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Numero do processo: 13878.000269/99-12
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/1989 a 30/11/1994
Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N. 49, DE 1995.
A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.586
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Antônio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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Numero do processo: 10245.000522/2006-96
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procede a alegação de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO.
Cabe restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual quando devidamente comprovada a efetiva retenção de valor a título de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos auferidos pelo contribuinte.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 8.115,03, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a alegação de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO. Cabe restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual quando devidamente comprovada a efetiva retenção de valor a título de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos auferidos pelo contribuinte. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 8.115,03, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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IMPROCEDÊNCIA. Não procede a alegação de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO. Cabe restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual quando devidamente comprovada a efetiva retenção de valor a título de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos auferidos pelo contribuinte. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 8.115,03, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 05 22 /2 00 6- 96 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10245.000522/200696 Acórdão n.º 2801002.916 S2TE01 Fl. 121 2 Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 2001, exercício de 2002, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 17/23. O valor lançado inclui imposto suplementar no valor de R$ 5.264,38, multa de ofício (75%) no valor de R$ 3.948,28, além dos juros de mora pertinentes. Depreendese dos autos que a exigência fiscal decorreu de revisão efetuada na declaração de rendimentos apresentada pelo contribuinte, e que resultou na glosa da importância de R$ 8.115,03 pleiteada a título de “Imposto de Renda Retido na Fonte”, conforme a seguir: Fonte Pagadora IRRF Declarado IRRF Glosado IRRF Mantido Governo do Estado de Roraima R$ 9.510,03 R$ 8.115,03 R$ 1.395,00 Cientificado do lançamento em 21/03/2006, conforme faz prova o AR – Aviso de Recebimento à fl. 25, o contribuinte apresentou sua impugnação em 28/03/2006, por meio do documento às fls. 02/03, alegando basicamente que a fonte pagadora Governo do Estado de Roraima, CNPJ 84.012.012/000126, informou, através de DIRF, valores diferentes do constante do Comprovante de Rendimentos e Retenção do Imposto de Renda na Fonte (a popular e antiga cédula “C”) relativo ao exercício objeto do lançamento. Neste sentido, argumentou que lhe foi pago pelo referido ente público no decorrer do anocalendário de 2001 a quantia de R$ 47.628,00, com a retenção em favor da Fazenda da quantia de R$ 9.510,03; todavia, em DIRF, o Governo de Roraima informou ao fisco federal que reteve apenas R$ 1.395,00. Asseverou que tal fato foi comunicado à unidade da Receita Federal em Boa Vista no dia 09/05/2003, conforme consta da cópia de requerimento anexado aos autos. O impugnante ressaltou ainda não ser responsável por guarda de valores retidos na fonte, e não ser de sua competência a atividade de fiscalizar os recebimentos dos descontos procedidos em folhas de pagamento dos servidores, bem como seus recolhimentos em favor da Receita Federal. Após apreciar o litígio, a 2a Turma de Julgamento da DRJBelém/PA decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BEL nº 018.751, de 23/07/2007, às fls. 31/34. Consta nesse documento a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Mantémse a glosa do IRRF, quando o contribuinte não comprova ter sofrido o ônus do imposto de renda retido na fonte, mediante documentação hábil e idônea. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10245.000522/200696 Acórdão n.º 2801002.916 S2TE01 Fl. 122 3 Lançamento Procedente Ao apreciar o feito, o órgão de julgamento de primeira instância (DRJ/Belém/PA) decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, por entender que a documentação colacionada à impugnação pelo contribuinte não se mostrava hábil e idônea à comprovação da retenção do valor pleiteado, visto que nem mesmo continha o nome da pessoa responsável pela informação, não se encontrando revestida das formalidades legais. Devidamente intimado da decisão a quo em 28/08/2007, conforme AR à fl. 39, o contribuinte interpôs em 27/09/2007 o Recurso Voluntário às fls. 45/46, reiterando os argumentos apresentados quando da impugnação ao lançamento. Visando demonstrar que sua declaração de ajuste anual do exercício 2002, anocalendário 2001, é a expressão da verdade, o recorrente juntou ao processo cópia de extrato de sua conta corrente (fls. 47/80), pois, deste modo, entendeu estar claramente demonstrado que atuou com honestidade e lisura, uma vez que se pode constatar que os valores creditados em sua conta bancária conferem com os valores constantes da folha de pagamento anteriormente anexada aos autos, e que são os mesmos valores informados na declaração de rendimentos. Em 01/10/2007 a Unidade de origem efetuou a remessa dos autos a este Egrégio Conselho para apreciação e julgamento do feito. Submetido o processo à apreciação desta Primeira Turma Especial da Segunda Seção do CARF, decidiuse, à unanimidade de votos, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos da Resolução n° 280100.031, de 28/07/2010, às fls. 83/86, que assim estabeleceu: “(...) face à documentação acostada aos autos, e diante das alegações apresentadas pelo recorrente em sua defesa, com vistas a formar convicção acerca da matéria sob exame, proponho o retorno do presente processo à unidade de origem a fim de que a fiscalização intime a fonte pagadora Governo do Estado de Roraima (CNPJ 84.012.012/000126) a informar o valor total dos rendimentos tributáveis efetivamente pagos no anocalendário de 2001 ao Sr. José Maria Gomes Carneiro, CPF n° 030.916.78253, bem como informar o valor do respectivo imposto de renda retido na fonte. Por oportuno, solicitase que, acompanhando o pedido dirigido à fonte pagadora, seja enviada cópia dos documentos às fls. 05 e 06 (comprovante de rendimentos e ficha financeira), solicitando à fonte pagadora para confirmálos ou infirmálos, juntando, se for o caso, os documentos pertinentes.(...)” Em atendimento à diligência a unidade preparadora colacionou aos autos a documentação às fls. 89/118. Na sequência, o processo foi devolvido a este Egrégio Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10245.000522/200696 Acórdão n.º 2801002.916 S2TE01 Fl. 123 4 Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente, reunindo os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe frisar que não se verifica nos autos qualquer mácula ou vício que pudesse ensejar a nulidade do lançamento. De fato, não há como acolher a alegação do recorrente, pois diante da norma que rege o processo administrativo fiscal, restou claramente evidenciado nos autos que não houve qualquer vício ou equívoco na ciência do lançamento. Cabe aqui registrar o entendimento deste Conselho quanto à ciência efetuada por via postal, conforme expresso na Súmula CARF nº 09: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No tocante ao mérito, verificase que o lançamento decorreu da glosa de valor declarado pelo contribuinte a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, em razão da não confirmação da retenção deste valor em DIRF apresentada pela fonte pagadora Governo do Estado de Roraima, CNPJ nº 84.012.012/000126. Em sua defesa, dentre outros argumentos, aduz o contribuinte que informou corretamente os valores de IRRF que foram deduzidos de seus rendimentos, e que efetuou o preenchimento de sua declaração de rendimentos com base no Comprovante de Rendimentos e Retenção do Imposto de Renda na Fonte fornecido pela própria fonte pagadora. Em sede recursal, faz a juntada aos autos de cópia de extrato bancário (documento às fls. 47/80) que comprovariam suas alegações. Como resultado da diligência empreendida por esta Turma julgadora (Resolução n° 280100.031, de 28/07/2010, às fls. 83/86), a unidade preparadora colacionou às fls. 94/96 do presente processo documentação emitida pela Secretaria de Estado da Gestão Estratégica e Administração – Governo de Roraima contendo a informação dos valores efetivamente pagos pelo recorrente no ano de 2001 a título de “salários” e “representação”, bem como o respectivo Imposto de renda Retido na Fonte (IRRF). Observase que os referidos documentos identificam, de forma individualizada (mês a mês), os valores tributáveis que foram recebidos pelo recorrente desta fonte pagadora (CNPJ 84.012.012/000126) no ano de 2001, que somaram R$ 47.628,00, assim como o IRRF no total de R$ 9.510,03, exatamente os montantes informados pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10245.000522/200696 Acórdão n.º 2801002.916 S2TE01 Fl. 124 5 Portanto, referida documentação se revela hábil a comprovar a retenção de IRRF no valor total de R$ 9.510,03, conforme havia declarado o recorrente. Assim, a glosa fiscal no valor de R$ 8.115,03 deve ser afastada. Isto posto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 8.115,03. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 18336.000354/2002-06
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO — CIDE
Data do fato gerador: 28/05/2002
MULTA DE OFICIO POR NÃO RECOLHIMENTO DE MULTA DE MORA.
Era perfeitamente legal a imposição de multa moratória àqueles
que, mesmo espontaneamente, pagassem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. Todavia, a penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixar de impor sanção à conduta então proibida, por força do princípio da retroatividade benigna.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.046
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Era perfeitamente legal a imposição de multa moratória àqueles que, mesmo espontaneamente, pagassem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. Todavia, a penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixar de impor sanção à conduta então proibida, por força do princípio da retroatividade benigna. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros a 3' Turma a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR pro ento ao re so especial da Fazenda Nacional. CARLOS ALBERTO FREITAS ARRETO Presidente kNirrQUE IINH" (Efir TkRWS Relator FORMALIZADO EM: 22 JUN 2009 1 n 4 1 • • Processo n• 18336.000354/2002-06 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.046 Fl. 161 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffrnann, Judith do Amaral Marcondes Armando (Substituta convocada), Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Luis Marcelo Guerra de Castro e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente Substituto). Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida: Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relatório do órgão julgador de primeira instância: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração, conforme fls.01/05, para formalização e cobrança de multa de oficio isolada no valor total de R$ 21.126,01, incidente sobre a complementação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico-CIDE, no valor de 12,5 28.181,34, apurada e recolhida em 28/05/2002, após o prazo de vencimento, ocorrido por ocasião do registro da Declaração de Importação - DI n" 02/0461320-0, em 23/05/2002. 2.De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls.02, o crédito tributário decorreu da falta de recolhimento da multa de mora, que deveria acompanhar, ao pagamento da complementação da CIDE, decorrente do aumento do valor tributável apurado, tendo em vista a constatação, via termo de arqueação, de difèrença a maior (178,589 nt9 da quantidade importada de óleo dieseL 3. A exigência foi fundamentada nos seguintes dispositivos legais: artigos 43, 44, inciso I e § 1°, inciso II, e artigo 61, §§ 1° e 2°, todos da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4.Como prova da infração, a fiscalização juntou, às fls.06/17, cópia da DI n" 02/0461320-0, do respectivo conhecimento de embarque, da solicitação de retificação da D1, do laudo de arqueação, do DARF relativo ao recolhimento da diferença da C1DE e do certificado de arqueação. 5. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 30/07/2002 «is. 01), o contribuinte apresentou impugnação em 15/08/2002 (lis. 19/29). através de procurador, instrumento anexado às fls.30/31, onde alegou, preliminarmente, precedentes do 3° Conselho de Contribuintes com decisões favoráveis à tese do impugnante, e no mérito, argumentou que o recolhimento da diferença da CIDE foi feito sem a incidência da multa de mora por se tratar de recolhimento espontâneo, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), transcrevendo, inclusive, doutrina e jurisprudência. Aduzindo ainda os artigos 1.062, 1.063 e 1.064 da Lei Substantiva Civil, bem como o artigo 162, § 3° da Constituição Federal, o impugnante se opõe à aplicação de juros de mora." A DRJ em FORTALEZA/CE julgou procedente o lançamento. 1 2 • , Processo e 18336.000354/2002-06 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.046 Fl. 162 Discordando da decisão de primeira instância, o interessado apresentou recurso voluntário, fls. 47 e seguintes, onde repisa os argumentos da impugnação e manifesta-se contra o lançamento. A Repartição de origem, fl. 106, considerando a presença do arrolamento de bens, encaminhou os presentes autos para apreciação deste Colegiado. A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso, cujo acórdão foi assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.CIDE-COMBUSTÍVEIS.DESPACHO ANTECIPADO. A complementação da CIDE decorrente de aumento do valor tributável apurado através de arqueação, antes de qualquer procedimento administrativo e desde que atendidos os pressupostos do art. 138 do CTN, exime o sujeito passivo da multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei ts' 9.430/96. RECURSO PROVIDO O Procurador da Fazenda Nacional, dissentido da decisão que lhe foi desfavorável, apresentou recurso especial de fls. 117/131, postulando a reforma do acórdão vergastado e requerendo seja restaurado o inteiro teor da decisão de P instância. Por meio do Despacho n° 302-0.149 (fls. 132/135) o recurso foi admitido pela Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes por considerar caracterizada a divergência arguida, de acordo com o paradigma apresentado. O interessado apresentou Contra-Razões de Recurso Especial às fls. 138/150. É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Da análise dos autos, verifica-se ser incontroverso o fato de a autuada haver recolhido a diferença da contribuição fora do prazo de vencimento, sem a multa de mora exigida no art. 61 da Lei n° 9.430/96. A inobservância dessa norma configurava infração punível com multa de 75% do valor do imposto devido, nos exatos termos do inc. I do art. 44 da Lei n°9.430/96, combinado com o inciso II do § 1° desse artigo, que previa, expressamente, 3 •,•,, •;• Processo n° 18336.000354/2002-06 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.046 Fl. 163 a imposição de multa isolada quando o tributo ou a contribuição houvesse sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. Sempre entendi cabível a exigência da multa de mora no caso em que o sujeito passivo recolhia espontaneamente o tributo, mas fora do prazo legal estabelecido em lei. Sendo devidos os juros moratórios e a multa de mora, correta foi a imputação feita pela Fiscalização que exigiu a multa de oficio isolada, no percentual de 75%, incidente sobre o total da contribuição devida. Todavia, a multa que sancionava essa conduta proibida foi excluída do ordenamento jurídico, por meio da Medida Provisória n° 371/2007, e, como é de todos sabido, por força do princípio da retroatividade benigna, a lei deve retroagir quando deixar de prever a penalidade em questão ou quando tratar de penalidade mais benéfica. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2009. ~-7 r 90~ 4ra-t o4 ENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13921.000016/2004-12
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - DEDUÇÃO
Comprovado o pagamento de honorários advocatícios e a efetiva contratação do profissional, deve ser admitida a dedução na determinação da base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 2201-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão de rendimentos o valor de R$ 12.000,00 a título de honorários advocatícios. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Gustavo Lian Haddad. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Assinado Digitalmente
FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
Assinado Digitalmente
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Redator designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - DEDUÇÃO Comprovado o pagamento de honorários advocatícios e a efetiva contratação do profissional, deve ser admitida a dedução na determinação da base de cálculo do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão de rendimentos o valor de R$ 12.000,00 a título de honorários advocatícios. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Gustavo Lian Haddad. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Assinado Digitalmente FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. Assinado Digitalmente RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão de rendimentos o valor de R$ 12.000,00 a título de honorários advocatícios. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Gustavo Lian Haddad. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Assinado Digitalmente FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. Assinado Digitalmente RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 1. 00 00 16 /2 00 4- 12 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 6/11), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, na qual se apurou imposto suplementar no valor de R$ 4.793,25. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, alterou para R$ 87.312,15 os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, em virtude das verbas auferidas em reclamatória trabalhista, constatada em Dirf da fonte pagadora, holerites mensais e nota de empenho. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai da transcrição do relatório de primeira instância, que: ... o contribuinte apresentou, em 18/02/2004, a impugnação de fls. 01/04, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 35), concordando com o ajuste do valor dos rendimentos tributáveis, alegando, porém, o direito à dedução dos honorários advocatícios despendidos na ação trabalhista, R$ 12.000,00, cujo recibo lhe foi negado pelo advogado. Instrui a petição com cópia de extrato bancário (fl. 25), esclarecendo que o depósito de R$ 47.820,00, efetuado em 19/12/2001, se refere ao valor liquido auferido na ação judicial, apurado da seguinte forma: Liquidação de empenho (Pref. Mun. de São Jorge D'Oeste (fl. 23) R$ 60.000,00 Honorários advocatícios (20%) R$ 12.000,00 CPMF pelo crédito ao advogado R$ 180,00 Valor liquido conforme extrato (fl. 25) R$ 47.820,00 Requer, ainda, a exclusão da multa de oficio de 75%, por não ter agido com máfé, nem ter sido responsável pelo erro cometido, urna vez que tomou por base o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. A 4ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO PARCIAL DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO TRABALHISTA. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13921.000016/200412 Acórdão n.º 2201001.430 S2C2T1 Fl. 66 3 O extrato de depósito bancário do valor auferido em reclamatória trabalhista, não é suficiente para comprovar o pagamento de honorários advocatícios, que o contribuinte pretende excluir da base de cálculo do imposto. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Tendo o contribuinte apresentado declaração de rendimentos inexata, legítima é a exigência da multa de oficio de 75% no lançamento. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância, Orival Xavier apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, verbis: O ponto da discórdia reside no pagamento de honorários advocatícios pela Ação Trabalhista cuja comprovação foi considerada insuficiente, uma vez que, foi juntado somente extrato de depósito bancário. Em razão da manutenção do imposto referente aos valores pagos a título de honorários advocatícios, conseqüentemente a multa de ofício de 75% foi mantida. (...) Não tendo sido possível uma comprovação melhor, de que de fato foram pagos honorários advocatícios de 20% ao advogado patrono da causa trabalhista, face o extravio de contrato de honorários, resta a parte provar o alegado com os elementos de que dispõe. Às fls. 20/21 encontrase juntado Termo de Audiência da Vara do Trabalho de Pato Branco/PR — Processo n° RT — 1212/1990, dando conta de conciliação na qual está marcado pagamento para o dia 17 de dezembro de 2001 a verba de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) e 36 pagamentos de R$ 5.292,98 (cinco mil duzentos se noventa e dois reais e noventa e oito centavos). Em data de 19 de fevereiro de 2002 consta recebimento do advogado de R$ 4.248,00 (quatro mil duzentos e quarenta e oito reais) referente ao pagamento da 2a parcela do acordo efetuado entre as partes no processo RT n° 1212/1990. Como o valor da parcela era de R$ 5.292,98 (cinco mil duzentos e noventa e dois reais e noventa e oito centavos), o advogado prestou contas pelo líquido, já excluindo os 20% de seus honorários advocatícios. Em data anterior, 20/11/2001, o advogado mandou um fax, do qual foi reproduzida uma cópia xerográfica para não deteriorada pelo tempo, em que claramente expõe que seus honorários são 20%. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Restando, dessa forma, comprovado que os R$ 12.000,00 (doze mil reais) foram pagos ao advogado, por se constituírem em 20% de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), trazemos a colação novamente o sustentado no Processo Administrativo perante a Delegacia de Julgamento às fls. 25 — extrato de conta corrente do Banco Banestado, comprovandose que da importância total recebida somente entrou na contacorrente do Requerente R$ 47.820,00 (quarenta e sete mil oitocentos e vinte reais) ao qual deverá ser acrescido R$ 180,00 (cento e oitenta reais) a título de CPMF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos, nesta segunda instância, cingese, exclusivamente, na dedução dos honorários advocatícios no valor de 20% sobre a reclamatória trabalhista recebida pelo recorrente. Segundo se colhe da dos autos a autoridade julgadora de primeira instância manteve a aplicação da multa de ofício e, em relação à dedução dos honorários advocatícios, entendeu que o extrato bancário de fl. 25, por si só, não é suficiente para comprovar o pagamento dos honorários advocatícios. Pois bem, sem mais delongas e analisando detidamente os autos, mais precisamente o extrato bancário de fls. 25, relativo ao mês de dezembro de 2001, não é possível considerar a parcela no valor de R$ 4.248,00, informada pelo recorrente, como sendo relativa a honorários advocatícios pagos sobre a reclamatória trabalhista recebida. Além do mais, o recibo confeccionado pelo próprio contribuinte, por si só, não é capaz de comprovar a efetividade do pagamento a título de honorários advocatícios. Portanto, em que pese o esforço do recorrente no sentido de comprovar o pagamento a título de honorários advocatícios no montante de R$ 12.000,00, sem a prova do fato a pretensão em debate não tem qualquer possibilidade de êxito. Por fim, é exigível a multa de ofício no percentual de 75% na forma do art. 44, § 1º, I da Lei nº 9.430 de 1996, por expressa determinação legal. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe – Relator Designado: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13921.000016/200412 Acórdão n.º 2201001.430 S2C2T1 Fl. 67 5 Pedi vista em mesa para melhor analisar os documentos juntados pelo ora Recorrente. Da análise dos autos não vejo como acompanhar o nobre Relator, razão pela qual abro divergência para dar parcial provimento ao recurso, senão vejamos. Consta nos autos, fls. 20, ata de audiência de conciliação na qual está expressamente consignado que o Contribuinte receberia R$ 60.000,00 no dia 17/12/2001, às 14hs, na secretaria da vara do trabalho por onde tramitou a reclamatória trabalhista que deu origem aos valores omitidos na DAA. Por outro lado, o extrato bancário juntado aos autos às fls. 25, não registram a entrada do valor constante na ata de audiência, mas sim o valor de 47.820,00 no dia 19/12/2001. Pois bem, temos então uma diferença de R$12.180,00, entre o valor que efetivamente saiu da conta da entidade Reclamada e o valor que efetivamente entrou na conta do contribuinte, uma vez que os documentos de fls. 23/24 demonstram que a Prefeitura municipal de São Jorge D´oeste, fonte pagadora e reclamada, efetivamente pagaram os R$ 60.000,00 nos termos da ata de conciliação. Não há mistério algum no caso e o argumento apresentado pelo contribuinte é verossímil, refletindo a prática de pagamentos de acordos no âmbito da Justiça do Trabalho. Tendo o pagamento sido realizado na secretaria da Vara do Trabalho, somente duas pessoas poderiam receber o valor, o próprio contribuinte/reclamante ou o seu procurador. O extrato bancário juntado aos autos denuncia que o procurador do contribuinte recebeu o valor retendo seus honorários de 20%, mais o custo de CPMF. Notese que o valor de R$ 47.820,00 foi creditado na conta corrente do Contribuinte via DOC. Diante de tais fatos, estou plenamente convencido que houve o efetivo custo financeiro de honorários advocatício, devendo tal valor ser deduzidos da base de cálculo do tributo nos termos da legislação vigente. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão de rendimentos o valor de R$ 12.000,00 a título de honorários advocatícios. (assinatura digital) Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Designado Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 6/09/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10880.038300/93-11
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: COMPRAS NÃO REGISTRADAS. A falta de escrituração de compras,
quando o fisco demonstra o efetivo dispêndio dos recursos não
contabilizados, autoriza o lançamento sem presunção legal, se efetuado o lançamento físico dos estoques.
Numero da decisão: 9101-000.226
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para restabelecer a exigência do Finsocial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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(NOVA DENOMINAÇÃO SOCIAL DE COMÉRCIO DE MÁQUINAS BRASíLIA LTDA.) • COMPRAS NÃO REGISTRADAS. A falta de escrituração de compras, quando o fisco demonstra o efetivo dispêndio dos recursos não contabilizados, autoriza o lançamento sem presunção legal, se efetuado o lançamento fisico dos estoques. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a exigência do Finsocial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 1, CARLOS ALBERTO F' AS BA 0 = Presidente KAREM JUREIDINJ..D" Relatora EDITADO EM: 01 SET 21119 _ Processo n° 10880.038300/93-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.226 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (substituto do vice- • presidente), Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Valmir Sandri, Marcos Rodrigues de Mello (substituto convocado) e Irineu Bianchi (substituto convocado). • 2 Processo n° 10880.038300/93-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.226 Fl. 3 Relatório Trata-se de Recurso Especial (fls. 647/659) apresentado em 08/08/2006 pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 5°, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais e artigo 32, inciso I, do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, contra o Acórdão n° 108-08.237, proferido pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, IRRF, Finsocial e PIS (fls. 386/489), cuja ciência foi dada ao contribuinte em 01/07/1993 (fls. 390). O Auto de Infração principal contém os seguintes lançamentos: 001 - Lucro Real - Omissão de receitas - Diferença de Estoque - Fato Gerador: exercício de 1989 - Multa de 50% 002 - Custo dos Bens ou Serviços Vendidos - Subavaliação de Estoque Final - Fato Gerador: exercício de 1989 - Multa de 50% 003 - Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não necessário - Fato Gerador: exercício de 1989 - Multa de 50% 004 - Custos, Despesas Operacionais e Encargos - Bens de Natureza Permanente Deduzidos como Custo ou Despesa - Fato Gerador: exercício de 1989- Multa de 50% 005 - Compensação de Prejuízos - Regime de compensação - Fato Gerador: exercício de 1989 - Multa de 50% Os lançamentos reflexos - IRRF, FINSOCIAL e PIS tiveram o lançamento apenas quanto ao item 001. Impugnado o lançamento (fls.492/497), sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 500/517) julgando o lançamento parcialmente procedente quanto ao lRPJ e procedente quanto aos lançamentos reflexos. Quanto ao IRPJ, o entendimento do acórdão foi o de que, quanto ao item 002 da infração, tratando-se de subavaliação de estoques, a tributação deveria ser feita com base na postergação de pagamento e não conforme formalizado na autuação. A decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EMENTA: OMISSÃO DE RECEITAS - As diferenças apuradas no levantamento do estoque final (falta de mercadorias na contagem física) caracterizam a omissão de receitas a título de vendas não contabilizadas. COMPRAS NÃO REGISTRADAS - A falta de escrituração de compras, quando o fisco demonstra o efetivo dispêndio dos recursos não contabilizados, mesmo através do levantamento fisico de estoques, autoriza a presunção simples de que os recursos são oriundos de receitas não Processo n° 10880.038300/93-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.226 Fl. 4 escrituradas. Há que ser mantida a exigência se a presunção não for infirmada, na impugnação, de forma convincente pela contribuinte. SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUES — A subavaliação de estoques, em matéria tributária, deve ser tratada como postergação no paga mento de imposto, quando no período-base subseqüente, haja apuração de imposto a pagar em valor no mínimo igual ao do imposto postergado. DESPESAS OPERACIONAIS — As despesas operacionais para serem dedutíveis na apuração do lucro real devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea e não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. LEGITIMIDADE DE DESPESAS OPERACIONAIS — A investigação da veracidade e legitimidade das despesas contabilizadas pela empresa não deve quedar-se ao mero exame da descrição feita nos instrumentos/documentos correspondentes. Se o auditor autuante abdicou de um maior aprofundamento na fase investigatória quando da auditoria fiscal não é cabível a glosa das despesas com base unicamente que nas notas fiscais não constava à identificação dos veículos que foram objeto de consertos, reformas ou manutenção. - Também, o fato de constar em orçamentos o valor da peça necessária ao conserto de veículos junto com o valor da mão de obra, por si só, não é motivo bastante para a glosa de despesas. A investigação deve ser aprofundada para ser verificado se houve ou não a aquisição de peças, separadamente, junto a outro fornecedores diversos da prestadora de serviços de mão de obra e que forneceu os orçamentos. NOTAS SIMPLIFICADAS E CUPONS — As notas fiscais simplificadas e os cupons de máquinas registradoras não são documentos hábeis para comprovar despesas operacionais, por não reunirem elementos materiais capazes de identificar o comprador, ou os bens e/ou serviços adquiridos. Assim, conclui-se que as notas fiscais simplificadas e cupons de máquinas registradoras não se prestam a finalidade de dedutibilidade de despesas na apuração do lucro real. - Para ser computado como hábil o documento fiscal que embasou despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real é imprescindível a identificação do tomador dos serviços ou adquirente das mercadorias. COMISSÕES SOBRE VENDAS — O percentual a ser utilizado no pagamento de comissões sobre vendas e de juízo exclusivo da empresa, ainda que sejam diferenciados. Compete ao auditor fiscal a verificação apenas da legitimidade da causa e efetividade dos pagamentos. MATÉRIA TRIBUTÁVEL — Há que ser cancelada a matéria tributável quando o auditor autuante equivocar-se na descrição da infração e quanto ao seu enquadramento legal, mormente quando o caso tratar-se de postergação no pagamento do imposto e não glosa de despesas. MELHORIAS REALIZADAS EM BENS DO ATIVO PERMANENTE — Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias \\\ 4 Processo n° 10880.038300/93-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.226 Fl. 5 realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano deverá ser depreciado ou amortizado. REVERSÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS — É legítima a autuação correspondente à glosa de prejuízos fiscais quando estes j á foram compensados pela empresa e em função da formalização de lançamento de oficio houver a reversão dos referidos prejuízos fiscais em matéria tributável apurada em exercícios anteriores. CORREÇÃO MONETÁRIA EM UFIR — A exigência do crédito tributário, processado na forma dos autos, está prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador de 1' instância administrativa competência para apreciar argüições contra a sua cobrança. TAXA REFERENCIAL DIÁRIA — TRD — Deve ser excluída a cobrança da TRD — no período de 04/02/91 a 29/07/97 — I.N. SRF. N° 032 de 09.04.97. Lançamento Procedente em Parte. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada no lançamento principal de I RPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. IR - FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, PERÍODO BASE DE 1988 - É cabível a constituição do crédito tributário — IRRF — a alíquota de 25%, com base no art. 8° do Decreto Lei n° 2.065/83, quando ficar claramente caracterizado nos autos que os valores que reduziram o lucro líquido do exercício foram transferidos do patrimônio da empresa a seus representantes. Lançamento Procedente FINSOCIAL FATURAMENTO — No exercício de 1989 a alíquota do Finsocial é de 0,60%, conforme o art. 22, § 5° do D.L. n° 2.397 de 21/12/87, e I.N. SRF. N° 31/97. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS — A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Lançamento Procedente. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL —PIS/FATURAMENTO - A IN- SRF n° 031 de 08.04.97, dispensa a constituição de créditos tributários do PIS, exigida com 'base nos Decretos-Leis 2.445 e 2.449/88, na parte que exceda o valor devido na forma da Lei Complementar n° 07/70 e alterações posteriores, Lei Complementar n° 17/70, portanto, escorreito o procedimento fiscal na aplicação da alíquota de 0,65%, uma vez que a Lei Complementar n° 17/70 estabelece a alíquota de 0,75%. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS — A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. — Processo n° 10880.038300/93-11 CSRF-T1 • Acórdão n.° 9101-00.226 Fl. 6 Ano-calendário : 1988, 1989! Sobrevieram, então, Recurso Voluntário (fls. 528/582), e o Acórdão n° 108- 08.237 (fls. 627/644), no qual o recurso restou parcialmente provido a fim de, por unanimidade de votos, afastar as exigências relativas ao IRPJ e ao IR-Fonte sobre omissão de receitas com base em omissão de compras, além de exonerar integralmente a contribuição ao PIS; por maioria de votos, afastar a exigência do FINSOCIAL sobre omissão de receitas com base em omissão de compras. A decisão restou assim ementada: "OMISSÃO DE VENDAS — LEVANTAMENTO QUANTITATIVO — Quando detectada a omissão de saídas (estoque fisico menor do que o estoque escritural) caracterizada está a omissão de vendas apurada por presunção simples, ressalvado ao contribuinte a prova da sua improcedência. IRPJ — OMISSÃO DE COMPRAS - Quando detectada a omissão de entradas (estoque fisico maior do que o estoque escritural) caracterizada está a • omissão de compras, que presume uma omissão anterior de vendas, ambas transitando pelo chamado "caixa dois" da empresa. Todavia se é verdade que o contribuinte reduziu o valor das receitas também é verdade que reduziu o valor dos custos em igual montante, pelo que seu efeito é nulo na apuração do lucro real. CUSTOS NÃO NECESSÁRIOS — COMISSÃO SOBRE VENDAS — São passíveis de glosa as comissões sobre vendas pagas através de cheques ao portador, sem a identificação do beneficiário das mesmas. DESPESAS INDEDUTÍVEIS - NOTAS FISCAIS SIMPLIFICADAS E CUPONS — A impossibilidade de se aferir a natureza de despesas suportadas por notas fiscais simplificadas e cupons impedindo a verificação dos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade das mesmas justifica a glosa por parte do Fisco. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA — SERVIÇOS DE FUNILARIA E PINTURA — Não é razoável considerar que gastos com serviços de funilaria e de pintura realizados em veículo possam ser lançados diretamente como custo ou despesa do período. Gastos desta natureza, que aumentam a vida útil do bem em mais de um ano, devem ser ativados para futura depreciação. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS NO P.B. DE 1989 EM FUNÇÃO DA TRIBUTAÇÃO NO PERÍODO ANTERIOR — RECOMPOSIÇÃO PELA EXONERAÇÃO NO P.B. DE 1988 — A exoneração do valor correspondente ao item de omissão de compras no período-base de 1988 irá refletir na recomposição da compensação de prejuízos do período-base subseqüente, do qual a parcela correspondente será exonerada. IRF — DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA AOS SÓCIOS — TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA A 25% — ART. 8° DO D.L. N° 2.065/83 — a ocorrência do fato gerador desta exação está relacionada à existência de fluxo financeiro. A diferença verificada no resultado da pessoa jurídica deve ser criteriosamente analisada para se definir a incidência ou não do tributo e quantificar a base imponível, se for o caso. Na hipótese dos autos a ocorrência de omissão de vendas, pela qual os sócios ficaram com os recursos mantidos a margem da 6 Processo n° 10880.038300/93-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.226 Fl. 7 contabilidade, é fato gerador do tributo. Já na omissão de compras os recursos provenientes de anteriores omissões de vendas não foram distribuídos aos sócios e sim utilizados para aquisição de compras, não podendo ser considerados distribuídos aos sócios. FINSOCIAL — OMISSÃO DE RECEITAS — OMISSÃO DE COMPRAS — Inexistia em 1988 e 1989 presunção legal que ampare imputação por omissão de receita decorrente de eventual omissão de compras. Constituindo mero indício de ilícito a omissão de compras, necessária a apuração do fato concreto pela autoridade fiscal. PIS/FATURAMENTO — DDLL N'S 2.445/88 E 2.449/88 — SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO — RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 45/95 — LANÇAMENTO INSUBSISTENTE — A impossibilidade de modificação na sistemática de apuração do PIS por decreto-lei foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Por tal motivo foi editada a Resolução do Senado Federal n° 45/95, que suspendeu a execução dos DDLL 2.445/88 e 2.449/88. JUROS DE MORA — TAXA SELIC — A incidência da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (art. 13 da Lei n° 9.065/95), estando em perfeita consonância com o CTN (art. 161, § 1°). Recurso parcialmente provido." A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial (fls. 647/659), insurgindo-se tão somente quanto ao afastamento do lançamento do FINSOCIAL, uma vez que a decisão recorrida afrontaria o artigo 1 0, § 1°, 'a', do Decreto-lei n° 1.940/82. Argumenta a Fazenda Nacional que na base de cálculo do FINSOCIAL, deve ser a omissão de receitas apurada com base na omissão de vendas e de compras, "não importando se a receita bruta foi apurada por indícios veementes que autorizam a presunção de sua existência ou por prova direta". Aduz que o referido decreto não nega a possibilidade de que a receita bruta seja auferida por meio de indícios veementes. Ademais, alega que, no caso de omissão de vendas detectadas por conferência de estoque fisico menor que o escriturai, a prova é direta e que, no caso da omissão de compras, há presunção que possibilita a verificação do fato gerador, nos termos da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Em Despacho de fls. 661/662, foi dado seguimento ao Recurso Especial, sendo que às fls. 660/670. O contribuinte foi intimado, conforme fls. 671, porém não apresentou suas Contra-Razões ao Recurso Especial. Os autos foram encaminhados a esta Relatora. É o relatório pfÜI Processo n° 10880.038300/93-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.226 Fl. 8 Voto Conselheiro Karem Jureidini Dias O Recurso preenche as condições de seguimento e foi objeto de despacho de admissibilidade, pelo que dele conheço. É objeto de Recurso Especial da Fazenda Nacional a possibilidade de tributação do F1NSOCIAL por omissão de receitas em razão de omissão de compras verificada no ano-calendário de 1988, sob o fundamento de que o Decreto-Lei n° 1.940/82 "em momento algum reza que a receita bruta não pode ser auferida por indícios veementes apurados em ação fiscal, mesmo porque quando esta for presumida para efeito de imposto de renda, deverá ter a mesma repercussão para as contribuições sociais incidentes". Quanto ao FINSOCIAL, decidiu o acórdão recorrido que "inexistia em 1988 e 1989 presunção legal que ampare imputação por omissão de receita decorrente de eventual omissão de compras. Constituindo mero indício de ilícito a omissão de compras, necessária a apuração do fato concreto pela autoridade fiscal". É certo que anteriormente à vigência da Lei n° 9.430/96 não era possível a presunção legal de omissão de receitas com base em omissão de compras. No entanto, verifico que o lançamento não foi efetuado com base em presunção de omissão de compras, mas em levantamento fisico dos estoques, conforme esclarece os itens IV e V do Termo de Constatação de Regularidade Fiscal (fls. 379): "IV — Falta de Mercadoria na contagem física: examinando a ficha permanente do estoque e livro do ementário, constata-se que foi feito ajuste na Ficha de Controle de Estoques, alterando o saldo conforme apurado na contagem fisica, sem que a diferença fosse oferecida à tributação. - Ás difèrenças foram devidamente relacionadas pelo contribuinte atendendo à solicitação fiscal e para fins de valoração de mercadoria, foi considerado o preço médio de vendas de 1988. V. Excedente de estoque: examinando os mesmos controles acima referido, foi constatado a existência de mercadorias em quantidade superior à constante da ficha permanente de controle de estoques. - As diferenças foram devidamente relacionadas pelo contribuinte atendendo solicitaçã o fiscal. Para fins de valoração da mercadoria, foi considerado o preço médio de compra do ano de 1988." Considerando, portanto, que o lançamento não foi feito com base em mera presunção de omissão de receitas por omissão de compras, mas que restou demonstrado, por \( 1)1 8 Processo n° 10880.038300/93-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.226 Fl. 9 meio da contagem fisica de estoque, que houve efetiva diferença na quantidade de mercadorias registradas, o que de fato comprova a existência de omissão de receitas; considerando que o item objeto deste Recurso Especial não se reporta a todo o lançamento relativamente ao FINSOCIAL/COFINS, mas apenas ao lançamento relacionado à omissão de receitas por omissão de compras, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional para restabelecer apenas a exigência do FINSOCIAL, nos termos deste voto. dir Karem Jureidi s Pia • elatora 9
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Numero do processo: 15504.020607/2009-59
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.072
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504020607200959 Resolução n.º 2403000.072 S2C4T3 Fl. 341 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 246 a 256, interposto pela Recorrente – RIO RANCHO AGROPECUÁRIA SA. contra Acórdão nº 0229.323 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 222 a 229, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.238.0212, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 31.929,54 retificado para R$ 24.640,00. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias correspondentes a parte relativa aos segurados, tendo como fatos geradores : a) remunerações pagas a empregados, a titulo de alimentação, no período de 01/05 a 12/05, código de levantamento "PAT"; b) remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos), nas competências 02/05, 10/05 e 12/05, código de levantamento "AUT"; c) remunerações pagas a empresário, a titulo de pro labore, nas competências 01/05 a 12/05, código de levantamento "PRO". O Relatório Fiscal, às fls. 52 a 69, informa em relação a PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO — LEVANTAMENTO "PAT": 1 Após análise da contabilidade da empresa, foram constatados diversos lançamentos relativos à despesas com alimentação de empregados, lanches e refeições, cestas básicas e ticket refeição. 2 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal — TIPF, foram solicitados, dentre outros, o documento comprobatório da adesão da empresa ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, bem como a comprovação do recadastramento relativo ao ano de 2004, previsto nas Portarias SIT/DSST números 66 e 81, datadas de 19/12/03 e 27/05/04, respectivamente. 2.1 Em 07/12/09, a empresa declarou não ter efetuado a adesão ao referido programa nos anos de 2004 e 2005 (documento em anexo). 2.2 Como não houve a adesão ao referido programa, os valores pagos a titulo de alimentação foram considerados como salário indireto, à luz das Leis 6.321, de 14/04/76 e 8.212, de 24/07/91 (...) 2.4 — Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 04, datado de 10112109, foi solicitada a individualização, por estabelecimento e competência, dos valores pagos aos empregados a titulo de alimentação, no período de 01/05 a 12/05. Em 21/12/09, a empresa declarou que os valores pagos no ano de 2005 não foram individualizados, razão pela qual, no cálculo da contribuição devida, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504020607200959 Resolução n.º 2403000.072 S2C4T3 Fl. 342 3 foi aplicada a alíquota mínima de 8%, sobre o total das despesas incorridas. 2.5 — As bases de cálculo das contribuições foram apuradas pelos lançamentos contábeis efetuados nas contas discriminadas no Anexo "Alimentação sem PAT", parte integrante do presente relatório. Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). O Relatório Fiscal, às fls. 52 a 69, informa em relação a PAGAMENTOS A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL — LEVANTAMENTO "AUT": 1 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal datado de 21/05/09, foram solicitadas, dentre outros documentos, as folhas de pagamento de todos os segurados a serviço da empresa (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos). 2 — Foram apresentadas folhas de pagamento contendo remunerações relativas apenas aos segurados empregados, o que ensejou a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. 3 — Após análise da contabilidade da empresa, foram constatados pagamentos a diversas pessoas físicas, sem o devido recolhimento das contribuições previdenciárias. 3.1 — Além disso, constatouse que não foram prestadas em GFIP as informações relativas ao citado fato gerador 4 As bases de cálculo consideradas para a apuração das contribuições previdenciárias correspondem aos valores contabilizados nas contas relacionadas no Anexo "Remuneração — Pessoas Físicas", parte integrante do presente auto de infração. Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). 5 — Para a constituição do crédito foi aplicada a aliquota de 11% prevista no § 26 ,do artigo 216, do Decreto 3.048, de 06/05/99. 6 O cálculo das contribuições devidas encontrase demonstrado no Anexo "Discriminativo do Débito — DD", que integra o presente auto de infração. 0 referido anexo discrimina , por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, bem com multa, juros e as deduções legalmente permitidas. O Relatório Fiscal, às fls. 52 a 69, informa em relação a PAGAMENTOS EFETUADOS A ACIONISTA DA EMPRESA, A TÍTULO DE RETIRADA PRÓLABORE — LEVANTAMENTOS PRO: 1 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal datado de 21/05/09, foram solicitadas, dentre outros documentos, as folhas de Fl. 551DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504020607200959 Resolução n.º 2403000.072 S2C4T3 Fl. 343 4 pagamento de todos os segurados a serviço da empresa (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos). 2 — Foram apresentadas folhas de pagamento contendo remunerações relativas apenas aos segurados empregados, o que ensejou a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. 3 — Verificouse, pelo exame da contabilidade, que foram efetuados pagamentos a acionista da empresa , a titulo de retirada pro labore, sem o devido recolhimento das contribuições previdenciárias. 3.1 — Além disso, constatouse que não foram prestadas em GFIP as informações relativas ao citado fato gerador. 4 As bases de cálculo consideradas para a apuração das contribuições previdenciárias correspondem aos valores contabilizados nas contas relacionadas no Anexo "Retirada Pro Labore — Segurados", parte integrante do presente auto de infração. 4.1 Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). 5 — Para a constituição do crédito foi aplicada a aliquota de 11% prevista no § 26 ,do artigo 216, do Decreto 3.048, de 06/05/99. 6 O cálculo das contribuições devidas encontrase demonstrado no Anexo "Discriminativo do Débito — DD", que integra o presente auto de infração. 0 referido anexo discrimina , por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, bem com multa, juros e as deduções legalmente permitidas. A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 36 a 38, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2009.00864. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo de Débito DD, às fls. 04, é de 01/2005 a 12/2007. O contribuinte teve ciência do AIOP em 30.12.2009, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 92 a 109, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) Nulidade da autuação, por cerceamento do direito de defesa, em razão da ausência de dados relativos a base utilizada para apuração das contribuições lançadas, uma vez que do Auto de Infração não consta relação das notas fiscais e dos produtores rurais cujas matérias primas foram adquiridas pela impugnante; bem como em razão da ausência de descrição especifica dos débitos apurados. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504020607200959 Resolução n.º 2403000.072 S2C4T3 Fl. 344 5 (ii) Não incidência de contribuição sobre o pagamento in natura de alimentação consubstanciado em fornecimento de cestas básicas, lanche e refeições pela impugnante aos empregados, tendo em vista que tal fornecimento não possui natureza remuneratória, mas sim indenizatória, independentemente de inscrição no PAT. (iii) Não incidência de Contribuição ao SENAR sobre a comercialização de bens e produtos realizados em larga escala, com o sói ocorrer no caso vertente, mas apenas e tão somente, sobre a produção rural que envolvi industrialização em caráter ou nível rudimentar, não sendo, portanto, crivei a exigência de tais contribuições sobre a produção de carvão vegetal em larga escala, obtido através de processos e técnicas produtivas diferenciadas, bem como sobre a comercialização de cabeças de gado para corte e produção de leite, de forma industrializada, promovida pela ora impugnante. (iv) A impugnante fatura mais de R$ 20.000.000,00 por ano com a comercialização de cabeças de gado para corte e produção de leite de forma industrializada, bem como a produção de carvão vegetal em larga escala e com madeiras cerradas com cortes especiais. Ao produzir tais bens o faz em caráter empresarial, em larga escala e com a aplicação de técnicas produtivas avançadas de cunho industrial, que fazem aqueles bens serem considerados bens industrializados e não simples produtos rurais. (v) Acrescenta que o beneficiamento/industrialização da madeira extraída para produção de carvão e de madeira cerrada, importa em modificação e aperfeiçoamento da madeira, alterando seu funcionamento, utilização, acabamento e aparência, consoante art. 4° do RIPI, Decreto n° 4.544/02. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0229.323 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO FORA DO PAT. Integra o salário de contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias, a utilidade alimentação fornecida sem que a empresa fornecedora esteja devidamente inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador. CONTRIBUIÇÃO DE ÔNUS DO SEGURADO. LIMITE MÁXIMO. É indevido o lançamento de contribuição de ônus do segurado contribuinte individual quando comprovado que o mesmo, em outra empresa, já sofrera retenção sobre o limite máximo do salário de contribuição. Impugnação Procedente em Parte, Fl. 553DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504020607200959 Resolução n.º 2403000.072 S2C4T3 Fl. 345 6 Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordamos membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, conforme Discriminativo de Débito anexo e voto da relatora. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. A decisão de primeira instância excluiu todo o levantamento "PRO — RETIRADA PROLABORE", uma vez que outra empresa já havia efetuado retenção da contribuição do segurado em questão sobre o limite máximo de salário de contribuição: A defesa juntou às fls. 122/133, comprovantes de pagamentos de pro labore ao referido segurado contribuinte individual empresário pela Companhia Siderúrgica Pitangui — NC, no valor mensal de R$ 4.500,00, nos meses de janeiro a novembro de 2005, e no valor de R$ 5.041,67, no mês de dezembro de 2005, com registro da retenção da respectiva contribuição de ônus do segurado (11%). No período em questão o limite máximo do salário de contribuição foi o seguinte: de janeiro a fevereiro = R$ 2.508,72 e de março a dezembro = a R$ 2.668,15. Assim, está comprovado que o referido empresário já sofrera, em outra empresa, a retenção de 11% sobre limite máximo de salário de contribuição. Em conseqüência, a retenção e exigência da contribuição lançada nestes autos é indevida. Pelo exposto, voto pela procedência em parte da impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, dele excluindo todo o levantamento "PRO — RETIRADA PROLABORE", uma vez que outra empresa já havia efetuado retenção da contribuição do segurado em questão sobre o limite máximo de salário de contribuição. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 299 a 326, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 261. É o Relatório. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504020607200959 Resolução n.º 2403000.072 S2C4T3 Fl. 346 7 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 261. DA DILIGÊNCIA FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 246 a 256, interposto pela Recorrente – RIO RANCHO AGROPECUÁRIA SA. contra Acórdão nº 0229.323 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 222 a 229, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.238.0212, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 31.929,54 retificado para R$ 24.640,00. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias correspondentes a parte relativa aos segurados, tendo como fatos geradores : a) remunerações pagas a empregados, a titulo de alimentação, no período de 01/05 a 12/05, código de levantamento "PAT"; b) remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos), nas competências 02/05, 10/05 e 12/05, código de levantamento "AUT"; c) remunerações pagas a empresário, a titulo de pro labore, nas competências 01/05 a 12/05, código de levantamento "PRO". O Relatório Fiscal, às fls. 52 a 69, informa em relação a PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO — LEVANTAMENTO "PAT": 1 Após análise da contabilidade da empresa, foram constatados diversos lançamentos relativos à despesas com alimentação de empregados, lanches e refeições, cestas básicas e ticket refeição. 2 Por meio do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal — TIPF, foram solicitados, dentre outros, o documento comprobatório da adesão da empresa ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, bem como a comprovação do recadastramento relativo ao ano de 2004, Fl. 555DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504020607200959 Resolução n.º 2403000.072 S2C4T3 Fl. 347 8 previsto nas Portarias SIT/DSST números 66 e 81, datadas de 19/12/03 e 27/05/04, respectivamente. 2.1 Em 07/12/09, a empresa declarou não ter efetuado a adesão ao referido programa nos anos de 2004 e 2005 (documento em anexo). 2.2 Como não houve a adesão ao referido programa, os valores pagos a titulo de alimentação foram considerados como salário indireto, à luz das Leis 6.321, de 14/04/76 e 8.212, de 24/07/91 (...) 2.4 — Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 04, datado de 10112109, foi solicitada a individualização, por estabelecimento e competência, dos valores pagos aos empregados a titulo de alimentação, no período de 01/05 a 12/05. Em 21/12/09, a empresa declarou que os valores pagos no ano de 2005 não foram individualizados, razão pela qual, no cálculo da contribuição devida, foi aplicada a alíquota mínima de 8%, sobre o total das despesas incorridas. 2.5 — As bases de cálculo das contribuições foram apuradas pelos lançamentos contábeis efetuados nas contas discriminadas no Anexo "Alimentação sem PAT", parte integrante do presente relatório. Os valores foram extraídos dos arquivos digitais contábeis fornecidos pela empresa, submetidos previamente ao Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, (DOU: 04/07/2006). Em relação às verbas identificadas pela AuditoriaFiscal a título de alimentação, o Relatório Fiscal, às fls. 52 a 69, não permite concluir se tais verbas foram pagas em pecúnia ou entregues “in natura” aos segurados empregados do sujeito passivo. Já o Anexo do Relatório Fiscal às fls. 72 a 77 apresenta a descrição e histórico das rubricas utilizadas na formação da base de cálculo do código de levantamento PAT – Alimentação sem PAT: Lanches e refeições; Cestas Básicas; Alimentação a empregado; Ticket refeição. Outrossim, em atendimento ao art. 62, parágrafo único, II, a, Anexo II, Regimento Interno do CARF, devese observar a aplicação do Parecer PGFN/CRJ/nº 2117 /2011 que fixa o entendimento de que o pagamento in natura do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária: Fl. 556DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504020607200959 Resolução n.º 2403000.072 S2C4T3 Fl. 348 9 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos Desta forma, como prejudicial ao julgamento do presente AIOP temse, por óbvio, a definição de quais rubricas utilizadas na base de cálculo do código de levantamento PAT – ALIMENTAÇÃO SEM PAT representam alimentação in natura e quais rubricas representam alimentação pagas em espécie pelo sujeito passivo a seus empregados. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Autoridade Fiscal responsável pela lavratura do presente Auto de Infração informe quais rubricas utilizadas na composição da base de cálculo do código de levantamento PAT – ALIMENTAÇÃO SEM PAT representam alimentação in natura e quais rubricas representam alimentação paga em espécie pelo sujeito passivo a seus empregados. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 557DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/01/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11030.001081/2007-17
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL
Havendo omissão demonstrada, a apreciação dos Embargos de Declaração opostos exercem sua função integralizadora à decisão anterior, mesmo em acolhimento parcial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) para: a) Reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive a competência 13/2001; b) determinar que a aplicação da sanção objeto do presente auto de infração seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação conjunta com as sanções previstas na forma art. 35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ACOLHIMENTO PARCIAL Havendo omissão demonstrada, a apreciação dos Embargos de Declaração opostos exercem sua função integralizadora à decisão anterior, mesmo em acolhimento parcial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 10 81 /2 00 7- 17 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.001081/200717 Acórdão n.º 2803001.743 S2TE03 Fl. 125 2 Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) para: a) Reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive a competência 13/2001; b) determinar que a aplicação da sanção objeto do presente auto de infração seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação conjunta com as sanções previstas na forma art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.001081/200717 Acórdão n.º 2803001.743 S2TE03 Fl. 126 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto pela FAZENDA NACIONAL, através da PGFN, em face do Acórdão exarado pela 3a. Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF/MF, então sob a relatoria e lavra da Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, sob a alegação de haver omissão na decisão. O acórdão embargado teve o seguinte relatório e conclusão do voto vencedor (fls. 93103): Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de BENJAMIN TOCHETTO CIA. LTDA., em virtude de ausência de declaração em GFIP das informações referentes aos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais, nas competências de 01/199 a 03/2006, tendo deixado de declarar, ainda, as retenções de 11% sobre esses pagamentos a partir de 04/2006. Nestes termos, teria a empresa incorrido na infração prevista no art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/91. Assim, foi arbitrada multa no montante de cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada, não existindo circunstâncias agravantes expressas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social. O contribuinte foi notificado do lançamento em 09/08/2006 e apresentou defesa tempestiva protocolizada em 24/08/2006 (fls. 40/47). A Delegacia da Receita de Julgamento manteve o lançamento em acórdão ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/08/2006 APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. PERÍCIA. MULTA.PRESCRIÇA0 E DECADENCIA. PRAZOS PROCESSUAIS. Apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração ao art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91. Será desconhecido o Pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos legais, de acordo com o § 1° do art. 11 da Portaria MPS n° 10.875/2007, c/c o inciso IV do art. 7°. A contagem do prazo, prescricional tem inicio tãosomente após a constituição definitiva do crédito tributário. Somente a partir de 30/04/2007, com a publicação do Decreto 6.103/2007, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.001081/200717 Acórdão n.º 2803001.743 S2TE03 Fl. 127 4 o prazo de 30(trinta) dias para impugnação, do Decreto 70.235/72 , estendeuse às contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente” Contra a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo em 10/01/2008 (fls. 70/89), por meio do qual alega, em síntese: (a) preliminarmente, a total inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal, em virtude do julgado proferido pelo STF nos autos da ADIn nº 1976; (...) Por todo o exposto, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo interessado, reconhecendo, de ofício, (i) a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo ao período de 01/1999 a 12/2000, (ii) bem como a possibilidade de aplicação do novo regramento previsto no art. 32A da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, por força da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, caso seja mais favorável ao contribuinte. Aduz a embargante, em síntese, que o acórdão contém omissão quanto à aplicação da decadência abrangendo os atos infracionais do período de 01/1999 a 12/2000 e omissão quanto à aplicação da multa, ao final requerendo a inclusão do atos infracionais do período 12.2000 como não decadentes e aplicação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com redação dada a partir da MP n. 449/2008. Este processo fora redistribuído ao presente relator em razão da renúncia de mandato realizada pela Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Por fim, a embargante solicita que os embargos sejam conhecidos e providos. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração. Na análise do acórdão proferido verificamos que há parcial necessidade na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois o acórdão contém a omissão descrita. Ao entendimento deste conselheiro há parcial procedência em seus embargos. Em razão do exposto, após a indicação aprovada pelo Nobre Presidente desta Turma Especial, devolvese os autos para o conhecimento e apreciação da presente turma. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.001081/200717 Acórdão n.º 2803001.743 S2TE03 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I Os embargos foram tempestivos, bem como há realmente questões a serem esclarecidas, assim deve o mesmo ser conhecido, exercendo sua função integralizadora da decisão. II – Quanto à alegação de aplicação da decadência na forma do art. 150, §4o, do CTN, o auto de infração foi entregue ao contribuinte em 04.11.2007. Por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória) o lançamento de crédito tributário é realizado de ofício, em especial nos casos de declarações não prestadas, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Essa é inclusive a orientação jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.001081/200717 Acórdão n.º 2803001.743 S2TE03 Fl. 129 6 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 240100.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida, mas não é. Assim, consoante a regra retro citada, necessário se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive esta e a competência 13/2001. Considerando que a entrega da GFIP 12/2001 se dá em janeiro de 2002, esta competência não se encontra atingida pela decadência. Logo, neste ponto, não deve ser acolhido parcialmente os embargos de declaração conforme a conclusão acima. III – Quanto à multa a ser aplicada, falta na decisão embargada a indicação específica de qual dispositivo a ser aplicado. Entendo que em razão de dever de interpretação mais benéfica ao contribuinte e retroatividade benígna, devese fazer a seguinte manifestação quanto à aplicação da multa. Ao verificarse a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, § 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.001081/200717 Acórdão n.º 2803001.743 S2TE03 Fl. 130 7 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.001081/200717 Acórdão n.º 2803001.743 S2TE03 Fl. 131 8 Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, acolhese parcialmente os embargos de declaração, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. VII Conclusão Isso posto, voto por acolher parcialmente os Embargos de Declaração opostos, exercendo sua função integralizadora à decisão anterior, para: a) Reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive esta e a competência 13/2001, decretando a extinção dos créditos lançados com base nas infrações ocorridas referentes a esses períodos; b) determinar que a aplicação da sanção objeto do presente auto de infração seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação conjunta com as sanções previstas na forma art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Sala de Sessões, 14 de agosto de 2012. (Assinatura Digital) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11030.001081/200717 Acórdão n.º 2803001.743 S2TE03 Fl. 132 9 Gustavo Vettorato Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 35588.002727/2007-37
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.540
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por ananimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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S2-C3T1 Fl. 359 r4/ ..:: :.....' MINISTÉRIO DA FAZENDACONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS4r SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35588.002727/2007-37 Recurso n° 150.451 Voluntário Acórdão n° 2301-00.540 — 3* Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria Decadência Recorrente PROFARMA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS S.A. Recorrida DRP/RIO DE JANEIRO NORTE/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ' 1 _ . Processo n° 35588.002727/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.540 Fl. 360 ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por ani • dade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso. 1. n N'' JULIO C t. 14 IRA GOMES • Presidentl /4) 5 • • SILVA V DAL elator Participaram do julgamento os conselheiros: Diarnião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dós Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Fez sustentação oral o advogado da recorrente Gabriel Lacerda Trocanelli, OAB/DF n° .212. 2 Processo n° 35588.002727/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.540 Fl. 361 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, referente às contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, correspondentes às partes da empresa e dos segurados, ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos terceiros Salário Educação, FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, decorrentes da diferença entre o valor devido, calculado com base nas remunerações dos segurados empregados e os valores efetivamente recolhidos. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 21/11/2006 (fls. 01) A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconformada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, além das questões de mérito, a decadência do direito de o fisco realizar o lançamento. A recorrente não efetuou o depósito recursal no valor de 30% do lançamento, dispensada que foi da obrigação por liminar concedida em Mandado de Segurança no processo n°2007.51.01.008948-6, da 21 Va Federal da Justiça Federal no Rio de Janeiro.. É o relatório. • 3 Processo n° 35588.002727/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.540 Fl. 362 Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do Recurso e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pela recorrente. . DAS QUESTÕES PRELIMINARES DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4 0, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8_ 2 1 2/91, por violação do art. 146, HL b, da Constituição, e cio parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao f 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8_2 1 2/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário ". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 03-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: 4 Processo n°35588.002727/2007-37 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.540 Fl. 363 Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei rfi 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. • •• Art. 2 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ,¢ 1' O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 42), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. s . • Processo n° 35588.002727/2007-37 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.540 Fl. 364 Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFLD em 21/11/2006. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/1996 a 12/1998, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. Sala das Sessões, em 19 d agosto de 2009 ED #14dD— L - Relator . 6 •
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Numero do processo: 10283.006908/00-25
Data da sessão: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 11/07/00.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.221
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto que deu provimento ao recurso.
Nome do relator: Otacílio Dantas Cartaxo - Ad Hoc
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DE DROGAS DA AMAZÔNIA LTDA. Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n" Sessão de Recorrente Interessado ao recurso recurso. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de ineonstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, fi rmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, ern 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando Cm 31/08/00. 0 pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 11/07/00. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento especial. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto que dava provimento ao Manoel Antônio Gadelha Dias - Presidente Otacilio Dantas Ca xo - Relator ad hoc EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Manoel Antônio Gadelha Dias, Otacilio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes, Luis Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli e Mario Junqueira Franco Júnior. Relatório Eis na integra a transcrição do relatório concernente ao acórdão acima prolatado. Versa o processo sobre requerimento dirigido pelo sujeito passivo identificado na epígrafe a Secretaria da Receita Federal solicitando restituição e eventualmente compensação de recolhimentos por ele efetuados a titulo de contribuição para o FINSOC14L a aliquotas superiores a 0,5%, posteriormente consideradas avessas ao comando constitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, julgado este que veio a redundar na edição da Medida Provisória n". 1.11 0, de 30.08.95. O requerimento foi indeferido por despacho • da repartição jurisdicionante, que considerou extinto o direito do contribuinte de pleitear a repetição, ex vi do Ato Declaratório „SWF n`: 096/99, cujo entendimento é o de que o prazo para tal reclamação se extingue transcorridos cinco anos da data da extinção do crédito tributário (isto 6, do pagamento), independentemente da posterior declaração de inconstitucionalidade de sua imposição. O contribuinte, in-esignado, impugnou o despacho decisório, contestando a inteligência exarada no citado Ato Declaratório SEE quanto a contagem inicial do litigado prazo decadencial. Teve, entretanto, indeferida sua pretensão pela autoridade julgadora de J. instância, com base na interpretação estabelecida pelo prefalado Ato Declaratório. De tat decisão ora recorre a este Conselho ratificando a argumentação expendida em sua peça impugnatória. O Acórdão n.° 303-31626 (fls. 100/105) prolatou a decisão proferida na Sessão de Julgamento pela Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 16/09/2004, cujo entendimento encontra-se sintetizado na ementa adiante transcrita: FINSOCIAL: REPEW10 DE INDÉBITO. Afasta-se a preliminar de decadência de pedido de repetição de indébito relativo a pagamentos indevidos da contribuição ao FINSOCIAL, quando requerido no prazo de cinco anos contado da publicação da Medida Provisória n". 1.110/95. Autos remetidos à instancia a quo para exame do mérito. In casa, o pedido ocorreu em data de 15/12/98, quando ainda existia o direito de o contribuinte de pleitear a compensação. Cientificada do acórdão retromencionado contra o mesmo insurge-se a Fazenda Nacional (fls. 118/154), aviando o seu recurso, com fulcro no art. 7°- I do RICSRF. Aduz o d. Procurador: crl° 2 Processo no 10283.006908/00-25 Acórdão n.° 03-05.221 CSRF/T03 Fls. 124 • A questão central que se discute no feito é saber qual o termo inicial e o final para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL, que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. • 0 v. acórdão recorrido entendeu que o direito de pleitear a restituição ou compensação do Finsocial somente começa a ser contada a partir da edição da MP n° 1.110/95, expedida em 30/08/95. • Pronuncia-se em favor da tese contida nos arts. 165-1 e 1684, ambos do CTN que reconhece o direito ao crédito tributário, entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção pelo pagamento (art. 1564, CTN), ocorrendo o inicio da contagem do prazo decadencial de cinco anos no dia do pagamento espontâneo do tributo devido. • 0 art. 3 0 da LC n° 118 deixa claro que para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art. 150 do mesmo mandamus, devendo o mesmo ser aplicado retroativamente a teor do art. 106-1 do CTN. • Complementa a sua fundamentação com o ADN/SRF n° 96/99, como norma integrante da legislação tributária, de caráter vinculante para a administração tributária (arts. 100-I e 1034, CTN), sobre o seu entendimento concernente ao prazo decadencial. • Não há na lei qualquer autorização que justifique ser considerada a data da publicação da MP no 1.110/95, o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial, por conseguinte para se considerar esse termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário público. • Requer a reforma da decisão hostilizada para que seja restituida a decisão de primeira instancia. O REsp da PFN foi admitido em 16/11/2005, conforme Despacho exarado pelo Presidente da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 159), mediante o reconhecimento da existência de tempestividade e de divergência entre o julgado e o acórdão paradigma apresentado. Intimado a apresentar suas contra-razões (vide AR à folha I64-V), 0 sujeito passivo as protocolizou tempestivamente (fls. 165/173). Combate o pleito da PGFN com citação de legislação e de acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes, solicitando seja negado provimento ao RESP e que prevaleça, na integra, a decisão recorrida. o relatório. 3 Voto Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, Relator ad hoc 0 recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional preenche os quesitos necessários A sua admissibilidade quanto aos critérios de tempestividade e de divergência. Versa a matéria trazida à apreciação desta Corte, sobre o indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da aliquota do F1NSOCIAL cima de 0,5%, declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n°.150.764-1, DJU de 02/03/93, especificamente quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito. A tese esposada pela decisão de primeira instância, em relação A matéria em foco, adotou o entendimento contido no AD/SRF n° 96/99 para,. reconhecendo o direito do contribuinte ao crédito tributário (art. 1654 CTN), argüir que, o mesmo prescreve após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção (art. 168-1, CTN) pelo pagamento (art. 1561, CTN). De modo diverso, a decisão recorrida afastou a preliminar de decadência, argüindo que o prazo de cinco anos para a restituição de indebito deve ser contado a partir da publicação da Medida Provisória n.° 1.110/95, devendo os autos serem remetidos à instância a quo para exame de mérito. A Fazenda Nacional enfatizou os mesmos argumentos expendidos na decisão de primeira instância, postulando pela sua restauração e pela reforma do acórdão recorrido. Observou-se, também, que a autoridade fiscal se manteve inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto A. restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Desde logo depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, de restituição do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo que se falar em decadência. Inicialmente, tem-se que, com o advento da MP n.° 1.110, publicada no DOU de 31 de agosto de 1995, o Poder Executivo admitiu a inconstitucionalidade da fixação do termo a quo para contagem do prazo prescricional para fins de exigência do F1NSOCIAL em percentual superior a 0,5%. Com isso, o tributo indevido ou.pago a maior (art. 165-1, do CTN), relativamente ao Finsocial, passou a ser a ser assim considerado. Nesse mesmo sentido, o Parecer Cosit n.° 58, de 27/10/98, dispôs em seu item 27 que o prazo para o contribuinte não-participe de ação judicial possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação da MP n.° 1.110/95, para os casos dos incisos II a VII, do art. 17, de acordo com as hipóteses previstas no art. 18 da MP n.° 1.699-40/98, in verbis: Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da, União, ,o'd juizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e inscrição, relativamente: 6>,0 4 CSRF/T03 Fls. 125 Processo n° 10283.006908/00-25 Acórdao n.° 03-05.221 iii - à contribuição ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art 9.° da Lei n.° 7.689, de 1988, na aliquota superior a zero virgula cinco por cento, conforme Leis n." 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de zero virgula um por cento sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto —Lei n.° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. cediço que o texto contido nas MP n.° 1.110/95 e 1.621-40/98, além de suas reedições sucessivas até o advento da lei n.° 1.522, de 19/07/01, não alude expressamente hipótese de restituição de tributos, bem assim que restou estabelecido consoante o § 3.°, do artigo 18 dessa lei, que o disposto neste artigo não implicará restituição ex officio. Entretanto, não se pode olvidar do permissivo oficial contido no Parecer Cosit n.° 58/98, o qual estabeleceu o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da data da publicação da MP n.° 1.110/95, em 31/08/95, quando efetivamente nasceu o direito de o contribuinte postular perante a Administração Tributária a restituição/compensação de indébitos tributários. Inobstante o entendimento vazado pela Administração Tributária no Parecer Cosit n.° 58/98, foi publicado em 30/11/99 o Ato Declaratório n.° 96, arrimado no Parecer PGFN n.° 1.538/99, que pretendeu mudar o posicionamento acerca da matéria, ao dispor que o prazo para o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso de prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário (art. 165-1 e 168-I, do CTN). A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58/98, de 27/10/98, cujo reconhecimento expresso naquele Parecer referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n° L110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n°.96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa a esposar o novo entendimento a se contrapor àquele adotado anteriormente. Decerto a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n° 1.110195. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. 5 Ao contrário do que expôs o juizo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, fa-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, ate que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FINSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mess pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este a -utorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto h. Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação 6. prescrição, análise esta pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Note-se que a Secretaria da Receita Federal - através da IN/SRF n.° 32, de 09/04/97, em seu artigo 2.° já havia convalidado a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Confins, com fundamento no art. 9.° da Lei n.° 7.689/88, na alíquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio desse ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já. mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por urna lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge do âmbito - da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 6°, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178) Considerando que o posicionamento adotado pela SRF, em todos os pedidos protocolados até 30/11/99 deu-se com base na IN/SRF n.° 32/97 e no Parecer Cosit 58/98, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual, deve ser mantido esse entendimento para os casos ocorridos mesmo após a publicação do AD/SRF n.° 96/99, uma vez que reside na MP n.° 1.110/95 o reconhecimento do Poder Executivo, ao admitir que a exigência do Finsocial com a aliquota majorada acima de 0,5% era inconstitucional, de acordo com os dispositivos contidos no seu art. 17-111. Insubsistentes, portanto, os argumentos do d. Procurador eom relação à lide. Finalmente, tem-se que o pedido de compensação de Finsocial formulado em 11/07/2000 (fls. 01/02) e que o término da contagem do prazo prescricional, sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido, di-se em 31/08/00, não havendo que se falar em decadência. 6 CSRFT1'03 Fls. 126 Processo n° 10283.006908/00-25 Acórdão n.° 03-05.221 Ante o exposto, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito, nego-lhe provimento, retornando os autos A. DR3 para exame das demais matérias. assim que voto: Otacilio Da tas Cartaxo 7
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Numero do processo: 10580.722012/2008-24
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma
da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 310DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.722012/200824 Acórdão n.º 210202.169 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra VANDA ARAÚJO ARAGÃO foi lavrado Auto de Infração, fls. 98/107, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2006, exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 125.601,80, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, CNPJ 04.142.491/200166, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.722012/200824 Acórdão n.º 210202.169 S2C1T2 Fl. 3 3 Preceitua a referida Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com nosso sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, ou seja, seus efeitos não se estendem ao imposto de renda. Principalmente porque não se fez, e nem se poderia, estender seus efeitos tributários no âmbito federal. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo. A lei complementar aludida tem repercussão jurídica em outras matérias afeitas à competência legislativa estadual, tão somente. (...) Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SDR nº 1526.192, de 16/02/2011, fls. 200/205: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e Fl. 312DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.722012/200824 Acórdão n.º 210202.169 S2C1T2 Fl. 4 4 correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A DRJ Salvador julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 208, a contribuinte apresentou, em 11/04/2011, recurso voluntário, fls. 209/294, onde repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação, acrescentando que na hipótese de manutenção do lançamento, que seja refeitos os cálculos do quantum devido, levandose em conta a determinação contida na Instrução Normativa RFB nº 1.127/2010. Aduz, ainda, que a decisão recorrida é nula, pois deixou de enfrentar a argüição de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do Imposto de Renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro. É o Relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.722012/200824 Acórdão n.º 210202.169 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.722012/200824 Acórdão n.º 210202.169 S2C1T2 Fl. 6 6 Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade Fl. 315DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.722012/200824 Acórdão n.º 210202.169 S2C1T2 Fl. 7 7 pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela Fl. 316DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.722012/200824 Acórdão n.º 210202.169 S2C1T2 Fl. 8 8 União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, de modo que se torna desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pela contribuinte no recurso. Ainda, pelo entendimento da não tributação das diferenças de URV percebidos por magistrados estaduais, vêse o REsp nº 1187109, relatoria da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.722012/200824 Acórdão n.º 210202.169 S2C1T2 Fl. 9 9 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 318DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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