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Numero do processo: 10768.015905/2001-55
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Ementa: RECURSO DE OFÍCIO – tendo sido o aresto recorrido lavrado levando em consideração a matéria de fato e direito trazida aos autos, adotando a melhor solução aplicável ao caso concreto, há de ser o mesmo ratificado.
Numero da decisão: 101-95.799
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao
recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO – tendo sido o aresto recorrido lavrado levando em consideração a matéria de fato e direito trazida aos autos, adotando a melhor solução aplicável ao caso concreto, há de ser o mesmo ratificado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-10T15:01:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-10T15:01:56Z; Last-Modified: 2009-07-10T15:01:56Z; dcterms:modified: 2009-07-10T15:01:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-10T15:01:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-10T15:01:56Z; meta:save-date: 2009-07-10T15:01:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-10T15:01:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-10T15:01:56Z; created: 2009-07-10T15:01:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-10T15:01:56Z; pdf:charsPerPage: 1051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-10T15:01:56Z | Conteúdo => Fls. 1 SÁ. 4r. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10768.015905/2001-55 Recurso n° 147.203 De Oficio Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAULL - EX: DE 1998 Acórdão n° 101-95.799 Sessão de 18 de outubro de 2006 Recorrente 2' TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM BRASÍLIA - DF Interessado BRADESCO CAPITALIZAÇÃO S A Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO — tendo sido o aresto recorrido lavrado levando em consideração a matéria de fato e direito trazida aos autos, adotando a melhor solução aplicável ao caso concreto, há de ser o mesmo ratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de oficio interposto pela 2' Turma da DRJ em Brasília - DF, em processo de interesse de BRADESCO CAPITALIZAÇÃO S A. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. " MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS Presidente Processo n.° 10768.015905/2001-55 Acórdâo n.° 101-95.799 Fls. 2 e C 10 MARCOS C • IDO lator FORMA #. EM: O it j Ul 20P8 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, SANDRA MARIA FARONI e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Ausente o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR. Processo ri.° 10768.015905/2001-55 Acórdão n.• 101-95.799 Fls. 3 Relatório A 2' Turma da DRJ em Brasília - DF recorre a este E. Conselho, em processo de interesse de BRADESCO CAPITALIZAÇÃO S A., em razão de seu acórdão n° 12.993, de 25 de fevereiro de 2005, que julgou improcedente o lançamento consubstanciado no auto de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 36/39), relativo ao período de apuração de fevereiro de 1997. A autuação foi resultado de auditoria interna (Instruções Normativas SRF n° 45 e 77, ambas de 1998) e teve por supedâneo a falta de recolhimento do valor declarado em DCTF relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do período de apuração de fevereiro de 1997. Na DCTF apresentada pelo sujeito passivo consta a indicação de que tal débito encontrava-se com sua exigibilidade suspensa por medida judicial (processo n° 970005871), ocorre que, nos sistemas de controle da SRF, o processo judicial indicado se refere a CNPJ de outra pessoa jurídica, o que deu origem à autuação. Irresignada com as autuações fiscais em 29 de dezembro de 2001 a autuada apresentou impugnação (fls. 01/17), cuja tempestividade está informada em despacho da autoridade preparadora às fls. 118. Argumenta a impugnante: 1. da situação judicial: a. A matéria discutida naquela ação mandamental é a inexistência de relação jurídica entre a impetrante e a União Federal em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por não ser a impetrante "empregador". b. que o débito exigido encontra-se em discussão judicial, portanto com sua exigibilidade suspensa, nos autos do Mandado de Segurança n° 97.0005871-9 (exordial às fls. 47/68), no qual foi concedida medida liminar pelo juízo da 20" Vara Federal do Rio de Janeiro (fls. 69/70). c. Às fls. 92/94, encontra-se a concessão de liminar em Medida Cautelar n° 300, processo n°99.02.14898-O, por parte do TRF 2' Região, com o fito de manter a suspensão de exigibilidade da CSLL, "relativo ao ano-base de 1996 e vencimentos subseqüentes" "até o julgamento do recurso de apelação" e "enquanto permanecerem na situação de não empregadores". Tal decisão foi ratificada no julgamento de mérito da citada Medida Cautelar, em 15 de junho de 1999. .. 2. Preliminarmente que o auto de infração deve ser declarado nulo, por absoluta falta de motivação, posto que deveria ter sido procedida averiguação prévia da existência da ação judicial apontada. -. 3. No mérito, que o auto de infração não deve prevalecer por ter sido lavrado após encerrado o período de apuração anual da C SLL e ultrapassada a data de entrega da DIPJ, não devendo prevalecer a autuação que toma por base os valores das estimativas mensais, mas sim em relação àquele apurado com base no lucro líquido do exerciGiio. Processo n.° 10768.015905/2001-55 Acórdão n.° 101-95.799 Fls. 4 4. que a multa de oficio aplicada é incabível pois viola o artigo 63 da Lei n° 9.430/1996, uma vez que o crédito tributário estava com sua exigibilidade suspensa. 5. contesta a aplicação de juros de mora na vigênci& de medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário. 6. aponta a imprestabilidade da aplicação da taxa SELIC como base para a imputação dos juros moratórios. A autoridade julgadora de primeira instância, então, emite decisão por meio do acórdão n° 12.993/2005, julgando improcedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 Ementa: CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA — Encerrado o período-base de apuração anual do imposto de renda e da contribuição social, e ultrapassada a data para entrega da DIPJ, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece o efetivamente devido com base no lucro real. Cabível, entretanto, a multa isolada, caso o débito declarado por estimativa não esteja com a exigibilidade suspensa, por decisão judiciaL Lançamento Improcedente.: O referido acórdão, em síntese, traz os seguintes argumentos e constatações: 1. rejeita a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de motivo, posto que tal matéria compõe o mérito da questio formulada. 2. Afirma que no mérito o lançamento é improcedente, argumentando: a. Que a impugnante optou pela apuração da CSLL pelo lucro real anual, com pagamento de estimativas mensais, no ano-calendário de 1997. Deste modo "eventual diferença quanto aos pagamentos mensais a maior, ou a menor, seria tão-somente apurada, de forma definitiva, quando do encerramento do período- base em 31 de dezembro de 1997". b. Que a impugnante deixou de recolher a CSLL no mês de fevereiro de 1997, apurada por estimativa, cujo débito foi informado na DCTF com sua exigibilidade suspensa. c. Que o auto de infração que exige tal valor foi lavrado em 30 de outubro de 2001, depois de encerrado o período-base e após a entrega da DIN/1998. d. Conclui que o lançamento do valor não recolhido das estimativas mensais só poderia ser exigido até a data da entrega da declaração do imposto de renda relativa ao exercício financeiro, o que foi ratificado pela introdução da possibilidade de aplicação isolada de multa de oficio nos caso de falta de tal recolhimento pelo inciso IV do parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n°9.430/1996. el2 Processo n.° 10768.015905/2001-55 Acórdão n.° 101-95.799 Fls. 5 e. "Ou seja uma vez possível a determinação, em caráter definitivo da base de cálculo do tributo ou contribuição em face do encerramento do período-base (...)" caberia a aplicação da multa isolada em relação às parcelas não pagas. No caso concreto, em face da existência de liminar determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há que se falar em multa de oficio, à luz do artigo 63 da Lei n°9.430/1996.. A autoridade julgadora de primeira instância administrativa concluiu pela improcedência do lançamento, recorrendo de oficio de sua decisão em face de ter sido exonerado crédito tributário superior a seu limite de alçada, conforme estabelece o artigo 2° da Portaria MF n° 375 de 07 de dezembro de 2001. )14 É o Relatório, passo ao voto. . . Processo n.° 10768015905/2001-55 Acórdão n.° 101-95.799 Fls. 6 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade do recurso de oficio, crédito tributário exonerado superior a RS 500.000,00 (quinhentos mil reais), dele tomo conhecimento e passo a análise de seu mérito. A matéria tratada no lançamento que deu supedâneo ao recurso de oficio diz respeito a falta de recolhimento estimativa do IRPJ, no mês de fevereiro de 1997, declaradas em DCTF com sua exigibilidade suspensa por força de medida judicial. Em sede de revisão interna da declaração de imposto de renda não teria sido comprovada a existência da ação judicial indicada pela contribuinte como suficiente para suspender a exigibilidade do crédito tributário, motivo pelo qual foi procedido o lançamento do principal, acrescidos de multa de oficio de 75% e de juros de mora com base na taxa SELIC. A análise dos fatos e argumentos procedida pela autoridade julgadora de primeira instância deve ser ratificada in totum. A uma porque o lançamento foi efetuado depois de encerrado o ano-calendário de 1997 e após a apresentação da DIPJ/1998. • A duas porque o que se pode exigir nos caso de falta de recolhimento de estimativas é a multa de oficio, aplicada isoladamente, no percentual de 75% na forma do inciso IV do parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n°9.430/1996. A três porque, no caso presente, nem tal multa se pode aplicar tendo em vista que restou provado, no curso do presente processo administrativo, a existência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, o que impossibilita a aplicação daquela multa, na forma do artigo 63 da Lei 9.430. Saliente-se que, em 13 de abril de 2004, o TRF da 28 Região deu provimento à Apelação em Mandado de Segurança interposta pela interessada, confirmando a existência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário (a liminar) no momento da imposição da multa de oficio. Processo n.° 10768.015905/2001-55 Acórdão n.° 101-95.799 Fls. 7 Por estas razões e por todas aquelas apostas no voto condutor do aresto recorrido, NEGO provimento ao recurso de oficio interposto. Sala das Sessões, em 18 de o ,ro de 2006 •e affr C • IO MARCOS CA LIDO Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001653/2002-74
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRF - VALOR LANÇADO EM DCTF - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - PROCEDIMENTO - Incabível o lançamento para exigência de saldo a pagar apurado em DCTF devido à não homologação de valores compensados, salvo se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº.4.502, de 30 de novembro de 1964. Ainda assim, o lançamento deve restringir-se à exigência da multa de ofício. O saldo do imposto a pagar, em qualquer caso, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União.
Recurso de ofício negado
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 104-21.901
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : IRF - VALOR LANÇADO EM DCTF - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - PROCEDIMENTO - Incabível o lançamento para exigência de saldo a pagar apurado em DCTF devido à não homologação de valores compensados, salvo se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº.4.502, de 30 de novembro de 1964. Ainda assim, o lançamento deve restringir-se à exigência da multa de ofício. O saldo do imposto a pagar, em qualquer caso, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União. Recurso de ofício negado Recurso voluntário provido.
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Ainda assim, o lançamento deve restringir-se à exigência da multa de ofício. O saldo do imposto a pagar, em qualquer caso, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Divida Ativa da União. Recurso de oficio negado Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos de oficio e voluntário interpostos pela C TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP e MURIAÉ LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. "MARIA HELENA COTTA CAR6189Z5)-- PRESIDENTE Re AnDA J2 riarR6wPATO -F;EIREIRA BARBOSA RELATOR FORMALIZADO EM: 13 NOV 2006 . • • MINI.STERIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR, HELOISA GUARITA SOUZA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado) e REMIS ALMEIDA ESTOL.rt 2 6A1.‘ ' • MINÍSTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 Recurso n°. : 151.338 Recorrentes : 4° TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP e MURIAÉ LTDA RELATÓRIO Contra MURIAÉ LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o n° 65.969.156/0001-20, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 162/168, decorrente de revisão de DCTF, para formalização da exigência de crédito tributário no montante total de R$ 2.349.871,55, sendo R$ 859.625,24 referente a IR .RF; R$ 845.527,38 referente a juros de mora, calculados até 31/05/2002 e R$ 644.718,93 referente a multa de ofício, no percentual de 75%. Infração Os fatos estão assim descritos no Auto de Infração: Falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme anexo III, "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar", em anexo. Impugnação Inconformado com a exigência, a Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/12, assim resumida pela decisão recorrida: "2.1. Requer a nulidade do auto de infração, tendo em conta que não foi observado o art. 142 do Código Tributário Nacional, nem o princípio da verdade material pela Administração Tributária, a qual teria formalizado o lançamento sem antes verificar a ocorrência e demonstrar de forma satisfatória o fato sobre o qual se fundamenta. 3 MINFSTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 2.2. Aduz que o Fisco deveria diligenciar, para então demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato gerador sem o correspondente recolhimento do tributo. Menciona jurisprudência, fl. 5. 2.3. Reitera a necessidade de que a Administração Tributária deveria ter intimado a contribuinte de forma que ela pudesse demonstrar a extinção dos débitos que ora são exigidos pelo auto de infração, antes da lavratura. Pleiteia a nulidade do auto de infração. 2.4. Em suas palavras: 'Também não há fundamento na eventual alegação de que o procedimento adotado não prejudicaria os contribuintes, por ser dado a esses, por meio de impugnações aos lançamentos realizados, demonstrar o correto recolhimento dos tributos apontados pela Administração. Trata-se de verdadeira falácia, pois, primeiramente, como já posto, não coexiste com o sistema jurídico pátrio a autuação por presunções; em segundo lugar, porque a verificação do efetivo recolhimento do tributo deve dar-se em momento anterior ao lançamento e não após. E o sistema prevê como tal deve ocorrer. Havendo dúvida quanto ao procedimento do contribuinte, compete à Administração dirimi-la, mediante solicitação fiscal - pessoal ou por intimação. Portanto, a verificação há de ser antecedente à instauração de contencioso administrativo, permitindo ao contribuinte oportunidade de demonstração de suas razões com um dinamismo infinitamente maior que utilizando-se do longo processo administrativo;' 2.5. Assevera que os valores exigidos foram integralmente compensados de acordo com a legislação de regência à época dos fatos, conforme planilhas que anexa, relativas ao Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido- ILL, corrigido e compensado com o imposto de renda na fonte sobre ganho de capital, bem como demonstrativo do imposto de renda na fonte sobre dividendos recebidos a compensar. 2.6. Esclarece que as compensações em questão envolveram créditos atinentes a pagamentos do IRRF sobre dividendos e ILL, nos exatos valores originais indicados na autuação, como se verifica na DCTF então apresentada e demais documentos. 2.7. Em relação ao IRRF sobre dividendos recebidos, entende que os §§ 1°, "h" e 2°, do art. 2°, da Lei n.o 8.849, de 1994, na redação dada pelo art. 2°, da Lei n.o 9.064, de 1995, determinavam que, no caso de beneficiário pessoa jurídica, o imposto de renda na fonte seria considerado antecipação, sujeita a correção monetária e compensável com o imposto de renda a ser recolhido, incidente sobre a distribuição de dividendos, bonificações em 4 , • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 dinheiro, lucros e outros interesses referentes a seus sócios e acionistas. Transcreve jurisprudência, fls. 8/9. 2.8. No tocante ao ILL, correspondente à participação da pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, era inequívoco o direito à compensação com o imposto incidente na fonte, por ocasião da distribuição dos respectivos lucros ou dividendos, a teor do art. 726 do RIR194. 2.9. Também a Instrução Normativa n.o 139, de 1989, previa o direito à compensação integral do ILL, inclusive no caso de pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa parcial dos lucros pertencentes a beneficiário residente ou domiciliado no exterior. Menciona jurisprudência, fl. 9. 2.10. Acrescenta que o ILL foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, relativamente à distribuição de lucros aos sócios das pessoas jurídicas, tão logo fosse encerrado o exercício financeiro, tendo sido inclusive retirada do ordenamento jurídico a expressão "o acionista" pela Resolução n.° 82, de 18 de novembro de 1996, do Senado Federal, contida na redação original do art. 35, da Lei n.° 7.713, de 1998. 2.11. Dessa forma, independentemente do direito à compensação do ILL por força dos dispositivos normativos citados, os próprios recolhimentos do imposto foram indevidamente efetuados no passado, em razão da inconstitucionalidade da exigência. 2.12. Portanto, o direito à compensação decorre também do art. 66, da Lei n.° 8.383, de 1991, da Instrução Normativa n.o 21, de 1997, e respectivas alterações posteriores que dispõe sobre a compensação. 2.13. Aduz que, nos termos do art. 14, da IN/SRF n° 21, de 1997, não estava sequer obrigada a apresentar pleito específico à Secretaria da Receita Federal para realizar as compensações em questão, pelo que decorre a absoluta regularidade de seu procedimento de identificação da compensação na própria DCTF apresentada. 2.14. Insurge-se contra a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic, em face da falta de adequada e completa previsão em lei quanto à sua forma de cálculo; da inadequação entre a natureza da taxa criada pelo Banco Central, por ser não tributária; da delegação de competência contrária ao CTN. Menciona jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça." Decisão de primeira instância • 5 1?-4 MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.00165312002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 A DRJ/CAMPINAS-SP julgou procedente em parte o lançamento, para excluir a multa de ofício vinculada, com os fundamentos consubstanciados nas ementas a seguir reproduzidas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 Ementa: LANÇAMENTO. NULIDADE. É a impugnação da exigência que instaura a fase litigiosa do procedimento. Com a apresentação da impugnação o procedimento se torna processo, estabelecendo-se o conflito de interesses: de um lado, o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebê-lo e, de outro, o contribuinte, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano-calendário: 1997 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTAÇÃO NA FONTE SOBRE A DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. A tributação do IRRF incidente na distribuição de dividendos relativos aos anos-calendário de 1994 e 1995 é considerada definitiva, salvo autorização legal de ser tratada como antecipação pela pessoa jurídica beneficiária, tributada pelo Lucro Real, compensável exclusivamente com o imposto a recolher relativo à distribuição de lucros. • Tendo em conta que os lucros apurados pelas pessoas jurídicas a partir do mês de janeiro de 1996 deixaram de ser tributados, resta definitiva a retenção realizada sobre dividendos apurados até 1995, dada a inocorrência de débito compensável nos termos da legislação. Tal situação prevalece também para o pleito de compensação de ILL- Imposto sobre o Líquido recolhidos em períodos anteriores, tendo em conta a extinção da tributação sobre os dividendos. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DO ILL COM DÉBITOS DO IRRF. Indefere- se o pedido de convalidação de compensações realizadas pela contribuinte, por conta própria, quando os procedimentos adotados estão em desacordo com as normas legais. 6 . . • " MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio, nos lançamentos relativos a débitos já declarados em DCTF. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1997 Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Lançamento Procedente em Parte A decisão de primeira instância está baseada nas seguintes consideração: - que, sobre a argüição de nulidade do lançamento, são impróprias as alegações da empresa a respeito do procedimento fiscal, fase em que, mediante aplicação do direito tributário material, se desenvolve a ação de fiscalização da qual poderá redundar a formalização da exigência fiscal; - que o procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida e com ela colaborar, numa fase em que não se formou, ainda, a relação jurídica processual, o que somente se concretiza com o ato de lançamento e a respectiva impugnação; - que o art. 14 do Decreto 70.235, de 1972, preceitua que somente com a impugnação da exigência instaura-se a fase litigiosa do procedimento e, assim, somente com a apresentação da impugnação o procedimento se toma processo, estabelecendo-se o conflito de interesses e é a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do art. 5 0 , inciso LV, da Constituição Federal; 7 • • MINIISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 - que no presente processo, a oportunidade de defesa foi regularmente oferecida e plenamente exercida pela contribuinte autuada, ensejando, inclusive, o proferimento do presente acórdão; - que, por outro lado, o trabalho preparatório está evidenciado pelos diversos demonstrativos que instruem os autos, os quais indicam a compensação dos débitos exigidos com pagamentos não localizados, o que ensejou a formalização do auto de infração, cabendo à contribuinte demonstrar a extinção dos débitos exigidos; - que os dados informados na DCTF pela contribuinte são de • sua responsabilidade e, constatadas divergências ou incongruências que caracterizem a não extinção dos débitos declarados, cabe à Administração Tributária formalizar o lançamento, exercendo seu poder/dever, o qual é vinculado e sujeito aos princípios constitucionais, com ênfase na legalidade; - que todos os elementos do fato jurídico tributário, presente na norma individual e concreta do lançamento, estão plenamente identificados no auto de infração. - que quanto ao argumento de que o lançamento tem por fundamento indícios e presunções, as presunções, simples ou legais, constituem meios de prova plenamente aceitas pelo ordenamento jurídico; - que exigir que a Administração Tributária produzisse sempre provas diretas, ou absolutas e inquestionáveis, seria exigir que o Fisco utilizasse meios de prova ideais ou perfeitos, sendo que os eventos presentes no mundo real não são simples, nem de fácil demonstração; - que, de qualquer forma, é livre a convicção do julgador na apreciação tanto do lançamento como das razões de fato e de direito apresentadas pela contribuinte, desde 8 a4 . . • - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 que fundamente suas razões de decidir, cabendo a ele formar sua convicção a partir dos eventos traduzidos na linguagem competente do lançamento. - que tendo sido a contribuinte regularmente cientificada dos Autos de Infração e de seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais, e se lhe foi assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não há que se falar em descumprimento do artigo 142 do Código Tributário Nacional, ou desrespeito a qualquer direito da contribuinte. - que, portanto, inexistindo qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade da autuação. - que, quanto ao mérito, a contribuinte pretende compensar parte do imposto da renda retido na fonte, incidente sobre dividendos distribuídos, retidos pelas empresas "Pirelli Empreendimentos e Participações S/A" e "Pirelli Cabos", respectivamente em 10/05/95 e 15/02/95, conforme DARF de fls. 77/78, com o imposto de renda na fonte por ela devido; - que, do exame dos artigos 655 e 656 do RIR199, depreende-se que, até o ano-calendário de 1995, o imposto de renda retido na fonte, quando do recebimento de dividendos, podia ser compensado com o imposto na fonte a ser recolhido sobre a distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses; - que, no entanto, a partir do ano-calendário de 1996, deixou de haver a incidência na fonte do imposto de renda sobre dividendos, nos termos do art. 10, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; - que, portanto, se a retenção do imposto na fonte deixou de incidir sobre os resultados apurados a partir de 1996, é evidente que o imposto exigido pelo auto de 9 . . MINIISTÉRIO DA FAZENDA• • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 infração, o qual a contribuinte pretende compensar com importâncias retidas no ano- calendário de 1995, não se trata de tributo incidente sobre dividendos; - que tal fato é confirmado pelo próprio demonstrativo da contribuinte de fls. 75/76, aonde indica que a importância de R$ 850.238,60 refere-se a imposto incidente sobre ganhos de capital, enquanto o valor de R$ 9.386,64 seria devido sobre dividendos; - que é bastante provável que o valor de R$ 9.386,64 seja relativo ao imposto na fonte devido sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, e não sobre dividendos, dada a exclusão da obrigação de retenção na fonte determinada pela legislação. - que, de qualquer forma, ao extinguir a retenção do imposto na fonte sobre o pagamento de dividendos, obviamente também ficou extinta a possibilidade de compensação com imposto igualmente retido anteriormente. - que estes mesmos argumentos são válidos para a pretensa compensação do ILL incidente sobre dividendos, a que se refere o art. 726, do RIR194; - que, enfim, se a retenção na fonte sobre dividendos deixou de existir, não há como compensá-la com eventuais importâncias de ILL; . - que, além disso, o tratamento do imposto dispensado por aquele artigo, com matriz legal no art. 35, § 4°, "c", da Lei n.o 7.713, de 22 de dezembro de 1988, refere-se ao lucro liquido correspondente a ações ou quotas de participações societárias pertencentes a residentes ou domiciliados no exterior, não restando comprovado pela empresa que o ILL recolhido satisfaça tal condição; - que a possibilidade prevista na legislação até o ano-calendário de 1995 não se trata de indébito tributário, pois não houve pagamento a maior ou indevido de tributo, mas uma forma específica de compensação, limitada à situação delimitada na legislação; 10 • MINISTÉRIO DA FAZENDA• • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 - que, enfim, o imposto de renda retido na fonte descontado por ocasião da distribuição de dividendos não transitava na DIRPJ/96 e não era passível de restituição, mas somente da compensação detalhada acima, impossibilitada a partir da edição da Lei n° 9.249, de 1995. - que quanto à compensação dos créditos oriundos da incidência do ILL com débitos a pagar do imposto de renda retido na fonte, o artigo 170 do CTN não deixa dúvidas de que para haver compensação de dívidas fiscais torna-se indispensável a sua autorização por lei especifica; - que o artigo 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que disciplinava a matéria até a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, impedia a compensação entre tributos e contribuições de diferentes espécies ao limitar, expressamente, a realização da compensação somente entre tributos e contribuições da mesma espécie; - que não obstante o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, regulamentado pelo Decreto n°2.138, de 29 de janeiro de 1997, ter possibilitado a compensação de créditos do sujeito passivo com débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal, há que se analisar a compensação realizada pela contribuinte perante os procedimentos estabelecidos pela Instrução Normativa SRF n°21, de 10 de março de 1997, com a redação da Instrução Normativa SRF n°73, de 15 de setembro de 1997. - que a referida instrução normativa estabeleceu procedimentos distintos a serem observados pelo contribuinte no caso de compensação de tributos, se realizada entre tributos e contribuições de diferentes espécies ou se entre os da mesma espécie, sendo o primeiro caso disciplinado pelos artigos 12 e 13, e o segundo pelo artigo 14. 11 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 - que, entretanto, a despeito dos argumentos da empresa em contrário, o extinto ILL e o Imposto de Renda - retido na fonte ou apurado no encerramento do período - não têm a mesma regra matriz de incidência, sendo díspares os fatos jurídicos tributários necessários ao nascimento da relação jurídica tributária entre a contribuinte e a União. - que, nesse sentido, como afirma a contribuinte, na hipótese de compensação entre tributos ou contribuições da mesma espécie, o artigo 14 da Instrução Normativa n° 21, de 1997, preceituava que o contribuinte poderia efetuar a compensação dos créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, com débitos do mesmo tributo ou contribuição, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de oficio, independentemente de requerimento, ou seja, independentemente de autorização da repartição fiscal. - que, porém, na hipótese de compensação entre tributos e contribuições de diferentes espécies, a teor do artigo 13 da mesma norma, o pedido deveria ser apresentado à DRF ou IRF-A, a quem compete efetuar a compensação. Na medida em que a contribuinte efetivou a compensação por conta própria, sem a intervenção da repartição fazendária, a quem competia efetuar a compensação, o procedimento por ela adotado não se ajustou ao disposto na Instrução Normativa n° 21, de 1997. - que, mesmo após as alterações supervenientes na legislação que disciplina a compensação entre tributos e contribuições, entre as quais destaca-se a edição da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, além dos diversos atos infralegais, permaneceu a exigência de formalização do pleito de compensação, por meio de Declaração de Compensação, visando comprovar a certeza e liquidez do eventual direito creditório a ser reconhecido e compensado com os débitos de interesse dos contribuintes. - que a contribuinte não observou a legislação que disciplina os procedimentos a serem adotados quando da compensação de tributos, não se podendo 12 Ç4' ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 aceitar sua argumentação visando à extinção do crédito tributário relativo ao imposto de renda retido na fonte não recolhido e não pago pela empresa. - que no tocante à multa de oficio vinculada, embora a contribuinte não se manifeste a respeito, o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, determinava o lançamento de oficio de todas as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrente de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. - que essa sistemática perdurou até a edição da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP n° 2.158-35, de 2001, estabelecendo que o lançamento de oficio de que trata esse artigo limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. - que muito embora a MP n° 135, de 2003, tenha dispensado o lançamento face o restabelecimento da sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (DCTF), os lançamentos que foram efetuados constituem-se atos perfeitos, segundo a norma vigente à data em que elaborados. - que, no entanto, no julgamento, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "e, da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio, sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. • 13 ta, • MINiSTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 - que dessa forma, exclui-se a multa de oficio, exigida no percentual de 75% sobre a diferença de imposto não recolhida. - que, por fim, no tocante às questões suscitadas a respeito da constitucionalidade e/ou legalidade dos preceitos que fundamentam a exigência fiscal, notadamente em relação aos juros de mora exigidos com base na Taxa Selic, cumpre destacar que o controle da constitucionalidade das leis não é da alçada dos órgãos administrativos. - que enquanto a norma jurídica não tiver a inconstitucionalidade declarada pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, vinculante para a administração pública. - que, assim, não há como acatar as ponderações da interessada, pois quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis validamente editadas, exorbitam da competência das autoridades administrativas. Recurso de oficio A DRJ/CAMPINAS-SP recorreu de ofício de sua decisão, ao Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, combinado com a Portaria do Ministro da Fazenda n° 375, de 07 de dezembro de 2001. Recurso voluntário Cientificada da decisão de primeira instância em 14/02/2006 (fls. 189), e com ela não se conformando, a Contribuinte apresentou, em 10/03/2006, o recurso de fls. 10/03/2006, onde reproduz, em síntese, as mesmas alegações e argumentos da 14 . • • MINÍSTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 Impugnação quanto à preliminar de nulidade bem como quanto ao mérito e acrescenta contestação à exigência da multa moratória. Sob a multa moratória, aduz, em síntese, que a autoridade julgadora de primeira instância não poderia alterar o lançamento para exigir essa multa. Argumenta que não ocorreu no caso uma redução da multa, mas a substituição de uma por outra; que houve o cancelamento da multa imposta pela autuação fiscal, "do que decorre não poder ser cobrada qualquer valor a esse título"; que a alteração do lançamento deve ser submeter ao que determina o art. 145 do CTN e que, por esse prisma "é flagrante a ilegalidade do procedimento da Administração". Invoca jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. 15 PÁ - •. , • - MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 VOTO Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. Fundamentos Recurso de ofício Como se vê, o crédito tributário exonerado, objeto do recurso de oficio, refere-se apenas à multa de ofício. O fundamento da decisão recorrida para a exoneração da multa, em síntese, é o de que a partir da edição da Medida provisória n° 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, somente é devida a multa, nos casos de compensação indevida, nas situações caracterizadas pela prática de infrações previstas nos arts. n° 71 a 73, da Lei n° 4.502, de 1964, nos casos de créditos ou débitos não passíveis de compensação por expressa disposição legal ou, ainda, de créditos de natureza não tributária, e que, no caso em exame não se configura nenhuma dessas hipóteses. Penso que a questão foi adequadamente enfrentada pela decisão recorrida. De fato, não há dúvida quanto à aplicabilidade ao caso do art. 18 da MP n° 135, de 2003. Esse dispositivo, aliás, foi posteriormente alterado tomando mais clara ainda, a delimitação das hipóteses em que é cabível a aplicação da multa de ofício no caso de compensação e devida. Refiro-me á Lei n° 11.051, de 2004, que deu nova redação ao referido dispositivo. Eis essa nova redação, verbis: 16 ll tiI 14 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não-homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964." Ora, no caso sob exame, o Contribuinte informou na DCTF a compensação de débitos de IRRF com supostos créditos de ILL e de IRFonte incidente sobre dividendos recebidos. A autoridade lançadora concluiu no sentido de que esses supostos créditos não eram passíveis de compensação, quanto ao ILL, porque não teve o direito creditório reconhecido pela Administração Tributária mediante procedimento estabelecido pela Instrução Normativa SRF n°21, de 1997; quanto ao IRFonte, porque não se trata de crédito passíveis de serem utilizados para compensação com quaisquer débitos, mas apenas com aqueles especificados na própria legislação, o que não seria o caso. Em nenhuma dessas situações se vislumbra a hipótese prevista na norma acima transcrita para a incidência da multa de oficio. Recurso voluntário Embora tenha entendido que a DCTF é instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela declarado e tendo afastado a multa de oficio, por falta de previsão legal para sua incidência, a autoridade lançadora concluiu no sentido de manter a exigência formalizada na autuação quanto ao valor do principal, o que ensejou o recurso voluntário. No Recurso voluntário a Contribuinte reitera a argüição de nulidade do lançamento por entender que o mesmo não atendeu aos requisitos do art. 142 do CTN e defende o direito à compensação pleiteada. Reclama, também, da incidência da multa de mora. ri 17 • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 Deixo de apreciar as questões preliminares, em função da conclusão quanto ao mérito, como se verá mais adiante. Quanto ao mérito, como dito na própria decisão recorrida, o débito declarado em DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito indevidamente compensado, devendo a autoridade administrativa proceder á cobrança e, se for o caso, encaminhar o débito para inscrição em Divida Ativa da União. Entendeu a autoridade julgadora de primeira instância, contudo, que o Auto de Infração é ato perfeito e, portanto, deve ser preservado quanto ao principal. Divirjo desse entendimento. Penso não ser possível a exigência, por meio de auto de infração, de tributo informado em DCTF. Embora tenha havido mudanças que suscitaram dúvidas quanto ao procedimento a ser adotado em casos como este, a legislação atualmente em vigor é clara quanto à impossibilidade de lavratura de auto de infração para formalizar exigência de crédito tributário informado em DCTF. Se antes a Medida Provisória n° 2.158-35, no seu art. 90 admitia essa possibilidade, alterações posteriores na legislação a afastaram. A Lei n° 10.833, de 19/12/2003, no seu art. 18, o qual sofreu alterações posteriores, trouxe profundas alterações naquele dispositivo legal. Para melhor clareza, transcrevo a seguir o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35 e o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, esta última já com as devidas alterações. Medida Provisória n°2.158-35: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. 18 A' • Ã; • • • MII4ISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 Lei n° 10.833, de 19/12/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não-homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) § 1 2 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) § 32 Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 42 A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) Só é cabível o lançamento de ofício, portanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação e, ainda assim, deveria ser lançada apenas a multa, isoladamente. Ademais, a própria Secretaria da Receita Federal definiu o procedimento a ser adotado nesses casos no sentido de que eventuais diferenças a pagar deverão ser enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União. É o que está dito expressamente no art. 9° da Instrução Normativa SRF n°482, de 2004, verbis: Art. 9° Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. 19 b • MINTISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 § 1° Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. § 2° Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. Essa mesma norma foi posteriormente confirmada pela Instrução Normativa SRF n° 583, de 20/12/2005, nos seu artigo 11, verbis: Art. 11. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Parágrafo único. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. Sendo assim, resta claro que os créditos tributários, informados pela Recorrente na DCTF deverão ser encaminhados para inscrição na Dívida Ativa da União, se não pagos. Mas, em nenhuma hipótese, é cabível o lançamento de ofício, mediante lavratura de Auto de Infração. Quanto á multa de mora, esta não é objeto da autuação, não cabendo a este Colegiado se manifestar sobre a matéria. Conclusão 20 40" 2ISTERIO DA FAZENDA MERO CONSELHO DE CONTRIBUINTES JARTA CÂMARA processo n°. : 10805.001653/2002-74 Acórdão n°. : 104-21.901 Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário, ressalvada a possibilidade de exigibilidade do crédito tributário apurado em DCTF, nos termos acima referidos. Sala das Sessões (DF), em 21 de setembro de 2006 ;4120 PEREAgJARBOSA 21 Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10783.009621/92-34
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2001
Ementa: REGULAMENTO ADUANEIRO.
Não confirmada nos autos a corrência da hipótese legal prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro.
RECURSO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-34852
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro relator.
Nome do relator: HENRIQUE PRADO MEGDA
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Não confirmada nos autos a ocorrência da hipótese legal prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro. O RECURSO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 04 de julho de 2001 HENRIQUE 'RAD() MEGDA Presidente e Relator 30 MAR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, MARIA HELENA COTIA CARDOZO, HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA, LUIS ANTONIO FLORA, JORGE CUMACO VIEIRA (Suplente) e PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES. Ausente o Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR. unc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO N° : 302-34.852 RECORRENTE : NORENO S/A RECORRIDA : DRERIO DE JANEIRO/RJ RELATOR(A) HENRIQUE PRADO MEGDA RELATÓRIO A Recorrente foi autuada pela DRF em Vitória — ES, pelo motivo assim descrito no Auto de Infração (fls. 02) "No exercício das funções de Auditores Fiscais do Tesouro nacional, verificou-se que as mercadorias descritas nas DI's n eS 001727192 e 001728192, despachadas pela empresa qualificada neste auto, acobertadas pelas GI's n c's 1950-9211903-0 e 1950-9211917-9 respectivamente foram descarregadas com excesso de aproximadamente 23% (vinte e três por cento) quanto à quantidade, tomando por base a relação da carga manifestada/carga calculada segundo o certificado de arqueação carga a granel, caracterizando infração ao artigo 526, parágrafo 7°, inciso I, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030185. Portanto lavra-se o presente auto para cobrança da mula de 30% (trinta por cento) sobre o valor CIF, em razão da quantidade excedente à acobertada pelas GI's acima mencionadas, art. 526, inciso II, do mesmo Regulamento Aduaneiro". OA exigência limita-se à penalidade prevista no art. 526, II, do RA, no valor total de UFIRs 31.541,36. Examinando as DIs mencionadas, acostadas aos autos, verifica-se que a mercadoria envolvida denomina-se ANTRACITO CRU, EM BRUTO, A GRANEL. Pela DI n° 001727, de 06/07/92, foi despachada a quantidade de 903.300, kg. O Depositário atestou haver sido descarregados 903.320, kg. Entretanto, a quantidade desembaraçada pela fiscalização e recebida pelo importador foi de 1.111.059, kg, tudo conforme relata o Anexo I, da referida Dl, às fls. 08. Pela DI n° 001728, também de 06/07/92, foi despachada a quantidade de 1.472.900, kg. O Depositário informou haver sido descarregada igual quantidade. No entanto, o desembaraço pela fiscalização e recibo passado pelo 2 , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO N° : 302-34.852 Importador foi de 1.811.667, kg. Isto é o que nos informa o Mexo I, da citada DI, às fls. 24 destes autos. O Conhecimento de Transporte Marítimo que integra a primeira DI mencionada (fls. 11), acoberta a mesma quantidade despachada, ou seja, 903,300 MT (903.300, kg). A GI correspondente (fls. 12), abrange um total de 1.000.000, kg. Por sua vez, o Conhecimento que integra a segunda DI citada (fls. 27), acoberta um total de 1.472,900 MT, mesma quantidade despachada pelo importador (1.472.900, kg). A GI correspondente abrange o total de 1.500.000, kg. O Os Conhecimentos indicados são os de n's 03 e 02, do porto de GHENT / BELGIUM para VITORIA / ES, respectivamente. A empresa autuada defendeu-se, tempestivamente, em primeira instância, contestando o Auto de Infração, argumentando, em síntese, que: "A infração fiscal impugnada baseou-se num peso teórico, apurado através do procedimento da arqueação do navio condutor da carga, onde se diz ter obtido um excesso de aproximadamente 23% (vinte e três por cento) quanto à quantidade então transportada. A apuração do peso teórico através da arqueação do navio, quando se trata de cargas a granel como na presente hipótese (antracito cru), é uma prática usual em todo o mundo, contudo de resultado não absoluto, uma vez que decorrentes de operações matemáticas, quaisquer erros aritméticos, por certo provocarão resultados Odistorcidos, como que ocorrido no despacho em questão. A Guia de Importação n° 1950-92/1917-9 previu a importação de 1.500 toneladas de anfracito cru, sendo que a Declaração de Importação n° 1.728/92, foi emitida constando 1.472,900 toneladas, no que fill acompanhada pelo Bill of Lading; Rechnung Invoice; Manifest; contrafação do embarque marítimo; nota fiscal-fatura e notas fiscais de entrada, consoante os documentos anexos. Da mesma forma que a Guia de Importação n°1950-92/1903-9, previu a importação de 1.000 toneladas de antracito cru, sendo que a Declaração de Importação n° 001727/92, foi emitida constando 903,300 toneladas, no que foi acompanhada pelo Bill of Lading; Rechnung Invoice; Manifest; Statement of Facts; contratação do embarque marítimo, nota fiscal-fatura e notas fiscais de entrada. conforme toda documentação anexa. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO N° : 302-34.852 A própria Fatura da empresa Delta Transportes e Serviços Ltda.; de n° 258 anexa, cobrou o frete com base em 1.459,78 e 903,29 toneladas de antracito, respectivamente, o que mais uma vez prova, serem estas quantidades, as liberadas no despacho objeto do auto de infração. Mesmo porque, a Defendente requereu junto à Codesa, CERTIDÃO DE EFETIVA DESCARGA (pedido anexo), que por certo provará que as quantidades descarregadas foram 1.459,78 e 903,30 toneladas respectivamente, assim não tendo havido nenhum excesso como afirmado no auto de infração. Pela farta prova documental que acompanha esta impugnação, resta Oclaro, que a arqueação do navio foi feita com incorreção, razão pela qual divergiu da quantidade declarada e descarregada pela Defendente, desta forma inexistindo o excesso apurado como infração fiscal." A Impugnante apresentou documentos, dentre outros, a saber: - Manifesto de Carga (fls. 44), indicando as quantidades manifestadas de 1.472,900 MT (B/L 02) e 903,300 MT (B/L 03), respectivamente. - Notas Fiscais — Fatura e Notas Fiscais de Entrada, emitidas pela própria Importadora, reportando-se às quantidades despachadas (fls. 53/61); - Fatura Comercial do Exportador, para as quantidades despachadas: 1.472,900 t.m e 903,300 t.m, respectivamente (fls. 59 e 125). - Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (fls. 178/180), indicando também as quantidades despachadas; - Diversos outros documentos em idioma estrangeiro e outras Notas Fiscais de Entradas. Os Certificados de Arqueação, de emissão da Engenheira Civil, Dra. Rita de Cássia Duia Castello, são encontrados às fls. 212/213, juntamente com relato dos trabalhos, às fls. 214 e 214-verso, o qual aponta irregularidades. Instada, pela repartição fiscal, a pronunciar-se a respeito das razões de defesa da Autuada, com relação ao resultado pelo método de arqueação, manifestou-se a I. Perita, às fls. 216/222, concluindo que "(...) Não houve erro na arqueação, assim como não houve erro no preenchimento dos certificados de medições inicial e final...." . 4 I 1W MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO N° : 302-34.852 Confirma que a diferença encontrada é atribuída à carga de antracito. Às fls. 231 e 234 foram acostados Aditivos às Gls indicadas, alterando as quantidades declaradas, aos números correspondentes às quantidades despachadas em cada DI., ou seja, para menos. A DRJ no Rio de Janeiro, pela Decisão n° 1732/99, manteve a exigência da penalidade formulada no Auto de Infração questionado. Sua Ementa diz o seguinte: "REVISÃO ADUANEIRA — C, Aplicação da multa prevista no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (R.A.), em virtude de ter sido encontrada mercadoria em quantidade superior relativamente àquela amparada pelas GR n's 1950-9211903-9 e 1950-9211917-9 LANÇAMENTO PROCEDENTE" Em sua fundamentação, a Autoridade Julgadora a quo acolhe os resultados apontados nos mencionados Laudos de Arqueação e destaca, ainda, ser irrefutável o fato de que pelas Dls em questão foram, definitivamente, desembaraçadas e conseqüentemente nacionalizadas, respectivamente, 1.111.059 kg e 1.811.667 kg da mercadoria descrita nas mesmas Dls, indicando um excesso de aproximadamente 23% sobre a mercadoria declarada nos documentos de importação. Regularmente intimada por AR às fls. 248, sem data de recepção, mas de postagem em 11/11/99, a Autuada, agora pela empresa CARBO INDUSTRIAL S/A, Oadquirente por incorporação desde maio de 1997 da NORENO S/A, apresentou Recurso Voluntário em 15/12/99, pela Petição de fls. 249 a 258, onde ataca a Decisão recorrida. Insiste na mesma contestação inicial e argumenta ainda, em síntese, o seguinte: • Os esclarecimentos didáticos de que se revestiu o Relatório da Sra. Engenheira Certificante, vieram corroborar a substancial margem de dúvidas relativamente aos dados utilizados no processo de medição, fato facilmente verificável no cotejamento do relatório com o certificado de arqueação anteriormente elaborado; )/ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO N° : 302-34.852 • Vê-se que a embarcação, além do carvão antracito à granel, descarregava simultaneamente outro tipo de mercadoria, no caso ligas de ferro níquel, situação que indubitavelmente tornou prejudicial o critério de medição adotado em razão da heterogeneidade das cargas, fato que não foi atentado pelo respeitável julgador. • Por outro lado, tendo sido a mercadoria a granel descarregada diretamente da embarcação para veículos terrestres, a preferência prevista pelas normas de regência para aferição de peso é pela utilização de balança rodoviária existente no porto de descarga, conforme dispunha a então vigente IN-SRF 88/91, em seu artigo 15; • Mesmo assim a autoridade local determinou que se procedesse à mensuração para o presente caso pelo método de arqueação, o que restou acatado pelo importador, embora entendesse precária a conclusão a que se chegaria pela adoção desse procedimento; • Na verdade, ocorrendo a descarga direta e a pesagem sendo processada pela Companhia Docas do Espirito Santo a cada veículo, comprovando-se a pesagem a menor àquela arqueada, acreditou o importador que, na dúvida, prevaleceria o bom senso das autoridades aduaneiras ao final da descarga, aceitando o peso declarado pela entidade portuária, apesar dessas aferições múltiplas onerarem ainda mais a mercadoria importada; O• Mesmo de posse da Certidão de Efetiva Descarga fornecida pela CODESA, ainda assim a fiscalização considerou como peso definitivo aquele constante do Laudo de Arqueação, e o que é pior, a respeitável decisão acompanhou o erro cometido não considerando os argumentos da inicial de que a arqueação foi elaborada com incorreção, nem reconhecendo a CERTIDÃO DE EFETIVA DESCARGA, da empresa (CODESA) que credenciou como fiel depositária das mercadorias importadas, e ainda a fatura de n° 258, emitida pela empresa Delta Transportes e Serviços Ltda., através da qual foi cobrado o frete da mercadoria do porto até o estabelecimento do contribuinte, confirmando o peso efetivamente declarado, a menor que o arqueado, e comprovadamente pago pelas mercadorias; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO N° : 302-34.852 • Comprovado está o cerceamento do direito de defesa do contribuinte pela constatação de que a decisão recorrida além de não reconhecer dos procedimentos inseridos nas normas de regência, também não enfrentou argumentos e documentos apresentados pela autuada, incidindo na norma do art. 59, II, do Decreto 70.235/72, situação objeto de julgados através desse r. Conselho, citando os Acórdãos seguintes..." A Recorrente tece, também, fartos comentários sobre as considerações das incorreções existentes no Certificado de Arqueação e Relatório Técnico Apresentado (item V, tópicos 13/25, fls. 254/257). • Ataca, ainda, as alegações da Decisão, de que as quantidades foram desembaraçadas e nacionalizadas conforme descrito nos quadros 11 das respectivas DIs. Afirma ser esta uma questão de menor importância ao caso e que poderia ter sido considerada pela r. julgadora, porquanto a mercadoria já havia sido entregue a consumo desde que ocorreu o término de sua descarga em 11/07/92, e o fato de ter sido efetivado o seu desembaraço, somente em 11/11/92, evidencia que isso ocorreu devido à intenção de autuar o contribuinte sem que o processo fosse submetido a uma merecida análise de critério. Apresentou, em anexo, dentre outros documentos, cópia de CERTIDÃO expedida pela Cia. Docas do Espírito Santo (CODESA), atestando a descarga de 2.576.210, kg de carvão de antracito a granel, pertencente à NORENO S/A, e da Fatura, da mesma empresa, correspondente ao pagamento pelo serviço discriminado (fls. 272/275). Anexou também comprovante de depósito no valor de R$ 14.681,38 (fls. 295). O processo foi distribuído a este Conselheiro, como Relator, em Sessão do dia 21/03/2000, conforme documento de fls. 300. É o relatório. 41111 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO 1\1° : 302-34.852 VOTO Tomo conhecimento do Recurso por ser tempestivo e reunir as demais condições para sua admissibilidade. Inicialmente, quanto à questão preliminar argüida pela Recorrente, de nulidade da decisão por preterição do direito de defesa (art. 59, II, do Decreto 70.235/72), entendo não configurada a nulidade neste caso, pois que o Julgador singular utilizou-se • da constatação, considerada irrefutável, do excesso de carga descarregada, com base no Certificado de Arqueação expedido. Assim, rejeito a preliminar levantada. Quanto ao mérito, constata-se que a discussão que se travou no presente litígio enfocou apenas um aspecto importante da questão, qual seja, se ocorreu ou não a diferença, para mais, na descarga da mercadoria questionada. Com efeito, toda a querela gira em tomo dos resultados de descarga carreados para os autos, por um lado o Certificado de Arqueação emitido por uma Engenheira Civil, cujos originais estão inseridos no Processo apensado, de n° 10783.006624/92-16, constante de 4 (quatro) documentos numerados, que embasaram a autuação e a r. Decisão recorrida. De outro lado, ataca o importador a eficiência do referido Laudo de • Arqueação, trazendo como supedâneo diversos documentos, dentre os quais Certidão de Descarga emitida pelo depositário — entidade portuária (CODESA); documentos de importação (Faturas, Conhecimentos, etc.); Notas Fiscais etc. Essa discussão, travada entre a empresa importadora autuada (NORENO S/A) e a fiscalização, só tem pertinência se, e somente se, estiver configurada, de forma clara e objetiva, a responsabilidade dessa mesma autuada pela infração em questão, caso ela possa ser também claramente comprovada Como se verifica, esse outro relevante aspecto da ação fiscal não foi abordado, em tempo algum. A infração que aqui se discute, objeto da autuação em epígrafe, decorre do excesso de mercadoria registrado na descarga do navio transportador, em relação à quantidade objeto da importação. fr/ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO INI° : 302-34.852 Por tal excesso, que segundo a fiscalização, baseada no Laudo de Arqueação, é de responsabilidade da importadora, a mesma está sendo punida, exclusivamente, com a multa capitulada no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, que diz respeito à importação de mercadoria do exterior, sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais. Multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Sem entrar no mérito quanto à veracidade dos resultados da descarga, pode se afirmar que a situação descrita no texto legal mencionado não se configurou no presente caso. Efetivamente, não há qualquer possibilidade de se afirmar, pela farta documentação acostada aos autos, que o importador, ora recorrente, tenha importado mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente. Ao contrário, todos os documentos de importação carreados para os autos nos dão conta de que o importador importou, efetivamente, a quantidade acobertada pelas Guias de Importação requeridas e expedidas. Ao contrário do que alega a fiscalização, as citadas GI's cobrem, até com pequenas sobras, as quantidades importadas, sendo certo que a Recorrente providenciou, posteriormente, os respectivos Aditivos reduzindo as quantidades guiadas aos números declarados como embarcados e despachados. Os fatos que embasam essa assertiva são os seguintes: 1. Os Conhecimentos de Transporte Marítimo, de n's 02 e 03 do porto Ode GHENT / BELGIUM, confirmam que foi contratado, com o correspondente pagamento de frete marítimo, o transporte de 1.472,900 MT e 903,300 MT, respectivamente, de Antracito Cru em Bruto. 2. O Manifesto de Carga, acostado por cópia às fls. 44, discrimina as mesmas quantidades. 3. As Faturas, de emissão da HCM INTERCOAL GMBH, apensadas às fls. 69 e 125, igualmente reportam-se às mesmas quantidades indicadas nos Conhecimentos e no Manifesto de Carga. 4. Os Despachos Aduaneiros (Dls) foram registradas para o desembaraço dessas mesmas quantidades, ou sejam: 1.472.900, kg do Conhecimento n° 02 e 903.300, kg, do Conhecimento n° 03. 9 .14 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO NI' : 120.598 ACÓRDÃO N° : 302-34.852 Não resta qualquer dúvida, portanto, que as quantidades efetivamente importadas pela Autuada foram estas indicadas nos referidos Conhecimentos e estão perfeitamente amparadas pelas Guias de Importação correspondentes, a saber: GI 1950- 92/1903-9 (fls. 12), utilizada para o Conhecimento n° 3, cobre a quantidade de 1.000.000, kg do produto. Já a GI n° 1950-92/1917-9 (fls. 32), cobre um total de 1.500.000, kg. Está perfeitamente claro, destarte, que a mercadoria efetivamente importada pela Autuada, à luz dos documentos de importação carreados para os autos, está integralmente coberta por Guia de Importação, não se configurando a infração ao dispositivo legal mencionado. A questão do excesso na descarga, da ordem de 23% da quantidade Oimportada, conforme apontado pela fiscalização, se efetivamente ocorreu, estaria caracterizado como outro tipo de infração, capitulado em outro dispositivo legal. Trata-se, sem dúvida alguma, de infração ao disposto no art. 522, inciso III, do Regulamento, que diz respeito à falta de manifesto ou documento equivalente ou, ainda, falta de declaração quanto à carga. Uma vez comprovada, efetivamente, a ocorrência de descarga de mercadoria à maior que o manifestado, configura-se a situação de acréscimo de carga, ou seja, aquela mercadoria embarcada extra-manifesto, sem qualquer documentação que a ampare. Nada tem a ver, portanto, com a regular importação efetuada pela empresa importadora, de acordo com os documentos apresentados. Nenhuma responsabilidade pode ser atribuída ao importador se ocorre 4:1 a hipótese de mercadoria embarcada a maior que a contratada para o transporte. especificada no respectivo Conhecimento Marítimo. A questão do desembaraço aduaneiro e entrega desse excesso ao importador nada tem a ver com a infração de que se trata. Fato é que não se comprovou que o importador, ora Recorrente. importou mercadoria alguma do exterior ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente, o que torna inaplicável a penalidade capitulada no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro. io MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 120.598 ACÓRDÃO N° : 302-34.852 Por tais razões, dou provimento ao Recurso ora em exame. Sala das Sessões, em 04 de julho de 2001 HENRIQU PRADO MEGDA - Relator o o 11 -332Si- CO . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES N',"41, 2' CÂMARA Processo n°: 10783.009621/92-34 Recurso n.°: 120.598 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à r Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 302-34.852. Brasília-DF, 023 ( (ô/ 0/ ME -O? C- • • . trilmdd Henriq Prado Airada President• da :..' Câmara o Ciente em: priv/P/2-eetri-fr MINISTÉRIO DA FAZENDA 32 CON5ED-10 DE CONTRIBUINTES EM, JOj C) eXiii) )2MA 3d9 yorivar ereíra Lopes Ma . 0091504 3' C) *Me( teci Pedi° — lord adel An mondo ta PIOCAl sus onla
score : 1.0
Numero do processo: 10768.027929/99-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IRPJ. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO A MENOR. Comprovado o erro no processamento da DIPJ, responsável pela elevação, em dez vezes, do valor do lucro inflacionário, não pode subsistir a exigência.
Recurso provido.
Numero da decisão: 103-22.059
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento
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(NOVA DENOMINAÇÃO SOCIAL DE CLÍNICA SÃO VICENTE S.A.) Recorrida : 3a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Sessão de : 10 de agosto de 2005 Acórdão n° : 103-22.059 IRPJ. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO A MENOR. Comprovado o erro no processamento da DIPJ, responsável pela elevação, em dez vezes, do valor do lucro inflacionário, não pode subsistir a exigência. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SUGÁVEA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. (NOVA DENOMINAÇÃO SOCIAL DE CLÍNICA SÃO VICENTE S.A.)., ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. --(Q1DO-R-0-6-RÍGUÉS-P4 BER „.„ PAULO J "iTO 10 • n ASCIMENTO RELATOR FORMALIZADO EM: 14 RET 2005 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, MARCIO MACHADO CALDEIRA, MAURÍCIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, FLÁVIO FRANCO CORREA E VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. .1ms - 13/09/05 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES < TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10768.027929/99-81 Acórdão n° : 103-22.059 Recurso n° : 141.204 Recorrente : SUGÁVEA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. (NOVA DENOMINAÇÃO SOCIAL DE CLÍNICA SÃO VICENTE S.A.) RELATÓRIO Através do Auto de Infração de fls. 1/10, a contribuinte acima identificada teve o prejuízo fiscal do ano calendário de 1995 reduzido de R$ 925.361,09 para R$311.119,45. O lançamento decorreu da apuração de duas infrações, a saber: Excesso de retiradas, com enquadramento legal nos arts. 195, I e 296, caput e § 2°, do RIR/94 e 38 da Lei n°8.981/95. Lucro Inflacionário Acumulado Adicionado a Menor, com enquadramento legal nos arts. 195, II, 417, 419 e 426, § 3°, do RIR/94, 3°, II, da Lei n° 8.200/91 e 4° e 5°, caput e § 1°, da Lei n° 9.065/95. Na impugnação, a contribuinte concorda expressamente com a autuação referente ao excesso de retiradas e, no que pertine ao lucro inflacionário, sustenta que: - tendo o lucro inflacionário questionado sido gerado em 1981, operou-se a decadência; - a divergência decorre do lucro inflacionário acumulado de períodos anteriores e de erro da fiscalização no cálculo do lucro inflacionário de 1981, erro este que acabou não gerando lucro no período-base de 1981. lnacolhendo as razões da impugnação, a primeira instância julgadora manteve os lançamentos. rçf‘À À À ' jms - 13/09/05 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10768.027929/99-81 Acórdão n° : 103-22.059 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, renovando as razões esposadas na impugnação e acrescentando que, ao apresentar impugnação a novo auto de infração, verificou que ao processar a sua DIPJ do ano-base de 1991, a Receita Federal multiplicou por 10 o valor do lucro inflacionário do referido ano, elevando-o de Cr$ 427.577.655,00 para Cr$ 4.275.776.655,00. P I I 5É o relatório. n I , ' , 1 i 5 I \J i \\N jms - 13/09/05 3 e C.':,, ° > MINISTÉRIO DA FAZENDA '0, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .~...,-.,..", TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10768.027929/99-81 Acórdão n° : 103-22.059 VOTO Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, Relator Em preliminar, suscita a recorrente a decadência do direito de lançar, uma vez que o lucro inflacionário questionado teria sido gerado a partir de 1985. Ao retroagir ao período-base de 1985, o procedimento não buscou alcançar base tributária de períodos decaídos, mas sim reconstituir o real valor da base de cálculo do lucro inflacionário e assim, poder definir seus valores realizáveis em períodos não alcançados pela decadência. Em se tratando de lucro inflacionário que, enquanto diferido, representa um ganho financeiro a ser tributado quando da sua realização, o fato gerador da obrigação tributária é a realização, não a escrituração e o controle do respectivo montante. Assim, somente na medida em que o lucro inflacionário for sendo realizado, é que poderá ir sendo exercitado o direito de o fisco tributar o ganho dele decorrente, iniciando-se daí a contagem do prazo decadencial para o lançamento. Não podendo a Fazenda Nacional exigir o recolhimento do tributo antes da realização do lucro inflacionário, porque inocorrente o fato gerador, conseqüentemente, não pode, também, efetuar qualquer lançamento constitutivo de crédito, sendo, por isso, inadmissível que flua em seu desfavor o prazo decadencial, pois seria incoerente que a realização do lucro inflacionário pudesse acontecer em prazo superior a cinco anos e o prazo decadencial se mantivesse em cinco anos, contados ambos de um mesmo termo inicial, ou seja, a data da apuração. O lançamento não pode alcançar períodos sob a proteção do instituto da decadência, mas a reconstituição do real valor do lucro inflacionário não usufrui dessa mesma proteção, devendo, nessa reconstituição, ser considerados, em cada período de apuração, os efetivos percentuais de realização, ainda que essas realizações não possam ser tributadas porque atingidas pela decadência. 1 n r\ !\ jms - 13/09/05 4 \r\ , 7\ r ) ii • of', MINISTÉRIO DA FAZENDA ;N p • 9), •*kk PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4~ TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10768.027929/99-81 Acórdão n° : 103-22.059 O que não se pode admitir é que não se exclua do montante do lucro inflacionário diferido de períodos anteriores os valores de realização obrigatória em períodos sobre os quais já não se pode constituir o crédito em face da decadência, transportando parcelas do lucro inflacionário acumulado, cuja realização era obrigatória em períodos anteriores, para o período lançado, alcançando, indiretamente, bases tributárias de períodos já decaídos. Mesmo que o contribuinte não tenha oferecido à tributação os valores das parcelas de realização obrigatória, cumpre à autoridade lançadora reconhecê-los, desconsiderando, nos períodos subseqüentes, a equivocada apuração procedida, para partir de um saldo de lucro inflacionário acumulado expurgado das realizações obrigatórias em períodos anteriores. O que repugna à lei é o uso, puro e simples, de uma conta corrente que se limite a transferir para períodos posteriores, juntamente com o saldo, valores que já não o podem compor, visto que, por força do ordenamento, já deveriam ter sido adicionados à base tributável. O lançamento foi feito em observância dessa regra, reconstituindo-se o lucro inflacionário, a partir do ano-calendário de 1985, com o expurgo das realizações relativas aos períodos anteriores a 1995, de forma que não há lançamento de imposto em períodos alcançados pela decadência, impondo-se a rejeição da preliminar. Há de se acolher, todavia, a existência do erro apontado pela recorrente cometido no processamento da sua DIPJ pela Receita Federal, consignando no SAPLI um lucro inflacionário do ano de 1991 dez vezes maior do que o declarado. Face ao exposto, provejo o recurso. Sala das Sessões, DF, 10 e agosto de 2005 ' PAULO ' Ire : -,ASCIMENTO fins- 13/09/05 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.002141/92-21
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Apr 18 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Apr 18 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento do processo principal faz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito existente entre ambos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 107-04114
Decisão: P.U.V. NEGAR PROV. AO REC.
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez
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Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento do processo principal faz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a intima relação de causa e efeito existente entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAURÍCIO PRATES DE CAMPOS FILHO. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. cstin..c:JA9xx. Q-4i) st1i,s6 04-3t5-- C MARIA ILCA CAS LEMOS DINIZ PRESIDENT PAULO R ERW,VORTEZ RELATO • FORMALIZADO EM: .3 j r, NI 1997 vis/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830.002141/92-21 ACÓRDÃO N°. 107-04114 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JONAS FRANCISCO DE OLIVEIRA, NATANAEL MARTINS, FRANCISCO DE ASSIS VAZ GUIMARÃES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e RUBENS MACHADO DA SILVA (SUPLENTE CONVOCADO). Ausente, justificadamente, o Conselheiro MAURICIO LEOPOLDO SC 10). 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830.002141/92-21 ACÓRDÃO : 107-04.114 RECURSO N°. : 11.404 RECORRENTE : MAURÍCIO PRATES DE CAMPOS FILHO RELATÓRIO MAURÍCIO PRATES DE CAMPOS FILHO, contribuinte inscrito no CPF/MF 018.589.048/20, qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 33. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, Auto de Infração de Imposto de Renda - Pessoa Física de fls. 01, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor correspondente a 24.366,71 UFIR, já acrescidos da multa de lançamento de oficio de 50% e dos juros de mora de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto, relativamente ao exercício de 1988. A exigência fiscal em exame decorre da autuação contida no processo administrativo fiscal n° 10830.002146/92-44, o qual resultou em autuação por abritramento de lucros na pessoa jurídica, gerando, por conseqüência, tributação na pessoa fisica do sócio beneficiário. A autuação fiscal decorrente, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, tem como fundamento legal o disposto no artigo r do Decreto-lei n° 1.648/78, artigo 403 do RIR/*) e Portaria MF n° 22/79. O autuado cita em sua defesa a vinculação da decisão do presente processo, com aquilo que for decidido no principal, por se tratar de tributação reflexiva. Por seu turno, a decisão de primeira instância contida às fls. 33, acompanha em suas conclusões, a decisão proferida no processo matriz, cuja ementa é a seguinte: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA FÍSICA. EXERCÍCIO 1988 DECORRÊNCIA - Traslada-se para o processo decorrente a decisão de mérito proferida no processo prii ipaL EXIGÊNCIA FISCAL PROCEDENTE." 3 . . - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830.002141/92-21 ACÓRDÃO N°. : 107-04.114 Segue-se às fls. 38/39, o tempestivo recurso para este Conselho, no qual o interessado se reporta as mesmas es expendidas na fase impugnatória É o relatório. 1 1 I ".!_ : a I e ; _ e ,.-- , , i r , 4 1 ._ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N'. : 10830.002141/92-21 ACÓRDÃO N'. : 107-04.114 VOTO CONSELHEIRO PAULO ROBERTO CORTEZ, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Não há argüição de qualquer preliminar. Discute-se nos presentes autos a tributação reflexa de Imposto de Renda Pessoa Física, inerente à distribuição automática de lucros decorrente ao abitramento dos lucros na pessoa jurídica. O presente é decorrente do processo principal n'' 10830.092146/92-44, julgado por esta Câmara, em Sessão realizada em 16 de abril de 1997, através do Acórdão n° 107-04.060, no qual, por unanimidade de Votos, negou-se provimento ao recurso, para manter a decisão recorrida. Tratando-se de tributação reflexa, o julgamento daquele apelo há de se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação por decorrência deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Em razão de todo o exposto e tudo mais que destes autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para manter a decisão recorrida. i?R.iiSala das Ses DF, em 18 de abril de 1997. X, PAULO BE CORTEZ s Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.000097/2001-40
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2003
Ementa: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - OBRIGATORIEDADE - As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário (Lei n 9.250, de 1995, art. 7).
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - APLICABILIDADE DE MULTA - O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimento porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional. As penalidades previstas no art. 88, da Lei n. º 8.981, de 1995, incidem quando ocorrer à falta de apresentação de declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-19.296
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Roberto William
Gonçalves, José Pereira do Nascimento e Remis Almeida Estol que proviam o recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Nelson Mallmann
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DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — APLICABILIDADE DE MULTA — O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimento porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional. As penalidades previstas no art. 88, da Lei n. ° 8.981, de 1995, incidem quando ocorrer à falta de apresentação de declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CARLINDO BAPTISTA DE LIMA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Roberto William Gonçalves, José Pereira do Nascimento e Remis Almeida Estol que proviam o recurso. - .40 R IS ALMEIDA ESTO PRESIDENTE EM EXERCÍCIO t , :;:?,"::n4 . .k.,....!; .. .;",, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 LPN ''S n /£ t NU, LAT o - FORMALIZADO EM: 15 MAI 2e93 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), VERA CECILIA MATTOS VIEIRA DE MORAES e ALBERTO ZOUVI (Suplente convocado). Ausente, temporariamente, o Conselheiro JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA. 2 fr MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 Recurso n°. : 131.508 Recorrente : CARLINDO BAPTISTA DE LIMA RELATÓRIO CARLINDO BAPTISTA DE LIMA, contribuinte inscrito CPF/MF sob o n° 186.080.518-34, residente e domiciliado no município de Birigui, Estado de São Paulo, à Rua Conselheiro Antonio Prado, n° 120 - Bairro Centro, jurisdicionado a DRF em Araçatuba - SP, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 13/15, prolatada pela Quinta Turma da DRJ em São Paulo - SP, recorre a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 20/21. Contra o contribuinte foi lavrado, em 15/12/00, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 04, com ciência em 27/12/00, através de AR, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 165,74 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, relativo ao exercício de 1995, correspondente ao ano-calendário de 1994. Em sua peça impugnatória de fls. 01/03, instruída pelos documentos de fls. 04/06 apresentada, tempestivamente, em 17/01/01, o suplicante, após historiar os fatos registrados no Auto de Infração, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando o seu cancelamento, com base no entendimento que está isenta da entrega de declaração de ajuste anual. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, a Quinta Turma da DRJ em São Paulo conclui pela procedência da ação fiscal e manutenção integral do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que versam os autos sobre a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração de que trata o art. 88 da Lei n° 8.981, de 20/01/95; - que de início, cabe esclarecer que a contribuinte estava obrigada à apresentação da Declaração de Ajuste Anual, em face da hipótese prevista no inciso III, da Instrução Normativa SRF n° 105, de 21/12/94; - que conforme declarado pelo próprio contribuinte em sua impugnação à fls. 01, era o mesmo, durante o ano-calendário de 1994, responsável perante o Ministério da Fazenda pela empresa Carlindo Batista de Lima "ME", CNPJ n° 45.385.309/0001-85. Caracteriza-se assim a obrigatoriedade de entrega da Declaração de Ajuste Anual; - que assim, estando o contribuinte obrigado à apresentação da referida declaração e tendo cumprido a obrigação com atraso, e ainda não se vislumbrando na legislação de regência previsão específica para exclusão da referida multa, não há como desobriga-lo da multa imposta. A ementa que consubstancia a decisão da Quinta Turma da DRJ em São Paulo é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF". Ano-calendário: 1994 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4-Pii.-IP QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da declaração de ajuste anual após o prazo fixado, estando o contribuinte obrigado à sua apresentação, enseja a aplicação da multa por atraso. Lançamento Procedente."". Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 27/05/02, conforme Termo constante às folhas 17/19 e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, dentro do prazo hábil (25/06/02), o recurso voluntário de fls. 20/21, instruído pelo documento de fls. 22, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na peça impugnatória. Consta às fls. 22 cópia do Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente no valor de 30% do crédito tributário mantido pela decisão singular para interpor recurso ao Conselho de Contribuintes. É o Relatório. 5 _ .-;-% MINISTÉRIO DA FAZENDA ...I. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.00009712001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. No mérito, como se vê do relatório, cinge-se a discussão do presente litígio em tomo da aplicabilidade de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 1995, relativo ao ano-calendário de 1994. Da análise dos autos, verifica-se que houve a aplicação da multa mínima de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, destinado para as pessoas físicas, de acordo com a Lei n°8.981, de 1995, art. 88, § 1°, e Lei n°9.249, de 1995, art. 30. Inicialmente é de se esclarecer que todas as pessoas físicas, enquadradas nos itens abaixo relacionados, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda estão obrigadas a apresentar declaração de rendimentos como pessoa física no exercício de 1995, relativo ao ano-calendário de 1994: 6 •'4.8Á MINISTÉRIO DA FAZENDA "•• ;'','Ç PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 1. recebeu rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração, cujo valor total foi superior a 12.000 UFIR; 2. recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cujo valor total foi superior a 80.000 UFIR; 3. participou de empresa, como titular de firma individual ou como sócio, exceto acionista de sociedade anônima — S A; 4. teve a posse ou propriedade, em 31 de dezembro de 1994, de bens ou direitos, inclusive terra nua, exceto de bens e direitos da atividade rural, cujo valor global patrimonial foi superior a 500.000 UFIR; 5. apurou ganho de capital na alienação de bens ou direitos em qualquer mês do ano-calendário, sujeito à incidência do imposto; 6. realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, em qualquer mês do ano de 1994; 7. teve a posse ou propriedade de imóveis rurais cujas áreas ultrapassaram, no conjunto, mil ha; 8. relativamente à atividade rural, com o preenchimento do "Demonstrativo de Atividade Rural" se: (a) — obteve receita bruta em valor superior a 60.000 UFIR; (b) deseja compensar saldo de prejuízo acumulado; e c) apurou prejuízo no ano-calendário de 1994 e deseja compensá-lo em anos-calendários posteriores. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDAv: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.00009712001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 Para o deslinde da questão impõe-se invocar o que diz a respeito do assunto o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: "Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I — multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2° e 5° deste artigo (Lei n°8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 27); b) de dez por cento sobre o imposto apurado pelo espólio, nos casos do § 1° do art. 23 (Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 49); II— multa a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei n° 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 30); § 1° As disposições da alínea "a" do inciso I deste artigo serão aplicadas sem prejuízo do disposto nos arts. 950, 953 a 955 e 957 (Decreto-lei n° 1.967, de 1982, art. 17, e Decreto-lei n° 1.968, de 1982, art. 8°). § 2° Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei n°8.981, de 1995, art. 88, § 1°, e Lei n°9.249, de 1995, art. 30): I — de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; II — de quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos, para as pessoas jurídicas. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 § 30 A não regularização no prazo previsto na intimação ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado (Lei n°8.981, de 1995, art. 88, § 2°) § 4° Às reduções de que tratam os arts. 961 e 962 não se aplicam o disposto neste artigo. § 5° A multa a que se refere à alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 2° (Lei n° 9.532, de 1997, art. 27)." Como se vê do dispositivo legal retrotranscrito, a falta de apresentação de declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado pela legislação de regência se sujeita à aplicação da penalidade ali prevista. Ou seja: (1) - multa de mora de 1% ao mês, limitado no valor máximo de 20% do imposto a pagar e limitado no valor mínimo de R$ 165,74, quando for apurado imposto de renda a pagar; e (2) - multa fixada em valores de R$ 165,74 a R$ 6.629,60, quando não for apurado imposto de renda a pagar. De acordo com legislação de regência a Declaração de Ajuste Anual deverá ser apresentada, pelas pessoas físicas, até o último dia útil do mês de abril do ano- calendário subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores, inclusive no caso de pessoa física ausente no exterior a serviço do país. Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo, estabelecida pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento, demonstrado nos autos e admitido explicitamente pelo impugnante, resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária, notadamente à multa estabelecida no inciso II, do artigo 88, da Lei n.° 8.981/95, observado o valor mínimo previsto no § 1 0, alínea "b", do citado diploma legal. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 Conforme declarado pelo próprio contribuinte em sua impugnação à fls. 01, era o mesmo, durante o ano-calendário de 1994, responsável perante o Ministério da Fazenda pela empresa Carlindo Batista de Lima "ME", CNPJ n° 45.385.309/0001-85. Caracteriza-se assim a obrigatoriedade de entrega da Declaração de Ajuste Anual. Está provado no processo que a recorrente cumpriu fora do prazo estabelecido a obrigação acessória de apresentação de sua declaração de rendimentos. É cristalino que a obrigação tributária acessória diz respeito a fazer ou deixar de fazer no interesse da arrecadação ou fiscalização do tributo. Sendo óbvio que o suplicante pode ser penalizado pelo seu não cumprimento, mesmo não havendo tributo a ser exigido do mesmo. A multa em questão é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária, sendo que a denúncia espontânea da infração só tem o condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. É certo, que a partir da edição da Lei n° 8.891/95, foram suscitadas diversas discussões e debates em tomo da multa pela falta de apresentação de declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo. Surgindo duas correntes: uma defendendo a aplicabilidade da multa em ambos os caso. Qual seja, cabe a multa independentemente do contribuinte ter apresentado a sua declaração de rendimentos espontaneamente ou não; a outra, defende a inaplicabilidade da multa em caso de apresentação espontânea, amparado no art. 138, do CTN. Os adeptos à corrente que defende a aplicabilidade da multa em ambos os casos, apoia-se no fundamento de que a multa em questão é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária. Sendo que a denúncia espontânea da infração só /".7 io MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 tem condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo, estabelecida pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária, notadamente à multa estabelecida no inciso II, do artigo 88, da Lei n° 8.981/95, observado o valor mínimo previsto no § 1°, alínea "a", do citado diploma legal. Esta corrente entende, ainda, que o atraso na entrega de informações à autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, em prejuízo do serviço público e ao interesse público em última análise, que não se repara pela simples auto denúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior, sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que dota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. Os adeptos à corrente que defendem a inaplicabilidade da multa em caso de apresentação espontânea, entendem que a denúncia espontânea da infração, exime do gravame da multa, com o amparo do art. 138, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional), porque a denúncia teria o condão de evitar ou reparar o prejuízo causado com a inadimplência no cumprimento da obrigação tributária acessória. Estou filiado à corrente dos que defendem a coexistência da multa nos dois casos, ou seja, defendo a aplicabilidade da multa independentemente do contribuinte ter apresentado a sua declaração de rendimentos espontaneamente ou não. Posição esta mantida na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com devido respeito às opiniões em contrário, entendo aplicável a multa mesmo nos casos de denúncia espontânea, já que o atraso na entrega de informações à autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, 11 •••;---" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 10820.000097/2001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 em prejuízo do serviço público ou ao interesse público em última análise, que não se repara pela simples auto denúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior. Sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que dota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. É sabido que todo cidadão, sendo ou não sujeito passivo da obrigação tributária principal, está obrigado a certos procedimentos que visem facilitar a autuação estatal. Uma vez não atendidos esses procedimentos estaremos diante de uma infração que tem como conseqüência lógica à aplicação de uma sanção. As sanções pela infração e inadimplemento das obrigações tributárias acessórias são as mais importantes da legislação tributária, pois conforme previsto no CTN quando descumprida uma obrigação acessória, esta se toma pessoal e independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ora, da mesma forma é sabido que a multa de mora tem natureza indenizatória, visa essencialmente recompor, ainda que parcialmente, o patrimônio do Estado pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária e a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, é uma pena de natureza tributária. Convém, ainda, ressaltar que as circunstâncias pessoais do sujeito passivo não poderão elidir a imposição de penalidade pecuniária, conforme prevê o artigo 136, do CTN, que instituiu, no Direito Tributário, o princípio da responsabilidade objetiva, segundo a qual, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10820.00009712001-40 Acórdão n°. : 104-19.296 Assim, correta está a exigência da multa, pois ficou provado a infração descrita no artigo 88, da Lei n° 8.981, de 1995, não cabendo qualquer reparo à decisão recorrida. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 20 de março de 2003 "L/dafe 13 Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.000949/95-71
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DECISÃO JUDICIAL ANULADOS SO LANÇAMENTOS DO ITR/94 NO ÂMBITO DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL.
Havendo decisão judicial em sede de Ação Civil Pública, determinando a anulação de todos os lançamentos do Imposto Territorial Rural, relativos ao exercício de 1994, no âmbito do Estado do Mato Grosso do Sul, e estando o imóvel do contribuinte localizado dentro deste ente federativo, não há porque haver julgamento em via administrativa.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 303-30277
Decisão: Por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS FERNANDO FIGUEIRÊDO BARROS
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DECISÃO JUDICIAL ANULANDO OS LANÇAMENTOS DO 1TR194 NO ÂMBITO DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL. Havendo decisão judicial em sede de Ação Civil Pública, determinando a anulação de todos os lançamentos do Imposto Territorial Rural, relativos ao exercício de 1994, no âmbito do Estado do Mato Grosso do Sul, e estando o imóvel do contribuinte localizado dentro deste ente federativo, não há porque haver julgamento em via administrativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 22 de maio de 2002 • JOÃO O A COSTAPresid te ate; CARLOS FERNAND I+ FIGUEIREDO BARROS Relator 080E10£7. 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS, NILTON LUIZ BARTOLI e HÉLIO GIL GRACINDO. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N' : 303-30.277 RECORRENTE : ANTONIO ROBERTO MENDONÇA RECORRIDA : DRJ/RIBE1RÃO PRETO/SP RELATOR(A) : CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS RELATÓRIO Trata o presente processo de exigência do crédito tributário constituído mediante a Notificação de Lançamento de fls. 06, emitida no dia 08/04/95, relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), à Contribuição Sindical do Empregador — CNA, Contribuição Sindical do Trabalhador — CONTAG e à Contribuição ao SENAR, do exercício de 1994, no montante de R$ 2.402,87 (dois • mil, quatrocentos e dois reais e oitenta e sete centavos), incidentes sobre o imóvel rural de propriedade do contribuinte em epígrafe, cadastrado na SRF sob o código 0752937-6 com área de 1.012,1 ha, denominado Fazenda Santo Antônio, localizado no Município de Aparecida do Taboado/MS. A exigência do ITR fundamenta-se na Lei n.° 8.847/94 e Contribuições no Decreto-lei n.° 1.146/70, art. 5°, combinado com o Decreto-lei n.° 1.989/82, art. 1°, e Decreto-lei n. 0 1.166/71, art. 4° e parágrafos. Na impugnação de fls. 01/03, o contribuinte discorda da exigência fiscal em apreço, sob as seguintes alegações, em síntese: - É fácil verificar que a Lei n.° 8.847/94, no seu artigo 3 . estabelece: "A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua - V7W, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior"; - A irretroatividade da lei, salvo quando interpretativa ou para beneficiar, é princípio geral do Direito. A doutrina vê, nas dobras do princípio da legalidade, o fundamento constitucional específico da irretroatividade das leis tributárias; - No caso vertente, o ITR foi aumentado com base na mencionada Lei n.° 8.847/94; - Consoante se infere do lançamento hostilizado, a base de cálculo do imposto (VTN) sofreu substancial alteração, comprovadamente pela Instrução Normativa n.° 16/95, editada pela Secretaria da Receita Federal; - Alterada a base de cálculo, via de conseqüência, houve reflexo no valor do imposto Em suma, o imposto restou majorado, no mesmo exercício em que editado a sobredita lei; cp.. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 - Ora, como houve majoração, sem dúvida alguma o lançamento é nulo, porquanto flagrantemente desrespeitado o texto constitucional (art. 150, III, a e b); - Para o lançamento do imposto de 1994, numa interpretação lógica da Lei n.° 8.847/94, a Administração Fazendtia só poderia tomar por base de cálculo o Valor da Terra Nua apurado no dia 31 de dezembro de 1993; - Na hipótese de entender por bem rever (atualizar ou aumentar) o VTN, para fins de lançamento, só lhe seria legal fazê-lo para o exercício de 1995, cujo ITR seria pago em 1996. • No final requer a nulidade do lançamento referente ao ITR de 1994, procedendo-se outro que tome a base de cálculo (VTN) apurado no dia 31 de dezembro de 1993, instruindo a peça impugnatória com os documentos de fls. 04/14. Posteriormente, apresenta nova impugnação, conforme se observa às fls. 17/19, instruída com os documentos de fls. 20/24 e 34. Nesta segunda impugnação, o contribuinte reitera o pleito de anulação do lançamento, acrescentando novos argumentos, que transcrevemos, sinteticamente, abaixo, inclusive com os erros e incorreções apresentados no texto: - A Instrução Normativa que aprovou a tabela que fixa o VTNm em 31 de dezembro de 1993, para o lançamento do ITR de 1994, não respeitou o parágrafo 1 do artigo 3 da Lei 8.847/94, ao não abater as benfeitorias existentes na propriedade rural; - A cobrança do ITR/94, com base nos valores lançados, fere o princípio da capacidade contributiva do contribuinte; • - Ainda mais, para alicerçar o referido pleito o Impugnante, anexa à presente, o Decreto n.° 046/94, diante da enorme seca que assolou o município, em seu artigo I°, diz literalmente: "É DECLARADO EM ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA A ZONA RURAL DO MUNICÍPIO DE APARECIDA DO TABOADO, EM RAZÃO DA PROLONGADA ESTIAGEM EM QUE VEM AFETANDO A REGIÃO"; - Tendo em vista os dizeres do artigo 13 da Instrução Normativa, diz literalmente: " Nos casos de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastos, o 3 41) 1-0 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 122399 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 Ministro da Fazenda determinará que seja aplicada redução de até cem por cento no valor do imposto, para os imóveis que, comprovadamente, estejam situados na área de ocorrência da calamidade."; - Não concorda o Impugnante também com a cobrança absurda da contribuição devida ao Sindicato do Empregador, da CNA por não ser elas obrigatórias do ponto de vista constitucional, senão vejamos o que diz o art. 8 *, item V da Constituição Federal. "É livre a associação profissional ou sindical, observando o seguinte; 111 item V — ninguém será obrigado a filiar-se ou manter-se filiado a sindicato". Diz o Acórdão n.° 627 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo: "A Contribuição Confederativa somente é devida pelas pessoas sindicalizadas, não podendo ser cobrada sem distinção por todos os integrantes de categoria profissional". Em 15/09/97, a repartição de origem encaminhou os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n.° 70.235/72, a autoridade julgadora de ia instância proferiu a Decisão DRJ/RPO n.° • 2.18/98, fls. 22/28, julgando o lançamento procedente, com a seguinte ementa e fundamentos, em síntese: 1- EMENTA ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - I.T.R. Exercício: 1994 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS. PRESTAÇÃO COMPULSÓRIA. A contribuição confederativa, instituída pela assembléia geral, distingue-se d. contribuição sindical, instituída por lei, com caráter tributário. wtik 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS. EXCLUSÃO. INAPLICABILIDADE. Os lançamentos das Contribuições Sindicais, vinculados ao do ITR, não se confundem com as contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação, e serão mantidos quando realizados de acordo com a declaração do contribuinte e com base na legislação de regência. REDUÇÃO DO ITR. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. INAPLICABILIDADE. A redução do imposto prevista na lei, em virtude de declaração de estado de calamidade pública, só é aplicável quando determinada 111 pelo Ministério da Fazenda. VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO (VTNm). ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. O reajuste do VTNm não implica a majoração de tributo, mas sim a atualização monetária da base de cálculo. VTNm. APLICABILIDADE. O VTN declarado pelo contribuinte será rejeitado pela Secretaria da Receita Federal, quando inferior ao VTNinfha fixado para o município de localização do imóvel rural. VTNm. REDUÇÃO. A autoridade julgadora só poderá rever, a prudente critério, o VTNm, a vista de perícia ou laudo técnico, elaborado por perito ou entidade especializada, obedecidos os requisitos mínimos da • Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e com ART, devidamente registrada no CREA. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE. O Laudo Técnico de Avaliação em desacordo com a NBR n.° 8799 da ABNT é elemento de prova insuficiente. LANÇAMENTO PROCEDENTE. 2— FUNDAMENTAÇÃO 1. Preliminares Inconstitucionalidade 11; MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 - No que toca a questão do interessado alegar inconstitucionalidade, cumpre dizer que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (CF/88 — art. 102, I, "a" e III, "b"). 2. Mérito. Contribuições à CNA - Quanto à legalidade da exigência das contribuições, cabe distinguir a contribuição confederativa da contribuição sindical, onde se enquadra a • Contribuição Sindical do Empregador; - A contribuição sindical tem caráter tributário e é compulsória, não se confimdindo com as contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação; - A Contribuição Sindical do Empregador tem como fato gerador o exercício da atividade agrícola, inerente aos proprietários de imóveis rurais e empregadores rurais. Sua exigência foi estabelecida pelo Decreto-lei n.° 1.166/71, art. 4°, parágrafo 1 ° e art. 580 da Consolidação das Leis do Trabalho, com a redação dada pela Lei n.° 7.047/82; - Cabe ressaltar que a Lei n.° 8.847/94, art. 24 manteve a cobrança dessas contribuições a cargo da Receita Federal até 31/12/96; - Portanto, não há que ser concedido o cancelamento do lançamento • referente à Contribuição Sindical do Empregador, por subsumir-se aos preceitos da legislação citada, tendo como fator relevante a distinção entre as contribuições confederativa e sindical, e que os dispositivos norteadores da cobrança impugnada não estão declarados inconstitucionais, pelo contrário, sua mantença está contida no dispositivo constitucional citado acima. Estado de Calamidade Pública - O interessado requer anistia sobre o lançamento do ITR/94 em função de decreto municipal declarando estado de calamidade pública. Esclareço que o interessado ao requerer anistia, na realidade só pode estar requerendo a remissão do 1TR impugnando, pois, a anistia somente opera a extinção do crédito alusivo à infração - o que não é o caso — enquanto a remissão refere-se ao perdão de divida; - A base legal invocada pelo requerente é o artigo 13 da Lei 8.847/94, in verbis: a eki. ajdir 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 ERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 "Art. 13. Nos casos de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastos, o Ministro da Fazenda determinará que seja aplicada redução de até cem por cento no valor do imposto, para os imóveis que, comprovadamente, estejam situados na área de ocorrência da calamidade." (grifo meu). Da leitura do artigo acima, verifica-se que o decreto municipal de estado de calamidade pública, não é pressuposto suficiente para a remissão do 1TR, pois, há que se ter a determinação do Ministério da Fazenda. Ainda, ressalte-se que não necessariamente haverá redução de cem por cento, uma vez que, a lei é clara ao dizer que a redução será de até cem por cento; • - Não bastasse isso, o 1TR/1994 tem como base as condições de exploração da terra nua de 1993 enquanto o decreto municipal refere-se à perda do potencial de exploração da terra nos anos de 1995 e 1996, ou seja, dois anos após o ano-base do lançamento discutido; - Considerando tais argumentos e verificando-se no extrato de fls. 36 que não houve determinação do Ministério da Fazenda da redução pleiteada, não cabe qualquer redução do imposto com base no artigo 13 da Lei 8.847/1994. Valor da Terra Nua Tributado - Da análise dos elementos que compõem o processo, verifica-se que a Secretaria da Receita Federal rejeitou o VTN, decorrente da declaração do 1TR apresentada pelo contribuinte, que foi inferior ao mínimo fixado, por hectare, para o município de localização do imóvel tributado, em cumprimento ao disposto ao • Decreto n.° 84.685/80, art. 7, parágrafos 2 e 3, e IN SRF n.° 58/96, art. 1 nos termos da Lei n.° 8.847/94; - Os procedimentos para fixação do VTNm, pela Secretaria da Receita Federal, obedeceram exatamente às exigências legais, contidas na Lei n.° 8.847/94, art. 3°, parágrafo 2°' Parágrafo 2°. O Valor da Terra Nua mínimo (VTA rm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município.; - Assim sendo, o procedimento administrativo que precedeu a fixação do VTNm para 1994 foi realizado com absoluta observância da legislação de 7c MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 regência e não há fundamento, portanto, na argumentação de ilegalidade do lançamento por não atendimento aos Princípios da Legalidade e &retroatividade; - Já a revisão administrativa do VTNm é possível e tem previsão na Lei n.° 8.847/94, art. 3., parágrafo 4. in verbis: Parágrafo 4° A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte. • Cumpre esclarecer que a legislação, acima transcrita, prevê a possibilidade de redução do VTNm aplicado a um determinado imóvel, pela via da impugnação, porém, nesta instância não se discute o VTNm do município, mas apenas o VTNm de um imóvel precisamente identificado; - Neste sentido de revisar o VTNm, o interessado apresentou a avaliação de fls. 22/32; - Da análise desta avaliação, verifica-se que ela não trouxe elementos que sustentassem as razões da impugnação do VTNm, uma vez que, este documento trata apenas de uma avaliação para cobrança do ITBI. Valores venais para fins de ITBI, não bastam para fundamentar a revisão de um lançamento com base no VTN mínimo, senão vejamos: Primeiro, não há a especificidade fundamental. A revisão do VTNm existe para atender um imóvel em particular, seja porque possui terras de qualidade • inferior, relevo acidentado, acesso muito dificil ou outros fatores que podem, efetivamente, alcançar um valor inferior ao mínimo determinado para aquele município. Segundo, porque se refere à base de cálculo de outro tributo, o ITBI, determinado por critérios diferentes dos que são utilizados para o ITR, sem informações de pesquisas a nível municipal e regional ou tratamento estatístico elaborado. Conforme esclarecido na intimação feita ao contribuinte, mesmo um órgão público como uma secretaria estadual necessitaria apresentar um laudo técnico de avaliação com os mesmos requisitos exigidos de um laudo técnico assinado por Engenheiro Agrônomo, inclusive com ART; - Na realidade, uma pesquisa de valores poderia usar, num conjunto de dados, valores do ITBI mas não se resumir somente a isso. Esta singularidade descaracteriza o documento apresentado como uma verdadeira avaliação de caráter técnico; alh Cato 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 - Portanto, considerando que a constatação das falhas acima detalhadas, retiram do documento apresentado pelo impugnante a suficiência probante indispensável, tomando-o imprestável para o fim proposto, á vista dos critérios legais enunciados, não cabe a retificação do VTN Tributado, por falta de amparo legal. Em 27/06/00, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ- Ribeirão Preto/SP, apresentando, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 50/56, aduzindo novos fatos e argumentos de seguinte teor, resumidamente, inclusive com os erros e incorreções verificados no texto: - O lançamento deve ser anulado, nos termos do art. 148 do CTN, por não haver nos autos qualquer indícios graves precisos de omissão na declaração • do contribuinte, apontada pelo fisco. O fisco só poderia fazer o arbitramento da matéria tributável, na hipótese de indícios graves precisos e concordantes de má-fé do contribuinte. Hipótese que, se ocorrida, não está provada pelo fisco, portanto, 'a Administração é obrigada a operar a retificação do lançamento majorado. É o que estabelece o artigo 148 do CTN, verbis: artigo 148 — "Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Ao depois, é infirmar a verdade, afirmar que a IN, apenas corrigiu monetariamente a base de cálculo do imposto de fls. 42 da r. decisão a quo, pois, o VTN declarado é o corrigido, ao passo que, o VTN tributado é o arbitrado, • contrapondo-se às disposições do $ 4°, do artigo 3°, da Lei 8.847/94; A posteriori, requererá o que de direito, nos Institutos Jurídicos da Decadência e da Prescrição, porque, é princípio geral de Direito, aplicável ao Direito Tributário, por expressa determinação do artigo 108 do CTN, que cuida da interpretação da legislação tributária, que o erro nunca pode beneficiar o seu fautor; Ante o exposto, requer o provimento do presente Recurso Voluntário, para o fim de declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário pelo decurso de tempo; assim não entendendo, reforme- se a r. decisão de 1° grau, aos termos do Laudo Técnico apresentado nos termos do § 4°, do artigo 3°, da Lei n.° 8.847/94. Com a recurso, apresenta os documentos de fls. 57/63 (laudo técnico), fls. 64 (ART.) e fls. 65 (Declaração refeitura Municipal de Aparecida do Taboado/MS sobre o valor da terra nua). 4t, 9 , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 Posteriormente, foi juntado o documento de fls. 71/73, tratando-se de cópia de Decisão da l a Vara da Justiça Federal em Araçatuba/SP, concedendo liminar que determina o prosseguimento do presente processo sem a exigência de apresentação da prova do depósito recursal. CO-, É o relatório. • • to MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 VOTO O ponto fulcral da presente lide cinge-se em saber o correto VTN da região onde se localiza o imóvel do contribuinte, ora recorrente, pois, apesar de o mesmo ter, no momento oportuno, ofertado-o na declaração do ITR, relativa ao exercício de 94, este valor estava fora da realidade da região, vale dizer, totalmente desproporcional às reais condições do imóvel, motivo porque o fisco lançou o crédito tributário, através da Notificação de Lançamento. • Antes, porém, de qualquer análise mais aprofundada do recurso, notadamente seu mérito, é imprescindível que o juiz ad quem verifique a existência ou não de preliminares que inviabilizem o seu conhecimento. De modo que, existindo tal preliminar, e vindo esta a ser acolhida, não há que se investigar o meritum causae. No caso, foi ajuizada uma Ação Civil Pública pelo Ministério Público Federal objetivando, liminarmente, a suspensão da cobrança do Imposto Territorial Rural no Estado do Mato Grosso do Sul e, no mérito, a nulidade dos atos administrativos pelos quais a Receita Federal elevou abusivamente o valor do referido tributo. A ação foi distribuída para a 3" Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, recebendo o seguinte número de processo: 95.0002928-6. Em data de 20 de Março de 1996, a referida ação foi sentenciada, e, • pela sua importância, transcrevo a parte final do decisum: "Diante do exposto e por mais do que dos autos conta, julgo procedente a presente ação e DECLARO A NULIDADE DO LANÇAMENTO referente ao Imposto Territorial Rural (ITR) de 1994, no âmbito do ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL." (sic) (grifamos) Ora, a Ação Civil Pública, disciplinada pela Lei n° 7.347, de 24/07/85, tem como pressuposto o dano ou ameaça de dano a interesse difuso ou coletivo. Na verdade, é uma ação criada para apurar a responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. É, assim, um meio processual de que se podem valer o Ministério Público e as p soas jurídicas indicadas na lei para a proteção dos interesses difusos e gerais 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 122.799 ACÓRDÃO N° : 303-30.277 Importante, para o deslinde do caso, sabermos quais os efeitos produzidos pela sentença do Magistrado Federal da Seção Judiciária do Mato Grosso do Sul, relativamente àquela Ação Civil Pública. Reza o art. 16, da Lei n° 7.347/85 que: "A sentença civil fará coisa julgada "erga omnes", nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova" (grifamos) • É bom lembrar que a redação deste artigo foi dada pela Lei n° 9.494, de 10 de Setembro de 1997. Da análise do dispositivo, fica claro que, sendo reconhecida a procedência do pedido da Ação Civil Pública, os efeitos da sentença procedente serão erga omnes, vale dizer, para todos, com a única restrição de que há um limite territorial quanto ao alcance de tais efeitos, pois, conforme reza a norma, somente incidirão nos limites da competência territorial do órgão prolator. Como no presente caso, o órgão prolator foi um Magistrado Federal do Estado do Mato Grosso do Sul, a sentença produzirá efeitos apenas nos limites deste ente federativo. Quer isto dizer que, no âmbito deste Estado, todos os lançamentos do Imposto Territorial Rural, relativos ao exercício de 1994, foram declarados nulos, por sentença proferida em Ação Civil Pública. Assim, por estar o imóvel do contribuinte, in casu, dentro do Estado do Mato Grosso do Sul, portanto sujeito aos efeitos da referida sentença, não há porque julgar, em sede administrativa, a procedência ou não do ITR/94. DO EXPOSTO, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2002 CARLOS FERNANDO IG IREDO BARROS - Relator 12 , _...,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA *4 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 10820.000949/95-71 Recurso n.°: 122.799 TERMO DE INTIMAÇÃO • Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 303-30.277. Brasília- DF, 02 de dezembro de 2002 Jo ada Costa — Preste da Terceira Câmara d n á • )-23DD --- Ciente em: 3 1 } 2 7 1 , -- (.4\)1--)Qt$ ffeLl? Z" 20ek.À) FF0 MV Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.000953/98-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2003
Ementa: ITR - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - POSSE - DISCUSSÃO JUDICIAL.
Não se conhece de recurso voluntário formulado por contribuinte que não teve reconhecida, initio litis, pelo Poder Judiciário, a posse sobre o imóvel de que tratam os autos.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
ILEGITIMIDADE PASSIVA/CONFLITO DE PROPRIEDADE.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 303-30667
Decisão: Por maioria não se tomou conhecimento do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Zenaldo Loibman e Nanci Gama. Designado para redigir o voto o conselheiro Irineu Bianchi.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA/CONFLITO DE PROPRIEDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, relator, e Nanci Gama. Designado para redigir o voto o Conselheiro Irineu Bianchi. Brasília-DF, em 15 de abril de 2003 411 JOÃo L • NDA COSTA Pres' • ente 1RINEU BIANCHI 2.0 " 2.0 Relator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, PAULO DE ASSIS, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRACINDO. tinc I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 RECORRENTE : JOSÉ CARLOS RAMOS RODRIGUES RECORRIDA : DM/RIBEIRÃO PRETO/SP RELATOR(A) : ZENALDO LOIBMAN RELATOR DESIG. : IRINEU BIANCHI RELATÓRIO Exige-se do interessado identificado em epígrafe, o pagamento do ITR/1996, no valor de R$ 791,55, relativo ao imóvel rural denominado Gleba Moinho, código SRF n° 0752673-3, com área total de 2.020,0 hectares, localizado no III município de São Félix do Araguaia /MT. A base legal apontada para a exigência é a Lei 8.847/1994 e a IN SRF 58/96. O contribuinte impugnou, tempestivamente, o lançamento conforme os termos constantes às fls. 01/06, onde, em síntese, argumenta que: I. A propriedade é reconhecida como reserva indígena, conforme decisão proferida pelo MM. Juiz Federal substituto, Seção Judiciária de Mato Grosso, Primeira Vara, Processo n° 95.0001396-7; 2. O MP Federal afirmou que os índios detêm a posse das áreas há mais de ano e dia e a União Federal, FUNAI e o Cacique Kuiussi alegaram que as áreas são ocupadas pela Tribo Suiá há 0 pelo menos dois séculos; 3. Comprovado que não tem a propriedade, posse ou o domínio útil do imóvel, requer o cancelamento do cadastro e respectivos lançamentos; 4. A notificação é absolutamente nula, posto que dela não constam a identidade do chefe do órgão expedidor, nem sua assinatura, cargo, matrícula, nos termos exigidos no inciso IV dos art. 11 e 12 do Decreto 70.235/72, e do art. 5° da IN SRF 54/97; 5. As disposições contidas no art. 3° da Lei 8.847/94 não foram observadas, sendo que o VTNm foi arbitrado; 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 6. Além dos vícios apontados, o lançamento padece de outros que representam violação à Lei Maior, ao CTN e à própria Lei 8.847/94; 7. O sujeito passivo na relação jurídica não é ele e sim a União. O erro na identificação do sujeito passivo é razão de nulidade do lançamento; 8. A contribuição sindical do empregador é inconstitucional e a jurisprudência aponta várias decisões contrárias à sua imposição; 9. Foram anexados os documentos de fls. 07/17.• A Decisão de Primeira Instância manteve o lançamento julgando-o PROCEDENTE. As principais fundamentações para a decisão recorrida, foram, em resumo, o que segue: 1. Preliminarmente, antes das alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade do lançamento, o contribuinte argúi a validade do mesmo, por apontar nulidade em razão de não atender as exigências contidas nos art. 11 e 12 do Decreto 70.235/72. Conclui quanto a este ponto por afirmar que o art. 11 mencionado afirma ser desnecessária a assinatura da notificação se emitida por processo eletrônico, podendo-se concluir também pela dispensa da indicação do cargo e matrícula do servidor autorizado. O impugnante cita também a IN 54/97, ocorre que tal ato normativo contempla apenas os casos de lançamento suplementar, o que não é o caso concreto. Apesar de existirem Acórdãos do Conselho de Contribuintes em sentido contrário, sendo a DRJ órgão integrante da Administração Tributária não pode deixar de cumprir as normas administrativas vigentes, sujeitando-se, no caso contrário, às responsabilidades decorrentes do art. 142 do CTN. O lançamento, pois, não está em desacordo com as nonnas do Decreto 70.235172; Quanto às outras alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade, não cabe a apreciação desta matéria na esfera administrativa, a competência da DRJ consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades a guo com as normas legais vigentes. A lei editada segundo o processo 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 legislativo constitucionalmente previsto, é matéria reservada pela Carta Magna ao Poder Judiciário; III. Ainda como preliminar o impugnante invoca a nulidade do lançamento por erro de identificação do sujeito passivo, alegando encontrar-se a propriedade rural sob a posse de uma tribo indígena. De acordo com os documentos trazidos aos autos, não há ainda decisão judicial quanto ao direito de propriedade ou posse. Ocorre que a decisão judicial noticiada é tão-somente um indeferimento de pedido liminar de reintegração de posse. Dos termos do pronunciamento de• indeferimento da liminar pleiteada de fls. 09/17, extrai-se à fl. 13 que a pretensão dos autores do pedido poderá ser satisfeita se, e somente se, as áreas mencionadas na petição inicial não ficarem caracterizadas como terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. O litígio está em andamento, e apesar da posse estar com os silvícolas, o título de propriedade é do impugnante, e por esta razão deve ser ele considerado o contribuinte do ITR, consoante o art. 31 do CTN; IV. Na Justiça Federal o interessado está discutindo o seu direito de posse sobre a sua propriedade (sob ocupação indígena), e ao mesmo tempo, pretende administrativamente ser dispensado da tributação sobre essa área. Para isso não há previsão legal, posto que o proprietário do imóvel é contribuinte do 11'12., e até o trânsito em julgado da questão referente à ocupação indígena tem também o domínio útil; V. Afastadas as questões preliminares, verifica-se quanto ao mérito que a SRF rejeitou o VTN informado pelo contribuinte na DITR, por ser inferior ao VTN mínimo (VTNm), fixado por hectare para o município de localização do imóvel tributado, em cumprimento ao disposto nos §§ 1° e 2° do art. 3° da Lei 8.847/94 e IN 58/96. Os procedimentos adotados obedeceram exatamente às exigência legais contidas no § 2° do art. 3° do diploma legal referido; VI. Discordando do valor lançado, poderia o contribuinte, nos termos da lei, ter apresentado laudo técnico de avaliação nos termos do § 4° da referida lei. Posto que a convicção quanto 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 ao valor da propriedade específica em questão, somente poderia ser assegurada por laudo específico que pudesse demonstrar a inadequação do valor genérico tabelado diante das peculiaridades da propriedade em foco, porém o contribuinte não se utilizou dessa faculdade; VII. Com base nas demais informações constantes da DITR, verifica-se que o grau de utilização de 0% e alíquota correspondente de 1,90%, na tabela II, foram corretamente utilizados; VIII. Quanto às contribuições sindicais CNA e CONTAG, foram • instituídas pelo art. 580 da CLT e DL 1.166/71. Da mesma forma, a contribuição ao SENAR, está prevista no item VIII do art. 3 § da Lei 8.315/1991. Da análise dos dispositivos acima mencionados resulta que não é necessária a filiação ao sindicato para estar sujeito ao pagamento das contribuições sindicais, é mister apenas a verificação das situações legais prescritas. O postulante foi enquadrado como empregador rural pelo DL 1.166/71, e como tal está sujeito à Contribuição Sindical do Empregador e Contribuição Sindical do Trabalhador, conforme inciso II do art. 580 da CLT. Cabe ressaltar que o art. 24 da Lei 8.847/94 determina que a arrecadação e administração dessa contribuição seja a cargo da SRF. Somente a partir do ITR11997, com a Lei 9.393/96, de 19/12/1996, que introduziu muitas mudanças na sistemática do ITR, entre elas a apuração e o pagamento do ITR e contribuições, que passaram a ser efetuadas pelo • contribuinte; IX. Cabe distinguir entre contribuição confederativa e a contribuição sindical, onde se enquadra a Contribuição Sindical do empregador. A primeira, instituída pela Assembléia-Geral da entidade sindical, é compulsória apenas para os filiados do sindicato. Já a contribuição sindical instituída por lei - art. 149 da CF - com caráter tributário, é contribuição parafiscal ou especial, constitui espécie tributária, é compulsória enquanto tributo; X. Diante do exposto, considerou não serem cabíveis alterações no lançamento. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 Irresignado, o interessado apresentou tempestivamente suas razões de recurso reapresentando os mesmos argumentos antes invocados na impugnação. É o relatório. • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 VOTO VENCEDOR Acha-se acostado aos autos, despacho judicial em Interdito Proibitório, datado de 7 de dezembro de 1995, proferido pelo Juiz Federal da Primeira Vara da Seção Judiciária de Mato Grosso, indeferindo pedido liminar requerido por Helio Salvador Russo e Outros em face do cacique Kuiussi Suiá e Outros. Da leitura daquela peça processual, verifica-se a existência de litígio• judicial envolvendo a posse de diversos imóveis, dentre os quais aquele de que tratam os presentes autos por fatos que se deram no curso do ano de 1995. A liminar requerida pelos autores foi indeferida, uma vez que "...pairam sérias dúvidas sobre a validade da ocupação das áreas mencionadas na petição inicial por parte dos autores...". Em determinado trecho do aludido despacho, seu digno prolator afirma que "...a pretensão formulada pelos autores poderá ser satisfeita se, e somente se, as áreas mencionadas na petição inicial não ficarem caracterizadas como terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, já que, no tocante a tais terras, a Constituição Federal nega qualquer efeito válido à posse ou à propriedade obtidas nos moldes do Direito Civil" (grifei). Ocorre que, em pesquisa informal acerca da situação do referido processo, verifica-se que o mesmo acha-se pendente de julgamento, estando concluso para sentença desde a data de 27 de fevereiro de 2002 (in TRF 1 3 Região, http://www.mt.trfl.gov.br/scripts/mgwms32.dll, em 12 de outubro de 2002). Em tais condições, meu voto é no sentido de não conhecer do recurso. Sala das Sessões, em 15 de abril de 2003 IRINEU BIANCHI — Relator Designado 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 VOTO VENCIDO É de se conhecer do recurso, por ser tempestivo, estarem presentes os requisitos de admissibilidade do recurso e por tratar de matéria da competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. Preliminarmente, entendemos que a instância administrativa não possui competéncia legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme disposto nos incisos I, "a", e III, "b", ambos do artigo 102 da Constituição Federal, onde estão configuradas as duas • formas de controle de constitucionalidade das leis: o controle por via de ação ou concentrado, e o controle por via de exceção ou difuso. A depender da via utilizada para o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo, os efeitos produzidos pela declaração serão diversos. No controle de constitucionalidade por via de ação direta, o Supremo Tribunal Federal é provocado para se manifestar, pelas pessoas determinadas no artigo 103 da Constituição Federal, em uma ação cuja finalidade é o ' exame da validade da lei em si. O que se visa é expurgar do sistema jurídico a lei ou o ato considerado inconstitucional. A aplicação da lei declarada inconstitucional pela via de ação é negada para todas as hipóteses que se acham disciplinadas por ela, com efeito erga omnes. Quando a inconstitucionalidade é decidida na via de exceção, ou seja, por via de Recurso Extraordinário, a decisão proferida limita-se ao caso em • litígio, fazendo, pois, coisa julgada apenas in casu et inter partes, não vinculando outras decisões, nem mesmo judiciais. Não faz ela coisa julgada em relação à lei declarada inconstitucional, não anula nem revoga a lei, que permanece em vigor e eficaz até a suspensão de sua executoriedade pelo Senado Federal, de conformidade com o que dispõe o artigo 52, inciso X, da Constituição Federal. À Administração Pública cumpre não praticar qualquer ato baseado em lei declarada inconstitucional pela via de ação, uma vez que a declaração de inconstitucionalidade proferida no controle abstrato acarreta a nulidade Ipso jure da norma. Quando a declaração se dá pela via de exceção, apenas sujeita a Administração Pública ao caso examinado, salvo após suspensão da executoriedade pelo Senado Federal. A propósito da controvérsia empreendida pelo contribuinte, citemos excerto do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134): 8 çg- . . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 "(...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumpri-la sujeita-se à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratando-se de inconstitucionalidade já declarada." Tal fundamentação, torna desnecessária a manifestação, de forma específica, acerca dos pontos em que envolvem a inconstitucionalidade da lei e atos normativos de regência do lançamento combatido quanto à cobrança da Contribuição Sindical do Empregador. • No entanto, para efeito de esclarecimento acrescenta-se, que é tese firmada no Conselho de Contribuintes a absoluta legalidade da cobrança da Contribuição sindical do empregador. A contribuição sindical não se confunde com as contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação. O fato gerador para o lançamento em questão é o exercício de atividade agrícola, inerente aos proprietários de imóveis e empregadores rurais. Sua exigência foi estabelecidade pelo Decreto-lei n° 1.166/71, art. 4, § 1° e art. 580 da CLT com a redação dada pela Lei n° 7.047/82. Ressalte-se que o art. 24 da lei 8.847/94 manteve a cobrança dessa contribuição a cargo da SRF até 31/12/96. A contribuição SENAR é também devida, de acordo com os argumentos explicitados na decisão singular, sendo pacificada essa matéria em termos de Conselho de Contribuintes. Também como questão preliminar argúi-se que a Notificação de Lançamento não possui os requisitos mínimos indispensáveis para a sua validade, pois que dela não constam a identificação do chefe do órgão expedidor ou de outro • servidor autorizado, nem sua assinatura e cargo e n° de matrícula, nos termos do inciso IV do art. 11 do Decreto 70.235/72. Há, segundo o CTN, a possibilidade de um vício formal poder levar um processo à nulidade. Não creio, porém, que se aplique ao caso presente. Não há a menor dúvida de que as Notificações de Lançamento do ITR foram de responsabilidade da SRF como instituição responsável, e que em cada Delegacia da instituição o responsável por sua emissão é o Delegado da Receita Federal, no caso um servidor competente, por ser Auditor Fiscal, para se responsabilizar pelo lançamento. A não explicitação do nome do Delegado e sua respectiva matrícula, ainda que seja um vício, é de natureza puramente formal, que de nenhuma forma resultou em qualquer possibilidade de restrição ou cerceamento de defesa ao contribuinte notificado. Não paira sobre a referida notificação nenhuma suspeita, por mínima que seja, de que tenha sido emitida por pessoa incompetente, já que não co 5,ntendo expressamente a identificação do servidor emissor, por se atar de 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 procedimento eletrônico executado mediante a fixação de parâmetros autorizados legalmente, automaticamente se realizou sob a responsabilidade do titular da Delegacia da Receita Federal, figura de administrador público cuja identidade goza da presunção de conhecimento público, posto que sua nomeação se deu por Portaria SRF publicada no Diário Oficial da União. Ademais, o referido servidor, no caso presente, é AFRF com competência legal para efetuar lançamento tributário. Penso, salvo melhor juízo, que um vício formal dessa natureza, que comprovadamente nenhum prejuízo causou à possibilidade de defesa do contribuinte, em hipótese alguma pode justificar a nulidade de todo o processo, decisão que implicaria anulação de milhares de processos, que por dever funcional deverão ser todos refeitas, causando enorme despesa aos cofres públicos e também diretamente aos contribuintes renotificados, infringindo frontalmente o princípio da economia processual e impondo ao erário e aos interessados despesas, a meu ver, desnecessárias, tão somente para que se explicite na nova notificação o nome do Delegado (AFRF) e seu respectivo n° de matrícula, que ,como já se disse, são dados que gozam da presunção do conhecimento público. Proponho que se rejeite essa preliminar. Há mais outra questão preliminar levantada pelo recorrente que alega ilegitimidade passiva. O recorrente invoca a nulidade do lançamento por erro de identificação do sujeito passivo, alegando encontrar-se a propriedade rural sob a posse de uma tribo indígena. De acordo com os documentos trazidos aos autos, não há ainda decisão judicial transitada em julgado quanto ao direito de propriedade ou posse. Ocorre que a decisão judicial noticiada é tão-somente um indeferimento de pedido liminar de reintegração de posse. Dos termos do pronunciamento de indeferimento da liminar pleiteada, de fls. 09/17, extrai-se à fl. 13 que a pretensão dos autores do pedido poderá ser satisfeita se, e somente se, as áreas mencionadas na petição inicial não ficarem caracterizadas como terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. O litígio está em andamento, e apesar da posse estar com os silvícolas, o título de propriedade é do impugnante, e por esta razão deve ser ele considerado o contribuinte do ITR, consoante o art. 31 do CTN. Na Justiça Federal o interessado está discutindo o seu direito de posse sobre a sua propriedade (sob ocupação indígena), e ao mesmo tempo, pretende administrativamente ser dispensado da tributação sobre essa área. Por um lado, persiste no litígio na busca de reconhecimento ao seu direito de propriedade por meio de ação que visa a reintegração de posse, e de outro lado pretende eximir-se da responsabilidade pelo recolhimento do ITR. As posturas são contraditórias. Foi o recorrente quem cadastrou a propriedade perante o INCRA e posteriormente junto à SRF. O proprietário do imóvel é contribuinte do ITR, e até o jt)t MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.858 ACÓRDÃO N° : 303-30.667 trânsito em julgado da questão referente à ocupação indígena continua, a meu ver, sendo responsável pelo recolhimento do tributo. Entretanto, posta em votação a preliminar acima descrita, tomou-se vencida a posição defendida por este Conselheiro Relator, tendo sido designado um novo Relator para formular o voto vencedor que reconhece a dependência da legitimidade da cobrança do ITR em função da decisão judicial transitada em julgado. Tendo a Câmara decidido, por maioria, não conhecer do recurso por sua dependência de decisão judicial. Sala das Sessões, em 15 abril de 2003 O ir,..,‘,,,,,.Z eb 0113MAN - Conselheiro e II . . ... , '4 4. INM ISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,-,•:'> TERCEIRA CÂMARA.. ' Processo n°: 10820.000953/98-91 Recurso n.°:.123.858 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador • Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência da Acórdão n° 303.30.667. Brasília- DF 19 de maio de 2003 16,./(1 iJoão anda Costa Preside e da Terceira Câmara 1111 Cie e em: â0 . 5 ,201. e , "trintFN 61t1fr, ti 3 Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.009275/97-32
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2003
Ementa: RECURSO DE OFÍCIO – PROVIMENTO PARCIAL QUANTO À APLICAÇÃO DA DECADÊNCIA – MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NA PARTE EM QUE ANALISOU O MÉRITO.
O prazo decadencial, estipulado pelo art. 150, par. 4º do CTN, somente passou a ser aplicado ao Imposto de Renda com o advento da Lei n.º 8.383/91, motivo pelo qual, nesta parte, o v. acórdão da DRJ-Rio de Janeiro merece ser alterado.
RECURSO DE OFÍCIO – ARBITRAMENTO DO LUCRO – REQUISTOS LEGAIS. Não é de ser provido o Recurso de Ofício, em relação à parte do v. acórdão da DRJ-Rio de Janeiro que muito bem aplicou a legislação do Imposto de Renda, no que se refere ao arbitramento. Este deve recair sobre a receita bruta e não sobre a receita operacional. Também, a majoração em 20% do coeficiente não é aceito, seja porque o caso em tela não se submete à hipótese, seja porque tal majoração afronta a idéia de legalidade. Enfim, o arbitramento deve restringir-se ao período, no caso, semestre, cuja escrituração não foi apresentada.
Numero da decisão: 107-07.114
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para afastar a decadência em relação ao exercício de 1992, ano calendário de 1991, e nos meses janeiro a março de 1992; e determinar a remessa do processo à Primeira Instância para exame do mérito.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Octávio Campos Fischer
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ementa_s : RECURSO DE OFÍCIO – PROVIMENTO PARCIAL QUANTO À APLICAÇÃO DA DECADÊNCIA – MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NA PARTE EM QUE ANALISOU O MÉRITO. O prazo decadencial, estipulado pelo art. 150, par. 4º do CTN, somente passou a ser aplicado ao Imposto de Renda com o advento da Lei n.º 8.383/91, motivo pelo qual, nesta parte, o v. acórdão da DRJ-Rio de Janeiro merece ser alterado. RECURSO DE OFÍCIO – ARBITRAMENTO DO LUCRO – REQUISTOS LEGAIS. Não é de ser provido o Recurso de Ofício, em relação à parte do v. acórdão da DRJ-Rio de Janeiro que muito bem aplicou a legislação do Imposto de Renda, no que se refere ao arbitramento. Este deve recair sobre a receita bruta e não sobre a receita operacional. Também, a majoração em 20% do coeficiente não é aceito, seja porque o caso em tela não se submete à hipótese, seja porque tal majoração afronta a idéia de legalidade. Enfim, o arbitramento deve restringir-se ao período, no caso, semestre, cuja escrituração não foi apresentada.
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- ,31.:a.--,Ér> SÉTIMA CÂMARA mrea-6 Processo n.° : 10768.009275/97-32 Recurso n.° : 134.320- EX OFF/C/O Matéria : IRPJ E OUTROS. EXS.: 1992 e 1993 Interessado : CHUGOKU DO BRASIL LTDA Recorrente : 6° TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Sessão de : 17 DE ABRIL DE 2003 Acórdão n.° : 107-07.114 RECURSO DE OFICIO — PROVIMENTO PARCIAL QUANTO À APLICAÇÃO DA DECADÊNCIA — MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NA PARTE EM QUE ANALISOU O MÉRITO. O prazo decadencial, estipulado pelo art. 150, par. 4° do CTN, somente passou a ser aplicado ao Imposto de Renda com o advento da Lei n.° 8.383/91, motivo pelo qual, nesta parte, o v. acórdão da DRJ-Rio de Janeiro merece ser alterado. RECURSO DE OFICIO — ARBITRAMENTO DO LUCRO — REQUISTOS LEGAIS. Não é de ser provido o Recurso de Ofício, em relação à parte do v. acórdão da DRJ-Rio de Janeiro que muito bem aplicou a legislação do Imposto de Renda, no que se refere ao arbitramento. Este deve recair sobre a receita bruta e não sobre a receita operacional. Também, a majoração em 20% do coeficiente não é aceito, seja porque o caso em tela não se submete à hipótese, seja porque tal majoração afronta a idéia de legalidade. Enfim, o arbitramento deve restringir-se ao período, no caso, semestre, cuja escrituração não foi apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela SEXTA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO/RJ I ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para afastar a decadência em relação ao exercício de 1992, ano calendário de 1991, e nos meses de janeiro a março de 1992; e determinar a remessa do processo à Primeira Instância para exame do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. //0 — e S PRE ' OCTÁVIO CAMPOS frISCHER RELATOR , Processo n° : 10768.009275/97-32 Acórdão n° : 107-07.114 FORMALIZADO EM: 1 6 M A1 2003 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LUIZ MARTINS VALERO, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, EDWAL GONÇALVES DOS SANTOS, NEICYR DE ALMEIDA e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. if"Ausente, justificadamenteio conselheiro NATANAEL MARTINS. i 1i 2 6) , Processo n° : 10768.009275/97-32 Acórdão n° : 107-07.114 Recurso n.° : 134.320 Interessada : 6° TURMNDRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I RELATÓRIO Trata-se de Recurso de Ofício de decisão da 6° Turma/DRJ-Rio de Janeiro que reformou, parcialmente, o lançamento efetuado contra a Recon-ida em 09.04.97, pelo não pagamento de IRPJ e reflexos durante os exercícios de 1992 e 1993. Note-se que não há noticia, nos autos, de interposição de Recurso Voluntário por parte da Recorida. As infrações verificadas pelo Autuante decorrem de: 1 Glosa de valor de aluguel de imóveis residenciais não necessários à atividade da empresa, no ano calendário de 1991. Enquadramento legal: artigos 157 e parágrafo 1°, 191, 192 e 387, inciso Ido RIR/80; 2 Glosa de valor de empréstimo compulsório da Eletrobrás indevidamente contabilizado a débito de despesas operacionais, no ano calendário de 1991. Enquadramento legal: artigos 191, 192, 193 e par. 1° e 2° e 387, inciso I do RIRMO; 3 Glosa de despesa de depreciação apropriada no ano-base, uma vez que a Empresa não possui controles individualizados dos bens, no ano calendário de 1991. Enquadramento legal: artigos 157 e parágrafo 1°, 191 e parágrafos, 192, 201, 202 e parágrafo 4° e 3877 inciso I do RIR/80; 3 Processo n° : 10768.009275/97-32 Acórdão n° : 107-07.114 4 Glosa de despesas de amortização apropriadas no período-base, uma vez que a empresa não comprova os valores contabilizados, no ano calendário de 1991. Enquadramento legal: artigos 157 e parágrafo 1°, 191 e parágrafos, 208 e parágrafo 2°, 209 e 387, inciso I do RIR/80; 5 Valor referente à omissão de variação monetária sobre empréstimos compulsórios da Eletrobrás, os quais não foram contabilizados no Ativos Circulante ou Permanente, no ano calendário de 1991. Enquadramento legal: artigos 157 e parágrafo 1°, 175, 254, inciso 1 e parágrafo único e 387, inciso II do RIR/80; Além disto, o Autuante arbitrou o lucro referente a todos os meses de 1992, pois contribuinte sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração relativa ao primeiro semestre de 1992 na forma das leis comerciais e fiscais, fato este por ele declarado conforme resposta aos termos de intimação lavrados.... A tributação com base no Lucro Arbitrado se faz em todos os meses do ano calendário, uma vez que, na impossibilidade de comprovação dos resultados referentes ao primeiro semestre de 1992, deixa de existir a opção de apuração semestral. A receita mensal utilizada como base para arbitramento foi obtida no quadro 06 do anexo 4 (itens 01 a 12 — receita operacional bruta) da declaração de rendimentos apresentada." (fls. 05). Para tanto, o enquadramento legal recaiu sobre o artigo 399, inciso I do RIR/80. Em sua Impugnação, a Recorrente argüiu, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração, (a) pois os valores nele constantes não são reais, já que em desacordo com os valores de Termo de Verificação e (b) porque aplicou a Lei n° 8.383/91 (art. 74, "If e inciso II) já no ano de 1991, quando o correto seria a partir de 1992, pois, até 31 de dezembro de 1991, era permitido o lançamento de despes, 4 Processo n° : 10768.009275/97-32 Acórdão n° : 107-07.114 dedutiveis de aluguel de imóveis locados em nome da empresa para moradia de Diretores, Gerentes, etc. No mérito, que, por ocasião da realização da fiscalização, a Recorrente estava com a sua atividade paralisada, encontrando-se "...reduzida a um número de apenas três pessoas, ou seja, um Diretor, um Assistente administrativo e um mensageiro, isto é três pessoas totalmente alheias a uma rotina." (fls. 93) Assim, para atender às exigências da fiscalização, teria sido necessário recorrer ao auxilio de um contador externo. Todavia, a Recorrente, por infelicidade, veio "...a saber que o seu contador externo não conseguiu atender a contento o i. Fiscal, o que certamente não significava que a contabilidade da lmpugnante não estivesse corretamente escriturada, culminando por leva-la a um auto de infração de tal monta,..., que chega a ser estarrecedor..." (fls. 94). Especificamente, a Recorrente desenvolve argumentos contra todas as questões apuradas pelo Autuante, seja em relação à glosa das deduções e lançamentos, seja em relação ao arbitramento. A DRJ, por sua vez, decidiu que, de um lado, os lançamentos relativos ao ano-calendário de 1991 e aos períodos-base de janeiro a março de 1992 (visto que a ciência do lançamento ocorreu em 09.04.97) foram atingidos pela decadência, ex vi art. 150, par. 4° do CTN. De outro, após rejeitadas as preliminares e outros argumentos da Recorrida, decidiu que, apesar de corretamente motivado, o arbitramento não foi realizado, totalmente, de acordo com as prescrições do ordenamento jurídico. Primeiro, porque ....a base de cálculo utilizada pelo autuante foi a receita operacional informada como base de cálculo do PIS/Pasep..., contrariando? 5 Processo n° : 10768.009275/97-32 Acórdão n° : 107-07.114 art. 400 do RIR/80, que determina que o lucro arbitrado será fixado em percentual da receita bruta, e não receita operacional? (fls. 283). I Também, não caberia, no caso, o agravamento em 20% (de 15% para 18%), pois isto somente é válido "... em caso de o contribuinte ter seu lucro 1 arbitrado em mais de um exercício dentro do mesmo qüinqüênio, o que não vem a ser Ino presente caso? Por fim, "Outro aspecto a se observar é o fato de o autuante haver estendido o arbitramento ao segundo semestre de 1992, por entender que, na impossibilidade de comprovação dos resultados do primeiro semestre, deixaria de existir a opção de apuração semestral. Entretanto, tal entendimento não tem sustentação legal, motivo pelo qual entendo que o arbitramento do lucro deve se restringir ao período cuja escrituração não foi apresentada? (fls. 284). Com base nestas considerações, a 6° Turma da DRJ/Rio de Janeiro retificou o lançamento do IRPJ e reflexos (CSSL e IRRF), passando o crédito tributário total (principal mais multa de 75%, sem considerar os juros de mora) a ser de R$ 304.192,04 (trezentos e quatro mil, cento e noventa e dois reais e quatro centavos). Após os trâmites legais, com a remessa do Recurso de Ofício, o processo foi distribuído. 2É o Relatório1 6 (0) — - Processo n° : 10768.009275/97-32 Acórdão n° : 107-07.114 VOTO Conselheiro OCTÁVIO CAMPOS FISCHER, Relator. A presente questão deve ser analisada em duas partes. Primeiro, no que se refere à decadência, aplicada pela DRJ. Apesar de entendimentos desse e. Conselho de Contribuintes, que indicariam a manutenção a favor da incidência do prazo decadencial l , a jurisprudência consolidada indica que, somente com a Lei n.° 8.383/91, o IRPJ passou a ter a sua decadência regulada pelo art. 150, §4° do CTN, de forma que, por este entendimento, no presente caso, não há que se falar em decadência: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - ANO CALENDÁRIO DE 1.992 - A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei 8.383/91, o IRPJ sujeita-se ao lançamento por homologação. Assim sendo, o prazo para efeito da decadência é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador (Recurso Voluntário n° 130550, r Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Rel. Conselheiro Edwal Gonçalves dos Santos). Segundo, em relação ao arbitramento, parece-nos, entretanto, irretocável o v. acórdão a quo. Por exemplo: IBPJ - DECADÊNCIA - TERMO INICIAL DA CONTAGEM DO PRAZO (EX. 1988/1989) - O imposto de renda pessoa jurídica, a partir do DL 1.967182, se submete ao lançamento por homologação, eis que é de iniciativa do contribuinte a atividade de determinar a obrigação tributária, a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Sendo por homologação, o fisco dispõe do prazo de 5 anos a contar do fato gerador para homologá-lo ou promover a novo lançamento tendente complementar o imposto antecipado pelo contribuinte. Como o lançamento foi efetuado em 04/01/94, procede a decadência argüida em relação aos períodos-base encerrados em 30/11188 31/12/88, exercícios de 1988 e1989, respectivamente (Recurso 117854, Rel. Cons. Rodrigues Cabral, l' Câmara do 1° Conselho). 7 - Processo n° : 10768.009275/97-32 Acórdão n° : 107-07.114 Afinal, o arbitramento deve levar em conta a receita bruta e não a receita operacional (art. 400 do RIR/80), não pode aplicar alíquota majorada no presente caso, já que não provado que a Recorrida já teve alguma outra vez o seu lucro arbitrado em mais de um exercício dentro do mesmo qüinqüênio (até porque, quando o art. 400 do RIR/80, confere competência ao Ministro da Fazenda fere o princípio da legalidade2) e, enfim, o arbitramento deve restringir-se ao período, no caso, semestre, cuja escrituração não foi apresentada. Assim, voto pelo provimento parcial do Recurso de Ofício, no sentido reformar o v. acórdão, ora recorrido, na parte em que aplicou a decadência e determinar que o processo seja remetido à instância a quo para análise do mérito, relativamente ao período em que a mesma reconheceu o prazo decadencial. Sala • -; es - DF, em 17 • - abril de 2003. (07 OCTÁVIO CAM S FISCHER 2 AGRAVAMENTO MENSAL DO COEFICIENTE DO ARBITRAMENTO. O principio constitucional da estrita legalidade, recepcionado pelo Código Tributário Nacional no artigo 97, segundo o qual somente a lei pode estabelecer a instituição e a extinção de tributos, bem como a majoração e redução, ressalvados as disposições que menciona, não admite o aumento de tributos através de Portaria Ministeriais, restando ilegal os agravamentos das altquotas do arbitramento do lucro na forma do disposto na Portaria Ministerial n° 22/79. (Recurso Voluntário a° 119606,7' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Rel. Conselheiro Edvial Gonçalves dos Santos). 8 Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.007613/2005-72
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: DECADÊNCIA - GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS -TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de qualquer natureza está sujeito à incidência de imposto de renda na forma de tributação definitiva, cuja apuração deve ser realizada na ocorrência do evento e o recolhimento do respectivo imposto no mês subseqüente. A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amolda-se à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4º do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, quer tenha havido homologação expressa, quer pela homologação tácita, não caracterizado o evidente intuito de fraude, está precluso o direito de a Fazenda Nacional promover o lançamento de ofício para cobrar imposto não recolhido.
CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou no cerceamento dela, sendo improcedente tal alegação quando na fase impugnatória é concedida ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos.
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CAPITULAÇÃO LEGAL - DESCRIÇÃO DOS FATOS - LOCAL DA LAVRATURA - O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS - TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA - O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração.
GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS - Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.
COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO - O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual).
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação emitida divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996.
INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC nº. 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº. 4).
Argüição de decadência acolhida em parte.
Preliminares rejeitadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-22.598
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a argüição de decadência relativamente aos ganhos de capital dos meses de janeiro a novembro de 2000, vencidos os Conselheiros Heloisa Guarita Souza, Gustavo Lian Haddad e Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), que a estendiam aos depósitos bancários, e os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Antonio Lopo Martinez e Maria Helena Cotta Cardozo, que a rejeitavam.
Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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Transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, quer tenha havido homologação expressa, quer pela homologação tácita, não caracterizado o evidente intuito de fraude, está precluso o direito de a Fazenda Nacional promover o lançamento de ofício para cobrar imposto não recolhido. CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou no cerceamento dela, sendo improcedente tal alegação quando na fase impugnatória é concedida ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CAPITULAÇÃO LEGAL - DESCRIÇÃO DOS FATOS - LOCAL DA LAVRATURA - O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS - TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA - O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS - Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO - O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação emitida divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC nº. 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº. 4). Argüição de decadência acolhida em parte. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
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O ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de qualquer natureza está sujeito à incidência de imposto de renda na forma de tributação definitiva, cuja apuração deve ser realizada na ocorrência do evento e o recolhimento do respectivo imposto no mês subseqüente. A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amolda-se à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, quer tenha havido homologação expressa, quer pela homologação tácita, não caracterizado o evidente intuito de fraude, está precluso o direito de a Fazenda Nacional promover o lançamento de oficio para cobrar imposto não recolhido. CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou no cerceamento dela, sendo improcedente tal alegação quando na fase impugnatória é concedida ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CAPITULAÇÃO LEGAL - DESCRIÇÃO DOS FATOS - LOCAL DA LAVRATURA - O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidada do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram Imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões 9,A Iv t i Ii MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS - TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA - O lucro apurado na alienação, a qualquer titulo, de bens ou direitos de qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO A QUALQUER TITULO PARA FINS FISCAIS - Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer titulo, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO - O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ónus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco em resposta à intimação emitida divergentes de dados levantados pela fiscalização, a movimentação bancária desproporcional aos rendimentos declarados, mesmo de forma continuada, bem como a apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte não justificados, independentemente do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n°. 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4). Argüição de decadência acolhida em parte. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VERA LUCIA DA GAMA QUINTELLA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a argüição de decadência relativamente aos ganhos de capital dos meses de janeiro a novembro de 2000, vencidos os Conselheiros Heloisa Guarita Souza, Gustavo Lian Haddad e Renato Coelho Borelli (Suplente 3 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 convocado), que a estendiam aos depósitos bancários, e os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Antonio Lopo Martinez e Maria Helena Cotta Cardozo, que a rejeitavam. Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. dittOtIstIELENA COTTA CARDOZO PRESIDENTE , 7t(N ‘'g . s eft(Cr LAT • • FORMALIZADO EM: 22 OUT 7007 Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente justificadamente o Conselheiro MARCELO NEESER NOGUEIRA REIS. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Recurso n°. : 154.285 Recorrente : VERA LUCIA DA GAMA QUINTELLA RELATÓRIO VERA LUCIA DA GAMA QUINTELLA, contribuinte inscrita no CPF sob o n°. 275.018.687-00, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, na Av. Semambetiba, n°. 6.250 - apto 406 - Bairro Barra da Tijuca, jurisdicionada a Delegacia de Administração Tributária no Rio de Janeiro - RJ, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 1345/1365, prolatada pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, recorre, a este Primeiro Conselho de Contribuintes, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1378/1470. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 30/11/05, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1193/1218), com ciência através de AR em 05/12/05, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.192.785,35 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto de renda pessoa física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% para a omissão de ganhos de capital e da multa qualificada de 150% para a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2001 a 2005, correspondente, respectivamente, aos anos-calendário de 2000 a 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 - OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS: Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação 5 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 dos apartamentos 202, 302 e 304, situados na rua Clóvis Salgado, n°. 150, conforme detalhado no Relatório de Descrição dos Fatos, às fls. 1220 a 1243, parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos artigos 1°, 2°, 3° e §§, 16, 18 a 22, da Lei n°. 7.713, de 1988; artigos 10 e 2°, da lei n°. 8.134, de 1990; artigos 7°, 21 e 22, da Lei n°. 8.981, de 1995; artigos 17 da Lei n°. 9.249, de 1995; artigos 22 e 23, da Lei n°. 9.250, de 1995 e artigo 96, § 2°, da Lei n°. 8.383, de 1991. 2 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados nas contas de n°. 35.6331.10, do BANKBOSTON; n°. 11.464-2, do Banco do Brasil; n°. 2.287.176.5, do Banco BCN; e n°. 94.9233-1, do Banco SANTANDER, em relação aos quais a contribuinte regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil, idônea e coincidente em data e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme detalhado no Relatório de Descrição dos Fatos, às fls. 1220 a 1243, parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada no artigo 42 e seus parágrafos, da Lei n°. 9.430, de 1996; artigo 4° da Lei n°. 9.481, de 1997; artigo 1° da Lei n°. 9.887, de 1999 e artigo 1° da Lei n°. 10.451, de 2002. Os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela • constituição do crédito tributário esclarecem, ainda, através do Relatório de Descrição dos Fatos de fls. 1220/1243, entre outros, os seguintes aspectos: - que tendo em vista o não atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, datado de 03/09/04, e a realização de gastos, por parte da contribuinte, de valor superior à renda disponível, fato que para o ano-calendário de 1999 resultou na já mencionada apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, foi obtida a Requisição de Movimentação Financeira - RMF; - que visando à apuração de possível omissão de rendimentos, com base nos extratos obtidos, relativamente a créditos/depósitos de origem não identificada, nos 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 termos do inciso II, parágrafo 3° do artigo 42 da lei n°. 9.430, de 1996, com as alterações introduzidas pelo artigo 4° da Lei n°. 9.481, de 1997, elaboramos o Termo de Intimação Fiscal n°. 107; - que na data de 20/04/05, no intuito de subsidiar os trabalhos deste Grupo Especial de Fiscalização, foi emitido pela SRRFO7 Oficio n°. 63/2005, às fls. 635, solicitando ao Juizo da 3° Vara Criminal o acesso a Medida Cautelar Penal n°. 2003.51.01.503354-4, com o fim de análise e extração de cópias das partes que apresentassem interesse fiscal, bem como o afastamento do sigilo bancário da contribuinte em beneficio da Secretaria da Receita Federal, também pela via judicial; - que na data de 14/06/05, recebemos o Oficio 0025.001179-9/2005- CART/03VFCR, presente às fls. 686, através do qual o Juizo da 3 8 Vara Criminal deferiu, ante a anuência do Ministério Público Federal, o acesso deste Grupo especial de Fiscalização aos autos da Medida Cautelar n°. 2004.51.01.514188-6, e seus anexos, onde se encontra afastado o sigilo bancário da contribuinte, esclarecendo ainda não haver quaisquer dados relativos à movimentação bancária nos autos da medida Cautelar penal 2003.51.01.503354-4; - que segundo faz referência ao termo de Constatação, Reintimação e Intimação Fiscal n°. 268, às fls. 1130 a 1150, onde a contribuinte faz diversas considerações, porém não são apresentados quaisquer documentos que pudessem modificar o procedimento adotado por este Grupo Especial de Fiscalização para a determinação do custo de aquisição unitário dos imóveis "UNIDADE 202, 302, 303 E 304", SITUADOS NA Rua Clóvis Salgado, n°. 150; - que diante do teor da sentença proferida nos autos do processo 2004.001.029594-6, às fls. 1055 e 1056; a respectiva publicação da mesma em Diário Oficial, às fls. 1058; o teor do parecer do Ministério Público, de fls. 119 a 1121; e a não localização de recurso interposto para a sentença em questão; consideramos a mesmo • 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 como de caráter definitivo, adotando o seguinte procedimento em relação às transferências efetivamente comprovadas, através da apresentação das micro-filmagens de cheques emitidos pelo "de cujus": - que diante de todos os fatos anteriormente mencionados procedemos à elaboração consolidação dos depósitos/créditos encontrados nas contas do BANKBOSTON, Banco do Brasil, Banco BNC, cujos extratos foram obtidos tanto pela via administrativa quanto judicial, e para os quais não foram apresentados esclarecimentos, devidamente acompanhados de documentos hábeis, idóneos e coincidentes em datas e valores e cujos saldos mensais passaram a integrar a base de cálculo do imposto devido; - que os créditos efetuados nas contas n°. 94.9233-1, do Banco Santander, para os quais não foram apresentados quaisquer justificativas, encontram-se consolidados, por mês e ano-calendário, conforme planilha de fls. 1191, e os respectivos saldos mensais em destaque passam a integrar a base de cálculo do imposto, tendo em vista o agravamento de penalidades; - que relativamente à omissão de ganhos de capital apurado na venda das unidades 202, 302 e 304 da rua Clóvis Salgado, n°. 150, em atendimento ao disposto nos artigos 2° e 3°, parágrafo 2°, da Lei n°. 7.713, de 1988, e artigo 21 da Lei n°. 8.981, de 1995, consideramos como valor tributável, a diferença entre o custo de aquisição unitário determinado conforme o Termo de Constatação, reintimação e Intimação Fiscal n°. 268 e os valores de venda obtidos nas escrituras; - que os fatos geradores foram considerados como ocorridos na data de lavratura das mencionadas escrituras, respectivamente, em 06/01/00 e 19/05100, por se tratarem de vendas à vista. Os valores tributáveis foram então transpostos para fls. 1195 e o imposto devido calculado conforme demonstrativo de fls. 1202; 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 - que tendo em vista o caráter "pro-solvendo" das notas promissórias emitidas por ocasião da lavratura da escritura de "promessa de Compra e Venda" da unidade 304, às fls. 1023 a 1025; e a não apresentação de informações divergentes ao estabelecido na mencionada escritura por parte da contribuinte, conforme fls. 1131; consideramos os fatos geradores como ocorridos nas datas de vencimento das promissórias em questão, calculando-se o valor tributável e o valor do imposto devido, conforme demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital, às fls. 1192, e demonstrativos de fls. 1202 a 1208 do presente auto de infração; - que consideramos os atos praticados pelo sujeito passivo, no que se refere à omissão de rendas no que diz respeito aos depósitos bancários, configurando a pratica da sonegação fiscal, definida nos artigos 71 e 72 da lei n°. 4.502, de 1964, aplicamos a multa qualificada de 150%; - que relativamente aos créditos/depósitos efetuados na conta mantida junto ao Banco Santander, para os quais não foram apresentados quaisquer esclarecimentos, agravamos as penalidades ora determinadas nos termos do artigo 44, parágrafo 2°, da Lei n°. 9.430, de 1996. Em sua peça impugnatória de fls. 1253/1331, instruido pelos documentos de fls. 1332/1336, apresentada, tempestivamente, em 28/12/05, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida a impugnação para tomar insubsistente o auto de infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que não pode haver dúvida de que, atualmente, é impossível fazer justiça administrativa sem obediência, em todos seus atos, aos princípios constitucionalmente consagrados, que repelem, assim, os denominados atos inquisitórios ao alvedrio do contribuinte; 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 - que a autuação em questão, lavrada em 30/11/05, não observou o fenômeno da decadência, logo, afastou-se de jurisprudência do Conselho de Contribuintes; - que com a edição da Lei n°. 7.713, de 1988, e legislação superveniente, entre outras, as Leis n°s 8.134, de 1990 e 8.383, de 1991, o Imposto de Renda das Pessoas Físicas passou a ser devido mensalmente; - que a Declaração de Ajuste Anual das Pessoas Físicas, constituiu-se em simples instrumento de acerto de contas a fim de apurar eventuais saldos de imposto a pagar ou valores a restituir e não se presta e nem pode ser utilizada como base para o lançamento e a constituição do crédito tributário pelo regime de declaração conforme preconizado no art. 147 do Código Tributário; - que a omissão de rendimentos apurada em procedimento fiscal, com a lavratura de auto de infração, deve, ser imputada nos meses de sua incorrência e reportar- se a data da ocorrência do fato gerador na forma do disposto no art. 144 do CTN. Portanto, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador da obrigação tributária, ex-vi do disposto no § 4° do art. 150 do CTN; - que desta forma, argúi-se, desde já, a ocorrência da decadência, uma vez que precluiu o direito da Fazenda efetuar os lançamentos mencionados, no período de 01 de janeiro a 30 de outubro de 2000, devendo os mesmos serem expungidos do presente lançamento; - que, quanto à impossibilidade de tributação com base exclusivamente em depósitos bancários, tem-se que inobstantes todas as flagrantes nulidades já declinadas anteriormente, a fiscalização se baseou em projeção de extrato bancário do contribuinte, em mais um flagrante equivoco na apuração do aludido débito tributário, face da nulidade absoluta dos elementos tomados como geradores de crédito, em favor da Fazenda 10 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Nacional, eis que os valores depositados ou que circularam na conta do contribuinte não são, necessariamente, fonte de recebimento de recursos tributários; - que a chamada omissão de receita decorrente de movimentação bancária sempre foi examinada com bastante cautela: porque deduzir de meros depósitos bancários - cujas origens podem ser mais variadas - não significa dizer que houve aumento de renda, ganho real de capital, ou sejam, que uma pessoa teve rendimentos, cuja existência omitiu, sendo a toda evidência, mera presunção; - que é evidente que o fato de ter o contribuinte depósitos em sua conta- corrente poderia ad argumentandum dar ensejo à apuração pelo fisco, o que não se pode admitir é que tal fato, por si só, seja bastante para constituir o crédito tributário, por se presumir tratar-se de rendimentos sem a efetiva comprovação; - que, outrossim, não pode a administração desconsiderar as informações prestadas pelo contribuinte sob a singela alegação que os valores informados como origem não são rigorosamente os constantes nos depósitos, posto que é factível, como efetivamente ocorreu, que os contribuintes retirem valores a mais de uma conta, depositando em uma segunda conta parte deste valor e ficando em seu poder com o restante; . - que logo o rigorismo exigido pela fiscalização evidencia o intuito da mesma, ou seja, dificultar a comprovação da origem, fazendo incidir pesadas e inconstitucionais multas sob os valores que o contribuinte não possa comprovar em exatos e milimétricos valores, afastando o procedimento adotado do principio da verdade material; - que há muito já se assentou o entendimento que a multa qualificada somente pode ser aplicada quando demonstrada de forma irretorquível a conduta do contribuinte que objetivada ludibriar o fisco; /----1 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 - que ademais a omissão de receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação não representa, por si só, fato relevante para a caracterização de fraude. Conseqüentemente, descabe a exigência da multa qualificada; - que desta forma, resta patente que o lançamento combatido deve ser revista nesta ótica, pois jamais se comprovou qualquer atitude com intuito doloso do contribuinte, com o propósito exclusivo de usufruir vantagem traduzida pela redução do montante do imposto devido na tributação de sua pessoa física, incabível é a aplicação da multa qualificada; - que as multas aplicadas são de 150% e 225%, logo, efetivamente isso não é uma penalidade e sim um arbitrário confisco da propriedade do contribuinte; - que, quanto da impossibilidade de incidência na seara tributária da taxa SELIC, tem-se que a taxa de juros do sistema SELIC é utilizada para remunerar instituições financeiras que emprestam recursos a outras mediante negociação de títulos públicos, e é calculada sobre a diferença do valor pago pelo título e o valor da revenda; - que a Taxa SELIC não se caracteriza como índice de correção monetária porque não reflete a variação do poder aquisitivo da moeda, posto que é calculada sobre os juros cobrados nas operações de overnight, pelas quais há compra e revenda de títulos públicos por instituições financeiras, o que consolida sua natureza remuneratória de capital. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, a Terceira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, decide julgar parcialmente procedente o lançamento mantendo em parte o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado; - que no processo administrativo, o litígio sovem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento; - que antes da impugnação, não há litígio, não há contraditório e o procedimento é lavado a efeito de ofício. O ato do lançamento é privativo da autoridade, e não uma atividade compartilhada com o sujeito passivo; - que embora eu concorde com a contribuinte e entenda que o IRPF é, de fato, tributo cujo lançamento se dá por homologação, situação em que se aplica, em princípio, o disposto no art. 150 do CTN, é importante ressaltar que o § 4° do referido artigo cuidou de excepcionar expressamente os casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação; - que, no presente caso, o lançamento referente ao ajuste anual do ano- calendário de 2000, somente poderia ter sido efetuado após o fim do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual e pagamento do tributo, que se deu em abril de 2001. Portanto, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado seria primeiro de janeiro de 2002; 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 - que assim é que, aplicando-se a regra do art. 173, inc. I, a decadência referente ao ajuste anual do ano-calendário de 2000, ano mais desfavorável ao fisco, ocorreria apenas no encerramento do dia 31/12/06, cinco anos contados do dia 01101102, não sendo aplicável ao lançamento de ofício ora apreciado, formalizado em 05/12/05 (fl. 1246); - que no que se refere ao imposto de renda devido por conta dos ganhos de capital lançados no Auto de Infração, o lançamento da infração com fato gerador em 31/01/00 somente poderia ter sido efetuado após o fim do prazo para o recolhimento do imposto, que se encerrava em fevereiro de 2000. Portanto, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado seria primeiro de janeiro de 2001; - que destarte, de acordo com a regra do art. 173, inc. I, a decadência referente ao ganho de capital com fato gerador em 31/01/00, período mais desfavorável ao fisco, ocorreria apenas no encerramento do dia 31/12/05, cinco anos contados do dia 01/01/01, não sendo aplicável ao lançamento de ofício ora apreciado, formalizado em 05/12/05; - que, quanto à alegação de impossibilidade de tributação com base exclusivamente em depósitos bancários e da inobservância do principio da verdade material, tem-se que o argumento utilizado pela contribuinte de que a jurisprudência judicial e administrativa não aceita o procedimento adotado de simplesmente somar os depósitos e tributar o total não é válido, visto ser inaplicável ao caso ora apreciado o disposto no art. 90 do Decreto-lei n°. 2.471, de 1998, assim como a Súmula n°. 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; - que o legislador estabeleceu, a partir do artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 nome do contribuinte, em instituições financeiras. Ou seja, permitiu que fosse considerada ocorrida omissão de receitas quando o contribuinte não lograsse comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não o vinculando, de forma alguma, à necessidade de demonstrar os sinais exteriores de riqueza requeridos pela Lei n°. 8.021, de 1990. E não se trata de simples presunção humana, mas situação prevista em lei, à qual se vincula a autoridade administrativa; - que assim é que cabe exclusivamente à contribuinte demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso. Dizer, na impugnação, que, de forma genérica, não concorda com o lançamento não basta, pois se houve o tratamento individualizado previsto na Lei. Tampouco cabe à autoridade julgadora arbitrar ou eleger os depósitos que a serem comprovados por origens não especificadas individualizadamente na impugnação; - que, por outro lado, esclareço que a acepção da palavra origem utilizada no artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas principalmente, identificar e comprovar a natureza da operação que deu causa ao crédito; - que isto se fundamenta no fato de que, para ser cumprida a ordem legal prevista no § 2° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, em que, uma vez comprovada a origem do depósito, este será submetido às normas de tributação específicas, é necessário, para a correta tipificação do caso concreto, que a definição de comprovação da origem inclua também a capacidade de se determinar, com certeza absoluta, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física em razão de sua natureza e titularidade. Em outras palavras, a lei determina que, caso comprovada a origem, deve-se verificar se os valores são tributáveis, e sendo tributáveis, se compuseram a base de cálculo do imposto, caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são simplesmente considerados rendimento omitido; 15 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 - que, desta forma, determinada a inversão do ônus da prova contra a contribuinte, é de sua responsabilidade exclusiva comprovar suas alegações, não havendo que se falar em inobservância do princípio da verdade material, se o lançamento foi efetuado com base em presunção prevista em lei; - que no que se refere à multa qualificada, o fato de não haver no processo prova de que a contribuinte, de forma deliberada, tenha adulterado documentos, calçados notas, forjado assinaturas, etc, não quer dizer que não existam outros elementos que, em tese, possam caracterizar a conduta dolosa. Há que se destacar que os conceitos previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n°. 4.502, de 1964 não tratam apenas atos comissivos; incluem também omissões tendentes a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou a reduzir o montante do imposto devido de modo a evitar ou diferir o seu pagamento; - que nesse diapasão, deixar de informar rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual é ato omissivo que leva às conseqüências materiais previstas nos artigos 71 e 72 da lei n°. 4.502, de 1964. E a caracterização do dolo, fica, em tese, demonstrada pelos expressivos valores movimentados à margem da tributação e pela conduta reiterada da contribuinte, que omitiu rendimentos tributáveis referentes há diversos anos-calendário seguidos. É este comportamento que nos leva a concluir que não houve um mero erro que passou desapercebido, sendo inverossímil o eventual argumento de que a contribuinte, com suas qualificações profissionais, não soubesse que, ao deixar de declarar valores expressivos, haveria reflexos no resultado do imposto devido, causando dano ao Erário; - que especificamente quanto à multa de 225%, entendo que não restou comprovado o motivo do agravamento. A contribuinte não deixou de simplesmente atender às intimações. Eis que, às fls. 636, 642, 687, 698, 784, 833, fica demonstrado que, no curso da ação fiscal, a contribuinte informou por diversas vezes que aguardava documentos solicitados ao Banco Santander, e que, por este motivo, não era possível atender às 16 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 solicitações (fls. 784). Assim, não se pode exigir da contribuinte algo que ela não é capaz de atender. Note-se que as respostas da contribuinte já eram suficientes para o lançamento. Se esta alegava não ter condições de atender à intimação, e o que se solicitou foi à comprovação da origem dos valores creditados em suas contas bancárias, não cabe o agravamento, mas tão-somente o lançamento da omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada; - que a exigência de juros de mora com base na taxa Selic significa apenas uma adequação destes juros aos valores de mercado, uma vez que, no sentido de se desindexar a economia, foi abolida a cobrança de correção monetária; - que se acrescente, ainda, que não cabe aos agentes públicos manifestarem-se acerca de questões inerentes à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação, dado o principio da legalidade que vincula a administração. Prevista em lei a aplicação da taxa Selic, à autoridade administrativa cabe tão-somente cumprir a legislação tributária. As ementas que substanciam a decisão de Primeira Inétância são as seguintes: "Assunto:Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: DECADÊNCIA. IRPF. OCORRÊNCIA DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Aplica-se aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos casos de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial prevista no artigo 173 do CTN. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A autoridade administrativa de julgamento é incompetente para examinar aspectos de constitucionalidade e ilegalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. 17 • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa, sendo incabível a argüição da referida nulidade em auto de infração que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alagada infração. NULIDADE. INFORMAÇÕES SOBRE A BASE DE CÁLCULO. Não configura cerceamento do direito de defesa a falta de apontamento, no auto de infração, das bases de cálculo adotadas para a tributação quando elas aparecem informadas e devidamente referenciadas no processo administrativo. Não é obrigatório que constem do corpo do auto de infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. GANHO DE CAPITAL. Se Sujeita ao pagamento do imposto de renda, com tributação em separado, a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema especial de Liquidação e Custódia - SELIC. MULTA QUALIFICADA DE 150%. PRÁTICA REITERADA. A prática de reduzir, indevidamente, de modo reiterado e continuado, a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma ou outro artifício, é forte indício de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada de 150%. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. Incabível a imposição da multa agravada de 225%, prevista no art. 44, § 2°, da Lei n°. 9.430/1996, se não restou comprovado que a contribuinte possuía os documentos solicitados mediante intimação. Lançamento Procedente em Parte." 18 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 21/03/06, conforme Termo constante às fls. 1366/1374, a recorrente interpôs, tempestivamente (20/04/06), o recurso voluntário de fls. 1378/1470, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o Relatório. 19 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. No presente litígio está em discussão, como se pode verificar no Auto de Infração, especificamente na descrição dos fatos e enquadramento legal, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, amparado no art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, bem como omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Da analise dos autos, verifica-se, que no aspecto da omissão de rendimentos em razão da não comprovação da origem dos depósitos, a fiscalização entendeu que a suplicante não logrou comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade. Da mesma forma, entendeu que a contribuinte não elidiu a omissão de ganhos de capital. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes, pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi, em preliminar, a nulidade do auto de infração amparado na tese de cerceamento do direito de defesa e preliminar de decadência relativo ao período de janeiro a outubro de 2000 e, no mérito, tece várias considerações sobre a impossibilidade de se tributar os depósitos bancários. 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Desta forma, a discussão neste colegiado se prende as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada, bem como sobre omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Quanto as preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valer-se de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levando-as aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de Interposição do recurso voluntário. O Decreto n°. 70.235/72, em seu artigo 9 0, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: 21 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 "A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo." Com nova redação dada pelo art. 1° da Lei n°. 8.748/93: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei toma inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vicio na forma, o ato pode invalidar-se. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto n°. 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, demonstração da base de cálculo, descrição confusa dos fatos, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pela suplicante. Verifica-se, através do documento de fls. 1246, que foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendo-lhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das ---? 22 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindo-se desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verifica-se que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verifica-se, ainda, que o Auto de Infração às fls. 1193/1218, identifica por nome e CPF a autuada, esclarece que foi lavrado na DA no Rio de Janeiro - RJ, cuja ciência foi através de AR em 05/12/05, e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de Auditor-Fiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracteriza-se pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmuda-se a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causa-lhe gravame com a aplicação de multa por suposto não-cumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra-se com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referem-se à investigação fiscal propriamente dita, constituindo-se medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tão-somente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tão-somente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. 24 • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Assim, após a impugnação, oportuniza-se ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaura-se o processo, ou seja, configura-se o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Diz o Processo Administrativo Fiscal - Decreto n°. 70.235/72: "Art. 59 - São nulos: I - Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é 25 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevem-se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, tem-se o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o Art. 60 do Decreto n°. 70.235/72, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por fim, faz-se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo especifico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Assim sendo, é de se rejeitar as preliminares de nulidade argüidas pelo suplicante. Neste momento, se faz necessário à análise das preliminares de decadência, já que a recorrente argúi a decadência do direito de constituição do crédito 26 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 tributário relativo ao imposto sobre os ganhos de capital na alienação de bens e direitos, bem como da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, apurado de forma mensal e tributada de forma anual, relativo ao período de janeiro a outubro de 2000, apoiando-se na tese de que a modalidade de lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador é mensal. ANÁLISE DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA RELATIVO AO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA APURADO DE FORMA MENSAL E TRIBUTADO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DEPÓSITOS BANCÁRIOS): Quanto a preliminar de decadência relativo ao período de janeiro a outubro do ano-calendário de 2000, levantada pela suplicante, sob o argumento de que o lançamento de imposto de renda das pessoas físicas é por homologação e mensal, fico com a corrente que entende que a modalidade de lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda de pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador se completa no encerramento do ano-calendário e em assim sendo, o imposto lançado relativo ao exercício de 2001, não se encontrava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (05/12/05), de acordo com a regra contida no artigo 150 1 § 4°, do Código Tributário Nacional. Como se sabe, a decadência é na verdade a falência do direito de ação para proteger-se de uma lesão suportada; ou seja, ocorrida uma lesão de direito, o lesionado passa a ter interesse processual, no sentido de propor ação, para fazer valer seu direito. No entanto, na expectativa de dar alguma estabilidade às relações, a lei determina que o lesionado dispõe de um prazo para buscar a tutela jurisdicional de seu direito. Esgotado o prazo, o Poder Público não mais estará à disposição do lesionado para promover a reparação de seu direito. A decadência significa, pois, uma reação do ordenamento jurídico contra a inércia do credor lesionado. Inércia que consiste em não tomar atitude que lhe 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 incumbe para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de ação, até que ele se perca - é a fluência do prazo decadencial. Deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou completivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores completivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador completivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, tem-se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, como dito anteriormente, é de se observar que a Lei n°. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao /—.--7 28 • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9° e 11 da Lei n°. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, deve-se atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano-calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. Desta forma, após a análise dos autos, tenho para mim, que na data da lavratura do Auto de Infração, não estava extinto o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário relativo ao exercício de 2001, ano-calendário de 2000, já que acompanho a corrente que entende que o lançamento na pessoa física se dá por homologação, cujo marco inicial da contagem do prazo decadencial é 31 de dezembro do ano-calendário em 29 • • • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 que ocorreu o fato gerador do imposto de renda questionado, ou seja, o fisco teria prazo legal até 31/12/05, para formalizar o crédito tributário discutido neste exercício. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constitui-se o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verifica-se, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplica-se o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrando-se as insuficiências ou apurando-se os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. lnexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. 30 • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nade deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo - lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declara-se à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Por decadência entende-se a perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, pelo lançamento. Neste aspecto a legislação de regência diz o seguinte: Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a 31 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." • Depreende-se, desse texto, que o prazo decadencial é único, ou seja, de cinco anos e o tempo final é um só, o da data da notificação regular do lançamento, porém, o termo inicial, ou seja, a data a partir da qual flui a decadência é variável, como se observa abaixo: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, item 1); 11 - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, item II); 32 • . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão ri°. : 104-22.598 III - da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (CTN, art. 173, parágrafo único); IV - da data da ocorrência do fato gerador, nos tributos cujo lançamento normalmente é por homologação (CTN, art. 150, § 4°); V - da data em que o fato se tomou acessível para o fisco, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o lançamento normal do tributo é por homologação (CTN, art. 149, inciso VII e art. 150, § 4°). Pela regra geral (art. 173, I), o termo inicial do lustro decadencial é o 1° dia do exercício seguinte ao exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado (contribuinte omisso na entrega da declaração de rendimentos). O parágrafo único do artigo 173 do CTN altera o termo inicial do prazo para a data em que o sujeito passivo seja notificado de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É claro que esse parágrafo só tem aplicação quando a notificação da medida preparatória é efetivada dentro do 1° exercício em que a autoridade poderia lançar. Já pelo inciso II do citado artigo 173 se cria uma outra regra, segundo a qual o prazo decadencial começa a contar-se da data da decisão que anula o lançamento anterior, por vício de forma. Assim, em síntese, temos que o lançamento só pode ser efetuado dentro de cinco anos, contados de 1° de janeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a menos que nesse dia o prazo já esteja fluindo pela notificação de medida preparatória, ou o lançamento tenha sido, ou venha a ser, anulado por vício formal, hipótese em que o prazo fluirá a partir da data de decisão. re.„.„-------7 33 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Se tratar de revisão de lançamento, ela há de se dar dentro do mesmo qüinqüênio, por força da norma inscrita no parágrafo único do artigo 149. É inconteste que o Código Tributário Nacional e a lei ordinária asseguram à Fazenda Nacional o prazo de cinco (cinco) anos para constituir o crédito tributado. Como se vê a decadência do direito de lançar se dá, pois, com o transcurso do prazo de cinco anos contados do termo inicial que o caso concreto recomendar. Há tributos e contribuições cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O pagamento se diz, então, antecipado e a autoridade o homologará expressamente ou tacitamente, pelo decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Assim, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos, da regra geral (art. 173 do CTN), já não mais dependem de uma carência inicial para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. Ora, próprio CTN fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do CTN, que o prazo qüinqüenal teria início a partir "do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser 34 • • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 compulsadas e, com base nelas, preparando o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de Investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. É o que está expresso no § 4°, do artigo 150, do CTN. Nesta ordem, refuto, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (...) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de 35 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN". Faz-se necessário lembrar que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha à fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a• compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. Assim, não tenho dúvidas de que a base de cálculo da declaração de rendimentos de pessoa física abrange todos os rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. O tributo oriundo de imposto de renda pessoa física, a partir do ano- calendário de 1990, se encaixa na regra do art. 150 do CTN, onde a própria legislação aplicável (Lei n°. 8.134/90) atribui aos contribuintes o dever, quando for o caso, da declaração anual, onde os recolhimentos mensais do imposto constituem meras 36 • • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 antecipações por conta da obrigação tributária definitiva, que ocorre no dia 31 de dezembro do ano-base, quando se completa o suporte tático da incidência tributária. É da essência do instituto da decadência a existência de um direito não exercitado pela inércia do titular desse direito, num período de tempo determinado, cuja conseqüência é a extinção desse direito. Em assim sendo, estava correto, na data da lavratura do auto de infração, a Fazenda Nacional constituir crédito tributário com base em imposto de renda pessoa física, relativo ao ano-calendário de 2000. O prazo qüinqüenal para que o fisco promovesse o lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 2000, começou, então, a fluir em 31/12/00, exaurindo-se em 31/12/05, tendo tomado ciência do lançamento, em 05/12/05, conforme consta às fls. 1246, não estava, na data da ciência, decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a este exercício. Assim, é de se rejeitar a preliminar de decadência referente ao imposto de renda pessoa física apurado através de depósitos bancários, relativo ao exercício de 2001, correspondente ao ano-calendário de 2000. ANÁLISE DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA SOBRE IMPOSTOS COM TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA - GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. Como foi visto na análise anterior, a decadência do direito de lançar se dá, pois, com o transcurso do prazo de cinco anos contados do termo inicial que o caso concreto recomendar. Há tributos e contribuições cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O pagamento se diz, então, 37 • • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 antecipado e a autoridade o homologará expressamente ou tacitamente, pelo decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Após as considerações expostas no item anterior, ainda, se faz necessário tecer alguns comentários quanto à matéria especifica deste processo, qual seja: decadência do direito de lançar o imposto de renda apurado em razão de ganhos de capital na alienação de bens ou direitos (alienação de imóveis). Diz o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26/03/1999: "Art. 117 - Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Titulo à pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Leis n's 7.713, art. 30, § 2°, e Lei n°. 8.981, de 1995, art. 21). § 1° O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, ao ganho de capital auferido em operações com ouro não considerado ativo financeiro (Lei n°. 7.766, de 1989, art. 13, parágrafo único). § 2° Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Leis n°s 8.134, de 1990, art. 18, § 2°, e Lei n°. 8.981, de 1995, art. 21, § 2°)." Do texto legal, acima transcrito, conclui-se que o imposto sobre os ganhos de capital está sujeito à tributação definitiva no mês em que for apurado, cabendo a pessoa física que auferir ganhos de capital apurar recolher de forma definitiva o respectivo imposto de renda no mês da ocorrência do fato gerador (alienação). De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o 38 , • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. É o que está expresso no § 40, do artigo 150, do CTN. Ora, próprio CTN fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da Administração Tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do CTN, que o prazo qüinqüenal teria início a partir "do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, preparando o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. Não me restam dúvidas, de que o imposto oriundo de ganhos de capital na alienação de bens e direitos se encaixa nesta regra, onde a própria legislação aplicável atribui aos remetentes o dever, quando for o caso, de calcular e recolher os impostos, sem prévio exame da autoridade administrativa, ou seja, eles não devem aguardar o pronunciamento da administração para saber da existência, ou não, da obrigação tributária, pois esta já está delimitada e prefixada na lei, que impõe ao sujeito passivo o dever do recolhimento do imposto em questão. Da mesma forma, o Código Tributário Nacional, como norma complementar à Constituição, é o diploma legal que detém legitimidade para fixar o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários pelo Fisco. lnexistindo regra específica, no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de evidente intuito de fraude (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do CTN, tendo em vista que nenhuma relação jurídico-tributária poderá protelar-se indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. 39 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Como, também, refuto o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estada no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. É da essência do instituto da decadência a existência de um direito não exercitado pela inércia do titular desse direito, num período de tempo determinado, cuja conseqüência é a extinção desse direito. Decorrido o prazo de decadência desaparece a obrigação tributária, ou seja, a Fazenda Pública perde o direito de constituir o crédito tributário, ficando o sujeito passivo liberado com relação a esta obrigação tributária. • Não há dúvidas de que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de qualquer natureza está sujeito à incidência de imposto de renda na forma de tributação definitiva, cuja apuração deve ser realizada na ocorrência da alienação e o recolhimento do respectivo imposto no mês subseqüente, razão pela qual têm característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amolda-se à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial à data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de evidente intuito de fraude, onde a contagem do prazo decadencial fica na regra geral, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, quer tenha havido homologação expressa, quer pela homologação tácita, não caracterizada o evidente intuito 40 • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 de fraude, está precluso o direito da Fazenda Nacional de promover o lançamento de oficio para cobrar imposto não recolhido. É inconteste que, no caso em questão, o início da contagem do prazo decadencial começou nas datas dos fatos geradores, ou seja, 31 de janeiro de 2000. Logo, a contagem do prazo decadencial inicia-se em 01 de fevereiro de 2000, encerrando-se no último dia do mês de fevereiro de 2005 e assim sucessivamente até 30 de novembro de 2005. Tendo sido o auto de infração cientificado em 05 de dezembro de 2005, já se operou a decadência, relativo aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2000. Assim sendo, acolho a preliminar de decadência relativo ao imposto lançado sobre os ganhos de capital apurado nas alienações de bens imóveis, relativo aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2000. Quanto à discussão em tomo do ganho de capital é de se observar, que da análise da legislação de regência verifica-se que embora a Lei Civil condicione a eficácia da operação de transmissão de bem imóvel à existência de escritura pública e à sua inscrição no Registro de Imóveis, para ter plena validade perante terceiros, para a Legislação Tributária ocorre alienação e aquisição em qualquer operação que importe em transmissão ou promessa de transmissão de imóveis, a qualquer título, ou na cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, ainda que efetuada por meio de instrumento particular não inscrito em registro público, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos à aquisição de imóveis, etc. Esses dispositivos não são conflitantes, pois cada um deles tem finalidade legal específica, gerando direitos e deveres em seus respectivos campos, sem prejudicar um ao outro. Verifica-se também que em regra geral, o valor da transmissão é o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; nas operações em que o valor não 41 • • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 se expressar em dinheiro, o valor da transmissão será arbitrado segundo o valor de mercado. Verifica-se, ainda, que se utiliza o valor que serviu de base para o lançamento do imposto de transmissão, como valor referencial de aquisição, nos seguintes casos: doação, adiantamento da legitima, herança ou legado, dissolução de sociedade conjugal, usucapião extraordinário, revogação de doação, etc. A própria legislação vigente na época do fato gerado (§ 3° do artigo 3° da Lei n°. 7.713/88) define, com clareza, que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação a qualquer título de bens ou direitos. Não restam dúvidas nesta Câmara, que dado à abrangência do conceito de alienação, quando há uma operação, a qual, por importar em transmissão de imóvel se situa dentro da hipótese de incidência do imposto, podendo gerar ganho de capital, em caso positivo, será tributado na forma da Lei. Indiscutivelmente, para serem considerados custos e entrarem no cálculo do ganho de capital, é indispensável que os dispêndios se revistam, cumulativamente, das seguintes condições (a) que possam ser classificados como benfeitorias; (b) que as benfeitorias e seus custos sejam incluídos na declaração de bens no ano-calendário da aplicação; (c) que sejam comprováveis, se a comprovação for exigida pela autoridade lançadora. Ora, tanto o processo quanto a decisão administrativa, no particular, ambos devem primar pela objetividade factual impedidos, liminarmente, que estão, de trilhar a irracionalidade. Assim, pretender-se, como pretendido pela recorrente, desconhecer de provas documentais, é olvidar a realidade, mediante agressão à objetividade material que fundamentou o lançamento. Desta forma, a ausência de elementos factuais que possam elidir a • totalidade da exigência fiscal persiste nesta fase recursal, pois a recorrente insiste em /--‘7 42 • • • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 contestar os valores do lançamento sob argumentos não amparados em lei, incapazes de dar consistência a sua pretensão de ver excluído a totalidade do crédito tributário constituído. Quanto ao mérito propriamente dito (tributação sobre os depósitos bancários de origem não comprovada) a suplicante, através de sua peça recursal, solicita o provimento ao seu recurso alegando, em síntese, que é totalmente descabida a pretensão fiscal de impor tributo com base na totalidade dos depósitos, bem como a falta de previsão legal para embasar lançamentos tendo por base tributável depósitos bancários, já que no seu entender a movimentação financeira somente pode ser utilizada para o cômputo da base de cálculo do IR quando aliada a sinais exteriores de riqueza, e no caso em questão, pela inexistência de indícios de acréscimo patrimonial, o fisco não poderia ter utilizado a movimentação financeira como meio de arbitramento do imposto, por total inexistência do respectivo fato imponível. Ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do inciso XXI, do artigo 88, da Lei n°. 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5° do artigo 6°, da Lei n°. 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do Decreto-lei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancários, não há como se falar em Lei n°. 8.021, de 1990, ou Decreto-lei n° 2.471, de 1988, já que os mesmos não produzem mais seus efeitos legais. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, 43 • • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se "omissão de rendimentos" fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, insito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de /---a-r 44 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probalidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar os argumentos do recorrente, já que o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 45 . . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 § 1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira?. Lei n°. 9.481. de 13 de agosto de 1997: "Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente." Lei n°. 10.637. de 30 de dezembro de 2002: "Art. 58. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 6°: "Art. 42. (...). § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. .----- 46 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares."." Instrução Normativa SRF n°. 246, 20 de novembro de 2002: Dispõe sobre a tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Art. 1° Considera-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. § 1° Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 2° Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Art. 2° Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Art. 3° Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualizadamente. § 1° Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o .valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do ano- calendário. 47 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 § 2° Os créditos decorrentes de transferência entre contas de mesmo titular não serão considerados para efeito de determinação dos rendimentos omitidos." Da interpretação dos dispositivos legais acima transcritos podemos afirmar que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, onde devem ser observados os seguintes critérios/formalidades: I - não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II - os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); III - nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV - todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada; V - no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela 48 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 quantidade de titulares, sendo que todos os titulares deverão ser intimados para prestarem esclarecimentos; VI - quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento; VII - os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de ofício, na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Pode-se concluir, ainda, que: I - na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no ano-calendário; II - caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III - na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do ano-calendário, a oitenta mil reais; -----7 49 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 IV - na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas especificas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V - na hipótese de créditos não comprovados que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano- calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas especificas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; VI - os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especifica previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos; VII - para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos 50 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Faz-se necessário mencionar, que a presunção criada pela Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Como se vê, o legislador estabeleceu, a partir desta legislação, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras. Ou seja, permitiu que fosse considerada ocorrida omissão de receitas quando o contribuinte não lograsse comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não o vinculando, de forma alguma, à necessidade de demonstrar os sinais exteriores de riqueza requeridos pela Lei n°. 8.021, de 1990. E não se trata de simples presunção humana, mas situação prevista em lei, à qual se vincula a autoridade administrativa. Assim, é que cabe exclusivamente ao contribuinte demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso Dizer, na impugnação, que, de forma genérica, não concorda com o lançamento não basta, pois se houve o tratamento individualizado previsto na Lei. Tampouco cabe à 51 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 autoridade julgadora arbitrar ou eleger os depósitos que a serem comprovados por origens não especificadas individualizadamente na sua defesa. Por outro lado, se faz necessário esclarecer, que a acepção da palavra origem utilizada no artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas principalmente, identificar e comprovar a natureza da operação que deu causa ao crédito. Isto se fundamenta no fato de que, para ser cumprida a ordem legal prevista no § 2° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, em que, uma vez comprovada a origem do depósito, este será submetido às normas de tributação especificas, é necessário, para a correta tipificação do caso concreto, que a definição de comprovação da origem inclua também a capacidade de se determinar, com certeza absoluta, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física em razão de sua natureza e titularidade. Em outras palavras, a lei determina que, caso comprovada a origem, deve-se verificar se os valores são tributáveis, e sendo tributáveis, se fazem parte da base de cálculo do imposto, caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são simplesmente considerados rendimento omitido. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável o que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal "juris tantum". Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, 52 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430/96, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verifica-se que a recorrente, embora intimada a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, pouco esclareceu. Não há dúvidas, que a Lei n°. 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano-calendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3 0, § 4°, da Lei n°. 7.713, de 1988. Ora, no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face de a contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei n°. 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Ademais, à luz da Lei n°. 9.430, de 1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o beneficio que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. 53 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano-calendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que a suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo que neste caso está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão (astreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção "juris tantum" é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de 54 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. cristalino a redação da legislação pertinente ao assunto, ou seja, é transparente que o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese fática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei n°. 8.021, de 1990. Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Como também é de se observar que no âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). 55 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entende-se como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições especificas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil que dispõe: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreende-se que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vê-se que o prOcesso fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ônus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale 56 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Assim, a falta de interesse da contribuinte em agir e suprir as informações através de esclarecimentos e comprovações exigidos pela Autoridade Fiscal agiu esta, no cumprimento de seus deveres funcionais, aplicando a legislação que rege a matéria - Lei n°. 9.430, de 1996, art. 42. Faz-se necessário consignar, que a interessada foi devidamente intimada a comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados / creditados em suas contas corrente, o que não o fez, permitindo, assim, ao Fisco, lançar o crédito tributário aqui discutido, valendo-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos. Nesse sentido, compete a interessada não só alegar, mas também provar, por meio de documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos. Portanto, sem respaldo as alegações da autuada que devidamente intimada a comprovar a origem dos depósitos listados no anexo à intimação não produziu provas no sentido de elidi-las. Como se vê, teve a suplicante, seja na fase fiscalizatória, fase impugnatória ou na fase recursal, oportunidade de exibir documentos que comprovem as alegações apresentadas. Ao se recusar ou se omitir à produção dessa prova, em qualquer fase do processo, a presunção "juris tantum" acima referida, necessariamente, transmuda-se em presunção "jure et de jure", suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Em resumo, na hipótese em litígio, a Fazenda Pública tem a possibilidade de exigir o imposto de renda com base na presunção legal e a prova para infirmar tal presunção há de ser produzida pela contribuinte que é a pessoa interessada para tanto. 57 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Caberia, sim, a suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, ficar argumentando sem a demonstração exata do vínculo existente (origem dos recursos), num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos contratos e documentário das operações, juntamente com a informação dos valores pagos/recebidos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus. Neste processo, em especial, se faz necessário ressaltar, que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiada verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Não tenho dúvidas, que quando se trata de questões preliminares, tais como: nulidade do lançamento, decadência, erro na identificação do sujeito passivo, intempestividade da petição, erro na base de cálculo, aplicação de multa, etc, são passíveis de serem levantadas e apreciadas pela autoridade julgadora independentemente de argumentação das partes litigantes. Faz se necessário esclarecer, que o julgador independe de provocação da parte para examinar a regularidade processual e questões de ordem pública aí compreendido o princípio da estrita legalidade que deve nortear a constituição do crédito tributário. Assim sendo, neste processo, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à multa qualificada aplicada, decorrente do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta 58 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se vê nos autos, a contribuinte foi autuada sob a acusação de omissão de rendimentos. O auto de infração noticia a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada de 150%, sob o frágil argumento de que diante da constatação da significativa movimentação financeira em suas contas bancárias de forma continuada, aliada à não correspondência com os valores dos rendimentos informados em suas Declarações de Ajuste Anual, relativas aos exercícios de 2001 a 2005, correspondentes, respectivamente, aos anos-calendário de 2000 a 2004, vislumbra-se a falta de inclusão nestas declarações, como rendimento, os valores que transitaram a crédito em suas contas- correntes bancárias, o que caracteriza prática reiterada e configura intenção dolosa da contribuinte de omitir informação, ou omitir declaração sobre rendas, para eximir-se de pagamento de tributo. A autoridade lançadora argumenta, ainda, de que a omissão dolosa de rendimentos apurada com base em depósitos bancários em contas-correntes, sem as correspondentes comprovações da origem dos recursos dessas operações, configura a prática de crime contra a ordem tributária, conforme preceituado pelos artigos 1° e 2° da lei n°. 8.137, de 1990, e, por conseqüência, impõe o lançamento de oficio para cobrança do imposto suplementar, com incidência de multa de oficio qualificada, prevista no artigo 957, inciso II, do RIR/99. Constata-se, ainda, que conforme o Auto de Infração, as parcelas tributadas constituem omissão de rendimentos tendo por base valores lançados com base em extratos bancários na vigência da Lei n°9,430, de 1996, sem a justificação da devida origem. Da análise dos autos, verifica-se que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada na constatação de omissão de rendimentos apurados através de depósitos bancários não comprovados, sob o ‘%7 59 . , . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 argumento que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar rendimentos auferidos em sua Declaração de Ajuste Anual valores que transitaram em contas bancárias representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, com habitualidade e em valores expressivos com intuito de reduzir o seu imposto de renda, formando a convicção de que a multa de oficio qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pela contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando rendimentos auferidos e não declarados. Ora, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização ou a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de valores que transitaram em contas bancárias, de titularidade da recorrente, representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, independentemente da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria deixado deliberadamente de informar rendimentos auferidos em sua Declaração de Ajuste Anual valores que transitaram em contas bancárias representativas de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, com habitualidade e em valores expressivos, bem como prestou informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. Assim, não há dúvidas que a qualificação da multa tem origem na falta de comprovação dos depósitos bancários através da apresentação de documentação hábil e idônea. 60 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Ora, com a devida vênia, o máximo que poderia ter acontecido é que sobre os depósitos não comprovados e não informados nas Declarações de Ajuste Anual, deveriam ser constituído o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos (presunção legal), o que a meu ver caracterizam irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa. A aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Deve-se ter sempre, em mente, o princípio de direito de que a "fraude não se presume", devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, sucedâneo do art. 992, II, Regulamento do Imposto de Renda de 1994, que representa a matriz da multa qualificada, reporta-se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultá-la. 61 • , . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a principio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização ou a movimentação habitual de valores expressivos em contas bancárias de titularidade do contribuinte sem a devida declaração no imposto de renda (Declaração de Ajuste Anual), não evidencia o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado pela falta de comprovação de depósitos bancários que autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos, porém por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria a prestação de informações contrárias das que a fiscalização teria levantado, com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável, motivo que poderia no máximo ser um indicativo de que sobre tais rendimentos deveria ser constituído o lançamento e cobrado o crédito tributário respectivo, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. • Nos casos de lançamentos tributários tendo por base a presunção legal de omissão de rendimento, vislumbra-se um lamentável equívoco por parte da autoridade lançadora. Nestes lançamentos, acumulam-se duas premissas: a primeira que os depósitos bancários não justificados deve ser considerados omissão de rendimentos; a segunda que a falta de inclusão dos rendimentos omitidos na Declaração de Ajuste Anual, em razão da habitualidade e expressividade, estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de oficio qualificada, pois, tais infrações não 62 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Este equívoco praticado pelo fisco provoca, em certos casos, um transtorno irreparável ao contribuinte. Como se sabe, toda vez que é aplicada a multa qualificada, além do problema tributário, surge a questão penal tributada, materializada na representação fiscal para fins penais, partindo do pressuposto que a conduta praticada pelo contribuinte tipifica, em tese, um ilícito penal previsto na Lei n°8.137, de 1990. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma simples infração fiscal de omissão de rendimentos, facilmente detectável pela fiscalização, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática claramente identificada, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro ("laranja"), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a titulo gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um rendimento e simplesmente não declará-lo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar'? Claro que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente. intuito de sonegar ou fraudar é evidente que nos casos de 63 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 presunção legal de omissão de rendimentos é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre a omissão de rendimentos, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja, deixou de declarar rendimentos auferidos e não trouxe provas para ilidir a acusação. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos por presunção legal. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratar-se de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor/bem/direito na Declaração de Bens ou Direitos ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. 64 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Já ficou decidido por este Primeiro Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n°. 104-18.698, de 17 de abril de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Justifica-se a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n°8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada." Acórdão n°. 104-18.640, de 19 de março de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°1.041, de 1994? 65 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Acórdão n°. 104-19.055, de 05 de novembro de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994." Acórdão n°. 102-45-584, de 09 de julho de 2002: "MULTA AGRAVADA - INFRAÇÃO QUALIFICADA - APLICABILIDADE - A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizou-se de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n°9.430 de 27 de dezembro de 1996." Acórdão n°. 101-93.919, de 22 de agosto de 2002: "MULTA AGRAVADA - CUSTOS FICTÍCIOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizou-se de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude." 66 • . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Acórdão n°. 104-19.454, de 13 de agosto de 2003: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A dedução indevida de despesa médica/instrução, rendimento recebido de pessoa jurídica não declarados, bem como a falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos, os valores que transitaram a crédito (depósitos) em conta corrente pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove caracteriza, a princípio, falta simples de redução indevida de imposto de renda e omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, já que a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando-se de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude." Acórdão n°. 104-19.534, de 10 de setembro de 2003: • "DOCUMENTOS FISCAIS INIDÕNEOS - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA - SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos -" notas fiscais frias "-, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc..III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n°. 85.450, de 1980? • 67 • , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Acórdão n°. 104-19.386, de 11 de junho de 2003: "MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS - COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n°. 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n°. 106-12.858, de 23 de agosto de 2002: "MULTA DE OFICIO - DECLARAÇÃO INEXATA - A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de ofício, implica em considerá-las inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo." Acórdão n°. 101-93.251, de 08 de novembro de 2000: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996." 68 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata-se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacifico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõe-se invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recorde-se o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 1999, nestes termos. "Art. 957 - Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n°. 8.218/91, art. 4°). (-..) II - de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." A Lei n°. 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: "Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; 69 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 II - das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72." Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o "intuito de fraude". Em outras palavras, a fraude é um artifício malicioso que a pessoa emprega com a intenção de burlar, enganar outra pessoa ou lesar os cofres públicos, na obtenção de benefícios ou vantagens que não lhe são devidos. A falsidade ideológica consiste na omissão, em documento público ou particular, de declaração que dele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. 70 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Juridicamente, entende-se por má-fé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. Como se vê, exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos I receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o "intuito de fraude". E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendo-lhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente. O ordenamento jurídico positivo dotou o direito tributário das regras necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades, circunstâncias essenciais, 71 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 autoria e graduação das penas, imprescindindo o intérprete, julgador e aplicador da lei, do concurso e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera. Do que veio até então exposto necessário se faz ressaltar, como aspecto distintivo fundamental, em primeiro plano o conceito de evidente, como qualificativo do "intuito de fraudar, para justificar a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada. Até porque, faltando qualquer deles, não se realiza na prática, a hipótese de incidência de que se trata. Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, tem-se que: "EVIDENTE. <Do lat. Evidente> Adj. - Que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente. EVIDENCIAR - V.t.d 1. Tomar evidente; mostrar com clareza; Conseguiu com poucas palavras evidenciar o seu ponto de vista. P. 2. Aparecer com evidência; mostrar-se, patentear-se." De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, trazendo esse conceito mais para o âmbito do direito, esclarece: "EVIDENTE. Do latim evidens ,claro, patente, é vocábulo que designa, na terminologia jurídica, tudo que está demonstrado, que está provado, ou o que é convincente, pelo que se entende digno de crédito ou merecedor de fé." Exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento .--t 72 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão n°. 104-19.621, de 04 de novembro de 2003: "COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS ATRAVÉS DA EMISSÃO DE RECIBOS RELATIVO A OBRIGAÇÕES JÁ CUMPRIDAS EM ANOS ANTERIORES - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - CARACTERIZAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n°. 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática reiterada de omitir na escrituração contábil o real destinatário efou causa dos pagamentos efetuados, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador • e subtrair-se à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto de renda na fonte na efetivação dos pagamentos realizados. Sendo que para justificar tais pagamentos o contribuinte apresentou recibos relativos à operação de compra de imóveis, cuja obrigação já fora cumprida em anos anteriores pelos verdadeiros obrigados." 73 • • - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Acórdão n°. 103-12.178, de 17 de março de 1993: "CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA - Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80." Acórdão n°. 101-92.613, de 16 de fevereiro de 2000: "DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS - Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legitima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude." Acórdão n°. 104-14.960, de 17 de junho de 1998: "DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO - Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a titulo gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80." Acórdão n°. 103-07.115, de 1985: "NOTAS CALÇADAS - FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA - A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo." 74 • gi • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Acórdão n°. 104-17.256, de 12 de julho de 2000: "MULTA AGRAVADA - CONTA FRIA - O uso da chamada "conta fria", com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada." É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe a prática de ato doloso para a configuração do ilícito penal. A informação, de que a suplicante deixou de lançar rendimentos em valores expressivos e com habitualidade, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples glosa de despesas ou a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhou-se em induzir a autoridade administrativa em erro quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. 75 4, • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 Por fim, não procede à argumentação da recorrente sobre os juros de mora decorrente da aplicação da taxa SELIC. A contribuinte em diversos momentos de sua petição resiste à pretensão fiscal, argüindo inconstitucionalidade efou ilegalidade de lei, entretanto, não vejo como se poderia acolher algum argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n°. 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). Matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n°. 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Para o caso dos autos (inconstitucionalidade e Taxa Selic) aplicam-se as Súmulas: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n°. 2)" e "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4).". Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de ACOLHER a preliminar de decadência relativo aos ganhos de capital referente ao período de janeiro a novembro do ano-calendário de 2000 e REJEITAR as demais 76 -/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10768.007613/2005-72 Acórdão n°. : 104-22.598 preliminares argüidas pela Recorrente e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a a 75%. Sala das Sessões - DF, em 12 de setembro de 2007 r teril 77 Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1 _0023800.PDF Page 1 _0023900.PDF Page 1 _0024000.PDF Page 1 _0024100.PDF Page 1 _0024200.PDF Page 1 _0024300.PDF Page 1 _0024400.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025000.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025200.PDF Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025600.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026600.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1
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