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Numero do processo: 10715.000806/2010-85
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 08 06 /2 01 0- 85 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 15.000.00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada registrou a destempo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados no mês de maio de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo de fl. 09, descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN SRF n° 28/1994, alterado pelo artigo I o da IN SRF n° 510/2005, tendo em conta que o inciso II do artigo 39 da mencionada norma (IN SRF n° 28/1994) considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada (fls. 11/12), a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 24, acompanhada dos documentos de fls. 25 a 56, para, ao final, "requerer seja julgado improcedente o Auto de Infração tendo em vista à violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da moralidade e eficiência administrativa; e as constantes falhas verificadas no sistema SISCOMEX, e que isentam de culpa a Impugnante nos atrasos alegados. Subsidiariamente, caso não se entenda pela nulidade do Auto de Infração, requerse a redução da multa para o importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais), considerando que um dos embarques, o de 19/05/2006, ocorreu no prazo previsto pelo IN 510/2005".. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, sendo o acórdão recorrido dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004: Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 5 4 106. II. do Código Tributário Nacional e a aplicação de multa singular em virtude da continuidade delitiva. É o Relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 7 6 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 8 7 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 9 8 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 10 9 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto a alegação de aplicação de multa singular entendo que não assiste razão à recorrente uma vez que o aspecto material da penalidade é deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, o que, por não estar expressamente consignado, poderia levar a interpretação de que a multa deveria ser aplicada a cada carga transportada (identificada por diferentes Declarações para Despacho de Exportação), mas que numa interpretação mais benéfica ao contribuinte entendese que a imposição da multa do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 deve ser aplicada uma única vez, por cada veículo transportador, ou seja, por viagem, conforme considerou a fiscalização, mas nunca uma aplicação de multa singular para embarques diversos, devendo ser aplicada para cada veiculo identificado pelo respectivo vôo. Essa matéria já foi enfrentada em julgamentos anteriores desse conselho: Assunto: Obrigações Acessórias Ano calendário:2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 11 10 IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 13 12 vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/201085 Acórdão n.º 3801005.352 S3TE01 Fl. 14 13 / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, deixo de apreciar os demais argumentos trazidos pela recorrente. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a penalidade aplicada, em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10865.003940/2010-14
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
Ementa:
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E CONTRIBUINTE OMISSO DE DECLARAÇÕES. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101).
LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. TRANSFERÊNCIA DE DADOS, INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO PELAS INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LC Nº 105/2001, ART. 6º E DECRETO Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO E ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS - EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA.
O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação.
O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01.
É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO FISCAL PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA.
Restando caracterizado, comprovado nos autos, que o Fisco efetuou intimação fiscal na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96, com ciência da pessoa jurídica fiscalizada, da relação de depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias para comprovação da origem, devidamente individualizados por operação (histórico), com data, valor, conta corrente bancária e instituição financeira, quanto aos PA objeto dos autos, não se vislumbra prejuízo algum à defesa.
ANOS-CALENDÁRIO 2005 E 2006. RECEITAS CONTABILIZADAS E NÃO DECLARADAS. RESULTADOS OPERACIONAIS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. CONTRIBUINTE OMISSA DE DECLARAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 24 DA LEI Nº 9.249/95). PRESUNÇÃO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PROTESTO GENÉRICO DE PERÍCIA TÉCNICA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
A escrituração contábil, nos termos do art. 923 do RIR/99, configura prova direta das infrações imputadas, ou seja, omissão de receitas operacionais e dos resultados operacionais escriturados e não declarados. Princípio da comunhão das provas.
Quanto à existência de eventual fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, o ônus da prova incumbe ao sujeito passivo.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 (Decreto nº 70.235/72, art. 16, §1º).
Rejeita-se o pedido genérico de produção de prova pericial, quando não atender aos requisitos constantes do artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.
ANOS CALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.
A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando).
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova.
O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo.
A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratando-se de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS.
Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.
Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplica-se aos lançamentos decorrentes, o mesmo tratamento ou entendimento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.540
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro relator Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa Presidente e Redator.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro relator Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente e Redator. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E CONTRIBUINTE OMISSO DE DECLARAÇÕES. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. TRANSFERÊNCIA DE DADOS, INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO PELAS INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LC Nº 105/2001, ART. 6º E DECRETO Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO E ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS - EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01. É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO FISCAL PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Restando caracterizado, comprovado nos autos, que o Fisco efetuou intimação fiscal na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96, com ciência da pessoa jurídica fiscalizada, da relação de depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias para comprovação da origem, devidamente individualizados por operação (histórico), com data, valor, conta corrente bancária e instituição financeira, quanto aos PA objeto dos autos, não se vislumbra prejuízo algum à defesa. ANOS-CALENDÁRIO 2005 E 2006. RECEITAS CONTABILIZADAS E NÃO DECLARADAS. RESULTADOS OPERACIONAIS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. CONTRIBUINTE OMISSA DE DECLARAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 24 DA LEI Nº 9.249/95). PRESUNÇÃO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PROTESTO GENÉRICO DE PERÍCIA TÉCNICA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. A escrituração contábil, nos termos do art. 923 do RIR/99, configura prova direta das infrações imputadas, ou seja, omissão de receitas operacionais e dos resultados operacionais escriturados e não declarados. Princípio da comunhão das provas. Quanto à existência de eventual fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, o ônus da prova incumbe ao sujeito passivo. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 (Decreto nº 70.235/72, art. 16, §1º). Rejeita-se o pedido genérico de produção de prova pericial, quando não atender aos requisitos constantes do artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. ANOS CALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratando-se de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplica-se aos lançamentos decorrentes, o mesmo tratamento ou entendimento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E CONTRIBUINTE OMISSO DE DECLARAÇÕES. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. TRANSFERÊNCIA DE DADOS, INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO PELAS INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LC Nº 105/2001, ART. 6º E DECRETO Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO E ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 40 /2 01 0- 14 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 606 2 contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01. É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO FISCAL PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Restando caracterizado, comprovado nos autos, que o Fisco efetuou intimação fiscal na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96, com ciência da pessoa jurídica fiscalizada, da relação de depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias para comprovação da origem, devidamente individualizados por operação (histórico), com data, valor, conta corrente bancária e instituição financeira, quanto aos PA objeto dos autos, não se vislumbra prejuízo algum à defesa. ANOSCALENDÁRIO 2005 E 2006. RECEITAS CONTABILIZADAS E NÃO DECLARADAS. RESULTADOS OPERACIONAIS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. CONTRIBUINTE OMISSA DE DECLARAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 24 DA LEI Nº 9.249/95). PRESUNÇÃO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PROTESTO GENÉRICO DE PERÍCIA TÉCNICA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A escrituração contábil, nos termos do art. 923 do RIR/99, configura prova direta das infrações imputadas, ou seja, omissão de receitas operacionais e dos resultados operacionais escriturados e não declarados. Princípio da comunhão das provas. Quanto à existência de eventual fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, o ônus da prova incumbe ao sujeito passivo. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 (Decreto nº 70.235/72, art. 16, §1º). Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 607 3 Rejeitase o pedido genérico de produção de prova pericial, quando não atender aos requisitos constantes do artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. ANOS CALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) presumese a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 608 4 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplicase aos lançamentos decorrentes, o mesmo tratamento ou entendimento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro relator Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa – Presidente e Redator. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 609 5 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 610 6 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 564/600 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efls. 470/505) que julgou a impugnação improcedente, mantendo os autos de infração do IRPJ e reflexos dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007. Quanto aos fatos: que, em 09/12/2010, em procedimento de fiscalização externa, foram lavrados contra o sujeito passivo, na DRF/Limeira, autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) (efls. 322/341 e 342/394), para exigência do crédito tributário objeto dos autos, pela imputação de infrações à legislação tributária. Infrações imputadas (auto de infração do IRPJ) (efls.322/3336) : (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme descrito no Relatório Fiscal, parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Valor da Infração: Período de apuração Valor Tributável (R$) 31/03/2005 5.599,72 31/03/2006 11.132,60 31/03/2006 5.133,34 31/03/2006 9.829,29 30/09/2006 8.002,11 30/09/2006 49,60 31/12/2006 188,45 31/12/2006 2.815,60 Obs: Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 611 7 (i) Omissão de receitas Depósitos bancários não escriturados, anoscalendário 2005 e 2006, respectivamente, nos valores de R$ 5.599,72 e R$ 37.150,99. Demonstrativo, transcrito acima, constante do auto de infração (efls. 322/3336 e 321). As parcelas – , depósitos a crédito que perfazem o somatório mensal indicado no demonstrativo acima , de forma individualizada, operação por operação de depósito a crédito, constam discriminadas no demonstrativo anexo à intimação fiscal –ciência de 26/11/2010 (efls. 310/321). (ii) Em complemento da descrição, narrativa dos fatos, conforme já aludido acima, consta do Relatório Fiscal, que transcrevo (efls. 401e 403), in verbis: (...) Da Análise da Movimentação Bancária: O contribuinte, intimado a apresentar o Livro Razão, apresentou a escrituração comercial em 03/09/2010, mediante entrega, em meio digital, no formato Manad (IN MPS/SRP n° 12/2006), do período compreendido entre 01/01/2005 e 31/12/2007. (..) Em relação à análise do confronto entre os extratos bancários e a contabilidade item 1 verificouse que: Nos anoscalendàrio 2005 e 2006, os créditos bancários foram em sua maioria escriturados. Restaram, no entanto R$ 5.599,72 e R$ 37.150,99 em créditos em contas bancárias cujos lançamentos não foram localizados na contabilidade em 2005 e 2006 respectivamente. (...) Das Constatações Relativas ao TIF de 04/10/2010: 1) as justificativas apresentadas pelo contribuinte em relação aos créditos de R$ 14.830,47 (26/06/2007) e R$ 30.000,00 (30/08/2007), embora não embasadas por documentação de suporte, serão acatadas em razão de os históricos demonstrarem tratarse de operações de financiamento: "aquisição de bem 01296/078" e "liber. contr.85/2488441". Assim, esta fiscalização excluiu da relação contida no Anexo I referidos valores. Os demais valores, R$ 5.599,72, anocalendário 2005, R$ 37.150,99, anocalendário 2006, e R$ 566.529,80, anocalendário 2007, constituemse em omissão de receitas com base em créditos bancários cuja origem, correta contabilização e submissão à tributação não foram comprovadas e assim serão tributados de oficio como infração dessa natureza; (...) (iii) Fundamentação legal da infração: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287, 288 e 926 do RIR/99; (iv) Regime de apuração: Lucro Real trimestral, anoscalendário 2005 e 2006, para IRPJ e reflexo CSLL (efls. 322/336); (v) Período de apuração mensal para PIS e Cofins (regime não –cumulativo) acerca da receita omitida, anos calendário 2005 e 2006 (lançamentos reflexos). (vi) Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (efls. 395/405). (...) Fl. 611DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 612 8 002 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado, conforme descrito no Relatório Fiscal, parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Valor da Infração: Período de apuração Base de Cálculo Valor Tributável (R$) 31/03/2005 201,28 31/03/2006 18.018,46 30/06/2006 40.004,45 30/09/2006 73.528,12 30/12/2006 55.084,59 Obs: (i) Contribuinte omissão de declarações (sem DIPJ, sem DCTF, e sem recolhimentos), para os anoscalendário 2005 e 2006. (ii) Os valores, constantes do demonstrativo acima, representam a Base de Cálculo do IRPJ e a Base de Cálculo da CSLL apuradas a partir do Lucro Líquido Contábil, em face das receitas auferidas, que estão escrituradas, registradas na contabilidade, e não declarados ao fisco, dos anoscalendário 2005 e 2006. (iii) As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2005 e 2006 foram apuradas pelo regime do Lucro Real trimestral. Vide demonstrativo – planilha resumo – da apuração dessas bases de cálculo (efl. 312); (iv) Os reflexos PIS e Cofins: As receitas escrituradas e não declaradas dos anoscalendário 2005 e 2006 que sustentam, que dão origem, aos resultados da infração do IRPJ e do reflexo (CSLL), estão apresentadass, ou seja, constam também dos autos de infração PIS e Cofins (regime não cumulativo) (efls. 342/394). O respectivo crédito tributário está apresentado especificamente, em separado (infração reflexa), conforme será detalhado mais adiante. (v) Regime de apuração do Lucro Real trimestral, anos –calendário 2005 e 2006, para IRPJ e reflexo CSLL – autos de infação (efls. 322/336); (vi) Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (efls. 395/405); (vii) Fundamento legal: Arts. 249, 250, 279, 280, 288 e 926 do RIR/99. (...) 03 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor apurado conforme Relatório Fiscal, (...) parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 613 9 Valor da Infração: Período de apuração Valor Tributável (R$) 31/03/2007 92.423,11 31/03/2007 99.125,01 31/03/2007 137.657,58 30/06/2007 55.434,86 30/06/2007 60.354,11 30/06/2007 54.670,12 30/09/2007 18.442,14 30/09/2007 15.580,98 30/09/2007 9.470,55 31/12/2007 6.774,10 31/12/2007 7.275,24 31/12/2007 9.322,00 TOTAL 566.529,80 Obs: (i) Omissão de receitas Depósitos bancários de origem não comprovada, anocalendário 2007. Demonstrativo constante do auto de infração. As parcelas – depósitos a crédito que compõem este somatório de R$ 566.529,80 estão discriminadas, de forma individualizada, ou seja, para cada operação de crédito, no demonstrativo anexo à intimação –ciência de 26/11/2010 (efls. 310/321). (ii) Em complemento da descrição, narrativa dos fatos, consta do Relatório Fiscal (efls. 401/404), in verbis: (...) Da Análise da Movimentação Bancária: O contribuinte, intimado a apresentar o Livro Razão, apresentou a escrituração comercial em 03/09/2010, mediante entrega, em meio digital, no formato Manad (IN MPS/SRP n° 12/2006), do período compreendido entre 01/01/2005 e 31/12/2007. (...) Das Constatações Relativas ao TIF de 04/10/2010: 1) as justificativas apresentadas pelo contribuinte em relação aos créditos de R$ 14.830,47 (26/06/2007) e R$ 30.000,00 (30/08/2007), embora não embasadas por documentação de suporte, serão acatadas em razão de os históricos demonstrarem tratarse de operações de financiamento: "aquisição de bem 01296/078" e "liber. contr.85/2488441". Assim, esta fiscalização excluiu da relação contida no Anexo I referidos valores. Os demais valores, R$ 5.599,72, anocalendário 2005, R$ 37.150,99, Fl. 613DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 614 10 anocalendário 2006, e R$ 566.529,80, anocalendário 2007, constituemse em omissão de receitas com base em créditos bancários cuja origem, correta contabilização e submissão à tributação não foram comprovadas e assim serão tributados de oficio como infração dessa natureza; (...) Da forma de tributação de ofício: (...) Em relação ao anocalendário 2007, embora também submetido — a principio — ao regime de tributação do lucro real, a escrituração comercial do contribuinte não comportou a movimentação bancária de forma a se conhecer as naturezas das transações registradas. Conforme já esclarecido pormenorizadamente no parágrafo intitulado Da Análise da Movimentação Bancária do TIF de 04/10/2010, foi encontrada uma divergência de R$ 566.529,80 em créditos bancários não escriturados, sendo que a receita escriturada somou apenas R$ 208.731,86 e não fez qualquer referência à forma de recebimento. Em razão da impossibilidade de aproveitamento da escrita fiscal relativa ao anocalendário 2007, a mesma é considerada imprestável para apuração do lucro real bem como para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Assim, com fundamento no Decreto n° 3.000/99, art. 530, II, as omissões de receitas do anocalendário 2007 serão tributadas segundo o regime de tributação do Lucro Arbitrado. (iii) Fundamento legal: Arts. 532, 537, 849 e 926 do RIR/99; (iv) Regime de apuração do Lucro Arbitrado (apuração trimestral), ano –calendário 2007, para IRPJ e reflexo –CSLL, por ser imprestável a escrituração contábil – autos de infração e demonstrativos (efls. 322/336); (v) Apuração mensal para PIS e Cofins (regime cumulativo) sobre receita omitida (lançamento reflexo); (vi) Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2007, 06/2007 09/2007 e 12/2007. Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas descritos no Relatório Fiscal, que é parte integrante do presente Auto de Infração (Art. 530, inciso II, do RIR/99); (vii) Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (efls. 395/405). O crédito tributário lançado de ofício para os anoscalendário 2005, 2006 e 2007, quanto à infração 01 do IRPJ e reflexos –CSLL, PIS e Cofins, infração 02 do IRPJ e reflexo –CSLL (não computados os autos de infração PIS e Cofins) e infração 03 do IRPJ e reflexos CSLL, PIS e Cofins, perfaz a quantia de R$ 208.504,69, assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal Juros de Mora calc. até 30/11/2010 Multa de 75% Total (R$) IRPJ 44.754,11 19.244,62 33.365,54 97.564,27 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 615 11 PIS 4.387,73 1.699,96 3.290,73 9.378,42 CSLL 26.781,38 11.423,19 20.085,99 58.290,56 Cofins 20.244,85 7.843,03 15.183,56 43.271,44 TOTAL (R$) 208.504,69 Obs: Nesse montante de crédito tributário, como já mencionado, não constam, não foram computados, os lançamentos reflexos PIS e Cofins dos anoscalendário 2005 e 2006, quanto à infração 02 (transcrita acima). Vale dixer, sobre as receitas escrituradas e não declaradas dos anoscalendário 2005 e 2006, houve apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apresentadas na infração 02, para cada período trimestral de apuração (lucro presumido, que é trimestal). Já, os reflexos PIS e Cofins (regime nãocumulativo), que incidem diretamente sobre a receita bruta mensal escriturada e não declarada,, constam de lançamento e demonstrativos específicos, períodos de apuração mensal (efls. 342/394). O respectivo crédito tributário, também, está apresentado em separado (infração reflexa), conforme transcrição abaixo: Valor da Infração: Receita Base de Cálculo Operacional Devoluções e Receitas Contabilizadas Mês/Ano Bruta Abatimentos e não Declaradas Jan/05 R$ 111.550,87 R$ R$ 111.550,87 Fev/05 R$ 107.959,28 R$ R$ 107.959,28 Mar/05 R$ 132.991,55 R$ R$ 132.991,55 Abr/05 R$ 125.708,45 R$ R$ 125.708,45 Mai/05 R$ 122.928,68 R$ R$ 122.928,68 Jun/05 R$ 102.741,61 R$ R$ 102.741,61 jul/05 R$ 121.197,40 R$ R$ 121.197,40 Ago/05 R$ 140.544,88 R$ R$ 140.544,88 set/05 R$ 142.668,20 R$ R$ 142.668,20 Out/05 R$ 136.406,33 R$ R$ 136.406,33 Nov/05 R$ 101.859,80 R$ R$ 101.859,80 Dez/05 R$ 153.736,37 R$ R$ 153.736,37 Total 2005 R$ 1.500.293,42 R$ 1.500.293,42 Jan/06 R$ 121.585,58 R$ R$ 121.585,58 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 616 12 Fev/06 R$ 124.651,00 R$ R$ 124.651,00 Mar/06 R$ 152.019,91 R$ R$ 152.019,91 Abr/06 R$ 125.000,38 R$ R$ 125.000,38 Mai/06 R$ 118.761,39 R$ R$ 118.761,39 Jun/06 R$ 118.303,85 R$ R$ 118.303,85 jul/06 R$ 192.656,40 R$ R$ 192.656,40 Ago/06 R$ 160.216,17 R$ R$ 160.216,17 set/06 R$ 112.608,69 R$ R$ 112.608,69 Out/06 R$ 115.773,54 R$ R$ 115.773,54 Nov/06 R$ 104.250,63 R$ R$ 104.250,63 Dez/06 R$ 96.495,22 R$ R$ 96.495,22 Total 2006 R$ 1.542.322,76 R$ 1.542.322,76 Obs: Esses valores de receitas contabilizadas e não declaradas dos anoscalendário 2005 e 2006, além de constarem dos autos de infração do PIS e da Cofins (efls. 342/394), estão anexos à intimação fiscal que a contribuinte tomou ciência em 26/11/2010 (efls. 310/311). O crédito tributário dos autos de infração da Contribuição para o PIS e da Cofins, regime nãocumulativo(lançamento reflexo da infração 02 do auto de infração do IRPJ), em relação às receitas contabilizadas e não declaradas dos anoscalendário 2005 e 2006 falta de recolhimento do PIS e da Cofins (efls. 342/394), perfaz a quantia de R$ 643.791,03, assim discrimnado, por exação fiscal: Auto de Infração Principal Juros de Mora calc. até 30/11/2010 Multa de 75% Total (R$) PIS 50.203,06 26.982,84 37.652, 22 114.838,12 Cofins 231.238,71 124.285,25 173.428,95 528.952,91 Portanto, o crédito tributário lançado de ofício dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, objeto deste processo, perfaz o montante geral de R$ 852.295,72. Ciente dos autos de infração (efls. 322/394) e, também, do Relatório Fiscal (efls. 395/405), em 13/12/2010 (segundafeira), por intermédio de seu sóciogerente (aposição de assinatura de ciência no próprio corpo dos autos de infração e do Relatório Fiscal), a contribuinte, em 10/01/2011, por via postal, SEDEX (data de postagem –efl. 467), apresentou impugnação (efls. 410/458), juntando ainda documentos (efls. 459/469), cujas Fl. 616DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 617 13 razões, em síntese, estão resumidas no relatório da decisão recorrida e que, nessa parte, transcrevo (efls. 481/484), in verbis: (...) Inconformada, a empresa ingressou com a impugnação de fls. 410/458 aduzindo como razões de defesa o seguinte: I – Decadência Alegou que o período de janeiro a novembro de 2005 foi atingido pela decadência, vez que a autuação somente foi concluída em 14 de dezembro de 2010, ou seja, após ter fluido mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, sendo certo ainda que todos os tributos constituídos, quais sejam, IRPJ, CSLL e PIS, estão sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, nos moldes do art. 156, inciso V, do CTN. IIa Nulidade. Cerceamento de defesa. Devido processo legal administrativo. Alegou ter havido cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários e não houve, juntamente com o auto de infração e termo de verificação fiscal, a apresentação de uma planilha com as contas correntes e os depósitos bancários — um a um — que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a presunção. Não houve o encaminhamento da descrição dos depósitos, razão pela qual há cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa da impugnante. Acrescentou que a planilha genérica, constante do Termo de Verificação de Irregularidades fiscais, apenas fornece os valores mensais, sem a devida discriminação de datas e valores individuais, o que impossibilita a apresentação de defesa, pois pela demonstração da planilha acima, não é possível a identificação de quais foram os depósitos considerados como omitidos pela fiscalização e sem a demonstração de todos os elementos que serviram de fundamento, um a um, dos depósitos bancários que foram utilizados no lançamento, impede plenamente a defesa do impugnante, principalmente, quando se inverte o ônus da prova em seu desfavor. II–b Nulidade: Obtenção de prova ilícita por ofensa ao Princípio Constitucional do Sigilo. Alegou que todo o procedimento fiscal já nasceu NULO DE PLENO DIREITO porque inobservou direitos constitucionais básicos inerentes ao cidadão, uma vez que houve evidente utilização de prova ilícita, que contamina, conseqüentemente, todas as demais provas e atos decorrentes ("fruits of poisonous tree"), posto que a fiscalização fez tábua rasa do preceito constitucional, adquirindo os extratos bancários diretamente das instituições financeiras, sem ordem judicial, que é o único instrumento legitimo, imparcial e confiável, na avaliação das Fl. 617DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 618 14 circunstâncias concretas, ensejadoras de uma possível quebra do sigilo bancário. Acrescentou que nem mesmo a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, não tem o condão de tornar o Fisco Federal independente de autorização judicial, ou seja, não pode afastar o prévio exame do Poder Judiciário sobre o cabimento da quebra do sigilo, transferindo tal prerrogativa à própria administração pública, aos próprios interessados na suposta "investigação". IIc Presunção de Omissão de Receitas Alegou que o lançamento com base em extratos bancários vem sendo rechaçado pela jurisprudência, pois, como se sabe, no giro bancário, o valor atual contém o valor anterior e, além disso, os valores indicados em extrato bancário correspondem, sempre, à movimentação do dinheiro, e não à "renda" efetivamente percebida, pois é preciso ter em mente que os extratos bancários podem conter empréstimos, valores liberados por cheques especiais, circulação de valores entre bancos, e muitas outras situações que não afetam a renda da Impugnante em cada ano, porquanto não representam "plus". E, exatamente por isso, que o E. Conselho de Contribuintes já pacificou entendimento no sentido de não admitir os depósitos bancários como suposto indicativo de omissão de receita, para fins de lançamento tributário. II e Tributação Reflexa — PIS. COFINS. CSLL Além de reiterar todos os argumentos já ventilados, alegou que existem matérias que devem ser discutidas de plano, quais são: II e 1 Presunção de Omissão de Receitas PIS/COFINS/CSLL/IPI/INSS Falta de previsão legal Alegou que a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, porém este artigo somente permite a presunção para efeitos de apuração de eventual omissão de renda e a conseqüente apuração do imposto sobre a renda, não podendo ser estendida para a tributação do PIS, da COFINS, da CSLL, por falta de previsão legal, o que aconteceu somente com a MP 449, de 03 de dezembro de 2008, em seus artigos 24 e 27. Concluiu afirmando que é de rigor a insubsistência do Auto de Infração lavrado quanto ao PIS, COFINS, (...) e CSLL, por falta de previsão legal para presunção de omissão de receitas. II e 2 Do aumento da Base de Cálculo da COFINS e do PIS Pelas razões que enumera requereu seja reconhecido o direito da impugnante de recolher a COFINS cobrada nos moldes previstos na Lei Complementar 70/91 reconhecendose a inaplicabilidade das disposições constantes da Lei 9.718/98 que alargaram a sua base de cálculo e, acaso seja necessário, Fl. 618DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 619 15 requerse a realização da competente perícia técnico contábil para a correta aferição dos valores devidos. Acrescentou que em recente julgamento o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL reconheceu a inconstitucionalidade da extensão realizada na base de cálculo da COFINS, consoante art. 32, § 1º, da Lei n° 9718/98, que possibilitaria no presente caso a tributação das receitas financeiras. Em tais condições, o lançamento é insubsistente, eis que se pauta em base de cálculo alargada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevida a exigência da COFINS e do PIS sobre as receitas financeiras. II e 3 Da Indevida Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS e da COFINS. Alegou que o Supremo Tribunal Federal já manifestouse no sentido de que o ICMS não pode compor a base de calculo do PIS e da COFINS incidentes sobre o faturamento das empresas (conforme previsão das Leis Complementares 07/70 e 70/91). II. h Nulidade do lançamento para Pis Cofins. Não cumulatividade. Alegou nulidade dos lançamentos relativos ao PIS/COFINS com base na nãocumulatividade ao argumento de que, uma vez que HOUVE ARBITRAMENTO, eventual tributação reflexa deveria ser pela regra da cumulatividade com alíquotas de 3% (COFINS) e 0,65% (PIS), conforme prevê o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 que transcreve. Concluiu afirmando que, no presente caso, houve descumprimento da nãocumulatividade prevista no texto constitucional e, especialmente, o disposto nos arts. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 em decorrência da não análise de desconsideração dos créditos, sendo, portanto, improcedente a autuação neste aspecto. IIf Dos Juros Selic Aplicados Alegou que os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. IIg Da Muita Confiscatória Aplicada Alegou que o valor da multa de 75%, é de evidente irrazoabilidade e confisco, principalmente, em virtude da Impugnante, em momento algum, ter sonegado as informações solicitadas, sendo, portanto, forçoso o cancelamento da multa imposta. Argumentou que tendo em vista o caráter confiscatório da multa, esta deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% (vinte por cento), de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 620 16 II h Da não Incidência de Juros sobre a multa Alegou que não procede a incidência de juros sobre a multa de oficio lançada, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor por ficar privado do uso de seu capital, conforme ensina Maria Helena Diniz (Curso de Direito Civil Brasileiro, 2º vol. Pág. 322), eles devem incidir somente sobre o que não foi passado aos cofres públicos, que diz respeito tão somente à obrigação principal. A multa lançada diz respeito a uma penalidade aplicada ao devedor, que nada tem a ver com o capital do qual o credor foi privado de utilizar, esse sim passível de incidência de juros. III Conclusão. Pedido. Requereu seja conhecida e provida a presente impugnação, especialmente, para reconhecer a improcedência o lançamento tributário relevandose as questões acima expostas, bem como a documentação acostada aos autos, tendo em vista sua insubsistência como medida de legalidade. Requereu, outrossim, seja reconhecida a inaplicabilidade da Taxa SELIC, bem como, acaso superado o entendimento acima, seja reconhecido o caráter confiscatório da multa aplicada no percentual de 75%, devendo a mesma ser redimensionada para 20% de conformidade com o art. 61, § 2º da Lei n° 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado. Finalmente, requereu, quando do julgamento, seja o patrono do recorrente devidamente intimado, para que possa sustentar oralmente as suas razões, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. (...) .A DRJ/Ribeirão Preto (5ª Turma), enfrentando as questões suscitadas pelo sujeito passivo, julgou a impugnação improcedente, conforme Acordão de 26/07/2013 (efls. 470/505), cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontrase perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita Fl. 620DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 621 17 observância aos preceitos legais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Irresignações endereçadas diretamente contra dispositivo legal que define base de cálculo do PIS e da Cofins, contra caráter pretensamente abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem como contra suposta ilegitimidade do uso da TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial, para efeito de exigência de tributo sujeito ao regime de homologação, em lançamento "ex officio", quando na ausência de pagamento ou quando constatado fraude, simulação ou dolo, é regido pelo artigo 173, I, do CTN. SIGILO BANCÁRIO. A LC 105/2001, ao estabelecer normas gerais sobre o dever de sigilo bancário, permitiu, sob certas condições, o acesso e utilização, pelas autoridades da administração tributária, a documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras. As questões da constitucionalidade e da observância de princípios constitucionais levantadas constituem matérias que ultrapassam os limites da competência para julgamento na esfera administrativa, matérias estas reservadas ao Poder Judiciário. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 622 18 AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência por Edital em 02/10/2013 (efl. 524), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/10/2013 por via postal (efls. 601/602), cujas razões (efls. 564/600), em síntese, são as mesmas deduzidas quando da apresentação da manifestação de inconformidade e resumidas já no relatório (reiteração das razões deduzidas na instância a quo), pedindo, por fim, a reforma da decisão recorrida, que seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 623 19 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca da exigência do crédito tributário do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), computados juros de mora e multa de ofício de 75%, lançamento de ofício atinente aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, no montante de R$ 852.295,72 na data de lavratura dos autos de infração, ou seja, em 09/12/2010, pela imputação das seguintes infrações: 1) – Omissão de receitas (presunção legal – art. 42 da Lei 9.430/96): a) – Depósitos bancários não escriturados/origem não comprovada – Anos calendário 2005 e 2006. Autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins). O IRPJ e a CSLL foram apurados pelo regime do Lucro Real trimestral. Já as contribuições (PIS e Cofins) – regime nãocumulativo – período de apuração mensal; b) Depósitos bancários de origem não comprovada. IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins). Anocalendário 2007. Escrituração imprestável. IRPJ e CSLL – Apuração Lucro Arbitrado (que é trimestral). PIS e Cofins (regime cumulativo): período de apuração mensal. 2) – Omissão de recietas (presunção simples – art. 24 da Lei 9.430/96). Valores escriturados, não declarados e falta de pagamento (contribuinte omissa de declaração: DIPJ, DCTF e inexistência de recolhimentos): a) resultados operacionais escriturados e não declarados ao fisco. Bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, anoscalendário 2005 e 2006: Lucro Real trimestral. Autos de infração do IRPJ e CSLL (reflexo); b) receitas escrituradas e não declaradas, anoscalendário 2005 e 2006 (lançamentos reflexos: PIS e Cofins, regime nãocumulativo). Período de puração mensal. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. A recorrente, nas razões do recurso, suscitou decadência do crédito tributário relativo aos períodos de apuração de janeiro a novembro/2005; que os tributos objeto do lançamento fiscal estão submetidos à especie de “lançamento por homologação”; que, no caso, o lapso temporal de 5 (cinco) anos para o fisco constituir o crédito tributário contase da ocorrência do fato gerador (invocou predecentes do STJ e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais); que o fisco deixou transcorrer esse lapso temporal in albis (ficou inerte), efetuando o lançamento fiscal somente quando já decaído o seu direito. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 624 20 A irresignação da recorrente não merece prosperar. Quanto a tributo submetido a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador (termo inicial), na forma do art. 150, § 4º, do CTN, impõese, no caso de existência de prévio pagamento parcial (antecipação de pagamento), que não é o caso. A recorrente, quanto aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2005 (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), não transmitiu eletronicamente, não apresentou, não entregou DIPJ e DCTF ao fisco (contribuinte omisso de declarações) e, também, não houve antecipação de pagamento (pagamento parcial) dessas exações fiscais quanto aos PA objeto dos períodos suscitados no recurso (janeiro a novembro/2005). Os autos, por conseguinte, não tratam de lançamento de diferença de exações fiscais, mas sim da integralidados das exações fiscais dos PA dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, em face de contribuinte omissa de declarações (DIPJ e DCTF) e inexistência de antecipação de pagamento (pagamento parcial), quanto aos PA objeto dos autos de infração. A propósito, transcrevo, nessa parte, a narrativa, constatação da fiscalização que, de forma expressa, consignou no Relatório Fiscal (efl. 396), parte integrante dos autos de infração, que a contriuinte é omissa de declaração quanto aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, e que, também, não efetuou pagamento, sequer parcial, de exação fiscal em nenhum PA quanto aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, in verbis: (...) Das Constataões: (...). Embora a empresa esteja omissa na entrega das Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), os livros apresentados demonstram que houve operações no período objeto da presente fiscalização, ou seja, de 2005 a 2007. Ao ser verificada a arrecadação quanto aos recolhimentos do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, também constatamos a ausência de recolhimentos em relação ao período objeto da presente fiscalização. (...) Aos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a incidência ou aplicação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN não é regra geral, de aplicação direta, automática e incondicional, pois depende da situação do caso concreto. Esse entendimento restou pacificado neste CARF e, também, no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Quanto ao Superior Tribunal de Justiça – STJ, quardião da uniformidade de interpetação de lei federal: A Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 973.733/SC, realizado nos termos do art. 543C do CPC, relator Ministro Luiz Fux, Sessão de 12/08/2009, publicado no DJe de 18/09/2009, sedimentou o entendimento de que o art. 173 , I , do CTN se aplica aos Fl. 624DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 625 21 casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, quando, a despeito da previsão legal como no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, não há o pagamento antecipado (princípio de pagamento ou pagamento parcial). A propósito, transcrevo a ementa do referido aresto do STJ: (...) RECURSO ESPECIAL N° 973.733 SC (2007/01769940) EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1.O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2.É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3.O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 625DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 626 22 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Outras decisões do STJ, a título exemplificativo, reportandose ao precedente transcrito acima. (...) RECURSO ESPECIAL REsp 985301 SC 2007/02134298 (STJ). Data de publicação: 01/09/2010 Ementa: PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO TERMO INICIAL ARTIGO 173 , I , DO CTN APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150 , § 4º , e 173 , DO CTN IMPOSSIBILIDADE REEXAME DE PROVAS: SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTE : Resp 973.733/SC. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. 2. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 3. Recursos especiais conhecidos e não providos. (...) STJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 1192933 MG 2010/00800282 (STJ). Data de publicação: 11/02/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ICMS. EMBARGOS DO DEVEDOR. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR. ART. 150 , § 4º , DO CTN . DECADÊNCIA. MATÉRIA JULGADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ, NOS TERMOS DO ART. 543C DO CPC . Fl. 626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 627 23 1. Agravo regimental no recurso especial em que se discute o prazo para a constituição de crédito tributário remanescente de ICMS, no caso em que ocorre o pagamento a menor do tributo. 2. Nos tributos cujos sujeitos passivos têm o dever de antecipar o pagamento sem que haja prévio exame da autoridade administrativa, caso se apure saldo remanescente, a Fazenda deverá constituílo no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sob pena de ocorrer a extinção definitiva do crédito, nos termos do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.. Precedentes : Resp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/09/2009; REsp 1.033.444/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/08/2010; AgRg no REsp 1.162.468/MG , Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/09/2010; REsp 1.122.685/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 24/03/2010; AgRg no REsp 1.074.191/MG , Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 16/03/2010). 3. Entendimento sedimentado pela Primeira Seção, no julgamento do REsp973.733/SC, realizado nos termos do art. 543C do CPC sob a relatoria do Ministro Luiz Fux. 4. Agravo regimental não provido. (...) STJ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL EDcl no AgRg no AREsp 109308 RS 2011/02583368 (STJ). Data de publicação: 04/06/2012 Ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165 , 458 E 535 DO CPC . OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ART. 173, I, DO CTN . REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7 /STJ. 1. Nos termos do art. 535 do CPC , os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que ocorreu no caso dos autos. 2. Inexiste a alegada violação dos artigos 165 , 458 e 535 do CPC ,porquanto a prestação jurisdicional foi dada de forma clara e fundamentada na medida da pretensão deduzida. 3. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que não ocorre pagamento antecipado, o prazo decadencial regese pelas disposições do art. 173 , inciso I , do CTN ; ou seja, será de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que olançamento poderia ter sido efetuado. Precedente : Resp 973733/SC,Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 12/08/2009, Dje 18/09/2009. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 628 24 4. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. Embargos de declaração rejeitados. (...) De modo que, no caso inexistindo antecipação de pagamento (pagamento parcial) em relação aos PA do anocalendário 2005 (janeiro a novembro/2005) quanto às exações fiscais objeto dos autos, inclusive a contribuinte é omissa de decarações para os anos calendário objeto dos autos, o prazo decadêncial contase na forma do art. 173, I, do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 101: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Quanto aos fatos imponíveis do anocalendário 2005, o termo a quo da contagem do prazo decadencial é o dia 01/01/2006. Logo, o fisco tinha prazo para lançamento até 31/12/2010. A contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 13/12/2010 (efls. 322/405). Portanto, o lançamento das exações fiscais do anocalendário 2005, fatos geradores mais remotos objeto da exigência dos autos, estão a salvo da decadência. Preliminar de decadência rejeitada. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEPÓSIOS BANCÁRIOS A CRÉDITO. INTIMAÇÃO FISCAL ESPECÍFICA PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGM DOS CRÉDITOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Alegou a recorrente, nas razões do recurso: que o lançamento fiscal viola princípios constitucionais; que “não é a Constituição que deve ser interpretada em conformidade com a lei, mas sim a lei que deve ser interpretada em conformidade com a Constituição “, citando o jurista português Jorge Miranda; que, no presente caso, há cerceamento do direito de defesa, uma vez que os autos de infração foram aplicados, lavrados, com fundamento em depósitos bancários; que não houve no lançamento fiscal e no termo de verificação fisccal a apresentação de uma planilha com as contas correntes e os depósitos bancários – um a um – que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a presunção; Fl. 628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 629 25 que não houve o encaminhamento da descrição dos depósitos, razão pela qual há cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa da recorrente; que houve a apresentação, apenas, de uma planilha genérica constante do termo de verificação de irregularidades fiscais, pois apresenta valores mensais, sem a devida discriminação de datas e valores individuais, o que impossibilita a apresentação de defesa; que o lançamento, por conseguinte, não descreve claramente as razõs fáticas e jurídicas da exigência fiscal, devendo ser declarado nulo, por cerceamento do direito de defesa por violação do devido processo legal. As alegações da recorrente carecem de plausibilidade, pois estão divorciadas da realidade fáticojurídica. Diversamente do alegado pela recorrente, com fundamento, ou seja, em consonância com o art. 42, §3º, da Lei nº 9.430/96, foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, com valores discriminados, individualmente, operação por operação, uma a uma, ou seja, constam do demonstrativo anexo da intimação as seguintes indicações discriminadas, individualizadas, das operações: data da operação, valor da operação , depósito a D/C, histórico da operação, conta bancária e instituição financeira e tomou ciência da intimação em 04/10/2010, por intermédio da Sra. Cilene Porsebom Ruas (efls. 296/307). Na sequência, a contribuinte foi intimada, novamente, desta vez em 26/11/2010, na pessoa de seu representante legal, Sr. João Carlos Pinheiro, da continuidade da fiscalização, contendo em anexo à intimação, novamente, a relação de depósitos a crédito nas contas correntes da contribuinte dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007 cuja origem deles (depósitos a crédito) persistiam e persistem sem comprovação. Reiterando, os depósitos a crédito, no referido anexo da intimação, estão discriminados, de forma individualizada, operação por operação, uma a uma, por data, valor, D/C, histórico da operação, conta bancária e instituição finananceira (efls. 310/321). Desta forma, as referidas intimações da contribuinte para comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, possuem o condão de inverter o ônus da prova. Ou seja, o ônus probatório de que não ocorreu a omissão de receitas quanto aos depósitos bancários nas contas correntes da recorrentes nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007 é da contribuinte. Assim, configura um despautério, completa falta de fundamento ou plausibilidade fáticojurídico, a alegação da recorrente de que o fisco não teria discriminado as operações de depósito a crédito, de forma individuada, por data, valor, conta corrente e instituição financeira. Diversamente do alegado pela recorrente, portanto o fisco efetuou as intimações na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96, invertendo o ônus da prova, em face das provas indiciárias da omissão de receitas (cópia dos extratos bancários constantes dos autos, prova da inexistência ou falta de registro na escrituração contábil desses depósitos bancários) e intimação, com ciência pela contribuinte, da relação de depósitos bancários a crédito, devidamente individualizados, operação por operação, uma a uma, por data, valor, conta corrente bancária e instituição financeira, quanto aos PA dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 630 26 Ademais, conforme já relatado, as infrações imputadas estão narradas, descritas, de forma clara, precisa, objetiva, com matéria tributável determinada, especificada, discriminada com demonstrativo de cálculo dos valores apurados, e todos os elementos do fato gerador identificados, apurados e atribuídos, em consonância com o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72. A jurisprudência deste CARF é mansa e pacífica, no sentido de que o auto de infração somente deve ser declarado nulo quando não houver, inexistir, adequada descrição dos fatos e não houver adequada fundamentação legal, que não é o caso; pois, o auto de infração tem adequada descrição dos fatos e respectivo enquadramento legal. A propósito, trancrevo precedentes de jurisprudência deste CARF pela rejeição de preliminar de nulidade do lançamento fiscal quando o lançamento contém descrição dos fatos e pertinente fundamentação legal, ajustandose perfeitamente à situação dos presentes autos, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA –CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA –O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 631 27 inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA. Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse diapasão, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Como demonstrado, o lançamento fiscal foi produzido de acordo com o art. 142 do CTN, art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 42, § 3º, da Lei 9.430/96. Por conseguinte, não restou configurado o alegado cerceamento do direito de defesa. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pela não caracterização, não configuração, do alegado cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. OBTENÇÃO DE PROVA ILÍCITA. QUEBRA ILEGAL DO SILIGO BANCÁRIO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Argumenta a recorrente, nas razões do recurso: que, intimada pelo fisco, não forneceu os extratos bancários, por estar amparada, protegida pelo sigilo bancário (CF, art. 5º, incisos X e XII); que o fisco conseguiu os extratos bancários dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007 junto às instituições financeiras, sem ordem judicial, em face da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto 3.724/2001; que, reconhece ser o sigilo bancário um direito relativo, mas somente deve ser afastado (no caso de colisão de princípios constitucionais), perante o caso concreto, por ordem judicial; que a LC 105/2001 (art. 6º) não tem o condão de autorizar o acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira dos contribuintescorrentistas; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 632 28 que o acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira bancária, sem ordem judicial (LC 105/2001, art. 6º), foi declarado inconstitucional pelo STF, pelo Plenário em 20/12/2010, por maioria de votos, relator Min. Marco Aurélio, nos autos do RE 389.808, publicado em 10/05/2001; que, além da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, a RFB (a fiscalização) não cumpriu o disposto no art. 6º da LC 105/2001, sendo ilegal a quebra do sigilo bancário, no caso; que, referido dispositivo legal, exige ato administrativo da DRF local justificando as razões para a quebra do sigilo bancário (fundamentação da indispensabilidade da quebra); que, no caso, não houve motivação; que a fiscalização, apenas, afirma que solicitou as informações bancárias diretamente às instituições financeiras, diante da negativa da contribuinte de fornecimento dos extratos bancários; que não houve ato administrativo devidamente fundamentado em razões fáticas e jurídicas da autoridade da DRF local; que, no caso, a quebra do sigilo bancário pelo fisco não cumpriu os requisitos legais do art. 6º da LC 105/2001 e art. 2º do Decreto 3.724/2001; que, ainda, citou precedente do STJ pela ilegalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fiscal, no caso de não atendimento aos requisitos legais; que, portanto, deve ser declarado nulo o lançamento fiscal, por utilização de prova ilícita, obtida de forma ilegal, em face da quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa sem observância dos requisitos legais. Data venia, não merece prosperar a irresignação da recorrente, por falta de plausibilidade fáticojurídica. Quanto à expedição da RMF: Diversamente do alegado pela recorrente, o acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira bancária da recorrente está devidamente fundamentado pela autoridade fiscal. Senão vejamos: Primeiro, o Auditor –Fiscal responsável pelo procedimento de fiscalização, de forma fundamentada, solicitou ao superior hierárquico competente a emissão de Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF), em 07/04/2010 (e fls.43/45), com a seguinte fundamentação, in verbis: (...) RELATÓRIO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em cumprimento às normas tributárias e ao MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL nº 0811200 2009 00663, fui designado para execução da Fiscalização do Contribuinte acima identificado. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 633 29 A presente ação fiscal é decorrente de indícios de incompatilibidade entre os rendimentos declarados pelo sujeito passivo dos anoscalendário de JAN/2005 a DEZ/2007 e os valores de movimentação financeira informados pelas instituições financeiras constantes nos "extrato do contribuinte" do sistema SIGA para os mesmos anoscalendário. Pelo Termo de Inicio e Intimação Fiscal lavrado em 16/12/2009, o Contribuinte foi intimado a apresentar os documentos necessários à realização das operações de auditoria, visando a confirmação da origem dos diversos depósitos realizados em suas contascorrentes. O Contribuinte solicitou prorrogação de prazo visando atender nossa requisição. Atendeu parcialmente nossa requisição, não tendo enviado os extratos bancários. Sendo assim, e pelo fato de que o não fornecimento destes documentos impossibilita os procedimentos de auditoria, não nos resta outro caminho para preservar eventual crédito tributário da União dos efeitos da decadência, senão requerer a transferência do sigilo bancário do supracitado Contribuinte para a RFB. Entendemos, S.M.J., tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no inciso VII, do Art°. 3° do Decreto 3.724 de 10 de janeiro de 2.001, envolvendo prática reiterada de ilícito tributário prevista na lei 9430/96. E assim sendo, se faz necessária a requisição das informações sobre a movimentação financeira do sujeito passivo, para a execução do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal). (...) Na sequência, o Delegado da DRF/Limeira, em 08/04/2014, em conformidade com o art. 6º da LC 105/2001 e em face da indispensabilidade ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001, expediu a Requisição de Informações sobre Movimentação Finananceira (efls. 46/51). Como demonstrado, o ato administrativo de expedição da RMF está devidamente fundamentado quanto à sua indispensabilidade, pelo relatório da fiscalização, transcrito anteriormente. Portanto, os extratos bancários da recorrente (efls. 52/183 ) foram obtidos nos termos da legislação de regência LC nº 105/2001 (art 6º) e Decreto nº 3.724/2001 (art. 4º, §6º). Quanto à alegação de que acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira bancária (transferência dos dados pela instituições ao fisco via RMF) seria inconstitucional, a questão, no mérito, foge à alçada deste Conselho Administrativo, inclusive, essa falta de competência está sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 634 30 Na esfera administrativa, no PAF, não há controle de legalidade de lei vigente (a competência é do Poder Judiciário), mas sim o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento fiscal, se foi produzido de acordo com a legislação de regência. No caso, os extratos bancários foram obtidos em estrita observância da legislação de regência. É vedado ao julgador administrativo deixar de aplicar ou negar vigência á legislação vigente sob pena de responsabilidade funcional, pois a lei, enquanto integrante do ordenamento jurídico, tem presunção de legitimidade, legalidade e constitucionalidade, enquanto não retirada do ordenamento jurídico, ou enquanto não houver suspensão de sua eficácia pelo Poder Judiciário, em caráter erga omes. Apenas para argumentar, a jurisprudência dos Tribunais Pátrios, em sua maioria, admite, como legal e constitucional, o acesso direto do fisco aos dados de movimentação financeira bancária do contribuintecorrentista, mediante expedição da RMF. Nesse sentido, cabe trazer à colação precedentes jurisprudenciais do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF/4ª Região), do TRF/3ª Região, e do Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual é guardião da norma infraconstitucional, reconhecendo a legalidade da legislação de regência do acesso do fisco aos dados de movimentação financeira bancária dos contribuinte, mediante RMF dirigida às instituições financeiras, dispensada autorização judicial. Quanto à decisão do TRF/4ª Região, transcrevo a ementa do Acórdão da 1ª Turma, de 02/05/2002, verbis: “TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LC nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. 1. A Lei nº 10.174/01, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN, art. 144, § 1º). Tratase de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensáveis à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 635 31 princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01” (Ac. 1ª Turma do TRF da 4ª R – mv – ag 2002.04.01.0030400/PR – Rel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria – j 02.05.02 – Agte.: Joaquim Costa; Agdas.: União Federal/Fazenda Nacional – DJU 2 05.06.02, p 164.) No que concerne ao TRF/3ª Região, transcrevo a seguinte ementa da Sexta Turma, relatora Juíza Consuelo Yoshida, DJU de 25/11/2002, pág. 603, verbis: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO À PRIVACIDADE E À INTIMIDADE. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. IRRETOATVIDADE DA LEI. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O alegado SIGILO bancário não pode ser interpretado como direito absoluto, desvinculado de outras garantias constitucionais, havendo de compatibilizarse, pois, com os demais princípios, voltados à consecução do interesse público. 2.É plenamente legítimo que a AUTORIDADE competente (Fisco), uma vez detectados indícios de falhas, incorreções, omissões, ou de cometimento de ilícito FISCAL, requisite as informações e documentos de que necessita para consecução de seu dever legal de constituir crédito tributário. 3. Não há que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, bem como a Lei nº 10.174/01 não criaram novas hipóteses de incidência, a albergar fatos econômicos pretéritos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. 4.Precedentes desta Turma. 5. Apelação improvida. Quanto ao Superior Tribunal de Justiça STJ, há vários precedentes, cujas ementas transcrevo a seguir, verbis: RECURSO ESPECIAL ALÍNEA 'A'. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENDIDA SUSPENSÃO DOS EFEITOS DE TERMO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES AO CONTRIBUINTE RELATIVAS AO ANOBASE DE 1998, A PARTIR DE DADOS INFORMADOS PELOS BANCOS À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOBRE A CPMF. PRETENDIDA COBRANÇA DE CRÉDITOS RELATIVOS A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E 11, § 3°, DA LEI N. 9.311/96, NA REDAÇÂO DADA PELA LEI N. 10.174/01. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. EXEGESE DO ART. 144, § 1°, DO CTN. À luz do que dispõe o artigo 144, § 1°, do CTN, inferese que as normas tributarias que estabeleçam 'novos critérios de apuração Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 636 32 ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas', aplicamse ao lançamento do tributo, mesmo que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Diversamente, as normas que descrevem os elementos do tributo, de natureza material, somente são aplicáveis aos fatos geradores ocorridos após o inicio de sua vigência (cf. "Código Tributaria Nacional Comentado”). Vladmir Passos de Freitas (coord.). São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. p. 566). Nesse contexto, forçoso reconhecer que os dispositivos (arts. 6° da LC n. 105/01 e 11, § 3°, da Lei n. 9.311/96, na redação dada pela lei n. 10.174/01) que autorizam a utilização dos dados da CPMP pelo Fisco para a apuração de eventuais créditos tributários relativos a outros tributos são normas adjetivas ou meramente procedimentais, acerca das quais não prevalece a irretroatividade defendida pelo v. acórdão da Corte a quo. É de se observar, tãosomente, o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituição do crédito tributaria. Tanto o art. 6° da Lei Complementar 105/2001, quanto o art. 1° da Lei 10.174/2001, por ostentarem natureza de normas tributarias procedimentais, são submetidas ao regime intertemporal do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, permitindo sua aplicação, utilizandose de informações obtidas anteriormente à sua vigência' (REsp 506.232/PR, Relator Min. Luiz Fux, DJU 16/02/2004). No mesmo sentido: REsp 479.201/SC, Relator Min. Francisco Falcão, DJU 24/05/2004. Recurso especial provido para denegar a segurança requerida" (Segunda Turma REsp 505.493/PR, Rei. Min. Franciuili Netto, DJU de 08.11.04); TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1° DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 637 33 bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6° dispõe; "Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins e apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial desprovido, para manter o acórdão recorrido" (Primeira Turma REsp 685.708/ES, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 20.06.05). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E 11, § 3° DA LEI N° 9.311/96, NA REDAÇÂO DADA PELA LEI N° 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 638 34 POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1° DO CTN. 1. Não enseja conhecimento a pretensão recursal sem a indicação do dispositivo de lei federal tido como violado e sem a exposição dos motivos pelos quais pugna pela reforma do julgado, ante o disposto na Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 2. O artigo 38 da Lei n° 4.595/64 que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar n° 105/2001. 3. A Lei n° 9.311/96 instituiu a CPMF e no § 2° do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federai, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3° a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 4. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 5. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001. 6. O artigo 144, § 1° do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 7. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. 8. Ressalvado o prazo que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. 9. Recurso especial conhecido em parte e provido. RECURSO ESPECIAL N° 757.956 RS (2005/00957074), RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA, 2ª Turma. Destarte, a requisição, o acesso e o uso dos dados relativos à movimentação financeira das contas bancárias do sujeito passsivo, deuse em consonância com a legislação de regência. De modo que não há que se cogitar de utilização de prova ilícita. Ou seja, as provas utilizadas – extratos bancários da Contribuinte – foram obtidas de forma lícita. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 639 35 Por fim, diversamente do alegado pela recorrente, o Supremo Tribunal Federal STF ainda não apreciou de forma definitiva, pelo Pleno, a constitucionalidade da transferência dos dados de movimentação financeira bancária, diretamente ao fisco, pelas instituições financeiras, mediante RMF. Apenas para argumentar, a questão foi levada para Sessão de Julgamento do Pleno do STF, no dia 20/12/2010. Ou seja, nessa data, o Pleno do STF se reuniu para julgar, especificamente, o RE 389.808 –PR contra decisão do TRF/4ª Região. O RE citado tratava de questionamento da constitucionalidade do repasse direto pelos Bancos de dados de movimentação financeira de correntista ao Fisco, mediante RMF (sem autorização judicial). Quanto ao resultado do julgamento, por maioria de votos dos presentes (5x4), os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deram provimento ao Recurso Extraordinário (RE 389.808PR) em que a empresa GVA Indústria e Comércio S/A questionava o acesso da Receita Federal a informações bancárias da empresa, sem fundamentação e sem autorização judicial. Vale dizer, restou decidido que somente autoridades judiciárias e CPI podem requisitar informações bancárias às instituições financeiras. Deram provimento ao RE os Ministros Marco Aurélio (relator), Gilmar Mendes, Celso de Mello, Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski. Os Ministros Dias Toffoli, Ellen Gracie, Ayres Britto e Cármen Lúcia ficaram vencidos. Joaquim Barbosa não votou, não estava presente na Sessão, e ainda havia um cargo vago, na época, em face da aposentadoria do Ministro Eros Grau. Porém, essa decisão do Pleno do STF não teve caráter erga omnes, pois não se atingiu a maioria absoluta de votos dos seus membros (CF, art.97 e Lei nº 9868/99, art. 23). Na sequência, jamais foi possível repetir a mesma bancada para conclusão da votação, em face de aposentadoria de membro(s) que já havia(m) votado. Por conseguinte, a decisão valeu apenas para as partes do processo no citado RE. Portanto, a questão da constitucionalidade do acesso direto do Fisco aos dados de movimentação financeria de contribuintes (transferência de dados dos bancos para o Fisco, mediate RFM) ainda, oportunamente, será enfrentada pelo Pleno do STF (pela nova composição/formação), em face do nº infindável de Recursos Extraordinários pendentes de julgamento que tramitam pela Corte Suprema, e pelo fato da declaração ou reconhecimento do caráter de repercussão geral à matéria pelo STF (RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, submetido ao Pleno e que se encontra pendente de julgamento). Enquanto isso não ocorrer (julgamento dessa matéria pelo Pleno do STF), a legislação de regência do acesso direto do Fisco aos dados de movimentação financeria bancária, via RMF, persiste vigente, com presunção de legitimidade, legalidade e constitucionalidade. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 640 36 ANOSCALENDÁRIO 2005 E 2006. RECEITAS CONTABILIZADAS E NÃO DECLARADAS. RESULTADOS OPERACIONAIS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. CONTRIBUINTE OMISSA DE DECLARAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 24 DA LEI Nº 9.249/95). PRESUNÇÃO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS e COFINS). PEDIDO GENÉRICO DE PERÍCIA TÉCNICA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PEDIDO REJEITADO. Aduziu a recorrente nas razões do recurso, ainda que superadas as questões elencadas quando às nulidades suscitadas, que no mérito os autos de infração do IRPJ e reflexos não merecem prosperar quanto à infração em tela, pelo seguinte: que o ato adminstrativo de lançamento é privativo da autoridade administrativofiscal (CTN, art. 142); que compete à autoridade administrativa identificar, discriminar, apurar todos os elementos da ocorrência do fato gerador da exação fiscal (elemento material, quantitativo, temporal, espacial, pessoal etc), com base em elementos de prova de infração à legislação tributária; que o ônus da prova incumpre ao fisco, o qual acusa, imputa infração tributária; que, no presente caso, a autoridade administrativa lavrou os autos de infração em mera presunção, sem comprovar os elementos que compõem o fato tributário; que a autoridade administrativa preferiu, ao seu livre talante, em detrimento da ordem jurídica, adotar “presunção ad hominis”, que nem mesmo é presunção legal; que não basta a simples “presunção ad hominis” de que houve omissão de receitas para dar fundamentos aos autos de infração; que é preciso que a fiscalização apresente os elementos comprobatórios, seguros, da suposta omissão de receitas; que o lançamento é arbitrário, inadmissível e ilegal; que, na rara e improvável hipótese de serem superados os argumentos acima, requer a realização da competente prova pericial. Os argumentos da recorrente não merecem guarida. Ora, neste tópico a infração imputada Omissão de Receitas (receitas escrituradas e não declaradas, resultados operacionais escriturados e não declarados), embora seja omissão simples, tem como sustentação direta a própria escrituração contábil da recorrente. Ou seja, para lançamento do IRPJ e reflexos o Fisco adotou, levou em consideração, os próprios valores de receita bruta registrados pela contribuinte em sua escrituração contábil, que não foram declarados ao Fisco (contribuinte omissa de DIPJ, DCTF e inexistência de recolhimentos), ou seja: Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 641 37 a) resultados operacionais escriturados e não declarados ao fisco, conforme Bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, anoscalendário 2005 e 2006, discriminadas, especificadas, nos autos de infração dessas exações fiscais . Regime de apuraração: Lucro Real trimestral; b) receitas escrituradas e não declaradas, anoscalendário 2005 e 2006 (lançamentos reflexos: PIS e Cofins, regime nãocumulativo). Apuração mensal. Como já demonstrado, a contribuinte é omissa de declaração, não entregou as DIPJ e as DCTF respectivas, sequer declarou ao Fisco os valores registrados na sua escrituração contábil, quanto aos anoscalendário 2005 e 2006. Por isso, da imputação dessa infração do IRPJ e reflexos. A contribuinte não pode olvidar, obliterar, o disposto no art. 923 do RIR/99, que estatui, in verbis: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Ou seja: a escrituração contábil faz prova dos fatos nela registrados, contra e a favor da contribuinte. Princípio da comunhão das provas. Conforme consta do Relatório Fiscal, a constribuinte registrou na escrituração contábil nos anoscalendário 2005 e 2006 receita bruta auferida nos valores de R$ 1.500.293,42 e R$ 1.542.322,76, respecivamente, e não declarou ao Fisco (contribuinte omissa de declarações) (efl. 404), in verbis: (...) Da Apuração da Base de Cálculo. Anoscalendário 2005 e 2006: conforme já destacado no parágrafo intitulado Da Análise da Movimentação Bancária do TIF de 04/10/2010, a grande maioria dos créditos bancários relativos aos anoscalendário 2005 e 2006 estavam devidamente contabilizados na escrituração comercial do contribuinte, entretanto não haviam sido oferecidos à tributação, constatandose assim omissão de receitas escrituradas e não declaradas. Foram identificados R$ 1.500.293,42, ano calendário 2005, e R$ 1.542.322,76, ano calendário 2006, como omissões de receitas e referidos valores estão informados no Demonstrativo de Omissão de Receitas com Base em Receitas Contabilizadas e não Declaradas (fl. 305) e no Demonstrativo de Apuração do Lucro Contábil — Base de Cálculo para Lançamento de Oficio do IRPJ e CSLL (fl. 306) — enquadramento legal Decreto n° 3.000/99, arts. 249, 250, 279, 280, 288 e 926. (...) Demonstrativo das receitas escrituradas e não declaradas dos anos calendário 2005 2006, objeto do auto de infração, consta do demonstrativo do auto de infração (efl. 325) e da fl. 305 (ou seja, efl. 311). Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 642 38 Como a contribuinte registrou em sua escritruração contábil a receita bruta objeto das infrações (IRPJ e reflexos dos anoscalendário 2005 e 2006) e não declarou ao Fisco, pois é omissa de declarações (DIPJ, DCTF ) e também inexiste pagamento desses PA até a data de ciência do Termo de Início de Fiscalização, tornouse necessário o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário respectivo, para salválo da decadência e exigilo na forma da legislação de regência. A receita receita bruta operacional escriturada e não declarada foi extraída dos balancetes – escrituração contábil, entregue em meio digital, e cópias foram impressas e juntadas aos autos (efls. 234/405), ou seja, a contribuinte, foi intimada a apresentar o Livro Razão, apresentou a escrituração comercial em 03/09/2010, mediante entrega, em meio digital, no formato Manad (IN MPS/SRP n° 12/2006), do período compreendido entre 01/01/2005 e 31/12/2007. Nesse sentido, consta do Relatório Fiscal quanto à escrituração contábil juntada aos autos dos anoscalendário 2005, 2006 2007 (efl. 403): (...) Da Escrituração Comercial: foram juntados os Recibos de Entrega de Arquivos Digitais gerados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) (fls. 228 a 237). Cópia do CD contendo os arquivos digitais no formato Manad, anoscalendário 2005, 2006 e 2007 está em anexo (fl. 238). Também foram juntados os relatórios com os saldos das contas que deram embasamento às bases de cálculo dos tributos e contribuições objeto do lançamento de ofício (fls. 239 a 289). Das Constatações Relativas ao TIF de 04/10/2010: (...) 2) em razão da falta de apresentação da escrituração comercial de períodos anteriores em que teriam sido gerados prejuízos fiscais, não serão aceitos os prejuízos contábeis, indicados nas cópias do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultado do Exercício do ano de 2004, para fins de compensação em exercícios posteriores; 3) em razão da falta de apresentação do Lalur, a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) considerará, para os anoscalendário 2005 e 2006, o lucro contábil apurado pela fiscalização; 4) em razão da não apresentação do Dacon, os eventuais créditos relativos ao PIS e a Cofins, apuráveis segundo a sistemática da nãocumulatividade, não serão aproveitados. Dessa forma, a base de cálculo das contribuições será a receita escriturada deduzidas das devoluções e abatimentos incondicionais concedidos; Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 643 39 5) em relação à falta de apresentação do livro do ICMS e das Gias, esta fiscalização entende que os valores de R$ 29.808,43, ano 2005, e R$ 16.776,64, ano 2006, informados como despesas com tributos estaduais na escrita comercial, são procedentes em razão da atividade do contribuinte e da receita bruta. Assim, dada também pela irrelevância dos valores se comparado aos montantes apurados de omissão de receitas, as despesas com ICMS serão consideradas na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; 6) em relação à apresentação do recibo dos arquivos digitais, esta fiscalização confirma a apresentação dos mesmos; 7) em relação àss justificativas extras apresentadas pelo contribuinte de que a empresa sempre elaborou sua escrituração fiscocontábil de acordo com as regras do Simples, esta fiscalização observou que nenhuma escrituração relacionada a esse regime foi apresentada (no caso o livro caixa), também não houve qualquer recolhimento referente ao período fiscalizado, além de o contribuinte se manter omisso na entrega das declarações da pessoa jurídica. (...) Como visto, os valores tributáveis foram extraídos da própria escrituração contábil da contribuinte (contribuinte omissa de declarações). Vale dizer, os fatos registrados na escrituração contábil, no caso, fazem prova direta das infrações imputadas (RIR/99, art. 923). É verdade, trata–se de omissão simples (sim!), mas cuja prova direta da infração imputada Omissão de Receitas é a própria escrituração contábil da recorrente (omissão simples art. 288 do RIR/99, cuja base legal é o art. 24 da Lei 9.249/95). A prova da infração, como dito, é a própria escrituração contábil da recorrente, pois estas infrações abarcam as receitas registradas, escrituradas e não declaradas, bem como os resultados apurados (lucro contábil), base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os demonstrativos resumo (planilhas da apuração) do lucro contábil, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir das receitas escrituradas e não declaradas, bem como as receitas escrituradas e não declaradas, constam nas planilhas efls. 311/312, e também constam dos respectivos autos de infação. As bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2005 e 2006, inclusive, estão transcritas no relatório, a partir do demonstrativo (efl. 312). Da mesma forma, as receitas escrituradas, registradas na escrituração contábil dos anoscalendário 2005 e 2006 e não declaradas ao Fisco, estão, também, transcritas no relatório, a partir do demonstrativo (efl. 311). Para apuração das bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da base de cálculo da CSLL, em face de contribuinte omissa de declarações, o Fisco adotou o lucro contábil trimestral dos anoscalendário 2005 e 2006, conforme explicado, narrado no Relatório Fiscal, o qual é parte integrante do lançamento fiscal, que nessa parte transcrevo, outra vez (efl. 403): Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 644 40 (...) 3) em razão da falta de apresentação do Lalur, a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) considerará, para os anoscalendário 2005 e 2006, o lucro contábil apurado pela fiscalização; (...) Diversamente do alegado pela recorrente, na apuração do Lucro Contábil trimestral, a partir da receita bruta, foram aproveitadas, consideradas, deduzidas as despesas de tributos incidentes sobre as vendas (ICMS, PIS, Cofins), custo dos produtos vendidos (CMV) e despesas operacionais, conforme planilha (fl. 306 ou efl. 312), que transcrevo a seguir: Contas 1º Trim./ 2005 1º Trim./ 2006 2º Trim./ 2006 3º Trim./ 2006 4º Trim./ 2006 Receitas Operacionais R$ 352.501,70 R$ 398.256,49 R$ 362.065.62 R$ 465.481,26 R$ 316.519,39 ( ) Descontos e Abatim.Incondici onais () PIS incidente sobre vendas R$ 5.816,28 R$ 6.571,23 R$ 5.974,08 R$ 7.680,44 R$ 5.222,57 () Cofins incidente sobre vendas R$ 26.790.13 R$ 30.267.49 R$ 27.516,99 R$ 35.376,58 R$24.055.47 ﴾ ﴿ ICMS incidente sobre vendas R$ 4.549,51 R$ 4.515,88 R$ 3.909,36 R$ 4.606,19 R$ 3.745,21 ﴾ = ﴿ Receita Líquida de Vendas R$315.345,78 R$356.901,88 R$324.665.19 R$417.818,05 R$283.496,14 ﴾ ﴿ Custo dos Produtos e Serviços R$205.490,28 R$194.348,25 R$178.966,59 R$206.218,23 R$132.914,65 ﴾ = ﴿ Lucro Bruto R$109.855,50 R$162.553,63 R$145.698,60 R$211.599,82 R$150.581,49 ﴾ ﴿ Despesas Operacionais R$109.654,22 R$ 95.385.24. R$105.694.15 R$138.071,70 R$95.496.90 ﴾ _ ﴿ Resultados não Operacionais ﴾ = ﴿ Lucro Antes do IRPJ e CSLL R$ 201,28 R$ 67.168,39 R$ 40.004,45 R$ 73.528.12 R$55.084,59 ﴾ ﴿ Prejuízo Contábil Anterior R$ 49.149,93 ﴾ = ﴿ Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL R$ 201,28 R$ 18.018,46 R$ 40.004.45 R$ 73.528.12 R$ 55.084,59 Por sua vez, em relação às contribuições (PIS e Cofins), regime não cumulativo, não foram aproveitados créditos pela falta de DACON (contribuinte omissa de DACON), conforme explicado, narrado no Relatório Fiscal, o qual é parte integrante do lançamento fiscal, que nessa parte transcrevo, outra vez (efl. 403): (...) Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 645 41 4) em razão da não apresentação do Dacon, os eventuais créditos relativos ao PIS e a Cofins, apuráveis segundo a sistemática da nãocumulatividade, não serão aproveitados. Dessa forma, a base de cálculo das contribuições será a receita escriturada deduzidas das devoluções e abatimentos incondicionais concedidos; (...) Vale dizer, em face da inexistência de DACON (contribuinte omissa de DACON) a recorrente não comprovou a existência de eventuais de créditos de PIS e Cofins contra o Fisco, para dedução dos valores lançados de ofício. Logo, improcedente a reclamação da recorrente de que a fiscalização, sem razão, não teria dado crédito dessas exações fiscais. A contribuinte não formalizou créditos de PIS e Cofins, pois é omissa de DACON. Não comprovou a existência de eventuais créditos de PIS e Cofins. Reiterando: por ser omissa de declarações, a contribuinte não comprovou a existência de supostos créditos, pois não entregou os DACON. Em momento algum, a contribuinte comprovou a existência de eventuais créditos de PIS e Cofins dos anoscalendário 2005 e 2006 para aproveitamento/dedução das contribuibuições lançadas de ofício (PIS e Cofins) quanto à infração omissão de receitas (receitas escrituradas e não declaradas), seja na fase préprocessual (procedimento de fiscalização), seja na fase processual (na primeira instância e nesta instância recursal), pois não apresentou o DACON (documento de formalização de créditos de PIS e Cofins contra o Fisco). Ainda em relação às contribuições (PIS e Cofins), a recorrente alegou que o Fisco não subtraiu da receita bruta a parcela do ICMS; que no RE nº 240.7852 o Supremo Tribunal Federal STF, por maioria de votos, declarou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. A questão da parcela do ICMS é matéria de direito, pois a legislação de regência do PIS e da Cofins não prevê a pretendida exclusão. Pois bem. A propósito, quanto ao ICMS, no dia 08/10/2014, foi concluído no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 240785MG, no qual se discutiu a constitucionalidade da inclusão do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Os Ministros, por maioria, deram provimento ao recurso de uma empresa do setor de autopeças de Minas Gerais, garantindo a redução do valor cobrado a título de Cofins. Divergência: Em seu votovista proferido na sessão de 08/10/2014, o Ministro Gilmar Mendes foi favorável à manutenção do ICMS na base de cálculo da Cofins, acompanhando a divergência aberta pelo Ministro Eros Grau (aposentado). No entendimento do Ministro Gilmar Mendes, o conceito de receita bruta ou faturamento é o total recebido pelo contribuinte nas vendas de bens e serviços, e as exceções a essa regra devem estar previstas na legislação. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 646 42 Ao contrário dos tributos sobre receita líquida, como o Imposto de Renda, que suporta deduções, os impostos sobre faturamento ou receita bruta não possuem exclusões. “A exclusão da base de cálculo sem previsão normativa constitui ruptura no sistema da Cofins. Se excluída a importância do ICMS, porque não retirar o Imposto Sobre Serviços (ISS), do Imposto de Renda (IR), do Imposto de Importação (II), Imposto de Exportação (IE), taxas de fiscalização, do Programa de Integração Social (PIS), da taxa do Ibama, da base de cálculo da Cofins?”, indagou o Ministro. “Incentivar engenharias jurídicas só desonera o contribuinte no curto prazo, e só incentiva o Estado a criar novos tributos. Ou alguém duvida que a exclusão levará ao aumento de alíquota para fazer frente às despesas”, afirmou. De qualquer forma, a citada decisão do STF, em sede RE, sem efeito erga omnes, não beneficia a recorrente nos presentes autos do processo administrativo tributário, pois vale apenas para as partes envolvidas naquele processo judicial; não beneficia a recorrente neste processo administrativo, pois não é parte daquele processo no STF. Desta forma, persiste vigente a legislação de regência do PIS e da Cofins, que não prevê a exclusão da parcela do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Ou seja: não há previsão legal para exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Portanto, incabíve a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da CSLL dos anoscalendário 2005 e 2006, em relação às receitas registradas na escrituração contábil e não declaradas ao Fisco, pois a legislação de regência persiste vigente, com presunção de legitimidade e constitucionalidade em relação aos citados anoscalendário objeto dos autos. Por fim, devese, ademais, rechaçar peremptoriamente o pedido genérico de perícia técnica da escrituração contábil. A autoridade fiscal já examinou a escrituração contábil da recorrente, quando do procedimento de fiscalização. As provas da escrituração contábil, que comprovam a omissão de receitas, já constam dos autos. Quanto a eventual fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, o ônus da prova incumbe ao sujeito passivo (PAF, arts. 15 e 16, e CPC, art. 333, II). Neste caso, considerase inexistente o pedido de perícia técnica (mero pedido genérico), pois não atendeu aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Apenas para argumentar, a diligência/perícia contábil não pode ser utilizada para substituir atividade probatória cujo ônus é do sujeito passivo. Os precedentes deste Conselho Administativo são pacíficos nesse sentido. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 647 43 A propósito, transcrevo ementas de Acórdãos do CARF, in verbis: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatoria, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. (Acórdão nº 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acordão nº 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978, sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem.(Acórdão nº 10248.141, de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 648 44 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Franciso). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. nº 1802001.006, sessão de 17/10/2011). ASSUNTO:PERÍCIA/DILIGÊNCIA– PRESCINDIBILIDADE – A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 107.05810, Relatora Karem Jureidini Dias). PROTESTO GENÉRICO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência e/ou perícia, quando a documentação constante dos autos revelase suficiente para formação da convicção do julgador e consequente solução do litígio, e quando visa à produção de provas cujo ônus é do contribuinte. (Acórdão nº 280101.866, sessão de 28/09/2011, Relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães). IMPUGNAÇÃO.PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. (Acórdão nº 30239.633, sessão de 08/07/2008, Relatora Judith Amaral Marcondes Armando). Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 649 45 PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias.(Acórdão nº 303–34.568, sessão de 15/08/2007, Relator Sílvio Marcos Barcelos Fiúza). IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. (Acórdão nº 30334.397, sessão de 12/06/2007, Relatora Anelise Daudt Prieto) Portanto, deve ser mantida o IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), anos calendário 2005 e 2006 acerca da omissão de receitas (receitas escrituradas e não declaradas, resultados operacionais escriturados e não declarados). Não merece reparo a decisão recorrida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS – OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 42 DA LEI 9.430/96). PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.ANOS CALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007. O fisco imputou as seguintes infrações: a) depósitos bancários não registrados na escrituração contábil – (art. 42 da Lei 9.430/96) – anoscalendário 2005 e 2006. Omissão de receitas. Lucro Real trimestral (IRPJ e reflexo – CSLL). PIS e Cofins, regime nãocumulativo (reflexos) – Apuração mensal; b) depósitos bancários de origem não comprovada (art. 288 do RIR/99, base legal art. 42 da Lei 9.430/96). Omissão de receitas. Anocalendário 2007. Escrituração contábil imprestável. IRPJ e reflexo CSLL – Lucro Arbitrado (que é trimestral). PIS e Cofins, regime cumulativo (reflexos) – Apuração mensal. A recorrente, por sua vez, nas razões do recurso, objetou: que para apurar renda (disponibilidade econômica ou jurídica), nos termos do art. 43 do CTN, é preciso confrontar receitas, custo e despesas; que o fisco, no caso, não tratou das despesas; que isso torna inconsiste o lançamento fiscal; que, no outro giro, o lançamento com base em extratos bancários vem sendo rechaçado pela jurisprudência; que os valores indicados nos extratos bancários correspondem, sempre, à movimentação de dinheiro, e não à renda; que, nesse sentido, menciona a vetusta Súmula 182 do extinto TFR; Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 650 46 que, como a disponibilidade econômica ou jurídica de renda deve ser efetiva (art. 43 do CTN), não há margem para manutenção do lançamento fiscal. Carecem de plausibilidade fáticojurídicas os argumentos expendidos pela recorrente. Diversamente do alegado pela recorrente, as despesas e custos já foram aproveitados e confrontados na apuração do lucro contábil, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2005 e 2006, em relação às receitas contabilizadas e não declaradas, matéria já enfrentada no tópico anterior. Ainda, vide demonstrativo de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2005 e 2006 sobre as receitas escrituradas e não declaradas (efl. 312). Quanto às infrações imputadas – omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/96), cabe transcrever a narrativa dos fatos constante do Relatório Fiscal, parte integrante dos autos de infração (efls. 404/405), in verbis: (...) Da Apuração da Base de Cálculo Anoscalendário 2005 e 2006: (...) Os créditos bancários não comprovados, nos valores de R$ 5.599,72, anocalendário 2005, e R$ 37.150,99, ano calendário 2006, representam omissão de receitas e estão informados no Demonstrativo de Omissão de Receitas com Base em Créditos Bancários cuja Origem, Correta Contabilização e Submissão á Tributação não Foram Comprovadas (fl. 307) e no Demonstrativo de Omissão de Receitas com Base em Créditos Bancários cuja Origem, Correta Contabilização e Submissão à Tributação não Foram Comprovadas — Totalização Mensal (fl. 315) —enquadramento legal Decreto n° 3.000/99, arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único), 279, 282, 287, 288, 849 e 926, Lei n° 9.249/95, art. 24; Lei n° 9.430/96, art. 42. Da Apuração da Base de Cálculo Anocalendário 2007: os créditos bancários relativos ao anocalendário 2007, que não foram comprovados, somaram R$ 566.529,80 e representam omissão de receitas com fundamento no Decreto n° 3.000/99, art. 849. Os valores individualizados e a totalizaçâo mensal estão informados no Demonstrativo de Omissão de Receitas com Base em Créditos Bancários cuja Origem, Correta Contabilizagão e Submissão à Tributação não Foram Comprovadas (fl. 307 a 314) e no Demonstrativo de Omissão de Receitas com Base em Créditos Bancários cuja Origem. Correta Contabilização e Submissão à Tributação não Foram Comprovadas — Totalização Mensal (fl. 315) — enquadramento legal Decreto n° 3.000/99 arts. 532, 537, 849 e 926. (...) Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 651 47 Quanto ao anocalendário 2007 não há que se falar em despesas ou custos a confrontar com as receitas, pois houve o arbitramento do lucro, em face da escrituração contábil imprestável, conforme já narrado no relatório. Quanto aos depósitos bancários a crédito nas contas correntes bancárias da recorrente nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, não escriturados e de origem não comprovada, diversamente do seu entendimento, o fisco, por presunção legal, pode imputar e imputou a infração Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (Lei nº 9.430/96, art. 42). O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96 encerra uma presunção legal relativa, que tem a função de inverter o ônus probatório. No caso de presunção legal, o ônus probatório, por conseguinte, não é de quem acusa ou imputa a infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova de que não ocorreu a omissão de receitas. Para fisco compete, apenas, comprovar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e não escriturados, com lastro em extratos bancários (prova indiciária) para presumir, imputar a infração omissão de receitas. Vale dizer, o fisco pode presumir a omissão de receitas (com base em depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias, uma vez que não mais se aplica a vetusta Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Isso porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Vejamos: Lei n° 8.021/1990 "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n° 9.430/1996 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 652 48 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade de sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como demonstrado, o depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal. Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes trascrevo algumas ementas: Fl. 652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 653 49 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10809.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário:2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10197.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL. Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 10517.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 654 50 ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 195 00.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracterizase como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC. CSRF nº 0105.643, sessão de 27 de março de 2007, Redator designado José Cóvis Alves). Por fim, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda e a Constituição Federal. Porém, eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvida no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, falecendo competência ao CARF para tanto, conforme máteria já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 655 51 Na fase de fiscalização, como já demonstrado, a contribuinte, embora intimada diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desemcumbiu desse ônus probatório para elidir a omissão de receitas. Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas para lastrear suas alegações. Portanto, devem ser mantidas as infrações imputadas “OMISSÃO DE RECEITAS– DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA quanto aos AC 2005, 2006 e 2007. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. ANOSCALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007. A recorrente, nas razões do recurso, alegou que: a) a presunção legal (art. 42 da Lei 9.430/96) aplicase apenas em relação ao IRPJ, e não aos reflexos (CSLL, PIS e Cofins); b) que falta previsão legal para lançamento e exigência dos citados reflexos com base na presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96, para os anos calendário 2005, 2006 e 2007. c) que a previsão legal para exigência da CSLL, PIS e Cofins, por presunção legal (art. 42 da Lei 9.430/06), passou a existir somente a partir da edição da Lei 11.941/09 (MP 449/2008), art. 26 (incluiu o § 8º ao art. 33 da Lei 8.212/91) e art. 29 (alterou o § 2º do art. 24 da Lei 9.249/95, incluiu contribuições previdenciárias). A decisão recorrida, no voto condutor, assim enfrentou a questão (efl. 497): (...) Alegou que o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 somente permite a presunção para efeitos de apuração de eventual omissão de renda e a conseqüente apuração do imposto sobre a renda, não podendo ser estendida para a tributação do PIS, da COFINS, da CSLL, por falta de previsão legal, o que aconteceu somente com a MP 449, de 03 de dezembro de 2008, em seus artigos 24 e 27. Não procede a argumentação da impugnante porquanto o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece que os depósitos bancários para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos depositados são considerados receita omitida e, de acordo com o §2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (...) Fl. 655DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 656 52 Não merecem guarida as alegações da recorrente. Contribuições sociais do INSS: Em face da criação da Super Receita (transferência do capacidade tributária ativa do INSS para a RFB pela Lei 11.457/2007, arts. 1º e 2º), houve a necessidade de ajuste de redação da Lei 8.212/91 (art. 33, caput, e §§ e inclusão do § 8º) pela Lei nº 11.941/2009 (art. 26) e de ajuste no art. 24 da Lei 9.249/95, conforme art. 29 da Lei 11.941/2009. Issso não quer dizer, por conseguinte, que às contribuições (CSLL, PIS e Cofins), anteriormente à Lei 11.941/99 (que já estavam sob Administração da RFB), não se aplicasse as presunções de omissão de receitas.de que tratam os § 2o e 3o do art. 12 do Decreto Lei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, e dos arts. 40, 41 e 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e do art. 24 da Lei 9.249/95. À CSLL aplicase a legislação do IRPJ, por força do art. 6º e Parágrafo único da Lei nº 7.689/88; art. 57 da Lei 8.981/96 e arts. 28 e 29 da Lei 9.430/96. Fundamentos constantes do auto de infração da CSLL: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 28 e/ou 29 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. À Contribuição para o PIS e à Cofins, aplicase a legislação do IRPJ, por art. 91 do Decreto nº 4524/02, in verbis: Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei nº8.212, de 1991, art. 33, caput, e §§ 3ºe 6º,Lei Complementar nº70, de 1991, art. 10, parágrafo único,Lei nº 9.715, de 1998, arts. 9ºe 11, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Fundamentos legais do auto de infração da Contribuição para o PIS: Arts. 1° e 3º da Lei Complementar n° 7/70; Art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02; Fundamentos legais do auto de infração da Cofins: Arts. 2° , inciso II e parágrafo único, 3 ° , 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. Diversamente do alegado pela recorrente, aplicase aos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e Cofins) a legislação de regência do IRPJ. Não cabe ao julgador administrativo negar vigência ou deixar de aplicar legislação vigente, sob pena de responsabilidade funcional. A omissão de receitas – depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada restou mantida no auto de infração do IRPJ quanto aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, conforme já decidido alhures. Por conseguinte, os lançamentos reflexos (CSLL, PIS e Cofins) seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ), pela inexistência de razão fática e jurídica para decidir diversamente. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 657 53 PIS E COFINS. REGIME CUMULATIVO. ANOCALENDÁRIO 2007 A recorrente argumentou que, relativo ao anocalendário 2007, houve arbitramento do lucro. Logo, os lançamentos da Contribuição para o PIS e da Cofins do ano calendário 2007 devem ser declarados nulos, pois, em vez do fisco proceder lançamento do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo (art. 10 da Lei 8.383/2003), houve aplicação indevida do regime nãocumulativo; que, no caso, em face do arbitramento do lucro, deve prevalecer o regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins. Aqui, a irresignação da recorrente, também, não tem respaldo fáticojurídico. Quanto ao anocalendário 2007, a contribuinte foi omissa de declarações, conforme consta do Relatório Fiscal (efls. 303/304), o qual é parte integrante dos autos de infração, cuja narrativa dos fatos já está transcrita, mencionada no relatório. Além disso, houve arbitramento do lucro, pois a escrituração contábil foi considerada imprestável (o arbitramento do lucro não foi questionado pela contribuinte. É matéria preclusa). Houve arbitramento do lucro com base na receita omitida – depósitos bancários de origem não comprovada. Diversamente do alegado pela recorrente, o lançamento do PIS e da Cofins, sobre a receita omitida (depósitos bancários de origem não comprovada) do anocalendário 2007, foi efetuado pelo regime cumulativo (alíquota de 0,65% para o PIS e 3,00% para a Cofins), conforme auto de infração e demonstrativos de cálculo (efls.337/358). Ademais, o voto condutor da decisão recorrida já enfrentou adequadamente a questão, e que transcrevo nessa parte (efl. ): (...) Conforme se verifica dos autos, a empresa foi submetida à apuração trimestral do lucro real para os anoscalendário 2005 e 2006 e em relação ao anocalendário 2007 foi a empresa submetida à regra lucro arbitrado, em razão da escrita fiscal ter sido considerada imprestável para apuração do lucro real bem como para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Equivocouse a impugnante porquanto para o período em que houve o arbitramento, qual seja, anocalendário 2007, a regra adotada foi a da cumulatividade com alíquota de 0,65% para o PIS e 3% para a Cofins, conforme se pode verificar nos demonstrativos de fls. 342/343 e 353/354. (...) Fl. 657DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 658 54 Portanto, diversamente do alegado pela recorrente, a Contribuição para o PIS e da Cofins, anocalendário 2007, como demonstrado, está sendo exigida pelo regime cumulativo, em face da exigência do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado. Não há ajustes a fazer no lançamento fiscal e na decisão recorrida. JUROS DE MORA SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA O sujeito passivo argumentou que, no caso, devem incidir os juros de mora de 1% a.m, de acordo com o art. 161, §1º, do CTN, e não os juros Taxa SELIC por serem ilegais e inconstitucionais. Vale dizer: a recorrente alegou que a legislação que impõe a aplicação dos juros de mora taxa SELIC na cobrança de tributos seria inconstitucional, por violação do princípio da legalidade tributária. Como já dito alhures, não cabe ao órgão de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade que é matéria de competência do Poder Judiciário. Apenas, para argumentar, os tribunais, desde longa data, têm julgado constitucional a aplicação da taxa Selic na cobrança de tributos pagos serodiamente. A propósito, transcrevo os seguintes precedentes jurisprudenciais do STJ: Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EXECUÇÃO FISCAL TAXA SELIC OBSCURIDADE E OMISSÃO. 1. Acórdão embargado que não examinou adequadamente a tese em torno do art.161,§ 1º, doCTN, restando obscuro e omisso. 2. Sanando os vícios e prequestionada a tese em torno do art.161,§ 1º, do CTN, afastase a alegação de contrariedade porque esta Corte considera legítima a aplicação da taxa SELIC na cobrança dos créditos tributários, afastando a regra do referido dispositivo legal porque lei especial tratou de forma diversa os juros moratórios. 3. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos. (Processo EDcl no REsp 968675 RS 2007/01451683; Relator(a): Ministra ELIANA CALMON Julgamento: 19/08/2008 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação:DJe 22.09.2008). Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. SÚMULA7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA211/STJ. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. SELIC. CRÉDITOS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA7/STJ. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 659 55 1. A verificação da necessidade da realização de prova pericial, em contrariedade à convicção do juízo de origem a esse respeito, esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. Precedentes do STJ. 2. É inadmissível Recurso Especial quanto a questão que, a despeito da oposição de Embargos Declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Incidência da Súmula 211/STJ. 3. A confissão de débito para fins de obtenção de parcelamento não caracteriza a denúncia espontânea. 4. Orientação reafirmada no REsp 1.102.577/DF, julgado no rito dos recursos repetitivos . 5. É legítima a utilização da Selic na cobrança dos créditos tributários titularizados pela Fazenda Nacional. Precedentes do STJ. (...) (Processo: AgRg no Ag 1287384 RS 2010/00484567 Relator(a): Ministro HERMAN BENJAMIN Julgamento: 08/06/2010 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 01/07/2010). Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REQUISITOS DA CDA. NULIDADE. SÚMULA7/STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. MATÉRIA PACIFICADA EMJULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DE MULTA (ART.557,§ 2º, DOCPC). 1. A verificação do preenchimento dos requisitos da CDA demanda, em regra, incursão no acervo fáticoprobatório, o que é vedado nos termos da Súmula 7/STJ. Precedentes do STJ. 2. É legítima a utilização da Selic na cobrança do crédito tributário. 3. Orientação firmada no RESP 1.073.846/SP, julgado sob o rito do art. 543C do CPC. (...) (Processo: AgRg no AREsp 23394 RS 2011/01564811 Relator(a): Ministro HERMAN BENJAMIN Julgamento: 15/03/2012 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 13/04/2012) Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 660 56 Precedentes: Eresp nº 265.005 PR, Primeira Seção, Relator Ministro Luiz Fux, DJ de 12.09.2005, p. 196; Eresp nº 398.182 PR, Primeira Seção, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 03.11.2004, p. 122 e RSTJ vol.186, p. 93; Eresp nº 418.940 MG, Primeira Seção, Relator Ministro Humberto Gomes de Barros, DJ de 09.12.2003, p. 204. Precedente em sede de recurso representativo da controvérsia: REsp. n. 879.844 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2. No caso das contribuições sociais regidas pela Lei n.8.212/91, a aplicação da taxa SELIC na cobrança de tais tributos teve início coma publicação em 28.06.1997, da Medida Provisória n. 1.52310, de 27.06.1997. 3. Recurso especial não provido. (Processo: REsp 1252745 ES 2011/00626857 Relator(a): Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Julgamento: 07/08/2012 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 14/08/2012). Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. APLICABILIDADE AOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS EM ATRASO. RESP 1073846/SP. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. VERBA HONORÁRIA COMPREENDIDA NO ENCARGO DE 20% PREVISTO NO DECRETOLEI N.1.025/69. RESP 1143320/RS. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. 1. Restou pacificado nesta Corte Superior, com o julgamento do Resp n. 1073846/SP, pela sistemática do art.543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08, o entendimento no sentido de que "a Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95". (...) (Processo: AgRg nos EDcl no Ag 1396304 RS 2011/00173692 Relator(a): Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Julgamento: 21/06/2011 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 29/06/2011). Os tribunais se convenceram que não é possível ter duas medidas e dois pesos. Se a União Federal, para realizar o seu mister constitucional, recorre ao mercado financeiro para captar recursos para financiar, realizar ou implementar suas políticas públicas, pagando a taxa SELIC; logo, nada mais justo e legal que o contribuinte moroso (que não pagou tributo no seu vencimento), que está na posse indevida de recursos da União Federal (Fazenda Nacional), também, submetase ao pagamento dos juros SELIC (remuneração dos créditos da União). Tratamento isonômico. Princípio da isonomia. É um um peso e uma medida. Senão a conta não fecha! Ou seja: se os débitos da União são pagos com aplicação dos juros SELIC; logo, os créditos da União (tributos não pagos tempestivamente pelos contribuintes), também, devem submeter se aos juros SELIC. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 661 57 Por fim, no âmbito deste Egrégio Conselho Administrativo, é entendimento pacífico, também, a incidência dos juros SELIC na cobrança de tributos pagos a destempo, sendo, inclusive, matéria sumulada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral Poranto, devem ser mantidos os juros de mora aplicados – Juros SELIC. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. ATIVIDADE REPRESSIVA DO FISCO. JUROS DE MORA O sujeito passivo alegou: que a multa aplicada de 75% (art. 44, I, da Lei 9.430/96) é confiscatória; que dever ser reduzida para o patamar de 20%, de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei 9.430/96; que não deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o capital do credor, eles devem incidir apenas sobre o principal que deixou de ser repassado ao Erário pela conduta morosa do sujeito passivo. Os argumentos da recorrente não merecem prosperar. 1 – Quanto à multa de ofício A multa de ofício foi aplicada, conforme legislação de regência (Lei 9.430/96, art. 44, I).. É defeso ao julgador administrativo afastar ou deixar de aplicar a lei de regência vigente, pois ela goza de presunção de legalidade, legitimidade e constitucionalidade enquanto vigente, sob pena de responsabilidade funcional. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade para afastar a aplicação de lei que, enquanto vigente no ordenamento jurídico, tem presunção de legalidade e constitucionalidade, pois editada pelo Poder Público, ou seja, pelo Poder Legislativo conforme processo legislativo estatuído na Constituição Federal, sob pena de responsabilidade funcional. A apreciação, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade de lei é matéria de competência do Poder Judicário. Nesse sentido, no âmbito deste Egrégio Conselho Administrativo a matéria está sumulada, in verbis: Fl. 661DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 662 58 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Portanto, deixo de conhecer, no mérito, da alegada inconstitucionalidade do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 Apenas para argumentar, na esfera administrativa, no âmbito do processo administrativo tributário, não há controle de legalidade da lei, mas sim controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, se ele foi, ou não, produzido de acordo com a legislação de regência. Não há ajuste a fazer no lançamento fiscal. O princípio do nãoconfisco (CF, art. 150, IV), ademais, tem aplicação restrita a tributos e se dirige apenas ao legislador infraconstitucional. Multa não é tributo. O princípio do nãoconfisco, destarte, não se aplica para multa (penalidade pecuniária), pois, multa não é tributo, e para a graduação do percentual da multa punitiva pecuniária, também, é inaplicável o princípio da capacidade contributiva. Logo, não há que se falar em penas pecuniárias desproporcionais ou confiscatórias na legislação tributária. Ou seja: o princípio da capacidade contributiva não se aplica para penalidade pecuniária. O percentual graduado, cominado em lei (penalidade em abstrato), deve ser em patamar suficiente para causar temor, receio ou medo nos contribuintes, no sentido de inibilos afastálos da prática de infração tributária. Na legislação tributária federal, a multa de ofício cominada em abstrato, para infração que seja apurada, imputada em atividade repressiva, varia de 75% a 225% sobre o tributo apurado de ofício. Não obstante, há contribuintes, ainda assim, que insistem, persistem na prática de infração tributária, sopesando a relação custo x benefício de tal conduta, acreditando no baixo risco, em tese, de serem flagrados ou fiscalizados. Porém, quando flagrados pelo fisco não há outro caminho, senão a submissão ao rigor da lei, ou seja, aos efeitos da aplicação da penalidade em concreto. No caso, foi aplicada, em concreto, a multa mínima de 75% (atividade repressiva, fiscalização externa). Lembrando, incide na pena em concreto da lei tributária apenas quem quer ou quem assume o risco de praticar a infração tributária. No caso, seja qual for a razão, o motivo, que culminou na omissão total das receitas e dos resultados operacionais (contribuinte omissa de declarações nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007 e inexistência de antecipação de pagamentos), a penalidade pecuniária cominada em abstrato na lei não foi suficiente para evitar, impedir, que a contribuinte Fl. 662DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 663 59 praticasse as infrações apuradas e imputadas, então da aplicação da penalidade em concreto, ou seja, o rigor da lei ao caso concreto.. Ainda, apenas a título de argumentação, as multas de ofício que variam de 75% a 225%, cominadas em abstrato pela legislação tributária federal, são aplicadas, em concreto, em atividade repressiva do fisco, ou seja, em procedimento de fiscalização externa, como no caso, seja em procedimento interno de fiscalização (revisão de declarações). O contribuinte perde a expontaneidade para efeito de exclusão da responsabilidade por infração tributária em relação aos fatos geradores ocorridos dos períodos de apuração anteriores à data de ciência da intimação fiscal. Já a multa de até 20% (multa moratória), prevista na legislação tributária federal, aplicase apenas para pagamento espontâneo de débito vencido, desde que o pagamento a destempo, extemporâneo, seja efetuado antes da ciência do início do procedimento de ofício. Como visto, em atividade repressiva de fiscalização a multa punitiva pecuniária mínima é de 75%. Já a multa de 20% (multa moratória) é para pagamento espontâneo, antes da ciência de intimação fiscal do início de procedimento de fiscalização instaurado. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a multa de ofício aplicada 2 – Quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício A recorrente argumentou que, na hipótese de manutenção da multa aplicada, seja afastada a cobrança de juros de mora sobre tal parcela lançada, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o capital do credor, eles devem incidir apenas sobre o principal que deixou de ser repassado ao Erário pela conduta morosa do sujeito passivo, e não sobre a multa de ofício. Rechaço, de plano, a pretensão da recorrente. A multa de ofício aplicada compõe o crédito tributário, por isso, quando não paga na data de vencimento, sofre a incidência dos juros de mora. Nesse sentido, dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Conforme facultado pelo CTN (art. 161, §1º), a União legislou acerca da taxa mensal dos juros de mora de modo diverso, fazendo incidir a taxa SELIC na cobrança de tributos e contribuições federais não pagos tempestivamente. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 664 60 A questão maior é saber se sobre a multa de ofício incidem os juros de mora com base na taxa SELIC ou se no percentual de 1% (um por cento) de que trata o art. 161 do CTN, já transcrito acima. Entendo que a multa de ofício, quando lançada juntamente com tributos e contribuições, está sujeita à incidência de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, a partir do seu vencimento sem pagamento. Por outro lado, a multa de ofício, quando lançada isoladamente, está sujeita à incidência da taxa SELIC desde seu vencimento sem pagamento. Para embasar esse entendimento, adoto, como fundamento para decidir, o voto condutor do Acórdão nº 140200.213, sessão de 06/07/2010, do Relator Antônio José Praga de Sousa, que se pronunciou assim, in verbis: (...) 4. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO (...) A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) A Seguir, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes Fl. 664DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 665 61 de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Entendendo que a SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio, restam devidos os juros de 1% ao mês a que alude o Código Tributário Nacional, (...) Fl. 665DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 666 62 Portanto, incidem juros de mora sobre a multa de oficio não paga no vencimento, lançada juntamente com o tributo ou contribuição, na proporção de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ), em face da conexão dos fatos e das provas. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Ou seja: inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente, aplicase aos lançamentos decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal (IRPJ), em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para calcular, em relação à multa de ofício, os juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, conforme §1º do art. 161 do CTN. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 666DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 667 63 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente Relator, peço vênia para dele divergir apenas quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio não paga no vencimento, lançada juntamente com tributo ou contribuição. A questão é bastante polêmica, e a controvérsia vem de longa data. Esse, a meu ver, já é um primeiro ponto que fragiliza a tese em favor da incidência de juros sobre a multa de ofício, posto que, tratandose de aplicação de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal deixar margem para tantas dúvidas e polêmicas. Para os que entendem que a “multa de ofício” está incluída na expressão “crédito não integralmente pago no vencimento”, contida no art. 161 do CTN, cabe indagar quais seriam então as “penalidades cabíveis” referidas mais adiante no mesmo dispositivo? Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos acrescidos) Mas esse não é o único problema. A lei 8.383/1991, que instituiu a UFIR, deixava bastante claro que os juros de mora não incidiam sobre a rubrica relativa à multa de ofício: Art. 54. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, vencidos até 31 de dezembro de 1991 e não pagos até 2 de janeiro de 1992, serão atualizados monetariamente com base na legislação aplicável e convertidos, nessa data, em quantidade de Ufir diária. § 1° Os juros de mora calculados até 2 de janeiro de 1992 serão, também, convertidos em quantidade de Ufir, na mesma data. § 2° Sobre a parcela correspondente ao tributo ou contribuição, convertida em quantidade de Ufir, incidirão juros moratórios à razão de um por cento, por mêscalendário ou fração, a partir de fevereiro de 1992, inclusive, além da multa de mora ou de ofício. (grifos acrescidos) Vêse que a multa de ofício era indiretamente atualizada pela UFIR, porque incidia sobre uma base atualizada por esse índice, mas ela própria (a multa de ofício) não sofria a incidência dos juros de mora. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 668 64 Com a estabilização econômica, tivemos a extinção das regras de atualização monetária e a instituição da taxa de juros Selic, mas não houve a introdução de uma regra expressa determinando que os juros passariam a incidir sobre a multa de ofício. Aliás, o texto da Lei nº 8.981/1995 indicava que os juros continuavam a incidir apenas sobre a rubrica principal dos débitos: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (grifos acrescidos) Com a introdução da Lei nº 9.430/1996, as regras relativas à multa de mora e aos juros de mora tiveram nova redação: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos acrescidos) O texto acima, igualmente ao do CTN, veio novamente suscitar dúvidas, na medida em que não identifica claramente quais rubricas estão abrangidas na expressão “débitos para com a União”. Ocorre que se esses “débitos” abrangessem a multa de ofício, haveríamos de concluir também pela incidência da multa de mora sobre a multa de ofício (caput do art 61), incidência essa que não poderia ser afastada pelo § 3º do art. 950 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999): Art.950.Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). §1º (...) Fl. 668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 669 65 §2º (...) §3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. Com efeito, o decreto não poderia derrogar a Lei. Nesse contexto, a interpretação mais adequada, a meu ver, é que a multa de ofício já não estava incluída no caput do art. 61 da Lei 9.430/1996 (de onde concluo que o decreto não incorre em ilegalidade, e não que o decreto exonerou onde a Lei não exonerava). Por outro lado, com a ampliação do alcance da expressão “débitos para com a União”, contida no referido art. 61 da Lei 9.430/1996, os juros de mora deveriam também incidir sobre a multa de mora, e isso todos sabemos que não ocorre. Para afastar esse problema, normalmente se argumenta que os juros devem incidir apenas sobre obrigações com prazo de vencimento, como se apenas a multa de ofício o tivesse, e a multa de mora configurasse uma obrigação sem vencimento, o que a tornaria semelhante às chamadas obrigações naturais em Direito Civil (não exigíveis). Mas a multa de mora, como acontece com a multa de ofício, tem vencimento. Ele apenas é imediato, concomitante à mora (inadimplência), tanto o é que a multa de mora é perfeitamente exigível desde então, configurando, portanto, obrigação vencida. Assim, o argumento em relação ao vencimento não serve para solucionar o problema da incidência dos juros de mora sobre a multa de mora, como também não serviria para afastar a incidência dos juros de mora sobre os próprios juros de mora, ou da multa de mora sobre a multa mora, etc., e não é razoável entender que a lei deixaria em aberto tantas possibilidades de combinação, principalmente quando se trata das conseqüências em relação à aplicação de norma punitiva. A regra contida no parágrafo único do art. 43 da Lei 9.430/1996 poderia solucionar todas essas questões, mas a incidência de juros lá prevista está restrita às multas isoladas. Finalmente, registro que há manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que não deve haver incidência de juros de mora sobre a multa de ofício que acompanha o tributo, conforme Acórdão CSRF/0203.133, de 06/05/2008, nos seguintes termos: 1) Por maioria de votos, NÃO CONHECER da preliminar de perda de objeto do recurso em face do trânsito em julgado da decisão judicial quanto ao mérito, suscitada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado); 2) Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência até os fatos geradores do mês de outubro de 1999, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Júlio César Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que não acolhiam; 3) por maioria de votos CONHECER do recurso quanto a incidência sobre a multa de ofício dos juros à taxa SELIC, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Fl. 669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/201014 Acórdão n.º 1802002.540 S1TE02 Fl. 670 66 Filho e Leonardo Siade Manzan, e por maioria de votos DAR provimento nessa parte, vencidos os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Praga, que mantinham essa incidência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Como um último argumento, observo que no âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não verifico em relação à questão ora debatida. Deste modo, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio não paga no vencimento, que foi lançada juntamente com tributo ou contribuição. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 19515.002940/2005-84
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ
Exercício: 2001 e 2002
Ementa: IRPJ. RESERVA DE REAVALIAÇÃO APURADA NA INVESTIDORA. CAPITALIZAÇÃO, LEI N. 9,959/2000. A partir da edição da Lei n. 9.959/2000, a incorporação ao capital social da reserva de reavaliação, constituída em contrapartida de quaisquer bens da pessoa jurídica, somente poderá ser computado em conta de resultado ou na determinação da base de cálculo da contribuição social, quando ocorrer à efetiva realização do bem.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 9101-000.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Declarou-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho em razão da parte nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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RESERVA DE REAVALIAÇÃO APURADA NA INVESTIDORA. CAPITALIZAÇÃO, LEI N. 9,959/2000. A partir da edição da Lei n. 9.959/2000, a incorporação ao capital social da reserva de reavaliação, constituída em contrapartida de quaisquer bens da pessoa jurídica, somente poderá ser computado em conta de resultado ou na determinação da base de cálculo da contribuição social, quando ocorrer à efetiva realização do bem. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiafilo, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Declar ku-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho em razão da parte nos termos d ti relatório e voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBER e FREITAS B RRETO Presidente. _ ) vÃLk41. P - DRI ator. EDITADO EM: 17 AG0 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karern Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Relatório Com base nos permissivos do art, 7 0, 1 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial contra acórdão if 101-96184 (fls. 1664/1678) proferido pela Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos de votos, deu provimento ao recurso voluntário (i) para restabelecer a dedução das despesas com propaganda e publicidade indicada no item I do auto de infração, (ii) para restabelecer a dedução das despesas pagas à CESCE S/A ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS, no valor de R$ 1,625.000,00 e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso quanto a tributação da reserva de reavaliação. ReCOtle a Fazenda Nacional da parte do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário para cancelar a tributação da reserva de reavaliação. O presente lançamento foi efetuado em decorrência da constatação, pela fiscalização, das seguintes infrações: (i) valor de baixa de ativo da empresa, contabilizado indevidamente como despesa na conta "anúncios e publicidades comerciais", sem que ficasse comprovada a dita despesa como necessária à comercialização ou produção dos serviços, ou que fosse diretamente relacionada com a atividade explorada pela contribuinte; (ii) falta de adição ao lucro líquido do ano calendário de 2001, na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, do valor da reserva de reavaliação de bens em empresas coligadas ou controladas que foi utilizado para aumento de capital na investidora, caracterizando a realização da reserva, sujeita, portanto à tributação nos termos dos artigos 390 e 438 do RIR/99; (iii) inexatidão quanto ao período base de escrituração de receitas e custos que resultou em redução indevida do lucro líquido, de forma que a contribuinte compensou perdas posteriores com ganhos anteriores, conforme descrito no TVF às fls. 174/179. A Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos de votos, deu provimento ao recurso voluntário (i) para restabelecer a dedução das despesas com propaganda e publicidade indicada no item I do auto de infração, (ii) para restabelecer a dedução das despesas pagas à CESCE S/A ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS, no valor de R$ 1.625.000,00 e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso quanto à tributação da reserva de reavaliação, em acórdão assim ementado: "Ementa- IRPJ/CSLL — DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PUBLICIDADE E PROGAGANDA - Para que seja dedutível a despesa com publicidade e propaganda, o sujeito passivo deve comprovar a sua necessidade à atividade da empresa. Se a contribuinte pagou antecipadamente o valor de espaço publicitário e, ao longo do ano-calendário, deduziu as parcelas correspondentes aos serviços prestados, o valor do preço correspondente ao espaço não utilizado poderá ser igualmente deduzido ao fim do período. A não utilização de todo o espaço adquirido não desnatura a necessidade da despesa efetuada pela contribuinte, devidamente comprovada por meio de contrato de 2 Processo n° 195 5.002940/2005-84 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00,628 Fi 2 prestação de serviços, cópias de cheques nominais à contratada e recibos dos pagamentos correspondentes. A contratação em base anual tem justificativa empresarial (disponibilidade de espaços publicitários) e econômica (desconto em relação ao valor individualizado da mídia). DIFERIMENTO DE CUSTOS E RECEITAS — CONTRATO COMA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA — A legislação autoriza o diferinzento da tributação do lucro não realizado, quanto se tratar de contratante integrante da Administração Pública. Se determina o diferimento do resultado, é conseqüência inegável que as receitas estarão igualmente Oferidas. Não seria possível à empresa contabilizar resultados sem receitas. E, em face do princípio da competência e vincula ção dos custos às receitas, os custos somente devem ser deduzidos quando apuradas e conhecidas as receitas. RESERVA DE REAVALIZAÇÃO — CONTROLADORA — EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL — USO PARA AUMENTO" DO CAPITAL SOCIAL — AUSÊNCIA DE FATO GERADOR DO IRPJ/CSLL — A Reserva de Reavaliação, apurada na controladora, por equivalência patrimonial, não deve ser tributada (acrescida ao Lucro Real) quando utilizada para aumento de seu Capital Social, se constituída como contrapartida de aumento de valor de imóveis constantes do Ativo Permanente da sociedade controlada que efetuar a reavaliação de seus bens. A respectiva Reserva de Reavaliação somente será computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, como determina o art 4' da Lei a' 9. 959/2000. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Quanto à glosa das despesas com propaganda e publicidade, entendeu a Primeira Câmara pelo cancelamento do lançamento correspondente, sob o argumento de que o contrato de prestação de serviços firmado pela contribuinte, e o pagamento antecipado do preço, justifica-se para assegurar a disponibilidade de espaço publicitário a seu favor, em jornal de grande circulação, e em melhores condições de pagamento em relação à contratação firmada de forma individualizada e que a perda do montante referente à parcela não efetivamente utilizada não desnatura a necessidade da despesa efetuada por ela, devidamente comprovada, tendo a contratação em base anual justificativa empresarial e econômica., Quanto à glosa das deduções dos custos relacionados à obra executada para o DNER, entendeu a Câmara julgadora que a conseqüência inegável do diferimento do resultado, é que as receitas estarão igualmente diferidas, não sendo possível à empresa contabilizar receitas, sem resultado. Acrescenta a Câmara que, ademais, conforme fis 403/404, a medição final n° 49 somente foi confirmada, tornando-se definitiva em 18.01.2001, razão pela qual, entendem que somente a partir de então, é que foi autorizado o faturamento e, por conseguinte, em face do princípio da competência e vinculação dos custos às receitas, é que poderia, de fato, ser deduzida a respectiva despesa em questão, 3 Com relação à reserva de reavaliação de bens, a Câmara rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento e no mérito, sustentou que o art. 4° da Lei n° 9.959/2000, determina que a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, quando ocorre a efetiva realização do bem reavaliado, se aplicando tal dispositivo ao presente caso, já que a reserva objeto do presente lançamento é reflexa á reavaliação de bens na pessoa jurídica investida. Destacaram ainda que "o aumento do capital social, mediante o uso de reserva, não gera qualquer efeito definitivo, econômico ou fiscal, para a contribuinte, já que, caso não confirmado o valor da reavaliação, por ocasião da realização do bem, poderá reconhecer as perdas e reduzir, em igual proporção, o capital social. Apenas em relação aos acionistas da contribuinte é que os efeitos do aumento do capital social podem ser tornar economicamente definitivos, considerando que o aumento de capital social, conforme respectiva Assembléia Geral Extraordinária que o autorizou, como se confere na correspondente ata constante dos autos, resultou nó aumento do valor nominal de suas ações. Se este aumento do valor nominal for reconhecido, pelos acionistas, como aumento, não tributável, no custo de aquisição das ações, deverá ser realizada a correspondente glosa na apuração de eventual ganho de capital, por ocasião de possível alienação das ações". Concluíram assim, que na glosa no custo de aquisição das ações, o sujeito passivo da obrigação tributária, e, assim, do respectivo lançamento, será o seu acionista, e não a contribuinte. Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 1682/1689), no qual sustenta contrariedade do acórdão recorrido ao artigo 382 do RIR194. Aduz a Fazenda Nacional que, em se tratando de reavaliação, existem várias formas de procedimento, e não apenas a transcrita no artigo 4° da Lei n° 9,959/2000, conhecida como reavaliação espontânea, mas também, a reavaliação reflexa, contida no artigo 390 do RIR/99, e por tratarem de matéria distinta, entende que o citado artigo 4' não revogou o art. 390. Sustenta a Fazenda Nacional que o referido artigo 4° só seria aplicável às reservas de reavaliação (espontâneas) e não às reservas reflexas de reavaliação de bens efetivada por empresas controladas ou coligadas. Requer ao final a prevalência da decisão de P instância quanto à ilegitimidade da adição, no lucro real e na base de cálculo da CSLL da reserva de reavaliação reflexa capitalizada. Ao recurso especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento pelo Presidente da Câmara recorrida (Despacho PRESI n. 336, fls. 1709), ante a constatação de estarem atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do recurso mediante a demonstração de contrariedade à lei. Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 1755/1817), alegando que: (i) historicamente, a cobrança de IRPJ e CSLL no momento da capitalização das reservas de reavaliação decorria de um sistema de proteção à boa técnica contábil, como uma espécie de "punição" àquele que capitalizava a reserva antes de sua realização econômica; (ii) a regra do art. 4° da Lei n° 9.959/00, foi editada em meio a um contexto histórico e normativo no qual o legislador tributário pretendeu claramente proteger o regime de 4 (1) Processo ri° 19515002940/2005-84 CSRF-T/ Acórdão n ° 9101-00,628 Fl .3 travas à compensação de prejuízos fiscais, pois a capitalização daquelas reservas vinha sendo utilizada para burlar as travas à compensação de prejuízos fiscais; (iii) com a nova regra, pretendeu-se eliminar a possibilidade de se compensar prejuízos fiscais com resultados tributáveis derivados da incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, sendo esse propósito, inclusive, o anunciado na exposição de motivos n" 819/MF, da MP n° 1.924/99, posteriormente convertida na Lei n° 9,959/00; (iv) a interpretação conferida pela decisão recorrida ao texto de lei está de acordo com o sentido jurídico, econômico e contábil que deve ser atribuído à expressão "contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica" constante do art 4° da Lei if 9.959/00, e que a interpretação do recurso especial viola o sentido finalístico da norma, é injustificável e ainda leva a situações desarrazoadas quando pretende demonstrar a inexistência de colidência entre o artigo 390, §, 2°, do RIR199 e o artigo 4' da Lei n° 9,959/00; (v) sob a perspectiva do texto legislado, e sob os pontos de vista econômico, jurídico e contábil, verifica-se que a reserva de reavaliação reflexa — cujo registro decorre, em última análise, da equivalência patrimonial — é a contrapartida do aumento do valor do investimento societário decorrente de uma reavaliação efetivada pela investida; (vi) o investimento foi valorizado pela reavaliação efetuada pela sociedade investida, e o montante dessa valorização, eu tem reflexo no ativo da investidora, decorre, exatamente, daquela reavaliação: sua contrapartida, na investidora, é o registro de uma reserva de reavaliação reflexa; (vii) negar tal tratamento à reservas de reavaliação reflexas traria o absurdo de se ter retirado a tributação da investida para evitar aquele mecanismo de elisão, mas se ter mantida a possibilidade de a investidora manejar ainda hoje aquela elisão tributária; (viii) admitir a interpretação pretendida pelo recurso especial, por outro lado, significaria reconhecer eu, com a Lei n° 9.959/00, a reavaliação tornou a ser "neutra" para fins fiscais, exceto no eu se refere aos acasos de "reavaliação reflexa", distinção essa eu não encontra qualquer justificativa de ordem econômica, fiscal ou contábil; (ix) a interpretação defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional significaria acolher a tributação sobre o que não constitui verdadeira renda apenas nesse caso especialissimo das reservas reflexas de reavaliação, muito embora o mesmo procedimento, podendo, inclusive, levar à dupla tributação; (x) a pretensa exigência de IRPJ e CSLL pela capitalização de reserva de reavaliação reflexa não pode prosperar visto que sua fundamentação legal estava, à época dos fatos, já revogada pelo artigo 4° da Lei n° 9,959/00. Ao final, requer o improvimento do recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, É o relatório, 5 Voto Conselheiro VALMIR SANDRI Com base nos permissivos do art, 70, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do ME n°. 147/2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (Es. 1682/1689), na parte em que o acórdão, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar da tributação a reserva de reavaliação, por haver incompatibilidade do art. 390 do RIR199, com o art. 4°. da Lei n. 9.959/2000. Tendo sido tempestiva a apresentação do recurso, bem como demonstrada a suposta contrariedade à lei, dele tomo conhecimento. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o lançamento se deu pelo fato de a contribuinte não ter adicionado ao lucro líquido do ano-calendário de 2001, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, o valor da reserva de reavaliação de bens em empresas coligadas/controladas — reavaliação reflexa -, utilizado para aumento de capital na investidora. Por seu turno, a Câmara recorrida cancelou a exigência ao argumento de que o art., 4°. da Lei n. 9.959/2000, com vigência posterior ao art. 390 do RIR/99, determinou que a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica, somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de calculo da contribuição, quando ocorrer à efetiva realização do bem reavaliado, ou seja, quando economicamente concretizados e confirmados os efeitos da reavaliação. Por outro lado, alega a D. Procuradoria da Fazenda Nacional que, em se tratando de reavaliação, existem várias formas de procedimento e não apenas aquela descrita no art. 40, da Lei n. 9,959/00, que trata da reavaliação espontânea, ao passo que o art. 390 do RIR, trata da reavaliação reflexa, decorrente de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada. Os dispositivos ora mencionados — art. 390, do RIR/99 e art. 4°,, da Lei n. 9,959/200, prescrevem: At 390. A contrapartida do ajuste por aumento do valor do patrimônio líquido do investimento em virtude de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada, por esta utilizada para constituir reserva de reavaliação, deverá ser compensada pela baixa do ágio na aquisição do investimento com .fundamento no valor de mercado dos bens reavaliados (art . 385„ 22, inciso 1) (Decreto-Lei ne 1..598, de 1977, art. 24) § 1 2 O ajuste do valor de património liquido correspondente à reavaliação de bens diferentes dos que serviram de . fiindainenio ao ágio, ou a reavaliação por valor superior ao que justificou o ágio, deverá ser computado no lucro real do contribuinte, salvo se este registrar a contrapartida do ajuste como reserva de reavaliação (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 24„s1+ 12) § 22 O valor da reserva constituída nos termos do parágrafo anterior deverá ser computado na determinação do lucro ?-eal do período de apuração em que o contribuinte alienar ou liquidar o investimento, ou em que utilizar a reserva de 6 Processo o' 19515..002940/2005-84 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00.628 Fl 4 reavaliação para aumento do seu capital social (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art 24, § 22) 32 A reserva de reavaliação do contribuinte será baixada mediante compensação com o ajuste do valor do investimento, e não será computada na determinação do lucro real (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 24, - nos períodos de apuração em que a coligada ou controlada computar sua reserva de reavaliação na determinação do lucro real (art 435), ou II - no período de apuração em que a coligada ou controlada utilizar sua reserva de reavaliação para absorver prejuízos. Art. 42 A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Pois bem, a controvérsia gira em torno da aplicabilidade, ou não, do art, 4", da Lei n. 9,959/00, no caso de capitalização das reservas reflexas de reavaliação. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela D. Procuradoria em seu recurso, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida, que deu correta interpretação do dispositivo acima citado, no sentido de que a nova regra não faz qualquer distinção quanto a sua aplicabilidade, ou seja, abrange todos os tipos de reserva de reavaliação, seja ela espontânea ou reflexa. E não poderia ser diferente, eis que a intenção do legislador, ao editar a MP n. 1.924/99, convertida na Lei n. 9.959/00, foi no sentido de não mais tributar antecipadamente as reservas de reavaliação, só vendo a sê-los quando da efetiva realização do bem reavaliado, evitando, com isso, uma elisão fiscal, pois, a partir da limitação da compensação de prejuízos fiscais na ordem de 30% do lucro real e da base de cálculo negativa da contribuição social, empresas que possuíam prejuízos consideráveis, levariam muito tempo para compensá-los, partindo, então, para a incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, provocando com isso a sua tributação imediata, reduzindo dessa forma substancialmente o prejuízo fiscal acumulado e a base negativa da contribuição social. De fato, tal intenção ficou assim consignada na Exposição de Motivos n. 819/MF, verbis: "8.. O art. 5', Determina que os valores decorrentes de reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente possam transitar em contas de resultado ou serem computadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido no momento da realização do objeto daquela reavaliação, impedindo, dessa forma, que tal procedimento seja adotado com a finalidade de .fugir da limitação imposta para a compensação de prejuízos ,fiscais e de bases de cálculo negativas, mediante a transformação destes em custo. Assim, entender de forma diferente, ou seja, de que a norma vale para a reavaliação espontânea, mas não para a reavaliação reflexa, estar-se-ia ignorarando por completa a intenção do legislador, eis que continuaria ainda ao dispor do contribuinte o 7 mecanismo que a lei veio estancar, não havendo, portanto, como dar tratamento fiscal diferente entre a reavaliação espontânea e a reavaliação reflexa, Nesse diapasão, vale transcrever ensinamento do Prof. Paulo de Barros Carvalho, que instado a se manifèstar sobre o tema, assim se posicionou no seu Parecer anexo aos autos (págs. 48 e 49, Doc. 01), vejamos: "Não tenho dúvidas de que essa pretensão legislativa ficaria frustrada caso o preceito se restringisse à reserva de reavaliação espontânea, pois continuaria sendo possível manipular o resultado do período mediante o uso indevido dos valores da reserva de reavaliação reflexa. Em vista disso, admitir tal restrição implicaria contrariedade aos objetivos do legislador, constantes da Exposição de Motivos n. 819/MF, as quais são determinantes na construção do sentido normativo," .,. o que pretendeu o legislador, com tal determinação foi impedir a manipulação do resultado do período em curso, objetivo esse que só poderá ser alcançado se a nova legislação for aplicada, indistintamente, tanto a reavaliações espontâneas como a reavaliações reflexas." Dessa forma, não tenho dúvida de que a nova regra estabelecida pela Lei n. 9.959/00, abrange todos os tipos de reserva de reavaliação, sem quaisquer distinções, eis que a norma é genérica e estatuiu expressamente que à reavaliação abrange quaisquer bens da pessoa jurídica e, sendo assim, não há como retirar de seu alcance o aumento do valor do patrimônio líquido do investimento em virtude de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada. Assim, ante os argumentos acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Especial interposto pela D.. Procuradoria da Fazenda Nacional, É como voto. ), NDRI Relator 8
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Numero do processo: 10925.002260/2006-45
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
Base de Cálculo. Receita Bruta. Deduções.
Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.158-35/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher o PIS sobre a receita operacional, com as deduções específicas estabelecidas nas leis nº 9.701 e 9.718, de 1998.
Somente a partir de dezembro de 2005, quando entrou em vigor a nova redação do art. 30 da Lei nº 11.051/2004, fornecida pela Lei nº 11.196/2005, o legislador passou a admitir a exclusão dos ingressos atrelados a atos cooperados da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.530
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Base de Cálculo. Receita Bruta. Deduções. Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.15835/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher o PIS sobre a receita operacional, com as deduções específicas estabelecidas nas leis nº 9.701 e 9.718, de 1998. Somente a partir de dezembro de 2005, quando entrou em vigor a nova redação do art. 30 da Lei nº 11.051/2004, fornecida pela Lei nº 11.196/2005, o legislador passou a admitir a exclusão dos ingressos atrelados a atos cooperados da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 22 60 /2 00 6- 45 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/200645 Acórdão n.º 3102001.530 S3C1T2 Fl. 357 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima, conforme termo de verificação de fls. 1626, foi constatada falta/insuficiência de recolhimento do PIS para o período ocorrido entre 01/2001 e 12/2004, em razão de as sociedades cooperativas estarem sujeitas ao cálculo do PIS sobre a receita bruta. Com base na fundamentação legal dada pelo art.3.°, §§ 2.° e 3.° da LC 07/70, artigos 2.° e 3.° da lei 9.718/98, com alterações das MP 1.807/99 e 1.858/99, e reedições, art.4.° da lei 9.701/98, artigos 2.°, I, "a" e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51 do decreto 4.524/02, foi lavrado o auto de infração de fls. 0308, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos neles mencionados. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição, multa e juros de mora calculados até 30/11/2006, perfaz o total de R$ 53.569,08. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 07/12/2006, a contribuinte apresentou em 03/01/2007 a impugnação de fls. 240248, documentos anexos às fls. 249296, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 2.1. Informa que a autoridade fazendária lavrou a peça fiscal objeto desta impugnação com a exigência de crédito tributário dos períodos de 31/01/2001 a 31/12/2004. Todavia, segue a impugnante, a autoridade fiscal deixou de se reportar ao art.3°, § 4º, da LC 07/70, esquecendo que, para fins operacionais, essas sociedades são tidas como instituições financeiras, sujeitandose às regras dos bancos em geral, nos termos da lei 4.595/64, porém, antes disso, são sociedades cooperativas com tratamento diferenciado dado pela lei 5.764/71, não podendo adotar o vocábulo "banco" em sua denominação, tampouco podendo funcionar sob a forma de S/A, à luz do disposto no art.25 da lei 4.595/64, eis que são sociedades de pessoas, não de capital. 2.2. Transcreve art. 79, parágrafo único, 86, parágrafo único, e 111, todos da lei 5.764/71, concluindo que, enquanto as cooperativas operarem só com associados, não há que se falar em resultado, faturamento ou qualquer outra base de cálculo imponível no campo tributário, pois a sociedade cooperativa é a simples soma das atividades dos sócios, pessoas físicas, inexistindo operações de mercado para qualquer efeito, nem renda, lucro ou resultado da própria entidade. 2.3. A empresa afirma que as sobras/rendas contabilizadas, sobre as quais exige se o PIS faturamento, não pertencem à sociedade, e devem ser devolvidas aos associados na razão Fl. 754DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/200645 Acórdão n.º 3102001.530 S3C1T2 Fl. 358 3 direta da fruição dos serviços,conforme art.4,VII,e44,II, da lei 5.764/71. Aduz que a cooperativa, não visando lucro, nos termos do art.3.° da lei 5.764/71, não paga tributos e contribuições que tenham como base o resultado, a renda, o faturamento, etc., das empresas. 2.4. Esclarece que, somente quando a cooperativa opera com nãoassociados é que se sujeitará às regras tributárias válidas para as empresas em geral, exclusivamente em relação ao resultado/faturamento/renda dessas operações. Cita art.3.°, § 4.° da LC 07/70, destacando que o legislador quis dar tratamento diferenciado às entidades que não visam lucro, não podendo uma medida provisória mudar essa diretriz. Menciona o art.2.°, § 1º, da lei 9.715/98, pontuando que as cooperativas, enquanto operarem só com associados, contribuirão ao PIS com base na folha de salários. Cita decisão do STJ a embasar sua tese. 2.5. Pelo exposto, pede seja julgada procedente sua impugnação, eis que insubsistente o crédito tributário lançado. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. As cooperativas de crédito estão sujeitas à incidência da contribuição cuja base de cálculo, conforme a lei 9.718/98, é a receita bruta da empresa. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplicase às cooperativas de crédito a legislação da contribuição para o PIS/Pasep relativa às instituições financeiras. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Fl. 755DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/200645 Acórdão n.º 3102001.530 S3C1T2 Fl. 359 4 Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Enfrento separadamente cada um dos pontos que deve ser alvo de manifestação por parte deste Colegiado. 1 Incidência da Contribuição para o PIS sobre as Receitas Auferidas por Cooperativas de Crédito Com a devida vênia não vejo como reconhecer às cooperativas de crédito o tratamento diferenciado consignado no parágrafo 4º do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 19701. A meu ver, as restrições à denominação da sociedade, ou seja, a vedação à expressão banco, não produz qualquer efeito na fixação da sua natureza jurídica. Com efeito, o parágrafo 1º do art. 18 da Lei nº 4.595, de 1964 é bastante claro (original não destacado): § 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. Por outro lado, não vejo como reconhecer que essa equiparação se limite aos aspectos operacionais. Tal assertiva é afastada pelo § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 que, expressamente equipara tais sociedades a instituições financeiras, para efeito de tributação das receitas auferidas. Confirase (original não destacado): § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e 1 Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: (...) § 4º As entidades de fins não lucrativos, que tenham empregados assim definidos pela legislação trabalhista, contribuirão para o Fundo na forma da lei. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/200645 Acórdão n.º 3102001.530 S3C1T2 Fl. 360 5 valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por outro lado, como é cediço a isenção consignada no parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n° 70/91, que ao instituiu a COFINS foi tacitamente revogada pela Lei n° 9.718/98, em cujo art. 3º, §§ 5º e 6º, este último incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, se lê: § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: Assim, penso, a vedação à utilização da expressão “banco” em sua denominação pouca relevância assume para a definição da tributação sobre as receitas auferidas por cooperativas de crédito. Aliás, a própria Constituição Federal, por ocasião da edição da Emenda Constitucional de Revisão nº 01/1994, previu expressamente: Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994) (...) III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, passa a ser de trinta por cento, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994) (...) V a parcela do produto da arrecadação da contribuição de que trata a Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o inciso III deste artigo, a qual será calculada, nos exercícios financeiros de 1994 a 1995, bem assim nos períodos de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997 e de 1º de julho de 1997 a 31 de dezembro de 1999, mediante a aplicação da alíquota de setenta e cinco centésimos por cento, sujeita a alteração por lei ordinária posterior, sobre a Fl. 757DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/200645 Acórdão n.º 3102001.530 S3C1T2 Fl. 361 6 receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. natureza; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994) É extreme de dúvidas, portanto, que, para efeito da legislação que rege a contribuição litigiosa, os rendimentos auferidos por cooperativas de crédito efetivamente inseremse no conceito de receita e, como tal, sujeitamse à contribuição nos termos do arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1995: Art.2°As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3ºO faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. De se esclarecer que o Fisco considerou as deduções admitidas pelo art. 1º da Lei nº 9.7012 e pelos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/983, ambas de 1998. 2 Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no§ 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: Ireversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II Revogado III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a)despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; b)encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c)despesas de câmbio; d)despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e)despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; 3 § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 758DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/200645 Acórdão n.º 3102001.530 S3C1T2 Fl. 362 7 2 Retroatividade Benigna Não vejo, por outro lado, como aplicar retroativamente a nova redação do art. 30 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, incluído pelo art. 46 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005: Art. 30. As sociedades cooperativas de crédito e de transporte rodoviário de cargas, na apuração dos valores devidos a título de Cofins e PIS faturamento, poderão excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes do ato cooperativo, aplicando se, no que couber, o disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e demais normas relativas às cooperativas de produção agropecuária e de infraestrutura. Tratase de norma de cunho evidentemente material, que só se tornou aplicável no período de apuração iniciado em 1º de dezembro de 2005 e que, por não envolver a aplicação de penalidade, não atrai a aplicação do art. 106 do CTN4: 3 Conclusão Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 4 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/200645 Acórdão n.º 3102001.530 S3C1T2 Fl. 363 8 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11128.004211/2004-33
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/06/2004
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA MANIFESTADA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.
O Imposto de Importação incide sobre mercadoria estrangeira entrada no território nacional, assim considerada aquela que consta em manifesto, mesmo que em trânsito para outro país.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RESPONSABILIDADE REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO
Responde pelo Imposto de Importação o representante, no País, do transportador estrangeiro, nos termos da Lei.
Numero da decisão: 3201-00.433
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida e Tatiana Midori Migiyama (Suplente).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ;,../.;-. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .,p:tij:411L14, TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11128.004211/2004-33 Recurso n° 139.445 Voluntário Acórdão n° 3201-00.433 — 2' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria IIIIPI - FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/06/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA MANIFESTADA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. O Imposto de Importação incide sobre mercadoria estrangeira entrada no território nacional, assim considerada aquela que consta em manifesto, mesmo que em trânsito para outro país. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RESPONSABILIDADE REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO Responde pelo Imposto de Importação o representante, no País, do transportador estrangeiro, nos termos da Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / i a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida e Tatiana Midori Migiyama (Suplente). Processo n°11128004211/2004-33 53-C2T1 Acórdão n.°3201-00.433 Fl. 247 s' JUDIT DO s ARAL MARCONDES A • :NDO Presid • ( ROSA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. Processo n°11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00433 Fl. 248 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 01 a 15, em face da empresa acima qualificada, para exigência do crédito tributário — Imposto de Importação e multa prevista no artigo 628, III alínea "d" do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 4543/02, apurado por meio do Termo de Vistoria - processo n°. 11128.003564/2004-16, fls. 35/38, no valor R$ 17.073,08 (dezessete mil e setenta e três reais e oito centavos). Segundo consta dos autos, a vistoria aduaneira foi realizada a pedido do importador AQUIDABAN IMPORT EXPORT, nas mercadorias amparadas pelo conhecimento de carga IIDD 002893, acondicionadas no container CSVU 406.088- 6, descarregado do navio NYK ESPÍRITO, que entrou no Porto de Santos em 21/06/2004. De acordo com o Termo de Avaria de Container n°. 004098/2004, emitido pelo depositário, a unidade de carga referenciada foi descarregada com suspeita de falta/avaria, divergência de peso e lacre, motivo pelo qual foi constituída a Comissão de Vistoria Aduaneira para verificar a ocorrência de avaria e/ou extravio das mercadorias estrangeiras ingressadas no território nacional bem como identificar o responsável e apurar o crédito tributário dele exigível, nos termos do artigo 581, § I° do Decreto 4543/2002. No ato da Vistoria Aduaneira constatou-se que a falta dos elementos de segurança (lacre de origem) bem como, a divergência de peso, apontada no Certificado de Descarga e/ou avaria, foram as causas determinantes das faltas de mercadorias apontadas no DAAF — Demonstrativo de Apuração de Avaria e/ou faltas de mercadorias — Anexo V era do transportador — emissor do conhecimento Marítimo — MONTEMAR MARÍTIMA S/A REP. P/ CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO, com base nos artigos 591 e 592 do Decreto n°. 4.543/02, cuja matriz legal e o Decreto-Lei n°. 37/66. Cientificada da autuação, a interessada protocolizou sua impugnação de fls.54/81, argumentando em síntese que: Não é contribuinte do Imposto de Importação nem transportadora marítima que deu causa ao suposto extravio da carga, mas mera agente mandatária da armadora locatária do navio, emissora do conhecimento de carga; O container em questão foi estufado e lacrado pelo próprio exportador dizendo conter 1.287 caixas de papelão com produtos de perfumaria conforme fatura comercial anexa; A unidade de carga foi embarcada no porto de Lê Havre, para ser descarregada no porto de Santos em transito para a Cidade do Leste, Paraguai, seu destino final; 3 Processo n° 11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.433 Fl. 249 Tal transporte foi realizado na condição FCL/FCL, também conhecida como House-to-House (Casa-a-Casa), termo denotando um serviço de frete onde as mercadorias são estufadas num container nas dependências do exportador, que é entregue lacrado ao navio transportador, e só são desovadas nas dependências do consignatário ou local por este designado sob a cláusula "said to contam " (diz conter); O navio atracou no porto de Santos em 21 de junho de 2004 no terminal da LIBRA e descarregou a unidade de carga que apresentou indícios de avaria (diferença de peso sem qualquer menção à divergência de lacre); A vistoria aduaneira foi solicitada pelo consignatário da mercadoria representado por seu procurador local; A Comissão de Vistoria Aduaneira concluiu que a responsabilidade pelas avarias apontadas no termo emitido pelo depositário (lacre de origem violado, falta de mercadorias) foi do transportador, emissor do conhecimento marítimo — MONTEIVIAR MARITEVIA S.A, REP. POR CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO; O lançamento do credito tributário contra a CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO, mandatária do transportador, é anulável de pleno direito, primeiro porque a jurisprudência de nossos Tribunais já decidiu que o agente marítimo não responde por tributos devidos pelo seu agenciado e, segundo que as mercadorias em trânsito para o Paraguai são beneficiadas pelo regime aduaneiro livre, por força do acordo internacional sancionado por Decreto; Assim, preliminarmente, há de ser reconhecida a ilegitimidade passiva do agente marítimo para responder por débito fiscal imputado a transportador, ainda que estrangeiro; A exação fiscal é ilegal, pois está lastreada no artigo 32 § único do Decreto 2472/88, cuja inconstitucionalidade já foi consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme demonstra a farta jurisprudência juntada ao processo; A tributação contida no termo de Vistoria Aduaneira n°. 065/04, objetiva a cobrança do Imposto de Importação e multa atinentes às mercadorias que não foram importadas por brasileiros, mas em trânsito aduaneiro para o Paraguai. Posto isso, não há fundamento para considerar a defendente, mero agente- mandatário do transportador marítimo emissor do BL, responsável pelos tributos relativos ao extravio de carga em trânsito aduaneiro internacional. Diante do exposto, pede a anulação do lançamento tributário. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na uuenta correspondente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/06/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA - Por expressa determinação legal, o Agente Marítimo responde pelo extravio de mercadoria que se encontrava sob custódia do transportador estrangeiro. Decreto-lei n°. 2.472/88. VISTORIA ADUANEIRA - Extravio de Mercadoria - Responsabilidade do transportador - A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de 4 Processo if 11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.433 Fl. 250 mercadorias ocorrido durante o transporte, será do representante do transportador estrangeiro por expressa determinação legal. Inconformada com a decisão de primeira instância, a autuada apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual reafirma entendimento expresso em sede de impugnação ao lançamento. Requer a nulidade do auto de infração ante a inexistência de relação tributária entre a Fazenda Nacional e a agência marítima. Sustenta que as responsabilidades delimitadas pela lei civil devem ser observadas pela Fazenda Nacional. Neste sentido, cabia à agência apenas "diligenciar nos portos onde escalam os navios de propriedade de seus mandantes, com o escopo de obter a sua atracação, operações de carga e administração financeira dos seus gastos e receitas no pais. Nada mais.", não podendo ser responsabilizada pelo pagamento de tributo, ainda que tenha assinado Termo de Responsabilidade. Cita doutrina e jurisprudência. No mérito, entende não ter acontecido o fato gerador do Imposto, conforme prescrito no Decreto 50.529, que regulamenta a utilização dos entrepostos de depósito franco em Santos e Paranaguá, em virtude de convenios assinados entre o Brasil e o Paraguay. Finalmente, refere-se à cláusula said to contamn informada no conhecimento de carga como fator excludente de sua responsabilidade sobre a carga transportada, que, tudo conforme entende, identifica tratar-se de carga embarcada pelo próprio exportador. 5 Processo n° 11128.004211/2004-33 83-C2T1 Acórdão n.°3201-00.433 Fl. 251 Voto Conselheiro RICARDO ROSA, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Não se confirma a preliminar de nulidade do auto de infração pela inexistência de relação tributária entre a Fazenda Nacional e a recorrente. A relação tributária decorre de expressa previsão legal, como já bem examinado na decisão de piso. O Código Tributário Nacional assim define no campo da responsabilidade tributária. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz- 1 - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Particularmente em relação à responsabilidade da empresa recorrente no caso concreto, a legislação ordinária assim definiu. Decreto 4.543/02. Art. 105. É responsável solidário: 1- o adquirente ou o cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto (Decreto-lei n g 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso I, com a redação dada pela Medida Provisória n' 2.158-35, de 2001, art. 77); II - o representante, no Pais, do trans *criador estrangeiro (Decreto-lei n° 37. de 1966. art. 32 parágrafo único, inciso 11, \\3:\ Processo n° 11128.004211/2004-33 53-C2T1 Acórdão n8 3201-00.433 Fl. 252 com a redacão dada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001 art. 77)- (grifei) III - o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Decreto-lei n° 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso III, com a redação dada pela Medida Provisória d 2.158-35, de 2001, art. 77); IV - o expedidor, o operador de transporte multimodal ou qualquer subcontratado para a realização do transporte multimodal (Lei n a 9.611, de 19 de fevereiro de 1998, art. 28); e V - qualquer outra pessoa que a lei assim designar. § 12 A Secretaria da Receita Federal poderá (Medida Provisória n2 2.158-35, de 2001, art. 80): 1- estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II - exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio liquido do importador ou do adquirente. § 2' A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto no inciso III e no § 1' deste artigo (Medida Provisória na 66, de 2002, art. 29). Por outro lado, ao contrário de como pretende a recorrente, o assunto não se resolve pela subordinação da Fazenda Nacional às responsabilidades delimitadas pela lei civil, mas, contratio sensu, pela determinação expressa no Código Tributário Nacional de que os acordos firmados entre os particulares não podem ser opostos à Fazenda Priblica, assim como os princípios do direito privado não tem o condão de modificar os efeitos tributários decorrentes. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Ademais, há uma questão de cunho lógico a respaldar as disposições legais acima transcritas. É claro que, não havendo como impor exação a pessoa sediada em outro pais, as cláusulas contratuais próprias da transação não poderiam colocá-la na condição de responsável ou contribuinte. Também no mérito não assiste razão à recorente. \ 7 Processo IP 11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.433 R 253 Conforme legislação de regência, o imposto incide sobre mercadoria importada, considerando-se como tal aquela que constar em manifesto, não havendo qualquer excludente em relação às que tenham entrado no território nacional em trânsito para outro pais. Decreto 4.543/02. Art. 69. O imposto de importação incide sobre mercadoria estrangeira (Decreto-lei n° 37, de 1966, art. 1°, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472, de 1988, art. 12). Parágrafo único, O imposto de importação incide, inclusive, sobre bagagem de viajante e sobre bens enviados como presente ou amostra, ou a título gratuito (Decreto d 1.789, de 12 de janeiro de 1996, art. 62). Art. 71. O imposto não incide sobre: I - mercadoria estrangeira que, corretamente descrita nos documentos de transporte, chegar ao Pais por erro inequívoco ou comprovado de expedição, e que for redestinada ou devolvida para o exterior; II - mercadoria estrangeira idêntica, em igual quantidade e valor, e que se destine a reposição de outra anteriormente importada que se tenha revelado, após o desembaraço aduaneiro, defeituosa ou imprestável para o fim a que se destinava, desde que observada a regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda; 111 - mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento; IV - mercadoria estrangeira devolvida para o exterior antes do registro da declaração de importação, observada a regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda; e V - embarcações construídas no Brasil e transferidas por matriz de empresa brasileira de navegação para subsidiária integral no exterior, que retornem ao registro brasileiro, como propriedade da mesma empresa nacional de origem (Lei tf 9.432, de 8 de janeiro de 1997, art. 11, § 10). Art. 72. O fato gerador do imposto de importação é a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro (Decreto-lei n' 37, de 1966, art. 1°, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472, de 1988, art. 19. § 12 Para efeito de ocorrência do fato gerador, considera-se entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira (Decreto-lei n' 37, de 1966, art. 1°, § 2°, com a redação dada pelo Decreto-lei n 2 2.472, de 1988, art. § 2' O disposto no § 1 não se aplica: 1- às malas e às remessas postais internacionais; e 8 Processo n° 11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.433 Fl. 254 .li - à mercadoria importada a granel que, por sua natureza ou condições de manuseio na descarga, esteja sujeita a quebra ou a decréscimo, desde que o extravio não seja superior a um por cento (Decreto-lei ri" 37, de 1966, art. 1 2, § 3", com a redação dada pelo Decreto-lei n2 2.472, de 1988, art. 12): § 3° Na hipótese de ocorrer quebra ou decréscimo empercentual superior ao fixado no inciso II do § 2, será exigido o imposto somente em relação ao que exceder a um por cento. Por todo o exposto, estando perfeitamente constituída a relação jurídica entre a recorrente e o Erário assim como o fato gerador do Imposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. r \I I r1c,‘,Sala às OSA Sessões, em 28 de abril de 2010 .;,,,,,,t, rs \II!I ,, 14,\ \,i 9
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000023/2003-25
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
A contribuição social sobre o lucro liquido "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, III, "h" , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.045
Decisão: ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
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A contribuição social sobre o lucro liquido "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, III, "h" , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. (Assinado com certificado digital) Carlos Alberto de Freitas Barreto - Presidente (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini, Marcos Vinicius Fl. 605DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 5 _________ 2 Neder de Lima, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado), Sandra Maria Faroni (Substituta convocada), Valmir Sandri (Substituto convocado), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Substituto convocado), Eduardo Tadeu Farah (Substituto convocado), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-presidente da CSRF) e Antonio Praga (Presidente da CSRF). Ausente ocasionalmente o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório Por meio do Acórdão CSRF/01-05.517 a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento de ofício da CSLL. O julgado recebeu a seguinte ementa: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA — CSLL— SUA NATUREZA TRIBUTARIA — APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN: A Contribuição social sobre o lucro liquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, Ill, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. Recurso especial negado." Regularmente notificada daquele julgado, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, alegando que a decisão recorrida negou vigência ao art. 45 da Lei nº 8.212/91 ao declarar, ainda que incidentalmente, a sua inconstitucionalidade. Ao assim decidir, o acórdão recorrido divergiu do Acórdão CSRF/02-01.665, que concluiu pela aplicabilidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, uma vez que os órgãos administrativos de julgamento não podem afastar a aplicação de dispositivo legal em face de sua suposta inconstitucionalidade, sob pena de violação do art. 22-A do Regimento Interno da CSRF. Por meio do despacho de fls. 573/576 do processo digitalizado o recurso extraordinário foi admitido. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 6 _________ 3 Regularmente notificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões de fls. 583/600, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, deixou o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para fins de formalização deste acórdão adoto o voto do Conselheiro José Clóvis Alves, apresentado como fundamento do Acórdão nº 000.043, julgado nesta mesma assentada, in verbis: "Entendo não haver razão ao recorrente, é que sendo a decadência, por força do artigo 146 inciso III letra "h" da Constituição Federal de 1988, matéria de reservada à Lei Complementar, somente lei de igual hierarquia poderia alterar os conceitos existentes na Lei n° 5.172/66, CTN. Entendo também que o § 4° do artigo 150 do CTN quando diz "se a lei não dispuser de forma diversa", está se referindo a outra lei complementar, pois se assim não for entendido estaríamos diante da situação na qual o legislador complementar contrariaria o constitucional, pois quis esse último reservar determinadas matérias à Lei Complementar que tem quorum privilegiado. Sobre a matéria vale transcrever voto do iminente conselheiro Natanael Martins no Acórdão n° 107-06.455 de 08 de novembro de 2.001, o qual adoto como razão de decidir a matéria de decadência da CSL. "A questão ora sob exame resulta de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Inicialmente, deve ser apreciada a preliminar de decadência argüida pela contribuinte, a qual tem relevância fundamental no julgamento deste processo, sendo certo que a natureza jurídica do lançamento da contribuição social sobre o lucro, pelas suas próprias características, em tudo e por tudo, idêntica do IRPJ, pelo que tomo a liberdade de me reportar ao que sobre o assunto já tive a oportunidade de escrever: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 7 _________ 4 "A questão da natureza jurídica do lançamento do imposto de renda das pessoas jurídicas no âmbito do 1° Conselho de Contribuintes ainda é acirrada, podendo no entanto afirmar-se que a corrente pelo menos até hoje majoritária entende tratar-se de um lançamento por declaração. Não é o que pensamos e o que passaremos a demonstrar, obviamente deixando de lado as criticas que a doutrina faz relativamente aos tipos de lançamentos descritos no CTN, dado não ser este o escopo de nosso trabalho. Com efeito, o Código Tributário Nacional, instituído pela Lei 5172/66, recepcionado com eficácia de lei complementar, como é cediço, disciplina as normas gerais em matéria tributária, inclusive no concernente aos tipos de lançamento e aos prazos em matéria de decadência e prescrição. No que se refere à decadência, genericamente, estabelece o art. 173 do CTN: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II. da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento". Por outro lado, de forma totalmente assistemática, na disciplina do denominado lançamento por homologação, estabeleceu-se no art. 150, § 4º , do CTN: "Art 150 - 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo 6 homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação" Fl. 608DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 8 _________ 5 Ou seja, enquanto que, regra geral, o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado (CNT, art. 173, I), sendo licito, portanto, afirmar-se que o prazo, contado da ocorrência do fato gerador, não é propriamente de cinco anos, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador sendo o prazo, neste caso, propriamente de cinco anos. Lançamento por homologação, na definição do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operando-se pelo ato em que referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Pois bem, relativamente ao imposto de renda das pessoas jurídicas, muito se discutiu e ainda hoje se discute, sobre a natureza jurídica do lançamento que o corporifica, havendo aqueles que o julgam como um tributo sujeito a lançamento por declaração ou misto, outros, mais recentemente, defendendo que a sua natureza, hoje, seria a de lançamento por homologação. Alberto Xavier, em sua clássica obra Do lançamento, Editora Resenha Tributária, 1977, ferindo a questão, naquela oportunidade, defendeu a idéia de que o lançamento do imposto de renda não se traduz num caso de auto lançamento (ou lançamento por homologação), pela circunstância especifica de que a fiscalização, no ato da entrega da declaração, examina o seu conteúdo, procedendo em face deste ao lançamento e, no próprio momento, notifica o contribuinte do imposto que lhe foi lançado. Dai conclui Alberto Xavier: "Ora, na hipótese em apreço não se verifica um pagamento prévio ou antecipação do imposto, mas sim um verdadeiro lançamento com base na declaração, regido pelos arts. 147 e 149 do Código Tributário Nacional, com a única particularidade de o ato administrativo de lançamento ser praticado no próprio ato da entrega da declaração e não no momento posterior do procedimento tributário". (pg. 80). Entretanto, se naquela ocasião podíamos compartilhar da opinião de Alberto Xavier, após o advento do Decreto-lei 1967/82 (e, com maior razão, ainda, a vista das Leis 8383/91, 8541/92, 8981/93 e 9249/95), passamos a pensar de forma diversa. Com efeito, com a edição do Decreto-lei 1967/82, desvinculou-se o prazo do pagamento do imposto com a entrega da declaração de rendimentos não havendo mais, pois, o prévio exame da autoridade administrativa. Se mais não bastasse, com a descentralização da entrega da declaração de rendimento, não se pode alegar, em absoluto, estar havendo exame do Fl. 609DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 9 _________ 6 lançamento pela autoridade administrativa, pois o simples carimbo aposto pelo estabelecimento receptor da declaração (que, aliás, pode ser uma instituição financeira), à evidência, não pode ser considerado notificação de lançamento nos termos preconizados no art. 142 do CTN. Logo, o contribuinte recolhe (está obrigado) as parcelas do imposto devido sem que tenha ocorrido qualquer manifestação da autoridade administrativa. Ademais, grande parte do imposto já deve ser recolhido antes da própria entrega da declaração de rendimentos sob a forma de antecipações, duodécimos ou recolhimentos estimados (calculável com base em lucro presumido) na linguagem atual. Não há dúvida, pois, ser o IRPJ um tributo sujeito a lançamento por homologação. A declaração do imposto de renda, hoje, representa o cumprimento de um dever meramente instrumental do contribuinte perante a Fazenda Pública, constituindo-se, além disso, por força das normas que a disciplina, do ponto de visto jurídico, confissão de divida quanto ao crédito tributário porventura indicado ou, quanto ao resultado negativo nela quantificado, o direito de crédito (abatimento) do contribuinte. Nessa linha de raciocínio, a Fazenda Nacional deve verificar a atividade do contribuinte, homologando-a dentro do prazo de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual considera-se-6, de forma tácita, homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito a ele correspondente, decaindo, portanto, o direito de a Fazenda corrigir ou lançar "ex officio" (via auto de infração) o tributo anteriormente não pago, sendo inaplicável espécie a regra do art. 173, 1, do CTN ou a disciplinada no § 2° do art. 711 do RIR/80, aliás não reproduzida no atual RIR194. Paulo de Barros Carvalho, a esse propósito, é claro: "Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direito da Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o aludido prazo, uma vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. 0 exposto já nos permite uma inferência: é incorreto mencionar prazo qüinqüenal de decadência, a não ser nos casos em que o lançamento não é da essência do tributo - hipóteses de lançamento por homologação - em que o marco inicial de contagem é a data do fato jurídico tributário" (Curso do Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. Ed., pg. 311). Nem se diga que a regra de contagem, em eventuais casos de prejuízos fiscais não poderia ser a estabelecida no art. 150, § 4°, do CTN, mas sim a do art. 173, I, ao argumento de que não teria havido nenhum pagamento (apurou-se prejuízo fiscal no período), não havendo, pois, o que homologar. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 10 _________ 7 A primeira vista esse argumento impressiona, "máxime" em face de decisões do Conselho de Contribuintes relativas a IRF, que se consubstanciaria em hipótese de lançamento de oficio e não por homologação, regrado pelo art. 173, I, do CTN, justamente porque, dizem, não havendo pagamento, nada há a ser homologado.(confira-se, v.g., Acórdão do 1° C.C. n° 101- 83.005/92 - DOU de 07.01.94) Entretanto, o entendimento acima exposto, sufragado pelo Conselho de Contribuintes, em nada se assemelha ao tema que ora se debate, já que naquelas hipóteses (lançamento de ofício de 1RF) o contribuinte de fato não praticou nenhuma ação (atividade) tendente 5 quantificação do "quantum debeatur" sujeito a pagamento antecipado. É que em matéria de imposto de renda determinado em função do lucro (real ou presumido), os contribuintes, sempre e necessariamente, levam ao conhecimento da autoridade administrativa toda a atividade que exercem (procedimentos), tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. Ora, o que se homologa não é propriamente o pagamento, mas sim toda a atividade procedimental desenvolvida pelo contribuinte. Souto Maior Borges, em sua magnífica obra sobre o Lançamento Tributário (volume 4 do Tratado de Direito Tributário Brasileiro, Forense, 1981), em diversas passagens, fere profundamente essa questão não deixando dúvidas sobre a matéria, valendo a pena transcrevê-las: "... o que se homologa não é um prévio ato de lançamento, mas a atividade do sujeito passivo adentrada no procedimento de lançamento por homologação, não é ato de lançamento, mas pura e simplesmente a "atividade" do sujeito, tendente satisfação do crédito tributário"... (fls. 432). "...Compete à autoridade administrativa, "ex vi" do art. 150, ca put, homologar a atividade previamente exercida pelo sujeito passivo, atividade que em principio implica, embora não necessariamente, em pagamento. E, o ato administrativo de homologação, na disciplina do C.TN., identifica-se precisamente com o lançamento (art. 150, caput)". (fls. 440/441), Mais adiante, dando fecho a sua conclusão, assevera o Mestre Pernambucano: "...Consequentemente, a tecnologia contemplada no C.TN. é, sob esse aspecto, feliz: homologa-se a "atividade" do sujeito passivo, não necessariamente o pagamento do tributo. O objeto da homologação não será então necessariamente o pagamento". (fls. 445) Fl. 611DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 11 _________ 8 Aliás, a interpretação de que o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento realizado é a única possível, sob pena de nulificar todas as regras insertas no art. 150 e §§ do CTN, especialmente a do § 4º. Com efeito, dizer-se que o que se homologa seria o pagamento (interpretação puramente literal do caput do art. 150 do CTN), com a devida vênia, significa nada dizer-se já que o pagamento, caso efetuado, sempre e necessariamente, seria homologável. Noutras palavras, o legislador, à evidência, não quis dizer (e não disse) que homologável seria o pagamento do tributo (R$ 100,00, p.ex.), posto que o valor recolhido, qualquer que seja a sua grandeza, considerado em si mesmo, não diverge (R$ 100,00 são , sempre e necessariamente, R$ 100,00) sendo, pois, inexoravelmente homologável. Nesse diapasão, admitindo-se a tese de que homologável seria apenas o valor pago (atividade de pagamento), a regra inserta no § 4º do art. 150 do CTN, porque então não haveria sobre o que divergir, seria estúpida e absolutamente desnecessária, posto que não abrangeria as situações em que não tenha havido pagamento ou que, em tendo havido, o teria sido feito com insuficiência, não obstante toda a atividade procedimental exercida pelo contribuinte. Certamente que esta conclusão, por conduzir ao absurdo, não pode e não deve prevalecer. 0 intérprete e aplicador do direito, sobretudo o investido em funções judicantes, deve buscar, para além das palavras, o exato conteúdo normatizado. Ou nos afastamos do sentido puramente literal posto na lei ou, com a devida vênia, sem demérito aos ilustres filólogos e lexicográficos, se interpretar o direito significasse simplesmente colocar a norma jurídica A vista de conceitos postos em dicionários, parodiando Paulo de Barros Carvalho, "... seriamos forçados a admitir que os meramente alfabetizados, quem sabe com o auxilio de um dicionário de tecnologia jurídica, estariam credenciados a descobrir as substâncias das ordens legisladas, explicitando as proporções do significado da lei. 0 reconhecimento de tal possibilidade roubaria à Ciência do Direito todo o teor de suas conquistas, relegando o ensino universitário, ministrado nas Faculdades, a um esforço estéril, sem expressão a sentido prático de existência. Dai por que o texto escrito, na singela conjugação de seus símbolos, não pode ser mais que a porta de entrada para o processo de apreensão da vontade da lei; jamais confundida com a intenção do legislador. 0 jurista, que nada mais é do que o lógico, o semântico e o pragmático da linguagem do direito, há de debruçar-se sobre os textos, quantas vezes obscuros, contraditórios, penetrados de erros e imperfeições terminológicas, para captar a essência dos institutos, surpreendendo, com nitidez, a função da regra, no implexo quadro normativo. E, à luz dos princípios capitais, que no campo tributário se situam no nível da Constituição, passa a receber a plenitude do comando expedido pelo legislador, livre de seus defeitos e apto para produzir as conseqüências que lhe são Fl. 612DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 12 _________ 9 peculiares. (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. edição, pgs. 81/82). Carlos Maximiliano, mestre dos mestres na arte da hermenêutica e interpretação do direito, a propósito da matéria preleciona: "... nunca será demais insistir sobre a crescente desvalia do processo filológico, incomparavelmente inferior ao sistemático e ao que invoca os fatores sociais, ou do Direito comparado. Sobre o pórtico dos Tribunais conviria inscrever o aforismo de Celso ...: "saber as leis é conhecer-lhes, não as palavras, mas a força e o poder", isto é, o sentido e o alcance respectivo. (Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 9a edição, pg. 122). Mais adiante, já tratando do processo sistemático de interpretação, Carlos Maximiliano dá a pedra de toque à sua lição: "Consiste o Processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese, com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto. Não se encontra um principio isolado, em ciência alguma, acha- se cada um em conexão intima com outros... Cada preceito, portanto, é membro de um grande todo; por isso do exame em conjunto resulta bastante luz para o caso em apreço. Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da mesma emanaram; verifica-se o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, e deste modo se obtem esclarecimentos preciosos. 0 preceito, assim submetido a exame, longe de perder a própria individualidade, adquire realce maior, talvez inesperado. Com esse trabalho de síntese é melhor compreendido. O hermeneuta eleva o olhar, dos casos especiais para os princípios dirigentes a que eles se acham submetidos; indaga se, obedecendo a uma, não viola outra; inquire das conseqüências possíveis de cada exegese isolada. Assim contempladas do alto os fenômenos jurídicos, melhor se verifica o sentido de cada vocábulo, bem como se um dispositivo deve ser tomado na acepção ampla, ou na estrita, como preceito comum, ou especial. (ob. cit., pgs. 128/129) Ou seja, concluir se o pagamento ou não do tributo teria o condão de definir a natureza do lançamento do tributo e, consequentemente, o prazo de decadência a ele aplicável, impõe- se empreender não a busca de significado literal que os vocábulos postos nos textos legais possam ter, mas sim analisá- los à luz de todo o ordenamento jurídico-tributário para, somente após, chegar-se à correta conclusão. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 13 _________ 10 Ora, tendo-se presente consistir o lançamento um procedimento administrativo (atividade) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, etc (CTN, art. 142); tendo-se presente que nos tributos sujeitos ao pagamento sem o prévio exame da administração não existe, propriamente, o lançamento; tendo-se presente, por fim, que a administração pública, tomando por empréstimo toda a atividade exercida pelo contribuinte (não apenas o pagamento, que é eventual), tacitamente a homologa, evidentemente que o pagamento do tributo não é fator fundamental, sendo para a simples conferência se o "quantum" apurado "casa" com o "quantum" recolhido. Fundamental, isto sim, é toda atividade exercida pelo contribuinte levada a conhecimento da autoridade administrativa, esta sim objeto da homologação. O pagamento, assim, por si só, não tem o condão de definir a modalidade de lançamento a que o tributo se sujeita, sob pena de se ter de assumir que esta poderia ser dupla, conforme houvesse ou não o pagamento. Enfim, por essas razões, entendemos que o lançamento de IRPJ é por homologação, devendo a contagem de prazo decadencial, portanto, ser feita em conformidade com a regra prescrita no artigo 150, § 4°, do CTN" (Revista Dialética de Direito Tributário n° 26 — p.61/66). Com efeito, a contribuição social sobre o lucro, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, todos da Constituição Federal e, ainda, em face das reiteradas decisões da Suprema Corte, indiscutivelmente, tem caráter tributário e, assim, deve seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem especificas. Nesse contexto, em vista do disposto no art. n° 146, III, "b", da Constituição Federal, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. A E. Oitava Câmara deste Conselho de Contribuintes, em sessão de 16/07/98, ao apreciar matéria idêntica, no mesmo sentido, decidiu pelo acolhimento da preliminar de decadência, nos termos do Acórdão n° 108-05.255, assim ementado: "IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. 0 imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social Sobre o Lucro (CSSL) são tributos cujas legislações atribuem ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se, portanto, à sistemática de lançamento impropriamente denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca- se da regra geral (art. 173 do CTN) para encontrar respaldo no Fl. 614DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 14 _________ 11 § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador."" Sobre a possibilidade de que a câmara recorrida estaria declarando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91. Aos julgadores administrativos cabe apreciar fatos concretos, diante de provas trazidas aos autos pelas partes, interpretar a legislação aplicada aos fatos, e decidir conforme sua livre convicção. Ora, a análise da legislação, quando pareça ao julgador estar diante da aplicação de duas legislações ao mesmo fato concreto, deve iniciar-se pela lei maior, ou seja, a Constituição e aplicar aquela que esteja em consonância com a Carta Magna. Impedir que o julgador analise a legislação partindo da lei maior, implicaria em não haver julgamento quanto à correta aplicação da lei no lançamento tributário, ficaria o julgador somente com a apreciação das provas trazidas aos autos. Ora, nenhuma a câmara decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/95, mas simplesmente aplicou a lei maior, por entender inaplicável tal dispositivo ao caso concreto. Na realidade o artigo 45 da Lei 8.212/91 entrou em conflito com os artigos 150 § 40 e 173 do CTN, e de forma reflexa ou indireta com o artigo 146 da Constituição Federal de 1.988. Dar validade à norma contida no artigo 45 da lei 8.212 seria negar validade às normas contidas nos citados artigos do CTN. Ou seja o julgador se sente obrigado a fazer uma escolha e no caso a opção necessariamente deve ser pela norma geral, pois se aceitar o prazo de 10 anos contido em lei ordinária também terá que aceitar se o mesmo fosse fixado em 30, 50 ou 200 anos. Embora seja relativamente nova a lei 8.212/91, o Judiciário já teve oportunidade de apreciar a constitucionalidade do seu artigo 45, através do Tribunal Regional Federal da 4a Região que na Al n° 2000.04.01.092228-3/PR, assim pronunciou o Juiz Relator: "0 art. 46, III, b, da Constituição Federal dispõe que 'Cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários'. 0 prazo decadencial das contribuições sociais destinadas seguridade social, considerando sua natureza tributária, também se submete a essa norma constitucional, o que eqüivale a dizer que a decadência do direito relativo à contribuições previdenciárias deve obedecer o prazo estabelecido no art. 173, por ser este lei complementar, assim recepcionados pela CF/88. Nesse sentido o entendimento do Supremo Tribunal Federal, in verbis: 'A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. E que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146,III,b). Quer dizer os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei Fl. 615DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 15 _________ 12 complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art.146, III, b, art. 149). (STF, Plenário, RE 148754-2/RJ, excerto do voto Min. Carlos Velloso, jun. 93). Se assim é, então o art. 45 da Lei n° 8.212/91 — que prevê o prazo de 10 anos para que a Seguridade Social apure e Constitua seus créditos — padece de inegável vicio de constitucionalidade formal, pois 'cabe lei complementar (e não à lei ordinária, insisto), estabelecer normas gerais, em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (CF, art. 146, Ill, b). E a regra contida no artigo 173 do CTN, que trata de decadência tributária, pois derrogada pelo mencionado art. 45 da Lei n° 8.212/91 é incontestavelmente norma geral em matéria tributária, conforme assinala Sacha Calmon Navarro Coelho, em seus Comentários à Constituição de 1988 — Sistema Tributário, 'in verbis; Realmente, vale observar, o Livro ll do CTN, que inicia com o art. 96 e termina com o art. 218, passando naturalmente, pelo discutido art. 173, tem expressivo titulo "Normas Gerais de Direito Tributário'. Em suma, francamente não vejo como prestigiar a relativa presunção de constitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.218/91, nem mesmo a pretexto de interpretá-lo conforme a Constituição, pois invadiu área reservada lei complementar, vulnerando dessa forma, o art. 146, Ill, b, da Constituição Federal. Por fim, oportuno assinalar que a exigência de lei complementar para determinadas matéria, dentre as quais a decadência tributária, não é obra do acaso feita pelo poder constituinte originário. Sua razão de ser está na relevância dessas matérias e, exatamente por isso sua aprovação está condicionada necessariamente a 'quorum' especial (art. 69 da CF); ao contrário da lei ordinária (art. 47 da CF). Nessas condições, declaro a inconstitucionalidade da expressão do caput do art. 45 da Lei n° 8.212/91, com efeito ex 'tunc e eficácia inter partes. E o voto." 0 Ministro Carlos Velloso do STF, ao apreciar o RE no 138.284, deixou claro em trecho do seu voto que a decadência é matéria reservada à lei complementar, verbis: "Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se iã lei complementar de normas gerais, assim ao CTN (art. 146, Ill ex vi do disposto no art.149). ........................ Fl. 616DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 16 _________ 13 A questão de prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios de lei complementar de normas gerais (art. 146, III b). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa disposição constitucional, ás contribuições parafiscais (CF, art. 146, Ill, b; art. 149)." Analisando os autos verifico que o lançamento diz respeito a fato gerador relativo 31.12.92. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação (art. 150 § 4° do CTN), a autoridade tributária teria até 31.12.97, respectivamente para rever o lançamento. A ciência do Auto de Infração se deu em 26 de setembro de 2.000, depois de esgotado o prazo para se rever o lançamento, sendo portanto caduco e correta decisão que acolheu a tese da decadência. Em Acórdão CSRF/01-04.512 de minha relatoria a Primeira Turma da CSRF entendeu por larga maioria que o prazo decadência de 10 anos previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212//91 não se aplica às contribuições sociais administradas pela SRF, pelas mesmas razões expostas nesta decisão. Assim, conheço o recurso especial apresentado pelo PFN, bem como as contra-razões trazidas pelo contribuinte e, no mérito voto no sentido de NEGAR-LHE PROVIMENTO." Com esses fundamentos o Pleno da CSRF negou provimento ao recurso extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional. A fundamentação acima, quanto à validade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, foi posteriormente chancelada pela Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Antonio Carlos Atulim Fl. 617DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000131/2006-17
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA AV1COLA.
A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms
TRATAMENTO DE ÁGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVICOLA.
O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e
congelamento de aves é insumo da indústria avícola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms.
SERVIÇOS DE GUINCHO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS.
O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofms.
OUTRAS DESPESAS.
Por Falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.108
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA
CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso: I) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos relativo às despesas com aluguel de guincho e tratamento inicial das águas usadas na lavagem e congelamento de aves; e II) por maioria de votos, quanto à indumentária. Vencido o Conselheiro José Antonio Francisco (relator), que negava Provimento esta parte. Designado
para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walber José da Silva.
Nome do relator: JOSÉ ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA AV1COLA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms TRATAMENTO DE ÁGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVICOLA. O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e congelamento de aves é insumo da indústria avícola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms. SERVIÇOS DE GUINCHO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS. O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofms. OUTRAS DESPESAS. Por Falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:32:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:32:26Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:32:26Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:32:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:32:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:32:26Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:32:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:32:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:32:26Z; created: 2010-04-05T15:32:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-04-05T15:32:26Z; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:32:26Z | Conteúdo => S2-CIT2 Fl. 247 " ‘4 n .: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13053.000131/2006-17 Recurso n° 156.144 Voluntário Acórdão n° 2102-00.108 — l a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria PIS não cumulativo Recorrente Doux Frangosul S/A Agoavicola Industrial Recorrida DAI Porto Alegre / RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA AV1COLA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms TRATAMENTO DE ÁGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVICOLA. O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e congelamento de aves é insumo da indústria avícola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms. SERVIÇOS DE GUINCHO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS. O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofms. OUTRAS DESPESAS. Por Falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMLNISIRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso: I) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos relativo às despesas com aluguel de guincho e tratamento inicial das águas usadas na lavagem e congelamento de aves; e II) por maioria de votos, quanto à indumentária. Vencido o (t"k- Q,A,"- Conselheiro José Antonio Francisco (relator), que negava Provimento esta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walber José da Silva. - it94SEF M al(kja‘i-ai Mg,e(-71' -ARIA COE O MARQUES Presidente+ P /) WALBERJOSE DA SI A - Relator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mdáricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 176 a 193) apresentado em 7 de abril de 2008 conr o Acórdão n° 10-15.194, de 14 de fevereiro de 2008, da DRJ Porto Alegre / RS (fls. 168 a 171), do qual tomou ciência a Interessada em 7 de março de 2008 e que, relativamente a pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo dos períodos de 1° trimestre de 2006, indeferiu a solicitação da interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade de Pis e Cofins. A matéria que não for expressamente contestada, torna-se definitiva na esfera administrativa. Solicitação Indeferida O pedido, apresentado em 26 de abril de 2006, foi inicialmente indeferido pelo despacho de fls. 59 e 60 de 14 de agosto de 20006, com base na informação de fls. 49 a 58. A Fiscalização apurou as seguintes irregularidades, que tiveram repercussão na apuração dos créditos: 1) exclusão das cessões do ICMS da base de cálculo das contribuições; 2) creditamento irregular relativo a capatazia (serviços de capatazia e estivas executados por terceiros), combustíveis e lubrificantes para veículos (não utilizados como insumo da produção), serviços de guincho, indumentárias (vestimentas, calçados, luvas, capacetes etc, utilizados pelo pessoal empregado no processo produtivo), locação de mão de obra, elaboração de projetos de engenharia executados por terceiros, tratamento de efluentes (bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes); 3) inclusão irregular de crédito presumido de bens e serviços adquiridos de pessoas fisicas por produtores de mercadorias 2 Processo n° 13053.00013112006-17 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.108 Fl. 248 animal ou vegeral indevidamente incluídos, em face da impossibilidade de seu ressarcimento após a edição da Lei n. 10.925, de 2008. O acórdão de primeira instância ressaltou inicialmente a ausência de contestação da matéria relativa à cessão de créditos de ICMS, mantendo o restante das exclusões. No recurso, a Interessada defendeu o direito ao crédito de bens e serviços não restrito "à transformação fisica de bens, mas" a "todo o processo de produção dos produtos destinados à venda, nele compreendidos os serviços intermediários e a venda de bens, bem como os serviços utilizados para a efetivação da venda dos referidos produtos". Tratou, a seguir, das glosas especificas relativas a capatazia, que representaria "a atividade de movimentação de mercadorias" no trabalho portuário; combustíveis e lubrificantes para veículos utilizados na atividade produtiva nas operações, que gerariam crédito da mesma forma que o frete na operação de venda; serviços de guinho, "indispensáveis para as operações de venda"; despesas com indumentárias, obrigatórias por determinação Anvisa, que gerariam créditos nos termos de soluções de consulta citadas; locação de mão de obra, com fulcro também em solução de consulta citada; elaboração de projetos, por encontrar- se "diretamente ligada ao produto final" e representar custo, nos termos do art. 3°, § 3°, da Lei n. 10.637, de 2003; tratamento de efluentes, representado pelo tratamento inicial das águas, para utilização na lavagem e congelamento das aves. Posteriormente, foram juntadas cópias de documentos relativos a mandado de segurança (processo 2006.71.08.018873-0/RS) impetrado pela interessada em relação à exclusão dos créditos de ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins (fls. 204 a 212). Os autos foram encaminhados à Delegacia de origem para análise dos documentos (fl. 213), tendo sido juntados os documentos de fls. 214 a 220, dando conta do acompanhamento da ação judicial pela unidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Inicialmente, a Interessada alegou que o direito de crédito não seria restrito "à transformação Esica de bens mas" a "todo o processo de produção dos produtos destinados à venda, nele compreendidos os serviços intennediários e a venda de bens, bem como os serviços utilizados para a efetivação da venda dos referidos produtos". Çj'\ ik 3 O art. 3° da Lei n. 10.637 1 , de 2002, na redação vigente à época dos fatos, era a seguinte: 'Parágrafos: § 1° Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1° do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da aliquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei n° 10.925, de 2004) I - dos itens mencionados nos incisos Te II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2° Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) 1- de mão-de-obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota O (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 3° O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa juridica domiciliada no Pais; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 40 0 crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. § 5° (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 6° (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 7° Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COHNS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8° Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7°e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: 1- apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9° O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8°, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição , para o PIS/PASEP não-cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 12. (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruidos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § I° deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos mediante a aplicação, a cada mês, das aliquotas referidas no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da aliquota prevista no § rdo art. 2° desta Lei (Incluído pela Lei n° 10865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § I° deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditar-se de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n° 10.925, de 2004) § 17. Ressalvado o disposto no § 2° deste artigo e nos H 1° a 4° do art. 2°desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Francake Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho vh, ,,, Processo n° 13053.000!31/2006-17 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.108 Fl. 249 Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3° do art. I° desta Lei; e (Incluído pela Lei n°10.865, de 2004) b) no § I° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei n°10.865, de 2004) - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n°10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) III - (vetado) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004); de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus — SLIFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da aliquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (InMoldo pela Lei n° 10.996, de 2004) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1° e 2° do art. 2° desta Lei, será determinado mediante a aplicação das aliquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004 § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) I - pessoa fisica, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofuis devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) II - pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofims devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2° desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2° deste artigo. (Incluído pela Lei n°11.196, de 21/11/2005) § 22.(Vide Medida Provisória n°413, de 3 de janeiro de 2008) § 23 (Vide Art. 9° e Art. 22 da Medida Provisória n°451, de 15/12/2008) § 24 (Vide Art. 9° da Medida Provisória n°451, de 15/1212008) (A 5 VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de meio-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n°10.684, de 30.52003). Já o art. 5° diz o seguinte: Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) III- vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § I° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 30 para fins de: 1- dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Ir - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § I o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria. De acordo com o § 1° acima citado, somente é passível de ressarcimento o crédito relacionado à exportação. Vale dizer, os créditos passíveis de ressarcimento são aqueles previstos no art. 3° como geradores de créditos. Verifica-se que, de fato, o direito de crédito não se restringe à transformação de produtos. Entretanto, quando se trata de produção, o inciso III do artigo citado não tem o alcance amplo da visão da Interessada, uma vez que os bens e serviços que conferem direito de crédito devem, necessariamente, representar insumo de produção. çíl'i 6 Processo n°13053000131/2006-17 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.108 Fl. 250 Insumo não é qualquer despesa incorrida para venda de produto, mas apenas as despesas incorridas na produção, o que não abrange despesas ocorridas posteriormente, nem gastos indiretos de produção. Portanto, as demais despesas e custos que geram direito de crédito são apenas as relacionadas nos demais incisos do artigo citado. Feitos tais esclarecimentos, passa-se à análise especifica das despesas, esclarecendo que, no julgamento do recurso n. 155146 (Ac. 201-81.735), de relataria do E, Conselheiro Walber José da Silva, acompanhei o relator em relação ao reconhecimento do direito de crédito relativo "às despesas com aluguel de guincho e tratamento inicial das águas usadas na lavagem e congelamento de aves" e votei por negar provimento quanto à indumentária. A primeira matéria de glosa foram os serviços de capatazia (serviços de capatazia e estivas executados por terceiros), que, segundo a Interessada, representariam "a atividade de movimentação de mercadorias" no trabalho portuário. Como se trata de despesas pós-produção, tais serviços não geram direito de crédito, pois, na realidade, os valores compõem a base de custos que integram o preço adicional das mercadorias (valor adicionado após a produção). Os referências abaixo efetuadas ao Acórdão n. 201-81.735 no que tange à Lei n. 10.833, de 2003, devem ser entendidas como efetuadas em relação aos dispositivos equivalentes da Lei n. 10.637, de 2002. Conforme ressaltado pelo relator do acórdão acima mencionado, tais custos não estão previstos no art. 3° da Lei n. 10.833, de 2003, e, portanto, não geram direito de crédito. Quanto aos combustíveis e lubrificantes, a Fiscalização enfatizou em seu relatório que seriam os não utilizados como Sumo da produção. Segundo a Interessada, seriam os utilizados "na atividade produtiva das operações", que gerariam crédito da mesma forma que o frete na operação de venda. Entretanto, segundo o que consta dos autos, trata-se de combustíveis e lubrificantes não utilizados como insumo de produção e a defesa da Interessada, que se refere a "frete na operação de venda" evidencia tal afirmação. Os fretes nas operações de venda geram crédito não em função de representarem insumo de produção, mas à vista da disposição expressa do inciso IX do artigo citado anteriormente, que não abrange os combustíveis e lubrificantes, apenas os mencionados no inciso II, mas quando representem instinto, o que não é o caso dos autos. Quanto aos serviços de guincho, que seriam "indispensáveis para as operações de venda", conforme esclarecido anteriormente, esta Turma reconheceu o direito ao crédito no Ac. n. 201-81.735, à vista da disposição do art. 3°, IV, da Lei n. 10.833, de 2003, por se tratar de equipamentos alugado utilizado nas atividades da empresa. No tocante à indumentária (vestimentas, calçados, luvas, capacetes etc. utilizados pelo pessoal empregado no processo produtivo), obrigatória por deteiminação :3( 7 Anvisa, o mencionado acórdão também reconheceu o direito de crédito, uma vez que a "indumentária usada pelos operários na fabricação de alimentos não se confunde com fardamento/uniforme, este é de livre uso e escolha de modelo pela empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público". Entretanto, conforme já ressalvado discordei de tal posicionamento, uma vez que o fato de se tratar de obrigação legal é irrelevante para a conceituação da indumentária como insumo. Insulem é bem ou serviço empregado na produção e a indumentária não se enquadra nesse conceito. Além disso, nos demais incisos do art. 3° da Lei n. 10.637, de 2002, inexiste previsão para crédito em relação à indumentária. Em relação à locação de mão de obra, o citado acórdão esclareceu não haver semelhança entre tal despesa e a locação de equipamentos. De fato, não se trata de situação equivalente e, ainda que se tratasse, não haveria previsão expressa na legislação que permitisse o creditamento em função da locação de mão-de-obra. Relativamente à elaboração de projetos de engenharia executados por terceiros, a Interessada entendeu encontrar-se "diretamente ligada ao produto final" e representar custo, nos termos do art. 3°, § 3 0, da Lei n. 10.833, de 2003. Entretanto, não se trata de insumo de produção, da forma anteriormente descrita no presente voto. O acórdão citado também reconheceu o direito de crédito relativo ao tratamento de efluentes (bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes), representado pelo tratamento inicial das águas, para utilização na lavagem e congelamento das aves. Embora não se trata de bens e serviços empregados diretamente na lavagem e congelamento de aves, a água tem que sofrer a ação de tais bens e serviços para ser utilizada com tal fim e, dessa forma, os bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes representam insumos indiretos. Resta ainda a questão da inclusão irregular de crédito presumido de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas por produtores de mercadorias animal ou vegeral indevidamente incluídos, em face da impossibilidade de seu ressarcimento após a edição da Lei n. 10.925, de 2003. De fato, a Interessada não se manifestou a respeito da matéria no recurso, mas, conforme mencionado pela Fiscalização, o aproveitamento dos referidos créditos, após a edição da Lei n. 10.925, de 2003, não poderia mais ser efetuado por meio de ressarcimento. À vista do exposto e adotando os demais fiindamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito em relação às despesas com aluguel de guincho e tratamneto inicial das águas na lavagem e congelamento de aves. JOSE7 OC‘CISC.0 krfit 8 Processo n° 13053.000131/2006-17 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.108 Fl. 251 Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA — Redator Designado Adoto o voto do Ilustre Conselho Relator, como se aqui estivesse escrito, exceto quanto às despesas com indumentária, que considero insumo com direito ao crédito do PIS/Cofins, pelas razões que passo expor. A indumentária usada na indústria de processamento de carne é, para a ciência econômica, um fator de produção sem o qual o bem não é produzido. O uso de determinado fator de produção no processo produtivo de um bem pode decorrer da própria natureza (propriedades) do bem ou de norma legal. Exemplificando. Para produzir carne de frango pronta para o consumo humano é necessário o uso de água. Sem água não há como, a partir do frango vivo ou abatido, industrializar sua carne. O uso da água decorre da própria natureza do bem (carne de frango) produzido. Também nenhuma indústria regular de carne de frango consegue produzir esse bem sem o uso de certas indumentárias (luva, avental, bota, touca, etc.), cujo uso é obrigatório por expressa determinação legal. Em ambos os casos, tais fatores de produção ou insumos (água e indumentária), são indispensáveis ao processo produtivo do bem. O caso em tela trata de gastos com indumentária, sem o qual não há como produzir carne de frango industrializada. Portanto, é a indumentária um insumo ou fator de produção usado na produção de carne de frango, independente dela se enquadrar ou não no conceito de "bens intermediários" existente na legislação do LPI. Os gastos com a sua aquisição são, evidentemente, custos para realizar a produção. E a legislação do PIS/Cofins fala em "insumo" e "custos" utilizado/incorrido na fabricação de bens (Lei n° 10.833/03, art. 3 0, inciso II, e art. 6°, § 3°) e não fala em "matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem" a que se refere a legislação do IPI (Lei n° 9.363/96, art. 1°). Aqui, aplica-se a legislação do PIS/Cofins e não a legislação que trata do ressarcimento do IPI. As matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem são insumos e os gastos com a sua aquisição são custos de produção. No entanto, nem todos os insumos, e seus respectivos custos de produção, se enquadram no conceito dado pela legislação tributária para "matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem". No caso sob exame, a indumentária é um insumo (ou fator de produção) usado na produção de carne de frango e os gastos com a sua aquisição são, indubitavelmente, .custos de produção, embora possa não se enquadrar no conceito de "produto intermediário" a que se refere a legislação do IPI. Este enquadramento, para o deslinde da questão, é irrelevante porque a legislação que autoriza o ressarcimento em tela fala em insumo e custos, não os restringindo à matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Por último, a indumentária usada pelos operários na manipulação de carnes não se confunde com fardamento ou uniforme, que são de livre uso e escolha de modelo pela - empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público. Fardamento/uniforme não é insumo, mesmo que utilizado por operários na linha de produção. Por evidente, alguns operários da recorrente, que não manipulam carne, podem ÇA 9 • • usar fardamento ou uniforme e, neste caso, tais bens não se enquadram no conceito de insumo, não fazendo jus ao crédito do PIS e da Cofms não cumulativos os gastos com a sua aquisição. No mais, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei ri° 9.784/19992 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de credito em relação às despesas com aluguel de guincho, com indumentária de uso obrigatório na industrialização de carne e com tratamento inicial das águas na lavagem e ongelamento de aves. WAL R JOSÉ DA S LVA 2 Ari. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: í . •-1 §. 1 2 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 10
score : 1.0
Numero do processo: 10940.001146/2004-48
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de Apuração: 01/10/1995 A 31/12/1996,
01/01/1998 A 30/06/1998, 01/08/1998 A 31/08/1998,
01/10/1998 A 31/10/1998.
Ementa: MEDIDA PROVISÓRIA N2 1.212/95. APLICAÇÃO.
A sistemática de apuração do PIS, com base na Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995 e reedições, convalidada na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, tem aplicabilidade aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 1996,
sendo devida a restituição/compensação dos valores recolhidos no período de vigência da referida MP, nº que exceder o devido de acordo com a LC nº 7/70.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-18.363
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao
recurso para reconhecer o direito ao indébito do PIS, nos termos da diligência efetuada
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Antonio Lisboa Cardoso
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Recorrida DRJ em Curitiba - PR Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/10/1995 A 31/12/1996, 01/01/1998 A 30/06/1998, 01/08/1998 A 31/08/1998, 01/10/1998 A 31/10/1998. Ementa: MEDIDA PROVISÓRIA N2 1.212/95. APLICAÇÃO. A sistemática de apuração do PIS, com base na Medida Provisória n2 1.212, de 28 de novembro de 1995 e reedições, convalidada na Lei n2 9.715, de 25 de novembro de 1998, tem aplicabilidade aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 2 de março de 1996, sendo devida a restituição/compensação dos valores recolhidos no período de vigência da referida MP, no que exceder o devido de acordo com a LC n2 7/70. Recurso provido em parte. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasília. 0 14 1,2 01- lvana Cláudia Silva Castro Mat. Siape 92136 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. e Processo n.° 10940.001146/2004-48 CCO2/CO2 i. Acórdão n.° 202-18.363 Fls. 2 1 ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhece o-direito ao indébito do PIS, nos termos da diligência efetuada. , _ AN ONIO CARLOS A ULIM MF - SEGUNDO CONSELHO DE IGINALCONTRIBUINTES CONFERE COM O OR , BrasIlla. jaj 12 Presidente lvana Cláudia Silva Castro„, Mat. Siape 92136 - W' ti )10 TO I0 LISBOA C .. '' B 0 O - ' • Relator . • ,, I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. Ausente ocasionalmente a Conselheira Nadja Rodrigues Romero. Processo n.° 10940.001146/2004-48 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.363 Fls. 3 ---TRIBUINTESIAF -'SEGUNDONFCEREONSCr0 D COM 0 ORIGINAL ORICGINAL Brasilla, /IL./. Relatório Ivana Cláudia Silva Castro 4%, MatiaPe 92136 Trata o caso em tela de recurso em face do acórdão da DRJ em Curitiba - PR, que manteve o indeferimento do pedido de restituição da contribuição para o PIS, recolhida na forma determinada pelos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, por considerar decaído o direito da contribuinte, conforme depreende-se da ementa do acórdão: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 01/10/1995 A 31/12/1996, 01/01/1998 A 30/06/1998, 01/08/1998 A 31/08/1998, 01/10/1998 A 31/10/1998. Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARÁ O PIS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Solicitação Indeferida". O pedido de restituição foi protocolado em 01/06/2004 (fls. 1 e seguintes). Na sessão de 29 de março de 2006, o julgamento foi convertido em diligência através da Resolução n2 202-01.002 (fls. 116/118), a fim de que a repartição fiscal de origem se pronunciasse conclusivamente sobre os valores postulados pela recorrente, relativamente aos fatos geradores encerrados entre 01/10/95 e 29/02/96, exigida com fulcro na MP n 2 1.212/95 e suas reedições. Como resultado da diligência, foram apresentadas as planilhas de fls. 126, 129 e 130, informando que foi observado para a base de cálculo o período de seis meses anteriores ao fato gerador, sem aplicação de correção monetária. Constando, ainda, que foram utilizados os pagamentos confirmados dos períodos de 10/95 a 02/96, concluindo que feita alocação dos pagamentos confirmados aos débitos calculados, constatou a existência de saldo de débito, conforme demonstrativo de fl. 130. Cientificada, a recorrente não se manifestou sobre os cálculos. É o Relatório. X Processo n.° 10940.001146/2004-48 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.363 MF — SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 4 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, t t j L.. / e i- Ivone Cláudia Silva Castro Mat. Siape 92136 Voto • Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestido dos demais requisitos legais pertinentes. O art. 18 da Medida Provisória n2 1.212/95 (29/11/1995) e reedições, convertida na Lei n2 9.715, de 25/11/998, foi declarado inconstitucional, por meio da Adin 1.417/DF, sendo, por isso, afastada a sua aplicação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 2 de outubro de 1995, conforme a ementa parcialmente transcrita abaixo: "EMENTA: Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público — PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. (.) Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei n° 8.715/98." (Adin n° 1.417-0/DF, rel. Min. Octávio Gallotti do STF, sessão de 2 de agosto de 1999, D.J 23.03.2001). Com isto, a Egrégia Corte declarou a inconstitucionalidade, em parte, do art. 18 da Lei n2 9.715, de 25/11/1998, da expressão "aplicando-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995 ". Logo, não houve a retirada do mundo jurídico da MP n2 1.212/95 e reedições posteriores até sua conversão na Lei n2 9.715/98, mas tão-somente o afastamento da aplicação do art. 18, que previa sua aplicação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 2 de outubro de 1995. Além de não ter aplicação retroativa, somente vigorou após o transcurso do prazo nonagesimal determinado pelo art. 195, § 6 2, da Carta Magna. Como a Medida Provisória n2 1.212 foi publicada em 29/11/1995, somente entrou em vigor a partir de 1 2 de março de 1996, devendo a contribuição ao PIS, nesse período, ser regida pela Lei Complementar n2 7/70, aplicando-se a semestralidade da base de cálculo. Portanto, deve ser restituída a diferença entre os valores da contribuição ao PIS, recolhidos na forma da MP n2 1.212/95 e reedições posteriores, e o que realmente seria devido, na forma da Lei LC n2 7/70, obedece a semestralidade da base de cálculo da referida contribuição. Nesse sentido, este Conselho de Contribuintes já teve oportunidade de discutir amplamente o assunto, conforme se depreende da ementa do Acórdão n 2 202-14.714, proferido nos autos do Recurso Voluntário n 2 122.792, de relatoria do i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (sessão de 16/04/2003): "EMENTA: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - DECADÊNCIA - O termo inicial de contagem do MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 10940.001146/2004-48 CCO2/CO2 _- I -Acórdão n.° 202- 18.363 Brasília QQ/ 2 . Fls. 5 Nana Cláudia Silva Castro 4._ Mat. Siape 92136 prazo de decadência para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados quando o indébito exsurge de situação jurídica conflituosa, mas com a publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal, que, em sede de ADIN, declarou inconstitucional, no todo ou em parte, a norma legal instituidora ou modificadora do tributo. PIS - COMPENSAÇÃO. Com a declaração de inconstitucionalidade da parte final do artigo 18 da Lei n° 9.715/1998, os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes da Medida Provisória n° 1.212/1995 e de suas reedições, no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, devem ser calculados observando-se que a alíquota era de 0,75% incidente sobre a base de cálculo, assim considerada o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. A partir de 1° de março de 1996 passaram a viger com eficácia plena as modificações introduzidas na legislação do PIS por essa Medida Provisória e suas reedições. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA - A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. Recurso provido em parte." Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar n2 7/70, cujo regramento permaneceu até fevereiro de 1996, sem qualquer correção da base de cálculo. Os valores dos indébitos devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base na tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 2 08, de 27/06/97. A partir de 1 2/01/96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação, acrescida de 1% relativamente ao mês de ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. • ala as Sessõe -m 21 de setembro de 2007. ,7(()• ,‘ 04,r; !,, !)(1 NTO 10 LISBOA • Rboso Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10735.002742/2002-17
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
O prazo fixado pelo ordenamento processual administrativo para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias contados do primeiro dia seguinte ao recebimento da intimação da decisão do julgamento de primeiro grau. Exaurido o tempo fixado, impõe não conhecer do recurso interposto por intempestivo.
Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso por intempestivo. Participou do julgamento a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro em substituição ao Conselheiro Ivan Allegretti.
Antonio Carlos Atulim
Presidente
Domingos de Sá Filho
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O prazo fixado pelo ordenamento processual administrativo para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias contados do primeiro dia seguinte ao recebimento da intimação da decisão do julgamento de primeiro grau. Exaurido o tempo fixado, impõe não conhecer do recurso interposto por intempestivo. Recurso não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 4 1 3 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.002742/200217 Recurso nº 258.283 Voluntário Acórdão nº 3403002.197 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2013 Matéria PIS/Pasep Recorrente CONSTRUTORA NOBERTO ODEBRECHT S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O prazo fixado pelo ordenamento processual administrativo para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias contados do primeiro dia seguinte ao recebimento da intimação da decisão do julgamento de primeiro grau. Exaurido o tempo fixado, impõe não conhecer do recurso interposto por intempestivo. Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso por intempestivo. Participou do julgamento a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro em substituição ao Conselheiro Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 27 42 /2 00 2- 17 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto relativamente à decisão que manteve o lançamento reconhecendo a procedência do auto de infração, referente o crédito tributário para PIS/Pasep referente ao período de 01/07/1997 a 31/12/1997. Há informação de que se trata de recurso intempestivo. Sustentação por parte da Recorrente de que a intimação da decisão recorrida ocorreu em 17 de novembro de 2007. Alega que o malote do correio teria sido roubado, para tanto, junta boletim de ocorrência registrado perante a Polícia Federal, bem como, declaração prestada pelo Correio ratifica a ocorrência do roubo no dia 17 de novembro de 2007. O Despacho de fls. 213 assevera que a intimação ocorreu em 15 de outubro de 2007 apoiado no “AR” que se encontra à fl. 211. O documento identificado como “Termo de Perempção” de fl.112 da notícia da perda do prazo para propositura do Recurso de Ofício. Quanto à matéria de fundo, adoto o relatório da decisão recorrida: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 50/59, em virtude da apuração de falta de recolhimento do PIS no período de 01/07/1997 a 31/12/1997, constatado em procedimento de auditoria nas declarações do contribuinte (DCTF/97), constituindose contribuição ao PIS no valor de R$ 119.821,13, multa de ofício no valor de R$ 89.865,85 e juros de mora no valor de R$ 108.583,05, perfazendo o total de R$ 318.270,03 de crédito tributário. O enquadramento legal encontrase a fls. 53. Cientificada em 10.06/2002 (fl.49), a interessada apresentou em 08/07/2002 (fl.01) a impugnação de fls. 01/18, na qual alegou que: 1 – em 30/09/99 a SRF lavrou auto de infração (AI) contra a matriz da impugnante para exigir os mesmos créditos tributários constantes do presente lançamento; 2 – o presente auto de infração é nulo por consubstanciar exigência de tributo já lançado; 3 – A Medida Provisória n. 1.212/95 é inconstitucional, violação do art. 239 da CF/88, o que torna indevido o tributo fundado nela e, por sua vez, o AI improcedente; 4 – o STF já declarou a inconstitucionalidade do art. 18 da MP n. 1.212/95, inviabilizando início da vigência do citado diploma; 5 – a autuação fiscal decorre de fiscalização inexistente e revisão de declaração relapsa, devendo, por isso, o AI ser cancelado; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10735.002742/200217 Acórdão n.º 3403002.197 S3C4T3 Fl. 5 3 6 – de acordo com o art. 15, III, da Lei n. 9.779/99, a apuração e o recolhimento da Contribuição ao PIS devem ser efetuados de forma centralizada pela matriz da pessoa jurídica; 7 – a revisão do lançamento de ofício depende de prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos, na forma do art. 149, III, do CTN, o que não ocorreu, devendo, então, AI ser anulado; 8 a administração violou o art. 37 da CF, os art. 2o e 3o da Lei n. 9.784/99, o art. 6o , X, do CDC, Lei n. 8078/90, o art. 90 da MP n. 2.15835/01, o art. 149 do CTN e as IN 45/98 e 126/98. Com bases nestas razões, o impugnante pede o cancelamento do AI, em vista da duplicidade de lançamento; pede o reconhecimento da nulidade do lançamento, pois efetuado em desacordo à lei e, por último, o cancelamento em razão de inconstitucionalidade.” Restou consignado na decisão atacada o registro de que não restou comprovado o vinculo com o processo judicial de n. 94.00088592 (fl. 102). Em relação a essa fundamentação do contido no julgado, a Recorrente afirma que jamais informou o processo como fonte de extinção do crédito tributário, como se vê da assertiva de fl. 163, vejamos: “Quanto às alegações formuladas no julgado, relativa à suposta relação com o processo judicial n. 94.00088592 (fl.108), que não teriam sido declaradas corretamente em DCTF, elas causaram profunda estranheza. De fato, não se discutem esses débitos nessa sede, não havendo motivos para se levantarem dúvidas a seu respeito.” Na face recursal, a recorrente esclarece que não se discute neste caderno compensação de débito com crédito obtido por meio de medida judicial, assim sendo, lhe causou estranheza o fato do julgador mencionar em sua decisão o processo n. 94.00088592. Sustenta, também, que o referido crédito está sendo exigido em duplicidade, pois teria sido pago nos autos do processo administrativo n. 15374.001961/9929, inclusive com remessa do processo ao arquivo, em 13 de agosto de 2002. Em razões recursais repisa os argumentos articulados na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Depreendese da leitura deste caderno processual que o auto de infração teria sido lavrado em decorrência de irregularidades nos créditos vinculados e informados em DCTF’s, o que não teria restado comprovado. Havendo questão prejudicial ao exame do mérito, impõe conhecer antes de adentrar na discussão da matéria controvertida trazida no bojo deste processado. Examinando detidamente os documentos de comunicação da decisão da Impugnação constatase por meio do recibo de entrega (AR) da intimação que esta ocorreu em 15 de outubro de 2007. Afirma a Recorrente em sua peça recursal de fl. 150 que teria sido intimada em 17 de outubro de 2007, assim sendo, o prazo final para aviar o recurso seria o dia 16 de novembro de 2007 (sextafeira). Faz juntar cópia do recibo do pagamento do emolumento cobrado pelo correio – fl. 156, consignando o dia da postagem como sendo 16 de novembro de 2007, bem como, cópia do “AR” mencionado os processos números 10735.002742/200217 e o 10735.002743/200253. Assim sendo, não há dúvida de que a postagem ocorreu em 16 de novembro de 2007. No entanto, não logrou êxito em provar que a intimação tenha ocorrida em 17 de outubro de 2007, prevalecendo o documento de entrega do correio que consta como certo a data de intimação em 15 de outubro de 2007. Considerando intimada em 15 de outubro de 2007, o prazo findo para interpor o recurso exauriu em 14 de novembro de 2007, quartafeira, dia normal de expediente, assim considerado diante da omissão de justificativa por parte da Interessada. Assim, temse que trata de recurso intempestivo, cujo ordenamento processual administrativo, Decreto nº 70.232/75, fixa o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso, exaurido o lapso temporal, inviabiliza o conhecimento por ser destempo. Com essas considerações deixo de conhecer o recurso apresentado. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso por ser intempestivo. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 344DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13433.000520/2002-44
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/11/1997, 31/12/1997
PIS. DCTF. DÉBITOS VINCULADOS A PROCESSO JUDICIAL NÃO
COMPROVADO. LANÇAMENTO.
No caso de lançamento efetuado a partir da revisão das I Declarações de Contribuições de Tributos Federais - DCTF, a posterior constatação do acerto da vinculação do débito à hipótese de suspensão de exigibilidade ou de extinção do crédito tributário é motivo de cancelamento do a to de infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-00.091
Decisão: ACORDAM os membros 3° Câmara / 2° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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Recorrida DRJ Recife / PE AssuNTo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1997, 31/12/1997 PIS. DCTF. DÉBITOS VINCULADOS A PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. LANÇAMENTO. No caso de lançamento efetuado a partir da revisão das I Declarações de Contribuições de Tributos Federais - DCTF, a posterior constatação do acerto da vinculação do débito à hipótese de suspensão de exigibilidade ou de extinção do crédito tributário é motivo de cancelamento do a to de infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros 3' Câmara / 2' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. • 4 , Ct,eld1/60G9tt,a, OSEFA MARIA COELHO MARQUES - Pr-sidente J0),,,,NIO FRANCISCO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 111 a 120) apresentado em 13 de fevereiro de 2008 contra o Acórdão n° 11-20.927, de 28 de novembro de 2007 da DRJ Recife / PE (fls. - 101 a 104), do qual tomou ciência a Interessada em 23 de janeiro de 2008 e que, relativamente - a auto de infração (DCTF) de PIS dos períodos de novembro e dezembro de 1997, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista nos incisos IV e V do art.151 da Lei n° 5. 172, de 25 de Outubro de 1966- CTN, somente se aplica nos casos de concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. Na ausência destas, a ação fiscal deverá prosseguir no seu curso normal com a conseqüente execução da cobrança do crédito lançado, de acordo com as normas processuais pertinentes. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 10 de junho de 2002 (fl. 73) e, segundo o termo de fls. 7 a 9, o processo judicial n. 97.20480-0, vinculado a compensação sem Darf, não teria sido comprovado. No despacho de fl. 93, considerou-se que, "Com relação ao processo mencionado verifica-se que o mesmo está pendente de julgamento final, entretanto as decisões de primeira instância que autorizavam a suspensão foram reformadas pela decisão do Tribunal Regional Federal da 5' Região - TRF5 a e mantido pela decisão do Superior Tribunal de Justiça - STJ (fls. 76 a 91)." Segundo o que consta dos autos, a Interessada apresentou ação cautelar com pedido de liminar no processo 97.0020480-4, requerendo a suspensão da exigibilidade das parcelas vincendas do PIS e da Cotins até o limite dos créditos dos pagamentos efetuados com base nos Decretos-lei n. 2.445 e 2.449, de 1988. A liminar foi deferida em 17 de novembro de 1997 e confirmada em sentença de 29 de janeiro de 1999. Em sessão de 16 de maio de 2000, o TRF da 1' Região deu provimento à apelação da União e à remessa de oficio e negou provimento à apelação da Interessada. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp n. 624.585-CE negou provimento ao recurso especial das autoras da ação. No recurso voluntário, a Interessada alegou que havia suspensão de exigibilidade dos créditos em função de o PIS ser devido de acordo com a Lei Complementar n. 7, de 1970, uma vez que os Decretos-Lei n. 2.445 e 2.449, de 1988, terem sido suspensos teL 2 Processo n° 13433.000520/2002-44 1 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.091 Fl. 134 pela Resolução do Senado Federal n. 49, de 1995, tendo os contribuintes "o direito líquido e certo a procederem o recálculo dos valores recolhidos a título de PIS, do período de julho de 1988 a outubro de 1995 [...]". Citou opinião da doutrina e ementas de acórdãos do 2° Conselho de Contribuintes. Por fim, afirmou que a autuação somente poderia ocorrer "após a publicação da decisão judicial final transitada em julgado, desfavorável ao contribuinte", uma vez que o crédito estaria suspenso em função da disposição do art. 151, IV, do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Destaque-se que, conforme esclarecido no relatório do acórdão de primeira instância, a Interessada alegou que "na informação contida em sua DCTF que originou o Auto de Infração ora impugnado, houve um erro na digitação do número do processo judicial acima referenciado, não podendo, por tal motivo, ser penalizada com o pagamento indevido das contribuições que lhe estão sendo cobradas." O número correto do processo seria 97.0020480-4 e não o abreviado informado pela Interessada (97.20480-0). Supostamente, essa divergência provocou o lançamento, em razão de o sistema eletrônico conferir os números completos. Assim, à época da apresentação da DCTF, havia decisão judicial suspendendo a exigibilidade. Posteriormente, antes do lançamento, a decisão judicial foi revertida. Nesse contexto, a Delegacia local verificou que havia o processo judicial e a referida suspensão da exigibilidade do crédito tributário à época da apresentação da declaração e, por meio de despacho, confirmou o lançamento, considerando que a Interessada não estaria amparada por medida judicial suspensiva da exigibilidade. O procedimento correto a ser tomado pela Interessada seria de retificar a DCTF, tão logo a medida judicial suspensiva da exigibilidade houvesse sido reformada ou revogada. Entretanto, a acusação inicial foi de "processo judicial não comprovado" e não de que inexistiria, à época do lançamento, suspensão de exigibilidade, situação constatada /4" 40Á, 3 • no despacho de fl. 93, que, no entanto, não tomou providências para efetuar revisão do lançamento, nos termos do art. 149 do CTNI. Conforme firme jurisprudência da antiga 1' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, não é possível, sem a realização da revisão de lançamento, a alteração da fundamentação legal inicial, quando se constata a existência do processo judicial informado e a condição de suspensão de exigibilidade do crédito. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. JOSE KONIO FRANCISCO kotike, 1 Acórdãos n. 201-79.380, 201-17.535, dentre outros. 4
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