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Numero do processo: 11065.003292/2006-06
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros
Exercícios: 2004
Ementa: MATÉRIA INCONTROVERSA — Considera-se incontroversa a
matéria quando, depois de impugnada em primeiro grau, deixa ela de ser tratada pelo contribuinte em sede de recurso.
CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL — IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS QUESTÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA - Súmula PCC tf 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do
processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — PRESTADORA DE SERVIÇO TEMPORÁRIO — RECEITA BRUTA — COMPOSIÇÃO — Constitui receita bruta da empresa prestadora de serviço temporário a totalidade dos valores
recebidos da empresa tomadora do serviço, a qual é meramente cliente daquela, inexistindo qualquer relação jurídica entre a tomadora do serviço e o trabalhador temporário. A discriminação, em contrato, das parcelas que compõem o valor total da prestação de serviço temporário não é oponível ao conceito de receita bruta estatuído na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1803-000.309
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado,
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercícios: 2004 Ementa: MATÉRIA INCONTROVERSA — Considera-se incontroversa a matéria quando, depois de impugnada em primeiro grau, deixa ela de ser tratada pelo contribuinte em sede de recurso. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL — IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS QUESTÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA - Súmula PCC tf 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — PRESTADORA DE SERVIÇO TEMPORÁRIO — RECEITA BRUTA — COMPOSIÇÃO — Constitui receita bruta da empresa prestadora de serviço temporário a totalidade dos valores recebidos da empresa tomadora do serviço, a qual é meramente cliente daquela, inexistindo qualquer relação jurídica entre a tomadora do serviço e o trabalhador temporário. A discriminação, em contrato, das parcelas que compõem o valor total da prestação de serviço temporário não é oponível ao conceito de receita bruta estatuído na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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' c,,•'-••• S1 -T EM •Fl . 1 r....,','•:. O:•,é.`',21 • \''";');!-....: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11065,003292/2006-06 Recurso n" 167,833 Voluntário Acórdão n" 1803-00.309 — 3" Turma Especial Sessão de 09 de março de 2010 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente D. M. RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL LTDA. Recorrida 50 TURMA/DM-PORTO ALEGRE/RS Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercícios: 2004 Ementa: MATÉRIA INCONTROVERSA — Considera-se incontroversa a matéria quando, depois de impugnada em primeiro grau, deixa ela de ser tratada pelo contribuinte em sede de recurso, CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL — IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS QUESTÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA - Súmula PCC tf 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — PRESTADORA DE SERVIÇO TEMPORÁRIO — RECEITA BRUTA — COMPOSIÇÃO — Constitui receita bruta da empresa prestadora de serviço temporário a totalidade dos valores recebidos da empresa tomadora do serviço, a qual é meramente cliente daquela, inexistindo qualquer relação jurídica entre a tomadora do serviço e o trabalhador temporário. A discriminação, em contrato, das parcelas que compõem o valor total da prestação de serviço temporário não é oponível ao conceito de receita bruta estatuído na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os preelb-sÃtos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, 'e--- Processo e" 11065.003292/2006-06 S1-T103 Acórdiín ri ° 1803-00.309 Fl 2 - 1 FERREIRA D MORAES - Presidente BENEDIC CELLO íCIO JÚNIOR - Relator EDITADO EM. t Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Selenc Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benico Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos e Silvana Resoigno Guerra Barreto, Processo n" 1 / 065 003292/2006-06 SI-TED3 Acórdão n " 1803-00.309 11 3 Relatório Trata-se de autos de infração (fis. 138 a 170), para exigência de IRPI, CSLL, pis e Cofins (bern corno os respectivos acréscimos legais de multa de oficio e juros de mora), no montante de R$ 569.668,28, atualizado até 31/10/2006. A ciência dos autos de infração foi dada à fiscalizada em 12/11/2006, De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fi& 171 a 182), foram verificadas infrações à legislação tributária, conforme a seguir. A fiscalizada tem por objeto o recrutamento, seleção e locação de mão-de- obra temporária e optou no ano-calendário de 2003 pela sistemática do Lucro Presumido, Foi verificado que parte da receita de prestação de serviços era escriturada a crédito de contas de passivo ("repasse de encargos", "repasses diversos" e "salários a pagar"). A fiscalização entendeu que a totalidade dos valores recebidos corresponde a receitas próprias e que o valor dos encargos e salários (considerados pela fiscalizada como repasses) consistem em custos da fiscalizada. Adicionalmente, verificou-se a existência de rendimentos de aplicação financeira não tributados. A partir dessas verificações, foi calculado o total de receitas da fiscalizada (tabelas de lis, 173 e 174) que, comparado com as receitas consideradas pela fiscalizada, revelou as seguintes infrações; (1) Receitas não incluídas na apuração das bases de cálculo do PIS/Cofins; (2) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo do IRPJ e (3) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo da CSLL„ (I) Receitas não incluídas na apuração das bases de cálculo do PIS/Cc?fins Com base no total de receitas de prestação de serviços e financeiras, foram apuradas as bases de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o que revelou omissão de receitas, demonstradas nas tabelas de lis. 175 e 176. A fiscalização relata, ainda, a existência de ação ordinária de n° 2004.71,12,000459-6, movida pela .fiscalizada, com o objetivo de ser exonerada de incluir na base de cálculo das contribuições para o PIS, Cotins e CSLL os valores referentes a receitas auferidas que se destinam ao reembolso de valores correspondentes aos salários e encargos dos trabalhadores temporários. À época do lançamento, fOi verificado pela fiscalização que não havia decisão favorável à fiscalizada que impedisse constituição do crédito, com os respectivos acréscimos legais, (2) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo do IRPJ A fiscalização, com base no total de receitas da fiscalizada, apurou o IRPJ devido, pel e stemática do Lucro Presumido, descontando o imposto retido na fonte e calculou o valor devido de IRRI, (3) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo da CSLI, Da mesma forma, para a CSLL, a fiscalização, considerando o total de receitas da fiscalizada, apurou a contribuição devida, pela sistemática do lucro presumido, e exigiu o tributo recolhido a menor, decorrente de omissão de receitas. A fiscalizada apresentou em 12/12/2006 impugnação (lis. 186 a 209), alegando o que segue, Gé Processo n" 1 I 065 003292/2006-06 S 1-1 E03 Acórdão n" 1803-00309 F I 4 Inicialmente, afirmando que o P1S/Pasep e a Cofins, bem como o IRPJ e a CSLL (na sistemática do Lucro Presumido) incidem sobre o fatuamente bruto, discute o conceito de faturamento bruto. Para isso, discorre sobre o histórico do PIS/Pasep e da Cofins, e alega a inconstitucionalidade da Lei 9,718, de 1998, no tocante à alteração da base de cálculo. Em seguida, discute a diferença entre os conceitos de faturamento e de receita, com referência à doutrina, concluindo que tal conceito é cediço, no Direito Privado, e corresponde à receita de venda de mercadorias e de prestação de serviços (e não ao total de receitas, conforme disposto na Lei 9.718, de 1998). Alega, também, que a Emenda Constitucional n° 20, de 1998, (que permitiu a exigência de contribuições sociais sobre a receita) não teria o condão de alterar o conceito de faturamento tratado na Lei 9318, de 1998, por ser posterior à lei. Adicionalmente, afirma que a alteração do conceito de faturamento, pela Lei 9.718, de 1998 (ordinária), para fins de determinação da base de cálculo de contribuições, não é possível, em vista da disposição anterior sobre o assunto ter sido tratada em lei complementar. Conclui que o fato gerador da contribuição para o PIS/Pasep e da Cotins deve ser o serviço prestado pela autuada e não o serviço prestado pela mão de obra terceirizada„ Afirma que o serviço pela autuada prestado é apenas o de recrutamento, seleção e administração da mão de obra temporária e que a base de cálculo para as contribuições deva incidir sobre esse fato (e não sobre o valor das entradas relativas à remuneração do trabalho temporário, que seria prestado pela mão de obra terceirizada). Cita jurisprudência e finaliza afirmando que "se não se admitir que a 6'01-1NS, PIS e o IRP,I e a CSLL incidam somente sobre o valor relativo aos honorários de administração, estar-se-á a exigir tributos conliscatórios, vez que a incidência tributária inviabiliza a atividade comercial da empresa autora que se dedica a esse ramo de atividade" 208).. Ao analisar os argumentos apresentados pela contribuinte na citada impugnação, a 5" TURMA — DR.) EM PORTO ALEGRE — RS julgou procedentes os lançamentos, com fulcro nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA/JUDICIAL. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Por se tratar de matéria objeto de ação judicial, deve ser declarada a delinitividade do lançamento, no âmbito administrativo, com relação à Cotins, à CSLL e à contribuição para o PIS/Pasep, no tocante à infração de exclusão dos valores relativos a custos, em relação à receita de serviços de locação de mão de obra para terceiros. ARGÜIÇÃO DE 1NCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O Processo e I 1065 003292/2006-06 SI-TE03 Acórdão n." 1803-00.309 Fl 5 exame da constitzwionalidade ou legalidade das leis é tarefa reservada ao Poder Judiciário, ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO, BASE DE CÁLCULO. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TElt/IPORÁRIA, VALORES RELATIVOS AO CUSTO COM MÃO-DE-OBRA E BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS, NÃO-EXCLUSÃO, Nas empresas de trabalho temporário, _fornecedoras de mão-de-obra, as despesas com pessoal e benefícios aos empregados, não podem ser excluídas da receita bruta para fins de apuração dos tributos. LUCRO PRESUMIDO,. BASE DE CÁLCULO, RECEITAS FINANCEIRAS, Os rendimentos e ganhos líquidos atd .eridos em aplicações financeiras deverão ser acrescidos à base de cálculo do imposto de renda, para apuração do valor do tributo devido, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO, BASE DE CÁLCULO:. RECEITAS FINANCEIRAS Os rendimentos e ganhos líquidos atqceridos em aplicações financeiras deverão ser acrescidos à base de cálculo da CSLL, para apuração do valor do tributo devido., ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário- 2003 RECEITAS FINANCEIRAS, Os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras deverão ser considerados na apuração da base de cálculo do tributo, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2003 RECEITAS FINANCEIRAS. Os rendimentos e ganhos líquidos aztferidos em aplicações financeiras deverão ser considerados na apuração da base de cálculo do tributo," Cientificada do acórdão em 26/0.3/2008, a contribuinte apresentou Recurso a este Conselho, em 07/04/2008, alegando, em síntese, o seguinte: Processo n" 1I 065 003292/2006-06 S1-TE03 Acórdão o " 180.3-00,309 Fl 6 - Ainda que o atesto administrativo recorrido tenha determinado a não exclusão dos valores atinentes a custos com encargos sociais e remunerações dos empregados temporários locados, relativamente às bases de cálculo da COFINS, da contribuição ao PIS/PASEP, do IRPJ e da CSLL, é de óbvia constatação o fato de ditos montantes imponiveis só poderem ser formados pelo somatório das comissões/taxas de serviços cobradas pela peticionária junto a seus clientes; - Esta orientação já resta pacificada, em relação à COFINS e à contribuição ao PIS/PASEP, por força do trânsito em julgado de sentença favorável ao contribuinte (Es. 301 e ss.), proferida, inicialmente, no bojo da Ação Ordinária IV 2004,7112.000459-6, tramitada perante a Primeira Vara Federal de Canoas — RS (posteriormente confirmada por Acórdão da lavra da 2" Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, prolatado no seio da Apelação Civel n" 2004.71.12.000459-6/RS, aposto às fls.. 313 e - Igual conclusão deverá, então, ser aplicada às bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, expungindo-se delas montantes cobrados dos clientes da autuada para simples suporte dos encargos previdenciários e trabalhistas vinculados aos trabalhadores temporários disponibilizados.. Os tributos em estudo devem ser exigidos somente em relação aos honorários de administração recebidos pela autuada, cobrados a título de contraprestação pelos serviços ofertados. Insustentáveis, pois, são as autuações guerreadas.. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Para uma exposição mais didática dos variados pontos em discussão, divido o presente voto nos tópicos temáticos adiante especificados: (I) Receitas financeiras não incluídas na apuração das bases de cálculo do PIS/Colins, da CSLL e do IRPJ Inicialmente, deve-se ressaltar que as autuações em debate tangeram não só a custos e encargos trabalhistas e sociais não incluídos nas bases de cálculo dos tributos lançados.. Também foram considerados, pelo fiscal autuante, montantes de imposto e de contribuições recolhidos a menor em virtude da omissão de receitas derivadas de aplicações financeiras variadas. A peticionária, embora tenha atacado estes lançamentos em sede de impugnação, deixou de se rebelar contra o tópico em sede recursal. De fato, na peça de Recurso Voluntário ora cuidada, limita-se o contribuinte a discutir os tributos incidentes sobre as despesas remuneratórias e sociais percebidas pelo interessado, cobradas, a título de "repasse", dos tomadores de seus serviços. Desta forma, haja vista a ausência de controvérsia suscitada acerca dos lançamentos sobre rendimentos financeiros, reconheço a definitividade destes. A respeito, ressalte-se o teor do artigo 42, Parágrafo Único, do Decreto d. 70.235/72: "Art. 42. São definitivas as decisões,' 6 rççç Processo n" 11065 003292/2006-06 SI-TE03 Acórdão n•" 1803-00,309 El 7 Parágrafb único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não .fbr objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio." (2) Omissão de receitas atinentes a encaigos trabalhistas e sociais na apuração das bases de cálculo do PIS/COFINS e da CSLL No que pertine aos demais lançamentos – especificamente aqueles oriundos da omissão de receitas referentes a remunerações e demais encargos vinculados à mão-de-obra locada, dentro das operações de apuração das bases imponíveis de PIS/COHNS e de CSLL – entendo não ser possível conhecer do presente recurso. Com efeito, segundo bem salientado no acórdão administrativo atacado – e cabalmente confirmado pelo próprio contribuinte –, a discussão em tela já fora objeto de litígio .judieial, As cópias da sentença e do acórdão favoráveis ao contribuinte, novamente juntadas aos autos, explicitam a concomitância dos debates judiciário e administrativo. Ainda que o provimento jurisdicional benéfico à empresa peticionária se limite às bases de cálculo da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, o não conhecimento do Recurso Voluntário, ora propugnado, deve ser estendido também à discussão que envolve a CSLL, uma vez que o pleito judicial formulado pelo contribuinte também sobre esta contribuição versava.. Transcreva-se, neste sentido, o seguinte excerto, retirado da sentença prolatada pelo magistrado da Primeira Vara Federal de Canoas – RS (fls.. 301 e ss), que evidencia ser também objeto da ação ordinária a altercação sobre a base de cálculo da CSLL: "Depreende-se da petição inicial de .fls. 07/24 que a agravante, na qualidade de agenciadora de mão-de-obra efetiva e temporária, com`brme indicado no seu objeto social - Recrutamento, Seleção, Terceirização e Locação de mão-de-obra Temporária — e notas fiscais de fls.. 33/35, pretende afastar a incidência das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL sobre o total de suas receitas, tendo em vista que a ela incumbe o pagamento da remuneração e encargos dos empregados cedidos às Armadoras, cujos valores são repassados conjuntamente com as "taxas de ./ serviço" que constituem o seu real ,faturamento bruto, e que .\() somente sobre estas últimas podem incidir as contribuições em comenta Em relação à contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL, a agravante não deduz qualquer fundamento em defesa do afastamento de sua incidência." (3) Omissão de receitas atinentes a encargos trabalhistas e sociais na apuração das bases de cálculo do IRPJ Por derradeiro, então, resta analisarmos os argumentos vertidos pelo contribuinte em relação à conformação da base imponível adotada para os lançamentos de O interessado, em suas razões, limita-se a solicitar que este Conselho adote, para o IRRI, o mesmo entendimento que o Judiciário outorgou em relação à COFINS e à contribuição ao PIS/PASEP, Processo n" 11065.003292/2006-06 Si-! £03 Acórdão n." 1803-00.309 H 8 De pronto, faz-se claro para mim que a decisão .judicial comentada não vincula o julgamento administrativo ora em andamento, vez que os efeitos da sentença meritória proferida pela Justiça Federal suscitam efeitos apenas em relação ao objeto litigioso próprio (e somente no que se refere ao contribuinte em questão). Sendo omisso o provimento jurisdicional a respeito da forma de apuração da base de cálculo do IRPJ, compete a este órgão analisar o assunto, nos moldes do Recurso Voluntário interposto, Nesse diapasão, assim, retomo algumas das considerações já apresentadas pela d. DRJ recorrida, A base de cálculo do IRRI, no regime do lucro presumido, corresponde, via de regra, em cada trimestre, a 8% da receita bruta auferida no período, Por "receita bruta" entende-se todo o somatório dos preços percebidos pelo contribuinte em virtude dos serviços por ele prestados, consoante bem define o artigo 224 do Decreto rf 3.000/99: "Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n 2 8,981, de 1995, art. 31). Parágrafo único, Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadanzente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei n2 8.981, de 1995, art, 31, parágrafo único).." Fica claro, pois, que o IRPJ, incidente sobre o lucro presumido, é apurado com Mero na integralidade das receitas recebidas pelo sujeito passivo a titulo de remuneração de seus serviços — permitidas, obviamente, as exclusões determinadas em lei, inconfundíveis com o presente caso. Irrelevante é, para os lançamentos em tela, que parcela dos preços cobrados pela autuada seja destinada ao custeio de encargos remuneratórios e sociais atinentes aos empregados temporários que disponibiliza à sua clientela. Como acertadamente ressaltado pelo aresto recorrido, eventual acerto entre a autuada e seus tomadores, para segregação entre verbas "remuneratórias" dos serviços, de um lado, e verbas "ressarcitórias" das despesas com a mão-de-obra, de outro lado, não surte nenhum efeito fiscal, eis que a totalidade da receita recebida pela empresa contribuinte se identifica com o conceito legal de "receita bruta", independentemente da destinação que é dada a cada componente desta renda. Ademais, é também de se ratificar a afirmação do colegiado ad quo de que as despesas com mão-de-obra são inerentes a quase a totalidade das atividades de prestação de serviços, Ainda que, in casa, os serviços desenvolvidos sejam, justamente, a seleção de trabalhadores temporários, para oferta a terceiras empresas, não é outra a situação da autuada que não a de efetiva empregadora, para todos os fins de direito, Cumpre a ela arear com os custos de sua atividade, e, para tanto, conta com a remuneração paga pelos tomadores — dentro da qual estão, simultaneamente identificáveis, os recursos de manutenção da empresa e os lucros objetivados por qualquer atividade comercial. O fato de parcela da receita auferida ser vinculada à remuneração dos trabalhadores e ao recolhimento dos encargos sociais incidentes não modifica, em nada, a natureza dos rendimentos, que permanecem, in fortim, sujeitos à tributação pelo IRPJ. Não há motivo que evidencie diferença de tratamento entre a autuada e qualquer outra prestadora de serviço, no que se relaciona aos limites e feições da base de cálculo do imposto de renda, • . , Processo n" 11065.003292/2006-06 S1-TE03 Acórdão n " 1803-00.309 Fl 9 Transcreva-se, por elucidativo, excerto do acórdão ora guerreado, com o qual concordamos integralmente: "Os salários, cujos credores são os trabalhadores, têm C01110 devedora a empresa de trabalho temporário, e não a tomadora. É aquela que deve comprovar junto às autoridades administrativas o cumprimento dos encargos trabalhistas e previdenciários em relação aos trabalhadores temporários. É o que esclarecem os seguintes dispositivos do Decreto 73 841/1974: Art.. 8" - Cabe à empresa de trabalho temporário remunerar e assistir os trabalhadores temporários relativamente aos seus direitos, consignados nos artigos 17 a 20 deste Decreto. Art.. 11 - A empresa de trabalho temporário é obrigada a apresentar ao agente da . fiscalização, quando solicitada, o contrato . firmado c0111 o trabalhador temporário, os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como os demais elementos probatórios do cumprimento das obrigações estabelecidas neste Decreto.. A tomadora é devedora do preço do serviço em prol da empresa de trabalho temporário. Eventual reclama tória trabalhista dirige-se à empresa de trabalho temporário, independentemente de a /ornadora ter ou não honrado o preço do serviço ajustado (o ar!. 19 da Lei no 6019/1974), Dessa .forma, a eventual discriminação das parcelas componentes do valor dos serviços integrantes do preço total (salários, encargos previdenciários e taxa de administração) não tem o condão de alterar o regime de tributação legalmente fixado. Os salários e demais valores recebidos da tomadora de mão-de-obra, são valores que compõem o preço do serviço prestado, assim como o custo de uma mercadoria é parcela significativa do preço de venda da mesma. Em toda e qualquer atividade de intermediação econômica encontra- se esse tipo de fenômeno; parte da receita auferida dirige- se a suportar os custos do serviço ou mercadoria oferecida. Quer a impugnante que o conceito de receita aproxime-se do de lucro, excluindo-se alguns custos, o que não merece acolhida Portanto, o valor total contratado com a toinadora da mão- ) de-obra é o preço do serviço prestado e, como tal, integra a receita bruta/faturamento da contribuinte, )" Na mesma direção já decidiu o extinto Segundo Conselho de Contribuintes, consoante ementa abaixo copiada: Processo n" i 1065 003292/2006-06 SI-TE:03 Acórdão ru" 1803410309 Fl. 10 "PRESTADORA DE SERVIÇO TEMPORÁRIO. RECEITA BRUTA. COMPOSIÇÃO. Constitui receita bruta da empresa prestadora de serviço temporário a totalidade dos valores recebidos da empresa tomadora do serviço, a qual é meramente cliente daquela, inexistindo qualquer relação .jurídica entre a toniadora do serviço e o trabalhador temporário. A discriminação, em contrato, das parcelas que compõem o valor total da prestação de serviço temporário não é oponível ao conceito de receita bruta estatuído na legislação tributária. Mc. 2" CC — 202- 19.041/08)" Isto posto, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso e, no mérito, NEGO- \\ LHE PROVIMENTO, nos moldes/ nidos pelo presente voto BENEDICTOf EL ENÍCIO JÚNIOR 1{‘(--
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Numero do processo: 10380.720761/2013-31
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO TEMPESTIVAMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. NECESSIDADE DE SE CONTRAPOR FATOS E FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO.
Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, deve-se conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a manifestação de inconformidade ou impugnação, especialmente para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. O documento novo, colacionado com o recurso voluntário, pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, não se cogitando de preclusão.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral no processo administrativo fiscal é regulamentada conforme disciplinado no Regimento Interno do CARF, não cabendo intimação pessoal e específica ao causídico da causa ou ao representante legal do contribuinte ou ao responsável. A intimação que se efetiva é exclusivamente pelo diário oficial da União e para comunicar o dia da sessão de julgamento, ocasião em que pode-se comparecer voluntariamente e, se desejar, registrar-se presencialmente para sustentar oralmente.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da decisão hostilizada quando ela decidiu fundamentadamente a matéria, inclusive quando apreciou, no mérito, a alegada violação de dispositivo legal pelo ato de lançamento.
O pedido de realização de diligência deve ser acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, inclusive para motivá-lo e demonstrar sua pertinência, sob pena de indeferimento. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. A autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Não é nula a decisão de piso que indefere, motivadamente, requerimento para a realização de perícia.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
GFIP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. GLOSA.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação, sendo legítima a glosa quando se consubstanciar indevida a declaração de compensação efetivada. Demais disto, não estando constituído o crédito tributário, deve-se exarar o auto de infração para fins do lançamento de ofício.
A compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nas compensações glosadas, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus seu provar a liquidez e certeza do vindicado direito creditório, obrigando-se, inclusive, a demonstrar a origem do alegado crédito, permitindo a rastreabilidade, valendo-se de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar, de modo que, não comprovadas as alegações de existência de direito creditório, mantém-se incólume a decisão hostilizada.
Numero da decisão: 2202-005.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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APRECIAÇÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. NECESSIDADE DE SE CONTRAPOR FATOS E FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO. Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, devese conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a manifestação de inconformidade ou impugnação, especialmente para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. O documento novo, colacionado com o recurso voluntário, pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, não se cogitando de preclusão. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral no processo administrativo fiscal é regulamentada conforme disciplinado no Regimento Interno do CARF, não cabendo intimação pessoal e específica ao causídico da causa ou ao representante legal do contribuinte ou ao responsável. A intimação que se efetiva é exclusivamente pelo diário oficial da União e para comunicar o dia da sessão de julgamento, ocasião em que podese comparecer voluntariamente e, se desejar, registrarse presencialmente para sustentar oralmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 07 61 /2 01 3- 31 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 404 2 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão hostilizada quando ela decidiu fundamentadamente a matéria, inclusive quando apreciou, no mérito, a alegada violação de dispositivo legal pelo ato de lançamento. O pedido de realização de diligência deve ser acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, inclusive para motiválo e demonstrar sua pertinência, sob pena de indeferimento. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. A autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Não é nula a decisão de piso que indefere, motivadamente, requerimento para a realização de perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GFIP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. GLOSA. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação, sendo legítima a glosa quando se consubstanciar indevida a declaração de compensação efetivada. Demais disto, não estando constituído o crédito tributário, devese exarar o auto de infração para fins do lançamento de ofício. A compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nas compensações glosadas, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus seu provar a liquidez e certeza do vindicado direito creditório, obrigandose, inclusive, a demonstrar a origem do alegado crédito, permitindo a rastreabilidade, valendose de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar, de modo que, não comprovadas as alegações de existência de direito creditório, mantémse incólume a decisão hostilizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 405 3 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 355/365), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 344/348), proferida em sessão de 10/06/2014, consubstanciada no Acórdão n.º 0435.702, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à impugnação (efls. 306/312), mantendo integralmente o crédito tributário lançado (efls. 111/116), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É legítima a glosa quando indevida a compensação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de Perícia ou Diligência, quando não revestido das formalidades exigidas pelo Decreto 70.235/72, artigo 16, IV, deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento, no Procedimento Fiscal n.º 0310100.2012.00332, DEBCAD 37.353.0749, em face de procedimento de análise de compensação declarada de per si pelo sujeito passivo, referente a competência compreendida entre 01/01/2008 a 31/12/2008, com auto de infração lavrado em 25/01/2013 (efls. 111/116), notificado o destinatário em 28/01/2013 (efl. 111), cujo crédito tributário total constituído foi de R$ 253.477,38 (efl. 2 ou 113), composto de R$ 160.398,27 de principal, R$ 60.999,46 de juros e R$ 32.079,65 de multa de mora, com relatório fiscal colacionado nos autos (efls. 76/110), tem por ponto de partida glosas de compensações, face a consideração das compensações como indevidas. No procedimento não se reconheceu a certeza e a liquidez do direito creditório vindicado, demais disto, partindose da glosa efetivada, lançouse os créditos tributários, pois ainda não estavam constituídos. O relatório fiscal esclareceu, ainda, o seguinte: AUTOS DE INFRAÇÃO DEBCAD N.º 51.021.8164 [Período de 01/2009 a 09/2011, não integrante destes autos] e 37.353 .0749 [Competência de 12/2008, objeto destes autos] Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 406 4 DA GLOSA DAS COMPENSAÇÕES Conforme os fatos acima constatados, a fiscalização considerou indevidas as compensações realizadas pelo contribuinte e, por conseguinte, as mesmas foram objeto de glosa. Consequentemente, as contribuições previdenciárias “compensadas” no período fiscalizado foram objeto de constituição de crédito nesta ação fiscal e correspondem: I – à contribuição patronal incidente sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais; II às contribuições destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalhador / financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) sobre as remunerações dos segurados empregados. Deste modo, foi criado o levantamento “GL – Glosa de compensação”. Os valores glosados em razão de compensação indevida encontramse elencados no Relatório Discriminativo de Débito em anexo [efls. 112/113]. (...) Notese que o presente crédito foi lavrado considerandose a multa de mora por compensação indevida, prevista no § 9.º, art. 89 da Lei 8.212/91, calculada com a alíquota de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Da Impugnação ao lançamento O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 25/02/2013 (efls. 306/312), a qual delimitou os contornos da lide. O sujeito passivo, naquela época impugnante, asseverou que, na competência de dezembro/2018, apurou o valor original de R$ 160.398,27, referente às retenções de 11% do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços emitidas por ela, na forma do art. 31, § 1.º, da Lei 8.212, de 1991, vez que atua no ramo de seleção e agenciamento de mãodeobra podendo se utilizar dos benefícios concedidos a quem se enquadra nesse ramo de atividades. Em suma, controverteuse na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris: A impugnante apresentou impugnação, asseverando, em síntese, que: 1 – O auditorfiscal equivocouse ao considerar que a compensação foi feita com base em processos judiciais; 2 – Tratase de compensação da retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, o que é devidamente autorizado por lei (§ 1.º, art. 31 da Lei 8.212/91); 3 – agiu dentro da estrita legalidade, utilizando corretamente o valor das retenções por meio de compensação administrativa, devidamente informadas em GFIP, conforme demonstrado por meio de documentos anexados à impugnação. Ao final, requer juntada posterior de documentos, por meio da realização de perícia técnica, e a improcedência do auto de infração. Do Acórdão de Impugnação Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 407 5 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário. Em síntese, não se reconheceu a compensação, a qual teria por base a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços. Também, foi entendido pelo juízo a quo ser desnecessária a realização de perícia técnica. Ao final, concluiuse, verbis: CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, VOTO por indeferir os pedidos formulados e julgar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada, com a manutenção do crédito lançado. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 18/08/2014 (efls. 355/365), o sujeito passivo, reitera os termos da impugnação, postula a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como, em preliminar, requer a nulidade da decisão de primeira instância; no mérito, o provimento para anular o lançamento. Postula, ainda, o deferimento da produção de prova documental juntada com o recurso voluntário, mas que diz serem os mesmos documentos colacionados com a impugnação (efls. 368/397), assim como requer a sua intimação, por meio de seu advogado, inclusive para oportuna sustentação oral. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/02/2019. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecêlo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 16/07/2014, efl. 353, protocolo recursal em 07/08/2014, efl. 355, e despacho de encaminhamento, efl. 402), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 408 6 Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito Requerimento de suspensão da exigibilidade do crédito O recorrente requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído e em litígio nestes autos. Pois bem. Em verdade, a suspensão ocorre de forma quase que automática com a interposição do recurso voluntário, sendo controlada na unidade de jurisdição do contribuinte. Isto porque, na forma do art. 151, inciso III, do CTN, suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. De toda sorte, se eventualmente o contribuinte estiver suportando algum prejuízo, por ocasionalmente o crédito tributário controvertido não se encontrar suspenso, compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), no âmbito da jurisdição do contribuinte, gerir e executar as atividades de cadastros e de controle do crédito tributário, responsabilizandose pela implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma do art. 270 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF n.º 430, de 2017, com suas posteriores alterações, competindo internamente a referida atividade às Divisões de Orientação e Análise Tributária (Diort), aos Serviços de Orientação e Análise Tributária (Seort) e às Seções de Orientação e Análise Tributária (Saort), na forma do art. 286 do mesmo Regimento Interno. Aliás, a Lei n.º 11.457, de 2007, que dispõe sobre a Administração Tributária Federal, prevê amplo direito de petição ao jurisdicionado, conforme disciplinamento no art. 45 do citado diploma legal, dispondo que: "As repartições da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão, durante seu horário regular de funcionamento, (...) receber requerimentos e petições." Sendo assim, declaro, en passant, que, até decisão final administrativa irrecorrível, o crédito tributário em litígio encontrase suspenso, competindo ao próprio contribuinte, se necessário, buscar junto a DRF de sua jurisdição a implementação desta suspensão, se não tiver sido automaticamente controlada pela Administração Tributária. Requerimento para apreciação de documentos novos O recorrente requer, igualmente, o deferimento da prova documental (e fls. 368/397) juntada com o recurso voluntário, a qual sustenta serem os mesmos documentos colacionados com a impugnação. A afirmativa é parcialmente verdadeira. Isto porque, existe inovação documental para alguns documentos juntados com o recurso voluntário (efls. 373/381, 382/384, 385, 386, 390, 391 e 392/397). Pois bem. O caso dos autos trata de glosas de compensações, tendo a fiscalização, após averiguações, entendido que os créditos vindicados pelo contribuinte não eram líquidos e certos, de modo que não efetivou a homologação. O contribuinte, tempestivamente, apresentou impugnação e juntou os documentos com os quais pretendia demonstrar o seu alegado direito creditório, prova esta que entendia ser suficiente para demonstrar o seu arrazoado, no entanto foi vencido na primeira instância, a qual expôs suas razões para infirmar a tese jurídica do sujeito passivo, inclusive questionando a materialidade dos vindicados direitos creditórios, que estariam comprovados na prova documental colacionada. Neste diapasão, inconformado, o Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 409 7 contribuinte interpôs recurso voluntário, observando o prazo legal. Nesta ocasião, apresentou inovação documental, inclusive para contrapor os fundamentos da decisão de piso e reafirmar seu direito creditório já defendido desde a impugnação. Este é o cerne da apreciação neste capítulo. Disciplinando o processo administrativo fiscal, o Decreto n.º 70.235, de 1972, traz regramento específico quanto a apresentação da prova documental. Lá temos normatizado que, em regra, a prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual (art. 16, § 4.º, caput). Porém, há ressalvas, isto porque resta previsto que não ocorre a preclusão quando: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior (art. 16, § 4.º, alínea "a"); b) refirase a fato ou a direito superveniente (art. 16, § 4.º, alínea "b"); ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4.º, alínea "c"). A juntada dos novos documentos, com supedâneo em quaisquer das ressalvas, deve ser formulada pelo contribuinte à autoridade julgadora (art. 16, § 5.º). Dito isto, tenho que na resolução da lide, sempre que possível, devese buscar a revelação da verdade material, especialmente na tutela do processo administrativo, de modo a dar satisfatividade ao administrado, objetivando efetiva pacificação do litígio. Em outras palavras, buscase, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. A processualística dos autos tem regência pautada em normas específicas do Decreto n.º 70.235, de 1972, mas também, de modo complementar, pela Lei n.º 9.784, de 1999, e, de forma suplementar, pela Lei n.º 13.105, de 2015, sendo, por conseguinte, orientado por princípios intrínsecos que norteiam a nova processualística pátria, inclusive observando o dever de agir da Administração Pública conforme a boafé objetiva, dentro do âmbito da tutela da confiança na relação fiscocontribuinte, pautandose na moralidade, na eficiência e na impessoalidade. A disciplina legal posta no Decreto n.º 70.235, de 1972, permite, inclusive de ofício, que a autoridade julgadora, na apreciação da prova, determine a realização de diligência, quando entender necessária para formação da sua livre convicção (arts. 29 e 18), sendo regido pelo princípio do formalismo moderado. A Lei n.º 13.105, de 2015, impõe as partes o dever de cooperar para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6.º). Por sua vez, a Lei n.º 9.784, de 1999, prevê que o administrado (contribuinte) tem direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão (art. 38, caput), os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente (art. 3.º, III), sendolhe facilitado o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações (art. 3.º, I). Por último, este Conselho tem entendido que é possível a apresentação de novos documentos quando da interposição do Recurso Voluntário (Acórdão n.º 9303005.065, 1002000.4601, 9202001.634, 9101002.781, 9101002.871, 9303007.555 e 9303007.855). Especialmente, tenho em mente que o documento novo, juntado com a interposição do recurso voluntário, quando vinculado a matéria controvertida objeto do litígio instaurado a tempo e modo com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que, portanto, é relativo a questão controversa previamente delimitada no início da lide, não objetivando trazer aos autos discussão jurídica nova, mas tãosomente pretendendo aclarar matéria fática importante para o âmbito da quaestio iuris, deve ser apreciada regularmente, inclusive para os fins da busca da verdade material, da observância do 1 Acórdão de minha relatoria ao integrar a Primeira Seção de Julgamentos do CARF, julgado em 04/10/2018. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 410 8 princípio do formalismo moderado, bem como com base na esperada normatividade que deve ser dada para a alínea "c" do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, ao dispor que o documento novo pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado. De mais a mais, o contribuinte requereu a juntada dos novos documentos, na forma do art. 16, § 5.º, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Sendo assim, os documentos novos (efls. 373/381, 382/384, 385, 386, 390, 391 e 392/397) apresentados no recurso voluntário devem ser apreciados quando da análise do mérito. Requerimento para intimação específica para sustentação oral O recorrente requer que seja intimada, na pessoa de seu advogado, com o fim de exercer sua prerrogativa de sustentar oralmente suas razões, perante este Conselho. Pois bem. Nas turmas ordinárias do CARF, a sustentação oral é garantida especialmente nos termos do inciso II do art. 58, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), observandose, ainda, os arts. 59, §§ 3.º e 4.º, e 65, § 8.º, do mesmo Anexo II, do RICARF. Basicamente, a sustentação oral, nas turmas ordinárias, ocorre sem muitas formalidades, sendo o requerimento preenchido no dia da sessão, de forma presencial, minutos antes do julgamento. Não há intimação específica e pessoal, ou via diário oficial da União, para compelir a parte a comparecer para fins de sustentação oral. A intimação do recorrente é para fins de comunicar o dia do julgamento, a fim de que possa acompanhar e, se desejar, participar sustentando oralmente. A intimação é para ter ciência da pauta da reunião de julgamento, na forma dos §§ 1.º e 2.º do art. 55, do Anexo II, do RICARF. Portanto, a sustentação oral no processo administrativo fiscal é regulamentada conforme disciplinado no RICARF, não cabendo intimação pessoal e específica ao causídico da causa ou ao representante legal do contribuinte ou do responsável. Intimase para comunicar o dia do julgamento, ocasião em que ciente, se desejar, comparece a reunião de julgamento e faz a sustentação. Vejase os seguintes dispositivos do RICARF, verbis: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II para cada processo: a) o nome do relator; b) o número do processo; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; (...) § 1.º A pauta será publicada no Diário Oficial da União e divulgada no sítio do CARF na Internet, com, no mínimo, 10 (dez) dias de antecedência. § 2.º Na hipótese de pluralidade de sujeitos passivos, constará da pauta apenas o nome do sujeito passivo cadastrado como principal nos autos do processo. (Redação Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 411 9 dada pela Portaria MF n.º 152, de 2016) (...) Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por, no máximo, 15 (quinze) minutos, a critério do presidente; (...) Art. 59, § 3.º No caso de continuação de julgamento interrompido em sessão anterior, havendo mudança de composição da turma, será lido novamente o relatório, facultado às partes fazer sustentação oral, ainda que já a tenham feito, e tomados todos os votos, ... (Redação dada pela Portaria MF n.º 152, de 2016) § 4.º Será oportunizada nova sustentação oral no caso de retorno de diligência, ainda que já tenha sido realizada antes do envio do processo à origem para realizar a diligência e mesmo que não tenha havido alteração na composição da turma julgadora. (Redação dada pela Portaria MF n.º 152, de 2016) (...) Art. 65, § 8.º Admitese sustentação oral nos termos do art. 58 aos julgamentos de embargos. Por conseguinte, sem razão o recorrente quanto ao pedido para ser intimado com o fim específico de exercer sua prerrogativa de sustentar oralmente suas razões. O direito de sustentar oralmente suas razões lhe é outorgado de per si, porém não há intimação específica para tal fim; a intimação é para comparecer a sessão de julgamento, consoante pauta publicada. Importa anotar que o presente julgamento foi objeto de pauta no diário oficial da União, dandose ciência ao recorrente quanto ao momento do julgamento, ocasião em que, observando a disciplina regimental da sustentação oral, pode exercer e efetuar a sua explanação. Devese seguir o procedimento previsto no RICARF, não cabendo a intimação pessoal e específica. Sendo assim, indefiro o pedido de intimação como formulado. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito Nulidade da decisão hostilizada O recorrente sustenta a nulidade da decisão recorrida. Advoga que o auto de infração é nulo de pleno direito, pois não reconheceu uma legítima compensação efetivada na forma da legislação, não sendo apreciada a nulidade do auto de infração na primeira instância, sendo o vício de nulidade decorrente da violação do art. 31, § 1.º, da Lei 8.212, de 1991. Também, alega nulidade da decisão de piso em razão do indeferimento da produção de provas, relativo ao requerimento que formulou na impugnação para a realização de perícia técnica. Pois bem. Desde logo, afirmo que não observo nulidade. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 412 10 O primeiro argumento é desconstituído pelo simples fato da violação do art. 31, § 1.º, da Lei 8.212, de 1991, restar tratada e devidamente apreciada no mérito da decisão recorrida. O segundo argumento, também, não se sustenta, uma vez que, pelo que se vê dos autos, o requerimento de perícia não poderia ser acolhido. Explico. O contribuinte formulou um pleito genérico, sem especificar a razão para a perícia, aliás, no recurso voluntário, sequer pede perícia técnica, demonstrando a sua dispensabilidade. Vejase que o contribuinte não explica de forma objetiva a razão para tal requerimento, sequer apresenta quesitação para orientar os exames que seriam efetivados na sua sugerida perícia, quesitos estes que, também, embasariam a análise do pleito, caso demonstrassem pertinência. Noutro norte, o contribuinte tampouco apresentou o nome de expert, apto a acompanhar eventual trabalho de confecção da prova postulada. Importante consignar que o Decreto n.º 70.235, de 1972, regulamenta os requisitos obrigatórios para possibilitar a efetivação de diligências, sendo que a inobservância deles acarreta no indeferimento do requerimento. A matéria está posta no disciplinamento da impugnação. Observese: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1.º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Destaquese, outrossim, que, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a autoridade julgadora de primeira instância determinará ou deferirá a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Demais disto, obiter dictum, não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão ao recorrente. Passo a expor. Cuida o presente caso de lançamento de ofício constitutivo de crédito tributário composto por principal relativo a contribuições sociais previdenciárias, por juros e por multa de mora (efls. 111/116). As contribuições sociais previdenciárias são relativas à contribuição patronal incidente sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, à contribuição destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalhador e ao financiamento dos benefícios concedidos Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 413 11 em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho sobre as remunerações dos segurados empregados. O auto de infração (competência 12/2008, DEBCAD 37.353 .0749) foi exarado após averiguações nas quais não se confirmou a certeza e a liquidez de direito creditório declarado como existente e utilizado de per si pelo sujeito passivo para efetivar compensações, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Desta feita, não comprovado o direito creditório, efetivouse as glosas das compensações, entendendoas como indevidas e como ainda não estava constituído o crédito tributário houve o lançamento. O contribuinte sustenta e reafirma que, na competência de dezembro/2018, apurou o valor de R$ 373.879,44, referente às retenções de 11% do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços emitidas por ela própria. Sustenta, outrossim, que, na mesma competência (12/2018), utilizou parte deste crédito no valor de R$ 160.398,27, a título de compensação dessa retenção, na forma do art. 31, § 1.º, da Lei 8.212, de 1991, vez que atua no ramo de seleção e agenciamento de mãodeobra podendo se utilizar dos benefícios concedidos a quem se enquadra nesse ramo de atividades. Informa que, em 05/01/2009, apresentou as competentes GFIP's e GPS referente ao período de dezembro de 2008 , utilizandose do crédito que dizia ser possuidor referente à retenção de 11% do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela mesma. Aduz que se uma empresa prestadora de serviços de mãodeobra sofrer retenção no ato de quitação de nota fiscal de serviço, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário. A fiscalização glosou as compensações, pois não conseguiu atestar o vindicado direito creditório decorrente das supostas retenções suportadas na extensão das compensações declaradas na GFIP analisada para os fins do lançamento constante destes autos. A decisão hostilizada, por sua vez, consigna que: Verificase que a impugnante afirma que a compensação que realizou referese à retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, autorizada pela Lei 8.212/91. Para provar o alegado, junta aos autos relação de notas fiscais, indicando as respectivas retenções, relativas às competências 12/2006 e 12/2008, fls. 326/330. (...) Por ocasião da ação fiscal, o contribuinte foi intimado para apresentar provas da origem dos valores por ele compensados, no entanto, não o fez, conforme informa o Relatório Fiscal. Informa, ainda, o Relatório Fiscal, fl. 3, que “foram deduzidos dos valores devidos pela empresa os valores retidos e recolhidos de 11% pelos tomadores de serviços.” Portanto, não podem prosperar as alegações da impugnante. A relação de notas fiscais com demonstração das respectivas retenções, juntada aos autos pelo impugnante, Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 414 12 por si só, não tem o condão de provar que os valores compensados pelo contribuinte e glosados pela autoridade fiscal referemse à compensação autorizada pelo § 1.º do artigo 31 acima citado. Assim, o lançamento deve ser mantido. A controvérsia é que o contribuinte se diz titular de crédito decorrente de retenções de 11% do valor bruto de notas fiscais de prestação de serviços emitidas por ela, constando dos autos documento, trazido pelo recorrente, que apresenta a “lista” das notas fiscais (efls. 326/330), enquanto que a fiscalização diz que o contribuinte, uma vez intimado, não apresentou os documentos fiscais solicitados, bem como diz que ele não comprovou o direito creditório declarado nas GFIP’s, inclusive consta do relatório fiscal em específico trecho (efl. 78) que: “foram deduzidos dos valores devidos pela empresa os valores retidos e recolhidos de 11% pelos tomadores de serviços.” Desta forma, considerando o registro da fiscalização, se houveram retenções de 11% estas já foram apropriadas. Questionando o procedimento fiscal e a decisão de piso, o contribuinte rebate a tese de que não suportou as retenções na extensão alegada e, para tanto, apresenta novos documentos (efls. 373/381, 382/384, 385, 386, 390, 391 e 392/397) com o recurso voluntário. Todavia, após apreciar todos os elementos do processo, não observo a comprovação do direito creditório alegado como existente pelo sujeito passivo, não se desincumbindo do ônus probatório do direito creditório vindicado. Deveras, os novos documentos colacionados (efls. 373/381, 382/384, 385, 386, 390, 391 e 392/397), bem como todos os outros, em sua ampla extensão (efls. 313/338 e 368/397), não comprovam, por si só, as aduzidas retenções suportadas. O contribuinte, por exemplo, não juntou aos autos nenhuma das notas fiscais, não comprovou o destaque da retenção, não demonstrou as retenções. Colacionou tãosomente uma lista dos ditos documentos fiscais, não trouxe aos autos a cópia destes. Os novos documentos não acrescentam ao caso no sentido de comprovar o alegado direito creditório. Vejase que o extrato de contribuições (efls. 373/381) e os resumos de folha (efls. 282/284) não comprovam as retenções. O “relatório de valor de retenção” (efl. 385) não é relativo a competência das vindicadas retenções. O “Comprovante de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e Outras Entidades e Fundos por FPAS” (efl. 386) também não é relativo a competência das vindicadas retenções, ainda assim precisaria estar integrado por outros elementos, tais como, com as notas fiscais com destaque da retenção. Por fim, os demais novos documentos (efls. 390, 391 e 392/397) se referem a composição de valores que vieram a ser parcelados, não sendo elemento para comprovar as alegadas retenções suportadas. A Lei n.º 8.212, de 1991, com suas posteriores alterações, reza que: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços (...). (Redação dada pela Lei 11.933, de 2009). § 1.º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 415 13 estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei 11.941, de 2009) (grifei) Neste diapasão, temse que demonstrar, ao menos, o destaque do valor retido na respectiva nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, não tendo o contribuinte apresentado esta prova nos autos. Não se prova que efetivamente recebeu a menor, tendo suportado a retenção. Outrossim, não se demonstra a elaboração de folhas de pagamento distintas para cada contratante. Não se apresenta de forma clara um recebimento a menor por serviços prestados em razão de retenções. Em síntese, não há no processo a demonstração básica do direito creditório. Dito isto, esclareço que para que se efetive a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo, que seu crédito efetivamente existe e é oponível ao Fisco. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a homologação da compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e a certeza de seu direito creditório. Ora, em se tratando, no plano de fundo, de compensações o procedimento é iniciado pelo próprio sujeito passivo, o qual fica na obrigação de comprovar possuir crédito líquido e certo (direito creditório) contra a Administração Tributária. O regime jurídico da compensação tributária tem fundamento no art. 170 do CTN dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte para com o Fisco) com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (débitos do Fisco para com o contribuinte). No âmbito previdenciário a compensação está embasada no art. 89 da Lei 8.212, de 1991, quando reza que as contribuições sociais previdenciárias poderão ser compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No mais, as normas regulamentares apontam para a necessidade do contribuinte apresentar a documentação solicitada pela autoridade fiscal, inclusive em arquivos magnéticos, aptas a comprovação de direito creditório. Sendo assim, sem razão o recorrente. Conclusão quanto ao mérito do Recurso Voluntário Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, considerando o até aqui esposado, entendo por manter íntegra a decisão recorrida, conhecendo do recurso voluntário, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, negando provimento ao recurso. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10380.720761/201331 Acórdão n.º 2202005.098 S2C2T2 Fl. 416 14 Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 416DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000218/2006-15
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Ementa:
NULIDADE — LANÇAMENTO — FALTA DE MOTIVO - Evidente a
contradição ou a colisão entre os fundamentos fáticos e jurídicos do despacho decisório e o auto de infração que tem sua causa e suporte no despacho decisório. O fundamento do despacho decisório, no caso vertente, integra o auto de infração, que é consequência e continuísmo ao que se pôs naquele. Inescondível a falta ou corrupção do motivo ao auto de infração.
Não fosse por isso, o critério jurídico adotado no auto de infração esbarra no art. 146 do CTN, numa interpretação teleológica e construtiva do preceito. Vício substancial que fulmina o lançamento.
NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM - Para o juízo de procedência do
lançamento, o órgão julgador a quo o inovou. Todavia, com arrimo no art. 59, § 3º, do Decreto, deixa-se de decretar a nulidade do acórdão de origem, para se levar a termo o exame do feito.
Numero da decisão: 1103-000.265
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos temos do do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Marcos Takata
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Ementa: NULIDADE — LANÇAMENTO — FALTA DE MOTIVO - Evidente a contradição ou a colisão entre os fundamentos fáticos e jurídicos do despacho decisório e o auto de infração que tem sua causa e suporte no despacho decisório. O fundamento do despacho decisório, no caso vertente, integra o auto de infração, que é consequência e continuísmo ao que se pôs naquele. Inescondível a falta ou corrupção do motivo ao auto de infração. Não fosse por isso, o critério jurídico adotado no auto de infração esbarra no art. 146 do CTN, numa interpretação teleológica e construtiva do preceito. Vício substancial que fulmina o lançamento. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM - Para o juízo de procedência do lançamento, o órgão julgador a quo o inovou. Todavia, com arrimo no art. 59, § 3º, do Decreto, deixa-se de decretar a nulidade do acórdão de origem, para se levar a termo o exame do feito.
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TURMA/DR.1-SÃO PAULO/SP I Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Ementa: NULIDADE — LANÇAMENTO — FALTA DE MOTIVO - Evidente a contradição ou a colisão entre os fundamentos fáticos e jurídicos do despacho decisório e o auto de infração que tem sua causa e suporte no despacho decisório. O fundamento do despacho decisório, no caso vertente, integra o auto de infração, que é consequência e continuísmo ao que se pôs naquele. Inescondível a falta ou corrupção do motivo ao auto de infração. Não fosse por isso, o critério jurídico adotado no auto de infração esbarra no art. 146 do CTN, numa interpretação teleológica e construtiva do preceito. Vício substancial que fulmina o lançaniento. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM - Para o juízo de procedência do lançamento, o órgão julgador a quo o inovou. Todavia, com arrimo no art. 59, § 3', do Decreto, deixa-se de decretar a nulidade do acórdão de origem, para se levar a termo o exame do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiada por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos tem,/ do-relatá .lo e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO J 10 CA ILVA — Presidente 171 M 6S TAICATA - Relator EDITADO EM: 11 1 SET 201fi Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Femandes Barroso, Gervasio Nieolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero (Vice presidente). 62/ 2 Processo n" I 6327 000218/2006-15 S1-C1T1 Acórdão n " 1103-00.265 Fl. 2 Relatório DO LANÇAMENTO Trata-se de auto de inflação (fls. 19 a 21) relativo a multa isolada de 75 % sobre o valor total dos créditos tributários discutidos em compensações de IRPJ consideradas não declaradas, referente ao ano-calendário de 2005. Na folha de continuação do auto de infração, no tópico "Descrição dos fatos e enquadmnento legal" (fi„ 20) a autoridade fiscal descreve que a recorrente efetuou compensação indevida de valores em sua DCOMP, conforme pedidos de compensação solicitados pelos processos 16327,000750/2004-71, 16327.001724/2004-60 e 16327,000076/2005-13, indeferidos pelo Despacho Decisório de 12/04/.2005, e, assim, consideradas como compensações não declaradas pelas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9,430/96. Em razão da não homologação de compensação declarada pela recorrente, resulta o valor lançado de R$ .3.128.672,92, sob o fundamento do artigo 18 da Lei 10.833/2003 com a redação dada pelo artigo 25 da Lei 11,051/2004 e do artigo 90 da MP 2,158-35/2001. O Despacho Decisório de 12/04/2005 (cópia a fis, 5 a 17) alega em síntese que: No tocante aos direitos creditórios 'astreados em empréstimos compulsórios, falece competência às autoridades da Secretaria da Receita Federal por se tratar de receita da União não administrada pela Receita Federal, logo as declarações de compensação que tenham por objeto o aproveitamento de créditos referentes a receita não administradas pela Receita Federal não produzem efeitos; A recorrente formalizou o "Pedido de Restituição" em .3 de junho de 2,004, portanto, antes da entrada em vigor da Lei 11,051/2004, cuja eficácia foi dada pelo art. .34 da própria lei. Ocorre que o art. 4° dessa lei, além de alterar a redação de alguns dispositivos, introduziu uma nova consequência processual a ser pronunciada pela autoridade administrativa requerida. O § 12 estabelece, taxativamente, os casos em que a compensação será considerada "não declarada"; Essa nova consequência processual trouxe também a necessidade de o legislador ordinário introduzir nova penalidade, harmônica com a nova disciplina legal. Assim é que, pelo art. 25 da Lei 11,051/04, foi introduzido um novo parágrafo à matriz legal que comanda o tema que é o art. 18 da Lei 10.83,3/03, Esta penalidade nova é passível de ser aplicada às condutas praticadas a partir da vigência da lei, ou seja, a partir de 1V01/2005; No caso presente, os processos de compensação, formalizados antes de 29/12/2004, refletem condutas praticadas pela recorrente quando não havia penalidade cominada na lei que regia a matéria - Lei 10,8.33/03, art. 18, resultando, então, que tais condutas não podem ser apenadas.. Declara-se, portanto: "Primeiro: As autoridades da Secretaria da Receita Federal estão impedidas de se pronunciar sobre direito creditório lastreados em empréstimos compulsórios da "ELETROBRÁS" por absoluta falta de competência legal, \ 3 Segundo Às Declarações de Compensação, já protocoladas, mas pendentes de verificação à data da vigência da Lei n" 11.0,5112004, aplicam-se as inovações procesviais introduzidas por este novel diploma legal, Terceiro • A compensação de tributos- ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Pede, al, (sic ) não prescinde de que o ato seja infirmado na Declaração de Débitos e Créditos Federais no per iodo de apuração do respectivo débito compensado, Ouarto . Somente quando a situação &lett se amoldar perfeitamente a hipótese de incidência, prevista em lei, cabe a aplicação de penalidade. (grifin nossos) DA IMPUGNAÇÃO Tendo tomado ciência do lançamento em 21/02/2006 (fls. 19 e 21) a recorrente apresentou a impugnação (fis, 24 a 63), protocolizada em 22/03/2006, relatando e alegando o que segue: Preliminarmente, alega que o auto de infração desrespeita diversos princípios constitucionais, implicando cerceamento de defesa, devendo ser declarado nulo. Além disso, continua, o ato administrativo desrespeitou os incisos VI, VII, VIII do parágrafo único do art. 2° da Lei 9.784/99; Afirma que a inobservância dos princípios e normas acima citados implicam o cerceamento de defesa, eivando o ato de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto '70.235/72; Argumenta, a seguir, sobre a necessidade de se observar a vigência do princípio da motivação das decisões, afirmando que o auditor fiscal, quando da lavratura do lançamento em questão, deixou de motivar de forma clara, explícita e congruente, corno pede o art. 50 da Lei 9..784/99; Alega que autoridade fiscal, ora afirma que as compensações realizadas pela recorrente foram consideradas não declaradas e em seguida, assegura que tais compensações foram não homologadas; Assevera que, embora nos dois casos a compensação não seja aceita, os reflexos são distintos, a par do art. 18 da Lei 10,833/03, em que o capta disciplina os casos de aplicação de multa quando não houve a homologação da compensação e o § 4', os casos em que a compensação é considerada não declarada; Em seguida, passa a argumentar sobre a obscuridade e incongruência da motivação apresentada na auto, pois o inciso II do § 12 do art, 74 da Lei 9..430/96 remete a cinco alíneas distintas e não ficou claro, no seu entender, em qual das hipóteses se enquadraram as compensações. Assim, conclui, não há, neste auto de infração, a obrigatória descrição dos fatos, caracterizando vício que inquina o auto de nulidade; Como consequência dessa sua conclusão, assevera haver negativa de vigência ao principio do devido processo legal, passando a discorrer sobre a violação do contraditório e da ampla defesa, apresentando excedias de decisões administrativas, culminando, por solicitar., em preliminar, a anulação do presente auto, por cerceamento do direito de defesa; Afirma, ainda, que há incompatibilidade entre o presente lançamento e a existência de declarações de compensação pendentes de julgamento; No mérito, postula o impugnante pela irretroatividade da Lei 11,051/04. Diz que "supõe", em face dos parcos elementos apresentados pela autoridade administrativa, que a multa aplicada se baseia nas alterações introduzidas pela Lei 11.051/04 ao art.. 18 da Lei 4 Processo n" I 6327 0002 I 8/2006-15 Si-C1T1 Acórdão n' 1103-00.265 Fl. 3 0,833/03. Como ela foi publicada em 30/12/2004 e as compensações por ele declaradas foram apresentadas antes da vigência dessa norma, é evidente, no seu entender, que o dispositivo punitivo não alcançaria aqueles procedimentos. Mormente, diz, quando as compensações estão atreladas a um pedido de restituição apresentado ao fisco muito antes da citada alteração legal. Entende que as compensações não podem ser consideradas não declaradas, uma vez que à época em que foram protocolizadas não havia norma legal vigente que previsse tal hipótese; Em seguida, alega a ilegalidade da multa e seu efeito confiscatório, afirmando, ainda, que a base de cálculo utilizada para se aferir o valor a lançar é equivocada por compreender o valor dos tributos acrescidos de juros e de multa de mora, DA DECISÃO DA DR.I E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 27/09/07, a 8" Turma da DRI/São Paulo julga, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, sob os argumentos que seguem: Mesmo sob a égide do art. 18 da Lei 10.833/0:3 antes da alteração promovida pela Lei 11,051/04, houve sua tipificação, pois o empréstimo compulsório da Eletrobrás é crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, conforme o art. 74, capuz, da Lei 9.430/96 com a redação da Lei 10,637/02, e já sob os auspícios da Lei 11,051/04 que alterou o art 18 da Lei 10,833/03, igualmente se deu a tipificação por caracterização de compensação não declarada, nos moldes do art. 74, § 12, II, da Lei 9430/96, na redação da Lei 11..051/04; Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito; A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos em lei; Conclui que não se trata de aplicação retroativa da Lei 11..051/04, como alega a recorrente, mas se trata da aplicação da norma vigente correspondente a cada processo de compensação apensado ao processo original de restituição de crédito, Assim, é devida a multa isolada imposta; A multa de oficio não possui natureza confiscatória, constituindo, antes, instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A capacidade econômica da recorrente é respeitada, na medida em que a exigência é feita mediante aplicação de percentual sobre o tributo que deixou de ser pago. No dia 28/11/2007, a recorrente é devidamente cientificada do r. acórdão, interpondo, tempestivamente, o recurso voluntário em 27/12/07, reiterando os argumentos expendidos em sua impugnação. É o relatório, Voto Conselheiro MARCOS SHIGUEO TAKATA, O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço, Liminarmente, observo que a conexão de "ações", ou de pretensões resistidas deduzidas em processo administrativo fiscal, a que se refere o art. 18, § 3 0, da Lei 10.833/03, não se coloca nesta instância.. Vale dizer, não se estabelece, aqui, a imposição da reunião no mesmo processo das pretensões resistidas iniciadas com a manifestação de inconformidade contra não homologação de compensações (a bem ver, contra compensações consideradas não declaradas, como resultou do despacho decisório) e a impugnação contra o auto de inflação de exigência de multa isolada decorrente das compensações pretendidas, conforme o art. 18, § 3 0, da Lei 10M3/031, Em consulta ao Comprot, vejo que o feito relativo à manifestação de inconformidade se encontra arquivado, após o juizo de não conhecimento daquela por parte da 1()" Turma da DRI/São Paulo. Outrossim, não há interdição processual para o julgamento autónomo do presente feito, que versa sobre o auto de infração que comina a multa isolada prevista no art, 18 da Lei 10..833/03.. Principio, pois, com o exame das preliminares de nulidade articuladas pela recorrente. O despacho decisório no qual se fundou o auto de infração decretou a incompetência da DRF para apreciação do pedido de restituição de crédito de empréstimos compulsórios da Eletrobrás, e sem efeitos as declarações de compensação apresentadas com esteio naquele pedido de restituição, vale dizer, decretou não declaradas as referidas compensações (fls. 16 e 17) Para tal dispositivo, o despacho decisório desfiou, além do quadro fático- jurídico (fls. 5 a 9), larga e detalhada fundamentação jurídica (fls. 9 a 16). Na fundamentação, fica consignado que as alterações promovidas pela Lei 11,051/04 ao art. 74 da Lei 9A30/96 são de direito formal, e não de direito material.. Assim, nomeadamente os §§ 12 e 13 do art. 74 da Lei 9A30/96, introduzidos pela Lei 11..051/04: aquele, instituindo hipóteses em que se considera não declarada a compensação 2 , e o último, Art 18. (...) § 3. Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente 2 § 12 Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei n" 11 051, de 2004) 1- previstas no § 3" deste artigo; (Incluida pela Lei n" 11.051, de 2004) II - em que o crédito: (Incluída pela Lei n" 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei n" 11 051, de 2004) 6 Processo n" I 6327 000218/2006-15 si-C1T1 Acórdão n. 0 T103-00.265 H 4 preceituando o descabimento de lide administrativa nos termos do PAF para as compensações não declaradas3. É dito na fundamentação que tais alterações, por terem caráter de normas instrumentais, são aplicáveis imediatamente às declarações de compensação em curso, sem resultar em ofensa a ato jurídico perfeito, a direito adquirido, como ao princípio da anterioridade. Nessa senda, referidas normas são aplicáveis mesmo às declarações de compensações (em curso) apresentadas antes do início da vigência da Lei 11A51/044. Adernais, pontua-se que a efetiva compensação só se dá pela informação sob a rubrica "créditos vinculados ao débito" na DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF 126/98, sendo a apresentação da declaração de compensação mero ato material. Ainda, na fundamentação, abre tópico chamado "Das Penalidades", no qual deduz o seguinte. Pondera que a Lei 11.051/04, ao introduzir ., por seu art. 4", nova situação jurídica — as tais normas instrumentais — trouxe a necessidade de se instituir "nova" penalidade, em harmonia com a novel disciplina legal.. Assim, o art. 25 da Lei 11..051/04 criou o § 4" do art.. 18 da Lei 10.8.3.3/03, o qual previu que a multa desse artigo é também aplicável quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/965, b) reflua-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1" do Decreto-Lei if 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei n" 11.051, de 2004) c) refira-se a titulo público; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em . julgado; ou (Incluída pela Lei n" 11 051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRE (Incluída peia Lei na li 051, de 2004) 3 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9" e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto ri° 70,235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art.. 151 da Lei n" 5 172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n" 10 833, de 2003) (., ) § 13 . O disposto nos §§ 2" e 5" a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei n" 11.051, de 2004) 4 A Lei II .051 é de 29/12/04, publicada no DOU de 30/12/04, e o art. 34, III, dessa lei dispõe que ela entra em vigor a partir da data de sua publicação. 5 O art 18 da Lei. 10,833/03 sofreu alterações na redação original e inclusão do § 4', por meio do art. 25 da Lei 11051/04: Art 18, O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2 158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não-homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei n" 11.051, de 2004) § 1". Nas hipóteses de que trata o capta, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6" a II do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 § 2". A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2" do art 44 da Lei rf 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei if 11.051, de 2004) \%, 7 Trata-se de criação de penalidade, aplicável somente às condutas praticadas a partir de 1 0/01/05 (em que pese haver dito alhures "antes de 29 de dezembro de 2004". — 14). Dessa forma, as declarações de compensação apresentadas antes de 29/12/04 informam condutas que não eram apenadas conforme a lei que regia a matéria (o art 18 da Lei 10.833/03), cabendo observar, por contraste, o art. 106, II, "c", do CTNI - retroatividade benigna em matéria penal (fls. 13 e 14).. Como o art. 25 da Lei 11051/04 criou penalidade, ele é inaplicável às declarações de compensação formalizadas antes de 30/12/04 (fis. 13 e 15). Conforme a redação original do art 18, caput, da Lei 10.833/03 a penalidade era aplicável na concreção de três hipóteses: por expressa disposição legal, o débito ou o crédito não ser passível de compensação; o crédito não ser de natureza tributária; ocorrência de vícios jurídicos — fraude, conluio ou sonegação. Tais hipóteses não se ajustam às condutas do interessado quanto às declarações de compensação interpostas até 29/12/04. Acentua que, na nova disciplina penal introduzida pela Lei 11..051/04, a pena é prevista no percentual único de 150% 6 . Todavia, se a hipótese não configurar compensação de tributos, não são aplicáveis as sanções, por força do principio da estrita legalidade. Insere tópico "Da Situação de Inadimplência do Interessado", para dizer que, nos presentes autos, o interessado não consagrou juridicamente as compensações, pois as DCTE's indicam valor de "Saldo a Pagar" sem constarem as compensações pretendidas. De tal molde, fazendo breve histórico da evolução do art. 90 da Medida Provisória 2.158/01, chancela que o presente caso indica situação de inadimplência, e não de compensação de tributos.. Após toda a fundamentação, em "Conclusão", reitera, entre outros pontos, que a compensação em causa não prescinde de que o ato seja informado na DCTIT para ser efetiva compensação, que somente quando a situação tática se amoldar perfeitamente à hipótese legal, cabe a aplicação de penalidade. Ou seja, conclui não ser aplicável a pena do art. 18 da Lei 10,833/03 sob a égide da vigência de sua redação original, para as declarações de compensação apresentadas a esse tempo, por não tipificar o pressuposto de incidência. E também conclui não ser aplicável a pena do art. 18 da Lei 10.833/03 sob o manto das alterações feitas pela Lei 11..051/04, para a declaração de compensação apresentada na vigência dessa lei, por não se estar diante de compensação, mas de inadimplência. De outra § 3". Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um ilnico processo para serem decididas simultaneamente. § 4". A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art 74 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluido pela Lei n" 11.051, de 2004) V nota de rodapé anterior (§§ 2" e 4" do art. 18 da Lei 10 833/03 com a redação da Lei 11.051/04). 8 Processo n" I 6327 0002 I 8/2006-15 SI-C11-1 Acórcian n " 1103-00a65 Fl 5 parte, desfecha, para fins de compensação, que todos os "atos materiais" tendentes àquela devem ser consideradas compensações não declaradas. Com isso, propõe que sejam declarados sem efeitos, nos termos do § 12 do art, 74 da Lei 9..430/96 todas as declarações de compensação vinculadas ao feito. O despacho decisório é datado de 12/04/05 (ti. 17). Pois bem, Discordo sobre várias questões deduzidas no despacho decisório.. Entendo que a dicção original do art. 18 da Lei 10..833/03 compreende as declarações de compensação apresentadas antes de 30/12/04. O capa do art 18 em questão previa, entre as hipóteses de incidência de pena, o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição lega1 7 . E o art. 74, capui, da Lei 9..4,30/96, com a redação da Lei 10.6.37/02, dispõe ser possível a compensação de créditos tributários do sujeito passivo administrados pela Receita Federal, restituíveis ou ressarcíveis, com débitos tributários próprios administrados pela Receita Federai s , O empréstimo compulsório da Eletrobrás, conquanto tenha natureza tributária, não é, nem foi administrado pela Receita Federa19. Não merece guarida a intelecção de que a compensação só se efetive com sua informação na DCTF. Quando muito, isso se dava para compensações entre tributos de mesma 1 Art 18 O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. 8 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em .julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utiliza-10 na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão .(Redação dada pela Lei n" 10.637, de 2002) 9 O empréstimo compulsório da Eletrobrás, cobrado entre 1964 e 1972, foi instituído pelo art. 4" da Lei 4.156/62, com a redação das L eis 4 364/64, 4.676/65 e do Decreto-lei 644/69: Art. 4". Até 30 de junho de 1965, o consumidor de energia elétrica tomará obrigações da ELETROBRÁS, resgatáveis em 10 (dez) anos, a juros de 12% (doze por cento) ao ano, correspondentes a 20% (vinte por cento) do valor de suas contas A partir de 1" de . julho de 1965, e até o exercício de 1968, inclusive, o valor da tornada de tais obrigações será equivalente ao que for devido a título de imposto único sobre energia elétrica (redação dada pela Lei n°4.676, de 1965) § 1". O distribuidor de energia elétrica promoverá a cobrança ao consumidor, conjuntamente com as suas contas, do empréstimo de que trata este artigo e mensalmente o recolherá, nos prazos, previstos para o imposto único e sob as mesmas penalidades, à ordem da Eletrobrás, em agência do Banco do Brasil.. (redação dada pela Lei n" 4.364, de 1964) § 2" O consumidor apresentará as suas contas à Eletrobrás e receberá os títulos correspondentes ao valor das obrigações, acumulando-se as frações até totalizarem o valor de um titulo, cuja emissão poderá conter assinaturas em Fac-símile. (redação dada pela Lei n°4.364, de 1964) (-. ) § 9". À ELETROBRÁS será facultado proceder à troca das contas quitadas de energia elétrica, nas quais figure o empréstimo de que trata este artigo, por ações preferenciais, sem direito a voto (parágrafo incluído pelo Decreto- lei n°644, de 1969) ... . espécie, em que não se impunha o pedido de compensação, ainda na vigência do art. 74 da Lei 9,430/96 em sua redação originar. Reputo não ter foros de juridicidade a assertiva de serem normas instrumentais as alterações promovidas no art. 74 da Lei 10.833/03 (introdução dos §§ 12 e 13) pela Lei 11.051/04, de molde a serem aplicáveis a declarações de compensação apresentadas antes da vigência da última lei. Entretanto, para minha cognição, o empeço que ponho sobre essas e outras interpretações conformadas no despacho decisório em nada interfere no juízo a ser extraído para a lide em causa, pois entendo que tais questões, meritum causae (no mérito), não se colocam em jogo no presente feito. Importa e interessa, aqui, toda a fundamentação deduzida no despacho decisório em face do auto de infração lavrado, Senão, vejamos. No auto de infração em dissídio é textualmente colocado que a recorrente efetivara compensação indevida de valores em declaração prestada, que fora indeferida pelo despacho decisório de 12/04/05 e, assim, consideradas como compensação não declarada. E que, dessa firma, ou seja, nesses termos, ou em consequência a isso, se lança de oficio a multa de 75% sobre o total dos débitos dos processos. É indicado como enquadramento legal o art, 18 da Lei 10,833/03 com a redação do art. 25 da Lei 1 L051/04, além do art. 90 da MP 2A58/01. Para não sobrar perplexidade, transcrevo in litteram o que consta no instrumento do auto de infração: O contribuinte efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada (sic.), conforme pedido de compensação (sic.) solicitadas (sie) pelos processos 16327 000750/2004- 71,16327 001724/2004-60 e 16327 000076/2005-13, e indeferidas pelo Despacho Decisório de 12/09/2005, e, assim, consideradas como compensação não declarada pelas hipóteses do inciso lido parágrafo 12 do ar! 74 da Lei 9 430/96 Dessa , firam (sic.), está se lançando de oficio a multa isolada de 75% ,s-obre o total de débitos dos processos acima, eia razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, coa fume artigo 90 da 2158-35/2001. Total dos débitos dos processos.- 16327 000750/2004-71 - R$ 3 385.466,88 16327 001724/2004-60 - R$ 750.678,02 16327 .000076/2005-13 - R$ 35 419,00 total R$ 4.171 563,90, que aplicando a multa de 75%, dá o valor de R$ 3.128.672,92 l() Ari 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração O art 14 da Instrução Normativa 21/97 previa a possibilidade de se operar a compensação independentemente de requerimento do contribuinte. Andou muito bem a norma infralegal, nesse passo, pois, tenho para mim que o art 66 da Lei 8.383/91 convivia com o art 74 da Lei 9.430/96, antes da alteração desta pela Lei 10 637/02 Processo n" 16327 000218/2006-15 Sl-CM Acórdão n " 1103-00.265 Fl 6 Data Valor Multa Isolada 30/04/2005 R$ 3.128.672,92 ENQUADRAMENTO LEGAL. Ar! 18 da Lei n° 10.833/03 c/a redação dada pelo ar! 25 da Lei n° 11 051/2004 Ar! 90 da MP 2158-35/2001. (grifinnos) É de nítida visibilidade a contradição ou quando menos o descompasso ou desalinhamento entre os fundamentos fálicos e jurídicos do despacho decisório e o auto de infração que tem sua causa e suporte no despacho decisório. Aliás, no caso vertente, entendo que se pode mesmo dizer que o fundamento do despacho decisório integra o auto de infração. Em abono a esta assertiva, note-se que no instrumento do auto de infração é posto claramente que confOrme o despacho decisório de 12/04/05 as compensações foram consideradas não declaradas e que, dessa forma, se está lançando de oficio a multa isolada de 79/0„ "Dessa forma", no contexto posto, é nos termos e na conformidade do que se coloca no despacho decisório. "Dessa forma" é diante do e como consequência do despacho decisório: em linha ou em continuismo ao que se pôs no despacho decisório. Já tive oportunidade, em outra ocasião, de pontuar que não se deve confundir o instrumento do auto de infração com o auto de infração. Este pode resultar materializado em um único instrumento ou em mais de um. Em autuações em que as descrições fática e jurídica e, assim, o motivo e a motivação são mais singelas, é comum elas se encontrarem no corpo de um instrumento único do auto de infração. O fato de elas se encontrarem em instrumento distinto daquele que poderíamos chamar de instrumento específico do auto de infração não significa que aquelas não componham o auto de infração, Ainda, para não haver dúvida quanto ao que descrevi do despacho decisório, trago os excetos à colação, ipis ver-bis: FUNDAMENTAÇÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL DO PROCEDIMENTO INERENTE AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO 12. Nos presentes autos, se impõe uma questão preliminar a ser .superada. Trata-se de saber se as . funções inerentes à administração dos empréstimos compulsórios, operados pela tomada compulsória de OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS por parte dos consumidores de energia elétrica, instituídos por Lei Federal - Lei a' 41 46/62 foram, por lei, atribuídas à Secretaria da Receita Federal. Efetivamente não foram. 13. O interessado neste pleito,(Sic.) fez destacar o comando inserto no § 3" do art. 4" da Lei n" 4,146/62 que instituiu o referido empréstimo compulsório, o qual traz a seguinte redação.• ‘)1 "E assegurada a responsabilidade solidária da União, em qualquer; hipótese, pelo valor nominal dos titulas de que trata este artigo". 14 No ponto, é manifesto o equivoco do contribuinte interessado. Não há como se fazer qualquer iukrência, do texto legal citado, que resulte no envolvimento da Secretaria da Receita Federal na relação jurídica estabelecida entre a União e o portador de Obrigação da Eletrobrás. Assim o dispositivo legal não socorre a pretensão do interessado, ainda que detentor legitimo do titulo em questão. 15 Também é irrelevante na controvérsia, (sie) a discussão sobre a natureza jurídica dos empréstimos compulsórios da "ELETROBRÁS" Ainda que se firme a natureza tributária destes valores, não é a SRF responsável por sua administração 16. Do exposto, resta, (sic ) claro, que . falece competência à qualquer autoridade da Secretaria da Receita Federal para se pronunciar sobre Pedidos de Restituição que envolvam Obrigações da Eletrobrás. DOS PROCEDIMENTOS APENSADOS DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO 17 O rito processual decorrente da aplicação das disposições. constantes cio art 74 da Lei n" 9,430/96 e respectivas alterações, que versam sobre a compensação de tributos e contribuições, determinam a prática de atos distintos, pelas partes envolvidas (511/eito passivo do débito compensado e autoridade administrativa requerida). Como ordem geral de ocorrências, tem-se o ato do reconhecimento do direito creditário seguido da homologação total ou parcial da compensação, sendo os atos da autoridade, ainda, sujeitos ao duplo grau de .jurisdição Entretanto, o presente caso encerra exceção a ser analisada .frente ao direito instrumental posto. 18 Por oportuno, transcrevemos o art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação já alterada pelas Leis n os 10 637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004; ) 19 Cumpre-nos, de plano, lembrar que o contribuinte interessadofOrmalizou o "Pedido de Restituição" em 03 de junho de 2.004, portanto, antes da entrada em vigor da Lei n" 11.051/2004 , cuja eficácia foi dada pelo art. 34 da própria Lei. Ocorre que o ar-t. 4 0, desta Lei, além de alterar a redação de alguns dispositivos, introduziu unia nova conseqüência processual a ser pronunciada pela autoridade administrativa requerida Estamos nos referindo ao que dispõem os 0 - 12° e 13° acima transcritos, O s'iç 12° estabelece, taxativamente, os casos cm que a COMPENSAÇÃO será considerada NÃO DECLARADA Por sua vez, o §13 0 afasta a aplicação, nestes casos previstos no §12" , das figuras da extinção do crédito por compensação (5 2°), dos prazos para homologação (§5°), da confissão de dívida 069, do prazo para pagamento (§7°), da manifestação de inconformidade (§§ 7" c/c 8") e dos recursos processuais (0 90, 10° e 11 0 combinados). 12 Processo n" 16327 000218/2006-15 SI-CIT1 Acórclilo n " 1103-00,265 Fl 7 21. As alterações de ordem legal introduzidas pela Lei n" 11.0.51/2004 inserem-se rio campo do Direito Formal, eis que cuidam de condutas relacionadas com a obrigação principal a serem observadas pelos sujeitos passivos em geral e não da obrigação tributária principal propriamente dita - fato gerador., incidência, base de cálculo, a//quota- . Esta distinção se faz importante para que nos passos seguintes se possa concluir sobre o alcance destas alterações segundo as regras do direito intertemporal postas em nosso ordenamento jurídico. 22. A irretroatividade das leis, como regra geral e decorrência do principio da segurança jurídica, está assegurada, para todos os cidadãos, no inciso XXXVI do art, .5" de nossa Carta Magna - CF de 1 988- ( ..) 23. Percebe-se, então, que o legislador constitucional elegeu três situações jurídicas distintas que não podem ser alteradas por lei nova ou superveniente. Resta saber se os casos protocolados a título de compensação de tributos, apensos por processos distintos a estes autos, se ajustam às citações constitucionais. Em primeiro lugar, destaca-se do fato de que o processo 16327.000076/2005-13 foi formalizado em 14/06/2005, portanto já sob a vigência da Lei n" 11.051/2004. Então, sobre esta conduta específica não há o que se discutir; o sujeito passivo estaria subordinado às novas regras, na situação de efetiva compensação. Quanto aos demais processos formalizados antes da vigência das normas em questão, assinalam-se: a) em se tratando de normas instrumentais, a eficácia das leis se dá a partir de sua vigência, descabendo a aplicação do princípio da anterioridade previsto na alínea "b" do inciso III do art, 150 da Constituição Federal de 1.988,' b) o ato material da apresentação de .formulário de declaração compensação é mero exercício do direito de petição; a efetiva compensação, como ato jurídico se dá pela infbrinação (sob a rubrica, créditos vinculados ao débito) na Declaração de Débitos e Créditos Federais que fbi instituída pela IN SRF n" 126/98, ç) a compensação de tributos extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação ( §.2" do art. 74 da Lei n" 9_430/96 com redação alterada pela Lei n" 10 637 de 2.00.2), d) a autoridade administrativa requerida tem o prazo de cinco anos para homologar ou não a compensação (5° do art. 74 da Lei n°9 430/96 com redação alterada pela Lei n o 10833/2003); e) por dedução destas assertivas, há de se concluir que a inocorrência da homologação, explícita ou tácita ( aquela que ocorre por decurso de prazo) não faz surgir; no mundo jurídico, direito adquirido, ato jurídico perfeito e, muito menos, coisa julgada ( no presente caso, a petição pende de apreciação); 13 1) no caso presente incide a regra inserta na alínea "e" do inciso II do §12 do art. 74 da Lei n" 9.430/96, introduzido pelo art. 4" da Lei 11 o 11.051/2004, ou seja, deve ser considerada não declarada a compensação em que o c-rédito não se refira a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal 24. Por outro lado a semântica do contido no §'12 do art. 74 da Lei n" 9430/96, cuja redação fora introduzida pela Lei n" 11.051/2004, traduz-se em regra de direito processual que vincula a autoridade aáninistrativa na apreciação da Declaração de Compensação Portanto a autoridade aáninistrativa é destinatária ria norma em comento O poder dever, derivado desta imposição legal, alcança todo e qualquer pronunciamento, em Declaração de Compensação, fbrinalizado a partir de 1" de janeiro de 2 005. DAS PENALIDADES 25. Do exposto até agora, releva destacar que a Lei 1L051/2004, mais precisamente o seu artigo 4", veio a introduzir nova situação jurídica, nos processos instaurados com base na Declaração de Compensação. Estamos nos referindo àquelas situações .fáticas, indicadas na lei, em que a autoridade administrativa da SRF está compelida a considerar não declarada a compensação, ou, positivamente, declarar-, a nulidade dos efeitos do ato material da declaração de compensação inteiposta Pois bem, esta nova situação,(sic ) trouxe também a necessidade de o legislador ordinário introduzir nova penalidade, harmônica com a nova disciplina legal. Assim é que pelo art. 25 da Lei n" 1L051 de 2.004 .foi introduzido um novo parágrafo à matriz legal que comanda o tema que é o art. 18 da Lei n" 10.833. Estamos nos referindo a introdução ,ç'4" que veio assim escrito.' 4" A multa prevista no capa deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9 430, de 27 de dezembro de 1996." (NR)" 26. Ai está a criação de penalidade nova, passivel de ser aplicada às condutas praticadas a partir da vigência da lei, ou seja, a partir de 1" de janeiro de 2005. 27. O pressuposto básico na aplicação desta penalidade é a situação processual em que for considerada não declarada a compensação, o que por sua vez., pode ocorrer nos processos instaurados antes ou depois de 1" de janeiro de 2.00.5. No entanto, aqui estamos diante de norma criadora de nova penalidade, o que, nos remete ao disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, ia verbis: ) 28 No caso presente, os processos de compensação, fbrinalizados antes de 29 de dezembro de 2 004, refletem condutas praticadas pelo sujeito passivo quando não havia penalidade cominaria na lei que regia a matéria - Lei n" 10.83.3 de 2.003, art 18 -. É patente, então, que tais condutas não 14 Processo n" 16.327.000218/2006-15 SI-C1T1 Acórdão n." 1103-00.265 Fl 8 podem ser apenada,s. Trata-se aqui de interpretação, por contraste, do que dispõe a alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, bem como da aplicação do princípio da retroatividade benigna adotado pelo nosso ordenamento jurídico 29. Esta referida modificação, produzida pelo art. .25 da Lei n° 11.051/2004 não foi a única alteração em matéria penal tributária, existiram outras que merecem ser destacadas para a plena compreensão do assunto. Antes o "caput" do art. 18 da Lei n°10.833 de 2.003 estava assim redigido.• " Art. 18.. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2 158-35, de 24 de agosto de .2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que . ficar caracterizada a pi ótica das infrações previstas nos arts, 71 a 73 da Lei n°4.502. de 30 de novembro de 1964. Vê-se no texto que o dispositivo legal enunciava três hipóteses .[áticas para a aplicação de multa isolada, a saber; 1" por expressa legal, o débito ou o crédito não ser passível de compensação; 2"- o crédito não ser de natureza tributária; 3"- ocorrência de vícios jurídicas - fraude, conluio ou sonegação Estas três hipóteses não se ajustam às condutas do interessado no que concerne às declarações de compensação interpostas até 29 de dezembro de .2.004. 30. Hoje têm-se uma nova redação para o "capta" do art 18 da Lei n" 10.833 de 2.003 que ficou assim escrito: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o ar!. 90 da Medida Provisória n° .2.1.58-35, de .24 de agosto de 2001, Innitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que .ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 11" 4.502, de 30 de novembro de 1964." Ao intérprete, então, não pode passar despercebido que hoje estamos diante de uma nova estrutura legal no que diz respeito à aplicação de penalidades, Nesta nova disciplina serão apertados os sujeitos passivos que tenham interposto Declaração de Compensação que resultou em não homologação por .fraude, conluio ou sonegação Também serão apenados os sujeitos passivos cujas declarações de compensação apresentadas não produziram os efeitos que lhes são próprios por expresso pronunciamento da autoridade julgadora. 15 31 Outra importante modificação introduziria pelo art. 25 da Lei n" 11 051 de 2004 diz respeito ao percentual da multa a ser aplicado Esta modificação de percentual harmonizada à nova regia do "caput" do art. 18 da Lei n" 10.8.33/2 003 e veio vazada os seguintes termos. § 2" A multa isolada a que se refere o cama deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no §. 22 do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, confOrme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Por oportuno, vale transcrever os dispositivos da Lei a" 9 430/96 que tinam objeto de remissão na modificação legal citada "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 - "otnissis", 11 - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de .30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis §- 2° Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para pi estar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a sei de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente " 32, Face ao novo regrcunento, resta afirmar que, a partir de de janeiro de 2.005, há um único percentual - 150%- a ser aplicado para determinação do "quantum" devido a título de penalidade em situações tipificadas como de compensação de tributos ou contribuições administrados pela SRF Por outro lado, caso a hipótese não configure . compensação de tributos ou contribuições, não se aplicam as sanções aqui versadas, tendo em vista o principio da estrita legalidade, e, do contido no ar! 112 do CTN que dispõe sobre a interpretação da lei tributária em matéria penal Como veremos adiante (sic ) o interessado, nestes autos, não efetuou as compensações que pretendia ter por homologadas DA SITUAÇÃO DE - INADIMPLÊNC1A DO INTERESSADO. 33. Dispõe o art 90 da Medida Provisória n°2.158-31 de 2.001.• Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada por sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal 34. Como .já vimos está regra evoluiu para se restringir aos casos de aplicação de penalidades decorrentes de diferenças apuradas nas DCTF(s) e que se refiram aos chamados créditos vinculados ao débito como o pagamento, o parcelamento, a 16 Processo n" 16327 000218/2006-15 Acórclào n " 1103-00.265 F 1 9 compensação ou a suspensão de exigibilidade. O pagamento e a compensação são atos praticados pelo contribuinte que extinguem o crédito tributário sob condição resohaória de ulterior verificação. Estes, ponanto, são atos do mundo jurídico nos termos do 0" do ar!. 1.50 do Código Tributário Nacional, que devem ser exteriorizados na forma da lei. Não pertencem à reserva mental dos sujeitos passivos O pagamento se consuma mediante recolhimento de importância certa, em moeda corrente, e mediante documento próprio que é DARF - Documento de Arrecadação de Receitas Federais -. A compensação se opera pela informação prestada pelo sujeito passivo na Declaração de Débitos e Créditos Federais. 3,5. Nos presentes autos pode-se verificar pelo cotejo das informações prestadas nas DCTF(s) - documentos de .fis - e nos fOrmulárias de Declaração de insertos nos processos apensados, que o interessado não consagrou Juridicamente, as compensações que pretendia ver homologadas. Pelo contrário, as DCTF(s) indicam para cada tributo ou contribuição nos respectivos períodos de apuração em causa, valor de "SALDO A PAGAR", ou seja, valor em aberto passível de ser levado à inscrição como dívida ativa da União. Assim a situação dos autos indica a condição de inadimplência do contribuinte e não de compensação de débitos tributários, C ONC L USir O 36. Considerando o todo exposto, concluímos: Primeiro- As- autoridades da Secretaria da Receita Federal estão impedidas de se pronunciar sobre direito creditório lastreados em empréstimos compulsórios da "ELETROBRÁS" por absoluta falta de competência legal; Segundo: Às Declarações de Compensação, já protocoladas, mas pendentes- de verificação à data da vigência da Lei n" 11.0.51/2004, aplicam-se as inovações processuais introduzidas por este novel diploma legal, Terceiro A compensação de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, (sie.) não prescinde de que o ato seja infbrmado na Declaração de Débitos e Créditos Federais no período de apuração do respectivo débito compensado; Quarto: Somente quando a situação fálica se amoldar perfeitamente a hipótese de incidência, prevista em lei, cabe a aplicação de penalidade (gri fas nossos) Não hesito em afirmar, pois, que há falta de motivo ou corrupção do inativo ao auto de infração em dissídio, na medida em que é inescondível a contradição, colisão ou desajuste entre os fundamentos ou motivo do despacho decisório e o auto de infração que se apóia no referido despacho. Dai a razão de haver pontuado alhures que, para o juízo de cognição deste feito, meu entendimento diverso à interpretação posta sobre diversas questões no despacho decisório não interfere no presente julgamento. 17 É flagrante a meu ver, portanto, a nulidade que vitima o auto em causa, pelas razões deduzidas. Ademais disso, a nulidade por vício substancial se instalaria por uma interpretação teleológica e construtiva do art, 146 do CTN, que tem seguinte redação: Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em comeqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercido do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução Numa interpretação teleológica e construtiva do art. 146 do CTN, resultaria a vedação da mudança do critério jurídico do despacho decisório em relação a fato gerador anterior à introdução do novo critério jurídico (do auto de infração) Sob esta perspectiva, a mudança de "critério" adotada no auto de infração esbarra no art. 146 do CIN. Por tudo quanto foi deduzido, entendo estar eivado de nulidade por vício substancial o auto de infração. E., diante do exposto, é indisfarçável a inovação do auto de infração encampada pelo órgão julgador a qua, no juízo de procedência do auto. Sucede que o acórdão de origem assentou ser aplicável o art. 18 da Lei 10,833/03 em sua redação original quanto às declarações apresentadas antes de 30/12/04, e o art. 18 da Lei 10..833/03 segundo as alterações da Lei 11.051/04, em relação à declaração de compensação posterior, tudo ao percentual de 75%. Todavia, com arrimo no art. 59, § 3 0, do Decreto 70.735/72 com a redação dada pela Lei 8,748/93 11 , deixo de decretar a nulidade do acórdão a quo, para levar a termo o exame do feito, como o fiz, Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso por vício substancial que fülmina o auto de infração. É o meu voto. MA f - HIGUEO TAKATA Art. 59. São nulos: f• • • ) 3". Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetfr o ato ou suprir-lhe a falta. 18
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Numero do processo: 00007.350512/67-74
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 1977
Ementa: Livro Caixa de pessoa jurídica. Sua validade para comprovar, despesas lançadas na cédula "D" da Declaração de Rendimentos da Pessoa Física.
Numero da decisão: 102-16.581
Decisão: ACORDAM os Membros da 2a. Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ào recurso. Vencidos os Conselheiros CÉSAR DA SILVA FERREIRA, ALCEU DE AZEVEDO FONSECA
PINTO e HARRY CONRADO SCHÜLER.
Nome do relator: Theo Pereira da Silva
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I: I: \: I.r !, , Sessão de.9.7 cl~..jl:l:1.hq.. de 19..7.7. ACÓRDÃO N.o 16 .•.581.., . Recurso n.o Recorrente 31.853 - IRPF - EX. 1973 EMERSON LUIS DA COSTA Recorrida: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL - NOVA IGUAÇU - RJ Livro Caixa de,pessoa jurídica. Sua validade para comprovar,despesas lan- çadas na cédula "D" da ºeclaraÇjão de Rendimentos da Pessoa ,Ffsica'.':i Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMERSON LUIS DA COSTA. ACORDAM os Membros da 2a. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ào recurso. Ven- cidos os Conselheiros Cf':SARDA SILVA FERREIRA, ALCEU DE AZEVEDO FON- SECA PINTO e HARRY CONRADO SCHÜLER. , '1 RELATOR PRESIDENTE PROCURADOR REPRESEN- TANTE DA FAZENDA NA CIONAL. de 1977Br'1tdasília,07 de julho . . 11 HARR~_/~?~ ~ULER --_.--./~ t~~ TH~0<P~I'- V";ILVA ~ V I S T O: Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: LUIZ JOsg GUIDACCI, GILVANIZE MOREIRA DA SILVA, PEDRO MARTINS FE~ANDES, TIBf':RIOCORDEIRO TAVARES. 1.• C. C. SECGRAF. 1.00<4174 --------------------------!IIIIhK#ª--, :1" : wli , I SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NlI 0735/51.267/74 i RECURSO N.o: 31.853 A C Ó R O Á O N.o: 16.581 ,', RECORRENTE N.o: EMERSON LUIS DA COSTA RELATÓRIO j, t EMERSON LUIS DA COSTA, jurisdicionado ~;DRF 'ernlNova I • !Iguaçu, RJ., recorre de decisão que, indeferindo seu pedido d$ re tificação da Declaração de Rendimentos do exercício de 1973,''mante ve glesade deduções da cédula D, o fundamento de ine?Cistir livro Caixa. Em suas razões, alega o Recorrente que é titular de firma individuah"e que, assim, tem contabilizados todos os documen , tos que compoem a sua recei ta e despes a, sendo, pois, improce dente a glosa que reduziu o montante das deduções cedulares a 20%. ~ o relatório. v O T O Inegavelmente, o Recorrente possui Livro Caixa onde registrou todas as receitas e despesas de sua firma individual.Ap~ rentemente seria o caso de se retificar a declaração de rendimen - tos para que a tributação fosse feita sobre o lucro da pessoa jurí dica. Entretanto, consoante os Pareceres Normativos n9s. ~1/80, 38/75 e 28/76, inviável se torna a referida reclassificação de vez que os rendimentos da atividade exercida, individualmente pelo Recorrente, devem ser tributados na cédula D nos exatos term~ do 9 89 do artigo 100 do RIR. Remanes'ce, porém, uma questão a resolver. Embora nao possua Livro Caixa como profissional autônomo, a verdade é que, D M F - DF/to C-C - Secgraf - 1600/75" " ',I :i: 1,1" ;il i~ ,I': I"I, I' I. i !, , ,, . .,' I,i ---.-----~..,ii . 1:'1 PROCESSO N9 0735/51.267/74 2. Illi li!::i 1I: ! I' !ii, I I' ' j,1 I SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL --. ----~_.__ ._------------ ACORDÃO N9 16.581 aceito pelo Poder Público o seu registro como firma individual, o Livro Caixa dessa firma pode suprir a exigênciadâ PortariaBSB-7/72. Tal livro', devidamente registrado nas repartições competentes, in clusive na Fazenda do Estadd, obedece às prescrições legais, nele estando assentadas todas as receitas e despesas inerentes ao exer cício da atividade profissional. Releva considerar que a exigência da.mencionada Por taria objetiva ao perfeito controle fiscal dos rendimentos trib£ táveis. No caso em tela, confundindo-se, à luz da ~egislação tri ~ I . butária, os rendimentos da pessoa física com ds da pessoa. jurídi ca, tal livro espelha, sem sombra de dúvida, a totalidade das re ceitas e das despesas havidas pelo Recorrente. , t j. J INessas condições, dou provimento ao recursd.' I Brasília, 07 de julho de 1977 ~~6~ RELATOR. VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO HARRY CONRADO SCH'OLER O Reéorrente explora profissionalmente um laborató- rio de análises clínicas e como tal é contribuinte pessoa física, tendo acertadamente declarado os rendimentos na cédula "D" do exer cício dessa atividade liberal. Não possuindo livro Caixa registrado na repartição da SRF, descumpriu a condição estabelecida na Portaria Ministerial BSB n9 7/72, absorvida hoje no art. 48, 9 19, do RIR/75, sendo ir relevante indagar da causa. Por conseqllência, suas deduções na d~ claração do exercício de 1973 estavam limitadas a 20% do respecti .vo rendimento bruto, à semelhança de todos os outros casos já jul . . . - gados e nos quais a mesma condição foi desatendida. Além dissq,o exigido livro Caixa registrado na SRF, nao é suprido pelo livro Diário que o recorrente, equivocada e desnecessariamente, fez autenticar na Junta Comercial,. preten- dendo se erigir em firma individual expressamente vedada, para fins fiscais, no art. 16, 9 99, do RIR/66 ou no art. 100, 9 89,do RIR/75. A matéria já foi até interpretada pela COORDENAÇÃO DO SIS --- -~-~- - - - - - - ------ --- -- .- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0735/51.267/74 3. ACORDÃO N9 16.581 TEMA DE TRIBUTAÇÃO através dos Pareceres Normativos n9s. 71/80, 38/75 e 25/76, bem como pelo Ato Declaratório Normativo n9 17/76, dos quais fiz juntar cópia aos autos para melhor esclarecimento • Nem é o exigido livro Caixa convalidado por outro livro Caixa que o contribuinte talvez tenha para au~iliar a escrituração do Livro Di~tió. Por outro lado, improcede a pretensão do recorren te em se socorrer do CGC alegado em seu apelo. Além de se tratar de inscrição feita sob a responsabilidade do contrib:uinte, I refe re-se não ã artificiosa firma individual mas si~ ã sociedadeci vil que constituiu no ano-base de 19~3, posteriorment~ ao período destes autos. I j I r. , ~~ \I HARRY CONRADO SCHULER. SERViÇO P()BLICO FEDERAL PROCESSO N9 0735/51.267/74 ACORDÃO N9 16.581 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO HARRY CONRADO SCHÔLER O Recorrente, que explorava um laboratório na qualidade profissional de analis~a declarou acertadamente seus rendimentos brutos na cédula D. Todavia, não tendQ -livro Caixa registrado na repartição da Secretaria da Receita Federal, também acertadamente foram glosadas as deduções excedentes a 20%, nos termos da Portaria Ministerial BSB n9 7/72, atualmente incorpora- da no RIR/75 sob àrt. 48, 9-19. A respeitável maioria, teleologicamenteconside rou suprida a exi~ência legal com a escrituraç~o fei~a pelo con tribuinte em livro Diário registrado na Junta Comercial, ,c6pfo.se tratasse de firma individual. Errou o contribuinte ,e~seu p~ocedi mento já que em sua atividade profissional não cabe firma ~omer - cial, face à disposição mesmo expressa da legislação tributária (art. 16, 9 99, do RIR/66, ou 9 89 do art. 100 do RIR/75). Esse. . erro do contribuinte em absoluto supera a exigência legal de 'li vro Caixa como condição ••sine qua non" para o gozo das deduções • Ainda que tivesse uma escrituração eletrônica, com os mais perfei tos controles à disposição do fisco, e não mantivesse livro Caixa registrado na repartição fiscal, estaria privado do di~eito de de duzir mais de 20% sobre os rendimentos declarados. Por outro lado, improcedentemente pretendeu in culpar a repartição fiscal como conivente em seu erro, alegando ter obtido registro no Ministério da Fazenda. Mas o CGC de que, junta prova sob fI. 77 não lhe pertence e sim a sociedade civil que organizou posteriormente, conforme se ve na própria declara - ção de bens relativa ao ano-base de 1973 (fI. 9). Ainda que tive~ se obtido registro de CGC como firma individual, sua continuava a responsabilidade eüs que teria induzido em erros. a repartição ao afirmar para si a exploração de atividade comercial, ou a eXl~ tência dé sociedade civil. Além disso tudo, a máteria já foi interpretada p~ la SRF através dos Pareceres Normativos CST 80/71, 38/75 e 28/76, mais o Ato Declaratório CST n9 17, juntados por cópia aos autos . ..•.. • SERViÇO PCJSLICO FEDERAL PROCESSO N9 0735/51.267/74 '.\,,I !' ~j I , I " ACORDÃO N9 16.5:81 No mesmo sentido tem sido as decisões ministeriais, até reforman- do decisão do 19 Conselho de Contribuintes. NEGO provimento ao recurso, acompanhando os vo tos vencidos dos ilustres Conselheiros César da Silva Ferreira e Alceu de Azevedo Fonseca Pinto. "HARRY CONRADO SCHULER. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 10830.003526/2003-83
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE.
Comprovado que a intimação postal restou infrutífera em face do endereço fornecido pelo contribuinte se encontrar desatualizado, cabível a intimação por edital, nos termos do art. 23 do PAF.
SIMPLES. CRECHE E PRÉ-ESCOLA. POSSIBILIDADE A PARTIR DA
LEI N. 10.034/2000.
Com o advento da Lei n° 10.034/2000, as pessoas jurídicas dedicadas As atividades de creche, pre-escola e ensino fundamental foram excluídas das restrições impostas pelo art. 9° da Lei n.° 9.317/96, permitindo-se-lhes a opção pelo SIMPLES, norma que não pode retroagir, nos termos do art. 106 do CTN.
Numero da decisão: 1103-000.361
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA
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ementa_s : INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Comprovado que a intimação postal restou infrutífera em face do endereço fornecido pelo contribuinte se encontrar desatualizado, cabível a intimação por edital, nos termos do art. 23 do PAF. SIMPLES. CRECHE E PRÉ-ESCOLA. POSSIBILIDADE A PARTIR DA LEI N. 10.034/2000. Com o advento da Lei n° 10.034/2000, as pessoas jurídicas dedicadas As atividades de creche, pre-escola e ensino fundamental foram excluídas das restrições impostas pelo art. 9° da Lei n.° 9.317/96, permitindo-se-lhes a opção pelo SIMPLES, norma que não pode retroagir, nos termos do art. 106 do CTN.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-04-06T13:58:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-04-06T13:58:14Z; Last-Modified: 2011-04-06T13:58:14Z; dcterms:modified: 2011-04-06T13:58:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a451af88-0803-4987-81bd-1d48e9c6f41a; Last-Save-Date: 2011-04-06T13:58:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-04-06T13:58:14Z; meta:save-date: 2011-04-06T13:58:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-04-06T13:58:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-04-06T13:58:14Z; created: 2011-04-06T13:58:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-04-06T13:58:14Z; pdf:charsPerPage: 1353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-04-06T13:58:14Z | Conteúdo => SILVA - Presidente. AL SI-Cl T3 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10830.003526/2003-83 .Recurso n° 336.959 Voluntário Acórdão n° 1103-00.361 — la Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2010 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES Recorrente JOÃO E MARCELLA ESCOLA DE EDUCAÇÃO E RECREAÇÃO INFANTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Comprovado que a intimação postal restou infrutífera em face do endereço fornecido pelo contribuinte se encontrar desatualizado, cabível a intimação por edital, nos termos do art. 23 do PAF. SIMPLES. CRECHE E PRÉ-ESCOLA. POSSIBILIDADE A PARTIR DA LEI N. 10.034/2000. Com o advento da Lei n.° 10.034/2000, as pessoas jurídicas dedicadas As atividades de creche, pre-escola e ensino fundamental foram excluídas das restrições impostas pelo art. 9° da Lei n.° 9.317/96, permitindo-se-lhes a opção pelo SIMPLES, norma que não pode retroagir, nos termos do art. 106 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgi do. RELATOR ERIC CASTRO E SILVA - Relator EDITADO EM: ABR 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hugo Correia Sotero (Vice presidente em exercício da Presidência), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervasio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva. 2 Processo n° 10830.003526/2003-83 S1-C1T3 Acórclao n.° 1103-00.361 Fl. 2 Relatório A Recorrente é empresa que se encontrava no regime simplificado de tributação desde de 06/05/1997. Contudo, ao pretender enviar a declaração anual simplificada do exercício de 2002 pela interne, restou a Contribuinte informada que havia sido excluída do SIMPLES, o que a fez ingressar com o presente "Pedido de Reinclusdo" (fls. 01). Ao analisar o presente "Pedido de Reinclusdo", a Autoridade Julgadora indicou que a Contribuinte se encontrava excluída do SIMPLES desde 01/03/1999, através do Ato Declaratório de Exclusão (ADE) n. 114.459, do qual a Recorrente teria sido intimada mediante publicação de Edital, afixado em 11/02/99 (fls. 80/81). Como a Recorrente não se insurgiu contra a sua exclusão, da qual foi intimada via edital, a Autoridade Julgadora entendeu que o "Pedido de Reinclusdo" seria, na realidade, urna intempestiva "Solicitação de Revisão da Exclusão do SIMPLES", razão pela qual a indeferiu (fls. 83). Inconformada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 91/101), na qual alega, em Preliminar, nulidade da intimação do ADE por Edital. A 5' Turma da DRJ de Campinas, inicialmente, converteu o feito em diligencia para determinar que se juntasse aos autos o ADE e o respectivo AR que teria sido devolvido pelos correios (fls. 108 Resolução n. 999 de 05/06/06), documentação que foi juntada As fls. 111/112, abrindo-se vistas ao Contribuinte que, ingressou com nova Manifestação de Inconfon-nidade (fls. 115/125). Na nova Manifestação de Inconformidade, a Recorrente inicia afirmando que a DRJ de Campinas "expediu l a Resolução/Pedido de Diligência Instrução Processual DRI/CPS n. 999/05, solicitando que a DRF/Campinas desse ciência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES e do AR que teria sido devolvido pelos Correios à empresa ora impugnante, concedendo-lhe, ainda, novo prazo para aditamento da manifestação de inconformidade anteriormente apresentada" (fls. 117) Em seguida, dando por superada em seu favor a intimação do ADE por Edital, a Impugnante passou a aduzir que o ADE seria nulo, por não haver fundamentação expondo as razões pelas quais seria vedado A Contribuinte a adesão ao SIMPLES. No mérito, sustenta que desde da edição da lei n. 10.684/2003' não restam dúvidas que as atividades de creche e Pré-escola exercida pela Contribuinte são aceitas no SIMPLES e que tal lei teria natureza interpretativa, retroagindo, pois, data da adesão da Contribuinte à sistemática simplificada. A decisão da DRJ ora recorrida asseverou ter sido válida a intimação por Edital do ADE, o que tornaria incabível qualquer pedido de revisão, por se tratar de matéria preclusa. Em sucessivo, a decisão aqui recorrida entendeu que, por se tratar de Pedido de Reinclusão, o mesmo poderia ser deferido corn efeitos retroativos a d5 3 partir de 01/01/01, data em que se permitiu a inclusão de creches e pre-escolas pela lei n. 10.034/2000. Inconformado, vem o Contribuinte no seu Recurso Voluntário de fls. 141/158, reiterar que houve "reconhecimento da tempestividade da defesa administrativa", argüindo que a "DRJ/Campinas emitiu Resolução/Pedido de Diligencia Instrução Processual n. 999, em 05/06q2006, reconhecendo a não juntada nos autos de cópia do Ato Declaratório Executivo que excluiu a Recorrente do Simples, bem como do AR, solicitando que a DRF/Campinas suprisse a nulidade" (fls. 144). Mesmo com o suposto "reconhecimento" da nulidade da intimação por Edital, a Recorrente ainda sustenta que comunicação editalicia seria nula pelos seguintes motivos: a) não restou comprovado que a intimação pessoal e a por correios haviam sido infrutíferas, que seriam pressupostos para a intimação por edital; b) a Administração possuía à época o número de telefone comercial e do fax da Recorrente; c) o Edital só continha o CNPJ da Recorrente. Também em preliminar, aduz que o ADE seria nulo por falta de motivação, pois o mesmo não indicaria qual atividade exercida pela Recorrente estaria veda. No mérito, sustenta que a atividade de pré-escola e creche sempre foi passível de inclusão no simples, o que teria sido corroborado corn a lei n. 10.034/2000, que teria caráter interpretativo e, portanto, retroagiria até opção da Recorrente pelo regime. Junta jurisprudência e ao final requer que "seja assegurada a manutenção, a partir de 1997 (ano de opção), ao Sistema de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, homologando-se os procedimentos já praticados (fls. 158). o relatório. 4 410.■ Processo n° 10830.003526/2003-83 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.361 Fl. 3 Voto Conselheiro Relator ERIC CASTRO E SILVA, 0 recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciar os pontos controvertidos nele postos. 1 — Preliminar: da validade da intimação do ADE mediante edital. 0 ponto central da presente controvérsia é definir se a intimação da Recorrente do Ato Declaratório de Exclusão do Simples (ADE) em 1999, que se deu mediante Edital, é válido ou não. Nesse sentido, importa ressaltar que diferentemente do que alega o Recorrente, em momento algum a DRJ reconheceu a nulidade da intimação por Edital. 0 que houve foi que a DRJ, ao inicialmente se debruçar sobre o .processo, converteu o feito em diligência para que fosse acostado aos autos a cópia do ADE e do "aviso de recebimento" (AR) enviado ao contribuinte (vide Resolução/Pedido de Diligência n. 999/06 — fls. 109/110). 0 ADE e o AR foram juntados ás fls. 111/112, razão pela qual, pelo principio do contraditório, abriu-se vistas para o contribuinte se manifestar sobre os documentos acostados. Em outras palavras, não "restou reconhecida a nulidade da anterior intimação presumida através de edital" (fls. 144), como alega o Recorrente. Quanto a validade da intimação por edital, até a edição da lei n. 11.196/2005, a mesma era admitida quando restassem infrutíferas as' intimações pessoal ou postal, nos termos do art. 23 do Decreto-Lei n. 70.235/72, abaixo transcrito: Art. 23. Far-se-á a intimação: I -• pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ott, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) III —por edital, quando resultarem improficitos os méis referidos nos incisos I e II. No caso dos autos, com a juntada do ADE e do AR determinada pela DRJ (fls. 111/112), restou comprovado que a intimação pela Via postal foi infrutífera em razão do endereço fornecido pelo contribuinte não mais corresponder ao seu domicilio fiscal. Nos termos do art. 127 do CTN, cabe ao contribuinte eleger o seu domicilio fiscal. Se o fez e posteriormente o alterou, mas não comunicou ao Fisco, não cabe agora alegar equivoco da fiscalização, "a despeito de nas Declarações Simplificadas apresentadas ao Fisco constar o seu telefone comercial e fax" (fls. 147). Em outras palavras, o ônus da atualização do domicilio fiscal é do contribuinte e não do Fisco. Assim, se a intimação postal foi endereçada ao endereço fornecido pelo contribuinte, mas esta restou infrutífera, cabível a intimação editalicia, como ocorreu no caso dos autos. Por tais razões, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. 2 — MÉRITO: POSSIBILIDADE DE CRECHES E PRÉ-ESCOLAS ADERIREM AO SIMPLES APÓS 2001. A atividade exercida pelo Recorrente, qual seja, creche e pre-escola, apenas passou ter permitida sua tributação pela sistemática simplificada após a edição da lei n. 10.034/2000. A permissão incluída pela referida lei não pode retroagir para 1997, como pretende a Recorrente, haja vista que a lei n. 10.034/2000 não se enquadra nas restritas hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional, que excepcionalmente pennite a retroação dos efeitos da lei tributária. Nesse sentido, peço vênia para transcrever e adotar como fundamento neste voto a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, que repele a pretensão aqui posta pelo Contribuinte, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES.ESTABELECIMENTO DE ENSINO. RESTRIÇÃO. EXCEÇÃO PROMOVIDA PELA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. RETROATIVIDADE INVIAVEL. PRECEDENTES. 1. 0 art. 9", XIII, da Lei 9.317/96, não permite que os estabelecimentos de ensino optem pelo SIMPLES, porquanto prestam serviços profissionais de professor. Com o advento da Lei 10.034/2000, afastou-se a restrição em relação as pessoas jurídicas que explorem exclusivamente a atividade de creche, pré-escola ou de ensino fundamental. 2. Contudo, a orientação prevalente nas Turmas de Direito Público deste Tribunal firmou-se no sentido de que o direito opção pelo SIMPLES, com fundamento na legislação superveniente, somente pode ser exercido a partir da vigência de tal legislação. 3. Recurso especial provido. (REsp 829059 /RJ RECURSO ESPECIAL 2006/0054214-0. Rel. Ministra DENISE ARRUDA. DJ 07/02/2008 p. 1) TRIBUTÁRIO — SIMPLES — CRECHE E ESCOLA MATERNAL — ENQUADRAMENTO —ART. 1" DA LEI N. 10.034/2000— LEI N. 10.684/2003— SUPER VENIÊNCIA — IRRETROATIVIDADE — PRECEDENTES. 1. 0 artigo 1" da Lei 77. 10.034/2000 excluiu da restrição imposta ao beneficio fiscal de opção pelo SIMPLES os estabelecimentos de ensino que se dediquem exclusivamente as atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental. Posteriormente, a Lei n. 10.684/2003 retirou da exclusão as creches, pré-escolas e estabelecimentos de ensino fundamental, possibilitando sua adesão ao regime de tributação. 6 Processo n° 10830.003526/2003-83 SI-C1T3 Acórd5o n.° 1103-00.361 Fl. 4 2. A jurisprudência dominante nas Turma s que compõem a Seção de Direito Público deste Tribuna/firmou-se no sentido de que o direito a opção pelo SIMPLES, OM fundamento na legislação superveniente, somente pode ser exercido a partir da vigência de tal legislação. 3. 0 art. 106 do Código Tributário Nacional confirma este entendimento pois, se ele veda a retroatividade do gênero lei tributária, da qual a lei isentiva é espécie, para afastar o pagamento de tributo, conseqüentemente, impede também sua retroação para a não-realização do fato jurídico tributário, que antecedente lógico daquele. Agravo regimental improvido.( AgRg no REsp 1043154 / SP. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/0065672-5. Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS. Die 16/02/2009) TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DE MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. ESTABELECIMENTO DE ENSINO. OPÇÃO. ART. 9", INCISO XIII, DA LEI N" 9.317/96. RESTRIÇÃO. ART. I° DA LEI N" 10.034/00. RETROAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Com o advento da Lei n." 10.034/2000, as pessoas jurídicas dedicadas as atividades de creche, pr 6-escola e ensino fundamenta/ foram excluídas das restrições impostas pelo art. 9" da Lei n." 9.317/96, permitindo-se-lhes a opção pelo SIMPLES. 2. 0 art. 106 do CTIV, em seus incisos, estabelece quando a lei tributária sera aplicada a atos ou fatos pretéritos. O caso dos autos não se enquadra nas hipóteses, de modo que descabido cogitar de retroação da Lei n.° 10.034/00. 3. A pessoa jurídica que se dedica a creche, pré-escola e ao ensino fundamental somente tem direito a oP tar pelo SIMPLES a partir da vigência da Lei n." 10.034/00; que não pode ter aplicação retroativa. 4. Recursos especiais providos. (REsp 721675 /ES. RECURSO ESPECIAL 2005/0017148-4. ReL Ministro CASTRO MEIRA. DJ 19/09/2005 p. 297) Por todo o exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendo inalterada a decisão recorrida. como voto. ERIC CASTRO E SILVA 7
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Numero do processo: 13807.002800/2003-82
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1992
IRPJ RESTITUIÇÃO FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para que faça jus à restituição/compensação do saldo do IRPJ apurado na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, deve o contribuinte comprovar documentalmente a retenção do IR Fonte por meio de informe de rendimentos, escriturar o imposto retido em conta de Ativo Circulante e reconhecer tributariamente a receita. A falta de cumprimento de qualquer uma dessas exigências ocasiona a negativa de sua pretensão.
COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Considera-se não homologada tacitamente a compensação efetuada quando o pedido foi protocolado no ano de 1999 e a ciência do Despacho Decisório original à contribuinte aconteceu em 07/05/2002. Mormente quando se tratar de compensações com crédito de terceiros, que não foram convertidas para declaração de compensação, conforme art. 74 da Lei nº 9.430/96 e alterações
posteriores.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.862
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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Recorrente FERTILIZANTES SERRANA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 IRPJ RESTITUIÇÃO FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para que faça jus à restituição/compensação do saldo do IRPJ apurado na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, deve o contribuinte comprovar documentalmente a retenção do IR Fonte por meio de informe de rendimentos, escriturar o imposto retido em conta de Ativo Circulante e reconhecer tributariamente a receita. A falta de cumprimento de qualquer uma dessas exigências ocasiona a negativa de sua pretensão. COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Considerase não homologada tacitamente a compensação efetuada quando o pedido foi protocolado no ano de 1999 e a ciência do Despacho Decisório original à contribuinte aconteceu em 07/05/2002. Mormente quando se tratar de compensações com crédito de terceiros, que não foram convertidas para declaração de compensação, conforme art. 74 da Lei nº 9.430/96 e alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 28 00 /2 00 3- 82 Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 337 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcus Vinicius Barros Ottoni e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de pedido de restituição/compensação de débitos com créditos de terceiros do anocalendário de 1992, sustentado por saldo negativo do IRPJ apurado na DIRPJ. Adoto o relatório do acórdão de primeira instância nº 1622.192, da 5ª Turma da DRJ/SPOI, fls. 298/301: “Tratase o presente processo de representação/compensação em virtude dos fatos narrados a seguir em ordem cronológica para melhor entendimento: Processo administrativo n° 13807.002185/9802 — apenso ao presente processo e origem do crédito discutido: Em 18 de dezembro de 1998, a empresa Serfina Administração e Participações Ltda, CNPJ 47.423.850/000166 apresentou Pedido de Restituição referente a saldo negativo de Imposto de Renda do anocalendário de 1992, no valor total de R$ 1.701.343,54, relativo a IRRF sobre prestação de serviços, conforme fls. 30. Às fls. 127 consta cópia de Pedido de Compensação com Débitos de Terceiros onde é indicado débito de COFINS (cód. 2172) da empresa Fertilizantes Serrana S/A, para ser compensado com o crédito constante no Pedido de Restituição. Em 17/04/2002 , foi proferido Despacho Decisório de fls. 128 a 130, onde consta que não foi tomado conhecimento do Pedido de Restituição em virtude da decadência do direito de pleitear a restituição. Em 07/05/2002, foi dada ciência à contribuinte (fls. 131/verso). Em 06/06/2002, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. de fls.133 a 150, protestando, entre outras razões, pelo prazo decenal para pleitear a restituição. Em 18/05/2002, a contribuinte foi intimada a apresentar, dentro de trinta dias, novo pedido de compensação com os PA datas de vencimentos e débitos(fls. 175) , o que foi feito no dia 16/07/2002 (fls. 176), cujos débitos foram controlados no PA 13.807.002800/200382, ou seja o presente processo. Em 10/03/2003, a 7ª Turma da DRJI São Paulo ao analisar o crédito, decidiu por retornar o processo a DERAT para análise de algumas questões levantadas pelo relator do processo (fls. 180 a 183). Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 338 3 Em 13/01/2004 o processo retornou a 7ª turma (fls. 192). Em 11/03/2004, foi proferido acórdão de n° 04.995, indeferindo a solicitação da contribuinte em virtude de decadência do direito de pleitear a restituição (fls. 197 a 211). Em 30/04/2004 foi dada ciência à contribuinte (fls. 212/verso). Em 28/05/2004 9 (data confirmada as fls. 265), a contribuinte apresentou recurso ao Conselho de Contribuintes de fls. 246 a 263. Em 06/12/2004, foi proferido Acórdão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 267 a 280) negando provimento às pretensões da empresa. Em 24/02/2005 foi dada ciência à empresa (fls. 282/verso). Em 03/06/2008, o processo foi apensado ao presente processo. Processo administrativo n° 13807.002800/200382 (presente processo) O presente processo foi formalizado em virtude dos débitos constantes ao Pedido de Compensação com Créditos de Terceiros (fls. 02), conforme relatado acima. Em 09/05/2003, a contribuinte recebeu carta de cobrança dos débitos de COFINS detalhados as fls. 11, em virtude do indeferimento do Pedido de Restituição do processo n° 13807.002185/9802. Em 13/08/2003, o processo foi remetido para a DEFIC/SAPAF/SP para ser feito lançamento de ofício dos débitos, uma vez que, até a data, não havia sido regularizado (fls. 14). Em 11/01/2005(com ciência em 20/01/2005) a contribuinte foi intimada a quitar os débitos, que já haviam sido confessados em DCTF (fls. 21). Em 05/05/2005, o processo foi encaminhado a PFN/SETINS para inscrição na Dívida Ativa da União (fls. 40). Em 02/09/2005, o procurador da Fazenda Nacional mandou alterar a denominação e o CNPJ da devedora em virtude da mesma ter sido incorporada pela empresa Bunge Fertilizantes S/A, CNPJ 61.082.822/000153 (fls. 49). Em 15/12/2006, a PGFN atendendo à solicitação de fls. 53, remeteu o processo a DERAT (fls. 54), motivado pelo protocolo, em 01/07/2005 de Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em dívida Ativa da União de fls. 55 a 60, no qual informa deter liminar em Mandado de Segurança n° 2005.34.00.0119465, determinando a suspensão de exigibilidade do crédito tributário até julgamento do mérito e ainda impõe que o Fisco Federal considere o prazo de dez anos para afastar a decadência que Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 339 4 prejudicou o pedido de compensação de tributos e as conseqüências da inadimplência e concessão de CND. Em 19/01/2006, foi concedida a segurança do processo, confirmando a liminar anteriormente obtida. Em 28/03/2008, a empresa enviou carta requerendo a suspensão da exigibilidade no processo presente para a concessão da CND, em virtude do provimento judicial obtida (fls.105 a 107). Em 04/06/2008 o processo foi encaminhado a EQITD/DIORT/DERAT/SPO para análise do direito creditório da empresa em virtude do mandado de segurança (fls. 166). Em 23/10/2008, a empresa foi intimada a apresentar todos os comprovantes de retenção na fonte, demonstrar o saldo credor de R$ 1.701.343,54, constante no Pedido de Restituição e a declaração sob penas da lei, assinada pelo representante da empresa, informando todas as compensações que foram feitas utilizando o crédito solicitado (fls. 180). Em 18/12/2008 foi proferido o Despacho Decisório de fls. 253 a 257 que indeferiu a restituição pleiteada em virtude de a empresa não ter apresentado qualquer comprovante de rendimentos, relativo à prestação de serviços e indeferida a compensação de crédito com débitos de terceiros. Em 20/02/2009 foi dada ciência do Despacho Decisório a empresa, conforme AR de fls. 258/verso. Em 18/03/2009, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 264 a 281, expondo suas razões, a seguir, em síntese. Faz primeiramente relato dos fatos ocorridos. Alega, em seguida, que por haver decorrido mais de cinco anos dos fatos ocorridos, por ocasião da apresentação do Pedido de Restituição, a empresa não logrou localizar os comprovantes de rendimentos que embasariam seu pedido. Alega que, em substituição aos comprovantes apresentou demonstrativos elaborados pela própria empresa, comprovantes de tributação da receita correspondente ao IRRF no ano calendário de 1992, demonstrativo do débito compensado, planilhas de atualização e compensação do crédito, pedido/declaração de compensação e declaração que não utilizou o crédito para outras compensações, entendendo que esses documentos seriam suficientes para demonstrar seu direito ao crédito. Alega que o pedido foi protocolizado em 18/12/1998 e que acha absurdo ser intimada após dez anos as apresentar os informes de rendimentos do anocalendário de 1992. Alega que a DIRPJ/93 já foi homologada tacitamente e o IRRF declarado já foi transformado em saldo negativo da IRPJ. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 340 5 Alega que a Fazenda Pública já deixou decair, segundo o art. 173 do Código Tributário Nacional, o seu direito de constituir o crédito tributário, entendendo ser para a Receita Federal, o prazo de cinco anos para se manifestar. Alega que os documentos apresentados nem sequer foram analisado e que seu pedido foi indeferido apenas porque não apresentou os informes de rendimentos. Alega que se depreende do Despacho Decisório que os informes de rendimentos seriam apenas para instruir o processo e não necessariamente servirem para comprovar as retenções de IRRF, argumentando que mesmo que tivesse juntado todos os informes, ainda assim era obrigação analisar se os valores pleiteados a título de IR fonte correspondiam ao declarado pelas fontes pagadoras através da DIRF. Alega que não é possível condicionar o indeferimento do Pedido de Restituição apenas à apresentação dos informes de rendimentos. Repete novamente toda a sua argumentação sobre a homologação tácita que entende ter ocorrido, citando ainda acórdãos do Conselho de Contribuintes. Discorre sobre o que entende ser o IRRF Alega que jamais foi intimada a respeito da DIRPJ/93. Discorre novamente sobre a apresentação dos comprovantes de rendimentos, afirmando seu direito ao crédito ainda que não tenha apresentado os referidos informes. Cita o art. 74 da Lei n° 9.430/96 e seu parágrafo primeiro e segundo para proclamar seu direito à compensação. Conclui com novo resumo dos fatos e requer a reforma do Despacho Decisório para que seja deferido integralmente o Pedido de Restituição do processo n° 13807.002185/9802 e homologado pedido de compensação com débitos de terceiros do processo n° 10.845.000647/0091, bem como extinguir a presente representação.” Em 21 de julho de 2009 foi prolatado o Acórdão nº 1622.192, da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, fls. 296/304, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1992 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O direito creditório condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 341 6 de Renda Retido na Fonte, mediante apresentação dos correspondentes Informes de Rendimentos Pagos, conforme previsto na legislação de regência. Não é admitida como prova de retenção de imposto de renda na fonte a juntada de demonstrativos produzidos pela contribuinte. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta carrear aos autos elementos por ele mesmo elaborados; deverá ratificálos por outros meios probatórios cuja produção não decorra exclusivamente de seu próprio ato de vontade. Solicitação Indeferida” Cientificada em 14 de agosto de 2009, AR de fls. 305verso, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 15 de setembro de 2009, em cujo arrazoado de fls. 306/316 alega, em apertada síntese, o seguinte: 1 o crédito objeto do Pedido de restituição referese a saldo negativo do IRPJ, decorrente de IR Retido Fonte, apurado na DIRPJ do Exercício de 1993, pela empresa Serfina Administração e Participações Ltda., incorporada pela Recorrente; 2 o Pedido de Restituição foi protocolado pela própria Serfina Administração e Participações Ltda, em 18/12/98, e os Pedidos de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, foram protocolados em 27/02/1998, 30/04/1998, 29/10/1999 e 30/03/2000, na vigência da IN SRF n° 21/97, que permitia esse tipo de compensação; 3 em face do trânsito em julgado da decisão proferida Sétima Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, deuse por encerrada a fase administrativa, instaurandose o presente processo com o objetivo de "efetuar o lançamento de ofício do valor não compensado em razão do não conhecimento do direito creditório”; 4 os presentes autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição do saldo devedor, objeto da compensação não homologada, na Dívida Ativa da União; 5 em sede de Exceção de PréExecutividade, a recorrente apresentou cópia da liminar concedida pelo MM Juízo da 228 Vara Federal do Distrito Federal, nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.34.00.0119465, lastreada no argumento de que ocorreria a decadência somente 10 (dez) anos após o fato gerador. Portanto, a exigibilidade do débito não compensado encontrarseia suspensa por força de tal decisão judicial. Mais adiante, às fls. 88 a 96, anexou a decisão proferida pela Justiça Federal de 1ª Instância, concedendo a segurança e confirmando a liminar anteriormente concedida, no sentido da impetrante compensar débito de impostos e contribuições, observado o prazo decadencial de 10 anos; 6 Em razão da decisão judicial a Equipe responsável pela análise de medidas judiciais propôs o encaminhamento do presente processo para a EQPIR/DIORT/DERAT/SP, para que fosse efetuada uma nova análise do pedido de compensação formalizado nos autos do Processo n° 13807.002185/9802 e, para verificar se a empresa Serfina Administração e Participações Ltda seria detentora dos créditos pleiteados e se esses créditos seriam suficientes para compensar o débito de COFINS da empresa Fertilizantes Serrana S/A, obedecido o prazo decadencial de 10 (dez) anos, conforme determinação judicial e, após avaliação do direito creditório, cancelar ou manter a referida inscrição na Dívida Ativa da União; Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 342 7 7 a recorrente foi intimada para: a) demonstrar o saldo credor de R$1.701.343,54, solicitado à fl. 01 do Processo n° 13807.002185/9802; b) relacionar e comprovar os valores do IRRF utilizado para redução do IR do ano de 1992; c) apresentar os respectivos Informes de Rendimentos; 8 como já havia decorrido mais de 05 (cinco) anos da data de ocorrência dos fatos geradores, da retenção do IR e da apresentação das respectivas DIRPJ do Exercício Financeiro de 1993, a empresa não logrou êxito na localização dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte, correspondente ao Exercício Financeiro de 1993; 9 alternativamente, para atender à intimação a recorrente apresentou, em substituição àqueles comprovantes, os seguintes documentos: a) Demonstrativo da origem dos créditos do IRRF Anexo 1; b) Pedido/Declaração de Compensação — Anexo 2; c) Comprovação da tributação da receita correspondente o IRRF no ano de 1992— Anexo 3; d) Demonstrativo do Débito compensado — DCTF — Anexo 4; e) Planilha de Atualização e Compensação do crédito Anexo 5; 10 muito embora a recorrente não tivesse logrado êxito em localizar os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte, procurou atender a solicitação mediante fornecimento de demonstrativos e documentos contábeis que permitiriam à Fiscalização, através das informações prestadas pelas respectivas fontes pagadoras, existentes nos registro do Sistema DIRF, comprovar a veracidade dos valores pleiteados e a existência do direito creditório pleiteado; 11 os Pedidos de Compensação formulados em 18/07/2000, 10/05/2001, 16/05/2001, 28/06/2001, 14/08/2001, 13/09/2001, 15/10/2001, 07/12/2001, 31/01/2002, 15.08.2003 e 02.10.2003, após a vigência da IN SRF n° 41/2000, já foram todos feitos em nome da Bunge Investimentos e Consultoria Ltda, para compensação de créditos com débitos próprios, em razão da incorporação da (Serfina); 12 os Pedidos de Compensação protocolados até 19/04/2002, que, em 01/01/2003, estavam pendentes de decisão administrativa e foram convertidos em Declaração de Compensação, estão tacitamente homologados, nos termos do § 50, do art. 74, da Lei n° 9.430/96; 13 Com relação à juntada dos "Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte", pelo que se depreende do v. Acórdão acima, seria apenas e tãosomente para instruir o processo e não, necessariamente, para comprovar a retenção, mesmo porque, se a requerente tivesse juntado aos autos todos comprovantes, ainda assim, a EQPIR/PJ/DIORT/DERATS teria por dever de ofício, a obrigação de verificar se os valores pleiteados pela recorrente a título de IRFonte, correspondiam àqueles declarados pelas Fontes Pagadoras através de DIRF, como o faz em outros processos; 14 segundo a legislação vigente, os livros, fichas e documentos devem ser mantidos pelo contribuinte até que decaia o direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento do imposto. No caso da DIRPJ relativa ao exercício financeiro de 1993, observado o prazo decadencial do artigo 173, do CTN, teria a Fazenda Pública deixado decair seu direito de constituir o crédito tributário em 31/12/1997; 15 o Pedido de Restituição de saldo negativo do IRPJ, resultante da retenção na fonte apurado na DIPJ do Exercício Financeiro de 1993, relativamente ao anocalendário de Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 343 8 1992, foi homologado tacitamente pela Secretaria da Receita Federal, já que, uma vez decorridos mais de 05 (cinco) anos de sua apresentação, não foram objeto de qualquer tipo de questionamento ou procedimento fiscal para apurar possíveis divergências, inclusive, com relação aos valores declarados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte; 16 as questões a serem dirimidas neste processo seriam simplesmente: a) Os Pedidos de Compensação protocolados e pendentes de decisão administrativa em 01.10.2003, foram convertidos em Declaração de Compensação, ou não, para os efeitos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96? b) O direito à restituição de valores retidos a título de IRFonte está condicionado, única e exclusivamente, a apresentação dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte? 17 o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da seguinte maneira: a) nos termos do artigo 173, 1, do Código Tributário Nacional — regra geral – o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; b) nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, o prazo inicial da decadência é o dia da ocorrência do fato gerador; 18 o crédito da recorrente estava sujeito à sistemática do lançamento por homologação; 19 a sistemática de tributação do imposto de renda na fonte não lhe confere fato gerador diverso do previsto para o imposto de renda sujeito à técnica da declaração. Em qualquer dos casos, o objetivo do legislador é o de tributar a parcela referente ao acréscimo patrimonial auferido pela pessoa jurídica; 20 a técnica de tributar o imposto de renda na fonte constitui mera técnica de praticidade, simplificação e segurança para a arrecadação desse imposto, buscando a comodidade do Poder Administrativo. Assim, o legislador elege algumas receitas auferidas pelo contribuinte e sobre elas determina incidência do Imposto de Renda na Fonte, que deve ser retido e recolhido pela fonte pagadora e não pela pessoa jurídica que auferiu a renda. Note se que o legislador não se preocupa em verificar a real ocorrência do acréscimo patrimonial no momento da retenção na fonte (o que somente será verificado ao final do ano calendário), apenas determina que certas receitas sejam automaticamente tributadas; 21 a lei especifica que determinadas receitas da pessoa jurídica serão tributadas na fonte no momento em que forem auferidas, não obstante o fato de ainda não ser possível determinar se tais receitas constituirão, efetivamente, um acréscimo patrimonial, o que será determinado tão somente ao final do anocalendário, quando se concretiza o aspecto temporal do fato gerador do Imposto de Renda; 22 o imposto retido na fonte constitui mera antecipação do tributo devido. Quando do ajuste anual, ao final do anocalendário, será apurado o acréscimo patrimonial anual e, por conseguinte, o Imposto de Renda efetivamente devido. Tal ajuste anual do Imposto de Renda é formalizado mediante a entrega da Declaração Anual de Rendimentos da Pessoa Jurídica, para a informação da Receita Federal; 23 caso o imposto antecipado some valor inferior ao devido, o contribuinte deverá recolher aos cofres públicos a diferença; caso o valor antecipado seja superior, tem o Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 344 9 contribuinte o direito à restituição/compensação do valor recolhido a maior, sob pena de enriquecimento ilícito da União; 24 no caso, a recorrente teve determinadas rendas tributadas na fonte nos anocalendário de 1992. Porém, quando da entrega de suas Declarações de Imposto de Renda de 1993, relativa ao anocalendário de 1992, em face do prejuízo fiscal apurado, esses valores se transformaram em créditos de IRRF, que jamais foram contestados pela Secretaria da Receita Federal, durante o prazo decadencial de 5 (cinco) anos; 25 tanto isso é verdade que, desde a data de entrega das DIRPJ, a recorrente jamais foi intimada a respeito de eventual glosa ou incorreções em suas declarações; 26 ocorre que o pedido de restituição/compensação, contrariando a lei, a doutrina e a jurisprudência Pátrias, foi indeferido mediante o argumento de que a empresa deixou de apresentar os Comprovantes de Rendimentos e de Retenção na Fonte; 27 conforme esse D. Órgão Julgador poderá verificar a razão pela qual a D. Autoridade Administrativa indeferiu o Pedido de Restituição da recorrente, foi por entender que o crédito pleiteado não se enquadraria na hipótese de Declaração de Compensação e pela "falta de apresentação dos Comprovantes de Rendimentos e de Retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte", documento este que, apesar de ser fornecido pelas respectivas fontes pagadoras, não assegura, por si só, o direito à restituição. A Secretaria da Receita Federal dispõe, em seus registros, de elementos e informações que permitiriam confirmar os valores pleiteados pela recorrente; 28 a obrigação de apresentar a declaração relativa ao imposto de renda retido (DIRF) é da fonte pagadora e não da recorrente, que compensou o imposto, com base em documentos regularmente emitidos e registrados em sua contabilidade; 29 segundo ainda o § 4º do artigo 74 da Lei n° 9430/96, os pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002, passaram a ser considerados como declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002). 30 portanto, os Pedidos de Compensação protocolados até 01.10.2002, e que estavam pendentes de decisão administrativa, como é o caso dos autos, foram convertidos em Declaração de Compensação e estão sujeitos às regras estabelecidas pelo artigo 74 da Lei n.° 9.430/96. 31 o § 5º do artigo 74 da Lei n° 9430/96, estabelece que o prazo para homologação da compensação declarada pelo contribuinte é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação; 32 pois bem, se todos os Pedidos de Compensação protocolados até 01.10.2003, que naquela data estavam pendentes de decisão administrativa, foram convertidos em Declaração de Compensação, desde a data de seu protocolo, para os efeitos do artigo 74 da Lei n° 9430/96, e a data estabelecida para homologação das compensações passou a ser de 5 (cinco) anos contado da data da entrega da Declaração Compensação, forçoso concluir que, decorridos os 5 (cinco) anos da data de seu protocolo, sem qualquer manifestação fiscal, temse por homologada a compensação e definitivamente extinto o crédito tributário; Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 345 10 33 o caso, parte dos Pedidos de Compensação foram protocolados em 27/02/1998, 30/04/1998, 29/10/1999, 18/07/2000, 10/05/2001, 16/05/2001, 28/06/2001, 14/08/2001, 15/09/2001, 15/10/2001, 07/12/2001, 31/01/2002, 18/01/2002. Como estavam pendentes, em 01.10.2003, de decisão por parte da D. Autoridade, foram convertidos, para os efeitos do artigo 74 da Lei n° 9430/96, em Declarações de Compensação, as quais deveriam ter sido homologadas no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data de seu protocolo; 34 como somente em 20/02/2009 a recorrente foi intimada do Despacho Decisório, indeferindo o Pedido de Restituição e não homologando seus pedidos/declarações de compensação, todos os pedidos de compensação protocolados até julho/2002, na falta de manifestação expressa da D. Autoridade Competente, foram tacitamente homologados, extinguindo, definitivamente, o respectivo crédito tributário. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. As matérias ainda em litígio dizem respeito à preliminar de homologação tácita da compensação efetuada e, no mérito, a pretensão da empresa de ter acolhido seu pedido de compensação com créditos de terceiros, saldo negativo do IRPJ, oriundo de IR Fonte do ano de 1992. Quanto à preliminar de homologação tácita, entendo não assistir razão à recorrente, haja vista que o Despacho Decisório de fls. 31/36, cuja ciência ao contribuinte aconteceu em 07/05/02, apreciou os pedidos de compensação antes de decorridos os cinco anos homologatórios. Com efeito, do Relatório extraio que a pessoa jurídica informou ao Fisco a compensação de valores a título de IRPJ em 1999, fls. 63. Tal comunicação foi analisada pelo Despacho Decisório de fls. 31/36, que, preliminarmente, considerou prescrito o direito de pedir da empresa pelo decurso do prazo superior a 5 anos de tal solicitação, em relação ao crédito pretendido, não adentrando, por conseguinte, à análise do mérito. A manifestação de Inconformidade dirigida à Delegacia de Julgamento foi indeferida. Inconformada interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes, que manteve o posicionamento adotado no acórdão de primeira instância, negando provimento ao recurso voluntário, considerando prescrita a pretensão a seu direito, conforme Acórdão nº 107.07861, fls. 65/79. Não satisfeita com a decisão proferida, que esgotou a fase administrativa do julgamento, impetrou Mandado de Segurança à Justiça Federal, Seção de Brasília, que acatou o Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 346 11 pedido, considerando não prescrito o direito de compensação do contribuinte, Mandado de Segurança nº 2005.34.00.0119465, fls. 138, e Sentença às fls. 139/146. Por força dessa sentença, a unidade local da Receita Federal analisou o mérito do pedido e não homologou a compensação realizada pela contribuinte, Despacho Decisório de fls. 253/256, fundamentando seu posicionamento na falta de comprovação do direito creditório por documentos específicos de retenção do IR Fonte, pois só foram apresentadas planilhas e demonstrativos elaborados pela própria recorrente. Este posicionamento foi confirmado pela Delegacia de Julgamento no Acórdão nº 1622.192, fls. 296/304, sendo a matéria submetida a este Conselho pelo recurso voluntário de fls. 306/326. O art. 74, e seus §§ 4° e 5°, da Lei n° 9.430/96 e suas alterações posteriores, determina o limite temporal para homologação da compensação declarada pelo contribuinte: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Destaquei) § 4°. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Claro está que a recorrente apresentou seu pedido de compensação e este foi analisado pela autoridade local da Receita Federal, que declarou prejudicado o exame do seu mérito em virtude da prescrição do direito de pedir da pessoa jurídica. O Pedido de Compensação de Crédito mais antigo foi protocolizado no ano de 1999, enquanto a ciência do contribuinte do Despacho Decisório original aconteceu em maio de 2002, dentro do prazo legal para a análise do crédito. Além disso, um segundo argumento é o mais importante para que seja rejeitada a preliminar de homologação tácita suscitada. Ele diz respeito à impossibilidade de conversão de compensação com créditos de terceiros em Declaração de Compensação, como determina o § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 74 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; e Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 347 12 II em que o crédito: a) seja de terceiros;” (Destaquei) Por conseqüência, o pedido de compensação com créditos de terceiros segue os ritos previstos na lei anterior, não sendo, portanto, passível de ser homologado tacitamente. Assim, a compensação dos créditos de IRPJ não havia se tornado definitiva como afirma a recorrente, não estando albergada pela homologação tácita. Quanto ao mérito, sustenta a recorrente que os documentos apresentados para a comprovação do seu direito creditório são válidos, planilhas e demonstrativos, não sendo necessário o informe de rendimentos das fontes pagadoras, e que decorridos mais de cinco anos do fato gerador não mais poderia o Fisco exigir esses elementos. Conforme determina o art. 264 do RIR/99, é dever do contribuinte a guarda de documentos para prova de suas pretensões enquanto não homologada a compensação efetuada, não cabendo qualquer alegação de decadência do direito de exigência de documentos, porque aqui não está sendo tratada a questão de constituição de crédito tributário sujeita à decadência, na forma do art. 150 ou 173 do CTN. No presente caso, deve o contribuinte provar com os elementos solicitados pela Receita Federal do Brasil a liquidez e certeza do direito creditório que sustenta ter. Em seus fundamentos, afirma o acórdão de primeira instância que a empresa não comprovou por documentos hábeis e idôneos o seu direito creditório. O montante a restituir é o saldo negativo apurado na DIRPJ, após a compensação do IR Fonte. Para que tal pedido possa ser aceito, o IR Fonte deve estar contabilizado como ativo recuperável e a receita registrada em conta de resultado, devendo ser comprovada, também, sua retenção por meio de documentação hábil, o informe de rendimentos, o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica instituído pela Receita Federal do Brasil, conforme previsto no art. 55 da Lei nº 7.450/85, que a seguir transcrevo: Art. 55 da Lei nº 7.450/85 “Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.”grifei Esse é o meio de prova eleito pela legislação tributária para a comprovação do IR Fonte e sua compensação na DIRPJ, com o possível surgimento do direito creditório do saldo de IRPJ negativo apurado na declaração de rendimentos da pessoa jurídica, não bastando como prova planilhas de emissão do próprio beneficiário. Pela análise dos autos, constato que não restou comprovado devidamente o direito creditório. Deixou a recorrente de juntar aos autos a peça mais consistente para a confirmação do alegado, os informes de rendimentos emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras, procedimento primordial para que fosse homologada a compensação do IR Fonte Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.002800/200382 Acórdão n.º 1202000.862 S1C2T2 Fl. 348 13 retido sobre os referidos rendimentos com o IRPJ indicado na DIRPJ, e a apuração de saldo negativo do tributo. Apenas sugere a contribuinte em seu recurso que deveria a Receita Federal pesquisar nos seus registros para confirmar os valores pleiteados, numa clara tentativa de transferir o ônus da prova. Assim, não ficando provado nos autos que a recorrente detinha integralmente o direito ao IR Fonte, não pode ser admitida a restituição/compensação pretendida. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 23/10/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13837.000023/2004-65
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Débitos Inscritos em Dívida Ativa, impedimento. A existência posterior de débitos inscritos em Divida Ativa da União, sem prova de suspensão de sua exigibilidade, impede a permanência do contribuinte no SIMPLES durante o período em que perdurou essa circunstância impeditiv.,
Numero da decisão: 1103-000.178
Decisão: Acordam os Membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Hugo Correia Sotero.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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Numero do processo: 10280.005243/2006-92
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002, 2003
REMISSÃO. MP 449/2008. CÔMPUTO DO PRAZO DE CINCO ANOS.
FLUÊNCIA A PARTIR DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Não havendo o correspondente pagamento, o respectivo auto de infração marca o cômputo do prazo para eventual fruição de benefício.
ASSUNTO: OMISSÃO DE RECEITAS. CRUZAMENTO DE DADOS.
Subsiste a glosa efetivada pelo simples cruzamento de informações, quando toma-se as declarações emitidas pelas fontes pagadoras, dando conta de que a contribuinte fora beneficiária de determinados pagamentos e as cruza com a declaração do sujeito passivo, a se evidenciar, nesse cruzamento de dados, a incompatibilidade entre ser destinatária de pagamentos e a condição de inativa, impondo-se reconhecer a omissão de receitas.
Numero da decisão: 1301-000.589
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidae REJEITAR as preliminares suscitadas, e no mérito NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 REMISSÃO. MP 449/2008. CÔMPUTO DO PRAZO DE CINCO ANOS. FLUÊNCIA A PARTIR DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Não havendo o correspondente pagamento, o respectivo auto de infração marca o cômputo do prazo para eventual fruição de benefício. ASSUNTO: OMISSÃO DE RECEITAS. CRUZAMENTO DE DADOS. Subsiste a glosa efetivada pelo simples cruzamento de informações, quando toma-se as declarações emitidas pelas fontes pagadoras, dando conta de que a contribuinte fora beneficiária de determinados pagamentos e as cruza com a declaração do sujeito passivo, a se evidenciar, nesse cruzamento de dados, a incompatibilidade entre ser destinatária de pagamentos e a condição de inativa, impondo-se reconhecer a omissão de receitas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 REMISSÃO. MP 449/2008. CÔMPUTO DO PRAZO DE CINCO ANOS. FLUÊNCIA A PARTIR DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Não havendo o correspondente pagamento, o respectivo auto de infração marca o cômputo do prazo para eventual fruição de benefício. ASSUNTO: OMISSÃO DE RECEITAS. CRUZAMENTO DE DADOS. Subsiste a glosa efetivada pelo simples cruzamento de informações, quando tomase as declarações emitidas pelas fontes pagadoras, dando conta de que a contribuinte fora beneficiária de determinados pagamentos e as cruza com a declaração do sujeito passivo, a se evidenciar, nesse cruzamento de dados, a incompatibilidade entre ser destinatária de pagamentos e a condição de inativa, impondose reconhecer a omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidae REJEITAR as preliminares suscitadas, e no mérito NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente Fl. 106DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada contra decisão proferida pela 1ª Turma/DRJ Belém/PA. Depreendese dos autos que contra a recorrente foi efetivado lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, em decorrência de verificada omissão de receitas. Consignouse no auto de infração (fls. 32 – 37), terse efetivado arbitramento do lucro, tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não apresentou escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, omitindo todos os rendimentos percebidos nos anos de 2002 e 2003 e apresentou declaração inexata como “INATIVA”, sujeitandose, portanto, ao arbitramento previsto no artigo 845, inciso III, do RIR/99. A materialidade da autuação, como dito, foi verificada em vista da omissão de receitas, em razão do mesmo fato de a recorrente ter apresentado declaração de inativa, no ano de 2002, deixando de oferecer à tributação rendimentos percebidos no ano conforme especificado no bojo do auto de infração. Devidamente cientificada (fl. 57), a recorrente apresentou Impugnação (fl. 59), alegando em síntese que efetuou suas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica anos calendário 2002 e 2003, dentro do prazo assinalado, mencionando sua condição de INATIVA, porquanto já teria declarado por um dos sócios, que a remuneração percebida a título de honorários pela prestação de serviços advocatícios, era realizada pela empresa contratante diretamente à pessoa física, tanto da contratante “White Martins Gases Industriais do Norte S/A”, como do “Sindicato dos Policiais Federais” e que estes contratantes reteriam integralmente os impostos federais (IRPJ e CSSL), ou mesmo recolheriam os tais tributos repassando para a recorrente, os valores líquidos com seus devidos descontos. Dito isso, afirmou a recorrente que se fosse recolher os coincidentes tributos, haveria uma duplicidade de recolhimentos, mesmo porque, os pagamentos eram feitos à Pessoa Física, em função do contrato firmado pelas partes. Ademais, esclareceuse que as Declarações do Imposto de Renda, foram feitas como INATIVAS, nos exercícios 2002 e 2003, em virtude dos fatos acima mencionados, retificando que a empresa não se encontrava em atividade nos referidos períodos, não tendo assim apresentado os documentos solicitados anteriormente, requerendo a improcedência da autuação. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10280.005243/200692 Acórdão n.º 130100.589 S1C3T1 Fl. 2 3 A 1ª Turma/DRJ Belém/PA, nos termos do acordão e voto de folhas 75 a 77, manteve o auto de infração assinalandose, diante do argumento da recorrente de que os contratos foram feitos com a pessoa física dos sócios e não com a pessoa jurídica, que tal alegação não procederia, porquanto não fora apresentada a prova da sua alegação. No mais, afirmouse que diante das provas existentes nos autos estaria perfeitamente afirmada a constatação da fiscalização, porquanto as DIRF's de folhas 13 e 14 foram apresentadas em 28/02/03 e 27/02/04 pela empresa WM GASES INDUSTRIAIS DO NORTE SA, não constando nenhuma declaração retificadora e por outro lado o recibo de folha 30 seria claro no sentido de mostrar que foi elaborado e firmado pela impugnante. Por essas razões considerou a decisão recorrida que a própria impugnação (fl. 59) confirma o entendimento da fiscalização, visto que o sujeito passivo afirmou que os valores recebidos eram repassados à empresa com os devidos descontos de IRPJ e CSLL, porquanto se houve retenção de IRPJ e CSLL, só poderia ser decorrente da prestação de serviços pela pessoa jurídica, mantendose a autuação. Cientificada da decisão desfavorável por meio de do Edital de folha 86, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 87 – 90), requerendo inicialmente fossem aplicados ao caso os benefícios da Medida Provis6ria 449/2008, que no seu entender, acarretaria a remissão integral quanto ao valor relativo a 2001 e a redução, na forma prevista na norma, para os débitos lançados quanto ao período de 2002. Em razão do requerimento acima mencionado, pugnou a contribuinte que o presente processo fosse remetido à Receita Federal, para que se apurasse o novo valor de cobrança, decorrente da aplicação da sobredita MP. No que toca ao mérito da autuação, afirmou que o valor lançado já foi objeto de pagamento pelos sócios da recorrente, eis que foi procedido ao lançamento desse crédito em suas declarações renda pessoa física, como narrado na peça impugnatória, o que importou em pagamento a maior. Afirmou, destarte, que os documentos contidos no presente processo evidenciariam suas alegações, afirmando ainda, que no levantamento procedido não haveria qualquer informação quanto a composição do lançamento o que prejudicaria sobremaneira qualquer tentativa de defesa, tecendo outros tantos argumentos e pugnando por provimento do seu recurso e a consequente improcedência da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator O recurso é tempestivo e congrega os permissivos legais de admissibilidade, conheçoo. A questão versada nos autos se traduz em lavratura de auto de infração ante a constatada omissão de receitas por parte da recorrente, que teria apresentado, para os anos calendário 2002 e 2003, declarações dando conta da sua inatividade e a despeito disso, no Fl. 108DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 cruzamento de informações fiscais constatouse emissão de DIRF`s nas quais a recorrente figurou como destinatária de determinados pagamentos. As fontes pagadoras e os valores envolvidos na presente glosa estão bem descritos no auto de infração (fls. 32 – 37) e a recorrente argumenta que os respectivos valores, tidos pela Fiscalização como omitidos, foram pagos diretamente aos sócios da recorrente e que foram tributados na pessoa física, improcedendo, nessa medida, o auto de infração. Tendo em vista os valores envolvidos na presente autuação e que a Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, menciona ser aplicável ao lançamento concernente ao período de 2001 o disposto no artigo 14 da então medida Provisória n0 449/2008, é conveniente analisar eventual ocorrência de fato extintivo da obrigação tributária. Cuidando dessa perquirição é oportuno relembrar que a aventada Medida Provisória n0 449/2008 de fato trouxe em seu bojo dispositivo de remissão para as situações descritas em seu artigo 14, de sorte que na espécie, o que se precisa aferir é a correta subsunção dos fatos aos limites da norma extintiva do crédito tributário, situação que reclama singela reflexão, porquanto o instituto da remissão, consoante magistério de José Eduardo Soares de Melo (Curso de Direito Tributário, 5. ed., São Paulo: Dialética, 2004, pág. 288) é delineado como perdão fazendário a débito tributário, como forma de extinção do respectivo crédito (vide art. 156, IV do CTN), e se aperfeiçoa pela discricionariedade da Administração Pública, excepcionandose o princípio da indisponibilidade do crédito tributário. É precisamente desse conceito evidenciado acima, que decorre a conclusão lógica de que a remissão importa na extinção do crédito tributário nas hipóteses disciplinadas pela lei regente da matéria, pelo que se deve analisar para o caso concreto, de imediato, os requisitos definidos no artigo 14 da Medida Provisória 449/2008 (dispositivo legal que concede a remissão), para aferirse se há nos autos, alguma das hipóteses para sua concessão, bem como, quais são os requisitos de preenchimento necessário para a sua fruição. Nessa ordem de intenções o primeiro elemento a ser analisado é o teor do mencionado artigo 14 da então Medida Provisória 449/2008, observese: Artigo 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há cinco anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). (...) Vêse, portanto, que a previsão legal identifica que os débitos objetos da remissão seriam aqueles que “em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há cinco anos ou mais”, precisamente dessa condicionante é que nasce a impossibilidade de aplicarse ao caso concreto o disposto na MP 449/2008, porquanto, os créditos da Fazenda Nacional, constituídos em período anterior à 31/12/2002 é que se encontram sujeitos à essa remissão e por via de consequência estão excluídos da benesse legal, os créditos constituídos posteriormente à competência 12/2002. Sem prejuízo de o auto de infração versar sobre o ano calendário 2002, o que no entender da recorrente configuraria a aplicação da remissão, observase que não houve na época o correspondente pagamento, de sorte que se lavrou em 2007 o respectivo auto de infração, sendo esse marco, o da lavratura do auto, ao meu sentir, aquele aplicável para cômputo do prazo. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10280.005243/200692 Acórdão n.º 130100.589 S1C3T1 Fl. 3 5 Transposta essa questão preliminar, remanesce o mérito afeto à omissão de receitas. Sendo nesse aspecto, prevalente a decisão recorrida e, por conseguinte, a glosa levada a efeito. Quer me parecer que o simples argumento da recorrente, consagrador de que os valores recebidos e considerados pela fiscalização como omitidos foram tributados pelo sócio, é no mínimo perfunctório. Primeiramente porque a glosa foi efetivada pelo simples cruzamento de informações, ou seja, tomouse as declarações emitidas pelas fontes pagadoras, dando conta de que a recorrente fora beneficiária de determinados pagamentos e as cruzou com a declaração de inativa da recorrente, a se evidenciar, nesse cruzamento de dados, a incompatibilidade entre ser destinatária de pagamentos e a condição de inativa, impondose reconhecer a omissão de receitas. Feitas essas ponderações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902230/2013-81
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.519
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito contribuição não foi homologada por despacho decisório eletrônico, vez que o DARF teria sido integralmente utilizado para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14060.782. Intimado desta decisão, apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 23 0/ 20 13 -8 1 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10850.902230/201381 Resolução nº 3402001.519 S3C4T2 Fl. 101 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98; (ii) que as provas anexadas pela Recorrente seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, baseado nas receitas financeiras indicadas no balanço (contribuinte anexou planilha de cálculo, balancete e livro razão à Manifestação de Inconformidade). Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.505 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.901549/201399, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.505): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, especificamente quanto ao período de apuração de 10/2003. Como bem apontado pela r. decisão recorrida, "a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo." No presente caso, a Recorrente apresentou aos autos parte dos documentos contábeis que aduzem o pagamento a maior de COFINS sobre as parcelas que fugiriam ao conceito de faturamento, por não corresponder “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”1. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade, dentre os quais cópia dos documentos contábeis e da memória de cálculo da COFINS paga e 1 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10850.902230/201381 Resolução nº 3402001.519 S3C4T2 Fl. 102 3 devida no período. Com base nesses documentos e outros que entender pertinente, a autoridade fiscal terá elementos para elaborar relatório fiscal avaliando a existência e validade do crédito pleiteado, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos). Importante salientar que não está claro nos autos como o contribuinte aproveitou o crédito e qual seria o saldo remanescente do crédito efetivamente passível de aproveitamento na DCOMP objeto do presente processo, sendo crucial que se esclareça quais DCOMPs e quais processos administrativos estariam relacionados ao mesmo crédito. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10850.902230/201381 Resolução nº 3402001.519 S3C4T2 Fl. 103 4 informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo do PIS Cumulativo do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito do PIS Cumulativo do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo do PIS Cumulativo ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10850.902230/201381 Resolução nº 3402001.519 S3C4T2 Fl. 104 5 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003823/2003-26
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FíSICAS - São rendimentos da
pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles
provenientes' -do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho
prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer
proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados,
vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações.
IRPF - LANÇAMENTO DE OFíCIO. DECADÊNCIA - Quando os
rendimentos da pessoa física sujeitarem-se tão-somente ao regime de
tributação na declaração de ajuste anual e independentemente de
exame prévio da autoridade administrativa, por caracterizar-se
lançamento por homologação, o prazo decadencial tem início em 31 de
dezembro do ano-calendário, tendo o Fisco cinco anos, a partir dessa
data, para realizar o lançamento de ofício.
SIMULAÇÃO - Não se caracteriza simulação para fins tributários
quando ficar incomprovada a acusação de conluio entre empregador,
sociedade esportiva, e o empregado, técnico de futebol profissional,
por meio de empresa já constituída com o fim de prestar serviços de
treinamento de equipe profissional futebol.
MULTA QUALIFICADA DE OFíCIO - Para que a multa de ofício
qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que
haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, .
na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio,
capitulado na fõrma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO 4.502/64,
respectivamente.
APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS - Devem ser aproveitados na
apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de
tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e
convertida em rendimentos da pessoa física, base de cálculo de
lançamento de ofício.
Recurso provido parcialmente.
Numero da decisão: 106-14.244
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Pelo voto de qualidade, em preliminar, RECONHECER a inexistência de simulação, e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: a) excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pro-labore; b) desqualificar a multa de ofício; e c) considerar, na liquidação do crédito tributário, os valores recolhidos pela pessoa jurídica relativos aos rendimentos da pessoa física, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos, porque davam provimento integral, os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta. Rivitti ~ilfridO Aug ..to Marques, que apresentará declaração de voto. rQf;
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: José Ribamar Barros Penha
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FíSICAS - São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes' -do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. IRPF - LANÇAMENTO DE OFíCIO. DECADÊNCIA - Quando os rendimentos da pessoa física sujeitarem-se tão-somente ao regime de tributação na declaração de ajuste anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, por caracterizar-se lançamento por homologação, o prazo decadencial tem início em 31 de dezembro do ano-calendário, tendo o Fisco cinco anos, a partir dessa data, para realizar o lançamento de ofício. SIMULAÇÃO - Não se caracteriza simulação para fins tributários quando ficar incomprovada a acusação de conluio entre empregador, sociedade esportiva, e o empregado, técnico de futebol profissional, por meio de empresa já constituída com o fim de prestar serviços de treinamento de equipe profissional futebol. MULTA QUALIFICADA DE OFíCIO - Para que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, . na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, capitulado na fõrma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO 4.502/64, respectivamente. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS - Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos da pessoa física, base de cálculo de lançamento de ofício. Recurso provido parcialmente.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Pelo voto de qualidade, em preliminar, RECONHECER a inexistência de simulação, e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: a) excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pro-labore; b) desqualificar a multa de ofício; e c) considerar, na liquidação do crédito tributário, os valores recolhidos pela pessoa jurídica relativos aos rendimentos da pessoa física, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos, porque davam provimento integral, os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta. Rivitti ~ilfridO Aug ..to Marques, que apresentará declaração de voto. rQf;
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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. 11020.003823/2003-26 141.697 IRPF - Ex(s): 1999 LUIZ FELIPE SCOLARI 4a TURMAlDRJ em PORTO ALEGRE - RS 20 DE OUTUBRO 2004 106-14.244 IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FíSICAS - São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes' -do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. IRPF - LANÇAMENTO DE OFíCIO. DECADÊNCIA - Quando os rendimentos da pessoa física sujeitarem-se tão-somente ao regime de tributação na declaração de ajuste anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, por caracterizar-se lançamento por homologação, o prazo decadencial tem início em 31 de dezembro do ano-calendário, tendo o Fisco cinco anos, a partir dessa data, para realizar o lançamento de ofício. SIMULAÇÃO - Não se caracteriza simulação para fins tributários quando ficar incomprovada a acusação de conluio entre empregador, sociedade esportiva, e o empregado, técnico de futebol profissional, por meio de empresa já constituída com o fim de prestar serviços de treinamento de equipe profissional futebol. MULTA QUALIFICADA DE OFíCIO - Para que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, . na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, capitulado na fõrma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO 4.502/64, respectivamente. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS - Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos da pessoa física, base de cálculo de lançamento de ofício. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ FELIPE SCOLARI. Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Pelo voto de qualidade, em preliminar, RECONHECER a inexistência de simulação, e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: a) excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pro-labore; b) desqualificar a multa de ofício; e c) considerar, na liquidação do crédito tributário, os valores recolhidos pela pessoa jurídica relativos aos rendimentos da pessoa física, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos, porque davam provimento integral, os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta. Rivitti ~ilfridO Aug .. to Marques, que apresentará declaração de voto. rQf; . JOSÉ RIBAMAR B VIO~E;NHA PRESIDENTE E R ~~ FORMALIZADO EM: o 6 DEI 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, LUIZ ANTONIO DE PAULA e ANA NEYLE OLíMPIO HOLANDA. 2 ~ Referidos rendimentos decorrem de contrato firmado entre a Sociedade Esportiva Palmeiras, contratante, e a L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda. contratada, tendo como objeto a prestação de serviços de treinamento da equipe profissional de futebol e supervisão de todas as equipes amadoras (cláusula primeira), obrigatoriamente, pelo seu sócio Luiz Felipe Scolari (cláusula segunda). \ \ \ I RELATÓRIO 141.697 LUIZ FELIPE SCOLARI 11020.003823/2003-26 106-14.244 MINISTÉRIO DA FAZENDA' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Recurso nO Recorrente Processo nU Acórdão nO Luiz Felipe Scolari,qualificado nos autos, recorre a este Conselho de Contribuintes objetivando reformar o Acórdão DRJ/POA nO3.756, de 19 de maio de 2004 (fls .. 280-306) pelo qual os membros da 48 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto alegre - RS, por unanimidade de votos, decidiram julgar procedente em parte o lançamento objeto do Auto de Infração (fls. 03-10) correspondente ao crédito tributário de R$2.111.181.97, relativo a Imposto de Renda, inclusive juros de mora e multa de ofício (150%), em face da Omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica no ano-calendário de 1998, no total de R$2.318.923,87. A contraprestação pelos serviços foi feita uma parte mensalmente, outras fixas e, ainda, parte variável a titulo de taxa de sucesso (cláusula terceira), cujos pagamentos foram realizados mediante a apresentação de Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela contratada que os contabilizou e procedeu aos recolhimentos relativos a IRPJ, CSLL, Cofins, PIS e ISS. O agente do fisco entendeu que os serviços foram realizados de forma individual e personalíssima pelo que a remuneração contratual foi considerada rendimentos tributáveis na pessoa física do sócio, omitidos na Declaração de Ajuste Anual. 3 I r' , f I, Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 O contrato firmado entre as mencionadas pessoas jurídicas foi considerado simulado o que ensejou a qualificação da multa de ofício (150%). As autoridades julgadoras de primeira instância julgaram procedente em parte o lançamento para considerar o Imposto de Renda Retido na Fonte de R$39.087,78, pelo que determinou a redução do valor lançado. Do voto condutor do Acórdão prolatado pela DRJ é de destacar os seguintes pontos: - como.houve a ocorrência de simulação, (...) entendemos que o Fisco poderia ter efetuado o lançamento já no exercício de 1999, iniciando-se a contagem do prazo decadencial em 1° de janeiro de 2000 e terminando em 31 de dezembro de 2004; (fI. 290) (destaque original) - concordamos com o impugnante que não há vedação alguma para a constituição e exploração de sociedades civis para a prestação de serviços; todavia há a necessidade de os profissionais reunidos serem da mesma atividade e/ou de profissões legalmente habilitadas, conforme os exemplos citados pelo contribuinte, que obviamente seriam tributados na pessoa jurídica, sociedade civil, se assim fossem constituídos e se comportassem, não prestando individualmente e em seu nome pessoal os serviços; (fI. 292) - caso a profissão de técnico de futebol seja uma profissão regulamentada, o contribuinte poderia ter constituído uma sociedade civil para prestar serviços técnicos, o que no presente caso não ocorreu, sendo os serviços prestados de forma individual e pessoal; todavia fora constituída uma "sociedade mercantil", comercial, devidamente arquivada na Junta Comercial, e não no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, qualificados os sócios como do "comércio"; (fI. 292) - entendo que o trabalho prestado pelo contribuinte foi exercido de forma individual e personalíssima, é um direito personalíssimo, pois qualquer outro sócio, ou funcionário empregado de sua empresa, mesmo que não houvesse vedação contratual estipulada com a Sociedade Esportiva PALMEIRAS, não poderia exercer, ou não desempenharia com a mesma "performance", requerida pela SEP; (fI. 296) 4 l', Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 - CTN, em seu art. 116, parágrafo único, autoriza a autoridade autuante a desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, tal como a sujeição passiva, ou mesmo a ocorrência do fato gerador do tributo; (296) - também fundamentado no parágrafo único do art. 116 e no art. 123, entendemos que os técnicos de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal e individual, terão seus rendimentos tributados na . pessoa física; (fI. 296) - ao restringir no contrato em sua Cláusula Segunda, item 3.2: "Representar-se obrigatoriamente pelo seu sócio Luiz Felipe Scolari, independentemente de outros profissionais, no cumprimento deste contrato" (grifamos e realçamos), excluindo voluntariamente quaisquer outros profissionais sócios ou empregados da pessoa jurídica prestadora de serviços, característica fundamental da prestação de serviços quer seja a sociedade civil, quer seja mercantil, está efetivada, a meu ver, a contratação pessoal do profissional; (fI. 300) - ser remuneração personal auferida pelo brilhante profissional em técnica desportiva, o não oferecimento à tributação em sua DIRPF/1999 provoca o enquadramento e o embasamento legal descrito pela autoridade fiscal autuante; (fI. 300) - compensação pela pessoa física dos tributos pagos pela pessoa jurídica, sendo lançados e aproveitados em sua contabilidade, também não procede tal pedido, pois são entidades distintas; (fI. 301) não pode pleitear os impostos apurados, lançados e recolhidos, mesmo que indevidamente, pela pessoa jurídica, a única entidade competente para pleitear a restituição deste indébito é a própria PJ, na forma da legislação e por meio de seus representantes, falando em nome da pessoa jurídica; (fI. 301) - houve uma ação conjunta entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e o contribuinte com o intuito de modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, deslocando para a pessoa jurídica interposta como beneficiária de um rendimento que é um direito personalíssimo (...); (fI. 302) - tal procedimento denota "simulação", perfeitamente subsumida ao inciso I do art. 102 do antigo Código Civil, vigente à época, pois o ato jurídico aparentou conferir direitos a pessoa diversa, ou seja à pessoa 5 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 jurídica de natureza comercial, impossibilitada de prestar um serviço personalíssimo de natureza civil. (fI. 302) O julgado está ementado nos seguintes termos: DECADÊNCIA. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratando-se de lançamento de ofício o prazo de 5 anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Configurada a presença de simulação, não se aperfeiçoa o lançamento por homologação e o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURíDICA - CONTRA TO DE TRABALHO DE NA TUREZA PERSONALíSSIMA - Os rendimentos auferidos pela prestação individual de serviços de técnico de futebol, que são prestados de forma pessoal, são tributados .na pessoa física. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DIREITO PERSONALíSSIMO - O imposto de renda retido pela fonte pagadora, Sociedade Esportiva, para os rendimentos auferidos na prestação individual de serviços de técnico de futebol, é considerado antecipação do tributo, mesmo que retidos em alíquota imprópria, e são redutores do IRPF apurado no lançamento de ofício. MUL TA QUALIFICADA - É de se manter a multa qualificada de 150%, estando configurado o intuito de fraude, utilizada a simulação, com a conseqüente redução do imposto devido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recorrente protesta inicialmente contra a definição da infração como sendo omissão de rendimentos quando o que teria ocorrido era uma reclassificação de rendimentos auferidos, recebidos e originalmente tributados (R$2.318.923,87) na pessoa jurídica, L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda .. A declaração e tributação, por si sós, afastariam a caracterização de fraude, sonegação ou conluio. 6 , 1.1 • Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 No mesmo diapasão, o acolhimento da impugnação apenas quanto ao IRFON descontado da L. F. Promoções, sem abranger o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, calculados sobre a mesma base, representaria confisco proibido constitucionalmente. As razões impugnadas são reafirmadas no seguinte sentido: - decadência parcial no período de janeiro a novembro de 1999, nos termos do art. 150, 94°, do CTN, por incomprovada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio que justificasse a adoção da contagem do hiato decadencial segundo o previsto no art. 173 do CTN; - a nulidade do auto de infração por desconsiderada a personalidade jurídica da empresa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., sem fundamentação e sem autorização judicial; - inconsistência do lançamento, pois os rendimentos, de fato e de direito, pertencem à pessoa jurídiCa tendo sido tributados regular e tempestivamente ao amparo do art. 55 da Lei nO9.430, de 1996, não havendo óbice legal à constituição da pessoa jurídica; - a quantificação do valor submetido à tributação na pessoa física também apresenta inconsistência no valor submetido à tributação; - caso a persistência da reclassificação dos rendimentos,. a compensação integral dos tributos pagos pela pessoa jurídica em atendimento ao requisito da verdade real; - refuta-se a aplicação da multa de 150% por incomprovadas infrações aos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nO4.502, de 1964, posto que a controvérsia cinge-se à 7 "" , Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA ,11020.003823/2003-26 106-14.244 possibilidade de constituir pessoa jurídica aos fins o que não se caracteriza procedimento doloso. As razões supra são fundamentadas conforme segue: Decadência parcial Transcritas as justificativas do relator no voto condutor do acórdão, o recorrente contesta-as, primeiro porque a ausência de pagamento não descaracterizaria a modalidade do lançamento por homologação do IRPF, a teor do entendimento esposado no Acórdão nO 101-92.642, de 14.04.99, segundo o qual a ausência de recolhimento não altera a natureza do lançamento, "já que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo". Assim, inexistiria omissão de parte da pessoa física ou da pessoa jurídica, posto que ambas cumpriram o dever instrumental de apresentar as correspondentes declarações de ajuste, bem como outras providências acessórias relativas aos rendimentos objeto do lançamento de conhecimento do Sujeito Ativo. Em outros pontos, não havendo comprovação de dolo, fraude ou simulação, pereceriam os argumentos de alongamento do prazo decadencial do art. 173 do CTN, carecendo de base legal o entendimento segundo o qual o lançamento de ofício inviabilizaria a aplicação do prazo decadencial do art. 150, 94° do CTN. Em último passo, o recorrente tem como certo que o fato gerador do IRPF ocorre no último dia de cada mês em que são auferidos os rendimentos a teor do Parecer Normativo Cosit nO1, de 24 de setembro de 2002, do informado no Auto de infração e da pacificada jurisprudência objeto dos Acórdãos 102-45.417, de 19 de marcos de 2002, e 102-45.440, de 21.03.2002, que transcreve por ementas. Os artigos 2°, 9 2°, 38, parágrafo único, e no art. 620, 9 1° do RIR/99 deixariam induvidoso ser o fato gerador do IR mensal. 8 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 Nulidade do lançamento por irregular desconsideração da personalidade jurídica. O recorrente considera que o relator utilizou o instituto da entidade para afastar os pleitos impugnados, mas não se manifestou sobre a desconsideração da personalidade jurídica, efetuada pelo Fisco sem o embasamento legal extensamente argüido na impugnação. Conforme o constante do Relatório Fiscal e do Acórdão recorrido o Fisco teria entendido que houve desvirtuamento de finalidade da pessoa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., trazendo à pessoa física do sócio toda a renda e toda a responsabilidade obrigacional tributária decorrente. Não houve iniciativa do Fisco para investigar as atividades da pessoa jurídica e identificar eventuais desvios de finalidade. Também nenhum pedido de esclarecimentos foi dirigido à contratante. Cônscio que houve desconsideração da pessoa jurídica, o recorrente transcreve os termos do art. 50 da Lei nO10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, para aduzir da necessidade de decisão judicial nos casos de abuso da personalidade jurídica pelo desvio de finalidade. A este respeito, o recorrente lembra ainda os termos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, Lei nO8.078/90. Assim, por falta de expressa autorização judicial o procedimento fiscal padeceria de nulidade. Procedimento Fiscal sem Embasamento Legal Sob o nomem juris acima, o recorrente contesta os termos da autuação quanto à expressão "omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica" posto que de fato e de direito foram auferidos pela pessoa jurídica L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda. que juntamente com outras receitas, de menor valor, derivadas de serviços de propaganda, foram recebidos e originalmente tributados. 9 f Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 As razões argüidas pelo relator para justificar a exclusão da receita da declaração da pessoa jurídica e tributação na pessoa física do sócio como rendimentos omitidos são contestadas porque a empresa foi constituída regularmente, seus sócios são ambos professores, profissão regulamentada, relacionada no art. 192, inciso XIII, do RIR/99, como serviços profissionais regulamentados. Quanto aos serviços terem sido prestados deforma individual e pessoal através de sociedade mercantil, que o relator alegara, o que conflitaria com o conceito de sociedades civis admitidas pela legislação tributária, o Parecer Normativo nO 15/83, item 2, trazido no Acórdão, respaldaria a situação, observando que "as atividades comerciais previstas no contrato social nunca foram exercidas pela sociedade". A prestação individual e pessoal dos serviços por meio da pessoa jurídica também estaria conforme a orientação objeto do item 5 do mencionado Parecer Normativo. Por outro ver, também há participação direta da sócia nos serviços contratados. Na sua especialidade de professora ela é responsável pela preparação de centenas de palestras exigidas ao desempenho da atividade contratada. Também, além do serviço de "ensinar a jogar futebol e orientar os profissionais quando da execução dessa atividade", existem outras tarefas que precisam ser cumpridas na área administrativa, na programação de eventos, na preparação de palestras não relacionadas com os serviços contratados com o Palmeiras, na programação de viagens para palestras e para observações técnicas. Os serviços contratados pela empresa são prestados pelos sócios embora prepondere a participação do Recorrente quando se trate da atividade principal da sociedade, reitera. Acerca da natureza do trabalho prestado de forma individual e personalíssima, que ensejou a tributação na pessoa física, após destacar os fundamentos legais indicados no Auto de Infração, o recorrente tem em conta que as determinações expendidas no art. 3°, S 4° da Lei n° 7.713, de 1988, e artigos 43 e 45 10 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 do RIR/99, não inviabilizam que empresas aufiram rendimentos decorrentes da prestação de serviços profissionais. Conforme o art. 146 do RIR/99, as prestadoras de serviços profissionais são tributadas como pessoas jurídicas como as que compreendem serviços de médicos, advogados, contadores etc., pelo que a argüição padeceria de embasamento legal. Não haveria na legislação tributária nenhuma determinação que vincule a tributação à pessoa física do profissional que executa o serviço, pelo que o procedimento fiscal colidiria com as disposições do artigo supra, 99 3° e 7° e art. 147, também do RIR/99. Diante da legislação indicada, o recorrente é assente que a empresa constituída em 26 de dezembro de 1995, o foi nos termos do ordenamento e assim realizou em 1998 os seus objetivos sociais e obrigações legais, comerciais e tributárias, pelo que "enquanto a lei não relacionar as atividades que obrigatoriamente devam ser tributadas na pessoa física, a opção pela constituição de sociedade, para exercer atividades lícitas, seja pelo motivo que for, tem amparo legal". A formulação estaria conforme a Carta Maior quanto à plena liberdade de associação para fins lícitos assegurados no art. 5°, inciso XVII. Por outro lado, o recorrente entende que a empresa não infringiu o disposto no art. 150, inciso 11, também da Carta, acerca de tratamento desigual àqueles que se encontrem em situação equivalente. Outro argumento contestado respeita à interpretação dada ao art. 123 do CTN, a respeito da existência de convenções opostas à Fazenda para modificar a definição de sujeito passivo. No caso em questão, o recorrente considera que a formulação constitucional não se aplica, mesmo porque milhares de pessoas constituem empresas sob as mais diversas justificativas mesmo que residam apenas em economia fiscal. 11 { Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 Seria inadmissível rotular tais procedimentos de manobra para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias. A situação da L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., quanto à prestação de serviço pelo sócio majoritário, assemelha-se à empresa do cantor Roberto Carlos, cuja presença é obrigatória quando contratada para a realização de shows. Outros exemplos de serviços pessoal ou personalíssimo prestado por sócio de empresas são enfatizados e que não desconsideraria a pessoa jurídica. Ainda, acerca de prejuízos a encargos trabalhistas, o recorrente aduz não serem do terreno do Imposto de Renda. Também, a respeito dos prejuízos a previdência social, a autuação do IRPF não é a via adequada e mesmo porque, os clubes de futebol recolhem a contribuição previdenciária sobre a arrecadação. O recorrente destacando excertos da autuação segundo o qual os interesses fazendários seriam lesados pela manobra, encaminha a questão a ser enfrentada pelo legislador ordinário uma vez que enquanto a lei der direito a opção para a constituição de pessoa jurídica ao invés de tributar os rendimentos na pessoa física nada pode ser tachado de ilegal. O art. 647 do RIR/99 também daria amparo à tributação dos rendimentos via pessoa jurídica. Dos Equívocos na quantificação da exigência Neste tópico, o recorrente argumenta sobre incorreções na apuração da base de cálculo, por não levar em conta o pro labore já tributados na pessoa física apesar de integrar os rendimentos reclassificados, o que representaria dupla incidência; por não considerar como "Livro Caixa" a escrituração da pessoa jurídica (art. 75 do RIR/99); por inobservar o caráter indenizatório dos valores auferidos em face da cláusula terceira do contrato; e por não compensar os tributos pagos antes da incidência da multa de ofício e dos juros de mora tudo isto em face do princípio da verdade real. 12 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 Da necessária compensação de tributos pagos na pessoa jurídica A este respeito, o recorrente enfatiza que o julgamento ao acatar, como redutor do lançamento, apenas o IRRF retido pela pessoa jurídica, embora tenha havido também recolhimento de Cofins (R$46.967,83), PIS (R$17.256,05), IRPJ (161.152,80) e CSLL (R$38.373,15) no total de R$263.749,78, conforme anexo I, agiu em divergência ao decidido no Acórdão nO104-18.641, de 19 de março de 2002. Da inaplicabilidade da multa qualificada - ausência de evidente intuito de fraude Transcritas as justificativas do Fisco para qualificar a multa de ofício, segundo as quais teria havido simulação, o recorrente entende que esta é a impropriedade mais flagrante do lançamento. A relação contratual da L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda. com a Sociedade Esportiva Palmeiras não ensejaram a existência de dolo, fraude ou simulação, figuras penais exigidas à imputação da multa qualificada. Por outro ver, a pessoa jurídica teria cumprido todas as determinações legais, comerciais e tributáveis, tais como: emissão de Nota Fiscal de Prestação de Serviço; retenção do imposto de renda na fonte; contabilização dos rendimentos e tributação dos mesmos perante o ISSQN, IRPJ, CSLL, PIS. COFINS; e apresentação das DCTF, DIRF e DIRPJ. Todo o funcionamento regular da empresa antecedeu qualquer ato de fiscalização da Receita Federal "sem caracterizar fraude, pois não evitou ou retardou a ocorrência do fato gerador. Todas as providências tomadas, mesmo que tenham minimizado o ônus tributário, observaram estritamente as alternativas legais, bem como antecedera a ocorrência do Fato Gerador". Por entender desproporcional a multa qualificada, "caso mantida a exigência relativa ao imposto, o que se aceita para argumentar, acolha o recurso neste particular e proponha a desqualificação da multa de 150%". 13 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 No pedido, requer a reforma da decisão a quo para decretar a nulidade do lançamento em face da decadência parcial e por ser jurídica a relação contratual via a L. F. Promoções, Serviços e Representação Ltda., ou a insubsistência do auto em face das razões de mérito, ou, não provido o recurso, seja determinada a compensação dos tributos pagos em nome da pessoa jurídica e a desqualificação da multa. Comprova-se o deposito recursal de 30% do crédito tributário mediante Guia de Depósito junto à Caixa Econômica Federal (f/. 447). É o relatório. 14 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 VOTO Conselheiro JOSÉ RIBAMAR BARROS PENHA, Relator O Recurso Voluntário, apresentado junto ao órgão preparador em 16.07.2004, deve ser conhecido por atender às disposições do art. 33 do Decreto nO 70.235, de 1972, inclusive quanto à garantia de instância, verificando-se que a ciência do Acórdão recorrido teve lugar em 17.06.2004 (fI. 309). Conforme relatado, o Recurso Voluntário tem por objeto reformar o Acórdão prolatado no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre-RS que acolheu procedente em parte o lançamento do crédito tributário relativo à omissão de rendimentos recebidos junto à Sociedade Esportiva Palmeiras e tributados na pessoa jurídica da qual o autuado é detentor preponderante do capital social. As razões recorridas podem ser resumidas nos seguintes tópicos: a) decadência do direito de lançar da Fazenda Nacional relativa ao período de janeiro a novembro de 1998 (fato gerador mensal); b) nulidade do lançamento por irregular desconsideração da personalidade jurídica; c) erro identificação da infração como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (haveria reclassificação dos rendimentos auferidos, recebidos e tributados na pessoa jurídica, e não omissão); 15 1 I, l Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 d) inexistência de proibição legal para tributar a remuneração do contrato de técnico de futebol na pessoa jurídica; e) erro na quantificação da base de cálculo e falta de compensação dos tributos federais recolhidos; e f) qualificação indevida da multa de ofício por inexistência de simulação. De ver, portanto, que o julgamento, a não ser quanto à decadência, que é tema razoavelmente pacificado no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, depende de se reconhecer a quem o contrato de prestação de serviço de técnico de futebol junto à Sociedade Esportiva Palmeiras tem validade: à L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda. ou ao Técnico Profissional de Futebol, Luiz Felipe Scolari, pessoa física. Iniciemos por transcrever os dispositivos legais que fundamentam o lançamento: Lei nO7.713, de 1988: Art. 1°Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido. mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. & 1°Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. 16 1'.J t. Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 S 4° A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Lei nO8.134, de 1990: Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. Art. 3° O Imposto de Renda na Fonte, de que tratam os arts. r e 12 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, incidirá sobre os valores efetivamente pagos no mês. Lei nO9.532, de 1997: Art. 21. Relativamente aos fatos geradores ocorridos durante os anos- calendários de 1998 e 1999, a alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), constante das tabelas de que tratam os arts. 3° e 11 da Lei nO 9.250, de 1995, e as correspondentes parcelas a deduzir, passam a ser, respectivamente, de 27,5% (vinte e sete inteiros e cinco décimos por cento), R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais) e R$ 4.320,00 (quatro mil, trezentos e vinte reais). (Alterado pela Lei nO 9.887, de 7.12.99) (destaques postos) Da exegese das disposições supra, em princípio, os rendimentos advindos da prestação se serviço individual da pessoa natural são tributados pelas normas do imposto de renda da pessoa física. Passo a formalizar o voto conforme os itens elencados acima. a) decadência do direito de lançar da Fazenda Nacional relativa ao período de janeiro a novembro de 1998 (fato gerador mensal). Acerca da decadência, as razões impugnadas foram no sentido de que em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 1998, já 17 Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 havia decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, quando do lançamento regularmente notificado em 29 de dezembro de 2003. É que o lançamento do imposto de renda pessoa física amolda-se à modalidade por homologação que trata o art. 150 do Código Tributário Nacional, sendo o prazo decadencial contado a partir da homologação, nos termos do 9 4° do mesmo artigo, que se faria conforme o fato gerador ocorrido mensalmente. O julgamento de Primeira Instância considerou que o tempo decadencial devia ser o estabelecido no art. 173, inciso I, do CTN, por ter havido o lançamento de ofício em face da omissão de rendimentos, e, ainda, por constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, o direito de lançar se extinguiria somente em 31.12.2004. O recorrente contesta os argumentos do Acórdão porque a ausência de recolhimento não alteraria a natureza do lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, como consta de julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes transcrito por ementa. Tendo apresentado sua Declaração de renda e pago o imposto correspondente, diferenças que persistisêem a tributar deveriam ser constituídas no prazo de cinco anos a contar do mês seguinte ao do recebimento dos rendimentos, posto que o fato gerador seria mensal como indicado no Auto de Infração, na legislação consolidada no RIR/99 e na jurisprudência que indica e transcreve. Conforme o disposto no art. 2° da Lei nO 7.713, de 1988, acima, o imposto de renda das pessoas físicas será devido mensalmente à medida que os rendimentos forem percebidos. A este comando a Lei nO8.134, de 1990, complementa conforme as disposições a seguir, verbis: Art. 90 As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir. 18 Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003~26 106-14.244 Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas (...). l Da exegese dos dispositivos supra é de observar que embora a tributação seja mensal, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda - o que caracteriza o lançamento por homologação - o mesmo não se pode dizer quanto ao fato gerador. Este, por definição dos artigos 9° e 11 da Lei nO8.134, de 1990, ocorre ao fim de um período denominado ano-calendário, isto é, em 31 de dezembro, quando, então, é possível elaborar e apresentar da Declaração de Ajuste Anual. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda pessoa física está concluído. Por ser do tipo complexo (ou complexivo), segundo classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda pessoa física resta inteiro no último dia do ano-calendário. Só então o contribuinte, em face de sua situação específica, pode realizar os ajustes considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas (dedutíveis), as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas, e assim apresentar a Declaração de Ajuste Anual a ser submetida à homologação da Fisco. A jurisprudência atual consolidada nas diversas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto ao Imposto de Renda das Pessoas Físicas, salvo raras exceções, é a seguinte: tendo o contribuinte prestado o dever instrumental de apresentação da Declaração de Ajuste Anual o lançamento é por homologação e o fato gerador anual, concluso em 31 de dezembro. A exemplo o Acórdão CSRF/01-04.963, de 14.06.2004, por ementa: IRPF - MODALIDADE DE LANÇAMENTO - Com o advento do Decreto-lei nO1968, de 1982, que estabelece o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa, a construção ;urisprudencial é no sentido de que o lançamento do imposto de renda pessoa física é por homologação, salvo quando ato legal ou administrativo específico definir outra modalidade, a exemplo do 19 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 ocorrido no exercício de 1993, quando em face do disposto no art. 3° da Porfaria MF nO43, de 1993, o lançamento foi por declaração. DECADÊNCIA - A contagem do prazo decadencial para fins de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física deve ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro do correspondente ano- calendário, quando o lançamento obedecer à modalidade por homologação, ou no primeiro dia do exercício seguinte (art. 173, I, do CTN), nos casos de lançamento por declaração. Em face do exposto, quanto a rendimentos auferidos durante o ano- calendário de 1998, o fato gerador completou-se em 31 de dezembro daquele ano. Logo, o direito de a Fazenda Nacional realizar o lançamento do IRPF, quanto ao fato gerador ocorrido no ano-calendário de 1998, o termo inicial ocorre em 1°.01.1999 e o final em 31.12.2003. No caso presente, mesmo deixando por enfrentar, por enquanto, o tema da simulação, tendo o contribuinte sido regularmente notificado em 29.12.2003, ainda não havia ocorrido o lapso decadencial. Informe-se que o entendimento esposado nos Acórdãos nO102-45.417 e 45.440, já não se encontra atual, tendo sido reformados os julgados que alçaram à Câmara Superior de Recursos Fiscais. b) nulidade do lançamento por irregular desconsideração da personalidade jurídica. O recorrente entende que no presente procedimento houve desconsideração da personalidade jurídica da empresa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., feita ao arrepio da autorização judicial prevista no art. 50 do Código Civil, Lei nO10.406, de 2002. Não vejo razão ao recorrente. Como visto, no presente lançamento não se cogitou desconsiderar a existência da pessoa jurídica que permanece com sua personalidade intacta. Uma prova disto está no fato de o julgador refutar o pedido de compensação dos impostos recolhidos sob a justificativa que só à empresa, por seus representantes legais, compete promover ações neste sentido. 20 . t - '~ Processo nU Acórdão nO recorrente. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 Afaste-se a preliminar de nulidade de lançamento argüida pelo c) erro identificação da infração como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (haveria reclassificação dos rendimentos auferidos, recebidos e tributados na pessoa jurídica, e não omissão) Segundo o recorrente a autuação fiscal careceria de fundamentação legal porque, ao invés de omissão de rendimentos, o lançamento decorre da reclassificação dos rendimentos que já haviam sido declarados pela pessoa jurídica. Há que se verificar que esta situação tem muito mais a ver com a sistemática da fiscalização do imposto de renda do que com o direito em si. É que não tendo sido informados na DIRPF os rendimentos atribuídos à pessoa física estes, por conseqüência, foram omitidos, segundo a linguagem fiscal. A fundamentação do lançamento nos dispositivos das Leis nO7.713, de 1988, nO 8.134, de 1990, como acima transcrito, corresponde à tributação dos rendimentos percebidos por pessoa física como produto do trabalho prestado individual e pessoalmente. Ainda quanto à capitulação legal, as disposições do Decreto nO1.041, de 1994 - RIR/94, indicadas no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, verbis: LIVRO I TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS FíSICAS CAPITULO 111 RENDIMENTOS TRIBUTÁ VEIS Seção I Rendimentos do Trabalho Assalariado e Assemelhados Art. 45. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens 21 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 percebidos, tais como (Lei nO4.506, de 1964 art. 16. Lei nO 7.713, de 1988, art. 3°, ~ 4°, Lei nO8.383, de 1991, art. 74): I - salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; IV - gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e quotas-partes de multas ou receitas; x - verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego; Art. 47. São tributáveis os rendimentos do trabalho não-assalariado, tais como (Lei nO7.713, de 1988, art. 3°, ~ 4°): I - honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; /I - remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços não-comerciais; VII - direitos autorais de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, quando explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra; A autoridade responsável pelo lançamento entendeu que os serviços de treinamento da equipe profissional de futebol e supervisão de todas as equipes amadoras do Clube Palmeiras, embora contratados com a pessoa jurídica, foram prestados de forma personalíssima pelo sócio majoritário da empresa, com o que aquiesceram os julgadores de Primeira Instância ao acolherem o voto do relator por unanimidade. O exame da relação empregatícia tem matriz legal na Consolidação das Leis do Trabalho, Decreto-lei n° 5.452, de 01.05.1943, que estabelece, verbis: Art. 2° Considera-se empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação de serviços. 22 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 S 1° Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. Art. 3° Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico ou manual. Pelo sentido da lei a relação empregatícia da pessoa física decorre da natureza não eventual dos serviços, da dependência do empregado ao empregador e do pagamento do salário, este compreendido "a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pago pelo empregador" (~ 1°, do art. 457 da CLT). A relação trabalhista entendida pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instância advém de o trabalho ser prestado de forma individual e personalíssima, repita-se, o que estaria conforme os ensinamentos doutrinários transcritos no Termo de Verificação Fiscal e no Acórdão recorrido. O Sr. Luiz Felipe Scolari, como ficou notório aos amantes do esporte, prestou os serviços de treinamento da equipe profissional de futebol do Palmeiras. Conforme os termos do contrato firmado entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e a L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., o objeto contratado era a prestação de serviços de treinamento da equipe profissional de futebol e supervisão de todas as equipes amadoras (cláusula primeira), obrigatoriamente pelo sócio Luiz Felipe Scolari (cláusula segunda) mediante pagamentos mensais fixos e variáveis conforme relatado. Se foi este, pessoa física, quem prestou os serviços a este cabe a remuneração e a correspondente tributação do Imposto de Renda como determina a legislação tributária transcrita. 23 I ' Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 Assim, a alegação de erro na identificação da infração como omissão ao invés de reclassificação da receita declarada na pJ para o lançamento de ofício na PF não prejudica a autuação, quiçá quanto à aplicação da multa qualificada. Firme-se, portanto,. que ao sujeito passivo da obrigação tributária - auferir rendimentos do trabalho junto à pessoa jurídica - cabe imputar a tributação do IRPF. d) inexistência de proibição legal para tributar a remuneração do contrato de técnico de futebol pela pessoa jurídica A autoridade lançadora, com relação à existência da empresa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., destaca que a empresa foi constituída sob forma de uma sociedade limitada, com registro na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 02/01/1996, tendo por finalidade a exploração de prestação de serviços de treinador de futebol, ações de merchandising, cessão de Imagem e representações comerciais de artigos esportivos em geral. Destaca, também, o domicílio fiscal da empresa que coincide com o endereço residencial dos sócios e sobre as receitas e despesas, aquelas provenientes, no ano-calendário de 1998, noventa e cinco por cento, do contrato com a Sociedade Palmeiras e o restante da participação em comerciais; já as despesas, foram mínimas, predominantemente tributárias. A autoridade julgadora de Primeira Instância, por sua vez, em face da impugnação apresentada em que se argumenta a inexistência de impedimento legal à constituição da empresa, foi enfática quanto a não vedação legal para a constituição e exploração de sociedades civis para a prestação de serviços, desde que os profissionais reunidos atuassem na mesma atividade e/ou em profissões legalmente habilitadas a exemplo de categorias de médicos e advogados constituídos em sociedade civil e prestando serviços em nome da sociedade e não individualmente e em nome pessoal. 24 . ,~ Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 A julgadora destaca como pontos impeditivos à prestação dos serviços por meio da empresa não ser regulamentada a profissão de técnico de futebol, não ser a pessoa jurídica uma sociedade civil e sim uma sociedade mercantil, sendo os sócios qualificados como do comércio. O recorrente encontra nas disposições do art. 146 e 147 do RIR/99 amparo para a constituição da empresas aos moldes em que se encontram. Os dispositivos têm a seguinte redação e localização, verbis: LIVRO 11 TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURíDICAS TíTULO I CONTRIBUINTES E RESPONSÁ VEIS SUBTíTULO I CONTRIBUINTES Art. 146. São contribuintes do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (Decreto-Lei nO5.844, de 1943, art. 27): I - as pessoas jurídicas (Capítulo I); 11- as empresas individuais (Capítulo 11). ~ 1° As disposições deste artigo aplicam-se a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 27, ~ 2°). ~ 3° As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nO9.430, de 1996, art. 55). CAPíTULO I PESSOAS JURíDICAS Art. 147. Consideram-se pessoas jurídicas, para efeito do disposto no inciso I do artigo anterior: I - as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, sejam quais forem seus fins, nacionalidade ou participantes no capital 25 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA . 11020.003823/2003-26 106-14.244 (Decreto-Lei nO 5.844, de 1943, art. 27, e Lei nO 4.131, de 3 de seteml}ro de 1962, art. 42, e Lei nO 6.264, de 1975, art 1°); Na interpretação da norma legal o aplicador do direito deve fazê-Ia de tal modo que aplicada uma norma outra não seja inviabilizada. Primeiro, entendido que os serviços foram prestados pela pessoa física de forma personalíssima, a tributação deve ser com base na lei de tributação das pessoas físicas. Isto, no caso presente, torna despicienda a discussão sobre a regularidade ou não da empresa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., a não ser para estacar o estudo relativo à existência das atitudes simuladas. As disposições do art. 146 e 147 encontram-se no Livro 11 que trata da tributação das pessoas jurídicas. No esclarecimento feito pelo legislador por meio do S 3° do art. 146, as pessoas jurídicas instituída sob a forma de sociedade civil, a tributação deve ser pelas regras da pessoa jurídica. No caso presente não resta dúvida que a empresa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda. não é uma sociedade civil. Os seus sócios, embora professores, como se alega (não há os correspondentes diplomas), não constituíram uma sociedade civil em que seus sócios trabalhassem em nome desta (sociedade) nas atribuições de professores. Como visto, os objetivos sociais desta empresa não são relativos ao magistério. Para mera finalidade de raciocínio, dois profissionais da medicina que resolvessem atuar, conjuntamente, no ramo de restaurantes não poderiam constituir uma sociedade civil. Dois professores atuando em áreas diversas das de suas formações acadêmicas, do mesmo modo, não encontrariam amparo para a constituição uma sociedade civil. Assim, é de entender-se que a empresa em referência não poderia ter a sua constituição obstacularizada. Contudo, isto não lhe garante uma tributação privilegiada mediante a conversão dos rendimentos auferidos pelo seu sócio por serviços prestados individualmente em receitas da pessoa jurídica. 26 I,~. '. I I I, Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 Os dispositivos constitucionais, art. 5°, inciso XVII, e art. 150, inciso 11, não restaram ofendidos pela autuação. A liberdade de associação não foi atingida mesmo porque a empresa não foi desconsiderada como já ficou assente. Tampouco tratamento desigual houve àqueles que se encontrem em situação equivalente. Esta, situação equivalente, pelo contrário, corresponde aos trabalhadores que têm relação direta com o empregador, prestam serviços pessoalmente e são tributados como pessoa física. Tributar como pessoa jurídica, sim, seria o tratamento desigual. Também, não ampara o contribuinte as disposições do art. 192, inciso XIII, do RIRl99, por endereçar-se às Pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais cuja opção pelo SIMPLES não é permitida. Já o art. 647, RIRl99, trata da incidência de imposto de renda na fonte de importâncias pagas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas que prestam serviços profissionais, o que não é o caso do presente lançamento. Conclui-se que a legislação tributária não proíbe a constituição de empresa para a exploração de serviços qualquer que seja a natureza, inclusive de treinamento de futebol profissionais a serem prestados por locação de mão de obra de seus empregados. Por outro lado, com vistas à constituição de sociedade civil há que seus sócios possuírem profissões regulamentadas e nestas exercerem atividades por conta e em nome da sociedade civil. Em assim sendo, a tributação segue as regras aplicadas às pessoas jurídicas. e) quantificação da base de cálculo da exigência e compensação dos tributos recolhidos Sobre a utilização do Livro Caixa para poder abater as despesas, a despeito da falta de amparo legal já esclarecida na Primeira Instância, vejo de pouca eficácia uma vez que estas foram de pequena monta, praticamente, relativas a encargos tributários. 27 I. .. Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 Também, quanto as verbas contratuais designadas de indenizações, não tem razão o recorrente. Adiciona-se aos esclarecimentos já prestados na fase de julgamento precedente, que as situações de indenizações, por isso rendimentos isentos ou não tributáveis, estão expressas no art. 40, incisos XVI aXX, do RIR/94. Já quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento o valor pago ao contribuinte a título de pro-labore pela L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., entendo pertinente. No mesmo sentido, quanto à utilização na apuração do crédito tributário lançado dos valores pagos a título de tributos federais pela pessoa jurídica em face dos rendimentos auferidos pela pessoa do sócio. O próprio Fisco disse não ter a pessoa jurídica auferido a receita proveniente do contrato cumprido pela pessoa física do Sr. Luiz Felipe Scolari. Foi o próprio agente do Fisco quem transferiu a receita da empresa à pessoa física, com a natureza de rendimentos. Neste caso, não restaria outra alternativa senão de fazer constar na autuação os créditos já recolhidos e determinando, também de ofício, a retificação dos recolhimentos (código do tributo) para quitar o correspondente valor do imposto lançado na pessoa física. Não vejo como poder-se agir de outro modo. Assim, na apuração da base de cálculo é pertinente que sejam excluídos os valores recebidos a título de pro-labore, tributados na DIRPF apresentada, cuja origem tenha sido a receita proveniente do contrato em questão. De igual modo, . na apuração do crédito objeto do presente lançamento, confirmados os recolhimento objeto dos DARF de fls. 377, e a vinculação com a receita transferida à pessoa física, sejam tais valores considerados como IR antecipado. f) qualificação da multa de ofício (não teria havido simulação) Segundo o responsável pelo lançamento, no presente caso, ocorreu evasão fiscal não permitida pelo ordenamento jurídico, completando que ué legítimo 28 .. Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 que, diante de duas formas posslvels de se efetuar um negocIo, a escolha do contribuinte recaia sobre aquela que lhe impõe um menor ônus tributário. É o que se chama de 'elisão fiscal', permitida pela legislação". Esta conceituação encontra respaldo tanto na doutrina especializada quanto na jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido, "é lícito ao contribuinte planejar seus atos visando incidência de menor carga tributária sobre seus negócios, desde que o faça observando os termos legais, o que caracteriza hipótese de elisão fiscal"(TRF 18 Região, AC-01082083, Processo 199501082083-MG, de 26.03.2002); "planejamento tributário praticado pelas empresas deve limitar-se à prática da economia fiscal lícita (elisão), não se admitindo em nosso ordenamento a evasão (economia fiscal ilícita) (TRF 48 Região, AC 170380, de 21.09.2000); "é lícito ao contribuinte planejar seus atos visando incidência de menor carga tributária sobre seus negócios, desde que o faça observando os termos legais, o que caracteriza hipótese de elisão fiscal" (TRF 4 8 Região, AC, Processo 9604559303 - SC, de 17.12.1998). Oportunas, também, as lições da Ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, em pronunciamento durante o "Seminário elisão, simulação e crimes contra a ordem tributária. www.stj.gov.br .• - acesso em 19.04.2003, segundo a qual "na doutrina brasileira é a elisão defendida como uma conduta lícita do contribuinte, antes da ocorrência do fato gerador, sem envolver nenhuma prática simulatória, com o escopo de obter uma carga tributária menor, legalmente aceita", alertando que "na execução de práticas elisivas o contribuinte pode acabar extrapolando e caindo no terreno da simulação". Nos termos postos, em visão apressada, poder-se-ia dizer que só há dois caminhos para aquele que, por equivocar-se na interpretação da legislação, deixar de recolher os tributos na medida entendida correta pelo Fisco: ou está perdoado 29 http://www.stj.gov.br \ ~ •• , t) .I Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIÇ) DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 porque praticara elisão; ou será autuado pela ocorrência da evasão, extrapolando-se para a simulação com o evidente intuito de fraudar o fisco .. Nas palavras das autoridades lançadoras e julgadoras o contrato firmado entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e a L. F. Promoções, Serviços e Participações Ltda. estaria atingido pela evasão fiscal em face de simulação perpetrada pelos contratantes em cujo cerne está o dolo de fraudar o pagamento de ônus fiscais (além de previdenciários e trabalhistas). A autoridade julgadora, desde o exame da preliminar de decadência apresentada, afirma que "para o caso concreto houve a ocorrência de simulação". Conclui "que houve uma ação conjunta entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e o contribuinte com o intuito de modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, deslocando para a pessoa jurídica interposta como beneficiária de um rendimento que é um direito personalíssimo" e que "tal procedimento denota 'simulação', perfeitamente subsumida ao inciso I do art. 102 do antigo Código Civil, vigente à época, pois o ato jurídico aparentou conferir direitos a pessoa diversa, ou seja à pessoa jurídica de natureza comercial, impossibilitada de prestar um serviço personalíssimo de natureza civil". A I. Julgadora de Primeira Instância, também preleciona que "o próprio CTN, em seu art. 116, parágrafo único, autoriza a autoridade autuante a desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, tal como a sujeição passiva, ou mesmo a ocorrência do fato gerador do tributo", Equívocos à parte, é sabido que este dispositivo trazido ao Código Tributário Nacional pela Lei Complementar nO 104, de 2001, está à mercê de regulamentação por meio de lei ordinária. Tenho a convicção que, no caso presente, a simulação não ficou caracterizada. Parto das palavras do Ministro do Tribunal Superior do Trabalho acerca de empresa contratante de jogadores de futebol, trazidas aos autos pelas autoridades a quo: 30 Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 Fausto observou ainda que trabalhadores contratados como empresas dificilmente recorrem à Justiça para reclamar direitos trabalhistas. "Estas pessoas são altamente bem remuneradas. Evitam ir à Justiça, pois temem perder a oportunidade de um novo contrato". Para o presidente do TST o problema só deve ser resolvido quando os empregados como pessoas jurídica entrarem com ações para pedir reparação de danos. '~ conclusão será pela relação de emprego. Aí, as conseqüências serão as que estão na lei: pagamento de todos os direitos". Das informações supra, colhe-se que as pessoas físicas, jogadores de futebol, vêm sendo contratados por intermédio de pessoa jurídica, especialmente, porque esta é a prática reinante nesta atividade laboral. E que se recorrerem à Justiça, embora tenham seus direitos reconhecidos, não terão mais oportunidades de novos contratos. No caso dos treinadores de futebol, por certo, a situação não é diferente. Mais que evitar a tributação dos rendimentos do jogadores na pessoa física, denota, de maior relevância, na situação em comento, a imposição do Clube em não contratar como empregado o treinador em face dos encargos trabalhistas e previdenciários. Na presente situação, teria ocorrido a simulação por parte dos contratantes mediante dolo para fraudar o pagamento de ônus fiscais, no que interessa ao processo. Por isso a qualificação da multa de ofício ao percentual supra. Nas palavras do recorrente em nenhum momento comprova-se a intenção de lesar o fisco mediante a prática de simulação. A Fazenda Nacional sempre soube da existência da empresa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., criada em 1996, pelo que deve ter acompanhado os recolhimentos dos diversos tributos federais e da entrega das declarações exigidas pela legislação tributária. De fato, o distanciamento temporal entre a constituição da empresa a L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., desde 1996, leva a conclusão primária que não teve a participação da Sociedade Atlética Palmeiras posto que só viria a contratá-Ia no final de 1997. 31 .....I.:\ '), Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003':26 106-14.244 Não se pode assegurar a existência da figura típica do conluio entre o treinador e os dirigentes do clube na elaboração de plano fraudulento em face da constituição da empresa L. F. Promoções. Já o conluio em face do contrato firmado, é o próprio Ministro do Superior Tribunal do Trabalho que afirma ser esta a prática reinante no país do futebol. Assim, não enxergo presente a figura do conluio na assinatura do contrato entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e o Treinador de Futebol, Luiz Felipe Scolari. Entendo, conclusivamente, que embora presente a expectativa de economia de imposto mediante a elisão esta não se configura em face da prestação laboral cuja remuneração tributa-se pela legislação do imposto de renda das pessoas físicas. As outras figuras típicas da fraude e da sonegação, relacionadas nos 71 e 72 da Lei nO4.502, de 1964, também, não considero indiscutível nos termos dos fatores antes mencionados. A aplicação da multa de ofício no percentual referido tem sido acatada pelos órgãos de julgamento administrativo nos casos em que a autoridade lançadora deixa induvidoso o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte infrator. As ementas transcritas a seguir, espelham o entendimento pacificado: LANÇAMENTO DE OFíCIO - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude. Se a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando-se de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada. Recurso de ofício negado (Ac. 104-18487, de 2001). IRPF - MUL TA DE OFíCIO QUALIFICADA - Para que a multa de ofício qualificada possa ser aplicada é necessário que se comprove de 32 ~- I ~, ,." • • ' > Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 maneira inequívoca o evidente intuito de fraude. Recurso de ofício negado (Acórdão 106-13193, de 2003). MULTA DE OFíCIO - ART. 44, INCISO li, DA LEI 9.430/96 - Para aplicação da multa de ofício agravada, na forma do inciso li, do art. 44 da Lei nO 9.430/96, é imprescindível que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, capitulados na forma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO4.502/64, respectivamente (Acórdão 303- 29280, de 2000) No caso presente, afastada a existência de simulação, o evidente intuito de fraudar o fisco fica prejudicado, o que determina a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, sem qualificação. Voto, portanto, por DAR provimento parcial ao recurso para que seja reduzida a base de cálculo do lançamento no valor pago a título de pro-labore tributados na DIRPF cuja origem tenha sido a receita da L. F. Promoções, Serviços e Representação Ltda., transferida como rendimentos à pessoa física; deduzido do imposto devido apurado no Auto de Infração os tributos federais recolhidos em face da dita receita transferida; e reduzida a multa de ofício ao percentual de 75%. 20 de outubro de 2004. 33 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, A matéria trazida a litígio abrange dois aspectos fundamentais: o primeiro, de mérito, referente à adequação jurídica da tributação em si; o segundo, pertinente ao cabimento, in casu, da multa qualificada pelo ilícito penal-tributário. A acusação que dá azo à tributação e à aplicação da multa qualificada é de simulação. A fiscalização desconsiderou o contrato de prestação de serviços mantido entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e a L. F. Promoção, Serviços e Representações Ltda., empresa da qual o Recorrente é sócio majoritário, por entender que a avença tinha caráter personalíssimo e, desta forma, deveria ter sido formalizada com o Recorrente - pessoa física - e não com a pessoa jurídica da qual é sócio, já que nesta modalidade redundou em redução da carga tributária. O que está sob exame deste Conselho é a questão da evasão fiscal caracterizada pela simulação, já que foi a desconsideração do negócio dito simulado que ensejou tributação e ainda serviu para agravar a multa de ofício. Primeiramente, há que se diferenciar elisão x evasão fiscal. A busca por esta diferenciação remonta a séculos. Também é histórica a atenção com que os Estados atuam no sentido de reprimir e punir a evasão fiscal, e também, em alguns casos, a elisão fiscal. Por certo que a evasão, a seu turno, encontra tipicidade normativa vasta no sentido de sua ilicitude, inclusive penal. A legislação civil, inclusive, volta-se ao delineamento da simulação dos atos jurídicos. Porém, em que pese a produção doutrinária sobre o tema, na prática, é "nebulosa" a fronteira entre elisão (redução lícita 34 I -c'- ...-J'_ Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 da incidência tributária) e a evasão (escape ilícito do ônus tributário), emprestando aqui o termo utilizado por Hermes Marcelo Huck em obra sobre o tema (Evasão e elisão, ed. Saraiva, 1997). Na obra citada, o autor estabelece uma das diferenças entre a elisão e a evasão fiscal, dizendo: "a elisão lícita, vista como forma de planejamento tributário legalmente praticado, distingue-:se da simulação, pois, na primeira, os meios empregados devem ser lícitos, ao passo que, na simulação, haverá sempre um ilícito oculto. "(p. 121). Em trilha semelhante, Luciano Amaro registrou sua visão acerca do tema, versando sobre a tese do "abuso de forma", nos seguintes termos: "Parece-nos que, se a forma utilizada pelo contribuinte for lícita (vale dizer, prevista ou não defesa em lei), ela não pode ser considerada abusiva, o que traduziria uma contradição. Ninguém pode ser obrigado, p. ex., a utilizar a forma da compra e venda para transferir um imóvel para uma empresa (que seria uma operação sujeita a imposto de transmissão), se o indivíduo tem o direito de utilizar outra forma (igualmente lícita), que é a conferência do imóvel na integralização de capital da sociedade (operação que não estaria sujeita àquele imposto). O problema não nos parece que possa ser solucionado com a simples consideração de que esta ou aquela forma é ou não a que "usualmente" (ou "normalmente'? se emprega. Se a forma empregada é lícita, qual o motivo jurídico para não se poder emprega-Ia? Se dois indivíduos desejam permutar bens, qual a razão pela qual pudessem ser forçados a realizar dois negócios de compra e venda? E se quiserem fazer dois negócios de compra e venda, porque teriam que formalizar uma permuta? Se a opção por uma outra dessas formas for menos onerosa fiscalmente, não há razão jurídica para obrigar os indivíduos a utilizarem a outra forma." (in Planejamento Fiscal - Teoria e Prática, ed. Dialética, 1995). Segundo Ricardo Mariz de Oliveira, três perguntas, se respondidas afirmativamente, afastariam a hipótese de ilícito, para revelar a prática de elisão. São elas: 35 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 a economia fiscal decorreu de ato ou omissão anterior à ocorrência do fato gerador? a economia fiscal decorreu de ato ou omissão praticados sem infração à lei? A economia fiscal decorreu de ato ou omissão efetivamente ocorridos, tal como refletidos na respectiva documentação e escrituração, e sem terem sido adulterados nestas? A resposta para essas questões, no caso em comento, é sempre afirmativa. De fato, o Recorrente não constituiu empresa apenas para manter o contrato com a Sociedade Esportiva Palmeiras, ao revés, o contrato social jungido às fls. 44/47 revela que a sociedade foi formada em 1995, ou seja, anos antes da formalização do contrato, que somente ocorreu em 1997 (fls. 71), tendo outros objetivos sociais que não apenas o de Prestação de Serviços de Treinamento Profissional. Não se cogita de infração à lei, já que o Recorrente usou de expediente próprio, permitido a todos, formalizando contrato-também sob as formas da lei. Os atos declarados, escriturados e narrados pelo Recorrente efetivamente ocorreram, e não há sinal ou alegação de adulteração dos mesmos. Ora, de acordo Hermes Marcelo Huck, na obra supra citada, elisão fiscal ué a faculdade clássica do indivíduo em configurar seu negócio jurídico licitamente, utilizando-se das formas disponíveis no direito privado, de tal modo a não constituir um fato imponível, abortando o nascimento da obrigação tributária" (pág. 22). O caso, portanto, não se enquadra na espécie evasão fiscal, mas sim em elisão fiscal, considerada pelo próprio relatório da fiscalização como figura permitida no Direito Tributário (fls. 15). Dito isto, cabe fazer algumas breves considerações sobre o contrato que respaldou a autuação, apenas para analisar os pontos ventilados no Relatório Fiscal. 36 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 O Recorrente discorreu em sua defesa e no seu recurso, no sentido de demonstrar as "motivações" para a forma como eram formalizados os contratos, e me parece que estas guardam plena identidade com o serviço que foi desempenhado. É que ao contrário do que afirma a fiscalização, o contrato mantido entre Sociedade Esportiva Palmeiras e L.F. Promoções e Representações Ltda. não exigia que os serviços fossem prestados com exclusividade por Luiz Felipe Scolari, mas que a representação fosse realizada obrigatoriamente por este, "independentemente de outros profissionais, no cumprimento deste contrato". E ninguém cogitaria da prestação de serviços de treinamento profissional a um de nossos grandes times por um único profissional isolado, sem o auxílio de outros. Certamente inúmeras informações são necessárias, vasto conhecimento técnico dos times envolvidos no campeonato, assessoramento na organização das atividades, enfim atos de profissionais que devem munir o Mestre no treinamento profissional que deverá ser desempenhado. O contrato firmado entre Sociedade Esportiva Palmeiras e L. F. Promoções e Representações Ltda., ao dizer da necessidade de "outros profissionais, no cumprimento deste contrato", revela o que já é de conhecimento geral - a necessidade de outros profissionais envolvidos com a atividade para sua adequada realização. O que se indaga é como pode ter esta afirmação contratual passado desapercebida pela fiscalização, para que considerasse o contrato como de caráter personalíssimo? A situação de contrato de caráter personalíssimo não está caracterizada sequer no contrato mencionado pela fiscalização, por qual razão então foi feita afirmação tão contundente? O contrato foi firmado com uma empresa. e menciona-se nesse a necessidade de uma empresa (vários profissionais) para realização das atividades e não de um único profissional. Não há razões, portanto, para que se considere vício de simulação ou mesmo abuso de forma. 37 Processo nU Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 O Recorrente cita um exemplo que bem espelha a situação do contrato que lastreou a autuação, qual seja, o do Cantor Roberto Carlos. Contrata-se a pessoa jurídica, composta por todos os profissionais necessários para realização do show, mas exige-se que esse seja realizado pelo Cantor, sob pena de rescisão do contrato. Adentrei em seara subjetiva, a despeito de não ser esta compatível com a atividade de tributação, apenas para fazer ponderações que considero importantes e de relevo para o julgamento. Opiniões e visões sobre o que é razoável ou não, padecem da influência subjetiva da autoridade fiscal, de forma exacerbada. O suporte legal para a desconsideração dos atos lícitos (que. impliquem elisão fiscal), como registrei anteriormente, chegou ao nosso Direito no ano de 2001, portanto após os fatos em.apreço, e nem mesmo consolidou-se . .Assim, acredito que a questão é de verificar se os atos praticados foram lícitos. A meu ver, a licitude está presente, pelo que se está diante de simples planejamento tributário lícito. Nesse sentido, trago para apreciação, os seguintes registros de julgados proferidos nesta Sexta Câmara, de que participei, e da Primeira Câmara, também do Primeiro Conselho de Contribuintes: Número do Recurso: Câmara: Número do Processo: Tipo do Recurso: Matéria: Recorrente: Recorrida/lnteressado: Data da Sessão: Relator: Decisão: Resultado: Texto da Decisão: 006102 SEXTA CÂMARA 13884.000029/95-33 VOLUNTÁRIO IRPF LUIZ AUGUSTO SACCHI DRJ-CAMPINAS/SP 18/09/1997 00:00:00 Genésio Deschamps Acórdão 106-09343 DPM - DAR PROVIMENTO POR MAIORIA DAR PROVIMENTO POR MAIORIA. VENCIDOS OS 38 (:):-... ri' •. -\.'f .i MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo nU Acórdão nO Ementa: 11020.003823/2003-26 106-14.244 CONSELHEIROS DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA E HENRIQUE ORLANDO MARCONI. IRPF - GANHOS DE CAPITAL - SIMULAÇÃO - Para que se possa caracterizar a simulação, em atos jurídicos, é indispensável que os atos praticados não pudessem ser realizados, fosse por vedação legal ou por qualquer outra razão. Se não existia impedimento para a realização de aumentos de capital, a efetivação de incorporação e decisões, tal como realizadas e cada um dos atos praticados não é de natureza diversa daquele que de fato aparenta, isto é, se de fato e de direito não ocorreram atos diversos dos realizados, não há como qualificar-se a operação de simulada. Os objetivos visados com a prática dos atos não interferem na qualificação dos atos praticados, portanto, se os atos praticados eram lícitos, as eventuais conseqüências contrárias ao fisco devem ser qualificadas como casos de elisão fiscal e não de evasão ilícita. IRPF - ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS - DIREITO ADQUIRIDO - Não há ihcidência de imposto de renda sobre ganhos de capital apurados na alienação de participações societárias ocorridas após 01.01.89, adquiridas até 31.12.83, a teor da alínea "d" do artigo 4° do Decreto-lei N° 1.510/76, face ao princípio do direito adquirido. Recurso provido. Número do Recurso: Câmara: Número do Processo: Tipo do Recurso: Matéria: Recorrente: Recorrida/I nteressado: Data da Sessão: Relator: Decisão: Texto da Decisão: Ementa: 131653 PRIMEIRA CÂMARA- 16327.001715/2001-26 VOLUNTÁRIO IRPJ FOCOM TOTAL FACTORING LTDA. 8a TURMNDRJ-SÃO PAULO/SP I 28/02/200300:00:00 Sandra Maria Faroni Acórdão 101-94127 Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. IRPJ - SIMULAÇÃO NA INCORPORAÇÃO.- Para que se possa materializar, é indispensável que o ato praticado não pudesse ser realizado, fosse por vedação legal ou por qualquer outra razão. Se não existia impedimento para a realização da incorporação tal como realizada e o ato 39 Processo n° Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 11020.003823/2003-26 106-14.244 praticado não é de natureza diversa daquela que de fato aparenta, não há como qualificar-se a operação de simulada. Os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação do ato praticado. Portanto, se o ato praticado era lícito, as eventuais conseqüências contrárias ao fisco devem ser qualificadas como casos de elisão fiscal e não de "evasão ilícita." (Ac. CSRF/01- 01.874/94). IRPJ- INCORPORAÇÃO AT[PICA- A incorporação de empresa superavitária por outra deficitária, embora atípica, não é vedada por lei, representando negócio jurídico indireto. Por estas razões, voto pelo provimento do recurso, para julgar insubsistente a autuação, por entender que não houve ilícito nas operações em tela, registrando-se caso de mero planejamento tributário, lícito, que não encontra óbice na legislação aplicável aos fatos em apreço. Sala das Sessões - DF, em 20 de outubro de 2004. WILFRIDOA 40 I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035 00000036 00000037 00000038 00000039 00000040
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