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Numero do processo: 13054.000730/2004-69
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
RESSARCIMENTO. CRÉDITO RECONHECIDO PELA DRF. ERRO DE FATO.
Tendo a Receita Federal reconhecido que cometeu erro de fato na apuração do crédito pleiteado pela Recorrente, há que se reconhecer o crédito que deixou de ser analisado e reconhecido pela Autoridade Administrativa.
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO.
Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO. CRÉDITO RECONHECIDO PELA DRF. ERRO DE FATO. Tendo a Receita Federal reconhecido que cometeu erro de fato na apuração do crédito pleiteado pela Recorrente, há que se reconhecer o crédito que deixou de ser analisado e reconhecido pela Autoridade Administrativa. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CRÉDITO RECONHECIDO PELA DRF. ERRO DE FATO. Tendo a Receita Federal reconhecido que cometeu erro de fato na apuração do crédito pleiteado pela Recorrente, há que se reconhecer o crédito que deixou de ser analisado e reconhecido pela Autoridade Administrativa. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 07 30 /2 00 4- 69 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000730/200469 Acórdão n.º 3302002.237 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 26/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório No dia 06/08/2004 a empresa AMADEO ROSSI S/A METALÚRGIA E MUNIÇÕES, já qualificada nos autos, apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, acompanhada do formulário “CRÉDITOS DA COFINS” de fl. 02, relativo a créditos da Cofins nãocumulativa, previsto no § 1o do art. 6o da Lei no 10.833/2003, referente ao mês de junho de 2004. Posteriormente, apresentou outras declarações de compensação vinculadas ao mesmo crédito. A DRF em Novo Hamburgo RS homologou, em parte, as compensações realizadas e declaradas pela recorrente porque apurou um crédito menor que o informado no formulário de fl. 02, mesmo não tendo sido apurado, conforme Relatório Fiscal de fls. 64/65, nenhuma irregularidade na apuração do crédito da Cofins efetuada pela recorrente, relativo ao mês de junho de 2004. O crédito utilizado foi de R$ 381.726,51 e o crédito reconhecido foi no valor de R$ 107.531,70. Mais ainda, mesmo não sendo objeto de pedido neste processo, a DRF em Novo Hamburgo – RS reconheceu, também, o direito ao crédito dos meses de abril e maio de 2004, ou seja, o crédito apurado pela Fiscalização no segundo trimestre de 2004, no valor total de R$ 319.061,72. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1016.064, de 29/05/2008 – fls. 110/111. Ciente desta decisão em 11/08/2008, a interessada ingressou, no dia 10/09/2008, com o recurso voluntário de fls. 116/121, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 a diferença dos créditos devese ao fato da empresa ter feito a apuração e as compensações mês a mês e a Fiscalização fez uma apuração estanque, gerando as diferenças de valores não compensados. 2 a legislação autoriza a utilização mensal dos créditos e não apenas trimestralmente, como fez a Fiscalização (art. 3º, §4º, da Lei nº 10.637/02, referente ao PIS; e art. 6º, §1º, II, da Lei nº 10.833/03, da Cofins) 3 outro ponto de divergência diz respeito ao período de ocorrência das compensações. Entende a recorrente que os pedidos de ressarcimento não se vinculam às compensações realizadas espontaneamente, não se equiparando às compensações “ex officio”. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000730/200469 Acórdão n.º 3302002.237 S3C3T2 Fl. 4 3 Solicita a realização de diligência para apurar qualquer tipo de discrepância nos valores utilizados pela recorrente, mas numa análise global do período fiscalizado. Solicita, por fim, que seja analisado, em conjunto, os seus 13 processos de ressarcimento, que relaciona. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Na sessão realizada no dia 20/10/2009 esta Turma de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência para a DRF informar as razões da diferença entre o valor pleiteado e o valor reconhecido, nos termos da Resolução nº 330200.018. Em atenção à referida diligência, a DRF informa que cometeu um engano ao deixar de reconhecer R$ 751,34, devidamente declarado no DACON, razão pela qual opina pelo deferimento do pedido da Recorrente, nesta parte. Ciente do resultado da diligência, a recorrente reitera a necessidade de análise conjunta dos 13 processos de pedido de ressarcimento para aproveitar os créditos remanescentes de uns com os débitos remanescentes de outros. Na forma regimental, o processo retornou para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Como relatado, a empresa recorrente ingressou com pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa e apresentou declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. A RFB reconheceu o crédito em valor inferior ao pleiteado e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido, restando um débito não homologado no valor de R$ 751,34. Inconformada, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi indeferida pela DRJ em Porto Alegre RS. Ciente da decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso voluntário no qual contesta o modo como a RFB efetuou as compensações declaradas, ou seja, utilizando os crédito de cada processo de pedido de ressarcimento com os débitos das declaração de compensação vinculadas pela recorrente ao mesmo processo. Pleiteia a recorrente, em verdade, que o seu crédito seja reconhecido como uno, englobando os 13 processos de pedido de ressarcimento e, em assim sendo, que seja o Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000730/200469 Acórdão n.º 3302002.237 S3C3T2 Fl. 5 4 total do crédito reconhecido utilizado para homologar as compensações declaradas, sem acréscimos legais. Entende, ainda, a recorrente, que o seu direito à compensação pode ser exercido mensalmente porque assim autoriza a lei (§ 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03). Por fim, solicita a realização de perícia. Esta Turma de Julgamento solicitou que a DRF demonstrasse a origem da diferença entre o valor do crédito pleiteado pela Recorrente e o valor reconhecido. Em resposta, a DRF informa que cometeu um erro e o valor pleiteado pela Recorrente está correto, devendo ser ressarcido a diferença de R$ 751,34, que deixou de ser reconhecido e, conseqüentemente, deve ser homologado a compensação declarada de mesmo valor. Ciente do resultado da diligência, a empresa recorrente renova os argumentos sobre a necessidade de análise em conjunto dos seus 13 (treze) processos que tratam de ressarcimento e compensação. Quanto ao valor do crédito pleiteado, ficou provado que a DRF reconheceu a menor o crédito da Recorrente, devendo ser a ela ressarcido a diferença de R$ 751,34 e, conseqüentemente, homologado as compensações vinculadas a este crédito. Sobre a possibilidade de se analisar englobadamente os 13 (treze) processos da recorrente que tratam de pedido de ressarcimento de PIS e de Cofins, entendo que não é possível pelas razões arroladas na decisão recorrida, que ratifico. De fato, as declarações de compensações apresentadas devem indicar, com precisão, qual é o crédito que foi utilizado na compensação, ou seja, em qual processo o crédito foi pleiteado ou reconhecido. Sendo insuficiente o crédito para extinguir a totalidade do débito, este será limitado ao valor do crédito e o saldo remanescente do débito pode ser compensado com crédito existente em outro ou outros processos de pedido de ressarcimento, desde que seja apresentado, em cada processo de crédito, a competente declaração de compensação informando a utilização desse crédito em compensação. Certo é que a compensação de débito em um processo está limitada ao crédito reconhecido neste mesmo processo. Se assim não for, a compensação somente poderá se operar de ofício, quando do ressarcimento em dinheiro de algum crédito, nos termos dos arts. 49 a 54 da IN RFB nº 900/08. Defende a recorrente que estar autorizada a efetuar, mensalmente, a compensação de crédito de PIS e de Cofins não cumulativo com débitos seus, por força do que dispõe o § 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03. Enganase a recorrente porque, conforme diz textualmente o inciso II, in fine, do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, a compensação ali autorizada deve observar a legislação específica aplicável à matéria, ou seja, à compensação. No caso, deve ser observado o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações das Leis nos. 10.637/02, 10.833/03, 11.051/04, 11.941/09 e 12.249/10, que regula todas as compensações, inclusive de crédito passível de ressarcimento. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000730/200469 Acórdão n.º 3302002.237 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Portanto, não existe previsão legal para a recorrente efetuar, mensalmente, a compensação de débitos outros na conta gráfica da Cofins. A previsão existente no inciso I do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03 é para deduzir o “valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno” e não se confundo com o disposto no inciso II deste mesmo dispositivo legal que trata de compensação. Correto foi o procedimento da RFB que homologou as compensações declaradas pela recorrente neste processo, até o limite do crédito reconhecido. No caso específico deste processo, após a retificação acima referida, não restou débito cuja compensação não foi homologada. Por último, entendo prescindível a realização de perícia porque não há controvérsia sobre o valor do crédito reconhecido e o procedimento adotado pela recorrente nas compensações não encontra respaldo legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os demais fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito adicional de R$ 751,34 e determinar a homologação da compensação declarada, no mesmo valor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000730/200469 Acórdão n.º 3302002.237 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.007508/2002-75
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
Ementa PERC - DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do benefício, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao benefício fiscal. Sendo o único óbice apontado pela autoridade administrativa para o indeferimento a existência de débito inscrito na Receita Federal do Brasil e PFN gerados por ocasião da data da opção pelo benefício, afastado o óbice mediante apresentação de certidão conjunta positiva com efeito de negativa, impõe-se o deferimento do PERC.
PERC - SÚMULA - Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 34).
Numero da decisão: 1401-000.968
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Cristiane Silva Costa, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa PERC - DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do benefício, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao benefício fiscal. Sendo o único óbice apontado pela autoridade administrativa para o indeferimento a existência de débito inscrito na Receita Federal do Brasil e PFN gerados por ocasião da data da opção pelo benefício, afastado o óbice mediante apresentação de certidão conjunta positiva com efeito de negativa, impõe-se o deferimento do PERC. PERC - SÚMULA - Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 34).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Cristiane Silva Costa, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do benefício, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao benefício fiscal. Sendo o único óbice apontado pela autoridade administrativa para o indeferimento a existência de débito inscrito na Receita Federal do Brasil e PFN gerados por ocasião da data da opção pelo benefício, afastado o óbice mediante apresentação de certidão conjunta positiva com efeito de negativa, impõese o deferimento do PERC. PERC SÚMULA Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 34). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 75 08 /2 00 2- 75 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13807.007508/200275 Acórdão n.º 1401000.968 S1C4T1 Fl. 332 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Cristiane Silva Costa, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13807.007508/200275 Acórdão n.º 1401000.968 S1C4T1 Fl. 333 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1621.762, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao período de apuração 01 de janeiro a 30 de setembro de 1998, protocolado em 27/06/2002 pelo contribuinte acima identificado (fls. 01 e 102 a 104). 2. Conforme dados constantes da ficha 10 Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Rendimentos entregue em 30/11/1998 (fls. 102 e 120) e cópias de DARFs de fls. 133 a 139, a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda recolhido para aplicação nos fundos de investimento FINAM e FINOR. 3. Todavia, no processamento eletrônico da DIPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal (conforme demonstra a cópia do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais de fi. 06), o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no Despacho Decisório de fi. 176, em razão de irregularidades do contribuinte (fl. 168 a 175) perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Secretaria da Receita Federal (SRF). 4. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 184 a 188, protocolizada em 13/08/2008 e acompanhada dos documentos de fls. 189 a 220, alegando em síntese que: 4.1. Inicialmente rebate a afirmação contida no despacho decisório recorrido de que não mostrou qualquer interesse em relação à intimação expedida para que solucionasse suas pendências fiscais, pois protocolou pedido de prorrogação de prazo para regularização dos débitos (fl. 205), já que a Receita Federal ainda não tinha analisado seus Pedidos de Revisão de Débito anteriormente apresentados; 4.2. Os débitos inscritos em dívida ativa ou no sistema Profisc, apontados pelo Despacho Decisório, não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, conforme a seguir demonstrado: 4.2.1. A inscrição em divida ativa n° 80.7.04.00887139 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 09/06/2004, pendente de análise até o momento (fls. 206 a 215); 4.2.2. A inscrição em divida ativa n° 80.7.04.00373887 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 04/05/2004, pendente de análise até o momento (fis. 216 a 221); 4.2.3. A inscrição em divida ativa n° 80.6.04.03233906 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 09/06/2004, pendente de análise até o momento; Fl. 333DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13807.007508/200275 Acórdão n.º 1401000.968 S1C4T1 Fl. 334 4 4.2.4. A inscrição em divida ativa n° 80.2.04.01264120 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 04/05/2004, pendente de análise até o momento; 4.2.5. A inscrição em divida ativa n° 80.6.04.01264200 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 25/05/2004, pendente de análise até o momento; 4.2.6. A inscrição em dívida ativa n° 80.6.01211671 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 09/06/2004, pendente de análise até o momento; Em relação aos débitos constantes do sistema Profisc, a impugnante esclarece que os processos 13805.006822/9589 e 13805.014247/9679 tiveram seus valores de Finsocial depositados judicialmente que, diante da não obtenção de êxito, deverão ter seus valores convertidos em renda da União, e o processo n° 10880.031164/91 94, referese ao Imposto sobre o Lucro Líquido, que tem acórdão judicial favorável à contribuinte. A DRJ, por unanimidade de votos, DEFERIU EM PARTE a solicitação, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 TRIBUTOS FEDERAIS. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INCENTIVO OU BENEFÍCIO FISCAL. INDEFERIMENTO. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 FUNDOS DE INVESTIMENTO. APLICAÇÃO. DARF ESPECÍFICO. PERÍODO DE APURAÇÃO. VALORES. EXTRATO DAS APLICAÇÕES. Na hipótese de aplicação nos fundos de investimento FINOR, FINAM e FUNRES por meio de recolhimento com DARF específico somente devem constar no extrato de aplicações os pagamentos relativos ao período de apuração do imposto ao qual a declaração de rendimentos se refere. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente e aduzindo em complemento que: insurgese contra a decisão de piso na medida em que fundamentou o indeferimento por estar irregular em relação a débitos gerados no momento da opção do benefício, isso porque teria sido a própria DRF que deslocara a análise da regularidade fiscal da recorrente para o momento do exame do PERC, onde se encontram consignados supostos débitos com vencimentos posteriores ao anocalendário da opção pelos benefícios fiscais. Exigir a regularidade para o futuro, por prazo indeterminado, fere a segurança jurídica e a previsibilidade que deve nortear as atividades da* administração fiscal e do contribuinte frente à lei. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13807.007508/200275 Acórdão n.º 1401000.968 S1C4T1 Fl. 335 5 alega que que “não há como precisar se a concessão de uma determinada medida liminar não será revogada, ou em que momento será afastada, passando o contribuinte, de um momento para outro, de uma situação regular para outra de pendente de regularização” ; ' há de se considerar, ainda, que se a qualquer momento puder ser tomado como adequado para a análise da regularidade fiscal e definir como sendo o da análise do PERC é "qualquer momento", já que livremente eleito pelo agente fiscal submete o contribuinte à inquestionável insegurança, na medida em que poderá ser escolhida justamente uma data em que a empresa não esteja regular, más, eventualmente, regularizando os supostos débitos (Redarf, DCTF retificadora, oferecimento de bens a penhora em execução fiscal etc) ; das irregularidades apontadas no despacho decisório às fls. 237/238, a decisão recorrida reconheceu a regularidade da Recorrente nos itens (i a iii), não mais se caracterizando como óbice ao aproveitamento do benefício fiscal; em relação aos débitos enviados para inscrição em dívida ativa nos itens (iv a ix fl. 238), segundo a decisão recorrida, item 29, o contribuinte somente apresentou cópia dos pedidos de revisão das inscrições dos itens vi e viii, nada apresentando em relação as demais inscrições em dívida ativa; em relação a essas inscrições indevidamente enviadas a PGFN foram comprovadas na manifestação de inconformidade apresentada nos item 10.3, 10.5, 10.6 e 10.7; no que tange às supostas irregularidade em cobrança na PGFN, itens (iv a ix) da decisão recorrida As 238, conforme se verifica das análises dos extratos das referidas inscrições (doe. 02), todos os débitos ali tratados referemse a inscrições em Dívida Ativa da União efetuadas após a opção pelo FINAM e FINOR, e posteriormente à emissão do extrato de aplicação em incentivos fiscais, que se deu em 2001; Assim, não se justifica o indeferimento da opção ao FINAM e FINOR também com relação aos referidos valores, em que pese à decisão recorrida destacar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) têm competências distintas em relação ao controle dos créditos tributários, sendo esta última competente para praticar atos relativos aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União. Através da Resolução n°1401000.506, de 31 de março de 2011, esta Quarta Câmara baixou o feito em diligência, com o fim de atestar a regularidade fiscal no momento da entrega da declaração ou saber se os débitos em questão já estariam regularizados.. Consta despacho da DRF com o seguinte teor: Tendo sido verificados os relatórios do contribuinte de acordo com a NE SRF/CORAT/COSIT Nº 02/2001 e a Súmula CARF nº 37 e, conforme determinação do CARF, fl.305 a 312, e, não havendo, portanto, pendências impeditivas,conforme relatório à fl.327 , encaminhese ao CARF, conforme solicitado. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13807.007508/200275 Acórdão n.º 1401000.968 S1C4T1 Fl. 336 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a presente lide decorre da não emissão de ofício do incentivo fiscal, relativo ao ano base 1998, em razão da existência de débitos de tributos e contribuições federais. Tendo a recorrente protocolizado o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, o mesmo foi indeferido em função da existência de débitos com exigibilidade junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil e junto à Procuradoria da Fazenda Nacional existentes no momento em que se examinou o pedido de revisão de ordem de emissão do incentivo fiscal. A meu ver, a aferição da regularidade do contribuinte deve se dar mesmo na data da opção, pois no momento que se solicita tal benefício o contribuinte já deve assumir como certo que deve cumprir integralmente as condições que dão acesso ao mesmo, diferentemente do que fez a DRF, a instauradora da lide. Além do que, se trata de um marco objetivo que favorece a decidibilidade e a segurança jurídica. Não se pode deixar a decisão da pesquisa a respeito da regularidade fiscal oscilar ao sabor do momento em que a autoridade administrativa resolver apreciar o pedido ou mesmo julgálo em Primeira e Segunda instâncias. Falta razoabilidade. Enfim, no caso em tela, a apreciação deve referirse ao momento da opção feita por ocasião da entrega da DIPJ/1999. A autoridade administrativa, por seu turno, não fornece subsídios necessários para aferir a regularidade fiscal da recorrente no momento de sua opção, pois escolhe como marco justamente o momento do exame do PERC: Perceba que a autoridade administrativa agindo assim passa uma incerteza inadmissível quanto à regularidade fiscal, justamente porque vacila em relação a qual marco tomar como ponto referencial de análise. A autoridade administrativa deveria ter verificado as pendências existentes à época da opção pelo incentivo fiscal e não no momento em que o despacho é proferido. No mais das vezes assim transcorre o procedimento de análise do Perc: a interessada é comunicada da existência genérica em seu nome de débitos de tributos e contribuições federais, não sendo informada de quais débitos se tratavam, com a perfeita identificação dos mesmos. Os sistemas da Receita Federal ao tempo em que não faz tal discriminação parece também não reter em seu banco de dados os débitos em aberto ensejadores da não emissão de ofício do incentivo fiscal. Daí é um passo para entender a dificuldade da autoridade administrativa quando do exame do PERC em resgatar as informações necessárias para sua perfeita decisão – a regularidade fiscal no momento da opção pelo incentivo , e ser obrigada a deslocar esse marco de pesquisa, para outro momento, o do proferimento do despacho decisório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13807.007508/200275 Acórdão n.º 1401000.968 S1C4T1 Fl. 337 7 Sendo assim, agir dessa forma, conduz inexoravelmente a um outro raciocínio lógico pautado na isonomia de tratamentos. Se é permitido à autoridade fiscal analisar a situação fiscal do contribuinte no momento em que profere a decisão sobre a opção de incentivo, da mesma forma apresentase legítima a regularização procedida pelo contribuinte enquanto não esgotado a discussão administrativa sobre o direito ao benefício fiscal. A DRJ assim concluiu o seu voto: Irregularidades Fiscais apontadas pelo Despacho Decisório Item Pendência Fls. Processo Ádm. Inscrição DAU i Processo em cobrança (Profisc) 163 10880.031164/9194 0 ii Processo em cobrança (Profisc) 163 13805.006822/9589 o iii Processpem cobrança (Profisc) 163 13805.014247/9679 0 iv Inscrições em cobrança na PGFN 165 10880.526732/200452 8020401211671 V Inscrições em cobrança na PGFN 165 10880.526733/200405 8060401264120 vi Inscrições em cobrança na PGFN 165 10880.526734/200441 8070400373887 vii Inscrições em cobrança na PGFN 165 10880.526735/200496 8060401264200 viii Inscrições em cobrança na PGFN 165 10880.535891/200448 8070400887139 ix Inscrições em cobrança na PGFN 166 10880.535892/200492 8060403233906 19. Confrontandose as provas apresentadas pela contribuinte com os itens da tabela acima é possível constatar que: 19.1. Itens (i) a (iiiV as consultas ao sistema PROFISC de fls. 230 a 232 demonstram que os processos administrativos fiscais em questão ou foram encerrados por medida judicial (item i), ou estão com a exigibilidade suspensa em função de medidas judiciais (itens ii e iii); 19.2. Itens (iv) a (ix): os créditos tributários dos processos em questão foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa e, segundo a manifestante, foram objeto de pedidos de revisão administrativos; 20. Sendo assim, concluise que das pendências originalmente identificadas pelo Despacho Decisório restaram aquelas referida no subitem 19.2 acima, que serão abordados a seguir, e se referem a inscrições em Dívida Ativa da União. 28. Portanto, conforme já esclarecido, os respectivos débitos inscritos em dívida ativa são de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, cabendo a ela se manifestar a seu respeito. 29. Além disto, cumpre ressaltar que a manifestante somente apresentou cópia dos alegados Pedidos de Revisão referentes às inscrições descritas nos itens vi e viii do Quadro acima reproduzido no item 18 deste voto, nada apresentando em relação às demais inscrições em dívida ativa. 30. Fica claro, assim, que os fundamentos do despacho decisório permaneceram inalterados, pois a contribuinte não demonstrou a situação de regularidade fiscal. Pelo exposto, fica evidenciado que o despacho decisório da DIORT/DERAT/SP se encontra perfeitamente íntegro quanto à conclusão pela não comprovação da regularidade fiscal da contribuinte, com fundamento no artigo 60, da Lei n° 9.069/95. (grifei) Como se vê a DRJ segue o entendimento da DRF, pautandose pelo entendimento de que para fazer jus ao incentivo fiscal o contribuinte deveria ter demonstrado a Fl. 337DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13807.007508/200275 Acórdão n.º 1401000.968 S1C4T1 Fl. 338 8 sua regularidade tãosomente até o momento em que se examina o pedido de revisão de ordem de emissão do incentivo fiscal, não importando se os débitos foram constituídos após o momento da opção. O seu critério de checagem baseiase unicamente em dados do sistema em momento temporal aleatório em dissonância com a jurisprudência administrativa: É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso provido” (Ac. 10709323) IRPJ – INCENTIVO FISCAIS – PERC – DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL – Sendo o único óbice apontado pela autoridade administrativa para o indeferimento a existência de débito inscrito na PFN, afastado o óbice mediante apresentação de certidão positiva com efeito de negativa, impõese o deferimento do PERC. (Ac. 10196069) Cabe por fim salientar que tal matéria já foi inclusive sumulado pelo CARF: “Súmula CARF Nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Como se vê, todos os débitos que remanesceram pela Decisão da DRJ (débitos inscritos em dívida ativa em 2004) são posteriores à data de apresentação da declaração de rendimentos referente ao anocalendário de 1998 (momento no qual o contribuinte fez a opção pelo benefício fiscal). Embora inscritos posteriormente à data da apresentação, não obstante, podem ter sido gerados anteriormente. Assim, em nome do dever de cautela e diante do princípio da verdade material que dá amplos poderes à autoridade julgadora de buscar as provas que considerar necessárias para formar sua convicção, entendi que os autos deveriam ser baixados em diligência, no sentido de se confirmar a conclusão supra, ou seja, que se verificasse: quais débitos ainda remanescentes, considerando a Decisão da DRJ, (débitos inscritos em dívida ativa em 2004) seriam anteriores à data de apresentação da declaração de rendimentos referente ao anocalendário de 1998 (momento no qual o contribuinte fez a opção pelo benefício fiscal); informar se na data da entrega da Declaração de Rendimento do ano base de 1998, a recorrente encontravase ou se encontra com a sua situação fiscal regular para os débitos selecionados no item anterior nos termos da Súmula Carf nº 37; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13807.007508/200275 Acórdão n.º 1401000.968 S1C4T1 Fl. 339 9 caso não seja possível aferir tal regularidade no momento da entrega da declaração através de pesquisas no sistemas da SRF e PFN, com o fito se evitar cerceamento do direito de defesa, intimar a contribuinte a comprovar em relação apenas aos débitos acima selecionados a sua regularidade fiscal, por qualquer meio de prova, inclusive através de certidões(negativas ou com efeitos de negativas), a fim como se disse, de se evitar o cerceamento do direito de defesa. O processo retornou de diligência conforme Resolução de fls. 305/312 concluindo que não havia mais pendências impeditivas ao gozo do benefício de acordo com NE SRF/CORAT/COSIT N. 02/2001 e Súmula CARF n. 37. Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 339DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000623/2001-08
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE MOTIVO. INVALIDADE.
O lançamento de ofício deve se fundar em um motivo real e deve conter a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o lastreiam. Cancela-se o auto de infração fundado em premissa falsa (vício material).
Numero da decisão: 3803-000.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente o lançamento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima (Relator), Daniel Maurício Fedato e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE MOTIVO. INVALIDADE. O lançamento de ofício deve se fundar em um motivo real e deve conter a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o lastreiam. Cancelase o auto de infração fundado em premissa falsa (vício material). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima (Relator), Daniel Maurício Fedato e Ivan Allegretti. Relatório Por bem demonstrar os fatos controvertidos nos autos, reproduzse o relatório elaborado pela DRJ Ribeirão Preto/SP: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 06 23 /2 00 1- 08 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13827.000623/200108 Acórdão n.º 3803000.060 S3TE03 Fl. 97 2 Contra a interessada acima qualificada foi lavrado o auto de infração às fls.14/20, exigindolhe crédito tributário referente à contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no montante de R$ 12.208,60 (doze mil duzentos e oito reais e sessenta centavos). Por meio de auditoria interna realizada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 1° trimestre de 1998, o Auditor Fiscal autuante constatou que os créditos financeiros informados e vinculados à contribuição declarada, para os meses de janeiro a março daquele trimestre, não foram confirmados ou, seja, o processo judicial indicado não foi comprovado. Assim, lavrou o presente auto de infração para a constituição do crédito tributário e respectivas cominações legais, referente às parcelas declaradas cujos créditos vinculados não foram confirmados. De acordo com o Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar à fl. 17, o crédito constituído totalizou o montante de R$ 12.208,60, sendo R$ 4.962,35 de contribuição, R$3.524,49 de juros de mora, calculados até 31/10/2001, e R$ 3.721,76 de multa proporcional passível de redução. Cientificada do lançamento, inconformada, a interessada o impugnou alegando, em síntese, que as parcelas lançadas e exigidas foram objeto de compensação com crédito financeiro resultante de recolhimentos a maior para o Finsocial, cujo direito lhe foi reconhecido na esfera judicial, com decisão transitada em julgado. Em face dessa alegação, a DRF em Bauru proferiu o Despacho Decisório Sacat às fls. 30/31, datado de 27/07/2006, negando o seguimento à impugnação interposta contra aquele lançamento sob o fundamento de concomitância entre este processo e o judicial (n° 93.0119826) nos termos do ADN n° 03, de 1996, e da Lei n° 6.830, de 1980. Cientificada desse despacho decisório, a interessada interpôs a manifestação à f1.42, requerendo a juntada a este processo da documentação às fls. 43/45 e informando que a decisão judicial sobre aquele processo já transitou em julgado e que a discussão sobre ela se restringe unicamente aos índices de atualização monetária e à taxa de juros. Alegou ainda que a exigibilidade do crédito tributário contestado se encontra suspensa pela decisão proferida pela DRF em Bauru nos termos do Despacho Decisório Sacat, datado de 27/07/2006, às fls. 30/31. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou procedente em parte o lançamento restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13827.000623/200108 Acórdão n.º 3803000.060 S3TE03 Fl. 98 3 Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DISCUSSÃO JUDICIAL. A restituição e/ ou a compensação de crédito financeiro, objeto de discussão judicial, está condicionada ao trânsito em julgado da respectiva decisão, inclusive da decisão sobre os critérios de apuração do crédito a ser repetido, bem como da comprovação de que o beneficiário desistiu da execução da sentença perante o Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindose a multa no lançamento de oficio do crédito Tributário constituído em face da nãoconfirmação dos pagamentos informados em DCTF's. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário e reitera seu pedido de cancelamento do auto de infração, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento, o entendimento consolidado da 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF a respeito da matéria: Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. De início, registrese que o auto de infração fora lavrado partindose da premissa equivocada de que o processo judicial informado na DCTF pelo contribuinte, de nº 93.00119826, para fins de justificar a compensação por ele declarada, não havia sido comprovado, conclusão essa que não se sustenta em razão dos elementos fáticos constantes dos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13827.000623/200108 Acórdão n.º 3803000.060 S3TE03 Fl. 99 4 autos, em que, sobre a existência da referida ação judicial, não restaram dúvidas, encontrando se as peças processuais fundamentais acostadas por cópia aos presentes autos. Destaquese que o número da ação judicial informado pelo contribuinte em DCTF e reproduzido no Anexo I do auto de infração Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados (fl. 16) corresponde exatamente ao número constante do cabeçalho do acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fl. 21), constatação essa que retira todo o fundamento fático do auto de infração. Nesse sentido, considerando que o auto de infração fora lavrado a partir de uma premissa falsa, qual seja, a não comprovação da existência do processo judicial (“Proc jud não comprovad”), temse, no caso, uma ausência de motivo real para o lançamento de ofício, a reclamar pela anulação do processo ab initio. Esta 3ª Turma Especial tem decidido dessa forma nos processos da espécie, tratandose de jurisprudência consolidada, conforme é possível verificar, dentre outros, nos acórdãos nº 3803000.299, de 01/02/20091, e 3803000.840, de 27/10/20102. No mesmo sentido, temse o acórdão nº 280200.016, de 10 de março de 2009, da 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, cujo teor do voto condutor abrangeu as seguintes afirmações: Irrita perceber, neste caso, que o auto de infração singelamente se arrima na inexistência da ação judicial e que, depois de demonstrada a existência da ação judicial, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância se arvorou em esmiuçar os detalhes da ação judicial existente, buscando outros motivos de fato para sustentar a manutenção da exigência, passando a argumentar que o lançamento pretenderia prevenir a decadência quanto à exigência dos créditos em discussão na ação judicial justamente aquela ação judicial que a autoridade lançadora dizia não existir! Se a autuação tomou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o contribuinte demonstrou a existência da ação em seu nome, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. 1 Ementa CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/0411998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTOS INTERNOS DE AUDITORIA DE DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL COMPROVADO. Os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Deve ser cancelado o auto de infração quando falso o fundamento fático sobre o qual foi lavrado. Recurso Voluntário Provido. 2 Ementa CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO.Cancelase a exigência fiscal, formulada sob o fundamento de que não estava comprovado o processo judicial que teria reconhecido os créditos opostos em compensação dos débitos lançados, quando o sujeito passivo comprova que tal imputação é improcedente. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13827.000623/200108 Acórdão n.º 3803000.060 S3TE03 Fl. 100 5 A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Devese, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. Do excerto supra, relativo a um caso similar ao presente, destacamse as seguintes constatações, todas elas aplicáveis ao presente processo: 1) o lançamento tributário não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe; 2) a Delegacia de Julgamento, mesmo ciente da inexistência de motivação do auto de infração, procedeu ao julgamento do processo, esquivandose de enfrentar o vício que o maculava. A doutrina muito bem trabalha a questão relativa à necessária motivação do lançamento de ofício, merecendo registro os seguintes excertos: A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que o autuante demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. É, assim, elemento fundamental do material probatório coletado pela autoridade lançadora, posto que uma minudente descrição dos fatos pode suprir até eventuais incorreções no enquadramento legal adotado no auto de infração (...); o contrário é que, via de regra, não se admite, até porque, no mais das vezes, não há como aferir a correção do fundamento legal, se não se puder saber, com precisão, quais os fatos que deram margem à tipificação legal e à autuação. Por meio da descrição dos fatos é que fica estabelecida a conexão entre todos os meios de prova coletados e/ou produzidos (documentos fiscais, relatórios, termos de intimação e declaração, demonstrativos, etc.) e explicitada a linha de encadeamento lógico destes elementos, com vistas à demonstração da plausibilidade legal da autuação. Especialmente depois da eliminação da oitiva do autuante, a importância da descrição dos fatos ampliouse muito; é que o auto de infração, no mais das vezes, passou a ser a última oportunidade de o autuante falar nos autos. De se lembrar, ainda, que o auto de infração, depois de lavrado, passa a ser, antes de qualquer outra coisa, uma peça jurídica, e como tal, deve seu objeto estar juridicamente traduzido, independentemente de seus fundamentos de fato terem sido aferidos a partir de uma auditoria contábil ou de uma apreensão Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13827.000623/200108 Acórdão n.º 3803000.060 S3TE03 Fl. 101 6 de mercadorias; seja qual for o método investigativo, ao final suas conclusões devem estar juridicamente validadas. 3 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López argumentam que “a errônea compreensão dos fatos ocorridos ou do direito aplicável é vício que dificilmente poderá ser sanado no curso do processo, pois incide no motivo do ato. Não é vício formal na descrição, mas no próprio conteúdo do ato. Não adianta a repetição do lançamento pela autoridade com a finalidade de aproveitamento do ato anterior pela sua convalidação, pois remanesce na nova norma individual e concreta introduzida a mesma anomalia. A correção só poderá ser empreendida por meio da invalidação do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 4. (grifei) (...) Se o auditor utilizar sistema informatizado para emissão do auto de infração, muito comum hoje em dia, é necessário que complemente a informação básica do sistema com as peculiaridades do caso concreto; do contrário, a descrição se tornará inadequada ou, até mesmo, equivocada. Não são válidas também as meras conjecturas do auditor baseadas apenas em ilações ou em indício vagos, sob pena de se responsabilizar o agente pelos danos impostos ao contribuinte em face de acusação a título gratuito. 5 Controvertese, portanto, acerca de um motivo inexistente, qual seja, a não comprovação do processo judicial informado em DCTF para justificar a compensação do crédito tributário declarado, fato esse que, ao contrário, restou comprovado desde a primeira instância administrativa. “[Os] motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de “motivos de fato” falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando (...) a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato” 6. Havendo necessidade de se modificarem as razões de fato e/ou de direito em que se funda o lançamento de ofício, estarseá diante de um erro material e não de um simples erro formal. 3 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto nº 70.235, de 06/03/1972, versão 11, dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Decreto/ProcAdmFiscal/PAF.Pdf. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. 5 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, versão 11, atualizada até 31/Dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://receita.fazenda.gov.br. 6 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 369370. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13827.000623/200108 Acórdão n.º 3803000.060 S3TE03 Fl. 102 7 A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se pronunciou nesse sentido, em caso relativo à falta de indicação da origem do crédito tributário, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (grifei) (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) No presente caso, a DRJ Ribeirão Preto/SP, tendo detectado a efetiva existência da ação judicial, afastou a premissa que ensejara o lançamento de ofício (declaração inexata em razão da não comprovação do processo judicial) e buscou construir sua decisão com base na matéria de mérito discutida na ação judicial, matéria essa que não havia sido objeto de análise pelo autuante. Dessa forma, por ter havido mudança do motivo de fato que ensejara a lavratura do auto de infração, temse que a ação da DRJ Ribeirão Preto/SP não se constituiu em simples complementação ou aclaramento da motivação do lançamento, tendo havido alteração substancial do ato, procedimento esse que não encontra suporte na legislação definidora de competências no âmbito do Ministério da Fazenda. Inexiste preceptivo normativo que autorize a autoridade administrativa julgadora a substituir ou complementar a atividade da autoridade lançadora no mister de constituir o crédito tributário por meio do lançamento, nos termos propugnados pelo art. 142 do CTN acima transcrito. Nesse sentido, considerando o equivocado motivo do lançamento de ofício, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010234/2006-19
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003
Ementa: DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS A autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entende-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECADÊNCIA O prazo para o lançamento de oficio é de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando se demonstra a ocorrência de dolo. Responsabilidade de sócios gerentes. Demonstrado nos autos que os sócios gerentes violaram a lei, aplica-se o art. 135 do CTN para atribuir-lhes responsabilidade tributária.
Numero da decisão: 1302-000.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos Andre Ricardo Lemes Da Silva e
Lavinia Moraes De Almeida Nogueira Junqueira, que reconheciam decadência parcial e por unanimidade de votos manter os termos de responsabilidade tributária.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002, 2003 Ementa: DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS A autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECADÊNCIA O prazo para o lançamento de oficio é de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando se demonstra a ocorrência de dolo. Responsabilidade de sócios gerentes. Demonstrado nos autos que os sócios gerentes violaram a lei, aplicase o art. 135 do CTN para atribuirlhes responsabilidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos Andre Ricardo Lemes Da Silva e Lavinia Moraes De Almeida Nogueira Junqueira, que reconheciam decadência parcial e por unanimidade de votos manter os termos de responsabilidade tributária. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. e relator Fl. 679DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 653 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello , Luiz Tadeu Matosinho Machado, Andre Ricardo Lemes da Silva, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi Relatório Tratase de recurso voluntário em relação ao acórdão DRJ que manteve os os Autos de Infração (A.I.) de fls. 6 a 44, exigindolhe o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no montante de R$ 1.212.141,51 (um milhão, duzentos e doze mil, cento e quarenta e um reais e cinqüenta e um centavos), aí incluídos multa por lançamento de oficio e juros moratórios. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 45 a 57, tais • lançamentos tiveram origem no exame do cumprimento das obrigações tributárias por parte., da interessada, durante o qual se constatou omissão de receitas nos anoscalendário de 200 e 2003. Os trabalhos de auditoria enfocaram as atividades da matriz da interessada, situada em Belo Horizonte, e de sua filial de n° 2, em Rio Acima, ficando assinalado que sta filial iniciou suas atividades em março de 2002. A Autora do feito consigna que, no exercício de 2002 (anocalendário de 2001), a interessada submeteuse à tributação pelo lucro real, com apuração trimestral. Cotejando as receitas informadas pela fiscalizada em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ — vejamse fls. 1 a 43 do Anexo I) com os valores constantes do Livro de Registro de Serviços Prestados pelo estabelecimento matriz (fls. 1 2 a 145 do Anexo I) e as Receitas de Serviços escrituradas no Livro Razão (fls. 173 a 18: do • Anexo I), a autuante constatou que a interessada, durante todo aquele ano (exceto em fevereiro, março, abril, maio e julho) declarou, em DIPJ, exatamente 10% do valor consignado esmo base de cálculo do Imposto sobre Serviços (ISS) em Belo Horizonte (vejase o "QUADRO COMPARATIVO DOS VALORES DE RECEITAS EM 2001" de fls. 58). Assim sendo, a Autora do eito calculou o respectivo crédito tributário levando em consideração os prejuízos fiscais declarados pela empresa, sendo oportuno assinalar que adotou o mesmo procedimento em relação às base de cálculo negativa de CSLL do mesmo período. No exercício de 2003 (anocalendário de 2002), a empresa fez a opção pelo lucro presumido (fls. 44 a 76 do Anexo 1). De acordo com o "QUADRO COMPARATIVOS DOS VALORES DE RECEITAS EM 2002" (fls. 61), a interessada declarou, em janeiro e fevereiro daquele ano, apenas 10% do valor registrado no Livro de Apuração do ISS e, de março a junho, somente a receita auferida pela matriz, omitindo inteiramente o faturamento da filial de Rio • Acima. De julho em diante (exceto em novembro), foram declaradas receitas inferiores às efetivamente auferidas e registradas no Livro do ISS (fls. 146 a 172 do Anexo 1) ou no razão (fls. 189 a 240 do Anexo I). Ainda com respeito a este anocalendário, a Autora do Fl. 680DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 654 3 feito esclarece haver constatado que a interessada haveria realizado a maior alguns pagamentos os quais foram compensados nos cálculos dos créditos tributários exigidos. Sujeição passiva solidária dos administradores No curso da fiscalização, a Autora do feito constatou que [...] nos períodos de apuração dos créditos tributários ora constituídos (2001 e 2002), a empresa contabilizou grandes saídas de numerários a título de distribuição de lucros aos sócios gerentes, distribuição essa que superou os valores dos tributos devidos e não pagos, conforme cópias dos Livros Diário e Razão (fls. 183 às 207 do Anexo II), cujos valores também estão declarados na DIPJ da empresa. A partir desta constatação, entendeu ela que [...] o vínculo da responsabilização dos referidos sóciosgerentes pelos débitos tributários da empresa [...] configurase, neste caso, com bastante clareza. Não fosse em razão de terem decidido se apropriar dos recursos da empresa, em detrimento do recolhimento dos tributos, seria em função da repetida conduta de declarar apenas 10% das receitas reais, seguida da falta de declaração de parte das receitas da filial de Rio Acima, conduta essa que se agrava pelo fato dos Livros Diário de 2001 e 2002 terem sido registrados somente em novembro de 2005 e março de 2006, respectivamente, e apenas depois de iniciado o procedimento fiscal. Nesse sentido, é ainda importante registrar que o endereço da .filial 002: Rua Quinze, 103, loja 103, em Rio Acima/MG é exatamente o mesmo das filiais das empresas DNA Propaganda Ltda. e SMP&B Comunicação Ltda., também comandadas pelo Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza, cujas atividades empresariais estiveram no foco do chamado "Mensalão", episódio da política brasileira que veio à tona em meados do primeiro semestre de 2005 (fls. 192 e 193) E estas filiais criadas no município de Rio Acima/MG, já se sabe, eram utilizadas para encobrir diversas fraudes, dentre elas a tributária, conforme noticia o "Relatório Final dos Trabalhos da CPI dos Correios" (lis. 194 às 196). Portanto, como conseqüência do conjunto dos .fatos, além da sujeição passiva da pessoa jurídica, também estão sendo intimados para o adimplemento ou impugnação dos créditos tributários aqui formalizados, os sóciosgerentes da empresa (Ricardo Penna Machado, Renato Villamarim Soares, Marcos Valério Fernandes de Souza e Cristiano de Mello Paz), na qualidade de responsáveis solidários, por meio da lavratura de Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls.197 às 204). Os fundamentos legais dos lançamentos e da sujeição passiva encontramse devidamente relacionados nos autos. Impugnações da interessada Ciente em 26 de setembro de 2006 (fls. 221), a interessada apresentou, em 24 de outubro de 2006, as impugnações de fls. 232 a 243, contra a exigência de IRPJ e de CSLL e, de fls. 244 a 255 e de 256 a 267, contra a cobrança de PIS e de Cofins, todas de idêntico teor e a seguir resumidas. A impugnante principia por afirmar que a Fazenda da União haveria decaído do direito de exigir "tributos cujos fatos geradores ocorreram em datas anteriores a 25 de Fl. 681DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 655 4 setembro de 2001", alegando que, por se haver submetido à tributação pelo lucro real trimestral, o fato gerador do imposto ocorreria ao final de cada trimestre. A seguir, pede que os valores compensados pela Autora do feito sejam acrescidos de juros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para Títulos Federais (SELIC), invocando a inteligência das Leis 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 9.069, de 29 de junho de 1995. Por fim, transcreve o artigo 13 da Lei n" 10.925, de 23 de julho de 2004, que remete ao parágrafo único do artigo 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e aduz: Por seu turno, o dispositivo legal em menção na norma transcrita manda segregar, do total da receita faturada pelas empresas de propaganda e publicidade, a receita efetivamente auferida por estas últimas, de modo a tributar tão somente a parcela do bolo faturado pertencente ao prestador dos serviços contratado pelo cliente. Nessas condições, excluemse da tributação do IRPJ e corno, anúncios veiculados nos jornais, revistas, televisão e rádio, além dos serviços terceirizados pela agência responsável pela propaganda. In claris cessat interpretatio, reza o brocardo jurídico, com absoluta propriedade, • significando que os serviços prestados pelas agências de propaganda e publicidade, pela sua especificidade, sempre mereceram do legislado tributário um tratamento diferenciado. Neste mister, esqueceramse os fiscais autuantes de que a empresa fiscalizada, a despeito de compor um grupo empresarial pertencente a Marcos Valério Fernandes de Souza e ter tido o seu nome envolvido nas espessas brumas do recente episódio do mensalão e do valerioduto, nunca foi classificada pelos órgãos próprios como empresa de propaganda e publicidade, uma vez que o seu objeto social era o patrocínio de eventos diversos, não necessariamente de fins publicitários. [...1 Nessas condições e considerando que a MultiAction, como mera prestadora de serviços, não se caracteriza como empresa de propaganda e publicidade e sim de entretenimento e, em razão disso, não pode ter o tratamento fiscal dispensado a aquela modalidade de contribuinte, quanto à tributação de suas receitas [...]. A interessada requer a realização de perícia, com vistas a [...] ser tributada com base nas comissões ou honorários efetivamente recebidos, conforme determina a legislação de regência, desprezados os valore pagos a terceiros pelas clientes. Manifestações dos sujeitos passivos solidários Fl. 682DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 656 5 Simultaneamente à apresentação da impugnação por parte da interessada, cada uma das pessoas físicas consideradas sujeitos passivos solidários manifestou seu inconformismo, como segue. RICARDO PENNA MACHADO e RENATO VILLAMORIM SOARES, em suas impugnações de idêntico teor (vejamse fls. 336 a 352 e 469 a 490), questionam a legitimidade do "Termo de sujeição passiva solidária", por não se tratar de ato expressamente mencionado pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Afirmam que o simples nãopagamento de tributo por parte da interessada não os tornaria sujeitos passivos solidários com esta última. Dizem que o artigo 135 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN) somente se aplicaria em caso de infração dolosa à lei. No que tange aos lançamentos, perfilham as alegações aduzidas pela interessada. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA e CRISTIANO DE MELLO PAZ, em seus arrazoados de fls. 268 a 302 e 303 a 335, reproduzem as impugnações aduzidas por RICARDO PENNA MACHADO e RENATO VILLAMORIM SOARES e acrescentam o que segue. Ambos negam haver provas tanto de haverem gerido os negócios da interessada, quanto de haverem agido com dolo ou com excesso de poderes, atribuindo aos sócios gerentes da interessada inteira responsabilidade pelas infrações aqui examinadas. Escrevem ainda que, à época, dedicarseiam à administração de SMP&B e DNA, "empresas de publicidade e de maior porte que a MultiAction, capazes, por isso mesmo, de absorverem todo seu tempo". Afirmam expressamente que tais empresas encontrarse iam instaladas em endereços "absolutamente distintos", o que lhes impossibilitaria o acompanhamento das atividades da autuada, das quais alegam haver participado apenas de forma indireta e eventual, realizada apenas nos raros períodos em que os sócios gerentes já citados não podiam, por um motivo ou outro [...] estar presentes para a assinatura de documentos, despachos, etc. Entendem que a Autora do feito haveria sido "iludida por lançamentos SP contábeis meramente virtuais e sem qualquer materialidade"; afirmam que a interessada jamais lhes haveria distribuído qualquer parcela de seus resultados a título de lucros. Afirmam que • [...] a fiscalização não comprovou a efetiva distribuição de lucros realizada pela empresa autuada, o que torna inconsistente a afirmativa dos fiscais [...] de que a Multi Action teria distribuído aos sócios os valores relacionados no quadro de fls. 11/13, em detrimento do pagamento dos tributos devidos. A distribuição, no caso, conforme se comprovará, decorreu de meros ajustes contábeis, sem que tais expedientes Fl. 683DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 657 6 importassem num efetivo recebimento de qualquer numerário por parte dos sócios. Pedem a realização de perícia. Negam validade à afirmação de que a interessada [...] só recolhia sistematicamente dez por cento dos tributos por ela devidos, n, o pode ser aceita como uma acusação procedente ao procedimento dos sócios 'a empresa pelo fato de que, nas empresas que prestam em serviços de propaganda e publicidade, é absolutamente corriqueiro e normal que a parte do valor dos receitas faturadas que fica na posse do emitente das notas fiscais não ultrapasse os dez por cento do valor total faturado. Tal fato ocorre em razão de a empresa emitente da nota fiscal valerse quase sempre dos serviços de um sem número de outras empresas, para realizar seus anúncios e propagandas, mediante a s b contra/ação desses agentes. A elucidação do caso deverá ser, de forma idêntica , objeto da perícia ora requerida. No mais, adotam as alegações produzidas pela interessada. A DRJ decidiu conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS A autoridade julgadora de primeira instância formará livremente sua convicção, podendo determinar, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECADÊNCIA O prazo para o lançamento de oficio é de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter 'ido efetuado. JUROS SELIC Não há previsão legal para acrescer de juros os pagamentos compensa. os pelo Fisco no cômputo de crédito tributário. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Apenas as agências de publicidade têm direito a excluir da base de cálculo de PIS e da Cofins a parte de sua receita repassada a terceiras empresas. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA A doutrina e a jurisprudência, por via de regra, não gozam do status e legislação tributária, e não vinculam a Administração Tributária Federal. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA Os termos lavrados pela administração tributária destinamse a condensa informações de interesse processual, sendo irrelevante que tenham sido o não instituídos por lei ou ato administrativo. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 684DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 658 7 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, mesmo sem a ocorrência de crime de natureza fiscal. Destacase na decisão recorrida: indeferiu a perícia por entendêla prescindível; Quanto à decadência alegada, afirmou: “O exame dos acima transcritos artigos 149, inciso V, e 150, ambos do CTN, patenteia que o presente lançamento de oficio tem caráter supletivo, sendo realizado pela autoridade tributária quando o sujeito passivo descumpre seu dever de calcular e extinguir o crédito tributário sob sua responsabilidade. Constatado tal descumprimento, aquela autoridade dispõe do prazo concedido pelo artigo 173, inciso I, também do CTN, para proceder ao lançamento, prazo este respeitado nos presentes lançamentos; assim, não há como acatar as objeções da interessada neste sentido.” Quanto ao acréscimo de selic aos valores dos pagamentos de tributos que foram feitos pela recorrente e compensados pela autoridade fiscal: “A interessada pede se acresçam juros SELIC aos pagamento por ela realizados e compensados pela Autora do feito; entretanto, este pedido é incabível, por falta de previsão legal. Examinandose os presentes autos, verificase que a autuante deduziu, das omissões de receitas ocorridas no curso do último trimestre de 2002, os pagamento' feitos no mesmo período (vejamse fls. 15 e 88), dai resultando um crédito tributário a ser satisfeito pela interessada. Logo, assim como não se cobram juros moratórios dentro do trimestre .: (ou seja, antes que o imposto seja devido), não há como capitalizar os pagamentos realizados • entro do • mesmo período. Por conseguinte, não se pode acolher este argumento.” Quanto à alegação de que deveria ser expurgado de seu faturamento o valor supostamente pago a terceiros: Ora, assim estabelece a Lei n° 7.450, de 1985: Art. 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: II por serviços de propaganda e publicidade. E a Lei n° 10.925, de 2004: [...] Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFIAIS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 659 8 Da simples leitura destes dispositivos legais, constatase que nenhum auxílio eles trariam à interessada, por dois simples motivos: (a) o artigo 53 da Lei n° 7.450, de 1985, diz respeito ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) e não ao IRPJ ou à CSLL; e (b) o artigo 13 da Lei n° 10.925, de 2004, concede um tratamento excepcional às agências de publicidade e propaganda — condição de que a interessada, em suas is próprias e enfáticas palavras, não goza. Efetivamente, assim escreve ela (grifos acrescidos): “Neste mister, esqueceram se os fiscais autuantes de que a empresa fiscalizada, a despeito de compor um grupo empresarial pertencente a Marcos. Valério Fernandes de Souza e ter tido o seu nome envolvido nas espessas brumas do recente episódio do mensalão e do valerioduto, nunca foi classificada pelos órgãos próprios como empresa de propaganda e publicidade [...J. Nessas condições e considerando que a MultiAction [...] não se caracteriza como empresa de propaganda e publicidade [...], não pode ter o tratamento fiscal dispensado a aquela modalidade de contribuinte, quanto à tributação de suas receitas [...]. Se a impugnante reconhece não poder invocar a proteção do artigo 13 da Lei n° 10.925, de 2004, por via de conseqüência não pode recebêla; logo, não há o que censurar aos lançamentos. Ao final, também afirma a decisão recorrida: Por fim, alegase que o registro, em alguns meses, de apenas um décimo da receita seria conseqüência da prática de repassar parte do faturamento da interessada a outras pessoas jurídicas. Tal argumento, porém, não se sustenta, uma vez que durante todo o anocalendário em exame, houve omissão sistemática de receitas, sendo de se notar que, durante um período, esta omissão atingiu todo o faturamento da filial de Rio Acima. Recordese também que, na seara do IRPJ e da CSLL, esta exclusão é contrária à legislação de regência e, por fim, que a própria interessada nega dedicarse a atividades próprias de agência de publicidade — portanto, este expurgo também contraria as regras aplicáveis ao PIS e à Cofins. Cientificados do acórdão DRJ em11/02/2010, a recorrente MultiAction e os responsáveis tributários Renato Villamarim Soares, Ricardo Penna Machado, apresentam recurso em 11/03/2010 e Cristiano de Mello Paz em 04/03/2010. Repetem no recurso os argumentos da impugnação e, em especial: os responsáveis Renato, Ricardo e Cristiano insurgemse contra a responsabilidade tributária afirmando não ter ficado demonstrado as motivações trazidas pelo art. 135 do CTN e assim como a MultiAction alegam decadência, necessidade de correção pela Selic dos tributos compensados nos lançamentos, expurgo da bases de cálculos apuradas dos valores transferidos a terceiros. Requisitam perícia contábil. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 660 9 Não consta dos autos recurso do responsável tributário Marcos Valério Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO Os recursos são tempestivos e devem ser conhecidos. Quanto à perícia requerida, me alinho com a decisão recorrida. O Decreto 70235/72, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal prescreve: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Os quesitos apresentados pela recorrente a fls. 642 dizem respeito à aferição da base de cálculo dos tributos lançados e sua compatibilidade com os livros fiscais e com as notas fiscais, matérias que foram objeto do lançamento, da impugnação, acórdão e recurso e cujos elementos contestatórios devem ser trazidos aos autos pela autoridade lançadora ou pela parte. Não há nenhuma matéria técnica que necessita de perito esterno para seu deslinde. Entendo, portanto, prescindível a perícia requerida e, portanto, a indefiro. Passo a analisar a alegação de decadência. O lançamento foi realizado em 25/09/2006 e referese aos anoscalendário 2001 e 2002. Alega a recorrente que teria ocorrido decadência do direito de realizar os lançamentos referentes aos dois primeiros trimestres de 2001. Tanto o lançamento como a decisão recorrida afirmam aplicarse ao caso o art. 173, I e não o art. 150 do Código Tributário Nacional Já a recorrente afirma que, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o art. 150, independente de ter ou não havido pagamento. No caso concreto, não houve pagamento de IRPJ e CSLL pois a empresa compensou prejuízos. Entendo não assistir razão à recorrente na matéria . A decisão recorrida também entendeu que não teria ocorrido decadência pois deveria ser aplicado ao caso o art. 173, inciso I do CTN. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 661 10 Entendo da mesma forma. Dispõe o § 4º do art. 150 da Lei 5.172/66: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação No caso dos autos, ficou demonstrado à exaustão a existência do dolo, pois a fiscalização provou que a recorrente, de forma reiterada declarava cerca de 10% de sua receita, afastando a possibilidade de ocorrência de simples erro na contabilização de suas receitas. Demonstrado o dolo, independente da aplicação da multa qualificada, afastase a aplicação da regra geral quanto ao prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º da Lei 5172, sendo aplicável a exceção prevista no mesmo dispositivo. Diante do exposto, voto por não reconhecer a decadência do presente lançamento. Quanto à alegação de que a fiscalização teria de subtrair do faturamento apurado os valores que teria repassado aos prestadores de serviço, verifico não assistir razão à recorrente. Verificando o termo de verificação fiscal de fl. 50, constato a seguinte afirmação: A análise da documentação obtida demonstrou que as atividades operacionais nos anos de 2001 e 2002 (objeto deste encerramento parcial de fiscalização) foram desenvolvidas pelo estabelecimento matriz de Belo Horizonte e pela filial 002, localizada no município de Rio Acima/MG, e que esta filial somente iniciou suas atividades a partir de março de 2002. Quanto ao ano de 2001, realizamos a confrontação entre as receitas declaradas na DlPJ apresentada pela empresa (fls. 01 às 43 do Anexo I), os valores constantes do Livro de Registro de Serviços Prestados pelo estabelecimento matriz (fls. 122 às 145 do Anexo I), e as Receitas de Serviços escrituradas no Livro Razão (fls.173 às 188 do Anexo I), conforme o "Quadro Comparativo dos Valores de Receitas em 2001" (fls. 58). Este demonstrativo revela valores de receitas não declaradas à Receita Federal. Observamos ainda que em vários meses a empresa declarava em DIPJ exatamente 10% do valor consignado como Base de Cálculo do ISS Belo Horizonte no Livro de Registro de Serviços Prestados. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 662 11 Verificamos também diferenças entre o Livro do ISS e o Livro Razão, em razão destes livros registrarem algumas receitas em períodos distintos e, principalmente, pelo fato de no Livro Razão terem sido lançados alguns valores de Receita pelo valor total da nota, e não somente pela parte correspondente à remuneração dos serviços da agência, _ conforme _discriminado no demonstrativo "Diferenças entre o Livro do ISS BH e o Razão no ano de 2001" (fls. 59 e 60). A conferência com as notas fiscais (Anexos III a V) indicou a correção dos valores registrados como Base de Cálculo do ISS no Livro de Registro de Serviços Prestados, cujos montantes, aliás, são inferiores aos registrados no Razão. Em relação ao ano de 2002, também apuramos valores de receitas não declaradas. Conforme o "Quadro Comparativo dos Valores de Receitas em 2002" (fls. 61), em janeiro e fevereiro de 2002 foram declarados exatamente 10% do valor registrado no Livro de apuração do ISS — Belo Horizonte. De março (mês em que a filial 002 entrou em atividade) a junho, foram declaradas apenas as receitas do estabelecimento matriz de Belo Horizonte. De julho em diante, com exceção de novembro, foram declarados sempre valores inferiores às Receitas efetivamente auferidas pela empresa, registradas no Livro do ISS (fls. 146 às 172 do Anexo I) ou no Razão (fls.189 às 240 do Anexo I). Em razão das diferenças verificadas entre os valores dos livros do ISS e do Livro Razão, foram digitadas todas as notas fiscais emitidas em 2002 (Anexos VI a X), tanto pela matriz, quanto pela filial 002, conforme planilha "Notas Fiscais emitidas em 2002" (fls. 62 às 84). Esta planilha revelou a correção dos valores escriturados no Razão, e as eventuais diferenças entre os valores apurados pelas notas fiscais e o Razão devemse a registros neste livro que não têm correspondência com notas fiscais (p/ ex.: estornos, bônus, etc.), conforme pode ser observado nas cópias do Livro Razão (fls. 189 às 240 do Anexo I). Por amostragem, verifico que os valores que constam da tabela de fls. 59, onde se demonstra a base de cálculo utilizada (BC ISS), representam apenas a parcela de receita da contribuinte. Por exemplo, no mês de julho de 2001, a NF 1166 apresenta uma base de cálculo di ISS , utilizada para apurar a receita omitida, de R$ 43,20. Na página 10 do anexo 4, consta cópia da citada nota, onde consta que o valor da receita da recorrente é de R# 43,20 (39,60+3,60) e o valor de serviços de terceiros é de R$ 360,00 (330,00+30,00). Já na nota fiscal 1315 (fls. 158 do anexo 4), de 21/08/2001, registra apenas receita da recorrente de R$ 4.000,00, valor idêntico ao utilizado pela fiscalização a fls. 59. A fls. 209 do anexo 4, consta a nota fiscal 1366, onde registra receita da recorrente de R$ 81,00 e serviços de terceiros de R$ 540,00, sendo que a tabela utilizada pela fiscalização de fls. 59 registra apenas os R$ 81,00. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 663 12 Portanto, diferentemente do afirmado pela recorrente, a fiscalização não considerou como sua a recita repassada a terceiros e simplesmente utilizou a informação contida nas notas fiscais e no livro de registro de ICMS que já tinha expurgado os valores repassados a terceiros. Passo a analisar a alegação da recorrente de que a fiscalização teria de ter corrigido os valores compensados no lançamento pela taxa Selic. Sobre a matéria acolho integralmente a manifestação da DRJ, abaixo transcrita: A interessada pede se acresçam juros SELIC aos pagamento por ela realizados e compensados pela Autora do feito; entretanto, este pedido é incabível, por falta de previsão legal. Examinando se os presentes autos, verificase que a autuante deduziu, das omissões de receitas ocorridas no curso do último trimestre de 2002, os pagamento' feitos no mesmo período (vejamse fls. 15 e 88), dai resultando um crédito tributário a ser satisfeito pela interessada. Logo, assim como não se cobram juros moratórios dentro do trimestre .: (ou seja, antes que o imposto seja devido), não há como capitalizar os pagamentos realizados • entro do • mesmo período. Por conseguinte, não se pode acolher este argumento. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso em relação a esta matéria. Finalmente passo a analisar os termos de sujeição passiva, cujo fundamentação fiscal e de defesa são idênticos, podendo ser analisados em conjunto. A motivação da fiscalização para a responsabilização foi assim descrita no termo de verificação fiscal: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I II 11/14 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." E segundo consta do contrato social da empresa, mais especificamente da 2ª., 3ª e 4ª alterações contratuais, firmadas respectivamente em 16/06/2001,27/08/2001 e 08/11/2001: Fl. 690DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 664 13 "A sociedade é gerida e administrada pelos sócios Ricardo Penna Machado, Renato Villamarim Soares e MG 5 Participações Ltda., representada por seus sóciosgerentes Marcos Valério Fernandes de Souza ou Cristiano de Mello Paz, que farão uso da denominação social sempre em conjunto de dois, inclusive junto às instituições financeiras e qualquer órgão público, municipal e federal, não podendo usar o nome da sociedade em avais, endossos, em proveito próprio ou de terceiros." Nesse contexto, importa registrar que nos períodos de apuração dos créditos tributários ora constituídos (2001 e 2002), a empresa contabilizou grandes saídas de numerários a título de distribuição de lucros aos sóciosgerentes, distribuição essa que superou os valores dos tributos devidos e não pagos, conforme cópias dos Livros Diário e Razão (fls. 183 às 207 do Anexo II),cujos valores também estão declarados na DIPJ da empresa: Portanto, fica evidente o interesse comum no fato gerador da obrigação principal, realizado pela empresa. Esse interesse, aliás, reflete a própria lógica da atividade empresarial, uma vez que os sócios são os grandes interessados nas operações da empresa, em razão do resultado que elas produzem, que são os lucros a eles distribuídos. Além disso, o vínculo da responsabilização dos referidos sócios gerentes pelos débitos • tributários da empresa, conforme previsto no dispositivo do CTN aqui transcrito (art. 135), Fl. 691DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 665 14 configurase, neste caso, com bastante clareza. Não fosse em razão de terem decidido se apropriar dos recursos da empresa, em detrimento do recolhimento dos tributos, seria em função da repetida conduta de declarar apenas 10% das receitas reais, seguida da falta de declaração de parte das receitas da filial de Rio Acima, conduta essa que se agrava pelo fato dos Livros Diário de 2001 e 2002 terem sido registrados somente em novembro de 2005 e março de 2006, respectivamente, e apenas depois de iniciado o procedimento fiscal. Nesse sentido, é ainda importante registrar que o endereço da filial 002: Rua Quinze, 103, loja 103, em Rio Acima/MG é exatamente o mesmo das filiais das empresas DNA Propaganda Ltda. e SMP&B Comunicação Ltda., também comandadas pelo Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza, cujas atividades empresariais estiveram no foco do chamado "Mensalão", episódio da política brasileira que veio à tona em meados do primeiro semestre de 2005 (fls. 192 e 193) • E estas filiais criadas no município de Rio Acima/MG, já se sabe, eram utilizadas para encobrir diversas fraudes, dentre elas a tributária, conforme noticia o "Relatório Final dos Trabalhos da CPM1 dos Correios" (fls. 194 às 196). Portanto, como conseqüência do conjunto dos fatos, além da sujeição passiva da pessoa jurídica, também estão sendo intimados para o adimplemento ou impugnação dos créditos tributários aqui formalizados, os sóciosgerentes da empresa (Ricardo Perna Machado, Renato Villamarim Soares, Marcos Valério Fernandes de Souza e Cristiano de Mello Paz), na qualidade de responsáveis solidários, por meio da lavratura de Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 197 às 204). A defesa, tanto em sede de impugnação como em sede de recurso alega não ser aplicável o art. 135 do CTN, em especial porque a jurisprudência do STJ e do CARF entendem que a simples inadimplência não pode levar a responsabilização dos sócios/gerentes. Não discordo da tese defendida pela defesa, mas não entendo ser esse o caso dos autos. A fiscalização demonstrou de forma irretocável que os gerentes da empresa, participaram de forma consciente de omissões de receita que chegaram a 90% do valor real Em meu ponto de vista é a típica situação prevista no caput do art. 135 do CTN, ou seja, a violação da lei e do contrato social.. Não se trata, certamente, de responsabilizar quem quer que seja por inadimplemento, mas sim por frontal violação de lei (tributária e societária). Diante do exposto, voto no sentido de manter a responsabilidade tributária de Renato Villamarin Soares, Ricardo Penna Machado e Cristiano de Mello Paz, lembrando que o também responsabilizado Marcos Valério Fernandes de Souza não apresentou recurso em Fl. 692DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.010234/200619 Acórdão n.º 130200.583 S1C3T2 Fl. 666 15 relação ao acórdão que também o manteve como responsável, sendo aquela decisão definitiva na esfera administrativa. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e manter a responsabilidade tributária de Renato Villamarin Soares, Ricardo Penna Machado, Cristiano de Mello Paz e . Marcos Valério Fernandes de Souza (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator / Fl. 693DF CARF MF Impresso em 29/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/06 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13864.000469/2007-13
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Juliana Campos de Carvalho Cruz, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Juliana Campos de Carvalho Cruz, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 69 /2 00 7- 13 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 23/11/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 24/11/2007, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, apuradas através do exame dos valores declarados pelo contribuinte em GFIP e daqueles recolhidos através de GPS nas competências 01/1999 a 08/2005 e 13/2005. Após a impugnação Acórdão de fls. 227/229, julgou o lançamento procedente em parte para excluir as competências até 11/2001, inclusive,atingidas pela fluência do prazo decadencial. A decisão de primeira instância também se manifestou quanto às guias de recolhimento apresentadas pela então impugnante, dizendo que não puderam ser aproveitadas para reduzir o crédito lançado, porque não se referiam ao CNPJ constante da notificação, além do que a competência 11/2007, nem consta do levantamento. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega que não nega o débito, mas vê inconsistências na apuração; que apresentou guias para o período de 01/1999 a 12/2005 e requer o recálculo da dívida para poder proceder ao recolhimento, frente às grandes dificuldades financeiras pelas quais passam as agremiações esportivas do país. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13864.000469/200713 Acórdão n.º 2302002.536 S2C3T2 Fl. 264 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 227/229, em 25/08/2008, fls. 247, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 26/08/2008, fruindo até 25/09/2008. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 29/09/2008, conforme documento de fls.257, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 292DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 16327.001897/2008-10
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/08/2006
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46.
TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO STRICTO SENSU. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA - CIEE. EMPRESA ESTATAL.
Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino não se caracteriza relação de emprego stricto sensu .
Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola - CIEE , agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela.
O entendimento predominante no Tribunal Superior do Trabalho - TST é no sentido de que não se reconhece o vínculo de emprego com estagiário, conforme o disposto no art. 4º da Lei 6.494/77, mormente em se tratando de sociedade cujo acesso se dá somente por meio de concurso público.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar declarar a decadência até a competência 11/2003 com base no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional - CTN. No mérito, por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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DECADÊNCIA Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei 1.569/77 e os artigos 45 e 46. TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO “STRICTO SENSU”. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE. EMPRESA ESTATAL. Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino não se caracteriza relação de emprego “ stricto sensu ”. Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola CIEE , agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. O entendimento predominante no Tribunal Superior do Trabalho TST é no sentido de que não se reconhece o vínculo de emprego com estagiário, conforme o disposto no art. 4º da Lei 6.494/77, mormente em se tratando de sociedade cujo acesso se dá somente por meio de concurso público. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 97 /2 00 8- 10 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar declarar a decadência até a competência 11/2003 com base no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional CTN. No mérito, por maioria de votos dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 571 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que, li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, o transcrevo: “ Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada,por meio do Auto de Infração (AI) DEBCAD n.° 37.174.8801, no montante de R$ 4.785.485,22 (quatro milhões, setecentos e oitenta e cinco mil e quatrocentos e oitenta e cinco reais e vinte e dois centavos), consolidado em 18/12/2008, referente a contribuições destinadas As entidades e fundos (terceiros) SALÁRIO EDUCAÇÃO (FNDE Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação) e INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), incidentes sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente,e,assim,considerados como segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de, incidentes sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente, e, assim, considerados como segurados empregados,não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas em época própria, relativas a competências de 12/2002 a 08/2006. Cabe observar que BANCO SANTANDER S.A. (CNPJ 90.400.888/000142) é a atual denominação social de BANCO SANTANDER BANESPA S.A., anteriormente denominado de BANCO SANTANDER MERIDIONAL S.A., sucessor, por incorporação, do BANCO SANTANDER BRASIL S.A. (CNPJ 61.472.676/000172), do BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S.A. BANESPA (CNPJ 61.411.633/000187), e do BANCO SANTANDER S.A. (CNPJ 33.517.640/000122). O Relatório Fiscal, de fls. O Relatório Fiscal, de fls. 31 a 47, informa que: • os valores lançados neste AI se referem ao contribuinte BANESPA (CNPJ 61.411.633/000187), que foi incorporado pelo contribuinte acima, conforme ata de assembléia geral extraordinária realizada em 31/08/2006; • em auditoria fiscal realizada no contribuinte, foram solicitados documentos e esclarecimentos acerca da contratação de estagiários, e, da análise destes elementos, se concluiu que as falhas existentes nesta contratação caracterizamna como uma relação de vínculo empregatício; • o contribuinte apresentou um Convênio Nacional, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola CIEE, CNPJ Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 61.600.839/000155 (datado de 25/02/2003), cujo objetivo é disponibilizar estagiários para o Contribuinte, e, também, diversos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, todos tendo como interveniente o CIEE, referentes aos seguintes contratados: Alexandre Antoniassi De Araújo, Daniela Carvalho Pimentel, Daniela de Oliveira Verro, Daniela Viera, Daniellen Silvério Pinto, Ellen Silva de Oliveira, Fernanda Aparecida Gonçalves Zamai, Flavia Roberta Cuan, Gustavo Almeida P Tizziani, Kleber Salomão dos Santos Nascimento, Luciana Martins De Sousa, Luiz Ferreira De Morais Junior, Michele Rodrigues, Odaisa Gonçalves De Souza, Paula Eduarda Da Silva Colombo, Raphael Gonçalves De Araújo, Silvana Aparecida Da Silva, Silvano Francisco Bertoldi, Simone Alves do Nascimento, Simone Dos Santos Andrade, Simone Soares Leal, Simone Watanabe, Stella Seleni Affonso Da Rosa, Tatiana Serra da Silva, e Vanessa Toledo Bonatto; • na legislação que versa sobre a contratação de estagiários, se destacam a Lei n.° 6.494, de 07/12/1977 e o Decreto n.° 87.497, de 18/08/1982, que dispõem sobre os estágios de estudantes de estabelecimento de ensino superior e ensino profissionalizante do 2° Grau e supletivo, bem como o Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, segundo o qual são segurados obrigatórios da previdência social os estagiários que prestam serviços a empresa em desacordo com a citada Lei 6.494/77; • existem alguns pontos não comprovados ou em desacordo com a legislação , quais sejam: I) planejamento, acompanhamento , orientação, e avaliação (exigência prevista no artigo 1°, parágrafo 3° da Lei 6.494/77) apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados, para esta Auditoria Fiscal, tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação; II) atividades a serem desenvolvidas não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período do contrato, não tendo sido apresentados relatórios de atividades desenvolvidas / a alínea "e" da 3' cláusula, que trata das atividades dos estagiários, contém atividades de execução (e não de aprendizado), como fazer atendimento e orientação a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações;III) freqüência escolar apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para a auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no parágrafo 1° do artigo 1° da Lei n.° 6.494/77; IV) supervisão do estágio não foi comprovada nesta auditoria tal supervisão, ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência; • é fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum; • os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções, e estas deveriam estar relacionadas com a sua formação, sendo relatado que inclusive o atendimento a Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 572 5 auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento; • apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê a Lei n.° 6.494/77; são motivos para os contratados na qualidade de estagiários serem considerados como empregados; • a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade; • não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n ° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita; • o valor originário do crédito apurado corresponde, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas a cargo do empregador incidentes sobre os valores pagos a título de bolsa estágio e outras rubricas (anexo "SBanRemRub"), a seguir discriminadas, sem os requisitos da legislação específica; • as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados, considerados como empregados, foram calculadas conforme tabela de incidência estabelecida pelo Ministério da Previdência Social MPS, sendo que os cálculos foram realizados sobre os valores constantes nas folhas de pagamento dos estagiários, que o contribuinte disponibilizou em meio digital, de forma divergente da estabelecida pelo MPS; • os valores cobrados neste AI não foram descontados dos pagamentos efetuados aos contratados como estagiários, considerados empregados; • os valores pagos constam nas folhas de pagamentos com as seguintes características: "140 BOLSA AUX ESTAGIARIO" (provento); "141 DIF BOLSA AUX ESTAG" (provento); "142 DEV EST BOL AUX EST" (desconto); "250 DIF BOL ESTAG M ANT" (provento); • os valores lançados neste Auto têm a seguinte característica e empregador: Levantamento EBA Banco do Estado de São Paulo S/A SPA CNPJ 61.411.633/000187; • o período da auditoria foi de outubro de 2000 a dezembro de 2006 e, o período do crédito apurado foi a partir de dezembro de Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 2002, tendo em vista a Súmula Vinculante n.° 8, do Supremo Tribunal Federal STF, sendo aplicada a regra geral prevista no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) o prazo decadencial se inicia, nas hipóteses em que o fisco desconhece a ocorrência do fato gerador, a partir do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, ou seja, a partir dos valores devidos referentes ao mês de dezembro de 2002, que só podem ser constituídos a partir de janeiro de 2003; • os valores objeto do presente levantamento constam, em folhas de pagamento, como pagos aos estagiários, considerados nesta auditoria como empregados, não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP; • tal situação, em tese, configura o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei n.° 9.983, de 14/07/2000; portanto, será este fato objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis; • entre os elementos de convicção, se destacam: Convênio firmado com Centro de Integração Empresa Escola CIEE; Acordos firmados para estágio (anexo "AcordosSBA" no CD); Folhas de pagamento do período;e, Resumos de totais das folhas de pagamento do período (anexo "RFSBan" seguido do ano, no CD); • além das divergências em relação à legislação aplicável e a relação dos supostos "estagiários", foram obtidas as seguintes informações: I) Justiça do Trabalho Processo TRT n.° 00804.2004.005.14.006, tendo como recorrente o Banco do Estado de São Paulo S/A BANESPA, relativo à descaracterização de contrato de estágio, no qual foi prolatada a decisão nos seguintes termos: "... Frustrado o programa de estágio pela ausência de acompanhamento e a utilização do estagiário como mãodeobra barata... Assim, constatado que a prestação de serviços se deu sem distinção entre as atividades exercidas pelo estagiário e os empregados do banco, além de não se submeter à supervisão da faculdade, de modo a se tornar complemento técnico do ensino.., ao revés, servindo, exclusivamente, às atividades econômicas essenciais da empresa de forma menos onerosa e desvinculada da área de ensino, outro caminho não resta a ser trilhado senão manter a decisão que reconheceu a relação de emprego, porquanto restou desvirtuada a finalidade que o legislador pretendeu alcançar quando editou a norma especial."; II) Informação do site da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp AFUBESP notícia de 16/12/2003, nos seguintes termos: "... Há também denúncia de que não são estagiários e sim, empregados, informando que diversos já recorreram à justiça para reconhecimento do vínculo empregatício."; III) Informação obtida no site da FETEC SP CUT referente à deliberação do 17° Congresso Nacional dos Trabalhadores do Grupo Santander Banespa, realizada em setembro de 2003, no sentido de "Fazer denúncia ao Ministério da Educação sobre a atividade bancária Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 573 7 desempenhada pelos estagiários" e "Exigir a contratação dos estagiários que executem funções de bancários e o respeito à grade curricular daqueles estudantes que realmente fazem estágio no banco"; IV) Relatório de estágio de Ricardo Gomes Munhoz, referente a 11/2007 nas informações prestadas pelo estagiário, constam como atividades do estágio "Atendimento à fiscalização Receita Federal e Prefeituras. Controle e cadastro de Agências Filiais do Banco pelo país. Separar documentos para regularização de agências na Prefeitura", sendo que as atividades desenvolvidas, que foram de execução, não estão previstas no acordo assinado e não há indicação de supervisão ou avaliação; • estes outros elementos de convicção demonstram que as atividades das pessoas contratadas como estagiárias, na verdade, são atividades destinadas a empregados, reconhecidos pela Justiça Trabalhista e, internamente por todos; • as aliquotas utilizadas no lançamento são: 2,5% para o Salário Educação;e, 0,2% para o Incra. Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao AI: IPC Instruções para o Contribuinte; DAD Discriminativo Analítico de Débito; DSD Discriminativo Sintético de Débito; RL Relatório de Lançamentos; FLD – Fundamentos Legais do Débito; REPLEG Relatório de Representantes Legais; e, ViNCULOS Relação de Vínculos. Foram juntados, também, pela fiscalização: MPF Mandado de ProcedimentoFiscal; TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal; Termo de Ciência e Intimação; TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos; Termo de Intimação Fiscal; e, TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Este processo encontrase apensado ao processo n.° 16327.001895/200812. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada, pessoalmente, em 19/12/2008 (fls. 01), a empresa apresentou, em 20/01/2009, a impugnação de fls. 88 a 101, com documentos anexos às fls. 102 a 168 (Certidão do 9° Tabelião de Notas de São Paulo, de 17/09/2008, referente a Procuração; Substabelecimento, de 15/01/2009; e, cópias de Atas de Reuniões do Conselho de Administração e de Assembléias Gerais Ordinárias e Extraordinárias, de documentos de identificação dos subscritores da impugnação, do AI e anexos, e de documentos relativos ao estagiário Marcelo Renato Souza), na qual deduz as alegações a seguir sintetizadas. Da decadência: Relata a impugnante que, em 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n.° 8, na qual houve a declaração de inconstitucional idade dos artigos 45 e 46 da Lei Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 n.° 8.212/91, que determinava que o prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais seria de 10 anos. Entende que, restando patente a impossibilidade de aplicação do prazo decadencial decenal, com base nos artigos 45 e 46, da Lei n° 8.212/91, deveria ser aplicado às contribuições sociais, por se tratarem de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional (CTN). Segundo ela, como antecipou o pagamento da contribuição previdenciária a cargo do empregador, eventuais inexatidões no referido recolhimento, apontadas pela fiscalização, deveriam ser formalizadas dentro do prazo previsto no art. 150, § 4° do CTN. Informa que, no caso específico da presente exigência, os fatos geradores supostamente ocorreram nos meses de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. E alega que, contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no citado parágrafo 4° do art. 150 do CTN, os lançamentos relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2002 a novembro de 2003 teriam sido homologados, de maneira tácita, nos meses de dezembro de 2007 a novembro de 2008, respectivamente, de modo que a presente NFLD, cientificada em dezembro de 2008, seria extemporânea em relação a este período. Dos estagiários: Discorre, aqui, a empresa, quanto à impossibilidade de caracterização de vínculo empregatício em relação aos estagiários. Transcreve o artigo 3° da Lei n.° 6.494/77 e o artigo 5° do Decreto n.° 87 .497/82 , e afirma que a legislação atinente ao tema determina que, para a caracterização do estágio curricular, é indispensável a existência de Termo de Compromisso entre a empresa (cedente) e o estudante, com a interveniência da Instituição de Ensino, e que este requisito, relativo à existência dos aludidos Termos de Compromisso referentes aos estagiários, encontrase devidamente cumprido, conforme reconhecido pelo próprio Agente Fiscal autuante, tendo sido estes apresentados à fiscalização quando solicitados. Sustenta que, de acordo com o artigo 4° da Lei n.° 6.494/77 e o parágrafo 1° do artigo 6° do Decreto n.° 87.497/82, a existência do Termo de Compromisso celebrado entre o estudante e o cedente, com a supervisão da Instituição de Ensino, constituiria prova bastante e suficiente da inexistência de vínculo empregatício, e que, no caso vertente, a própria Autoridade Fiscal reconhece a existência dos Termos de Compromisso firmados entre ela e o estudante, devidamente supervisionados pela Instituição de Ensino, o que já seria o bastante para impossibilitar a caracterização de vínculo empregatício. Informa, também, que todas as informações e relatórios acerca dos estagiários foram devidamente encaminhados às Instituições de Ensino e/ou ao Centro de Integração EmpresaEscola CIEE, Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 574 9 e que não caberia a ela a guarda deste material, até porque, muitas vezes, os mencionados relatórios são enviados via digital, ficando disponíveis em sistema por apenas seis meses. Segundo a impugnante, como se pode observar do relatório MAPE em anexo referente ao estagiário Marcello Renato Souza, supervisionado pela Dra. Patrícia Maira dos Passos Cirelli, todas as informações acerca do planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estágio estariam ali presentes. Para ela, não haveria que se falar em ausência de planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estágio, tendo restado comprovado que tais informações são regularmente encaminhadas à Instituição de Ensino. Entende que a pretensão estatal em exigir o tributo somente pode efetivarse quando todos os elementos e pressupostos da relação jurídica tributária (hipótese de incidência, base de cálculo, alíquota, etc.) estiverem presentes, devendo ser observado o princípio da estrita legalidade, sendo que métodos como a analogia ou a discricionariedade não se prestam a embasar a exigência do tributo. Afirma que a Autoridade Fiscal, ao pretender tributar fato lícito e previsto em legislação vigente, está conferindo a este fato uma interpretação econômica que se afigura como procedimento rechaçado pelo ordenamento pátrio. E conclui que os estágios curriculares fornecidos por ela estão em perfeita consonância com as determinações legais, sendo improcedente a presente autuação, razão pela deveria ser cancelada. Dos pedidos: Face às razões expostas, requer, então, a empresa: a) o conhecimento da impugnação; b) a decretação da decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento dos meses de dezembro de 2002 a novembro de 2003; e, c) o reconhecimento da não existência de vínculo empregatício entre ela e os estagiários regularmente contratados. É o relatório. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.191, a 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo I (SP) DRJ/SPO I, em 19 de maio de 2009, o Acórdão n° 1621.421, manteve o lançamento.. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 269, onde reiterou as razões de impugnação. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” De plano cumpre destacar que na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, à exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contempladas pelos recolhimentos. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os autolançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 575 11 Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedimento para pagamento, tem o condão de alcançar qualquer rubrica. É muito relevante notar que de forma alguma o legislador condicionou a homologação nos termos do artigo 150 à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que até mesmo a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações. O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa. Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicando se forma menos severa, tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN, a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput, se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 576 13 lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite ,sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Outro ponto de relevo que entendo deva ser destacado da leitura do § 4º do artigo 150 é que na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, nem de forma explícita, tampouco implícita, ficou determinado a capitulação do artigo 173 para a determinação da decadência dos valores fraudados. A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta criminosa e a decadência ou a prescrição devem ser analisadas e em foro próprio não comportando benefício tributário. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 577 15 “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma covenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Segundo o art.139 do Código Tributário Nacional CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Visto isso, é lícito depreender que se a obrigação principal se subsumir aos ditames do lançamento por homologação previstos no artigo 150, § 4° no mesmo Código Tributário, o crédito tributário derivado desta obrigação, quando constituído pelo efetivo lançamento, qualquer que seja a denominação ou a classificação dada a esse lançamento, em obediência ao comando preceituado no artigo 139 do mesmo diploma legal, terá a mesma natureza jurídica original. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 578 17 No item 01 do Relatório Fiscal, o Auditor Autuante registra que o Auto de Infração referese ao não recolhimento de valores de uma das várias rubricas a que o Banco estaria obrigado. Portanto não autuou a Recorrente por inadimplência total de suas obrigações o que revela ter ,seguramente, havido os tais “ pagamentos antecipados” : “ 1. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração no 37.174.8801. Tratase de crédito da Seguridade Social referente contribuição para Outras Entidades conveniadas denominadas de "Terceiros", não recolhida na época própria, incidente sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente; portanto, considerados como segurados empregados por esta auditoria, a saber:” Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 12/02 a 12/06 conforme Relatório Fiscal e ainda que a empresa fora notificada em 19/02/2008 conforme fls. 01, na forma do artigo 150, § 4° do CTN, bem como em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Recursos Fiscais – CARF, o crédito lançado pela fiscalização para as competências 11/03 e anteriores, encontramse e fulminado pelo instituto da decadência. DO MÉRITO Tratase de crédito lançado pela fiscalização referente a contribuições destinadas às entidades e fundos (terceiros) salário educação (FNDE Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação) e INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), apensado ao processo principal de n.°16327.001895/200812 , cuja relatoria também me coube. Tendo me pronunciado favorável ao provimento do processo principal e sendo o presente derivado daquele em relação direta, por economia processual, não enfrento as alegações recursais ao tempo em que, por coerência, com fulcro no mesmo arrazoado da condução do sobredito voto , concluí de forma idêntica . Abaixo trago à colação o argumentos que sustentaram a condução do sobredito voto: “Colacionado pela Autoridade Autuante, às fls. 87, documento registra a existência de Convênio Nacional do CENTRO DE INTEGRAÇÃO EMPRESA ESCOLA CIEE e as partes entre as quais a Recorrente. Dado que consta de reiteradas intimações para a apresentação dos documentos constantes na clausula 2 do sobredito convenio, é lícito concluir que a Autoridade autuante não desconhecia que a referida cláusula define obrigações do CIEE e não da recorrente. As obrigações da Recorrente no referido Convênio estão elencadas na cláusula 3 do documento em apreço e não foram motivo de questionamento sugerindo, pois adimplidas. A cópia do documento supra está em precárias condições produzindo péssimas reproduções. Assim, assim eventual Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 confronto do acima disposto deve ser efetuado “in loco” às fls. 87. Do despacho no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD de fls. 68, a devolução dos documentos ali referidos faz prova de que constataramse produzidos os, também, exigíveis Termos de Compromisso de Estágio acompanhado dos respectivos relatórios, verbis: “ Devolução dos Contratos de Termo de Compromisso de Estágio e Relatórios de Estágios, entregues a esta auditoria fiscal em 28/03/08 e 10/04/08, exceto dos estagiários Felipe Ferreira Rigo e Ricardo Gomes Munhoz. Esta devolução é devida ao fato de que todos as cópias dos documentos apresentados foram firmados entre abril e novembro de 2007, portanto fora do período auditado que é de outubro de 2000 a dezembro de 2006 ” Em complemento ao acima, no item 3.1 do Relatório Fiscal o auditor Fiscal registra que o Contribuinte apresentou CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE. DA REVOGAÇÃO DA LEI N 6.494/77 E DA LEI N° 11.788/2008 A ação fiscal teve início em 18/10 de 2007 e encerramento em 19/12/2008. No curso da referida ação, dispondo sobre o estágio de estudantes; a Lei n° 11.788, de 25 de setembro de 2008 alterou a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996; revogou as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida Provisória no 2.16441, de 24 de agosto de 2001. Na nova Lei o legislador reiterou de forma mais objetiva os aspectos que suscitaram a motivação do lançamento em comento realçando que o que se pretende com o estágio é fazer com que o educando desenvolva competência próprias da atividade profissional . Desse modo, entendo que efetuar os trabalhos típicos dos empregados da empresa concedente não se caracteriza desvio do aprendizado. No § 2o do art. 1° da lei nova fica definido : “O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional ... ”, verbis: “ Art. 1o Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. § 1o O estágio faz parte do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do educando. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 579 19 § 2o O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho. Art. 2o O estágio poderá ser obrigatório ou nãoobrigatório, conforme determinação das diretrizes curriculares da etapa, modalidade e área de ensino e do projeto pedagógico do curso. ” Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I – matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II – celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III – compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7o desta Lei e por menção de aprovação final. § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. ” Abaixo, ressaltando quais são as obrigações das instituições de ensino , o sobredito destaque do inciso IV do caput do art. 7° revela que o relatório das atividades exigido na ação fiscal é exigência que se faz ao educando com a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, verbis: “ Art. 7o São obrigações das instituições de ensino, em relação aos estágios de seus educandos: I – celebrar termo de compromisso com o educando ou com seu representante ou assistente legal, quando ele for absoluta ou relativamente incapaz, e com a parte concedente, indicando as condições de adequação do estágio à proposta pedagógica do curso, à etapa e modalidade da formação escolar do estudante e ao horário e calendário escolar; II – avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação cultural e profissional do educando; Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 20 III – indicar professor orientador, da área a ser desenvolvida no estágio, como responsável pelo acompanhamento e avaliação das atividades do estagiário; IV – exigir do educando a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, de relatório das atividades; V – zelar pelo cumprimento do termo de compromisso, reorientando o estagiário para outro local em caso de descumprimento de suas normas; VI – elaborar normas complementares e instrumentos de avaliação dos estágios de seus educandos; VII – comunicar à parte concedente do estágio, no início do período letivo, as datas de realização de avaliações escolares ou acadêmicas. Parágrafo único. O plano de atividades do estagiário, elaborado em acordo das 3 (três) partes a que se refere o inciso II do caput do art. 3o desta Lei, será incorporado ao termo de compromisso por meio de aditivos à medida que for avaliado, progressivamente, o desempenho do estudante.” No capítulo que define a responsabilidade da parte do concedente observamse o comando do art. 9 °, verbis : “ DA PARTE CONCEDENTE Art. 9o As pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da administração pública direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como profissionais liberais de nível superior devidamente registrados em seus respectivos conselhos de fiscalização profissional, podem oferecer estágio, observadas as seguintes obrigações: I – celebrar termo de compromisso com a instituição de ensino e o educando, zelando por seu cumprimento; II – ofertar instalações que tenham condições de proporcionar ao educando atividades de aprendizagem social, profissional e cultural; III – indicar funcionário de seu quadro de pessoal, com formação ou experiência profissional na área de conhecimento desenvolvida no curso do estagiário, para orientar e supervisionar até 10 (dez) estagiários simultaneamente; IV – contratar em favor do estagiário seguro contra acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores de mercado, conforme fique estabelecido no termo de compromisso; V – por ocasião do desligamento do estagiário, entregar termo de realização do estágio com indicação resumida das atividades desenvolvidas, dos períodos e da avaliação de desempenho; VI – manter à disposição da fiscalização documentos que comprovem a relação de estágio; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 580 21 VII – enviar à instituição de ensino, com periodicidade mínima de 6 (seis) meses, relatório de atividades, com vista obrigatória ao estagiário. Parágrafo único. No caso de estágio obrigatório, a responsabilidade pela contratação do seguro de que trata o inciso IV do caput deste artigo poderá, alternativamente, ser assumida pela instituição de ensino ” É relevante notar que no que diz respeito a fiscalização apenas no inciso VI , naturalmente referindose aos demais incisos do mesmo artigo, se pronuncia o obrigação de exibir documentos que comprovem a relação de estágio. Aduz que o art. 15, define que “ A manutenção de estagiários em desconformidade com esta Lei caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Na hipótese de se fazer valer o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106 do Código Tributário Nacional CTN, na forma do preceituado na lei nova os elementos que ensejaram o lançamento não motivam a autuação em razão de não serem de responsabilidade da concedente . DA AUTUAÇÃO NA FORMA DA LEI N ° 6.494, de 07/12/1977 Anuindo o Relatório Fiscal na condução do voto “ ad quod ”, o I. Julgador entendeu que não estavam presentes os requisitos materiais e formais exigíveis na lei de regência n.° 6.494, de 07/12/1977, e assim se manifestou : “ É de se ressaltar, aqui, que, caso a empresa não demonstre o atendimento dos requisitos formais e materiais da Lei n.° 6.494, de 07/12/1977, os valores percebidos pelos estagiários serão tributados, sofrendo a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, com a sua caracterização como segurados empregados.” Na seqüência com auxílio de decisão válida ,entretanto, apenas entre as partes, trouxe argumentos extraídos do Resp. exarado em 28/08/1995, verbis : “ Neste sentido, existe entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme se pode verificar em julgado do qual se transcreve ementa a seguir. ESTÁGIO PROFISSIONAL. HIPÓTESE QUE NÃO SE ENQUADRA NAS DISPOSIÇÕES DA LEI 6.494/77, PRESENTE A RELAÇÃO DE EMPREGO. PRESCRIÇÃO ATINGE AS PARCELAS ANTERIORES O BIÊNIO QUE ANTECEDEU O AJUIZAMENTO DA RECLAMAÇÃO. A NORMA CONSTITUCIONAL SUPERVENIENTE NÃO DESCONSTITUI PRESCRIÇÃO JÁ CONSUMADA. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 22 (RESP Recurso Especial 38351; Processo n.° 1993.00.24534 1/RJ; STJ Terceira Turma; Relator Eduardo Ribeiro; DJ de 28/08/1995) Assim, não é qualquer pagamento a estagiário que irá resultar em isenção das contribuições previdenciárias e de terceiros, mas apenas aqueles que forem realizados em observância à Lei n.° 6.494/77, sendo que a prova de que a relação com o estudante respeita os pressupostos da Lei do Estágio é do contribuinte, não do Fisco. (..) Cumpre esclarecer que, ao contrário do que entende a impugnante, a simples apresentação de Termos de Compromisso de Estágio celebrados com os estudantes não constitui prova suficiente da inexistência de vínculo empregatício. Não basta a apresentação, pela empresa, destes Termos, para comprovar a regularidade dos estágios. É inadmissível prosperar a tese de que, uma vez contratado o estudante, com a formalização de Termo de Compromisso de Estágio, nenhuma outra providência ou controle viesse a ser exercido pela concedente do estágio ou exigido dela. A existência dos referidos Termos de Compromisso não constitui condição suficiente, mas apenas necessária para descartar o vínculo empregatício. Deve ser observado, aqui, o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, no qual o que prevalece é a realidade fática sobre a realidade formal. Em outras palavras, tais Termos de Compromisso só descaracterizam a relação de emprego quando observados todos os preceitos da Lei n.° 6.494/77, que foi regulamentada pelo Decreto n.° 87.497/82, o que não ocorreu no presente caso. ” Com grifos de minha autoria, as fls. 186 do Relatório Fiscal se registra que : “ Este relatório é parte integrante do Auto de Infração n° 37.174.8780. Tratase de crédito da Seguridade Social referente à contribuição social da Empresa, não recolhida na época própria, incidente sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente; portanto, considerados como segurados empregados por esta auditoria .” DOS CONVÊNIOS COM O CIEE Muito embora tenha destacado no item 3.1 que o Contribuinte apresentou um CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola CIEE e no item 3.2.2 O CIEE está como interveniente em todos os contratos assinados entre as partes, a Autoridade autuante afirmou que existiram pontos em desacordo com a legislação.Caracterizando como indícios os elementos em que se baseara, destacou que : “ Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 581 23 não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados.” O sujeito passivo é uma instituição financeira, entretanto, mesmo sublinhando que seria obrigação da Instituição de ensino, o auditor Fiscal baseou a autuação no Art. 9° , “h” do Decreto n°3.048 de 06 de maio de 1999, a saber: “Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas": "h) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei n ° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. ” Apoiado no acima, elencou os pontos que no seu entender estariam em desacordo destacandoos no item 5 do Relatório Fiscal: “ 5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO: 5.1 DOS ACORDOS DE COOPERAÇÃO E TERMOS DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO Em relação aos acordos de cooperação e termos de compromisso de estágio apresentados pelo contribuinte com as pessoas contratadas, temos os seguintes pontos não comprovados ou em desacordo com a legislação: 5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. Está prevista na cláusula 3, alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio. Mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977, a saber: "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares". ( grifos de minha autoria) Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. 5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas: Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 24 Quanto às atividades destacadas em 3.2.1, não foram comprovadas para esta auditoria a execução das mesmas, ou seja, não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades de execução e não de aprendizado. A alínea "e" da 3' cláusula dos termos que tratam das atividades dos estagiários contém atividades de execução, quais sejam, fazer atendimento a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do estagiário dentro da organização é o de aprender, conhecer, acompanhar e ter noções de elaboração, cálculos, redação e seleção de qualquer dado, informação, relatório e planilhas gerenciais entre outras atividades desenvolvidas dentro da organização. 5.2 Comprovação de freqüência escolar Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. 5.3 Supervisão do estágio Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência. Dos contratados relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; funções relacionadas com a formação do estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento. Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n. ° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 582 25 Logo, a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade. Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita. ” Não obstante tudo que foi exposto, transcrevo parte do Relatório fiscal onde a Autoridade autuante registra que todos os estagiários executam sua tarefas ao abrigo do Termo de compromisso o qual tem sido equivocadamente tratado como contrato de estágio : “...os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados .....” DA RESPONSABILIDADE DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO NA LEI N° 6.494/77 Cumpre ressaltar que o Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982, regulamentou a exortada Lei n° 6.494/77 e no art. 4° do referido diploma fica definido que cabe às instituições de ensino e não as empresa que concedem os estagios regularem entre outras questões a sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular, fatos geradores que como destacado alhures motivaram o auto em comento, verbis: “ Art . 4º As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre: a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica; b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo; c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do artigo 1º da Lei n 6.494, de 07 de dezembro de 1977; d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular. Art . 5º Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso.” Aduz que o art. 6º do mesmo sobredito diploma define que a realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza . Caracterizando como Termo de compromisso, afastando assim hipótese de relação trabalhista o legislador evitou denominar de contrato o pacto entre as partes e no § 1º do art. supra acentua Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 26 que o Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício , verbis : Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. ” Desse modo, entendo que as exigências legais previstas na lei n° 6.494/77, regulamentadas pelo Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982 foram todas cumpridas pela Recorrente. A exigência fiscal ora em apreço é da responsabilidade das Instituições de ensino como acima se verificou . DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO E DA INCORPORAÇÃO DO BANESPA Relevante destacar que o os fatos geradores que levaram a constituição dos créditos do lançamento em comento ocorridos no período levantado 12/2000 a 12/2006, em sua quase a totalidade é anterior a incorporação havida nos termos registrados no Relatório Fiscal, verbis : “ Os valores lançados neste Auto se referem ao contribuinte Banco Santander Banespa S/A, CNPJ 61.411.633/000187, que foi incorporado pelo contribuinte acima, conforme ata de assembléia geral extraordinária realizada em 31/08/2006. ” Consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil – RFB, revela que o sobredito CNPJ 61.411.633/000187 foi aberto em 29/07/1966 e, de fato, baixado em 31/08/2006: NÚMERO DE INSCRIÇÃO 61.411.633/000187 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 29/07/1966 NOME EMPRESARIAL BANCO DO ESTADO DE SAO PAULO S/A BANESPA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) BANESPA Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 583 27 CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2046 SOCIEDADE ANONIMA ABERTA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPI O ******** F ** SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 31/08/2006 DO INGRESSO NOS QUADROS DO BANESPA Assim, cumpre ressaltar que o BANESPA até a sua incorporação pela Recorrente era uma instituição bancária do Governo de São Paulo cujo ingresso em seus quadros se fazia por meio de concurso público. De plano, corroborar a tese da Autoridade autuante de que os inúmeros estudantes que participaram dos quadros do então BANESPA na condição de estagiário sejam considerados como segurados significa dizer que os mesmos eram bancários empregados daquela instituição. Cumpre pois ressaltar que a admissão no BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A – BANESPA se fazia MEDIANTE CONCURSO PÚBLICO. Desse modo, uma vez caracterizada a relação de emprego, nos termos da auditoria realizada operase, com efeito ex tunc , uma série de virtuais “ direitos” dentre os quais, gratificação semestral, Adicional de Tempo de Serviço, diferenças decorrentes do IPC de março de 1990, horas extras; aviso prévio, 13º salário, férias , FGTS, ajudaalimentação e o pagamento de diferenças salariais geradas pela recomposição dos valores recebidos pelos estagiários e os salários “ pisos” da época pagos à categoria , que no caso em comento, faria até mesmo obrigatória uma complementação, por aferição indireta, Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 28 de constituição dos créditos fundados nos fatos geradores surgidos em razão do sobredito impacto . DA JURISPRUDÊNCIA NO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO Discordando da motivação do auto, sobre esta questão, folgo em saber que não estou sozinho. Pesquisa de Jurisprudência registra que esposei, sem as hipotéticas conseqüências que enunciei, o pensamento do Sr. Ministro Min. Rider de Brito quando na Relatoria do RR561.045/1999, 5ª Turma, DJ 9/5/2003) tendo o Banespa como reclamado, assim se manifestou : “ CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONCESSÃO DE DIREITOS PRÓPRIOS DOS BANCÁRIOS. Mesmo considerando que o reclamante estivesse sob a orientação e supervisão do Banco do Estado de São Paulo, com a configuração de pessoalidade e subordinação direta, inviabilizarseia a caracterização do vínculo de emprego, porque no caso de sociedade de economia mista, além do preenchimento dos requisitos do art. 3º da CLT, é necessária a ocorrência de prévia aprovação em concurso público para o reconhecimento da existência do vínculo de emprego, conforme determina o art. 37, II, da Constituição Federal. Por outro lado, o deferimento de vantagens próprias de empregados da administração pública direta, indireta e fundacional a pessoas não admitidas por concurso público, ainda que não reconhecido o vínculo empregatício, acabaria por infringir o mencionado preceito constitucional. E isso porque o escopo do legislador constituinte é o de, oferecendo oportunidades iguais de acesso para todos os cidadãos, moralizar o serviço público, evitando apadrinhamentos e a utilização de verbas públicas para a concessão de vantagens indevidas a qualquer pessoa. Recurso de revista conhecido e provido" (RR561.045/1999, Rel. Min. Rider de Brito, 5ª Turma, DJ 9/5/2003); ” ( grifos de minha autoria) A mesma questão em razão das múltiplas vezes em que foi levada ao judiciário resta pacificada no Tribunal Superior do Trabalho. Desse modo, tenho convencimento de que em razão da competência especifica daquela Corte, descabe ao fisco tutelar as relações em tela . Sobre o tema , trago à colação jurisprudência pacífica. Os Acórdãos a seguir se justapõem à feição ao caso em tela, verbis:: “ Tribunal Superior do Trabalho. 5ª Turma Acórdão do processo Nº RR 69501688.2000.5.05.5555 30/11/2005 RECURSO DE REVISTA. RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. ESTAGIÁRIO. AUSÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO. O entendimento predominante nesta Corte é no Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 584 29 sentido de que não se reconhece o vínculo de emprego com estagiário, conforme o disposto no art. 4º da Lei 6.494/77, mormente em se tratando de sociedade de economia mista, cujo acesso se dá somente por meio de concurso público, ante os termos do art. 37, inc. II, da Constituição da República. Recurso de Revista de que se conhece e a que se dá provimento. ” “ Tribunal Superior do Trabalho. 2ª Turma Acórdão do processo Nº EDEEDRR 553855 54.1999.5.04.5555 20/10/1999 EMENTA: ESTAGIÁRIO DESCUMPRIMENTO DA LEI Nº 6.494/77 RELAÇÃO DE EMPREGO. Não é possível o nascimento de uma relação de emprego entre o estagiário e uma sociedade de economia mista, como conseqüência do simples desvirtuamento de um contrato de estágio, porque entendimento contrário violaria o princípio constante do inciso II do art. 37 da Constituição Federal de l988, que impõe, para a investidura em cargo ou emprego público, a prévia aprovação em concurso público. Recurso de Revista conhecido e provido. ” “ Tribunal Superior do Trabalho. Subseção Especializada em Dissídios Individuais 1 Acódão do processo Nº EEDRR 64080069.2000.5.09.5555 27/11/2008 RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO ANTES DA LEI Nº 11.496/2007, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ART. 894 DA CLT. ESTAGIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DA LEI Nº 6.494/77. VÍNCULO DE EMPREGO COM O BANCO DO BRASIL. É entendimento assente da Corte que é inviável o reconhecimento de uma relação de emprego entre o estagiário e uma sociedade de economia mista, apenas pelo desvirtuamento de um contrato de estágio, porque este procedimento afronta o disposto no inciso II do artigo 37 da CF/88. Recurso de Embargos não conhecido. ” “ Tribunal Superior do Trabalho. 4ª Turma Acódão do processo Nº AIRR 74054510.2001.5.01.5555 12/06/2002 ESTAGIÁRIO – RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO – IMPOSSIBILIDADE LEGAL – ART. 4º DA lEI Nº 6.494/77. O art. 4º da Lei nº 6.494/77 é expresso ao estabelecer que o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza. Isso porque sua finalidade precípua consiste em proporcionar a complementação do ensino e da aprendizagem, por meio da participação do estudante em situações reais de Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 30 vida e de trabalho, propiciandolhe conhecimentos teóricos e práticos imprescindíveis à sua inserção no meio profissional, social e cultural. Agravo de instrumento não provido.” “ Tribunal Superior do Trabalho. 3ª Turma Acórdão do processo Nº RR 46643337.1998.5.09.5555 21/10/1998 Estágio relação de emprego Não forma vínculo de emprego o estagiário que firma termocompromisso, de acordo com a Lei nº 6.494/77, tendo em vista que a admissão no Banco do Brasil se dá exclusivamente através de aprovação em concurso público, nos termos do art. 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988.” Sobre o voto supra, destacando que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 e, havendo quaisquer irregularidades na execução do estágio, as mesmas devem ser resolvidas entre o estagiário e/ou estabelecimento de ensino, no presente caso, o CIEE, ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, unanimemente, conhecer da Revista, por violação ao art. 37, inciso II, da Constituição Federal e, no mérito, darlhe provimento para declarar inexistente o vínculo empregatício . Abaixo o inteiro teor do Acórdão: “ estágio relação de emprego Não forma vínculo de emprego o estagiário que firma termo compromisso, de acordo com a Lei nº 6.494/77, tendo em vista que a admissão no Banco do Brasil se dá exclusivamente através de aprovação em concurso público, nos termos do art. 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista nº TSTRR466433/98.2, em que é Recorrente BANCO DO BRASIL S.A e Recorrido CÉZAR CLAUDINEI MENEGAZZO. Reclamante, admitido em maio de 1989 na função de estagiário, intentou a presente Reclamação Trabalhista para que seja reconhecido o vínculo empregatício, com o pagamento de diferenças salariais, gratificação semestral, Adicional de Tempo de Serviço, diferenças decorrentes do IPC de março de 1990, horas extras; aviso prévio, 13º salário, férias 89/90 e 90/91, FGTS, ajudaalimentação, honorários advocatícios e aplicação do art. 467, da CLT. A MM. 1ª JCJ de FlorianópolisSC julgou procedente, em parte, a Reclamação Trabalhista para: I reconhecer o vínculo empregatício entre as partes de 22589 a 21591; II condenar o Reclamado a anotar a CTPS do Autor; III condenar o Reclamado a pagar ao Reclamante: a) anuênio; b) diferenças salariais decorrentes do IPC de março/90; c) verbas de rescisão; d) ajudaalimentação; e) multa convencional; e f) FGTS (11,2%). Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 585 31 O Egrégio Tribunal Regional da 9ª Região, através do v. Acórdão de fls. 257/271, deu provimento parcial ao Recurso Ordinário do Reclamado, para excluir da condenação as diferenças salariais decorrentes do IPC de março de 1990. E, negou provimento ao Recurso Ordinário do Reclamante. O Reclamado interpôs Recurso de Revista, às fls. 285/303, com fulcro no art. 896, alíneas "a" e "c", da CLT, alegando conflito de teses e violação legal. O Recurso de Revista foi inadmitido, às fls. 308/309, contudo, sobem os autos mercê de provimento dado ao AI217033/95, em anexo. Os autos não foram remetidos ao douto Ministério Público do Trabalho, em cumprimento à Resolução Administrativa nº 322/96. É o relatório. V O T O 1 DO CONHECIMENTO 1.1 Estagiário Relação de emprego Analisando o tema, concluiu o Regional que: "Andou certa, portanto, a sentença de Primeiro Grau ao descaracterizar o contrato de estágio, já descaracterizado, data venia, pelo próprio reclamado. Entendo que o recurso não pode ser acolhido, pelo demorado tempo que durou o 'estágio' (2 anos) e pela ausência de correlação entre o curso e a atividade. O contrato de estágio é uma exceção, e como tal deve ser tratado. Na medida em que o Reclamado transfigurou a exceção em regra geral e predominante, desvirtuou deliberadamente as regras legais que protegem esta especial modalidade de contratação. A lei exige que o estágio funcione como uma complementação do estudo, razão pela qual o planejamento, a execução, o acompanhamento e a avaliação devem levar em conta de consideração os currículos, os programas e os calendários escolares." (fls. 264/265) "A contratação do Reclamante se deu em data de 22 de maio de 1989, já na vigência da atual Constituição Federal. Tal fato, no meu modo de entender, não determina 'ipso facto' a aplicação da regra constante do artigo 37, inciso II, da Lei Maior em benefício do Reclamado. A determinação constitucional é no sentido de que o quadro funcional do Reclamado seja constituído apenas por pessoas previamente aprovadas em concurso público. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 32 Mas, tal obrigação, convenhamos, não é dirigida ao Reclamante. O destinatário da norma é o órgão público, assim definido como tal. Se o reclamado descumpriu o mandamento constitucional, não pode, enviezadamente, dele beneficiarse. Os requisitos da relação de emprego restaram incontroversamente provados nos autos, em especial a 'pessoalidade e a 'subordinação' do reclamante ao Reclamado. É cediço em matéria de direito laboral que o contrato de trabalho é um 'contrato realidade', que se forma e se aperfeiçoa, independentemente da manifestação expressa da vontade de uma das partes." (fls. 265/266) "O Enunciado do TST reconhece que a contratação é irregular, mas coloca como óbice ao reconhecimento do vínculo a interveniência de empresa interposta. Inexistindo esta, como no caso em análise, a solução há de ser encontrada no inciso III, ou seja, o reconhecimento do vínculo de emprego com o tomador, quando a contratação de serviços é ligada à atividademeio, presentes os requisitos da pessoalidade e da subordinação direta. Reafirmese, aqui, que o novo verbete, na esteira do que havia anteriormente estabelecido a Súmula 256, continua a considerar ilegal a locação permanente de mãodeobra em atividadefim, quer direta, quer indiretamente." (fls. 266/267) Inconformado com o entendimento Regional, o Reclamado alega que o Reclamante foi contratado como estagiário, através do Centro de Integração EmpresaEscola, pois estava matriculado no curso secundário de contabilidade, sendo que para a realização de estágio é exigível um termo de compromisso (§ 1º, do art. 6º, do Decreto nº 87.497/82) para que seja comprovada a inexistência de vínculo. Sustenta que na relação não estão presentes os requisitos legais para o reconhecimento do vínculo empregatício. O Bancoreclamado, em suas extensas razões recursais, descreve as diversas regras e condições para a realização do estágio, estabelecidas entre o CIEE Instituição de direito privado reconhecida como entidade de fins filantrópicos e o Banco do Brasil. Quanto às alegações do Reclamante sobre os tipos de serviços executados, o Reclamado defendese com o argumento de que: "Durante o lapso contratual é evidente que o estagiário realizou tarefas idênticas às dos empregados, pois do contrário teria passado a maior parte do tempo em absoluta inatividade, o que certamente não consultaria aos interesses das partes. Imaginemos se o Banco tratasse os estagiários como elementos dos quais nada se exigisse, sem preocupação quanto a horários, quanto à qualidade e quanto à produção do serviço; que tipo de profissionais estaria preparando para o mercado de trabalho? Devese compreender que o Banco, ao realizar este tipo de convênio, também é responsável pela boa formação moral e Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 586 33 profissional do estagiário. Exigirlhe um comportamento profissional é dar a ele a melhor formação possível. O zelo do Banco, que redundou em evidente benefício para o reclamante, é tido agora como burla à lei. A interpretação dos fatos deve ser abstraída de paixões e fundada no bom senso. È cristalino que o estágio alcançou o seu intento e foi proveitoso para o reclamante." (fl. 300) O Bancorecorrente sustenta violação ao art. 37, inciso II, da atual Carta Magna, posto que o dispositivo exige a realização de concurso público para ingresso no quadro do Reclamado. Alega, ainda, violação à Lei nº 6.494/77 e ao Decreto nº 87.494/82. CONHEÇO, por violação ao art. 37, inciso II, da Constituição Federal. 2 DO MÉRITO 2.1 Estagiário Relação de emprego A Lei nº 6.494, de 07.12.77, ao dispor sobre o estágio, estabeleceu em seu art. 4º que "o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza". No art. 3º exige que haja termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino. Através do Decreto nº 87.497, de 18.08.92, foram especificadas as diversas regras e condições para a realização do estágio previsto na lei nº 6.494/77 que, em seu artigo 6º, reafirma: "a realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza". A legislação em foco foi editada com a finalidade de permitir que as pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da Administração Pública pudessem admitir estudantes como estagiários, ainda que executando tarefas burocráticas ou administrativas, lado a lado com os empregados. O objetivo da lei é de propiciar ao estudante aperfeiçoamento teórico e prático que lhe poderá ser útil em sua vida profissional após a formatura, com a vantagem adicional de o estágio ser aceito até como "experiência profissional", para efeito de currículo. Ademais, o inciso II, do art. 37, da Carta Magna, "exige a aprovação prévia em concurso público como pressuposto para a investidura em cargo ou emprego público". É notório que a admissão de pessoal para o Banco do Brasil dáse exclusivamente através de aprovação em concurso público. Outrossim, a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 e, havendo quaisquer irregularidades na execução do estágio, as Fl. 601DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 34 mesmas devem ser resolvidas entre o estagiário e/ou estabelecimento de ensino, no presente caso, o CIEE. Desta forma, o estágio não forma vínculo de emprego, sendo nulo o contrato de trabalho sem a prévia aprovação em concurso público, porquanto desatendido o preceito constitucional. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso para declarar inexistente o vínculo empregatício reconhecido com o Banco do Brasil, julgando improcedente a reclamação trabalhista, e invertendose os ônus da sucumbência no tocante às custas. Isento o Reclamante na forma da lei. ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, unanimemente, conhecer da Revista, por violação ao art. 37, inciso II, da Constituição Federal e, no mérito, darlhe provimento para declarar inexistente o vínculo empregatício reconhecido com o Banco do Brasil, julgando improcedente a reclamação trabalhista, e invertendose os ônus da sucumbência no tocante às custas. Isento o Reclamante na forma da lei. Brasília, 21 de outubro de 1998. Francisco Fausto Paula De Medeiros no exercício da Presidência JOSÉ ZITO CALASÃS RODRIGUES–Relator ” DO RELATÓRIO FISCAL Abaixo, com de fls. 186 grifos de minha autoria, transcrevo a íntegra do laborioso Relatório Fiscal: “ Este relatório é parte integrante do Auto de Infração n° 37.174.8780. Tratase de crédito da Seguridade Social referente à contribuição social da Empresa, não recolhida na época própria, incidente sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente; portanto, considerados como segurados empregados por esta auditoria, a saber: 1.1 para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS (parte patronal) (22,5%); 1.2 referentes ao Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT (antigo SAT) (1,0%) Os valores lançados neste Auto se referem ao contribuinte Banco Santander Banespa S/A, CNPJ 61.411.633/000187, que foi incorporado pelo contribuinte acima, conforme ata de assembléia geral extraordinária realizada em 31/08/2006. 2. Dos Fatos Em auditoria fiscal realizada no Contribuinte acima identificado, mediante MPF também acima identificado, foi Fl. 602DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 587 35 solicitado por Termo de Início de Ação Fiscal TIAF e diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, documentos e esclarecimentos acerca da contratação de estagiários pelo contribuinte. Da documentação e esclarecimentos prestados, esta auditoria concluiu que as falhas existentes nesta contratação caracterizamna como uma relação de vinculo empregatício. A caracterização deste vinculo empregatício está demonstrada, neste relatório, da seguinte forma: Em "3. DA CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS PELO CONTRIBUINTE" está relatado como se dá a relação do contribuinte com os estagiários quanto à documentação; Em "4. LEGISLAÇÃO SOBRE A CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS" está transcrita a legislação pertinente à contratação de estagiário; e, Em "5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO" estão relacionados os pontos da relação contribuinte estagiário em desacordo com a legislação. Em "6. Do VALOR APURADO" informações sobre como e quais valores foram calculadas as contribuições devidas. Em "7. DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO" a origem e o período que compõem o valor cobrado. Em "8. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO" constam o documento onde Contribuinte relaciona beneficiários e valores, forma de contratação e informações diversas confirmando que os estagiários na verdade são empregados. 3. DA CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS PELO CONTRIBUINTE: 3.1 O Contribuinte apresentou um CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola CIEE, CNPJ 61.600.839/000155 (datado de 25/02/2003), cujo objetivo é disponibilizar estagiários para o Contribuinte com as seguintes características (transcritas apenas partes): No início diz que se trata de um Termo de Convênio que entre si celebram as partes, sendo consideradas Concedentes diversas empresas do Grupo Banco Santander Brasil S/A, CNPJ 61.472.676/000172, e de outra parte o CIEE como Agente de Integração. Cláusula 2a Caberá ao CIEE: a) "manter convênios específicos com as Instituições de Ensino, contendo as condições exigidas para a caracterização e definição do estágio de seus alunos"; b) "obter das Concedentes a identificação e características dos programas e das oportunidades de estágio a serem concedidas"; Fl. 603DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 36 c) "promover o ajuste das condições de estágio definidas pelas Instituições de Ensino com as disponibilidades das Concedentes, indicando as principais atividades a serem desenvolvidas pelos estagiários, observando sua compatibilidade com programas e currículos escolares e com as diretrizes estabelecidas na LDB — Lei 9394/96"; d) "encaminhar às Concedentes os estudantes cadastrados e interessados nas oportunidades de estágio"; e) "preparar toda a documentação legal referente ao estágio, incluindo": • "Acordo de Cooperação entre a Instituição de Ensino e a Concedente, instrumento jurídico de que trata o art. 5° do Decreto n° 87497/82"; • "Termo de Compromisso de Estágio TCE entre a Concedente e o estudante, com interveniência e assinatura da Instituição de Ensino, nos termos do § 1 0 do art. 6° do Decreto n° 87497/82"; • "Efetivação do Seguro Contra Acidentes Pessoais em favor do estagiário". f) "acompanhar a realização do estágio junto à Concedente, disponibilizando às respectivas Instituições de Ensino as informações pertinentes"; g) "notificar à Concedente qualquer irregularidade na situação escolar dos estagiários, sempre que informada pelas Instituições de Ensino"; h) "Processos Especiais Modularmente o CIEE poderá executar o processo de seleção e encaminhar às empresas convenentes, concedentes da(s) oportunidade(s) de Estágio(s), os estudantes requisitados por elas. Para tanto, formularseá um Termo de Aditamento a este convênio, dispondo sobre as condições especiais do processo seletivo". Cláusula 3' Caberá à Concedente de Estágio: a) "formalizar as oportunidades de estágio, em conjunto com o CIEE, atendendo as condições definidas pelas Instituições de Ensino para a realização dos estágios, identificando quais vagas devem ser trabalhadas em módulo de Processo Especial"; b) "receber os estudantes interessados e informar ao CIEE o nome dos aprovados para o estágio"; c) "assinar os documentos legais providenciados pelo CIEE, indicados na alínea "e" da cláusula 2a;" Fl. 604DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 588 37 d) "cumprir todas as responsabilidades, como Concedente, indicadas nos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio celebrado com os estagiários"; e) "efetuar o pagamento mensal das BolsasAuxílio, diretamente a seus estagiários"; f) "solicitar ao estagiário, a qualquer tempo, documentos comprobatórios da regularidade da situação escolar"; g) "informar ao CIEE, de imediato, sempre que identificada irregularidade na situação escolar de qualquer estagiário e toda vez que ocorrer rescisão antecipada de qualquer Termo de Compromisso de Estágio TCE, para as necessárias providências legais e interrupção dos procedimentos técnicos e administrativos a cargo do CIEE, quando for o caso"; h) "participar da sistemática de acompanhamento, supervisão e avaliação dos estágios, fornecendo para as Instituições de Ensino ou ao CIEE quando solicitado". 3.2 Depois de solicitado pelo Termo de Início de Ação Fiscal TIAF e por diversos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, o Contribuinte apresentou diversos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, conforme previsto na alínea "e" da cláusula 2a do Convênio firmado com o CIEE, todos em arquivo formato pdf anexado ao presente Auto (multimídia que não permite regravação); referentes aos seguintes contratados: ( segue planilha com 26 estagiários ) fls. 189 3.2.1 Atividades a serem desenvolvidas constantes nos contratos relacionados em 3.2 são: Alexandre: Orientar clientes sobre produtos e serviços no auto atendimento; informar clientes sobre produtos e serviços do Banco e do segmento em que está atuando; distribuir listagens ou material promocional; emitir relatórios de vendas; fazer atendimento e cadastro de novos clientes; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de autoatendimento; participar na análise de relatório de atendimento; fornecer suporte a usuários; Daniela Carvalho: Fornecer informações a clientes, cadastrar novos clientes; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de auto atendimento; Daniela de Oliveira: Distribuir listagem ou material promocional; acompanhar crescimento de vendas por produto; orientar clientes sobre produtos e serviços disponíveis no auto atendimento; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes; Daniela Viera: Fazer atendimento a clientes, cadastrar novos clientes; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de auto atendimento; Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 38 Daniellen: Elaborar relatórios de custos e serviços; examinar contas ou registros financeiros; elaborar orçamentos; Ellen: Distribuir listagem ou material promocional; emitir relatório de vendas; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de auto atendimento; Fernanda: Demonstrar custos ou argumentar novas propostas; pesquisar taxas de mercado; fornecer informações a clientes; estabelecer contatos com clientes; Flavia: Operar microcomputador,terminais ou periféricos; emitir relatório de vendas; fazer atendimento e cadastro de novos clientes; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes; orientar, esclarecer e atender clientes; Gustavo: Agendar visitas para os gerentes da sala; elaborar planilhas gerenciais; fazer a confirmação das operações realizadas para os clientes; emitir documentos, relatórios, planilhas ou formulários diversos; fornecer informações a clientes; cadastrar novos clientes; Kleber: Revisar petições e peças processuais relativas ao direito administrativo; elaborar contencioso administrativo e judicial; consultar órgãos públicos; Luciana: Fornecer informações a clientes; cadastrar novos clientes; estabelecer contatos com clientes; operar micro computador,terminais ou periféricos; Luiz: Acompanhar a elaboração de relatórios de análises gerenciais; elaborar planilhas de custos e despesas; auxiliar na elaboração de relatórios contábeis; elaborar estudos de viabilidade econômica; Michele: Calcular taxas ou operações financeiras; elaborar documentos, relatórios, planilhas ou formulários diversos; analisar indicadores econômicos; informar clientes sobre produtos e serviços do Banco e do segmento em que está atuando; Odaisa: Emitir relatório de vendas; operar micro computadores,terminais ou periféricos; fornecer informações a clientes; cadastrar novos clientes; Paula: Acompanhar crescimento de vendas por produto; fazer atendimento e cadastro de novos clientes; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de auto atendimento; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes; orientar, esclarecer e atender clientes; Silvana: Calcular taxas ou operações financeiras; redigir cartas ou relatórios financeiros; elaborar documentos relatório, planilhas ou formulários diversos; registrar dados em planilhas para consulta administrativas; Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 589 39 selecionar e preparar informações para atualização de banco de dados; Silvano: Fornecer informações a clientes; preparar relatórios gerenciais; redigir documentos diversos; analisar situação de clientes; estabelecer contato com cliente; Simone Alves: Fornecer informações a clientes; estabelecer crescimento de vendas por produtos; fazer divulgação técnica dos produtos; orientar clientes sobre produtos efou serviços de auto atendimento; Simone Dos Santos: Programar visitas a clientes; fornecer informações a clientes; demonstrar custos ou argumentar novas propostas; pesquisar taxas de mercado; fazer relatório de visitas; estabelecer contatos com clientes; Simone Soares: Acompanhar crescimento de vendas por produto; fazer atendimento e cadastro de novos clientes; orientar clientes sobre produtos e/ou serviços de auto atendimento; fazer atualização dos dados cadastrais dos clientes; orientar, esclarecer e atender clientes; Simone Watanabe: Calcular taxas ou operações financeiras; redigir cartas ou relatórios financeiros; elaborar documentos relatório, planilhas ou formulários diversos; registrar dados em planilhas para consulta administrativas; selecionar e preparar informações para atualização de banco de dados; Stella: Analisar retorno de marketing; cadastrar novos clientes; divulgar produtos do Banco; fazer a abertura de conta corrente; realizar atendimento ao cliente.; Tatiana: Atualizar sistemas de controle de processos; implantar quadros demonstrativos no sistema; orientar clientes via telefone; Vanessa: Calcular taxas ou operações financeiras; elaborar documentos, relatórios, planilhas ou formulários diversos; analisar indicadores econômicos; informar clientes sobre produtos e serviços do Banco e do segmento em que está atuando. 3.2.2 O CIEE está como interveniente em todos os contratos. 3.3 Principais Cláusulas dos Acordos Nos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, as normas e regras previstas são as mesmas mencionadas para todos os contratados, com variações nas atividades, na carga horária e no valor da bolsa (sempre um valor fixo). Destacadas as cláusulas a seguir que serão objeto de avaliação: "Cláusula 3° Ficam compromissadas entre as partes as seguintes CONDIÇÕES PARA A Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 40 REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO": a) "Vigência de: dd/mm/aaaa até dd/mm/aaaa". b) "Horário das 00:00 as 00:00 e das 00:00 as 00:00, totalizando 00:00 horas semanais". c) "Apólice Seguro n° Início de vigência = dd/mm/aaaa". d) "Bolsa Auxílio mensal, inicial de: R$". "(D) Pagto Direto pela Un. Concedente do Estágio, cujo valor poderá variar de acordo com sua freqüência ao estágio e está sujeito a Retenção do Imposto de Renda, conforme tabela de incidência fixada pelo Ministério da Fazenda que estiver em vigor". e) "Atividades do Estágio": "Cláusula 5' Cabe à INSTITUIÇÃO DE ENSINO": "Acompanhar, orientar e avaliar o estágio, visando a complementação do ensino e da aprendizagem". "Informar ao CIEE qualquer irregularidade na situação escolar do estudante (trancamento de matrícula, abandono, conclusão de curso ou transferência de Instituição de Ensino), durante a vigência do seu estágio". "Cláusula 6a Cabe à CONCEDENTE": a) "Propiciar ao ESTAGIÁRIO atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, compatível com o curso que se refere"; b) "Proporcionar à INSTITUIÇÃO DE ENSINO e/ou ao CIEE, sempre que solicitado subsídios que possibilitem o acompanhamento, a supervisão e avaliação do ESTÁGIO"; c) "Designar um supervisor para orientar e acompanhar o estagiário no desenvolvimento das atividades do estágio, garantindo o cumprimento no disposto no presente instrumento"; d) "Solicitar ao ESTAGIÁRIO, a qualquer tempo, documentos comprobatórios da regularidade da situação escolar, uma vez que trancamento de matrícula, abandono, conclusão de curso ou transferência de Instituição de Ensino constituem motivos de imediata rescisão". 4. LEGISLAÇÃO SOBRE A CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS 4.1 Da Lei N° 6.494 de 7 de dezembro de 1977, que dispõe sobre os estágios de estudantes de estabelecimento de ensino superior e ensino profissionalizante do 2° Grau e Supletivo, destacamos: Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 590 41 "Art. 1° As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. (Redação dada pela Lei n°8.859, de 23.3.1994)". "§ 1° os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escolas de educação especial. (Redação dada pela Lei n°8.859, de 23.3.1994)". "§ 2° o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. (Redação dada pela Lei n° 8.859, de 23.3.1994)". "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. (Incluído pela Lei n°8.859, de 23.3.1994)". "Art. 3° A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino". "§ 1° Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1° desta lei. (Redação dada pela Lei n°8.859, de 23.3.1994)". "Art. 4° O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais". 4.2 A Medida Provisória n°2.16441, de 24 de agosto de 2001, modifica a lei 6.494, de 7 de dezembro de 1977, a saber: "Art. 6° O § 1° do art. 1° da Lei no 6.494, de 7 de dezembro de 1977, passa a vigorar com a seguinte redação": "§ 1° Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial". 4.3 Já o Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982, veio regulamentar a Lei n° 6.494, de 07 de dezembro de 1977, que dispõe sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 42 ensino superior e de 2° grau regular e supletivo, nos limites que especifica e dá outras providências, das quais destacamos: "Art 2° Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino". "Art. 3° O estágio curricular, como procedimento didático pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino a quem cabe a decisão sobre a matéria, e dele participam pessoas jurídicas de direito público e privado, oferecendo oportunidade e campos de estágio, outras formas de ajuda, e colaborando no processo educativo". "Art 4° As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre": "a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica"; "b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo"; "c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1° e 2° do artigo 1° da Lei n°6.494, de 07 de dezembro de 1977"; "d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular". "Art. 5° Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso". "Art 6° A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza". "§ 1° O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício". "§ 2° O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5°". Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 591 43 3° Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2° do artigo 3° da Lei n° 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso". 4.4 Decreto n°3.048 de 06 de maio de 1999 DOU de 070/5/99 Republicado em 12/05/1999 O Decreto n° 3.048 trata do assunto estagiário, a saber: "Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas": "h) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei n ° 9 6.494, de 7 de dezembro de 1977. (grifo nosso)" 5. PONTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO: 5.1 DOS ACORDOS DE COOPERAÇÃO E TERMOS DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO Em relação aos acordos de cooperação e termos de compromisso de estágio apresentados pelo contribuinte com as pessoas contratadas, temos os seguintes pontos não comprovados ou em desacordo com a legislação: 5.1.1 Planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. Está prevista na cláusula 53, alínea "a", a obrigatoriedade da Instituição de Ensino acompanhar, orientar e avaliar o estágio. Mesma exigência prevista no art. 1° da Lei n° 6.494/1977, a saber: "§ 3° Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares". (grifo nosso) Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovados para esta Auditoria Fiscal tal planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação. 5.1.2 As atividades a serem desenvolvidas: Quanto às atividades destacadas em 3.2.1, não foram comprovadas para esta auditoria a execução das mesmas, ou seja, não existe documentação comprovando quais atividades os contratados desempenharam no período de contrato. Não foram apresentados relatórios de atividades desenvolvidas, apesar de serem atividades de execução e não de aprendizado. A alínea "e" da 3' cláusula dos termos que tratam das atividades dos estagiários contém atividades de execução, quais sejam, fazer atendimento a clientes, elaborar, calcular, estabelecer, redigir e selecionar dados e informações. Quando o objetivo do estagiário dentro da organização é o de aprender, conhecer, acompanhar e ter noções de elaboração, cálculos, redação e Fl. 611DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 44 seleção de qualquer dado, informação, relatório e planilhas gerenciais entre outras atividades desenvolvidas dentro da organização. 5.2 Comprovação de freqüência escolar Apesar de diversas solicitações por TIAD, não foram comprovadas, para esta auditoria, a freqüência e matrícula de nenhum dos contratados, conforme previsto no §1° do art. 1° da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. 5.3 Supervisão do estágio Apesar de constar, em alguns acordos firmados, um empregado do Contribuinte como supervisor (a) do estágio, não foi comprovado nesta auditoria tal supervisão; ou seja, aspectos tais como ocorreu a supervisão, se ambos estavam no mesmo setor, subordinados às mesmas pessoas, departamento, seção ou agência. Dos contratados relacionados em "3.2" não consta nome de supervisor (a) para: Daniela Amaral Maia, Fabio Luiz Nery De Miranda, Felipe Giunte Yoshida, Fernanda Lomeu Gaudereto e Tatiana Da Silva É fundamental que o estágio atenda a todos os requisitos materiais e formais para a sua configuração, sem os quais ele se reverte em contrato de trabalho comum. Os estudantes deveriam auxiliar e não executar funções sem acompanhamento, ou seja, deveriam auxiliar um empregado nas suas funções; funções relacionadas com a formação do estudante. Inclusive o atendimento a esta auditoria fiscal foi, na maioria das vezes, realizado pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz, sem acompanhamento. Apesar de os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados nesta auditoria fiscal, quais sejam, falta de documentação correta; a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino; não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades; falta de comprovação da freqüência escolar; a remuneração vinculada a cumprimento de metas; os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2°, artigo 1°, da Lei n. ° 6.494/77; são motivos para considerarmos os contratados na qualidade de estagiários como empregados. Logo, a força laborativa dos estudantes inseriuse habitualmente na atividade empresarial, com subordinação e onerosidade. Não há que se falar em relação de estágio conforme a prevista na Lei n.° 6.494/77, uma vez que a realidade não se submete ao comando da norma escrita. 6. Do Valor Apurado Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 592 45 6.1 O valor originário do crédito apurado corresponde, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas a cargo do empregador. Contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de bolsa estágio e outras rubricas (anexo "SBanRemRub"), todas abaixo discriminadas, sem os requisitos da legislação específica; portanto, o contribuinte não considerou como sujeitas às contribuições para a Previdência Social. 6.2 Os valores pagos constam nas folhas de pagamentos com as seguintes características: Rubrica Nome rubrica Tipo rubrica 140 BOLSA AUX ESTAGIARIO Provento 141 DIF BOLSA AUX ESTAG Provento 142 DEV EST BOL AUX EST Desconto 250 DIF BOL ESTAG M ANT Provento 7. DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Os valores objetos do presente levantamento constam em folhas de pagamento, como pagos os estagiários, considerados nesta auditoria como empregados, não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. O período da presente auditoria foi de outubro de 2000 a dezembro de 2006 e, o período do crédito apurado, foi de dezembro de 2002 a dezembro de 2006, tendo em vista a Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal STF. Foi aplicada a regra geral prevista no art. 173, Inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Tal entendimento é coerente com a sistemática adotada pelo CTN, na qual o prazo decadencial se inicia, nas hipóteses em que o fisco desconhece a ocorrência do fato gerador, a partir do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, ou seja, a partir dos valores devidos referentes ao mês de Dezembro de 2002, que só podem ser constituídos a partir de Janeiro de 2003. Os valores lançados neste Auto têm a seguinte característica e empregador: Tal situação, em tese, configura o CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000; portanto, será este fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. 8. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO Fl. 613DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 46 Convênio firmado com Centro de Integração Empresa Escola CIEE Acordos firmados para estágio (anexo "AcordosSBA" no CD) Folhas de pagamento do período Resumos de totais das folhas de pagamento do período (anexo "RFSBan" seguido do ano, no CD) 8.1 Outros elementos de convicção Além das divergências em relação à legislação aplicável e a relação dos supostos "estagiários" dentro do grupo de empresas auditadas, foram obtidas as seguintes informações: 8.1.1 Na Justiça do Trabalho, em consulta ao site temos: TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14° REGIÃO PROCESSO TRT N° 00804.2004.005.14.006, RECORRENTE: BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A BANESPA: CONTRATO DE ESTÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. Frustrado o programa de estágio pela ausência de acompanhamento e a utilização do estagiário como mãodeobra barata, mesmo mediante contrato celebrado nos moldes da Lei n° 6.494/77 o reconhecimento do vínculo empregatício se impõe e exige pagamento das verbas correspondentes. Assim, constatado que a prestação dos serviços se deu sem distinção entre as atividades exercidas pelo estagiário e os empregados do banco, além de não se submeter à supervisão da faculdade, de modo a se tornar complemento técnico do ensino, instrumento de experiência social e aperfeiçoamento técnico cultural, ao revés, servindo, exclusivamente, às atividades econômicas essenciais da empresa de forma menos onerosa e desvinculada da área de ensino, outro caminho não resta a ser trilhado senão manter a decisão que reconheceu a relação de emprego, porquanto restou desvirtuada a finalidade que o legislador pretendeu alcançar quando editou a norma especial. PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14 REGIÃO NUMERAÇÃO ÚNICA: 00754.2004.004.14.000 CLASSE: RO "RELAÇÃO DE EMPREGO. ESTAGIÁRIA. FRAUDE CARACTERIZADA. LEI N° 6.494/77. EXEGESE. Inexistindo correlação entre as atividades desempenhadas pela obreira e o curso técnico por ela freqüentado na escola, não há falar em estágio, na forma da Lei n°6.494/77, mas em relação de emprego regida pela CLT." Neste processo foi reconhecido o vínculo de ALINE COSTA DE OLIVEIRA com a seguinte decisão: "DESSA FORMA, conheço do recurso obreiro e, parcialmente, do recurso patronal. Rejeito as preliminares. No mérito, nego provimento ao recurso patronal, e dou provimento parcial ao recurso obreiro, para deferir os pedidos de diferença salarial (correspondente à diferença entre o que recebia a obreira e o salário de escriturário), ticket alimentação, e participação nos lucros e resultados como consta da inicial; uma hora diária Fl. 614DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 593 47 com adicional de 50% ao longo do contrato de trabalho reconhecido, sem reflexos, a titulo de indenização pela não concessão do intervalo intrajornada previsto no artigo 71 da CLT, e incluir na condenação de horas extras, 30 minutos diários." 8.1.2 Informação do site da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp Afubesp: Acessando a página da associação no link Afubesp / Brasil, notícia do Afubesp / Brasil de terçafeira, 16 de dezembro de 2003, com o n° 215, temos as seguintes informações de interesse: Abaixoassinado pede bolsaextra para estagiários Outro assunto discutido na reunião foi a exploração dos estagiários. Ademir entregou para Gilberto um abaixoassinado dos estagiários das agências Porto Alegre Centro e Passo D'Areia, reivindicando o pagamento de uma bolsaauxílio extra em dezembro, como forma de compensar o não pagamento de 13° salário ou gratificação natalina. Os representantes sindicais defenderam a efetivação dos jovens, alertando que, além do descumprimento da legislação trabalhista e previdenciária, muitos deles acabam indo trabalhar em bancos concorrentes, levando muitos clientes. Vários exestagiários movem também ações trabalhistas. Neste comunicado, vale lembrar que é de 16 de dezembro de 2003, temos o destaque da preocupação dos dirigentes sindicais com a situação dos supostos "estagiários", quanto à remuneração do 13° salário, o que leva a crer não existir defasagem entre a remuneração paga aos estagiários e empregados com funções parecidas ou semelhantes. Há também a denúncia de que não são estagiários e sim, empregados, informando que diversos já recorreram à justiça para reconhecimento do vínculo empregatício. 8.1.3 Informação obtida, também, na internet, no site da FETEC SP CUT 2, da qual (São Paulo) O 17.° Congresso Nacional dos Trabalhadores do Grupo Santander Banespa, realizado nos dias 12 e 13 (sextafeira e sábado passados), definiu um conjunto de ações a ser realizado nos próximos meses em defesa do emprego e dos direitos de todos os funcionários da ativa e aposentados. Temas em pauta Os 377 congressistas (291 homens e 86 mulheres) do Banespa, Santander Brasil e Meridional debateram ainda outros temas importantes para os trabalhadores do grupo, tais como: unificação de contratos, formas de contratação e condições de trabalho, saúde e previdência, campanha salarial e a questão dos aposentados. Principais deliberações aprovadas no 17. 0 Congresso III Formas de contratação e condições de trabalho Fazer Fl. 615DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 48 denúncia ao Ministério da Educação sobre a atividade bancária desempenhada pelos estagiários; Exigir a contratação dos estagiários que executem funções de bancários e o respeito à grade curricular daqueles estudantes que realmente fazem estágio no banco; Fonte: Afubesp 8.1.4 Atividades vinculadas a estágio: Dentre as finalidades de um estágio, destacada nos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio celebrados, consta: propiciar, aos estagiários, atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, compatível com o curso a que se refere. Totalmente dentro do espírito da legislação pertinente. O CIEE oferece, gratuitamente, aos candidatos a estágio, diversas oficinas vinculadas ao desenvolvimento que deveria ser oferecido ao estagiário na empresa em que estivesse prestando o estágio, entre elas: Práticas de Seleção: Informa sobre as etapas do processo seletivo, orientando sobre as expectativas da empresa. Destacam os tipos de currículo, entrevistas, dinâmicas de grupo e testes utilizados para avaliação de candidatos. Aprendizado que um estagiário deveria obter estagiando em um setor de recursos humanos. Imagem Profissional: Aborda as vantagens em ter uma boa imagem profissional, social e pessoal, com orientações sobre comportamento, postura e vestimenta adequados ao ambiente empresarial. Destaca a importância da expressão verbal para o marketing pessoal e em situações como a apresentação de um projeto, participação em equipes, entre outras. Trabalho em Equipe: Apresenta aspectos relevantes para um bom relacionamento interpessoal, utilizando a inteligência emocional para o aprimoramento do convívio social e profissional, com destaque para atividades em equipe. Gestão de Tempo: Aborda a administração do tempo. Destacando aspectos que favoreçam a otimização da qualidade e produtividade do trabalho. Na página3 do CIEE, que menciona as oficinas acima, tem como preâmbulo os seguintes dizeres: "Conheça as Oficinas de Capacitação de desenvolvimento estudantil realizadas pelo CIEE para ajudálo a prepararse para a vida profissional". "Podem se inscrever, estudantes devidamente cadastrados no CIEE. Inscrevase! As inscrições são abertas periodicamente. Acompanhe pelo portal do CIEE". Fl. 616DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 594 49 O que se nota é o CIEE preparando os futuros estagiários para seus clientes, ou seja, o candidato a estágio já se apresenta no Contratante conhecendo diversas atividades desenvolvidas dentro de uma organização, tomandoo assim uma pessoa semipronta para executar tais atividades, como diz na página do CIEE "ajudálo a prepararse para a vida profissional". 8.1.5 Continuidade da contratação de estagiário Anteriormente à apresentação dos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio relacionados em "3.2", o Contribuinte apresentou diversos Acordos de Cooperação e Termos de Compromisso de Estágio que foram firmados em período posterior ao auditado e, dentre eles, destacamos o firmado com o estagiário Ricardo Gomes Munhoz, com as mesmas características já mencionadas em "3.3", a saber: "Data de assinatura: 04/07/2007" "Cláusula 3a Ficam compromissadas entre as partes as seguintes CONDIÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO": "Vigência de: 04/07/2007 até 31/12/2008". "Bolsa Auxílio mensal, inicial de: R$1.159,11 (UM MIL, CENTO E CINQÜENTA E NOVE REAIS E ONZE CENTAVOS)" "Atividades do Estágio": "Elaborar relatórios de contabilidade; acompanhar a elaboração de relatórios de análises gerenciais; elaborar planilhas de custos e despesas; auxiliar na elaboração de relatórios gerenciais". 8.1.5.1 Relatório de estágio Juntamente com o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, o Contribuinte anexou um RELATÓRIO DE ESTÁGIO, referente a 11/2007, do estagiário Ricardo Gomes Munhoz. Este relatório, segundo informações do estagiário Ricardo Gomes Munhoz, é preenchido no site do CIEE pelo próprio estagiário. Deste relatório destacamos dois pontos que julgamos mais importantes: Texto no início do formulário, logo após a identificação do estagiário: Fl. 617DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 50 "Caro Estagiário, o CIEE tem a responsabilidade de subsidiar as Instituições de Ensino com informações sobre o desenvolvimento e a evolução do seu estágio. Através deste instrumento estaremos auxiliando as Instituições de Ensino na supervisão e avaliação do estágio de seus alunos. Portanto, o preenchimento desse relatório é obrigatório, conforme consta na cláusula 7' do Acordo de Cooperação e o Termo de Compromisso de Estágio". Atividades de Estágio: As informações prestadas pelo estagiário foram: "Atendimento à fiscalização Receita Federal e Prefeituras. Controle e cadastro de Agências Filiais do Banco pelo país. Separar documentos para regularização de agências na Prefeitura". As atividades desenvolvidas não estão previstas no acordo assinado; não há indicação de supervisão ou avaliação. As atividades foram de execução, sendo, inclusive, esta Auditoria Fiscal atendida pelo estagiário Ricardo Gomes Munhoz que, na maioria das vezes, apresentavase sem a presença de empregado do Contribuinte; prestava e recebia esclarecimentos como se empregado fosse. Em 26/02/2008 o Sr. Ricardo utilizouse do endereço de email do Contribuinte (Sup.ImpostosRiscos Fiscais JSMTP:sirfiscaisasantander.com.brp para responder ao questionamento a cerca dos históricos no razão contábil apresentado (anexo no CD com nome @EmRicardo). Na maioria das vezes que compareci às instalações do Contribuinte, foi o estagiário Ricardo quem liberou para a recepcionista a minha entrada nas dependências do mesmo (anexada cópia de uma das liberações). Estes outros elementos de convicção demonstram que as atividades das pessoas contratadas como estagiárias, na verdade, são atividades destinadas a empregados, reconhecidos pela Justiça Trabalhista e, internamente por todos. 9.ALÍQUOTAS APLICADAS As aliquotas utilizadas no lançamento do débito estão discriminadas no anexo "DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO DAD". 10. RELAÇÃO DOS PROCESSOS APURADOS NESTA AUDITORIA FISCAL: Os Autos de Infrações que foram lavrados, contra a empresa, durante esta auditoria fiscal constam no anexo Relação de Autos de Infrações Lavrados RELAI, cabendo defesas separadas para cada uma das autuações. 11. RELAÇÃO DE ANEXOS: Fl. 618DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 595 51 Além dos anexos já mencionados e os integrantes do presente Auto, uma cópia do Convênio firmado com o Centro de Integração Empresa Escola CIEE e um CD (midia não regravável) acompanhado do respectivo recibo de entrega relacionando os arquivos gravados. 12. O contribuinte poderá pagar ou parcelar o débito nas hipóteses autorizadas por lei ou apresentar impugnação, no prazo de trinta dias do recebimento deste Auto, no seguinte endereço: CAC DEINF/SP Rua Avanhandava, 55 Bela Vista São Paulo SP. 13. RELAÇÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS Constam no anexo Relatório de Representantes Legais REPLEG A Fiscalização foi atendida pelos Srs. Marco Antonio de Almeida, Gerente Geral de Assuntos Fiscais, que no primeiro contato apresentou os Srs. Lourenço D. Gomes, Analista Contábil, Sivaldo Alves da Silva, Analista Fiscal Pleno, Ricardo Gomes Munhoz, estagiário, e posteriormente apresentou o Sr. Jaime das Neves Junior, Coordenador de RH como representantes do Contribuinte aos quais foram prestados todos os esclarecimentos necessários e solicitados. São Paulo, 18 de dezembro de 2008.” DO CONVÊNIO COM CENTRO DE INTEGRAÇÃO EMPRESA ESCOLA CIEE Colacionado pela Autoridade Autuante, às fls. 87 consta o documento que registra o Convênio Nacional do CENTRO DE INTEGRAÇÃO EMPRESA ESCOLA CIEE e as partes entre as quais a Recorrente. DOS DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS Dado que consta de reiteradas intimações para apresentação dos documentos constantes na clausula 2 do convenio celebrado com Centro de Integração CIEE, é lícito concluir que a Autoridade autuante não desconhecia que a referida cláusula define obrigações do CIEE e não da recorrente. DAS OBRIGAÇÕES DA RECORRENTE As obrigações da Recorrente no Convênio estão destacadas na cláusula 3 do documento em apreço e não foram motivo de questionamento sugerindo pois adimplidas. A cópia do sobredito documento está em precárias condições de reprodução, assim eventual confronto do acima disposto deve ser efetuado “in loco” às fls. 87. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 52 Do despacho no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD de fls. 68 , a devolução dos documentos ali referidos faz prova de que se constataramse produzidos os exigíveis Termos de Compromisso de Estágio acompanhado dos respectivos relatórios, verbis: “ Devolução dos Contratos de Termo de Compromisso de Estágio e Relatórios de Estágios, entregues a esta auditoria fiscal em 28/03/08 e 10/04/08, exceto dos estagiários Felipe Ferreira Rigo e Ricardo Gomes Munhoz. Esta devolução é devida ao fato de que todos as cópias dos documentos apresentados foram firmados entre abril e novembro de 2007, portanto fora do período auditado que é de outubro de 2000 a dezembro de 2006 ” Em complemento ao acima, no item 3.1 do Relatório Fiscal o auditor Fiscal registra que o Contribuinte apresentou CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE. DA RELAÇÃO DE EMPREGO A Lei nº 6.494, de 07.12.77, ao dispor sobre o estágio, estabeleceu em seu art. 4º que "o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza". No art. 3º exige que haja termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino. Através do Decreto nº 87.497, de 18.08.92, foram especificadas as diversas regras e condições para a realização do estágio previsto na lei nº 6.494/77 que, em seu artigo 6º, reafirma: "a realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza". Não obstante, o inciso II, do art. 37, da Carta Magna, "exige a aprovação prévia em concurso público como pressuposto para a investidura em cargo ou emprego público. Tudo isto posto, entendo que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, à época dos fatos, disciplinada pela Lei nº 6.494/77 revogada pela Lei n° 11.788/2008. Portanto, Não alcancei, entretanto eventuais hipóteses de irregularidades na execução do estágio, as mesmas seriam de ser resolvidas entre o estagiário, as instituições de ensino, e o agente interveniente, o CIEE. DAS MANIFESTAÇÕES DE ENTIDADES CLASSISTAS A Autoridade autuante, afirmando ser de interesse, registrou nos item 8.1.2 e 8.1.3 manifestações classistas que , entendo, não motivam o auto quer pela evidente politização da questão, quer por serem supervenientes aos fatos geradores como o caso do congresso do ano de 2008 , verbis: “ 8.1.2 Informação do site da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp Afubesp: Fl. 620DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.001897/200810 Acórdão n.º 2403002.154 S2C4T3 Fl. 596 53 Acessando a página da associação no link Afubesp / Brasil, notícia do Afubesp / Brasil de terçafeira, 16 de dezembro de 2003, com o n° 215, temos as seguintes informações de interesse: Abaixoassinado pede bolsaextra para estagiários Outro assunto discutido na reunião foi a exploração dos estagiários. Ademir entregou para Gilberto um abaixoassinado dos estagiários das agências Porto Alegre Centro e Passo D'Areia, reivindicando o pagamento de uma bolsaauxílio extra em dezembro, como forma de compensar o não pagamento de 13° salário ou gratificação natalina. Os representantes sindicais defenderam a efetivação dos jovens, alertando que, além do descumprimento da legislação trabalhista e previdenciária, muitos deles acabam indo trabalhar em bancos concorrentes, levando muitos clientes. Vários exestagiários movem também ações trabalhistas. Neste comunicado, vale lembrar que é de 16 de dezembro de 2003, temos o destaque da preocupação dos dirigentes sindicais com a situação dos supostos "estagiários", quanto à remuneração do 13° salário, o que leva a crer não existir defasagem entre a remuneração paga aos estagiários e empregados com funções parecidas ou semelhantes. Há também a denúncia de que não são estagiários e sim, empregados, informando que diversos já recorreram à justiça para reconhecimento do vínculo empregatício. 8.1.3 Informação obtida, também, na internet, no site da FETEC SP CUT 2, da qual (São Paulo) O 17.° Congresso Nacional dos Trabalhadores do Grupo Santander Banespa, realizado nos dias 12 e 13 (sextafeira e sábado passados), definiu um conjunto de ações a ser realizado nos próximos meses em defesa do emprego e dos direitos de todos os funcionários da ativa e aposentados. Temas em pauta Os 377 congressistas (291 homens e 86 mulheres) do Banespa, Santander Brasil e Meridional debateram ainda outros temas importantes para os trabalhadores do grupo, tais como: unificação de contratos, formas de contratação e condições de trabalho, saúde e previdência, campanha salarial e a questão dos aposentados. Principais deliberações aprovadas no 17. 0 Congresso III Formas de contratação e condições de trabalho Fazer denúncia ao Ministério da Educação sobre a atividade bancária desempenhada pelos estagiários; Exigir a contratação dos estagiários que executem funções de bancários e o respeito à grade curricular daqueles estudantes que realmente fazem estágio no banco; Fonte: Afubesp ” Fl. 621DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 54 Por experiência própria vivenciada em dois momentos em empresas diferentes, durante minha formação, no terceiro grau , eu mesmo fazia questão ainda que na condição de estagiário, de aprender e realizar o máximo possível das tarefas realizadas pelos empregados, de preferência as mais complexas pois do contrário teria passado a maior parte do tempo em absoluta inatividade. Tudo isto sopesado, compulsado os autos, não alcancei desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino que ensejasse caracterizar relação de emprego “ stricto sensu ”. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do Recurso para, EM PRELIMINAR, com fulcro no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, reconhecer fulminados pelo instituto da decadência os créditos constituídos para as competências 11/2003 e anteriores e NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 622DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000783/90-25
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2000
Ementa: OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL — HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA
NÃO CONFIGURADA — O confronto entre a movimentação bancária
contabilizada e a receita auferida, principalmente nos postos de gasolina quando reconhecidamente existe a chamada "troca de cheques" em fins de semana para atendimento à clientela e fornecimento de capital de giro não é suficiente para caracterizar o desvio de receita por parte da pessoa jurídica,
sendo necessário maior aprofundamento na investigação para a
comprovação da omissão, sob pena da tributação meramente sobre
depósitos bancários.
Numero da decisão: 01-02.877
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por
maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva, Antônio de Freitas Dutra e Dimas Rodrigues de Oliveira.
Nome do relator: Victor Luis De Salles Freire
1.0 = *:*
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ementa_s : OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL — HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA NÃO CONFIGURADA — O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente nos postos de gasolina quando reconhecidamente existe a chamada "troca de cheques" em fins de semana para atendimento à clientela e fornecimento de capital de giro não é suficiente para caracterizar o desvio de receita por parte da pessoa jurídica, sendo necessário maior aprofundamento na investigação para a comprovação da omissão, sob pena da tributação meramente sobre depósitos bancários.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-16T13:33:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:16:40Z; Last-Modified: 2015-03-16T13:33:01Z; dcterms:modified: 2015-03-16T13:33:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:75123297-900f-46e6-8b5f-5ce86d0085e4; Last-Save-Date: 2015-03-16T13:33:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-03-16T13:33:01Z; meta:save-date: 2015-03-16T13:33:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2015-03-16T13:33:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:16:40Z; created: 2009-07-08T14:16:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-08T14:16:40Z; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:16:40Z | Conteúdo => , . .. ,/ -,n'-,- MINISTÉRIO DA FAZENDA Z-) P ‘,1 n :- CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. :10630.000783/90-25 Recurso n° : RD/107-0.062 Matéria: : IRPJ Recorrente : PETROCAR LTDA. Recorrida : FAZENDA NACIONAL. Sessão de :13 DE MARÇO DE 2000 Acórdão n°. : CSRF/01-02.877 OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL — HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA NÃO CONFIGURADA — O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente nos postos de gasolina quando reconhecidamente existe a chamada "troca de cheques" em fins de semana para atendimento ã clientela e fornecimento de capital de giro não é suficiente para caracterizar o desvio de receita por parte da pessoa jurídica, sendo necessário maior aprofundamento na investigação para a comprovação da omissão, sob pena da tributação meramente sobre depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela PETROCAR LTDA. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva, António de Freitas Dutra e Dimas Rodrigues de Oliveira. ...:„%--"-----.--, ,,,----- IGUES PRE I!)Eí / ! . VICTOR LUIS ir : S LLES FREIRE RELATOR FORMALIZADO EM: 9 0 FUN ,00,.., x. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. , Processo n°. : 10630.000783190-25 Acórdão n°. : CSRF/01-02.877 Recurso n° : RD/107-0.062 Recorrente : PETROCAR LTDA RELATÓRIO Suscita a Contribuinte o Recurso Especial de Divergência de fls. 230/242 em face do v.acórdão 107-0757, tomado em sessão de 17 de novembro de 1993 quando este entendeu de negar provimento ao seu recurso voluntário pelo entendimento unânime da Egrégia 7a Câmara, no voto condutor do Conselheiro Natanael Martins, assim ementado: "IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — APURAÇÃO PELO CONFRONTO DAS DISPONIBILIDADES CONSTANTES DA CONTABILIDADE COM EXTRATOS BANCÁRIOS — CABIMENTO. Procede o lançamento tributário baseado na diferença apurada pelo confronto das disponibilidades constantes da contabilidade da pessoal jurídica com a sua movimentação bancária, evidenciando a manutenção de receita mantida à margem da escrituração regular." No seu apelo de divergência se reporta a Recorrente ao V.Acórdão prolatado pela Egrégia Quinta Câmara do 1° Conselho de Contribuinte, sob n° 105-4.859 acostado a fls. 293, que teria descaracterizado omissão de receita idêntica à constante dos autos e igualmente o Acórdão CSRF/01.904, acostado a fls, 284, que, por igual, confrontaria o Acórdão sob discussão. Por sinal aduz que a tributação se subsume exclusivamente "com base em depósitos bancários", o que é vedado. O r. despacho de fls. 310/312 deu seguimento parcial ao recurso por entender que "a imposição tributária tem por base a mesma matéria fática, qual seja, a diferença entre o total dos recursos depositados em conta bancária com os valore registrados na escrituração comercial da empresa", assim vislumbrando divergência com os Acórdãos de fls. 266 e 276. 2 Processo n°. : 10630.000783/90-25 Acórdão n°. : CSRF/01-02.877 A seguir a Fazenda Nacional se manifestou a fls. 313/315 pleiteando inicialmente, em preliminar, o não conhecimento do apelo e em mérito o seu desprovimento. É o relatório. 3 Processo n°. : 10630.000783/90-25 Acórdão n°. : CSRF/01-02.877 VOTO Conselheiro VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, Relator Inicialmente entendo que a divergência está configurada especialmente à luz do acórdão de fls. 266, quando este deixou consignado que o "confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida não é suficiente para caracterizar o desvio de receita por parte da pessoa jurídica". Na espécie dos autos, a base de cálculo é o resultado do simples confronto entre os depósitos (aplicações) e as receitas contabilizadas, o que pode servir, na lição do acórdão paradigma, de início para maior investigação pelo Fisco, mas não para lançamento de imposto. A empresa é varejista de combustíveis e lubrificantes (fls. 01), o que reclama maiores cuidados do que o adotado na investigação da omissão de receita devido à reconhecida prática de "troca de cheques" feitas pelos frentistas com os seus clientes (fls. 206) e, em relação aos quais, a empresa não tem controle. Trata-se de um lançamento por presunção, na lição do acórdão paradigma, sem amparo em lei, e tanto assim é que o autuante lançou mão do art. 181 do RIR/80 e da Lei 8021/90 para dar-lhe suporte. No primeiro caso a hipótese legal nada tem haver com o fato ocorrido, não preenchendo os pressupostos legais previstos no referido art. 181, que se refere a suprimento de caixa. A lei 8021/90 não pode ser aplicada ao ano 4 Processo n°. : 10630.000783/90-25 Acórdão n°. : CSRF/01-02.877 base de 1985 (cf. acórdão CSRF/01-1911), contrariando o lançamento o disposto no art. 9°, inciso VII do Decreto Lei 2471/88. Voto assi7 pelo provimento integral do recurso. Sala das eiões - DF, em 13 de março de 2000 / VICTOR LUIS DE Á LLES FREIRE 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10140.001645/00-10
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. DESNECESSIDADE APRESENTAÇÃO.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei n° 9.363/1996, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN's de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.497
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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I - ' MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo o0 10140.001645/00-10 Recurso n° 327.344 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9202-00.497 — r Turma Sessão de 09 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente CAIMAN AGROPECUÁRIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. DESNECESSIDADE APRESENTAÇÃO. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei n° 9.363/1996, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN's de atos secundários e estritamente vinculados à lei decprrente. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. / / . CARLOS ALBi Ts I i ITAS B.: ,! r _TO - Presidente _ .:1111. t,11 Illigeogillik) RYCARDO HÓÓRIQUE MAGAL • II E OLIVEIRA - Relator EDIT • ei OEM. Z3 ABR 2010 Participar. , d. presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy • e mes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório CAIMAN AGROPECUÁRIA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 28/08/2000, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, em relação ao exercício de 1997, incidente sobre o imóvel rural denominado "Estância Caiman", cadastrado na SRF sob o n° 3184500-2, localizado no município de Miranda-MS, conforme peça inaugural do feito, às fis. 15/19, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1' Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão n° 01.627/2002, às fls. 200/205, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia r Câmara, em 18/03/2004, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 302-36.001, sintetizados na seguinte ementa: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. EXERCÍCIO DE 1997. ÁREA DE UTILIZAçÃo LIMITADA, ÁREAS IMPRESTÁVEIS PARA A PRODUÇÃO, Para serem excluídas da área tributável, as áreas imprestáveis precisam ser declaradas de interesse ecológico por órgão ambiental federal ou estadual, nos exatos termos da alínea C. do inciso II, do § I, do artigo 10 da Lei e 9.393/96. O Ato Declaratório Ambiental é o documento hábil para tal declaração, devendo ser requerido dentro do prazo estipulado pela legislação do ITR LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA. Em procedimento de oficio, apurada diferença de imposto na declaração, aplica-se multa prevista no art. 44, inciso 1, da Lei n 2 Processo o' 10140.001645/00-10 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00497 Fl. 2 ° 9.430/96, conforme determina o 5S 2°, do art. 14, da Lei n° 9.393/96. JUROS DEMORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. A falta de pagamento de imposto no prazo legal enseja a aplicação dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC. Compete exclusivamente'aO,Pofigudiciário o controle da constitucionalidade das normas jurídicas (Constituição Federal, art. 102. 1, a e III, b) NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 240/258, com arrimo no artigo 5°, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, reitera as alegações suscitadas em sede de impugnação e recurso voluntário, especialmente quanto a pretensa nulidade do feito e, bem assim, contra a aplicação da multa e da Taxa Selic. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, defendendo ter colacionado aos autos documentação comprobatória (Laudos) da área de preservação permanente, insurge-se contra o Acórdão atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito de mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nos 203-02.116 e 201-70.717 , impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que impõe que a comprovação da existência de área de utilização limitada Sou preservação permanente, para fins de não incidência do T1R, independe de existência e/ou requerimento tempestivo do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Infere que no lançamento o ônus da prova incumbe ao Fisco, o qual deverá comprovar que a área indicada como de preservação peunanente pela contribuinte, de fato, não se caracteriza como tal, sobretudo quando a autuada corrobora sua argumentação com documentos hábeis e idôneos, quais sejam, laudos técnicos. Em defesa de sua pretensão transcreve doutrina e jurisprudência em sua peça recursal. Por fim, repisa os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então r Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial do contribuinte, adotando Informação Técnica, às fls. 275/278, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, tão somente quanto a necessidade de requerimento atempado do ADA, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho n° 302-0.033, às fls. 293. 3 Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 294/303, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2' Câmara do 3° Conselho a divergência suscitada pela contribuinte, em relação à área de preservação permanente legal, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado nos Acórdãos ri% 203-02.116 e 201-70.717, ora adotados como paradigmas, determina que a comprovação da existência de área de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, independe de existência e/ou requerimento tempestivo do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da exigência do requerimento atempado do Ato Declaratório Ambiental — ADA relativamente as áreas de preservação permanente, dentro do prazo legal, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural - nR. Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária especifica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1°, inciso II, e parágrafo 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3° da Medida Provisória n° 2.166/2001, nos seguintes termos: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 1° Para os efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-á: 1- VTIV, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; 4 \k, Processo n° 10140.001645/00-10 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.497 Ft 3 b)culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; .11 - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803. de 18 de julho de 1989. b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior. 6' 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, 1°. deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável velo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.(Incluíd o Medida Provisória n°2.166-67. de 2001)" (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao LBANIA, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo as glebas de terra destinadas à preservação permanente, ao revés do entendimento da Câmara recorrida. Destarte impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente. Nesse sentido, aliás, o ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire se manifestou como muita propriedade a respeito do tema, conforme se extrai do voto exarado nos autos do processo administrativo n° 10140.000907/2001-17, Recurso n° 303-132.801, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: "T A questão controvertida posta à apreciação trata-se da obrigatoriedade ou não do Ato Declaratário Ambiental — ADA, nos termos em que dispõem as normas do fisco federal, para fins da não incidência do rrR. Para se dirimir a controvérsia dos autos, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural - 1TR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei 9.393/96 os trechos que interessam: 5 è? Da transcrição acima, destaca-se que, quando da apuração do imposto devido, exclui-se da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico e das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, remetendo o dispositivo citado para a Lei 4.771/65 (Código Florestal). O Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei n° 7.803/89) foi extremamente minucioso ao estabelecer os parâmetros específicos para a conceituação das áreas de preservação permanente e as de reserva legal, nos arts. 2°, 3°, 16 e 44, que vão aqui reproduzidos: A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve ater-se à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o principio da legalidade. Portanto Administração Tributária não pode instituir obrigações acessórias sem que haja pertinência objetiva entre ela e a obrigação tributária principal Não deve o contribuinte ser onerado com exigências desnecessárias e impertinentes para o pagamento do imposto. A leitura das normas constantes no Código Florestal evidencia que ali foram expostos de modo minucioso todas as particularidades relativas à caracterização das áreas de preservação permanente e as de reserva legal Não há pertinência entre o cumprimento da obrigação tributária principal, no que tange à apuração e o pagamento do imposto, no que diz respeito à exclusão das áreas em tela e a exigência de Ato Declarató rio Ambiental Entendo que a IN n° 67/97, no quanto comporta à regulamentação do art. 10, § 1°, inc. Ii, alínea 'a', da Lei n° 9.393/96, desbordou de seus limites, vale dizer, o ato administrativo operou extra-legem . Com efeito, a exigência de ato declaratório se encontra tão-só nas alíneas 'Ir' e 'c' do inciso 11 do ff 1° da Lei n° 9.393/96. Nessas hipóteses tal exigência da IN n° 67/97 encontra fundamento na lei, condição necessária para sua validade enquanto ato normativo derivado. Entretanto, no que diz com a alínea 'a' do inciso II do 6 I° da Lei n° 9.393/96, não se vislumbra esse fundamento, até 6 Processo n°10140.001645/00-10 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.497 Fl. 4 porque essa alínea faz remissão expressa à lei n° 4.771/65 e à Lei n° 7.803/89. que definem quais selam as áreas de preservação permanente e de reserva feral. Diferentemente, quando entendeu necessária a declaração para q determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadamente imprestáveis, o fez de maneira expressa Portanto, a irresienação da Fazenda Nacional, neste ponto, não merece prosperar. Inclusive. porque o r. acórdão se mostra em sintonia com a jurisprudência da CSRF que firmou entendimento de que a comprovação da área de Preservação Permanente não depende. exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). [..] 7 (grifamos) Somente a titulo elucidativo não sendo a requisição atempada do ADA, condição leual para obtenção do beneficio isenfivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerá-la como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tentam, o reconhecimento da inexistência das áreas de preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não toma essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daqueles áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de áreas de preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, mi seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nos 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária especifica não condiciona a isenção em comento à protocolização atempada do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fuhnina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 7 I — os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [..1 Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional", volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: " Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as intruçõek normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos mas não podem criar obrigações para os contribuintes que /á não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos" Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: "Pincuiaeão absoluta dos atos normativos à lei. "... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100. I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade..." (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)" (DIREITO TIUBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5' edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Afastando qualquer dúvida quanto ao tema, rechaçando de uma vez por todas a pretensão fiscal, imperioso elucidar que aludida matéria fora objeto de proposta de Súmula, aprovada pelo Pleno da CSRF, em 08/12/2009, vinculando, assim, os julgadores deste Colegiado, como se extrai do Enuciado da Súmula assim aprovado: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (Áal) emitido pelo IRMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Processo n° 10140.001645/00-10 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.497 Fl. 5 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIB E DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. I tter.st. ;— Rycar aratinCahães de Oliveira - Relator 9
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Numero do processo: 10831.012479/2001-97
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.088
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO
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Numero do processo: 13679.000029/87-95
Data da sessão: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRPJ - INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO:
Imposto auto-lançado, apurado em declaração de rendimentos retificadora, recolhido a menor mediante conversão de OTN's em cruzados sem observância do diposto no art. 2°, I, do Deccreto lei n° 1967/82. Procedente a cobrança da diferença atraves de lançamento "ex officio". Retificação do Acórdão n°101-77.453, de 10/12/87, face equivoco
nas suas conclusões.
Numero da decisão: 101-77.831
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, retificar acórdão n° 101-77.453, de 10.12.87, para negar provimento ao recurso, mantendo-se a decisão de primeiro grau, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Francisco de Assis Miranda
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Recorrida: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM DIVINÓPOLIS — MG IRPJ -LINS UFICIÉNCIA NO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO: Imposto auto-lançado, apurado em declaração de rendimentos retificado ra, recolhido a menor mediante conver- são de OTN's em cruzados sem observân- cia do dipposto no art. 29, I, do Dec. lei n9 1967/82. Procedente a cobrança da diferença atraves de lançamento "ex- officio". Retificação do Acórdão n9 ... 101-77.453, de 10/12/87, face equivoco' nas suas conclusões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por POSTO "N" LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, retificar oAcór— dão n9 101-77.453, de 10.12.87, para negar provimento ao recurso,man tendo-se a decisão de primeiro grau, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sess3es (DF), em 11 de julho de 1988 URGEL PEREI LOD: - !l'ESIDENTE FRANCISCO D ASSIS MIRANDA' ----RELATOR VISTO EM MAt',Ir A TONIO MENEGHETTI - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 14 JUL1488 NACIONAL v.v. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes ConselheiT ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES,CRISTõVÃO ANCHIETA DE PAIVA,CEL SO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, ARY TORIBIO e JOSÉ EDUARDO RANGELDi, ALCKMIN. IN'f' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13679-000.029/87-95 RECURSO N9: 91.704 ACORDÃON9: . 101-77.831 RECORRENTE : POSTO "N" LTDA. RELATÕRIO Retornam os autos da Repartição de origem com con- siderações a respeito do Acórdão n9 101-77.453, de 10.12.87, que à unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso n9 91.704, interpos to por POSTO "N" LTDA. Na Representação feita pela autoridade incumbida 1 de executar o aludido Acórdão afirmou-se que o Colegiado, ... "ao dar provimento ao recurso interposto, não considerou que a empre- sa, embora tenha declarado o imposto no valor 350,72 ORTN's, (fls. 18), somente recolheu o equivalente a 248,36 ORTN's do seguinte mo- do: 37,62 ORTN's em 3 cotas (f is.) e 210,74 ORTN's quando da reti- ficação da declaração (fls.)". É o relatório. VOTO Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator: 2 de se reconhecer, conforme ressaltou o ilustre ' Presidente da Câmara em seu despacho de fls. 52/54, que tem intei- ra procedência a Representação feita às fls. 50/51. .. Na verdade, embora a interessada tenha afirmado em seu recurso de fls. 31, que por erro, no recibo de entrega da decla DMF - DF/19 GD , Secgraf - 1600/75 (- SERVIWREWMENUL PROCESSO N9 13679-000.029/87-95 3. ACÓRDÃO N9 101-77.831 ração, fez-se como devido o valor de ORTN's que deveria ser 284,0561 e não como constou 350,72 ORTN's, verifica-se, do exame da declara- ção retificadora (f is. 10/15), que o imposto nela consignado como de vido, corresponde a 350,72 ORTN's, sem qualquer menção a eventual er ro no preenchimento capaz de justificar o decréscimo no valor do im posto declarado. Conforme ressaltado no aludido despacho da presiden _ cia, que acolho na íntegra remanesce uma diferença de imposto a reco lher, equivalente a 102,33 ORTN's, por isso que: "Com efeito, a contribuinte, ao apresentar sua primeira declaração de rendimentos, em 31.05.85 relativa ao exercício financeiro de 1985, apurou o lucro real de Cr$ 2.765.696,00. Encerrado o exercício social em 31.12.84, con verteu o lucro real em ORTN's, com base na ORTN de. janeiro de 1985 (24.432,06) e apurou 113,10 ORTN's. Daí: 113,10x35% = 39,58 Imposto: 37,61 PIS : 1,97 39,58 Esse débito foi pago em 3 cotas, vencidas en - _ tre 31.05.85 e 31.07.85. Posteriormente a contribuinte deu-se conta de - que havia diferença de imposto a pagar. Espontanea- mente, preencheu e apresentou nova declaração de rendimentos em 19.09.86, onde acusou o lucro real de Cr$ 25.771.096. Logo, restava pagar: Cr$ 25.771.096 - Cr$ 2.765.696=Cr$23.005.400 23.005.400 + 24.432,06 = 941,61ORTN's 941,61 x 35% = 329,56 Imposto: 313,08 PIS : 16,48 Total 329,56 O pagamento dessa diferença foi efetuado em 10 de setembro de 1986. Deveria a contribuinte con- verter as 313,08 ORTN's em cruzados segundo o valor das ORTN's em setembro de 1986 (valor "pro rata": I Cz$ 105,45): )59 4. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13679-000.029/87-95 ACÓRDÃO N9 101-77.831 313,08 x 105,45 - Cz$ 33.014,29 Neste processo não se cuida do PIS de 16,48 OTN's). No entanto, recolheu Cz$ 8.051,89 de imposto e Cz$ 14.171,33 de correção monetária, totalizando Cz$.. 22.223,22, valor esse que, convertido em OTN's(105,45) perfaz 210,75 OTN's, havendo, portanto, uma diferença' a recolher equivalente a 102,33 OTN's. (S6 de imposto). A contribuinte, ao que se infere, partiu do va lor original de cz$ 8.051,89 e encontrou a correção m.o netária de Cz$ 14.171,33 mediante aplicação do índice de 2.760 encontrado através da divisão da OTN de Cz$.. 105,45 pela ORTN de maio de 198. Ao adotar esse critério a contribuinte desaten deu ao disposto no art. 29, 1, do Decreto-lei no 1.967/82." Nesse passo, voto no sentido de que seja retificado o Acórdão n9 101-77.453, de 10.12.87, para negar provimento ao recur so, mantendo na integra a decisÂoh s e 19 grau. AMA\ FRANCISCO DE ASSIS MIRA DA - RELATO' Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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