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Numero do processo: 13211.000221/2007-29
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL. LIVRO-CAIXA.
Apenas podem ser deduzidas do IRPF as despesas efetuadas pelo contribuinte no exercício de sua atividade profissional caso feita, no tempo correto, a escrituração destas despesas em Livro Caixa, devidamente acompanhado dos seus comprovantes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a parcela de R$ 23.148,30 de dedução a título de Livro Caixa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício formal.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL. LIVRO-CAIXA. Apenas podem ser deduzidas do IRPF as despesas efetuadas pelo contribuinte no exercício de sua atividade profissional caso feita, no tempo correto, a escrituração destas despesas em Livro Caixa, devidamente acompanhado dos seus comprovantes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 260 1 259 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13211.000221/200729 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.739 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL. LIVROCAIXA. Apenas podem ser deduzidas do IRPF as despesas efetuadas pelo contribuinte no exercício de sua atividade profissional caso feita, no tempo correto, a escrituração destas despesas em Livro Caixa, devidamente acompanhado dos seus comprovantes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a parcela de R$ 23.148,30 de dedução a título de Livro Caixa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício formal. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 21 1. 00 02 21 /2 00 7- 29 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13211.000221/200729 Acórdão n.º 2801002.739 S2TE01 Fl. 261 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 29/31, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 7.451,28, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em decorrência de glosa do valor pleiteado a título de dedução com Livro Caixa (R$ 30.950,70). Entendeu a autoridade lançadora que a contribuinte perceberia tãosomente rendimentos de trabalho assalariado, não podendo utilizar a dedução em comento. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01/18), alegando que, como profissional liberal autônoma, faz jus a dedução de despesas de Livro Caixa. A 2ª Turma DRJ Belém/PA, conforme Acórdão de fls. 33/36, julgou procedente o lançamento, eis que a interessada não instruíra a impugnação com a cópia do Livro Caixa e correspondentes documentos que subsidiaram os registros ali efetuados. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/03/2009 (fls. 39 verso), a contribuinte apresentou, em 31/03/2009, o Recurso de fls. 42/43, instruído com os documentos de fls. 44/251, argumentando que os rendimentos que percebe são decorrentes de trabalho não assalariado/sem vínculo empregatício e que somente agora apresenta o Livro Caixa e documentos que o respaldam porque antes não fora instada a fazêlo. Conforme Resolução nº 2801000.066 (fls. 253/254), o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que a fiscalização examinasse os referidos documentos e se manifestasse acerca da dedução pleiteada. A interessada foi cientificada do “Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência”, que instrui os autos, à fl. 258, mas não se manifestou a respeito, conforme lhe foi facultado. Assim os autos retornaram ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. O presente processo foi distribuído a esta Conselheira, nos termos do art. 50, § 3°, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU de 26/06/2009). É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa de dedução com livrocaixa. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13211.000221/200729 Acórdão n.º 2801002.739 S2TE01 Fl. 262 3 Em decorrência do procedimento de diligência objeto da Resolução nº 2801 000.066, a fiscalização elaborou o “Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência” (fl. 258), cujo resultado é no sentido de se considerar legítima a dedução com livrocaixa, no montante de R$ 23.148,30, que corresponde à diferença entre o valor glosado, de R$ 30.950,70 e o valor que restou não comprovado no procedimento de diligência, de R$ 7.802,40. O referido “Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência” foi encaminhado para ciência da interessada (AR, fl. 259), reabrindose prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência para sua manifestação. Entretanto, a recorrente não se pronunciou a respeito. Neste contexto, resta implementar o resultado da diligência, para restabelecer a parcela de R$ 23.148,30 de dedução com livrocaixa. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a parcela de R$ 23.148,30 de dedução com livrocaixa. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006427/2007-11
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/10/2007
Consolidado em: 12 de dezembro de 2007
NFLD SOB N° 37.001.347-6
VALOR TOTAL DE R$ 962.588,73
EMENTA
DA RETENÇÃO
Empresa contratante, tomadora de serviços tem a obrigação legal de reter 11 % do valor bruto da nota fiscal ou fatura previstas no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91, bem como o RPS - Regime da Previdência Social, vi parágrafos 1 e 2, item IX do artigo 219, também moldura com exatidão a caracterização da cessão de mão-de-obra e a obrigação de retenção de quem as usa.
DA INDEVIDA ALEGAÇÃO DE CONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO DOS FUNCIONÁRIOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS E DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APRESENTADOS.
Base da autuação fiscal que não considera o vínculo de empregado de uma empresa para outra, mas considera a cessão de mão-de-obra, de conformidade com os contratos e a realidade fática, encontra arrimo legal.
DO CNAE
A autuação fiscal empreendida em razão de diferenças de contribuições para o Sat/Rat (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) pelo fato de a Recorrente ter declarado em GFIP de forma equivocada o campo CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas encontra-se na legalidade.
DA COMPENSAÇÃO
Empresa que efetua compensação e diz ser indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas da folha de pagamento, intituladas 1/3 de férias e gratificações, sob a alegação de que os valores incidiram sob parcelas indenizatória, não merece guarita, pois não as são.
DO GRUPO ECONÔMICO - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI 8.212-1991
Configura grupo econômico sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas (CLT) e "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei."
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
O Regimento Interno do CARF, artigo 62, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento do afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
MATÉRIA NÃO OBJURGADA NO RECURSO.
Matéria não anatematizada e em não sendo matéria de ordem pública, como é o caso da multa, não há de ser apreciada, mantendo-se a decisão a quo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, no mérito, nos termos do voto do (a) Relator (a); II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aplicação de multa mais benéfica. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em analisar a aplicação da nova legislação.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/10/2007 Consolidado em: 12 de dezembro de 2007 NFLD SOB N° 37.001.347-6 VALOR TOTAL DE R$ 962.588,73 EMENTA DA RETENÇÃO Empresa contratante, tomadora de serviços tem a obrigação legal de reter 11 % do valor bruto da nota fiscal ou fatura previstas no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91, bem como o RPS - Regime da Previdência Social, vi parágrafos 1 e 2, item IX do artigo 219, também moldura com exatidão a caracterização da cessão de mão-de-obra e a obrigação de retenção de quem as usa. DA INDEVIDA ALEGAÇÃO DE CONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO DOS FUNCIONÁRIOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS E DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APRESENTADOS. Base da autuação fiscal que não considera o vínculo de empregado de uma empresa para outra, mas considera a cessão de mão-de-obra, de conformidade com os contratos e a realidade fática, encontra arrimo legal. DO CNAE A autuação fiscal empreendida em razão de diferenças de contribuições para o Sat/Rat (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) pelo fato de a Recorrente ter declarado em GFIP de forma equivocada o campo CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas encontra-se na legalidade. DA COMPENSAÇÃO Empresa que efetua compensação e diz ser indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas da folha de pagamento, intituladas 1/3 de férias e gratificações, sob a alegação de que os valores incidiram sob parcelas indenizatória, não merece guarita, pois não as são. DO GRUPO ECONÔMICO - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI 8.212-1991 Configura grupo econômico sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas (CLT) e "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei." INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O Regimento Interno do CARF, artigo 62, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento do afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MATÉRIA NÃO OBJURGADA NO RECURSO. Matéria não anatematizada e em não sendo matéria de ordem pública, como é o caso da multa, não há de ser apreciada, mantendo-se a decisão a quo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, no mérito, nos termos do voto do (a) Relator (a); II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aplicação de multa mais benéfica. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em analisar a aplicação da nova legislação. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2174; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 348 1 347 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.006427/200711 Recurso nº 500.938 Voluntário Acórdão nº 2301002.929 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MODELAR HOTELARIA E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/10/2007 Consolidado em: 12 de dezembro de 2007 NFLD SOB N° 37.001.3476 VALOR TOTAL DE R$ 962.588,73 EMENTA DA RETENÇÃO Empresa contratante, tomadora de serviços tem a obrigação legal de reter 11 % do valor bruto da nota fiscal ou fatura previstas no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91, bem como o RPS Regime da Previdência Social, vi’ parágrafos 1 e 2, item IX do artigo 219, também moldura com exatidão a caracterização da cessão de mãodeobra e a obrigação de retenção de quem as usa. DA INDEVIDA ALEGAÇÃO DE CONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO DOS FUNCIONÁRIOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS E DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APRESENTADOS. Base da autuação fiscal que não considera o vínculo de empregado de uma empresa para outra, mas considera a cessão de mãodeobra, de conformidade com os contratos e a realidade fática, encontra arrimo legal. DO CNAE A autuação fiscal empreendida em razão de diferenças de contribuições para o Sat/Rat (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) pelo fato de a Recorrente ter declarado em GFIP de forma equivocada o campo CNAE — Classificação Nacional de Atividades Econômicas encontrase na legalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 64 27 /2 00 7- 11 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 2 DA COMPENSAÇÃO Empresa que efetua compensação e diz ser indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas da folha de pagamento, intituladas 1/3 de férias e gratificações, sob a alegação de que os valores incidiram sob parcelas indenizatória, não merece guarita, pois não as são. DO GRUPO ECONÔMICO INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI 8.2121991 Configura grupo econômico sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas (CLT) e "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei." INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O Regimento Interno do CARF, artigo 62, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento do afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MATÉRIA NÃO OBJURGADA NO RECURSO. Matéria não anatematizada e em não sendo matéria de ordem pública, como é o caso da multa, não há de ser apreciada, mantendose a decisão ‘a quo’. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, no mérito, nos termos do voto do (a) Relator (a); II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aplicação de multa mais benéfica. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em analisar a aplicação da nova legislação. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006427/200711 Acórdão n.º 2301002.929 S2C3T1 Fl. 349 3 Relatório Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a: contribuição dos segurados, parte da empresa, i) as destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (até 06/1997), ii) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/97), iii) as destinadas a outras entidades (INCRA, SEBRAE, SESC, SENAC e iv) SALÁRIO EDUCAÇÃO), tendo como fato gerador valores pagos em Folhas de Pagamento. 0 lançamento dos créditos previdenciários corresponde as competências de : 01/2001 à 10/2007. A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas de Pequeno Porte — SIMPLES por exceder o limite da receita bruta. Através do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n. 71 de 22 de setembro de 2003 e com efeitos a partir de 01/01/2001, a empresa sofreu alteração do Regime Tributário, face a exclusão referida. Mesmo assim a Recorrente mantevese no código 2, como optante pelo SIMPLES, das Guias do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP e GPS Notório, portanto, que a Recorrente recolheu erroneamente as contribuições previdenciárias na condição de SIMPLES. Neste caso, além das contribuições descontadas dos segurados são devidas ás contribuições da parte da empresa a taxa de 20%, SATSeguro do Acidente do Trabalho a taxa de 2% e Outras Entidades (INCRA, SEBRAE, SESC, SENAC e SALARIO EDUCAÇÃO) a taxa de 5,8%, todas incidentes sobre o valor total da folha de pagamento dos segurados. A Fiscalização examinou Folhas de Pagamento, Guias de recolhimento e GFIP. Tomou ciência da NFLD em 17 de dezembro de 2007 e em 14 de janeiro de 2008 apresentou impugnação, com os argumentos de que: 1) prescrição / decadência de janeiro de 2001 a dezembro de 2002; 2) ato declaratório 71 – efeitos retroativos – ilegalidade; 3) do regime tributário da empresa enquadramento no simples decisão judicial lançamentos e recolhimentos efetuados em 2006 e 2007; 4) lançamentos efetuados nos anos de 2003, 2004 e 2005 A DRF ao receber a impugnação percebeu que a então impugnante argumentou que as contribuições sociais relativas às competências 01/2006 a 10/2007 não mereciam prosperar uma vez que o Tribunal Regional Federal da 4a Regido entendeu que não há motivos para que fosse obstada a adesão da empresa ao programa de tributação do SIMPLES, alegando que merece ser reformada a decisão administrativa que indeferiu o seu pedido de reinclusão. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 4 Considerando que a decisão administrativa para reincluir no SIMPLES não constava dos autos, com base no que dispõe o art. 6, da Portaria n" 58, de 17 de março de 2006, determinou a realização de diligência para que a Unidade Preparadora informe a respeito da existência de processo administrativo de pedido de reinclusão no SIMPLES, anexando cópia a estes autos. Não foi localizado o mencionado processo administrativo e, após a diligência a Recorrente manifestouse dizendo que não havia o mencionado processo, mas informa que há Resp. sob n 972.984 em tramite, cujo objeto é a manutenção da Recorrente no SIMPLES, referente aos anos de 2003 a 2005, inclusive. A DRFSC julgou procedente em parte a impugnação dizendo que o prazo decadencial qüinqüenal, se existir pagamento antecipado, nos termos do art, 150, § 4°, será contado a partir do fato gerador, ou, a teor do que dispõe o inciso I, art. 173, ambos do CTN, inexistindo a comprovação de que houve pagamento antecipado, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em 15 de julho de 2009 tomou conhecimento a Recorrente e em 12 de agosto do mesmo ano interpôs o presente remédio processual, alegando 1) exclusão indevida do SIMPLES; 2) infração à segurança jurídica e ato jurídico perfeito – irretroatividade; e 3) regime tributário da empresa 2006 e 2007 enquadramento ao simples decisão judicial; Eis a síntese do necessário. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006427/200711 Acórdão n.º 2301002.929 S2C3T1 Fl. 350 5 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, Relator O recurso aviado é tempestivo e respeita a regra processual, razão pela qual merece ser recepcionado, passando a análise dos fatos e das razões jurídicas recursais. DA EXCLUSÃO INDEVIDA DO SIMPLES REGIME TRIBUTÁRIO DA EMPRESA 2006 e 2007 ENQUADRAMENTO AO SIMPLES DECISÃO JUDICIAL DITA INFRAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA E ATO JURÍDICO PERFEITO – IRRETROATIVIDADE A peça recursiva trás em seu bojo teses defensivas de assuntos que não competem ao CARF analisar e julgar, porque extrapola sua competência. Se a exclusão do SIMPLES foi indevida, porque o regime tributário da empresa acudia as exigências legais, se houve abalo ao ato jurídico perfeito, se a irretroatividade não pode superar a segurança jurídica e outros quesitos, deve a Recorrente procurar o remédio apropriado e não o presente recurso que trata de autuação fiscal e lançamento de crédito tributário. E, de mais a mais, observase que o o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, por não estar na competência deste Julgador, não posso apreciar a referida matéria, haja vista que a exclusão da Recorrente do SIMPLES foi realizada por força do ADE n° 71, e dele caberia recurso próprio. A mesma sorte tem a dita infração à segurança jurídica e ato jurídico perfeito – irretroatividade, alegando que a ADE não pode retroagir par prejudicar o contribuinte. Vêse, mais uma vez que a Recorrente deseja discutir matéria cuja competência não é do CARF, como acima dito, pois quer discutir e ou afastar aplicação de lei ou qualquer outra norma, o que é vedado aos Conselheiros do CARF. Devese ater o Recorrente ao entendimento anotado no Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu Fl. 377DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 6 destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. De forma que, ainda que seja uma vírgula mal distribuída num parágrafo da lei anatematizada pelo Recorrente, o caminho a postular inconstitucionalidade e perquirir direitos é o Pretório Excelsior, e não esta via. Mais ainda, há de destacar que a atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei, como dito por muitos, ‘as ações do gestor público é escravizada pela lei’. Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes (curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em sua defesa, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão extra petita, como são os casos da aplicação de multas não anatematizadas pelos recorrentes, e que antes tinham o meu pronunciamento, independente de se objurgada em peça recursiva ou não, mas que amadureço pela razão acima, haja vista não considerar a multa matéria de ordem pública. Evoluo meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. A multa, antes pensava este singelo julgador, se tratar de matéria de ordem pública, e como tal não estavam sujeitas à preclusão, podendo ser alegadas e julgadas em qualquer momento do tramitar processual, influenciando decisiva e imperativamente na formação da coisa julgada. Mas, restavame, para um julgar percuciente, a definição do que seja matéria de ordem pública. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006427/200711 Acórdão n.º 2301002.929 S2C3T1 Fl. 351 7 Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 8 “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a Fl. 380DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006427/200711 Acórdão n.º 2301002.929 S2C3T1 Fl. 352 9 seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando oSr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’ CONCLUSÃO Diante de todo exposto e de o Recurso aviado cumprir as exigências processuais administrativas, dele conheço, para julgar improcedente o recurso aviado, mantendo o crédito tributário apurado, inclusive quanto a multa, uma vez que esta não foi anatematizada no presente remédio recursal. É como voto, (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa – Relator Fl. 381DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012192/2005-61
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2000
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL. RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE A IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. HAVIA CESSADO.
Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF nº 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.754
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2000 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL. RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE A IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. HAVIA CESSADO. Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF nº 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-10T19:03:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-10T19:03:38Z; Last-Modified: 2009-11-10T19:03:38Z; dcterms:modified: 2009-11-10T19:03:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-10T19:03:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-10T19:03:38Z; meta:save-date: 2009-11-10T19:03:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-10T19:03:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-10T19:03:38Z; created: 2009-11-10T19:03:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-11-10T19:03:38Z; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-10T19:03:38Z | Conteúdo => CCO3/CO3 • Fls. 62 MINISTÉRIO DA FAZENDA • `9,‘, TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10680.012192/2005-61 Recurso n° 139.109 Voluntário Matéria DCTF Acórdão n° 303-35.754 Sessão de 11 de novembro de 2008 Recorrente PN INCORPORAÇÃO E CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida DRJ-BELO HORIZONTE/MG 110 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2000 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL. RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE A IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. HAVIA CESSADO. Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, toma-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta 411 não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELISE D • DT PRIETO Presidente Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 63 L(,r'7.—ARTOLI ($ Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Luis Marcelo Guerra de Castro, Priscila Taveira Crisóstomo (Suplente), Celso Lopes Pereira Neto e Tarásio Campelo Borges. Ausente a Conselheira Nanci Gama. • • 2 Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 64 Relatório Trata-se de Auto de Infração (fl.04), cujo objeto é a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF, referente ao 40 trimestre de 2004, fundamentada no art. 113, § 30 e 160, Lei 5172 de 26/10/66 (CTN), art. 4° combinado com art. 2° da IN SRF 73/96, art. 2° e 6° da IN SRF 126 de 30/10/98 combinado com o item I da Portaria MF 118/84, art. 5° do DL n°2124/84 e art. 7° da MP 16/2001 convertida na Lei 10.426 de 24/04/02. Inconformado, o contribuinte apresenta Impugnação às fls. 01/03, na qual alega, em suma, que: • em 15.02.05, prazo final da entrega da DCTF, os computadores do SERPRO não recepcionaram a aludida declaração devido a existência de um problema técnico; visando o cumprimento da obrigação no prazo previsto, o escritório de contabilidade "SAULO CAUS CONTADORES ASSOCIADOS LTDA" encaminhou, por AR, a referida declaração à Receita Federal, visando elidir qualquer infração pelo descumprimento de obrigação acessória tempestivamente; o Ato Declarató rio Executivo SRF n° 24/2005 é uma ficção de direito, visto que no mundo real o contribuinte não tem condições de retroagir no tempo para atender o referido ato declaratório, ou seja, devido a problemas da Receita Federal, o prazo é prorrogado e a comunicação ocorre após o ato consumado, imputando ao contribuinte uma penalidade alheia ao seu controle; em 16.05.05, o contribuinte foi informado de que para o procedimento • + de enviar a DCTF pelo correio não possui previsão legal, razão pela qual não foi processada a DCTF enviada via postagem pela ECT. À vista do exposto, requer o cancelamento da multa aplicada. Instrui a mencionada Impugnação os documentos de fls. 04/13, dentre estes, AI (fl.04), Carta enviada à SRF contendo a DCTF e respectivo comprovante (fls.05/06), Parecer do CAC - Centro de Atendimento ao Contribuinte (fl.07), Alteração Contratual (fls.08112), e Cédula de Identidade do sócio representante (fl.13). Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (MG), esta considerou o lançamento procedente (fls.19/22), nos termos da seguinte ementa (fl.19): "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF. ENTREGA POR VIA POSTAL. Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 65 A remessa, por via postal, de CD ou disquete contendo DCTF não caracteriza o cumprimento da obrigação de apresentar referida declaração. Lançamento Procedente" Ciente da decisão proferida (AR — fl.25), o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário às fls.26/54, no qual reitera os argumentos de sua peça impugnatória e acrescenta que: o local para cumprimento da obrigação é a Repartição Pública responsável pela administração do tributo ou contribuição, conforme disposto no art. 159, do CTN; o supra citado artigo também fundamenta o Regulamento do Imposto de Renda em seus arts. 795 e 826, os quais tratam, respectivamente, das obrigações acessórias das pessoas fisicas e das pessoas jurídicas; 110 o Legislador ao permitir que o cumprimento da obrigação tributária acessória pudesse também se dar por meio dos estabelecimentos bancários, amplia as possibilidades de relacionamento do Fisco com o contribuinte; foi inserida no ordenamento jurídico-tributário, como alternativa à obrigatoriedade da presença fisica do contribuinte, a possibilidade de que o mesmo pudesse se relacionar com o Fisco utilizando-se da via postal; foram criados institutos visando a desburocratização das relações cidadão-estado, sendo que, tanto o Regulamento do Imposto de Renda quanto a legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal consagram tais procedimentos, conforme art. 991, § 1° e Ato Declaratório n° 19/97; a SRF disponibiliza programas alternativos para o cumprimento das • obrigações acessórias permitindo o envio das declarações via internet; o Estado Brasileiro tem oferecido, nas últimas décadas, um maior número de canais de comunicação para o cidadão autorizando diversas formas para cumprimento de suas obrigações, não cabendo ao Estado reduzir tais canais; o princípio maior do Fisco Federal é o de disponibilizar diversas formas e meios para que o contribuinte cumpra com suas obrigações, não cabendo à SRF ir na contramão da história e das conquistas do Estado; a SRF restringiu a apresentação da DCTF a um só programa gerador o a uma só via de entrega (internet), não disponibilizando outra alternativa para o cumprimento da referida obrigação acessória; no dia 15.02.05, a SERPRO, responsável pelos sistemas de recepção da DCTF, apresentou problemas técnicos - os quais já foram relatados - e, por sua vez, a autoridade administrativa os reconheceu oficialmente através do Ato Declarató rio Executivo SRF n°24, de 08/04/2005; Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 66 compareceu a unidade mais próxima da SRF afim de obter orientação sobre como proceder diante do ocorrido, todavia, por sua atividade vinculada foi vedado aos funcionários recepcionar tal declaração; o fato ocorrido não é contemplado por qualquer disposição legal específica expressa, razão pela qual utiliza o princípio da analogia, disposto no art. 108, inciso I, CTN; novamente compareceu a Repartição Pública onde foi vedada a entrega da declaração, não restando, assim, outro caminho, senão da via postal para o cumprimento da obrigação tempestiva; a DRJ em Belo Horizonte, equivocadamente, afirmou que não houve respeito aos procedimentos e especificações técnicas necessárias para a apresentação da DCTF; utilizou-se do programa gerador, disponibilizado pela própria SRF, para formular sua declaração, contudo, não a transmitiu pelo 411/ denominado programa Receitanet, visto que foi impedido por problemas técnicos apresentados pelo Serviço Federal de Processamento de Dados- SERPRO; o relatório da decisão de primeira instância assegura que a entrega da declaração não envolve documento fisico, entretanto, tal assertiva não prospera, visto que a transmissão via eletrônica de dados é sim documento fisico legalmente aceito e que faz prova em qualquer instância; não sendo possível outro meio de apresentação da declaração, a entrega da mesma, devidamente gerada por programa da SRF e devidamente gravada em meio fisico de uso universal, caracteriza-se como documento hábil, nesse sentido, cabe o seu envio, via postal, haja vista as disposições do vigente art. 991, do Regulamento do Imposto de Renda; à SRF caberia lançar mão de duas alternativas, quais sejam, abrir • novo prazo para cumprimento da obrigação acessória ou aceitar meios alternativos a serem utilizados pelos contribuintes para satisfação da obrigação tributária, todavia, a autoridade administrativa não adotou nenhuma providência, e, de forma atípica, editou Ato Declaratório Executivo quase dois meses após a ocorrência dos problemas técnicos; o Ato Declaratório Executivo SRF 24/2005, foi publicado extemporaneamente e desonerou de multa aqueles que apresentaram suas DCTFs intempestivamente, sem que houvesse lei para tal procedimento, e, ignorando assim, o atual ordenamento jurídico- tributário, conforme art. 97 do CT1V; o referido ato declaratório confronta com os ditames do CT1V, pois, primeiramente, retroage para beneficiar alguns contribuintes em detrimento daqueles que cumpriram com suas obrigações de forma tempestiva e também considera como tempestivas e dispensadas de penalidade as declarações apresentadas três dias após o prazo da entrega, sem que haja suporte em Lei para tal determinação; Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 67• a correspondência com a declaração gravada, demandou quase três meses para ser devolvida, e nesta, foi informado de que não podia ser aceito outros meios para cumprir com sua obrigação, senão o disposto na IN SRF N°255/2002; a DRF equivocou-se ao afirmar que a legislação sobre a desburocratização não é aplicável ao caso, informando que a internet permite ao contribuinte satisfazer sua obrigação sem sair do domicílio e que isso é um avanço impensável, porém, o relator não compreendeu a situação fática do caso em lide, vez que foi a internet o fator de impedimento e não de facilitação para o cumprimento da obrigação; o envio da declaração via postal é meio adequado para o cumprimento da obrigação acessória e, avocar a Portaria n° 12/1982, do Ministério Extraordinário da Desburocratização, é pertinente e aplicável ao caso; cumpre ao responsável pelo lançamento interpretar a legislação 1111 tributária de maneira mais favorável ao contribuinte, afinal, o fato não apresenta capitulação legal específica, há clara dúvida sobre a imputabilidade e à punibilidade do procedimento e, por fim, porque o fato decorre de circunstâncias materiais atípicas; o valor da multa é ampliado a cada mês de atraso para DCTF; a autoridade administrativa demandou noventa dias até que viesse a comunicar a sua posição contrária ao procedimento adotado, e, de tal inércia, incabível e absurda, resultou a indevida majoração do valor da multa exigida; o AI apresenta vício estrutural, não espelha as características materiais dos fatos e apresenta valor incompatível com a realidade dos fatos. Para corroborar o alegado o contribuinte cita o art. 791, do Decreto n° 3000/1999, que trata das obrigações acessórias das pessoas físicas; transcreve a IN SRF n° • 255/2002; cita o art. 991, do Regulamento do Imposto de Renda, que trata da admissão do envio de documento hábil via postal; reproduz o art. 97 e 112 do CTN; e transcreve ementa do Conselho de Contribuintes acerca da multa por atraso na entrega da declaração sobre operações imobiliárias. Por todo exposto, requer seja o lançamento julgado totalmente improcedente, declarando insubsistente o AI. Instrui o referido Recurso Voluntário a Alteração Contratual de fls.55/59. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 14/10/2008, em único volume, constando numeração até à fl.61, última. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. É o relatório. Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 68 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Por conter matéria deste E. Conselho, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo contribuinte. Quanto ao arrolamento de bens e direitos, consigne-se que este não é mais exigido como condição para seguimento do recurso voluntário, haja vista o que dispõe o Ato Declaratório n° 9, de 05/06/07, com fulcro na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1976 do STF. Ultrapassadas as análises dos requisitos de admissibilidade, passemos ao mérito. Em inúmeras oportunidades já externei meu entendimento acerca da inaplicabilidade de multa mínima por atraso na entrega da DCTF, com respaldo na Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Senão, vejamos: Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior, e assim por diante, até que se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Nestes termos, qualquer que seja a norma deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível, não estará compatível com o sistema.• Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.84, que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. Já o Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.84. O Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional n° 01/69, que em seu art. 55, cria a competência para o Presidente da República editar Decretos-Leis, em casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação às matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere à delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. Afora isto, a antiga Constituição também privilegiava o principio da legalidade e da vinculação dos atos administrativos à lei, o que de plano criaria um conflito entre a norma editada no Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984 e a Lei Maior de 1967 (art. 153, §2°). 7 Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 69 Da análise do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, também não resta dúvida que somente à lei é dada autorização para criar deveres e direitos, não escapando à regra as obrigações acessórias. Por outro lado, incabível dar ao artigo 100, do mesmo diploma, a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato normativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vício. No mais, atos normativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao "modus operandi" do exercício da função administrativa tributária, tendo força para normatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação às condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que fora estabelecido em lei. É nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Ressalte-se que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto lícito, motivação, finalidade, agente competente e forma prescrita em lei. 110 Ocorre que, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 cumpriu os desígnios orientadores da validade do ato administrativo no concernente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, com o fim de informar à Secretaria da Fazenda Nacional o montante de tributos devidos e suas respectivas bases de cálculo, é de materialidade lícita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre o contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. Porém, no que tange ao agente competente, o mesmo não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas constituidoras de obrigações de caráter pessoal ao contribuinte, cuja cogência é imposta pela cominação de penalidade. Ainda que se admitisse que o Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, fosse o veículo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar 111 tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o princípio da indelegabilidade da competência tributária (art. 70 do Código Tributário Nacional) e até mesmo o princípio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Assim, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, a Portaria MF n° 118, de 28/06/1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Quanto à forma prescrita em lei, a instituição da obrigação de entrega da DCTF, por instrução normativa, também não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada à Lei. Somente a Lei pode criar um vínculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fulcral desse vínculo. E tal poder é indelegável, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. • Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 70 Ademais, a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: "Art. 25 — Ficam revogados a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: — ação normativa; II — alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie" (Grifei) Assim, a competência de legislar sobre a matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a • delegação outorgada pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, consequentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Quanto à cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, Anexo II — 1.1 (e, posteriormente, na Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, que a alterou), entendo que os argumentos retro mencionados são plenamente aplicáveis, isto é, a imposição de qualquer tipo de multa só poderá ser prevista em Lei. Desta feita, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal e, como tais elementos estão ausentes no presente caso, daí • também não ser punível a conduta do agente. Tudo isto para dizer que a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 não constitui o veículo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque inova o ordenamento jurídico extrapolando sua própria competência. Tal assertiva Veio a ser confirmada com a edição da Lei n° 10.426, de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001) que assim dispõe: "Art. 70 O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á às seguintes multas: • Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 71 (.) — de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°. Com efeito, a adoção da Medida Provisória n° 16, posteriormente convertida na Lei n° 10.426/02, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cabalmente a inexistência de legislação válida até a sua edição, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação anterior. Ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a • necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. Assim, após a entrada em vigor da Medida Provisória n° 16/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002, surgiu a disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega da DCTF, e, consequentemente, para a cominação de sanções para sua não apresentação, vindo a confirmar todo o entendimento exposto com relação à Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Assim, consubstanciada na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), a Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005 (a qual revogou a IN SRF n° 532, de 30.03.2005, que alterou a IN SRF n° 482, de 21.12.2004), validamente, estabelece quanto à multa a ser aplicada, que: "Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não- • apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas: 1— de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §30; §3° A multa mínima a ser aplicada será de: 1— R$200,00 (duzentos reais) tratando-se de pessoa jurídica inativa; II — R$500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (..)" Desta forma, como mencionado anteriormente, atos normativos, tal como a vigente Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005, são para explicitar o que forai 10 • Processo n° 10680.012192/2005-61 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.754 Fls. 72 estabelecido em Lei (Lei n° 10.426, de 24.04.2002, conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), cumprindo, nesse contexto, sua função de complementaridade da Lei. Ocorre que, in casu, tem-se situação atípica, em que o contribuinte fora impossibilitado de entregar a DCTF do 4° trimestre de 2004 dentro do prazo, em razão de congestionamento de dados no site da Receita Federal. Tanto é que a própria Receita Federal acabou por reconhecer que houve problemas técnicos nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serpro para a recepção e transmissão de declarações, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08/04/2005. Em observância a referido ato, a Receita Federal considerou como entregues em 15/02/2005 as declarações apresentadas até 18/02/2005. A controvérsia, no entanto, se estabeleceu pelo fato do contribuinte ter apresentado a DCTF, relativa ao 4° trimestre de 2004, somente em 17/05/2005, ou seja, após 110 18/02/2005. Note-se, primeiramente, que a própria Receita Federal reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos de recepção e transmissão de declarações. Outrossim, embora tenha ampliado a data limítrofe de entrega para 18/02/2005, como se tivessem sido entregues em 15/02/2005, não há nada que comprove que, naquela data (18/02/2005), haviam cessado tais problemas. Ademais, apesar do lapso temporal de quase 3 meses de atraso na entrega da DCTF em tela, o contribuinte comprova sua intenção de cumprir com o prazo previsto em lei, qual seja, entrega da DCTF até o dia 18/02/2005, juntando à fl.06 o comprovante de postagem por AR, datado em 15/02/2005, o qual comprova que o mesmo teve a precaução de fazer com que a referida Declaração chegasse a tempo ao competente órgão da Receita Federal. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, visto que comprovada a impossibilidade de transmissão da DCTF via internet, para reconhecer a entrega • da mesma dentro do prazo legal. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2008 1\;TON L BARTO? - Relator 11
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006719/2004-77
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei.
Uma suposta contrariedade a norma complementar não se enquadra na
exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.072
Decisão: Acordam os membros o colegiado por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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AssuNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Uma suposta contrariedade a norma complementar não se enquadra na exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros o colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. CA! OS ' LBER TAITAS B . : '+' TO — Presidente , ELIA - -' "'AIO FRE RE — Rela EDITADO EM: t il B SEI 2009 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à legislação tributária, especificamente, do art. 10 da Instrução Normativa/SRF n° 43/97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa/SRF n° 67/97 e do art. 30 Instrução Normativa/SRF n° 75/2000. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 70 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. A expressão "lei" possui uma amplitude menos ampla do que a expressão "legislação tributária". A palavra legislação, como utilizada no CTN, abrange, além das leis em sentido estrito, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por certo, o disposto no art. 96 do CTN não tem o sentido de restringir o conceito de legislação tributária, mas de mostrar sua amplitude em comparação com o conceito de lei tributária. A norma regimental ao optar por utilizar a expressão "lei, não albergou a possibilidade de interposição de recurso especial por violação de normas complementares. 2 Processo n° 10830.006719/2004-77 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.072 Fl. 3 Destarte, uma suposta contrariedade a norma complementar, no caso a Instrução Normativa/SRF n° 43/97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa/SRF n° 67/97, não se enquadra a exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei. Ists pos o, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. 4011 Elias Sampaio Freire - Relator 3
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Numero do processo: 10675.003188/2005-81
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
PRAZO RECURSAL - INICIO - CONTAGEM - INTEMPESTIVIDADE.
Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei nº 9.784, de 2001 e artigo 5° do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente normal após a intimação.
O termo inicial de que trata o artigo 21 O do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972, se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente à intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado.
Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia útil seguinte.
Não comprovado motivo de força maior, não se conhece de recurso
administrativo protocolizado após o prazo de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3301-000.044
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Tunna Ordinária da Terceira Câmara
da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Vanessa Pereira Rodrigues Domene
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Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei nO 9.784, de 2001 e artigo 5° do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente nonnal após a intimação. O termo inicial de que trata o artigo 21O do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972, se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente à intimação e tenninando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia útil seguinte. Não comprovado motivo de força maior, não se conhece de recurso administrativo protocolizado após o prazo de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 1972. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Tunna Ordinária da Terceira Câmara da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempesti vo, nos termos do voto da relatora. ,c) ,)\{; . \ \ \ Processo n° 10675.003188/2005-81 Acórdão n.o 3301-00.044 S3-C3T1 FI. 291 1\.SPESSOA MONTEIRO f'v.... ---- '\!.l ') 6 ".'\r~/: I ) .'iI~ &0\"",="'7.::_-=. -_....•..•._ ...-- Vf1sSA PEREI . RODRIGUES DOMENE " Relatora I FORMALIZADO EM: O 3 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Em 29/11/2005 a contribuinte foi autuada no valor total de R$ 685.374,99, sendo R$ 268.763,97 de imposto de renda pessoa fisica, R$ 215.038,05 de juros de mora e R$20l.572,97 de multa proporcional. ( De acordo com o auto de infração (fls. 04/08), contra a contribuinte foi' imputada a seguinte infração: (i) omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte regulannente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. Consta Relatório Fiscal às fls. 09/1 O. Inconformada com o lançamento de oficio levado a efeito pelo Fisco, a contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 234/246), sendo que em análise à referida defesa sobreveio decisão de primeira instância administrativa (fls. 250/266), que considerou o lançamento procedente, pelos motivos sucintamente expostos a seguir: Inicialmente o julgador de primeira instância administrativa analisou as preliminares de mérito, dentre elas acerca da violação de princípios constitucionais, de forma que expôs que não é de competência do julgador administrativo pronunciar-se a respeito da confonnidade da lei ou de sua constitucionalidade, sendo esta competência exclusiva do Poder Judiciário. Também se pronunciou quanto à alegação de nulidade do auto do lançamento, afastando tal possibilidade no caso em comento, visto que analisando os autos do processo observou que tanto o auto de infração quanto os termos de intimação fiscal estão embasados na legislação tributária pertinente, sendo que o processo encontra-se instruído com todas as peças indispensáveis, nos tennos do Decreto n° 70.235/72. 2 Processo n° J 0675.003188/2005-81 Acórdão n.o 3301-00.044 S3-C3T1 FI. 292 Já quanto ao alegado pela contribuinte em relação aos mandados de procedimento fiscal e necessidade de relatório circunstanciado para utilização de informações bancárias, o julgador de primeira instância entendeu não ter razão tais alegações, visto que o mandado de procedimento fiscal tem utilidade para controle interno da atividade fiscal dentro da Secretaria da Receita Federal, não tendo o condão de restringir a atividade da autoridade fiscal. No tocante à violação de sigilo bancário, a decisão recorrida esclarece que a Lei Complementar n° 105/2001, em seu artigo 1°, ~ 3°, traz a norma de que prevalece o interesse público e social sobre o interesse privado ou individual, de forma que o fornecimento de informações e documentos alusivos a operações de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo. Outro ponto questionado em defesa e rebatido, ainda em sede preliminar pelo julgador de primeira instância administrativa é o princípio constitucional da irretroatividade da lei e da garantia de respeito ao direito adquirido. Aqui a decisão expõe que a alteração da Lei nO 9.311/96 não significa violação aos princípios mencionados, mas sim, uma ampliação do poder de investigação do Fisco para utilização de infonnações que já dispunha antes mesmo da referida alteração legal, pois retroativas apenas os aspectos formais ou procedimentais do lançamento. Afastando assim todas as preliminares argüidas pela contribuinte. No mérito foi afastada a alegação de que os depósitos somente não seriam suficientes para embasar o lançamento, tendo em vista o disposto no artigo 42 da Lei nO 9.430/96, que autoriza a autoridade fiscal a presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte, havendo a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, sendo que o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Ademais, a decisão recorrida reputa como correta a forma de apuração levada a efeito pela fiscalização, sendo que a autoridade fiscal procedeu a apuração mês a mês de omissão de rendimentos, tributando apenas os valores positivos encontrados, os quais caracterizam a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Em relação à comprovação da origem dos depósitos, entendeu o julgador de primeira instância que a contribuinte se ateve a meras alegações, não havendo qualquer apresentação de documentos ou outras provas que pudessem afastar a exigência fiscal. Sendo assim, foi mantido o lançamento tributário. Inconfonnado com a decisão proferida em sede de primeira instância administrativa, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 273/284, aduzindo em suma o seguinte: Preliminannente: (a) Pressupostos para a caracterização da omissão: Aduz a contribuinte que até o presente momento não foi lhe possibilitado apresentar as provas que afastariam o lançamento tribui ária, tendo em vista que aguarda o integral cumprimento das solicitações apresentadas aos bancos. \: ~X. \ 3 Processo n° 10675.003188/2005-81 Acórdão n.o 3301-00.044 S3-C3T1 FI. 293 Alega, outrossim, que o lançamento com base na presunção legal não poderia ocorrer, tendo em vista o princípio da verdade material. (b) Da nulidade processual (lançamento): A contribuinte alega nulidade do lançamento em decorrência da ausência de relatório circunstanciado, conforme disposto no ~ 5°, art. 4° do Decreto n° 3.724/01, sendo necessária sua expedição. (c) Da não retroatividade da Lei nO10.174/2001: Aqui a argumentação da contribuinte diz respeito ao prinCIpIO da irretroatividade legal, sendo que entende que as modificações introduzidas pela Lei nO 10.174/2001 ao ~ 3° do art. 11 da Lei n° 9.311/96 não se aplicam retroativamente. Mérito: Argumenta a contribuinte que o lançamento foi efetuado pela autoridade fiscal com base em presunção legal de omissão de receitas. Entende que apresentou documentos comprobatórios de parte dos valores depositados/creditados em sua conta bancária, além do que, parte dos valores foi declarada, sendo que não deveria ficar sujeita ao lançamento tributário em voga. Sustenta ainda que no lançamento não foi observada a sistemática correta, devendo ser mensal, de fonna que os valores lançados em período mensal anterior, seja deduzido dos valores apurados no mês subseqüente. Conclui pugnando pela procedência do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE, Relatora. De acordo com a redação do art. 210 do Código Tributário Nacional, art. 66 da Lei n° 9.784/2001 e art. 5° do Decreto nO.70.235/72, os prazos processuais são contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento, sendo que nenhum deles pode iniciar ou acabar em dia não útil ou sem expediente. Nos termos do art. 33 do Decreto n°. 70.235/72 o Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo inadiável de 30 (trinta) dias e, no caso concreto, verifico que o seu protocolo se deu após este lapso temporal, motivo pelo qual é intempestivo. Confonne se verifica do "AR" de fls. 272 a recorrente tomou ciéncia da decisão recorrida em 15/09/2006, entretanto, interpôs o Recurso Voluntário, tão-somente, em 19/10/2006, sendo que a data máxima para a interposição do referido recurso selj,a 17110/2006, tendo sido ultrapassado o prazo legal em 2 (dois) dias. .. . Processo nO 10675.003188/2005-81 Acórdão n.o 3301-00.044 S3-C3T1 FI. 294 Ademais, a contribuinte não apresentou qualquer motivo de força maior que justificasse o atraso em questão. Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões - DF, em 04 de março de 2009 t"\./\ .. ""1) r=) V4~:;~-;;;::;~~;;;;~ESDOMENE 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 13709.003113/2004-73
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO — PRAZO - INTEMPESTIVIDADE. O
recurso voluntário apresentado fora do prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ é intempestivo, a teor do disposto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-000.118
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO — PRAZO - INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário apresentado fora do prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ é intempestivo, a teor do disposto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
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Recorrida 9a Turma - DILI Rio de Janeiro I Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO — PRAZO - INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário apresentado fora do prazo de trinta dias da ciência da decisão da DR.I é intempestivo, a teor do disposto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, a° conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: 2 1,AN 2 1)11 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Leonardo Lobo de Almeida, Joao Francisco Bianco, Décio Lima Jardim e José de Oliveira Ferraz Correa. Processo n° 13709.003113/2004-73 Acenao ri 1802-00.,118 S1-TE02 Fl 2 Relatório O presente processo é decorrente da lavratura de Auto de Infração contra a Quimibras Industrias SA., ora Recorrente, referente h rnulta pot atraso na entrega de DIP relativa ao ano-calendário de 1999, conforme determina do o art. 106, II, "c" do CTN, art. 88 da Lei n". 8.981/1995, art. 27 da Lei n°. 9.532/97, art. 70 da Lei n". 10.426/2002 e IN SRF 166/1999, no valor total de R$ 4.888,16 (quatro mil e oitocentos e oitenta e oito reais e dezesseis centavos)„ Em 12.04.2004, a contribuinte, irresignada, apresentou impugnação (fis. 01 a 13), alegando, em resumo, que (i) teria cumprido as obrigações acessórias em atraso espontanearnente, antes de qualquer procedimento fiscal, conforme dispõe o art. 138 do CTN e respaldo na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional", devendo, portanto, ser afastada a penalidade; e (ii) o atraso para cumprimento das referidas obrigações seriam justificáveis, vez que teve sua atividade intermitentemente interrompida pela Administração Pública, merecendo destaque interrupção causada pela Resolução n°. 1934 de 01.11,2002 da Secretaria de Estado de Saúde. Não obstante as alegações acima, os membros da 9" Turma da DRJ do Rio de Janeiro — I decidiram, por unanimidade, julgar procedente o crédito tributário lançado corn base 1105 seguintes argumentos, a saber: - o afastamento da penalidade pela denúncia espontânea não poderia ilidir a infração pelo descumprimento de uma obrigação acessória, haja vista que, caso assim não fosse, os dispositivos legais referentes à redução da penalidade aos que, espontaneamente, entregaram suas declarações seriam natimortos, tais como art. 7', §2°, I da Lei n°. 10.426/2000 e o art. 11, §3° do Decreto-Lei n°. 1.968/1982; - outrossim, a denúncia espontânea pressupõe a revelação pela contribuinte de um fato novo, o que não seria o caso in quaestio por se tratar apenas da entrega da DI P1 com atraso. - nos termos do art. 7', capttt, da Lei n". 10.426/2002, o sujeito passivo, ao deixar de apresentar a DIPJ, deveria ser intimado a apresentá-la, pois a Administração Pública apura internamente a sua omissão independentemente da entrega espontânea pela contribuinte; - os ensinamentos dos doutrinadores trazidos à colação, embora respeitáveis, não vinculariam o procedimento do Fisco, pois este deve observar os ditames da legislação tributária, conforme dispõe o art, 96 do CTN; não haveria correlação entre as interrupções das atividades da contribuinte supostamente provocadas pela Administração Pública e o atraso no cumprimento das obrigações acessórias; ademais, a QUIMBRAS INDUSTRIAIS LTDA. é que teria sido interditada em razão da Resolução n°. 1,934/2002, sendo que a autuada é a QUIMBRÁS INDUSTRIAIS 2 Processo n" 13709.003113/2004-73 S1-TE02 Acórdlio n " 1802- Fl 3 S,A, Nesse sentido, não haveria motivo para uma interdição desta natureza provocar atraso na entrega das declarações da contribuinte, pois não seria ela a interditada. Ainda não conformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22.02.2007, trazendo aos autos os mesmo argumentos apresentados na impugnação, (i) teria cumprido as obrigações acessórias em atraso espontaneamente, antes de qualquer procedimento fiscal, conforme dispõe o art. 138 do CTN, devendo, portanto, ser afastada a penalidade; e (ii) o atraso para cumprimento das referidas obrigações seriam justificáveis, vez que teve sua atividade intermitentemente interrompida pela Administração Pública, merecendo destaque interrupção causada pela Resolução n°. 1934 de 01.11.2002 da Secretaria de Estado de Saúde. o relatório. 3 Processo n" 13709003113/2004.73 Acárdiio " 1802- S1-TE02 Fl 4 Voto Conselheiro Relator, Leonardo Lobo de Almeida Inicialmente, cumpre analisar os requisitos de admissibilidade do presente recurso, especialmente a sua tempestividade, 0 art. 33 do Decreto n° 70.235/72 dispõe expressamente: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisfio." (grifott-se) No caso presente, o Recorrente teve ciência da decisão da 9' Turma da DRJ do Rio de Janeiro —1 em 15/01/2007 (Es. 20). Contudo, somente protocolou o presente recurso em questão em 22/02/2007 (fis„ 22 e 27), ou seja, muito após o termino do prazo legal de 30 (trinta) dias, Não restam dúvidas, portanto, de que o presente recurso foi apresentado fora do prazo legal, sendo, portanto, intempestivo. Este é o entendimento pacifico deste Conselho de Contribuintes, como se percebe pelos arestos abaixo transcritos: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de recurso voluntário contra decisão de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo de trinta dias da ciência da referida decisdo. Recurso não conhecido. (1° CC — 4" Camara — Recurso n". 155792 — Relator Conselheiro Gustavo Lion _Haddad —,julgado em 07/08/2008) IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE, NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de pritneira instância, nos termos do art, 33 do Decreto n" 70.235/72. Recurso não conhecido, face intempestividade. (1° CC — I" Câmara Recurso n".149298 4 Pi mess() n° 13709 003113/2004-73 S1-TE02 Acin &in n ° 1802- Fl 5 — Relator Conselheiro Joao Carlos de Lima Júnior — julgado em 18/10/2006) NORMAS PROCESSUAIS - INTEMPESTIVIDADE - Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instancia, nos termo.s do art. 33 do Decreto n" 70,235/72. Recurso não conhecido, face ci intempestividade.. (1" CC — .5" Camara — Recurso n'! 157698 — Relator Conselheiro Roberto Bekieman — Julgado em 06/12/2007) Assim, d vista do exposto, voto por não conhecer do presente recurso. Sala das Sessões, em 28 de julho de 2009. ....--) -,.'"? ,, , ■ . .. , (-7..' --- / (.. - --- ■.„-t." r ,„, Leonardo Lobo de Almeida 5
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000686/2004-11
Data da sessão: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — II
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - MULTA ADMINISTRATIVA. A penalidade relativa à mercadoria não localizada não pode ser aplicada aos casos em que resta comprovado que a operação foi realizada, pois essa expressão é aplicável somente aos casos em que se constate importação ficta e que a mercadoria não foi encontrada, seja em decorrência de fraude ou desvio ou, ainda, quando for impossível identificar o seu destino e a sua aplicação.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/03-06.165
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — II IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - MULTA ADMINISTRATIVA. A penalidade relativa à mercadoria não localizada não pode ser aplicada aos casos em que resta comprovado que a operação foi realizada, pois essa expressão é aplicável somente aos casos em que se constate importação ficta e que a mercadoria não foi encontrada, seja em decorrência de fraude ou desvio ou, ainda, quando for impossível identificar o seu destino e a sua aplicação. Recurso Especial do Procurador Negado
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CÂMARA SUIPIEIZIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA -111TRI1A Processo n° 10907_ 000686/2004- 11 Recurso n° 303 -1 3 3.253 Especial do Procurador Matéria INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA Acórdão n° 03-06. I 65 Sessão de 29 de outubro de 2008 Recorrente UNIÃO FEDERAI- (FAZENDA_ NACIONAL) Interessado MARTINI IVIEAT S/A_ _A_s S 'UNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — II IN4P 0 STO DE IN4Pc•wrAçÃo - MULTA AL)N11-1•11STRATINA.. A penalidade relativa à mercadoria não localizada não pode ser aplicada aos casos em que resta comprovado que a operação foi realizada, pois essa expressão é aplicável somente aos casos em que se constate importação ficta e que a mercadoria não foi encontrada, seja em decorrência de fraude ou desvio ou, ainda, quando for impossível identificar o seu destino e a sua aplicação. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos_ ACORDAM os -membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento a. k- curso especial. 2T444C-----ANTO - - Presidente SUSY GO FIMANN - Relatora FORMALIZADO EM: O 5 OUT 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Maria Cristina Roza da Costa, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Antc>nio Carlos Guidoni Filho (Substituto do vice-presidente convocado) e Antonio Pra.ga(Presiclente). Ausentes justicadarnente as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho(Vice-Presidente). i Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 2 Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 3' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que afastou a aplicação da multa prevista na alínea "a", item VII do artigo 107 Decreto-Lei n. 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/03. Trata o presente processo de Auto de Infração (fis.01/05) no qual se exige do contribuinte a importância de R$ 994.000,00, referente à aplicação da multa prevista no artigo 107, VII, "a", do Decreto-lei n. 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/03, por não terem sido localizados 994 volumes que estavam depositados nas dependências do contribuinte, que se constitui em permissionária de recinto alfandegado. Conforme consta da descrição dos fatos e enquadramento legal, na realização de fiscalização, não foram localizados volumes. A empresa conseguiu localizar 3 volumes, ficando pendente a apresentação de 994 volumes que estavam depositadas nas dependências da interessada que se constitui em permissionária de recinto alfandegado. Assim em virtude da não apresentação dos 994 volumes, foi lavrado auto de infração, aplicando-se multa de R$ 1.000,00 por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado. O contribuinte apresentou impugnação (fis.26134) alegando em síntese que: 1) o auto de infração deve ser declarado nulo, visto que não descreve suficientemente a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, em desacordo com o prescrito no artigo 10, inciso IV, do Decreto n. 70.235/72; 2) as notas fiscais de n.s. 61284 e 61285, de emissão da empresa, são notas fiscais de saída, e por esta razão relacionam mercadorias que saíram de seu estabelecimento em 17/12/2003, e retornaram à origem, ou seja, a empresa Sadia; 3) foi exigida a comprovação da presença, em estoque físico, de mercadorias que haviam deixado o estabelecimento da empresa, sendo portanto, exigência de conduta impossível; 4) outrossim, ainda que se queira alegar que teriam retornado ao depositante sem previa autorização fiscal, tal fato, em si, não caracteriza a infração apontada pela autoridade fiscal, e, por isso, a multa lançada carece de fundamento legal; 5) entre 17/12/2003, quando feito o pedido de autorização para retorno dos produtos ao depositante, e 08/01/2004, quando a autoridade fiscal compareceu no depósito alfandegado, muitos dos volumes enviados em 2003 já haviam sido embarcados em um dos lotes de exportação, eis que é praxe dar-se saída dos estoques mais antigos; 2 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 3 6) essa prática é perfeitamente normal no ramo, eis que os produtos em tela, além de perecíveis e sujeitos a prazos de validade, são fungíveis, assim considerados os bens móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. Assim, foram apresentados para conferência fisica produtos da mesma espécie, da mesma qualidade e da mesma quantidade; 7) as notas fiscais autuadas relatam fatos ocorridos em 17 de dezembro de 2003, quando vigorava a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003. Assim, deveria a autoridade fiscal invocar como fundamento legal a alteração do Decreto-lei n. 37/66 que vigorava ao tempo dos fatos, ou seja, o artigo 61 da Medida Provisória n. 135/03, e não o artigo 77 da Lei n. 10.833, que entrou em vigor apenas em 30/12/03; 8) a penalidade aplicada no auto de infração é do tipo pecuniária e, portanto, não poderia adentrar no sistema do direito positivo por meio do instrumento introdutório da medida provisória, nos termos do artigo 62, § 1°, alínea "a" da Constituição Federal; 9) por fim, invoca o princípio constitucional-tributário do não-confisco para argumentar que o valor da multa aplicada possui efeito confiscatório e não guarda a devida razoabilidade com a suposta infração cometida. Em março de 2005 o contribuinte apresentou petição (fls.62) requerendo a juntada de cópias de atas lavradas pela Alfândega do Porto de Paranaguá, relativas a reuniões realizadas em 03/10/03 e 12/01/04 entre representantes da Receita Federal, do contribuinte e da Sadia, quando foi discutida a questão das devoluções de mercadorias àquela empresa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis proferiu acórdão (fls.68/74) julgando procedente o lançamento, pois é cabível a aplicação da multa de R$ 1.000,00 por volume depositado em recinto alfandegado que não tenha sido localizado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.78/86) reiterando praticamente os mesmos argumentos trazidos com a inicial. O Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão (fls.99/111) dando provimento ao recurso, aduzindo que comprovado que 994 volumes depositados em recinto alfandegado não foram localizados por ocasião da fiscalização, ou mesmo, deixaram o recinto sob controle aduaneiro sem autorização prévia necessária da autoridade aduaneira, é inaplicável a multa prevista na alínea "a", item VII do artigo 107 do Decreto-Lei n. 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/03 (art. 61 da MP 135/2003). No voto condutor da Terceira Câmara o relator assim resumiu o cerne do presente processo: "a controvérsia no mérito objeto da discussão no presente recurso, cinge-se ao fato de ter a recorrente retirado; ou autorizado retirar 994 volumes que estavam depositados nas dependências da interessada, que se constitui em permissionária de recinto alfandegado, sob controle aduaneiro, sem a devida fiscalização por parte da Secretaria da Receita Federal, donde foi lavrado auto de infração revestido das formalidades legais pela autoridade competente para exigir da empresa ora recorrente a importância de R$ 994.000,00, referente à aplicação da multa prevista no art. 107, VII, "a", do Decreto-lei 37/66, alterado pelo art. 77 da Lei n. 10.833 de 29 de dezembro de 2003, que tem a redação que a seguir se transcreve 3 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF7T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 4 literalmente: Art. 107 Aplicam-se ainda as seguintes multas: VII — de R$ 1.000,00 (mil reais) a) por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro que não seja localizado." Ademais, sustenta que não caracteriza cerceamento de defesa e portanto, descabe falar em nulidade, o lançamento que apenas não enquadra com exatidão a penalidade aplicável, quando o próprio contribuinte identificou claramente, mesmo que discordando, os fatos e o dispositivo infracional. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls.114/121) afirmando que toda mercadoria ingressada no recinto alfandegado, tanto aquela a exportar, como aquela importada, está sob controle aduaneiro, ou seja, sua movimentação, entrada e saída, deve ocorrer impreterivelmente com a autorização do fisco. O contribuinte apresentou contra-razões (fls.130/134) reafirmando os argumentos da impugnação. Em síntese é o relatório. Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, Relatora. O presente recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata de processo administrativo que tem com objeto o lançamento fiscal veiculado por Auto de Infração (fls.01/05) no qual se exige do contribuinte a importância de R$ 994.000,00, referente à aplicação da multa prevista no artigo 107, VII, "a", do Decreto-lei n. 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/03, por não terem sido localizados 994 volumes que estavam depositados nas dependências do contribuinte, que se constitui em permissionária de recinto alfandegado. O artigo 9° Decreto n. 4543, de 26/12/2002, Regulamento Aduaneiro, trata da declaração, pela autoridade aduaneira, dos recintos alfandegados, dispondo: Art. 90. Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim de que neles possa ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de: 1— mercadoria procedentes do exterior, ou a ele destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial; Dessa forma, o Procurador da Fazenda Nacional alegou que toda mercadoria ingressada no recinto alfandegado, tanto aquela a exportar, como aquela importada, está sob controle aduaneiro, ou seja, sua movimentação, entrada e saída, deve ocorrer impreterivelmente com a autorização do fisco. (?5 4 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 5 _ Assim, entende a União Federal que em virtude dos volumes não terem sido encontrados na dependência do contribuinte, deve-se aplicar a multa prevista no artigo 107, VII, alínea "a" do Decreto-lei n. 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/03, in verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: VII— de R$ 1.000,00 (mil reais) por volume depositadb em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado. Por outro lado, aduz que independentemente de estarem ou não registradas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, tais mercadorias, pela simples entrada no recinto alfandegado, estão sob o controle do Estado, exercido pelo Fisco Federal. Sustenta que desnecessário descrever as conseqüências empreendidas pelas saídas das mercadorias do recinto alfandegado sem a autorização da autoridade fiscal, até porque não compete ao julgador administrativo analisar os porquês das inserções das normas legais, mas sim analisar sua aplicação. O caput do artigo 9° da Instrução Normativa n. 55, de 23/05/2000 dispõe que "nos terminais alfandegados de uso público é vedado o exercício de qualquer atividade de armazenagem de mercadorias que não estejam sob controle aduaneiro". Já o § 3° do art. 2° da mesma Instrução Normativa dispõe que se compreendem por mercadorias sob controle aduaneiro aquelas: "importadas, destinadas a exportação; nacionais ou nacionalizadas, submetidas ao regime especial de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade de regime comum; e produzidas na Zona Franca de Manaus — ZFM, destinadas a internação, quando em EADI nela localizada". Ocorre que, os volumes depositados em recinto alfandegado, para exportação, foram retirados do recinto mediante solicitação prévia pelo contribuinte a SRF, através de Notas Fiscais (fls.10/13), não havendo que se falar que as mercadorias não foram localizadas e que, portanto, é cabível a multa prevista na alínea "a", item VII do artigo 107 Decreto-Lei n. 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/03. Entretanto, contrapondo os motivos que fundamentaram a autuação à realidade dos fatos, percebe-se que a autuação não se sustenta; ora, a autoridade fiscal, como foi salientado no voto vencedor da 3'• Câmara, "Apesar de reconhecer a legalidade, a regular importação e o destino das mercadorias que foram objeto de autuação mesmo assim procedeu a lançamento para aplicação de penalidade sob o fundamento de que essas mesmas não haviam sido localizadas" Na verdade, está-se frente a um caso em que não há subsunção dos fatos à norma legal, isto porque, a hipótese legal prevista trata de "mercadoria não localizada"e não como quer fazer crer o Fisco e o Douto Procurador de "mercadoria não localizada no recinto alfendegário." Registre-se que estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988, que em seu artigo 5°., incisos II e XXXIX, prevê que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude da lei" bem como que "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal". Isto é, a Constituição Federal prevê o princípio 5 Processo n° 10907.000686/2004-11 CS RF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 6 da legalidade e o da estrita legalidade, ou tipicidade legal, para as questões penais, princípio este que é extensivo a todas as infrações, de tal forma, que não há norma penal ou infracional "em branco". Desta forma, vejo que, no presente caso, não se pode atribuir à tipificação infracional uma conduta não prevista na lei. A lei trata da mercadoria não localizada o que é muito diferente de uma mercadoria localizada mas em local diverso do previsto na legislação administrativa aduaneira. Entendo que a questão aqui é de interpretação da norma. Em primeiro lugar que a interpretação deve ser sistemática e em segundo lugar que, como se trata de infração, não cabe uma interpretação integrativa para definir o que a lei infracional não o fez. Desta feita, inicio com a referência às lições do Prof. Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, 19a. Edição revista, pps 96 e seguintes: "Vimos que a aplicação do direito pressupõe a interpretação, e esse vocábulo há de ser entendido como atividade intelectual que se desenvolve à luz de princípios hermenêuticos, com a finalidade de construir o conteúdo, o sentido e o alcance das regras jurídicas. Utilizo a palavra "hermenêutica", neste trecho, não apenas como teoria científica que se propõe estudar as técnicas possíveis de interpretação, no estilo de Emilio Betti, mas sua acepção mais ampla, abrangendo o que ficou conhecido pó "hermenêutica filosófica", consoante o pensamento de Heidegger e de Gadamer. Para este último, interpretar é criar, produzir, elaborar sentido, diferentemente do que sempre proclamou a Hermenêutica tradicional, em que os conteúdos de significação dos textos legais eram "procurados", "buscados" e "encontrados" mediante as chamadas técnicas interpretativas. Como se fora possível isolar o sentido originário e a intenção do editor da norma. A propósito, convém examinar a obra clássica de Carlos Maximiliano (in Hermenêutica a aplicação do direito, 3. Ed., Freitas Bastos, 1941, p. 59-63), segundo o modelo convencional, mas não deixar de compulsar os trabalhos de Raimundo Bezerra Falcão (in Hermenêutica, Malheiros Ed., 1997, p. 67-72), bem como a recente contribuição de Lenio Luiz Streck (in Hermenêutica e(m) crise, Livr. Do Advogado Ed., p. 185-9). Afinal de contas, a interpretação e tema fundamental e, sem ela, não teremos acesso ao conhecimento do direito. (.--) - Não sobeja afirmar que muitas vezes a tarefa de produção do conteúdo, sentido e alcance da norma jurídica e o resultado de esforço breve e ligeiro. Condições há, entretanto, em que a construção do sentido da mensagem legislada só se consegue mediante intensa e profunda meditação, em que articulamos regras dos mais variados setores da experiência jurídico-positiva, cruzando-as sob o palio de princípios implícitos, de dificil compreensão. E nessa área que surgem os obstáculos de problemática transposição, em virtude de nos depararmos com vácuos normativos, verdadeiras lacunas que a linguagem leiga do legislador plasmou no texto da lei. E a hora de integrarmos o sistema, buscando a sua plenitude e a unicidade que caracteriza como estrutura cientifica. Nesse preciso instante, aparece a integração como único meio de interpretarmos o direito, descrevendo-o na sua sistematicidade entitativa. Somos levados a acreditar, com foros de convicção, que providencia integrativa não só pertence ao processo de interpretação, como dele e parte fundamental, pois e ela que nos permite ver a ordem jurídica como um todo organizado, nos seus entrelaçamentos verticais — hierarquia — e os horizontais — relações de coordenação. Por esse rumo, (-6 6 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 7 chegaremos a vislumbrar, finalmente, o direito posto como enorme pirâmide de proposições prescritas, em que as normas se distribuem numa derivação escalonada. (.-.) Atingindo esse ponto, não e difícil distribuir os citados métodos de interpretação pelas três plataformas da investigação lingüística. Os métodos literal e lógico estão no plano sintático, enquanto o histórico e o teleológico influem tanto no nível semântico quanto no pragmático. O critério sistemático da interpretação envolve os três planos e e, por isso mesmo, exaustivo da linguagem do direito. Isoladamente, só o ultimo (sistemático) tem condições de prevalecer, exatamente porque ante- supõe os anteriores. E, assim, considerando o método por excelência. De qualquer modo, a exegese dos textos legais, para ser completa, tem de valer-se de incursões nos níveis sintático, semântico e pragmático da linguagem jurídica, única forma de chegar-se ao conteúdo intelectual, lembrando-nos sempre que a interpretação é um ato de vontade e um ato de conhecimento e que, como ato de conhecimento, não cabe à Ciência do Direito dizer qual é o sentido mais justo ou correto, mas, simplesmente, apontar as interpretações possíveis. (-.) Tenhamos presente que a norma jurídica é uma estrutura categoria!, construída, epistemologicamente, pelo intérprete, a partir das significações que a leitura dos documentos do direito positivo desperta em seu espírito. E por isso que, quase sempre, não coincidem com os sentidos imediatos dos enunciados em que o legislador distribui a matéria no corpo fisico da lei. Provem daí que, na maioria das vezes, a leitura de um único artigo será insuficiente para a compreensão da regra jurídica. E Quando isso acontece o exegeta vê-se na contingência de consultar outros preceitos do mesmo diploma e, ate, a sair dele, fazendo incursões pelo sistema. A proposição que da forma a norma jurídica, ensina Lourival Vilanova, e uma estrutura lógica. Estrutura sintático-gramatical e a sentença ou oração, modo expressional frastico (de frase) da síntese conceptual que e a norma. A norma não e a oralidade ou a escrita da linguagem, nem e o ato de querer ou pensar ocorrente no sujeito emitente da norma, ou no sujeito receptor da norma nem e, tampouco a situação objetiva que ela denota. A norma jurídica e uma estrutura lógico-sintática de significações. (-.) O principio da legalidade, entre nós, compele o agente a procurar frases prescritivas, única e exclusivamente, entre as introduzidas no ordenamento positivo por via de lei ou de diploma que tenha o mesmo status. Se do conseqüente da regra advier obrigação de dar, fazer ou não-fazer alguma coisa, sua construção de dar, fazer ou não- fazer alguma coisa, sua construção reivindicara a seleção de enunciados colhidos apenas e tão-somente no plano legal, sendo vedado o aproveitamento de sentenças oriundas de decretos, portarias e outros atos de hierarquia inferior. A restrição, no entanto, não alcança patamares superiores, de tal sorte que podem ser empregados na montagem da norma quaisquer enunciados de maior gradação na escala hierárquica. (os grifos e negritos não constam do original) 7 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 8 Tenho como importante premissa a lição do Professor Paulo de Barros Carvalho citada no sentido de dar o embasamento doutrinário necessário à interpretação feita neste caso. A norma tem de ser interpretada pelo método sistemático e a sua construção passa pela análise das demais normas atinentes à matéria, com a cautela necessária para o caso, posto que aqui não cabe integração porquanto estamos frente a urna norma que caracteriza uma conduta infracional. Ora, a interpretação feita no voto condutor do Acórdão recorrido passa pelos pressupostos indicados pelo Professor, isto porque, dentro do sentido, alcance e conteúdo da norma que fundamentou o lançamento objeto deste processo, verifica-se com clareza, que a hipótese legal não se subsume aos fatos, posto que, a hipótese prevê uma penalidade grave, justamente para punir aqueles que além de deixar de pagar os tributos aduaneiros não apresentam as mercadorias, o que se verifica como hipótese diversa da discutida neste processo, como demonstrado anteriormente. Assim, a interpretação sistemática nos leva. à conclusão, além da questão dos princípios da legalidade e da estrita legalidade que, por si, já resolveriam o processo, que, na verdade, a punição prevista neste dispositivo legal, é atribuída somente às hipóteses de efetiva não localização de mercadorias que, entraram irregularmente no País, e em que os tributos respectivos deixaram de ser pagos. Desta forma, entendo que correta a decisão da 3. Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em dar provimento ao Recurso Voluntário e afastar a multa aplicada, posto que, no caso em questão, não tem cabimento tal multa_ Importante citar o voto do Ilustre Conselheiro Marciel Eder Costa (recurso 132.287), citado no Acórdão recorrido, e que transcrevo em. parte: "Portanto, toda legislação que regula as operações de importação distinguem as figuras da "não localização", "do consumo", "da transferência", exatamente em reconhecimento que existe uma gradação na prática de infrações que implicam, igualmente, em gradação na aplicação de penalidades, pois é principio consagrado pela nossa ordem jurídica que a pena deve guardar proporcionalidade com a infração. Ora, se a lei aduaneira distingue as hipóteses de irregularidades não poderá o aplicador ou intérprete da lei igualar o que a é por natureza inteiramente desigual. Por conseguinte, toma-se desqualificada a imposição de penalidade relativa à mercadoria "não localizada" para o caso da recorrente, pois essa expressão é aplicável aos casos em que se constate importação ficta ou que a mercadoria não foi encontrada seja em decorrência de fraude ou desvio, ou ainda, guando for impossível identificar o seu destino e a sua aplicação" Se pretendesse o legislador penalizar o contribuinte pela ausência das mercadorias depositadas em local ou recinto sob controle aduaneiro, este deveria seguinte forma: que não seja localizada neste recinto ou local". Ocorre que a lei desta forma não dispôs, portanto, na subsunção dos fatos à norma, que devemos tê-lo como imperativo, tratando-se de aplicação de penalidade ao fato em concreto, temos que as mercadorias foram localizadas, em recinto ou local de controle não aduaneiro_ Portanto, o fato concreto não se submete a norma, pela simples razão de ser localizada, ainda que em recinto ou local fora do controle aduaneiro. 8 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 9 Porquanto, se desqualificada a imposição da penalidade para mercadoria "não localizada", para o caso da Recorrente, resta nos identificar na legislação se seria possível o enquadramento dos fatos a determinada norma. Sob este aspecto, parece-me que os fatos devem sujeitar-se ao artigo 67 da Lei 10.833/2003, que determina uma penalidade de 50% do cálculo dos impostos incidentes na importação (II e IPI), quando da impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão do seu extravio ou consumo." Frente ao articulado no Voto Vencedor, no citado Voto e na análise do conjunto probatório dos autos, resta certo que não houve desvio de finalidade da mercadoria até então depositada em recinto alfandegado, sendo que esta destinada ao consumo nas instalações industriais da Recorrida, não tendo sido tipificada qualquer conduta delituosa. Nesta esteira, é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes abaixo colacionada: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. A prova da efetiva descarga da mercadoria e a posterior regularização das obrigações acessórias relativas à importação, inclusive devendo ser levada em consideração a fungibilidade do produto, desqualifica a imposição de penalidade relativa à mercadoria não localizada, pois essa expressão é aplicável aos casos em que se constate importação ficta e que a mercadoria não foi encontrada, seja em decorrência de fraude ou desvio ou, ainda, quando for impossível identificar o seu destino e a sua aplicação. (Recurso 131.998, Processo 10907.000904/2004-17, Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, 3° Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes) E, ainda, para fundamentar ainda mais o voto, trago à colação um votos do Ministro Luiz Fux e da Ministra Eliana Calmon, respectivamente nos seguintes recursos: RESP 662.882-RJ julgado em 06.12.2005 e RESP 15074-DF julgado em 05.10.1999 que demonstram que não cabe interpretação integrativa nas normas infi-acionais, e, além disso, os dois julgados referem-se a infrações aduaneiras. Julgado do Ministro LUIZ FUX O MIO. SR . MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente o recurso não merece conhecimento pela alegação de violação do art. 535 do CPC, porquanto não configurada, uma vez que o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciou-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Saliente-se, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. Neste sentido, os seguintes precedentes da Corte: "AÇÃO DE DEPÓSITO. BENS FUNGÍVEIS. ARMAZÉM GERAL. GUARDA E CONSERVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE DA AÇÃO. PRISÃO CIVIL. CABIMENTO. ORIENTAÇÃO DA TURMA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PROCESSO EXTINTO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. APLICAÇÃO DO § 4° DO ART. 20, 9 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 -Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 10 CPC. EQÜIDADE. RECURSO DO BANCO PROVIDO. RECURSO DO RÉU DESACOLHIDO. (.)III - Não padece de fundamentação o acórdão que examina suficientemente todos os pontos suscitados pela parte interessada em seu recurso. E não viola o art. 535-11 o aresto que rejeita os embargos de declaração quando a matéria tida como omissa já foi objeto de exame no acórdão embargado. (.)" (REsp 396.699/RS, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJ 15/04/2002) "PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO UNA DE RELATOR. ART. 557, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INTELIGÊNCIA A SUA APLICAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MATÉRIA DE CUNHO CONSTITUCIONAL EXAMINADA NO TRIBUNAL "A QUO". (..)3. Fundamentos, nos quais se suporta a decisão impugnada, apresentam-se claros e nítidos. Não dão lugar, portanto, a obscuridades, dúvidas ou contradições. O não acatamento das argumentações contidas no recurso não implica em cerceamento de defesa, posto que ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que ele entender atinente à lide. 4. Não está obrigado o Juiz a julgar a questão posta a seu exame conforme o pleiteado pelas partes, mas, sim com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. (..)9. Agravo regimental não provido. "(AGÁ 420.383, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/04/2002) "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 464, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. APELAÇÃO. DECISÃO POR MAIORIA. RECURSO ESPECIAL. I - Os embargos de declaração possuem finalidade determinada pelo artigo 535, do CPC, e, exepcionalmente, podem conferir efeito modificativo ao julgado. Admite-se também embargos para o fim de prequestionamento (Súmula 98-STJ). Exigir que o Tribunal a quo se pronuncie sobre todos os argumentos levantados pela parte implicaria rediscussão da matéria julgada, o que não se coaduna com o fim dos embargos. Assim, nãó há que se falar em omissão quanto ao decisum vergastado, uma vez que, ainda que de forma sucinta, fundamentou e decidiu as questões. O Poder Judiciário, para expressar sua convicção, não precisa se pronunciar sobre todos os argumentos suscitados pelas partes. (.) Recurso especial não conhecido. " (Resp 385.1 73, Rel. Min. Felix Fischer, DJ 29/04/2002) Por sua vez, conheço do recurso pelos demais artigos de lei apontados como violados ante o cumprimento da exigência de prequestionamento da matéria federal. Impende salientar que a exigência do prequestionamento não é mero rigorismo formal, que pode ser afastado pelo julgador a que pretexto for. In casu, impõe-se reconhecer que não merece acolhida a irresignação da Fazenda Nacional. Verifica-se da análise dos autos que a importação e a reimportação de mercadorias são atividades distintas, e, portanto, cabe à legislação tributária prever quais as hipóteses de 10 Processo n° 10907.000686/2004-11 CS RF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 11 incidência de IPI para cada uma dessas circunstâncias, respeitando-se suas especificidades. Alega a recorrente que a necessária guia de importação não foi apresentada pela recorrida quando do desembaraço aduaneiro do material que retornava ao país por força de exportação temporária, o que constitui infração administrativa ao controle de importações, punível com multa administrativa. Todavia, não assiste razão à recorrente uma vez que o princípio mor da legalidade exige tipicidade estrita em sede tributária. Inocorrendo a hipótese de incidência, tal como prevista na lei, inexigível é a exação, e por isso mesmo, qualquer punição administrativa decorrente da obrigação tributária. Deveras, é cediço que, in casu, suficiente é a interpretação da lei de regência, sendo certo que, no direito tributário, em homenagem à legalidade, é vedado o método analógico-integrativo, que resulte na criação de um débito fiscal. Considerando que não há operação de importação envolvida, mas sim de reimportação, sob o regime de exportação temporária, não incidindo a obrigação de apresentação de guia de importação na hipótese, prevista nos artigos 432 c/c 526, II do Regulamento Aduaneiro, por se tratar de fato distinto do previsto na lei, restando vedada qualquer interpretação extensiva por força do artigo 111 do CTN. Consectariamente, no caso sub judice , é vedado o método analógico- integrativo, que resulta na criação de uma obrigação acessória, como adverte Amikar Falcão, in Introdução ao Direito Tributário, Forense, 1999: "(.) O intérprete, portanto, não cria, nem inova; limita a considerar o mandamento legal em toda a sua plenitude e extensão e a, simplesmente, declarar-lhe a acepção, significado e o alcance. Pode ocorrer que o legislador tenha expressado mal a sua vontade, estabelecendo-se entre a dicção da lei e o seu espírito uma inequivalência ou um desequilíbrio aparentes, de modo que a fórmula verbal signifique menos (minus dixit quam voluit) ou mais (p1us dixit quam voluit) do que se intentava dizer. Em qualquer dos dois casos, a interferência do intérprete, restabelecendo o sentido da norma, pela pesquisa do seu espírito (mens legis), não amplia, nem restringe aquele mesmo sentido. É um erro, ou uma impropriedade, como se vê, falar, em um caso, em interpretação extensiva e, no outro, em interpretação restritiva. Qualquer que seja a hipótese, será sempre declaratória a interpretação. omissis 3. Problema diferente é o da analogia, que muitos autores apresentam como processo de interpretação. Não parecem estar com a razão os que assim pensam. A analogia é meio de integração da ordem jurídica, através do qual, formulando raciocínios indutivos com base num dispositivo legal (analogia legis), ou em um conjunto de normas ou dispositivos legais combinados (analogia juris), se preenche a lacuna existente em determinada lei. Nesse caso, há criação de direito, ainda (-6 11 Processo n° 10907.000686/2004-11 CS RF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 12 que o processo criador esteja vinculado à norma ou às normas preexistente levadas em consideração. Já agora, em homenagem ao principio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário". Neste sentido, o Resp n.° 614.849, da Relatoria do e. Ministro Castro Meira, publicado no DJ de 04.10.2004, merecendo transcrição o seguinte excerto do voto-condutor de referido aresto: " Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial. Passo a analisá-lo. Observem-se os termos em que a lide foi solvida: "Por outro tanto, a cobrança de multa advém da aplicação da legislação aplicável da importação de mercadorias, hipótese distinta da reimportação, onde não se exige a emissão de guias de importação, por se revestir de operação singular de reimportaçã o de bens nacionais (no caso fitas de videotape de gravação de novelas produzidas pela Rede Globo, no território nacional). Merece ressalvar o fato da exigência mencionada pela Fazenda somente ser capaz de fazer sentido ao tempo em que outra era a sistemática do imposto de importação, onde era previsto, como fato gerador da exação, a importação de quaisquer mercadorias, inclusive as produzidas no Brasil, desde que de procedência estrangeira. No caso em exame não há qualquer previsão legal para a apresentação de guia de importação, nas hipóteses de reimportação e, assim sendo, é incabível a sua exigência com base na legislação atinente à importação, porquanto configura ofensa ao princípio da legalidade" (11. 74). No caso dos autos, constata-se que a Corte a quo distinguiu as hipóteses de importação e reimportação, e entendeu inaplicável à segunda modalidade a norma que estabelecia como obrigatória a apresentação da guia de importação. A omissão apontada versa exatamente sobre a legislação atinente à importação. Dessarte, mostra-se descabida a alegação de omissão feita nos aclarató rios. Não se fazendo necessária à fundamentação da decisão judicial, não está obrigado o Tribunal a se manifestar ponto ponto as alegações da parte. Na espécie, a legislação apontada nos embargos de declaração estava inserta no rol de normas afastadas integralmente no aresto embargado. Em caso semelhante, o Ministro José Delgado assim se manifestou em decisão monocrática: "PROCESSUAL CIVIL. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO, DÚVIDA OU FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. 1. Recurso especial oposto contra v. acórdão que declarou a nulidade do auto de infração lavrado em decorrência de ausência da guia de importação, ao entendimento de que a recorrida não realizou a referida importação, mas,tão-somente, reimportou algumas fitas de vídeo, as quais haviam sido enviadas para o exterior para fins de dublagem. (---). 12 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRFrr03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 13 2. Argumentos da decisão a quo que se apresentam claros e nítidos. Não dão lugar a omissões, obscuridades, dúvidas, contradições ou ausência de fundamentação. O não-acatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa, posto que ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que ele entender atinente à lide. Não está obrigado o magistrado a julgar a questão posta a seu exame de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131, do CPC), utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. 3. Não obstante a interposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância extraordinária, se não houve omissão do acórdão a que deva ser suprida. Desnecessidade, no bojo da ação julgada, de se abordar, como suporte da decisão, dispositivos legais e/ou constitucionais. Inexiste ofensa ao art. 535, do CPC, quando a matéria enfocada é devidamente abordada no voto do aresto a quo. 4. Recurso a que se nega seguimento " (REsp 614.532/RJ, Rel. Min. José Delgado, DJU de 03.05.04). Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É como voto." Ressalte-se que o Supremo Tribunal Federal já se manifestou no RE 104.306-7/SP acerca do tema em análise, em voto de relatoria do eminente Ministro Octavio Gallotti, que se transcreve, in litteris : "Eis o texto do art. 93 do Decreto-lei n9 37/66. "Art. 93. Considerar- se- á estrangeira, para efeito de incidência do imposto, a mercadoria nacional ou nacionalizada reimportada. quando houver sido exportada sem observância das condições deste artigo." Tem-se, na espécie, uma ficção jurídica, criada pela legislação ordinária, que inseriu, no núcleo da hipótese de incidência do imposto de importação, um novo elemento, sem observar a necessária correspondência com a previsão constitucional pertinente. O artigo 21, 1, da Constituição, ao definir a tributação de mercadorias importadas, restringiu o alcance da exação aos bens estrangeiros, afastando, por conseguinte, a cobrança do imposto em questão, sobre produtos de fabricação nacional. O sentido dessa regra constitucional é particularmente realçado, ao se ter em vista que, a partir da Emenda n° 18 (art. 7 0, 1), à Carta de 1946, a expressão "importar mercadorias de procedência estrangeira", antes utilizada, pelo constituinte, para, designar o fato gerador do imposto alfandegário, foi substituída pela locução "importar produtos estrangeiros" de significado nitidamente limitado, em cotejo com a fórmula anterior. A Constituição em vigor mantém a limitação (art. 21, 1). Esta circunstância já havia sido, aliás, observada pelo eminente Ministro Xavier de Albuquerque,ao trazer à apreciação do Plenário desta Corte o Recurso Extraordinário n°90.512 (RTJ 99/256) quando, na qualidade de Relator originário, entendeu inconstitucional o art. 93 do Dec.-lei 37/66, no que tange, especificamente, ao regime de (K. 13 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 14 equiparação entre mercadorias nacionais e estrangeiras, para fins de incidência do Imposto de Importação. Naquela ocasião, manifestaram- se, igualmente, pela inconstitucionalidade do aludido dispositivo, os eminentes Ministros RAFAEL MAYER SOARES MU/VOZ e CUNHA PEIXOTO. Do Recurso, entretanto, não se conheceu, após o voto de vista do eminente Presidente MOREIRA ALVES, acompanhado,na sua conclusão,pelos demais julgadores, sob o mento de que o dispositivo em causa não havia sido objeto de prequestionamento nas instâncias ordinárias, obstando-se, de tal sorte, o pronunciamento do Tribunal sobre o mérito da controvérsia. O tema, agora efetivamente pre questionado, consiste em saber se a legislação ordinária poderia, mediante urna ficção, inserir, na órbita de incidência do imposto aduaneiro, a ração de entrada de mercadoria de fabricação nacional retirada do País, em caráter temporário e ulteriormente reintroduzida. Partindo-se da premissa de ser defesa, ao legislador ordinário, a utilização de qualquer expediente legal que tenha por efeito frustrar, atenuar ou modificar a eficácia de preceitos constitucionais, há de concluir-se que a equiparação preconizada pelo Dec.-lei 37/66 ao ampliar, por um artificio, o conteúdo da regra constitucional, afrontou a própria natureza e o fundamento do gravame tributário, em detrimento dos pressupostos eunciados na Constituição. No tocante à prevenção de excessos do uso das ficções jurídicas pelo legislador, recordo a advertência de meu saudoso pai„ Ministro LUIZ GALLOTTI, ao pronunciar-se no julgamento do Recurso Extraordinário n9 71.758, considerando que "se a lei pudesse chamar de compra o que não é compra, de importação o que não importação, de exportação o que não é exportação, de renda o não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição.(RTJ 66/165). Trata- se de voto vencido, em espécie tributária diversa da ora cogitada, mas que, aqui, parece apresentar-se como verdade indisputável, ante à clareza do elastério produzido pela lei, em confronto com o conteúdo limitado pela Constituição. Como observou o também saudoso mestre Ministro ALIOMAR BALEEIRO, o Imposto de Importação "evolveu de receita mente fiscal para instrumento extrafiscal destinado à proteção dos produtores nacionais e, mais tarde, também a do câmbio e do balanço de pagamentos." (Direito Tributário Brasileiro, 10a. edição, Forense, 1983, pág. 126). É ainda o autor citado quem assinala que imposto incide sobre bens estrangeiros no momento em que penetram no território nacional", ressalvando que, à luz do art. 19 do Código Tributário Nacional, não sofrem o imposto as mercadorias nacionais que, para alcançarem outro ponto do Brasil tenham o seu trânsito pelo território estrangeiro (op. cit. pág. 126) A Constituição deve ser entendida no seu senti do comum, salvo se o texto indicar para determinada expressão, um significado estritamente técnico. De um ou de outro modo, ao individualizar o ingresso de produtos estrangeiros como fato gerador do imposto de importação, tencionou decerto, o constituinte, pelas próprias razões determinantes da criação do tributo, entre as quais /6 14 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 15 sobreleva a política de proteção do mercado interno, onerar bens que, produzidos em outros países, fossem trazidos ao território nacional, para consumo. Assim, ao fixar os caracteres particulares à incidência do imposto de importação, não deixou o texto constitucional margem alguma de discrição ao legislador ordinário, para dispor de modo mais amplo sobre a qualificação de um dos elementos fundamentais da previsão de incidência. Não se poderia, pois, sem ferir o artigo 21, I da Constituição Federal, entender a expressão 'Produto estrangeiro", como igualmente abrangendo as mercadorias nacionais retiradas temporariamente do Brasil, para a exposição em feiras no Exterior, numa prática habitual de incentivo à exportação. Pelo exposto, conheço do Recurso e dou-lhe provimento, para conceder a segurança e declarar a inconstitucionalidade do art. 93 do Decreto- lei n° 37-66" Por fim, é insindicável pelo E. STJ (Súmula 07) a premissa fática da configuração da violação da lei, firmada pelo tribunal local. In casu, restou inequívoca do aresto recorrido, a conclusão de que: "Importa ressaltar que, conforme reconhece a própria Fazenda Nacional, a situação fálica não configura hipótese de incidência de tributo a reimportação de fitas de vídeo exportadas para fins de dublagem pelo regime de exportação temporária, nos termos dos artigos 369, do Regulamento Aduaneiro, e 92, do Decreto-lei 37/66, respectivamente. Ademais, a multa é imposta em razão da equivocada infração administrativa ao controle das importações, que consiste na ausência ou não da apresentação de guia de importação, para o desembaraço aduaneiro. (.) Por outro tanto, a cobrança da multa advém da aplicação da legislação aplicável à importação de mercadorias, hipótese distinta da reimportaçã o, onde não se exige a emissão de guias de importação, por se revestir de operação singular de reimportação de bens nacionais (no caso fitas de videotape de gravação de novelas produzidas pela Rede Globo, no território nacional). Merece ressalvar o fato de exigência mencionada pela Fazenda somente ser capaz de fazer sentido ao tempo em que outra era a sistemática do imposto de importação, onde era previsto como fato gerador da exação a importação de quaisquer mercadorias, inclusive as produzidas no Brasil, desde que de procedência estrangeira. No caso em exame não há qualquer previsão legal para a apresentação de guia de importação, nas hipóteses de reimportação e, assim sendo, é incabível a sua exigência com base na legislação atinente à importação, porquanto configura ofensa ao princípio da legalidade." 7. Forçoso concluir, à semelhança do julgado atacado que in casu, o que houve foi a reimportação de mercadorias, sob o regime de exportação temporária, não incidindo a obrigação de apresentação de 15 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 16 guia de importação na hipótese, prevista nos artigos 432 c/c 526, II do Regulamento Adunaneiro, por se tratar de fato distinto do previsto na lei, restando vedada qualquer interpretação extensiva por força do artigo 111 do CTN. Ante o exposto, nego provimento ao presente recurso especial. É como voto. Julgado da Relatoria da Ministra Eliana Calmon TRIBUTÁRIO - IMPORTAÇÃO - AUSÊNCIA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO - PENA DE PERDIMENTO: SANÇÃO INDEVIDA. 1. Sanção pela importação de bens não constantes da guia de importação. 2. Reconhecimento da ausência de guia de importação quando do desembaraço aduaneiro com imposição de pagamento dos tributos e multa (art. 169 do DL n. 37/66, com a redação dada pela Lei n. 6.562/78). • 3. Demasia na sanção de perda de mercadoria por falta de tipicidade explícita (art. 105, inciso X do DL n. 37/66 e art. 23, parágrafo único do DL n. 1.445/76). 4. Recurso especial não conhecido. VOTO O direcionamento do voto condutor do acórdão impugnado foi no sentido de afastar a pena de perdimento em razão da punição expressa para a hipótese, como previsto no art. 169 do DL n. 37/66, com redação dada pela Lei n. 6.562/78, não sendo demais transcrevê- lo, para melhor compreensão Art. 169 — Constituem infrações administrativas ou controle das importações 1— importar mercadorias do exterior a) sem guia de importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais. Pena multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria; b) sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de deposito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais. Pena multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria (fl. 152). A FAZENDA NACIONAL, que não apelou da sentença concessiva de segurança, alegou terem sido vulnerados o art. 23, parágrafo único do DL n. 1.445/76 e o art. 105 do DL n. 37/66. O art. 105 do DL n. 37/66 explicita as hipóteses em que se aplica a pena de perdimento e, naturalmente, como se trata de sanção, esgota- se, sendo, portanto, exaustivo na tipificaçã o. Segundo a FAZENDA houve a tipificação do inciso X, assim redigido Art. 105. Aplica-se a pena de perda de mercadoria X — estrangeira, exposta a venda, depositada ou em circulação comercial no Pais, se f,6/não for feita prova de sua importação regular. 16 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRFT1-03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 17 Entretanto, como bem destacou o voto condutor do julgado, a hipótese não se configurou, porque a apreensão se deu no momento do desembaraço aduaneiro (fl. 149), não estando portanto expostas a venda, em deposito ou em circulação comercial. Estavam sendo desembaraçadas quando se percebeu não estarem acompanhadas da guia fornecida pela CACEX. A incidência não poderia ser do art. 105, X do DL n. 37/66 e sim do art. 169 do mesmo diploma, com a redação dada pela Lei n. 6.562/78 como indicado esta no acórdão (fl. 149) e impondo somente a sanção pecuniária. Por outro ângulo, temos que o DL n. 1.445/76, no art. 23, parágrafo único, autoriza a pena de perdimento, quando houver dano ao erário, o que não ocorreu, estando o importador disposto em pagar os tributos e a multa devidos (fl. 148). O embasamento do acórdão não ofendeu, em nenhum passo os dispositivos invocados. Ao contrario, deixou de aplica-los por falta de base fática adequada. O escândalo notificado pelo MINISTERIO PUBLICO FEDERAL, quando oficiou nos autos, denunciando a existência de uma quadrilha especializada em descaminho, agindo no Rio de Janeiro, não pode ser considerada em sede de um recurso técnico como e o recurso especial. Assim, e em conclusão, não conheço do recurso especial. Portanto, fundamentada em doutrina e jurisprudência, tenho convicção que, no presente caso, os fatos não se subsumem à hipótese legal que fundamentou o lançamento da multa e por isto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, a fim de manter a decisão da 3' Câmara do Terceiro Conselho de afastar a aplicação da multa prevista na alínea "b", item VIII do artigo 107 Decreto-Lei n. 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/03. É como voto. Brasília, 29 de Outubro de 2008. PS 1., -44SUSY GO n _ G ANN - Rel,Aatora 17 Processo n° 10907.000686/2004-11 CSRF1T03 Acórdão n.° 03-06.165 Fls. 18 INTIMAÇÃO Intime-se o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do § 3° do artigo 81, Anexo II, c/c inciso VI do art. 8°, Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília-DF, em ROSEMARI CORRÊA E SILVA Chefe do Serviço de Secretaria da 3' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ciente em Procurador da Fazenda Nacional 18
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Numero do processo: 35554.001500/2006-81
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 30/04/2005
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. EXCESSIVIDADE DA MULTA APLICADA. .INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
SÓCIOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CORESP. DOCUMENTO MERAMENTE INDICATIVO. A indicação dos sócios e responsáveis pela empresa no relatório CORESP, anexo à NFLD, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária aos ali apontados.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE. RESP 977.058/RS JULGADO SOB O PÁLIO DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS REPETITIVOS. ART. 62-A DO RICARF. Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem os julgamentos administrativos reproduzir as teses já julgadas pelo Superior Tribunal de Justiça quando submetidas ao rito dos recursos repetitivos, em conformidade com o Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) declarar a decadência até a competência 09/2000; III) rejeitar o pedido de exclusão dos coresponsáveis; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. EXCESSIVIDADE DA MULTA APLICADA. .INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SÓCIOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CORESP. DOCUMENTO MERAMENTE INDICATIVO. A indicação dos sócios e responsáveis pela empresa no relatório CORESP, anexo à NFLD, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária aos ali apontados. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE. RESP 977.058/RS JULGADO SOB O PÁLIO DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS REPETITIVOS. ART. 62-A DO RICARF. Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem os julgamentos administrativos reproduzir as teses já julgadas pelo Superior Tribunal de Justiça quando submetidas ao rito dos recursos repetitivos, em conformidade com o Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado.
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. EXCESSIVIDADE DA MULTA APLICADA. .INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SÓCIOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CORESP. DOCUMENTO MERAMENTE INDICATIVO. A indicação dos sócios e responsáveis pela empresa no relatório CORESP, anexo à NFLD, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária aos ali apontados. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE. RESP 977.058/RS JULGADO SOB O PÁLIO DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS REPETITIVOS. ART. 62A DO RICARF. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem os julgamentos administrativos reproduzir as teses já julgadas pelo Superior Tribunal de Justiça quando submetidas ao rito dos recursos repetitivos, em conformidade com o Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 55 4. 00 15 00 /2 00 6- 81 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) declarar a decadência até a competência 09/2000; III) rejeitar o pedido de exclusão dos coresponsáveis; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35554.001500/200681 Acórdão n.º 2401002.576 S2C4T1 Fl. 275 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por METALGRÁFICA ITAQUA LTDA , irresignada com a Decisão Notificação de fls. 191, que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 35.684.6364, por meio do qual foram lançadas contribuições parte da empresa, SAT e as destinadas a terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, SEBRAE), incidente sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e prólabore de sócios gerentes. Depreendese do relatório fiscal que valores foram apurados com base nas Folhas de Pagamento, GFIPs apresentadas e constantes do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, rescisões contratuais, as quais integraram a folha de pagamento, recibos de Prolabore, fichas de salário família e de maternidade, livros diários de 1.995 a 2000, bem como os demais documentos apresentados. O lançamento compreende as competências de 05/1998 a 04/2005, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 10/10/2005 (fls. 01). Em seu recurso sustenta a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento com base no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Acresce ser evidente a nulidade da autuação, pois Receita Federal Previdenciária não poderia utilizarse de fundamentação legal constante no relatório FLD idêntica ao que se refere outro Auto de Infração lavrado em seu desfavor, abrangendo o mesmo período, para efetuar autuações diferentes, o que configura dupla exigência tributária. Suscita a impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária aos sóciosgerentes da empresa Aduz a inconstitucionalidade da contribuição das empresas para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa (art. 22, II, da Lei 8.212/91) e do salárioeducação. Afirma que não está sujeita à incidência da contribuição ao INCRA pelo fato se ser empresa urbana, além de também não estar sujeita às contribuições destinadas aos terceiros, pois se trata de empresa que exerce atos de comércio, não possuindo empregados nas categorias econômicas abarcadas pelas entidades SESI, SENAI e SENAC. Por fim, aponta o excesso do valor da multa aplicada e os fundamentos pelos quais entende ser ilegal a aplicação da taxa SELIC. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES A recorrente sustenta que a NFLD é nula pelo fato de que dentre os fundamentos legais constantes do relatório FLD é citada a fundamentação legal que fora utilizada em outro lançamento efetuado contra si, de modo que se caracterizou a duplicidade de lançamentos. Não vejo como acatar a alegação. O relatório FLD é um dos anexos obrigatórios da NFLD, documento este pelo qual o contribuinte toma ciência de todos os fundamentos de direito que ensejaram o lançamento que fora efetuado contra sua pessoa, de modo a tomar a completa ciência e exercitar a contento o seu direito de defesa. O fato do Relatório FLD possuir fundamentação idêntica a de outros lançamentos efetuados a recorrente, mesmo que, porventura nas mesmas competências, não tem o condão de ensejar a conclusão pretendida no sentido de que fora levado a efeito lançamento em duplicidade, que somente assim poderia ser entendido se da análise completa do relatório fiscal da outra autuação, pudesse efetivamente se depreender tratarse efetivamente do mesmo lançamento, sobre um mesmo fato gerador, num igual período. A toda evidência, da análise do recurso interposto, sequer tal questão fora aventada, senão com o apontamento de que a nulidade decorre exclusivamente do fato de haver fundamentos legais idênticos em duas imposições fiscais por meio de NFLD. Rejeito tal preliminar. Quanto ao pedido para o reconhecimento da decadência, há se de considerar que Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, quando, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91, foi determinada a edição da Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Logo, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (teor transcrito a seguir), o enunciado das Súmulas Vinculantes editadas e aprovadas pelo Eg. STF devem obrigatoriamente ser observados pelos órgãos da administração pública direta e indireta, como é o caso do CARF, confirase: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35554.001500/200681 Acórdão n.º 2401002.576 S2C4T1 Fl. 276 5 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Em assim sendo, resta patente a necessidade de que para a contagem do prazo decadencial, em se tratando de lançamento por homologação, deverão ser aplicadas as regras dispostas pelo Código Tributário Nacional, seja a do art. 150, §4º, seja a do art. 173, I, cuja aplicação deverá ser verificada caso a caso, conforme tenha ou não havido antecipação, mesmo que parcial, do pagamento do tributo ou contribuição devida. No caso de ter havido antecipação, mesmo que parcial, deverá ser aplicado, para fins de contagem, o art. 150, §4º do CTN e quando não houve qualquer antecipação, deverá ser aplicado o art. 173, I. Tal orientação acerca da aplicação das regras de contagem do prazo decadencial, já fora inclusive objeto de análise e confirmação pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do RESP 973.733, julgado em 12/08/2009 , que se deu sobre o rito dos recursos repetitivos, com fundamento no art. 543B do Código de Processo Civil Brasileiro. Ao que se depreende do relatório fiscal do lançamento, o Il. Auditor (fls.121), deixou claro que o lançamento efetuado decorreu de divergências apuradas entre as GFIp’s e folhas de pagamento, tendo sido aproveitadas as guias de pagamento apresentadas pela recorrente. Por tais motivo, entendo presente o recolhimento parcial das contribuições lançadas e, portanto, entendo que a decadência deva ser contada com base na regra do art. 150,. 4o do CTN. Por tais motivos, acolho a preliminar de decadência para declarar extintas as competências lançadas até 09/2000. MÉRITO. No que se refere ao pedido de exclusão dos sócios decorrentes de sua co responsabilização no presente lançamento, tenho que a sua indicação no relatório de corresponsáveis não tem o condão de imputarlhes qualquer responsabilidade pelo crédito, mesmo a solidária, pois tal anexo se constitui em mero documento indicativo daqueles que são os sócios e responsáveis pela empresa à época de seus fatos geradores. A mera indicação portanto, não imputa qualquer responsabilidade aos mesmos. Ademais, quanto ao pedido de reconhecimento da inconstitucionalidade do SAT e do salárioeducação, bem como ao reconhecimento da excessividade da multa aplicada, tenho que a irresignação não pode ser analisada por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária A argumentação constante no recurso de que a recorrente não está sujeita à contribuição ao INCRA, sob o fundamento de que exerce atos de comércio, sendo aquela destinada a financiamento de entidade da área rural, também não merece guarida. Tal discussão já foi objeto de inúmeras discussões neste Eg. Conselho e mesmo no próprio Poder Judiciário, quando em última instância e em sede de julgamento de recurso repetitivo consolidou o entendimento sobre a necessidade de cobrança de referida contribuição, inclusive, das empresas urbanas. Confirase o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ENTIDADE HOSPITALAR. CERTIFICADO DE BENEFICENTE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. SALÁRIO EDUCAÇÃO. REQUISITOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Não há omissão do acórdão recorrido que registrou a impossibilidade de apreciação da incidência da Lei 11.457/2007, por se tratar de inovação recursal não passível de ser apreciada em sede de embargos declaratórios, mormente porque consignou que o provimento se referia apenas às NFLD´s questionadas na inicial, as quais se referem a períodos anteriores à vigência do referido diploma legal. 2. Não se pode conhecer do apelo especial no tocante ao dissídio alegado, referente à exigibilidade das contribuições destinadas a terceiros das entidades beneficentes e de assistência social, pois o acórdão recorrido apreciou a matéria tão somente sob o enfoque constitucional, à luz da interpretação dos artigos 240, 223, 173 e 195, todos da Constituição Federal. 3. A orientação do acórdão recorrido coincide com o entendimento fixado por esta Corte, por ocasião do julgamento do REsp 977.058/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, DJ 10/11/2008, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1154644/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2012, DJe 28/06/2012) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35554.001500/200681 Acórdão n.º 2401002.576 S2C4T1 Fl. 277 7 Por fim, quanto a inexigibilidade das contribuições ao SESC, SENAI e SENAC, em consonância com o art. 137, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, as entidades e fundos para os quais a Empresa resta obrigada a Contribuir são definidas em função do enquadramento da sua atividade econômica no correspondente código FPAS, conforme tabela "Aliquotas por código de FPAS" constante no anexo III da referida Instrução, enquadramento esse, ressaltese, efetuado pela própria Empresa Notificada. Ressaltese também que a própria Empresa Notificada declarou em GFIP que está enquadrada no código FPAS 507, código esse que estabelece contribuições sociais devidas às Entidades: SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e SALÁRIO EDUCAÇÃO; Ante todo o exposto, voto no sentido de negar a preliminar de nulidade, acolher a preliminar de decadência, declarando extintas as competências lançadas até 09/2000, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, esclarecendo que a indicação no CORESP não enseja responsabilização dos sócios pelo crédito objeto de lançamento na presente NFLD. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13811.000445/00-89
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA- NÃO CONHECIMENTO. Não é nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade
apresentada quando transcorridos mais de 30 dias da ciência
regular da intimação do Despacho Decisório contestado INTIMAÇÃO POR EDITAL — Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na lei.
Numero da decisão: 1101-000.048
Decisão: Acórdão os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, por unanimidade de votos EGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que assam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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ementa_s : MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA- NÃO CONHECIMENTO. Não é nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada quando transcorridos mais de 30 dias da ciência regular da intimação do Despacho Decisório contestado INTIMAÇÃO POR EDITAL — Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na lei.
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Não é nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada quando transcorridos mais de 30 dias da ciência regular da intimação do Despacho Decisório contestado INTIMAÇÃO POR EDITAL — Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, confonne previsto na lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, por unanimidade de votos EGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que assam a integrar o se te julgado. AN O O PRAGA PRESIDENTE SANDRR MARIA F--ARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 27 JUN 2009 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), Aloysio José Percinio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice Presidente) e Antonio Praga (Presidente) Processo re 13811.000445/00-89 CCM/CO! Acórdão n.° 1101-00.048 Fls. 2 Relatório MHT Serviços e Administração Ltda. requereu a restituição do valor de R$ 2.548.280,00, relativo a IRPJ do ano-calendário de 1999, tendo cedido o direito creditório pleiteado a Chase Manhattan Leasing S.A.. Arrendamento Mercantil, apresentando pleito de compensação do crédito com débitos de terceiros. A autoridade competente para decidir os pleitos apurou inconsistência no valor do crédito pleiteado, uma vez que o saldo negativo de 1RPJ apurado na declaração é de R$ 1.223.688,92 Entretanto, na apuração desse saldo, o contribuinte computou estimativas não pagas, mas quitadas por compensação de saldos negativos de anos anteriores. Não comprovados os créditos utilizados nas compensações, foram elas desconsideradas na apuração do saldo negativo. Em decorrência, o saldo negativo passível de ser restituído foi reduzido para R$ 836.178,18 Foi deferida a restituição e homologada a compensação até o limite reconhecido. Frustrada a tentativa de ciência por via postal, a requerente foi cientificada por edital afixado em 27/10/2006 e desafixado em 08/11/2006 (fl. 133). Em 26 de março de 2007 a MHT, incorporada pela Chase Manhattan Holding, foi intimada para regularizar débitos. Em 9 de abril a sucessora requereu adiamento do prazo para manifestação sobre o despacho decisório, alegando que solicitou cópia integral dos autos, mas que até 05 de abril a repartição encarregada informou que tais cópias não estavam prontas. Em 10 de maio de 2007 a sucessora ingressou com manifestação de inconformidade. A 4* Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo não conheceu a manifestação de inconformidade, por intempestiva. Esclareceu que a intimação que deu origem à manifestação de inconformidade não diz respeito ao despacho decisório relativo ao pedido de restituição e compensação, mas comunicava a existência de débitos em aberto, e dava prazo de 15 dias para que a interessada se pronunciasse sobre questões relativas à cobrança. Aduziu que a DRJ não tem competência para se pronunciar sobre cobrança e seus procedimentos. Ciente em 25 de outubro de 2007, a interessada apresentou recurso a este Conselho alegando não ter sido intimada do despacho decisório, que foi enviado para o antigo endereço, uma vez que a MHT fora incorporada pela Chase Manhattan Holding, mudando seu estabelecimento para a Avenida Brigadeiro Faria Lima n°3.729, 14° andar. Diz que não foram esgotadas as tentativas de intimação, porque poderia ter sido usado o meio eletrônico. Alega nulidade insanável da intimação por edital, invoca o art. 245 do CPC, a Súmula 473 do STF e o art. 53 da Lei n°9.784, de 1999. Qualifica de absurda a afirmativa de que a DRJ não tem competência para pronunciar-se sobre cobrança e seus procedimentos, visto que não tomou ciência do despacho decisório. Aduz que caracteriza cerceamento do direito de Processo n° 13811.000445/043-89 CCOUCOt Acórdão n.° 1101-00.046 Hs. 3 defesa o não recebimento da manifestação por estar assinada apenas por procurador, e que deveria ter sido intimada para emendá-la. Quanto ao mérito, após invocar o art. 59, § 3°, do Decreto n° 70.235/72, para fins de superação da nulidade, alega que quando proferido o despacho decisório (18 de julho de 2006) há havia transcorrido o prazo de cinco anos para homologação expressa da compensação, protocolizados em 29 de fevereiro de 2000. Pleiteia, assim, o reconhecimento da homologação tácita. Em seguida, faz explanação com o objetivo de comprovar a legitimidade do direito creditório pleiteado. É o relatório 3 Processo e 13811.000445/00-89 CO01/C01 Acórdão n.° 1101-00.048 Fls. 4 Voto SANDRA FARONI, Conselheira Relatora. Recurso tempestivo. Dele conheço. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade com o despacho decisório que deferiu parcialmente a restituição pleiteada e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. Essa manifestação não foi conhecida pela Turma de Julgamento, por intempestiva. A interessada se insurge contra da decisão que não conheceu de sua impugnação, alegando nulidade da intimação efetuada por via postal. Sem razão a Recorrente, pois a intimação foi feita rigorosamente de acordo com as previsões legais.. A intimação por edital está prevista na lei (art. 23, § 1° do Decreto n° 70.235/72), na hipótese de resultar improficuo um dos meios de intimação previsto no caput do artigo. No caso, revelou-se improficua a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo (inciso II do caput do art. 23). Por outro lado, foi rigorosamente observada a determinação de envio da intimação no domicilio eleito pelo sujeito passivo, que nos termos do § 40 é o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária.. Conforme observou a decisão recorrida, a empresa não alterou, junto à administração tributária, o domicilio tributário de eleição. Note-se que o endereço fornecido (Rua Verbo Divino n° 1400) é o mesmo que figura no documento de fls. como endereço da incorporadora. Não padecendo, a intimação, de vicio, correta a decisão da Turma de Julgamento, que dela não conheceu, por intempestiva. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF, em maio de 2009. .4 • SANDRA FARONI, Relatora 4 Page 1 _0034900.PDF Page 1 _0035000.PDF Page 1 _0035100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10675.002337/2007-57
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
INCONSTITUCIONALIDADE
É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de sujeitá-lo a tributação na declaração de ajuste anual, conforme Súmula do CARF no 12, em vigor desde 22/12/2009.
Numero da decisão: 2202-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de sujeitá-lo a tributação na declaração de ajuste anual, conforme Súmula do CARF no 12, em vigor desde 22/12/2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
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COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O contribuinte poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados, desde que apresente documentação hábil e idônea que comprove a efetiva retenção. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de sujeitálo a tributação na declaração de ajuste anual, conforme Súmula do CARF no 12, em vigor desde 22/12/2009. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 23 37 /2 00 7- 57 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 75 2 Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 76 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 3 a 5, pela qual se exige a importância de R$7.757,59, a título de Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2004, acrescida de multa de 20% e juros moratórios. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 5 verso, verificase que o lançamento decorre da glosa do imposto de renda retido na fonte, por falta de comprovação do valor declarado. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 e 2, instruída com os documentos de fls. 3 a 6, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fl. 55 verso): Cientificado do lançamento, em 28/06/2007, conforme AR Aviso de Recebimento de fl. 9, o interessado apresentou, em 17/07/2007, a peça impugnatória de fls. 1/2, argumentando que recebeu verbas de uma ação trabalhista decorrente de acordo homologado pela Justiça do Trabalho. No acordo homologado estão claras as obrigações da fonte pagadora, Espólio de Waldemar Caixeta: lhe pagar o rendimento líquido e efetuar o recolhimento do imposto de renda devido sobre o respectivo valor; "...na folha 1398 do processo apresenta a base de cálculo do imposto de renda..."; "...a notificação...penaliza duplamente o impugnante, haja vista que já teve o seu imposto de renda retido na fonte quando do recebimento de seu crédito no ano calendário de 2004, ensejando apenas a obrigatoriedade pela apresentação da declaração de ajuste anual". Se mantida, ficará caracterizada a ocorrência de bi tributação, ferindo princípios da CF. Esclarece que não foram apresentados documentos, nessa instância, por já terem sido oferecidos quando do atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 2005/606372393691060. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0926.851 (fls. 55 a 57), de 29/10/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE. IRRF NÃO RETIDO. GLOSA. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 77 4 Mantémse a glosa da compensação a título de IRRF quando ficar evidenciado que não ocorreu a retenção do IR sobre o valor recebido. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 11/11/2009 (vide AR de fl. 60), o contribuinte apresentou, em 11/12/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 61 a 70, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 71), no qual alega, em síntese, que: 1. O recorrente ajuizou reclamação trabalhista em face do Espólio de Waldemar Caixeta, Processo no 00686/07, que tramitou na Vara do Trabalho de Patos de Minas, sendo proferido sentença que julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados na ação trabalhista, condenando o reclamadao ao pagamento dos direitos trabalhistas postulados, no montante de R$50.000,00, em três parcelas uma de R$20.000,00 e duas de R$15.000,00 , bem como se obrigou a efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias e do IRRF. 2. Como o expatrão não efetuou o recolhimento do imposto de renda retido na fonte, deduzido do crédito do recorrente, foi expedido nos autos do Processo Trabalhista 868/97 ofício datado de 31/01/2005, à Secretaria da Receita Federal informando que o reclamado não havia comprovado o recolhimento do imposto de renda retido (fl. 42). 3. À fl. 43 consta apuração pela Justiça do Trabalho do Imposto de Renda que teria sido deduzido do crédito pago ao recorrente, no importe R$13.908,43, apurado sobre cada uma das três parcelas do acordo. Aduz que a base de cálculo do IRRF foi informado nos autos do processo trabalhista, cuja cópia se encontra anexada à fl. 46. 4. Às fls. 45 a 48, resta induvidoso que a Justiça do Trabalho cobrou nos próprios autos da ação trabalhista o imposto de renda apurado, expedindo mandado de penhora em face da fonte pagadora. Aduz que à fl. 49, verificase que o próprio Procurador da Fazenda Nacional, chegou a pedir, nos autos trabalhista, certidão comprobatória do valor do IRRF devido pela fonte pagadora ESPÓLIO DE WALDEMAR CAIXETA. 5. Defende que como teve deduzido do seu crédito o IRRF, o recolhimento ficou, por força de lei, sob a responsabilidade da fonte pagadora e o recorrente, por conseqüência, pleiteou a restituição do imposto de renda em sua declaração de ajuste anual. 6. Alega que o Parecer Normativo SRF no 1, de 2002, mencionado pela decisão recorrida, não tem o condão de alterar expressa disposição de lei. Reportase ao art. 46 da Lei no 8.541, de 1992, e ao art. 3o da Instrução Normativa no 101, de 1997, que determinam a obrigação da fonte pagadora reter o imposto de renda, concluindo que, se quem reteve o imposto de renda foi a fonte pagadora e esta não recolheu deve o Fisco adotar todas as providências para obrigálo a fazer e não exigilo do empregado que recebeu o valor líquido já deduzido do imposto de renda. Cita precedente administrativo sobre a falta de recolhimento do imposto retido em caso semelhante, para corroborar sua defesa. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 78 5 7. Sustenta que a decisão recorrida mudou os conceitos de retenção na fonte e de responsabilidade tributária, o que não se admite, sob pena de clara ofensa ao disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional, afirmando que (fl. 68): Não pode a autoridade tributária, arrepio da legislação vigente, imprimir novo conceito de fonte pagadora, de retenção na fonte, para tentar transferir através de simples parecer normativo a responsabilidade pela retenção e recolhimento de imposto de renda decorrente de crédito trabalhista apurado em processo judicial. 8. Argúi, ainda, que houve ofensa aos princípios básicos que regem a ordem tributária, tais como o princípio constitucional da capacidade contributiva prevista no §1o do art. 145 da Constituição Federal, bem como os princípios da vedação à bitributação, do confisco. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 15, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio numerado até à fl. 73 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 79 6 Voto Conselheira Relator, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente alega que: (a) os documentos acostados aos autos comprovam que houve a retenção do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos em decorrência da ação trabalhista e, portanto, caberia ao fisco exigir da fonte pagadora o recolhimento do imposto retido; (b) o Parecer Normativo SRF no 1, de 2002, não tem o condão de alterar expressa disposição de lei, reportase ao art. 46 da Lei no 8.541, de 1992, e ao art. 3o da Instrução Normativa no 101, de 1997, que determinam a obrigação da fonte pagadora reter o imposto de renda; (c) a decisão recorrida mudou os conceitos de retenção na fonte e de responsabilidade tributária, ofendendo ao disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional; (d) houve ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva, da vedação à bi tributação, do não confisco. A questão central que se discute é falta de comprovação da retenção e não a falta de comprovação do recolhimento do imposto de renda retido, como pretende fazer crer a defesa (item “a”). Não se discorda que o “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo” pode ser deduzido do imposto apurado no ajuste anual (art. 12, inciso VI, da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Contudo, ressalvada as exceções previstas no caso da sociedade conjugal (art. 7o, §§ 1o e 2§, e art. 8o, §1o, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99), devese observar, ainda o disposto no art. 55 da Lei no 7.450 de 23 de dezembro de 1985: Art 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O exame da documentação acostada aos autos leva a conclusão de que os rendimentos foram pagos ao contribuinte, sem a devida retenção, sendo oportuno transcrever o trecho do voto condutor da decisão guerreada no qual o relator a quo expõe com clareza seus argumentos, a quem peço vênia, para adotar como minhas suas razões de decidir: Da análise dos documentos judiciais apresentados pelo interessado, a fls. 36/49, percebese que: 1) da petição inicial do acordo trabalhista, a fls. 36/38, foi ajustado entre as partes que, conforme cláusulas lª e 2ª, o reclamado pagaria ao reclamante a importância líquida de R$50.000.00 em três parcelas, a primeira de R$20.000.00 e as demais de R$15.000,00; da citada importância líquida R$35.000,00 referiramse a pagamentos de horas extras, dobra dos domingos e feriados e 13° salários, Fl. 83DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 80 7 R$10.000,00 a juros de mora e R$5.000,00 a FGTS + 40% não depositados; na cláusula 3ª ficou determinado para o reclamado os recolhimentos do IRRF e da contribuição à previdência oficial; a cláusula 4ª impôs também ao reclamado as custas processuais; 2) a homologação do acordo consta à fl. 39; 3) o documento judicial de fl. 42 deixa claro que o reclamante recebeu a importância de R$50.000.00, consoante acordado; 4) nos documentos de fls. 43/45 constam os cálculos do IRRF, tendo sido considerados como bases de cálculo, fl. 45, os valores de cada uma das parcelas, excluída a quantia referente ao FGTS+40%, ou seja: R$18.000,00 (R$20.000,00 R$2.000,00); R$13.500,00 (R$15.000,00 R$1.500,00) e R$13.500,00 (R$15.000,00 R$1.500,00); 5) nos documentos de fls. 46/49 ficou evidenciado que até a data da emissão da certidão de fl. 49, 25/08/2005, não houve o recolhimento do IRRF. Da DIRPF/2005 revisada, no quadro dos rendimentos tributáveis à fl. 23, foram tributados pelo contribuinte rendimentos decorrentes do referido acordo trabalhista na monta de R$45.000,00, tendo ele ainda incluído, dessa origem, a título de rendimentos isentos e nãotributáveis o total de R$15.000,00. Depreendese dos documentos de fls. 43/45, item 4 supra, que o montante tributado na mencionada DIRPF, R$45.000,00, referese ao somatório das três parcelas que constituiriam as bases de cálculo do IRRF: R$18.000,00, R$13.500,00 e R$13.500,00. A tributação efetuada na declaração de rendimentos, portanto, resultou da diferença entre os R$50.000,00 recebidos e os R$5.000,00 relativos ao FGTS+40%. Concluise de tudo isso, e em especial das bases de cálculo consideradas para as apurações dos IRRF, que os R$50.000,00, embora denominados na petição como "importância líquida", coincidiu com o rendimento bruto, haja vista que deles não houve retenção do imposto de renda, nem desconto da contribuição à previdência oficial, apesar da ordem judicial para tanto. Para que fosse considerado "importância líquida" na apuração do IRRF deveria ter havido um reajustamento desta importância para fins de base de cálculo do imposto, o que não ocorreu. O contribuinte alega que os descontos fiscal e previdenciário ficaram ao encargo do reclamado, entretanto, verificase que apesar da manifestação sobre os cálculos do IRRF não houve de fato a retenção imposto de renda na fonte. Evidentemente, a retenção na fonte deveria ter ocorrido sobre o valor pago, no momento de sua liberação, contudo, a fonte pagadora não reteve o imposto, pagando integralmente ao contribuinte o valor do acordo. Salientese, ainda, que no acordo homologado pela Justiça do Trabalho (fls. 36 a 38), ficou acordado que “o Reclamado pagará ao Reclamante, em dinheiro ou cheque da praça de Patos Minas/MG, a importância líquida de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), em 03 (três) parcelas” (Cláusula 1ª) e que “comprovará nos autos, até 10 (dez) dias após o vencimento de cada parcela, o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, sob pena de execução, nos termos da Emenda Constitucional no 20/98, assim como o imposto de renda devido, sob pena de expedição de ofício à Secretaria da Receita Federal.” (Cláusula 3ª). O simples fato de haver sido mencionado “o valor líquido” não permite deduzir que o ônus relativo às contribuições previdenciárias e ao imposto de renda na fonte seriam da fonte Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 81 8 pagadora, pois, como bem salientou o julgador a quo, se assim o fosse, a base de cálculo, no caso de imposto de renda, deveria ter sido reajustada, o que não ocorreu conforme planilha de fl. 45. Como se percebe, não obstante tenha sido calculado o imposto de renda que deveria ter sido retido pela fonte pagadora, não existe nenhum documento que comprove que o contribuinte recebeu o valor deduzido do IRRF, ao contrário, o documento judicial anexado à fl. 42 atesta que foi pago o valor de R$50.000,00 ao contribuinte, equivalente ao valor bruto fixado no acordo homologado pela justiça, conforme acima já demonstrado. Caberia ao contribuinte ter juntado aos autos, por exemplo, cópia do alvará de levantamento comprovando valor efetivamente recebido. Quanto ao Parecer Normativo SRF no 1, de 2002 (item “b”), à menção feita pelo julgador a quo foi no sentido que não havendo prova de que o imposto de renda foi efetivamente retido, a responsabilidade da fonte pagadora por essa retenção cessa a partir do momento em que o imposto apurado no ajuste anual passa a ser exigível, não havendo qualquer contrariedade ao disposto na legislação pertinente. Isto porque, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, ou seja, aqueles que não se classificam como rendimentos isentos, nãotributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou de sujeitos à tributação definitiva, existem dois momentos bem definidos em que o imposto de renda é exigido. O primeiro, quando do pagamento efetivo do rendimento, sendo a fonte pagadora responsável pela retenção do imposto a título de antecipação; e o segundo, quando da apresentação da declaração de ajuste anual, não cabendo, portanto, as alegações de uso indevido do critério da anualidade da tributação dos rendimentos do trabalho assalariado ou ofensa ao princípio da isonomia. Como se sabe, toda pessoa física contribuinte do imposto de renda deverá apresentar anualmente a declaração de rendimentos, incluindo todos os rendimentos tributáveis recebidos no anocalendário a fim de determinar o saldo do imposto a pagar ou a restituir, de acordo com o 10 da Lei no 8.134, de 27 de dezembro de 1990: Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II das deduções de que trata o art. 8°. Temse, portanto, que a obrigação de declarar e tributar, no ajuste anual, todos os rendimentos recebidos é do contribuinte e não da fonte pagadora. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora, não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para tributação, na declaração de ajuste anual. Ressaltese que apenas os rendimentos para os quais a lei estabelece a isenção ou determina a tributação definitiva ou exclusiva na fonte estão excluídos da base de cálculo anual. Ademais, esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme Súmula no 12 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de aplicação obrigatória desde 22/12/2009: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 82 9 Súmula CARF no12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Não se discute que o recorrente não é o responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte como antecipação, mas o é por levar os rendimentos recebidos a sua declaração de ajuste anual para fins de apuração de eventuais diferenças de imposto a pagar. No caso dos autos, não se discute a tributação dos rendimentos, mas a falta de comprovação da retenção do imposto por parte do contribuinte. Da mesma forma, o art. 46 da Lei no 8.541, de 1992, e o art. 3o da Instrução Normativa no 101, de 1997, ambos invocados pelo reclamante (item “b”), tratam apenas da responsabilidade pela retenção do imposto de renda na fonte, sem, contudo, exonerar o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para tributação, na declaração de ajuste anual ou autorizar a compensação no ajuste anual de imposto que não tenha sido comprovadamente retido. Concluise, assim, que não houve qualquer mudança nos conceitos de retenção na fonte e de responsabilidade tributária (“item c”), mas tão somente uma interpretação diferente da pretendida pelo contribuinte. Por fim, quanto à alegada violação aos princípios constitucionais (item “d”), cumpre esclarecer que não cabe a este Colegiado afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009), que regula o julgamento administrativo de segunda instância. Ademais, esse entendimento já havia sido sumulado pelo CARF:: Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tampouco procede a alegação de bitributação, pois, uma vez que não restou comprovada a retenção, não tem o contribuinte o direito de compensar o valor por ele declarado. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10675.002337/200757 Acórdão n.º 2202001.992 S2C2T2 Fl. 83 10 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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