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Numero do processo: 11686.000102/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. OPÇÃO DEFINITIVA. RETIFICAÇÃO PARA TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada ano-calendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, retificação da declaração em que tenha sido formalizada a opção, com o intuito de trocar de regime. CRÉDITOS BÁSICOS. ATACADISTA. OPTANTE PELO SIMPLES. Não ensejam direito à fruição de crédito do IPI as aquisições de insumos de comerciantes atacadistas não-contribuintes, que sejam optantes pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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OPÇÃO DEFINITIVA. RETIFICAÇÃO PARA TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada anocalendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, retificação da declaração em que tenha sido formalizada a opção, com o intuito de trocar de regime. CRÉDITOS BÁSICOS. ATACADISTA. OPTANTE PELO SIMPLES. Não ensejam direito à fruição de crédito do IPI as aquisições de insumos de comerciantes atacadistas nãocontribuintes, que sejam optantes pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/06/2012 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Pedido eletrônico de Ressarcimento (PER) de crédito básico de IPI, previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, relativo ao 2º trimestre de 2005, feito pela empresa TEREX CIFALI EQUIPAMENTOS LTDA. A DRF em Porto Alegre RS deferiu parcialmente o pleito da recorrente pelas seguintes razões: Examinandose as diferenças de créditos presumidos de IPI, informados pela interessada, verificase que se trata da diferença obtida entre o cálculo dos créditos de acordo com o regime de apuração da Lei 10.276/01 e o cálculo dos créditos de acordo com o regime de apuração da Lei 9.363/96, e diferenças no cálculo devido à inclusão incorreta do IPI na receita bruta de vendas e a partir de abril de 2003 a revenda de mercadorias, no período compreendido entre outubro de 2001 e dezembro de 2003, mais o crédito presumido de IPI de janeiro de 2004, calculado conforme o regime de apuração da Lei 10.276/01. De acordo com o que determina a Lei 10.276/2001 e IN 69/2001, abaixo transcritas, a opção pelo regime de apuração do Crédito Presumido para o 4º trimestre de 2001 e o ano de 2002 deveria ter sido formalizada na DCTF do 4º trimestre de 2001, para o ano de 2003 na DCP do 4º trimestre de 2002 e para janeiro de 2004 na DCP do 4º trimestre de 2003. [...] No presente caso, verificase que o contribuinte optou para o 4º trimestre de 2001 e ano calendário de 2002 (DCTF recebida em 15/02/2002), ano calendário de 2003 (DCP recebida em 15/05/2003) e janeiro de 2004 (DCP recebida em 13/02/2004) pelo regime da Lei 9.363/96. Após o prazo legal de entrega, em 27/06/2005, a interessada apresentou DCTF retificadora do 4º trimestre de 2001, alterando a opção para o regime da Lei 10.276/2001, para o mesmo período e o ano calendário de 2002. Da mesma forma, após o prazo legal de entrega, em 03/06/2005, o contribuinte apresentou DCPs retificadoras do 4º trimestre de 2002 e do 4º trimestre de 2003, alterando a opção para o regime da Lei 10.276/2001, para o ano calendário de 2003 e janeiro de 2004. A interessada, assim, contrariou o disposto na Lei 10.276/2001 e o contido na IN/SRF n° 69/2001. A empresa interessada tomou ciência desta decisão e, não se conformando, ingressou com manifestação de conformidade, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu o pleito da recorrente, nos termos do Acórdão no 1031.092, de 28/04/2011, com a seguinte ementa: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000102/200845 Acórdão n.º 330201.674 S3C3T2 Fl. 2 3 CRÉDITO PRESUMIDO. OPÇÃO DEFINITIVA. RETIFICAÇÃO PARA TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada anocalendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, retificação da declaração em que tenha sido formalizada a opção, com o intuito de trocar de regime. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS BÁSICOS. Não ensejam direito à fruição de crédito do IPI as aquisições de insumos de comerciantes atacadistas nãocontribuintes, que sejam optantes pelo SIMPLES. A empresa interessada tomou ciência da decisão de primeira instância em 14/07/2011 (fl. 121), e interpôs recurso voluntário em 12/08/2011, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 preliminarmente, o julgamento presente processo deve ser feito em conjunto com os processos nº 11686.000248/200891 e nº 11686.000100/200856; 2 as normas administrativas admitem a retificação da DCTF e da DCP e a vedação da troca de método de apuração do crédito presumido ocorre somente em relação ao exercício como um todo, não havendo óbice à alteração do método caso tenha havido erro por parte da empresa, desde que observe a uniformidade para o anocalendário. Portanto, as alterações realizadas pela Fiscalização não procedem porque as DCTF e DCP já haviam sido retificadas, sem questionamento do Fisco; 3 não existe vedação legal para o contribuinte alterar a sistemática de apuração do crédito presumido do IPI, migrando daquela prevista na Lei nº 9.363/96 para a prevista na Lei nº 10.276/01. O comando legal (art. 1º, § 4º, da Lei nº 10.276/01) veda a opção de ambas sistemáticas para o mesmo anocalendário, cabendo ao contribuinte fazer a opção por uma delas e a RFB não poderia exigir que o contribuinte manifestasse a opção antes de saber qual a lhe seria mais favorável. Nos atos legais citados como motivo da glosa não dispunham que a opção é irretratável e irrevogável (INs SRF nº 69/01 e 106/01, Leis nº 9.363/96 e 10.276/01). A vedação existente é para mudança durante o anocalendário, sendo permita a mudança posterior. A vedação à retificação da opção por parte do contribuinte passou a existir com a edição da IN SRF nº 420/04, que manteve a força normativa das INs SRF nº 69/01 e 315/03; 4 com relação ao crédito presumido de Janeiro de 2004, não há que se falar em alteração ou retificação da opção exercida pela Recorrente porque não fez opção à época determinada pela legislação, e quando supriu tal omissão o fez diretamente na sistemática da Lei nº 10.276/01, devendo ser reconhecido o crédito de R$ 121.095,48, relativo a janeiro de 2004; 5 não procede a glosa de créditos relativos às aquisições feitas junto a empresa atacadistas optantes pelo Simples, já que à Recorrente aplicase as disposições do art. 165 do RIPI e não se aplica as disposições do art. 166 do RIPI. O crédito previsto no art. 165 do RIPI é um crédito presumido e a vedação do art. 166 referese a crédito básico. O crédito do art. 165 decorre do princípio da não cumulatividade do IPI nas aquisições de insumos, sujeitos Fl. 165DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 à incidência do IPI, junto a comerciantes atacadistas, estando equivocada a interpretação da decisão recorrida. Cita e comenta decisões do Conselho de Contribuinte. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI, previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, relativo ao 2º trimestre de 2005, tendo seu pleito sido atendido parcialmente em razão dos créditos presumidos de IPI de 2001 a 2004, escriturados extemporaneamente, resultarem da mudança, em junho de 2005, do regime de apuração dos mesmos da Lei nº 9.363/96 para o da Lei nº 10.276/01. A mudança se operou com a retificação das respectivas DCTF e DCP. Preliminarmente, atendendo a pedido da Recorrente, os recursos voluntários constantes dos processos nº 11686.000248/200891 e nº 11686.000100/200856 foram incluídos na mesma pauta da sessão de julgamento do presente recurso voluntário. De sorte que serão julgados em conjunto. Adentrando no mérito da lide, fazse necessário marcar alguns pontos fundamentais sobre os quais a Recorrente apresenta interpretações equivocadas para sustentar o seu pretenso direito. Para uma melhor clareza dos temas levantados pela Recorrente, mister se faz transcrever o seguintes dispositivos da Lei n° 10.276/01: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000102/200845 Acórdão n.º 330201.674 S3C3T2 Fl. 3 5 assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2º O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1º, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3º Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1º será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4º A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. § 6º Relativamente ao período de 1º de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. § 7º Para os fins do disposto no art. 14 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, o montante anual da renúncia, apurado, na forma do § 6º, nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do § 6º, em relação à previsão de receitas, para o mesmo período, deduzido o valor da renúncia. Art. 2º Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória nº 2.2021, de 26 de julho de 2001. Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a contar de sua regulamentação pela Secretaria da Receita Federal. (grifouse). O primeiro aspecto fundamental da Lei n° 10.276/01, conforme o caput do art. 1°, é de que ficou estabelecido um sistema alternativo de apuração do crédito presumido. A Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 referida Lei não revogou a Lei n° 9.363/96 e nem criou um novo beneficio. No entanto, fica claro que passou a existir duas fórmulas distintas para o cálculo do crédito presumido, o cálculo padrão, original, com base nas regras impostas pela Lei n° 9.363/96 e uma fórmula alternativa, não obrigatório, estabelecida pela nova Lei. A utilização da fórmula alternativa depende de expressa manifestação da empresa beneficiária do incentivo. Sem esta expressa manifestação do contribuinte, não há como o Fisco exigir a aplicação da Lei nº 10.276/01 e nem como o contribuinte calcular o crédito presumido pela fórmula nela estabelecida. Isto é fato inconteste. O momento e a abrangência da opção do contribuintes pelo regime alternativo de apuração do crédito presumido do IPI foram delineados no § 4°, do art. 1°, da Lei nº 10.276/01. Reza este dispositivo que a opção do contribuinte pelo regime alternativo “será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal”. Como determina o acima transcrito § 4º, do art. 1º, da Lei nº 10.276/01, cabe à RFB fixar as normas para os contribuintes exercerem a opção pela fórmula alternativa desta Lei. No exercício desta prerrogativa, a RFB expediu as IN nº 69/2001, 106/01, 314/03 e 315/03. Estabeleceu os citados normativos que a opção para o último trimestre de 2001 será formalizada na DCTF desse trimestre, ou seja, com a entrega da referida DCTF. Este, portanto, é o prazo para opção a que se refere o inciso I, do § 4º, do art. 1º da Lei 10.276/01, para o 4º trimestre de 2001. Opções feitas fora deste prazo não podem e nem devem ser acolhidas pelo Fisco, como é o caso dos autos, onde a opção foi feita em junho de 2005. Para os anos posteriores a 2001, a opção deve ser feita, obrigatoriamente, com a entrega da DCTF do último trimestre do ano anterior (até abril de 2003) ou da DCP do último trimestre do ano anterior (a partir de abril de 2003), nos termos do art. 3º das IN 69/2001 e 315/2003. No caso dos autos, e para os anos de 2002 e 2003 e, também , para janeiro de 2004, a empresa recorrente não fez a opção pelo regime alternativo no prazo fixado nas normativas acima citadas, vindo a fazêlo somente em junho de 2005, através da apresentação de DCTF e DCP retificadoras, contrariando as disposições das IN SRF nº 106/2001 e 314/2003, cujas instruções de preenchimento da DCTF e DCP, que aprovou, não permitiam a retificação da opção do regime de apuração do crédito presumido (Ficha 6.2 da DCTF e Ficha Novo Demonstrativo da DCP). Portanto, como bem disse a decisão recorrida, tal proibição já existia desde a edição da referida IN 106/2001, e não somente a partir da edição da IN nº 420/04, como alega a Recorrente. Com relação ao crédito presumido de janeiro de 2004, a opção pelo regime alternativo deveria ter sido feita na DCP entregue na RFB em 13/02/2004. No entanto, somente em 03/06/2005, o contribuinte apresentou DCP retificadora manifestando a opção pelo regime alternativo. Portanto, é totalmente improcedente a alegação da Recorrente de que para janeiro de 2004, originalmente, fez a opção pelo regime da Lei 10.276. Sobre a escrituração e utilização de crédito de IPI nas aquisições de insumos junto a empresas atacadistas optantes pelo Simples, a recorrente parte do falso pressuposto de que o crédito do art. 165 do RIPI é um crédito presumido, comprometendo todo o seu raciocínio, como abaixo se demonstra. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000102/200845 Acórdão n.º 330201.674 S3C3T2 Fl. 4 7 Ao contrário do entendimento da recorrente, crédito presumido não decorre do princípio da não cumulatividade do IPI, mas da vontade do legislador em conceder um incentivo financeiro aos contribuintes do IPI em determinadas situações. O princípio da não cumulatividade concretizase com créditos básicos do IPI. E o crédito do art. 165 do RIPI/02 é, sim, um crédito básico e não um crédito presumido. O fato do crédito não está destacado na nota fiscal e a base de cálculo corresponder a 50% do preço da operação não descaracteriza o referido crédito como um crédito básico. Isto porque o mesmo recai exclusivamente sobre MP, PI e ME tributadas pelo imposto, cujo valor é apurado utilizandose a classificação fiscal e alíquota da TIPI, como qualquer crédito básico do IPI. O fato gerador do IPI, relativamente ao insumo tributado e adquirido de comerciante atacadista, efetivamente ocorreu quando de sua saída do estabelecimento industrial e o imposto foi devidamente destacado na nota fiscal de saída do estabelecimento e o que o art. 165 do RIPI/02 faz é permitir a sua recuperação, embora em valor estimado. Aplicase, portanto, à recorrente as disposições do art. 166 do RIPI/2002. No mais, adoto e ratifico os fundamentos da decisão recorrida, conforme autoriza o art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19707.000125/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IRPF. RENDIMENTOS DOS DEPENDENTES. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O exercício da opção pela dedução de dependente, quando da
apresentação da declaração de ajuste anual, implica na obrigatoriedade de inclusão dos rendimentos e ganhos de capital por eles recebidos, para tributação em conjunto.
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.794
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IRPF. RENDIMENTOS DOS DEPENDENTES. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O exercício da opção pela dedução de dependente, quando da apresentação da declaração de ajuste anual, implica na obrigatoriedade de inclusão dos rendimentos e ganhos de capital por eles recebidos, para tributação em conjunto. Preliminar rejeitada Recurso negado.
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IRPF. RENDIMENTOS DOS DEPENDENTES. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. O exercício da opção pela dedução de dependente, quando da apresentação da declaração de ajuste anual, implica na obrigatoriedade de inclusão dos rendimentos e ganhos de capital por eles recebidos, para tributação em conjunto. Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório MÁRIO DUARTE DE ALMEIDA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 64) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 20/23, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 6.284,24, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 12.826,13. As infrações que ensejaram o lançamento foram: 1) Dedução indevida de incentivo – tratase da glosa do valor de R$ 92,21 não passivo de dedução como incentivo. 2) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – referese a rendimentos recebidos das fontes pagadoras Banco do Brasil S/A (13.787,78); Assembléia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul (R$ 8.218,77) e Instituto Maxima de Educação Préescolar e de 1º Grau (R$ 5.097,37). Foi compensado IRRF de R$ 98,89. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os rendimentos por ele recebidos são isentos, pois inferiores a R$ 12.696,00; que não há norma legal, mas apenas atos normativos da Receita Federal que imponham a obrigação de que sejam declarados os rendimentos de seus dependentes; que a exigência do crédito deste processo é ilegal e inconstitucional, sendo ilegal e inconstitucional o art. 38, § 8º da IN SRF nº 15/2001; que a indicação de filho maior de 24 anos, com ou sem percepção de rendimento, como seu dependente na declaração de ajuste anual é ilegal; que Marleide Gleyse Bezerra de Almeida não poderia constar de sua declaração de rendimentos como dependente, porquanto ao tempo da declaração esta já possuía 24 anos de idade, e não mais cursava ensino superior ou escola técnica; que, portanto, deveria ser glosado o valor de R$ 1.272,00 deduzido a título de dependente e excluídos os rendimentos tributáveis recebidos por sua filha; que o auto de infração padece de vício insanável, sendo nulo, pois não consta assinatura do fiscal e não há a correta indicação dos dispositivos infringidos, violando o princípio da ampla defesa; que o Fisco não provou o ato ilícito supostamente praticado, impedindoo de se defender. O Contribuinte contesta a multa de 75%, aduzindo que há descompasso entre a exigência do imposto e a aplicação da penalidade pecuniária; que a penalidade é absurda e desarrazoada, posto que inacessível ao homem comum realizar a declaração de rendimentos sem que haja erros. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19707.000125/200795 Acórdão n.º 2201001.794 S2C2T1 Fl. 2 3 A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente em parte o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJCAMPO GRANDE/MS rejeitou a alegação de nulidade do lançamento sob o fundamento, em síntese, de que a autuação de processou formal e materialmente de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal; que não se verifica nenhuma das hipóteses de nulidade referidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Sobre a ausência de assinatura do auditor, mencionou o parágrafo único do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 que expressamente prevê a dispensa de assinatura nos casos de notificação de lançamento emitidas eletronicamente. Sobre a descrição dos fatos e fundamentos legais conclui pela ausência de irregularidade. Enfim, a DRJ não vislumbrou vício que pudesse ensejar a nulidade do lançamento. Sobre a arguição de eventual inconstitucionalidade do procedimento e da legislação que o embasou a DRJ limitouse a ressaltar a incompetência dos órgãos julgadores administrativos para conhecerem da matéria. Quanto ao mérito, após ressaltar que não houve impugnação em relação ao item 01 da autuação, a DRJ examinou a alegação quanto aos rendimentos dos dependentes e acatou a de que a inclusão pelo Contribuinte de Gleyce Bezerra de Almeida foi um erro de fato e concluiu pela exclusão dos rendimentos por ela recebidos, e, em contrapartida, a excluiu o valor deduzido como dependente (R$ 1.272,00). Quanto aos rendimentos dos outros dependentes, a DRJ ressaltou que a inclusão dos dependentes na declaração é uma opção do contribuinte que implica na obrigação de inclusão dos rendimentos desses dependentes na declaração de rendimentos. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 11/08/2009 (fls. 82) e, em 09/10/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 84/94, que ora se examina, e no qual reitera as alegações e argumentos em relação às questões remanescentes, rebatendo para tanto os fundamentos da decisão de primeira instância que manteve parcialmente a exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a arguição de nulidade do lançamento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Como ressaltado na decisão de primeira instância, o procedimento fiscal e o lançamento dele decorrente, foram realizado em conformidade com as normas que regem o processo administrativo fiscal. O lançamento descreve a infração apontada e indica a fundamentação legal. Não vislumbro, portanto, os vícios apontados pelo Recorrente e nenhum outro que pudesse ensejar a nulidade do lançamento. Rejeito, portanto, a preliminar. E sobre os questionamentos que, eventualmente, baseiemse em afirmações de inconstitucionalidade de norma ou procedimento adotado na autuação, a apreciação desta matéria refoge à competência deste Colegiado. Isto, aliás, é questão já pacificada no âmbito deste Conselho que editou a Súmula CARF nº 2, com o seguinte enunciado: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanto ao mérito, como se colhe do relatório, o lançamento, naquilo que permanece em discussão em sede de recurso voluntário, decorre apenas da inclusão de rendimentos recebidos pelos dependentes do Contribuinte. A DRJ já excluiu os rendimentos de uma das filhas do Autuado, informada como dependente, por entender que tal inclusão decorreu de erro de fato. Quanto aos demais rendimentos, todavia, nada foi dito sobre eventual erro de fato. E sobre a alegação do Contribuinte de que a legislação não prevê a obrigatoriedade de que os rendimentos dos dependentes sejam declarados carece de um mínimo de consistência. A Instrução Normativa SRF Nº 15/2001 não inova em nada o ordenamento jurídico quanto a este aspecto, e apenas traduz o que dispõe a legislação tributária. Vajase, por exemplo, o que reza o art. 4º do RIR/99: Art. 4º Os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares menores e outros incapazes serão tributados em seus respectivos nomes, com o número de inscrição próprio no Cadastro de Pessoas Físicas CPF (Lei nº 4.506, de 1964, art. 1º, e Decreto Lei nº 1.301, de 31 de dezembro de 1973, art. 3º). § 1ºO recolhimento do tributo e a apresentação da respectiva declaração de rendimentos são da responsabilidade de qualquer um dos pais, do tutor, do curador ou do responsável por sua guarda (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 192, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, incisos I e II). § 2º Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, ainda que em valores inferiores ao limite de isenção (art. 86), poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes. Ou seja, a opção pela dedução do dependente implica na necessidade da declaração dos rendimentos deste. Correto, portanto, o lançamento quanto a este aspecto. Finalmente, sobre a multa de ofício, a exigência tem previsão legal em disposição expressa de Lei, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos de falta ou insuficiência de pagamento de imposto apurada mediante procedimento de ofício, e não se pode negar validade a tal norma, mormente sob o argumento de que a norma fere o princípio da Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19707.000125/200795 Acórdão n.º 2201001.794 S2C2T1 Fl. 3 5 vedação ao Confisco, que é um princípio Constitucional e, como se disse, este Colegiado não é competente para apreciar este tipo de matéria. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912950/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO PARCIALMENTE EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO.
Reconhecido em diligência o indébito decorrente de pagamento a maior da Contribuição homologa-se a compensação respectiva, ainda que a retificação da DCTF seja posterior ao despacho decisório que indeferiu o pleito.
Numero da decisão: 3401-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Isabella Bariani Tralli OAB/SP 198772.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO PARCIALMENTE EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecido em diligência o indébito decorrente de pagamento a maior da Contribuição homologa-se a compensação respectiva, ainda que a retificação da DCTF seja posterior ao despacho decisório que indeferiu o pleito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Isabella Bariani Tralli OAB/SP 198772. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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Recorrente COIM BRASIL LTDA Recorrida DRJ CAMPINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO PARCIALMENTE EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecido em diligência o indébito decorrente de pagamento a maior da Contribuição homologase a compensação respectiva, ainda que a retificação da DCTF seja posterior ao despacho decisório que indeferiu o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Isabella Bariani Tralli OAB/SP 198772. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 50 /2 00 9- 14 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ que manteve a não homologação de compensação cujo crédito alegado tem origem em pagamento a maior da Cofins. Na origem a análise se deu por meio de despacho decisório eletrônico. Na manifestação de inconformidade a contribuinte alega que não foi retificada a DCTF no momento em que recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, e que o problema será sanado com a simples retificação. A 3ª Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho decisório, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação extemporânea da DCTF. No recurso voluntário, tempestivo, a contribuinte explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexa à peça recursal cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão nº 203 09.788 e a Solução de Consulta da 3ª Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Em diligência determinada por este Colegiado a unidade de origem verificou o indébito, informando haver recolhido a maior no montante de R$ 21.818,92 (fl. 93). A contribuinte, cientificada da diligência realizada, expressamente concorda com o seu resultado. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Diante do resultado da diligência, que reconhece integralmente o indébito informado no PER/DCOMP, cabe dar provimento parcial ao Recurso. Ao deixar de homologar a compensação, a DRJ considerou não haver prova de erro cometido na DCTF original. O apurado na diligência, contudo, verificou o contrário, pelo que cabe admitir o novo valor posto na DCTF retificadora, entregue depois do despacho decisório na origem. Na situação dos autos, de despacho decisório eletrônico, convém sempre investigar em maior profundidade a escrita fiscal e contabilidade da empresa, o que foi feito por ocasião da diligência. Somente assim, com apuração dos valores devido e recolhido do tributo, é possível decidir a lide. O despacho eletrônico requer maior cautela por parte das autoridades julgadoras, especialmente porque antes a contribuinte não tem oportunidade de se manifestar. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10830.912950/200914 Acórdão n.º 3401002.127 S3C4T1 Fl. 111 3 Por oportuno, observo que a confissão constante de DCTF admite em sentido contrário. Tal confissão, que inclusive dispensa o lançamento tributário, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, encontra amparo nos 348, 353, 354 e 585, II, do Código de Processo Civil. Segundo esses dispositivos há confissão quando uma parte (sujeito passivo da obrigação tributária principal) admite a verdade de um fato (ser devedora do tributo confessado), contrário ao seu interesse e favorável à outra parte (Fisco), o que pode ser feito de forma judicial ou extrajudicial. A confissão extrajudicial feita por escrito à parte contrária, como se dá mediante a DCTF, ou se deu por meio da DIPJ até o anocalendário 1998, tem o mesmo efeito da judicial. Assim, em sede tributária a confissão de dívida serve como título executivo extrajudicial que, contudo, admite provas contrárias, especialmente a de não ocorrência do fato gerador ou a de extinção do crédito tributário confessado. Daí se admitir a retificação das DCTF, mesmo depois do despacho decisório ou, quando for o caso, do início da ação fiscal. Pelo exposto, nos termos do resultado da diligência dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o indébito da Cofins no montante informado no PER/ DCOMP e homologando a compensação pleiteada. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 36202.003528/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.253
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simoes, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simoes, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 02 .0 03 52 8/ 20 07 -9 6 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.003528/200796 Resolução nº 2402000.253 S2C4T2 Fl. 979 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por LORENGE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, em face do acórdão de fls. 898, por meio do qual foi mantida a integralidade da multa lançada no Auto de Infração n. 37.019.6503, por ter a recorrente apresentado GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estava sujeita. O lançamento compreende as competências de 05/2005 a 06/2006, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 31/09/2007 (fls. 01). Consta do relatório fiscal que deixaram de ser informadas em GFIP (i) as parcelas in natura fornecidas a título de alimentação, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT, (ii) valores recebidos pelos segurados empregados da notificada a título de valetransporte em desacordo com o art. 28, § 9°, "f', da lei 8.212/91, pois foram descontados valores inferiores aos 6% determinados em Lei e (iii) valores pagos à cooperativa UNIMED VITÓRIA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Em seu recurso sustenta a impossibilidade de descaracterização da natureza salarial do valetransporte pela inexistência de vedação legal ao desconto de percentual em montante inferior a 6% (seis por cento) do salário base de seus empregados, fixado pela legisla;ao como teto a referido desconto. Acrescenta que a verba em comento não possui caráter salarial e que o desconto em percentual inferior ao estabelecido na legislação se deu com base em convenção coletiva de trabalho firmada pela recorrente com seus funcionários, devendo ser respeitados todos os seus termos, além do fato de que o lançamento deveria ser levado a efeito somente com base na diferença apurada, e não sobre o percentual de 6%. Aponta que não deve incidir a contribuição sobre as verbas concedidas aos seus funcionários a título de alimentação, mesmo diante da não inscrição da empresa no PAT, ainda mais em se tratando de caso de concessão de alimentação in natura, conforme manso entendimento do Eg. STJ. Por fim defende que o convênio médico concedido pela empresarecorrente a seus funcionários não se constitui em fato gerador para fins de incidência de contribuição previdenciária, porque se trata de mera utilidade, sem qualquer natureza de índole salarial. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.003528/200796 Resolução nº 2402000.253 S2C4T2 Fl. 980 3 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em algum dos demais Autos de Infração lavrados pela fiscalização, conforme resta indicado no TEAF de fls. 13/14. De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, especialmente nos quais foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e que originaram a multa objeto deste Auto de Infração. Se o lançamento principal conexo vier a ser anulado, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde das NFLD´s nas quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com as NFLD´s correlatas, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo passem a tramitar em conjunto com os relativos ao lançamento da obrigação principal. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001762/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001, 2002, 2003
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora
de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2101-001.824
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 399DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1323.973, proferido pela 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II (fl. 151), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 98 a 110, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001, 2002 e 2003, anoscalendário 2000, 2001 e 2002, no valor total de R$151.898,27(cento e cinqüenta e um mil, oitocentos e noventa e oito reais e vinte e sete centavos), sendo: Imposto R$60.365,15 Juros de Mora (calculados até 30/11/2005) R$46.259,27 Multa Proporcional (passível de redução) R$45.273,85 Acompanha o Auto de Infração, o Termo de Constatação Fiscal de fls. 96/97. A Autoridade Fiscal enviou à Contribuinte o Mandado de Procedimento Fiscal n2 07.1.90.002005014586 (fl. 01) e o Termo de Início de Fiscalização (fls. 15/16), recebidos em seu domicílio em 14/07/2005 (fl.17). Por meio desses documentos, a Contribuinte foi cientificada de que estava sob fiscalização do IRPF, bem como foi intimada a apresentar os elementos/esclarecimentos ali especificados. Em atendimento, a Contribuinte anexou documentos de fls. 18 a 76. Posteriormente, em 29/08/2005 (fl. 77), a Contribuinte recebeu novo Termo de Intimação, por meio do qual foi intimada a apresentar novos esclarecimentos e outros elementos já solicitados no Termo anterior. Em resposta, apresentou explicações à fl. 79. Em 03/10/2005, a Contribuinte foi intimada a justificar o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de dezembro de 2000, conforme Fluxo Financeiro Mensal elaborado (fls. 80 a 82). A Contribuinte apresentou as justificativas de fl. 83. Em 11/10/2005, foram solicitados outros documentos por meio do Termo de Intimação Fiscal à fl. 84. Em atendimento, a Contribuinte apresentou recibos de fls. 86 a 95. Com os elementos reunidos e as informações contidas nos sistemas da Receita Federal do Brasil, a Autoridade Fiscal lavrou Auto de Infração onde consignou as seguintes irregularidades: "001 – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO" "002 – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE" "003 – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS" "004 – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO" O enquadramento legal se encontra às fls. 99 a 101. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fl. 105. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 18471.001762/200565 Acórdão n.º 210101.824 S2C1T1 Fl. 2 3 Em 08/12/2005, a Contribuinte tomou ciência pessoal do Auto de Infração e de seus anexos, apresentando, em 04/01/2006, a impugnação de fls. 112 a 118, instruída com documentos de fls. 119 a 148, onde apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Esclarece que está se insurgindo somente contra o acréscimo patrimonial a descoberto. Argumenta que o imposto de renda só pode incidir se o contribuinte adquirir disponibilidade econômica ou jurídica, o que não foi o seu caso. Explica que os imóveis relacionados em sua Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) não passaram por benfeitorias. Diz que errou ao proceder a atualização dos bens pelo valor de mercado. Requer perícia técnica para apurar a existência de benfeitorias ou melhoramentos nesses imóveis. Contesta também a inclusão no fluxo do valor de R$120.000,00, consignado em sua DIRPF como herança recebida. Explica que foi registrando ao longo do tempo bens encontrados na residência de sua mãe, falecida no ano de 1990, e que não integraram o inventário. Defende, com base no artigo 6°, inciso XVI da Lei n 2 7.713/88, que tais valores não são tributados, já que são bens havidos por herança. Ressalta que o ônus da comprovação de aquisição dos bens compete à Autoridade Fiscal. Cita jurisprudência judicial para defender que a atualização de valores não representa acréscimo patrimonial. Conclui requerendo a improcedência do Auto de Infração no que concerne a parte impugnada. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As planilhas de evolução patrimonial têm como objetivo detectar, no período examinado, a ocorrência de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais não justificados. Tratase de presunção legal em que o valor dos rendimentos omitidos é calculado de forma aproximada, a depender das informações disponíveis acerca dos recursos e dos dispêndios do contribuinte fiscalizado e do período considerado no levantamento. Assim, do mesmo modo que se exige do Contribuinte a comprovação por meio de documentação hábil e idônea dos recursos que quer ver considerados no fluxo, a Autoridade Fiscal deve juntar aos autos provas inequívocas dos dispêndios registrados no fluxo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada (Decreto nº 70.235/72, art. 17). Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão de primeiro grau, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 163/166. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, relator. Consta dos autos que o Recorrente tomou ciência da Decisão de primeiro grau em 10/06/2009, uma quartafeira, conforme Aviso de Recebimento à fl. 158verso. O recurso ao CARF deve ser interposto no prazo máximo 30 (trinta) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Considerando que 10/06/2009 foi uma quartafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 11/06/2009, uma quintafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso o último dia para a apresentação do recurso seria 10/07/2009, uma sextafeira. Acontece que o recurso voluntário somente foi apresentado à repartição fiscal em 05/08/2009 (fl. 163), quando já havia transcorrido o prazo regulamentar. Neste sentido é o despacho da repartição de origem à fl. 178. Esclareçase, por oportuno, que em seu recurso voluntário a contribuinte não se insurge contra a decisão de primeiro grau, razão pela qual também por esse motivo o recurso não seria conhecido. Cabe à repartição fiscal examinar se houve pagamento a maior do que o devido no processo de parcelamento de nº 13706000048/200616, relativo à parte não impugnada do lançamento, a ser aproveitado para compensação com o crédito mantido na decisão recorrida. Nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a decisão a quo tornouse definitiva: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Dispõe o artigo 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Em face ao exposto, o recurso voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 402DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 18471.001762/200565 Acórdão n.º 210101.824 S2C1T1 Fl. 3 5 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 11516.000912/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.207
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou por analisar e decidir a questão presente no recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou por analisar e decidir a questão presente no recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.251.7617, no qual a autoridade fiscal exige multa pelo fato de a empresa ter deixado de reter, nos termos da alínea “a”, inciso I, do artigo 30 da Lei nº 8.212/91, as contribuições previdenciárias dos empregados segurados que lhe prestavam, à época dos fatos, serviços de natureza laborativa. Assim, embasandose nos Demonstrativos I a IV de fls. 8 a 37, que relacionam a realização de pagamento salarial a contribuintes individuais a serviço da ora Recorrente, a D. Autoridade Fiscal aplicou, ao ser constatada a ausência do desconto das contribuições previdenciárias sobre a remuneração, multa no montante de R$ 1.410,79, com base no artigo 283, inciso I, alínea “g”, combinado com artigo 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS). Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou no mérito tãosomente o quanto segue: “Tratase de matéria cujo apreciação decorre da provimento ou não dos demais Autos de Infração relacionados, sendo que, o Impugnante reitera aqui os argumentos já apresentados nos demais Autos de Infrações no sentido de que não existiu de sua parte qualquer prática ilegal que poderia dar ensejo a presente multa.” (s.i.c) Após ser a defesa submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, foi proferida decisão de fls. 65 a68 que manteve integralmente a multa aplicada por ocasião da lavratura do Auto de Infração em referência, julgando, dessa forma, improcedente a impugnação do Contribuinte, sob o seguinte argumento: “As contribuições previdenciárias dos segurados contribuintes individuais incidentes sobre a remuneração paga aos mesmos estão inclusas no Auto de Infração nº 37.251.7609, processo Administrativo Fiscal nº 1151.6000911/2010 23. A empresa apresentou impugnação relativa a este lançamento, a qual foi apreciada por esta Delegacia de Julgamento em sessão datada de 00/00/0000, tendo sido integralmente mantido o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Desta forma, considerando que foi mantida em sede de julgamento a ocorrência do fato gerador, no sentido de que a empresa se utilizou de serviços de contribuintes individuais, com remuneração e deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias inerentes a parte do segurado, resta evidente que o sujeito passivo deixou de cumprir a obrigação acessória de sua responsabilidade, nos termos do art. 30, I, “a”, da Lei 8.212/91 e art. 4º da Lei 10.666, de 08/05/2003, e art. 216, I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99.” Inconformada com a r. decisão acima transcrita, a Recorrente interpôs, dentro do prazo legal, Recurso Voluntário perante este E. Conselho, com objetivo de obter, ao sustentar o mesmo argumento articulado na defesa de fls. 43/44, a reforma do julgamento da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC, com base no que foi alegado nas impugnações oferecidas contra os Autos de Infração que discutem o cumprimento da obrigação acessória da arrecadação das contribuições previdenciárias em comento. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000912/201078 Resolução n.º 2301000.207 S2C4T2 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Da simples análise dos documentos acostados à NFLD nº 37.251.7617, percebe se facilmente que a lavratura do Auto de Infração em exame se deve em decorrência da apuração fiscal que averiguou a ausência da realização de retenção, pela Recorrente, das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento, devidas pelos contribuintes individuais a seu serviço, segundo dispõe a regra contida na alínea “a”, inciso I, do artigo 30, da Lei nº 8.212/91. Por conta dessa constatação, foi aplicada à Recorrente multa por descumprimento de obrigação acessória no valor de R$ 1.410,79, nos termos do artigo 283, inciso I, alínea “g”, combinado com artigo 373 do RPS. Diante desse cenário, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário esclarecendo, de forma bem suscita, que o provimento ou não do Recurso ora apreciado depende necessariamente do resultado do julgamento dos processos administrativos que analisam a obrigatoriedade da retenção, pela Recorrente, das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados que prestavam serviços à época dos fatos geradores. Como se vê, a Recorrente, embora tenha alegado genericamente a existência de trâmite de processos administrativos que examinam a falta do desconto das aludidas contribuições previdenciárias que ensejaram a aplicação da multa ora questionada, verifiquei, ao proceder a leitura da r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que há, de fato, em curso o processo administrativo nº 11516.6000911/2010 23 que apura a incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga aos segurados individuais listados nos Demonstrativos I a IV de fls. 8 a 37. Confira: “As contribuições previdenciárias dos segurados contribuintes individuais incidentes sobre a remuneração paga aos mesmos estão inclusas no Auto de Infração nº 37.251.7609, processo Administrativo Fiscal nº 1151.6000911/201023. A empresa apresentou impugnação relativa a este lançamento, a qual foi apreciada por esta Delegacia de Julgamento em sessão datada de 00/00/0000, tendo sido integralmente mantido o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Desta forma, considerando que foi mantida em sede de julgamento a ocorrência do fato gerador, no sentido de que a empresa se utilizou de serviços de contribuintes individuais, com remuneração e deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias inerentes a parte do segurado, resta evidente que o sujeito passivo deixou de cumprir a obrigação acessória de sua responsabilidade, nos termos do art. 30, I, “a”, da Lei 8.212/91 e art. 4º da Lei 10.666, de 08/05/2003, e art. 216, I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99.” Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Nesse sentido, cabe salientar que, ao acessar o sítio da oficial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o propósito de checar a interposição de eventual recurso, constatei o registro do protocolo de Recurso Voluntário pela Recorrente, justamente nos autos do processo administrativo nº 11516.000911/201023 (http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInfor macoesProcessuais.jsf), mencionado na r. decisão de 1º Instância Administrativa. De acordo com o andamento processual daquele processo fiscal, verifiquei, ainda, que o Recurso lá interposto encontrase, desde 05/08/2011, no setor de triagem aguardando a sua distribuição por sorte. Considerando que, tanto o processo ora em apreciação quanto o que aguarda distribuição detêm, como se vê, a mesma causa de pedir, pois os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são praticamente idênticos e sucessórios. Isto é, o resultado de julgamento de um influenciará diretamente no desfecho do outro. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os dois processos, e, para evitar que se tenha decisões contraditórias, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Sobre tal aspecto, nada melhor que recorrer as lições do jurista LUIZ FUX para melhor retratar a presente situação: “A conseqüência jurídicoprocessual mais expressiva da conexão, malgrado não lhe seja a única, é a imposição de julgamento simultâneo das causas conexas no mesmo processo (simultaneus processu). A razão desta regra deriva do fato de que o julgamento em separado das causas conexas gera o risco de decisões contraditórias, que acarretam grave desprestígio para o Poder Judiciário. Assim, v.g., seria incoerente, sob o prisma lógico, que um juiz acolhesse a infração contratual para efeito de impor perdas e danos e não a colhesse para o fim de rescindir o contrato, ou ainda, que anulasse a assembléia na ação movida pelo acionista X e não fizesse o mesmo quanto ao acionista Y, sendo idêntico a causa de pedir.” (Luiz Fux; Cursos de Direito Processual Civil; Editora Forense; Edição 2001) Já a jurisprudência deste próprio E. Conselho de Contribuinte é pacífica no sentido de admitir a possibilidade da aplicação da conexão em matéria de processo administrativo fiscal, conforme se denota das ementas abaixo colacionadas, vejase “NORMAS PROCESSUAIS. CONEXÃO. Dáse a conexão quando os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são idênticos. Neste caso, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 20400694 do Processo Administrativo nº 10980013136200217; Órgão julgador: Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 08/11/2005) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: CONEXÃO DE MATÉRIAS ANÁLISE CONJUNTA NECESSIDADE Identificadaconexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000912/201078 Resolução n.º 2301000.207 S2C4T2 Fl. 4 5 trazidos à consideração da autoridade julgadora. (Acórdão nº 10517246 do Processo 19740000426200389; Órgão Julgador: Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 15/10/2008) Por toda essa razão, entendo que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, motivo pelo qual é prudente emprestar do Código de Processo Civil o instituto jurídico processual da conexão previsto expressamente no artigo 103 do CPC, e aplicálo no caso dos presentes autos, analogicamente. Isso se faz necessário porque se for decidido nos autos do processo nº 11516.000911/201023 que o Recorrente não é obrigado a efetuar arrecadação das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento, devidas pelos contribuintes individuais a seu serviço, segundo dispõe a regra contida na alínea “a”, inciso I, do artigo 30, da Lei nº 8.212/91, não haverá que se falar na multa ora aplicada. Daí porque, é necessário determinar, com fim específico de afastar a ventilada hipótese de decisões contraditórias, a reunião dos referidos processos administrativos fiscais, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Contudo, certo da perfeitamente configuração da conexão entre os citados processos, devem, assim, ser os mesmos apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos do processo administrativo nº 1151.6000911/201023 apensados ao presente processo administrativo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Adriano Gonzales Silvério – Conselheiro Declaração de Voto Damião Cordeiro de Moraes – Conselheiro O nobre Conselheiro relator votou no sentido de converter o presente julgamento, por considerar que existe conexão entre os processos, e assim, por essa razão seria necessário a reunião do presente processo aos demais, no intuito de serem julgados simultaneamente. No entanto, em que pese o bom arrazoado trazido pelo douto Conselheiro, peço vênia para nesse ponto divergir do seu posicionamento. Isso por que o Decreto 70.235, que rege Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 o Processo Administrativo Fiscal (PAF) em seu artigo 9º, é categórico ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Ademais, o recente Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. E, conforme venho me posicionando, os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros lavrados contra o mesmo sujeito passivo. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, de 1998, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. E, como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. Dessa forma, in casu, voto por JULGAR o presente processo, uma vez que os autos contém as informações necessárias para o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 13888.005833/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005
DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Ocorrendo a sentença final com trânsito em julgado, a decisão judicial é de cumprimento obrigatório pela Administração Tributária e a análise dos efeitos e da extensão da decisão caberá a Autoridade Administrativa responsável.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE CRÉDITOS JUDICIAIS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. APLICABILIDADE A DEMANDA POSTERIOR À LC 104/2001.
A compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que se aplica a ações judiciais propostas em data posterior à vigência desse dispositivo, conforme a sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça no REsp 1164452, julgado nos termos do art. 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ocorrendo a sentença final com trânsito em julgado, a decisão judicial é de cumprimento obrigatório pela Administração Tributária e a análise dos efeitos e da extensão da decisão caberá a Autoridade Administrativa responsável. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE CRÉDITOS JUDICIAIS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. APLICABILIDADE A DEMANDA POSTERIOR À LC 104/2001. A compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que se aplica a ações judiciais propostas em data posterior à vigência desse dispositivo, conforme a sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça no REsp 1164452, julgado nos termos do art. 543-C do CPC. Recurso Voluntário Negado
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OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ocorrendo a sentença final com trânsito em julgado, a decisão judicial é de cumprimento obrigatório pela Administração Tributária e a análise dos efeitos e da extensão da decisão caberá a Autoridade Administrativa responsável. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE CRÉDITOS JUDICIAIS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. APLICABILIDADE A DEMANDA POSTERIOR À LC 104/2001. A compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que se aplica a ações judiciais propostas em data posterior à vigência desse dispositivo, conforme a sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça no REsp 1164452, julgado nos termos do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 58 33 /2 00 8- 36 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama. Relatório Por bem relatar os fatos em tela, adoto com as devidas adições e exclusões, o relatório da primeira instância. “Tratase de lançamento de oficio, fls. 159 a 163, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI,no valor de R$ 5.995.036,75, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até 28/11/2008. Na Descrição dos Fatos, fl. 161, o autuante relata que, no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, o estabelecimento industrial recolheu a menor o imposto, por se utilizar de créditos indevidos, conforme termo de constatação fiscal e planilhas que fazem parte integrante deste auto de infração. Consta do termo de constatação fiscal, fls. 148/149, que: => após análise do Livro de Registro e Apuração do IPI, verificou que a empresa descreve a rubrica "outros créditos" como tendo sido apurada conforme o art.153, parágrafo 3º , inciso II da Constituição Federal. Por outro lado, para justificar o creditamento, o contribuinte apresenta cópia da Ação Judicial n° 2001.61.09.0005423, de 24/01/2001, fls. 63 a 88, que certifica tratarse de Mandado de Segurança com Pedido de Liminar, onde a autora objetiva declaração do direito de proceder o creditamento do IPI referente às matérias primas e demais insumos adquiridos e utilizados em seu processo produtivo e que estão sujeitos aos regimes de isenção, nãotributados ou tributados à alíquota zero, mediante lançamento desses créditos pela mesma alíquota de saída de seus produtos; => sobre a Ação Judicial consta que a liminar foi concedida e houve sentença favorável ao contribuinte proferida pela 2a. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13888.005833/200836 Acórdão n.º 3102001.713 S3C1T2 Fl. 291 3 Vara Federal de Piracicaba, julgando parcialmente procedente o pedido e concedendo a segurança, para garantir à impetrante o direito de contabilizar créditos presumidos de IPI, decorrentes da aquisição de insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero utilizados na fabricação de seus produtos, pela mesma alíquota do produto final em que tais insumos foram utilizados. Verificase, também, que os autos foram remetidos ao Tribunal Regional Federal da 3a.Região, Sexta Turma, que, por unanimidade, negou provimento à apelação e deu provimento à remessa oficial, sendo o Acórdão publicado em 18/09/2006, fls. 89 a 118. Constatase, ainda, que o contribuinte inconformado com a decisão do TRF 3a.Região ingressou com Recurso Especial e Recurso Extraordinário nos Tribunais Superiores, fls. 119 a 124; => diante do acima exposto procedemos à glosa dos créditos de IPI contestados e reconstituímos a escrita fiscal do contribuinte para os anoscalendário 2004 e 2005, apurando saldos devedores em diversos períodos de apuração, conforme planilhas às fls.135 e 136, os quais estão sendo lançados, com a exigência de multa de oficio, por intermédio de Auto de Infração controlado pelo Processo Administrativo Fiscal n° 13888.005833/200836. Cientificada da exigência fiscal em 29/12/2008, a autuada apresentou, em 01/11/2008, a impugnação de folhas 166 a 173, alegando em síntese que: => o crédito glosado pela autoridade fiscal foi, reconhecido judicialmente no processo 2001.61.09.0005423, em sede de liminar, e, posteriormente, em sentença, conforme consta do Termo de Constatação Fiscal anexo. Ocorre que, em virtude de ainda não haver uma decisão definitiva no mencionado processo judicial, bem como a impugnante possuir direito ao crédito, este lançamento não procede, conforme se passa a expor; => o pleito da impetrante referese ao reconhecimento do direito ao crédito de IPI, sobre a aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados a alíquota zero, sob pena de violação ao princípio da não cumulatividade; => o princípio da não cumulatividade, relativamente ao IPI, é – amplo, pleno e não encontra nenhuma barreira no texto constitucional. A manutenção do crédito é assegurada plenamente, não estando sujeita a qualquer arbitrariedade; => o direito ao crédito tem como finalidade afastar a enorme carga tributária referente ao IPI, advinda do benefício concedido ao contribuinte. Nesse sentido é o entendimento prevalecente no STF, o qual, em caso análogo, aplicou a interpretação a ser seguida quanto ao princípio da cumulatividade. Cita os recursos extraordinários nº 350.446/PR e 212.4842/RS; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 => a decisão do processo judicial possui efeito direto neste processo administrativo, vinculado, razão pela qual este último deve aguardar o julgamento do primeiro, ou seja, deve ficar suspenso até decisão final do judicial. Nesse sentido, cita decisões judiciais e administrativas; => assim, uma vez que este recurso extraordinário versa matéria idêntica a discutida judicialmente e na presente impugnação, a decisão prolatada neste caso surtirá efeitos amplos, ao qual a impugnante se submeterá, razão pela qual, vem a asseverar a necessidade da suspensão do presente processo administrativo, o qual, necessariamente, haverá de se curvar diante do que for decidido judicialmente; => requer a insubsistência do presente auto de infração, pois é detentora do direito ao aproveitamento dos créditos de IPI glosados pela autoridade fiscal. Todavia, em não sendo esse o entendimento, requer a suspensão deste até decisão final do processo judicial, em face da vinculação dos efeitos deste sobre o administrativo.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, não conheceu da impugnação em razão da concomitância com a ação judicial protocolada pela Recorrente. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas, cabendo à autoridade onde se encontra o processo de determinação e exigência do crédito tributário não conhecer da petição e declarar a definitividade da exigência na esfera administrativa. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" A autuada ao tomar ciência da decisão, veio aos autos e interpôs recurso, pedindo o sobrestamento do julgamento em razão do RE 562.970/SC onde teria sido reconhecido a repercussão geral da matéria. Em seguida, a Recorrente alega que a discussão judicial da matéria não prejudica a apreciação administrativa e repisa as alegações quanto ao mérito do direito creditório, já apresentada na impugnação. Por fim alega a inaplicabilidade da multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96, argumentando que os débitos foram confessados pela Recorrente na declaração de compensação. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13888.005833/200836 Acórdão n.º 3102001.713 S3C1T2 Fl. 292 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado, trata o presente processo de pedido de restituição combinado com pedidos de compensação, cujos créditos de IPI referemse a aquisições de produtos isentos, não tributados e de alíquota zero. A matéria foi submetida a apreciação do poder judiciário por meio da Ação Judicial nº 2001.61.09.0005423, protocolada em 24/01/2001. Diante deste fato o mérito do direito creditório não pode ser apreciada por esta turma, pois, a decisão na Ação Judicial interfere diretamente no pleito da Recorrente. O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, no intuito de evitar decisões divergentes, diante do principio da unidade de jurisdição prevalente no País em que decisões judiciais são soberanas e a propositura destas afasta a possibilidade de apreciação pela via administrativa. Este entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, não conheço de parte do Recurso quanto ao mérito do direito creditório por ser matéria submetida ao poder judiciário. Quanto ao pedido de sobrestamento e exoneração da multa de ofício, conheço do Recurso, por atender os pressupostos de admissibilidade e por tratarse matéria diversa daquela discutida no poder judiciário. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 O sobrestamento do julgamento de processos, consta das alterações promovidas no Regimento Interno do CARF, com a edição da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, quando foi incluída a determinação de reproduzir nos julgamentos deste colegiado, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do CPC, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes..” Entretanto, para que o processo seja sobrestado, a matéria tratada precisa ser idêntica àquela submetida aos ritos da repercussão geral nos tribunais superiores. Tal fato não é o que ocorre na presente lide, a matéria tratada nos autos, referese ao crédito do IPI sobre aquisições de insumos isentos, nãotributados e tributados com alíquota zero. A matéria tratada no RE 562980/SC, trata de crédito de IPI referente a aquisição de insumos tributados, utilizados na industrialização de produtos isentos e tributados à alíquota zero. Abaixo transcrevo a ementa da decisão que submeteu o RE 562980/SC, aos ritos do art. 543B do CPC. “EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INSUMOS TRIBUTADOS E PRODUTO FINAL SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO OU ISENTO. PRETENSÃO AO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. I O tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico e econômico. II Repetição em múltiplos feitos com fundamento em idêntica controvérsia. III Repercussão geral reconhecida.” Portanto, em razão do Recurso Especial sobrestado não ter a mesma matéria em discussão dos autos, não assiste razão ao pleito da Recorrente de sobrestamento do presente processo. Quanto a multa aplicada, não existe reparo no lançamento. A Recorrente alega que declarou os tributos exigidos e portanto não poderia ser dela exigida a multa de 75% (setenta e cinco por cento), entretanto a apuração do tributo devido, não ocorreu em razão de auditoria de declaração de compensação. A auditoria foi realizada sobre o IPI devido, pela Recorrente, sendo identificada pela Fiscalização a existência de supostos créditos lançados na escrita fiscal, que não poderiam ser utilizadas por falta de amparo legal. Foi realizada a recomposição da escrita fiscal, sendo apurados os valores de IPI devidos, sendo realizado o lançamento com exigência da multa de ofício, correspondente à falta de recolhimento do Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13888.005833/200836 Acórdão n.º 3102001.713 S3C1T2 Fl. 293 7 tributo devido. Não existiu, portanto, a confissão dos débitos em declaração de compensação, nos termos alegados no Recurso. A Recorrente pede a aplicação do art. 63 da Lei nº 9.430/96 para exoneração da multa de ofício. Também aqui, não assiste razão ao recurso. A exoneração prevista no art. 63 aplicase aos lançamentos para prevenir a decadência, quando a exigência tributária esta afastada por força de decisão judicial. No caso em tela, apesar da decisão liminar favorável à Recorrente, na Ação Judicial nº 2001.61.09.0005423, permitindo a utilização dos créditos de IPI, a utilização dos créditos foi condicionada ao trânsito em julgado da ação judicial, nos termos do art. 170A, conforme pode ser verificado, no trecho abaixo, extraído da decisão judicial (fls. 91 a 92). “Então, aquilo que foi recolhido a título da exação discutida nos autos deve ser tido como um indébito tributário, tendo o contribuinte o direito de compensar seu crédito com outros tributos e contribuições da mesma espécie. No entanto, não é possível o deferimento do exercício da compensação em sede de liminar. Conforme determina o art. 170A do Código Tributário Nacional, dispositivo legal acrescentado através da lei complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001: "Art. 170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial". Não se pode negar que a restrição atende à segurança jurídica, sendo certo que a compensação será efetivada quando a relação jurídicotributária entre as partes estiver definitivamente estabelecida. Era comum o contribuinte obter a liminar ou mesmo a tutela e desde logo passar a efetivar a compensação, sendo o benefício revogado por ocasião da sentença. Tais situações geravam controvérsias a respeito das compensações realizadas durante a vigência da tutela de urgência. Existe inegável benefício para a segurança jurídica das partes. Ademais, em que pese este magistrado ter posicionamento diverso, a jurisprudência caminhava no sentido de restringir a concessão de liminares ou mesmo tutelas para fins de compensação, conforme os termos da Súmula 212 do Superior Tribunal de Justiça. Isto posto, DEFIRO PARCIALMENTE a medida liminar apenas para, a partir da data da propositura da demanda, reconhecer o direito da parte autora à manutenção do crédito do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo às aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados nos produtos fabricados, que são tributados na saída à alíquota zero/ isentos.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Winderley Morais Pereira Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10830.920593/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 3803-004.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 05 93 /2 00 9- 50 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920593/200950 Acórdão n.º 3803004.037 S3TE03 Fl. 63 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 9/1/2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração junho de 2002, no valor original de R$ 2.725,27, destinado a quitar débitos da titularidade do sujeito passivo. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação “in totum” do despacho decisório e o reconhecimento do crédito pleiteado com a correspondente homologação da compensação formulada, alegando o seguinte: a) o crédito decorre de recolhimento indevido da Cofins ocorrido em 15 de julho de 2002 no valor original de R$ 24.272,98; b) o despacho decisório não informa o número do PER/DCOMP em que o crédito pleiteado teria sido utilizado, nem o tributo compensado ou o período correspondente; c) “houve excesso de sanha arrecadatória por parte da Autoridade Fiscal e pouco empenho quer na análise do direito creditório quer no lastreamento com qualquer PERD/COMP; fato este que impossibilita e limita a Impugnante de formular sua defesa” (fl. 2). A DRJ Campinas/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Válido o Despacho Decisório em que foi demonstrada a utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/Dcomp em débito declarado pelo próprio contribuinte em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ Campinas/SP, com a homologação total da compensação pleiteada, sob pena de descumprimento de determinação judicial, arguindo o seguinte: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920593/200950 Acórdão n.º 3803004.037 S3TE03 Fl. 64 3 a) “é fato verdadeiro que o débito foi declarado em DCTF e utilizado para quitação da Cofins” (fl. 40); b) “também é fato verdadeiro que devido ao lapso temporal não se consegue retificar a fatídica DCTF” (fl. 40); c) “o Contribuinte promoveu medida judicial que recebeu decreto de provimento para fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigasse a Recorrente a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9.718/98 nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, bem como autorizou a Contestante (ora Recorrente) a promover compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior nos períodos supra, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para a correção do saldo devedor, devendo o Contribuinte, nos termos do § 1º do art. 74 da Lei 9.430/06, quando do procedimento da compensação, efetuar entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos confessados, tudo como se vê do incluso documento” (fls. 40 a 41); d) a própria Procuradoria da Fazenda editou orientação de que o tema levado ao Poder Judiciário não fosse mais objeto de contestação ou recurso; e) está cumprindo determinação judicial, em conformidade com o contido no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN); f) os valores pleiteados são de fácil confirmação por parte da Receita Federal, pois que constam das DIPJs. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópia de documento obtido na internet, em que se faz referência à decisão de primeiro grau no processo judicial por ele referenciado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir explanados. Inovando em relação à primeira instãncia administrativa, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte informa a existência de ação judicial versando sobre a mesma matéria deste processo e traz cópia da sentença da 3ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP. Considerando a cópia da sentença supra referenciada, assim como o resultado da consulta ao sítio na internet da Seção Judiciária de São Paulo realizada em 5 de março de 2013, constatase que o processo judicial nº 2006.61.05.0101393, em que o ora Recorrente encontrase na condição de Impetrante, transitado em julgado em 7/11/2012, versa, de fato, sobre a mesma matéria sobre a qual se controverte nestes autos, qual seja, o direito de creditamento de indébitos decorrentes de pagamentos indevidos da Cofins efetuados com base Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920593/200950 Acórdão n.º 3803004.037 S3TE03 Fl. 65 4 na Lei nº 9.718, de 1998, o que evidencia a ocorrência de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. A ordem constitucional pátria assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário1 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Esse entendimento encontrase sumulado neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não cabe nesta instância a apreciação da mesma matéria já submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, tendo em vista que a matéria já foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, configurandose renúncia à via administrativa, em razão do que os fundamentos de fato e de direito trazidos pelo Recorrente não serão apreciados por este Colegiado. 1 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920593/200950 Acórdão n.º 3803004.037 S3TE03 Fl. 66 5 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15586.001620/2010-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para que seja excluída a parcela correspondente aos valores de alimentação "in natura".
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para que seja excluída a parcela correspondente aos valores de alimentação "in natura". Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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CONTRIBUIÇÃO PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente SAMONTE TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para que seja excluída a parcela correspondente aos valores de alimentação "in natura". Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 20 /2 01 0- 80 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001620/201080 Acórdão n.º 2402003.395 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2006 a 10/2007. O Relatório Fiscal (fls. 110/121) informa que: 1. a empresa forneceu alimentação aos seus empregados sem que estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), no período de 01/2006 a 10/2007, o que constitui remuneração in natura integrante da base de cálculo da contribuição previdenciária. Para que a parcela relativa a alimentação não integre o salário de contribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o PAT, entretanto, como a empresa não estava cadastrada no programa, no período de apuração, os valores despendidos com aquisição dos vales deve integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária; 2. os valores referentes à aquisição da alimentação foram extraídos da contabilidade da empresa e não foram declarados em GFIP. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/11/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 230/241) – acompanhados de anexos de fls. 242/256 –, alegando, em síntese, que: 1. o procedimento é nulo porque foi dada ciência do início do procedimento fiscal ao contador da empresa, que não é sujeito passivo da obrigação, nem seu preposto, o que importaria em preterição ao direito de defesa e contraditório; 2. o vale alimentação é parcela indenizatória derivada de convenção coletiva, portanto, não está sujeita à incidência de contribuição previdenciária, aplicandose a isenção do artigo 214, V, “m” do RPS, entendimento que é corroborado pela jurisprudência do TST. A empresa está cadastrada no PAT desde o ano de 2000, conforme comprova com o documento de fls. 282; 3. requer a produção de prova antes da decisão deste colegiado, em consonância com o disposto em lei e os princípios que regem o processo administrativo tributário. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1238.515 da 12a Turma da DRJ/RJO1 (fls. 313/320) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que houve cerceamento ao seu direito de defesa e que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001620/201080 Acórdão n.º 2402003.395 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que parte dos fatos geradores que ensejaram a presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, assim como a própria alimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal (fls. 110/121) nos seguintes termos: “[...] 4. Constituem fatos geradores das contribuições aqui lançadas: 4.1. as remunerações pagas aos segurados empregados a título de Alimentação, sem que a empresa estivesse registrada no Programa Alimentação do Trabalhador PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego, no período de 01/2006 a 10/2007. [...]” (g.n.) Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001620/201080 Acórdão n.º 2402003.395 S2C4T2 Fl. 5 7 da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para que sejam excluídos em sua integralidade os valores apurados em decorrência da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10882.000698/98-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA –IRPJ
Exercício: 1994
PERC. PRAZO. APRESENTAÇÃO. ARTIGO 15 DO DECRETO N° 70.235/72. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE A DATA DA CIÊNCIA DO EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS.
O PERC é medida processual contra o indeferimento da opção do contribuinte pelo incentivo fiscal. Como tal, rege-se, o respectivo prazo, pelo artigo 15 do Decreto n° 70.235/72. Não constando dos autos informação sobre a data da ciência de tal indeferimento, não há como se concluir pela intempestividade do PERC.
Numero da decisão: 9101-001.412
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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PRAZO. APRESENTAÇÃO. ARTIGO 15 DO DECRETO N° 70.235/72. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE A DATA DA CIÊNCIA DO EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS. O PERC é medida processual contra o indeferimento da opção do contribuinte pelo incentivo fiscal. Como tal, regese, o respectivo prazo, pelo artigo 15 do Decreto n° 70.235/72. Não constando dos autos informação sobre a data da ciência de tal indeferimento, não há como se concluir pela intempestividade do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10882.000698/9815 Acórdão n.º 9101001.412 CSRFT1 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. O processo teve sua origem em pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais PERC/FINAM (fls. 02 dos autos), concernente ao IRPJ do exercício de 1994. A solicitação foi indeferida com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/95, que impede a concessão de benefícios fiscais a pessoas jurídicas que não comprovem a quitação de tributos e contribuições. O contribuinte teria débitos de Cofins, em relação aos quais, intimado a se manifestar, nada declarou. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 46/51). Alegou, em síntese, conforme relatório da DRJ: “1. A autoridade fiscal, ao proferir a decisão sem indicar os débitos existentes, ou ao menos intimar a requerente a comprovar a extinção ou suspensão dos referidos valores, cerceou o direito de defesa da contribuinte; 2. A presente decisão contraria o entendimento esposado pelo Conselho de Contribuintes de que a data da comprovação é a data de análise do pedido;” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 70/71) indeferiu a solicitação do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1994 ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO. PERC/FINAM. INTEMPESTIVIDADE. O pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais deve ser efetuado até o dia 30 de setembro do terceiro ano subseqüente ao ano calendário a que corresponder a opção, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10882.000698/9815 Acórdão n.º 9101001.412 CSRFT1 Fl. 3 3 mesmo nos caso de falta de emissão pela Secretaria da Receita Federal do extrato das aplicações em incentivos regionais. Solicitação Indeferida O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 74/78). Alegouse que: “ a simples visualização do "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" relativos ao IRPJ/94 — anocalendário de 1993 (doc.01), mais precisamente no item 3, comprovase que a contribuinte teria ate o dia 20/06/1997 para protocolizar o PERC; isso se comprovaria pelo fato de que estando ciente do prazo de que dispunha para se manifestar, protocolizou tempestivamente o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais em 07/02/1997, conforme protocolo anexo (doc.02), pelo que qualquer afirmativa em sentido contrário 6, de plano, descabida; concluise, portanto, que o prazo determinado pelo parágrafo 5" anteriormente transcrito, no especifico, 30/09/1995, tornouse impossível de ser cumprido, na medida em que o próprio "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" ora anexado foi expedido posteriormente em 28/11/1996.” A 4° Câmara da Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1993 Ementa: PERC NORMA PROCESSUAIS — PERDA DE PRAZO PARA RECORRER O PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Caso a administração venha adotando através de atos infralegais ou através de prática reiterada prazo mais elástico do que o referido prazo processual de trinta dias, deve ser aplicado ao contribuinte em função de a administração ter que arcar com as conseqüências jurídicas de seus atos normativos, que pelo CTN possui força complementar de lei (inteligência do art. 100 do CTN). Deuse provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar suscitada pelo contribuinte de tempestividade do pedido de revisão, determinando a devolução dos autos à DRJ para análise do mérito. No acórdão, fixouse a premissa de que o PERC tem natureza processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal, e que, portanto, o respectivo prazo contase nos termos do Decreto n° 70.235/72 (30 dias da ciência da decisão). Estabeleceuse Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10882.000698/9815 Acórdão n.º 9101001.412 CSRFT1 Fl. 4 4 que, para a contagem do prazo, deveria constar dos autos prova (AR) com indicação do dia da ciência. Neste sentido, concluiuse: “Como não existe nos autos tal informação, devese considerar que a discordância da DRJ com relação a essa questão preliminar tornouse infundada ainda mais se for considerado que ela até mesmo extrapolou os limites da lide, trazendo matéria estranha ao que tinha se decidido pela DRF, o que comprometeria até mesmo o contraditório e a ampla defesa, na medida em que esta se tornaria a última instância a se discutir essa matéria.” A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 101/118). Sustentou a aplicação, ao caso, para a contagem do prazo de apresentação do PERC, do artigo 15, §5°, do Decreto lei n° 1.376/74, com a redação dada pelo artigo 1°, do Decreto lei n° 1.752/79. Segundo a recorrente: “Ora, se o acórdão hostilizado recorreu à analogia para aplicar o prazo estipulado no art. 15 do Decreto n9 70.235/72 porque não aplicar com fulcro no mesmo fundamento — analogia — o art. art. 15, §5°, do DecretoLei n9 1.376/74, com a redação dada pelo art. 1 9 do DecretoLei n 9 1.752/79? O acórdão recorrido aduz que tratamse de situações jurídicas diversas, mas também o art. 15 do Decreto n°70.235/72 não trata de situação jurídica diversa? Como conseqüência, diante do conceito mesmo de analogia, o qual inserese numa das formas de integração da legislação, cujo uso é admitido na seara tributária, com algumas cautelas, nos termos do art. 108 do CTN, e cujo conceito circunscrevese em integrar a lei mediante a aplicação da norma a situação de fato nela não prevista, embora semelhante aquela a qual a lei se refere expressamente. Argumentou, também, no sentido da não aplicabilidade do artigo 100 à hipótese dos autos: “Em primeiro lugar, o não conhecimento de recurso intempestivo protocolado pelo contribuinte, repercutindo no indeferimento de sua solicitação não constitui nem imposição de penalidade, nem cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Em segundo lugar, especificamente quanto às "praticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas", cumpre assinalar que o termo "observadas" no texto legal tem a conotação de que a autoridade administrativa ao praticar, ou deixar de praticar um ato, ou conjunto de atos discricionários, analisouos e julgouos adequado aquela determinada situação. O termo "reiteradamente" leva ao entendimento de que a autoridade administrativa, após análise do caso concreto, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10882.000698/9815 Acórdão n.º 9101001.412 CSRFT1 Fl. 5 5 julgando apropriado o procedimento adotado, repetiuo por vezes. A mera repetição, entretanto, não é suficiente. Não é qualquer ato praticado por autoridades administrativas que podem ser considerados como normas complementares. Somente os atos os quais é permitida certa discricionariedade, quando praticados reiteradamente, podem ser considerados como normas complementares nos termos do art. 100 do CTN. Por outro lado, os atos de natureza vinculada, quando praticados em desacordo com a legislação, não estão sujeitos a validação e não podem ser considerados como normas complementares (...) Como já se disse alhures, é pacifico na Secretária da Receita Federal o entendimento de que se deve aplicar o prazo em questão àquelas pessoas jurídicas que pedem revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento têm reiteradamente sufragado entendimento oposto ao da decisão hostilizada. Não suficiente, ainda na seara administrativa, há o Ato Declaratório Executivo Corat n.° 52, de 30 de julho de 2003, que ao prorrogar o prazo para entrada com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), relativo à opção de aplicação de parcela do IRPJ do anocalendário 2000 no FINOR, FINAM ou FUNRES, confirma o entendimento de que o termo final para a apresentação do PERC é o dia 30 de setembro do terceiro ano subseqüente ao anocalendário a que corresponder e opção. São seus termos: "Art. 1° Os Pedidos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativos às opções pelo FINAM, FINOR ou FLTNRES, manifestadas em relação ao imposto de renda devido no anocalendário de 2000, na forma do art. IQ, inciso I, da Lei n° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, poderão ser apresentados ate 28 de novembro de 2003 a unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o domicilio fiscal da pessoa jurídica." Portanto, sob qualquer ótica sob a qual se observe a situação posta sob apreciação e julgamento neste feito, concluise que não se vislumbra a presença dos requisitos necessários para se caracterizar a presença de "práticas reiteradas da Administração tal como aduziu a decisão recorrida. Ora, no bojo do próprio acórdão recorrido constou que o tema é controvertido. Partindose do pressuposto de que a premissa é verdadeira, é forçoso concluir que a própria decisão recorrida consignou não estarem presentes os requisitos da uniformidade e da prática reiterada (habitual), pública e geral, com a convicção de que sua necessidade jurídica. Por todo o exposto, requer a União seja considerada intempestivo o PERC apresentado pelo contribuinte, diante de sua intempestividade, considerandose o prazo previsto no artigo Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10882.000698/9815 Acórdão n.º 9101001.412 CSRFT1 Fl. 6 6 15, § 5°, do DecretoLei n.° 1.376/74, com a redação dada pelo art. 1°, do DecretoLei n.° 1.752/79”. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 139/142 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Tratase de se definir o prazo para a apresentação do PERC. Defende, a recorrente, a aplicabilidade do artigo 15, § 5°, do DecretoLei n.° 1.376/74, com a redação dada pelo art. 1°, do DecretoLei n.° 1.752/79, que estabelece o seguinte: Art. 15 A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decretolei e à EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. § 5º Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção Entendeuse, no acórdão recorrido, que o PERC tem natureza de defesa, sendolhe aplicável o prazo de 30 dias a contar da ciência da decisão que indeferiu a solicitação do contribuinte. No caso, temse que o contribuinte protocolizou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (07/02/1997), relativo ao exercício de 1994. O pedido foi indeferido, com base na existência de débitos relativas à Cofins. Daí a apresentação do PERC, que se constitui no meio, por assim dizer, de defesa do contribuinte contra o indeferimento da opção pelos incentivos fiscais. O PERC somente pode ser apresentado justamente em face de tal indeferimento, uma vez tomada efetiva ciência por parte do contribuinte. Não se enquadra nessa situação a norma cuja aplicação o recorrente pretende ver imperar. Com efeito, o artigo 15, §5°, do DecretoLei n° 1.376/74 dispõe sobre a hipótese em que o contribuinte (pessoa jurídica) que optou pelo incentivo fiscal não Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10882.000698/9815 Acórdão n.º 9101001.412 CSRFT1 Fl. 7 7 procurarem pelos valores das ordens de emissão, de sorte que estes retornarão para os Fundos de Investimento. Não se cuida, pois, de indeferimento do respectivo pedido. Contra este cabe uma medida própria, de defesa, que é o PERC. Obviamente, meio de defesa que é, imprescindível que haja contra o quê o contribuinte deva defenderse. Na hipótese, o indeferimento da sua opção. Este, inequivocamente, mais propriamente a ciência por parte do contribuinte do indeferimento, devese considerar o termo inicial para a apresentação, por parte do contribuinte, do PERC. Pois bem, neste sentido, não se pode considerar a aplicabilidade do artigo 15, §5°, do DecretoLei n° 1.376/74. Até porque este dispositivo concerne à hipótese em que a ordem de emissão do certificado foi homologada pela Receita Federal, porém não resgatada pelo beneficiado, como bem citado no acórdão recorrido. Ora, homologado e não resgatado, não quer dizer não homologado ou indeferido, de sorte que a regra para aquela situação não pode ser aplicada para esta situação. Contra o não reconhecimento do direito, cabe uma medida processual, que é justamente o PERC. Não havendo regra própria, e cuidandose de uma medida processual, mais acertada a incidência, conforme decidido no acórdão impugnado, do artigo 15 do Decreto n° 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Como, nos autos, não se tem comprovação de quando ocorrera a ciência do contribuinte por meio de AR, não se tem como considerar como intempestivo o PERC apresentado. Neste sentido, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: PERC. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Se o legislador estabeleceu que compete à Receita Federal expedir extrato à pessoa jurídica optante pelo incentivo, quando tal fato não ocorre, não se pode aplicar o prazo de que trata o § 5° do art. 15° do DecretoLei n° 1.376, de 1974. Na ausência de disposição legal específica, por analogia, aplicase o disposto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72, salvo se Administração Tributária não tiver concedido prazo maior, contandose o prazo de 30 dias, a partir da ciência da decisão que denega a emissão do certificado. Quando não há essa ciência, devese tomar como tempestivo o PERC. (Processo n° 10980.010805/9815; Recurso n° 105133.461 Especial do Procurador; Acórdão n° 910100.353 — 1° Turma; Sessão de 26 de agosto de 2009; Relatora: Adriana Gomes Rego) Transcrevo trecho relevante do julgado: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10882.000698/9815 Acórdão n.º 9101001.412 CSRFT1 Fl. 8 8 “Ora, a situação é: o sujeito passivo, mediante a apresentação de sua declaração do imposto de renda pelo lucro real, exerce a opção de aplicar parcelas do seu imposto de renda devido, em incentivos fiscais. Após o processamento eletrônico dessas opções e, mediante controle dos recolhimentos, são emitidas pela Administração Tributária, ordens de certificado de investimentos nos Fundos, em favor dessas pessoas jurídicas. Assim, esses certificados emitidos correspondem a quotas dos Fundos de Investimento, de sorte que o direito pleiteado pela pessoa jurídica, na verdade, diz respeito, a títulos, que são quotas dos Fundos de Investimento. Mas a discussão não é quanto ao prazo para pleitear algum direito e sim um prazo para manifestar sua discordância quanto à negativa da Administração Tributária à emissão de certificados de incentivos fiscais, como bem coloca a ementa do acórdão recorrido. E, se estamos tratando de prazo para manifestar uma discordância a um ato da Administração Tributária, a regra é processual, e o gênero mais próximo, aplicandose a analogia, seria utilizar a regra de apresentação de manifestação de inconformidade ou impugnação de que trata o Decreto n° 70.235/72, art. 15, ou seja, 30 dias contados da data da ciência da decisão que negou a emissão do certificado de incentivo. A decisão que nega a emissão dos certificados, na verdade, ocorre quando a então Secretaria da Receita Federal emite o Extrato. Assim, a data para a empresa se insurgir com o ato da Administração Tributária seria 30 dias da ciência dessa decisão, salvo, é claro, se a Administração Tributária tiver estabelecido prazo maior, pois, neste caso, em razão da especificidade da orientação, e como é emanada em beneficio do sujeito passivo, tal data é que deve prevalecer. Ocorre que não consta dos autos qualquer informação quanto à data de ciência da empresa optante do extrato de que trata o art. 3° do DecretoLei n° 1.752, de 1979, ou de qualquer outro documento que comunique ao contribuinte o indeferimento de seu pedido ao beneficio fiscal. O que se tem às fls. 36/37 é uma "ORDEM DE EMISSÃO DOS INCENTIVOS FISCAIS" e uma "RELAÇÃO DE CONTRIBUINTES COM EXTRATOS", que foi emitido aos Fundos, em 11/8/1994, que consigna, para o contribuinte em apreço, que o valor é ZERO e ainda, que a motivação é "NÃO EMITIDOS OS INCENTIVOS FISCAIS — CONTRIBUINTE COM PENDÊNCIAS NOS CONTROLES DA RECEITA FEDERAL". Ora, se não se sabe quando o contribuinte tomou ciência dessa decisão, devese tomar como tempestivo o PERC. No entanto, devem os autos retornar à unidade de origem para análise quanto ao mérito do pedido.” No presente caso, temse apenas que o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais foi emitido 28/11/1996 (fls. 91 e verso), mas não se tem a informação de quando Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10882.000698/9815 Acórdão n.º 9101001.412 CSRFT1 Fl. 9 9 efetivamente deuse a ciência por parte do contribuinte. Desta forma, não há como se concluir pela intempestividade do PERC apresentado pelo contribuinte. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, e determino o retorno dos autos à DRJ para a análise do mérito do pedido do contribuinte. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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