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Numero do processo: 10283.720395/2006-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA
CONJUNTA. Em caso de conta conjunta, mesmo nos casos em que os
titulares sejam dependentes entre si e apresentem em conjunto a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários, sob pena de nulidade do lançamento de oficio. Súmula CARF n° 29.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, cancelando a omissão de rendimentos decorrentes dos depósitos bancários mantidos no Banco HSBC, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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Em caso de conta conjunta, mesmo nos casos em que os titulares sejam dependentes entre si e apresentem em conjunto a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários, sob pena de nulidade do lançamento de oficio. Súmula CARF n° 29. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do C provimento ao recurso, cancelando a o bancários mantidos no Banco I-ISBC, di, por unanimidade de votos, em dar dimentos decorrentes dos depósitos da Relatora. t VWomsem R$ Fato Gerador Vencimento Imposto Valor (%) Valor 2001 75,00 30/04/2002 116.210,66 87.157,99 79,03 91.841,28 2002 75,00 30/04/2003 145.997,92 109.498,44 59,55 86.941,76 Totais 262.208,58 196.656,43 178.783,04 Multa(%) Mora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Nilbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra o contribuinte AMBROZIO COHEN ASSAYAG, CPF/MF n° 000.674.742-68, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 11/12/2006, auto de infração (fls. 234 a 245), a partir da revisão de suas declarações de ajuste anual, referente aos exercícios 2001 e 2002, com o lançamento do imposto de renda pessoa física no valor de R$ 637.648,05. 0 valor do crédito tributário apurado está assim constituído: i. Imposto R$ 262.208,58 Juros de Mora (cálculo até 30/11/2006) R$ 178.783,04 iii. Multa Proporcional (passível de redução) R$ 196.656,43 iv. Total do Crédito Tributário R$ 637.648,05 A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, refere-se que a conta bancária mantida no exterior e os fatos apurados decorreram das investigações do "Caso Banestado", momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento, tendo a seguinte motivação da infração: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificou-se excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme demonstrado abaixo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Inconformado contribuinte apresenta impugnação à exigência tributária em 12.01.2007, (fls. 234 e seguintes), de onde se extrai os seguintes argumentos: a) As planilhas relativas à variação patrimonial a descoberto foram confeccionadas com erros, omissões e suposições. Em especial, inexistem nos autos documentos comprobatórios de que o impugnante tenha executado qualquer transação financeira para o exterior, o que se dá simplesmente pelo fato de que tais remessas não foram de sua autoria. Aduz que a fiscalização não exibiu qualquer documento no qual conste a assinatura do autuado como sendo o ordenante das supostas remessas, o que por si só invalida 2 Processo if 10283.720395/2006-99 S2-CIT2 Ac6rd5o ri.° 2102-01.306 H. 334 o lançamento. Refere doutrina, julgados administrativos e jurisprudência do STJ. b)Quanto a depósitos bancários de origem não comprovada, os valores depositados e movimentados foram informados em suas DIRPFs 2001 e 2002. As movimentações de depósitos em questão são perfeitamente compatíveis com os numerários declarados como seus rendimentos. Ainda, depósitos bancários não podem ser considerados rendimentos, inexistindo fato gerador do imposto de renda. Refere julgados administrativos e auto-retrata seu perfil sócio-econômico. c) Juros e atualização monetária fazem-se indevidos, haja vista a improcedência do principal, além da inconstitucionalidade do índice utilizado. Por sua vez, a multa de oficio de 75% exibe caráter confiscatório. Cita jurisprudência. A 3 a Turma da DRJ/BEL, por maioria de votos, julgou LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE, para considerar devidos, a titulo de principal, R$ 128.665,41, os quais deverão ser acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora. Tudo nos termos de decisão consubstanciada no Acórdão n° 01-10.945, 13 de maio de 2008 (fls. 299 a 307), que foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO-CALENDÁRIO: 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIM IDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de disposições normativas. A legislação regularmente editada, segundo o procedimento próprio, goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF ANO-CALENDÁRIO: 2001, 2002 LANÇAMENTO. REMESSAS PARA 0 EXTERIOR. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. O lançamento deve encontrar-se instruido com as provas do fato jurídico tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/1972. Ê passive l de dúvida a autoria da remessa de recursos financeiros quando não consta a assinatura do contribuinte nos elementos probatórios, nem se demonstra por outros meios hábeis e idôneos a efetiva sujeição passiva. PRINCÍPIO DO DUBIO PRO CONTRIBUINTE". Interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de incerteza quanto 'A autoria e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato imponivel. RENDIMENTOS. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos respectivos. Lançamento Procedente em Parte Cabe sinalizar que a DRJ, corretamente tomou em conta a improcedência da parcela do lançamento referente a remessas para o exterior e a procedência do restante da matéria tributável, correspondente a depósitos bancários de origem não comprovada, impõe-se o refazimento o lançamento, para exclusão do valor exonerado, nos termos da tabela: Tributo/Ano- Calendário Lançado (R$) Mantido (R$) Exonerado (R$) IRPF / 2001 116.210,66 55.720,37 60.490,29 I RPF / 2002 145.997,92 72.945,04 73.052,88 TOTAL 262.208,58 128.665,41 133.543,17 0 contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/2008 (fls. 311/327), tendo sido informado pela Equipe de Controle e Processos Fiscais — EQPROF (fls. 333), que fora considerado como ciência do Acórdão n° 01-10.945, 13 de maio de 2008, a data de apresentação do recurso, tendo em vista o não retorno do aviso de recebimento e pelo fato da proximidade das datas da intimação e da recepção da defesa. Giza-se que em sede recursal o Contribuinte ataca tão somente: i. Omissão de Rendimento; Hilegitimidade do Lançamento do IR, com base em extratos ou depósitos bancários. É o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. 0 lançamento efetuado pelo Fisco com base em informações obtidas a partir de extratos bancários está totalmente amparado pela legislação tributária aplicável ao caso. Isto porque, a legislação tributária permite a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que se verificam depósitos bancários sem que a respectiva comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, que deverá fazê-lo sempre por meio de documentação hábil e idônea. Nesse sentido, assim já dispunha o artigo 889, inciso II, do RIR/94 (Decreto n° 1.042/94), determinando que o contribuinte devesse atender a contento As solicitações de esclarecimentos por parte do Fisco, do contrário, ensejando ao Fisco a possibilidade de efetuar o lançamento de oficio, conforme segue: "Art. 889 - O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: (..) II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou mio os prestar satisfatoriamente;" 4 Processo IV 10283.720395/2006-99 S2-C I T2 Fl. 335 Acórdão n.° 2102-01.306 Nesta mesma esteira, o atual Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 — Decreto no 3.000/99) concede igualmente ao Fisco a possibilidade de efetuar o lançamento de oficio em casos de não atendimento as solicitações fiscais a contento, de acordo com a redação do artigo 841 deste diploma normativo, a seguir reproduzido: Art. 841. 0 lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito pushy: I - não apresentar declaração de rendimentos; II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe pr dirigido, recusar-se aprestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; III -fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV - não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V - estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; VI - omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo Aplicar-se-6 o lançamento de oficio, além dos casos enumerados neste artigo, aqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos que se subordinar o favor fiscal. (grifo nosso) Não obstante, as disposições normativas acima mencionadas encontram seu fundamento de validade no artigo 149, III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento finwntlado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou tic-7o o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade," Portanto, conforme se depreende da leitura dos dispositivos legais anteriormente mencionados, somente o atendimento, a contento, do pedido de esclarecimentos, tem o condão de eximir o sujeito passivo (contribuinte) do lançamento de oficio. Sendo assim, não basta a apresentação de vasta documentação se esta não demonstrar ou comprovar a situação fática alegada pelo contribuinte, infirmando, por conseguinte, as constatações apontadas pelo Fisco. Ademais, a autuação fiscal com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 24 de dezembro de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Assim dispõe o referido comando normativo: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § I° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2 0 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-cio ás normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente a época em que auferidos ou recebidos. § 3 0 Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4 0 Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5 0 Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Com efeito, as presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o Onus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Isto porque, o ônus da prova, neste caso, cabe ao interessado, no caso o contribuinte. Inclusive, nesse sentido, a fim de pacificar a matéria, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF editou a Súmula CARF n° 26, que traz a seguinte redação: Súmula CARF n°26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Importa ainda asseverar que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Logo, de acordo com os normativos retro mencionados, em casos de omissão de rendimentos, cabe apenas ao sujeito passivo, e não ao Fisco, trazer os elementos de prova de forma a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em sua conta corrente ao longo dos períodos base analisados. Observe-se que o artigo 332 da Lei n°. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil Brasileiro, estabelece que "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou defesa". A depois, o mesmo Diploma Legal indica em seu Processo n° 10283.720395/2006-99 S2-C I T2 Acórdao n.° 2102-01.306 H. 336 artigo 334, inciso IV que "não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade". Desse modo, não havendo hierarquia do valor probante dos meios de prova, excetuado o uso de provas ilícitas (art. 5°, inciso LVI da Constituição Federal de 1988), pode-se provar qualquer situação de fato por qualquer via, o que confere ao contribuinte ampla liberdade na produção de provas para a comprovação dos fatos alegados em sua defesa. (b) Das contas conjuntas (falta de intimação do co-titular): Não obstante à legalidade do lançamento em relação aos valores apontados pela autoridade fiscal, nos termos já expostos, um ponto importante que deve ser observação é com relação à titularidade das contas correntes analisadas pelo Fisco. Assim, observo a falta de intimação junto a esposa do contribuinte, a saber: • Banco n°399 — HSBC —Bs. 194/195 e cheques 201/212: Conta Corrente: 0092171— agência: 1122 Contribuinte — (fls. 117 e fls. 125 e fls. 126) Esposa (Déborah B. Assayag — CPF/MF: 161.576.212-49) (li s. 118) Assim, está claro pela cópia dos cheques justados aos autos As fls. 201/212, abstraem tratar-se de conta-conjunta entre os cônjuges. Assim, em relação à conta corrente do Banco HSBC, a própria autoridade fiscal constatou tratar-se de conta corrente conjunta em que o contribuinte era co-titular, conforme se consta As fls. 161/185 (extrato onde consta o nome de ambos) e nos termos das 'Notas Explicativas do Demonstrativo de Evolução Patrimonial' (fls. 225 a 232). De outra banda, ainda que a Declaração de Rendimentos — DAA, (fls.04 a 10), haja a informação dos dados da cônjuge-mulher como dependente, não há que se obstar o imperioso complemento da intimação de ambos contribuintes. Entretanto, em que pese A. atribuição dos depósitos bancários ocorridos nos Bancos, nota-se que a autoridade fiscal notificou apenas o contribuinte varão (titular), não constando dos autos qualquer notificação ao outro co-titular, neste caso sua esposa. Nesse sentido, a falta de intimação do co-titular é causa que macula o lançamento de oficio. Ands, tal entendimento já restou plenamente pacificado por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por meio da Súmula CARF n° 29, com efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal, conforme Portaria - MF IV 383, de 12.07.2010 — DOU de, 14.07.2010 - Seção 1 — Página 843., cujo teor segue abaixo: Súmula CARF n° 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração cons base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançarnento. EFEITO VINCULANTE Portanto, diante do exposto, é de rigor a exclusão dos valores decorrentes de depósitos bancários de origem não identificada ocorridos no Banco n° 399 asugi - Relatora HSBC - Conta Corrente: 0092171— agência: 1122. Assim, com base no disposto na Súmula CARF n° 29 devem ser excluídos da tributação todos os valores decorrentes dos depósitos bancários ocorridos nas seguintes contas correntes, já exaradas. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso do contribuinte para excluir da tributação todos os valores decorrentes dos depósitos bancários ocorridos junto aos Bancos HSBC, por falta d • fmação da co-titular. Sala e maio de 2011. 8
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Numero do processo: 10920.007307/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2006
DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Nos termos do artigo 12, inciso I, letra “a”, da Lei 8.212/91, são segurados
obrigatórios da Previdência Social, como empregado, “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado.”
Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD.
AFERIÇÃO INDIRETA
A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
MULTA DE MORA
Diante da possibilidade da caracterização da mora, a autoridade
administrativa, com base no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, não pode excluir a multa por atraso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2006 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Nos termos do artigo 12, inciso I, letra “a”, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado.” Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. AFERIÇÃO INDIRETA A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. MULTA DE MORA Diante da possibilidade da caracterização da mora, a autoridade administrativa, com base no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, não pode excluir a multa por atraso. Recurso Voluntário Negado.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na ocorrência de simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Nos termos do artigo 12, inciso I, letra “a”, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado.” Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. AFERIÇÃO INDIRETA A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GRUPO ECONÔMICO Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. MULTA DE MORA Diante da possibilidade da caracterização da mora, a autoridade administrativa, com base no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, não pode excluir a multa por atraso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.600 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal e Relatório Complementar (fls. 158 a 208), o fato gerador das contribuições apuradas ocorreu com a prestação de serviços, à notificada, dos empregados e sócios de empresas prestadoras, considerados segurados empregados da FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL pela fiscalização por ter sido constatada a presença dos requisitos caracterizadores da relação de emprego.. A autoridade lançadora informa que, apesar de a empresa notificada ter ficado sem nenhum empregado registrado no período compreendido entre 22/01/1999 e 17/06/2004, quando contratou, até 07/2006, um total de 04 trabalhadores, lotados na área administrativa ou comercial, os seus balanços patrimoniais dos exercícios de 1997 a 2005 registraram um considerável aumento em suas receitas operacionais, que consistem principalmente em vendas de produtos acabados. Afirma, também, que as empresas que contrataram a quase totalidade dos empregados demitidos pela notificada eram optantes do SIMPLES, e concluiu que, a partir de janeiro de 1999, a notificada passou a constituir empresas simuladas, existentes apenas "no papel", de porte reduzido, para registrar seus empregados em nome dessas empresas e se aproveitar indevidamente dos benefícios previstos no referido Sistema de tributação. No Relatório Fiscal Complementar, a autoridade lançadora lista os elementos que a levaram à concluir que as empresas BELLYS, SOFT & SOFT, TÊXTIL RIO BONITO, SONO TRANQUILO E HERBATEX são pessoas jurídicas simuladas, entre eles consta o fato de todas estarem sediadas nos mesmos endereços dos estabelecimentos da FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL, de os sócios serem ou foram empregados de empresas do GRUPO FIBRASCA, ou prestaram serviços ao Grupo como advogados e contadores, de todas elas terem sido constituídas com um capital social irrisório, sem alteração posterior, algumas sem possuir qualquer máquina, equipamento ou instalação em seu Ativo Permanente, possuírem objetos sociais semelhantes ou idênticos. Além desses elementos, cita as intimações feitas pela Justiça do Trabalho, dirigidas para as citadas empresas mas recebidas pelos sócios do Grupo Fibrasca, Sr. Klaus Siebje e Thomas Siebje, e a existência de documentos que indicam que os empregados registrados nessas empresas fictícias faziam serviços de pagamentos, expedição de correspondência, controle de expedição etc para a empresa recorrente, que era quem também pagava as despesas com viagens e medicamentos desses empregados. Relata que as demonstrações ambientais, PPRA e LTCAT, da FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL, SOFT & SOFT e BELLYS indicam que as instalações periciadas foram as mesmas e que as pessoas citadas, muitas vezes, estão registradas em empresa diversa da que se refere o documento ambiental. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Expõe os motivos pelos quais entende que os empregados e sócios das empresas listadas atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da recorrente, e que as empresas relacionadas no Relatório fazem parte do Grupo Econômico da FIBRASCA, sendo, dessa forma, atingidas pelo instituto da solidariedade. Informa que os dados foram obtidos na contabilidade, livros fiscais, notas fiscais, comprovantes de despesas, folhas de pagamentos, livros de registro de empregados, GFIP's, RAIS's, CAGED das empresas FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL, BELLYS, SOFT & SOFT e que, tendo em vista que as empresas TÊXTIL RIO BONITO, SONO TRANQUILO e HERBATEX encontramse com atividade paralisada e não apresentaram documentos, as informações foram obtidas junto a fontes externas, como JUCESC (contratos sociais e alterações), Varas do Trabalho de Joinville/SC (Ações Trabalhistas) e nos bancos de dados CNIS (GFIP, RAIS e FGTS), CAGED e SRF. Esclarece que não houve qualquer recolhimento das contribuições sociais objeto deste lançamento, que trata apenas das contribuições do empregador, e que houve o recolhimento dos segurados, ainda que em nome empresas diversas da real empregadora, razão pela qual as contribuições dos segurados empregados não foram objeto de lançamento. Fundamenta a responsabilidade solidária no inciso IX do artigo 30 da Lei N° 8.212/1991, listando as empresas que, no entendimento da fiscalização, integram grupo econômico, reafirmando que entre elas há sócios comuns, membros da mesma família ou parentes próximos, sendo que algumas participam ou participaram do capital de outras e estão sediadas no mesmo endereço de fato (Rua Conselheiro Pedreira,v1225/1245/1275). Discorre sobre cada empresa prestadora de serviços, seus sócios, objetos sociais, empregados, endereços etc, fazendo uma análise do movimento comercial e registros contábeis de cada uma, a cada ano objeto do lançamento, e concluindo pela existência de confusão patrimonial entre a FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL e essas empresas prestadoras dos serviços. A empresa notificada impugnou o débito e as empresas responsáveis solidárias pelo débito, integrantes do Grupo Econômico de fato segundo a fiscalização, regularmente cientificadas da NFLD, não apresentaram defesa. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 070010477, da 5a Turma DRJ/FNS, (fls. 1.418 a 1.435, vol. VI) julgou o lançamento procedente e a notificada, inconformada com a Decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 1.460 a 1.493), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega inexigibilidade do depósito recursal e decadência de parte do débito, e insiste na preliminar trazida em sede de impugnação, de que houve violação aos princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade, diante de usurpação de competência do órgão jurisdicional. Repete que o Auditor Fiscal da Previdência Social usurpou competência jurisdicional afeta exclusivamente à Justiça Federal do Trabalho, considerando que os Auditores Fiscais do Trabalho e os Auditores Fiscais da Previdência Social, a par de suas prerrogativas funcionais e regulamentares, não possuem competência para lavrar autos de infração assentados na declaração de existência de relação de emprego ou reconhecimento da existência de contrato de trabalho, nos termos do art. 3°.da CLT, sem que exista sentença judicial trabalhista reconhecendo a relação de emprego. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.601 5 Frisa que o reconhecimento da relação jurídica de natureza trabalhista depende de sentença emanada do Poder Judiciário Federal Trabalhista, por se tratar de atividade típica jurisdicional, pressupondo o devido processo legal e aplicação do princípio do contraditório e ampla defesa. Conclui que, como a autoridade fiscal não detém competência funcional prevista em lei para declarar e reconhecer o vínculo de emprego nos termos do art. 3° da CLT, entre a recorrente e as empresas terceirizadas, não mais subsiste o fato gerador da obrigação principal no tocante aos empregados que formalmente estiveram registrados nas empresas TÊXTIL RIO BONITO, HERBATEX, SOFT& SOFT E BELLY'S, visto que, por força do art. 4°. do CTN, desaparecendo a situação fática, será insubsistente o respectivo fato gerador da hipótese de incidência da relação jurídica previdenciária tipificada no art. 11, inciso I, alínea "a", "h" e "c" da Lei 8.212/91 e art. 22 da Lei 8.213/91(contribuições incidentes sobre a folha de salário). Ainda em preliminar, alega que é sintomático, no presente caso, o desvio de finalidade em que o agente público fiscal, de forma ostensiva e dissimulada, pratica atos que ultrapassam suas atribuições, mediante uma ilação parcial no procedimento fiscalizatório prejulgando e emitindo juízo de valor sobre a conduta e a idoneidade dos sócios da empresa autuada, sem oportunizarlhe o crivo do contraditório, com seus meios e recursos inerentes aos litigantes em processo judicial ou contencioso administrativo. Entende que as afirmações consignadas nos relatórios apresentados fulminam de plano o princípio constitucional da presunção da inocência, que estabelece que todos são considerados inocentes até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, e que houve desvio de finalidade e vulneração do princípio da impessoalidade, previsto na Carta Magna, pois o agente público, imbuído da tarefa de fiscalização, emitiu juízo de valores despropositados diante da suposta inobservância das normas tributárias, na forma de mera suposição, desacompanhada de qualquer elemento robusto valorativo. Afirma que, apesar de o contribuinte ter optado por prestar todos os esclarecimentos à auditoria fiscal e nunca ter criado qualquer entrave à ação fiscalizatória, foi ofendido pelo teor da manifestação inserta no relatório fiscal de que as empresas em funcionamento na sede da recorrente eram fictícias, de fachada, criadas com o nítido o propósito de deixar de reconhecer contribuições previdenciárias incidentes sobre salários, o que demonstra excesso de poder, arbítrio fiscal e desvio de finalidade da atividade fiscal. No mérito, reitera as razões de inconformidade manifestada em 1°. Grau e pugna pela procedência do recurso voluntário, desconstituindo integralmente o presente Auto de Infração em face da existência de dúvida razoável sobre as circunstâncias materiais do fato, bem como pela ausência de fundamentação legal para a aplicação de multa com base em fato gerador presumido, haja vista que o arbitramento fiscal ou aferição indireta, embora aplicável somente para a determinação da base de cálculo da obrigação principal, não pode ser aplicado sem critérios, como ocorreu no presente caso. Destaca que as assertivas trazidas no relatório fiscal têm, como substrato, meros indícios, princípios de prova que são insuficientes para escudar de forma irretorquível a existência de fato gerador de natureza previdenciária, representado pela criação de empresas supostamente fictícias no regime de tributação simplificado, registrando seus empregados em Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 nome de interpostas empresas e, com isso deixar de reconhecer as contribuições do empregador sobre a folha de salários e demais obrigações acessórias. Defende que é direito da autuada comprovar que as relações jurídicas estabelecidas entre a recorrente e as empresas terceirizadas é lícita, regular, e escudase em atos jurídicos perfeitos e que é vedado por lei o arbitramento ou aferição indireta sem critérios ou com excesso como no presente caso. Assevera que não foi encontrada uma vírgula de irregularidade na escrita fiscal das empresas terceirizadas, optantes do SIMPLES, sendo que todos os impostos e as obrigações decorrentes da relação de emprego estão devidamente pagos e em plena regularidade fiscal e trabalhista, e o fato de uma ou outra empresa terceirizada ter capital social no valor de R$ 5000,00(cinco mil reais), classificada como irrisório pela ação fiscal, é irrelevante, bem como é completamente irrelevante o número de alterações contratuais depositadas perante a JUCESC, nos últimos 06 anos. Argumenta que a recorrente desconhece o dispositivo de lei que tipifique como sendo um ilícito fiscal ou administrativo efetuar a alteração e atualização de endereços perante a JUCESC e perante a Receita Federal, Estadual e Municipal ou muito menos, constituir uma empresa com capital social igual ou inferior a R$ 5000,00 (cinco mil reais). Sustenta que constitui verdadeiro arbítrio fiscal presumir situação de "fraude" simplesmente porque referidas empresas terceirizadas possuem reduzido maquinário, plenamente justificado, diante da existência de contratos de comodato, locação e arrendamento de máquinas firmados entre as partes envolvidas. Reitera que não há comprovação que os trabalhadores das empresas terceirizadas são dirigidos e remunerados diretamente pela empresa recorrente, na pessoa de seu representante legal, ou de seus prepostos, cuja conclusão demandaria ação judicial de índole trabalhista e submissão ao crivo do contraditório, sendo que as certidões lavradas pela Distribuição da Justiça do Trabalho demonstram a inexistência de ações trabalhistas nos últimos 06(seis) anos em face da recorrente FIBRASCA QUÍMICA E TEXTIL, ora tomadora e demais empresas terceirizadas e contratadas. Entende que a circunstância de receber uma ou outra intimação da Justiça do Trabalho no endereço da recorrente não constitui prova ou elo de ligação, e que tal conclusão denuncia o despreparo intelectual e o baixo conhecimento jurídico da autoridade fiscal em termos de legislação trabalhista, vez que a CLT, em seus artigos 744,caput e parágrafo único, claramente estabelece que a correspondência emanada da Justiça do Trabalho pode ser entregue no endereço do empregador e recebido por qualquer pessoa, independente de ser parte integrante do quadro de funcionários da empresa e mesmo. Alega que é proibido aplicar aferição indireta ou hipótese de arbitramento para determinar a base de cálculo de obrigação acessória que impõe penalidade pecuniária, consoante o disposto no art. 148 do CTN e IN 100/03 IN 03/2005, do MPAS. Observa que a adoção do sistema de terceirização teve a ciência e nenhuma oposição do Sindicato da categoria, vez que, ao invés novel fechamento de vagas na combalida indústria têxtil de Joinville, paulatinamente houve a criação de novos postos de trabalho e, consequentemente, a distribuição de renda, inserção de novos trabalhadores no mercado de trabalho formal, com todos os direitos assegurados por lei e aqueles previstos na Convenção Coletiva da Categoria. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.602 7 Informa que a recorrente foi fiscalizada em 03(três) oportunidades pela Delegacia Regional do Trabalho de Joinville nos anos de 1998 a 1999, sendo que a digna autoridade fiscal teve acesso a todos os documentos solicitados e recebeu os esclarecimentos necessários e, ao final, concluiu pela inexistência de qualquer irregularidade no local, inexistência de interpostas empresas, bem assim, vulneração às normas da CLT e às normas de inspeção e proteção do trabalho. Ressalta que a lei tributária e previdenciária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal, para definir ou limitar competências tributárias, na clara dicção do art. 110 do CTN. Explica que as contribuições previdenciárias pagas ao INSS, neste período(1997 a 2006), pelas empresas terceirizadas, alçam o montante aproximado de uns R$ 800.000(oitocentos mil reais) sem as atualizações pela Taxa SELIC e que, prevalecendo a absurda tese da autuação fiscal, nascerá para a recorrente e demais empresas terceirizadas o direito buscar no Poder Judiciário o ressarcimento e devolução dos valores pagos, vez que não houve ressalva em relação aos valores efetivamente pagos e declarados na GFIP pelas empresas terceirizadas, ocorrendo verdadeiro locupletamento ilícito do INSS em prejuízo dos contribuintes e indiretamente, da recorrente, circunstância vedada pelo ordenamento jurídico vigente. Insiste na produção de provas documentais que ora apresenta e pugna pela realização de prova pericial em sua contabilidade, nos termos do art. 16, inciso IV do Decreto lei 70235/1972, cuja realização de laudo pericial contábil por experto nomeado é imprescindível ao esclarecimento da controvérsia, certamente, afastará as equivocadas conclusões da autoridade fiscal. Reafirma que inexiste o denominado GRUPO FIBRASCA, pois todas as empresas são independentes, possuem razão social, objeto, constituição societária e administração completamente distintas, sendo que o endereço contratual de algumas delas sequer é Rua Conselheiro Pedreira, 1275, além de não haver confusão patrimonial, como quer fazer crer a autoridade fiscal. Também entende que não estão presentes os requisitos previstos no art. 134 do CTN(responsabilidade tributária de terceiros), pois a fiscalização não comprovou a relação de causa e efeito entre a obrigação previdenciária e comportamento daquele a quem a lei atribui a responsabilidade, como aliás tem reconhecido a Justiça Federal de Joinville nos autos do MS 2007.72.01.0020215/SC e 2007.72.01.0020227/SC, afastando a obrigação das supostas empresas integrantes do mesmo grupo econômico de responder solidariamente pelos débitos imputados à ora recorrente. Insurgese contra a multa aplicada ao argumento de que seu valor ofende os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade, limitações ao direito de tributar, descambando para o confisco e vulnerando o princípio constitucional da propriedade da recorrente, requerendo a minoração da multa moratória cobrada no patamar de 100%(cem por cento) para o patamar desejável de 10% (dez por cento), expurgandose o respectivo valor do respectivo auto de infração. Alega ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança de contribuição ao INCRA, SAT, SEBRAE, SALÁRIO EDUCAÇÃO. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Requer, por fim, com fundamento no art. 33 do Decreto 70235/72, o recebimento e o processamento do presente recurso voluntário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio do despacho SACAT n° 953/2007 (fls. 1.584 a 1.596), tendo em vista as diversas decisões judiciais no sentido de declarar a decadência das contribuições lançadas na NFLD 37.060.5918, no período anterior a 01/01/2002, promoveu o desmembramento da Notificação, resultando em duas NFLDs, a de Debcad 37.060.5918, para competências 01/1999 a 13/2001, no valor consolidado em 10/04/2007 de R$ 669.857,75, e a NFLD 37.139.6816, objeto do presente processo administrativo, e que não está com a exigibilidade suspensa, compreendendo as competências 01/2002 a 13/2006, no valor consolidado em 10/04/2007 de R$ 1.358.458,16. É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.603 9 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega inexigibilidade do depósito prévio. De fato, plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: “RECURSO ADMINISTRATIVO – DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo.” A situação acima aplicase ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, prevê, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, com amparo no dispositivo acima, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio. Ainda em preliminar, a recorrente alega decadência do débito lançado em competências anteriores a 10/04/2002. Observase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” O art. 62, da Portaria 256/2009, transcrito acima, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, conforme já exposto, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.604 11 Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O fato gerador que ensejou a lavratura da NFLD em tela é o pagamento de remuneração dos segurados caracterizados como empregados pela fiscalização, cujo vínculo empregatício não foi reconhecido pela empresa. Aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN, apenas quando não for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso presente, já que a fiscalização constatou e comprovou a ocorrência dessa última situação. Verificase, da análise dos autos, que o contribuinte tomou ciência da NFLD em 10/04/2007, conforme documento de fls. 1300, e o lançamento se refere ao período de 01/2002 a 12/2006. Portanto, não se operara a decadência do direito de a Fazenda Pública cobrar o presente débito, nos termos do art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Dessa forma, rejeito a preliminar de decadência. Ainda preliminarmente, a notificada alega violação aos princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade, diante de usurpação de competência do órgão jurisdicional, afirmando que o Auditor Fiscal da Previdência Social usurpou competência jurisdicional afeta exclusivamente à Justiça Federal do Trabalho, e que nem os Auditores Fiscais do Trabalho e nem os da Previdência Social, a par de suas prerrogativas funcionais e regulamentares, não possuem competência para lavrar autos de Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 infração assentados na declaração de existência de relação de emprego ou reconhecimento da existência de contrato de trabalho, nos termos do art. 3°.da CLT, sem que exista sentença judicial trabalhista reconhecendo a relação de emprego. Porém, conforme ressaltado com muita propriedade pelo Relator do Acórdão combatido, tal matéria encontrase sub judice, não cabendo, por meio do presente processo administrativo de lançamento de débito, a discussão sobre a competência do Auditor Fiscal reconhecer existência de contrato de trabalho, objeto de discussão judicial. O art. 126, da Lei 8.213/91, dispõe que: Art.126 (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto." Dessa forma, entendo que houve renúncia ao direito de recorrer, na esfera administrativa, sobre a competência da autoridade fiscal para reconhecer relação de emprego sem prévia decisão da Justiça do Trabalho, motivo pelo qual, não conheço de tais argumentos. A recorrente insiste na discussão administrativa da matéria sub judice. Todavia, tal possibilidade afigurase inexistente em razão do sistema de contencioso administrativo adotado no Brasil. A título de esclarecimento, cumpre informar que existem dois grandes sistemas administrativos: o sistema do contencioso administrativo e o sistema de jurisdição única. Alexandre de Moraes (Direito Constitucional Administrativo. Atlas, 2002), traz a seguinte síntese: “O sistema do contencioso administrativo, também conhecido como sistema francês, caracterizase pela impossibilidade de intromissão do Poder Judiciário no julgamento dos atos da Administração, que ficam sujeitos tãosomente à jurisdição especial do contencioso administrativo. Dessa forma, há uma divisão jurisdicional entre a Justiça Comum e o Contencioso Administrativo, e somente este pode analisar a legalidade dos atos administrativos. Diversamente, o sistema de jurisdição única, também conhecido por sistema judiciário ou inglês, tem como característica básica a possibilidade de pleno acesso ao Poder Judiciário, tanto nos conflitos de natureza privada, quanto dos conflitos de natureza administrativa.” Desde a instauração do período republicano, o Brasil sempre adotou o sistema de jurisdição única como forma de controle jurisdicional da Administração Pública, cuja fundamentação encontrase no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988; Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes ................................... XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.605 13 Nesse sentido, as decisões judiciais sobrepõemse às decisões administrativas. Desse modo, se uma matéria foi submetida à apreciação judicial, não cabe mais a sua análise na esfera administrativa. Ainda em preliminar, a notificada alega que o procedimento fiscal configura desvio de finalidade, uma vez que o agente público, de forma ostensiva e dissimulada, pratica atos que ultrapassam suas atribuições, prejulgando e emitindo juízo de valor sobre a conduta e a idoneidade dos sócios da empresa autuada, sem oportunizarlhe o crivo do contraditório, com seus meios e recursos inerentes aos litigantes em processo judicial ou contencioso administrativo. Porém, constatase que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. A recorrente foi regularmente cientificada da lavratura da NFLD, tendolhe sido concedido o prazo regulamentar para a apresentação de defesa. A notificada está sendo oportunizada a se defender em duas instâncias administrativas, conforme estabelece os normativos legais que regem o contencioso administrativo fiscal. Nesse sentido, não há que se falar em ofensa ao contraditório. Ademais, não há como acolher a alegação da recorrente de que os prejulgamentos e juízo de valor realizados pelo agente notificante no Relatório Fiscal configura desvio de finalidade por não ter lhe sido oportunizado o crivo do contraditório, com seus meios e recursos inerentes aos litigantes em processo judicial ou contencioso, pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, portanto, ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado a NFLD, quando instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que, após o início do litígio, houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 14 Assim, a fiscalização, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, lançou a contribuição devida, expondo, com muita clareza e riqueza de detalhes, os motivos pelos quais entendeu que houve a simulação de prestação de serviços entre pessoas jurídicas, além de apontar os elementos caracterizadores da relação de emprego presentes nos serviços prestados, à recorrente, pelas pessoas físicas registradas como empregadas de outras empresa do grupo que, registrese, são optantes do SIMPLES. E, ao contrário do que afirma a recorrente, a autoridade lançadora juntou, aos autos, farta documentação comprobatória de suas afirmações, não restando configurado, em nenhum momento, arbítrio ou desvio de finalidade. Da mesma forma, ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. No mérito, a recorrente pugna pela desconstituição do presente Auto de Infração, em face da existência de dúvida razoável sobre as circunstâncias materiais do fato, bem como pela ausência de fundamentação legal para a aplicação de multa com base em fato gerador presumido. Contudo, não houve presunção do fato gerador da contribuição previdenciária, e sim a constatação da sua ocorrência, comprovada por meio dos documentos analisados. Da mesma forma, a aferição da base de cálculo da obrigação principal não foi aplicada sem critérios. Em ação fiscal na empresa, a autoridade notificante constatou que a contabilidade da FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL não registra, desde janeiro de 1999, o movimento real da remuneração de todos os segurados a seu serviço, bem como foram apresentados documentos contendo informações contraditórias entre si ou quando confrontados com documentos obtidos em outras fontes, o que enseja o arbitramento do débito, consoante determinação legal. Assim, por ser a atividade administrativa plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, a autoridade fiscal, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e apurou corretamente o débito por aferição indireta, mediante a aplicação dos percentuais previstos na legislação que trata da matéria. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.606 15 À recorrente caberia provar que as irregularidades verificadas durante a ação fiscal não procedem e apresentar elementos que comprovem a regularidade dos registros contábeis. A notificada defende que é seu direito comprovar que as relações jurídicas estabelecidas entre a recorrente e as empresas terceirizadas é lícita, regular, e escudase em atos jurídicos perfeitos e que é vedado por lei o arbitramento ou aferição indireta sem critérios ou com excesso como no presente caso. Porém, esse direito não foi negado à recorrente no processo administrativo sob análise. O que a fiscalização constatou, e comprovou por meio da farta documentação anexada aos autos, é que a Fibrasca e as demais empresas relacionadas no Relatório Fiscal formam um único empreendimento industrial. Restou comprovada, também, a ocorrência de todos os requisitos necessários para a caracterização da relação de emprego , exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n. º 8.212/91 c/c art. 9. º, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n. º 3.048/99, quais sejam, a não eventualidade (habitualidade), a remuneração e a subordinação, entre a Fibrasca e os segurados que lhe prestaram serviços por meio das empresas interpostas. Aplicase, portanto, ao caso, o artigo 9º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que considera nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos nela contidos. E como o parágrafo 2. º do art. 229 do Decreto 3.048/99, permite ao Auditor Fiscal desconsiderar o vínculo pactuado, a Auditoria, ao verificar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego, agiu em conformidade com ditames legais e enquadrou corretamente os trabalhadores como empregados da notificada para efeitos da legislação previdenciária. Esse enquadramento será automático sempre que estiverem presentes, na prestação do serviço, os pressupostos da relação de emprego, quais sejam, a remuneração, a habitualidade e a subordinação, porque a lei assim determina, mesmo que no contrato formalizado entre as partes esteja definido de forma diversa, pois a relação de emprego não é aferida pelos elementos formais do ajuste, mas do conteúdo emergente de sua execução. Dessa forma, ao contrário do que entende a recorrente, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. º 8.212/91, pode sim o AFPS desconsiderar a contratação do segurado por meio de empresas terceirizadas para considerálo como empregado da contratante, exclusivamente para fins de recolhimento da contribuição previdenciária, pois houve a ocorrência do fato gerador. Verificouse, ainda, a existência de um grupo econômico de fato entre a recorrente e as empresas relacionadas pela autoridade lançadora. Da análise dos fatos apresentados e dos documentos juntados aos autos pela fiscalização, verificase a existência de uma simulação no procedimento adotado pela notificada em relação às empresas apontadas no RELFISC e os segurados que lhe prestaram serviços por meio de empresa interposta. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 16 Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Esse é o entendimento fixado na jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: TRF 1ª Região Apelação Cível 94.01.136211/MG DJ 12/04/2002 “Salientase ainda que é desnecessária qualquer declaração judicial prévia para anular os atos jurídicos entre as partes, já que seus reflexos tributários existem independentemente da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, nos termos do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, a questão central dos autos cingese à repercussão para os efeitos tributários do ato simulado, ou seja, de sua ineficácia para fins de dedução de tais prejuízos. Uma vez comprovada que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, como de fato o foi no caso em tela, a autoridade administrativa tem plenos poderes para efetuar a Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.607 17 glosa da dedução de imposto ilegitimamente realizada pela Autora, nos termos do art. 149, inciso VII, do CTN...” TRF 4ª Região Apelação Em Mandado De Segurança nº 2003.04.01.0581274 – Data da Decisão: 31/08/2005 PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO ULTRA PETITA. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSTO DE RENDA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. (...) 3. A proposição de invalidade do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito individual, garantindose à impetrante a ampla defesa e o contraditório, tanto na via administrativa, quanto na judicial. 4. Restando provados, à saciedade, os fatos que embasaram o lançamento tributário, bem como o dolo, a fraude e a simulação, é desnecessária a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, aplicandose o art. 149, VII, do CTN. Acórdão 10708247– Sétima Câmara – 12/09/2005 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – OMISSÃO DE RECEITA – INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS – SIMULAÇÃO. Comprovado pela Fiscalização que a Recorrente utilizouse de terceiro para omitir receita, fato este que não foi descaracterizado em qualquer momento por aquela, é de ser mantido o Lançamento de Ofício. IRPJ – SIMULAÇÃO – MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa agravada se caracterizada a omissão de receita através de simulação. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 18 plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Restou demonstrado, pela fiscalização, que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intentio facti se divorcia da intentio iuris, ou seja, a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra. O fato de as empresas estarem sediadas no mesmo endereço, terem sócios que são ou foram empregados das empresas do Grupo, e terem realizado movimentação de empregados entre elas, por meio de demissão e readmissão, corrobora a afirmação da auditoria fiscal de que não existem vários, mas apenas um empreendimento industrial, ou seja, um grupo econômico de fato. A fiscalização constatou, por exemplo, que as demonstrações ambientais, PPRA e LTCAT, da FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL, SOFT & SOFT e BELLYS indicam que as instalações periciadas foram as mesmas e que as pessoas citadas, muitas vezes, estão registradas em empresa diversa da que se refere o documento ambiental, e que algumas dessas empresas não possuía qualquer máquina ou instalações em seu Ativo Permanente. Observase, ainda, que a recorrente pagava as despesas com viagens e medicamentos de empregados registrados nas outras empresas citadas, e eram esses trabalhadores quem faziam serviços de pagamentos, expedição de correspondência, controle de expedição, entre outros, para a FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL. Verificase, que em vários períodos, as empresas citadas prestavam serviços de industrialização à recorrente sem, entretanto, dispor de empregados. Citase, como exemplo, a empresa BELLYS, que em 12/2003 realizou remessa de 5.500 capas para travesseiro e 2.750 quilos de fibras de poliéster via nota fiscal N° 37402, de 01/12/2003, visto que em 26/11/2003 a BELLYS dispensou todos os empregados remanescentes, permanecendo sem empregados até 07/2005, exceto o vinculo com SEBASTIÃO MOREIRA, em gozo de auxíliodoença acidentário entre 01/10/2003 e 22/04/2004. Nesse ano a empresa não registrou gastos com aluguel, energia elétrica, fornecimento de água, telecomunicação ou serviços de contador, como é necessário numa empresa industrial e comercial, conforme demonstra o balanço deste ano, nas folhas 10 a 15 do livro diário N° 01 (fls. 188) Chama a atenção, ainda, o fato de a BELLYS registrar, em seus movimentos contábeis e fiscais, dez notas fiscais supostamente emitidas pela empresa SISTEM PLASTIC COMÉRCIO DE PRODUTOS PLASTICOS LTDA, CNPJ 68.378.397/000193, com endereço na Rua T,iquiá, 112, Penha, São Paulo/S, referente à "aquisição" de insumos”. Porém, essas notas fiscais não trazem os dados do transportador, e nem ostentam o carimbo do posto fiscal, como ocorre com as operações interestaduais, sendo que Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.608 19 em algumas delas sequer foi destacado o comprovante de recebimento do produto, imprescindível para fundamentar e emissão de duplicata mercantil ou boleto de cobrança. Registrase que todos os pagamentos relativos a essas aquisições foram registrados via Caixa, apesar das altas quantias envolvidas e da distância das sedes dos emitentes. Destacase que outras empresas do GRUPO, como a FIBRASCA QUÍMICA E TÊXTIL e a SOFT & SOFT também registraram notas fiscais de aquisição de insumos desses mesmos "fornecedores". Porém, essa empresa emitente das Notas Fiscais está INAPTA na SRF desde 22/02/2003, conforme consulta ao "Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral", disponível na internet no site da SRF, e a tela de seu “CNPJ3" indica que está INAPTA desde 22/02/2003 por "OMISSA NÃO LOCALIZADA". Da mesma forma, o CAGED indica que ela não possui empregados desde 05/2000 e, em consulta ao CNIS/RAIS, constatase que teve empregados somente até 12/1999, sendo que o CNIS informa, via "Consulta Dados Cadastrais do Trabalhador", que o seu sócio administrador, ZELINDO INÁCIO SPADACCINI, faleceu em 19/02/2005. A autoridade notificante informou que o telefone que consta nas notas fiscais da SISTEM PLASTIC é atendida por pessoa que desconhece completamente a empresa. Todos esses fatos, aliados aos demais narrados pela fiscalização, reforçam a convicção de que a notificada e as empresas relacionadas no Relatório Fiscal formam um Grupo Econômico de fato. Assim, os fatos constatados, como mesmo endereço de estabelecimentos das empresas envolvidas, mesmas instalações com a utilização dos mesmos equipamentos, materiais e mãodeobra, no sentido de desenvolver a atividade comum a todos eles, deixa claro a existência de interesses comuns entre as empresas listadas. Vale observar que o conceito de grupo econômico não se restringe mais à interpretação literal do art. 2o, § 2o, da CLT, no sentido de se ter uma empresa controladora, admitindose também existir apenas coordenação entre as empresas e, nesse sentido, dispõe a jurisprudência: EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO – CARACTERIZAÇÃO. O § 2o, do art. 2o da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados o controle e direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 20 administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. PROCESSO TRT/15a REGIÃO – Nº 00902200108315000RO 922352/2002RO9) Assim, entendo que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas, pois existe interesses comuns entre as mesmas pessoas físicas arroladas pela fiscalização, que comandam e dirigem o empreendimento. A fiscalização fundamentou o lançamento na responsabilidade solidária de que trata o inciso IX, do art 30, da Lei 8.212/91. Responsabilidade Solidária é a obrigação legalmente imposta aos integrantes do grupo econômico de qualquer natureza de responder pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, isoladamente ou em conjunto, consoante art. 30 da Lei 8.212/91. Portanto, por determinação legal, todas as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente, entre si, pelas contribuições previdenciárias devidas. Verificase um esforço da recorrente em tentar demonstrar que a terceirização de serviços no segmento industrial é possível e possui previsão legal. Porém, observase que em nenhum momento a fiscalização negou essa possibilidade, e sim constatou (e demonstrou no relatório da NFLD e nos documentos trazidos aos autos) a existência dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício entre a recorrente e as pessoas físicas que lhe prestaram serviços por meio das empresas interpostas. Nesse sentido e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal, entendo que restou caracterizada a existência de um Grupo Econômico, envolvendo todas as empresas arroladas pela fiscalização, como também ficou comprovada, nos autos, a relação de emprego entre a FIBRASCA QUIMICA E TÊXTIL e as pessoas físicas que lhes prestaram serviços por intermédio das empresas interpostas, citadas no Relatório Fiscal. A recorrente alega que as contribuições previdenciárias pagas ao INSS, neste período(1997 a 2006), pelas empresas terceirizadas, alçam o montante aproximado de uns R$ 800.000(oitocentos mil reais) sem as atualizações pela Taxa SELIC e que, prevalecendo a absurda tese da autuação fiscal, nascerá para a recorrente e demais empresas terceirizadas o direito buscar no Poder Judiciário o ressarcimento e devolução dos valores pagos, vez que não houve ressalva em relação aos valores efetivamente pagos e declarados na GFIP pelas empresas terceirizadas, ocorrendo verdadeiro locupletamento ilícito do INSS. Contudo, observase que a empresa não comprovou o pagamento em duplicidade das contribuições devidas. Cumpre esclarecer que, se de fato houve pagamento em duplicidade, conforme afirma a recorrente, é facultado à empresa o pedido de restituição ou a compensação dos valores recolhidos a maior, lembrando que o caráter facultativo da compensação não desobriga o contribuinte do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário Nacional e a Lei 8.212/91. Dessa forma, não é necessário buscar o seu direito no Poder Judiciário, como quer fazer crer a recorrente, pois, se ele de fato existir, poderá ser reconhecido administrativamente, bastando que a empresa demonstre, por meio de provas, a seu existência. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10920.007307/200798 Acórdão n.º 230101.935 S2C3T1 Fl. 1.609 21 É oportuno lembrar, porém, que, se em uma ação fiscal ficar constatada a compensação de valores em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. A recorrente protesta, ainda, pela realização de perícia. Todavia, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada. Ademais, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verificase que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia pois limitouse a requerer a possibilidade de requerer produção de prova pericial. Assim, indeferese o pedido de perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. A notificada insurgese contra a multa aplicada, requerendo a sua minoração do patamar de 100%(cem por cento), para o patamar desejável de 10% (dez por cento), expurgandose o respectivo valor do respectivo auto de infração. Porém, como esclarecido pelo Relator do Acórdão combatido, a legislação gradua o percentual da multa de acordo com a situação na qual se encontra o débito, sendo que, no presente caso, e no momento em que o processo se encontra, a multa não está sendo aplicada no percentual de 100%, como entendeu a recorrente, mas sim no percentual de 40%, conforme previsto no art. 35, II, "c", da Lei 8.212/91. Em relação às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança de contribuição ao INCRA, SAT, SEBRAE, SALÁRIO EDUCAÇÃO, cumpre observar que o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Cumpre salientar as cobranças de contribuições aos terceiros e ao SAT encontram respaldo na Lei 8.212/91 e nas demais legislações arroladas no Fundamento Legal do Débito, não havendo, portanto, que se falar em ilegalidade das referidas exações. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 22 lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002163/2004-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. Na apuração
do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer titulo, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em
causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessas de cessão de direitos e contratos afins.
MULTA DE OFICIO. HIGIDEZ. Quando apurado, pela abertura da
sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrar-se-á dos sucessores, em antecipação da legítima, o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b" do RIR/99.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer titulo, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessas de cessão de direitos e contratos afins. MULTA DE OFICIO. HIGIDEZ. Quando apurado, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrarseá dos sucessores, em antecipação da legítima, o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b" do RIR/99. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 04/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face da contribuinte DAIZI TEREZINHA PEREIRA, CPF/MF nº 591.260.35987, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 16/11/2004, auto de infração (fls. 138 a 169), com ciência postal em 02/12/2004 (fl. 170). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 10.299,06 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.029,76 À contribuinte foi imputada uma omissão de ganho de capital nos anos calendário 2001 e 2002, com os fundamentos que se seguem, extraídos da decisão de primeiro grau (fls. 184 e 185), verbis: (...) 2. A fiscalização descreveu a infração" Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos — Falta de Recolhimento do Imposto sobre Ganhos de Capital". Segundo a Descrição dos Fatos de fl. 139, tratase de falta de recolhimento de imposto de renda incidente sobre ganhos de capital devido por Maria Martha Benvenutti Pereira, em razão de fatos geradores ocorridos anteriormente à data da abertura de sua sucessão (ver Termo de Verificação de fls. 142/162), pela qual responde seus sucessores, na condição de responsáveis (art. 131, II, do CTN), no limite dos quinhões recebidos. 3. Segundo Termo de Verificação de fls. 142/162, houve uma partilha de fato dos bens da falecida: cessões dos apartamentos 301, 302, 1003 e 1004, das garagens 68, 36, 70 (50%) e 77, e recebimento de parcelas de venda a terceiros dos imóveis apartamento 303, garagem 37, 50% do apartamento 304 e 50% da garagem 59 do edifício residencial Marques de Firenze no balneário Camboriu — SC. Isto conforme os seguintes documentos: cessões de direito a título gratuito aos herdeiros, fls. 41/70 e venda a terceiros, documentos de fls. 33/34 e 30/31, todos anteriores à abertura da sucessão. 3.1. Como adiantamento de legítima, segundo Termo de Verificação de fls. 142/162, ao autuado coube a cessão de direito a título gratuito (em 19/10/2001) do apartamento 302, da garagem 36 do edificio residencial Marques de Firenze no balneário Camboriu — SC. Conforme DIRPF do ano calendário 1998, fls. 79/89, os apartamentos e garagens (obtidos através de permuta com terreno onde foi construído o residencial Marques de Firenze) foram declarados pela importância de R$ 41.794,84. Em razão da permuta, foi feita na matrícula n. 78473 (cópia às fls. 113/124) a incorporação do edifício residencial Marques de Firenze. No registro R.4 78473 encontramse todas as unidades autônomas que foram recebidas por Maria Martha Benvenutti Pereira. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.002163/200423 Acórdão n.º 210201.153 S2C1T2 Fl. 2 3 3.2. Além do ganho de capital nas cessões a título gratuito aos sucessores, apurouse ganho de capital na alienação de terreno urbano situado na cidade de Brusque — SC, registro de imóvel sob n. 3.535, vendido em 11/09/2001 por Maria Martha Benvenutti Pereira a empresa alimentícia Indústrias Alimentícias Cometa Ltda, CNPJ 84.290.519/000141, registros às fls.71/72 e 36/38. (...) Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0111.633, de 04 de agosto de 2008 (fls. 183 a 192). A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 18/09/2008 (fl. 196). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 16/10/2008 (fl. 198). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: I. o lançamento foi consubstanciado em documento inapropriado, não constando sequer a penalidade aplicável, sendo causa de nulidade. Ademais, a nulidade decorrente da ausência de penalidade sequer foi apreciada pela decisão recorrida; II. o Primeiro Conselho de Contribuintes vem reiteradamente decidindo que a responsabilização dos herdeiros por créditos tributários devidos pelo falecido somente se refere ao crédito tributário, em si mesmo, acrescido de correção e juros de mora, jamais incidindo a multa respectiva, fato não observado nos presentes autos; III. “No que tange ao mérito da autuação impugnada, a Md. Delegacia de Julgamento também julgou improcedentes os argumentos estampados pela Recorrente, entendendo que houve antecipação integral da legítima, ou seja, que os contratos de cessão/compra e venda firmados pela autora da herança (de cujus) com seus herdeiros e sucessores, importaram numa" verdadeira partilha antecipada", razão porque é devido o imposto de renda não quitado por aquela, quando da realização de transações imobiliárias que redundaram em ganhos de capital tributáveis. Novamente, ousa a Recorrente discordar da fundamentação adotada pelo r. acórdão sob ótica, reiterando aqui os argumentos já lançados na impugnação respectiva no sentido de que, embora conste do título do contrato que deu suporte à transação imobiliária em questão, a designação de Cessão de Promessa de Permuta a Título Gratuito, na verdade tratouse de transação de caráter oneroso, conforme se extrai da cláusula segunda do instrumento respectivo. Nesse passo, não há que se falar em transmissão antecipada de herança, uma vez que a operação imobiliária se deu por compromisso de permuta, Assim, não havendo a denominada gratuidade da transferência do imóvel descrito e vaga Fl. 251DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 de garagem respectiva, não há que se falar em adiantamento de legítima e, portanto, de quinhão hereditário respectivo, a fim de que a responsabilidade tributária possa ser atribuída com base no já acima mencionado artigo 131 do Código Tributário Nacional. Não havendo herança, não que se falar em responsabilidade por sucessão” (transcrição do recurso voluntário – fl. 202); IV. o imóvel matrícula R83.535 veio para o patrimônio da genitora da recorrente por meação e renúncia de herdeiros, sendo forçoso deferir a redução do ganho de capital a partir da aquisição originária, em 1979, como ocorreu com a parcela decorrente da meação, com fulcro no art. 18 da Lei nº 7.713/88; V. “Reiterase também, que a transação (venda) do imóvel descrito na matricula R83.535 foi efetivada em 11 de setembro de 2001, portanto antes do falecimento da genitora da Recorrente e mesmo que se mantivesse o reconhecimento da ocorrência de sucessão ( adiantamento da legítima — o que de fato não é o caso dos autos), ainda assim, a responsabilidade não poderia ser atribuída ao Recorrente, eis que, a teor do que dispõe o já debatido artigo 131, em seu inciso III, A RESPONSABILIDADE PELOS TRIBUTOS DEVIDOS PELO DE CUJOS ATÉ A DATA DA ABERTURA DA SUCESSÃO, é do espólio. Tratandose, pois de responsabilidade pessoal, todos os tributos cujos fatos geradores ocorreram até o falecimento de Maria Martha Benvenutti Pereira, são de responsabilidade do seu respectivo espólio e, por força do artigo 135 do mesmo CTN, do possível Inventariante, caso deixe de pagálos no tempo e modo legalmente previstos, por ação ou omissão sua” (transcrição do recurso voluntário – fl. 202); VI. “No que tange a desproporcionalidade do lançamento em relação ao montante do quinhão (não existente) apurado, também merece reforma a r. decisão objurgada, uma vez que, denotase que à Recorrente teria cabido a transferência de bens e direitos no montante de R$ 35.000,00, enquanto que a outros herdeiros caberia o quinhão de R$ 60.000,00. Assim, caso procedente e legítima a responsabilidade atribuída ao Recorrente, esta deveria ser proporcional ao eventual quinhão recebido, fato que não foi observado no auto de infração e passou despercebido na r. decisão comentada” (transcrição do recurso voluntário – fl. 203). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 18/09/2008 (fl. 196), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 16/10/2008 (fl. 198), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 20/10/2008, Fl. 252DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.002163/200423 Acórdão n.º 210201.153 S2C1T2 Fl. 3 5 segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Os fatos geradores imputados à recorrente decorreram de ganhos de capital auferidos em alienações e doações perpetradas pela Sra. Maria Martha Benvenutti Pereira, genitora dos Srs. Antônio Marcelino Pereira, Sônia Maria Pereira Maffezzolli, Daizi Terezinha Pereira, Sandra Regina Pereira Willrich e Euzébio Pereira Neto. Considerando que a fiscalização entendeu que o patrimônio da Sra. Maria Martha havia sido partilhado em vida em prol de seus herdeiros, nada restando a inventariar, imputou a todos, em proporção, o imposto devido pela falecida. O recurso do Sr. ANTONIO MARCELINO PEREIRA, irmão da recorrente, contra idêntica autuação foi apreciado pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara desta Segunda Seção do CARF, em sessão de 10/02/2011, relator o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Acórdão nº 2101000.991, unânime para indeferir a pretensão recursal. Concordando inteiramente com as razões expendidas pelo Conselheiro Tosta Santos, aqui se colaciona a fundamentação do voto acima, como razão de decidir: Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Com efeito, após a partilha dos bens, nos termos do artigo 131, inciso II, do CTN, o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro são pessoalmente responsáveis pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação. Assim a exigência fiscal foi corretamente dirigida proporcionalmente contra os herdeiros, em face da antecipação integral da legítima, conforme contratos de cessão de direito a título gratuito aos herdeiros, fls. 41/70. Ressaltese que a cobrança poderia ser intentada contra qualquer destes, solidariamente obrigados, desde que não ultrapassasse o montante do quinhão legado. Os fatos minuciosamente narrados no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 142/162, integrante do Auto de Infração, espancam qualquer duvida em relação ao direito aplicável. O imposto de renda incide sobre o ganho de capital havido por Maria Martha Benvenutti Pereira (de cujus), em decorrência de Alienações de imóveis a terceiros e, também, das Cessões de Direito a título gratuito (doações) de imóveis aos filhos. Se as alienações ou doações forem efetuadas por valor superior ao que consta declarado na DIRPF entregue à SRF, sujeitarseá à incidência do imposto de renda, conforme dispõe o § 1º do art. 119 do RIR/99. Art.119. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da Fl. 253DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 declaração de bens do de cujus ou do doador (Lei nº 9.532, de 1997, art. 23). §1º. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarse á à incidência de imposto, observado o disposto nos arts. 138 a 142 (Lei nº 9.532, de 1997, art. 23, §1º). Independentemente da transação ter sido com terceiros ou com familiares, e de ser em caráter gratuito ou oneroso, o fato é que os bens foram transferidos por valores superiores ao custo de aquisição declarado, circunstância que impõe a apuração do ganho de capital, que não pôde ser dirigido contra o espólio porque o conjunto de bens e direitos que compunha o patrimônio do de cujos foi partilhado antecipadamente, ficando o espólio sem bens a inventariar. Nos termos do § 3º do artigo 3º da Lei nº 7.713, de 1988, na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessas de cessão de direitos e contratos afins. Correto o procedimento de apuração do ganho de capital efetuado pela fiscalização em relação ao terreno urbano matrícula n° 3.535, adquirido pelo casal em 18/07/1979 e alienado para a empresa Indústrias Alimentícias Cometa Ltda, CNPJ n° 84.290.519/000141, em 11/09/2001, já que a propriedade integral do referido imóvel passou a ser de Maria Martha Benvenutti Pereira, em face da sucessão resultante do falecimento de Antônio Euzébio Pereira, ocorrida em 04/03/1992, em que os demais herdeiros renunciaram à herança. Desta forma, para a metade adquirida em 1979 há uma redução de 50% no imposto apurado sobre o ganho de capital, conforme determina o artigo 18 da Lei n° 7.713/88. Para a outra metade, adquirida em 1992, não há o benefício fiscal. Diferentemente do que aduz o recorrente, a exigência de crédito tributário deve ser formalizado em autos de infração ou notificação de lançamento, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. É o que determina o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. O Auto de Infração em exame contém todos os elementos exigidos pelo artigo 10 do mesmo diploma legal, razão pela qual não há que se falar em instrumento inadequado para formalização do crédito tributário em exame. O Demonstrativo de Multa e Juros de Mora à fl. 168 indica precisamente a penalidade aplicável (10% dez por cento), em consonância com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 161), que traz os seguintes esclarecimentos: Ademais, cabe ainda ressaltar que conforme dispõe a Nota Cosit/Cotir/DIRPF n° 613, de 04/09/00, se o fato gerador Fl. 254DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13971.002163/200423 Acórdão n.º 210201.153 S2C1T2 Fl. 4 7 foi apurado antes da abertura da sucessão e a infração foi apurada posteriormente ao encerramento do inventário, a multa aplicável é de 10%. Neste sentido é a jurisprudência administrativa colacionada inclusive pelo recorrente. Confirase, excertos do voto do ilustre relator Nelson Mallmann, no Acórdão nº 10420.072: MULTA DE OFICIO ESPÓLIO Tendo em vista a previsão da Lei n° 5.844, de 1943, o imposto apurado após a abertura da sucessão, mesmo quando relativo ao ganho de capital, somente está sujeito à multa de mora. Inteligência do art. 9°, c/c arts. 24 e 999, I, "c" do RIR, de 1994". (Ac. 104 17300 e 10418810). Em face do exposto, verificase que a multa aplicável ao espólio é a de mora de 10%, prevista na letra "c", do inc. I, do art. 999, do RIR194, sendo descabida a penalidade estabelecida no inc. I, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996. No Acórdão de nº 10420.477, o mesmo conselheiro Nelson Mallmann se manifestou nos seguintes termos: Em face do exposto, verificase que a multa aplicável ao espólio é a de mora de 10%, prevista na letra "c", do inc. I, do art. 999, do RIR194, sendo descabida a penalidade estabelecida no inc. I ou II, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996. Assim, concluise que o posicionamento majoritário deste Conselho é no sentido de que não cabe a aplicação da multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. O lançamento em exame aplicou corretamente a norma de incidência dos acréscimos legais. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. Devese anotar que as folhas acima transcritas, dos autos do recorrente ANTONIO MARCELINO PEREIRA, são as mesmas destes autos, a demonstrar a identidade dos lançamentos, diferenciandoos apenas na sujeição passiva. Ainda, para complementar, a decisão recorrida asseverou a higidez do instrumento que formalizou o lançamento, não havendo qualquer nulidade (fl. 192). Repisese, como se transcreveu acima, que a multa de mora está com sua fundamentação transcrita na fl. 168, não havendo qualquer nulidade. Para finalizar, qualquer consideração sobre a responsabilidade do espólio deve ser rechaçado, pois todo o patrimônio da falecida Maria Martha Benvenutti Pereira foi partilhado em vida. Com as razões acima transcritas, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 256DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000146/2004-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: IRPF. AUXÍLIO TRANSPORTE. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. A
mera designação de uma verba para pelo empregador como sendo
indenização não é suficiente para afastar a incidência do imposto. É preciso demonstrar que, efetivamente, a verba em questão tem natureza compensatória, destinada à reposição de gastos do beneficiário no exercício de suas funções. Assim, verbas recebidas como auxílio transporte só podem ser consideradas como indenizatórias nos casos em que ficar demonstrado que o seu pagamento somente é devido àqueles que utilizam veículo próprio a serviço do empregador e de que o seu pagamento destina-se a repor estes gastos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.054
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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AUXÍLIO TRANSPORTE. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. A mera designação de uma verba para pelo empregador como sendo indenização não é suficiente para afastar a incidência do imposto. É preciso demonstrar que, efetivamente, a verba em questão tem natureza compensatória, destinada à reposição de gastos do beneficiário no exercício de suas funções. Assim, verbas recebidas como auxílio transporte só podem ser consideradas como indenizatórias nos casos em que ficar demonstrado que o seu pagamento somente é devido àqueles que utilizam veículo próprio a serviço do empregador e de que o seu pagamento destinase a repor estes gastos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Fl. 55DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório VILMAR JOSÉ ROSSETO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJFLORIANÓPOLIS/MG (fls. 31) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 16/20, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 1.399,24, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 2.775,67. A infração que enseju a autuação está assim descrita no auto de infração: Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. Descrição dos fatos em anexo. Enquadramento Legal: arts. 1° a 30 e 6° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 30 da Lei n° 8.134/90; arts. 1°, 3°, 5°, 6°, 11 e 32 da Lei n° 9.250/95; art. 21 da Lei n° 9.532/97; Lei n° 9.887/99; arts. 1°, 2° e15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 e 44 do Decreto n° 3.000/99 RIR 1999 O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/12 na qual afirma que os rendimentos considerados omitidos referemse a verbas recebidas como indenização pelo uso de veículo próprio que recebe na condição de funcionário público no exercício da função de Auditor Fiscal de Tributos Estaduais. Sustenta, enfim, que as verbas em questão não são tributáveis devido ao seu caráter indenizatório. A DRJFLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJ ressaltou, inicialmente, a competência da Secretaria da Receita Federal para proceder ao lançamento referente a este tipo de verba, ainda que se trate de retenção de Imposto de Renda por Estados, pelo Distrito Federal ou por Municípios. Observa também que a União não foi parte nas ações judiciais empreendidas pelo Impugnante, concluindo que as decisões ali proferidas não vinculam a União. Sobre a tributação das verbas em apreço, a DRJ observou que inexiste norma prevendo a isenção das verbas pagas aos servidores estaduais a título de auxílio transporte, o que seria uma exigência dos artigos 111 e 176 do CTN. Argumentou que a natureza indenizatória somente se caracterizaria se a verba fosse destinada efetivamente a repor os gastos com transporte, o que não se verificaria no caso. A DRJ analisou a legislação que instituiu o auxílio combustível a ser pago aos servidores do Estado de Santa Catarina e registrou que a legislação não condiciona o pagamento ao exercício de funções fora da repartição com a utilização de meio próprios de locomoção, sendo paga, inclusive, a ocupantes de cargos administrativos; que o fato de a verba ser paga a todos os servidores que exercem atividade de fiscalização, independentemente de essa atividade ser exercida com a utilização de meios próprios de locomoção, conferelhe Fl. 56DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13974.000146/200421 Acórdão n.º 220101.054 S2C2T1 Fl. 2 3 natureza remuneratória e não indenizatória; que a denominação da verba como “indenização”, por si só, não lhe confere esta natureza. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 25/02/2008 (fls. 37) e, em 24/04/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 38/45, que ora se examina e no qual reitera em síntese as alegações e argumentos em favor da não incidência tributária sobre as verbas recebidas a título de indenização de transportes. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como de colhe do relatório, o cerne da questão a ser aqui examinada diz respeito à caracterização ou não da verba objeto da glosa como tendo natureza indenizatória. Tratase de valores recebidos pelo Recorrente, mensalmente, a título de auxílio transporte. Sustenta o Recorrente que a verba destinase a repor os gastos do servidor com a utilização de veículos próprios em serviço. A DRJ, por sua vez, entendeu que, como a verba é paga de maneira indiscriminada a todos os servidores de uma mesma categoria, independentemente de exercer atividade externa ou não, a mesma não tem a natureza de reposição de gastos, sendo uma complementação salarial. De fato, conforme ressaltou a decisão de primeira instância, embora a legislação do Estado de Santa Catarina defina critérios objetivos para a fixação do auxílio transporte, em momento algum condiciona o pagamento de tal verba ao gasto efetivo dos servidores com a utilização do transporte próprio em serviço externo. A verba é devida indistintamente a todos os servidores de uma determinada categoria, ainda que estes exerçam atividade interna à repartição. Inclusive, como observou a decisão recorrida, a verba passou a ser paga, também, a servidores no exercício de função de confiança. É evidente que o pagamento de valores a servidores públicos para reposição de gastos, com transporte ou outro qualquer, no exercício de sua função, por ter natureza compensatória, não está sujeita à incidência do imposto. É que tais verbas, exatamente por serem destinadas à reposição de gastos, não implica em acréscimo patrimonial, logo, não caracteriza a hipótese de incidência do imposto. Por outro lado, a mera designação de uma determinada verba como sendo indenizatória não é suficiente para conferirlhe este caráter. O que determinada a natureza compensatória e a hipótese de incidência ou não do imposto, é a condição específica em que a verba é recebida, se para reposição de gastos ou não. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 No presente caso, apesar do esforço do Recorrente em procurar demonstrar que o auxílio transporte destinase à compensação de gastos com a utilização de transporte próprio, e indicar legislação que regulamenta este tipo de verba, não logrou demonstrar que, no caso concreto, os valores recebidos tenham, efetivamente, natureza compensatória. E, de fato, observando, inclusive, a proporção dos valores recebidos em relação ao total dos rendimentos recebidos, fica bastante claro que se trata de complementação salarial. Nestas condições, penso que não assiste razão ao Recorrente. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 58DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011718/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO OU SENTENÇA EM AÇÃO TRABALHISTA.
Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista.
IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída a fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação.
IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NA FONTE. PAGAMENTO POSTERIOR PELA FONTE PAGADORA APÓS O LANÇAMENTO.
POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO PELO BENEFICIÁRIO.
REAJUSTAMENTO DO RENDIMENTO BRUTO. IMPOSSIBILIDADE DE AGRAVAR A SITUAÇÃO DO RECORRENTE.
Tendo a pessoa jurídica assumido o encargo do pagamento do Imposto de Renda devido pela pessoa física beneficiária dos rendimentos, ainda que posteriormente ao procedimento fiscal de lançamento, é de se admitir sua compensação do montante apurado pela autoridade lançadora.
Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo
beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto.
Entretanto, como o recurso que se está apreciando é o voluntário, não é possível se agravar a situação do recorrente, devendo-se
manter o rendimento tributável inalterado e se aproveitar o pagamento feito pela fonte pagadora.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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ACORDO OU SENTENÇA EM AÇÃO TRABALHISTA. Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista. IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída a fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NA FONTE. PAGAMENTO POSTERIOR PELA FONTE PAGADORA APÓS O LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO PELO BENEFICIÁRIO. REAJUSTAMENTO DO RENDIMENTO BRUTO. IMPOSSIBILIDADE DE AGRAVAR A SITUAÇÃO DO RECORRENTE. Tendo a pessoa jurídica assumido o encargo do pagamento do Imposto de Renda devido pela pessoa física beneficiária dos rendimentos, ainda que posteriormente ao procedimento fiscal de lançamento, é de se admitir sua compensação do montante apurado pela autoridade lançadora. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Entretanto, como o recurso que se está apreciando é o voluntário, não é possível se agravar a situação do recorrente, devendose manter o rendimento tributável inalterado e se aproveitar o pagamento feito pela fonte pagadora. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1 a 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, para tributar rendimentos originalmente declarados como isentos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$34.031,83, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 89 a 101), acatada como tempestiva, alegando que recebeu apenas 78,75% da quantia que lhe cabia na Reclamação Trabalhista 351/96 da 5a Vara do Trabalho; que a Cia. Docas do Ceará efetuou a quitação do IRRF correspondente a 27,5% do valor repassado ao Sindicato, mediante compensação em PER/DCOMPs; e que não cabe multa de ofício, pois o erro de classificação dos rendimentos decorreu de culpa da fonte pagadora. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou o lançamento procedente em parte, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 113 a 125): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 Fl. 145DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10380.011718/200651 Acórdão n.º 2101001.132 S2C1T1 Fl. 139 3 ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS. A apuração pelo Fisco de rendimentos tributáveis, informados erroneamente na Declaração como rendimentos isentos, caracteriza o ilícito fiscal, e justifica o lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. DESCONTO PADRÃO Incabível a sua aplicação sobre os rendimentos não oferecidos à tributação na declaração quando constatado que o contribuinte já utilizou dessa prerrogativa quando da apresentação da declaração de ajuste anual, no limite máximo permitido para o anocalendário em questão. MULTA DE OFÍCIO Cabível a aplicação da multa de ofício de 75% nos casos de lançamento de ofício quando constatada inexatidão na declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 Decisões administrativas. Efeitos. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela, objeto da decisão. Lançamento Procedente em Parte Em suma, o julgador de 1a instância considerou que o rendimento efetivamente recebido foi de R$97.449,99, o que reduziu o imposto a pagar para R$26.798,74. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 25/03/2009 (fl. 130), o contribuinte apresentou, em 20/04/2009, o recurso de fls. 131 a 134, onde: a) requer a dedução do imposto de renda retido na fonte recolhido pela Cia. Docas do Ceará após a autuação, correspondente a 27,5% do valor recebido; Fl. 146DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 b) defende a não aplicação da multa de ofício, por se tratar de erro escusável, uma vez que foi induzido ao equívoco pelas informações prestadas pela fonte pagadora. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 137, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Trata o processo da tributação de rendimentos recebidos da Companhia Docas do Ceará em decorrência de acordo para a extinção da execução judicial no Processo no 0351/965a Vara do Trabalho de Fortaleza/CE (fls. 65 a 66), que o contribuinte havia declarado originalmente como isentos (fl. 11). Na impugnação, o recorrente afirmou que recebeu quantia inferior à lançada e que a fonte pagadora recolheu o imposto de renda devido pelos funcionários, e solicitou a dedução desse valor. Pediu também, pela exclusão da multa de ofício, pois foi induzido ao erro pela fonte pagadora. O julgador de 1a instância atendeu ao pleito de redução do valor lançado, mas recusou o aproveitamento do tributo pago pela fonte pagadora e a exclusão da multa. Desta forma, na atual fase do processo, está determinado que o recorrente recebeu R$ 97.449,99 em três parcelas, nos meses de julho, agosto e setembro de 2001, sem a retenção na fonte pela fonte pagadora, tendo os rendimentos natureza tributável. De fato, salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista. Não há dúvidas, também, da responsabilidade do recorrente pelo tributo relativo aos rendimentos auferidos. O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. No caso, verificase que a Companhia Docas do Ceará repassou ao Sindicato das Empresas de Exploração de Serviços Portuários do Ceará Sindepor o valor de R$9.512.068,17, também em três parcelas, para que este transferisse o valor acordado para cada beneficiário (fls. 65 e 96). A discussão se restringe à possibilidade de se aproveitar o recolhimento de imposto de renda retido na fonte feito pela fonte pagadora após o lançamento, e ao pedido de exclusão da multa de ofício por erro escusável. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10380.011718/200651 Acórdão n.º 2101001.132 S2C1T1 Fl. 140 5 Quanto ao pagamento, verificase que a Companhia Docas do Ceará apresentou três PER/DCOMPs, em 28 de dezembro de 2006, compensando R$5.568.816,53 de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF com saldo negativo de IRPJ (fls. 98 a 100). O DARF de fl. 97 explica que essa quantia se refere ao código de receita 0561, relativo à “IRF ACORDO TRABALHISTA PROC.351/96”, dividido em R$2.615.818,75 de principal, R$523.163,75 de multa, e R$2.429.834,03 de juros, com validade de pagamento até 29 de dezembro de 2006. E valor recolhido como principal, R$2.615.818,75, corresponde à 27,5% do que foi repassado ao sindicato, R$9.512.068,17. Desta forma, pareceme evidente que a fonte pagadora, após discutir na Justiça que a quantia paga era isenta (fls. 69 a 75), ao constatar que seus funcionários haviam sido autuados pela Receita Federal, resolveu recolher tardiamente o valor do imposto de renda devido. Apesar de não existir nos autos declaração da empresa nesse sentido, creio ser desnecessário baixar os autos em diligência para essa confirmação, pois considero que o valor compensado e o DARF apresentado demonstram o fato de forma inconteste. Resta saber se é possível se admitir o recolhimento em atraso de imposto de renda que deveria ter sido retido no pagamento, e permitir seu aproveitamento pelos beneficiários. Creio que a resposta é afirmativa, como já decidiu por inúmeras vezes esta casa (vejase, a título de exemplo, o Acórdão n° 10245.601, de 11 de julho de 2002). Pensar de forma diversa, seria admitir o enriquecimento sem causa do Erário, ou então impor irracional procedimento de restituição de quantias devidas e já recolhidas. Também não existe problema que o valor pago não esteja dividido para cada beneficiário, pois, como o pagamento correspondeu a 27,5% do valor total repassado ao sindicato, basta aplicar o mesmo percentual sobre os valores transferidos a cada funcionário. Mas há que se admitir que o procedimento adotado pela fonte pagadora falhou ao não ter procedido ao reajustamento do rendimento bruto, nos termo do art. 5o da Lei nº 4.154, de 28 de novembro de 1962. Isso porque, quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto. Assim, como o valor líquido pago ao recorrente foi de R$97.449,99, o valor bruto correpondente seria R$128.455,16, e sobre ele deveria se dar a retenção. Do mesmo modo, deveria ser este o valor a ser tributado neste auto de infração. Contudo, o recurso que se está apreciando é o voluntário, não sendo possível se agravar a situação do recorrente. Desta forma, há que se manter o valor dos rendimentos omitidos em R$97.449,99. Por evidente, também não é possível, nesta instância, exigir da fonte pagadora a diferença de fonte. Desta forma, entendo que se deva deduzir do tributo lançado a quantia de R$ 26.798,75 a título de imposto de renda retido na fonte, valor correspondente a 27,5% de R$97.449,99. Como o principal do tributo ainda em cobrança nesta autuação (fl. 129) importa Fl. 148DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 em R$26.798,74 de IRRF, existe exato encontro entre a dívida e o pagamento, não persistindo mais valores lançados em aberto. Já atendido o pleito do contribuinte, desnecessário se analisar o pedido de exclusão da multa de ofício por erro escusável. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 149DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000397/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Descabe ao Carf manifestarse,
originalmente, em relação à matéria
constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.
PRODUTOS.
A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,
que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes
de entradas sujeitas à primeira.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.940
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no
203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa,
OAB/SP no 203988.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 59 a 79) apresentado em 24 de maio de 20100 contra o Acórdão no 1624.862, de 08 de abril de 2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1 (fls. 46 a 55), cientificado em 11 de maio de 2010, que, relativamente a Declaração de Compensação sobre créditos de PIS do terceiro trimestre de 2007, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição de produtos monofásicos para revenda constitui exceção à regra geral da não cumulatividade, não gerando créditos por força da vedação contida no art. 3 , I, da lei nº 10.637/2002. Em razão disso, não se aplica a esses produtos — notadamente aos veículos automotores e autopeças comercializados pela recorrente — o art. 17 da lei nº 11.033/2004. DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000397/200985 Acórdão n.º 330200.940 S3C3T2 Fl. 0 3 questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. ANTINOMIA JURÍDICA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE SOBRE O CRITÉRIO CRONOLÓGICO. Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex posterior generalis non derogat legi priori speciali, o princípio da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento formulado nas fls. 1/2, relativo a supostos créditos de Pis apurados no 3o trimestre de 2007. 5. Em despacho decisório de 26/05/2009 (fls. 7/9), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pleito, o que levou a recorrente a apresentar a manifestação de inconformidade anexa às fls. 14/34, cujo teor resumo a seguir. 5.1) Observa inicialmente que, com o advento da lei nº 10.485/2002, a receita proveniente da venda de veículos automotores passou a sujeitarse à incidência monofásica do Pis e da Cofins, recaindo sobre o montador ou importador a responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições. 5.2) Afirma que a lei nº 10.865/2004, ao alterar a lei nº 10.485/2002 — com reflexos nas leis nº 10.637/2002 (Pis) e nº 10.833/2003 (Cofins) — se por um lado reduziu a zero a alíquota de ambas as contribuições relativamente às receitas auferidas pelas concessionárias com a comercialização dos produtos sujeitos ao regime monofásico, por outro lado vetou o aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações. 5.3) Depreende daí que as alterações introduzidas pelas leis nº 10.485/2002 e nº 10.865/2004, a par de criar “exação muito superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que faz jus), criaram “carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional”(fl. 17). 5.4) Ressalta que, procurando corrigir a distorção, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, oriunda da MP nº 206/2004, autorizou de forma expressa o aproveitamento dos créditos vinculados a operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero. 5.5) Alega que a Fazenda Pública, ao indeferir o pedido de ressarcimento, negou vigência ao referido dispositivo legal, “que alterou a Legislação atinente a espécie, negando coercitivamente o DIREITO do recorrente de utilizar seus créditos vinculados a suas vendas com alíquota ‘ZERO’, razão do inconformismo que traz o recorrente a esta Delegacia de Julgamento” (fl. 18). Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 5.6) Passando a discorrer sobre o princípio da não cumulatividade, reafirma que o entendimento da DIORT a impede de exercer “DIREITO LÍQUIDO E CERTO de creditar se dos valores recolhidos nas fases anteriores, sob pena de ver se autuado e cobrado judicialmente” (fl. 21). 5.7) Invocando o art. 195 da Constituição Federal e alegando que o sistema monofásico de tributação teria instituído novo imposto sem amparo legal, assevera que a lei nº 10.865/2004, embora determine que a recorrente promova os fatos geradores relativos ao Pis e à Cofins, não lhe permite aproveitar os créditos advindos dos produtos a serem vendidos com alíquota zero. Acrescenta que tal vedação — sobre ser ilegal e inconstitucional — constitui grave ofensa aos ditames da lei nº 11.033/2004. 5.8) Afirmando que a exclusão das operações de venda com alíquota zero do regime não cumulativo implica tributação excessiva ou confisco e que o art. 17 da lei nº 11.033/2004 teria por objetivo precisamente afastar a ilegalidade e a inconstitucionalidade ínsitas a essa sistemática, declara que o indeferimento do pedido de ressarcimento representa “flagrante afronta ao princípio da capacidade contributiva, da isonomia, da estrita legalidade e o desrespeito a vinculação dos atos públicos” (fl. 30). 5.9) Assinala ainda que, em face da recusa do recorrido em atender à determinação legal, não lhe restou alternativa senão recorrer ao Poder Judiciário para que este determine que a Delegacia de Arrecadação de São Paulo respeite a lei, vale dizer, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, reconhecendolhe o direito líquido e certo ao crédito vinculado. 5.10) Discorrendo ligeiramente acerca dos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, afirma ser “ilegal e nula a exigência” (fl. 32), uma vez que a autoridade administrativa age em desacordo com a lei, que permite à recorrente aproveitar integralmente seu crédito vinculado, inclusive os créditos vinculados a vendas com alíquota zero. 5.11) Acrescenta que, ao afirmar que o pedido da requerente, fundado no art. 17 da lei nº 11.033/2004, não se aplica, excepcionalmente, à revenda de veículos e peças, o chefe da DIORT pretende “fazer legislação anterior modificar a posterior em absoluto descompasso com a Lei natural”(fl. 33). 5.12) Rematando o arrazoado, requer que este órgão julgador lhe assegure o direito de apurar os débitos de Pis e Cofins vincendos mercê do aproveitamento dos créditos vinculados à compra de veículos “zero”, peças e acessórios, nos moldes do art. 17 da lei nº 11.033/2004, bem como a autorize, para determinar tais créditos, a aplicar as alíquotas de 1,65% para o Pis e 7,60% para a Cofins, segundo prevêem respectivamente as leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Requer, em suma, a reforma do despacho decisório impugnado, bem como o ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033” (fl. 34). Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000397/200985 Acórdão n.º 330200.940 S3C3T2 Fl. 0 5 No recurso, a Interessada alegou que “vedação ao aproveitamento do crédito vinculado ao faturamento relativo aos bens vendidos com alíquota zero fere a o art. 17 da Lei 11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.” Após esclarecer que, “Anteriormente já havia previsão legal, Lei 10.485/2002, que determinava que a exigências, relativas ao PIS e a Cofins, fossem recolhidas por expressa responsabilidade do montador ou importador, ao que se denominou recolhimento por substituição tributária, monofásico, no entendimento do Fisco”, acrescentou que, “Com a transformação das exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo, determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem superior a usual, pelo importador ou montador.” De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência quanto ao recolhimento das exações ao PIS e a COFINS é calculada pelo resultado dos custos e despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”. Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte: Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do crédito vinculado, o que leva ao recorrente sofrer tratamento desigual. Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485, de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da COFINS em ‘zero’ criando carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.” Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações de alíquota zero. A seguir, analisou o princípio da não cumulatividade, citando doutrina e jurisprudência, que lhe daria o direito de “de somar todas os custos e despesas, quaisquer que seja[m], desde que vinculados ao seu faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita, o resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no 11.033, de 2004]”. Defendeu a tese de que a tributação monofásica seria uma substituição tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação constitucional “e ainda em parte pelo valor de venda do veículo ao concessionário”, haveria a “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” Analisou, então, a legislação e reafirmou que o entendimento da primeira instância afrontaria vários princípios constitucionais. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria. Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero em face de sujeitaremse ao regime monofásico. Primeiramente, há que se esclarecer que a não cumulatividade não é uma regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite concluir que a não cumulatividade aplicarseia irrestritamente apenas aos tributos criados na competência residual da União (art. 154, I). Em relação aos tributos originalmente previstos na Constituição, apenas o ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria uma “simples regra” e não um princípio como pretendido pela maioria da doutrina (Teoria Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 3412). Portanto, a regra (ou, se se preferir, o princípio) constitucional da não cumulatividade simplesmente não se aplicava às contribuições sociais no texto original da Constituição. Com a Emenda Constitucional no 47, de 2005, a Constituição passou a prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo. Entretanto, à vista de matéria constitucional, o Carf não pode deixar de afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009): Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009). Dessa forma, somente é possível, em sede do presente recurso voluntário, apreciar as alegações da Interessada em relação ao que determina a lei, uma vez que sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, antes cabe esclarecer que, em alguns pontos, as alegações da Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir. 1. Violação à não cumulatividade Parte dos produtos vendidos pela Interessada sujeitase ao regime monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000397/200985 Acórdão n.º 330200.940 S3C3T2 Fl. 0 7 do não cumulativo. Dessa forma, tratandose de um regime diverso, paralelo e específico de incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime. 2. Violação ao princípio da isonomia Isonomia implica tratamento igual aos que estejam em igual situação. Portanto, não faz sentido argumentar violação à isonomia se a regra é aplicável não só à Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação. 3. Violação à capacidade contributiva No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma vez que os produtos vendidos sujeitos à alíquota zero já foram tributados pelo regime monofásico anteriormente. Dessa forma, o valor da contribuição devida pela Recorrente, em relação a tais produtos, é zero. O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de cálculo da contribuição devida em relação aos demais produtos, reduzir a base de cálculo destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles. 4. Sugestão de bitributação Em suas alegações, a Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitamse à alíquota zero. De fato, para concluir que a forma de tributação por incidência monofásica seria tão injusta a ponto de exigir deduções das bases de cálculo do revendor, seria preciso demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente pela Interessada. Feitas as observações acima, passase à análise da legislação. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, uma vez que as duas modalidades de apuração da contribuição coexistem mas não se comunicam. Por fim, observese que as referências posteriores da legislação ao referido dispositivo legal não têm o condão de estender sua abrangência. Na realidade, limitamse a regular o crédito do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000397/200985 Acórdão n.º 330200.940 S3C3T2 Fl. 0 9 “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000397/200985 Acórdão n.º 330200.940 S3C3T2 Fl. 0 11 “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam avigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam avigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000397/200985 Acórdão n.º 330200.940 S3C3T2 Fl. 0 13 As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 136DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13884.901898/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 15/05/2000
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS.
EXCLUSÃO.
A exclusão da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social estabelecida no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718,
de 1998, dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, como
expressamente definido no próprio dispositivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.012
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2000 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS. EXCLUSÃO. A exclusão da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social estabelecida no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, como expressamente definido no próprio dispositivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 68DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901898/200844 Acórdão n.º 330201.012 S3C3T2 Fl. 8.7 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 38 a 50) apresentado em 16 de novembro de 2010 contra o Acórdão no 0530.630, de 13 de setembro de 2010, da 3ª Turma da DRJ / CPS (fls. 33 e 34), cientificado em 27 de outubro de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins recolhida em 15 de maio de 2000, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 FATURAMENTO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi inicialmente indeferido em 12 de agosto de 2004. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Fl. 69DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901898/200844 Acórdão n.º 330201.012 S3C3T2 Fl. 9.7 3 recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso às planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade. No recurso, alegou que a Lei no 9.718, de 1998, permitiria a exclusão de todas as receitas tidas como próprias e transferidas a outras pessoas jurídicas. Nesse contexto, contestou a não aplicação da disposição do art. 2º, III, da mencionada lei à vista da inércia do Poder Executivo em regulamentar a matéria e da aplicação de ato da Receita Federal, citando opinião de vários entendimentos da doutrina e da jurisprudência a respeito da matéria. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Os fatos constantes dos autos analisados na presente sessão de julgamento referemse a períodos entre setembro de 1999 e dezembro de 2000. O dispositivo do art. 3º, § 2º, III, da Lei no 9.718, de 1998, foi revogado pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 93, V. Na realidade, a primeira MP que tratou da revogação foi a 199118, de 19 de junho de 2000, publicada em 10 de junho de 2000, dia em que se deve considerar revogado o dispositivo. Portanto, tratase de períodos fora (processos nos 13884.901307/200839, 13884.901586/200831, 13884.901902/200874, 13884.901905/200816) e dentro da vigência do dispositivo (13884.900887/200847, 13884.901589/200874, 13884.901890/200888, Fl. 70DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901898/200844 Acórdão n.º 330201.012 S3C3T2 Fl. 10.7 4 13884.901898/200844, 13884.901900/200885, 13884.901906/200852), sendo que a oposição oficial à sua aplicação antes da revogação é o fato de nunca ter sido regulamentado. De toda forma, a Interessada também alegou que o dispositivo não teria sido revogado, pelo fato de medida provisória não poder revogar disposição de lei. Entretanto, os efeitos das medidas provisórias já foram há tempo definidos pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 295DF, 1.397DF, 1.516RO, 1.610DF, 1.135DF), que decidiu ser possível a reedição de medidas provisórias não rejeitadas pelo Congresso Nacional e que os requisitos de relevância e urgência têm natureza política. Ademais, é vedada a apreciação da inconstitucionalidade da referida revogação em face do art. 246 da Constituição, muito embora não seja exatamente o caso dos autos. Vejase que o referido dispositivo referese à impossibilidade de regulamentação de artigo da constituição alterado por emenda constitucional promulgada a partir de 1995. Entretanto, obviamente a regulamentação se refere à alteração promovida pela emenda constitucional, o que não ocorreu no caso da Cofins. Ademais, regulamentação de artigo da constituição referese dispositivo que dependa de regulamentação infraconstitucional para ser aplicado (dispositivos de eficácia contida e limitada), o que não é o caso da instituição de tributos. Ainda assim, conforme se afirmou, a revogação não poderia deixar de ser aplicada à vista das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por fim, incide também a Súmula Carf no 2: Fl. 71DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901898/200844 Acórdão n.º 330201.012 S3C3T2 Fl. 11.7 5 Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, para todos os efeitos, o dispositivo somente vigorou até 10 de junho de 2000, não sendo possível cogitarse de sua aplicação, no âmbito administrativo, aos períodos de junho de 2000 em diante, uma vez que o fato gerador das contribuições de junho ocorreria somente no fechamento do mês. Quanto à sua aplicação aos períodos até maio de 2000, o entendimento que tem prevalecido no âmbito do Conselho é o de que o dispositivo não poderia ser aplicado sem a regulamentação pelo Poder Executivo, conforme fundamentos abaixo reproduzidos, constantes do voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramo, no Acórdão no 20400.678: Como apontado no relatório, o recurso diz respeito ao suposto caráter autoaplicável do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, fulcro da autuação. Entende a recorrente que o dispositivo já traz em si todos os elementos necessários à sua imediata aplicação, e que esta se daria pelo abatimento dos custos e despesas incorridos para consecução da receita. Não nos sensibilizamos com tal argumento. É que aquele dispositivo autoriza a exclusão de valores registrados como receita transferidos a terceiros. A pergunta que se impõe de imediato é: quais são tais valores? Basta à empresa contabilizar saídas de caixa como transferência de receita para que os deduza? A figura da transferência de receita não é nem de longe algo corriqueiro. Muito mais comum é o pagamento de custos ou despesas necessários ao exercício da atividade. Ocorre que, em sentido lato, mesmo estes últimos podem ser considerados como “transferência de receita”, na medida em que, via de regra, primeiro são recebidos, contabilizados como tal, e somente depois são destinados aos fornecedores. Qual o critério distintivo, pois, a autorizar a exclusão de alguns e a não exclusão de outros? Podemos antever apenas exemplos. Em nossa prática fiscalizatória já nos deparamos com situação que se aplica perfeitamente à matéria. Tratase do chamado fundo de equalização de tarifas, relativo ao serviço municipal de transporte coletivo de passageiros. Nestes casos, aquelas empresas que operam linhas de menores custos repassam uma parte de suas receitas àquelas que operam linhas mais custosas. A obrigação lhes é imposta pelo Poder concedente, com vistas a uniformizar o valor da tarifa cobrada. Pois bem, não há dúvida de que para a empresa obrigada a transferir, esses valores são receitas no melhor sentido técnico (contábil) da palavra. Não menos induvidoso, porém, que a empresa não se beneficia em nada desse valor. De todo justo, por conseguinte, que não seja tributada sobre uma “receita” que de fato não lhe pertence. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901898/200844 Acórdão n.º 330201.012 S3C3T2 Fl. 12.7 6 Por que dizemos que esse é um exemplo perfeito do que, em nosso entender, pretendeu o legislador no caso do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98? Por que se trata de “transferência de receitas” e não de pagamento de custos ou despesas? Pelo simples fato de que nenhum serviço é prestado às repassadoras pelas empresas recebedoras do valor. A obrigação que aquelas assumem decorre exclusivamente de diretriz do ente concedente do serviço. Muito bem, num exercício de “achismo” e trabalhando por analogia, visto que a ciência contábil não define o que sejam transferências de receitas, nem a legislação do Imposto de Renda trata dessa figura, entendemos que sua aplicação restringese aos casos em que o repasse dos valores esteja integralmente dissociado de qualquer contraprestação em bens ou serviços por parte daquela PJ que recebe os valores transferidos àquele que lhos repassa. Mas essa é apenas uma (ainda que, ao nosso juízo, a melhor) dentre muitas interpretações. É dessa incerteza que avulta a necessidade de regulamentação, pelo Poder Executivo, em cujos termos cinjase a aplicação da norma, sob pena de o dispositivo prestarse por inteiro à instituição da sistemática da não cumulatividade à contribuição, a qual passaria a incidir sobre algo próximo do conceito contábil de lucro bruto (como apregoa a recorrente) e não sobre as receitas, como pretendeu a Lei nº 9.718/98. Por conseguinte, entendo que só faz sentido falarse em desnecessidade de regulamentação se se entender como transferências de receitas algo fundamentalmente diverso da mera remuneração por serviços de terceiros – custos ou despesas. Não me parece ser esse o espírito da norma. Se fosse, bastaria determinar a incidência da contribuição sobre o lucro bruto ou líquido. Entender assim corresponde a antecipar em cinco anos a entrada em vigor da nãocumulatividade, somente introduzida em 2003. Por tudo isso, é contraditório em seus próprios termos o recurso interposto. Isto é, se desnecessária a regulamentação, sêloia em sentido contrário ao que a empresa lhe pretende dar. Repita se, somente para algo diferente da mera remuneração de custos ou despesas, podese entender autoaplicável o dispositivo. Acontece que a necessidade integra a própria norma. Ora, cediço que ao intérprete administrativo não é dado o direito de negar aplicação à norma: se a necessidade de regulamentação está no próprio dispositivo, como afirmála dispensável? À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 73DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901898/200844 Acórdão n.º 330201.012 S3C3T2 Fl. 13.7 7 José Antonio Francisco Fl. 74DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10148.000125/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
ISENÇÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS.
Sem comprovação inequívoca das condições e requisitos para fruição do benefício, no período pleiteado, mantém-se a exigência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Sem comprovação inequívoca das condições e requisitos para fruição do benefício, no período pleiteado, mantémse a exigência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Eivanice Canário Da Silva, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 20 a 22 da instância a quo, in verbis: Fl. 78DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 A contribuinte acima identificada insurgiuse contra o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de folhas 03 a 06, com ciência em 27/07/2007, relativa ao anocalendário 2004, que alterou o resultado de sua declaração de saldo de imposto a restituir de R$ 121,17 para saldo de imposto a pagar de R$ 1.669,52. Motivou o lançamento a constatação de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 16.041,49 (fl. 04). Em sua impugnação apresentada em 27/07/2007, a interessada contesta o lançamento, alegando que é portadora de moléstia grave desde outubro de 2001, sendo isentos e não tributáveis os seus rendimentos. Para instruir o pleito, anexou os documentos de folhas 02 a 07. Foram anexadas as telas de consulta de folhas 18/19, para instrução Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o contribuinte não juntou aos autos o ato de concessão da aposentadoria, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo livremente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MOLÉSTIA GRAVE. Para reconhecimento da isenção moléstia grave é necessário que, além de laudo oficial, esteja comprovada a data da aposentadoria/pensão. (...) O documento de folha 07, Laudo Oficial exarado pelo CAISM – Centro Integrado a Saúde da Mulher, reconheceu que a contribuinte é portadora de moléstia grave (neoplasia maligna) desde outubro de 2001, tratandose de doença passível de controle, com validade do laudo até 19/07/2008. No entanto, a aposentadoria/pensão da contribuinte não está confirmada para o anocalendário 2004, pois não foram acostados aos autos quaisquer documentos que pudessem identificar que os rendimentos auferidos da fonte pagadora Uberaba Prefeitura referiamse a aposentadoria ou pensão. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 26/27, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando em síntese: a) A isenção do imposto de renda a partir de outubro de 2001 do cargo de aposentado do Estado de Minas Gerais desde 1997 (doc. Anexo) e b) A isenção do imposto de renda do cargo municipal por ser medida de direito e justiça. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10148.000125/200701 Acórdão n.º 210201.223 S2C1T2 Fl. 60 3 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Tratase de autuação por omissão de rendimentos, fl. 04, pelo não reconhecimento da isenção por ser portadora de moléstia grave dos rendimentos auferidos conforme Dirf de fl. 19, percebidos da Prefeitura Municipal de Uberaba, anocalendário 2004. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). Neste contexto, é pacífico que os requisitos para que ocorra a isenção sejam: 1) rendimentos de aposentadoria e 2) Contribuinte portador de moléstia grave. Em primeiro grau de julgamento, foi mantida a exigência pela falta de preenchimento do primeiro requisito. Embora no seu recurso a contribuinte aponte que trouxe elementos que provam que os rendimentos são provenientes de aposentadoria, encontramos nos autos os Demonstrativos de salário de fls. 33 a 56 referentes ao anocalendário 2005 que além de não serem do mesmo anocalendário da autuação, tampouco mostram que a contribuinte é aposentada. Ainda, foram juntadas “Folhas de Instrução de Processo de Aposentadoria”, fls. 50 a 53 que não prova que a contribuinte é aposentada, porque é da Secretaria Estadual, enquanto que o rendimento tributado é da Prefeitura Municipal, além de ser simplesmente um pedido de aposentadoria e não um documento oficial de concessão de aposentadoria. Ou seja, não constam nos autos qualquer documento comprovando que a autuada era aposentada pela Prefeitura Municipal de Uberaba no anocalendário de 2004. Impossível, portanto, conceder a isenção pela falta de provas. De outro lado, como visto acima, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal do pedido. Nesse sentido, é farta a jurisprudência nesse Egrégio Conselho vedando a possibilidade isenção de rendimento de portador de moléstia grave quando não for oriundo de aposentadoria: Número do Recurso:142271 Fl. 80DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Número do Processo:13011.000474/200244 Data da Sessão:23/01/2008 Relator:Remis Almeida Estol Decisão:Acórdão 10422986 IRPF MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO APOSENTADORIA Não comprovado que os rendimentos são provenientes de aposentadoria não há que se falar em isenção, ainda que a moléstia grave reste demonstrada. Recurso negado. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências. Dessa forma sem o atendimento dos requisitos legais, para usufruir do benefício fiscal no período pleiteado, está correto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a decisão de primeira instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13556.000015/2004-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: PAF. PRESCRIÇÃO. A impugnação e o recurso suspendem a
exigibilidade do crédito tributário e a fluência do prazo prescricional, e não se aplica, ao processo administrativo fiscal, a prescrição intercorrente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Apurado, por meio das informações
fornecidas à Receita Federal pela fonte pagadora, a obtenção de rendimentos não declarados pelo contribuinte, é lícita a exigência do imposto incidente sobre os rendimentos omitidos, acrescido de multa de ofício.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.088
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: PAF. PRESCRIÇÃO. A impugnação e o recurso suspendem a exigibilidade do crédito tributário e a fluência do prazo prescricional, e não se aplica, ao processo administrativo fiscal, a prescrição intercorrente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Apurado, por meio das informações fornecidas à Receita Federal pela fonte pagadora, a obtenção de rendimentos não declarados pelo contribuinte, é lícita a exigência do imposto incidente sobre os rendimentos omitidos, acrescido de multa de ofício. Recurso negado.
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PRESCRIÇÃO. A impugnação e o recurso suspendem a exigibilidade do crédito tributário e a fluência do prazo prescricional, e não se aplica, ao processo administrativo fiscal, a prescrição intercorrente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Apurado, por meio das informações fornecidas à Receita Federal pela fonte pagadora, a obtenção de rendimentos não declarados pelo contribuinte, é lícita a exigência do imposto incidente sobre os rendimentos omitidos, acrescido de multa de ofício. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório VALNOY FERNANDES DE SOUZA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA (fls. 43) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 7/13, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 1.325,64, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 2.754,94. A infração que ensejou a autuação está assim descrita no auto de infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OU FÍSICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO NO VALOR DE R$ 19.637,65, CONFORME DIRF APRESENTADA PELA CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL. ENQUADRAMENTO LEGAL: ARTS. 1 A 3, E ART. 6 DA LEI 7.713/88; ARTS. 1 A 3 DA LEI 8.134/90; ARTS. 1 , 3 , 5 , 6 , 11 E 32 DA LEI 9.250/95; ART. 21 DA LEI 9.532/97; LEI 9.887/99; ARTS. 43 E 44 DECRETO 3.000/99 RIR/1999. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/05 na qual alegou, em síntese, que a autuação baseouse em presunção de omissão de rendimentos, posto que não se fez acompanhar dos meios de prova, em afronta ao princípio do devido processo legal; que há vários anos tem auferido rendimentos tributáveis de apenas uma mesma fonte pagadora — a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil — e que os tem declarado integralmente; que está apresentando junto com a impugnação os documentos comprobatórios de inexistência da irregularidade apontada no Auto. Suscita, ainda, o princípio da eventualidade para imposição de valores módicos à multa, em razão da primariedade e dos fatos ditos comprobatórios da boafé do autuado, na hipótese de manutenção da autuação para a qual também requer a procedência na peça impugnatória. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJ observou, inicialmente, que, apesar de o Contribuinte apresentar cópia de declaração na qual constam como declarados os rendimentos considerados omitidos (fls. 15/21), o recibo de entrega da declaração não traz a indicação deste mesmo valor (fls. 15); que o recibo de entrega está coerente com a declaração que foi transmitida na qual não consta nenhum valor declarado como rendimentos tributáveis; que, portanto, diante da não declaração dos rendimentos tributáveis que foram informados pela fonte pagadora, a autoridade fiscal imputou corretamente a omissão de rendimentos. Observou ainda a DRJ que a declaração que o Contribuinte apresenta na impugnação é documento novo, diferente da declaração que foi transmitida para a Receita Federal ; que a autuação se deu com base na declaração processada e que, devido á perda da espontaneidade, a nova declaração não deve ser considerada. Por fim, a DRJ registrou que ao Contribuinte foi dada oportunidade do exercício do direito à ampla defesa, não havendo vício no procedimento quanto a este ponto. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13556.000015/200475 Acórdão n.º 220101.088 S2C2T1 Fl. 2 3 O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 03/10/2007 (fls. 48) e, em 26/10/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 49/55, que ora se examina, e no qual argúi a prescrição do crédito tributário. Argumenta que a autuação referese a crédito tributário cujo prazo de pagamento estava estipulado para 30/04/2002 e que somente em 03/10/2007 foi intimado da decisão de primeira instância e que, conforme o artigo 174 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva. Cita jurisprudência. Quanto ao mérito, o Contribuinte reafirma que não incorreu em omissão de rendimentos e que declarou os rendimentos recebidos de sua única fonte pagadora. Argumenta que sempre declarou corretamente seus rendimentos e que não consta dos autos a prova da omissão que lhe foi imputada. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos. Segundo o breve relato fiscal, o Contribuinte deixou de declarar os rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil no valor de R$ 19.637,65, conforme foi informado pela fonte pagadora em DIRF. Apesar de o Recorrente insistir em afirmar que não incorreu na omissão de rendimentos, o que se verifica dos elementos carreados aos autos é que na declaração apresentada à Receita Federal nada foi declarado como rendimentos tributáveis, conforme se verifica do recibo de entrega da declaração às fls. 15. Junto com a impugnação o Recorrente apresentou cópia de declaração onde estariam declarados os rendimentos em questão, porém, como ressaltou a decisão de primeira instância, esta declaração não corresponde à que foi apresentada à Receita Federal, fato que também se pode aferir pela cópia da declaração transmitida que se encontra às fls. 32/36. O Recorrente também insiste em afirmar que o Fisco não comprovou a omissão de rendimentos, mas pela própria argumentação da defesa, o Contribuinte não nega que recebeu os rendimentos, limitandose a afirmar que os declarou à Receita Federal, alegação que é desmentida pelos elementos constantes dos autos. Sobre a declaração acostada aos autos pelo Contribuinte, como não restou comprovada que a mesma foi apresentada antes do início do procedimento de ofício, a mesma Fl. 76DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 não tem nenhuma eficácia para alterar o lançamento, tendo em vista a perda da espontaneidade, fato que corretamente observado pela decisão de primeira instância. Quanto à alegada prescrição, não assiste razão ao Recorrente. Não se aplica neste caso a prescrição, posto que, como resta claro no artigo 174 do CTN, citado pelo próprio Recorrente, o prazo prescricional contase da constituição definitiva do crédito tributário. Também, neste mesmo sentido, o art. 151, III do CTN prevê como hipótese de suspensão do crédito tributário as reclamações e os recursos, em sede administrativa,como se teve neste caso. É elementar que o prazo prescricional não poderia correr se o crédito tributário não poderia ser exigido em razão, inicialmente, da impugnação e, posteriormente, do recurso. Também não se cogita aqui de prescrição intercorrente. Aliás, a jurisprudência deste Conselho já afastou definitivamente a hipótese de aplicação desse instituto no processo administrativo tributário, entendimento este consolidado na súmula nº 11 do CARF, a saber: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assim, como o Recorrente não aduziu outras razões de defesa, não há motivo para se reforma a decisão de primeira instância. Finalmente, cumpre deixar assentado que não é o caso aqui de se considerar, de ofício, as deduções que são apontadas na declaração apresentada pelo Contribuinte com a impugnação, posto que não foram trazidas provas das deduções. Quanto à multa de ofício, esta é definida em lei, não cabendo às autoridades lançadora ou julgadora, reduzila ou afastála, salvo nas hipóteses previstas na própria lei. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 77DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10735.003429/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: DIFERENÇAS DE RENDIMENTOS PERCEBIDOS PELA MAGISTRATURA ESTADUAL IGUAIS AO ABONO VARIÁVEL DA LEI Nº 9.655/98, ESTE OFERTADO À MAGISTRATURA DA UNIÃO.
NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Veio a Lei estadual nº
4.631/2005 e ofertou aos magistrados fluminenses diferenças salariais iguais as do abono variável do art. 5º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, este originalmente deferido somente à magistratura mantida pela União, como igualmente já fizera a Lei federal nº 10.477/2002 para os
Membros do MPF. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as
diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas à Magistratura fluminense com esteio na Lei estadual nº 4.631/2005. Observe-se
que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado do Rio de Janeiro – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei estadual nº 4.631/2005 são idênticos, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pela magistratura fluminense com base na
Lei estadual nº 4.631/2005, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB-RJ nº 98.035, patrono do recorrente.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Veio a Lei estadual nº 4.631/2005 e ofertou aos magistrados fluminenses diferenças salariais iguais as do abono variável do art. 5º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, este originalmente deferido somente à magistratura mantida pela União, como igualmente já fizera a Lei federal nº 10.477/2002 para os Membros do MPF. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas à Magistratura fluminense com esteio na Lei estadual nº 4.631/2005. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado do Rio de Janeiro – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei estadual nº 4.631/2005 são idênticos, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pela magistratura fluminense com base na Lei estadual nº 4.631/2005, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Recurso provido. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OABRJ nº 98.035, patrono do recorrente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte WALTER FELIPPE D' AGOSTINO, CPF/MF nº 034.215.46720, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 15/12/2005, auto de infração (fls. 37 a 43), com ciência postal em 21/12/2005 (fl. 26), a partir de ação fiscal iniciada em . Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 3.333,01 MULTA DE OFÍCIO R$ 2.499,75 Ao contribuinte foi imputada uma reclassificação de rendimentos de isentos para tributáveis, no montante de R$ 12.120,06, no anocalendário 2000, conduta essa apenada com multa de ofício de 75%, com a seguinte motivação: O contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2000, os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a titulo de rendimentos isentos e não tributáveis, a quantia de R$12.120,06, com base na Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal, conforme Comprovante de Rendimentos, ano base 2000, apresentado pelo contribuinte a esta fiscalização, em anexo. O artigo n° 150, parágrafo 6º , da Constituição Federal, determina que o subsídio, a isenção, a redução de base de cálculo, anistia, remissão, entre outros, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica. A resolução do STF mencionada dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2° e parágrafos, da Lei n° 10.474, de 27 de junho de 2002. Porém, a lei n° 10.474 Fl. 126DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.003429/200531 Acórdão n.º 2102001.334 S2C1T2 Fl. 2 3 dispõe somente sobre a remuneração da MAGISTRATURA DA UNIÃO. Considerando: O contribuinte fazer parte da magistratura do Estado do Rio de Janeiro, Servidor Público Estadual; O artigo 175, do Código Tributário Nacional, que determina as formas de exclusão do crédito tributário, isenção e anistia; O artigo 111, também do CTN, que determina que a legislação tributária que disponha sobre suspensão e exclusão do crédito tributário seja interpretada LITERALMENTE; O método gramatical ou literal determina que a interpretação da legislação seja somente à luz do próprio texto da norma sob exame. Tendo em vista o exposto acima, concluise que o contribuinte não tem direito à isenção mencionada, R$12.120,06, com base na Resolução n° 245 do STF e Lei n° 10.474, pois, estas tratam exclusivamente da MAGISTRATURA DA UNIÃO, não cabendo interpretação extensiva aos magistrados estaduais. Assim, oferecemos à tributação, neste Auto de Infração, a quantia de R$12.120,06, pois tratase de rendimento tributável. Compulsando os autos, vêse que o contribuinte juntou cópia do comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, no qual consta o montante de R$ 12.120,06, com a indicação “Resolução 245 STF” (fl. 11), bem como a autoridade fiscal juntou cópia da declaração de ajuste anual original (fls. 6 a 8) e retificadora (fls. 3 a 5), esta última com base no comprovante de rendimentos antes indicado. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro II (RJ), por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar suscitada e, no mérito, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1318.646, de 18 de janeiro de 2008 (fls. 51 a 55). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 26/02/2008 (fl. 60). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 19/03/2008 (fl. 62). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. o art. 6º da Lei nº 9.655/98 concedeu aos membros da Magistratura da União abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º/01/1998, cuja forma de cálculo somente foi disciplinada pelo art. 2º da Lei nº 10.474/2002. Dessa forma, por meio da Resolução n° 245, de 12/12/2002, o Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que o referido abono tem natureza indenizatória, não integrando a base de cálculo do imposto de renda, determinando, no artigo 3° da mencionada Resolução, o recálculo, mês a mês, no período de janeiro de 1998 a maio de 2002, do valor da contribuição previdenciária e do imposto de renda retido na fonte, "expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer titulo, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como a repercussão desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono"; Fl. 127DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 II. O Ministro da Fazenda, ancorado no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu expressamente a não incidência sobre o abono variável acima, inclusive estendendo essa interpretação ao abono variável pago aos membros do Ministério Público Federal, previsto na Lei nº 10.477/2002, na forma do Parecer PGFN nº 923/2003; III. no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, a questão foi tratada na Lei estadual nº 4.631/2005, que determinou a aplicação do disposto no art. 2º, caput, e § 1 º, da Lei federal nº 10.474/2002 aos membros da Magistratura do Rio de Janeiro, os quais passaram a fazer jus a abono variável com fórmula de cálculo idêntica àquela do abono percebido pela Magistratura Federal; IV. os Membros do Ministério Público do Rio de Janeiro –MPERJ também foram agraciados pelo abono variável, pela Lei estadual nº 4.433/2004, tendo como espelho a Lei federal nº 10.477/2002, sendo que a PGFN, a AGU e a PGR reconheceram que o abono do MPERJ é idêntico aos das Leis nºs 10.474/2002 e 10.477/2002, conforme pareceres acostados aos autos da ADI nº 3.5606, manejada contra a Lei estadual nº 4.433/2004, implicando, por conseqüência, no caráter indenizatório do abono deferido aos Membros do MPERJ, bem como aos Membros da Magistratura do Rio de Janeiro, pois ambos os abonos variáveis deferidos pelas leis estaduais são idênticos; V. a Chefia do Poder Judiciário do Rio de Janeiro demandou a Receita Federal, quando se acertaram a retificação das DIRFs e a emissão de novos comprovantes de rendimentos, o que aparelhou a retificação por parte dos contribuintes de suas declarações de ajuste anual, sendo que a maior parte já recebeu as restituições e uma minoria, como o recorrente, foi autuada; VI. diferentemente do asseverado na decisão recorrida, o recorrente não pretende “alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto”, mas apenas obstar o alargamento perpetrado pela autoridade lançadora, em desacordo com a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, pois foi o Supremo Tribunal Federal, pela Resolução nº 245/2002, que afastou da tributação as verbas relacionadas ao abono variável percebidas no período de 1998 a 2002. Ainda, registrese que o recorrente não pretende se valer do instituto da analogia para fazer triunfar seu direito, pois não há qualquer vazio normativo, tendo sido o abono em debate pago com base na Lei estadual nº 4.433/2004; VII. “49. O exame do acórdão recorrido revela que, a razão fundamental para a manutenção do lançamento, foi o fato de o recorrente integrar o Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, e não a Magistratura Federal. 50. Considerando que a evidente identidade absoluta entre o "abono variável" da Lei Estadual n. 4.631/2005 e aqueles das Leis 10.474 e 10.477, reconhecida pela PGFN, não foi objeto de qualquer questionamento por parte das autoridades lançadora e julgadoras, o que se tem é que a razão invocada pelo acórdão recorrido é desprovida de qualquer respaldo jurídico, Fl. 128DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.003429/200531 Acórdão n.º 2102001.334 S2C1T2 Fl. 3 5 consistindo em inaceitável discriminação odiosa” (fl. 72 – transcrição do recurso voluntário); VIII. deve ser declarada a ilegitimidade passiva do recorrente, pois este agiu de acordo com as orientações e informes de rendimentos expedidos pela fonte pagadora, e, se se entender cabível a omissão de rendimentos em debate, o tributo e a penalidade devem ser cobradas da fonte pagadora; IX. se superadas todas as argumentações precedentes, devemse afastar as incidências de juros de mora e multa, pois todo o procedimento de retificação perpetrado pelo recorrente teve por base as orientações prestadas ao Poder Judiciário Fluminense pelas autoridades da Receita Federal no Rio de Janeiro, sendo forçoso reconhecer a incidência do art. 100, III e parágrafo único, do CTN. Junta aos autos todos os ofícios e pareceres que culminaram no reconhecimento pelo Sr. Ministro da Fazenda do caráter indenizatório do abono variável percebido pelos Membros do MPF, bem como as leis estaduais e outros documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 26/02/2008 (fl. 60), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 14/03/2008 (fl. 62), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 27/03/2008, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, aqui não se analisarão as preliminares de ilegitimidade passiva, bem como os pleitos sucessivos do recorrente no tocante aos juros de mora e à multa de ofício, pois se demonstrará que o autuado tem razão no mérito. Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento do abono variável aos Membros da Magistratura fluminense, na forma da Lei estadual nº 4.631/20051, tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois a Magistratura fluminense não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios da magistratura local). Veio a Lei estadual nº 4.631/2005 e ofertou aos Magistrados fluminenses diferenças salariais iguais a do abono variável do art. 5º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, como igualmente fizera a Lei federal nº 10.477/2002, esta para os Membros do MPF. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas à Magistratura fluminense com esteio na Lei estadual nº 4.631/2005. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado do Rio de Janeiro – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei 1 LEI nº 4.631, DE 27 DE OUTUBRO DE 2005. DETERMINA A APLICAÇÃO AOS MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DE DISPOSITIVOS A LEI FEDERAL N° 10.474, DE 27 DE JUNHO DE 2002 E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. A Governadora do Estado do Rio de Janeiro, Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1° Aplicase aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2°, caput, e § 1°, da Lei Federal n° 10.474, de 27 de junho de 2002. Art. 2° Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2005. ROSINHA GAROTINHO Governadora Fl. 130DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10735.003429/200531 Acórdão n.º 2102001.334 S2C1T2 Fl. 4 7 estadual nº 4.631/2005 são idênticos, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pela magistratura fluminense com base na Lei estadual nº 4.631/2005, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 131DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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