneficiários. (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 4º, II, e 8º, II, "f"; RIR/1999, art. 78) Consulte a pergunta 330 PAGAMENTOS EM SENTENÇA JUDICIAL QUE EXCEDAM A PENSÃO ALIMENTÍCIA 330 — São dedutíveis os pagamentos estipulados em sentença judicial que excedam a pensão alimentícia? Somente é dedutível o valor pago como pensão alimentícia. As quantias pagas decorrentes de sentença judicial para cobertura de despesas médicas e com instrução, destacadas da pensão, são dedutíveis sob a forma de despesas médicas e despesas com instrução dos alimentandos, desde que obedecidos os requisitos e limites legais. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 8 Os demais valores estipulados na sentença, tais como aluguéis, condomínio, transporte, previdência privada, não são dedutíveis. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º; RIR/1999, art. 78, §§ 4º e 5º; IN SRF nº 15, de 2001, art. 50, § 2º) Consulte a pergunta 319 PENSÃO PAGA POR LIBERALIDADE 331 — As pensões pagas por liberalidade, ou seja, sem decisão judicial ou acordo homologado judicialmente são dedutíveis? As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. No entanto, os documentos às fls. 129/124 comprovam que as pensões judiciais indicadas nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto Retido na Fonte, relativo ao anocalendário de 2004, emitidos pelas fontes pagadoras UFPB (fls.14 e 15/26) e DNOCS (fls. 27 e 28/40), no valor total de R$ 34.940,37, foram pagas em cumprimento de sentença judicial, razão pela qual esta parcela da dedução deve ser restabelecida. No que tange à omissão de rendimentos, verificase que o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fl. 148), apresentado pelo contribuinte juntamente com o recurso voluntário, traz o mesmo montante dos rendimentos tributáveis informados pela fonte pagadora em DIRF (fls. 65 e 76). A diferença entre o declarado pelo contribuinte como auferido da fonte pagadora DNOCS (R$ 47.783,55 fls.63) e o valor informado em DIRF (R$ 52.697,74), no valor de R$ 4.914,19, foi considerado, no lançamento em exame, como rendimento omitido, entendimento que não merece qualquer reparo. Pagamentos efetuados em folha complementar são indicados em contracheques em separado, e podem não contar nos comprovantes mensais apresentados pela defesa. Se o contribuinte apresentasse comprovante anual, fornecido pela fonte pagadora, com o total que entende ser devido, a fiscalização teria por obrigação efetuar diligência para esclarecer a divergência. Contudo, o documento anual apresentado traz idêntica informação ao consta em DIRF pelo DNOCS. Caberia ao interessado requerer da fonte pagadora a retificação da DIRF e a emissão de novo comprovante anual. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Maria Aparecida da Silva, de despesa médica no montante de R$1.661,82 e de pensão judicial no montante de R$34.940,37. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 187DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11618.001116/200717 Acórdão n.º 210101.329 S2C1T1 Fl. 175 9 Fl. 188DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
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Numero do processo: 15504.008412/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÕES Sobre a alimentação fornecida aos
segurados empregados não incide contribuições previdenciárias, ainda que feita sem a adesão ao PAT, conforme decisões judiciais corroboradas pelo Parecer PGFN 2117/2011. Em não sendo base de incidência de contribuição previdenciária não há a obrigação da empresa em declarar tais valores em GFIP, não havendo, portanto, o descumprimento da obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.207
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 492 1 491 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.008412/200850 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 240102.207 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente SANTA MARIA COMERCIO DE PAPEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Sobre a alimentação fornecida aos segurados empregados não incide contribuições previdenciárias, ainda que feita sem a adesão ao PAT, conforme decisões judiciais corroboradas pelo Parecer PGFN 2117/2011. Em não sendo base de incidência de contribuição previdenciária não há a obrigação da empresa em declarar tais valores em GFIP, não havendo, portanto, o descumprimento da obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação acessória prevista na lei 8212/91, com ciência do contribuinte em 06/2008. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 11 a 15, a empresa deixou de declarar em GFIP os valores de remuneração ( alimentação sem o PAT) pagos ou creditados aos segurados empregados, nos meses 01/03 a 12/07, infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei 8212/91. Inconformada com a Decisão de fls. 462/472, a empresa apresentou recurso alegando os mesmos argumentos da defesa, razão pela qual peço vênia para transcrever o relatório da decisão de primeira instância que muito bem resumiu o inconformismo da recorrente: Que a alimentação in natura fornecida aos empregado não integra o salário de contribuição, tendose como equivocada a pretensão fazendária: Aduz que a contribuição previdenciária tem fundamento legal no art. 195 da Constituição Federal e no art. 22, I da Lei n° 8.212, de 1991, devendo incidir sobre pecúnia, ou seja, sobre os RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS aos trabalhadores. Ainda que a Lei n° 8.212, de 1991 tenha alargado a hipótese de incidência para incluir a expressão ganhos habituais sobre a forma de utilidades, tais ganhos devem ser entendidos como aquele acréscimo patrimonial oferecido ou fornecido ao empregado em virtude de seu trabalho. No presente caso, a empresa não creditava qualquer valor aos empregados a título e!de alimentação, ao contrário, fornecia cestas básicas e alimentação dentro do seu próprio estab lecimento, conforme comprovado pelas Notas Fiscais NF em anexo. Cita exemplo de NF com a discriminação de aquisição de, pacotes; de arroz, açúcar, farinha de mandioca, fubá, café, feijão e latas de óleo. Diz que o ato administrativo está eivado de ilegalidade pelo fato de a Fiscalização ter usado de discricionariedade ao efetuar o lançamento, no que se refere ao critério utilizado para considerar a incidência ou não de tributação sobre a verba exigida. Alega que a Fiscalização considerou as NF referentes à cesta básica como incidentes de contribuição e as NF referentes à alimentação fornecida na dependência da empresa como não incidentes de contribuição, citando como exemplo a NF n° 000014, de fls. 156. Tal discricionariedade enseja a nulidade do ato. Cita julgados do Superior Tribunal de Justiça que consideram a alimentação fornecida in natura como não integrante do salário de contribuição, desde que não seja um valor creditado em favor do empregado, independente de inscrição no PAT. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.008412/200850 Acórdão n.º 240102.207 S2C4T1 Fl. 493 3 Que o Auto de Infração é inconsistente, pois o agente fiscal valeuse de Notas Fiscais de aquisição de alimentos, em anexo, para lavrar a autuação, considerando como parcela integrante do salário de contribuição e que, no Relatório Fiscal, explicitou que o levantamento teve como base de cálculo os valores lançados nos livros Diário e Razão. Em nenhum momento, o Fiscal constatou nos livros contábeis ou nas folhas de pagamento que houve pagamento ou crédito, em dinheiro, aos empregados. Entende que restou demonstrada a ilegalidade do Auto de Infração que baseou o lançamento em NF de aquisição de alimentos, para considerar essa parcela incidente de contribuição. A defendente argumenta que a inscrição no PAT, do Ministério do Trabalho, é apenas uma formalidade para aproveitamento do beneficio fiscal de dedução para cálculo do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas, conforme contido na Lei n° 6.321 e art. 369 do RIR199. Alega inconstitucionalidade do art. 32 §5 0 da Lei 8.212 de 1991, pois, em. razão da aplicação de tal dispositivo, a multa foi calculada no valor de R$ 95.881,54. A multa por descumprimento de obrigação acessória no valor exigido revelase violação ao princípio constitucional do não confisco previsto no art. 150, IV da Constituição da República, considerada absurda, desproporcional e expropria o Contribuinte, atacando seu direito de propriedade trazido pela Constituição Federal.. Contesta, ainda, o fato de constar do Relatório Fiscal que o Auto de Infração tem como anexo a "Relação de coresponsáveis" e que, na verdade, consta como anexos o Relatório de Representantes Legais — REPLEG e Relatório de Vínculos, relatórios estes que explicitam quais são os sócios e representantes legais da empresa. O Auto foi lavrado somente em nome da empresa Santa Maria Comércio de Papel Ltda e não constou o nome dos, administradores Euler Corradi Silveira e Iolanda Florentina Corradi Silveira, tal contradição impede a identificação de forma clara, pelo contribuinte, de quem está sendo notificado, cerceando seu direito de defesa Impugna a atribuição de responsabilidade dos já citados administradores, por não restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude, abuso de gestão, violação da lei, nos termos do art. 135, III do Código Tributário Nacional — CTN, e nem a hipótese prevista no art. 33, 6° da Lei n° 8.212, pois houve plena cooperação da empresa em apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização. Como não ficou provado nos autos que os diretores da Recorrente praticaram excesso de poder, infração à lei ou Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 violação do contrato social, ressalta a manifesta ilegitimidade da inclusão dos citados diretores como coresponsáveis, devendo os mesmos serem excluídos da polaridade passiva da autuação. Diante de todo o exposto, requer seja a impugnação conhecida e julgada procedente para declarar nulos os valores lançados no Auto de Infração, pois foram utilizadas as Notas Fiscais como base de cálculo e tal hipótese não constitui fato gerador de contribuição, nos termos do art. 195, I, "a" da CF; que não houve pagamento em espécie aos trabalhadores; Que o STJ já pacificou entendimento nesse sentido e que a empresa agiu com a intenção de melhorar as condições de seus empregados. Que seja declarado nulo o Auto em relação à contradição existente sobre a atribuição de coresponsabilidade dos sócios, ou a exclusão dos mesmos do pólo passivo da autuação. E, por fim, caso não entenda pela nulidade, seja decotado o valor atualizado do Auto de Infração, passando a incidir juros e correção monetária calculados somente pela taxa SELIC sob o valor histórico das contribuições. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.008412/200850 Acórdão n.º 240102.207 S2C4T1 Fl. 494 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A recorrente foi autuada por não declarar em em GFIP os valores de remuneração (alimentação sem o PAT) pagos ou creditados aos segurados empregados, infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei 8212/91, que assim dispõe: Art. 32. A empresa é também obrigada à. (..) IV — informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária è outras informações de interesse do INSS. (..) §5° A apresentação do documento com dados não correspondente. aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de. . cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior De acordo com o art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Sobre a parcela em comento, temos que no final de 2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN 2117/2011, que assim dispõe: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Se tal parcela não sofre a incidência de contribuições previdenciárias, não havia razão para que a recorrente declarassem em GFIP tais rubricas, razão pela qual tornase descabida a presente autuação. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Darlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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