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Numero do processo: 13603.002395/2004-70
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
Ementa: Perícia. Desnecessidade. Não há necessidade de se realizar perícia a fim de apurar a existência de áreas ambientalmente protegidas, conquanto a própria fiscalização admite a existência de tais áreas, tornando-se incontroversa a declaração firmada pela contribuinte recorrente. Discutir-se-á, pois, a necessidade tão-somente formal de apresentação tempestiva de ADA.
Imóvel cravado em área de Proteção Ambiental e Preservação Permanente. Decreto juntado aos autos. Exclusão da obrigação tributária. Desnecessidade de Ato Declaratório Ambiental tempestivo por ausência, à época da ocorrência do fato gerador, de lei impondo prazo para cumprimento de tal obrigação. Isenção reconhecida. Aplicabilidade da Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001.
RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO
Numero da decisão: 301-33.937
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de
nulidade. No mérito, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Desnecessidade. Não há necessidade de se realizar perícia a fim de apurar a existência de áreas ambientalmente protegidas, conquanto a própria fiscalização admite a existência de tais áreas, tornando-se incontroversa a declaração firmada pela contribuinte recorrente. Discutir-se - d, pois, a necessidade tão-somente formal de apresentação tempestiva de ADA. Imóvel cravado em área de Proteção Ambiental e Preservação Permanente. Decreto juntado aos autos. Exclusão da obrigação tributária. Desnecessidade de Ato Declaratório Ambiental tempestivo por ausência, A época da ocorrência do fato gerador, de lei impondo prazo para cumprimento de tal obrigação. Isenção reconhecida. Aplicabilidade da Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001. RECURSO A QUE SE DA PROVIMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. • Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.° 301-33.937 CC03/C01 Fls. 165 "rb OTACiLIO DANTA* C ' • TAX() - Presidente SUSY GOMES HOFF ANN - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fons8ca de Menezes, George Lippert Neto, Adriana Giuntini Viana e Irene Souza da Trindade Torres. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. Fez sustentação oral o advogado Dr. Lauro de Oliveira Vianna OAB/RJ n° 130.789. • Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.° 301-33.937 CC03/C01 Fls. 166 Relatório Cuida-se de impugnação de Auto de Infração, de fls. 01/10, no qual é cobrado o Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 1999, sobre o imóvel denominado "TERRENO DO MORRO VELHO PEDRO PAULO", localizado no Município de Brumadinho — MG, com área total de 15,82ha, cadastrado na SRF sob o n° 5.454.625-7, no valor de R$ 4.151,96, acrescido de multa de lançamento de oficio e juros de mora, calculados até 30/11/2004. Segue na integra, para melhor abordagem da matéria, relatório processual apresentado pela P Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasilia — DF, que passa a fazer parte deste: "Por meio do Auto de Infragdo/anexos de fls. 01/10, a contribuinte em referência intimada a recolher o crédito tributário de R$ 4.151,96, correspondente ao lançamento do ITR do exercício de 1999, da multa proporcional de 75% e juros de mora calculados até 30/09/2004, incidente sobre o imóvel rural "Fazenda Serrinha", NIRF 5.454.625-7, com área de 15,82ha, localizado no Município de Brumadinho — MG. A descrição dos fatos, o enquadramento legal da infração e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora constam ãs fls. 03/06 e 08/10. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/I999 (fls. 22/27), iniciou-se com o termo de intimação de fls. 11/12 para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: - Laudo Técnico nos termos das normas da ABNT, Ato Declaratório Ambiental (ADA) do IBAMA/órgelo conveniado, coin o reconhecimento da área declarada como de utilização limitada, além de ato do órgão que tenha declarado essa área de interesse ecológico, em caráter especifico. Em atendimento, a interessada apresentou as correspondências de fls. 16 e os documentos de fls. 17/27. No procedimento de verificação das informações apresentadas e da DITR1I999, a autoridade fiscal procedeu a lavratura do auto de infração, glosando as áreas declaradas de preservação permanente (12,6ha) e de utilização limitada (I45,6ha), com conseqüente aumento da área tributável/aproveitável, da aliquota de cálculo e do VTN tributável, apurado imposto suplementar de R$ 1.572,00 conforme demonstrativo de fls. 06. Cientificada do lançamento em 21/06/2005 (AR de fls. 37), a interessada apresentou em 20/07/2005, por meio de representantes legais, a impugnação de fls. 38/50, lastreada nos documentos de prova de fls. 68/103, alegando em síntese que: - de inicio, faz breve relato da exigência fiscal, dela discordando, e cita a fundamentação legal do respectivo auto de infração, baseado somente na apresentação intempestiva do ADA; Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.° 301-33.937 CC03/C01 Fls. 167 - o imóvel questionado tem área total de 158,2ha, sendo 12,9/ia de preservação permanente e 145,6ha de utilização limitada (interesse ecológico), sem qualquer area tributável, conforme ADA apresentado ao órgão ambiental em 03/12/2003; - a definição da área de preservação permanente está expressa nos artigos 1 e 2 da Lei 4771/1965 — Código Florestal (transcrito), cabendo ao contribuinte comprová-la com a apresentação do ADA, o que foi feito; - o ADA não foi aceito pela fiscalização, sob o argumento de ser intempestivo, para comprovar a area de utilização limitada da DITR/1999; no entanto o artigo 3 da MP n 2.166-67/01, que alterou o artigo 10 da Lei n 9393/1996, aboliu a exigência de apresentação desse documento, tendo sido transcrito o parágrafo 7° desse artigo, bem como o entendimento do 3 Conselho de Contribuintes e do STJ sobre o assunto; - com a promulgação do Decreto 35624/1994, que crio a área de proteção ambiental APA SUL RMBH, a regido a que situa o imóvel passou a ser considerada como área de utilização limitada de interesse ecológico; - transcreve, parcialmente, o artigo 10 da Lei 9393 bem como o artigo 10 da IN SRF 43/97, no que diz respeito à exclusão dessas áreas da área tributável; - o imóvel em questão, por estar contido na APA SUL RMBH, foi declarado de interesse ecológico pelo Decreto 35624/1994, destacando ser absolutamente desnecessário a apresentação do ADA exigido pela fiscalização; - assim, a falta ou apresentação intempestiva do ADA não pode determinar a glosa efetuada ela fiscalização, devendo o Auto de Infração ser desconstituído e a respectiva exigência fiscal, cancelada; requer a realização de eventual perícia e lista os requisitos a serem respondidos, na hipótese de as alegações e os documentos apresentados não serem considerados suficientes para tanto; - por fim, a impugnante requer seja reconhecida a total improcedência do lançamento fiscal em causa." Em razões de voto, o Nobre Relator destacou que "não se discute no presente processo a existência efetiva das áreas de utilização limitada (de interesse ecológico), tendo sido exigido o seu reconhecimento mediante ato do IBAMA/órgdo conveniado ou que confirmasse a protocolização do requerimento do ADA, no prazo de seis meses estipulado por ato normativo". Razão principal da autuação face ao descumprimento formal da apresentação do ADA tempestivamente. A impugnante, inconformada com o julgamento apresentado pela Delegacia da Receita Federal, interpôs recurso voluntário de fls. 119/136. Da análise atenta do presente recurso, nota-se que o Recorrente reafirmou seus argumentos de impugnação ao lançamento, trazendo a baila todo histórico do processo administrativo. Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.° 301-33.937 CC03/C01 Fls. 168 Destacou especificamente em razões de recurso os seguintes pontos: A exigência fiscal; 0 imóvel objeto da autuação, Preliminarmente: Da nulidade do v. Acórdão Recorrido, Do mérito: a) Da efetiva existência da área de utilização limitada, b) A falta de apresentação do ADA não pode determinar a glosa das áreas excluídas da tributação, c) A apresentação do ADA é mera obrigação acessória, Conclusão e Pedido. A preliminar de nulidade levantada subsume-se na negativa da realização de perícia, em busca de constatar a existência efetiva das áreas de utilização limitada na propriedade da Recorrente. 0 Fisco entendeu, por outro lado, que é indiferente a prova da existência destas áreas, vez que não foi cumprida a contento a protocolização tempestiva do ADA. No mérito, sustentou a desnecessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), pois é mera obrigação acessória que não influi na existência efetiva das áreas materialmente isentas. Colacionou ainda legislação que embasa toda sua persecução jurídica, notadamente, a Lei n° 9.393/96, que lhe permite concluir não tributável o imóvel objeto do processo de cobrança de ITR. Citou inúmeros julgados deste Conselho e decisão do STJ ao seu favor. Por fim, postulou pela nulidade do processo por ausência de perícia e, alternativamente, requereu seja julgado improcedente o lançamento, com o cancelamento da exigência fiscal e o arquivamento dos autos. o Relatório. • Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.°301-33.937 CCONC01 Fls. 169 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Conheço do Recurso por preencher os requisitos legais. Cuida-se de impugnação de Auto de Infração, de fls. 01/10, no qual é cobrado o Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 1999, sobre o imóvel denominado "TERRENO DO MORRO VELHO PEDRO PAULO", localizado no Município de Brumadinho — MG, com área total de 15,82ha, cadastrado na SRF sob o n° 5.454.625-7, no valor de R$ 4.151,96, acrescido de multa de lançamento de oficio e juros de mora, calculados até 30/11/2004. Preliminarmente, no tocante à nulidade postulada em razões recursais por ausência de realização de perícia sobre as áreas de utilização limitada, passa-se a considerar e decidir. Da análise dos autos, tem-se por desnecessária a realização de perícia em busca de provar a efetiva existência das áreas de utilização limitada, visto que é matéria incontroversa nos autos, reconhecida por ambas as partes. Neste sentido, inclusive, em razões de voto o Fisco já sinalizou sua efetiva existência, nos seguintes termos: "Com relação à perícia solicitada, entendo ser ela desnecessária no processo. Aqui não se discute a existência de área de utilização limitada, mas as exigências previstas na legislação para ser excluída da tributação do ITR, não cabendo ei autoridade administrativa produzir provas relativas a área declarada. Portanto, não há justificativa para perícia. 0 lançamento limitou-se a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados pela Impugnante, não havendo matéria controversa ou de complexidade que demande parecer técnico complementar." Ora, em vista destes argumentos, denota-se que o Fisco não impugnou a existência das áreas consideradas isentas, mas tão-somente o procedimento e falta de requisito formal para torrid-1as isentas, qual seja, a protocolização tempestiva de ADA. Desta feita, se o Acórdão recorrido não acatou o pedido de perícia em vista de entender que não há controvérsias, esta Relatora não vislumbra qualquer nulidade no referido Acórdão, de tal forma que AFASTO A PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.. Segue a análise meritória em busca de extrair qual o melhor direito pleiteado nestes autos. Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.° 301-33.937 CC03/C01 Fls. 170 Discute-se assim, inicialmente, para não tributação, o preenchimento de determinadas condições em busca do reconhecimento isencional efetuado pelo Poder Público, por meio de ato normativo, atestando a existência de áreas de interesse ecológico e preservação permanente consoante dispostas no Código Florestal e na legislação do ITR. Dentre estas condições, questiona-se a necessidade de requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental — ADA protocolizado tempestivamente, em prazo legalmente estabelecido junto ao IBAMA, ou órgão legalmente autorizado. Sabe-se, no entanto, que a observância tão-somente formal de instrução normativa da SRF que sequer tem status de lei não é o melhor posicionamento. Os autos estão visivelmente doc. umentados, com provas de parte importante do alegado, principalmente, coin juntada do Decreto que declarou a área de Proteção Ambiental, fls. 86/90, e ADA de 1997, ainda que intempestivo, atestando a área de 158ha como sendo de preservação permanente e interesse ecológico, fls. 74. . Sabe-se ainda que em âmbito administrativo e judicial há decisões no sentido de dispensar a apresentação de ato declaratório ambiental, com a finalidade de excluir da base de cálculo de ITR das áreas de interesse coletivo e ambiental. Este entendimento inclusive foi acolhido pelo ordenamento jurídico atual, por ser razoável e lógico dispensar apresentação do ADA, vez que é dever do Estado fiscalizar e arrecadar segundo os limites da lei, não podendo transferir excessivamente tais tarefas ao particular. Nos termos do § 7°, do artigo 10, da Lei 9393/96, com redação dada pela MP 2166- 67, de 24 de agosto de 2001: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologaccio posterior. §1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I - VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.° 301-33.937 CC03/C01 Fls. 171 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluído pela Lei n° 11.428, de 2006) (.-) § 7 — A declaração para fim de isenção do ITR relativa as areas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, §1, deste artigo, não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta lei, caso fique comprovada que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." Fato normativo este que opera efeitos para o passado, por ser mais benéfico, por ser interpretativo, por deixar de prever a exigência de ação, nos termos do artigo 106 do CTN. Cabe ressalva ainda ao julgado do STJ e ás lições do Professor Paulo de Barros Carvalho, que desenvolvem lapidar aplicação desta norma jurídica, no mesmo sentido postulado pelo Contribuinte. A jurisprudência já sinaliza seu posicionamento nos termos do conhecido julgado do C. STJ, proferido pelo Renomado Ministro Relator Luiz Fux, com data de julgamento de 06.12.2005, no Resp 668001-RN, que se aplica perfeitamente ao caso: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO DO IBAMA. MP . 2.166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERANCIA DA LEX MITIOR. 1. Autuação fiscal calcada no fato objetivo da exclusão da base de calculo do ITR de area de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7 ao art. 10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicar-se a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as areas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7°, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.°301-33.937 CC03/C01 Fls. 172 devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Estabelece o parágrafo 4° do artigo 39 da Lei n° 9.250/95 que: "A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIG para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. 5. A taxa SELIC representa a taxa de juros reais e a taxa de inflação no período considerado e não pode ser aplicada, cumulativamente, com outros indices de reajustamento. 6. Destarte, assentando o Tribunal que "verifica-se, entretanto, que na data da lavratura do auto de infração 15/04/2001, já vigia a Medida Provisória de n. 2.080-60 de 22 de fevereiro de 2001, que acrescentou o parágrafo sétimo do art. 10 da Lei 9.393/96, onde o contribuinte não está sujeito à comprovação de declaração para fins de isenção do ITR. Ademais, há nos autos ets fls. 37, 45, 46, 66, 69, documentos hábeis a comprovar que na área do imóvel está incluída áreas de preservação permanente (208,0ha) e de reserva legal (100ha) que são isentas et cobrança do ITR, consoante o art. 10 da Lei 9393/96". Invadir esse campo de cognição, significa ultrapassar o óbice da Súmula 7/STJ. 7. Recurso especial parcialmente conhecido improvido. (grifo nosso) Dessa forma, nos termos anotados pela nova legislação, a isenção de tais Leas para fins ambientais, de preservação permanente, reserva legal e sob regime de servidão florestal ou ambiental, independe de prévia comprovação pelo declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira. Ademais, no presente caso, a área de interesse ecológico está devidamente comprovada visto que foi juntado o Decreto do Estado de Minas Gerais 35.624 de 08 de junho de 1994 que declara como Lea de proteção ambiental a regido situada nos municípios de Belo Horizonte, Brumadinho, Caeté, Ibirité, Itabirito, Nova Lima, Raposos, Rio Acima e Santa Bárbara. Uma vez que não há dúvidas de que a Lea do imóvel objeto do presente litígio está localizada no Município de Brumadinho. Há ainda que ser considerado que se todo o imóvel está no Município de Brumadinho, perde-se o interesse na Lea de preservação permanente, pois também está Lea é de interesse ecológico. Ainda que assim não se entendesse a apresentação do ADA, ainda que intempestivo é prova que favorece a Recorrente. Nessa mesma linha de entendimento, tem-se ainda inúmeros julgados do CSRF pela desnecessidade de comprovação prévia da área ambiental protegida, que pode ser provada por outros meios e em momento oportuno, nos termos dos Recursos 303-125407, 303-123611, 303-123968 e 303-124007. • Processo n.° 13603.002395/2004-70 Acórdão n.° 301-33.937 CC03/C01 Fls. 173 Razão pela qual, demonstrada a existência de tais Leas, deve-se acolher a declaração da contribuinte. Acrescenta-se que a norma jurídica trazida pela MP 2.166-67, certamente, também tem efeito retroativo, por ser mais favorável ao contribuinte, vez que se trata de ato não definitivamente julgado, que deixa de exigir ação não fraudulenta, qual seja, a apresentação do Ato Declaratório do IBAMA — ADA, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Sendo aplicada ao presente caso. Outrossim, repisa-se que a própria fiscalização não impugnou a existência da área de interesse ecológico, sendo, pois, devida a isenção. Este Colendo Conselho de Contribuintes tem decidido neste sentido, favoravelmente à Recorrente: "Descabida a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área da Reserva Legal da propriedade (Preservação Permanente e de utilização limitada) em função da não apresentação de Ato Declaratório Ambiental — ADA anteriormente aprovado pelo IBAMA, fatos estes que foram devidamente sanados e comprovados devidamente, mesmo fora do prazo, durante a fase processual administrativa." (Acórdão n°303-31752) "Estando devidamente comprovada nos autos, por documentos inianeos, a existência de áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, as mesmas devem ser excluídas da base de cálculo do ITR incidente sobre a propriedade territorial rural. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE (Acórdão n ° 302-35810)." Por derradeiro, anota-se que o cumprimento tempestivo de apresentação do ADA pode, sem dúvida, ser substituído pelo Decreto que criou a Lea de interesse ecológico, que tem igual ou maior publicidade e vincula legalmente a própria Administração quanto aos direitos e obrigações dele originados, possibilitando inclusive, a isenção fiscal sobre a área ambientalmente protegida. Posto isto, afasto a preliminar de nulidade do acórdão e voto, no mérito, pelo PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário, acolhendo-se integralmente o pedido postulado nestes autos, para declarar a isenção da Lea objeto do lançamento de fls. 01/10. como voto. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2007 SUSY GO S HOFFM NN - Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005248/00-38
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 105-01.173
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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FORfVlALlZADO EM: O 8 OEI 2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BAHIA SUL CELULOSE S/A Processo n.o. Recurso n.o. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 2 .eguimento sem garantia administrativa, RELATÓRIO 132.282 BAHIA SUL CELULOSE S/A "ACORDAM os membros da Segunda Turma de Ju/gamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento de que trata o Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, que reduziu o imposto de renda a compensar ou a ser restituído declarado pela Contribuinte, no ano-calendário de 1995, em R$ 577.401,15 (...), restando a compensar ou a ser restituído o valor de R$ 2.153.243,59 (...)" O Acórdão esclareceu a decisão (fls. 48): "DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. ERROS DE FATO. COMPROVAÇÃO. OS erros ou inexatidões contidos na declaração de rendimentos devem ser perfeitamente demonstrados e comprovados com documentação idônea. Lançamento procedente. JJ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.o. 10580.005248/00-38 Resolução n° 105-1.173 Recurso n.o. Recorrente BAHIA SUL CELULOSE S/A, empresa qualificada nos autos, recorreu (fls. 54 a 63), em 26.12.2001 (fls. 54), da decisão da 28 Turma da DRJ em Salvador, Bahia, consubstanciada no Acórdão n° 376/2001 (fls. 48 a 52), da qual tomou ciência em 04.12.2001 (fls. 52), portanto, tempestivamente, que manteve integralmente exigência relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica do ano de 1995, cujo resumo está assim refletido na ementa (fls. 48): O recurso é tempestivo e te", uma vez que não contém crédito tributário. A exigência está baseada na alteração de valores, procedida pela fiscalização, conforme demonstrativo de fls. 05 do Lucro da Exploração, sobre cujo valor se assentam os benefícios da Sudene. A decisão recorrida (Acórdão n° 367/2001 (fls. 48 a 52) manteve a redução do valor a ser restituído trazido na declaração original, em R$ 577.401,15, remanescendo a restituir R$ 2.153.243,59, e apresentou, basicamente os seguintes argumentos (fls. 51): 3 aíitJessada não apresenta qualquer ar suas alegações, tais como os ~' ] Observa-se, no entanto, que documento que possa com MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.o. 10580.005248/00-38 Resolução nO 105-1.173 "De acordo com o Demonstrativo de Apuração da Redução ou Isenção à fi. 05, nota-se que, realmente, o lançamento decorreu da constatação de que a Interessada, em sua declaração de rendimentos do exercício de 1996, adicionou ao lucro líquido, para cálculo do lucro da exploração, a título de Resultados em Participações Societárias (linha 03 da Ficha 22, à fi. 16), um valor superior ao informado na linha 13 da Ficha 06 (fI. 14), também relativo a Resultados Negativos em Participações Societárias, na demonstração do lucro líquido. A Impugnante alega que teria contabilizado, indevidamente, na linha 22 da Ficha 05 (Despesas Operacionais) de sua declaração de rendimentos, o valor apurado como provisão para perdas prováveis na realização de investimento em uma subsidiária integral, tratando-se de um resultado em participações societárias e, portanto, não operacional, sendo devida sua adição ao lucro líquido para a apuração do lucro da exploração. Conforme impugnação (fls. 31 e seguintes), a diferença teria decorrido da "adição do valor da provisão para perdas prováveis na realização do investimento mantido pela IMPUGNANTE na Bahia Sullnternational Trading Ud, subsidiária integral com sede na Ilhas Caiman.". O valor é de R$ 1.360.272,21. A empresa considerou o referido valor indevidamente como despesa operacional, quando deveria ter classificado como resultado negativo em participações societárias. 4 E, encerrando a peça decisória a autoridade administrativa assim se expressou (fls. 52): 4 "11. Como o lançamento foi efetuado com base nos próprios elementos informados na declaração de rendimentos, e não trazendo a impugnante qualquer comprovação dos erros alegados, deve ser mantida a exação como efetuada pelo agente fiscal." A declaração de rendimentos apresentada pela Contribuinte representa confissão de dívida e expressão de verdade. Erros que porventura ocorram devem ser demonstrados com documentos hábeis a comprová-los." "FICHA 22 - DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO- LINHA 03 - RESULTADOS NEGATIVOS EM PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS Questionamento: o valor apresentado nesta linha (R$ 6.387.384,24) está diferente do da ficha 06 - demonstração do lucro real linha 13 (R$ 5.027.111,67). A diferença de R$ 1.360.272,71 se refere a provisão para perda em investimentos (em função de investimento em controlada com patrimônio líquido negativo) que, segundo a legislação societária, deve ser considerado como despesa administrativa, apesar de ter o mesmo efeito da equivalência patrimonial. Na ficha 06 este valor está dentro da linha 10 - Despes Operacionais, que vem transportada da Ficha 05. O or.tJe R$ 1.360.272,21 está considerado dentro da linha 22 d "ch} (R$ 6.014.334,88)." respectivos lançamentos da provisão argüida, nos Livros Diário e Razão, e o balanço da empresa controlada, demonstrando o patrimônio líquido negativo que justificasse a constituição dessa provisão. A recorrente, em 16.06.2000, prestou informações à fiscalização, respondendo ao pedido de esclarecimentos de fls. 06, portanto antes do procedimento do lançamento, que somente ocorreu em 19.06.2000, alertando que: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.o. 10580.005248/00-38 Resolução nO 105-1.173 5 Sem preliminares. 5MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.o. 10580.005248/00-38 Resolução nO : 105-1.173 Assim se apre~ processo para julgamento. O exame do demonstrativo de valores contido na peça impositiva (fls. 03), indica diferença, mediante alteração da ficha 08, linhas 10 e 07, com diferença de valor apurado de R$ 577.401,15, tendo descrito a infração como sendo (fls. 02): É o relatório. "VALOR DECLARADO COMO ISENTO DO IMPOSTO DE RENDA (ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE) CALCULADO EM VALOR MAIOR QUE O AMPARADO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA VIGENTE, CONFORME DEMONSTRA TlVO DE APURAÇÃO DE REDUÇÃO OU ISENÇÃO FICHA 22 EM ANEXO." A ficha 22 recomposta encontra-se a fls. 05 e ilustra tratar-se do cálculo do lucro da exploração. O recurso repisou os argumentos impugnatórios e se completou pela observação de que " ... a questão da comprovação da existência e justificativa da necessidade da constituição da provisão para perdas na realização de investimentos era incontroversa e em nenhum momento foi apresentada no Auto de Infração, sendo tal fato apenas trazido à luz posteriormente pelos julgadores, razão pela que permitiriam fossem refutados mediante apreciação da documentação comprobatória própria." E junta cópias autenticadas de balancetes, livro diário, DIRPJ e demonstrativo do cálculo da equivalência patrimonial. Não contendo exigência fiscal, mas apenas tendo reduzido o valor da restituição consignada na declaração de rendimentos da recorrente, o processo não necessita preparo de depósito administrativo ou arrolamento de bens. Já, a autoridade julgadora de primeiro grau, desconsiderou as informações e alegações trazidas na impugnação e simplesmente manteve a redução da restituição alegando não ter a impugnante comprovado o que alegava. Tendo sido intimada a prestar as informações que a fiscalização julgou necessárias, a empresa o fez, na forma da resposta contida a fls. 07. Como não lhe fora pedido para comprovar, nada comprovou, apenas informou. 6 6 Diante desse quadro, entendo que simplesmente manter a exigência sob alegação Tendo sido a redução da restituição provocada por procedimento interno da Repartição, sem fiscalização direta e restrito a um simples pedido de informações, sem dúvida o lançamento apresenta a mesma precariedade que caracterizou o procedimento da fiscalização. A questão inicialmente posta pela fiscalização, que ensejou a redução do montante do imposto a restituir, consignado na declaração de rendimentos, restringia-se a erro de apuração do lucro da exploração e seus eteitos no cálculo do imposto de renda, relativamente a empre'sa com os benetícios de redução do imposto da área da Sudene. O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.o. 10580.005248/00-38 Resolução n° : 105-1.173 E não o foram por simples desinteresse da recorrente. determinado diligência para robustecer o feito e obter certeza acerca da legitimidade da glosa procedida. 7MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.o. 10580.005248/00-38 Resolução nO : 105-1.173 Andou, sem dúvida, mal a autoridade julgadora em não proceder a diligência, ainda mais diante do quadro que revelava trata-se de provisão para perdas em investimentos, cuja constituição pressupõe o atendimento prévio de várias circunstâncias que definem ser ela dedutível ou não dedutível. Não o fez, o que provocou a insubordinação da recorrente que, alegando estranhar tal comportamento, já que mencionou o princípio da moralidade pública, juntou farta documentação visando comprovar o que informara à fiscalização. Simplesmente manter a glosa é postura cômoda que se mostra incompatível diante do princípio da obtenção da verdade material que rege o processo administrativo fiscal. Agora, o processo se encontra com as provas que a autoridade julgadora recorrida alega fossem necessárias a firmar o comportamento da recorrente, mas tais provas não foram apreciadas pela autoridade julgadora. Dessa forma, tratando-se de provas não apreciadas pela autoridade julgadora de primeiro grau, porque não constavam do processonas fases de atuação das referidas autor" e~ de boa prudência efetuar: I Não o foram, porque os termos do processo se limitavam a questionar a colocação em local inadequado de determinado valor, nunca de sua existência ou de falsa titulação ou distorções contábeis que mutilassem o resultado fiscal. , 8 DF, em 04 de novembro de 2003 . .1!i4t{~-<~ 1/ ~) ARfos PASSUELLO Assim, diante do que consta do processo, voto por converter o presente julgamento em diligência, na forma do voto, como acima detalhado. 8 b) Verificar a adequação dos cálculos da provisão mencionada e sua adequação quanto aos elementos de dedutibilidade que a revestem. a) Verificar se as cópias de documentos juntados a fls. 68 a 97 representam com fidelidade os lançamentos contábeis efetuados nos livros próprios, verificando ainda se refletem a totalidade dos registros pertinentes à formação da provisão mencionada, bem como se refletem com fidelidade a mesma provisão; Do teor da diligência deverá ser produzido relatório circunstanciado, cujo inteiro teor deverá ser levado à ciência da recorrente, para, querendo, manifestar- se sobre ele, no prazo de trinta dias. Poderá, ainda a autoridade administrativa aduzir quaisquer comentários e observações que julgar oportuno. Dessa forma, proponho converter o presente iulgamento em diligência, para que o processo retome à Repartição do domicílio do contribuinte, para que a autoridade própria de sua jurisdição mande proceder a diligência, que deverá verificar, objetivamente: verificação das mesmas, visando exclusivamente eliminar a possibilidade de sua apreciação parcial. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.o. 10580.005248/00-38 Resolução n° 105-1.173 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003178/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — INEXISTÊNCIA. A fiscalização deve buscar os esclarecimentos que entender serem necessários e efetuar as intimações pertinentes à formulação da acusação fiscal, inexistindo nesta fase investigatória qualquer ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU, CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pacífico o entendimento desta Câmara de que a a
manifestação do órgão julgador a quo a respeito de questão suscitada na defesa, e o indeferimento fundamentado do pedido para realização de perícias e diligências, não caracteriza cerceamento de do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
OPERAÇÕES COMERCIAIS. Comprovado que os valores creditados em
conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de terceiro, a exigência tributária deve ser dirigida à cobrança do IRPI e contribuições sociais.
INCONSTITUCIONALIDADE — SÚMULA n° 2 do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.708
Decisão: Acordam os Membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — INEXISTÊNCIA. A fiscalização deve buscar os esclarecimentos que entender serem necessários e efetuar as intimações pertinentes à formulação da acusação fiscal, inexistindo nesta fase investigatória qualquer ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU, CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pacífico o entendimento desta Câmara de que a a manifestação do órgão julgador a quo a respeito de questão suscitada na defesa, e o indeferimento fundamentado do pedido para realização de perícias e diligências, não caracteriza cerceamento de do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OPERAÇÕES COMERCIAIS. Comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de terceiro, a exigência tributária deve ser dirigida à cobrança do IRPI e contribuições sociais. INCONSTITUCIONALIDADE — SÚMULA n° 2 do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso provido.
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A fiscalização deve buscar os esclarecimentos que entender serem necessários e efetuar as intimações pertinentes à formulação da acusação fiscal, inexistindo nesta fase investigatória qualquer ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU, CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pacífico o entendimento desta Câmara de que a a manifestação do órgão julgador a quo a respeito de questão suscitada na defesa, e o indeferimento fundamentado do pedido para realização de perícias e diligências, não caracteriza cerceamento de do direito de defesa, OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OPERAÇÕES COMERCIAIS. Comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de terceiro, a exigência tributária deve ser dirigida à cobrança do IRPI e contribuições sociais, INCONSTITUCIONALIDADE — SÚMULA n° 2 do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar, qik ente José Rairfíund Santos - Relator EDITADO EM: O 3 [JEZ b Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage, Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão ri° 17-24.910, proferido pela 6a Turma da DRJ São Paulo II (fls. 1 .509/1,520), que, por unanimidade de votos, afastou as preliminares argüidas e, no mérito, julgou procedente o Auto de Infração de fls.. 1436 a 1443, com o respectivo Termo de Verificação às fls. 1427 a 1435, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas fisicas exercícios 2002 e 2003, anos-calendário 2001 e 2002, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 27.620.349,04, dos quais R$ 8.480.1.39,88 correspondem a imposto, R$ 6,419.999,34 a juros de mora, calculados até .31/10/2007, e R$ 12.720.209,82 a multa de oficio (fl. 1439), sob a acusação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários sem origem comprovada. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação tempestiva de fls. 1,448/1466, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário.- 2001, 2002 PRELIMINAR. DECADÊNCIA Coi?figurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa da contribuinte em evitar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que ao interessado foi franqueado pleno acesso às provas que embasaram a autuação e que as infrações e circunstâncias da autuação encontram-se detalhadas nos autos. Preliminar rejeitada. 2 Processo rf 19515 003178/2007-15 Acórdão n° 2101-00.708 El 711 PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado, pelos elementos constantes dos autos, ser o contribuinte o beneficiário dos depósitos que foram objeto da presente autuação, há que se refutar a argumentação de erro na identificação do sujeito passivo. Preliminar rejeitada, DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMISSÃO DE RENDIMENTOS Após 1' de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não lograr comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, QUALIFICAçÃo DA MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a qualificação da multa de oficio, consubstanciadas pela tentativa de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto, é de se manter a multa de alicio de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre o imposto incidente sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em conta-corrente. Lançamento Procedente O recurso voluntário interposto (fls. 749/810) reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a qua Inicialmente esclarece que os valores que transitaram em suas contas Goldrate Corporation (90075.32) no Merchants Bank de New York e Lespan (6550845306) no Bank of América NA tinham como origem e destino outras contas mantidas no exterior, de clientes ou parceiros, decorrentes de suas atividades no mercado de "cambio paralelo", conforme consta do processo criminal em que é réu e no qual consta que requereu os beneficios da delação premiada (ação penal ri° 2005.70.00.034014-5 em trâmite na 2 a Vara Federal Criminal de Curitiba/PR), e que à exceção de pequenos spread's cobrados pelo serviço, os valores eram integralmente debitadas daquelas contas e creditados em contas bancárias dos beneficiários, na maioria dos casos, identificados com nome e número de conta, fato conhecido pela fiscalização, pois, segundo alega, estaria cobrando IR de alguns beneficiários, com base na mesma documento oriunda do processo criminal. O lançamento seria ilegal, pois estaria sendo exigido o tributo do autuado e de seus clientes. Afirma que a decisão recorrida deixou de analisar pedido consignado na impugnação, nos termos do artigo 37 da Lei 9348/99, em que requereu fossem juntadas as informações a respeito dos lançamentos realizados com base nas mesmas movimentações financeiras. Sustenta que, ainda que se reputasse desnecessária a diligência requerida, esta necessariamente teria que ser objeto de manifestação, por meio de decisão devidamente fundamentada. Ainda em preliminar suscita a decadência do direito da fazenda pública constituir o crédito tributário para os periodos de janeiro/2001 a outubro/2002, considerando o 3 fato gerador mensal (§ 4° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96) e sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4' do CTN, tendo em vista a inexistência de dolo, fraude ou simulação. Argumenta que a aplicação da presunção sobre os depósitos bancários não deve ser estendida à aplicação da multa qualificada. Acrescenta, ainda, que mesmo na aplicação do prazo do artigo 173, inciso 1, do CTN, restaria decaído os créditos referentes ao ano de 2001, cujo prazo inicial seria 01/01/2002 e prazo final em .31/12/2006, considerando que a data da lavratura do Auto de Infração (22/11/2007). Colaciona jurisprudência e conclui que não se sustenta a tese da Fazenda de que o início da contagem é o primeiro dia do exercício seguinte ao dever de declarar a renda, tendo em vista que, se o contribuinte adota pagamento pelo camê-leão, nada impede que seja lançado o tributo no próprio exercício. Aduz também que se aplica a este caso a equiparação prevista no artigo 150 do RIR.. Argúi cerceamento do direito de defesa do lançamento, pois foi intimado para esclarecer, em apenas oito dias, as origens, beneficiários e lucros de todas as movimentações realizadas nas referidas contas bancárias, durante vinte e quatro meses, sendo ignorado pela fiscalização o seu pedido para ampliação do prazo, com a lavratura do Auto de Infração sob o fundamento de não comprovação da origem dos recursos. O procedimento administrativo violou o princípio da ampla defesa e do contraditório ao não permitir prazo razoável ao contribuinte para esclarecer as operações, sendo nulo o Auto de Infração. Discorre acerca do caráter restritivo e subsidiário das presunções e conclui ser inaplicável a norma do artigo 42 da Lei if 9.4,30, de 1996, pois a autoridade fiscal, com base nas informações oriundas do processo criminal, conhecia a origem e o destino dos recursos movimentados nas contas bancárias, pois as provas a ele requeridas .já estavam na posse da própria Administração Tributária, a qual se utilizou dos dados referentes às entradas e ignorou completamente as respectivas saídas. Aduz que a origem da ação fiscal, corno descrito no Termo de Verificação Fiscal, é o conjunto de informações e documentos que indicam a prática de atividade de câmbio no mercado paralelo. Transcreve o artigo 150 do RIR/99 e os artigos 4' e 126 do CTN para concluir que as operações financeiras envolvidas no presente processo constituíram atividade que devem ser, necessariamente, para efeitos de tributação, equiparadas à pessoa jurídica. Portanto, o erro na identificação do sujeito passivo, neste caso, também implicou em erro na constituição do crédito tributário quanto aos tributos exigidos. Pugna pelo cancelamento do Auto de Infração, por se tratar de erro em elemento essencial ao lançamento. Argumenta que o artigo 150, IV, da Constituição Federal estabelece vedação à utilização do tributo para fins confiscatórios, e que os seus bens bloqueados na ação penal, acumulado ao longo de toda a vida, não chega a 5% do crédito tributário exigido, sendo evidente a exigência de imposto sobre patrimônio de seus clientes. Sobre a multa qualificada, sustenta que a autoridade fiscal em momento algum comprova a ocorrência de dolo. A simples omissão de rendimentos não basta para que o intuito de fraude fique configurado. Colaciona jurisprudência e conclui não ser possível a extensão da presunção à multa, Argúi que a decisão recorrida não se manifestou sobre a matéria. Na hipótese de não ser anulado o lançamento, requer a exclusão da tributação de todos os valores cujos beneficiários já foram identificados e, provavelmente, autuados, com base mesmos documentos que amparam este lançamento, e a desqualificação da multa de oficio. 4 4 Processo n" 19515 003178/2007-15 S2-CM Acórdão n ° 2101-00.708 El 712 Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito as preliminares argüidas. O recorrente entende que seu direito de defesa foi cerceado durante o procedimento de fiscalização, pela exigüidade do prazo para prestar esclarecimentos acerca da origem dos créditos bancários, Contudo, não se vislumbra nos autos o alegado cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que em momento anterior o autuado já havia sido instado a comprovar a origem dos créditos bancários, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Ademais, o contencioso administrativo se reporta à inflação fiscal imputada ao sujeito passivo e às provas que lhe dão suporte. A fiscalização tributária tem por objetivo verificar o cumprimento da legislação fiscal, inclusive com a intimação de terceiros para prestar informações sobre os fatos que pretende esclarecer, o que se reflete no teor dos dispositivos legais que conferem tal poder aos órgãos do Fisco, consolidados nos artigos 927 e 928 do Decreto n°3000, de 1999 — RIR/1999,, Na fase investigatória, a fiscalização deve buscar os esclarecimentos que entender serem necessários à condução do seu trabalho, juntando aos autos os elementos de prova necessários à formulação da acusação. Se estes são insuficientes para comprovar o fato jurídico tributário indicado no lançamento, caberá ao Órgão julgador se manifestar nesse sentido, e não declarar a nulidade do lançamento, por desobediência aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, inexistente na fase investigativa. Sem auto de infração não há que se falar em processo administrativo, pois o lançamento tributáiio é o ato administrativo que concretiza a aplicação da norma geral e abstrata, impondo ao sujeito passivo uma relação jurídica inexistente até aquele momento. Não é outro o entendimento de James Marins, in Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), São Paulo, Dialética, 2001, p. 180, que, ao dissertar sobre os princípios informativos do procedimento fiscal, reporta-se ao princípio da inquisitoriedade e diz do caráter inquisitório do procedimento administrativo que decorre da relativa liberdade que concedida à autoridade tributária em sua tarefa de fiscalização e apuração dos eventos de interesse tributário, e demarca a diferença entre o procedimento administrativo de lançamento e o processo administrativo tributário, dizendo ser o primeiro procedimento preparatório que pode vir a se tornar um processo, e releva a inquisitoriedade que preside o procedimento de lançamento, nos seguintes termos: Enquanto que a inquisitoriedade que preside o procedimento permite — dentro da lei — uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, as garantias do processo enfeixam o atuar administrativo, criando para o contribuinte poderes de participação no iter do julgamento (contraditório, ampla defesa, recursos...), Então, o procedimento . fiscal é informado pelo principio da inquisitoriedade no sentido de que as poderes legais 1-? investigatórias (princípio do dever de investigação) da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares (princípio do dever de colaboração) que não atuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão.fiscat As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa estão preservadas quando o contribuinte é notificado do lançamento, e lhe é garantido o prazo de trinta dias para impugnar o feito (Decreto n° 70.235, dei 972, artigo 15), ocasião em que pode alegar as razões de fato e direito a seu favor e produzir provas do alegado. Pacífico também o entendimento desta Câmara de que o indeferimento fundamentado do pedido para realização de perícias, pelo Órgão julgador de primeiro grau, não implica em cerceamento do direito de defesa, nem ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, já que é regra consagrada no direito processual brasileiro que o ônus da prova recai sobre aquele que alega fato constitutivo do seu direito. Ao se contrapor à pretensão, cabe ao réu provar os fatos alegados como impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. É facultado, entretanto, à autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70,235/72, determinar, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28 (Redação dada pela Lei n" 8.748, de 9,12.1993). Neste passo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e indefiro o pedido para realização de diligência. Deixo de analisar questões suscitadas pelo recorrente sobre a qualificação da multa, com reflexo inclusive na argüição de decadência, tendo em vista o mérito, em maior extensão, favorável ao autuado, Como se sabe, a conta corrente na qual transitaram os valores submetidos à tributação no lançamento em exame, era co-titulada com o filho do autuado, Caio Vinícius Cursini. O Processo de n° 19515,00.3389/2007-58, que tratou da exigência fiscal relativa a 50% da movimentação bancária, foi submetido a julgamento na 2' Turma Ordinária da 1 Câmara desta Seção do CARF, em 14/05/2010, sendo provido o recurso voluntário, em decisão unânime (Acórdão n° 2102-00.609), sob os seguinte fundamentos, que adoto como razões de decidir: Conforme relatado, trata-se de Auto de Infração para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos por parte do Recorrente, fundada no art. 42 da Lei IV 9,430/96, O Termo de Verificação Fiscal esclarece que o procedimento fiscal teve origem em documentação recebida no âmbito da CPI do Banestado, quando, em razão de determinação judicial extraída dos autos de processo judicial foi determinada a quebra do sigilo bancário de conta mantida em instituição bancaria no exterior, em razão de indícios de que doleiros brasileiros estivessem movimentando as referidas contas para a realização de câmbio ilegal. Entre as contas encontradas, estavam as de titularidade das empresas Goldrate Corp e Macoto Investment Corp.. O Recorrente e seu pai figuravam em tais contas como representantes das referidas empresas. Intimado a prestar esclarecimentos acerca da movimentação das contas em questão, o Recorrente afirmou que prestara relevantes informações ao Ministério Público, tendo colaborado com as investigações criminais, fornecendo àquele órgão os nomes e informações acerca dos efetivos titulares dos valores movimentados Este foi o teor de todas as informações por ele prestadas ao longo da fiscalização, além de ter requerido prorrogação do prazo para a juntada de outros documentos e informações. As autoridades fiscais, contudo, insistiram para que ele comprovasse a origem dos valores movimentados naquelas contas; não tendo sido feita tal comprovação, foi lavrado o Auto de Infração para exigência do IRPF com base no art.. 42 da Lei n° 9.430/96, sendo certo que a base Processo n° 19515.003178/2007-15 S2-C1T1 Aeórclilo n." 2101-00.708 Fl. 713 de cálculo utilizada para o ora Recorrente correspondeu a 50% dos depósitos (a outra metade foi imputada a seu pai). Para esclarecer melhor os motivos que levaram a fiscalização a lavrar o referido Auto, cumpre transcrever alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1427/1432), que foram assim redigidos, verbis: Dessa .forma tem-se que, em relação aos depósitos/movimentações financeiras efetuadas no exterior, o contribuinte: não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações; nem demonstrou que os valores utilizados nas operações tenham sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos. Ademais, não provou que os recursos movimentados pertençam a terceiros; e, também não apresentou documentos contábeis ou fiscais que permitam deduções/abatimentos da base de cálculo do tributo, ) No caso em tela, a sujeição passiva da obrigação decorrente da incidência do imposto de renda — auferida no território nacional ou no exterior — deve ser atribuída às pessoas „físicas Marco Antonio e Caio Vinichis CUrSini, uma vez que não há comprovação que empresas Goldrate Corp e Marca i° Investment Corp possuam personalidade ou capacidade em face das leis brasileiras. ) E, neste caso, também não cabe cogitar em equiparação à pessoa jurídica, uma vez que a equiparação pressupõe ficitude dos objetivos do equiparado e observância das condições legais para a sua instituição.. A existência de conta bancária não é elemento suficiente para dotar a empresa Goldrate Corp. de personalidade. Analogamente, a empresa Márcoto Inve.stmente Corp tratando-se de 'offshore' não pode ser sujeito ou objeto de direito. ) Por este modo de ver, há de se concluir que os documentos levantados no inquérito policial são provas plenas de crime de sonegação fiscal e de crime contra a ordem tributária, conforme definição dada no art. 1' da Lei n" 4.729/65 e no art. .2" da Lei n" 8.137/90. Configura crime a conduta do contribuinte em realizar reiteradas operações .financeiras à margem do sistema .financeiro oficial, omitindo as informações que devam ser produzidas aos agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, eximindo-se do pagamento de tributos. ) Da leitura destes trechos — em conjunto com todas as provas e informações constantes dos autos, é possível concluir ser inquestionável o fato de que o Recorrente e seu pai, de fato, exerciam a atividade de câmbio "paralelo", isto é, a margem do sistema financeiro oficial brasileiro. As contas que geraram este lançamento eram utilizadas justamente para este fim. 7 Em sua defesa, o Recorrente alega que a prevalecer a tributação em questão, o imposto estaria sendo exigido duas vezes sobre um mesmo fato, pois estaria também a ser exigido daquelas pessoas que o mesmo informou (ao Ministério Público) serem as reais titulares dos montantes movimentados. Este argumento não merece acolhida. Porém, ele leva a urna outra conclusão, conforme a análise que se segue. Ao longo do relatório acima - repita-se - ficou claro que o Recorrente e seu pai utilizavam as contas que deram ensejo ao lançamento para o exercício de atividade (ilícita) de cambio paralelo. Sendo inquestionável que as contas eram utilizadas para este fim, é de se concluir que o montante lá movimentado não pertencia aos dois, mas sim às pessoas que os contratavam para efetivar o cambio (seus clientes). Por isso que, se algum dinheiro movimentado pertencia a eles, este dinheiro corresponderia não à integralidade da movimentação, mas sim ao percentual que os mesmos cobravam em troca da realização das operações (o chamado "spread", como mencionado pelo Recorrente às fls. 1526 de seu Recurso Voluntário). Não tendo o lançamento levado em consideração este fator de extrema relevância, não pode ele prosperar, pois não se aperfeiçoou, o no caso, a presunção a que alude o an 42 da Lei n" 9.430/96. Caberia às autoridades fiscais ter efetuado o lançamento somente da parcela correspondente à efetiva omissão do Recorrente, ou seja, da parcela que ele reconhecidamente recebia a título de comissão pelo trabalho de cambio realizado em conjunto com seu pai. Além disso, é relevante destacar aqui que o entendimento predominante deste Conselho Administrativo de Recursos FiscaiS é no sentido de que para que possa ser efetuado o lançamento com base no art. 42 em referência, é preciso que seja comprovada a efetivação de depósitos em conta bancária que favoreça o contribuinte. É exemplo deste entendimento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário 2001, 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO ESTRANGEIRO TITULARIZADA POR PESSOA JURÍDICA ESTRANGEIRA — AUSÊNCIA DE PROVA QUE DEMONSTRE QUE A CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA TEVE OBJETIVOS FRAUDULENTOS, A ESCONDER OS REAIS PROPRIETÁRIOS DOS VALORES - IMPOSSIBILIDADE DE SE IMPUTAR AOS PROCURADORES AS TRANSFERÊNCIAS FINANCEIRAS PARA CONTA BANCÁRIA TITULAR1ZADA POR PESSOA JURÍDICA NO ESTRANGEIRO — As transferências para conta bancária mantida no exterior e titularizada por pessoa jurídica estrangeira somente podem ser imputadas ao procurador de tais empresas se se comprovar que o recorrente procurador tenha constituído tal empresa com propósitos simulatórios ou .fraudulentos, com fito de esconder os reais detentores dos valores movimentados em tais contas, que seriam, no caso, os próprios procuradores da conta de depósito. Ausente qualquer prova que demonstre a .fraude, não se pode imputar ao recorrente procurador a presunção do art. 4.2 da Lei n°9430/96. CONTA DE DEPÓSITO DE TERCEIRA PESSOA — RECORRENTE ORDENANTE DE TRANSFERÊNCIA 8 recurso. JOSÉ, RAI~b0 IDSTA SANTOS Processo n° 19515 003178/2007-15 S2-C1 TI Acórdão n,° 2101-00.708 F I 714 FINANCEIRA — AUSÊNCL4 DE COMPROVAÇÃO DE QUE O RECORRENTE SERIA O REAL TITULAR DA CONTA BANCÁRIA DE DESTINO - Não há nos autos nada que comprove que o recorrente é titular da conta de depósito estrangeira que recebeu a transferência que lhe foi imputada como depósito de origem não comprovada. Assim, não houve um depósito em conta de depósito do recorrente. Pelas Miar/nações dos autos, tratou-se de uma transferência ordenada pelo recorrente para uma conta bancária de terceira pessoa, no exterior. Nesta senda, não se pode considerar tal valor como um depósito de origem não comprovada, a presumir a omissão de rendimentos, na .forma do art. 4.2 da Lei n" 9430/96. (Ao, n° 106-17.003, julgado em 06,08.2008, Rel. Cons, Giovanni Christian Nunes Campos) Diante de todo o exposto, não pode o lançamento prosperar, razão pela qual VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Aos fundamentos acima declinados adiciono que, no presente caso, a intensa movimentação bancária e os elementos de prova nos autos, especialmente as ordens de transferência às fls. 84/474 e 693/1.276, evidenciam claramente que o autuado realizava as operações financeiras por conta de terceiros, corno aliás reiteradamente confessada durante o procedimento de fiscalização, O Memo-Circular Cofis/GAB n° 2005/0994 (fls. 476/479), que trata do assunto "Doleiros dos casos `Merchants Bank, `MTB-Hudson Bank', 'Lespan' e 'Safra', é bastante elucidativo a respeito da natureza das operações financeiras tratadas no lançamento em exame, a refutar totalmente a tese da fiscalização, consubstanciada na infração imputada ao sujeito passivo, de que tratava-se de rendimento próprio omitido. Neste Colegiado temos mantido as exigências fiscais tipificadas no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, quando os lançamento são dirigidos aos beneficiários finais das remessas. Por outro lado, a consultar do nome do autuado no google, conforme ponderação do Conselheiro Gonçalo nesta sessão de julgamento, relaciona diretamente o autuado à atividade de doleiro, podendo ser considerado fato notório. Em face ao exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou provimento ao 9
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002257/96-39
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 108-00.215
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José Carlos Teixeira da Fonseca
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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA : 10830.002257/96-39 : 133.410 : IRPJ e OUTRO - Exs: 1993 e 1994 : AGRíCOLA E PASTORIL SANTA CRUZ S/A : 48 TURMA/DRJ - CAMPINAS/SP : 05 de novembro de 2003 RESOLUÇÃO 108-00.215 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AGRíCOLA E PASTORIL SANTA CRUZ S/A. RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de • Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira. ~/L MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE -~c-_lS-- OSÉ CARLOS TEIXEIRA ~NSEC~ ELATOR FORMALIZADO EM: o 8 DEZ 2003 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, JOSÉ HENRIQUE LONGO, KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo nO. : 10830.002257/96-39 Resolução n°. : 108-00.215 Recurso nO. Recorrente : 133.410 : AGRíCOLA E PASTORIL SANTA CRUZ S/A RELATÓRIO • Após o julgamento de primeira instância remanesce o crédito originado dos autos de infração do IRPJ e da CSL referentes aos períodos semestrais de 1992 e mensais de 1993. De acordo com o narrado na autuação o contribuinte deixou de reconhecer a variação monetária ativa correspondente aos depósitos judiciais de tributos federais. Inconformado com o decidido em primeiro grau o contribuinte apresentou recurso voluntário acompanhado de relação de bens e direitos para arrolamento, correspondente a todo o seu Ativo Permanente. Preliminarmente requer seja anulada a decisão recorrida, por cerceamento de defesa, à vista de ter sido negada a realização de diligência para constatação, pelo Fisco, junto à contabilidade da empresa, da ausência de atualização do passivo fiscal correspondente aos depósitos judiciais. No mérito alega que os depósitos estão à disposição da Justiça estando, portanto, indisponíveis para o contribuinte. Em suma, advoga que não houve a aqulslçao da disponibilidade econômica ou jurídica que implicasse na ocorrência do fato gerador do IRPJ, a teo;;~~ artigo 43 do CTN. 2 ~ (j.lí fii) Processo nO. : 10830.002257/96-39 Resolução nO. : 108-00.215 Em não havendo acréscimo patrimonial também não ocorreria o fato gerador da CSL, por tratar-se, no caso, de exigência conexa à do IRPJ. Defende que mesmo que as atualizações monetárias dos depósitos fossem tributáveis o seu efeito seria anulado pelo congelamento das contas representativas do passivo fiscal correspondente. Este é o Relatório. 3 Processo nO. : 10830.002257/96-39 Resolução nO. : 108-00.215 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, Relator Compulsando os autos constato que existe incerteza quanto à atualização ou não do passivo tributário correspondente aos depósitos judiciais investigados. Considero tal fato impeditivo para a formação de minha convicção quanto à matéria em litígio. De forma dirimir qualquer tipo de dúvida, manifesto-me propondo a devolução dos autos à repartição de origem, a fim de que seja efetuada diligência para « fins de: 1) intimar o contribuinte a comprovar documentalmente a constituição da provisão e a não atualização do passivo tributário relativo aos depósitos judiciais questionados, pela apresentação da escrita contábil, com identificação das contas correspondentes; 2) anexar aos autos fotocópias dos livros razão contábil que permitam identificar o procedimento do contribuinte de que trata o item anterior. Ao final da diligência, elaborar relatório conclusivo, cientificando o contribuintedo teor do mesmo,para,se assimo desejacma~a respeit~ 4 " Processo nO. : 10830.002257/96-39 Resolução nO. : 108-00.215 Após a adoção das providências solicitadas, retorne o processo para prosseguimento do julgamento. Eis como voto. Sala das Sessões - DF, em 05 de novembro de 2003. SÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA ()- 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10980.007896/96-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 302-01.258
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular o acórdão n° 302-36.636, julgado em sessão de 26/01/05 e converter o julgamento em diligência ao INT, via Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO
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Numero do processo: 13955.000079/96-93
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPF - Exs.: 1992 e 1994 - Comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, o recolhimento do importo (Carnê-Leão), cancela-se o lançamento, mantida apenas a multa lançada por atraso na entrega de declarações.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-44.089
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Mário Rodrigues Moreno.
Nome do relator: Ursula Hansen
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Recurso n°. : 13.029 Matéria : IRPF - EXS.: 1992 a 1994 Recorrente : BRUNO MOREIRA ALVES Recorrida : DRJ em FOZ DO IGUAÇU - PR Sessão de : 27 DE JANEIRO DE 2000 Acórdão n°. : 102-44.089 IRPF - Exs.: 1992 e 1994 - Comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, o recolhimento do importo (Carnê-Leão), cancela- se o lançamento, mantida apenas a multa lançada por atraso na entrega de declarações. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BRUNO MOREIRA ALVES. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Mário Rodrigues Moreno. ANTONIO DEAFREITAS DUTRA PRESIDENTE /11 UR á E N RELA ORA FORMALIZADO EM: 12 MAi 2nnn Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CLÕVIS ALVES, LEONARDO MUSSI DA SILVA, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. , - MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , -- SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Acórdão n°. :102-44.089 Recurso n°. : 13.029 Recorrente : BRUNO MOREIRA ALVES RELATÓRIO BRUNO MOREIRA ALVES, já qualificado nos autos, recorreu a este Colegiado de decisão que manteve a exigência de imposto de renda referente aos exercícios de 1992 a 1994, em valor equivalente a 1.331,43 UFIR e correspondentes gravames legais. Após revisão sumária das Declarações de Rendimentos referentes aos anos-calendário de 1991 a 1993, apresentadas somente em maio de 1995, e sendo apurado imposto complementar e lançada multa por atraso na entrega das declarações, o contribuinte, após intimado, impugnou a exigência afirmando que recolhera "Carne-leão" em todos os meses, conforme dados que relaciona, juntando cópias de DARFs. Com relação ao ano de 1991 alega que o somatório dos valores históricos atinge o montante de Cr$ 433.326,36, superior ao valor de imposto pago aceito pelo fisco, de Cr$ 362.433,00. Quanto aos recolhimentos do ano seguinte (1992), imagina que o 2 Revisor somente havia considerado os valores constantes do Campo 07 ("valor da receita"), quando na realidade recolhera também outros valores, no campo 09 ("valor dos juros e/ou encargos") totalizando 1.072,04 UF1R contra 893,44 computados. Esclarece que a legislação fiscal permitia o pagamento do imposto monetariamente corrigido pela variação da UFIR até o último dia útil do mês subsequente ao fato gerador. Interpretando a norma, consignara separadamente os valores referentes ao imposto e sua correção, correspondendo, no entanto, o seu somatório a "receita" recolhida a ser conside a. 2 ., MINISTÉRIO DA FAZENDA \•=4' . ....K), PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,-n i ',,-, SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Acórdão n°. : 102-44.089 Idêntica seda a situação referente aos recolhimentos do ano seguinte - 1993: as 3.185,66 UF1R pagas foram reduzidas. Concorda que as Declarações foram apresentadas fora do prazo, ressaltando que o fizera espontaneamente, e que o funcionário da Receita Federal em Paranavaí lhe informara haver uma Portaria que dispensava a multa nos casos em que o contribuinte assinasse um termo desistindo do direito à restituição do imposto pago a maior, o que fez. Com relação ao exercício de 1994 pagou a multa de 48,74 UFIRs que considera correta, por ter sido calculada sobre os valores de "Carnê-leão" recolhidos, que entende ter demonstrado estarem certos. Junta as cópias de DARFs às fls. 05/16. A autoridade julgadora singular, após analisar detalhadamente o que dos autos consta, nega provimento à impugnação, sob fundamento que, das cópias de DARFs juntados, somente um pode ser aceito, tendo em vista a sua autenticação mecânica. Ressalta que os pagamentos efetivamente realizados e aceitos foram confirmados por extrato "on Mede fls. 21/22 e relatórios de comprovação de pagamentos (fls. 28 e 33). Esclarece, ainda, citando e transcrevendo a legislação pertinente, que a multa fora corretamente aplicada e calculada com fulcro no artigo 8° do Decreto-lei n° 1.968/82. Irresignado, em suas Razões de recurso voluntário, acostadas aos autos às fls. 44/50, acompanhada dos anexos de fls. 51/62, o contribuinte basicamente reitera os argumentos já expendidos na fase impugnatória. Em consonância com o disposto na Portaria ME n° 260 de 24/10/95, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas Contra-Razões, juntadas aos autos às fls. 64/66, e, após analisar as provas dos autos à luz da legislação e4d j,c 3 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES : 9 SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Acórdão n°. :102-44.089 regência, entende adequados os lançamentos e a multa aplicada, protestando pela mantença da sentença. Submetido à apreciação deste Plenário, em sessão realizada em 15 de outubro de 1998, considerando que, na fase recursal o contribuinte carreia aos autos as segundas vias dos DARFs de recolhimento de "Camê leão" todas mecanicamente autenticadas pelos estabelecimentos bancários; Considerando que estes comprovantes não foram submetidos à apreciação da autoridade julgadora "a quo"; Considerando, ainda, que o ora Recorrente reitera o pleito de ser computado o montante total recolhido (somatório dos campos 07 e 09); Decidiram os presentes, converter o julgamento em diligência, retornando os autos à Repartição de Origem, para - verificar se os comprovantes juntados são documentos hábeis e idôneos, e se já foram incluídos nos demonstrativos de imposto pago com base nos arquivos eletrônicos do Fisco; - analisar a hipótese levantada pelo ora Recorrente no sentido de 2 que teria incorrido em erro de fato, ao inserir o valor recolhido em dois campos, destacando o montante original e sua correção no mês, conforme autorização legal em vigor à época, conforme alega; - elaborar relatório circunstanciado, visando possibilitar aos integrantes deste Plenário, a formação de convicção indispensável ao julgamento da lide. É o Relató , • . 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Acórdão n°. :102-44.089 VOTO Conselheira URSULA HANSEN, Relatora Retomam os autos para exame e decisão dos integrantes desta 20 Câmara, após cumprida a diligência requerida, conforme Resolução n° 102-1958. Após analisar os documentos juntados pelo Recorrente e confrontados os recolhimentos com as exigências da legislação vigente à época (juntada às fls. 76/78), foram elaborados os Quadro de Comprovação de Recolhimento (fls. 79) e a Relação de Pagamentos (fls. 80) que resultaram na Planilha de fls. 81, que resume o total pago (Carnê-Leão) nos anos de 1992 e 1993. Tendo sido apurados os valores recolhidos de CR$ 433.286,36, 1.072,08 UF1R e 3.206,35 UFIR nos anos de 1991, 1992 e 1993, respectivamente, coincidentes com os valores indicados pelo contribuinte, Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso, mantendo- se as multas por atraso na entrega das declarações, cujo valor deve ser adequado aos valores efetivamente apurados nas Declarações. f Sala das Sessões - DF, em 27 de janeiro de 2000. / !-• • 4 Á HANSEN 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 35183.003304/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/03/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, OMISSÃO NO ACÓRDÃO, COMPROVAÇÃO, ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração tão somente para suprir a omissão apontada, re-ratificando o resultado do julgamento levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento.
EMBARGOS ACOLHIDOS.
Numero da decisão: 2401-001.478
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão no Acórdão nº 2806-00.036, sem alteração do resultado do julgamento.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão no Acórdão ir 2806-00,036, sem alteração do resultado do julgamento, ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente „gerwcif MARCEL~EITAS DE' SOUZA COSTA - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira., 2 É o relatório. Processo n° 35183 003304/2007-97 S2-C411 Acórdão 2401-01.478 Fl 189 Relatório GAISSLER MOREIRA ENGENHARIA CIVIL LTDA, já qualificada nos autos do processo em referência teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos NFL,D, referente às contribuições sociais devidas ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária, em relação ao período de 11/1997 a 03/2000, conforme consta nos Relatórios Fiscais, às fls. .39/50 e 1041/1043. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então 6' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, conheceu do Recurso e acolher a decadência total do crédito previdenciário, com base no artigo 150, § 4°, do CTN, por unanimidade de votos. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, às fls, 1 .1183/1.1185, com fulcro no artigo 65 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pugnando pela sua reforma em virtude das pretensas irregularidades a seguir expostas. Insurge-se contra o Acórdão recorrido, por entender ter havido omissão em sua fundamentação, uma vez que não restou consignado no voto condutor do decisum a informação das razões que ensejaram a aplicação do artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, para contagem do prazo decadencial, na forma da jurisprudência administrativa consolidada. Assevera que deve haver a aplicação do art. 173, 1 do CTN seguindo as decisões proferidas nos processos de n's, 3518.30002945/2007-24 e 16408000359/2007-19, da mesma empresa autuada, julgados pela 4 a Câmara, segunda Seção do CARF, sob relataria da Conselheira Ana Maria Bandeira. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Câmara recorrida se pronuncie a respeito da omissão apontada, capaz de justificar a conclusão levada a efeito no resultado final do julgamento,. 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, por ser tempestivo e comprovada a omissão apontada pela Embargante, acolho os Embargos de Declaração, pelas razões de fato e de direito a seguir esposadas. Através dos presentes Embargos pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam elucidados em quais razões se apoiou a decisão guerreada para efeito de aplicação do artigo 150, § 40, do CIN, quanto ao prazo decadencial, sobretudo ante a conduta dolosa da notificada. Conforme se depreende do voto condutor do Acórdão Embargado, o entendimento deste Conselheiro é de que a regra para aplicação do prazo decadencial em se tratando de responsabilidade solidária, é a do artigo 150, § 4 0, do CTN, que será automaticamente levado a efeito em razão da própria natureza do tributo, sujeito ao lançamento por homologação. Tal entendimento também era o predominante quando do julgamento pela então Sexta Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, que entenderam ter havido antecipação de pagamento por tratar-se de lançamento com base em responsabilidade solidária inscrita no artigo 30, inciso VI, da Lei n" 8,212/91, fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto, entendimento não compartilhado por este Conselheiro. Em decorrência desses fatos, acompanharam o voto condutor do Acórdão Embargado quanto a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN. Realmente deveria ter constado no bojo do Acórdão guerreado tais considerações, objetivando esclarecer qual o efetivo fundamento utilizado no resultado final do julgamento, o que se faz nessa oportunidade, impondo sejam acolhidos os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional para suprir a omissão incorrida. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para sanear a omissão apontada no Acórdão n° 2806-00.036, ora Embargado, re-ratificando o resultado do julgamento levado a efeito no decisrun guerreado, por aplicar a decadência com base no artigo 150, § 4°, do CTN. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 MARCELO F-1:41AWIS-K&COSTA Relator 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35183.003304/2007-97 Recurso n°: 145.842 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão rf 2401-01.478 Brasília, 06 de Dezembro de 2010 MARIA MA ENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ J Com Recurso Especial [ J Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10711.006808/94-09
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 302-01.176
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Brasilia-DF, em II de novembro de 2004 PAULO ROB CUCCO ANTUNES Presidente em Exercí~io 2 O oE2 2;~:lor ( participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, LUIS ANTONIO FLORA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, SIMONE CRISTINA BISSOTO. Ausente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional ALEXEY FABIANI VIEIRA MAIA. Ime • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSON" RESOLUCÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.078 302-1.176 SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA (Sucessora de SANDOZ S/A) DRJ FLORIANÓPOLIS - SC WALBER JOSÉ DA SILVA RELATÓRIO • • .' • • Contra a empresa SANDOZ SIA, sucedida pela empresa SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA, foi lavrado Auto de Infração para exigir Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de multa de oficio, juros de mora e multa do controle administrativo das importações, no valor de R$ 4.732,63 (quatro mil, setecentos e trinta e dois reais e sessenta e três centavos), por ter a autuada classificado erroneamente o produto BIODAC, desembaraçado através da DI 014019, de 12/08/94. A empresa importadora descreve o produto como sendo "BIODAC _ Fibra de papel celulose granulado", classificando-o no código TAB/NBM 4707.30.00. Fundamentado em Laudo Técnico do LABANA, que descreve o produto como sendo "uma preparação química onde foram identificadas fibras de celulose, carbonato de cálcio, caulinita e poliéster", a fiscalização classificou o produto no código NBM 3823.90.99. O Laudo Técnico do LABANA afirma, textualmente, que o produto não é "aparas, fragmentos ou desperdícios de papel ou de cartão" . Regularmente intimada, a empresa contesta a autuação por meio da impugnação de fls. 14/48, onde alega em sua defesa o seguinte, resumidamente: 1. O produto importado não pode ser considerado preparação química porque consiste em desperdícios de papéis reciclados, completamente secos e granulados e a ele nada se acrescenta; 2. O produto BIODAC é um complexo celulósico proveníente dos desperdícíos de indústrias e, não pode ser considerado uma preparação química; 3. O produto destina-se à aplicação de produtos agro-químicos no solo, previamente a aplicação de produtos químicos, que os absorve como uma esponja e, posteriormente entranhado à terra, desprende gradativamente esses produtos; • 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA 5- Pede diligência ao INT, formulando os quesitos de fls. 17/18. 4. O emprego do produto não o tira da posição 4707, conforme Notas explicativas dessa posição. RECURSO N° RESOLUCÃOW 126.078 302-1.176 • • • • • A DRJ do Rio de Janeiro defere o pedido de diligência ao INT, que realização a análise do produto e emite o Laudo Técnico de fls. 51/55, concluindo o seguinte: I. O produto não pode ser considerado como desperdicios e aparas de papéis e cartões, possuindo pouco vestigio de pasta mecânica; 2. O produto apresenta um teor de umidade de 4,95%, o que não significa que ele seja um complexo celulósico seco, uma vez que a amostra não foi adequadamente condicionada para o teste. 3. O produto apresenta 52% de celulose, 27,193% de caulinita, 17,871% de carbonato de cálcio e outras substâncias em pequena quantidade. A 2a Turma de Julgamento da DRJ Florianópolis - SC julgou procedente, em parte, o lançamento, para reduzir a multa de ofício de 100% para 75%, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 0.961, de 07/07/02, cuja ementa abaixo transcrevo . Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 1210811994 Ementa: PRODUTO AUXILIAR DE SOLO PARA PLANTIO Produto auxiliar de solo para plantio, derivado de restos de papel moído e granulado, tratado quimicamente para torná-lo apto a exercer funções de absorção e manutenção de umidade e fertilizantes classifica-se no código TABISH 3823.90.9999. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO II Aplica-se na exigência da multa de oficio sobre o 11 o percentual mais benéfico de 75% decorrente de lei superveniente. Lançamento Procedente em Parte Dentre outros, o ilustre Relator do Acórdão fundamenta seu voto com os seguintes argumentos: 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSON" RESOLUCÃO N° 126.078 302-1.176 • • • • • • Os laudos indicam que embora aparas e desperdícios de papel entrem na composição do material (conforme indicado no desenho de fi. 39), a ele são adicionados diversos produtos químicos, de acordo com o que consta na conclusão do LABANA à fi. II e na relação maís detalhada do INT à fi. 53, onde observa-se, claramente, que a presença de celulose é de apenas 52% do composto. Dessa forma é ínadequada a classíficação fiscal empreendida pela autuada. No código TAB/SH 3823.90.9999 classificam-se as preparações genéricas das indústrias químicas e conexas, incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais e químicos. O material em tela classifica-se, perfeitamente, nesse código, pois ao se adicionar ao papel finam ente granulado (que na mistura age como fornecedor de celulose e alguns produtos químicos) elementos (quimicos) capazes de descaracterizar a mistura da condição de pasta mecânica e aparas de papel e resultando, ainda, desse fato, produto com a função de absorvente preparador de solo para plantio, retentor de umidade, adubos etc. não há posição em que melhor se enquadre do que aquela apresentada pela fiscalização. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 26/07/02, conforme AR de fi. 70v. Discordando da referida decisão de primeira instância, a empresa SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA, CNPJ n° 60.744.463/0001-90, intitulada sucessora da autuada, postou nos Correios, no dia 20/08/02, o Recurso Voluntário de fls. 76/80, conforme envelope de endereçamento de fls. 116, onde reprisa os argumentos da impugnação e ainda: 1. Que o produto BIODAC é "desperdícios de papéis reciclados, secos e granulados" (grânulos de fibra de celulose), sendo que nada foi acrescentado durante seu processo de fabricação, cuja transformação mecânica para a forma de grânulos não lhe atribui características de uma preparação química. 2. As Notas Explicativas do SH da posição 4707 aponta que o emprego das aparas de papel para outros usos não modifica a sua classificação. 3. Traz à colocação o Acórdão nO978, de 14/06/02, da la Turma de Julgamento da DRJ Florianópolis - SC, que classificou o mesmo produto BIODAC na posição 4823, afastando a classificação utilizada pelo importador (4707) e a utilizada pela fiscalização (3824). 4. Contesta a multa de controle administrativo das importações, alegando que não houve prática de infração legal, não havendo 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUCÃO N" 126.078 302.1.176 que se falar em débito do valor principal e muito menos de um débito de valor acessório . • • • • • Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no día 14/10/03, conforme despacho exarado na folha 119. Por meio do despacho de fls. 121, o Senhor Presidente desta Colenda Câmara, acatando sugestão deste Relator, retornou os autos à repartição de origem para que esta identificasse quem, atualmente, representa a autuada. Acatando a decisão supra, a repartição de origem carreu aos autos os documentos de fls. 136, devolvendo os autos a este Colegiado . Em 09109/04, a empresa SYNGENT A PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA, solicitou ajuntada dos documentos de fls. 139 a 189, no que foi atendida, conforme termo de juntada de fls. 189. Tais documentos tratam do processo sucessório da empresa SANDOZ S/A. Foram os autos a mim entregues no dia 16/09/04, conforme despacho de fls. 190. É o relatório . •• 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSO N° RESOLUCÃO N" 126.078 302-1.176 VOTO • • • • • Como relatado, trata o presente de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para exigir-lhe o pagamento de diferença de II e de IPI, lançados na DI n° 014019, de 12/08/94, em razão de suposta errônea classificação fiscal do produto importado, denominado BIODAC. Discordando da decisão de primeira instância, que manteve parcialmente o lançamento, a empresa interessada ingressou, tempestivamente, com Recurso Voluntário perante este Colegiado sem, no entanto, cumprir o que determina os 99 2° e 3° do Artigo 33 do Decreto n° 70.235/72, com a alteração introduzida pela Lei n° 10.52212002, ou seja, sem oferecer bens para arrolamento, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão . . . . . . . . . . . . . . . . S 2º Em qualquer caso, o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão, limitado o arrolamento, sem prejuízo do seguimento do recurso, ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa fisica. (Incluído pela Lei n° 10.522, de 19/07/2002) S 3º O arrolamento de que trata o S 2º será realizado preferencialmente sobre bens imóveis. (Incluído pela Lei n° 10.522, de 19/07/2002). Devo ressaltar que o crédito tributário é de valor superior àquele previsto no 9 7°, do artigo 2°, da IN SRF nO26412002, abaixo transcrito: Art. 2" O recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a trinta por cento da exigência fiscal definida na decisão. S 7° O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de a exigência fiscal ser inferior a R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais). •• 6 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSON" RESOLUCÃO N° 126.078 302-1.176 • • • • • • • Por seu turno, a autoridade preparadora, a quem compete decidir sobre o seguimento do Recurso Voluntário, nada informou sobre o arrolamento de bens, simplesmente encaminhou os autos a este Colegiado, também ferindo o dispositivo legal acima transcrito. Para que não se venha alegar cerceamento do direito de defesa, entendo que o processo não atende as condições legais de admissibilidade e julgamento, devendo retomar a repartição de origem (ALF do Porto do Rio de Janeiro - RJ) para intimar a Recorrente SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA a, querendo, apresentar bens para arrolamento. Indicado os bens, a autoridade preparadora deverá providenciar o arrolamento . EX POSITIS e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, para . 1. Intimar a Recorrente a oferecer bens para arrolamento; 2. Providenciar o competente arrolamento; e 3. Concluído, devolver o processo a este Colegiado, para julgamento do lítígío. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2004 !, SILVA - Relator 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 15868.000111/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação específica para cada depósito.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS INTERPOSTA PESSOA MULTA QUALIFICADA
As inúmeras provas colhidas pela autoridade fiscal são congruentes com a acusação de que o autuado movimentou recursos à margem de sua escrituração em contas de terceiros, o que legitima, uma vez não comprovada a origem dos recursos, o lançamento tributário com base em omissão presumida de receita, bem como a aplicação da sanção punitiva no seu patamar majorado.
MULTAS ISOLADAS
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo.
Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CISÃO
As empresas resultantes de cisão ou as que absorverem parte do patrimônio advindos dessas operações de reorganização societária respondem solidariamente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores pretéritos.
Numero da decisão: 1201-000.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento parcial ao recurso para afastar as multas isoladas concomitantes com a multa proporcional.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS INTERPOSTA PESSOA MULTA QUALIFICADA As inúmeras provas colhidas pela autoridade fiscal são congruentes com a acusação de que o autuado movimentou recursos à margem de sua escrituração em contas de terceiros, o que legitima, uma vez não comprovada a origem dos recursos, o lançamento tributário com base em omissão presumida de receita, bem como a aplicação da sanção punitiva no seu patamar majorado. MULTAS ISOLADAS A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CISÃO As empresas resultantes de cisão ou as que absorverem parte do patrimônio advindos dessas operações de reorganização societária respondem solidariamente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores pretéritos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.644 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para afastar as multas isoladas concomitantes com a multa proporcional. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório DA AUTUAÇÃO E DAS IMPUGNAÇÕES Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi apurada omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada para os anos de 2004, 2005 e 2006. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 231240), PIS (fls. 248252), COFINS (fls. 262267) e CSLL (fls. 277281). Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), em virtude da constatação de evidente intuito de fraude. Em razão das receitas omitidas apuradas, concluiuse, ademais, que houve falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre base de cálculo estimada, de modo que também foram lançadas multas isoladas (50%). Conforme descrito no "Termo de Verificação de Infração Fiscal" de fls. 209230, a ação fiscal se desenvolveu no âmbito da chamada operação "Grandes Lagos", deflagrada pela Polícia Federal a partir de denúncias recebidas pela Receita Federal, dando conta de um megaesquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos. A Polícia Federal, a partir das informações colhidas no curso das investigações, produziu Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.645 3 relatório no qual está consignado que a empresa PANTANEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA (doravante apenas PANTANEIRA) tem seu quadro social composto pelos "laranjas" Maurício Benedito de Oliveira e Antonieta Ventura Dias. Além disso, o Sr. Salvador Silva de Oliveira é procurador da contacorrente da PANTANEIRA mantida junto ao Banco Bradesco S/A. O Sr. Maurício Benedito de Oliveira, em interrogatório junto à Polícia Federal, confirmou que, a despeito de constar no quadro social da PANTANEIRA, apenas emprestou seu nome para a constituição da empresa. Afirmou, ainda, que o Sr. Salvador Silva de Oliveira é empregado da empresa FUGA COUROS em Jales/SP e reconheceu que este é procurador das contas bancárias da PANTANEIRA. A Sra. Antonieta Ventura Dias negou à Polícia Federal que a PANTANEIRA lhe pertença. O Sr. Salvador Silva de Oliveira, por sua vez, afirmou que trabalha na FUGA COUROS desde sua inauguração em 1997, estando subordinado ao Sr. Fabrício Fuga. Confirmou que recebeu procuração para assinar pela PANTANEIRA, que firmou cheques por esta empresa, sendo que tais documentos ficavam com Paulo Eduardo Manfrin Pereira. Intimado a apresentar a relação de todas as contas bancárias mantidas em seu nome (FUGA COUROS JALES LTDA), bem como a informar se tinha utilizado contas bancárias mantidas em nome de terceiros, o contribuinte afirmou que não utilizou contas de terceiros e informou apenas a contacorrente n° 23.9429, mantida por ela junto à agência de Jales/SP do Banco Bradesco S/A. A partir das informações obtidas junto às instituições financeiras, por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), constatou a autoridade autuante que o contribuinte mantinha, além da conta referida, também as contas de n° 32.6003, 32.6704 e 32.9002, todas junto ao Banco Bradesco S/A. O contribuinte reconheceu, em resposta a intimação, que a contabilidade da empresa não apresenta o registro da movimentação bancária dessas contas em rubricas específicas. Assim, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nessas contas bancárias. Em resposta, afirmou que não foi possível atender o requerido, tendo em vista que os documentos necessários encontramse extraviados. Em seguida, por meio de Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, o contribuinte foi informado acerca • das evidências de que movimentou a contacorrente n° 32.4507 e a contacorrente n° 8399, mantidas; pela PANTANEIRA, respectivamente, no Banco Bradesco S/A e na Caixa Econômica Federal, e intimado a comprovar a origem dos valores depositados nestas contas. Em resposta, afirmou que não havia conseguido levantar os dados para prestar as informações requeridas, comprometendose a apresentálas tão logo fossem obtidas. A despeito disso, nunca apresentou as provas das origens dos recursos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.646 4 Em resposta a intimação feita à empresa MICHELON — MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA, fornecedora da FUGA COUROS JALES LTDA, foi informado que o pedido de n° 6.222, no valor de R$ 215.000,00, foi pago por esta, no dia 04/11/2004, por meio de TED proveniente da contacorrente n° 8399, mantida pela PANTANEIRA junto à Caixa Econômica Federal, conta esta movimentada, mediante procuração, pelo Sr. Salvador Silva de Oliveira, gerente financeiro da FUGA COUROS JALES LTDA. O Sr. Salvador Silva de Oliveira foi nomeado também procurador para movimentar a contacorrente n° 32.4507, mantida pela PANTANEIRA junto ao Banco Bradesco S/A. O controle da FUGA COUROS JALES LTDA sobre esta conta está inclusive documentado em anotação constante do verso do cheque cuja cópia foi juntada às fls. 107/108 do Anexo V, nos seguintes termos: "confirmado com Salvador às 17:05 do dia 100206 pelo fone 36043090. Esta linha telefônica pertence à FUGA COUROS JALES LTDA. Há diversos outros cheques com a anotação "confirmado por Salvador". Além disso, está devidamente documentada a realização de diversas transferências de recursos entre esta conta da PANTANEIRA e contas da FUGA COUROS JALES LTDA. O Sr. Salvador Silva de Oliveira também foi nomeado procurador da PANTANEIRA para movimentar a contacorrente n° 8399, mantida junto à Caixa Econômica Federal. Conforme já ressaltado, está documentada a utilização de recursos provenientes desta conta para a aquisição de bens, pela FUGA COUROS JALES LTDA, junto ao fornecedor MICHELON — MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA. Em busca e apreensão realizada pela Polícia Federal, em 05/10/2007, na FUGA COUROS JALEIS LTDA foram colhidas diversas outras provas da realização, por este, de movimentação financeira não retratada na contabilidade, inclusive com a utilização das referidas contas bancárias da PANTANEIRA. Destacamse documentos constantes de HDs de computadores apreendidos. Há, por exemplo, uma planilha, intitulada "Demonstrativo do Custo Financeiro de Couros" do mês de setembro de 2004, no qual está indicado o valor de R$ 1.831,32 como despesas de CPMF. Este é precisamente o valor que corresponde à soma dos débitos, sob a rubrica "cobrança da CPMF", constantes, no mês de setembro de 2004, do extrato bancário da conta n° 32.4507, mantida pela PANTANEIRA junto ao Banco Bradesco S/A. Há, ainda, planilhas em que o Sr. Salvador Silva de Oliveira transmite ao Sr. Ivanor da empresa FUGA COUROS S/A informações sobre os saldos das contas correntes da empresa FUGA COUROS JALES LTDA, inclusive com indicação dos saldos constantes das referidas contas da PANTANEIRA. Há planilhas com registro do faturamento da empresa, cujos valores são maiores que os informados na DIPJ e na DACON, demonstrando a ocorrência de omissão de receitas. Finalmente, há planilhas nas quais consta o desdobramento de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.647 5 operações realizadas com e sem a emissão de notas fiscais, também revelando que houve omissão de receitas. Da análise da escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, concluiu a autoridade autuante que não foi registrada a movimentação financeira realizada por meio das contas de n° 32.6003, 32.6704 e 32.9002 mantidas por ele junto ao Banco Bradesco S/A. Tampouco foi contabilizada a movimentação financeira por ele realizada, por intermédio de seu empregado, Sr. Salvador Silva de Oliveira, com 'a Utilização da contacorrente n° 32.4507 e da contacorrente n° 8399, mantidas pela PANTANEIRA, respectivamente, no Banco Bradesco S/A e na Caixa Econômica Federal. Tendo em vista a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários realizados nestas contas, concluiu a autoridade autuante que ficou caracterizada a omissão de receitas, razão pela qual foram lançados os tributos devidos sobre as receitas omitidas. Sobre os créditos tributários apuradas foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista que o sujeito passivo reiteradamente desviou receitas da tributação, inclusive valendose de contas bancárias tituladas em nome de terceiros (PANTANEIRA) para movimentar recursos que lhe pertenciam. A empresa FUGA COUROS S/A foi reputada sujeito passivo solidário, com base no art. 124, I, do CTN. Constatou a autoridade autuante que esta empresa é titular de 99,9% do capital social de R$ 3.000.000,00 da FUGA COUROS JALES LTDA. Além disso, a administração desta é realizada por Fabrício Fuga e ledo Claudino Fuga, que também são acionistas da FUGA COUROS S/A. Por meio da 4ª alteração e consolidação de contrato social da FUGA COUROS JALES LTDA, realizada em 03/01/2008, esta foi cindida parcialmente, com versão de patrimônio para as empresas FUGA COUROS S/A e FUGA PARTICIPAÇÕES LTDA. Após esta operação, o capital social da FUGA COUROS JALES LTDA, que era de R$ 3.000.000,00, passou a ser de R$ 52.000,00, sendo que 99,9% da diferença foi revertida à FUGA COUROS S/A. Além disso, a administração do contribuinte permanece nas mãos de Fabrício Fuga e de ledo Claudino Fuga, acionistas da FUGA COUROS S/A. Assim ficou caracterizado o interesse comum desta nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias de que trata o presente processo administrativo, razão pela qual houve a atribuição de responsabilidade solidária. Inconformados com a autuação, o contribuinte e a FUGA COUROS S/A, a quem foi atribuída responsabilidade solidária, apresentaram impugnação, respectivamente, às fls. 301343 e às fls. 392429. Na impugnação apresentada pela FUGA COUROS JALES S/A foram deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.648 6 Houve erro na identificação do sujeito passivo, já que a parcela mais expressiva dos valores sobre os quais são exigidos os tributos correspondem a fatos geradores praticados pela PANTANEIRA. O fato de a MICHELON, fornecedora da FUGA COUROS JALES S/A, haver recebido desta com recursos provenientes da PANTANEIRA não autoriza a conclusão de que há "caixa dois". Tampouco a existência de transferências de recursos entre as empresas prova é prova disso. A lei não proíbe que uma empresa pague fornecedor por meio de importância a este diretamente entregue por outra pessoa jurídica, da mesma forma como não há proibição para mútuos entre empresas. A simulação deve ser provada com certeza e precisão. Consoante os depoimentos prestados à Polícia Federal pelos Srs. Maurício Benedito de Oliveira, Salvador Silva de Oliveira e Fabrício Fuga, a PANTANEIRA era controlada, de fato, pelo Sr. Paulo Manfrin Pereira. A PANTANEIRA, titular das contas nas quais foi constatada a parcela maior dos depósitos bancários tidos como de origem não comprovada, sequer foi intimada a esclarecer a origem dos recursos. Somente uma ação fiscal efetivada, inicialmente, no titular de direito da conta bancária poderia, em tese, conduzir à comprovação de que este não seria o titular de fato dos recursos, de modo que a PANTANEIRA necessariamente deveria ter sido intimada. Já houve o lançamento de tributos, em outro auto de infração (processo administrativo n° 16004.000383/200881), sobre toda a receita reputada omitida pela PANTANEIRA nos anoscalendário 2002 a 2006, razão pela qual, caso houvesse receita omitida, essa já teria sido tributada em outra ação fiscal. No referido processo administrativo, a PANTANEIRA'fa reputada interposta pessoa da empresa FRIGOSUL — FRIGORÍFICO SUL LTDA. Tendo em vista que .a receita considerada omitida no auto de infração lavrado contra a FRIGOSUL é maior que 'aquela considerada no presente processo administrativo, esta deveria ser considerada como parte daquela, sob pena de haver dupla tributação sobre as mesmas supostas omissões de receitas. Conforme se observa no Termo de Verificação Fiscal lavrado nos autos do processo administrativo n° 16004.000383/200881, as mesmas contas bancárias que deram base à lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo também foram consideradas para fundamentar o elo estabelecido entre a PANTANEIRA e a FRIGOSUL, por meio da SEBO JALES, de modo que não há coerência entre os fatos constatados nos dois processos administrativos. Ademais, não há justificativa para a falta de atribuição de responsabilidade à PANTANEIRA. No tocante aos depósitos bancários constatados em suas próprias contas, afirma o contribuinte que a falta de registro desses valores em rubricas específicas não autoriza a conclusão de que correspondem a receitas omitidas, já que é usual o registro de valores que circulam em bancos diretamente na conta Caixa. O extravio de documentos impediu a prova de que os valores creditados em conta bancária correspondem a receitas contabilizadas via conta Caixa. Afirma o contribuinte que apresentará a documentação comprobatória assim que Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.649 7 possível. As importâncias já declaradas e oferecidas à tributação devem ser excluídas, sobretudo tendo em conta que as receitas reputadas omitidas são muito inferiores àquelas declaradas. Conforme consta dos próprios documentos acostados aos autos, há cheques emitidos a favor das próprias emitentes, para saques ou compensações. Conforme reconhece a jurisprudência formada no Conselho de Contribuintes, é descabida a imposição de multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL devidos por estimativa, quando houver o lançamento do IRPJ e da CSLL com imposição de multa sobre os tributos apurados. Isso porque ficaria caracterizada a imposição de dupla penalização. A aplicação da multa de 150% requer a prova do evidente intuito de fraude. O ampla acesso, pelo Fisco, às informações bancárias dos contribuintes impede que se repute como dolosa a omissão de receitas apurada a partir de depósitos bancários. Por fim, pede que seja reconhecida a nulidade das exigências. A empresa FUGA COUROS S/A, a quem foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, reproduz as alegações do contribuinte em seu recurso. Especificamente quanto à responsabilidade solidária, afirma que a autoridade autuante não a fundamentou em qualquer norma da legislação ordinária, limitandose a invocar o art. 124 do CTN. Esta norma, por ter hierarquia de lei complementar, não pode criar direitos, obrigações e responsabilidades no campo fiscal, exceto nos casos excepcionais previstos na Constituição Federal. O art. 124 do CTN apenas autoriza que a lei ordinária da entidade tributante possa atribuir responsabilidade solidária, conforme, aliás, prevê o art. 97 do CTN. Por fim, pede o contribuinte que seja reconhecida a nulidade dos lançamentos. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 541 a 551) negou provimento a ambos os recursos pelas razões que se seguem. No processo nº 16004.000383/200881, foram efetuados lançamentos em nome de FRIGOSUL, os quais foram apurados com base na receita bruta registrada nos livros de “M S Aliança” e “PANTANEIRA”, empresas que operavam como interpostas pessoas de FRIGOSUL. Já, no presente feito, o crédito foi lançado com base em depósitos em contas bancárias em nome de “PANTANEIRA”, mas para realizar movimentação financeira em nome de FUGA COUROS. Como sintetizado na decisão recorrida: (...) não há coincidência entre as bases de cálculo dos autos de infração lavrados contra a FRIGOSUL e contra a FUGA COUROS JALES LTDA. No primeiro caso, a base de cálculo foi apurada a partir dos registros constantes dos livros contábeis/fiscais da PANTANEIRA. No segundo, foram considerados os depósitos de origem não comprovada Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.650 8 constatados em contas bancárias da PANTANEIRA, mas controladas de fato pela FUGA COUROS JALES LTDA. A autoridade julgadora elencou as diversas evidências que a levaram a concluir que as contas bancárias em nome de PANTANEIRA eram controladas por FUGA COUROS LTDA, in verbis: O Sr. Maurício Benedito de Oliveira, em interrogatório junto à Polícia Federal, confirmou que, a despeito de constar no quadro social da PANTANEIRA, apenas emprestou seu nome para a constituição da empresa. Afirmou, ainda, que o Sr. Salvador Silva de Oliveira é empregado da empresa FUGA COUROS em Jales/SP e reconheceu que este é procurador das contas bancárias da PANTANEIRA. A Sra. Antonieta Ventura Dias negou à Polícia Federal que a PANTANEIRA lhe pertença. O Sr. Salvador Silva de Oliveira, por sua vez, afirmou que trabalha na FUGA COUROS desde sua inauguração em 1997, estando subordinado ao Sr. Fabrício Fuga. Confirmou que recebeu procuração para assinar pela PANTANEIRA, que firmou cheques por esta empresa. Em resposta a intimação feita à empresa MICHELON — MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA, fornecedora da FUGA COUROS JALES LTDA, foi informado que o pedido de n° 6.222, no valor de R$ 215.000,00, foi pago por esta, no dia 04/11/2004, por meio de TED proveniente da contacorrente n° 8399, mantida pela PANTANEIRA junto à Caixa Econômica Federal, conta esta movimentada, mediante procuração, pelo Sr. Salvador Silva de Oliveira, gerente financeiro da FUGA COUROS JALES LTDA. O Sr. Salvador Silva de Oliveira foi nomeado também procurador para movimentar a contacorrente n° 32.4507, mantida pela PANTANEIRA junto ao Banco Bradesco S/A. O controle da FUGA COUROS JALES LTDA sobre esta conta está inclusive documentado em anotação constante do verso do cheque cuja cópia foi juntada às fls. 107/108 do Anexo V, nos seguintes termos: "confirmado com Salvador às 17:05 do dia 100206 pelo fone 36043090. Esta linha telefônica pertence à FUGA COUROS JALES LTDA. Há diversos outros cheques com a anotação "confirmado por Salvador". Além disso, está devidamente documentada a realização de diversas transferências de recursos entre esta conta da PANTANEIRA e contas da FUGA COUROS JALES LTDA. As provas mais evidentes do efetivo controle exercido pela FUGA COUROS JALES LTDA sobre as referidas contas bancárias da PANTANEIRA foram colhidas pela Polícia Federal, em busca e apreensão realizada, em 05/10/2007, na FUGA COUROS JALEIS LTDA. Destacamse documentos constantes de HDs de computadores apreendidos. Há, por exemplo, uma planilha, intitulada "Demonstrativo do Custo Financeiro de Couros" do mês de setembro de 2004, no qual está indicado o valor de R$ 1.831,32 como despesas de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.651 9 CPMF. Este é precisamente o valor que corresponde à soma dos débitos, sob a rubrica "cobrança da CPMF", constantes, no mês de setembro de 2004, do extrato bancário da conta n° 32.4507, mantida pela PANTANEIRA junto ao Banco Bradesco S/A. Há, ainda, planilhas em que o Sr. Salvador Silva de Oliveira transmite ao Sr. Ivanor da empresa FUGA COUROS S/A informações sobre os saldos das contascorrentes da empresa FUGA COUROS JALES LTDA, inclusive com indicação dos saldos constantes das referidas contas da PANTANEIRA. Também não prosperou a alegação de que a empresa PANTANEIRA deveria ser intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários, uma vez que a autoridade fiscal teria comprovado que esta empresa foi constituída por sócios laranjas e que a movimentação financeira em suas contas estava sob controle de FUGA COUROS LTDA. De igual sorte, a alegação de que as receitas teriam sido contabilizadas em sua “conta caixa” e apenas houve extravio de documentos e a de que as receitas já declaradas deveriam ser deduzidas do total lançado não prosperaram em razão da presunção legal de omissão de receita no caso de depósito de origem não comprovada. Em relação à multa isolada, entendeu o julgador haver previsão legal para aplicação simultânea com a multa proporcional simples ou majorada. Quanto ao patamar majorado da multa proporcional, não mereceu prosperar a alegação de que a qualificação é incompatível com a presunção legal de omissão de receita, uma vez que, dentre outras razões, houve até uso de interposta pessoa. Por derradeiro, no tocante ao responsável tributário, entendeu que não deveria prosperar a alegação da defesa de que o art. 124 do CTN não estabeleceria direitos e obrigação, mas apenas, em razão de suas condição de lei complementar, autorizaria a lei ordinária de cada ente tributante de fazêlo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte e o responsável apresentaram recursos voluntários, respectivamente às fls. 560 a 613 e 1.611 a 1650, mediante os quais praticamente se limitaram a reiterar (aliás, na sua maioria, ipsis litteris) argumentos já trazidos nas impugnações. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.652 10 Antes de nos debruçarmos sobre o objeto da lide, cumpreme reafirmar o que já destaquei no relatório. O recurso voluntário de fls. 560 a 613 é, na verdade, uma cópia praticamente exata da impugnação de fls. 301 a 343. A defesa, em momento algum, combateu qualquer dos fundamentos da decisão recorrida. Resumiuse apenas a reproduzir ipsis litteris o que já havia apresentado na reclamação inicial, a substituir em algumas partes, o termo “impugnante” por “recorrente”, e, quando muito, a reproduzir a decisão recorrida, mas sem contrapor especificamente nenhum dos seus fundamentos. Ademais, juntou cópia do livro diário de PANTANEIRA, em relação a qual teceu apenas este singelo comentário: “deixa consignado a Recorrente mais o fato de que obteve cópia dos livros Diários da empresa PANTANEIRA, que agora anexa”. Outro procedimento não foi adotado pelo responsável tributário (FUGA COUROS S/A). Da mesma forma como a maior parte da sua impugnação correspondia à impugnação do contribuinte, o seu recurso também é, em boa medida, reprodução do recurso voluntário de FUGA COUROS LTDA, o qual, como aduzimos, também é praticamente uma cópia daquela primeira impugnação. Quanto à parte específica, a que diz respeito à sua condição de responsável tributário, apenas descreve os fundamentos da decisão recorrida e afirma estarem equivocados para então, mais uma vez, reproduzir literalmente o que já havia sido aduzido na sua defesa inaugural. Exigência concomitante Com efeito, uma vez não se comprovando que a movimentação financeira em nome de “PANTANEIRA” corresponde à receita registrada em seus livros, não há que se falar em mesmas receitas. Não merece prosperar a alegação de que as receitas registradas nos livros da PANTANEIRA deveriam absorver os valores inferidos a partir da movimentação bancária, uma vez que a lei (art. 42 da Lei nº 9.430/96) estabelece que a origem deve ser documentalmente comprovada depósito a depósito. Ademais, ainda que se identificassem com as receitas que compuseram o lançamento em nome de FRIGOSUL, tal circunstância, por si só, não seria suficiente para afastar a presente autuação, uma vez que aquele lançamento e não este poderia ter sido o incorretamente realizado. Nesse caso, seria aquele e não este o que deveria ser exonerado. Cumprenos apenas verificar a correção desta autuação em relação aos aspectos combatidos pela defesa. O controle das contas por parte da autuada A autuação é relativa à omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Tais depósitos foram realizados em contasbancárias da autuada, mas também em nome da empresa PANTANEIRA, a qual se afirmar tratarse de interposta pessoal. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.653 11 Nesse caso, a acusação fiscal é a de que a autuada ocultou a receita de parte das suas operações ao movimentar valores por meio de constas bancárias em nome da empresa PANTANEIRA, mediante procuração, cujo procurador era seu empregado (Sr. Salvador Silva de Oliveira). Para chegar a essa conclusão, a autoridade fiscal aponta diversos fatos. Abaixo, reproduzi alguns que me chamaram a atenção. Primeiro fato: procurador para movimentação de contas correntes era funcionário da autuada. O fornecedor (Michelon Máquinas e Equipamentos) recebeu o valor de R$ 215.000,00 da autuada por meio de TED de contacorrente de PANTANEIRA (relatório de fl. 218). Essa movimentação foi realizada pelo Sr. Salvador Silva de Oliveira, concomitantemente, procurador em relação à conta e gerente financeiro da autuada (relatório de fl. 219). Conforme termo de verificação de fl. 222: Os documentos de fls. 44 e 59 do Anexo V comprovam que o sujeito passivo utilizou recursos mantidos na conta n.° 8399 titulada em nome de terceiros (PANTANEIRA), conta esta movimentada pelo seu gerente financeiro Sr. Salvador Silva de Oliveira, para realizar pagamento pela aquisição de bens junto ao fornecedor Michelon Máquinas e Equipamentos Ltda. Segundo fato: sócios de Pantaneira eram laranjas. Segundo a acusação, os sócios da empresa PANTANEIRA eram laranjas. Abaixo, transcrevo trecho do termo de verificação (fl. 221): os Senhores Maurício Benedito de Oliveira e Antonieta Ventura Dias, em interrogatórios na Polícia Federal, declararam que apesar de constarem como sócios da empresa Pantaneira, não são seus proprietários. Melhor dizendo, são sócios "laranjas" da Pantaneira. Terceiro fato: planilha de controle paralelo de vendas sem nota fiscal apreendida pela Polícia Federal No cumprimento de mandado de busca e apreensão, foram apreendidas mídias magnéticas com controle paralelo de vendas sem emissão de nota fiscal. A seguir transcrevo parte do relatório de fl. 224: Documentos juntados às fls. 61 do Anexo II: Referese a uma planilha intitulada Fuga Couro Jales Ltda — Estatística do preço médio de vendas do mês de setembro de 2004 de wet blue. Nesta planilha há uma coluna denominada "valor total nota fiscal", onde estão informados valores totais correspondentes ao Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.654 12 mercado interno, à exportação e ao total geral. Verificamos que os valores correspondentes ao mercado interno foram desdobrados em dois itens: mercado interno e "1001". O item "1001" foi desdobrado em quatro linhas: SP com nota fiscal, SP sem nota fiscal, Fora de SP com nota fiscal e Fora de SP sem nota fiscal.(meu negrito) Quarto fato: controle paralelo de custos da autuada correspondente às despesas financeiras de conta da PANTANEIRA. Em mídias magnéticas apreendidas com a autuada pela Polícia Federal, foi identificada planilha de controle de custos, os quais se referiam a despesas financeiras relativas à conta bancária em nome de Pantaneira. Nesse caso, é relevante destacar a referência ao código “1001” usado tanto para se referir a receitas sem emissão de notas, quanto às despesas decorrentes do uso da conta em nome de terceiros. Abaixo, transcrevemos parte do relatório de fl. 222: Documento juntado às fls. 49 do Anexo II: Referese a uma planilha denominada "Demonstrativo do Custo Financeiro de Couros" do mês de setembro de 2004. Num dos quadros relativos à demonstração analítica das despesas do mês verificamos que na coluna "Despesas 1001" consta o valor de R$ 1.831,32 como despesas de CPMF. Consultamos os extratos bancários da conta n.° 32.4507, titulada em nome da Pantaneira, e verificamos a existência de quatro lançamentos a débito realizados em setembro de 2004 com o histórico "cobrança da CPMF", gue totalizam R$ 1.831,32, conforme abaixo demonstrado: Quinto fato: relatório de posse da contribuinte autuada (Fuga Couros Ltda) para o responsável autuado (Fuga Couro S/A) sobre o saldo de conta bancária em nome de PANTANEIRA. Nos documentos apreendidos por ocasião do cumprimento de mandado de busca e apreensão, consta um relatório endereçado para FUGA COUROS S/A (pessoa jurídica a quem foi imputada a condição de responsável tributário) sobre saldos de contasbancárias, dentre as quais, contas em nome de PANTANEIRA. Abaixo, transcrevo parte do termo de verificação de fls. 223: Documento juntado às fls. 50 Anexo II: Referese a uma planilha em que o gerente financeiro da Fuga Couros Jales Ltda, Sr. Salvador Silva de Oliveira, transmite mensagem ao Sr. Ivanor da empresa Fuga Couros S/A com diversas informações. Intitulada como Fuga Couros Jales Ltda, contém os seguintes dizeres dentre outros: PARA/TO: FUGA COUROS S/A, AT/ATTN: SR. IVANOR, NUMERÁRIO PARA HOJE: 5 setembro, 2005, 2. PANTANEIRA IND. E COM. PROD. ANIMAIS LTDA, Saldo da conta corrente de n.° 32.4507 (BRADESCO S/A) — R$ 635.497,74 credor, Saldo da conta corrente de n.° 8399 (Caixa E. Federal) — R$ 390.526,33 credor, C/C 29998 — Banco 001 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.655 13 — Fuga Couros Jales Ltda — R$ 209.379,61 credor, C/C 23942 9 — Banco 237 — Fuga Couros Jales Ltda — R$ 148.699,86 credor. Ao final consta: ATENCIOSAMENTE — Salvador Silva de Oliveira. A despeito de todos esses fatos que são congruentes com a acusação de que a autuada realmente controlava contas bancárias em nome de PANTANEIRA e as utilizou para ocultar a movimentação financeira relativa a operações realizadas à margem de qualquer registro formal, a defesa só combate especificamente os dois primeiros, quando, por exemplo, aduz que: O fato de ser constituída empresa com participações de pessoas de algum modo ligadas a outra, com a qual a nova empresa negocie, não é e nem pode ser considerado motivo bastante para desconsiderações. Esse fato isolado realmente não poderia levar a autoridade fiscal à conclusão a que chegou, mas em conjunto com todos os demais, não há outra conclusão plausível. Nos parágrafos 58 e 59 do recurso voluntário a defesa afirma que a autoridade lançadora chegou à conclusão de que os valores movimentados nas contas bancárias em nome de PANTANEIRA exclusivamente em razão do item 4.1 do Termo de verificação fiscal, mediante o qual o agente fiscal relata que o fornecedor “Michelon” recebeu pagamento por meio de conta em nome de PANTANEIRA. Ora, a defesa praticamente faz de conta que não existe o item 4.3 do mesmo termo de verificação, por meio do qual a autoridade relata os diversos elementos probatórios do controle das contas e que foram apreendidos no cumprimento de mandado de busca e apreensão, os quais acima já indiquei como quarto e quinto fatos. Em relação a tais elementos a defesa aduz simplesmente que: Verificase que a fiscalização preferiu tomar como verdadeiros valores e mais valores inseridos em planilhas e planilhas, as quais nunca foram fornecidas à Recorrente, que com referência às mesmas pouco pode argumentar. Como assim nunca foram fornecidas à recorrente? Cópias delas constam do feito, absolutamente à disposição para vistas, sem falar do próprio inquérito policial. E como pouco pode argumentar? Tais elementos constam do termo de verificação e expressamente foram adotados pela DRJ como razão de decidir. No entanto, no recurso, preferiu nada acrescer sobre esse ponto. Seguramente para não chamar mais atenção a ele. A defesa reitera de forma literal o que havia aduzido na fase impugnatória que o titular das contas – a empresa Pantaneira – não foi intimada para prestar esclarecimentos, mas, em momento algum, rebate o ponto central da decisão recorrida, isto é, que essa empresa é de fachada, foi constituída por pessoas físicas “laranjas”. A defesa ignora – “dá de ombros” – o fato de terem sido encontrados no recinto da autuada os controles das contas bancárias em nome de Pantaneira. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.656 14 Enfim, a decisão recorrida foi minuciosa ao analisar as provas colhidas pela autoridade fiscal para afirmar que a movimentação financeira estava sob o controle da autuada, mas a defesa traz apenas argumentos genéricos e desconectados com o denso e congruente corpo probatório no sentido de que contas bancárias em nome de Pantaneira servia para ocultar as atividades da autuada. Não há, pois, razões para reforma da decisão recorrida quanto a esse ponto. A omissão relativa a depósitos em suas próprias contas Quanto aos depósitos nas constas bancárias da própria autuada, a defesa aduziu que os documentos se extraviaram e que, nesse caso, deveria ser aplicada a presunção com base em depósitos de forma “consentânea e adequadamente mitigada” ao subtrair as receitas já previamente declaradas. Em primeiro lugar, é importante destacar que as contas, cujos depósitos serviram de base para a autuação, foram mantidas totalmente à margem da escrituração e não apenas um punhado de depósitos nelas efetuados. A justificativa apresentada de que tais valores eram controlados mediante registros na conta caixa e que os documentos se extraviaram, além de não convencer em razão do conjunto probatório que nos leva à conclusão de que deliberadamente a autuada mantinha parte das suas operações à margem dos registros formais, não poderia ser acatada em razão da expressa previsão legal de que os depósitos devem ser individualmente comprovados. Multa isolada As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.657 15 Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No presente feito, podemos constatar que o valor das omissões em todos os meses compuseram integralmente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL anuais, bem como a Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.658 16 base para a determinação das estimativas, as quais serviram para aferição das multas isoladas. Todos os valores e de forma integral repercutiram na determinação de ambas as multas, a isolada e a proporcional. Desse modo, houve integral absorção de uma pela outra. Multa qualificada Relativamente à aplicação da multa qualificada para os depósitos mantidos em conta bancaria em nome de interposta pessoa, deve ser observada a Súmula CARF nº 34 de aplicação regimentalmente vinculada: Súmula CARF No 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Quanto aos depósitos em contas próprias, não posso chegar a posição diversa em razão do enorme conjunto probatório de que o contribuinte agiu intencionalmente para ocultar do Fisco parte das suas operações. Responsabilidade solidária Os autos revelam que as atividades comerciais foram realizadas por meio de uma teia de pessoas físicas e jurídicas com o intuito de escamotear operações a fim de burlar a atividade do Fisco de lançar ou, caso tal intento não fosse bem sucedido, a de cobrar o crédito tributário. Aliás, esse foi o motivo da deflagração da operação pela Receita Federal e Polícia Federal com autorização judicial (vide trecho de fl. 211). No termo de verificação, a autoridade fundamenta a atribuição de responsabilidade no seguinte trecho (fl. 229), in verbis: O sujeito passivo apresentou no início da fiscalização cópia da 3ª alteração e consolidação de contrato social, de 02/03/2005. Nesta, verificamos que o capital social de R$ 3.000.000,00 está distribuído entre os sócios: FUGA COUROS S/A com participação equivalente a 99,90% e FUGA PARTICIPAÇÕES LTDA com participação equivalente a 0,10%. Verificamos também que a administração da sociedade é exercida pelos senhores Fabrício Fuga e ledo Claudino Fuga, que são acionistas da Fuga Couros S/A. Posteriormente, em resposta ao nosso Termo de Intimação Fiscal, de 26/01/2009, o sujeito passivo apresentou cópia da 4ª alteração e consolidação de contrato social, cisão parcial com versão de patrimônio para as sociedades FUGA COUROS S/A e FUGA PARTICIPAÇÕES LTDA, de 03/01/2008. Nesta, verificamos que houve cisão parcial da, sociedade Fuga Couros Jales Ltda, com versão de elementos ativos e passivos para os Fl. 16DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.659 17 dois sócios já mencionados e redução do capital social no montante de R$ 2.948.000,00. Assim, o capital social que era de R$ 3.000.000,00 passou a ser de R$ 52.000,00, distribuído aos sócios: FUGA COUROS S/A e FUGA PARTICIPAÇÕES LTDA na mesma proporção já anteriormente mencionada (99,90% e 0,10%). A administração da sociedade continua sendo exercida pelos senhores Fabrício Fuga e ledo Claudino Fuga, acionistas da Fuga Couros S/A. Ficou claro para esta fiscalização que a empresa FUGA COUROS S/A, detentora de 99,90% do capital social do sujeito passivo ora fiscalizado, teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portando, solidariamente obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. Destarte, efetuamos o Termo de Sujeição Passiva Solidária, de 13/02/2009, que será encaminhado via postal à empresa FUGA COUROS S/A, juntamente com cópia dos autos de infração e deste termo, para sua ciência. É interessante notar, contudo, que a autoridade não fundamenta a imposição de responsabilidade à FUGA COUROS S/A por supostamente fazer parte do esquema, apesar da existência de elementos, a princípio, aptos a se fazer tal acusação. O agente fiscal talvez tenha considerado que os elementos não seriam sólidos o bastante para fazer esse tipo de acusação. O relatório sobre a movimentação de PANTANEIRA, por exemplo, apesar de dirigido a FUGA COUROS S/A, não foi encontrado na sua posse, mas sim na de FUGA COUROS LTDA. Uma outra hipótese é a de que não teria encontrado fundamento legal para tanto. O artigo 135 do CTN ao atribuir responsabilidade tributária por ato doloso não relaciona pessoas jurídicas, só físicas. Assim, lançou com base na responsabilidade solidária prevista no art. 124 do CTN. Ao fazêlo, agiu bem e em total consonância com a jurisprudência do STJ. Notese que a cisão ocorreu posteriormente a todos os fatos e, desse modo, as empresas cindidas ou que absorveram patrimônio em resultado de cisão tornamse responsáveis pelos créditos tributários. Abaixo transcrevo as ementas de dois acórdãos recentes sobre o tema: A empresa resultante de cisão que incorpora parte do patrimônio da outra responde solidariamente pelos débitos da empresa cindida. Irrelevância da vinculação direta do sucessor do fato gerador da obrigação (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão Fl. 17DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.660 18 (REsp 852972/PR, 1ª Turma, Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 25/05/2010) Desse modo, ao contrário do que diz a defesa, as regras do código diretamente impõem deveres e não apenas autorizam a lei ordinária a estabelecêlos. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar as multas isoladas. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 18DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 13971.001592/2005-64
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
Normas gerais de direito tributário. Interpretação da legislação. Dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato definido como infração.
O adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória é fato caracterizador de infração ao ordenamento jurídico e enseja o lançamento da penalidade pecuniária cominada em norma vigente, se ausentes dúvidas quanto às circunstâncias materiais do fato definido como infração. Dúvidas relacionadas a limitações técnicas (congestionamento) do sistema transmissor de declarações do computador do sujeito passivo para a base de dados da Receita Federal afastam do contribuinte a responsabilidade pelo atraso.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.600
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento.
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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Interpretação da legislação. Dúvida quanto As circunstâncias materiais do fato definido como infração. O adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória é fato caracterizador de infração ao ordenamento jurídico e enseja o lançamento da penalidade pecuniária cominada em norma vigente, se ausentes dúvidas quanto As circunstâncias materiais do fato definido como infração. Dúvidas relacionadas a limitações técnicas (congestionamento) do sistema transmissor de declarações do computador do sujeito passivo para a base de dados da Receita Federal afastam do contribuinte a responsabilidade pelo atraso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Nihon Luiz Bart° li, Vanessa Albuquerque Valente e Hero ldes Bahr Neto. Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 43 Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Terceira Turma da DRJ Florianópolis (SC) que julgou procedente a exigência da multa infligida no auto de infração de folha 5, motivada por entrega de DCTF espontaneamente e a destempo, no valor mínimo de R$ 200,00. Segundo a denúncia fiscal, somente no dia 16 de fevereiro de 2004, segunda- feira, foi entregue a declaração relativa ao quarto trimestre de 2004 (prazo vencido em 13 de fevereiro de 2004, sexta-feira). Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório corn as razões de folhas 1 a 4. Em síntese, traz lições doutrinárias e precedentes judiciais e administrativos para alegar: DOS FATOS No dia 16 de fevereiro de 2004, foi realmente apresentada em atraso a DCTF referente ao 4° trimestre de 2003. 0 atraso ocorreu devido ao congestionamento no site da Receita Federal no dia 13/02/2004 [sic] prazo final para entrega da declaração. Dia este que era uma sexta [sic] feira e por isso, somente foi possível transmitir a declaração na segunda [sic] feira imediatamente posterior ao congestionamento, em que o site da Receita voltou a receber transmissões. Frisa-se que o atraso foi totalmente involuntário, pois foram várias tentativas de transmissão, porém devido aos problemas técnicos dos equipamentos da Receita Federal, houve congestionamento no site e este não recepcionou as transmissões da DCTF. Desta forma, logo que sanado o problema, foi feita a APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA da DCTF, ou seja, HOUVE DENUNCIA ESPONTÂNEA na entrega da DCTF, pois inexistiu qualquer procedimento administrativo fiscal, exigindo ou alertando sobre a obrigação da DCTF, antes que esta fosse entregue espontaneamente, descabendo assim, a imposição de multa moratória. Entendeu em contrário o fisco, que expediu o Auto de Infração. DO MÉRITO Trata-se de aplicação do Art. 138 e seu parágrafo único do CTN, segundo o qual a denúncia espontânea, desde que realizada antes de qualquer procedimento administrátivo, exclui a responsabilidade do contribuinte quando acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo e dos juros de mora. Processo 00 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 44 O órgão julgador de primeira instância considerou irreparável o procedimento administrativo, conforme voto condutor do acórdão recorrido que transcrevo em sua inteireza: A impugnação é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade; pode-se dela conhecer. No tocante A alegação expendida na peça impugnatória, equivoca-se o contribuinte ao alegar que a apresentação espontânea exclui a responsabilidade pela infração cometida pois, tratando-se no caso de obrigação acessória A qual estão sujeitos todos os contribuintes, é inaplicável o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Dispõe o § 2° do art. 113 do CTN, que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal, relativamente A penalidade pecuniária. Nesse sentido, os esclarecimentos formulados no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, por Aldemario Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, demonstram a inaplicabilidade do instituto da denuncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória, como se depreende a seguir: Corn efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explicita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário impago. Quando o tributo não é pago em tempo hábil gera um crédito corn, pelo menos, os seguintes componentes: PRINCIPAL - tributo, MULTA - penalidade pecuniária e JUROS DE MORA. A denuncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o PRINCIPAL - tributo. Esta estrutura de débito, a única referida no citado art. 138 do CTN, obviamente só existe no caso de descumprimento de obrigação tributária principal. O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no art. 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: PRINCIPAL - multa (penalidade pecuniária) e MULTA - inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito, simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denuncia espontânea não afeta o PRINCIPAL do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Uma última ponderação parece ratificar estas considerações. Admitir a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigação acessória significa negar, em regra, a obrigatoriedade do adimplemento da obrigação de fazer ou não-fazer, isto porque a sanção decorrente poderia ser afastada, a qualquer tempo, justamente a partir da realização daquela ação originalmente com prazo certo. 0 raciocínio seria o Ç...\ 3 Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 45 seguinte: apresento a declaração quando quiser, sendo, em principio, irrelevante o marco temporal legal, porque a apresentação depois do prazo seria denúncia espontânea e afastaria a multa, única conseqüência da intempestividade, salvo ação fiscal extremamente improvável. De toda sorte, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartadas das penalidades pecuniárias. Em sessão de 13 de junho de 1997, foi julgada matéria de similar teor, prolatando-se o Acórdão no 102-41.824 da lavra da ilustre Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto. Destacamos a seguir alguns trechos do acórdão: A figura da denúncia espontânea, contemplada no artigo 138 da Lei n° 5.172/66 - Código Tributário Nacional -, arguida pelo recorrente, é inaplicável, porque juridicamente s6 é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, que não é o caso do atraso da entrega da Declaração de Rendimentos de IRPF que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. Apresentar a declaração de rendimentos é uma obrigação para aqueles que enquadram-se nos parâmetros legais e deve ser realizada no prazo fixado pela lei. Por ser urna "obrigação de fazer", necessariamente, tem que ter prazo certo para seu cumprimento e, se for o caso, por seu desrespeito, urna penalidade pecuniária. A causa da multa está no atraso do cumprimento da obrigação, não na entrega da declaração, que tanto pode ser espontânea como por intimação, em qualquer dos dois casos a infração ao dispositivo legal já aconteceu e cabível 6, tanto num quanto noutro, a cobrança da multa. 0 Primeiro Conselho de Contribuintes freqüentemente vem se pronunciando no sentido oposto ao pretendido pelo interessado, cabendo reproduzir, a titulo de exemplificação, a ementa dos seguintes acórdãos: DENÚNCIA ESPONTÂNEA — Não se configura denúncia espontânea o cumprimento de obrigação acessória, após decorrido o prazo legal para o seu adimplemento, sendo a multa decorrente da impontualidade do contribuinte."(Ac.n° 106-10.772, de 15/04/1999, DOU de 21/07/1999). DENÚNCIA ESPONTÂNEA — Exclusão de responsabilidade pelo cometimento de infração A legislação tributária — a norma inserta no art. 138 do CTN não abrange as penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento de obrigações Acessórias." (Ac. n° 102-42.801, de _ 19/03/1998, DOU de 09/04/1999). Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n. ° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 46 DENÚNCIA ESPONTÂNEA — A espontaneidade na apresentação a destempo do documento fiscal não tem o condão de infirmar a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da declaração de rendimentos, por não se constituir o gesto em ilícito tributário. FATO CONHECIDO — Não caracteriza denúncia espontânea a comunicação de fato conhecido da Repartição Fiscal." (Ac. n° 106- 10.015, de 18/03/1998, DOU de 24/05/1999). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - 0 instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar intempestivamente a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão abrangidos pelo art. 138 do CTN.(Ac. n° 102-44.383, de 17/08/2000; DOU de 29/12/2000) Igual entendimento também tem sido observado, entre outros, nos seguintes acórdãos de câmaras do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA: 102 -42.175 (DOU de 29.09.98), 106-09.354 (DOU de 31.12.97), 102-42.264 (DOU de 29.09.98), 106.09.277 (DOU de 31.12.97), 106-09.278 (DOU de 31.12.97), 106-10.382 (DOU de 26.03.99), 106-10.389 (DOU de 26.03.99), 106-10.396 (DOU de 26.03.99), 102-43.116 (DOU de 10.03.99) e 102-43.214 (DOU de 10.03.99). Não se trata, portanto, de punir com multa o pagamento espontâneo de tributo devido. Tal fato pode ocorrer no caso de o impugnante ser devedor da Fazenda Pública Federal pelo não pagamento de impostos e contribuições federais, se vier a efetuá-lo antes do inicio da correspondente ação fiscal, mas não no presente caso. Aqui, como se disse, não foi feito nenhum levantamento das operações realizadas pelo sujeito passivo ou dos rendimentos que tivesse recebido, de que brotasse a conclusão de haver crédito tributário a ser constituído de oficio. Apenas, o sistema de processamento de dados da Secretaria da Receita Federal detectou a entrega a destempo da declaração especificada e o Auto de Infração correspondente foi automaticamente emitido. A respeito da inaplicabilidade das disposições do art. 138 do CTN, ao caso dos autos, assim também se têm pronunciado o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em arestos recentes, a seguir transcritos, conforme citados em "Direito Tributário" de PAULSEN, Leandro, 3.° Ed., 2001, p. 691/692: TRIBUTÁRIO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM ATRASO — INCIDÊNCIA DO ART. 88 DA LEI N.° 8.981/95. 5 Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 47 A entrega intempestiva da declaração de imposto de renda, depois da data limite fixada pela Receita Federal, amplamente divulgada pelos meios de comunicação, constitui-se em infração formal, que nada tem a ver com a infração substancial ou material de que trata o art. 138 do CTN. A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo arbítrio de cada um. Recurso especial conhecido e provido. Decisão unânime. (STJ, 2.a T., Resp 243.241/RS, rel. Min. Franciulli Netto, jun/2000). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA DE DECLARAÇÃO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 0 atraso na entrega da declaração do imposto de renda não constitui infração no sentido de ilícito tributário, e, deste modo, sujeito está o contribuinte ao pagamento da multa moratória, prevista em lei (Lei n.° 8.981, art. 88).(TRF1, 3.a T. MAS 97.01.022335-3/GO, rel. Juiz Tourinho Neto, ago/1997) No mesmo diapasão é o voto do Min. José Delgado, do Superior Tribunal de Justiça, acolhido de forma unânime pela sua Turma, no julgamento do Resp 246.963/PR, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça da Unido de 5 de junho de 2000. Transcreve-se o seguinte excerto: A extemporaneidade na entrega de declaração de tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. E regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem as multas decorrentes de tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias Aquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de policia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a urna determinada categoria de contribuinte. 6 Processo n° 13971.001592/2005-64 AcOrdao n.° 303-35.600 CC03, CO3 Fls. 48 0 instituto da denúncia espontânea, portanto, não se aplica â espécie, razão pela qual deve prevalecer a exigência da multa lançada. Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Florianópolis (SC), recurso voluntário foi interposto as folhas 24 a 27. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa' os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 41 folhas. Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. o relatório. I Despacho acostado a folha 40 determina o encaminhamento dos autos para este Terceiro Conselho de Contribuintes. 7 Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CCO3 CO3 Fls. 49 Voto Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, Relator Conheço o recurso voluntário interposto as folhas 24 a 27, porque tempestivo e atendidos os demais pressupostos processuais. Versa a lide, conforme relatado, acerca da exigência da multa por entrega de DCTF espontaneamente e a destempo, no valor mínimo de R$ 200,00 para o fato relativo ao quarto trimestre de 2004. Da análise dos autos, para a solução deste litígio, busco apoio em quatro fatos relevantes e não controvertidos: (1) entrega da DCTF relativa ao Ultimo trimestre de 2003 no primeiro dia útil subseqüente2 ao prazo fixado em norma legal; (2) existência de norma no ordenamento jurídico vigente com previsão de multa por adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória; (3) sujeito passivo da obrigação acessória alega impedimento da transmissão dos dados do seu computador para a base de dados do sujeito ativo no dia 13 de fevereiro de 2004, sexta-feira, provocado por congestionamento ou erro do sistema disponibilizado pela Receita Federal; e (4) órgão judicante de primeira instância administrativa queda-se silente no que respeita à alegada impossibilidade de adimplemento da obrigação acessória no último dia aprazado. Assim, entendo caracterizada dúvida quanto as circunstâncias materiais do fato definido como infração, porquanto é possível que a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária com um dia útil de atraso seja decorrente de dimensionamento a menor da capacidade operacional do sistema recepcionador de declarações da Receita Federal. Por outro lado, quando fixa as regras de aplicação da legislação tributária, o CTN, no seu artigo 112, inciso II, determina: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, 071 caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - A natureza ou As circunstancias materiais do fato, ou A natureza ou extensão dos seus efeitos; III - A autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - A natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação. 2 Data da entrega da DCTF: 16 de fevereiro de 2004, segunda-feira. 8 . Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 50 Com essas considerações, interpreto da maneira mais favorável ao sujeito passivo da obrigação tributária acessória a nonna jurídica que define a infração objeto deste litígio e dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2008 TARASIO CAMPELO BORGES - Relator • • 9
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