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Numero do processo: 10932.000569/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, que não corresponde à situação dos autos.
PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA.
As infrações decorrentes de presunções legais, impõem ao sujeito passivo o dever de provar a respectiva improcedência, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos; não tendo a contribuinte apresentado qualquer documentação que pudesse descaracterizá-las, as exigências fiscais devem ser
mantidas.
PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO.
Uma vez presentes os pressupostos legais para imposição da multa de ofício, não é cabível sua exoneração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 2 DO
CARF.
Nos termos da súmula nº 2 do CARF, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Os juros de mora devem ser aplicados sem prejuízo da aplicação da multa de ofício, nos termos do caput do art. 161 do CTN.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF.
Nos temos da súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB, são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-000.356
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência da contribuição para o PIS e COFINS, dos fatos geradores de julho e agosto de 2002, suscitada de ofício, e no mérito, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio José Praga de Souza e Frederico Augusto Gomes de Alencar votaram pelas conclusões, em relação à preliminar. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que foi substituído pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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DECADÊNCIA. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, que não corresponde à situação dos autos. PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. As infrações decorrentes de presunções legais, impõem ao sujeito passivo o dever de provar a respectiva improcedência, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos; não tendo a contribuinte apresentado qualquer documentação que pudesse descaracterizá-las, as exigências fiscais devem ser mantidas. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. Uma vez presentes os pressupostos legais para imposição da multa de ofício, não é cabível sua exoneração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Nos termos da súmula nº 2 do CARF, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Os juros de mora devem ser aplicados sem prejuízo da aplicação da multa de ofício, nos termos do caput do art. 161 do CTN. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF. Nos temos da súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB, são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência da contribuição para o PIS e COFINS, dos fatos geradores de julho e agosto de 2002, suscitada de ofício, e no mérito, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antônio José Praga de Souza e Frederico Augusto Gomes de Alencar votaram pelas conclusões, em relação à preliminar. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que foi substituído pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10932.000569/2007-92 Acórdão n.º 1402-00.356 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório Trata-se de recurso interposto contra decisão da Turma Julgadora que considerou os lançamentos do IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS e COFINS, dos anos- calendário dos anos de 2002 e 2004, procedentes. Foi aplicada a multa de ofício de 75%. A empresa que apresentou DIPJs relativas aos anos-calendário de 2002 pelo lucro presumido e de 2004 pelo lucro real, foi acusada das seguintes infrações: a) falta ou insuficiência de recolhimento de imposto – 3º e 4º trimestres do ano de 2002; b) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa – anos de 2002 e 2004: Parte do saldo credor de caixa foi apurado em razão da recomposição da conta caixa, mediante inclusão de remessa ao exterior, em 19.08.2002, no montante de US$ 50 mil via Beacon Hill Service Corporation; a outra parte refere-se a indicação do saldo credor na conta caixa; c) omissão de receitas caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade – ano de 2004 (remessas ao exterior, via LESPAN, casa de câmbio uruguaia); d) omissão de receitas caracterizada por suprimento de numerário sem comprovação de origem ou efetividade da entrega – ano de 2004. A partir do relatório contido na decisão da Turma Julgadora transcrevo os argumentos apresentados na impugnação: • preliminarmente, o processo administrativo estaria desprovido de elementos essenciais para seu processamento, devendo ser anulado, uma vez que não se encontra o mandado de procedimento fiscal (MPF) assinado pela autoridade fiscal competente para tanto, instrumento necessário nos termos da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, I com as diversas alterações que instituiu a Portaria RFB n° 4.066, de 2007; • no mérito, a autuação fiscal carece de base legal capaz de lhe dar arrimo; • a empresa, nos últimos anos, vem passando por diversas transições em relação à política de trabalho, bem como em relação ao próprio quadro de funcionários, o que é um processo moroso e sofrível, que gera constantes demissões e contratações e outros ajustes necessários; • vem sofrendo com a ausência de mão-de-obra qualificada, notadamente na parte fiscal-contábil, sendo que nos últimos 3 anos teve uma grande rotatividade nos profissionais dessa área, e muitos documentos fiscais não estão mais em sua posse, quiçá por patente, má-fé dos citados profissionais; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 • por tal motivo não foi possível atender integralmente as requisições de documentos pela fiscalização, não obstante grande parte ter sido atendida; • buscando expandir suas atividades, a empresa passou a investir parte de seu capital em empresas que prospectam clientes fora do país e, para tanto, passou a utilizar serviços de empresas de captação de mercado; • tal investimento nada trouxe de lucros, eis que nenhum negócio foi prospectado; • toda a contratação, desenvolvimento e acompanhamento dos trabalhos realizados por tais empresas eram feitos pelo setor contábil, que, como já salientado, sofreu grande rotatividade nos últimos anos, o que acaba acarretando prejuízos na demonstração da regularidade de seus atos; • assim, quanto ao mérito, informa que não houve omissão de receitas, e a remessa ao exterior tipificada justifica-se pelos motivos apresentados; • a autoridade exacerbou na designação da multa a ser cobrada, uma vez que arbitrou em percentual totalmente elevado, afrontando o determinado na legislação fiscal, pois imputar multa excessivamente onerosa é desprestigiar a boa-fé do contribuinte, conforme jurisprudência pacífica de nossos tribunais superiores; • ademais a própria Constituição Federal (CF), no art. 150, IV, veda a utilização de tributos com efeito de confisco, tanto é assim que a Lei no 9.298, de 1° de agosto de 1996, acrescentou um parágrafo ao artigo 52, limitando as multas de mora a dois por cento do valor da prestação; • deve-se ressaltar, ainda, que a Administração Pública deve obediência ao princípio da moralidade, contido na CF, art. 37, caput; • por analogia e em respeito ao princípio da isonomia, supondo- se que a incidência da multa fosse permitida, o percentual máximo para sua aplicação seria de 2% (dois por cento); • além da multa moratória, estão sendo aplicados juros da mesma natureza, o que é absurdo, uma vez que apenas um tipo desse acréscimo deveria compor o débito; • além disso, não é possível verificar se está ocorrendo o chamado anatocismo, isto é, a capitalização dos juros de uma importância emprestada, o que é ilegal, conforme Súmula 121 do Suprem Tribunal Federal (STF); • a taxa Selic é uma correção monetária que favorece tão- somente embargada, ferindo o princípio da isonomia, e, se for entendida com taxa de juros, desrespeita a limitação prevista na CF, além de violar s princípios da estrita legalidade, da anterioridade e da capacidade contributiva; • a taxa Selic não deve ser utilizada em créditos tributários como juros de mora, dado seu caráter remuneratório e considerando a Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10932.000569/2007-92 Acórdão n.º 1402-00.356 S1-C4T2 Fl. 3 5 vedação imposta pelo Código Tributário Nacional (CTN), art. 161, de juros superiores a 12% ao ano; • não existe lei instituindo a taxa Selic para cálculo de juros de créditos tributários, havendo indubitável ofensa ao princípio da legalidade e da indelegabilidade dos poderes; • a aplicação de juros deve-se limitar ao percentual de 1% (um r cento) ao mês, previsto na CF, art. 192, § 3°, e no CTN, art. 161. Requereu o recebimento e procedência da preliminar alegada e, quanto o mérito, o total provimento da impugnação, cancelando o auto de infração e/ou a multa impo ta e os juros de mora. As ementas proferidas pela Turma Julgadora são as seguintes: LIVROS E DOCUMENTOS. CONSERVAÇÃO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. A inobservância de normas administrativas relativas ao MPF é insuficiente para caracterizar a nulidade do lançamento de oficio. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas de provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação. o pelo julgador administrativo. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. JUROS DE MORA. LIMITE CONSTITUCIONAL. A prescrição constitucional que limita os juros de mora é norma de eficácia contida e dependente de legislação complementar. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 17.12.2008 e o recurso foi apresentado em 16.01.2009. No recurso, a contribuinte reiterou os argumentos de mérito apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. A contribuinte, no ano-calendário de 2002 optou pelo regime do lucro presumido e em 2004, apurou o lucro, pelo regime do lucro real. As infrações apuradas são: a) falta ou insuficiência no recolhimento de IRPJ e de CSLL do 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 2002; b) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa apontado na sua escrituração no 3º e 4º trimestre do ano-calendário de 2002 e ano-calendário de 2004 c) omissão de receitas caracterizada por falta de escrituração de pagamentos efetuados (remessas para o exterior), no ano-calendário de 2004; d) omissão de receitas caracterizada por falta de comprovação de suprimento de numerário no ano-calendário de 2004 Embora a contribuinte não tenha alegado, constato que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição para o PIS e a COFINS dos períodos de apuração de 07/2002 e 08/2002, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em 26.09.2007, ocasião em que já havia decorrido mais de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, a seguir transcrito. Por ser matéria de ordem pública, pode ser suscitada de ofício. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10932.000569/2007-92 Acórdão n.º 1402-00.356 S1-C4T2 Fl. 4 7 Em relação ao mérito, quanto à infração de falta ou insuficiência de IRPJ e de CSLL, do 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 2002, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum argumento específico. As demais infrações referem-se à acusação de omissão de receitas decorrentes de diferentes presunções legais. A contribuinte foi acusada da infração de omissão de receitas caracterizada pela indicação na escrituração de saldo credor de caixa e também pelo saldo credor de caixa decorrente da recomposição da conta caixa, mediante a inclusão de remessa ao exterior, a que se refere o art. 281, I, do RIR/99. Transcrevo o art. 281 do RIR/99: Art.281.Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I- a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II- a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III- a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Em relação a essa acusação, a contribuinte não apresenta qualquer documentação que pudesse provar a improcedência da presunção. A outra acusação fiscal diz respeito à omissão de receitas, caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos efetuados, a que se refere o art. 281, II, do RIR/99, acima transcrito, sendo que também para essa acusação, a recorrente não traz aos autos qualquer prova documental que pudesse descaracterizar a presunção. Resta ainda, a infração de omissão de receitas, caracterizada por suprimentos de numerários não comprovados, a que se refere o art. 282 do RIR/99, abaixo transcrito. Art.282.Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Também para essa infração, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento de prova que pudesse descaracterizar a presunção; Essas infrações decorrentes de presunções legais, impõem ao sujeito passivo o dever de provar a improcedência das mesmas mediante a apresentação de documentos hábeis Fl. 222DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 e idôneos, entretanto, como já afirmado anteriormente, a contribuinte não apresentou qualquer documentação que pudesse descaracterizar as mencionadas presunções. De forma genérica, a recorrente em seu recurso aborda sua dificuldade com relação a transição com política de trabalho que teria gerado constantes demissões e contratações, ausência de mão de obra qualificada, principalmente do setor contábil e fiscal, tendo como conseqüência que muitos documentos não estariam mais em sua posse, e que por essa razão somente atendeu em parte às solicitações da fiscalização. Afirma ainda, que buscando expandir suas atividades, passou a investir parte de seu capital em empresas que prospectam clientes fora do país, e para tanto passou a utilizar serviços de empresas de captação de mercado, sendo que tal investimento não teria gerado lucros, pois nenhum negócio foi prospectado, e que toda a contratação, desenvolvimento e acompanhamento dos trabalhos realizados por tais empresas eram feitos pelo setor contábil, o qual sofreu grande rotatividade nos últimos anos, o que acabou acarretando prejuízos na demonstração da regularidade de seus atos. Constata-se, que são meras alegações e que nada provam em relação à acusação fiscal de omissão de receitas, caracterizada pelo saldo credor de caixa, suprimento de numerário cuja origem e efetividade não foi comprovado e falta de escrituração de pagamentos, sendo que o ônus da prova, nas situações especificadas, é do sujeito passivo. Ademais, nos termos do art. 264 do RIR/99, cabe à pessoa jurídica a obrigação de conservar em ordem, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes. A contribuinte se insurge contra o lançamento da multa de 75%. Conforme o disposto no art. 44, da Lei 9.430/96, nos casos de lançamento de ofício, não estando caracterizado o evidente intuito de fraude, situação em que aplica-se a multa de 150%, exige-se o percentual de 75%, de que trata o inciso I, desse artigo. Presentes os pressupostos legais, correta a aplicação da multa de ofício. Quanto ao argumento de confisco, ressalta-se que este colegiado nos termos da súmula CARF, a seguir transcrita, não é competente para se pronunciar sobre constitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Argumenta a recorrente, que ou se deveria exigir a multa de ofício ou os juros de mora. O seu argumento não tem base legal. Os juros de mora devem ser aplicados independentemente da aplicação da multa de ofício, nos termos do caput do art. 161 do CTN, a seguir transcrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10932.000569/2007-92 Acórdão n.º 1402-00.356 S1-C4T2 Fl. 5 9 Sobre os argumentos relativos à aplicação da taxa selic como juros de mora, aplica-se a súmula nº 4 do CARF, a seguir transcrita: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Quanto ao alegado anatocismo, conforme já registrou a Turma Jugadora, os juros de mora aplicados com base na taxa selic são calculados pela soma dos valores mensais, como juros simples, e não como juros compostos. Portanto, não há que se falar em anatocismo. Do exposto, oriento meu voto, para acolher a preliminar de decadência da contribuição para o PIS e COFINS, do fato gerador de julho e agosto de 2002, suscitada de ofício, e no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11330.001339/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS
Data do fato gerador: 21/09/2007
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, II DA LEI N,º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 H, "a" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS - APRESENTAÇÃO DE DEFESA INTEMPESTIVA - NÃO CONHECIMENTO DA DEFESA.
O art. 305, § 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 assim descreve: "Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho.
E de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contra-razões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente,"
0 art. 21 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes assim dispõe acerca da competência para julgamento dos processos do âmbito previdenciário: "Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: II As Quinta e Sexta Câmaras, os relativos As contribuições
sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a titulo de substituição e contribuições devidas a terceiros."
A mera indicação de movimento grevista não relacionada a unidade
responsável pelo protocolo da defesa não possuem o condão de elastecer o prazo para impugnação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.429
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS - APRESENTAÇÃO DE DEFESA INTEMPESTIVA - NÃO CONHECIMENTO DA DEFESA. O art. 305, § 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 assim descreve: "Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. E de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contra-razões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente," 0 art. 21 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes assim dispõe acerca da competência para julgamento dos processos do âmbito previdenciário: "Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: II As Quinta e Sexta Câmaras, os relativos As contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo imico do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a titulo de substituição e contribuições devidas a terceiros." A mera indicação de movimento grevista não relacionada a unidade responsável pelo protocolo da defesa não possuem o condão de elastecer o prazo para impugnação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SA AIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Hernique Magallides de Oliveira. 2 Processo n° 11330001339/2007-92 S2-C4T1 Acórao rt.' 2401-01.429 Fl 569 Relatório Trata o presente auto-de-infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art, 32, II da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, "a" do RPS, aprovado pet() Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização do INSS, a recorrente deixou de lançar mensalmente em titulas próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. No caso em questão, a recorrente não contabilizou nas contas apropriadas, pagamentos relativos aos serviços prestados por corretores pessoas fisicas e pessoa jurídica que se encontram registrados nas mesmas contas, quais sejam: .3.31111 00 33 (Comissões sobre Prémio Emitidos/Segtiros) e 225912.00 33 ((omissões e corretores a pagai). Ocorre que o sujeito passivo também incluiu advogados, pessoa fisica, na conta 372112.00.00 00 (Honorários ao Advogados PJ), ao invés de utilizar a conta 372111.00.00,00 (Honorários de Advogados PF) que se encontra inclusive no Plano de Contas 2002 apresentado pela empresa. Tais infrações ocorreram no período de 01/2002 a 07/2002, período objeto de fiscalização. Importante, destacar que a lavratura da NFL,D deu-se em 21/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 149 a 158, bem como colacionou diversos documentos com o objetivo de demonstrar sua alegações. Aditou o recorrente a impugnação, 11. 52.3 a 524, indicando a impossibilidade de protocolo da impugnação em 23/10/2007, prazo final, tendo em vista que a Unidade da Receita Federal para a qual foram transferidos os servidores da Receita Previdencidria. Informa a unidade do Serviço de Orientação da Recuperação de créditos que o argumento do recorrente quanto a impossibilidade de protocolar a impugnação não maraca prosperar urna vez que o protocolo funcionou normalmente, fl. 541. A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 542 a 546 , informando o não conhecimento do recurso face a sua intempestividade.. O recorrente não concordando corn a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 549 a 557. Em síntese o recorrente alega o seguinte: 1. A RECORRENTE foi intimada da lavratura do Auto de Infração ern 21 de setembro de 2007 e, inconformada, impugnou o lançamento. No entanto, a referida Impugnação só pôde ser apresentada em 24 de outubro de 2007, um dia após o encerramento do prazo legal fixado para tanto, em razão de MOVIMENTO GREVISTA dos funcionários da Receita Previdenciária. Assim, há de se considerar tempestiva a impugnação face a impossibilidade de protocolá-la em tempo hábil. 3 2 A RECORRENTE não pode st conformar corn a decisão que não conheceu da Impugnação em razão da alegada intempestividade, pois foi comprovado mediante documentação idânea que o funcionamento das repartições competentes estava irregular em razão do movimento grevista deflagrado em 22 de outubro. 3. 0 fato é que no período do vencimento do prazo para impugnação do débito em questão o atendimento nas repartições da Secretaria da Receita previdenciétria não era regular e não pode prosperar, data incixima venha, a alegação contida na decisão recorrida, desacompanhado de quaisquer elementos de prova que se contraponham aqueles trazidos aos autos pela RECORRENTE. 4. 0 presente para requerer se digne esse C. Segundo Conselho de Contribuintes em acolher as razões aduzidas, de forma a conhecer o presente Recurso Voluntário e a ele dar provimento para, afastando a alegação de intempestividade, anular a r. decisão recorrida de modo a que a permitir. o regular processamento e julgamento da Impugnação apresentada nos presentes autos. A Receita Previdenciaria encaminhou o recurso a este conselho, sem a apresentação de contra-razões à fl. 75. É o relatório. Processo n 11330.001339/2007-92 S2-C4T1 Acórd5o n "2401-01.429 Fl. 570 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora 0 recurso foi interposto intempestivamente. De acordo corn o aviso de recebimento à ft 148, a recorrente foi cientificada no dia 21 de setembro de 2007 (sexta-feira), época, o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, considerando-se que na contagem é excluído o dia de inicio, o prazo venceria em 23/10/2007. A notificada interpôs o recurso no dia 24/10/2007, if 549, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art, 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caber-6 recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conform o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contra-razões, contados da ciência da decisão e da intoposição do recurso, respectivamente, (Redação alterada pelo Decreto n" 4.729/03) Dos Recursos Art, 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regiment o daquele Conselho I"É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contra-razões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto 11" 4.729/03) O art. 21, II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, dispõe acerca da competência do Conselho de Contribuintes para julgar os processos de competência do CRPS Art. 21, Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instancia sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição. II ás Quinta e Sexta Carnal-as, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo Único do art 11 da Lei n o 8.21.2, de 24 de julho de 1991, das contribuições instinddas a titulo de substituição e contribuições devidas a terceiros. 5 No mesmo sentido a Portaria MF if 14712007, dispõe acerca da transferênciP" ."' dos processos pendentes de julgamento do CRPS para o Conselho de Contribuintes: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos lie IV, da Constituição Federal, no art 40 do Decreto n." 4 395, de 27 de setembro de 2002, e tendo em vista o disposto nos arts. ..25 27, 29, 30 e 31 da Lei n " 11.457, de 16 de mar ço de 2007 e no art. 4" do Decreto n°5,136, de 7 de julho de 2004, resolve Ai t. 5" Ficam instaladas a Quinta e Sexta Ciimaras do Segundo Conselho de Contribuintes §1" No prazo de 30 (trinta) dins da data da publicação desta Portaria, os processos administrativo-fiscais referentes às contribuições de que tratam os arts. 2" e 3" da Lei it 11,457/2007 que se encontrarem no Conselho de Recursos da Previdência Social serão encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e distribuidos por sorteio para a Quinta e Sexta câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, ou, se cabível, a Segundo Turnia da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §2" Aplica-se o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Pi evidência Social (RICRPS), api ovado pela Portaria do Ministro da Pt-evidencia Social n, o 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recuisos inlet postos ate o termo o final do prow fixado no §1", nos processos administrativo-fiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. §3" Os julgamentos e atos processuais pendentes nos processos referidos no §-1" serão regulados pelo Regimento Inferno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, As alegações do recorrente de que a Unidade da Receita Federal do Brasil encontrava-se em greve, razão porque não conseguiu protocolar o pedido não são suficientes para que seja considerada tempestiva a impugnação. Conforme descrito ela autoridade julgadora o protocolo da Receita Federal do Brasil, funcionou regularmente nos dias 22 e 23/10, tendo em vista que os servidores ali lotados não possuem qualquer relação corn os redistribuidos pela Receita Previdencidria, esses sim, envolvidos em movimento grevista. No mesmo sentido, restou comprovado movimento paredista por parte da unidade previdenciária, indicada no Instruções para o Contribuinte. Assim, não foi possível comprovar a impossibilidade de protocolar a tempo a defesa, razão por que deve ser considerada intempestiva. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. COMO voto. Sala das Sessões, em 22 de outubro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora 6 Quarta Câmara da Segunda Seca) _ „ 4»c_b,k-T774 -a . MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SKis.0 SCS — Q. 01 — BLOCO "3" — ED. ALVORADA — 11 0 ANDAR EP: 70396-900 — BRASÍLIA (DF) Tel: (0xx61) 3412-7568 PROCESSO: 1130.001339/2007-92 INTERESSADO: GENERAL' DO BRASIL CIA DE SEGUROS TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2401-01.429 de folhas / Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providencias de sua alçada. toe, -o"
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008021/2002-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995, 1996
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES E OBSCURIDADE. Identificadas omissões e obscuridade no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos declaratórios que apontaram os vícios para que os mesmos sejam sanados.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO, PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. Faz prova do valor da terra nua laudo de avaliação expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT.RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO, AVERBAÇÃO. Comprovada a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva legal, pode ser excluída essa área para fins de apuração do imposto.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado,ÁREAS DE PASTAGEM. EXCLUSÃO, Comprovada a área de pastagem, a mesma pode ser excluída para fins de apuração do imposto.Embargos acolhidosAcórdão re-ratificadoRecurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-000.813
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão n° 3801-00.083, dar provimento parcial ao recurso interposto para determinar a revisão do lançamento referente ao ITR dos exercícios de 1995 e 1996 considerando, para ambos os exercícios, uma área de reserva legal de 27,104ha VIN de R$ 44.721,60 e área de pastagem de 118,5ha.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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OMISSÕES E OBSCURIDADE. Identificadas omissões e obscuridade no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos declaratórios que apontaram os vícios para que os mesmos sejam sanados. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. Faz prova do valor da terra nua laudo de avaliação expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. AVERBAÇÃO. Comprovada a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva legal, pode ser excluída essa área para fins de apuração do imposto. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. ÁREAS DE PASTAGEM. EXCLUSÃO. Comprovada a área de pastagem, a mesma pode ser excluída para fins de apuração do imposto. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão nº 380100.083, dar provimento parcial ao recurso interposto para Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 determinar a revisão do lançamento referente ao ITR dos exercícios de 1995 e 1996 considerando, para ambos os exercícios, uma área de reserva legal de 27,104ha., VTN de R$ 44.721,60 e área de pastagem de 118,5ha. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 23/09/2010 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza e Rayana Alves de Oliveira França Relatório Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Cuidase de Embargos Declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 170/176). Aponta e Embargante omissões e obscuridades no acórdão nº 380100.083, de 18 de maio de 2009. Afirma que o acórdão embargado conheceu de documentos acostados ao processo apenas na fase recursal, sem contudo declinar os fundamentos para tal posição. A embargante também aponta omissões e obscuridades caracterizadas pela forma lacônica com que as matéria foram abordadas no acórdão, o que configuraria vício de fundamentação. O senhor Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF, em juízo preliminar de admissibilidade, determinou a inclusão do processo em pauta para apreciação pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Os Embargos Declaratórios atendem aos requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação. Como se vê, a embargante queixase do fato de que o acórdão embargado conheceu de documentos apresentados apenas da fase recursal e de ser omisso e obscuro em razão da forma lacônica com que expôs as razões de decidir. Compulsando os autos verifico que o processo teve origem com SRL pela qual o contribuinte questionava pontos das notificações de lançamento referentes aos exercícios de 1995 e 1996, e que tomavam por base DITR apresentada referente ao exercício Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.008021/200219 Acórdão n.º 220100.813 S2C2T1 Fl. 2 3 de 1994. E analisando o acórdão recorrido, verificase que o mesmo limitase a adotar o relatório da decisão de primeira instância e, no voto, após exposição sobre a legislação que rege o ITR, inclusive posterior ao período objeto da autuação, o Relator , de forma lacônica, limitase a conhecer e dar provimento ao recurso, sem expor as razões de convencimento. Reproduzo a seguir, para maior clareza, a parte final do voto: Ex legis. Não identificadas questões preliminares no recurso do contribuinte passo à análise do mérito. Em f., 164 a autoridade de primeiro grau informa que o contribuinte apresentou documentação conforme solicitado e respondeu aos quesitos. Informa outrossim, a juntada de planta baixa e memorial descritivo (imóvel, reserva legal e preservação permanente). O recorrente, em fls. 159, apresenta termo de compromisso de proteção de reserva legal. Em face do elencado em epígrafe e de tudo constante nos autos, conheço e dou provimento ao recurso. Examinandose o voto, sequer se percebe qual a extensão da decisão, uma vez que se trata de lançamento referente ao período em que o lançamento do ITR era feito de ofício e, portanto, todos os itens da apuração do imposto eram objeto do lançamento, e o recurso questiona vários itens da autuação que foram lançados com base nos dados declarados pelo próprio contribuinte. Nessas condições, penso que assiste razão à embargante quanto à obscuridade e às omissões do acórdão embargado, que devem ser sanadas. Quanto ao fato de o acórdão ter conhecido de documento apresentado após a fase impugnatória, não vislumbro neste ponto vício algum. O princípio da verdade material rege o processo administrativo tributário de modo que, se for relevante para esclarecer a matéria em discussão, elementos apresentados em qualquer fase processual, antes do julgamento, podem e até devem ser conhecidos, conforme as circunstâncias a serem examinadas caso a caso. Entendo, pois, devam ser acolhidos os embargos para sanar as omissões e a obscuridade, o que, neste caso, implica no reexame das matérias objeto do litígio. Isto posto, passo ao exame das matérias discutidas no processo. Como se disse acima, o lançamento referese aos exercícios de 1995 e 1996 quando o lançamento do ITR era feito de ofício, com base em declaração apresentada pelos contribuintes. Neste caso, a impugnação se deu em face das notificações de lançamento, feitas com base na declaração referente ao ano de 1994. Inicialmente, o Contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL (fls. 05) pelo qual pedia a correção de itens de DITR/1994 que teriam sido apresentadas com erros, pedia a reavaliação do imóvel e dizia que apresentava prova do controle de vacinação. A SRL foi indeferida pela autoridade administrativa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Na impugnação o Contribuinte reiterou os termos da SRL e apresentou elementos de prova. A DRJCAMPO GRANDE/MS, após determinar a realização de diligência, que se cumpriu, julgou procedente o lançamento, entendendo, em síntese, que o Contribuinte não logrou comprovar os erros nos dados declarados, bem como o VTN. No recurso voluntário de fls. 52/65, o Contribuinte reafirma sua inconformidade com o lançamento, explicitando razões de defesa em relação ao VTN e à área ocupada com pastagem, e argumenta que o imóvel objeto do lançamento é contíguo com outro, que tem outra matrícula e que as áreas de preservação permanente, de lavoura e de pastagem estão presentes em ambas. O processo foi incluído na pauta de julgamento da Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes que decidiu converter o julgamento em diligência para que fossem respondidos os seguintes quesitos: 1) informar a extensão da Área de Preservação Permanente efetivamente existente no imóvel de NIRF nº 16373922; 2) Informar a extensão da área de preservação permanente efetivamente existente no imóvel retromencionado; 3) Informar sobre a existência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do referido imóvel, em Cartório de Registro de Imóveis competente; 4) Solicitar do órgão competente informação sobre o plantel de animais de grande e de pequeno porte efetivamente existente durante todo o exercício do anocalendário de 1995, para o imóvel de NIRF 16372022, inclusive observadas as campanhas de vacinação porventura ocorridas; 5) Informar em relação ás informações prestadas na DITR/95 se não houve alterações substanciais ao ponto de impactar no quadro de distribuição das áreas do imóvel para o ano calendário de 1995 ou DITR/1996; Disponibilizar outras informações existentes no acervo desta repartição que julgar relevantes ao deslinde da querela, a título de contribuição. 7) oportunizar ao Recorrente pronunciarse nos autos, se houver interesse. O Contribuinte foi intimado e respondeu aos quesitos acima (fls. 150/152). Como conclusão da diligência a DRF/PONTA GROSSA/PR também respondeu aos mesmos quesitos (fls. 163/164). Inicialmente, cumpre deixar assentado que a diligência nada pediu quanto ao VTN e, portanto, ao se referir à resposta dos quesitos como fundamento para o provimento ao recurso, o voto condutor do acórdão embargado não contemplou esta matéria, que, portanto, não foi analisada. Examinando, então, a matéria relativamente ao VTN, reportome ao Laudo de Avaliação de fls. 95/100 que aponta um valor de mercado do imóvel em novembro de 1994 em R$ 44.721,60. O documento é assinado por profissional habilitado e apresenta análise Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.008021/200219 Acórdão n.º 220100.813 S2C2T1 Fl. 3 5 detalhada das condições de mercado do imóvel, compatíveis com as recomendações da ABNT. Penso, portanto, que o documento comprova o VTN. Sobre as matérias tratadas nos quesitos, o Contribuinte logrou comprovar apenas a área de reserva legal de 27,104ha., mediante averbação à margem da matricula do imóvel (fls. 153v). Quanto à área de preservação permanente, os documentos apresentados: planta baixa e memorial descritivo, não são hábeis para fazer tal prova. Vale ressaltar que, quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal, as matérias não fizeram parte do litígio, inicialmente. A questão somente veio à tona na fase recursal, quando o Contribuinte pediu a correção do valor declarado. Em homenagem ao princípio da verdade material, contudo, considerando a prova da existência da área ambiental, reserva legal, penso que deve ser feita a retificação pleiteada. Porém, no caso da área de preservação permanente, como se trata de retificação da declaração após o lançamento, a prova do erro deveria ser conclusiva, o que não se tem neste caso. Quanto à área de pastagem, independentemente do exame dos elementos apresentados, o voto condutor do acórdão embargo recorrido é claro ao prover o recurso com base na resposta aos quesitos, que contemplava especificamente esta matéria. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para, retificando o acórdão nº 380100.083, dar provimento parcial ao recurso interposto para determinar a revisão do lançamento referente ao ITR dos exercícios de 1995 e 1996 considerando, para ambos os exercícios, uma área de reserva legal de 27,104ha., VTN de R$ 44.721,60 e área de pastagem de 118,5ha. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000292/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2002
DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMUNIDADE. DISCUSSÃO NO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO ARBITRAR CONFLITO INTERPRETATIVO ENTRE A ADMINISTRAÇÃO FISCAL E O CONTRIBUINTE NO TOCANTE AO LIMITE OBJETIVO DA COISA JULGADA. MATÉRIA A SER DELIMITADA PELO PODER JUDICIÁRIO. RECURSO NÃO
CONHECIDO.
Permitir que as instâncias do contencioso administrativo decidam conflitos interpretativos entre a Administração Fiscal e o Contribuinte à luz de decisão judicial transitada em julgado que pretensamente reconheceu em abstrato imunidade tributária, implicaria em uma estranha prevalência da via administrativa sobre a judicial. Na verdade, no momento em que a autoridade
administrativa da RFB interpretou os limites da decisão transitada em julgada (imunidade tributária do contribuinte) em confronto com o entendimento do sujeito passivo, caberia a este peticionar no bojo da ação judicial, informando ao juízo de um eventual descumprimento da decisão transitada em julgada.
Instaurado o incidente na via própria, o Judiciário, soberanamente, decidiria se sua decisão albergaria, ou não, a pretensão do contribuinte. Ainda, não se pode deixar de visualizar que a discussão da imunidade do contribuinte
permeia a discussão no judiciário e neste processo administrativo fiscal, ficando claro que esta discussão administrativa está prejudicada pela discussão judicial da imunidade, cabendo ao judiciário decidir a extensão de suas decisões.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-000.961
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por
concomitância das instância administrativa e judicial. Fizeram sustentações orais a Dra. Eunyce Prochat Secco Faveret, OABRJ nº 81.841, advogada do contribuinte, e o Dr. Marco Aurélio Z. Marques, Procurador da Fazenda Nacional.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2002 DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMUNIDADE. DISCUSSÃO NO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO ARBITRAR CONFLITO INTERPRETATIVO ENTRE A ADMINISTRAÇÃO FISCAL E O CONTRIBUINTE NO TOCANTE AO LIMITE OBJETIVO DA COISA JULGADA. MATÉRIA A SER DELIMITADA PELO PODER JUDICIÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Permitir que as instâncias do contencioso administrativo decidam conflitos interpretativos entre a Administração Fiscal e o Contribuinte à luz de decisão judicial transitada em julgado que pretensamente reconheceu em abstrato imunidade tributária, implicaria em uma estranha prevalência da via administrativa sobre a judicial. Na verdade, no momento em que a autoridade administrativa da RFB interpretou os limites da decisão transitada em julgada (imunidade tributária do contribuinte) em confronto com o entendimento do sujeito passivo, caberia a este peticionar no bojo da ação judicial, informando ao juízo de um eventual descumprimento da decisão transitada em julgada. Instaurado o incidente na via própria, o Judiciário, soberanamente, decidiria se sua decisão albergaria, ou não, a pretensão do contribuinte. Ainda, não se pode deixar de visualizar que a discussão da imunidade do contribuinte permeia a discussão no judiciário e neste processo administrativo fiscal, ficando claro que esta discussão administrativa está prejudicada pela discussão judicial da imunidade, cabendo ao judiciário decidir a extensão de suas decisões. Recurso não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000292/200568 Recurso nº 151.006 Voluntário Acórdão nº 210200.961 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2010 Matéria IRRF CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS Recorrente FUNDAÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL BRASLIGHT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMUNIDADE. DISCUSSÃO NO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO ARBITRAR CONFLITO INTERPRETATIVO ENTRE A ADMINISTRAÇÃO FISCAL E O CONTRIBUINTE NO TOCANTE AO LIMITE OBJETIVO DA COISA JULGADA. MATÉRIA A SER DELIMITADA PELO PODER JUDICIÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Permitir que as instâncias do contencioso administrativo decidam conflitos interpretativos entre a Administração Fiscal e o Contribuinte à luz de decisão judicial transitada em julgado que pretensamente reconheceu em abstrato imunidade tributária, implicaria em uma estranha prevalência da via administrativa sobre a judicial. Na verdade, no momento em que a autoridade administrativa da RFB interpretou os limites da decisão transitada em julgada (imunidade tributária do contribuinte) em confronto com o entendimento do sujeito passivo, caberia a este peticionar no bojo da ação judicial, informando ao juízo de um eventual descumprimento da decisão transitada em julgada. Instaurado o incidente na via própria, o Judiciário, soberanamente, decidiria se sua decisão albergaria, ou não, a pretensão do contribuinte. Ainda, não se pode deixar de visualizar que a discussão da imunidade do contribuinte permeia a discussão no judiciário e neste processo administrativo fiscal, ficando claro que esta discussão administrativa está prejudicada pela discussão judicial da imunidade, cabendo ao judiciário decidir a extensão de suas decisões. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por concomitância das instância administrativa e judicial. Fizeram sustentações orais a Dra. Eunyce Prochat Secco Faveret, OABRJ nº 81.841, advogada do contribuinte, e o Dr. Marco Aurélio Z. Marques, Procurador da Fazenda Nacional. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Nestes autos, encontramse tombados declarações de compensação e pedidos eletrônicos de restituição, com direito creditório oriundo de pagamentos de imposto de renda incidente sobre aplicações financeiras, recolhido no bojo dos benefícios da Medida Provisória nº 2.222/2001, que dispõe sobre a tributação, pelo imposto de renda, dos planos de benefícios de caráter previdenciário (entidades de previdência privada abertas e fechadas). As declarações de compensação têm como direito creditório um pagamento de IRRF (código 8998) de R$ 10.168.049,70, feito em 31/01/2002 (fls. 02 a 382 e 477 a 491). Já os pedidos eletrônicos de restituição, no montante total de R$ 59.874.320,73, têm origem em pagamentos efetuados de 28/02/2002 a 28/06/2002 no bojo dos benefícios estatuídos pela MP citada (fls. 383 a 417 e 491 a 493). A Delegacia de Instituições Financeiras do Rio de Janeiro indeferiu a pretensão do contribuinte, entendendo que a confissão das dívidas e os pagamentos sob o pálio do art. 5º da MP 2.222/2001 eram atos irrevogáveis e irretratáveis, sendo que tais pagamentos seriam atos jurídicos perfeitos, não passíveis de restituição ou compensação (fls. 546 a 556). Inconformado com a decisão acima, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 617 e seguintes). Em essência, o contribuinte informou que os pagamentos acima foram indevidos em face da coisa julgada proferida no mandado de segurança nº 90.00100712, impetrado junto à Vigésima Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (RJ), que conferiu ao impetrante Fundação de Seguridade Social Braslight a imunidade à cobrança de todos os impostos, nos termos do art. 150, VI, “c”, da Constituição da República de 1988. Considerando a relevância da controvérsia instaurada no writ nº 90.00100712 para o deslinde desta lide administrativa, passase a detalhar o objeto e as decisões judiciais proferidas nesse mandamus: Nº Tipo de documento Pedido, decisão ou observação Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19740.000292/200568 Acórdão n.º 210200.961 S2C1T2 Fl. 2 3 1 MS 90.00100712, impetrado em 04/07/90 Excerto do pedido, verbis: “33. Ante o exposto e ouvido o Ministério Público espera a impetrante seja, afinal, concedida a segurança para ver restabelecido o seu direito líquido e certo no sentido de não incidência do imposto acima referido [IOF instituído pela Lei nº 8.033/90] na realização de suas operações, proclamada, uma vez mais, sua imunidade constitucional já reconhecida na via judicial” (fls. 670 a 679). 2 Liminar deferida no MS 90.00100712 em 13/07/90 “Vistos, etc. Presentes que estão os pressupostos legais, concedo a liminar, tal como requerida, determinando que a autoridade coatora se abstenha de exigir do impetrante o I.O.F. instituído pela Lei 8.033/90. Notifiquese. Ass. Dr. Guilherme Couto de Castro” (fls. 904 e 905). 3 Segurança concedida no MS 90.00100712 em 31/08/90 “ISTO POSTO, CONCEDO A SEGURANÇA, nos termos do pedido, reconhecendo a imunidade da impetrante” (fls. 930 a 934). 4 Ementa da AMS 91.02.048361/RJ no MS 90.00100712 prolatada em 15/05/91 “ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. As entidades fechadas de previdência privada, embora cobrando dos seus associados contribuições mensais a título de remuneração pelos serviços prestados, gozam de imunidade tributária. Basta que atendam aos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, não se restringindo o benefício às entidades beneficentes (Incidente de Uniformização de Jurisprudência nº 89.02.111563)” (fls. 962 a 966) 5 Certidão de trânsito em julgado na AMS 91.02.048361/RJ no MS 90.00100712, ocorrida em 22/08/1991 O Acórdão descrito no item precedente transitou em julgado em 22/08/1991 (fl. 972). 6 Ofícios e decisões judiciais para estender os efeitos do trânsito em julgado do MS 90.00100712 em desfavor do IOF da Lei nº 8.088/90 O impetrante solicitou que fosse estendido os efeitos da decisão transitada em julgada no MS 90.00100712 em face do IOF instituído pela Lei nº 8.088/90, publicada após a impetração do writ, já que o banco Bradesco entendia que seria necessário a impetração de um novo MS (fls. 968 e 969). Em 04/11/1991, o Juízo da 20ª Vara Federal expediu decisão nos seguintes termos, verbis: “Oficiese, também, ao gerente do Banco Bradesco S/A comunicando que a ordem mandamental faz não nascer a obrigação tributária em relação a qualquer imposto, criado por qualquer Lei” (fls. 977). Considerando a recalcitrância de prepostos do banco Bradesco em cumprir a ordem, a Juíza expediu novo ofício para imediato cumprimento, sob pena de prisão (fls. 987). Em face da ameaça de prisão, o banco Bradesco impetrou o habeas corpus nº 92.02.062005/RJ em favor de seus prepostos, junto ao TRF2ª Região (fls. 993 a 999). A ordem foi denegada, entendendo a Turma que o Juízo não havia agido com abuso de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 poder, já que a imunidade do impetrante havia sido reconhecida em conformidade com a jurisprudência dominante no tribunal (fls. 1.108 a 1.111). 7 Ofícios, recursos e decisões judiciais para estender os efeitos do trânsito em julgado do MS 90.00100712 em desfavor do IOF previsto no Decreto nº 2.913/98 Em 19/01/1999, o impetrante solicitou que fosse estendido os efeitos da decisão transitada em julgada no MS 90.00100712 em face do IOF previsto no Decreto nº 2.913/98 (fls. 1.126 e 1.127). Em 12/07/1999, o Juízo Federal exarou a seguinte decisão, verbis: “Expeçase ofício ao Delegado da Receita Federal determinando que se abstenha de fazer retenção do I.O.F. sobre os títulos e valores mobiliários adquiridos pela impetrante, detentora de imunidade tributária reconhecida por sentença transitada em julgado” (fl. 1.138). A União agravou de instrumento (AGTR 1999.02.01.0320250) em desfavor desse despacho, defendendo que a coisa julgada estava adstrita ao IOF da Lei nº 8.033/90 (fls. 1.142 a 1.145). Julgando o AGTR (e Agravo Regimental respectivo), em 21/05/2002, decidiu a Turma (ementa) , verbis: “CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA – COISA JULGADA. 1. Reconhecida a imunidade tributária da recorrida pro sentença transitada em julgada, proferida em mandado de segurança, com base em dispositivo constitucional, não pode a Fazenda Nacional exigir o recolhimento de IOF com base em legislação superveniente. 2. Inalterada a finalidade para a qual foi constituída e que conduziu ao reconhecimento de sua imunidade tributária, permanece a recorrente ao abrigo da coisa julgada. 3. Agravo de instrumento desprovido e agravo regimental prejudicado” (fls. 1.164 a 1.167). 8 Ofícios, recursos e decisões judiciais para estender os efeitos do trânsito em julgado do MS 90.00100712 para abranger qualquer imposto incidente sobre a renda, patrimônio ou os serviços da Braslight, e não apenas o IOF criado pela Lei 8.033/90. Em petição dirigida ao Juízo da 20ª Vara Federal, de 08/08/2002, no bojo do MS 90.001.00712, o contribuinte fez os seguintes pedidos, verbis: “(a) desde logo, seja a União Federal intimada pessoalmente para que acate a amplitude da imunidade reconhecida por decisão transitada em julgado e referida a todo e qualquer imposto incidente sobre a renda, o patrimônio e/ou os serviços da ora Requerente, e não apenas ao IOF criado pela Lei 8.033/90; (b) uma vez preclusa, neste feito, a decisão postulada no item precedente – medida de prudência que em nada prejudica a União, e ora se pleiteia com a finalidade de buscar estabilidade e segurança jurídica , pede a intimação, no mesmo sentido, do Sr. Secretário da Receita Federal, para que dê efetividade, em âmbito nacional, ao comando judicial exarado, determinando às autoridades competentes nas respectivas jurisdições que se abstenham de autuar e de exigir (seja em relação a ela própria, seja em relação àqueles por lei obrigados a reter e recolher o tributo) os impostos incidentes sobre a renda, o patrimônio e/ou os serviços do impetrante, dando ulterior ciência a esse douto juízo das referidas providências; (c) seja ordenado, em conseqüências do requerido no item (b) antecedente, que as autoridades também se abstenham de autuar ou exigir tributos objeto de compensação, de forma que a impetrante possa quitar imposto e/ou tributo que a lei lhe atribua a obrigação legal de recolher, utilizando crédito Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19740.000292/200568 Acórdão n.º 210200.961 S2C1T2 Fl. 3 5 decorrente de pagamento indevido de imposto, em face da imunidade reconhecida pela decisão judicial transitada em julgado” (grifos do original fls. 1.168 a 1.172). Em 03/09/2002, o Juízo da 20ª Vara Federal indeferiu a pretensão anteriormente narrada, com a seguinte motivação, verbis: “Salvo melhor juízo, entendo que o reconhecimento de imunidade nos termos em que foi formulado na petição inicial de folha 2/11 faz parte tão somente da CAUSA DE PEDIR. Assim, o pedido limitase ao reconhecimento de imunidade tãosomente para o IOF. Senão, vejamos: do item 33 do pedido de folha 11, requer a impetrante segurança para ver restabelecido o seu direito líquido e certo no sentido de NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO ACIMA REFERIDO (IOF instituído pela Lei 8.033) na realização de suas operações. Por sua vez, a sentença concedeu a segurança reconhecendo a imunidade na forma do pedido, isto é, salvo melhor juízo, reconhecendo a imunidade da impetrante como causa de pedir para conceder segurança no sentido de que o impetrado se abstenha de exigir o IOF” (destaques do original fls. 1.178 e 1.179). 9 AGTR nº 2002.02.01.0425528 – decisão judicial que entendeu que o decidido no MS 90.00100712 deferiu a imunidade do impetrante para qualquer imposto Inconformado com a decisão acima, o contribuinte impetrante interpôs agravo de instrumento para o TRF2ª Região, tombado sob nº 2002.02.01.0425528 (fls. 1.180 a 1.196, 1.198, 1.200 e 1.319). Assim decidiu, em 02/09/2003, por maioria, a Turma de Julgamento (ementa) , verbis: “AGRAVO DE INSTRUMENTO – TRIBUTÁRIO – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA – EXTENSÃO – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE – RECONHECIMENTO DA IMUNIDADE INTEGRA O PEDIDO – IMUNIDADE FRENTE A TODOS OS IMPOSTOS – ART. 150, VI “C”, DA CF88. – Não seria minimamente razoável admitir que a impetrante, quando pudesse postular o reconhecimento de sua imunidade fiscal no tocante a todos os impostos referidos no dispositivo constitucional acima referido, o fizesse apenas parcialmente, tãosó em relação ao IOF; Tal raciocínio se colocaria em rota de colisão com o princípio da Razoabilidade, de berço constitucional, mesmo porque a Carta Política estabelece imunidade a impostos indistintamente, e não de modo adstrito ao IOF; Adotada essa irrazoável tese, em nome de uma interpretação excessivamente formalista, imporseia à agravante, o ônus de promover sucessivas impetrações, talvez, semanalmente, a cada nova cobrança de impostos que reputasse violadora de sua imunidade; A decisão agravada contém equívoco básico – premissa de todo o seu raciocínio subseqüente , ao afirmar que o reconhecimento da imunidade faz parte tãosomente da causa de pedir, não restando dúvida de que o reconhecimento da imunidade faz parte da causa de pedir, mas também integra o pedido; Nenhum óbice se opõe a que a parte invoque sua situação jurídica como causa de pedir, para em decorrência formular seu pedido de declaração dessa mesma situação jurídica, com todas as conseqüências legais, inclusive de natureza condenatória; Declarada a ampla Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 imunidade da agravante frente a todos os impostos, nos termos do art. 150, VI, “c”,da CF; Agravo provido” (fls. 1.490 a 1.503). Essa decisão transitou em julgado em 27/02/2004 (fl. 1.531). Ainda foi juntada aos autos uma cópia da sentença prolatada na ação ordinária nº 2005.51.01.0101880, proposta pela União em desfavor da Fundação de Seguridade Social Braslight, junto à Vigésima Vara Federal do Rio de Janeiro, distribuída por dependência ao mandado de segurança nº 90.00100712, na qual se pede a declaração de nulidade da sentença proferida nos autos do mandamus em tela. O Juízo asseverou que se tratava de verdadeira ação rescisória, de competência do Tribunal Regional Federal, e julgou improcedente o pedido, sem apreciar o mérito, na forma do art. 267, IV, do CPC (fls. 1.244 e 1.245)1. 1 Pesquisando no sítio do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, vêse que a União apelou contra essa sentença, e a Terceira Turma Especializada do TRF2ª Região, por unanimidade, em assentada de 21/02/2006, negou provimento à apelação e à remessa ex officio, em Acórdão assim ementado (Inteiro teor da decisão em: http://www.trf2.jus.br/Paginas/Resultado.aspx?Content=4CA46B7382EE606F13660929B39F965E?proc=2005.51 .01.0101880&andam=1&tipo_consulta=1&mov=3. Acesso em 13 de janeiro de 2010): (...) CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE CONHECIMENTO PARA NULIDADE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. SENTENÇA INCONSTITUCIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DA COISA JULGADA. DESCABIMENTO. 1A União ajuizou demanda objetivando a declaração de nulidade de deliberação judicial de mérito transitada em julgado, diante da ofensa à alínea “c” do inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, tendo em vista o reconhecimento de imunidade em favor de entidade de previdência privada. 2Demanda proposta quase quatorze anos após o trânsito em julgado. 3A causa de pedir utiliza precedentes da Suprema Corte em sentido diverso da decisão que se pretende invalidar, proferidos em controle difuso de constitucionalidade, com produção de efeitos apenas às partes dos respectivos processos, sendo vedado um efeito expansivo para atingir a demandada, diante da inexistência de eficácia erga omnes. 4Inaplicável, por analogia, o parágrafo único do art. 741 do CPC, na medida em que inexistiu aplicação de lei em descompasso com a Constituição – mas sim interpretação do próprio texto constitucional – e não seria possível aplicar a norma processual retroativamente (STJ, AgRg no Ag 602.238/DF, 1ª Turma, rel. Min. Denise Arruda, DJU 20.6.05, p. 135; STJ, REsp. 718.432/SC, 1ª Turma, rel. Min. Teori Zavaski, DJU 02.05.2005, p. 238). 5A coisa julgada é um valor socialmente difundido, ensejadora de pacificação e segurança jurídica. 6Ausência de autorização no ordenamento jurídico para sua desconsideração nos termos propostos pela demandante. 7Carência de ação (CPC, art. 267, VI). 8Apelação e remessa ex officio conhecidas e desprovidas. (...) A União interpôs Recurso Extraordinário e Recurso Especial em face da decisão acima, ambos inadmitidos pela VicePresidência do TRF2ª Região. Manejados agravos de instrumento em face da decisão que inadmitiu os recursos, a Ministra relatora no STJ, Eliana Calmon, negou provimento ao apelo (O inteiro teor pode ser visto em: http://www.stj.jus.br/webstj/Processo/Justica/detalhe.asp?numreg=200602317438&pv=000000000000. Acesso em 13 de janeiro de 2010), tendo tal decisão transitado em julgado em 21/03/2007; com a fundamentação que segue: (...) O agravo não merece prosperar. Verificase que o acórdão recorrido se assentou em duplo fundamento, infraconstitucional e constitucional, qualquer deles suficiente por si só para manter o julgado, e o recorrente, embora tenha aviado recurso extraordinário, não foi ele admitido pela decisão de fls. 276/277, inexistindo nos autos certidão comprovando a interposição de agravo contra a referida decisão. Assim, incide na espécie o teor da Súmula 126/STJ, in verbis: É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. (...) Já no sítio da internet do Supremo Tribunal Federal, há apenas registro de protocolo do agravo de instrumento, sem quaisquer desdobramentos (Vide o registro no STF em: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19740.000292/200568 Acórdão n.º 210200.961 S2C1T2 Fl. 4 7 A 3ª Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro I (RJ), por maioria de votos, relatora a Julgadora Maria de Lourdes Marques Dias, indeferiu a solicitação do interessado, vencida a Julgadora Rosanda Pereira da Silva Passos, em decisão de fls. 1.582 a 1.584, consubstanciada no Acórdão n° 9.589, de 16 de fevereiro de 2006. O acórdão acima ratificou a decisão da DEINFRJ, asseverando que os optantes pelo regime especial de tributação da MP nº 2.222/2001 que efetuaram o pagamento ou parcelamento de seus débitos nas condições estabelecidas no art. 17 da Lei nº 9.779/99 não poderiam pugnar pela restituição das quantias pagas, nem compensação de dívidas, como previsto no art. 12, § 8º, da IN SRF nº 126/2002, já que se trataria de confissão irretratável de dívida. Ainda ressaltou o julgador administrativo encontrarseia vinculado às normas editadas pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da Portaria MF nº 258/2001, não podendo arrostar a Instrução Normativa citada. Irresignado com a decisão acima, o contribuinte interpôs recurso voluntário dirigido ao Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: • o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 28/12/2005, editado anteriormente à decisão recorrida, expressamente reconhece como passível de restituição ou compensação a parcela paga a maior no bojo do benefício do art. 5º da MP nº 2.222/2001, não havendo falar em ato administrativo cogente que obrigasse o Julgador a indeferi a pretensão do contribuinte. Ademais, sequer se poderia aplicar o art. 12, § 8º, da IN SRF nº 126/2002 ao caso vertente, pois essa norma somente evita que o contribuinte que já tenha pagado o tributo nos termos da legislação pertinente venha a requerer devolução do valor correspondente à remissão criada após o seu pagamento. No caso ora em discussão, o contribuinte pleiteia a restituição total do pago no bojo da remissão em razão da comprovação da nãoocorrência do fato gerador; • a confissão irretratável da dívida não pode ser óbice à repetição do tributo pago indevidamente, quando não ocorrido o fato gerador, entendimento que já foi sufragado pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário nº 92.9835, relator o Ministro Cordeiro Guerra); • teve sua imunidade a impostos reconhecida por decisão transitada em julgado no bojo do mandado de segurança nº 90.00100712, como amplamente demonstrada nestes autos, o que comprova a nãoocorrência dos fatos geradores referentes aos pagamentos feitos sob pálio do art. 5º da MP nº 2.222/2001, passíveis de restituição e compensação, esta na forma do art. 74 da Lei nº 9.430/96; • o direito creditório do contribuinte deve ser acrescido de taxa Selic, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 e de juros legais a partir do trânsito em julgado da decisão final que determinar sua restituição. http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProtocoloDetalhe.asp?protocolo=159547&ano=2006. Acesso em 20 de novembro de 2010). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Em sessão plenária de 18/10/2006, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário acima, prolatando o Acórdão nº 10247.965, que restou assim ementado (fls. 1.705 a 1.714), verbis: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ADESÃO INDEVIDA A PARCELAMENTO DE DÉBITOS – A adesão ao parcelamento de que trata o art. 17 da Lei 9.779/1999 é irretratável, configurandose confissão de dívida; desde que a contribuinte seja devedora do imposto parcelado. Todavia, haverá erro na opção, cujos efeitos devem ser escoimados, se confirmada a alegação que, à época dos fatos geradores, não era contribuinte do imposto, por força de decisão judicial transitada em julgado. O Comprovado exercício indevido de opção deve ser tratado como erro de fato, passível de retificação, dentro do prazo legal. Recurso provido. Compulsando o voto acima, apreendese que a Câmara entendeu que as instâncias anteriores tinham se limitado a apreciar a possibilidade de a recorrente retratarse da adesão ao parcelamento do art. 5º da MP nº 2.222/2001, na forma do art. 17 da Lei nº 9.779/99. Esta foi a controvérsia superada pela Câmara, dando provimento ao recurso. Na seqüência, devolveuse este processo para a DRJ, para apreciação das demais questões de mérito, tais como o limite objetivo da coisa julgada aqui em discussão, a liquidação dos valores pleiteados, a verificação da existência de ações judiciais com o mesmo objeto, etc. Objetivando cumprir a decisão da Segunda Câmara do Primeiro Conselho, a autoridade preparadora da DEINFRJ resolveu questionar a Procuradoria da Fazenda Nacional sobre os limites objetivos da coisa julgada prolatada no mandado de segurança nº 90.0010071 2 (fls. 1.730 e 1.731). O Procurador da Fazenda Nacional Gilson Alves Gomes exarou o seguinte Parecer (fls. 1.732), verbis: À SRRF 07/DEINFI/RJO, com a informação abaixo transcrita: Em atendimento ao solicitado no pronunciamento de fls. 1730/1732, informo que o trânsito em julgado do acórdão que confirmou a sentença concessiva da segurança ocorreu em 22/08/1991 (fls. 1.386/1.396), conforme certidão de fls. 1393, destacandose que esta decisão judicial, considerando a sua natureza mandamental, apenas determinou que a autoridade coatora se abstivesse de exigir o imposto amparado pela imunidade prevista no art. 150, VI, C, da Constituição Federal, sem conferir qualquer direito a restituição ou compensação. De fato, o mandado de segurança não sendo substituto de ação de repetição de indébito não é a via adequada para obtenção de decisão judicial que atribua o direito de devolução nem compensação de valores pagos indevidamente, pois, não tendo natureza condenatória no sentido estrito, jamais poderá conceder qualquer prestação econômica em favor do autor, sendo de sua índole unicamente obstar a prática de ato ou procedimento que ofenda direito líquido e certo. Ancorado no parecer acima, a autoridade preparadora da DEINFRJ não homologou as compensações e indeferiu os pedidos de restituição (fls. 1.747 a 1.750). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19740.000292/200568 Acórdão n.º 210200.961 S2C1T2 Fl. 5 9 Novamente inconformado com a decisão acima, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia de Julgamento, na qual, em essência, repisou que era imune aos impostos, na forma do art. 150, § 6º, “c”, da Constituição Federal, conforme decisão judicial prolatada no mandado de segurança nº 90.00100712, devendo, assim, ser deferido seu pleito (fls. 1.762 a 1.777). A 3ª Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro I (RJ), por maioria de votos, novamente relatora a Julgadora Maria de Lourdes Marques Dias, agora vencida, indeferiu a pretensão do interessado. Funcionou como relatora do voto vencedor a Julgadora Rosanda Pereira da Silva Passos, esta vencida na assentada anterior, em decisão de fls. 1.782 a 1.820, consubstanciada no Acórdão n° 1221.437, de 16 de outubro de 2008. Abaixo, discriminase a motivação do voto vencedor: 1. “Os pagamentos a cuja restituição/compensação o interessado alega ter direito eram, à época em que foram efetuados, devidos por todas as pessoas jurídicas, inclusive as imunes e isentas” (fls. 1.799 a 1.803) – Inicialmente, a relatora do voto vencedor questionou a razão do interessado, sabedor de sua imunidade desde 1991, ter efetuado o pagamento à luz do art. 5º da Medida Provisória nº 2.222/2001. Na seqüência, apesar de os arts. 28 e 35 da Lei nº 9.532/1997 determinarem a incidência de IRRF sobre as aplicações financeiras de todas as pessoas jurídicas, inclusive as imunes e isentas, as entidades de previdência privada continuaram a não pagar o IRRF, escudadas em ações judiciais, o que somente teve fim quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que tais entidades não gozavam da imunidade de impostos de que trata o art. 150, VI, “c”, da CF88, em sessão de 08/11/2001, esta a razão pela qual o contribuinte se amparou no benefício do art. 5º da MP nº 2.222/2001. Assim, se a própria Lei nº 9.527/97 determinou a incidência do IRRF sobre aplicações financeiras das empresas, inclusive imunes ou isentas, a partir dos fatos geradores de 1º/01/1998, irrelevante a discussão se o impugnante era, ou não, imune à época em que efetuou os pagamentos (2002); 2. “A imunidade de que trata o art. 150, inciso VI, alínea “c”, da CF/1988, está condicionada ao atendimento de requisitos estabelecidos em diploma legal” (fl. 1.803 a 1.806) – O contribuinte não comprovou o cumprimento dos requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532/97 para gozo da imunidade, sendo que, “...a decisão invocada, transitada em julgado em 1990, não se presta para fazer prova de que, em 2002, anocalendário em que os pagamentos que alega indevidos foram efetuados, o interessado atendida aos sobreditos requisitos da lei, para fazer jus à imunidade” (fl. 1.806), sendo que a decisão judicial colide frontalmente com o art. 12, § 1º, da Lei nº 9.532/97, que determina que não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável das instituições discriminadas no art. 150, VI, “c”, da Constituição; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 3. “A coisa julgada não impede que lei nova passe a reger, diferentemente, os fatos ocorridos a partir de sua vigência” (fls. 1807 a 1.811); 4. “A decisão judicial que amparou o interessado, conforme enfatizado pela PGFN, não alcança este processo de compensação/restituição” (fls. 1.812 e 1.813); 5. “O Poder Judiciário já se manifestou sobre o Pedido de Compensação” (fls. 1.813 a 1.820) – Em 03/09/2002 o Juízo da 20ª Vara Federal indeferiu o pedido de extensão da imunidade reconhecida no writ nº 90.00100712, também negou o pleito compensatório. Quando o impetrante interpôs o AGTR nº 2002.02.01.0425528, calouse no tocante ao pedido de compensação, o que tornou imutável, no ponto, a decisão do Juízo da 20ª Vara Federal. “O mesmo se aplica à restituição, dado que ambos os institutos se alicerçam em prévio reconhecimento de direito creditório” (fl. 1.820). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 29/10/2008 (fl. 1.842). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 27/11/2008 (fl. 1.843). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. o decidido pelo STF no RE nº 202.7006DF, que asseverou que as entidades de previdência privada não gozam da imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF88, é irrelevante para o caso aqui em debate, já que esse julgamento somente produziu efeitos inter partes, já que proferido em controle difuso, e o recorrente tem decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a sua imunidade de forma ampla e irrestrita. Ainda, a dicção “inclusive pessoa jurídica imune” prevista no art. 28 da Lei nº 9.532/97 é inaplicável ao caso em debate, já que o STF, no julgamento da ADI nº 1.7584DF, declarou sua inconstitucionalidade, com efeitos erga omnes e ex tunc; II. os requisitos legais para fruição da imunidade, na época dos pagamentos indevidos, foram considerados existentes e atestados pelo Acórdão no AG nº 1999.02.01.0320250, proferido pela 3ª Turma do TRF2ª Região, transitado em julgado em 28/11/2002; III. a ampla e irrestrita imunidade do recorrente foi declarada no mandado de segurança nº 90.00100712; IV. a decisão do Juízo da 20ª Vara Federal, de 03/09/2002, que indeferiu a extensão da coisa julgada ocorrida no writ nº 90.00100712 para todos os impostos, não apreciou o pedido de compensação, já que o Juízo julgou apenas a questão antecedente e prejudicial ao pedido de compensação, ou seja, o alcance da coisa julgada proferia no writ acima; V. o direito creditório do contribuinte deve ser acrescido de taxa Selic, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 e de juros legais a partir do trânsito em julgado da decisão final que determinar sua restituição. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19740.000292/200568 Acórdão n.º 210200.961 S2C1T2 Fl. 6 11 Em petição recebida neste CARF, em 05/08/2009, o contribuinte aduz que incorreu em erro de fato em uma das PER/DCOMPS juntadas, tendo confessado débitos na primeira semana de junho de 2005, quando o correto seria a primeira semana de junho de 2005 (fls. 1.912 a 1.945). Instada a se manifestar sobre a petição acima, a PGFN pugnou pela decretação da preclusão, pois não ocorreu nenhum das hipóteses das alíneas do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 e, no mérito dessa questão, asseverou que não se trataria de erro material, mas que o contribuinte deveria apresentar a retificação do pedido, na forma das Instruções Normativas da RFB. Este recurso voluntário compôs o lote nº 10, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de 30/07/2009. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 29/10/2008 (fl. 1842), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 27/11/2008 (fl. 1843), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 28/11/2008, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Apesar da complexidade dos incidentes que permeiam este processo administrativo fiscal, claramente se percebe que a essência da discussão está centrada nos limites objetivos da decisão transitada em julgado no mandado de segurança nº 90.00100712, porque a possibilidade de repetição dos valores pagos sob o pálio da MP nº 2.222/2001, em si mesma, já foi autorizada anteriormente pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sendo certo que caberia as instâncias ordinárias executar o procedimento de liquidação do eventual direito creditório, desde que a ação judicial referida desse guarida ao direito do contribuinte. Quando a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes superou a questão preliminar vinculada à possibilidade de se restituir pagamentos a maior feitos no bojo da MP nº 2.222/2001, as controvérsias sobre os limites objetivos da coisa julgada acima afloraram. A DEINFRJ, fiandose em um parecer da PGFN, esta que defendeu a impossibilidade da ação mandamental deferir qualquer direito à restituição ou à compensação, pois não teria qualquer cunho condenatório, indeferiu o pleito do contribuinte. Apresentada manifestação de inconformidade contra a decisão acima, a DRJ Rio de Janeiro (RJ) asseverou que os pagamentos que se pretendem restituir deveriam ter sido feitos por todas as pessoas jurídicas, inclusive imunes e isentas, à luz dos arts. 28 e 35 da Lei nº Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 9.532/97; que a imunidade pleiteada pelo contribuinte está condicionada ao cumprimento de requisitos legais constantes do art. 12 da Lei nº 9.532/97, situação não comprovada pelo impugnante; que a coisa julgada não impede que a lei nova passe a reger, diferentemente, os fatos ocorridos a partir de sua vigência; e, por fim, que o poder judiciário já havia se manifestado sobre o pedido de compensação, indeferindoo de forma definitiva, pois o contribuinte não recorreu desse indeferimento no bojo do AGRT nº 2002.02.01.0425528. Novamente, em grau de recurso, o contribuinte busca o reconhecimento da ampla imunidade, com esteio na decisão transitada em julgado no mandado de segurança nº 90.00100712, para deferimento da compensação e da restituição. Para indeferir a pretensão do contribuinte, poderseia ancorar na cláusula rebus sic stantibus, pois é cediço que as condições que permitem que uma decisão transitada em julgado lance seus efeitos para o futuro indefinidamente está associada à manutenção das mesmas condições jurídicas que informou a sua edição, sendo razoável compreender que, após a edição da Súmula STF nº 730 (a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "C", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários), tal situação mudou, e que se estaria à frente de uma decisão transitada em julgada inconstitucional, pois a recorrente, mantida pela patrocinadora e pelos patrocinados, não se enquadraria na imunidade da Súmula referida, o que autorizaria a relativização da coisa julgada; ainda, que o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança (Súmula STF nº 269), não podendo condenar a Fazenda Nacional a restituir ou compensar. De outra banda, para deferir o direito do contribuinte, poderseia ficar adstrito ao decidido pelo TRF2ª Região, no bojo do AGTR nº 2002.02.01.0425528, onde transparece que o TRF deferiu uma ampla imunidade ao contribuinte, em termos abstratos, abrangendo os tributos sob administração da Receita Federal do Brasil. Entretanto, a questão que aqui se coloca é se cabe as instâncias do contencioso administrativo fiscal deliberar, ou melhor, interpretar os limites das decisões do Poder Judiciário, como a ocorrida no mandado de segurança nº 90.00100712, a partir de um conflito interpretativo entre a autoridade da RFB (DEINFRJ) e o contribuinte. Pareceme que a resposta é negativa, pois somente o Poder Judiciário pode estabelecer os limites de suas próprias decisões, quando vier ocorrer conflito entre o contribuinte e a Administração Fiscal. Permitir que as instâncias do contencioso administrativo decidam conflitos da espécie implicaria em uma estranha prevalência da via administrativa sobre a judicial, que poderia deferir ou indeferir o direito vindicado, como o judiciário poderia fazêlo, porém poderia decidir de forma contrária ao que o Poder Judiciário decidiria na espécie. Na verdade, no momento em que a autoridade administrativa da DEINFRJ interpretou os limites da decisão transitada em julgada no mandado de segurança nº 90.00100712 em confronto com o entendimento do contribuinte, caberia a este peticionar no bojo desse mandado de segurança, informando de um eventual descumprindo da decisão transitada em julgada. Instaurado o incidente na via própria, o Judiciário, soberanamente, decidiria se sua decisão albergaria o pedido de restituição e compensação aqui em debate. Jamais se poderia instaurar um contencioso administrativo, para que a própria administração viesse a corrigir a interpretação da DEINFRJ, quando o ato originário a ser corrigido não foi emanado da administração, mas se trata de uma decisão judicial. Ora, somente o Judiciário poderá decidir os limites objetivos de sua decisão, não podendo tal competência ser avocada pelo contencioso administrativo, como se esse pudesse tutelar o Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19740.000292/200568 Acórdão n.º 210200.961 S2C1T2 Fl. 7 13 judiciário. Na verdade, a tutela em nosso sistema jurídico dáse de forma inversa, com o judiciário tutelando os atos da administração. Na linha acima, a Delegacia de Julgamento não poderia ter julgado a impugnação, inclusive trazendo à baila outros motivos diferentes para indeferir o pleito do contribuinte, como demonstrado em parágrafo precedente, que sequer tinham sido aventados pela DEINFRJ. Por tudo, fica absolutamente claro que o litígio ora em foco, qual seja, os limites objetivos da coisa julgada proferida no mandado de segurança nº 90.00100712, somente pode ser deslindado no judiciário, não podendo o contencioso administrativo solucionar um conflito entre o entendimento da administração e do contribuinte em face de uma decisão judicial, sendo forçoso reconhecer que o litígio aqui em debate está prejudicado pela discussão judicial da imunidade em foco. Aqui, atentese, sempre que o contribuinte necessitou estender para o futuro a decisão judicial em foco, instaurou incidentes no judiciário, como se viu no relatório desse voto. Agora, pareceme, não poderá ser diferente. E a demonstrar a impossibilidade de se conhecer do presente recurso na via administrativa, suponha que esta Turma indefira o direito perseguido pelo contribuinte. É cediço que o contribuinte poderia propor uma ação autônoma para desconstituir a decisão administrativa. Porém isso não faria, pois certamente irá se amparar no decidido no mandado de segurança nº 90.00100712, pugnando para que o poder judiciário constrangesse a administração a aceitar a imunidade em sentido amplo, para reconhecer o direito creditório de restituição e os pleitos compensatórios, ora em debate, o que evidencia que o presente litígio deve ser solucionado pelo judiciário. Inclusive foi o que o contribuinte perseguiu, em abstrato, com a petição dirigida ao Juízo da 20ª Vara Federal, de 08/08/2002, que culminou com as decisões no AGTR nº 2002.02.01.0425528. De outra banda, este contencioso administrativo poderia deferir o pleito recursal, o que evitaria o incidente judicial, porém tal deferimento poderia ir de encontro ao que decidiria o judiciário no caso concreto, com a Administração tutelando o judiciário, podendo, no extremo, até deferir um direito que sequer seria acobertado pelo judiciário. Por tudo, somente cabe ao Poder Judiciário delimitar o alcance de suas decisões, falecendo competência a esta Turma de Julgamento para tanto. Antes o exposto, voto no sentido de considerar prejudicado o presente recurso voluntário, já que a controvérsia somente pode ser deslindada pelo poder judiciário, soberano para definir os limites objetivos da coisa julgada exarada no mandado de segurança nº 90.00100712, reconhecendo, ao final, a concomitância das instâncias administrativa e judicial. Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 14 Fl. 14DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.000265/2003-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. Para fins de deferimento do PERC, a exigência de
comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (ENUNCIADO 37 DA SUMULA DO CARF).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (ENUNCIADO 37 DA SUMULA DO CARF). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 2 Relatório CILBRAS EMPRESA BRASILEIRA DE CILINDROS LTDA. - Sucedida por WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA. - recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que indeferi seu PERC, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: 1. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade interposta pela interessada às fls.337/348, em 06/06/2005, face ao Despacho Decisório de fls. 327/329, de 27/04/2005, que indeferiu seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, por considerar que a interessada não demonstrou a regularidade fiscal perante a Administração Pública Federal, estando com isso impedida de receber o benefício fiscal, tendo em vista o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069/95. 2. Motivando o indeferimento, foram apontadas irregularidades fiscais da empresa, fazendo o despacho menção aos seguintes débitos: a) Junto à SRF: 1. Débitos em cobrança (CNP J: 35.756.055/0001-00) - fls. 313: • IRPJ - PA: 11/2001 - Saldo Devedor: R$ 34.707,03 • IRPJ - PA: 02/2002 - Saldo Devedor: R$ 66.522,27 2. Débitos em cobrança (CNPJ: 42.593.723/0001-91) - fls. 325: • IRPJ - PA: 2001 - Saldo Devedor: R$ 364.847,89 • CSLL - PA: 03/2000 - Saldo Devedor: R$ 49.672,04 • CSLL - PA: 2001 - Saldo Devedor: R$ 104.885,28 b) Junto à PGFN No que se refere aos débitos junto à PGFN, após a realização de diligências, o AFRF analista do pedido concluiu que os débitos constantes dos processos 10073.0001896/2004-86 e 10073.002113/2004-81 não estariam com a exigibilidade suspensa, sendo apontados como impeditivos à concessão dos benefícios pleiteados. c) Junto ao INSS e FGTS Segundo despacho de fl. 328, restou comprovada a regularidade do contribuinte, conforme certidões de fls. 292 e 298. 3. Inconformada com o indeferimento do seu pedido a interessada apresentou a referida manifestação de inconformidade, na qual alega em síntese o exposto a seguir. 4. Inicialmente, a impugnante, WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA, qualifica-se como sucessora por incorporação dos direitos e obrigações da WHITE MARTINS CILINDROS LTDA e da CILBRAS EMPRESA BRASILEIRA DE CILINDROS LTDA. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10073.000265/2003-69 Acórdão n.º 1402-00.364 S1-C4T2 Fl. 2 3 5. Quanto ao mérito, destaca que de acordo com os documentos acostados aos autos, que se encontra plenamente regular perante o Fisco e que atende a todas as exigências formuladas pela SRF, razão pela qual merece ser reformada a decisão contida no despacho decisório. 6. Sustenta que se verifica do exame dos autos, às fls. 207 e seguintes, que não só elucidou todas as divergências apontadas pelo Fisco como também comprovou mediante documentos a sua regularidade fiscal, através das certidões de fls. 286, 287, 292, 293 e 298. 7. Em seguida transcreve e comenta os artigos 205 e 206 do CTN e o artigo 7° da IN SRF n° 093, de 23 de novembro de 2001. 8. Apresenta às fls. 342 quadro resumo indicando todas as certidões de regularidade fiscal necessárias ao deferimento do PERC em questão, sua validade e as folhas onde se encontram, que reproduzo, com os números das folhas indicados corretamente, em virtude de sua renumeração, conforme termo de fl. 427: FLS CPD-EN expedida por: Período de validade 286 Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN 23/11/2004 a 23/05/2005 287 Secretaria da Receita Federal - SRF 03/11/2004 a 03/05/2005 292 Previdência Social - INSS 28/01/2005 a 28/04/2005 293 Caixa Econômica Federal - FGTS-CRF 28/01/2005 a 26/02/2005 298 Caixa Econômica Federal - FGTS-CRF 03/03/2005 a 01/04/2005 9. Destaca que foi incorporada pela sociedade empresarial White Martins Gases Industriais Ltda., conforme ato societário de 01/07/2003, modalidade pela qual adquiriu seus direitos e obrigações, na forma da legislação vigente e que a sucessora encontra-se plenamente regular junto à SRF, PGFN, INSS e CEF/FGTS. 10. Com base em entendimento do STJ defende que não há o que se falar em situação irregular da incorporada pois "a incorporação transfere para a sociedade incorporadora todos os direitos e obrigações da sociedade incorporada, QUE DEIXA DE EXISTIR".' (fl. 345) 11. Nesta mesma direção cita o ACÓRDÃO n° 202-05484, no qual consta que "OCORRENDO A INCORPORAÇÃO (...), AGORA INCORPORADORA É ÚNICA RESPONSÁVEL PELAS OBRIGAÇÕES COM O FISCO "(fl. 345) 12. Como prova junta as seguintes certidões: a) da White Martins Cilindros - CNPJ 35.756.055/0001-00 - Certidão Positiva de Débito com Efeito de Negativa - INSS (fl. 388); Certificado de Regularidade do FGTS - CRF (fl. 389), Certidão Positiva de Débitos de Tributos e Contribuições Federais com Efeitos de Negativa - SRF (fl. 390) e Certidão Quanto à Dívida Ativa da União Positiva com Efeito de Negativa - PGFN (fl.391); b) da White Martins Gases Industriais - CNPJ - 35.820.448/0001-36 - Certidão Quanto à Dívida Ativa da União Positiva com Efeito de Negativa (fls. 393/396), ressaltando que se encontra comprovada sua regularidade fiscal no período de 04/10/2004 até a presente data; Certificado de Regularidade do FGTS - CRF (fls. 398/408), destacando que se encontrava e encontra em situação regular perante o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS; Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa - INSS (fls. 410/415), emitida pela Previdência Social, que atesta que os débitos nela relacionados estão com exigibilidade suspensa e Certidão Positiva de Débitos de Tributos e Contribuições Federais com Efeitos de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 4 Negativa (fls. 417/419), de modo a comprovar sua plena regularidade perante a Secretaria da Receita Federal. 13. Finaliza o seu pedido requerendo que seja reformada a decisão em questão, com o consequente deferimento de sua Manifestação de Inconformidade, já que demonstra e comprova sua situação regular perante a PGFN, INSS, CEF (FGTS) e SRF. 14. O presente processo foi restituído à DRF/Volta Redonda/RJ, em 06/03/2007, fls. 423/424, sob fundamento de que seria intempestiva a manifestação de inconformidade de fls. 337/348, tendo em vista a informação de fl. 337 de que sua protocolização teria se dado em 06/06/2005. 15. O contribuinte, às fls. 428/429, recorreu do despacho de fls. 423/424 argumentando que o seu pedido foi tempestivo, tendo em vista que a data correia de protocolização da manifestação de inconformidade seria 03/05/2005 e não 06/06/2005, conforme cópia juntada às fls. 465/476. 16. Juntei aos autos os documentos de fls. 479/485. A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10073.000265/2003-69 Acórdão n.º 1402-00.364 S1-C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele conheço. No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção do benefício, digno de destaque é o disposto no art. 60, da Lei n° 9.069/95, que orienta a administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Não há dúvidas de que o contribuinte, para obter a concessão ou reconhecimento de um benefício fiscal deve estar quite com a Receita Federal. A controvérsia, diante da lacuna da lei, é o momento para sua aferição: i) sempre que se analisar o pedido, ii) no momento de sua concessão ou iii)quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em acórdão da lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, entendeu que para fins de cumprimento do aludido art. 60, o momento em que se deve verificar a quitação de tributos e contribuições federais é o momento em que o contribuinte indica a opção em sua declaração de rendimentos. Espancando quaisquer dúvidas o enunciado nº 37 da súmula do CARF, estabelece: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Considerando que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito, não sendo possivel identificar que na data da entrega da DIPJ/2000 o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade comprovada nos autos. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração, tal qual os relatados na decisão de primeira instância, influenciarão a concessão do benefício em anos calendários subseqüentes. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 6 Outrossim, verifico que nem a unidade de origem nem a DRJ apreciaram os demais requisitos para a concessão do incentivo. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso para determinar a remessa dos autos à unidade de origem, para prosseguir na analise do pedido de revisão, considerando que o contribuinte possuía regularidade fiscal para tanto. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10166.100017/2005-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Ass UNTO: PROCESSO AuAtINISTRATIVO FISCAL.
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2000
COF1NS, BASE DE CÁLCULO.. MATÉRIA CONSTITUCIONAL,
COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de
legislação tributária,
Assuno: NORMAS GERMS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000
COFINS. EXCLUSÃO DE RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS ,
NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA E REVOGADA.
A norma revogada da Lei na 9.718, de 1998, que previa a exclusão do
faturamento de receitas transferidas a outras pessoas jut idicas, era de eficácia
contida e dependia, para aplicação, de regulamentação infralegal.
LEIS Na 10„637, DE 2002, E. 10.833, DE 2003.. APLICAÇÃO
RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Em regra, as leis tributárias aplicam-se aos fatos geradores ocorridos durante
sua vigência.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3302-000.723
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de voluntário, nos termos do voto do relator..
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2000 COF1NS, BASE DE CÁLCULO.. MATÉRIA CONSTITUCIONAL, COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária, Assuno: NORMAS GERMS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DE RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS , NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA E REVOGADA. A norma revogada da Lei na 9.718, de 1998, que previa a exclusão do faturamento de receitas transferidas a outras pessoas jut idicas, era de eficácia contida e dependia, para aplicação, de regulamentação infralegal. LEIS Na 10„637, DE 2002, E. 10.833, DE 2003.. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, as leis tributárias aplicam-se aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de voluntário, nos termos do voto do relator.. (ASSINADO DIGITALMENTE) ;1' \ L:•,7 .11 . . . 2'. .:••• Walber José da Silva - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Antonio Prar cisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno I Gm Eto Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 113 a 129) apresentado em 09 de sete nbro de 2008 contra o Acórdão n 03-24.926, de 29 de maio de 2008, da 4a Turma da DR/BSA (fls. 102 a 106), cientificado em 15 de agosto de 2008 e que, relativamente a pedido de IrIestituiçao de Cofins dos períodos de fevereiro de 1999 a setembro de 2000, incleferiu a solicitação da Interessada, nos terms da ementa, a seguir reproduzida: ASSUN1 0 NOI?illAS DE ADMVISIR,40 -0 1121131,1tAR1A Ano-calendário 2002 Restituição - Valor es Pagos a Mahn de Co/ins - Incidência sobile Recelias Traniletidas a out, z23 Pessoas Juridic:vs - Impossibilidade A rechrção da base de cá/calo du comribuiVio para o PIS e da COP INS mediante a exclusão dos valores computadas como recella que len/:an: sido Iran*, irks par a out:a pessoa fin id/ca. beneficio iiibuiácio versado no inciso III do parágrafo 2" do a: ligo 3" da Lei 9 718/1998, cuja regulamentoção a cargo do Pock, Executivo deixou de ser tfetivada não comport° maiores digressaes, tendo em linha de consider ação que uchlacia firmada no chnbito do egrêgio 511 tifasta a possibilidade de incidência do referido beneficio à »lingua de slur imprescindivel regulamentação Solicilação indefer ida O pedido, apresentado em 09 de junho de 2005, foi inicialmente indeferido despacho decisório de fls. 26 a 28 (considerou não formulado o pedido) em 24 de embro de 2005. A DR.1 assim relatou o litigio: Cuidam os autos de Pedido c/c Restituição c/c valores pagos a maim de Calks refer entes a receilas nanyferidas a ou/ias pessoas jur !dims hresignada com o indeferimento do Pedido de Restiluição pela instáncia "a quo", a inter essada oferece manifestação de inconfor midade , alegando, em sintese, que pe no ,•;= , 1 l'I k,',.1 tt:. 1:)» .7 :.• • • I t:::! .!' . I - I •: 2 I II Processo n" 10166 100017/2005-40 S3-C3 12 AcSalilo i " 3302-00.723 El 133 O inciso Ill do parcigrafo 2" do art 3" da Lei 9 718/98 determinou fosse excIuido da recereita bruit: or "valor cc que, commandos como receita, tenham sido transferidos para alma pessoa fur (i/lea". desde que observadas as normas expedidas pelo Poder Executivo; Entre! cub, o Executivo foi omisso em regulamentar a lei 9 718/98. dai gnu a ausiincia do regulamento por si só tem o condão de alirsia, a aplicabilidade da norma, ye: que a Lei ê auto-apliccivel. Assim, rogue) . o provimento do recurso com o reconhecimento do • eito à restituiçikr/compensação e, em conseqüência , o reconhecimenro do crédito à compensação CIOS valores pagos cz maim indevidomente. nos termos do art 3 0, parágrafo 2", inciso 111 da lei 9 718/98, durozne o período de fevereiro/99 a setembr a/2000 (flém disso, é flagrante ci ilegalidade do cálculo do recolhimento da Cofins e do PIS, sobre o valor total das vendas, sem exchestio dos mimes que foram transfiridos as outras pessoas juridicar, havendo ofensa a pm nelpios constitucionais, tais como legalidade, capachlade contributiva, tia isonomia e do nao-confisco. Por ou/lo (ado, as leis 10 637/2002 e 10 833/2003, podem reiroagir e ser em aplicadas ao presente caso, no senrido de ser resguardada a não-cumularividade das contribuições ao PIS e Cofins No recurso, a Interessada reafirmou seu direito, citando ementas de decisões judiciais e analisando princípios constitucionais, o relatório, Voto Conselheiio José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Inicialmente, é preciso esclarecer que descabe a analise legal sob o enfoque de princípios constitucionais, afastando-se as disposições da lei em função da aplicaçõo daqueles princípios, pois é vedado ao Carl tal procedimento, nos termos da Silmula Carf nu 2 (Portaria MF n0 106, de 2009): Szinzula Calf Ile 2 O CARE não é comperente para se pronunciar sabre a inconsillucionalitlacle de lei tributária H P.1 3 t kJ Também não é possível a "aplicação retroativa" das leis que instituiram o PIS e a Cofrrs não-cumulativos, uma vez que não trata de leis interpretativas e, sim, de leis que inst Wham, a partir de sua vigência, regime especifico das contribuições como disposições a par as existentes até então, Não se pode olvidar que, claramente, as contribuições sociais PIS e Cofins war cumulativas por sua própria natureza e cram, ainda assim. claramente constitucionais, conforme inUmeras decisões judiciais, especialmente a ADC rr9. I . Ademais, em relação as disOasições da Lei n 9.718, de 1998, o dispositivo que pretensamente fundamenta o pedido cia Inte essada claramente falava em receitas próprias que houvessem sido, posteriormente, tran Feridos a terceiros, o que, no âmbito da cumulatividade a que se submetiam as con ribtrições, seria uma exceção notória Dai sua necessidade de regulamentação, pois não dispunha a lei como seria efet ada a exclusão (se desde o momento em que os valor es houvessem sido computados ou no momento em que houvessem sido transferidos, por exemplo) Em relação ao que especi ficamente previa o revogado art.. 3 0, § 2°, Ill, da Lei nu 718, de 1998, que a jurisprudência do 2° Conselho de Contribuintes tendeu a considerar que se trata de disposição não autoaplicavel. Entretanto, em lace de sua revogação, a analise esp eifica dessa questão ficou prejudicada, pois a admissão da exclusão dependeria de previsão I leg 1. A argumentação apresentada pela Interessada não é admissivel, pois se son ente a lei pode conceder ou limitar direitos, então a concessão de direitos subordinada regulamentação é irregular e não somente a limitação. leg 0 o. De toda forma, para se considerar que a condiçã o . t regulamentação infra não seria exigível, necessário seria seu afastamento por questão de inconstitucionalidade, e não poderia ser efetuado no âmbito administrativo, como já afirmado. A vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 09 de dezembro de 2010 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco 4
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Numero do processo: 10314.004764/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 06/11/1996
"EX" TARIFÁRIO, MERCADORIA. IDENTIFICAÇÃO,
O enquadramento de equipamento importado ern "ex" tarifário deve ser feito levando-se em conta suas especificações técnicas e o correspondente alinhamento ao texto concessivo, sendo irrelevante que o mesmo venha a ser utilizado em capaciclade inferior na linha de producíro da empresa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-00.794
Decisão: ACORDAM os membros do Colegi ado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Luis Marcelo Guetra de Castro.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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IDENTIFICAÇÃO, O enquadramento de equipamento importado ern "ex" tarifário deve ser feito levando-se em conta suas especificações técnicas e o correspondente alinhamento ao texto concessivo, sendo irrelevante que o mesmo venha a ser utilizado em capaciclade inferior na linha de producíro da empresa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do Colegi ado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado, Vencido o Conselheiro Luis Marcelo Guetra de Castro, Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Ricardo Rosa— Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo de Guerra e Castro, Ricardo Rosa, eatriz Veríssimo de Sena, Jose Fernandes do Nascimento, Leonardo Mussi e Nanci Gama Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórddo recorrido, que passo a transcrever Troia o presente de auto de infraçao, fls 106/124, lavrado ein -/ /12/20 I (r (1011qr+.9"91AIRdq , pE"PrIlcdr,.t.Vgkeidi do t,; ■ .;i.Ç 2,20 so R i cARD,D R ,..2; ;;;; cm 2%);12)201C..) or: c...os Nfir. Fl. 2 Imposto de Importação, Impost() sobre Produtos Industrializados, Pis/Pasep e Cofins-Importavc7o e Multas de Oficio do II, Pis/Pasep e Cofins-Importação, e Multa Regulamentar do I I , no valom de R$ 634 363,82, pelas ravies a seguir expostas O contribuinte processou o despacho aduaneiro de uma máquina automática para enchimento, montagem e roadagem de batons, descrita na Adição 001, da Declaração de Importação n° 05/0405109-6, declarando, in fine, que a referida máquina tinha 'capacidade de produção de atd 3.500 unidades por hora ' No curso do despacho, a AFRF designada, solicitou assistente técnico, fir 18, que emitiu o laudo técnico pericial e juntou documentos e fotos,Ils 19/91 O perito emitiu um laudo técnico, extremamente minudente, que integra a presente autua cão Desse modo, vamos, apenas, nos deter, 1205 pontos onde se levantou o questionamento objeto deste auto de infração Assim, às _Ifs. 42, em resposta ao quesito ,formulado pela APRF (A máquina possui capacidade de produção de até 3 500 unidades por hora? Caso não possua, informe qual a capacidade real da máquina), o perito assim se manifestou:,cujo teor transcrevemos. "Não, a máquina UM 180 foi montada e configurada pela Weckerle GA1131 -I para a Natura do Brasil para atingir a capacidade máxima de produção de 2.500 a 3 000 batons por hora Essa máxima capacidade produtiva está claramente especijkada no anexo 'Encomenda número 1284', onde consta o número de série da máquina, identificado pelo número 4500340039. A maxima capacidade produtiva estimada da máquina AIM 180, segundo o manual do fabricante pode chegar a atingir teoricamente, a faixa de 3.000 a 3 600 batons por hora Porém, na prática, para cada projeto a máquina fica limitada aos gargalos de produção. A máquina MM 180, N/S g 1284, montada pela Werckerle loam a Natura, possui mamma capacidade máxima produtiva de 2.500 a 3 000 batons por hora, devidos aos seguintes motivos explanados pela Werckerle, pelos e-mails relacionados e conforme projetos anteriores da máquina fornecida a out, os clientes, o fabricante •6 garante essa capacidade máxima de 3 000 unidades por hora Informa o perito que, en: contato com o fabricante, recebeu um DYE' da máquina, fabricada pela Natura, CO??! Was- as especificaçães, onde consta a divergência apurada na capacidade produtiva, ou seja, a máquina foi fabricada com capacidade de produção de 2 500 a 3 000 barons por hora Declama, ainda, o técnico, fls. 47, que o pedido de compra da Nat ura já especificava claramente que a capacidade produtiva 17112/2010 ror LUIS MAr10ELO OLIERFi 7, DE CASTRO. 111212010 por RICARDO PAULO ROs;\ 11.:11 , 11: ,cz1J0 rre om 1 , ti. I 2120 10 por RICAR DA pAut_o ROSA 2 cin4,6; cm 29112i2011! peol9ink3t6lio do lZircia 1)1 CARE ME' Fl 3 Pro-cesso n0 10314004764/2005-15 Acórdfto n ° 3102-00,794 real máxima da maquina itIM 180 — N/S 111284, era de 2 500 a 3.000 batons por hora Acrescenta que, conforme documentação recebida e juntada ao processo, pode-se constatar, declara o perito, que 'o pedido de compra já especificava claramente que a capacidade produtiva rei maxima da máquina MM 180 — N/S # 1284 era de 2 .500 a 3 000 batons pot. hora' O perito ira:, ainda a) documento emitida pelo fabz icante Weckerle, onde descreve a máquina, feita sob encomenda, e informando que sua capacidade é de 2.500 a 3 000 batons/h, fls 59, b) copia do atestado de inexistência de similat idade da Abinzaq- Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos-Sindicam Nacional da lndustria de Máquinas, onde consta as j7s. 77, a produção de 2 500 a 3 000 bastães/h, e, ,fis 6'S, como velocidade meciinica da máquina. 3.000 pçs/h, c) no pleito for mu/ado para a Secex, o contribuinte também informa ao descrever a máquina: 'com capacidade de produção de até 3 .500 unidades por hora' O contribuinte foi intimado e ciemificado, 106/112 e 116, ern 27/05/2005, tendo o apresentando .sua Impugnação, ent 30/05/2005, fls. 135/144, onde alega qua. - imprn tort uma mdquina automática para enchimento, montagem e rotzdagem de batons, descrita na Declaração de Importação n° 05/0405109-6, de 20/0412005; tratando-se de máquina sent similar nacional, solicitou e obtive da entidade de classe, a Sindimaq, o atestado de inexistência de similar nacional (DTE/DE4T/31.22119/04), para fins de viabiliragdo da importação, com a aplicação da allquota reduzida do Imposto de Importação, - a seguir, pleiteou junto ao Secex, a criação de 'ET' com align= de 2% do 1.1 para o equipamento, no que foi atendida conforme Resolução Camex n° 01/05, de 19/01/2005, sendo inserida na TEC-Tarifa Externa Comm, sob o código 8422 30 90 'ET 19'; - entretanto, a per icia técnica do bem importado, solicitada pela fiscali:ação, declarou que a referida máquina teria capacidade maxima de produção de 2 500 a 3 000 unidades por hora, incompatível com a capacidade produtiva da máquina MM 180, deixando de ser enquadrada no 'Ex 19' da Resolução Canter nJ 01/05, sujeita a uma aliquota de 14% do 1.1; além do acréscimo no cálculo dos demais tributos (IF!, ICUS, PIS E CORNS); - não ha como não reconhecer que a máquina importada se enquadra no 'Ex 19', vista que o bent importado, tem capacidade para produ:ir at 3 600 unidades por hora, ainda que a linha de rito c-,11 I //1212.010 ror LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 1 ,V12/2010 por RICARDO PAULO pc3sA .:;rn i 72 0010 pr RICARDO PAULO ROSA E , 1 Iii 2N1:;;"010 polo kh'Jr.r.61 o co S3-C1TZ Fl 3 Di CARI" N=11:: produção da imptignatue possa oscilar entre 2 .500 e 3 000 batons/hot a; - as informações constantes do catálogo do fabricante atestam a teal capacidade de produção da máquina MM 180 (3600 unidades por hora), - o próprio fabricante sugeriu que a impugnante utilimsse a ináquina em linha de producão de 2 500 a 3.000 unidades/h, devido à qualidade das matérias primas por ela utilizadas e por razões climáticas de resfriamento dos batons, conduta de confiabihdade e não de incapacidade de produção do bem importado; - a simples sugestão do fabricante não implica na descar acterização da capacidade de produção da máquina, pois a linha de produção da impugnante (2 500 a 3 000 batons por hora) é compatível com a capacidade máxima da mm 180 (ou seja, de até 3 600 unidades/h); - a capacidade máxima é de até 3.500 unidades/h e não, a partir de 3..500, conforme interpretação equivoca do Sr. Perito, em seu parecer conclusivo; o governo brasileiro não está interessado na diferença de al/quota do bem importado, pois esse imposto não possui caráter arrecadatório, mas é instrumento de política econômica, em defesa da própria produção nacional; - o fato de optar pela produção de 2.500 a 3.000 batons/h, não significa que a máquina não possua as características do seu manual de instruções que prevê a capacidade máxima de cud 3 600 unidades/h; - descabe a aplicação dos penalidades impostas; - quanto a multa de oficio se =paw no Ato Declaratário Interpretalivo SRE n" 13/2002; - o bem se enquadra no código NCM 8422.30 29 'Ex 19', e foram fornecidos, na DL todos os elementos necessários para sua identificação e classificação tarifdria, nap havendo que se falar em imposição de multa; - o mesmo ocorre com relação a =ha de I% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, disposta no art 84, 1, da n°2 158- 38/2002, que é descabida com base no entendimento do mesmo ADI SRF n 13/2002 Ao final, requer a insubsistência do lançamento e do auto de infração Ponderando as razões aduzidas pela autuada, ,juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o (kg -do de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto . Classificação de Mercadorias Data do fato gerador 20/04/2005 jiLslii çzm 1 ?!12 120 I 0 por LUIS MARCELO GUERRA DE CAS1RO. ViI 2120 I() poi . RICARDO PAULO 1 ,;Ciff% ALtit:riado ILtThIcrue :;:fo 1 ,1i I 2 /;" IC por RICARDO PAULO RUA? cr, 2or I2/2C;10 Enz-zincia 4 C AR 5 Processo 0 10314.004764/2005-15 S3-C1T2 Acórd3o n*3102-00.79.1 FL 3 "EX" TARIFÁRIO Comprovado por laudo técnico e outras provas, de que a mercadoria ndo atende a literalidade do Ex, cabivel o seu desenquadramemo tarifário, e a exigência do Imposto de Importaviio, Imposto .sobre Produtos Industrialicados-Vinculado, Pis/Pasep e Cofins-Importafõo Multa de Oficio Devida a multa de oficio por falta de pagamento do II, na data do registro da DI, conforme dispõe o art 44, inciso 1, da Lei n° 9.430/96 laulta Regulamentar Cabível também a multa do art 84, inciso I, da MP te 2 1.58- 35/2001, pelo fato da mercadoria no se enquadrar no Ex tarifário 1ançamento Procedente Após tomar ciência da decisão recorrida em 16/01/2009, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 11/02/2009, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Enfrento separadamente cada uma das razões re recurso aduzidas 1 - Ex TarifArio Apesar do indiscutível caráter extrafiscal dos impostos incidentes sobre o comércio exterior, fator preponderante para a formulação de políticas públicas e da própria legislação que as respalda, entendo que não cabe ao interprete ampliar o beneficio litigioso para além dos limites fixados no texto normativo. Assim sendo, não vejo como estender o "ex" tarifário pleiteado a produto que não se identifique corn a descrição da resolução Camex que concedeu o beneficio, ainda que o referido bem se destine ao aumento da produção ou não possua similar nacional, Cabe relembrar, nessa esteira, o norte hermenêutico fixado no art 113 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, que, regulamentando o art. 111, 11 do CTN, dispôs: i 1.;./ .26 pcf LIMO MARCELO GUERRA OE CASTRO. 11/ 12[2010 pr RICARDO PAULO ROSA 14:12i20 pcir RICARDO PAULO RDSA. 5 2, 1:0/ 2;:.;10 k1inlv4:;rio 1uFazi:ndo D CARP N.1 r: 1:1 6 Art 113 Interpreta-se literalmente a legislação tributária que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do imposto de importação. Não custa reforçar, por outro lado, que essa linha de raciocínio encontra apoio na remansosa jurisprudência da Camara Superior de Recursos Fiscais e dos extinto Conselho de Contribuintes. Confira-se: -Acórdão CSRF n° 03-06 081, de 08/09/2008 ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - 11 Exercicio . 1995 O Ex-tarifário é uma redução de imposto de Importação de caráter geral. A descrição prevista em um "EV" especifico deve corresponder exatamente com a mercadoria que é importada Aplica-se ao Ex-tarifário a disposição comida no art 111, inciso II, do CTN. - Acórdão 301-30309 de 20/08/2002 BENEFÍCIOS FISCAIS E' "TARIFÁRIO Não restando devidamente comprovado que o equipamento importado exerce as funções previstas no "ex" tarifário, não está o mesmo amparado pela aliquota reduzida, devendo sujeitar-se o contribuinte ao recolhimento dos impostos calculados sob a aliquota estabelecida para a respectiva classificação fiscal, vigente na data do fato gerador, bem como ao recolhimento das multas e acréscimos legais Fixados esses contornos, há que se avaliar se o bem objeto de litígio se enquadraria ou não no beneficio que o Fisco defende descabido e que a recorrente, em sentido ()poste, julga-se merecedora. Diz a Resolução Camex 1 0, de 17/01/2005: Art 1° Ficam alteradas para 2% (dois por cento), até 31 de de:embro de 2006, as aliquotas ad valorem do Imposto de importação incidentes sobre os seguintes Bens de Capital e de Informática e Telecomunicações, na condição de Ex-tartfários. NCM DESCRIÇÃO 8422 (BK) 30.29 Ex 019 — Máquinas autormiticas, multiestações, montadas em corpo único, para encher, montar, embalar e rotular batons, dotadas de mesa, moldadora rotatória corn 180 moldes intercambitiveis, estaçilo de enchimento, esta cão de montagem, estação roluladora e contralador lógico programável (CLP), com capacidade de produção de ate 3 .500 unidades por hora Conforme é possível extrair do processo, tomando como referência as conc1us5es assentadas no laudo técnico de fls. 19 a 48, aduz a autoridade fiscal que a maquina importada pela recorrente não alcançaria a capacidade de produção Fixada na pré-falada resolução Camex, na medida em que não seria capaz de produzir mais do que 3.000 unidades par hora. AItIO ,-.:;11 1/1:112010 por LUIS MARCELO) GUERRA CE CASTRO. 1.1112.'2I::10 pci RICARDO FALJLO ROSÍ, ' 1)12/2010 por RICARDO PAULO ROSA 6 :It)/ rims:if:floc:a I'Dercla DI' C A Ri M l 11 7 Processo n° 10314004764/2005-15 S3-C1I2 Accirdso n '3102-00.794 Fl 4 Acerca da alegada disparidade, relembre-se, aduz a recorrente que a exceção tarifária em discussão surgiu a partir de um pleito por ela formulado e que o laudo técnico, analisando o manual do fabricante, consignou que, em tese, a máquina poderia chegar a produzir 3600 unidades por hora. Consequentemente, satisfeita estaria a exigência fixada no referido ato normativo . Apesar de confirmar, a partir dos elementos carreados ao processo, as alegaeties da recorrente: dependendo da montagem e configuração, a máquina em questão poderia alcançar a capacidade exigida e, efetivamente, a Natura é a autora da iniciativa que culminou com a inclusão do bem na lista das exceOes A Tarifa Externa Comum, entendo que tal máquina não está apta a usufruir do beneficio. Explico. Em primeiro lugar, como é cediço, o fato gerador do imposto de importação se ins= na modalidade que a doutrina denomina instantâneo. Com efeito, nos termos dos art. lo t e 23 2 do Decreto-lei n ° 37, de 1966, respectivamente, o elemento material do fato gerador do imposto de importação é a entrada do produto estrangeiro no Território Nacional, e o temporal, a data do registro da declaração de importação. Consequentemente, a fixação da allquota, base de calculo ou qualquer outro aspecto inerente 5. quantificação da obrigação levará em consideração o estado em que o bem se encontra naquele segundo momento Ou seja, se, após seu ingresso no Território Nacional, o bem importado sofre modificações que, por exemplo, alterem o seu valor ou qualidade, tais modificações não produzem efeito sobre o fato gerador anteriormente aperfeiçoado. Nesse aspecto, precisa é a lição de Geraldo Ataliba3 : 24 2 A confuguração do . fato (aspect() material), sua conexão COM alguém (aspecto pessoal), sua locali:.-ação (aspecto espacial) e sua consuma cão num momento Pico determinado (aspecto temporal), reunidos unitariamente determinam inexorarelmente o efeito jurídico desejado pela lei, criação de uma obrigação jut idica concreta, a cargo de pessoa determinada, num momento preciso Nessa esteira, sendo certo que, de acordo com documentação juntada aos autos, em especial a encomenda descrita por meio das copias que repousam as fls. 55 a 65, o bem efetivamente importado somente está apto a produzir até 3000 unidades por hora, essa será a informação a ser considerada para a fixação dos tributos que incidirão sobre a importação. Ern segundo lugar, o fato da recorrente ter tomado a iniciativa de pleitear a redução tarifária não atribui caráter subjetivo ao beneficio alvo do litígio, de caráter estritamente objetivo, Ou seja, para efeito do reconhecimento do beneficio, interessa verificar se o bem efetivamente importado se enquadra na descrição estabelecida na norma. I Art I° 0 Imposto sobre a Importacao incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Reda95o dada pelo Decreto-Lei n° 2 472, de 01113911988) 2 Art 23 - Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro, na A.-Jroco renal-0'0o. adaarkeira, da dFellralo aque se referp o artigo 4 4. „ p pcn RILARDO PAULO ;1.. 004, 6 ed., p 6v .......... oig:tali»c,nte orlr ;,1,15Q.010 por RICARDO PAULO ROSA 7 r;;TItid C OCO 20 ■ 12 12010 0010 1,1T115 ,,:,;ric do F.:7-,:fricla Dr CAN Nil' H. 8 Em assim sendo, do mesmo modo que, a partir a edição da Resolução Camex n° 01, de 2005, qualquer importador que pretender importar uma máquina que preencha os requisitos objetivamente fixados está apto a usufruir do beneficio, o importador responsável pela iniciativa não pode usufruir do beneficio se o bem importado não se enquadra na descrição estabelecida naquele ato. 2- Multa de Oficio geradoel : Dizia o art 44 da Lei n° 9.430, de 1996, na redação vigente à época do fato Art 44 Nos casos de lançamento de glicio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10892, de 2004) 1 - de -setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acrdscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declara cão inexata, excetuada a hipótese do incho seguinte,- No caso em tela, a multa ern debate está sendo aplicada em razão de que, na opinião do Fisco, a recorrente teria descrito o bem litigioso de maneira inexata. Analisando o extrado da declaração de importação n° 05/0405109-6, especialmente o trecho relativo à descrição da mercadoria, juntado por cópia à fl. 04, entendo que, efetivamente, a conduta narrada se subsume it norma: a recorrente informou que a máquina atingiria uma capacidade superior àquela que efetivamente atinge. Por outro lado, não vejo como aplicar, ao presente processo, a regra de exclusão fixada no ADI SRF n° 13, de 2002. Confira-se o texto do dispositivo: Art I° Não constind infração punível com a multa prevista no art 44 da Lei n° 9430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferencia percentual negociada em acordo internacional, quando incabiveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante (destaquei) Conforme se extrai do texto do referido ato interpretativo, a penalidade em referencia 56 6, afastada se o sujeito passivo pleiteia o reconhecimento de destaque "ex" incabível, mas descreve corretamente o produto, hipótese que não se confunde com a debatida nos autos, onde, repita-se, foi informada uma capacidade de produção que, após a realização da correspondente perícia técnica, demonstrou-se em descompasso com a efetivamente alcançada. 'I Redação Art 44. No casos de lançamento de oficio, serif() aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de, pagamentQ nit recollrtn, Calla de declaraçao.e tlgo de denim-ilea° inexqta.,(RedaeRo dada pela Lei vp-ff.:1K liOunci; 2 ui,7 jvi, GoL t;s' 14:12,2i) lo pot 1-1.11,,ARDO PAULO ROSA Au;L:o1 .;T:Jo irrIl I di I 2i20 10 por RICARDO PAULO ROSA e cio 21)/1212010 r 0 1 0 1..1.11ist,1,00 on Fozi-ncla ii (1:'\R j; L 9 Processo n" 10314.004764/2005-15 S3-C11 2 ALiocl3on° 3102-00.794 H 5 3- Multa de 1% do Valor Aduaneiro Por razões diversas das alegadas, penso que, efetivamente, a multa prevista no art, 84, I da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001 é inaplicável à hipótese narrada nos autos. Relembre-se o que diz o dispositivo: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, 1-classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercasul, nas nomenclaturas complementare,s ou em outros detalhamentos instituidos para a identificação da mercadoria; ou esta altura, é importante que se esclareça que o fato da descrição do ex tarifario levar em consideração a codificação institufda na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) não autoriza concluir, como aparentemente coneluiram as autoridades autuante e julgadoras de primeira instância, que estar-se-ia diante de uma nomenclatura complementar ou detalltamento instituido no intuito de identificar a mercadoria Com efeito, o "ex" em questão, diferentemente do que ocorre com os desdobramentos de subitern da NCM inerentes A Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM), que serve de base para a fixação da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), representa exclusivamente um meio para descrever o bem que está apto a ser alvo de beneficio outorgado no bojo da Resolução Camex n° 01/05, de 19/01/2005. Ou seja, apesar da semelhança de terminologia, somente o "ex" da NBM, se erroneamente indicado, representa um erro na indicação da classificação tarifária e, consequentmente, se subsume ao rol das hipóteses que determinam a imposição da multa, Da mesma forma, não se está diante de um detalhamento intituido para identificar a mercadoria. Com efeito, diferentemente com o que se verifica com relação Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), que tem por objetivo identificar a mercadoria submetida a despacho aduaneiro de importação para fins de valoração aduaneira e servir de fonte para aprimorar as estatísticas de comércio exterior, a Resolução Camex não institui detalhamento, mas o tratamento diferenciado para os produtos que se enquadrem na referida descrição. 4- Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário exclusivamente para afastar a imposição da multa regulamentar correspondente a 1% do valor aduaneiro, capitulada no art. 84 da Medida Provisória a° 2,158-35, de 2001. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2010 Ajd:o.IrrnU;- ern 1 .'112/ 2 0 10 or LUI S MARCELO GUERRA DE DASI PO 14/1212010 por RICARDO PAULO Iu'iIe &n1 1d/12/20 I 0 ocr RICARDO PAULO ROSA 9 li: r 20112r2 0 1 ii nnin1iltain .,ti0 da Par...:rcla CARI' H. 10 Luis Marcelo Guerra de Castro Voto Vencedor Incialmente, necessário que se diga que não divirjo do i, Relator quanto a nenhuma das premissas que nortearam a decisão defendida no voto vencido.Assim como entende, também considero que não cabe ao intérprete ampliar o beneficio para além dos limites fixados no texto normativo, não havendo, de fato, razões para estender o "ex" tarifário pleiteado a produto que não se identifique com a descrição da resolução Comex que concedeu o beneficio, ainda que o referido benr se destine ao aumento da produção ou não possua similar nacional. Com efeito, minha divergência cinge-se à correta identificação da mercadoria importada, com vistas a considerá-la como enquadrada ou não nos termos do "ex" tarifário, tal como deseja a empresa autuada. Cumpre destacar que, levando-se ern conta as diferentes repercussões advindas das intervenções passíveis de serem identificadas na engenharia do equipamento, requeri vista dos autos, no intento de compreender melhor qual modificação havia sido feita no bem importado. De fato, sendo incontroverso que o mesmo havia sido customizado, com o fim especifico de adaptá-lo as condições de produção próprias da empresa adquirente, restaram, ao meu sentir, dúvidas em relação a natureza da transformação a que fora submetido, a técnica empreendida para tanto e aos efeitos produzidos pela modificação. A partir dessas informações poder-se-á distinguir entre uma modificação que tenha descaracterizado o equipamento, excluindo-o das especificações presentes no texto do "ex", e uma simples adaptação sem maiores efeitos. Examinamos o laudo tecnico que deu azo it autuação, contata-se que o mesmo não faz qualquer menção ao assunto, como pode a seguir ser confirmado. 4. A máquina possui capacidade de produção de at 3.500 unidades por hora? Caso no possua, in forme a capacidade real da máquina. R. Não, a máquina MM180 foi montada c configurada pela Weckerle GmbH para a Natura do Brasil para atingir uma capacidade maxima de produção de 2500 a 3000 batons par hora Essa maxima capacidade produtiva está claramente especificada no anexo Encomenda número 1284, que representa o número de serie da máquina, também identificado pelo número 4500340039, emitido pela Weckerle GmbH em 29/06/04, pelo vendedor número 73908. A maxima capacidade produtiva estimada a máquina MMISO, segundo o manual do fabricante pode chegar a atingir teoricamente, a faixa de 3000 a 3600 batons por hora. Porem, na pratica, para cada projeto a máquina fica limitada aos gargalos de produção. A máquina MM180, N/S t# 1284, montada pela Weckerle para a Natura, possui urna maxima capacidade produtiva maxima de 2500 a 3000 batons por hora, devido aos seguintes motivos, explanados pela própria Weckerle, pelos c-mails adiante relacionados: rite C,711 1 6'1212010 po.0,11S MARCELO GUERRA OR CASTRO, 14;12!2010 pc:r RICARDO PAULO ROSA Cad ,3 digiiahletqa ri ktf 12,2010 por WARD() PAULO ROSA 10 Ecusirk, ,;.:11 , 20112=10 pI3 E.1,ni,¡!&icr 00 Pazi.rIcia 1)1: CARl MF ij. i Processo r? 10314 004764/2005-15 S3-C1 1 2 Acánlao ri '3102-00.794 Fl 6 Portanto, confonne respondido pelo fabricante, temos ao todo três fatores que interferem nesse resultado da máquina, abaixo discriminados: • Tipo de pasta utilizada pelo usuário para a moldagem dos batons; • Necessidade de um maior tempo de resfriamento da pasta no interior do molde, através de circulação de água gelada ern suas cavidades; • Experiência adquirida pela Weckerle em projetos anteriores da máquina MM180, fornecida a outros clientes. Devido a esses dois fatores, a Weckerle só garante essa capacidade máxima de 3000 unidades por hora De fato, não ha nenhuma informação que permita conhecer o tipo de modificação à qual foi submetido o equipamento importado, com vistas à sua adaptação aos gargalos de produção próprios da empresa. Ao meu sentir, trata-se de uma omissão de grande consequência, já que constitui -se na única informação capaz de determinar o quanto o bem foi alterado na sua essência, permitindo urna correta avaliação dos efeitos que essa modificação trouxe sobre a sua identidade e, corolário, seu alinhamento ao texto do "ex". Poder-se-ia cogitar, neste momento, a necessidade de realização de diligência para melhor instrução processual; todavia, outros elementos presentes nos autos permitiram decidir a lide Os primeiros elementos que se colocam a disposição são extraídos do próprio laudo técnico. Tal como afirma, são três as razões para que o equipamento importado não atinja a produção definida no texto do "ex": tipo de pasta utilizada pelo usuário para a moldagem dos batons; necessidade de um maior tempo de resfriamento da pasta no interior do molde, através de circulação de água gelada em suas cavidades e experiência adquirida pela Weckerle em projetos anteriores da máquina MM180, fornecida a outros clientes. Até quanto posso compreender tais apontamentos, trata-se, na verdade, de uma única razão, ligada ao tipo de matéria-prima utilizada pela Natura na produção dos batons. Devido ao tipo especifico de pasta utilizada pela empresa (razão 01), que requer maior tempo de resfriamento no interior do molde (razão 02), o exportador, por experiência adquirida em vendas anteriores (razão 03), não garante o uso do mesmo para produção superior a 2500 a 3000 batons por hora, Ora, reunindo as informações até aqui obtidas, o que se tem está resumido a um total desconhecimento sobre o tipo de modificação a que o equipamento foi submetido, restando, inclusive dúvidas sobre se de fato o foi; e uma informação dando conta de que o mesmo não deve ser utilizado para quantias superiores as apontadas no laudo, única e exclusivamente, porque a matéria-prima utilizada pelo importador desaconselha esta decisão. Perante tais evidencias, emerge a seguinte questão: onde esta informado no processo que o equipamento foi submetido a uma transformação substancial a ponto de lhe rcargfei,NtieEle-ssersiZialrdiTpi-ddiTii'r ate' 3300 ê rp PAULO RO•;;;', Atit,i.nt:cndo col 14/12/2010 ;:',.0r RICARDO PAULO ROSA It 17.c:141( ...';:. 01.1 20/ t 2;2010 pt2101,1101tic 00 l'z,,3ricla Até aqui, mais parece que trata-se do mesmo equipamento para o goal, por medida de cautela, foi recomendado (mesmo que como condição de uso), no citado anexo intitulado encomenda número 1284, a produção de, no máximo, 2.500 a 3.000 unidades/hora. De fato, a conclusão acima é finalmente corroborada pelo Manual Técnico do equipamento presente nos autos. La consta a capacidade de produção na faixa de 3000 a 3600 unidades/hora que, data máxima vênia, não é teórica como entendeu o perito. Se assim o fosse, estaríamos diante de uma importante constatação de falsidade ideológica do exportador estrangeiro, situação que não pode admitida se não depois de cabalmente identificada e comprovada. Com efeito, mal comparando, o manual técnico de um equipamento esta para ele como a identidade está para uma pessoa. Não havendo razões para desconstituir as informações nele consignadas, elas devem ser consideradas em caráter definitivo no trabalho de identificação merceológica, cumprindo a perícia o papel de esclarecer aspectos não especificados nos manuais. Contudo, se razões houver para rejeitar as informações nele veiculadas, essas razões devem ser detalhada e pormenorizadamente apresentadas, sob pena de não poderem se consideradas . Por todo o exposto, desnecessário fazer menção ao fato de que o "ex" em comento foi solicitado pelo próprio importador e, segundo consta dos autos, teria sido concedido mesmo que o equipamento produzisse apenas as 2,500 a 3.000 unidades/hora informadas no laudo. Não divirjo de que tratam-se de informações, via de regra, despiciendas, na medida em que o "ex" tarifário é de miter objetivo, aplicável única e exclusivamente de acordo com o texto nele identificado, contudo, em situações nebulosas, esses podem ser considerados elementos subsidiários, capazes de direcionar a conclusão para um ou outro lado. De qualquer forma, como disse, penso que seja desnecessário, no vertente litígio, lançar mão de tais argumentos. VOTO POR DAR provimento integral ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, exonerando o crédito tributário correspondente. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2010, Ricardo Paulo Rosa iir. c:m I //12/20 IE pk-Ir LUIS MAO,CELC/ GUERRA DE CASTRO. M.,"/ 2/20 ID pcg. RICARDO PAULO ROSA I 200 0por RICARDO PAULO ROSA 12 ,7:n1 2011 OLDiErelo Uniste,;io 01 Fl. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção la Câmara Processo n°: 10314.004764/2005-15 Interessado(a) :INDUSTRIA E COMERCIO DE COSMETICOS NATURA LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto ao CARF, a tomar ciência do Despacho. Brasilia, 18 de janeiro de 2011. ChefePrimeira Camara da Terceira Seção Ciente, com a observaçâo abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Corn Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001272/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
LANÇAMENTO PARA EVITAR A DECADÊNCIA.
Quando existe questionamento judicial com suspensão de exigibilidade do crédito tributário, deve o Fisco realizar o lançamento para evitar a decadência partindo do pressuposto de que o questionamento postulado pelo contribuinte perante o Poder Judiciário será julgado improcedente. Assim, o lançamento para evitar a decadência deverá fixar a norma individual e concreta, levando em conta todos os aspectos de fato e de direito necessária à perfeita formalização da obrigação tributária.
CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não há falar-se em concomitância quando o contribuinte questiona aspectos da relação tributária formalizada por meio do lançamento para evitar a decadência que não se referem às questões levadas a julgamento perante o Poder Judiciário, mas que influem diretamente na quantificação da obrigação tributária que, ao final do processo judicial, poderá consagrar-se como exigível.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1401-000.357
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO PARA EVITAR A DECADÊNCIA. Quando existe questionamento judicial com suspensão de exigibilidade do crédito tributário, deve o Fisco realizar o lançamento para evitar a decadência partindo do pressuposto de que o questionamento postulado pelo contribuinte perante o Poder Judiciário será julgado improcedente. Assim, o lançamento para evitar a decadência deverá fixar a norma individual e concreta, levando em conta todos os aspectos de fato e de direito necessários à perfeita formalização da obrigação tributária. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há falar-se em concomitância quando o contribuinte questiona aspectos da relação tributária formalizada por meio do lançamento para evitar a decadência que não se referem às questões levadas a julgamento perante o Poder Judiciário, mas que influem diretamente na quantificação da obrigação tributária que, ao final do processo judicial, poderá consagrar-se como exigível. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fl. 367DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. . Relatório Trata o presente feito de lançamento para evitar a decadência de imposto de renda pessoa jurídica - IRPJ e contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL lavrado em desfavor da Recorrente relativo aos anos-calendário 2003, 2004 e 2005. Conforme se extrai do termo de verificação fiscal, in verbis: O contribuinte apresentou, relativamente aos anos-calendário 2003 a 2005, as Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) tendo como forma de tributação do lucro o LUCRO REAL e apuração do IRPJ e da CSLL - ANUAL. Em análise das Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica dos anos-calendário de 2003 a 2005 constatamos que o contribuinte possui investimentos em empresas nacionais e estrangeiras avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Verificamos que nas apurações dos lucros reais e das bases de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, correspondentes aos anos-calendário de 2003 a 2005, foram apurados sem as corretas observâncias das normas legais atribuídas a tributação dos resultados positivos decorrentes das avaliações de investimentos no exterior, em empresas controladas e/ou coligadas, pelo método de equivalência patrimonial. O contribuinte, contrariando normas tributárias então vigentes, excluiu do lucro liquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social, a totalidade dos resultados positivos auferidos nos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial .Foram adicionadas somente as parcelas correspondentes aos lucros disponibilizados, conforme abaixo demonstrado. Fl. 368DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 16327.001272/2008-40 Acórdão n.º 1401-00.357 S1-C4T1 Fl. 355 3 Dentre os investimentos no exterior, acima demonstrados, as participações societárias AGENCIA GRAND CAYMAN e AGENCIA NASSAU são filiais do contribuinte, enquanto, a empresa BOAVISTA BANKING LIMITED é uma sociedade controlada. Esclarecemos, ainda, que houve aumento de capital do Banco Boavista Grand Cayman pela incorporação, em março de 2005, do Boavista Banking Ltd. DA AÇÃO JUDICIAL Em relação a esta matéria, o contribuinte impetrou, em 30 de janeiro de 2003 na 24° Vara eivai do Estado de São Paulo, Mandado de Segurança com pedido de Liminar n°2003.6100.003806-6 a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário de IRPJ e CSL resultantes da não adição nas bases de cálculo destes tributos dos resultados positivos de equivalência patrimonial de seus investimentos em sociedades coligadas e/ou controladas no exterior, afastando-se a aplicação da IN SRF 213/02. A certidão de objeto e pé expedida em 10 de janeiro de 2008 informa que em 31 de janeiro de 2003 foi proferida decisão que DEFERIU a medida liminar requerida, que foi interposto Agravo de Instrumento pela Fazenda Nacional e certifica finalmente que os autos foram conclusos para sentença.(fls. 133/134). Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação ao lançamento, aduzindo, em suma, o seguinte: a) Preliminar de incompetência da DEINF/SP para a lavratura do lançamento; b) No mérito, entende que uma interpretação sistemática das normas aplicáveis ao caso impede o lançamento da forma como efetuada; c) Ilegalidade da aplicação da SELIC como índice de atualização e juros dos créditos tributários. A DRJ de São Paulo negou provimento à impugnação, tendo a decisão sido ementada conforme se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. Fl. 369DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 4 A DEINF/SP detém a competência subjetiva para efetuar a fiscalização e o lançamento em relação aos Bancos Comerciais, bem como, a competência territorial que abarca o domicílio fiscal da interessada. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. Restando clara a disposição contida no comando normativo, a autoridade administrativa deve aplicá-la sem emitir juizo de valor acerca de aspectos de sua validade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004,2005 CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ espraia seus efeitos sobre o lançamento da contribuição CSLL lançada em decorrência da redução indevida do lucro liquido. Inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário, repisando as razões outrora oferecidas em sede de impugnação. É este, em suma, o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso voluntário é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. PRELIMINAR. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE AUTUANTE. Fl. 370DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 16327.001272/2008-40 Acórdão n.º 1401-00.357 S1-C4T1 Fl. 356 5 Segundo se extrai da peça recursal (fls. 312/313), a Recorrente entende que a competência para a lavratura do presente auto de infração cabe à Delegacia Especial de Assuntos Internacionais – DEAIN, e não à DEINF – Delegacia Especial de Instituições Financeiras. Acerca de tal questionamento, assim se posicionou a DRJ, in verbis: 5.4. A Secretaria da Receita Federal do Brasil é um órgão especifico, singular, subordinado ao Ministério da Fazenda, responsável pela administração dos tributos de competência da União, inclusive os previdenciários, e aqueles incidentes sobre o comércio exterior. Nos termos do Anexo I do Decreto n° 6.313/2007, ã Secretaria da Receita Federal do Brasil compete executar o lançamento dos tributos e contribuições e demais receitas da União, sob sua administração. 5.4. A Lei n° 10.593/2002 define que a constituição do crédito tributário mediante lançamento é atribuição privativa dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, in verbis: "Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor- Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei n ü 11.457, de 2007) 1 - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei n°11.457, de 2007)" 5.5. Neste ponto já é possível salientarmos uma conclusão: a autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário é o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. 5.6. Naturalmente, os auditores estão distribuídos espacialmente por todo o território nacional, lotados nas diversas unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, surgindo assim a questão da fixação dos limites dentro dos quais será exercida a competência de cada uma para efetuar o lançamento. 5.7. A RFB utiliza-se de diferentes critérios para efetuar a distribuição da competência entre suas unidades: domicilio tributário, natureza da relação jurídico tributária e qualidade dos contribuintes. 5.8. A competência territorial leva em consideração o domicilio tributário do contribuinte. A competência material adota como critério o conteúdo da relação jurídico tributária. A competência subjetiva utiliza o critério da qualidade do contribuinte. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 6 5.9. O Anexo IV da Portaria RFB n° 10.166, de 11 de maio de 2007, dispõe sobre a competência territorial da Deinf e da Deain: Anexo IV Jurisdição das Delegacias Especiais quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, excetuando-se os relativos ao comércio exterior. 29 - Deain - São Paulo (SP) , Estado de São Paulo 39- Deinf - São Paulo (SP) Estado de São Paulo 5.10.Assim, a competência territorial das duas delegacias é a mesma. 5.11. No Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, a competência da Deinf baseia-se no critério da qualidade do contribuinte, ou seja, nas atividades por ele desenvolvidas: "Art. 169. Às Delegacias Especiais de Instituições Financeiras – Deinf quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, excetuando-se os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de controle e auditoria dos serviços prestados por agente arrecadador e ainda, em relação aos contribuintes definidos por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, desenvolver as atividades de tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e atendimento ao contribuinte, as atividades de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas e, especificamente: (Redação dada a partir de 2 de janeiro de 2008 pela Portaria ME nb- 23, de 30 de janeiro de 2008) (grifo nosso) III - processar lançamentos de oficio, imposição de multas e outras penas aplicáveis as infrações à legislação tributária, e as correspondentes representações fiscais; (Renumerado a partir de 2 de janeiro de 2008 pela Portaria AIF n 2 23, de 30 de janeiro de 2008) (...) 5.12. Já, o mesmo regimento utiliza o critério da matéria para delimitar a competência da Deain: "Art. 170. À Delegacia Especial de Assuntos Internacionais – Deain compete, no ambito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de fiscalização concernentes ás operações de preços de transferência entre pessoas vinculadas, tributação em bases universais, valoração aduaneira, movimentação de recursos no exterior, operações de remessas internacionais consubstanciadas em operações de câmbio e de transferências internacionais em moeda nacional, e as atividades de gestão de pessoas, tecnologia e segurança da informação, programação e logística, comunicação social e, especificamente (nosso grifo) Fl. 372DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 16327.001272/2008-40 Acórdão n.º 1401-00.357 S1-C4T1 Fl. 357 7 I - processar lançamentos de oficio, imposição de multas e outras penas aplicáveis as infrações á legislação tributária, e as correspondentes representações fiscais;" 5.13.Diante do que foi exposto até agora, podemos extrair as seguintes conclusões: • A competência territorial da Deinf e da Deain é a mesma, qual seja, a do Estado de São Paulo. • A Deain tem competência material para efetuar a fiscalização e o lançamento relativo a tributação em bases universais, ou seja, aos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior por contribuintes sediados no Brasil. • A Deinf tem competência subjetiva para efetuar a fiscalização e o lançamento em relação aos contribuintes que desenvolvem as atividades discriminadas no Anexo V da Portaria RFB n° 10.166, de 11 de maio de 2007. • 5.14. No caso de um lançamento relativo à tributação em bases universais em que o sujeito passivo é uma instituição financeira conclui-se que a competência é concorrente, como adiante explicitado. 5.14.1. A leitura dos arts. 169 e 170 do Regimento Interno da 12E3, supra transcritos, nos leva à conclusão de que a competência para fiscalizar e lançar os tributos decorrentes das operações de tributação em bases universais das instituições financeiras situa-se em uma área de intersecção da jurisdição da Deinf e da Dcain. Note-se que das atribuições da primeira não foram excetuadas as matérias discriminadas no art. 170, e os contribuintes que desenvolvem as atividades discriminadas no Anexo V da Portaria RFB n° 10.166, de 11 de maio de 2007 não foram excluídos da área de atuação da segunda. Em outras palavras, a competência da Deinf e da Deain para efetuar o lançamento de IRPJ c CSLL sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior por instituições financeiras sediadas no Brasil é concorrente. 5.14.2. Reforça esta idéia o fato do mandado de segurança nº 2003.61.00.003806-6 (fl. 220 e 236) ter sido impetrado contra os titulares das duas unidades administrativas, o Delegado Especial das Instituições Financeiras em São Paulo e o Delegado Especial de Assuntos Internacionais em São Paulo. 5.15. Com efeito, a presente autuação refere-se a "Glosa dc Prejuízos Fiscais compensados indevidamente. Saldos de prejuízos insuficientes" no ano-calendário de 2003. Parte do saldo de prejuízo fiscal existente em 2002 foi utilizada por ocasião da autuação formalizada, pela DEAIN/SP, em 2005, relativamente a crédito tributário de IRPJ incidente sobre os lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no ano calendário de 2002 (Processo administrativo n° 16327.001312/2005-19). Fl. 373DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 8 5.16. A autuação procedida em 2005, com a utilização de parte do saldo de prejuízo fiscal, resultou na insuficiência de prejuízo fiscal para a compensação pretendida pela interessada em 2003. 5.17. Pelo fato de a compensação indevida objeto da presente exigência ser resultante da autuação a que se refere o processo 16327.001312/2005-19, há de se entender que tanto os auditores fiscais lotados na DEAIN, como aqueles lotados na DEINE/SP são competentes para efetuar o lançamento em tela. 5.18. Mas ainda que assim não se entenda, deve-se lembrar que, no Decreto n" 70.235/1972, encontram-se dois dispositivos legais que regulam a hipótese de formalização da exigência fiscal por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, ou seja, por Auditor- Fiscal da Receita Federal do Brasil lotado em repartição fiscal que não jurisdiciona o contribuinte: "Art. 9' "§ 2° Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. (nosso grifo). § 3°. A formalização da exigência, nos termos do parágrafa anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Renumerado de 2° para 3º, pelo art. I° da Lei nº 8.748/93)" 5.19. Tais dispositivos, ainda que não aplicáveis ao presente caso, uma vez que a exigência foi formalizada por servidor competente da jurisdição do domicílio tributário do sujeito passivo, dariam guarida ao lançamento mesmo que, por hipótese, a DEINF/SP não detivesse a competência, pois teria sido a autoridade lançadora da DFINF/SP a primeira a tomar conhecimento da infração pertinente à compensação de prejuízo fiscal. 5.20. Note-se que as normas administrativas que disciplinam a competência da Deain e da Deinf não são antinômicas a priori, ou seja, é perfeitamente possível a existência da competência concorrente, devendo a Administração apenas tomar as providências necessárias para evitar a fiscalização e o lançamento em duplicidade. 5.21. Registre-se, ainda, que não ocorreu lançamento em duplicidade DEINF/SP procedeu ao lançamento pela utilização de prejuízo fiscal inexistente. 5.22. Não há pois, qualquer irregularidade pelo fato de o lançamento ter sido efetivado pela DEINF/SP, restando afastada a alegada nulidade do auto de infração por incompetência da DEINF/SP (fls. 287/290). Compartilho integralmente das fundamentações acima explicitadas, pelo que há de ser negado provimento ao recurso neste particular. Fl. 374DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 16327.001272/2008-40 Acórdão n.º 1401-00.357 S1-C4T1 Fl. 358 9 MÉRITO. No mérito, é importante registrar que a Recorrente não pretende discutir a matéria levada ao Poder Judiciário, qual seja, a obrigatoriedade de oferecimento à tributação, no Brasil, da totalidade dos resultados positivos auferidos no exterior dos investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Destaque-se que, o objeto do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente é o reconhecimento do direito de não ser compelida ao recolhimento do IRPJ e CSLL incidentes sobre a variação cambial dos resultados positivos de equivalência patrimonial dos investimentos filiais, coligadas ou controladas no exterior, declarando-se, ainda, a inconstitucionalidade do art. 7º, §1º, da Instrução Normativa nº 213/2002. Lado outro, o pleito da Recorrente no presente Recurso Voluntário é: caso venha a ser julgado improcedente o seu pedido no Mandado de Segurança citado acima, ou seja, caso seja compelida a tributar o aumento patrimonial de investimentos no exterior decorrentes de variações cambiais, deve lhe ser dado o direito de compensação das variações cambiais negativas. Portanto, a matéria do presente Recurso está delimitada a conferir a Recorrente o direito de compensar as variações cambiais negativas, decorrentes de participações societárias detidas no exterior, com as variações cambiais positivas, caso o judiciário entenda que estas últimas são passíveis de tributação. Passa-se, nas linhas abaixo, a descrever a evolução dos dispositivos legais, no que se refere à tributação dos lucros de filial, coligada ou controlada no exterior. A partir de 1996, com a edição da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o Brasil passou a tributar a renda das pessoas jurídicas em caráter universal, adotando a residência como elemento de conexão. Assim, toda pessoa jurídica considerada residente no Brasil nos termos da legislação fiscal, passou a ter o seu rendimento auferido no exterior alcançado pela tributação, no Brasil, do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. Veja-se o caput do art. 25 do referido diploma legais, in litteris: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Cumpre, porém, determinar quando os lucros da filial deverão ser considerados disponibilizados para a matriz, no intuito de definir o momento de incidência de tais tributos. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 43, abriu a possibilidade de o legislador ordinário determinar o momento de disponibilidade dos lucros. Em que pese a Fl. 375DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 10 redação mencionar somente “receita ou rendimento”, deve-se entender, neste caso, que os lucros estão compreendidos no rendimento. Dispõe o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1 o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. ( § 2 o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Sem destaques no original) Na esteira do que foi delegado à lei ordinária pelo CTN, a Medida Provisória nº 2.158-35/01, art. 74, determinou que os lucros serão considerados disponibilizados pela controlada ou coligada na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Confira-se o teor do dispositivo citado: “Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento.” (Sem destaques no original) É importante salientar que o artigo supra citado é objeto de questionamento junto ao Supremo Tribunal por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade 2588. Não obstante, como ainda não existe julgamento definitivo da referida Adin, a norma estabelecida pelo art. 74 da MP 2.158-35/01 permanece em vigor, de sorte que os lucros auferidos por filiais, coligadas ou controladas no exterior deverão ser tributados pela controladora ao final de cada ano, quando do fechamento do balanço. É importante notar, sem adentrar, contudo, no âmbito da discussão judicial, que a Instrução Normativa nº 213/02 estabeleceu a tributação dos resultados de equivalência patrimonial de investimentos no exterior: Fl. 376DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 16327.001272/2008-40 Acórdão n.º 1401-00.357 S1-C4T1 Fl. 359 11 Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do ano-calendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 2º Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL, inclusive no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL. § 3º Observado o disposto no § 1º deste artigo, a pessoa jurídica: I - que estiver no regime de apuração trimestral, poderá excluir o valor correspondente ao resultado positivo da equivalência patrimonial no 1º, 2º e 3º trimestres para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; II - que optar pelo regime de tributação anual não deverá considerar o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL apurados sobre a base de cálculo estimada; III - optante pelo regime de tributação anual que levantar balanço e/ou balancete de suspensão e/ou redução poderá excluir o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL. O resultado prático da determinação do art. 7º da Instrução Normativa nº 213/02 é que, de acordo com tal norma, não só os lucros, mas também a variação cambial de investimentos no exterior estariam sujeitos à tributação pelo IRPJ e pela CSLL. O dispositivo transcrito acima determina a tributação dos resultados positivos de equivalência patrimonial e a legalidade deste está sendo questionada em Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente. Todavia, a Recorrente questiona: caso o Judiciário entenda que a variação cambial positiva de investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial seja tributável pelas regras de tributação de investimento no exterior, consequentemente, a variação cambial negativa deverá ser excluída da tributação. De início, é de se expor o entendimento da Receita Federal do Brasil no que concerne à tributação das variações cambiais: Fl. 377DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 12 “MINISTÉRIO DAFAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO 2ªTURMA ACÓRDÃO Nº 12-13973 de 25 de Abril de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EMENTA: LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO. DISPONIBILIZAÇÃO DO LUCRO. (...) RESULTADO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. EXCLUSÃO DO LUCRO JÁ TRIBUTADO E DA VARIAÇÃO CAMBIAL SOBRE O INVESTIMENTO. Na apuração do resultado da equivalência patrimonial relativo a investimento sobre empresa sediada no exterior, deve ser excluído o lucro já tributado na forma do art. 25 da Lei nº 9.249/1995 e do art. 1º da Lei nº 9.532/1997, sob pena haver duplicidade de tributação. Também deve ser excluído do resultado da equivalência patrimonial a variação cambial do investimento, por falta de previsão legal da incidência tributária. (Sem destaques no original) Ano-calendário: 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004 MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 132 de 03 de Abril de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EMENTA: Variação Cambial. Investimento em coligada ou controlada. A contrapartida do ajuste de investimentos no exterior, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, quando decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real. (Sem destaques no original) MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 4 de 05 de Janeiro de 2006 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EMENTA: A contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 16327.001272/2008-40 Acórdão n.º 1401-00.357 S1-C4T1 Fl. 360 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 46 de 10 de Novembro de 2003 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EMENTA: A contrapartida do ajuste de investimentos no exterior, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, quando decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real.” (Sem destaques no original) Verifica-se que o posicionamento da RFB é de que o resultado positivo do método de equivalência patrimonial deve ser tributado, porém excluído deste o resultado decorrente de variações cambiais. Este entendimento é corroborado pelas razões de veto do art. 46 da Lei nº 10.833/2003, conforme a Mensagem de Veto nº 795/2003 a seguir transcrita: MENSAGEM N° 795, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1º do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei de Conversão n 30, de 2003 (MP n' 135/03), que "Altera a Legislação Tributária Federal e dá outras providências". Ouvido, o Ministério da Fazenda manifestou-se quanto ao seguinte dispositivo: Art. 46 "Art. 46. A variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano calendário." Razão do veto Não obstante tratar-se de norma de interesse da administração tributária, a falta de disposição expressa para sua entrada em vigor certamente provocará diversas demandas judiciais, patrocinadas pelos contribuintes, para que seus efeitos alcancem o ano-calendário de 2003, quando se registrou variação cambial negativa de, aproximadamente, quinze por cento, o que representaria despesa dedutivel para as pessoas jurídicas com controladas ou coligadas no exterior, provocando, assim, perda Fl. 379DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 14 de arrecadação, para o ano de 2004, de significativa monta, comprometendo o equilíbrio fiscal" Esta, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Brasília, 29 de dezembro de 2003. O dispositivo transcrito acima tratava da tributação da variação cambial, que, se positiva, seria considerada receita; e, se negativa, seria considerada despesa, ambas com efeito na apuração do lucro real. Portanto, buscava o legislador que a variação cambial dos investimentos em filiais, coligadas ou controladas no exterior tivesse o tratamento de receita ou despesa na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porém este dispositivo fora vetado sob o argumento de que, se a variação cambial negativa fosse considerada despesa dedutível, acarretaria em perdas de arrecadação. Apesar de o dispositivo ter sido vetado pelas razões expostas acima, entendeu a Autoridade Fiscal que a variação cambial positiva dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial deveria compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Todavia, não considerou os efeitos da variação cambial negativa dos investimentos no exterior, avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Neste sentido, argui a Recorrente: se ao lavrar o auto de infração a Autoridade Fiscal incluiu a variação cambial positiva na apuração do lucro real, o mesmo tratamento deveria ser dado à variação cambial negativa, ou seja, deduzi-la do lucro real. O que seria impraticável é adotar o entendimento de que a variação cambial, quando positiva, seria tributável, mas, quando negativa, seria indedutível. Antes de analisar o mérito específico, é importante verificar qual seria o tratamento tributário da equivalência patrimonial dos investimentos no exterior: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I - os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II - caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte-americanos e, em seguida, em Reais; Fl. 380DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 16327.001272/2008-40 Acórdão n.º 1401-00.357 S1-C4T1 Fl. 361 15 § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I - as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II - os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III - se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV - as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I - os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II - os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do período-base da pessoa jurídica; III - se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV - a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Fl. 381DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 16 Ou seja, a lei determina que os resultados, positivos ou negativos, da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente. Veja-se o disposto no Decreto-lei nº 1.598/77, in litteris: Art. 23 - A contrapartida do ajuste de que trata o artigo 22, por aumento ou redução no valor de patrimônio liquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real. Parágrafo único - Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País Ocorre que, se o Judiciário entender que o resultado positivo de equivalência patrimonial deve ser interpretado como “lucro auferido no exterior” e, portanto, passível de tributação, o resultado negativo de equivalência patrimonial deve ser interpretado como “prejuízos e perdas auferidos no exterior” e, por conseguinte, deve ser passível de compensação com os resultados positivos auferidos no exterior. Em síntese: a) A legislação determina que os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, coligadas e controladas, devem se sujeitar à tributação no Brasil; b) A legislação determina que os prejuízos e perdas no exterior, decorrentes de filiais, coligadas e controladas, são dedutíveis dos lucros auferidos no exterior; c) Caso seja interpretado que o resultado positivo de equivalência patrimonial de investimentos no exterior deverá ser considerado como lucro auferido no exterior, o resultado negativo da equivalência patrimonial deverá ter o mesmo tratamento dos prejuízos e perdas decorrentes de investimentos no exterior. No caso dos autos, a matéria tributável foi apresentada pela douta Autoridade Fiscal desconsiderou o a compensação da variação cambial negativa, da seguinte forma: Fl. 382DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 16327.001272/2008-40 Acórdão n.º 1401-00.357 S1-C4T1 Fl. 362 17 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, de forma a que, para cada ano-calendário, nos limites do lançamento e nos limites da variação cambial positiva, por empresa investida no exterior, seja considerada a variação cambial do ano- calendário anterior, com reflexo da variação cambial do ano seguinte. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 383DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 13/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 13/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
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Numero do processo: 10880.089255/92-54
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 1997
Ementa: PEREMPÇÃO - Não se conhece do mérito de recurso intempestivo,
porque protocolado fora do prazo previsto no art. 33 do Dec. n°
70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 105-11.736
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Jorge Ponsoni Anorozo
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Recorrida : DRF em SÃO PAULO - SP Sessão de :16 DE SETEMBRO DE 1997 Acórdão n°. :105-11.736 PEREMPÇÃO - Não se conhece do mérito de recurso intempestivo, porque protocolado fora do prazo previsto no art. 33 do Dec. n° 70.235f72. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO ITAU S/A. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. VERINALDO HE - A SILVA PRESIDENTE JORGE PONSONI ANOROZO RELATOR FORMALIZADO EM: 9 1 OUT 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CARLOS PASSUELLO, NILTON PÉSS, VICTOR WOLSZCZAK, IVO DE LIMA BARBOZA e CHARLES PEREIRA NUNES. Ausente justificadamente o Conselheiro AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. 10880.089255/92-54 ACÓRDÃO N°. 105-11.736 RECURSO N°: 108.955 RECORRENTE: BANCO ITAU S/A. RELATÓRIO 01 - A empresa acima identificada, já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário contra decisão da autoridade singular; que não conheceu do mérito da impugnação apresentada contra a exigência materializada no auto de infração de fls. 45/50. 02 - A exação, capitulada nos artigos 347°, 348°, 349° e 388°, do Regulamento para a cobranca e fiscalização do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 85.450/80, combinado com o artigo 3° da Lei n° 8.200/91, está alicerçada no fato de ter a empresa excluído do lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, já no período-base de 1991 - exercício de 1992, a totalidade do resultado da correção monetária complementar do balanço encerrado no ano de 1990, correspondente à diferença entre a variação do IPC e do BTNF, prevista na Lei n° 8.200/91 e regulamentada pelo Decreto n° 332/91. Entendeu a fiscalização que a exclusão dessa diferença, para fins de apuração do imposto devido, deveria ser efetuada em 04 (quatro) períodos-base, a partir do período-base de 1993 até o de 1996, à razão de 25% (vinte e cinco por cento) ao ano, como determina o artigo 38 do Decreto 332/91, que regulamentou o artigo 3° da Lei n° 8.200/91 (fls. 01, 07-V e 48). 03 - A autoridade lançadora, tanto no termo de verificação fiscal, às fls. 01, quanto na folha de continuação do auto de infração, às fls. 48, demonstra conhecer que a recorrente litiga judicialmente a respeito deste assunto, reconhecendo desde já que o crédito tributário constituído ficará com a exigibilidade suspensa até que seja prolatada a decisão final daquele Poder. O crédito tributário 7 IL-r--4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. 10880.089255/92-54 ACÓRDÃO N°. 105-11.736 teria sido constituído apenas para prevenir o direito da Fazenda Nacional contra possíveis questionamentos futuros relativos à decadência. 04 - A autuada não se conformou com o lançamento e impugnou-o. Alega, em síntese, que: "/) tributável pelo imposto de renda, como o próprio nome sugere, é a renda (lucro) auferida; II) o diferencial do IPC em relação ao BTNF, por representar mal desvalorização da moeda, sob pena de desnaturamento da renda (lucro), deve ser levado em consideração na aplicação da CMB; III) o resultado da CMB, derivado dessa diferença, quando despesa, deve ser imediatamente deduzido na apuração do lucro real; IV) a Lei 8200/91, ao somente admitir a dedutibilidade da despesa relativa ao diferencial do IPC a partir de 1993, em quatro períodos-base, feriu a Constituição Brasileira em seu artigo 148, visto que, por via oblíqua, embora reconhecendo a legitimidade da despesa, ao pretender diferir o seu aproveitamento, criou um verdadeiro empréstimo compulsório, sem a presença dos pressupostos constitucionais que o validaria". (fls. 52/53). 05 - Continuando, em resumo, lembra que está questionando judicialmente a constitucionalidade do dispositivo que impede a imediata dedutibilidade do valor litigado, ação que perpetrou antes do vencimento do prazo para pagamento do imposto, tendo, inclusive, obtido liminar em mandado de segurança, como comprova o documento de fls. 10/44. Com suporte nesse fato, pede a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, até a decisão final do Judiciário. Manifesta também seu inconformismo com relação ao lançamento da multa de ofício, dado que não estaria em mora, visto que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa, a teor do artigo 151, IV, do CTN. 06 - A Autoridade Monocrática, julgando o feito, manteve a totalidade da exação. Tratou como preliminares as alegações iniciais da recorrente e venceu- as fundamentando, em resumo, que compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento e que "a suspensão da exigibilidade do crédito O 1 101 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. 10880.089255/92-54 ACÓRDÃO N°. 105-11.736 tributário não impede que se complete a individualização da obrigação, ou seja, que se constitua e individualize o titulo executivo da divida, para futura e eventual cobrança". Quanto ao mérito, entende que não cabe à ela manifestar-se a respeito de matéria que envolve a argüição de inconstitucionalidade, por extrapolar os limites de sua competência. Cita, ainda, que conforme dispõe o § 2° do art. 1°, do DL n° 1.737/79, e o § único do artigo 38, da Lei n° 6.830/80, "a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulat6ria ou declaratária da nulidade do crédito tributário da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Com suporte nesses argumentos, não tomou conhecimento do mérito da impugnação apresentada (fls. 93/96). 07 - Conforme comprovante de fls. 98, emitido pelos Correios (comprovante de entrega), o contribuinte foi cientificado da decisão da autoridade singular no dia 22 de abril de 1994. Inconformado com a decisão primeira apresentou à repartição competente, no dia 25 de maio de 1994, o recurso voluntário dirigido a este Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 100/135). 08 - É o relatório, que li em plenário. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. 10880.089255/92-54 ACÓRDÃO N°. 105-11.736 VOTO CONSELHEIRO JORGE PONSONI ANOROZO, RELATOR 01 - Como se constatará adiante, o recurso é intempestivo, porque apresentado fora do prazo legal. 02 - O art. 5° do Decreto n° 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, ao tratar dos prazos assim se manifestou: Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 03 - Complementando, o art. 33° do mesmo ato estabelece o seguinte: Art. 33°. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, DENTRO DOS TRINTA DIAS SEGUINTES À CIÊNCIA DA DECISÃO (maiúsculas do relator). 04 - Pois bem, o contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância no dia 22 de abril de 1994 (comprovante de fls. 98), sexta feira. Como a ciência ocorreu na sexta feira, a contagem do prazo se inicia na segunda feira seguinte, no caso, dia 25 de abril de 1994, expirando o prazo para interposição do recurso no dia 24 de maio de 1994, terça feira, após transcorridos os 30 (trinta) dias legalmente previsto. O contribuinte somente entregou o recurso voluntário na irrdá MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. 10880.089255/92-54 ACÓRDÃO N°. 105-11.736 repartição, no dia 25 de maio de 1994 (fls. 100/135), portanto, 01 (um) dia após o vencimento do prazo legal. No recurso não localizei qualquer manifestação enfrentando a perempção ocorrida. 05 - Desta forma, não tendo o contribuinte apresentado o recurso em tempo hábil, entendo que não devo apreciar o mérito do mesmo, porque não foi inaugurada a fase recursória, em respeito, inclusive, à farta jurisprudência deste Colegiado. 06 - A respeito do evento, assim se pronunciou Antônio da Silva Cabral, na obra Processo Administrativo Fiscal, editora Saraiva, 1993, às fls. 422: O efeito principal da perempção é a impossibilidade de o sujeito passivo pleitear o direito. Perempta a Impugnação, ou perempto o recurso, consolida-se o lançamento na esfera administrativa. O recurso é recebido pelo Conselho de Contribuintes apenas para ser decidida essa prejudicial (Ac. 1.8/11-74, Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Resenha Tributária, 1.2, 21:344,2° trim. 1977). 07 - De todo o exposto, por estar perempto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto, não se analisando, por conseqüência, o seu mérito. 08 - É o meu voto, que também li em plenário. Sala das Sessões - DF, em 16 de setembro de 1997. "" JORGE PONSONI ANOROZO fil 1 Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.042441/89-57
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - ESSÊNCIA DE DEFUMADO. Tratando-se o produto em
questão de uma mistura odorífera, obtidapela queima controlada de serragem de madeira Hickory, cujos gases são recolhidos em propileno glicol, tendo aplicação no ramo de alimentação, sua classificação correta, de acordo com a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (TA/3 antiga) encontra-se no Código
33.04.01.00. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 302-33147
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por tinaunimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
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Tratando-se o produto em questão de uma mistura odorífera, obtidapela queima controlada de serragem de madeira Hickory, cujos gases são recolhidos em propileno glicol, tendo aplicação no ramo de alimentação, sua classificação correta, de acordo com a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (TA/3 antiga) encontra-se no Código 33.04.01.00. Recurso ao qual se nega provimento. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por tinaunimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília DF, 24 outubro de 1995 -e ELIZABETH EMELIO DE MORAES CHIEREGATTO Presidente I I IP/f/Dfr_ 'AUL() OBErá ' CO ANTUNES Relator • CLAUDD, ' TINA GUSMÃO Procurar' e t. • a Fazenda Nacional VISTA EM O JAN \ 7326 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : ELIZABETH MARIA VIOLATTO, RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO, HENRIQUE PRADO MEGDA, ANTENOR DE BARROS LEITE FILHO, UBALDO CAMPELLO NETO. Ausente o Conselheiro LUIS ANTONIO FLORA. -2- REC. 115.304. MF-TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA CÂMARA. PROCESSO N°: 10768-042441/0-57 RECURSO N°: 115.304 RECORRENTE: IFF ESSÊNCIAS E FRAGRÂNCIAS LTDA RECORRIDA : IRF - RIO DE JANEIRO/RJ. RELATOR : CONS. PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES RELATÓRIO A empresa recorrente submeteu a despacho, pela D.I. n° 501783/85, adição n° 003, o produto assim discriminado: "Essência natural de defumado, obtida pela queima controlada de madeira de Hickory. Líquido amarelado", classificando-o no • código TAB 38.19.99.00, com alíquota de 30% para I.I. e 10% para I.P.I. A fiscalização, apoiada em Laudo do Laboratório de Análises do M.Fazenda, de n°• 6949/85, desclassificou a mercadoria para o código TAB 33.04.02.00, cujas alíquotas eram de 105% para 1.1. e 12% para I.P.I. Segundo o referido Laudo, a cromatografia em fase gasosa revelou a presen- ça de vários componentes, com predominância de propileno glicol e concluiu tra- tar-se de "mistura odorífera, para alimentação, constituída por produtos de pirólise de madeira em solução de propileno glicol", Por infringência ao disposto nos artigos 99 e 100 do Regulamento Aduaneiro e 62 e 63 do RIPI, foi exigido da Recorrente, através do Auto de Infração de fls. 01, a diferença dos tributos (I.I. e I.P.I.), correção monetária, juros de mora e as multas do art. 1°, parágrafo único, do D.Lei 1.736/79 e 364, inciso II, do Decreto n°. 87.981/82 (RIPI). A Autuada impugnou a exigência tempestivamente alegando, em síntese, que era necessária a apensação de vários outros processos, para julgamento em conjun- to; que o Auto de Infração é nulo por falta de perícia prévia e modificação da clas- sificação a partir do Laudo do Labana; que se tornava necessária a realização de perícia antecipada junto ao I.N.T. e pediu, por fim, a suspensão das sanções en- quanto não houver a decisão final dos processos citados. Apresentou, em anexo, cópias de Resoluções da P. Câmara deste Conselho, convertendo o julgamento de outros processos semelhantes em diligências ao I.N.T. -3- REC. 115.304. Deferida a solicitação de exame do produto pelo I.N.T., foi a Autuada inti- mada a apresentar quesitos, o que foi feito às fls. 58 dos autos, da seguinte forma: 1)face a complexidade dos produtos, demonstrem analiticamente: a) sua classificação; b) processo de obtenção; c) classificação da solução x mistura; d) seu manuseio e) se correta sua classificação no Cap. 29 ou indicado, Nomenclatura do Conselho Cooperação e Pauta dos Direitos de Importação. 2) Protesta por oferecimento de quesitos suplementares, na forma da lei. • Em Parecer datado de 18/02/91 (fls. 61/63), o I.N.T. assim se pronunciou a respeito do produto examinado: PARECER 1 - Caracteres: líquido de cor amarelo escuro, odor característico de defu- mado. 2 - Análise por cromatografia em fase gasosa: Os principais picos do cro- matograma da amostra apresentam o mesmo tempo de retenção que os respectivos picos do "Hickory" padrão. Identificação do propilenogli- col: positiva. NOTA - O padrão de "Hickory Smoke" foi fornecido pelo interessa- do. QUESITOS E RESPOSTAS 1) face a complexidade do produto, demonstrem, analiticamente, a) sua classificação: Resposta: A competência da classificação tarifária é da Coordenação do Sistema de Tributação no Ministério da Fazenda, em face do artigo 54, inciso III, alínea "a" do Decreto n° 70235 de 6 de março de 1972. Entretanto, de acordo com a resposta no quesito b), sugerimos a sua -4-, REC. 115.304. classificação na posição TAB 38.19.99.00 "Produtos químicos e pre- parados das indústrias químicas ou das indústrias conexas (compreen- dendo os constituídos por misturas de produtos naturais), não especifi- cados: pdodutos residuais das mesmas indústrias, não especificados - outros"(1) b) processo de obtenção: Resposta: O produto em questão é obtido a partir da queima controla- da de serragem da madeira "Hickory", cujos gases são recolhidos em propilenoglicol puro. Os gases são constituídos essencialmente de: componente principal - ácido pirolenhoso; componentes secundários - metanol, acetato de metila, álcool alílico, acetato de etila, foriato de • etila, cetona diversas. A composição do produto varia de acordo com o tipo de madeira utilizada. O propilenoglicol é usado apenas para permitir o manuseio do produto, e é uma substância que não possui características odoríferas (2). c) Classificação da solução x mistura : Resposta : Quimicamente, este quesito não tem sentido. d) Seu manuseio : Resposta : Recomenda-se armazenamento em local seco escuro, em temperatura 70°F ou inferior. Tempo de armazenamento máximo: 12 meses (3). e) Se correta sua classificação no capítulo 29 ou indicado, Nomenclatura do Conselho de cooperação e Pauta dos Direitos de Importação: Resposta : Já respondido no quesito a). Literatura : 1)Tarifa Aduaneira do Brasil, 1979. 2) Propylene Glycol - base natural Hickory Smoke Flavor (Smoke 402 32289) Patent n° 4, 154, 866 Perfume and Flavor Chemicals: Steffen Arctander II (k-2) 2780. z -5- REC. 115.304. 3) Techical Data - Mc Cormick Flavors, Product Information for Smoke 402 - 33289 (A. Natural Flavor) Hickory Products Co, Specification Sheef, Natural Hickory Smoke Flavor, Code: Smoke 100 n° 21514 - IFF Specifica- tions 084015 Hickory Smoke FLV NAT 402; 084013 Hickory Smoke FLV 100." Após ajuntada aos autos do referido Parecer do I.N.T., foi novamente o pro- cesso enviado ao LABANA, da IRF/RJ, que emitiu um novo Parecer Técnico (fls. 64/66), tecendo novas considerações a respeito do exame da mercadoria e atacan- do o Parecer do I.N.T. Destaco, a seguir, as seguintes considerações desse novo Parecer Técnico do LABANA: "(...)Atendendo à determinação da Autoridade Fiscal encaminhamos amostra contra-prova do produto ao I.N.T. para análise, o qual se mani- festou através de Parecer Técnico, em 23.04.91, sobre o produto. Des- tacamos o nosso espanto ao tornarmos sabedores, através do referido parecer, de que aquele órgão ter recebido amostra padrão da interessada quando a amostra oficial, representativa da importação, já lhe havia sido enviada por essa Aduana. Quanto à conclusão ali oferecida, discorda- mos da mesma, pois seu autor não considerou a Regra 3 "a" das Regras Gerais para Interpretação da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, que estabelece primazia da classificação mais específica sobre a mais geral, ao enquadrar o produto entre os do Posição 38.19. Para corroborar nossa tese, de que tal produto tem seu uso ligado espe- cificamente à indústria alimentícia, foi solicitada à Fiscalização da zona secundária, diligência ao estabelecimento da interessada, para que com base nos seus registros fiscais, pudéssemos comprovar o destino da ven- da da mercadoria em questão. O resultado obtido foi excepcional em todos os sentidos já que não deixou sombra de dúvidas quanto à aplica- ção do produto em tela. Como pode ser verificado a partir de cópias dos documentos gerados na diligência realizada que anexamos ao pre- sente parecer, tais como Relatório de Diligência dos Srs. AFTN à Su- pervisão, do Termo de Diligência Fiscal, da Carta-resposta apresentada pela própria interessada em atendimento às exigências apresentadas bem como algumas cópias de notas fiscais de emissão da mesma. Todos de- -6- REC. 115.304. monstrando, cabalmente, o que propusemos no início, ie, o produto des- tina-se de forma mais específica a conferir aroma na indústria alimentí- cia. Transcrevemos, a seguir, parte da carta da interessada: 'Prezados Senhores, Em atendimento ao termo de diligência fiscal lavrado em 25.02.92, pelos auditores fiscais acima identificados e com referência ao pro- duto Essência natural de defumado, obtido pela queima controlada da serragem de madeira de Hyckory, temos a informar: 1. O produto em questão é destinado à nossa produção e participa • em fórmulas de aromas cujo sabor final seja de bacon, fumaça, de- fumado, presunto, queijo, carne, condimentos, etc...." Em seu relatório os Srs. AFTNs discorrem sobre a matéria de forma bas- tante clara conforme trecho transcrito abaixo: "Conforme resposta da empresa (anexa), acompanhada de cópia da ficha de controle da produção e estoque e notas fiscais de venda dos produtos finais, o produto em questão é utilizado na produção e tem seu uso vinculado à indústria alimentícia, pois participa de fórmulas de aromas contendo sabor final de bacon, fumaça, defumado, pre- sunto, queijo, carne, condimentos, etc. ner Todas as notas fiscais de venda, no período de junho à agosto de 1991, desses produtos finais (aromas), foram emitidas em nome de empresas pertencentes à indústria alimentícia, tais como: Pepsico e Cia, Ovebra S/A-Civ. Alimento, Aimoré Produtos Alimentícios, etc." Diante desses fatos irretorquíveis somos pela RATIFICAÇÃO dos ter- mos do Laudo de n° 23.709/86 do LABANA e a consideração do pro- duto como uma mistura odorífera com uso na indústria alimentícia". Conclui o LABANA. ; -7- REC. 115.304. Após a emissão desses dois novos Pareceres Técnicos, do I.N.T. e do LA- BANA, a Autoridade "a quo" passou à Decisão, sem dar qualquer oportunidade à Autuada de conhecer e manifestar-se sobre os mesmos Laudos e outros documen- tos trazidos aos autos. E decidiu julgando procedente a ação fiscal. Somente após intimada para recolher o crédito ou recorrer voluntariamente da referida Decisão é que a Suplicante teve conhecimento dos novos documentos e apelou a este Colegiado, respaldando-se no Parecer do I.N.T. antes mencionado e em outros, do mesmo órgão, sobre produto idêntico, anexados por cópias. Por tal motivo, em sessão do dia 14/04/93, esta Câmara, acolhendo Voto deste mesmo Relator, proferiu o Acórdão n° 302-32.609, determinando a anulação do processo a partir da Decisão de primeira instância, inclusive, por preterição do • direito de defesa do sujeito passivo. Transcrevo, para esclarecimento de meus I.Pares, parte do Voto que norteou o Acórdão retro-mencionado: "(...)Ora, os referidos Pareceres, do I.N.T. e do LABANA, eram docu- mentos inexistentes e completamente estanhos aos autos por ocasião da apresentação, pela Autuada, de sua Impugnação de fls. 19 a 53. Somente o Fiscal Contestante e a Autoridade Julgadora de primeira instância havia tido conhecimento desses documentos antes da emissão da referida Decisão e puderam, inclusive, falar sobre os mesmos para decidir a questão. A mesma oportunidade não foi dada à Recorrente, que somente tomou conhecimento de tais Laudos já no decurso do pra- zo recursal. Entendo, desta forma, ter havido flagrante cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, razão pela qual voto no sentido de anular a R.Decisão recorrida, a fim de que seja reaberto prazo de defesa à Re- corrente para que possa pronunciar-se a respeito dos Pareceres emiti- dos pelo INT e pelo LABANA, seguindo-se, então, a adoção das pro- vidências julgadas cabíveis pela Autoridade "a quo", para final emissão de sua competente Decisão, seguindo-se o rito estabelecido no Dec. n° 70.237/72". Regularmente intimada a Autuada apresentou, tempestivamente, Impugnação -8- REC. 115.304. complementar, pleiteando a adoção do Parecer do I.N.T., que lhe é favorável, so- brepondo-se hierarquicamente ao do LABANA e pede, ao final, que seja provi- denciada uma terceira análise, desta feita por um outro órgão técnico - sugere a UNICAMP -, a fim de dirimir o conflito entre os Laudos trazidos aos autos. Em Decisão proferida às fls. 126/128, a Autoridade "a quo" julgou a ação fiscal procedente, EM PARTE, mantendo apenas a exigência dos Impostos, bem como juros de mora somente a partir do vencimento do prazo para pagamento ou impugnação do lançamento, tendo como base os seguintes fundamentos: "Rejeito a preliminar de necessidade de apensação deste processo aos • outros que versam sobre a mesma matéria para efeito de um único jul- gamento, porque o presente tem por base um caso especifico e contém todos os dados a ele pertinentes, prescindindo da sua juntada a qual- quer outro para a proferição da sentença. Quanto ao mérito, passo a decidir da seguinte forma: O artigo 30 do Decreto n° 70.235/72 ensina que os laudos ou pareceres do LABANA, do INT e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos da sua competência, mas não se consi- dera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. O parecer do INT (fls. 61), sugeriu a classificação tarifária do produto examinado na posição TAB 38.19.99.00, desprezando o item 3.a das regras gerais para interpretação da NBM que estabelece a precedência da posição neer mais específica sobre a mais genérica, o que não é concebível. Fundamental para a solução do litígio, todavia, parece ser a resposta do INT ao quesito processo de obtenção formulado pela autuada. Nela está dito que gases (mais de um, portanto) compõem o produto. Trata- se, pois, de uma mistura de gases, ou substâncias, destinada a odorar produtos da indústria alimentícia, como se pode ver adiante através das informações e documentos (fls. 70/82) fornecidos pela própria empre- sa, tendo, por conseguinte, emprego específico que, assim, a conduz, segundo a regra de interpretação mencionada, à classificação atribuída pela fiscalização. No que tange à multa prevista no artigo 364 do RIPI, entretanto, a sua exigência é indevida. A penalidade se dirige às infrações praticadas por ocasião da venda de produtos e não no momento da aquisição de -9- REC. 115.304. matéria-prima. Na importação, o documento a ser expedido pelo im- portador é a nota fiscal de entrada (art. 256 do RIPO, da qual o valor do imposto não é sequer requisito legal, de acordo com o artigo 259 do RIPI. Por fim, somente os débitos fiscais vencidos estão sujeitos a acrésci- mos moratórios. O que se exige em auto de infração é um débito fiscal vincendo, cujo vencimento ocorre trinta dias após a ciência do autuado. Não pode, portanto, ser constituído de nenhuma parcela representativa de mora. Ademais, a exigência de juros e multa de mora não carece de formalização, a teor do disposto no artigo 293 do CPC e da súmula 254 do STF. É, por isso, da competência do sistema de arrecadação, jamais do de fiscalização". • Da Decisão recorre a Interessada a este Colegiado, insistindo na manutenção da classificação adotada em sua D.I., respaldando-se novamente no Parecer do I.N.T. que sugere tal classificação para o produto examinado. É o Relatório. 110 • -10- REC. 115.304. VOTO Como se observou, a discussão gira em torno da correta classificação do pro- duto descrito como "Essência natural de defumado", obtido pela queima controla- da de madeira de Hickory. Líquido amarelado". Entende a Importadora que a sua classificação se dava no código 38.19.99.00, (TAB antiga), enquanto que o Fisco remeteu sua classificação para o Código 33.04.02.00, por ser considerada mais específica, de acordo com a descri- çâo contida no campo n° 10 - verso do Auto de Infração de fls. 01. Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a nenhum dos órgãos públicos consul- tados, tanto o LABANA quanto o I.N.T, cabe imiscuir-se em matéria de classifica- ção fiscal de mercadoria, como fizeram no presente caso. Devem, tais órgãos li- mitarem-se a analisar os produtos que lhes são enviados e emitir Parecer abordan- do os aspectos técnicos de sua competência, não se preocupando com as classifica- ções tarifárias e com regras gerais para interpretação da NBM ou do SH atual. Dito isto, passemos à análise da situação objeto do presente litígio. Pelo exame dos Laudos Ténicos que integram os autos, constata-se que, de fato, o produto em comento refere-se a uma mistura odorífera, obtida pela queima controlada de serragem de madeira Hickory, cujos gase são recolhidos em propile- no glicol, tendo aplicação no ramo de alimentação, como se depreende da farta • documentação acostada aos autos. O código tarifário adotado pela Recorrente é bastante genérico e só poderia ser acolhido se não existisse uma posição mais específica, a qual deve ser observa- da de acordo com a regra 3.a, das Regras Gerais para a interpretação da Nomen- clatura Brasileira de Mercadorias (NBM). Com efeito, o produto em questão enquadra-se, sem sombra de dúvida, na posição 33.04 da antiga TAB, que abrange: "MISTURAS ENTRE SI DE DUAS OU MAIS SUBSTÂNCIAS ODORÍFERAS, NATURAIS OU ARTIFICIAIS, E MISTURAS DE UMA OU MAIS DESTAS SUBSTÂNCIAS (INCLUSIVE AS SIMPLES SOLUÇÕES EM ÁLCOOL), QUE CONSTITUAM MATÉRIAS-PRI- MAS PARA A PERFUMARIA, ALIMENTAÇÃO OU OUTRAS INDÚS- TRIAS", e especificamente na subposição 02.00, que se refere aos produtos desti- nados a "alimentação", sendo correta a classificação adotada pelo Fisco neste caso. -11- REC. 115.304. Por tais razões, conheço do Recurso por tempestivo e voto no sentido de ne- gar-lhe provimento. Sala das Sessões, 24 de outubro de 1995 , 0‘911 'AULOROB7 UCO ANTUNES Re ator. •
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