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Numero do processo: 10183.003872/2006-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extra fiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para
proteção da área de reserva legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (relatora) e Atilio Pitarelli. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Recorrida DRJ em CAMPO GRANDEMS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para proteção da área de reserva legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (relatora) e Atilio Pitarelli. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Relatora Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Redator designado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 24/08/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/09 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2002, relativamente ao imóvel denominado “Fazenda Paralelo 10”, localizado no Município de Aripuanã MT. De acordo com os esclarecimentos constantes do Auto, o lançamento decorreu da glosa das áreas declaradas como sendo de utilização limitada (reserva legal, que fora averbada a menor do Registro de Imóveis e sem apresentação do ADA) e de exploração extrativa (Plano de Manejo comprovado era menor que o declarado) no imóvel. Através deste lançamento, foram alteradas as áreas declaradas pela contribuinte da seguinte forma (cf. quadro de fls. 02): 2002 Declarado Considerado no lançamento Área de Utilização Limitada 20.000,0 0,0 Exploração Extrativa 4.800,0 3.000,0 Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou a Impugnação de fls. 90/101, por meio da qual alegou que encontrara um ADA apresentado ao Ibama no ano de 2000, e que a área de reserva legal de seu imóvel corresponderia a 80% do mesmo, nos termos da lei. Alegou ainda que o imóvel tinha área de preservação permanente, a qual, apesar de não ter sido declarada efetivamente existia e deveria ser reconhecida. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Brasília decidiram pela parcial manutenção do lançamento, acolhendo, como comprovadas as seguintes áreas, verbis: Assim, com base no ADA de 2000, é possível afastar a tributação do ITR relativo às áreas de preservação permanente no total de 2.702,1 ha e da área de reserva legal de 12.500,0 ha, para o exercício de 2002.(...) Consideraram como não impugnada a parcela do lançamento relativa à glosa da área declarada como sendo de exploração extrativa. Inconformada com tal decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 125/137, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sede de impugnação, discorrendo sobre o conceito de reserva legal. Alegou que a própria Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Mato Grosso emitiu termo de retificação da área de reserva legal de seu imóvel, ampliandoa para 80%. Em seguida, discorreu sobre os julgados do STJ acerca da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.003872/200686 Acórdão n.º 210201.510 S2C1T2 Fl. 171 3 inexigibilidade do ADA para fins de redução da base de cálculo do ITR, trazendo também à colação os julgados do Conselho de Contribuintes a respeito da matéria. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 23.06.2008, como atesta o AR de fls. 124. O Recurso Voluntário foi interposto em 16.07.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da glosa das áreas declaradas pela Recorrente como sendo de utilização limitada (reserva legal), bem como de exploração extrativa. A decisão recorrida já reconheceu em parte o direito da Recorrente, tendo também considerado como não impugnada a parcela do lançamento relacionada à glosa da área de exploração extrativa. Sendo assim, a questão que chega a esta Turma para julgamento diz respeito somente à glosa da área de reserva legal, cujos dados são os seguintes, após a decisão recorrida (que também reconheceu a existência de área de preservação permanente, mesmo que não declarada): 2002 Declarado Considerado no lançamento Considerado pela DRJ Área de Utilização Limitada 20.000,0 0,0 12.500,0 Área de Preservação Permanente 0,0 0,0 2.702,1 Sustenta a Recorrente que a efetiva área de reserva legal existente em seu imóvel é de 20.000,0 hectares, pois corresponderia a 80% do total da propriedade, nos termos do que determina a legislação em vigor. Este argumento, porém, não foi acolhido pela decisão recorrida, já que no ADA apresentado pela Recorrente para o ano de 2000 constava apenas a existência de 12.500,0 hectares de área de reserva legal (percentual correspondente a 50% da área total do imóvel). Por isso, somente esta área foi acolhida como comprovada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 A decisão recorrida, em entendimento que corroborou o esposado pela autoridade lançadora, entendeu que somente poderiam ser reconhecidas como comprovadas as áreas devidamente declaradas em ADA para fins de redução do ITR. Por outro lado, de acordo com a defesa da Recorrente, a exigência de apresentação do ADA como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de apuração do ITR não encontra amparo na jurisprudência, e por isso não poderia impedir a exclusão das mesmas em sua DITR. Há que se analisar então se é efetivamente necessária a apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo ITR, e ainda qual seria o prazo legal para a sua apresentação nestes casos. No que diz respeito à exigência deste documento, é de se ressaltar que desde a edição da Lei nº 10.165/2000 – que acrescentou o art. 17O à Lei nº 6.938/81 a obrigação de apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas referidas do cálculo do ITR passou a ser veiculada em lei, e por isso mesmo exigível de todos os contribuintes, verbis: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) "§ 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) (...) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Daí porque a partir do exercício 2001 a apresentação do ADA é, de fato, um requisito para tal. No entanto, esta norma é silente no que diz respeito ao prazo para sua apresentação. Sendo assim, é de se concluir que a apresentação deste documento ao Ibama é obrigatória a partir de 2001 como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo ITR, mas que o prazo para esta apresentação não deve necessariamente se dar dentro do tempo pretendido pelas autoridades fiscais (de 6 meses). Na hipótese em exame, a Recorrente trouxe aos autos cópia de dois ADA. O primeiro deles foi apresentado ao Ibama em 23.02.2000, e foi considerado como válido pela decisão recorrida, que acabou por reconhecer a existência das áreas lá declaradas (12.500,0 hectares de reserva legal e 2.702,1 hectares de área de preservação permanente). O segundo deles foi apresentado ao Ibama em 31.10.2006 e atesta a existência de uma área de reserva legal de 20.000,0 hectares. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.003872/200686 Acórdão n.º 210201.510 S2C1T2 Fl. 172 5 Sendo assim, a Recorrente demonstrou ter atendido à exigência legal de apresentar tal documento. Por outro lado, merece acolhida a alegação da Recorrente de que a área de reserva legal averbada para seu imóvel correspondia a 50% de sua área total, na medida em que a legislação em vigor no momento da averbação previa este percentual legal para a área de reserva. Segundo sua defesa, com a alteração na legislação, a área de reserva legal na área em que está localizada passou a corresponder a 80% do imóvel. Tais argumentos são corroborados pelo laudo de fls. 79, segundo o qual a Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SEMA/MT já emitira Termo de Retificação de averbação de reserva legal. Estes termos foram devidamente anexados ao autos às fls. 62/69, dos quais é possível confirmar que a área total da propriedade é de 25.002.,9179 hectares, sendo que 20.004.6579 correspondem à “reserva legal existente”. Tais documentos, a meu ver, são suficientes a demonstrar a efetiva existência da referida área de reserva legal declarada (de 20.000,0), objeto de glosa por meio do lançamento em exame. Assim, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Voto Vencedor Conselheiro Rubens Maurício Carvalho, Redatordesignado. Divirjo da ilustre relatora, exclusivamente, em relação à questão da obrigatoriedade da averbação na matrícula do imóvel para fruição da benesse em face do ITR. Assim, passo a verificar a existência do requisito formal da averbação na matrícula do imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR para a área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.003872/200686 Acórdão n.º 210201.510 S2C1T2 Fl. 173 7 I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nº 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, é obrigatória a averbação na matrícula do imóvel e sem essa condição não há como o contribuinte se beneficiar da isenção pleiteada. Ou seja, a averbação na matrícula do imóvel para as áreas de reserva legal constitui juridicamente o direito para que o contribuinte possa exercêlo. sem ela, não há direito a ser exercido. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho, Redatordesignado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por RUBENS MA URICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003415/95-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IPI — CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. As telhas de aço onduladas
ou trapezoidais, mesmo pintadas, destinadas à construção de telhados ou fechamentos laterais de construção, constituindo-se
em elemento estrutural e de acabamento de edificações, classificam-se no código NCM 7308.90.90.
Numero da decisão: 9303-001.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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As telhas de aço onduladas ou trapezoidais, mesmo pintadas, destinadas à construção de telhados ou fechamentos laterais de construção, constituindose em elemento estrutural e de acabamento de edificações, classificamse no código NCM 7308.90.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 22/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffman Relatório Fl. 293DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Em exame recurso manejado pelo contribuinte que busca reformar decisão da Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, prolatada em 16 de agosto de 2006, que entendeu correta a classificação fiscal proposta pela autoridade autuante (capítulo 72) com respeito ao produto telhas galvanizadas, conhecidas comercialmente como “telhas metálicas”. A decisão recorrida restou assim ementada: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TELHAS METÁLICAS. As chapas de aço comercialmente denominadas "telhas metálicas", podem ser usadas como elementos estruturais, em acabamento de edificações, destinadas à construção de telhados e fechamentos laterais, como também em utilidade diversa. Na Nomenclatura do Sistema Harmonizado, como regra geral, a destinação da mercadoria não determina a classificação fiscal, salvo quando o texto da posição, ou subposição, o especifique. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Como fundamentação básica dessa conclusão, aduziu o redator designado: A minha discordância em relação ao voto do eminente relator se concentra na fundamentação utilizada para caracterizar uma determinada classificação fiscal de forma vinculada à destinação da mercadoria à construção civil. Ora, as chapas de aço comercialmente denominadas "telhas metálicas", podem sim ser usadas como elementos estruturais, ou em acabamento de edificações, podem ser destinadas à construção de telhados e fechamentos laterais, mas também podem ser utilizadas em utilidade diversa. Na Nomenclatura do Sistema Harmonizado, como regra geral, a destinação da mercadoria não determina a classificação fiscal, salvo quando o texto da posição, ou subposição, o especifique. Não faz sentido diante das especificas regras que norteiam a Nomenclatura do Sistema Harmonizado, pretender como fez a empresa recorrente, e foi corroborado no voto do ilustre relator vencido, que telhas metálicas destinadas à construção civil tenham uma determinada classificação fiscal e as telhas metálicas destinadas a fim diverso tenham outra classificação fiscal. A classificação fiscal apontada pela fiscalização está consoante entendimento oficial da Receita Federal de pleno conhecimento da ABCEM, posto que se encontra registrada em Pareceres Normativos e respostas a consultas. A propósito o documento de fls.11 revela que aquele órgão de classe orientou seus associados a não mais veicularem consulta ao fisco, posto que sua posição solidificada já era conhecida e ainda assim frontalmente contestada pela ABCEM, que recomendou aos associados a continuar classificando as telhas metálicas no Capitulo 73, com a promessa de em momento oportuno capitanear ação judicial em defesa de sua tese rejeitada pela SRF. Entretanto, ao que parece, tal ação não se concretizou, porém muitos dos associados da ABCEM, como no caso presente, aparentemente seguiram a imprudente orientação Fl. 294DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10875.003415/9580 Acórdão n.º 9303001.633 CSRFT3 Fl. 2 3 apesar das respostas às consultas decidindo em última instância contra o que parecia ser o seu interesse. Vale dizer que à época da lavratura do auto de infração o já longínquo ano de 1995 havia mesmo reiteradas decisões em processos de consulta formalizados junto à Coordenação do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal (COANA) que apontavam como correta a classificação proposta pela fiscalização. O mesmo se passava ainda quando da formalização do recurso voluntário (2002). Por essa ocasião, porém, o entendimento da SRF já não era pacífico, tendo a então recorrente mencionado Solução de Consulta da 8ª Região Fiscal que corrobora a classificação por ela pretendida (7308.9090). Posteriormente a ela e antes da prolação do decisum ora objurgado, reconheceu a última instância da SRF (Solução de Consulta COANA nº 09, publicada no DOU em 12 de novembro de 2003) que a classificação correta seria a realizada pela recorrente. O recurso especial a isso fez referência, mencionando também diversas decisões do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes a ela aderentes. O recurso foi, por isso mesmo, admitido pela Presidente da Terceira Câmara daquele Colegiado, consoante despacho de fls. 257/259. Contrarazões às fls. 261 a 270. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Examino o recurso, dado que os requisitos de admissibilidade foram bem apreciados. Com razão o recorrente. De fato, as telhas metálicas produzidas a partir de perfis laminados constituemse em elementos estruturais para edificações e se destinam, precipuamente, à construção de telhados e fechamentos laterais. Como tal, classificamse na posição 7308.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul como, aliás, já reconhecido pela própria Administração tributária (Solução de Consulta nº 09 da Coordenação do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal, publicada no DOU em 12 de novembro de 2003). Ao contrário, não procede o argumento aposto no voto vencedor do acórdão recorrido, e repetido em contrarazões da PFN, segundo o qual tais produtos não se destinam à construção civil e como tal deveriam se enquadrar em posições do capítulo 72. Para tal conclusão, parecemme bastantes as seguintes notas do capítulo 72 que definem os produtos aí classificáveis: Fl. 295DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 CAPÍTULO 72 FERRO FUNDIDO, FERRO E AÇO Notas 1. Neste Capítulo e, no que se refere às alíneas d), e) e f) da presente Nota, na Nomenclatura, consideramse: ... ij) Produtos semimanufaturados: os produtos maciços obtidos por vazamento contínuo, mesmo submetidos a uma laminagem primária a quente; e os outros produtos maciços simplesmente submetidos a laminagem primária a quente ou simplesmente desbastados à forja ou martelo, incluídos os esboços de perfis. Estes produtos não se apresentam em rolos. k) Produtos laminados planos: os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1ij) anterior: em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm, ou de largura superior a 150mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75mm. Os produtos que apresentem motivos em relevo provenientes diretamente da laminagem (por exemplo: ranhuras, estrias, gofragens, lágrimas, botões, losangos) e os que tenham sido perfurados, ondulados, polidos, classificamse como produtos laminados planos, desde que aquelas operações não lhes confiram as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições. Os produtos laminados planos, de quaisquer formas (excluídas a quadrada ou retangular) e dimensões, classificamse como produtos de largura igual ou superior a 600mm, desde que não tenham as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições Assim, sabido que os produtos a classificar não se enquadram nas condições previstas na nota 1ij, somente se poderiam classificar neste capítulo 72 se não tivessem as características de obras incluídas em outras posições (nota 1k, in fine). Não nos parece seja esse o caso das telhas. Deveras, possuem elas características próprias que as destinam ao uso em construções. Aliás, essa a conclusão expressa nas notas técnicas elaboradas pela ABNT mencionadas no acórdão paradigma. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10875.003415/9580 Acórdão n.º 9303001.633 CSRFT3 Fl. 3 5 Diferentemente do quanto defendido pelo relator da decisão recorrida, nem mesmo a circunstância de que as telhas possam ser utilizadas em outra finalidade que não a construção de telhados (aplicações, por sinal, que ele não discrimina) impede, a meu sentir, a classificação no capítulo 73 na medida em que ali tampouco se exige o uso exclusivo. Insta frisar que o recurso voluntário não pretendia, nem o voto vencido o afirmou, que o produto se deveria classificar em uma dada posição se destinado a construção e em outra em caso diverso. O que se postulou e foi reconhecido pelo relator vencido foi que as telhas se classificam na posição pretendida pela empresa, não há outra. Vale a transcrição: Destarte, os produtos da recorrente consistem em telhas metálicas, tubos, perfis e outras peças de aços destinadas ao uso na construção civil, devendo classificarse na posição 73.08.90.99.00, por ser esta a posição mais especifica, uma vez que se tratam de produtos especificamente destinados à construção civil, não lhes sendo aplicáveis as classificações genéricas "obras de aço" que se reportam à classificação sugerida pelo agente fiscal. Corrobora tal entendimento a Portaria Interministerial n° 218 de 11/10/2001, editada pelo Ministério de Desenvolvimento Industrial e Comercial Exterior e pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que no anexo esta portaria adotou a classificação 73.08.90.10 para telhas onduladas e trapezoidais, perfeitamente aplicável, portanto, as telhas metálicas de aço galvanizado comercializadas pela recorrente. E o embasou, ainda, em solução de consulta concorde com a pretensão da então recorrente. Diante do quanto exposto, e em consonância com a própria definição dada pela Coordenação Aduaneira da SRF, voto pelo provimento do recurso especial do contribuinte de modo a reconhecer que as telhas metálicas por ele produzidas classificamse na posição 7308.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, sujeita, no período, à alíquota zero. Em conseqüência, por reformar a decisão, afastando a pretendida exigência fiscal. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 297DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fl. 298DF CARF MF Emitido em 10/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000044/2002-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS
CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Incabível o cômputo de
juros a valores deferidos em ressarcimento, por absoluta falta de previsão legal, necessária porquanto não se confundem juros e mera atualização monetária.
Numero da decisão: 9303-001.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martinez López, que negavam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Incabível o cômputo de juros a valores deferidos em ressarcimento, por absoluta falta de previsão legal, necessária porquanto não se confundem juros e mera atualização monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martinez López, que negavam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Gileno Gurjão Barreto Relatório Fl. 472DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Cuidase de recurso especial proposto pela representação fazendária sob o entendimento de que a decisão proferida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes contrariou a legislação tributária ao deferir a incidência de juros sobre valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI. A decisão recorrida foi sintetizada na seguinte ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. O aproveitamento de créditos do IPI incidentes sobre insumos utilizados na fabricação de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, somente é possível uma vez devidamente comprovada que os referidos insumos se constituem em matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem conforme prescreve a legislação de regência. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Como a atualização do crédito presumido pela taxa SELIC não representa nenhum aumento de seu valor real, justificase plenamente sua aplicação a partir da protocolização do pedido. Recurso provido em parte. Como demonstrado, as glosas promovidas pela fiscalização e ratificadas pela DRJ continuaram mantidas pela Câmara recorrida, que apenas reviu a impossibilidade de deferimento dos juros. O recurso manejado pela PFN aduz ter havido contrariedade ao art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95 que, ao deferir o acréscimo de juros a valores a serem devolvidos aos sujeitos passivos, apenas mencionou os casos de restituição. Defende a douta representação fazendária serem distintos os institutos da restituição – onde há um pagamento indevido – e do ressarcimento, no qual os recursos entregues pela Administração não decorrem de qualquer pagamento indevido ou a maior praticado pelo beneficiado. Combate ainda o recurso os argumentos da desnecessidade de ato legal, já que a Selic é taxa de juros e não mero índice de correção monetária, bem como o de que sua aplicação decorre da mora da Administração. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF que consta às fls. 161/162 sob o fundamento de que a decisão foi não unânime e contrariou, em tese, a legislação aplicável. Intimado, o sujeito passivo não formulou contrarazões. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O apelo fazendário atende os requisitos de admissibilidade e deve, no meu entender, ser provido. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13678.000044/200299 Acórdão n.º 9303001.724 CSRFT3 Fl. 2 3 Isso porque partilho todos os argumentos expostos pela representação fazendária, com base nos quais sempre deneguei tal acréscimo como as considerações a seguir demonstram. Por fim, também entendo correta a negativa de aplicação da taxa selic sobre o valor a ser ressarcido. É que não há lei que preveja o cômputo de juros em adição a valores postulados em ressarcimento. Esta adição, como se sabe, está autorizada apenas nos casos de restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente. Nos ressarcimentos nada foi pago indevidamente ou a maior. Também, a meu ver, incabível a tese de que tal adição visa apenas à correção ou atualização monetária para garantir o poder de compra do montante a ressarcir, dispensando lei autorizativa. É que, entendo, não se pode confundir a aplicação da taxa de juros selic com a figura da correção ou atualização monetária, pois aquela é autêntica taxa de juros, que incorpora, além da expectativa de inflação, efetiva remuneração, de vez que aplicada, em sua origem, à remuneração dos títulos da dívida pública e apenas trazida ao mundo tributário por força, originalmente, da lei 9.250/95. Assim sendo, não se pode admitir a tese de que sua aplicação independa de existência de norma legal, ao sabor do entendimento doutrinário pacificado de que “a correção monetária não constitui plus” mas apenas reposição do anterior poder aquisitivo do crédito. A taxa selic é, sim, plus e plus bastante alto, por sinal, como, aliás, reconhecem os mesmos contribuintes quando se trata de pagála nos recolhimentos em atraso... Ocorre que sendo uma remuneração, que embute, mas extrapola, o que se poderia chamar de “correção” monetária, a aplicação de juros ao ressarcimento constituiria, ao contrário, enriquecimento do sujeito passivo, que nada pagou indevidamente. Não é ele, portanto, credor da União, seja tributário, seja não tributário. Ademais, sabemos todos que o instituto da correção monetária, criado à época da ditadura militar, tinha por escopo preservar o valor de determinado crédito compensandoo pela inflação passada. Por outro lado, como taxa de juros prefixada que é, e disso não há dúvidas, o que a Selic embute é uma expectativa de inflação; ou seja, é a inflação que se espera que ocorrerá, não a que tenha eventualmente ocorrido e que se mede por um dos muitos índices disponíveis: IPC, INPC, IPCA etc. Como tal, pode se confirmar ou não. Pois bem, após o plano real não tem sido incomum que se registrem deflações (o que nem por isso fez a Selic negativa). Será que os que advogam a incidência de correção monetária pretenderão, nesse caso, reduzir o montante a ressarcir? Ou, por coerência, considerarão que há enriquecimento sem causa do postulante ao ressarcimento? Fl. 474DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Claro que a lei poderia deferir a incidência de juros nesses casos. Não o fez, porém. E não o tendo feito, não cabe ao intérprete fazêlo, ainda que a título de analogia ou de eqüidade. A partir da edição do art. 62A, recentemente incluído no Regimento Interno do CARF, vime obrigado a rever tais conclusões quando demonstrada a “resistência injustificada” por parte da Administração. Isso porque, aquele artigo tornou obrigatória a adoção do entendimento expresso em decisão do STJ que tenha sido proferida na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. E naquele e. Tribunal Superior consolidouse o entendimento de que a Selic é devida exatamente na forma que foi concedida no julgamento contestado desde que tenha havido aquela resistência (REsp 993.164 e 1.150.188, ambos da relatoria do Ministro Luiz Fux). No presente caso, entretanto, verificase da ementa e do voto condutor do acórdão que a empresa vem insistindo no pleito de valores que não estão amparados pela Lei. Isso restou demonstrado desde os trabalhos iniciais de verificação do seu pedido e tem sido reiteradamente confirmado pelas duas decisões proferidas. Destarte, não se configura qualquer resistência desmotivada por parte da Administração que enseje, a meu sentir, a aplicação do entendimento consolidado pelo e. Superior Tribunal de Justiça. Vale o registro de que aquele Tribunal Superior também vem entendendo que a mera demora na concessão equiparase à “recusa injustificada”, embora não haja decisões nesse teor proferidas já na sistemática do art. 543C. Esse entendimento, que vinha sendo acompanhado por esta e. Câmara Superior, foi revisto na última reunião realizada – outubro – e é o posicionamento que, a meu ver, se mostra mais consentâneo com os comandos legais. Com essas considerações, voto por dar provimento ao apelo fazendário. E é assim que voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 475DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 16327.002124/2005-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2000
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. SEGURO, FRETE E IMPOSTOS
INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
A inclusão do seguro e frete internacional, bem como dos impostos
incidentes na importação no custo de aquisição para efeito de comparação
com o preço obtido pelo método PRL não viola o §6º do art. 18 da Lei nº
9.430/96.
IN SRF nº 32/2001. IRRETROATIVIDADE. A retroatividade veiculada no
art. 43, I, da IN SRF nº 32/2001 viola os princípios da legalidade e
irretroatividade.
NORMAS COMPLEMENTARES. OBSERVÂNCIA. PENALIDADES.
JUROS DE MORA.
O contribuinte que age em observância de atos administrativos expedidos
pelas autoridades administrativas fica excluído da aplicação de penalidades e
juros de mora.
Numero da decisão: 1302-000.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)
o(a) Conselheiro(a) Marcos Rodrigues de Mello e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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SEGURO, FRETE E IMPOSTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. A inclusão do seguro e frete internacional, bem como dos impostos incidentes na importação no custo de aquisição para efeito de comparação com o preço obtido pelo método PRL não viola o §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. IN SRF nº 32/2001. IRRETROATIVIDADE. A retroatividade veiculada no art. 43, I, da IN SRF nº 32/2001 viola os princípios da legalidade e irretroatividade. NORMAS COMPLEMENTARES. OBSERVÂNCIA. PENALIDADES. JUROS DE MORA. O contribuinte que age em observância de atos administrativos expedidos pelas autoridades administrativas fica excluído da aplicação de penalidades e juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Marcos Rodrigues de Mello e Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.044 2 (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.045 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/BSA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar procedentes os lançamentos impugnados, nos termos do relatório e voto que integram o julgado, relativos ao IRPJ e CSLL, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. Na apuração dos preços praticados, assim como do preçoparâmetro, devem ser computados os valores do frete e do seguro internacionais, cujo ônus tenha sido do importador, além dos tributos incidentes na importação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. APLICAÇÃO DA LEI A autoridade administrativa não tem atribuição para conhecer, no mérito, a argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, uma vez que tal competência é exclusiva do Poder Judiciário, em face dos princípios constitucionais da separação do poderes e da unidade de jurisdição. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000 DECORRÊNCIA. CSLL. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dele decorrente. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte acima identificado foram lavrados Autos de Infração para Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.046 4 exigência do IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário 2000, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 6.392.418,19, compreendendo o valor relativo a cada tributo, juros de mora calculados até 30/11/2005, assim discriminado (fls. 857/865): a) IRPJ e respectivos acréscimos legais, no valor de R$ 4.700.307,52; b) CSLL e respectivos acréscimos legais, no valor de R$ 1.692.110,67. Conforme Termo de Constatação e Verificação Final de fls. 412/421, que é parte integrante dos autos de infração, o lançamento decorreu da apuração de diferenças relacionadas ao cálculo de Preços de Transferência, as quais foram adicionadas ao lucro líquido, no montante de R$ 7.235.138,20. O procedimento fiscal está detalhado no Termo de Constatação e Verificação Final, o qual resume os ajustes apurados espontaneamente pelo contribuinte, decorrentes de preços de transferência na importação de bens de empresas vinculadas, bem como informações referentes às diferenças apuradas pela Fiscalização. Tais diferenças decorreram da inclusão, no cálculo do Preço Praticado, dos valores correspondentes a frete, seguros internacionais e Imposto de Importação, procedimento fundamentado pela Fiscalização no art. 18 da Lei nº 9.430/96 e corroborado pela Instrução Normativa nº 32/2001. Em relação ao Preço Parâmetro calculado de acordo com os métodos PIC, CPL e PRL a Fiscalização considerou como custo os valores referentes ao frete e seguros internacionais. Portanto, a Fiscalização trabalhou com o Custo de Importação CIF, incluindo no cálculo os valores de frete e seguro suportados pelo importador, conforme metodologia que explicita, levandose em conta ainda a margem de divergência de 5% prevista na IN SRF nº 38/97. Os diversos relatórios contendo dados utilizados pela Fiscalização e Anexos numerados de 1 a 8 foram juntados aos autos (fls. 422/856). O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 15/12/2005, por meio de seu advogado (fls. 857 e 861), tendo apresentado impugnação em 11/01/2006 (fls. 870/893), acompanhada dos documentos de fls. 895/932. Em sua peça impugnatória o contribuinte alega, em síntese, o seguinte: a) que a autoridade fiscal cometeu equívoco ao incluir nos preços praticados pelo contribuinte os valores do frete, seguro e tributos incidentes na importação, contrariando o previsto no artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, e no artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 38/97; b) que há que se reconhecer a impossibilidade de utilização da taxa Selic para fins tributários; c) que a melhor interpretação das normas que regulam os preços de transferência conduz à conclusão de que a aplicação do método PRL, utilizado pela Fiscalização, impõe que os cálculos se façam excluindo os valores do frete, seguro e tributos incidentes na importação. d) Transcreve o artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 e diz que salta aos olhos que o legislador não fez constar qualquer exceção à regra posta, ou seja, a regra não foi prevista para ser aplicada somente quando da utilização de um método específico, devendose aplicar o mesmo raciocínio aos três métodos; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.047 5 e) que cabe examinar se seria coerente a inclusão do frete, do seguro e dos tributos incidentes na importação apenas em um dos métodos, e se a coerência se manteria com a referida inclusão em cada um dos três métodos CPL, PIC ou PRL. f) que se para pelo menos um dos métodos a referida inclusão levar a resultados absurdos, a conclusão será a de que não foi intenção do legislador incluir o frete, o seguro e os impostos incidentes na importação nos preços de transferência, e sim tão somente integrálos ao custo para efeito de dedutibilidade. g) Questiona a razão pela qual o legislador incluiu a expressão “para fins de dedutibilidade” no citado § 6º do artigo 18 da Lei 9.430/96, e faz uma análise hermenêutica do valor dessa expressão, mencionando duas conclusões que entende possíveis. Diz que há possibilidade de interpretação de textos normativos de maneira distinta, concluindo que sendo a interpretação convencional, não possuiria ela realidade objetiva com a qual pudesse ser confrontado o seu resultado, inexistindo, portanto, uma interpretação objetivamente verdadeira. h) Analisando sua primeira conclusão – Impossibilidade jurídica de consideração de valores de frete, seguro e tributos para a composição do preço praticado – diz que tal inclusão faz com que o preço parâmetro apurado pelos métodos PIC, CPL ou PRL passe a ser comparado com uma grandeza que incluiria, além do valor pago à parte vinculada (transação controlada), outros valores (frete e seguro) pagos a terceiros independentes, além do valor pago à própria autoridade aduaneira (tributos). i) Questiona se o preço parâmetro praticado por terceiros independentes seria uma grandeza que incluiria frete, seguro e tributos incidentes na importação, determinando que tal preço parâmetro e o preço controlado deveriam contemplar grandezas equivalentes, para fins de comparação. j) Defende a tese de que seria absurdo incluir o frete, o seguro e os impostos incidentes na importação nos preços de transferência, concluindo que tais valores não integram o preço de transferência, assegurando, entretanto que os mesmos devem compor o custo para efeito de dedutibilidade. k) Analisa um caso hipotético sobre a conseqüência da inclusão do frete, do seguro e dos impostos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, de acordo com a sistemática CPL, atribuindo valor de 100 ao custo de produção e 110 ao preço de venda, dentre outras variáveis, chegando à conclusão de que esse raciocínio poderia levar a situações em que se exigiria que a exportadora vendesse com prejuízo, o que considera absurdo. A partir disso, resume que a solução absurda para um dos métodos é também absurda para os demais métodos. l) Transcreve trecho da IN SRF nº 38/97 e diz que a Administração Tributária concedeu aos contribuintes a faculdade de incluir ou não o frete, o seguro e os tributos na composição dos custos dos bens, serviços ou direitos importados, e que o contribuinte pode optar pela situação que é mais benéfica. m) Considera que não cabe o controle de preços de frete e seguro, que são transações independentes, não praticadas com empresas vinculadas, mas com terceiros, não havendo possibilidade das distorções que demandem o controle de preços de transferência, pois estariam sempre nas condições de mercado (in the arm´s length), citando trecho de estudo publicado sobre o tema, bem como exemplo prático apresentado por Hiromi e Celso Higushi. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.048 6 n) Argumenta ainda que seu entendimento evita o absurdo de se considerar uma compra a preço zero como transferência indevida de lucro, ou seja, diz que se forem incluídos frete e seguro, até mesmo a doação teria ajuste . o) Repete os mesmos argumentos em relação ao método PRL, afirmando que a inclusão antes mencionada traz resultados igualmente absurdos no caso desse método, e que essa distorção somente poderia ser afastada na aplicação do método IPC, na hipótese de os valores relativos ao frete, seguro e impostos incidentes na importação serem considerados nos preços praticados tanto pelo contribuinte quanto pelos terceiros independentes tomados para comparação. p) Alega que a IN SRF nº 243/02 é ilegal, pois, excluiu a expressão “para efeito de dedutibilidade”, que solucionaria, no seu entendimento, o impasse sobre a inclusão ou não dos valores de frete e seguro. Diz que tal ato incluiu o mecanismo de cálculo do preço parâmetro que, segundo seu entendimento, em nada se assemelha ao objetivo da lei, promovendo ainda outras alterações que considera que extrapolaram os limites colocados pelo legislador. Conclui afirmando que a referida IN não era aplicável na época dos fatos tributados nos autos. q) Admite que poderseia alegar que a Lei nº 9.430/96 estabeleceria que estes valores devem integrar o cálculo do custo, de modo que poderia cogitar de desconsiderar os termos da IN para fazer prevalecer a Lei. Nesse caso, repete a argumentação de que tais custos foram contratados com empresas independentes, não vinculadas à impugnante e os tributos foram pagos à própria autoridade fiscal. r) Requer sejam afastadas quaisquer penalidades e cobrança de juros de mora, nos termos do art. 100 do CTN, que transcreve, pois alega ter agido de conformidade com o disposto na IN SRF nº 38/97. s) Transcreve entendimento de Luciano Amaro no sentido de que “A observância das ‘normas complementares’ faz presumir a boafé do contribuinte, de modo que aquele que pautar seu comportamento por uma dessas normas não pode (na hipótese de a ‘norma’ ser considerada ilegal) sofrer penalidade, nem cobrança de juros de mora, nem pode ser atualizado o valor monetário da base de cálculo do tributo. Cita Hugo de Brito Machado no sentido de que “Mas se o não pagamento se deveu à observância de uma norma complementar, o contribuinte fica a salvo de penalidade, bem como da cobrança de juros moratórios correção monetária.”. t) Transcreve algumas emendas do Conselho de Contribuintes sobre a observância de normas complementares e cobrança de penalidades, concluindo que se a IN SRF 38/97 expressamente autoriza o contribuinte deixar de computar os valores relativos a frete e seguro no cálculo do custo dos bens importados, ainda que se entenda que o artigo 4º, § 4º não é válido, jamais se poderia cobrar penalidade ou juros, nos termos do art. 100 do CTN. u) Sustenta, finalmente, a ilegalidade da utilização da taxa Selic para fins tributários, consoante reconhecido pelo C. Superior Tribunal de Justiça, transcrevendo ementa de julgado de 23/04/2002. v) Transcreve, também, ementa de acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que admite que o Poder Executivo pode deixar de aplicar lei que contrarie a Constituição do País, reivindicando que os argumentos de inconstitucionalidade sejam apreciados. w) Conclui resumindo os argumentos apresentados e solicitando o cancelamento do auto de infração, subsidiariamente o afastamento da multa punitiva Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.049 7 e dos juros de mora e, também de maneira subsidiária, o afastamento dos juros de mora calculados com base na taxa Selic. Protesta por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. Anexa, à sua impugnação, contrato social e alterações (fls. 895/917); instrumento de procuração (fls. 919/921), e cópia dos autos de infração impugnados (fls. 923/933). A competência para julgamento deste processo, por esta Turma, foi conferida pela Portaria SRF nº 161, de 08/02/2007. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a única parcela do custo contábil do bem importado passível de ser utilizada para a transferência de resultados à pessoa vinculada no exterior mediante a “manipulação” de preços seria o valor FOB do bem importado. A inclusão dos valores de frete, seguro e tributos faria com que o preçoparâmetro, apurado pelos métodos PIC, CPL ou PRL passasse a ser comparado com uma grandeza que incluiria, além do valor pago à parte vinculada (transação controlada), outros valores (frete e seguro) pagos a terceiros independentes, além do valor pago à própria autoridade aduaneira brasileira (tributos), o que está em dissonância com os objetivos das regras de controle de preços de transferência; ao incluir, no §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 a expressão “para efeito de dedutibilidade” o legislador excluiu sua aplicação ao caso em questão, pois caso contrário teria incluído a expressão “para efeito de comparação”; a inclusão do frete, seguro e tributos devidos na importação, por não ter sido criada qualquer exceção pelo legislador, aplicase aos 3 métodos previstos na lei. Mas sua aplicação ao caso CPL leva a absurdo, pois a margem máxima permitida ao exportador, de 20%, deveria incluir frete, seguro e tributos incidentes na importação. Assim, como o legislador não distingue tal aplicação nos critérios estabelecidos, deve ser abandonada a interpretação que os considera integrantes do preço praticado, concluindose pela inclusão dos valores apenas para efeito de dedutibilidade; até mesmo casos de doação, cujo custo é gratuito, poderiam ser considerados transferência indevida de lucro. O acórdão recorrido não se manifestou sobre tais absurdos; questões externas como o aumento dos seqüestros de navios na costa africana, que fazem aumentar o preço do seguro, poderiam influir na comparação pelo método PIC. Assim, verificase que nos três métodos a inclusão dos valores relativos a frete, seguro internacional e tributos devidos na importação gera distorções; o §4º do art. 4º da IN SRF nº 38/97 facultava ao contribuinte incluir ou não o frete, seguro e tributos na composição dos custos de bens, serviços ou direitos importados. Assim, tais valores não podem ser impostos pela fiscalização quando da verificação dos cálculos realizados; as IN 32/01 e 243/02, ao contrário da IN 38/97, omitiram a expressão “para efeito de dedutibilidade”. Além disso, instituíram tratamento diferenciado para o PRL, em Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.050 8 relação aos outros dois métodos. Mas, ainda, aos fatos não se aplicam as IN32/01 e 243/02, mas a IN 38/97, vigente à época; ainda que se entenda contrariamente ao que postula, não devem ser aplicadas penalidades e a cobrança de juros de mora, nos termos do art. 100 do CTN, porque a recorrente seguiu o que prescrevia a IN 38/97 e não pode ser punida nestas condições. É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.051 9 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Preço de Transferência Adição do seguro, frete e de impostos incidentes na importação ao custo para efeito de comparação A questão controversa reside na adição, pela autoridade fiscal, dos valores relativos a seguro, frete e impostos incidentes na importação ao custo para efeito de comparação com o preço obtido pelo método PRL, utilizado para efetuar o cálculo do preço de transferência das importações da recorrente no anocalendário de 2000. A autoridade fiscal entende correta a adição porque permite efetuar comparações entre grandezas iguais, pois os valores de seguro, frete e imposto de importação integram o preço parâmetro. Assim, devem integrar, também, o preço praticado para fins de comparação. Para tanto, sustentase no §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 e no §4º do art. 4º da IN SRF nº 32/2001, in verbis: Lei nº 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. IN SRF nº 32/2001 Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.052 10 serão integrados ao preço os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Todavia, a recorrente questiona a adição feita, mediante vários argumentos, que passo a apreciar. A única parcela “manipulável” é o preço FOB A afirmação de que a única parcela manipulável entre as partes vinculadas é tão somente o preço FOB não é incorreta, se frete e seguro forem contratados com partes não vinculadas, como, aliás, sói acontecer. Mas da análise do dispositivo legal que disciplina a matéria, verificase que a lei não criou um discrime absoluto. A comparação é estabelecida em termos globais. Assim, o dever que a recorrente quer atribuir à autoridade, de isolar somente a parcela manipulável, não foi estipulado pela lei. Não há, nas regras criadas, dispositivo que estabeleça comparações puras, livres de quaisquer influências derivadas de operações externas, complementares à mera operação negocial sob análise. O método PIC, por exemplo, é influenciado pela comparação com bens similares (e não somente os bens idênticos), que podem ser apurados no mercado de outros países (sujeitos, portanto, a fatores externos que podem influir na comparação, como impostos locais, mercado local, etc). O método CPL também não é imune a influência externa, que reside na margem fixa adotada, de 20% de lucro, aplicável a todo e qualquer bem, serviço ou direito. Ora, sabemos que a margem de lucro dos produtos sofre variações decorrentes das condições econômicas encontradas, das restrições decorrentes das legislações de abuso do poder econômico, dos incentivos e subsídios concedidos, etc. Da mesma forma, o método PRL, ao determinar as margens fixas de 20% para preço de revenda e de 60%, no caso de bens aplicados à produção provoca distorções frente à variação de custos que processos produtivos distintos têm. Tal constatação não passou despercebida ao crivo do ilustre Conselheiro Marcus Vinícius Neder de Lima, no votovencido proferido no julgamento do processo nº 16327.004319/200231, verbis: No Brasil, o sistema de controle de preços de transferência, introduzido pela Lei 9.430/96, optou por métodos simplificados que utilizam margens predefinidas. Assim, a lei brasileira de preços de transferência inovou, em relação às recomendações da OCDE, ao fixar as margens de lucro fixas, como a de 20% sobre o preço de revenda estabelecida no método PRL, a saber: ... Vêse, portanto, que, a legislação brasileira opta por limites objetivos de comparação de preços, dispensando o contribuinte Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.053 11 de justificar o distanciamento do preço praticado em relação ao mercado se o valor da operação de importação for inferior a 20% do preço de revenda. Nesse sentido, a definição de uma margem razoável é usualmente denominada de "safe harbour". Na verdade, o método mais eficaz no controle de preços de transferência é o de Preços Independentes Comparados (PIC), que é o método que permite a obtenção de um preço de mercado, praticado por empresas independentes, de determinado produto, e possíveis de comparação com os preços praticados por empresas vinculadas. Os demais métodos tradicionais (PRL e CPL) são aproximações imperfeitas ao princípio arm's length, aceitos em razão da dificuldade de obtenção do preço independente de mercado (PIC). No entanto, pelas recomendações da OCDE, o PRL e o CPL apresentam dispositivos de comparabilidade das margens de lucro que os aproximam do princípio do arm's length. Desta forma, não cabendo a este colegiado se manifestar sobre a legalidade ou constitucionalidade das regras estabelecidas para preço de transferência no direito pátrio, e sendo impossível eliminar as distorções que qualquer dos métodos possa provocar, deve, na interpretação do art. 18, procurar o aplicador suprimir aquelas que puder, tornando a comparação a mais isonômica possível. Neste sentido, é de se acolher a forma adotada pela fiscalização, ao incluir os valores de frete, seguro e impostos incidentes na importação no preço praticado, pois estão de fato incluídos no preço parâmetro calculado com base no método PRL. Isto porque ao adotar o valor de revenda dos bens diminuído dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e da margem de lucro de 20% ou de 60%, este método inclui necessariamente (com as distorções que as margens fixas adotadas possam provocar) tais custos na composição do preço. Neste mesmo sentido se manifestou no processo já citado, o Conselheiro Marcus Vinícius Neder de Lima, ao sustentar que Na verdade, é esperado que os encargos de frete e seguro componham o custo que servirá de comparação com o preço parâmetro apurado pelo método PRL, pois esse custo foi suportado pela empresa e, certamente, repassado ao preço de revenda do produto final. Como esse preço de revenda serve de base para apuração do preço parâmetro depois de descontada a margem de 20%, o valor do preço parâmetro obtido ao final traz incorporado o valor desses encargos pagos na importação. Não considerálos, tornaria destorcida qualquer comparação. No mesmo sentido, também se manifestou o ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortez, no voto condutor do julgamento do processo nº 16327.004346/200212, senão vejamos: A recorrente questiona ainda o fato de que a fiscalização incluiu ao preço dos bens importados os gastos relativos ao frete e ao Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.054 12 seguro, quando o ônus ficara por sua conta, sob o entendimento de que a inclusão de tais itens só seria obrigatória aos fatos ocorridos após o advento da IN SRF n° 243, de 11/11/2002. Destaquese que são princípios contábeis inquestionáveis que os dispêndios com seguro, frete e também os impostos não recuperáveis sempre devem compor o custo das mercadorias e outro não é a determinação disposta no artigo 18, § 6º, da Lei n°9.430/96, que dispõe: ... A norma legal acima transcrita é determinante no sentido de que os dispêndios realizados com frete, seguro além dos tributos relativos à importação, quando suportados pela empresa importadora, devem integrar o custo dos produtos, disso não há dúvidas. §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 Não viola a conclusão acima alcançada o fato de o §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 estipular que integram o custo, para efeito de dedutibilidade, tais valores, ao invés de o fazêlo para efeito de comparação, com postula a recorrente. Com efeito, o parágrafo não faria sentido se não fosse aplicado para efeito de comparação, porquanto os valores de frete e seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e dos tributos incidentes na importação já tem sua dedutibilidade permitida pela legislação do IRPJ (art. 13 do DecretoLei nº 1.598/77, abaixo reproduzido), sendo que essa dedutibilidade passa apenas a sofrer novo limite (fornecido pelo método comparativo) com a nova regulação de preços de transferência. DecretoLei nº 1.598/77 Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1° O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e Quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo. Não haveria sentido, assim, na repetição pura e simples da previsão de dedutibilidade de tais custos, vez que já disciplinada pela legislação anterior. Tal concepção está em harmonia com a redação do caput do artigo, ao prescrever que os custos ...relativos a bens constantes dos documentos de importação, nas operações com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos. Afinal, os valores de seguro (declarados na Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.055 13 declaração de importação) e frete (expressos nos conhecimentos de transporte) compõem os documentos de importação, assim como a fatura comercial, que veicula os preços das mercadorias. Esta interpretação, busca a isonomia entre a situação materialmente verificada e a situação comparativa, atendendo, assim, ao princípios da igualdade e da justiça, bem como ao arm’s length principle, que norteia as regras de preços de transferência. O ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães não divergiu deste posicionamento no voto vencido proferido no julgamento do processo nº 16.327.000590/2004 60. Observese, assim, que a regra é a inclusão, na determinação do custo da importação, do frete, seguro e dos tributos devidos na importação. No mesmo sentido, o julgado no processo administrativo nº 16327.003923/200321, Relator Conselheiro Alexandre Jaguaribe. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL Na apuração dos preços praticados, assim como dos preçosparâmetro, deve se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. Inclusão das adições no método CPL e a inutilização do método Pode admitir, em tese, que a inclusão das adições no método CPL, conforme aduz a recorrente, pode inviabilizar a adoção vantajosa do método, se a alíquota do imposto sobre a importação for elevada, e especialmente se em virtude do regime adotado o contribuinte não recuperar parte dos demais encargos, valores esses que adicionados aos demais custos poderiam resultar em extravasamento do percentual de 20% estabelecido na Lei nº 9.430/96. Entretanto, entendo que o §5º do art. 4º da IN SRF nº 32/2001, ao prever que no caso do método CPL os valores de seguro, transporte e os tributos não recuperáveis devidos na importação poderão ser adicionados ao custo dos bens adquiridos no exterior, desde que sejam, da mesma forma considerados no preço praticado assegurou a isonomia na comparação, no sentido de dar plena aplicação do princípio arm’s length. Demais disso, vale ressaltar, os métodos são alternativos e de livre escolha do contribuinte. Assim, não se pode concluir pela invalidade do método, apenas porque, em tese, a aplicação de um dos três métodos possa ser desvantajosa. Relativamente ao exemplo dado no caso da doação, verifico que o valor do frete, seguro e imposto incidente na importação no exemplo fornecido equivalem juntos a praticamente 90% do preço de revenda da mercadoria, antes mesmo do abatimento da margem de 20%. Ora, com a devida venia, os valores utilizados no exemplo distam do mundo real. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.056 14 Porém, para além de tais questionamentos, há de se ressalvar antes que a validade da lei não está em discussão neste âmbito recursal, de modo que não pode este colegiado deixar de observála, porque, em tese, uma situação – que não é a do caso vertente – poderia inviabilizar a adoção do método. Influência de fatores externos ao se utilizar valores de frete e seguro internacional na composição do preço praticado Aduz a recorrente que questões externas afetariam a comparação, caso adotados os valores de frete e seguro internacional na composição do preço praticado. Assim, até mesmo o seqüestro de navios na costa africana (com reflexos nos seguros marítimos) poderia influir na comparação. Nada obstante a conclusão do exemplo, a meu ver tal influência externa não provoca prejuízos à comparação, porque, em tese, como tais rubricas também comporão o preço parâmetro – que também pode estar sujeito às mesmas influências externas – as duas influências se neutralizariam, sem provocar distorções. E ainda que provoquem, seriam residuais, face à modicidade do valor do seguro frente aos valores das mercadorias, via de regra, e cuja possível inversão no caso presente sequer foi argüida. Mas novamente devese ressaltar que os argumentos levantados, considerando situações hipotéticas, além de levantar meros juízos de probabilidade, ultrapassam os limites de cognição do colegiado, tocando constitucionalidade de lei. As Instruções Normativas SRF nº 38/97, 32/2001 e 243/2002 Entende a recorrente que o §4º do art. 4º da IN SRF nº 38/97 facultava ao contribuinte incluir ou não o frete, seguro e tributos na composição dos custos de bens, serviços ou direitos importados. Assim, tais valores não podem ser impostos pela fiscalização quando da verificação dos cálculos realizados. Já as IN SRF nº 32/01 e 243/02, ao contrário da IN SRF nº 38/97, omitiram a expressão “para efeito de dedutibilidade”. Além disso, instituíram tratamento diferenciado para o PRL, em relação aos outros dois métodos. Mas aos fatos não se aplicam as IN SRF nº 32/01 e 243/02, mas a IN SRF nº 38/97, vigente à época. De fato, aos fatos, ocorridos no anocalendário de 2000, aplicase a IN SRF nº 38/97. A aplicação retroativa da IN SRF nº 32/2001 (prevista em seu art.43, I, abaixo transcrito) não pode ser aceita porque viola o princípio da retroatividade, pois no caso vertente, sua aplicação efetivamente provoca majoração de tributo. IN SRF nº 32/2001 Art. 43. As normas sobre preços de transferência de que trata esta Instrução Normativa: I aplicamse, exclusivamente, em relação às operações com empresas vinculadas, praticadas a partir de 1º de janeiro de 1997; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.057 15 II não se aplicam aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada. De fato, no nosso sistema (art. 106, CTN) somente a norma interpretativa ou aquela que conceda interpretação benéfica, em casos de infração, poderá ter efeitos retroativos. Tendo em vista que, a meu ver, a norma veiculada pela IN SRF nº 32/2001, a despeito de ser aparentemente interpretativa, altera norma de regulação da mesma matéria em sentido com ela contraditório, provocando majoração de tributo, não pode ter efeitos retroativos, conforme já decidiu o STF no julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, no julgamento da questão relativa aos efeitos interpretativos do art. 4º, 2ª parte, da Lei Complementar nº118/2005. Vejamos o posicionamento adotado no voto condutor: “Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a jurisprudência do STJ no sentido de que o prazo para a repetição ou compensação de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação era, na prática, de 10 anos. A posição do STJ tinha como fundamento o entendimento de que o prazo de cinco anos a partir da extinção do crédito, estabelecido pelo art. 168, I, do CTN, contavase do decurso do prazo, também de cinco anos, mas desde o fato gerador, para a homologação do pagamento, previsto no art. 150, §4º, do CTN, totalizando dez anos contados do fato gerador. Tal entendimento considerava, ainda, o texto do art. 156, VII, do CTN no sentido de que a extinção do crédito se dá com “o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§1º e 4º”. Transcrevo os dispositivos implicados” ... “Não é o caso de nos debruçarmos sobre tais dispositivos. Basta ter em consideração que o Superior Tribunal de Justiça é o tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal, nos termos do art. 105, II, da Constituição de 1988. E, há muito, esse Tribunal firmara posição.” ... “Assim, considerandose que o STJ havia consolidado entendimento no sentido de que o CTN fixara o prazo para repetição ou compensação de indébito tributário em 10 anos contados do fato gerador quando se tratasse de tributo sujeito a lançamento por homologação, é preciso reconhecer que a interpretação imposta pela LC 118/05 implicou redução do prazo, de 10 para 5 anos.” ... “Impõese considerar a LC 118/05, pois, como lei nova, e assim, analisála.” ... “Isto posto, conheço do recurso extraordinário da União, mas, reconhecendo a inconstitucionalidade do art.4º, segunda parte, Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.058 16 da LC 118/05 por violação do princípio da segurança jurídica, nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à justiça, com suporte implícito e expresso nos art.1º e 5º, inciso XXXV, e considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, nego lhe provimento.” Além disso, tenho por certa a alegação de que de fato as IN SRF nº 32/2001 e 243/2002 buscaram dar tratamento diverso à questão, suprimindo a faculdade indevida, porém anteriormente concedida pela IN SRF nº 38/97. Indevida, porque, a meu ver, em desacordo com o art. 18 da Lei nº 9.430/96, e porque sua aplicação gera distorções comparativas, ao confrontar situações que não estão at arm’s length. Porém, efetivamente concedida, pois na redação da norma precedente (IN SRF nº 38/97) é utilizada a expressão “poderão”, relativamente à adição de tais custos. Neste sentido, já decidiu, à unanimidade, a antiga 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cujo voto condutor do julgamento (processo nº 16327.000966/200274 Conselheiro Relator Alexandre Antônio Alkmim Teixeira) assim analisou a matéria: Não pode, assim, referidas parcelas serem excluídas da composição do custo a ser considerado na importação. E não se está falando, aqui, de aplicação retroativa da IN n°. 32/01. Isso porque a disposição constante da IN n°. 38/97 de que os valores de transporte e seguro poderão integrar o custo de bens adquiridos do exterior não pode fugir à própria disposição da lei que é tomada como seu fundamento, sendo lida nos termos do disposto no parágrafo 60 do art. 18 da Lei n°. 9.430/96. Não consiste, assim, a reclamada disposição da IN/97, em mera faculdade do Contribuinte, mas senão um dever de, na composição do custo de importação, adicionar os valores referentes ao frete e seguro.(grifo meu) Já a norma posterior (IN SRF nº 32/2001), relativamente ao método PRL utilliza a expressão “serão integrados ao preço”. Vejamos os dispositivos em cotejo: IN SRF nº 38/97 Art. 4º... § 4º Na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, poderão, também, ser computados os valores do transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação. IN SRF nº 32/2001 Art. 4º ... § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço os valores de transporte e seguro, Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.059 17 cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. § 5º Nos preços apurados com base nos arts. 8º e 13, os valores referidos no parágrafo anterior poderão ser adicionados ao custo dos bens adquiridos no exterior, desde que sejam, da mesma forma, considerados no preço praticado para fins de dedutibilidade na tributação do lucro real. Entendo, todavia, que o vocábulo “poderão”, vez que corresponde ao modal deôntico “permitido”, inclui necessariamente a permissão de fazer, bem como a permissão de não fazer, e neste sentido, sua substituição pelo modal “obrigatório”, introduzido pela nova legislação restringe o espectro de ação do sujeito passivo, implicando, no caso vertente, aumento de tributo. Tal interpretação está em harmonia com a interpretação que faço de que a expressão para efeito de dedutibilidade, constante do §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não tem sentido se não aplicada à sistemática dos preços de transferência, mas apenas, e tão somente para efeito de prescrever regra de dedutibilidade face à composição do lucro real. Isto porque, desta forma, ao disciplinar o quanto prescrito na lei, a instrução normativa não quis se referir à mera questão da dedutibilidade no caso da IN SRF nº 38/97, mas à disciplina efetiva dos preços de transferência. O ato administrativo contrário à lei que lhe confere fundamento de validade, não produz efeitos, sendo acertada, portanto, a cobrança dos tributos, em conformidade com o art. 18 da Lei nº 9.430/96. Entretanto, como regra geral, o ato administrativo possui presunção de legitimidade e exterioriza a forma como a Administração Tributária interpreta a lei. Desta forma, o contribuinte que segue seus termos não deve, posteriormente, ser penalizado. Tal situação configuraria deslealdade procedimental, que não pode ser aceita, especialmente, porque promovida pelo Poder Público, que, necessariamente deve agir com lealdade, conferindo, assim, em última análise, segurança jurídica aos administrados, conforme estabelece implicitamente a Constituição e de forma explícita o art.2º da Lei nº 9.784/99, in verbis: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Como a IN SRF nº 38/97 estava em vigor ao tempo dos fatos, embora fosse contrária à lei, e não é possível reconhecer efeitos retroativos à IN SRF nº 32/2001, agiu a recorrente em conformidade com tal ato normativo expedido, não estando sujeita, assim, à imposição de penalidades e cobrança de juros de mora, nos termos do art. 100 do CTN, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.060 18 Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.(grifos meus) Em memorial prévio, a recorrente alega, ainda, alteração na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no recente julgamento do processo nº 16327.000966/200274, que cancelou o próprio lançamento, por ter entendido o colegiado, por maioria de votos, que a autoridade administrativa não poderia atuar em desconformidade com a IN SRF nº 38/97, tendo, assim, extrapolado sua competência, ao não observar as determinações do Poder Executivo. Entendeuse, assim, que estava a autoridade administrativa, à época, vinculada à Instrução Normativa, bem como ao direito por ela conferido ao contribuinte. Apenas outro ato administrativo, de mesma ou superior hierarquia poderia revogar aquele vigente. Todavia, com a devida venia, não posso concordar com o entendimento esposado. No meu entender, a vinculação a que se sujeita a autoridade administrativa (art. 142 do CTN) é do procedimento de lançamento à lei e não aos atos administrativos de hierarquia inferior, baixados pelo Poder Executivo, se em desconformidade com aquela. Celso Antônio Bandeira de Mello1 afirma sobre os atos vinculados que nestes, A Administração pratica sem margem alguma de liberdade para decidirse, pois a lei previamente tipificou o único possível comportamento diante da hipótese prefigurada em termos objetivos.(grifo meu) Maria Sylvia Zanella di Pietro2, no mesmo sentido leciona que Os poderes que exerce o administrador público são regrados pelo sistema jurídico vigente. Não pode a autoridade ultrapassar os limites que a lei traça à sua atividade, sob pena de ilegalidade. No entanto, esse regramento pode atingir os vários aspectos de uma atividade determinada; neste caso se diz que o poder da Administração é vinculado, porque a lei não deixou opções; ela estabelece que, diante de determinados requisitos, a Administração deve agir de tal ou qual forma. (grifos meus). A ação administrativa em conformidade com a lei, mesmo que desobedeça norma administrativa infralegal não constitui nem mesmo motivo para aplicação de qualquer penalidade à autoridade administrativa, pois, de acordo com o art. 116, IV, da Lei nº 8112/90, a ordem manifestamente ilegal pode ser descumprida, verbis: 1 Celso Antônio Bandeira de Mello, in Curso de Direito Administrativo, 28ªed, Malheiros, São Paulo, p.424. 2 Maria Sylvia Zanella di Pietro, in Direito Administrativo, 9ª ed, Atlas, São Paulo, p.176. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.002124/200508 Acórdão n.º 130200.785 S1C3T2 Fl. 1.061 19 Art. 116. São deveres do servidor: IV cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais; (grifos meus) Neste sentido, sou pela exoneração exclusiva das penalidades e juros de mora. Assim, voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do crédito tributário lançado as multas lançadas e os juros de mora cobrados. Sala das Sessões, 23 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10620.900186/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
Ementa: PER/DCOMP. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE.
Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp transmitido, é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório. Inexistente a retificação até aquele momento, a análise deve ter como base exclusivamente o teor do documento original.
Numero da decisão: 1102-000.617
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp transmitido, é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório. Inexistente a retificação até aquele momento, a análise deve ter como base exclusivamente o teor do documento original.
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ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp transmitido, é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório. Inexistente a retificação até aquele momento, a análise deve ter como base exclusivamente o teor do documento original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e João Carlos de Figueiredo Neto Relatório Fl. 140DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 2 Trata o presente de PER/Dcomp para compensação de débito da CSLL referente a valor dessa contribuição devido a título de estimativas correspondente ao fato gerador fev/2003, com suposto crédito da CSLL relativo a pagamento indevido realizado em 28/02/2003 O PER/Dcomp não foi homologado em função de não ter sido localizado o DARF referente ao pagamento informado, que teria gerado o crédito. Em manifestação da inconformidade a interessada alega, em síntese, que cometeu equívoco no preenchimento do PER/Dcomp, pois o crédito correto a ser informado corresponderia ao saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário de 2000. Sustenta que o engano não seria motivo para o indeferimento do pleito tendo em vista o princípio da verdade material que, inclusive, faz parte da jurisprudência do CARF. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG prolatou o Acórdão 0223.049 negando provimento à manifestação de inconformidade por entender que a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação (artigo 56 da IN SRF n° 460 de 18/10/2004, artigo 57 da IN SRF n° 600 de 28/12/2005 e artigo 77 da IN/RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008) que admite a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10620.900186/200659 Acórdão n.º 110200617 S1C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O cerne da querela consiste na comprovação da existência do crédito utilizado para compensar a CSLL devida a título de estimativa no mês de fevereiro de 2003. No PER/DCOMP de que trata o presente, o crédito informado corresponderia a pagamento indevido efetuado em 28/02/2003. Não homologado o pleito, com a informação de que o DARF referente a tal pagamento não teria sido localizado, a interessada ter cometido equívoco na informação prestada e sustenta que o crédito referese ao saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário de 2000. Conforme ressaltado pela decisão recorrida, a interessada foi cientificada do indeferimento do pleito e intimada a realizar as devidas retificações no PER/DCOMP. Quedouse inerte e, portanto, nada mais natural que a compensação não fosse homologada. Por óbvio que a análise do PER/DCOMP deve se ater às informações nele contidas, pois é no bojo desse documento que constam, ou deveriam constar, as intenções do declarante. Daí porque, sem a retificação pertinente, a decisão recorrida não poderia manifestarse de outra forma. Não se trata, conforme alegado, de um excesso burocrático, mas do princípio processual básico de julgar o pleito nos termos do que foi pedido. Registrese ainda que, nos termos bem colocados pela decisão recorrida, a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida pois a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados. Tal procedimento é vedado pela legislação de regência, a qual já vigorava quando a interessada suscitou o preenchimento equivocado da Declaração. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 19/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005109/2005-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
IRPF. DESPESAS MÉDICO ODONTOLÓGICAS.
FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 IRPF. DESPESAS MÉDICO ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado.
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 61DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.005109/200526 Acórdão n.º 210201.642 S2C1T2 Fl. 60 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 48 a 51 da instância a quo, in verbis: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Salvador emitiu em nome do contribuinte acima identificado Auto de Infração (fls. 07/12), referente ao imposto de renda pessoa física, exercícios 2002, 2003 e 2004; anoscalendário 2001, 2002 e 2003, decorrente de procedimento fiscal, do qual o contribuinte foi cientificado em 19/04/2005. O contribuinte, ainda em abril de 2005, compareceu à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) solicitando prorrogação do prazo (fl. 5) e informando que os elementos comprobatórios das despesas médicas se encontravam em poder de outrem, seu contador (fl. 6). Em 29/06/2005, transcorridos mais de 2 meses sem a apresentação de quaisquer elementos probatórios ou de qualquer fato novo, foi lavrado o Auto de Infração. Foram glosadas integralmente as deduções relativas a despesas médicas, em virtude do contribuinte, regularmente intimado, não as ter comprovado, apurandose, então, imposto de renda devido de R$10.924,44, que acrescido de multa e juros de mora totaliza R$23.026,67. Notificado em 05/07/2005, o contribuinte apresenta impugnação (fls. 26/37) alegando a nulidade do Auto de Infração, cerceamento do direito de defesa, juros de mora indevidos, multa confiscatória e excesso de exação. Ressaltese que o contribuinte não anexou à impugnação quaisquer elementos probatórios das deduções glosadas pela RFB. Considerando esses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares argüidas e no mérito, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, pela falta de apresentação de provas e previsão legal, já que os argumentos da recorrente foram improcedentes, no seu entender, diante dos fatos postos nos autos, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA. Cabível a glosa de despesas médicas não comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 55/56, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Com efeito, pelas razões já expendidas, o motivo pelo qual, o recorrente subscritor deixou de apresentar a documentação pertinente, não decorreu absolutamente de Fl. 62DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.005109/200526 Acórdão n.º 210201.642 S2C1T2 Fl. 61 3 sua vontade, e, vale destacar, já buscou todas as formas de localizar o referido profissional, não obstante, até a presente não ter logrado êxito. II. Eméritos, julgadores, tão somente pelo fato do profissional ter desaparecido e possuir os documentos, não é motivo para ser julgado procedente o auto de infração. Como poderei ser penalizado por não apresentar os documentos se não os possuo, por motivo totalmente alheio a minha vontade? III. Por tantas e tais razões, confia, espera e requer, seja o presente recurso, conhecido e provido para, ser determinado o arquivamento do processo, uma vez que o contribuinte é pessoa idônea e cumpridora de suas obrigações. Não tendo condições de arcar com o saldo do imposto e mais a multa. Única forma de se consumar, a plena e meridiana Justiça. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Cuida o presente processo de glosa dedução pleiteada a título de despesas médicas, na Declaração de Ajuste Anual, relativa aos exercícios 2001, 2002 e 2003. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 63DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.005109/200526 Acórdão n.º 210201.642 S2C1T2 Fl. 62 4 Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Ocorre que o contribuinte nada trouxe ao processo, nas fases de auditoria e julgamentos de primeira instância e, agora, segunda instância no sentindo de provar a efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. O contribuinte faz algumas colocações indicando que a falta de apresentação da documentação pertinente não decorreu absolutamente de sua vontade mas da impossibilidade de localizar o referido profissional. Nesse sentido, devese observar que, no âmbito do direito tributário, vige o princípio da estrita legalidade. Para que determinada situação exerça influência na apuração do tributo, é necessário que esteja expressamente definida essa circunstância na legislação e não sendo não há como considerar este argumento na apreciação do litígio. A responsabilidade dessa prova requerida é integralmente do contribuinte que se beneficiou da dedução e não pode socorrer o sujeito passivo o argumento expendido de transferir a sua responsabilidade de prova a terceiro. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica se o fato econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.005109/200526 Acórdão n.º 210201.642 S2C1T2 Fl. 63 5 Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que o Fisco deveria comprovar, p.ex., o nãopagamento dos valores consignados nos recibos e a nãoefetivação dos serviços, ou ainda, verificar se os prestadores declararam os valores recebidos. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1o CC 104 – 16647/1998) Considerando o exposto acima, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 65DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002383/2005-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela interne
Numero da decisão: 9101-000.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz que negava provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10950.002383/2005-98 Recurso n° Especial do Procurador Acórdão n° 9101 -00927 — 8a Turma Sessão de 29 de março de 2011 Matéria DCTF. Multa por atraso. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado YSOS & S ADMINISTRACAO DE BENS PROPRIOS LTDA Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela interne. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz que negava provimento ao recurso. Ca o Marcos Cândido - Fite idente diltriviane Vidal agner - Relatora 10 PA I 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Allunim Teixeira, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. (7- , Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁ RIOS FEDERAIS - DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA A contribuinte que, obrigada a entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se á multa estabelecida na legislação de regência. Entretanto, quando a entrega intempestiva se dá por problemas ocorridos com o sistema de transmissão da Receita Federal do Brasil, não pode ser imputado ao contribuinte qualquer penalidade. A Camara a quo deu provimento ao recurso voluntário reconhecendo a entrega tempestiva da DCTF. Inconformada, a Fazenda Nacional, interpôs o presente recurso especial de divergência, apresentando paradigma que decidiu em sentido contrário, in verbis: Assunto: Obriga cães Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁR IOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.POSSIBILIDADE. 0 atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. Em contrarrazões, o contribuinte sustenta a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. 2 Processo n° 10950.002383/2005-98 CSRF-T8 Acórdão n.° 9101 -00927 Fl. 2 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora Presentes os pressupostos recursais, o recurso é de ser conhecido. A discussão cinge-se A. validade ou não do auto de infração de imposição de multa por atraso na entrega de DCTF entregue após a data da prorrogação definida no Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 8 de abril de 2005, que estabeleceu, ipsis litteris: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4° trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. 0 voto condutor do acórdão recorrido sustenta que, em razão da publicidade do ato ter se dado apenas com a publicação no Diário Oficial da Unido em 12.04.2005, devem ser consideradas tempestivas as entregas de DCTF, relativas ao 4° trimestre de 2004, efetuadas ate essa data. Esse argumento, no meu entender, não merece prosperar. Como decidiu esta colenda Primeira Turma da CSRF em sessão realizada em fevereiro de 2011, a prorrogação do prazo da entrega da DCTF do 40 trimestre de 2004 não teve força de torná-lo indefinido. Posso acrescentar: ainda que a publicação do ato tenha se dado quase dois meses após o ocorrido, não se subsume disso o alargamento do prazo até a data de sua publicação. A Secretaria da Receita Federal é o órgão competente para estabelecer o prazo de entrega da DCTF, conforme dispõe a Lei n° 10.426, de 2002, que alterou a sistemática de apuração da multa devida pelo atraso na entrega de declarações, in verbis: Art. 700 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informa coes Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributcirios Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirfi, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á ás seguintes multas: (destaquei) 3 Com fundamento no disposto no art. 5 0 do Decreto-lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, e no art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 255, em 11 de dezembro de 2002, dispondo sobre a forma e o prazo de entrega da DCTF, verbis: Da Forma de Apresentação Art. 4o A DCTF sera apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Do Local e do Prazo de Entrega Art. 5o A DCTF devera ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, sendo transmitida via Internet, na forma determinada pela Secretaria da Receita Federal. (destaquei) A regra geral no ordenamento jurídico brasileiro é que, na impossibilidade material de cumprimento do prazo na data fatal, prorroga-se o mesmo para o primeiro dia útil seguinte. No caso sob análise, o contribuinte ficou impossibilitado de entregar a DCTF do 40 trimestre de 2004 dentro do prazo previsto na legislação, assim como os demais que deixaram para cumprir a obrigação acessória no último dia do prazo, em razão de problemas técnicos no sistema eletrônico disponível para a transmissão de declarações. O próprio órgão competente reconheceu o problema e considerou entregues no prazo as declarações enviadas pela internet até o dia 18 de fevereiro de 2005, resguardando o direito daqueles que insistiram na entrega logo após a pane. Sendo ônus do contribuinte, não restou demonstrado nos autos a impossibilidade de entrega nos dias subsequentes. Por dedução lógica, tal prova nem seria possível, visto que a maioria dos contribuintes em idêntica situação conseguiu apresentar a declaração naquele período, ficando exonerada da multa. No presente caso, apenas vários dias após o fim do prazo original, o contribuinte enviou sua declaração pela interne, extrapolando o prazo prorrogado pelo ADE SRF n° 24/2005. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Viviane Vidal Wagner 4
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000730/2007-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003
COFINS/FATURAMENTO. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO.
As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo da Cofins, apurada a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas.
NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS.
A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.595
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 COFINS/FATURAMENTO. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo da Cofins, apurada a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas. NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 COFINS/FATURAMENTO. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo da Cofins, apurada a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas. NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 673DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Com ciência à interessada em 26/04/2007, foi lavrado Auto de Infração pela exigência da Cofins e para o período de apuração compreendido entre 31/01/2001 a 31/12/2003. O lançamento ocorreu em virtude da interessada excluir “as importâncias correspondentes aos valores pagos ou repassados a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, que discrimina na NF como “rateio das notas fiscais de veiculação publicitária em mídias – TV/rádio/jornal/revista/outdoor e placas em estádios” (...)” (fl. 397). Em impugnação, a interessada sustenta que os valores que recebe para posterior entrega a terceiros não compõem o preço cobrado, assim não constituindo receita própria. Neste sentido, reclama a estrita observação ao Decreto nº 57.690/66, que regulamentou a Lei nº 4.680/65. Reclama, também, a decadência dos fatos geradores anteriores a 26/04/2002, com fundamento no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. A Quarta Turma da DRJ/RPO, à unanimidade, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 1416.551 (fls. 482 e seguintes). Inconformada, a interessada recorre a este Segundo Conselho repisando seus argumentos de impugnação. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 COFINS. DECADÊNCIA. Decai em 05 (cinco) anos o prazo para a Fazenda promover o lançamento da Cofins, conforme decisão plenária do Supremo Tribunal Federal em análise de Repercussão Geral da matéria, objeto da Súmula nº 08/STF. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo da Cofins, apurada a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas. Fl. 674DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000730/200798 Acórdão n.º 930301.595 CSRFT3 Fl. 659 3 NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. Recurso provido em parte. Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, fls. 563 a 590, onde defendeu a reforma do acórdão em foco, repisando, em síntese, os mesmos argumentos expendidos no recurso voluntário. O presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso do especial, nos termos do despacho de fl.634. Contrarrazões ao especial do Sujeito Passivo vieram às fls. 637 a 642. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelas agências de propaganda. De um lado, a Fazenda entende que a contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão dos valores pagos por ela aos veículos de divulgação. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos efetuados aos veículos de divulgação, para tanto, a defesa socorrese da Lei 4.680/65 que dispõe sobre o exercício da profissão de publicitário e de agenciador de propaganda. Acontece, porém, que essa lei não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências Fl. 675DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 publicitárias e pelos veículos de divulgação, á época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. De outro lado, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associada ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. De outro lado, como já dito linhas acima, não se pode aplicar a essa contribuição os mesmos critérios adotados para o IRPJ e para a CSLL, que tem forma diversa de tributação. Aqui, peço licença para transcrever excerto do voto condutor do acórdão recorrido, da Lavra do eminente Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que discorreu sobre o tema com a costumeira competência. Para o deslinde da questão importa analisar, primeiro, a legislação afeta ao mercado de propaganda e publicidade, visando definir se os pagamentos efetuados pela recorrente aos veículos seriam meros repasses financeiros, ou seriam custos, como considerou a Fiscalização, e também para saber de que modo as agências de propaganda devem faturar os serviços por elas prestados; segundo, analisar as bases de cálculo do PIS, do IRPJ e do ISS, para saber se as legislações dos dois impostos podem ser aplicadas à contribuição; terceiro, as decisões administrativas citadas, que supostamente confirmariam os argumentos da recorrente. A Lei nº 4.680/65, como sua ementa indica, dispõe “sobre o exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda e dá outras providências.” Após definir que agenciadores são “os profissionais que, vinculados aos veículos da divulgação, a eles encaminhem propaganda por conta de terceiros” (art. 2º), e que agência é a pessoa jurídica especializada em publicidade (art. 3º), estabelece no seu art. 11 que a comissão constitui a remuneração dos agenciadores, enquanto o desconto a remuneração das agências, sendo ambas fixadas pelos veículos de divulgação, sobre os preços estabelecidos em tabela destes. A finalidade da referida Lei é regular as profissões de publicitário e agenciador de propaganda e não o mercado de propaganda e publicidade. Tanto assim que nos seus artigos finais determinou a sua fiscalização a cargo do antigo Departamento Nacional do Trabalho, enquanto sua regulamentação ficou para o Ministério do Trabalho. Além do mais, o meio da publicidade não funciona como prevê a lei, sendo comum as agências substituírem as pessoas físicas que Fl. 676DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000730/200798 Acórdão n.º 930301.595 CSRFT3 Fl. 660 5 exercem a atividade regulamentada de agenciador de propaganda. Embora o artigo 17 da referida Lei nº 4.680/65 estabeleça que a atividade publicitária nacional será regida pelos princípios e normas do Código de Ética dos Profissionais da Propaganda, instituído em 1957, nem na Lei, nem no Código, há qualquer dispositivo de índole tributária, tampouco dispondo sobre os valores das faturas/notas fiscais a serem emitidas pelas agências ou pelos veículos de propaganda. As disposições acerca do faturamento, mas não sobre os valores de faturas ou notas fiscais, repitase, encontramse no Decreto nº 4.680/65, que dispõe: “Art 9º Nas relações entre a Agência e o cliente serão observados os seguintes princípios básicos. (...) IV O Cliente comprometerseá a liquidar à vista, ou no prazo máximo de trinta (30) dias, as notas de honorários e de despesas apresentadas pela Agência. (...) Art 15. O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo à Agência responsável pala propaganda.” (Grifos nosso) Os dois dispositivos acima precisam ser lidos em conjunto, impondose uma interpretação sistemática. Assim, percebese que a agência poderá cobrar os seus honorários e apresentar ao anunciante as despesas que realizar. Todavia, cada nota fiscal ou fatura deve ser emitida com o valor dos serviços que cada empresa realizar: a da agência com o valor dos seus diversos serviços, a do veículo com o valor da veiculação. Uma fatura englobando as outras, como no caso em tela, é prova de que quem emitiu pelo total contratou todos os serviços. Por que o veículo deve remeter a sua fatura à agência de propaganda? Para que esta confira os serviços e apresentea ao anunciante, demonstrando que a propaganda elaborada foi devidamente veiculada e que cada um (agência e veículo) possa receber a sua parte, a par das faturas emitidas, na forma dos contratos firmados. A interpretação feita pela recorrente não se sustenta porque transforma simples apresentação da fatura do veículo, ao anunciante, numa suposta obrigatoriedade de emissão da sua fatura por valor irreal, que não refletiria as operações. Pretende fazer prevalecer sobre a legislação tributária e comercial dispositivos isolados da Lei nº 4.680/65 e do Decreto que a regulamenta, numa interpretação assaz desarrazoada que não encontra guarida nem ao menos na literalidade dos texto legal. Fl. 677DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 As agências de propaganda desenvolvem atividades complexas, sendo remunerada de diversas formas, tanto por parte dos veículos quanto pelos clientesanunciantes. Neste sentido a própria recorrente informa que tal remuneração pode ser decomposta em três parcelas: honorários à base de 20%, cobrados dos veículos; honorários de no mínimo 15%, cobrados dos clientesanunciantes; e honorários diversos, por serviços especiais, como pesquisas de mercado, promoção de vendas, relações públicas, etc. Destarte, uma agência pode realizar os contratos mais diversos, tanto com os seus anunciantes quanto com os veículos, a depender de cada situação específica. O desconto a ser recebido dos veículos, de que fala o art. 11 da Lei nº 4.680/65, é apenas uma das formas possíveis de remuneração, constituindose na hipótese em que a agência é remunerada pelos veículos e não pelos anunciantes. A hipótese dos autos é outra, pois a recorrente, ao emitir a nota fiscal/fatura pelo valor total dos serviços, deixa caracterizado um contrato em que é remunerada de forma global pelos anunciantes. Tratase de um “pacote fechado”, nos quais dentre outros serviços encontrase o de veiculação, a ser contratado junto a emissoras de televisão, rádios, editoras, etc. Daí os pagamentos aos veículos serem custos e não meros repasses financeiros. Neste ponto cabe destacar que a fatura é o documento comprobatório de um serviço prestado ao seu destinatário por quem a emite, no valor da importância total nela consignada. É o que informa o art. 20 da Lei nº 5.474/68, cuja dicção é a seguinte: “Art. 20. As emprêsas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. § 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados.” (destaque nosso) Interpretando o artigo acima, Rubens Requião informa que “a fatura discriminará a natureza do serviço prestado, e a soma a pagar corresponderá ao seu valor.”1 Valor este que corresponde a receita auferida pela recorrente, embora parte dela seja destinada aos veículos de propaganda. Ressaltese que após emitida a fatura o prestador dos serviços poderá acompanhála de duplicata, que como se sabe é título executivo extrajudicial. Ou seja, a recorrente tornase titular do direito de crédito junto ao anunciante, no valor da fatura emitida. No caso dos autos, em que os veículos também emitem notas fiscais contra os anunciantes, de forma que a soma dos 1 In Curso de Direito Comercial, São Paulo, Saraiva, 2º vol., p. 461. Fl. 678DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000730/200798 Acórdão n.º 930301.595 CSRFT3 Fl. 661 7 documentos comerciais resulta num valor superior à soma dos serviços, o procedimento não está correto. Os veículos deveriam faturar em nome da recorrente. Da forma como está há duplicidade de valores faturados contra o anunciante. De todo modo, e apesar da incorreção, o fato de a recorrente ter em seu poder vias de notas fiscais emitidas por terceiros contra o seu credor, o anunciante, não lhe permite deduzir tais valores da sua receita bruta. Até porque é certo que o PIS também incidirá sobre os valores faturados pelos veículos, em face da sua incidência em cascata ou bis in idem (bis repetição; in idem sobre o mesmo). Passase agora à análise da base de cálculo do PIS, que no período é o faturamento ou receita bruta, na forma das Leis nºs 9.715/98 e 9.718/98, sendo despiciendo analisar as alterações promovidas por esta última. Do total das receitas auferidas, relativas a vendas de mercadorias e prestação de serviços, não são deduzidos os custos ou despesas, ainda que o resultado implique em prejuízo. Daí não se aplicar ao PIS nem à Cofins o conceito contábil de receita como acréscimo patrimonial, não havendo nisto qualquer ofensa ao art. 110 do CTN. Neste sentido o pronunciamento do STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, mais precisamente no voto do relator, Min. Moreira Alves, ao acentuar a conceituação de faturamento para fins tributários, nos termos da LC nº 70/91. Também não tem qualquer importância a contabilidade, não alterando a base de cálculo do PIS a apropriação dos valores recebidos dos anunciantes, na parte destinada aos veículos, em conta do passivo. Como obrigações também podem ser apropriados outros custos e despesas, sem qualquer influência no cálculo do PIS. Neste sentido a Lei nº 9.718/98 veio explicitar, no seu art. 3º, § 1º, que “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” As deduções possíveis na base de cálculo do PIS são somente aquelas elencadas expressamente em lei, a depender das especificidades de cada atividade. Assim acontece, por exemplo, com as sociedades cooperativas, as instituições financeiras e as operadoras de planos de saúde, mas não com a atividade de propaganda e publicidade, sujeitas às mesmas regras das outras prestadoras de serviços. No IRPJ, bem diferente do PIS e da Cofins, a base de cálculo é a renda ou resultado do período, podendo ser deduzidos das receitas os custos e as despesas incorridos. Por isto é que a legislação do IRPJ prevê que a retenção desse imposto, na atividade de agência de propaganda, se dê sobre o valor líquido, após a dedução dos pagamentos aos veículos. Quanto à IN Conjunta SRF/STN/SFC nº 04/97, cujo art. 13 é citado no Recurso, determina que a retenção se dê sobre o valor Fl. 679DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 de cada nota fiscal, não podendo ser aplicada como pretende a recorrente. Observese: “Art. 13. Nos pagamentos de serviços de propaganda e publicidade, quando efetuados por intermédio de agência de propaganda, a retenção será efetuada em relação a esta e a cada uma das demais pessoas jurídicas prestadoras do serviço, pelo valor das respectivas notas fiscais de sua emissão. (...) § 3º O valor do imposto e das contribuições retido será compensado pela empresa emitente da nota fiscal, na proporção de suas receitas, devendo o comprovante de retenção ser fornecido em seu nome.” O ISS, por sua vez, é tributo cuja base de cálculo pode variar de um Município para outro, no âmbito de suas competências tributárias. Dessarte, sua legislação, assim como a do IRPJ, não podem ser aplicadas ao PIS, como já assentado na decisão de primeira instância. Adentrase agora no terceiro e último ponto desta análise, cabendo afirmar que, do mesmo modo como a legislação do IRPJ não pode ser aplicada ao PIS, também assim acontece com as decisões administrativas citadas no Recurso, quase todas relativas a esse imposto ou a CSLL, que lhe segue. Apenas Solução de Consulta da SRRF da 7ª Região Fiscal nº 350/98 e o Acórdão nº 20173.944 é que dizem respeito à contribuição. Esta Solução de Consulta da SRRF da 7ª Região Fiscal nº 350/98 informa que as agências de turismo podem excluir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores repassados às empresas de transportes aéreos, relativamente às vendas de passagens. Tratase de vendas em consignação, que não é o caso das agências de propaganda. Quanto ao Acórdão nº 20173.944, invocado sob o argumento de que cabe à fiscalização comprovar que os valores arrecadados por ordem dos veículos de propaganda se constituem em receita por ela auferida, trata da Cofins em situação distinta da dos autos e que serve, inclusive, para demonstrar a diversidade dos contratos no ramo da publicidade. Conforme o relatório daquele julgado, ali o preço total do serviço publicitário, incluindo a veiculação, é contratado diretamente entre o cliente anunciante e a agência, havendo duas formas de pagamento. No chamado “desconto” o veículo recebe diretamente do anunciante oitenta por cento do total, emitindo nota fiscal nesse valor, enquanto a agência recebe também do anunciante o restante, faturando o equivalente a vinte por cento. Já na chamada “comissão” a situação é semelhante à destes autos, com o veículo no lugar da agência. Na primeira situação não há dúvida quanto à tributação, até porque os valores e faturas são independentes. Na segunda, todavia, o veículo fatura pelo total e emite a duplicata correspondente, cobrando o total mas considerando não tributável a parcela que repassará para a agência, a título de Fl. 680DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000730/200798 Acórdão n.º 930301.595 CSRFT3 Fl. 662 9 comissão. O ilustre relator, Conselheiro Jorge Freire fundamentase em julgamento anterior Recurso nº 109.019 , quando ficou assentado que o valor referente ao repasse de verbas de empresas consorciadas, para empresa responsável pela administração de obra a cargo daquelas, não constituía faturamento a ensejar a incidência da norma impositiva. Não aplicaria o mesmo fundamento, pelo que chego a conclusão diferente. Tanto no julgado mais antigo, relativo a obra subcontratada, quanto no Acórdão nº 20173.944, em que o veículo de divulgação fatura e recebe pelo total dos serviços, para efeito de base de cálculo do PIS deve ser tomada a soma dos valores faturados por cada empresa. É vedado o abatimento em virtude de subcontratos e também o decorrente de repasses dos veículos de propaganda às agências. De igual modo neste julgado, em que a emissão de faturas/notas fiscais pelo total, por parte da recorrente, caracteriza a remuneração global a cargo dos anunciantes. A referendar a interpretação ora adotada, cabe mencionar que esta Terceira Câmara, por unanimidade de votos, já decidiu conforme a ementa seguinte: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/1997 a 30/04/2000 Ementa: PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. EMPRESA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. DESCABIMENTO. Inexistia dispositivo legal à época dos fatos autorizando a exclusão da base de cálculo dos valores que, computados como receita de prestação de serviços, ou integrantes do faturamento, foram destinados a terceiros (veículos de comunicação) para fazer frente aos custos com a divulgação de propaganda.”(Acórdão nº 20312.093, Recurso nº 129.059, sessão de 24/05/2007, relator Odassi Guerzoni Filho, unânime, sendo que na mesma sessão foi julgado o processo da Cofins, com idêntico resultado Acórdão nº 20312.094, Recurso nº 129.130) Por fim, destaco que não caberia cogitar aqui da aplicação do art. 13 da Lei nº 10.925/2004, publicada em 26/07/2004, segundo o qual “O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas.” O art. 53 da Lei nº 7.450/85 trata de casos nos quais há incidência de imposto na fonte sobre alguns serviços prestados, inclusive o de propaganda, sendo que o seu parágrafo único exclui de tal retenção os valores por serviços de propaganda e publicidade, pagos diretamente ou repassados a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas. Fl. 681DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 A Lei nº 10.925/2004 introduziu norma nova relativa ao PIS e à Cofins, já sob a égide da nãocumulatividade, sendo impertinente qualquer retroatividade na sua eficácia. Desta feita, não há como atender à pretensão da recorrente de tributar apenas a receita líquida, isto é, a receita pertinente ao faturamento deduzida das despesas para sua obtenção. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 682DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 14333.000126/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 31/07/2004
Ementa: RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA.
O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado.
Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235 de 1972.
Decisão Notificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada.
Numero da decisão: 2302-001.508
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14333.000126/200710 Acórdão n.º 230201.508 S2C3T2 Fl. 1.758 3 Relatório A presente NFLD engloba as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à compensação indevida do salário família e maternidade efetuada pela entidade, conforme relatório fiscal às fls. 43 e 44. Não concordando com o lançamento, a autuada apresentou impugnação, conforme fls. 47 a 50; juntando cópias. Foi comandada diligência pela Receita Previdenciária, fls. 1.254 e 1.255; tendo a fiscalização prestado informações às fls. 1.257. O órgão previdenciário emitiu a decisão de fls. 1.259 a 1.262 mantendo a autuação na integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso, fls. 1.267 a 1.270. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1.754. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Previdenciária antes da emissão da decisão, comandou diligência fiscal para esclarecimentos, fls. 1.254 e 1.255. Como resultado dessa diligência, a fiscalização prestou informações, fls. 1.257. Não há provas de que o recorrente foi cientificado da juntada das fls. 1.254 a 1.257, sendo emitida a DecisãoNotificação sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pela fiscalização ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarrazões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. De acordo com o previsto no art. 32 da Portaria MPS n ° 520/2004, que regia o contencioso administrativo na época, as decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. No mesmo sentido é o disposto no art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Assim, deve ser anulada a DecisãoNotificação, reabrindose o prazo para manifestação, conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência às fls. 1.254 a 1.257. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR a DECISÃO de primeira instância administrativa. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14333.000126/200710 Acórdão n.º 230201.508 S2C3T2 Fl. 1.759 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10830.000830/98-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 13/01/1995 a 24/05/1995
DRAWBACK. NACIONALIZAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
O regime drawback permite a importação de insumos com a suspensão da exigibilidade do pagamento dos tributos devidos desde que sejam destinados à elaboração de produtos a serem exportados. No caso do beneficiário não cumprir com o pactuado (exportação) e destinar os insumos para o consumo interno no País (nacionalizar) deverá fazer o recolhimento dos tributos devidos, que estavam com a exigibilidade suspensa até então, acrescidos da multa de mora e juros moratórios
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea somente estará caracterizada quando o Sujeito Passivo, antes de qualquer procedimento de ofício, confessa o ilícito praticado e, se houver tributo a pagar, o faz na sua integralidade acrescido dos consectários legais pertinente à mora. O pagamento, apenas do principal, descaracteriza a hipótese de denúncia espontânea.
IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS
A ausência de pagamento integral do crédito tributário legitima o lançamento de ofício para exigir insuficiências de recolhimento constatadas, que podem ser apuradas com a sistemática da imputação proporcional dos pagamentos referentes a tributos, multa pecuniária e juros moratórios, na mesma proporção em que o pagamento o alcança.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.659
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPAQ COMPUTER BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 13/01/1995 a 24/05/1995 DRAWBACK. NACIONALIZAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O regime drawback permite a importação de insumos com a suspensão da exigibilidade do pagamento dos tributos devidos desde que sejam destinados à elaboração de produtos a serem exportados. No caso do beneficiário não cumprir com o pactuado (exportação) e destinar os insumos para o consumo interno no País (nacionalizar) deverá fazer o recolhimento dos tributos devidos, que estavam com a exigibilidade suspensa até então, acrescidos da multa de mora e juros moratórios DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea somente estará caracterizada quando o Sujeito Passivo, antes de qualquer procedimento de ofício, confessa o ilícito praticado e, se houver tributo a pagar, o faz na sua integralidade acrescido dos consectários legais pertinente à mora. O pagamento, apenas do principal, descaracteriza a hipótese de denúncia espontânea. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS A ausência de pagamento integral do crédito tributário legitima o lançamento de ofício para exigir insuficiências de recolhimento constatadas, que podem ser apuradas com a sistemática da imputação proporcional dos pagamentos referentes a tributos, multa pecuniária e juros moratórios, na mesma proporção em que o pagamento o alcança. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 961DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A Câmara recorrida assim narrou os fatos: Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/SPOII n.º 14.197, de 27 de janeiro de 2006, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 510/518), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração e por consegüinte manteve a exigência do imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados vinculado à importação, multas proporcionais aos impostos e acréscimos moratórios, cujo montante do crédito tributário apurado é de R$ 533.071,01. Transcrevo, a seguir, por bem relatar os fatos, o relatório da autoridade julgadora de primeira instância: “Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado pela falta de recolhimento de crédito tributário relativo ao II e IPI, quando da nacionalização das mercadorias amparadas pelos Atos Concessórios de Drawback Suspensão 122794/0334 de 09/12/94 e 122795/0094 de 27/03/95 e não utilizadas na produção de produtos exportados. Descrição dos Fatos, de acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal anexo ao Auto de Infração. I) Ato Concessório 122794/0334 de 09/12/94 A empresa foi beneficiada com o regime de Drawback Suspensão através do Ato Concessório 122797/0334 de 09/12/94 e posteriores alterações – Processo Administrativo 10830.000178/9511 (folhas 37 a 45), sendo o prazo de validade da exportação 09/12/95, fls. 37. Fl. 962DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.000830/9841 Acórdão n.º 930301.659 CSRFT3 Fl. 768 3 O Relatório e Comprovação de “Drawback” número 1227 96/0755, de 16/10/96 (folhas 46 a 57), relacionou as mercadorias importadas ao amparo do ato concessório sob referência mas não utilizadas nos produtos finais exportados (folhas 53 a 57). Em 11/11/1996, mais de 30 dias após o prazo de validade da exportação de 09/12/95 destaque da fiscalização (com recolhimentos datados de 30/10/96), o contribuinte apresentou petição junto à Delegacia da Receita Federal de Campinas, dando origem ao processo administrativo 10830.006389/9611, no qual a requerente afirma que: “1 (...)pretende proceder à nacionalização dos bens não aplicados nos produtos exportados, para tanto recolhendo os tributos devidos, e, cumprindo as formalidades legais; 3. (...) a requerente se dispõe a proceder ao recolhimento do II e do IPI vinculado, com atualização monetária; 4. Discorda, todavia, da exigência de juros moratórios e das multas, por entender que não há embasamento legal a suportar tal exigência; 5. Isto posto, a requerente solicita seja autorizado o processamento das DCIs contra o pagamento dos tributos, devidamente atualizados” (folhas 58 a 109). Constatou a fiscalização que pela análise dos DARF/DCI’s (fls. 60 a 109), e pela própria declaração acima transcrita, que o contribuinte, à exceção da DI 061560, de 26.05.95, quando da nacionalização não recolheu a multa de mora e nem os juros de mora. Sendo tais quantias devidas, uma vez que os tributos suspensos devem ser pagos com os acréscimos legais devidos, incluindo, entre outros, juros de mora e multa de mora, conforme legislação descrita no item III, fls. 32/33 do Relatório. Com relação à DI 034164 de 27/03/95, Adição 006, verificase também que o contribuinte não nacionalizou o mouse com 2 botões, cor cinza, PN 141649001, conforme indicado no Relatório Comprovação Drawback 122796/0755 de 16/10/96 (fls. 53). INSUMO NBM/SH PESO (KG) QTD VALOR CIF(US$) Mouse c/2 botões,P/N141649 001 8473.30.9900 380,800 2.800 17.068,29 Assim, ao valor tributável R$ 63.878,57 declarado ao contribuinte na DCI (folha 97), deve ser somado 17.068,29*0,914= 15.600,42, resultando um total de R$ 79.478,99. Com relação à DI 061560 de 26/05/95, verificase pela respectiva DCI (fls. 106 a 109) que o próprio contribuinte recolheu o crédito tributário devido, incluindo a multa de mora e Fl. 963DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 os juros de mora, tendo cumprido, com relação a esta DI, as determinações legais. À exceção da DI 061560 de 26.05.95, o contribuinte recolheu tributo a menor, conforme pode ser certificado da análise do demonstrativo de cálculos do Auto de Infração. No Auto de Infração foram considerados os valores contidos nas DCI’s apresentadas pelo contribuinte, à exceção da Adição 006 da DI 034164 de 27/03/95, conforme descrito anteriormente (mouse). Os pagamentos efetuados pelo contribuinte, conforme DARFs contidos no Processo Administrativo 10830.006389/9611 e também apresentados pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 03/10/97, foram considerados conforme demonstrativo de fls. 31 do Auto de Infração que faz parte do presente processo. II) Ato Concessório 122795/0094 de 27/03/95 O contribuinte foi beneficiado com o regime de Drawback Suspensão através do Ato Concessório 122795/0094 de 27/03/95 – Processo Administrativo 10830.002098/9546 (fls. 342) – Prazo de Validade da Exportação: 27/03/96 (fl. 342); O Relatório de Comprovação de “Drawback” número 1227 96/0151, de 22/03/96 (fls. 343 A 345), relacionou as mercadorias importadas ao amparo do ato concessório sob referência, mas não utilizadas nos produtos finais exportados (folhas 345). Em 03/04/1996, dentro do prazo de validade da exportação de 27/03/96 (com recolhimentos datados de 03/04/96), o contribuinte apresentou petição junto à Delegacia da Receita Federal de Campinas, dando origem ao processo administrativo 10830.001609/9639, no qual a requerente declara que “os insumos importados sob o A.C. 122795/0094 foram utilizados na fabricação de máquinas sob os códigos 20090216 e 210052 164, as quais se encontram em nossos estoques e se destinam exclusivamente ao mercado internacional. Isto exposto, a requerente solicita a dispensa das multas anos cálculos da nacionalização do referido Ato Concessório.” (fls. 346 a 351). Assim, verificou a fiscalização que pela análise dos DARF/DCI’s (fls. 347 a 351), e pela própria declaração acima transcrita, que o contribuinte, quando da nacionalização, não recolheu a multa de mora e nem juros de mora. Ciente do Auto de Infração em 19/02/1998, fls. 01, em 18/03/1998, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 399/406, onde, em síntese alega: 1. em face da impossibilidade de efetuar o total das exportações compromissadas a Impugnante dirigiuse, em Campinas, ao setor competente do Banco do Brasil S/A. À vista dos dados apresentados pela Impugnante o Banco do Brasil processou os Fl. 964DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.000830/9841 Acórdão n.º 930301.659 CSRFT3 Fl. 769 5 Relatórios de Comprovação nºs 122796/0755 e 122796/0151 que foram expedidos, pelo Banco, à Delegacia da Receita Federal em Campinas, também no devido tempo. Nesses relatórios foram indicados os itens de mercadorias importadas que, por não aplicadas em produtos exportados, ficaram sujeitos ao pagamento dos impostos respectivos, atém então suspensos; 2. a própria requerente dirigiuse à Delegacia da Receita Federal em Campinas reiterando a comunicação feita ao Banco do Brasil, em petições protocolizadas em 11/11/96 e 03/04/96, com as quais, denunciando a renúncia, manifestou o intuito de pagamento dos impostos suspensos, e pagandoos, embora sob cálculos por ela própria efetuados; 3. há de se suscitar dúvidas sobre a liquidez do crédito tributário apurado no Auto de Infração, mormente quanto às diferenças de impostos a que chegou; 4. entende a Impugnante que não há nenhuma diferença de impostos a pagar, donde não haver também, juros de mora (em boa parte) e multa qualquer. O incluso demonstrativo, tomando como exemplo três das declarações de importação envolvidas, demonstram isso claramente ( vide fls. 404); 5. o Auto deve se retificado, protestando a Impugnante, para tanto, pela juntada oportuna de um demonstrativo completo de eventuais diferenças que possam ser apuradas; 6. as normas operacionais que sucessivamente regulam o drawback suspensão distinguem entre inadimplemento por omissão e inadimplemento por renúncia. Diferentes as situações, diferentes são os acréscimos legais a se somarem aos impostos; 7. a inércia da DRF/Campinas na adoção das providências que lhe cabiam, fez com que a Impugnante fizesse os cálculos das diferenças de impostos a pagar, e as pagou, disso resultando que o pagamento, com relação ao Ato Concessório 00094, acabou até por ser feito dentro do prazo concedido para a exportação; 8. a mora foi da DRF/Campinas; 9. a multa de mora revelase indevida. Por outro lado, indevida se revela também a multa prescrita no Art. 44 da Lei nº 9.430/96, cuja imposição, é fora de dúvida, pressupõe o lançamento de um crédito tributário por iniciativa só da fiscalização, por isso de ofício, com a completa omissão do Contribuinte; 10. a impugnante não repele a obrigação de pagamento dos impostos até quanto devidos, vale dizer, ao pagamento de qualquer diferença a mais que se apure, se apurada for. E pretende fazêlo com a soma, apenas dos acréscimos legais devidos; 11. pede que o Auto de Infração, tal como formulado, seja declarado inepto. Fl. 965DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Através da Resolução DRJ/SPOII nº 304, de 06 de novembro de 2003, fls. 430/432, o processo retornou à repartição de origem para esclarecimentos. O processo retornou à esta DRJ com o despacho de fls. 437/441, confirmando o lançamento efetuado. Ciente da diligência, o contribuinte apresentou o expediente de fls. 446/448 ratificando suas alegações anteriores.” A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, considerando devidos os impostos incidentes na importação em razão da nacionalização das mercadorias admitidas no regime aduaneiro especial de drawback. Considerou pertinente a imputação de pagamentos, na forma em que realizada pela autoridade autuante. Julgando o feito, o Colegiado recorrido deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Assunto: Regimes Aduaneiros PERÍODO DE APURAÇÃO: 13/01/1995 a 24/05/1995 DRAWBACK. RENÚNCIA. PAGAMENTO DOS TRIBUTOS COM ACRÉSCIMOS LEGAIS. DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR IMPUTAÇÃO. Com o advento da Lei nº. 9.430/96 temse por revogado, tacitamente, o procedimento de imputação do pagamento que altera de ofício a rubrica do recolhimento do tributo para distribuição proporcional para multa e juros de mora uma vez que a criação do lançamento isolado torna inconciliável a coexistência dos dois sistemas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Inconformada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com base no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (contrariedade à lei), e, também, de divergência, pugnando pelo restabelecimento da decisão de primeira instância. O recurso foi por mim admitido, nos termos do despacho de fls. 643 a 645, ao fundamento de terem sido preenchidas as condições regimentais. Ciente do despacho em 26/09/2008, a recorrida apresentou contrarrazões ao especial fazendário (fls. 736 a 747), pugnando pela manutenção do acórdão vergastado. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 966DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.000830/9841 Acórdão n.º 930301.659 CSRFT3 Fl. 770 7 São duas as discussões principais no presente processo: (i) o cabimento de multa e juros de mora, no caso de recolhimento dos tributos incidentes na importação de mercadorias submetidas ao regime especial de drawback, quando ocorre a nacionalização destas, em virtude de não utilização no processo produtivo; (ii) a utilização da sistemática de imputação dos pagamentos, no caso de o contribuinte recolher, apenas os impostos, sem os devidos acréscimos legais. De antemão, registrese que a Recorrente reconhece que não cumpriu a condição resolutiva do regime que seria a exportação dos produtos elaborados com os insumos importados, entretanto, ao fazer o despacho para consumo (“nacionalização”) entendeu que deveria recolher apenas os impostos devidos, sem os acréscimos legais. Enfrentemos a primeira questão: (i) a multa de mora e juros de mora nos casos de pagamentos de tributos após a data prevista na legislação. O Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (aprovado pelo Decreto No. 91.030/85), em seu artigo 319, parágrafo único, previa que no caso de destinação para consumo (nacionalização de insumos importados) os tributos deveriam ser pagos com os acréscimos legais devidos, verbis: Art. 319. As mercadorias admitidas no regime que, em seu todo ou em parte, deixem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas ao seguinte procedimento: I — no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, no prazo de até trinta dias da expiração do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; c) destinação para consumo interno das mercadorias remanescentes; II — no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, deverá ser requerida a regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. III — no caso de renúncia ao benefício, deverá ser adotado, no momento da renúncia, um dos procedimentos previstos no inciso I. Parágrafo único — Na hipótese da alínea "c", inciso I, deste artigo, os tributos suspensos deverão ser pagos com os acréscimos legais devidos. (Negritei) Por sua vez, os “acréscimos legais devidos” já estavam definidos no art. 59, da Lei No. 8.383/91, assim como no art. 84, da Lei No. 8.981/95 para os fatos geradores a partir de 01/01/1995, conforme transcrição dos dispositivos que se faz abaixo: Fl. 967DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Art. 59 (Lei 8.383/91). Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Já o art. 84 da Lei 8.991/1995 assim dispunha: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; II multa de mora aplicada da seguinte forma: (...)" (Destaquei). Registrese, ainda, que artigo 61 da Lei 9.430/96, no mesmo sentido, informa que os débitos da União não pagos nos prazos previstos serão acrescidos de multa e juros de mora, nos termos seguintes: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Destarte, a expressão "acréscimos legais devidos" prescrita no parágrafo único do artigo 319 do Regulamento Aduaneiro, referese, portanto, à multa de mora e aos juros moratórios. Os dispositivos legais acima citados são extremamente claros e específicos, não comportando outras interpretações. Fl. 968DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.000830/9841 Acórdão n.º 930301.659 CSRFT3 Fl. 771 9 Ressaltese que o regime drawback concede a suspensão (na modalidade utilizada no presente caso) da exigibilidade dos tributos devidos para que os insumos importados sejam destinados à elaboração de produtos a serem exportados. No caso do beneficiário do regime especial de drawback não cumprir com o pactuado (exportação), e, ao contrário, destinar as mercadorias, importadas ao amparo do regime, para o consumo interno no País (nacionalizar), deverá fazêlo com o recolhimento dos tributos devidos, que estavam com a exigibilidade suspensa até então, acrescidos da multa de mora e juros moratórios. De outro lado, a discussão sobre a inexigibilidade da multa de mora, no caso dos autos, por suposta denúncia espontânea por parte do sujeito passivo, é totalmente descabida, posto que está não se configurou. Não vou aqui entrar na seara de que a norma inserta no art. 138 do CTN não afastaria a aplicação de multa moratória, ainda que presentes os requisitos para fruição dessa ponte de ouro1 do direito tributário, posto que predita multa fora arrimada em dispositivo legal posterior à edição do CTN. E não adentro nessa celeuma, justamente, para não melindrar, desnecessariamente, parte deste Colegiado que tem posição contrária. Digo desnecessariamente, porque, no caso dos autos, a denúncia espontânea, absolutamente, não se configurou no caso ora em exame, visto que o sujeito passivo não atendeu a uma das condições essenciais desse instituto, qual seja, não pagou os juros moratórios referentes ao principal que foi pago a destempo. Com isso, não há falar em denúncia espontânea, e, muito menos em exclusão de responsabilidade. Observese que, como é de todos sabido, tanto a doutrina quanto a jurisprudência são uníssona em reconhecer que a denúncia espontânea só se caracteriza quando, nos casos em que há tributo a recolher, junto com a confissão do ilícito o sujeito passivo providencia o pagamento do principal e dos juros. Voltando aos autos, é incontroverso que o pagamento do tributo foi efetuado estemporaneamente e desacompanhado dos consectários legais, o que afasta qualquer possibilidade se aplicar ao caso a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Diante disso, não há como deixar de reconhecer que o sujeito passivo é devedor dos juros moratórios, e, também, da multa de mora, a ser calculada nos termos da legislação de regência, transcrita linhas acima. Para corroborar este entendimento, transcrevo as lições do professor Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, 17ª edição. Saraiva. São Paulo, pág. 516/518) sobre a matéria: Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (CTN, art. 138). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização 1 A ponte de ouro de Von Liszt, no Direito Penal, é a oportunidade dada pelo legislador para que o criminoso deixe chafurdar no mundo do crime e retorne para o conv´vio social. Essa ponte nada mais é do que a isenção da pena para aqueles que desistem voluntariamente da prática de um crime ou se arrependem, eficazmente, da conduta pratica e, evitam, o resultado. Nesses casos respondem, não pelo crime tentado, mas pelo dano ao bem jurídico causado, se este houver. Fl. 969DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multa de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída de caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas – juros de mora e multa de mora – por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra”. (...) b) As multas de mora são também penalidades pecuniárias, mas destituídas de nota punitiva. Nelas predomina o intuito indenizatório, pela contingência de o Poder Público receber a destempo, com as inconveniências que isso normalmente acarreta, o tributo a que tem direito. Muitos a consideram de natureza civil, porquanto largamente utilizadas em contratos regidos pelo direito privado. Essa doutrina não procede. São previstas em leis tributárias e aplicadas por funcionários administrativos do Poder Público.( Grifei). Em conclusão, no caso em tela, deve ser aplicado o artigo 161 do CTN combinado com o artigo 84 da Lei 8.981/95 (período de apuração: 13/01/1995 a 24/05/1995), de forma que os tributos recolhidos nos casos de “nacionalização” de insumos importados, sob a égide do regime drawback, sejam acréscidos da multa de mora e dos juros moratórios (aplicáveis desde a ocorrência dos respectivos fatos geradores). Por fim, passemos à análise da (ii) utilização da sistemática de imputação dos pagamentos, pelo fato do contribuinte ter recolhido apenas os impostos, sem os devidos acréscimos legais. A fiscalização ao verificar que os recolhimentos não foram realizados com os acréscimos devidos (multa e juros de mora), realizou a imputação proporcional do pagamento e, desta forma, procedeu ao lançamento complementar dos tributos em relação a diferença então apurada, acompanhada da multa de ofício proporcional aos tributos não pagos e os juros de mora devidos. De antemão deixamos registrado, como muito bem argumentou o Conselheirorelator do voto vencido, que a imputação de pagamento é prática reiterada da Administração Tributária, que encontra amparo no artigo 100, III, do CTN, verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Fl. 970DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.000830/9841 Acórdão n.º 930301.659 CSRFT3 Fl. 772 11 O fundamento legal para esta sistemática (imputação) é o artigo 163 do CTN, conforme verificase na transcrição abaixo: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. Destaquei. Vejase que o artigo 163 do CTN referiuse igualmente aos débitos relativos a tributos, penalidades pecuniárias e juros de mora, portanto, não fixou precedência ou preferência entre eles quando da imputação do pagamento. Em outro giro, a sistemática de imputação utilizada pela fiscalização (proporcionalidade entre tributos, multa de mora e juros de mora) seguiu o mesmo critério adotado pelo artigo 167 do CTN quando da restituição em decorrência de pagamento indevido (a restituição do tributo na mesma proporção dos juros de mora e das penalidades pecuniárias”), o que, mutatis mutandis, pode ser aplicado no caso em tela. Por sua vez, o artigo 43 da Lei No. 9.430/96 informa que no caso de recolhimento em atraso “poderá” (e não deverá!) ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Portanto, é uma prerrogativa da autoridade fiscal, que “pode” formalizar a multa ou o juros de forma isolada, mas também “pode” fazer a imputação dos pagamentos. Não há que se falar, portanto, em revogação tácita do procedimento adotado, reiteradamente, pela Administração Tributária. As duas sistemáticas, entendo, são plenamente válidas: podese aplicar uma ou outra – imputação de pagamentos ou multa isolada.. Não havia vedação legal, entendo, para que a fiscalização procedesse à imputação de pagamentos, até mesmo, repitase, porque tratase de prática reiterada da Administração Tributária.. E mais. O crédito tributário, após seu vencimento, compõese do tributo e dos respectivos acréscimos legais – penalidades pecuniárias e juros de mora (artigo 139 c/c 113 e 161 – CTN). Dessa forma, não se pode “dividir” o crédito tributário em partes, ele é uno e indivisível. Portanto, se após o vencimento, o montante do tributo não pode ser separado do montante dos acréscimos legais, e, se o crédito tributário somente se extingue pelo seu pagamento integral (artigo 156, I, CTN), o pagamento parcial do débito em atraso, ainda que correspondente à parcela integral do tributo, não extingue o crédito, que subsiste em relação aos montantes não pagos. Fl. 971DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Por conseguinte, fazendose uma interpretação sistemática dos artigos 163 e 167 do CTN, podemos concluir que procedeu corretamente a fiscalização ao efetuar a imputação dos pagamentos, de forma proporcional, em relação aos tributos, multa e juros de mora. Não há reparos a fazer no procedimento adotado pela autoridade fiscal que, após ter efetuado imputação dos pagamentos realizados pela Recorrente, verificando a existência de valores a recolher à título de imposto sobre a importação e de imposto sobre produtos industrializados, procedeu ao lançamento de ofício para a cobrança da diferença dos tributos, acrescidos da respectiva multa de ofício e juros moratórios. De outro lado, não se alegue que ao caso sob exame aplicarse ia a imputação de pagamento prevista no art. 354 do Código Civil de 2002, pois a teor da súmula 464 do Superior Tribunal de Justiça, a regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária. Essa súmula foi baseada em precedentes daquele Tribunal, dentre eles, o Resp nº 960.239 SC2 (2007/01349940), transcrito em nota de rodapé, cujo relator foi o Ministro Luiz Fux. 2 RECURSO ESPECIAL Nº 960.239 SC (2007/01349940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : MADEIRAS SALAMONI LTDA ADVOGADO : SILVIO LUIZ DE COSTA E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO PAULO AITA CACILHAS E OUTRO(S) EMENTA: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO EM PAGAMENTO. ART. 354 DO CÓDIGO CIVIL. INAPLICABILIDADE. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/09, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. O princípio da irretroatividade implica a aplicação da LC 118/2005 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas após a mesma, tendo em vista que a referida norma pertine à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação. 2. A Primeira Seção, quando do julgamento do Resp 1002932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que "O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova." (RESP 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25/11/2009). 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. In casu, a recorrente, que impetrou o presente mandamus em 26/08/2005, pugna pelo reconhecimento do prazo prescricional decenal, porquanto o Tribunal de origem entendeu ser aplicável à espécie o prazo quinquenal, merecendo reforma, nesse particular, o acórdão recorrido, para reconhecer a inocorrência da prescrição relativamente aos pagamentos efetuados nos 10 anos imediatamente anteriores ao ajuizamento da ação, com observância do critério de contagem do prazo prescricional acima explicitado. 5. A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputarseá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. (Precedentes: REsp 1130033/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2009, DJe 16/12/2009; AgRg no Ag 1005061/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 03/09/2009; AgRg no Resp 1024138/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2008, DJe 04/02/2009; AgRg no Resp 995.166/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em Fl. 972DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.000830/9841 Acórdão n.º 930301.659 CSRFT3 Fl. 773 13 03/03/2009, DJe 24/03/2009; REsp 970.678/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/12/2008, DJe 11/12/2008; REsp 987.943/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/02/2008, DJ 28/02/2008; AgRg no REsp 971016/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/10/2008, Dje 28/11/2008). 6. Os artigos do Código Civil, que regulam os institutos da imputação e da compensação, dispõem que, in verbis: Da Imputação do Pagamento (...) "Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputarseá primeiro nos juros vencidos, e depois, no capital, salvo estipulação em contrário , ou se o credor passar quitação por conta do capital." Da compensação (...) "Art. 374. A matéria da compensação, no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais, é regida pelo disposto neste capítulo." (Revogado pela Lei 10.677/03) "Art. 379. Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis serão observadas, no compensálas, as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento." 7. O art. 374 restou expressamente revogado pela Lei n.º 10.677/2003, a qual, não tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, deve ser aplicada, sob pena de violação de cláusula de plenário, ensejando reclamação por infringência da Súmula Vinculante nº 10, verbis: "Viola a cláusula de reserva de plenário (cf, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 8. Destarte, o próprio legislador excluiu a possibilidade de aplicação de qualquer dispositivo do Código Civil à matéria de compensação tributária, determinando que esta continuasse regida pela legislação especial. O Enunciado nº 19 da Jornada de Direito Civil CEJ/STJ consolida esse entendimento, litteris: "19 Art. 374: a matéria da compensação no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais de Estados, do Distrito Federal e de Municípios não é regida pelo art. 374 do Código Civil." 9. Deveras, o art. 379 prevê a aplicação das regras da imputação às compensações, sendo certo que a exegese do referido diploma legal deve conduzir à limitação da sua eficácia às relações regidas pelo Direito Civil, uma vez que, em seara de Direito Tributário, vige o princípio da supremacia do interesse público, mercê de o art. 354, ao disciplinar a imputação do pagamento no caso de amortização parcial do crédito por meio de compensação, ressalvar os casos em que haja estipulação em contrário, exatamente em virtude do princípio da autonomia da vontade, o qual, deslocado para o segmento fiscal, impossibilita que o interesse privado se sobreponha ao interesse público. 10. Outrossim, a previsão contida no art. 170 do CTN, possibilitando a atribuição legal de competência, às autoridades administrativas fiscais, para regulamentar a matéria relativa à compensação tributária, atua como fundamento de validade para as normas que estipulam a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, ao contrário, portanto, das normas civis sobre a matéria. 11. Nesse sentido, os arts. 66 da Lei 8.383/91, e 74, da Lei 9.430/96, in verbis: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. (...) § 4º. O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo ." "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito , inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." 12. Evidenciada, por conseguinte, a ausência de lacuna na legislação tributária, cuja acepção é mais ampla do que a adoção de lei, e considerando que a compensação tributária surgiu originariamente com a previsão legal de regulamentação pela autoridade administrativa, que expediu as IN's n.º 21/97, 210/2002, 323/2003, 600/2005 e 900/2008, as quais não exorbitaram do poder regulamentar ao estipular a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, reputase legítima a metodologia engendrada pela autoridade fiscal, tanto no âmbito formal quanto no material. Fl. 973DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres 13. A interpretação a contrario sensu do art. 108 do CTN conduz à conclusão no sentido de que a extensa regulamentação emanada das autoridades administrativas impõese como óbice à integração da legislação tributária pela lei civil, máxime à luz da sistemática adotada pelo Fisco, a qual respeita a integridade do crédito fiscal, cuja amortização deve engendrarse de forma única e indivisível, principal e juros, em perfeita sintonia com a legislação vigente e com os princípios da matemática financeira, da isonomia, ao corrigir tanto o crédito quanto o débito fiscais pelo mesmo índice (SELIC), mercê de se compatibilizar com o disposto no art. 167 do CTN, que veda a capitalização de juros. 14. Sob esse enfoque são os termos da IN SRF 900/08, que regulamenta, hodiernamente, a matéria referente à compensação com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. 15. Recurso especial parcialmente provido, tãosomente para determinar a aplicação do prazo prescricional decenal. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentou, oralmente, o Dr. SILVIO LUIZ DE COSTA, pela recorrente. Brasília (DF), 09 de junho de 2010 (Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Fl. 974DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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