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Numero do processo: 10675.001104/2008-18
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CERCEAMENTO DE DEFESA. GREVE. INOCORRÊNCIA.
Não configura a greve dos servidores da Secretaria da Receita Federal do Brasil hipótese de cerceamento do direto de defesa do contribuinte, quando a repartição onde se encontra o processo permanecer aberta e disponível ao sujeito passivo para consulta os autos.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CERCEAMENTO DE DEFESA. GREVE. INOCORRÊNCIA. Não configura a greve dos servidores da Secretaria da Receita Federal do Brasil hipótese de cerceamento do direto de defesa do contribuinte, quando a repartição onde se encontra o processo permanecer aberta e disponível ao sujeito passivo para consulta os autos. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Negado
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CERCEAMENTO DE DEFESA. GREVE. INOCORRÊNCIA. Não configura a greve dos servidores da Secretaria da Receita Federal do Brasil hipótese de cerceamento do direto de defesa do contribuinte, quando a repartição onde se encontra o processo permanecer aberta e disponível ao sujeito passivo para consulta os autos. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 11 04 /2 00 8- 18 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 Data da lavratura da NFLD: 13/03/2008. Data da ciência da NFLD: 13/03/2008. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Juiz de Fora/MG que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da NFLD nº 37.158.9525, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados constantes nas folhas de pagamento e na escrituração contábil, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 105/145. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 169/219. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões controversas do lançamento, conforme Despacho a fl. 576. Informação fiscal a fls. 580/588. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo e reaberto o prazo normativo para o oferecimento de nova impugnação, o Notificado ofereceu aditamento à impugnação administrativa a fls. 594/600. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 790/799, julgando procedente em parte o lançamento e retificando o crédito tributário na forma consignada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 800/812. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10675.001104/200818 Acórdão n.º 2302002.387 S2C3T2 Fl. 867 3 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/08/2009, conforme documento de Intimação e Recibo a fl. 816. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 552/564, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nas alegações que se vos seguem: · Que foi prejudicada pela greve dos servidores do INSS; · Que não há omissão e nem diferenças de valores recolhidos a menor, uma vez que os valores devidos, referentes a este processo, já foram quitados; · Que os valores que o Auditor alegou não terem sido declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social foram devidamente informados a Previdência Social via GFIP; · Que a penalidade deve ser relevada, pois a Requerente é primária e detentora de todos os requisitos para o perdão total e, no caso dos autos, houve a informação das GFIP dentro do prazo da defesa; · Que o auditor limitouse a considerar as retificações até o ano de 2004, não analisando o período de 2005 e 2006, razão pela qual deve ser determinado o retorno dos autos à origem para que o fiscal proceda às retificações conforme requeridas; Ao fim, requer a declaração de improcedência da Notificação Fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/06/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 12 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Argumenta o Recorrente que a penalidade deve ser relevada, pois é primária e detentora de todos os requisitos para o perdão total e no caso dos autos, houve a informação das GFIP dentro do prazo da defesa. Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi aventada pelo impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Fl. 869DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10675.001104/200818 Acórdão n.º 2302002.387 S2C3T2 Fl. 868 5 Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e Fl. 870DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderá ser conhecida por este Colegiado em virtude da preclusão. Aditese que o benefício da relevação da multa pretendido pelo Recorrente só é aplicável às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, não alcançando os lançamentos decorrentes de descumprimento de obrigação principal, nos termos do art. 34, caput, in fine da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO PLENOS Alega o Recorrente haver sido prejudicado pela greve dos servidores do INSS. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10675.001104/200818 Acórdão n.º 2302002.387 S2C3T2 Fl. 869 7 A cantilena não tem fundamento. A uma, porque durante o período de greve não houve interrupção do atendimento ao público. A duas, porque o Processo Administrativo Fiscal é constituído por relatórios e termos gerados pela fiscalização, por cópias de documentos da titularidade e guarda do sujeito passivo e por documentos apresentados pelo Autuado para a formalização do processo. Os relatórios e os Termos produzidos pela fiscalização são fornecidos, em sua totalidade, ao sujeito passivo seja durante o desenvolvimento da ação fiscal (MPF, TIAF, TIAD, etc.) seja no encerramento dos procedimentos fiscais (Relatórios, TEAF, NFLD, etc.) A pletora documental acostada pela fiscalização é constituída por cópias extraídas de documentos da empresa, os quais permanecem em sua posse e guarda. Por fim, a formalização do Processo Administrativo Fiscal é concluída com a apresentação, pelo Contribuinte, de Instrumento de Mandato, Contrato social, copias de documento de identificação dos representantes legais ou do causídico, etc., todos estes, documentos que integram um conjunto de pleno acesso ao Notificado. Inexiste, portanto, no Processo Administrativo Fiscal em relevo qualquer documento que não seja do conhecimento do sujeito passivo ou a que este não tenha acesso imediato, não exsurgindo das circunstâncias do caso concreto qualquer situação que torne verossímil a alegação de que, concretamente, houveramse por violados os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Anotese que o Órgão Julgador de 1ª Instância já havia rechaçado a alegação de idêntico teor oferecida pelo Notificado em sede de defesa administrativa, ao argumento de que “não há nos autos nada que não deva ter sido do conhecimento do contribuinte, já que este recebeu cópia da Notificação Fiscal (folha 1), onde constou todos os anexos que compõem a presente lavratura”. Diz o Acórdão: “Preliminarmente, embora tenha havido, durante o prazo da impugnação do presente lançamento, movimento paredista entre a classe dos AuditoresFiscais do órgão autuante, não há porque se falar em reabertura do prazo para impugnação. Inicialmente porque não há previsão legal para tanto. Depois, porque as repartições fazendárias não cerraram suas portas no período e o sujeito passivo poderia ter lá encontrado os autos do processo para fazer qualquer pesquisa que porventura necessitasse. E por último, não há nos autos nada que não deva ter sido do conhecimento do contribuinte, já que este recebeu cópia da Notificação Fiscal (folha 1), onde constou todos os anexos que compõem a presente lavratura”. Nesta prumada, mesmo ciente de que o pleito formulado houvera sido indeferido em razão da inexistência de qualquer documento que não fosse do conhecimento do Contribuinte, este não logrou indicar um único documento que fosse, do qual não tinha conhecimento, posse ou acesso, que pudesse dar suporte à sua alegação de prejuízo de defesa, limitandose à mera exortação verbal. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 determinam que a Impugnação deve mencionar todas as razões e os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância e ser instruída com as provas que possuir, não se contentando a lei com meras alegações vazias, carentes de demonstração/comprovação. Processo Administrativo Fiscal Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 873DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10675.001104/200818 Acórdão n.º 2302002.387 S2C3T2 Fl. 870 9 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa ofertada pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DOS FATOS GERADORES LANÇADOS Argumenta o Recorrente que não houve omissão e nem diferenças de valores recolhidos a menor, uma vez que os valores devidos, referentes a este processo foram quitados. Aduz que os valores que o Auditor alegou não terem sido declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social foram devidamente informados a Previdência Social via GFIP. Pondera, por derradeiro, que o auditor limitouse a considerar as retificações até o ano de 2004, não analisando o período de 2005 e 2006, razão pela qual deve ser determinado o retorno dos autos à origem para que o fiscal proceda às retificações conforme requeridas; Não lhe confiro razão. Em primeiro lugar, é de se deixar claro que o lançamento em debate não decorre de falta de entrega de GFIP, mas, sim, da falta de recolhimento, na forma e prazo Fl. 874DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 definidos na legislação tributária, de contribuições previdenciárias, apuradas com base nas folhas de pagamento e na escrituração contábil, consoante os seguintes levantamentos: Lev. FPG: Constituído por contribuições previdenciárias em relação às quais, apesar de haverem sido informadas em GFIP, não houve a comprovação do efetivo recolhimento. Lev. FP1: Constituído por contribuições previdenciárias as quais, sequer, foram declaradas em GFIP. Portanto, a mera entrega de GFIP, nos prazos e nas formas assentados na legislação não se configura suficiente para a elisão do crédito tributário que ora se opera. Necessária se revela a efetiva demonstração e comprovação de que os obrigações tributárias referentes aos fatos geradores apurados pela fiscalização houveramse por, efetivamente, adimplidas pelo Notificado. No vertente processo não se encontra em discussão a regularidade na entrega de GFIP, tampouco o código declarado, nem menos a versão do SEFIP. Reiterese que o lançamento se refere a contribuições previdenciárias cujos fatos geradores foram apurados com base nas folhas de pagamento e na escrita contábil do sujeito passivo, e em relação às quais não houve a comprovação do devido recolhimento. Só. Aditese que os recolhimentos comprovados pelo contribuinte, assim como os eventuais erros de lançamento, já foram apreciados pelo Órgão Julgador de 1ª Instância e contemplados, parcialmente, nos termos e razões declinados a fls. 08 a 10 do Acórdão vergastado, o que deu ensejo, justamente, à retificação do crédito tributário aviado no lançamento em questão, na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado a fls. 800/812. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização apurou, pelo exame das folhas de pagamento e da escrita fiscal, uma série de fatos geradores cujas contribuições previdenciárias correspondentes não se houveram por comprovadas. No exercício da ampla defesa e do contraditório pleno, o Notificado ofereceu impugnação, carreando alegações de defesa e acostando documentos de fundamentação. O Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em seu acórdão, apreciando tais alegações e elementos de prova, acatou parcialmente as razões defendidas pela parte e retificou o crédito tributário na forma registrada no DADR, conforme se depreende do excerto adiante transcrito, para melhor compreensão de seus fundamentos: “Tendo o impugnante trazido peça defensória em que referência um a um os processos fruto da ação fiscal junto à ele desenvolvida, mister se faz tratar do mérito especifico no processo próprio. Assim, apenas o que o impugnante nominou como mérito do processo 37.158.9525 será tomado por impugnação nos presentes autos. O impugnante alega que teria havido já informação em GFIP pertinente aos segurados Círio Daniel Pereira, Deoclécio Fl. 875DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10675.001104/200818 Acórdão n.º 2302002.387 S2C3T2 Fl. 871 11 Fernandes da Silva, Divino Antônio Freitas Faria, Sebastião Claudionor da Silva, competência 1/2004. Compulsandose as folhas 303 a 394, trasladadas do processo 37.158.9550 (folhas 203 a 299), verificase que Círio Daniel Ferreira (12536601600) foi informado com a base de cálculo de R$ 587,98 (folha 336); Deoclécio Fernandes da Silva (12985316989) não foi informado quer na GFIP indicada à folha 95, quer em qualquer uma das GFIP juntadas às folhas 303 a 394; Divino Antônio Freitas Faria (12061903853) foi informado com base de cálculo de R$739,73 (folha 319); Sebastião Claudionor da Silva (12326678496) foi informado com remuneração de R$ 472,49 mais 13° salário no valor de R$51,83, perfazendo R$ 524,32 (folha 368). Tais valores declarados são iguais aos constantes na planilha de folha 56, anexo I do Relatório Fiscal, relativa às divergências encontradas e que, portanto, devem ser excluídos do presente lançamento, no total de R$ 758,69 (R$ 18,96 + R$ 739,73, conforme listado à folha 56), levantamento FP1. Observese que o valor de R$ 51,83 referente ao segurado Sebastião Claudionor já não foi levado ao Relatório de Lançamentos (R$ 10.758,08 R$ 51,83 = R$ 10.706,25 folhas 56 e 16). A simples modificação dos fatos geradores de um lançamento de um levantamento para outro encontra óbice nos sistemas informatizados da Previdência Social/Receita Federal, devendo, portanto, serem novamente constituídos, se possível (item 12.6, Orientação Interna INSS/Direp 4/2004). Quanto à argumentação de erro no Relatório de Lançamentos referente a janeiro/2004, março, junho a agosto/2006 procede em parte pelo que já foi descrito acima. Para janeiro/2004, a base não declarada passa a R$ 9.947,56, mas a retenção apurada é de R$ 12.440,71 (folha 27) e não R$ 12.598,65, conforme postulado pelo impugnante à folha 97. Não nos foi possível encontrar, entre os documentos apresentados pelo impugnante, respaldo para sua afirmação. Também as retenções para compensações de períodos anteriores foi apropriada em R$ 3.018,37 (folha 18), conforme devidamente explicitado no despacho de folha 290. Em fevereiro/2004, tanto no que tange a argumentação de recolhimento a titulo de terceiros no valor de R$ 6.402,07 bem com a retenção no valor de R$ 43,26, não nos foi possível, compulsandose os autos, encontrar supedâneo fático para dar guarida a pretensão do impugnante. Para abril/2004, não nos foi possível encontrar o valor R$ 5.905,73, informado pelo impugnante como recolhido, quer no pagamento de R$ 26.484,62 (folha 175), quer em consonância com os documentos apresentados constantes de folha 27. Da mesma maneira, também não nos foi possível localizar a retenção de R$ 51,01 que o impugnante alega ter feito. Da mesma forma, para maio/2004, a informação de pagamento de R$ 5.618,29 não pôde ser averiguada com base nos documentos constantes dos autos. Apenas se verifica que as notas fiscais 4680 e 4681 não tiveram seus valores retidos Fl. 876DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 apropriados. Assim, haveria o recolhimento de R$ 708,40 (R$ 213,40+R$ 495,00). Quanto ao mês de junho/2004, também não nos foi possível subsidiar a informação quanto ao recolhimento de terceiros com elementos de prova aptos a mantêla. Houve, no entanto, ajuntada de provas de retenção de mais R$ 1.306,31 (R$ 729,38 + R$ 57623). Tais competências (5 e 6 de 2004), apresentam débito na rubrica terceiros, o que impede o aproveitamento das retenções assinaladas (art. 249, RPS). Para o mês de março/2005, os valores que o impugnante aponta como não incluídos como documento apresentado, ou já o foram, como o valor devido pela nota fiscal 5218, conforme folha 27, ou não foram por nós encontrados junto à impugnação. Quanto ao mês de maio/2005, o valor apurado como recolhido para terceiros foi mesmo R$ 8.390,40, conforme folha 32, sendo apropriado o valor tanto no levantamento FP1 quanto no FPG. Não nos foi possível encontrar supedâneo para a afirmação sobre o valor recolhido a titulo de segurados ou SAT e contribuintes individuais. Para junho/2005, procede, conforme despacho de folha 291, a consideração das retenções demonstradas à folha 162 e 121, no valor de R$ 244,14 (R$ 29,64 + R$ 214,50), devendo esse valor ser apropriado convenientemente na competência. Os demais valores aludidos carecem de suporte, a nosso ver. Em julho/2005, o correto valor apropriado na rubrica segurados foi R$ 12.184,86 (R$ 73,84 + R$ 12.111,02), conforme folha 33, não havendo demonstração fática dos valores expostos pelo impugnante. Em agosto/2005, o valor apropriado para os débitos relativos a empresa, SAT, adm e terceiros foi de R$ 46.621,62 e não R$ 37.670,60, conforme folha 33. Dentre estes, foram apropriados R$ 9.106,15 a título de terceiros, não havendo reparo na apuração efetuada. Para outubro/2005, os valores lançados nas rubricas empresa, SAT e contribuintes individuais tiveram por apropriação R$ 43.249,81, nos levantamentos FPG e FP1. Assim, improcede a argumentação do impugnante. Em janeiro/2006, o valor lançado, computados os levantamentos FPG e FP1, foi de R$ 65.164,70 (folha 34) e o recolhimento efetuado considerado foi de R$ 65.027,31, excluídos os acréscimos legais. O valor considerado a título de terceiros foi R$ 10.550,78. Para março/2006, não houve, realmente, a consideração da retenção de R$ 3.821,39 (folha 120), que deve, por isso ser devidamente apropriado. Em maio/2006, foi constatado que o recolhimento no valor de R$ 34,42 (folha 166) não foi apropriado, devendo o ser devidamente. Para junho/2006, não nos foi possível encontrar prova do citado recolhimento de R$ 16,69 referente à retenção em nota fiscal. Relativamente a julho/2006, o valor de R$ 143,00 aludido não foi por nós encontrado. A folha 167, há um pagamento nesse valor, mas relativo à competência 6/2006. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10675.001104/200818 Acórdão n.º 2302002.387 S2C3T2 Fl. 872 13 Para agosto/2006, constatouse, conforme despacho de folha 291, que não se apropriou de R$ 971,58 referente à nota fiscal de folha 119 bem como do recolhimento de R$ 43,03 referente à guia de folha 168. Assim, devese apropriar o total de R$1.014,61 para esta competência. Em setembro/2006, segundo o despacho da Seção de Fiscalização, também faltou a apropriação de R$ 70,38, de acordo com guia de folha 170. Para outubro/2006, da mesma forma, constatouse que não foi apropriado R$ 33,00, conforme guia de folha 171. Para novembro/2006, também constatouse que a guia de folha 172, no valor de R$ 33,98 não foi convenientemente apropriada. E, finalmente, para dezembro/2006, não nos foi possível encontrar o fundamento fático do valor de R$ 787,38 requerido pelo impugnante. Mas foi possível detectar a falta de apropriação de R$ 46,25, conforme guia de folha 173. Por último, com relação à ponderação contida à folha 300, o documento de folha 175 foi convenientemente levado em consideração, conforme folha 27. Já para os demais documentos citados, podese verificar que também o foram, conforme se pode verificar nas informações contidas às folhas 27 e 28. Por todo o exposto, votamos pela procedência parcial do lançamento, para excluir, do valor anteriormente consolidado (em 12/3/2008), R$ 7.719,33, mantendo R$ 32.938,41, consolidado também na mesma data”. O Recorrente, em grau de Recurso Voluntário, retorna à carga apenas alegando “negativa de prestação jurisdicional pelo auditor” porque este, na análise da defesa apresentada a fls. 113/138, retificou pontos de sua Notificação Fiscal, mas “limitouse a considerar as retificações até o ano de 2004, não analisando o período de 2005 e 2006”. Data maxima venia, a fls. 113/138 dos autos inexiste qualquer argumentação de defesa, apenas cópias de publicações acerca da greve dos Auditores da Receita Federal, de notas fiscais de prestação de serviço, de GPS de 2004, e de folhas do Livro Razão de 2004, as quais foram devidamente apreciadas pela fiscalização, conforme acima demonstrado e o próprio Recorrente reconhece. As razões para o não acolhimento integral da pretensão do Impugnante foram devidamente esclarecidas no Acórdão impugnado, não logrando o Recorrente trazer aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos de prova, com aptidão para refutar a negativa de abrigo ao pedido do Contribuinte, o qual se limitou, tão somente, a exortar que a fiscalização não analisara o período de 2005 e 2006. A defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do Processo Administrativo Fiscal cujo mecanismo de contradita às autuações do fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de rechear a peça de defesa com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de Fl. 878DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Na oportunidade em que teve para se manifestar nos autos do processo, em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à contradita das razões erigidas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância para o não acatamento integral de suas pretensões de defesa. Limitouse a deduzir singelas alegações de que não há diferenças de valores a recolher, gravitando à distância do núcleo sensível do qual se irradiaram os fundamentos fáticos e jurídicos que forneceram esteio ao lançamento em debate, não logrando o Notificado acostar aos autos qualquer indício de prova material idônea e apta a desconstituir integralmente o crédito tributário que ora se formaliza. Optou, a seu risco, por exortar asserções ora alheias aos fundamentos do presente lançamento, ora não cortejadas pelas indispensáveis provas documentais, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não obtendo sucesso, assim, em desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 879DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13841.000006/99-31
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO.
Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade do art. 3o da Lei Complementar n° 118/2005.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.984
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado) e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade do art. 3o da Lei Complementar n° 118/2005. Recurso especial negado
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado) e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso.
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Numero do processo: 13005.001596/2008-22
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007
AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS.
As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido
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COMERCIO INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 19/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 15 96 /2 00 8- 22 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento eletrônicos transmitidos pela contribuinte em 25/09/2007, 27/12/2007, 28/08/2007 e 27/12/2007 relativos a valores de PIS nãocumulativo (mercados externo e interno) referentes ao segundo e terceiro trimestres de 2007, onde foram apurados créditos no montante total de R$ 218.439,25, conforme documentos de fls. 01/15. A SAFIS da DRF de origem adotou procedimentos para confirmação da legitimidade do crédito pleiteado, efetuando a necessária fiscalização, emitindo Termo de Intimação Fiscal e procedendo às verificações entendidas cabíveis, tendo sido produzido o Relatório de Ação Fiscal de fls. 25/32, com os demonstrativos de fls. 33/41, onde, em especial, assentou o agente fiscal: Da análise dos documentos e registros apresentados pela empresa foram verificadas irregularidades no preenchimento de determinadas linhas das DACON, que ocasionaram divergências entre os valores de crédito apurados pela empresa e os valores de créditos calculados pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, doravante denominado AFRFB. (fl. 25) Foram excluídos dos valores informados pela empresa nesta linha da Dacon, os montantes referentes a aquisições de soja e ervamate, demonstrados na tabela abaixo (coluna 3), obtidos da planilha demonstrativa das compras destes produtos no período fiscalizado (...) apresentada pela empresa à fiscalização (.). Estes valores foram excluídos da Linha 02 da Ficha 06A da Dacon em razão de que compras de produtos agropecuários (soja e ervamate) são geradoras de crédito presumido, sendo que nesta linha são informados os valores geradores de crédito básico. Isto porque, da análise das informações prestadas pela empresa referentes à composição dos valores informados na linha 02 da Dacon no período de agosto/2006 a setembro/2007, verificouse que foram incluídos valores de aquisição de produtos agropecuários (soja e ervamate). Este procedimento não se harmoniza com o disposto na DI SRF n°660, de 17 de julho de 2006, normatizadora da Lei n°10.925, de 23 de julho de 2004, que instituiu o crédito presumido e que determina, em seu art. 2°, inc. IV, que as vendas de produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos elencados em seu art. 5°, inc. I, sejam efetuadas com suspensão da exigibilidade da contribuição para o PIS, e, em razão desta suspensão nas operações de venda, a empresa agroindustrial que os adquire poderá descontar crédito presumido, à alíquota de 35% (sobre as compras de soja, até junho/2007, e ervamate em todo o período) e 50% (sobre as compras de soja, a partir de julho/2007) da alíquota normal do PIS [1,65%], na determinação do valor da contribuição apagar. (fls. 26/27) (...), as compras de produtos agropecuários, sejam de pessoas físicas ou jurídicas, geram crédito presumido, em razão de que adquiridas por empresa que exerce atividade agroindustrial sujeita ao regime de nãocumulatividade da Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102001.756 S3C1T2 Fl. 3 3 contribuição para o PIS, tendo estes produtos servidos de insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. (fl. 28) À fl. 43 está anexado o Despacho Decisório DRF/SCS n° 377, de 23/10/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando o Relatório de Ação Fiscal, resolveu: a) reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte frente à Fazenda Pública da União, no montante de R$ 30.062,70 (trinta mil, sessenta e dois reais e setenta centavos), referente ao PIS nãocumulativo exportação do 2° e 3° trimestres de 2007 e não reconhecer o direito creditório referente ao PIS não cumulativo mercado interno daqueles mesmos trimestres; b) homologar as compensações declaradas e juntadas ao presente processo até o limite do crédito reconhecido anteriormente. Determinou fosse a contribuinte cientificada da decisão exarada, bem como da possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade relativamente àquela decisão. A contribuinte foi cientificada em 05/11/2008— AR de fl. 45. Foram anexados novos PER/DCOMPs, informando compensações. Em 03/12/2008 a contribuinte apresentou, através de procurador, a manifestação de inconformidade de fls. 76/92, argüindo o que, em síntese, está exposto a seguir: DOS FATOS E DO DESPACHO DECISÓRIO ATACADO • a empresa foi intimada de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o seu direito ao ressarcimento de créditos de PIS por operações de exportação realizadas no 2° e 3° trimestres de 2007; • o reconhecimento parcial do crédito está sustentado no entendimento de que a empresa não teria direito à utilização daqueles na forma prevista pelo art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002 (bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bem ou produtos destinados à venda) quando da aquisição de soja e ervamate; • o direito da empresa seria apenas à utilização do crédito presumido previsto nos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, eis que tanto a soja quanto a erva mate seriam produtos agropecuários, na forma do art. 2°, IV, da IN SRF n° 660, de 2006; • sua manifestação de inconformidade busca a reforma do Despacho Decisório e o conseqüente reconhecimento, em sua integralidade, do direito creditório pleiteado. RAZÕES DE REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO RECORRIDO • a questão em análise está centrada, única e exclusivamente, no tratamento conferido pela autoridade fiscal aos créditos oriundos das aquisições de soja e erva mate efetuadas pela empresa; Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 • se tratados como produtos agropecuários destinados à fabricação dos produtos referidos no art. 5°, I, da IN n° 660, de 2006, as aquisições de soja e erva mate confeririam ao seu adquirente o direito ao lançamento de crédito presumido calculados à razão de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente, sobre o valor das aquisições. Se tratados na regra geral de insumos, prevista no art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002, as mesmas aquisições confeririam à empresa o direito ao lançamento de crédito integral, calculado à razão de 7,6% sobre o valor das aquisições. Transcreve parte do Relatório de Ação Fiscal; • conclui que o procedimento adotado pelo Fisco redundou na redução dos créditos pleiteados pela empresa, vez que o cálculo dos créditos presumidos é feito com base na aplicação de alíquota substancialmente menor do que aquela utilizada na apuração dos créditos previstos no art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Dos CRÉDITOS PRESUMIDOS EM MATÉRIA DE PIS E COFINS — ANÁLISE DOS MOTIVOS QUE LEVARAM À SUA INSTITUIÇÃO • traça arrazoado acerca da instituição da sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, estabelecida pelas Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, referindo à legislação, às alterações introduzidas na sistemática e à tentativa de neutralizar os custos suportados pelas pessoas físicas que atuam nos ramos da agricultura e da pecuária. Cita a Lei n° 10.925, de 2004 (posteriormente alterada pela Lei n° 11.051, de 2004), transcrevendo o art. 8°; • entende que a Lei citada, assim como previu a possibilidade de utilização do crédito presumido de PIS e de COFINS quando da aquisição de insumos de pessoas físicas ou cooperado pessoa física, instituiu, também, o direito de aproveitamento do mesmo crédito quando da aquisição de insumos de pessoas jurídicas que exerçam as atividades de agropecuária e/ou de cerealista; • em contrapartida, a Lei determinou a suspensão da cobrança do PIS e da COFINS nas vendas realizadas por aquelas pessoas jurídicas desde que o adquirente apurasse o IR com base no lucro rela, exercesse a atividade agroindustrial (o que deveria ser comprovado mediante a apresentação de declarações) e utilizasse o produto adquirido com suspensão na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal ou classificados no código 22.04 da NCM. Fala sobre esta forma de apuração de créditos. DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE ERVAMATE CANCHEADA • o Fisco entendeu pela glosa de todos os valores que excederam ao cálculo do crédito presumido de 35% do montante da alíquota do PIS, donde, ao invés de reconhecer o direito da empresa ao lançamento de um crédito integral, calculado mediante a aplicação do percentual de 7,6% sobre as aquisições de ervamate, permitiu apenas o aproveitamento de créditos da contribuição limitados a 2,66% da compras de tal produto; • a justificativa do Fisco para a limitação do direito creditório pleiteado está única e exclusivamente na aplicação do art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, que determina a suspensão da contribuição na venda dos produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos relacionados no art. 5 0, I, daquele diploma infralegal; • passa a esclarecer as atividades exercidas pela empresa no que tange à compra de insumos e a posterior fabricação de ervamate; • a análise das notas fiscais que deram origem ao crédito de PIS e COFINS cujo ressarcimento ou compensação com outros tributos era pleiteado pela empresa Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102001.756 S3C1T2 Fl. 4 5 demonstra, sem margem a dúvidas, que os produtos por si adquiridos eram classificados como ervamate cancheada (código NCM 09.03.0010), ou seja, aquela adquirida de produtores rurais e submetida ao processo de trituração das folhas de ervamate que precede a sua industrialização; • há de ser analisado se está correto o enquadramento da ervamate cancheada na hipótese prevista no art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, assim como a necessidade de aplicação da regra de lançamento de créditos presumidos quando da aquisição de tal produto em detrimento do crédito integral garantido pelo art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002; • a primeira inconsistência da tese defendida pelo Fisco para imposição do lançamento de apenas créditos presumidos quando da aquisição de ervamate cancheada está na classificação desta como produto agropecuário. A atividade agropecuária, na forma do art. 3°, § 1°, II, da IN n° 660, de 2006, é aquela consistente do cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2° da Lei n° 8.023, de 1990. No caso em tela, a ervamate cancheada não pode ser considerada um produto agropecuário, à medida que se trata de produto resultante da atividade de extrativismo; • não tendo a ervamate cancheada origem no cultivo da terra, vez que suas folhas são extraídas de árvores pertencentes a reservas naturais em que não houve a atuação do homem (como ocorre em qualquer outra atividade de extrativismo mineral, como a obtenção de carvão, água, petróleo), suas vendas não devem se submeter à regra de suspensão da incidência do PIS e da COF1NS e, conseqüentemente, as despesas com sua aquisição geram direito ao crédito das contribuições na forma prevista nos arts. 3 0, II, das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • o Poder Executivo caracterizou a atividade agropecuária como sendo a atividade econômica de cultivo da terra e/ou criação de aves, peixes e outros animais, donde o produto agropecuário a ser vendido com suspensão da incidência de PIS e COFINS haverá de ser aquele decorrente do exercício daquela atividade; • o ponto nevrálgico da presente discussão é que os créditos lançados pela empresa de maneira integral, tendo como base o disposto nos arts. 2° e 3 0, II, da Lei n° 10.637, de 2002, não obstante decorrentes da aquisição de ervamate (em tese, um produto agropecuário), não tem como origem uma venda realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária; • o fluxo de produção da ervamate passa por diversas fases até chegar à industrialização propriamente dita. A empresa inicia a sua atividade de industrialização após promover a aquisição da ervamate cancheada, ou seja, aquela que já passou pelo processo de sapeco, secagem e cancheamento; • se a ervamate cancheada fosse adquirida de pessoa física ou jurídica que promovesse o cultivo direto da terra, não haveria dúvidas sobre a necessidade de aproveitamento do crédito presumido. Mas, no caso concreto, a ervamate cancheada é adquirida de pessoas jurídicas que não promovem o cultivo da terra, vez que compram a ervamate de terceiros. Estes, geralmente pessoas físicas, são os que efetivamente promovem a extração da ervamate e repassam a outras pessoas jurídicas para a realização das demais etapas da cadeia produtiva; • no caso concreto, não houve a aquisição de produtos agropecuários beneficiados com a suspensão de PIS e COFINS sobre as receitas auferidas com suas vendas. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Isso porque, ao contrário do que entendeu o Fisco, a ervamate cancheada comprada pela manifèstante e que de origem aos créditos glosados foi fornecida por pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, eis que não promovem o cultivo da terra e/ou a criação de aves, peixes e outros animais; • só poderia ter sido promovida a restrição ao direito de crédito caso as aquisições tivessem sido promovidas diretamente daqueles que promovem a extração da ervamate. A existência de uma terceira pessoa, que se insere na cadeia produtiva entre o produtor primário e a pessoa jurídica responsável pela industrialização da ervamate com vistas a realizar uma das etapas de tal processo, impede a incidência da norma de suspensão da incidência das contribuições e, conseqüentemente, torna impossível o aproveitamento do crédito presumido previsto na legislação; • as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa, jamais foram feitas com suspensão de PIS e COFINS prevista na legislação para as hipóteses de vendas realizadas por pessoas jurídicas que exercem atividades agropecuárias. sempre houve a incidência das contribuições sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas vendedoras, com o conseqüente direito ao crédito das contribuições para as adquirentes; • não poderia ser outro o procedimento adotado pelos produtores de ervamate cancheada, porquanto, se pretendessem promover a venda com suspensão da incidência das contribuições, seria absolutamente fácil para o Fisco, a partir do confronto entre as notas fiscais de entrada de ervamate e de saída de ervamate cancheada, comprovar que o exercício da atividade agropecuária estaria concentrado apenas naquele que efetuou a extração vegetal, não se alastrando para a pessoa jurídica que alterou as condições do produto in natura; • a empresa buscou junto aos seus fornecedores de ervamate cancheada declarações de que não executam o cultivo da terra ou atividade extrativa vegetal, de que adquirem de terceiros as folhas e galhos de ervamate utilizada na produção da ervamate cancheada que lhe é vendida e, ainda, de que calculam e recolhem o PIS e a COFINS sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada. Relaciona as empresas e entende serem válidas as declarações; • caso a DRJ repute não serem suficientes os elementos de prova trazidos aos autos, poderá converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos que julgar necessários; • a empresa não poderá ser prejudicada com a suspensão de seus créditos se, ao mesmo tempo, os fornecedores de ervamate cancheada não forem beneficiados com a suspensão de incidência das contribuições. Tendo havido o pagamento do PIS e COFINs na etapa anterior da cadeia produtiva, deve ser reconhecido o crédito em favor do adquirente, sob pena de se colocar à lona a nãocumulatividade almejada pelo legislador; • prova cabal da incidência das contribuições sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa está no fato desta última jamais ter cumprido a exigência constante do art. 40 da IN n° 660, de 2006, no sentido de emitir declarações que pudessem sustentar a venda de insumos para sua produção com suspensão de PIS e COFINS. Não tendo assim procedido, resta evidente que as pessoas jurídicas vendedoras, pela ausência de cumprimento das claras condições estabelecidas na legislação, haveriam de tributar normalmente as vendas, sob pena de posterior autuação por parte do Fisco Federal; • o fato da não expedição das declarações é impossível de ser comprovado pela empresa, vez que se tem, em tal hipótese, a caracterização precisa daquilo que tecnicamente é conhecido como prova negativa; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102001.756 S3C1T2 Fl. 5 7 • se o entendimento da empresa não for respaldado pelo DRJ, se estará diante de manifesta ofensa ao princípio da separação dos poderes, fundamental para a manutenção de um Estado Democrático de Direito, porquanto terão as autoridades administrativas responsáveis pela análise do crédito em questão, com a chancela da DRJ, criando nova hipótese de suspensão da incidência do PIS e da COFINS sem o respaldo de qualquer dispositivo legal; • estarseá definindo, pois, a possibilidade de duas suspensões de incidência das contribuições na mesma cadeia produtiva, sendo que apenas uma das vendas (a primeira, de ervamate in natura) é efetivamente realizada por pessoa física que exerce atividade agropecuária, uma vez que a segunda (de ervamate cancheada) é promovida por pessoa jurídica QUE NÃO TRABALHA NO CULTIVO DA TERRA, POIS A ERVAMATE CANCHEADA É RESULTADO DE PROCESSO APLICADO SOBRE VEGETAL CUJA EXTRAÇÃO FOI PROMOVIDA POR TERCEIROS; • conclui ser manifesto o desacerto do Despacho Decisório atacado, devendo os créditos que foram transferidos pelo Fisco da linha 02 para a linha 26 da DACON voltar a sua origem, recalculandose o montante de crédito passível de ressarcimento a que faz jus a empresa em razão da aquisição de ervamate cancheada de fornecedores que não exercem a atividade agropecuária, na forma do art. 3 0, § 1°, II, da IN SRF n° 660, de 2006, e, conseqüentemente, não produzem os produtos agropecuários previstos no art. 2°, IV, do mesmo diploma infralegal. Dos CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE SOJA • a exemplo da ervamate cancheada, as aquisições de soja também foram consideradas oriundas de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária; • a empresa informa que, do mesmo modo como ocorrera em relação à ervamate, sempre foram feitas junto a pessoas jurídicas que não exercem a atividade agropecuária definida no art. 30, § 1°, II, da IN n° 660, 2006. A fim de evitar tautologia, não irá repetir os argumentos já apostos em relação à ervamate cancheada; • toda a soja foi comprada de pessoas jurídicas que já a haviam adquirido de produtores rurais, responsáveis pelo cultivo da terra. Assim, a operação realizada com suspensão de incidência de PIS e COFINS foi aquela realizada entre o produtor e esse adquirente, que posteriormente revendeu tal produto para a empresa; • a receita auferida com a venda de soja para a empresa foi submetida normalmente à tributação pelo PIS e pela COFINS. Como não poderia deixar de ser, gerou, também, o direito ao creditamento de valores a serem calculados sobre o montante despendido em tais aquisições, na forma do art. 3 0, II, das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • refere à provas que diz ter carreado aos autos (cita duas empresas) e entende que para a imposição do lançamento de crédito presumido vinculado às aquisições de soja, não se pode considerar os fornecedores relacionados pelo Fisco como cerealistas, na forma do art. 8°, § 1°, da Lei n° 10.925, de 2004; • se deve reconhecer, também em relação à soja adquirida de pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, o direito a créditos de COFINS calculados de acordo com o previsto nos arts. 2°c 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Do PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 • em itens anteriores, a empresa pleiteou a realização de diligências que têm como objetivo esclarecer, de maneira cabal, a forma como foram realizadas as operações de compra e venda de soja e ervamate cancheada entre ela e seus fornecedores; • tal pedido, além de encontrar arrimo no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, vias, em última análise, à aplicação do princípio da busca da verdade real, norteador do PAF; • a empresa entende que dois devem ser os questionamentos a serem respondidos pela autoridade fiscal, ou por outra que for designada para realização de tal tarefa: 1. os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS glosados compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à manifestante ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. as vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de PIS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? • com base na resposta a tais questionamentos, claro estará que as aquisições promovidas pela empresa foram integralmente tributadas, não havendo razão para a imposição de aproveitamento de apenas créditos presumidos vinculados a tais aquisições; • não se deve alegar que poderia a manifestante ter promovido a juntada de documentos que comprovem as circunstâncias argüidas. Além das declarações que já estão anexadas a esta peça, nenhum outro documento poderia ser juntado, vez que não há qualquer regra que obrigue às pessoas jurídicas vendedoras a concederem vista de seus registros fiscais a terceiros. Somente o Fisco, no exercício de sua atividade fiscalizatória, poderá ter acesso, sem restrições, aos elementos que sustentarão as respostas aos questionamentos formulados; • caso entenda a DRJ que as declarações anexadas aos autos não são suficientes para demonstrar o direito da empresa ao lançamento dos créditos glosados pelo Despacho Decisório atacado, imprescindível a realização da diligência solicitada, para que se ateste, de maneira inequívoca, o direito à apuração dos créditos de PIS na forma prevista nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Do REQUERIMENTO • a empresa requer: a) a conversão do processo em diligência, a fim de que sejam respondidas pela autoridade responsável pela elaboração do Despacho Decisório ora atacado, ou por outra designada para tal fim, as questões constantes da peça de contestação; b) independentemente da realização de diligência, a reforma do Despacho Decisório atacado, de modo a ser reconhecido o crédito integral de PIS, na forma em que postulado nos PER/DCOMPs que deram origem ao presente processo administrativo. • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 93/200 e 203/238. O Órgão de origem anexou cópia de AR de fl. 239 e encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 240). Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102001.756 S3C1T2 Fl. 6 9 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 AFRONTA A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questão que envolva possível afronta a princípio constitucional. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 AGROINDUSTRIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS ADQUIRIDOS SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A agroindústria pode calcular créditos da contribuição sobre o valor dos insumos, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, desde que atendidas todas as condições previstas na legislação, dentre elas a de que os bens adquiridos estejam sujeitos ao pagamento da contribuição. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As questões de direito foram decididas favoravelmente à recorrente no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; contudo, foram incluídos nos cálculos dos créditos apenas os valores referentes às aquisições de ervamate e soja das empresas referidas na fundamentação, delimitando a concessão ao universo de empresas identificadas nas declarações anexadas pela Recorrente. A parte requereu, em sede de Recurso Voluntário, a inclusão das demais empresas das quais adquiriu os produtos nas compras objeto da lide. Esclareceu não ter condições de trazer aos autos, ela própria, declarações dos seus fornecedores que atestem a sua condição de contribuintes de PIS e COFINS se estes, de modo voluntário, não o fizerem. O julgamento foi convertido em diligência para que fosse identificada a verdadeira condição dos fornecedores da empresa autuada, com o encaminhamento do processo à repartição de origem para que a fiscalização, a seu juízo, determinasse os esclarecimentos que julgasse necessários à perfeita instrução processual, devendo ainda responder às questões a seguir reproduzidas, em observância ao pleito consignado pela autuada a este Conselho. 1. Os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados (excetuados aqueles já reconhecidos como legítimos pelas autoridades julgadores de primeira instância, vinculados aos Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 fornecedores relacionados na manifestação de inconformidade) compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à recorrente ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. As vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? Atendida a diligência, o processo retorna a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão definitiva. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Conforme se depreende do relato da Autoridade Fiscal encarregada da diligência demandada por este Colegiado, o contribuinte foi intimado a apresentar planilha demonstrativa dos fornecedores pessoa jurídica de ervamate, que efetuaram vendas no período de agosto de 2006 a dezembro de 2007 sob as quais foi apurado crédito de PIS/COFINS calculados à alíquota integral, exceto os já informados na Manifestação de Inconformidade. De posse dessa informação, a Fiscalização enviou intimação às empresas indicadas pela Requerente, buscando os esclarecimentos demandados na diligência. A conclusão foi a seguinte. Os fornecedores Ervateira São Mateus Ltda, CNPJ 77.752.038/000226, Bujio Alimentos Ltda, CNPJ 06.369.361/000196 e Ervateira Urubici Ltda, CNPJ 83.594.424/00159 apresentaram resposta informando que as vendas não foram efetuadas com suspensão do PIS/COFINS (quesito 1), que não houve declaração da Baldo S.A. que permitisse a nãoincidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas (quesito 2) e que a erva mate vendida foi adquirida de produtores/terceiros (quesito 3). Os fornecedores Cerealista Quatro Irmãos Ltda, CNPJ 75.724.161/000127, JCP Importação e Exportação de Alimentos Ltda, CNPJ 05.679.940/000172 e Indústria de Erva Mate Três Irmãos Ltda, CNPJ 01.880.469/000125 não apresentaram resposta à aludida Intimação. Os Avisos de Recebimento – AR dos fornecedores Restinga dos Paióis, CNPJ 04.945.090/000131 e Hercílio J Fernandes, CNPJ 85.379.089/000100 retornaram sem o recebimento dos mesmos, tendo sido registrado como motivo da devolução “recusado” e “falecido” respectivamente. Desta forma e para estes fornecedores, foram efetuadas consultas aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil – RFB, constatandose que nenhum possui código Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de ervamate. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001596/200822 Acórdão n.º 3102001.756 S3C1T2 Fl. 7 11 Conforme entendimento que fundamentou a decisão tomada em primeira instância, a empresa faz jus ao crédito básico, conforme pretende, desde que os produtos tenham sido adquiridos de pessoa jurídica que não exerça atividade agropecuária. Por sua vez, a Fiscalização Federal decidiu pela glosa dos valores por entender que a aquisição de produtos agropecuários por empresa que, como a Requerente, exerce atividade agroindustrial, se dá com suspensão, na venda, da exigibilidade das Contribuições. A seguir excerto do Relatório Fiscal. No cálculo do AFRFB foram informados nesta linha da DACON os valores das aquisições de produtos agropecuários efetuadas pela empresa requerente, que exerce atividade agroindustrial sujeita ao regime de nãocumulatividade da contribuição para a COFINS, cujos produtos serviram de insumos na fabricação de outros produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade da COFINS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. Não tendo sido levado em conta que, nos casos de vendas realizadas por pessoa jurídica, apenas as que exercem atividade agropecuária, ao venderem às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos contemplados no texto legal, geram direito a crédito presumido (e não básico), o Fisco terminou por não demonstrar e buscar comprovação para reduzir o direito de crédito pretendido pela Recorrente. A própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento fez menção à ausência de elementos probantes. Atentese, ainda, que: a) a observação das peças processuais juntadas pela Fiscalização não permite a clara e objetiva interpretação de que às empresas relacionadas (vendedoras) se pudesse aplicar a modalidade de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS; b) ao contrário, preocupouse a contribuinte em demonstrar que tais empresas não se enquadravam como exercendo atividade agropecuária, estando elas sujeitas ao recolhimento das contribuições pela alíquota normal. A resposta à diligência demandada por este Colegiado não modifica o quadro. Em lugar disso, acrescenta mais um elemento em favor da pretensão da Recorrente. Para partes das empresas, foi obtida informação dando conta de que as vendas não foram efetuadas com suspensão do PIS/COFINS, que não houve declaração da Baldo S.A. que permitisse a nãoincidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas e que a erva mate vendida foi adquirida de produtores/terceiros. Em relação às empresas que não responderam à Intimação do Fisco, constatouse que nenhum possui código Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de ervamate, restando, dessa forma, ausente qualquer razão para glosa dos créditos básicos utilizados pela Recorrente. VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao aproveitamento de crédito básico na compra de ervamate das empresas informadas pela Recorrente em resposta à intimação encaminhada pelo Fisco. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 12 Sala de Sessões, 31 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10540.001406/2002-26
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
CÁLCULO DO IMPOSTO. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. HIPÓTESES
Só podem ser excluídas para efeito de cálculo do imposto às áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal. Áreas de baixa produtividade para agricultura, mas aptas a qualquer outra possibilidade de exploração, como, por exemplo, a pecuária extensiva, não são excluídas para efeito de cálculo do imposto.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.144
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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EXCLUSÃO DA AREA TRIBUTÁVEL. HIPÓTESES Só podem ser excluídas para efeito de cálculo do imposto as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqilicola ou florestal. Áreas de baixa produtividade para agricultura, mas aptas a qualquer outra possibilidade de exploração, como, por exemplo, a pecuária extensiva, não são excluídas para efeito de cálculo do imposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELISE DAU T PRIETO - Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Hero ldes Bahr Neto, Vanessa Albuquerque Valente, Luis Carlos Maia Cerqueira (Suplente), Davi Machado Evangelista (Suplente) e Celso Lopes Pereira Neto. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. Processo n° 10540.001406/2002-26 Acórdão n.° 303-35.144 CC03/CO3 Fls. 195 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/09, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 1998, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Passagem Funda", localizado no município de Jaborandi - BA, cadastrado na SRF sob o n" 1763623-0, no valor de R$ 128.344,79 (cento e vinte e oito mil, trezentos e quarenta e quatro reais e setenta e nove centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31/10/2002, perfazendo um crédito tributário total de R$ 317.101,47 (trezentos e dezessete mil, cento e um reais e quarenta e sete centavos). 2.Foi expedida a Intimaçâo Fiscal de fls. 16/17, pela qual o contribuinte foi intimado a apresentar documentos que comprovassem valores por ele informados na DITRa 998. Cientificado em 15/10/2002, conforme AR de fls. 18, o contribuinte apresentou a carta-resposta de fls. 22/24 e 38 e os documentos clefts. 25/37 e 39/60. 3.No procedimento de analise e verificação das informações declaradas na DITR/1998 e da documentação coletada no curso da ação fiscal, a fiscalização apurou falta de recolhimento do ITR e efetuou o lançamento, em virtude de alteração das seguintes linhas da declaração, conforme descrição dos fatos de fls. 04/05: - área total do imóvel para 13.254,1 ha; - área de preservação permanente para 2.000,0 ha; e - área de pastagens para 0,0 ha. 4.Ciencia do lançamento em 09/12/2002, conforme AR de fls. 67. 5.Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 31/12/2002, por intermédio de correspondência encaminhada pelos Correios (fls. 69), a impugnação de fls. 70/71, alegando, em síntese: I — que já informou a fiscalização que o imóvel foi declarado inapto agronomicamente pelo Incra, portanto, inaproveitável para atividades agrícola e pecuária e isenta do pagamento do ITR, conforme legislação vigente; — que a inaptidão citada foi constatada pelo Oficio/Incra/SR-05/TN 227/2000, em anexo; III — que a propriedade foi colocada a disposição do Incra para fins de reforma agrária desde janeiro de 1996, cujo pleito foi recebido pela Superintendência Regional do Incra na Bahia, pelo Presidente do Incra Processo n° 10540.001406/2002-26 Acórdão n.° 303-35.144 CC03/CO3 Fls. 196 e pelo Ministro da Reforma Agrária, não tendo estipulado qualquer prep pelo imóvel; IV — que requer a improcedência da autuação face à argumenta cão supra, bem assim à farta documentação encaminhada &fiscalizagdo, acrescida da documentação encaminhada junto com a presente impugnação. Ponderando tais fundamentos, decidiu o órgão julgador de primeira instância pela manutenção integral da exigência, conforme se apura da leitura da ementa da decisão recorrida: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. 1111 COMPROVAÇÃO. A exclusão de areas declaradas como de preservação permanente da area tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato aqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREAS DE PASTAGENS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ANIMAIS NO IMÓVEL. Deve sei- mantida a glosa do valor declarado a titulo de area de pastagens, quando não-comprovada pelo contribuinte a existência de animais de grande e médio porte no imóvel, tendo em vista que a area de pastagens aceita deve ser a menor entre a area declarada e a area calculada tomando por base o número de animais existente na propriedade. • ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ÁREAS INAPROVEITÃ VEIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser rejeitada a alegação de que a area total do imóvel é area inaproveitavel, se desprovida da necessária comprovação documental, mormente quando consta dos autos relatório técnico emitido pelo In era em sentido contrario. Lançamento Procedente Mantendo sua irresignação, comparece a autuada mais uma vez aos autos para, em sede de Recurso Voluntário, sinteticamente, renovar suas razões de impugnação. o Relatório. 3 Processo n° 10540.001406/2002-26 Acórdão n.° 303-35.144 CC03/CO3 Fls. 197 Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator 0 recurso é tempestivo. 0 contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 29 de maio de 2006 (AR de fl. 157) e apresentou suas razões de recurso em 28 de junho do mesmo ano (protocolo de fl. 164). Cumpridas as demais condições de admissibilidade, dele se deve tomar conhecimento Considerando que não foi trazido qualquer argumento referente às areas de pastagem e de utilização limitada, o ponto fulcral para a solução do presente litígio, a meu ver, é avaliar se os elementos colacionados aos autos são suficientes para que se considere configurada a exclusão definida no inciso II do parágrafo 1° do art. 10 da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996. ssç 1' Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-6: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as areas: (..) c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Como meio de demonstrar a procedência de seus argumentos, a recorrente fez juntar Relatório Técnico produzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, produzido no intuito de avaliar a adequação do imóvel a eventual redistribuição fundiária baseada na Lei n° 8.629/93. Sustenta, nessa linha, que a conclusão de que o imóvel não se prestaria Aquela finalidade seria suficiente para considerá-lo incluso na hipótese prevista na alínea "c" acima transcrita. Com o máximo respeito a essa opinião, entendo que não se configurou a excludente invocada. Apesar de uma área comprovadamente imprestável para qualquer exploração não se prestar A realização de redistribuição fundiária, essa reciproca não é verdadeira. Ou seja, e perfeitamente possível que a área seja passível de exploração, mas o tipo de exploração economicamente viável seja incompatível com o assentamento de pequenos produtores. A esse propósito, interessante citar as conclusões levadas a efeito (doc. de fls. 45 a 60), assim descreve os solos e suas classes: 4 Processo n° 10540.001406/2002-26 Acórdão n.° 303-35.144 CC03/CO3 Fls. 198 a) Latossolo Vermelho - Amarelo Distrófico, de médio potencial agrícola, em área equivalente a 40% da propriedade. b) Areas Quartzozas Distróficas: de pouco potencial agrícola, em area equivalente a 45% do imóvel; e c) Solos Hidromórficos, de pouco potencial agrícola, no restante da propriedade, ou seja 15% Comentando essas características, consigna a equipe responsável pelo levantamento, literalmente: 6 0 imóvel em questão possui pouco potencial para uma futura produção agrícola, devido, principalmente, ao fator solo, não muito favorável a agricultura, a não ser que seja corrigido, o que demandaria enormes gastos (calcáreo [sic], adubação química e orgânica e maquinário agrícola) o imóvel possui aptidão apenas para o criatório extensivo no cerrado e áreas de várzea, principalmente bovinocultura.(destaquei) Outra condição desfavorável a um projeto de assentamento na área é devido a distancia dos centros consumidores, como também o acesso, que é precário. Se a area é aproveitável, ainda que exclusivamente para pecuária extensiva, afastada está a hipótese de redução da área aproveitável. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2008 • LUIS MARC LO GUERRA DE CASTRO - Relator 5
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Numero do processo: 10120.006956/2006-14
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 401-05838).
Numero da decisão: 9101-000.966
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Antônio Carlos Guidoni, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann, que não o conhecia. Quanto ao mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (relator) e Viviane Vidal Wagner, que restabeleciam a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 40105838). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Antônio Carlos Guidoni, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann, que não o conhecia. Quanto ao mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (relator) e Viviane Vidal Wagner, que restabeleciam a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Suzy Gomes Hoffmann e João Carlos de Lima Junior. Relatório Versa o presente processo sobre o Recurso Especial, interposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) em face do Acórdão nº 140100.021, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, no qual fora dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar a exigência da multa isolada, lançada com base no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento afastou a aplicação da multa isolada, por entender ilegítima a sua aplicação, quando em concomitância com a multa de ofício, prevista no art. 44, inc. I da mesma Lei, se não vejamos o teor da ementa na parte sub examine: MULTA ISOLADA. EXISTÊNCIA DE MULTA PROPORCIONAL. A multa de oficio sobre CSL efetiva (anual) exclui a incidência da multa isolada sobre CSL mensal por estimativa. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Sustentou o Conselheiro Relator do acórdão recorrido, como razão para o afastamento da multa isolada, que: “Isso deflui com cartesiana nitidez, seja por interpretação lógica dos preceitos citados (aliás, para além disso, podese dizer que é corolário lógico), seja por interpretação finalística do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96.”; “apenado o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Se já penaliza o todo, não há sentido em se penalizar também a parte do todo...Como penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo? Isso seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos”; “A interpretação ora expendida ganha maior força a partir do momento em que a CSL mensal é estimativa, diversamente do que se dava à luz da Lei 8.981/95 em que a CSL mensal era efetiva apesar do ajuste anual (ou no mínimo se poderia colocar em discussão que a CSL mensal era efetiva, o que não se põe em discussão a partir da Lei 9.430/96).”. Contra a referida decisão se insurgiu a Fazenda Nacional, ao apresentar, em 17 de agosto de 2009, Recurso Especial, calcado na existência de julgado da 3ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes que considerou ser legítima a aplicação cumulativa das multas de oficio previstas no inciso I do art. 44 e no inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Vale trazer à colação a parte da ementa do acórdão paradigma apontado pela PFN (acórdão nº 193 00018) que versa sobre a matéria, in verbis: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.006956/200614 Acórdão n.º 910100.966 CSRFT1 Fl. 2 3 CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO A multa de oficio aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa, que deixou de ser recolhido, no curso do Anocalendário, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. No seu recurso especial, a Fazenda nacional alega, em resumo, o que se segue: “...o acórdão ora recorrido, ao afirmar que a multa de ofício e a multa isolada são excludentes, diverge do acórdão paradigma (AC 19300018), que entende ser plenamente possível a exigência de ambas as multas, por se referirem a infrações distintas.”; “...a multa de ofício decorre da omissão de rendimentos tributáveis, enquanto a multa isolada decorre do não cumprimento, pelo contribuinte, do regime de antecipação mensal do pagamento do imposto”; “...não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas.”; “O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito.”; “...na hipótese dos autos, a legitimidade, ou não, da cumulação entre a multa de oficio e a multa isolada dependerá do exame acerca das infrações que motivaram a aplicação das mesmas.”; “...será lícita a concomitância se as multas resultarem de infrações diversas, ainda que possuam bases de cálculo idênticas (o que, aliás, não ocorre in casu)”; “...da infração às normas de determinação do lucro real decorre a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, enquanto que do descumprimento da sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada decorre a muita isolada prevista no art. 44, II, alínea "h" da mesma Lei”; “...a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa do IRPJ e CSLL”; “a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual...Já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas...”; “Não há, no presente caso, norma específica que permita ao aplicador da lei relevar a cobrança da multa prevista no art. 44, II, alínea "h" da Lei 9.430/96, atendendo "a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso.”; “...a posição adotada pela e. Câmara a quo também, portanto, incorre em conflito com o art. 172 do CTN.”. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 A Fazenda Nacional ainda transcreve acórdão do TRF 5ª em abono a sua tese, para, alfim, concluir que é possível a cumulação entre multa de oficio e multa isolada, pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas e que a autoridade autuante agiu de acordo com as normas aplicáveis ao caso, realizando o seu dever de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, razões pelas quais requer seja conhecido e provido o recurso para reformar o acórdão recorrido, com o consequente restabelecimento da multa isolada. Cientificada do Recurso Especial apresentado pela PFN, a recorrida apresentou contrarrazões para requerer seja negado provimento ao Recurso Especial e, por conseqüência, seja mantida, na íntegra, a decisão a quo, por sustentar que o acórdão em questão estar em total consonância com a jurisprudência desta E. Câmara; que a tese recorrida encontra amparo no princípio da consunção, oriundo do direito penal; que a presente penalidade tem sua origem nas glosas de custos e despesas efetuadas no processo administrativo nº 10120 007278/200518 (IRPJ e reflexos), onde já havia sido lançada a multa vinculada; e que julgada improcedente a reputada omissão de receitas desapareceu o suporte fático autorizativo da aplicação da penalidade. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.006956/200614 Acórdão n.º 910100.966 CSRFT1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator O recurso especial atende aos requisitos de admissibilidade, razão porque dele conheço. Nas suas contrarrazões, o contribuinte alega que desapareceu o suporte fático autorizativo da aplicação da penalidade ora sub examine, uma vez que foi julgado improcedente o auto de infração por omissão de receitas, objeto do Processo nº 10120.007278/200518. Com efeito, ao se compulsar os autos, verificase que a decisão sobre o auto de infração por omissão de receitas, proferida no Acórdão nº 140100.059 da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, impacta a parte do auto de infração ora em análise, mais especificamente, a base para o lançamento da multa isolada relativa aos meses de novembro e dezembro de 2000. Assim, como a decisão proferida no Acórdão nº 140100.059 não é definitiva, já que pesa sobre ela embargos de declaração ainda não julgados, proponho que o presente processo seja baixado em diligência para que aguarde na unidade preparadora a decisão definitiva do Processo nº 10120.007278/200518, quando, então, estes autos deverão ser instruídos com o respectivo acórdão daquela decisão definitiva e retornados para este CARF. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 207DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Voto Vencedor Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, redator designado. Designado que fui para redigir o voto que expressou o entendimento majoritário do Colegiado, passo a discorrer sobre o tema, sem antes apresentar minhas vênias aos que nesta assentada ficaram vencidos. Sem embargo, a matéria tem sido alvo de intensas discussões em sede recursal do contencioso administrativo tributário, tendo merecido posicionamentos desta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em maior ou menor escala, em função da sua composição, predominantemente tem confirmando o resultado majoritário ora adotado. Em suma, a matéria trazida à nossa apreciação diz respeito a lançamento de ofício que consistiu na cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas da CSLL, com fulcro no art. 44, § 1º, inciso IV, atual art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/1996, concomitantemente com a multa de ofício de que trata o art. 44, inciso II, atual art. 44, § 1º, ambos da mesma Lei, lançada com base em receitas omitidas. Por discorrer com muita propriedade sobre a matéria em questão, peço vênia para transcrever excertos do voto condutor da decisão proferida por esta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão CSRF nº 40105838, sessão de 15/04/2008, no processo nº. 13626.000292/200304, da lavra do i. Conselheiro Marcos Vinicius Néder de Lima, que adoto como razões de decidir: “(...). Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei n° 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que "o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público. Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais1". 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.006956/200614 Acórdão n.º 910100.966 CSRFT1 Fl. 4 7 Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. Nesse sentido, o artigo 44 da Lei n° 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQÜÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória Pagar multa de 75% ou 150%3, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV) Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44, §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1°, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do que quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete deve ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. 2 Ricardo Guastini citado por Humberto Asila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. 3 A hipótese de majoração da multa de oficio para 150% está prevista no inciso lido art. 44 da Lei n°9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, à semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de oficio aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.006956/200614 Acórdão n.º 910100.966 CSRFT1 Fl. 5 9 Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave".4 Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de oficio de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades — de mora e de oficio — na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo (que) a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6°). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. (...).” Na esteira dessas bem lançadas razões de decidir é que neguei provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo, consequentemente, a decisão exarada no acórdão recorrido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz 4 Instituições de Direito Penal, Pane Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 20/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18336.000052/2001-49
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-II
Data do fato gerador: 06/01/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAIS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não
atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre
certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as
mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro
pais, não signatário do acordo internacional, sem atendimento das
condições neste estabelecidas, caracterizam o inadimplemento
dessas condições.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.064
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando (Substituta convocada), Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado) e Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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MINISTÉRIO DA FAZENDA t? >,,A CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS — • - Processo n° 18336.000052/2001 -49 Recurso n° 303-124.236 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-00.064 — 3* Turma Sessão de 27 de maio de 2009 Matéria Imposto de Importação - Preferência Tarifária - Divergência entre Certificado de Origem e Fatura Comercial - Intermediação de Pais não signatário do Acordo Internacional Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRÁS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Data do fato gerador: 06/01/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAIS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabivel a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro pais, não signatário do acordo internacional, sem atendimento das condições neste estabelecidas, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando ubstituta convocada), Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocadofi e Nilton uiz Bartoli (Substituto convocado), que negavam provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO E ITAS ARRETO Presidente • • Processo e 18336.000052/200149 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.064 Fl. 188 R~fter-site 4.a PINHEIRO TO418 Relator FORMALIZADO EM: 22 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Luis Marcelo Guerra de Castro e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A.- PETROBRAS teve denegado o pedido de redução de aliquota prevista no acordo tarifário da ALADI, na importação de propano em bruto liqüefeito, código 2711.12,00 da Tarifa Externa Comum do MercosuL Verificou a fiscalização que o Certificado de Origem apresentado não atendia aos requisitos da lei. Com efeito, ficaram apurados os seguintes fatos; a) a fatura comercial (fl. 17) foi emitida pela Petrobrás International Finance Company - Pifco, empresa com sede nas Ilhas Cayman; b) o pais de origem da mercadoria foi Venezuela, conforme indicado no Certificado de Origem (fl. 27); c) a mercadoria foi embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil, tendo como consignatária a Petrobrás International Finance Company - Pifco, conforme comprova o conhecimento de embarque juntado às 16; d) a mercadoria foi recepcionado no Brasil pela Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRÁS na qualidade de importador, por conta do endosso que lhe foi conferido pela Pilco, conforme se verifica no verso do documento de embarque (fl. 16); e) o Certificado de Origem não faz nenhuma referência no campo 10 sobre participação de um operador de terceiro pais na transação a que se refere; j) o número da fatura comercial (82285-1) que consta no campo referente à declaração de origem do respectivo certificado diverge da fatura que instrui o processo; g) a análise isolada do Certificado de Origem mostra que ele não relaciona a quantidade de mercadoria objeto da certificação o que viola o que estabelece o art lo do acordo 91, o qual regulamenta as disposições referentes à Certificação de origem. A fiscalização, em face dessas irregularidades, reputou inválido o Certificado de Origem, fazendo com que o importador perdesse o direito à redução de imposto pleiteada. O crédito tributário compõe-se de imposto, juros de mora e multa proporcional. Na defesa, a empresa passa aos seguintes esclarecimentos a respeito dos procedimentos adotados nesta importação: a) compra petróleo e derivados diretamente de fornecedores abrangidos por acordo tarifário com transporte direto para o Brasil; b) acontece de, por razões econômicas, revender e recomprar concomitantemente os mesmos produtos para o fim de alongar o prazo de pagamento; c) a Resolução 2 , , - Processo n° 18336.000052/2001-49 CSRF-T3 • Acérdào n.° 9303-00.064 Fl. 189 78 e o Acordo 91 não vedam a compra direta com interveniência de terceiros com a finalidade de mera alavancagem financeira e sem trânsito por outro pais; d) a fatura final após a recompra compreende o preço puro e idêntico constante das faturas posteriores acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; d) a mercadoria é enviada diretamente do país produtor para o Brasil e só muito raramente haverá trânsito por outro país; e) essas operações de intermediação de um terceiro país não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária e tampouco prejudicam seu enquadramento no regime de origem; j) o art. 10 da Resolução 78 determina que os países signatários procederão a consultas entre os governos sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Origem, observando-se ainda o devido processo legal; g) requer seja declarado nulo o Auto de Infração. A autoridade de Primeira Instância julgou procedente a ação fiscal em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Importação — II Data do fato gerador: 06/01/2000 Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL, CERTIFIDADO DE ORIGEM. E incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Processo Administrativo fiscal. Data do fato gerador: 06/01/2000 Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada na defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência." Em tempo hábil, a empresa interpôs recurso voluntário reeditando as mesmas razões já expostas na peça de impugnação. '01. 95, consta informação de que o contribuinte fez depósito recursal, embora não conste dos autos o comprovante. E foi autuada por descumprimento do art- 45 do Decreto-lei n° 37/66, transcrito no art. 425, alínea "b", do Decreto 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro), uma vez que a fatura apresentada pertence a outra pessoa jurídica, diferente da registrada como IMPORTADOR na DI 0462776- 0. Foi lavrado o Auto de Infração de P. 01/06 e documentos anexos. O valor exigido consta de multa de 10% na conformidade do art, 106, inciso IV, alínea "a" do Decreto-lei n° 37/66, regulamentado pelo art. 521, inciso III, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro. Mercadoria dt 3 , Processo n°18336.000052/2001-49 CSRF-T3 • Acórdão n." 9303-00.064 Fl. 190 consta como sendo combustível e foi desembarcada no Porto de Suape em 9 de maio de 1.998, do navio IVT PEARL, Manifesto n° 119/98. A empresa defende-se dizendo que em vista da complexidade do mercado internacional de petróleo o desembarque das partidas adquiridas pela central de compras depende sempre de uma série de fatores, como o estoque nas refinarias, consumo dos Estados, etc. Por tal motivo, o nome do porto de desembarque só é conhecido muitas vezes quando o navio já está em águas brasileiras além de a carga total ter que ser distribuída em várias unidades da empresa. No caso em exame, o combustível foi adquirido pela central de compras da Petrobrás com o CNPJ da Petrobrás-sede mas ao efetuar o desembarque no país, este ocorreu em Pernambuco, tendo sido registrada a Dl trazendo o CNPJ de seu estabelecimento localizado em Ipojuca/PE, n° 33.000.176/1111-08, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração e a aplicação da multa. Entretanto, não houve falta de fatura comercial, uma vez que o despacho foi efetivado pelo estabelecimento da Petrobrás e com CNPJ da empresa. A própria Receita Federal trata a Petrobrás como única pessoa jurídica, sem distinção entre a sede e seus estabelecimentos. Pela Instrução Normativa SRF-2 1/97 ficou disposto que para qualquer estabelecimento obter restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições administrados pela SRF, pagos a maior, será efetuada antes a pesquisa em todos os estabelecimentos da empresa requerente.. Em sendo assim, para a hipótese de restituição ou ressarcimento, por que a Receita Federal no Porto de Suape não trata a Petrobrás como uma só aceitando a fatura com o CNPJ da sede? Entendendo que a autuação é improcedente, pede seja anulado o Auto de Infração. A autoridade de primeira instância julgou procedente a ação fiscal, em decisão assim ementada: "FATURA COMERCIAL. MULTA. A falta de apresentação da Fatura Comercial na instrução do despacho constitui infração às normas aduaneiras, sujeitando o importador à multa prevista no Decreto-lei n° 37/66. LANÇAMENTO PROCEDENTE" Acolheu, por conseguinte, as razões da autuação Observa que a fatura comercial apresentada pelo importador foi expedida em nome da empresa sede, no Rio de Janeiro ao passo que a proprietária e importadora do combustível era a empresa sediada em Ipojuca, Pernambuco, portadora de outro CNPJ, em nome da qual foi registrada a declaração de importação. Não foi apresentada a fatura comercial original com o que foram contrariadas as disposições contidas no art. 425 do Regulamento Aduaneiro. Invoca ainda o Parecer CST-765/84 e o Parecer CST/DAA 3057/80 cujo item 8 alínea "a" assim define o importador: "a) aquele que adquire a propriedade de bens importados a titulo definitivo, assim considerada aquela pessoa em nome da qual efeito o contrato de câmbio, se operação cambial houver, vale dizer, aquela em nome da qual é emitida a fatura comerciai (mesmo que implicação cambial não haja)." 4 Processo e 18336.00005212001-49 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.064 Fl. 191 A empresa dirige-se agora a este Terceiro Conselho com as mesmas razões já expostas na fase de impugnação. É o relatório. A Câmara a guo deu provimento ao recurso cujo acórdão ficou assim ementado: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Fatura apresentada no despacho, emitida com o CNPJ da empresa sediada no Rio de Janeiro ao passo que a descarga se operou em nome da subsidiária localizada em Recife que tem outro CNP.]: Em se tratando de empresa que opera no complicado mercado de petróleo e com a responsabilidade de atender a demanda de combustível nos diversos pontos do território nacional, não se há de negar validade ao documento apresentado,. Não caracterizada a infração de falta de fatura. RECURSO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando omissão no Acórdão n° 303- 30.426, apresentou Embargos Declaratórios (fls. 105/107), os quais foram acolhidos e rerratificados em 02/12/2004 (fls. 110/117), a fim de sanar a obscuridade apontada. No entanto, foi mantido o provimento ao recurso voluntário, o que motivou a interposição do Recurso Especial de Divergência (fls. 120/156) por parte da mesma PFN. Por meio do Despacho n°232/2007 (fls. 158/160) deu-se seguimento ao recurso especial que, posteriormente, foi questionado pelo contribuinte através de Contra-Razões de Recurso Especial apresentada às fls. 168/178. É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. As questões trazidas a debate giram em tomo dos efeitos da divergência entre certificado de origem e Fatura Comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro pais, não signatário de Acordo Internacional. As importações efetuadas ao abrigo do beneficio de redução tarifária entre os países membros da ALADI para gozarem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresenta-se como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da ALADI, a comprovação dessa origem da-se exclusivamente por meio do Certificado de Origem. Por conseguinte, O Fisco só pode 5 . „ Processo n° 18336.000052/2001-49 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.064 Fl. 192 reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta o Certificado de Origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. • De outro lado, a teor do art. 10 do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução n° 232 da ALADI, apensa ao Decreto n° 2.865, de 07 de dezembro de 1998, não deixa margem à dúvida de que a certificação da origem é feita em fiinção da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. PRIMEIRO - A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na (atura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. (destaquei) A seu turno, o ACE 39, firmado entre Brasil e Venezuela, incorporado à legislação brasileira por meio do Decreto n°3.138/99, adotou o Regime de Origem previsto na ALADI, consubstanciado na Resolução 78 e no Acordo 91. O art. 70 dessa resolução assim dispõe: Artigo 7° — Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiar-se dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, os países - membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário — padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do país exportador. É de clareza meridiana que a exegese das normas internacionais insertas nos dispositivos transcritos linhas acima é no sentido de ser indissociável a vinculação existente entre o Certificado de Origem da mercadoria e a fatura comercial correspondente. Não é por outro motivo que o formulário-padrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Por conseguinte, cada Certificado de Origem refere-se, exclusivamente, à mercadoria constante da fatura comercial nele indicada. Assim, não resta a menor dúvida de ser o vinculo entre Certificado de Origem e a fatura comercial o que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo, e legitima o gozo do beneficio tarifário quanto à mercadoria importada. 6 • . Processo n° 18336.000052/2001 .49 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.064 Fl. 193 Aqui, peço licença para transcrever a conclusão do ilustre relatora do acórdão da DRJ, com as quais comungo. 33. Infere-se das normas de regência que, se o beneficio acordado entre os países signatários do acordo está calcado na origem da mercadoria, a apresentação do Certificado de Origem é pressuposto de validade para que o beneficio pactuado seja reconhecido pelo país importador, pela imprescindibilidade deste documento, conforme está cristalinamente disciplinado no Regime de Origem - ALADI/CR/Resolução 78, art. sétimo: "os países-membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário-padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem...". Ademais, além de serem apresentados os certificados de origem, deve a operação de importação estar de conformidade com as regras estabelecidas no Regime de Origem. (.) 38. Uma leitura acurada dos dispositivos legais que disciplinam o Regime de Origem, permite a inferência de que essa vedação torna-se evidente e imperativa, na medida em que o supracitado dispositivo dispõe de forma inequívoca que deverá haver uma correspondência entre o Certificado de °ripem e a fatura comercial que acompanha os documentos a resentados 'ar. o des ' acho ad . aneiro asse . rando-se dessa forma. que a mercadoria submetida ao despacho é a mesma objeto da certificação e que a operação comercial que deu origem à importacão se amolda aos princípios pactuados nos acordos atendendo, assim, a seus objetivos. Vale ressalvar que para fins aduaneiros, a fatura comercial comprova a cessão por venda, por parte do vendedor/exportador em favor do adquirente/importador Esclareça-se, por oportuno, que não há contrariedade entre a posição aqui adotada e a Nota COANA/COLAD/DITEG n° 60/1997, a que alude a autuada. Ao contrário do alegado no recurso voluntário, a nota em apreço diz expressamente que ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, a manifestação Fazendária sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos hoje preconizados na Resolução n°232 acima citada. Em outro giro, além da apresentação de Certificado de Origem e de fatura comercial, em conformidade com as normas previstas no acordo internacional, a importação das mercadorias deve obedecer às demais regras determinadas nos Acordos de regência. O escopo de se condicionar a redução de tarifa às importações amparadas por certificado de origem emitido, nos termos e na forma prevista pela ALADI é para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender o beneficio fiscal às importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial. Assim, à exceção de operações em que intervenha operador de terceiro país, para que haja o beneficio fiscal, deve-se demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, para esse fim, o País-membro da ALADI signatário do Acordo., 7 - Processo n°18336.000052/2001-49 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.064 Fl. 194 • Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 4° da Resolução ALADI/CR n° 78, de 1987: QUARTO - Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador. Para esses efeitos, considera-se como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum pais não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no pais de trânsito; e não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação difirente da carga e descarga ou manuseio para mantê-las em boas condições ou assegurar sua conservação. De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações triangulares. A par dessas mudanças nas relações comerciais internacionais, o Comitê de Representantes da ALADI editou a Resolução 252, que engloba as Resoluções n's 227, 232 e os Acordos n's 25,91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI, ratificou as mudanças no regime de origem de sorte a permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, da seguinte forma: Nono - Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro pais, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre Certificado 8 ' . . ..._ • • Processo n° 18336.00005212001-49 CSRF-T3 Acórdão C 9303-00.064 Fl. 195 I de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. Ressalte-se, por oportuno, que, como bem anotou o acórdão de primeira instância, 45. É oportuno esclarecer que em matéria tributária, qualquer situação excepcional só pode ser acatada se expressamente prevista na legislação. Observa-se que a Resolução 232, de 1998, ressalva a interveniência de um operador de um terceiro país, signatário ou não do acordo em questão. Entretanto, à espécie dos autos não se aplicam as disposições da norma em apreço, visto que da análise das peças processuais, constata-se que não há a interveniência de um operador, nos moldes previstos na Resolução retromencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALAN 46. Em sua peça de defesa gel~ságufl mercadoria à subsidiária". _situada _nas _ IlhasCayman e, posteriormente iiir_ecompro". Realidade diversa, no entanto, se constata das peças que instruem os autos (Conhecimento de Embarque, fls.16, Invoice n° PIFSB 152/2000, fls. 17), na medida em que se observa que a empresa venezuelana, PDV S.A Petróleo Y Gas S.A, vendeu a mercadoria em apreço para a subsidiária da Petrobrás, situada nas Ilhas Cayman, denominada Petrobras International Finance Company (Pfico) e esta a revendeu para a Petrobrás, fato que descaracteriza a participação de um operador, na forma prevista na legislação. De relevo salientar que a interveniência de um operador tal como prevê o art. segundo do Acordo 91, está condicionada ao atendimento dos requisitos exigidos no diploma legal acima transcrito com a redação dada pela Resolução 232 da ALADI, hipótese não confirmada na espécie em análise. 47. Constata-se que as normas que dispõem sobre a certificação de origem, no âmbito na ALADI, trazem, como pressuposto mandamental, a origem da mercadoria acobertada pela fatura comercial emitida pelo pais exportador, fato que deve estar inequivocamente demonstrado em todas as peças que instruem o despacho de importação, tendo em vista que essa documentação materializa, enquanto elemento probatório perante o país importador, a regularidade da utilização do beneficio pleiteado. 48. À luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas de certificação de origem, no âmbito da ALAM, verifica-se que, ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução 232, acima citada, que o produtor ou exportador do pais de origem1 9 " Processo n° 18336.000052/2001-49 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.064 Fl. 196 indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato. 49. Cumpre ainda destacar que a indicação da IIVVOICE n° 82285-1, que segundo o contribuinte foi emitida pela PDV S.A Petróleo Y Gas S.A, em um campo da INVOICE PIFSB-152/2000, fls. 17, não supre as exigências acima destacadas trazidas à colação pela Resolução 232, de 1991 haja vista que a redução tarifária acordada há de estar incontestavelmente respaldada no documento que certifica perante o pais importador a mercadoria objeto do beneficio tarifário. Reitere-se que a exigência em destaque não constitui mera formalidade, pois conforme sobejamente demonstrado, sendo o Certificado de Origem, documento imprescindível para a certificação da mercadoria pactuada, conforme estabelecido no Regime Geral de Origem, tem o escopo de assegurar perante as partes que a mercadora negociada é efetivamente originária e procedente do pais declarante. 50. Com efeito, no caso em tela, o certificado de origem apresentado, fls. 27, não atende às exigências previstas na primeira parte do artigo 2' da mencionada Resolução. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. Atente-se que, sendo a norma tributária de natureza cogente e estabelecendo o Regime Geral de Origem as exigências para a certificação, complementadas aqui pela Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade desta ou daquela informação, ao argumento de que se trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra a própria literalidade da norma, haja vista que as regras que disciplinam o Regime de Origem, são claras quanto a vincula ção do certificado de origem à fatura comercial que ampare a mercadoria efetivamente pactuada. 51. Reitere-se que para fazer jus à aliquota preferencial acordada na esfera da ALAM, a mercadoria a ser negociada deverá atender a requisitos de natureza objetiva, tais como aqueles indicados nos artigos PRIMEIRO e QUARTO da citada Resolução 78, quais sejam, o de constituir-se de produto efetivamente fabricado dentro do território de um dos países signatários, e de serem despachados diretamente do pais exportador para o importador e ainda que a origem dessa mercadoria seja formalmente atestada por um Certificado de Origem emitido pela entidade competente, de conformidade com o disposto no Capitulo II da mesma Resolução 78 e no Acordo 91, com a descrição do produto negociado e a indicação de sua classificação tarifária e da fatura emitida pelo exportador. Logo, — . 1 • if o o o ' flo iooi • 000 , to os- ro • s . il. l • I • 111 VÁS/ ' II #•' •Ioé os 7, IS ' o o Md jo • o • 70 O .00 J O • 70 'III Vis nneraeão_teve _o cunho eminentemente financeira Assinale-se que, to • • Processo n° 18336.000052/2001-49 CSRF-T3 Acórdão ri, 9303-00.064 Fl. 197 sendo essa argumentação de cunho atira legal não tem o condão de convalidar o descumprimento das normas que tratam do regime de origem, envolvendo mercadoria objeto de acordo de redução tarifária. 52. Qualquer que seja o motivo alegado, seja para mera alavancagem financeira ou não, vale dizer, tratando-se de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem, não há, como invocar a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n° 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (Países-Membros da Comunidade Andina), porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, cuja observância entre os países-membros da ALADI se faz mister para o implemento das preferências tarifárias, a vedação da citada operação, dado o caráter cogente da norma que vincula expressamente, por meio do Certificado de Origem, a mercadoria ao emissor da fatura. Esclareça-se, por oportuno, que não se está aqui exigindo tributo com fundamento em mero descumprimento de obrigação acessória, mas sim pelo descumprimento de uma das condições essenciais para a concessão da redução tarifária — certificado de origem —, previstas em acordo internacional (Artigo Segundo do Acordo 91) e, também, no Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, parágrafo único do art. 434. Por último, deve-se ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidos no respectivo acordo. Em razão disso, torna-se bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2009. ""a• if"44 9,1 ENR QUE PINHEIRO TO ES II Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13708.001362/2003-53
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 10/08/1993 a 15/07/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.599
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Leonardo Siade Manzan, que deram provimento ao recurso contando o prazo de 5 anos a partir da homologação (tese dos 5 + 5).
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 10/08/1993 a 15/07/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Recurso especial negado
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Numero do processo: 10768.004375/2002-09
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
PAF. RECURSO DO PROCURADOR. ADMISSIBILIDADE.
O recurso especial interposto pelo procurador com base no inciso I do art. 32 do RI pode defender a mesma tese adotada em declaração de voto de conselheiro vencido na câmara recorrida.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS ou RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF
Período de apuração: 10/01/1997
IOF. CREDITO. EMPRESA DE INCIDÊNCIA.
Não incide o IOF nas operações realizadas por empresas não financeira que se dedica a operações de factoring, antes do advento da lei nº 9.532, de 1997. As operações de crédito, correspondentes a financiamento de veículos, efetivadas entre pessoa jurídica não financeira e outra pessoa jurídica ou pessoa física, não estão sujeitas à incidência do IOF.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.175
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Leonardo Siade Manzan (Relator), Elias Sampaio Freire e Valmir Sandri (Substituto convocado) e, no mérito por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Henrique Pinheiro Torres e Antonio Praga que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 PAF. RECURSO DO PROCURADOR. ADMISSIBILIDADE. O recurso especial interposto pelo procurador com base no inciso I do art. 32 do RI pode defender a mesma tese adotada em declaração de voto de conselheiro vencido na câmara recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS ou RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF Período de apuração: 10/01/1997 IOF. CREDITO. EMPRESA DE INCIDÊNCIA. Não incide o IOF nas operações realizadas por empresas não financeira que se dedica a operações de factoring, antes do advento da lei nº 9.532, de 1997. As operações de crédito, correspondentes a financiamento de veículos, efetivadas entre pessoa jurídica não financeira e outra pessoa jurídica ou pessoa física, não estão sujeitas à incidência do IOF. Recurso especial negado.
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Numero do processo: 10925.000456/2007-86
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: DECADÊNCIA. CSLL
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de decadência para se lavrar o lançamento daquilo que deixou de ser recolhido pelo contribuinte, conta-se da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, salvo quando da verificação de fraude, dolo ou simulação.
ESCRITURAÇÃO INSUFICIENTE PARA APURAÇÃO DE IMPOSTO. ARBITRAMENTO.
A ausência da escrituração dos livros de registro de inventário e LALUR constitui razão suficiente para o arbitramento do lucro da empresa optante pelo regime de lucro real, por aplicação do disposto nos incisos II e III do art. 530 do RIR/99.
ARBITRAMENTO. LEGALIDADE.
Definida a causa e legalidade do arbitramento, não se faz necessária a comprovação das despesas efetuadas, vez que por esse regime de apuração o lucro é arbitrado com base na receita bruta conhecida.
MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DO CONTRIBUINTE
Para qualificação da multa é necessária a comprovação de dolo especifico. A mera omissão de rendimento por parte do contribuinte não enseja a qualificação da multa de oficio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1301-000.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para afastar a tributação da CSLL relativa ao primeiro trimestre de 2002 em virtude da decadência e reduzir a multa para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos Passuello.
Nome do relator: Alexandre Antônio Alkmim Teixeira
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ementa_s : DECADÊNCIA. CSLL Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de decadência para se lavrar o lançamento daquilo que deixou de ser recolhido pelo contribuinte, conta-se da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, salvo quando da verificação de fraude, dolo ou simulação. ESCRITURAÇÃO INSUFICIENTE PARA APURAÇÃO DE IMPOSTO. ARBITRAMENTO. A ausência da escrituração dos livros de registro de inventário e LALUR constitui razão suficiente para o arbitramento do lucro da empresa optante pelo regime de lucro real, por aplicação do disposto nos incisos II e III do art. 530 do RIR/99. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. Definida a causa e legalidade do arbitramento, não se faz necessária a comprovação das despesas efetuadas, vez que por esse regime de apuração o lucro é arbitrado com base na receita bruta conhecida. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DO CONTRIBUINTE Para qualificação da multa é necessária a comprovação de dolo especifico. A mera omissão de rendimento por parte do contribuinte não enseja a qualificação da multa de oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente R. A. BRASIL EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. Recorrida 4' TURIVLVDRI-RIO DE JANEIRO/RI! DECADÊNCIA. CSLL Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de decadência para se lavrar o lançamento daquilo que deixou de ser recolhido pelo contribuinte, conta-se da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, salvo quando da verificação de fraude, dolo ou simulação. ESCRITURAÇÃO INSUFICIENTE PARA APURAÇÃO DE IMPOSTO. ARBITRAMENTO. A ausência da escrituração dos livros de registro de inventário e LALUR constitui razão suficiente para o arbitramento do lucro da empresa optante pelo regime de lucro real, por aplicação do disposto nos incisos II e III do art. 530 do R112199. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. Definida a causa e legalidade do arbitramento, não se faz necessária a comprovação das despesas efetuadas, vez que por esse regime de apuração o lucro é arbitrado com base na receita bruta conhecida. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DO CONTRIBUINTE Para qualificação da multa é necessária a comprovação de dolo especifico. A mera omissão de rendimento por parte do contribuinte não enseja a qualificação da multa de oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada; por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a tributação da CSLL relativa ao primeiro trimestre de 2002 em virtude da decadência e reduzir a multa para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos Passuello. 1.,..",agE ii EI—L-aiE CEAI LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente ALEXANDRE ANTONIO ALICMIM TEIXEIRA — Relator EDITADO EM: 15 MAR 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Femandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Benedicto Celso Benicio Júnior (Suplente Convocado), Waldir Veiga Rocha e José Clóvis Alves (Presidente da Câmara na época do julgamento) 2 ProCet) 10925.000456/2007-86 5/-C3TI Acórdão n '130/-00./50 El 2 Relatório Trata o presente feito de auto de infração para exigir o imposto de renda pessoa jurídica - IRPJ e a contribuição social sobre o lucro líquido- CSLL por arbitramento. Segundo consta do relatório da DRJ: Contra a interessada acima qualificada, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica -111.PJ e, por decorrência, Auto de Infração relativo à Contribuição Social, por meio dos quais foram exigidos os créditos tributários a seguir discriminados, acrescidos de multa da multa de 150%, prevista no art.44, inciso II, da Lei e •; . fãci L 0 8. D 0,A R16 Lr) EP: '*''i'.44:CdRi6;''Êt7.J:ç1,rmusrfroVehayriuBuiçswit.t-,73r >O di/13.. .k,tithapjywicki-qii SánieteWREAs GéP,P. f",1 .A Imposto de Renda Pessoa Jurídica 04/16 319 820,44 970 162,39 Contribuição Social s/o Lucro Liwido 17/29 166 214,08 504 809,93 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTARIO DO PROCESSO EM REAIS 1.474.972,32 9.430/1996 e de juros de mora. Consta da Descrição dos Fatos contida no auto relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (/1.06), relativamente à razão do arbitramento nos trimestres de 2002, 2003 e 2004: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas apontadas no RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL às folhas 32/47. As bases legais que fundamentam as autuações encontram-se discriminadas nas seguintes folhas: Imposto de Renda Pessoa Jurídica- f1.08; e Contribuição Social -1721 O Relatório da Atividade Fiscal (fls 32/47), mencionado no auto de infração, contém, em síntese, o seguinte: DA DESCARACTERIZAÇÃO DA ESCRITA A escrituração contábil (livros Diário e Razão), do período de 2002 a 2004, foi apresentada no dia 29/12/2005, em atendimento à intimação constante do Termo de Diligência de 14/09/2005 (17.51) e do Termo de Reimimação Fiscal de 23/11/2005 (17.53); os livros foram registrados na Junta Comercial do Estado do Paraná somente no mês de dezembro/2005; Constata-se a inserção de elementos inexatos na escrituração contábil, como a manutenção no passivo de obrigação não comprovada, majoração dos custos/despesas sem comprovação da contratação e do efetivo pagamento e movimentação bancária não escriturada. Exigível não comprovado No Livro Razão, em conta do passivo (1368 — 2.1.2.01 - Fornecedores Nacionais), consta saldo em 08/10/2003 de R$ 2.677.336,27 (f7.477 — vo13), valor este que permanece escriturado na data de 31/12/2004 (/1587- vot3). O valor do saldo de R$ 2.677.336,27, formou- se no período de 13/03/2002 até 08/10/2003, conforme cópia do Livro Razão &fls. 395/403 e 4691477. Regularmente intimada a provar a veracidade do exigível constante de sua escrituração contábil, por meio de documentação hábil e idônea, a interessada, no primeiro momento, justificou os lançamentos com notas fiscais de entrada, porém, não logrou êxito na comprovação do exigível por meio de documentos de cobrança. Com a finalidade de comprovar a veracidade do exigível, esta fiscalização realizou diligências junto a diversos fornecedores, constantes da referida conta passiva, questionando-os relativamente às vendas efetuadas para a interessada no período de março de 2002 a outubro de 2003. A fiscalização diligenciou junto a 46 (quarenta e seis) fornecedores (dots fis.1787 a 1880- vols.9 e 10), os quais forneceram produtos no período de 2002 e 2003, no montante de R$ 865.386,00, que representa 32,32% do saldo de R$ 2.677.336,27, registrado no Passivo. Constatou-se que a maioria dos fornecedores são pequenos agricultores, que cultivavam bananas no Nordeste do Estado de Santa Catarina, região de Campa, Jaraguá do Sul, Schroeder, São João do ItaperiU e Luiz Alves. Esses produtores vendem sua produção para agenciadores/intermediários/atravessadores que são produtores maiores dotados de estrutura para classificar e embalar os produtos. Alguns produtores venderam diretamente para a R.A. Brasil Exportação e Importação, enquanto que outros efetuaram suas vendas por intermédio daqueles agenciadoresfintermecliárioslatravessadores, conforme consta das diversas declarações (lis. 1787/1880). A relação jurídica existente e conhecida do fisco é entre a interessada — RA. Brasil Exportação e Importação Lida — e os produtores rurais, conforme notas fiscais de produtor, por eles emitidas, e contabilizadas pela interessada (fls. 694/1786- vols.4 a 9). Foram os valores constantes destas operações que a fiscalização procurou saber se realmente estariam pendentes de pagamento. Das respostas/ declarações dos fornecedores, constata-se que, com exceção de um fornecedor que se declarou credor da interessada (fls.1875/1876), porém, não apresentou documentos que ensejem a efetiva cobrança do crédito, em face da antigilidade, todos os demais diligenciados foram unânimes em afirmar que não têm valores a receber da interessada, e que as importâncias relativas às vendas efetuadas para a interessada ou para exportação em geral, no período de 2002 e 2003, 4 _ Processo C0923.000456/2007-8. 51-0T1 Acórdão n•° 1301-00.150 FL-3 — foram recebidas no prazo médio de 30 (trinta) dias, contados da data da mcoamnpr va e (f te Ante o exposto, restou comprovado que a interessada ies mi7s8uarnescrituração88° um passivo ficto e inexistente, tornando imprestáveis as demonstrações financeiras apuradas com base nesta escrituração. Custo /Despesa não Comprovada Regularmente intimada 07.72) a apresentar os comprovantes de contratação e pagamento dos fretes e carretos registrados na conta do Razão (fls.370/638)– conta 1147 – 3.1.7 – Fretes e Carretos – a interessada alegou 07s.89/90) que a comprovação se materializava com as notas fiscais de compra e venda e apresentou relatórios identificando a nota fiscal, o transportador, a origem, o destino, o veiculo transportador e o valor do frete (Ils.91/156). Entretanto, os valores indicados no referido relatório não constam de qualquer documento fiscal, nem mesmo das notas fiscais que representam a compra e venda (lis.694/1786). A partir dos relatórios e das notas fiscais apresentadas, foram relacionadas as notas fiscais cujo valor nelas destacado diverge do valor indicado no relatório apresentado pela interessada. Na maioria das notas fiscais indicadas não há destaque de valor relativo a frete/carreto. Há notas fiscais com valor de frete/carreto destacado, cuja despesa correspondente não foi suportada pela interessada, conforme indicação constante da própria nota: frete por conta – destinatário ou remetente (fls.694/1786 – vols.4 a 9). Tendo como ponto de partida esses dados, a fiscalização relacionou as notas fiscais cujo valor nelas destacado a título de frete/carreto diverge do valor indicado nos relatórios apresentados. Em resposta à nova intimação para apresentar documentação hábil e idônea relativa à contratação de fretes/carretos relacionados (173.157/170 – vai), a interessada apresentou o documento de 41.176, por meio do qual respondeu, mas não logrou efetuar a comprovação solicitada. Movimentação Financeira/Bancária não Escriturada Consta dos Sistemas da Receita Federal (111884) que a interessada teve movimentação financeira no período de outubro a dezembro de 2004 junto ao Banco Bradesco S.A. . Entretanto constata-se que a referida movimentação não está escriturada em seus livros contábeis (/15.370/693). Da Imprestabilidade da Escrita A manutenção no passivo de obrigações já pagas, o registro de custo/ despesas desprovidos de documentação hábil e idônea à sua comprovação e a não escrituração da movimentação financeira, faz com que a escrita contábil apresentada pela interessada contrarie o principio da oportunidade que se refere, simultaneamente, à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das sua mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causa que a originaram. A escrita contábil da interessa resta imprestável para a apuração do lucro real. Se considerado o passivo fictício e os custos/ despes as' de fretes e carretos não comprovados ter-se ia unia adição ao lucro líquido na proporção média de 43,93% da receita bruta da interessada relativa ao período fiscalizado (anos-calendário 2002 a 2004), chegando este percentual em determinado trimestre a mais de 88% (II.1881). Percebe-se que os valores não demonstram a realidade dos atos, a escrituração não está (astreada em documentos hábeis e idôneos. Os livros Diário e Razão apresentados pela interessada não são dotados de essência =fiável ante a não apresentação da documentação correspondente. A fiscalização não mediu esforços para comprovar a utilidade da escrita contábil da interessada, intimando, reintimando e realizando diligências, tendo esgotado todos os meios disponíveis para alcançar as reais bases imponiveis do IRPJ e da CS71 . Porém todas as informações obtidas vieram desabonar a escrita contábil da interessada. A interessada deixou, ainda de apresentar o Livro Registro de Inventário e o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) relativos ao período de 2002 a 2004. Estando a escrituração da interessada imprestável para determinação do Lucro Real, restou à fiscalização, em conformidade com o art.530, inc.11, alíneas "a" e "b" proceder ao arbitramento do lucro, relativamente aos anos-calendário 2002 a 2004. Da Apuracão do IRPJ A interessada apresentou as D1PJ como "sem movimento", relativamente aos anos-calendário de 2002 a 2004, tendo o Lucro Real como forma de tributação (13.1885/2062 — vols.10/11). Declarou na DCTF os valores devidos a titulo de 1RPJ- Lucro Real no período I° trimestre/2002 até o 40 trim/2002, efetuou pagamentos na forma do Lucro Real no 1` trim/2002 até o 4 0 trim/2002, 2° trim/2003, 20 e 3 0 trim/2004 (fl.1.882), valores esses insuficientes para satisfazer o 1RPJ devido mesmo se apurado com base nas demonstrações financeiras constantes da escrita desclassificada. Os valores declarados em DCTF e/ou pagos foram deduzidos pela fiscalização na apuração do IRRI devido na forma do lucro arbitrado, ficando, desta forma sujeita ao acréscimo de 20% nos percentuais de que trata o artigo 15 da Lei n°9249/1995, conforme reza o artigo 16 do mesmo diploma legal (de 8% no lucro presumido, para 9,6% no lucro arbitrado, sobre a receita bruta). A receita bruta foi obtida a partir dos livros fiscais, Livro Registro de Saídas e Livro Registro de Apuração do 1CMS (lls.179/369 — vols.1/2). e • Pr cesso-n3-2092_5.000456/2007-86 s1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.150 E. 4 Para cálculo do IRPJ devido, foram deduzidos os valores efetivamente pagos pela interessada (j7.I.882) e transcritos na Tabela de DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS Contribuição Social O crédito tributário relativo à Contribuição Social está sendo constituído com a aplicação da multa de 150% conforme consta deste relatório. Para o cálculo dessa contribuição, deduzir-se-ão os valores efetivamente pagos pela interessada (11.1.883), conforme planilha def141. DA MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFICIO Os livros Diário e Razão, do período de 2002 a 2004, apresentados pela interessada após pedidos de prorrogação para atendimentos das intimações correspondentes, foram escriturados somente após as referidas intimações, o que se constata pelas datas dos respectivos registros, todos em dezembro/2005 (1144). Pela análise da escrituração contábil, verifica-se a inserção de elementos inexatos, com a manutenção no passivo de obrigação não comprovada, a majoração de custos/despesas sem comprovação da contratação e o efetivo pagamento e a não escrituração da movimentação financeira/bancária. A forma reiterada de apresentar à Secretaria da Receita Federal declaração sem movimento, de não possuir a escrituração contábil no momento da solicitação e a inserção de elementos inexatos na escrituração contai!, fato que culminou na sua desclassificação, caracteriza a intenção do agente (titular da interessada) de produzir o resultado decorrente da prática daqueles atos, que é a redução do montante dos tributos devidos. Para a correta apuração dos tributos devidos é necessário fazer-se a comparação das declarações apresentadas pelo sujeito passivo, com sua escrituração contábil e fiscal. No caso da interessada, foi apresentada escrituração imprestável para a determinação das bases imponíveis do 1RPJ Este fato retardou o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária, pois antes das intimações, o conhecimento que a Fazenda possuía em relação ao fato gerador, era de não ocorrência do mesmo, em face das informações constantes das DIPJ que foram apresentadas. A prática dessa omissão fez parte da rotina da interessada, o que comprova a intenção do agente sempre foi de reduzir os tributos devidos. Diz-se que há dolo, quando o agente quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo. O dolo é composto dos elementos: a) consciência da conduta e do resultado; consciência da relação causal 7. 1 objetiva entre a conduta e o resultado; e c) vontade de realizar a conduta e produzir o resultado. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o credito tributário correspondente. Ao omitir os valores que integraram o faturamento da interessada, o agente (titular) retardou o conhecimento por parte da Fazenda Nacional das circunstâncias materiais da obrigação tributária. A multa foi majorada de acordo com a Lei n° 9.430/1996, art.44, e o evidente intuito de fraude está definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30/11/1964. DISPOSIÇÕES FINAIS A lavratura do presente auto de infração originou a Representação Fiscal para Fins Penais, conforme Processo Administrativo Fiscal protocolizado sob o n°10925.000457/2007-2]. II - DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificada em 04/04/2007 (fls.04, 17 e 47), a interessada apresenta, em 04/05/2007, impugnação aos autos de infração (fis.2070/2101), baseando suas argumentações em acórdãos (reproduzidos) da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Conselho de Contribuintes e de Delegacias de Julgamento. Na sua defesa, a interessada apresenta, em síntese, as seguintes alegações: Preliminarmente - Da Decadência do Direito de Constituição do Crédito Tributário a) por ocasião da ciência do sujeito passivo — 04/04/2007-,já havia ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário pela Secretaria da Receita Federal (art. 156, E do CTN), uma vez que o crédito tributário em causa se inclui nos lançamentos por homologação (art.150 e .§ 4° do CTN); b) o IRPJ e a Contribuição Social devidos se deram em bases trimestrais nos períodos fiscalizados; dessa forma, a regularidade fiscal da interessada, relativa a um determinado trimestre, só pode ser aferida no trimestre imediatamente posterior, trimestre esse, portanto, em que o lançamento já poderia ser efetuado; c) assim, em 01/04/2002 já poderia a Autoridade Fiscal efetuar o lançamento de oficio ou homologar o auto-, Processo 0925.000456/2007-86 SI-C311 Acórdão nd 1301-00.150 F/-.5 lançamento e o pagamento feito pela interessada, atinente ao 1° trimestre de 2002; mesmo na ocorrência do alegado dolo, que efetivamente não ocorreu, o entendimento do exercício seguinte, deve, então, por analogia, ser considerado o período de apuração seguinte, ou seja, o trimestre subseqüente; e) é pertinente mencionar que, conforme consta do Relatório de Atividade Fiscal, apresentou sua DCTF e efetuou o recolhimento do tributo inerente; e resta claro, que o fato gerador atinente ao trimestre encerrado em 31/03/2002 está alcançado pela decadência, pois se passaram mais de cinco anos até a sua intimação (04/04/2007). Da Multa Qualificada a) para a aplicação da multa qual(ficada, faz-se necessário, como pressuposto fundamental e inequívoco, a devida e comprovada evidência do intuito defraude; e b) assim, "há que haver provas convincentes por parte do Fisco que houve evidente intuito defraude ou aumento de patrimônio ou disponibilidade econômica, o que no caso do presente processo, não ocorreu; nem há provas convincentes das causas de tais receitas teriam sido efetivamente apropriadas, pois há um saldo nas mencionadas contas bancárias; que houve isto sim, apenas transações resultantes num lucro ou prejuízo, sendo a parcela da receita obtida, destacado nas notas fiscais emitidas pela empresa". Da Movimentação Bancária a) de acordo com a Relatório da Atividade Fiscal, a movimentação bancária não escriturada foi apenas do período de outubro a dezembro de 2004, junto ao Banco Bradesco, sendo que as demais contas correntes bancárias estavam devidamente lançadas no livro correspondente; b) com a instituição da CPMF, os dados da movimentação bancária dos contribuintes tornou-se totalmente disponível à fiscalização,. c) não existem, portanto, pressupostos lógicos para atribuir- se fraude ou outro ilícito fiscal que leve à majoração da • multa para 1504 tendo por base a movimentação bancária; d) se for considerado recolhimento a menor de tributos, como pretende a fiscalização, tal fato revela-se falta simples e que não pode levar à exasperação da multa; 9 e) não houve, também, a comprovação de aumento de capital, pois somente movimentação bancária não quer dizer receitas; se o Fisco presumiu a existência defraude, então ocorreu a inversão do ónus da prova: quem tem que provar a existência de fraude &fiscalização; não há sinais exteriores de riqueza, dos sócios ou da empresa, e, também, não foi demonstrado que dos depósitos bancários tenha resultado disponibilidade económica de renda e proventos (art.43 do CTA)); h) neste entendimento fiscal, não existem custos ou despesas ocorridas, ou lucro ou também a ocorrência de prejuízo ou perdas, fatos normais no setor privado; i) o lançamento fiscal baseado nos depósitos bancários só é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos/cheques emitidos e o fato que represente omissão de receitas; e .1) não cabe a aplicação da multa qualificada, visto que as movimentações bancárias manadas em nenhum momento demonstram qualquer intenção de fraudar o Fisco, devendo, portanto ser repelida a sua aplicação. Da Descaracterização da Escrita a) atendeu às intimações e exigências da fiscalização, apresentando os livros fiscais de registros de entradas (compras) registros de saídas (vendas), livros básicos onde se encontram as receitas e os custos operacionais; b) a desclassificação da escrita contábil é medida extrema que deve ser precedida de intimação ao contribuinte para que providencie a sua regularização, sendo, para tanto, atribuído um prazo; e c) considerando o fato de que não se furtou ao compromisso de realizar a entrega dos livros fiscais mencionados, com a devida documentação embasaclora, ou seja, notas fiscais de vendas, demonstrou não possuir qualquer intenção de olvidar ao Fisco a receita de que decorreria o lançamento do 1RPJ e reflexos. Do "Exigível não Comprovado" — Pagamento a Fornecedores a) pela demonstração e escrituração existente nos livros de saída e de entrada de mercadorias, observa-se que mantinha relação comercial com diversos fornecedores, não só os visitados pela fiscalização, bem como, tinha saldo suficiente para cobrir as obrigações com fornecedores constantes do passivo exigível; b) dessa forma, havendo disponibilidade de caixa, a qual em nenhum momento apresentou saldo credor, não há que se falar em exigível não comprovado, pois tais pagamentos a fornecedores seriam totalmente absorvidos pelas suas disponibilidades financeiras; e • o Process n°-10925.000456/2007r86 SI-C3T1 Acórdão m° 130I-00,150 FL6 c) é de se esclarecer, que ocorreu atraso e falta de organização na escrituração contábil e, por desconhecimento da sua direção, "pessoas leigas no assunto não entenderam perfeitamente as declarações de pessoa jurídica apresentadas sem a devida movimentação. Dos Custos e Despesas não Comprovados a) os custos/despesas com fretes questionados pela fiscalização efetivamente existiram; entretanto, como relatado através do Boletim de Ocorrência exarado pela Delegacia de Policia Civil de Dinlsio Cerqueira- S. C., ocorreu a perda/ extravio dos mesmos, juntamente com outros documentos seus; esse boletim será devidamente juntado ao processo em momento oportuno; b) é evidente que uma empresa que atua no ramo de comércio, em grande escala, de produtos hortifrutigranjeiros, terá que absorver grande demanda de prestação de serviços de terceiros, o que se depreende pela Notas Fiscais juntadas, as quais, no campo destinado ao frete, apresenta as características dos veículos transportadores; c) utiliza serviços de transportes rodoviários, constituídos de fretes nacionais e internacionais, verificando-se que, efetivamente, houve a despesa mencionada,- e d) assim, quanto ao presente item, houve apenas desorganização por parte do seu setor contábil, mas, não, o intuito de dolo ou má-fé, pois é evidente que existiram despesas com transportes, Do Arbitramento a) ao arbitrar o seu lucro, a fiscalização não levou em consideração o fato de que teve despesas no decorrer dos exercícios fiscalizados, pois, do contrário, néio se chegaria à vultosa quantia estabelecida; b) a titulo de explicação, é pertinente mencionar que • comercializa em geral bananas, as quais possuem valores ínfimos em relação aos demais produtos comercializados no mercado,' c) os valores arbitrados são irreais, não sendo condizentes com a sua realidade comercial, e nem mesmo com qualquer outra atividade comercial; Da Inaplicabilidade da Extinção do Crédito Tributário com Base no art. 173.1, do CTN a) no caso ora em exame, não cabe o deslocamento do prazo para constituição do crédito tributário para o art. 173, I, do CTN; e b) deve ser acatado o prazo decadencial de extinção do crédito tributário previsto no art.150, § 4°, do CTN. Dos Recolhimentos/Pa • cimentos dos Tributos Federais Efetuados a) conforme se observa dos recolhimentos considerados pela própria fiscalização, recolheu os tributos devidos à Receita Federal, nestes compreendidos o IRPJ e a CSLL, no período objeto do lançamento fiscal, não sendo, portanto, devedor dos valores constantes do lançamento fiscal; e b) assim, tendo sido recolhidos os tributos em suas datas e épocas próprias, não há débitos para com a Fazenda Nacional. Finalizando, a interessada protesta pela produção de todos os meios de provas admitidas em direito, notadamente a documental e testemunhal, bem como, nos termos do art.I6, §4° do Decreto n° 70.235/1972, ajuntada futura de documentos. Posto o feito em julgamento perante a DRJ, foi excluída a cobrança do IRP1 relativo ao 10 trim/2002, no valor de R$ 752,22, por ter sido alcançado pela decadência, mantendo os demais créditos objeto de lançamento. A decisão restou assim ementada: Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Dispensável a posterior produção de prava, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. PLEITO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. CONDIÇÕES. O pleito de juntada de documentos depois da impugnação deve ser feito mediante petição em que fique demonstrada a existência de uma das condições previstas na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NORMAS GERAIS - DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. HOMOLOGAÇÃO. De acordo com as normas contidas no GEN, nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4°, o que pressupõe o seu pagamento antecipado. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PRAZO DECADEN- CL4L. '12 Pro~ n4-10925.00045612007 86 Si-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.150 11.7 O prazo decadencial referente a essa contribuição é de dez anos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA - ARBITRAMENTO. A desclassificação da escrita contara, com o conseqüente arbitramento do lucro tributável, é medida aplicável quando forem apuradas falhas insanáveis, que não permitam a apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICABILIDADE. Não tendo ficado comprovado o evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei ti° 4.502/64, é de se reduzir a multa de oficio de 150% para 75%. Entretanto, no caso de restar caracterizada a prática reiterada de infração à legislação tributária é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Sendo decorrente dos mesmos pressupostos Táticos que motivaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplica-se à Contribuição Social, no que couber, os mesmos fundamentos que serviram de base para a decisão do IRPJ. Em suma, a DRJ julgou parcialmente procedente o recurso, para: a) EXIMIR a interessada da cobrança do IRPJ relativo ao I° trim/2002, no valor de R$ 752,22, por ter sido alcançado pela decadência. Vencida a julgadora Andréa Duck Simantob que entende que, neste caso, a decadência a ser considerada para a CSLL é também de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência dos respectivos fatos geradores; b) CONSIDERAR DEVIDOS, relativamente ao ano-calendário de 2002, o IRPJ e a CSLL nos valores de R$ 66.181,85 e R$ 37.907,85, respectivamente, acrescidos da multa de oficio reduzida de 150% para 75%; c) CONSIDERAR DEVIDOS, relativamente aos anos-calendário de 2003 e 2004, o IRPJ e a CSLL nos valores de R$ 252.886,37 e R$ 128.306,23, respectivamente, acrescidos da multa de oficio de 150%; e d) DECLARAR DEVIDOS os juros de mora correspondentes. 13 Inconformada, a Recorrente aviou o presente recurso voluntário, em que repisa os mesmos argumentos expedidos na seara impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA. O recurso é tempestivo e atendidos os pressupostos da legislação de regência, dele conheço. DECADÊNCIA. CSLL. Aduz a Recorrente que a CSLL relativa ao primeiro trimestre de 2002, lançada por meio do auto de infração ora em comento, foi alcançada pela decadência, posto que aplicável, à espécie, o art. 150, § 4° do CTN, que preconiza o inicio da fruição do prazo decadência na data da ocorrência do fato gerador, Em análise ao seu questionamento, a DRJ aplicou o entendimento decorrente da lei n°8.212, pelo qual o prazo decadencial, no caso das contribuições sociais, é de 10 anos, contados da data de ocorrência do fato gerador. Recorre, assim, a Contribuinte, requerendo seja conhecida a decadência e cancelado o auto de É entendimento assente neste Conselho que, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de decadência para se lavrar o lançamento daquilo que deixou de ser recolhido pelo contribuinte, conta-se da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 40 do CTN, salvo quando da verificação de fraude, dolo ou simulação. Com relação ao ano-calendário 2002, a DRJ entendeu não estarem presentes os requisitos necessários à aplicação da multa qualificada, afastando a existência de fraude, dolo ou simulação para a exigência do tributo m referido período. Reconhecida a inexistência de referidos elementos, impõe-se o cancelamento do auto de infração relativo ao 1° trimestre do ano-calendário 2002, posto que o lançamento só feio a ser formalizado em 04 de abril de 2007, data em que a exigibilidade do crédito tributário já havia caducado. De outra feita, não há falar-se em aplicação do prazo decenal para a exigência das contribuiçôes sociais, como sedimentado pela súmula vinculante n° 08 do STF. Diante do exposto, dou provimento ao recurso, neste particular, para reconhecer a decadência da CSLL relativa ao 1° trimestre de 2002. MÉRITO 14 1-11 5-as-mi 10925000456/2007-86 S1-C3T1 ACÓrtiãO n.° 1301-00.150 Fl. 8 A atividade de fiscalização identificou que a Recorrente apresentou as declarações de imposto de renda pessoa jurídica dos anos-calendário 2002 a 2004 zeradas pelo regime de lucro real trimestral. Intimada para apresentar os seus livros fiscais, a Recorrente o fez após sucessivos pedidos de prorrogação. No entanto, deixou de apresentar o livro de apuração do lucro real — LALUR e o livro registro de inventário, alegando não ter realizado referidos registros no período fiscalizado. Assim, a Fiscalização considerou a escrituração contábil imprestáveis para se identificar o lucro tributável da empresa, sob o seguinte argumento: "Através do lançamento em causa, foi efetuado o arbitramento dos lucros dos 1", 2°, 3° e 4' trimestres dos anos- calendário de 2002 a 1004, em relação aos quais, a interessada apresentara Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica pelo regime de tributação com base no Lucro Real (apuração trimestral), todas zeradas. O arbitramento se deu pelo fato de a escrituração apresentada pela interessada, conforme detalhadamente apontado no Relatório da Atividade Fiscal (fls.32/47), conter vícios, erros e deficiências insanáveis que a tornam imprestável para a determinação do Lucro Real. Os defeitos apontados pela fiscalização são: a manutenção no passivo de obrigações não comprovadas, majoração dos custos/despesas sem comprovação da contratação e do efetivo pagamento e movimentação bancária não escriturada. O Relatório da Atividade Fiscal, como mencionado, descreve e analisa, minuciosamente, cada uma das infrações apontadas, trazendo aos autos toda a documentação que embasa as apurações fiscais. Por seu turno, a interessada, apesar dos questionamentos apresentados, não traz aos autos qualquer argumento e nem, tampouco, documento que demonstre a improcedência das infrações identificadas pela fiscalização, como se verá a seguir. Pois bem. Dispõe, o art. 530 do RIR/99, o seguinte: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; 15 II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V - o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Identifico que a ausência da escrituração dos livros de registro de inventário e LALUR constitui razão suficiente para o arbitramento do lucro da empresa optante pelo regime de lucro real, por aplicação do disposto nos incisos II e III do art. 530 do RIR199. De fato, cabe ao contribuinte manter sua escrita de forma regular, permitindo à fiscalização a verificação da correção do montante de tributo oferecido à tributação. No caso em apreço, além de a Recorrente apresentar suas declarações de imposto de renda pessoa jurídica de 2002 a 2004 zeradas, não manteve livros fiscais que possibilitassem a verificação da efetividade dos registros mantidos nos livros diário e razão, tomando insuficiente a sua escrituração para fins de apuração do imposto de renda devido. Registre-se, ainda, que com relação à sua escrita apresentada, promoveu-se à circularização junto aos fornecedores da empresa, tendo sido constatado o seguinte: Ouanto ao exigível não comprovado: "Através das diligências efetuadas pela fiscalização, junto a diversos fornecedores, ficou comprovou, 'ainda que por amostragem (as diligências efetuadas alcançaram o percentual de • 32,32% em relação ao total exigível), que, no período de 2002 e 2003, as importâncias relativas às vendas efetuadas para a interessada foram recebidas, em maioria expressiva, no prazo médio de 30 (trinta) dias. O argumento da interessada de que tinha saldo suficiente para cobrir as obrigações com fornecedores constantes do passivo exigível não é suficiente para descaracterizar o erro apontado. Ouanto aos custos e despesas não comprovados: 16 Processo C10925000456/2007-86 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.150 Fl. 9 Trata-se de despesas com fretes e carretos, registradas em conta do Razão. A interessada alega, em sua impugnação, que as despesas realmente existiram, mas os comprovantes correspondentes foram extraviados, conforme Boletim de Ocorrência exarado pela - Delegacia de Policia Civil de Dionisio Teixeira- S.C., o qual não foi apresentado. Quanto à movimentação financeira omitida: De acordo com o Relatório da Atividade Fiscal, a movimentação bancária não escriturada foi do período de outubro a dezembro de 2004, junto ao Banco Bradesco. A interessada argúi que o lançamento fiscal baseado nos depósitos bancários só é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos/cheques emitidos e o fato que represente omissão de receitas. Entretanto, tal argumento não se adequa à situação em foco, uma vez que não se trata de infração capitulada como omissão de receitas. Aplicável, assim, o arbitramento como forma de apuração do montante devido a titulo de imposto de renda e CSLL. Neste sentido, colaciono jurisprudência do Conselho de Contribuinte, funcionalmente sucedido por este CARF, a saber: Número do Recurso: 132671 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 15374.00022812001-l8 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: MINI MERCADO E PÃO BIRUTA LTDA. Recorrida/Interessado: P TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Data da Sessão:01/07/2003 00:00:00 Relator:Aloysio José Percinio da Silva Decisão:Acórdão 103-21299 Resultado: NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: For unanimidade de votos NEGAR Provimento ao recurso. Ementa:ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE LIVROS AUXILIARES E DE INVENTÁRIO - A ausência do Livro de Inventário e de livros auxiliares ao Diário e Razão escriturados em partidas mensais respalda o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica originalmente tributada pelo lucro real. (Publicado no D.O.L.1, n° 168 de 0110912003). Número do Recurso: 143120 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10830.004492/2002-63 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO .- 17 Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente:AROESTE COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA. Recorrida/Interessado:? TURMAIDRJ-CAMPINAS/SP Data da Sessão:0710712005 00:00:00 Relatar: Flávio Franco Corrêa Decisão: Acórdão 103-22039 Resultado: DPPM - DAR PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação a verba autuada a titulo de "omissão de receitas", bem como ajustar as exigências reflexas ao decidido em relação ao IRPJ, vencido o conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que negou provimento integral. Ementa:ARBITRAMENTO - AUSÈNCIA DE LIVROS AUXILIARES E DE INVENTÁRIO - A ausência de livros auxiliares ao Diário e ao Razão, escriturados em partidas mensais, respalda o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica originalmente tributada pelo lucro real. Mantenho, assim, o arbitramento. DEMAIS QUESTÕES DO RECURSO O critério para a apuração do lucro arbitrado foi o da receita bruta, obtida nos Livros Registro de Saldas e de Apuração de ICMS, sendo aplicado o percentual de 9,6%, cabível para a atividade de comércio e indústria. Sobre o lucro arbitrado foi aplicada a alíquota de 15%, para o IRPJ, tendo sido subtraídos das parcelas de IRPJ apuradas os recolhimentos correspondentes efetuados. Aduz, no entanto, a Recorrente, argumentos acerca da insuficiência da presunção da conta mantida no Bradesco, que deixara de ser escriturada, como forma de caracterização da receita tributável; a suficiência dos documentos apresentados como comprovação do exigível e a impossibilidade de apresentação de documentos comprobatórios dos custos e despesas incorridos, posto que extraviados, conforme boletim de ocorrência que não foi trazido aos autos. Essas razões, no entanto, são impertinentes ao presente lançamento e não possuem o condão de alterá-lo. Isso porque, tendo sido definida a causa e legalidade do arbitramento, referidas alegações tornaram-se inócuas posto que, por este regime de apuração do imposto de renda, não se mostra necessária a comprovação de despesas, posto que o lucro é arbitrado com base na receita bruta conhecida. E, no caso, a apuração de referida receita foi feita com base nas informações colhidas no livro de apuração do ICMS, de onde se permite conhecer a receita bruta da empresa fiscalizada. Desta feita, afasto, igualmente, os argumento apresentados, mantendo irretocado a base de incidência do lançamento. MULTA QUALIFICADA Com relação à qualificação da multa de oficio, são os seguintes os argumentos tomados para sua aplicação: "Quanto aos anos-calendário de 2003 e 2004, a situação é diferente, uma vez que a interessada apresentou as DIPJ zeradas e as DCTF de 2003 (1°, 2°, 3°c 4° trim.- fls.2116/2119) e DCTF ti Processo-h 10925.0004561200746 S1-C311 Acórdão n.°1301-00.150 1.1:111 de 2004 (I° e 2' trim. — P.2120/2121) sem débitos declarados, além de não ter apresentado as DCTF do 3° e 40 trim. Os recolhimentos referentes a esses períodos foram os seguintes: tad iiVe; tt';: iagfll 1° trim/03 30/04/2003 0,00 *1.337,45 2° trim/03 31/07/2003 *2.845,87 0,00 2° trim/04 29/07/2004 *9.492,10 *5.925,25 3° trim/04 29/10/2004 *1.747,84 *1.048,70 * Valores não declarados em DCTF Essa conduta, aliada à inserção de elementos inexatos na escrituração (como já analisado), demonstra, relativamente aos anos-calendário de 2003 e 2004, a prática reiterada de infração à legislação tributária, evidenciando o dolo existente na conduta da interessada, o que impõe a exigência da multa agravada. No caso dos autos, restou provado que o contribuinte deixou de registrar corretamente sua escrita contábil, Resta saber se diante dos fatos apontados, existe mera omissão de rendimento, ou se a omissão de rendimentos decorreu de efetivo intuito dc fraude, com dolo especifico, a justificar a aplicação da multa majorada. Tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva — e não pró-ativa. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta- se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, ai sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso I, da lei n° 9.430/96, com o disposto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei n° 11.488/2007. Dispõe, o art. 44 da lei n° 9.430/96, o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 19 I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. § O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei ri". 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da lei n" 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da "falta de declaração ou declaração inexata" constante do inciso I do art. 44 da lei n° 9.430/96, com a "omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente", o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei Ir 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo especifico, mediante "ação ou omissão dolosa", que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à. aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente a dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1° Conselho de Contribuintes, quando entende que "a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação" (aceitação da 6' Câmara do 1° CC, relatora Conselheira Thaisa Jansen Pereira, no recurso n° 134.875, acórdão n° 106-13722). Assim, "deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação defraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção defraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento" (aceitação unânime da 2' Câmara do 1° CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 102-47397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que "a majoração da multa de oficio deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que Jr. • . _ Processo n°10925000456/2007-86 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.150 Fl. I / decorre de casos de evidente má-fé" (aceitação da 6' Câmara do 1° CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 106-15545). À titulo de complementação do entendimento, ressalto que, por exemplo, "a apresentação de notas frias para comprovar despesas que o contribuinte sabe não ter realizado caracteriza evidente intuito de fraude, conforme previsto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, e legitima a qualificação da multa de oficio" (aceitação da 4a Câmara do 1° CC, relator Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, no recurso 153.150, acórdão 104-22888). Em verdade, para que se possa qualificar a multa de oficio, é necessária a comprovação de dolo especifico, e não mera omissão do contribuinte. Na hipótese dos autos, não identifico a descrição, no termo de constatação fiscal, de conduta ativa do contribuinte com o intuito de dissimular a ocorrência do fato imponivel, mas sim mera omissão do rendimento, sujeitando-se, pois, à multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), pelo que dou parcial provimento, neste particular, ao recurso. Diante do provimento parcial, com exclusão da multa de 150%, para reduzi- la para 75. DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para cancelar, por decadência, o lançamento de CSLL relativo ao primeiro trimestre de 2002, e excluir a qualificação da multa de oficio. .01010 10C-010;--/--• - -- ALEXANDRE ANTONIO ALICMIM TEIXEIRA - Relator 21
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Numero do processo: 13808.001377/2001-21
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1995
ERRO X SANEAMENTO.
Constatada a contradição entre o dispositivo do acórdão em que os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, e, apenas no título desse voto constar erroneamente como voto vencido, é de se corrigir o erro para sanar o equívoco demonstrado, restando mantida a decisão proferida no Acórdão retificado sem que sejam alterados os seus efeitos.
Numero da decisão: 1802-001.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em retificar e ratificar o Acórdão nº 1802-00.244, de 03/11/2009, para negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Constatada a contradição entre o dispositivo do acórdão em que os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, e, apenas no título desse voto constar erroneamente como “voto vencido”, é de se corrigir o erro para sanar o equívoco demonstrado, restando mantida a decisão proferida no Acórdão retificado sem que sejam alterados os seus efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em retificar e ratificar o Acórdão nº 180200.244, de 03/11/2009, para negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 13 77 /2 00 1- 21 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Trata o presente processo de auto de infração (fls. 29/30) lavrado contra o contribuinte, em razão da compensação indevida de CSLL acima do limite de 30% estabelecido pela legislação. Assim, foi lançado crédito tributário no valor de R$ 119.610,78 (cento e dezenove mil, seiscentos e dez reais e setenta e oito centavos), já incluídos a multa proporcional de 75% e juros moratórios calculados até 23.02.2001. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 33/40), alegando, em síntese: violação ao principio da anterioridade, em razão da MP 812/94, apesar de publicada em 31/12/1994, só ter circulado em 02/01/1995; violação ao principio do direito adquirido, por ter a Lei n.° 8541/92 possibilitado a compensação integral da base negativa em até quatro anoscalendários, vindo a Lei n.° 8981/95, ao limitar a compensação a 30%, atingir algo consolidado; que a limitação da compensação a 30% acaba por tributar, ao invés da renda, o próprio patrimônio, pois naquele exercício não houve ganho patrimonial; e inconstitucionalidade da limitação por configurar verdadeiro empréstimo compulsório. A 5ª Turma da DRJ/SP, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, sob os seguintes fundamentos: que a apuração da CSLL suplementar pautouse na constatação suficiente da inexistência de saldo de bases negativas de CSLL de períodos anteriores a ser compensado, de modo que a limitação legal de compensação prevista na Lei n.° 8981/95 não teve qualquer influência na verificação da falta do contribuinte; que o impedimento legal à compensação apresentase sobre a integralidade da base apurada e não somente sobre a diferença estabelecida no art. 58 da Lei n.° 8981/94; que ainda que se viesse a demonstrar a existência de saldo de base de CSLL a compensar, aplicarseia a limitação prevista no art. 58 da Lei n.° 8981/94, por não serem as circunstâncias trazidas pelo contribuinte hábeis a afastála; que é defeso à Administração afastar a aplicação de lei ou ato normativo por questões relativas a ilegalidades ou inconstitucionalidades que supostamente os viciem; e que à autoridade administrativa compete, apenas, cumprir o quanto determinado pela legislação em vigor, constituindo o credito tributário na forma prescrita no Código Tributário Nacional. Não satisfeito, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 72/79), repetindo integralmente os argumentos aduzidos em sua impugnação. Em sessão de 3 de novembro de 2009, mediante o Acórdão nº 180200.244, os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto condutor do Acórdão que integraram o julgado. Da mencionada decisão, consta o único voto condutor do Acórdão como “voto vencido”. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13808.001377/200121 Acórdão n.º 1802001.586 S1TE02 Fl. 3 3 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa A questão trazida no presente voto restringese ao fato de haver o Acórdão nº 180200.244, em sessão de 3/11/2009, decidido, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integraram o julgado, e que, apesar da decisão por unanimidade, consta o título do único voto condutor do Acórdão como “voto vencido”. Vejamos o inteiro teor do voto: Conselheiro Relator LEONARDO LOBO DE ALMEIDA, Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. O processo ora em exame trata de tema já bastante discutido nesta Corte: a possibilidade de se compensar as bases de cálculo negativas da CSLL, de períodos anteriores, em montante superior ao limite de 30%, imposto pela legislação. Em que pese a argumentação do recorrente, a matéria, inclusive, é objeto da Súmula n° 3 do 1 ° Conselho de Contribuintes, in verbis: Súmula 1°CC n° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no maim, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Também não é cabível nesta instância administrativa a análise da constitucionalidade das Leis, função restrita ao Poder Judiciário, conforme entendimento, da mesma forma estratificado em enunciado. Confirase: Súmula 1°CC n°2: 0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, razão não há para a indignação do Recorrente, devendo ser mantida a decisão da 1ª instância. Como se vê, da conclusão do voto do relator restou mantida a decisão da 1ª instância e negado provimento ao recurso voluntário. Assim, constatada a contradição entre o dispositivo do acórdão em que os membros daquele colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, nos Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 termos do relatório e voto do Relator, e, apenas no título do voto consta erroneamente como “voto vencido”, é de se corrigir o erro para sanar o equívoco demonstrado, restando mantida a decisão proferida no Acórdão retificado sem que sejam alterados os seus efeitos. Diante das considerações acima e verificado que não houve VOTO VENCIDO, deve ser retificado o erro e ratificada a decisão do Acórdão em comento para negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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