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Numero do processo: 13603.003381/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003
ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro real ou presumido, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no
percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 10% de
seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.505
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrente CMF COMERCIAL MINEIRO DE FERROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro real ou presumido, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 10% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda. Recurso Voluntário Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório CMF COMERCIAL MINEIRO DE FERROS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Belo HorizonteMG em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/06, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 19.476,33, cumulado com multa de ofício, em parte qualificada no percentual de 150%, e em parte no percentual de 75% , e juros de mora pertinentes calculados até 28/09/2007. Em decorrência desse procedimento principal, foram também formalizados os seguintes lançamentos reflexos, a saber: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 30/34), no valor de R$ 15.511,91, cumulada com multa de ofício, em parte qualificada no percentual de 150%, e em parte no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 28/09/2007. Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 12/15), no valor de R$ 10.311,20, cumulada com multa de ofício qualificada no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 28/09/2007. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 21/24), no valor de R$ 47.591,70, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 28/09/2007. Lançamento do IRPJ e Reflexos. Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2003 06/2003 09/2003 12/2003 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. (...) 001 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Omissão de receitas da revenda de mercadorias apurada conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo. (...) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 3 3 002 – RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo”. Do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 41/43). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização.: O contribuinte entregou a DIPJ/2004, na forma de apuração pelo lucro presumido, apresentando as DCTF (fls. 80/83). O Fisco intimou o contribuinte a apresentar os documentos discriminados no Termo de fls. 104/105. O referido Termo foi atendido, em parte, tendo sido apresentado o Livro de Apuração do ICMS (fls. 119/146). Instado, mais uma vez, a apresentar a sua escrituração contábil (fls. 150/151), o contribuinte informou sobre a impossibilidade de fazêlo, por motivo de extravio, conforme documento de fls. 152. Inarredável, pois, a pertinência da aplicação do regime de tributação com base no lucro arbitrado, no período fiscalizado. Nesse diapasão, a Fiscalização efetuou o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), calculados sobre o lucro arbitrado, determinado mediante aplicação dos percentuais fixados em lei sobre a receita bruta conhecida, com a elaboração do demonstrativo avistado às fls. 44, lavrado com supedâneo nos lançamentos efetuados nos Livros de Apuração do ICMS (fls. 119/146), indicativo, também, da receita escriturada e não declarada pelo contribuinte, que apresentou a DIPJ com valores consideravelmente inferiores aos registrados (fls. 45/78); razão pela qual efetuamos destacadamente o lançamento sobre essa diferença, com os respectivos reflexos da Contribuição para o PIS e da COFINS. A propósito, fica evidenciado, de forma inequívoca, o intuito de fraude por parte do contribuinte, consubstanciado na conduta supramencionada, uma vez que os reais valores já haviam sido escriturados em seus Livros de Apuração do ICMS (fls. 119/146) e também declarados à Receita Estadual (fls. 84/100), que teve por manifesto objetivo impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária federal, da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias principais e, por conseqüência, se eximir do pagamento dos tributos devidos; restando caracterizada a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, como fato generante para a incidência da multa qualificada na forma do inciso II do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 17/10/2007, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 19/11/2007, mediante o instrumento de fls. 156/159. Adiante compendiamse suas razões. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 4 4 Inicialmente, o Impugnante ressaltou a tempestividade da defesa e fez um breve relato dos fatos. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Diz que não conseguiu reconstruir sua contabilidade, mas o livro de ICMS foi entregue tempestivamente, o que viabiliza ao Fisco a apuração do real faturamento da empresa, motivo pelo qual, ao reverso do entendimento por ele esposado, o coeficiente para apuração do lucro é o referente ao lucro presumido (8%), e não arbitrado (9,6%). Elementar que em virtude da entrega tempestiva do livro do ICMS, não há como acatar a aplicação do art. 530, do RIR/1999, uma vez que o Fisco teve meios de apurar a receita bruta e real da empresa. Diz, certo é que se a receita estiver dentro dos limites legais, tem a empresa o direito de optar pelo lucro presumido, como realmente fez. No que tange à aplicação da penalidade prevista no inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, temse que o representante do Fisco deveria comprovar de forma inequívoca o dolo da empresa, eis que o retardamento ou redução do imposto a pagar, por si só não corresponde à hipótese legal, ônus do qual não se desincumbiu. Cita acórdão do Conselho de Contribuintes. Outrossim, quanto à parte da receita tida como omitida, também não cabe arbitramento, tendo em vista que, como dito, o Fisco teve acesso ao faturamento real da empresa, motivo pelo qual, a multa qualificada aplica, não encontra guarida legal. Diante do acima, em relação ao Imposto de Renda, requer: sejam canceladas as multas aplicadas no percentual de 75% no Imposto de renda declarado e pago, considerado no patamar de imposto presumido. que o valor dos impostos tidos como omitidos, sejam calculados com base no lucro presumido, cuja alíquota é 8%, reduzindose as multas aplicadas para 75%. PIS/PASEP, COFINS E CSLL. Ao reverso do procedimento utilizado pelo representante do Fisco para apuração do quantum nos demais impostos, com relação ao PIS/PASEP, COFINS e CSLL, desprezou os valores consignados e efetivamente pagos na DCTF. No relatório fiscal, utilizou as receitas declaradas na DCTF que foram devidamente pagas pelo Impugnante, no entanto, declarouas insuficientes, aplicando a multa de ofício de 75%. Alega que o Fisco, contrariando disposição legal, dobrou a base de cálculo dos valores declarados e pagos, sem, contudo, haver qualquer embasamento legal que o autorize a tal procedimento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 5 5 Salienta que o Fisco deveria ter utilizado o faturamento encontrado, para calcular as referidas contribuições (PIS, CSLL e COFINS), descontando os valores declarados e pagos, apurandose o tributo ainda devido, para, posteriormente, na diferença aplicar a multa de ofício (75%), o que desde já requer. Diante do exposto, quanto ao PIS/PASEP, CSLL e COFINS, requer a aplicação das alíquotas legais que incidirão sobre o faturamento encontrado no ICMS, descontandose os valores já declarados e pagos, apurandose o tributo ainda devido, para, posteriormente, na diferença, aplicar a multa de ofício (75%). DO PEDIDO. Á vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial do lançamento, requer seja acolhida a presente impugnação. Da Representação Fiscal. Consta o processo administrativo de Representação para Fins Penais protocolado sob o nº 13603.003475/200795. A decisão recorrida está assim ementada: ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro real ou presumido, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. MULTA DE OFÍCIO NORMAL. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. DUPLICIDADE DE BASE DE CÁLCULO. VALORES CONSTANTES DA DCTF. Constatandose que, no lançamento, houve imposição, em duplicidade, das bases de cálculo informadas na DIPJ, nem foram aproveitados os valores constantes das DCTF, a exigência da contribuição deve ser ajustada em razão disso. DUPLICIDADE DE BASE DE CÁLCULO. VALORES CONSTANTES DA DCTF. Constatandose que, no lançamento, houve imposição, em duplicidade, das bases de cálculo informadas na DIPJ, nem foram aproveitados os valores constantes das DCTF, a exigência da contribuição deve ser ajustada em razão disso. Lançamento Procedente em parte. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 6 6 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência de IRPJ e CSLL, na sistemática do lucro arbitrado, em face da não apresentação da escrituração contábil ou do livro caixa / livro de inventario. Foi aplicada ainda a multa de oficio qualificada em razão de o contribuinte ter informado à RFB, durante todo o ano de 2003, em torno de 10% de seu faturamento efetivo, escriturado no livro registro de saídas e declarado ao ICMS, consoante demonstrativo de fl. 44. Em seu recurso voluntário a contribuinte limitase a repisar as alegações da peça impugnatória, alegando que não conseguiu reconstituir sua contabilidade, mas que entregou tempestivamente o livro de apuração do ICMS, não sendo justo nem razoável o arbitramento do lucro a 9,6%, ou seja, eventuais diferenças deveriam ser tributadas a 8% da receita. Pela analise dos autos, formei convencimento de que a decisão de 1a. instancia não merece reparos, pelo que peço vênia para transcrever e adotar os fundamentos do voto condutor do ilustre julgador Marcos Antonio Pires. De acordo com o lançamento do IRPJ e da CSLL, houve arbitramento do lucro nos períodos autuados, uma vez que o contribuinte, notificado, deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, notadamente o Livro Caixa. O impugnante, após as devidas intimações (fls. 104/105 e 150/151), apresentou apenas o Livro de Apuração do ICMS, justificando a não apresentação da sua escrituração comercial ou fiscal, inclusive, do Livro Caixa, em razão do extravio de todos os documentos que dariam suporte à referida escrituração (vide documento de fls. 152). O contribuinte defende que o Fisco não deveria ter arbitrado o seu lucro, pois com a entrega do Livro de Apuração do ICMS, ficou viabilizada a determinação do real faturamento da empresa. Desse modo, o imposto e a contribuição deveriam ter sido apurados com base no lucro presumido, ou seja, aplicando sobre as receitas levantadas o percentual de 8%, e não 9,6%. No entanto, o contribuinte, como optante pelo regime de apuração do lucro presumido, segundo indicou na sua DIPJ/2004 (fls. 45/79), estava obrigado, pelo menos, a manter o Livro Caixa, no qual deveria escriturar toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária (art. 527, parágrafo único, do RIR/1999). Diante disso, não prosperam tais argumentos, pois, no caso concreto, o Fisco, à luz da legislação tributária de regência, valeuse corretamente do arbitramento do lucro, consoante reza o art. 530, III do RIR/1999: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 8 8 I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; ......................................... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (Grifouse) Assim, estão presentes os pressupostos que autorizam o arbitramento do lucro, uma vez constatado que o contribuinte não mantinha a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, nem do livro caixa, deixando de apresentar os livros obrigatórios, numa demonstração clara da falta de condições materiais para se determinar o lucro presumido. Enfim, diante da legislação citada, notadamente no que se refere à falta de escrituração contábil ou fiscal ou, pelo menos, do livro caixa, considerando que o sujeito passivo era optante pelo regime do lucro presumido, os motivos narrados tanto na descrição dos fatos como no TVF são mais do que suficientes para garantir a legalidade do arbitramento do lucro levado a cabo pelo Fisco. Em decorrência disso, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi considerada a partir da receita bruta conhecida, no caso representada por duas parcelas: uma, pelas receitas informadas na DIPJ pelo próprio contribuinte; e a outra, pelas receitas omitidas, levantadas pelas diferenças entre as declaradas e a os lançamentos efetuados no Livro de apuração do ICMS. No caso, portanto, constatada a omissão de receitas, não sendo possível a apuração do lucro presumido, a tributação do IRPJ e da CSLL deve ser levada a efeito com base no lucro arbitrado. A omissão de receitas repercute ainda nos lançamentos do PIS e da Cofins. Tudo consoante o estabelecido no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (grifos acrescentados) Logo, constatada a omissão de receitas, por ausência de escrituração regular, procede o arbitramento dos lucros para o lançamento do IRPJ e da CSLL, repercutindo a omissão de receitas também no PIS e na COFINS. Conforme se viu, todo o procedimento fiscal está pautado nas normas regulamentares e foi realizado em consonância com as disposições do art. 142 do CTN, devendo ser ressaltado ainda que foram observados todos os quesitos atinentes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 9 9 à formalização da exigência fiscal previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Portanto, foi correto o lançamento. E, por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos, a título de CSLL, COFINS e PIS. PIS/PASEP, COFINS CSLL O contribuinte reclamou que, ao reverso do procedimento utilizado pelo Fisco para apuração do quantum nos demais impostos, com relação ao PIS/Pasep, COFINS e CSLL, foram desprezados os valores consignados e efetivamente pagos na DCTF. Alegou, ainda, em relação ao PIS/Pasep e à COFINS, que o Fisco dobrou a base de cálculo dos valores declarados e pagos, sem, contudo, haver qualquer embasamento legal que o autorize a tal procedimento. Em relação ao primeiro argumento, verificase, nos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL (conforme consta, respectivamente, dos anexos de fls. 07/09 e 36), que os valores consignados nas DCTF entregues pelo contribuinte (documentos de fls. 80/83), como créditos vinculados, foram compensados tanto no cálculo do imposto como da contribuição devidos. Nos anexos dos respectivos Autos de Infração, o Autuante anotou no campo, “Descrição dos Valores a Compensar”, o seguinte: “conforme respectiva DCTF”. Cumpre observar, ainda, que os respectivos valores constantes das DCTF foram abatidos tanto do IRPJ quanto da CSLL, em relação às infrações decorrentes das omissões de receitas, nas quais incidiu a multa qualificada de 150%. Entretanto, nos Autos de Infração tanto do PIS/Pasep como da COFINS, o Autuante não fez nenhuma compensação, a despeito de nas DCTF entregues pelo contribuinte constar valores dessas contribuições informados como créditos vinculados, isto é, da mesma forma que para o IRPJ e a CSLL. Constatase, ademais, que os valores de PIS/Pasep indicados nas DCTF correspondem às contribuições decorrentes da receitas declaradas na DIPJ. Portanto, a Fiscalização adotou procedimento diverso, em relação aos referidos valores constantes das DCTF, que foram aproveitados na apuração do IRPJ e da CSLL, mas não o foram na determinação do PIS e da COFINS. Por outro lado, nem na descrição dos fatos nem no TVF, a Fiscalização explicou o por quê adotou procedimento diverso em relação aos aludidos tributos. Desse modo, seguindo a mesma forma de determinação do IRPJ e da CSLL, os valores indicados nas DCTF, como créditos vinculados, a título de PIS e COFINS, devem ser aproveitados, respectivamente, na apuração dessas contribuições, notadamente, nas infrações decorrentes das omissões de receitas, onde foi exigida a multa qualificada, de 150%. Quanto à alegação de duplicidade das bases de cálculo declaradas do PIS/Pasep e da COFINS, essas realmente constam lançadas, nos respectivos Autos de Infração, duas vezes. O que ocasionou, em relação às bases declaradas na DIPJ, duplicidade na determinação dos valores devidos das contribuições. Enfim, cabe alterar os valores devidos do PIS/Pasep e da COFINS, decotando as bases consideradas em duplicidade e aproveitando os valores declarados nas DCTF, os quais foram abatidos das contribuições relativas às infrações de multa qualificada. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 10 10 Essas alterações estão indicadas adiante, nos demonstrativos de apuração dos valores devidos do PIS/Pasep e da COFINS. DAS MULTAS APLICADAS. No caso concreto, o lançamento impôs, em relação à omissão de receitas apurada pela diferença entre o declarado na DIPJ e o que foi registrado no Livro de Apuração do ICMS, conforme relatado tanto na descrição dos fatos como no TVF, a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, “in verbis”: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007)”.(Grifouse) Diante dos fatos narrados no TVF, tanto a penalidade normal, no percentual de 75%, aplicada aos tributos devidos em razão dos valores declarados na DIPJ, quanto a qualificada, no percentual de 150%, seguiram estritamente a legislação acima transcrita. Cumpre evidenciar que o trabalho fiscal, em relação às receitas omitidas, caracterizou o evidente intuito de fraude, necessário à qualificação. À luz da legislação acima transcrita, constitui hipótese de qualificação da multa de ofício a prática de sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964, nos seguintes termos: sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; e conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos anteriormente como sonegação ou fraude. E a constatação pela Fiscalização de qualquer uma dessas hipóteses legais é o que basta para justificar a imposição de penalidade fiscal qualificada, nos termos da legislação acima transcrita. Tanto o crime definido no art. 1º, inciso I da Lei n.º 8.137, de 27 de dezembro de 1990, quanto às práticas definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, tratam de infrações em cuja definição seja elementar o “dolo específico” do agente, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 11 11 ou seja, infrações nas quais o “executor” do ato tenha em mente a obtenção de um determinado resultado. É preciso, portanto, que fique evidenciada não apenas a intencionalidade do agente, mas seu objetivo de atingir determinado resultado. No presente caso, estão presentes os elementos demandados para a qualificação da multa. As provas encontramse elencadas no Termo de Verificação fiscal – TVF, cujos trechos estão transcritos, a seguir: “A propósito, fica evidenciado, de forma inequívoca, o intuito de fraude por parte do contribuinte, consubstanciado na conduta supramencionada, uma vez que os reais valores já haviam sido escriturados em seus Livros de Apuração do ICMS (fls. 119/146) e também declarados à Receita Estadual (fls. 84/100), que teve por manifesto objetivo impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária federal, da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias principais e, por conseqüência, se eximir do pagamento dos tributos devidos; restando caracterizada a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, como fato generante para a incidência da multa qualificada na forma do inciso II do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996..” É evidente que, diante de tais condutas, no que interessa ao lançamento dos tributos devidos, ficou, assim, demonstrado que o Impugnante agiu, dolosamente, informando reiteradamente ao Fisco federal as receitas decorrentes da exploração da sua atividade, a menor, como forma de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. O que é suficiente para manter a qualificação da penalidade imposta no presente lançamento, nas infrações indicadas nos respectivos Autos de Infração. Ademais, a defesa, como um todo, não conseguiu rebater os fatos demonstrados nem as evidências expostas no trabalho fiscal. Quanto ao aspecto criminal, registrese que foi protocolizado o devido processo de representação fiscal para fins penais sob o nº 13603.003475/200795, no qual constam destacados os fundamentos legais, a descrição dos fatos e a qualificação dos responsáveis, além da relação dos elementos probatórios. O trâmite do referido processo segue as determinações da Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2005, que estabelece procedimentos a serem observados na comunicação, ao Ministério Público Federal (MPF), de fatos que configurem ilícitos penais contra a ordem tributária, contra a administração Pública Federal ou em detrimento da Fazenda Nacional, relacionados com as atividades da Secretaria da Receita Federal. É que ao MPF, instituição permanente essencial à função jurisdicional do Estado, incumbida da defesa da ordem jurídica, cabe promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei. Por último, incabível a alegação de exorbitância dos valores das multas exigidas, pois esses decorrem da exata aplicação da lei. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, não há como negar efetividade à cobrança dos tributos e das multas. Portanto, é procedente, no caso vertente, a aplicação da multa, em parte no percentual normal, de 75%, e em parte qualificada, no percentual de 150%. O que se fez consoante determina a legislação acima transcrita. DEMAIS QUESTÕES Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.003381/200716 Acórdão n.º 140200.505 S1C4T2 Fl. 12 12 Vale esclarecer que não cabe às autoridades administrativas se manifestarem sobre matéria do ponto de vista constitucional, excetuado os casos em que houver declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, situação em que é permitido às autoridades fiscais a quo afastar a sua aplicação (Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, e Parecer da PGFN/CRE n.º 948, de 2 de junho de 1998). O contribuinte cita, na defesa, acórdãos do Conselho de Contribuinte e excertos de jurisprudência. No entanto, os acórdãos do Conselho de Contribuintes não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. (Parecer Normativo CST nº. 390, publicado no DOU de 04 de agosto de 1971). Quanto às decisões judiciais, essas são vinculantes para a Administração Tributária Federal somente nas hipóteses especificadas pelo Decreto nº. 2.346, de 10 de outubro de 1997. O que não é o caso das jurisprudências citadas nos autos, as quais, dessa forma, também não possuem força no sentido de vincular a autoridade julgadora administrativa. Acrescese ainda o fato de que as conclusões eventualmente formalizadas em processos submetidos a exame das citadas autoridades julgadoras não podem ser transpostas diretamente para o caso vertente, ante a multiplicidade de situações retratadas em relação a diferentes contribuintes, que nem sempre guardam consonância com as infrações ora em exame. Por oportuno, vale mais uma vez lembrar, no que se refere à doutrina e à jurisprudência judicial mencionadas na peça de defesa, que a Administração Pública somente pode fazer o que a lei autoriza. Os agentes públicos, portanto, não podem aplicar entendimentos doutrinários contrários às orientações estabelecidas na legislação tributária de regência da matéria, uma vez que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Frisese novamente que o recurso voluntário não rebate quaisquer dos fundamentos acima, tampouco apresenta novas alegações quanto as matérias recorridas. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, confirmando a manutenção parcial dos lançamentos conforme decidido em 1a. instância. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000528/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o
Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e
obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência.
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO
ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade
processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico
pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao
contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91,
combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
O julgamento administrativo limitarseá
à matéria diferenciada, se na
impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial.
AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. INOCORRÊNCIA DE MORA.
O depósito judicial descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os
acréscimos decorrentes da mora a partir da sua efetivação, observados os
valores depositados/devidos e as datas dos depósitos/vencimentos das
contribuições.
Os depósitos judiciais realizados à disposição do credor impedem a fluência
dos juros, a partir do implemento do depósito.
Não incide a multa de mora se os valores foram depositados antes de
qualquer procedimento fiscalizatório, tendo em vista o disposto no art. 63 da
Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer
parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida lhe dar provimento parcial, nos
termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os juros e a
multa moratória.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. INOCORRÊNCIA DE MORA. O depósito judicial descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os acréscimos decorrentes da mora a partir da sua efetivação, observados os valores depositados/devidos e as datas dos depósitos/vencimentos das contribuições. Os depósitos judiciais realizados à disposição do credor impedem a fluência dos juros, a partir do implemento do depósito. Não incide a multa de mora se os valores foram depositados antes de qualquer procedimento fiscalizatório, tendo em vista o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. INOCORRÊNCIA DE MORA. O depósito judicial descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os acréscimos decorrentes da mora a partir da sua efetivação, observados os valores depositados/devidos e as datas dos depósitos/vencimentos das contribuições. Os depósitos judiciais realizados à disposição do credor impedem a fluência dos juros, a partir do implemento do depósito. Não incide a multa de mora se os valores foram depositados antes de qualquer procedimento fiscalizatório, tendo em vista o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 313DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida lhe dar provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os juros e a multa moratória. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19740.000528/200817 Acórdão n.º 230201.232 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração, lavrado em 20/10/2008, com ciência pelo sujeito passivo em 24/10/2008, referese à contribuição previdenciária incidente sobre as notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que são prestados à empresa, por cooperados através de cooperativas de trabalho, no período de 01/2004 a 12/2004. O relatório fiscal de fls. 69/79, diz que a autuada possui ação judicial tramitando na 16ª Vara Federal do Estado do Rio de Janeiro, sob n.º 2007.51.01.0247481, onde discute a exação pretendida, especialmente com relação aos contratos firmados com a Unimed e Uniodonto. Que medida liminar em sede de antecipação de tutela determinou que a Fazenda Nacional se abstenha de exigir a contribuição e a empresa depositou em juízo os valores que entendeu devidos. Assim, este lançamento, efetuado para evitar a decadência, referese apenas aos valores que foram depositados judicialmente, sendo que os valores referentes a eventuais diferenças foram lançados em outro auto de infração. Discriminativo de fls. 80/82, traz os valores lançados. Após a apresentação da impugnação, Acórdão de fls. 241/248, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde argúi em síntese: a) que o crédito está suspenso em virtude do depósito no montante integral na ação judicial que move pela inconstitucionalidade do artigo 22, IV da Lei n.º 8.212/91; b) que a matéria tratada na impugnação e no recurso é diversa da matéria relativa à ação judicial, eis que aqui está discutindo a incidência de juros e multa; c) que ambos estão suspensos por força dos incisos II e II do artigo 151, do CTN; d) que os representantes legais não podem ser incluídos como responsáveis tributários; e) que o acréscimo de juros e multa ao original depositado é ilegal. Requer o recebimento do recurso no duplo efeito, o seu provimento para determinar a reforma do Acórdão e anular o lançamento, declarando a insubsistência e improcedência da ação fiscal com abaixa e o arquivamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade do recurso, conheço do mesmo e passo ao seu exame. Da Preliminar Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Do Mérito O lançamento referese às contribuições previdenciárias, que estão sendo discutidas judicialmente através do processo n.º 2007.51.01.0247481 na 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro, conforme relatado no Relatório Fiscal, foram levantadas com o objetivo de prevenir a decadência e foi anexada cópia da guia de depósito judicial à fl. 121 e documentos comprobatórios de fls. 122 a 125. Em que pese a existência de ação judicial, esta acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito nos casos de: • depósito integral da contribuição discutida judicialmente (art. 151, II, do CTN); • concessão de medida liminar em mandado de segurança (art. 151, IV, do CTN); • concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial (art. 151, V, do CTN). Fl. 316DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19740.000528/200817 Acórdão n.º 230201.232 S2C3T2 Fl. 3 5 É oportuno esclarecer, entretanto, que não há que se confundir “suspensão da exigibilidade do crédito tributário” com a impossibilidade de lançamento. A “suspensão” referese tão somente a exigibilidade do crédito previdenciário por via de execução, ou seja, do adimplemento forçado em juízo, impedindo que sejam praticados, contra o sujeito passivo, atos de natureza constritiva, expropriatórios ou assemelhados, ainda que esgotada a fase administrativa. Assim, ao contrário do que pretende a recorrente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não afeta a efetividade do lançamento escorreito, feito por autoridade competente dentro dos moldes definidos em lei. Em regra, quando o contribuinte ajuíza ação para afastar a cobrança de determinada contribuição, não fica a Fazenda Pública impedida de proceder ao lançamento, pois este, segundo o parágrafo único do art. 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. Neste sentido, é a inteligência do Superior Tribunal de Justiça, consolidado em acórdão da lavra da Segunda Turma, cuja ementa é ora transcrita: "TRIBUTÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – MEDIDA LIMINAR – RECURSO ADMINISTRATIVO – LANÇAMENTO – EFETIVAÇÃO DE NOVOS LANÇAMENTOS – POSSIBILIDADE – CTN, ARTS. 151, I E III E 173 – PRECEDENTES. A concessão da segurança requerida suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não tem o condão de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, paralisando apenas a execução do crédito controvertido."(STJ – Segunda Turma – RESP 75075 – Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, DJ 14.04.2003, p.206)." Por outro lado, o lançamento do débito, mesmo estando a Fazenda Pública impossibilitada de cobrar, tem como objetivo resguardar o crédito previdenciário do prazo decadencial. Notese que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei, e, em razão disso, eventual demora na solução do processo judicial poderia acarretar a perda do direito de constituir o crédito pelo lançamento, caso a impugnante fosse vencida no pleito judicial. Desta forma, o ajuizamento de ação pelo contribuinte visando afastar a cobrança de determinada contribuição não impede a Administração de proceder ao lançamento, ainda que haja causa de suspensão da exigibilidade do crédito, ficando, neste caso, suspensos tão somente os atos executórios de cobrança. Assim, verifico que a fiscalização agiu no estrito cumprimento de seu dever legal, eis que o lançamento é ato vinculado e obrigatório, procedendo corretamente ao lançar o crédito previdenciário, o qual ficará com sua exigibilidade suspensa até o final da demanda judicial ou até decisão judicial que lhe possibilite a cobrança. Restou comprovado nos autos a existência de depósitos judiciais à disposição da União, conforme documentos de fls.121 a 125, para as competências de 01/2004 a 12/2004, período desta autuação. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto, a partir do depósito judicial não são devidos juros, pois os valores depositados garantem a instância , não se podendo falar em inadimplemento do contribuinte, já que os valores estão à disposição da seguridade social. A cobrança da multa moratória, por sua vez, está prevista de forma genérica no art. 35 da Lei nº 8.212/91 e regulamentada no art. 239 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, vigente à época da autuação. E, conforme previsto no § 5º do citado artigo, caso o contribuinte efetue o depósito durante o prazo para impugnação, a partir de então não flui a multa de mora, pois o crédito já está garantido. No caso em tela, os depósitos foram efetuados antes do início da ação fiscal, em 02/10/2007, não havendo que se falar em multa, pois não existe inadimplemento por parte do contribuinte, uma vez que os valores depositados ficaram à disposição da Fazenda Nacional. Também, o art. 63 da Lei nº 9.430/96, dispôs de forma específica que: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” Portanto, a imposição de multa de mora, no caso específico do lançamento para prevenir a decadência deve obedecer o dispositivo acima, pois a legislação previdenciária trata da questão de forma genérica, enquanto que o art. 63 da Lei nº 9.430/96 é específico ao disciplinar a matéria em relação à existência de medida judicial que suspenda a exigibilidade do crédito. Por todo o exposto, conheço parcialmente do recurso e na parte conhecida voto pelo seu provimento parcial, para que sejam excluídos os juros e a multa moratória em sua totalidade. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 318DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19740.000528/200817 Acórdão n.º 230201.232 S2C3T2 Fl. 4 7 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 23034.000046/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/1998 a 30/06/2003
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2401-001.762
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento – DRJ São Paulo I (SP) de sua decisão que declarou parcialmente procedente o crédito consignado na Notificação para Recolhimento de Débito — NRD n° 0000143/2006, de 11/08/2006 (fl. 72). O crédito decorreu de supostas compensações indevidas, que levaram a empresa a deixar de recolher valores a titulo de Salário Educação no período de 08/1998 a 06/2003. A DRJ acatou a alegação de decadência para as competências de 08/1998 a 06/2001 e manteve o crédito constituído nas competências 12/2001 e 06/2003, e reduziu o valor originário do mesmo de R$ 4.051.065,04 (quatro milhões, cinqüenta e um mil e sessenta e cinco reais e quatro centavos) para R$ 1.008,00 (um mil e oito reais). Ressaltese que na espécie foi adotada para a contagem do prazo decadencial a norma inserta no § 4. do art. 150 do CTN, tendose em conta a existência de recolhimentos para o período apurado, uma vez que o crédito, como já afirmei, diz respeito a compensações indevidas. O sujeito passivo tomou ciência da decisão nos autos, fls. 126, tendo apresentado peça requestando pelo não cabimento do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 23034.000046/200550 Acórdão n.º 240101.762 S2C4T1 Fl. 151 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor original exonerado foi de R$ 4.050.057,04 (quatro milhões, cinquenta mil, cinquenta e sete reais e quatro centavos), portanto acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. A aplicação da Súmula Vinculante n. 08, sem dúvida leva ao reconhecimento da decadência parcial do crédito. O entendimento da DRJ está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF e também do Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ, como se pode ver do aresto abaixo reproduzido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, Dje 18/09/2009). Considerandose que esse REsp foi submetido ao Colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 , que introduziu o art. 543C do CPC (Lei dos Recursos Repetitivos), devese observar a previsão do art. 62A do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, com alterações introduzidas pela Port. MF nº 586/2010, devendo assim esse entendimento do STJ ser seguido nos julgamento realizados nesse Tribunal Administrativo. Verificase dos autos que a notificação diz respeito à exigência de compensações indevidas, conforme se verifica dos Demonstrativos de Recolhimentos, fls. 07/19, havendo .guias para todo o período apurado, pelo que devese adotar, para contagem da decadência a norma do § 4. do art. 150 do CTN. No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 29/08/2006, fl. 74, e o período do crédito é de 08/1998 a 06/2003, assim, diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência o período de 08/1998 a 06/2001 (não foi lançada a competência 07/2001). 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 23034.000046/200550 Acórdão n.º 240101.762 S2C4T1 Fl. 152 5 Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso de ofício e pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 172DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 16403.000080/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. AUSÊNCIA DE
CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA. CUMPRIMENTO
DEFICIENTE.
Ocorre cerceamento do direito de defesa quando a diligência proposta não é
cumprida de forma adequada e quando do seu resultado não é concedido
prazo para a manifestação do recorrente. Situações que acarretam na nulidade
da diligencia efetuada e, por conseqüência, na nulidade da decisão de
primeira instância.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3302-001.119
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da determinação de
diligência, exclusive, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Walber José da
Silva. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA. CUMPRIMENTO DEFICIENTE. Ocorre cerceamento do direito de defesa quando a diligência proposta não é cumprida de forma adequada e quando do seu resultado não é concedido prazo para a manifestação do recorrente. Situações que acarretam na nulidade da diligencia efetuada e, por conseqüência, na nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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NULIDADE. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA. CUMPRIMENTO DEFICIENTE. Ocorre cerceamento do direito de defesa quando a diligência proposta não é cumprida de forma adequada e quando do seu resultado não é concedido prazo para a manifestação do recorrente. Situações que acarretam na nulidade da diligencia efetuada e, por conseqüência, na nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da determinação de diligência, exclusive, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 16/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de ressarcimento de PIS Não cumulativo – Exportação do 1º Trimestre de 2006, ao qual se encontram vinculadas diversas declarações de compensações. A SAORT/DRF/PTG intimou a recorrente pra que esta disponibilizasse os documentos necessários a verificação e quantificação do credito pleiteado, concedendo prazo de 20 dias. Em 01/04/2008 a recorrente requereu 20 dias de prorrogação do prazo. Em 04/04/2008 a fiscalização concede o prorrogação do prazo de 10 dias a contar do dia 31/03/2008, ou seja mais seis dias de prazo. Em 10/03/2008 é protocolado novo pedido de prorrogação de prazo para entrega dos documentos solicitados. Em 18/04/2008, a recorrente protocola pedido de juntada de CD contento dados digitais para instruir o processo. Em 22/04/2008 requer a juntada de CD contendo planilhas de Excel. Diante da entrega parcial dos documentos, a SAORT/DRF/PTG decidiu indeferir os pedidos de restituição e não homologar as compensações informadas uma vez que não foram entregues em meio digital entre toda a documentação exigida, uma planilha com a relação de notas fiscais de entrada e saída, um memorial de apuração da base de cálculo e a discrição do processo produtivo. A DRJ de Curitiba assim resumiu os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade: No item "I — Dos fatos",. esclarece .que, entre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com o que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos no processo produtivo desse produto, levandoa a protocolizar pedido de ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, aqui em debate; comenta que o fisco intimoua a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal n.° 202/2008); agrega que em face do excessivo volume de documentos requeridos, apresentou pedido de dilação de prazo, requerendo mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, o qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.° 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a longa lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, o fisco emitiu o despacho decisório impugnado, com o que não concorda. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000080/200785 Acórdão n.º 330201.119 S3C3T2 Fl. 235 3 Sob o titulo "Da ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa", após citar o art. 2° da Lei n.° 9.784, de 1999, do qual destaca a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados, frisando que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pedindo um tempo maior atendêla; dessa forma, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo, e simplesmente indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações de compensação; registra ainda que os livros obrigatórios sempre estiveram A disposição da autoridade fiscal. Na seqüência, faz comentários sobre os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da nãoprivação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, e mencionando o art. 5°, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988; argumenta, ainda, que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito (verificação se as aquisições de insumos e bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito A alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, nos termos do art. 16 da Lei n.° 11.116, de 2005,e poderiam ser utilizados na compensação, nos termos da legislação), entendendo que teria havido, assim, flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado o direito A compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação; insiste que o alegado direito de crédito, no presente caso, decorre da comprovação de fato relacionado A utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito A alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito seria obrigatório o fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. No seguimento, requer o deferimento de perícia, posto que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito A alíquota zero; quanto a isso, nomeia como assistente técnica a Contadora Ana Ribeiro Silva, CPF n.° 258.969.90855, com domicilio A Rodovia SP 340, Km 171, CEP 13840970, Mogi Guagu/SP, e formula os seguintes quesitos: "1 Solicitar ao Sr. Perito que proceda a descrição de todo o processo produtivo da empresa. 2 Quais são os produtos finais do processo produtivo da Impugnante, e qual a alíquota de PIS e COFINS do mercado interno desses produtos? 3 Relacionar os insumos empregados no processo produtivo da empresa. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 4 Responder se esses insumos geram direito ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 5 Relacionar os demais bens que geram direito ao crédito de PIS e COFINS na atividade da Impugnante, nos termos da legislação acima mencionada. 6 Solicitar ao Sr. Perito a elaboração de Planilha de Cálculo com os montantes de créditos de PIS e COFINS relativo ao período do presente processo e objeto do Pedido de Ressarcimento cumulado com as Declarações de Compensação, demonstrando a relação proporcional desses créditos com a venda sujeita a alíquota zero de PIS e COFINS." Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, para declarar seu direito de compensar os alegados créditos de PIS e COFINS com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em face dos mesmos decorrerem da aquisição de insumos e demais bens utilizados na produção de papel cuja aliquota é zero; protesta pela realização de prova pericial, nos termos requeridos e requer, ainda, a juntada de CDRom que conteria toda a documentação solicitada pelo fisco, esclarecendo que a juntada dessa documentação em papel acarretaria um grande volume de documentos, o que dificultaria o manuseio do presente processo. (grifos nossos) Diante da argumentação apresentada e do CDROM que a acompanhou, o processo foi baixado em diligencia pela DRJ de Curitiba para que fosse verificada a pertinência dos documentos apresentados e a real existência do crédito requerido, conforme se verifica da seguinte transcrição: Assim, tendo em vista que a interessada teria, em principio, trazido aos autos os elementos que o órgão originariamente competente entendeu faltarem para análise originária dos créditos de PIS Não Cumulativo Exportação, relativos ao 4º trimestre de 2005, entendese ser necessário o retorno do processo à DRF/Ponta Grossa, para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada é, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja feita a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante passível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. Dos trabalhos fiscais feitos, dar ciência à interessada, com reabertura de prazo para a apresentação de eventuais contra razões, e posterior envio do processo a este órgão julgador para prosseguimento (grifos nossos) Recebido o pedido de diligência pela SAFIS/DRF/PTG é emitido, em 18/01/2010, Termo de intimação nº 19/2010, requerendo diversos arquivos a serem entregues na formatação determinada pelo Anexo único do ADE COFIS nº 15/01, bem como vários esclarecimentos adicionais. Por fim adverte que se os documentos não forem integralmente apresentados serão indeferidos, no termos do art. 65 IN 900/2008. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000080/200785 Acórdão n.º 330201.119 S3C3T2 Fl. 236 5 Em 28/01/2010, é emitido Termo de Intimação Fiscal nº 24/2010 em que são requeridos mais diversos documentos, entre eles cópias digitalizadas de todas as notas fiscais de energia elétrica referentes ao período sob análise; relação de notas fiscais em meio digital de aquisição de bens do ativo imobilizado utilizados no calculo da depreciação, contendo os dez campos listados pela fiscalização; cópias das notas fiscais digitalizadas das notas fiscais de aquisição de bens do ativo imobilizado; apresentar memorial de calculo relativo ao crédito do ativo contendo 8 campos de informação; relação de nota fiscais relacionados a rubrica “outros valores com direito a crédito”. Por fim adverte que se os documentos não forem integralmente apresentados serão indeferidos, no termos do art. 65 IN 900/2008. A Recorrente pedidos de prorrogação de prazo no 04/02/2010 para os dois Termos de Verificação. Em 09/03/2010 são apresentados dados parciais, sendo que 12/03/2010 requerse prorrogação de prazo em relação ao TIF 24/2010. O Termo de Intimação Fiscal nº 227/2010 faz a reintimação para apresentação dos documentos listados nos TIFs 19/2010 e 24/2010. Em 12/03/2010 e 14/05/2010 são protocolados pedidos de prorrogação de prazo para entrega dos documentos faltantes. Estes pedidos são indeferidos (fls. 139). Neste contexto é elaborado Termo de Informação (fls. 140) que descrevendo os eventos acima transcritos assim conclui: Tendo em vista as considerações supra, há que se considerar a impossibilidade de verificar o quantum do crédito pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista as inconsistências na documentação apresentada até o momento e a falta de apresentação da documentação restante. Destarte, proponho o encaminhado para a DRJ — Curitiba para prosseguimento. Recebido o processo pela DRJ de Curitiba, esta decide manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, não se configura o cerceamento do direito de defesa. AFERIÇÃO DE ALEGADO DIREITO CREDITÓRIO. REABERTURA DE OPORTUNIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Reabrindose A interessada a oportunidade de fazer comprovação de seu alegado direito credit6rio ao órgão Fl. 238DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 originalmente competente para o avaliar, é de se indeferir o pedido de perícia que tem o mesmo propósito. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. Tendo sido a interessada devidamente intimada a comprovar a correção da utilização de alegados créditos, para fins de ressarcimento e compensação de tributos, e não tendo atendido a tal intimação de forma satisfatória, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado recurso voluntário que em síntese alega: a) o cerceamento do direito de defesa da recorrente tendo em vista que não foi cientificada do resultado da diligencia, conforme determinava a despacho da DRJ; b) que a diligencia foi irregular pois não atendeu aos pedidos realizados pelo Relator na DRJ; c) possuir direito ao credito da contribuição para o PIS; d) a necessidade de lançamento para alterar a apuração da contribuição para o PIS. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A Recorrente teve seu pedido de ressarcimento indeferido e por conseqüência seus pedidos de compensação não homologados por não ter entregue a totalidade dos inúmeros documentos solicitados pela fiscalização encarregada de analisar a veracidade dos créditos que alega possuir. Consta dos autos a entrega por parte da recorrente de dois CD contendo informações que a Recorrente alega atender as exigências para fins de apuração dos créditos a que faz direito. A DRJ de Curitiba, ao analisar inicialmente a manifestação de inconformidade apresentada, entendeu por bem baixar o processo em diligencia para: Fl. 239DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000080/200785 Acórdão n.º 330201.119 S3C3T2 Fl. 237 7 “(...) para que seja verificado se a documentação apresentada pela interessada é, de fato, suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, bem como, em caso afirmativo, que seja feita a preparação de demonstrativos que indiquem o eventual montante passível de ressarcimento, bem como quais débitos fiscais indicados nas declarações de compensação poderiam ser homologados. Dos trabalhos fiscais feitos, dar ciência à interessada, com reabertura de prazo para a apresentação de eventuais contra razões, e posterior envio do processo a este órgão julgador para prosseguimento.” Da leitura atenta de tudo o que consta do processo verificase claramente que as determinações estabelecidas pela DRJ em seu pedido de diligencia não foram atendidas pela autoridade fiscal responsável por seu cumprimento. E o mais grave, do resultado da diligencia efetuada, ainda que negativo, não houve ciência do contribuinte, conforme expressamente determinado pela DRJ. Existe inegável preterição do direito de defesa uma vez que o contribuinte não teve oportunidade de contrapor as informações apresentadas na resposta à diligência que foi proposta. O Decreto 70.235/72 assim determina: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta A jurisprudência do CARF, assim tem se posicionado sobre o tema: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 Fl. 240DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada (Recurso 242.100 Processo nº 35067.001856/200444 Órgão Julgador Primeira Turma/Terceira Câmara/Segunda Seção de Julgamento) Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/10/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. É nula a autuação que não for precedida de solicitação expressa, em nome do sujeito passivo, dos elementos cujo exame pode acarretar a lavratura do auto de infração. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Processo Anulado.( Recurso 247279 Processo 12045.000367/200771 Órgão Julgador Quinta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes) No mesmo sentido, verificase que a diligência determinada também não foi cumprida conforme determinado pela DRJ, uma vez que os documentos juntados pelo recorrente por meio de CDs sequer foram analisados. Existem também exigências, que em primeira análise, parecem desprovidas de razoabilidade, tais como copias digitalizadas de todas as notas fiscais de energia elétrica, de todos os bens ativo imobilizado entre outros. Assim, deveria ter a autoridade preparadora analisado os documentos entregues e, havendo real necessidade, ter solicitados maiores esclarecimentos ou ainda documentos adicionais. Neste contexto entendo por bem ANULAR todos os atos e decisões praticados a partir da determinação de diligencia por parte da DRJ. Alexandre Gomes Fl. 241DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000080/200785 Acórdão n.º 330201.119 S3C3T2 Fl. 238 9 Fl. 242DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10540.001319/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/03/2007
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/03/2007 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
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RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado., Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10540.001319/200783 Acórdão n.º 230201.029 S2C3T2 Fl. 259 3 Relatório Trata a notificação lavrada em 19/09/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 01/10/2007, de contribuições previdenciárias resultantes de diferenças apuradas nas bases de cálculo constantes das folhas de pagamento em confronto com informações declaradas em GFIP, nas competências de 02/2006 e 05/2006 a 03/2007. O relatório fiscal de fls. 30/32, diz que a apuração das diferenças foi efetuada comparandose o valor das contribuições devidas a partir das folhas de pagamento, das GFIP’s e dos valores recolhidos, deduzidos aqueles constantes do Lançamento de Débito Confessado – LDC 37.067.1562. Aduz o relatório que não estão incluídos no levantamento os valores relativos a agentes políticos. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 208/212, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que a fiscalização considerou empregados além dos celetistas, os funcionários públicos, os comissionados, os avulsos e os prepostos de empresas de contratação de mão de obra; b) que foi feita estimativa aleatória dos balancetes; c) que a rubrica pessoal nos balancetes engloba indenizações, auxílios e diversas parcelas sobre as quais não incide contribuição; d) que o arbitramento redundou em valores estapafúrdios; e) que os relatórios não permitem verificar a natureza da exação; f) que sonegar não faz parte da índole do município; g) que a contabilidade dos entes públicos registra com exatidão as parcelas pagas; h) que é ilegal a cobrança da contribuição dos exercentes de cargo em comissão; i) que é ilegal a cobrança da contribuição para avulsos e autônomos antes da Lei Complementar 84/96; j) que foi cobrada contribuição sobre contratos nulos; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 k) são incabíveis os juros pela SELIC; l) é indevida a TR/TRD; m) é inconstitucional a Lei n.º 9506/97, quanto à contribuição dos agentes políticos. Requer a improcedência da NFLD para anular os lançamentos e a suspensão da exigibilidade dos créditos. Não foram oferecidas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10540.001319/200783 Acórdão n.º 230201.029 S2C3T2 Fl. 260 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com as folhas de pagamento e valores confessados em LDC, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10540.001319/200783 Acórdão n.º 230201.029 S2C3T2 Fl. 261 7 de forma que se tornam inócuas as alegações de que não foram evidenciadas as bases de cálculo. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Não fazem parte deste lançamento os assuntos trazidos pela recorrente na sua peça recursal como contribuição para agentes políticos, para autônomos e avulsos em período anterior à Lei Complementar n.º 84/96, pagamentos de indenizações e auxílios, arbitramento, etc, pois a notificação referese apenas a diferenças existentes entre as folhas de pagamento confeccionadas e apresentadas pela recorrente com os valores por ela declarados em GFIP e confessados no Lançamento de Débito Confessado – LDC n.º 37.067.1562. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000835/2004-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
IRPF RECURSO
VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2201-001.008
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade não conhecer do
recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 IRPF RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade não conhecer do recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 02/04), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 599,40. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, apurou dedução indevida de despesa com instrução com dois dependentes. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, que não ultrapassou nenhum limite, apenas utilizou o limite individual para dois dependentes. Por sua vez, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ – Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Comprovadas as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento. Lançamento Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 22/02/1007 (fl. 32), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 10/04/2007 (fl. 33), alegando que somente agora conseguiu a documentação que comprova ser portador de moléstia grave, conforme documentação da perícia médica em anexo. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Consta nos autos que o recorrente foi cientificado da decisão recorrida em 22/01/2007, uma segundafeira, conforme fl. 32. O Recurso Voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deveria ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto n° 70.235/1972. Considerando que 22/01/2007 foi uma segundafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 23/01/2007, uma terçafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 21/02/2007, uma quartafeira. Contudo, o Recurso Voluntário somente foi apresentado em 10/04/2007 (fl. 33), uma terçafeira, ou seja, setenta e sete (77) dias após a ciência da decisão do julgamento de Primeira Instância. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.000835/200471 Acórdão n.º 220101.008 S2C2T1 Fl. 2 3 Portanto, se o sujeito passivo no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de primeira instância, não se apresentar ao processo para interpor Recurso Voluntário para o CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre à perempção. Por todo exposto, o Recurso Voluntário apresentado foi intempestivo. Nestes termos, não conheço do recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 58DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005381/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
ISENÇÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS.
Sem comprovação inequívoca das condições e requisitos para fruição do benefício, no período pleiteado, mantém-se a exigência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Sem comprovação inequívoca das condições e requisitos para fruição do benefício, no período pleiteado, mantém-se a exigência. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1433; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 48 1 47 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.005381/200751 Recurso nº 507.261 Voluntário Acórdão nº 210201.270 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2011 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente SILVESTRE NORONHA DA LUZ Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Sem comprovação inequívoca das condições e requisitos para fruição do benefício, no período pleiteado, mantémse a exigência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 25/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Wakasugi e Eivanice Canário da Silva. Relatório Fl. 50DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 26 a 28 da instância a quo, in verbis: Trata o presente processo de notificação de lançamento de f. 02 a 04, relativo a crédito de Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza das pessoas físicas, lançado em desfavor do sujeito passivo inicialmente identificado, referente ao anocalendário 2004, por meio do qual são exigidos os valores de R$ 2.131,82 de imposto suplementar, R$ 1.598,86 de multa de ofício e R$ 745,92 a título de juros de mora calculados até 28 de setembro de 2007. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, f. 03, o lançamento de ofício foi efetuado em decorrência de ter sido constatada omissão de rendimentos, em face de declaração de rendimentos tributáveis como isentos. A ciência quanto ao lançamento ocorreu em 16 de outubro de 2007, conforme documento “Consulta Postagem” de f. 12. Na impugnação (f. 01), protocolada em 9 de novembro de 2007, o interessado alega, em síntese, ter sido acometido de doença grave (nefropatia), motivo pelo qual solicita o cancelamento do débito. Junta documentos (f. 05 a 10) com os quais pretende comprovar o alegado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a aposentadoria só se deu em 2005, assim, o contribuinte não tinha direito à isenção relativamente aos rendimentos recebidos em 2004, quando ainda servidor em atividade, ano relativo ao lançamento em questão, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda de portadores de doença grave só incide sobre proventos de aposentadoria. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 36/37, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando em síntese que sendo portador de moléstia grave desde o ano de 1994 tem direito ao benefício fiscal de isenção do IRPF, pedindo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 51DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.005381/200751 Acórdão n.º 210201.270 S2C1T2 Fl. 49 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Trata o presente processo de autuação decorrente de inclusão indevida na DIRPF retificadora de rendimento isento por moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). Neste contexto, é pacífico que os requisitos para que ocorra a isenção sejam: 1) rendimentos de aposentadoria e 2) Contribuinte portador de moléstia grave. Em primeiro grau de julgamento, foi mantida a exigência pela falta de preenchimento do primeiro requisito. Em sede de recurso, não foram apresentados novos elementos de prova para contestar os argumentos utilizados pelo relator do voto recorrido para que o lançamento fosse mantido, apenas foi repetido o argumento que os valores percebidos devem ser considerados isentos pelo fato do contribuinte ser portador de moléstia grave no anocalendário autuado. De outro lado, como visto acima, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal do pedido. Ocorre que conforme cópia do Diário Oficial de fls. 6, a aposentadoria do recorrente somente foi publicada e passou a vigorar a partir do dia 27 de janeiro de 2005 e não consta nenhum indício que mostre que a aposentadoria ocorreu de forma retroativa. Impossível, portanto, conceder a isenção para o anocalendário 2004, pela falta de previsão legal. Nesse sentido, é farta a jurisprudência nesse Egrégio Conselho vedando a possibilidade isenção de rendimento de portador de moléstia grave quando não for oriundo de aposentadoria: Número do Recurso:142271 Número do Processo:13011.000474/200244 Data da Sessão:23/01/2008 Relator:Remis Almeida Estol Decisão:Acórdão 10422986 IRPF MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO APOSENTADORIA Não comprovado que os rendimentos são provenientes de aposentadoria não há que se falar em isenção, ainda que a moléstia grave reste demonstrada. Recurso negado. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz Fl. 52DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências. Dessa forma sem o atendimento dos requisitos legais, para usufruir do benefício fiscal no período pleiteado, está correto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a decisão de primeira instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721685/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO. DESATENDIMENTO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
O pagamento do Vale Transporte em dinheiro, por desatender a legislação que rege a matéria, sofre incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.922
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Igor Araújo Soares Araújo Soares e Walter Murilo de Andrade, que davam provimento.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DESATENDIMENTO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do ValeTransporte em dinheiro, por desatender a legislação que rege a matéria, sofre incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Igor Araújo Soares Araújo Soares e Walter Murilo de Andrade, que davam provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 488DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório O lançamento Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.249.4048, lavrado em nome do contribuinte acima identificado, cujo valor consolidado em 28/07/2010, assumiu o montante de R$ 952.707,20 (novecentos e cinquenta e dois mil, setecentos e sete reais e vinte centavos). O crédito contempla as contribuições da empresa para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho RAT, as quais, segundo o Relatório Fiscal, fls. 36/43, não foram declaras na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Acrescenta o Fisco que os dados para a apuração foram obtidos de arquivos digitais apresentados pela empresa, a exceção da parte da remuneração que foi aferida indiretamente. Continuando, afirmase que a origem do crédito foi o pagamento de vale transporte em dinheiro, por isso, em desacordo com a legislação. Para corroborar essa assertiva, a Auditoria transcreveu dispositivos da legislação previdenciária e da legislação aplicável ao pagamento de vale transporte, concluindo que as verbas pagas pela empresa a esse título deveriam ser tributadas. Acrescentase ainda que os valores referentes à rubrica em questão, para alguns segurados, não constavam dos arquivos digitais apresentados pela empresa, motivo que levou o Fisco a proceder à apuração da base de cálculo relativa aos trabalhadores omitidos, por aferição indireta, tomandose como base a média individual dos valores de valetransporte de todo o período fiscalizado. Por fim, destacouse que a multa foi aplicada no patamar de 75% das contribuições devidas, posto que essa se mostrou mais benéfica ao contribuinte de que aquela calculada conforme a legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores (24% referente à obrigação principal mais 100% relativa à falta de declaração dos fatos geradores em GFIP). A impugnação Cientificada da NFLD em 29/07/2010, fl. 02, a empresa ofertou impugnação, fls. 382/453, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) o valetransporte, mesmo quando pago em dinheiro, não deve integrar a remuneração do empregado, tampouco se sujeitar à incidência de contribuições previdenciárias; b) o art. 2.º da Lei n.º 7.418/1985 dispõe que o valetransporte, nas condições e limites definidos na própria Lei: (i) não possui natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; (ii) não constitui base de cálculo para as contribuições previdenciárias ou para o FGTS; e (iii) não representa rendimento tributável do trabalhador; Fl. 489DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.721685/201072 Acórdão n.º 240101.922 S2C4T1 Fl. 489 3 c) como única condição para pagamento do benefício, a Lei estabelece a participação do empregado no seu custeio, com parcela equivalente a 6% do seu salário, condição essa cumprida pela empresa; d) o Decreto n.º 95.247/1987, mais especificamente no seu art. 5.º, ao regulamentar disposições da Lei n.º 7.418/1985, extrapolou os seus limites, vedando o pagamento do valetransporte em dinheiro. Esse dispositivo é ilegal uma vez que o que decreto regulamentar não pode criar obrigações para o particular, nem extrapolar os limites da lei regulamentada; e) cumpre destacar que atualmente está em vigor o Decreto n.º 4.840/2003, que, ao regulamentar a Medida Provisória n.º 130/2003, convertida na Lei n.º 10.820/2003, reconhece que não integra a remuneração do empregado o valor do vale transporte, ainda que pago em pecúnia; f) assim, o art. 5.º do Decreto n.º 95.247/1987 restou tacitamente revogado pela nova legislação, que passou a admitir expressamente o pagamento do valetransporte em dinheiro, excluindoo do conceito de remuneração do empregado; g) além disso, a Convenção Coletiva de Trabalho celebrada com o Sindicato representativo da categoria de seus empregados previu expressamente do valetransporte em dinheiro. Esse ajuste tem força de lei e deve prevalecer sobre o decreto, além de que não pode deixar de ser cumprida pela empresa. Nesse sentido é inviável à autuação; h) o Tribunal Superior do Trabalho – TST já firmou posição favorável ao pagamento da rubrica em dinheiro, quando estabelecida por norma coletiva de trabalho; i) não se deve olvidar também da natureza indenizatória do valetransporte, pois seu valor é considerado despesa suportada pelo empregado para realizar o trajeto para o trabalho, sendo irrelevante para caracterização da natureza jurídica da verba a forma como é paga; j) a própria Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, deixa claro que não será considerado salário o transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, devendo essa disposição ser aplicável ao direito tributário, conforme autorizam os artigos 108, 109 e 110 do Código Tributário Nacional – CTN; k) os tribunais pátrios, tanto na seara trabalhista quanto nos foros competentes para análise de matéria de índole tributária tem reconhecido que o valetransporte, mesmo paga em dinheiro, não tem natureza salarial, nem se sujeita à incidência de contribuições sociais (colaciona decisões); A decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento DRJ em Brasília (DF) declarou, fls. 455/461, procedente o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 AIOP DEBCAD n.º 37.409.4048 Fl. 490DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 VALETRANSPORTE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor pago, habitualmente, ao empregado, a título de Vale transporte, só não integra o valor do salário de contribuição, para fim de incidência da contribuição previdenciária, se for concedido estritamente de acordo com a legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 467/480, no qual repetiu os mesmos argumentos apresentados na defesa. Requerendo ao final, que o seu recurso seja acolhido para que se cancele a autuação. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.721685/201072 Acórdão n.º 240101.922 S2C4T1 Fl. 490 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A única matéria recursal referese à impossibilidade da incidência de contribuições sobre o fornecimento de valetransporte feito em pecúnia. Argumenta a recorrente que a verba não teria natureza salarial, além de que, a vedação ao pagamento da mesma em dinheiro teria sido veiculada por decreto, o qual, por extrapolar os limites da lei, é ilegal. De fato, a Lei n.º 7.418/1985 afasta a natureza salarial da verba, bem como dispões sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a mesma: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Do dispositivo encimado, podese extrair que a contribuição do empregador para o valetransporte, que corresponde ao valor da despesa que exceder a 6% do salário base do empregado, quando concedido nas condições e limites estabelecidos na própria Lei, não é considerada salário, nem sofre incidência de contribuições previdenciárias. Não tenho dúvida de que uma das condições constantes na Lei n.º 7.418/1985 é que seu pagamento seja efetuado mediante o fornecimento de tíquetes (passes). Eis o que dispõe o art. 4.º da Lei em questão: Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Vêse do dispositivo, que a forma de pagamento do benefício escolhida pelo legislador foi a aquisição dos tíquetes. Em consonância com essa determinação legal, o Decreto Fl. 492DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 n.º 95.247/1987, em seu art. 5.º dispôs acerca da forma de pagamento da verba nos seguintes termos: Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Para mim, a regulamentação acima não representa em absoluto extrapolação aos limites da Lei, mas um disciplinamento quanto à regra legal relativa à forma de fornecimento do benefício. Se a Lei já estabelecia o modo de pagamento da verba mediante o fornecimento dos tíquetes, o regulamento apenas vedou que a disponibilização fosse efetuada de outra maneira. Assim, não devo acolher a tese de que independentemente da forma de pagamento o valetransporte tem natureza de indenização, posto que a própria Lei instituidora do benefício já deixou traçados os contornos para o seu pagamento e o Decreto regulamentador explicitamente proibiu o seu pagamento em pecúnia, respeitada a exceção prevista no parágrafo único do art. 5.º . Outra argumentação que não deve ser aceita é a de que o inciso IX do § 1.º do art. 2.º do Decreto n.º 4.840/2003 teria revogado tacitamente o art. 5.º do Decreto n.º 95.247/1987. Cabe esclarecer como ponto inicial dessa discussão que o Decreto n.º 4.840/2003 foi editado visando à regulamentação da Medida Provisória n.º 130/2007, convertida na Lei n.º 10.820/2003, a qual dispõe sobre a autorização para desconto de prestações em folha de pagamento, e dá outras providências. O art. 3.º do Decreto n.º 4.840/2003 estabelece o limite da “remuneração disponível” que poderá ser objeto de consignação para fins de amortização de contratos de mútuo. A citada “remuneração disponível” corresponde à “remuneração básica” após a dedução de algumas parcelas, a exemplo de contribuição previdenciária, imposto de renda e pensão alimentícia. É especificamente da “remuneração básica” que trata o inciso IX do § 1.º do art. 2.º do Decreto n.º 4.840/2003, ao dispor: Art.2oPara os fins deste Decreto, considerase: (...) 1oPara os fins deste Decreto, considerase remuneração básica a soma das parcelas pagas ou creditadas mensalmente em dinheiro ao empregado, excluídas: (...) IX auxíliotransporte, mesmo se pago em dinheiro; e (...)(grifei) Fl. 493DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.721685/201072 Acórdão n.º 240101.922 S2C4T1 Fl. 491 7 Verificase que não há como se interpretar que o dispositivo acima teria revogado o art. 5.º do Decreto n.º 95.247/1987, posto que trata de matéria diversa. Sobre essa questão não custa trazer à baila o que dispõe a Lei de Introdução ao Código Civil, DecretoLei n.º 4.657/1942, em seu art. 2.º, § 1.º : § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. No caso sob comento, não se verifica a existência de quaisquer das hipóteses acima, não havendo, portanto, o que se falar em revogação do dispositivo regulamentar que veda o pagamento do valetransporte em dinheiro. Com relação à previsão contida na Convenção Coletiva de Trabalho, menciona pela Impugnante, onde consta que o pagamento do valetransporte deve ser feito em pecúnia, cabe lembrar que os termos das normas coletivas de trabalho somente obrigam as partes, respeitado o direito de terceiros, pelo que, obviamente, não tem força de se contrapor às disposições de lei que tratam da incidência de contribuição previdenciária. Nesse sentido, como bem se afirmou na decisão recorrida, não poderia uma Convenção Coletiva de Trabalho alterar os efeitos da Lei n. 8.212/1991, que cuida do custeio da Seguridade Social. Analisandose a referida Lei na parte que trata especificamente dessa verba, temse: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;(grifei) (...) Já tendo concluído que o pagamento pela empresa do valetransporte em dinheiro violou a lei que rege o fornecimento desse benefício, sou forçado a concluir que sobre a verba deva incidir contribuições sociais, não merecendo reforma o acórdão guerreado. Acerca das decisões judiciais colacionadas pela recorrente, devo ressaltar que as mesmas fazem coisa julgada apenas entre as partes litigantes, não sendo válido invocálas para alterar a situação jurídica de terceiros, conforme o disposto na Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil . CPC), art. 472. Ademais, o órgão de primeira instância também mencionou decisões dos tribunais superiores que trilharam em sentido oposto. Ao invocar dispositivo da CLT para dar substância a sua tese, a recorrente olvidou que a norma do Direito Laboral é aplicada ao Direito Previdenciário apenas subsidiariamente. Além de que não se deve confundir o conceito justrabalhista de “salário” com conceito previdenciário de “saláriodecontribuição”, que embora tenham vínculos muito Fl. 494DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 estreitos, não coincidem na sua totalidade. A prova mais visível dessa diferenciação é a incidência de contribuição ao FGTS para determinadas normas que não se constituem em base de cálculo para as contribuições previdenciárias, como é o caso do auxílio doença acidentário, sobre o qual incide FGTS, mas que não sofre incidências das contribuições sociais. Assim, não acolho também a tese de que a aplicação da CLT deva prevalecer sobre os ditames da Lei de Custeio da Seguridade Social, quando o tema tratado diz respeito ás contribuições sociais. Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso, com negativa de provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 495DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 10425.001290/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Comprovadas as despesas médicas por meio de documentos hábeis e idôneos e não tendo a autuação apontado nenhuma outra restrição à dedução da despesa, deve ser afastada a glosa.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.017
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao
recurso, ressaltando que, com relação à glosa da dedução de incentivo, a matéria não foi impugnada. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Comprovadas as despesas médicas por meio de documentos hábeis e idôneos e não tendo a autuação apontado nenhuma outra restrição à dedução da despesa, deve ser afastada a glosa. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso, ressaltando que, com relação à glosa da dedução de incentivo, a matéria não foi impugnada. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 18/03/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente) e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório LEUCIO BARROS VERAS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE (fls. 31) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/11, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF – suplementar , referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 6.655,00, acrescido de multa de ofício de R$ 4.991,25 e de juros de mora, calculados até 09/2004, de R$ 2.937,51. As infrações que ensejaram a autuação estão assim descritas no auto de infração: 1) Dedução indevida com dependente(s). contribuinte não comprovou que Lorena Resende de Morais Veras, maior de 21 anos, tenha cursado estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, durante o ano—calendário de 2001: 2) Dedução indevida a titulo de despesas médicas. Os recibos emitidos pelos profissionais Ildemir Farias no valor total de R$ 8.000,00, Fátima Maria Pimentel no valor total de R$ 8.000,00 e Maria Anunciada Dantas Barbosa no valor total de.R$ 6.000,00 não podem ser considerados documentos hábeis para comprovar despesas médicas, por não apresentarem as formalidades exigidas na legislação. 3) Dedução indevida do imposto. contribuições efetuadas à APAE não são dedutíveis por falta de previsão legal. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02 que, quanto à dependente Lorena Resende de Morais Veras, apresenta declaração da Universidade Estadual da Paraíba (fls. 12), que comprova sua condição de estudante de ensino superior, no ano calendário de 2001; que, quanto às despesas médicas, foram apresentados à fiscalização os recibos de fls 03 a 05 e.13 a 24, revestidos das formalidades previstas e diz que os respectivos pagamentos foram relacionados na declaração de ajuste anual do anocalendário de 2001. Alega ainda que as despesas referentes aos serviços de fisioterapia, prestados pelo Sr. Ildemir Farias, no valor de R$ 8.000,00, e pela Sra. Maria Anunciada Dantas Barbosa, no valor de R$ 8.000,00, e de odontologia, prestados pela Sra. Fátima Maria Pimentel, no valor de R$ 6.000,00, são dedutíveis e que os pagamentos não foram efetuados mediante cheque, mas por meio de recibos, e afirma que a autoridade lançadora não esclareceu o motivo das glosas. Finalmente, quanto à dedução de incentivo, o Contribuinte reconheceu não haver amparo legal para a dedução, razão pela qual já pagou o valor correspondente. A DRJRECIFE/PE julgou o procedente em parte o lançamento, para reconhecer a dedução com dependente. Quanto á glosa das despesas médicas, a DRJ reconheceu que os documentos apresentados pelo Contribuinte atendem às formalidades legais, mas sustentou que, além dos recibos deveriam ter sido apresentados elementos adicionais de prova da efetividade dos pagamentos e da prestação dos serviços. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 21/01/2008 (fls. 43) e, em 18/02/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 45 e seguintes, que ora se examina e no qual reafirma, em síntese, que pagou pela prestação dos serviços médicos Fl. 70DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10425.001290/200411 Acórdão n.º 220101.017 S2C2T1 Fl. 2 3 que foram objeto de glosa e que as despesas são dedutíveis e foram comprovadas com documentos hábeis e idôneos. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, resta em discussão em sede recursal apenas a glosa parcial das despesas médicas. O fundamento para a glosa foi o de que os recibos apresentados pelo Contribuinte não era hábeis e idôneos para comprovar a despesas porque não satisfaziam as formalidades legais, conforme descrição dos fatos acima reproduzida. A DRJ RECIFE/PE, por sua vez, embora reconhecido que os documentos recibos e declarações apresentados pelo Contribuinte e juntados ao processo com a impugnação atendiam as formalidades legais, não reconheceu a dedução sob o fundamento de que, além dos recibos e declarações deveriam ser apresentadas provas adicionais da efetividade da prestação dos serviços e/ou dos pagamentos. Para maior clareza, reproduzo a seguir trecho do voto condutor do acórdão recorrido que se refere a este ponto: Os documentos anexados à impugnação contêm, de fato, os requisitos básicos previstos no inciso III do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.250/1995. No entanto, por força do disposto no § 3º do art. 11 do Decreto Lei n° 5.844/1943 (art. 73, do Decreto n° 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda), outros elementos devem ser apresentados pelo contribuinte a fim de justificar deduções pleiteadas em suas declarações, quando necessário à comprovação da verdade material: [...] No caso em tela, face aos valores despendidos, que totalizam R$ 22.000,00 destinados a tratamentos fisioterapêuticos e odontológicos, entendo ser necessário, além dos elementos formais recibos e declarações emitidos e fornecidos pelas partes interessadas — que a comprovação das deduções seja efetuada por meio de outros elementos: (i) prova da efetividade dos pagamentos, pelo desembolso por parte do contribuinte, e pelo recebimento por parte do profissional através de cópia de cheques ou de transferências bancárias, por exemplo; e (ii) prova da efetiva prestação dos serviços, que poderia se dar, por exemplo, de apresentação de exames médicos realizados à época. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Examinando os recibos e documentos comprobatórios das despesas também entendo que os mesmos são formalmente hígidos. Também compartilho do entendimento de que, sob determinadas circunstâncias em que haja fundada suspeita, baseada em indícios, de que não ocorreu a efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos, a autoridade administrativa, além dos recibos, poderá solicitar a apresentação de elementos adicionais de prova, sem os quais poderá glosar os valores declarados. Neste caso, todavia, o lançamento em momento algum questionou a efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos. O fundamento da autuação foi tão somente o fato de os recibos apresentados não terem sido considerados formalmente válidos. Não poderia a autoridade lançadora, para manter a autuação, invocar outros fundamentos para a glosa, além daqueles mencionados no auto de infração. Ao fazêlo a autoridade julgadora está modificando os critérios jurídicos do lançamento. Nestas condições, considerando a apresentação dos recibos que atendem aos requisitos formais, o que responde à única restrição mencionada como fundamento da autuação para a admissibilidade da dedução, deve ser reconhecido o direito à dedução no valor total pleiteado na DIRPF. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso, ressaltando que, com relação à glosa da dedução de incentivo, a matéria não foi impugnada. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 72DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000074/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/05/2005
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.APROPRIAÇAO INDÉBITA.
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas
da respectiva remuneração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se
o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/05/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.APROPRIAÇAO INDÉBITA. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/05/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.APROPRIAÇAO INDÉBITA. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o periodo. Para o periodo não decadente não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato e Adriano Gonzales Silvério. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16370.000074/200833 Acórdão n.º 230201.070 S2C3T2 Fl. 231 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 08/07/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 11/07/2005, de contribuições previdenciárias arrecadadas dos segurados empregados, incidentes sobre as suas remunerações, no período compreendido entre 06/1996 a 05/2005. Após a apresentação de defesa, DecisãoNotificação de fls. 184/187, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde argúi o prazo decadencial exposto no artigo 150 § 4º, do CTN e o cerceamento de defesa, porque não houve a subsunção do fato à norma e por não constar a capitulação legal específica, o que leva à nulidade da notificação. Requer o provimento do recurso para cancelar a NFLD. Não foram oferecidas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A notificação referese ao período de 06/1996 a 05/2005 e foi lavrada em 08/07/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 11/07/2005. A recorrente alega a decadência qüinqüenal e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16370.000074/200833 Acórdão n.º 230201.070 S2C3T2 Fl. 232 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 11/1999: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16370.000074/200833 Acórdão n.º 230201.070 S2C3T2 Fl. 233 7 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Do Mérito O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP, elaborados pela própria recorrente. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados empregados cujos recolhimento não foram comprovados, referente às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança, repisando que as informações foram repassadas ao Fisco pelo próprio contribuinte através de GFIP. Assim, não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16370.000074/200833 Acórdão n.º 230201.070 S2C3T2 Fl. 234 9 empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Entendo que são inócuas as alegações de cerceamento de defesa por não haver subsunção do fato à norma e falta de capitulação legal específica, eis que o relatório fiscal de fls. 73/76, traz explicitamente a que se refere o crédito, com base em quais documentos foi apurado e a capitulação legal, que também está descrita no anexo Fundamentos Legais do Débito às fls. 63/67. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do CTN e excluir do lançamento as competências até 11/1999, inclusive. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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