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Numero do processo: 10715.000806/2010-85
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Redator designado.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 4          3 Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Tratam  os  autos  da  exigência,  no  valor  de  R$  15.000.00,  consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à  multa  regulamentar  pela  não  prestação  de  informação  sobre  veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar,  prevista no artigo 107,  inciso IV, alínea "e", do Decreto­Lei n°  37/1966,  com  a  redação  dada  pelo  artigo  77  da  Lei  n°  10.833/2003  e  nas  Instruções  Normativas  28  e  510,  expedidas  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  em  1994  e  2005,  respectivamente.  De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a  autuada registrou a destempo os dados de embarque referentes  aos  transportes  internacionais  realizados  no  mês  de  maio  de  2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ­ ALF/GIG,  concernentes  às  cargas  amparadas  nas  declarações  de  exportação  ­  DDE's  listadas  no  demonstrativo  de  fl.  09,  descumprindo,  por  conseguinte,  a  obrigação  acessória  de  que  trata o artigo 37 da IN SRF n° 28/1994, alterado pelo artigo I o  da IN SRF n° 510/2005, tendo em conta que o inciso II do artigo  39  da  mencionada  norma  (IN  SRF  n°  28/1994)  considera  intempestivo  o  registro  dos  dados  de  embarque  efetuado  pelo  transportador em prazo superior a dois dias.  Não  se  conformando  com  a  exigência  à  qual  foi  intimada  (fls.  11/12),  a  autuada  apresentou  impugnação  às  fls.  14  a  24,  acompanhada  dos  documentos  de  fls.  25  a  56,  para,  ao  final,  "requerer  seja  julgado  improcedente  o  Auto  de  Infração  tendo  em  vista  à  violação  aos  princípios  da  razoabilidade,  da  proporcionalidade e da moralidade e eficiência administrativa; e  as  constantes  falhas  verificadas  no  sistema  SISCOMEX,  e  que  isentam  de  culpa  a  Impugnante  nos  atrasos  alegados.  Subsidiariamente, caso não se entenda pela nulidade do Auto de  Infração,  requer­se  a  redução  da  multa  para  o  importe  de  R$  10.000,00 (dez mil reais), considerando que um dos embarques,  o de 19/05/2006, ocorreu no prazo previsto pelo IN 510/2005"..  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, sendo o acórdão recorrido dispensado de  ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004:  Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações  ofertadas  quando  da  impugnação,  e  pleiteando  ainda  a  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do Decreto­Lei  nº 37/1966, devendo­se aplicar ao caso o  instituto da retroatividade benigna. disposto no art.  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 5          4 106.  II.  do  Código  Tributário  Nacional  e  a  aplicação  de  multa  singular  em  virtude  da  continuidade delitiva.  É o Relatório.  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 6          5    Voto Vencido  Conselheiro Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  No  presente  caso  foi  lavrado  Auto  de  Infração  para  cobrança  da  multa  prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto­Lei n° 37/1966, com redação dada  pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória  disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n°  510/2005:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):  e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga. (Grifado)  A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF  n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias  da data do embarque:  Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria,  com  base  nos  documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da  data da realização do embarque. (Grifado)  Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010.  Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n°  28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir  de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre  embarque de mercadoria, conforme abaixo:  Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria,  com  base  nos  documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados  da  data  da  realização  do  embarque.  (Redação  dada  pela  Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010)  (grifei)  Portanto,  vê­se,  de  fato,  que  a  nova  redação  deixou  de  considerar  como  infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que  Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 7          6 possibilita,  em  tais  casos  –  desde  que  a  lide  não  tenha  sido  definitivamente  julgada  –  a  aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo:  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Quanto  a  contagem  do  prazo  previsto  para  se  prestar  a  informação  sobre  veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir  da  data  da  realização  do  embarque,  conforme  estipulado  no  caput  do  artigo  37  da  IN/SRF  28/04,  excluindo­se  na  sua  contagem  o  dia  de  início  e  incluindo­se  o  de  vencimento,  em  obediência a  forma prevista no caput do artigo 210 do CTN,  independente do  expediente da  repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável  por  prestar  a  informação  ocorre  de  forma  ininterrupta,  sem  a  necessidade  da  intervenção  da  repartição aduaneira.  Da análise da tabela acostada aos autos tem­se que o lançamento só poderia  vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma  das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova  redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme  reconhecido pela decisão recorrida.  Da aplicação do instituto da denúncia espontânea   No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega  extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração  formal,  não  podendo  ser  considerada  como  infração  de  natureza  tributária  apta  a  atrair  o  instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.  A prestação de  informações no Siscomex, como é o  caso,  é uma obrigação  acessória e,  aplicando­se essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula  CARF n° 49, que adota a mesma interpretação:  Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração.  No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102  do Decreto­Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010:  Art.102 ­ A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 8          7  §  1º  ­  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria; (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)  Apesar  de  alguns  julgados  recentes  do  CARF  estarem  admitindo  a  caracterização  da  denúncia  espontânea  com  fundamento  da  nova  redação  do  dispositivo,  entendo que na aplicação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, deve­se analisar o conteúdo  da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de  deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações  caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo.  Esse  entendimento,  do  qual  eu  compartilho,  foi  evidenciado  em  voto  do  eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a  TO. S. de 22/08/2013:  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última,  incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais  (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo,  comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No  âmbito  da  legislação  aduaneira,  em  consonância  com  o  disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de  aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 9          8 cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado  art. 102.  A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração,  a  denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar  o fluxo inevitável do tempo.  Compõem  essa  última  modalidade  toda  infração  que  tem  o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última  modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 10          9 Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática  de  infração desse jaez.  Assim,  a  aplicação da denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo,  no  caso  a  prestação  de  informação  no  Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no  esvaziamento  do  dever  instrumental,  comprometendo  o  controle  aduaneiro  efetuado  pela  autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia.  Entende­se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades  exigidas  pelo  descumprimento  de  obrigações  acessórias  caracterizadas  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração  aduaneira.  Quanto  a  alegação  de  aplicação  de multa  singular  entendo  que  não  assiste  razão à recorrente uma vez que o aspecto material da penalidade é deixar de prestar informação  sobre veículo ou  carga nele  transportada,  ou  sobre  as operações que  execute,  na  forma e no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que,  por  não  estar  expressamente  consignado,  poderia  levar  a  interpretação  de  que  a  multa  deveria  ser  aplicada  a  cada  carga  transportada (identificada por diferentes Declarações para Despacho de Exportação), mas que  numa interpretação mais benéfica ao contribuinte entende­se que a imposição da multa do art.  107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 deve ser aplicada uma única vez, por cada  veículo transportador, ou seja, por viagem, conforme considerou a fiscalização, mas nunca uma  aplicação de multa singular para embarques diversos, devendo ser aplicada para cada veiculo  identificado pelo respectivo vôo.  Essa matéria já foi enfrentada em julgamentos anteriores desse conselho:  Assunto: Obrigações Acessórias   Ano calendário:2006  ILEGIMITIDADE  PASSIVA.  MULTA.  REGISTRO  DE  DADOS  DE  EMBARQUE  MARÍTIMO  EM  ATRASO.  EXPORTAÇÃO.  RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para  figurar  no  polo  passivo  da  autuação,  o  transportador  que  registou  os  dados  de  embarque  fora  do  prazo  estabelecido  no  art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência  dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66  c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94.  REGISTRO  DE  DADOS  DE  EMBARQUE  MARÍTIMO  EM  ATRASO.  PENALIDADE  APLICADA  POR  VIAGEM  EM  VEÍCULO  TRANSPORTADOR.  Ocorrendo  dúvida  quanto  à  natureza  ou  às  circunstâncias materiais  do  fato,  ou  à  natureza  ou  extensão  de  seus  efeitos;  à  autoria,  imputabilidade,  ou  punibilidade;  e  à  natureza  da  penalidade  aplicação,  ou  à  sua  gradação,  deve  ser  aplicada a  interpretação mais  favorável  ao  acusado  (art.  112, CTN).  A multa  prescrita  no  art.  107,  inciso  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 11          10 IV,  alínea  “e”,  do DecretoLei  nº  37/66  referente  ao  atraso  no  registro  dados  de  embarque  de  mercadorias  destinadas  à  exportação  no  Siscomex  é  aplicada  por  viagem  do  veículo  transportador  e  não  por  carga  (Declaração  para Despacho  de  Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE  COMPROVAÇÃO.  Não  comprovada  documentalmente  o  alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da  cobrança  e  a  consequente  identidade  de  objetos  entre  dois  processos  administrativos  fiscais.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  ART.  138,  CTN.  MULTA.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado  em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não  merece  ser  conhecido,  ex  vi  dos  arts.  16,  inciso  III  e  17,  do  Decreto  nº  70.235/72.  (Recurso  Voluntário  nº  11968.001039/200717,  Relator  Bruno  Mauricio  Macedo  Curi,  da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em  11/09/2013)  Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os  princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à  competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater  apenas à aplicação da  legislação vigente,  sendo descabido pronunciar­se  sobre a validade ou  constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal,  como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB.  Matéria  está  pacificada  no  âmbito  administrativo,  tendo  sido  objeto  da  Súmula  CARF  no  2,  consolidada  na  Portaria  CARF  no  52,  de  21/12/2010  (DOU  de  23/12/2010), que dispôs, verbis:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Desta  forma,  em  virtude  de  todos  os  motivos  apresentados  e  dos  fatos  presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 12          11 Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira,  Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar.  A questão  em debate  cinge­se  à  incidência da multa prevista  pelo  art.  107,  IV, alínea “e” do Decreto­Lei nº 37/66.  Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que  a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração.  Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria  ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea:     “Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito  da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando  o montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentado  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com  a  infração.”     Deste modo,  entendo  que  por  ter  a  Recorrente  apresentado  as  declarações,  mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea.   Assim, muito  embora  típica  e  perfeitamente  subsumido  o  fato  à  norma,  no  caso  em  tela  se  está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista  a Recorrente  estar  amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea.  Esse  instituto  jurídico  tem  lugar  quando  o  contribuinte  informa  à  administração  as  infrações  por  ele  praticadas,  antes  de  iniciado  qualquer  procedimento  fiscalizatório.  A  vantagem  dessa  confissão  prévia  e  espontânea  para  o  contribuinte  está  na  consequência legal que o instituto lhe garante.  No presente caso tem­se que o pedido de retificação prestado pela recorrente  foi anterior à  lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB.  Deste modo, aplica­se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea.  O  Código  Tributário  Nacional  disciplina  no  art.  138  a  exclusão  da  responsabilidade quando a denúncia  espontânea  for acompanhada do pagamento do  tributo e  dos  juros  de mora,  restringindo  tal  hipótese  quando  caracterizado  o  início  do  procedimento  administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único.  Destaca­se também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de  julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da  denúncia  espontânea  não  contemplava  as  obrigações  acessórias  autônomas,  sem  qualquer  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 13          12 vínculo  direto  com  o  fato  gerador  do  tributo.  Porém,  com  a  vigência  da  norma  acima,  foi  modificado  o  §  2º,  do  art.  102  do  Decreto­Lei  nº  37/66,  incluindo  as  penalidades  administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis:    Art. 102. A denúncia espontânea da  infração, acompanhada,  se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  a imposição da correspondente penalidade.  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria;  b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente a apurar a infração.  § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento.  (grifou­se)    No presente caso,  temos portanto que a  retificação  foi  apresentada  antes de  qualquer  procedimento  de  fiscalização,  caracterizando  a  denúncia  espontânea,  devendo  ser  excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do  artigo 102 do Decreto­Lei nº 37/66.   Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória  nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração  legislativa  processada  pela  referida Medida  Provisória,  conforme  determina  o  artigo  106  do  CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso.  Acrescenta­se  ainda  que  este  Egrégio  Conselho  tem  compartilhado  deste  entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo:    DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO  A  retificação  de  informação  prestada  em  registro  de  conhecimento  de  carga  antes  de  qualquer  procedimento  da  fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea  prevista  no  art.  102,  do  mesmo  diploma  legal  (Acórdão  3101001.138,  1ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária,  sessão  de  22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo)    DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  APLICAÇÃO  AS  PENALIDADES  DE  NATUREZA  ADMINISTRATIVA.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.   A alteração do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/66 promovida pela  Medida  Provisória  nº  497/2010,  posteriormente  convertida  na  Lei  nº  12.350/2010,  que  incluiu  as  penalidades  de  natureza  administrativa,  dentre  aquelas  alcançadas  pela  denúncia  espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento,  em  razão  da  retroatividade  benigna,  nos  termos  do  art.  106,  inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000806/2010­85  Acórdão n.º 3801­005.352  S3­TE01  Fl. 14          13 / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro  Álvaro Arthur L. de Almeida Filho)    DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  MULTA  ADMINISTRATIVA  ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA.  Por  força de dispositivo  legal, a denúncia espontânea passou a  beneficiar  a  multa  administrativa  aduaneira  aplicada  isoladamente  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  denunciada  antes  de  quaisquer  procedimentos  de  fiscalização.  (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão  de  30/01/2013,  Relator  Conselheiro  Jose  Adão  Vitorino  de  Morais)    Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, deixo de apreciar os  demais argumentos trazidos pela recorrente.  Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário, para excluir a penalidade aplicada, em razão da denúncia espontânea.  É assim que voto.  (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator                    Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10865.003940/2010-14
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E CONTRIBUINTE OMISSO DE DECLARAÇÕES. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. TRANSFERÊNCIA DE DADOS, INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO PELAS INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LC Nº 105/2001, ART. 6º E DECRETO Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO E ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS - EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01. É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO FISCAL PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Restando caracterizado, comprovado nos autos, que o Fisco efetuou intimação fiscal na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96, com ciência da pessoa jurídica fiscalizada, da relação de depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias para comprovação da origem, devidamente individualizados por operação (histórico), com data, valor, conta corrente bancária e instituição financeira, quanto aos PA objeto dos autos, não se vislumbra prejuízo algum à defesa. ANOS-CALENDÁRIO 2005 E 2006. RECEITAS CONTABILIZADAS E NÃO DECLARADAS. RESULTADOS OPERACIONAIS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. CONTRIBUINTE OMISSA DE DECLARAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 24 DA LEI Nº 9.249/95). PRESUNÇÃO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PROTESTO GENÉRICO DE PERÍCIA TÉCNICA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. A escrituração contábil, nos termos do art. 923 do RIR/99, configura prova direta das infrações imputadas, ou seja, omissão de receitas operacionais e dos resultados operacionais escriturados e não declarados. Princípio da comunhão das provas. Quanto à existência de eventual fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, o ônus da prova incumbe ao sujeito passivo. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 (Decreto nº 70.235/72, art. 16, §1º). Rejeita-se o pedido genérico de produção de prova pericial, quando não atender aos requisitos constantes do artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. ANOS CALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratando-se de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplica-se aos lançamentos decorrentes, o mesmo tratamento ou entendimento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro relator Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161 do CTN, e a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa – Presidente e Redator. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL

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TRANSFERÊNCIA DE DADOS, INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO PELAS INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LC Nº 105/2001, ART. 6º E DECRETO Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO E ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS - EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01. É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO FISCAL PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A CRÉDITO NAS CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Restando caracterizado, comprovado nos autos, que o Fisco efetuou intimação fiscal na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96, com ciência da pessoa jurídica fiscalizada, da relação de depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias para comprovação da origem, devidamente individualizados por operação (histórico), com data, valor, conta corrente bancária e instituição financeira, quanto aos PA objeto dos autos, não se vislumbra prejuízo algum à defesa. ANOS-CALENDÁRIO 2005 E 2006. RECEITAS CONTABILIZADAS E NÃO DECLARADAS. RESULTADOS OPERACIONAIS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. CONTRIBUINTE OMISSA DE DECLARAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 24 DA LEI Nº 9.249/95). PRESUNÇÃO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PROTESTO GENÉRICO DE PERÍCIA TÉCNICA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. A escrituração contábil, nos termos do art. 923 do RIR/99, configura prova direta das infrações imputadas, ou seja, omissão de receitas operacionais e dos resultados operacionais escriturados e não declarados. Princípio da comunhão das provas. Quanto à existência de eventual fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, o ônus da prova incumbe ao sujeito passivo. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 (Decreto nº 70.235/72, art. 16, §1º). Rejeita-se o pedido genérico de produção de prova pericial, quando não atender aos requisitos constantes do artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. ANOS CALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratando-se de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplica-se aos lançamentos decorrentes, o mesmo tratamento ou entendimento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 66; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 605          1 604  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.003940/2010­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1802­002.540  –  2ª Turma Especial   Sessão de  24 de março de 2015  Matéria  Omissão de Receitas  Recorrente  TRANSRUAS CARGAS E ENCOMENDAS LTDA ­ EPP            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007  Ementa:  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO  E  CONTRIBUINTE OMISSO DE DECLARAÇÕES. DECADÊNCIA DO  DIREITO  DO  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  INOCORRÊNCIA  DE  DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.  O prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão  legal, o mesmo inocorre.   Na hipótese  de  aplicação  do  art.  173,  inciso  I,  do CTN,  o  termo  inicial  do  prazo  decadencial  é  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101).  LANÇAMENTO  FISCAL.  NULIDADE.  TRANSFERÊNCIA  DE  DADOS,  INFORMAÇÕES  FINANCEIRAS  DIRETAMENTE  AO  FISCO  PELAS  INSTITUIÇÕES  BANCÁRIAS  MEDIANTE  REQUISIÇÃO  DE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  ­  RMF,  SEM  AUTORIZAÇÃO JUDICIAL  (LC Nº  105/2001, ART.  6º E DECRETO  Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO  E  ILEGALIDADE  DAS  PROVAS  OBTIDAS  ­  EXTRATOS  BANCÁRIOS.  INEXISTÊNCIA  DE  VÍCIO.  PRELIMINAR  REJEITADA.   O  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105,  de  10  de  janeiro  de  2001,  regulamentado  pelo  Decreto  nº  3.724/01,  autoriza  a  autoridade  fiscal  a  requisitar  informações  ou  dados  acerca  da  movimentação  financeira  do     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 40 /2 01 0- 14 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 606          2 contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado  previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja  indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação.   O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração  de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo  bancário,  desde  que  cumpridas  as  formalidades  exigidas  pela  Lei  Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01.  É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização  judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como  caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  LANÇAMENTO  FISCAL.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INTIMAÇÃO  FISCAL  PARA  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  DOS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  A  CRÉDITO  NAS  CONTAS  CORRENTES  BANCÁRIAS.  INVERSÃO  DO ÔNUS DA PROVA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR  REJEITADA.  Restando  caracterizado,  comprovado  nos  autos,  que  o  Fisco  efetuou  intimação fiscal na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96, com ciência da  pessoa  jurídica  fiscalizada,  da  relação  de  depósitos  bancários  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias  para  comprovação  da  origem,  devidamente  individualizados  por  operação  (histórico),  com  data,  valor,  conta  corrente  bancária  e  instituição  financeira,  quanto  aos  PA  objeto  dos  autos,  não  se  vislumbra prejuízo algum à defesa.  ANOS­CALENDÁRIO  2005  E  2006.  RECEITAS CONTABILIZADAS  E  NÃO  DECLARADAS.  RESULTADOS  OPERACIONAIS  ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS. CONTRIBUINTE OMISSA  DE DECLARAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 24 DA LEI Nº  9.249/95).  PRESUNÇÃO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO  IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). PROTESTO GENÉRICO  DE PERÍCIA TÉCNICA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.  Verificada  a omissão de  receita,  a  autoridade  tributária determinará o valor  do  imposto  e  do  adicional  a  serem  lançados  de  acordo  com  o  regime  de  tributação  a  que  estiver  submetida  a  pessoa  jurídica  no  período­base  a  que  corresponder a omissão.  A escrituração contábil, nos  termos do art. 923 do RIR/99, configura prova  direta  das  infrações  imputadas,  ou  seja,  omissão  de  receitas  operacionais  e  dos  resultados  operacionais  escriturados  e  não  declarados.  Princípio  da  comunhão das provas.  Quanto à existência de eventual fato modificativo, impeditivo ou extintivo do  direito constitutivo do fisco, o ônus da prova incumbe ao sujeito passivo.  Considera­se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de  atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 (Decreto nº 70.235/72,  art. 16, §1º).  Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 607          3 Rejeita­se  o  pedido  genérico  de  produção  de  prova  pericial,  quando  não  atender  aos  requisitos  constantes  do  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto  n°  70.235/72.  ANOS CALENDÁRIO 2005,  2006 E  2007. DEPÓSITOS BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  Caracterizam  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito,  poupança  e/ou  investimento,  junto  à  instituição  financeira,  em  relação aos quais o  titular, pessoa  fisica ou  jurídica,  regularmente intimado,  não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos  utilizados nessas operações.  Para  imputação,  por  presunção  legal,  da  infração  omissão  de  receitas  (fato  probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja,  a  existência  de  extratos  bancários  de  conta  corrente  cuja  movimentação  financeira  bancária  não  foi  registrada  na  escrituração  contábil/fiscal  e  a  pessoa  jurídica  jurídica,  embora  intimada,  não  comprove  a  origem  dos  recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.  A partir do fato indiciário ­ depósitos bancários não escriturados e de origem  não comprovada (fato conhecido) ­ presume­se a ocorrência ou existência de  omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando).  A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova.  O ônus probatório da não ocorrência do fato probando ­ omissão de receitas ­  é do sujeito passivo.  A  presunção  legal  tem  caráter  relativo,  podendo  ser  elidida,  afastada,  por  prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas.   MULTA  DE  OFÍCIO  APLICADA.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.  A multa  de  ofício  aplicada  está  cominada  na  lei  de  regência  vigente,  com  presunção  de  constitucionalidade,  não  sendo  permitido  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação,  por falta de competência.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.(Súmula CARF nº 2).  JUROS DE MORA SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. MATÉRIA  SUMULADA.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).  São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).  Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 608          4 JUROS  DE  MORA  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO  LANÇADA  JUNTAMENTE  COM  TRIBUTO  OU  CONTRIBUIÇÃO.  NÃO  CABIMENTO.  Os  juros com base na  taxa Selic não devem  incidir  sobre  a multa de ofício  lançada juntamente com tributo ou contribuição, uma vez que o artigo 61 da  Lei  n.º  9.430/96  apenas  impõe  sua  incidência  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo  161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse  assunto vem de longa data, o que já fragiliza a  tese em favor da incidência,  pois,  tratando­se de norma punitiva,  com  implicação direta na dimensão da  pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das  normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo  agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre  a multa/penalidade),  a  Lei  deveria  ser muito  clara  a  respeito,  o  que  não  se  verifica no texto normativo vigente.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS.  Aplica­se ao  lançamento  tido como reflexo as mesmas razões de decidir do  lançamento  matriz,  em  razão  de  sua  íntima  relação  de  causa  e  efeito,  na  medida  em  que  não  há  fatos  ou  elementos  novos  a  ensejar  conclusões  diversas.  Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplica­se aos  lançamentos  decorrentes,  o mesmo  tratamento  ou  entendimento  dispensado  ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os  vincula.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  REJEITAR  as  preliminares  e,  no  mérito,  por  maioria,  em  DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso para afastar os  juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro relator  Nelso Kichel, que dava provimento parcial para calcular os juros na forma do §1º do art. 161  do CTN,  e  a  conselheira  Ester Marques  Lins  de  Sousa,  que  negava  provimento  ao  recurso.  Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.    (documento assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Correa – Presidente e Redator.     (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel­ Relator.    Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 609          5   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  José  de  Oliveira  Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão,  Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.    Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 610          6 Relatório  Cuidam os autos do Recurso Voluntário de e­fls. 564/600 contra decisão da  5ª  Turma  da  DRJ/Ribeirão  Preto  (e­fls.  470/505)  que  julgou  a  impugnação  improcedente,  mantendo os autos de infração do IRPJ e reflexos dos anos­calendário 2005, 2006 e 2007.  Quanto aos fatos:  ­  que,  em  09/12/2010,  em  procedimento  de  fiscalização  externa,  foram  lavrados  contra  o  sujeito  passivo,  na  DRF/Limeira,  autos  de  infração  do  IRPJ  e  reflexos  (CSLL, PIS  e Cofins)  (e­fls.  322/341 e 342/394),  para  exigência do  crédito  tributário objeto  dos autos, pela imputação de infrações à legislação tributária.  Infrações imputadas (auto de infração do IRPJ) (e­fls.322/3336) :  (...)  001 ­ OMISSÃO DE RECEITAS   DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS   Omissão  de  Receita  Operacional  caracterizada  pela  falta  de  contabilização  de  depósitos  bancários,  conforme  descrito  no  Relatório Fiscal, parte integrante do presente Auto de Infração.   (...)  Valor da Infração:  Período de apuração  Valor Tributável (R$)  31/03/2005   5.599,72  31/03/2006  11.132,60  31/03/2006   5.133,34  31/03/2006   9.829,29  30/09/2006   8.002,11  30/09/2006   49,60  31/12/2006   188,45  31/12/2006   2.815,60  Obs:       Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 611          7 (i)  Omissão  de  receitas  ­  Depósitos  bancários  não  escriturados,  anos­calendário  2005  e  2006,  respectivamente,  nos  valores  de R$  5.599,72  e R$  37.150,99. Demonstrativo,  transcrito  acima,  constante  do  auto de  infração  (e­fls.  322/3336  e 321). As parcelas –  ,  depósitos  a  crédito que perfazem o  somatório mensal  indicado  no  demonstrativo  acima  ­,  de  forma  individualizada,  operação  por  operação  de  depósito  a  crédito,  constam discriminadas no demonstrativo anexo à intimação fiscal –ciência de 26/11/2010 (e­fls. 310/321).  (ii) Em complemento da descrição, narrativa dos fatos, conforme já aludido acima, consta do Relatório Fiscal, que  transcrevo (e­fls. 401e 403), in verbis:  (...)  Da  Análise  da Movimentação  Bancária:  O  contribuinte,  intimado  a  apresentar  o  Livro  Razão,  apresentou  a  escrituração  comercial  em  03/09/2010, mediante entrega, em meio digital, no formato Manad (IN  MPS/SRP  n°  12/2006),  do  período  compreendido  entre  01/01/2005  e  31/12/2007.   (..)  Em  relação  à  análise  do  confronto  entre  os  extratos  bancários  e  a  contabilidade ­ item 1 ­ verificou­se que:  Nos anos­calendàrio 2005 e 2006, os créditos bancários foram em sua  maioria  escriturados.  Restaram,  no  entanto  R$  5.599,72  e  R$  37.150,99  em  créditos  em  contas  bancárias  cujos  lançamentos  não  foram localizados na contabilidade em 2005 e 2006 respectivamente.  (...)  Das Constatações Relativas ao TIF de 04/10/2010: 1) as justificativas  apresentadas  pelo  contribuinte  em  relação  aos  créditos  de  R$  14.830,47  (26/06/2007)  e  R$  30.000,00  (30/08/2007),  embora  não  embasadas por documentação de suporte, serão acatadas em razão de  os  históricos  demonstrarem  tratar­se  de  operações  de  financiamento:  "aquisição de bem 01296/078" e "liber. contr.85/2488441". Assim, esta  fiscalização  excluiu  da  relação  contida  no  Anexo  I  referidos  valores.  Os demais valores, R$ 5.599,72, ano­calendário 2005, R$ 37.150,99,  ano­calendário  2006,  e  R$  566.529,80,  ano­calendário  2007,  constituem­se em omissão de receitas com base em créditos bancários  cuja  origem,  correta  contabilização  e  submissão  à  tributação  não  foram comprovadas  e assim  serão  tributados de oficio  como  infração  dessa natureza;  (...)  (iii) Fundamentação legal da infração: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso II,  251 e parágrafo único, 279, 282, 287, 288 e 926 do RIR/99;  (iv) Regime de apuração: Lucro Real trimestral, anos­calendário 2005 e 2006, para IRPJ e reflexo ­ CSLL (e­fls.  322/336);  (v) Período de apuração mensal para PIS e Cofins (regime não –cumulativo) acerca da receita omitida, anos­ calendário 2005 e 2006 (lançamentos reflexos).  (vi) Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (e­fls. 395/405).   (...)    Fl. 611DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 612          8   002 ­ RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS   Valor  correspondente  ao  lucro  operacional  escriturado,  mas  não  declarado,  conforme  descrito  no  Relatório  Fiscal,  parte  integrante do presente Auto de Infração.   (...)  Valor da Infração:  Período de apuração  Base de Cálculo ­ Valor Tributável (R$)  31/03/2005   201,28  31/03/2006  18.018,46  30/06/2006   40.004,45  30/09/2006   73.528,12  30/12/2006  55.084,59  Obs:   (i) Contribuinte omissão de declarações  (sem DIPJ, sem DCTF, e sem recolhimentos), para os anos­calendário  2005 e 2006.  (ii) Os valores, constantes do demonstrativo acima, representam a Base de Cálculo do IRPJ e a Base de Cálculo  da CSLL  apuradas  a  partir  do Lucro Líquido Contábil,  em  face  das  receitas  auferidas,  que  estão  escrituradas,  registradas na contabilidade, e não declarados ao fisco, dos anos­calendário 2005 e 2006.   (iii) As bases de cálculo do  IRPJ e da CSLL dos anos­calendário 2005 e 2006  foram apuradas pelo  regime do  Lucro Real trimestral. Vide demonstrativo – planilha resumo – da apuração dessas bases de cálculo (e­fl. 312);  (iv) Os  reflexos  PIS  e Cofins: As  receitas  escrituradas  e  não  declaradas  dos  anos­calendário  2005  e  2006  que  sustentam, que dão origem, aos resultados da infração do IRPJ e do reflexo (CSLL), estão apresentadass, ou seja,  constam  também dos  autos  de  infração PIS  e Cofins  (regime  não  ­cumulativo)  (e­fls.  342/394). O  respectivo  crédito tributário está apresentado especificamente, em separado (infração reflexa), conforme será detalhado mais  adiante.   (v) Regime de apuração do Lucro Real  trimestral,  anos –calendário 2005 e 2006, para  IRPJ e  reflexo­ CSLL –  autos de infação (e­fls. 322/336);  (vi) Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (e­fls. 395/405);   (vii) Fundamento legal: Arts. 249, 250, 279, 280, 288 e 926 do RIR/99.  (...)  03­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA   Valor  apurado conforme Relatório Fiscal,  (...)  parte  integrante  do presente Auto de Infração.  (...)  Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 613          9   Valor da Infração:  Período de apuração  Valor Tributável (R$)  31/03/2007  92.423,11  31/03/2007  99.125,01  31/03/2007  137.657,58  30/06/2007  55.434,86  30/06/2007  60.354,11  30/06/2007  54.670,12  30/09/2007   18.442,14  30/09/2007  15.580,98  30/09/2007  9.470,55  31/12/2007  6.774,10  31/12/2007  7.275,24  31/12/2007  9.322,00  TOTAL  566.529,80  Obs:   (i)  Omissão  de  receitas  ­  Depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ano­calendário  2007.  Demonstrativo constante do auto de infração. As parcelas – depósitos a crédito ­ que compõem este somatório de  R$  566.529,80  estão  discriminadas,  de  forma  individualizada,  ou  seja,  para  cada  operação  de  crédito,  no  demonstrativo anexo à intimação –ciência de 26/11/2010 (e­fls. 310/321).  (ii) Em complemento da descrição, narrativa dos fatos, consta do Relatório Fiscal (e­fls. 401/404), in verbis:  (...)  Da  Análise  da Movimentação  Bancária:  O  contribuinte,  intimado  a  apresentar  o  Livro  Razão,  apresentou  a  escrituração  comercial  em  03/09/2010, mediante entrega, em meio digital, no formato Manad (IN  MPS/SRP  n°  12/2006),  do  período  compreendido  entre  01/01/2005  e  31/12/2007.   (...)  Das Constatações Relativas ao TIF de 04/10/2010: 1) as justificativas  apresentadas  pelo  contribuinte  em  relação  aos  créditos  de  R$  14.830,47  (26/06/2007)  e  R$  30.000,00  (30/08/2007),  embora  não  embasadas por documentação de suporte, serão acatadas em razão de  os  históricos  demonstrarem  tratar­se  de  operações  de  financiamento:  "aquisição de bem 01296/078" e "liber. contr.85/2488441". Assim, esta  fiscalização  excluiu  da  relação  contida  no  Anexo  I  referidos  valores.  Os  demais  valores,  R$  5.599,72,  ano­calendário  2005,  R$  37.150,99,  Fl. 613DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 614          10 ano­calendário  2006,  e  R$  566.529,80,  ano­calendário  2007,  constituem­se em omissão de receitas com base em créditos bancários  cuja  origem,  correta  contabilização  e  submissão  à  tributação  não  foram comprovadas  e assim  serão  tributados de oficio  como  infração  dessa natureza;  (...)  Da forma de tributação de ofício:  (...)  Em relação ao ano­calendário 2007,  embora  também submetido — a  principio  —  ao  regime  de  tributação  do  lucro  real,  a  escrituração  comercial do contribuinte não comportou a movimentação bancária de  forma  a  se  conhecer  as  naturezas  das  transações  registradas.  Conforme  já esclarecido pormenorizadamente no parágrafo  intitulado  Da  Análise  da  Movimentação  Bancária  do  TIF  de  04/10/2010,  foi  encontrada uma divergência de R$ 566.529,80  em créditos  bancários  não  escriturados,  sendo  que  a  receita  escriturada  somou  apenas  R$  208.731,86 e não fez qualquer referência à forma de recebimento. Em  razão  da  impossibilidade  de aproveitamento  da  escrita  fiscal  relativa  ao  ano­calendário  2007,  a  mesma  é  considerada  imprestável  para  apuração  do  lucro  real  bem  como  para  identificar  a  efetiva  movimentação financeira, inclusive bancária.  Assim,  com  fundamento  no  Decreto  n°  3.000/99,  art.  530,  II,  as  omissões de receitas do ano­calendário 2007 serão tributadas segundo  o regime de tributação do Lucro Arbitrado.  (iii) Fundamento legal: Arts. 532, 537, 849 e 926 do RIR/99;  (iv) Regime de apuração do Lucro Arbitrado (apuração trimestral), ano –calendário 2007, para IRPJ e reflexo  –CSLL, por ser imprestável a escrituração contábil – autos de infração e demonstrativos (e­fls. 322/336);  (v) Apuração mensal para PIS e Cofins (regime cumulativo) sobre receita omitida (lançamento reflexo);  (vi) Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2007, 06/2007 09/2007 e 12/2007. Arbitramento do lucro que se  faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real,  em virtude dos erros e  falhas descritos no Relatório Fiscal, que é parte  integrante do presente Auto de Infração  (Art. 530, inciso II, do RIR/99);  (vii) Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (e­fls. 395/405).  O crédito  tributário  lançado de ofício para os anos­calendário 2005, 2006 e  2007, quanto  à  infração  01 do  IRPJ  e  reflexos –CSLL, PIS  e Cofins,  infração 02 do  IRPJ  e  reflexo –CSLL (não computados os autos de infração PIS e Cofins) e infração 03 do IRPJ e reflexos  CSLL, PIS e Cofins, perfaz a quantia de R$ 208.504,69, assim discriminado por exação fiscal:    Auto  de  Infração  Principal   Juros  de  Mora  calc.  até  30/11/2010  Multa de 75%  Total (R$)  IRPJ  44.754,11  19.244,62  33.365,54  97.564,27  Fl. 614DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 615          11 PIS    4.387,73   1.699,96   3.290,73   9.378,42  CSLL   26.781,38  11.423,19  20.085,99  58.290,56  Cofins   20.244,85   7.843,03  15.183,56  43.271,44  TOTAL (R$)  ­  ­  ­  208.504,69  Obs:  Nesse  montante  de  crédito  tributário,  como  já  mencionado,  não  constam,  não  foram  computados,  os  lançamentos reflexos PIS e Cofins dos anos­calendário 2005 e 2006, quanto à infração 02 (transcrita acima). Vale  dixer, sobre as receitas escrituradas e não declaradas dos anos­calendário 2005 e 2006, houve apuração das  bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apresentadas na infração 02, para cada período trimestral de apuração (lucro  presumido,  que  é  trimestal).  Já,  os  reflexos  PIS  e  Cofins  (regime  não­cumulativo),  que  incidem  diretamente  sobre a  receita bruta mensal  escriturada e não declarada,,  constam de  lançamento  e demonstrativos específicos,  períodos  de  apuração  mensal  (e­fls.  342/394).  O  respectivo  crédito  tributário,  também,  está  apresentado  em  separado (infração reflexa), conforme transcrição abaixo:  Valor da Infração:      Receita      Base de Cálculo      Operacional  Devoluções e  Receitas Contabilizadas  Mês/Ano    Bruta  Abatimentos    e não Declaradas  Jan/05  R$  111.550,87  R$  R$  111.550,87  Fev/05  R$  107.959,28  R$  R$  107.959,28  Mar/05  R$  132.991,55  R$  R$  132.991,55  Abr/05  R$  125.708,45  R$  R$  125.708,45  Mai/05  R$  122.928,68  R$  R$  122.928,68  Jun/05  R$  102.741,61  R$  R$  102.741,61  jul/05  R$  121.197,40  R$  R$  121.197,40  Ago/05  R$  140.544,88  R$  R$  140.544,88  set/05  R$  142.668,20  R$  R$  142.668,20  Out/05  R$  136.406,33  R$  R$  136.406,33  Nov/05  R$  101.859,80  R$  R$  101.859,80  Dez/05  R$  153.736,37  R$  R$  153.736,37  Total 2005  R$  1.500.293,42    R$  1.500.293,42  Jan/06  R$  121.585,58  R$  R$  121.585,58  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 616          12 Fev/06  R$  124.651,00  R$  R$  124.651,00  Mar/06  R$  152.019,91  R$  R$  152.019,91  Abr/06  R$  125.000,38  R$  R$  125.000,38  Mai/06  R$  118.761,39  R$  R$  118.761,39  Jun/06  R$  118.303,85  R$  R$  118.303,85  jul/06  R$  192.656,40  R$  R$  192.656,40  Ago/06  R$  160.216,17  R$  R$  160.216,17  set/06  R$  112.608,69  R$  R$  112.608,69  Out/06  R$  115.773,54  R$  R$  115.773,54  Nov/06  R$  104.250,63  R$  R$  104.250,63  Dez/06  R$  96.495,22  R$  R$  96.495,22  Total 2006  R$  1.542.322,76    R$  1.542.322,76  Obs:  Esses  valores  de  receitas  contabilizadas  e  não  declaradas  dos  anos­calendário  2005  e  2006,  além  de  constarem  dos  autos  de  infração  do  PIS  e  da  Cofins  (e­fls.  342/394),  estão  anexos  à  intimação  fiscal  que  a  contribuinte tomou ciência em 26/11/2010 (e­fls. 310/311).  O  crédito  tributário  dos  autos  de  infração  da Contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins,  regime  não­cumulativo(lançamento  reflexo  da  infração  02  do  auto  de  infração  do  IRPJ), em relação às receitas contabilizadas e não declaradas dos anos­calendário 2005 e 2006  ­  falta  de  recolhimento  do  PIS  e  da  Cofins  (e­fls.  342/394),  perfaz  a  quantia  de  R$  643.791,03, assim discrimnado, por exação fiscal:  Auto  de  Infração  Principal   Juros  de  Mora  calc.  até  30/11/2010  Multa de 75%  Total (R$)  PIS  50.203,06  26.982,84  37.652, 22  114.838,12  Cofins  231.238,71   124.285,25   173.428,95   528.952,91    Portanto,  o  crédito  tributário  lançado  de  ofício  dos  anos­calendário  2005,  2006 e 2007, objeto deste processo, perfaz o montante geral de R$ 852.295,72.  Ciente dos autos de infração (e­fls. 322/394) e, também, do Relatório Fiscal  (e­fls.  395/405),  em  13/12/2010  (segunda­feira),  por  intermédio  de  seu  sócio­gerente  (aposição  de  assinatura  de  ciência  no  próprio  corpo  dos  autos  de  infração  e  do  Relatório  Fiscal), a contribuinte, em 10/01/2011, por via postal, SEDEX (data de postagem –e­fl. 467),  apresentou  impugnação  (e­fls.  410/458),  juntando  ainda  documentos  (e­fls.  459/469),  cujas  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 617          13 razões,  em  síntese,  estão  resumidas  no  relatório  da  decisão  recorrida  e  que,  nessa  parte,  transcrevo (e­fls. 481/484), in verbis:  (...)  Inconformada,  a  empresa  ingressou  com  a  impugnação  de  fls.  410/458 aduzindo como razões de defesa o seguinte:  I – Decadência   Alegou  que  o  período  de  janeiro  a  novembro  de  2005  foi  atingido  pela  decadência,  vez  que  a  autuação  somente  foi  concluída em 14 de dezembro de 2010, ou seja, após  ter  fluido  mais  de  cinco  anos  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  sendo  certo ainda que todos os tributos constituídos, quais sejam, IRPJ,  CSLL  e  PIS,  estão  sujeitos  à  modalidade  de  lançamento  por  homologação, nos moldes do art. 156, inciso V, do CTN.  II­a  ­ Nulidade. Cerceamento  de  defesa. Devido  processo  legal  administrativo.  Alegou  ter  havido  cerceamento  de  defesa  da  impugnante,  com  conseqüente  violação  ao  devido  processo  legal  administrativo,  uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em  depósitos  bancários  e  não  houve,  juntamente  com  o  auto  de  infração  e  termo  de  verificação  fiscal,  a  apresentação  de  uma  planilha com as contas correntes e os depósitos bancários — um  a  um  —  que  foram  utilizados  como  omissão  de  receitas  e  aplicada  a  presunção.  Não  houve  o  encaminhamento  da  descrição  dos  depósitos,  razão  pela  qual  há  cerceamento  ao  pleno exercício do direito de defesa da impugnante.  Acrescentou  que  a  planilha  genérica,  constante  do  Termo  de  Verificação de Irregularidades fiscais, apenas fornece os valores  mensais,  sem  a  devida  discriminação  de  datas  e  valores  individuais,  o  que  impossibilita  a  apresentação  de  defesa,  pois  pela  demonstração  da  planilha  acima,  não  é  possível  a  identificação  de  quais  foram  os  depósitos  considerados  como  omitidos  pela  fiscalização  e  sem  a  demonstração  de  todos  os  elementos que serviram de fundamento, um a um, dos depósitos  bancários  que  foram  utilizados  no  lançamento,  impede  plenamente a defesa do  impugnante, principalmente, quando se  inverte o ônus da prova em seu desfavor.  II–b  ­  Nulidade:  Obtenção  de  prova  ilícita  por  ofensa  ao  Princípio Constitucional do Sigilo.  Alegou  que  todo  o  procedimento  fiscal  já  nasceu  NULO  DE  PLENO  DIREITO  porque  inobservou  direitos  constitucionais  básicos  inerentes  ao  cidadão,  uma  vez  que  houve  evidente  utilização  de  prova  ilícita,  que  contamina,  conseqüentemente,  todas as demais provas e atos decorrentes  ("fruits of poisonous  tree"),  posto  que  a  fiscalização  fez  tábua  rasa  do  preceito  constitucional, adquirindo os extratos bancários diretamente das  instituições  financeiras,  sem  ordem  judicial,  que  é  o  único  instrumento  legitimo,  imparcial  e  confiável,  na  avaliação  das  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 618          14 circunstâncias concretas, ensejadoras de uma possível quebra do  sigilo bancário.  Acrescentou que nem mesmo a Lei Complementar nº 105, de 10  de janeiro de 2001, não tem o condão de tornar o Fisco Federal  independente de autorização judicial, ou seja, não pode afastar o  prévio exame do Poder Judiciário sobre o cabimento da quebra  do sigilo,  transferindo tal prerrogativa à própria administração  pública, aos próprios interessados na suposta "investigação".  II­c ­ Presunção de Omissão de Receitas   Alegou que o  lançamento com base  em extratos bancários  vem  sendo  rechaçado  pela  jurisprudência,  pois,  como  se  sabe,  no  giro  bancário,  o  valor  atual  contém  o  valor  anterior  e,  além  disso,  os  valores  indicados  em  extrato  bancário  correspondem,  sempre,  à  movimentação  do  dinheiro,  e  não  à  "renda"  efetivamente  percebida,  pois  é  preciso  ter  em  mente  que  os  extratos bancários podem conter empréstimos, valores liberados  por  cheques  especiais,  circulação  de  valores  entre  bancos,  e  muitas outras situações que não afetam a renda da Impugnante  em cada ano, porquanto não representam "plus". E, exatamente  por  isso,  que  o  E.  Conselho  de  Contribuintes  já  pacificou  entendimento no  sentido de não admitir os depósitos bancários  como  suposto  indicativo  de  omissão  de  receita,  para  fins  de  lançamento tributário.  II­ e ­ Tributação Reflexa — PIS. COFINS. CSLL   Além de reiterar todos os argumentos  já ventilados, alegou que  existem matérias que devem ser discutidas de plano, quais são:  II  ­  e­  1  ­  Presunção  de  Omissão  de  Receitas  ­  PIS/COFINS/CSLL/IPI/INSS ­ Falta de previsão legal  Alegou que a autoridade administrativa lavrou auto de infração  tendo,  exclusivamente,  por  supedâneo,  a  mera  presunção,  com  fulcro  no  artigo  42  da  Lei  nº  9.430/1996,  porém  este  artigo  somente  permite  a  presunção  para  efeitos  de  apuração  de  eventual omissão de renda e a conseqüente apuração do imposto  sobre a renda, não podendo ser estendida para a tributação do  PIS,  da  COFINS,  da  CSLL,  por  falta  de  previsão  legal,  o  que  aconteceu somente com a MP 449, de 03 de dezembro de 2008,  em seus artigos 24 e 27.  Concluiu afirmando que é de  rigor a  insubsistência do Auto de  Infração lavrado quanto ao PIS, COFINS, (...) e CSLL, por falta  de previsão legal para presunção de omissão de receitas.  II­ e­ 2 ­ Do aumento da Base de Cálculo da COFINS e do PIS   Pelas  razões  que  enumera  requereu  seja  reconhecido  o  direito  da  impugnante  de  recolher  a  COFINS  cobrada  nos  moldes  previstos  na  Lei  Complementar  70/91  reconhecendo­se  a  inaplicabilidade das disposições constantes da Lei 9.718/98 que  alargaram  a  sua  base  de  cálculo  e,  acaso  seja  necessário,  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 619          15 requer­se  a  realização  da  competente  perícia  técnico  contábil  para a correta aferição dos valores devidos.  Acrescentou  que  em  recente  julgamento  o  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL  reconheceu  a  inconstitucionalidade  da  extensão  realizada  na  base  de  cálculo  da  COFINS,  consoante  art.  32,  §  1º,  da Lei  n°  9718/98,  que  possibilitaria  no  presente  caso a tributação das receitas financeiras.  Em tais condições, o lançamento é insubsistente, eis que se pauta  em  base  de  cálculo  alargada  por  lei  inconstitucional  e  ilegal,  sendo  indevida  a  exigência  da  COFINS  e  do  PIS  sobre  as  receitas financeiras.  II­ e­ 3 ­ Da Indevida Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do  PIS e da COFINS.  Alegou  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  já  manifestou­se  no  sentido de que o  ICMS não pode  compor a base de calculo do  PIS e da COFINS incidentes sobre o faturamento das empresas  (conforme previsão das Leis Complementares 07/70 e 70/91).  II.  h  ­  Nulidade  do  lançamento  para  Pis  Cofins.  Não­ cumulatividade.  Alegou nulidade dos lançamentos relativos ao PIS/COFINS com  base na não­cumulatividade ao argumento de que, uma vez que  HOUVE  ARBITRAMENTO,  eventual  tributação  reflexa  deveria  ser  pela  regra  da  cumulatividade  com  alíquotas  de  3%  (COFINS)  e  0,65%  (PIS),  conforme  prevê  o  art.  10  da  Lei  nº  10.833/2003 que transcreve.  Concluiu  afirmando  que,  no  presente  caso,  houve  descumprimento  da  não­cumulatividade  prevista  no  texto  constitucional e, especialmente, o disposto nos arts. 3º, das Leis  nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 em decorrência da não análise de  desconsideração  dos  créditos,  sendo,  portanto,  improcedente  a  autuação neste aspecto.  II­f ­ Dos Juros Selic Aplicados   Alegou que os  juros são devidos à razão de 1% (um por cento)  ao mês,  nos  termos  do  artigo  161,  §  1º,  do  Código  Tributário  Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado.  II­g ­ Da Muita Confiscatória Aplicada   Alegou  que  o  valor  da  multa  de  75%,  é  de  evidente  irrazoabilidade  e  confisco,  principalmente,  em  virtude  da  Impugnante,  em  momento  algum,  ter  sonegado  as  informações  solicitadas,  sendo,  portanto,  forçoso  o  cancelamento  da  multa  imposta.  Argumentou que tendo em vista o caráter confiscatório da multa,  esta deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% (vinte por  cento), de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430/96,  retificando­se o auto de infração lavrado.  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 620          16   II­ h ­ Da não Incidência de Juros sobre a multa   Alegou que não procede a incidência de juros sobre a multa de  oficio  lançada,  na  medida  em  que,  por  definição,  se  os  juros  remuneram  o  credor  por  ficar  privado  do  uso  de  seu  capital,  conforme  ensina  Maria  Helena  Diniz  (Curso  de  Direito  Civil  Brasileiro, 2º vol. Pág. 322), eles devem incidir somente sobre o  que  não  foi  passado  aos  cofres  públicos,  que  diz  respeito  tão  somente à obrigação principal.  A  multa  lançada  diz  respeito  a  uma  penalidade  aplicada  ao  devedor, que nada tem a ver com o capital do qual o credor foi  privado de utilizar, esse sim passível de incidência de juros.  III ­ Conclusão. Pedido.  Requereu  seja  conhecida  e  provida  a  presente  impugnação,  especialmente,  para  reconhecer  a  improcedência  o  lançamento  tributário relevando­se as questões acima expostas, bem como a  documentação  acostada  aos  autos,  tendo  em  vista  sua  insubsistência como medida de legalidade.  Requereu,  outrossim,  seja  reconhecida  a  inaplicabilidade  da  Taxa SELIC, bem como, acaso superado o entendimento acima,  seja  reconhecido  o  caráter  confiscatório  da multa  aplicada  no  percentual de 75%, devendo a mesma ser redimensionada para  20%  de  conformidade  com  o  art.  61,  §  2º  da  Lei  n°  9.430/96,  retificando­se o auto de infração lavrado.  Finalmente, requereu, quando do julgamento, seja o patrono do  recorrente  devidamente  intimado,  para  que  possa  sustentar  oralmente as suas razões, sob pena de cerceamento do direito de  defesa,  nos  termos  do  art.  5º,  LV,  da  Constituição  Federal  de  1988.  (...)  .A DRJ/Ribeirão Preto  (5ª  Turma),  enfrentando  as  questões  suscitadas  pelo  sujeito passivo,  julgou a  impugnação  improcedente,  conforme Acordão de 26/07/2013  (e­fls.  470/505), cuja ementa transcrevo:  (...)  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2005, 2006, 2007   NULIDADE.  LEGALIDADE  DO  LANÇAMENTO.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  É incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os  atos  administrativos  encontram­se  revestidos  de  suas  formalidades  essenciais  e  a  infração  encontra­se  perfeitamente  identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita  Fl. 620DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 621          17 observância  aos  preceitos  legais,  afastando­se  a  hipótese  de  cerceamento de defesa.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  CARÁTER  ABUSIVO  DA  MULTA  DE  OFÍCIO.  ILEGALIDADE  DA  TAXAS  SELIC.  FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.  Irresignações  endereçadas  diretamente  contra  dispositivo  legal  que  define  base  de  cálculo  do PIS  e  da Cofins,  contra  caráter  pretensamente abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem  como  contra  suposta  ilegitimidade  do  uso  da  TAXA  SELIC  no  cômputo  dos  juros  de  mora,  não  podem  ser  apreciadas  pelas  autoridades  julgadoras  administrativas.  A  estas  cabe  apenas  examinar  a  conformidade  do  ato  de  lançamento  em  face  das  normas  fiscais  de  regência,  já  que  lhes  carecem  poderes  para  apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do  Poder Judiciário.  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.  O prazo decadencial, para efeito de exigência de tributo sujeito  ao regime de homologação, em lançamento "ex officio", quando  na  ausência  de  pagamento  ou  quando  constatado  fraude,  simulação ou dolo, é regido pelo artigo 173, I, do CTN.  SIGILO BANCÁRIO.  A LC 105/2001, ao estabelecer normas gerais sobre o dever de  sigilo  bancário,  permitiu,  sob  certas  condições,  o  acesso  e  utilização,  pelas  autoridades  da  administração  tributária,  a  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras. As questões da constitucionalidade e da observância  de princípios constitucionais levantadas constituem matérias que  ultrapassam  os  limites  da  competência  para  julgamento  na  esfera  administrativa,  matérias  estas  reservadas  ao  Poder  Judiciário.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.  Por presunção legal contida na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art.  42,  os depósitos efetuados  em conta bancária,  cuja origem dos  recursos  depositados  não  tenha  sido  comprovada  pelo  contribuinte  mediante  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  caracterizam  omissão  de  receita.  Se  o  ônus  da  prova,  por  presunção  legal,  é  do  contribuinte,  cabe  a  ele  a  prova  da  origem  dos  recursos  utilizados  para  acobertar  seus  depósitos  bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  LEGALIDADE.  A multa  de  ofício,  sendo parte  integrante  do  crédito  tributário,  está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro  dia do mês subseqüente ao do vencimento.  Fl. 621DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 622          18 AUTOS REFLEXOS.  A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato  gerador  de  vários  tributos,  implicam  na  obrigatoriedade  de  constituição  dos  respectivos  créditos  tributários.  A  decisão  quanto  à  ocorrência  desses  eventos  repercute  na  decisão  de  todos os tributos a eles vinculados.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  (...)  Irresignada  com  esse  decisum  do  qual  tomou  ciência  por  Edital  em  02/10/2013  (e­fl.  524),  a  contribuinte  apresentou Recurso Voluntário  em 03/10/2013 por via  postal  (e­fls.  601/602),  cujas  razões  (e­fls.  564/600),  em  síntese,  são  as  mesmas  deduzidas  quando  da  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade  e  resumidas  já  no  relatório  (reiteração das  razões deduzidas na  instância a quo), pedindo, por  fim, a  reforma da decisão  recorrida, que seja dado provimento ao recurso.  É o relatório.  Fl. 622DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 623          19 Voto Vencido  Conselheiro Nelso Kichel, Relator.    O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de  admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço.  Conforme relatado, a lide versa acerca da exigência do crédito tributário do  IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), computados  juros de mora e multa de ofício de 75%,  lançamento  de  ofício  atinente  aos  anos­calendário  2005,  2006  e  2007,  no  montante  de R$  852.295,72 na data de lavratura dos autos de infração, ou seja, em 09/12/2010, pela imputação  das seguintes infrações:  1) – Omissão de receitas (presunção legal – art. 42 da Lei 9.430/96):  a)  – Depósitos bancários não escriturados/origem não comprovada – Anos­ calendário 2005 e 2006. Autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins). O IRPJ e  a  CSLL  foram  apurados  pelo  regime  do  Lucro  Real  trimestral.  Já  as  contribuições  (PIS  e  Cofins) – regime não­cumulativo – período de apuração mensal;  b) ­ Depósitos bancários de origem não comprovada. IRPJ e reflexos (CSLL,  PIS  e  Cofins).  Ano­calendário  2007.  Escrituração  imprestável.  IRPJ  e  CSLL  –  Apuração  Lucro Arbitrado  (que  é  trimestral).  PIS  e Cofins  (regime  cumulativo):  período  de  apuração  mensal.  2) – Omissão de  recietas  (presunção  simples  – art.  24 da Lei 9.430/96).  Valores  escriturados,  não  declarados  e  falta  de  pagamento  (contribuinte  omissa  de  declaração: DIPJ, DCTF e inexistência de recolhimentos):  a)  resultados  operacionais  escriturados  e  não  declarados  ao  fisco. Bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL,  anos­calendário  2005  e  2006:  Lucro  Real  trimestral.  Autos  de  infração do IRPJ e CSLL (reflexo);  b)  receitas  escrituradas  e  não  declaradas,  anos­calendário  2005  e  2006  (lançamentos reflexos: PIS e Cofins, regime não­cumulativo). Período de puração mensal.  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.  A recorrente, nas razões do recurso, suscitou decadência do crédito tributário  relativo  aos  períodos  de  apuração  de  janeiro  a  novembro/2005;  que  os  tributos  objeto  do  lançamento fiscal estão submetidos à especie de “lançamento por homologação”; que, no caso,  o  lapso  temporal  de  5  (cinco)  anos  para  o  fisco  constituir  o  crédito  tributário  conta­se  da  ocorrência do fato gerador (invocou predecentes do STJ e deste Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais);  que  o  fisco  deixou  transcorrer  esse  lapso  temporal  in  albis  (ficou  inerte),  efetuando o lançamento fiscal somente quando já decaído o seu direito.   Fl. 623DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 624          20 A irresignação da recorrente não merece prosperar.  Quanto a  tributo  submetido a  lançamento por homologação, a  contagem do  prazo decadencial a partir do fato gerador (termo inicial), na forma do art. 150, § 4º, do CTN,  impõe­se, no caso de existência de prévio pagamento parcial (antecipação de pagamento), que  não é o caso.  A  recorrente,  quanto  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  ano­calendário  2005  (IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins),  não  transmitiu  eletronicamente,  não  apresentou,  não  entregou  DIPJ e DCTF ao fisco (contribuinte omisso de declarações) e, também, não houve antecipação  de pagamento (pagamento parcial) dessas exações fiscais quanto aos PA objeto dos períodos  suscitados no recurso (janeiro a novembro/2005).  Os autos, por conseguinte, não tratam de lançamento de diferença de exações  fiscais, mas sim da integralidados das exações fiscais dos PA dos anos­calendário 2005, 2006 e  2007,  em  face  de  contribuinte  omissa  de  declarações  (DIPJ  e  DCTF)  e  inexistência  de  antecipação de pagamento (pagamento parcial), quanto aos PA objeto dos autos de infração.  A propósito,  transcrevo, nessa parte, a narrativa, constatação da fiscalização  que, de forma expressa, consignou no Relatório Fiscal (e­fl. 396), parte  integrante dos autos  de infração, que a contriuinte é omissa de declaração quanto aos anos­calendário 2005, 2006 e  2007, e que, também, não efetuou pagamento, sequer parcial, de exação fiscal em nenhum PA  quanto aos anos­calendário 2005, 2006 e 2007, in verbis:  (...)  Das  Constataões:  (...).  Embora  a  empresa  esteja  omissa  na  entrega  das  Declarações  de  Informações  Econômico­fiscais  da  Pessoa Jurídica (DIPJ) e das Declarações de Débitos e Créditos  Tributários  Federais  (DCTF),  os  livros  apresentados  demonstram que houve operações no período objeto da presente  fiscalização,  ou  seja,  de  2005  a  2007.  Ao  ser  verificada  a  arrecadação  quanto  aos  recolhimentos  do  IRPJ,  da  CSLL,  do  PIS  e  da  Cofins,  também  constatamos  a  ausência  de  recolhimentos  em  relação  ao  período  objeto  da  presente  fiscalização.  (...)  Aos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a incidência  ou aplicação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN não é  regra geral, de aplicação  direta, automática e incondicional, pois depende da situação do caso concreto.  Esse  entendimento  restou  pacificado  neste  CARF  e,  também,  no  Superior  Tribunal de Justiça – STJ.  Quanto ao Superior Tribunal de Justiça – STJ, quardião da uniformidade de  interpetação de lei federal:  A Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 973.733/SC, realizado nos  termos do art. 543­C do CPC, relator Ministro Luiz Fux, Sessão de 12/08/2009, publicado no  DJe de 18/09/2009, sedimentou o entendimento de que o art. 173  ,  I  , do CTN se aplica aos  Fl. 624DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 625          21 casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou,  quando,  a  despeito  da  previsão  legal  como  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  não  há  o  pagamento antecipado (princípio de pagamento ou pagamento parcial).  A propósito, transcrevo a ementa do referido aresto do STJ:  (...)  RECURSO ESPECIAL N° 973.733 ­ SC (2007/0176994­0)  EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS  ARTIGOS  150, § 4°, e 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3a  ed., Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante  Fl. 625DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 626          22 a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3a  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  Outras decisões do STJ, a título exemplificativo, reportando­se ao precedente  transcrito acima.  (...)  RECURSO  ESPECIAL  REsp  985301  ­  SC  2007/0213429­8  (STJ). Data de publicação: 01/09/2010   Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL  ­  RECURSO  ESPECIAL  ­  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO  ­ CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  ­  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO  ­  DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O  CRÉDITO TRIBUTÁRIO ­ TERMO INICIAL ­ ARTIGO 173 ,  I  ,  DO  CTN  ­  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS ARTIGOS  150  ,  §  4º  ,  e  173  , DO CTN  ­  IMPOSSIBILIDADE  ­  REEXAME  DE  PROVAS:  SÚMULA  7/STJ. PRECEDENTE : Resp 973.733/SC.   1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito.   2. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da  recorrente demanda o reexame de provas.   3. Recursos especiais conhecidos e não providos.  (...)  STJ  ­  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  AgRg  no  REsp  1192933 MG  2010/0080028­2  (STJ).  Data  de  publicação: 11/02/2011   Ementa:  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  EXECUÇÃO  FISCAL.  ICMS.  EMBARGOS  DO  DEVEDOR.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTO A MENOR. ART.  150  ,  §  4º  , DO CTN  .  DECADÊNCIA.  MATÉRIA  JULGADA  PELA  PRIMEIRA  SEÇÃO DO STJ, NOS TERMOS DO ART. 543­C DO CPC .   Fl. 626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 627          23 1.  Agravo  regimental  no  recurso  especial  em  que  se  discute  o  prazo para a constituição de crédito tributário remanescente de  ICMS, no caso em que ocorre o pagamento a menor do tributo.   2. Nos tributos cujos sujeitos passivos têm o dever de antecipar o  pagamento  sem  que  haja  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  caso  se  apure  saldo  remanescente,  a  Fazenda  deverá  constituí­lo  no  prazo  de  cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  sob  pena  de  ocorrer  a  extinção  definitiva do crédito, nos termos do parágrafo 4º do art. 150 do  Código  Tributário  Nacional..  Precedentes  :  Resp  973.733/SC,  Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/09/2009; REsp  1.033.444/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda  Turma,  DJe  24/08/2010;  AgRg  no  REsp  1.162.468/MG  ,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  DJe  28/09/2010;  REsp  1.122.685/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda Turma, DJe 24/03/2010; AgRg no REsp 1.074.191/MG ,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  DJe  16/03/2010).  3.  Entendimento  sedimentado pela Primeira Seção, no  julgamento  do REsp973.733/SC, realizado nos termos do art. 543­C do CPC  sob a relatoria do Ministro Luiz Fux. 4. Agravo regimental não  provido.  (...)  STJ  ­  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL  EDcl  no  AgRg  no  AREsp  109308  RS  2011/0258336­8  (STJ).  Data de publicação: 04/06/2012   Ementa:  TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DOS  ARTS.  165  ,  458  E  535  DO  CPC  .  OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. TRIBUTO SUJEITO A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO  INICIAL. ART. 173,  I, DO CTN  . REEXAME DE FATOS E  PROVAS. SÚMULA 7 /STJ.   1. Nos  termos do art. 535 do CPC  , os embargos declaratórios  somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar  omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível  erro material  existente  no acórdão,  o  que  ocorreu  no  caso  dos  autos.   2.  Inexiste  a  alegada  violação  dos  artigos  165  ,  458  e  535  do  CPC  ,porquanto  a  prestação  jurisdicional  foi  dada  de  forma  clara e fundamentada na medida da pretensão deduzida.   3. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação  em que não ocorre pagamento antecipado, o prazo decadencial  rege­se  pelas  disposições  do  art.  173  ,  inciso  I  ,  do CTN  ;  ou  seja,  será  de  5  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que olançamento poderia  ter  sido  efetuado.  Precedente  :  Resp  973733/SC,Rel.  Min.  Luiz  Fux,  Primeira  Seção, julgado em 12/08/2009, Dje 18/09/2009.  Fl. 627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 628          24 4. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da  recorrente  demanda  o  reexame  de  provas.  Embargos  de  declaração rejeitados.  (...)  De  modo  que,  no  caso  inexistindo  antecipação  de  pagamento  (pagamento  parcial)  em  relação  aos  PA  do  ano­calendário  2005  (janeiro  a  novembro/2005)  quanto  às  exações fiscais objeto dos autos, inclusive a contribuinte é omissa de decarações para os anos­ calendário objeto dos autos, o prazo decadêncial conta­se na forma do art. 173, I, do CTN, ou  seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado.  No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 101:  Súmula  CARF  nº  101  :  Na  hipótese  de  aplicação  do  art.  173,  inciso  I,  do  CTN,  o  termo  inicial  do  prazo  decadencial  é  o  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado.  Quanto  aos  fatos  imponíveis  do  ano­calendário  2005,  o  termo  a  quo  da  contagem do prazo decadencial é o dia 01/01/2006.  Logo, o fisco tinha prazo para lançamento até 31/12/2010.  A  contribuinte  tomou  ciência  dos  autos  de  infração  em  13/12/2010  (e­fls.  322/405).   Portanto,  o  lançamento  das  exações  fiscais  do  ano­calendário  2005,  fatos  geradores mais remotos objeto da exigência dos autos, estão a salvo da decadência.  Preliminar de decadência rejeitada.  LANÇAMENTO  FISCAL.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  DEPÓSIOS  BANCÁRIOS  A  CRÉDITO.  INTIMAÇÃO  FISCAL  ESPECÍFICA  PARA  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGM  DOS  CRÉDITOS.  INVERSÃO  DO  ÔNUS  DA  PROVA.  VÍCIO  NÃO  CONFIGURADO.  PRELIMINAR  REJEITADA.  Alegou a recorrente, nas razões do recurso:  ­ que o lançamento fiscal viola princípios constitucionais;   ­ que “não é a Constituição que deve ser interpretada em conformidade com a  lei, mas sim a lei que deve ser interpretada em conformidade com a Constituição “, citando o  jurista português Jorge Miranda;   ­que, no presente caso, há cerceamento do direito de defesa, uma vez que os  autos de infração foram aplicados, lavrados, com fundamento em depósitos bancários;   ­  que  não  houve  no  lançamento  fiscal  e  no  termo  de  verificação  fisccal  a  apresentação de uma planilha com as contas correntes e os depósitos bancários – um a um –  que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a presunção;  Fl. 628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 629          25 ­  que  não  houve  o  encaminhamento  da descrição  dos  depósitos,  razão  pela  qual há cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa da recorrente;  ­  que houve a  apresentação,  apenas,  de uma planilha genérica  constante do  termo de verificação de  irregularidades  fiscais, pois apresenta valores mensais,  sem a devida  discriminação de datas e valores individuais, o que impossibilita a apresentação de defesa;  ­ que o lançamento, por conseguinte, não descreve claramente as razõs fáticas  e  jurídicas  da  exigência  fiscal,  devendo  ser  declarado  nulo,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa por violação do devido processo legal.  As alegações da recorrente carecem de plausibilidade, pois estão divorciadas  da realidade fático­jurídica.  Diversamente  do  alegado  pela  recorrente,  com  fundamento,  ou  seja,  em  consonância com o art. 42, §3º, da Lei nº 9.430/96,  foi  intimada a comprovar a origem dos  depósitos  bancários  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias  dos  anos­calendário  2005,  2006 e 2007, com valores discriminados, individualmente, operação por operação, uma a uma,  ou seja, constam do demonstrativo anexo da intimação as seguintes indicações discriminadas,  individualizadas, das operações: data da operação, valor da operação , depósito a D/C, histórico  da  operação,  conta  bancária  e  instituição  financeira  e  tomou  ciência  da  intimação  em  04/10/2010, por intermédio da Sra. Cilene Porsebom Ruas (e­fls. 296/307).  Na  sequência,  a  contribuinte  foi  intimada,  novamente,  desta  vez  em  26/11/2010, na pessoa de seu representante legal, Sr. João Carlos Pinheiro, da continuidade da  fiscalização, contendo em anexo à intimação, novamente, a relação de depósitos a crédito nas  contas  correntes  da  contribuinte  dos  anos­calendário  2005,  2006  e  2007  cuja  origem  deles  (depósitos  a  crédito)  persistiam  e  persistem  sem  comprovação.  Reiterando,  os  depósitos  a  crédito,  no  referido  anexo  da  intimação,  estão  discriminados,  de  forma  individualizada,  operação por operação, uma a uma, por data, valor, D/C, histórico da operação, conta bancária  e instituição finananceira (e­fls. 310/321).  Desta forma, as referidas intimações da contribuinte para comprovar a origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias,  possuem o  condão  de  inverter  o  ônus da prova. Ou seja, o ônus probatório de que não ocorreu a omissão de receitas quanto aos  depósitos bancários nas contas correntes da recorrentes nos anos­calendário 2005, 2006 e 2007  é da contribuinte.  Assim,  configura  um  despautério,  completa  falta  de  fundamento  ou  plausibilidade fático­jurídico, a alegação da recorrente de que o fisco não teria discriminado as  operações  de  depósito  a  crédito,  de  forma  individuada,  por  data,  valor,  conta  corrente  e  instituição financeira.  Diversamente  do  alegado  pela  recorrente,  portanto  o  fisco  efetuou  as  intimações na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96, invertendo o ônus da prova, em face  das  provas  indiciárias  da  omissão  de  receitas  (cópia  dos  extratos  bancários  constantes  dos  autos,  prova  da  inexistência  ou  falta  de  registro  na  escrituração  contábil  desses  depósitos  bancários)  e  intimação,  com  ciência  pela  contribuinte,  da  relação  de  depósitos  bancários  a  crédito,  devidamente  individualizados,  operação  por  operação,  uma  a  uma,  por  data,  valor,  conta corrente bancária e instituição financeira, quanto aos PA dos anos­calendário 2005, 2006  e 2007.  Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 630          26 Ademais,  conforme  já  relatado,  as  infrações  imputadas  estão  narradas,  descritas, de  forma clara, precisa, objetiva, com matéria  tributável determinada, especificada,  discriminada com demonstrativo de cálculo dos valores apurados, e todos os elementos do fato  gerador identificados, apurados e atribuídos, em consonância com o art. 142 do CTN e art. 10  do Decreto nº 70.235/72.  A jurisprudência deste CARF é mansa e pacífica, no sentido de que o auto de  infração somente deve ser declarado nulo quando não houver, inexistir, adequada descrição dos  fatos e não houver adequada fundamentação legal, que não é o caso; pois, o auto de infração  tem adequada descrição dos fatos e respectivo enquadramento legal.  A  propósito,  trancrevo  precedentes  de  jurisprudência  deste  CARF  pela  rejeição de preliminar de nulidade do lançamento fiscal quando o lançamento contém descrição  dos fatos e pertinente fundamentação legal, ajustando­se perfeitamente à situação dos presentes  autos, in verbis:  NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA  –CAPITULAÇÃO  LEGAL  E  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS  INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração  deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais,  a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência  total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a  Pessoa  Jurídica  revela  conhecer  plenamente  as  acusações  que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as,  uma  a  uma,  de  forma  meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões  preliminares  como  também  razões  de  mérito,  descabe  a  proposição  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  (Acórdão  nº  104­17.364, de 22/02/2001, 1º CC).  AUTO  DE  INFRAÇÃO  –  DISPOSIÇÃO  LEGAL  INFRINGIDA  –O  erro  no  enquadramento  legal  da  infração  cometida não acarreta a nulidade do auto de  infração, quando  comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a  alentada  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  contra  as  imputações  que  lhe  foram  feitas,  que  inocorreu  preterição  do  direito de defesa (Acórdão nº 103­13.567, DOU de 28/05/1995);  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO  LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou  mesmo  a  sua  ausência  não  acarreta  nulidade  do  auto  de  infração,  quando  a  descrição  dos  fatos  nele  contida  é  exata,  possibilitando ao sujeito passivo defender­se de forma detalhada  das  imputações  que  lhe  foram  feitas  (Acórdão  108­06.208,  sessão de 17/08/2000).  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA.  A  inclusão  desnecessária  de  um  dispositivo  legal,  além  do  corretamente  apontado  para  as  infrações  praticadas,  não  acarreta  a  improcedência  da  ação  fiscal. Outrossim,  a  simples  ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o  bastante,  por  si  só,  para  acarretar  a  nulidade  do  lançamento  quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a  permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do  Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 631          27 inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e  cálculos  considerados  para  determinar  a  matéria  tributável.(Acórdão nº 104­17.253, sessão de 10/11/99).  AUTO  DE  INFRAÇÃO  NULIDADE  CERCEAMENTO  DE  DEFESA. Para que haja nulidade do  lançamento  é necessário  que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento.  Desta  forma,  se  o  autuado  revela  conhecer  plenamente  as  acusações  que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as,  mediante  substanciosa  defesa,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também  razões  de  mérito,  descabe  a  proposição  de  nulidade  do  lançamento  por  cerceamento  do  direito  de  defesa  ou  por  vício  formal.(Acórdão  nº  102­48.141,  sessão de 25/01/2007).  Nesse diapasão, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma  da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/01­03.264, de 19/03/2001 e publicado no  DOU em 24/09/2001), verbis:  A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza,  por  si  só,  sua  declaração  de  nulidade,  se  a  acusação  fiscal  estiver  claramente  descrita  e  propiciar  ao  contribuinte  dele  se  defender  amplamente,  mormente  se  este  não  suscitar  e  demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado.  Como demonstrado, o lançamento fiscal foi produzido de acordo com o art.  142 do CTN, art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 42, § 3º, da Lei 9.430/96.  Por conseguinte, não restou configurado o alegado cerceamento do direito de  defesa.  Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pela não  caracterização, não configuração, do alegado cerceamento do direito de defesa.  LANÇAMENTO  FISCAL.  NULIDADE.  OBTENÇÃO  DE  PROVA  ILÍCITA. QUEBRA ILEGAL DO SILIGO BANCÁRIO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO.  PRELIMINAR REJEITADA.  Argumenta a recorrente, nas razões do recurso:  ­  que,  intimada  pelo  fisco,  não  forneceu  os  extratos  bancários,  por  estar  amparada, protegida pelo sigilo bancário (CF, art. 5º, incisos X e XII);  ­ que o fisco conseguiu os extratos bancários dos anos­calendário 2005, 2006  e 2007 junto às instituições financeiras, sem ordem judicial, em face da Lei Complementar nº  105/2001 e do Decreto 3.724/2001;  ­ que, reconhece ser o sigilo bancário um direito relativo, mas somente deve  ser  afastado  (no  caso  de  colisão  de  princípios  constitucionais),  perante  o  caso  concreto,  por  ordem judicial;  ­ que a LC 105/2001 (art. 6º) não tem o condão de autorizar o acesso direto  do fisco aos dados de movimentação financeira dos contribuintes­correntistas;  Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 632          28 ­  que  o  acesso  direto  do  fisco  aos  dados  de  movimentação  financeira  bancária, sem ordem judicial (LC 105/2001, art. 6º), foi declarado inconstitucional pelo STF,  pelo Plenário em 20/12/2010, por maioria de votos, relator Min. Marco Aurélio, nos autos do  RE 389.808, publicado em 10/05/2001;  ­ que, além da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, a RFB (a  fiscalização) não cumpriu o disposto no art. 6º da LC 105/2001, sendo ilegal a quebra do sigilo  bancário, no caso;  ­  que,  referido  dispositivo  legal,  exige  ato  administrativo  da  DRF  local  justificando as  razões para a quebra do sigilo bancário  (fundamentação da indispensabilidade  da quebra);  ­ que, no caso, não houve motivação; que a fiscalização, apenas, afirma que  solicitou as informações bancárias diretamente às instituições financeiras, diante da negativa da  contribuinte de fornecimento dos extratos bancários;  ­  que  não  houve  ato  administrativo  devidamente  fundamentado  em  razões  fáticas e jurídicas da autoridade da DRF local;  ­  que,  no  caso,  a  quebra  do  sigilo  bancário  pelo  fisco  não  cumpriu  os  requisitos legais do art. 6º da LC 105/2001 e art. 2º do Decreto 3.724/2001;  ­  que,  ainda,  citou  precedente  do  STJ  pela  ilegalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário pela autoridade fiscal, no caso de não atendimento aos requisitos legais;  ­ que, portanto, deve ser declarado nulo o lançamento fiscal, por utilização de  prova  ilícita,  obtida  de  forma  ilegal,  em  face  da  quebra  do  sigilo  bancário  pela  autoridade  administrativa sem observância dos requisitos legais.  Data venia,  não merece prosperar a  irresignação  da  recorrente,  por  falta de  plausibilidade fático­jurídica.  Quanto à expedição da RMF:   Diversamente do alegado pela recorrente, o acesso direto do fisco aos dados  de  movimentação  financeira  bancária  da  recorrente  está  devidamente  fundamentado  pela  autoridade fiscal. Senão vejamos:  Primeiro,  o Auditor  –Fiscal  responsável  pelo  procedimento  de  fiscalização,  de  forma  fundamentada,  solicitou  ao  superior  hierárquico  competente  a  emissão  de  Requisição  de  Informação  de  Movimentação  Financeira  (RMF),  em  07/04/2010  (e­ fls.43/45), com a seguinte fundamentação, in verbis:  (...)  RELATÓRIO   No exercício das funções de Auditor­Fiscal da Receita Federal,  em  cumprimento  às  normas  tributárias  e  ao  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  nº  0811200  2009  00663,  fui  designado para execução da Fiscalização do Contribuinte acima  identificado.  Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 633          29 A  presente  ação  fiscal  é  decorrente  de  indícios  de  incompatilibidade  entre os  rendimentos  declarados  pelo  sujeito  passivo  dos  anos­calendário  de  JAN/2005  a  DEZ/2007  e  os  valores  de  movimentação  financeira  informados  pelas  instituições  financeiras constantes nos "extrato do contribuinte"  do sistema SIGA para os mesmos anos­calendário.  Pelo Termo de Inicio e Intimação Fiscal lavrado em 16/12/2009,  o  Contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  os  documentos  necessários à realização das operações de auditoria, visando a  confirmação  da  origem  dos  diversos  depósitos  realizados  em  suas contas­correntes.  O Contribuinte solicitou prorrogação de prazo visando atender  nossa  requisição.  Atendeu  parcialmente  nossa  requisição,  não  tendo enviado os extratos bancários. Sendo assim, e pelo fato de  que  o  não  fornecimento  destes  documentos  impossibilita  os  procedimentos  de  auditoria,  não  nos  resta  outro  caminho para  preservar  eventual  crédito  tributário  da  União  dos  efeitos  da  decadência,  senão  requerer  a  transferência  do  sigilo  bancário  do supracitado Contribuinte para a RFB.  Entendemos,  S.M.J.,  tratar­se  de  situação  enquadrada  em  hipótese de indispensabilidade prevista no inciso VII, do Art°. 3°  do Decreto 3.724 de 10 de janeiro de 2.001, envolvendo prática  reiterada  de  ilícito  tributário  prevista  na  lei  9430/96.  E  assim  sendo,  se  faz  necessária  a  requisição  das  informações  sobre  a  movimentação financeira do sujeito passivo, para a execução do  MPF (Mandado de Procedimento Fiscal).  (...)  Na  sequência,  o  Delegado  da  DRF/Limeira,  em  08/04/2014,  em  conformidade com o art. 6º da LC 105/2001 e em face da indispensabilidade ao andamento do  procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724/2001,  expediu a Requisição de Informações sobre Movimentação Finananceira (e­fls. 46/51).  Como  demonstrado,  o  ato  administrativo  de  expedição  da  RMF  está  devidamente  fundamentado  quanto  à  sua  indispensabilidade,  pelo  relatório  da  fiscalização,  transcrito anteriormente.  Portanto,  os  extratos  bancários  da  recorrente  (e­fls.  52/183  )  foram  obtidos  nos termos da legislação de regência ­LC nº 105/2001 (art 6º) e Decreto nº 3.724/2001 (art. 4º,  §6º).  Quanto à alegação de que acesso direto do fisco aos dados de movimentação  financeira  bancária  (transferência  dos  dados  pela  instituições  ao  fisco  via  RMF)  seria  inconstitucional, a questão, no mérito, foge à alçada deste Conselho Administrativo, inclusive,  essa falta de competência está sumulada:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 634          30 Na  esfera  administrativa,  no  PAF,  não  há  controle  de  legalidade  de  lei  vigente  (a  competência  é  do  Poder  Judiciário),  mas  sim  o  controle  de  legalidade  do  ato  administrativo de lançamento fiscal, se foi produzido de acordo com a legislação de regência.  No  caso,  os  extratos  bancários  foram  obtidos  em  estrita  observância  da  legislação de regência.  É  vedado  ao  julgador  administrativo  deixar  de  aplicar  ou  negar  vigência  á  legislação vigente  sob pena de  responsabilidade  funcional, pois a  lei,  enquanto  integrante do  ordenamento  jurídico,  tem  presunção  de  legitimidade,  legalidade  e  constitucionalidade,  enquanto  não  retirada  do  ordenamento  jurídico,  ou  enquanto  não  houver  suspensão  de  sua  eficácia pelo Poder Judiciário, em caráter erga omes.  Apenas  para  argumentar,  a  jurisprudência  dos  Tribunais  Pátrios,  em  sua  maioria,  admite,  como  legal  e  constitucional,  o  acesso  direto  do  fisco  aos  dados  de  movimentação financeira bancária do contribuinte­correntista, mediante expedição da RMF.  Nesse sentido, cabe trazer à colação precedentes jurisprudenciais do Tribunal  Regional Federal da 4ª Região (TRF/4ª Região), do TRF/3ª Região, e do Superior Tribunal de  Justiça  ­ STJ,  o  qual  é  guardião  da  norma  infraconstitucional,  reconhecendo  a  legalidade  da  legislação de regência do acesso do fisco aos dados de movimentação financeira bancária dos  contribuinte,  mediante  RMF  dirigida  às  instituições  financeiras,  dispensada  autorização  judicial.  Quanto à decisão do TRF/4ª Região,  transcrevo a ementa do Acórdão da 1ª  Turma, de 02/05/2002, verbis:  “TRIBUTÁRIO.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  BANCÁRIAS.  LC  nº  105/01.  PROCEDIMENTO  DE  FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA.   1. A Lei nº 10.174/01, que deu nova redação ao § 3º do art. 11  da  Lei  nº  9.311,  permitindo  o  cruzamento  de  informações  relativas  à  CPMF  para  a  constituição  de  crédito  tributário  pertinente  a  outros  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si,  e  não  os  fatos  econômicos  investigados,  de  forma  que  os  procedimentos  iniciados  ou  em  curso  a  partir  de  janeiro  2001  poderão  valer­se  dessas  informações,  inclusive  para  alcançar  fatos  geradores  pretéritos,  (CTN,  art.  144,  §  1º).  Trata­se  de  aplicação  imediata  da  norma,  não  se  podendo  falar  em  retroatividade.   2. O  art.  6º  da  Lei Complementar  nº  105,  de  10  de  janeiro  de  2001,  regulamentada  pelo  Decreto  nº  3.724/01,  autoriza  a  autoridade  fiscal  a  requisitar  informações  acerca  da  movimentação  financeira  do  contribuinte,  desde  que  já  instaurado  o  procedimento  de  fiscalização  e  o  exame  dos  documentos  seja  indispensáveis  à  instrução,  preservado  o  caráter sigiloso da informação.   3. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para  fins  de  apuração  de  ilícito  fiscal,  não  configura  ofensa  ao  Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 635          31 princípio  da  inviolabilidade  do  sigilo  bancário,  desde  que  cumpridas  as  formalidades  exigidas  pela  Lei  Complementar  nº  105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01” (Ac. 1ª Turma do TRF da 4ª  R  –  mv  –  ag  2002.04.01.003040­0/PR  –  Rel.  Des.  Fed. Maria  Lúcia Luz Leiria –  j  02.05.02  – Agte.:  Joaquim Costa; Agdas.:  União Federal/Fazenda Nacional – DJU 2 05.06.02, p 164.)  No que concerne ao TRF/3ª Região,  transcrevo a seguinte ementa da Sexta  Turma, relatora Juíza Consuelo Yoshida, DJU de 25/11/2002, pág. 603, verbis:  CONSTITUCIONAL  E  TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA. DIREITO À PRIVACIDADE E À  INTIMIDADE.  SIGILO  BANCÁRIO.  QUEBRA.  IRRETOATVIDADE  DA  LEI.  CONSTITUCIONALIDADE.  1. O alegado SIGILO bancário não pode ser interpretado como  direito  absoluto,  desvinculado  de  outras  garantias  constitucionais,  havendo  de  compatibilizar­se,  pois,  com  os  demais princípios, voltados à consecução do interesse público.  2.É  plenamente  legítimo  que  a  AUTORIDADE  competente  (Fisco),  uma  vez  detectados  indícios  de  falhas,  incorreções,  omissões,  ou  de  cometimento  de  ilícito  FISCAL,  requisite  as  informações e documentos de que necessita para consecução de  seu dever legal de constituir crédito tributário.  3. Não há que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade  da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, bem  como  a  Lei  nº  10.174/01  não  criaram  novas  hipóteses  de  incidência,  a albergar  fatos  econômicos pretéritos, mas  apenas  dotaram  a  Administração  Tributária  de  instrumentos  legais  aptos  a  promover  a  agilização  e  o  aperfeiçoamento  dos  procedimentos fiscais.  4.Precedentes desta Turma.  5. Apelação improvida.  Quanto  ao Superior Tribunal  de  Justiça  ­  STJ,  há  vários  precedentes,  cujas  ementas transcrevo a seguir, verbis:  RECURSO ESPECIAL ALÍNEA  'A'. TRIBUTÁRIO. MANDADO  DE SEGURANÇA. PRETENDIDA SUSPENSÃO DOS EFEITOS  DE TERMO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUERIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  AO  CONTRIBUINTE  RELATIVAS  AO  ANO­BASE  DE  1998,  A  PARTIR  DE  DADOS  INFORMADOS  PELOS  BANCOS  À  SECRETARIA  DA  RECEITA  FEDERAL  SOBRE A CPMF. PRETENDIDA COBRANÇA DE CRÉDITOS  RELATIVOS A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01  E  11,  §  3°, DA LEI N.  9.311/96, NA REDAÇÂO DADA PELA  LEI N. 10.174/01. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL.  APLICAÇÃO RETROATIVA. EXEGESE DO ART. 144, § 1°, DO  CTN.  À luz do que dispõe o artigo 144, § 1°, do CTN, infere­se que as  normas tributarias que estabeleçam 'novos critérios de apuração  Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 636          32 ou  processos  de  fiscalização,  ampliando  os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas',  aplicam­se  ao  lançamento  do  tributo,  mesmo  que  relativas  a  fato  gerador  ocorrido antes de sua entrada em vigor.   Diversamente, as normas que descrevem os elementos do tributo,  de natureza material, somente são aplicáveis aos fatos geradores  ocorridos após o  inicio de sua vigência (cf. "Código Tributaria  Nacional Comentado”). Vladmir Passos de Freitas (coord.). São  Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. p. 566).   Nesse contexto, forçoso reconhecer que os dispositivos (arts. 6°  da LC n. 105/01 e 11, § 3°, da Lei n. 9.311/96, na redação dada  pela  lei  n.  10.174/01) que autorizam a utilização dos dados da  CPMP  pelo  Fisco  para  a  apuração  de  eventuais  créditos  tributários  relativos  a  outros  tributos  são  normas  adjetivas  ou  meramente  procedimentais,  acerca  das  quais  não  prevalece  a  irretroatividade defendida pelo v. acórdão da Corte a quo.   É de se observar, tão­somente, o prazo de que dispõe a Fazenda  Nacional para constituição do crédito tributaria. Tanto o art. 6°  da  Lei  Complementar  105/2001,  quanto  o  art.  1°  da  Lei  10.174/2001,  por  ostentarem  natureza  de  normas  tributarias  procedimentais, são submetidas ao regime intertemporal do art.  144,  §  1°  do  Código  Tributário  Nacional,  permitindo  sua  aplicação, utilizando­se de informações obtidas anteriormente à  sua  vigência'  (REsp  506.232/PR,  Relator  Min.  Luiz  Fux,  DJU  16/02/2004). No mesmo sentido: REsp 479.201/SC, Relator Min.  Francisco  Falcão,  DJU  24/05/2004.  Recurso  especial  provido  para  denegar  a  segurança  requerida"  (Segunda  Turma  ­  REsp  505.493/PR, Rei. Min. Franciuili Netto, DJU de 08.11.04);  TRIBUTÁRIO.  NORMAS  DE  CARÁTER  PROCEDIMENTAL  APLICAÇÃO  INTERTEMPORAL.  UTILIZAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA  CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A  OUTROS  TRIBUTOS.  RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART. 144, § 1° DO CTN.  1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao  tempo  dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela  Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que  foi  recepcionada  pelo  art.  192  da  Constituição  Federal  com  força  de  lei  complementar,  ante  a  ausência  de  norma  regulamentadora  desse  dispositivo,  até  o  advento  da  Lei  Complementar 105/2001.  2. O art. 38 da Lei 4.595/64,  revogado pela Lei Complementar  105/2001,  previa  a  possibilidade  de  quebra  do  sigilo  bancário  apenas por decisão judicial.  3.  Com  o  advento  da  Lei  9.311/96,  que  instituiu  a  CPMF,  as  instituições  financeiras  responsáveis  pela  retenção  da  referida  contribuição,  ficaram  obrigadas  a  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal  informações  a  respeito  da  identificação  dos  contribuintes  e  os  valores  globais  das  respectivas  operações  Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 637          33 bancárias,  sendo  vedado,  a  teor  do  que  preceituava  o  §  3°  da  art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para  a constituição de crédito referente a outros tributos.  4.  A  possibilidade  de  quebra  do  sigilo  bancário  também  foi  objeto  de  alteração  legislativa,  levada  a  efeito  pela  Lei  Complementar  105/2001,  cujo  art,  6°  dispõe;  "Art.  6°  As  autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários  da  União,  dos  Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente."  5.  A  teor  do  que  dispõe  o  art.  144,  §  1°  do Código  Tributário  Nacional,  as  leis  tributárias  procedimentais  ou  formais  têm  aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só  alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência.  6.  Norma  que  permite  a  utilização  de  informações  bancárias  para  fins  e  apuração  e  constituição  de  crédito  tributário,  por  envergar  natureza  procedimental,  tem  aplicação  imediata,  alcançando mesmo fatos pretéritos.  7. A  exegese  do  art.  144, §  1°  do Código Tributário Nacional,  considerada  a  natureza  formal  da  norma  que  permite  o  cruzamento  de  dados  referentes  à  arrecadação da CPMF para  fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz  à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei  Complementar  105/2001  e  1°  da  Lei  10.174/2001  ao  ato  de  lançamento  de  tributos  cujo  fato  gerador  se  verificou  em  exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde  que  a  constituição  do  crédito  em  si  não  esteja  alcançada  pela  decadência.  8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios  tributários,  máxime  porque,  enquanto  não  extinto  o  crédito  tributário  a  Autoridade  Fiscal  tem  o  dever  vinculativo  do  lançamento  em  correspondência  ao  direito  de  tributar  da  entidade estatal.  9.  Recurso  Especial  desprovido,  para  manter  o  acórdão  recorrido"  (Primeira Turma  ­ REsp 685.708/ES, Rei. Min. Luiz  Fux, DJU de 20.06.05).  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  DEFICIÊNCIA  RECURSAL.  ALEGAÇÃO  GENÉRICA.  SÚMULA  284/STF.  UTILIZAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  OBTIDAS  A  PARTIR  DA  ARRECADAÇÃO  DA  CPMF  PARA  A  CONSTITUIÇÃO  DE  CRÉDITO  REFERENTE  A  OUTROS  TRIBUTOS.  ARTIGO  6°  DA LC 105/01 E 11, § 3° DA LEI N° 9.311/96, NA REDAÇÂO  DADA  PELA  LEI  N°  10.174/2001.  NORMAS  DE  CARÁTER  PROCEDIMENTAL.  APLICAÇÃO  RETROATIVA.  Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 638          34 POSSIBILIDADE.  INTERPRETAÇÃO  DO  ARTIGO  144,  §  1°  DO CTN.  1.  Não  enseja  conhecimento  a  pretensão  recursal  sem  a  indicação do dispositivo de lei federal tido como violado e sem a  exposição  dos  motivos  pelos  quais  pugna  pela  reforma  do  julgado,  ante  o  disposto  na  Súmula  284  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2. O  artigo  38  da  Lei  n°  4.595/64  que  autorizava  a  quebra  de  sigilo  bancário  somente  por  meio  de  requerimento  judicial  foi  revogado pela Lei Complementar n° 105/2001.  3. A Lei n° 9.311/96  instituiu a CPMF e no § 2° do artigo 11,  determinou  que  as  instituições  financeiras  responsáveis  pela  retenção  dessa  contribuição  prestassem  informações  à  Secretaria  da  Receita  Federai,  especificamente,  sobre  a  identificação  dos  contribuintes  e  os  valores  globais  das  respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3° a  utilização  desses  dados  para  constituição  do  crédito  relativo  a  outras contribuições ou impostos.  4.  A  Lei  10.174/2001  revogou  o  §  3°  do  artigo  11  da  Lei  n°  9.311/91,  permitindo  a  utilização  das  informações  prestadas  para a  instauração de procedimento administrativo­fiscal a  fim  de  possibilitar  a  cobrança  de  eventuais  créditos  tributários  referentes a outros tributos.  5. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de  sigilo  bancário,  foi  veiculada  pela  o  artigo  6°  da  Lei  Complementar 105/2001.  6. O artigo 144, § 1° do CTN prevê que as normas  tributárias  procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário  daquelas  de  natureza  material  que  somente  alcançariam  fatos  geradores ocorridos durante a sua vigência.  7. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF  pelo  Fisco  para  apuração  de  eventuais  créditos  tributários  referentes  a  outros  tributos  são  normas  procedimentais  e  por  essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das  leis,  ou  seja,  incidem  de  imediato,  ainda  que  relativas  a  fato  gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes.  8.  Ressalvado  o  prazo  que  dispõe  a  Fazenda  Nacional  para  a  constituição do crédito tributário.  9.  Recurso  especial  conhecido  em  parte  e  provido.  RECURSO  ESPECIAL  N°  757.956  ­  RS  (2005/0095707­4),  RELATOR:  MINISTRO CASTRO MEIRA, 2ª Turma.  Destarte, a requisição, o acesso e o uso dos dados relativos à movimentação  financeira das contas bancárias do sujeito passsivo, deu­se em consonância com a legislação de  regência. De modo que não há que se cogitar de utilização de prova ilícita. Ou seja, as provas  utilizadas – extratos bancários da Contribuinte – foram obtidas de forma lícita.  Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 639          35 Por  fim,  diversamente  do  alegado  pela  recorrente,  o  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  ainda  não  apreciou  de  forma  definitiva,  pelo  Pleno,  a  constitucionalidade  da  transferência  dos  dados  de  movimentação  financeira  bancária,  diretamente  ao  fisco,  pelas  instituições financeiras, mediante RMF.  Apenas para argumentar, a questão foi levada para Sessão de Julgamento do  Pleno do STF, no dia 20/12/2010.  Ou seja, nessa data, o Pleno do STF se reuniu para julgar, especificamente, o  RE 389.808 –PR contra decisão do TRF/4ª Região.  O  RE  citado  tratava  de  questionamento  da  constitucionalidade  do  repasse  direto  pelos Bancos  de  dados  de movimentação  financeira  de  correntista  ao  Fisco, mediante  RMF (sem autorização judicial).  Quanto ao resultado do julgamento, por maioria de votos dos presentes (5x4),  os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deram provimento ao Recurso Extraordinário  (RE 389.808­PR) em que a empresa GVA Indústria e Comércio S/A questionava o acesso da  Receita  Federal  a  informações  bancárias  da  empresa,  sem  fundamentação  e  sem  autorização  judicial.  Vale  dizer,  restou  decidido  que  somente  autoridades  judiciárias  e  CPI  podem  requisitar  informações  bancárias  às  instituições  financeiras.  Deram  provimento  ao  RE  os  Ministros Marco Aurélio  (relator), Gilmar Mendes, Celso  de Mello, Cezar Peluso  e Ricardo  Lewandowski. Os Ministros Dias Toffoli, Ellen Gracie, Ayres Britto e Cármen Lúcia ficaram  vencidos. Joaquim Barbosa não votou, não estava presente na Sessão, e ainda havia um cargo  vago, na época, em face da aposentadoria do Ministro Eros Grau.  Porém, essa decisão do Pleno do STF não teve caráter erga omnes, pois não  se atingiu a maioria absoluta de votos dos seus membros (CF, art.97 e Lei nº 9868/99, art. 23).  Na sequência, jamais foi possível repetir a mesma bancada para conclusão da votação, em face  de  aposentadoria  de  membro(s)  que  já  havia(m)  votado.  Por  conseguinte,  a  decisão  valeu  apenas para as partes do processo no citado RE.  Portanto,  a  questão  da  constitucionalidade  do  acesso  direto  do  Fisco  aos  dados de movimentação financeria de contribuintes (transferência de dados dos bancos para o  Fisco,  mediate  RFM)  ainda,  oportunamente,  será  enfrentada  pelo  Pleno  do  STF  (pela  nova  composição/formação),  em  face  do  nº  infindável  de  Recursos  Extraordinários  pendentes  de  julgamento que tramitam pela Corte Suprema, e pelo fato da declaração ou reconhecimento do  caráter de repercussão geral à matéria pelo STF (RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo  Lewandowski, submetido ao Pleno e que se encontra pendente de julgamento).  Enquanto isso não ocorrer (julgamento dessa matéria pelo Pleno do STF), a  legislação  de  regência  do  acesso  direto  do  Fisco  aos  dados  de  movimentação  financeria  bancária,  via  RMF,  persiste  vigente,  com  presunção  de  legitimidade,  legalidade  e  constitucionalidade.  Por  tudo  que  foi  exposto,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  suscitada  pela  recorrente.      Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 640          36 ANOS­CALENDÁRIO  2005  E  2006.  RECEITAS CONTABILIZADAS  E NÃO DECLARADAS. RESULTADOS OPERACIONAIS ESCRITURADOS E NÃO  DECLARADOS.  CONTRIBUINTE  OMISSA  DE  DECLARAÇÕES.  OMISSÃO  DE  RECEITAS (ART. 24 DA LEI Nº 9.249/95). PRESUNÇÃO SIMPLES. LANÇAMENTO  DE OFÍCIO DO IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS e COFINS). PEDIDO GENÉRICO DE  PERÍCIA TÉCNICA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PEDIDO REJEITADO.  Aduziu a  recorrente nas  razões do recurso, ainda que superadas as questões  elencadas  quando  às  nulidades  suscitadas,  que  no  mérito  os  autos  de  infração  do  IRPJ  e  reflexos não merecem prosperar quanto à infração em tela, pelo seguinte:  ­  que  o  ato  adminstrativo  de  lançamento  é  privativo  da  autoridade  administrativo­fiscal (CTN, art. 142);  ­  que  compete  à  autoridade  administrativa  identificar,  discriminar,  apurar  todos  os  elementos  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  exação  fiscal  (elemento  material,  quantitativo,  temporal,  espacial, pessoal etc),  com base em elementos de prova de  infração à  legislação tributária;  ­  que  o  ônus  da  prova  incumpre  ao  fisco,  o  qual  acusa,  imputa  infração  tributária;  ­  que,  no  presente  caso,  a  autoridade  administrativa  lavrou  os  autos  de  infração em mera presunção, sem comprovar os elementos que compõem o fato tributário;  ­ que a autoridade administrativa preferiu, ao seu livre talante, em detrimento  da ordem jurídica, adotar “presunção ad hominis”, que nem mesmo é presunção legal;  ­ que não basta a simples “presunção ad hominis” de que houve omissão de  receitas para dar fundamentos aos autos de infração;  ­  que  é  preciso  que  a  fiscalização  apresente  os  elementos  comprobatórios,  seguros, da suposta omissão de receitas;  ­ que o lançamento é arbitrário, inadmissível e ilegal;  ­  que,  na  rara  e  improvável  hipótese  de  serem  superados  os  argumentos  acima, requer a realização da competente prova pericial.  Os argumentos da recorrente não merecem guarida.  Ora,  neste  tópico  a  infração  imputada  Omissão  de  Receitas  (receitas  escrituradas  e  não  declaradas,  resultados  operacionais  escriturados  e  não  declarados),  embora seja omissão simples,  tem como sustentação direta a própria escrituração contábil da  recorrente.   Ou  seja,  para  lançamento  do  IRPJ  e  reflexos  o  Fisco  adotou,  levou  em  consideração,  os  próprios  valores  de  receita  bruta  registrados  pela  contribuinte  em  sua  escrituração contábil, que não foram declarados ao Fisco (contribuinte omissa de DIPJ, DCTF  e inexistência de recolhimentos), ou seja:  Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 641          37 a)  resultados  operacionais  escriturados  e  não  declarados  ao  fisco,  conforme Bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, anos­calendário 2005 e 2006, discriminadas,  especificadas, nos autos de infração dessas exações fiscais . Regime de apuraração: Lucro Real  trimestral;  b)  receitas  escrituradas  e  não  declaradas,  anos­calendário  2005  e  2006  (lançamentos reflexos: PIS e Cofins, regime não­cumulativo). Apuração mensal.  Como já demonstrado, a contribuinte é omissa de declaração, não entregou as  DIPJ  e  as  DCTF  respectivas,  sequer  declarou  ao  Fisco  os  valores  registrados  na  sua  escrituração contábil,  quanto  aos  anos­calendário 2005 e 2006. Por  isso, da  imputação dessa  infração do IRPJ e reflexos.  A contribuinte não pode olvidar, obliterar, o disposto no art. 923 do RIR/99,  que estatui, in verbis:  Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto­Lei nº  1.598, de 1977, art. 9º, §1º).  Ou seja: a escrituração contábil faz prova dos fatos nela registrados, contra e  a favor da contribuinte. Princípio da comunhão das provas.  Conforme  consta  do  Relatório  Fiscal,  a  constribuinte  registrou  na  escrituração contábil nos anos­calendário 2005 e 2006 receita bruta  auferida nos valores de  R$  1.500.293,42  e R$  1.542.322,76,  respecivamente,  e  não  declarou  ao  Fisco  (contribuinte  omissa de declarações) (e­fl. 404), in verbis:  (...)  Da  Apuração  da  Base  de  Cálculo.  Anos­calendário  2005  e  2006: conforme já destacado no parágrafo intitulado Da Análise  da  Movimentação  Bancária  do  TIF  de  04/10/2010,  a  grande  maioria  dos  créditos  bancários  relativos  aos  anos­calendário  2005  e  2006  estavam  devidamente  contabilizados  na  escrituração comercial do contribuinte, entretanto não haviam  sido oferecidos  à  tributação,  constatando­se  assim omissão  de  receitas escrituradas e não declaradas. Foram identificados R$  1.500.293,42,  ano  calendário  2005,  e  R$  1.542.322,76,  ano­ calendário 2006, como omissões de receitas e referidos valores  estão informados no Demonstrativo de Omissão de Receitas com  Base em Receitas Contabilizadas e não Declaradas (fl. 305) e no  Demonstrativo  de  Apuração  do  Lucro  Contábil  —  Base  de  Cálculo para Lançamento de Oficio do IRPJ e CSLL (fl. 306) —  enquadramento  legal Decreto  n° 3.000/99,  arts.  249,  250,  279,  280, 288 e 926.  (...)  Demonstrativo das receitas escrituradas e não declaradas dos anos­ calendário  2005 2006, objeto do auto de infração, consta do demonstrativo do auto de infração (e­fl. 325)  e da fl. 305 (ou seja, e­fl. 311).  Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 642          38 Como a contribuinte registrou em sua escritruração contábil a receita bruta  objeto  das  infrações  (IRPJ  e  reflexos  dos  anos­calendário  2005  e  2006)  e  não  declarou  ao  Fisco, pois é omissa de declarações  (DIPJ, DCTF ) e  também inexiste pagamento desses PA  até a data de ciência do Termo de Início de Fiscalização, tornou­se necessário o lançamento de  ofício para constituir o crédito tributário respectivo, para salvá­lo da decadência e exigi­lo na  forma da legislação de regência.  A  receita  receita  bruta  operacional  escriturada  e  não  declarada  foi  extraída  dos balancetes –  escrituração contábil,  entregue em meio digital,  e cópias  foram  impressas e  juntadas aos autos  (e­fls. 234/405), ou seja, a  contribuinte,  foi  intimada a apresentar o Livro  Razão, apresentou a escrituração comercial em 03/09/2010, mediante entrega, em meio digital,  no  formato Manad  (IN MPS/SRP n° 12/2006), do período compreendido entre 01/01/2005 e  31/12/2007.  Nesse  sentido,  consta  do  Relatório  Fiscal  quanto  à  escrituração  contábil  juntada aos autos dos anos­calendário 2005, 2006 2007 (e­fl. 403):  (...)  Da  Escrituração  Comercial:  foram  juntados  os  Recibos  de  Entrega de Arquivos Digitais gerados pelo Sistema de Validação  e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) (fls. 228 a 237).  Cópia do CD contendo os arquivos digitais no formato Manad,  anos­calendário 2005, 2006 e 2007 está em anexo (fl. 238).   Também foram juntados os relatórios com os saldos das contas  que  deram  embasamento  às  bases  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições objeto do lançamento de ofício (fls. 239 a 289).  Das Constatações Relativas ao TIF de 04/10/2010:  (...)  2) em razão da falta de apresentação da escrituração comercial  de  períodos  anteriores  em  que  teriam  sido  gerados  prejuízos  fiscais,  não  serão  aceitos os  prejuízos  contábeis,  indicados  nas  cópias do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultado  do  Exercício  do  ano  de  2004,  para  fins  de  compensação  em  exercícios posteriores;  3)  em  razão  da  falta  de  apresentação  do  Lalur,  a  base  de  cálculo  do  Imposto de Renda da Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido  (CSLL)  considerará,  para  os  anos­calendário  2005  e  2006,  o  lucro  contábil apurado pela fiscalização;   4)  em  razão  da  não  apresentação  do  Dacon,  os  eventuais  créditos  relativos  ao  PIS  e  a  Cofins,  apuráveis  segundo  a  sistemática  da  não­cumulatividade,  não  serão  aproveitados.  Dessa forma, a base de cálculo das contribuições será a receita  escriturada  deduzidas  das  devoluções  e  abatimentos  incondicionais concedidos;   Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 643          39 5)  em  relação  à  falta  de  apresentação do  livro  do  ICMS  e das  Gias, esta fiscalização entende que os valores de R$ 29.808,43,  ano 2005, e R$ 16.776,64, ano 2006, informados como despesas  com tributos estaduais na escrita comercial, são procedentes em  razão  da  atividade  do  contribuinte  e  da  receita  bruta.  Assim,  dada  também  pela  irrelevância  dos  valores  se  comparado  aos  montantes  apurados  de  omissão  de  receitas,  as  despesas  com  ICMS  serão  consideradas  na  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ e da CSLL;   6)  em  relação  à  apresentação  do  recibo  dos  arquivos  digitais,  esta fiscalização confirma a apresentação dos mesmos;   7)  em  relação  àss  justificativas  extras  apresentadas  pelo  contribuinte de que a empresa sempre elaborou sua escrituração  fisco­contábil  de  acordo  com  as  regras  do  Simples,  esta  fiscalização  observou  que  nenhuma  escrituração  relacionada  a  esse regime foi apresentada (no caso o livro caixa), também não  houve  qualquer  recolhimento  referente  ao  período  fiscalizado,  além  de  o  contribuinte  se  manter  omisso  na  entrega  das  declarações da pessoa jurídica.   (...)  Como  visto,  os  valores  tributáveis  foram  extraídos  da  própria  escrituração  contábil da contribuinte (contribuinte omissa de declarações).  Vale dizer, os fatos registrados na escrituração contábil, no caso, fazem prova  direta das infrações imputadas (RIR/99, art. 923).  É  verdade,  trata–se  de  omissão  simples  (sim!),  mas  cuja  prova  direta  da  infração imputada Omissão de Receitas é a própria escrituração contábil da recorrente (omissão  simples ­ art. 288 do RIR/99, cuja base legal é o art. 24 da Lei 9.249/95).   A  prova  da  infração,  como  dito,  é  a  própria  escrituração  contábil  da  recorrente, pois estas  infrações abarcam as receitas registradas, escrituradas e não declaradas,  bem  como  os  resultados  apurados  (lucro  contábil),  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL. Os  demonstrativos ­resumo (planilhas da apuração) do lucro contábil, das bases de cálculo do IRPJ  e  da  CSLL,  a  partir  das  receitas  escrituradas  e  não  declaradas,  bem  como  as  receitas  escrituradas  e  não  declaradas,  constam  nas  planilhas  e­fls.  311/312,  e  também  constam  dos  respectivos autos de infação.  As bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da CSLL dos anos­calendário 2005  e 2006, inclusive, estão transcritas no relatório, a partir do demonstrativo (e­fl. 312).  Da mesma forma, as receitas escrituradas, registradas na escrituração contábil  dos  anos­calendário  2005  e  2006  e  não  declaradas  ao  Fisco,  estão,  também,  transcritas  no  relatório, a partir do demonstrativo (e­fl. 311).  Para apuração das bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da base de cálculo  da  CSLL,  em  face  de  contribuinte  omissa  de  declarações,  o  Fisco  adotou  o  lucro  contábil  trimestral dos anos­calendário 2005 e 2006, conforme explicado, narrado no Relatório Fiscal, o  qual é parte integrante do lançamento fiscal, que nessa parte transcrevo, outra vez (e­fl. 403):  Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 644          40 (...)  3) em razão da falta de apresentação do Lalur, a base de cálculo  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) considerará,  para os anos­calendário 2005 e 2006, o lucro contábil apurado  pela fiscalização;   (...)  Diversamente  do  alegado  pela  recorrente,  na  apuração  do  Lucro  Contábil  trimestral,  a  partir  da  receita  bruta,  foram  aproveitadas,  consideradas,  deduzidas  as  despesas de tributos incidentes sobre as vendas (ICMS, PIS, Cofins), custo dos produtos  vendidos  (CMV)  e  despesas  operacionais,  conforme  planilha  (fl.  306  ou  e­fl.  312),  que  transcrevo a seguir:  Contas       1º Trim./ 2005  1º Trim./ 2006  2º Trim./ 2006  3º Trim./ 2006  4º Trim./ 2006    Receitas  Operacionais  R$ 352.501,70  R$ 398.256,49  R$ 362.065.62  R$ 465.481,26  R$ 316.519,39  ( )  Descontos e  Abatim.Incondici onais  ­  ­  ­  ­  ­   (­)  PIS incidente  sobre vendas  R$ 5.816,28  R$ 6.571,23  R$ 5.974,08  R$ 7.680,44  R$ 5.222,57  (­)  Cofins incidente  sobre vendas  R$ 26.790.13  R$ 30.267.49  R$ 27.516,99  R$ 35.376,58  R$24.055.47  ﴾ ­ ﴿   ICMS incidente  sobre vendas  R$ 4.549,51  R$ 4.515,88  R$ 3.909,36  R$ 4.606,19  R$ 3.745,21  ﴾ = ﴿   Receita Líquida  de Vendas  R$315.345,78  R$356.901,88  R$324.665.19  R$417.818,05  R$283.496,14  ﴾ ­   ﴿   Custo dos  Produtos e  Serviços  R$205.490,28  R$194.348,25  R$178.966,59  R$206.218,23  R$132.914,65  ﴾ = ﴿   Lucro Bruto  R$109.855,50  R$162.553,63  R$145.698,60  R$211.599,82  R$150.581,49  ﴾ ­ ﴿   Despesas  Operacionais  R$109.654,22  R$ 95.385.24.  R$105.694.15  R$138.071,70  R$95.496.90  ﴾ _ ﴿   Resultados não  Operacionais  ­  ­  ­  ­  ­  ﴾ = ﴿   Lucro Antes do  IRPJ e CSLL  R$ 201,28  R$ 67.168,39  R$ 40.004,45  R$ 73.528.12  R$55.084,59  ﴾ ­ ﴿   Prejuízo  Contábil Anterior  ­  R$ 49.149,93  ­      ﴾ = ﴿   Base de Cálculo  do IRPJ e da  CSLL  R$ 201,28  R$ 18.018,46  R$ 40.004.45  R$ 73.528.12  R$ 55.084,59    Por  sua  vez,  em  relação  às  contribuições  (PIS  e  Cofins),  regime  não­ cumulativo,  não  foram  aproveitados  créditos  pela  falta  de DACON  (contribuinte  omissa  de  DACON),  conforme  explicado,  narrado  no  Relatório  Fiscal,  o  qual  é  parte  integrante  do  lançamento fiscal, que nessa parte transcrevo, outra vez (e­fl. 403):  (...)  Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 645          41 4)  em  razão  da  não  apresentação  do  Dacon,  os  eventuais  créditos  relativos  ao  PIS  e  a  Cofins,  apuráveis  segundo  a  sistemática  da  não­cumulatividade,  não  serão  aproveitados.  Dessa forma, a base de cálculo das contribuições será a receita  escriturada  deduzidas  das  devoluções  e  abatimentos  incondicionais concedidos;   (...)  Vale  dizer,  em  face  da  inexistência  de  DACON  (contribuinte  omissa  de  DACON) a  recorrente não comprovou a existência de  eventuais de  créditos  de PIS e Cofins  contra o Fisco, para dedução dos valores lançados de ofício. Logo, improcedente a reclamação  da recorrente de que a fiscalização, sem razão, não teria dado crédito dessas exações fiscais. A  contribuinte  não  formalizou  créditos  de  PIS  e  Cofins,  pois  é  omissa  de  DACON.  Não  comprovou a existência de eventuais créditos de PIS e Cofins.  Reiterando: por  ser omissa de declarações,  a  contribuinte não  comprovou a  existência de supostos créditos, pois não entregou os DACON.  Em  momento  algum,  a  contribuinte  comprovou  a  existência  de  eventuais  créditos  de PIS  e Cofins  dos  anos­calendário  2005  e  2006 para  aproveitamento/dedução  das  contribuibuições  lançadas  de  ofício  (PIS  e  Cofins)  quanto  à  infração  omissão  de  receitas  (receitas  escrituradas  e  não  declaradas),  seja  na  fase  pré­processual  (procedimento  de  fiscalização), seja na fase processual (na primeira instância e nesta instância recursal), pois não  apresentou o DACON (documento de formalização de créditos de PIS e Cofins contra o Fisco).  Ainda em relação às contribuições (PIS e Cofins), a recorrente alegou que o  Fisco  não  subtraiu  da  receita  bruta  a parcela  do  ICMS;  que no RE nº  240.785­2  o Supremo  Tribunal Federal ­ STF, por maioria de votos, declarou a inconstitucionalidade da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins.  A  questão  da  parcela  do  ICMS  é  matéria  de  direito,  pois  a  legislação  de  regência do PIS e da Cofins não prevê a pretendida exclusão.  Pois bem.  A propósito, quanto ao ICMS, no dia 08/10/2014, foi concluído no Supremo  Tribunal Federal (STF) o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 240785­MG, no qual se  discutiu  a  constitucionalidade  da  inclusão  do  valor  do  Imposto  sobre  Circulação  de  Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social  (Cofins). Os Ministros, por maioria, deram provimento ao recurso de uma  empresa do setor de autopeças de Minas Gerais, garantindo a redução do valor cobrado a título  de Cofins.   Divergência:  Em  seu  voto­vista  proferido  na  sessão  de  08/10/2014,  o  Ministro  Gilmar  Mendes foi favorável à manutenção do ICMS na base de cálculo da Cofins, acompanhando a  divergência aberta pelo Ministro Eros Grau (aposentado). No entendimento do Ministro Gilmar  Mendes,  o  conceito  de  receita  bruta  ou  faturamento  é  o  total  recebido  pelo  contribuinte  nas  vendas de bens e serviços, e as exceções a essa regra devem estar previstas na legislação.  Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 646          42 Ao  contrário  dos  tributos  sobre  receita  líquida,  como  o  Imposto  de Renda,  que suporta deduções, os impostos sobre faturamento ou receita bruta não possuem exclusões.  “A  exclusão  da  base  de  cálculo  sem  previsão  normativa  constitui  ruptura  no  sistema  da Cofins.  Se  excluída a  importância do  ICMS, porque não  retirar o  Imposto Sobre Serviços  (ISS),  do  Imposto de  Renda  (IR),  do  Imposto  de  Importação  (II),  Imposto  de  Exportação  (IE),  taxas  de  fiscalização,  do  Programa de Integração Social (PIS), da taxa do Ibama, da base de cálculo da Cofins?”, indagou o  Ministro.  “Incentivar engenharias  jurídicas  só desonera o contribuinte no curto prazo, e só  incentiva  o Estado  a  criar  novos  tributos. Ou  alguém  duvida  que  a  exclusão  levará  ao  aumento  de  alíquota para fazer frente às despesas”, afirmou.  De qualquer  forma,  a  citada decisão do STF,  em sede RE,  sem  efeito  erga  omnes,  não  beneficia  a  recorrente  nos  presentes  autos  do  processo  administrativo  tributário,  pois vale apenas para as partes envolvidas naquele processo judicial; não beneficia a recorrente  neste processo administrativo, pois não é parte daquele processo no STF.  Desta forma, persiste vigente a legislação de regência do PIS e da Cofins, que  não prevê a exclusão da parcela do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins.  Ou seja: não há previsão legal para exclusão do ICMS da base de cálculo do  PIS e da Cofins.  Portanto, incabíve a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da CSLL  dos anos­calendário 2005 e 2006, em relação às receitas registradas na escrituração contábil e  não  declaradas  ao  Fisco,  pois  a  legislação  de  regência  persiste  vigente,  com  presunção  de  legitimidade e constitucionalidade em relação aos citados anos­calendário objeto dos autos.  Por fim, deve­se, ademais, rechaçar peremptoriamente o pedido genérico de  perícia técnica da escrituração contábil.  A autoridade fiscal já examinou a escrituração contábil da recorrente, quando  do  procedimento  de  fiscalização.  As  provas  da  escrituração  contábil,  que  comprovam  a  omissão de receitas, já constam dos autos.  Quanto  a  eventual  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  direito  constitutivo do fisco, o ônus da prova incumbe ao sujeito passivo (PAF, arts. 15 e 16, e CPC,  art. 333, II).  Neste caso, considera­se inexistente o pedido de perícia técnica (mero pedido  genérico),  pois  não  atendeu  aos  ditames  do  art.  16,  IV,  do Decreto  70.235/72. Aplicação  da  inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal.  Apenas para argumentar, a diligência/perícia contábil não pode ser utilizada  para substituir atividade probatória cujo ônus é do sujeito passivo.  Os precedentes deste Conselho Administativo são pacíficos nesse sentido.       Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 647          43 A propósito, transcrevo ementas de Acórdãos do CARF, in verbis:  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR..  PROVA  PERICIAL.  INDEFERIMENTO.  De  conformidade  com  o  artigo  29  do  Decreto  n°  70.235/72,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  diligência  que  entender  necessária.  A  produção  de  prova  pericial  deve  ser  indeferida  se  desnecessária  e/ou protelatoria,  com arrimo no § 2°,  do artigo  38,  da  Lei  n°  9.784/99,  ou  quando  deixar  de  atender  aos  requisitos  constantes  no  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto  n°  70.235/72. (Acórdão nº 206­01.462, sessão de 09/10/2008).  PEDIDO  DE  PERÍCIA.  INDEFERIMENTO.  Não  constitui  cerceamento do direito de defesa o  indeferimento do pedido de  diligência  considerada  desnecessária,  prescindível  e  formulado  sem  atendimento  aos  requisitos  do  art.  16,  IV,  do  Decreto  n°  70.235/72.(Acórdão nº 102­49.407, sessão de 06/11/2008).  PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. A admissibilidade  de  diligência  ou  perícia,  por  não  se  constituir  em  direito  do  autuado,  depende  do  livre  convencimento  da  autoridade  julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como  tal  dispensar  quando  entender  desnecessárias  ao  deslinde  da  questão.  Ademais,  tem­se  como  não  formulado  o  pedido  de  perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art.  16  do  Decreto  n°  70.235/72,  principalmente  quando  este  se  revela  prescindível.  (Acordão  nº  193­00.018,  sessão  de  13/10/2008).  PEDIDO  DE  PERÍCIA  PRESCINDIBILIDADE  INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de  convicção necessários à adequada  solução da  lide,  indefere­se,  por prescindível,  o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº  105­15.978, sessão de 20/07/2006).  DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indefere­se o pedido de diligência  ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que  o recorrente deveria produzir em sua defesa,  juntamente com a  peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o  mesmo  poderia  trazê­las  aos  autos,  se  de  fato  existissem.(Acórdão nº 102­48.141, de 25/01/2007).  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA.  Deve  ser  indeferido  pedido  de  diligencia quando prescindível, a  teor do art. 18 do Decreto nº  70.235/72. (Acórdão nº 201­80.294, sessão de 23/05/2007).  PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser  indeferido o pedido  de  perícia,  quando  o  exame  de  um  técnico  é  desnecessário  à  solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil  e  aos  argumentos  jurídicos  ordinariamente  compreendidos  na  esfera do  saber do  julgador.(Acórdão nº 102­22.937,  sessão de  28/03/2007).  Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 648          44 DILIGÊNCIA  E  PERÍCIA.  NEGATIVA.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.É  incabível  a  realização  de  diligência  ou  perícia  para  responder  a  quesitos  de  natureza  legal,  cujo  conhecimento  seja  elementar  ou  que  se  refiram  a  prova  passível  de  produção  unilateral  pelo  contribuinte.(Ac.  3302­01.280,  sessão  de  09/11/2011,  Relator  José  Antonio  Franciso).  PEDIDO  DE  PERÍCIA  TÉCNICA  CONTÁBIL.  MEIO  DE  PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de  perícia  técnica,  para  análise  de  dados  que  integram  a  escrituração  contábil  e  já  presentes  nos  autos,  demonstra  intenção protelatória  e  não  caracteriza  cerceamento  do  direito  de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para  formar  sua  convicção  devidamente  motivada,  podendo  deferir  perícias  quando  entendê­las  necessárias,  ou  indeferir  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  sem  que  isto  configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova  especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode  ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso  não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac.  nº 1802­001.006, sessão de 17/10/2011).  ASSUNTO:PERÍCIA/DILIGÊNCIA– PRESCINDIBILIDADE  –  A  perícia  se  reserva  à  elucidação  de  pontos  duvidosos  que  requeiram  conhecimentos  especializados  para  deslinde  do  litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado  pela  juntada  de  documentos  (Acórdão  CSRF­  107.05­810,  Relatora Karem Jureidini Dias).  PROTESTO  GENÉRICO  PELA  JUNTADA  DE  DOCUMENTOS.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA  E/OU  PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Indefere­se  o  pedido  de  diligência  e/ou  perícia,  quando  a  documentação  constante  dos  autos  revela­se  suficiente  para  formação  da  convicção  do  julgador  e  consequente  solução  do  litígio,  e  quando  visa  à  produção  de  provas  cujo  ônus  é  do  contribuinte.  (Acórdão  nº  2801­01.866,  sessão  de  28/09/2011,  Relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães).  IMPUGNAÇÃO.PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO  DE PROVA. INADMISSIBILIDADE.   As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a  impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se  fundamentar, mencionando,  ainda,  os  argumentos  pertinentes  e  as  provas  que  o  reclamante  julgar  relevantes.  Assim,  não  se  configurando  nenhuma  das  hipóteses  do  §  4°  do  art.  16  do  Decreto  70.235/72,  não  poderá  ser  acatado  o  pedido  genérico  pela  produção  posterior  de  prova.  (Acórdão  nº  302­39.633,  sessão  de  08/07/2008,  Relatora  Judith  Amaral  Marcondes  Armando).    Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 649          45 PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA.  É  inadmissível  o  pleito  genérico  para  produção  posterior  de  provas  ou  perícias.(Acórdão  nº  303–34.568,  sessão  de  15/08/2007, Relator Sílvio Marcos Barcelos Fiúza).  IMPUGNAÇÃO.  PROTESTO  GENÉRICO  PELA  PRODUÇÃO DE PROVA.  INADMISSIBILIDADE. As  regras  do  Processo  Administrativo  Fiscal  estabelecem  que  a  impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se  fundamentar, mencionando,  ainda,  os  argumentos  pertinentes  e  as  provas  que  o  reclamante  julgar  relevantes.  Assim,  não  se  configurando  nenhuma  das  hipóteses  do  §  4°  do  art.  16  do  Decreto  70.235/72,  não  poderá  ser  acatado  o  pedido  genérico  pela  produção  posterior  de  prova.  (Acórdão  nº  303­34.397,  sessão de 12/06/2007, Relatora Anelise Daudt Prieto)  Portanto,  deve  ser mantida  o  IRPJ  e  reflexos  (CSLL,  PIS  e  Cofins),  anos­ calendário  2005  e  2006  acerca  da  omissão  de  receitas  (receitas  escrituradas  e  não  declaradas, resultados operacionais escriturados e não declarados). Não merece  reparo  a  decisão recorrida.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS – OMISSÃO DE RECEITAS (ART. 42 DA  LEI  9.430/96).  PRESUNÇÃO  LEGAL.  INVERSÃO  DO  ÔNUS  DA  PROVA.ANOS­ CALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007.  O fisco imputou as seguintes infrações:  a) depósitos bancários não registrados na escrituração contábil –  (art. 42 da  Lei  9.430/96)  –  anos­calendário  2005  e  2006.  Omissão  de  receitas.  Lucro  Real  trimestral  (IRPJ e reflexo – CSLL). PIS e Cofins, regime não­cumulativo (reflexos) – Apuração mensal;  b) depósitos bancários de origem não comprovada (art. 288 do RIR/99, base  legal  art.  42  da  Lei  9.430/96).  Omissão  de  receitas.  Ano­calendário  2007.  Escrituração  contábil imprestável. IRPJ e reflexo CSLL – Lucro Arbitrado (que é trimestral). PIS e Cofins,  regime cumulativo (reflexos) – Apuração mensal.  A recorrente, por sua vez, nas razões do recurso, objetou:  ­ que para apurar renda (disponibilidade econômica ou jurídica), nos termos  do art. 43 do CTN, é preciso confrontar receitas, custo e despesas;  ­ que o fisco, no caso, não tratou das despesas;  ­ que isso torna inconsiste o lançamento fiscal;  ­ que, no outro giro, o lançamento com base em extratos bancários vem sendo  rechaçado pela jurisprudência;   ­  que  os  valores  indicados  nos  extratos  bancários  correspondem,  sempre,  à  movimentação de dinheiro, e não à renda;  ­ que, nesse sentido, menciona a vetusta Súmula 182 do extinto TFR;  Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 650          46 ­ que, como a disponibilidade econômica ou jurídica de renda deve ser efetiva  (art. 43 do CTN), não há margem para manutenção do lançamento fiscal.  Carecem  de  plausibilidade  fático­jurídicas  os  argumentos  expendidos  pela  recorrente.  Diversamente  do  alegado  pela  recorrente,  as  despesas  e  custos  já  foram  aproveitados  e  confrontados  na  apuração  do  lucro  contábil,  quando  da  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  dos  anos­calendário  2005  e  2006,  em  relação  às  receitas  contabilizadas  e  não  declaradas,  matéria  já  enfrentada  no  tópico  anterior.  Ainda,  vide  demonstrativo de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anos­calendário 2005  e 2006 sobre as receitas escrituradas e não declaradas (e­fl. 312).  Quanto  às  infrações  imputadas  –  omissão  de  receitas  ­  depósitos  bancários  não escriturados e de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/96), cabe transcrever a  narrativa dos fatos constante do Relatório Fiscal, parte integrante dos autos de infração (e­fls.  404/405), in verbis:  (...)  Da  Apuração  da  Base  de  Cálculo  Anos­calendário  2005  e  2006:   (...)  Os  créditos  bancários  não  comprovados,  nos  valores  de  R$  5.599,72, ano­calendário 2005, e R$ 37.150,99, ano­ calendário  2006,  representam  omissão  de  receitas  e  estão  informados  no  Demonstrativo  de  Omissão  de  Receitas  com  Base  em Créditos  Bancários  cuja Origem, Correta Contabilização  e Submissão  á  Tributação  não  Foram  Comprovadas  (fl.  307)  e  no  Demonstrativo  de  Omissão  de  Receitas  com  Base  em Créditos  Bancários  cuja Origem, Correta Contabilização  e Submissão  à  Tributação não Foram Comprovadas — Totalização Mensal (fl.  315)  —enquadramento  legal  Decreto  n°  3.000/99,  arts.  249,  inciso II, 251 e parágrafo único), 279, 282, 287, 288, 849 e 926,  Lei n° 9.249/95, art. 24; Lei n° 9.430/96, art. 42.  Da  Apuração  da  Base  de  Cálculo  Ano­calendário  2007:  os  créditos  bancários  relativos  ao  ano­calendário  2007,  que  não  foram  comprovados,  somaram  R$  566.529,80  e  representam  omissão  de  receitas  com  fundamento  no  Decreto  n°  3.000/99,  art.  849.  Os  valores  individualizados  e  a  totalizaçâo  mensal  estão informados no Demonstrativo de Omissão de Receitas com  Base  em  Créditos  Bancários  cuja  Origem,  Correta  Contabilizagão  e  Submissão  à  Tributação  não  Foram  Comprovadas (fl. 307 a 314) e no Demonstrativo de Omissão de  Receitas com Base em Créditos Bancários cuja Origem. Correta  Contabilização  e  Submissão  à  Tributação  não  Foram  Comprovadas — Totalização Mensal (fl. 315) — enquadramento  legal Decreto n° 3.000/99 arts. 532, 537, 849 e 926.  (...)  Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 651          47 Quanto ao ano­calendário 2007 não há que se falar em despesas ou custos a  confrontar  com  as  receitas,  pois  houve  o  arbitramento  do  lucro,  em  face  da  escrituração  contábil imprestável, conforme já narrado no relatório.  Quanto  aos  depósitos  bancários  a  crédito  nas  contas  correntes  bancárias  da  recorrente  nos  anos­calendário  2005,  2006  e  2007,  não  escriturados  e  de  origem  não  comprovada, diversamente do seu entendimento, o fisco, por presunção legal, pode imputar e  imputou  a  infração Omissão  de  Receitas  Depósitos  Bancários  de  Origem Não  Comprovada  (Lei nº 9.430/96, art. 42).  O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim,  pois o  art.  42 da Lei nº 9.430/96 encerra uma presunção  legal  relativa,  que  tem a  função de  inverter o ônus probatório.  No  caso  de  presunção  legal,  o  ônus  probatório,  por  conseguinte,  não  é  de  quem acusa ou imputa a infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova de que  não ocorreu a omissão de receitas.  Para fisco compete, apenas, comprovar a existência de depósitos bancários de  origem não comprovada e não escriturados, com lastro em extratos bancários (prova indiciária)  para presumir, imputar a infração omissão de receitas.  Vale  dizer,  o  fisco  pode  presumir  a  omissão  de  receitas  (com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada),  quando  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove  através  de  documentos  hábeis  e  idôneos  a  origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas  bancárias,  uma vez  que  não mais  se  aplica  a  vetusta Súmula  182  do  extinto Tribunal Federal de Recursos.  Isso  porque  existem  duas  realidades  distintas  no  que  se  refere  ao  uso  da  movimentação  financeira  bancária  para  a  caracterização  da  omissão  de  receitas,  sendo  uma  com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a  outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Vejamos:  Lei n° 8.021/1990   "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados  em lei, far­se­á arbitrando­se os rendimentos com base na renda  presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza.  (...)  §  5º  O  arbitramento  poderá  ainda  ser  efetuado  com  base  em  depósitos  ou  aplicações  realizadas  junto  a  instituições  financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos  recursos utilizados nessas operações."[revogado]   Lei n° 9.430/1996   "Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantido  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 652          48 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Com base nos dispositivos acima transcritos, verifica­se que o que distingue  uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, a  existência  de  depósitos  não  escriturados  ou  de  origem  não  comprovada  tornou­se  uma  nova  hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já existentes  no  ordenamento  jurídico,  sendo  que,  a  partir  daí,  atenuou­se  a  carga  probatória  atribuída  ao  fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de  origem não  comprovada, mediante  extratos  bancários,  para  satisfazer  o  onus  probandi  a  seu  cargo.  Antes,  tal  previsão  legal  para  depósitos  bancários  inexistia  e,  com  isso,  o  fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas  constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal,  entre  tais  depósitos  e  alguma  exteriorização  de  riqueza,  renda  consumida  e/ou  operação  concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas.  O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária  mantida  ao  largo  da  escrituração  contábil  da  empresa  ou  sem  comprovação  da  origem,  presume­se realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se  aplicando,  portanto,  o  entendimento  exarado  na  Súmula  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos.  Para  fatos  geradores  a  partir  de  1°/01/1997,  no  tocante  à  omissão  de  rendimentos/receitas  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  tem  vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196.  Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica  inversão do ônus da prova.  O  ônus  da  prova  de  que  não  houve  omissão  de  receitas/rendimentos  é  da  contribuinte.  Não há que se falar em necessidade de sinais exteriores de riqueza ou prova  do  consumo  da  renda  para  tributar  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  contribuinte,  conforme  matéria  já  sumulada  por  este  Egrégio  Conselho  Administrativo,  in  verbis:  Súmula CARF nº 26:  A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa  o Fisco  de  comprovar  o  consumo da  renda  representada pelos  depósitos bancários sem origem comprovada.  Como  demonstrado,  o  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada  é  rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal.  Esse  entendimento  encontra­se,  também,  pacificado  no  âmbito  deste  Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos  Fiscais, cujos precedentes trascrevo algumas ementas:  Fl. 652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 653          49 ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ.  Exercício:  2001,  2002,  2003,  2004,  2005  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.  Caracterizam  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição  financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.(Acórdão  nº  108­09.836,  sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo  Verçoza).  ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano­ calendário:2002  a  2004.  Ementa:  IRPJ  —  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  —  OMISSÃO  DE  RECEITAS  PRESUNÇÃO  LEGAL  Caracterizam  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  fisica  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprova, mediante documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.(Acórdão nº 101­97.116, sessão de 05 de fevereiro de  2009, Relator Valmir Sandri).  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE  —  SIMPLES  Exercício:  2003,  2004.  Ementa:  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA—PROCEDÊNCIA.  Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações.  ÔNUS  DA  PROVA  PRESUNÇÃO  LEGAL.  Em  se  tratando  de  presunção  legal,  cabe  ao Fisco  a  prova  do  fato  indiciário.  Ao  contribuinte  incumbe provar que o  fato  indiciário não  leva, em  seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode  ser  transferido  pelo  contribuinte  à  Administração  Tributária.(Acórdão nº 105­17.369, sessão de 17 de dezembro de  2008, Relator Waldir Veiga Rocha).  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  IRPF.  Exercício.  2000,  2001,  2002.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTO.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ARTIGO  42  DA  LEI  N°  9.430,  DE 1996.  A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  autoriza  o  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  sujeito  passivo.  Fl. 653DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 654          50 ÔNUS DA PROVA.  Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe  a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar  seus depósitos bancários.(Acórdão nº 102­49.393,  sessão de 06  de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura).  Assunto:  SIMPLES  NACIONAL.  EXERCÍCIO:  2004,  2005  Ementa:  PRESUNÇÃO  LEGAL.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  COMPROVAÇÃO  DE  ORIGEM.  INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42,  DA LEI N°. 9.430, DE 1996.  Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.  PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As  presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão­somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos  não  ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 195­ 00.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso  Benicio Junior).  OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS:  Caracteriza­se como omissão de  receita os depósitos bancários  feitos  em  nome  de  interposta  pessoa  quando  as  pessoas  envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em  renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita  declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas  contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da  prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC.  CSRF  nº  0105.643,  sessão  de  27  de  março  de  2007,  Redator  designado José Cóvis Alves).  Por fim, apenas a  título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da  Lei  n°  9.430/96,  que  presume  como  rendimento  omitido  os  valores  creditados  em  conta  de  depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os  arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda e a Constituição Federal.  Porém,  eventual  antinomia  entre  as  normas  citadas  somente  poderia  ser  resolvida no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário,  falecendo competência ao CARF para tanto, conforme máteria já sumulada:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Fl. 654DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 655          51 Na  fase  de  fiscalização,  como  já  demonstrado,  a  contribuinte,  embora  intimada diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desemcumbiu  desse ônus probatório para elidir a omissão de receitas.  Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta  fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas para lastrear suas alegações.  Portanto,  devem  ser  mantidas  as  infrações  imputadas  “OMISSÃO  DE  RECEITAS–  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  ESCRITURADOS  E  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA quanto aos AC 2005, 2006 e 2007.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  ESCRITURADOS  E  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  LANÇAMENTOS REFLEXOS. ANOS­CALENDÁRIO 2005, 2006 E 2007.  A recorrente, nas razões do recurso, alegou que:  a) a presunção legal (art. 42 da Lei 9.430/96) aplica­se apenas em relação ao  IRPJ, e não aos reflexos (CSLL, PIS e Cofins);  b) que falta previsão legal para lançamento e exigência dos citados reflexos  com base na presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96, para os anos­ calendário 2005, 2006 e 2007.  c) que a previsão legal para exigência da CSLL, PIS e Cofins, por presunção  legal  (art.  42 da Lei 9.430/06),  passou a existir  somente  a partir  da edição da Lei 11.941/09  (MP 449/2008), art. 26 (incluiu o § 8º ao art. 33 da Lei 8.212/91) e art. 29 (alterou o § 2º do art.  24 da Lei 9.249/95, incluiu contribuições previdenciárias).  A decisão recorrida, no voto condutor, assim enfrentou a questão (e­fl. 497):  (...)  Alegou que o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 somente permite a  presunção  para  efeitos  de  apuração  de  eventual  omissão  de  renda e a conseqüente apuração do imposto sobre a renda, não  podendo ser estendida para a tributação do PIS, da COFINS, da  CSLL, por falta de previsão legal, o que aconteceu somente com  a MP 449, de 03 de dezembro de 2008, em seus artigos 24 e 27.  Não procede a argumentação da impugnante porquanto o art. 42  da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece que os depósitos bancários  para  os  quais  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove  a  origem dos  recursos  depositados  são  considerados  receita omitida e, de acordo com o §2º do art. 24 da Lei nº 9.249,  de  1995,  o  valor  da  receita  omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento  da  contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a  seguridade  social  ­  COFINS  e  da  contribuição  para  os  Programas de  Integração Social e de Formação do Patrimônio  do Servidor Público ­ PIS/PASEP.  (...)  Fl. 655DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 656          52 Não merecem guarida as alegações da recorrente.  Contribuições  sociais  do  INSS:  Em  face  da  criação  da  Super  Receita  (transferência do capacidade tributária ativa do INSS para a RFB pela Lei 11.457/2007, arts. 1º  e 2º), houve a necessidade de ajuste de redação da Lei 8.212/91 (art. 33, caput, e §§ e inclusão  do § 8º) pela Lei nº 11.941/2009 (art. 26) e de ajuste no art. 24 da Lei 9.249/95, conforme art.  29 da Lei 11.941/2009.   Issso  não  quer  dizer,  por  conseguinte,  que  às  contribuições  (CSLL,  PIS  e  Cofins),  anteriormente  à  Lei  11.941/99  (que  já  estavam  sob Administração  da RFB),  não  se  aplicasse as presunções de omissão de receitas.de que tratam os § 2o e 3o do art. 12 do Decreto­ Lei  no1.598,  de  26  de dezembro  de  1977,  e dos  arts.  40,  41  e  42  da Lei  no 9.430,  de  27  de  dezembro de 1996 e do art. 24 da Lei 9.249/95.  À CSLL aplica­se a legislação do IRPJ, por força do art. 6º e Parágrafo único  da Lei nº 7.689/88; art. 57 da Lei 8.981/96 e arts. 28 e 29 da Lei 9.430/96.  Fundamentos constantes do auto de infração da CSLL: Art. 2° e §§, da Lei n°  7.689/88;  Art.  24  da  Lei  n°  9.249/95;  Arts.  28  e/ou  29  da  Lei  n°  9.430/96;  Art.  37  da  Lei  n°  10.637/02.  À Contribuição para o PIS e à Cofins, aplica­se a legislação do IRPJ, por art.  91 do Decreto nº 4524/02, in verbis:  Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu  arbitramento,  a  autoridade  tributária  determinará  o  valor  das  contribuições,  dos  acréscimos  a  serem  lançados,  em  conformidade  com  a  legislação  do  Imposto  de  Renda  (Lei  nº8.212, de 1991, art. 33, caput, e §§ 3ºe 6º,Lei Complementar  nº70,  de  1991,  art.  10,  parágrafo  único,Lei  nº  9.715,  de  1998,  arts. 9ºe 11, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24).  Fundamentos legais do auto de infração da Contribuição para o PIS: Arts. 1°  e 3º da Lei Complementar n° 7/70; Art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; Arts. 2°, inciso I, alínea  "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02;  Fundamentos  legais  do  auto  de  infração  da  Cofins:  Arts.  2°  ,  inciso  II  e  parágrafo único, 3 ° , 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02.  Diversamente do alegado pela recorrente, aplica­se aos lançamentos reflexos  (CSLL, PIS e Cofins) a legislação de regência do IRPJ.  Não  cabe  ao  julgador  administrativo  negar  vigência  ou  deixar  de  aplicar  legislação vigente, sob pena de responsabilidade funcional.  A omissão de receitas – depósitos bancários não escriturados e de origem não  comprovada  ­  restou mantida no  auto de  infração do  IRPJ quanto  aos  anos­calendário 2005,  2006 e 2007, conforme já decidido alhures.  Por  conseguinte,  os  lançamentos  reflexos  (CSLL,  PIS  e  Cofins)  seguem  a  sorte do  lançamento principal  (IRPJ), pela  inexistência de razão fática e  jurídica para decidir  diversamente.  Fl. 656DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 657          53   PIS E COFINS. REGIME CUMULATIVO. ANO­CALENDÁRIO 2007  A  recorrente  argumentou  que,  relativo  ao  ano­calendário  2007,  houve  arbitramento do lucro. Logo, os lançamentos da Contribuição para o PIS e da Cofins do ano­ calendário  2007 devem  ser  declarados nulos,  pois,  em vez  do  fisco  proceder  lançamento  do  PIS e da Cofins pelo regime cumulativo (art. 10 da Lei 8.383/2003), houve aplicação indevida  do regime não­cumulativo; que, no caso, em face do arbitramento do lucro, deve prevalecer o  regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins.  Aqui, a irresignação da recorrente, também, não tem respaldo fático­jurídico.  Quanto  ao  ano­calendário  2007,  a  contribuinte  foi  omissa  de  declarações,  conforme  consta  do Relatório  Fiscal  (e­fls.  303/304),  o  qual  é  parte  integrante  dos  autos  de  infração, cuja narrativa dos fatos já está transcrita, mencionada no relatório.  Além disso,  houve arbitramento do  lucro,  pois  a  escrituração  contábil  foi  considerada  imprestável  (o  arbitramento  do  lucro  não  foi  questionado  pela  contribuinte.  É  matéria preclusa).   Houve  arbitramento  do  lucro  com  base  na  receita  omitida  –  depósitos  bancários de origem não comprovada.    Diversamente do alegado pela recorrente, o  lançamento do PIS e da Cofins,  sobre  a  receita  omitida  (depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada)  do  ano­calendário  2007,  foi  efetuado  pelo  regime  cumulativo  (alíquota  de  0,65%  para  o  PIS  e  3,00%  para  a  Cofins), conforme auto de infração e demonstrativos de cálculo (e­fls.337/358).  Ademais, o voto condutor da decisão recorrida já enfrentou adequadamente a  questão, e que transcrevo nessa parte (e­fl. ):  (...)  Conforme  se  verifica  dos  autos,  a  empresa  foi  submetida  à  apuração trimestral do lucro real para os anos­calendário 2005  e  2006  e  em  relação  ao  ano­calendário  2007  foi  a  empresa  submetida à regra lucro arbitrado, em razão da escrita fiscal ter  sido considerada  imprestável para apuração do  lucro real bem  como  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive bancária.  Equivocou­se  a  impugnante  porquanto  para  o  período  em  que  houve  o  arbitramento,  qual  seja,  ano­calendário  2007,  a  regra  adotada foi a da cumulatividade com alíquota de 0,65% para o  PIS  e  3%  para  a  Cofins,  conforme  se  pode  verificar  nos  demonstrativos de fls. 342/343 e 353/354.  (...)  Fl. 657DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 658          54 Portanto, diversamente do alegado pela recorrente, a Contribuição para o PIS  e  da  Cofins,  ano­calendário  2007,  como  demonstrado,  está  sendo  exigida  pelo  regime  cumulativo, em face da exigência do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado.   Não há ajustes a fazer no lançamento fiscal e na decisão recorrida.  JUROS DE MORA SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. MATÉRIA  SUMULADA  O sujeito passivo argumentou que, no caso, devem incidir os  juros de mora  de  1% a.m,  de  acordo  com o  art.  161,  §1º,  do CTN,  e não  os  juros Taxa SELIC por  serem  ilegais e inconstitucionais.  Vale dizer: a recorrente alegou que a legislação que impõe a aplicação dos juros de  mora  ­  taxa  SELIC  na  cobrança  de  tributos  seria  inconstitucional,  por  violação  do  princípio  da  legalidade tributária.  Como já dito alhures, não cabe ao órgão de julgamento administrativo conhecer, no  mérito, da arguição de inconstitucionalidade que é matéria de competência do Poder Judiciário.  Apenas, para argumentar, os tribunais, desde longa data, têm julgado constitucional  a aplicação da taxa Selic na cobrança de tributos pagos serodiamente.  A propósito, transcrevo os seguintes precedentes jurisprudenciais do STJ:  Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO  ­ EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  ­EXECUÇÃO  FISCAL  ­ TAXA SELIC ­OBSCURIDADE E OMISSÃO.  1. Acórdão embargado que não examinou adequadamente a tese  em torno do art.161,§ 1º, doCTN, restando obscuro e omisso.  2.  Sanando  os  vícios  e  prequestionada  a  tese  em  torno  do  art.161,§  1º,  do  CTN,  afasta­se  a  alegação  de  contrariedade  porque esta Corte considera legítima a aplicação da taxa SELIC  na  cobrança  dos  créditos  tributários,  afastando  a  regra  do  referido  dispositivo  legal  porque  lei  especial  tratou  de  forma  diversa os juros moratórios.  3. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos.   (Processo­  EDcl  no  REsp  968675  RS  2007/0145168­3;  Relator(a): Ministra ELIANA CALMON Julgamento: 19/08/2008  Órgão  Julgador:  T2  ­  SEGUNDA  TURMA  Publicação:DJe  22.09.2008).  Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  INDEFERIMENTO  DE  PROVA  PERICIAL.  CERCEAMENTO DE DEFESA. SÚMULA7/STJ. AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA211/STJ.  PEDIDO  DE  PARCELAMENTO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  INEXISTÊNCIA.  SELIC.  CRÉDITOS  DE  NATUREZA  TRIBUTÁRIA.  LEGALIDADE.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA7/STJ.  Fl. 658DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 659          55 1. A verificação da necessidade da realização de prova pericial,  em contrariedade à convicção do juízo de origem a esse respeito,  esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. Precedentes do STJ.  2.  É  inadmissível  Recurso  Especial  quanto  a  questão  que,  a  despeito  da  oposição  de  Embargos  Declaratórios,  não  foi  apreciada pelo Tribunal a quo. Incidência da Súmula 211/STJ.  3. A confissão de débito para fins de obtenção de parcelamento  não caracteriza a denúncia espontânea.  4. Orientação reafirmada no REsp 1.102.577/DF, julgado no rito  dos recursos repetitivos .  5.  É  legítima  a  utilização  da  Selic  na  cobrança  dos  créditos  tributários titularizados pela Fazenda Nacional. Precedentes do  STJ.  (...)  (Processo: AgRg no Ag 1287384 RS 2010/0048456­7 Relator(a):  Ministro HERMAN BENJAMIN Julgamento: 08/06/2010 Órgão  Julgador:  T2  ­  SEGUNDA  TURMA  Publicação:  DJe  01/07/2010).  Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  REQUISITOS  DA  CDA.  NULIDADE.  SÚMULA7/STJ.  INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. MATÉRIA  PACIFICADA  EMJULGAMENTO  DE  RECURSO  REPETITIVO.  APLICAÇÃO  DE  MULTA  (ART.557,§  2º,  DOCPC).  1.  A  verificação  do  preenchimento  dos  requisitos  da  CDA  demanda, em regra, incursão no acervo fático­probatório, o que  é vedado nos termos da Súmula 7/STJ. Precedentes do STJ.  2.  É  legítima  a  utilização  da  Selic  na  cobrança  do  crédito  tributário.  3. Orientação firmada no RESP 1.073.846/SP, julgado sob o rito  do art. 543­C do CPC.  (...)  (Processo:  AgRg  no  AREsp  23394  RS  2011/0156481­1  Relator(a):  Ministro  HERMAN  BENJAMIN  Julgamento:  15/03/2012  Órgão  Julgador:  T2  ­  SEGUNDA  TURMA  Publicação: DJe 13/04/2012)  Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  EMBARGOS  À  EXECUÇÃO  FISCAL.  TAXA  SELIC.  LEI  9.065/95. INCIDÊNCIA.  1. Os  créditos  tributários  recolhidos  extemporaneamente,  cujos  fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a  teor  do  disposto  na  Lei  9.065/95,  são  acrescidos  dos  juros  da  taxa  SELIC,  operação  que  atende  ao  princípio  da  legalidade.  Fl. 659DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 660          56 Precedentes:  Eresp  nº  265.005  ­  PR,  Primeira  Seção,  Relator  Ministro Luiz Fux, DJ de 12.09.2005, p. 196; Eresp nº 398.182­ PR, Primeira Seção, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ  de 03.11.2004, p. 122 e RSTJ vol.186, p. 93; Eresp nº 418.940­ MG,  Primeira  Seção,  Relator  Ministro  Humberto  Gomes  de  Barros,  DJ  de  09.12.2003,  p.  204.  Precedente  em  sede  de  recurso representativo da controvérsia: REsp. n.  879.844  ­MG,  Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009.   2. No caso das contribuições sociais regidas pela Lei n.8.212/91,  a  aplicação  da  taxa  SELIC  na  cobrança  de  tais  tributos  teve  início coma publicação em 28.06.1997, da Medida Provisória n.  1.523­10, de 27.06.1997.  3. Recurso especial não provido.  (Processo:  REsp  1252745  ES  2011/0062685­7  Relator(a):  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES  Julgamento:  07/08/2012  Órgão  Julgador:  T2  ­  SEGUNDA  TURMA  Publicação: DJe 14/08/2012).  Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  TAXA  SELIC.  APLICABILIDADE  AOS  DÉBITOS  TRIBUTÁRIOS  EM  ATRASO.  RESP  1073846/SP.  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA. VERBA HONORÁRIA COMPREENDIDA  NO  ENCARGO  DE  20%  PREVISTO  NO  DECRETO­LEI  N.1.025/69.  RESP  1143320/RS.  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  1. Restou pacificado nesta Corte Superior, com o julgamento do  Resp n. 1073846/SP, pela sistemática do art.543­C do CPC e da  Resolução STJ n. 8/08, o entendimento no sentido de que "a Taxa  SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros  de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso,  ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95".  (...)  (Processo: AgRg nos EDcl no Ag 1396304 RS 2011/0017369­2  Relator(a):  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES  Julgamento:  21/06/2011  Órgão  Julgador:  T2  ­  SEGUNDA  TURMA Publicação: DJe 29/06/2011).  Os tribunais se convenceram que não é possível ter duas medidas e dois pesos.  Se  a União  Federal,  para  realizar  o  seu mister  constitucional,  recorre  ao mercado  financeiro para captar recursos para financiar, realizar ou implementar suas políticas públicas, pagando  a taxa SELIC; logo, nada mais justo e legal que o contribuinte moroso (que não pagou tributo no seu  vencimento),  que  está  na posse  indevida de  recursos  da União Federal  (Fazenda Nacional),  também,  submeta­se  ao  pagamento  dos  juros  SELIC  (remuneração  dos  créditos  da  União).  Tratamento  isonômico. Princípio da isonomia. É um um peso e uma medida. Senão a conta não fecha!  Ou seja: se os débitos da União são pagos com aplicação dos juros SELIC; logo, os  créditos da União (tributos não pagos tempestivamente pelos contribuintes), também, devem submeter­ se aos juros SELIC.  Fl. 660DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 661          57 Por fim, no âmbito deste Egrégio Conselho Administrativo, é entendimento pacífico,  também,  a  incidência  dos  juros  SELIC  na  cobrança  de  tributos  pagos  a  destempo,  sendo,  inclusive,  matéria sumulada:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais  Súmula CARF nº 5: São devidos  juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral  Poranto, devem ser mantidos os juros de mora aplicados – Juros SELIC.  APLICAÇÃO  DE MULTA  DE  OFÍCIO.  ATIVIDADE  REPRESSIVA  DO FISCO. JUROS DE MORA  O sujeito passivo alegou:  ­ que a multa  aplicada de 75%  (art. 44,  I, da Lei 9.430/96) é confiscatória;  que dever  ser  reduzida para o patamar de 20%, de conformidade  com o art. 61, § 2º, da Lei  9.430/96;  ­ que não deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em  que, por definição, se os juros remuneram o capital do credor, eles devem incidir apenas sobre  o principal que deixou de ser repassado ao Erário pela conduta morosa do sujeito passivo.  Os argumentos da recorrente não merecem prosperar.  1 – Quanto à multa de ofício  A  multa  de  ofício  foi  aplicada,  conforme  legislação  de  regência  (Lei  9.430/96, art. 44, I)..  É  defeso  ao  julgador  administrativo  afastar  ou  deixar  de  aplicar  a  lei  de  regência vigente, pois ela goza de presunção de legalidade, legitimidade e constitucionalidade  enquanto vigente, sob pena de responsabilidade funcional.  Não  cabe  aos  órgãos  de  julgamento  administrativo  conhecer,  no mérito,  da  arguição  de  inconstitucionalidade  para  afastar  a  aplicação  de  lei  que,  enquanto  vigente  no  ordenamento  jurídico,  tem  presunção  de  legalidade  e  constitucionalidade,  pois  editada  pelo  Poder  Público,  ou  seja,  pelo  Poder  Legislativo  conforme  processo  legislativo  estatuído  na  Constituição Federal, sob pena de responsabilidade funcional.  A apreciação, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade de lei é matéria  de competência do Poder Judicário.  Nesse  sentido,  no  âmbito  deste Egrégio Conselho Administrativo  a matéria  está sumulada, in verbis:  Fl. 661DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 662          58 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária  Portanto, deixo de conhecer, no mérito, da alegada  inconstitucionalidade do  art. 44, I, da Lei nº 9.430/96  Apenas para argumentar, na esfera administrativa, no âmbito do processo  administrativo tributário, não há controle de legalidade da lei, mas sim controle de legalidade  do ato administrativo de lançamento, se ele foi, ou não, produzido de acordo com a legislação  de regência.   Não há ajuste a fazer no lançamento fiscal.  O  princípio  do  não­confisco  (CF,  art.  150,  IV),  ademais,  tem  aplicação  restrita a tributos e se dirige apenas ao legislador infraconstitucional.   Multa não é tributo.  O princípio  do  não­confisco,  destarte,  não  se  aplica para multa  (penalidade  pecuniária),  pois,  multa  não  é  tributo,  e  para  a  graduação  do  percentual  da  multa  punitiva  pecuniária, também, é inaplicável o princípio da capacidade contributiva.  Logo,  não  há  que  se  falar  em  penas  pecuniárias  desproporcionais  ou  confiscatórias na legislação tributária.  Ou seja: o princípio da capacidade contributiva não se aplica para penalidade  pecuniária.  O  percentual  graduado,  cominado  em  lei  (penalidade  em  abstrato),  deve  ser  em  patamar suficiente para causar temor, receio ou medo nos contribuintes, no sentido de inibi­los  afastá­los da prática de infração tributária.   Na legislação tributária federal, a multa de ofício cominada em abstrato, para  infração  que  seja  apurada,  imputada  em  atividade  repressiva,  varia  de  75%  a  225%  sobre  o  tributo apurado de ofício.   Não  obstante,  há  contribuintes,  ainda  assim,  que  insistem,  persistem  na  prática  de  infração  tributária,  sopesando  a  relação  custo  x  benefício  de  tal  conduta,  acreditando  no  baixo  risco,  em  tese,  de  serem  flagrados  ou  fiscalizados.  Porém,  quando  flagrados  pelo  fisco  não  há  outro  caminho,  senão  a  submissão  ao  rigor  da  lei,  ou  seja,  aos  efeitos da aplicação da penalidade em concreto.  No  caso,  foi  aplicada,  em  concreto,  a  multa  mínima  de  75%  (atividade  repressiva, fiscalização externa).  Lembrando, incide na pena em concreto da lei tributária apenas quem quer ou  quem assume o risco de praticar a infração tributária.   No caso, seja qual for a razão, o motivo, que culminou na omissão total das  receitas e dos resultados operacionais (contribuinte omissa de declarações nos anos­calendário  2005,  2006  e  2007  e  inexistência  de  antecipação  de  pagamentos),  a  penalidade  pecuniária  cominada  em  abstrato  na  lei  não  foi  suficiente  para  evitar,  impedir,  que  a  contribuinte  Fl. 662DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 663          59 praticasse as infrações apuradas e imputadas, então da aplicação da penalidade em concreto, ou  seja, o rigor da lei ao caso concreto..  Ainda,  apenas  a  título de  argumentação,  as multas de ofício que variam de  75%  a  225%,  cominadas  em  abstrato  pela  legislação  tributária  federal,  são  aplicadas,  em  concreto, em atividade repressiva do fisco, ou seja, em procedimento de fiscalização externa,  como no caso, seja em procedimento interno de fiscalização (revisão de declarações).  O  contribuinte  perde  a  expontaneidade  para  efeito  de  exclusão  da  responsabilidade por infração tributária em relação aos fatos geradores ocorridos dos períodos  de apuração anteriores à data de ciência da intimação fiscal.  Já  a  multa  de  até  20%  (multa  moratória),  prevista  na  legislação  tributária  federal,  aplica­se  apenas  para  pagamento  espontâneo  de  débito  vencido,  desde  que  o  pagamento  a  destempo,  extemporâneo,  seja  efetuado  antes  da  ciência  do  início  do  procedimento de ofício.  Como  visto,  em  atividade  repressiva  de  fiscalização  a  multa  punitiva  pecuniária mínima é de 75%.  Já a multa de 20% (multa moratória) é para pagamento espontâneo, antes da  ciência de intimação fiscal do início de procedimento de fiscalização instaurado.  Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a multa de ofício aplicada  2 – Quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício    A recorrente argumentou que, na hipótese de manutenção da multa aplicada,  seja  afastada  a  cobrança de  juros de mora  sobre  tal  parcela  lançada, na medida em que, por  definição,  se  os  juros  remuneram  o  capital  do  credor,  eles  devem  incidir  apenas  sobre  o  principal que deixou de ser repassado ao Erário pela conduta morosa do sujeito passivo, e não  sobre a multa de ofício.  Rechaço, de plano, a pretensão da recorrente.  A multa de ofício aplicada compõe o crédito tributário, por isso, quando não  paga na data de vencimento, sofre a incidência dos juros de mora.  Nesse sentido, dispõe o art. 161 do CTN:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.   § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  Conforme facultado pelo CTN (art. 161, §1º), a União legislou acerca da taxa  mensal  dos  juros  de  mora  de  modo  diverso,  fazendo  incidir  a  taxa  SELIC  na  cobrança  de  tributos e contribuições federais não pagos tempestivamente.  Fl. 663DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 664          60 A questão maior é saber se sobre a multa de ofício incidem os juros de mora  com base na taxa SELIC ou se no percentual de 1% (um por cento) de que trata o art. 161 do  CTN, já transcrito acima.  Entendo  que  a multa  de  ofício,  quando  lançada  juntamente  com  tributos  e  contribuições, está sujeita à incidência de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, a partir  do seu vencimento sem pagamento.  Por outro lado, a multa de ofício, quando lançada isoladamente, está sujeita à  incidência da taxa SELIC desde seu vencimento sem pagamento.  Para  embasar  esse  entendimento,  adoto,  como  fundamento  para  decidir,  o  voto  condutor  do  Acórdão  nº  1402­00.213,  sessão  de  06/07/2010,  do  Relator  Antônio  José  Praga de Sousa, que se pronunciou assim, in verbis:  (...)  4.  INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE  OFICIO  (...)  A  aplicação  de  taxa  de  juros  lastreadas  em  indicadores  do  mercado financeiro iniciou­se com a Lei nº 8.981/95, cujo art. 84  dispõe:  Art.  84.  Os  tributos  e  contribuições  sociais  arrecadados  pela  Secretaria  da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  vierem a  ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos  previstos na legislação tributária serão acrescidos de:  I  ­  juros  de  mora,  equivalentes  à  taxa  média  mensal  de  captação  do  Tesouro  Nacional  relativa  à  Dívida  Mobiliária  Federal Interna;   (...)  A  Seguir,  a  Lei  nº  9.065/95  substituiu  o  indicador  pela  taxa  SELIC:  Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a  alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28  de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº  8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981,  de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea  "a.2"  da  Lei  nº  8.981,  de  1995,  serão  equivalente  à  taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­  SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente.   (...)  Por  seu  turno,  a  Lei  nº  9.430/1996,  ao  remodelar  a  multa  de  mora  incidente  nos  pagamentos  em  atraso,  estabeleceu  em  parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes  Fl. 664DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 665          61 de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.   (...)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do art. 5º, a  partir  do  primeiro  dia  do mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês do pagamento.  Com  base  nessa  disposição  a  Receita  Federal  vem  entendendo  que a multa de ofício  também está  sujeita aos  juros de mora à  taxa SELIC, a partir do seu vencimento.  O  cerne  da  questão  está  na  interpretação  que  se  deve  dar  à  expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De  fato  o  não  pagamento  de  tributos  e  contribuições  nos  prazos  previstos  na  legislação  faz  nascer  o  débito.  Portanto,  o  débito  decorre  do  não  pagamento  de  tributos  e  contribuições  nos  prazos.  A  multa  de  ofício  não  é  débito  decorrente  de  tributos  e  contribuições. Ela decorre, nos exatos  termos do art. 44 da Lei  nº 9.430/96, da punição aplicada pela  fiscalização às seguintes  condutas:  a)  falta  de  pagamento  ou  recolhimento  dos  tributos  e  contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de  multa moratória;  e  b)  falta  de  declaração  e nos  de declaração  inexata.  Entendendo  que  a  SELIC  só  incidirá  sobre  multas  isoladas,  aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97:  Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de  pagamento.  Inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa  de oficio, restam devidos os  juros de 1% ao mês a que alude o  Código Tributário Nacional, (...)  Fl. 665DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 666          62 Portanto,  incidem  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  oficio  não  paga  no  vencimento,  lançada  juntamente com o  tributo ou contribuição, na proporção de 1% (um por  cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS   Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ),  em face da conexão dos fatos e das provas.  Aplica­se ao  lançamento  tido como reflexo as mesmas razões de decidir do  lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há  fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.  Ou  seja:  inexistindo  razão  fática  ou  jurídica  para  decidir  diversamente,  aplica­se aos lançamentos decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal  (IRPJ), em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.  Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR as preliminares de nulidade  suscitadas  e,  no mérito, DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso  para  calcular,  em  relação  à  multa de ofício, os juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, conforme §1º do art. 161 do  CTN.    (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel    Fl. 666DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 667          63   Voto Vencedor  Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado.  Em que pesem as razões de decidir do eminente Relator, peço vênia para dele  divergir  apenas  quanto  à  incidência  dos  juros  de mora  sobre  a multa  de  oficio  não  paga  no  vencimento, lançada juntamente com tributo ou contribuição.   A questão é bastante polêmica, e a controvérsia vem de  longa data. Esse, a  meu ver,  já é um primeiro ponto que fragiliza a  tese em favor da incidência de juros sobre a  multa de ofício, posto que, tratando­se de aplicação de norma punitiva, com implicação direta  na dimensão da pena, não poderia o texto legal deixar margem para tantas dúvidas e polêmicas.   Para  os  que  entendem  que  a  “multa  de  ofício”  está  incluída  na  expressão  “crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento”,  contida no  art.  161  do CTN,  cabe  indagar  quais seriam então as “penalidades cabíveis” referidas mais adiante no mesmo dispositivo?  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária. (grifos acrescidos)  Mas esse não é o único problema.  A lei 8.383/1991, que instituiu a UFIR, deixava bastante claro que os juros de  mora não incidiam sobre a rubrica relativa à multa de ofício:   Art.  54. Os  débitos  de  qualquer  natureza  para  com  a Fazenda  Nacional  e  os  decorrentes  de  contribuições  arrecadadas  pela  União,  constituídos  ou  não,  vencidos  até  31  de  dezembro  de  1991  e  não  pagos  até  2  de  janeiro  de  1992,  serão  atualizados  monetariamente com base na legislação aplicável e convertidos,  nessa data, em quantidade de Ufir diária.   §  1°  Os  juros  de  mora  calculados  até  2  de  janeiro  de  1992  serão,  também,  convertidos  em  quantidade  de  Ufir,  na  mesma  data.   § 2° Sobre a parcela correspondente ao tributo ou contribuição,  convertida em quantidade de Ufir,  incidirão  juros moratórios à  razão de um por cento, por mês­calendário ou fração, a partir de  fevereiro de 1992, inclusive, além da multa de mora ou de ofício.  (grifos acrescidos)  Vê­se que a multa de ofício era indiretamente atualizada pela UFIR, porque  incidia sobre uma base atualizada por esse índice, mas ela própria (a multa de ofício) não sofria  a incidência dos juros de mora.  Fl. 667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 668          64 Com a estabilização econômica, tivemos a extinção das regras de atualização  monetária  e  a  instituição  da  taxa  de  juros  Selic,  mas  não  houve  a  introdução  de  uma  regra  expressa determinando que os juros passariam a incidir sobre a multa de ofício. Aliás, o texto  da  Lei  nº  8.981/1995  indicava  que  os  juros  continuavam  a  incidir  apenas  sobre  a  rubrica  principal dos débitos:   Art.  84.  Os  tributos  e  contribuições  sociais  arrecadados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  vierem  a  ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos  previstos na legislação tributária serão acrescidos de:  I ­ juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação  do  Tesouro  Nacional  relativa  à  Dívida  Mobiliária  Federal  Interna; (grifos acrescidos)  Com a introdução da Lei nº 9.430/1996, as regras relativas à multa de mora e  aos juros de mora tiveram nova redação:   Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de  tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.    § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.   § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte  por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (grifos acrescidos)  O texto acima,  igualmente ao do CTN, veio novamente suscitar dúvidas, na  medida em que não identifica claramente quais rubricas estão abrangidas na expressão “débitos  para com a União”.  Ocorre que se esses “débitos” abrangessem a multa de ofício, haveríamos de  concluir  também pela incidência da multa de mora sobre a multa de ofício (caput do art 61),  incidência  essa que  não  poderia  ser  afastada  pelo  §  3º  do  art.  950  do RIR/1999  (Decreto  nº  3.000/1999):  Art.950.Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação  específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento  por  dia  de  atraso  (Lei  nº  9.430, de 1996, art. 61).  §1º (...)  Fl. 668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 669          65 §2º (...)  §3º  A  multa  de  mora  prevista  neste  artigo  não  será  aplicada  quando  o  valor  do  imposto  já  tenha  servido  de  base  para  a  aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.  Com  efeito,  o  decreto  não  poderia  derrogar  a  Lei.  Nesse  contexto,  a  interpretação mais adequada, a meu ver, é que a multa de ofício já não estava incluída no caput  do art. 61 da Lei 9.430/1996 (de onde concluo que o decreto não incorre em ilegalidade, e não  que o decreto exonerou onde a Lei não exonerava).  Por outro lado, com a ampliação do alcance da expressão “débitos para com a  União”,  contida  no  referido  art.  61  da  Lei  9.430/1996,  os  juros  de  mora  deveriam  também  incidir sobre a multa de mora, e isso todos sabemos que não ocorre.   Para afastar  esse problema, normalmente  se  argumenta que os  juros devem  incidir apenas sobre obrigações com prazo de vencimento, como se apenas a multa de ofício o  tivesse,  e  a  multa  de  mora  configurasse  uma  obrigação  sem  vencimento,  o  que  a  tornaria  semelhante às chamadas obrigações naturais em Direito Civil (não exigíveis).  Mas a multa de mora, como acontece com a multa de ofício, tem vencimento.  Ele apenas é imediato, concomitante à mora (inadimplência), tanto o é que a multa de mora é  perfeitamente exigível desde então, configurando, portanto, obrigação vencida.  Assim, o argumento em  relação ao vencimento não serve para  solucionar o  problema da incidência dos juros de mora sobre a multa de mora, como também não serviria  para  afastar a  incidência dos  juros de mora  sobre os próprios  juros de mora, ou da multa de  mora  sobre a multa mora, etc.,  e não é  razoável entender que a  lei deixaria em aberto  tantas  possibilidades de combinação, principalmente quando se trata das conseqüências em relação à  aplicação de norma punitiva.  A  regra  contida  no  parágrafo  único  do  art.  43  da  Lei  9.430/1996  poderia  solucionar  todas  essas  questões, mas  a  incidência  de  juros  lá  prevista  está  restrita  às multas  isoladas.  Finalmente,  registro  que  há manifestação  da Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais, no sentido de que não deve haver incidência de juros de mora sobre a multa de ofício  que  acompanha o  tributo,  conforme Acórdão CSRF/02­03.133, de 06/05/2008, nos  seguintes  termos:  1)  Por  maioria  de  votos,  NÃO  CONHECER  da  preliminar  de  perda  de  objeto  do  recurso  em  face  do  trânsito  em  julgado  da  decisão  judicial  quanto  ao  mérito,  suscitada  pela  Conselheira  Maria Teresa Martínez Lopez. Vencidos os Conselheiros Maria  Teresa  Martínez  Lopez  e  Manoel  Coelho  Arruda  Junior  (Substituto  convocado);  2)  Por maioria  de  votos,  ACOLHER a  preliminar  de  decadência  até  os  fatos  geradores  do  mês  de  outubro de 1999, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho  Marques,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Júlio  César  Vieira  Gomes e Elias Sampaio Freire que não acolhiam; 3) por maioria  de  votos  CONHECER  do  recurso  quanto  a  incidência  sobre  a  multa de ofício dos juros à taxa SELIC, vencidos os Conselheiros  Henrique Pinheiro Torres  (Relator), Gilson Macedo Rosenburg  Fl. 669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.003940/2010­14  Acórdão n.º 1802­002.540  S1­TE02  Fl. 670          66 Filho  e  Leonardo  Siade Manzan,  e  por  maioria  de  votos  DAR  provimento  nessa  parte,  vencidos  os  conselheiros  Henrique  Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Praga, que mantinham essa  incidência.  Designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a  Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez.   Como um último argumento, observo que no âmbito das normas jurídicas de  natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do  tempo.  Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a  respeito, o que não verifico em relação à questão ora debatida.  Deste modo, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para  afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio não paga no vencimento, que foi  lançada juntamente com tributo ou contribuição.    (documento assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                    Fl. 670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

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Numero do processo: 19515.002940/2005-84
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ Exercício: 2001 e 2002 Ementa: IRPJ. RESERVA DE REAVALIAÇÃO APURADA NA INVESTIDORA. CAPITALIZAÇÃO, LEI N. 9,959/2000. A partir da edição da Lei n. 9.959/2000, a incorporação ao capital social da reserva de reavaliação, constituída em contrapartida de quaisquer bens da pessoa jurídica, somente poderá ser computado em conta de resultado ou na determinação da base de cálculo da contribuição social, quando ocorrer à efetiva realização do bem. Recurso Negado.
Numero da decisão: 9101-000.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Declarou-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho em razão da parte nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VALMIR SANDRI

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RESERVA DE REAVALIAÇÃO APURADA NA INVESTIDORA. CAPITALIZAÇÃO, LEI N. 9,959/2000. A partir da edição da Lei n. 9.959/2000, a incorporação ao capital social da reserva de reavaliação, constituída em contrapartida de quaisquer bens da pessoa jurídica, somente poderá ser computado em conta de resultado ou na determinação da base de cálculo da contribuição social, quando ocorrer à efetiva realização do bem. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiafilo, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Declar ku-se impedido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho em razão da parte nos termos d ti relatório e voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBER e FREITAS B RRETO Presidente. _ ) vÃLk41. P - DRI ator. EDITADO EM: 17 AG0 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karern Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Relatório Com base nos permissivos do art, 7 0, 1 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial contra acórdão if 101-96184 (fls. 1664/1678) proferido pela Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos de votos, deu provimento ao recurso voluntário (i) para restabelecer a dedução das despesas com propaganda e publicidade indicada no item I do auto de infração, (ii) para restabelecer a dedução das despesas pagas à CESCE S/A ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS, no valor de R$ 1,625.000,00 e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso quanto a tributação da reserva de reavaliação. ReCOtle a Fazenda Nacional da parte do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário para cancelar a tributação da reserva de reavaliação. O presente lançamento foi efetuado em decorrência da constatação, pela fiscalização, das seguintes infrações: (i) valor de baixa de ativo da empresa, contabilizado indevidamente como despesa na conta "anúncios e publicidades comerciais", sem que ficasse comprovada a dita despesa como necessária à comercialização ou produção dos serviços, ou que fosse diretamente relacionada com a atividade explorada pela contribuinte; (ii) falta de adição ao lucro líquido do ano calendário de 2001, na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, do valor da reserva de reavaliação de bens em empresas coligadas ou controladas que foi utilizado para aumento de capital na investidora, caracterizando a realização da reserva, sujeita, portanto à tributação nos termos dos artigos 390 e 438 do RIR/99; (iii) inexatidão quanto ao período base de escrituração de receitas e custos que resultou em redução indevida do lucro líquido, de forma que a contribuinte compensou perdas posteriores com ganhos anteriores, conforme descrito no TVF às fls. 174/179. A Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos de votos, deu provimento ao recurso voluntário (i) para restabelecer a dedução das despesas com propaganda e publicidade indicada no item I do auto de infração, (ii) para restabelecer a dedução das despesas pagas à CESCE S/A ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS, no valor de R$ 1.625.000,00 e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso quanto à tributação da reserva de reavaliação, em acórdão assim ementado: "Ementa- IRPJ/CSLL — DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PUBLICIDADE E PROGAGANDA - Para que seja dedutível a despesa com publicidade e propaganda, o sujeito passivo deve comprovar a sua necessidade à atividade da empresa. Se a contribuinte pagou antecipadamente o valor de espaço publicitário e, ao longo do ano-calendário, deduziu as parcelas correspondentes aos serviços prestados, o valor do preço correspondente ao espaço não utilizado poderá ser igualmente deduzido ao fim do período. A não utilização de todo o espaço adquirido não desnatura a necessidade da despesa efetuada pela contribuinte, devidamente comprovada por meio de contrato de 2 Processo n° 195 5.002940/2005-84 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00,628 Fi 2 prestação de serviços, cópias de cheques nominais à contratada e recibos dos pagamentos correspondentes. A contratação em base anual tem justificativa empresarial (disponibilidade de espaços publicitários) e econômica (desconto em relação ao valor individualizado da mídia). DIFERIMENTO DE CUSTOS E RECEITAS — CONTRATO COMA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA — A legislação autoriza o diferinzento da tributação do lucro não realizado, quanto se tratar de contratante integrante da Administração Pública. Se determina o diferimento do resultado, é conseqüência inegável que as receitas estarão igualmente Oferidas. Não seria possível à empresa contabilizar resultados sem receitas. E, em face do princípio da competência e vincula ção dos custos às receitas, os custos somente devem ser deduzidos quando apuradas e conhecidas as receitas. RESERVA DE REAVALIZAÇÃO — CONTROLADORA — EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL — USO PARA AUMENTO" DO CAPITAL SOCIAL — AUSÊNCIA DE FATO GERADOR DO IRPJ/CSLL — A Reserva de Reavaliação, apurada na controladora, por equivalência patrimonial, não deve ser tributada (acrescida ao Lucro Real) quando utilizada para aumento de seu Capital Social, se constituída como contrapartida de aumento de valor de imóveis constantes do Ativo Permanente da sociedade controlada que efetuar a reavaliação de seus bens. A respectiva Reserva de Reavaliação somente será computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, como determina o art 4' da Lei a' 9. 959/2000. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Quanto à glosa das despesas com propaganda e publicidade, entendeu a Primeira Câmara pelo cancelamento do lançamento correspondente, sob o argumento de que o contrato de prestação de serviços firmado pela contribuinte, e o pagamento antecipado do preço, justifica-se para assegurar a disponibilidade de espaço publicitário a seu favor, em jornal de grande circulação, e em melhores condições de pagamento em relação à contratação firmada de forma individualizada e que a perda do montante referente à parcela não efetivamente utilizada não desnatura a necessidade da despesa efetuada por ela, devidamente comprovada, tendo a contratação em base anual justificativa empresarial e econômica., Quanto à glosa das deduções dos custos relacionados à obra executada para o DNER, entendeu a Câmara julgadora que a conseqüência inegável do diferimento do resultado, é que as receitas estarão igualmente diferidas, não sendo possível à empresa contabilizar receitas, sem resultado. Acrescenta a Câmara que, ademais, conforme fis 403/404, a medição final n° 49 somente foi confirmada, tornando-se definitiva em 18.01.2001, razão pela qual, entendem que somente a partir de então, é que foi autorizado o faturamento e, por conseguinte, em face do princípio da competência e vinculação dos custos às receitas, é que poderia, de fato, ser deduzida a respectiva despesa em questão, 3 Com relação à reserva de reavaliação de bens, a Câmara rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento e no mérito, sustentou que o art. 4° da Lei n° 9.959/2000, determina que a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, quando ocorre a efetiva realização do bem reavaliado, se aplicando tal dispositivo ao presente caso, já que a reserva objeto do presente lançamento é reflexa á reavaliação de bens na pessoa jurídica investida. Destacaram ainda que "o aumento do capital social, mediante o uso de reserva, não gera qualquer efeito definitivo, econômico ou fiscal, para a contribuinte, já que, caso não confirmado o valor da reavaliação, por ocasião da realização do bem, poderá reconhecer as perdas e reduzir, em igual proporção, o capital social. Apenas em relação aos acionistas da contribuinte é que os efeitos do aumento do capital social podem ser tornar economicamente definitivos, considerando que o aumento de capital social, conforme respectiva Assembléia Geral Extraordinária que o autorizou, como se confere na correspondente ata constante dos autos, resultou nó aumento do valor nominal de suas ações. Se este aumento do valor nominal for reconhecido, pelos acionistas, como aumento, não tributável, no custo de aquisição das ações, deverá ser realizada a correspondente glosa na apuração de eventual ganho de capital, por ocasião de possível alienação das ações". Concluíram assim, que na glosa no custo de aquisição das ações, o sujeito passivo da obrigação tributária, e, assim, do respectivo lançamento, será o seu acionista, e não a contribuinte. Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 1682/1689), no qual sustenta contrariedade do acórdão recorrido ao artigo 382 do RIR194. Aduz a Fazenda Nacional que, em se tratando de reavaliação, existem várias formas de procedimento, e não apenas a transcrita no artigo 4° da Lei n° 9,959/2000, conhecida como reavaliação espontânea, mas também, a reavaliação reflexa, contida no artigo 390 do RIR/99, e por tratarem de matéria distinta, entende que o citado artigo 4' não revogou o art. 390. Sustenta a Fazenda Nacional que o referido artigo 4° só seria aplicável às reservas de reavaliação (espontâneas) e não às reservas reflexas de reavaliação de bens efetivada por empresas controladas ou coligadas. Requer ao final a prevalência da decisão de P instância quanto à ilegitimidade da adição, no lucro real e na base de cálculo da CSLL da reserva de reavaliação reflexa capitalizada. Ao recurso especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento pelo Presidente da Câmara recorrida (Despacho PRESI n. 336, fls. 1709), ante a constatação de estarem atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do recurso mediante a demonstração de contrariedade à lei. Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 1755/1817), alegando que: (i) historicamente, a cobrança de IRPJ e CSLL no momento da capitalização das reservas de reavaliação decorria de um sistema de proteção à boa técnica contábil, como uma espécie de "punição" àquele que capitalizava a reserva antes de sua realização econômica; (ii) a regra do art. 4° da Lei n° 9.959/00, foi editada em meio a um contexto histórico e normativo no qual o legislador tributário pretendeu claramente proteger o regime de 4 (1) Processo ri° 19515002940/2005-84 CSRF-T/ Acórdão n ° 9101-00,628 Fl .3 travas à compensação de prejuízos fiscais, pois a capitalização daquelas reservas vinha sendo utilizada para burlar as travas à compensação de prejuízos fiscais; (iii) com a nova regra, pretendeu-se eliminar a possibilidade de se compensar prejuízos fiscais com resultados tributáveis derivados da incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, sendo esse propósito, inclusive, o anunciado na exposição de motivos n" 819/MF, da MP n° 1.924/99, posteriormente convertida na Lei n° 9,959/00; (iv) a interpretação conferida pela decisão recorrida ao texto de lei está de acordo com o sentido jurídico, econômico e contábil que deve ser atribuído à expressão "contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica" constante do art 4° da Lei if 9.959/00, e que a interpretação do recurso especial viola o sentido finalístico da norma, é injustificável e ainda leva a situações desarrazoadas quando pretende demonstrar a inexistência de colidência entre o artigo 390, §, 2°, do RIR199 e o artigo 4' da Lei n° 9,959/00; (v) sob a perspectiva do texto legislado, e sob os pontos de vista econômico, jurídico e contábil, verifica-se que a reserva de reavaliação reflexa — cujo registro decorre, em última análise, da equivalência patrimonial — é a contrapartida do aumento do valor do investimento societário decorrente de uma reavaliação efetivada pela investida; (vi) o investimento foi valorizado pela reavaliação efetuada pela sociedade investida, e o montante dessa valorização, eu tem reflexo no ativo da investidora, decorre, exatamente, daquela reavaliação: sua contrapartida, na investidora, é o registro de uma reserva de reavaliação reflexa; (vii) negar tal tratamento à reservas de reavaliação reflexas traria o absurdo de se ter retirado a tributação da investida para evitar aquele mecanismo de elisão, mas se ter mantida a possibilidade de a investidora manejar ainda hoje aquela elisão tributária; (viii) admitir a interpretação pretendida pelo recurso especial, por outro lado, significaria reconhecer eu, com a Lei n° 9.959/00, a reavaliação tornou a ser "neutra" para fins fiscais, exceto no eu se refere aos acasos de "reavaliação reflexa", distinção essa eu não encontra qualquer justificativa de ordem econômica, fiscal ou contábil; (ix) a interpretação defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional significaria acolher a tributação sobre o que não constitui verdadeira renda apenas nesse caso especialissimo das reservas reflexas de reavaliação, muito embora o mesmo procedimento, podendo, inclusive, levar à dupla tributação; (x) a pretensa exigência de IRPJ e CSLL pela capitalização de reserva de reavaliação reflexa não pode prosperar visto que sua fundamentação legal estava, à época dos fatos, já revogada pelo artigo 4° da Lei n° 9,959/00. Ao final, requer o improvimento do recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, É o relatório, 5 Voto Conselheiro VALMIR SANDRI Com base nos permissivos do art, 70, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do ME n°. 147/2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (Es. 1682/1689), na parte em que o acórdão, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar da tributação a reserva de reavaliação, por haver incompatibilidade do art. 390 do RIR199, com o art. 4°. da Lei n. 9.959/2000. Tendo sido tempestiva a apresentação do recurso, bem como demonstrada a suposta contrariedade à lei, dele tomo conhecimento. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o lançamento se deu pelo fato de a contribuinte não ter adicionado ao lucro líquido do ano-calendário de 2001, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, o valor da reserva de reavaliação de bens em empresas coligadas/controladas — reavaliação reflexa -, utilizado para aumento de capital na investidora. Por seu turno, a Câmara recorrida cancelou a exigência ao argumento de que o art., 4°. da Lei n. 9.959/2000, com vigência posterior ao art. 390 do RIR/99, determinou que a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica, somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de calculo da contribuição, quando ocorrer à efetiva realização do bem reavaliado, ou seja, quando economicamente concretizados e confirmados os efeitos da reavaliação. Por outro lado, alega a D. Procuradoria da Fazenda Nacional que, em se tratando de reavaliação, existem várias formas de procedimento e não apenas aquela descrita no art. 40, da Lei n. 9,959/00, que trata da reavaliação espontânea, ao passo que o art. 390 do RIR, trata da reavaliação reflexa, decorrente de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada. Os dispositivos ora mencionados — art. 390, do RIR/99 e art. 4°,, da Lei n. 9,959/200, prescrevem: At 390. A contrapartida do ajuste por aumento do valor do patrimônio líquido do investimento em virtude de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada, por esta utilizada para constituir reserva de reavaliação, deverá ser compensada pela baixa do ágio na aquisição do investimento com .fundamento no valor de mercado dos bens reavaliados (art . 385„ 22, inciso 1) (Decreto-Lei ne 1..598, de 1977, art. 24) § 1 2 O ajuste do valor de património liquido correspondente à reavaliação de bens diferentes dos que serviram de . fiindainenio ao ágio, ou a reavaliação por valor superior ao que justificou o ágio, deverá ser computado no lucro real do contribuinte, salvo se este registrar a contrapartida do ajuste como reserva de reavaliação (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 24„s1+ 12) § 22 O valor da reserva constituída nos termos do parágrafo anterior deverá ser computado na determinação do lucro ?-eal do período de apuração em que o contribuinte alienar ou liquidar o investimento, ou em que utilizar a reserva de 6 Processo o' 19515..002940/2005-84 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00.628 Fl 4 reavaliação para aumento do seu capital social (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art 24, § 22) 32 A reserva de reavaliação do contribuinte será baixada mediante compensação com o ajuste do valor do investimento, e não será computada na determinação do lucro real (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 24, - nos períodos de apuração em que a coligada ou controlada computar sua reserva de reavaliação na determinação do lucro real (art 435), ou II - no período de apuração em que a coligada ou controlada utilizar sua reserva de reavaliação para absorver prejuízos. Art. 42 A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Pois bem, a controvérsia gira em torno da aplicabilidade, ou não, do art, 4", da Lei n. 9,959/00, no caso de capitalização das reservas reflexas de reavaliação. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela D. Procuradoria em seu recurso, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida, que deu correta interpretação do dispositivo acima citado, no sentido de que a nova regra não faz qualquer distinção quanto a sua aplicabilidade, ou seja, abrange todos os tipos de reserva de reavaliação, seja ela espontânea ou reflexa. E não poderia ser diferente, eis que a intenção do legislador, ao editar a MP n. 1.924/99, convertida na Lei n. 9.959/00, foi no sentido de não mais tributar antecipadamente as reservas de reavaliação, só vendo a sê-los quando da efetiva realização do bem reavaliado, evitando, com isso, uma elisão fiscal, pois, a partir da limitação da compensação de prejuízos fiscais na ordem de 30% do lucro real e da base de cálculo negativa da contribuição social, empresas que possuíam prejuízos consideráveis, levariam muito tempo para compensá-los, partindo, então, para a incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, provocando com isso a sua tributação imediata, reduzindo dessa forma substancialmente o prejuízo fiscal acumulado e a base negativa da contribuição social. De fato, tal intenção ficou assim consignada na Exposição de Motivos n. 819/MF, verbis: "8.. O art. 5', Determina que os valores decorrentes de reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente possam transitar em contas de resultado ou serem computadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido no momento da realização do objeto daquela reavaliação, impedindo, dessa forma, que tal procedimento seja adotado com a finalidade de .fugir da limitação imposta para a compensação de prejuízos ,fiscais e de bases de cálculo negativas, mediante a transformação destes em custo. Assim, entender de forma diferente, ou seja, de que a norma vale para a reavaliação espontânea, mas não para a reavaliação reflexa, estar-se-ia ignorarando por completa a intenção do legislador, eis que continuaria ainda ao dispor do contribuinte o 7 mecanismo que a lei veio estancar, não havendo, portanto, como dar tratamento fiscal diferente entre a reavaliação espontânea e a reavaliação reflexa, Nesse diapasão, vale transcrever ensinamento do Prof. Paulo de Barros Carvalho, que instado a se manifèstar sobre o tema, assim se posicionou no seu Parecer anexo aos autos (págs. 48 e 49, Doc. 01), vejamos: "Não tenho dúvidas de que essa pretensão legislativa ficaria frustrada caso o preceito se restringisse à reserva de reavaliação espontânea, pois continuaria sendo possível manipular o resultado do período mediante o uso indevido dos valores da reserva de reavaliação reflexa. Em vista disso, admitir tal restrição implicaria contrariedade aos objetivos do legislador, constantes da Exposição de Motivos n. 819/MF, as quais são determinantes na construção do sentido normativo," .,. o que pretendeu o legislador, com tal determinação foi impedir a manipulação do resultado do período em curso, objetivo esse que só poderá ser alcançado se a nova legislação for aplicada, indistintamente, tanto a reavaliações espontâneas como a reavaliações reflexas." Dessa forma, não tenho dúvida de que a nova regra estabelecida pela Lei n. 9.959/00, abrange todos os tipos de reserva de reavaliação, sem quaisquer distinções, eis que a norma é genérica e estatuiu expressamente que à reavaliação abrange quaisquer bens da pessoa jurídica e, sendo assim, não há como retirar de seu alcance o aumento do valor do patrimônio líquido do investimento em virtude de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada. Assim, ante os argumentos acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Especial interposto pela D.. Procuradoria da Fazenda Nacional, É como voto. ), NDRI Relator 8

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6116405 #
Numero do processo: 10925.002260/2006-45
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Base de Cálculo. Receita Bruta. Deduções. Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.158-35/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher o PIS sobre a receita operacional, com as deduções específicas estabelecidas nas leis nº 9.701 e 9.718, de 1998. Somente a partir de dezembro de 2005, quando entrou em vigor a nova redação do art. 30 da Lei nº 11.051/2004, fornecida pela Lei nº 11.196/2005, o legislador passou a admitir a exclusão dos ingressos atrelados a atos cooperados da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.530
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/2006­45  Acórdão n.º 3102­001.530  S3­C1T2  Fl. 357          2 Relatório  Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão  recorrido, que passo a transcrever:  Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima, conforme  termo  de  verificação  de  fls.  16­26,  foi  constatada  falta/insuficiência  de  recolhimento  do  PIS  para  o  período  ocorrido  entre  01/2001  e  12/2004,  em  razão  de  as  sociedades  cooperativas estarem sujeitas ao cálculo do PIS sobre a receita  bruta. Com base  na  fundamentação  legal  dada pelo art.3.°,  §§  2.°  e  3.°  da  LC  07/70,  artigos  2.°  e  3.°  da  lei  9.718/98,  com  alterações  das MP 1.807/99  e  1.858/99,  e  reedições,  art.4.°  da  lei 9.701/98, artigos 2.°, I, "a" e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51  do decreto 4.524/02, foi lavrado o auto de infração de fls. 03­08,  integrado  pelos  termos,  demonstrativos  e  documentos  neles  mencionados.  O  crédito  tributário  lançado,  composto  pela  contribuição, multa e juros de mora calculados até 30/11/2006,  perfaz o total de R$ 53.569,08.  2.  Inconformada  com  a  autuação,  da  qual  foi  devidamente  cientificada  em  07/12/2006,  a  contribuinte  apresentou  em  03/01/2007 a impugnação de fls. 240­248, documentos anexos às  fls. 249­296, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente  discriminadas:  2.1.  Informa  que  a  autoridade  fazendária  lavrou  a  peça  fiscal  objeto  desta  impugnação  com a  exigência  de  crédito  tributário  dos períodos de 31/01/2001 a 31/12/2004.  Todavia,  segue  a  impugnante,  a  autoridade  fiscal  deixou  de  se  reportar ao art.3°, § 4º, da LC 07/70, esquecendo que, para fins  operacionais,  essas  sociedades  são  tidas  como  instituições  financeiras,  sujeitando­se  às  regras  dos  bancos  em  geral,  nos  termos  da  lei  4.595/64,  porém,  antes  disso,  são  sociedades  cooperativas  com  tratamento  diferenciado  dado  pela  lei  5.764/71,  não  podendo  adotar  o  vocábulo  "banco"  em  sua  denominação, tampouco podendo funcionar sob a forma de S/A,  à  luz  do  disposto  no  art.25  da  lei  4.595/64,  eis  que  são  sociedades de pessoas, não de capital.  2.2. Transcreve art. 79, parágrafo único, 86, parágrafo único, e  111,  todos  da  lei  5.764/71,  concluindo  que,  enquanto  as  cooperativas operarem só com associados,  não há que  se  falar  em  resultado,  faturamento  ou  qualquer  outra  base  de  cálculo  imponível no campo tributário, pois a sociedade cooperativa é a  simples  soma  das  atividades  dos  sócios,  pessoas  físicas,  inexistindo  operações  de  mercado  para  qualquer  efeito,  nem  renda, lucro ou resultado da própria entidade.  2.3.  A  empresa  afirma  que  as  sobras/rendas  contabilizadas,  sobre  as  quais  exige  se  o  PIS  faturamento,  não  pertencem  à  sociedade,  e  devem  ser  devolvidas  aos  associados  na  razão  Fl. 754DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/2006­45  Acórdão n.º 3102­001.530  S3­C1T2  Fl. 358          3 direta  da  fruição  dos  serviços,­­conforme  art.4,­VII,­e­44,II,  da  lei  5.764/71.  Aduz  que  a  cooperativa,  não  visando  lucro,  nos  termos  do  art.3.°  da  lei  5.764/71,  não  paga  tributos  e  contribuições  que  tenham  como  base  o  resultado,  a  renda,  o  faturamento, etc., das empresas.  2.4.  Esclarece  que,  somente  quando  a  cooperativa  opera  com não­associados é que se sujeitará às regras tributárias  válidas  para  as  empresas  em  geral,  exclusivamente  em  relação ao  resultado/faturamento/renda dessas  operações.  Cita art.3.°, § 4.° da LC 07/70, destacando que o legislador  quis  dar  tratamento  diferenciado  às  entidades  que  não  visam  lucro,  não  podendo  uma  medida  provisória  mudar  essa  diretriz.  Menciona  o  art.2.°,  §  1º,  da  lei  9.715/98,  pontuando que as cooperativas, enquanto operarem só com  associados,  contribuirão  ao  PIS  com  base  na  folha  de  salários. Cita decisão do STJ a embasar sua tese.  2.5.  Pelo  exposto,  pede  seja  julgada  procedente  sua  impugnação,  eis  que  insubsistente  o  crédito  tributário  lançado.  Ponderando as  razões aduzidas pela autuada,  juntamente  com o consignado  no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se  observa na ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004   COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA.  As  cooperativas  de  crédito  estão  sujeitas  à  incidência  da  contribuição cuja base de cálculo, conforme a lei 9.718/98, é a  receita bruta da empresa.  COOPERATIVAS DE CRÉDITO.  Aplica­se  às  cooperativas  de  crédito  a  legislação  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  relativa  às  instituições  financeiras.  ARGUIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  E  DE  ILEGALIDADE.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  e  são  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade  e  de  ilegalidade.  Após  tomar  ciência  da  decisão  de  1ª  instância,  comparece  a  autuada  mais  uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações  manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa.  É o Relatório  Fl. 755DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/2006­45  Acórdão n.º 3102­001.530  S3­C1T2  Fl. 359          4 Voto             Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator  Tomo  conhecimento  do  presente  recurso,  que  foi  tempestivamente  apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção.  Enfrento  separadamente  cada  um  dos  pontos  que  deve  ser  alvo  de  manifestação por parte deste Colegiado.  1­ Incidência da Contribuição para o PIS sobre as Receitas Auferidas por Cooperativas  de Crédito  Com a devida vênia não vejo como reconhecer às cooperativas de crédito o  tratamento diferenciado consignado no parágrafo 4º do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de  19701.   A meu ver,  as  restrições à denominação da  sociedade, ou seja,  a vedação à  expressão banco, não produz qualquer efeito na fixação da sua natureza jurídica.   Com efeito, o parágrafo 1º do art. 18 da Lei nº 4.595, de 1964 é bastante claro  (original não destacado):  § 1º  Além dos  estabelecimentos  bancários  oficiais ou  privados,  das  sociedades  de  crédito,  financiamento  e  investimentos,  das  caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de  crédito das  cooperativas que a  tenham,  também se  subordinam  às  disposições  e  disciplina  desta  lei  no  que  for  aplicável,  as  bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as  sociedades  que  efetuam  distribuição  de  prêmios  em  imóveis,  mercadorias  ou  dinheiro,  mediante  sorteio  de  títulos  de  sua  emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas  que  exerçam,  por  conta  própria  ou  de  terceiros,  atividade  relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer  títulos,  realizando  nos  mercados  financeiros  e  de  capitais  operações  ou  serviços  de  natureza  dos  executados  pelas  instituições financeiras.  Por outro lado, não vejo como reconhecer que essa equiparação se limite aos  aspectos operacionais. Tal assertiva é afastada pelo § 1º do  art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991  que, expressamente equipara tais sociedades a instituições financeiras, para efeito de tributação  das receitas auferidas. Confira­se (original não destacado):  §  1o  No  caso  de  bancos  comerciais,  bancos  de  investimentos,  bancos  de  desenvolvimento,  caixas  econômicas,  sociedades  de  crédito,  financiamento  e  investimento,  sociedades  de  crédito  imobiliário,  sociedades  corretoras,  distribuidoras  de  títulos  e                                                              1 Art. 3º ­ O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas:  (...)  § 4º  ­ As  entidades de  fins  não  lucrativos,  que  tenham empregados  assim definidos  pela  legislação  trabalhista,  contribuirão para o Fundo na forma da lei.  Fl. 756DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/2006­45  Acórdão n.º 3102­001.530  S3­C1T2  Fl. 360          5 valores  mobiliários,  empresas  de  arrendamento  mercantil,  cooperativas  de  crédito,  empresas  de  seguros  privados  e  de  capitalização,  agentes  autônomos  de  seguros  privados  e  de  crédito  e  entidades  de  previdência  privada  abertas  e  fechadas,  além  das  contribuições  referidas  neste  artigo  e  no  art.  23,  é  devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento  sobre  a  base  de  cálculo  definida  nos  incisos  I  e  III  deste  artigo.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  Por outro  lado,  como é  cediço  a  isenção  consignada no parágrafo único do  art.  11  da Lei Complementar n°  70/91,  que  ao  instituiu  a COFINS  foi  tacitamente  revogada  pela Lei n° 9.718/98, em cujo art. 3º, §§ 5º e 6º, este último incluído pela Medida Provisória nº  2.158­35, de 2001, se lê:  § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art.  22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para  os  efeitos  da  COFINS,  as  mesmas  exclusões  e  deduções  facultadas  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição para o PIS/PASEP.  § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para  o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  além  das  exclusões  e  deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir:   Assim,  penso,  a  vedação  à  utilização  da  expressão  “banco”  em  sua  denominação  pouca  relevância  assume  para  a  definição  da  tributação  sobre  as  receitas  auferidas por cooperativas de crédito.  Aliás,  a  própria  Constituição  Federal,  por  ocasião  da  edição  da  Emenda  Constitucional de Revisão nº 01/1994, previu expressamente:  Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (Incluído pela  Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994)  (...)  III ­ a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação  da  alíquota  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  dos  contribuintes a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de  24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e  1995,  passa  a  ser  de  trinta  por  cento,  mantidas  as  demais  normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988;  (Incluído  pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994)  (...)  V ­ a parcela do produto da arrecadação da contribuição de que  trata a Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, devida  pelas pessoas jurídicas a que se refere o inciso III deste artigo, a  qual será calculada, nos exercícios financeiros de 1994 a 1995,  bem assim nos períodos de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho  de  1997  e  de  1º  de  julho  de  1997  a  31  de  dezembro  de  1999,  mediante a aplicação da alíquota de setenta e cinco centésimos  por cento, sujeita a alteração por lei ordinária posterior, sobre a  Fl. 757DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/2006­45  Acórdão n.º 3102­001.530  S3­C1T2  Fl. 361          6 receita  bruta  operacional,  como  definida  na  legislação  do  imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. natureza;  (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994)  É  extreme  de  dúvidas,  portanto,  que,  para  efeito  da  legislação  que  rege  a  contribuição  litigiosa,  os  rendimentos  auferidos  por  cooperativas  de  crédito  efetivamente  inserem­se no conceito de receita e, como tal, sujeitam­se à contribuição nos termos do arts. 2º  e 3º da Lei nº 9.718, de 1995:  Art.2°As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas  pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação  vigente  e  as  alterações introduzidas por esta Lei.  Art.3ºO  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  De se esclarecer que o Fisco considerou as deduções admitidas pelo art. 1º da  Lei nº 9.7012 e pelos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/983, ambas de 1998.                                                              2 Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social­ PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas  referidas  no§ 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991, poderão  efetuar as  seguintes exclusões ou  deduções da receita bruta operacional auferida no mês:  I­reversões  de provisões  operacionais  e  recuperações  de  créditos  baixados  como prejuízo,  que não  representem  ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e  os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados  como receita;  II ­ Revogado  III­  no  caso  de  bancos  comerciais,  bancos  de  investimentos,  bancos  de  desenvolvimento,  caixas  econômicas,  sociedades  de  crédito,  financiamento  e  investimento,  sociedades  de  crédito  imobiliário,  sociedades  corretoras,  distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito:  a)despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos;  b)encargos  com  obrigações  por  refinanciamentos,  empréstimos  e  repasses  de  recursos  de  órgãos  e  instituições  oficiais;  c)despesas de câmbio;  d)despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras;  e)despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional;  3 § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão  admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da  base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP.  § 6º   Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas  jurídicas  referidas  no  §  1o  do  art.  22  da  Lei  no  8.212,  de  1991,  além  das  exclusões  e  deduções  mencionadas  no  §  5o,  poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)   I  ­  no  caso  de  bancos  comerciais,  bancos  de  investimentos,  bancos  de  desenvolvimento,  caixas  econômicas,  sociedades  de  crédito,  financiamento  e  investimento,  sociedades  de  crédito  imobiliário,  sociedades  corretoras,  distribuidoras  de  títulos  e  valores  mobiliários,  empresas  de  arrendamento  mercantil  e  cooperativas  de  crédito:  (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de  2001)  b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído  pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de  2001)  e)  perdas  com  ativos  financeiros  e  mercadorias,  em  operações  de  hedge;  (Incluído  pela Medida  Provisória  nº  2158­35, de 2001)  Fl. 758DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/2006­45  Acórdão n.º 3102­001.530  S3­C1T2  Fl. 362          7 2­ Retroatividade Benigna  Não vejo, por outro lado, como aplicar retroativamente a nova redação do art.  30 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, incluído pelo art. 46 da Lei nº 11.196, de 21  de novembro de 2005:  Art.  30.  As  sociedades  cooperativas  de  crédito  e  de  transporte  rodoviário de cargas, na apuração dos valores devidos a  título  de  Cofins  e  PIS  ­  faturamento,  poderão  excluir  da  base  de  cálculo os ingressos decorrentes do ato cooperativo, aplicando­ se,  no  que  couber,  o  disposto no  art.  15  da Medida Provisória  no 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, e demais normas relativas  às cooperativas de produção agropecuária e de infra­estrutura.  Trata­se  de  norma  de  cunho  evidentemente  material,  que  só  se  tornou  aplicável no período de apuração iniciado em 1º de dezembro de 2005 e que, por não envolver  a aplicação de penalidade, não atrai a aplicação do art. 106 do CTN4:  3­ Conclusão  Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  Sala das Sessões, em 27 de junho de 2012  Luis Marcelo Guerra de Castro                                                              4 Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos  dispositivos interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de  tratá­lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não  tenha sido  fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.              Fl. 759DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10925.002260/2006­45  Acórdão n.º 3102­001.530  S3­C1T2  Fl. 363          8                   Fl. 760DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 1/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

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Numero do processo: 11128.004211/2004-33
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/06/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA MANIFESTADA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. O Imposto de Importação incide sobre mercadoria estrangeira entrada no território nacional, assim considerada aquela que consta em manifesto, mesmo que em trânsito para outro país. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RESPONSABILIDADE REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO Responde pelo Imposto de Importação o representante, no País, do transportador estrangeiro, nos termos da Lei.
Numero da decisão: 3201-00.433
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida e Tatiana Midori Migiyama (Suplente).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa

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MINISTÉRIO DA FAZENDA ;,../.;-. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .,p:tij:411L14, TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11128.004211/2004-33 Recurso n° 139.445 Voluntário Acórdão n° 3201-00.433 — 2' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria IIIIPI - FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/06/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA MANIFESTADA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. O Imposto de Importação incide sobre mercadoria estrangeira entrada no território nacional, assim considerada aquela que consta em manifesto, mesmo que em trânsito para outro país. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RESPONSABILIDADE REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO Responde pelo Imposto de Importação o representante, no País, do transportador estrangeiro, nos termos da Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / i a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida e Tatiana Midori Migiyama (Suplente). Processo n°11128004211/2004-33 53-C2T1 Acórdão n.°3201-00.433 Fl. 247 s' JUDIT DO s ARAL MARCONDES A • :NDO Presid • ( ROSA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. Processo n°11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00433 Fl. 248 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 01 a 15, em face da empresa acima qualificada, para exigência do crédito tributário — Imposto de Importação e multa prevista no artigo 628, III alínea "d" do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 4543/02, apurado por meio do Termo de Vistoria - processo n°. 11128.003564/2004-16, fls. 35/38, no valor R$ 17.073,08 (dezessete mil e setenta e três reais e oito centavos). Segundo consta dos autos, a vistoria aduaneira foi realizada a pedido do importador AQUIDABAN IMPORT EXPORT, nas mercadorias amparadas pelo conhecimento de carga IIDD 002893, acondicionadas no container CSVU 406.088- 6, descarregado do navio NYK ESPÍRITO, que entrou no Porto de Santos em 21/06/2004. De acordo com o Termo de Avaria de Container n°. 004098/2004, emitido pelo depositário, a unidade de carga referenciada foi descarregada com suspeita de falta/avaria, divergência de peso e lacre, motivo pelo qual foi constituída a Comissão de Vistoria Aduaneira para verificar a ocorrência de avaria e/ou extravio das mercadorias estrangeiras ingressadas no território nacional bem como identificar o responsável e apurar o crédito tributário dele exigível, nos termos do artigo 581, § I° do Decreto 4543/2002. No ato da Vistoria Aduaneira constatou-se que a falta dos elementos de segurança (lacre de origem) bem como, a divergência de peso, apontada no Certificado de Descarga e/ou avaria, foram as causas determinantes das faltas de mercadorias apontadas no DAAF — Demonstrativo de Apuração de Avaria e/ou faltas de mercadorias — Anexo V era do transportador — emissor do conhecimento Marítimo — MONTEMAR MARÍTIMA S/A REP. P/ CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO, com base nos artigos 591 e 592 do Decreto n°. 4.543/02, cuja matriz legal e o Decreto-Lei n°. 37/66. Cientificada da autuação, a interessada protocolizou sua impugnação de fls.54/81, argumentando em síntese que: Não é contribuinte do Imposto de Importação nem transportadora marítima que deu causa ao suposto extravio da carga, mas mera agente mandatária da armadora locatária do navio, emissora do conhecimento de carga; O container em questão foi estufado e lacrado pelo próprio exportador dizendo conter 1.287 caixas de papelão com produtos de perfumaria conforme fatura comercial anexa; A unidade de carga foi embarcada no porto de Lê Havre, para ser descarregada no porto de Santos em transito para a Cidade do Leste, Paraguai, seu destino final; 3 Processo n° 11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.433 Fl. 249 Tal transporte foi realizado na condição FCL/FCL, também conhecida como House-to-House (Casa-a-Casa), termo denotando um serviço de frete onde as mercadorias são estufadas num container nas dependências do exportador, que é entregue lacrado ao navio transportador, e só são desovadas nas dependências do consignatário ou local por este designado sob a cláusula "said to contam " (diz conter); O navio atracou no porto de Santos em 21 de junho de 2004 no terminal da LIBRA e descarregou a unidade de carga que apresentou indícios de avaria (diferença de peso sem qualquer menção à divergência de lacre); A vistoria aduaneira foi solicitada pelo consignatário da mercadoria representado por seu procurador local; A Comissão de Vistoria Aduaneira concluiu que a responsabilidade pelas avarias apontadas no termo emitido pelo depositário (lacre de origem violado, falta de mercadorias) foi do transportador, emissor do conhecimento marítimo — MONTEIVIAR MARITEVIA S.A, REP. POR CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO; O lançamento do credito tributário contra a CIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO, mandatária do transportador, é anulável de pleno direito, primeiro porque a jurisprudência de nossos Tribunais já decidiu que o agente marítimo não responde por tributos devidos pelo seu agenciado e, segundo que as mercadorias em trânsito para o Paraguai são beneficiadas pelo regime aduaneiro livre, por força do acordo internacional sancionado por Decreto; Assim, preliminarmente, há de ser reconhecida a ilegitimidade passiva do agente marítimo para responder por débito fiscal imputado a transportador, ainda que estrangeiro; A exação fiscal é ilegal, pois está lastreada no artigo 32 § único do Decreto 2472/88, cuja inconstitucionalidade já foi consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme demonstra a farta jurisprudência juntada ao processo; A tributação contida no termo de Vistoria Aduaneira n°. 065/04, objetiva a cobrança do Imposto de Importação e multa atinentes às mercadorias que não foram importadas por brasileiros, mas em trânsito aduaneiro para o Paraguai. Posto isso, não há fundamento para considerar a defendente, mero agente- mandatário do transportador marítimo emissor do BL, responsável pelos tributos relativos ao extravio de carga em trânsito aduaneiro internacional. Diante do exposto, pede a anulação do lançamento tributário. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na uuenta correspondente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/06/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA - Por expressa determinação legal, o Agente Marítimo responde pelo extravio de mercadoria que se encontrava sob custódia do transportador estrangeiro. Decreto-lei n°. 2.472/88. VISTORIA ADUANEIRA - Extravio de Mercadoria - Responsabilidade do transportador - A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de 4 Processo if 11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.433 Fl. 250 mercadorias ocorrido durante o transporte, será do representante do transportador estrangeiro por expressa determinação legal. Inconformada com a decisão de primeira instância, a autuada apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual reafirma entendimento expresso em sede de impugnação ao lançamento. Requer a nulidade do auto de infração ante a inexistência de relação tributária entre a Fazenda Nacional e a agência marítima. Sustenta que as responsabilidades delimitadas pela lei civil devem ser observadas pela Fazenda Nacional. Neste sentido, cabia à agência apenas "diligenciar nos portos onde escalam os navios de propriedade de seus mandantes, com o escopo de obter a sua atracação, operações de carga e administração financeira dos seus gastos e receitas no pais. Nada mais.", não podendo ser responsabilizada pelo pagamento de tributo, ainda que tenha assinado Termo de Responsabilidade. Cita doutrina e jurisprudência. No mérito, entende não ter acontecido o fato gerador do Imposto, conforme prescrito no Decreto 50.529, que regulamenta a utilização dos entrepostos de depósito franco em Santos e Paranaguá, em virtude de convenios assinados entre o Brasil e o Paraguay. Finalmente, refere-se à cláusula said to contamn informada no conhecimento de carga como fator excludente de sua responsabilidade sobre a carga transportada, que, tudo conforme entende, identifica tratar-se de carga embarcada pelo próprio exportador. 5 Processo n° 11128.004211/2004-33 83-C2T1 Acórdão n.°3201-00.433 Fl. 251 Voto Conselheiro RICARDO ROSA, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Não se confirma a preliminar de nulidade do auto de infração pela inexistência de relação tributária entre a Fazenda Nacional e a recorrente. A relação tributária decorre de expressa previsão legal, como já bem examinado na decisão de piso. O Código Tributário Nacional assim define no campo da responsabilidade tributária. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz- 1 - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Particularmente em relação à responsabilidade da empresa recorrente no caso concreto, a legislação ordinária assim definiu. Decreto 4.543/02. Art. 105. É responsável solidário: 1- o adquirente ou o cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto (Decreto-lei n g 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso I, com a redação dada pela Medida Provisória n' 2.158-35, de 2001, art. 77); II - o representante, no Pais, do trans *criador estrangeiro (Decreto-lei n° 37. de 1966. art. 32 parágrafo único, inciso 11, \\3:\ Processo n° 11128.004211/2004-33 53-C2T1 Acórdão n8 3201-00.433 Fl. 252 com a redacão dada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001 art. 77)- (grifei) III - o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Decreto-lei n° 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso III, com a redação dada pela Medida Provisória d 2.158-35, de 2001, art. 77); IV - o expedidor, o operador de transporte multimodal ou qualquer subcontratado para a realização do transporte multimodal (Lei n a 9.611, de 19 de fevereiro de 1998, art. 28); e V - qualquer outra pessoa que a lei assim designar. § 12 A Secretaria da Receita Federal poderá (Medida Provisória n2 2.158-35, de 2001, art. 80): 1- estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II - exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio liquido do importador ou do adquirente. § 2' A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto no inciso III e no § 1' deste artigo (Medida Provisória na 66, de 2002, art. 29). Por outro lado, ao contrário de como pretende a recorrente, o assunto não se resolve pela subordinação da Fazenda Nacional às responsabilidades delimitadas pela lei civil, mas, contratio sensu, pela determinação expressa no Código Tributário Nacional de que os acordos firmados entre os particulares não podem ser opostos à Fazenda Priblica, assim como os princípios do direito privado não tem o condão de modificar os efeitos tributários decorrentes. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Ademais, há uma questão de cunho lógico a respaldar as disposições legais acima transcritas. É claro que, não havendo como impor exação a pessoa sediada em outro pais, as cláusulas contratuais próprias da transação não poderiam colocá-la na condição de responsável ou contribuinte. Também no mérito não assiste razão à recorente. \ 7 Processo IP 11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.433 R 253 Conforme legislação de regência, o imposto incide sobre mercadoria importada, considerando-se como tal aquela que constar em manifesto, não havendo qualquer excludente em relação às que tenham entrado no território nacional em trânsito para outro pais. Decreto 4.543/02. Art. 69. O imposto de importação incide sobre mercadoria estrangeira (Decreto-lei n° 37, de 1966, art. 1°, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472, de 1988, art. 12). Parágrafo único, O imposto de importação incide, inclusive, sobre bagagem de viajante e sobre bens enviados como presente ou amostra, ou a título gratuito (Decreto d 1.789, de 12 de janeiro de 1996, art. 62). Art. 71. O imposto não incide sobre: I - mercadoria estrangeira que, corretamente descrita nos documentos de transporte, chegar ao Pais por erro inequívoco ou comprovado de expedição, e que for redestinada ou devolvida para o exterior; II - mercadoria estrangeira idêntica, em igual quantidade e valor, e que se destine a reposição de outra anteriormente importada que se tenha revelado, após o desembaraço aduaneiro, defeituosa ou imprestável para o fim a que se destinava, desde que observada a regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda; 111 - mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento; IV - mercadoria estrangeira devolvida para o exterior antes do registro da declaração de importação, observada a regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda; e V - embarcações construídas no Brasil e transferidas por matriz de empresa brasileira de navegação para subsidiária integral no exterior, que retornem ao registro brasileiro, como propriedade da mesma empresa nacional de origem (Lei tf 9.432, de 8 de janeiro de 1997, art. 11, § 10). Art. 72. O fato gerador do imposto de importação é a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro (Decreto-lei n' 37, de 1966, art. 1°, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472, de 1988, art. 19. § 12 Para efeito de ocorrência do fato gerador, considera-se entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira (Decreto-lei n' 37, de 1966, art. 1°, § 2°, com a redação dada pelo Decreto-lei n 2 2.472, de 1988, art. § 2' O disposto no § 1 não se aplica: 1- às malas e às remessas postais internacionais; e 8 Processo n° 11128.004211/2004-33 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.433 Fl. 254 .li - à mercadoria importada a granel que, por sua natureza ou condições de manuseio na descarga, esteja sujeita a quebra ou a decréscimo, desde que o extravio não seja superior a um por cento (Decreto-lei ri" 37, de 1966, art. 1 2, § 3", com a redação dada pelo Decreto-lei n2 2.472, de 1988, art. 12): § 3° Na hipótese de ocorrer quebra ou decréscimo empercentual superior ao fixado no inciso II do § 2, será exigido o imposto somente em relação ao que exceder a um por cento. Por todo o exposto, estando perfeitamente constituída a relação jurídica entre a recorrente e o Erário assim como o fato gerador do Imposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. r \I I r1c,‘,Sala às OSA Sessões, em 28 de abril de 2010 .;,,,,,,t, rs \II!I ,, 14,\ \,i 9

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6074023 #
Numero do processo: 10825.000023/2003-25
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. A contribuição social sobre o lucro liquido "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, III, "h" , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.045
Decisão: ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc

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A contribuição social sobre o lucro liquido "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, III, "h" , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. (Assinado com certificado digital) Carlos Alberto de Freitas Barreto - Presidente (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini, Marcos Vinicius Fl. 605DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 5 _________ 2 Neder de Lima, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado), Sandra Maria Faroni (Substituta convocada), Valmir Sandri (Substituto convocado), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Substituto convocado), Eduardo Tadeu Farah (Substituto convocado), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-presidente da CSRF) e Antonio Praga (Presidente da CSRF). Ausente ocasionalmente o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório Por meio do Acórdão CSRF/01-05.517 a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento de ofício da CSLL. O julgado recebeu a seguinte ementa: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA — CSLL— SUA NATUREZA TRIBUTARIA — APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN: A Contribuição social sobre o lucro liquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, Ill, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. Recurso especial negado." Regularmente notificada daquele julgado, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, alegando que a decisão recorrida negou vigência ao art. 45 da Lei nº 8.212/91 ao declarar, ainda que incidentalmente, a sua inconstitucionalidade. Ao assim decidir, o acórdão recorrido divergiu do Acórdão CSRF/02-01.665, que concluiu pela aplicabilidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, uma vez que os órgãos administrativos de julgamento não podem afastar a aplicação de dispositivo legal em face de sua suposta inconstitucionalidade, sob pena de violação do art. 22-A do Regimento Interno da CSRF. Por meio do despacho de fls. 573/576 do processo digitalizado o recurso extraordinário foi admitido. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 6 _________ 3 Regularmente notificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões de fls. 583/600, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, deixou o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para fins de formalização deste acórdão adoto o voto do Conselheiro José Clóvis Alves, apresentado como fundamento do Acórdão nº 000.043, julgado nesta mesma assentada, in verbis: "Entendo não haver razão ao recorrente, é que sendo a decadência, por força do artigo 146 inciso III letra "h" da Constituição Federal de 1988, matéria de reservada à Lei Complementar, somente lei de igual hierarquia poderia alterar os conceitos existentes na Lei n° 5.172/66, CTN. Entendo também que o § 4° do artigo 150 do CTN quando diz "se a lei não dispuser de forma diversa", está se referindo a outra lei complementar, pois se assim não for entendido estaríamos diante da situação na qual o legislador complementar contrariaria o constitucional, pois quis esse último reservar determinadas matérias à Lei Complementar que tem quorum privilegiado. Sobre a matéria vale transcrever voto do iminente conselheiro Natanael Martins no Acórdão n° 107-06.455 de 08 de novembro de 2.001, o qual adoto como razão de decidir a matéria de decadência da CSL. "A questão ora sob exame resulta de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Inicialmente, deve ser apreciada a preliminar de decadência argüida pela contribuinte, a qual tem relevância fundamental no julgamento deste processo, sendo certo que a natureza jurídica do lançamento da contribuição social sobre o lucro, pelas suas próprias características, em tudo e por tudo, idêntica do IRPJ, pelo que tomo a liberdade de me reportar ao que sobre o assunto já tive a oportunidade de escrever: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 7 _________ 4 "A questão da natureza jurídica do lançamento do imposto de renda das pessoas jurídicas no âmbito do 1° Conselho de Contribuintes ainda é acirrada, podendo no entanto afirmar-se que a corrente pelo menos até hoje majoritária entende tratar-se de um lançamento por declaração. Não é o que pensamos e o que passaremos a demonstrar, obviamente deixando de lado as criticas que a doutrina faz relativamente aos tipos de lançamentos descritos no CTN, dado não ser este o escopo de nosso trabalho. Com efeito, o Código Tributário Nacional, instituído pela Lei 5172/66, recepcionado com eficácia de lei complementar, como é cediço, disciplina as normas gerais em matéria tributária, inclusive no concernente aos tipos de lançamento e aos prazos em matéria de decadência e prescrição. No que se refere à decadência, genericamente, estabelece o art. 173 do CTN: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II. da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento". Por outro lado, de forma totalmente assistemática, na disciplina do denominado lançamento por homologação, estabeleceu-se no art. 150, § 4º , do CTN: "Art 150 - 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo 6 homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação" Fl. 608DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 8 _________ 5 Ou seja, enquanto que, regra geral, o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado (CNT, art. 173, I), sendo licito, portanto, afirmar-se que o prazo, contado da ocorrência do fato gerador, não é propriamente de cinco anos, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador sendo o prazo, neste caso, propriamente de cinco anos. Lançamento por homologação, na definição do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operando-se pelo ato em que referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Pois bem, relativamente ao imposto de renda das pessoas jurídicas, muito se discutiu e ainda hoje se discute, sobre a natureza jurídica do lançamento que o corporifica, havendo aqueles que o julgam como um tributo sujeito a lançamento por declaração ou misto, outros, mais recentemente, defendendo que a sua natureza, hoje, seria a de lançamento por homologação. Alberto Xavier, em sua clássica obra Do lançamento, Editora Resenha Tributária, 1977, ferindo a questão, naquela oportunidade, defendeu a idéia de que o lançamento do imposto de renda não se traduz num caso de auto lançamento (ou lançamento por homologação), pela circunstância especifica de que a fiscalização, no ato da entrega da declaração, examina o seu conteúdo, procedendo em face deste ao lançamento e, no próprio momento, notifica o contribuinte do imposto que lhe foi lançado. Dai conclui Alberto Xavier: "Ora, na hipótese em apreço não se verifica um pagamento prévio ou antecipação do imposto, mas sim um verdadeiro lançamento com base na declaração, regido pelos arts. 147 e 149 do Código Tributário Nacional, com a única particularidade de o ato administrativo de lançamento ser praticado no próprio ato da entrega da declaração e não no momento posterior do procedimento tributário". (pg. 80). Entretanto, se naquela ocasião podíamos compartilhar da opinião de Alberto Xavier, após o advento do Decreto-lei 1967/82 (e, com maior razão, ainda, a vista das Leis 8383/91, 8541/92, 8981/93 e 9249/95), passamos a pensar de forma diversa. Com efeito, com a edição do Decreto-lei 1967/82, desvinculou-se o prazo do pagamento do imposto com a entrega da declaração de rendimentos não havendo mais, pois, o prévio exame da autoridade administrativa. Se mais não bastasse, com a descentralização da entrega da declaração de rendimento, não se pode alegar, em absoluto, estar havendo exame do Fl. 609DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 9 _________ 6 lançamento pela autoridade administrativa, pois o simples carimbo aposto pelo estabelecimento receptor da declaração (que, aliás, pode ser uma instituição financeira), à evidência, não pode ser considerado notificação de lançamento nos termos preconizados no art. 142 do CTN. Logo, o contribuinte recolhe (está obrigado) as parcelas do imposto devido sem que tenha ocorrido qualquer manifestação da autoridade administrativa. Ademais, grande parte do imposto já deve ser recolhido antes da própria entrega da declaração de rendimentos sob a forma de antecipações, duodécimos ou recolhimentos estimados (calculável com base em lucro presumido) na linguagem atual. Não há dúvida, pois, ser o IRPJ um tributo sujeito a lançamento por homologação. A declaração do imposto de renda, hoje, representa o cumprimento de um dever meramente instrumental do contribuinte perante a Fazenda Pública, constituindo-se, além disso, por força das normas que a disciplina, do ponto de visto jurídico, confissão de divida quanto ao crédito tributário porventura indicado ou, quanto ao resultado negativo nela quantificado, o direito de crédito (abatimento) do contribuinte. Nessa linha de raciocínio, a Fazenda Nacional deve verificar a atividade do contribuinte, homologando-a dentro do prazo de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual considera-se-6, de forma tácita, homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito a ele correspondente, decaindo, portanto, o direito de a Fazenda corrigir ou lançar "ex officio" (via auto de infração) o tributo anteriormente não pago, sendo inaplicável espécie a regra do art. 173, 1, do CTN ou a disciplinada no § 2° do art. 711 do RIR/80, aliás não reproduzida no atual RIR194. Paulo de Barros Carvalho, a esse propósito, é claro: "Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direito da Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o aludido prazo, uma vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. 0 exposto já nos permite uma inferência: é incorreto mencionar prazo qüinqüenal de decadência, a não ser nos casos em que o lançamento não é da essência do tributo - hipóteses de lançamento por homologação - em que o marco inicial de contagem é a data do fato jurídico tributário" (Curso do Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. Ed., pg. 311). Nem se diga que a regra de contagem, em eventuais casos de prejuízos fiscais não poderia ser a estabelecida no art. 150, § 4°, do CTN, mas sim a do art. 173, I, ao argumento de que não teria havido nenhum pagamento (apurou-se prejuízo fiscal no período), não havendo, pois, o que homologar. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 10 _________ 7 A primeira vista esse argumento impressiona, "máxime" em face de decisões do Conselho de Contribuintes relativas a IRF, que se consubstanciaria em hipótese de lançamento de oficio e não por homologação, regrado pelo art. 173, I, do CTN, justamente porque, dizem, não havendo pagamento, nada há a ser homologado.(confira-se, v.g., Acórdão do 1° C.C. n° 101- 83.005/92 - DOU de 07.01.94) Entretanto, o entendimento acima exposto, sufragado pelo Conselho de Contribuintes, em nada se assemelha ao tema que ora se debate, já que naquelas hipóteses (lançamento de ofício de 1RF) o contribuinte de fato não praticou nenhuma ação (atividade) tendente 5 quantificação do "quantum debeatur" sujeito a pagamento antecipado. É que em matéria de imposto de renda determinado em função do lucro (real ou presumido), os contribuintes, sempre e necessariamente, levam ao conhecimento da autoridade administrativa toda a atividade que exercem (procedimentos), tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. Ora, o que se homologa não é propriamente o pagamento, mas sim toda a atividade procedimental desenvolvida pelo contribuinte. Souto Maior Borges, em sua magnífica obra sobre o Lançamento Tributário (volume 4 do Tratado de Direito Tributário Brasileiro, Forense, 1981), em diversas passagens, fere profundamente essa questão não deixando dúvidas sobre a matéria, valendo a pena transcrevê-las: "... o que se homologa não é um prévio ato de lançamento, mas a atividade do sujeito passivo adentrada no procedimento de lançamento por homologação, não é ato de lançamento, mas pura e simplesmente a "atividade" do sujeito, tendente satisfação do crédito tributário"... (fls. 432). "...Compete à autoridade administrativa, "ex vi" do art. 150, ca put, homologar a atividade previamente exercida pelo sujeito passivo, atividade que em principio implica, embora não necessariamente, em pagamento. E, o ato administrativo de homologação, na disciplina do C.TN., identifica-se precisamente com o lançamento (art. 150, caput)". (fls. 440/441), Mais adiante, dando fecho a sua conclusão, assevera o Mestre Pernambucano: "...Consequentemente, a tecnologia contemplada no C.TN. é, sob esse aspecto, feliz: homologa-se a "atividade" do sujeito passivo, não necessariamente o pagamento do tributo. O objeto da homologação não será então necessariamente o pagamento". (fls. 445) Fl. 611DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 11 _________ 8 Aliás, a interpretação de que o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento realizado é a única possível, sob pena de nulificar todas as regras insertas no art. 150 e §§ do CTN, especialmente a do § 4º. Com efeito, dizer-se que o que se homologa seria o pagamento (interpretação puramente literal do caput do art. 150 do CTN), com a devida vênia, significa nada dizer-se já que o pagamento, caso efetuado, sempre e necessariamente, seria homologável. Noutras palavras, o legislador, à evidência, não quis dizer (e não disse) que homologável seria o pagamento do tributo (R$ 100,00, p.ex.), posto que o valor recolhido, qualquer que seja a sua grandeza, considerado em si mesmo, não diverge (R$ 100,00 são , sempre e necessariamente, R$ 100,00) sendo, pois, inexoravelmente homologável. Nesse diapasão, admitindo-se a tese de que homologável seria apenas o valor pago (atividade de pagamento), a regra inserta no § 4º do art. 150 do CTN, porque então não haveria sobre o que divergir, seria estúpida e absolutamente desnecessária, posto que não abrangeria as situações em que não tenha havido pagamento ou que, em tendo havido, o teria sido feito com insuficiência, não obstante toda a atividade procedimental exercida pelo contribuinte. Certamente que esta conclusão, por conduzir ao absurdo, não pode e não deve prevalecer. 0 intérprete e aplicador do direito, sobretudo o investido em funções judicantes, deve buscar, para além das palavras, o exato conteúdo normatizado. Ou nos afastamos do sentido puramente literal posto na lei ou, com a devida vênia, sem demérito aos ilustres filólogos e lexicográficos, se interpretar o direito significasse simplesmente colocar a norma jurídica A vista de conceitos postos em dicionários, parodiando Paulo de Barros Carvalho, "... seriamos forçados a admitir que os meramente alfabetizados, quem sabe com o auxilio de um dicionário de tecnologia jurídica, estariam credenciados a descobrir as substâncias das ordens legisladas, explicitando as proporções do significado da lei. 0 reconhecimento de tal possibilidade roubaria à Ciência do Direito todo o teor de suas conquistas, relegando o ensino universitário, ministrado nas Faculdades, a um esforço estéril, sem expressão a sentido prático de existência. Dai por que o texto escrito, na singela conjugação de seus símbolos, não pode ser mais que a porta de entrada para o processo de apreensão da vontade da lei; jamais confundida com a intenção do legislador. 0 jurista, que nada mais é do que o lógico, o semântico e o pragmático da linguagem do direito, há de debruçar-se sobre os textos, quantas vezes obscuros, contraditórios, penetrados de erros e imperfeições terminológicas, para captar a essência dos institutos, surpreendendo, com nitidez, a função da regra, no implexo quadro normativo. E, à luz dos princípios capitais, que no campo tributário se situam no nível da Constituição, passa a receber a plenitude do comando expedido pelo legislador, livre de seus defeitos e apto para produzir as conseqüências que lhe são Fl. 612DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 12 _________ 9 peculiares. (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. edição, pgs. 81/82). Carlos Maximiliano, mestre dos mestres na arte da hermenêutica e interpretação do direito, a propósito da matéria preleciona: "... nunca será demais insistir sobre a crescente desvalia do processo filológico, incomparavelmente inferior ao sistemático e ao que invoca os fatores sociais, ou do Direito comparado. Sobre o pórtico dos Tribunais conviria inscrever o aforismo de Celso ...: "saber as leis é conhecer-lhes, não as palavras, mas a força e o poder", isto é, o sentido e o alcance respectivo. (Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 9a edição, pg. 122). Mais adiante, já tratando do processo sistemático de interpretação, Carlos Maximiliano dá a pedra de toque à sua lição: "Consiste o Processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese, com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto. Não se encontra um principio isolado, em ciência alguma, acha- se cada um em conexão intima com outros... Cada preceito, portanto, é membro de um grande todo; por isso do exame em conjunto resulta bastante luz para o caso em apreço. Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da mesma emanaram; verifica-se o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, e deste modo se obtem esclarecimentos preciosos. 0 preceito, assim submetido a exame, longe de perder a própria individualidade, adquire realce maior, talvez inesperado. Com esse trabalho de síntese é melhor compreendido. O hermeneuta eleva o olhar, dos casos especiais para os princípios dirigentes a que eles se acham submetidos; indaga se, obedecendo a uma, não viola outra; inquire das conseqüências possíveis de cada exegese isolada. Assim contempladas do alto os fenômenos jurídicos, melhor se verifica o sentido de cada vocábulo, bem como se um dispositivo deve ser tomado na acepção ampla, ou na estrita, como preceito comum, ou especial. (ob. cit., pgs. 128/129) Ou seja, concluir se o pagamento ou não do tributo teria o condão de definir a natureza do lançamento do tributo e, consequentemente, o prazo de decadência a ele aplicável, impõe- se empreender não a busca de significado literal que os vocábulos postos nos textos legais possam ter, mas sim analisá- los à luz de todo o ordenamento jurídico-tributário para, somente após, chegar-se à correta conclusão. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 13 _________ 10 Ora, tendo-se presente consistir o lançamento um procedimento administrativo (atividade) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, etc (CTN, art. 142); tendo-se presente que nos tributos sujeitos ao pagamento sem o prévio exame da administração não existe, propriamente, o lançamento; tendo-se presente, por fim, que a administração pública, tomando por empréstimo toda a atividade exercida pelo contribuinte (não apenas o pagamento, que é eventual), tacitamente a homologa, evidentemente que o pagamento do tributo não é fator fundamental, sendo para a simples conferência se o "quantum" apurado "casa" com o "quantum" recolhido. Fundamental, isto sim, é toda atividade exercida pelo contribuinte levada a conhecimento da autoridade administrativa, esta sim objeto da homologação. O pagamento, assim, por si só, não tem o condão de definir a modalidade de lançamento a que o tributo se sujeita, sob pena de se ter de assumir que esta poderia ser dupla, conforme houvesse ou não o pagamento. Enfim, por essas razões, entendemos que o lançamento de IRPJ é por homologação, devendo a contagem de prazo decadencial, portanto, ser feita em conformidade com a regra prescrita no artigo 150, § 4°, do CTN" (Revista Dialética de Direito Tributário n° 26 — p.61/66). Com efeito, a contribuição social sobre o lucro, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, todos da Constituição Federal e, ainda, em face das reiteradas decisões da Suprema Corte, indiscutivelmente, tem caráter tributário e, assim, deve seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem especificas. Nesse contexto, em vista do disposto no art. n° 146, III, "b", da Constituição Federal, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. A E. Oitava Câmara deste Conselho de Contribuintes, em sessão de 16/07/98, ao apreciar matéria idêntica, no mesmo sentido, decidiu pelo acolhimento da preliminar de decadência, nos termos do Acórdão n° 108-05.255, assim ementado: "IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. 0 imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social Sobre o Lucro (CSSL) são tributos cujas legislações atribuem ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se, portanto, à sistemática de lançamento impropriamente denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca- se da regra geral (art. 173 do CTN) para encontrar respaldo no Fl. 614DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 14 _________ 11 § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador."" Sobre a possibilidade de que a câmara recorrida estaria declarando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91. Aos julgadores administrativos cabe apreciar fatos concretos, diante de provas trazidas aos autos pelas partes, interpretar a legislação aplicada aos fatos, e decidir conforme sua livre convicção. Ora, a análise da legislação, quando pareça ao julgador estar diante da aplicação de duas legislações ao mesmo fato concreto, deve iniciar-se pela lei maior, ou seja, a Constituição e aplicar aquela que esteja em consonância com a Carta Magna. Impedir que o julgador analise a legislação partindo da lei maior, implicaria em não haver julgamento quanto à correta aplicação da lei no lançamento tributário, ficaria o julgador somente com a apreciação das provas trazidas aos autos. Ora, nenhuma a câmara decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/95, mas simplesmente aplicou a lei maior, por entender inaplicável tal dispositivo ao caso concreto. Na realidade o artigo 45 da Lei 8.212/91 entrou em conflito com os artigos 150 § 40 e 173 do CTN, e de forma reflexa ou indireta com o artigo 146 da Constituição Federal de 1.988. Dar validade à norma contida no artigo 45 da lei 8.212 seria negar validade às normas contidas nos citados artigos do CTN. Ou seja o julgador se sente obrigado a fazer uma escolha e no caso a opção necessariamente deve ser pela norma geral, pois se aceitar o prazo de 10 anos contido em lei ordinária também terá que aceitar se o mesmo fosse fixado em 30, 50 ou 200 anos. Embora seja relativamente nova a lei 8.212/91, o Judiciário já teve oportunidade de apreciar a constitucionalidade do seu artigo 45, através do Tribunal Regional Federal da 4a Região que na Al n° 2000.04.01.092228-3/PR, assim pronunciou o Juiz Relator: "0 art. 46, III, b, da Constituição Federal dispõe que 'Cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários'. 0 prazo decadencial das contribuições sociais destinadas seguridade social, considerando sua natureza tributária, também se submete a essa norma constitucional, o que eqüivale a dizer que a decadência do direito relativo à contribuições previdenciárias deve obedecer o prazo estabelecido no art. 173, por ser este lei complementar, assim recepcionados pela CF/88. Nesse sentido o entendimento do Supremo Tribunal Federal, in verbis: 'A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. E que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146,III,b). Quer dizer os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei Fl. 615DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 15 _________ 12 complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art.146, III, b, art. 149). (STF, Plenário, RE 148754-2/RJ, excerto do voto Min. Carlos Velloso, jun. 93). Se assim é, então o art. 45 da Lei n° 8.212/91 — que prevê o prazo de 10 anos para que a Seguridade Social apure e Constitua seus créditos — padece de inegável vicio de constitucionalidade formal, pois 'cabe lei complementar (e não à lei ordinária, insisto), estabelecer normas gerais, em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (CF, art. 146, Ill, b). E a regra contida no artigo 173 do CTN, que trata de decadência tributária, pois derrogada pelo mencionado art. 45 da Lei n° 8.212/91 é incontestavelmente norma geral em matéria tributária, conforme assinala Sacha Calmon Navarro Coelho, em seus Comentários à Constituição de 1988 — Sistema Tributário, 'in verbis; Realmente, vale observar, o Livro ll do CTN, que inicia com o art. 96 e termina com o art. 218, passando naturalmente, pelo discutido art. 173, tem expressivo titulo "Normas Gerais de Direito Tributário'. Em suma, francamente não vejo como prestigiar a relativa presunção de constitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.218/91, nem mesmo a pretexto de interpretá-lo conforme a Constituição, pois invadiu área reservada lei complementar, vulnerando dessa forma, o art. 146, Ill, b, da Constituição Federal. Por fim, oportuno assinalar que a exigência de lei complementar para determinadas matéria, dentre as quais a decadência tributária, não é obra do acaso feita pelo poder constituinte originário. Sua razão de ser está na relevância dessas matérias e, exatamente por isso sua aprovação está condicionada necessariamente a 'quorum' especial (art. 69 da CF); ao contrário da lei ordinária (art. 47 da CF). Nessas condições, declaro a inconstitucionalidade da expressão do caput do art. 45 da Lei n° 8.212/91, com efeito ex 'tunc e eficácia inter partes. E o voto." 0 Ministro Carlos Velloso do STF, ao apreciar o RE no 138.284, deixou claro em trecho do seu voto que a decadência é matéria reservada à lei complementar, verbis: "Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se iã lei complementar de normas gerais, assim ao CTN (art. 146, Ill ex vi do disposto no art.149). ........................ Fl. 616DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10825.000023/2003-25 Acórdão n.º 00-00.045 CSRF/T00 Fls. 16 _________ 13 A questão de prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios de lei complementar de normas gerais (art. 146, III b). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa disposição constitucional, ás contribuições parafiscais (CF, art. 146, Ill, b; art. 149)." Analisando os autos verifico que o lançamento diz respeito a fato gerador relativo 31.12.92. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação (art. 150 § 4° do CTN), a autoridade tributária teria até 31.12.97, respectivamente para rever o lançamento. A ciência do Auto de Infração se deu em 26 de setembro de 2.000, depois de esgotado o prazo para se rever o lançamento, sendo portanto caduco e correta decisão que acolheu a tese da decadência. Em Acórdão CSRF/01-04.512 de minha relatoria a Primeira Turma da CSRF entendeu por larga maioria que o prazo decadência de 10 anos previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212//91 não se aplica às contribuições sociais administradas pela SRF, pelas mesmas razões expostas nesta decisão. Assim, conheço o recurso especial apresentado pelo PFN, bem como as contra-razões trazidas pelo contribuinte e, no mérito voto no sentido de NEGAR-LHE PROVIMENTO." Com esses fundamentos o Pleno da CSRF negou provimento ao recurso extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional. A fundamentação acima, quanto à validade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, foi posteriormente chancelada pela Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Antonio Carlos Atulim Fl. 617DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto

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Numero do processo: 13053.000131/2006-17
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA AV1COLA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms TRATAMENTO DE ÁGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVICOLA. O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e congelamento de aves é insumo da indústria avícola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms. SERVIÇOS DE GUINCHO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS. O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofms. OUTRAS DESPESAS. Por Falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.108
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso: I) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos relativo às despesas com aluguel de guincho e tratamento inicial das águas usadas na lavagem e congelamento de aves; e II) por maioria de votos, quanto à indumentária. Vencido o Conselheiro José Antonio Francisco (relator), que negava Provimento esta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walber José da Silva.
Nome do relator: JOSÉ ANTONIO FRANCISCO

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INDÚSTRIA AV1COLA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms TRATAMENTO DE ÁGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVICOLA. O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e congelamento de aves é insumo da indústria avícola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofms. SERVIÇOS DE GUINCHO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS. O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofms. OUTRAS DESPESAS. Por Falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMLNISIRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso: I) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos relativo às despesas com aluguel de guincho e tratamento inicial das águas usadas na lavagem e congelamento de aves; e II) por maioria de votos, quanto à indumentária. Vencido o (t"k- Q,A,"- Conselheiro José Antonio Francisco (relator), que negava Provimento esta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walber José da Silva. - it94SEF M al(kja‘i-ai Mg,e(-71' -ARIA COE O MARQUES Presidente+ P /) WALBERJOSE DA SI A - Relator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mdáricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 176 a 193) apresentado em 7 de abril de 2008 conr o Acórdão n° 10-15.194, de 14 de fevereiro de 2008, da DRJ Porto Alegre / RS (fls. 168 a 171), do qual tomou ciência a Interessada em 7 de março de 2008 e que, relativamente a pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo dos períodos de 1° trimestre de 2006, indeferiu a solicitação da interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade de Pis e Cofins. A matéria que não for expressamente contestada, torna-se definitiva na esfera administrativa. Solicitação Indeferida O pedido, apresentado em 26 de abril de 2006, foi inicialmente indeferido pelo despacho de fls. 59 e 60 de 14 de agosto de 20006, com base na informação de fls. 49 a 58. A Fiscalização apurou as seguintes irregularidades, que tiveram repercussão na apuração dos créditos: 1) exclusão das cessões do ICMS da base de cálculo das contribuições; 2) creditamento irregular relativo a capatazia (serviços de capatazia e estivas executados por terceiros), combustíveis e lubrificantes para veículos (não utilizados como insumo da produção), serviços de guincho, indumentárias (vestimentas, calçados, luvas, capacetes etc, utilizados pelo pessoal empregado no processo produtivo), locação de mão de obra, elaboração de projetos de engenharia executados por terceiros, tratamento de efluentes (bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes); 3) inclusão irregular de crédito presumido de bens e serviços adquiridos de pessoas fisicas por produtores de mercadorias 2 Processo n° 13053.00013112006-17 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.108 Fl. 248 animal ou vegeral indevidamente incluídos, em face da impossibilidade de seu ressarcimento após a edição da Lei n. 10.925, de 2008. O acórdão de primeira instância ressaltou inicialmente a ausência de contestação da matéria relativa à cessão de créditos de ICMS, mantendo o restante das exclusões. No recurso, a Interessada defendeu o direito ao crédito de bens e serviços não restrito "à transformação fisica de bens, mas" a "todo o processo de produção dos produtos destinados à venda, nele compreendidos os serviços intermediários e a venda de bens, bem como os serviços utilizados para a efetivação da venda dos referidos produtos". Tratou, a seguir, das glosas especificas relativas a capatazia, que representaria "a atividade de movimentação de mercadorias" no trabalho portuário; combustíveis e lubrificantes para veículos utilizados na atividade produtiva nas operações, que gerariam crédito da mesma forma que o frete na operação de venda; serviços de guinho, "indispensáveis para as operações de venda"; despesas com indumentárias, obrigatórias por determinação Anvisa, que gerariam créditos nos termos de soluções de consulta citadas; locação de mão de obra, com fulcro também em solução de consulta citada; elaboração de projetos, por encontrar- se "diretamente ligada ao produto final" e representar custo, nos termos do art. 3°, § 3°, da Lei n. 10.637, de 2003; tratamento de efluentes, representado pelo tratamento inicial das águas, para utilização na lavagem e congelamento das aves. Posteriormente, foram juntadas cópias de documentos relativos a mandado de segurança (processo 2006.71.08.018873-0/RS) impetrado pela interessada em relação à exclusão dos créditos de ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins (fls. 204 a 212). Os autos foram encaminhados à Delegacia de origem para análise dos documentos (fl. 213), tendo sido juntados os documentos de fls. 214 a 220, dando conta do acompanhamento da ação judicial pela unidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Inicialmente, a Interessada alegou que o direito de crédito não seria restrito "à transformação Esica de bens mas" a "todo o processo de produção dos produtos destinados à venda, nele compreendidos os serviços intennediários e a venda de bens, bem como os serviços utilizados para a efetivação da venda dos referidos produtos". Çj'\ ik 3 O art. 3° da Lei n. 10.637 1 , de 2002, na redação vigente à época dos fatos, era a seguinte: 'Parágrafos: § 1° Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1° do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da aliquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei n° 10.925, de 2004) I - dos itens mencionados nos incisos Te II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2° Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) 1- de mão-de-obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota O (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 3° O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa juridica domiciliada no Pais; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 40 0 crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. § 5° (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 6° (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 7° Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COHNS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8° Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7°e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: 1- apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9° O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8°, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição , para o PIS/PASEP não-cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 12. (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruidos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § I° deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos mediante a aplicação, a cada mês, das aliquotas referidas no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da aliquota prevista no § rdo art. 2° desta Lei (Incluído pela Lei n° 10865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § I° deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditar-se de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n° 10.925, de 2004) § 17. Ressalvado o disposto no § 2° deste artigo e nos H 1° a 4° do art. 2°desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Francake Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho vh, ,,, Processo n° 13053.000!31/2006-17 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.108 Fl. 249 Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3° do art. I° desta Lei; e (Incluído pela Lei n°10.865, de 2004) b) no § I° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei n°10.865, de 2004) - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei n°10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) III - (vetado) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004); de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus — SLIFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da aliquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (InMoldo pela Lei n° 10.996, de 2004) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1° e 2° do art. 2° desta Lei, será determinado mediante a aplicação das aliquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004 § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) I - pessoa fisica, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofuis devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) II - pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofims devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2° desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2° deste artigo. (Incluído pela Lei n°11.196, de 21/11/2005) § 22.(Vide Medida Provisória n°413, de 3 de janeiro de 2008) § 23 (Vide Art. 9° e Art. 22 da Medida Provisória n°451, de 15/12/2008) § 24 (Vide Art. 9° da Medida Provisória n°451, de 15/1212008) (A 5 VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de meio-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n°10.684, de 30.52003). Já o art. 5° diz o seguinte: Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) III- vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § I° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 30 para fins de: 1- dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Ir - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § I o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria. De acordo com o § 1° acima citado, somente é passível de ressarcimento o crédito relacionado à exportação. Vale dizer, os créditos passíveis de ressarcimento são aqueles previstos no art. 3° como geradores de créditos. Verifica-se que, de fato, o direito de crédito não se restringe à transformação de produtos. Entretanto, quando se trata de produção, o inciso III do artigo citado não tem o alcance amplo da visão da Interessada, uma vez que os bens e serviços que conferem direito de crédito devem, necessariamente, representar insumo de produção. çíl'i 6 Processo n°13053000131/2006-17 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.108 Fl. 250 Insumo não é qualquer despesa incorrida para venda de produto, mas apenas as despesas incorridas na produção, o que não abrange despesas ocorridas posteriormente, nem gastos indiretos de produção. Portanto, as demais despesas e custos que geram direito de crédito são apenas as relacionadas nos demais incisos do artigo citado. Feitos tais esclarecimentos, passa-se à análise especifica das despesas, esclarecendo que, no julgamento do recurso n. 155146 (Ac. 201-81.735), de relataria do E, Conselheiro Walber José da Silva, acompanhei o relator em relação ao reconhecimento do direito de crédito relativo "às despesas com aluguel de guincho e tratamento inicial das águas usadas na lavagem e congelamento de aves" e votei por negar provimento quanto à indumentária. A primeira matéria de glosa foram os serviços de capatazia (serviços de capatazia e estivas executados por terceiros), que, segundo a Interessada, representariam "a atividade de movimentação de mercadorias" no trabalho portuário. Como se trata de despesas pós-produção, tais serviços não geram direito de crédito, pois, na realidade, os valores compõem a base de custos que integram o preço adicional das mercadorias (valor adicionado após a produção). Os referências abaixo efetuadas ao Acórdão n. 201-81.735 no que tange à Lei n. 10.833, de 2003, devem ser entendidas como efetuadas em relação aos dispositivos equivalentes da Lei n. 10.637, de 2002. Conforme ressaltado pelo relator do acórdão acima mencionado, tais custos não estão previstos no art. 3° da Lei n. 10.833, de 2003, e, portanto, não geram direito de crédito. Quanto aos combustíveis e lubrificantes, a Fiscalização enfatizou em seu relatório que seriam os não utilizados como Sumo da produção. Segundo a Interessada, seriam os utilizados "na atividade produtiva das operações", que gerariam crédito da mesma forma que o frete na operação de venda. Entretanto, segundo o que consta dos autos, trata-se de combustíveis e lubrificantes não utilizados como insumo de produção e a defesa da Interessada, que se refere a "frete na operação de venda" evidencia tal afirmação. Os fretes nas operações de venda geram crédito não em função de representarem insumo de produção, mas à vista da disposição expressa do inciso IX do artigo citado anteriormente, que não abrange os combustíveis e lubrificantes, apenas os mencionados no inciso II, mas quando representem instinto, o que não é o caso dos autos. Quanto aos serviços de guincho, que seriam "indispensáveis para as operações de venda", conforme esclarecido anteriormente, esta Turma reconheceu o direito ao crédito no Ac. n. 201-81.735, à vista da disposição do art. 3°, IV, da Lei n. 10.833, de 2003, por se tratar de equipamentos alugado utilizado nas atividades da empresa. No tocante à indumentária (vestimentas, calçados, luvas, capacetes etc. utilizados pelo pessoal empregado no processo produtivo), obrigatória por deteiminação :3( 7 Anvisa, o mencionado acórdão também reconheceu o direito de crédito, uma vez que a "indumentária usada pelos operários na fabricação de alimentos não se confunde com fardamento/uniforme, este é de livre uso e escolha de modelo pela empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público". Entretanto, conforme já ressalvado discordei de tal posicionamento, uma vez que o fato de se tratar de obrigação legal é irrelevante para a conceituação da indumentária como insumo. Insulem é bem ou serviço empregado na produção e a indumentária não se enquadra nesse conceito. Além disso, nos demais incisos do art. 3° da Lei n. 10.637, de 2002, inexiste previsão para crédito em relação à indumentária. Em relação à locação de mão de obra, o citado acórdão esclareceu não haver semelhança entre tal despesa e a locação de equipamentos. De fato, não se trata de situação equivalente e, ainda que se tratasse, não haveria previsão expressa na legislação que permitisse o creditamento em função da locação de mão-de-obra. Relativamente à elaboração de projetos de engenharia executados por terceiros, a Interessada entendeu encontrar-se "diretamente ligada ao produto final" e representar custo, nos termos do art. 3°, § 3 0, da Lei n. 10.833, de 2003. Entretanto, não se trata de insumo de produção, da forma anteriormente descrita no presente voto. O acórdão citado também reconheceu o direito de crédito relativo ao tratamento de efluentes (bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes), representado pelo tratamento inicial das águas, para utilização na lavagem e congelamento das aves. Embora não se trata de bens e serviços empregados diretamente na lavagem e congelamento de aves, a água tem que sofrer a ação de tais bens e serviços para ser utilizada com tal fim e, dessa forma, os bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes representam insumos indiretos. Resta ainda a questão da inclusão irregular de crédito presumido de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas por produtores de mercadorias animal ou vegeral indevidamente incluídos, em face da impossibilidade de seu ressarcimento após a edição da Lei n. 10.925, de 2003. De fato, a Interessada não se manifestou a respeito da matéria no recurso, mas, conforme mencionado pela Fiscalização, o aproveitamento dos referidos créditos, após a edição da Lei n. 10.925, de 2003, não poderia mais ser efetuado por meio de ressarcimento. À vista do exposto e adotando os demais fiindamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito em relação às despesas com aluguel de guincho e tratamneto inicial das águas na lavagem e congelamento de aves. JOSE7 OC‘CISC.0 krfit 8 Processo n° 13053.000131/2006-17 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.108 Fl. 251 Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA — Redator Designado Adoto o voto do Ilustre Conselho Relator, como se aqui estivesse escrito, exceto quanto às despesas com indumentária, que considero insumo com direito ao crédito do PIS/Cofins, pelas razões que passo expor. A indumentária usada na indústria de processamento de carne é, para a ciência econômica, um fator de produção sem o qual o bem não é produzido. O uso de determinado fator de produção no processo produtivo de um bem pode decorrer da própria natureza (propriedades) do bem ou de norma legal. Exemplificando. Para produzir carne de frango pronta para o consumo humano é necessário o uso de água. Sem água não há como, a partir do frango vivo ou abatido, industrializar sua carne. O uso da água decorre da própria natureza do bem (carne de frango) produzido. Também nenhuma indústria regular de carne de frango consegue produzir esse bem sem o uso de certas indumentárias (luva, avental, bota, touca, etc.), cujo uso é obrigatório por expressa determinação legal. Em ambos os casos, tais fatores de produção ou insumos (água e indumentária), são indispensáveis ao processo produtivo do bem. O caso em tela trata de gastos com indumentária, sem o qual não há como produzir carne de frango industrializada. Portanto, é a indumentária um insumo ou fator de produção usado na produção de carne de frango, independente dela se enquadrar ou não no conceito de "bens intermediários" existente na legislação do LPI. Os gastos com a sua aquisição são, evidentemente, custos para realizar a produção. E a legislação do PIS/Cofins fala em "insumo" e "custos" utilizado/incorrido na fabricação de bens (Lei n° 10.833/03, art. 3 0, inciso II, e art. 6°, § 3°) e não fala em "matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem" a que se refere a legislação do IPI (Lei n° 9.363/96, art. 1°). Aqui, aplica-se a legislação do PIS/Cofins e não a legislação que trata do ressarcimento do IPI. As matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem são insumos e os gastos com a sua aquisição são custos de produção. No entanto, nem todos os insumos, e seus respectivos custos de produção, se enquadram no conceito dado pela legislação tributária para "matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem". No caso sob exame, a indumentária é um insumo (ou fator de produção) usado na produção de carne de frango e os gastos com a sua aquisição são, indubitavelmente, .custos de produção, embora possa não se enquadrar no conceito de "produto intermediário" a que se refere a legislação do IPI. Este enquadramento, para o deslinde da questão, é irrelevante porque a legislação que autoriza o ressarcimento em tela fala em insumo e custos, não os restringindo à matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Por último, a indumentária usada pelos operários na manipulação de carnes não se confunde com fardamento ou uniforme, que são de livre uso e escolha de modelo pela - empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público. Fardamento/uniforme não é insumo, mesmo que utilizado por operários na linha de produção. Por evidente, alguns operários da recorrente, que não manipulam carne, podem ÇA 9 • • usar fardamento ou uniforme e, neste caso, tais bens não se enquadram no conceito de insumo, não fazendo jus ao crédito do PIS e da Cofms não cumulativos os gastos com a sua aquisição. No mais, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei ri° 9.784/19992 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de credito em relação às despesas com aluguel de guincho, com indumentária de uso obrigatório na industrialização de carne e com tratamento inicial das águas na lavagem e ongelamento de aves. WAL R JOSÉ DA S LVA 2 Ari. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: í . •-1 §. 1 2 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 10

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Numero do processo: 10940.001146/2004-48
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/10/1995 A 31/12/1996, 01/01/1998 A 30/06/1998, 01/08/1998 A 31/08/1998, 01/10/1998 A 31/10/1998. Ementa: MEDIDA PROVISÓRIA N2 1.212/95. APLICAÇÃO. A sistemática de apuração do PIS, com base na Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995 e reedições, convalidada na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, tem aplicabilidade aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 1996, sendo devida a restituição/compensação dos valores recolhidos no período de vigência da referida MP, nº que exceder o devido de acordo com a LC nº 7/70. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-18.363
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao indébito do PIS, nos termos da diligência efetuada
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Antonio Lisboa Cardoso

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Recorrida DRJ em Curitiba - PR Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/10/1995 A 31/12/1996, 01/01/1998 A 30/06/1998, 01/08/1998 A 31/08/1998, 01/10/1998 A 31/10/1998. Ementa: MEDIDA PROVISÓRIA N2 1.212/95. APLICAÇÃO. A sistemática de apuração do PIS, com base na Medida Provisória n2 1.212, de 28 de novembro de 1995 e reedições, convalidada na Lei n2 9.715, de 25 de novembro de 1998, tem aplicabilidade aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 2 de março de 1996, sendo devida a restituição/compensação dos valores recolhidos no período de vigência da referida MP, no que exceder o devido de acordo com a LC n2 7/70. Recurso provido em parte. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasília. 0 14 1,2 01- lvana Cláudia Silva Castro Mat. Siape 92136 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. e Processo n.° 10940.001146/2004-48 CCO2/CO2 i. Acórdão n.° 202-18.363 Fls. 2 1 ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhece o-direito ao indébito do PIS, nos termos da diligência efetuada. , _ AN ONIO CARLOS A ULIM MF - SEGUNDO CONSELHO DE IGINALCONTRIBUINTES CONFERE COM O OR , BrasIlla. jaj 12 Presidente lvana Cláudia Silva Castro„, Mat. Siape 92136 - W' ti )10 TO I0 LISBOA C .. '' B 0 O - ' • Relator . • ,, I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. Ausente ocasionalmente a Conselheira Nadja Rodrigues Romero. Processo n.° 10940.001146/2004-48 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.363 Fls. 3 ---TRIBUINTESIAF -'SEGUNDONFCEREONSCr0 D COM 0 ORIGINAL ORICGINAL Brasilla, /IL./. Relatório Ivana Cláudia Silva Castro 4%, MatiaPe 92136 Trata o caso em tela de recurso em face do acórdão da DRJ em Curitiba - PR, que manteve o indeferimento do pedido de restituição da contribuição para o PIS, recolhida na forma determinada pelos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, por considerar decaído o direito da contribuinte, conforme depreende-se da ementa do acórdão: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 01/10/1995 A 31/12/1996, 01/01/1998 A 30/06/1998, 01/08/1998 A 31/08/1998, 01/10/1998 A 31/10/1998. Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARÁ O PIS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Solicitação Indeferida". O pedido de restituição foi protocolado em 01/06/2004 (fls. 1 e seguintes). Na sessão de 29 de março de 2006, o julgamento foi convertido em diligência através da Resolução n2 202-01.002 (fls. 116/118), a fim de que a repartição fiscal de origem se pronunciasse conclusivamente sobre os valores postulados pela recorrente, relativamente aos fatos geradores encerrados entre 01/10/95 e 29/02/96, exigida com fulcro na MP n 2 1.212/95 e suas reedições. Como resultado da diligência, foram apresentadas as planilhas de fls. 126, 129 e 130, informando que foi observado para a base de cálculo o período de seis meses anteriores ao fato gerador, sem aplicação de correção monetária. Constando, ainda, que foram utilizados os pagamentos confirmados dos períodos de 10/95 a 02/96, concluindo que feita alocação dos pagamentos confirmados aos débitos calculados, constatou a existência de saldo de débito, conforme demonstrativo de fl. 130. Cientificada, a recorrente não se manifestou sobre os cálculos. É o Relatório. X Processo n.° 10940.001146/2004-48 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.363 MF — SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 4 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, t t j L.. / e i- Ivone Cláudia Silva Castro Mat. Siape 92136 Voto • Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestido dos demais requisitos legais pertinentes. O art. 18 da Medida Provisória n2 1.212/95 (29/11/1995) e reedições, convertida na Lei n2 9.715, de 25/11/998, foi declarado inconstitucional, por meio da Adin 1.417/DF, sendo, por isso, afastada a sua aplicação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 2 de outubro de 1995, conforme a ementa parcialmente transcrita abaixo: "EMENTA: Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público — PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. (.) Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei n° 8.715/98." (Adin n° 1.417-0/DF, rel. Min. Octávio Gallotti do STF, sessão de 2 de agosto de 1999, D.J 23.03.2001). Com isto, a Egrégia Corte declarou a inconstitucionalidade, em parte, do art. 18 da Lei n2 9.715, de 25/11/1998, da expressão "aplicando-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995 ". Logo, não houve a retirada do mundo jurídico da MP n2 1.212/95 e reedições posteriores até sua conversão na Lei n2 9.715/98, mas tão-somente o afastamento da aplicação do art. 18, que previa sua aplicação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 2 de outubro de 1995. Além de não ter aplicação retroativa, somente vigorou após o transcurso do prazo nonagesimal determinado pelo art. 195, § 6 2, da Carta Magna. Como a Medida Provisória n2 1.212 foi publicada em 29/11/1995, somente entrou em vigor a partir de 1 2 de março de 1996, devendo a contribuição ao PIS, nesse período, ser regida pela Lei Complementar n2 7/70, aplicando-se a semestralidade da base de cálculo. Portanto, deve ser restituída a diferença entre os valores da contribuição ao PIS, recolhidos na forma da MP n2 1.212/95 e reedições posteriores, e o que realmente seria devido, na forma da Lei LC n2 7/70, obedece a semestralidade da base de cálculo da referida contribuição. Nesse sentido, este Conselho de Contribuintes já teve oportunidade de discutir amplamente o assunto, conforme se depreende da ementa do Acórdão n 2 202-14.714, proferido nos autos do Recurso Voluntário n 2 122.792, de relatoria do i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (sessão de 16/04/2003): "EMENTA: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - DECADÊNCIA - O termo inicial de contagem do MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 10940.001146/2004-48 CCO2/CO2 _- I -Acórdão n.° 202- 18.363 Brasília QQ/ 2 . Fls. 5 Nana Cláudia Silva Castro 4._ Mat. Siape 92136 prazo de decadência para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados quando o indébito exsurge de situação jurídica conflituosa, mas com a publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal, que, em sede de ADIN, declarou inconstitucional, no todo ou em parte, a norma legal instituidora ou modificadora do tributo. PIS - COMPENSAÇÃO. Com a declaração de inconstitucionalidade da parte final do artigo 18 da Lei n° 9.715/1998, os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes da Medida Provisória n° 1.212/1995 e de suas reedições, no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, devem ser calculados observando-se que a alíquota era de 0,75% incidente sobre a base de cálculo, assim considerada o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. A partir de 1° de março de 1996 passaram a viger com eficácia plena as modificações introduzidas na legislação do PIS por essa Medida Provisória e suas reedições. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA - A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. Recurso provido em parte." Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar n2 7/70, cujo regramento permaneceu até fevereiro de 1996, sem qualquer correção da base de cálculo. Os valores dos indébitos devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base na tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 2 08, de 27/06/97. A partir de 1 2/01/96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação, acrescida de 1% relativamente ao mês de ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. • ala as Sessõe -m 21 de setembro de 2007. ,7(()• ,‘ 04,r; !,, !)(1 NTO 10 LISBOA • Rboso Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1

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4992009 #
Numero do processo: 10735.002742/2002-17
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O prazo fixado pelo ordenamento processual administrativo para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias contados do primeiro dia seguinte ao recebimento da intimação da decisão do julgamento de primeiro grau. Exaurido o tempo fixado, impõe não conhecer do recurso interposto por intempestivo. Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso por intempestivo. Participou do julgamento a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro em substituição ao Conselheiro Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Carlos  Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro e Raquel Motta  Brandão Minatel.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  relativamente  à  decisão  que  manteve  o  lançamento  reconhecendo  a  procedência  do  auto  de  infração,  referente  o  crédito  tributário para PIS/Pasep referente ao período de 01/07/1997 a 31/12/1997.  Há informação de que se trata de recurso intempestivo. Sustentação por parte  da Recorrente de que a intimação da decisão recorrida ocorreu em 17 de novembro de 2007.  Alega  que  o  malote  do  correio  teria  sido  roubado,  para  tanto,  junta  boletim  de  ocorrência  registrado  perante  a  Polícia  Federal,  bem  como,  declaração  prestada  pelo  Correio  ratifica  a  ocorrência do roubo no dia 17 de novembro de 2007.  O Despacho de fls. 213 assevera que a intimação ocorreu em 15 de outubro  de 2007 apoiado no “AR” que se encontra à fl. 211. O documento identificado como “Termo  de Perempção” de fl.112 da notícia da perda do prazo para propositura do Recurso de Ofício.  Quanto à matéria de fundo, adoto o relatório da decisão recorrida:  “Contra a empresa qualificada em epígrafe foi  lavrado auto de  infração  de  fls.  50/59,  em  virtude  da  apuração  de  falta  de  recolhimento  do  PIS  no  período  de  01/07/1997  a  31/12/1997,  constatado  em  procedimento  de  auditoria  nas  declarações  do  contribuinte (DCTF/97), constituindo­se contribuição ao PIS no  valor  de  R$  119.821,13,  multa  de  ofício  no  valor  de  R$  89.865,85  e  juros  de  mora  no  valor  de  R$  108.583,05,  perfazendo o total de R$ 318.270,03 de crédito tributário.  O enquadramento legal encontra­se a fls. 53.  Cientificada em 10.06/2002 (fl.49), a interessada apresentou em  08/07/2002  (fl.01)  a  impugnação  de  fls.  01/18,  na  qual  alegou  que:   1  –  em  30/09/99  a  SRF  lavrou  auto  de  infração  (AI)  contra  a  matriz da impugnante para exigir os mesmos créditos tributários  constantes do presente lançamento;  2  –  o  presente  auto  de  infração  é  nulo  por  consubstanciar  exigência de tributo já lançado;  3 – A Medida Provisória n. 1.212/95 é inconstitucional, violação  do  art.  239  da  CF/88,  o  que  torna  indevido  o  tributo  fundado  nela e, por sua vez, o AI improcedente;  4 – o STF já declarou a inconstitucionalidade do art. 18 da MP  n. 1.212/95, inviabilizando início da vigência do citado diploma;  5  –  a  autuação  fiscal  decorre  de  fiscalização  inexistente  e  revisão  de  declaração  relapsa,  devendo,  por  isso,  o  AI  ser  cancelado;  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10735.002742/2002­17  Acórdão n.º 3403­002.197  S3­C4T3  Fl. 5          3 6 – de acordo com o art. 15, III, da Lei n. 9.779/99, a apuração e  o recolhimento da Contribuição ao PIS devem ser efetuados de  forma centralizada pela matriz da pessoa jurídica;  7  –  a  revisão  do  lançamento  de  ofício  depende  de  prévia  intimação  do  contribuinte  para  prestar  esclarecimentos,  na  forma  do  art.  149,  III,  do  CTN,  o  que  não  ocorreu,  devendo,  então, AI ser anulado;  8 ­  a administração violou o art.  37 da CF, os art.  2o  e  3o  da  Lei n. 9.784/99, o art. 6o  , X, do CDC, Lei n. 8078/90, o art. 90  da MP n. 2.158­35/01, o art. 149 do CTN e as IN 45/98 e 126/98.  Com bases nestas razões, o impugnante pede o cancelamento do  AI,  em  vista  da  duplicidade  de  lançamento;  pede  o  reconhecimento  da  nulidade  do  lançamento,  pois  efetuado  em  desacordo  à  lei  e,  por  último,  o  cancelamento  em  razão  de  inconstitucionalidade.”  Restou  consignado  na  decisão  atacada  o  registro  de  que  não  restou  comprovado o vinculo com o processo judicial de n. 94.0008859­2 (fl. 102).  Em relação a essa fundamentação do contido no julgado, a Recorrente afirma  que  jamais  informou o processo como fonte de extinção do crédito  tributário, como se vê da  assertiva de fl. 163, vejamos:  “Quanto às alegações formuladas no julgado, relativa à suposta  relação  com  o  processo  judicial  n.  94.0008859­2  (fl.108),  que  não  teriam  sido  declaradas  corretamente  em  DCTF,  elas  causaram profunda  estranheza. De  fato,  não  se  discutem  esses  débitos  nessa  sede,  não  havendo  motivos  para  se  levantarem  dúvidas a seu respeito.”  Na  face  recursal,  a  recorrente  esclarece  que  não  se  discute  neste  caderno  compensação  de  débito  com  crédito  obtido  por  meio  de  medida  judicial,  assim  sendo,  lhe  causou estranheza o fato do julgador mencionar em sua decisão o processo n. 94.0008859­2.  Sustenta, também, que o referido crédito está sendo exigido em duplicidade,  pois  teria  sido  pago  nos  autos  do  processo  administrativo  n.  15374.001961/99­29,  inclusive  com remessa do processo ao arquivo, em 13 de agosto de 2002.   Em razões recursais repisa os argumentos articulados na fase impugnatória.  É o relatório.    Voto             Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator.  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO     4 Depreende­se da leitura deste caderno processual que o auto de infração teria  sido  lavrado  em  decorrência  de  irregularidades  nos  créditos  vinculados  e  informados  em  DCTF’s, o que não teria restado comprovado.  Havendo questão prejudicial  ao  exame do mérito,  impõe conhecer  antes de  adentrar na discussão da matéria controvertida trazida no bojo deste processado.  Examinando  detidamente  os  documentos  de  comunicação  da  decisão  da  Impugnação constata­se por meio do recibo de entrega (AR) da intimação que esta ocorreu em  15 de outubro de 2007.   Afirma a Recorrente em sua peça recursal de fl. 150 que teria sido intimada  em 17 de outubro de 2007, assim sendo, o prazo final para aviar o  recurso seria o dia 16 de  novembro  de  2007  (sexta­feira).  Faz  juntar  cópia  do  recibo  do  pagamento  do  emolumento  cobrado pelo correio – fl. 156, consignando o dia da postagem como sendo 16 de novembro de  2007, bem como, cópia do “AR” mencionado os processos números 10735.002742/2002­17 e  o 10735.002743/2002­53.  Assim sendo, não há dúvida de que a postagem ocorreu em 16 de novembro  de 2007.  No entanto, não logrou êxito em provar que a intimação tenha ocorrida em 17  de outubro de 2007, prevalecendo o documento de entrega do correio que consta como certo a  data de intimação em 15 de outubro de 2007.  Considerando  intimada  em  15  de  outubro  de  2007,  o  prazo  findo  para  interpor  o  recurso  exauriu  em  14  de  novembro  de  2007,  quarta­feira,  dia  normal  de  expediente, assim considerado diante da omissão de justificativa por parte da Interessada.  Assim,  tem­se  que  trata  de  recurso  intempestivo,  cujo  ordenamento  processual  administrativo,  Decreto  nº  70.232/75,  fixa  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  interposição  de  recurso,  exaurido  o  lapso  temporal,  inviabiliza  o  conhecimento  por  ser  destempo.  Com essas considerações deixo de conhecer o recurso apresentado.   Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso por ser intempestivo.  É como voto.  Domingos de Sá Filho                              Fl. 344DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO

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Numero do processo: 13433.000520/2002-44
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1997, 31/12/1997 PIS. DCTF. DÉBITOS VINCULADOS A PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. LANÇAMENTO. No caso de lançamento efetuado a partir da revisão das I Declarações de Contribuições de Tributos Federais - DCTF, a posterior constatação do acerto da vinculação do débito à hipótese de suspensão de exigibilidade ou de extinção do crédito tributário é motivo de cancelamento do a to de infração. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-00.091
Decisão: ACORDAM os membros 3° Câmara / 2° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: José Antonio Francisco

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Recorrida DRJ Recife / PE AssuNTo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1997, 31/12/1997 PIS. DCTF. DÉBITOS VINCULADOS A PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. LANÇAMENTO. No caso de lançamento efetuado a partir da revisão das I Declarações de Contribuições de Tributos Federais - DCTF, a posterior constatação do acerto da vinculação do débito à hipótese de suspensão de exigibilidade ou de extinção do crédito tributário é motivo de cancelamento do a to de infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros 3' Câmara / 2' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. • 4 , Ct,eld1/60G9tt,a, OSEFA MARIA COELHO MARQUES - Pr-sidente J0),,,,NIO FRANCISCO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 111 a 120) apresentado em 13 de fevereiro de 2008 contra o Acórdão n° 11-20.927, de 28 de novembro de 2007 da DRJ Recife / PE (fls. - 101 a 104), do qual tomou ciência a Interessada em 23 de janeiro de 2008 e que, relativamente - a auto de infração (DCTF) de PIS dos períodos de novembro e dezembro de 1997, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista nos incisos IV e V do art.151 da Lei n° 5. 172, de 25 de Outubro de 1966- CTN, somente se aplica nos casos de concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. Na ausência destas, a ação fiscal deverá prosseguir no seu curso normal com a conseqüente execução da cobrança do crédito lançado, de acordo com as normas processuais pertinentes. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 10 de junho de 2002 (fl. 73) e, segundo o termo de fls. 7 a 9, o processo judicial n. 97.20480-0, vinculado a compensação sem Darf, não teria sido comprovado. No despacho de fl. 93, considerou-se que, "Com relação ao processo mencionado verifica-se que o mesmo está pendente de julgamento final, entretanto as decisões de primeira instância que autorizavam a suspensão foram reformadas pela decisão do Tribunal Regional Federal da 5' Região - TRF5 a e mantido pela decisão do Superior Tribunal de Justiça - STJ (fls. 76 a 91)." Segundo o que consta dos autos, a Interessada apresentou ação cautelar com pedido de liminar no processo 97.0020480-4, requerendo a suspensão da exigibilidade das parcelas vincendas do PIS e da Cotins até o limite dos créditos dos pagamentos efetuados com base nos Decretos-lei n. 2.445 e 2.449, de 1988. A liminar foi deferida em 17 de novembro de 1997 e confirmada em sentença de 29 de janeiro de 1999. Em sessão de 16 de maio de 2000, o TRF da 1' Região deu provimento à apelação da União e à remessa de oficio e negou provimento à apelação da Interessada. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp n. 624.585-CE negou provimento ao recurso especial das autoras da ação. No recurso voluntário, a Interessada alegou que havia suspensão de exigibilidade dos créditos em função de o PIS ser devido de acordo com a Lei Complementar n. 7, de 1970, uma vez que os Decretos-Lei n. 2.445 e 2.449, de 1988, terem sido suspensos teL 2 Processo n° 13433.000520/2002-44 1 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.091 Fl. 134 pela Resolução do Senado Federal n. 49, de 1995, tendo os contribuintes "o direito líquido e certo a procederem o recálculo dos valores recolhidos a título de PIS, do período de julho de 1988 a outubro de 1995 [...]". Citou opinião da doutrina e ementas de acórdãos do 2° Conselho de Contribuintes. Por fim, afirmou que a autuação somente poderia ocorrer "após a publicação da decisão judicial final transitada em julgado, desfavorável ao contribuinte", uma vez que o crédito estaria suspenso em função da disposição do art. 151, IV, do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Destaque-se que, conforme esclarecido no relatório do acórdão de primeira instância, a Interessada alegou que "na informação contida em sua DCTF que originou o Auto de Infração ora impugnado, houve um erro na digitação do número do processo judicial acima referenciado, não podendo, por tal motivo, ser penalizada com o pagamento indevido das contribuições que lhe estão sendo cobradas." O número correto do processo seria 97.0020480-4 e não o abreviado informado pela Interessada (97.20480-0). Supostamente, essa divergência provocou o lançamento, em razão de o sistema eletrônico conferir os números completos. Assim, à época da apresentação da DCTF, havia decisão judicial suspendendo a exigibilidade. Posteriormente, antes do lançamento, a decisão judicial foi revertida. Nesse contexto, a Delegacia local verificou que havia o processo judicial e a referida suspensão da exigibilidade do crédito tributário à época da apresentação da declaração e, por meio de despacho, confirmou o lançamento, considerando que a Interessada não estaria amparada por medida judicial suspensiva da exigibilidade. O procedimento correto a ser tomado pela Interessada seria de retificar a DCTF, tão logo a medida judicial suspensiva da exigibilidade houvesse sido reformada ou revogada. Entretanto, a acusação inicial foi de "processo judicial não comprovado" e não de que inexistiria, à época do lançamento, suspensão de exigibilidade, situação constatada /4" 40Á, 3 • no despacho de fl. 93, que, no entanto, não tomou providências para efetuar revisão do lançamento, nos termos do art. 149 do CTNI. Conforme firme jurisprudência da antiga 1' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, não é possível, sem a realização da revisão de lançamento, a alteração da fundamentação legal inicial, quando se constata a existência do processo judicial informado e a condição de suspensão de exigibilidade do crédito. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. JOSE KONIO FRANCISCO kotike, 1 Acórdãos n. 201-79.380, 201-17.535, dentre outros. 4

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