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Numero do processo: 10840.003490/2005-81
Data da sessão: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001/Despesas Financeiras.
Cabe ao contribuinte a prova da existência de despesas financeiras que serviram para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Multa qualificada./Cabe ao fisco a prova da ocorrência das situações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4502/64 para a aplicação da multa qualificada.
Decadência./Não sendo demonstrado dolo fraude e simulação e tendo o contribuinte praticado os procedimento necessários à verificação da ocorrência do fato gerador e apuração da base de cálculo, aplica-se o art. 150 do CTN para verificação do prazo decadencial.
Numero da decisão: 1301-000.087
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reduzindo a multa aplicada de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), reconhecendo a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em relação ao IRPJ e a CSLL ocorridos até 31/12/1999 e em relação ao PIS e a COFINS ocorridos até 30/11/2000, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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SI-C3T1 Fl. I 21: raf ,...„." ....;;Rm.., ''' MINISTÉRIO DA FAZENDA ' Ç rN.‘ tfr ã .: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS „.....v La...,-,.'2..t...,„?.: PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10840.003490/2005-81 Recurso n° 162.872 Voluntário Acórdão n° 1301-00.087 — 3' Câmara / l' Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA SANTA ELISA Recorrida 5' TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001/Despesas Financeiras. Cabe ao contribuinte a prova da existência de despesas financeiras que serviram para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Multa qualificada./Cabe ao fisco a prova da ocorrência das situações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4502/64 para a aplicação da multa qualificada. Decadência./Não sendo demonstrado dolo fraude e simulação e tendo o contribuinte praticado os procedimento necessários à verificação da ocorrência do fato gerador e apuração da base de cálculo, aplica-se o art. 150 do CTN para verificação do prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3' câmara / 1" turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reduzindo a multa aplicada de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), reconhecendo a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em relação ao IRPJ e a CSLL ocorridos até 31/12/1999 e em relação ao PIS e a COFINS ocorridos até 30/11/2000, nos termos do relatório e voto que p . am • integrar o presente julgado. al: I /./LOVIS ALV S / Presidente no,...,a(1Qc MARCOS RODRIGUES DE MELLO \..9 Relator Formalizado em: 19 JUN 2009 i Processo n°10840.003490/2005-81 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira,Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antônio Allunin Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. 2 Processo n° 10840.00349012005-81 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 3 Relatório Em ação fiscal, a empresa acima qualificada foi autuada, em 06/12/2005, em decorrência da apuração de perdas no recebimento de créditos/despesas não comprovadas (glosa de despesas não comprovadas) e variações cambiais ativas não contabilizadas, nos anos- calendário de 1999 e 2000, relacionadas a operação de "securitização de créditos" recebíveis da Petrobrás, decorrentes de comercialização de álcool (carburante e anidro), sendo efetivados: a) os respectivos ajustes no prejuízo fiscal apurado nesses períodos, para efeitos de incidência do IRPJ, e na base de cálculo negativa da CSLL, conforme demonstrativos de fls. 765/769; b) a exigência de Pis e Cofins, reflexo da apuração de omissão de receitas por variações cambiais não contabilizadas, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, evidenciados em demonstrativos, descrição dos fatos, enquadramento legal e termo de encerramento às fls. 4070/4101. Com relação ao IRPJ, foram efetuados os seguintes lançamentos (fls. 08 a 15): a) No a/c de 1999: ajuste do saldo de prejuízo fiscal compensável, com redução de R$ 4.789.440,44 (variações monetárias ativas não contabilizadas); b) No a/c de 2000: ajuste do lucro real, para acréscimo do valor de R$ 7.875.768,85 (glosa de despesas não comprovadas); tributação da diferença entre esse valor e 30% do lucro real ajustado, correspondente a R$ 3.772.207,41, aplicando-se alíquota de 15% (principal), mais 10% (adicional); c) No a/c de 2001: tributação da compensação indevida do valor de R$ 4.789.440,44, já compensado com o prejuízo da atividade rural em 1999. Crédito tributário de IRPJ: R$ 2.223.250,46 (principal) + multa de oficio e juros de mora; total = R$ 7.249.127,83. Por cálculo análogo, apurou crédito de CSLL no valor de R$ 896.382,08 (principal) + multa de oficio e juros de mora; total = R$ 2.931.191,50. Os créditos de Pis e Cofins, nos valores totais de R$ 112.593,46 e R$ 519.662,15, respectivamente, são reflexos das omissões de receitas financeiras apuradas no a/c de 1999. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação de fls. 798/829 contendo, em síntese, as alegações a seguir relacionadas, de acordo com suas próprias razões. "DOS FATOS A Cia Energética Santa Elisa contratou com a Petrobrás a venda de álcool carburante para o período de um ano; a entrega do combustível e os respectivos pagamentos seriam realizados no decorrer da vigência do contrato (cláusulas 1.1 e 6.1 a 6.3 do contrato de compra e venda e outros pactos); Na vigência do contrato surgiu a possibilidade de captação de recursos financeiros no exterior a baixo custo, com beneficios para a Santa Elisa e para a Petrobrás (item G do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda e outros pactos); A Cia Energética Santa Elisa receberia antecipadamente os recursos das vendas a entregar e a Petrobrás desembolsaria o valor das compras realizadas somente no final do contrato (itens B e D do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda e outros pactos); 3 Processo n° 10840.003490/2005-81 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 4 A operação de Securitização de Recebíveis, por apresentar o menor custo, foi a definida para a captação dos recursos no exterior. (item G do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda e outros pactos); Acontece que os Recebíveis baseiam-se nas notas de venda para entrega futura e havia a necessidade de manutenção de estoques de Álcool em volume suficiente para garantir a operação; A manutenção dos estoques de Álcool, lastro da operação, exigiu da Santa Elisa um maior aporte de capital de giro, cujo custo de captação foi parcialmente transferido para a Petrobrás (R$ 4.826.178,90), através de reajuste no preço de venda originalmente contratado (item I e cláusula 3 do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda e outros pactos, que alterou o item 5.1 clausula 5 do contrato de compra e venda e outros pactos);; Resumo da Operação, em reais: Valor das Vendas Líquidas Contratadas: 38.090.471,40 Valor das Vendas Líquidas Realizadas: 42.916.650,30 Custo Financeiro para a Santa Elisa: 7.875.769,08 Custo Financeiro para a Petrobrás: 23.296.334,34 Valor Líquido Recebido pela Santa Elisa: 35.040.881,22 Valor Pago pela Petrobrás: 66.212.984,64 [-..] Custo da Operação Custo para a Santa Elisa: O custo real da operação está quantificado em R$ 3.049.590,18, sendo R$ 7.875.769,08 dos custos financeiros deduzidos os custos transferidos para a Petrobrás, via reajuste no preço originalmente contratado no montante de R$ 4.826.178,90. [...]". Sustenta a impugnante, ainda, que teria incorrido nos seguintes custos financeiros: a) deságio na securitização, no valor de R$ 3.988.212,67, correspondente à diferença entre o valor das vendas brutas (R$ 47.478.105,90) e os valores recebidos em dinheiro e em títulos (R$ 43.489.893,23); b) desconto financeiro e outras despesas bancárias, no valor de R$ 324.189,63; c) Imposto de Renda sobre variação cambial, no valor de R$ 3.766.618,29, considerado-se o valor de US$ 3.227.607,80, convertido à taxa de câmbio de R$ 1.167 (taxa de câmbio original). Sustenta que a Petrobrás teria se responsabilizado por pagamentos de juros (R$ 2.063,809,38) e variações cambiais (R$ 21.232.524,96), como previsto na clausula 4 do primeiro aditivo ao contrato. Com relação aos registros contábeis da operação, alega o seguinte: "Registro Contábil Registro realizado: 4 Processo n° 10840.003490/2005-81 SI-C3TI Acórdão rt.° 1301-00.087 Fl. 5 No ano de 1999, a Santa Elisa registrou os recebimentos decorrentes da operação de securitização e das remessas finais pela liquidação da operação diretamente a crédito da Conta Geral: Clientes Petrobrás. Constituiu, em 30/04/1999, a Provisão para perdas com Contas a Receber no valor de R$ 7.484.809,83, equivalente a 90% do saldo do Contas a Receber-Petrobrás de R$ 8.316.345,13, na data base de 30/04/1999. Em março de 2000, foram realizados diversos lançamentos que resultaram na seguinte posição: D: Despesas de Comercialização R$ 390.959,52 D: Provisão para perdas com Contas a Receber R$ 7.484.809,83 C: Clientes Petrobrás R$ 7.875.768,95 Falhas decorrentes do registro realizado: A operação de Securitização não foi adequadamente refletida nos livros da empresa. Os Direitos representados por Notas Promissórias emitidas ou objeto de novação por residentes no exterior foram mantidos na Conta Geral: Clientes Petrobrás. Efeitos nos Resultados e na apuração do Imposto As falhas nos registros contábeis não afetaram os resultados finais da empresa. Em resumo: Despesas Registradas D: Despesas de Comercialização R$ 390.959,52 D: Provisão para Perdas com Contas a Receber R$ 7.484.809,83 Total R$ 7.875.768,95 Custo Financeiro Liquido da Operação D: Deságio Securitização R$ 3.988.212,67 D: IR Sobre Variação Cambial R$ 3.766.618,29 D: Desconto Financeiro R$ 324.189,63 C: Variação Cambial Ativa (R$ 203.251,24) Total R$ 7.875.769,35 [...1 Retenção no Pagamento Final da Petrobrás; Processo n° 10840.003490/2005-81 51-C3T1 Acórdão n." 1301-00.087 Fl. 6 No Pagamento realizado à Brasalcohol, em 28/05/1.999, foi retida pela Petrobrás a importância de R$ 4.982.193,40, assim o valor principal de R$ 24.671.379,60 foi reduzido para R$ 19.689.186,20. A Brasalcohol também apresentou o valor do principal de R$ 19.689.186,20 no anexo à Nota de Débito emitida em 28/05/99 (does de folhas 403 e 465 do processo). A Santa Elisa manteve registrado na Conta Geral Clientes o valor integral da Nota Fiscal 12.723, sem quaisquer reduções, ou seja R$ 24.671.379,60." Após tais considerações de ordem geral, a autuada enumera, em relação propriamente ao teor do Termo de Conclusão Fiscal, os argumentos a seguir. Item V — subitens 37 e 38 do Termo de Conclusão Fiscal - que seria improcedente a constatação da ocorrência de evasão de divisas no montante de R$ 11.885.225,96, relativo às notas fiscais 12720 a 12722, e R$ 13.231.181,16, da nota fiscal 12723, pois "compararam-se os valores em REAIS em períodos com taxas de câmbio distintas, ou seja, valores com diferente poder de compra. Aqueles recebidos pela Santa Elisa da Brasalcohol ocorreram, principalmente, no início do período de 15/07/1998 a 14/04/1999, e os valores pagos pela Petrobrás à Brasalcohol/Microplus ocorreram em 29/06/1999 e 25/05/1999"; - que "a comparação correta dever ser em moeda com poder de compra constante, principalmente porque no período da operação ocorreu (em janeiro de 1.999) a maxi desvalorização do real em relação ao dólar"; - que "nos valores pagos pela Petrobrás estão inclusos os juros pelo financiamento realizado pela Brasalcohol e nos valores pagos pela Brasalcohol à Santa Elisa está deduzido o deságio pela antecipação dos recebiveis da Petrobrás, decorrente do processo de securitização dos Direitos Creditórios. Os Direitos Creditórios objeto da securitização são representados pelos valores das Vendas realizadas acrescidos dos Juros e da Variação Cambial a incorrer até maio e junho de 1.999"; - que "a Petrobrás assumiu os encargos futuros dos Juros e da Variação- Cambial a favor da Fornecedora, pela remuneração do principal (valor das vendas) a ser liquidado ao final da operação. A Fornecedora vendeu e transferiu à Brasalcohol o valor integral dos Direitos Creditórios, inclusive os direitos sobre os Juros e Variação Cambial a incorrer, mediante o pagamento em dinheiro (crédito em conta bancária) e em títulos (Notas Promissórias). O custo da antecipação dos valores dos créditos recebidos pela Fornecedora está representado pelo Deságio calculado com base no Valor dos Direitos Creditórios, deduzidos os Juros e a Variação Cambial a incorrer e os valores pagos pela Brasalcohol, ou seja o Deságio representa a diferença entre o Valor das Vendas a Receber e o valor pago pela Brasalcohol na compra dos Direitos Creditórios"; - que não teriam sido considerados, ainda, na comparação entre valores pagos pela Petrobrás e os valores pagos pela Brasalcohol à Santa Elisa, as despesas e comissões bancárias, as diferenças entre as taxas de câmbio de compra e de venda de moedas estrangeiras, as remunerações ao Deutshe Bank S.A - Banco Alemão, ao Bankers Trustee Company Ltda. e ao Credibanco. 6 Processo n° 10840.003490/2005-81 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 7 - que seria também improcedente a constatação da existência de valores não recebidos nos montantes de R$ 3.342.598,66, equivalentes a US$ 3.580.965,28, relativos às notas fiscais 12720 a 12722, e R$ 4.533.170,21, equivalentes a US$ 4.345.752,65, da nota fiscal 12723, totalizando R$ 7.875.768,85 e US$ 7.926.717,94; - que seria indevida a inclusão, no saldo a receber da Santa Elisa, dos encargos futuros relativos aos Juros e da Variação Cambial pela remuneração do principal (valor das vendas) a ser liquidado ao final da operação pela Petrobrás, visto que teriam sido transferidos à Brasalcohol quando da venda e transferência do valor integral dos direitos creditórios (securitização); - que não teria sido computado, nas baixas dos valores a receber, o valor do Deságio na Securitização, de R$ 3.998.212,67 e US$ 2.889.487,53, apurado com base nas notas de vendas emitidas pela Santa Elisa e pagamentos realizados de acordo com Instrumentos Particulares de Cessão de Crédito; - que não teria sido computado, nas baixas dos valores a receber, o valor do Imposto de Renda sobre Variação Cambial debitado à Santa Elisa, fato que seria previsto no Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditórios - item 2.3: "O Valor de todos os impostos que eventualmente incidam no caso de conversão do Pagamento em Dólares para reais deverá ser suportado pela PRODUTORA e deduzido do valor do pagamento em Dólares"; - que "o pagamento liquido em dólares US$ 34.320.827,28 (15.111.584,07 + 19.209.243,21) das 'Notas Seniores' foi inferior ao valor do investimento - Valor Principal US$ 36.616.064,96 (15.475.208,40+21.140.856,56) - sem os juros. A diferença decorre da cobrança do Imposto de Renda sobre a Variação Cambial no montante de US$ 3.227.607,79, o que representa de fato a tributação do capital investido. A tributação reduziu o valor do investimento, representado pelos valores a receber da Petrobrás - "Notas Seniores" ; esta redução foi repassada para as "Notas Subordinadas" emitidas pela Brasalcohol em favor da Cia Energética Santa Elisa. O débito contra a Santa Elisa do Imposto de Renda s/ Variação Cambial tem como base os Instrumentos Particulares de Cessão de Direitos Creditórios firmados em 14/07/98 e 01/09/98, mais especificamente em suas cláusulas 2.1 e 2.2 [...]"; - que também não teriam sido considerados os seguintes itens: Desconto Financeiro, no valor de R$ 324.189,63, Variação Cambial das Parcelas Finais Recebidas, no valor de R$ -593.746,45, e Valor Original das Parcelas, no valor de R$ 390.495,21; - que "o pagamento realizado pela Petrobrás da nota fiscal 12.723 emitida pelo valor de R$ 24.671.379,60 foi efetivado pelo valor de R$ 19.689.186,20, ou seja, com uma redução de R$ 4.982.193,40 decorrente de ajuste no valor principal [...] , como a Petrobrás não pagou, a Santa Elisa também não recebeu", redução essa que não teria sido observada pela Fiscalização. Subitem 40 do Termo de Conclusão Fiscal - que o auditor teria constatado falhas nos registros contábeis, mas não teria analisado os efeitos fiscais. O Fato de manter os Valores a Receber na Conta Geral de Cliente Petrobrás não descaracterizaria a operação de securitização. Os chamados "valores a receber' seriam, na verdade, os Custos da Operação de Securitização, tendo sido as devoluções registradas quando da emissão das respe notas fiscais; 7 Processo n° 10840.003490/2005-81 81-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 8 - que em relação à variação monetária e à redução do valor dos débitos em dólares, se haveris de atentar para o seguinte: "a) Os juros e a variação cambial a incorrer dos débitos securitizados foram integralmente transferidos para a Brasalcohol; b) Parte dos Débitos foi reduzida pelo Deságio e por descontos posteriores à securitização (devoluções, descontos, etc); c) Parte dos Débitos foi reduzida pelo Imposto de Renda Sobre Variações Cambias, fato conhecido no início de 1.999 face à maxi desvalorização do real e à mudança na tributação do IRRF decorrente da lei 9.779/99; d) Os recebimentos dos débitos remanescentes formam registrados atualizados, diretamente a crédito da conta de Clientes Petrobrás, ou seja, a variação monetária ativa foi reconhecida pelo regime de caixa. Os itens b e c foram refletidos contabilmente quando da constituição da Provisão para Perdas". Subitem 40 do Termo de Conclusão Fiscal - que a provisão para perdas contestada pela Fiscalização teria sido constituída e registrada em 30/04/99, e representaria fatos conhecidos antes desta data, quais sejam: o deságio na securitização, as reduções, deduções e descontos estimados dos débitos e o Imposto de Renda Sobre Variações Cambias, este último conhecido no mês de janeiro de 1.999 quando ocorreu a maxi desvalorização do real e a publicação da Lei 9.779/99 que alterou a tributação do Imposto de Renda na Fonte; - que embora a provisão tenha sido constituída contabilmente em 1.999, somente teria surtido efeitos fiscais em 2.000, quando o seu montante foi ajustado, na apuração do Lucro Real, à vista dos recebimentos e lançamentos finais da operação. Com efeito, o valor a ser tributado deveria ser exigido no ano de 1999, e não em 2000, como consta do auto de infração; - que inexistindo crédito a cobrar, e estando, por suposto, as reduções e deduções sobre os valores iniciais suportadas por documentos legais, não se haveria que falar em cobrança, ou mesmo medidas judiciais para recebimento de créditos; - que o fechamento da operação de securitização estaria comprovado pelos lançamentos finais realizados em 04/08/1999 e 31/03/2000 nos montantes de R$ 431.858,12, US$ 237.167,38 R$ 8.718,06 e US$ 4491,73, e pelos demonstrativos dos valores recebidos desde 15/07/1998 e valores que reduziram contratualmente o crédito inicial, situação que excluiria a necessidade do relatório final do agente de fidúcia; - que seria infundada a constatação de irregularidades no ingresso e remessa de recursos ao exterior, com possibilidade de valores a receber estarem à disposição do contribuinte ou seus diretores, no exterior. A Fiscalização teria comparado remessas e ingressos de recursos utilizando moedas com poder de compra diferente, e sem análise dos custos financeiros contidos na operação como juros, variação cambial, despesas bancárias, imposto de renda na fonte. Ademais, estariam claramente demonstrados os custos financeiros da operação, assim como as reduções realizadas pela Petrobrás nos pagamentos remetidos ao exterior; - que "o Auditor desconsiderou a existência do Deságio de R$ 3.988.212,07 em 01/09/1998 face à existência do Termo de Aceitação e Quitação de Volume no valor de R$ 18.818.514,23 por ser inferior ao valor das Vendas de R$ 22.806.726,30 (folha 31 do termo fiscal). O mesmo Termo de Aceitação e Quitação de Volume no valor de R$ 18.818.514,23, que justificou a desconsideração do deságio, segundo O próprio Auditor, não condiz com os termos dos contratos de compra e yen, -;assim, a Petrobrás declarou dever uma quantia Processo n°10840.003490/2005-81 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 9 inferior ao pactuado no contrato de compra e venda (R$ 18.818.514,23) em relação à própria menção do valor que constou das notas fiscais 12.720 a 12.722 (RS 22.806.726,30) (folha 41 do termo fiscal). Não considerou que as notas de devolução foram registradas em maio e junho de 1999"; - que "o Auditor nada considerou, nem se manifestou sobre a redução de R$ 4.982.193,40 ocorrida no valor principal quando do pagamento realizado pela Petrobrás da nota fiscal 12.723, emitida pelo valor de R$ 24.671.379,60 e efetivado pelo valor de R$ 19.689.186,20 ( vide folhas 421, 465, 466 e a planilha "Pagamento Petrobrás-1RRF sobre Variação Cambial "1 , como a Petrobrás não pagou, a Santa Elisa também não recebeu"; - que não teria sido considerada a incidência do Imposto de Renda sobre Variação Cambial como redução de investimento, cujo valor estaria demonstrado na Planilha "Pagamento Petrobrás - IRRF sobre Variação Cambial" e demonstrativos, de responsabilidade da autuada, nos termos dos Instrumentos Particulares de Cessão de Direitos Creditórios firmados em 14/07/98 e 01/09/98, cláusulas 2.1 e 2.2; - que uma vez constituída contabilmente a provisão Como já demonstrado, embora constituída contabilmente em 1.999, os efeitos fiscais da provisão só ocorreram em 2.000, quando o seu montante foi ajustado na apuração do Lucro Real, por ocasião dos recebimentos e lançamentos finais da operação. - que a ausência de registros contábeis acerca das operações realizadas com as empresas Brasalcohol e Microplus se deve ao fato de terem sido os respectivos direito da autuada mantidos na conta geral Clientes Petrobrás, ou seja, os débitos não teriam sido desmembrados; - que não houve perdas com recebimentos de créditos, mas sim a incidência de encargos financeiros decorrentes da operação de securitização; - que não caberia considerar que houve, no caso, perdão de divida, nem tampouco se proceder à glosa de despesas, uma vez que estariam comprovadas, com ressalva dos valores relativos aos descontos financeiros, despesas bancárias e outros, que totalizam R$ 324.189,63, por serem deduzidos dos valores brutos creditados em conta bancária e contabilizados pelo valor líquido; - que seria nulo o saldo em dólares a receber, à vista as deduções de valores a receber resumidos no quadro abaixo, pelo que seria improcedente a exigência de variação cambial ativa e por conseqüência, o lançamento de tributos e contribuições calculados sobre os seus valores. Afirma que "o Auditor glosou integralmente o valor de R$ 7.875.768,85 registrado em Despesas Operacionais por considerar como não comprovadas as perdas no recebimento de créditos. Acontece que não se trata de perdas no recebimento de créditos, mas sim de custos e despesas ocorridas no processo de securitização dos créditos [..J". Afirma que tais custos teriam sido regularmente comprovados, e que sua dedutibilidade estaria amparada nos artigos 289 e 374 do RIR/99; - que seria descabida a glosa integral por simples falha contábil, por contrária à realidade dos fatos; - que a parte da exação relativa ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, além de i •: ente, abrange o período de apuração de 1999, 9 Processo rti 10840.003490/200541 SI-C3T1 Acórdão n." 1301-00.087 Fl. 10 supostamente atingido pela decadência conforme dispõem os Artigos 898 e 899 do Regulamento do Imposto de Renda.- RIR199; - que a parte da exação relativa ao PIS e Cofins, além de improcedente, teria por base o disposto no art. 3°, § 1°, da Lei n.° 9.719/98, julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; - que uma vez comprovada a improcedência das infrações, caberia cancelamento da tributação reflexa (Pis, Cofins, CSLL, IRPJ, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL). Item VII do Termo de Conclusão Fiscal — Multas de Lançamento de Oficio A autuada sustenta que seria arbitrária a aplicação de multa de oficio qualificada, ao percentual de 150%, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n.° 9.430, de 1996, por considerar que todos os fatos reportados pela Fiscalização teriam sido esclarecidos, ou seriam improcedentes. A Fiscalização não teria carreado aos autos provas que justificassem a tributação realizada, ou a qualificação da multa de oficio. Afirmando a regularidade da operação de securitização, dos respectivos registros, e da conduta por si adotada, a impugnante reprisa argumentos já expendidos anteriormente, e acrescenta as seguintes justificativas: - que a divergência de valores que constam nos Termos de Aceitação e Quitação de Volume total de AEHC, assinados pela Petrobrás em 10/07/98 e 28/08/98, teria sido regularizada em 31/05/99 e 31/07/99 com a emissão de notas fiscais de devolução. A Petrobrás não teria recebido os produtos constantes das notas fiscais de n° 12.720 a 12.723, quando das declarações prestadas por meio dos referidos Termos, já que seriam notas de simples faturamento. As declarações da Petrobrás, por seu turno, teriam se destinado a dar suporte à operação de securitização; - que as falhas apontadas em nada teriam afetado os resultados da autuada; - que as falhas nos registros contábeis não teriam resultado em prejuízo para o Fisco. O registro de despesas, materializado pela provisão constituída em abril de 1999, em momento anterior ao fechamento da operação financeira, decorreria da convenção contábil do conservadorismo, já que as perdas ou custos financeiros da operação de securitização seriam conhecidos e quantificados, como o deságio, ou quantificáveis, como o IRRF sobre variação cambial; - que a constituição da provisão no ano de 1999 teria sido um procedimento técnico, elaborado de acordo com o que determinam os princípios de contabilidade, e que somente teria surtido efeitos fiscais no ano de 2000, quando seu montante foi ajustado na apuração do Lucro Real, por ocasião dos recebimentos e lançamentos finais da operação. O valor tributado deveria ser exigido no ano de 1999 e não em 2000, como consta no auto de infração; - que não teria ocorrido duplicidade em relação aos registros contábeis. Em abril de 1999 teria sido constituída uma provisão para ajustar o valor dos ativos, com base nas estimativas dos encargos financeiros, e em março de 2000, ao final da operação, a provisão foi revertida, e o efetivo valor dos encargos registrados em despesas operacionais. Os direitos da autuada teriam sido mantidos na conta lientes Petrobrás; 10 Processo n°10840.0034901200541 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 11 - que elementos colhidos em decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes estariam a amparar seus argumentos. Em suma, alega que houve excesso por parte da Fiscalização, na qualificação da multa, assim como na exigência de tributo pela desconsideração da operação de securitização, pela glosa dos valores integrais das despesas registradas, pela falta de análise das deduções realizadas nos pagamentos efetivados pela Petrobrás, e pela pretensão de exigir crédito tributário sobre matéria atingida pela decadência. Ao final, requer cancelamento do auto de infração, da intimação para ajustes do Lalur e Base de Cálculo Negativa da CSLL, e arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal e da representação fiscal para fins penais. A decisão DRJ foi ementada como abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 DESPESAS FINANCEIRAS NÃO COMPROVADAS. A apropriação de despesas financeiras, para efeitos de dedução do lucro tributável, depende de regular escrituração contábil/fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, sob pena de glosa dos seus valores para efeitos de incidência do imposto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A tributação reflexa deve acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de cinco anos (IRPJ) e dez anos (CSLL, Pis, Cotins), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFíCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõe-se a multa de 150%, por infração qualificada. No voto DRJ destaca-se: No caso em tela, como acima sobejamente demonstrado, restou evidenciada a prática reiterada de irregularidades pela autuada: a) não contabilização das operações de cessão de ..r.gxlitos e respectivos valores are -)i-or as empresas Brasalcohol e Brasalcohol II; b) X...), • 11 Processo n° 10840.003490/2005-81 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 12 constituição de provisão para perdas no montante de R$ 7.484.809,83, na data de 30/04/99 e, posteriormente, contabilização de despesas de comercialização no valor de R$ 7.875.768,85, na data de 31/03/2000, sem qualquer fundamento fático, nem tampouco documentação hábil e idônea; c) apresentação de planilhas de custos financeiros sem respaldo de documentação hábil e idônea; d) lançamento em contas contábeis de despesas de comercialização em datas anteriores ao fechamento da operação de securitização; e) não formalização e não apresentação de aditivo ao contrato de Compra e Venda para fins de alteração na quantidade de álcool AEHC negociada, à vista das notas de devolução emitidas pela Petrobrás, e conseqüente ajuste do valor do crédito objeto do Instrumento Particular de Cessão, que permaneceu inferior àquele inicialmente faturado (NF n° 12720 e 12722); f) não contabilização das receitas de variações cambiais ativas no ano-calendário de 1999; g) não contabilização de transferências de direitos de crédito para empresa sediada no Uruguai (Microplus S/A); g) não contabilização de novação de nota subordinada, no valor de R$ 2.421.569,38; h) não contabilização do fechamento da operação de securitizaçào, com respaldo em documentação hábil e idônea. A convergência de tais práticas, em afronta aos preceitos legais que regem os procedimentos de cômputo de receitas e despesas para efeitos de incidência do IRPJ sobre o lucro real, conforme artigos 249, 251, 299, 374, 375 e 923 do RIR/99, evidencia de modo inequívoco a atuação fraudulenta do contribuinte. A recorrente foi intimada da Decisão DRJ em 17/08/2007 (sexta-feira) e apresentou recurso em 18/09/2007. (terça-feira). Em seu recurso aduz: - que contratou com a Petrobrás a venda de álcool carburante para o período de um ano e que a entrega e os respectivos pagamentos seriam realizados no decorrer da vigência do contrato; - na vigência do contrato surgiu a possibilidade de captação de recursos financeiros no exterior a baixo custo, com benefícios para a Santa Elisa e para a Petrobrás; - que a Santa Elisa receberia antecipadamente os recursos das vendas a entregar e a Petrobrás desembolsaria o valor das compras realizadas somente no final do contrato; - que a operação de securitização de recebíveis, por apresentar o menor custo, foi definida para a captação dos recursos no exterior; - que os recebíveis baseiam-se nas notas de venda para entrega futura e havia a necessidade de garantias para a realização da operação, tais como a emissão por forma do Termo de Aceitação e Quitação de Volume total, a fiança dos Diretores da Fornecedora e a manutenção de estoques de álcool em volume suficiente para garantir a operação; - que a manutenção de estoques de álcool, lastro da operação, exigiu da Santa Elisa um maior aporte de capital de giro, cujo custo de captação foi parcialmente transferido para a Petrobrás (R$ 4.826.178,90) através de reajuste no preço de venda originalmente contratado. Resumo da Operação, em reais: I Valor das Vendas Líquidas Contrat • 1 38.090.471,40 1 12 Processo e 10840.003490/2005-81 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 13 Valor das Vendas Líquidas Realizadas: 42.916.650,30 Custo Financeiro para a Santa Elisa: 7.875.769,08 Custo Financeiro para a Petrobrás: 23.296.334,34 Valor Líquido Recebido pela Santa Elisa: 35.040.881,22 Valor Pago pela Petrobrás: 66.212.984,64 [—] Custo da Operação Custo para a Santa Elisa: O custo real da operação está quantificado em R$ 3.049.590,18, sendo R$ 7.875.769,08 dos custos financeiros deduzidos os custos transferidos para a Petrobrás, via reajuste no preço originalmente contratado no montante de R$ 4.826.178,90. [...]". Sustenta a impugnante, ainda, que teria incorrido nos seguintes custos financeiros: a) deságio na securitização, no valor de R$ 3.988.212,67, correspondente à diferença entre o valor das vendas brutas (R$ 47.478.105,90) e os valores recebidos em dinheiro e em títulos (R$ 43.489.893,23); b) desconto financeiro e outras despesas bancárias, no valor de R$ 324.189,63; c) Imposto de Renda sobre variação cambial, no valor de R$ 3.766.618,29, considerado-se o valor de US$ 3.227.607,80, convertido à taxa de câmbio de R$ 1.167 (taxa de câmbio original). Sustenta que a Petrobrás teria se responsabilizado por pagamentos de juros (R$ 2.063,809,38) e variações cambiais (R$ 21.232.524,96), como previsto na clausula 4 do primeiro aditivo ao contrato. Com relação aos registros contábeis da operação, alega o seguinte: "Registro Contábil Registro realizado: No ano de 1999, a Santa Elisa registrou os recebimentos decorrentes da operação de securitização e das remessas finais pela liquidação da operação diretamente a crédito da Conta Geral: Clientes Petrobrás. Constituiu, em 30/04/1999, a Provisão para perdas com Contas a Receber no valor de R$ 7.484.809,83, equivalente a 90% do saldo do Contas a Receber-Petrobrás de R$ 8.316.345,13, na data base de 30/04/1999. Em março de 2000, foram realizados diversos lançamentos que resultaram na seguinte posição: D: Despesas de Comercialização R$ 390.959,52 D: Provisão para perdas com Contas a Receber R$ 7.484.809,83 C: Clientes Petrobrás R$ 7.875.768,95 Falhas decorrentes do re "stro realizado: 1/4Z-2.1/4.A^ 13 Processo e 10840.003490/2005-81 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 14 A operação de Securitização não foi adequadamente refletida nos livros da empresa. Os Direitos representados por Notas Promissórias emitidas ou objeto de novação por residentes no exterior foram mantidos na Conta Geral: Clientes Petrobrás. Efeitos nos Resultados e na apuração do Imposto As falhas nos registros contábeis não afetaram os resultados finais da empresa. Em resumo: Despesas Registradas D: Despesas de Comercialização R$ 390.959,52 D: Provisão para Perdas com Contas a Receber R$ 7.484.809,83 Total R$ 7.875.768,95 Custo Financeiro Liquido da Operação D: Deságio Securitização R$ 3.988.212,67 D: IR Sobre Variação Cambial R$ 3.766.618,29 D: Desconto Financeiro R$ 324.189,63 C: Variação Cambial Ativa (R$ 203.251,24) Total R$ 7.875.769,35 [...1 Retenção no Pagamento Final da Petrobrás; No Pagamento realizado à Brasalcohol, em 28/05/1.999, foi retida pela Petrobrás a importância de RS 4.982.193,40, assim o valor principal de R$ 24.671.379,60 foi reduzido para R$ 19.689.186,20. A Brasalcohol também apresentou o valor do principal de R$ 19.689.186,20 no anexo à Nota de Débito emitida em 28/05/99 (does de folhas 403 e 465 do processo). A Santa Elisa manteve registrado na Conta Geral Clientes o valor integral da Nota Fiscal 12.723, sem quaisquer reduções, ou seja RS 24.671.379,60." Após tais considerações de ordem geral, a autuada enumera, em relação propriamente ao teor do Termo de Conclusão Fiscal, os argumentos a seguir. Item V — subitens 37 e 38 do Termo de Conclusão Fiscal - que seria improcedente a constatação da ocorrência de evasão de divisas no montante de R$ 11.885.225,96, relativo às notas fiscais 12720 a 12722, e R$ 13.231.181,16, da nota fiscal 12723, pois "compararam-se os valores em REAIS em períodos com taxas de câmbio distintas, ou seja, valores com diferente poder de compra. Aqueles recebidos pela Santa Elisa da Brasalcohol ocorreram, principalmente, no início do período de 15/07/1998 a 14/04/1999, e os valores pagos pela Petrobrás à Brasalcohol/Microplus ocorreram em 29/06/1999 e 25/05/1999"; 14 Processo n° 10840.003490/2005-81 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 15 - que "a comparação correta dever ser em moeda com poder de compra constante, principalmente porque no período da operação ocorreu (em janeiro de 1.999) a maxi desvalorização do real em relação ao dólar"; - que "nos valores pagos pela Petrobrás estão inclusos os juros pelo financiamento realizado pela Brasalcohol e nos valores pagos pela Brasalcohol à Santa Elisa está deduzido o deságio pela antecipação dos recebíveis da Petrobrás, decorrente do processo de securitização dos Direitos Creditórios. Os Direitos Creditórios objeto da securitização são representados pelos valores das Vendas realizadas acrescidos dos Juros e da Variação Cambial a incorrer até maio e junho de 1.999"; - que "a Petrobrás assumiu os encargos futuros dos Juros e da Variação- Cambial a favor da Fornecedora, pela remuneração do principal (valor das vendas) a ser liquidado ao final da operação. A Fornecedora vendeu e transferiu à Brasalcohol o valor integral dos Direitos Creditórios, inclusive os direitos sobre os Juros e Variação Cambial a incorrer, mediante o pagamento em dinheiro (crédito em conta bancária) e em títulos (Notas Promissórias). O custo da antecipação dos valores dos créditos recebidos pela Fornecedora está representado pelo Deságio calculado com base no Valor dos Direitos Creditórios, deduzidos os Juros e a Variação Cambial a incorrer e os valores pagos pela Brasalcohol, ou seja o Deságio representa a diferença entre o Valor das Vendas a Receber e o valor pago pela Brasalcohol na compra dos Direitos Creditórios"; - que não teriam sido considerados, ainda, na comparação entre valores pagos pela Petrobrás e os valores pagos pela Brasalcohol à Santa Elisa, as despesas e comissões bancárias, as diferenças entre as taxas de câmbio de compra e de venda de moedas estrangeiras, as remunerações ao Deutshe Bank S.A - Banco Alemão, ao Bankers Trustee Company Ltda. e ao Credibanco. - que seria também improcedente a constatação da existência de valores não recebidos nos montantes de R$ 3.342.598,66, equivalentes a US$ 3.580.965,28, relativos às notas fiscais 12720 a 12722, e R$ 4.533.170,21, equivalentes a US$ 4.345.752,65, da nota fiscal 12723, totalizando R$ 7.875.768,85 e US$ 7.926.717,94; - que seria indevida a inclusão, no saldo a receber da Santa Elisa, dos encargos futuros relativos aos Juros e da Variação Cambial pela remuneração do principal (valor das vendas) a ser liquidado ao final da operação pela Petrobrás, visto que teriam sido transferidos à Brasalcohol quando da venda e transferência do valor integral dos direitos creditórios (securitização); - que não teria sido computado, nas baixas dos valores a receber, o valor do Deságio na Securitização, de R$ 3.998.212,67 e US$ 2.889.487,53, apurado com base nas notas de vendas emitidas pela Santa Elisa e pagamentos realizados de acordo com Instrumentos Particulares de Cessão de Crédito; - que não teria sido computado, nas baixas dos valores a receber, o valor do Imposto de Renda sobre Variação Cambial debitado à Santa Elisa, fato que seria previsto no Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditórios - item 2.3: "O Valor de todos os impostos que eventualmente incidam no caso de conversão do Pagamento em Dólares para reais deverá ser suportado pela PRODUTORA e deduzido do valor do pagamento em Dólares"; 15 Processo n° 10840.00349012005-81 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 16 - que "o pagamento liquido em dólares US$ 34.320.827,28 (15.111.584,07 + 19.209.243,21) das 'Notas Seniores' foi inferior ao valor do investimento - Valor Principal US$ 36.616.064,96 (15.475.208,40+21.140.856,56) - sem os juros. A diferença decorre da cobrança do Imposto de Renda sobre a Variação Cambial no montante de US$ 3.227.607,79, o que representa de fato a tributação do capital investido. A tributação reduziu o valor do investimento, representado pelos valores a receber da Petrobrás - "Notas Seniores" ; esta redução foi repassada para as "Notas Subordinadas" emitidas pela Brasalcohol em favor da Cia Energética Santa Elisa. O débito contra a Santa Elisa do Imposto de Renda s/ Variação Cambial tem como base os Instrumentos Particulares de Cessão de Direitos Creditórios firmados em 14/07/98 e 01/09/98, mais especificamente em suas cláusulas 2.1 e 2.2 [...]"; - que também não teriam sido considerados os seguintes itens: Desconto Financeiro, no valor de R$ 324.189,63, Variação Cambial das Parcelas Finais Recebidas, no valor de R$ -593.746,45, e Valor Original das Parcelas, no valor de R$ 390.495,21; - que "o pagamento realizado pela Petrobrás da nota fiscal 12.723 emitida pelo valor de R$ 24.671.379,60 foi efetivado pelo valor de R$ 19.689.186,20, ou seja, com uma redução de R$ 4.982.193,40 decorrente de ajuste no valor principal [...] , como a Petrobrás não pagou , a Santa Elisa também não recebeu", redução essa que não teria sido observada pela Fiscalização. Subitem 40 do Termo de Conclusão Fiscal - que o auditor teria constatado falhas nos registros contábeis, mas não teria analisado os efeitos fiscais. O Fato de manter os Valores a Receber na Conta Geral de Cliente Petrobrás não descaracterizaria a operação de securitização. Os chamados "valores a receber" seriam, na verdade, os Custos da Operação de Securitização, tendo sido as devoluções registradas quando da emissão das respectivas notas fiscais; - que em relação à variação monetária e à redução do valor dos débitos em dólares, se haveris de atentar para o seguinte: "a) Os juros e a variação cambial a incorrer dos débitos securitizados foram integralmente transferidos para a Brasalcohol; b) Parte dos Débitos foi reduzida pelo Deságio e por descontos posteriores à securitização (devoluções, descontos, etc); c) Parte dos Débitos foi reduzida pelo Imposto de Renda Sobre Variações Cambias, fato conhecido no início de 1.999 face à maxi desvalorização do real e à mudança na tributação do IRRF decorrente da lei 9.779/99; d) Os recebimentos dos débitos remanescentes formam registrados atualizados, diretamente a crédito da conta de Clientes Petrobrás, ou seja, a variação monetária ativa foi reconhecida pelo regime de caixa. Os itens b e c foram refletidos contabilmente quando da constituição da Provisão para Perdas". Subitem 40 do Termo de Conclusão Fiscal - que a provisão para perdas contestada pela Fiscalização teria sido constituída e registrada em 30/04/99, e representaria fatos conhecidos antes desta data, quais sejam: o deságio na securitização, as reduções, deduções e descontos estimados dos débitos e o Imposto de Renda Sobre Variações Cambias, este último conhecido no mês de janeiro de 1.999 quando ocorreu a maxi desvalorização do real e a publicação da Lei 9.779/99 que alterou a tributação do Imposto de Renda na Fonte; - que embora a provisão tenha sido constituída contabilmente em 1.999, somente teria surtido efeitos fiscai .000, quando o seu montante foi ajustado, na apuração n...—_ 16 Processo n° 10840.003490/2005-81 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 17 do Lucro Real, à vista dos recebimentos e lançamentos finais da operação. Com efeito, o valor a ser tributado deveria ser exigido no ano de 1999, e não em 2000, como consta do auto de infração; - que inexistindo crédito a cobrar, e estando, por suposto, as reduções e deduções sobre os valores iniciais suportadas por documentos legais, não se haveria que falar em cobrança, ou mesmo medidas judiciais para recebimento de créditos; - que o fechamento da operação de securitização estaria comprovado pelos lançamentos finais realizados em 04/08/1999 e 31/03/2000 nos montantes de R$ 431.858,12, US$ 237.167,38 R$ 8.718,06 e US$ 4491,73, e pelos demonstrativos dos valores recebidos desde 15/07/1998 e valores que reduziram contratualmente o crédito inicial, situação que excluiria a necessidade do relatório final do agente de fidúcia; - que seria infundada a constatação de irregularidades no ingresso e remessa de recursos ao exterior, com possibilidade de valores a receber estarem à disposição do contribuinte ou seus diretores, no exterior. A Fiscalização teria comparado remessas e ingressos de recursos utilizando moedas com poder de compra diferente, e sem análise dos custos financeiros contidos na operação como juros, variação cambial, despesas bancárias, imposto de renda na fonte. Ademais, estariam claramente demonstrados os custos financeiros da operação, assim como as reduções realizadas pela Petrobrás nos pagamentos remetidos ao exterior; - que "o Auditor desconsiderou a existência do Deságio de R$ 3.988.212,07 em 01/09/1998 face à existência do Termo de Aceitação e Quitação de Volume no valor de R$ 18.818.514,23 por ser inferior ao valor das Vendas de R$ 22.806.726,30 (folha 31 do termo fiscal). O mesmo Termo de Aceitação e Quitação de Volume no valor de R$ 18.818.514,23, que justificou a desconsideração do deságio, segundo O próprio Auditor, não condiz com os termos dos contratos de compra e venda e que assim, a Petrobrás declarou dever uma quantia inferior ao pactuado no contrato de compra e venda (R$ 18.818.514,23) em relação à própria menção do valor que constou das notas fiscais 12.720 a 12.722 (R$ 22.806.726,30) (folha 41 do termo fiscal). Não considerou que as notas de devolução foram registradas em maio e junho de 1999"; - que "o Auditor nada considerou, nem se manifestou sobre a redução de R$ 4.982.193,40 ocorrida no valor principal quando do pagamento realizado pela Petrobrás da nota fiscal 12.723, emitida pelo valor de R$ 24.671.379,60 e efetivado pelo valor de R$ 19.689.186,20 ( vide folhas 421, 465, 466 e a planilha "Pagamento Petrobrás-IRRF sobre Variação Cambial "1 , como a Petrobrás não pagou, a Santa Elisa também não recebeu"; - que não teria sido considerada a incidência do Imposto de Renda sobre Variação Cambial como redução de investimento, cujo valor estaria demonstrado na Planilha "Pagamento Petrobrás - IRRF sobre Variação Cambial" e demonstrativos, de responsabilidade da autuada, nos termos dos Instrumentos Particulares de Cessão de Direitos Creditórios firmados em 14/07/98 e 01/09/98, cláusulas 2.1 e 2.2; - que uma vez constituída contabilmente a provisão Como já demonstrado, embora constituída contabilmente em 1.999, os efeitos fiscais da provisão só ocorreram em 2.000, quando o seu montante foi ajustado na apuração do Lucro Real, por ocasião dos recebimentos e lançamentos finais da operação. 17 Processo e 10840.00349012005-81 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 18 - que a ausência de registros contábeis acerca das operações realizadas com as empresas Brasalcohol e Microplus se deve ao fato de terem sido os respectivos direito da autuada mantidos na conta geral Clientes Petrobrás, ou seja, os débitos não teriam sido desmembrados; - que não houve perdas com recebimentos de créditos, mas sim a incidência de encargos financeiros decorrentes da operação de securitização; - que não caberia considerar que houve, no caso, perdão de dívida, nem tampouco se proceder à glosa de despesas, uma vez que estariam comprovadas, com ressalva dos valores relativos aos descontos financeiros, despesas bancárias e outros, que totalizam R$ 324.189,63, por serem deduzidos dos valores brutos creditados em conta bancária e contabilizados pelo valor líquido; - que seria nulo o saldo em dólares a receber, à vista as deduções de valores a receber resumidos no quadro abaixo, pelo que seria improcedente a exigência de variação cambial ativa e por conseqüência, o lançamento de tributos e contribuições calculados sobre os seus valores. Afirma que "o Auditor glosou integralmente o valor de R$ 7.875.768,85 registrado em Despesas Operacionais por considerar como não comprovadas as perdas no recebimento de créditos. Acontece que não se trata de perdas no recebimento de créditos, mas sim de custos e despesas ocorridas no processo de securitização dos créditos Afirma que tais custos teriam sido regularmente comprovados, e que sua dedutibilidade estaria amparada nos artigos 289 e 374 do RIR/99; - que seria descabida a glosa integral por simples falha contábil, por contrária à realidade dos fatos; - que a parte da exação relativa ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, além de improcedente, abrange o período de apuração de 1999, supostamente atingido pela decadência conforme dispõem os Artigos 898 e 899 do Regulamento do Imposto de Renda.- RIR/99; - que a parte da exação relativa ao PIS e Cofins, além de improcedente, teria por base o disposto no art. 3 0, § 1°, da Lei n.° 9.719/98, julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; - que uma vez comprovada a improcedência das infrações, caberia cancelamento da tributação reflexa (Pis, Cofins, CSLL, IRPJ, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL). Item VII do Termo de Conclusão Fiscal — Multas de Lançamento de Oficio A autuada sustenta que seria arbitrária a aplicação de multa de oficio qualificada, ao percentual de 150%, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n.° 9.430, de 1996, por considerar que todos os fatos reportados pela Fiscalização teriam sido esclarecidos, ou seriam improcedentes. A Fiscalização não teria carreado aos autos provas que justificassem a tributação realizada, ou a qualificação da multa de oficio. Afirmando a regularidade da operação de securitização, dos respectivos registros, e da conduta por si adotada, a impugnante oreprisa argumentos já exp . • did s anteriormente, e acrescenta as seguintes justificativas: ez 18 Processo n° 10840.003490/2005-81 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 19 - que a divergência de valores que constam nos Termos de Aceitação e Quitação de Volume total de AEHC, assinados pela Petrobrás em 10/07/98 e 28/08/98, teria sido regularizada em 31/05/99 e 31/07/99 com a emissão de notas fiscais de devolução. A Petrobrás não teria recebido os produtos constantes das notas fiscais de n° 12.720 a 12.723, quando das declarações prestadas por meio dos referidos Termos, já que seriam notas de simples faturamento. As declarações da Petrobrás, por seu turno, teriam se destinado a dar suporte à operação de securitização; - que as falhas apontadas em nada teriam afetado os resultados da autuada; - que as falhas nos registros contábeis não teriam resultado em prejuízo para o Fisco. O registro de despesas, materializado pela provisão constituída em abril de 1999, em momento anterior ao fechamento da operação financeira, decorreria da convenção contábil do conservadorismo, já que as perdas ou custos financeiros da operação de securitização seriam conhecidos e quantificados, como o deságio, ou quantificáveis, como o IRRF sobre variação cambial; - que a constituição da provisão no ano de 1999 teria sido um procedimento técnico, elaborado de acordo com o que determinam os princípios de contabilidade, e que somente teria surtido efeitos fiscais no ano de 2000, quando seu montante foi ajustado na apuração do Lucro Real, por ocasião dos recebimentos e lançamentos finais da operação. O valor tributado deveria ser exigido no ano de 1999 e não em 2000, como consta no auto de infração; - que não teria ocorrido duplicidade em relação aos registros contábeis. Em abril de 1999 teria sido constituída uma provisão para ajustar o valor dos ativos, com base nas estimativas dos encargos financeiros, e em março de 2000, ao final da operação, a provisão foi revertida, e o efetivo valor dos encargos registrados em despesas operacionais. Os direitos da autuada teriam sido mantidos na conta Geral Clientes Petrobrás; - que elementos colhidos em decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes estariam a amparar seus argumentos. Em suma, alega que houve excesso por parte da Fiscalização, na qualificação da multa, assim como na exigência de tributo pela desconsideração da operação de securitização, pela glosa dos valores integrais das despesas registradas, pela falta de análise das deduções realizadas nos pagamentos efetivados pela Petrobrás, e pela pretensão de exigir crédito tributário sobre matéria atingida pela decadência. Ao final, requer cancelamento do auto de infração, da intimação para ajustes do Lalur e Base de Cálculo Negativa da CSLL, e arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal e da representação fiscal para fins penais. É o Relatório. 19 Processo n° 10840.003490/2005-81 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 20 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O fato gerador mais antigo é de 31/12/1999. Tendo sido o lançamento cientificado ao recorrente em 06/12/2005, torna-se necessário verificar a pertinência da aplicação da multa qualificada que afastaria a aplicação do art. 150 do CTN para a aplicação do art. 173 do mesmo diploma legal. A DRJ fundamentou a manutenção da multa qualificada: "No caso em tela, como acima sobejamente demonstrado, restou evidenciada a prática reiterada de irregularidades pela autuada: a) não contabilização das operações de cessão de créditos e respectivos valores a receber das empresas Brasalcohol e Brasalcohol II; b) constituição de provisão para perdas no montante de R$ 7.484.809,83, na data de 30/04/99 e, posteriormente, contabilização de despesas de comercialização no valor de R$ 7.875.768,85, na data de 31/03/2000, sem qualquer fundamento fático, nem tampouco documentação hábil e idônea; c) apresentação de planilhas de custos financeiros sem respaldo de documentação hábil e idônea; d) lançamento em contas contábeis de despesas de comercialização em datas anteriores ao fechamento da operação de securitização; e) não formalização e não apresentação de aditivo ao contrato de Compra e Venda para fins de alteração na quantidade de álcool AEHC negociada, à vista das notas de devolução emitidas pela Petrobrás, e conseqüente ajuste do valor do crédito objeto do Instrumento Particular de Cessão, que permaneceu inferior àquele inicialmente faturado (NF n° 12720 e 12722); f) não contabilização das receitas de variações cambiais ativas no ano-calendário de 1999; g) não contabilização de transferências de direitos de crédito para empresa sediada no Uruguai (Microplus S/A); g) não contabilização de novação de nota subordinada, no valor de R$ 2.421.569,38; h) não contabilização do fechamento da operação de securitização, com respaldo em documentação hábil e idônea. A convergência de tais práticas, em afronta aos preceitos legais que regem os procedimentos de cômputo de receitas e despesas para efeitos de incidência do IRPJ sobre o lucro real, conforme artigos 249, 251, 299, 374, 375 e 923 do RIR/99, evidencia de modo inequívoco a atuação fraudulenta do contribuinte." Basicamente foram os mesmos argumentos apresentados pela fiscalização para a qualificação da multa. Entendo o que os argumentos utilizados para a qualificação da multa são os mesmos que serviram para a glosa das despesas contabilizadas pela recorrente. Fica demonstrado nos autos que a empresa não consegue comprovar de forma definitiva a existência de tais despesas e, como se trata de valores que reduzem a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social cabe ao contribuinte a prova de tais fatos. Caso o contribuinte não consiga comprovar adequadamente a existência e necessidade da despesa cabe ao fisco a GLOSA de tal cai despesa. No entanto, a prova da existência do dolo, vontade de atingir o resultado de omitir a ocorrência do fato gerador ou a reduzir a base de cálculo do tributo cabe ao fisco. No caso concreto, assiste razão ao fisco não permitir a dedução de despesas que não foram 20 Processo n°10840.003490/2005-SI SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 21 adequadamente comprovadas. Isso, entretanto, não é suficiente para provar o dolo do contribuinte. As provas existentes nos autos indicam que a Petrobrás, cliente da recorrida, deve ter utilizado uma operação de compra e venda para entrega futura para obter recursos financeiros no exterior. O problema da recorrente é que ela não demonstrou ter incorrido em despesas financeiras decorrentes da operação engendrada pela Petrobrás. A operação, se devidamente demonstrada, seria legítima e não causaria dano ilegal ao fisco. O cerne da questão é que a recorrente não fez prova adequada de ter suportado o ônus financeiro decorrente da suposta operação. A falta de provas da operação trouxe à recorrente o ônus de não poder deduzir da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social despesas que poderia ter tido na operação. Isso se dá, principalmente, devido ao fato de que a prova de despesas e custos que reduzem a base de cálculo dos tributos citados cabe ao contribuinte e está correta a posição do fisco em glosar as parcelas não devidamente comprovadas. No entanto, a falta de provas dessas despesas não permite a presunção de que houve sonegação, fraude ou conluio. A aplicação da multa qualificada prevista no artigo 44 da lei 9430 tem como pressupostos a ocorrência de um dos elementos previstos nos artigos 71 a 73 da lei 4502 de 1964 abaixo transcritos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Observa-se com clareza que o dolo é elemento essencial para caracterizar a ocorrência dos elementos sonegação fraude ou conluio. No caso concreto não vislumbro a ocorrência de tal elemento essencial. Afirma também à delegacia de julgamento a prática reiterada de conduta que visaria a redução de tributos. No entanto, observa-se no caso concreto, que o fato é único e este desdobra-se em fases que constituem um todo unitário. Não vislumbro, no caso concreto, a reiteração de conduta, que poderia demo trar o dolo. 21 Processo n° 10840.003490/2005-81 81-C31-1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 22 Diante do exposto voto no sentido de afastar a aplicação da multa qualificada ao caso dos autos. Afastada a multa qualificada e tendo em vista que o contribuinte apresentou suas declarações referentes aos exercícios que foram objeto de lançamento de que também houve pagamentos dos tributos que o contribuinte entendia devidos no período, permitindo que o fisco tivesse a possibilidade de verificar a regularidade de seus atos, entendo que o prazo decadencial deve ser regulado pelo parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. f f Tendo sido o lançamento cientificado ao contribuinte em 6/12/2005, a decadência atinge os fatos geradores ocorridos até 6/12/2000. Como o contribuinte apurou o imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social que o lucro líquido pelo lucro real anual considera-se a ocorrência do fato gerador em 31/12, estando decaídos os fatos geradores do imposto de renda e da contribuição social ocorridos em 31/12/1999. Tendo em vista a súmula vinculante n° 8 do STF, aplica-se também ao PIS e a Cofins o prazo de decadência previsto no artigo 150 do CTN. assim sendo deve-se reconhecer a decadência do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2000 em relação ao PIS e a Cofins. Quanto ao mérito, assim se manifesta a DRJ: "Com efeito, a relação jurídica tributária em questão decorre, especificamente, de glosa de despesas não comprovadas, e de constatação de variações monetárias ativas não oferecidas a tributação, em procedimento de fiscalização. Tendo em vista encontrar-se o julgador administrativo jungido aos estritos termos da controvérsia estabelecida em decorrência da impugnação do auto de infração, restringir-se-á a presente análise aos argumentos pertinentes à exação discutida. No que se refere à glosa de despesas não comprovadas, há que se atentar para o disposto nos artigos 299 e 374 do RIR/99, nos termos seguintes: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 1"). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 2"). b..1 Art. 374. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutiveis, como to ou despesa operacional, observadas as 22 Processo n° 10840.84334902005-81 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 23 seguintes normas (Decreto-Lei n° 1.598, de 1971 art. 17, parágrafo único): I - os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis, nos períodos de apuração a que competirem; No que se refere ao dever de escriturar, atribuído à pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o RIR/99 assim estabelece: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 7°). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2°, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 25). 114 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto- Lei n°1.598, de 1977, art. 9°, 19. No caso em tela, a autuada constituiu provisão para perdas em Contas a Receber, sem qualquer lastro fático ou documental, como reconhece em sua impugnação, tendo assim procedido de maneira irregular, à luz dos mencionados dispositivos do RIR199. De outra parte, pretende sejam consideradas supostas despesas financeiras, relativas a deságio na securitização, IR sobre variação cambial, desconto fmanceiro e variação cambial ativa, no importe total de R$ 7.875.769,35, que corresponde exatamente ao valor do somatório das despesas de comercialização e provisão para perdas glosadas pela Fiscalização. Todavia, a pretensão da autuada não se justifica pois, a par da escrituração discrepante em relação à realidade dos fatos que milita em seu desfavor, não foram apresentados documentos hábeis e idôneos a demonstrar a efetividade, momento e contraprestações relativas às supostas despesas. Em sua impugnação, a autuada limitou-se a elaborar tabelas e fazer menção a demonstrativos, sem qualquer referência a documentos capazes de comprovar as despesas. Pertinente, portanto, a recomposição do lucro tributável, no ano-calendário de 2000, pelo valor da provisão indevidamente constituída, com base no art. 249, I, do RIR/99. Uma vez demonstrada a insubsistência das supostas despesas financeiras alegadas, para fins de dedução do lucro real, resta também prejudicado o argumento expendido pela autuada, no sentido de que não teria incorrido em variações monetárias ativas, já que referidas despesas estariam a comprovar que nada teria a receber. TT 23 Processo n° 10840.003490/2005-81 SI-C3T19 Acórdão n.° 1301-00.087 Fl. 24 Como demonstrado pela autoridade fiscal, os registros contábeis realizados pela autuada, relativos às Notas Fiscais de n° 12720 a 12722, e n° 12.723, bem como os instrumentos de cessão de direitos creditórios a empresas sediadas no exterior (fls. 205/210 e 277/283), evidenciam a subsistência de direitos indexados em moeda estrangeira, em favor da autuada, consubstanciados em notas promissórias emitidas pelas empresas cessionárias (Brasalcohol e Brasalcohol II) que, na data de 31/12/1998, correspondiam aos valores de R$ 3.495.768,91 (NF n° 12720 a 12722) e R$ 4.973.746,39 (NF n° 12.723). Por cálculos evidenciados às fls. 765/767, e tendo como referência os meses de abril e agosto de 1999 (meses em que foram realizados recebimentos), a autoridade fiscal apurou o total de R$ 4.789.440,44, devidamente apropriado para recomposição do lucro real tributável, nos termos do art. 375 do RIR/99. Também nesse aspecto, nenhum reparo merece a autuação." Como exposto na análise da decadência e da aplicação da multa qualificada, cabe ao contribuinte demonstrar documentalmente a ocorrência das despesas financeiras contabilizadas o que, reiteradamente intimada não demonstrou. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%, reconhecendo a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em relação ao IRPJ e a CSLL ocorridos até 31/12/1999 e em relação ao PIS e a COFINS ocorridos até 30/11/2000. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2009 MARCOS RODRIGUES DE MELLO 24 Page 1 _0065300.PDF Page 1 _0065400.PDF Page 1 _0065500.PDF Page 1 _0065600.PDF Page 1 _0065700.PDF Page 1 _0065800.PDF Page 1 _0065900.PDF Page 1 _0066000.PDF Page 1 _0066100.PDF Page 1 _0066200.PDF Page 1 _0066300.PDF Page 1 _0066400.PDF Page 1 _0066500.PDF Page 1 _0066600.PDF Page 1 _0066700.PDF Page 1 _0066800.PDF Page 1 _0066900.PDF Page 1 _0067000.PDF Page 1 _0067100.PDF Page 1 _0067200.PDF Page 1 _0067300.PDF Page 1 _0067400.PDF Page 1 _0067500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.006333/97-21
Data da sessão: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Mon Jan 24 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IPI. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. - Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Precedentes do STJ.
Recurso provido.
Numero da decisão: CSRF/02-01.773
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer,
Gustavo Kelly Alencar (Suplente convocado), Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva e Mário Junqueira Franco Júnior que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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Recorrida : 3 4' CÂMARA DO r CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão : 24 de janeiro de 2005. Acórdão n2 : CSRF/02-01.773 IPI. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. - Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Precedentes do STJ. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Gustavo Kelly Alencar (Suplente convocado), Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva e Mário Junqueira Franco Júnior que negaram provimento ao recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE - ° • • "• jV)(9t)L • SEFA MARIA COELHO MARQUES RELATORA FORMALIZADO EM: O 1 ABR Èuw Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES e HENRIQUE PINHEIRO TORRES.Ausente justificadamente o Conselheiro DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA. Processo n2 : 10768.006333/97-21 Acórdão n2 : CSRF/02-01.773 Recurso : RP/203-111.582 Interessada : PHILIP MORRIS MARKETING S.A. RELATÓRIO Examina-se recurso especial, formulado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra decisão do Segundo Conselho de Contribuintes que, através do Acórdão n 2 203- 08.075, de 20 de março de 2002 (fls. 170/176), por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pela empresa PHILIP MORRIS MARKETING S/A, cuja ementa se transcreve: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. Denunciado espontaneamente ao Fisco o débito em atraso, acompanhado do pagamento do imposto corrigido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN, descabe a exigência de multa prevista na legislação de regência. Recurso a que se dá provimento." Conforme evidenciam os elementos constitutivos do presente processo, a empresa acima identificada foi autuada exigindo-lhe multa isolada (inciso I do artigo 45 da Lei n2 9.430/1996) na alíquota de 75%, decorrente do recolhimento de IPI (primeiro decêndio de dez/93) em atraso (dez/93) sem a devida multa de mora. A autoridade julgadora de primeira instância administrativa, através da Decisão DRJ/RJO n2 559, de 28/04/1999, de fls. 87/92, julgou procedente em parte o lançamento. Insurgindo-se contra a decisão acima mencionada, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivo de fls. 97/124, alegando, em síntese, que efetuou o dito recolhimento em atraso, devidamente atualizado monetariamente, antes de qualquer iniciativa da fiscalização e de acordo com o artigo 138 do CTN, denúncia espontânea desse recolhimento, não devendo, portanto, sofrer a incidência de qualquer multa. Tendo o Colegiado da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através do Acórdão n2 203-08.075, de 20 de março de 2002, decidido, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, a Procuradoria da Fazenda Nacional, por não concordar com a decisão proferida em segunda instância administrativa, interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no inciso I do art. 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria n 2 55/1998), especificamente quanto à aplicação da multa de mora, quando ocorre a denúncia espontânea. Através do Despacho n2 203-104 (fl. 181), o Presidente da 3 Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, recebeu o recurso interposto pelo Representante da Fazenda Nacional, tendo em vista a presença dos requisitos exigidos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais: decisão não-unânime (artigo 7 2, parágrafo 1 2) e tempestividade (artigo 72). 2 Processo n2 : 10768.006333/97-21 Acórdão n2 : CSRF/02-01.773 Encaminhando-se os autos à Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro/RJ, procedeu-se à solicitação ao contribuinte da apresentação de contra-alegações ao Recurso Especial. Devidamente cientificado, o contribuinte ofereceu suas contra-razões ao Recurso Especial do Sr. Procurador da Fazenda Nacional às fls. 184/195, reafillnando os pontos expendidos na peça impugnatória. É o relatório. 4(6, 3 Processo nQ : 10768.006333/97-21 Acórdão ric2 : CSRF/02-01.773 VOTO Conselheira Relatora: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES A matéria é amplamente conhecida. Trata-se da aplicação ou não do instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, à multa de mora. A respeito da denúncia espontânea, diz o art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Primeiramente, há que entender o alcance da responsabilidade por infrações, que são aquelas que podem ser objeto de denúncia espontânea. O art. 137 do CTN é o que dispõe sobre a matéria, pois é o único dos que compõem a Seção IV (do Capítulo V do Título II do CTN), que trata da "Responsabilidade por Infrações", a dizer quem são os responsáveis, matéria principal da matéria da Seção. Segundo o referido artigo, somente estão abrangidas pelas disposições da Seção as "infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito" (inciso I), aquelas "em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar" (inciso II) e aquelas "que decorram direta e exclusivamente de dolo específico" (inciso III). Com razão, portanto, o recorrente, pois seria absurdo o disposto no art. 138 abranger modalidade de infração a que não se refere a Seção IV, em que está incluído. Note-se ainda que o artigo diz que o pagamento e os juros de mora deverão acompanhar a denúncia espontânea, para que se produza o seu efeito excludente. Portanto, a denúncia espontânea deve formalmente ocorrer, o que não se constata no presente caso. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (REsp 624.772/DF) já pacificou o entendimento de que a denúncia espontânea não se aplica aos casos de tributos declarados pelo próprio contribuinte, conforme ementa abaixo reproduzida. Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Se, portanto, a multa de mora era devida, então nada existe de ilegal na disposição legal que cria multa de oficio para a infração de falta de recolhimento da multa de mora. 4 441, Processo n' : 10768.006333/97-21 Acórdão n2 : CSRF/02-01.773 Com essas considerações, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional e, no mérito, dar-lhe provimento. Sala das Sessões, 24 de janeiro de 2005. I I e i_ , o WWQ./(XXila 1 I 1 JOSEFA MARIA COELHO MARQU ' S 7 o 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.006205/2002-11
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
LOCAÇÃO DE RETROESCAVADEIRA. ATIVIDADE NÃO VEDADA PELO ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. SIMPLES. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
É permitida a inclusão das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de locação de máquina retroescavadeira no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), pois a atividade exercida não se assemelha a qualquer daquelas vedadas pelo artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96.
Numero da decisão: 9101-001.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 LOCAÇÃO DE RETROESCAVADEIRA. ATIVIDADE NÃO VEDADA PELO ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. SIMPLES. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. É permitida a inclusão das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de locação de máquina retroescavadeira no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), pois a atividade exercida não se assemelha a qualquer daquelas vedadas pelo artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 LOCAÇÃO DE RETROESCAVADEIRA. ATIVIDADE NÃO VEDADA PELO ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. SIMPLES. INCLUSÃO. POSSIBILIDADE. É permitida a inclusão das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de locação de máquina retroescavadeira no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), pois a atividade exercida não se assemelha a qualquer daquelas vedadas pelo artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 62 05 /2 00 2- 11 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 151/156) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho 2007. O presente processo administrativo é decorrente de representação Fiscal do INSS objetivando a exclusão do contribuinte do Simples por se dedicar a serviços auxiliares e complementares da construção civil, atividade vedada pela Lei nº 9.317/96. A DRF em Belo Horizonte decidiu no sentido de excluir o contribuinte do SIMPLES (fl. 17) e proferiu o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n.° 269, de 17 de outubro de 2002 (fl. 18), nos seguintes termos: (…) Art. 1° Fica EXCLUÍDA da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3º da Lei n° 9.317 de 1996, denominada Simples, a partir de 1° de janeiro de 2002, a empresa PALMAQ TERRAPLENAGEM E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA., CNPJ n.°03.384.503/0001 04, Processo n.° 10680006205/200211, por se dedicar a serviços auxiliares e complementares da construção civil, atividade vedada conforme aquela lei. (…) O contribuinte apresentou impugnação (fl. 19) afirmando que a exclusão foi incorreta, pois presta serviço de locação de máquina tipo retro escavadeira para execução de serviços de abertura e reaterro de valas. Concluiu que não desempenha atividade incompatível com a legislação do SIMPLES e requereu o cancelamento da sua exclusão. A DRJ de Belo Horizonte/MG manteve a exclusão, pois entendeu que do exame da documentação que instruiu os autos (contratos e notas fiscais), a partir de análise sistemática e mais ampla, considerando itens de formação de preços, de pagamentos e outros, foi possível concluir que o contribuinte exercia a atividade indicada no ato declaratório (fl. 15): "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil". Portanto, manteve a exclusão. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 86/88 afirmando que em que pese constar em seu contrato social, como seu objetivo, a atividade de: "abertura de valas para saneamento, reaterro, na conclusão de valas de saneamento, serviços de terraplenagem em geral, limpeza de obras diversas", a real atividade desempenhada sempre foi de locação de máquina para serviços auxiliares à construção civil. Assim, nunca realizou serviços auxiliares à construção civil, mas sempre alugou máquina para sua realização. Portanto, requereu a reforma da decisão que manteve incólume o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 269/02. Os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, com a finalidade de apurar a real atividade exercida pelo contribuinte (fls. 91/95). Consta do Relatório Fiscal (fls. 134/136) que: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10680.006205/200211 Acórdão n.º 9101001.538 CSRFT1 Fl. 166 3 Em diligência no endereço cadastral da empresa, o irmão do sócio da empresa, Sr. João dos Santos Fonseca, que, aliás, é empregado registrado da mesma, conforme documentos de fls. 95 a 103, informou que a empresa possui 02 (duas) máquinas retroescavadeiras, sendo uma mais antiga e a outra mais nova (fotos abaixo da mais antiga). A máquina mais nova é locada para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto SAAE da cidade de Caeté e a máquina mais antiga é utilizada para executar serviços de limpeza de lotes, escavações para abertura de valas para redes de água e esgoto, terraplenagens em geral e serviços afins. (...) Consta, ainda, que as informações prestadas pelo Sr. João dos Santos Fonseca foram confirmadas pela contadora da empresa Sra. Sônia Regina Evangelista, bem como pelo sócio da empresa. Em conclusão, o relatório fiscal consignou que: “o contribuinte presta serviços de locação de máquina retroescavadeira, serviços de limpeza de lotes, escavações para abertura de valas para rede de água e esgoto, terraplenagens em geral e serviços afins”. Cientificado da conclusão fiscal o contribuinte manifestouse (fls. 140/141) no seguinte sentido: (1) afirmou que o Sr. João dos Santos Fonseca é funcionário da empresa e não tem conhecimento sobre a empresa que o tornem apto para prestar qualquer informação específica sobre a empresa, (2) que é verdade que a empresa possui apenas duas máquinas do tipo retroescavadeira, sendo a mais nova locada para o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), entretanto, não é verdade que a outra máquina é utilizada para prestação de atividades específicas, (3) que a máquina antiga sequer compete no Mercado de trabalho pelo ano de fabricação, capacidade reduzida de produção e segurança, (4) que possui apenas um funcionário, Sr. João dos Santos Fonseca, cuja função é dar suporte na manutenção, conservação e aquisição de peças e, quando necessário, auxiliar em manutenções corretivas e preventivas nas duas máquinas da empresa, (5) que a Sra. Sônia Regina Evangelista não acompanha as atividades da empresa, mas apenas é responsável pela contabilidade, (6) que o Sr. Paulo Raimundo da Fonseca não foi ouvido pelo auditor fiscal e (7) que as notas fiscais 69, 70, 71 e 72 foram emitidas com retenção por exigência do contratante. Após o retorno dos autos, às fls. 143/148, os membros da Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, deram provimento ao recurso voluntário. Nos termos do voto condutor do acórdão proferido restou consignado que: (…) O Relatório Fiscal produzido afirma, com base em informações de funcionários da empresa, que a contribuinte presta serviços de locação de máquina retroescavadeira, serviços de limpeza de lotes, escavações para abertura de valas para rede de água e esgoto, terraplanagens em geral e serviços afins. Afirma o sócio Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 que todos esses serviços só são executados pelo SAAE usando o equipamento da Recte. Anteriormente essa locação compreendia não só o equipamento mas também o operador. Desde o último contrato somente a máquina é locada. Tais atividades, em meu entender, não configuram motivo para exclusão do SIMPLES. Não são serviços auxiliares e complementares da construção civil. A execução dos serviços é efetuada pelo SAAE, entidade da Prefeitura local. Por essas razões, entendo não dever a contribuinte ser excluída do SIMPLES. (…) E o acórdão nº 30238.612 (fls.143/148) foi assim ementado: Ementa: EMPRESAS EXCLUÍDAS DA VEDAÇÃO DE OPÇÃO PELO SIMPLES As pessoas jurídicas que se dediquem às atividades comerciais e de prestação de serviços que não se equiparem às de engenharia ou assemelhadas, as quais não são excludentes de inserção no regime, poderão optar pelo SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Nesse contexto, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 151/155) contra o acórdão proferido afirmando que este contrariou dispositivos legais e as provas dos autos. A Recorrente afirmou que a decisão recorrida contrariou o disposto no art. 9°, inciso V, da Lei n°9.317/1996, com redação dada pelo art. 4º da Lei n 9.528/ 1997. Argumentou que em que pese o contribuinte ter alterado o objetivo de seu contrato social para “locação de máquinas e equipamentos”, da análise das provas dos autos resta evidente que o contribuinte presta serviços de locação de máquinas retroescavadeira, bem como presta o serviço de terraplanagem. Nesse ponto ressaltou a conclusão do relatório fiscal. Por fim, pugnou pela reforma do acórdão proferido. Em sede de exame de admissibilidade (fls. 157/159) foi dado segmento ao recurso. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10680.006205/200211 Acórdão n.º 9101001.538 CSRFT1 Fl. 167 5 O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No presente caso o contribuinte foi excluído do SIMPLES por se dedicar a serviços auxiliares e complementares da construção civil, atividade esta vedada pela Lei 9.317/1996. O acórdão ora recorrido entendeu que a atividade do contribuinte não se equipara a de engenharia ou assemelhada, isto porque se restringe a locação de equipamentos. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial alegando que o acórdão foi contrário à lei e às provas dos autos e que no caso restou evidente que o contribuinte presta serviços de locação de máquinas retroescavadeira, bem como presta serviço de terraplanagem, razão pela qual deve ser mantida sua exclusão do SIMPLES. Da análise dos autos é possível verificar que: (i) o contribuinte possui apenas duas máquinas retroescavadeiras, sendo uma mais nova, utilizada para locação ao SAAE (Serviço Autônomo de Agua e Esgoto) e outra mais antiga sem competitividade no mercado em função do ano de fabricação e da capacidade reduzida de produção e segurança, (ii) o contribuinte possui apenas um funcionário, (iii) das notas fiscais apresentadas (fls.50/62) pelo contribuinte que o serviço prestado pelo contribuinte é de fato locação de máquina retroescavadeira para abertura e reaterro de valas para saneamento em vários pontos da cidade de Caeté, todos para SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Portanto, em vista das notas fiscais acostadas aos autos pelo contribuinte a atividade do contribuinte é a de locação de máquina retroescavadeira. Além disso, a estrutura da empresa, que possui apenas duas máquinas, sendo que uma sequer tem valor competitivo de mercado, um único funcionário, não é apta a descaracterizar o que resta evidenciado pelas notas fiscais (exercício de atividade de locação de máquina). Ressaltese, ainda, que o ramo denominado “Construção Civil” agrega um conjunto de atividades complexas, ligadas entre si por uma gama diversificada de produtos, cujos processos produtivos e de trabalho mantém elevado grau de originalidade e se vinculam a diferentes tipos de demanda. A cadeia produtiva da Construção Civil é bastante complexa e, em linhas gerais, compõese, em sua base, da indústria extrativa mineral; no nível seguinte, do segmento de materiais de construção, integrante do setor de minerais não metálicos, que engloba as fábricas de cimento, tijolos, telhas, revestimentos, etc.; e o setor da construção civil propriamente dito, envolvendo o subsetor de edificações (construção de prédios residenciais ou comerciais, condomínios, habitações em geral, complexos hoteleiros, etc.) e da construção pesada (obras de maior porte, como estradas, pontes, usinas, barragens, saneamento, etc.). No caso em tela é evidente que estamos diante de situação que não envolve a complexidade abarcada pela construção civil. Ora, seria impossível o contribuinte, com apenas uma máquina e um funcionário, exercer qualquer atividade com o grau de complexidade da construção civil ou ainda que auxiliasse a construção civil. Dessa maneira, verificase do exposto que o contribuinte não apresenta estrutura que demonstre o exercício de atividade de serviços auxiliares e complementares da construção civil para podermos afastar o que as notas fiscais comprovam (atividade de locação de máquina). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 Assim, não merece prosperar o fundamento da exclusão do contribuinte do SIMPLES, bem como não merece reforma o acórdão recorrido. Pelo exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 10920.001927/2001-28
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - Conta-se a partir da publicação da Resolução do Senado Federal nº. 82, de 19 de novembro de 1996, o prazo para a apresentação de requerimento para restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/04-00.547
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que deu provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Remis Almeida Estol
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Numero do processo: 10930.002384/2001-47
Data da sessão: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/10/1990 a 30/09/1995
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.242
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martinez López, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho acompanharam pelas conclusões.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/1990 a 30/09/1995 O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado
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Numero do processo: 13657.000527/2003-12
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PIS DECADÊNCIA
Conforme declarado pelo Supremo Tribunal Federal, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário (Súmula Vinculante nº 08/STF).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.402
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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ementa_s : PIS DECADÊNCIA Conforme declarado pelo Supremo Tribunal Federal, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário (Súmula Vinculante nº 08/STF). Recurso especial negado.
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Numero do processo: 18471.001084/2006-11
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. AUSÊNCIA. RESPONSABILIDADE.
A ausência de retenção e de recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do tributo.
ABUSO DE DIREITO. ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS PRIVADOS. INEFICÁCIA DECLARADA PELO FISCO. POSSIBILIDADE.
O abuso de direito viabiliza a declaração da ineficácia dos atos e negócios privados cujos efeitos repercutem na esfera tributária. Mas para que o Fisco se valha desta figura e declare a ineficácia dos atos e negócios jurídicos celebrados pelo contribuinte, com o objetivo de buscar os efeitos tributários decorrentes dessa declaração, é necessário que a autoridade fiscal, na motivação do ato de lançamento, aponte de forma clara e convincente os fatos que caracterizaram o abuso.
DIREITO DE IMAGEM. CESSÃO. TRIBUTAÇÃO.
A prestação de serviços de forma pessoal e individual, em face da cessão onerosa da imagem e do nome de treinador de futebol, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, deve ser tributada na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para intermediar a relação treinador/entidade esportiva.
TRIBUTOS FEDERAIS RECOLHIDOS NA PESSOA JURÍDICA, APROVEITAMENTO.
Em face da declaração de ineficácia dos atos ou negócios celebrados em nome da pessoa jurídica, os valores de tributos federais por ela recolhidos devem ser compensados com o imposto apurado na pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a quantia de R$ 8.786,00, bem como para admitir a compensação dos tributos comprovadamente recolhidos em nome da pessoa jurídica Elan Representações Esportivas Ltda nos anos-calendário 2001/2002, antes da inclusão dos acréscimos legais. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. AUSÊNCIA. RESPONSABILIDADE. A ausência de retenção e de recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do tributo. ABUSO DE DIREITO. ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS PRIVADOS. INEFICÁCIA DECLARADA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. O abuso de direito viabiliza a declaração da ineficácia dos atos e negócios privados cujos efeitos repercutem na esfera tributária. Mas para que o Fisco se valha desta figura e declare a ineficácia dos atos e negócios jurídicos celebrados pelo contribuinte, com o objetivo de buscar os efeitos tributários decorrentes dessa declaração, é necessário que a autoridade fiscal, na motivação do ato de lançamento, aponte de forma clara e convincente os fatos que caracterizaram o abuso. DIREITO DE IMAGEM. CESSÃO. TRIBUTAÇÃO. A prestação de serviços de forma pessoal e individual, em face da cessão onerosa da imagem e do nome de treinador de futebol, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, deve ser tributada na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para intermediar a relação treinador/entidade esportiva. TRIBUTOS FEDERAIS RECOLHIDOS NA PESSOA JURÍDICA, APROVEITAMENTO. Em face da declaração de ineficácia dos atos ou negócios celebrados em nome da pessoa jurídica, os valores de tributos federais por ela recolhidos devem ser compensados com o imposto apurado na pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte
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AUSÊNCIA. RESPONSABILIDADE. A ausência de retenção e de recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do tributo. ABUSO DE DIREITO. ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS PRIVADOS. INEFICÁCIA DECLARADA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. O abuso de direito viabiliza a declaração da ineficácia dos atos e negócios privados cujos efeitos repercutem na esfera tributária. Mas para que o Fisco se valha desta figura e declare a ineficácia dos atos e negócios jurídicos celebrados pelo contribuinte, com o objetivo de buscar os efeitos tributários decorrentes dessa declaração, é necessário que a autoridade fiscal, na motivação do ato de lançamento, aponte de forma clara e convincente os fatos que caracterizaram o abuso. DIREITO DE IMAGEM. CESSÃO. TRIBUTAÇÃO. A prestação de serviços de forma pessoal e individual, em face da cessão onerosa da imagem e do nome de treinador de futebol, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, deve ser tributada na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para intermediar a relação treinador/entidade esportiva. TRIBUTOS FEDERAIS RECOLHIDOS NA PESSOA JURÍDICA, APROVEITAMENTO. Em face da declaração de ineficácia dos atos ou negócios celebrados em nome da pessoa jurídica, os valores de tributos federais por ela recolhidos devem ser compensados com o imposto apurado na pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais. Preliminar Rejeitada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 84 /2 00 6- 11 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 240 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a quantia de R$ 8.786,00, bem como para admitir a compensação dos tributos comprovadamente recolhidos em nome da pessoa jurídica Elan Representações Esportivas Ltda nos anoscalendário 2001/2002, antes da inclusão dos acréscimos legais. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 182/183), que reproduzo a seguir: Contra a pessoa física em epígrafe foi instaurado procedimento fiscal mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n 07.1.90.002006002760 (fls. 01, 04 e 95), datado de 21/02/2006, que delimitou a atuação fiscal em relação ao imposto sobre a renda relativo ao período compreendido entre 01/2001 a 12/2002. As Declarações de Ajuste Anual deste período encontramse apensas As fls. 08 a 18. Dando sequência ao procedimento instaurado, foi lavrado Termo de Inicio de Fiscalização no qual constava intimação para que o interessado prestasse informações acerca das relações jurídicas que ensejaram a percepção de rendimentos isentos e não tributáveis no anocalendário 2001 (fls. 19 e 20). Em resposta o contribuinte informou tratarse de rendimentos relativos à indenização trabalhista, lucros e dividendos e rendimentos de caderneta de poupança conforme fls. 23 a 37. Em 22/03/2006, foi dirigida nova exigência ao fiscalizado para que apresentasse os contratos celebrados pela sociedade ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA durante o ano calendário de 2001, bem como comprovasse o cumprimento das Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 241 3 obrigações daí advindas (fls. 37 e 38), do que derivou a apensação dos documentos às fls. 42 a 62. Outra intimação foi dirigida ao fiscalizado no intuito de obter maiores informações sobre as atividades exercidas pela sociedade supramencionada (fls. 62 e 63), feito desencadeador do acostamento de documentos As fls. 65 a 92. Em face do exposto, entendeu a Fiscalização estar defronte de elementos suficientes a respaldarem a lavratura de Auto de Infração de fls. 115 a 122 em virtude da apuração de omissão de rendimentos relativos a royalties recebidos de pessoas jurídicas, devidamente consubstanciada em Termo de Verificação Fiscal de fls. 190 a 114. Sobre o imposto suplementar apurado, no total de R$ 93.500,00, foram aplicados multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora, perfazendo crédito tributário no montante de R$ 225.902,60. Cientificado do lançamento em 17/10/2006, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 125 a 174 em 31/10/2006, onde afirma que a presente autuação lastreiase na falsa premissa de que os rendimentos considerados omitidos foram pagos pelo GRÊMIO FOOTBALL PORTO ALEGRENSE a titulo de contraprestação de serviços realizados pela pessoa física do impugnante, constituindose, então, renda deste e não da sociedade civil da qual é sócio. Neste contexto, adita que o indicio de fraude levantado pela Fiscalização não deve prosperar, haja vista estar a sociedade atuando em plena conformidade com o objeto do contrato ao qual se obriga. Diz que: "Neste sentido, falar em fraude fiscal do serviço prestado, seria o mesmo que falar em fraude de uma sociedade de advogados que presta assistência jurídica a uma empresa, ou uma sociedade de contadores que presta assessoria contábil a seus clientes. E evidente que nos exemplos citados, estas, assim como a Elan Representações Esportivas Ltda., irão recolher o Imposto de Renda correspondente a pessoa jurídica." Defende ainda o recorrente a absoluta incompetência da Autoridade Fiscal para apreciar questões relativas ao atendimento de pressupostos de validade ou demais aspectos jurídicos de contrato civis, matéria, que em seu entender, é de apreciação exclusiva do Poder Judiciário. Por fim, questiona o não abatimento de tributos recolhidos durante os anoscalendário em tela pela sociedade ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORT WAS LIDA sobre as notas fiscais nºs 0014 e 0151 do valor do Auto de Infração. A 1ª Turma da DRJ/RJOII julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 242 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 SIMULAÇÃO. DISCREPÂNCIA ENTRE A VONTADE E O ATO Configurase a simulação diante da manifesta discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS PRESTADOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. Serviços prestados de forma pessoal e individual, fora do âmbito de uma sociedade de profissionais legalmente habilitados, terão seus rendimentos tributados na pessoa física, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. TRIBUTOS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTOS DEVIDOS PELOS SÓCIOS. COMPENSAÇÃO. Não cabe a compensação de tributos recolhidos pela empresa com o imposto apurado no procedimento fiscal na pessoa física de um de seus sócios em virtude da imiscibilidade de personalidades. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/07/2008 (fl. 195), o interessado interpôs, em 15/08/2008, o recurso de fls. 199/210. Nas razões recursais aduz que: PRELIMINARMENTE Tanto o Auto de Infração, quanto a decisão recorrida, tiveram por fundamento suposta simulação entre o Recorrente e o Grêmio FootBall Porto Alegrense. A sustentar tal hipótese, impossível seria imaginar que a suposta fraude ou simulação fora cometida somente pelo Recorrente. Diante da redação do art. 103 do DecretoLei nº 5.844/1943 e do art. 722 do Decreto nº 3.000/1999, não restam dúvidas de que o responsável pelo recolhimento do imposto seria a fonte pagadora, sendo o Recorrente parte ilegítima da obrigação tributária, como, aliás, entende o E. Conselho de Contribuintes. NO MÉRITO É sócio da pessoa jurídica ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA, cujo objeto é a prestação de serviços de espetáculos, assessoria técnica e eventos desportivos. No ano de 2000, sua empresa celebrou, com Grêmio FootBall Porto Alegrense, contrato de prestação de serviços de assessoria técnica e esportiva. Além disso, neste mesmo ato autorizou a exploração da imagem do treinador. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 243 5 Todos os rendimentos auferidos pelo autuado, nos exercícios fiscalizados, foram devidamente registrados/contabilizados em sua Declaração do Imposto de Renda, sendo, inclusive, todos os impostos devidamente quitados nos prazos legais, bem como os da empresa. Não há uma única prova nos autos que possibilite o afastamento do contrato celebrado entre Elan Representações Esportivas Ltda e Grêmio FootBall Porto Alegrense e que ateste que tal instrumento configura uma simulação. O Fisco não pode, a pretexto de suposta irregularidade, transferir para o Recorrente a responsabilidade tributária, ao menos que comprove fraude, que não pode ser presumida. Como se sabe, fraude e conluio não são presumíveis, devendo ser provados por quem os alega, conforme pacífica jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes. Se admitida a natureza intuitu personae dos serviços prestados, os valores recebidos assumiriam, nos termos do art. 3º da CLT, caráter salarial. Assim, nenhum benefício seria auferido pelo Recorrente com a simulação sugerida. Do ponto de vista econômicofinanceiro, estaria tendo uma perda considerável. Isto porque, se por um lado teria algum beneficio por conta dos valores em comento serem tributados na pessoa jurídica e não na pessoa física, por outro terminaria por deixar fazer jus ao reflexo destas quantias sobre FGTS, 13° salário, férias, aviso prévio, repouso semanal remunerado e eventuais horas extras trabalhadas, rubricas estas que somadas ultrapassam, em muito, qualquer suposto beneficio fiscal. Falar em fraude fiscal do serviço prestado seria o mesmo que falar em fraude de uma sociedade de advogados que presta assistência jurídica a uma empresa, ou uma sociedade de contadores que presta assessoria contábil a seus clientes. Porque motivo uma empresa que presta assessoria técnica a uma empresa/clube haveria de ser tributada de maneira diversa dos exemplos apontados? Não existe qualquer prova de que sua empresa foi constituída para praticar fraudes que não lhe traria qualquer beneficio. A natureza do contrato celebrado é civil, sendo o seu objeto a autorização para a exploração da imagem do treinador, e o bem jurídico protegido o limite ao uso da desta. Para que o clube possa utilizar a imagem para fins de comercialização, é fundamental a autorização da empresa cessionária, ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA. A entidade desportiva pode obter o direito de exploração da imagem e não utilizála. Ao obter este direito, o clube não está automaticamente vinculado à utilização da imagem da personalidade em campanhas de publicidade e/ou produtos. Pode simplesmente obtêla com o intuito de que outro clube não a utilize. Também quanto ao direito de imagem não há uma única prova nos autos que possibilite o afastamento do contrato firmado entre Elan Representações Esportivas Ltda. e Grêmio FootBall Porto Alegrense e afirmar que tal instrumento decorre de simulação. A jurisprudência pátria e dominante, inclusive administrativa, é no sentido de que não se pode presumir a fraude e não se pode lavrar auto de infração com base em mera presunção. As fundamentações do Auto de Infração e da decisão atacada estão repletas de suposições, o que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 244 6 Ainda que os Auditores Fiscais possam avaliar eventuais simulações, verificase que essa atribuição não é ilimitada, de modo a possibilitar a verificação de aspectos jurídicos e pressupostos de validade do contrato. É necessário um conjunto probatório concreto que possibilite a condenação do fiscalizado. Ao fim, requer o provimento do presente recurso, a fim de que seja reformada a decisão proferida em primeiro grau, para, acolhendo a preliminar, declarar nulo o auto de infração, ou, caso a preliminar seja ultrapassada, para que seja julgado totalmente improcedente o lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. 1. OS ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS PELO RECORRENTE Constam os autos os seguintes atos e negócios jurídicos celebrados pelo Recorrente: a) contrato social da sociedade por cotas limitadas ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA (doravante denominada ELAN), cujos sócios são o Recorrente e sua esposa e cujo objeto social é a prestação de serviços de espetáculos, assessoria técnica e eventos esportivos; b) instrumento particular de assessoria técnica e esportiva, cessão de imagem e nome profissional celebrado por ELAN e GRÊMIO FOOTBALL PORTO ALEGRENSE (doravante denominado GRÊMIO), tendo como interveniente/anuente Antonio Lopes dos Santos, ora Recorrente. O objeto do referido instrumento é a prestação de assessoria técnica e esportiva e a cessão do direito de uso da imagem e nome profissional do interveniente/anuente. 2. O CASO CONCRETO A Autoridade lançadora entendeu que a cessão do direito de uso da imagem e nome do Recorrente, embora contratados com a pessoa jurídica ELAN, foram prestados de forma individual e personalíssima, e, em face disso, considerou a remuneração contratual como rendimentos tributáveis da pessoa física, omitidos na declaração de ajuste anual desta. Em outras palavras: a autoridade que constituiu o crédito tributário entendeu ineficazes o contrato de constituição da ELAN e o contrato firmado entre ela e o GRÊMIO, tendo como interveniente o Recorrente, que também é sócio da primeira, para tributar a pessoa física deste, sob o fundamento de que a imagem e o nome integram os direitos de personalidade e que os rendimentos daí decorrentes devem ser tributados na declaração do detentor dos referidos direitos. 3. A CERNE DA CONTROVÉRSIA Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 245 7 O cerne da controvérsia pode ser extraído da seguinte indagação: pode o Fisco, unilateralmente, declarar a ineficácia dos atos ou negócios jurídicos praticados pelos contribuintes quando tais atos ou negócios atingirem os interesses da Administração Tributária? 4. O ENTENDIMENTO DO RELATOR EM RELAÇÃO À POSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INEFICÁCIA DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS PELOS CONTRIBUINTES O abuso de direito viabiliza, a meu ver, a declaração da ineficácia de atos e negócios privados cujos efeitos repercutem na esfera tributária. Dirão alguns que a premissa colocada não tem aplicação no Brasil, porquanto inexiste lei expressa nesse sentido e o direito tributário brasileiro tem como princípio basilar a legalidade estrita. Neste ponto, sirvome das lições de Marco Aurélio Greco (Constitucionalidade do Parágrafo Único do Artigo 116 do CTN, em O Planejamento Tributário e a Lei Complementar 104, Dialética, 2002, pp. 197/198) para fazer alguns esclarecimentos necessários ao deslinde da controvérsia. Para o renomado tributarista é preciso distinguir o abuso de direito por definição legal do abuso de direito identificado a partir de características fáticas dos atos e negócios praticados. O abuso por definição legal existe quando o legislador entende por bem estabelecêlo em disposição literal de lei. Para tanto, pode utilizar a técnica de editar um dispositivo legal com a seguinte dicção: “consideramse abusivas ...”. Nada obstante, esta não é a única maneira pela qual resta configurada o abuso de direito, cuja existência pode advir independentemente de tipificação legal prévia, bastando, para tanto, que ocorram distorções nos atos e negócios celebrados por particulares e estes atos e negócios afetem direitos de terceiros, na espécie, os direitos do Fisco. A verificação do abuso se dá, nesta hipótese, em função da realidade concreta, mediante análise das circunstâncias fáticas. Nessa vertente, o abuso de direito é figura voltada às qualidades que cercam determinados fatos, atos ou condutas realizadas, que lhes dão certa conformação à vista das previsões legais. Afirmar que houve abuso não significa ampliar ou modificar o sentido e o alcance da lei tributária. Significa, apenas, identificar, nos fatos ocorridos, a hipótese legal, neutralizando o “excesso” ou afastando a “cobertura” que se pretendeu utilizar, para tentar escapar da incidência tributária. Nesse contexto, o abuso de direito é aplicável à seara tributária independentemente de lei expressa que o preveja. De um lado, porque não interfere com a legalidade e a tipicidade, posto que situado nos planos dos fatos e não da norma. De outro lado, porque o abuso é corolário do uso regular do direito, pois há tempo já se afastou a visão individualista de que um direito comporta qualquer tipo de uso, inclusive o excessivo ou que distorça o seu perfil objetivo. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 246 8 Na visão do citado e ilustrado tributarista, com a qual concordo, é ínsita ao ordenamento jurídico a possibilidade de existirem mecanismos que possam neutralizar as condutas que contornem as normas jurídicas, frustrem sua incidência ou esvaziem sua eficácia, naquilo que a experiência jurídica conhece por abuso do direito. A imperatividade e a eficácia do ordenamento supõem a existência de mecanismos que as assegurem. Portanto, conclui o eminente professor, a caracterização do abuso de direito, para fins tributários, não depende de “outra lei” prevendo o seu cabimento. Ao contrário, é decorrência da legalidade, pois esta só tem sentido desde que o ordenamento jurídico tenha a sua eficácia, imperatividade e aplicabilidade asseguradas. Acrescento, por oportuno, que a figura do abuso de direito ganhou maior importância, no Brasil, com o Código Civil de 2002. O art. 112 prevê que nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem; o art. 113 inseriu a boafé como vetor interpretativo dos negócios jurídicos. Merecem menção, também, os artigos 421 e 422 do mesmo Código, que, respectivamente, condicionou a liberdade contratual à função social do contrato e elegeu a probidade e a boafé como princípios a serem seguidos pelos contratantes em geral. Essas regras, que orientam a interpretação dos negócios jurídicos privados, servem também de substrato à ocorrência do fato jurídico tributário, porquanto irradiam efeitos neste ramo do Direito, de forma que tais normas podem e devem ser consideradas na interpretação das normas do direito tributário. Observo, no entanto, que para que o Fisco se valha da figura do abuso de direito e declare a ineficácia dos atos e negócios jurídicos celebrados pelo contribuinte, com o objetivo de buscar os efeitos tributários decorrentes dessa declaração, é necessário que a autoridade fiscal, na motivação do ato de lançamento, aponte de forma clara e convincente os fatos que caracterizaram o abuso. 5. EXPLICITAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO QUE LEVARAM A FISCALIZAÇÃO A DECLARAR A INEFICÁCIA DOS CONTRATOS CELEBRADOS PELO RECORRENTE O abuso de direito normalmente não é caracterizado pela prática de um ato ou negócio jurídico isoladamente, mas sim por uma pluralidade de atos ou negócios em seqüência lógica e cronológica ao efeito pretendido. As razões de fato que levaram a autoridade lançadora a tributar a pessoa física do recorrente podem ser extraídas do Termo de Constatação Fiscal, às fls. 101/115, e do Auto de Infração, às fls. 116/120. Em síntese, podem ser assim resumidas: a) coincidência de endereços da sede da empresa ELAN e do domicílio fiscal dos seus sócios (o recorrente e seu cônjuge); b) a cessão dos direitos de imagens e nome de um dos sócios não constava entre os objetivos sociais da empresa ELAN; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 247 9 c) os serviços foram prestados de forma individual e personalíssima pelo Recorrente, que recebia uma parte da remuneração via folha de pagamento, a título de salário, e outra por intermédio da pessoa jurídica ELAN, a título de distribuição de lucros; d) a nota fiscal nº 0014, no montante total de R$ 160.000.00, coincide com o valor da receita bruta da ELAN, demonstrando que a única atividade da empresa, no ano 2001, foi a prestação de serviços de caráter pessoal pelo sócio Antonio Lopes dos Santos; e) a nota fiscal nº 0151, no montante total de R$ 180.000,00, coincide com o valor da receita bruta da ELAN, demonstrando que a única atividade da empresa, no ano 2002, foi a prestação de serviços de caráter pessoal pelo sócio Antonio Lopes dos Santos; f) nos anoscalendário 2001 e 2002, períodos de apuração do débito, a ELAN emitiu apenas duas notas fiscais relativas aos serviços prestados ao GRÊMIO, nos valores, respectivamente, de R$ 160.000,00 e R$ 180.000,00; g) a ELAN distribuiu lucros, no ano calendário de 2002, no montante de R$ 352.475,41, sendo R$ 176.237,71 ao Recorrente e R$ 176.237,70 ao seu cônjuge; h) o período de vigência do instrumento particular de assessoria técnica e esportiva, cessão de imagem e nome profissional celebrado pela ELAN e o GRÊMIO, tendo como interveniente/anuente o Recorrente, era de 15/03/2000 a 31/12/2000. Os fatos descritos nas letras “d” a “g” evidenciam a total ausência, nos anos calendário 2001/2002, de qualquer objetivo empresarial por parte da empresa ELAN. A única atividade neste período foi a cessão de direitos de imagem e nome do Recorrente ao GRÊMIO. Merece menção a alegação do Recorrente de que a entidade desportiva pode obter o direito de exploração da imagem e não utilizála, principalmente quando o contrato firmado pelo GRÊMIO e a ELAN veda que esta celebre qualquer outro instrumento de mesma natureza na sua vigência (Cláusula 1ª, § único) Dúvidas não podem existir sobre a legalidade da vedação imposta à contratada. Contudo, tal vedação reafirma, em meu entendimento, a ausência de qualquer perspectiva empresarial da empresa ELAN, na medida em que o seu único prestador de serviços é utilizado exclusivamente pela empresa contratante, que pode, até mesmo, não fazer uso de sua imagem e nome. A inexistência de uma finalidade empresarial, aliada as demais circunstâncias fáticas acima delineadas, são elementos suficientes, a meu ver, à caracterização do abuso de direito com vistas à declaração da ineficácia dos atos e negócios jurídicos celebrados pelo Recorrente. A ausência de objetivo empresarial da empresa ELAN e a demonstração de que a relação contratual se dava exclusivamente entre o Recorrente e a entidade esportiva GRÊMIO, de forma personalíssima, sem qualquer interferência da ELAN, fica bem evidenciada nas seguintes passagens descritas no voto da relatora do acórdão recorrido: A duas, pois a vigência do contrato entre as pessoas jurídicas citadas submetese a hipótese de ruptura vinculada a rescisões de outros contratos assumidos pelo impugnante com a agremiação (por exemplo, de contrato de trabalho), tal como Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 248 10 atesta o parágrafo único da cláusula sétima (fl. 58). Ou seja, atrelase o regular desempenho das atividades contratuais da sociedade ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA à discricionariedade de um de seus sócios. A três, pois a cláusula oitava deste contrato (fl. 59) ao estabelecer bonificações extraordinárias dependentes da excelência na prestação de serviços de natureza técnica, cuja supervisão era atribuída ao ora impugnante de maneira exclusiva, acaba por enfocar a capacidade do prestador. Assim, entendo como configurado o abuso em face de todas as circunstâncias fáticas mencionadas e legítima a imputação ao Recorrente dos rendimentos percebidos formalmente pela pessoa jurídica. Ademais, os direitos de imagem e nome se inserem no âmbito dos direitos de personalidade, devendo ser tributados, os ganhos daí decorrentes, na pessoa do titular desses direitos. 6. A PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA O Recorrente alega, preliminarmente, que o afastamento dos contratos celebrados deveria implicar na responsabilidade da fonte pagadora pelo recolhimento do imposto, nos termos da legislação regente da matéria, o que configuraria a sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da obrigação tributária. Ocorre, porém, que a omissão da fonte pagadora de retenção e recolhimento do imposto não exclui a responsabilidade do contribuinte que auferiu a renda, pois é este quem tem relação pessoal e direta com a situação que configurou o fato gerador do imposto de renda. Este entendimento encontrase pacificado administrativa e judicialmente. A título ilustrativo, o seguinte julgado do STJ (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 987.837): TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO NA FONTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. De acordo com a jurisprudência consolidada no âmbito da Primeira Seção, a ausência de retenção e de recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do tributo. Precedentes: AgRg nos EREsp 380.081/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJ 13/8/2007; EREsp 652.498/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJ 18/9/2006; AgRg no REsp 981.997/SP, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 4/5/2009; AgRg no REsp 1.095.538/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 20/4/2009; REsp 704.845/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 16/9/2008; REsp 665.960/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 12/5/2008. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 249 11 2. "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado" (Súmula 168/STJ). 3. Agravo regimental não provido. Desta forma, quem deve figurar no polo passivo do presente lançamento é a pessoa beneficiária dos rendimentos, cujo patrimônio foi acrescido, de modo que deve ser afastada a preliminar suscitada pelo Recorrente. 7. DIFERENÇAS ENTRE A TRIBUTAÇÃO DAS SOCIEDADES SIMPLES DE ADVOGADOS E CONTADORES E O CASO ORA ANALISADO Aduz o Recorrente que falar em fraude fiscal do serviço prestado seria o mesmo que falar em fraude de uma sociedade de advogados que presta assistência jurídica a uma empresa, ou uma sociedade de contadores que presta assessoria contábil a seus clientes. Sobre esta alegação, já apresentada na peça impugnatória, faço minhas as palavras da ilustre Relatora do acórdão recorrido, acrescentando que inexiste, quer no Termo de Constatação, quer na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do Auto de Infração, a expressão “fraude fiscal” (na impugnação a palavra “fraude” aparece 4 vezes e no recurso 14 vezes). Tornase oportuno trazermos à baila o conteúdo dos art. 146 do Decreto nº 3.000, de 26 de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR), que trata da definição de contribuinte pessoa jurídica para fins tributários: Art. 146 São contribuintes do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei n 2 5.844, de 1943, art. 27): I as pessoas jurídicas (Capitulo I); II as empresas individuais (Capitulo II). §1º As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (DecretoLei n2 5.844, de 1943, art. 27, §22). (...) § 32 As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis ás demais pessoas jurídicas (Lei n 2 9.430, de 1996, art. 55). Tomando de empréstimo o exemplo dado pelo próprio impugnante, verificamos que nos casos citados não se está preso a um determinado profissional da sociedade de contadores ou de advogados, pois ali importam o serviço prestado e o resultado obtido, e não a pessoa que o executa. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 250 12 No caso do recorrente, nos parece ser bastante distinta a situação. A uma, pois como referido anteriormente, o impugnante toma corpo em função distinta daquela de representante da pessoa jurídica ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA, qual seja, a figura denominada interveniente/anuente, considerada parte legitima no instrumento contratual. A duas, pois a vigência do contrato entre as pessoas jurídicas citadas submetese a hipótese de ruptura vinculada a rescisões de outros contratos assumidos pelo impugnante com a agremiação (por exemplo, de contrato de trabalho), tal como atesta o parágrafo único da cláusula sétima (fl. 58). Ou seja, atrelase o regular desempenho das atividades contratuais da sociedade ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA à discricionariedade de um de seus sócios. A três, pois a cláusula oitava deste contrato (fl. 59) ao estabelecer bonificações extraordinárias dependentes da excelência na prestação de serviços de natureza técnica, cuja supervisão era atribuída ao ora impugnante de maneira exclusiva, acaba por enfocar a capacidade do prestador. (...) Desta feita, se há predomínio da pessoalidade da prestação, se a figura de determinado exequente toma vulto em detrimento dos demais sócios, ainda que a sociedade esteja formalmente inscrita junto ao órgão do Registro de Comércio ou Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não pode ser considerada pessoa jurídica para efeito de tributação, sob pena de não se respeitar o verdadeiro contribuinte, ou seja, aquele que verdadeiramente aufere renda ou proventos. A se cogitar o contrário, possibilitarseia a todos os profissionais liberais, dentre outros, constituir empresas com intuito exclusivo de tributar os rendimentos provenientes da prestação individual de serviços na pessoa jurídica e não na pessoa física do sócio que realmente executa os serviços, com o fim de suportar menor carga tributária, bastando para isso a existência de uma sociedade que emita notas fiscais desses rendimentos. Nas sociedades civis onde a prestação de serviço é indistintamente exercida por todos os sócios, sejam elas de advogados ou contadores como cita o recorrente, as receitas auferidas devem ser submetidas à tributação do imposto de renda da pessoa jurídica, pois tais são originadas do esforço conjunto de todos os sócios. Restando bastante distanciada desta realidade a situação do recorrente, seus rendimentos devem ser submetidos às normas de tributação relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física, independentemente da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, tal como elucida o § 42 do art. 32 da Lei n2 7.713, de 1988. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 251 13 8. NÃO INVALIDAÇÃO DOS CONTRATOS CELEBRADOS NO QUE SE REFERE ÀS RELAÇÕES JURÍDICAS PRIVADAS Anoto, por relevante, que a declaração de ineficácia por parte do Fisco não invalida os atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte no que se refere às relações jurídicas pactuadas entre particulares, porquanto acobertadas por reserva absoluta de jurisdição (CF/1988, art. 5º, XXXV), mas tão somente implica na ineficácia de tais atos e negócios relativamente aos efeitos produzidos em face da Administração Tributária. Seria, na sugestiva expressão de Manuel de Andrade (Teria Geral da Relação Jurídica II, Coimbra, 1960, p. 412) a ineficácia respeitante “aos negócios bifrontes ou com cabeça de Jano”, por produzirem efeitos quanto a certas pessoas e não produzirem quanto a outras. No que se refere ao contrato de constituição da pessoa jurídica ELAN, os autos não evidenciam qualquer tentativa, por parte da fiscalização, de invalidação das cláusulas nele pactuadas, de forma que as relações entre os sócios ou a relação destes com a sociedade se mantêm íntegras. O contrato celebrado pela ELAN com o GRÊMIO, com a interveniência do Recorrente, também foi preservado, haja vista que as relações jurídicas firmadas entre as partes se mantiveram em sua totalidade, sem que o Fisco se imiscuísse, por exemplo, na forma de pagamento estipulada, na responsabilidade do GRÊMIO pelas despesas do interveniente durante a prestação dos serviços, bem como das despesas de deslocamento da outra sócia da cidade do Rio de Janeiro para Porto Alegre. 9. EXPLICITAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE DIREITO QUE DERAM SUPORTE À AUTUAÇÃO FISCAL Os fundamentos legais que serviram de supedâneo à lavratura do presente Auto de Infração encontramse elencados na “Descrição dos Fatos e Enquadramento legal”, às fls. 117/119. O fato gerador está definido no art. 3º da Lei nº 7.713/1988, que estabelece a incidência do imposto de renda das pessoas físicas, como regra, sobre o rendimento bruto. O § 1º do art. 3º acrescenta que constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. O § 4º do mesmo artigo qualifica o fato gerador do imposto de renda como funcional ao estabelecer que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fato gerador funcional, nas palavras de Ricardo Mariz de Oliveira (O Planejamento Tributário e a Lei Complementar 104, Dialética, 2002, p. 248) é aquele: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 252 14 “que se constrói e se interpreta pelo efeito ou resultado que é visado pela norma de incidência, e que se constitui no núcleo da respectiva hipótese de incidência – no caso do imposto de renda, o acréscimo patrimonial , e não pela estrutura jurídica em que se apoia a fonte produtora do referido efeito ou resultado”. O dispositivo em comento revela que o legislador abandonou, na descrição da hipótese de incidência do imposto de renda, qualquer referência a estruturas jurídicas, adotando a natureza funcional do fato gerador, cujo substrato para incidência é a mera existência de acréscimo patrimonial. O acréscimo patrimonial decorreu dos royalties recebidos pelo Recorrente na cessão dos direitos de sua imagem e nome, valores tributáveis explicitados no art. 53 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999 (Serão também consideradas como aluguéis ou royalties todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos bens e direitos). A alíquota aplicada ao lançamento foi definida pelo artigo 21 da Lei nº 9.532/1997, no seguintes termos: Art. 21. Relativamente aos fatos geradores ocorridos durante os anoscalendário de 1998 a 2003, a alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), constante das tabelas de que tratam os arts. 3o e 11 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e as correspondentes parcelas a deduzir, passam a ser, respectivamente, a alíquota, de 27,5% (vinte e sete inteiros e cinco décimos por cento), e as parcelas a deduzir, até 31 de dezembro de 2001, de R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais) e R$ 4.320,00 (quatro mil, trezentos e vinte reais), e a partir de 1o de janeiro de 2002, aquelas determinadas pelo art. 1o da Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002, a saber, de R$ 423,08 (quatrocentos e vinte e três reais e oito centavos) e R$ 5.076,90 (cinco mil e setenta e seis reais e noventa centavos). Percebese, portanto, que a autuação levada a cabo pela Autoridade lançadora está, do ponto de vista legal, muito bem fundamentada. 10. NATUREZA INTUITU PERSONAE DA UTILIZAÇÃO DA IMAGEM E NOME O acréscimo patrimonial que fundamentou o lançamento decorreu de royalties recebidos pelo Recorrente em virtude da utilização de sua imagem e nome, e não de rendimentos decorrentes de relação empregatícia, cuja natureza é salarial. O fato de os rendimentos recebidos decorrerem de serviços prestados com pessoalidade não significa, necessariamente, que o vínculo estabelecido entre os contratantes tenha sido celebrado por intermédio de contrato de emprego regido pela CLT. Aliás, a natureza intuitu personae dos serviços prestados se revela na cláusula 11, parágrafo único, do contrato firmado entre a ELAN e o GRÊMIO, com a interveniência do Recorrente, a ver: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 253 15 Durante a vigência deste contrato o INTERVENIENTE/ANUENTE, quando solicitado, obrigase a participar de eventos festivos, promoções, reuniões sociais e outros que visem divulgar e dar publicidade ao vinculo existente entre ele e o GRÉMIO. Parágrafo Único: 0 INTERVENIENTEJANUENTE participará, dentre outros que venham a ser solicitados e/ou realizados, de filmes comerciais e promocionais, outdoors, vídeos comerciais e promocionais, planfletos promocionais, anúncios na mídia em geral, sessões de autógrafos, licenciamento de produtos, uso obrigatório de utensílios e equipamentos com logomarca de patrocinador e fornecedor de material esportivo e outros vinculados ao GRÊMIO, seja em entrevistas, treinamentos, jogos oficiais ou amistosos, programas de televisão e outros. Assim, deve ser afastado o argumento do Recorrente de que não teria havido qualquer benefício com os atos e negócios celebrados, vez que os benefícios fiscais seriam compensados pelas perdas de vantagens trabalhistas que por ele seriam auferidas. 11. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DE UM DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA O acórdão recorrido vislumbrou a figura da simulação nos atos e negócios jurídicos celebrados pelo Recorrente, muito embora a Autoridade lançadora não tenha feito qualquer menção ao tema no Termo de Constatação Fiscal e na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”. Entendo que não se trata simulação, pois não houve, ou pelo menos não restou comprovada, a intenção de lesar o Fisco, mas sim de diminuir a carga tributária a ser suportada pelo Recorrente, mediante a utilização da figura do abuso do direito. A distinção entre a simulação e o abuso de direito corresponde à fronteira que separa a mentira da verdade. “Na simulação há divergência entre a vontade real e a vontade declarada, e daí o seu caráter mentiroso” (Alberto Xavier, Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva, Dialética, 2001, p. 67). No abuso de direito os negócios jurídicos celebrados são queridos pelas partes, funcionando, no entanto, como condição para alcançar um fim ulterior. A empresa ELAN nunca escondeu do Fisco as suas atividades. Pelo contrário: o cumprimento de suas obrigações tributárias sempre foi de conhecimento do Fisco, que sabia dos tributos recolhidos e dos dados cadastrais a ele informados pela ELAN. Anoto, nesse ponto, por relevante, que este entendimento reflete mera requalificação jurídica de um dos fundamentos da decisão recorrida, haja vista que a inexistência de simulação não desnatura a constatação do abuso de direito revelado pelo conjunto de circunstâncias fáticas (indícios) apontadas pela Autoridade lançadora. A qualificação jurídica estipulada na decisão de piso não vincula o julgador de 2ª instância, ao qual cabe enquadrar os fatos no instituto jurídico que entender condizente com a resolução da controvérsia. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 254 16 Na espécie, não se trata de invocação de fatos novos na instância recursal, mas de mera requalificação jurídica de um dos fundamentos expostos na decisão recorrida (simulação), coerente com os fatos descritos no Termo de Constatação Fiscal e na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (abuso de direito). 12. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS FEDERAIS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA COM OS RENDIMENTOS TRANSFERIDOS PARA A PESSOA FÍSICA DO RECORRENTE Na peça impugnatória o Recorrente pleiteou a compensação dos tributos pagos pela empresa ELAN (fl. 132) nos anoscalendário 2001 e 2002. A decisão recorrida, no entanto, refutou o pedido sob o fundamento de que “não cabe a compensação de tributos recolhidos pela empresa com imposto apurado no procedimento fiscal na pessoa física de um dos sócios em virtude da imiscibilidade de personalidades”. Na peça recursal, o Interessado não se manifestou sobre o assunto. Nada obstante, por ter havido transferência de receita da pessoa jurídica à pessoa física, revestindo a natureza jurídica de rendimentos tributáveis, face à declaração de ineficácia de atos ou negócios celebrados em nome daquela, entendo que os valores de tributos federais recolhidos devem ser compensados com o imposto apurado neste Auto de Infração, antes da inclusão dos acréscimos legais. Por óbvio, a compensação deve ser precedida da confirmação de que os valores elencados em fl. 132 foram efetivamente recolhidos. 13. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DA EMPRESA ELAN Verificase, nas declarações de ajuste anual do contribuinte, exercícios 2002 (fl. 10) e 2003 (fl. 15), que o Recorrente declarou rendimentos tributáveis percebidos da ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA nos montantes, respectivamente, de R$ 4.146,00 e R$ 4.640,00, totalizando R$ 8.786,00. Assim, tais valores estão contidos nos rendimentos considerados no lançamento, devendo ser excluídos da tributação sob pena de bis in idem, prática vedada em nosso ordenamento. 14. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a quantia de R$ 8.786,00, bem como para se admitir a compensação dos tributos comprovadamente recolhidos em nome da pessoa jurídica ELAN REPRESENTAÇÕES ESPORTIVAS LTDA nos anoscalendário 2001/2002, antes da inclusão dos acréscimos legais. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18471.001084/200611 Acórdão n.º 2801002.733 S2TE01 Fl. 255 17 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 19515.004297/2003-61
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Período de apuração. 19/06/1998 a 18/06/2003
NULIDADE. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA.
O erro ou a deficiência no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando restar comprovada a não ocorrência da preterição do direito de defesa, dada a descrição dos fatos contida no auto de infração e as alegações apresentadas na defesa.
IRRF. CONTRATO DE OPERAÇÃO DE CRÉDITO NO EXTERIOR.
REDUÇÃO DO TRIBUTO. ART. 90, § 1° DO DECRETO-LEI N°1.351/74.
A competência para "determinar o percentual de redução do imposto ou o do beneficio pecuniário, os prazos em que se aplicam, bem como quais as modalidades de financiamentos e empréstimos, respectivos prazos e categorias de tomadores alcançados" era do Conselho Monetário Nacional, nos termos do disposto no art. 90, § 1º do Decreto-lei n° 1.351/74. Por este motivo, a Circular Bacen n° 2.661/96 extrapolou da competência daquele
órgão ao condicionar a fruição da redução de 100% da aliquota ao prazo médio de amortização do capital estrangeiro em 96 meses.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2102-000.350
Decisão: DECISÃO: por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade do lançamento por ausência de base legal para a exigência, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura (relatora) e Rubens Maurício Carvalho. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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Recorrida 6' TUR1V1A/DRJ-SÃO PAULO/SP II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração. 19/06/1998 a 18/06/2003 NULIDADE. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. O erro ou a deficiência no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando restar comprovada a não ocorrência da preterição do direito de defesa, dada a descrição dos fatos contida no auto de infração e as alegações apresentadas na defesa. IRRF. CONTRATO DE OPERAÇÃO DE CRÉDITO NO EXTERIOR. REDUÇÃO DO TRIBUTO. ART. 90, § 1° DO DECRETO-LEI N°1.351/74. A competência para "determinar o percentual de redução do imposto ou o do beneficio pecuniário, os prazos em que se aplicam, bem como quais as modalidades de financiamentos e empréstimos, respectivos prazos e categorias de tomadores alcançados" era do Conselho Monetário Nacional, nos termos do disposto no art. 90, § 1 0 do Decreto-lei n° 1.351/74. Por este motivo, a Circular Bacen n° 2.661/96 extrapolou da competência daquele órgão ao condicionar a fruição da redução de 100% da aliquota ao prazo médio de amortização do capital estrangeiro em 96 meses. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por maitria de votos, em ACOLHER a preliminar de nulidade do lançamento por ausência de base legal para a exigência. Vencidos os Conselheiros Nióbia Matos Moura (Relatora) e Rubens Mauricio Carvalho. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti 42,,„g • j ..... -;" / 10VA,NN I GHRISTIM nINL2S C.AMPOS – Pres . - • - 7O(2 4U&/-PY )8, ERRAM(58/ eiBERTA DE AZEREDO FEIRA FACE TI – Redatora designada / EDITADO EM: 15/0472010 ( / Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros: Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Marcelo Magalhães Peixoto (Suplente convocado). Relatório BWU Video Ltda, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeiro Jau, prolatada pelos Membros da 7' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP I, mediante Acórdão DRESPOI n° 16-11.678, de 23/11/2006, fls. 205/214, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls 223/237. Mediante Auto de Infração, fls. 123/130, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor total de R$ 5.572.049,06, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2003. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 115/120, foi falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. A contribuinte captou no __ exterior empréstimo, em 24/12/1996, no valor de_USS 30000.000,00, que foi amortizado em prazo médio ponderado inferior a 96 meses, ou seja, 46 meses, sem a devida retenção e recolhimento do imposto dendincfclente7sobre o pagamento-dos-juros — — — — _ Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 133/139, que se encontra assim resumida no Acórdão recorrido: 12.1. Pugna pelo reconhecimento do erro na capitulação legal da infração, visto que o art. r da Lei n°9.481/1997 não pode ser aplicado aos contratos em vigor em 31/12/1996. 12.2. Ademais, as Resoluções do Conselho Monetário Nacional n` 644/1980 e n° 1.853/1991, aplicáveis ao contrato ora analisado pela fiscalização, não fixam qualquer prazo para • amortização das operações em exame, bastando, para o gozo da redução de aliquota do 112J2f' para zero, que o mutuário adote um dos instrumentos de captação de recursos indicados. Desta feita, entende ter respeitado as exigências da legislação tributária, visto que optou pela colocação dos chamados "Fixed Rate Notes". 12.3. Por fim, alega que não realizou apenas uma operação de empréstimo, mas sim, várias delas, mediante colocação de não apenas uma, mas várias FR1V. Assim, ao contrário do que afirma trith° Processo n° 19515.004297/2003-61 SZ-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.350 E. 277 a autoridade fiscal, a impugnante não amortizou parcialmente uma única divida mas recomprou uma determinada quantidade • dos títulos colocados junto a terceiros, extinguindo integralmente a obrigação neles consignada, sem prejuízo dos demais títulos, que continuam em poder dos investidores. 12.4 Adiante, assevera que recolheu indevidamente o IRRF assinalado pela fiscalização. 12.5. Requer, com base no que foi exposto, a anulação do auto de infração. Pede a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial, a documental e a realização de diligência. A DRJ São Paulo/SP 1 julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento e os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados na seguinte ementa: •JUROS AUFERIDOS NO PAIS POR RESIDENTES NO EXTERIOR. ISENÇÃO CONDICIONADA À AMORTIZAÇÃO NO PRAZO MÉDIO MINIMO DE 96 MESES. Estando o beneficio fiscal condicionado a que o prazo médio de amortização corresponda a, no mínimo, 96 meses, cada amortização de capital ocorrida em operação de empréstimo representada por "Fixed Rate Notes" deve ter o prazo de permanência do capital em solo pátrio ponderada para a obtenção do prazo médio de amortização daquela operação. Portanto, quando não é observado o prazo médio mínimo estabelecido, há que efetuar a cobrança do IRRE. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/05/2007, Aviso de Recebimento — AR, fls. 215, a contribuinte apresentou, em 06/06/2007, Recurso Voluntário, fls. 223/237, no qual reproduz e reforça as alegações e argumentos da impugnação, acrescentado o que se segue: Decadência — A recorrente foi notificada do Auto de Infração em 21/11/2003, ou seja, quando transcorridos cinco anos do termo fatal para o lançamento dos valores pretensamente exigidos no período de junho a outubro de 1998. Das normas aplicáveis ao caso dos autos — Dado que o empréstimo foi contraído em dezembro de 1996 as nomias aplicáveis ao caso são as Resoluções ds. 644 e 1.853, de 22 de outubro de 1980. A Circular do Banco Central do Brasil (Bacen) n° 2.661, de 8 de fevereiro de 1996, que estabeleceu o prazo mínimo de 96 meses para a fruição do beneficio de aliquota zero para o cálculo do IRRF sobre juros remetidos ao exterior não tem validade, pois a competência para legislar sobre o assunto era do Conselho Monetário Nacional (CMN) e não do Bacen. Considerando inexistir narina editada pelo CMN que condicionasse o gozo do beneficio da aliquota zero do IRRF sobre juros remetidos ao exterior em razão dos contratos de colocação de Fixed Rates Notes (FRN), incabível a aplicação das restrições previstas em qualquer Circular do Bacen até o advento da Lei n°9.430, de 1996. 3 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira NUBIA MATOS MOURA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A contribuinte suscita no recurso a nulidade do lançamento alegando que houve erro na capitulação da infração. Nesse sentido afirma que a operação de crédito externo foi contratada em 1996, de modo que o inciso IX do art. 1° da Lei 1109.481, de 13 de agosto de 1997, dispositivo mencionado pela autoridade fiscal no enquadramento da infração, não se aplica ao caso, conforme disposto no art. 2° da mesma Lei.' É bem verdade que o inciso IX do art. 1° da Lei n° 9.481, de 1997, não se aplica ao caso em concreto, entretanto, aos contratos celebrados em 1996 aplica-se a legislação - vigente à época, a saber: Decreto-lei n° L351, de 24 de outubro de 1974; Decreto-lei n° 1.411, de 31 de julho de 1975 e Circular Bacen n° 2.661, de 8 de fevereiro de 1996, que foram devidamente mencionadas no Termo de Verificação Fiscal. Decreto-lei n°1.351, de 1974 Árt. 9° Atendendo ao interesse da política financeira e cambial, o Conselho Monetário Nacional poderá reduzir o imposto de renda incidente sobre juros, comissões, despesas e descontos remetidos, creditados, pagos ou entregues a residentes ou domiciliados no exterior ou, alternativamente, conceder beneficias pecuniários em favor de /amadores de financiamentos externos para importação e de empréstimos em moeda estrangeira, estabelecidos no pais. (Redação dada pelo Decreto- lei n°1.411, de 1975) 1° Competirá ao Conselho Monetário Nacional determinar o percentual da redução do imposto ou o do beneficio pecuniário, os prazos em que se aplicam, beni como quais as modalidades de ,financiamentos e empréstimos, respectivos prazos e categorias de 'ornadores alcançados. (Incluído pelo Decreto-lei n°1.411, de 1975) Circular Bacen n°2.661, de 1996 A Diretoria do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 08.02.96, com base no disposto no art. 9° da Lei n° 4.595, de 31.12.64, e tendo em vista as disposições da Lei n° 4.131, de •03.09.62, modificada pela lei n' 4.390, de 29.08.64, Art. 1° Relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1997, a aliquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Alterado pela Lei n°9.532, de 10.12.97) XI - juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior c destinados ao financiamento de exportações. Art. 2° Aos contratos em vigor em 31 de dezembro de 1996, relativos às operações relacionadas no artigo anterior, aplica-se o tratamento tributário da legislação vigente àquela data. 4 Processo n° 19515.004297/2003-61 S2-C1T2 Acórdão /I.° 2102-00.350 Fl. 278 regulamentadas pelo Decreto n 55.762, de 17.02.65, e das Resoluções n' 63, de 21.08.67, 77° 64, de 23.08.67, n' 125, de 12.09.69, n' 644, de 22.10.80, e ;C 1.853, de 31.07.91, DECIDIU: Art. 2' O prazo médio de amortização das operações de empréstimos externos mediante lançamento de titulas no exterior, regulamentadas pela Circular n° 1.384, de 23.11,93, para fins de redução do imposto de renda incidente sobre as remessas de juros, comissões e despesas é, no mínimo, de 96 (noventa e sels1 mesel. . (grifei) E mais, das alegações suscitadas pela defesa na impugnação e no recurso infere-se que a contribuinte tem pleno conhecimento da infração apurada pela autoridade fiscal, de sorte que se conclui pela não-ocorrência de preterição do direito de defesa da contribuinte e, por conseqüência, pelo afastamento da preliminar de nulidade argüida. A recorrente suscita, também a validade da Circular Bacen n° 2.661, de 1996, que estabeleceu o prazo mínimo de 96 meses para a fruição do beneficio de aliquota zero para o cálculo do IRRF sobre juros remetidos ao exterior. Afirma que a competência para legislar sobre o assunto era do Conselho Monetário Nacional (CMN) e não do Bacen. De pronto, importa esclarecer que a autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve limitar-se à aplicação das normas, sem emitir qualquer juizo de valor acerca da legalidade das mesmas. • O Principio da Legalidade, previsto no artigo 37 da Constituição Federal, exige que o agente público fique inteiramente preso ao enunciado do dispositivo legal, não podendo dele se afastar, sob pena de violação ao próprio texto da Carta Magna. Portanto, não obstante o que a defesa traz em seu recurso, ressalte-se, mais uma vez, os estreitos limites a que se encontra adstrito o julgador administrativo na apreciação da matéria em tela, razão pela qual não será feito aqui exame da legalidade da Circular Bacen n° 2.661, de 1996. Deve-se, ainda, examinar a argüição, suscitada pela defesa, de decadência do crédito tributário, correspondente aos fatos geradores ocorridos no período de junho a outubro de 1998, na data do lançamento. Registre-se, de plano, que a regra de incidência de cada tributo é que vai definir a sistemática de seu lançamento, com reflexo, naturalmente, na contagem do prazo decadencial estipulado na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Nesse sentido, para efeito de contagem desse prazo, os tributos, de modo geral, submetem-se ou ao prazo de 05 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I), ou ao mesmo prazo de 05 (cinco) anos, desta feita a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 40 do mesmo Código, o qual consagra o prazo decadencial para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. 479 5 Embora o prazo decadencial do Imposto de Renda atrele-se, regra geral, ao prazo de 05 (cinco) anos estabelecido pelo art. 173, inciso I do CTN; vem-se assentando na jurisprudência administrativa que o referido tributo subsume-se, também, em determinados casos ao lançamento por homologação, desde que atendidos os requisitos do art. 150, § 4° do CTN. No meu entendimento, que difere da jurisprudência majoritária, considero que os requisitos do art. 150, § 40 do CTN são atendidos na medida que o tributo amolde-se à sistemática de lançamento por homologação e, o contribuinte, também, tenha efetuado o pagamento antecipado do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim, pode-se concluir que o prazo decadencial do Imposto sobre a Renda deve ser contado da seguinte forma: (i) ocorrido o pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4 0 do art. 150 do CTN; (ii) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve-se aplicar o disposto no inciso Ido art. 173, do CTN; No caso em tela, cuida-se de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, de modo que a tributação é definitiva, ou seja, exclusiva de fonte e amolda-se perfeitamente a sistemática do lançamento por homologação. Do Termo de Verificação Fiscal infere-se que a contribuinte, relativamente à operação que deu causa ao lançamento, recolheu parcialmente o imposto devido, conforme Darf, fls. 31, nos valores de R$ 699.125,06 e R$ 24.482,70, cujas datas de pagamento foram 23/11/1998 e 10/02/1999, respectivamente. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4° do art. 150 do CTN. O lançamento foi cientificado à contribuinte em 21/11/2003, Es. 128, de sorte que os TatUs geradores-ocorridos em-19/06/1998-e 16109/1998 já se encontravam alcançados pela decadência na data do lançamento. Nestes termos, acata-se a preliminar de decadência suscitada pela defesa, relativamente aos fatos gerados ocorridos em 19/06/1998 e 16/0911998. Por fim, a recorrente afirma que não realizou apenas uma operação de empréstimo ; mas sim, várias delas, mediante colocação de várias Fixed Rate Notes - FRN. Esclarece, ainda, que recomprou uma determinada quantidade dos títulos colocados junto a terceiros, extinguindo integralmente a obrigação neles consignada, sem prejuízo dos demais títulos, que continuam em poder dos investidores. A prevalecer a alegação suscitada pela defesa teHamos a seguinte implicação: o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os juros recebidos por residentes no exterior, seria proporcional aos juros correspondentes as FRN antecipadamente amortizadas e não sobre a totalidade dos juros remetidos ao exterior, conforme exigido no presente lançamento. Tal fato ocorreria em virtude de os juros serem devidos semestralmente. Vê-se, portanto, que a lide reside sobre o conceito de prazo médio de amortização aplicável às operações de empréstimos, com captação de recursos no mercado ,JIÀS/% Processo d 19515.004297/2003-61 52-C1T2 Acórdão n." 2102-00.350 Fl. 279 externo mediante emissão de FRN, para fins de fruição do beneficio fiscal, que consiste em aliquota zero de imposto de renda sobre os juros recebidos pelos residentes no exterior. A operação de empréstimo, que deu causa ao lançamento, foi devidamente registrada no Banco Central do Brasil, conforme Certificado de Registro n° 241/33464, fls. 58/61, e o pagamento do principal está previsto para ocorrer dentro de 8 anos, ou seja, 96 meses. Contratado o empréstimo, em principio os pagamentos alusivos aos juros, comissões, despesas e descontos decorrentes da colocação dos títulos fariam jus à aliquota favorecida de zero por cento do imposto de renda, porque materializada a hipótese contemplada na Circular Bacen n° 2.661, de 1996, qual seja, permanência no Brasil dos recursos capitalizados pelo prazo mínimo de 96 meses. A razão da polêmica é que, em função do exercício da opção cal! (antecipação de vencimento do principal pelo devedor) a recorrente amortizou parcialmente a operação. Para a autoridade fiscal, as amortizações parciais, por envolver quitação do principal, reduziram o prazo médio de amortização para menos de 96 meses, subtraindo assim o direito à isenção (aliquota zero) sobre o valor integral da operação. Já a recorrente entende que a mera ocorrência da opção call parcial não é fato suficiente para que se exija o IRRF incidente sobre a totalidade das remessas de juros ao exterior, mas tão-somente sobre um valor proporcional aos valores liquidados. Ressalte-se que cm razão de tal entendimento a recorrente recolheu o IRRF sobre os juros proporcionais às parcelas antecipadas. A questão a ser respondida, portanto, é se a operação deve ser tratada de forma integral para fins tributários, como entende a autoridade fiscal, ou se pode uma única operação de crédito receber dois tratamentos diversos, sendo um para a parte dos juros correspondente ao capital amortizado e outro para a parte dos juros correspondente ao capital ainda em aberto, como defende a contribuinte. Trata-se, sem dúvida, de situação regida pelo art. 111 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: 1— suspensão ou exclusão do crédito tributário; II— outorga de isenção; Como se vê, tratando-se de beneficio fiscal — aliquota zero — que implica isenção de imposto, deve se dar à lei interpretação literal. Por essa razão, não se pode perder de vista a ênfase que o legislador deu à condição: O prazo médio de amortização das operações de empréstimos externos (..,) é, no mínimo, de 96 (noventa e seis) meses. Ora, é inequívoco que a intenção do legislador foi a manutenção de divisas no Pais, incentivando o capital de longo prazo em detrimento do capital puramente especulativo, por ser este sujeito a um maior grau de volatilidade. Entretanto, está claro também que a intenção do legislador foi premiar com a dispensa do tributo tão-somente aquelas operações que, consideradas em seu todo, tenham prazo médio de peimanência do capital em solo pátrio superior a 96 meses. O legislador, ciente da praxe de se inserir nos contratos de empréstimos externos cláusulas put-option e call-option, cujo exercício tem o efeito de antecipar o termo 42,p 7 originahnente aprazado para a liquidação do capital, condicionou à fruição do beneficio fiscal a necessidade de que o prazo médio de amortização fosse de 96 meses. Com efeito, caso a intenção do legislador fosse de se referir a urna operação específica, desnecessário seria falar em prazo médio de amortização, dado que a liquidação necessariamente ocorreria em um nine° pagamento. Ora, se fosse para considerar isoladamente cada FRA; com vistas a constatar se a amortização ocorreu antes ou depois de 96 meses, com certeza o legislador não teria utilizado' a expressão "prazo médio", por totalmente desnecessário e ilógico. Se a norma reportou-se de forma expressa a prazo médio de amortização, é porque considerou a hipótese de uma mesma operação ter seu capital liquidado em, no mínimo, duas oportunidades distintas, de sorte a ser possível, cotejando as datas respectivas, estabelecer entre elas um prazo médio a ser considerado para fins de fruição do beneficio fiscal, devendo esse prazo médio corresponder, no mínimo, a 96 meses. A toda evidência, a argumentação da recorrente é insubsistente porque, ao considerar de fonna isolada cada uma das FRN, não se compatibiliza com o conceito de prazo médio, que se refere ao conjunto das FRN lançadas no mercado externo, em razão de o empréstimo, tomado no exterior, no valor total de US$ 30.000.000,00, devidamente registrado no Banco Central do Brasil. Forçoso, portanto, reconhecer que o lançamento procede porque, ao se cotejar as diversas amortizações, conforme demonstrado- no Termo de Verificação Fiscal, o prazo médio de amortização da operação é inferior àquele necessário para o gozo da afiquota zero. Ante o exposto, voto por acolher a preliminar de decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 19/06/1998 e 16/09/1998, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. _ ({)fre •-NÉTBIA MATOS MOURA, Relatora a Processo n° 19515.004297/2003-61 S2-C/ T2 Acórdão n.° 2102-00350 Fl. 280 Voto Vencedor Conselheira ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Em que pese o brilhantismo do voto proferido pela Ilma. Conselheira Relatora, e o profundo respeito que tenho por ela, tomo a liberdade discordar de seu entendimento acerca da validade da Circular Bacen n°2661, de 1996. Esta questão suscitada pela Recorrete pode ser bem resumida através do seguinte trecho, extraido do voto vencido: A contribuinte suscita no recurso a nulidade do lançamento alegando que houve erro na capitulação da infração. Nesse - sentido afirma que a operação de crédito externo foi contratada em 1996, de modo que o inciso Islr do art. É da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, dispositivo mencionado pela autoridade fiscal no enquadramento da infração, não se aplica ao caso, conforme disposto no art. 2° da mesma Lei. A Recorrente suscitou a nulidade do lançamento ao entendimento de que o enquadramento legal constante do Auto de Infração não seria aplicável à hipótese, já que os contratos que ensejaram a exigência do IRRF e questão foram celebrados em 1996, quando o fundamento legal da infração era uma nonna de 1997. De acordo como entendimento da Relatora, porém, esta falha do Auto de Infração, não implicaria na nulidade do lançamento, já que outras normas (vigentes em 1996) dispunham de forma idêntica à nonna que fundamentou o lançamento. Eis o seu entendimento, verbis: É bem verdade que o inciso IX do art. I° da Lei n° 9.481, de 1997, não se aplica ao caso em concreto, entretanto, aos contratos celebrados em 1996 aplica-se a legislação vigente à época, a saber: Decreto-lei n°1351, de 24 de outubro de 1974; Decreto-lei n° 1.411, de 31 de julho de 1975 e Circular Bacen 7Iü 2.661, de 8 de fevereiro de 1996, que foram devidamente mencionadas no Termo de Verificação Fiscal. De fato, estas ncamas contêm previsão de exigência idêntica àquela que ensejou a lavratura do Auto de Infração aqui em análise. Porém, corno bem salientado pela própria Recorrente, até o ano de 1997 a exigência em questão não decorria de lei, mas sim de ato do Banco Central do Brasil, o qual, de acordo com sua defesa, teria extrapolado sua competência. Esta questão, porém, foi rechaçada pelo voto vencido, ao entendimento de que: A recorrente suscita, também a validade da Circular Bacen n" 2.661 de -1996, que estabeleceu o prazo mínimo de 96 meses para a fruição do beneficio de aliquota zero para o cálculo do IRRF sobre juros remetidos ao exterior. Mima que a 9 competência para legislar sobre o assunto era do Conselho Monetário Racional (CMA9 e não do Bacen. De pronto, importa esclarecer que a autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve limitar-se á aplicação das normas, sem emitir qualquer juizo de valor acerca da legalidade das mesmas. O Principio da Legalidade, previsto no artigo 37 da Constituição Federal exige que o agente público fique inteiramente preso ao enunciado do dispositivo legal, não podendo dele se afastar, sob pena de violação ao próprio texto da Carta Magna. Portanto, não obstante o que a defesa traz em seu recurso, ressalte-se, mais urna vez, os estreitos limites a que se encontra adstrito o julgador administrativo na apreciação da matéria em tela, razão pela qual Mio será feito aqui exame da legalidade da Circular Bacen n° 2.661, de 1996. Com efeito, correto o entendimento de que o julgador administrativo está restrito à aplicação das leis em julgamentos como este. A matéria, aliás, já foi objeto de Sumula pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Sumula n° 2). Porém, este entendimento trata da aplicação de leis propriamente ditas, o que não se aplica quando se trata de normas hierarquicamente inferiores (como Circulares, Instruções Normativas ou portarias), as quais impliquem em violação à lei ordinária. Este entendimento é bem esposado através do seguinte julgado: CORRETORAS DE SEGURO — CIRCULAR SUSEP — - LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA -aS- regras estabelecidas pela Superintendência de Seguros Privados, que colidam com a legislação tributária, -deverão -ser- afastadas_ prevalecendo esta em relação àquelas. (Ac.n° 101-95.368, Rel. Cons. Caio Marcos Candido, julgado em 23.01.2006) Assim, a despeito de não caber a este órgão julgador a análise de eventual inconstitucionalidade de lei, cabe a ele a análise de eventual ilegalidade decorrente de ato que colida com disposição de lei tributária. Por isso deve ser analisada aqui a alegação da Recorrente no sentido de que a Circular do Banco Central que estipulou o prazo mínimo de 96 meses para a fruição do beneficio de aliquota zero para o cálculo do IRRF sobre juros remetidos ao exterior extrapolou a competência daquele órgão para tanto. Com efeito, o Decreto-lei n° 1.351, de 24 de outubro de 1974 assim dispunha: . 2 io Processo n° 19515.004297/2003-61 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.350 Fl. 28 I Art, 9°. Atendendo ao interesse da política financeira e cambial, o Conselho Monetário Nacional poderá reduzir o imposto de renda incidente sobre juros, comissões, despesas e descontos remetidos, creditados, pagos ou entregues a residentes ou domiciliados no exterior ou, alternativamente, conceder benefícios pecuniários em favor de tomadores de financiamentos • externos para importação e de empréstimos de moeda entrangeira, estabelecidos no pais. ,8 1° Competirá ao Conselho Monetário Nacional determinar o percentual de redução do imposto ou o do beneficio pecuniário, os prazos em que se aplicam, bem como quais as modalidades de financiamentos e empréstimos, respectivos prazos e categorias de tomadores alcançados. (.) (sem destaques no original) Com base nesta delegação, o Conselho Monetário Nacional editou a Resolução n°644, de 1980, por meio da qual decidiu: 1 - Reduzir em 100% (cem por cento) o valor do imposto de renda que incida sobre remessa de juros, comissões e despesas decorrentes de colocações no exterior ., previamente autorizadas pelo Banco Central, de títulos de crédito internacionalmente , conhecidos como "commercial papers", Desta Resolução fica claro que não há nenhuma condição imposta à referida redução de aliquota. Porém, o Banco Central do Brasil elaborou as Cartas Circulares if 2.747/92, 2.269/92, 2.372/93 e 2.546/95, e 2,661, de 8 de fevereiro de 1996. Esta última, que nos interessa no caso vertente, assim dispunha: • Árt. 2° O prazo médio de amortização das operações de empréstimos externos mediante lançamento de títulos no exterior, regulamentadas pela Circular n° 2,384, de 23.11.93, para fins de redução do imposto de renda incidente sobre as remessas de juros, comissões e despesas é, no mínimo, de 96 (noventa e seis) meses. Art. 3° O prazo estabelecido no artigo precedente, para fins de redução do imposto de renda incidente sobre as remessas de juros, comissões e despesas; também se aplica às operações de empréstimos externos mediante lançamento de "commercial paper", (-) Decorre dai que as condições para o beneficio da aliquota zero em questão foram realmente impostas pelo Banco Centra), quando o mesmo não tinha competência para fazê-lo, já que, nos termos do disposto no Decreto-lei n° 1.351/74, tal competência era do Conselho Monetário Nacional. Qfl Há que se ressaltar que a matéria já foi apreciada pelo Eg. SIT, oportunidade em que os membros da C. ia Turma daquela Corte: decidiram pela ilegalidade da referida Circular, ao entendimento de que o Banco Central não teria competência para impor urna restrição não contida em lei (limitar a fruição do beneficio da aliquota zero aos contratos cujo prazo fosse inferior a 96 meses). Do voto proferido pelo Exmo. Sr. Ministro Francisco Falcão (relator) por ocasião do julgamento do REsp n° 687.195 é possível extrair os seguintes trechos: Ocorre que o art. 9' do Decreto-Lei )2° 1.351/74, com a redação alterada pelos Decretos-Leis n's 1.411/75 e 1.725/79, atribuiu competência ao Conselho Monetário Nacional para determinar o percentual da redução do referido tributo, em hipóteses de remessas ao exterior semelhantes à presente. • Encontra-se aqui o cerne da controvérsia a ser, finalmente, dirimida por esta Corte. É que o Conselho Monetário Nacional editou a Resolução n° 644, de 22.10.1980, no sentido de: "1 - Reduzir em 100% (cem por cento) a valor do imposto de renda que incida sobre remessa de juros, comissões e despesas decorrentes de colocações no exterior, previamente autorizadas pelo Banco Central, de títulos de credito internacionalmente conhecidos como "commercial papers" Posteriormente, o Conselho Monetário Nacional, por assim dizer, subclelegou a competencia a si outorgada pelo aludido art. 9° do Decreto-Lei n°1351/74, ao Banco Central do Brasil, que veio- a elaborar as Cartas Circulares n's 2.747/92, 2.269;92, _ 2.372/93 e 2.546/95. Estas Cartas-Circulares, em resumo, disciplinaram as condições - para que as empresas, como a Impetrante, pudessem usufruir do beneficio da redução do Imposto de Renda. In casu, a Carta- Circular n°2.372/93 impôs orientação condicional no sentido de que somente haveria redução do Imposto de Renda, previsto na Resolução n" 644/80 do Conselho Monetário Nacional, se houvesse período médio de amortização do capital estrangeiro por 96 (noventa e seis) meses. Feitas essas considerações, a meu ver, e data maxixna venia, dos entendimentos contrários, o v. Acórdão recorrido não está a merecer reparos. Dentro de sua atribuição, como antes transcrito, o Conselho Monetário Nacional elaborou a Resolução n°644/80, reduzindo em 100% (cem por cento) o valor do imposto incidente sobre a remessa de juros ao exterior Nesse contexto, concessa venia, não poderia o Chefe do Departamento de Capitais Estrangeiros do Banco Central, 12 Processo n" 19515.004297/2003-61 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.350 Fl. 282 sponte sua, baixar a referida Cana-Circular n" 2.372/93 condicionando a fruição do beneficio ao prazo médio de amortização do capital estrangeiro em 96 (noventa e seis) meses. Isto em razão de faltar-lhe competência para tanto. De fato, corno visto no dispositivo retromencionado, compete também ao Conselho Monetário Nacional definir "os prazos em que se aplicam" o "percentual de redução do imposto ou o do beneficio pecuniário" . E o Conselho Monetário Nacional é composto, segundo informações do site oficial do Ministério da Fazenda: pelos Ministros de Estado da Fazenda (que é o seu presidente), e do Planejamento e Orçamento, e também pelo Presidente do Banco Central do Brasil. As deliberações voltadas para as situações descritas nestes autos, notadamente a remessa de juros ao exterior para o pagamento de títulos comerciais lançados pela ora Recorrida, deveriam ter sido tomadas pelo Colegiado que forma o Conselho Monetário Nacional, e não isoladamente pelo Chefe do Departamento de Capitais Estrangeiros do Banco Central, posto que, revela-se inviável a subdelegação de competência peremptoriamente outorgada por Decreto-Lei que, à semelhança da Medida Provisória, era atribuição exclusiva do Sr. Presidente da República. A contrario sensu, haverá afronta indireta ao princípio da legalidade. Em outras palavras, não me parece viável um ato administrativo isolado usurpar competência - entendida esta como parcela de poder - que pertence a um Órgão Colegiado, a ele conferida por disposição legal e de atribuição exclusiva. Diante das considerações acima, e do entendimento do Eg. STJ a respeito da matéria. VOTO rio sentido de DAR provimento ao Recurso. 4 czu4., ROBERTA DE AZECREDO FERREIRA PA ETTI — Redatora designada 13
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Numero do processo: 12709.000428/2005-87
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 10/08/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O auto de infração não contém nulidade, uma vez que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (em virtude de depósitos) somente ocorreu após o início da ação fiscal, que já começara no registro da Declaração de Importação (com a exclusão da espontaneidade da recorrente) e teve seqüência com a interrupção do despacho aduaneiro e a respectiva solicitação de laudo técnico.
CONCOMITÂNCIA PARCIAL DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.
A matéria classificação fiscal da mercadoria importada não pode ser apreciada no âmbito administrativo, uma vez que há processo judicial em que se discute a mesma matéria. Sabe-se que no Brasil vige o principio da unicidade de jurisdição, onde o Poder Judiciário tem a prerrogativa da última palavra, em termos de coisa julgada, o que retira a competência desta Câmara para julgar o mérito do presente feito, sendo o caso de julgamento parcial - da preliminar - e sustação do feito administrativo até a decisão definitiva da ação judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-00.236
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e não se tomar conhecimento do recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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Recorrida DRJ-Florianópolis/SC ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/08/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O auto de infração não contém nulidade, uma vez que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (em virtude de depósitos) somente ocorreu após o início da ação fiscal, que já começara no registro da Declaração de Importação (com a exclusão da espontaneidade da recorrente) e teve seqüência com a interrupção do despacho aduaneiro e a respectiva solicitação de laudo técnico. CONCOMITÂNCIA PARCIAL DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. A matéria classificação fiscal da mercadoria importada não pode ser apreciada no âmbito administrativo, uma vez que há processo judicial em que se discute a mesma matéria. Sabe-se que no Brasil vige o principio da unicidade de jurisdição, onde o Poder Judiciário tem a prerrogativa da última palavra, em termos de coisa julgada, o que retira a competência desta Câmara para julgar o mérito do presente feito, sendo o caso de julgamento parcial - da preliminar - e sustação do feito administrativo até a decisão definitiva da ação judicial. RecursoVoluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e não se tomar conhecimento do recurso voluntário. (S2./1-C\USUN-15--N IMCIA HELENA AJAO DAMORIM - Presidente Processo n° 12709.000428/2005-87 1 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.236 Fl. 255 / CORINTHO OLIVEI A 03‘ ADO - Relator EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram, ainda, do presen4 julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o quanto relatado pelo órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 01 a 06, 09 a 12 e 15 a 18 por meio dos quais são feitas as exigências de: fls. 01 a 06 1- R$ 36.341,93 (trinta e seis mil trezentos e quarenta e um reais e noventa e três centavos) de Imposto de Importação (II), previsto nos arts. JQ e 2, do Decreto-lei te 37 de 18/11/1966 - DOU 21/11/1966; 2- R$ 27.256,45 (vinte e sete mil duzentos e cinqüenta e seis reais e quarenta e cinco centavos) de multa de lançamento de oficio do II, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, I da Lei n 9.430 de 27/12/1996 — DOU 30/12/1996; fls. 09 a 12 3- R$ 145,05 (cento e quarenta e cinco reais e cinco centavos) de Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços - PIS/PASEP- hnportação, instituída pelo art. 1', da Lei 7/2 10.865 de 30/04/2004 - DOU 30/04/2004 - ed. extra, com detalhamentos em outros artigos dessa mesma Lei; 4- R$ 108,79 (cento e oito reais e setenta e nove centavos) de multa de lançamento de oficio do PIS, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, Ida Lei n 9.430 de 27/12/1996 — DOU 30/12/1996; fls. 15 a 18 5- R$ 668,09 (seiscentos e sessenta e oito reais e nove centavos) de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade' 2 Processo n° 12709.000428/2005-87 S3-C1T2 -Acórdão n.° 3102-00.236 Fl. 256 Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior - COFINS-Importação, instituída pelo art. I', da Lei n' 10.865 de 30/04/2004 - DOU 30/04/2004 - ed. extra, com detalhamentos em outros artigos dessa mesma Lei; 6- R$ 501,07 (quinhentos e um reais e sete centavos) de multa de lançamento de oficio da COFINS, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, Ida Lei nQ 9.430 de 27/12/1996— DOU 30/12/1996. Conforme consta nas Descrições dos Fatos e Enquadramentos Legais de fls. 02/03, 10/11 e 16/17 o motivo das exigências deveu-se aos fatos a seguir descritos: - a autuada declarou na Dl n2 05/0849960-1(fls. 21 a 24), requerendo a aplicação do "ex" 703, uma mercadoria que denominou de: "cortadora transversal rotativa — automática para corte de cartão (papelão) ondulado, com velocidade máxima de corte 200m/min. e largura de 1.900 mm, Marca Jagenberg Germany, modelo Synchro 21, número de série 307.1485, ano 1972, incluindo todo sistema mecânico elétrico e acessórios para montagem"; fiscalização solicitou o laudo técnico rf 32/05 de fl. 36, com resultado às fls. 37 a 43. O importador solicitou, então a retificação da DI, alterando o "ex" tarifário para o número 007, conforme Resolução Camex n g 21, de 22/07/2004. Essa retificação foi indeferida pelo fiscal que entendeu que a máquina em questão não se enquadrava em seus termos; - em 30/08/2005 o importador foi intimado (fl. 35) a retirar o pedido de aplicação "ex" e recolher valores adicionais a titulo de tributos e cominações. Em 01/09/2005 ele ingressou com a ação judicial de fls. 170 a 189 tendo por objeto a manutenção da mercadoria no "ex" por ele pretendido. A liminar foi indeferida. - Em 09/09/2005, o Fisco foi intimado de que a MM juíza da 41 Vara Federal de Curitiba (fl. 46) proferiu a Decisão de fls. 44 a 46 autorizando o peticionário a proceder ao depósito da diferença tributária demandada pelo fisco, para proceder à liberação da mercadoria; - como a importadora procedeu aos depósitos, ou seja, não pagou as exações pretendidas pela autoridade fiscal foram lavrados os autos de infração que ora se discute. Lavrados os autos de infração em tela e intimada a autuada em 31/10/2005 UI. 69) em 29/11/2005 ela ingressou com a impugnação de fls. 107 a 118 pedindo a suspensão da exigibilidade até o julgamento final no Poder Judiciário. Combate, também, as exigências das multas de lançamento de ofício, dos juros e a taxa Selic. A .DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC não conheceu da parte da impugnação cujo objeto foi discutido no Poder Judiciário, resultando na definitividade da exação no âmbito I 3 „ Processo n° 12709.000428/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.236 Fl. 257 administrativo e considerou procedente o lançamento quanto à aplicação das multas de lançamento de oficio e dos juros de mora, ementando a decisão nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/08/2005 AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Quando a ação judicial é interposta, após o registro da DI, ou seja, quando o contribuinte já se encontrava sob os procedimentos de fiscalização é exigível a multa de lançamento de oficio, mesmo nos lançamentos meramente preventivos da decadência. Embora os juros de mora já corram automaticamente sobre as • quantias depositadas administrativa ou judicialmente, não há óbices para que eles sejam indicados no lançamento. TAXA SELIC. EXAME DA ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade julgadora administrativa o afastamento por ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de normas da legislação tributária vigente, a não ser nos casos em que na fase de julgamento elas já houverem sido declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 218 e seguintes, onde argumenta que não poderia ter sido autuada, porquanto já havia providenciado o depósito das exações questionadas, inclusive com depósito complementar, que fez com que a quantia ficasse superior à exigida. Ato seguido, o expediente é encaminhado ao Terceiro Conselho de/ Contribuintes, fl. 252. É o Relatório. 4 Processo n° 12709.000428/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.236 Fl. 258 Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A discussão, em sede recursal, cinge-se ao argumento de que a recorrente não poderia ter sido autuada, porquanto já havia providenciado o depósito das exações questionadas, inclusive com depósito complementar, que fez com que a quantia ficasse superior à exigida. Não há dúvidas, portanto, de que há concomitância entre os processos judicial e administrativo, no que tange à matéria de mérito, devendo a lide cingir-se à preliminar de nulidade do auto de infração. Revendo a cronologia dos fatos, tem-se que: - em 10/08/2005, houve o registro da Declaração de Importação (requerendo a aplicação do "ex" 703) e a exclusão da espontaneidade (art. 7° do Decreto n° 70.235/72); - em 23/08/2005, a fiscalização solicitou laudo técnico, cujo resultado fez com que o importador solicitasse retificação da DI, alterando o "ex" tarifário para o n° 007. Essa retificação foi indeferida, uma vez que a máquina em questão não se enquadrava em seus termos; - em 30/08/2005, o importador foi intimado a retirar o pedido de aplicação "ex" e recolher valores adicionais a titulo de tributos e cominações, fl. 35. - em 01/09/2005, ele ingressou com a ação judicial, tendo por objeto a manutenção da mercadoria no "ex" por ele pretendido e com pedido de liminar. - em 05/09/2005, a liminar foi indeferida, fl. 169. • em 09/09/2005, o Fisco foi intimado de que a MM juiza da 4a Vara Federal de Curitiba proferira Decisão, em 06/09/2005, autorizando o peticionário a proceder ao depósito da diferença tributária demandada pelo fisco, para proceder à liberação da mercadoria. - em 01/11/2005, houve a ciência da intimação, via postal, do auto de infração. Dos fatos cronologicamente narrados, chega-se à conclusão de que, de fato, a ciência do auto de infração deu-se após a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (esta em virtude do depósito), porém, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário somente ocorre após o inicio da ação fiscal, que já começara não apenas com a exclusão da espontaneidade da recorrente (no registro da Declaração de Importação), mas com a interrupção do despacho aduaneiro, em 23/08/2005, e a respectiva solicitação de laudo técnico. Dito isso, não socorre à recorrente o art. 63 da Lei n° 9.430/96, que trata dos autos de infração para prevenir decadência em casos em que a suspensão da exigibilidade do Processo n° 12709.000428/2005-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.236 Fl. 259 crédito tributário ocorre antes da ação fiscal. Cumpre também anotar que há incidência de juros de mora no período que medeia o registro da Declaração de Importação e a efetivação do depósito do montante integral. Nessa moldura, estou por ratificar a decisão de primeiro grau, no sentido de considerar legítimos os lançamentos, porém, não poder discutir o mérito desses, em virtude da propositura de ação judicial. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, e no mérito, não con cer do recurso, por concomitância da matéria classificação fiscal nas esferas do Judiciário e ?lit . trativo. /1 1 CORINTHO g /EIRA MACHADO 6
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Numero do processo: 13855.001423/2003-99
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/04/2003
LEI Nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
O objetivo da Lei nº 9.363/96 é desonerar o PIS/COFINS do produto exportado. O montante referente ao crédito presumido de IPI, consoante a referida lei, não possui natureza jurídica de receita e, portanto, não compõe a base de cálculo da COFINS.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante.
APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF.
Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Esse entendimento é corroborado pelo disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que permite aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação, sob fundamento de inconstitucionalidade, de dispositivo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo- Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/04/2003 LEI Nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O objetivo da Lei nº 9.363/96 é desonerar o PIS/COFINS do produto exportado. O montante referente ao crédito presumido de IPI, consoante a referida lei, não possui natureza jurídica de receita e, portanto, não compõe a base de cálculo da COFINS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Esse entendimento é corroborado pelo disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que permite aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação, sob fundamento de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 14 23 /2 00 3- 99 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 inconstitucionalidade, de dispositivo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 186 a 193) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 176 a 182) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da exação o valor do crédito presumido de IPI. A ementa do referido julgado, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade— Social Cofins Período de apuração: 01/05/1999 a 30/04/2003 Ementa: LEI Nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O objetivo da Lei nº 9.363/96 é desonerar o PIS/Cofins do produto exportado. O montante referente ao crédito presumido de IPI, consoante a referida lei, não possui natureza jurídica de receita e, portanto, não compõe a base de cálculo da Cofins. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13855.001423/200399 Acórdão n.º 9303001.648 CSRFT3 Fl. 234 3 A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal consolidouse no sentido de considerar como base de cálculo das contribuições sociais o valor da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Recurso provido. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, com base em acórdão paradigma, que a receita relativa ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação e contabilizada como receita operacional, deve ser oferecida à tributação pela COFINS. Apontou, outrossim, que apesar do v. acórdão recorrido ter considerado como receita tributável apenas aquilo que decorre da venda de bens ou de bens e serviços, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem entendendo que “receita” para fins de incidência do PIS e da COFINS alcança a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais. O recurso foi admitido através da r. decisão de fls. 216 a 218. Contrarrazões às fls. 222 a 230, propugnandose, em suma, pela manutenção do v. acórdão recorrido pelos seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, mister destacar que o v. acórdão recorrido e o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional tratam de duas questões de direito a serem enfrentadas, a saber: 1) O crédito presumido de IPI deve ser considerado ou não como receita, e, mais especificamente, como receita para fins de incidência da COFINS; e 2) Em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo da COFINS deve ser composta apenas pelas receitas que decorram da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. No tocante ao primeiro fundamento, qual seja, o crédito presumido de IPI ser ou não receita, entendo que a r. decisão recorrida não merece qualquer reparo. Com efeito, o voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Gustavo Kelly Alencar, foi certeiro ao apontar que o crédito presumido de IPI não constitui receita, muito menos receita tributável pela COFINS. Nesse sentido, pedese vênia para destacar os seguintes excertos do voto acima referido, verbis: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Segundo o posicionamento da Fazenda Nacional, o aludido beneficio fiscal se trata de receita e, portanto, deve compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da Cofins. Afirma que, com as alterações determinadas pelos arts. 2 2 e 32 da Lei n2 9.718/98, passouse a adotar uma base universal para efeito de incidência do PIS e da Cofins, abrangendo todas as receitas da empresa, independente da classificação contábil adotada, razão pela qual tornase impenoso concluir pelatributaçãodo crédito presumidodo IPI. O beneficio sub examen, de fato, visa desonerar o produto a ser exportado, tornandoo mais competitivo no mercado externo, com benéficos reflexos na balança comercial. Não bastasse isso, por via do mencionado bonus, incentivase o empresariado nacional à industrialização de produtos no interior do País, o que fomenta o emprego e traz maiores divisas ao mercado interno. O método adotado para se alcançar esse desiderato foi o ressarcimento de tributos pagos a título de PIS e da Cofins nos insumos adquiridos pela empresa exportadora. Por política fiscal, optou—se por fazêlo mediante o creditamento de IPI, através de sistemática apropriada, prevista no art. 2º do mesmo diploma legal. Há que se admitir então que o entendimento da Fazenda entra em choque com a política fiscal aqui mencionada, pois, ao considerar como receita os valores creditados a título de IPI, sob a sistemática da Lei nº 9.363/96, faz com que, ao cabo, incidam os tributos de PIS e de Cofins, ou seja, justamente aqueles que, num primeiro momento, o legislador visou afastar. Posicionamento que não é amigo da lógica. Ora! Desse modo, o resultado final seria a ineficácia ou, no mínimo, a minimização do efeito anteriormente oferecido. Vejamos o art. 3º da IN nº 23, de 13/03/97, que dispõe que o crédito presumido em questão será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido a exportação ou venda para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação. Essa determinação, afeiçoada com o princípio contábil do regime de competência, implica seja, na contabilidade, no mês em que ocorrida a exportação: a) creditado, em contas de resultado [onde se registram as aquisições dos insumos: matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem] o valor do crédito presumido apurado na forma da lei. Tal como se registra o IPI e o ICMS sobre insumos; b) debitado em conta do ativo circulante [IPI a recuperar, por exemplo] o valor do crédito presumido apurado na forma da lei. A ser recuperado efetivamente creditase ou IPI a recolher, se compensado na conta gráfica fiscal, ou a conta Caixa de recebido em espécie. O crédito presumido de IPI, sub examen, não configura receita, mas tributo (PIS e Cofins), embutidos nos insumos pagos, mas recuperáveis sob forma de compensação ou restituição. (grifos e destaques nossos) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13855.001423/200399 Acórdão n.º 9303001.648 CSRFT3 Fl. 235 5 Mais adiante, o Ilustre Conselheiro relator arremata quanto à própria impossibilidade de incidência em face da regra constitucional sobre exportação, verbis: Tratandose de exportações efetivadas em exercícios financeiros cujas demonstrações financeiras já foram levantadas, os registros contábeis são feitos através de ajuste na conta Lucros Acumulados. Necessário enfatizar, ainda, que a política de incentivo fiscal às exportações é determinação de hierarquia constitucional: "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) §2° As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: 1— não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (...)". É de se concluir, pois, que ainda que se tratasse de receita, não poderia incidir sobre exportação por expressa disposição constitucional. (grifos e destaques nossos) Aliás, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também já se consolidou no mesmo sentido, conforme se pode depreender do julgado abaixo: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI (LEI N. 9.363/96). IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte firmou seu entendimento no sentido de que as exações relativas ao PIS e à Cofins não incidem sobre os valores correspondentes ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n. 9.363/96. 2. Precedentes: REsp 1130033/SC, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 16.12.2009; AgRg no REsp 1059829/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 4.11.2008; REsp 807.130/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21.10.2008; e REsp 1025833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 17.11.2008. 3. Ademais, "ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 são isentas dessas contribuições" (REsp 807.130/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 21.10.2008). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1075961/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/10/2010, DJe 25/10/2010) Assim, entendo que o fundamento esposado no v. acórdão recorrido, no sentido de que o crédito presumido de IPI não constitui receita e, por conseguinte, não deve ser tributado pela COFINS, não merece qualquer reparo. Por outro lado, e como se isso não bastasse, o segundo fundamento do v. acórdão recorrido, que cuida da matéria relativa ao § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, especificamente quanto à base de cálculo da COFINS, também não merece qualquer reparo. Este dispositivo, como se sabe, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que limita a eficácia da decisão às partes do litígio. É de se notar, todavia, que este entendimento já foi objeto de decisões reiteradas pela Excelsa Corte, tendo sido, inclusive, cristalizado de forma definitiva pelo seu órgão plenário, com a reafirmação da jurisprudência no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, pela edição de súmula vinculante: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (grifos e destaques nossos) Aplicável à espécie, portanto, o disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13855.001423/200399 Acórdão n.º 9303001.648 CSRFT3 Fl. 236 7 II não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento , da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Nos mesmos termos, aliás, é o disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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