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Numero do processo: 16561.000188/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR - CONVERSÃO PARA REAIS - Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR - EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL - Descabe a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial.
MULTA DE OFÍCIO - JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para: 1) que a conversão dos lucros para moeda nacional seja efetuada com base na taxa de câmbio na data do encerramento do respectivo período de apuração daqueles; 2) excluir a tributação da parcela correspondente à variação cambial, que compõe a equivalência patrimonial; 3) por maioria de votos, afastar a incidência de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício, devendo ser aplicada a taxa de juros a que se refere o art. 161 do Código Tributário Nacional, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que excluíam a incidência de juros sobre a multa de ofício.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR - EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL - Descabe a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial. MULTA DE OFÍCIO - JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para: 1) que a conversão dos lucros para moeda nacional seja efetuada com base na taxa de câmbio na data do encerramento do respectivo período de apuração daqueles; 2) excluir a tributação da parcela correspondente à variação cambial, que compõe a equivalência patrimonial; 3) por maioria de votos, afastar a incidência de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício, devendo ser aplicada a taxa de juros a que se refere o art. 161 do Código Tributário Nacional, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que excluíam a incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Albertina Silva Santos de Lima Relator Presidente EDITADO EM: 20/05/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antônio da Cruz, Sergio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente) e Albertina Silva Santos de Lima (Presidente da Turma). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000188/2007-55 Acórdão n.º 1402-00.213 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório ELETROPAULO METROPOLITANA ELETRICIDADE DE SÃO PAULO S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal - MPF n° 08. 1. 71.00- 2006-00022-7e prorrogações (fls.01 a 3) a Fiscalização da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais - DEAIN, apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Constatação e Encerramento de Fiscalização (fls. 388 a 401): A contribuinte deteve participação de 100% na empresa Metropolitana Overseas Ltd até 31/12/2000 e 100% de participação na empresa Metropolitana Overseàs II Ltd , desde o seu início. Ambas as empresas se situam nas Ilhas Cayman. A metropolitana Overseas Ltd foi incorporada pela Metropolitana Overseas II Ltd, sempre sob o controle da contribuinte. Foi apurado que o valor correspondente aos lucros relativos ao período entre 2000 e 2002, auferidos pela Metropolitana Overseas II Ltd , foi oferecido à tributação na DIPJ do ano-calendário de 2002 (fls 194 e 195), obedecendo ao disposto no parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35. Entretanto, os valores foram convertidos em moeda nacional na data das demonstrações financeiras, anteriores ao ano 2002, contrariando o art. 143 do Código Tributário Nacional - CTN que determina a conversão em moeda nacional na data da ocorrência do fato gerador aqui, no caso presente, 31/12/2002. Desse modo, a Fiscalização está efetuando o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL sobre a diferença resultante da conversão dos valores, efetuados em datas diferentes, que totalizou R$ 43.841.444,64. Foi apurado também que a contribuinte deixou de oferecer à tributação o resultado positivo da equivalência patrimonial do período de 2001 a 2002. Desse valor, já foi excluído o lucro apurado e já oferecido à tributação, efetuando-se o lançamento de IRPJ e CSLL sobre o montante não oferecido anteriormente. A Fiscalização apurou e lançou também os valores correspondentes à falta de adição de juros mínimo, obrigatória em caso de mútuo com pessoas vinculadas, situadas no exterior e relativos aos períodos de apuração de 2002, 2003 e 2004, conforme demonstrativo de fls. 397 e 398. Além dos lançamentos de IRPJ e CSLL, foram glosadas compensações indevidas de IRPJ e CSLL, por falta de saldo, uma vez que a empresa já foi objeto de ação fiscal, presente no processo administrativo n° 19515-000.234/2005-06, que diminuiu seus prejuízos e base negativa da contribuição, ao efetuar compensações com os valores apurados e devidos naquele lançamento. A Fiscalização ressalta que não utilizou o Lalur da contribuinte pois os valores lá registrados não estavam de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 acordo com o Sistema de Acompanhamento de Prejuízos, Lucro Inflacionárío e Cálculo negativo de CSLL - SAPLI, tendo em vista a autuação do processo administrativo acima mencionado. Desse modo, em 18/12/2007 foram lavrados os seguintes autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ,(fls. 370 a 374), no valor de R$ 401.489.331,08, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 30/11/2007. Embasamento legal artigo 43, § 2o do CTN, artigos 25, e §§ 2o e 3o, da Lei n° 9.249/1995; artigo 16 da Lei n° 9.430/96; artigos 243,247,249, incisos I e II, 250, inciso III, 251, e § único, 394, 509 e 510, do Decreto n° 3000/99 - RIR/99; artigo 3o da Lei n° 9.959/2000; artigo Io, §§ 4o e 5o da Lei n° 9.532/1997 artigo 74 da MP n° 2.158-35/2001; e artigo 7o, §1°, da IN SRF n° 213/2002, art. 3o da Lei n° 9.559/2000, art 27 da IN SRF n°243 /2002, art 7o da IN SRF n° 213/2002. Contribuição Social sobre Lucro Líquido - CSLL (fls. 382 a 385), no valor de R$ 90.210.027,83, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 30/11/2007. Embasamento legal: artigo 2°; e §§, da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei n° 9.249/95; artigo Io da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; e artigo 6o da MP n° 1.858/99 e reedições, artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. Cientificada do lançamento efetuado, em 19/12/2007, a contribuinte apresentou em 17/01/2008, competente impugnação (fls.416 a 440), na qual apresenta as razões a seguir, em apertada síntese: Comunica, primeiramente, que considerou correto lançamento efetuado relativo ã falta de adição de juros mínimo, prevista pelo art. 22, §1° da Lei n°°9.430/96 e que já efetuou o recolhimento dos tributos devidos, dentro do prazo de 30 dias da ciência do lançamento, aproveitando o desconto de 50% na multa de ofício e cujas cópias dos Darf de recolhimento se encontram as fls.489 a 493. Alega que a data da taxa de câmbio a ser utilizada está prevista no art. 25, §4° da Lei n° 9.249/1995, reproduzida no art.394, § 7o do RIR/99, que dispõe expressamente que os lucros serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio para venda do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Alega que a IN SRF n° 213/2002, ao regulamentar esse artigo de lei, repete em seu art. 6o §3° os mesmos dizeres do art. 25 da citada lei n° 9.249/95. Cita em seguida, algumas decisões do Conselho de Contribuintes que corroborariam o que alega, demonstrando, em sua opinião, a improcedência dos autos. Alega que, em caso de sua tese não ser aceita, pelo menos os juros e multa deveriam ser exonerados pois a empresa apenas obedeceu ao disposto na citada IN SRF n° 213/2002., estando amparada, portanto pelo art. 100 do CTN. Alega que o art 7o da IN SRF n° 213/2002 , utilizado para a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial, não tem amparo legal pois não existe nenhum diploma legal que preveja essa tributação Faz também longa peroração, citando tributaristas, soluções de consulta da RFB, além de acórdãos do Conselho de Contribuintes, que embasariam sua tese que nem todos os resultados positivos da equivalência patrimonial seriam ganhos e, portanto, lucros da investida e, sua tributação como um todo, representaria violação ao próprio art. 74 da MP n° 2.158/2001, que a referida IN SRF pretenderia regulamentar. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000188/2007-55 Acórdão n.º 1402-00.213 S1-C4T2 Fl. 3 5 Investe contra a glosa da compensação de prejuízos e da base negativa da CSLL, efetuada pela Fiscalização, alegando que o processo administrativo n° 19515.000234/2005-06 ainda se encontra sem decisão definitiva e por isso não poderia ser levada em consideração a redução dos prejuízos e base negativa da CSLL, efetuadas nesse processo. Alega ainda que apenas parte da glosa se refere a esse processo, carecendo de justificativa o valor restante da glosa efetuada, evidenciando a impropriedade do procedimento efetuado. Por fim, requer que os Autos de Infração sejam julgados totalmente improcedentes, com a conseqüente extinção dos créditos tributários deles decorrentes, exceto pelo crédito relativo à matéria considerada não litigiosa, que já foi objeto de pagamento por parte da Impugnante. O acórdão de 1 a . Instância está assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ LUCROS NO EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO ' APLICÁVEL. Inexistindo disposição de lei em contrário, a . conversão para reais deve ser feita peia taxa de câmbio da data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, fato gerador da obrigação - tributária. LUCROS NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA' PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO, A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Lançamento Procedente Cientificado via postal, o contribuinte apresentou recurso voluntário repisando as alegações da peça impugnatória. Ato continuo, o processo foi encaminhado a este conselho para julgamento em segunda instância administrativa. É o relatório. Voto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000188/2007-55 Acórdão n.º 1402-00.213 S1-C4T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade, passo a apreciá-lo na mesma ordem de seus tópicos. 1) TAXA DE CÂMBIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL A fiscalização entendeu que o montante de lucros apurados em 31.12.2000 e 31.12.2001 pela sociedade Metropolitana Overseas II Ltd. ("OVERSEAS") deveria ser convertido em reais com base na taxa de câmbio vigente em 31.12.2002, e não com base nas taxas de câmbio de 31.12.2000 e 31.12.2001, que foram utilizadas pela RECORRENTE para o oferecimento desses lucros à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, tendo em vista a regra de disponibilização ficta (em 31.12.2002) constante do parágrafo único do art. 74 da MP n° 2.158- 35/2001. Aduz a recorrente que o entendimento da fiscalização é equivocado, na medida em que o procedimento estava devidamente amparado na legislação vigente, qual seja, o art. 25, § 4°, da Lei n° 9.249, de 26.12.1995. Afirma ainda que a conclusão de que a conversão dos lucros apurados no exterior deve ser feita pela taxa de câmbio do dia da demonstração financeira em que os mesmos tenham sido apurados vem sendo por este CARF, Cabe razão à recorrente. De fato, à luz do art. 25, § 4°, da Lei n° 9.249, de 26.12.1995, os lucros auferidos no exterior, seja por filiais, sucursais, controladas ou coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, devem ser convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados na respectiva filial, sucursal, controlada ou coligada, senão vejamos: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. [...] § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Inaplicável a regra geral explicitada no art. 143 do Código Tributário Nacional, em face da regra específica em tela. A própria Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002, ao dispor sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil estabeleceu: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 Art. 6º As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. [...] § 3º A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, será efetuada tomando-se por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do país onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada, na data do encerramento do período de apuração relativo à demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros dessa filial, sucursal, controlada ou coligada. Tal qual asseverou a recorrente, são inúmeras as decisões do CARF nesse sentido, devendo ser cancelado esse item da autuação. 2. TRIBUTAÇÃO DA VARIAÇÃO CAMBIAL CONTIDA EM RESULTADO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Trata-se de tributação do valor de R$ 208.333.913,17, relativamente ao ano- calendário de 2002, sob a seguinte justificativa (conforme TVF): "Conforme já exposto, a Instrução Normativa n° 213, de 07/10/2002, atualmente em vigor, regulamentou as disposições contidas na legislação da TBU, inclusive as alterações promovidas pelo art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24/08/2001...conclui que a legislação tributária brasileira impõe a tributação pelo IRPJ e pela CSLL dos resultados positivos de equivalência patrimonial de investimentos no exterior em filiais, sucursais, coligadas e controladas.” Aduz a recorrente, em longa explanação, que não devem ser tributados os valores correspondentes à variação cambial de investimentos no exterior, mas tão-somente o lucro das empresas com sede no exterior. Dai a total improcedência da autuação fiscal e da decisão recorrida. No deslinde dessa questão, peço vênia para adotar os fundamentos do voto condutor do acórdão 105-16365 da lavra do ilustre conselheiro Wilson Fernandes Guimarães: No mérito, entretanto, considerando que, admitida a compensação de prejuízos anteriores, o que se depreende dos autos é que o lançamento que poderia subsistir recairia exclusivamente sobre a variação cambial incorporada ao resultado da equivalência patrimonial, não obstante se possa detectar coerência dos argumentos trazidos pela autoridade de primeira instância com o ordenamento jurídico-tributário em vigor, a recorrente traz razão que, a nosso ver, espanca qualquer possibilidade de manutenção do lançamento efetivado. Trata-se da manifestação do próprio Ministério da Fazenda por ocasião do veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão nº 30, de 2003. Ali, apreciando-se dispositivo (art. 46 da Medida Provisória nº 135/03) que considerava a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial como receita ou despesa financeira, consignou-se que: ´Não obstante tratar-se de norma de interesse da administração tributária, a falta de disposição expressa para sua entrada em vigor certamente provocará diversas demandas judiciais, patrocinadas pelos contribuintes, para que seus efeitos alcancem o ano-calendário de 2003, quando se registrou variação cambial negativa de, aproximadamente, quinze por cento, o que representaria despesa dedutível para Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000188/2007-55 Acórdão n.º 1402-00.213 S1-C4T2 Fl. 5 9 as pessoas jurídicas com controladas ou coligadas no exterior, provocando, assim, perda de arrecadação, para o ano de 2004, de significativa monta, comprometendo o equilíbrio fiscal." Em que pese o fato de entendermos que a matéria poderia ser interpretada de forma diversa, tratando-se de manifestação do nível hierárquico máximo da Administração Tributária Federal, somos obrigados a nos curvar ao posicionamento de que a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial exigirá que, antes, seja editada norma legal prevendo tal incidência. Por fim, entendemos que o fundamento jurídico utilizado pela autoridade fiscal para efetivar o lançamento (Rendimentos de Participações Societárias – Equivalência Patrimonial) não encontra respaldo na legislação que rege a matéria, eis que, no caso, o que poderia ser submetido à incidência do imposto seria o lucro auferido no exterior, e não o resultado da equivalência patrimonial. A nosso ver, a disposição contida no artigo 7º da Instrução Normativa referenciada pela decisão a quo (IN SRF nº 213/2002), além de conceitualmente apresentar equívoco, visto que, como já dissemos, o que é passível de tributação são os lucros auferidos no exterior e não a equivalência patrimonial em si (não obstante a ocorrência de uma eventual igualdade matemática), levou em consideração que, a partir da introdução, pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, da mudança no aspecto temporal da hipótese de incidência, o reflexo da participação societária da investidora domiciliada no país seria, todo ele, objeto de tributação. Não nos parece que seja essa a melhor interpretação, pois, ainda que desconsiderássemos os impedimentos aqui explicitados, a tributação da variação cambial ativa não poderia se dar sob fundamento de lucro, mas, sim, de rendimentos auferidos no exterior.” Conforme asseverado pelo ilustre conselheiro Mario Franco Junqueira, “A variação cambial é a expressão do valor em moeda estrangeira investida inicialmente, nada tendo em comum com os lucros gerados no exterior. E uma parcela híbrida na contabilidade em reais com investimento em moeda estrangeira.” Pelo exposto, o recurso merece provimento também nessa parte, no que tange a exclusão da variação cambial contida no resultado de equivalência patrimonial. 3. DO ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS A recorrente registrou em suas DIPJ prejuízo fiscal no montante de R$ 516.767.648,81 e base de cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 1.323.742.130,86, que foram compensados, observada a trava de 30%, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativos aos anos-calendário de 2003 e 2004. A fiscalização desconsiderou os saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa acima apontados pelo fato de a Receita Federal, nos autos de outro processo administrativo de n° 19515.000234/2005-06, decorrente de auto de infração lavrado em 25.04.2005), ter efetuado a glosa de determinadas despesas pagas pela RECORRENTE nos anos-calendário de 1998 a 2000 reduzindo aqueles saldos. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 10 Aduz a recorrente que embora tenha apurado saldos de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas existentes em 31.12.2001 nos valores de R$ 288.340.768,'79 e R$ 840.036.430,61, respectivamente, os valores considerados pela . fiscalização a esse título foram de apenas RS 27.799.393,58 é R$ 41.995.833,59. O mesmo ocorreu com os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas apurados durante o período-base de 2002, já que tais valores, segundo a recorrente, foram de RS 288.426.880,02 e R$ 483.705.700,25, respectivamente, enquanto para a fiscalização os valores seriam de apenas R$ 43.667.456,74 e RS 289.946.275,94. Em face da redução dos valores tributados a partir desta decisão, é certo que o saldo de prejuízos fiscais e bases negativas devem comportar eventuais valores remanescentes, mesmo tendo ocorrido reduções nesses valores advindas de outros processos. Portanto, essa questão passa a ser inócua. 4. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO A recorrente questiona a cobrança de juros de mora `a taxa Selic sobre a multa de oficio. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que ampara sua tese. Em que pese o provimento dos itens anteriores, que se confirmado pelo colegiado implica em cancelamento integral dos valores lançados de oficio. Entendo que essa matéria deve ser apreciada evitando que o processo volte a este Colegiado caso haja reforma da decisão na CSRF. Pois bem. A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciou-se com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I - juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) A Seguir, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000188/2007-55 Acórdão n.º 1402-00.213 S1-C4T2 Fl. 6 11 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Entendendo que a SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio, restam devidos os juros de 1% ao mês a que alude o Código Tributário Nacional, esse sim, aplicável ao crédito tributário não pago no vencimento. 5. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: 1) que a conversão dos lucros para moeda nacional seja efetuada com base na taxa de Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 12 câmbio na data do encerramento do respectivo período de apuração daqueles, cancelando o item 1 da autuação; 2) excluir a tributação da parcela correspondente à variação cambial, que compõe a equivalência patrimonial; 3) afastar a incidência de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício, devendo ser aplicada a taxa de juros a que se refere o art. 161 do Código Tributário Nacional. Antonio Jose Praga de Souza Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/09/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 03/09/2010 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA, 06/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000027/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 29/06/2007
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
REINCIDÊNCIA GENÉRICA. AGRAVANTE DA MULTA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE NO DOBRO DO VALOR MÍNIMO.
O cometimento de infração a dispositivo legal diverso em autuação lavrada anteriormente e cuja decisão administrativa irrecorrível tenha se dado a menos de cinco anos da nova falta, eleva a multa ao patamar de duas vezes do valor mínimo legal.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 29/06/2007
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA O DESLINDE DA CAUSA. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento para a realização de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão
do lançamento pelo autuado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DESNECESSIDADE.
O pedido para que a apresentação do recurso suspenda a exigibilidade do crédito tributário é desnecessário, posto que esse já é um efeito previsto no próprio CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.622
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por
unanimidade de votos, em I) não acolher a decadência; II) rejeitar as preliminares suscitadas; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. AGRAVANTE DA MULTA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE NO DOBRO DO VALOR MÍNIMO. O cometimento de infração a dispositivo legal diverso em autuação lavrada anteriormente e cuja decisão administrativa irrecorrível tenha se dado a menos de cinco anos da nova falta, eleva a multa ao patamar de duas vezes do valor mínimo legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/06/2007 REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA O DESLINDE DA CAUSA. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento para a realização de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DESNECESSIDADE. O pedido para que a apresentação do recurso suspenda a exigibilidade do crédito tributário é desnecessário, posto que esse já é um efeito previsto no próprio CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em I) não acolher a decadência; II) rejeitar as preliminares suscitadas; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14489.000027/200756 Acórdão n.º 240101.622 S2C4T1 Fl. 300 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 261/271, interposto pela empresa acima identificada contra decisão da DRJ Rio de Janeiro I, fls. 249/257, que declarou procedente o Auto de Infração n. 37.108.9859, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. A lavratura em questão diz respeito a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 44, decorreu da conduta da empresa de deixar de atender à solicitação do Fisco para a apresentar documentos relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o citado relatório: No curso da auditoria fiscal, apesar de intimada, por meio de Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, anexos, a empresa não exibiu os seguintes documentos: Folhas de pagamento da competência novembro de 2002 (TIAD no 1 e 2) Tabela de incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento, para o período dezembro de 2002 (TIAD no 1 e 2); GFIP da competência outubro a dezembro de 2002 para o estabelecimento matriz e de os estabelecimentos filiais (TIAD no 1 e 2); Comprovantes de convênios com o FNDE para o exercício 2001 (TIAD no 1 e 2); Os Processos trabalhistas (petição inicial, sentença/acordo e GFIP relativa à reclamatória trabalhista) (TIAD no 1 e 2). De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 45, a ocorrência de reincidência genérica elevou a multa ao patamar de duas vezes o valor mínimo. No seu recurso, a empresa alegou, em apertada síntese, que: a) a peça foi apresentada tempestivamente; b) o recurso deve suspender a exigibilidade do crédito tributário; c) o depósito recursal é inconstitucional; d) apresentou todos os documentos solicitados pelo Fisco, portanto, a infração não se configurou; e) anexou à defesa todos os documentos solicitados durante a ação fiscal; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 f) não há na lavratura menção ao dispositivo legal que regula a fixação da multa; g) inexistiu a reincidência alegada pela Auditoria; h) a produção de prova pericial é imprescindível para o deslinde da questão. Ao final pede a declaração de improcedência ou nulidade da lavratura. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14489.000027/200756 Acórdão n.º 240101.622 S2C4T1 Fl. 301 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que o seguimento do recurso independentemente de depósito prévio é questão incontroversa. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário com a apresentação do recurso é decorrência da própria lei, não havendo interesse processual (necessidade) no seu requerimento, conforme a dicção do Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 25/10/1966): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Vamos agora à verificação da ocorrência da infração. O Fisco apresenta um rol de documentos não exibidos durante a ação fiscal, o que importa na caracterização de conduta omissiva da recorrente que fere o seguinte dispositivo da Lei n. 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 2°A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Para justificar a tese da inocorrência da infração a recorrente acostou à defesa a folha de pagamento da competência 11/2002, todavia, deixou de anexar os outros documentos assinalados pelo Fisco. Com isso fica patente que a omissão continuou a ocorrer mesmo no momento da apresentação da peça impugnatória. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Apenas a título de argumentação, posso afirmar que, mesmo que a empresa tivesse trazido à colação todos os documentos que omitira na ação fiscal, não apagaria a infração, posto que a falta foi deixar de exibir ao Fisco os papéis solicitados no prazo fixado no Termo de Intimação. Nesse sentido, fica afastada a alegação de inexistência da infração, assim como, a possível juntada à impugnação de todos os documentos omitidos durante à auditoria. Não hei de concordar com a tese da falta de citação do dispositivo que ampara a aplicação da penalidade. Encontrase citada na folha de rosto do AI, fl. 01, a base legal da multa aplicada, a qual faço questão de transcrever: DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "j" e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Cai por terra, então, a alegada omissão do fisco quanto à fundamentação legal da aplicação da multa. A reincidência apontada no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa também é fato incontrastável. Conforme se extrai dos autos, a recorrente teve lavrada contra si, em ação fiscal pretérita, os Autos de Infração números 35.410. 9430, 35.410.9456 e 35.410.9464, os quais tiveram decisões administrativas definitivas prolatadas, respectivamente, em 18/12/2002, 09/09/2002 e 27/08/2002. Eis o que dispunha o RPS sobre o instituto da reincidência: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: ; (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgamento administrativo a decisão condenatória ou homologatória da extinção do crédito referente à infração anterior. Nesse sentido, quando ocorreu a infração sob testilha, já havia decisão condenatória em processos de infração lavrados anteriormente, pelo que resta caracterizada a reincidência. Vejo que a fixação da multa em duas vezes o valor mínimo, está em perfeita sintonia com o prescreve o RPS, verbis: Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14489.000027/200756 Acórdão n.º 240101.622 S2C4T1 Fl. 302 7 () IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos artigos. 283 e 286, conforme o caso; Nesse sentido, verificandose que as infrações anteriores foram de tipo diferente da que se aponta no presente AI, percebese a ocorrência de reincidência genérica, estando a multa presente na lavratura de acordo com as normas de regência. Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada à solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela procedência do lançamento, não havendo necessidade da produção de prova pericial para o deslinde da contenda. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas, por indeferir o pedido de perícia e, no mérito, pelo desprovimento do mesmo. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2011.10 de fevereiro de 2011 Kleber Ferreira de Araújo Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 37306.007282/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE
SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-000.954
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 1 a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanim . s - de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ELIAS SAMPAIO !I RE - Presidente / KLEBER FERREIRA DE ARt‘.1110 - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Deusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 ‘Ç.\-3) Processo n° 37306.00728212006-45 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.954 Fl. 112 Relatório Trata-se recurso voluntário, fls. 93/103, contra decisão da SRP que declarou procedente o crédito consignado na NFLD n.° 37.013.796-5. Em seu recurso o sujeito passivo alega: a) a lavratura da NFLD por responsabilidade solidária sem diligenciar junto ao devedor direto é ilegal; b) o fisco não se desincumbiu do ônus de provar a ocorrência do fato gerador; c) é inconstitucional a cobrança de contribuição para o SAT uma vez que não há lei definindo suas aliquotas; d) as contribuições lançadas foram alcançadas pela decadência. É o relatório. 3 \ Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso apresentado merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que a recorrente juntou guia comprobatória do depósito prévio. Vamos a preliminar de decadência. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do decreto- lei n°1569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisBes sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Então uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. E o que se observa da ementa abaixo reproduzida (REsp n 9 1034520/SP, Relatora: Ministra Teori Albino Zavascki, julgamento em 19/08/2008, DJ de 28/08/2008): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CIN ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTIV, ART. 150, § 49. PRECEDENTES DA I"SEÇÃO. DECISÃO ULTRA PETITA. INVIABILIDADE DE EXAME EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL, SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL 4 xr. "ff. Processo n° 37306.007222/2006-45 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.954 Fl. 113 PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, DESPROVIDO, No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 14/07/2006 e o período do credito é de 06/1998 a 12/1998, isso me leva a conclusão de que, na espécie, quaisquer dos critérios adotados conduz a declaração de decadência das contribuições presentes na NFLD sob cuidado. Diante da declaração da decadência do crédito, deixo de apreciar as outras razões recursais em homenagem ao principio da economia processual. De todo o exposto, voto pelo conhecimento do recurso, dando-lhe provimento ao reconhecer a decadência das contribuições lançadas. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2010 UR; t>i KLEBER FERREIRA DE fRAÚJO - Relator \ 5 „Sx, •MINISTÉRIO DA FAZENDA 1:40, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS "OPK: QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°. 37306.00728212006-45 Recurso n°: 146.501 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão tf 2401-00.954 ie .Brasi fevereiro de 2010 - 41 r lei ELIAS SA -".; 10 FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10925.000364/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CSLL. COOPERATIVAS. OPERAÇÕES COM COOPERADOS. SOBRAS LÍQUIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em relação aos atos cooperativos, o resultado positivo da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.417
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes omentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Participou do julgamento, o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 CSLL. COOPERATIVAS. OPERAÇÕES COM COOPERADOS. SOBRAS LÍQUIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em relação aos atos cooperativos, o resultado positivo da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000364/200704 Recurso nº 164.888 Voluntário Acórdão nº 140200.417 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2011 Matéria CSLL Incidencia sobre resultado com cooperados. Recorrente COOPERATIVA CRÉDITO RURAL AURIVERDE LTDA Recorrida 1A TURMA DRJ EM FLORIANOPOLIS SC Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CSLL. COOPERATIVAS. OPERAÇÕES COM COOPERADOS. SOBRAS LÍQUIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Participou do julgamento, o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 2 Relatório COOPERATIVA CRÉDITO RURAL AURIVERDE LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida : Trata o processo do auto de infração de fls.05/17, lavrado pela DRF/JOAÇABA SC, no qual se exige o recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, no valor de R$ 364.149,57 acrescido de multa de ofício de 150%, com juros de mora calculados até 28.02.2007, bem como Multa Isolada pela falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, no valor de R$43.717,79. A descrição dos fatos, fls.06/07, informa que houve duas infrações. Infração 001. Falta de recolhimento da CSLL. A Interessada informou nas Fichas 17, das DIPJ referentes aos anoscalendário de 2002 a 2004, o valor ZERO como sendo a base de cálculo da CSLL, excluindo indevidamente o valor total do Lucro Líquido antes da CSLL. Infração 002. Multa isolada. Falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada em função da receita bruta e acréscimos nos anos de 2002 a 2004. Embora a Interessada tenha apurado CSLL a recolher referente aos períodos de apuração daqueles anos em “Planilhas de Apuração da CSLL”, não recolheu estas estimativas mensais, declarandoas na DIPJ e na DCTF como sendo ZERO. No relatório fiscal de fls.22/38, consta que: em 21092006, 28092006 e 23102006, a Interessada foi intimada a fornecer documentos, livros e planilhas, enumerados às fls.23/24; conforme DCTF e DIPJ, fls.81/92 e 102/218, a Interessada, desde 2001 até junho de 2004, não declarou nem recolheu a CSLL; entre julho e dezembro de 2004, declarou e recolheu parcialmente as antecipações relativas às estimativas devidas; apesar de, não ter declarado nem recolhido CSLL, a contabilidade e as planilhas por ela elaboradas, informavam a obrigação de recolher a contribuição, fls.898/1.007; tendo em visa que a Interessada optou pela apuração do lucro real anual, e a estimativa mensal com base na receita bruta e acréscimos, a Fiscalização produziu as planilhas de apuração da CSLL mensal e anual de fls.39/80, resumidas nas tabelas de fls.34 e 36; os valores foram extraídos das Fichas 17, das DIPJ, fls.102/218; na planilha de fls.39/80, constam discriminados os valores decorrentes de operações com associados e com nãoassociados; a reiteração da conduta (períodos de 2001 a 2004), em declarar ZERO como sendo a base de cálculo da CSLL, excluindo da base de cálculo o valor total do Lucro Líquido antes da CSLL, apesar de constar na contabilidade e nas planilhas por ela elaboradas, a obrigação de recolher a CSLL, configuram o evidente intuito de omitir o tributo; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10925.000364/200704 Acórdão n.º 140200.417 S1C4T2 Fl. 2 3 em decorrência, foi agravada a multa para 150% e formalizado o Processo de Representação Fiscal para fins penais, de nº.10925.000365/200741, conforme fls.37. O enquadramento legal consta no auto de infração e no relatório fiscal às fls.34/37. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal, o qual tomou ciência em 03042007, (fls.05), a Interessada apresentou em 02.05.2007, (fls.1.013), a impugnação de fls.1.013/1.024, instruída pelos documentos de fls.1.025/1.070, no qual argüi, em síntese que: é uma cooperativa de crédito, que só pratica atos cooperados; os atos cooperados estão definidos no artigo 79, da Lei nº.5.764, de 1971; deste dispositivo, se depreende que ato cooperativo não tem conteúdo mercantilista, sendo sui generis, uma vez praticado entre as cooperativas e seus cooperados; as sociedades cooperativas são sociedades de pessoas, de natureza civil, só podem operar com os membros do seu quadro social, não podendo objetivar lucro ou receita própria; o cooperado não compra serviços de sua cooperativa, nem essa presta serviço remunerado ao cooperado, mas servelhe as espenças deste, conforme a conceituação da norma aplicável, pois a sociedade cooperativa é como uma extensão do cooperado, sua atividade é a de representálo; não existe na verdade, duas pessoas em pólos diversos, em relação positiva e negativa, mas uma pessoa jurídica representativa de pessoa física, operando por ela, e em nome dos seus interesses pessoais, conforme o instrumento constitutivo dessa situação jurídica, o estatuto social da entidade; atuam como mandatárias procuradoras de seus associados, objetivando a prestação de serviços aos cooperados, serviços estes que seriam impossíveis de serem alcançados individualmente; a relação do cooperado com a cooperativa reúne duas situações no vínculo, isto é, o cooperado é ao mesmo tempo dono e cliente da cooperativa de crédito; tem a qualidade de dono, porque compõe o seu quadro social e detém quotaspartes do capital social; tem a qualidade de cliente, porque é quem usufrui os serviços que a cooperativa presta na forma do seu estatuto; por terem estruturas jurídicas diferentes, as cooperativas de crédito não se confundem com as demais instituições financeiras, estas são sociedades de capital que, visam lucro, operam com todos os componentes do mercado, sendo sociedades empresariais; as cooperativas de crédito não objetivam e nem obtêm lucro ou receita em nome próprio, conforme dispõe o artigo 3° da Lei nº. 5.764, de 1971. os resultados positivos apurados anualmente denominamse sobras, (Lei nº.5764, de 1971, artigos 4°, VII; 21, IV; 28, I e II; 44, l, c e II e 80, II) e não lucro; as sobras líquidas não podem ser equiparadas a lucros, pois, qualquer sobra líquida, eventualmente existente, obrigatoriamente será oferecida a seu real titular, o cooperado; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 4 tendo por base que, a lei tributária não pode alterar a definição de sobra para considerar como sendo lucro, conforme determina o artigo 110 do CTN, não cabe a incidência dos artigos 1º. e 2º., da Lei n° 7.689, de 1988; pelo fato de terem objeto social ligado ao mercado financeiro, são obrigadas a seguir as instruções do BACEN, sendo tãosomente equiparadas às instituições financeiras, conforme artigo 18, inciso I, da Lei nº.4.595, de 1964; sendo apenas equiparadas às instituições financeiras, não perdem a natureza de sociedades cooperativas que são regidas pela Lei nº.5.764, de 1971, que não as considera como entidades financeiras ou bancárias; reproduzindo o artigo 5º., parágrafo único da Lei nº.5.764, de 1971, há determinação do Banco Central do Brasil, (BACEN), proibindo as cooperativas de crédito de operar com terceiros; a Resolução nº.3.442, de 2007, do BACEN, distingue as cooperativas de crédito das instituições financeiras; a Lei nº.4.595, de 1964, inclusive, proíbe o uso da expressão “banco” para as cooperativas de crédito; o artigo 57, da Lei nº. 8.981, com a alteração dada pela Lei nº.9.065, de 1995, determina que, aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ; portanto, a regra de não incidência do IRPJ relativa aos atos praticados com os associados prevista no RIR de 1999, aplicase à CSLL, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes de fls.1.019/ 1.023. Por meio da Portaria SRF nº.10.966, de 31082007, (fls.1.072), este processo foi distribuído para julgamento nesta DRJ. A decisão recorrida está assim ementada: ATOS COOPERADOS. INCIDÊNCIA. A CSLL incide sobre a totalidade do resultado apurado pela cooperativa no períodobase, o qual inclui as receitas decorrentes de atos cooperativos e nãocooperativos. CF de 1988, artigo 195, I e parágrafo 7º; Lei n.º 7.689, de 1988 com alterações da Lei n.º 8.034, de 1990, artigo 2º, parágrafo 1º, letra "c" e artigo 4º; INSRF n.º198/88, item 9; e Parecer CST n.º 1.061, de 1995. ATOS COOPERADOS. ISENÇÃO. Somente a partir de 01012005, conforme artigos 39 e 48 da Lei nº.10.865, de 2004, é que ocorreu a isenção da CSLL relativamente aos atos cooperados. DOLO. INEXISTÊNCIA. Não há evidente intuito de fraude quando a controvérsia diz respeito, fundamentalmente, a questões jurídicas, de direito, de lei, de interpretação e ou aplicação dos preceitos normativos. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10925.000364/200704 Acórdão n.º 140200.417 S1C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. A matéria em litígio não é nova no CARF muito menos neste Colegiado, tratase da incidência da CSLL sobre atos cooperativos. A decisão de 1a. instância foi no sentido de que a CSLL incide tanto sobre os atoscooperativos como sobre as operações com não cooperados. A contribuinte alega que somente realizou atos cooperativos, e que à luz da jurisprudência está fora do campo de incidência da CSLL. Quanto a não incidência sobre atos cooperativos é remansosa a jurisprudência desse colegiado, citese o acórdão CSRF/0105.874, proferido na sessão de 11/08/2008, julgamento do qual participei: CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro. Recurso especial negado. (Recurso especial do Procuradoria da Fazenda Nacional negado provimento) Do voto condutor do aludido acórdão extraise os seguintes fundamentos: (..) Depreendese do relatado que a Recorrente ingressou com recurso especial a esta Colenda Câmara insurgindose contra decisão do Conselho de Contribuintes que deu provimento ao recurso para afastar a tributação da CSLL de sociedades cooperativas. Essa matéria vem sendo decidida, reiteradas vezes, por essa Turma, sempre nosentido de afastar a exigência da CSLL sobre o resultado auferido com atos cooperados. De fato, a hipótese de incidência tributária descreve a ocorrência de "lucro", termo de conteúdo semântico bem definido em nosso ordenamento jurídico e relacionado sempre à atividade mercantil. Como o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias como explicitado na própria lei das cooperativas (art. 19 da Lei n° 5.764/99), não há como se aceitar a possibilidade de subsunção do resultado positivo apurado pela sociedade cooperativa à Lei n°7.689, de 1988, norma de incidência da CSLL. É o que depreende do acórdão CSRF/0105.674, de 11/06/2007, assim ementado: CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — OPERAÇÕES COM COOPERADOS — SOBRAS LÍQUIDAS — NÃO INCIDÊNCIA — A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 6 não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2" da Lei n° 7.689/88, c/c os arts. 79 e III da Lei n" 5.764/71. Recurso especial negado. Dessa forma, acompanho a decisão recorrida em afastar a tributação dos atos cooperados. Resta examinar a tributação sobre atos não cooperativos. Como aduz a própria autuadas, o resultado do exercício foi de perda de R$ 1.128.487,23, e que a sobra auferida decorre da correção monetária do patrimônio da cooperativa, ou seja, decorrente apenas de efeitos inflacionários. Na verdade, o Parecer Normativo CST n°33, de 1980, orienta no sentido de as cooperativas tributarem o lucro inflacionário apurado de forma proporcional entre as operações com associados e não associados. Decerto, esse Parecer restringese a orientar a apuração do imposto sobre a renda, eis que não havia CSLL à época em que foi editado, mas o raciocínio que o fundamenta é inteiramente aplicável também ao caso aqui examinado. Verificase, portanto, que a tributação alcançou todo o resultado da sociedade cooperativa quando era factível a apuração, pelo menos proporcional, da parcela que corresponde aos atos cooperados. Como cabe ao Conselho de Contribuinte atuar apenas como revisor negativo da exigência fiscal, não vejo com o lançamento possa prosperar na forma em que foi realizado. Dado o exposto, nego provimento ao recurso especial. No que tange a alegação da contribuinte de que somente realizou atos cooperativos, compulsando as DIPJ de fls. 102 e seguintes, relativos aos anoscalendários objeto da tributação, verifiquei que a autuda não declarou base de calculo do IRPJ, tendo excluído todo seu resultado a tributar sob a informação de que seriam oriundos de atos cooperados. Caberia à fiscalização ter verificado a ocorrência de irregularidades quanto a isso, o que não foi feito. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, cancelando integralmente as exigências. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13688.001169/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa: PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se instaura o litígio em
relação a matéria que não seja expressamente impugnada, tornando-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência a ela correspondente.
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, os recibos fornecidos por profissionais de saúde, que atendam aos
requisitos formais definidos na legislação, são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas. Em situações excepcionais em que se verifiquem indícios de irregularidades, justifica-se a cautela do fisco em exigir elementos adicionais de prova. Ausentes tais indícios, não é válida a glosa da despesa sob o fundamento da falta de comprovação da efetividade dos pagamentos.
DESPESA MÉDICA. GASTOS COM ALIMENTANDO. O pagamento de
despesa médica com alimentando somente é dedutível se a obrigação de arcar com tais despesas estiver definida em sentença judicial.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-000.936
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 20.672,00. Ausência justificada da
conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se instaura o litígio em relação a matéria que não seja expressamente impugnada, tornando-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência a ela correspondente. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, os recibos fornecidos por profissionais de saúde, que atendam aos requisitos formais definidos na legislação, são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas. Em situações excepcionais em que se verifiquem indícios de irregularidades, justifica-se a cautela do fisco em exigir elementos adicionais de prova. Ausentes tais indícios, não é válida a glosa da despesa sob o fundamento da falta de comprovação da efetividade dos pagamentos. DESPESA MÉDICA. GASTOS COM ALIMENTANDO. O pagamento de despesa médica com alimentando somente é dedutível se a obrigação de arcar com tais despesas estiver definida em sentença judicial. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 20.672,00. Ausência justificada da conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Fl. 466DF CARF MF Emitido em 02/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 03/12/2010 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah e Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Ausente justificadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório RICARDO MARTINS DE SOUZA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ-JUIZ DE FORA/MG (fls. 288) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 41/44, que alterou os dados da DIRPF/2003 de imposto a restituir de R$ 14.873,51 para imposto a restituir de R$ 6.263,53. A Infração que ensejou a autuação está assim descrita na notificação de lançamento: Dedução Indevida de Despesas Médicas – Glosa do valor de R$ 31.309,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação da descrição dos fatos – O Contribuinte não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas médicas, seja mediante comprovação do pagamento (cópias de cheques, recibos de depósito, ordem bancária, etc.) ou apresentação de exames ou radiografias com os profissionais Maria Aparecida Leite, Sônia Maria Nunes Caldeira, Maria Cristina M.F. Souza, Leonardo Célio Gonçalves, Alessandra Mara Locatelli, Débora M. B. de Oliveira, Rosa Maria da Silva Cunha, Janelena Gonçalves, Cláudio Nunes da Silva e Cláudio Marques de Paulo. Os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a realização dos serviços. Além disso, as despesas médicas declaradas com a alimentanda Lívia não podem ser aceitas, pois não consta da sentença homologada judicialmente o pagamento das referidas despesas. O Contribuinte impugnou o lançamento e aduziu, em síntese, que comprovou as despesas médicas, inicialmente, por meio dos recibos e, posteriormente, atendendo a intimação, com “farta documentação” apresentada. Afirma que a notificação de lançamento foi incoerente, pois aceitou parte da documentação apresentada e deixou de aceitar outra parte. Afirma que os recibos apresentados atendem aos requisitos formais de validade e sustenta que a legislação não exige a comprovação da efetividade dos pagamentos. Invocou jurisprudência administrativa e judicial. A DRJ-JUIZ DE FORA/MG julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a Impugnante não se insurgiu contra a glosa das despesas realizadas com a alimentanda Lívia Pereira de Souza; de que, com relação às despesas médicas, em princípio, os recibos são documentos hábeis a comprovar as despesas, mas, existindo Fl. 467DF CARF MF Emitido em 02/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13688.001169/2007-21 Acórdão n.º 2201-00936 S2-C2T1 Fl. 2 3 dúvidas quanto á efetividade dos gastos, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova que, no caso, não foram apresentados suficientemente. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/06/2009 (fls. 297) e, em 25/06/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 298/329, que ora se examina, e no qual, inicialmente, insurge-se contra a conclusão da decisão de primeira instância de que parte do lançamento não foi impugnada. Cita trecho da Impugnação segundo a qual se pedia a improcedência total do lançamento. No mais, o Recorrente reafirma, em síntese, as alegações da impugnação de que os pagamentos foram comprovados com documentos hábeis e idôneos e de que comprovou a efetividade das despesas por meio dos recibos e de farta documentação apresentada. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuida-se de lançamento decorrente de glosas de despesas médicas. A DRJ considerou parte da autuação não impugnada, conclusão contra a qual o Recorrente se insurge. Argumenta que a impugnação pediu que fosse declarada a improcedência da autuação. Ocorre que, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, as matérias deve ser “expressamente” impugnada, senão vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 468DF CARF MF Emitido em 02/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) A norma que rege o processo administrativo tributário, portanto, é clara ao especificar a impugnação deve se referir expressamente às matérias, em relação às quais a impugnação deve apresentar as razões de defesa. Assim, o pedido genérico de que o lançamento seja julgado improcedente, não caracteriza a impugnação de matérias específicas. No presente caso, a autuação claramente definiu como razão para a glosa de determinadas despesas o fato de que o Contribuinte não comprovou, mediante sentença judicial, a obrigação de arcar com tais despesas com sua alimentanda. É este fundamento que deveria ter sido impugnado, e não o foi. Vale o mesmo para as despesas para as quais não foram apresentados comprovantes. Enfim, na impugnação o Contribuinte insurgiu-se apenas quanto à glosa das despesas pela falta de comprovação da efetividade dos pagamentos. Em relação às outras despesas glosadas, no valor de R$ 10.637,00, como especificado pela decisão de primeira instância, a matéria não foi impugnada, tornando-se definitiva na esfera administrativa. Em relação às demais glosas, eu tenho reiteradamente me posicionado no sentido de que, como regra geral, os recibos apresentados pelos profissionais da saúde são documentos hábeis a comprovar a efetividade das despesas médicas. Porém, em situações especiais em que a situação foge aos padrões normais, como valores elevados de despesas proporcionalmente aos rendimentos declarados, pagamentos em valores elevados a determinados profissionais, etc., justifica-se a cautela do Fisco em pedir elementos adicionais de prova, como a comprovação da efetividade do pagamento ou dos tratamentos médicos. Cumpre verificar, neste caso, portanto, se as circunstâncias do caso justificavam essa exigência. O Contribuinte pleiteou a dedução de despesas médicas de pouco mais de 39.000,00, dos quais foi glosado, R$ 31.309,00, para rendimentos tributáveis declarados de pouco mais de R$ 130.000,00. Observa-se também que os pagamentos foram feitos a muitos profissionais, conforme relatado no auto de infração e, de acordo com os recibos apresentados pelo Contribuinte, os pagamentos foram feitos em muitas parcelas, ao longo do ano. Por outro lado, além dos recibos, o Recorrente apresentou declarações dos profissionais que confirmam a prestação dos serviços. Nessas condições, penso que os documentos apresentados são suficientes para comprovar as despesas. Assim, dos 31.309,00 de despesas glosadas, afastados os R$ 10.637,00 não impugnados, deve ser restabelecida a dedução de R$ 20.672,00. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução de R$ 20.672,00. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. 469DF CARF MF Emitido em 02/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13688.001169/2007-21 Acórdão n.º 2201-00936 S2-C2T1 Fl. 3 5 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13688.001169/2007-21 Recurso nº : 513.405 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201-00936. Brasília/DF, 03/12/2010. Assinatura digital FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 470DF CARF MF Emitido em 02/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Fl. 471DF CARF MF Emitido em 02/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 36624.000741/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO DO ART. 173, INCISO I. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago
antecipadamente. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, a omissão no recolhimento de contribuições sobre pagamentos a planos de previdência complementar induz à aplicação da regra do art. 173, inciso I.
PAGAMENTOS A PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REQUISITOS PARA A ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS QUE PERMANECEM VIGENTES MESMO APÓS O ADVENTO DA LC 109/2001. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
A isenção criada pela LC 109/2001 tem caráter geral para todos os tributos em relação aos pagamentos a planos de previdência complementar. Por ser lei geral com status de lei ordinária quanto à concessão de isenção, não derrogou a Lei 8.212/91 lei
específica para a contribuição previdenciária das empresas que
estabelece requisito para o gozo do benefício em relação a tal
exação. Tratando-se de requisito, inserto em lex specialis anterior ou posterior à lei geral, que não ofende a proporcionalidade e atende aos princípios constitucionais aplicáveis ao caso, a exigência de que o plano de previdência complementar seja disponibilizado a todos os empregados é
condição inafastável para a fruição da isenção.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO 3º CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula 3 do antigo 2º Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para
os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.
Numero da decisão: 2301-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano
González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso ; e b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento – devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros
Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra expressa no § 4°, Art. 150, do CTN.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Recorrente YAKULT S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO DO ART. 173, INCISO I. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, a omissão no recolhimento de contribuições sobre pagamentos a planos de previdência complementar induz à aplicação da regra do art. 173, inciso I. PAGAMENTOS A PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REQUISITOS PARA A ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS QUE PERMANECEM VIGENTES MESMO APÓS O ADVENTO DA LC 109/2001. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. A isenção criada pela LC 109/2001 tem caráter geral para todos os tributos em relação aos pagamentos a planos de previdência complementar. Por ser lei geral com status de lei ordinária quanto à concessão de isenção, não derrogou a Lei 8.212/91 lei específica para a contribuição previdenciária das empresas que estabelece requisito para o gozo do benefício em relação a tal exação. Tratandose de requisito, inserto em lex specialis anterior ou Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 posterior à lei geral, que não ofende a proporcionalidade e atende aos princípios constitucionais aplicáveis ao caso, a exigência de que o plano de previdência complementar seja disponibilizado a todos os empregados é condição inafastável para a fruição da isenção. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO 3º CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 3 do antigo 2º Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso ; e b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento – devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra expressa no § 4°, Art. 150, do CTN. Marcelo Oliveira Presidente. Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.764.9192, lavrada em 15/05/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a planos de previdência complementar para empregados e contribuintes individuais no período de 01/1996 a 12/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 2.184.266,68, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 17/05/2006, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 161/195, na qual alegou: decadência, inaplicabilidade da taxa Selic e aplicação da isenção da LC 109/2001. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 523 3 Na DecisãoNotificação de fls. 211/215, a DRP/São PauloOeste concluiu pela intempestividade da impugnação, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/08/2006, fls. 219. Inconformada, a recorrente protocolou pedido de reconsideração para demonstrar a tempestividade da impugnação, fls. 221/225. A DRPSão PauloOeste acatou o pedido de reconsideração e analisou o mérito da impugnação na Decisão Notificação de fls. 310/3223. Naquele decisório os argumentos da recorrente relativos à autuação foram afastados, tendo esta sido cientificada em 11/12/2006. O recurso voluntário, apresentado em 10/01/2007, fls. 331/363, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. De início, argumenta pela decadência do período anterior a 2001 por conta da aplicação do art. 150, §4º do CTN. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Alega que a autuação está baseada em presunção, reconhecendo que, de fato, o plano de previdência complementar não estava disponível a todos os empregados. Sustenta que a LC 109/2001 impede a incidência da contribuição sobre os pagamentos a planos de previdência complementar, bem como tais pagamentos são excluídos do conceito de salário, conforme previsão do art. 458, inciso IV da CLT. O art. 69 da referida LC teria concedido isenção para os pagamentos a entidades de previdência complementar. Entende que o fisco não pode restringir aquilo que o legislador não limitou. Argumenta que, estando enquadrada como agroindústria desde 11/2001, conforme art. 22A da Lei 8.212/91, não tem obrigação de incluir as utilidades na base de cálculo que, nesse caso, é o seu faturamento e não a remuneração daqueles que lhe prestam serviços. É o relatório. Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 DECADÊNCIA A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua Fl. 253DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 524 5 revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 525 7 autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 256DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo Fl. 257DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 526 9 contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. A ausência de recolhimentos sobre pagamentos a planos de previdência complementar antes do advento da publicação da LC 109/2001 em 30/05/2001, como veremos adiante, não decorreu de divergência de interpretação, mas de violação direta de requisito estabelecido para o gozo de isenção, requisito esse que, em si, não comporta dúvidas posto que bastante simples e objetivo. Logo, a atividade da recorrente que antecedeu os pagamentos antecipados não incluiu tais fatos geradores, sem que tal omissão possa ser atribuída a divergência de interpretação jurídica, o que impede a aplicação da regra do dies a quo do art. 150, §4º do CTN. Estamos diante de um caso de omissão da recorrente em relação a tais fatos geradores que, não fosse pela atuação do fisco, não seria atingido pela tributação, o que nos leva a aplicar a regra do dies a quo do art. 173, inciso I. Assim, tendo sido o lançamento cientificado em 17/05/2006, estão atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos até 12/2000, o que inclui as competências 12 e 13/2000. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 527 11 Mérito Incidência da contribuição previdenciária sobre a pagamentos a planos de previdência complementar. Existência de isenção com requisitos para seu desfrute mesmo após o advento da LC 109/2001. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre pagamentos de planos de previdência complementar tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos Fl. 260DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: • No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; • No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social, é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 528 13 destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de previdência complementar estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar, em relação aos empregados, o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos pagamentos de planos de previdência privada, quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. Cabenos, agora, verificar se o conteúdo do §1º do art. 69 da Lei Complementar 109/2001 impede a incidência da contribuição previdenciária sobre tais pagamentos que beneficiam os empregados (art. 22, inciso I da Lei 8.212/91), por ser lei posterior que teria instituído isenção geral. Inicialmente, na esteira do que vem decidindo o STF, afasto o status de lei complementar de tal dispositivo, uma vez que seu conteúdo material é de lei ordinária, tendo em vista que a Constituição não exigiu para a criação de isenções o veículo da Lei Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 Complementar. Não ignoramos que o art. 202 exigiu Lei Complementar para regular o regime de previdência privada, no entanto, o regime ali referido diz respeito aos dispositivos não tributários que envolvem o sistema previdenciário privado, pois nosso Sistema Tributário Constitucional, especialmente quanto à exigência ou não de Lei Complementar em matéria tributária, está definido no Capítulo I do Título VI do Texto Magno. Ao assim concluirmos, não estamos adotando uma interpretação topográfica da Constituição, mas uma interpretação sistemática que objetiva preservar a unidade e a coerência do sistema. Portanto, não assumimos a existência de hierarquia entre o §1º do art. 69 da LC 109/2001 e os dispositivos da Lei 8.212/91. Assim, a LC 109/2001 é lei posterior que, embora de mesma hierarquia material, tratou de assunto regulado por lei anterior. Isso normalmente implicaria em concluirmos pela derrogação da lei antiga. No entanto, não podemos ignorar que o conteúdo do §1º do art. 69 da LC 109/2001 dispõe genericamente sobre a isenção que desfrutam os pagamentos a previdência complementar em relação ao conjunto de tributos, aí incluídas todas as contribuições. O referido dispositivo, por seu caráter genérico, ou seja, por possuir natureza de lei geral, não impede que a lei específica, a lex specialis, ainda que publicada em data anterior, permaneça em vigor para estabelecer condições para a isenção em relação a determinada contribuição, por conta da aplicação do princípio da especialidade. Significa dizer que a legislação de cada contribuição pode, desde que sem ofensa à proporcionalidade, estabelecer requisitos próprios para o desfrute da isenção. Em outras palavras, os requisitos impostos pela lex specialis para o gozo da isenção posteriormente ou anteriormente inserta em lei geral não devem ser de tal modo gravosos que, de fato, impeçam o desfrute do benefício. No caso dos pagamentos a título de previdência complementar, a Lei 8.212/91 definiu um requisito bastante razoável para o desfrute da isenção: que o programa esteja disponível a todos os empregados, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; É um requisito de óbvio caráter social que está em consonância com o princípio do valor social do trabalho previsto no art. 1º, inciso IV da Constituição Federal e com o objetivo de construir uma sociedade livre, justa e solidária e reduzir as desigualdades sociais(art. 3º, incisos I e III), pois pretende assegurar que as empresas ofereçam plano de previdência complementar a todos os seus empregados, sem distinção de função, impedindo que somente os dirigentes e funcionários mais graduados tenham acesso ao benefício. Assim, estar disponível a todos os empregados é condição presente em lex specialis em relação à LC 109/2001 que, por contribuir para realizar os desígnios constitucionais com limitações razoáveis e logicamente relacionadas à finalidade social do amparo previdenciário, em nada ofende a proporcionalidade, sendo, portanto, condição Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 529 15 inafastável para que os pagamentos a plano de previdência complementar que beneficiam os empregados estejam sob o albergue da isenção. Voltemos ao caso concreto. No Relatório Fiscal de fls. 153, constatamos que o plano de previdência foi disponibilizado a uns poucos dirigentes da recorrente. Tal situação fática não é contestada pela recorrente que, ao contrário, afirma que os planos de previdência complementar são benefícios oferecidos a " funcionários de alto escalão" (fls. 352 ), tratandose de "simples liberalidade da empresa em conceder aos seus empregados de alto escalão plano previdenciário coletivo de uma forma a estimular o trabalho especializado, garantindo a estabilidade no emprego, pois são mãos de obras fundamentais e essenciais para o desenvolvimento e organização da empresa ora autuada...(fls. )”. Assim, resta incontroversa a ofensa ao requisito exigido para o gozo da isenção prevista na alínea “p” do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Correta, portanto, a autuação que incluiu tais pagamentos aos empregados na base de cálculo da contribuição devida pela empresa. Passamos agora a analisar a incidência sobre a previdência complementar da contribuição previdenciária das empresas sobre a remuneração dos contribuintes individuais(não empregados) cuja hipótese está presente no inciso III do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 16 Conforme os dispositivos acima transcritos, a empresa está obrigada ao pagamento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais com base na remuneração destes. Ocorre que, não sendo estes empregados, sua relação com a empresa não está regida pela legislação trabalhista. Logo, o conceito de remuneração para os contribuintes individuais não está adstrito ao conteúdo da CLT por força do art. 110 do CTN, como no caso dos empregados. Por conta disso, fomos buscar outras disposições de nosso direito positivo que tratem, genericamente, de remuneração e encontramos o art. 74 da Lei 8.383/91, in verbis: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. 1° A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. (...) A lei, portanto, no caso de administradores, gerentes e seus assessores inclui na remuneração todo e qualquer benefício ou vantagem concedido pela empresa, o que, certamente, inclui o pagamento de previdência complementar. Estando compreendido no conceito de remuneração dos contribuintes individuais, o pagamento de previdência complementar somente poderia ficar de fora da base de cálculo da contribuição previdenciária se o requisito da isenção constante da alínea “p”, §9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Como já vimos, o benefício não foi concedido para a totalidade de seus empregados e dirigentes, o que exclui a possibilidade de isenção. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 530 17 Com relação à alegação de que passou a estar enquadrada como agroindústria a partir de 11/2001, observamos que a autuação já considera tal fato. A tabela de fls. 154/156 demonstra que a partir de 11/2001 somente foram incluídos no lançamento os pagamentos de planos de previdência complementar que beneficiaram os contribuintes individuais, o que está em conformidade com o art. 22A da Lei 8.212/91, pois a nova sistemática de tributação da agroindústria substitui os incisos I e II do art. 22, sem atingir a hipótese do inciso III que trata dos contribuintes individuais. Por fim, não tem razão a recorrente quando reclama que o lançamento baseouse em presunção, pois a autoridade fiscal trouxe provas diretas hábeis a demonstrar o fato gerador da contribuição. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para excluir os fatos geradores ocorridos até 12/2000, incluindo as competências 12 e 13/2000. Sala das Sessões, 10 de fevereiro de 2011 MAURO JOSÉ SILVA Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 18 Declaração de Voto Conselheiro Adriano González Silvério DECADÊNCIA Sabese que, em regra, o aspecto material da regramatriz de incidência é formado por um verbo mais o complemento. Assim vemos no IPTU “ser proprietário de imóvel urbano” , no Imposto de Renda – “auferir renda”, sendo que o mesmo acontece no caso das contribuições previdenciárias que, na hipótese desses autos é, em síntese, “pagar remuneração”. Determina o artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cabe ao contribuinte o dever de pagar antecipadamente o tributo, sem prévio exame por parte da autoridade pública. Essa, por sua vez, cientificada dessa atividade do contribuinte terá o prazo de 5 (cinco) anos para homologálo ou não. No caso dos autos, a autoridade fiscal, no pleno exercício de suas funções de verificar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, apurou, segundo seu entendimento, que a recorrente ao “pagar remuneração” sob teria cumprido parcialmente com a obrigação principal, ou, em outras palavras, quitou parcialmente o tributo correspondente a esse fato gerador, uma vez que não incluiu, na base de cálculo, somente as parcelas referentes aos pagamentos efetuados a título de planos de previdência complementar para empregados e contribuintes individuais. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial 989.421/RS, publicado no Diário da Justiça de 10 de dezembro de 2008: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OCORRÊNCIA. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. (...) 5. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 531 19 homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad pág. 170).” No âmbito desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais destaco o Acórdão nº 920200.495, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da lavra do Eminente Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, proferido nos autos do processo nº 36918.002964/200510: “Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. (...) Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida.” Assim, diante das razões acima aduzidas, divirjo em parte do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Relator, pois entendo que há decadência parcial no caso concreto, conforme o cômputo do prazo decadencial qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sendo que o lançamento fora cientificado à recorrente em 17 de maio de 2006, tenho por decaídos os fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1996 a abril de 2001. PAGAMENTOS EFETUADOS A TÍTULO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Ao tratarmos no caso de previdência privada a análise jurídica deve partir da Constituição Federal, passando pela legislação complementar que a regulamenta, sob pena de desconsiderarmos regras jurídicas importantíssimas, sejam aquelas que definem as espécies de previdência privada existentes, sejam porque tais regras espraiamse no âmbito da incidência das contribuições previdenciárias. Partiremos, então, da análise do artigo 202 da Constituição Federal que, na parte relevante para o caso concreto, dispõe: “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 20 regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998).” Diante desse dispositivo legal extraímos que o regime de previdência privada será regulado mediante lei complementar, bem como que as contribuições aportadas pelo empregador, em benefício dos participantes não integram seus respectivos contratos de trabalho, tampouco suas respectivas remunerações, nos termos da lei. Perguntamos: que lei é esse a que se refere o § 2º do artigo 202? A nosso ver só pode ser a lei complementar exigida pelo próprio caput, pois é esta, por força constitucional, que deverá dispor sobre previdência privada. A lei complementar exigida pela Carta Magna é a de nº 109, de 29 de maio de 2001, a qual ao dispor sobre previdência privada, classificouas, no seu artigo 4º em duas espécies, quais sejam: i) previdência fechada; e ii) previdência aberta. As entidades fechadas de previdência privada são aquelas tratadas no Capítulo III do citado diploma legal, em especial no artigo 31 que reza: “Art. 31. As entidades fechadas são aquelas acessíveis, na forma regulamentada pelo órgão regulador e fiscalizador, exclusivamente: I aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores; e II aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominadas instituidores. § 1o As entidades fechadas organizarseão sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos. § 2o As entidades fechadas constituídas por instituidores referidos no inciso II do caput deste artigo deverão, cumulativamente: I terceirizar a gestão dos recursos garantidores das reservas técnicas e provisões mediante a contratação de instituição especializada autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil ou outro órgão competente; II ofertar exclusivamente planos de benefícios na modalidade contribuição definida, na forma do parágrafo único do art. 7o desta Lei Complementar.” Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 532 21 Logo se vê que as entidades fechadas de previdência são aquelas de adesão restrita aos funcionários da empresa ou grupo de empresas patrocinadoras ou das instituidoras, tais como associações de classe, sindicatos etc. Em relação ao plano de benefícios da entidade fechada, determina o artigo 16 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001 que esses devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores, equiparandose a empregado, para efeitos dessa Lei, os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes. Mais adiante a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, estabelece no Capítulo IV, artigo 36 as características de uma entidade aberta de previdência: “Art. 36. As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas.” Ao contrário da entidade fechada, a entidade aberta é acessível a qualquer pessoa física, não ficando restrita a empregados da entidade instituidora, por exemplo. Ademais, em relação aos benefícios instituídos pelas entidades abertas determina o artigo 26 da Lei Complementar em comento: “Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA 22 § 5o A implantação de um plano coletivo será celebrada mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão regulador.” Verificase que em relação ao plano de benefícios, não exige a legislação de regência, no caso das entidades abertas, que esse seja extensível a todos os empregados, tal como previsto para as entidades abertas. No tocante à questão relativa às contribuições previdenciárias o artigo 69 da lei em debate é muito claro ao estabelecer que sobre os aportes nos planos de previdência, seja ele fechado ou aberto, não há que se falar na sua incidência. Vejase: “Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza.” Contudo, a análise não para por aí. Como vimos linhas acima as entidades fechadas e abertas possuem características distintas e uma delas, crucial para o exame do caso concreto, é a questão relativa à participação da totalidade dos empregados e a eles equiparados. Melhor explicando, necessitamos verificar no caso concreto se o plano de previdência em debate é fechado ou aberto. Isto porque, tratandose de plano de previdência fechado poderia haver, em tese, a incidência das contribuições previdenciárias, já que nos autos verificouse que o plano não albergava todos os empregados e a eles equiparados. Porém, o que se depura do Relatório Fiscal, precisamente às fl. 152 é que o plano de previdência em evidência é contratado junto à entidade aberta, na modalidade coletivo, o qual objetiva garantir benefícios previdenciários às pessoas vinculadas à contrante, no caso a recorrente, amoldandose, portanto, à previsão do inciso II, do artigo 26 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001. Citemos um trecho do Relatório Fiscal: “2 As contribuições lançadas nesta notificação referemse ao benefício dado pela empresa em epígrafe a título de "Plano Previdenciário Coletivo", que constitui num pagamento mensal a um plano de previdência complementar feito pela empresa em nome de alguns funcionários em sua maioria funcionários de alto escalão. Esta fiscalização considera este pagamento com remuneração indireta desses funcionários, pois não cumpre o que determina a Lei n°8212/91, em seu Art. 28, § 9°, "p": (...) 3 — Os valores pagos pela empresa estão separados em dois períodos. O primeiro período vai da competência de 01/1996 (janeiro de 1996) a 05/1998 (maio de 1998), sendo esta contribuição feita para o plano de previdência complementar do Banco América do Sul. O segundo período, de 06/1998 a 12/2005, referese à contribuição feita para o plano de previdência complementar Bradesco Vida e Previdência S.A.” Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.000741/200785 Acórdão n.º 230101.840 S2C3T1 Fl. 533 23 Tratando de plano de previdência contratado junto à entidade aberta a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, como já exposto, não exige que seja extensível a todos os empregados. Importante registrar que a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001 aplicase no caso concreto, a meu ver, no seu todo, porque reconheço a decadência do crédito tributário até abril de 2001, um mês antes à sua edição. Em relação ao disposto no artigo 28, § 9º, alínea “p” da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o qual exige que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, tem que ser disponível à totalidade dos empregados e dirigentes para que não seja alvo das contribuições previdenciárias, entendo que esse foi revogado parcialmente pela Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001 no que diz respeito à extensividade da previdência complementar aberta. Ante o exposto, divirjo do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Relator, pois CONHEÇO do recurso voluntário e, NO MÉRITO, doulhe INTEGRAL PROVIMENTO, cancelandose, assim, a presente NFLD. Adriano González Silvério Fl. 272DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 17/02/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10218.000198/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EXTINÇÃO DE FATO. DIVISÃO DE ATIVOS. INTERPOSTA PESSOA. REDIRECIONAMENTO DA FISCALIZAÇÃO AOS SÓCIOS DE FATO.
Pessoa jurídica extinta de fato, com liquidação irregular e partilha de ativos entre os sócios de fato. CNPJ declarado inapto.
Redirecionamento da fiscalização aos sócios de fato.
Procedimento correto. Aplicação do inc. III, do art. 34, c/c art. 50 da IN SRF n° 568/2005. Dá-se
provimento à remessa oficial.
Numero da decisão: 1201-000.387
Decisão: ACÓRDÃO os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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DIVISÃO DE ATIVOS. INTERPOSTA PESSOA. REDIRECIONAMENTO DA FISCALIZAÇÃO AOS SÓCIOS DE FATO. Pessoa jurídica extinta de fato, com liquidação irregular e partilha de ativos entre os sócios de fato. CNPJ declarado inapto. Redirecionamento da fiscalização aos sócios de fato. Procedimento correto. Aplicação do inc. III, do art. 34, c/c art. 50 da IN SRF n° 568/2005. Dáse provimento à remessa oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACÓRDÃO os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Fl. 1612DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 2 2 EDITADO EM: Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS (Presidente), MARCELO CUBA NETTO, RAFAEL CORREIA FUSO, JOAO BELLINI JUNIOR, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ. Relatório Por sua completude, transcrevo e adoto o relatório elaborado na Delegacia da Receita Federal de Julgamento, verbis: Contra o sujeito passivo acima qualificado foram lavrados os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, formalizando se um crédito no montante de R$ 3.112.085,44 (valores principais, multas e juros calculados até 29/02/2008). A infração tem fundamento na omissão de receita ou de rendimento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Como foi declarada inapta a inscrição no CNPJ da empresa Amazonas Distribuidora de Alimentos Ltda., por motivo de inexistência de fato, conforme documentos de fls. 1082 e 1087, a fiscalização entendeu, conforme Termo de Verificação Fiscal (fl. 1.273) que: Em conseqüência disso, como sujeitos passivos deverão ser indicados os sócios que tinham função de gerência (administradores) da sociedade extinta irregularmente. Ou seja, a dissolução irregular de pessoa jurídica implica a substituição da sujeição passiva da pessoa jurídica para os seus agentes. Nesse caso, em se tratando de sociedade extinta irregularmente, devese impor a responsabilidade tributária ao sóciogerente, sendo autorizado, assim, redirecionamento da exigência fiscal. Foi elaborado, também, Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1.375 e 1.376) para o contribuinte Edmilson Ferreira da Silva, CPF. 124.446.18300, cuja ciência foi dada em 31/03/2008 (fl. 1.376). Cientificado do lançamento em 31/03/2008 (fls. 1.336, 1.344, 1.353 e 1.363), o sujeito passivo, inconformado, apresentou impugnação em 29/04/2008, às fls. 1.382 a 1.412, alegando, em síntese, que: Fl. 1613DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 3 3 1) todos os atos praticados anteriores à emissão do MPF n° 02.1.03.00.2008.000669 em 25.03.2008, emitido para fiscalizar HAMILTON MIRANDA DE ANDRADE e que constam registrados no referido processo e que serviram de base para a autuação objeto da impugnação são nulos, devendo ser desentranhados dos autos porque referidos documentos não dizem respeito a HAMILTON MIRANDA DE ANDRADE, considerando que foram obtidos sem autorização do MPF ora indicado; 2) o requerente é pessoa física, responsável por obrigação tributária devida pelo contribuinte, subsidiariamente, sendo que o sujeito passivo, no caso é a empresa AMAZONAS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., que existe juridicamente; 3) outro ponto que macula a autuação fiscal foi o fato de que a empresa declarou expressamente que a forma de tributação do lucro, de fato utilizada por ela, foi o lucro real, embora, equivocadamente, tenha entregue DIPJ com base no lucro presumido. Para tanto apresentou a escrituração contábil (Diário e Razão) e a fiscal (Livro de Entradas, Saídas, Apuração de ICMS e LALUR), mas o Auditor Fiscal insistiu em atuar pelo lucro presumido tão somente pelo fato da empresa ter apresentado DIN pelo lucro presumido; 4) da simples análise das rubricas constantes dos extratos bancários não é difícil concluir que as operações financeiras decorreram de operações mercantis (compra e venda), tais como: cobrança, liq. desconto, cheque custódia, liquidação de cobrança, desconto de cheque e outros mais, além da existência da escrituração mercantil e fiscal e da própria declaração firmada pela empresa; 5) quanto aos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) oriundos da fiscalização do imposto de renda, sendo anulado o principal, os reflexos se comunicam na mesma proporção, devendo seguir o destino do principal, qual seja, a anulação. Por fim, caso seja mantida a autuação fiscal, o impugnante requer que seja excluído da autuação fiscal a multa punitiva de 75% em cumprimento ao que dispõe o art. 134, parágrafo único do CTN, devendo ser mantida a responsabilidade tributária do principal pelo requerente até o percentual de 58% que é a sua participação na sociedade, considerando a existência de outro sóciogerente possuidor de 42%. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém PA, por unanimidade de votos, julgaram o lançamento nulo, ao argumento de que quando declarada a inaptidão de CNPJ, mesmo diante da situação de extinção irregular ou inexistência de fato da sociedade, o lançamento deve ser realizado contra a pessoa jurídica inapta e não contra o seu sócio de fato, como ocorreu. A ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Fl. 1614DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 4 4 Anocalendário: 2003, 2004. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA. JURÍDICA INAPTA. Quando a pessoa jurídica é declarada inapta, é sobre ela que deve ser efetuado o lançamento. Lançamento Nulo. É o relatório. Fl. 1615DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ, relator: 1. Identificação do responsável Cuidase de remessa ex officio de julgamento de auto de infração decorrente da fiscalização da pessoa jurídica Amazonas Distribuidora de Alimentos Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 02.995.023/000109, referente ao período de 01/01/2003 a 31/12/2004. Pela descrição do Termo de Verificação Fiscal de fls. 249, a ação fiscal constatou que a empresa sob fiscalização foi extinta de fato, visto ter sido liquidada irregularmente com partilha de seus ativos aos sócios de fato. Deuse, então, o encerramento do MPF original sendo expedido um novo para direcionamento da autuação aos sócios de fato e gerentes, Srs. Hamilton Miranda De Andrade, CPF n° 197.985.39249, e Edmilson Ferreira Da Silva, CPF n° 124.446.18300. Além disso, verificouse em 09.02.2001 a interposição de pessoas no quadro social de modo fraudulento, visando simular situação de transferência de responsabilidade tributária para terceiros que jamais exerceram de fato a condição de sócio nem tinham capacidade econômica para tanto. Essa situação acabou confessada pelos sócios de fato em petição encaminhada por procurador à autoridade fiscal, juntada a fls. 423428, cujos termos mais relevantes são os seguintes: "Consta no banco de dados da Receita Federal que os sócios da empresa fiscalizada AMAZONAS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. são Juarez Pereira da Silva e Francisco Lima da Silva. Entretanto, referida alteração contratual não se efetivou de fato, tornandose sem efeitos jurídicos, devendo referidos nomes serem excluídos do quadro societário e substituídos pelos sócios anteriores, inclusive para efeito de possível coresponsabilidade tributária. (...) Diante destas informações e considerações, requer (sic): 1 — que seja excluído do quadro societário da empresa AMAZONAS DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. os nomes de Juarez Pereira da Silva, CPF n° 297.392.92291 e Francisco Lima da Silva, CPF n° 268.642.74268 porque ambos não possuem responsabilidade perante referida empresa, devendo constar como sócios os nomes de HAMILTON MIRANDA DE ANDRADE, CPF n° 197.985.39249, EDIMILSON FERREIRA DA SILVA, CPF n° 124.446.18300 e PAULO JUSENIR GIACOMIN, CPF n° 451.673.03753. Fl. 1616DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 6 6 (...)" O CNPJ da pessoa jurídica inicialmente fiscalizada foi declarado inapto na forma do art. 34, inc. III, c.c. com o art. 41, incs. II e IV, da Instrução Normativa RFB nº 568, de 8/9/2005, pelo Ato Declaratório Executivo n° 17, de 22/10/2007, publicado no DOU de 24/10/2007. Adicionalmente a fiscalização apurou que no cadastro da fazenda estadual a pessoa jurídica então fiscalizada constava com sua inscrição n° 15.203.3971 suspensa por motivo de baixa. Sobre a extinção irregular da pessoa jurídica fiscalizada a empresa fornecedora daquela R. T. Distribuidora de Alimentos Ltda., CNPJ n° 06.889.985/000134 – segundo declarações de seu sócio gerente a fls. 235 – comprou em julho de 2004 mercadorias, mobiliário e veículos da pessoa jurídica originalmente fiscalizada, em negociação havida com os sócios de fato desta, os Srs. Hamilton Miranda De Andrade e Edmilson Ferreira Da Silva, denotando procedimento de liquidação patrimonial da sociedade fiscalizada voltada à sua extinção. Além disso, a fiscalização constatou que inúmeros veículos da pessoa jurídica fiscalizada foram vendidos ou transferidos a terceiros (cfr. tabela de fls. 1.278). O v. acórdão a quo, não obstante, entendeu por bem anular o lançamento, por que este deveria ser dirigido contra a pessoa jurídica extinta e não contra os seus sócios remanescentes. Nesse sentido, extraemse os seguintes trechos fundamentais a esta conclusão: Verificase na legislação acima que a pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada inapta continua a existir legalmente, já que a sua inexistência, no caso do art. 34, III, só ocorre de fato. Tanto é assim, que os créditos tributários da pessoa jurídica inapta são encaminhados normalmente para inscrição e execução, conforme o caput do art. 50, até mesmo no caso de inexistência de fato, desde que estes créditos sejam decorrentes de fatos geradores ocorridos antes da paralisação das atividades da entidade, conforme parágrafo único do art. 50. (...) Conforme se depreende dos julgados acima, é juridicamente possível o redirecionamento da execução contra a pessoa dos diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica, quando ficar provado que o crédito tributário constituído é resultantes de atos por eles praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, mesmo que tais pessoas não constem do titulo executivo e, conseqüentemente, do anterior lançamento de oficio. A partir daí, impõese concluir que mesmo provado o dolo do impugnante, não poderia ter sido efetuado o lançamento contra a pessoa física do sócio, primeiro porque a pessoa jurídica ainda tem existência legal, sendo, portanto, o sujeito passivo — contribuinte e segundo porque o art. 135, III, do CTN não configura hipótese de sujeição passiva, mas de responsabilidade patrimonial pessoal pelo crédito tributário, que pode vir a ser configurada juridicamente apenas na fase de execução. Fl. 1617DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 7 7 Em relação à declaração de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica originalmente fiscalizada, dispunha a IN SRF n° 568 de 08/09/2005 em vigor à época dos fatos: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. A seu turno, o seu art. 50 estabelecia: Dos Créditos Tributários da Pessoa Jurídica Inapta Art. 50. O encaminhamento, para fins de inscrição e execução, de créditos tributários relativos à pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta, nas hipóteses dos incisos I, II e IV do art. 34, será efetuado com a indicação dessa circunstância e da identificação dos responsáveis tributários correspondentes. Notese que diferentemente do que afirmou a r. decisão a quo, quando a inaptidão se der com fundamento no inc. III, do art. 34, da IN SRF n° 568/2005 não se aplica a disposição do seu art. 50, não se dando o encaminhamento dos débitos de pessoa jurídica inexistente para inscrição em dívida ativa. In casu deuse a extinção irregular da sociedade originalmente fiscalizada, com versão de seus ativos aos sócios de fato, implicando na incidência do art. 135 do CTN, invocado pela fiscalização para fundamentar o lançamento. Dispõe o referido diploma: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1618DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 8 8 Há conhecido dissenso doutrinário acerca da extensão desse dispositivo legal e em especial do sentido da responsabilização “pessoal” do administrador da sociedade que ele invoca. Segundo Aliomar Baleeiro esta norma implica responsabilidade plena por substituição tributária passando o administrador pessoalmente responsabilizado a ser o responsável “ao invés do contribuinte” (Direito Tributário Brasileiro. RJ, Forense, 1994, pp. 491492). No mesmo sentido Luciano Amaro quando afirma não se tratar de responsabilidade subsidiária nem solidária do administrador, terceiro em relação ao contribuinte, mas de responsabilidade própria e exclusiva deste: Não se trata, portanto, de responsabilidade subsidiária do terceiro, nem de responsabilidade solidária. Somente o terceiro responde ‘pessoalmente’” (Direito Tributário Brasileiro. RJ, Forense, 1999, p. 308). Outros entendem, como o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que, a fim de os administradores constarem futuramente na eventual certidão de dívida ativa é necessário que tenham participado do processo administrativo onde se deu a constituição do crédito tributário. Entretanto, para este autor, o auto de infração deve ser lavrado tanto contra a pessoa jurídica contribuinte originária, quanto contra os responsáveis pessoais, porque a pessoalidade, para ele, não implica exoneração do contribuinte originário. Não obstante o autor afirma, linhas antes, haver “transferência da responsabilidade da pessoa jurídica para as pessoas físicas” (Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade culposa e dolosa dos sócios e administradores de empresa por dívida tributárias da pessoa jurídica, in Responsabilidade Tributária. Dialética, SP, 2007, pp. 155). Adicionalmente a autuação invocou, em sustentação ao lançamento contra os sócios de fato, o art. 207 do RIR/99 que dispõe sobre a responsabilidade daquele pela dissolução irregular de sociedade: "Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei n° 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 5°) (...) V os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 50, § /°): (...) III os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V." Fl. 1619DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 9 9 Já há tempos a jurisprudência do Col. STJ pacificouse no sentido da possibilidade de responsabilização pessoal dos sócios na hipótese de dissolução irregular dolosa de sociedade, como esta dos autos, quando restam débitos tributários a saldar. Nesse sentido o precedente abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – AGRAVO DE INSTRUMENTO – OFENSA AO ART. 20, § 4º, DO CPC – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – REDIRECIONAMENTO – EXSÓCIO – RETIRADA DA SOCIEDADE ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR – IMPOSSIBILIDADE. 1. Inviável análise de recurso especial cuja tese não foi objeto de debate no Tribunal de origem. Aplicação da Súmula 282/STF. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que o simples inadimplemento da obrigação tributária não caracteriza infração à lei. Somente as hipóteses de infração à lei (contrato social ou estatuto) ou de dissolução irregular da sociedade é que podem ensejar a responsabilização pessoal do dirigente, sendo indispensável, ainda, que se comprove que agiu ele dolosamente, com fraude ou excesso de poderes. 3. Esta Corte já se pronunciou pela não responsabilização do sócio que se retirou da sociedade, a não ser que fique demonstrada qualquer das hipóteses ab initio elencadas, relativamente ao período de permanência na empresa. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1065541 / SP, Ministra ELIANA CALMON, 09/12/2008, DJe 27/02/2009). CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE. ART. 135, III, DO CTN. PRECEDENTES. 1. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à configuração das demais condutas nele descritas: práticas de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos ou, ainda, quando demonstrada a dissolução irregular da sociedade. 2. Recurso especial improvido. (REsp 789138 / RJ, Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, 16/10/2007, DJ 12/11/2007 p. 203). Vejo, então, que a consideração apenas dos sócios de fato como responsáveis pessoais exonerandose a pessoa jurídica nenhum prejuízo traz aos interessados e, diante da farta demonstração da insubsistência de fato da sociedade e dispersão total de seu patrimônio, da inutilidade de sua trazida à responsabilização. Fl. 1620DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 10 10 2. Omissão de receita, depósitos bancários. Passamos diretamente a apreciação do mérito com fundamento no CPC, art. 515, § 3º e PAF, art. 25, inc. II. Durante o curso da fiscalização, os sócios de fato foram intimados a apresentar comprovação hábil e idônea da origem dos recursos creditados nas contas correntes bancárias que a sociedade irregularmente dissolvida mantinha, bem como para as notas fiscais e os livros e escriturações fiscais. Não recebendo informações acerca da movimentação financeira da fiscalização, a autoridade autuante diligenciou junto às instituições financeiras depositárias, de quem obteve os extratos com a movimentação financeira. Solicitou, então, aos sócios de fato da fiscalizada, que demonstrassem e comprovassem a origem dos lançamentos a crédito nas contas correntes e diante da inércia dos intimados, a fiscalização efetuou o lançamento com base no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, presumindo tratarse de omissão de receita. Dispõe a norma em comento: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 1621DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 11 11 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Aplicada a presunção, ante a inércia do contribuinte em comprovar a origem dos recursos mediante a demonstração cabal, no PAF, da origem deles poderia desfazer o lançamento, o que não ocorreu na impugnação. Não é suficiente, para desconstituir o lançamento presuntivo a mera afirmação de que a análise das rubricas constantes dos extratos bancários levaria a conclusão de tratarse de operações mercantis de compra e venda dos produtos negociados (verbis: “cobrança, liq. desconto”, “cheque custódia”, “liquidação de cobrança”, “desconto de cheque”), quando destituída de elementos de prova. Ante a inversão do ônus probandi, compete ao contribuinte fazer prova de que tais receitas foram efetivamente oferecidas à tributação, conforme dispõe expressamente o citado art. 42, da Lei 9.430/96. Por fim, como a responsabilização deuse pelo art. 135 do CTN, tendo por base a dissolução irregular dolosa da sociedade, descabe falarse da imputação de multa de mora a que se refere o art. 134 do mesmo código. 5 Dispositivo Isso posto, dou provimento à remessa de ofício para julgar procedente o lançamento. REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ Conselheiro Relator Fl. 1622DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10218 .000198/2008 Acórdão n.º 1201000.387 S1C2T1 Fl. 12 12 Fl. 1623DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 01/04/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 18471.002262/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF
Ano-calendário: 1999
IRRF. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.Comprovado que o pagamento referido na exigência fiscal, se trata de mera transferência contábil entre empresas coligadas, não deve prevalecer a tributação na forma do artigo 61 da Lei n° 8981, de 1995.Recurso Voluntário Provido.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 2201-000.757
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: JANAINA MESQUITA LOURENCO DE SOUZA
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Recorrida 8' TURMA/DR.T-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1999 IRRF. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, Comprovado que o pagamento referido na exigência fiscal, se trata de mera transferência contábil entre empresas coligadas, não deve prevalecer a tributação na forma do artigo 61 da Lei n° 8981, de 1995, Recurso Voluntário Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Franci2(o Nssis de Oliveira Júnior - Presidente —.1--r- Jan4-ia Mesquita Lourenço de Souza - Relatora EDITADO EM: \ 201 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Fatah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente), Relatório O contribuinte em epígrafe foi autuado através de ação fiscal na qual apurou- se falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados e cuja operação não foi comprovada, no ano calendário 2000, apurando-se um crédito tributário no valor de R$ 871.963,04, conforme consta no auto de infração (fis, 61/64), fundamentado no art. 674 do RIR/99. Cabe ressaltar que intimada a apresentar documentação comprobatória coincidente em datas e valores, dos débitos efetuados na conta contábil 121501 - "Créditos de Empresas Coligadas", relativos ao ano-calendário 2000, apresentou somente parte dos documentos solicitados, conforme termo de constatação de irregularidades (fis. 59/60) Devidamente intimado da autuação fiscal, o contribuinte apresentou impugnação às ris, 79/86, e documentos de fis. 87/167, trazendo os seguintes argumentos: a) que se for comprovada a identificação dos beneficiários e a finalidade dos débitos, não há incidência de IRRF; b) que o valor de R$ 600,000,00 tem como beneficiária a empresa Cimento Mauá S.A, que é do mesmo grupo econômico que a interessada e que os cheques foram utilizados com a finalidade de operações entre as empresas do Grupo; c) contabilmente as operações estão devidamente registradas em todas as empresas do grupo envolvidas; d) em se tratando, portanto, de mera transferência contábil, não há incidência de IRRF, conforme jurisprudência administrativa; e) por fim, alega a ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da SELIC, A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I (RI) apreciou a impugnação do contribuinte e julgou o lançamento procedente em parte (fls. N194/203), conforme acórdão abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de Apuração. • 01/01/1999 a 31/12/1999 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.. OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA, A efetuação do pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte sobre pagamento efetuado por pessoas . jurídicas a beneficiário não identificado, Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na .fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e/ou cuja operação ou causa não seja comprovada," O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância administrativa, de acordo com AR juntado às fis, 205, recebido em 22/11/2002, 2 Processo n° 18471.002262/2004-GO AcOrno n '2201-00.757 S2-C2T1 El 2 Todavia, inconformado com a decisão "a quo", o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário de fis. 2071216, aduzindo em sua defesa os seguintes argumentos: a) Preliminarmente, argui a tempestividade do recurso voluntário, bem como a falta de arrolamento de bens, com base no Decreto n° 70235/72 e no Ato Declaratório Interpretativo n° 16 de 21 de novembro de 2007. b) No mérito, alega que somente será devido o IRRF quando não comprovado o beneficiário e a 'finalidade do pagamento, o que já ocorreu no caso em comento. c) No que diz respeito ao valor de R$ 600.000,00 levado a débito na conta 121501 — "Crédito de Empresas Coligadas", em agosto de 2000, a Recorrente esclarece que o beneficiário foi a empresa Cimento Mauá S,A,, que é do mesmo grupo econômico da Recorrente, tendo como elemento comprobatório, o contrato de mútuo, que entre si têm firmado a Indústria e Comércio de Exportação de Areia Khuouri Ltda. e a Cimento Maná S.A, o qual já foi apresentado à fiscalização. d) Que a empresa Cimento Matá Ltda, utilizou o cheque ri° 000089 do Banco Bradesco, no valor de R$ 600.000,00 para endossar a Companhia Nacional de Cimento Portland, empresa que também é do mesmo grupo econômico da Recorrente. e) Que a Cimento Mauá adotou o mesmo procedimento com os cheques recebidos por duas outras empresas do grupo: Companhia Materiais Sulfurosos Matsulfiir e Concrebrás, tendo depositado os três cheques na conta corrente da Cia Nacional de Cimento Portland, n" 11910-9, Agência 3820, junto ao Banco Itaú S.A,, no valor de R$ 6300.000,00, sendo discriminados da seguinte forma: Cia. Materiais uúlfurosos Matsulfur R$ .3.300.000,00 Cheque ri' 0032122 — Banco Bradesco S.A Concrebrás S.A. R$ 2.400.000,00 Cheque n° 0022290 do Banco Bradeseo S.A (doc. 08 da Impugnação). Ind.. e Com. Extração de Areia Khouri R$ 600.000,00 Cheque n° 000089 do Banco Ltda. Bradesco S.A. (doc. 06 da impugnação e microfilmagem juntada). f) Argüi ainda que contabilmente, todas as operações foram devidamente registradas em todas as empresas envolvidas, conforme segue: Recorrente (doc. n° 11 da impugnação; Cia Sulfurosos Matsulfur (doc. n" 12 da impugnação); Concrebrás (doc. ri' 13 da impugnação) e a Cia Nacional de Cimento Portland (doc. n° 14 impugnação). fl 1 g) Alega que o valor de R$ 50,000,00 apontado pela autuação, foi proveniente da Centralbeton Ltda. e destinado à Brasil Beton S .A,, empresas do mesmo grupo econômico da Recorrente, em razão de operação de mútuo entre as empresas. h) Aduz ainda que a Recorrente, assim como as demais empresas do Grupo, utilizam o sistema JDE para gerenciar e auxiliar no controle da tesouraria, e, por característica do sistema, quando mais de uma transação é registrada dentro de um mesmo lote, a operação é centralizada na primeira empresa registrada. i) Na operação em tela, registrada no lote 733542, a Recorrente é a primeira registrada (documento 15 da impugnação), e em razão disso, os recursos transferidos da Centralbeton Ltda, à Brasil Beton S,A. transitaram contabilmente pela Recorrente. Portanto, aduz que quando ocorre mera transferência contábil, não há incidência de 1RRF, conforme jurisprudência da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, de 19/03/2003 k) Pelo exposto, requer a Recorrente que seja dado provimento ao recurso, e determinado o cancelamento dos lançamentos efetuados, ou, subsidiariamente, que sejam excluídos do débito a incidência da taxa aplicada de juros de mora, e que seja excluída a incidência de juros de mora com base na taxa Selic, substituindo-a pela taxa determinada pelo art 161, § 1° do CTN, É o relatório. Voto Conselheira Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Relatora Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ do Rio de Janeiro que julgou o lançamento procedente em parte, referente a falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou cuja operação ou causa não foi comprovada, no Ano Calendário 2000. A princípio cabe aduzir que o Recurso merece ser conhecido por atender aos requisitos de admissibilidade constantes no Decreto 70.235/72, Cabe esclarecer que a d. DRJ de Rio de Janeiro — RJ afastou parte da autuação fiscal por entender não ter sido possível certificar se efetivamente houve pagamento da interessada para empresa coligada e qual teria sido a data de sua ocorrência (referente ao valor de R$ 50,000,00), g) 1) Quanto ao valor de R$ 600.000,00 foi inconteste o pagamento do cheque n° 000089 da conta-corrente n° 362340-8, do Banco Bradesco, da qual a interessada é titular no referido valor. De acordo com a cópia do cheque n° 00089 e documentos contábeis das Processo n° 18471.002262/2004-60 S2-C2T1 Acórdão n '2201-00.757 Fl. 3 empresas envolvidas, depreende-se que o destinatário do pagamento foi a empresa Cimento Mauá S.A, O Contrato de Mútuo (fls. 115/117), entretanto não foi aceito como comprovação de empréstimo pelo autoridade "a quo", por não possuir identificação dos signatários, não estar assinado por duas testemunhas e não possuir registro público ou qualquer outro elemento que lhe confira validade perante terceiros. Firma obrigação entre as partes envolvidas, mas não traz prova perante a Fazenda Pública, Ainda, esclarece a autoridade julgadora que o referido Contrato de Mútuo se constituísse em prova hábil, não foi juntado aos autos na impugnação, momento propício para contraditar, tampouco foram juntados documentos contábeis e fiscais demonstrando que o pagamento em questão tem relação com o contrato aludido, Assim, não tendo sido comprovado nos autos a operação ou causa do pagamento realizado, manteve esta parcela da autuação fiscal. Em grau de recurso o recorrente alega que somente será devido o IRRF quando não comprovado o beneficiário e a finalidade do pagamento, o que já ocorreu no caso em comento. No que diz respeito ao valor de R$ 600.000,00 levado a débito na conta 121501 — "Crédito de Empresas Coligadas", em agosto de 2000, a recorrente esclarece que o beneficiário foi a empresa Cimento Mauá S.A., que é do mesmo grupo econômico da recorrente, tendo corno elemento comprobatório, o Contrato de Mútuo, que entre si têm firmado a Indústria e Comércio de Exportação de Areia Khuouri Ltda, e a Cimento Mauá S.A, o qual já foi apresentado à fiscalização. Que a empresa Cimento Mauá Ltda. utilizou o cheque n° 000089 do Banco Bradesco, no valor de R$ 600,000,00 para endossar a Companhia Nacional de Cimento Portland, empresa que também é do mesmo grupo econômico da Recorrente. Que a Cimento Mauá adotou o mesmo procedimento com os cheques recebidos por duas outras empresas do grupo: Companhia Materiais Sulfurosos Matsulfur e Concrebrás, tendo depositado os três cheques na conta corrente da Cia Nacional de Cimento Portland, n" 11910-9, Agência 3820, junto ao Banco Rau S.A., no valor de R$ 6,300.000,00. De fato é possível verificar das provas acostadas aos autos a veracidade das afirmações da recorrente. Na impugnação a empresa autuada junta uma série de documentos para identificar o beneficiário e justificar o pagamento. Consta: Contrato Mútuo firmado entre Cimento Mauá S.A. e do outro lado Indústria e Comércio de Extração de Areia Khouri Ltda.; cheque nominal em nome da Cimento Mauá, extratos bancários comprovando a compensação do cheque na conta da Industria e Comércio de Extração de Areia Khouri Ltda. O enquadramento legal da autuação cita o art. 674 do RIR/1999, cuja matriz legal é o art. 61 da Lei n" 8.981/95, in verbis: "Art. 674, Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais, §1 0 A incidência prevista neste artigo aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. §2° Considera-se vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância. §3° O rendimento será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." Neste caso concreto o pagamento efetuado pela pessoa jurídica foi identificado e, inclusive, foi comprovado a que título ()COMI' tal transferência, de modo que não ocorreu o fato gerador do imposto de renda exclusivamente na fonte na aliquota de 35%, conforme dispõe o dispositivo acima transcrito, Cabe destacar o precedente deste Colegiada que dispõe sobre o assunto no mesmo sentido: IRRF — FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO — Comprovado que o pagamento referido na exigência fiscal, se trata de mera transferência contábil entre empresas coligadas, não há de prevalecer a tributação na forma do artigo 61 da Lei n°8981, de 1995 (Ac n°104-19274, Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário 'tr°ÀP-aina Mesquita Lourenço de Souza 6 Brasilia/DF, 03/12/2010. Data da ciência: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo ri°: 18471.002262/2004-60 Recurso n° : 166.253 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tornar ciência do Acórdão n° 2201-00.757. EVELINE COÊLHO DE ME40 HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência Com Recurso Especial Com Embargos de Declaração Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000025/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 12/12/2007
GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS
GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.729
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Camara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator; e b) no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa e o utilize, caso seja mais benéfico à recorrente, de acordo com o disciplinado no I, Art. 44, da Lei nº 9.430 de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nos lançamentos correlatos, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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GFIP. Recorrente ACASIL COMÉRCIO DE MOVEIS LTDA - ME Recorrida DRJ-BRASILIA/DF ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/12/2007 GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na foima da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, conforme disposto na Legislação. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Camara / 2 Tui la Ordinária da -,g,unda Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator; e b) no mérito, em dar provimento parcial/ao recurso para que se recalcule o valor da multa e o utilize, caso seja mais benéfico à reCon-ente, de acordo com o disciplinado no I, Art. 44, da Lei ri P- 9.430 de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nos lançamentos correlatos, nos termos do voto do Relator. RCELO OLIVEIRA Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente). 2 Processo n° 11634.000025/2008-39 S2-C4T2 Acerddo n.° 2402-00.729 Fl. 934 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Brasilia/DF, fls. 0908 a 0915, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 016 a 044, a autuação refere-se a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, confoime disposto na Legislação, no período de 01/2002 a 01/2005. Ainda segundo o RF, a infração ocorreu devido A recorrente ter deixado de informar valores devidos A Seguridade Social, por se considerar do SIMPLES, apesar de sua exclusão em 01/2002. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos. Em 12/12/2007 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0783 a 0792, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconfo niada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0919 a 0930, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: A exclusão do SIMPLES foi indevida; É indevida a acusação de prática de crime de sonegação; Ha parcelamentos em dia que não foram considerados; 0 ingresso em parcelamento torna a autuação incabível; Diante do exposto, espera o acatamento do recurso em todos os seus ten -n s, julgando improcedente a autuação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. 3 Vo to Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, esclarecemos a recorrente que lido estamos analisando e decidindo no presente procedimento as questões sobre a exclusão do SIMPLES e a prática de crime de sonegação. Essas questões estão sendo discutidas em outros processos e este colegiado não possui competência para decidir essas questões. Portanto, não há razão no argumento. Pela análise do processo e das alegações da recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade da autuação ou da decisão. Assim, a autuação e a decisão encontram-se revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados por autoridade competente, sem preterição ao direito de defesa e de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente alega, em primeiro lugar, que há parcelamentos em dia que não foram considerados. Esclarecemos a. recorrente que o presente processo não trata de descumprimento de obrigações principais, mas sim de descumprimento de obrigação acessória. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. "Art. 113. A obrigação tributâria é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniciria e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniâria". 4 Processo n° 11634.000025/2008-39 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.729 Fl. 935 A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Trata-se de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprirnento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio do Lançamento. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar a autuação. A penalidade pecuniária exigida dessa forma converte-se em obrigação principal, na forma do § 3 0 do art. 113 do CTN. Como parcelamentos possuem relação com obrigações principais, não ha razão no argumento da recorrente. A recorrente alega que seu ingresso em parcelamento torna a autuação incabível. Não há razão no argumento, pois no ingresso no parcelamento pode ter sido exigido o correto cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias, mas o Fisco possui o direito e o dever de verificar se essas obrigações foram, como informado, devidamente cumpridas e de tomar as medidas cabíveis caso isso não ocorra. Portanto, não há razão no argumento. Por fim, ainda quanto ao mérito, devemos apreciar questão. Ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009. Nessa sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para a, \ recorrente, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, "c", do CTN, verbis: t\.) Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: Deve-se, então, calcular a multa da presente autuação nos teimos do art. 44, I, da Lei n.° 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nos - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 5 Sala das Sessões, e e março e 2010 OLIVEIRA - Relator lançamentos correlatos e compará-la coma penalidade aplicada, a fim de utilizar o critério mais benéfico a recorrente. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para recalcular o valor da multa e utilizá-lo, caso seja mais benéfico a recorrente, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei ri'l 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nos lançamentos correlatos, nos termos do voto. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 11634.000025/2008-39 Recurso n°: 164.706 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.729 Brasili e abril de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 12963.000379/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Não se conhece do recurso, cuja exigência não tenha sido expressamente contestada na impugnação, nos termos dos art. 14 e 17 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1402-000.328
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, em razão da exigência não ter sido impugnada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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SEVERINI NETTO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se conhece do recurso, cuja exigência não tenha sido expressamente contestada na impugnação, nos termos dos art. 14 e 17 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, em razão da exigência não ter sido impugnada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 04/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Relatório Trata-se de lançamento efetuado em razão das seguintes infrações: a) Glosa de despesas de CPMF - Houve lançamento do IRPJ e da CSLL. b) Divergências entre os valores declarados em DCTF com os valores escriturados no Balanço Patrimonial, na Demonstração do Resultado do Exercício, na DACON e na DIPJ, dos anos-calendário de 2003 a 2007 - O lançamento refere-se somente ao IRPJ. Apresentada impugnação, a Turma Julgadora considerou a glosa de despesas de CPMF improcedente. Não foi interposto recurso de ofício a este Conselho. Em relação às divergências entre os valores declarados em DCTF com os valores escriturados/declarados, considerou que essa matéria não foi impugnada, porque embora a contribuinte tenha requerido o cancelamento dos autos de infração, não teriam sido apresentados motivos de fato e de direito, os pontos de discordância, as razões e as provas que entendesse servir para afastar a infração, nos termos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. A ciência da decisão de primeira instância se deu em 04.09.2009 e o recurso foi apresentado em 25.09.2009. A recorrente argumenta que conforme demonstrado nos anexos I a V, pgs. 7 a 11, tinha crédito de IRPJ decorrente de pagamento a maior nas antecipações mensais desde o final do exercício de 2003, razão pela qual realizou a compensação do próprio IRPJ devido, nos períodos posteriores. Alega que a DRJ não contesta a existência dos créditos, mas apenas julga procedente a ação fiscal, ao argumento de que foram constatadas divergências entre os valores apurados na DIPJ e os valores constantes na DCTF. Afirma que a peça impugnatória demonstra, por todos os meios legalmente admitidos, os motivos de fato e de direito que levaram a sua apresentação, da mesma forma que todos os pontos relevantes em que se fundam as discordâncias podem ser observadas através das provas oportunamente anexadas. Acrescenta que na forma do disposto no art. 2º, § 4º, IV, da Lei 9.430/96, tinha o direito de compensar do próprio IRPJ, as antecipações feitas do IRPJ, quando apurado, como no caso presente, que referidas antecipações foram superiores à exação efetivamente devida, e que nesse caso não seria exigida declaração de compensação, mas apenas, da simples efetivação da dedução da antecipação. Entende que nesse caso em que foi realizada compensação do IRPJ pago a maior por estimativa do mesmo IRPJ efetivamente devido, não era obrigatória e nem aplicável as DCOMP’s. Salienta que não é a DCOMP que cria o direito de compensar, e que ela tem apenas a finalidade de informar ao fisco a efetivação da compensação, sendo a mesma, mera comunicação (condição resolutória de posterior homologação), nos termos do § 1º do art. 74 da Lei 9.430/96. Destaca que a possibilidade de compensação nasce com a apuração do crédito contra o fisco, bastando a existência do crédito para ser possível a compensação. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 12963.000379/2007-33 Acórdão n.º 1402-00.328 S1-C4T2 Fl. 2 3 Afirma que os trabalhos fiscais tiveram inicio em 03.01.2007, oportunidade em que teria sido acordado com a autoridade fiscal que a sociedade providenciaria as PER/DCOMP após a conclusão de seus trabalhos, já que estava impossibilitado de fazê-lo em razão do início da fiscalização. Acrescenta que em momento algum a autoridade fiscal contesta a existência dos créditos. Aduz que a Turma Julgadora está outorgando mais valia à forma do que ao conteúdo e que ademais, com a apresentação da DIPJ teria sido demonstrada a compensação efetuada, e que o crédito líquido e certo do saldo credor do IRPJ e da CSLL é o apurado na DIPJ conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes em diversos julgados (107- 07605/2004, entre outros). Argumenta que ainda que assim não fosse, caberia a compensação de ofício do crédito incontroverso, com o débito da autuação, nos termos da Portaria Interministerial MF/MPS nº 23/2006, a qual dispõe sobre a compensação de ofício de débitos relativos a tributos administrados pela SRF, sendo o que se requer em pedido sucessivo. Protesta para que lhe seja permitido a manifestação em defesa oral. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo. Está em litígio o lançamento de IRPJ, dos anos-calendário de 2003 a 2007, em razão de ter sido apurado declaração de imposto a menor em DCTF, quando comparado com os valores escriturados no Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, DACON e DIPJ. A Turma Julgadora concluiu que essa não era matéria litigiosa porque a então impugnante, embora tivesse requerido o cancelamento dos autos de infração, não teria apresentado motivos de fato e de direito, os pontos de discordância, as razões e as provas que entendesse servir para afastar a infração, nos termos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. A recorrente discorda por entender que a peça impugnatória demonstra por todos os meios legalmente admitidos, os motivos de fato e de direito que levaram a sua apresentação, da mesma forma que todos os pontos relevantes em que se fundam as discordâncias podem ser observadas através das provas oportunamente anexadas. Constata-se que na impugnação, a contribuinte pede a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, bem como, de todos os atos que a ele se seguiram, nos termos do art. 15 do da Portaria 6.087/2005 (rejeitada pela Turma Julgadora), e questiona o direito à dedutibilidade da despesa de CPMF. Também requereu o seguinte: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 3 - PROVIDENCIADO o cancelamento dos Autos de Infração e, bem como, DECLARADOS como não devido os valores do imposto e da contribuição social sobre o lucro liquido lançados de: a) Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, no valor de R$ 1.578.291,03 (um milhão quinhentos e setenta e oito mil e duzentos e noventa e um reais e três centavos), e b) Contribuição Social Sobre o Lucro — CSLL, no valor de R$ 250.469,16 (duzentos e cinquenta mil e quatrocentos e sessenta e nove reais e dezesseis centavos); que somados perfazem o total de: R$ 1.828.760,19 (um milhão e oitocentos e vinte e oito mil e setecentos e sessenta reais e dezenove centavos). Ou seja, os valores do IRPJ e da CSLL que a contribuinte requer que sejam declarados como não devidos correspondem ao valor total do crédito tributário lançado, incluindo-se o valor do imposto e contribuição, o valor da multa de ofício de 75% e os juros de mora, entretanto, não trouxe aos autos uma linha sequer a respeito da infração de valores do IRPJ e de CSLL declarados a menor na DCTF. Apenas no recurso voluntário a contribuinte argumenta que tinha crédito de IRPJ decorrente de pagamento a maior nas antecipações mensais desde o final do exercício de 2003, razão pela qual realizou a compensação, sem DARF, do próprio IRPJ devido, nos períodos posteriores, sem ter apresentado o PER/DCOMP. Para a recorrente, o que importa é a existência do crédito e não a formalidade de apresentação do PER/DCOMP. Alega também que ainda que assim não fosse, caberia a compensação de ofício do crédito incontroverso, com o débito da autuação, nos termos da Portaria Interministerial MF/MPS nº 23/2006, a qual dispõe sobre a compensação de ofício de débitos relativos a tributos administrados pela SRF, sendo o que requer em pedido sucessivo. Do Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, transcrevo abaixo, os artigos 14, o caput do art. 16, inciso III, e o art.17. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 16. A impugnação mencionará: III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93). § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual,a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532/97) Fl. 976DF CARF MF Impresso em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 12963.000379/2007-33 Acórdão n.º 1402-00.328 S1-C4T2 Fl. 3 5 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Redação dada pela Lei 9.532/97). Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e endereço de seu perito. Ou seja, conforme o art. 14, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, e de acordo com o art. 17 acima transcrito considera-se matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, que é exatamente o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir devem ser apresentados na impugnação, e não o foram. Do exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso voluntário, em razão da matéria não ter sido impugnada. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 977DF CARF MF Impresso em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 04/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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