Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.724368/2011-06
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
CIÊNCIA DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AVISO DE RECEBIMENTO ENCAMINHADO PARA ENDEREÇO DIVERSO DO INFORMADO PELO CONTRIBUINTE À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. TEMPESTIVIDADE.
Uma vez que dos autos se constata que o contribuinte informou previamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB a mudança do seu domicílio tributário para cidade diferente daquela informada no Aviso de Recebimento, inválida é a ciência formalizada por esse meio, devendo, no caso concreto, ser considerado como data da ciência da decisão de primeira instância o dia da primeira manifestação do contribuinte nos autos, após a decisão de primeira instância.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Mantém-se a glosa de deduções pleiteadas pelo contribuinte, uma vez que documentação alguma foi trazida aos autos, quer na impugnação, quer em sede de recurso voluntário.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40.
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.
MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA QUANTO AO DOLO ESPECÍFICO DO SUJEITO PASSIVO.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser exaustivamente demonstrado pela fiscalização.
JUROS DE MORA.TAXA SELIC.APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, exceto em relação aos recibos emitidos por Mariana da Silva Passos, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) German Alejandro San Martín Fernández.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
German Alejandro San Martín Fernández redator designado
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 CIÊNCIA DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AVISO DE RECEBIMENTO ENCAMINHADO PARA ENDEREÇO DIVERSO DO INFORMADO PELO CONTRIBUINTE À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. TEMPESTIVIDADE. Uma vez que dos autos se constata que o contribuinte informou previamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB a mudança do seu domicílio tributário para cidade diferente daquela informada no Aviso de Recebimento, inválida é a ciência formalizada por esse meio, devendo, no caso concreto, ser considerado como data da ciência da decisão de primeira instância o dia da primeira manifestação do contribuinte nos autos, após a decisão de primeira instância. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantém-se a glosa de deduções pleiteadas pelo contribuinte, uma vez que documentação alguma foi trazida aos autos, quer na impugnação, quer em sede de recurso voluntário. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA QUANTO AO DOLO ESPECÍFICO DO SUJEITO PASSIVO. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser exaustivamente demonstrado pela fiscalização. JUROS DE MORA.TAXA SELIC.APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Recurso provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10580.724368/2011-06
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5306484
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-002.442
nome_arquivo_s : Decisao_10580724368201106.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JACI DE ASSIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10580724368201106_5306484.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, exceto em relação aos recibos emitidos por Mariana da Silva Passos, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) German Alejandro San Martín Fernández. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. German Alejandro San Martín Fernández redator designado (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5170670
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371711320064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 139 1 138 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.724368/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.442 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria IRPF Recorrente RENATO CARVALHO DO SACRAMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 CIÊNCIA DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AVISO DE RECEBIMENTO ENCAMINHADO PARA ENDEREÇO DIVERSO DO INFORMADO PELO CONTRIBUINTE À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. TEMPESTIVIDADE. Uma vez que dos autos se constata que o contribuinte informou previamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB a mudança do seu domicílio tributário para cidade diferente daquela informada no Aviso de Recebimento, inválida é a ciência formalizada por esse meio, devendo, no caso concreto, ser considerado como data da ciência da decisão de primeira instância o dia da primeira manifestação do contribuinte nos autos, após a decisão de primeira instância. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa de deduções pleiteadas pelo contribuinte, uma vez que documentação alguma foi trazida aos autos, quer na impugnação, quer em sede de recurso voluntário. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA QUANTO AO DOLO ESPECÍFICO DO SUJEITO PASSIVO. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 43 68 /2 01 1- 06 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR 2 nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser exaustivamente demonstrado pela fiscalização. JUROS DE MORA.TAXA SELIC.APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, exceto em relação aos recibos emitidos por Mariana da Silva Passos, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) German Alejandro San Martín Fernández. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. German Alejandro San Martín Fernández – redator designado (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, fls. 02 a 17, lavrado em virtude da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e da glosa das deduções de contribuição previdenciária privada, dependentes, despesas com instrução, despesas médicas e pensão alimentícia, relativamente aos anoscalendário de 2006 a 2009, exercícios de 2007 a 2010, respectivamente. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 13 a 16, foi aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) porque o contribuinte prestara Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10580.724368/201106 Acórdão n.º 2802002.442 S2TE02 Fl. 140 3 declaração falsa ao informar despesas pagas à fisioterapeuta Mariana da Silva Passos, conforme processo administrativo que resultou no Ato Declaratório DRF/SDR nº 28/2010 (que estabeleceu a inidoneidade das despesas declaradas em nome desta profissional), e porque em quatro anos consecutivos declarara sistematicamente despesas não comprovadas, com o objetivo de obter restituições indevidas. Em impugnação apresentada às fls. 72 a 102, o contribuinte argumenta, em síntese, que o lançamento foi feito por amostragem e não contém o enquadramento legal específico da infração. O arbitramento não poderia ser usado para determinar a base de cálculo, nem é cabível o lançamento com base em mera presunção. Não restou comprovada a prática de fraude ou dolo que justificaria a qualificação da multa. Não foi comprovado pelo Fisco que os serviços de Mariana da Silva Passos não foram prestados. A inidoneidade dos comprovantes apresentados não pode ser estabelecida por decreto administrativo, devendose pressupor a boa fé do contribuinte quanto às deduções declaradas. Na falta da sua prova, cabe tão somente a glosa. A multa é exagerada e confiscatória e por isso inconstitucional. Os juros não podem ser superiores a 1% ao mês. Os acréscimos excessivos afrontam o princípio da moralidade administrativa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa, fls. 113 a 115: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude em exercícios consecutivos, com redução de imposto e obtenção de restituições indevidas, cabe a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em decorrência desse resultado de julgamento, a autoridade preparadora encaminhou, por via postal, intimação ao contribuinte endereçandoa para a cidade de Salvador (BA). Referida intimação foi recebida pela pessoa que firmou o Aviso de Recebimento – AR, fls. 118, em 05/10/2011. De acordo com às fls. 119 a 135, o contribuinte manifestouse nos autos por meio do recurso voluntário, ingressado em 08/12/2011, alegando, em síntese, que: tanto a Declaração de Ajuste Anual de IRPF, referente ao anocalendário de 2010, como a peça impugnatória apresentada em 08/07/2011, informaram o endereço situado na cidade de Vitória da Conquista como sendo o local de sua residência para recebimento de quaisquer correspondências. Como não mais reside em Salvador desde 2009, o teor da decisão impugnada foi encaminhado para endereço diverso do seu. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR 4 a exigência fiscal foi integralmente mantida pela decisão de primeira instância sem derrubar quaisquer dos argumentos do contribuinte que aniquilam o crédito tributário exigido através do auto de infração. foram desconsiderados, inclusive, todos os recibos de despesas médicas anexados à peça impugnatória e a declaração de cada profissional que realizou o tratamento clínico no contribuinte, objetivando uma análise de maneira imparcial das provas aqui levantadas; requer a aplicação ao caso da Lei nº 11.941, de 1999, que instituiu o parcelamento de débitos em até 180 (cento e oitenta) meses; fundamentandose no art. 150, III, da Constituição Federal, no art. 106, I, do Código Tributário Nacional, e em ementa proferida pelo Poder Judiciário, o recorrente alega ser incabível a aplicação da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), salientando que os recibos teriam sido normalmente apresentados e não ficou comprovada a fraude ou dolo, fato que impõe a redução ao patamar de no máximo em75% (setenta e cinco por cento); a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais vem afastando o dolo, por erro escusável, quando a fonte pagadora presta informações equivocadas ou há a ausência delas, conforme Acórdão CSRF/ 0103.548, de 05/11/2011; reitera as alegações quanto ao fato de a multa ser exagerada e confiscatória e por isso inconstitucional. Também os juros não podem ser superiores a 1% ao mês. Os acréscimos excessivos afrontam o princípio da moralidade administrativa; requer a reforma da decisão recorrida e o reconhecimento da aplicação da Lei nº 11.941, de 1999 para fins de parcelamento da dívida tributária relativas às declarações de IRPF referente ao período de 2006 à 2009; em caso de manutenção da exigência fiscal, requer a redução da multa nos termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal, bem como seja adequada a taxa de juros de mora ao percentual estabelecido no art. 59 da Lei 8.383/91 (1% a. m.), taxa esta que deverá incidir até a data do efetivo pagamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator De acordo com o Aviso de Recebimento – AR, fls. 118, em 05/10/2011 foi entregue a Intimação nº 01009/2011, referente ao Acórdão 1528164, proferido pela autoridade Julgadora de primeira instância, apontando como endereço do contribuinte local situado na cidade de Salvador (BA). O contribuinte considera tal ciência inválida, haja vista haver informado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a alteração de seu endereço para a cidade de Vitória da Conquista(BA). Compulsandose os autos, verificase que durante o curso do procedimento fiscal que resultou na lavratura do auto de infração, objeto do presente processo, o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação Fiscal, datado de 06/06/2008, fls. 21, para informar Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10580.724368/201106 Acórdão n.º 2802002.442 S2TE02 Fl. 141 5 a mudança do seu domicílio fiscal para endereço localizado na cidade de Vitória da Conquista (BA). Também se vê do próprio Termo de Verificação Fiscal, fls. 16, que a autoridade lançadora alertara à autoridade preparadora no sentido de que a ciência do Auto de Infração deveria ser realizada levandose em consideração o endereço do contribuinte situado nessa cidade de Vitória da Conquista (BA), diante da informação de mudança de endereço prestada pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, referentes aos exercícios de 2009 e 2010. Consta também dos autos que o contribuinte foi intimado da autuação em seu novo endereço, conforme AR de fls. 70, sendo que esse novo endereço foi também citado pelo contribuinte no preâmbulo de sua impugnação, apresentada em 08/07/2011, fls. 72. Uma vez que dos autos se comprova que o contribuinte informou previamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil a mudança do seu domicílio tributário para cidade diferente daquela informada no AR de fls. 118, inválida é a ciência realizada por meio deste, devendo, no caso concreto, ser considerado como data da ciência da decisão de primeira instância o dia 08/12/2011, época da primeira manifestação do contribuinte nos autos, após a decisão proferida no Acórdão nº 1528164, ora recorrido. Portanto, o recurso voluntário ingressado às fls 119 a 135 deve ser considerado como tempestivo, uma vez que preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Superada essa questão preliminar, passase ao exame do mérito Ressaltese, inicialmente, que o contribuinte não questionou, nem na peça impugnatória e nem no recurso voluntário, a matéria relativa à constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (item 001, do Auto de Infração, fls. 05). Diante disso, o presente exame se limitará às questões relacionadas ao lançamento realizado no item 002 do Auto de Infração, fls. 06. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, fls. 13 a 16, o contribuinte deduziu da base de cálculo do imposto de renda despesas de contribuição à previdência, dependentes, despesas médicas, despesas com instrução e despesas com pensão alimentícia, que por ele teriam sido supostamente suportadas no decorrer dos anoscalendário de 2006 a 2009. Uma vez intimado a comprovar tais deduções, o autuado não logrou comproválas em sua integralidade, na forma que a legislação de regência exigia, ensejando a respectiva glosa e a lavratura do auto de infração. O recorrente contesta a glosa dos valores considerados indevidamente deduzidos ao argumento de que os recibos correspondentes teriam sido apresentados com a impugnação. Compulsandose os autos, contudo, não se observa a juntada de outros elementos comprobatórios senão aqueles por ele juntados à resposta ao Termo de Intimação Fiscal, fls. 23, quais sejam: às fls. 27 a 30 (despesas médicas), fls. 31 a 35 (despesas com instrução), fls. 36 e 37 (dependentes). Observese que todos esses comprovantes foram devidamente acatados pela fiscalização que considerou os respectivos valores como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda apurado de ofício. Portanto, não integraram a base de cálculo tributada nos presentes autos. Além do mais, a decisão recorrida deixou claro ao contribuinte que: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR 6 (...) “O auto de infração contém o enquadramento legal da infração cometida, suficiente para o exercício do direito de defesa. Ao contrário do que afirma o impugnante, a base de cálculo não foi determinada por arbitramento ou presunção, mas sim pela glosa de deduções não comprovadas. O impugnante afirma que foram desconsiderados os comprovantes apresentados, sem que restasse comprovada a sua inidoneidade; e se refere especificamente aos recibos da fisioterapeuta Mariana da Silva Passos. Não consta, porém, que tenha apresentado estes documentos ou que os apresente agora em sua impugnação.” Portanto, infundadas as alegações descritas no recurso voluntário no sentido de que a decisão recorrida teria desconsiderado supostos recibos de despesas médicas anexados à peça impugnatória, bem como suposta declaração firmada por cada profissional que realizou o tratamento clínico no contribuinte. Assim, o acórdão recorrido não merece reparos nesta parte, mesmo porque documentação alguma foi trazida aos autos, quer na impugnação, quer em sede de recurso, com intuito de comprovar a veracidade das deduções pleiteadas nas respectivas declarações de ajuste anual. No que diz respeito à aplicação da multa qualificada, o Termo de Verificação Fiscal assim descreve: “MULTA APLICADA A prática sistemática de pleitear deduções não comprovadas, em quatro anoscalendário consecutivos, demonstra que o contribuinte agiu com dolo, objetivando reduzir a base de cálculo do imposto, de modo a aumentar indevidamente o valor a ser restituído. Também corrobora com esta conclusão o fato de termos verificado a inclusão, nos anoscalendário de 2006 e 2007, de despesas médicas pagas à fisioterapeuta Mariana da Silva Passos (R$ 2.000,00 em cada anocalendário). Estas despesas médicas não podem ser aceitas, em função do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n° 28/2010, publicado em 10/09/2010, que declarou estes recibos inidôneos, conforme Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz. No processo administrativo n° 10580.726295/201006, ao qual o fiscalizado pode obter vista caso deseje, ficou demonstrado que a citada profissional não prestou serviços aos supostos pacientes, mas teve seu nome e CPF utilizados para obtenção de restituições indevidas. Conseqüentemente, será aplicada a multa qualificada do art. 957, inciso II, do RIR/99 (...). Portanto, a fiscalização firmou entendimento de que o fato de ficar evidenciada a prática sistemática de se pleitear deduções não comprovadas, em quatro anos calendário consecutivos, demonstra que o contribuinte agiu com dolo, objetivando reduzir a base de cálculo do imposto, de modo a propiciar indevidamente valores a serem restituídos. O dispositivo legal autorizador da aplicação das multas é o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (matriz legal do art. 957, citado pelo auto de infração), assim descreve na parte que interessa: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10580.724368/201106 Acórdão n.º 2802002.442 S2TE02 Fl. 142 7 I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” O art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964 estabelece: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Inferese pelos elementos constantes aos autos que a aplicação da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento) decorreu do intuito de se fraudar o Fisco, materializado pela inserção sucessiva de deduções fictícias nas declarações de ajuste anual apresentadas em quatro anoscalendário consecutivos (de 2006 a 2009), bem como na dedução de despesas médicas suportadas por recibo declarado inidôneo, por ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Observase dos autos, ainda, que tal conduta propiciou ao contribuinte a restituição integral/quase integral do imposto de renda retido nos anoscalendário de 2006 e 2007, fls. 50 e 57, de quase a quinta parte do imposto retido no anocalendário de 2008, fls. 63, e a redução de R$ 2.596,13, equivalente a 32,6% do imposto de renda a pagar que deveria ter sido apurado em relação à matéria na declaração do anocalendário de 2009, conforme demonstrativo integrante do Auto de Infração, fls. 10. A partir dos demonstrativos elaborados pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, fls. 14/15, fica clara a conduta ilícita do contribuinte, uma vez que se percebe da relação entre o valor global das deduções declaradas e o valor total dos respectivos comprovantes apresentados ao fisco, que a inclusão de despesas fictícias tiveram a seguinte participação no resultado apurado nas declarações de rendimentos examinadas pelo fisco: VALOR DECLARADO VALOR COMPROVADO VALOR GLOSADO PERCENTUAL NÃO COMPROVADO ANOCALENDÁRIO 2006 41.171,07 8.017,07 33.154,00 80,50% ANOCALENDÁRIO 2007 57.614,20 8.429,05 49.185,15 85,40% ANOCALENDÁRIO 2008 27.287,24 9.106,16 18.181,08 66,60% ANOCALENDÁRIO 2009 18.139,45 8.698,99 9.440,46 52,10% Deduzse, pois, que a sistemática inserção de despesas fictícias na declaração de ajuste anual pelo contribuinte em quatro anoscalendário consecutivos contribuiu Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR 8 sobremaneira para que o contribuinte apurasse os valores indevidos de imposto de renda a restituir. Tais fatos, a meu ver, caracterizam o evidente intuito de fraude, de forma que entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) em relação às deduções indevidas de contribuição à previdência privada, de despesas com dependentes, de despesas com instrução, de despesas médicas e com pensão alimentícia judicial. Ressaltese que, em relação à multa aplicada em face da dedução de despesas médicas que o recorrente declarou como pagos à fisioterapeuta Mariana da Silva Passos (R$2.000,00 em cada anocalendário de 2006 e 2007, a qualificação da multa também prevalece, mormente corresponderem a recibos declarados inidôneos por Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n° 28/2010, publicado em 10/09/2010 (processo administrativo n° 10580.726295/201006). Observese que, nesse aspecto, o recorrente apenas alega a existência dos recibos sem, contudo, demonstrar a efetividade dos serviços e do correspondente pagamento. A respeito dessa matéria, observese que o CARF, por meio da Súmula nº 40, assim se pronunciou: “Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.” No que diz respeito às alegações à exigência de juros de mora, cumpre transcrever o entendimento firmado na Súmula CARF nº4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Alegou o contribuinte que a multa aplicada seria confiscatória e, por conseguinte, inconstitucional. Não compete a esse Colegiado apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. Nesse sentido, aplicase a Súmula CARF nº 02: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Finalmente, quanto ao pedido de parcelamento pleiteado pelo contribuinte, esclareçase que o exame dessa matéria foge à competência deste Colegiado, consoante Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, cabendo à autoridade administrativa a sua apreciação. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10580.724368/201106 Acórdão n.º 2802002.442 S2TE02 Fl. 143 9 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor German Alejandro San Martín Fernández, redator designado Ouso divergir do ilustre relator, quanto à qualificação da multa para as demais despesas médicas para as quais não há, em relação ao profissional prestador, edição de Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz. Conforme reiterada jurisprudência deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF, a qualificação da multa pressupõe a prova inequívoca sobre a intenção do agente em fraudar o fisco. Meras ilações de ordem subjetiva, tais como prática reiterada, são incapazes de suportar lançamento de multa agravada, ainda mais quando a sua mantença implica necessariamente em juízo persecutório penal ao fim do processo administrativo e desprezo ao disposto no artigo 112, II do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;". A boafé se presume; a máfé, o dolo, o evidente intuito de fraude, depende de prova cabal a cargo da fiscalização. Nesse sentido, 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF do CARF: Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO SE PRESUME E DEVE SER DEMONSTRADO PELA FISCALIZAÇÃO. NO CASO, O DOLO QUE AUTORIZARIA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA NÃO RESTOU COMPROVADO, CONFORME BEM EVIDENCIADO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. A omissão de rendimentos por dois exercícios consecutivos ou a ausência de apresentação de declarações de ajuste anual, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. (Acórdão n. 920200.971. Processo n. 14041.000301/200401. Recurso n° 149.607 Especial do Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR 10 Procurador. Sessão de 17 de agosto de 2010). No mesmo sentido: CSRF 2a. Turma da 2a. Câmara, Acórdãos n.s 9202 00.969, 920200.910 e920200.909. No mesmo sentido, 1ª Turma da CSRF: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 9101001.403 Processo n.º 11020.004863/200719. Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. 1ª Turma. Sessão de 17 de julho de 2012. Em situação semelhante à ora posta em julgamento, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção, Acórdão: 2202002.175: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. GANHO DE CAPITAL Não se aplica a isenção prevista no art. 23 da Lei nº 9.250, de 1995, quando o contribuinte possui mais de um imóvel. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO GENÉRICO E DOLO ESPECIFICO. A imposição da multa qualificada de 150% necessita da demonstração do dolo especifico, da vontade livre e consciente de sonegar para tipificar a conduta prevista no art. 71, I, da Lei 4.502, de 1964. A 1ª Turma do C. Superior Tribunal de Justiça, em recurso relatado pelo atual Ministro do STF, Luiz Fux, já se manifestou pela redução da multa qualificada, em caso no qual não restou devidamente comprovado o dolo específico do agente na prática infracional: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. OMISSÃO DE RECEITA. AUFERIÇÃO INDIRETA. MULTA DO ART. 44, II, DA LEI 9.430/96. NECESSIDADE DE MANIFESTO INTUITO DE FRAUDE. INOCORRÊNCIA. ART. 136 DO CTN C/C ART. 112 DO CTN. AUSÊNCIA DE MÁFÉ CONSIGNADA PELO TRIBUNAL A QUO. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A responsabilidade do agente pelo descumprimento das obrigações tributárias principais ou acessórias, via de regra, é objetiva, na dicção do Código Tributário Nacional: "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10580.724368/201106 Acórdão n.º 2802002.442 S2TE02 Fl. 144 11 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." 2. Deveras, a constatação objetiva da infração tributária é matéria diversa da dosimetria da sanção. É que, na atividade de concreção, o magistrado há de pautar a sua conclusão iluminado pela regra de hermenêutica do artigo 112, do CTN, verbis: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." 3. Doutrina de escol leciona que: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14ª edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107) Embora o artigo diga que a responsabilidade por infrações independe da extensão dos efeitos do ato, não se deve perder de vista o que dispõe o art. 112 do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;" (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Ed. Livraria do Advogado, 2006, págs. 1.053/1.054) 4. Precedentes de ambas Turmas de Direito Público: AgRg no Resp 982.224/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/05/2010, DJe 27/05/2010; REsp 777.732/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2008, DJ 20/08/2008; REsp 254.276/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2007, DJ 28/03/2007; REsp 743.839/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/11/2006, DJ 30/11/2006; REsp 423.083/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR 12 SEGUNDA TURMA, julgado em 01/06/2006, DJ 02/08/2006; Resp 323.982/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2004, DJ 30/08/2004. 5. In casu, resta incontroversa nos autos a irregularidade na escrituração contábil da recorrida, uma vez que as operações financeiras (depósitos e pagamentos) ocorridas no ano de 1998, em conta corrente cadastrada em nome de funcionário da empresa autora, compunham a declaração de rendimentos à tributação realizada pela empresa no referido ano base, razão pela qual parte do faturamento decorrente da referida movimentação financeira não foi oferecida à tributação. 6. O Juízo singular aplicou multa de 150%, com base no art. 44, II, da Lei 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos, verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, =e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." 7. O Tribunal a quo entendeu pela ausência de máfé a ensejar a redução da multa aplicada pelo Juízo singular, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor: "Não se depreende das provas a máfé dos administradores da empresa. As circunstâncias em que ocorreram os fatos, circunscritos ao anobase de 1998, denotam que as irregularidades partiram mais da inexperiência do que de qualquer ação dolosa. Dessa forma, mostrase razoável a redução do percentual da multa para 75%, enquadrando, assim, a situação no inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, que prevê penalidade para os casos de falta de declaração e de declaração inexata." 8. Deveras, restou assentado, inclusive na sentença, a ausência do intuito de fraude, requisito indispensável à incidência da multa de 150%, na dicção do art. 44, II, da Lei 9.430/96, o que se coaduna com a ressalva do art. 136 do CTN: "Salvo disposição de lei em contrário (...)", consoante denotase da seguinte passagem do decisum singular, litteris: "Com efeito, o proceder do autor não foi correto e a sua contabilidade não traduz efetivamente a sua movimentação. Entretanto, pelo que consta dos autos, este proceder ocorreu apenas no ano de 1998 em razão do problema de saúde do sócio Eider Gothif Ern. E considerando o rígido controle da CIDASC (documentos constantes dos autos) é razoável entenderse que Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10580.724368/201106 Acórdão n.º 2802002.442 S2TE02 Fl. 145 13 parte da movimentação da conta está inserida no faturamento da empresa." (...) 10. À míngua da possibilidade de aferir o intuito de fraude, afastado pela instância a quo (Súmula 07), intangível revelase, sob o ângulo da justiça tributária, o acórdão recorrido. 11. Recurso especial desprovido. Pelo exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a qualificação da multa de ofício, exceto em relação aos recibos emitidos por Mariana da Silva Passos. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 12/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000324/2001-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1996
APLICAÇÃO DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO DE 30% DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA PARA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. ATIVIDADE RURAL - MEDIDA PROVISÓRIA 1.991-15/2000. SÚMULA CARF 53.
À pessoa jurídica, que tem como objeto social exclusivamente a atividade rural, não se aplica o limite de 30% do lucro líquido para compensação das bases negativas da CSLL, mesmo antes da edição da Medida Provisória 1.991-15/2000
Numero da decisão: 9101-001.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso.Especial da Fazenda.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu, Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996 APLICAÇÃO DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO DE 30% DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA PARA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. ATIVIDADE RURAL - MEDIDA PROVISÓRIA 1.991-15/2000. SÚMULA CARF 53. À pessoa jurídica, que tem como objeto social exclusivamente a atividade rural, não se aplica o limite de 30% do lucro líquido para compensação das bases negativas da CSLL, mesmo antes da edição da Medida Provisória 1.991-15/2000
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10835.000324/2001-78
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5308655
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9101-001.649
nome_arquivo_s : Decisao_10835000324200178.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SUSY GOMES HOFFMANN
nome_arquivo_pdf_s : 10835000324200178_5308655.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso.Especial da Fazenda. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu, Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5184706
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371717611520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 181 1 180 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10835.000324/200178 Recurso nº 143.619 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.649 – 1ª Turma Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGROPECUÁRIA RAMOS AMORIM Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996 APLICAÇÃO DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO DE 30% DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA PARA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. ATIVIDADE RURAL MEDIDA PROVISÓRIA 1.99115/2000. SÚMULA CARF 53. À pessoa jurídica, que tem como objeto social exclusivamente a atividade rural, não se aplica o limite de 30% do lucro líquido para compensação das bases negativas da CSLL, mesmo antes da edição da Medida Provisória 1.99115/2000 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso.Especial da Fazenda. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Valmir Sandri, Viviane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 03 24 /2 00 1- 78 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10835.000324/200178 Acórdão n.º 9101001.649 CSRFT1 Fl. 182 2 Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu, Susy Gomes Hoffmann. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o auto de infração de fls.01 a 05, exigindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao exercício de 1997, anocalendário de 1996, no valor de R$ 2.214,43, multa proporcional de R$ 1.660,81 e juros de mora de R$ 2.100,61, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 5.975,85, em virtude da apuração de compensação indevida da base de cálculo negativa de períodosbase anteriores na apuração da CSLL, tendo infringido a Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 58 e a Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, art. 16. Impugnando o auto de infração, apresentou a Recorrida Recurso Ordinário perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, sendo este julgado Improcedente por unanimidade de votos (fls. 129/132). Inconformada, impetrou ainda Recurso Voluntário perante a 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que em sessão de 18 de abril de 2008, por maioria de votos, julgou PROCEDENTE o recurso (fls.151/159), nos seguintes termos: Assunto: Contribuição Social/LL Exercício: 1997 Ementa: CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. ATIVIDADE RURAL. Os contribuintes que desenvolvem exclusivamente atividades agropecuárias (rurais) podem compensar integralmente a base de cálculo negativa de CSLL, apurada em . períodos passados, com o resultado do período de apuração, mesmo antes da vigência da Medida Provisória n. 199115/2000. Não se aplicam a tais contribuintes, portanto, o limite máximo de 30% (trinta por cento) de compensação de que tratam as Leis n. 8.981/95 e n. 9.065/2005. Recurso voluntário a que se dá provimento. Alegando a existência de decisão não unânime e contrária à Lei, a Fazenda Nacional, apresentou Recurso Especial, com fundamento no artigo 7º, I do RICSRF, pugnando Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10835.000324/200178 Acórdão n.º 9101001.649 CSRFT1 Fl. 183 3 pelo provimento do presente recurso, e consequente reforma da decisão recorrida para se restabelecer o entendimento da autoridade fazendária. Nos termos do exame de admissibilidade, fls. 174/175, foi o presente recurso admitido. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a existência de decisão não unânime e possível afronta à legislação que regulamenta a matéria. No entanto, cabe ressaltar que a presente matéria não comporta mais discussão na instância administrativa, pois, é objeto da Súmula CARF nº 53, que está consignada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000. Oportuno ressaltar, que nos termos do artigo 72, do Regimento Interno deste Conselho, as súmulas são de observância obrigatória pelos Conselheiros: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Desta feita, com fundamento nos dispositivos legais supra, NEGO PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10835.000324/200178 Acórdão n.º 9101001.649 CSRFT1 Fl. 184 4 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10940.903133/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/04/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10940.903133/2009-10
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5314396
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.563
nome_arquivo_s : Decisao_10940903133200910.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10940903133200910_5314396.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5226458
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371727048704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.903133/200910 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.563 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria DCOMP ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente CFQ FERRAMENTAS LTDA. (NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 33 /2 00 9- 10 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903133/200910 Acórdão n.º 3801002.563 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 36153.12648.230806.1.7.042984, devido à inexistência de crédito de R$ 107,20 para efetuar a compensação pretendida de R$ 158,50, uma vez que o pagamento PIS/PASEP (código 8109) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903133/200910 Acórdão n.º 3801002.563 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903133/200910 Acórdão n.º 3801002.563 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903133/200910 Acórdão n.º 3801002.563 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903133/200910 Acórdão n.º 3801002.563 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903133/200910 Acórdão n.º 3801002.563 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903133/200910 Acórdão n.º 3801002.563 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005563/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
FALTA DE DILIGÊNCIAS JUNTO AOS FORNECEDORES E ÓRGÃOS
REGULADORES DO COMÉRCIO EXTERIOR.
Tendo a autoridade fiscal conseguido provar, pelos meios de investigação que se utilizou, os fatos que demonstram a falta de pagamento dos tributos fiscalizados e as infrações decorrentes, torna-se descartável qualquer investigação adicional.
IRRF. OPERAÇÃO SEM CAUSA COMPROVADA.
Havendo pagamento efetuado como contrapartida às aquisições cujo custo, por não comprovado, se glosou, cabe lançamento do IRRF, sujeito à incidência exclusivamente na fonte, com base no art. 674 do RIR/99.
NOTAS FISCAIS GLOSADAS SEM COMPROVAÇÃO DO SEU LANÇAMENTO NO LIVRO DIÁRIO E RAZÃO.
Inexistindo prova de que as notas inidôneas foram lançadas à conta de mercadorias, e que integraram o custo das mercadorias vendidas, sua glosa é incabível.
Numero da decisão: 1302-000.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 FALTA DE DILIGÊNCIAS JUNTO AOS FORNECEDORES E ÓRGÃOS REGULADORES DO COMÉRCIO EXTERIOR. Tendo a autoridade fiscal conseguido provar, pelos meios de investigação que se utilizou, os fatos que demonstram a falta de pagamento dos tributos fiscalizados e as infrações decorrentes, torna-se descartável qualquer investigação adicional. IRRF. OPERAÇÃO SEM CAUSA COMPROVADA. Havendo pagamento efetuado como contrapartida às aquisições cujo custo, por não comprovado, se glosou, cabe lançamento do IRRF, sujeito à incidência exclusivamente na fonte, com base no art. 674 do RIR/99. NOTAS FISCAIS GLOSADAS SEM COMPROVAÇÃO DO SEU LANÇAMENTO NO LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. Inexistindo prova de que as notas inidôneas foram lançadas à conta de mercadorias, e que integraram o custo das mercadorias vendidas, sua glosa é incabível.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10680.005563/2007-11
conteudo_id_s : 5325736
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-000.407
nome_arquivo_s : Decisao_10680005563200711.pdf
nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 10680005563200711_5325736.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
id : 5295716
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371767943168
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-27T20:16:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2399202_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-27T20:16:10Z; Last-Modified: 2010-12-27T20:16:10Z; dcterms:modified: 2010-12-27T20:16:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2399202_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:195df907-d3bd-418b-a170-3b5b437882a6; Last-Save-Date: 2010-12-27T20:16:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-27T20:16:10Z; meta:save-date: 2010-12-27T20:16:10Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2399202_0.doc; modified: 2010-12-27T20:16:10Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-27T20:16:10Z; created: 2010-12-27T20:16:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-12-27T20:16:10Z; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-27T20:16:10Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 911 1 910 S1-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.005563/2007-11 Recurso nº 179.643 Voluntário Acórdão nº 1302-00.407 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2010 Matéria GLOSA DE CUSTOS Recorrente PRIMEIRA GEMA COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 FALTA DE DILIGÊNCIAS JUNTO AOS FORNECEDORES E ÓRGÃOS REGULADORES DO COMÉRCIO EXTERIOR. Tendo a autoridade fiscal conseguido provar, pelos meios de investigação que se utilizou, os fatos que demonstram a falta de pagamento dos tributos fiscalizados e as infrações decorrentes, torna-se descartável qualquer investigação adicional. IRRF. OPERAÇÃO SEM CAUSA COMPROVADA. Havendo pagamento efetuado como contrapartida às aquisições cujo custo, por não comprovado, se glosou, cabe lançamento do IRRF, sujeito à incidência exclusivamente na fonte, com base no art. 674 do RIR/99. NOTAS FISCAIS GLOSADAS SEM COMPROVAÇÃO DO SEU LANÇAMENTO NO LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. Inexistindo prova de que as notas inidôneas foram lançadas à conta de mercadorias, e que integraram o custo das mercadorias vendidas, sua glosa é incabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. A documentação pertinente ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e o demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo constam das fls. 01/04. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 05/17 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/2007, no montante de R$79.249.905,92, abrangendo fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2003, 2004 e 2005. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 - Custos dos bens ou serviços vendidos -Glosa de custos: custo contabilizado com documento inidôneo; valor apurado conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (TVF); glosa dos custos não comprovados referentes às notas fiscais que o contribuinte diz ter sido emitidas pela empresa Minerpal - Mineração e Comércio Ltda. - multa de ofício de 150%. Glosa de custos: custo contabilizado com documento inidôneo; valor apurado conforme demonstrado no TVF; glosa dos custos não comprovados referentes às notas fiscais que o contribuinte diz ter sido emitidas pela empresa Mineração São Judas Ltda. - multa de ofício de 150%. Glosa de custos: custo contabilizado com documento inidôneo; valor apurado conforme demonstrado no TVF; glosa dos custos não comprovados referentes às notas fiscais que o contribuinte diz ter sido emitidas pela empresa Mineração Serra Grande Ltda. - multa de ofício de 150%. Glosa de custos: valor apurado conforme demonstrado no TVF; glosa dos custos não comprovados referentes às notas fiscais que o contribuinte diz ter sido emitidas pela empresa Sul Oeste Mineração Ltda. - multa de oficio de 75%. Glosa de custos: valor apurado conforme demonstrado no TVF; glosa dos custos não comprovados referentes às notas fiscais que o contribuinte diz ter sido emitidas pela empresa HR Mineração Ltda. -multa de ofício de 150%. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.005563/2007-11 Acórdão n.º 1302-00.407 S1-C3T2 Fl. 912 3 Glosa de custos: valor apurado conforme demonstrado no TVF; glosa dos custos não comprovados referentes às notas fiscais que o contribuinte diz ter sido emitidas pela empresa Mineradora Serra Azul Ltda. - multa de ofício de 75%. Glosa de custos: custo contabilizado com documento inidôneo; valor apurado conforme demonstrado no TVF; glosa dos custos não comprovados referentes às notas fiscais que o contribuinte diz ter sido emitidas pela empresa Morgan Mineração Indústria e Comércio Ltda. -multa de ofício de 150%. Glosa de custos: valor apurado conforme demonstrado no TVF; glosa dos custos não comprovados referentes às notas fiscais que o contribuinte diz ter sido emitidas pela empresa Itafort Indústria e Comércio de Minerais Ltda. - multa de ofício de 75%. Glosa de custos: valor apurado conforme demonstrado no TVF; glosa dos custos não comprovados referentes às entradas adquiridas do Sr. Cleison Ribeiro das Dores - multa de ofício de 75%. Em decorrência desse procedimento, foi lavrado o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/2007, no total de R$28.592.337,19 (fls, 18/3l), compreendendo o mesmo-período abrangido pelo lançamento do IRPJ. Foi lavrado ainda o auto de infração correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), acrescido de multa de ofício e dos juros de mora pertinentes, no montante de R$176.366.238,05 (fls. 32/52), abrangendo fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2003, 2004 e 2005, em virtude da constatação de pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa. O TVF foi anexado às fls. 53/73, cujo resumo é feito em seguida. I - Dos fatos O contribuinte foi intimado a apresentar os livros e documentos elencados no Termo de Intimação Fiscal n° 1, tendo, em 18/08/2006, informado que os documentos solicitados foram apreendidos pela Polícia Federal em cumprimento de mandado de busca e apreensão em salas de propriedade do Sr. Mateus Ribeiro da Silva (contador). Por meio do Ofício n° 234/2006-NIP/SR/DPF/MG, a Polícia Federal encaminhou os documentos de interesse fiscal apreendidos no decorrer da chamada "Operação Carbono", relacionada com o comércio ilegal de diamantes para posterior exportação. Em 18/09/2006, o Sr. Mateus Ribeiro da Silva entregou as 2 as vias dos extratos bancários da empresa. Da análise dos documentos apreendidos pela Polícia Federal, foram relacionados (fl. 54) os principais fornecedores da Primeira Gema. Em seguida, foram feitos registros individuados a respeito dos fornecedores do autuado e da documentação correspondente. II- Considerações sobre os fatos constatados e legislação aplicável Foram feitos registros das declarações apresentadas pelo contribuinte, tendo sido ainda relacionados os fornecedores em relação aos quais não foram encontradas irregularidades. Anotou a fiscalização que não ficaram comprovados, com Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 documentação hábil e idônea, os custos referentes a compras de diamantes em relação aos fornecedores expressamente especificados. Diante do exposto, como o contribuinte não comprovou com documentação hábil e idônea os custos da compra de diamantes dos fornecedores relacionados, nem estes, depois de intimados, comprovaram as transações, entendeu a fiscalização que houve redução indevida do resultado do exercício, o que levou à glosa dos custos e ao lançamento das diferenças encontradas pertinentes ao IRPJ e à CSLL. Ocorrerá a hipótese fática de pagamento a beneficiário não identificado/pagamento sem causa sempre que a pessoa jurídica efetuar pagamentos que não comprovar a operação ou a causa, ainda que contabilizados, sobretudo se a operação estiver lastreada em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, ou com endereço desconhecido, ou ainda em que o sócio declara nunca ter emitido nota fiscal de saída de mercadoria para a empresa fiscalizada, ou em relação à empresa inativa. Assim, ficou o contribuinte sujeito ao imposto sobre a renda exclusivamente na fonte. III- Do crédito tributário e das infrações Neste tópico, foram relacionadas as empresas que receberam pagamentos do autuado, cujos custos não foram devidamente comprovados, tendo sido destacados os casos em que o contribuinte se utilizou de documento considerado inidôneo, ocasionando o lançamento dos tributos devidos com a multa prevista no art. 44, incisos I e II da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme a situação evidenciada. IV- Da multa Concluiu a fiscalização que o contribuinte utilizou notas fiscais que não correspondem a operações efetivamente realizadas para reduzir o lucro e, conseqüentemente, reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social, chamadas "Notas Frias", prática que revela o intuito de fraude. Tal fato resultou na representação fiscal para fins penais e, em relação a alguns lançamentos, na aplicação de multa qualificada (150% - art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996). Findo o relato do TVF, registre-se que os demais documentos que fundamentam o lançamento constam das fls. 74/810. A documentação pertinente à ciência do contribuinte a respeito dos lançamentos foi juntada as fls. 812/816, tendo o Aviso de Recebimento (AR) sido anexado à fl. 824, constando a data de recebimento em 22/05/2007. Às fls. 817/823 e 825/827, foi anexada documentação pertinente à solicitação de cópia de documentos. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 830/867, em 20/06/2007, que pode ser sintetizada conforme se segue. I- Dos fatos descritos no auto de infração de IRPJ e outros reflexos (CSLL e IRRF) e enquadramentos legais Nesse tópico o impugnante fez uma síntese dos lançamentos. II- Do direito II. 1. Da nulidade dos lançamentos de ofício, em razão de ofensa, dentre outros, aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa previstos no art. 5o, incisos LIV e LV da Constituição Federal, bem como nos art. 2o da Lei n° 9.784, de 1999; art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, com as alterações posteriores; art. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.005563/2007-11 Acórdão n.º 1302-00.407 S1-C3T2 Fl. 913 5 142, parágrafo único do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores. O impugnante faz uma apresentação da legislação pertinente, destacando que, conforme ficará demonstrado, os atos realizados no procedimento administrativo de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo fiscalizado, com vista a constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, afrontam, ostensivamente, os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, bem como, entre outros, os princípios da moralidade, da eficiência e o da verdade material. O defendente aponta ainda norma do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/1999, tendo ressaltado o registro feito pela fiscalização no TVF a respeito do ofício da Polícia Federal, por meio do qual foram encaminhados documentos de interesse fiscal apreendidos no decorrer da chamada "Operação Carbono", pertinente à Primeira Gema. Esclarece o impugnante que, em 10/02/2006, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão n° 10/2006 (fl. 588), procedeu-se à apreensão de bens e documentos que se encontravam na sede da empresa e no escritório do contador, conforme cópias de "Autos de Apreensão" em anexo. Nesses locais, foram apreendidas todas as mercadorias e bens, além de documentos relativos à atividade empresarial do impugnante e de seus sócios, dentre aqueles, os documentos e livros fiscais e comerciais, conforme relação discriminada às fls. 838/839 (Auto de Apreensão - sede da Primeira Gema - doe. anexo; Auto de Apreensão - escritório do contador - fls. 89/94). Em 18/04/2006, por meio do Ofício n° 234/2006-NIP/SR/DPF/MG, o Delegado da Polícia Federal encaminhou documentação apreendida para a Superintendência da Receita Federal - 6a RF. Em 24/04/2006, foi feito o encaminhamento para o Serviço de Fiscalização da DRF/BH (fl. 115). Em 27/07/2006, o impugnante foi cientificado do início do procedimento fiscal, tendo sido intimado a apresentar toda a documentação e livros fiscais e comerciais relativos às operações realizadas pela empresa nos períodos apontados (fls. 77/80), inclusive cópias do contrato social e alterações ocorridas, bem como, extratos bancários (fl. 78). Com vistas a atender a intimação, foi providenciada a microfilmagem dos seus extratos bancários (fls. 83/86), os quais foram entregues juntamente com as cópias do Contrato Social e alterações (fls. 96/273). Em 16/08/2006, o contribuinte peticionou nos autos do processo judicial n° 2005.38.00045931-7, a liberação dos documentos e livros fiscais e comerciais apreendidos ou de suas cópias para atender ao fisco, solicitando ainda que, em caso de indeferimento de seu pedido, fosse determinada a expedição de ofício à Receita Federal informando o ocorrido (fls. 87/88). Em 18/10/2006, o impugnante reiterou o pedido judicial (fl. 591), o que foi acatado pelo MM Juiz Federal nos autos da Ação Incidental de Restituição de Coisa Apreendida (proc. 2006.38.00.026835-6). Ocorre que, até a data da apresentação da impugnação, a determinação judicial não foi atendida, conforme tela do sistema "Consulta Processual", em anexo, Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 certamente em razão de a Polícia Federal já ter encaminhado os documentos solicitados à Receita Federal (doc. fls. 115 e 54). Cumpre ressaltar que à fl. 02 do processo n° 10680.005562/2007-76, relativo à representação fiscal para fins penais, os autuantes confirmam que estavam de posse dos livros comerciais e fiscais do impugnante. Entende o impugnante que, iniciado o procedimento fiscal, deveriam os auditores-fiscais ter enviado, juntamente com o Termo de Intimação Fiscal n° 1 (fls. 77/79), cópia de todos os documentos e livros fiscais e comerciais apreendidos pelo DPF/MG e encaminhados ao fisco, facultando à fiscalizada exercer, com a amplitude assegurada na Constituição Federal, o seu direito de defesa e de prestar os esclarecimentos solicitados. Ademais, quando do encaminhamento dos documentos pelo DPF/MG, deveria ter sido lavrado o termo de recebimento, discriminando analiticamente cada livro e documento recebido, e sido extraídas cópias que, devidamente autenticadas, deveriam ser devolvidas ao contribuinte. No entanto, não há nos autos nenhuma evidência nesse sentido. Em 28/02/2007, por meio do Termo de Intimação n° 2 (fls. 578/583), o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das notas fiscais de aquisição de diamantes. Fazendo referência a dispositivos do RIR/1999, ressalta que o custo das mercadorias vendidas e das matérias-primas utilizadas na sua produção é determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, devidamente registrados no Livro de Inventário, no fim do período de apuração, e que a comprovação dos custos pode ser feita por meio de nota fiscal, recibo ou documento equivalente. No Auto de Apreensão (doc. fls. 89/94), foram discriminados documentos e livros fiscais e comerciais apreendidos pelo DPF/MG (quadro - fl. 842). No item 71, está ressaltado que foi apreendido um "Envelope pardo contendo diversos documentos com os dizeres 'RECIBOS DE NF - AGENDA DE MATEUS - IMPORTANTE!!!'". Resta, assim, destacada a comprovação de que, em relação às mercadorias adquiridas para exportação, eram também emitidos recibos relativos aos valores consignados nas notas fiscais e que tais documentos eram importantes para o contador da empresa, Sr. Mateus Ribeiro da Silva. Portanto, o impugnante, por ocasião do recebimento do Termo de Intimação n° 2, estava, e ainda continua, impossibilitado de apresentar os livros e documentos fiscais e comerciais que comprovariam a aquisição e o efetivo preço dos diamantes adquiridos para posterior exportação, uma vez que tais documentos já se encontravam no Serviço de Fiscalização da DRF/BH desde 19/04/2006 (fl. 115). Desta forma, resta comprovado que os atos praticados pelas autoridades fiscais afrontaram os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, bem como os princípios da moralidade, da proporcionalidade, da eficiência e da busca da verdade material, o que fere de nulidade absoluta o procedimento fiscal de lançamento de ofício. Cabe ainda afirmar que o impugnante somente tomou conhecimento de que seus documentos e livros comerciais e fiscais haviam sido encaminhados à Receita Federal pelo DPF/MG ao extrair cópias do processo relativo ao auto de infração impugnado. Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.005563/2007-11 Acórdão n.º 1302-00.407 S1-C3T2 Fl. 914 7 Por outro lado, confrontando os dados dos autos de infração lavrados com os dispositivos indicados como base legal da exigência, verifica-se a inobservância pelo fisco das disposições do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, com as alterações posteriores. Ocorre que há inadequação entre o fato descrito e os dispositivos legais indicados nos autos de infração, especialmente no que tange à ocorrência de custo contabilizado com nota fiscal inidônea - por absoluta falta de comprovação pelo fisco de que a compra das mercadorias descritas nas notas fiscais teriam integrado o custo das mercadorias exportadas, bem como à exigência da multa aplicada, ora no percentual de 75% ora de 150%, sem que esteja, expressa e devidamente esclarecida a razão de se ter aplicado a multa com percentuais distintos em relação ao mesmo fato. Caberia ao fisco ter demonstrado, com base nos registros efetuados no Livro de Registro de Entradas e de Saídas, bem como nos registros de estoques indicados no Livro de Inventário, o custo das mercadorias vendidas para o mercado externo. Ressalte-se que estavam com a posse desses livros. Também resta comprovado o cerceamento do direito de defesa do impugnante, que desconhece a motivação que levou o fisco a aplicar multas de 75 % e de 150%, em razão de glosa de custo que teria sido contabilizado com documento inidôneo. Por todo o exposto, em preliminar, o impugnante requer a anulação do auto de infração em razão das ilegalidades apontadas, que acarretaram o cerceamento do direito de exercer em toda plenitude a sua defesa. II.2. Do mérito No item 72 do TVF (fl. 66), os autuantes justificam a lavratura dos autos de infração indicando a motivação que teria acarretado as exigências fiscais. Ora, afinal, o impugnante deveria comprovar o valor de compra das mercadorias ou o custo das mercadorias exportadas? E elementar que o preço das mercadorias adquiridas e que não foram revendidas não afetam o resultado do exercício, uma vez que integram os bens do ativo (estoques). Por sua vez, o custo das mercadoria revendidas é determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, devidamente registrados no Livro de Inventário. Ressalta o impugnante que continua impossibilitado de comprovar com a documentação fiscal e comercial os valores relativos à compra de diamantes das empresas relacionadas no item 68, bem como o efetivo custo das mercadorias revendidas, pois a documentação necessária encontra-se no Serviço de Fiscalização da DRF/BH. Ademais, os únicos documentos juntados pelo fisco foram as cópias das DIPJ dos anos-calendário de 2002 a 2004 e cópias relativas a algumas contas do Ativo, dentre elas a conta Caixa do período de janeiro de 2002 a 31/12/2003, extraídas do Livro Razão (fls. 635/808 e 597/634). Com relação ao ano-calendário de 2004, não há nenhum registro contábil relativo à aquisição de mercadorias para revenda e, tampouco, registros de pagamentos efetuados no período, o que comprova a insubsistência das exigências. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 Assim, em relação a esse período, não há que se falar em "custo contabilizado com documento inidôneo". Ressalta ainda que a fiscalização se limitou a solicitar esclarecimentos e cópias de notas fiscais aos fornecedores do impugnante, sem proceder a qualquer diligência in loco com vistas a verificar a efetiva atividade dos emitentes das notas fiscais, seus livros e demais registros comerciais, fiscais e contábeis, balanços, demonstrações de resultado, origens e aplicações de recursos e a movimentação financeira dessas empresas, de seus sócios, prepostos e representantes junto à Primeira Gema, o que afronta o princípio da verdade material. Considerando ainda a atividade desempenhada pelo impugnante (doc. fls. 96/117) e que sua receita advém, exclusivamente, da exportação direta de diamantes, atividade que é rigorosamente regulamentada e fiscalizada pelo Bacen, pelo DNP do Distrito Federal e controlada pelo Siscomex, caberia ainda ao fisco, em cumprimento ao princípio da verdade material, ter diligenciado junto a esses órgãos no sentido de verificar a regularidade dos documentos fiscais e comerciais relativos à aquisição das mercadorias exportadas. Desde já, o impugnante requer que seja determinado o retomo do processo ao Serviço de Fiscalização da DRF/BH para que se proceda à diligência in loco junto às empresas emitentes das notas fiscais consideradas inidôneas, com vistas a esclarecer as questões aqui suscitadas e buscar a verdade material dos fatos, ressalvando ser desnecessária tal providência em relação ao fornecedor de diamantes, o garimpeiro Cleison Ribeiro Rosa das Dores, cuja DIRPF/2003 (cópia em anexo) comprova com suficiência que, no ano-calendário de 2002, vendeu para o impugnante os diamantes no valor de R$74.632,10, cujos rendimentos foram devidamente declarados na forma prevista na legislação. Requer ainda que o fisco proceda à diligência junto aos órgãos diretamente envolvidos na regulamentação e controle do comércio de exportação de diamantes, retro elencados, com vistas a coletar toda a documentação pertinente à atividade de exportação da empresa, bem como os dados relativos aos seus fornecedores de diamantes, para fins de instrução do processo e que, do resultado das diligências solicitadas, seja o impugnante cientificado. Assevera o impugnante que, sendo a atividade administrativa vinculada à lei (parágrafo único do art. 142 do CTN), não cabe aos auditores efetuarem o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL por "entenderem" que houve redução indevida do resultado do exercício. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes. No que diz respeito ao lançamento do IRRF, fazendo referência ao Mafon/2002, ressalta o impugnante que, no caso específico, a exigência seria decorrente de glosa de custo contabilizado com documento inidôneo (ou de compra de diamantes?) - fls. 07/13, 20/27, 34/45 e 66. Ora, nas notas fiscais consideradas inidôneas pelo fisco estão indicadas a natureza das operações (compra de diamantes) e o beneficiário dos valores nelas consignados. O que não há nos autos é a comprovação inequívoca de que tais documentos são inidôneos, de que as mercadorias foram revendidas e seus custos alteraram o resultado do exercício, de que nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004 os valores nelas consignados teriam ou não sido efetivamente pagos. Ressalva ainda o autuado a impossibilidade de exercer plenamente o seu direito de impugnar a exigência, conforme já relatado. Contesta, mais uma vez, a exigência da multa, tendo salientado que, segundo jurisprudência dos órgãos julgadores da Receita Federal e do Conselho de Contribuintes, a exigência da multa agravada no percentual de 150% tem como requisito legal o dolo específico do agente. Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.005563/2007-11 Acórdão n.º 1302-00.407 S1-C3T2 Fl. 915 9 No caso, os documentos trazidos aos autos e os ora anexados à impugnação comprovam que nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, o atual representante legal e administrador do impugnante residia na Bélgica e não participava da administração, o que só veio a ocorrer a partir de 22/06/2004, conforme Contrato Social e alterações posteriores (fls. 96/114) e depoimento do contador da empresa. III. Do pedido Pelas razões expostas, o impugnante requer: - em preliminar, que seja declarada a nulidade do procedimento fiscal e, em conseqüência, os autos de infração lavrados, em razão de ofensa, dentre outros, aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa; - eventualmente, que sejam determinadas as diligências requeridas, para fins de comprovação dos custos das mercadorias exportadas, em cumprimento ao princípio da verdade material; - eventualmente, que sejam julgados improcedentes os lançamentos, bem como a aplicação das multas de 75% e de 150% e dos juros com base na Selic, pelas razões aduzidas na impugnação. Os documentos anexados pelo impugnante constam das fls. 853/867. Posteriormente, foi exarada a Resolução DRJ/BHE n° 804, de 10/07/2007 (fls.869/874), para que fosse providenciada a anexação ao processo do Razão da conta Caixa referente aos registros feitos no ano de 2004 correspondentes aos custos glosados nesse período, além do fornecimento ao contribuinte de uma relação pormenorizada dos documentos entregues pelo DPF/MG, facultando ao autuado livre acesso à documentação que ainda estivesse de posse da autoridade fiscal. Foi então elaborado o relatório de fls. 876/878, no qual consta um quadro com a discriminação dos livros e documentos em poder da fiscalização, recebidos da Polícia Federal, além de outros documentos pertinentes à apreensão feita pelo DPF/MG anexados às fís. 879/895. Por sua vez, foram juntados às fls. 896/933 despachos e intimações relacionados à ciência do contribuinte dos mencionados documentos, além de pedidos de cópia formulados pelo interessado, recibos de documentos entregues e esclarecimentos prestados pela autoridade fiscal. Em seguida, o contribuinte se manifesta às fls. 934/935, fazendo remissão à Intimação Fiscal II, tendo registrado que, no dia 30/07/2008, o representante legal da empresa compareceu na DRF/Belo Horizonte/MG, sem que obtivesse cópia de todos os documentos fiscais listados na referida intimação e, diante da imprescindibilidade de tais documentos para a defesa, protocolou petição ao Juízo da 4a Vara Criminal (doc. de fls. 936/937), requerendo autorização para cópia dos documentos faltantes e que ainda se encontrariam na posse do Departamento de Polícia Federal, apreendidos na Operação Carbono. Requer, ao final, a suspensão do presente processo administrativo fiscal nos termos legais. As fls. 938/940 a autoridade fiscal fez um relato dos fatos ocorridos no tocante às intimações e aos documentos fornecidos ao contribuinte em atendimento às determinações da DRJ/Belo Horizonte, propondo o retorno dos autos para julgamento. Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 Registre-se que às fls. 942/943 consta informação acerca do competente processo de representação fiscal para fins penais, formalizado sob n° 10680.005562/2007-76. A 2ª Turma da DRJ/BHE, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, rejeitar as preliminares, e, no mérito, julgar procedentes os lançamentos, com supedâneo nos seguintes fundamentos: Preliminarmente, - saneou a alegação de cerceamento do direito de defesa por meio da Resolução nº 804 de 10/07/2007 (fls. 869/874), que determinou, entre outras providências, fosse confeccionada uma relação pormenorizada dos documentos entregues pelo DPF/MG, encaminhados com o Ofício nº 234/2006-NIP/SR/DPF/MG (fl.115), identificando aqueles que ainda permaneciam de posse da autoridade fiscal, a qual foi devidamente cumprida por esta, que deles facultou vista e extração de cópias ao contribuinte; - o Termo de Entrega de Documentos (fl.920) demonstra a entrega ao contribuinte de cópias dos documentos contabilizados, especificamente as notas fiscais dos fornecedores que deram origem ao Auto de Infração, relação em anexo, cópias dos livros diário nº 4 e 5, correspondentes aos anos-calendário de 2002 e 2003; cópias dos livros razão correspondentes aos anos-calendário de 2002 e 2003; cópias dos livros balancetes dos anos-calendário de 2002 e 2003 e cópias das notas fiscais da empresa de nº 1 a 250, conforme assinalado pelo representante da empresa no anexo do termo de intimação fiscal recebido via AR em 16/05/2008, reabrindo ao contribuinte o prazo para impugnação de 30 dias para manifestar-se. - o contribuinte informou não constar do termo de entrega de documentos alguns documentos que alega serem imprescindíveis para a defesa, requerendo manifestação da fiscalização, o que foi feito pelo termo de intimação fiscal II (fl. 927), facultando-lhe tomar vista de todos os livros e todos os documentos fiscais apreendidos pela polícia federal e repassados a este setor de fiscalização. Deles tomou vista o representante do contribuinte em 30/07/2008, não formulando qualquer pedido de cópia. De tal, nenhuma defesa adicional foi feita, limitando-se o contribuinte a requerer a suspensão do processo, pedido que não encontra abrigo na legislação processual administrativa, vinculada ao princípio da oficialidade; - os autos de infração não infringiram o art. 10 do Decreto 70.235/72, e a razão de haver multas de 75% e 150% está bem explicada no item III do TVF, não havendo qualquer nulidade; - os pedidos de diligência aos fornecedores e aos órgãos reguladores de comércio exterior não foram justificados pelo impugnante, que não atacou objetivamente pontos do lançamento que refutava. Por outro lado, o auto de infração está fundamentado com as provas que a autoridade entendeu suficientes para lastrear o crédito lançado; No mérito, - Glosa de Custos – IRPJ e CSLL: constatou a fiscalização que não foram comprovados com documentação hábil e idônea os custos da compra de diamantes de alguns fornecedores (com aplicação da multa de 75%), e alguns custos estavam lastreados por documentação inidônea (com aplicação da multa de 150%). Além disso, evidenciou a precariedade dos documentos e apontou inconsistências em relação aos fornecedores (que em alguns casos não foram encontrados – aplicação da multa de 75% - e em outros, alegaram não ter operado comercialmente com a autuada – aplicação da multa de 150%). O impugnante não rechaçou os fatos apurados, nem mesmo após ter vista de todos os livros e documentos em Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.005563/2007-11 Acórdão n.º 1302-00.407 S1-C3T2 Fl. 916 11 poder da repartição, limitando-se a argüir questões tangente como o fato de que tais compras não representavam necessariamente custos, ou que não há registro contábil de aquisições ou pagamentos no ano-calendário de 2004; - a aquisição de mercadorias da pessoa física Cleison Ribeiro Rosa das Dores também não se justificou, tendo ele registrado em sua declaração de rendimentos ter recebido da autuada R$ 7.463,21 e não R$ 74.632,10, conforme constou da documentação; - Imposto de Renda Retido na Fonte: tanto nos casos de uso de documentação inidônea quanto naqueles em que a operação não foi comprovada, há incidência de IRRF por serem os pagamentos sem causa comprovada ou pagos a beneficiários não identificados (art. 674 do RIR/99); - Multa de Ofício e Juros de Mora: o lançamento da multa de ofício foi devidamente motivado pelo autuante, tanto nos casos em que foi aplicada a multa de 75% como naqueles que resultaram na aplicação da multa de 150%, e encontra respaldo na legislação vigente, sendo a responsabilidade objetiva no campo do Direito Tributário; - os juros de mora à taxa Selic têm respaldo no art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando argumentos já expendidos na impugnação, e alegando, em síntese, que: Preliminarmente, - os lançamentos são nulos por ofender os princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Não obteve todos os documentos que buscou encontrar. Dentre eles, a prova de contabilização relativa a aquisição de mercadorias para revenda e registros de pagamentos efetuados no ano de 2004, o que torna insubsistentes as exigências de IRPJ, CSLL, e IRRF relativas ao período, por não se comprovar “custo contabilizado com documento inidôneo”; - os custos são comprovados pelo controle de estoque permanente e pelos estoques finais, ao término do exercício, podendo ser comprovados por notas fiscais. Não pôde comprovar os custos, porque os livros e documentos se encontravam no serviço de fiscalização da DRF/BH. Caberia ao fisco ter demonstrado, a partir dos registros no livro de entradas e saídas de mercadoria, bem como nos registros de estoques indicados no livro de inventário, o custo das mercadorias vendidas para o mercado externo, pois estavam na posse dos livros; - não foi motivada a aplicação de multas de 75% e de 150% em razão das glosas. O auto de infração deve conter a descrição pormenorizada das razões (art.10 do Decreto 70.235/72). No mérito, - a fiscalização constatou aquisição de mercadorias, mas não sua transformação em custo. Somente as mercadorias vendidas integram o custo, ficando as demais no estoque. Relativamente ao ano-calendário de 2004, não há nos autos nenhum registro contábil relativo à aquisição de mercadorias para revenda, nem registros de pagamentos efetuados no período, não se podendo falar em custo contabilizado com documento inidôneo; Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 - o fisco deveria ter diligenciado junto aos fornecedores, para verificar a atividade dos emitentes das notas fiscais. Não o fazendo, afrontou o princípio da verdade material. Deveria ter diligenciado, ainda, junto aos órgãos reguladores da atividade de exportação de diamantes; - nas notas glosadas estão indicados os beneficiários e a natureza das operações. Assim, não cabe lançamento do IRRF. Não há evidência nos autos de que os documentos sejam de fato inidôneos, que as mercadorias foram revendidas e seus custos alteraram o resultado do exercício; - para comprovação dos custos, o fisco considerou somente alguns pagamentos registrados na conta “caixa” do livro razão de 2002 e 2003, onde estão indicados os beneficiários e a natureza da operação (fls.600/634). Relativamente ao ano de 2004 não há quaisquer pagamentos efetuados e contabilizados; - a não existência de dolo reprime a aplicação da multa qualificada. O dolo deve ser específico, não havendo nos autos qualquer comprovação de que a recorrente tenha agido com evidente intuito de fraude, estando o representante da empresa, nos anos de 2002, 2003 e 2004 residindo na Bélgica, não participando da administração, o que só veio a ocorrer em 22/06/2004. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Das Preliminares A DRJ/BHE, por meio da Resolução 804, de 10/07/2007 (fls. 869/874) determinou que fosse confeccionada uma relação pormenorizada dos documentos entregues pelo DPF/MG, encaminhados com o Ofício nº 234/2006-NIP/SR/DPF/MG (fl.115), identificando aqueles que ainda permaneciam de posse da autoridade fiscal, a qual foi devidamente cumprida por esta, que deles facultou vista e extração de cópias ao contribuinte. O Termo de Entrega de Documentos (fl.920) demonstra a entrega ao contribuinte de cópias dos documentos contabilizados, especificamente as notas fiscais dos fornecedores que deram origem ao Auto de Infração, relação em anexo, cópias dos livros diário nº 4 e 5, correspondentes aos anos- calendário de 2002 e 2003; cópias dos livros razão correspondentes aos anos-calendário de 2002 e 2003; cópias dos livros balancetes dos anos-calendário de 2002 e 2003 e cópias das notas fiscais da Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.005563/2007-11 Acórdão n.º 1302-00.407 S1-C3T2 Fl. 917 13 empresa de nº 1 a 250, conforme assinalado pelo representante da empresa no anexo do termo de intimação fiscal recebido via AR em 16/05/2008, reabrindo ao contribuinte o prazo para impugnação de 30 dias para manifestar-se. Ressaltou a fiscalização em outro ponto que pôs a disposição do recorrente toda documentação entregue pela polícia federal. Verifico pleno atendimento ao direito de defesa do contribuinte, o que foi devidamente garantido pela DRJ, a qual chegou a reiterar a insistência na manifestação do contribuinte, para sanear por completo. O fato de não colocar à disposição do contribuinte os livros de 2004 se justifica pelo fato de que tais elementos não foram cedidos à Receita Federal, não ensejando nulidade. No que tange às multas, foram elas justificadas pela autoridade fiscal, que acautelou-se em segregar em itens distintos do auto de infração aquelas sujeitas a penalidade de ofício ordinária (75%) daquelas qualificadas (150%). Tendo a autoridade fiscal conseguido provar, pelos meios de investigação que se utilizou, os fatos que demonstram a falta de pagamento dos tributos fiscalizados e as infrações decorrentes, torna-se descartável qualquer investigação adicional, cumprido já o dever de provar tais fatos. Do Mérito A existência de compras lastreadas em documentação inidônea ou cujas operações não foram comprovadas é indicativa de sua inexistência fática. Assim, inexistente a compra, por óbvio que também não há efeitos no estoque de mercadorias, que não é afetado por mercadorias que não existem. Assim, é imediato o repasse dos valores indicados nas notas fiscais de compra ao CMV, posto que esse é dado pela expressão: CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final. Desta forma, é totalmente inócua qualquer providência tendente a movimentar o estoque, com vistas a descobrir se as mercadorias não existentes afetaram o CMV, estando perfeito e acabado o lançamento que se faz com base nas notas de compra contabilizadas. Comprovado pela fiscalização que houve pagamento efetuado como contrapartida às aquisições cujo custo, por não comprovado, se glosou, cabe lançamento do IRRF, sujeito à incidência exclusivamente na fonte, com base no art. 674 do RIR/99. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 Não há contradição entre os lançamentos, sendo que a glosa incide na apuração do lucro real da fiscalizada, por desatender às condições de dedutibilidade estabelecidas na legislação ordinária, e o lançamento do IRRF incide sobre os rendimentos a serem pagos ao beneficiário, verdadeiro contribuinte, que experimenta acréscimo patrimonial. A pessoa jurídica pagante se investe na posição de responsável tributária, por optar pela ocultação do real beneficiário, que não pode ser atingido pela tributação em virtude da ocultação. No caso presente, tanto a não comprovação da operação e, em alguns casos, a inidoneidade da documentação está provada, como corroboram com tais evidências as respostas enviadas pelos fornecedores que atestam não ter relações comerciais com o recorrente, sendo correta a autuação. Protestou categoricamente a defesa, em diversas passagens dos autos, pela inexistência dos livros diário e razão do ano-calendário de 2004. Tal reivindicação se baseia no fato de que tanto as autuações por glosa de custos como as relativas a IRRF oriundo de pagamento de operação não comprovada dependem de prova, na contabilidade, de que as compras foram lançadas e os pagamentos foram efetuados. A autoridade fiscal afirmou que tais livros não foram repassados à Receita Federal pela polícia federal, nem mesmo sabendo se foram apreendidos. O voto condutor da DRJ, seguido à unanimidade, entendeu correta a autuação, porque embora ausente a contabilidade, a presença dos documentos inidôneos e da DIPJ, especialmente a descrição do campo “Custo dos Bens e Serviços Vendidos”, que apresenta o valor total desta rubrica ao final do exercício, autorizam a tributação. Meu entendimento diverge desta posição. Se não presente a contabilidade, não há prova de que as notas inidôneas foram lançadas à conta de mercadorias, nem mesmo se podendo cogitar que integram o custo das mercadorias vendidas, embora haja indícios apontando neste sentido. Ao efetuar a glosa, sem constatar o lançamento das notas inidôneas na contabilidade, a autoridade fiscal presumiu que elas lá estariam, o que, a meu ver, não pode ser realizado nesta situação, devendo o lançamento estar estribado na contabilização. Mesma sorte não merece o lançamento do IRRF, por pagamento de operação não comprovada, uma vez que a operação e o pagamento podem ser aferidos por elementos estranhos à contabilidade, como as notas fiscais e extratos bancários, os quais foram juntados pela autoridade fiscal. Demais disso, afirma expressamente a autoridade fiscal que todos os pagamentos foram creditados na conta “caixa”, na mesma data da emissão das “notas fiscais” e que a fiscalizada afirmou que a maioria dos pagamentos eram feitos em dinheiro. As empresas por nós intimadas que apresentaram documentos que comprovaram a operação também afirmaram, na maioria, que receberam os valores em dinheiro. Tal afirmação é reforçada em outra passagem (fls.939 e 928), em que afirma ter posto à disposição da recorrente documentos contabilizados do caixa, correspondentes ao ano-calendário de 2004, conforme fazemos constar nos itens 15 a 26, os quais, embora reclamado, não foram requisitadas cópias. Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.005563/2007-11 Acórdão n.º 1302-00.407 S1-C3T2 Fl. 918 15 Alega o recorrente que a qualificação da multa exigiria o dolo específico do administrador, o que não se provou. A qualificação da multa exige prática de fraude e existência de dolo, nos termos dos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Todavia, o dolo que se exige não se vincula a pessoa física, mas à pessoa jurídica autuada, devendo ser obtido por meio indireto, decorrente das condutas que se logrou demonstrar. No caso presente, verifica-se o uso de documentação inidônea, infirmada por vários fornecedores que relataram não manter relações comerciais com a recorrente, apresentando argumentos que invalidam os lançamentos fiscais nelas lastreados. Assim, o dolo é evidente, pela obtenção e utilização de tal documentação indevida, objetivando tão somente reduzir o montante devido de tributos à Receita Federal, resultando na produção de contabilidade e prestação de declaração de rendimentos ao Erário falseadas. Assim, voto para rejeitar as preliminares, e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa de custos relativa ao ano-calendário de 2004. Sala das Sessões, 11 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 18/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.906753/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10845.906753/2011-11
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320845
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.581
nome_arquivo_s : Decisao_10845906753201111.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10845906753201111_5320845.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5276023
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371774234624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 401 1 400 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.906753/201111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.581 – 1ª Turma Especial Data 26 de novembro de 2013 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente CARAVEL SERVICOS DE CONTAINERS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 06 75 3/ 20 11 -1 1 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906753/201111 Resolução nº 3801000.581 S3TE01 Fl. 402 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906753/201111 Resolução nº 3801000.581 S3TE01 Fl. 403 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906753/201111 Resolução nº 3801000.581 S3TE01 Fl. 404 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906753/201111 Resolução nº 3801000.581 S3TE01 Fl. 405 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906753/201111 Resolução nº 3801000.581 S3TE01 Fl. 406 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.009749/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
EXERCÍCIO: 2006
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. BUSCA DA VERDADE MATERIAL
No que tange a comprovação de despesas médicas, imperioso que haja o atendimento as formalidades insculpidas no art. 80, § 1º, I e II do RIR/99, contudo em não sendo vislumbrado por parte da fiscalização a intimação do contribuinte para a juntada de documentos e promoção de esclarecimentos sobre alguns profissionais em especial, não é passível que em sede de DRJ, esta busque validar o lançamento por meio de novação, por total impossibilidade.
É dever deste Tribunal Administrativo analisar o processo à luz da verdade material; não cabendo pois alteração do lançamento por parte da DRJ.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-002.570
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer R$11.500,00 de despesas médicas, nos temos do voto relator.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos
Presidente
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima
Redator Ad Hoc
EDITADO EM: 15/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF EXERCÍCIO: 2006 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. BUSCA DA VERDADE MATERIAL No que tange a comprovação de despesas médicas, imperioso que haja o atendimento as formalidades insculpidas no art. 80, § 1º, I e II do RIR/99, contudo em não sendo vislumbrado por parte da fiscalização a intimação do contribuinte para a juntada de documentos e promoção de esclarecimentos sobre alguns profissionais em especial, não é passível que em sede de DRJ, esta busque validar o lançamento por meio de novação, por total impossibilidade. É dever deste Tribunal Administrativo analisar o processo à luz da verdade material; não cabendo pois alteração do lançamento por parte da DRJ. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10730.009749/2008-97
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5309948
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2102-002.570
nome_arquivo_s : Decisao_10730009749200897.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ACACIA SAYURI WAKASUGI
nome_arquivo_pdf_s : 10730009749200897_5309948.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer R$11.500,00 de despesas médicas, nos temos do voto relator. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc EDITADO EM: 15/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5192685
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371778428928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1878; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 80 1 79 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.009749/200897 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.570 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria DESPESAS MÉDICAS Recorrente SILVIO DE OLIVEIRA SABINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2006 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. BUSCA DA VERDADE MATERIAL No que tange a comprovação de despesas médicas, imperioso que haja o atendimento as formalidades insculpidas no art. 80, § 1º, I e II do RIR/99, contudo em não sendo vislumbrado por parte da fiscalização a intimação do contribuinte para a juntada de documentos e promoção de esclarecimentos sobre alguns profissionais em especial, não é passível que em sede de DRJ, esta busque validar o lançamento por meio de novação, por total impossibilidade. É dever deste Tribunal Administrativo analisar o processo à luz da verdade material; não cabendo pois alteração do lançamento por parte da DRJ. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer R$11.500,00 de despesas médicas, nos temos do voto relator. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 97 49 /2 00 8- 97 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc EDITADO EM: 15/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Relatório Em 28/07/2008, foi lavrada Notificação de Lançamento de fls. 0507 e versos, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração do imposto devido de fls. 06verso e o demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 07, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário nos seguintes termos: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – SUPLEMENTAR R$ 4.340,27; MULTA DE OFÍCIO (Passível de redução) R$ 3.255,20; JUROS DE MORA (Calculados até 31/07/2008) R$ 1.154,94; VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$ 8.750,41. Decorreu tal lançamento da apuração de dedução indevida com despesas médicas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, onde a autoridade fiscal efetuou os lançamentos por não haver comprovação por parte do contribuinte de despesas médicas de dois profissionais, por estarem ausentes registro profissional e endereço do prestador de serviço, em um dos casos e, em outro, ausência do endereço do profissional e falta de identificação do usuário do serviço. Também ocorreu no caso, falta de previsão legal para dedução de pagamento de plano de saúde de cônjuge que declara em separado no modelo simplificado. O contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento em 12/08/2008, conforme AR de fls. 38, apresentando impugnação de fls. 0102, aduzindo, que: “Por lapso de digitação os profissionais acima especificados e autores dos referidos serviços médicos ao declarante não indicaram em seus recibos de pagamento os dados exigidos pela Receita Federal: registro profissional, endereço do profissional e identificação do usuário do serviço.” Quanto às despesas com a empresa Aliança Cooperativista Nacional Unimed, o contribuinte aduz que: “se compromete a realizar o pagamento devido ao recibo relativo ao cônjuge.” Juntou novos recibos referentes aos profissionais Vanessa Barriel e Leonardo Alonso, com a correção de identificações apontadas pelo fisco, bem como documentos de pagamento à Unimed, como se vê as fls. 0823. Requereu ao final o acolhimento parcial da impugnação. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 3 A 2ª Turma da DRJ/CGE, Campo grande/MS, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0423.511 de fls. 4244, de 18 de fevereiro de 2011, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, restando o imposto suplementar de R$ 3.355,55, conforme ementa que segue: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA EXERCÍCIO: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Somente as despesas médicas comprovadas ou terem as formalidades dos recibos supridas na fase impugnatória podem ser restabelecidas para efeito do novo cálculo do lançamento. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” O contribuinte tomou ciência da decisão a quo, em 11/03/2011, conforme intimação através do AR de fls. 47, da qual interpôs recurso voluntário em 18/03/2011 (fls. 48), pelo qual apresentou recibos glosados por informações incompletas, referente aos profissionais Natália Vargas Furtado e Eduardo P. Villela. Requereu que os cálculos dos recibos apresentados à receita fossem refeitos, a fim de comprovar a legitimidade dos mesmos e ao final solicitou o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi Relatora. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo ao exame. Nos termos do relatório, temse que o lançamento cingiuse quanto à dedução indevida de despesas médicas, na qual em análise na DAA Exercício 2006, constatase uma dedução total de R$ 21.481,36, sendo que a fiscalização glosou o valor de R$ 15.782,80 em face da falta de comprovação e ainda em face dos recibos apresentados pelos profissionais das áreas médicas não preencherem as formalidades insculpidas no art. 80, § 1º, I e II do RIR/99. Ainda em sede de impugnação, o recorrente juntou novos recibos referentes aos profissionais Vanessa Barriel e Leonardo Alonso, com a correção de identificações apontadas pelo fisco, bem como documentos de pagamento à Unimed (fls. 08/23), documentos os quais foram acolhidos em parte, nos termos do fundamento do voto do Relator da DRJ, o qual peço vênia a repisar: (...) “Assiste razão em parte ao contribuinte pelos seguintes motivos: a. Primeiramente o contribuinte concorda com o lançamento relativo à glosa de parte do plano de saúde em relação ao cônjuge, no valor de R$ Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 2.244,80, tendo efetuado o recolhimento conforme fls. 25, e portanto, matéria não impugnada; b. Em relação aos recibos de despesas médicas que não preenchiam as formalidades legais no valor de R$ 510,00 e R$ 826,00 de Vanessa Gioia Berriel e Leonardo de Abreu Alonso, respectivamente, foram supridos devendo ser aceitos; c. Quanto as demais despesas glosadas por falta de comprovação em relação aos profissionais Nathalia Vargas Furtado R$ 10.702,00 e Eduardo Pientzenauer, R$ 1.500,00 não foram apresentados os recibo nem na fase preliminar nem na fase impugnatória, devendo ser mantido o lançamento em relação a esses profissionais; d. A glosa das deduções da notificação de lançamento foram de R$ 510,00 de Vanesa Goia Berriel, R$ 826,00 de Leonardo de Abreu Alonso, e R$ 2.244,80 Unimed, Nathalia Vargas R$ 10.702,00 e Eduardo Pientzenauer R$ 1.500,00, totalizando R$ 15.782,80, constante da notificação de lançamento; e. O fato de a notificação de lançamento não relacionar as deduções por falta de comprovação dos profissionais, Nathalia Vargas e Eduardo Pientzenauer, como as demais, não invalida o lançamento, considerando que a indicação do valores totais das deduções indevidas inclui esses valores e as deduções relacionadas são aquelas que dependiam dos motivos específicos, pois, os recibos foram apresentados enquanto a comprovação das duas outras não foram” (...) Em análise do recurso voluntário e documentos juntados (fls. 48/52), verificase que o recorrente apresentou outros recibos referentes aos profissionais Natália Vargas Furtado no valor R$ 10.702,00 atinente a prestação de serviços de fisioterapia do próprio contribuinte e, Eduardo P. Villela no valor R$ 1.500,00, atinente a prestação de serviços odontológico. Sobre estas provas carreadas e especialmente sobre os profissionais Natália Vargas Furtado e Eduardo P. Villela cabe tecer os seguintes comentários: ainda que as provas das despesas médicas não atendam as formalidades insculpidas no art. 80, § 1º, I e II do RIR/99, temse que não se vislumbra por parte da fiscalização a intimação do contribuinte para juntar documentos e esclarecer e houveram ou não os serviços médicos prestados. O contribuinte, mesmo sem a formal intimação adiantase e junta aos autos do processo administrativo além dos documentos requeridos pela fiscalização, outros que entendia cabível, tudo buscando sanear as dúvidas do fisco e fazer valer o seu direito à ampla defesa, não poderia vir a DRJ novar o lançamento nos termos do voto do relator ‘o fato de a notificação de lançamento não relacionar as deduções por falta de comprovação dos profissionais, Nathalia Vargas e Eduardo Pientzenauer, como as demais, não invalida o lançamento, considerando que a indicação do valores totais das deduções indevidas inclui esses valores e as deduções relacionadas são aquelas que dependiam dos motivos específicos, pois, os recibos foram apresentados enquanto a comprovação das duas outras não foram’. Neste sentir, gizase que os recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas; sobretudo no caso sob análise em que se vislumbra particularidades próprias, sendo dever deste Tribunal Administrativo analisar o processo à luz da verdade material; não cabendo pois alteração do lançamento por parte da DRJ. Assim, há de ser acolhido os documentos carreados aos autos. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 5 Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para restabelecer R$11.500,00 de despesas médicas atinente às despesas com os profissionais da saúde Natália Vargas Furtado e Eduardo P. Villela. Sala das Sessões, em 15 de março de 2013. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003749/2007-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato Gerador: 31/10/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS - Ao deixar de apresentar à fiscalização toda documentação solicitada, a empresa incorre em descumprimento de obrigação acessória contida na Lei nº 8.212/1991, no art. 33§ 2º, sujeitando-se à multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do Fato Gerador: 31/10/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS - Ao deixar de apresentar à fiscalização toda documentação solicitada, a empresa incorre em descumprimento de obrigação acessória contida na Lei nº 8.212/1991, no art. 33§ 2º, sujeitando-se à multa. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.003749/2007-05
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316838
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.188
nome_arquivo_s : Decisao_13888003749200705.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 13888003749200705_5316838.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5247124
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371788914688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 56 1 55 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.003749/200705 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.188 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente FERCHIMIKA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 31/10/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Ao deixar de apresentar à fiscalização toda documentação solicitada, a empresa incorre em descumprimento de obrigação acessória contida na Lei nº 8.212/1991, no art. 33§ 2º, sujeitandose à multa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 37 49 /2 00 7- 05 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2 014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SO UZA COSTA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 33§ 2º, que consiste em a empresa deixar de apresentar documentos solicitados pela fiscalização. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 06) a empresa deixou de apresentar os seguintes documentos, seguido dos respectivos períodos: Livro Diário da competência 12/2006 Livro Razão da competência 12/2006 Alvarás de licença, Habitese e Certidão Negativa de Débito para construção de matrícula CEI:21.388.07303/72 Anotações de Responsabilidade Técnica ART da obra de matrícula CEI:21.388.07303172 Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados da obra relacionada acima Projeto aprovado da obra de construção civil relacionada Documentos que detalhem lançamentos feitos na contabilidade da empresa através da conta 5.1.01.08.30.00 (despesas diversas) no período de 02/08/2006 a 29/11/2006. A 7ª Turma da DRJ/R.PO julgou procedente a autuação através do Acórdão 1419.721, que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/10/2007 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação tem respaldo legal. Lançamento Procedente Inconformada com referida decisão a empresa apresenta recurso a este conselho onde alega em síntese: Que a não apresentação deveuse ao fato de que os documentos solicitados estavam no escritório de contabilidade da empresa, que por sua vez estava separando toda a Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2 014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SO UZA COSTA Processo nº 13888.003749/200705 Acórdão n.º 2403002.188 S2C4T3 Fl. 57 3 documentação para propositura da Recuperação Judicial da empresa, cujo estudo de viabilidade levou alguns meses de análise do escritório de contabilidade e demais profissionais envolvidos. Sustenta que tal fato foi explicado à fiscalização. A solicitação do Sr. Auditor Fiscal ocorreu em abril/07, enquanto a recuperação judicial ocorreu em julho/2007. Não houve má fé na atitude da Impugnante. Insurgese quanto a falta de proporcionalidade da multa aplicada em relação à alegada infração. Requer seja julgado insubsistente o presente AI, declarada sua nulidade e seu arquivamento. Caso não seja este o entendimento do Órgão Julgador, diminuase a multa para o mínimo legal. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2 014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SO UZA COSTA 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese a irresignação da recorrente contra a autuação contra si efetuada, seus argumentos não merecem prosperar. O fato da empresa estar preparando a propositura de ação de Recuperação Judicial não a exime da obrigação de apresentar ao Fisco documentos que lhe foram solicitados. Ademais, conforme já dito na decisão de primeira instância, a fiscalização na empresa perdurou por mais de seis meses, tempo este mais do que suficiente para que a recorrente pudesse preparar e apresentar a documentação solicitada pelo Auditor Fiscal. O art. 33, § 2º da Lei 8212/91 contém a previsão legal não cumprida pela recorrente, logo, ao descumprir a obrigação à ela imposta, correto o procedimento fiscal adotado. Lei no 8.212/91: "art. 33 — ... § 2°A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. " Da mesma forma, não há que ser analisada a máfé ou não da empresa pois, a infração à legislação não está vinculada à intenção do agente. Diz o art. 136 do CTN: "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato ". Também não deve ser acolhida a alegação de falta de proporcionalidade da multa uma vez que esta foi aplicada no mínimo legal previsto no art. 283, II da Lei 8212/91 e não houve correção da falta. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2 014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SO UZA COSTA Processo nº 13888.003749/200705 Acórdão n.º 2403002.188 S2C4T3 Fl. 58 5 Ante ao exposto voto no sentido de Conhecer do Recurso e Negarlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2 014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SO UZA COSTA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720646/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano González Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16004.720646/2011-78
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5306495
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-000.397
nome_arquivo_s : Decisao_16004720646201178.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MAURO JOSE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16004720646201178_5306495.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano González Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5170681
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 807 1 806 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720646/201178 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.397 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de agosto de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente FRIGOESTRELA S/A EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Adriano González Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 64 6/ 20 11 -7 8 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16004.720646/201178 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.397 S2C3T1 Fl. 808 2 Relatório e voto: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Observamos que o Relatório Fiscal faz referência à existência de uma ação judicial que trataria da mesma matéria objeto do lançamento. No entanto, tal ação está noticiada apenas por meio de uma certidão de fls. 456/457. Como sabemos, para que possamos analisar a aplicação da Súmula Carf Nº 1 fazse necessário a presença nos autos de cópia da petição inicial. Assim, votamos no sentido de converter o julgamento em diligência para que: 1 seja juntada aos autos cópia da Petição inicial do Mandado de Segurança 000323786.2010.4.03.6106 referido no item 11 do Relatório Fiscal. 2 após tal providência, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 808DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por MAURO JOSE SILVA
_version_ : 1713046371807789056
score : 1.0
Numero do processo: 10580.009546/2007-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
MATÉRIA AGITADA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E NÃO APRECIADA, NO MÉRITO, PELA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO.
Para evitar supressão de instância de julgamento e prejuízo à defesa, impõe-se a devolução dos autos à instância a quo para que enfrente, no mérito, a matéria que deixara de apreciar, quando do julgamento de que trata o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1802-001.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para retornar os autos à DRJ/Salvador para julgamento da matéria objeto de manifestação de inconformidade que não fora apreciada, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 MATÉRIA AGITADA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E NÃO APRECIADA, NO MÉRITO, PELA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO. Para evitar supressão de instância de julgamento e prejuízo à defesa, impõe-se a devolução dos autos à instância a quo para que enfrente, no mérito, a matéria que deixara de apreciar, quando do julgamento de que trata o acórdão recorrido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.009546/2007-81
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316970
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-001.540
nome_arquivo_s : Decisao_10580009546200781.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10580009546200781_5316970.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para retornar os autos à DRJ/Salvador para julgamento da matéria objeto de manifestação de inconformidade que não fora apreciada, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5251171
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371838197760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 328 1 327 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.009546/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.540 – 2ª Turma Especial Sessão de 06 de fevereiro de 2013 Matéria Declaração de Compensação Tributária Recorrente BANCO ALVORADA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 MATÉRIA AGITADA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E NÃO APRECIADA, NO MÉRITO, PELA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO. Para evitar supressão de instância de julgamento e prejuízo à defesa, impõe se a devolução dos autos à instância a quo para que enfrente, no mérito, a matéria que deixara de apreciar, quando do julgamento de que trata o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para retornar os autos à DRJ/Salvador para julgamento da matéria objeto de manifestação de inconformidade que não fora apreciada, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 95 46 /2 00 7- 81 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009546/200781 Acórdão n.º 1802001.540 S1TE02 Fl. 329 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 316/319 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 304/315) que julgou a impugnação, parcialmente, procedente, homologando a compensação tributária de débitos com créditos, até o limite do direito creditório deferido. Quantos fatos, consta dos autos que o contribuinte: em 31/03/2005, utilizando programa gerador PER/DCOMP, transmitiu, eletronicamente pela internet, Declaração de Compensação nº 10229.88127.310305.1.3.02 4562, informando compensação tributária de débitos próprios com créditos contra o fisco (fls. 02/07), assim especificados: a) débito declarado: IRPJInstituições Financeiras/Ajuste Anual, no valor de R$ 221.371,27 (principal R$ 216.563,56 + Juros R$ 4.807,71), código de receita 2390, PA anocalendário 2004, data de compensação 31/03/2005; b) crédito utilizado: saldo negativo do IRPJ, valor (original) R$ 198.771,01, PA 01/01/2004 a 11/06/2004, da empresa incorporada FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO LTDA, CNPJ: 61.582.870/000100. Ainda, o contribuinte informou que o referido saldo negativo do IRPJ da incorporada foi gerado a partir: a) do IRRF, no valor de R$ 37.251,88, código de receita 6800 Aplicações financeiras em Fundos de Investimentos – Renda Fixa, CNPJ fonte pagadora: 60.746.948/000112; b) do IRRF, no valor de R$ 17.617,09, código de receita 3426 Aplicações Financeiras de Renda Fixa, CNPJ da fonte pagadora: 60.746.948/000112; c) pagamento do IRPJ – Estimativa Mensal, valor R$ 35.197,83, PA 29/02/2004, data de vencimento e arrecadação: 31/03/2004; d) pagamento do IRPJ – Estimativa Mensal, valor R$ 39.635,02, PA 31/03/2004, data de vencimento e arrecadação: 30/04/2004; e) pagamento do IRPJ – Estimativa Mensal, valor R$ 14.365,58, PA 31/05/2004, data de vencimento e arrecadação: 30/06/2004; f) IRPJ Estimativas compensadas: referente, PA janeiro/2004, valor R$ 47.942,46, vencimento 27/04/2004, utilizado saldo negativo do exercício 2002, PER/DCOMP nº 29140.72505.170804.1.7.02 – 1844; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL 4 atinente, PA fevereiro/2004, valor R$ 6.761,15, vencimento 31/03/2004 , utilizado saldo negativo do exercício 2003, PER/DCOMP nº 38302.01431.230404.1.7.02 6701. Consta dos autos ainda: documentos (fls. 08/11 e 37/55) atestando que a empresa FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO LTDA (CNPJ n° 61.582.870/000100) foi incorporada pela UNIÃO DE COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ n° 33.344.557/000107) em 11/06/2004 e que, por fim, o BANCO A.LVORADA S/A (CNPJ n° 33.870.163/000184), em 01/09/2004, incorporou essas empresas, sendo o sucessor em todos os direitos e obrigações; DIPJ 2005, anocalendário 2004, da incorporada FINASA, período de apuração 01/01/2004 a 11/06/2004 (declaração apresentada em situação especial, pelo evento incorporação de 11/06/2004) (fls.14/25). O contribuinte foi intimado pelo fisco a comprovar o evento incorporação e o direito creditório pleiteado (fls. 28/56), juntando documentos (fls. 84/157). A unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Salvador, enfrentando o mérito, conforme Despacho Decisório de 01/10/2009, denegou o direito creditório pleiteado, deixando de homologar a compensação informada pelo contribuinte, pela falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito demandado (fls. 174/182), pelas seguintes fundamentos, in verbis: (...) Fundamentos (...) É oportuno esclarecer que a postulante apurou na linha 38, ficha 09A da DIPJ/2005 (fl. 23) Lucro Real equivalente a R$ 4.953,458,51 que foi integralmente absorvido pela compensação de prejuízos fiscais dos períodos base de 1991 a 2003 (linha 42). A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores ensejou a não apuração de lucro tributável, razão pela qual a requerente pleiteou o direito ao crédito do saldo negativo de R$ 198.771,01, constituído por estimativas apuradas no curso do ano calendário de 2004 e pelo imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos auferidos em fundos e investimentos (código de receita 6800) e em aplicações financeiras de renda fixa (código de receita 3426). As particularidades atinentes aos eventos que afetaram a constituição do crédito postulado foram abordadas nos itens 1 a 3 a seguir. 1 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. (...) Tais retenções, contudo, não foram corroboradas pelas DIRF de fls. 63/64, apresentadas pelas fontes pagadoras com o CNPJ da FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO LTDA (CNPJ n° 61.582.870/000100), tendo sido a requerente convocada a Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009546/200781 Acórdão n.º 1802001.540 S1TE02 Fl. 330 5 apresentar os documentos relacionados na Intimação n° 423/2009 (fl. 78). (...) Com base nas informações prestadas na petição foi possível identificar que o total de R$ 17.617,09, consignado na Ficha 53 da DIPJ da FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO LTDA (CNPJ n° 61.582.870/000100), foi declarado em DIRF com o CNPJ n° 33.870.163/000184 da empresa incorporadora BANCO ALVORADA S/A (fl. 158). O exame da Ficha 53 da DIPJ/2005 da incorporadora (fls. 148) evidenciou que tais valores não foram aproveitados no ano calendário de 2004. Tampouco foram localizadas DCOMP transmitidas em nome da sucessora postulando a utilização destes créditos. Considerando que os extratos de fls. 149/150 certificam que as retenções foram efetuadas em nome da sucedida e que os rendimentos foram oferecidos à tributação na Ficha 06A (fl. 22), concluise pela legitimidade do valor de R$ 17.617,09, que poderá ser deduzido na apuração do imposto de renda devido no período. O valor R$ 37.251,88, por sua vez, não foi localizado nas DIRF dos beneficiários FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO LTDA e BANCO ALVORADA S/A (fls. 62/64 e 153). Tampouco foram apresentados pela empresa informes originais comprobatórios desta retenção. Como último recurso, foi efetuada pesquisa no Sistema DIRF com o CNPJ da UNIÃO DE COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ n° 33.344.557/000107) que incorporou a FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO LTDA em 11/06/2004. Tal verificação resultou improfícua e atestou a inexistência de retenções compatíveis com os valores que totalizam R$ 37.251,88 discriminados na petição. Dessa forma, considerarseá como retenção comprovada apenas o valor de R$17.617,09, o que produz reflexo na apuração das estimativas mensais cujo total ficará reduzido. 2ESTIMATIVAS RECOLHIDAS E COMPENSADAS NO CURSO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004. O exame das DCTF de fls. 57/61 evidencia que parte das estimativas mensais apuradas no anocalendário de 2004 foi recolhida (fl. 62) e parte compensada com saldos negativos de períodos anteriores através das DCOMP n° 08162.22710.200204.1.3.028711 e 38302.01431.230404.1.7.02 6701. (...) E importante destacar que a comprovação parcial do imposto de renda retido na fonte no período ensejou a redução de R$ Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL 6 15.251,65 no total das estimativas mensais já que nos meses de janeiro a março foram efetuadas deduções a este título no total de R$32.868,74 conforme demonstrado a seguir. Dessa forma, o total pago por estimativa no período de 01/01/2004 a 11/06/2004 2004 foi reduzido de R$ 176.770,78 para R$ 161.519,13. (...) 3COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. (...) A análise da documentação constitutiva do processo revelou que a compensação de prejuízo fiscal indicada na linha 42, ficha 09 A da DIPJ/2005 (fl. 23) não observou o limite de trinta por cento do Lucro líquido ajustado, na forma imposta pela legislação em vigor. Tal inconsistência foi apontada pelo Sistema de Acompanhamento de Prejuízo SAPLI (fls. 65/76) e ensejou o pedido de esclarecimentos constante na Intimação n° 642/2009 (fl. 96) acerca da existência de ação judicial assegurando à requerente o direito à compensação do prejuízo acima do limite de 30%. (...) Em função da inobservância do limite para compensação do prejuízo e da inexistência de ação judicial que a justifique, foi efetuada a recomposição parcial da Ficha 12A da DIPJ/2005, tendo sido apurado resultado tributável no período de 01/01/2004 a 11/06/2004, na forma demonstrada na Planilha 3 do Anexo a este Despacho Decisório. (...) Consoante foi demonstrado no anexo ao Despacho Decisório, em decorrência da comprovação parcial do imposto de renda retido na fonte compensado na DIPJ/2005 e da recomposição do resultado tributável, em lugar do saldo negativo a compensar pretendido de R$ 198.771,01 a requerente passou a ter imposto a pagar correspondente a R$ 693.336,11. (...) No caso sob apreciação, é incabível o lançamento para cobrança do imposto apurado face à decadência prevista no artigo 173 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Esta limitação temporal, contudo, não se aplica à reconstituição do Lucro Real, porquanto a investigação fiscal que a ensejou não teve por foco o lançamento ex officio de crédito tributário e sim a confirmação da legitimidade do saldo credor pretendido pela interessada. (...) Decisão Nos termos do relatório e fundamentação acima, no uso de competência delegada pela Portaria DRF/SDR n° 26, de 22/05/2007 (DOU de 25/05/2007) e tendo em vista a inexistência Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009546/200781 Acórdão n.º 1802001.540 S1TE02 Fl. 331 7 do crédito, decido NÃO HOMOLOGAR a compensação pleiteada (...). Inconformado com essa decisão da DRF/Salvador da qual tomou ciência 05/10/2009 (fl. 184), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/11/2009 (fls. 190/193), cujas razões, em síntese, as seguintes: que não concorda com a limitação de compensação (trava de 30%) na compensação de Lucro Real da incorporada com Prejuízos de períodos de apuração anteriores; que invocou precedente do antigo Conselho de Contribuintes (Acórdão 10866.862, de 20/09/2001), atual CARF, pela inaplicabilidade da trava na compensação de Lucro Real com prejuízos de períodos de apuração anteriores, no caso de apresentação de última declaração pela empresa extinta por incorporação, fusão ou cisão; que a utilização integral de prejuízos fiscais se deu em consonância com a Lei nº 8.981/95; que, conforme informes de rendimentos apresentados anexos à manifestação de inconformidade (fl. 295/297), podese observar que o valor de R$ 37.251,88 foi devidamente declarado na DIRF do Banco Bradesco, gerando esse direito creditório, devendo ser, completo, homologada a DCOMP. Por fim, ante essas razões o contribuinte pediu a reforma do despacho decisório, para deferimento ou reconhecimento integral do direito creditório pleiteado de R$ 198.771,01 e extinção, por conseguinte, dos débitos declarados pela homologação da compensação. À luz dos fatos, da legislação de regência e das razões aduzidas pelo contribuinte, a DRJ/Salvador, por sua vez, julgou a manifestação de inconformidade procedente, em parte, afastando a trava na compensação de prejuízos e considerando como não impugnada a questão referente ao IRRF de R$ 37.251,88, conforme Acórdão (fls. 304/315), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO.COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA. LIQUIDEZ. Visando comprovar a efetiva existência de direito creditório proposto para compensação com débitos do contribuinte, está obrigado o órgão julgador a analisar o referido direito e retroceder a períodos anteriores em que o mesmo se tenha formado, para constatar sua efetiva existência e liquidez. DIREITO AO LANÇAMENTO. PRAZO. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL 8 O direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento extinguese no prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ DE CRÉDITO OFERECIDO. Em procedimento para avaliar a liquidez de créditos oferecidos em compensação, caso sejam exigidos ajustes com natureza de lançamento, deverá ser lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS IRPJ. DECLARAÇÃO DA INCORPORADA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LIMITAÇÃO. No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a norma de limitação a 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) Ainda, para melhor compreensão desse decisum, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação do voto condutor (fls. 314/315), in verbis: (...) Quanto a compensação do prejuízo fiscal não podendo a sucessora por incorporação, na forma do artigo 514 do IR/99, compensar o prejuízo da sucedida e não tendo esta a possibilidade de efetuar tal compensação em exercícios futuros e, uma vez não existindo qualquer norma que discipline o assunto, entendo correta a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes que assim se expressa: IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro liquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legitima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. INCORPORAÇÃO DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IN APLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Acórdão 10806682 de 20/09/2001. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009546/200781 Acórdão n.º 1802001.540 S1TE02 Fl. 332 9 No que toca a exclusão do saldo negativo do valor de R$ 37.251,88 relativo ao imposto de renda retido na fonte não comprovado, o contribuinte não apresenta qualquer alegação, concordando tacitamente com tal ato da autoridade administrativa. Deste modo, o indébito tributário apresentado pela Impugnante que era de R$ 198.771,01 passa a ser de R$ 161.519,13. Por todo o exposto VOTO no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade para homologar os débitos compensados até o valor original de R$161.519,13. (...) Irresignado com essa decisão da qual tomou ciência em 17/09/2010 – sexta feira (fl. 324), o recorrente apresentou Recurso Voluntário em 19/10/2010 (fls. 316/319), juntando ainda os documentos de fls. 320/323, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, ao julgar a manifestação de inconformidade do recorrente, a 1ª Turma da DRJ/Salvador homologou parcialmente a compensação tributária até o limite do crédito deferido de R$ 161.519,13, não reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 37.251,88; que a decisão recorrida está equivocada ao deixar de homologar, em parte, a compensação tributária objeto dos autos; que, por ocasião da apresentação de sua manifestação de inconformidade em 04/11/2009, juntou aos autos o informe de rendimento relativo ao anocalendário de 2004, emitido pelo Banco Bradesco S/A, demonstrando a retenção do valor de R$ 46.798,02, tendo utilizado apenas R$ 37.251,88; que, novamente, juntou o referido informe de rendimentos (fl. 320). que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, não há que se falar em concordância tácita quanto à glosa do montante de R$ 37.251,88 por suposta falta de questionamento dessa parcela na impugnação, uma vez que houve, sim, manifestação contra essa glosa, pela juntada do comprovante do Informe de Rendimentos, conforme demonstrado. Por fim, com base nessas razões, o recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecida a parcela restante do direito creditório reclamado e atinente ao saldo negativo do IRPJ do período de 01/01/2004 a 11/06/2004, no valor de R$ 37.251,88, e que, ainda, seja homologada, por conseguinte, nessa parte, a compensação tributária realizada, objeto dos presentes autos. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL 10 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Os autos tratam de compensação tributária. Conforme relatado, em 31/03/2005 o contribuinte transmititiu, eletronicamente, declaração de compensação tributária, informando compensação de débitos próprios declarados, utilizando, como direito creditório, saldo negativo do IRPJ de R$ 198.771,01 (valor original), PA 01/01/2004 a 11/06/2004, da empresa incorporada FINASA ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO LTDA, CNPJ: 61.582.870/000100. A decisão recorrida reformou o despacho decisório da DRF/Salvador que havia denegado, por completo, o direito creditório pleiteado, deferindo, em parte, o saldo negativo do IRPJ do período de apuração citado acima, ou seja, reconheceu crédito até o valor de R$ 161.519,13 (valor original), homologando, por conseguinte, a compensação até o limite desse crédito deferido. Nesta instância recursal, o recorrente rebelase contra a decisão recorrida, na parte que restou vencido, ou seja, quanto à diferença de direito creditório pleiteado R$ 37.251,88 que restou denegada. O recorrente rechaça a fundamentação do voto condutor da decisão, ora atacada, de que a parcela do direito creditório não deferida, não reconhecida, não foi objeto da manifestação de inconformidade e que teria, então, ocorrido aceitação tácita do decidido pelo despacho decisório, nessa partre (matéria pleclusa). A propósito, nessa parte transcrevo a fundamentação constante do voto condutor da decisão a quo (fl.315), in verbis: (...) No que toca à exclusão do saldo negativo do valor de R$ 37.251,88 relativo ao imposto de retido na fonte não comprovado, o contribuinte não apresenta qualquer alegação, concordando tacitamente com tal ato da autoridade administrativa. Desta forma, o indébito tributário apresentado pela Impugnante que era de R$ 198.771,01 passa a ser de R$ 161.519,13. (...) Compulsando os autos, nesse particular consta da Manifestação de Inconformidade apresentada em 04/11/2011 (fl. 192), in verbis: (...) Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.009546/200781 Acórdão n.º 1802001.540 S1TE02 Fl. 333 11 No entanto, conforme informes de rendimentos apresentados em 08/09/2009, podese observar que o valor de R$ 37.251,88, foi devidamente declarado em DIRF do Banco Bradesco, gerando o direito creditório sobre o valor, devendo então ser homologada por completo as compensações pleiteadas no âmbito desse mesmo PER/DCOMP. (...) Ainda, os informes de rendimentos constam dos autos, estão anexos à manifestação de inconformidade – fornecidos pelo BRADESCO (fonte pagadora) (fls.295/297), onde consta, até prova em contrário, a retenção de imposto na fonte de R$ 46.828,71 (valor original) em nome da FINASA (FAPLAN), e que o recorrente somente teria utilizado, desse valor (valor original), a quantia de R$ 37.251,88, conforme demonstrativo constante das razões do recurso (fls. 319 e 320). Como visto, diversamente do que consta do voto condutor do Acórdão recorrido, essa diferença de direito creditório não deferida, ora objeto do recurso sub examine, foi agitada, expressamente, nas razões da manifestação de inconformidade, porém a decisão a quo não se manifestou acerca dessa matéria, quanto ao mérito. Preclusão não configurada. Sem delongas, para evitar supressão de instância e prejuízo à defesa, propugno pela devolução dos autos à DRJ/Salvador para que enfrente, no mérito, o direito creditório pleiteado de R$ 37.251,88 (IRRF) de que tratam os documentos de fls (295/297 e 320). Há, ainda, a título de esclarecimento do contribuinte, demonstrativo de utilização na DCOMP desse crédito pleiteado pelo recorrente (fl. 319). Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, determinando a devolução dos autos à DRJ/Salvador para apreciação, no mérito, da matéria objeto da manifestação de inconformidade e que não fora enfrentada pela decisão recorrida, conforme restou demonstrado. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000004/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão
legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009).
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Anocalendário: 2003
Ementa: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA.
Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano- alendário: 2002
Ementa: PIS. COFINS. APURAÇÃO ANUAL. IMPOSSIBILIDADE
As contribuições ao PIS e à Cofins têm fato gerador mensal devendo ser cancelado o lançamento de ofício que não obedece às regras de apuração do tributo.
Numero da decisão: 1402-001.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso do coobrigado para cancelar a sujeição passiva solidária e as exigências do PIS e da Cofins.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 Ementa: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano- alendário: 2002 Ementa: PIS. COFINS. APURAÇÃO ANUAL. IMPOSSIBILIDADE As contribuições ao PIS e à Cofins têm fato gerador mensal devendo ser cancelado o lançamento de ofício que não obedece às regras de apuração do tributo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16561.000004/2008-38
conteudo_id_s : 5310336
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1402-001.481
nome_arquivo_s : Decisao_16561000004200838.pdf
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 16561000004200838_5310336.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso do coobrigado para cancelar a sujeição passiva solidária e as exigências do PIS e da Cofins.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5194941
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371846586368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2158; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000004/200838 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402001.481 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de outubro de 2013 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrentes FAZENDA NACIONAL PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 Ementa: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2002 Ementa: PIS. COFINS. APURAÇÃO ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 As contribuições ao PIS e à Cofins têm fato gerador mensal devendo ser cancelado o lançamento de ofício que não obedece às regras de apuração do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso do coobrigado para cancelar a sujeição passiva solidária e as exigências do PIS e da Cofins. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 2 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe (ex Parmalat Participações do Brasil Ltda.), foram apuradas, no período do segundo semestre de 2002, conforme relatado no "Termo de Constatação e Encerramento Parcial de Fiscalização" (fls.1.026 a 1.050),as infrações abaixo descritas. A — PAGAMENTOS SEM CAUSA/INJUSTIFICADOS. TOTAL DE R$ 381.113.660968. A.I. A fiscalização considerou como sem causa os saques realizados na agência do Banco do Brasil, em Nova York, para fim de quitar empréstimos supostamente tomados da "Instituición Financiera Externa (IFE) — Exterbanca", de Montevidéu. Destaca que, os valores destes empréstimos não foram internados no Brasil e não foram aplicados nas atividades operacionais no país. Informa que parte dos passivos gerados foi repassada, mediante cisão da "Parmalat Administração e Participações do Brasil Ltda., CNPJ n° 05.372.236/0001 72". Os pagamentos listados no termo, item 17.1 (fls.1.028/1.029), totalizam o valor de R$ 367.163.196,33. A.II. Também, foram considerados pagamentos sem causa os desembolsos, listados no Termo, item 17.2 (fl. 1.029), para os quais não foram apresentadas as justificativas para os pagamentos. Tais desembolsos se referem a transferências de numerários do Banco do Brasil C/C 9630XP.H para a empresa "Carital", contabilizadas em "Duplicatas a Receber". A quantia total transferida foi de R$ 1.544.000,00 (fl.1.029). A.III. Foram, ainda, considerados pagamentos sem causa "os lançamentos credores no ativo, tendo como contrapartida a escrituração de entradas de dinheiro em contas bancárias, sem que tenha sido encontrado o registro respectivo no extrato bancário na data indicada". Os valores listados no Termo, item 17.3 (fl.1.030), totalizam R$ 12.406.464, 35. O total de R$ 381.113.660,68, relativo aos pagamentos considerados sem causa, foi oferecido à tributação de ofício do IRRF do IRPJ e CSLL, nestes casos como adição ao resultado contábil para apuração da base de cálculo dos dois tributos. B OMISSÃO DE RECEITA. RECURSOS NÃO COMPROVADOS. EXIGIBILIDADES NÃO COMPROVADAS. TOTAL DE R$ 318.897.293,30. B.I. A fiscalização aponta que "foram capitulados na hipótese prevista no art. 287 do RIR199 os valores de pagamentos ou depósitos para os quais a origem indicada na escrituração não foi confirmada pelo extrato bancário respectivo". Os depósitos listados no Termo, no item 17.4 (fls. 1.030/1.031), totalizam o valor de R$ 33.519.877,15. Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 B.II. Quanto aos passivos de exigibilidades não comprovadas, basicamente relacionados com empréstimos obtidos com a "Exterbanca" e "Scotiabank", a fiscalização declarou que, "foram assim considerados, entre outros, os valores que aumentaram o passivo, sem a correspondente entrada no Brasil para aplicação nas atividades operacionais de empresas do Grupo Parmalat instaladas no Brasi”: Os valores listados no Termo, no item 17.5 (fl. 1.031), totalizam R$ 285.377.416,15. O total dos itens B.I. e B. II., no valor de R$ 318.897.293,30 foi tributado como presunção de omissão de receita no IRPJ e reflexos. C CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS COM JUROS DE EMPRÉSTIMOS QUE NÃO INGRESSARAM NO PAÍS. DIFERENÇA DE JUROS CSFB/SANTANDER. VALOR TOTAL DE R$126.720.251,62. Glosa de Despesas não Comprovadas. C.I. A fiscalização glosou "valores redutores do ativo, correspondente a despesas não comprovadas ou cuja escrituração não corresponde à documentação apresentada". Na realidade, referese ao IOF Imposto s/Operação Financeira, contabilizado como despesa e creditada a conta a receber da Parmalat Brasil S/A e Parmalat Empreendimento. Os valores listados no Termo, no item 17.6 (fl. 1.032), totalizam R$ 8.845.170,87. Glosa de Juros de Empréstimos não internados no País. C.II. Foram, também, "objeto de glosa os valores não comprovados, lançados diretamente como despesa, entre os quais juros incidentes sobre valores de principal cujo ingresso no Brasil não aconteceu ou não ficou comprovado" Os valores listados no Termo, item 17.7 (fls. 1.033 a 1.043), totalizam R$ 94.641.579,20. Glosa de Juros. Diferença no pagamento ao CSFB e o recebido do Banco Santander. C.III. A fiscalização declara que "foi igualmente considerada como despesa desnecessária a diferença entre os juros pagos ao Crédit Suisse First Boston International, incidentes sobre metade dos EU$500 milhões, captados mediante a emissão, no mercado internacional, de títulos vencíveis em 2008 e conversíveis em quotas da sociedade, e os juros recebidos do Banco Santander Cayman, calculados sobre o mesmo dinheiro aplicado em nota promissória emitida por Parmalat Finance Corporation': A diferença dos juros totalizou R$23.233.501,55 demonstrados no Termo, Anexo 1 (fls.1.051 a 1.054). D PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. VALOR TOTAL DE R$ 144.158.284,70, ADICIONADO AO RESULTADO TRIBUTÁVEL. A fiscalização declara que "foram identificados, com base em planilhas fornecidas pelo próprio contribuinte, diversos mútuos/cessões de crédito/assunção de dívida não registrados no Banco Central do Brasil, contratados com pessoas vinculadas sediadas no exterior ou com instituições financeiras localizadas em países de tributação favorecida. A legislação de preços de transferência juros aplicada a tais operações permitiu identificar adições a serem efetuadas ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real" . Os valores adicionados ao lucro líquido, demonstrados nas fls. 1.048 e 1.049, foram: Juros passivos referentes a mútuos com pessoas vinculadas instaladas no exterior R$ 33.812.926,97, sendo que foi considerado no auto de infração o valor de R$ 33.182.926,97; Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 3 5 juros ativos referentes a mútuos com pessoas vinculadas instaladas no exterior R$109.492.300,77; juros ativos/passivos referentes à mútuos com pessoas instaladas em países com tributação favorecida R$1.483.056,96. 2. Em decorrência do mencionado acima, os valores das infrações apuradas foram objeto de tributação de ofício. Foram lavrados os seguintes autos de infração, em 26/12/2007, com os enquadramentos legais descritos nos mesmos (fis. 1.084 a 1.129): (........) Os valores incluem multas de ofício, multas pelo não recolhimento de estimativas do IRPJ, CSLL (exigidas isoladamente) e juros de mora, estes calculados até 30/11/2007. 3. A fiscalização entendeu configurada solidariedade passiva da Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, CNPJ n° 89.940.8781000110, pois apurou administração interdependente das "Empresas Parmalat", caracterizando interesse comum (fls.1.045 a 1.047). 4. Foram apresentadas as impugnações da autuada e da responsáGel solidária, respectivamente em 28/01/2008 (fis.1.285 a 1.395) e 24/01/2008 (fis.1.133 a 1.173). IMPUGNAÇÃO. AUTUADA. 5. A contribuinte "PPL Participações Ltda" (autuada) apresentou resumidamente o seguinte, em sua impugnação: 5:1 alega cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade dos autos de infração, na medida que a fiscalização não explica as razões pelas quais os documentos apresentados não foram aceitos e não foi mencionado o dispositivo legal que serviria de base para o questionamento da dedutibilidade dos pretensos pagamentos sem causa, na cobrança da CSLL 5.2. alega ter ocorrido a decadência para se lançar o Pis, Cofins, IRRF e as multas isoladas. Afirma que, pela sistemática adotada pelo CTN, estes tributos, mais o IRPJ e CSLL, são classificados como aqueles cujo lançamento se dá por homologação, logo, devendo ser aplicado o previsto no § 4º do art. 150 do CTN; 5.3. ressalta que, se a autoridade administrativa não homologa expressamente o cálculo realizado pelo contribuinte e decorridos mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, darseá a homologação tácita; 5.4. afirma que não apresentará todos os documentos listados pela fiscalização, pelo fato de representarem uma quantidade imensa e que, iria neste momento, apenas tumultuar o processo. Com base no princípio da verdade material requer, desde já, o direito de apresentar novos documentos para demonstrar as operações questionadas pela fiscalização; 5.5. a Impugnante passa a apresentar as suas considerações quanto a cada infração levantada pela fiscalização; OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 5.6. informa que abordará a questão pelos dois itens considerados pela fiscalização, ou seja, passivo fictício e depósitos não confirmados nos extratos bancários; Passivo Fictício. 5.6.1. diz que a fiscalização considerou o passivo fictício com base no art. 40 da Lei n° 9.430196 que, no caso seria manter no passivo obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Alega que da interpretação deste artigo fica evidente que "não importa se os recursos que deram origem a tal passivo foram ou não aplicados nas atividades da pessoa juridica, mas sim que o passivo existe e pode ser exigido juridicamente pelo credor", 5.6.2. destaca ainda, que o fato de a escrituração da obrigação ter como contrapartida lançamento no ativo em valor idêntico, já afasta a presunção de omissão de receita. Declara que a alegação de ocorrência de omissão de receitas, no caso, não se enquadra nos termos da lei, visto que, o passivo existe e o fato de os recursos não terem sido aplicados no Brasil, não configura omissão de receitas; 5.6.3. alega que os passivos junto à "Exterbanca" nos valores de: R$ 66.550.002,40; R$ 78.233.508,75; R$ 71.040.000,00 e R$ 7.007.000,00, tiveram como contrapartidas dos registros no passivo os lançamentos na conta do Banco do Brasil no exterior, demonstrando a entrada dos recursos. Logo, não houve aumento oculto do patrimônio da Impugnante. Informa ainda, que tais passivos ou já foram devidamente pagos ou estão sendo cobrados em juízo, no âmbito da recuperação judicial; 5.6.4. informa que a despesa com Auditor no valor de R$ 240.905,00 se refere à cobrança pela auditoria do balanço realizada pela "Deloitte". Informa que foram pagas em várias parcelas: duas primeiras de R$ 26.767,00(doc. 03a), foram quitadas por meio de um pagamento único no valor de R$ 53.534,00, que pode ser confirmado no razão da Impugnante (fl.97). Outras parcelas também foram quitadas ao longo do ano de 2.002, cobradas por meio de faturas aproximadamente de R$ 25 mil cada (doc. 03b), sendo a diferença transportada para o exercício seguinte. Alega que não foram cobradas pela auditoria parcelas de R$ 40.150,83, ao contrário do indicado no lançamento contábil, mas isso não afeta a conclusão de que o passivo existiu; 5.6.5. quanto o passivo devido ao "Scotiabank", refletido nos dois lançamentos de R$ 31.153.000,00, diz que os mesmos realmente existiram. Informa que foram obtidos dois empréstimos de US$ 10.000.000,00 cada, que foram depositados na conta da Impugnante no Banco do Brasil no exterior, sendo que U$ 50.000,00 foram utilizados para pagamento de tarifa bancária, razão da indicação do valor de US$ 19.950.000,00 como depositado, como se pode verificar no extrato bancário (fls.749). Alega que os empréstimos foram devidamente refletidos nos livros (fis. 59, 140 e 153) da Impugnante. Informa que na conta do razão do Banco do Brasil está registrado o lançamento de débito relativo à entrada de R$62.306.000,00 referente aos valores emprestados pelo "Scotiabank" e um pouco abaixo está registrado o lançamento do crédito do montante de R$ 155.765,00 referente ao pagamento da taxa bancária de US$ 50.000.00; Depósitos Bancários. 5.6.6. alega que se tratam de transferências bancárias que a fiscalização considerou como presunção de omissão de receita por não ter, simplesmente, localizado o extrato bancário. Alerta que, como pode ser verificado no item 17.4. do Termo de Constatação, fis. 1.030 e 1.031, a Impugnante realizou lançamentos no me mo valor no ativo, dando baixa no montante em uma instituição financeira e incluindo o mesmo valor no controle contábil da conta junto à outra instituição. Diz Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 4 7 que a fiscalização não buscou apurar a verdade material, não tendo, antes da lavratura dos autos de infração, intimado a Impugnante a apresentar os extratos bancários específicos em questão, como exige o caput do art. 287 do RIR; 5.6.7. informa que os valores creditados na conta contábil de "n° 1.01.01.03.01.038 Citibank": R$ 12.000.000,00; R$ 4.041.197,65—IR; R$ 4.000.000,00; R$ 1.200.000,00 e R$ 300.000,00 referemse a resgate de aplicação financeira e recolhimento do IR; 5.6.8. a Impugnante informa que com a operação com CSFB, lançamento de títulos do exterior, recebeu R$ 311.178.000,00 no Citibank e aplicou R$ 310.000.000,00 no "Fundo de Investimento Milk Hedge" no próprio banco, fls. 53 e 54 (doc. 04). Alega que os valores das transferências bancárias para o Banco do Brasil e Santander, referemse a resgate de parte desta aplicação; 5.6.9. com relação ao lançamento (n° 16, fl. 1.030) no valor de R$ 11.678.679.50 a Impugnante informa que se trata de estorno. Diz que, "como se pode observar na fl. 37, que controla a conta contábil n° 101010201321, foi lançado a débito o montante de R$11.678.679,50. Já na fl. 38, podese verificar que o mesmo montante foi lançado a crédito, a fim de neutralizar o lançamento anterior. Esse é o estorno impugnado pelo fisco e essa é a razão pela qual o histórico do lançamento contábil é "RECLAS", que significava reclassificação contábil; 5.6.10. com relação ao lançamento de R$ 300.000,00 a Impugnante diz que não encontrou a contrapartida apontada pela fiscalização no livro razão; desse modo, alega que não tem como apresentar a sua defesa em relação a esse questionamento; IRRF — PAGAMENTOS SEM CAUSA. 5.7. alega que a fiscalização indevidamente considerou pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado três tipos de operações, totalizando aproximadamente R$ 380 Milhões, a saber: (i) pagamentos realizados a fim de quitar empréstimos contraídos junto à "Exterbanca" ou à "Bonlat"; (ii) transferências realizadas para empresa "Carital" e (iii) transferências de valores tre contas da titularidade da própria Impugnante; 5.8. destaca que a hipótese legal de pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa exige que tais pagamentos constituam genuínos rendimentos do beneficiário, sendo que no caso ocorreram meras transferências patrimoniais. Alega que não poderia ser incluído na base de apuração da CSLL por falta de previsão legal; 5.9. indaga a Impugnante, como pode ser adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro real, no caso do IRPJ e na base da apuração da CSLL, estes valores dos pagamentos se os mesmos não transitaram pelas contas de resultado?; 5.10. faz a seguinte colocação, "ora, nobres julgadores, sendo o pagamento de empréstimos um lançamento contábil de ativo contra passivo, não havendo trânsito pela demonstração de resultados da Impugnante, não havendo contabilização de despesas, não havendo dedução dessas despesas, não haverá impacto no IRPJ e CSL!!! Do mesmo modo, transferência entre contas bancárias da própria Impugnante (ou de aplicação financeira para conta bancária), no ativo, não afetam o cálculo do IRPJ e da CSL. E, finalmente, os valores transferidos para a Carital também não afetaram o resultado, sem quaisquer efeitos para fins de IRPJ, CSL e IRRF. Como tal é absolutamente indevida e afrontosa a adição desses valores às bases de cálculo dos referidos tributos!!!", Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS QUE IMPLICARAM REDUÇÃO DO ATIVO OU AUMENTO DO PASSIVO. 'DIFERENÇA DE JUROS CSFB/SANTANDER. 5.11. a Impugnante, antes de abordar este item, informa que é pessoa jurídica que tem como atividade principal a participação em outras sociedades, como acionista ou como quotista. Diz que foi controladora da Parmalat Brasil Indústria de Alimentos S. A, e continua a ter investimento na Gelateria Parmalat Ltda.,e outras empresas. Declara que em suas atividades, era comum tomar e conceder empréstimos, bem como realizar aplicações financeiras; Custos ou Despesas não Comprovadas. 5.11.1. quanto à lista de despesas não comprovadas (fl. 1.032), informa que a grande maioria se relaciona com "IOF" sobre mútuos firmados com a Parmalat Empreendimentos e Parmalat Brasil S.A.. Alega que estas despesas não refletiram no IRPJ e CSLL, visto que foram objetos de estorno contábil conforme pode ser verificado nos lançamentos realizados no razão, demonstr do na fl.82. Quanto ao R$4.359.810,01 declara que o swap efetivamente existiu e foi celebrado entre a Impugnante e o JP Morgan. Diz que os documentos (doc. 06) comprovam a perda cambial no valor de US$ 1.516.666,67; Glosa de Despesas que Implicaram Redução do Ativo ou Aumento do Passivo. Despesas de Juros — Ingresso no Brasil de empréstimo que não Ocorreu ou não foi Provado. 5.11.2. alega ser irrelevante se os valores dos mútuos ingressaram no País, para efeito de considerar as despesas com juros como dedutíveis. Diz que realmente os recursos dos mútuos foram aplicados na atividade da Impugnante e é isto que deve ser levado em consideração. Diz que os empréstimos contratados permitiram a ela se tornar proprietária de valores mobiliários no valor de R$ 971.242.881,08 e mais de R$ 4 bilhões em créditos contra pessoas ligadas, sendo gerados só no ano de 2.002, receitas de aproximadamente R$ 40 milhões de reais. Para demonstrar a efetividade das despesas de juros e variações cambiais, a Impugnante utiliza como exemplo da dívida junto ao Scotiabank, entrando em detalhes da operação; Diferença de Juros CSFB/Santander. 5.11.3. a impugnante alega que como o débito com "Crédit Suisse — CSFB" está em discussão no Poder Judiciário, apenas com o trânsito em julgado da decisão que deliberar acerca da natureza jurídica do negócio celebrado é que o fisco poderá analisar se os juros são dedutíveis; 5.11.4. diz, ainda, que, como parte dos recursos obtidos na operação com o CSFB, no valor de R$310 milhões, foram também, aplicados junto ao fundo Milk Hedge e que geraram rendimentos financeiros, os autos de infração do IRPJ e da CSLL devem ser retificados para que se reduza ainda mais a parcela de juros que o fisco considera indedutível; MULTA ISOLADA IRPJ E CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. 5.12. alega que a fiscalização parte do entendimento equivocado de que a suposta identificação da omissão de receitas acarretaria um automático recolhimento mensal a menor de IRPJ e de CSLL com base em estimativa. Alega, ainda, que o direito do fisco exigir as referidas multas já está decaído; 5.13. diz que a fiscalização não levou em conta que a Impugnante obteve resultados negativos, tanto no caso do IRPJ como na CSLL, no anocalendário de Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 5 9 2002. Reproduz decisões do Conselho de Contribuintes, dando o entendimento de que improcede a aplicação de penalidade, pelo nãorecolhimento de estimativa, quando a empresa apura prejuízo em sua escrita fiscal no final do exercício; 5.14. diz, também, que aplicar multa de ofício sobre pretensa receita omitida e ao mesmo tempo multa isolada sobre à mesmíssima quantia, caracteriza cobrança em duplicidade de multa sobre uma única infração; 5.15. requer que, no caso de não serem acatados os argumentos apresentados, que seja reduzida para o percentual de 50%, de acordo com o disposto na nova redação do art. 44 da lei n° 9.430/96, conforme o artigo 14 da Medida Provisória nº 351/2007 e o art. 106, II, "c" do CTN. Além disso, pede para que os fiscais sejam intimados a explicar o cálculo das multas exigidas, visto que os autos lavrados não permitem a defesa da Impugnante neste ponto; ADIÇÕES DE PREÇOS DE TRANSFÉRENCIA — OPERAÇÕES FINANCEIRAS. 5.16. contesta o critério utilizado pela fiscalização, para avaliar a receita mínima ou despesa máxima de juros a serem consideradas nas operações financeiras com pessoas vinculadas, cujos contratos não foram registrados no Banco Central do Brasil, conforme previsto no artigo 22 da Lei n° 9.430/96. O critério não aceito é a consideração pela fiscalização do ano civil, para os cálculos dos juros, como sendo de 360 dias, e não 365. Alega que tal procedimento acarretou a majoração em R$ 1. 785.554,15 das receitas financeiras tributadas; 5.17. alega, também, que a fiscalização exige da Impugnante IRPJ e CSLL sobre receita mínima de juros, calculada de acordo com as regras de preços de transferências, tendo em vista que certas operações realizadas com as pessoas vinculadas não teriam sido registradas no Banco Central; porém, a fiscalização não atentou para o fato de que, até o ano de 2002, não havia a previsão legal de obrigatoriedade de registro no BC, dos mútuos concedidos por empresas brasileiras para pessoas jurídicas sediadas no exterior. Logo, concluise que a legislação de preços de transferência não era aplicável às operações levantadas; 5.18. alega que a fiscalização, ao mesmo tempo em que pretende considerar indedutível integralmente os juros contabilizados em decorrência do mútuo concedido pela "Bonlat", também, submete a mesma despesa ao controle de preços de transferências, com a consideração de que parte dessa despesa não seria dedutível. Ou seja, glosa os juros em duplicidade; 5.19. Diz que se não forem aceitos os argumentos levantados contra a tributação realizada, deve ser levado em consideração a inconstitucionalidade do artigo 22 da Lei n° 9.430196, pela violação ao preceito constitucional de renda previsto no artigo 153, III, da Constituição Federal e do art. 43 do CTN. Diz que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento e o Conselho de Contribuintes podem deixar de aplicar uma lei, se acarretar um resultado inconstitucional; COBRANÇA INDEVIDA DO PIS NÃOCUMULATIVO. PIS/COFINS MENSAIS. 5.20. destaca que, se não for considerada a decadência para o lançamento do PIS, deve ser desconsiderado o lançamento pelo critério nãocumulativo dos meses anteriores a dezembro/2002. Alega que a alíquota de 1,65% começou a ser aplicada a partir de 31/12/2002 e como a fiscalização indicou, por mês, no termo de Constatação a matéria tributável, mas lançou em dezembro/2002 o total, estão sendo Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 cobrados, com alíquota indevida, os valores tributáveis dos meses anteriores a dezembro/92; 5.20.1. a Impugnante, no tópico da decadência, já tinha, 1k inclusive, apontado que a fiscalização, nas fls. 1.030 e 1.031, indicou, por mês, o total das pretensas receitas omitidas, de tal modo que os supostos fatos geradores do PIS/COFINS deveriam ser considerados nestes meses, e não em dezembro como foi feito (fls. 1.99 e 1.104); DEDUTIBILIDADE DO PIS, COFINS E IRRF. TAXA SELIC COMO JUROS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRAR JUROS SOBRE MULTA DE OFICÍO. 5.21. diz que no "improvável caso de em razão da autuação ora guerreada ser devido algum valor a título de PIS, COFINS, IRRF, acrescidos de juros, a quantia deverá ser deduzida na apuração do IRPJ e da CSL cobrados por meio da mesma autuação", 5.22. Insurgese contra aplicação da Taxa Selic como juros, pois, tal taxa foi determinada com a natureza remuneratória, caracterizando como autêntico meio de remuneração do capital; 5.23. alega que, após a lavratura dos autos de infração, o fisco não pode exigir juros de mora sobre as multas de ofício lançadas, pois, não há base legal para tanto. Ressalta que no art. 161 do CTN, está prevista a cobrança dos juros sobre o crédito não integralmente pago, que inclui o tributo e a multa; porém, no art. 61 da Lei n° 9.430196 o legislador ordinário federal decidiu exigir juros de mora, apenas e tão somente, sobre os tributos e contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal. IMPUGNAÇÃO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA. 6. A "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos" responsabilizada solidariamente apresentou sua impugnação, em 2410112008, com as seguintes colocações, abaixo resumidas: 6.1. alega que é pessoa jurídica distinta da autuada, não tendo acesso a informações e documentos para defenderse do mérito da acusação, o que invalida sua condição de responsável solidária. Demonstra a composição acionária da PPL, PEAPAR e da "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos", alegando que no ano calendário auditado a "Parmalat" era controlada indiretamente pela PPL, destacando que os objetos sociais eram diferentes; 6.2. diz que o auto de infração é nulo, pois, atendendo ao princípio da legalidade estrita e tipicidade cerrada, a fiscalização afirma o cometimento da infração pela PPL, porém, não aponta o fundamento material do vínculo que justificaria a sujeição passiva da Impugnante; 6.3. alega que a solidariedade poderia parecer menos absurda, se a fiscalização tivesse demonstrado algum tipo de benefício auferido pela Impugnante, em decorrência das operações realizadas pela PPL; 6.4. Diz que, "nesse cenário, não se mostram subsistentes os Autos de Infração, em vista da adequada elucidação dos fatos que dariam ensejo à aplicação do artigo 124, 1, do CM, como pretendeu a Fiscalização', 6.5. informa que, devido às dificuldades financeiras enfrentadas no final de 2003, tornouse concordatária, e, posteriormente, ingressou em recuperação judicial, ao amparo da nova lei de falências, Lei n° 11.101/05. Que, como medida prevista no Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 6 11 plano de recuperação, o seu controle acionário, detido pela PPL (também em recuperação judicial), foi alienado para a "Lácteos do Brasil S/A"; 6.6. informa que tem decisão transitada em julgado, que impossibilita atribuição de responsabilidade solidária sobre obrigações da PPL; 6.7. alega que os artigos 60 e 141 da Lei 11.101105 afastam a sucessão tributária da recuperanda; 6.8. informa que, em 21/11/2006, o juízo da recuperação declarou que a "Lácteos do Brasil S/A" não se constitui como sucessora de qualquer obrigação de quaisquer outras empresas. Que, em decorrência da postulação, em sede de embargos de declaração, foi substituído o nome da "Lácteos do Brasil S/A" por "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos"; 6.9. pede a exclusão da relação tributária por ilegitimidade passiva, reconhecida judicialmente; 6.10. alega a decadência para se lançar o Pis, Cofins, IRRF e as multas isoladas. Alega que pela sistemática adotada pelo CTN, estes tributos, mais o IRPJ e CSLL são classificados como aqueles cujo lançamento se dá por homologação, logo, deve ser aplicado o previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Destaca que caso a autoridade administrativa não homologue expressamente o cálculo realizado pelo contribuinte e, decorram 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, ocorrerá à homologação tácita. Argumento o mesmo que se aplica no caso do lançamento da multa pelo não recolhimento das estimativas do IRPJ e da CSLL; 6.11. alerta, de que carece de fundamentação jurídica qualquer alegação de que o prazo decadencial aplicável à CSLL, ao Pis e à Cofins é de 10 (dez) anos, em decorrência da disposição do artigo 45 da Lei nº 8212/91; 6.12. destaca que, a fiscalização indevidamente lançou, no caso do Pis e da Cofins, a matéria tributável no mês de dezembro, quando no Termo de Constatação estão demonstrados os valores apurados mensalmente; 6.13. diz que está previsto no artigo 124, 1 do CTN, que para haver a solidariedade é necessário haver "interesse comum" que configure um vínculo direto com o fato gerador. Alega que "para que prevalecessem as pretensões da autoridade fiscal, haveria de ter restado comprovado, de maneira irretorquível e irrefutável, o vinculo direto entre esta última e os fatos geradores imputados à primeira, consubstanciado na figura do interesse comum`, 6.14. alega que o Parecer da PGFN não daria respaldo à responsabilização, havendo vício na aplicação do artigo 124. Que o escopo do Parecer se aplicaria ao caso especifico das remessas de recursos ao estrangeiro; logo, não se aplicaria aos fatos levantados no presente processo; 6.15. alega que tem direito à ampla defesa com apreciação de suas alegações, conforme Lei 9.784199 e decisões do CC. Declara "ser totalmente descabido qualquer argumento no sentido de que a análise da responsabilidade tributária atribuída a terceiros seria de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e, por conseguinte, do Poder Judiciário, razão pela qual as razões de defesa da Impugnante não poderiam ser analisadas por esta C. Turma de Julgamento", 6.16. alega que "ad argumentandum" não cabe aplicar multas em eventual responsabilização solidária, confor, me art. 50, XLV, da CF, doutrina e decisões do Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 CC acostadas, sobre pessoalidade penal, culpabilidade, limites de responsabilidade sucessória. Requer, se não forem aceitos os argumentos apresentados, que seja afastada a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, incidente a partir do protocolo da presente impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento parcial ao recurso e exonerou parcialmente a exigência nas seguintes situações: • Não caberia a inclusão no resultado no montante de R$ 381.113.660,68; referente a pagamentos sem causa, pois esse valor não foi excluído pelo sujeito passivo, tendo sido lançado apenas em contas patrimoniais; • No caso da glosa de despesas não comprovadas (R$ 8.845.170,87), parte desse montante (R$ 4.485.360,86) foi objeto de estorno na contabilidade e não afetou o resultado. Assim não caberia o lançamento sobre esse montante; • Não caberia a glosa de juros no valor de R$ 170.853,67; sob pena de lançamento em duplicidade, pois o valor foi tributado ao mesmo tempo como tendo origem em empréstimos fictícios e escesso de juros pela aplicação das regras de preços de transferência; e: • A alíquota do PIS a ser aplicada seria 0,65% , e não 1,65% como adotado no lançamento. Em relação à parcela exonerada do lançamento, o Órgão julgador de primeira instância recorreu de ofício a esta corte. Quanto ao valor mantido, a interessada não apresentou recurso voluntário. O coobrigado interpôs recurso repisando as razões de defesa expedidas na peça impugnatória contra a sujeição passiva que lhe foi imposta, reitera a decadência em relação ao IRRF, PIS e Cofins e a inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 7 13 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO RECURSO DE OFÍCIO Na análise da infração referente a pagamentos sem causa a decisão recorrida manteve a exigência do IRRF referente a esses valores, mas entendeu que não caberia a adição ao resultado para efeitos de IRPJ e CSLL pois o montante em questão (R$ 381.113.660,68) não teria sido deduzido pelo sujeito passivo. Pelo exame dos autos, constatase que de fato as irregularidades foram apuradas no exame das contas patrimoniais, ou seja, a interessada não utilizou os valores em questão para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, correta a exclusão do lançamento. No caso da glosa de despesas não comprovadas (R$ 8.845.170,87), a decisão recorrida constatou que parte desse montante (R$ 4.485.360,86) foi objeto de estorno na contabilidade e não afetou o resultado. Assim, não se justificaria a manutenção da exigência, motivo pelo qual também nesse ponto o Acórdão não merece reparo. Também agiu corretamente a decisão hostilizada em cancelar a glosa de juros no valor de R$ 170.853,67; sob pena de lançamento em duplicidade, pois o valor foi tributado ao mesmo tempo como tendo origem em empréstimos fictícios e excesso de juros pela aplicação das regras de preços de transferência. Por fim, a exoneração de parte da exigência do PIS deveuse à utilização da alíquota de 1,65% , quando o correto seria 0,65%. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO 1) Auto de Infração – nulidade: O sujeito passivo argúi a nulidade da autuação em razão da ausência de motivação na aplicação do artigo 124, I do CTN, uma vez que não teria sido apontado nos lançamentos o fundamento material do vínculo direto que justificaria a sujeição passiva da Recorrente, acarretando infração aos princípios da legalidade estrita, tipicidade cerrada e ampla defesa. Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 A meu ver, a questão suscitada envolve diretamente o mérito da lide pois os principais argumentos de defesa voltamse justamente para a sujeição passiva. Assim, se na análise do mérito este Colegiado entender pela ausência de razões suficientes que justifiquem a responsabilização, seria o caso de cancelar a solidariedade e não o auto de infração. Rejeitase a preliminar. 2) Decadência: A argüição de decadência envolve os valores tributados a título de IRRF, PIS e Cofins. Em relação à decadência, pauto minha linha de raciocínio no sentido de o prazo decadencial foi definido como regra geral no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.....) Por outro lado, dentre as modalidades de lançamento definidas pelo CTN, o art. 150 trata do lançamento por homologação. Nesse caso, o § 4º do dispositivo estabeleceu regra específica para a decadência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (......) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Hodiernamente, a grande maioria dos tributos submetese ao lançamento por homologação, como é o caso do IRRF. Assim, circunstancialmente, aquilo que representava uma regra específica tornouse norma geral para efeitos de contagem do prazo decadencial. Sob essa ótica, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deveria ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN. Entretanto, este julgador não pode ser alheio às decisões prolatadas pelas Cortes Superiores, principalmente quando em caráter de definitividade. A 1º Seção do STJ, em sessão de 12/08/2009, manifestouse no sentido de que, para os tributos em questão, na ausência de pagamento devese proceder à contagem do prazo decadencial sob a regra do inciso I, do art. 173, do CTN (destaques acrescidos). Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 8 15 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vêse pela transcrição acima que a Corte submeteu a decisão ao art. 543C do Código de Processo Civil o que significa darlhe efeito repetitivo. Assim, qualquer recurso sobre essa matéria será decidido da mesma forma. O Regimento Interno do CARF foi recentemente modificado com acréscimo do art. 62A, abarcando essa situação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando que não ficou demonstrado nos autos o auferimento de receitas que tivessem gerado pagamentos de IRRF, devese aplicar a regra do inciso I, do art. 173 do CTN. Nessa linha, o termo inicial para contagem do prazo decadencial seria 01/01/2003 e o termo final 02/01/2008. Com ciência da autuação em 26/12/2007, não ocorreu a caducidade. Em relação ao PIS e à Cofins o sujeito passivo suscitou acertadamente que o fato gerador dessas contribuições é mensal e não caberia a autuação com fato gerador anual. Sustenta que a formalização da autuação de forma correta implicaria na ocorrência da decadência para essas contribuições. Ainda que pela regra do inciso I, do art. 173, do CTN; a decadência não se caracterizasse, fato é que a recorrente suscitou o erro na formalização da exigência. A apuração anual representa vício material insanável em relação aos meses de janeiro a novembro, sendo incabível a manutenção da exigência quanto às receitas consideradas auferidas e omitidas nesses meses. Verificase ainda a inocorrência de omissão de receitas no mês de dezembro e, por conseguinte, base de cálculo das contribuições. Dessa forma, as autuações do PIS e da Cofins devem ser integralmente canceladas. 3) Responsabilidade solidária: Além de questionar a aplicabilidade ao presente caso do art. 124, inciso I, do CTN; utilizado pela autoridade fiscal como base legal para estabelecer a sujeição passiva da Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 9 17 recorrente, a interessada suscita que a não sujeição da impugnante a débitos de titularidade da autuada teria sido decretada judicialmente. Os documentos apresentados pela interessada e que demonstrariam suas alegações foram analisados perfunctoriamente pela decisão recorrida que, sem qualquer comentário adicional, simplesmente afirmou: “Os documentos apresentados não provam que a decisão transitou em julgado e não demonstram que não pode ser atribuida responsabilidade tributária solidária impugnante. Argumento improcedente.” A recorrente ingressou com pedido de recuperação judicial e dentre as medidas previstas no respectivo Plano encontravase a alteração do seu controle acionário, detido então pela PPL (também em recuperação judicial), que seria alienado judicialmente a terceiros, dentro do processo judicial. Tal operação foi efetivada em abril de 2006, tendo sido o controle acionário da Impugnante alienado à sociedade Lácteos do Brasil S/A. Essa última requereu, junto ao respectivo Juízo, a declaração incidental no sentido de que a empresa recuperanda recorrente não se encontraria suscetível à responsabilização por obrigações de terceiros. Após manifestação inicial, objeto de embargos de declaração, o magistrado decidiu nos seguintes termos (destaque acrescido): Acolho os embargos de declaração especificando que decisão embargada ao acolher o pedido, teve por finalidade declarar que a LÁCTEOS e as unidades que adquiriu não são sucessoras, da vendedora, de quaisquer ônus decorrentes de quaisquer obrigação, nos termos do art. 61, "caput" e parágrafo único, da Lei n. 11.101/05 e evidentemente que não dela mesma. O art. 60, da Lei nº 11.101/05 (e não o art. 61, mencionado por lapso) estabelece: Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei. Parágrafo único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, observado o disposto no § 1o do art. 141 desta Lei. Do até aqui exposto, em sentido diverso ao pronunciamento da decisão recorrida entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de abrigo judicial para não ser responsabilizada por dívidas tributárias da autuada. Mesmo que fosse superada essa questão, restaria a análise das razões que levaram a Fiscalização ao entendimento quando à existência da responsabilidade solidária da recorrente. Nesse ponto, é fundamental para o deslinde o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 2 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No caso de grupos econômicos definidos pela participação societária, como no presente caso, tal circunstância , por si só, não define juridicamente o interesse comum. O interesse jurídico se caracteriza quando a situação realizada por uma pessoa é capaz de gerar os mesmos direitos e obrigações para a outra. E este tipo de interesse não existe entre sociedades que mantêm a sua independência e distinção, ainda que vinculadas a um objetivo econômico comum. Para que duas sociedades tivessem interesse jurídico comum capaz de imputar a solidariedade, seria necessário que ambas tivessem realizado conjuntamente o fato gerador tributário, como, por exemplo, que ambas fossem proprietárias do mesmo imóvel, ou que tivessem prestado um serviço em conjunto ou que tivessem alienado um produto ao mercado consumidor em parceria. 3 Sob esse prisma, a autoridade fiscal não apontou qualquer circunstância que estabelecesse um liame da coobrigada com a ocorrência do fato gerador, derivado de ações ou omissões praticadas exclusivamente pela autuada. 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 2 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. 3 idem Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 10 19 Do exposto, voto por dar provimento ao recurso e determinar a extinção da sujeição passiva solidária. Tendo em vista o cancelamento da sujeição passiva solidária, fica prejudicada a argüição quanto à impossibilidade de a responsável solidária responder pelas multas aplicadas à contribuinte, PPL, em respeito à pessoalidade da pena. 4) Juros de mora sobre a multa de ofício: A questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida junto com o tributo adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 11 21 Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 12 23 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 24 Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 13 25 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano4 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só 4 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 26 o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 14 27 Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 28 artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício5: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. 5 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000004/200838 Acórdão n.º 1402001.481 S1C4T2 Fl. 15 29 DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 30 Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. 6) Resumo: Em resumo, conduzo meu voto no sentido de negar provimnento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a sujeição passiva do coobrigado e cancelar as exigências do PIS e da Cofins. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
