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Numero do processo: 10680.724703/2010-59
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS.FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO.
APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA.
Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e
aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este
deve ser apurado mensalmente, considerandose
todos os ingressos de
recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente
autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a
autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os
recursos disponíveis (tributados, isentos e nãotributáveis
ou tributados
exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados,
na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos
auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e nãotributáveis
e os
tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados
de ofício pela autoridade lançadora.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de
renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à
autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa
nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos
bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais,
como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca
como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas,
que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por
documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua
ocorrência.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECURSOS FINANCEIROS
RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO.
Os recursos financeiros recebidos de pessoa jurídica caracterizam, salvo
prova em contrário, rendimentos recebidos. A tributação independe da
denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição
jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e
da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência
do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer
título.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. ÔNUS DA PROVA.
Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o
contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração
tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco,
provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir
do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são
contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil,
titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de
qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil
ou profissão.
SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA
PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO
EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da
penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser
inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao
fisco em resposta à intimação divergente de dados levantados pela
fiscalização e/ou rendimentos recebidos de pessoa jurídica e não declarados,
mesmo que de forma continuada, independentemente do montante recebido,
por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a
imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei
nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua
caracterização.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da
intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé
do contribuinte
não descaracteriza o poderdever
da Administração de lançar com multa de
oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento
de ofício, para exigilo
com acréscimos e penalidades legais. A multa de
lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo
Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista
em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Argüição de decadência não acolhida.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.868
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS.FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos disponíveis (tributados, isentos e nãotributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e nãotributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECURSOS FINANCEIROS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO. Os recursos financeiros recebidos de pessoa jurídica caracterizam, salvo prova em contrário, rendimentos recebidos. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. ÔNUS DA PROVA. Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco, provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação divergente de dados levantados pela fiscalização e/ou rendimentos recebidos de pessoa jurídica e não declarados, mesmo que de forma continuada, independentemente do montante recebido, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Argüição de decadência não acolhida. Recurso parcialmente provido.
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 2 FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos disponíveis (tributados, isentos e nãotributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e nãotributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECURSOS FINANCEIROS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO. Os recursos financeiros recebidos de pessoa jurídica caracterizam, salvo prova em contrário, rendimentos recebidos. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. ÔNUS DA PROVA. Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco, provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 3 3 A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação divergente de dados levantados pela fiscalização e/ou rendimentos recebidos de pessoa jurídica e não declarados, mesmo que de forma continuada, independentemente do montante recebido, por si só, não caracterizam evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Argüição de decadência não acolhida. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 4 5 Relatório ANDRÉ LUIS RODRIGUES SAFAR, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 068.470.10657, com domicílio fiscal na cidade de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, à Av. Mem de Sá, nº 160, Bairro Santa Efigênia, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 987/994, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1003/1011. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 23/11/2010, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/10), com ciência pessoal, em 30/11/2010 (fls. 03/04), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.044.534,02 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75%; da multa de ofício qualificada e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2006, correspondente ao ano calendário de 2005. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2006, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 1º ao 3º, e §§, da Lei nº 7.713, de 1988 e arts. 1º e 2º, da Lei nº 8.134, de 1990. 2 GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL: omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações na bolsa de valores, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Infração capitulada no art. 40 da Lei nº 7.713, de 1988; art. 33, incisos II e III, da Lei nº 7.730, de 1989; e art. 2º da Lei nº 11.033, de 2004. 3 GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL: omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações “Daytrade”, na bolsa de valores, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Infração capitulada no art. 40 da Lei nº 7.713, de 1988; art. 33, incisos II e III, da Lei nº 7.730, de 1989; e art. 2º da Lei nº 11.033, de 2004. 4 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS: omissão de rendimentos apurados, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 1º ao 3º e §§, da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1º ao 3º, da Lei nº 8.134, de 1990 e art. 1º da Lei nº 11.119, de 2005. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 6 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal, datado de 16/11/2010 (fls. 11/24), entre outros, os seguintes aspectos: que, quanto à omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, é de se dizer, que com base nos documentos apresentados, apurei o resultado por venda realizada e por ativo, segregando as operações Daytrade das comuns; que, quanto à omissão de rendimentos, é de se dizer, que após a análise da documentação apresentada pelo Sr. André Luis Rodrigues Safar em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, apurei, em princípio, variação patrimonial a descoberto no valor de R$ 3.706.382,15, no mês de março de 2005, e de R$ 1.777,46, no mês de abril de 2005. O contribuinte intimado, em 18/03/2010, e reintimado, em 14/04/2010, a manifestarse acerca de tal fato devendo as discordâncias eventualmente suscitadas se comprovadas mediante documentação hábil e idônea; que o contribuinte informou, em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal, de 14/04/2010, que teria recebido a quantia de R$ 3.700.000,00 a título de empréstimo feito pela empresa Megatec Comércio de Impressoras e Serviços Ltda., cujo sóciogerente era o seu pai, Sr. Jorge Hissa Safar Neto. Na ocasião, não apresentou qualquer documento que pudesse comprovar tanto a quantia recebida quanto a sua natureza; que, posteriormente, em 27/05/2010, respondendo a Terno de Intimação Fiscal lavrado em 25/05/2010, o contribuinte apresentou extrato da conta corrente nº 8.5144 de titularidade da Megatec Comércio de Impressoras e Serviços junto ao Banco Bradesco e extrato de conta corrente de sua titularidade junto à Fator S/A Corretora de Valores. Nesses, fica demonstrada, de forma inequívoca, a transferência de R$ 3.700.000,00 da empresa para ele. Contudo, nada foi apresentado que pudesse comprovar que tal transferência teria sido feita por empréstimo; que a premissa básica de um mútuo é a de que o mutuário pague ao mutuante o valor emprestado acrescido de juros. Também é esperado que esses juros sejam suficientemente atrativos para que o mutuante não prefira investir a quantia emprestada em alguma aplicação disponível no mercado financeiro; que com fulcro em tais considerações, o contribuinte foi intimado, em 31/05/2010, a apresentar Contrato de Mútuo celebrado com a empresa Megatec Comércio de Impressoras e Serviços Ltda., bem como planilha contendo as atualizações do empréstimo desde a data de concessão até a data da respectiva quitação. Também lhe foi solicitado que apresentasse comprovantes de pagamento das parcelas do empréstimo ou de sua quitação em parcela única; que em resposta, o Sr. André informou não ter celebrado contrato formal de mútuo e que este teria sido verbal. Afirmou, ainda, que o suposto empréstimo foi não oneroso e que, em função disso, não houve pagamento ou crédito de juros ou outra remuneração. Por fim, acrescentou não ter feito qualquer pagamento ao mutuante. Em outras palavras: após mais de 5 anos do recebimento dos R$ 3.700.000,00 da Megatec não fez qualquer amortização de sua suposta dívida; que também já foi visto que foi feita diligência junto à Magatec. Nessa, foi constatado que a empresa sequer possuía os livros contábeis determinados pela legislação comercial. Mais: de acordo com o sóciogerente da empresa, em 2005 ela não operou dentro do seu objetivo social; Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 5 7 que se conclui, então, com base nos fatos narrados ao longo desse Termo de Verificação Fiscal, que não há como aceitar a tese do contribuinte de que os R$ 3.700.000,00 lhe teriam sido transferido pela Megatec a título de empréstimo; que não há qualquer dúvida de que houve aquisição de disponibilidade econômica de renda pelo contribuinte haja vista que ficou comprovado, de forma cabal, que os R$ 3.700.000,00 foram transferidos para a sua conta corrente junto à Fato S/A; que, quanto ao acréscimo patrimonial à descoberto, é de se dizer, que apresentou documentos que demonstram ter ele recebido o montante de R$ 3.700.000,00 da empresa Megatec. Tal valor, como visto, foi um rendimento tributável recebido pelo contribuinte e que não foi oferecido a tributação. Contudo, tratase de uma origem de recurso que o contribuinte teve à sua disposição a partir de fevereiro de 2005; que, quanto a aplicação da multa qualifica, é de se dizer, que no momento em que o contribuinte deu um revestimento de empréstimo a um rendimento recebido com o claro intuito de evitar a tributação desse valor, cometeu sonegação fiscal. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 23/12/2010, a sua peça impugnatória de fls. 968/982, instruído pelos documentos de fls. 983/985, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que antes de adentrar no mérito da impugnação consistente em combater a conclusão do procedimento fiscal lavrado, imperioso argüir a decadência do direito da Fazenda Nacional cobrar os tributos que entende devidos; que a decadência do direito de exigir o crédito tributário está prevista nos arts. 156 V e 173 do CTN. Decorrido o prazo decadencial, o sujeito ativo não mais pode exigir o crédito tributário do sujeito passivo; que como os fatos geradores ocorreram em fevereiro e março de 2005 respectivamente, o lapso para o lançamento é entre 01/01/2006 a 31/12/2010; que o impugnante, em resposta e cumprimento aos termos de verificações fiscais emitidos pela DRF, elaborou Declaração de Imposto de Renda, exercício 2005, demonstrando ao fisco que a origem do valor de R$ 3.700.000,00 foi referente à empréstimo recebido da sociedade empresária Megatec Comércio de Impressoras e Serviços; que o referido mútuo foi cabalmente demonstrado pelos extratos bancários juntados ao processo administrativo, ocasião em que o próprio agente fiscal constatou que a referida quantia é originária da empresa citada; que, portanto, se o pai do contribuinte, Sr. Jorge Hissa Safar Neto, fazendo uso de sua plena capacidade civil, resolveu dispor de seus bens, emprestando valores ao seu filho, à título gratuito e sem prazo para devolução ninguém pode censurálo por isso; que lado outro, essa delegacia regional está fiscalizando os irmãos do ora impugnante, processos nº 10680.724709/201026 e nº 10680.724712/201040, tendo em vista que houve a mesma operação financeira, ou seja, a transferência de quinhões iguais da empresa do pai, para seus três filhos; Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 8 que do mesmo modo é a glosa de variação patrimonial a descoberto para fundamentar omissão no valor de R$ 6.832,15, de modo que a planilha elaborada pelo fisco é tendenciosa, pois usa como parâmetro os valores recebidos pela empresa Megatec; que no que se refere a alegação do fisco, ao caracterizar aumento de patrimônio a descoberto, é importante colacionar que nem todo acréscimo patrimonial a descoberto resulta de sonegação fiscal, pois pode ter origem em erro de preenchimento da declaração de rendimentos ou da declaração de bens; que ultrapassada as hipóteses acima mencionadas, no caso de o fisco entender pela infração praticada pela ora impugnante, as multas aplicadas afrontam o princípio constitucional da razoabilidade, bem como o art. 150, inciso IV da Constitucional que trata da não confiscatoriedade; que se observa do auto de infração, que o fisco atribuiu multa de 150% sobre o capital a descoberto no importe de R$ 3.700.000,00 e 75% sobre os rendimentos da aplicação do referido capital; que a hipótese de incidência de multa em dobra nos casos previstos no art. 44, § 1º é descabida, vez que, conforme historiado, o fisco não provou haver prática de ato de sonegação, fraude ou conluio que ensejasse lesar o fisco nacional, mas somente deixou de praticar obrigação acessória que foi elaborar a Declaração de Imposto de Renda perante a Receita Federal, seja como empréstimo, seja como doação do referido capital, não importando prejuízo à Fazenda Nacional. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, concluíram pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção, em parte, do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente, o impugnante afirma que ocorreu a decadência dos fatos geradores de fevereiro e março de 2005 no valor total de R$ 3.700.000,00, de acordo com o disposto no art. 173, I do CTN; que, entretanto, com relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste, o imposto e renda da pessoa física tem seu lançamento realizado por homologação e se perfaz completamente somente em 31 de dezembro de cada ano; que, no caso em questão, não houve antecipação do imposto devido, motivo pelo qual deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN, como já afirmado pelo próprio impugnante; que, desse modo, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento referente ao anocalendário de 2005, uma vez que a o fato gerador se deu em 31/12/2005, sendo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado o dia 01/01/2007. Por conseguinte, o direito de constituir o crédito tributário precluiu apenas em 31/12/2011. Como a ciência do auto de infração ocorreu em 30/11/2010, não há que se falar em decadência; que, todavia, com relação aos ganhos auferidos com renda variável, estes fatos geradores são considerados de incidência autônoma e somente se completam ao final de cada mês; Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 6 9 que, portanto, tendo em vista que houve antecipação de imposto através de retenção na fonte, conforme consulta aos sistemas informatizados da RFB, em se tratando de lançamento por homologação, de acordo com o § 4º do art. 150 do CTN, o termo inicial do prazo de decadência é a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária respectiva; que, no presente caso, como a ciência do lançamento ocorreu em 30/11/2010, os fatos geradores anteriores a 30/11/2005 foram alcançados pela decadência; que, assim sendo, os lançamentos referentes às infrações de ganhos líquidos no mercado de renda variável (fato gerador de 31/03/2005 – Valor de imposto R$ 3.890,27) bem como ganhos líquidos nas operações Day Trade (fato gerador de 31/10/2005 – Valor de imposto R$ 218,91) foram efetuados após o prazo previsto em lei para sua efetivação, após haver decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, devendo ser reconhecida, de ofício, pela autoridade administrativa, a decadência de tais créditos tributários; que, quanto ao mérito, o reclamante afirma que já restou comprovado o empréstimo recebido da empresa Megatec Comércio de Impressoras e Serviços pertencente ao seu genitor, sendo que o próprio Fiscal constatou a origem. Afirma ainda, que seu pai emprestou os valores a título gratuito e sem prazo para devolução; que assiste razão ao contribuinte quando diz que a fiscalização constatou a origem do valor recebido como sendo proveniente da empresa de seu genitor. Entretanto, em momento algum foi logrado êxito na comprovação do suposto empréstimo efetuado; que não há nos autos nenhum documento que corrobore a informação de que a transferência efetuada pela empresa Megatec foi a título de empréstimo. Inclusive, em resposta a uma das intimações, o interessado afirma que até aquela data (5 anos após o suposto empréstimo) não houve qualquer amortização da dívida junto ao mutuante; que em diligência efetuada junto à empresa Megatec, também não foram apresentados os livros contábeis para verificação dos lançamentos referentes ao suposto empréstimo concedido. Ademais, o próprio sóciogerente (Sr. Jorge Hissa Safar Neto) afirmou que a empresa teria operado apenas até o ano de 2004; que o impugnante requer ainda que, caso não se considere o empréstimo efetuado, o ato do pai configurase como doação nos exatos termos dos art. 538 e 544 da Lei nº 10.406/02. Desse modo, haveria invasão de competência tributária atribuída aos Estados; que além de não constar nos autos nenhuma documentação adicional para comprovação do alegado, as transferências efetuadas ocorreram do patrimônio da empresa Megatec para o reclamante. Como também já relatado, em diligência junto à empresa, não foi possível verificar os lançamentos em seus livros contábeis para constatar a que título tais transferências foram efetuadas. Dessa forma, não há como acatar o pedido para que os valores tributados, recebidos da empresa Megatec, sejam considerados como doação de seu genitor; que, no presente caso, ao alegar que os recursos advieram dos fatos já relatados, inferese que ele se refere aos valores recebidos da empresa Megatec. Entretanto, tais valores já foram considerados como origem de recursos na planilha elaborada pela fiscalização de folha 23. O mesmo ocorre com outros rendimentos de aplicações financeiras que já foram incluídos no cálculo, não havendo indicação, por parte do reclamante, de outros rendimentos recebidos que não sejam os já considerados na planilha elaborada; Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 10 que no que concerne à alegação de cobrança confiscatória, cumpre considerar que o princípio insculpido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de tudo, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade contributiva (art. 145, § 1o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco; que, no caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, não há como negar efetividade à cobrança da multa de ofício sob o argumento acerca de sua natureza confiscatória; que não merece reparo a conclusão da autoridade lançadora. Está plenamente evidenciado nos autos que o contribuinte não declarou rendimentos, tendo omitido informações à Fazenda Pública com o fito de eximirse de pagar tributo, restando corretas as multas aplicadas. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DECADÊNCIA. No lançamento de ofício do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no anocalendário e não havendo antecipação do pagamento do imposto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o fisco ter feito o lançamento (CTN, art. 173, I). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua graduação subjetiva em âmbito administrativo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido em Parte. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/05/2011, conforme Termo constante às fls. 995/999, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (02/06/2011), o recurso voluntário de fls. 1003/1011, instruído pelos documentos de fls. 1012/1017, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise preliminar dos autos do processo se verifica, que a ação fiscal em discussão teve início em razão de acréscimo patrimonial a descoberto, em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado tentou justificar o acréscimo apurado através de empréstimos realizados através de pessoa jurídica. Assim, nesta fase recursal, está em discussão o acréscimo patrimonial a descoberto, não justificado, bem como a omissão de rendimentos provenientes do valor de R$ 3.700.000,00, que acordo com a autoridade fiscal lançadora o contribuinte não conseguiu justificar a sua não incidência de imposto de renda pessoa física. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta a argüição de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2005, bem como apresenta razões de mérito sobre lançamentos efetuados (acréscimo patrimonial a descoberto e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica). Desta forma, a discussão neste colegiado se prende na argüição de decadência e, no mérito, a discussão se restringe sobre omissões de rendimentos. De início, cumpre apreciar a questão da preliminar de decadência, relativo ao anocalendário de 2005, levantada pelo suplicante, sob o argumento de que o lançamento de imposto de renda das pessoas físicas é por homologação e que nos casos de omissão de rendimentos o fato gerador é mensal. Não posso acompanhar o entendimento do suplicante quanto à data ocorrência do fato gerador, pois entendo que o mesmo é anual e a data do fato gerador será sempre o último dia do exercício questionado, qual seja, 31 de dezembro do anocalendário em questão. Assim sendo, entendo que imposto lançado (IRPF), considerando a contagem do prazo decadencial na forma mais favorável ao recorrente (sem a constatação da ocorrência do evidente intuito de fraude (multa qualificada) e considerando que houve pagamento antecipado de Imposto de Renda de Pessoa Física), não se encontrava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (30/11/2010), de acordo com as regras contidas nos artigos 150, § 4° e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. A decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais, pelo prazo de cinco anos, para efetivar a constituição do crédito tributário, tendo por Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 12 início da contagem do tempo o instante em que o direito nasce. Durante o qüinqüênio, qualquer atividade por parte do fisco em relação ao tributo faz com que o prazo volte ao estado original, ou seja, no caso de um tributo cujo prazo para sua decadência esteja para ocorrer faltando um dia, e ocorrendo o lançamento por parte do fisco, não há mais que se falar em decadência. Inércia em matéria tributária é a falta de iniciativa das autoridades fiscais em tomar uma atitude para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de agir, até que ele se perca – é a fluência do prazo decadencial. É de se esclarecer, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual se estipulou que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos”, há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. Não há dúvidas, de que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário diminuído das deduções pleiteadas. Não é sem razão que o § 2º do art. 2º do Decreto nº. 3.000, de 1999 – RIR/99, cuja base legal é o art. 2º da lei nº. 8.134, de 1990, dispõe que: “O imposto será devido mensalmente na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85”. O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR/99 refere se à apuração anual do imposto de renda, da declaração de ajuste anual, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, como dito, anteriormente, é de se observar que a Lei nº. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 8 13 Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. No caso em discussão, vale a pena traçar alguns comentários acerca do denominado lançamento por homologação, previsto no art. 150, caput, do Código Tributário Nacional, no qual o contribuinte auxilia ostensivamente a Fazenda Pública na atividade do lançamento, cabendo ao fisco realizálo de modo privativo, homologandoo, conferindo a sua exatidão. Verificase, que o grau de participação do particular nesta espécie de lançamento atinge nível de suficiência capaz de compor a pretensão tributária limitandose a autoridade administrativa competente tãosomente a uma atividade de controle a posteriori do procedimento de apuração exercido. No lançamento por homologação, o direito subjetivo da Fazenda Nacional em constituir créditos tributários decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato imponível, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A jurisprudência pacificouse no sentido de que o prazo decadencial para Fazenda Pública constituir crédito tributário no lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Ora, o próprio Código Tributário Nacional fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo determinou o art. 173 do Código, que o prazo qüinqüenal teria início a partir “do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, a administração tributária preparasse o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o Código, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação serlhe prestada. É o que está expresso no § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 14 Nesta ordem, sempre refutei nos meus votos o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocandose para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do Código Tributário Nacional. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que “o lançamento por homologação (...) operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao “conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio Código Tributário Nacional”. Nos dias atuais esta discussão se tornou irrelevante já que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 9 15 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 16 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 10 17 DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 18 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do embargo pelo STJ para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 11 19 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de imposto de renda pessoa física, cujo lançamento é por presunção de omissão de rendimentos, por via de conseqüência o fato gerador do imposto é 31/12/2005 (ajuste anual). Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 20 trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que não houve recolhimento de imposto de renda pelo recorrente, como restou consignado no Auto de Infração lavrado (fls.03/10). Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 31/12/2005, já que o fato gerador ocorreu em 31/12/2005. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é o fato gerador do imposto em discussão, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/12/2010, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 30/11/2010, não está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado. Somente para fins de argumentação, não aplicável ao presente caso, é de se dizer, que nos casos de argüição de decadência quanto restar caracterizado o evidente intuito de fraude, que não se aplica ao presente caso, já que a multa aplicada foi reduzida para a multa de ofício normal de 75%, merece transcrição à lição de SÍLVIO RODRIGUES (Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 226): Age em fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente, usa de procedimento aparentemente lícito. Ela altera deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrarse de seus efeitos. A simulação consiste na "prática de ato ou negócio que esconde a real intenção" (SILVIO DE SALVO VENOSA. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467), sem necessidade de prejuízo a terceiros (2003, p. 470). A verificação do fato de determinada vontade tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador ou encobrir suas reais dimensões, manifestada de forma efetiva na consecução distorcida das obrigações formais do contribuinte, serve como base material para a verificação da existência de dolo, fraude ou simulação. Assim, a configuração desse ilícito interessa ao direito tributário na medida em que colabora na determinação da regra da decadência aplicável ao caso concreto. O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final do art. 150, § 4º., do CTN) deve, para consecução dos objetivos estabelecidos nestes dispositivos, ser constituída na via administrativa, determinando, desse modo, a obrigatoriedade do lançamento de ofício (art. 149, VII, do CTN) ou a impossibilidade da extinção do crédito pela homologação tácita. Devese observar que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação só é relevante nos casos de efetivo pagamento antecipado. Se não houver pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o tributo por sua natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 12 21 no procedimento administrativo de fiscalização realizado de ofício, não servindo como hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência. Nestes casos o Código Tributário Nacional não fixa um prazo específico para operar a decadência, exigindo um esforço enorme do hermeneuta para a solução dessa questão sem deixar, no entanto, de atender, também, o princípio da segurança nas relações jurídicas, de modo que os prazos não fiquem ad eternum em aberto. Os prazos do Direito Civil são inaplicáveis por serem específicos às relações de natureza particular. A solução mais adequada e pacífica nos tribunais superiores é no sentido de se aplicar à regra do art. 173, I (exercício seguinte) para os casos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação); e a regra do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional nos demais casos – lançamento não efetuado em época própria ou a partir da data da notificação de medida preparatória do lançamento pela Fazenda Pública . Embora o prejuízo a terceiro, que, no caso, é a Administração Pública, não seja requisito desses vícios, o fato é que, conforme já dito acima, não se concebe que alguém deles se utilize sem interesse econômico. Por isso, ainda que tenha havido pagamento, a existência de dolo, fraude ou simulação causa suspeita, razão pela qual o Código Tributário Nacional impede a extinção do crédito tributário no caso da ocorrência desses ilícitos. É nessa linha que autores como JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, mencionado por EURICO MARCOS DINIZ DI SANTI (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Lomonad, 2001, p. 165), assinala que ao direito tributário o que importa não é o dolo, a fraude ou a simulação, mas seu resultado. Quanto a isso, vale lembrar o que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isso, obviamente, não afasta a aplicação de eventuais sanções especificamente pelas condutas dolosas, fraudulentas ou simuladas, conforme se infere, por exemplo, da Lei Federal n.º 8.137, de 1990, e do art. 137 do próprio Código Tributário Nacional. Sem embargo da exposição feita nesse tópico, costumase apontar nessa parte final do § 4.º do art. 150 do Código Tributário Nacional uma lacuna, uma vez que não haveria tratamento legal quanto ao prazo para lançar quando presente dolo, fraude ou simulação (LUCIANO AMARO. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 356; p. 394). Seguindo esse entendimento, alguns doutrinadores defendem que se deveria aplicar, por analogia, a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Assim, por exemplo, PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva,1996, p. 291): Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 22 b) falta de recolhimento, integral ou parcial, de tributo, cometida com dolo, fraude ou simulação – o trato de tempo para a formalização da exigência e para a aplicação de penalidades é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Assim sendo e tendo em vista, que o Código Tributário Nacional, como norma complementar à Constituição, é o diploma legal que detém legitimidade para fixar o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários pelo Fisco e inexistindo regra específica, no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de evidente intuito de fraude (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do Código Tributário Nacional, tendo em vista que nenhuma relação jurídicotributária poderá protelarse indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. Da análise do mérito se verifica que a autoridade lançadora constatou, através do levantamento de entradas e saídas de recursos – fluxo financeiro (“fluxo de caixa”), que o contribuinte apresentou, durante o anocalendário de 2005, saldos negativos, representando desta forma presunção de omissão de rendimentos, já que consumia/aplicava mais do que possuía de recursos com origem justificada, através de rendimentos tributados, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte, ou que provinham de empréstimos, etc. Não há dúvidas, nos autos, de que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava “um acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo mensal”, ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Sobre este “acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo” cabe tecer algumas considerações. Sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em rendimentos auferidos (tributados, isentos e nãotributáveis ou tributadas exclusivamente na fonte) e/ou empréstimos, etc. No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período, ou seja, na acepção do termo “acréscimo patrimonial”. Portanto, não pode ser tratada como simples acréscimo patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto apurado na declaração anual de ajuste. Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 13 23 Esta situação é definida no art. 43 do Código Tributário Nacional, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos fluxo financeiro, que a recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato. Diz a norma legal que rege o assunto: Lei n.º 7.713, de 1988: Artigo 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2º O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 3º O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9º a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. Lei n.º 8.134, de 1990: Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 24 Art. 1º A partir do exercíciofinanceiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. (...). Art. 4º Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1º de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8º da Lei n.º 7.713, de 1988: I será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Lei n.º 8.021, de 1990: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. Como se depreende da legislação, anteriormente mencionada, o imposto de renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n.º 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, tanto o imposto devido como o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. Nesta altura deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual se estipulou que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos”, há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 14 25 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, temse que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei nº. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do anocalendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade, que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, devese atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. É certo que a Lei n.º 7.713, de 1988, determinou a obrigatoriedade da apuração mensal do imposto sobre a renda das pessoas físicas, não importando a origem dos rendimentos nem a natureza jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou física. Como o imposto era apurado mensalmente, as pessoas físicas tinham o dever de cumprir sua obrigação com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal, regra que teve vigência plena, somente, no ano de 1989. Entretanto, a partir do ano de 1990, não é possível exigir do contribuinte o pagamento mensal do imposto de renda, ainda que a fonte pagadora não tenha cumprido o dever legal de efetuar a retenção do imposto por antecipação do da declaração. Sem dúvidas que o imposto de renda na fonte e o imposto de renda recolhido na forma de “carnêleão”, apesar da denominação de imposto devido mensalmente, representam simples antecipações do imposto efetivamente apurado na declaração de ajuste anual. Desse modo, o imposto devido, a partir do período base de 1990, passou a ser determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 26 inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n.º 8.134, de 1990, e o saldo a pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte pessoa física, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas físicas. Relevante observar, que a obrigatoriedade do recolhimento mensal nasceu com o advento da Lei n.º 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das pessoas físicas o sistema de bases correntes. Assim, entendo que os rendimentos omitidos apurados, mensalmente, pela fiscalização, a partir de 01/01/90, estão sujeita à tabela progressiva anual (IN SRF n.º 46/97). É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. Não comungo com a corrente, que entende que os saldos positivos (disponibilidades) apurados em um ano possam ser utilizados no ano seguinte, pura e simplesmente, já que é pensamento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/90, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilha financeira onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais e pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo anocalendário. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda declaração de bens, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea. No presente caso, a tributação levada a efeito baseouse em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a princípio, constatase que houve a disponibilidade econômica de renda maior do que a declarada pelo suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. É entendimento pacífico, nesta Turma de Julgamento, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro (“fluxo de caixa”) do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) e todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, não tributáveis, isentos e os tributados exclusivamente na fonte), bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), IR sobre renda variável, IPTU, ITBI, construções e reformas, moeda estrangeira em espécie, veículos, embarcações, ações, quotas, integralização de capitais, gastos com viagens; débitos em contacorrente bancária tais como cheques emitidos para consumo e para pagamentos a terceiros, rubricas de pagamento de cartão de crédito, gastos com viagens, ordens de pagamento, etc., apurados mensalmente. Assim sendo, não há controvérsia que o lançamento foi realizado dentro dos parâmetros legais. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 15 27 Consta de forma clara, nos autos, que o suplicante foi tributado por presunção legal de omissão de rendimentos, caracterizado através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, onde se constata um “acréscimo patrimonial a descoberto” “saldo negativo mensal”, ou seja, o suplicante aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada, sendo que nestes casos a responsabilidade pela apresentação das provas para elidir a presunção legal compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. No âmbito da teoria geral da prova, não há dúvidas de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer, que o Direito Tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo, portanto, razoável como emprego subsidiário o Código de Processo Civil, que dispõe: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como, a iterativa jurisprudência, administrativa e judicial, a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 28 pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Como se sabe, no caso, em discussão, os valores apurados nos demonstrativos pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa (júris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. Observese, que as presunções júris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceu, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de ofício que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas e das planilhas que atestam o acréscimo patrimonial, a autoridade fiscal não só tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever. Uma vez efetuado o demonstrativo de evolução patrimonial do Contribuinte e apurado o acréscimo patrimonial a descoberto pela autoridade fiscal lançadora, caracterizada está a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do art. 43, inciso II do Código Tributário Nacional. Nessa hipótese, cabe ao Contribuinte a comprovação da existência recursos suficientes para afastar o acréscimo patrimonial a descoberto apurado, uma vez que se opera a inversão do ônus da prova, legalmente prevista. Esclareçase, mais uma vez, que os dados constantes da Declaração de Rendimentos e de Bens do Contribuinte são informações prestadas voluntariamente, sob sua responsabilidade, e estão sujeitos à comprovação, se o Fisco entender necessário. O artigo 806 do Decreto n° 3.000, de 1999, assim determina: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei n° 4.069/1962, art 51, § 1°). Ora, resta claro nos autos de que foi verificada omissão de rendimentos devido à ocorrência de variação patrimonial não respaldado por rendimentos tributáveis, isentos e nãotributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva declarados. Se o contribuinte foi autuado por acréscimo patrimonial a descoberto, através do levantamento do fluxo financeiro. Ou seja, através da análise das entradas e saídas de recursos à fiscalização apurou saldo negativo. Nesta situação o suplicante fica na obrigação de apresentar elementos comprobatórios de recursos com origem justificada para fazer frente ao acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização, de nada adianta a simples alegação de que se fosse considerado isso ou aquilo à acusação fiscal não teria fundamento para sua aplicação, pois, estes supostos recursos, dariam causa ao dito “acréscimo patrimonial a descoberto apurado”. Como já dito, anteriormente, o ônus cabe à autoridade administrativa. Há, porém, as presunções legalmente estabelecidas. Estas têm o condão de inverter o ônus da prova Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 16 29 como esclarece José Luiz Bulhões Pedreira (“Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas”, JUSTEC – RJ, 1979, pág. 806): O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Enfim, é de ressaltar, que no que diz respeito à exclusão ou inclusão de recursos, bem como à consideração de dívidas e ônus reais no fluxo de caixa, seria ocioso mencionar que todos os valores constantes da declaração de ajuste anual são passíveis de comprovação. E, no tocante a dinheiro em espécie, doações, empréstimos ou recebimento de créditos por empréstimos junto a terceiros ou fornecedores, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos patrimoniais, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. No que diz respeito omissão de rendimentos de R$ 3.700.000,00, cuja infração foi capitulada nos arts. 1º ao 3º e §§, da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1º ao 3º, da Lei nº 8.134, de 1990 e art. 1º da Lei nº 11.119, de 2005, é de se dizer, que é uma questão eminentemente de matéria de prova. Ou seja, à questão está restrita em se saber se o recorrente, à época do fato gerador, ostentava a condição de ter ou não recebido tais valores livres da incidência tributária do imposto de renda pessoa física. Observase, que a autoridade lançadora concluiu, mediante a análise das provas apresentadas pelo recorrente, que os valores em discussão são sujeitos a incidência do imposto e não foram em momento algum tributados, razão pela qual tomou as providências legais para constituir o respectivo crédito tributário sobre tais rendimentos, considerando o ato praticado como omissão de rendimentos recebidos de fontes no pais (rendimentos recebidos de pessoas jurídicas). O recorrente afirma que já restou comprovado o empréstimo recebido da empresa Megatec Comércio de Impressoras e Serviços pertencente ao seu genitor, sendo que o próprio Fiscal constatou a origem. Afirma ainda, que seu pai emprestou os valores a título gratuito e sem prazo para devolução. Ora, não há nos autos nenhum documento que corrobore a informação de que a transferência efetuada pela empresa Megatec foi a título de empréstimo. Inclusive, em resposta a uma das intimações, o interessado afirma que até aquela data (5 anos após o suposto empréstimo) não houve qualquer amortização da dívida junto ao mutuante. Em diligência efetuada junto à empresa Megatec, também não foram apresentados os livros contábeis para verificação dos lançamentos referentes ao suposto empréstimo concedido. Ademais, o próprio sóciogerente (Sr. Jorge Hissa Safar Neto) afirmou que a empresa teria operado apenas até o ano de 2004. Além de não constar nos autos nenhuma documentação adicional para comprovação do alegado, as transferências efetuadas ocorreram do patrimônio da empresa Megatec para o recorrente. Como também já relatado, em diligência junto à empresa, não foi possível verificar os lançamentos em seus livros contábeis para constatar a que título tais Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 30 transferências foram efetuadas. Dessa forma, não há como acatar o pedido para que os valores tributados, recebidos da empresa Megatec, sejam considerados como doação de seu genitor. Assim, é de se deixar claro, que os agentes do Fisco têm, mais que direito, o dever de recorrer, quando for o caso, às declarações de rendimentos apresentadas pelos contribuintes, para analisar os rendimentos isentos e não tributáveis declarados, sempre que, por motivos mais diversos, entender que tais rendimentos são componentes da base de cálculo do imposto anual e as informações do contribuinte não se estribem em documentação hábil e idônea demonstrando o contrário. Por isso mesmo, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real intenção, e assim se beneficiar indevidamente do tratamento diferenciado, deve merecer a ação saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Dessa forma, não podia e não pode o fisco permanecer inerte diante de procedimentos dos contribuintes cujos objetivos são exclusivamente o de ocultar ou impedir o surgimento das obrigações tributárias definidas em lei. Detectado esse procedimento irregular, como no presente caso compete ao fisco proceder como fez. É óbvio, que o autuado tem que ter uma prova de que já submeteu estes rendimentos a tributação ou que não era passível de tributação. Assim, vêse o quão acertado foi o procedimento do Fisco, ao submeter os rendimentos questionados a tributação. Não haveria outra forma de se proceder senão essa, já que a contribuinte não apresentou nenhuma prova contundente que invalidasse o feito fiscal. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação. Sendo assim, entendo que cabia a recorrente comprovar o alegado, porque somente ele tinha condições de fazêlo, razão pela qual mantenho a decisão da autoridade julgadora de Primeira Instância. No que diz respeito a multa qualificada, é de se dizer, que por entender que os fatos levantados caracterizavam o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, tratou a autoridade fiscal de, sobre os valores apurados de oficio, aplicar a multa de oficio qualificada de 150%, prevista no § 1º, inciso I, do artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 1996. O fundamento de fato para a qualificação da penalidade consta das folhas 23/24 do Termo de Verificação Fiscal Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na Primeira Instância o recorrente apresenta a sua peça recursal pleiteando a reforma da decisão prolatada onde, em sua defesa, sustenta que só é cabível a multa qualificada, quando, perfeitamente demonstrado nos autos, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, além de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixaram de recolher os tributos devidos, merecendo daí a imposição da multa qualificada de 150%. De fato, os autos noticiam a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150%, sob argumento de que a contribuinte teria deixado de oferecer a tributação rendimentos tributáveis, já que deu um revestimento de empréstimo a um Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 17 31 rendimento recebido com o claro intuito de evitar a tributação desse, cometendo sonegação fiscal. Resta nítido pela análise dos autos de que a autoridade fiscal lançadora resolveu qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa do contribuinte de se eximir do imposto devido, em razão do mesmo justificar que deixará de tributar tais valores porque os mesmos teriam origem em empréstimos. Assim, verificase que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada na constatação de omissão de rendimentos. Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar rendimentos auferidos fazendo declarações simuladas e apresentando provas materiais de conteúdo inexistente, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando rendimentos auferidos. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de valores representativos de rendimentos tributáveis ocasionando a falta ou o retardamento do imposto a pagar, independentemente, da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria se utilizado de meios escusos para deixar de lançar rendimentos tributáveis na sua Declaração de Ajuste Anual. Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que o contribuinte prestou informações ao fisco, em sua declaração de imposto de renda e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. Ora, o máximo que poderia ter acontecido é o fato da autoridade lançadora desconsiderar os dados, argumentos e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização. Verificase, que os elementos de prova que serviram para subsidiar o procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela fiscalização através das informações fornecidas pelo próprio autuado e, que por sua vez, não logrou, a princípio, êxito em fornecer contra provas demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que estes valores não eram passíveis de tributação pelo imposto de renda. Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que os recursos recebidos já foram tributados ou não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e não considerá los como rendimentos tributáveis no anocalendário questionado. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 32 Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Com a devida vênia, dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual de rendimentos tributáveis, não evidencia, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado tendo em vista a apuração de omissão de rendimentos, diante do fato de que o contribuinte não conseguiu lograr de forma diferente, o que, até prova em contrário, permite ao fisco a cobrança do imposto de renda sobre estes valores, porém, por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria a prestação de informações contrárias das que a fiscalização teria levantado, com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável (matéria de prova), motivo que poderia no máximo ser um indicativo de que sobre tais valores deveria ser constituído o lançamento e cobrado o crédito tributário respectivo, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pelo contribuinte ou declaração inexata, jamais será motivo para qualificar a multa de ofício. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de omissão de rendimentos, detectável pela fiscalização através da confrontação e analise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 18 33 seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de receitas/rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre a omissão de rendimentos, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja, deixou de declarar rendimentos auferidos e não trouxe provas para ilidir a acusação ou as provas apresentadas não convencem a autoridade lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos por presunção legal. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 34 fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n.º 10418.698, de 17 de abril de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Justificase a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada. Acórdão n.º 10418.640, de 19 de março de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10419.055, de 05 de novembro de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10245584, de 09 de julho de 2002: Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 19 35 MULTA AGRAVADA – INFRAÇÃO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizouse de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 Acórdão n.º. 10193.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA – CUSTOS FICTÍCIOS – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizouse de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10419.534, de 10 de setembro de 2003: DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos ” notas fiscais frias “, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980. Acórdão n.º.10419.386, de 11 de junho de 2003: MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 36 declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º. 10612.858, de 23 de agosto de 2002: MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de ofício, implica em considerálas inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Acórdão n.º. 10193.251, de 08 de novembro de 2000: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõese invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos: Art. 957 – Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º) (...) II – de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 20 37 II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 38 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d). Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o “intuito de fraude”. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 21 39 já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão CSRF/0104.917, 13 de abril de 2004: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Acórdão n.º. 10312.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA – Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10192.613, de 16 de fevereiro de 2000: DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS – Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10414.960, de 17 de junho de 1998: DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO – Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10307.115, de 1985: Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 40 NOTAS CALÇADAS – FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA – A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo. Acórdão n.º. 10417.256, de 12 de julho de 2000: MULTA AGRAVADA – CONTA FRIA – O uso da chamada ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte do contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que o suplicante não logrou comprovar a não tributação dos valores questionados, bem como deixou de lançar rendimentos em suas declarações de imposto de renda em valores expressivos e de forma continuada, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. Por fim, se faz necessários tecer algumas considerações sobre as penalidades aplicadas. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 22 41 exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 42 Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.724703/201059 Acórdão n.º 220201.868 S2C2T2 Fl. 23 43 Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN 44 Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar a argüição de decadência suscitada pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10835.000227/88-38
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: CSRF\010-1054
Nome do relator: Não Informado
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Sessão de ..2 . de azzonb.r.Q. de 19 90 ACORDÃO N° .CSRF/0101.054 . Recurso n° Rp/105-0.142 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: JABUR AUTOMOTOR S.A. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO CON- TRA ACÓRDÃO UNÂNIME EM PROCESSO DECORRENTE - INVIABILIDADE QUANDO NO RECURSO INTERPOSTO NO PROCESSO PRINCIPAL NÃO SE QUESTIONOU MATÉRIA QUE ENSEJARIA A TRIBUTAÇÃO POR DISTRIBUIÇÃO DE RECEITA, NOS TERMOS DO ART. 89 DO DECRETO-LEI N9 2.065/83. Se no recurso interposto pela Procuradoria, nos autos principais, não sequestionou acer- ca da matéria ensejadora,de lançamento decor- rente de imposto de renda na fonte (art. 89do Decreto-lei n9 2.065/83) e, ainda, se o ares- to atacado foi lavrado por unanimidade de vo- tos, inviável o conhecimento pela Câmara Supe rior de Recursos Fiscais de apelo da Fazenda Nacional nas circunstâncias mencionadas. Recurso de que não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ,,,, ' ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ine- xistentes os pressupostos legais para sua interposição, nos termoso !,, relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ,, ,, Sala das Sessões (DF), em 26 de novembro de 1990. 4'13 Q, v.v. , , , ri .1 URGE P ;REIR •- OPE - - PRESIDENTE A4. ----- eggerat, ' --n1110..... J0*:01ZDUARDO • ` CD! DE ALCILMIN - RELATOR - 1\ -o t e'ictx, . CUCUjk... O CE- SA' G O VES CORREA - PROCURADOR DA FA ZENDA NACIONAL __ Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: JOÃO BATISTA GRUGINSKI, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, MÃRCIO MACHADO CAL- DEIRA, BENEDICTO ONOFRE EVANGELISTA, AQUILES RODRIGUES DE OLIVEIRA, LOU RIERDES FIUZA DOS SANTOS, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, MARIAM:SEIF SEBASTIÃO RODRIGUESRODRIGUES CABRAL. Ausente justificadamente o Cons. LUIZ ALBER_ TO CAVA.MACEIRA. ,,,,,; ,,,,,,,, , ,,, , ,, ,, ,,,, , , , ,,,,, , ,, , ,,,, , , ,, , ,,,,, :,, ,,, ,, ,,,, , çcs ..); n SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NP? 10835/000. 227/88-38 RECURSO N9: RP/105-0.142 ACÓRDÃO N9: CSRF/01-01.054 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: JABUR AUTOMOTOR S.A. RELATÓRIO Cuida-se de recurso interposto pela Fazenda Nacional contra decisão da colenda Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Con tribuintes, assim ementada: "IMPOSTO DEVIDO NA FONTE - Lucros Distribuí dos - Caracterizado no processo principal que a empresa não cometeu as irregularida- des apontadas, torna-se indevida a exigên- cia de imposto na fonte, formulada em pro- cesso decorrente daquele feito. Esclareço que o aresto em causa foi tomado à unanimi- dade de votos, sendo decorrente de processo em que se debateu omis- são de receita por suprimento de caixa sem comprovação de origem e efetiva entrega do numeràrio, assim como descaracterização de con- trato de arrendamento mercantil. No que respeita ao primeiro tema, o recurso foi provido, à unanimidade. No que se refere ao segundo, o provimento se deu por maioria de votos. No recurso interposto, a Procuradoria da Fazenda Na- cional sereporta aos termos do apelo formulado nos autos principais, entendendo que a tributação reflexa deveria ser mantida. /, tk DMr - DF /19 C C Secry at 1 GC,Orri SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10835/000.227/88-38 2. AcOrdão n9-CSRF/01-01.054 Admitido o recurso, a contribuinte apresentou con- tra-razaes, que leio para melhor esclarecimento do Plenário. É, o relatOrio. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 1G835/000.227/88-38 2, AcOrdão n9-CSRF/0_1-01.054 VOTO Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator Preliminarmente, não conheço do recurso. Com efei- to, a tributação relativa ao imposto de renda na fonte tem por objeto tão somente a receita que foi considerada omitida pela au tuação, reformada, â unanimidade de votos pela decisão recorrida da colenda Quinta Cãmara, que deu provimento ao respectivo recur so. Nestes termos, a maté'ria suscetível de distribui- ção a beneficiãrios - e consequente anlicação do art. 89 do De- creto-lei n9 2.065/83 - foi definitivamente afastada pela deci- são do Colegiado a quo. Dal porque aquele mesmo 6rgão unanimamen te deu provimento ao anelo do contribuinte neste processo docor- rente. Isto posto, tendo em vista que o apelo da Fazenda versou unicamente tema que não se compadece com distribuição de receita qual seja, descaracterização de contrato de arrendamento mercantil, bem como ter sido a decisão recorrida lavrada ã unani midade, não conheço do recurso. Brasília-DF, em 26 de novembro de 1990. 30 EDUARDO RANG DE ALCKMIN - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10845.006328/88-67
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
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Recorrida : SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CIA flT NAVEGACÃO LLOYD BRASILEIRO, REP. POR NAUTILUS AGÊNCIA NTARITIMA LTDA. e FAZENDA NACICNAL. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO - Denúncia espõntânea. Recurso da Pro- curadoria da Fazenda Nacional con- tra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que acolheu a denúncia apresentada pelo sujeito passivo. Confirmada a decisão da Câmara recorrida. II - Recurso negado. III - Recurso do sujeito passivo. Taxa Câmbial. Para efeito de cálculo dos tributos deve ser adotada a taxa de câmbio vigente na data do lança- mento do crédito tributário (art. 107 e parágrafo único do Regulamen to Aduaneiro - Dec. n9 91.030/85).- IV - Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL e CIA DE ,! NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO, REP. POR NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao RP/302-0.128, vencido o Cons. Itamar Vieira da Costa (Relator), que provia o recurso e, por maioria de votos, negar provimento ao RD/3027-0. 149, nos termos do relat8río e voto que passam a integrar o pre- sente julgado, vencidos os Cons.; aY Ubaldo Camnelo Neto, que , 111p V.V. DAMEFP/DF- SECO!) N e 064/90 provia parcialmente o recurso, para reconhecer a adoção da taxa cam- bial vigente na data da entrada da mercadoria e, b) Sebastião Rodri- gues Cabral, que reconhecia a sua adoção na data da denúncia espontá nea, Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Fausto Freitas de Castro Neto. Saa.as Sessaes (DF), em 14 de junho de 1991. /\---- '(//' ,0" MA'I , 'Re — PRESIDENTE -- or,.. /.... FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO - PELATOR-1=1UTO , IN RIAI—S—A-J-CAE SÃ ARACJO - PROCURADORA DA FAZENDA NACIONAL -DESIGNADA. Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: JOÃO HOLANDA COSTA e PAULO AFFONSECA DE BARROS F. JONIOR. Ausen__. te justificadamente o Cons. DURVAL BESSONE DE MELLO. Defendeu a re- corrente, seu advogado, Dr. Paulo Roberto Cuco Antunes - OAB/RJ n9 44.69_7. Defendeu a Fazenda Nacional, sua Procuradora-Representante, Dra. Inez Maria Santos de Sá Araújo. 4, IN41I,, - SER V1C0 PUBLICO FEDERAL 2. PROCESSO N2 10845-006328/88-67 RECURSO N2 RP/302-0.128 e RD/302-0.149 ACÓRDÃO CSRF/03-01.703 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL E CIA. DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEI RO, REP. P/ NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. RECORRIDA : 2 d CÂMARA DO 3 2 CONSELHO DE CONTRIBUINTES RELATÓRIO Recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais a Procuradoria da Fazenda Nacional, pleiteando a reforma do acórdão n2 302-31.531, de 23/05/89, prolatado pela 2 @ Câmara do 3 2 Conselho de Contribuintes, cujo teor foi assim ementado: "Conferência final de manifesto. Cálculo do im- posto procedido nos termos do art. 107 e pará grafo único do Regulamento Aduaneiro (Dec. 91.., 030/85). Multa excluída, face à denúncia espon- tânea do sujeito passivo, anterior ao início da Conferencia final de manifesto. Recurso provi- do, em parte, apenas para declarar a exclusão da penalidade. Precedentes do colegiado." A recorrente dá continuidade à ação fiscal para discutir matéria relacionada com da denúncia apresentada pelo sujei- to passivo, cuja espontaneidade foi aceita pela câmara recorrida, pa ra efeito do que estabelece o artigo 138 do CTN, na forma da decisão acima transcrita, proferida por unanimidade de votos. Argumenta a Procuradoria que a l g Câmara desse Conselho aceita a denúncia apenas quando atendidos todos os pressu postos presentes no art. 138, do CTN, inclusive a prova da liquida ção do crédito tributário. Assim, acusa divergência entre o que determina o julgado recorrido e o que consta do acórdão n 2 301-25.926. Defende a recorrente a tese de que a visita adua neira da início aos procedimentos fiscais que excluem a espontaneida- de da confissão praticada pelo contribuinte. Discute que para as infrações em cujo elenco in- (2.A.Á7 PA\ SERVIDO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10845/006.328/88-67 3. clui-se a que ensejou a presente autuação não cabe a hipótese de ar bitramento do valor, a que se refere o CTN, art. 138. Trata-se aqui do cálculo dos tributos e, portanto, de seu recolhimento. Insiste que não cabe à hipótese de arbitramento, haja vista a precisão dos elementos disponíveis para o cálculo exato do imposto. Por tais razões, tem como inexistente a denúncia espontânea, requerendo, pois, a reforma da sentença. Em suas contra-alegações, argumenta a contradito ra que a visita aduaneira não é procedimento capaz de excluir sua es- pontaneidade, por não se tratar de procedimento diretamente relaciona do com a infração. Sustenta que, conforme o artigo 25 do Dec. n 2 63. 431/68, o procedimento capaz de excluir sua espontaneidade é a confe- rencia final de manifesto, uma vez que seria impossível a apuração de faltas anteriormente à descarga das mercadorias transportadas. No que respeita à tese de que o pagamento dos tri butos faz-se imperioso na confirmação da denúncia de que trata o arti- go 138 do CTN, afirma que não há que se falar, em tributos devidos an- tes de esgotadas todas as instâncias administrativas de defesa. Afirma não tratar-se nem mesmo de tributos, devido ao caráter indenizatório de um débito discutível. Assim espera o não provimento do recurso interpos to pela Fazenda Nacional. Além das contra-alegações, a autuada volta a com parecer nos autos como recorrente, desta feita para discutir a taxa de câmbio eleita no acórdão recorrido, o qual encontra-se divergente do que determinam os acórdãos: CSRF/03-01.387 e 303-24.399 que estabe lecem data distinta como referencial para cálculo dos tributos. Preliminarmente, pede observância aos artigos 19, 143 e 144 do CTN, bem como do art. 23 do DL. 37/66. Do exame desses dispositivos deduz que a taxa - cambial a ser adotada e a da data da chegada do navio no porto de des- tino. No entanto, admite a aplicação do que determina o SERVICO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10845/006.328/88-67 4. parágrafo único do art. 23, D.L. n 2 37/66, segundo o qual, afirma ser correta a adoção da taxa vigente na data da confissão da falta pelo sujeito passivo. Diante desses argumentos aguarda a reforma da sentença, proferida nos termos do acOrdão n g 302-31.352, no que respeita à taxa cambial utilizada na conversão da moeda negociada. A Procuradoria da Fazenda Nacional defende o não provimento do recurso interposto pelo contribuinte, mantendo a taxa cambial vigente na data do lançamento dos tributos. É o relatório. 2„/7 1 - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10845/006.328/88-67 5. RD/302-0.149 RP/302-0.128 Ac.CSRF/03-01.703 FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, Relator designado: VOTO —V. E - WC- E D -0 R Para apreciação desta Câmara Superior apresentou-se doisrecur sos: o da Procuradoria da Fazenda Nacional que se insurge contra a deci são da Segunda Câmara do 3 2 Conselho, no que respeita ao reconhecimento da espontaneidade da denúncia da infração praticada pelo sujeito passi vo, e o recurso de divergência interposto pela parte passiva, relaciona do com a taxa cambial a ser adotada nc cálculo dos tributos exicids. Quanto sa denúncia espontânea, entendo cumpridos os requisi tos ditados pelo art. 138 do Código Tributário Nacional, conforme te nho já me pronunciado, acompanhando a jurisprudência pacífica desta Câ mara Superior de Recurso Fiscais. Acolho, portanto, a referida denúncia e nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. No que se refere Na taxa cambial, acompanho também a jurispru dência firmada sobre o assunto tanto no âmbito do 3 2 Conselho, quanto no desta Câmara. Com efeito, está expresso, literalmente, nos arts. 103 e 107 do Regulamento Aduaneiro, Decreto n g. 91.030/85, que a data a ser considerada para fins de conversão cambial é aquela em que se deu a apu, ração da falta, isto é, a do lançamento do crédito tributário correspon dente. Assim, nego provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Sala das Sesses, em 14 de junho de 1991. 4,4„44.2* FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO. Relator designado. \IN Im prensa Nacionai Processo n g 10845/006.328/88-67 6. RD/302-0.149 RP/302-0.128 AC. CSRF/03-01.703 ITAMAR VIEIRA DA COSTA - RELATOR VOTO VENCIDO O processo está consubstanciado em duas partes: 1. Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional. 1.1. A matéria discutida é a denúncia espontânea apresenta da pela empresa e acatada pela Câmara recorrida. 1.2. Contra-alegaçOes da empresa ao RP. 2. Recurso de divergencia interposto pelo sujeito passivo. 2.1. Neste RD a interessada se insurge contra a aplicação da taxa de câmbio vigente por ocasião do lançamento do crédito tribu- tário. Pretende ela a aplicação da taxa vigente na data da entrada do navio no respectivo porto ou, alternativamente, na data em que a auto ridade tomou conhecimento da falta, isto é, da denúncia espontânea. 2.2. Contra-razOes da procuradoria da Fazenda Nacional. Análise do recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional O assunto tem merecido acurado estudo tanto nas Câmaras que compõe o Terceiro Conselho de Contribuintes quanto nesta Câmara Supe, rior de Recursos Fiscais. Entendo que qualquer análise a respeito deve levar em conside raç3o cada disposiç -ão do artigo 138 do Código Tributário Nacional que diz: Okk • , , c =E E:- Processo n9 10845/006.328/88-67 7. S: = • "..: P '-a... cc.- :"-- "Art. 138 - A responsabilidade é exclufda pela denúncia espOn tânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do de-osito da im- portância arbitrada pela autoridade administrai-,_va, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único - Não se considera espontânea a denúncia apre sentada apOs o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Como se ve, há vários pressupostos, cumulativos, para que se- ja aceita a confissão do contribuinte ou do responsável pela infração. deve haver uma comunicação, por escrito, à autoridade fiscal, da exis tencia da infração, acompanhada da prova do imposto ou do depOsito da importância arbitrada pelo Fisco. Além disto deve ser feita a confis- são antes de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração. Sobre o assunto preleciona o tributarista Bernardo Ribeiro de Moraes: "Para caracterizar a denúncia espontânea, por tanto mister se faz a presença, em conjunto, dos seguintes elementos: a) o interessado deve comunicar à autoridade administrativa a existencia da infração. A denúncia espontânea se refere à in- fração; . h) essa comunicação deve ser espontânea, isto é, deve ser apresentada antes de qualquer-procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a respectiva infração. Eis o conceito de espontaneidade, ligado não à vontade do con tribuinte mas à ação (procedimento) da autoridade administra- tiva relativamente à determinada infração. É o que dispOe o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional. O início de uma fiscalização geral não impede a espontaneidade da denúncia; c) essa comunicação deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e demais 'ónus decorrentes do tem- po (juros de mora e correção monetária); ou de depósito da im portancia pela autoriade administrativa, quando o montante do trributo dependa de apuração. A exclusão da responsabilidade, pela denU r oia espontânea, se prende sa infração. (Compendio de Direito Tributaria Rio de Janeiro, Forense, 1987, Pág. 727)". Sobre a matéria, diz Aliomar Baleeiro: "EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE PELA CONFISSÃO - Libera-se o contribuinte ou responsável de qualquer deles, pela denuncia ., espontânea da infraçao acompanhada, se couber no caso, do pa- gamento do tributo e juros moratórios, devendo segurar o Fis- co com dep6sito arbitrado pela autoridade se o , quantum da obrigação fiscal ainda depender de apurção. Ha nessa hip6te- se, confissão e, ao mesmo tempo, disistencia do proveito da 04 C-1• Processo n9 10845/G06328/88-67 8. s=pv,:c p E:E.AL infração. (Direito Tributário Brasileiro, Pio de Janeiro, Fo- rense, 6 ?- Edição, 1974, pág. 438)". Ainda, a lição do saudoso Fábio Fanucchi: "Em qualquer circunstância, é possível excluir-se a responsa- bilidade por infraçOes, e::)ora seja impossível, quando a lei a fixar, excluir a responsabildiade pelo crédito tributário. Basta, para tanto, que o responsável denuncie espontaneamente a infração, pagando, se for o caso, o tributo devido, os ju- ros de mora, ou efetuando depósito da importância que for ar- bitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (art. 138 do CTN). Todavia, para que seja válida a denuncia, capaz de elidir puniçOes, portan- to, é necessário que se antecipe a qualquer procedimento ad- ministrativo ou a medida de fiscalizaçao, relacionados com a infração (parágrafo do artigo 138 do CTN). Há legislaçOes es- pecíficas (IPI) que detalham quais os atos fiscais capazes de excluir a espontaneidade da denúncia. É verdade que esse deta lhamento é capaz, por vezes, de se transformar em uma desvan- tagem, desde que não se estabeleçam limites para a autuação fiscal. Por exemplo: a legislaçao citada impede que o sujeito passivo, depois de iniciada a fiscalização geral, se auto-de- nuncie por práticas incorretas. Sempre que a fiscalização se estende por longo período de tempo (e isso ocorre com frequen cia), o impedimento permanece e cria situação intolerável e injusta para o.fiscalizado. Por isso que o justo está expres- so no Código Tributário Nacional, sendo a espontaneidade ex- cluída tão sci quando o procedimento administrativo ou a medi- da de fiscalização estejam especificamente relacionados com a infração. É o que significa a ordem do parágrafo do artigo 138 do CTN. (Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Re- senha Tributaria. i32 Edição. 1975, Pág. 251/62)". No caso sob análise foram cumpridos esses quesitos? Vejamos: 1) A empresa apresentou a denúncia sobre a irregularida de ao órgão fazendário. 2,) A comunicação foi feita antes da conferencia final do manifesto, procedimento fiscal destinado a apurar faltas e/ou acréscimos de mercadoria pelo confronto entre os volumes manifestados e os descarregados. 3) Não houve pagamento do imposto devido, mas depósito 'a disposição da SRF. Quanto ao item 1 precedente entendo não haver dúvida nem divergencias entre as partes. Já em relação aos itens 2 e 3 exis- tem controvérsias. 0 art. 31 do Regulamento Aduaneiro e o ADN/CST n-9. 04/86, que transcrevo, verbis: • 01\ s=-, zo co,====.:._ Processo n9 10845/006.328/88-67 9. "Art. 31 - As operaçOes de carga, descarga ou transbordo de veiculo procedente do exterior só poderao ser executados de- pois de formalizada a sua entrada no porto, aeroporto ou na repartição que jurisprudenciar o ponto de fronteira alfandega do. 1 2 - Para efeitos fiscais, considera-se formalizada a entra da do veiculo quando encerrada a visita e lavrado o respecti- vo termo de entrada." "ADN/CST n 2 04/86 - O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO,no uso de suas atribuiçOes, tendo em vista o disposto no art.138, parágrafo ártico, da Lei n 2 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e Considerando que, nos termos do artigo 31 do Regulamento Adua neiro, aprovado pelo Decreto n 2 91.030, de 05 de março de 1985, a formalização da entrada de veículo procedente do ex- terior é procedimento administrativo que da inicio aos contno les fiscais em relação à carga transportada, DECLARA, em cara ter normativo, às unidades descentralizadas e aos demais in- terressados, que, depois de formalizada a entrada de veiculo procedente do exterior, não mais se tem por espontânea a de- nuncia de infração imputável ao transportador ou ao responsá- vel pelo veiculo, relativa à carga neste transportada." Já o art. 36 do mesmo Regulamento diz: "Art. 36 - A visita será encerrada com a lavratura do termo de entrada do veiculo, de acordo com o modelo aprovado pela SRF." É de se concluir, portanto, que a recorrente se reportou ao termo de visita aduaneira, quando se refere à formalização da entrada do veiculo como procedimento administrativo que dá inicio aos procedi mentos fiscais em relação à carga transportada. Transcrevo e a este incorporp, parte do voto proferido pelo ilustre Conselheiro relator, Dr. José Façanha Mamede, que resultou o Acórdão n 2 CSRF/03-01.473/87, verbis: "Enganam-se, assim, "data venha", os que entendem que, após a visita aduaneira, não há mais possibilidade de denun- cia espontânea de faltas ou acréscimos na descarga, pelo su- jeito passivo. Primeiramente, porqqe a visita aduaneira não e procedimento fiscal relacionado com a infração a que se re- porta o prágrafo único do art. 138 do CTN. Em segundo lugar, porque o termo de visita não preenche os requisitos de um ter mo de inicio de procedimento fiscal previstos no art. 7 2 do Decreto 70.235/72. -Explico. O Regulamento Aduaneiro, por seu artigo 476, define o procedimento para constatar falta ou acréscimo de vo lume ou mercadoria entrada no territOrio aduaneiro como "con- fronto do manifesto com os registros de descarga". Este é o "procedimento fiscal relacionado com a infração". Ora, se a visita aduaneira é anterior à descarga, como pode proceder ao lu confronto do manifesto com os registros de descarga? É impos- sível . Mais. A Conferencia Final de Manifesto dá-se, comumen- -~ SEI ce Processo n9 10845/006.328/88-67 10. te, mais de sessenta dias após a descarga do veiculo transpor tador. Na maioria dos casos, pois, o termo de visita, mesmo se considerado Termo de Inicio de Fiscalização, estaria inó- cuo, face ao disposto no 2 2 do art. 7 2 do Decreto n 2 70235/ 72, que fixa para o Termo de Inicio o prazo de sessenta dias. Da mesma forma, se a repartição processante dispOe das folhas de descarga e não efetua o seu confronto com o manifes to nem dá ciencia ao sujeito passivo da constatação da irregu laridade - falta ou acrescimo de mercadoria - nao se configu- ra o inicio do procedimento fiscal previsto no art. 7 2 do De- creto n 2 70.235/72. Assim, uma anterior comunicação feita pe- lo sujeito passivo caracteriza a denúncia espontanea." No que se s,refere ao item a, vejo que não foi cumprido o manda mento do artigo 138 do CTN. Na petição em que faz sua confissão, a empresa pede,à repartição que "se digne de arbitrar o valor do impos- to correspondente, face depender de apuração por essa repartição, no- tificando em seguida a requerente para, no prazo de trinta dias efe- tuar o pagamento e/ou depósito nos termos da mencionada lei (Processo n 2 0711.006.522/86-88,- Fls. 01). Ora, depois de feito o que a empre- sa entende por arbitramento (fls. 22), já conhecido o valor fixado pe la repartição como ela pedira, só restava um caminho: pagar. Se não concordou com a apuração feita pelo Fisco é porque haveria outra cor- reta. Então deveria pagar segundo a forma que entendeu correta para cumprir a determinação do art. 138 do CTN. Análise do recurso especial de divergencia "A matéria ensejou o recurso especial de divergência interpos to pela empresa, assim como as contra-razões apresentadas pela procu- radoria da Fazenda Nacional, se refere à aplicação da taxa de câmbio na conversão de moeda estrangeira, em moeda nacional, para efeito de cálculo do Imposto de Importação devido pelo transportador, _quando apurada falta na descarga do navio. A recorrente alegou que a data correta para se fixar o momen- to da conversão deve ser, alternativamente: 1) a data da entrada da mercadoria no território nacional e esta se configura quando da chegada ao porto de destino da carga, ou 2) a data em que a autoridade aduaniera tomou conhecimento da falta, com o oferecimento, pela recorrente, da denúncia espontânea. Trata-se, aqui, da fixação do aspecto temporal do fato gera- dor do Imposto de Importação: se o fixado pelo art. 19 do CTN, ou pe- lo art. 23, parágrafo único do Decreto-lei n 2 37/66. o trib,tarista Bernardo Ribeiro de Moraes assim se posiciona, gener1camer,7,e: E5 v .7.: = - Processo n9 10845/006.328/88-67 11.5.. 22. ....3_2 = A obrigação tributária tem sua base no respectivo fato gera- dor, isto é, na situação definida em lei necessária e sufi ciente para lhe dar nascimento. Concretizada a hipótese legal de incidencia tributária, tem-se a consequencia jurídica dese jada (nasce a obrigação tributária). Assim, uma vez recebida a competencia tributária, a entidade tributante tem necessidade de editar lei ordinária para insti tuir o tributo desejado, definindo o fato gerador da respecti va obrigação, que terá como objeto o tributo. A atribuição constitucional de competencia tributária compreende a campe- tencia legislativa plena, cabendo à entidade publica tributan te definir, em lei, o fato gerador da obrigaçao, instrumento legitimo para criar a respectiva obrigação tributária. A lei a que nos referimos é a lei tributária substantiva, formal, ato emanado do Poder Legislativo. O fato gerador da obrigação tributária deve ser definido por lei, conforme determina o princípio da legalidade tributária. Sem previsão legal não se configura o fato gerador da obriga- ção tributária. Para definir o fato gerador da obrigação tributária, o legis- lador ordinário é livre, devendo respeitar, naturalmente, em razão da hierarquia das leis, as limitaçôes contidas na cons- tituição e na lei complementar. O legislador, assim, escolhe livremente os fatos que julgue idôneos para dar origem à obri gação tributária, respeitados apenas os limites de ordenamen- to positivo. A ação do legislador, na escolha, é comandada pe. la racionalidade e discricionaridade, como querem FERNANDO SAINZ DE BUJANDA, ACHILLE DONATO GIANNINI, VICENTE ARCHE, etc. Obedecendo, assim, ao objeto da espécie tributária, contido na discriminação constitucional de rendas, o legislador ordi- nário define o fato gerador da obrigação tributaria. Tal definição é simples. A norma jurídica tributária, como qualquer norma juridica, eminentemente normativa, oferece uma hipotese de incidencia que liga certas circunstâncias de fato a determinados efeitos jurídicos (comando da norma). No caso, o legislador ordinário tributário define a hipótese de inci- dencia (fato gerador), atribuindo a esse pressuposto de fato o efeito jurídico de dar nascimento à obrigação tributária. Assim, vemos que a figura do fato gerador da obrigação tribu- tária se prende, inicialmente, ao mundo dos fatos e não ao mundo jurídico, referindo-se a algo (fato) que poderá ou não se concretizar. Neste Ultimo caso, teremos o nascimento da obrigação tributária. (fls. 1.4). "Quais seriam esses elementos constitutivos do fato gerador da obrigação tributária, sem os quais não haverá a produção do efeito jurídico desejado? - A doutrina costuma classificá-los em dois grupos, por nós tam bem admitidos, a saber: a) elemento OBJETIVO, representado pela situação de fato, com seus elementos material, espacial, temporal e quantitativo; h) elemento SUBJETIVO, representado pelos sujeitos da relação jurídica, o sujeito ativo e o sujeito passivo. Nesse enfoque, todos os elementos (subjetivos e objetivos) da obrigação tributária estão re c unidos no conceito do fato gera 47 dor da respectiva obrigação. ' t-Nl' , SE Processo n9 10845/006.328/88-67 12. Não podemos negar que esse elemento objetivo do fato gerador da obrigação tributária contém diferentes elementos constitu- tivos: um elemento material, propriamente dito; um elemento espacial; um elemento temporal; e um elemento quantitativo. Vejamos, então, como se apresentam esses elementos que compOe o elemento OBJETIVO do fato gerador da obrigação tributária: a) O elemento material propriamente dito é representado pela descrição da situação de fato que pode ser constituída livre- mente pelo legislador. h) O elemento espacial é que permite determinar, em função do território, o local da ocorrencia do fato gerador, e, em con- sequencia, o local da incidencia da lei tributária. c) O temporal, representado pelo espaço de tempo ou momneto que se deve levar em conta para a concretização do fato gera- dor da respectiva obrigação. Esse elemento indica o momento em que se deve considerar concretizado o fato gerador da res- pectiva obrigação. Se a lei tributária não explicitar esse elemento temporal, entende-se que o momento a ser considerado é o da concretização do pressuposto de fato (o elemento tempo ral acha-se aqui, implícito). O pressuposto de fato da obriga ção tributária pode abrigar diversos fatos que, em rela -ç. ao ao tempo, podem ser contemporâneos ou de sucessividade imediata. Comepte, então, ao legislador, quando julgar convenientemente, determinar o espaço de tempo do necessario para a concretiza- ção do respectivo fato gerador. d) Quantitativo, representado por uma expressão econOmica,por algo que permita medir os bens materiais ou imateriais que fa zem parte ou estão relacionados com o fato gerador da obriga- ção tributária em questão. este fato gerador passa, com tal elemento, a ser mensurável." (Compendio de Direito Tributário, Forense, 1987, Fls. 550/551). A constituição brasileira outorgou, à União, a competância privativa para instituir o Imposto sobre Importação de Produtos es- trangeiro (art. 21, I, CF de 1967 e art. 153, I da CF de 1988). O Código Tributário Nacional, lei complementar à Constituição assim dispae em seu art. 19, verbis: "Art. 19 - O imposto, de competencia da União, sobre a impor- tação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entra- da de:tes no território nacional." Este dispositivo complementou o que determina a Lei Maior, es tabelecendo o que se configura como fato gerador do referido imposto, de forma abrangente. O Decreto-lei n 2 37/66, que instituiu o Imposto de Importação - dispõe, verbis: "Art. 1 2 - 0 imposto de importação incide sobre a mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. Parágrafo único - Considerar-se-á entrada no Território Na-'r " zz; c: Processo n9 10845/006.328/88-67 13. cional, para efeito de ocorrência do fato gerador, a mercado- ria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira." "Art. 23- Qaundo se tratar de mercadoria despachada para con sumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data do regis- tro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o art. 44. Parágrafo único - No caso do parágrafo único do artigo 1 2 , a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhe cimento." Aliás, para maior clareza, transcrevo ementa e parte do voto proferido pelo eminente Ministro-Presidente do Supremo Tribunal Fede- ral, rafael Mayer no Agravo Regimental n 2 110677-8/86, verbis: "EMENTA: - Imposto de Importação. Mercadoria em falta.Art. 23, parágrafo Unico do Decreto-lei n 2 37/66. Art. 19 do CTN. Inexiste contradição ou antinomia entre a norma genérica do art. 19 do CTN e a norma específica do parágrafo Unico do art. 23 do DL 37/66." "VOTO - O SENHOR MINISTRO RAFAEL MAYER (RELATOR): Dedu-se da análise do parágrafo único do art. 23 do Decreto - lei n 2 37/66, em combinação com o parágrafo único do art. 1 g - do mesmo diploma legal, considera-se fato gerador do imposto de importaçao, tendo-se como ingressada no território nacio nal, a mercadoria que conste como importada e no entanto se apure como faltante. A constatação da falta, mediante o proce dimento de sua apuração ou pelo conhecimento imediato é que fixam o momento de configuraçao do fato gerador e, de conse- guinte, da incidencia dos tributos vigorantes 'a época. Ora, o parágrafo segue a sorte da cabeça do dispositivo, e não há diferencia-lo para recursar a abrangencia do entendi- mento pacífico nesta Corte no sentido de que inexista "contra dição ou antinomia entre a norma genérica do art. 19 do CTN e a norma específica do art. 23 do DI 37/66, posto que a neces- sar j a caracterização de um necessário momento naquele não pre visto, e o condicionamento de indeclináveis providencias de ordem fiscal, não a desfiguram nem a contraditam, porém, a complementam para tornar precisa, no espaço, no tempo e na circunstância, a ocorrencia do fator gerador" (RE _91.I.37-RTJ 96/1336)." Trago sa colação parte do voto proferido pelo ilustre Conse- lheiro desta CSRF Hélio Loyolla de Alencastro, sobre a matéria,verbis: "Por outras palavras, o art. 19 do CTN e, igualmente l o art. 1 2 do DL 37/66 definem o núcleo da hipótese de incidencia do - I.I., enquanto o "caput" e o p.U., do art. 23 deste Ultimo di ploma legal estatuem as coordenadas de tempo para que se de tal ocorrencia, respectivamente nos casos de mercadoria despi chadas para consumo ou cuja falta for apurada pela autoridade aduaneira, ante o cotejo entre o manifesto e os registros da descarga. ri4P" s=., ,ss p_e_zz =====__ Processo n9 10845/006.328/88-67 14. Sobre a matéria, há pouco tive a oportunidade de pronunciar - me, pelo que, com a devida venia, transcrevo voto proferido no julgamento do recurso n 2 RP/303-0.923 ("verbis"): "No magistério de Alfredo Augusto Becker, a regra jurídica de tributação que tenha escolhido o fato material da introdução de uma coisa, dentro de uma zona geográfica ou politica, terá criado tributo com o genero jurídico de imposto de importação. Tanto o CTN quanto o Decreto-lei n g 13.7/65 dispõem que o I.I. incide sobre a mercadoria ou produto de origem estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no territorio nacional. Tal nácleo, no entanto, é subordinado à ocorrencia de coorde- nadas de tempo e de lugar para que se realize, em concreto, a hipótese de incidencia do tributo. No caso do fato gerador presumido do I.I. (p.11., art. 1 2 do DL n 2 a7/66), a coordenada de tempo, para gue se de a inciden cia da norma de tributação respectiva, esta fixada na data em que a autoridade aduaneira apurara a falta de mercadoria ou dela tiver conhecimento; fica, assim o produto sujeito aos en cargos tributários vigorantes nessa data e, por via de conse- quencia, a taxa de cambio aplicável é a vigente nesse dia. Referido momento dá-se no entanto, quando houver conhecimento pleno da falta e isso só ocorre quando a autoridade está em condições de formalizar o lançamento. Somente aí , portanto, apOs todo um procedimento de apuração e dispondo dos elemen tos de convicção sobre a ocorrencia do evento, pode compelir o responsável a satisfazer o crédito; a simples representação do funcionário da mesa ou banca do manifesto, ainda não fome ce base legal a autoridade para formalizar a exigencia; tal peça processual, é apenas uma constatação _preliminar, sujeita a marchas e a contra-marchas tendo o condao, unicamente, de iniciar o procedimento de apuração do evento. Por seu turno, o Decreto n 2 91.030/80 (RA) dispõe, em seus arts. 87, II, "c", 107, "caput" e p.á., que, para efeito de cálculo do imposto, considera-se ocorrido o fato gerador do I.I. no dia do lançamento correspondente, quando se tratar de falta apurada pela autoridade aduaneira, e que se considera apurado o fato na data do lançamento do c.t. respectivo." 0 assunto também já foi abordado pelo ilustre Conselheiro des ta CSRF, Dr. Edwaldo Reis da Silva, relator do Acórdão n 2 CSRF/ 01.553/88, quando assim pronunciou: "Em reiterados julgados de casos da mesma espécie, este Cole- giado já firmou o entedimento de que, relativamente às faltas ocorridas já na vigencia do decreto n 2 91.030/85, que aprovou o Regulamento Aduaneiro, devera ser utilizada, no cálculo do I.I. devido, a taxa de cambio vigorante à data da ,apuração, considerada como tal a do lançamento respectivo, de acordo com o disposto nos arts. 87, II, c e 107, parágrafo único, do citado Regulamento Assim, e de acordo com o entendimento já firmado por esta Instância Especie, tenho por aplicáveis a espécie as normas dos arts. 87 e 107 do regulamento Aduanei ro." O entedimento do eminente Conselheiro desta CSRF, Dr.Hamilton de Sá Dantas, relator do Acórdão n 2 CSRF/03-01.471/88, também foi nol› _ Processo n9 10_845/006.328/88-67 15. mesmo sentido, verbis: "Quanto à taxa de câmbio a incidir, igualmente, inclino-me, por mais consetânea e lógica, de acordo com o que vem enten- dendo a maioria do Colegiado, ou seja, com a data em que a au toridade fazendária toma conhecimento da falta ocorrida, is- to é, na sua apuração temporal, conforme sustentado pelo Pro- curador da Fazenda Nacional." Vi-se que a matéria é pacífica no âmbito desta Câmara Supe- rior de Recursos Fiscais, conforme diversos Acórdãos, dentre os quais, os seguintes: Acórdão n g CSRF/03-01.471, 01.481, 01.491, 01.504, 01.510, 01.553 e 01.600." Por tudo que do processo consta, voto no sentido de: a) dar provimento parcial ao recurso interposto pela Procura- doria da Fazenda Nacional, para não acolher a Denúncia espontânea apresentada pelo sujeito passivo, no que respeita 'as faltas apuradas, acolhendo-a, no entanto, no que respeita aos acréscimos apurados. h) negar provimento ao recurso especial de divergência inter- posto pelo sujeito passivo. Sala das SessO . s, 14 de junho de 1991. ç .ITAMAR V EtRW- )A CIISTA - Relator. i ,. Nk - , Iii Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13888.900794/2008-82
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 09/04/1999
COFINS. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há incidência das contribuições ao PIS sobre as variações cambiais positivas, pela aplicação da regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002 e em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação.
Numero da decisão: 3201-000.995
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/04/1999 COFINS. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência das contribuições ao PIS sobre as variações cambiais positivas, pela aplicação da regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002 e em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Mara Cristina Sifuentes (Suplente), Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente de Despacho Decisório, fls. 25, que não homologou a compensação declarada através da PER/DCOMP no 03808.60392.080404.1.3.042407, pela inexistência de crédito, uma vez que o pagamento efetuado em 09/04/1999, através do DARF discriminado na PER/DCOMP, foi totalmente utilizado para a quitação de débito da Cofins, período de apuração mar/1999, no valor de R$ 142.985,58. Cientificado de Despacho Decisório em 05/05/2008, fls. 30, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 02/06/2008, fls. 1/13, onde alega: a) Que o crédito compensado decorre do realculo da variação cambial sobre importações e exportações realizadas pela recorrente, considerando a variação da moeda estrangeira desde o registro do direito ou da obrigação até a efetiva liquidação (regime caixa), conforme o disposto no art. 30 da Medida Provisória — MP — n°1. 858, de 1999; b) Que apurou o efeito de tais variações nas bases de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, corrigindoas e, por conseguinte, apurou as diferenças recolhidas a maior ou a menor, conforme planilha anexa e registros contábeis, procedendo a compensação dos valores indevidamente recolhidos; c) Que foi surpreendido pela intimação do indeferimento de seu pleito, sob a alegação que o valor indicado no DARF foi integralmente utilizado para a quitação do débito declarado em DCTF, relativo ao mesmo período de apuração. d) Alega a nulidade do Despacho Decisório por ofensa ao disposto ao art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235, de 1972 — PAF, especialmente pela preterição do direito de defesa, e ofensa ao disposto no art. 2°, inciso VI, art. 3°, inciso III, e art. 28, todos da Lei n° 9.784, de 1999, alegando que, se a fiscalização considerava que seria necessário a apresentação de outros documentos, deveria ter intimado a recorrente a apresentálos. e) Alega, também, que poderia ter sido realizada diligência fiscal, conforme previsto no art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, e que a ocorrência se pagamento indevido e o direito do contribuinte à restituição do crédito dele decorrente não estão condicionados à retificação de todas as declarações anteriormente apresentadas; f) Que a edição da MP que lhe permitiu a apuração pelo regime de caixa foi editada posteriormente ao período de apuração objeto de DCTF, onde a apuração foi efetuada pelo regime de competência e, assim, não faz sentido a retificação das declarações como se tivesse cometido algum erro. "Mesmo porque, como se sabe, a retificação dessa espécie induz a aplicação de penalidade, calculada com base nas informações incorretas". g) No mérito, alega que, com a edição da Medida Provisória — MP — n°1. 858, de 1999, as receitas financeiras poderiam ter sido apuradas no momento da liquidação da operação (regime de caixa), conforme disposto em seus artigos 30 e 31, que transcreve, e que procedeu conforme autorizado pelo dispositivo legal citado. h) Ressalta "... que a empresa possui, e desde já coloca à disposição do Fisco, além dos documentos acostados aos autos, todos os documentos Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13888.900794/200882 Acórdão n.º 3201000.995 S3C2T1 Fl. 2.049 3 que demonstram a regularidade do procedimento por ela adotado e a indiscutível comprovação do pagamento do indébito". i) Alega "... que, a rigor, nenhum valor é devido pela empresa a titulo de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras aqui discutidas, seja considerando o regime de caixa ou de competência, pois tais valores jamais se submetem ao conceito de faturamento", por força da decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo instituído pela Lei n° 9.718, de 1998, e que o reconhecimento do direito aqui discutido é apropriada, até para evitar a transferência da questão para o Poder Judiciário; Requer a declaração de nulidade do Despacho Decisório ou sua reforma, para homologar as compensações declaradas, protestando pela juntada de novos documentos e pela realização de diligências que atestem o alegado. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/04/1999 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não é nulo o ato que permite ao sujeito passivo a apresentação de alegações e meios de prova para contestálo. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PEDIDO. FORMALIDADE Considerase não efetuado o pedido de diligência ou perícia formulado em desacordo com as normas legais, em especial o art. 16 do PAF. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRAZO LEGAL. A apresentação de prova documental deve ser feita dentro do prazo previsto para a apresentação da manifestação de inconformidade. A juntada posterior somente é possível se o fato se enquadrar nas exceções previstas no art. 16 do PAF. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito tributário objeto de compensação declarada pelo sujeito passivo, não se pode lhe reconhecer o direito creditório, condição essencial e necessária para a homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. É o Relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de compensação declarada através da PER/DCOMP, contudo não consta dos autos qualquer peça do procedimento de fiscalização que levou ao despacho decisório trazido aos autos pelo recorrente, portanto, não há nos autos comprovação da intimação para apresentação dos documentos ou outros elementos de prova que foram considerados como essenciais pela administração para a homologação da compensação declarada de que trata o artigo 39 da Lei nº 9.784/99, verbis: Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Esta omissão ensejaria a nulidade do presente processo, contudo, na forma do parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, como entendo que, no mérito, há possibilidade de decidir do mérito a favor do sujeito passivo, deixo de apreciar, neste momento, tal nulidade. Ao contrário do entendimento exposto na decisão recorrida, entendo que a prova trazida na manifestação de inconformidade, qual seja, cópia do Livro Diário, é aquela prevista na legislação (na forma do artigo 226 do Código Civil), além disso, os demais documentos trazidos no recurso voluntário reforçam a evidência do direito alegado, descabendo a este colegiado a quantificação deste. No que diz respeito à inclusão da variação cambial positiva na base de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, a posição do Superior Tribunal de Justiça está pacificada há anos, nas duas Turmas de Direito Público. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. VARIAÇÃO CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13888.900794/200882 Acórdão n.º 3201000.995 S3C2T1 Fl. 2.050 5 1. A incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação (AgRg no REsp 1.143.779/SC, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma). 2. Agravo regimental não provido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no AREsp 23033 / RS, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 12/12/2011). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. NORMAS DE ISENÇÃO E IMUNIDADE. PRECEDENTES. 1. Tratase de agravo regimental interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que, ao negar seguimento ao recurso especial fazendário, entendeu que não incide tributação de PIS e COFINS sobre variações cambiais positivas decorrentes das receitas de exportação de mercadorias. 2. "A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em um caso análogo, decidiu que: "Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente." (REsp 1.059.041/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 4.9.2008). 3. Agravo regimental não provido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp 1143779 / SC, relator Ministro Benedito Gonçalves, DJe 25/11/2010). TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. EXPORTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. ISENÇÃO. 1. A isenção do PIS e da COFINS das receitas decorrentes da exportação de mercadorias, estabelecida no art. 14 da Lei 10.637/2002, abrange a variação cambial positiva desses valores. Precedentes da Segunda Turma do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, Segunda Turma, AgRg no REsp 981757 / SC, relator Ministro Herman Benjamin, DJe 24/03/2009). Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 Outra não tem sido a jurisprudência administrativa sobre o tema, como se verifica das ementas do antigo Conselho de Contribuintes sobre o tema a seguir transcritas: VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1° do art. 30 da Lei n° 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. (Número do Recurso: 126872 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10680.015462/200324 Matéria: PIS Data da Sessão: 24/01/2007 Relator: Maria Cristina Roza da Costa Decisão: ACÓRDÃO 20217634) I NCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, deve o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre receitas financeiras e outras receitas, inclusive variação cambial ativa, até a entrada em vigor da Lei n° 10.833/2003. (Número do Recurso: 131799 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 18471.000307/200542 Matéria: COFINS Data da Sessão: 15/08/2007 Relator: Walber José da Silva Decisão: ACÓRDÃO 20180512) VARIAÇÃO CAMBIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira não devem figurar na base de cálculo da Contribuição para o PIS, tendo em vista o novo conceito de faturamento dado pelo Eg. STF, o qual deve se restringir à receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida aquela relacionada à atividade por ela desenvolvida, diretamente vinculada à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. (Número do Recurso: 140468 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 13609.001035/200409 Matéria:PIS Data da Sessão: 13/03/2008, Relator: Antônio Lisboa Cardoso Decisão: ACÓRDÃO 20218892 ) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13888.900794/200882 Acórdão n.º 3201000.995 S3C2T1 Fl. 2.051 7 COFINS. LEI N° 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE). INCONSTITUCIONALIDADE DA SELIC. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorada pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Acertada a aplicação da taxa Selic. Recurso provido em parte. (Número do Recurso: 140798 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10920.003619/200307 Matéria: COFINS Data da Sessão: 08/04/2008 Relator: Fabíola Cassiano Keramidas Decisão: ACÓRDÃO 20181031) Basicamente, temos três argumentos para afastar a incidência das contribuições ao PIS e COFINS sobre a variação cambial da moeda nacional perante o dólar americano: a primeira referese à imunidade constitucionalmente garantida às receitas decorrentes de operações de exportação, na forma do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal; a segunda decorre do comando emanado do art. 14 da Lei 10.637/2002, que isenta as referidas receitas do campo de incidência das contribuições; e, finalmente, terceira que se fundamenta na limitação conceitual estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento que estabeleceu o conceito de faturamento, ao julgar a constitucionalidade da Lei nº 9.718/98, que afasta a incidência sobre receitas financeiras e outras receitas, inclusive variação cambial ativa, ao menos, até a entrada em vigor da Lei n° 10.833/2003. Não fossem estes argumentos suficientes para afastar a incidência pretendida pela fiscalização, observo que a Lei nº 9.718/98 tem comando que expressamente exclui a mesma no caso em exame, qual seja, aquele inserto no inciso II do parágrafo segundo do artigo 30: § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: (...) II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (grifos acrescidos ao original) As variações cambiais são exatamente reversões de provisões operacionais e não representam ingresso de novas receitas, portanto, se encaixam à perfeição no conceito excludente acima. Por estas razões, VOTO por conhecer o recurso voluntário para darlhe provimento, determinando à autoridade fiscal a que está submetido o contribuinte, ora recorrente, que apure o valor do direito do contribuinte. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 8 MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. - A Comunicação de acréscimo antes do ini cio de ação fiscal exclui a penalidade co minada no artigo 59, item VI do Decreto- -lei n9 751/69. - Recurso especial a que se nega provimen to por unanimidade de votos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso espec',;-= &,,) ' Sala das seá's8-s l(DV, em 03 de maio de 1983. ' / 0 /Á-- ,/ AMADOR OUTE ° 0 w 5 NaNDEZ - PRESIDENTE WILFRIDO AnGUSTO i: S - RELATOR , r.- LUIZ FERNANDO 45 t , " I" À DE MORAES - PROCURADOR DA Á FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- v.v. ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, PAULO DE ALMEIDA, EDWALDO REIS DA SILVA, PAULO CÉSAR DE AVILA E SILVA e SEBAS TIÃO RODRIGUES CABRAL. • ,,,,42r40, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0845/057.808/81-01 RECURSO rm.°,-RP/303-0.754 ACÓRDÃO N." :CS RF/03-1.05 9 RECORRENTE:FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. RELATÓRIO Recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Na cional junto à Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuin- tes, contra decisão consubstanciada no acórdão n9 22.582, de 05/ /10/82, assim ementada, verbis: "CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO - Extravio e acres- cimo de volumes. NO cãlculo tributãrio relativo às faltas adotam-se os valores vigentes na data do seu conhecimento pelas autoridades aduaneiras, o que ocorre na chegada do navio. Exclui-se da exi- gência fiscal a penalidade por acrescimo de volu- me, comunicada pela parte à repartição competente antes da ação fiscal. Recurso provido em parte." Alega-se no recurso, em resumo, que o art. 138 do CTN não se aplica ao caso sob apreciação, onde se trata de penali- dade pelo descumprimento de obrigação acessória, que o documento foi apresentado após o início da ação fiscal (pedido de esclareci- mento) e que o documento não tem qualquer característica de "denún cia espontânea", pois e uma informação sobre o manifesto do navio para 7 azende. .solicitação formulada pela conferencia final do mani- festo D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/057.808/81-01 2. Acórdão n9-CSRF/03-1.059. O Sujeito Passivo contra arrazoou solicitando a ma- nutenção do acórdão recorrido, salientando que os artigos 143 e 144 do C.T.N. não estaleceiA,orrna específica para a elaboração de de- i nfincia espontãnea/P atõrio. // , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/057.808/81-01 3. AcOrdão n9-CSRF/03-1.059. VOTO Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Relator: A documentação que instrue os autos comprova que houve a denúncia espontânea dos acréscimos, portanto não pode pros perar o recurso especial. Consubstanciando esse entendimento extrai-se deci- são recorrida o seguinte trecho: "a interessada fez confissão es- pontânea dos acréscimos, como se ve do documento de fls, 20, Esse fato elide a responsabilidade pela infração excluindo-se a multa por força do despacho no art. 138 do C.T.N.". Assirã) se , voto no sentido de negar provimento 71) i y . I,ao recurso especial/4I ;2 Braglip (DF), em 03 de maio de 1983. /7 --› WILF RIDO AU O ,/MA QUES- RELATOR..----" ' ';ÃT Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Sessão de .2.6 ... de .. .Q11 tIlb.Vdb 19 82 ACORDÃO N° .CSRE/.0.1mQ .264 Recurso n° RD/104-0 .130 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido 4a. CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: JOSÉ PINHO MAIA IRPF - CÉDULA G - FALTA DE ESCRITURAÇÃO - TRIBU- TAÇÃO. Inobservadas as regras de apuração do rendimento liquido, estabelecidas no art. 54 e incisos, do RIR/75, e conhecida a receita bruta, rejeitam-se as deduções e reduções incomprova das, face ã omissão do contribuinte, e a base (5. calculo é determinada pela receita bruta, porém, limitada a 15% do seu montante, â vista do § 19 do art. 60 do citado Regulamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis_. cais, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial. Ven._ cidos os Conselhe' os W:4: bEVAN ALVES DE OLIVEIRA, LUIZ MIRANDA e PEDRO MARTINS FERNANDE*.j' "( 4 & 1 S-- a das S- iss ,oes / 411 ) . , em 26 de outubro de 1982 ' i fg / I, 4 / ,r .,AMADOR OU v ''-.' ek — NmINDEZ PRESIDENTE í. _ URGEL PE- 1" Á LoPEI, RELATOR ,$,04100 de/ LUIZ FERNANDO,. ($ IRADE MORAES PROCURADOR DA FAZENDA NA,CICNAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: , _ RAUL PIMENTEL, JACINTO DE MEDEIROS CALMON:e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0 850/050 . 787/81-33 RECURSO N9: RD/104-0.130 ACÓRDÃO N9: CSRF/01-0,264 RECORRENTEN9: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: 4a, CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: JOSÉ PINHO MAIA RELATÓRIO- A FAZENDA NACIONAL, por seu procurador junto ã 4a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, recorre a esta Câma- ra Superior, com base no inciso II do art. 49 do Regimento Inter no, pleiteando a reforma do Acórdão n9 104-02.837, prolatado no julgamento do recurso n9 37.510, interposto por JOSÉ PINHO MAIA. 2. O apelo suscita divergência em relação ao Acórdão n9 102-18.473, de 10.09,71, da Egrégia 2a. Câmara. 3. O Sr. Presidente da 4a. Câmara, pelo despacho de fls. 215/217, entendeu comprovada a divergência e admitiu o recur so especial. 4. A questão em debate repousa no fato de o contri buinte haver sofrido arbitramento dos rendimentos da cédula G, nos exercicios de 1979 e 1981, com base no art. 20, c/c os arts. 38,1, e 54, III e § 19 do RIR/80, (art. 20, c/c arts. 38, "a", e 54, III e § 19 do RIR/75). 5. O Acórdão recorrido tomou a orientação bem resumi- da na Ementa, que se transcreve: "CÉDULA "G" - RENDIMENTOS - ARBITRAMENTOS - COEFI-d CIENTE - É inaplicável, o coeficiente para ar DMF - DF /1(? C-C - Secgraf - 16 /7 11-2 2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERALPrOCeSSO n9 0850/050.787/81-33 Acórdão n9 CSRF/01-0.264 b,t,trapentO do rendimento tributável resultante da exploração das atividades agrícola ou pastoril e das indústrias extrativas vegetal e animal, o per- centual de 15% estabelecido como limite máximo para cômputo do rendimento liquido tributável (DL. 902/ 69, art. 49, 5 69, acrescentado pelo art. 19 do DL. 1.074/70; DL. 1.494/76, art. 12; DL. 1.584/77, art. 49). Enquanto não forem fixados, conforme determina ção legal, os critérios para o arbitramento, a tri- butação dos rendimentos classificáveis na Cédula"G" far-se-á à vista dos elementos que permitam apurar a receita bruta, asdespesas de custeio e os investimen- tosincentivados realizados durante o ano-base e, em conseqüência, chegar à identificação do rendimen_ to liquido tributável." 6. À sua vez, o Acórdão paradigma adotou orientação di_ versa, conforme nos dá notícia a sua Ementa, "in verbis": "IRPF - CÉDULA G - ARBITRAMENTO DO RENDIMENTO TRI- BUTÁVEL. - Quando inexistir a escrituração rudimentar ou simplificada, a que estão obrigados os contribuintes que auferirem receita bruta, classificável na cédu la G, entre os limites fixados no artigo 54, II, (15 Regulamento do Imposto de Renda, justifica-se o ar bitramento do rendimento tributável na base de 15=7, da receita bruta, coeficiente previsto no artigo 49 do Decreto n9 1584, de 29 de novembro de 1977, pa- ra fixar o limite não transponivel pela soma das reduçaes que beneficiam os rendimentos da cédula G."_ 7. O contribuinte não ofereceu contra-razOes# 717' É o relatório. ,, i , 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 08W050.787181-33 Acórdão n9 CSRF/01-0. 264 VOTO - - - Conselheiro URGEL PEREIRA LOPES, Relator: O recurso reúne os pressupostos legais de admissi- bilidade, merecendo ser conhecido. No julgamento de recurso especial interposto pelos mesmos pressupostos de fato e de direito contidos no ora apreciado, e que deu azo ao Acórdão n9 CSRF/01-0.262, tive ensejo de, na queli dade de relator, proferir o seguinte voto: "Não sofre contestação o fato de que os rendi - mentos das atividades agrícolas estão sujeitos a incidência do imposto sobre a renda, face ao orde namento jurídico vigente. Quer dizer: há inteira -J I inatacável previsão legal nesse sentido. Sem con trariedade a Constituição Federal, ao Código Trib-ii ',bário Nacional ou ã legislação ordinária. Assente essa premissa, são despiciendas, para já, considerações em torno do princípio da anuali dade, ou do princípio da legalidade ou da anteriCS ridade da leí/ Temos, claro e insofismável, que a regra ge- ral & a incidência do tributo sobre os rendimentos classificáveis na cédula G, derivados das ativida- des agrícolas enumeradas no art. 38 do RIR/75. Também é regra geral que a forma de apuração desses rendimentos é a discriminada no art. 54 e incisos do mesmo Regulamento. Basicamente, são três: estimado (forma A), escrituração rudimentar (forma B) e contábil (forma C). Todas elas em fun- ção do valor da receita bruta auferida no ano-base. A controvérsia exsurge nos casos em que os contribuintes descumprem a obrigação "ex lege" de apurar os rendimentos segundo uma das formas esta- belecidas no citado art. 54. Vale dizer: quando o contribuinte lhe dá causa por descumprir a lei. Convém ressaltar que o descumprimento da lei, na hipótese em análise, não é omissão sem maiores conseqüências. Bem pelo contrário, a conseqüência imediata e inexorável é a de frustrar ao fisco os meios de apurar, com a correção e exatidão necessá rias, a verdadeira base de cálculo do tributo. Ora, se É71. vermos presente que o des cumprimento da obrigaç ao le- gal imposta pelo referido art. 54, por parte do contribuinte, não decorre, "i su", de caso for// , 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0850/050,787/81-33 Acórdão n9 CSBF/01-0,264 . tuito ou de força maior, ou de qualquer fato inibi dor conhecido de idêntica relevãncia; se admiti mos, também, que pagar o menor imposto possível não constitui hipótese desprezada,"ab initio", por qualquer contribuinte, talvez pudessemos conside rar que o injustificado descumprimento da obriga:- ção de apurar o rendimento tributável na forma cor_ reta, bem poderia não estar assim tão isento de intencionalidade. . Nesse contexto, o aplicador da lei, tão isen to, imparcial e objetivo quanto humanamente pos*: sível, não pode, a meu juízo, minimizar a previ são .legal para a tributação dos rendimentos elas sificáveis na cédula G, e o comportamento omissiv-6- do contribuinte, para concentrar sua atenção, fun damentalmente, a esmiuçar formalismos de ordem le'l gal impostos à Fazenda Pública. Neste voto tentar-se-á não i perder de vista os seguintes pontos: (a) os rendimentos provenien- tes das atividades agrícolas estão sujeitas ao im posto de renda; (b) a quantificação dos rendimen--1 tos tributâveis, segundo o método que autoriza as deduções de custos e despesas, e reduções por in- vestimentos, era obrigação legal do contribuinte; (c) o contribuinte descumpriu, por inteira respon- sabilidade sua, a referida obrigação; (d) cabe ao intérprete perquirir, no ordenamento jurídico vi- gente, a base de cálculo do tributo correspondente à espécie dos autos. Preconiza o § 19 do art. 54 do RIR/75 que "a• inobservãncia do disposto neste artigo importará em arbitramento do rendimento tributável com base nas normas fixadas pelo Ministro da Fazenda." Arbitramento, como se sabe, pode consistir no cálculo feito pela autoridade lançadora, baseada nos elementos dé que dispuser, para fixar os rendi_ mentos sobre os quais se fará o lançamento. No caso do § 19 do art. 54 do RIR/75, segundo normas a serem fixadas pelo Sr. Ministro da Fazen da. Como essas normas ainda não foram baixadas,en tendeu-se, no Acórdão recorrido, inaplicável o ar- bitramento com base no dispositivo legal em ques- tão. Se bem entendi, haveria como que uma "vacatio legis" no plano da eficácia da citada norma jurldi ca, por inaplicável enquanto não regulamentada. • Contudo, embora inexistisse apuração do rendi mento tributável, por haver o contribuinte descum- prido o art. 54 e incisos do RIR/75, e inexistin_ . do, também, as tais normas sobre arbitramento .nun ciadas no § 19 desse artigo, assim mesmo o Aelrdã3 . errecorrido concluiu ser devida a tribu- ão /I, . ' ' 5. r :• : SERVIÇO ICO FEDERAL Processo n9 0850/050,787/81-33 . PÚBL Acórdão n9 CSRF/01-0.264 .• , • Prop8s:r no entanto, outra modalidade de arbitramen too ",., não. com base em coeficientes, pois que este" siste0a não seria aplicável a contribuintes de outras cédulas," mas sim com apoio nos itens I e III do art. 676, combinados com os itens I e III do art. 678, am- bos do RIR/80. . Creio ser possível solução mais adequada. i Inexistindo forma regular de apuração dos rendimen . tos líquidos, é entendimento geralmente aceito que 5 •, rendimento bruto continua sendo o melhor indicador para se chegar ao rendimento tributável. Rendimento bruto,ou [ Preceita bruta, se adotada a terminologia da apuração 1 contábil das pessoas jurídicas, e que é utilizada na » cédula G. Sabese que da receita bruta podem ser feitas as • deduções da cédula G (despesas de custeio e prejuízos , de exercícios anteriores) e a redução pelos investimen- tos, desde que demonstradas e comprovadas, para se che _ . gar ao rendimento líquido. Supondo-se que o contribuinte houvesse cumprido o disposto no art. 54 do RIR/75, adotando, dentre as três 1 formas ali relacionadas, aquela que se ajustasse ao mon . tante de sua receita bruta, estaria quantificada a ba- se de cálculo, configurada a hipótese de incidência e [ estabelecido o vínculo obrigacional, sobrevindoaexigibi lidade do crédito trtbutário com o lançamento regular- mente notificado. Se, numa eventual fiscalização, fossem comprovadas . • receitas omitidas, ou deduções ou reduções indevidas,ca beria o acréscimo correspondente e a tributação da di- ferença encontrada. Em suma: o que estivesse declarado de acordo com a lei, seria aceito; o que houvesse sido omitido em maté- ria de receita, ou deduzido, ou reduzido, em desobediên - : cia à lei, seria tributado. Porém - e este pormenor é da maior relevància -- .1 1 em qualquer caso, o rendimento liquido tributável, de- clarado pelo contribuinte ou apurado pela fiscalização, 1 jamais poderia exceder de 15% da receita bruta do ano- . -base, declarada ou apurada, por força do disposto no § 19 do art. 60 do RIR/75. [ Em conclusão: Ca) se a premissa para se fruir das deduçóes ou reduçOes consiste na respectiva comprovação; (b) se essa comprovação não é somente documental, mas também escriturai., nas hipóteses das formas B e C do • art. 54 do RIR/75, de tal maneira que os documentos sem 1 a escrituração, ou o inverso, não atendem às exigências legais; (c) se a inexistência de tal comprovação decor- re de descumprimento de obrigação legal Somente imputá- vel ao contribuinte que, de modo algum, pode ser erigi do em fator excludente de tributação prevista em lei;en tão a conseqüência lógica só poderi ser a d- se tribu- tar a receita bruta declarada ou a r ada. /5( ,t. . . . . i (:)* SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0850/050.787/81-33 Acórdão n9 CSRF/01-0.264 Entretanto, por força do já citado § 19 do art. 60 do RIR/75, sabendo-se que em hipótese alguma a ba- se de cálculo dos rendimentos classificáveis na cédu- la G poderá exceder de 15% da receita bruta, é eviden te que serão esses 15% que constituirão a base de cãi culo. Portanto, os outros 85% continuam não tributa- dos. Ressalte-se que não é em todos os casos de tribu tação de rendimentos classificáveis na cédula G que.- o montante das deduçOes e reduções atinge 85% da re- ceita bruta. Muito pelo contrário. Mesmo porque, se assim não fosse, quer dizer, se as deduções e reduções cdulares 5empre atingisseJa ou ultrapassassem os 85% da receita bruta, o limite de 15% do § 19 do art. 60 do RIR/75 'seria absolutamente inócuo. Por outro lado, para aqueles -a quem pareça exces sivo tributar 15% 'da receita bruta, pelo abandono da-s- deduçaes e reduções incomprovadas, convém lercbrartrés aspectos essenciais. 0 primeiro, é que âs autoridades . incumbidas da tributação, fiscalização e arrecadação, no ãmbito federal, interessa que os preceitos do art. 54 e incisos, do RIR/75, hoje reproduzidos no art. 54 ° e incisos, do RIR/80, sejam observados pelos contri- buintes, por corresponderem ã regra geral de tributa- ção de que se trata. O segundo, de certo modo decor rente do primeiro, é que se vierem a ser baixadas as normas de arbitramento anunciadas no § 19 do e citado arte 54 (previstas no Decreto-lei n9 902/69, portan- to, há mais de 12 anos), é logicamente previsível que os coeficientes ou outros indicadores de arbitramen- to não conduzam a tributação menos gravosa do que a resultante da base de cálculo de 15%' da receita bru- ta. Mesmo porque, se assim não fosse, não restaria mo . ' tivo para que os contribuintes efetuassem a apuração nos moldes do art. 54. A não ser, talvez, aqueles cujas deduções e reduções alcançassem valor superior a 85% da receita bruta. Entretanto, não é razoável coo jeturar que as normas de arbitramento fossem de tal ordem que apenas estes últimás se sentissem eStimula- dos a observar as regras do art. 54 sobre apuração do rendimento líquido. Surge, então, o terceiro as- pecto: as anunciadas normas de arbitramento seriam realmente necessárias para os casos de impossibilida- de, de se conhecer a receita bruta, ou, ate, de incon- fiabilidade dos elementos que a demonstrassem. ..,— Afigura-se-me, por conseguinte, que o desprezo das deduções e reduçoes possíveis, aqui preconizado pela omissão do contribuinte em comprová-las na for- ma da lei, conjugado com o limite de 15% fixado no §, 19 do art. 60 do RIR/75, além de ser a solução juridi ca, justa e razoável, está muito longe de ser iníqua, ou excessivamente gravosa. Aliás, enquanto o limite tributável, na cédula / G, era de 5%, casos desta natureza n n 0em :%am question 41" - . i. SERVIÇO PCJE3LICO VEDC-F2AL Processo n9 0850/0 50.787/81-33 í Acórdão n9 CSRF/01-0.264 I dos pelos contribuintes. Somente com a elevação do 1 percentual para 15%, atrav -es do Decreto-lei no 1584/77, e que as controversias começaram a ter ex- pressão. Recorda-se que o percentual de 25%, introdu I,'zido pelo Decreto-lei 1.494/76, nunca foi aplicado.- r iTem-se, na cédula G, e na solução que exponho, situação em muito idêntica ao que se passa na cédula D. Nesta, a falta de escrituração do livro Caixa a- carreta, como se sabe, a indedutibilidade das des- pesas acima de 20% do rendimento bruto, ainda que o contribuinte di_s_p2nha de todos os comprovantes de tais despesas. As condiçbes legais para a dedutibl- I lidade não se esgotam com a existência dos comprovan If . tes das despesas, consoante remansosa jurisprudência, I - Requer-se, também, a escrituração do livro Caixa. 1 1 • Assinale-se que, na cédula G, de igual maneira não basta dispor de comprovantes de despesas e cus- Itos, ou dos investimentos. Exige-se, ainda, a escri- turação, nas formas B e.C, pelo menos, já que a for , 1 • _ ma A contenta-se com o resultado estimado. i A inexistência ou imprestabilidade da escritura çâo rudimentar, se for o caso da forma B, ou cont bil, nos casos em que se exige a forma C, â falta d,-e: normas especiais, equivale 5.. não escrituração do li . vro Caixa, na cédula D, para as deduções superiores- 1 a 20% do rendimento bruto. A solução defendida neste voto somente encontra I• . óbice se não se conhecer ou não se puder apurar a receita bruta, no todo ou em parte. AI, sim, salvo 1 conclusOes a que se chegue em virtude de estudo que J sê desnecessÁrio aprofundar nesta oportunidade, pare-. • ce fazeremfalta normas especificas sobre arbitramen •. _ to. . . , Discutiu-se nestes autos em torno do vocábuloar bitramento. Se admitirmos que a adoção de base d-e- cálculo que não corresponda a receita bruta, menos - deduções e reduções pelos investimentos, implica to- mar-se como base de cálculo valor inexato, pode-se 1 até falar em arbitramento. Todavia, a solução aplica. r vel ã hipóteses como a do caso destes autos não tem a ver com o desconhecimento das deduções e reduções( I mas, sim, com a glosa de deduções e reduções que o contribuinte não comprovou conforme determina a I', lei, por sua omissão, Unica e exclusivamente. Ai, en . 1 tio, ja me parece inadequado falar-se em arbitra- . mento. Trata-se, na verdade, de tributação com base na receita bruta, numa das duas modalidades possí- veis, enquanto não baixadas as normas de arbitramen- - to: (a) receita bruta, menos deduções e reduções can I provadas, sem se exceder de 15% dessa receita brii i ta, ou (b) receita bruta, sem •edu 8es ou reduções i por não comprovadas, mas tamb :: 1 s , ultrapassar cs tais 15% da receita bruta. /1 , , ! / . £3 • sER.vic,o PúsLico FEDERAL Processo n9 0850/050.787/81-33 Acordao n9 CSRF/01-0 .26d • Alias, no essencial, esse é o tratamento jurídi- co-fiscal aplicavel à tributação dos rendimentos elas sificáveis em qualquer das 8 cédulas. Assim, não é realmente de arbitramento que se cuida. O uso do vocábulo arbitramento nestes autos, desde o Auto de Infração ate o Acórdão recorrido foi, "maxima venha concessa" inadequado. De qualquer manei 1 ra, não vislumbro inovação no feito no entendiment5 J que defendo, mesmo porque com ele não chego a tributa j ção menor nem maior do que a do Auto de Infração. TaFri • bém há correspondência no percentual de 15% da recei- ta bruta, utilizado no lançamento impugnado. São os mesmos-a base de cálculo e o fato gerador. Nenhuma di ferença quanto à matéria de fato. Igualmente, la, co- mo aqui, se abandonam as deduções e reduções, inadmi- tindo-as, por incomprovadas. Apenas, no Auto se men- cionou como base legal, dentre outros dispositivos le Tais arrolados, o § 19 do art. 54 do RIR/75. Ora, se certo que o Auto de Infração deve con- ter; dentre outros elementos, a descrição do fato e 1 a disposição legal infringida, a jurisprudência admi- nistrativa, e mesmo a judicial, têm dado maior :rele- vância à matéria de fato, do que à capitulação legal. De um lado, porque os fatos tidos por irregulares,im- putados ao contribuinte, constituem o mais importante fator para a apresentação da defesa. De outra parte, porque a lei presume-se conhecida por todos, segundó o principio "nemo ignorare legis potest". Ainda por- que, estabelecido o litígio adMinistrativo fiScal,não esta o julgador adstrito à capitulação legal contida 1 no Auto, se entender que aos fatos melhor se enquadra outro ou outros dispositivos legais. Penso que tam- bém no processo administrativo fiscal tem guarida,com as devidas cautelas, o principio de que ao julgador cabe extrair o direito aplicável aos fatos do proces- so: "da mihi factum, dabo tibi ius; iura novit curia". Evidentemente, sem que dal resulte cerceamento do di reito de defesa, Neste feito, apesar de parte do debate ter-se concentrado na figura do arbitramento, creio que a verdadeira essência do problema era outra, confonmese buscou demonstrar neste voto, e esse ponto nuclear da questão também não foi ignorado desde o inicio, embo- ra como vocábulos e conceitos nem sempre os mais téc- nicos. Consequentemente, a solução que me parece corre- ta, e que implica descartar a figura do arbitramento, sem nada mais alterar na mataria de fato ou de direi- to, não implica inovação no feito, pois inovar signi- fica introduzir fato novo, em relação ao que se está fazendo Ou esta feito no processo, com o intuito de ver alterada a fase anterior. A inovação, ainda que • formulada sob a forma de atentado contra direito, con substancia-se em relação a estado ' de fato ou situação de fato ME PLACIDO E SILVA, 'n abulário Jurídico, Forense, V. 11, 2a. ed.). 401 ` 9. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0850/787/81-33 Acórdão n9 CSRFJ01,0„264 Nessa ordem de idéias, o fato de o recurso espe cial pedir seu provimento nos termos do acórdão pa radigma, que alude a arbitramento, não prejudica 5 entendimento esposado neste voto, de modo a que es- te possa ser acoimado de ter deicidido "circa peti- ta" ou "ultra petitau." No caso presente não hã o que acrescentar ao voto acima transcrito. Isto posto, dou provimento ao recurso es ia arasilia-DF. - 26 de outubro de 1>4' URGEL PEREI • LOPrS RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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Numero do processo: 00008.450643/04-78
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-06T22:32:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-06T22:32:47Z; Last-Modified: 2009-07-06T22:32:48Z; dcterms:modified: 2009-07-06T22:32:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-06T22:32:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-06T22:32:48Z; meta:save-date: 2009-07-06T22:32:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-06T22:32:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-06T22:32:47Z; created: 2009-07-06T22:32:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-07-06T22:32:47Z; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-06T22:32:47Z | Conteúdo => , PROCESSO N9 0845/064.304/78 NW .Sk~ MINISTÉRIO DA FAZENDA MAT Sessão de 26/faverei.roM 19 80 ACORDÃO NI°C.SRF/03=0.153 Recurso n o -RP/302-0.112 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: AGÊNCIA MARÍTIMA DICKINSON S.A. FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPOR TADA: parágrafo único do art. 19 d-6- Decreto-lei n9 37, de 18/11/66. Na hi pOtese de ser conhecida e ,apurada "ã. falta em ato de "conferencia final de manifesto" (Decreto n9 63.431, de 16 de outubro de 1968, art. 25) , toma-se como referencia para cálculo do tribu to devido (conversão da taxa de câm- bio e aplicação de allquotas tarifá- rias) a data da aludida conferencia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL.: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento do Recurso Especial para considerar devidos os tributos com base na taxa de câmbio e ali: quota vigorantes na data da representação relativa à conferencia fi nal de manifesto. Vencidos os Conselheiros Wilf rido Augusto Mar. -)s, Enila Leite de Freitas Chagas e Randolfo Henrique de Souza Neto 41 * çï/2 Salas das Se sõe-,I , e: 6 de fevereiro de 19 ' ill i /1 ANJADOR-03 • _ .co --F ",ã Ni• Z 7/) PRESIDENTE , i LME I! , 1--7-- 1 i RELATOR , ADHEMILS*1 BASg'OS DE CARVALHO PROCURADOR DA FA f / 1 / ZENDA NACIONAL —I , v v•v. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. 1. 7.;',kW *tAP' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NI2 0845/064.304/78 RECURSO N.o:- RP/302-0.112 ACÓRDÃO N.o:-CSRF/03-0.153 RECORRENTE N.o: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEGUNDA CAMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: AGÊNCIA MARÍTIMA DICKINSON S. A. - RELATÓRIO Em decorrência de conferência final de manifes_ to, constatou-se a falta de mercadorias acusada no auto de in- fração básico, exigindo-se os tributos correspondentes, calcula dos com base na allquota tarifária e valor do dólar fiscal vigo rantes ã. época dessa autuação. (fls. 1). A transportadora responsabilizada não concordou com a época de referência para o cálculo dos tributos e do valor fiscal, alegando que o parágrafo único do art. 60 ao Decreto-lei n9 37/66 manda que, nos casos de dano ou avaria e extravio de mercadorias importadas, cabe ao responsável indenizar o valor dos tributos que, em conseqüência, deixaram de ser recolhidos, de modo que, para a determinação do "quantum" devido, basta ve rificar o que teria sido recolhido pelo importador, caso não ti vesse ocorrido o extravio, isto é, aplicando-se as allquotas ta rif árias Vigentes ã época em que a mercadoria não extraviada foi submetida a despacho, adotando-se o valor contemporâneo da moe da estrangeira. A autoridade de primeira instância decidiu pela procedência da ação fiscal, sob o fundamento de que as fa -..as eri r/ 7t,_? \ 1. D M F - DF/1.op.ç ='- Secgraf - 1600/75 2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845./064.304/78 Acórdão n9-CSRF/03-0.153 acréscimos apurados em conferencia final de manifesto terão como base de cálculo de impostos devidos à data em ' que se expedir a intimação prevista no art. 26 do Decreto n9 63.431/68, de confor_ midade com o determinado na Orientação Normativa Interna n9 CST 30/76. , A interessada, então, recorreu ao Terceiro Con_ selho de Contribuintes, alegando, como já fizera na impugnação inicial, que já por ocasião do despacho aduaneiro, que e instrui do com o respectivo conhecimento marítimo, a autoridade aduanei ra, ao desembaraçar quantidade de mercadoria ou de volume inferi= à que esta indicada naquele documento, desde então TOMA CONHE_ CIMENTO DA FALTA, circunstância aludida no parágrafo único do art. 23 do Decreto-lei n9 37, de 18/11/1966, que esclarece dever amer cadoria em falta ficar sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta OU DELA TOMAR CONHE_ CIMENTO, o que aliás, estaria em conformidade com ato da autori dade fiscal regional (Ato Declaratório n9 0800/125,daS.R.R.F. da 8a. Região). A douta Segunda Câmara do referido Conselho so_ lucionou o recurso pelo Acórdão n9 24625 (fls. 33/43), dando-se, por maioria de votos, provimento ao recurso, com apoio no seguin te voto: (lido na integra em sessão). É dessa decisão que recorre o ilustre Procura_ dor Representante da Fazenda Nacional junto à Câmara, fazendo-o nos seguintes termos: (lido por inteiro em sessão). "As fls. 37/41 cópia de decisão da autoridade hie rárquica então competente sobre assunto idêntico. O ilustre Procurador junto a esta Câmara opinou 2 às fls. 48/58 no mesmo sentido do recurso especi , propondo sua solução nos termos do Acórdão CSRF/03-0.003., ...-, . , É o relatório. '7') 11.----- i s 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/064.304/78 AcOrdão n9-CSRF/03-0.153 VOTO Conselheiro PAULO DE ALMEIDA - Relator: Trata-se, Senhor Presidente, de típica "vexata gJ.aastio", questão allas, mais que tumultuosa, tumultuada, não sc5 pelos responsáveis tributários, mas também no ãmbito da prc5pria administração fiscal federal, tantas e tais são as variadas posi çOes encontradiças nesse assunto, embora duas teses básicas se distingam e que são as versadas neste recurso: a que defende o caráter puramente declaratOrio do ato da autoridade que verifica o extravio, com eficácia, portanto, "ex tunc", para efeito de exi géncia dos tributos com referência à data da descarga do velcu , lo condutor de cujos papéis consta manifestada a carga não encon trada; e a que esposa a natureza constitutiva do referido ato ad ministrativo, de maneira a valer apenas "ex nunc", a partir de sua prolação, para a conseqüência correlata de serem os impostos atendidos às taxas vigentes quando da formalização da ,exigendia tributária. O mesmo quanto ao valor da moeda estrangeira para es_ tabelecimento da base de cálculo. Os que se filiam à primeira,ar gumentam com a caracterização do fato gerador do imposto de im- portação pela entrada da mercadoria no territOrio nacional, defi nida em lei, no art. 19 do Decreto-lei n9 37/66, não se podendo deslocar a incidência para outra ocasião sem ofensa a ela; os ou_ tros apoiam-se no parágrafo único do mesmo artigo legal, conjuga do com o mesmo parágrafo do art. 23, do mesmo Decreto-lei, para considerarem a 114)6-tese de incidência, no caso de falta de merca_ dona, ocorrida somente quando da verificação da ocorréncia,for mal e expressamente declarada pela autoridade administrativa. A primeira posição tem comportado, conforme as circunstãncias, toda a problemática até hoje levantada em torno - do preciso momento em que se considera a mercadoria entrada em territOrio nacional, desde o limite das 200 milhas marítimas ate, a saída da repartição aduaneira, com os momentos interme:diários da entrada na barra; ancoragem no lagamar do porto; acostamento i no cais; descarga; entrada nos armazéns; submissão a Clespacho, ' etc. - ao sabor da maior conveniência para o interessado- ‘') A -,'', \\! \ \ 1 , 4. SERVIÇO PúBLICO FEDERAL Processo n9 0845/064.304/78 Acórdão n9-CSRF/03-0.153 segunda também tem ensejado, por parte do próprio Fisco, algumas variantes: o Ato Declaratório n9 0800/125/75,da Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo, tão citado nos recur sos, mandou que, no caso de falta, os tributos já ficassem calcu lados em declaração de importação "pro-forma", na ocasião do des pacho da mercadoria restante, para efeito de sua posterior exi gência; já a Orientação Normativa Interna da Coordenação do Sis tema de Tributação de n9 30/76 - hierárquicamente superior àque le - determinou que se tomasse para referência a data em que for expedida a intimação prevista no art. 26 do Decreto 63.431/68, que regulamenta a conferência final de manifesto; nada obstante, a fiscalização em geral toma valor fiscal e aliquota vigentes à data da lavratura do auto de infração, como ficou esclarecido no recurso 93.545 (Processo 0845-570.36/78), mediante diligência determinada pela Câmara competente. Toda essa controvérsia parece-1w, porém, gerada menos por dificuldade de interpretação dos textos legais envolvi dos do que por motivação económico-financeira, tendo em vista es pecialmente a base de cálculo, sendo sabido que as moedas estran geiras, mormente o dólar, sempre sobem de valor em relação à moe da nacional, de modo que, para o pagador dos tributos, quanto mais antiga a base de cálculo, melhor e vice-versa para o Fisco, naturalmente. Pois a colocação legal parece-me clara, fácil: se comprovadamente a mercadoria não entrou no pais, não há falar-se em fato gerador real, concreto, que é o que resulta da efetiva entrada no território nacional e que é o previsto no "caput" do art. 19 do Decreto -lei 37/66, mas tão somente no fato gerador presumido, previsto e definido no respectivo parágrafo único, co mo tendo ocorrência vinculada à verificação da falta - "que venha a ser apurada", diz o texto legal. Só então nasce para o Fisco o direito de exigir tributos, pois nessa ocasião é que se caracte riza a circunstância material que a lei adota como presunção do fato imponivel - a não entrada do que devia ter entrado, por estar manifestado. E o art. 23 é a expressão fiel e conseqtiênte des / sa conceituação, ao dispor que, no caso, a mercadoria fica su- V`v 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/064.304/78 Acórdão n9-CSRF/03.0.153 jeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduanei_ ra apurar a falta ou dela tomar conhecimento. Lógica formal e ló- gica jurídica, perfeita integração de normas harmónicas em torno de hipótese de incidência específica, contempladora de situação peculiar e independente do fato gerador concreto do tributo. E para frisar , a peculiaridade do fato em discus- são, como espécie autónoma de fato tributário do Imposto de Impor tação, basta lembrar que, no caso de falta total de determinada mercadoria manifestada, não havendo nenhuma quantidade restante a ser despachada, qual seria a data do fato gerador para a exigência dos tributos sobre o total que faltou? A da entrada no território nacional de quê, se nada entrou? n claro, portanto, que só quando constatada a falta, pois apenas então se pode ter como efetivado o fato gerador presumido do parágrafo único do art. 19. Isso por- que, em suma, enquanto que o fato gerador efetivo do I.I. é a en- trada da mercadoria no país, o presumido e caracterizado justamen_ te pelo contrário - a não entrada dó que devia ter entrado. Mas também se controverte quando é que a autorida_ de aduaneira apura a falta ou toma conhecimento da falta. Ora, a_ purar e tornar puro, escoimar, eliminar dúvidas ou incertezas, e isso só se faz deliberadamente, mediante, no caso, procedimento es_ pecífico previsto no Decreto 63.431/68, no que se refere à confe rência final do manifesto, enquanto que tomar conhecimento é de- parar-se com o fato de qualquer maneira positiva - na conferên- cia da mercadoria posta a despacho e na vistoria aduaneira, espe- cialmente - mas sempre de maneira direta em relação a determina da mercadoria, não, como querem os responsáveis por extravio, de modo vago e genérico, implícito, qual o conhecimento que resulta- ria de receber a autoridade aduaneira todos os papeis referentes ao navio e à carga, quando de sua chegada, pois e claro que tais documentos são manuseados ordenada e sistematicamente com vistas aos diversos fins peculiares à administração fiscal, nas oportuni dades adequadas - despacho, vistoria, conferencia de manifesto, etc, não de uma só vez e simultaneamente para todos os fins. Ine- gavelmente,tanto a apuração como o conhecimento da falta de merca_ ': dona importada são atos formais, expressos, emitidos oportu men N, \s s\ 6. , SERVIÇO PÚBLICO FEDERALp rocesso n9 0845/064.304/78 Aceirdão n9 CSRF/03-0.153 te com objetivos específicos, não podendo ser substituídos por situaçOes implícitas. Tenho pois, por incontestável o direito de a Fa_ zenda Nacional exigir tributos sobre mercadoria estrangeira ex- traviada calculados sobre base de cálculo e aliquota vigorantes data emem que a autoridade fiscal toma conhecimento do extravio,co mo decidido no Aceirdão CSRF/03-0.003 (Recurso RP/302-0.024). „n Dou, conseqdêntemente, provimento ao recuso es- ./pecial.,‘ (...P /7/7 B así-lia,DF. , v -de-f_evere-iro de 1980 PAULO DE MEIDA - RELATOR' , , W J i , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/064.304/78 7. ACÓRDÃO N9 CSRF/03-0.153 ° VOTO DO CONSELHEIRO AMADOR OUTERELO FERNÁNDEZ (PRESIDENTE) No caso dos autos dois fatos são o cerne da questão: o primeiro, diz respeito á eficacia das normas do artigo 23 e seu parágrafo único do Decreto-lei n9 37, de 18.11.66, face ao estabe_ lecido no art. 19 da Lei n9 5.172, de 25.10.66 (C.T.N.); o segun- do, refere-se ao momento em que o Fisco tomaria conhecimento de to_ dos os elementos que lhe possibilitariam exigir dos omissos os tri_ butos sonegados. Os dois assuntos, na realidade, não apresentam novi- dade, embora esta Câmara, ainda não tivesse a oportunidade de so- bre eles se pronunciar, em razão de sua recente instalação. Sobre esses dois aspectos os ilustres Conselheiros da Câmara recorrida, Dr. Henrique Manuel Garbayo Guarido (cujo vo- to foi acostado aos autos pelo Procurador da Fazenda Nacional, fa- zendo parte integrante do seu arrazoado), Raimundo Jose Alves Gon çalves e Edwaldo Reis da Silva, já fizeram judiciosos pronunciamen tos através dos votos que proferiram no julgamento da tormentosa - questão, ora sob apreciação desta Câmara Superior de Recursos Fis_ cais. Também fora dos estritos limites da Câmara recorri_ da (Colenda 2a. Câmara do 39 Conselho de Contribuintes) a matéria já mereceu acurado exame. Com efeito, a compatibilidade entre o estabelecido no art. 19 do Código Tributário Nacional e as normas do Decreto- -lei n9 37, de 18.11.66, que dispOem sobre o exato momento em que se considera ocorrido o fato gerador (especialmente a hipótese men_ cionada no art. 23 (mas que por analogia se aplica a qualquer ou- tra situação estabelecida no mesmo Decreto-lei n9 37/66) já foi am- plamente estudada pelo Poder Judiciário, tendo o Pleno do Colendo Tribunal Federal de Recursos, ao apreciar o Incidente de Uniformi zação de Jurisprudência no AMS n9 79.570 á - ( SP, sentado o que se lê :- na Súmula n9 4, daquele Tribunal, in verbis-p • )7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/064.304/78 2. • ACÓRDÃO N9 CSRF/03-0.153 "É compatível com o artigó 19 do Código Tributário Nacional à disposição do artigo 23 do Decreto-lein9 37, de 18.XI.1966. (Referência: COd. Tributário Na- cional, Lei n9 5.172, de 25.10.66, Artigos 19, 114 e 116, I; Decreto-lei n9 37, de 18.X1.1966, artigos 19, 23 e 44; Incidente de Uniformização de Jurispru dencia da AMS n9 79.570-SP (Pleno, 10.8.1978)." Dal para cá a jurisprudência de todas as suas Tur-. mas é indiscrepante, como se observa de inúmeros decisórios, todos unânimes, daquela alta Corte de Justiça, podendo serem mencionados a título de ilustração as AMS n9s. 78.588-SP, 3a. Turma, Relator Ministro Carlos Mário da Silva Velloso; 82.855-SP, la. Turma, Rela tor Ministro Presidente Márcio Ribeiro; 80.552-SP, 2a. Turma, Rela tor Ministro Paulo Távora; e 84.258-SP, la. Turma, Relator Minis- tro Washington Bolivar de Brito. Da mesma forma, o Egrégio Supremo Tribunal Fede- - .os unânimes apreciando a - mesma matéria, já sentenciou em acórdão da lavra do eminente Ministro Rafael Mayer: "Imposto de importação. Fato gerador - Allquota.Mer cadoria para consumo ou entrepostada. Compatíbilida de da disposição do art. 23 do Decreto-lei 37/66 com o art. 19 do Código Tributário Nacional. Enquanto o CTN define como fato gerador a entrada da mercado-. ria no território nacional, o Decreto-lei 37/66 o completa especificando o necessário momento nele não previsto, de modo a tornar precisa no espaço,no tempo e na circunstância a ocorrência do fato gera- , dor. Procedentes do STF. - Recurso extraordinário não conhecido. (RE n9 91 -.309-2-SP, la. Turma,sessão de 14.8.79 in D.J-, de 10.9.79)." Este pronunciamento ratifica o anterior do Ministro Relator no RE n9 90.114-SP. Igualmente a Colenda 2a. Turma do Excelso Supremo Tribunal Federal já se pronunciara uniformemente no Agravo de Ins- trumento n9 74.597-RJ, em que foi Relator ó Ministro Cordeiro Guer ra e no RE n9 90.47I-MG, relatado pelo eminente "nistro Moreira Alves, lendo-se na ementa deste último decisóri 7 • _ 0 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/064.304/78 9. ACÓRDÃO N9 CSRF/03-0.153 "Fato gerador do imposto de importação em se tratan do de mercadoria para consumo e entr'epostada. Não e desarrazoada a interpretação de que, em tais hipóteses, se aplica o art. 23 do Decreto-lei n9 37-66, não se podendo afastá-lo sob o fundamento de ser o CTN lei complementar, uma vez que ambos - o CTN e o Decreto-lei n9 37-66, que lhe é posterior - entraram em vigor anteriormente à Constituição de 1967, sendo portanto, leis ordinárias que, no tocan. te às normas gerais do direitO tributário (o que su cede com as que definem fato gerador), passaram considerar-se como leis complementares a partir da vigência daquela Constituição. Aplicação da Súmula 400. Inexistência do dissldio de jurisprudência alegado no recurso. Recurso extraordinário não conhecido." Por outro lado, o segundo aspecto da questão, ou se ja, o momento em que a autoridade competente toma conhecimento pie- no dos elementos que a habilitem a, cumulativamente: conhecer da • infração e identificar o infrator para, apôs ouvir este último, es tar em condiçOes de formalizar a exigência fiscal, também haviam sido minuciosamente analisadas pela antiga instáncia Especial (Mi- nistro da Fazenda ou Secretário-Geral do mesmo Ministério, em ra zão de delegação de competência), como se pode observar da deci- são, também acostada aos autos pelo ilustre Procurador da Fazenda Nacional que interpôs o Recurso, concluindo-se que: na ausência de ciência à repartição fiscal, por qualquer que seja o meio utiliza do, dos nomes do transportador e Importador, da quantidade e quali dade da mercadoria considerada extraviada e dos demais elementos . indispensáveis para o cálculo do tributo, somente com a "conferên- cia fiscal de manifesto" são detectados aqueles elementos que ainda mediante certas cautelas, tal como a intimação prévia do transportador (pois é comum nesta fase éle vir a provar a inexis- tência do extravio, dado a mercadoria ter aportado por outro navio, a mesma quantidade importada ter vindo em menos vOlumes etc.) -- habilitarão a Fazenda Nacional a quantificar a obrigação tributá- ria e a qualificar o sujeito passivo, em fim, a formalizar a exi - gência fiscal. Em face do expostopOu provimento ao recurso especial. AMADOR OUT4- •rERN DEZ - PRESIDENTE ç • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fís cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, /vencidos os Cons. Jose Eduardo Rangel de Alckmin e Luiz Alberto Cava Maceira. Sa - - Z- cm 15 dc setembro de 1989. U: L (IREI LO ES - PRESIDENTE MA' Á - RELATORA v.v , / ...- . JO CE &1-... 0 LU CIA, - - C ,,tucZe- „; SAR GONC, ek • S CuRREA - PROCURADOR DA FAZENDA .' NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA ., ,ANTO- NIO DA SILVA CABRAL, LOURIERDES FIUZA DOS SANTOS, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, BENEDICTO ONOFRE ,V.ANGELISTA é, SEPASTIÃG.RODRIGUES CA BRAL t .1, ,4 n t • , s ,) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10907/000.162/88-01 , RECURSO N9: RP/106-0.070 ACÓRDÃO N9 CSRF/01-0.948 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ADAIR JOSÉ BERNARDON RELATÕRI O A Procuradoria da Fazenda Nacional junto .à. 6a. Câma- ra do Primeiro Conselho de Contribuintes, não se conformando com a decisão prolatada no recurso n9 51.739, objeto do Acórdão n9 106- 1.778, de 13.12.88, recorre desta, com base no artigo 39, incisoI, do Decreto n9 83.304/79, para esta Câmara Superior de Recursos Fis- cais. O acórdão recorrido está assim ementado: 1 "IRPF - CÉDULA "C" - DEDUÇÕES - GASTOS DE TRANSPOR- TE E DE ESTADA FORA DO LOCAL DE RESIDÊNCIA - São de dutíveis na cedula "C" as importâncias recebidas pe- lo empregado para custear os gastos com viagens a serviço, tais como, passagens, alimentação, aloja- mento, etc., desde que tenham sido incluídas como rendtmenta-ceduiar e conste . -- _.. ut-wt.r.--dod-c=-- mento fornecido pela fonte pagadora, dispensada, ex cepcionalmente, a necessária comprovação, em face da instrução contida no "Manual deOrientação-PF", invo cada pelo contribuinte na peça recursal. RecursoprO vido." Citado decisório foi motivado pelos fatos a seguir relatados. , iè 4W 1 (0 /11-7 - v' SERVIÇO PDBLICO FEDERAL PRocKsso N9 10907/a00.162/88-01 2. Acórdão n9-CSRF101-0.948 O sujeito passivo foi notificado a recolher aosco fres públicos a importância de Cz$ 53.593,60, a título do impos- to de renda e acréscimos legais cabíveis, em decorrência da glo- sa de dedução pleiteada na declaração de rendimentos do exerci- cio de 1985, ano-base de 1984, a título de gastos de viagem eins talação(ajuda de custo, diárias, etc.). Em sua impugnação, o contribuinte esclareceu que as diárias de viagem percebidas são para custear as despesas de estadia, refeições, etc., quando em viagem a serviço e que após a notificação foi orientado pelo Departamento de Controle da em- presa, responsável pela emissão do comprovante dos rendimentos, que citado valor deveria ser lançado como "gastos de transporte e estada fora do local de residência Citem 06 do quadro 06) do formulário aprovado para o exercício de 1985, e não no item 07, como procedeu, em razão do que solicitou sejam consideradas cor retas suas declarações do citado exercício, bem corno as posterio- res, atê o exercício de 1987. A autoridade de primeira instância, considerando que o contribuinte não trouxe aos autos quaisquer documentos com probatórios da efetividade do dispêndio em causa, e com fundamen / to no disposto no artigo 43 do RIR/80, que subordina todas a's de- duções cedulares à comprovação ou justificação, a juizo da auto- ridade lançadora, julgou procedente a exigência, determinando o prosseguimento de sua cobrança. Em seu apelo ao Primeiro Conselho de Contribuin- tes, o sujeito passivo alegou que seu procedimento foi respalda- do em orientação constante do Manual para Preenchimento da Decla - raça Deduções Cedulares, que-segurr- - do seu entendimento, dispensava o contribuinte da comprovação e guarda dos respectivos documentos. Aduziu ainda que em nenhum outro item do manual constou que os comprovantes de despesas de viagem a serviços de- /17? (41'S SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 1050.7/0.0.0.162/88-01 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.948 veriam ser guardados ou declarados no anexo 1 do formulerio. Para comprovar que agiu nos estritos termos do na nual, o contribuinte anexou ao seu recurso declaração do seu em- pregador, informando as viagens de serviço que realizou durante o ano de 1984 e bem assim o valor das diárias pagas, além da có- pia do comprovante dos rendimentos pagos no exercício, fornecido pela fonte pagadora, onde consta destacadamente o valor das die- rias recebidas, como rendimento bruto e como dedução cedular. As suas alegações foram acolhidas pela maioria dos integrantes da C. Sexta Câmara do Primeiro Conselho deContribuin tes, que decidiu prover o recurso, vencido somente o Conselheiro Benedicto Onofre Evangelista. No voto embasador da decisão cameral, o Relator admitiu que todas as deduções cedulares sujeitam-se 3. comprova- ção nos termos do artigo 43 do RIR/80, inclusive os gastos com viagens indenizadas mediante diárias e ajudas de custo, fazendo alusão aos dispositivos que regem a matéria e à decisões prolata das pelo Primeiro Conselho de Contribuintes acerca do assunto. Acrescentou, por outro lado, que o contribuinte, na fase recursal, apresentou a comprovação das viagens a servi- ço custeadas pelo empregador, em razão do que concluiu que as mesmas poderão ser deduzidas na cédula "C" da sua declaração de rendimentos. Em seu Recurso Especial, o Procurador da Fazenda Nacional destaca que: - de acordo com as normas legais vigentes, as de- duções cedulares sujeitam-se a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, logo, não tendo a autoridade lan- çadora aceito a justificativa do contribuinte, o recurso deste não podia ser provido, pois o Primeiro Conselho de Contribuintes /I) 4 1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.9~.162J88-01 4. Acórdão n9-CSRP/0.1-0-9,48 não ê autoridade lançadora, além disso, não houve comprovaçãodas despesas glosadas; - por outro lado, a conclusão do acórdão não de- corre logicamente das premissas, pois ao mesmo tempo que o voto vencedor reconhece assistir razão à fiscalização quanto aos dis- positivos legais infringidos, afirma que o contribuinte na fase recursal apresentou a comprovação, o que se incompatibiliza com a primeira afirmação, no sentido que as despesas não foram com- provadas; - contudo, a primeira afirmação é a verdadeira, pois o contribuinte não comprovou as despesas, eis que ()único do cumento que faz menção às diãrias de viagem a serviço é a decla- ração da empresa, a qual prova, simplesmente, que a empresa pa- gou ao sujeito passivo a importância em causa, mas não prova ' o efetivo dispêndio das despesas de viagem feitas pelo beneficiãrio das mencionadas diãrias; - quanto a indicação pela empresa das diárias no campo dos descontos deveu-se a uma das seguintes alternativas: ou o fez para lembrar ao empregado que podia beneficiar-se dares pectiva dedução, se comprovada, ou o fez erroneamente; - qualquer que seja a hipótese não justifica opro cedimento do contribuinte, pois no primeiro caso, falta a compro vação pelo contribuinte das despesas; no segundo, o erro da em- presa não exonera o empregado de cumprir sua obrigação; - e mais, se o contribuinte foi induzido a erro, em sua declaração de rendimentos, por erro da empresa, cabe-lhe, em ação regressiva, pleitear a reparação; o que não se pode acei tar é um documento que não prova o pagamento de tais despesas, mas apenas o recebimento, pelo empregado, de quantias destinadas ao pagamento das despesas; . ib2 . , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 l0907JG00.162/88-0.1 5. Acórdão n9-CSRF/01-0-9.48 - finalmente, não procede o argumento do contri- buinte de que em nenhum item do Manual de Orientação do exercí- cio de 1985 consta menção à guarda e discriminação no anexo 1 do formulário dessas despesas, pois o Manual .e. claro eexplícitoquan to a tais determinações nas páginas 20 e 5, respectivamente. Em face do exposto, requer o subscritor do Recur- so Especial o seu provimento, para que seja mantida a decisão de I primeira instância. O recurso foi admitido pelo ilustre Presidente da Câmara recorrida, através do despacho de fls. 64, tendo o sujei- to passivo apresentado as contra-razões ao recurso a fls. 68/69, onde além de se reportar aos argumentos de defesa expendidos nas fases anteriores, alega que: - o procedimento por ele adotado vem sendo adota- do pelos mais de 20.000 empregados da Cia. Siderúrgica Nacional e todas as suas subsidiárias, que "são orientados pelas Empresas e em conformidade com a Receita Federal local para deduzir a des pesa de Viagens a Serviços no item Gastos e Estada Fora do Local de Residência"; - por outro lado, cotejando-se, as normas constan_ tes do Regulamento do Imposto de Renda, que fundamentam-se num raciocínio lógico, com a natureza das despesas de viagem, taisco- mo, transporte, refeições, telefonemas, hotel, etc., conclui-se pelo acerto da orientação dada pela empresa, pois os comprovantes exigidos, em sua maioria, são impraticáveis; Afirma, por último,que o procedimefiLo questiona -_ do está em uso há mais de 15 anos por todos os funcionários do grupo da CSN, "sem que tivesse sido contestado pela Receita Fede ral, ate o presente caso", assim, caso venha ser julgada improce dente sua defesa, apela para que o assunto seja tratado juntamen 1 te com os milhares de outros declarantes que estão em idênticasi tuação. ,- À4) \ Ili '2'É o relatório. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.907/00.0.162/88-01 6. Acórdão n9-CSRF/G1-0.9_48 VOTO Conselheira MARIAM SETF, Relatora Cinge-se a controvérsia em torno de glosa procedi- da na declaração de rendimentos do sujeito passivo, no exercício de 1985, referente à dedução de diárias que recebeu do seu empre- gador, para custeio de gastos de viagens que realizou durante o período-base. Para perfeito deslinde da questão, considero de su ma importancia destacar, preliminarmente, os princípios legais que norteiam a matéria, os quais encontram-se consolidados no Regula- mento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n9 85.450/80, que em seu artigo 42 e §§ faculta aos contribuintes deduzir nas cédu- las que couberem as despesas que atenderem aos seguintes requisi- tos: - forem necessárias à percepção dos rendimentos; - corresponderem a despesas efetivamente pagas; - não serem cumulativas, ou seja, as despesas dedu- zidas numa cédula não o serão noutra. A simples leitura das condições estabelecidas no dispositivo supramencionado, nos demonstra, claramente, que a ve- rificação do seu atendimento pelas autoridades competentes, impres -'-e- G- oralp_ 4# as : 'e seria im•ossível à admi nistração tributária exercer tal controle. Não obstante essa ilação lógica, o legislador, obje tivando não suscitar düvidas acerca dessa obrigatoriedade, estabe leceu, expressamente, que "todas as deduções estarão sujeitas a SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 1090W100-162188-0,1 7. Acórdão n9-CSRF/01-(1.9_48 comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora", ca-i forme disposição contida no artigo 43 do citado Regulamento,o qual ressalvou, tão somente, os casos em que o contribuinte opta pelo• desconto-padrão, Unica situação em que ficará o declarante dispen sado de comprovar os abatimentos e deduções cedulares nele englo- bados. A norma jurrdica que disciplina os rendimentos em questão e que fundamentou a exigência em litígio, é aquela conti- da no item VII do artigo 47 do RIR/80, que dispõe: "Art. 47 - Na cédula C serão permitidas as seguin- tes deduções: VII - as diárias e ajudas de custo pagas por enti- dades privadas, quando destinadas à indenização de gastos de viagem e de instalação do Contribuinte e de sua família em localidade diferente daquela que residia." Complementando aludido dispositivo,o Senhor Secretá- rio da Receita Federal baixou as Instruções Normativas n9s 69/81 e 76/82, esclarecendo que o permissivo legal alcança as despesas de viagem com transporte, alimentação, habitação e estada, até o valor recebido, a título de diárias, ajudas de custo e outras in- denizações por despesas de viagem a serviço, desde que comprovadas ou justificadas, a prudente critério da autoridade julgadora, que corresponde, sem dúvida, à hipótese dos autos. Nota-se, desde logo, que a norma é categórica em estabelecer a necessidade da prova do dispêndio. Vale observar, que o disposto no inclso-V-do mesmo artigo, que constitui o supor te legal da alteração postulada pelo contribuinte (linha 06 do quadro 06 do formulário), e de igual forma incisivo quanto a ne- cessidade de comprovação dos gastos, in verbis: "V • os gastos pessoais de passagens, alimentação 117 i SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 109_071000.162,/88-01 8. AcOrdão n9-CSRF/01-(1.948 e alojamento, laem como os de transporte de volumes e aluguel de locais destinados a mostruários, nos casos de viagens e estada fora do local de residen cia: al ate o limite das importãncias recebidas para o custeio desses gastos, quando pagos pelo emprega- dor, desde que suficientemente comprovados ou jus- tificados; bl efetivamente comprovados, quando correrem por conta do empregado, ressalvado '...o disposto na alíne a seguinte; c) independentemente de comprovação, até 30%(trin ta por cento) do rendimento bruto, no caso de cai- xeiro-viajante, quando correrem por conta deste." Os dispositivos supra evidenciam o primeiro dos e- quívocos em que incidiu o contribuinte, ao entender que a simples alteração da informação da despesa da linha 07 para a linha 06 do quadro 06 do formulário, dá guarida a sua pretensão de ser dispen sado da apresentação dos documentos comprobatõrios dos gastos,eis que, como restou demonstrado, os dois incisos que constituem o fundamento legal das deduções cedulares informadas nas referidas linhas C06 ou 07) são expressos ao estabelecer a indispensável pra va do efetivo gasto. De igual forma, não procedem os demais argumentos expendidos pelo contribuinte de que foi induzido a erro em razão da orientação constante do manual de preenchimento da declaração e pelas orientações recebidas da fonte pagadora, as quais silenci aram em torno da necessidade da comprovação e guarda dos documen- tos de prova. : ''° :* e. ilda_no_rafejdo_rn-a nual, convem transcrevermos o texto, em sua íntegra, para que se demonstre, de forma inconteste, que nenhum dos seus trechos dis- pensou a comprovação questionada. São os seguintes os termos em que está redigida- /7 1 f n SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10907/000.162/88-01 9. Acórdão n9-CSRFA11-0-948 "GASTOS DE TRANSPORTE E DE ESTADA FORA DO LOCAL DE RESIDÊNCIA. Se você fez viagens a serviços, pode deduzir as despesas com passagens, alimentação, alojamento, transporte de volumes e aluguel de locais desti- nados amostruários t observado o seguinte: . Se o empregador custeou estes gastos, você po pode deduzir as importâncias recebidas, desdeqt. as tenha incluído como rendimento na cédula "C" e constem destacadamente do documento fornecido pela fonte pagadora; . Se estas despesas correram totalmente por sua conta, você pode deduzir todos os gastos, desde que tenha os respectivos comprovantes; . no caso de caixeiro-viajante, quando estas des pesas correrem por conta própria, pode ser dedU zido até 30% do rendimento bruto, independente- mente de comprovação." Uma interpretação sistemática da orientação supra reproduzida, com os diversos itens incluídos no contexto em que se situa, como também com as normas legais aqui mencionadas, nos leva as seguintes conclusões: 191 não há qualquer alusão à dispensa de comprova ção dos gastos no item que trata da hipótese dos autos; 29) a única situação que dispensa a apresentação da prova, qual seja, o caso do caixeiro-viajante, a orientação o fez de forma expressa; 391 portanto, se nos demais itens hão há essa men ção, é Obvio que seguirão a regra geral, que subordina todas as deduções cedulares à efetiva comprovação dos dispêndiec; 49) a orientação constante do primeiro item, onde se enquadra o contribuinte, fez simplesmente acrescentar à indis pensável comprovação, duas outras condições, cuja inobservância, ainda que comprovados os dispêndios, impossibilitaria o contri- buinte de deduzi-los, quais sejam: 6,0) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 109.0.7/0.00.162188-0.1 10. AcOrdao n9-CSRF/01-0.9.48 4.1. o valor pago a esse titulo deverá estar devi- damente destacado ou discriminado no formulário fornecido pela fonte pagadora do rendimento; e 4.2. o valor recebido deverá, necessariamente, ser incluído como rendimento na cédula "C". Como se vê, mais uma vez o contribuinte laborou em erro de interpretação, fato que, de nenhuma forma, o exime do pa- gamento do credito regularmente lançado, ainda mais quando existe toda uma estrutura específica para esclarecer dúvidas em torno da elaboração da declaração de rendimentos, colocada permanentemente à disposição dos contribuintes pela Secretaria da Receita Federal (Plantão Fiscal e Plantão Telefônico'. Assim, se o contribuinte preferiu não se socorrer da repartição competente para dirimir suas dúvidas, optando por orientar-se junto ao seu empregador, que ainda que possua setores responsáveis pelo controle de pagamento e demais obrigações le- gais, não possue competência legal nem demais condições, que lhe confiram poderes para orientar em nome da Receita Federal, é6bvio que assumiu o risco de cometer erros, como ocorreu, sendo justo, portanto, que pague pelo erro praticado. Ademais, como hem enfatizou o ilustre subscritor do Recurso Especial, "se o contribuinte foi induzido a erro, em sua declaração de rendimentos, por erro da empresa, cabe-lhe, em ação regressiva, pleitear a reparação", ação esta que nada tem a ver com sua obrigação fiscal. -T-em assiste-razao-aa-recorrente-qudndo afirna que a conclusão consignada do voto do Relator do acOrdão recorri- do é incompatível com suas considerações iniciais acerca do proce dimento do autuante, que, em principio, foi qualificado como cor- reto. 1 C? SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 1G90.7/000-162/88-01 11. Acórdão n9-CSRF/01-0.948 Aliês, o que se verifica não ê propriamente incom- patibilidade de posicionamento, mas sim, uma conclusão baseada na falsa premissa de que o contribuinte logrou comprovar os gastos e fetuados. Em verdade, como bem acentuou o Representante da Fazenda, o contribuinte, em nenhuma das fases processuais conse- guiu comprovar os gastos feitos, comprovou, tão somente, que rece _ beu de seu empregador a verba para fazer face aos dispêndios das viagens a serviço que realizou, o que não se confunde, de qual- quer forma, com as despesas efetivamente dispendidas a que se refe _ re a legislação de regência. Por todo o exposto, entendo deva ser reformado o acórdão recorrido, para se restabelecer a decisão de primeiro grau, razão porque voto pelo provimento do Recurso Especial. Brasília-DF, 15 de setembro de 1989. -- 00( MAR J , m" - RELATORA / Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 11516.005064/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2006
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8212/91.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra
ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
Para fins de retenção na cessão de mão de obra, é considerado estabelecimento do órgão ou entidade pública seu território de jurisdição.
Recurso Voluntário provido em Parte
Numero da decisão: 2301-000.242
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencidos o relator e o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que aplicavam o artigo 150, §4° e no mérito, por unanimidade de votos, manter os demais valores lançados, nos termos do voto do Relator. Apresentará o voto divergente vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98 A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Para fins de retenção na cessão de mão de obra, é considerado estabelecimento do órgão ou entidade pública seu território de jurisdição. Recurso Voluntário provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:56:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:56:55Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:56:55Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:56:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:56:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:56:55Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:56:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:56:55Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:56:55Z; created: 2009-09-09T16:56:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-09-09T16:56:55Z; pdf:charsPerPage: 1560; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:56:55Z | Conteúdo => 0(12 S2-C3T1 Fl. 1.062 " MINISTÉRIO DA FAZENDA sS1.1". :5): CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS-Ln -4, • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11516.005064/2007-98 Recurso n° 157.959 Voluntário Acórdão n° 2301-00.242 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 05 de maio de 2009 Matéria Cessão de Mão de Obra: Retenção. órgãos Públicos Recorrente MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS - PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida DREFLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. STF. INCONS-TITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.° 9.711/98 I fit:11 A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Para fins de retenção na cessão de mão de obra, é considerado estabelecimento do órgão ou entidade pública seu território de jurisdição. Recurso Voluntário provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes auto, . • Processo n° 11516.005064/2007-98 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00142 Fl. 1.063 ACORDAM os membros da 3' Câmara / l' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencidos o relator e o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Jtmior que aplicavam o artigo 150, §4° e no mérito, por unanimidade de votos, manter os demais valores lançados, nos termos do voto do Relator. Apresentará o voto divergente vencedor o Conselheiro Marcelo Oliv a iip e.x.kog JULIO S • '7 • EIRA GOMES Presid ED)GittgA I AL Re or . , Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo Tf 11516.005064/2007-98 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.242 . Fl. 1.064 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo Município de Florianópolis — Prefeitura Municipal, contra o Acórdão 07.12.650, de 21 de maio de 2008, da 5' Turma da DRJ de Florianópolis — SC, que manteve procedente o lançamento constante da NFLD 37.000.951- 7, cuja ciência ocorreu em 09/11/2007 (fls. 175). O Lançamento refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à retenção de 11 (onze por cento), prevista no artigo 31 e parágrafos da Lei 8.212.91 e incidente sobre os valores brutos das notas fiscais ou faturas emitidas até dezembro de 2000, inclusive valores pagos, a título de transferência financeira, à Companhia Melhoramentos da Capital — COMCAP, a partir de janeiro de 2000. Os pagamentos efetuados pela Prefeitura referem-se a serviços de limpeza pública, contratados pelo município mediante cessão de mão-de-obra. A partir de janeiro de 2000, a Prefeitura passou a efetuar concomitantemente transferências financeiras como contraprestação aos serviços prestados e, após dezembro de 2000, os pagamentos se deram na forma de transferências financeiras, sem qualquer emissão de documento fiscal, haja vista a rescisão do contrato por mútuo acordo em 04 de janeiro de 2001, com vigência a partir de dezembro de 2000 (fls. 165/166). embora os serviços continuassem a ser prestados pela COMCAP. A empresa, constituída sob a forma de sociedade economia mista, com personalidade jurídica de direito privado, com sede no município de Florianópolis — SC, tem por objeto, conforme o art. 3° do Estatuto Social, a execução mediante delegação do Poder Executivo, os serviços de coleta, transporte e tratamento de resíduos sólidos, e limpeza dos logradouros e vias públicas, bem como outros que sejam com os mesmos conexos ou conseqüentes. A delegação se deu pela Lei Municipal n° 5.635, de 30 de dezembro de 1999 (Fls. 147/149). Não houve retenção nem recolhimento da contribuição previdenciária , nas competências 03/1999 04/2006. No Recurso Voluntário, a recorrente alega em síntese: I) decadência do crédito previdenciário do período de março de 1999 até i 06/06/2003, data da ciência do acórdão recorrido, de acordo com a Súmula Vinculante n° 8 do STF; II) a COMCAP é uma sociedade de economia mista municipal com quadro funcional próprio e não fornece mão-de-obra, conforme demonstrado, encontrando a alegação respaldo em jurisprudência colacionada do STJ e o artigo 31 da Lei 8.212/91 não é aplicável à Prefeitura Municipal, pois a mesma não se enquadra no conceito de empresa contratante de serviços. III) — duplicidade de lançamento, pois o recolhimento já %i rito ou itparcelado pela COMCAP, caracterizando bis in idem. Afirma que a COMCA I' - - á em dia il 3 / Processo n° 11516.005064/2007-98 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.242 Fl. L065 • com o INSS, juntando cópia de certidão positiva com efeitos negativos da própria Receita Federal emitida em 03/07/2007, com validade até 30/12/2007 (fls. 1037) e que a certidão tem efeitos negativos porque a COMCAP parcelou seus débitos desde o ano de 1999 pelo REFIS (fls. 1026/1036); portanto, a NFLD é nula, pois consubstancia dupla cobrança ao cobrar da Prefeitura o mesmo débito já parcelado pela COMCAP; anulaPede a anula " da NFLD. É o relatóirio. , - • é • 4 Processo n° 11516.005064/2007-98 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00242 Fl. 1.066 Voto • Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL , Relator O recurso foi interposto tempestivamente e satisfeitos os pressupostos para sua admissibilidade, passo ao exame das questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 1— da Decadência Quanto ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais previstas na Lei 8.212/91, o Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08., verbis: Súmula Vinculante n° 08: • "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua • revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n2 9.784, de 19 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ...Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, 1 na forma prevista nesta Lei. 5 Processo n°11516.005064/2007-98 S2-C3TI Acórdão n°2301-00242 Fl. 1.067 § J2 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia • atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4° do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 4Q), o que não se tem noticia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFLD em 11/07/2007. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 03/1999 a 04/2006, conclui-se que o crédito tributário das competências 03/1999 a 06/2002 foi atingido pela decadência. Quanto às competências 07/2002 a 04/2006, nada a prover ao contribuinte. II — Conceito de empresa O crédito lançado refere-se às contribuições relativas à contratação de serviços executados mediante a cessão de mão-de-obra de que trata o artigo 31 da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.711/98: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1° O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. • 6 Processo n• 11516.005064/2007-98 52-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.242 Fl. 1.068 § 3° Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de- obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4° Enquadram-se na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I- limpeza, conservação e zeladoria; A definição de empresa trazida pelo artigo 15, inciso Ida Lei no 8.212/91 é clara no sentido de considerar como empresa o órgão ou entidade da administração pública direta e indireta: Art.15. Considera-se: 1- empresa - afirma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Nesse sentido, rejeito a preliminar aventada. III — Duplicidade de lançamento - No tocante a este quesito, adoto o constante do Acórdão n° 205-00.958, de 06 de agosto de 2008, desta Egrégia Câmara: não é cabível o argumento da notificada de que a empresa prestadora efetuou os recolhimentos devidos à Previdência Social, para elidir a responsabilidade da tomadora pela realização da retenção de 11%. O instituto da retenção surgiu para facilitar a arrecadação e fiscalização tributária, desse modo, o argumento de que a prestadora já teria efetuado o recolhimento não elide a obrigação da tomadora em reter os valores; mesmo porque, esta não possui a certeza de que todos os valores devidos por aquela foram efetivamente recolhidos. Além do mais, o acordo entre as partes não pode ser oposto ao Fisco para afastar a responsabilidade pelo recolhimento. Caso a recorrente efetue o recolhimento da retenção de 11% e a prestadora comprove que houve recolhimentos a maior do que o devido, caberá a compensação ou a restituição, mas esta questão não deve ser resolvida nos presentes autos, devendo ser instaurado, se for o caso, o procedimento próprio de restituição. Nesse sentido segue ementa de recurso especial n. 421.886-0, cujo Relator fo. o Ministro José Delgado, publicado no DJ em 10.6.2002: Previdenciário — Contribuição previdenciária — Arrecadação complexa — Empresa prestadora de serviço — Substituição tributária — Lei n. 8.212/1991, art. .31, na redação da Lei n. 9.711/1998 Tributário. Recurso especial. Contribuição previdenciária. Empresa prestadora de serviço. Opção pelo "Simples". Retenção de 11% sobre faturas. Art. 31 da Lei n. 8.212/1991, com ga redação da Lei n. 9.711/1998. Nova sistemática de arrecada . çã 7 Processo e 11516.005064/2007-98 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.242 Fl. 1.069 mais complexa, sem afetação das bases legais da entidade tributária material da exação.1 A Lei n. 9.711, de 20.11.1998, que alterou o art. 31 da Lei n. 8.212/1991, não criou qualquer nova contribuição sobre o faturamento, nem alterou a aliquota, nem a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. • 2. A determinação do mencionado artigo 31 configura, apenas, uma técnica de arrecadação da contribuição previdencieíria, colocando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. 3. O procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal, haja vista que, apenas, obriga a empresa contratante de serviços a reter da empresa contratada, em beneficio da Previdência Social, o percentual de 11% sobre o valor dos serviços constantes da nota fiscal ou fatura, a titulo de contribuição previdenciá ria, em face dos encargos de lei decorrentes da contratação de pessoal. 4.A prestadora dos serviços, isto é, a empresa contratada, que sofreu a retenção, procede, no mês de competência, a uma simples operação aritmética: de posse do valor devido a titulo de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento, diminuirá deste valor o que foi retido pela tomadora de serviços; se o valor devido a titulo de contribuição previdenciária for menor, recolhe, ao GRPS, o montante devedor respectivo, se o valor retido for maior do que o devido, no mês de competência, requererá a restituição do seu saldo credor. 5. O que a lei criou foi, apenas, uma nova sistemática de arrecadação, embora mais complexa para o contribuinte, porém, sem afetar as bases legais da entidade tributária material da contribuição previdenciária. 6. Quanto ao "desvirtuamento" da Lei n. 9.317/1996, há que se considerar que o fato de ser a empresa beneficiária do Simples, altera o efeito que a referida lei passou a produzir acerca da contribuição destinada ao financiamento da Seguridade Social /ff incidente sobre a folha de salários. O Simples não isenta a microempresa ou empresa de pequeno porte das obrigações tributárias, mas apenas permite que haja a simplificação do cumprimento de tais deveres. Portanto, inesiste ofensa à contribuição prevista no art. 22 da Lei n. 8.212/1991. 7.Recurso provido. (REsp n. 421.886-0 — RI Relator Ministro JOSÉ DELG4QO. Primeira Turma. Unânime. DJ 10.6.2002). Pelo exposto, rejeito também esta preliminar Processo n• 11516.005064/2007-98 S2-C3T1 Acórdão C 2301-00242 Fl. 1.070 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por CONHECER do recurso e dar-lhe PROVIMENTO EM PARTE e nesta parte, excluir do lançamento as competências 03/1999 a 06/2002 por terem sido atingidas pela decadência. É como voto. Sala das Sessões 05 d maio de 2009 EDG; • 5 L A L — Relator • )171) 9 Processo n° 11516.005064/2007-98 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.242 Fl. 1.071 Voto Vencedor Quanto à Preliminar de Decadência Conselheiro, MARCELO OLIVEIRA Com todo respeito ao nobre colega Relator, não concordo com seu voto. Chego a essa conclusão, preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n e 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. An. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. • Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 40, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública can \finar o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 1o e Processo n°11516.005064/2007-98 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.242 A. 1.072 H - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência - que deve ser aplicada ao caso - encontra-se no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue- se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. No lançamento, a ciência do sujeito passivo ocorreu em 07/2007 e o período do lançamento refere-se a fatos geradores ocorridos nas competências 03/1999 a 04/2006. Logo, todas as competências anteriores a 12/2001 devem ser excluídas do presente lançamento. Esclarecemos que a competência 12/2001 deve permanecer no lançamento por sua exigibilidade só ocorrer a partir de 2002. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por conhecer do recurso para dar-lhe provimento parcial no que tange às competências .ue são atingidas pela decadência. Sala d S - s em O • de maio de 2009 r AR '• O OLIVEIRA — Redator Designado II Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1
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Numero do processo: 11065.001352/90-38
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IPI - Lançamento decorrente de levantamento de elementos subsidiários (RIPI/82, art. 343): embora legítima, a apuração de diferenças tributáveis está condicionada à utilização de critério que forneça confiabilidade; tal não é o caso de levantamento efetuado exclusivamente nos rótulos, cuja quantidade, assim mesmo, foi apurada a peso. Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 202-07115
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T10:09:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T10:09:50Z; Last-Modified: 2010-01-30T10:09:50Z; dcterms:modified: 2010-01-30T10:09:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T10:09:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T10:09:50Z; meta:save-date: 2010-01-30T10:09:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T10:09:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T10:09:50Z; created: 2010-01-30T10:09:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-01-30T10:09:50Z; pdf:charsPerPage: 1341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T10:09:50Z | Conteúdo => a , PUBLIÇADO NO D. D_). 2.° De / 06 „c7r,/ MINISTÉRIO DA FAZENDA C - , C SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Rubrica Wr* Processo a° 11065.001352190-38 Sessão de : 18 de outubro de 1994 Acórdão n.° 202-07.115 Recurso n•° : 87.052 Recorrente : IND. E COM. DE AGUARDENTE SOL LTDA. Recorrida : DRF em Novo Hamburgo - RS LPI - Lançamento decorrente de levantamento de elementos subsidiários (RIPI/82, art. 343): embora legitima, a apuração de diferenças tributáveis está condicionada à utilização de critério que forneça confiabilidade; tal não é o caso de levantamento efetuado exclusivamente nos rótulos, cuja quantidade, assim mesmo, foi apurada a peso. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ND. E COM. DE AGUARDENTE SOL LTDA . ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões em, 18 de outu • vf de 1994 // 41te • Helvio Escov- o t Mios -idente - Relator Adri is Queiroz de Carvalho - Procuradora-Representante da Fazenda Nacional VISTA EM SESSÃO DE 07 DEZ 1994 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos /3ueno Ribeiro, Elo Rothe, Osvaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Tarásio Campeio Borges, José Cabral Garofano e Daniel Corrêa' Homem de Carvalho. fel& 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo a° 11065.001352190-38 Recurso n.° : 87.052 Acórdão n.°: 202-07.115 Recorrente : IND. E COM DE AGUARDENTE SOL LIDA. RELATÓRIO No Termo de Solicitação de Informações que inaugura o presente, foi a fisca- lizada intimada a apresentar urna relação dos estoques iniciais e finais, compras e eventuais quebras na produção, no que se refere aos selos de controle e rótulos; o valor do P1 destacado nas notas fiscais, por quinzena, por caixa de 24 garrafas (aguardente) e preço médio anual praticado por caixa de 24 garrafas, sem IPI - tudo referente ao ano de 1989. As informações solicitadas foram prestadas pelo documento de fia. 02, por onde se constata, quanto aos selos de controle, que foram aplicados 47.688, sem ocorrência de quebra, e zero como resultante da diferença entre estoque inicial mais aquisições no ano e do estoque final. Quanto aos rótulos, verifica-se, dentro desse mesmo critério, que houve urna quantidade consumida de 226.088 unidades. De posse desses elementos, entendeu o autuante que a diferença entre os rótu- los consumidos e os selos aplicados nos produtos correspondia a salda de produtos sem o selo de controle e, portanto, sem emissão de nota fiscal e sem o lançamento e recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados-IPI. Diz mais, no referido auto, que a apontada quantidade corresponde a 7.339 caixas de 24 garrafas anuais e a 306 caixas quinzenais (período de apuração do imposto). O IPI quinzenal devido é o valor resultante da multiplicação das 306 caixas pelo valor do IPI por caixa, informado pelo autuante. Esse resultado é o valor do IPI a recolher, constante do Demonstrativo de Apuração do IPI não lançado, anexo ao auto de infração. Finaliza o referido auto, declarando: "PROCEDIMENTO ADOTADOS: Artigos. 59, 62,63 e 318 do RIPI/82, aprovado pelo Decreto 87.981, de 1982. DISPOSMVO LEGAL INFRINGIDO: Artigo 107, inciso II do mesmo RIPI.". Impugnação tempestiva da Autuada, em extenso arrazoado, que resumimos. Diz que o auditor fiscal limitou-se a contar determinada quantidade de rótu- los e, através do peso destes, estabeleceu uma relação com o peso dos restantes rótulos existen- tes, dessa forma calculando o estoque existente. 2 :t- MINISTÉRIO DA FAZENDA -4 , , il.' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,,k424:4" fr P go n.0: 11065.001352/90-38 Acórdão n.°: 202-07.115 Com base nessa estimativa, considerou consumidos 223.828 rótulos, dai evoluindo, mediante cálculos, até chegar ao 1PI que julga devido. Não indicou o autuante qual o produto eleito para obter o seu preço e o valor do imposto (há vários produtos), tampouco no que se refere à rotulagem (há várias espécie de rótulos, naturalmente em razão das espécies de produtos), etc. Não informou também o autuante que contou a quantidade de selos existen- tes, os requisitados e os aplicados e que tais quantidades se achavam corretas, sem diferenças. Preferiu apelar para os rótulos e, assim mesmo, numa contagem mais do que aleatória, calculada a peso, sem considerar os diversos tamanhos desses rótulos, portanto com pesos diferentes. Logo, trata-se de um levantamento ultra precário, que não espelha a verdade. É arbitrário e não atende à realidade de que deve se revestir o lançamento. Não pode a requerente aceitar como fato gerador o consumo de rótulos, até porque, não fossem outras falhas no levantamento desse item, a requerente também os utiliza para distribui-los entre seus clientes e amigos, como propaganda do produto, para reposição de outros que caem, para substituição dos danificados quando em estoque ou na aplicação, os de estamparia não mais utilizados, os de produtos fora da produção, etc. Enfim, a requerente, como afirma, não tem qualquer controle sobre o consumo de rótulo, vez que o controle fiscal do produto é feito através do selo ou, pelo menos, de outros elementos mais confiáveis, como as matérias-primas e as tampinhas. Em fim, entende que os rótulos são os elementos menos adequados para tal tipo de levantamento, principalmente quando adotados isoladamente, como é o caso do auto de infração. No que diz respeito ao direito, alinha e transcreve os artigos do RTPI em que se fimdamenta o auto, para dizer que nenhum dos dispositivos citados autoriza tal critério de levantamento, para se exigir o imposto do contribuinte. Invoca os artigos 149 e 150 do R/PI/82, sobre a ocorrência de diferenças de estoques nos selos, para dizer que o autuante, não logrando apurar diferenças, dessa forma, socorreu-se dos rótulos e, assim mesmo, pelo critério já comentado. Diz que, se não há imposição legal para o controle do consumo de rótulos por parte do contribuinte, não pode ser atribuída à falta de rótulos sonegação de produtos, nas mesmas quantidades. 3 -" , MINISTÉRIO DA FAZENDA• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES P so n.°: 11065.001352190-38 Acórdão n.°: 202-07.115 Por essas razões, pede o cancelamento do auto de infração. Por intimação do autuante, a autuada apresenta cópia da declaração MPJ, livros fiscais, Guias Informativas Anuais, Cartão do CGC e, ainda, nova relação de estoques, aquisições e consumo, relativos ao selo de controle e aos rótulos, bem como preço do IPI destacado na nota fiscal, por período de apuração e preço médio anual praticado por caixa de aguardente, de 24 garrafas. Segue-se a informação fiscal de fls. 22, conforme resumimos Diz que o único produto que a autuada fabrica e no qual usa selo de controle é a aguardente de cana. A época em que ocorreu o fato gerador não foi atribuída aleatoriamente, mas distribuída a quantidade omitida igualmente entre os doze meses do período fisonlizado. Diz que, realmente, a impugnante não pode aceitar como fato gerador do IPI o consumo de rótulos, nem a fiscalização assim o considerou. Reafirma que não houve cálculo estimativo, mas consideradas as quantidades informadas pela contribuinte. Acrescenta que não foi procurada falta ou excesso de estoque de selos, mas constatado venda de produto sem aplicação do selo de controle e sem emissão de nota fiscal. O fato gerador não é o consumo de rótulos, mas a saída do estabelecimento de produto rotulado e não selado. A contribuinte nada traz de novo ao processo. De conformidade com o documento de fls. 20, referente aos anos-base de 1986, 1987 e 1988, o consumo de selos de controle e de rótulos equivalem-se. E pergunta, porque seria diferente em 1989. Diz que convém lembrar à "insipiente" impugnante que, para cada garrafa de produto vendido pelo seu estabelecimento saem do estoque: um selo de controle, um rótulo e UMA rolha metálica. Esta foi a razão de ser tributado no auto de infração o produto vendido sem selo de controle, tomando-se por base o consumo do rótulo (art. 343, do PIPI/82). Depois de alguns comentários sobre os dados constantes da Declaração do Imposto de Renda e Livro Registro de Saídas (cópias apresentadas posteriormente à impugna- ção), opina pela manutenção integral do frito. 4 an, MINISTÉRIO DA FAZENDA 4,, 4! SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES sso n.°: 11065.001352/90-38 Acórdão n.o: 202-07.115 A decisão recorrida, depois de um breve relatório, passa ao julgamento, invo- cado, preliminarmente, o texto do art. 343 e seu parág. 1.° do RIPI, que transcreve. Isso, para concluir que o autuante está autorizado pelo citado dispositivo a efetuar o levantamento da produção, como foi frito. Diz mais que os índices de extravio e deterioração dos rótulos, e outros tipos de perdas, têm que ser perfeitamente demonstrados pelo contribuinte. Como esta demonstração não foi realizada, deve ser mantido o auto de infração, considerando-se cada rótulo que faltou no estoque como uma garrafa de aguardente vendida sem selo e sem nota fiscal. Justifica a distribuição dos valores omitidos ao longo do ano, para apuração do valor do imposto e, por essas principais razões, indefere a impugnação e mantém a exigên- cia. Tempestivamente, a autuada recorre para este Conselho. Refere-se ao fundamento da decisão recorrida, o qual declara que "se conside- ra saída do estabelecimento quantidade igual à diferença entre o consumo de selos e o consu- mo de rótulos", para dizer que se trata de uma premissa falsa. Isso porque, segundo alega, o auditor contou determinada quantidade de rótulos do seu estoque e, pelo peso dessa quantida- de e o peso do restante dos rótulos, estabeleceu a quantidade de rótulos consumidos. Exigiu da contribuinte que a mesma formalizasse uma declaração por escrito sobre esse levantamento, mas, na sua informação, nega esse fato, dizendo tratar-se de declaração espontânea da recor- rente. O autuante fimdamenta o auto nos artigos 59, 62, 63, 318 e 107, II, somente, todos do R21/82. Todavia, o julgador manocrático alterou a fundamentação do auto para o art. 343 do mesmo RI?!, que não foi capitulado no auto ou no termo. Em seguida, passa a enunciar os procedimentos referidos no citado artigo 343, para a elaboração do levantamento, em nenhum momento adotado na autuação que, reitera-se, baseou-se exclusivamente nos rótulos, e, assim mesmo, da forma porque foi feito, como já comentado. Também comenta a decisão recorrida, quando esta declara que a estimativa da produção, prevista no art. 343, "pode ser feita através de qualquer dos elementos ali indica- dos, entre os quais as variações de estoque das embalagens, das quais fazem parte os rótulos". 5 D3 l'at MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES:wNtirt P so 11.0 : 11065.001352/90-38 Acórdão a": 202-07.115 Reitera que se trata de premissa falsa e de elemento frágil e não confiável para um levantamento e conseqüente lançamento, como já afirmado. Diz que não foi intimada a informar o estoque dos produtos prontos, em elaboração, embalagens, etc., que são elementos indispensáveis no levantamento. Afinal, argumenta que, se o produto fosse vendido sem nota fiscal e com rótulo, estaria faltando rótulo e não sobrando. E se vendido sem nota fiscal e sem rótulo, esta- ria faltando embalagem, o que não ocorreu, conforme constatado pelo próprio fiscal. Pede provimento do recurso. É o relatório. 6 ;.9 .a). MINISTÉRIO DA FAZENDA 4*. dç 'tf SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Pro. sso ri*: 11065.001352/90-38 AcórdAo n.°: 202-07.115 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR BELVIO ESCOVEDO BARCELLOS Conforme se verifica, trata-se de exigência decorrente de diferenças apuradas entre a produção e as vendas, presumidas as diferenças como resultantes de saldas sem emis- são de nota fiscal, conforme autoriza o art. 343 do RITI/82, embora, como argumenta a recor- rente, tal dispositivo não tenha sido capitulado e somente invocado pela decisão recorrida. Preliminarmente, foi apurado um balanceamento dos selos de controle, não sendo apuradas diferenças no estoque. Depois, foi feito um levantamento dos rótulos, pelo qual se apurou a quanti- dade de rótulos aplicados no produto. Então, adotou-se a diferença entre os rótulos aplicados e os selos aplicados para, sobre dita diferença, aplicar-se a presunção referida no citado artigo 343. Entendo precário e não confiável o referido levantamento, quer pelo elemento eleito, quer pela forma como foi feito. Veja-se, antes, que o levantamento dos estoques e utilização dos selos resul- tou sem restrição. E diga-se que tal levantamento se faz através de dados objetivos, a saber: de um lado, o total de selos requisitados, através das guias de requisição; de outro lado, a soma dos selos existentes (soltos ou aplicados em produtos em estoque) com os aplicados em produ- tos vendidos (pelas notas fiscais). Se a difeleaça for igual a zero (caso dos autos), não há o que se exigir. Já o levantamento feito pelos rótulos, embora apurada diferença substancial, no nosso entender não merece confiabilidade. Primeiro, pela inexpressividade desse elemento, em termos de controle quan- titativo; depois, pelas mais diversas causas de perdas a que ele está sujeito, como já alinhadas no presente relatório. Acresce, no caso dos autos, o critério adotado no levantamento das quantida- des desse item: pelo peso de uma quantidade minima, conhecida, em comparação com o peso dos rótulos restantes, sem considerar inclusive os diferentes tamanhos. 7 • n •':. ,1 MINISTÉRIO DA FAZENDA -• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES P 771-1 so n.°: 11065.001352190-38 Acórdão n.°: 202-07.115 Enfim, para não nos alongarmos nas já reiteradas considerações em tomo dos critérios de aplicação dos elementos subsidiários referidos no art. 343 do RIE1J82, já tantas vezes invocados nesta Câmara e com fundamento na recomendação expressa no PN-CST a° 45177 ( "apurar a produção industrial que realmente ocorreu, e nunca arbitrá-la"). Por essas considerações, voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 18 de o de 1994 HELVI. "O 'DO 13 • • CEL S 8
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