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Numero do processo: 11080.729005/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).Recurso Provido.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2201-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencido o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Frah - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).Recurso Provido. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencido o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 90 05 /2 01 1- 52 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Frah Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Contra o contribuinte ora recorrente acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 7/11, na qual foi apurado saldo de imposto a restituir ajustado no valor de R$ 10.665,73, referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2010, ano calendário 2009. De acordo com a acusação fiscal, houve omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, no valor de R$ 78.943,40, decorrentes de ação trabalhista, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 6.461,89. Cientificado do lançamento, o recorrente, em Impugnação, alegou que: a) quando da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, não foram observados ou analisados a Declaração de Rendimentos do INSS que comprova que a Natureza do Rendimento é decorrente da Aposentadoria por Tempo de Contribuição, sendo os mesmos rendimentos isentos e não tributáveis em decorrência de Moléstia Grave. b) juntou Portaria de sua aposentadoria junto ao DEPRC, hoje Superintendência de Portos e Hidrovias, com data de 21 de janeiro de 1994, que comprova que o rendimento da ação judicial teve como origem proventos de sua aposentadoria. c) consta na Complementação da Descrição dos Fatos, item b, da Notificação de Lançamento que o declarante teve Rendimentos Tributáveis da Rede Ferroviária Federal S/A no valor de R$26.535,25. No extrato de Processamento da RFB de 06 de dezembro de 2010, consta como pendência somente a Diferença nos Rendimentos Tributáveis Recebidos pelo titular na Superintendência de Portos e Hidrovias. d) nunca trabalhou e não é pensionista da Rede Ferroviária Federal S/A; e) é portador de moléstia grave, enquadrável na Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988, para fins de isenção de Imposto de Renda desde 15/04/2009, pelo Laudo do Departamento de Perícia Médica, da Secretaria de Administração do Estado do RS, e desde 13/08/1998, pelo Laudo do Instituto Nacional do Seguro Social; f) na Justiça do Trabalho, quando do pagamento do Precatório, processo nº 01212.009/789, da 9ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, houve a retenção do valor de R$ 17.340,79 de IRPF; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.729005/201152 Acórdão n.º 2201002.564 S2C2T1 Fl. 120 3 g) pelos documentos apresentados, solicitou considerar como Imposto a Restituir o valor de R$ 17.340,79, apurado conforme sua Declaração de Imposto de Renda; h) acrescentou que está amparado pelo benefício da preferência, em face às disposições do Estatuto do Idoso; i) em derradeiro, requer que a Impugnação seja acolhida, restituindose o IR informado em sua Declaração do Imposto de Renda; A DRJ acolheu parcialmente a Impugnação, em razão do recorrente não ter acostado prova de que o valor decorrente da ação trabalhista referese a proventos de aposentadoria, restando ausente uma das condições para o reconhecimento do direito do à isenção do imposto de renda por moléstia grave. Em sede de Recurso Voluntário, o recorrente afirma ser portador de Moléstia Grave e ter mais de 60 anos. Alega que os rendimentos tidos por omitidos foram recebidos após a constatação da doença. Assevera, ainda, que o rendimento da ação judicial teve como origem os proventos de sua aposentadoria; requer que seja considerado como imposto a restituir o valor apurado em conformidade com os documentos e justificativas apresentadas, bem como pleiteia a exclusão dos juros de mora. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versa o litígio sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física em decorrência do recebimento de rendimentos acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. Ainda que não haja impugnação expressa quanto à adoção do regime de caixa e os argumentos de defesa girem em torno da natureza dos rendimentos isentos e não tributáveis no entendimento do recorrente entendo que o julgador tributário não se encontra adstrito às razões do recorrente, mormente quando há previsão regimental de aplicação do decido pelo STJ em sede de repetitivo. Tal conclusão deriva do princípio do livre convencimento motivado, efeito translativo dos recursos e da verdade material, que permite ao julgador se utilizar de fundamento jurídico diverso dos apontados pelas partes para solução da lide, cujo fundamento legal se encontra no artigo 29 do Decreto n. 70.235/72: Nesse sentido, TRF da 4 Região: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O julgador pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente motivada. A doutrina atribui essa idéia ao Princípio do Livre Convencimento Motivado que está consagrado no art. 131 do CPC: "o juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento". (TRF 4 501782449.2011.404.0000, Terceira Seção, Relator p/ Acórdão Rogério Favreto, D.E. 31/10/2012). Da análise dos autos, é de se ver que a tributação dos valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo C. Superior Tribunal de Justiça, em sede de repetitivo, deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no REsp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.729005/201152 Acórdão n.º 2201002.564 S2C2T1 Fl. 121 5 Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Ademais, além de se tratar de novo lançamento, ato de competência privativa da autoridade lançadora, nos termos do artigo 142 do CTN, a aplicação das alíquotas vigentes à época, sem oportunizar ao contribuinte a retificação das informações prestadas por ocasião da entrega da DIRPF referentes aos respectivos anoscalendários, poderia gerar pagamento de imposto a maior, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e não incluídos por opção do contribuinte à época. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Ademais, o vício contido no lançamento não pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota, sanável em sede contenciosa administrativa. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal diversa daquela reconhecida como correta pelo STJ, ficou reconhecido que a autoridade fiscal se utilizou de critério jurídico equivocado, o que afetou substancialmente a constituição do crédito tributário. A adoção do regime de caixa em detrimento do regime de competência prejudicou a correta quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e por consequência, o valor do tributo devido, caracterizandose em insanável vício material. O próprio Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas expostas pela RFB, indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ, reconheceu a necessidade de oportunizar aos contribuintes a retificação das informações prestadas, como único meio de se chegar ao valor tributável correto do IRPF: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.729005/201152 Acórdão n.º 2201002.564 S2C2T1 Fl. 122 7 g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que determinar a aplicação das alíquotas vigentes à época, representaria novo lançamento com outro critério jurídico, o que é expressamente vedado pelo artigo 146 do CTN. Ademais, não compete a este órgão de julgamento, ainda mais em adiantada fase recursal, refazer o lançamento com critérios jurídicos distintos daqueles utilizados à época, mas tão somente exercer o controle de legalidade em sede contenciosa, caracterizado pelas suas limitações quanto à alteração de alguns aspectos da hipótese de incidência, base de cálculo e alíquotas. Nesse sentido, alguns precedentes deste E. Sodalício: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004) (grifos meus) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013) (grifos meus). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013) (grifos meus). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos meus) Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações apresentadas em sede de Voluntário. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Diferentemente do que defende o Relator, penso que no caso dos autos não ocorreu qualquer vício material de origem, já que a autoridade fiscal utilizou, para a constituição da exigência, a norma legalmente vigente na data do fato gerador, ou seja, o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (regime de caixa). Contudo, em razão de fato superveniente, qual seja, o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.729005/201152 Acórdão n.º 2201002.564 S2C2T1 Fl. 123 9 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. REsp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Portanto, não há que se falar em refazimento do lançamento por inobservância do regime de competência, mas o dever de ofício de aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11020.914925/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA.
Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito.
Numero da decisão: 3401-002.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA. Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 49 25 /2 00 9- 64 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS supostamente recolhido a maior em 18/05/2007, referente ao período de abril de 2007 (fls.01/05). A delegacia de origem negou o ressarcimento em razão de o crédito localizado ter sido utilizado para quitação de outros débitos (fl.06). A DRJ em Belém/PA manteve o indeferimento (fls.32/35). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 11/03/2011 (fl.37) e interpôs recurso voluntário em 11/04/2011 (fls.38/60). O recurso voluntário foi apreciado pela primeira vez por esta Turma Julgadora sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (fls.114/116). Na ocasião, constatouse que o crédito não foi localizado em razão de diversas DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente. Por isso, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse analisada qual a DCTF retificadora é válida e se existe crédito em favor da Contribuinte. O resultado da diligência está presente nas fls. 149/151. Apesar de cientificada, a Recorrente não se manifestou quanto ao resultado da diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em diligência, após analisar a documentação fiscal da Contribuinte e as DCTF retificadoras apresentadas, a autoridade fiscal concluiu que a retificação válida foi a última apresenta, cuja transmissão ocorreu em 17/06/2009 e que essa retificação está correta, de modo a restar um crédito em favor da Recorrente no montante de R$ 15.433,22. O crédito localizado na diligência tem exatamente o mesmo valor pleiteado pela Recorrente. Portanto, deve ser reconhecido o direito creditório. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório pleiteado, bem como homologar a compensação apresentada até o limite do crédito. É como voto. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.914925/200964 Acórdão n.º 3401002.848 S3C4T1 Fl. 159 3 Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004352/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Auto de Infração sob N° 37.227.218-5
Consolidados em 03/11/2009
CONCOMITÂNCIA.
Havendo nos autos prova inequívoco de que o Recurso Voluntário trata de mesma matéria que se discute no Judiciário através de mandado de segurança, há de se reconhecer a concomitância, sendo matéria sumulada por esta Corte.
No caso em tela a Recorrente procurou a Justiça Federal de Santa Catarina para que a Instituição se abstenha de cobrar os valores lançados no auto de infração lançado neste processo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Auto de Infração sob N° 37.227.2185 Consolidados em 03/11/2009 CONCOMITÂNCIA. Havendo nos autos prova inequívoco de que o Recurso Voluntário trata de mesma matéria que se discute no Judiciário através de mandado de segurança, há de se reconhecer a concomitância, sendo matéria sumulada por esta Corte. No caso em tela a Recorrente procurou a Justiça Federal de Santa Catarina para que a Instituição se abstenha de cobrar os valores lançados no auto de infração lançado neste processo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 43 52 /2 00 9- 45 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVE IRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 13971.004352/200945 Acórdão n.º 2301004.318 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.227.2185, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, que tiveram como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados e a contribuintes individuais, declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), conforme Relatório Fiscal de fls. 35/36, nas competências 01/2006 a 12/2007. Os lançamentos compreendem a parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa (SAT/RAT), conforme descrito no Demonstrativo Analítico de Débito (DAD) de fls. 512 e Relatório Fiscal. Segundo o Relatório Fiscal a Recorrente declarou as contribuições no código FPAS 639 sem ter requerido a isenção de contribuições previdenciárias junto a Receita Federal do Brasil. Aduz que a mesma possui o CEBAS, mas não tem o Ato Declaratório de Isenção, e por isso deveria ter enviado as GFIP com o código FPAS 515 e constituído as contribuições da cota patronal e de outras entidades e fundos. O valor lançado importa o montante de R$ 5.058.835,97 (cinco milhões, cinquenta e oito mil e oitocentos e trinta e cinco reais e noventa e sete centavos), consolidado em 30/10/2009. Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 12 de abril de 2010 tomou ciência da decisão de piso e no dia 10 de maio do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando: (i) que foi instituída pela Lei Municipal de Blumenau, n° 2.056, de 10 de dezembro de 1974. (ii) que possui título de utilidade pública estadual (Lei Estadual de Santa Catarina, n° 6345, de 11 de junho de 1984 e federal (Decreto n° 94.364, de 22 de maio de 1987), (iii) que preenche todos os requisitos (art. 14, do CTN) exigidos, (iv) que recebeu o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, através da Resolução n° 160, de 25 de junho de 1999, válido entre os anos de 1999 a 2002. Para o período de 2002 a 2005, a impugnante protocolou pedido em 2002, tendo sido deferido em 17 de novembro de 2005, Resolução n° 196. Também foi requerido para o período de 2005 a 2008 e para 2008 a 2011. Todos os pedidos foram deferidos com base na Medida Provisória n° 446, de 07 de novembro de 2008, (v) que cumpre todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91 e (vi) requer o reconhecimento da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF, para determinar a anulação e o arquivamento do presente auto de infração. É a síntese do necessário. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário não acode os pressupostos de admissibilidade, eis que concomitante é o mesmo com ação judicial, havendo renuncia do processo administrativo, razão pela qual, desde já, dele NÃO conheço. Passo para análise da razão. DO DIREITO A IMUNIDADE CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL No que tange à incidência da contribuição previdenciária, entendeu a Fiscalização que constituem fatos geradores as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes, discriminadas em folha de pagamento, declaradas, em guia de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social no código FPAS 639 sem ter requerido a isenção de contribuições previdenciárias junto a Recita Federal do Brasil. E em contra partida alega a Recorrente de que seria entidade beneficente de assistência social e cumpriu todos os requisitos legais devendo ser reconhecida a sua imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF. A discussão a propósito cinge se no fato de terem ou não terem sido cumpridos os requisitos legais que autorizam a imunidade prevista no art. 195, § 7o, da CF, que é exatamente a matéria objeto da Ação Ordinária de n° 500093218.2010.404.7205, perante o Juízo Federal de Santa Catarina, com pedido de antecipação de tutela para 'determinar a suspensão da exigibilidade dos Autos de Infração representados pelos números DEBECAD n°37.227.2185 e DEBECAD n°37.227.2207 e determinado ao requerido que abstenha de impor qualquer sanções referente a estas Notificações, onde se pleiteia que seja reconhecida o status de entidade filantrópica beneficente de assistência social, por isto, deve gozar da imunidade constitucional do art. 195, § 7o da CRFB/88, cujos requisitos estão apregoados no art. 14 do CTN, bem como, pela previsão à época do art. 55 da Lei 8.212/91, motivo pelo qual devem ser anuladas ambos os Autos de Infração. Na esteira desse entendimento, torna se defeso a este Colegiado se manifestar a propósito das razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte opondo se a exigência de aludida contribuição, uma vez que tais questões encontram se sob a tutela do Poder Judiciário em processo judicial próprio/específico. Aliás, o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em seu artigo 78, § 2º, prescreve que a propositura de ação judicial contemplando a mesma matéria submetida a análise deste Colendo Tribunal, representa desistência do recurso administrativo, determinante, portanto, ao não conhecimento da peça recursal, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” CONCLUSÃO Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 13971.004352/200945 Acórdão n.º 2301004.318 S2C3T1 Fl. 4 5 Diante do exposto, não conheço das alegações do Recurso Voluntário, haja vista que há concomitância do presente recurso com ação judicial. É como eu voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 13808.000298/2001-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3401-000.007
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Fl. 183 MINISTÉRIO DA FAZENDA .. - • /''''''. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.000298/2001-01 Recurso n° 242.327 Resolução n° 3401-00.007 — 4' Câmara / P Turma Ordinária Data 17 de setembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente COLUMBIA TRISTAR BUENA VISTA FILMES DO BRASIL LTDA Recorrida . DRJ CAMPINAS-SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. I , // l' , 1i , . II.; '• ACED e b e E'B ' FILMO — Presidente/ 7 -n.;''.•-i .w•-- x'Ailki,) .# fr 4 .,./' EMANUÁ I( A ! : D à.di S,DE ASSIS, Relator ir EDITADO EM 06/10/2609 . Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, i Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi 'Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Gilson Macedo Rosenburg Filho. , RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra acórdão da 2' Turma da DRJ que manteve o Auto de Infração eletrônico de fls. 16/20, relativo ao PIS Faturamento, períodos de apuração de 02/1999 a 12/1999, no valor R$ 397.407,47, incluindo juros de mora. Não foi aplicada multa porque a exigibilidade do crédito tributário e9contrava-se suspensa por liminar concedida em 28104/2000 no Mandado de Segurança n° 2e100.61.00.011467-5 (ver fls. 07/09). / Na impugnação a autuada alega o seguinte, conforme o relatório da primeira instância que reproduzo: i 3.1. a exigibilidade do crédito tributário encontra-se suspensa em virtude da concessão de medida liminar, em 28.04.2000, no Mandado de Segurança n° 2000.61.00.011467-5, que autorizou a impugnante a recolher a contribuição ao PIS nos termos da Lei Complementar n° 7, de 1970, afastando a aplicação das Leis n° 9.715 e n° 9.718, de 1998, mediante o depósito judicial das diferenças apuradas; 3.2. caso venha a ser concedida em definitivo a segurança pleiteada, as questões ora impugnadas restarão prejudicadas, impondo-se, por medida de economia processual, o sobrestamento do presente feito até final decisão do processo judicial; 3.3. no mérito, a exigência é integralmente improcedente, pois a ampliação da base de cálculo do PIS, nos termos das Leis n° 9.715 e n°9.718, de 1998, é inconstitucional; 3.4. o art. 239 da Constituição Federal, ao fazer expressa referência às disposições da Lei Complementar n° 7, de 1970, acabou por constitucionalizar a contribuição ao PIS, não podendo, portanto, ser alterada por mera lei ordinária. Ademais, as Leis n° 9.715 e n° 9.718, de 1998, ao alterarem o conceito de faturamento, desrespeitaram o art. 110 do Código Tributário Nacional; 3.5. como se trata da criação de nova exação, muito embora utilizando-se o mesmo nomen iuris de "contribuição ao PIS', forçosa se faz a edição de lei complementar para que tal contribuição seja validamente inserida em nosso sistema constitucional; 3.6. a Emenda Constitucional n o 20, de 15 de dezembro de 1998, posterior à edição da Lei n° 9.718, de 1998, não tem o condão de convalidar os vícios de inconstitucionalidade de que padecia o diploma legal anteriormente editado. Além disso, a referida emenda alterou o art. 195 da CF, e o fundamento de validade da contribuição ao PIS reside no art. 239 da CF; 3.7. considerando que a exigibilidade do crédito tributário exigido pela presente autuação fiscal sempre esteve suspensa por força da medida liminar concedida, mediante depósito judicial da quantia em discussão, a impugnante jamais esteve em mora, visto que não está cometendo qualquer infração, nada justificando a imputação de juros moratórias; 3.8. obtida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário antes do vencimento por qualquer das modalidades previstas no art. 151 do C TN, como ocorre no caso concreto, esta suspensa° opera como fator impeditivo da consumação da mora e a restituição ao status quo ante, em conseqüência de eventual decisão denegatória da segurança, vai conduzir a um crédito ainda não vencido e que de e ser liquidado, ou depositado 411 2 Processo n° 13808.000298/2001-01 S3-C4T1 Resolução n.° 3401-00.007 Fl. 184 judicialmente, para que a mora não se concretize. Este entendimento decorre, também, da própria natureza da mora, que nada mais é do que o inadimplemento culposo, evento que o art. 151 do CTN visa exatamente impedir; 3.9. diante do nosso ordenamento jurídico, não se admite colocar em posição mais desfavorável o contribuinte que recorre ao Judiciário para dirimir as dúvidas que tem, do que aquele que lança mão do instituto da consulta. Entendimento diverso implicaria penalizar o ingresso no Judiciário, o que viola o disposto no art. 5°, XXXV da Constituição Federal; 3.10. ainda que fosse cabível a exigência dos juros, estes não poderiam ter sido calculados com base na taxa Selic, que não é índice adequado para tanto. A Selic compreende, além da taxa prevista no art. 161, §1 0 do CIN, a inflação oficial e, ainda, rendimentos de investidores no mercado de capitais, o que não se harmoniza com o sistema jurídico vigente; os juros moratórios têm seu teto fixado em I% ao mês (art. 161, §1° do CIN). Determinar a correspondência dos juros moratórios à taxa Selic implica verdadeira delegação de competência e a existência de tara de juros de mora variável mensalmente, o que repugna a necessária certeza no que tange ao quantum das sanções de natureza moratória em matéria tributária; A decisão recorrida julgou o lançamento procedente, mantendo inclusive os juros de mora, por interpretar que "basta o recolhimento da exação a destempo para que a exigência tenha lugar, independentemente de haver provimento jurisdicional determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Isto porque sua fluência é automática, pela falta de pagamento na data aprazada, independentemente de qualquer ato ou condição, como dispõe o art. 161 do CTN" No Recurso Voluntário, tempestivo, refuta a decisão recorrida e insiste na improcedência dos juros de mora, em face da liminar concedida e dos depósitos realizados, argüindo também que, a despeito do Mandado de Segurança por ela impetrado, cabe cancelar a autuação fiscal nesta via administrativa com base nos princípios da moralidade e eficiência da Administração Pública, haja vista a decisão do Plenário do STF no RE n° 357.950-9, declarando inconstitucional o § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Tratando dos depósitos judiciais, informa que foram feitos m maio de 2001, com o acréscimo de juros de mora e multa de mora de 20% (ver fls. 108, no a de rodapé n° 1, e 145/147, estas contendo cópias de 2 Guias de Depósito Judicial e planilha). É o relatório. 3 VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por carecer de esclarecimentos acerca dos depósitos judiciais noticiados. Embora o Termo de Constatação de Irregularidades que integra o Auto de Infração informe que a empresa fiscalizada efetuou depósitos judiciais (fl. 13, item I-c), não traz as datas e valores correspondentes. Somente na peça recursal é que o contribuinte informa ter efetuado tais depósitos com atraso, computando juros de mora e multa de mora. Na forma do art. 151, II, do CTN, o depósito judicial integral, seja judicial ou administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Tal suspensão acontece independentemente de ação judicial, inclusive. Quando há ação judicial, como no caso dos autos, após o trânsito em julgado o depósito será convertido em renda da União, caso o Fisco saia vitorioso na causa, ou então será levantado pelo contribuinte, se este lograr êxito. Na primeira hipótese, a conversão em renda equivale a um pagamento à vista. Dai descaber o lançamento de juros de mora e de multa. Esta pode ser a situação em tela, se os depósitos, apesar de realizados após os vencimentos, contemplarem os encargos da mora. Dai a necessidade dos esclarecimentos ora solicitados. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem esclareça o seguinte: 1) se os valores depositados correspondem à integralidade do crédito tributário lançado, apontando os valores e datas em que realizados e discriminando as parcelas do principal, dos juros de mora e da multa correspondentes; e 2) se houve levantam- -sses depósitos, indicando, em caso positivo, as datas e os montantes respectiv., 0-"Ff4 EM ~1. TAS DE ASSIS i • 4
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Numero do processo: 13896.002061/2010-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), Art. 106, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso.
Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Alexandre Naoki Nishioka.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Alexandre Naoki Nishioka. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), Art. 106, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Alexandre Naoki Nishioka. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 20 61 /2 01 0- 04 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13896.002061/201004 Acórdão n.º 9202003.567 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), contra acórdão, fls. 0236, que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do contribuinte, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA. Por força do artigo 62A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente. O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. CO RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co Responsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Como esclarecimento, o litígio em questão versa sobre a forma de aplicação da retroatividade da legislação, como determina o Art. 106, do Código Tributário Nacional (CTN), no caso de multa de ofício em lançamento por descumprimento de obrigação tributária principal. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que há decisões divergentes da decisão recorrida, que aplicam a forma de cálculo de maneira correta, comparando as penalidades da antiga legislação com a penalidade que o contribuinte pode sofrer atualmente. Por fim, solicita o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. O contribuinte apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que o recurso não deve ser conhecido e se o for que slhe seja negado proviemnto. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13896.002061/201004 Acórdão n.º 9202003.567 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a questão sobre a forma de aplicação de aplicação da multa, nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita. Ocorre que o acórdão recorrido não comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, as penalidades que poderiam sofrer os sujeitos passivos. Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Antes da alteração legislativa os sujeitos passivos – em caso de descumprimentos de obrigações acessória e principal – eram punidos com duas multas de ofício, a referente ao descumprimento da obrigação acessória (IV, Art. 32, na antiga redação da Lei 8.212/1991) e a referente ao descumprimento da obrigação principal (II e III, Art. 38, na antiga redação da Lei 8.212/1991). Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (ANTIGA REDAÇÃO) ... Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13896.002061/201004 Acórdão n.º 9202003.567 CSRFT2 Fl. 5 7 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (ANTIGA REDAÇÃO) Atualmente, após a edição da MP 449/2008, os sujeitos passivos – em caso de descumprimentos de obrigações acessória e principal – são punidos pelo determinado no Art. 35A, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Verificase que com a mudança da legislação descumprimentos de obrigações acessória e principal acarretam a penalidade em uma multa de ofício. Assim, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual – que possui padrão único de 75 % (setenta e cinco por cento) – pode ser mais benéfico para a recorrente, em comparação as multas de ofício aplicadas antes da alteração legislativa. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, a decisão a quo deveria ter comparado as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, declaração inexata, e principal, falta de pagamento ou recolhimento), com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, declaração inexata, e principal, falta de pagamento ou recolhimento). CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso da PGFN, nos termos solicitados, conforme o voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.010509/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO.
A habilitação do crédito, nos termos da IN RFB nº 900/08, ora vigente, corresponde a procedimento preliminar, preparatório ao respectivo pedido futuro autônomo, ainda não iniciado, de restituição e/ou compensação, toda vez que o crédito que servir de base para tais pretensões tiver como fundamento uma decisão judicial.
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO. INTERRUPÇÃO.
O requerimento da habilitação ou seu deferimento, não alteram o prazo prescricional quinquenal para intentar-se a restituição ou a compensação
Numero da decisão: 3401-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. A habilitação do crédito, nos termos da IN RFB nº 900/08, ora vigente, corresponde a procedimento preliminar, preparatório ao respectivo pedido futuro autônomo, ainda não iniciado, de restituição e/ou compensação, toda vez que o crédito que servir de base para tais pretensões tiver como fundamento uma decisão judicial. PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO. INTERRUPÇÃO. O requerimento da habilitação ou seu deferimento, não alteram o prazo prescricional quinquenal para intentar-se a restituição ou a compensação
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori
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CRÉDITO JUDICIAL. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. A habilitação do crédito, nos termos da IN RFB nº 900/08, ora vigente, corresponde a procedimento preliminar, preparatório ao respectivo pedido futuro autônomo, ainda não iniciado, de restituição e/ou compensação, toda vez que o crédito que servir de base para tais pretensões tiver como fundamento uma decisão judicial. PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO. INTERRUPÇÃO. O requerimento da habilitação ou seu deferimento, não alteram o prazo prescricional quinquenal para intentarse a restituição ou a compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 05 09 /2 01 0- 50 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 2 FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação (fls. 03/04) pela qual a Contribuinte pretende compensar os débitos de PIS e COFINS nãocumulativos de agosto de 2010, com crédito oriundo de decisão judicial transitada em julgado. O crédito foi habilitado, em fevereiro de 2010, pelo Processo Administrativo nº 10730.002863/200977 (fl.26). Por despacho decisório (fls.42/48) a Delegacia da Receita Federal em Niterói/RJ negou homologação ao crédito, sob o fundamento de que a Contribuinte extrapolou o prazo de cinco anos para aproveitar os créditos, vez que a ação judicial transitou em julgado em 21/06/2004. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 51/66), mas a DRJ Rio de Janeiro II/RJ a julgou improcedente ao proferir acórdão (fls. 72/81) com a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. HABILITAÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL PARA USO EM COMPENSAÇÃO OU PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA USO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Os tributos e contribuições administrados pela RFB pagos a maior ou indevidamente, quando tal indébito for reconhecido por meio de decisão judicial transitada em julgado, podem ser objeto de pedido administrativo de restituição ou utilizados para compensação, nos termos das pertinentes normas expedidas por este órgão em consonância com o disposto no § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ora vigorando para este propósito a IN RFB nº 900, de 2008. Para tanto, a respectiva decisão judicial deverá ser habilitada, nos termos do art. 71 da referida instrução normativa, sendo o deferimento dessa habilitação prérequisito para a recepção do correspondente pedido de restituição ou de declarações de compensação que tenham por base créditos amparados naquela decisão judicial. A habilitação não implica a homologação do valor dos créditos que o interessado alega ter, sendo apenas um procedimento Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10730.010509/201050 Acórdão n.º 3401002.531 S3C4T1 Fl. 135 3 preliminar, preparatório, para poderse efetuar o respectivo pedido de restituição ou para declararse compensação toda vez que o crédito que servir de base para tais pretensões tiver como fundamento uma decisão judicial. Visa, pois, unicamente a reconhecer a validade dessa ação para tal fim e consiste apenas na verificação dos itens discriminados nos incisos I a V do § 4º do art. 71 da IN RFB nº 900, de 2008, ora vigente. O sujeito passivo, titular da ação, tem o prazo de cinco anos contados da data em que transitou em julgado a decisão favorável que lhe reconheceu o indébito e, por conseguinte, o correspondente direito à restituição ou à compensação, para requerer a habilitação dessa decisão, ou, em se tratando de decisão que, dada sua natureza, comporte execução, cinco anos da data de decisão judicial que tenha homologado sua desistência de tal execução. O requerimento da habilitação ou seu deferimento, não alteram o prazo prescricional quinquenal para intentarse a restituição ou a compensação. No caso de crédito decorrente de decisão judicial, entendese que seu titular tem o prazo de cinco anos contados da data em que esta tenha transitado em julgado para apresentar pedido de restituição ou declarar compensação com base nos correspondentes créditos, ambos nos termos da IN RFB nº 900, de 2008, ou, quando a decisão comportar execução, cinco anos contados da data da decisão judicial que homologar sua desistência desta para intentar os mesmos procedimentos, ressaltandose que, em qualquer hipótese, para que tais procedimentos sejam eficazes, deve antes ter deferida a habilitação da respectiva decisão judicial. A declaração de compensação, inclusive quando amparada em crédito reconhecido por meio de decisão judicial, formalizada, salvo exceções expressamente admitidas, obrigatoriamente mediante o programa PER/Dcomp, pode ou não ser precedida de pedido de restituição, que também deve ser formulado mediante o programa PER/Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 10/10/2011 (fl.85) e interpôs recurso voluntário (fls.87/115), com as alegações resumidas abaixo: 1 A instrução normativa não pode limitar direito garantido em lei; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 4 2 A prescrição foi suspensa na data do protocolo do pedido de homologação dos créditos, por força do art. 4º, Parágrafo Único, do Decretolei nº 20.910/32; 3 A própria Administração descumpriu a Instrução Normativa nº 900/2008, vez que ultrapassou o prazo de trinta dias para análise do crédito, estabelecido no § 3º, do art. 71; 4 O prazo de cinco anos é para dar início ao procedimento de compensação. Ao fim, a Recorrente pediu a homologação da compensação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A homologação da compensação da Recorrente foi negada porque ela protocolou após ultrapassado cinco anos do transito de julgado da ação judicial que originou o crédito. Todavia, a Recorrente havia habilitado o crédito antes do prazo quinquenal. Sendo assim, o cerne da questão consiste em saber se o prazo de cinco anos para o aproveitamento de crédito é interrompido com o pedido de habilitação ou somente com a declaração de compensação. O prazo para pleitear a restituição de créditos oriundos de decisão judicial está previsto no art. 168, inciso II, do CTN, in verbis: “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória”. Por sua vez, a Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinou a questão do aproveitamento de crédito com origem em decisão judicial com a Instrução Normativa nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a qual estava vigente na época do pedido de homologação e da apresentação da declaração de compensação. A mencionada IN/SRF tinha o seguinte texto no art. 71: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10730.010509/201050 Acórdão n.º 3401002.531 S3C4T1 Fl. 136 5 “Art. 71 . Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo”.(grifo nosso) Notese que a norma infralegal impôs um requisito à compensação, qual seja, a habilitação do crédito. Por sua vez, o § 4º, do art. 71, também da IN/SRF nº 900/2008, dispôs que um dos requisitos para a habilitação do crédito é que o pedido fosse formalizado no prazo de cinco anos, contados da data do trânsito em julgado da decisão judicial, senão, vejamos: § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução.(grifo nosso) Da leitura dos textos tratados acima, notase que a habilitação do crédito é requisito obrigatório para a compensação. Também é possível perceber que o prazo para o pedido de habilitação, de cinco anos, guarda consonância com o que dispõe o art. 168, inciso II, do CTN. Portanto, a conclusão é de que o pedido de habilitação é o início do procedimento para o aproveitamento do crédito originado em decisão judicial transitada em julgado, de modo que, se o pedido de habilitação for formalizado no prazo de cinco anos a partir da data do trânsito em julgado, estará cumprido o prazo disposto do art. 168, inciso II, do CTN, e o contribuinte terá direito a ter a homologação da sua compensação. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 6 Nesse mesmo sentido, já julgou a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Vejamos: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO. Nos termos das IN SRF nº 600/2005, o prazo prescricional de cinco anos era apenas para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, o que se perfazia com a apresentação do pedido de habilitação do crédito. Recurso Voluntário Provido”. Deve ser observado que muito embora da decisão colacionada acima trate da IN SRF nº 600/2005, ela se enquadra perfeitamente no presente caso, pois o texto transcrito acima da IN SRF nº 900/2008 estava presente na IN SRF nº 600/2005. In casu, é incontroverso que o processo judicial que originou o crédito transitou em julgado em 21/06/2004 e que o pedido de habilitação do crédito foi protocolado em 01/04/2009, pois essa cronologia consta do despacho decisório e não foi refutada. Portanto, o pedido de habilitação do crédito foi formalizado antes do prazo quinquenal disposto no art. 168, inciso II, do CTN, de modo que a Recorrente tem direito de ter a sua compensação homologada até o limite do crédito reconhecido na habilitação. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito à homologação da compensação. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso, Redator designado O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente relator no sentido de que se o pedido de habilitação do crédito judicial for formalizado no prazo de cinco anos a partir da data do trânsito em julgado, estará respeitado o prazo prescricional disposto do art. 168, inciso II, do CTN. Entendendo, em sentido oposto, tratarse a habilitação apenas de um procedimento preliminar, preparatório ao respectivo pedido de restituição e/ou compensação toda vez que o crédito que servir de base para tais pretensões tiver como fundamento uma decisão judicial. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10730.010509/201050 Acórdão n.º 3401002.531 S3C4T1 Fl. 137 7 Inicialmente, vale notar que a IN RFB nº 900/2008 não limitou qualquer direito garantido em lei e apenas cumpriu o mandamento normativo disposto no §14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação.” Notase que a norma infralegal supracitada, para as hipóteses de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, estabeleceu procedimento preparatório à recepção pela RFB do pedido autônomo de restituição e/ou compensação, qual seja, a habilitação prévia do crédito, exigida no art. 71, da IN RFB nº 900/2008: “Art. 71 . Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.” A habilitação não implica em limitação de direito material, sendo apenas um procedimento formal preliminar visando unicamente a reconhecer a validade da decisão judicial transitada em julgado para os fins de restituição e/ou compensação futura e consiste apenas na verificação dos itens discriminados nos incisos I a V do § 4º do art. 71 da IN RFB nº 900/2008, ora vigente. Nos termos do § 4º, do art. 71, da IN RFB nº 900/2008, o sujeito passivo, titular da ação, tem o prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial, para requerer a habilitação do crédito, prazo qüinqüenal que guarda consonância com o que dispõe o art. 168, inciso II, do CTN, mesmo porque, não faria nenhum sentido habilitar crédito prescrito, imprestável à servir de objeto do pedido autônomo de restituição e/ou compensação. Importante perceber que o requerimento da habilitação ou seu deferimento, não alteram o prazo prescricional qüinqüenal para intentarse a restituição ou a compensação. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 8 Com efeito, ainda que prevalecesse o alegado pelo recorrente no sentido de que a prescrição teria sido suspensa, por força do art. 4º, Parágrafo Único, do Decretolei nº 20.910/32, infra citado, na data do protocolo do pedido de homologação dos créditos, em 01/04/2009, não restaria respeitado o prazo qüinqüenal prescricional para o(s) pedido(s) de compensação(ões) ora analisado(s). "Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano." (grifo nosso) Consultando os autos do processo administrativo nº 10730.002863/200977, verificase que o mesmo trata de Pedido de Habilitação de Crédito de PIS, reconhecido em sede de Mandado de Segurança nº 2001.51.01.0170524, cuja decisão final transitou em julgado em 21/06/2004, portanto, passível de restituição ou compensação até a mesma data do ano de 2009. Somente há apenas 82 (oitenta e dois) dias para prescrição do direito ao pleito de restituição ou compensação do crédito, em 01/04/2009, o contribuinte ingressara com o Pedido de Habilitação de Crédito, cujo despacho decisório favorável foi cientificado ao interessado em 03/02/2010. Ad argumentandum tantum, admitindose suspenso o prazo prescricional entre 01/04/2009 e 03/02/2010, restariam 82 (oitenta e dois) dias, ou seja, até 26/04/2010, para ingressar com o(s) pleito(s) de compensação(ões) ora analisado(s), porém, os mesmos só foram protocolizados em 14/10/2010 (10730.010509/201050) e 14/01/2011 (10730.000558/2011 65), fulminados pela prescrição, por mais benéfica/menos prejudicial que fosse a interpretação do instituto jurídico. Somase, o entendimento de não ser aplicável ao caso, nem por pura argumentação, o instituto da interrupção da prescrição prevista nos art. 7º, 8º e 9º do Decreto lei nº 20.910/32 ou qualquer outra disposição legal da mesma natureza. Neste sentido, ainda que respeitado pela Administração o prazo impróprio de trinta dias para análise do crédito, estabelecido no § 3º, do art. 71 da IN RFB nº 900/2008, conforme alegado pelo recorrente, em nada o aproveitaria, pois, mantevese inerte por cerca de 6(seis) meses do resultado da referida análise para dar início ao procedimento de compensação, o qual, por tudo já exposto, só ocorre com o envio/protocolo de pedido autônomo próprio, não se confundindo com o pedido preliminar preparatório de habilitação do crédito judicial. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Alemida Redator designado. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10730.010509/201050 Acórdão n.º 3401002.531 S3C4T1 Fl. 138 9 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2015 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR ALVES R AMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Numero do processo: 10280.904357/2012-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3402-002.653
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 57 /2 01 2- 65 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Alunorte –alumina do Norte do Brasil S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 29665.28551.181011.1.5.090990, visando ao ressarcimento do saldo credor da Cofins acumulado no 2° trimestre de 2011, no valor de R$ 30590830,66. A DRF/BEL deferiu o ressarcimento de R$ 12007894,33. De acordo com o Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 1020 (fls. 15 a 33), que amparou o Despacho Decisório, a glosa de R$ 18582936,329999998, deveuse aos seguintes ajustes: (i) no coeficiente de rateio dos créditos, previsto no inciso II do § 8º do art. 3º da Lei de Regência, pelo recálculo das receitas de vendas para o mercado interno, com acréscimos das receitas omitidas contribuinte; (ii) exclusão dos créditos sobre bens que não são empregados na produção de bens destinados à venda, ou descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (iii) exclusão dos créditos tomados sobre ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual; (iv) exclusão dos créditos tomados sobre itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, que não atende aos requisitos para crédito, porque não são partes e peças de reposição que possam comprovadamente ser enquadradas como insumos diretos; (v) exclusão dos créditos tomados sobre itens empregados indiretamente na produção: a aquisição de bens e Fl. 476DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 3402002.653 S3C4T2 Fl. 476 3 serviços não enquadrados como insumos diretos, porque não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; (vi) exclusão dos créditos tomados sobre combustíveis e lubrificantes, não aplicados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos na produção dos bens destinados à venda; (vii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços que não guardam relação direta com as atividades produtivas; (viii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços de manutenção de bens componentes do Ativo Imobilizado; (ix) exclusão dos créditos sobre serviços de hotelaria e sobre serviços prestados por pessoas físicas; (x) exclusão dos créditos tomados sobre o valor das despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica; (xi) exclusão dos créditos tomados sobre serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo: (xii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, mas que, pela sua descrição, não se destinam ao AI (serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de site da internet); (xiii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, não utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços: (compra de cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas); (xiv) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, sem prova de que efetivamente destinemse ao AI: aquisição de materiais diversos, fornecimento de materiais; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 4 (xv) recomposição dos créditos tomados sobre edificações, procedida pelo contribuinte à taxa de 1/12, quando o correto é 1/24., e; (xvi) exclusão dos créditos tomados em aquisições de bens com suspensão das contribuições sociais. Todos esses ajustes foram detalhados, item por item, consolidados em planilha específica. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BEL. O Acórdão nº 01030.198, de 9/30/2014 (fls. 278 a 304), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. Cofins NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. DESCRIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Em sede de ressarcimento, deve restar demonstrada de forma induvidosa a existência dos créditos alegados. A descrição precisa de bens e serviços, bem como a perfeita identificação de sua concreta aplicação ou consumo na produção ou fabricação do produto, é imprescindível ao reconhecimento da pretensão creditória. Cofins NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 3402002.653 S3C4T2 Fl. 477 5 No cálculo do Cofins NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Cofins NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. Cofins NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 312 a 357, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repetindo integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, está estruturado em três capítulos. O primeiro, intitulado “DA BREVE SÍNTESE DO PROCESSO PRODUTIVO DA ALUMINA DA APLICAÇÃO DIRETA DE ALGUNS DOS INSUMOS INEXPLICAVELMENTE GLOSADOS DO INCABIMENTO DAS GLOSAS RELATIVAS AO ÁCIDO SULFÚRICO, CALCÁRIO CALDEIRA. INIBIDOR DE CORROSÃO E SERVIÇOS EMPREGADOS COMO INSUMOS DESCRIÇÃO E JUSTIFICATIVA DE SUA INCLUSÃO NO COMPUTO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DA ALUMINA EXPORTADA DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF QUE VEM REFORMANDO TAIS GLOSAS ESPECIFICAS”, descreve o processo produtivo da alumina, controverte as glosas dos créditos tomados sobre as compras de ácido sulfúrico, calcário e inibidores de corrosão, explicando seu emprego no processo. Irresignase também contra as glosas dos créditos sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. O segundo capítulo – DO INCABIMENTO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO ATIVO IMOBILIZADO/EDIFICAÇÕES SEGUNDO O REGIME PREVISTO NAS LEIS 10833/2003 E 10637/2002 ART. 31. INCISO II. DA LE111.196/2005 E §14, DO ART. 3° DA LEI 10833/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 457/2004 – pugna pelo direito de tomada de créditos sobre a depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196, de 2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), ou Fl. 479DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 6 com fundamento na Lei nº 11.488, de 2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvimento da InfraEstrututra (REIDI). O último capítulo – DOS CONTORNOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL RELATIVO AO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE APLICADO A COFINS E CONTRIBUIÇÃO AO PISPASEP – digressiona sobre a não cumulatividade das contribuições sociais. Em conclusão, pede a reversão das glosas e reitera o pedido de realização de perícia, indicando e qualificando o perito. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 312 a 357 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 01030.198, de 9/30/2014. MATÉRIAS CONTROVERTIDAS Dentre os diversos ajustes procedidos pela Fiscalização, o recorrente atevese às glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, de calcário e de inibidores de corrosão e sobre a contratação de serviços de transporte de resíduos industriais. PEDIDO DE PERÍCIA Transcrevo o pedido de perícia formulado na conclusão do recurso para maior clareza: Reiterase, outrossim, o pedido e realização de perícia suplementar em que pese o material probatório que ilustra claramente, não somente a aplicação efetiva dos bens glosados como insumos que integram o custo de produção do produto final destinado à venda como ainda que não houve classificação e apropriação de créditos sobre "edificações" ao Ativo Imobilizado da companhia recorrente, senão de máquinas e equipamentos que, portanto, deveriam ter sido considerados como cabíveis para esse fim, levando em consideração não ter sido realizada qualquer inspeção física presencial na industrial da Refinaria da Recorrente. Na condição de assistente técnico, reitera a nomeação do Sr. Sebastião José Rosa inscrito no CRC/RJ, sob o n.° 039332/04, residente e domiciliada na cidade de Barcarena PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447 000. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 3402002.653 S3C4T2 Fl. 478 7 A propósito, o § 1° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF determina que se considere não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mesmo artigo. Embora tenha indicado e qualificado o perito, o recurso deixou de formular quesitos, de sorte que tenho como não formulado o pedido. MÉRITO Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 8 [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 482DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 3402002.653 S3C4T2 Fl. 479 9 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo Fl. 483DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 10 princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretende parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: Fl. 484DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 3402002.653 S3C4T2 Fl. 480 11 a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O Carf, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os Fl. 485DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 12 combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. A Alunorte dedicase à extração da alumina (Al2O3) da bauxita por meio do processo Bayer. De 4 a 7 toneladas métricas de bauxita extraemse 2 toneladas métricas de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 3402002.653 S3C4T2 Fl. 481 13 alumina, que permitirão produzir 1 tonelada métrica de alumínio.As principais etapas desse processo são: moagem, digestão (extração com soda cáustica), separação e filtração de resíduos sólidos, precipitação e calcinação, obtendose então a alumina calcinada1. Fluxograma do Processo Bayer 2 Em apertadíssima síntese, a alumina é separada da bauxita por meio de uma solução aquecida de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de cal (óxido de cálcio). A mistura é bombeada para o interior de recipientes de alta pressão e aquecida. A soda cáustica dissolve a alumina, que se precipita da solução saturada. A alumina é, então, lavada e aquecida para a remoção da água. O material precipitado é filtrado e lavado, para remover e recuperar a solução cáustica. Todo o restante é eliminado por filtragem e a alumina é seca até atingir a forma de pó branco. Mérito: glosa de créditos a título de insumos No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros 1 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/78211/, visitado em 04/02/2015. 2 Publicado em http://www.hydro.com/pt/AHydronoBrasil/Sobreoaluminio/Ciclodevidado aluminio/Refinodaalumina/, visitado em 04/02/2015. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 14 equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade do ácido sulfúrico e do produto denominado AL200Carbomil para com o processo produtivo da Alumina, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Quanto ao inibidor de corrosão, compulsando o Parecer nº 1.020, fls. 25, contatei que não houve glosa de créditos tomados sobre este item. No que pertine à glosa dos créditos sobre serviços, a insurgência recursal resumiuse ao excerto abaixo transcrito: Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos. a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de Transporte de Rejeitos Industriais, Serviço de Limpeza Industrial. Ácido Sulfúrico e Serviços Portuários. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Não obstante a variada gama de rejeitos produzidos – alguns relacionados com a atividade produtiva, outros não, o fato é que o recurso foi genérico, sem especificar a que resíduo industrial se referia, nem indicar como se dá a prestação do serviço de transporte, de modo que se pudesse aferir sua pertinência com o processo produtivo e certificar a satisfação dos demais requisitos para a tomada de créditos a título de insumo (e.g., ser prestado por pessoa jurídica). Incidentalmente, convém também frisar que o Parecer nº 1020 não reporta qualquer glosa com a designação genérica “Transporte de Rejeitos Industriais”. A teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é dever do contribuinte indicar as matérias contra as quais se insurge, bem como deduzir as razões de alegação, sendolhe vedado fazer contestações genéricas. Nesse sentido, não conheço dessa insurgência recursal. Mérito – glosa dos créditos sobre as despesas de depreciação Da planilha de créditos tomados sobre despesas de depreciação, além daqueles tomados sobre bens que não compõem o AI (e.g. serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês/português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de sítio da internet etc.) e que não são utilizados para utilização na produção de bens (e.g. cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas etc.), a Fiscalização glosou o creditamento em excesso, decorrente, ou do emprego do valor de aquisição do bem como base de cálculo do Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 3402002.653 S3C4T2 Fl. 482 15 crédito, ou do emprego de taxa de depreciação acelerada (1/12), sobre bens relacionados a edificações, entendendo que, neste caso, deve ser aplicada taxa de depreciação em função da vida útil da edificação, ou seja, 25 anos ou 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. O argumento recursal fundamental é o de que, em relação a DRS Depósito de Rejeitos Sólidos; motobombas de diversas capacidades; válvulas angulares de diversos tamanhos; tanques de diversos tamanhos; empilhadeiras de bauxita e carvão; recuperadoras de bauxita e carvão; filtros hiperbáricos para polpa de bauxita; moinhos; Agitadores; aquecedores de polpa de bauxita; digestores pequenos e grandes; aquecedores de licor pobre; flash tanques; hidrociclones para remoção de areia; decantadores de licor rico; lavadores de lama vermelha; filtros de lama vermelha; válvulasfacas nos filtros de lama vermelha; filtros de pressão e licor rico; trocadores de calor de tubos; trocadores de calor de placas; precipitadores de hidrato; hidrociclones de hidrato; classificadores gravimétricos de hidrato; espessadores de hidrato; filtros de hidrato; calcinadores de hidrato/alumina; correias transportadoras de hidrato e alumina, e; silos de hidrato e alumina, os gastos com a aquisição e montagem de tais equipamentos são evidentes passíveis de incorporação ao ativo imobilizado, e os créditos gerados sobre os valores de compra, naturalmente apropriáveis no período apuratório considerado pelos regimes especiais constantes do art. 31, inciso II, da Lei 11.196/2005 e §3°, do art. 14 da Lei 10.833/2003 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004 Alega, a Recorrente, que a Lei de Regência teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3°, incisos VI e VII. Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropriou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196, de 2005, concede aos beneficiários do RECAP a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. A Lei nº 11.196, de 2005, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.988, de 2006, que assim dispôs: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1° de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 16 I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4° do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. A arguição já foi apreciada pelo Conselheiro Ivan Allegretti por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela própria Alunorte, no processo nº 10280.722278/200932, idêntico ao que ora se analisa, resultando no Acórdão nº 3403 002.764, de 25 de fevereiro de 2014. Confirase as ementas pertinentes, que corroboram a presente decisão: MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3°, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei n° 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Conclusão Com essas considerações, voto em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904357/201265 Acórdão n.º 3402002.653 S3C4T2 Fl. 483 17 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907508/2011-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2000
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2000 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 75 08 /2 01 1- 44 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração dezembro de 2000, no valor de R$ 470,33.. O pedido foi transmitido através do PER nº 38542.99072.090605.1.2.04 2295, fls. 2/4, em 09/06/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 5 3 comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 6 4 Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 191/193 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Dezembro de 2000 no valor de R$.5.186,57, e observado que o valor recolhido foi de R$.5.479,06 (fls.190), concluímos que o valor recolhido a maior é de R$.292,49..” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 191/193 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Dezembro de 2000 no valor de R$.5.186,57, e observado que o valor recolhido foi de R$.5.479,06 (fls.190), concluímos que o valor recolhido a maior é de R$.292,49..” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição da Cofins do mês de Dezembro de 2000, recolhido em 15/01/2001, no código 2172, no valor original de R$.292,49 (Duzentos e Noventa e Dois Reais e Quarenta e Nove Centavos), requerido através do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 38542.99072.090605.1.2.04 2295, transmitida em 09/06/2005 (fls.2/4). A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 10 8 dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 11 9 Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91 e nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907508/201144 Acórdão n.º 3801004.916 S3TE01 Fl. 12 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, homologandose as compensações vinculadas até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10120.903072/2010-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). COMPROVADO ERRO DE PREENCHIMENTO.
Dá-se provimento parcial ao Recurso, para que o Órgão local prossiga na análise do direito creditório pleiteado, abstraindo-se do comprovado erro de preenchimento da DCTF.
Numero da decisão: 1803-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Diefenthaeler, relator, e Cármen Ferreira Saraiva, que convertiam o julgamento do processo em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Ricardo Diefenthaeler - Relator
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Fernando Ferreira Castellani, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). COMPROVADO ERRO DE PREENCHIMENTO. Dá-se provimento parcial ao Recurso, para que o Órgão local prossiga na análise do direito creditório pleiteado, abstraindo-se do comprovado erro de preenchimento da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Diefenthaeler, relator, e Cármen Ferreira Saraiva, que convertiam o julgamento do processo em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Diefenthaeler - Relator (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Fernando Ferreira Castellani, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1.086 1 1.085 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.903072/201088 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.611 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de março de 2015 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente RAYQUÍMICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). COMPROVADO ERRO DE PREENCHIMENTO. Dáse provimento parcial ao Recurso, para que o Órgão local prossiga na análise do direito creditório pleiteado, abstraindose do comprovado erro de preenchimento da DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 30 72 /2 01 0- 88 Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903072/201088 Acórdão n.º 1803002.611 S1TE03 Fl. 1.087 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Diefenthaeler, relator, e Cármen Ferreira Saraiva, que convertiam o julgamento do processo em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Diefenthaeler Relator (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Fernando Ferreira Castellani, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903072/201088 Acórdão n.º 1803002.611 S1TE03 Fl. 1.088 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada em face do acórdão proferido pela DRJ a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 26317.28669.260407.1.3.047030, transmitida eletronicamente em 26/04/2007, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real Apuração Trimestral. Na Dcomp em questão declarou a recorrente a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/12/2006 3373 1.051,62 30/03/2007 Como relata a decisão recorrida, a partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Por essa razão, em 06/09/2010, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fls. 9), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 304,49. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou a ora recorrente que por um equívoco foi inicialmente declarado na DCTF ORIGINAL o débito do IRPJ 4º Trim/2006 no valor de R$ 3.096,94. O valor correto, no entanto, é de R$ 1.976,40, conforme constam os valores registrados no Livro Contábil Diário na página 240 e Livro Contábil Razão na página 411. Asseverou que, para sanar as irregularidades na DCTF ORIGINAL e demonstrar de fato a origem do crédito informado na Dcomp, fez a retificação da DCTF ORIGINAL, assim descrevendo a retificação: · Informamos o valor devido do débito referente ao IRPJ 4º Trim/2006 de R$ 1.976,40 (Hum mil novecentos setenta seis reais e quarenta centavos), a ser pago em quota única com vencimento em 31/01/2007, visto que o saldo é insuficiente para divisão em quotas; · Vinculamos como pagamento em tempo hábil o DARF recolhido em 30/01/2007 no valor de R$ 1.032,31 (Hum mil trinta e dois reais e trinta dois centavos); · Sendo então que o DARF recolhido em 28/02/2007 no valor de total de R$ 1.042,63 (Hum mil quarenta e dois reais e sessenta e tres centavos) e o DARF recolhido em 30/03/2007 no valor de total de R$ 1.051,62 (Hum mil cinqüenta e um reais e sessenta e dois centavos) foram pagos indevidamente, constituindo créditos passíveis de compensação; Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903072/201088 Acórdão n.º 1803002.611 S1TE03 Fl. 1.089 4 · Informamos na Ficha Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior as seguintes compensações conforme DCOMP: o R$ 304,49 Compensação conforme DCOMP Nº 26317.28669.260407.1.3.04 7030 o qual utilizou como crédito O DARF recolhido indevidamente em 30/03/2007 no valor de total de R$ 1.051,62 (Hum mil cinqüenta e um reais e sessenta e dois centavos) o R$ 639,60 Compensação conforme DCOMP Nº 40328.76613.240910.1.3.04 5054 o qual utilizou como crédito O DARF recolhido indevidamente em 28/02/2007 no valor de total de R$ 1.042,63 (Hum mil quarenta e dois reais e sessenta e tres centavos) E, assim, o DARF recolhido em 30/03/2007 no valor de total de R$ 1.051,62, informado como origem do crédito na Dcomp de que aqui se trata (de nº 26317.28669.260407.1.3.047030), seria passível de compensação por se tratar de um recolhimento indevido. O débito compensado (no valor de R$ 304,49) corresponde à parte do saldo do débito de IRPJ referente ao mesmo 4º Trimestre de 2006, parcialmente satisfeito através do DARF recolhido em 30/01/2007 no valor de R$ 1.032,31. A ora recorrente anexou a sua manifestação de inconformidade cópia das DCTFs Original e Retificadora, da DIPJ Retificadora, dos livros diário e razão e dos DARF. Apreciando o recurso, a turma julgadora da DRJ a quo entendeu que "não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação", não reconhecendo o direito creditório. A decisão em questão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903072/201088 Acórdão n.º 1803002.611 S1TE03 Fl. 1.090 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 26/4/2013 (fls. 166), a interessada apresentou o presente recurso em 23/5/2013 (fls. 189 e seguintes), tempestivamente, portanto. Assevera, em síntese, que, ante a afirmação do acórdão recorrido de que para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a existência do pagamento indevido ou a maior, anexou ao presente recurso os "documentos digitalizados que comprovam a existência do crédito", juntando os seguintes documentos relativos ao 4º Trimestre de 2006: livro diário, movimentação contábil, livro de apuração do ICMS, livro registro de entradas e livro registro de saídas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito de IRPJ Lucro Real Apuração Trimestral (código de receita 3343) relativo ao 4º trimestre de 2006, que alega ter recolhido com erro, a maior. Refere que o valor devido e correto é R$ 1.976,40, tendo, no entanto, recolhido R$ 3.096,94, em três parcelas, conforme a seguir: · DARF recolhido em 30/01/2007 no valor total de R$ 1.032,31; · DARF recolhido em 28/02/2007 no valor total de R$ 1.042,63; · DARF recolhido em 30/03/2007 no valor total de R$ 1.051,62. Na Dcomp de que trata o presente processo a recorrente indicou como origem do crédito a compensar o último dos três DARFs, recolhido em 30/03/2007, no valor total de R$ 1.051,62, informando no campo Valor Original do Crédito Inicial o total do DARF. Indicou débito a compensar no valor de R$ 304,49, correspondente à parte do saldo do débito de IRPJ referente ao mesmo 4º Trimestre de 2006, parcialmente satisfeito através do DARF recolhido em 30/01/2007 no valor de R$ 1.032,31, antes referido. A decisão a quo assinala que "o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, em data posterior à época da entrega das declarações originais" e que "neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", fazendo referência ao fato de a manifestação de inconformidade ter sido instruída com "cópias de páginas dos livros contábeis Diário e Razão". Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903072/201088 Acórdão n.º 1803002.611 S1TE03 Fl. 1.091 6 Ocorre, no entanto, que se, como alegado, houve efetivamente erro de apuração do IRPJ devido, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito, sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até mesmo da legalidade. Com efeito, não obstante o próprio caráter de confissão da declaração, a exatidão dos valores envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na fase de julgamento, seja em homenagem ao princípio da verdade material, seja para preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou, ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo. De outra banda, se a norma tributária veda a retificação do Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para a DIPJ ou DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 9º, § 1º, da IN RFB nº 974, de 2009, vigente à época da retificação da DCTF (a retificadora foi entregue em 06/10/2010, fls. 51), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Isso posto, verificase que a recorrente instruiu sua manifestação de inconformidade com a cópia das DCTFs Original e Retificadora, da DIPJ Retificadora, dos livros diário e razão e dos DARFs. Já em sede de recurso voluntário, em vista da fundamentação da turma julgadora a quo de que a prova contábil apresentada era insuficiente para comprovar que o IRPJ do 4º Trimestre de 2006 foi efetivamente pago a maior do que efetivamente apurado, a contribuinte juntou o livro diário, a movimentação contábil, o livro de apuração do ICMS, o livro registro de entradas e o livro registro de saídas, asseverando que bem comprovam o alegado. É dizer, há indícios de efetividade do crédito reclamado. Pelo exposto, voto por converter o julgamento na realização de diligência, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, para que a autoridade preparadora da unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a recorrente verifique a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/Dcomp. E, assim, examine as informações fornecidas pela recorrente, bem como os registros internos da RFB, tais como Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os pagamentos efetuados, aferindo o valor correto da base de cálculo e imposto apurado do IRPJ Lucro Real Trimestral referente ao 4º trimestre de 2006. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, devendo a recorrente ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências, bem como do Relatório Fiscal, para que, desejando, se manifeste a respeito, assegurandose o direito ao contraditório e à ampla defesa. [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Relator Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.903072/201088 Acórdão n.º 1803002.611 S1TE03 Fl. 1.092 7 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Constou do Voto Vencido o seguinte: Em sede de manifestação de inconformidade, alegou a ora recorrente que, por um equívoco, foi inicialmente declarado na DCTF ORIGINAL o débito do IRPJ – 4º Trim/2006, no valor de R$ 3.096,94. O valor correto, no entanto, é de R$ 1.976,40, conforme constam os valores registrados no Livro Contábil Diário na página 240 e Livro Contábil Razão na página 411. Consultando as páginas indicadas pela Recorrente (fls. 117 e 118 do processo, respectivamente), convencime da existência do alegado erro, uma vez que tal valor (R$ 1.976,40), além de constar da contabilidade da Recorrente, também foi devidamente indicado em sua DIPJ retificadora (fls. 102), apresentada antes do correspondente despacho decisório de não homologação. Dou provimento parcial ao Recurso, para que o Órgão local prossiga na análise do direito creditório pleiteado, abstraindose do comprovado erro de preenchimento da DCTF. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10831.008785/2002-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 07/02/2000
Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle
Informatizado - RECOF
No presente caso, não ficou caracterizada a transferência da mercadoria do RECOF para o DRAWBACK, tendo ocorrido somente o despacho para consumo mediante a aplicação da isenção obtida anteriormente no drawback isenção, o que não está inserido na vedação imposta pelo art. 8°, parágrafo 3°, da IN SRF n° 35/98.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.012
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa (Relator). Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 07/02/2000 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado - RECOF No presente caso, não ficou caracterizada a transferência da mercadoria do RECOF para o DRAWBACK, tendo ocorrido somente o despacho para consumo mediante a aplicação da isenção obtida anteriormente no drawback isenção, o que não está inserido na vedação imposta pelo art. 8°, parágrafo 3°, da IN SRF n° 35/98. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 07/02/2000 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado - RECOF No presente caso, não ficou caracterizada a transferência da mercadoria do RECOF para o DRAWBACK, tendo ocorrido somente o despacho para consumo mediante a aplicação da isenção obtida anteriormente no drawback isenção, o que não está inserido na vedação imposta pelo art. 8°, parágrafo 3', da IN SRF n° 35/98. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa (Relator). Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. 1 è. -)I 0 , '' c-, /g/TN:~ crs M o n Trajan onm - residenten i( k R c..: k, ..4? • osa - Relator , \ n -1 ,ak.," Y- 394 A ,O R/k,(/Ctri4 4 ) ,/ , c.:_,-1,. f‘ Ma. celo Ribeiro og-ueira-- -Redkator Detilial(M kl EDITADO EM 22/03/2010 1 - Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 17/10/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora e multa proporcional, no valor de R$2.823.296,94, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada foi submetida à fiscalização sendo apurado que uma vez autorizada a operar o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado — RECOF, através do Ato Declaratório SRF N° 44/98, nos despachos aduaneiros pertinentes às Declarações de Importação n` 00/018042-8 de 07/02/2000, 00/0198328-2 de 08/03/2000, 00/0308151-0 de 07/04/2000, 00/0402920-2 de 08/05/2000 e 00/0514619-9 de 07/06/2000 descumpriu os termos e condições desse Regime Aduaneiro Especial; O motivo do desctemprimento se deveu ao fato de que a empresa promoveu a saída de mercadorias admitidas no RECOF, transferindo-as para o Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, modalidade isenção; Ao invés de efetuar o pagamento dos impostos como forma de extinção do crédito tributário suspenso, utilizou-se de um direito adquirido por conta do regime DRAWBACK/1SENÇÃO, transferindo para este regime as mercadorias admitidas no RECOF; Tal procedimento é vedado pelo artigo 8° , § 3° da Instrução Normativa SI?? No. 35/98; O contribuinte ainda descumpriu aspectos formais estabelecidos pela legislação que rege o Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, pois a mercadoria admitida no RECOF foi destinada ao mercado interno ao amparo do regime DRAWBACK/ISENÇÃO, sem que houvesse sido registrada e desembaraçada, por meio de declaração de importação correspondente ao Regime Aduaneiro Especial DRAWBACKIISENÇÃO; Na prática, houve uma completa inversão dos procedimentos estipulados na legislação pertinente, pois o contribuinte repôs o seu estoque de mercadorias importadas e destinou-as como quis, e, posteriormente, pleiteou a isenção do DRAWBACK, antes que tivesse sido consumada a importação regular da mercadoria; 2 Processo n° 10831.00878512002-18- S3-C1T2 AcOrdâo n.° 3102-00.012 Fl. 1.948 O Regime Aduaneiro Especial DRAWBACK/ISENÇA0 e o RECOF são incompatíveis quando utilizados concomitantemente; No campo de Dados Complementares da Declaração de Importação faz referência aos seguinte Atos Concessórios: W n°00/018042-8 - 122 7-9 9/010-9 e 1227-98/007-6; Dl n° 00/0198328-2 - 1227-98/011 .-4, 1227-99/010-9 e 122 7- 98/007-6; D1 n° 00/0308151-0 - 1227-98/011-4 e 1227-98/007-6; DI n° 00/0402920-2 - 1227-98/011-4; Dl ri" 00/0514619-9 - 1227-99/010-9 Assim, o contribuinte informa que se trata de nacionalização amparada sob a égide do RECOF, utilizando-se do Regime Aduaneiro Especial DRAWBACK/1SENÇÃO; Ao proceder dessa forma deixou de fazer jus ao beneficio fiscal previsto no Regime Aduaneiro Especial do RECOF, entendendo- se devida a incidência do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados de todas as mercadorias admitidas nesse Regime Aduaneiro, em face da ocorrência do fato gerador; As mercadorias admitidas no RECOF ficariam com os impostos suspensos condicionada a destinação dos produtos — condição resolutiva; Ainda, admitindo que o RECOF teria por condão a suspensão do fato gerador, os impostos seriam cobrados retroativamente a data do ingresso da mercadoria no Regime Aduaneiro suspensivo; Por dispositivos legais do Código Tributário Nacional e do Regulamento Aduaneiro - Decreto 91.030/1985 a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente; O ônus da prova de demonstrar que a mercadoria importada se enquadra na isenção ou na redução de imposto cabe ao importador, por força do artigo 134 do Regulamento Aduaneiro - Decreto 91.030/1985; O reconhecimento da isenção no momento do despacho aduaneiro não gera direito adquirido; A homologação do lançamento do Imposto de Importação ocorre com a execução da conclusão do despacho aduaneiro, prevista no artigo 54 do Decreto-Lei No. 37/66; Aplica-se a multa prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento do Imposto de 3 Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros de mora e multa proporcional, no valor de R$2.823.296,94„ Cientificado do auto de infração, pessoalmente„ em 17/10/2002 (fls. 1-frente), o contribuinte, por intermédio de seus advogados (procuração -- fia 1028) protocolizou impugnação, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 19/11/2002, de j'is. 1780 à 1795, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: A impugnante vem operando a linha de produção de sua fábrica de microcomputadores sob o RECOF com base na Instrução Normativa No 35/98 e alterações posteriores, sendo a primeira empresa a ser credenciada para neste Regime Aduaneiro Especial; Efetuou as importações relativas aos despachos aduaneiros pertinentes às Declarações de Importação n° 00/018042-8 de 07/02/2000, 00/0198328-2 de 08/03/2000, 00/0308151-0 de 07/04/2000, 00/0402920-2 de 08/05/2000 e 00/0514619-9 de 07/06/2000; As referidas declarações de importação se tratavam de despacho aduaneiro para consumo de mercadorias — componentes aplicados em produtos destinados ao mercado interno — que haviam ingressado no REGOU por via dos despachos aduaneiros de admissão; De dez despachos aduaneiros, cinco foram processados com o pagamento integral dos impostos e outros cinco processados mediante isenção, referente ao Regime Aduaneiro Especial de DRAWRACK atribuído pela SECEX como contrapartida às exportações realizadas anteriormente ao funcionamento do RECOF; A questão, levantada pela fiscalização, cinge-se às Declarações de Importação n°00/018042-8 de 07/02/2000, 00/0198328-2 de 08/03/2000, 00/0308151-0 de 07/04/2000, 00/0402920-2 de 08/05/2000 e 00/0514619-9 de 07/06/2000; Antes de ser credenciada no RECOF, a empresa utilizava-se sistematicamente do Regime Aduaneiro Especial de DRAPVBACK; O aproveitamento do beneficio proveniente do Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, tendo por base exportações anteriormente realizadas, é circunstancial e transitório, não restando a impugnante outra oportunidade de usufruido, uma vez que diante do novo regime não mais poderia importar insumos para sua linha de produção, sob pena de tumultuar ai seu controle integrado; Tal procedimento adotado pela impugnante foi fruto da incapacidade do SISCOMEX em recusar para o RECO»; o 4 • Processo n° 10831.008785/2002-18 S3-CIT2 Acórdão m° 3102-00.012 Fl. 1.949 registro de urna só declaração de importação tendo adições com diferentes regimes de tributação; O problema foi comunicado à COANA que informalmente , resultou na orientação no sentido de que se processassem diferentes declarações, com apagamento dos impostos, e com o aproveitamento do beneficio; Os Processos Administrativos 10168002455/98-05 e 10168.002781/98-41 relataram o problema à COANA; Tanto a COANA quanto a Delegacia da Receita Federal de Campinas/SP, à época jurisdicionando a empresa, assentiram tal pratica; • IR? Viracopos/SP dissentiu deste entendimento, lavrando' o presente Auto de Infração tendo por fulcro a determinação do • artigo 8° , § 30 da Instrução Normativa SRF No. 35/98; • O âmago da questão versa sobre o fato de que a mercadoria importada para a industrialização e destinada para o RECO?, teria sido destinada ao DRAPV13ACK isenção, recebendo assim destinação diversa; - O RECOF surge como uma nova modalidade de Regime Aduaneiro Especial para conferir maior agilidade ao processo produtivo, atrelado ao controle fiscal integrado; O § 3° do artigo 8° da Instrução Normativa SRF No. 35/98 veda a transferência de mercadorias admitidas no RECOF para outro Regime Aduaneiro Especial, sendo permitido o procedimento inverso; Para que ocorresse a transferência de mercadorias admitidas no RECOF para o Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, seria necessário a alteração da destinação da mercadoria e da mercadoria fisicamente disponível, fatos que não aconteceram, pois a mercadoria que foi admitida no RECOF, entrou no processo produtivo da empresa e dela saiu agregada a produtos produzidos sob o transferência de mercadorias admitidas no RECOF para outro Regime Aduaneiro Especial indigitado, processando-se, a final, os competentes despachos aduaneiros para consumo; As etapas prescritas na Instrução Normativa No. 35/98 foram cumpridas a exaustão. • A transferência de mercadorias admitidas no RECOF para o Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, como relata a ação fiscal, mostra-se incoerente, pois tratam-se de dois Regimes . Aduaneiros destinados para consumo; A transferência de mercadorias admitidas no RECOF para o Regime Aduaneiro Especial de DRAG1(13ACK, só poderia ser feito mediante procedimento administrativo próprio, regulado na Instrução Normativa No. 156/98, jamais por um despacho aduaneiro para consumo; 5 Os insumos que deram origem ao beneficio do DRAWBACKIISENÇÁO concedido por via de Ato Concessório, foram aplicados em produtos exportados antes mesmo da existência do RECOF; Traz jurisprudência de caso análogo decidido pelo Conselho de Contribuintes em favor do contribuinte,. Insurge-se também contra a aplicação das MULTAS previstas no. artigo 44 da Lei 9.430/96 por afrontar o Ato Declarató rio No 10 de 16/01/1997 da COSIT,. Propugna a improcedência do Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 07/02/2000 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado - RECOF Incidência do § 3° do Art.8° da IN-SRF 35/98. As mercadorias importadas foram admitidas sob a égide do RECO? e não poderiam se valer do Regime Aduaneiro Especial DRAWBACK/ISENÇÃO. Importador não se valeu do instituto jurídico da consulta É o relatório. Voto Vencido O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. Conforme informa a recorrente, "tendo destinado ao mercado interno uma certa quantidade da produção elaborada com insumos admitidos no RECOF, processou despachos aduaneiros para consumo — declarações de importação IN 00/018042-8/2000, 00/0198328-2/2000, 00/0308151-0/2000, 00/0402920-2/2000 e 00/0514619-9/2000, fazendo-o no regime isencional de tributação com o aproveitamento do beneficio de que já era titular, proveniente do regime de DRAWBAKJIsenção". É exatamente esta a ocorrência identificada pela fiscalização, conforme Termo de Verificação e Descrição dos Fatos lavrado por ocasião da autuação (folha 279 do processo). "Por ocasião dos despachos aduaneiros de "nacionalização" efetuados através das Declarações de Importação es 00/0108042-8, 00/0198328-2, 00/0308151-0, 00/0402920-2 e 00/0514619-9, registradas em 07/02/2000, 08/03/2000, 07/04/2000, 08/05/2000 e 07/06/2000, respectivamente, (vide fls. 380/493) a autuada descumpriu termos e condições do citado regime especial ao promover as saldas de mercadorias .\\ Processo n°10831.008785/2002-18 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.012 Fl. 1.950 admitidas no RECOF através das Declarações de Admissão em entreposto industrial relacionadas no Auto de Infração (vide fls. 03/17, 142/156, 494/1759), transferindo-as para o regime aduaneiro especial de Drawback, modalidade isenção". De plano, afasta-se qualquer dúvida quanto ao efetivo despacho para consumo de mercadorias importadas pelo Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado — RECOF, com isenção de impostos, ao amparo do Regime de Drawback Isenção. O que é necessário esclarecer é se tal operação é admitida pela legislação de regência, ou, corno entendeu a fiscalização, não poderia ter sido executada. Para melhor visualização do tema, reproduzo parte da defesa apresentada pela recorrente. "Segundo as normas prescritas pela Instrução Normativa SRF n° 35/98, que regulava a operacionalidade do RECOF, os insumos importados para uma linha de produção autorizada a funcionar sob o regime submetiam-se — como devem submeter-se pelas normas atuais — a um controle fiscal integrado, iniciando-se com o despacho de admissão (art. 8°) - despacho exkrido para todos os insumos — passando pelo relatório mensal (art. 14, § 39, em que é indicada a destinação deles — se empregados em produtos destinados à exportação ou ao mercado interno — e culminando com o despacho para consumo (art. 15, § I', quanto àqueles que permaneçam no País)". • "Note-se, é uma advertência fundamental para o caso, que em nenhuma hipótese podem os insumos, uma vez admitidos no regime, dele serem subtraídos, vez que isso viria a tumultuar o controle imposto pelo regime (quantitativo entrado X --- quantitativo industrializado X = [quantitativo destinado para o exterior e/ou para o mercado interno] ". Mais adiante comenta sobre a inocorrência da infração que lhe foi imputada. "Á essência da questão está, como se vê, na pretensa infração apontada pelos autuantes, derivada do alegado descumprimento do art. 8°, da IN-SRF n' 35/98, especificamente em seu § 3°, assim inscritos: "Art. 8' - A admissão mercadorias no RECOF terá por base declaração de importação especifica formulada pelo importador no Sistema Integrado de Comércio Exterior. 3' - Poderão ser cidmitidas no RECOF mercadorias transferidas de outro regime aduaneiro especial, vedado o procedimento inverso". 16.1- Referido dispositivo legal é de clareza solar, jamais tendo a Recorrente qualquer dúvida a respeito de sua interpretação. \\ 7 É de lógica incontrastável que, a se transferir mercadorias de um regime para outro, sobre ser obrigatória prévia autorização da SRF em procedimento próprio, há que se tê-la fisicamente disponivel, justificando-se o pedido com a necessária alteração da destinação. Não foi e nem é esta a hipótese a se considerar aqui". Segue enfatizando que não houve qualquer transferência, pois a mercadoria foi admitida no RECOF, processada e nacionalizada como determina a legislação. Ao meu sentir, embora a recorrente se esforce na tentativa de demonstrar que a lógica que suporta a restrição contida no parágrafo 3°, do artigo 8°, da IN SRF 35/98 impede que a mesma seja aplicada às importações processadas ao amparo do regime de drawback isenção, pelas características que lhe são próprias, não vejo como deixar de aplicar um comando de orientação textual por força dos pressupostos apresentados na peça recursal. Desejasse o regulamento permitir a transferência das mercadorias admitidas com suspensão do pagamento do imposto pelo RECOF para o regime de drawback isenção e bastaria que o mesmo fosse excepcionado do texto. Aliás, não é demais lembrar que discute-se a aplicação de uma instrução normativa do ano de 1998, cujo comando continua em pleno vigor até os dias de hoje, conforme teor do artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 105/00 que revogou a IN SRF n°35/98. Art. 8° A admissão de mercadoria no RECOF terá por base declaração de importação específica formulada pelo importador no Sistema Integrado de Comércio Exterior - S1SCOMEX. § 1° À mercadoria importada para admissão no RECOF será dispensado o tratamento de "carga não destinada a armazenamento", nos termos previstos nos arts. 16 e 17 da Instrução Normativa n°102, de 20 de dezembro de 1994. § 2 0 Não será admitido o registro da declaração antes da chegada da mercadoria na unidade da Secretaria da Receita Federal - SRF responsável pelo despacho de admissão. § 3° Poderão ser admitidas no RECOF mercadorias transferidas de outro regime aduaneiro especial, vedado o procedimento inverso . . Ninguém desconhece que as empresas que operaram no Regime de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado têm participação permanente no processo de aprimoramento de toda a legislação que regula a aplicação do mesmo. Se de fato é uma impropriedade a manutenção da restrição que deu origem ao presente auto de infração, então não vejo porque ela ainda não foi retirada do texto. Tal providência poderia influenciar até mesmo na solução do presente litígio. Também, não vejo como acolher a lógica proposta pela recorrente para demonstrar que a ameaça de descontrole da aplicação do Regime não existia, advogando que "advertência fundamental para o caso", seria a de "que em nenhuma hipótese podem os insumos, uma vez admitidos no regime, dele serem subtraídos, vez que isso viria a tumultuar o • controle imposto pelo regime". Se for possível dar à mercadoria admitida no Regime destinação diversa daquela que exige o pagamento dos tributos devidos na importação, então não faz nenhuma diferença, para efeito de controle- do RECOF, se estas mercadorias irão ser admitidas em Regime de Drawback Suspensão ou Isenção. A partir do momento que as \. \\ \ \\N.,,_ mercadorias saíssem regularmente do RECOF, o controle passaria a ser feito no âmbito d outro Regime. A diferença entre os dois, Drawback Suspensão ou Isenção, diz respeito s \it Processo n° 10831.008785/2002-13 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.012 Fl. 1.951 exclusivamente ao momento em que tal controle é exercido: depois, ou antes, do ato concessório, respectivamente. Na verdade, essas restrições impedem que os limites definidos para o RECOF sejam afetados pela transferência de mercadorias nele admitidas para outro regime, com a conseqüente subtração de certas quantidades no cálculo do percentual nacionalizado, pelo fato de as mercadorias não terem sido destinadas ao mercado interno. Essa operação seria dependente do adimplemento do compromisso fumado em outro regime, transferindo parte do controle do RECOF para ambiente externa a ele; uma situação indesejada. No que se refere à dificuldade decorrente deste tipo de operação, contudo, nada distingue as duas modalidades de drawback. Também não há como aceitar a sugestão de que a vedação contida no parágrafo 3° do artigo 8° da IN SRF 35/98 seja "dispositivo legal de clareza solar", dirigindo- se exclusivamente à transferência de um regime para o outro quando se tenha "fisicamente disponível" as mercadorias "justificando-se o pedido com a necessária alteração da destinação". Por tudo o que foi exposto até aqui, não vejo razão para que se entenda desta maneira. De outro turno não merecem os mesmos reparos as ponderações feitas pela fiscalização no relatório fiscal que trata das motivações para lavratura do auto de infração combatido. Às folhas 310 a 313 do processo, os auditores-fiscais autuantes esclarecem as razões porque, segundo entendem, a operação levada a efeito pelo contribuinte está em desacordo como os propósitos dos Regimes. Nesta exposição lógica dos fatos e conseqüências da operação, a fiscalização avançou além das razões meramente legais - embora suficientes - para recusar a nacionalização de mercadorias admitidas pelo RECOF com beneficio de drawback isenção. Vejamos como restou Concluída a análise contida no Termo de Verificação e Descrição dos Fatos. "Na prática, a contribuinte repôs seu estoque de mercadorias importadas e destinou-as como bem quis, e posteriormente pleiteou isenção utilizando o seu drawback, antes que tivesse sido consumada a importação regular da mercadoria, mediante o registro da respectiva DI com pleito de clrawback isenção. Está claro que houve uma completa inversão dos procedimentos citados anteriormente [referem-se ao fluxo do pedido de drawback isenção em urna situação normal e no presente caso] ". Não tenho dúvida de que ocorreu a completa inversão acusada no relatório fiscal. Como corretamente relatado, o processo de importação de mercadoria com o beneficio de drawback isenção tem inicio com a exportação de um produto acabado produzido com matéria-prima importada com o pagamento dos impostos aduaneiros. O exportador solicita à Secex autorização para importar mercadorias na mesma quantidade e qualidade que utilizou na fabricação do produto exportado. Autorizado, registra declaração de importação sem o pagamento dos impostos devidos, pela aplicação da isenção tributária. Aqui as coisas aconteceram de forma diversa desde o momento em que ocorre a efetivação da importação com o beneficio pleiteado, pois em lugar dg internalizar a mercadoria segundo procedimento próprio do drawback isenção, aplicou o beneficio à mercadoria já intenializada ncrRECOF. \\\\ / 9 De que o processamento normal da operação foi substancialmente alterado, não restam dúvidas, mas fica em aberto uma questão de cunho mais prático, da qual não escapa quem está imbuído da função de decidir. Qual teria sido a conseqüência material do fato? Do ponto de vista tributário-fiscal, não há, pois os tributos que deixaram de ser pagos na nacionalização das mercadorias também não teriam sido pagos houvesse o beneficio contemplado a importação feita à margem- do RECOF; contudo, desse ponto de vista, também em nada se distinguem a transferência de mercadorias admitidas em Regime de Drawback Suspensão para o RECOF da que é feita na ordem inversa, que, ninguém discute, é vedada. O próprio contribuinte aceita essa vedação. Se assim é, parece-me que a adequada interpretação das razões para tenha-se decidido vedar a transferência de mercadorias do . RECOF para outro Regime Aduaneiro Especial é a chave para que se compreenda se o que se pretendeu evitar com tal proibição está ameaçado ou não com a operação empreendida pelo contribuinte, e a resposta parece ser afirmativa. Como já foi tratado antes, a proibição de que mercadorias admitidas no RECOF fossem transferidas para outro Regime, o Drawback Suspensão, por exemplo, só pode estar necessariamente associado à desejada independência planejada para o primeiro, cujos índices de controle seriam influenciados pela transferência para outros Regimes suspensivos, na medida em que estes ampliam o ciclo de processamento do negócio, não dando destinação final às mercadorias importadas, com repercussão não somente no controle do próprio RECOF, que deixa de atribuir aplicação específica e decisiva para a fração despachada para consumo, mas também no tempo de permanência destas no país, sob condição suspensiva do pagamento . dos impostos. • Mas isso não exauri o assunto. A independência própria do RECOF não se restringe ao controle do processamento das operações realizadas no âmbito do Regime, há nela uma projeção que diz respeito ao próprio modelo de controle aduaneiro das operações de importações realizadas no pais. A empresa à qual é concedido o Regime, passa a controlar ela própria o despacho de importação das mercadorias admitidas, assim como as despachadas para consumo, mediante acompanhamento remoto pela autoridade fiscal. Isso significa que, tanto no primeiro quanto no segundo momento da importação, não há interferência da fiscalização no controle da operação. Havendo despacho para consumo em regime normal de importação, com pagamento de tributos segundo aliquotas aplicáveis à data de ocorrência do fato gerador, menores são as razões para que a autoridade fiscal seja chamada a acompanhar o processamento da operação. Mas se há, como no caso houve, aplicação de beneficio fiscal, é dificil de se admitir que tudo se processo â margem do controle aduaneiro exercido por servidor com competência para tanto. Neste caso, tratando-se de Concessão de isenção, nem mesmo o Código Tributário Nacional estaria sendo observado. Art. 179. Á isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrate para concessão. Seria um caso de isenção aplicada pelo próprio contribuinte, sem o necessário despacho da autoridade administrativa efetivando a concessão do beneficio fiscal. O contribuinte insurge-se contra a aplicação da multa de 75%, na medida em \ \\ N._11° \ \\\\que o Ato Declaratório SRF n3 13/2002 considera que não ocorre a infração por declaraçã inexata nos casos de solicitação feita no despacho aduaneiro de isenção do imposto, quando to , \ oi Processo n° 10831.008785/2002-18 S3-C1T2 Acórdão ri.° 3102-00.012 Fl. 1952. não cabível, desde que o produto esteja corretamente descrito e não tenha havido intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. A decisão recorrida manifestou-se sobre o assunto. Desta forma, resulta correta a exigência fiscal dos impostos incidentes, tornando-se devida a multa de oficio, vez que • a autuada foi regularmente cientificada, via telas das D.Is. no S1SCOMEX, a recolher os impostos e respectivas multas, tendo a empresa, por sua vez, apenas contra argumentado que entendia correto seu procedimento e solicitado a suspensão da exigência no sistema, de tal sorte que restou suprido o disposto no Ato Declaratório (Normativo)-COSIT 10/1997, haja vista ter sido dado oportunidade à contribuinte de efetuar o recolhimento anteriormente à aplicação de multa de oficio. Porém, não se verificam nos autos negativas da autuada em atender às solicitações da espécie feitas pelo fisco, o qual formulou no curso do despacho somente a exigência de pagamento dos tributos com as multas incorridas, sendo desta forma, aplicável a multa de 75% prevista nos Arts. 44, Inciso 1, e 45, Inciso I, da Lei 9430/1996. Vejamos o teor do Ato Declaratório Interpretativo 13 de 2002. Ato 13eclaratório 1nterpretativo n` 13, de 10 de setembro de 2002 • Dispõe sobre a não-aplicabilidade da multa de oficio nos casos que enumera. •O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria ME n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 84, e seu § 2°, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, declara: Art. 1 ° Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo • internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou ma fé por parte do declarante. Art. 2° Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 10, de 16 de janeiro de 1997. Mais uma vez comungo da mesma opinião do i. Julgador primeira instância, embora por razões distintas. N. • O Ato Declaratório em comento trata da exclusão da aplicação de infração punível com a multa de 75% prevista na Lei 9.430/96, por declaração inexata ou falta de pagamento, nos casos de solicitação indevida - feita no despacho de importação de reconhecimento, dentre outros, de isenção do imposto de importação. A norma não alcança, como de fato não poderia alcançar, casos de isenção auto-concedida pelo importador, como a que ocorreu. Essa norma não é desprovida de fundamentação legal Ela vem na esteira do supra-citado artigo 179 do Código Tributário Nacional, que combinado com o artigo 155 do Código, tal como determinado em seu parágrafo 2°, exclui a aplicação de multas nos casos de solicitação indevida de isenção tributária. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 5 1° Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. ,sç 2°C despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art, 155. A concessão da moratória [ leia-se isenção] em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de oficio, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora: I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em beneficio daquele; II - sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. _ Contudo, esta hipótese não se opera sem a solicitação que lhe antecede, falta decorrente da situação anômala provocada pela ação do contribuinte de aplicar isenção às importações processadas à margem do controle aduaneiro. 1 k Ari eil exi osto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pelo côn Lb Mt . I ( i \q Ri a' o Rosa t I \ • 12 Processo n° 10831008785/2002-t8 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.012 Fl. 1.953 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Redator Designado Ousei discordar do voto do ilustre Conselheiro relator e fui acompanhado pela douta maioria deste Colegiado. Trata o presente processo de pagamento de tributos incidentes no despacho para consumo de mercadorias estrangeiras admitidas no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado - RECOF, aplicadas na fabricação de produtos vendidos pela recorrente no mercado nacional. Referido pagamento foi promovido utilizando-se créditos acumulados do Regime Aduaneiro Drawback Isenção, praticado pela empresa no passado, quando não era beneficiária do RECOF. A decisão de 1a Instância Administrativa, apoiando-se no que consta do Auto de Infração, considerou a prática como infração ao § 3 0, do artigo 8°, da IN/SRF n° 35/98, que regia o Regime na ocasião, nos seguintes termos extraídos da folha n°305 do processo: Como o beneficiário, no momento de concluir o ciclo da admissão da mercadoria no RECOF, ao invés de efetuar este pagamento como forma de extinção do crédito tributário suspenso, condição sinequanon de implementação do despacho para consumo, utilizou-se de um direito adquirido por conta do regime Drawback, na modalidade isenção, esta importadora transferiu as mercadorias anteriormente admitidas no RECOF para o regime Drawback, independente da sua modalidade, procedimento expressamente vedado pela norma de regência do RECOF então vigente (IN/SRF n° 35/98, art. 8°, § 3°), que assim dispõe: § 3°. Poderão ser admitidas no RECOF mercadorias transferidos de outro regime aduaneiro especial, vedado o procedimento inverso. Não assiste razão à Fiscalização, devendo ser reformada a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento — S. Paulo II. Com efeito, a legislação citada veda a transferência física de mercadoria admitida no Regime RECOF para qualquer outro Regime Aduaneiro (no presente caso o Drawback), transferência esta que não aconteceu, ainda que assim quisesse caracterizar o digno Fiscal Autuante. Sequer houve transferência documental (jurídica) das mercadorias. Não se operou a tipicidade, ou seja não está caracterizada a subsunção do fato à norma. As mercadorias jamais foram fisicamente transferidas de Regime. Não há qualquer prova neste sentido, trazida aos autos pelo Agente Fiscal, autor do feito. O que ocorreu, como bem demonstra a Recorrente, foi a liquidação dos tributos suspensos na admissão de mercadorias no Regime RECOF, utilizando-se valores provenientes da isenção obtida pela Compaq no Regime Drawback Isenção, que se acumularam em razão de impossibilidade de seu aproveitamento pela empresa, por razões legítimas indicadas pela Recorrente. O pagamento dos tributos suspensos é devido quando produtos da linha de fabricação RECOF, montados com mercadorias admitidas neste Regime (portanto com pagamento suspenso dos tributos incidentes na importação), são comercializados no Pás. A 13 empresa tem ate o dia 5 do mês subseqüente ao vencido para submeter a despacho para consumo estas mercadorias, liquidando todos os tributos assim suspensos. E dessa forrna sempre procedeu a Recorrente, com a particularidade de ter utilizado, no presente caso, valores provenientes da isenção obtidas no Regime Drawback Isenção. O Regime Drawback reveste-se da característica de estimulo à exportação. Tendo a Recorrente praticado exportações neste Reme, obteve créditos expressos em moeda corrente nacional, que assim passou a utilizar para pagamento de compromissos tributários suspensos, resultantes da importação de mercadorias utilizadas na fabricação de produtos de sua linha de comercialização A Fiscalização jamais questionou o direito às isenções do Regime Drawback obtidas pela Recorrente, no passado, quando a empresa não operava o Regime RECOF. Nenhuma infração ao Regime Aduaneiro RECOF alcança a prática ora em debate. Além do mais, o pagamento ocorreu no Sistema Siscomex, totalmente operacionalizado pela Secretaria da Receita Federal. Caso houvesse impedimento, ainda que no campo administrativo, o Sistema inviabilizaria os pagamentos. Não houve, sequer, destinação diversa daquelas previstas nas normas que regiam o RECOF na ocasião. As mercadorias admitidas no Regime foram empregadas 110 processo produtivo da empresa, para qual finalidade foram importadas, ou seja, na linha de fabricação própria deste Regime operado pela Requerente. Dessa forma, considero que a extinção do regime RECOF das mercadorias sob julgamento, pela modalidade de despacho aduaneiro para consumo das mesmas, ocorreu com toda a lisura, transparência e apoiada na legislação de regência. A propósito, o contribuinte indicou em memorial diversos processos desta mesma matéria, nos quais como sujeito passivo (apenas diferem quanto aos períodos de apuração), obteve decisões favoráveis, conforme pode ser constatado no quadro abaixo: PROCESSOS IDENTIFICADOS 1.'4Recurscin' Acórdão 3° CC Acórdão CSR_F •- z; 121.524'.),t2 301-29296 -±' ' 03-04.953 - -;3&302-34.961 : -. - 03-03.951 t ‘-': 302-34.960 - 03-03.944 - ' ." W124.726;To, 301-30.564 - _ - _03-05.142 ...»4.1127.761£' 3Wl 37 Q97Ø 302-38.643 - Reproduzo, a titulo meramente exemplificativo desta jurisprudência, o Acórdão de n° CSRF/03-05.142, correspondente ao Recurso n°301-124726: ADUANEIRO. REGO? — Não caracterizada a transferência da mercadoria do RECOE para o DRAWBACK Apenas foi processado o despacho para consumo mediante a aplicação da isenção obtida antenonnente no drawback isenção 14 Processo n° 10831.008785/200218 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.012 Fl. 1.954 - Procedimento não obstado pelo art. 8°, parágrafo 3°, da IN SRF n°35/98. Recurso Especial Negado. Por todo o exposto, especialmente quanto à Jurisprudência já firmada por este Colegiado, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. n• \in• ne\-P A./Cx. CÁIVU- ke r }1.1‘1C C n, • • Mdrcelo Ribeiro Nogueira 15
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