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Numero do processo: 11516.001447/2005-25
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PIS E COFINS
Exercício: 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Verificado que constava no campo "Procedimento Fiscal" as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administrados pela SRF, não há o que se falar na nulidade do procedimento face à ausência de menção expressa ao tributo que deu origem a autuação.
BI TRIBUTAÇÃO - NÃO OCORRÊNCIA - No caso de exigência do mesmo tributo relativo ao mesmo ano-calendário, mas que trata de infrações distintas, não há que se cogitar na ocorrência de bi tributação.
PIS E COFINS - DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO/PAGO - Se das verificações obrigatórias for constatada infração a dispositivos da legislação tributária, proceder-se-á ao lançamento de oficio para exigir as diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos no seu devido tempo.
NOTAS FISCAIS - COMPROVAÇÃO - POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO - Tendo a Contribuinte comprovado efetivamente o pagamento de determinadas notas fiscais e sua efetiva tributação no ano seguinte, deve ser considerado no guantum exigido o tributo postergado.
JUROS TAXA SELIC - Súmula CARF if 4 - "A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais".
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1301-000.279
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) compensar as contribuições resultante da postergação do pagamento do PIS e da COFINS, se efetuados, decorrentes da notas fiscais listadas pelo fiscal diligenciante no demonstrativo de fls. 1.125/1.126, tributadas no ano-calendário de 2004 e, (ii) compensar as contribuições eventualmente recolhidas a maior, decorrente da utilização pela contribuinte do regime de caixa nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993, nos tennos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Vicente Lisboa CapeIla - OAB/SC n° 16.200.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Valmir Sandri
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'Ar-- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. frr Y. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11516.001447/2005-25 Recurso n° 150.679 Voluntário Acórdão n° 1301-00.279 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2010 Matéria PIS E COFINS Recorrente COAN INDÚSTRIA GRÁFICA LTDA Recorrida 3' TURMA/DRJ-FLORIANÓPOLIS-SC Assunto: PIS E COFINS Exercício: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Verificado que constava no campo "Procedimento Fiscal" as verificações obrigatórias dos tributos e contribuições administrados pela SRF, não há o que se falar na nulidade do procedimento face à ausência de menção expressa ao tributo que deu origem a autuação. BI TRIBUTAÇÃO - NÃO OCORRÊNCIA - No caso de exigência do mesmo tributo relativo ao mesmo ano-calendário, mas que trata de infrações distintas, não há que se cogitar na ocorrência de bi tributação. PIS E COFINS - DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO/PAGO - Se das verificações obrigatórias for constatada infração a dispositivos da legislação tributária, proceder-se-á ao lançamento de oficio para exigir as diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos no seu devido tempo. NOTAS FISCAIS - COMPROVAÇÃO - POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO - Tendo a Contribuinte comprovado efetivamente o pagamento de determinadas notas fiscais e sua efetiva tributação no ano seguinte, deve ser considerado no guantum exigido o tributo postergado. JUROS TAXA SELIC - Súmula CARF if 4 - "A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. CS3-- I Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) compensar as contribuições resultante da postergação do pagamento do PIS e da COFINS, se efetuados, decorrentes da notas fiscais listadas pelo fiscal diligenciante no demonstrativo de fls. 1.125/1.126, tributadas no ano- calendário de 2004 e, (ii) compensar as contribuições eventualmente recolhidas a maior, decorrente da utilização pela contribuinte do regime de caixa nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993, nos tennos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Vicente Lisboa CapeIla - OAB/SC n° 16.200. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente ffires • ' PRI — Relator EDITADO EM: 26 ABR 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Thiago D'Ávila Melo Fernandes, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n°11516,001447/2005-25 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.279 Fl. 2 Relatório COAN INDÚSTRIA GRÁFICA LTDA., já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis - SC, que, por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento efetuado, mantendo a exigência do PIS e da COFINS sobre diferenças dos valores declarados e os valores escriturados pela Contribuinte. De acordo com a Autoridade Administrativa, a autuação é decorrente de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias no qual a fiscalização constatou divergências entre os valores declarados em sua DCTF e os valores escriturados pela Contribuinte em seu livro de apuração de ICMS, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 139/141, referente a COFINS e às fls. 557/559 referente ao PIS. Dessa forma foram lavrados os Autos de Infração relativos à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, às fls. 144/153, no valor total de R$ 176.518,48 e à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, às fls. 562/565, no valor total de R$ 38.245,54, referente ao ano-calendário 2003, formalizando exigência tributária no montante de R$ 214.764,02 já com os acréscimos legais. A integra do relatório do presente processo consta às fis.1117/1124, relatado na sessão realizada em 16,10.2008, oportunidade em que esta Câmara, através da Resolução n° 101-02.679, resolveu converter o julgamento em diligência, por se tratar de processo decorrente do mesmo procedimento do Processo administrativo n° 11516.001445/2005-36, para que a autoridade administrativa intimasse a Contribuinte a demonstrar e comprovar documentalmente o que se segue: (i) quais a notas fiscais que foram emitidas no ano-calendário de 2003 e efetivamente oferecidas à tributação no ano-calendário de 2004; (ii) a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente, em datas e valores; Após, que a autoridade fiscal, de posse dos documentos e informações prestados pela contribuinte, verificasse o acerto do procedimento por ela adotado, procedendo às considerações que entender necessárias para o bom deslinde da questão e que esclarecesse, se fosse o caso, a razão de não ter considerado no somatório da omissão de receita, os valores informados a maior pela contribuinte nos meses de junho, julho, outubro de novembro de 2003. Para cumprimento do solicitado, foi emitido o MPF-Diligência 0920100- 2009-00614. A contribuinte disponibilizou então os seguintes documentos: - cópia do livro razão, conta "clientes"; - planilha resumo com listagem de notas fiscais de pagamento (fls. 1082/1108); 3 - cópia do livro saldas, 4a trimestre de 2003; - cópia de extratos bancários; - francesinhas com descrição de títulos recebidos por via bancária; - copia do livro razão auxiliar, conta "clientes" - documentos bancários para demonstrar 4 (quatro) transferências entre as empresa Milano e a contribuinte, que, segundo a autoridade compuseram os totais dos valores considerados como depósitos bancários não justificados (fls. 1109/1124). Informa à autoridade que a contribuinte nada apresentou relativamente aos demais valores que compuseram aqueles considerados como depósitos bancários não justificados. Em conclusão, informa a autoridade administrativa que a contribuinte comprovou efetivamente o pagamento, e a respectiva tributação, em 2004, relativamente ao mês de dezembro de 2003, ressaltando que as notas emitidas em outubro e novembro não foram analisadas por não terem sido objeto de lançamento tributário. Aduz que relativamente aos valores informados a maior pela empresa, ao comparar os livros de saída e as declarações, nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 2003, não forneciam embasamento mínimo para a adoção da tributação pelo regime de caixa, regime este que pode ser adotado desde que a empresa contabilize em escrituração auxiliar cada um dos recebimentos, individualizados por clientes, o que não era o caso, pois tais livros somente foram confeccionados posteriormente à conclusão da fiscalização o que impossibilita a determinação da data do real recebimento dos valores registrados no livro de saída da contribuinte. Instada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a contribuinte sustenta que foram desconsiderados os valores informados a maior no Livro de Apuração de ICMS, em comparação com o informado em DCTF, aduzindo que a fundamentação para a impossibilidade de se determinar a data do real recebimento dos valores registrados no livro de saídas não constou no Auto de Infração e que, apesar do regime de caixa ter sido expressamente informado no curso da fiscalização, não houve intimação para apresentação do livro auxiliar para aprofundamento da matéria. Aduz ainda que a apresentação dos livros auxiliares e respectiva documentação demonstram claramente a escrituração na contabilidade e controle, pelo regime de caixa, das notas fiscais emitidas em 2003, que foram todas lançadas no livro de saídas utilizado como parâmetro para o lançamento de oficio e recebidas no curso de 2004. Acrescenta que, o fato de a fiscalização ter aceitado o regime de caixa para o mês de dezembro de 2003 importa em reconhecer este regime de tributação para o ano todo, o que afasta a apuração dos tributos sobre as notas fiscais emitidas em 2003. Sustenta que os tributos apurados e recolhidos por ela, com base no montante de receitas maiores do que aquelas informadas no Livro de Apuração de ICMS, devem ser considerados os pagamentos a maior sujeitos ao ajustes na constituição de créditos fiscais de oficio, baseando-se nos arts. 66 da Lei n°8.383/94, 74 da Lei 9.430/96 e Decreto n°2138/97. Desta forma, requer seja efetuado de oficio o abatimento dos valores recolhidos a maior com os créditos fiscais constantes no presente lançamento. 4 Processo n° 11516.001447/2005-25 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00279 Fl. 3 Requer ao final: sejam aceitas as demonstrações de recebimento e tributação das notas fiscais emitidas em 2003 e recebidas em 2004, devidamente escrituradas em sua contabilidade, em razão do reconhecimento do regime de caixa para o mês de dezembro/2003, o que obriga estender este regime para o ano todo, ocasionando o ajuste da base de cálculo das diferenças de rendimentos levantadas no presente auto de infração, excluindo-se os valores das faturas registradas no livro de saídas de 1CMS de 2003, recebidos em 2004; (ii) Alternativamente, caso o regime de caixa não seja aceito, a declaração de que houve a postergação no pagamento dos tributos, em função do reconhecimento das receitas decorrentes das faturas de 2003 ter ocorrido somente em 2004, quando do recebimento; (iii) sejam considerados os recolhimentos a maior na apuração das diferenças entre o informado em Livro de Apuração de ICMS e em DCTF, na medida em que a fiscalização elegeu, como base de cálculo dos tributos, os valores constantes na escrituração contábil e lançamento no Livro de Saída de 1CMS; É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, trata-se o presente de recurso voluntário contra decisão proferida pela 3° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis - SC, que; por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento efetuado, mantendo a exigência do PIS e da COFINS sobre diferenças dos valores declarados e os valores escriturados pela Contribuinte. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal acostado às fls. 139/141 e 557/559, vê se que o lançamento é decorrente de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização constatou divergências entre os valores declarados e os valores escriturados pela Contribuinte, em especial no Livro Registro de ICMS, lavrando auto de infração a titulo de PIS e COFINS. Alega a contribuinte em sua defesa em síntese que: (i) deve ser anulado o auto de infração por ausência de mandado de procedimento fiscal válido; (ii) caso seja mantido o presente lançamento ocorrerá a bi tributação uma vez que o crédito aqui discutido é objeto do Processo Administrativo n° 11516.001445/2005-36; (iii) que a fiscalização desconsiderou o regime de apuração adotado pela empresa a partir de 2003, assim como documentos acostados aos autos; (iv) não deve ser aplicada à taxa SELIC. Como se vê, trata-se de exigência decorrente do item 02 do Processo Administrativo acima citado (PA n. 11516.001445/2005-36), julgado nesta assentada por esta Colenda Turma, o qual foi mantido parcialmente, subsumindo-se, portanto este processo a decisão lá prolatada, ante a íntima relação de causa e efeito que os une. Entretanto, tendo a Recorrente apresentado neste processo argumentos outros, procederei à análise dos mesmos no intuito de afastar eventuais argumentos de cerceamento do direito a ampla defesa. Quanto a preliminar de nulidade do auto de infração suscitada pela Contribuinte em sua defesa, pelo fato de não encontrar-se expressamente grifado a matéria objeto de fiscalização, entendo que a mesma não tem como prosperar. Isto porque, a existência do termo "verificações obrigatórias" no Mandado de Procedimento Fiscal, legitima o auditor fiscal a examinar e, se for o caso, lançar os tributos e contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil que entender devido nos últimos cinco anos. Sendo assim, a fiscalização não extrapolou os limites previstos no Mandado de Procedimento Fiscal ao lavrar o auto de infração a titulo de PIS e COFINS, referente ao ano-calendário 2003, pois conforme se verifica no referido documento (MPF), de fls. 01, consta expressamente o termo "verificações obrigatórias: correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal". Nesse sentido é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes a exemplo das ementas a seguir transcritas: "VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. As verificações obrigatórias alcançam períodos de apuração relativos aos últimos cincos anos anteriores à emissão do MPF e o período de execução do procedimento, alcançando outros tributos e contribuições não expressamente mencionados no MPF, quando as infrações são apuradas a partir dos mesmos meios de prova." (Acórdão n° 108-09489, Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 08/11/2007, Relatora Karem Jureidini Dias) "PAF — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — VERIFICAÇÕES PRELIMINARES — Não há que se falar em nulidade do lançamento pela extrapolação aos limites contidos no MPF, tendo em vista que a autuação se deu dentro dos limites das verificações obrigatórias constantes daquele Mandado." (Acórdão n° Acórdão 101-96335, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 13/09/2007, Relator Paulo Roberto Cortez) Ademais, nos termos do art. 15 da Portaria n° 28/02, a fiscalização ao contrário do que alega a Recorrente, independentemente da apresentação das DCTF's, deve confrontar as informações prestadas e a contabilidade da empresa, não havendo qualquer irregularidade neste procedimento. Da mesma maneira, não há que se falar que o lançamento padece de ilegalidade insanável em razão da incompetência do agente fiscal para fiscalizar a base de cálculo da PIS e da COFINS no ano-calendário 2003, nos termos dos arts. 2 e 10, da Portaria n° 3.007/01, uma vez verificado que todo o processo administrativo seguiu os tramites legais. Processo n° 11516.001447(2005-25 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.279 Fl. 4 Quanto à alegação de bi tributação apresentada pela Contribuinte em sua defesa, verifica-se que não existe vínculo entre a exigência consubstanciada neste processo com as exigências do PIS e da COFINS o Processo Administrativo n°11516.001445/2005-36. Isto porque, apesar de estar sendo exigido as contribuições ao PIS e a COFINS neste e naquele processo relativo ao mesmo ano-calendário, é de se observar que as matérias que originaram as exigências são autônomas, isto é, no processo acima citado (PAF n° 11516.001445/2005-36), a incidência das referidas contribuições se deram sobre a omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários não justificados, integalização de capital não comprovada e saldo credor de caixa, ao passo que neste processo, a incidência, como já relatado, se deu em razão das diferenças entre as declarações (DCTF s e DIPJ) apresentadas pela contribuinte a SRF e o Livro de Registro de Apuração de ICMS, restando, portando, claro que não está se tributando (exigindo) em duplicidade as mesmas contribuições. Assim, por restar claro que os processos cuidam de infrações distintas, não há que se cogitar na ocorrência de bi tributação. Assim, colocada as questões acima e não restando argumentos outros daqueles suscitados no processo principal (PA n. , 11516.001445/2005-36) para afastar a presente exigência, transcrevo abaixo aquela decisão no que for pertinente a presente matéria, vejamos: "...De fato, como bem observado pela r. decisão recorrida, a adoção do Regime de Caixa por pessoa jurídica optante pelo lucro presumido que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, só é possível quanto for adotado controle dos recebimentos de suas receitas em conta especifica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal correspondente ao recebimento, o que não foi procedida pela contribuinte até o momento do lançamento das exigências ora questionada, embora tenha sido intimada a apresentar os livros exigidos pela legislação (Livros Caixa ou Diário e Razão) para fazer prova de que as cumpria. Dessa forma, correto o procedimento adotado pela fiscalização em apurar o tributo exigido com base no regime de competência, não merecendo, portanto, qualquer reforma a r. decisão recorrida que manteve o referido regime adotado pela fiscalização para apurar o tributo devido. Entretanto, em vista a vista da diligência determinada por este E. Conselho, em que a autoridade fiscal verificou que a Recorrente comprovou efetivamente o pagamento e a respectiva tributação em 2004, de uma série de notas fiscais listadas no demonstrativo de fls. 1.125/1.126, relativamente ao mês de dezembro de 2003, razão porque entendo que merece reforma neste ponto a r. decisão recorrida no sentido de compensar o imposto resultante da postergação do pagamento do IRPJ, conforme descrito na informação fiscal de fls. 1129. Quanto ao fato de a fiscalização não ter levado em consideração os valores oferecidos à tributação a maior nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993, em comparação com o informado pela contribuinte e o apurado pela fiscalização com base no Livro de saída entendo também merece aqui uma pequena reforma na r. decisão recorrida, no sentido de compensar o imposto eventualmente recolhido a maior, se for o caso, com base na diferença entre receita oferecida a tributação pela contribuinte e a apurada pelo fisco. 7 Isto porque, mantida a tributação com base no regime de competência em detrimento do regime de caixa adotado pela contribuinte, tais ajustes se tomam necessários para compensar o descompasso existente entre os dois regimes (faturamento x ingresso dos recursos no caixa)." Por fim, quanto aos argumentos suscitados pela Contribuinte a respeito da Taxa SELIC, destaca-se que, conforme Sumula CARF n° 2, não cabe a este órgão administrativo fazer qualquer análise de constitucionalidade ou legalidade de normas inseridas legalmente no ordenamento jurídico pátrio, competência esta exclusiva do Poder Judiciário, razão pela qual entendo que não há que ser afastada a referida Taxa. Ressalte-se que esta matéria já foi inclusive sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos seguintes termos: "Súmula CARF n° 4: A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Portanto, a vista do acima exposto e por tratar-se a presente exigência decorrente do processo administrativo acima citado, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) dompensar as contribuições resultante da postergação do pagamento do PIS e da COFINS, decorrentes da notas fiscais listadas pelo fiscal diligenciante no demonstrativo de fls. 1.125/1.126, tributadas no ano-calendário de 2004 e, (ii) compensar as contribuições efetivamente recolhidas a maior, decorrente da utilização pela contribuinte do regime de caixa nos meses de junho, julho, outubro e novembro de 1993, em confronto com o regime de competência. É como voto. - VALM ir - DRI - Relator 8
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Numero do processo: 15956.000252/2006-11
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA FUNDAMENTADA DE COMPROVAÇÃO DE EFETIVO DESEMBOLSO. GLOSA MANTIDA.
Fundamentada a exigência de comprovação de efetivo desembolso na apresentação em relação a outros profissionais de documentação ideologicamente falsa, e não feita a prova respectiva, é de manter-se a glosa.
MULTA APLICADA NOS TERMOS DA LEI 9430/96, ARTIGO 44, §2o. ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI N° 11.488/07. AUSÊNCIA DE RESPOSTA AOS PEDIDOS DE ESCLARECIMENTOS DA FISCALIZAÇÃO. MULTA MANTIDA.
Não havendo prova de qualquer atendimento aos pedidos de esclarecimentos da fiscalização, de que foi regularmente intimado, é de manter-se a multa agravada.
MULTA. QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Vigente à época a necessidade de caracterização do evidente intuito de fraude para fins de imposição da multa contida no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, é de se excluir tal gravame quando ausentes fundamentos no lançamento de ofício para tanto.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial porém somente excluía a qualificação da multa de ofício em relaçãoà glosa de dependente, e o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento para excluir a qualificação e também o agravamento da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA FUNDAMENTADA DE COMPROVAÇÃO DE EFETIVO DESEMBOLSO. GLOSA MANTIDA. Fundamentada a exigência de comprovação de efetivo desembolso na apresentação em relação a outros profissionais de documentação ideologicamente falsa, e não feita a prova respectiva, é de manter-se a glosa. MULTA APLICADA NOS TERMOS DA LEI 9430/96, ARTIGO 44, §2o. ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI N° 11.488/07. AUSÊNCIA DE RESPOSTA AOS PEDIDOS DE ESCLARECIMENTOS DA FISCALIZAÇÃO. MULTA MANTIDA. Não havendo prova de qualquer atendimento aos pedidos de esclarecimentos da fiscalização, de que foi regularmente intimado, é de manter-se a multa agravada. MULTA. QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Vigente à época a necessidade de caracterização do evidente intuito de fraude para fins de imposição da multa contida no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, é de se excluir tal gravame quando ausentes fundamentos no lançamento de ofício para tanto. Recurso provido em parte.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA FUNDAMENTADA DE COMPROVAÇÃO DE EFETIVO DESEMBOLSO. GLOSA MANTIDA. Fundamentada a exigência de comprovação de efetivo desembolso na apresentação em relação a outros profissionais de documentação ideologicamente falsa, e não feita a prova respectiva, é de manterse a glosa. MULTA APLICADA NOS TERMOS DA LEI 9430/96, ARTIGO 44, §2o. ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI N° 11.488/07. AUSÊNCIA DE RESPOSTA AOS PEDIDOS DE ESCLARECIMENTOS DA FISCALIZAÇÃO. MULTA MANTIDA. Não havendo prova de qualquer atendimento aos pedidos de esclarecimentos da fiscalização, de que foi regularmente intimado, é de manterse a multa agravada. MULTA. QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Vigente à época a necessidade de caracterização do evidente intuito de fraude para fins de imposição da multa contida no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, é de se excluir tal gravame quando ausentes fundamentos no lançamento de ofício para tanto. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 52 /2 00 6- 11 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial porém somente excluía a qualificação da multa de ofício em relaçãoà glosa de dependente, e o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento para excluir a qualificação e também o agravamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 03 e ss., que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2003, exercício 2004, em razão das seguintes supostas infrações: deduções indevidas de despesas médicas, de instrução e de dependente. Cientificado da autuação, apresentou a impugnação de fls. 60, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: que impugna em sua totalidade o valor do lançamento quanto a deduções de dependentes e de despesas de instrução, nos termos de documentos que apresenta; igualmente impugna em parte a glosa de despesas médicas, nos termos de documentos apresentados; impugna, por fim, o percentual punitivo da multa de ofício, no percentual de 225%. Consta dos autos súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, em face da falsidade ideológica de parte dos recibos apresentados pele contribuinte para a comprovação de despesas médicas. Em julgamento a 7a Turma da DRJ/SPOII, em sessão de 19/05/2008, manteve em parte o lançamento, aos fundamentos de que não impugna o contribuinte as glosas de despesas médicas, com exceção daquelas supostamente pagas a Veridiana Borba; a relação de dependência do filho ficou provada, bem como a da esposa, porém não é possível gozar de dedução de dependente quanto à esposa, por ter a mesma apresentado declaração em separado; que não acolhe a dedução de despesas médicas supostamente pagas a Veridiana Borba, por falta de prova de efetivo desembolso, que se exige em face da utilização de recibos tidos por inidôneos pela Receita por súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, para a comprovação de outras despesas médicas, além de recibos que comprovaramse falsos ideologicamente, no curso da fiscalização, também apresentados em relação a outros profissionais; que restabelecemse as deduções com despesas de instrução. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 15956.000252/200611 Acórdão n.º 2802002.328 S2TE02 Fl. 179 3 Intimado (fl.93), apresentou recurso voluntário a fl.94, insurgindose contra a decisão da DRJ apenas no que não acolheu a dedução de despesas médicas pagas a Veridiana Borba, que considera dedutível nos termos do documento de fl.69 e no que mantém a multa punitiva no percentual de 225%. É o relatório Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello Preliminarmente, o recurso deve ser conhecido no que tange à impugnação da glosa de despesas médicas e da multa de ofício. No caso presente, ainda diante dos documentos comprobatórios de fls.6869, é admissível a exigência de prova de efetivo desembolso dos valores correspondentes, diante da apresentação pelo contribuinte, quanto a outros profissionais, de documentação tida por inidônea pela Receita em razão de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, por teremse contatados ideologicamente falsos, além de recibos que também comprovaramse falsos ideologicamente, no curso da fiscalização, também apresentados em relação a outros profissionais . Não tendo trazido aos autos a prova do efetivo desembolso, é de manterse a glosa. É de manterse a multa no percentual em que foi aplicada, nos termos do §2° do art. 44 da Lei 9430/96, antes da vigência da Lei n° 11.488/07, não havendo prova de qualquer atendimento aos pedidos de esclarecimentos da fiscalização, de que foi regularmente intimado o contribuinte. Todavia, já no que se refere à multa qualificada, assim entendida como aquela prevista no art. 44, II, da Lei 9430/96, antes da vigência da Lei n° 11.488/07, deve a mesma ser cancelada quando o lançamento de ofício não caracteriza de forma inequívoca o evidente intuito de fraude do contribuinte. Isto posto, dou parcial provimento ao recurso para excluir a qualificação da multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 15956.000252/200611 Acórdão n.º 2802002.328 S2TE02 Fl. 180 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 18 de julho de 2013. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10209.000062/2005-51
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Joel Miyazaki - Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Joel Miyazaki Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. Tratase de auto de infração para a cobrança de imposto de importação, multa de prevista no art. 106, inciso V. do Decretolei n°37/1966, multa de ofício e consectários legais, por divergências constatadas entre o Certificado de Origem e a fatura comercial, no âmbito do Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE18), celebrado entre Brasil. Paraguai e Uruguai. Em consonância com o relatório constante da decisão recorrida, temse que: “a) o Certificado de Origem n°361070 (fl.24) registra em seu corpo como país exportador a Argentina, fazendo referência expressa à fatura comercial de YPF S.A n. 008800006304 que teria sido emitida naquele pais, no entanto a fatura que de fato instruiu a Declaração de Importação foi a de n° PIFSB0070000, 11.23, emitida pela Petrobrás International Finance Company (Pifco), situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 09 .0 00 06 2/ 20 05 -5 1 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10209.000062/200551 Resolução nº 3201000.433 S3C2T1 Fl. 300 2 b) a Petrobras International Finance Company (Pifco) é a empresa que consta da Declaração como exportador, No entanto consta como exportador a empresa PIFCO o que acarreta Ilhas Cayman ser o país de aquisição; . c) nesta operação de comercialização efetuada pelo contribuinte está caracterizada a intervenção de um terceiro país não membro do acordo. Embora o Decreto n° 1.568 de 21/07/1995 no seu artigo 10, letra "c" admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro país, não se aplica ao caso, urna vez que não há interveniência de um operador nos termos do Decreto n° 1.914 de 2205/1996. d) inexistência na Fatura Comercial n° PIFSB0070/00, emitida em 25/01/2000, pela empresa Petrobras International Finance Company (PIFCO), situada nas Ilhas Cayman. dos elementos essenciais de validação de Fatura Comercial, conforme estabelece o artigo 425, alíneas "a", "h", 1 e "m" do Regulamento Aduaneiro RA, aprovado peloDecreto n" 91.030, de 1995. Por essa razão, houve a descaracterização da operação de importação com a utilização da preferência tarifária da ALADI, pois teria havido interveniência de terceiro país, não membro do acordo. Tempestivamente apresentada impugnação, alegou a ora Recorrente, conforme consta do relatório da Delegacia de Julgamento: inicialmente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal esclarecendo a operação comercial em foco, ou seja, Petróleo Brasileiro S.A PETROBRAS, através de empresa integrante de seu grupo econômico, a Petrobras International Finance Company (Pifco),sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu propano em bruto liquefeito, produzido na Venezuela, junto à PDVSA Petróleo e Gás S/A, empresa sediada no mesmo pais, com redução de 80% da alíquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de Complementação Econômica n°39 (ACE39), conforme Decreto de execução n°3.138/99; destaca ainda que o envolvimento das três empresas na operação comercial gerou a expedição de duas faturas comerciais, sendo a primeira, emitida pela PDVSA e destinada à PFICO e, a segunda, PIFSB, expedida pela PFICO para a Petróleo Brasileiro S.A PETROBRAS. Esclarece que a última fatura que instruiu a declaração de importação, fez referência expressa à fatura comercial originária (PDVSA); a operação comercial acima explicitada é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; o Certificado de Origem foi expedido na Venezuela contendo a declaração da produtora e exportadora do produto, a PDVSA, e a certificação propriamente dita, do Ministério da Indústria e Comércio daquele pais, assim o Certificado de Origem trouxe a indicação da Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10209.000062/200551 Resolução nº 3201000.433 S3C2T1 Fl. 301 3 fatura comercial expedida pela PDVSA n°85188O, conforme previsto no artigo 10 da Resolução; ao contrário do que almeja o órgão autuante, não se pode afirmar, nem sequer genericamente, que em uma importação, "não há interveniência de um operador, nos termos da resolução 252, pois esta apenas reproduziu em seu artigo nono a integra do artigo 2° da Resolução 232, o qual não definiu a figura do operador, bem formou como não informou como deveria ser a operação; razão alguma assiste ao órgão autuante quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado de Origem e a fatura expedida pela PFICO, vez que essa fatura traz informações condizentes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz referência a ele em seu corpo, tudo em consonância com o disposto no artigo oitavo da Resolução 252, aprovada pelo Decreto n°3.325, de 30/12/1999; o órgão autuante ainda impôs multa regulamentar à impugnante alegando que mencionada fatura, emitida pela PFICO, apresentada no despacho aduaneiro, não cumpriu as exigências estabelecidas no art. 425, alíneas "a", "h", "i" c "m" do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n" 91.030/85; defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; ressalta que a impugnante procedeu em sua atividade realizando comércio com a Venezuela, pais integrante da ALADI, utilizandose de suas subsidiárias, no caso a PFICO, sediada nas Ilhas Cayman e não em Trinidad Tobago (como por equivoco foi preenchido na Declaração de Importação), na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, ao contrário do que afirmou a fiscalização; a PFICO, sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com sua revenda, inclusive o transporte da mercadoria ocorreu diretamente da Venezuela para o Brasil, como demonstram o Certificado de Origem e o Conhecimento de Embarque ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, corno a maioria dos impostos; nesse sentido traz á colação os dispositivos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional que regem o citado imposto bem como respeitável doutrina; o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado à questão da falta de previsão de procedimento especifico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma especifica, o importador apresentou somente uma fatura, mas diligenciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador c, no caso, a PIFCO atuouna qualidade de simples operadora; invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13 de 10/09/2002, destacando os Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10209.000062/200551 Resolução nº 3201000.433 S3C2T1 Fl. 302 4 artigos 100, I e 106. I, ambos do Código Tributário Nacional CTN, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; tendo sido o CTN recepcionado pela Constituição Federal, argúi que a instituição de taxa de juros diferente daquela prevista no § 1°, do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer através de Lei Complementar, o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária n°9.065/95; ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, como taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a mora, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórias; tendo a taxa SELIC a característica de taxa de remuneração de capital investido, quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, equiparando a relação tributária a uma operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; o valor unitário na condição de venda da mercadoria foi declarado a menor em relação à Fatura Comercial n° PFISB 181/00, apresentada pela empresa para instruir o despacho de importação ora em análise; considerando que o VUCV interfere na determinação da base de cálculo do imposto, e por conseqüência, no montante do imposto devido, a Impugnante reconhece a existência de diferença de imposto a ser recolhido, mas aplicandose a alíquota reduzida, ou seja, de 1,2%, por força do ACE 39; ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, para exonerar o valor relativo à multa de ofício, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 03/02/2000 Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem corno quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/02/2000 Ementa: MULTA DE OFICIO. INEXIGIBILIDADE. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10209.000062/200551 Resolução nº 3201000.433 S3C2T1 Fl. 303 5 Estando a mercadoria corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, tornase incabível a exigência da multa de oficio capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF 13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. O processo administrativo está adstrito à observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/02/2000 Ementa: FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, tornase cabível a exigência da penalidade. Em apertada síntese, julgouse, no mérito, improcedente a impugnação apresentada, sob o fundamento de que as preferências e contrapartidas econômicas, assentadas no regime de origem, contemplariam exclusivamente o comércio praticado entre os países signatários, visando a coibir uma interveniência nociva aos objetivos dos acordos pactuados entre os paísesmembros. Regularmente cientificado do acórdão proferido, a ora Recorrente protocolizou o Recurso Voluntário e documentos às fls.112/143, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicita que sejam observados os vários julgados no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos. Foi convertido em diligência, através da Resolução de n° 3021.582 para que a recorrente a trouxesse aos autos, por cópia autenticada, a invoice nº 19E006362, que lastreou o Certificado de Origem à fl. 18 deste contencioso. Consta nos autos a invoice referida com indicativo e descrição da mercadoria ser a mesma, sem qualquer divergência. O processo digitalizado foi redistribuído a esta Conselheira. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Ao analisar a matéria trazida à apreciação deste Colegiado, verificase que ela já foi objeto de apreciação, em processo de relatoria da Conselheira Mércia Helena Trajano Albuquerque Damorim, objeto do Acórdão n. 3201001.360, da sessão de 24 de julho de 2013. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10209.000062/200551 Resolução nº 3201000.433 S3C2T1 Fl. 304 6 Para a correta apreciação do caso submetido à análise do Acórdão n. 3201 001.360, entendeu a Turma Julgadora, que os autos deveriam ser baixados em diligência para que fosse providenciada a fatura comercial mencionada no Certificado de Origem, originária da operação, uma vez que a fatura que instruiu o despacho de importação, teria sido a emitida pelo interveniente, de sorte que assim fossem demonstrados todos os elos da cadeia comercial, validandose o respectivo certificado de origem. Compulsando os autos, verificase que tal como no caso concreto que deu origem ao caso retromencionado, não houve juntada aos autos da fatura comercial originária, mencionada no Certificado de Origem, qual seja, a 008800006304, de 27/01/2000. Ora, o deslinde da questão lastreiase fundamentalmente em tal documento, que, segundo entendimento já adotado anteriormente, para a certificação da sua conexão entre o Bill of Landing e o Certificado de Origem, identificandose, assim, todos os elos da cadeia comercial. Isto posto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que seja providenciada a juntada da Invoice 008800006304, de 27/01/2000, mencionada no Certificado de Origem. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 13884.002013/96-55
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.091
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiros Tarásio Campelo Borges (Relator) e Henrique,Pinheiro Torres. Designado o conselheiro Luiz Roberto Domingo para redigir o voto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiros Tarásio Campeio Borges (Relator) e Hernique,Pinheiro Torres. Designado o conselheiro Luiz Roberto Domingo para redigir o voto. eiro Torres - Presidente Tarásiokpel; 4:iwes -.' Relatormes Relator Luiz Robertó DomiriÉb - Redard—Dr evsignado EDITADO EM: 17/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra decisão monocrática da DRT Campinas (SP) que julgou parcialmente procedente o lançamento do imposto de importação', acrescido Fato gerador ocorrido no dia 12 de agosto de 1996 (registro da declaração de importação) 2 3 4 5 de multa proporcional passível de redução (100%)2 . Ciência pessoal do lançamento em 4 de setembro de 1996. Segundo a denúncia fiscal fundamentada em laudo técnico 3 , DURR DO BRASIL S.A. EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS não recolheu o tributo porque fez incorreto uso do ex-tarifário 012 do código TEC 8424.20.00 [4] na Declaração de Importação (Dl) 010217, primeira adição, registrada no dia 12 de agosto de 1996. Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 44 a 54, assim sintetizadas em dois parágrafos da impugnação da exigência: 12.2. Pretender-se, corno pretende o senhor Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, afastar a fruição da citada redução de aliquota ao aplicador eletrostático de tinta importado pela Supte., isto sob a alegação de que dito equipamento não possui "característica de EXCLUSIVIDADE para pintura de peças NÃO CONDUTIVAS", evidencia flagrante desrespeito ao princípio jurídico de que UBI LEX NON DISTINGUIT NEC NOS DISTIGUERE DEBEMUS ou, traduzindo, ONDE A LEI NÃO DINTINGUE, NÃO PODE O INTÉRPRETE FAZER DINTINÇÕES. 12,3, Com efeito, o "Ex" 012 inserido na Portaria n° 313/95 não condiciona que os aplicadores eletrostáticos de tinta nele referidos possuam a característica de exclusividade para pintura em peças não condutivas; determina, isto sim, sua dedicação para processo de pintura de peças não condutivas.. E, como bem atestou o ilustre "expeli" signatário do Laudo Pericial que acompanhou a peça infracional vestibular, o aplicador automático de tinta Mod. ECOPAINT ESTA importado pela Supte.., está dedicado, também, para o processo de pintura de peças não condutivas, o que não afasta a evidência de que a recíproca é verdadeira,. [5] Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Benefícios Fiscais: Interpreta-se literalmente a legislação que dispuser sobre benefícios fiscais (Art. 111 do C .T ,N), Assim, verificado que, ao contrário do descrito na DI, o equipamento não atendia requisito previsto no ex-tarifário, criado pela Portaria [ME] 313/95, não pode ele usufruir do beneficio de redução de aliquota. Fundamento legal da multa lançada (100%); Lei 8218, de 29 de agosto de 1991, artigo 4', inciso 1 Multa reduzida de 100% para 75% no julgamento de primeira instância administrativa (retroatividade benigna) Laudo técnico acostado às folhas 35 a 37 Portaria ME 313, de 1995: 8424.20.00 "Ex" 012 - Aplicadores eletrostáticos de tinta, com rotação superior a 20 000 rpm e voltagem mínima entre 30 KV e 120 KV, com sensores ópticos e controle eletrônico dedicado para processo de pintura de peças não condutivas Recurso voluntário, folha 53 8 Processo n" 3884.002013/96-55 Resolução ri " 3101-00,091 S3-C1 Ti A 11.3 AÇÃO FISCAL PROCEDENTE. Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 81 a 98.. Nessa petição, reitera as razões iniciais noutras palavras, afora questionamentos inerentes à exigência da multa, a despeito da redução de 100% para 75% levada a efeito no julgamento do órgão judicante a qua. A autoridade competente deu por encenado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa6 os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 111 folhas. Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. É. o relatório,. VOTO VENCIDO Conselheiro Tarásio Campeio Borges - Relator Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 81 a 98, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, sobre exigência do imposto de importação, acrescido de multa proporcional passível de redução (75%) [7]. A exação está motivada no incorreto uso do ex-tarifário 012 do código TEC 8424.20.00 [ 8 ] em importação registrada no dia 12 de agosto de 1996. A propósito da diligência à repartição de origem proposta pelo conselheiro Luiz Roberto Domingo, entendo-a desnecessária, porquanto tenho por suficientemente instruídos os autos do processo ora examinados. Com essas considerações, rejeito a proposta de diligência à repartição de origem. Tarásio Camp-do Borges 6 Despacho acostado à folha 110 determina o encaminhamento dos autos para o outrora denominado Terceiro Conselho de Contribuintes Multa reduzida de 100% para 75% no julgamento de primeira instância administrativa (retroatividade benigna). Portaria MF 313, de 1995: 8424 20 00 "Ex" 012 - Aplicadores eletrostáticos de tinta, com rotação superior a 20.000 rpm e voltagem mínima entre 30 KV e 120 KV, com sensores ópticos e controle eletrônico dedicado para processo de pintura de peças não condutivas 3 VOTO VENCEDOR Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Redator Designado Ainda que plausível a interpretação perpetrada pelo Eminente Conselheiro- Relator, minha percepção das questões de fato e de direito trazidas nos autos entendo que a solução depende de urna avaliação técnica para obter a real descrição do produto objeto da Importação. O ex-tarifário 012 do código TEC 8424.20.00 estabelecido pela Portaria MF n° 313/1995, tem o seguinte enunciado: "aplicadores eletrostáticos de tinta, com rotação superior a 20.000 rpm e voltagem mínima entre 30 KV e 120 KV, com sensores ópticos e controle eletrônico dedicado para processo de pintura de peças não condutivas". O produto importado recebeu a seguinte descrição na DI (fls. 13): "1 UNID(S) APLICADOR ELETROSTÁTICO DE TINTA COM ROTAÇÃO SUPERIOR A 20,000 RPM, COM SENSORES ÓPTICOS E CONTROLE ELETRÔNICO DEDICADO PARA PROCESSO DE PINTURA DE PEÇAS NÃO CONDUTIVAS". O laudo de fls. 36 descreve a função do produto corno sendo "o processo de pintura se aplica em peças condutivas e alterando-se parâmetros corno: fluxo de tinta, regulagem da alta voltagem ou ainda desligando-se a alta voltagem, também pode-se pintar peças não condutivas". Pois bem, em primeiro lugar entendo que o equipamento atende a função de pintura de peças não eondutivas, ainda que no modo de desligamento da alta voltagem. A leitura que deve ser feita em relação ao ex-tarifário, portanto, refere-se assim à capacidade e à característica que o equipamento tem para realizar as funções de pintura eletrostática. Desta forma, com o fim de excluir a dúvida em relação a isso, converto o julgamento em diligência para que seja elaborado laudo pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT, a fim de que sejam respondidas os seguintes quesitos: 1) Trata-se de um equipamento para pintura eletrostática com rotação supeior a 20.000 RPN? 2) O equipamento trabalha com voltagens diversas entre 30 KV e 120KV? 3) O equipamento possui sensores ópticos? 4) O equipamento possui controle eletrônico dedicado para processo de pintura de peças não condutivas? Esclarecer se o controle eletrônico existente está habilitado a realizar esse processo de pintura de peças não condutivas. A resposta a esses quesitos são fundamentais para dirimir as questões levantadas e formar o convencimento para julgam~4 Luiz Roberto Domingo 4
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003122/2005-74
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Lavrado por autoridade competente, compreendidos os fato que ensejaram o
lançamento e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa,
não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, conforme disciplina do
art. 59, do Decreto n.° 70.235/72.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. VALIDADE.
Válida a prorrogação cio Mandado de Procedimento Fiscal efetuada através
da interne. Reiterados precedentes.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Presentes os dados e provas suficientes ao convencimento do julgador,
prescindível a realização de diligência, especialmente quando não atendidos
os requisitos legais.
DECADÊNCIA. 1RPJ. ART, 150,§4°, DO CTN. TERMO INICIAL. FATO GERADOR.
Feita a opção pelo lucro real anual, a data do fato gerador do IRPJ é o dia 31
de dezembro, termo inicial para a contagem do prazo decadencial.
ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL.
Para que urna transferência de recursos financeiros seja considerada um adiantamento para futuro aumento de capital, e não urn passivo financeiro, é necessário: (i) que haja comprometimento contratual irrevogável e irretratável de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital; (ii) que o número de ações ou quotas sociais pelas quais se irá converter aquele adiantamento seja fixo e pré-de fi nido já no momento do adiantamento; e (iii) que o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira AGE ou alteração contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora.
ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS. TRANSFERENCIAS A TÍTULO DE ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL.
Revelam-se desnecessários á atividade da empresa e à manutenção da
respectiva fonte produtora e, portanto, indedutiveis, os encargos financeiros
decorrentes de captação externa junto à entidades financeiras quando,
simultaneamente, a pessoa jurídica transfere dinheiro à sua controlada, sem
incidência de qualquer encargo, ainda que tal transferência se faça a titulo de
adiantamento para aumento de capital, e mormente quando evidenciado que
sequer as transferências efetuadas reuniam as características necessárias para
serem tratados como verdadeiros adiantamentos para futuro aumento de
capital.
Numero da decisão: 1102-000.395
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR
provimento ao recurso de oficio, vencido o Conselheiro.João Otávio Oppermann Thomé, que dava parcial provimento. Quanto ao voluntário, com relação a CSLL, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, e, com relação ao IRPJ, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, para excluir os contratos assinados com BNDES, Eletrobras, Banese e HSBC vinculados ao Finame, Inergus, atinentes ao COMPROR, nos termos do voto vencedor, vencidos a conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto (Relatora), Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Lima Júnior, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Otavio Oppermann Thomé.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Lavrado por autoridade competente, compreendidos os fato que ensejaram o lançamento e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, conforme disciplina do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. VALIDADE. Válida a prorrogação cio Mandado de Procedimento Fiscal efetuada através da interne. Reiterados precedentes. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Presentes os dados e provas suficientes ao convencimento do julgador, prescindível a realização de diligência, especialmente quando não atendidos os requisitos legais. DECADÊNCIA. 1RPJ. ART, 150,§4°, DO CTN. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. Feita a opção pelo lucro real anual, a data do fato gerador do IRPJ é o dia 31 de dezembro, termo inicial para a contagem do prazo decadencial. ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Para que urna transferência de recursos financeiros seja considerada um adiantamento para futuro aumento de capital, e não urn passivo financeiro, é necessário: (i) que haja comprometimento contratual irrevogável e irretratável de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital; (ii) que o número de ações ou quotas sociais pelas quais se irá converter aquele adiantamento seja fixo e pré-de fi nido já no momento do adiantamento; e (iii) que o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira AGE ou alteração contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora. ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS. TRANSFERENCIAS A TÍTULO DE ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Revelam-se desnecessários á atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e, portanto, indedutiveis, os encargos financeiros decorrentes de captação externa junto à entidades financeiras quando, simultaneamente, a pessoa jurídica transfere dinheiro à sua controlada, sem incidência de qualquer encargo, ainda que tal transferência se faça a titulo de adiantamento para aumento de capital, e mormente quando evidenciado que sequer as transferências efetuadas reuniam as características necessárias para serem tratados como verdadeiros adiantamentos para futuro aumento de capital.
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AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Lavrado por autoridade competente, compreendidos os fato que ensejaram o lançamento e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, conforme disciplina do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. VALIDADE. Válida a prorrogação cio Mandado de Procedimento Fiscal efetuada através da interne. Reiterados precedentes. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Presentes os dados e provas suficientes ao convencimento do julgador, prescindível a realização de diligência, especialmente quando não atendidos os requisitos legais. DECADÊNCIA. 1RPJ. ART, 150,§4°, DO CTN. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. Feita a opção pelo lucro real anual, a data do fato gerador do IRPJ é o dia 31 de dezembro, termo inicial para a contagem do prazo decadencial. ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Para que urna transferência de recursos financeiros seja considerada um adiantamento para futuro aumento de capital, e não urn passivo financeiro, é necessário: (i) que haja comprometimento contratual irrevogável e irretratável de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital; (ii) que o número de ações ou quotas sociais pelas quais se irá converter aquele adiantamento seja fixo e pré-de fi nido já no momento do adiantamento; e (iii) que o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira AGE ou )1 , , Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CI T2 Acórclilo n.° 1102-00.395 Fl. 2.997 alteração contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora. ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS. TRANSFERENCIAS A TÍTULO DE ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Revelam-se desnecessários á atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e, portanto, indedutiveis, os encargos financeiros decorrentes de captação externa junto à entidades financeiras quando, simultaneamente, a pessoa jurídica transfere dinheiro à sua controlada, sem incidência de qualquer encargo, ainda que tal transferência se faça a titulo de adiantamento para aumento de capital, e mormente quando evidenciado que sequer as transferências efetuadas reuniam as características necessárias para serem tratados como verdadeiros adiantamentos para futuro aumento de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso de oficio, vencido o Conselheiro.João Otávio Oppermann Thomé, que dava parcial provimento. Quanto ao voluntário, com relação a CSLL, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, e, com relação ao IRPJ, pelo voto de qualidade, dar parcial 'provimento ao recurso, para excluir os contratos assinados com BNDES, Eletrobras, Banese e HSBC vinculados ao Finame, Inergus, atinentes ao COMPROR, nos termos do voto vencedor, vencidos a conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto (Relatora), Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Lima Júnior, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Ot Oppennann Thomé. IVETE MALAQUIN -RESSOA MONTEIRO - Presidente. SILVANA RESCI 0 GUERRA BARRETTO - Relatora. JOÃO OTÁVIO OP RMANN THOMt- Redator designado. . Participaram da essão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (presidente da turma), João Carlos de Lima Júnior (vice-presidente), Silvana Rescigno Guerra Barrett°, João Otavio Oppennann Thomé, José Sérgio Gomes e Manoel Mota Fonseca. Proccsso n° 10510.003122/2005-74 St-CH. 2 Acórdão n.° 1102-00.395 Fl. 2.998 Relatório Trata-se de Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ — e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL — dos anos-calendário de 2000 a 2003, lavrados em decorrência de glosa de despesas financeiras tidas por desnecessárias pela fiscalização, por serem decorrentes de empréstimos obtidos no mercado financeiro, ao mesmo tempo em que foram fornecidos recursos a outras empresas controladas, sem remuneração. A conduta da Recorrente foi enquadrada nos artigos 249, I; 251, parágrafo único; 299 e 300, do RIR/99 e está descrita no Termo de Verificação da Infração de fls. 86/98, que traz a estrutura societária do Sistema Guatacazes — Leopoldina — responsável por diversas empresas do setor energético do qual faz parte a Recorrente, dentre as quais foram destacadas a CAT — LEO Energia S.A e a ENERGISA S.A., esta última controladora da Recorrente que, por sua vez, exerce o controle direto sobre as empresas PBPART SE2, Companhia Energética da Borborema (CELB) e S. A. Eletrificação da Paraiba (SAELPA) Em resumo, a fiscalização descaracterizou os Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital — AFAC — por ter verificado nos registros contábeis e através dos esclarecimentos fornecidos pelas empresas envolvidas, que grande parte dos valores adiantados, tantos os recebidos pela Recorrente quanto os por ela aportados não teriam sido convertidos em aumento de capital, ou o teriam sido após transcurso de longo período de tempo e parcial. Os fatos que deram ensejo ao lançamento, foram descritos no Termo dc Verificação de Infração da seguinte forma: I) AFAC ENERGISA X RECORRENTE Em 25/01/01, a ENERGISA elevou seu capital social em R$ 396.637.730,85, mediante subscrição efetuada, parte pelo grupo Alliant., e parte pela CFLCL e, em seguida, aportou em favor da Recorrente, a titulo de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital — AFAC — o montante de R$ 210.262.679,27, que, por sua vez, foi contabilizado através de dois lançamentos: R$ 120.262.679,27 depositado em conta no Unibanco e R$ 90.000.000,00 que teria sido diretamente depositado na conta bancária da PBPART Ltda. a titulo de AFAC. Ao AFAC recebido da ENERGISA, houve o acréscimo, em 31/03/00, de R$ 50.496.087,65, decorrente da transformação em AFAC de empréstimos contraídos à própria ENERGISA, antes do ano de 2000: primeiramente, foram consolidados os débitos com a CFLCL, no valor de R$ 50.355.845,18, os quais foram, posteriormente, consolidados ENERGISA e, atualizados, montaram a quantia transformada em AFAC. Portanto, no final de abril de 2000, o AFAC total em nome da ENERGISA era de R$ 260.758.766,92 c, em dezembro daquele ano R$ 260.188.966,61, montante que pouco variou até 31/12/03, quando representava R$ 260.121.293,13, que permaneceu até janeiro de 2005. A manutenção dos valores recebidos como adiantamentos permaneceram nessa condição por longo tempo, durante o qual não se prestaram para aumento de capital, o que, no entender da autoridade fiscal, permitiria a sua caracterização como simples operação de 3 Processo 1 05 1 0.003 1 22/2005-74 S1-C1T2 Acórcl5o n.° 1102-00.395 Fl. 2.999 crédito, que melhor se classificaria como mútuo entre a ENERGISA e a Recorrente, uma vez que as operações teriam a finalidade de disponibilização de recursos financeiros. Registrou a autoridade fiscal que os recursos recebidos foram empregados principalmente em aplicações financeiras, amortizações de empréstimos e pagamentos de mútuos. ii) AFAC RECORRENTE X PBPART LTDA. 0 AFAC efetuado pela Recorrente em favor da PBPART, em 25/01/00, no valor de R$ 90.000.000,00 foi aplicado no mercado financeiro, gerando receitas ate dezembro de 2000 e apenas em 31/01/01 foi parcialmente utilizado para efetivo aumento de capital, remanescendo saldo de R$ 63.201.000,00 em 01/03/02. Após outros lançamentos, inclusive devolução da AFAC à Recorrente, em 30/04/03, mediante baixa no valor de R$ 14.603.384,58, o saldo do AFAC passou a ser em 31/12/03, de R$ 51.412.156,81. Com o resultado de novos adiantamentos, ocorridos em 2004 e 2005, o saldo final do AFAC na PBPART era, em 31/07/05 de R$ 94.499.271,96. A PBPART informou que o AFAC recebido foi inicialmente aplicado no Unibanco e, posteriormente, transferido em parte para aplicações no Banco Rural, e Bradesco. Referidas quantias, acrescidas das respectivas receitas financeiras serviram para aquisições (le ações da CELB, foram emprestadas à. Recorrente, serviram para guitar empréstimo perante a Prefeitura de Campina Grande e mútuos junto à Recorrente e à PBPART SE2, além da concessão de mútuo à CFLCL. Concluiu a fiscalização que a Recorrente, apesar de se encontrar em dividas e tomar empréstimos no mercado financeiro, aportou AFAC para repasse a PBPART, na sua maior parte cm forma de empréstimos às demais empresas do grupo, sem que a Recorrente se beneficiasse dos juros, operação que foi interpretada como retorno a Recorrente de valores após quase um ano da realização da AFAC. iii) AFAC RECORRENTE X PBPARTSE1 Em 31/12/00, o valor total da AFAC na PBPART SE1 montava R$ 147.924.402,70 e, em janeiro de 2001, houve a capitalização de R$ 78.866.129,52. Na mesma operação, a Recorrente cedeu os direitos de AFAC, no valor de R$ 69.056.850,24 em favor da Alliant, valor recebido pela Recorrente através de deposito na conta do Bradesco, em 31/01/01. Ate janeiro de 2002, novos AFAC's foram realizados e houve nova cessão de direitos em favor da Alliant, permanecendo saldo de R$ 140.095.196,74, que foi aumentado com aportes mensais até chegar ao montante de R$ 154.656.332,12, em 31/12/03. Segundo PBPART SE1, os recursos foram destinados, quase integralmente a PBPART 5E2, que os manteve em grande parte registrado em conta da AFAC. Na PBPART SE2, o capital foi aumentado em R$ 265.908.261,00, permanecendo em AFAC o total de R$ 178.403.902,67, em 15/12/03. Pontuou a Autoridade Fiscal que tanto os adiantamentos concedidos quanto os recebidos pela Recorrente não teriam sido registrados no Livro de Atas de Assembléias ou sua conversão em aumento de capital, além de inexistir comprometimento de que os recursos recebidos pela ENERGISA se destinassem a futuro aumento de capital. Também não estava amparada por contrato as operações de AFAC entre a Recorrente e ENERGISA, ou coligadas. 4 Processo 1 -1 0 10510.003122/2005-74 si-cl T2 Acórddo ri.° 1102-00.395 Fl. 3.000 A grande quantidade de operações de AFAC e o decurso de períodos consideráveis permitiria concluir que .tanto a empresa que recebe o aporte da Recorrente, corno ela própria, mostram o alto grau de artificialidade das transações e demonstrariam se tratar de mútuo com outra roupagem. iv) Glosa de despesas consideradas indedutiveis A glosa de despesas indedutiveis teve por base registros vultosos de saldos de empréstimos, conforme planilhas elaboradas pela Recorrente e registros contábeis, ao passo que concede AFAC, que permanecem muito tempo nessa condição, sem que se preste para efetivo aumento de capital. Grande parte dos recursos não teriam destinação especifica e teriam retornado para empréstimos a outras empresas do mesmo grupo, o que as tornariam desnecessárias e indedutiveis, com respaldo em atos administrativos da Receita Federal (Ato Declaratório CST n.° 950, e Parecer Normativo CST n.° 23/81) e decisões da DRJ e cio Conselho de Contribuintes que interpretariam como mutuo AFAC não destinado ao efetivo aumento de capital dentro de urn lapso de tempo razoável. Ao mesmo tempo em que efetuava AFAC não-oneroso em favor da PBPART e da PBPART SEI, possuía a Recorrente saldos de empréstimos e contratava novos empréstimos, com registros de encargos financeiros em decorrência de mútuos, o que tornariam desnecessárias as despesas referentes ás parcelas dos encargos financeiros correspondentes ao montante de recursos que beneficiaram por meio de AFAC as pessoas jurídicas ligadas. Com base nessas constatações, parte dos encargos financeiros contabilizados e deduzidos do lucro real foram tidos corno indedutiveis, na proporção dos capitais colocados a disposição das outras empresas do grupo, em relação ao montante dos saldos de empréstimos tornados no mercado financeiro. A quantia aportada em favor da PBPART, de R$ 90.000.000,00, constitui o saldo de créditos disponíveis para guitar os saldos de empréstimos e novas liberações de recursos a partir do inicio de fevereiro de 2000. Foram glosadas despesas decorrentes dos saldos de empréstimos cobertos pelos saldos de créditos, conforme planilhas de Glosa de despesas — 2000, elaboradas a partir de planilhas de empréstimos apresentados pela Recorrente nas fls. 850/1463. Os saldos dos empréstimos dos contratos foram abatidos dos saldos dos créditos mensais — quando estes eram suficientes para guitar aqueles. A partir de então as despesas foram consideradas desnecessárias e, portanto, glosadas, produzindo efeitos, ern alguns contratos, ate 2003. No tocante ao contrato firmado corn o BNDES, a autoridade fiscal, baseada no alto valor do saldo devedor, e na insuficiência do saldo para guitar a divida integral, efetou glosa proporcional ao valor dos saldos remanescentes, R$ 16.440.373,87, produzindo efeitos até o final de 2003. Foi verificada a relação percentual entre o saldo remanescente e o valor cio empréstimo e, posteriormente, aplicado às despesas. Esse percentual foi ajustado por conta da liberação de novas parcelas pertinentes ao contrato, e gerou glosa de despesas ern 2000 no montante de R$ 9.505.306,60. No ano de 2001, a glosa de despesas foi de R$ 18.956.550,79, em 2002 de R$ 13.620.494,16 e, em 2003 dc R$ 6.858.706,70. Da Impugnação 5 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CI T2 Acórao n.° 1102-00.395 Fl. 3.001 Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação requerendo a nulidade do lançamento, em razão da ausência de notificação da prorrogação do MPF, erro quanto ao valor da glosa, porquanto superior A despesa efetivamente incorrida no período, insatisfatória descrição da infração e transcurso do prazo decadencial. No mérito, sustentou a Recorrente que: inexistiria a prova da identidade entre os recursos captados e aqueles repassados a titulo de AFAC; a glosa das despesas financeiras com base em presunção não autorizada por lei, sem o exame da captação e do repasse dos recursos As empresas coligadas divergiria do entendimento consagrado no Conselho de Contribuintes, além de impossível a prevalência da presunção equiparando o AFAC ao mútuo, sem expressa previsão em lei, apenas fundamentado no Ato Declaratório CST n." 9, de 11 de junho de 1976 e no Parecer Normativo n.° 23, de 26 de junho de 1981, editado pela Coordenação do Sistema de Tributação. Em seguida, a Recorrente defende que a presunção levada a cabo pela fiscalização teria sido prejudicada pela comprovação da capitalização de valores adiantados e defende a dedutibilidade da CSLL, cujos critérios não coincidiriam com o IRPJ e protesta pela produção de todas as provas admitidas, sobretudo, a realização de diligências e juntada de documentos. Acórdão DRJ A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador afastou as preliminares de nulidade, de decadência, bem corno o pedido de diligência, e manteve em parte o lançamento para reduzir a exigência do IRPJ para RS 5.245.258,57 e de CSLL para R$ 1.640.219,21, apresentando demonstrativos da apuração, baseando-se nos seguintes fundamentos: i) consoante DIPJ acostada na fl. 2.335, a Recorrente optou pela tributação corn base no lucro real anual, cujo fato gerador é apurado no dia 31/12 de cada exercício, de sorte que a decadência não alcançou fatos geradores ocorridos após 26/12/2000; ii) o lançamento está lastreado no art. 299 do RIR/99 e art. 47, da Lei n.° 4.506/64, que estabelecem requisitos para a dedutibilidade de despesas, que não teriam sido atendidos pela Recorrente; iii) deveria ser aplicado o entendimento exarado no Parecer Normativo n." 17, de 20 de agosto de 1984, haja vista que os recursos financeiros fornecidos pela Autuada a suas coligadas não estariam irrevogável e irretratavelmente comprometidos corn futuros aumentos de capital das tomadoras dos recursos, por não estarem amparadas em dispositivos contratauais ou registradas em Atas de Assembléias, mas apenas contabilizados; iv) os suprimentos de numerários realizados pela autuada, a titulo de AFAC, para suas controladas, tiveram diversas destinações, tais como aplicação no mercado financeiro, por longos períodos, devoluções à própria supridora dos recursos, aquisições de ações de empresas do mesmo grupo econômico, empréstimos concedidos a empresas do mesmo grupo, inclusive A própria Recorrente, liquidação de empréstimos obtidos de empresas ligadas ou de terceiros, etc.; v) o prazo tido como razoável pela Coordenação do Sistema de Tributação para incorporação de adiantamentos ao capital social corresponde a 120 dias e tal limitação 6 Processo n° 10510.003122/2005-74 Sl-C1 T2 Acórchlio n.° 1102-00.395 Fl. 3.002 persistiria mesmo após a extinção da correção monetária do balanço, tendo em vista que a partir de janeiro de 1996, continuam sendo corrigidos os direitos e obrigações em função dos indices legais e contratuais; vi) a fiscalização não estaria imputando o dever de reconhecer receitas pelo empréstimo a coligadas, mas considerando dispensáveis tais recursos para a atividade da empresa, em razão da inexistência de cláusula expressa; vii) a Recorrente manteve urn enorme saldo devedor de empréstimos tomados de instituições financeiras, acarretando o pagamento de juros contratuais e a atualização mensal dos saldos, com a respectiva apropriação das despesas de operações relacionadas a tais encargos financeiros e, por outro lado, a destinação de recursos a empresas ligadas, em desmerecimento ao emprego nas suas próprias atividades, e sem cobrança dos correspondentes encargos, evidencia a desnecessidade do ônus financeiro decorrente da contratação de um empréstimo; viii) a correspondência ou identidade entre os valores obtidos com os empréstimos e aqueles transferidos para suas coligadas não seria necessária, porquanto sobreleva, ainda assim, a existência de excedentes que foram destinados a pessoas ligadas; ix) nos termos do art. 299, do RIR/99, apenas seriam necessárias as despesas pagas em função da atividade e da manutenção da respectiva fonte produtora, de sorte que a opção por transferencias em condições extremamente favorecidas a empresas ligadas, sem o resguardo dos efeitos da indisponibilidade de tais recursos financeiros afastariam o requisito da necessidade e a vinculação com o seu objetivo social, conforme julgados do Conselho de Contribuintes sobre a matéria; x)correta a apuração do montante tributável efetuada mediante confronto entre os saldos dos empréstimos, nos períodos -base selecionados, com os créditos decorrentes de transferências de recursos, nos mesmos períodos, efetuadas em favor de empresas ligadas sob a aparência de AFAC; xi) apenas a parcela de obrigações decorrentes de empréstimos obtidos que excedeu os créditos dos supostos AFAC's nas empresas ligadas foi capaz de gerar encargos financeiros dedutiveis, para efeito de apuração de lucro real; xii) foram apresentados quatro demonstrativos, um para cada período -base, de 2000 a 2003, denominados "Glosa de Despesas" (fls. 37/85), organizados mensalmente e por contrato de financiamento, que partem do saldo de empréstimos relativo a cada um dos contratos, existente no dia 1° de janeiro de cada ano e incorporadas as atualizações mensais, as amortizações, pagamentos de juros e novas liberações de parcelas dos empréstimos concernentes a cada contrato. Os saldos ao fim de cada mês foram cotejados com os créditos oriundos dos AFAC's concedidos para empresas ligadas para que cada adiantamento corresponda a urn crédito que irá influenciar no cálculo do montante das despesas apropriadas no mês seguinte Aquele em que o recurso foi posto à disposição da favorecida. Quando o total de créditos foi superior aos saldos dos empréstimos relativos a um determinado contrato, as despesas apropriadas a partir daquele mês foram tidas como indedutiveis, até o momento em que houve nova liberação de recursos, permanecendo indedutiveis se os recursos não excederem o saldo de créditos remanescente, fazendo demonstração e revisão individual por período e operação realizada; )i6 7 Processo n" 10510.003122/2005-74 Sl-C1T2 Acórdao n.° 1102-00.395 Fl. 3.003 xiii) no ano-calendário de 2000, o AFAC de R$ 90.000.000,00 efetuado em 25/01/00, teria sido suficiente para absorver o saldo de todos os contratos de financiamento, com exceção do contrato do BNDES 97.2.515.3.1, cujo saldo devedor, era de R$ 176.293.940,90, em 31/01/00, o que teria permitido a eliminação dos demais contratos para considerar as despesas correspondentes como indedutiveis e apurar de forma proporcional o restante das despesas indedutiveis, comparando-se com o crédito remanescente. xiv) o critério da proporcionalidade utilizado em todos os exercícios teria permitido aferir a parcela indedutivel das despesas de forma lógica e racional, calculando a porção sobre a qual deveria incidir a tributação e tal sistemática estaria claramente exposta no Termo de Verificação Fiscal, o que também afastaria a preliminar de nulidade baseada no critério adotado pela fiscalização; xv) a capitalização do montante de R$ 26.799.000,00, conforme Terceira Alteração Contratual da PBPART, realizada em 23/01/01 deveria ter sido deduzida do adiantamento de R$ 90.000.000,00, e para a exclusão da tributação não teria sido necessário alterar significativamente o demonstrativo "Glosa de Despesas — 2000", bastando reincorporar os contratos "BNDES-98.5893.1" (saldo de R$ 24.573.264,76), "Eletrobrás ECF 1318" (saldo de R$ 662.507,14), "Eletrobrás ECF 1532" (saldo de R$ 1.534.902,13) e "Eletrobrás ECF 1708" (saldo de R$ 29.000,17), que somam RS 26.799.674,20, e haviam sido excluídos, em vista de seus saldos devedores, em 31/01/00, terem sido absorvidos pelos créditos existentes na mesma data; xvi) em decorrência da reincorporação dos contratos, teria ficado uma pequena folga de R$ 674,20 e as despesas dos contratos que totalizaram R$ 3.251.521,66 consideradas originariamente como indedutíveis, passaram a ser dedutíveis, para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ, passando as despesas glosadas de R$ 9.505.306,60 para R$ 6.253.784,94. xvii) em relação ã. glosa de despesas de 2001, não houve realização de AFAC para a PBPART. 0 saldo de AFAC em 31/12/00 para a PBPART SE1 era de R$ 147.924.402,70, com a capitalização no valor de R$ 78.866.129,52 e a cessão de direitos de créditos em favor da Alliant, no valor de R$ 69.056.850,24, o saldo foi praticamente esgotado, restando R$ 1.422,96 e, em maw() de 2001, houve um AFAC de R$ 8.361,48, em maio de 2001, outra capitalização de R$ 9.000,00, restando um resíduo de R$ 784,44, havendo novo adiantamento apenas em junho daquele ano, no valor de R$ 103.362.934,31, que somado ao resíduo importou R$ 103.363.718,75, valor utilizado como saldo inicial para o ano de 2001; xix) diferentemente do defendido na Impugnação, a apuração do primeiro saldo utilizado no demonstrativo fiscal em 2001 demonstraria que foram consideradas as capitalizações de R$ 78.866.129,52 e de R$ 69.056.850,24 e os outros dois AFAC's , feitos em novembro e dezembro de 2001, nos valores de R$ 83.695.929,77 e R$44.568.377,16 teriam sido tratados de forma clara e mais benéfica para a Recorrente, na medida em que dado ã cessão de crédito recebida da Alliant no montante de R$ 91.908.825,83 o mesmo tratamento dado à capitalização, quando tal cessão caracterizaria-se corno devolução de AFAC ou mesmo pagamento de empréstimo concedido, o que confirmaria que não se tratava de verdadeiro AFAC; xx) ao dar à cessão dos créditos o mesmo tratamento dado à capitalização previsto no item 8, do Parecer Normativo n.° 17/84, o agente fiscal foi abatendo do montante .dos créditos cedidos, os aportes mais recentes, a saber: R$ 375.996,89 (janeiro de 2002), R$ Processo IV 10510.003122/2005-74 S I-CI T2 Acórdão n.° 1102-00.395 Fl. 3.004 44.568.377,16 (dezembro de 2001), R$ 46.964.451,78 (parte do adiantamento de R$ 83.695.929,77, efetuado em novembro de 2001), restando do AFAC de dezembro de 2001, credito na ordem de R$ 36.731.477,99, que deveria repercutir em dezembro de 2001 e não em agosto de 2001, como constou no demonstrativo fiscal. xxi) apesar de a Recorrente ter sofrido prejuízo por ter o saldo de R$ 36.731.477,99 repercutido desde agosto de 2001, ao invés de dezembro de 2001, por outro lado, os créditos realizados em novembro de 2001, dezembro de 2001 e janeiro de 2002, nos valores de R$ 83.695.929,77, R$ 44.568.377,16 e R$ 375.996,89 que repercutiram nos meses de dezembro de 2001, janeiro de 2002 e fevereiro de 2002, não foram também considerados nos cálculos fiscais, fato este que teria reduzido o montante das despesas indedutiveis; xxii) o contrato "BNDES 97.2.515.3.1" teve, no ano de 2001, o mesmo tratamento proporcional para a glosa de despesas, aplicando-se o percentual de 9,2127% sobre o total das despesas apropriadas mensalmente, uma vez que não ocorreram novas liberações de recursos e os contratos que já se encontravam "eliminados" e não apresentaram novas liberações continuaram na mesma condição, com as despesas mantidas como indedutiveis; xxiii) o saldo de créditos em 30/06/01 de R$ 103.363.718,75 foi utilizado para absorver integralmente as novas liberações de recursos ocorridas a partir dai, inclusive os contratos "Eletrobrds ECF 1318", "Eletrobrds ECF 1532" e "Eletrobrds ECF 1708" que a partir de julho de 2001, passaram a ser indedutiveis; xxiv) em 30/06/01, teria restado crédito de R$ 18.659.893,08, valor inferior ao do saldo de empréstimos na mesma data, do contrato "BNDES 98.5893.1, no montante de R$ 21.783.282,45, mantendo-se, portanto dedutiveis as despesas apropriadas no mês de julho (R$ 238.253,47) e consideradas também dedutiveis as despesas desse contrato apropriadas de janeiro a julho, no total de R$ 1.664.599,87. xxv) em 31/07/01, o saldo remanescente de R$ 18.659.893,08, após ter absorvido outras liberações de recursos oriundas de outros contratos, ocorridas em julho e ser acrescido do credito de R$ 36.731.477,99, alcançou a importância de R$ 48.241.352,90, valor suficiente para extinguir o saldo devedor do contrato "BNDES 98.5893.1",que representava nessa data R$ 21.513.258,47, tornando as despesas correspondentes (R$ 1.155.894,53) como indedutiveis e restando credito de R$ 26.728.094,43 para os meses seguintes, que continuou sendo absorvido por novas liberações de recursos, com exceção do empréstimo no valor de R$ 6.500.000,00, relativo ao contrato "CP Brascan", cujas despesas dos meses de novembro de 2001 (R$ 65.362,35) e de dezembro de 2001 (R$ 187.820,72) foram consideradas dedutiveis. xxvi) o contrato "CP Unibanco n.° 247866",cujo saldo devedor, em 30/11/01, era de R$ 20.000.000,00, superior ao crédito existente para absorvê-lo, foi dado o mesmo tratamento empregado no ano de 2000, em relação ao contrato "BNDES 97.2.515.3.1", partindo-se do crédito existente após a última liberação de recursos no ano, para apurar a proporção entre a parcela do saldo de empréstimos suprimida pelos créditos e o total dos empréstimos, chegando-se a percentual de 20,5325%; xxvii) no ano de 2001, passaram a ser dedutiveis, portanto, despesas no total de R$ 2.102.369,46, reduzindo-se as despesas glosadas de R$ 18.956.550,79 para R$ 16.854.181,33; 9 Processo 11' 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Acórdão IL' 1102-00.395 Fl. 3.005 xxviii)no ano de 2002 subsistem os contratos "BNDES 97.2.515.3.1", "CP Unibanco n.° 247866" e "CP Brascan" e dois aportes de recursos a PBPART a titulo de AFAC, em março e agosto nos valores de R$ 56.735,57 e R$ 2.757.805,82, e, no que tange aos diversos AFAC's realizados em favor da PBPART SEI, foram considerados dez, porquanto dois foram tidos como absorvidos pela cessão de direitos a Alliant ocorrida em janeiro de 2002 e desprezado pelo agente AFAC realizado em setembro no valor de R$ 617.981,67, em beneficio mais urna vez da Recorrente; xxix) no mês de janeiro de 2002, o contrato "Banco Mercantil 24383", em face da liberação de recursos de R$ 4.500.000,00, sem que houvesse créditos em montante suficiente para cobri-lo, teria ficado ativo. Da despesa apropriada no mês de janeiro, de R$ 96.117,63, apenas a quantia de R$ 52.474,18 seria indedutivel, posto que proporcional ao recurso liberado em relação à sorna desse mesmo valor com o saldo inicial de empréstimos do contrato; xxx) no que tange aos contratos BNDES 97.2.515.3.1" e "CP Unibanco n.° 247866", manteve-se inalterada a situação, urna vez que o saldo devedor dos empréstimos superou os créditos, o que resultou na aplicação de percentuais para fins de apuração das despesas tidas corno indedutiveis; xxxi) quanto ao contrato "CP Brascan, considerando que os créditos disponíveis não superaram, ern nenhum momento, absorveram os saldos devedores, as despesas apropriadas no ano de 2002, no valor de R$ 4,660.817,37, deveriam ser consideradas integralmente dedutiveis, alterando o cálculo original, no qual reputou-se parcela de R$ 589.899,14, como indedutivel; xxxii) as despesas financeiras de R$ 108.383,72 indevidamente registradas juntamente corn o principal não foram objeto de glosa, como alegado na Impugnação, conforme demonstrativo de fl. 73; xxxiii) o saldo de créditos remanescentes para 2003 foi de R$ 1.075.541,22 e as despesas apontadas corno indedutiveis noano de 2002,no total de R$ 13.620.494,16 sofreram redução de R$ 1,009.201,67, passando as despesas glosadas para o valor de R$ 12.611.292,49; xxxiv) no ano de 2003, foram realizados AFAC's mensais em favor da PBPART SEI, mas não considerado o AFAC ocorrido em outubro, no montante de R$ 1.083.902,85, e os AFAC's ocorridos nos meses de novembro e dezembro, nos valores de R$ 1.096.192,01 e R$ 1.070.499,22, foram considerados no próprio mês ao invés do mês subseqüente, o que favoreceria mais uma vez a Recorrente e, no tocante ao contrato "BNDES 97.2.515.3.1, mantido o percentual sobre o total das despesas mensais, em vista da ausência de liberação de novos recursos; xxxv) um erro de transcrição de valores teria beneficiado a Recorrente para tornar dedutiveis despesas referentes ao contrato "Banco BBM-46110" e não deveriam ser alteradas as despesas glosadas no ano de 2003; xxxvi) apesar de nem todas as restrições à dedutibilidade de dispêndios , previstas na legislação do Imposto de Renda serem aplicáveis à CSLL, deve-se ter em conta que a glosa das despesas em litígio não teria sido motivada por disposições especificas na legislação do IRPJ, posto que comprometeria o resultado do exercício; l o Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Ac6rd5o n.° 1102-00.395 F!. 3.006 xxxvii) a apropriação de encargos financeiros decorrentes de empréstimos obtidos e o repasse sem ônus a empresas interligadas tornaria a Recorrente responsável por tais dispêndios e ensejaria a aplicação do principio contábil da entidade, afetando indevidamente a apuração do resultado do exercício (lucro liquido), devendo ensejar a glosa das despesas comprovadamente desnecessárias; xxxviii) demonstrado que parte das despesas decorrentes de variação monetária passiva não guardaria relação com a atividade explorada ou não contribuiria para sua consecução, afetando o exercício e também a base de cálculo da contribuição social, seria correta a inclusão dos valores glosados na determinação da Contribuição Social devida. Do Recurso de Oficio Por força da redução do crédito tributário, em montante superior a R$ 1.000.000,00, determinada remessa dos autos para apreciação de Recurso de Oficio. Do Recurso Voluntário Cientificada do acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, repetindo as razões já expostas na Impugnação, .sem manifestar-se sobre o relatório. 1! Processo no 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Acórcliio n.° 1102-00.395 Fl. 3.007 Voto Vencido Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto. Presentes os requisitos de admissibilidade dos recursos de O ficio e Voluntário, passo a apreciá-los. Recurso de Oficio: A DRJ excluiu da tributação referente ao ano-calendário de 2000 o montante de R$ 569.016,28 a titulo de IRPJ e de RS 204.845,85 referente à CSLL, em razão da ausência de dedução da capitalização de R$ 26.799.000,00, efetuada através da Terceira Alteração Contratual da PBPART realizada em 23/01/01. Conforme Termo de Verificação de Infração de fls. 86/98, sobre o AFAC efetuado pela Recorrente em favor da PBPART LTDA., no valor de R$ 90.000.000,00, efetuado em 25/01/00, foi realmente comprovada a parcial integralização que não foi observada quando da apuração das despesas consideradas desnecessárias, exigindo, portanto, a retificação dos cálculos, cuja regularidade será objeto de apreciação quando da análise do Recurso Voluntário. Desta feita, comprovado que parte do valor da AFAC foi efetivamente convertido em capital de forma irrevogável e irretratável, deve ser mantida a decisão a quo que afastou do cômputo das despesas tidas como desnecessárias tais parcelas, para reduzir a glosa de R$ 9.505.306,60 para R$ 6.253.784,94. No ano-calendário de 2001, houve exoneração de R$ 367.914,66 de 1RPJ e de R$ 132.449,28 referente à CSLL, em decorrência da redução da glosa de despesas de R$ 18.956.550,79 para R$ 16.854.181,33. 0 saldo de AFAC em 31/12/00 era de R$ 147.924.402,70, contudo, com a capitalização de R$ 78.866.129,52 e a cessão de direitos em favor da Alliant de R$ 69.056.850,24, caiu para RS 1.422,96 e, após novo AFAC de R$ 8.361,48 e de outra capitalização de R$ 9.000,00, passou a ser de RS 784,44. Em junho de 2001, novo AFAC de R$103.362.934,31 resultou no saldo de R$ 103.363.718,75, que foi o valor inicial utilizado pelo agente fiscal e foi consumido para absorver novas liberações de recursos, inclusive dos contratos "Eletrobrds ECF 1318", "Eletrobras ECF 1532" e "Eletrobrds 1708", cuja dedutibilidade integral será reconhecida no julgamento do Recurso Voluntário, em razão do reconhecimento da sua necessidade. Em novembro e dezembro de 2001, feitos novos AFAC's nos valores de R$ 83.695.929,77 e RS 44.568.377,16, respectivamente, e reduzido o crédito para R$ 36.731.477,99, em decorrência do recebimento de cessão de crédito da Alliant, no valor de R$ 91.908.825,83 tratado como capitalização, cujo efeito .deveria repercutir a partir de dezembro de 2001 e não em agosto de 2001, como feito pelo agente fiscal. 12 Processo n° 10510.003122/2005-74 S I-C1T2 Acórclao n.° 1102-00.395 Fl. 3.008 Após apropriação das despesas consideradas corno dedutiveis até o Ines de junho, restou saldo de R$ 18.659.893,08, valor inferior ao saldo de empréstimos, na mesma data do contrato BNDES 98.5893.1, no montante de R$ 21.783.282,45, permanecendo, portanto, dedutiveis as despesas apropriadas no mês de julho no montante de R$ 238.253,47 e também foram consideradas pela decisão dedutiveis as despesas apropriadas de janeiro a julho no total de R$ 1.664.599,87. Em julho de 2001, ao saldo de R$ 18.659.893,08, após ter absorvido outras liberações de recursos, foi adicionado o crédito de R$ 36.731.477,99, alcançando a importância de R$ 48.241.352,90 e considerado na decisão da DRJ como suficiente para extinguir o saldo do contrato "BNDES 98.5893.1, que nessa data, representava R$ 21.513.258,47 e teve suas despesas consideradas indedutiveis, restando crédito de RS 26.728.094,43 para os meses seguintes, que passou a absorver novas liberações de recursos, corn exceção do empréstimo da CP Brascan de R$ 6.500.000,00 e do Unibanco n.° 247866, cujas despesas no valor total de R$ 187.820,72 foram consideradas dedutiveis e, a partir de então aplicada a regra proporcional para apuração das despesas indedutiveis. Diante das razões acima, utilizadas como fundamento pela DRJ, entendo que a redução da glosa de despesas no valor de R$ 2.102.369,46 não merece, portanto, reparos. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso de Oficio. Recurso Voluntário: Preliminarmente, defende a Recorrente seria nulo o lançamento, por entender insatisfatória e equivocada a descrição da infração, em que pese tornar evidente na peça impugnatória e no recurso voluntário que compreendeu a controvérsia e exercitou o seu amplo direito de defesa e do contraditório. Compulsando os autos, constato que o único erro expressamente apontado pela Recorrente é o relativo ao contrato com a instituição financeira CP Brascan, em setembro de 2002 (doc. 02 que instruiu a impugnação), com relação ao qual alegou que a fiscalização, ao lavrar o auto de infração, promoveu a glosa do valor correspondente ao principal, no montante de R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais), somado aos juros incorridos pela Recorrente (despesas financeiras), no valor de R$ 108.383,72 (cento e oito mil e trezentos e oitenta e três reais e setenta e dois centavos), resultando em uma glosa total de R$ 3.608.383,72 (três milhões, seiscentos e oitenta e três reais e setenta e dois centavos). Contudo, esta questão foi muito bem analisada pelo acórdão da DRJ, fis. 2912, no qual foi demonstrado que o alegado "erro" não gerou qualquer consequência corn relação aos valores exigidos no auto de infração, conforme trecho que reproduzo: "É evidente que tal alegaçao mio procede. Houve, realmente, o registro do valor de R$3.608.383, 72 como despesa do IllêS de setembro, ao invés do valor correto, que seria de apenas R$I 08.383,72. Todavia, aquela quantia 11(70 foi glosada, pois, como se pode observar no demonstrativo (fl. 73), fbi considerada dedutivel. As despesas indicadas como indechttiveis estcio hachuradas, o que ncio acontece com o montante de R$3.608.383,72." As hipóteses de nulidade do lançamento estão descritas no art. 59, do Decreto n.° 70.235/72 e não se amoldam ao presente caso: 13 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CI T2 Acórd3o n.° 1102-00.395 Fl. 3.009 Por outro lado, também não prospera o pedido genérico de diligência sem a obediência dos requisitos impostos pelo art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: "Art. 16. A impugnação mencionará: (..) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com formula cão dos quesitos referentes aos exames desejados, assimz como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação devendo ser juntada cópia da petição. § I" Considerar-se-á não • brundado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16." Além de prescindível a perícia diante das provas carreadas aos auto capazes de firmar o convencimento dos julgadores, não ha como subsistir pleito genérico, sob pena de afronta a. norma acima transcrita, especialmente quando se observa que foi oportunizado ao contribuinte o direito de Impugnação e enfrentados todos os argumentos trazidos à baila. No que tange à alegada nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, em razão de prorrogação veiculada pela intemet, também não tem procedência a irresignação da Recorrente, haja vista que disponibilizadas, desde o inicio do procedimento, informações necessárias à consulta e acompanhamento pela intemet. Sobre o tema, invoco precedente da Sexta Turma Especial, da Quinta Camara do 1° Conselho de Contribuintes, verbis: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal EXERCiCIO: 1999 - MPF. PRORROGAÇÃO. INTIMA C24 -0 PESSOAL DESNECESSIDADE. A prorrogação do MPF pode ser efetuada por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja infOrmacão estará disponível na Internet, nos termos do art. 7", inciso VIII da Portaria SRF 3007/2001. - ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Incabível se .falar na obrigatoriedade da consecução do lançamento litigado elll nome do genitor da autuada e não desta, haja vista que, conforme a legislação tributária vigente época, estava ela obrigada a apresentar sua própria declaração de rendimentos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF EXERCÍCIO: 1999 - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPóSITOS BANCA'RIOS. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE. A Lei 77" 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3" do art. 11 da Lei n" 9.311, de 1996, permitindo o cruf,amento de informações relativas CPMF para ci constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiSalliZação elll si, e não os .fatos económicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou e771 curso a partir de janeiro de 2001 poderão valer-se dessas informações, inchtsive para alcançar fatos geradores pretéritos. - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 14 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.395 Fl. 3.010 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Na ausência de comprovação da origem i dos recursos depositados em instituição financeira, incide a presuncão de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso voluntário negado." (Recurso 158435, Acórdão 196-00032, Rel. Valeria Pestana Marques) Conforme fl. 2.880, o prazo para a fiscalização terminaria em 06/02/2006 e a ação fiscal encerrou-se em 26/12/05, inexistindo qualquer vicio capaz de anular o procedimento fiscal. Desta feita, apesar de entender que o MPF não é mero instrumento de controle, como defendido pela DRJ, mas também de atribuição de competência à autoridade fiscalizadora, não há qualquer macula na intimação pela intemet e, ainda, consta nos autos prova de que a autoridade fiscal tinha competência para efetuar o lançamento. A Recorrente pugna pelo reconhecimento da decadência, sob o entendimento de que apurava o IRPJ e a CSLL de forma mensal, quando na DIPJ acostada aos autos (fl. 2.335) é inequívoca a forma de apuração dos referidos tributos de forma anual. Considerando que o período mais remoto lançado refere-se ao fato gerador ocorrido em 31/12/2000 e que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 26/12/05 não transcorreu o prazo decadencial encartado no §4°, do art. 150, do CTN, invocado pela própria Recorrente, verbis: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o clever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade achninistrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (,.) § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo,,fraude ou simulação." Rejeitadas as preliminares, passo a análise do mérito: Mérito: A acusação fiscal pode ser resumida na glosa de despesas financeiras decorrentes de contratos de empréstimo obtidos no mercado financeiro, ao mesmo tempo em que foram fornecidos recursos a outras empresas controladas, sem remuneração, a titulo de Adiantamentos para Futuro Acréscimo de Capital — AFAC — que não teriam sido capitalizados, após longo período de tempo, com fundamento nos artigos 249, 1,251, parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99, verbis:. "Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro liquido do período de apuração: I — os custos, despesas encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração 15 Processo n° 10510.003122/2005-74 S 1 -Cl T2 Acórcl5o n.° 1102-00.395 Fl. 3.011 do lucro liquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; " "Art. 251. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscctis." "Art. 299. Sao operacionais as despesas computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. §1 0 Sao necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. §2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais do tipo de transações, operações ou atividades da em/pesa. §3° 0 disposto neste artigo aplica-se também as gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tivere. Art. 300.Aplicam-se aos custos e despesas operacionais as disposigões sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. "de Para a fiscalização, a desnecessidade das despesas financeiras estaria justificada pelo fato de a empresa estar canalizando recursos obtidos por meio de empréstimos por ela contraídos — ou seja, com cobrança de encargos — para financiar o capital de giro de outras empresas, a ela ligadas, sem qualquer cobrança de encargos. Contudo, para a constatação da efetiva necessidade das despesas, mister a análise dos contratos firmados. De inicio, constato que, do montante envolvido nos contratos, a maior parte refere-se a empréstimos e financiamentos tomados pela Recorrente que não possuem as necessárias características que lhe permitam sequer participar de urn levantamento para a apuração de eventual desnecessidade das despesas financeiras. Refiro-me, no caso, àqueles contratos com relação aos quais os recursos já tern urna destinação pre-definida, ou seja, corn relação aos quais a empresa tomadora dos recursos não dispõe de discricionariedade quanto a sua aplicação, pois não são contratos para financiamento do seu capital de giro. Nesta condição estão os contratos assinados com o BNDES, ELETROBRAS, BANESE e HSBC vinculados ao FINAME, INERGUS, e os atinentes ao COMPROR, cuja análise foi feita pelo eminente Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé em seu voto-vista, cujo trecho peço vénia para transcrever: "Veja-se, por exemplo, o contrato de financiamento mediante abertura c/c credito n" 98.2.589.3.1 assinado com o BNDES, fls. 1568 a 1580 (identificado pelo número romano III nos quadros de glosas de despesas financeiras). Já na cláusula primeira consta que o crédito aberto em favor da recorrente é "destinado a apoiar o programa de investimentos da beneficiaria em redes de transmissão, distribuição e subestações, na forma prevista no quadro de usos e fontes aprovado pelo BNDES para o projeto." Na cláusukt 71011a, consta que a benefi ciária está obrigada "aplicar os recursos recebidos unicamente na execução do 16 Processo 11 0 10510.003122/2005-74 SI-CI T2 Acórao n.° 1102-00.395 Fl. 3.012 projeto mencionado na Clausula Primeira e de acordo corn o Quadro de Usos e Fontes aprovado pelo BNDES para o projeto", e, ainda, que deve "comprovar, previamente A liberação de cada parcela do crédito, subseqüente A primeira, a correta aplicação da parcela anteriormente utilizada". 0 BNDES, além de receber relatórios periódicos do andamento físico e financeiro do projeto, pode realizar inspeções físicas das obras cio projeto. Em casos como este, não há nenhuma ligação possível entre o referido C011iratO, e os minuos concedidos a custo zero para as coligadas. Os recursos advindos deste contrato não se destinam a suprir o capital de giro da recorrente, pelo contrário, são recursos que possuem uma destinação especifica, de modo que 11(70 se pode tomá-los como possíveis fontes de financiamento para sustentar os empréstimos concedidos sem custo. Coin cláusulas muito semelhantes, conforme cada projeto especifico, encontram-se todos os demais contratos firmados com o BNDES. Coln relação aos contratos coin a ELETROBRÁS ocorre o MeS1110. Veja-se, por exempla, o contrato de .financiamento n" ECF-1343/95 assinado com a ELETROBRÁS, fls. 1616 a 1626 (identificado pelo número romano VI nos quadros de glosas de despesas financeiras). Já na cláusula segunda consta que o crédito foi aberto em .favor da recorrente "para cobertura financeira de até 40% do custo de implantação do Programa de Eletrificação Rural, conforme especificado nos Anexos I e II." Na cláusula quarta, consta que a liberação dos recursos provenientes deste contrato somente se dará após a comprovação da execução física de acordo com os cronogramas atualizados e previamente aprovados pela ELETROBRAS, e comprovação da aplicação . financeira das parcelas liberadas anteriormente, á satisfação da ELETROBRÁS. Ou seja, semelhança dos contratos com o BNDES, os recursos advindos destes contratos possuem destinação especifica, de modo que não se pode tomá-los como possíveis fontes de financiamento para sustentar os empréstimos concedidos sem custo. Cam cláusulas muito semelhantes, conforme cada projeto especifico, encontram-se todos os demais contratos .firmados com a ELETROBRA'S. Com relação aos contratos com o BANESE—FINAME e coin o HSBC—FINAME, os recursos captados sequer transitam pela conta-corrente c/a recorrente, pois são depositados diretamente eia favor de terceiros para aquisição de cellos bens ou equipamentos. Veja-se, por exemplo, o contrato de .financiamento n" EEF-94/00019-0 assinado com o BANESE,.fls. 1788 a 1800 (identificado pelo número romano XIX nos quadros de glosas de despesas financeiras). Nele se verifica que o valor correspondente será di.sponibilizado diretamente em favor de INEPAR S/A - INDUSTRIA E CONSTRUÇÕES, para atender exclusivamente á compra de 60 Capacitores de potência 100 Kvar, 7960 V, 60 Hz, os quais, inclusive, constituem a própria garantia do valor contratado. Por este motivo, tal contrato N1 17 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 AcOrdilo n.° 1102-00.395 Ff. 3.013 também não pode ser tornado como possível fonte de financiamento para sustentar os empréstimos concedidos sem custo. C0171 cláusulas muito semelhantes, conforme cada projeto especifico, encontrcun-se todos os demais contratos firmados coin o BANESE e o HSBC que tenham z vincula ção a créditos deferidos pela Agência Especial de Financiamento Industrial — FINA ME. Com relação ao contrato ,firmado coin a INERGUS — Instituto Energipe de Seguridacie Social, tampouco se pode falar em recursos captados junto a este Instituto, e que possam ter sido utilizados para financial- os mútuos concedidos a custo zero para cis coligadas c/a recorrente. Conforme se verifica no contrato assinado entre as partes, fls. 1521 a 1536 (identificado pelo número romano XVII nos quadros de glosas de despesas financeiras), trata-se não de tuna captação cie recursos, mas sim da consolidação e confissão de dividas vencidas da recorrente junto ao INERGUS, decorrentes do não recolhimento das contribuições da patrocinadora (recorrente). Com relação aos contratos firmados na modalidade COMPROR, trata-se de linha de crédito oferecida por diversas instituições . financeiras e destinada exclusivamente para paganzento de fornecedores da recorrente, por meio da qual o banco financia o pagamento à vista dos fornecedores, e pcircela o .financiamento da con ipra junto ao cliente. Veja-se, por exemplo, o Convênio para Concessão de Empréstimos — COMPROR n" 234.611-2, .firmado com o Unibcmco, fls. 1893 a 1900 (identificado pelo número romano XXVIII nos quadros de glosas de despesas .financeiras). Nele se verifica que os valores do empréstimo são creditados diretamente aos . fbrizecedores, ou ci sua ordem, conforme cláusulas a seguir transcritas: 1.1. Os empréstimos c/c que trata o "caput" desta Cláusula poderão ser concedidos mediante solicitação da EMPRESA ao UNIBANCO, por intermédio de Cartct c/c Adesão, as quais deverão conter, obrigatoricunente, a data de emissão, valor do empréstimo, vencimento da operação, valor e al/quota do IOC; a taxa efetiva mensal e anual, percentual de encargos incidentes, .forma de reajuste, nome e assinatura dos responsáveis pela contratação da operação, nome do Fornecedor, nome do Banco/Agência para crédito dos recursos desembolsados por conta da EMPRESA e demais condições. 1.5. 0 UNIBANCO creditará o valor do financiamento concedido diretamente na conta corrente do Fornecedor especificado Mi Carta de Adesão pela EMPRESA, ou na própria conta corrente desta, desde que expressamente autorizada pelo Fornecedor, ficando tal financiamento sujeito a todas as cláusulas e condições ajustadas neste Convênio, nas Cartas de Adesão e de Constituição de Garantias e no TERMO DE PRESTAÇÃO DE GARANTIA - TPG. Assim, pelo . fato de os recursos advindos destes contratos possuírem destinação especif ica, não se pode tOMC2-10.S' COMO Is Processo n° 10510.003122/2005-74 S1E-C1T2 AcOrcii-lo n.° 1102-00.395 Fl. 3.014 possíveis fontes de financiamento para sustentar os empréstimos concedidos sem Onus pela recorrente". Atestada a necessidade das despesas incorridas corn os contratos assinados com o BNDES, ELETROBRAS, BANSE e HSBC vinculados ao FINAME, INERGUS e os referentes ao COMPROR, que representam a maior parte do lançamento,subsistem contratos de empréstimos que se prestaram ao financiamento do seu capital de giro, a seguir relacionados: - Contrato Banco Real n° 16.551119.1, fls. 1553 a 1567 (identi ficado pelo número romano I nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Santos n" 300076-0, fls. 1827 a 1832 (identificado pelo número romano XXIII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco BNL n° NGIRB2989, fls. 1833 a 1851 identi ficado pelo número romano XXIV nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Unibanco n" 001.234679-9, fls. 1852 a 1861 (identificado pelo número romano XXV nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Mercantil do Brasil n° 24383, fls. 969 e 1094 (identificado pelo numero romano XXVI nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Unibanco if 060.247866-7, fls. 1879 a 1892 (identificado pelo número romano XXVII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Mercantil do Brasil n" 02397330-4, fls. 1901 a 1906 (identificado pelo número romano XXIX nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco ABN AMR° Real S/A if 4094/2001, fls. 1907 a 1951 (identificado pelo número romano XXX nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Brascan if RJ-14.11.1/2001, fls. 1964 a 1972 (identificado pelo número romano XXXII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Unibanco n° 001.233939-8, fls. 2033 a 2045 (identificado pelo número romano XXXIII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Bradesco n" 205327, fls. 2115 a 2122 (identificado pelo numero romano XXXVII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Bradesco n' 1937, fls. 1071 (identificado pelo número romano XXXIX nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco BBM S/A n" 46.110, fls. 2273 a 2328 (identificado pelos números romanos LVI e LVII nos quadros de glosas de despesas financeiras); Compulsando os autos, verifico que, dos contratos remanescentes, muitos foram firmados antes dos AFAC's caracterizados pela Fiscalização como mútuo, sem que houvesse elementos para tal presunção. 19 Processo n' 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Acórcliio n." 1102-00.395 Fl. 3.015 Isto porquanto, na direção oposta da fiscalização e da DRJ, reputo indispensável observar que a Recorrente faz parte de estrutura societária do Sistema Guatacazes — Leopoldina — responsável por diversas empresas do setor energético — e que tem corno objeto social a participação em outras sociedades, cabendo-lhe a decisão sobre a conveniência de realizar investimentos para ampliação de seus negócios ou para suprir eventuais dificuldades de suas coligadas. Não se trata aqui de necessidade de empréstimos apenas das coligadas, mas da própria fonte produtora, em razão de ter como atividade a participação societária, cujos reflexos repercutem em suas atividades. A glosa determinada, sob a justificativa de que seriam desnecessários empréstimos realizados em períodos anteriores à concessão dos AFAC's, quando comprovada, além da ausência de identidade entre o ingresso de recursos e a remessa as coligadas, a necessidade em relação as suas atividades, vai de encontro à autonomia e a liberdade de contratação, que estão asseguradas na Constituição Federal, verbis: "Art. 170. A ordeni econômica, fundada na valorifaccio do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por Jim assegurar a todos existC3,ncia digna, confOrme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional; II - propriedade privada; III -,funcao social da propriedade; IV- livre concon-c3ncia; V- defesa do consumidor;" VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; VII - redução das desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do pleno emprego; IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no Pais." Cabe a sociedade investidora decidir se quer investir mais ou menos na investida, não podendo o fisco interferir em tal opção, sob pena de afrontada a liberdade de contratação, assegurada na Carta Magna Federal importante destacar que a atividade da investidora, poderia ser desenvolvida pela própria Recorrente ou por outra participante da organização societária, apenas houve a opção de administração em separado, como forma de tornar mais eficientes as operações desempenhadas. Pontuo ainda que mútuo e AFAC são institutos jurídicos distintos, dotados de características e efeitos diferentes. Sc por um lado, o mútuo exige o requisito da onerosidade e impõe a entrega de bem e a sua devolução após o transcurso de determinado prazo, o AFAC, por sua vez, é urn procedimento habitual, legal e não oneroso, entre sociedades, com a característica da reversibilidade, haja vista que não há nem o apontamento de juros, nem a obrigação de reembolso desse valor. Entendo que as distintas características dos institutos impedem a equiparação do AFAC's a mútuos, como indiretamente feito pela fiscalização, apesar de não haver acusação de simulação. )4- 20 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 AcOrd5o n.° 1102-00.395 Fl. 3.016 Conforme demonstrado no próprio levantamento fiscal e objeto de análise e reforma pela DRJ várias capitalizações foram efetuadas no curso do período fiscalizado, demonstrando que se tratava de pratica adotada pela Recorrente e suas coligadas. Desta feita, se por um lado, foi caracterizada a necessidade dos contratos cujas despesas foram glosadas e, de outro, não descaracterizada a natureza de grande parte dos AFAC's efetuados, ern razão das capitalizações efetuadas, entendo que deve ser cancelado integralmente o lançamento. Por fim e apesar de se tratar de tributação reflexa, registro que, ainda que considerada indedutivel para o IRPJ, não poderia subsistir a exigência da CSLL, em razão de se tratarem de despesas legitimas, cuja glosa não tern amparo legal especifico. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso de Oficio, rejeito as preliminares de nulidade e dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar integralmente a exigência tributária. É como voto. SILVANA RESCIGN GUERRA BARRETTO. 21 Processo no 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Acórao n.° 1102-00.395 Fl. 3.017 Voto Vencedor Conselheiro Joao Otávio Opperrnann Thomé, Redator Designado. Colhidos os votos em sessão, esta E. Turma entendeu, pelo voto de qualidade, pelo parcial provimento do recurso voluntário, em contrário ao entendimento da Ilustre Conselheira Relatora, que em seu bem fundamentado voto, pugnava pelo integral provimento deste, pelas razões e fundamentos que ora passo a expor. Um dos argumentos levantados pela recorrente, e também considerado pela i. Relatora, diz respeito a ausência de identidade entre o ingresso de recursos e o seu repasse as coligadas, sob a forma de AFAC. De se observar que a autuação se faz sob o manto do artigo 47 da Lei n° 4.506, de 1964, reproduzido no artigo 299 do RIR/99, que assim dispõe: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n°4.506, de 1964, art. 47). § 1" Sao necessárias as despesas pagas ou incorridas para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47„s' 1 0). § 2" As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 2'). § 3" 0 disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem" A desnecessidade das despesas financeiras advém do fato de a empresa estar canalizando recursos obtidos por meio de empréstimos por ela contraídos — ou seja, coin cobrança de encargos — para financiar o capital de giro de outras empresas, a ela ligadas, sem qualquer cobrança de encargos. Esta é a alegação fiscal, cuja consistência há de ser testada ante os fatos e provas juntados aos autos. Sem entrar ainda, portanto, na discussão acerca da alegada equiparação entre AFAC e mútuo, o primeiro ponto a salientar é que, para tal demonstração da desnecessidade da despesa (quando for este o caso, obviamente) não é necessário efetuar a vinculação direta entre um recurso captado e o seu imediato ou posterior repasse sem custos. Isto pode ser demonstrado de forma bastante simples, com um exemplo: Imagine-se a seguinte situação: a empresa, no dia 15/05/xx, empresta para sua coligada, o valor de RS 100.000,00 que estava disponível na sua conta bancária na instituição "BANCO A". 0 saldo da empresa na conta corrente no "BANCO A" continua positivo, mesmo após o empréstimo feito. Contudo, desde o dia 01/01/xx, a empresa em questão possuia um empréstimo para capital de giro tomado no "BANCO B", cujo principal é de 22 Processo n° 10510.003122/2005-74 Sl-C1T2 Acárdao n.° 1102-00.395 El. 3.018 R$ 300.000,00, sobre o qual correm juros. A questão e: se no dia 15/05/xx, a empresa de fato tinha a sua disposição o valor de R$ 100.000,00, que não lhe era mais necessário para o seu capital de giro, então ela poderia nesta data ter amortizado parte do empréstimo tomado junto ao "BANCO B", o que faria reduzir os seus juros na proporção de 1/3 do até então cobrado; no entanto, ela preferiu emprestar o dinheiro para a sua coligada, sem cobrança de encargos. Ora, é evidente que, em circunstancias corno tais, aquela parcela de 1/3 dos juros cobrados pelo "BANCO B", a partir do dia 15/05/xx, são indedutiveis, pois demonstrada está a sua desnecessidade para a atividade da empresa e manutenção de sua fonte produtiva. Este simples exemplo serve para demonstrar que não é necessário comprovar nenhuma vinculação direta, nem de datas, nem sequer de instituição financeira, entre os recursos captados e os recursos repassados, pois veja-se que no exemplo dado as datas são bastante distantes entre si e os bancos também são distintos. E serve também para demonstrar que, não havendo uma identidade entre os valores captados e os repassados, a apuração da parcela das despesas considerada indedutivel pode ser feita utilizando-se o critério de proporcionalidade com relação ao valor total do contrato. De fato, não há nenhum óbice à utilização do critério da proporcionalidade para apuração da parcela indedutivel das despesas financeiras de um determinado contrato, urna vez que se trata de um critério lógico e racional de cálculo a ser utilizado justamente por não haver perfeita identidade entre os valores captados e os repassados. Conforme dito, a desnecessidade das despesas financeiras advém do fato de a empresa estar emprestando recursos, sem qualquer custo, para suas coligadas, enquanto, na outra ponta, sustenta os encargos decorrentes da captação de capital de giro junto a diversas instituições financeiras. Entretanto, necessário se torna reconhecer que há certos empréstimos e financiamentos tomados pela empresa que não possuem as necessárias características que lhe permitam sequer participar de um levantamento para a apuração de eventual desnecessidade das despesas financeiras. Refiro-me, no caso, àqueles contratos corn relação aos quais os recursos já tem uma destinação pré-definida, ou seja, corn relação aos quais a empresa tomadora dos recursos não dispõe de discricionariedade quanto à sua aplicação, pois não são contratos para financiamento do seu capital de giro. Nesta condição estão os contratos assinados corn o BNDES, ELETROBRAS, BANESE e HSBC vinculados ao FINAME, INERGUS, e os atinentes ao COMPROR, pelos motivos sucintamente expostos a seguir. Veja-se, por exemplo, o contrato de financiamento mediante abertura de credito IV 98.2.589.3.1 assinado corn o BNDES, fls. 1568 a 1580 (identificado pelo número romano III nos quadros de glosas de despesas financeiras). JA na cláusula primeira consta que o crédito aberto em favor da recorrente é "destinado a apoiar o programa de investimentos da beneficiária em redes de transmissão, distribuição e subestações, na forma prevista no quadro de usos e fbntes aprovado pelo BNDES para o projeto." Na cláusula nona, consta que a beneficiária esta obrigada a "aplicar os recursos recebidos unicamente na execução do projeto mencionado na Cláusula Primeira e de acordo C0171 o Quadro de Usos e Fontes aprovado pelo 23 Processo n° 10510.003122/2005-74 si-cl T2 Acórch'io 11. 0 1102-00.395 Fl. 3.019 BNDES para o projeto", e, ainda, que deve "comprovar, previamente à liberação de cada parcela do crédito, subseqüente ã primeira, a correta aplicagdo da parcela anteriormente utilizada". 0 BNDES, além de receber relatórios periódicos do andamento fisico e financeiro do projeto, pode realizar inspeções fisicas das obras do projeto. Em casos como este, não há nenhuma ligação possível entre o referido contrato, e os mútuos concedidos a custo zero para as coligadas. Os recursos advindos deste contrato não se destinam a suprir o capital de giro da recorrente, pelo contrário, são recursos que possuem uma destinação especifica, de modo que não se pode tomd-los como possíveis fontes de financiamento para sustentar os empréstimos concedidos sem custo. Corn cláusulas muito semelhantes, conforme cada projeto especifico, encontram-se todos os demais contratos firmados corn o BNDES. Com relação aos contratos com a ELETROBRAS ocorre o mesmo. Veja-se, por exemplo, o contrato de financiamento n° ECF-1343/95 assinado com a ELETROBRAS, fls. 1616 a 1626 (identificado pelo número romano VI nos quadros de glosas de despesas financeiras). Já na cláusula segunda consta que o credito foi aberto em favor da recorrente "para cobertura financeira de até 409' do custo de implantação do Programa de Eletrifica cão Rural, conforme especificado nos Anexos I e II." Na cláusula quarta, consta que a liberação dos recursos provenientes deste contrato somente se dará após a comprovação da execução fisica de acordo com os cronogramas atualizados e previamente aprovados pela ELETROBRAS, e comprovação da aplicação financeira das parcelas liberadas anteriormente, satisfação da ELETROBRAS. Ou seja, à semelhança dos contratos com o BNDES, os recursos advindos destes contratos possuem destinação especifica, de modo que não se pode tomd-los como possíveis fontes de financiamento para sustentar os empréstimos concedidos sem custo. Corn cláusulas muito semelhantes, conforme cada projeto especifico, encontram-se todos os demais contratos firmados com a ELETROBRAS. Corn relação aos contratos corn o BANESE—FINAME e com o HSBC- FINAME, os recursos captados sequer transitam pela conta-corrente da recorrente, pois são depositados diretamente em favor de terceiros para aquisição de certos bens ou equipamentos. Veja-se, por exemplo, o contrato de financiamento n" EEF-94/00019-0 assinado com o BANESE, fls. 1788 a 1800 (identificado pelo número romano XIX nos quadros de glosas de despesas financeiras). Nele se verifica que o valor correspondente será disponibilizado diretamente em favor de INEPAR S/A - INDUSTRIA E CONSTRUÇÕES, para atender exclusivamente à compra de 60 Capacitores de potência 100 Kvar, 7960 V, 60 Hz, os quais, inclusive, constituem a própria garantia do valor contratado. Por este motivo, tal contrato também não pode ser tomado corno possível fonte de financiamento para sustentar os empréstimos concedidos sem custo. Com cláusulas muito semelhantes, conforme cada projeto especifico, encontram-se todos os demais contratos firmados com o BANESE e o HSBC que tenham vinculação a créditos deferidos pela Agencia Especial de Financiamento Industrial — FINAME. Com relação ao contrato firmado com a INERGUS — Instituto Energipe de Seguridade Social, tampouco se pode falar em recursos captados junto a este Instituto, e que possam ter sido utilizados para financiar os mútuos concedidos a custo zero para as coligadas da recorrente. Conforme se verifica no contrato assinado entre as partes, fls. 1521 a 1536 (identificado pelo número romano XVII nos quadros de glosas de despesas financeiras), trata- se não de uma captação de recursos, mas sim da consolidação e confissão de dividas vencidas 24 Processo n° 10510.003122/2005-74 S 1-CI T2 Acórclilo 0.° 1102-00.395 Fl. 3.020 da recorrente junto ao INERGUS, decorrentes do não recolhimento das contribuições da patrocinadora (recorrente). Com relação aos contratos firmados na modalidade COMPROR, trata-se de linha de crédito oferecida por diversas instituições financeiras e destinada exclusivamente para pagamento de fornecedores da recorrente, por meio da qual o banco financia o pagamento vista dos fornecedores, e parcela o financiamento da compra junto ao cliente. Veja-se, por exemplo, o Convênio para Concessão de Empréstimos — COMPROR no 234.611-2, firmado com o Unibanco, fls. 1893 a 1900 (identificado pelo número romano XXVIII nos quadros de glosas de despesas financeiras). Nele se verifica que os valores do empréstimo são creditados diretamente aos fornecedores, ou à sua ordem, conforme cláusulas a seguir transcritas: 1.1. Os empréstimos de que trata o "caput" desta Cláusula poderão ser concedidos mediante solicitação da EMPRESA ao LTNIBANCO, por intermédio de Carta de Adesão, as quais deverão conter, obrigatoriamente, a data de emissão, valor do empréstimo, vencimento da operação, valor e aliquota do IOC; a taxa efetiva mensal e anual, percentual de encargos incidentes, forma de reajuste, nome e assinatura dos responsáveis pela contratação da operação, nome do Fornecedor, nome do Banco/Agência para crédito dos recursos desembolsados por conta da EMPRESA e demais condições. 1.5. 0 UNIBANCO creditará o valor do financiamento concedido diretamente na conta corrente do Fornecedor especificado na Carta de Adesão pela EMPRESA, ou na própria conta corrente desta, desde que expressamente autorizada pelo Fornecedor, ficando tal financiamento sujeito a todas as cláusulas e condições ajustadas neste Convênio, nas Cartas de Adesão e de Constituição de Garantias e no TERMO DE PRESTAÇÃO DE GARANTIA - TPG. Assim, pelo fato de os recursos advindos destes contratos possuírem destinação especifica, não se pode tomd-los como possíveis fontes de financiamento para sustentar os empréstimos concedidos sem ônus pela recorrente. Desta forma, excluídos todos os contratos que se encontram nas condições acima relatadas, restam corno contratos de financiamento de capital de giro, e passíveis de glosa, com relação as despesas financeiras, se demonstrada a sua desnecessidade, tão somente os contratos a seguir relacionados: - Contrato Banco Real n° 16.551119.1, fls. 1553 a 1567 (identificado pelo número romano I nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Santos n° 300076-0, fls. 1827 a 1832 (identificado pelo número romano XXIII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco BNL n° NGIRB2989, fis. 1833 a 1851 identificado pelo número romano XXIV nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Unibanco n" 001.234679-9, fls. 1852 a 1861 (identificado pelo número romano XXV nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Mercantil do Brasil if 24383, fls. 969 e 1094 (identificado pelo número romano XXVI nos quadros de glosas de despesas financeiras); 25 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-C1T2 Acórclao n.° 1102-00.395 Fl. 3.021 - Contrato Banco Unibanco n° 060.247866-7, fls. 1879 a 1892 (identificado pelo número romano XXVII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Mercantil do Brasil ri° 02397330-4, fls. 1901 a 1906 (identificado pelo número romano XXIX nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco ABN AMR() Real S/A if 4094/2001, fls. 1907 a 1951 (identificado pelo número romano XXX nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Brascan n° RJ-14.11.1/2001, fls. 1964 a 1972 (identificado pelo número romano XXXII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Unibanco n" 001.233939-8, fls. 2033 a 2045 (identificado pelo número romano XXXIII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Bradesco n" 205327, fls. 2115 a 2122 (identificado pelo número romano XXXVII nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco Bradesco O J937, fls. 1071 (identificado pelo número romano XXXIX nos quadros de glosas de despesas financeiras); - Contrato Banco BBM S/A n°46.110, fls. 2273 a 2328 (identificado pelos números romanos LVI e LVII nos quadros de glosas de despesas financeiras). Outro ponto contra o qual se insurge a recorrente diz respeito à equiparação dos AFAC a mútuos, que teria sido promovida pela fiscalização apoiado em meras presunções, sem qualquer amparo legal, sustentadas apenas em atos administrativos editados pela própria administração tributária fato que a recorrente contabilizou as operações sub judice sob a rubrica de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital — AFAC. Entretanto, a fiscalização, dadas as características especificas das operações em questão, concluiu tratar-se as mesmas de mútuos. Convém reproduzir trecho do "Termo de Verificação de Infração" que contém uma síntese do que seriam estas características que levaram ao convencimento da autoridade fiscal: "Importa salientar que, sobre os adiantamentos, tanto em relação aos concedidos quanto aos recebidos pela ENERGIPE, constatamos não ter havido qualquer registros no livro de Atas de Assembleias da ENERGIPE ou sua conversão em aumento de capital (fls. 2.647 a 2.717). Também não foi apresentada pela ENERGIPE alteração de Estatuto que indicasse o comprometimento de que os recursos recebidos da ENERGISA se destinassem a futuro aumento de capital, tampouco estariam amparados por contratos as operações de AFAC entre a ENERGIPE e a ENERGISA ou entre a ENERGIPE e as coligadas. Ora, a quantidade de operações encontradas nas contas que registram os AFAC e o decurso de períodos consideráveis em que os recursos permanecem na condição de AFAC, tanto na empresa que recebe o aporte da ENERGWE quanto nesta própria, quando recebe aporte da ENERGISA, faz transparecer o alto gran de artificialidade de tais transações, que, salvo melhor juizo, tratar-se-iam de operações de mútuo sob outra roupagem. Também as respostas aos esclarecimentos solicitados, via circularizacões, não trouxe em seu bojo, evidencias, através de uma documentação-suporte, que 26 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Acórcliio n.° 1102-00.395 Fl. 3.022 indicasse, na constituição dos AFAC, uma disposição futura de conversão em Capital." Uma das primeiras características sempre mencionadas quando se trata de definir um AFAC é o fato de constituir ele um compromisso irretratável e irrevogável da destinação dos recursos para aumento do capital social da tomadora destes. Embora não seja o único elemento caracterizador de um AFAC, este aspecto foi muito bem abordado no Parecer Normativo n° 17, de 20 de agosto de 1984. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes também reforça este mesmo aspecto, conforme ementa a seguir (grifos não são do original): IRPJ - ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL - Os adiantamentos de recursos financeiros, sem remuneração, ou com remuneração inferior as taxas de mercado, feitos por uma pessoa jurídica a sociedade coligada, interligada ou controlada, não configuram operação de mútuo, sujeita a observância do disposto no artigo 21 do Decreto Lei 2.65 de 26 de outubro de 1983, desde flue: a) entre a prestadora e a beneficiária haja comprometimento, contratual e irrevogável de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital e b) o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira AGE ou alteração contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora (Ac. 1° CC 103-19089- DO 07/01/98). Importante salientar ainda que não somente a administração tributária ou as autoridades julgadoras trataram deste aspecto. Veja-se, por exemplo, o Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis — CPC n" 39, o qual, embora somente aprovado em 2 de outubro de 2009, permite verificar o que entende a ciência contábil a respeito do assunto. No seu item 11, o CPC n° 39 oferece as seguintes definições de Instrumento Patrimonial, e Passivo Financeiro, as quais importa reproduzir: 'Instrumento patrimonial é qualquer contrato que evidencie uma participação nos ativos de uma entidade após a dedução de todos os seus passivos. Passivo financeiro é qualquer passivo clue seja: (b) contrato que será ou poderá ser liquidado por instrumentos patrimoniais da própria entidade, e seja: (i) 700 derivativo no qual a entidade é ou pode ser obrigada a entregar um número variável de instrumentos patrimoniais da entidade; ou (it) um derivativo que será ou poderá ser liquidado de outra forma que não pela troca de um montante fixo em caixa, ou outro ativo financeiro, por um número fixo de instrumentos patrimoniais da própria entidade.., Portanto, para a comunidade contábil, para que um AFAC seja considerado um instrumento patrimonial é fundamental que, na primeira assembléia ou alteração contratual posterior ao evento, haja a conversão daquele valor adiantado por um montante fixo e pré- definido de ações ou quotas sociais. 27 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Actird5o r1 • 0 1102-00.395 Fl. 3.023 Esta conclusão é exposta também pela Auditoria PricewaterhouseCoopers, conforme texto disponível no endereço eletrônico http: //www.pwc.com/br/pt/ifi -s- brasil/navegador-contabil/contabilizacao-de-adiantamentos-para-futuro-aumento-de- capitalffithil, o qual reproduzo abaixo (grifos não são do original): "Ha um mito de que uni AFAC será instrumento patrimonial se ele for irretratável e irrevogável. 0 fato de que um valor recebido que será obrigatoriamente convertido em capital por ulna entidade e, portanto, não precisa ser devolvido, não necessariamente o faz automaticamente instrumento patrimonial. Em outras palavras, o simples fato de que um instrumento ser liquidado em aches, não o faz um instrumento de patrimônio de acordo com o CPC 39/IAS 32. Se houver qualquer variação no valor do adiantamento ou no número de aches que será usado para liquidar unta obrigação, o instrumento não pode ser de patrimônio e, dessa forma, é mini passivo. Observe que lido basta prever como será convertido, o valor do adiantamento e o número de aches devem ser fixos já no momento do adiantamento. Um aspecto ás vezes mal compreendido nesta exigência do fixo por ,fixo é quanto a remuneração do AFAC. Se o AFAC corrigido pelo CDI ou, por exemplo, pelo IGP-M + 6%, até a data da conversão das acôes, o acionista que efetuou o adiantamento terá até a data da conversão a remuneração garantida estipulada, sem correr o risco de patrimônio que os atuais acionistas correm. Somente após a C017VerSa0 é que este investidor passa a ter o risco de patrimônio." Portanto, não basta apenas o compromisso de conversão em capital ser irretratável e irrevogável, é preciso ainda que a conversão em ações tenha sido previamente estipulada quanto ao montante de ações a que terá direito a entidade que faz o aporte. Caso contrário, não se trata de instrumento patrimonial, mas sim de ativo ou passivo financeiro. No caso concreto, nenhuma destas circunstâncias foi comprovada. Na verdade, foi apenas na contabilidade das empresas que os recursos em questão apareceram na condição de AFAC. Não há nenhuma prova de que os recursos efetivamente se destinavam a aumentos de capital. Não ha quaisquer registros nos livros de Atas de Assembléias ou Alterações Contratuais das empresas envolvidas, e nem sequer estão amparadas por instrumento contratual essas alegadas operações de AFAC. As evidências coletadas, por outro lado, tais como o elevado número de operações, o longo prazo em que os recursos permaneciam na condição de AFAC, e o fato de que em algumas circunstâncias houve inclusive o retorno ou devolução parcial de supostos AFAC, apenas reforçam a conclusão fiscal de que não se tratavam os mesmos de verdadeiros AFAC, mas sim de mútuos "sob outra roupagem". Concluindo, correto o procedimento fiscal de considerar desnecessárias as despesas financeiras geradas pelas captações de recursos externos, proporcionalmente â parcela de recursos que foram aportados as suas coligadas a titulo de adiantamento para futuro 28 Processo n° 10510.003122/2005-74 sl-C1T2 Acárciao II.' 1102-00.395 FL 3.024 aumento de capital — AFAC. Alias, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes aponta no mesmo sentido, conforme ementa a seguir transcrita: ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS (EX. 89/92) - Revelam- se desnecessários e, portanto, indedutiveis os encargos fi nanceiros de captação externa junto à entidade financeira quando, simultaneamente, a pessoa jurídica transfere dinheiro a sua controlada a titulo de adiantamento para aumento de capital, sem incidência de qualquer encargo (Ac. 1° CC 108-4.787/97 - DO 09/04/98). Além disto, observo que as parcelas dos adiantamentos para futuro aumento de capital que foram efetivamente convertidas em aumento de capital, já foram devidamente decotadas dos valores que foram considerados como mútuos sem incidência de encargos para efeito da glosa das despesas financeiras proporcionalmente consideradas indedutiveis. Tal procedimento, alias, também encontra-se em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, conforme ementa a seguir transcrita: CORREÇÃO MONETÁRIA - ADIANTAMENTO PARA AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL - Recursos fornecidos ao Caixa da empresa em conta de "Adiantamento para Futuro Aumento de Capital" não pode ser tomada como operação de mútuo para fins de exigência da correção monetária a que se refere o artigo 21 do Dec.-lei nr. 2.065/83, se antes da data da ação fiscal o valor adiantado já tinha sido incorporado ao capital social (Ac. 1° CC 101- 93170). Ocorre que, ao fazer os cálculos para reduzir a exigência fiscal quanto a estes montantes, a autoridade julgadora a quo acabou por eleger, para o mister de tornar dedutiveis despesas que haviam sido considerado indedutiveis pela fiscalização, justamente alguns daqueles contratos de capital de giro antes relacionados (cuja dedutibilidade dos encargos aqui não se reconhece), quando é certo que os valores ora exonerados, por força da natureza especifica daqueles outros contratos que nenhuma relação tem corn os valores repassados (BNDES, Banese, etc), é muito superior ao quanto foi exonerado pela DRJ. Tal circunstância, ao meu entender, poderia conduzir a um parcial provimento ao recurso de oficio, quanto a estas parcelas, entretanto, tal proposta não foi acolhida pela Turma, que decidiu por negar provimento ao recurso de oficio. Por fim, quanto ao reflexo de CSLL, conforme bem exposto pela i. Relatora, este não pode subsistir, pois, apesar de indedutiveis para o IRPJ, não há previsão legal especifica para considerar tais despesas indedutiveis também no âmbito da referida contribuição. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente a exigência de CSLL, e para excluir da exigência relativa ao IRPJ os contratos assinados corn BNDES, Eletrobrds, Banese e HSBC vinculados ao Finame, INERGUS, e os atinentes ao COMPROR, conforme ao norte detalhado. E como voto. Joao Ot o Oppermann Thomé — Redator designado. 29 Processo n° 10510.003122/2005-74 SI-CIT2 Acórd5o n.° 1102-00.395 Fl. 3.025 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da I" Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] corn Recurso Especial; [ ] corn Embargos de Declaração; 30
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000806/91-11
Data da sessão: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 1996
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO EX.: 1988 - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica
ao julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de
causa e efeito que vincula um ao outro. ACRÉSCIMOS LEGAIS -
JUROS - Na apuração do crédito fiscal aplica-se, a título de juros, a
Taxa Referencial Diária - TRD acumulada sobre os débitos vencidos,
excluindo-se da incidência o período de fevereiro a julho de 1991.
Numero da decisão: 102-40.622
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991
Nome do relator: Ursula Hansen
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ementa_s : FINSOCIAL/FATURAMENTO EX.: 1988 - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS - Na apuração do crédito fiscal aplica-se, a título de juros, a Taxa Referencial Diária - TRD acumulada sobre os débitos vencidos, excluindo-se da incidência o período de fevereiro a julho de 1991.
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ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS - Na apuração do crédito fiscal aplica-se, a título de juros, a Taxa Referencial Diária - TRD acumulada sobre os débitos vencidos, excluindo-se da incidência o período de fevereiro a julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MON _FEIRO E BISPO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991. ANTONIO DE /FREITAS DUTRA PRESIDENTE UR' • SEN Or ORA FORMALIZADO EM: 1 8 OUT 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, RAMIRO HEISE, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. MNS 9-,I MINISTÉRIO DA FAZENDA_ ,N PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10510/000.806/91-11 ACÓRDÃO 1\1° : 102-40.622 RECURSO N°. : 83.993 RECORRENTE : MONTEIRO E BISPO LTDA RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 e anexos, lavrado contra MONTEIRO E BISPO LTDA., inscrita no CGC sob o n°. 15.619.307-0001-42, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Aracaju, SE, formalizando a exigência de FINSOCIAL FATURAMENTO, relativa ao exercício de 1988, no valor equivalente a Cr$ 30.122,42 e correspondentes gravames legais. O lançamento, com base no artigo 1°, § 1° do Decreto Lei n° 1940/82 e artigo 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto n° 92.698/86, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo n° 10510/000.803//91-23. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou sua impugnação de fls. 15/20, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 253/92, foi proferida às fls. 30/32, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado parcialmente procedente. Ciente da decisão singular em 18/07/92 (fls. 35), a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 37/40, reiterando, na essência, os argumentos anteriormente expendidos. É o relatôrrioi 2 -"°` •v MINISTÉRIO DA FAZENDA_ - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10510/000.806/91-11 ACÓRDÃO N° : 102-40.622 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de tf. 10510/000.803/91-23. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 09 de agosto de 1993, foi julgado parcialmente procedente,(alteração no cálculo de juros), conforme faz certo o Acórdão n°. 102- 28.424; Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida; Considerando o principio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Considerando, por outro lado, que a ora Recorrente pleiteia a não incidência da Taxa Referencial Diária - TRD na apuração do débito tributário, procurando provar a inviabilidade de sua cobrança como fator de atualização do trib cy„ 3 ... MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 PROCESSO N°. : 10510/000.806/91-11 ACÓRDÃO N° : 102-40.622 Considerando que os integrantes deste Conselho de Contribuintes tem entendido ser correta a cobrança da TRD a título de juros sobre débitos vencidos, conforme fazem certo diversas decisões, mencionando-se os Acórdãos n. 102-28.469/93 e 102-28.876/94, entre outros; , Considerando que os argumentos sobre a ilegalidade de cobrança de débitos fiscais com aplicação da TRD foram reduzidos a procedimentos de cálculo para cobrança, medida meramente executória, e que o cálculo da TRD a título de juros, expurgada da base de cálculo para outros acréscimos - multa - vem sendo feita pelas autoridades executoras das decisões administrativas; Considerando, no entanto a data de vigência da Medida Provisória n° 297/91 (Lei n° 8.218/91) que interpretou e complementou o contido sobre a matéria em legislação anterior, bem como a fundamentação que vem sendo dada pelos Conselhos de Contribuintes em suas decisões, é de se entender não estar sujeito à incidência da Taxa Referencial Diária - TRD, calculada a título de juros, o período de fevereiro a julho de 1991. Neste sentido, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela unanimidade de seus membros, conforme faz certo o Acórdão CSRF/01-1.773/94, ao examinar a aplicabilidade da legislação que criou a Taxa Referencial Diária, decidiu que esta somente poderia ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991, quando entrou em vigor a Lei n° 8.218. Considerando o acima expostt k/7 4 _ • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10510/000.806/91-11 ACÓRDÃO N° : 102-40.622 Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso para excluir da incidência da Taxa Referencial Diária - TRD cobrada a título de juros, o período de fevereiro a julho de 1991, anterior à vigência da Lei n. 8.218/91. Sala das Sessões - DF, em 23 de agosto de 1996. i. " ANSEN 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.015517/2008-19
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 2003, 2004
Ementa:
ARBITRAMENTO. INTIMAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Restado demonstrado nos autos que a autoridade fiscal, em perfeita consonância com a legislação de regência, cuidou de intimar o contribuinte a apresentar os livros de escrituração obrigatória e respectiva documentação de suporte, há de se rejeitar o argumento de que a apuração da base de cálculo se deu de forma irregular.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Tratando-se de aplicação das disposições contidas no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inexistindo suporte legal para que tal contagem se dê a partir da data da entrega da declaração.
MULTA AGRAVADA. A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezando-se as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. No caso vertente, em que as circunstâncias conduziram a autoridade autuante à direcionar a sujeição passiva para terceiros, e os efeitos representam o próprio motivo que levou ao arbitramento do lucro, o agravamento não deve subsistir.
MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. Ainda que se possa identificar algumas impropriedades na caracterização da conduta do contribuinte por parte do responsável pela ação fiscalizadora, se foram reunidos aos autos elementos comprobatórios de prática dolosa da
infração para a qual se cominou penalidade mais gravosa, há que se manter a
exasperação da multa lançada que teve por base tal fundamento.
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação
que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido
expressamente contestada, considerarseá
não impugnada. Decorre daí que,
não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de
segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso
voluntário. Não obstante, tratandose
de erro material na determinação da
base de cálculo do tributo, há que se retificar, de ofício, o lançamento
tributário efetivado.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a referida multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA.
Se a autoridade responsável pelo procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinadas pessoas com as situações que
constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a solidariedade estampada no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, sendo autorizada, assim, a inclusão de referidas pessoas no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária.
Não macula o feito o fato de a imputação fazer referência, também, às disposições do artigo 135 do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 1302-000.655
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a caducidade do direito de se efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2002 e reduzir a multa de ofício aplicada para 150%. Retificar de ofício o percentual de determinação do lucro arbitrado referentes às receitas decorrentes de depósitos de origem não comprovada de 12% para 9,6% e determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de moras de 1% sobre a multa de ofício aplicada. Vencidos os Conselheiros Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior, Daniel Salgueiro da Silva e Irineu Bianchi, que afastavam os juros aplicados sobre a multa e reconheciam a decadência em maior abrangência e Irineu Bianchi que conhecia dos argumentos apresentados em aditamento ao recurso.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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INTIMAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Restado demonstrado nos autos que a autoridade fiscal, em perfeita consonância com a legislação de regência, cuidou de intimar o contribuinte a apresentar os livros de escrituração obrigatória e respectiva documentação de suporte, há de se rejeitar o argumento de que a apuração da base de cálculo se deu de forma irregular. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Tratandose de aplicação das disposições contidas no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inexistindo suporte legal para que tal contagem se dê a partir da data da entrega da declaração. MULTA AGRAVADA. A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezandose as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. No caso vertente, em que as circunstâncias conduziram a autoridade autuante à direcionar a sujeição passiva para terceiros, e os efeitos representam o próprio motivo que levou ao arbitramento do lucro, o agravamento não deve subsistir. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. Ainda que se possa identificar algumas impropriedades na caracterização da conduta do contribuinte por parte do responsável pela ação fiscalizadora, se Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 607 2 foram reunidos aos autos elementos comprobatórios de prática dolosa da infração para a qual se cominou penalidade mais gravosa, há que se manter a exasperação da multa lançada que teve por base tal fundamento. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Não obstante, tratandose de erro material na determinação da base de cálculo do tributo, há que se retificar, de ofício, o lançamento tributário efetivado. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a referida multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade responsável pelo procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinadas pessoas com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a solidariedade estampada no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, sendo autorizada, assim, a inclusão de referidas pessoas no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. Não macula o feito o fato de a imputação fazer referência, também, às disposições do artigo 135 do mesmo diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a caducidade do direito de se efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2002 e reduzir a multa de ofício aplicada para 150%. Retificar de ofício o percentual de determinação do lucro arbitrado referentes às receitas decorrentes de depósitos de origem não comprovada de 12% para 9,6% e determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de moras de 1% sobre a multa de ofício aplicada. Vencidos os Conselheiros Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior, Daniel Salgueiro da Silva e Irineu Bianchi, que afastavam os juros aplicados sobre a multa e reconheciam a decadência em maior abrangência e Irineu Bianchi que conhecia dos argumentos apresentados em aditamento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 608 3 Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 609 4 Relatório NUTRILÍNEA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2002 e 2003 , formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Por bem descrever os fatos, as apurações promovidas pela Fiscalização e as impugnações interpostas, transcrevo excertos do Relatório da decisão de primeira instância. ... 2 TERMO DE VERIFICAÇÃO DESCRIÇÃO DOS FATOS Às fls. 79/125 consta o Termo de Verificação Fiscal, onde é relatado minuciosamente como se desenvolveu o procedimento levado a efeito contra a empresa pelo autuante, resumido a seguir. A empresa era optante pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições desde sua abertura em 20/08/2001, não entregou DCTF's, mas declarouse INATIVA nos anoscalendário de 2001 a 2003, ficando omissa a partir de 2004. Entretanto, conforme dados obtidos pela Receita Federal das instituições financeiras, de acordo com o artigo 1º da Lei nº 10.174/2001, apresentou enorme movimentação financeira de R$ 41.124.364,48 e R$ 72.675.074,27, nos anos calendário de 2002 e 2003, respectivamente. Também nesses anos declarou receitas de R$ 12.288.200,10 e R$ 44.444.494,77 à Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Minas Gerais. Verificouse que os sócios que constavam no Contrato Social e suas alterações eram "laranjas", interpostas pessoas dos verdadeiros titulares, os senhores Cláudio Fernando Stein Pena, CPF n" 542.976.48687, e Carlos Otávio Stein Pena, CPF n" 474.292.08649. I PROCEDIMENTOS FISCAIS INICIAIS A empresa não foi encontrada em seu domicílio tributário à Rua Coronel Vieira Cristo, 265, bairro Camargos, em Belo Horizonte MG. Intimados, o locador do imóvel e os representantes da imobiliária responsáveis pela administração do aluguel, informaram que o período de locação foi de 20/01/2002 a 26/01/2004. Foi verificado pela Dimob Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias de MULTIPLIK CORRETORA E ADMINISTRADORA DE Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 610 5 IMÓVEIS LTDA., CNPJ nº 02.661.010/000101, que a empresa tinha um escritório sem a devida inscrição no CNPJ, nas salas 401 e 402 do prédio situado a Avenida Barão Homem de Melo, 4386, bairro Estoril, Belo Horizonte MG, de propriedade de Andréa Dias Monteiro, CPF nº 842.275.756 72. Intimadas, a imobiliária e a locadora apresentaram, dentre outros documentos, contrato de locação assinado por Joaquim dos Santos e Alexandre Henrique Cardoso Naves. Apresentaram também o contrato social da Nutrilínea, demonstrativo de aluguéis, cédula de identidade de Joaquim dos Santos e IPTU de seu endereço (Rua Rosário, 170, Apto. 01, Cep 31230660, Bom Jesus, Belo HorizonteMG) e cópia de carta da imobiliária para a locadora referente à desocupação do imóvel. Entre os documentos cadastrais de locação da Nutrilínea, encontravase também o Contrato de Locação de 15/12/1999 e o Distrato Contratual de 30/04/2002, entre a locadora e a Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda., CNPJ nº 02.595.332/000191, cujo endereço perante o cadastro da Receita Federal continua sendo no mesmo prédio, salas 301 a 309. Foi verificado que o "sócio administrador" da Nutrilínea sempre assinou Joaquim dos Santos, em contratos e cheques, e não Joaquim dos Santos Brito. No Cadastro das Pessoas Físicas para a inscrição de n° 000.851.74521, consta alteração efetuada em 31/03/2006 (posterior ao desaparecimento da empresa), de nome e endereço, de Joaquim dos Santos, domicílio Rua Rosário, 170, Apto. 01, CEP 31230680, Bom Jesus, Belo Horizonte/MG, para Joaquim dos Santos Brito, domicílio Faz. Esconcio, Casa Zona Rural, Iraquara/BA, CEP 46980000. Apresentou declaração de rendimentos apenas até 2004 (DIRPF 2005), enquanto era sócio da Nutrilínea, sendo omisso a seguir. Não apresentou movimentação financeira de acordo com a base de dados da CPMF, tendo declarado até 2004 Rendimentos tributáveis na faixa de isenção, sem outros rendimentos. Os únicos bens declarados são as cotas da empresa fiscalizada, adquirida em 05/04/2002 por R$ 45.000,00, e na RM Distribuidora e Logística Ltda., no valor de R$ 3.000,00, adquirida em 23/09/2002 (empresa não localizada), conforme DIRPF 2003. Na DIRPF 2004, declarou 57.000 cotas da empresa Estrela Transportes Ltda., CNPJ nº 25.962.788/000148, no valor de R$ 57.000,00, adquirida em 30/12/2002. Estas empresas totalizavam um capital investido de R$ 105.000,00, sem origem declarada (DIRPF às fls. 311 a 319 do Anexo 18). Também o sócio Carlos Luiz Machado declarou rendimentos na faixa de isenção, sem outros rendimentos. Movimentou nos bancos menos de R$ 6.000,00 no biênio fiscalizado de 2002/2003. Apresentou declarações apenas enquanto era sócio da Nutrilínea, sendo omisso em 2000, 2001 e 2005. Os únicos bens declarados foram as 5.000 quotas da empresa fiscalizada (DIRPF às fls. 320 a 327 do Anexo 18). Pelo EDITAL N° SEFIS/DRF/005/2007, foi a empresa intimada por meio do Termo de Constatação e Início de Ação Fiscal a apresentar uma série de documentos fiscais e contábeis dos anos de 2002 e 2003. O mesmo termo foi também lavrado em 31/07/2007, na pessoa do sócio administrador e responsável junto a Receita Federal Sr. Joaquim dos Santos Brito, CPF n° 000.851.74521, em seu endereço cadastral na Bahia, antes mencionado, e a ele dado ciência via postal, com aviso de recebimento datado de 07/02/2007. Em 09/02/2007, uma pessoa de nome Rui Azevedo Viana, dizendose funcionário da prefeitura Municipal de Iraquara/BA, telefonou para a fiscalização dizendo que o Sr. Joaquim dos Santos Brito era conhecido seu, nunca foi sócio da empresa, nunca esteve em Belo Horizonte e é surdomudo e analfabeto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 611 6 A empresa foi reintimada na pessoa do Sr. Joaquim dos Santos Brito, por meio do Termo de Intimação de 06/03/2007, onde também foi solicitado a apresentar cópias autenticadas da cédula de identidade e CPF, mas o envelope foi devolvido pelos Correios, com carimbo de não procurado, datado de 18/04/2007. A intimação inicial foi também enviada ao sócio Carlos Luiz Machado, CPF nº 554.168.45953, por via postal com aviso de recebimento ao seu endereço Avenida Florianópolis, 21, Centro, Campo Verde/MT, CEP 78840000, mas o envelope foi devolvido pelos Correios com carimbo de desconhecido. Em resposta ao OFÍCIO 007/DRF/BEIE/SEFIS, DE 30/01/2007, a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais enviou o contrato social e as alterações havidas, fls. 02 a 27 do Anexo 19, com as seguintes principais informações: Declaração de Microempresa e contrato social de constituição de 01/08/2001, autenticados em 20/08/2001, com capital social de R$ 5.000,00, objeto social de "processamento, preservação e produção de conservas de frutas, legumes e outros...", assinados pelos sócios FABIANA CUNHA CARDOSO NAVES, CPF n° 553.716.80659 (administradora), com 990 cotas, e seu cônjuge ALEXANDRE HENRIQUE CARDOSO NAVES, CPF nº 467.479.40644 (não administrador), com 10 cotas; Primeira Alteração de 17/01/2002, autenticados em 18/01/2002, com mudança de endereço e objeto social, que passou a ser fabricação e comércio de ração para animais. Nesta alteração, uma das testemunhas é Wainer Teófilo Alves; Segunda Alteração de 25/03/2002, autenticada em 05/04/2002, com a retirada da sócia FABIANA, que cedeu suas cotas para JOAQUIM DOS SANTOS, CPF nº 000.851.74521 (que assinou sem o último nome Brito), com 900 cotas no valor de R$ 45.000,00, em conjunto com ALEXANDRE HENRIQUE CARDOSO NAVES, com 100 cotas no valor de R$ 5.000,00, ficando ambos como administradores. O capital social foi aumentado para R$ 50.000,00. Assinou como testemunha destas duas alterações Wainer Teófilo Alves; Terceira Alteração de 01/08/2002, autenticada em 29/08/2002, com a retirada do sócio ALEXANDRE, cedendo seu lugar para CARLOS LUIZ MACHADO, CPF nº 554.168.45953; Pedido de desenquadramento como microeempresa, assinado pelos dois sócios administradores JOAQUIM DOS SANTOS e CARLOS LUIZ MACHADO; Quarta Alteração de 22/09/2003, autenticada em 21/10/2003, que apenas altera o objeto social; Quarta e última alteração de 07/01/2004, autenticada em 13/05/2004, não informada à Receita Federal, em que o endereço é alterado para a Avenida Prestes Maia, 1101, Centro, CEP 01031001, São Paulo/SP, e JOAQUIM DOS SANTOS vende por R$ 45.000,00 suas 900 cotas para LETUS CORP. FINANCIAL & TRADING S/A, sediada no Uruguai, tendo como procurador HÉLVIO ALVES PEREIRA, CPF n° 143.714.64653, e CARLOS LUIZ MACHADO vende por R$ 5.000,00 suas 100 cotas para "a Sociedade Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda.", cotas que "permanecerão em tesouraria pelo prazo legal de 180 dias". Nesta alteração, CARLOS LUIZ MACHADO assinou por ele e como procurador de JOAQUIM DOS SANTOS. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 612 7 Em resposta ao oficio n 012/DRF/BHE/SEFIS, de 30/01/2007, o Superintendente Regional da Fazenda do Estado de Minas Gerais em Belo Horizonte, Ofício nº 038/2007/GAB/SRFBH, informou que "no cadastro de contribuintes do Estado a empresa encontrase cancelada por motivo de obtenção da inscrição estadual com elementos falsos". Apresentou Ato Declaratório de Inidoneidade de Documento Fiscal por Apresentação de Elementos Falsos para Obtenção da Inscrição Estadual, de 27/02/2004, e Ato Declaratório de Inidoneidade ou Falsidade Documental, de 18/05/2004 (fls. 02 a 141 do Anexo 18). A fazenda estadual informou que a contabilidade da empresa estava a cargo de ALDAN Assessoria e Contabilidade Ltda., substituída em 08/01/2002 pelo contador Wainer Teófilo Alves, CPF nº 683.955.40663, que comparece como testemunha em alterações contratuais da fiscalizada, conforme informado anteriormente. Consta nos relatórios fiscais apresentados que o contador WAINER TEÓFILO ALVES é responsável pela constituição de diversas empresas na região metropolitana de Belo Horizonte "com o .fim de esquentar e vender créditos de ICMS a outros contribuintes". Verificouse que o sócio Joaquim dos Santos era também sócio administrador e responsável pela empresa Estrela Transportes Ltda., CNPJ nº 25.962.788/000148. Conforme contrato social e alterações apresentados pela JUCEMG, Joaquim dos Santos foi sócio desta empresa de 30/12/2002 a 26/05/2004, quando o sócio anterior Osvaldo Donizete Salgado, CPF 020.647.68840, recebeu de volta suas cotas. Em suas declarações a esta fiscalização em 28/08/2008 (resposta ao Termo de Intimação n" 18, MPFDiligência nº 0610100.2008.02000.0), OSVALDO DONIZETE SALGADO disse que é “sócio fundador e administrador da empresa Estrela Transportes Ltda. há aproximadamente 20 anos e que mais ou menos no final de 2002, por motivos particulares resolveu vender a empresa, quando foi procurado por um contador de nome Wainer da contabilidade W.A. quando se iniciou uma transação de venda que não foi concretizada de fato por não terem sido cumpridas as obrigações por parte do comprador. A transação só ocorreu no papel tendo sido desfeito o negócio, tempos depois. A assinatura do contrato foi na contabilidade na presença do Wainer, não tendo conhecido os compradores”. Posteriormente, em 21/09/2008, enviou declaração complementar identificando Wainer Teófilo Alves, titular da W&A Contabilidade Ltda., CPF 683.955.40663, CRC 059473, como sendo o 'responsável pela intermediação da cessão de cotas da sociedade Estrela Transportes Ltda' (fls. 41 a 45 do Anexo 19). II REQUISIÇÕES DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Com base no Decreto n° 3.724/2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar n° 105/2001, foram expedidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, em 29/05/2007 e 31/07/2008, aos Bancos Bradesco, Unibanco, Sofisa, Seculus Crédito Financiamento e Brasil. Pelo Edital N° SEFIS/DRF/030/2008, foi a empresa cientificada do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal, em 07/08/2008, das verificações decorrentes do trabalho fiscal até aquele momento e da transferência do sigilo bancário para a Receita Federal. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 613 8 Neste termo, a empresa foi reintimada a apresentar livros Diário e Razão, ou Livro Caixa, onde as contas bancárias estivessem escrituradas, bem como a documentação que lhe deu suporte, retificar as DIPJ 2003 e 2004, informando as receitas omitidas, regularizar a ficha cadastral, e apresentar justificativas e/ou contrarazões para as constatações novamente efetuadas. Esta reintimação foi também enviada por via postal com aviso de recebimento, ao endereço a Av. Prestes Maia 1101, Centro, CEP 01031001, São Paulo SP, endereço este não declarado à Receita Federal, mas constante de sua quarta e última alteração contratual fornecida pela JUCEMG. O envelope foi devolvido pelos Correios com carimbo de "não existe o número indicado". O mesmo termo foi dirigido para o procurador Hélvio Alves Pereira, CPF n° 143.714.64653, a Rua Professor Mário Werneck, 2.590, CEP 30575.180, Buritis, Belo Horizonte MG, mas o envelope foi devolvido com os dizeres "recusado" e "devolvido após entregue em 14/08/2008". Também foi encaminhado o referido termo para o sócio e administrador Joaquim dos Santos Brito, CPF n° 000.851.74521, por via postal (AR de 19108/2008). Em 22/10/2008, foi encaminhado para a fiscalização pelo Sr. Gumercindo Souza de Araújo ( tel. 07436414488, cel. 07499631611), OABBA n° 381B, Escritura Pública de Declaração lavrada em 16/09/2008, pela qual Joaquim dos Santos Brito compareceu ao Cartório de Notas e Protestos 1° Oficio de Iraquara/Bahia, acompanhado de duas testemunhas que declararam "cada uma de sua vez" que: "o Sr. JOAQUIM DOS SANTOS BRITO é surdo mudo e que nasceu e sempre viveu na mesma localidade de Esconso, do município Iraquara, Bahia, sem jamais ter saído do estado da Bahia ou mesmo da sua região", e que, “a presente é para declarar que a firma ou firmas abertas em nome dele são fraudulentas, pois o mesmo além de ser surdomudo é analfabeto e não possui qualquer condição de constituir empresa alguma”. Foram juntadas cópias da verdadeira identidade (CI/RG n° 1013662130 SSP/BA) e CPF n° 000.851.74521 do Sr. Joaquim dos Santos Brito. III CIRCULARIZAÇÃO A CLIENTES E TERCEIROS A partir de informações de DIPJ's de clientes com relação a vendas da fiscalizada, dez empresas foram intimadas a fornecer documentos e informações sobre as compras efetuadas na Nutrilinea. As empresas apresentaram Demonstrativo das Compras de 'milho em grãos' e respectivos pagamentos efetuados em 2002 e 2003 junto à fiscalizada, cópias autenticadas de Notas Fiscais, comprovantes de pagamento, e cópias de sua escrituração (documentos juntados nos Anexos de 01 a 12). O autuante faz a síntese das respostas: CAMP INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 01.083.448/000189 (fls. 02 a 198 do anexo 7): compras em 2002 totalizando R$ 593.799,30, "condições de pagamento contra apresentação"; AGROAVÍCOLA VENETO LTDA, CNPJ 01.153.928/000179 (fls. 199 a 250 do Anexo 7): nas Notas Fiscais de compras em 2002, totalizando R$ 331.985,22, consta: "Informações Complementares: mercadoria recebida de SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda., CNPJ 01.457.287/000227, a Av. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 614 9 Dois, 240, Industrial, Uberaba/MG" e "entregue diretamente ao destinatário através de remessa por conta e ordem de terceiros"; CORN PRODUCTS BRASIL INGREDIENTES INDUSTRIAIS LTDA., CNPJ 01.730.520/000112 (Anexos 1 a 3): Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003 totalizando RS 12.367.898,91 e R$ 3.647.234,53, respectivamente; Contatos comerciais junto a Nutrilínea eram feitos com Adilson Antônio Bragança e Cláudio Fernando Stein Pena, endereço Rua Gardênia 330, Chácara Boa Vista, Contagem – MG (domicilio fiscal da Espaço Industrial, Comercial e Distribuição Ltda., CNPJ 02.006.037/000152, sociedade de Cláudio Fernando Stein Pena, Carlos Otávio Stein Pena e Adilson Antônio Bragança); As mercadorias estavam estocadas na SPASSO Empreendimentos e Serviços Lida, CNPJ 01.457.287/000146, Anel Viário Ayrton Senna 2000, Distrito Industrial, Uberlândia, e Av. Dois, 240, Uberaba; CARGILL NUTRIÇÃO ANIMAL LTDA (PURINA), CNPJ 02.391.178/000136 fls. 251/297 do Anexo 7): Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003 totalizando R$ 1.237.252,66 e R$ 513.581,78, respectivamente, e como contatos junto a Nutrilinea corretor Fernando Marçal. Consta nas Notas Fiscais de vendas da Nutrilinea a esta empresa que as mercadorias estavam estocadas na Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod. MG 190, km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte — MG; COOPERATIVA CENTRAL DOS PRODUTORES RURAIS DE MINAS GERAIS LTDA, CNPJ 17.249.111/000139 (anexo 8): notas Fiscais de compras em 2002 e 2003 totalizando R$ 8.122.961,68 e R$ 5.657.465,61, respectivamente. Declarou que "As negociações entre a Nutrilinea e a Cooperativa eram feitas através da Laço Assessoria e Representação Lida, com o contato Sr. Adilson Antônio Bragança..." Conforme maioria das Notas Fiscais apresentadas, as mercadorias estavam estocadas Nova Ponte Serviços Gerais Lida, CNPJ 01.053.102/000138, Rod. MG 190, km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte — MG e na SPASSO Empreendimentos c Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000227, Av. Dois, 240, Industrial, Uberaba. TOTAL ALIMENTOS S/A, CNPJ 18.631.739/000167 (fls. 02 a 180 do Anexo 9): Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003 totalizando R$ 5.148.393,00 e RS 5.823.503,33, respectivamente. Nas Notas Fiscais consta que "a mercadoria encontrase depositada na SPASSO Empreendimentos e Serviços Lida, CNPJ 01.457.287/000227, Av. Dois, 240, Distrito Industrial II, Uberaba — MG, SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000499, Anel Viário Ayrton Senna 2000, Distrito Industrial, Uberlândia MG, SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000308, Rod. BR 262 km 754 GP Zona Rural, Sacramento — MG, e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod. MG 190, km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte — MG". DAGRANJA AGROINDUSTRIAL LTDA, CNPJ 59.966.287/000173 (Anexo 11): Notas Fiscais de compras totalizando, líquido de devoluções, os valores de R$ 4.129.243.73 e R$ 7.225.591,87, em 2002 e 2003, respectivamente. Nas Notas Fiscais consta "Mercadorias encontramse depositadas na SPASSO Empreendimentos e Serviços Lida: Av. Dois, 240, Industrial, Uberaba MG, CNPJ Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 615 10 01.457.287/000227; Rod. BR 262 km 754 GP Zona Rural Sacramento MG, CNPJ 01.457.287/000308; Anel Viário Ayrton Senna 2000, Distrito Industrial, Uberlândia MG, CNPJ 01.457.287/000499. CARGILL AGRÍCOLA S/A, CNPJ 60.498.706/000157 (Anexos 04 a 06): Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003 totalizando R$ 8.700.754,29 e RS 6.347.793,48, respectivamente, e como contato com a Nutrilinea Cláudio Fernando Stein Pena, CPF 542.976.48687. As mercadorias estavam estocadas na SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000146, Anel Viário Ayrton Senna 2000, Distrito Industrial, Uberlândia MG, e Av. Dois, 240, Distrito Industrial, Uberaba MG. COOPERATIVA REGIONAL DE CAFEICULTORES EM GUAXUPÉ LTDA, CNPJ 20.770.566/000100 (fls. 02 a 231 do Anexo 10): Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003 totalizando R$ 10.500,00 e R$ 758.908,74, respectivamente.. Em todas as Notas Fiscais constam que as mercadorias estavam estocadas na Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod. MG 190, km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte — MG. NUTRIAVE ALIMENTOS LTDA, CNPJ 27.250.737/000119 (fls. 324 a 329 do Anexo 10): efetuou uma única aquisição através da Nota Fiscal de 20/02/2003, de RS 16.066,80; mercadorias estavam estocadas na Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod. MG 190, km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte MG. Posteriormente, a partir de depósitos constatados nos extratos bancários do Banco do Brasil, foram intimados mais os seguintes clientes: SADIA S/A, CNPJ 20.730.099/000194 (fls. 181 a 358 do Anexo 9): Notas Fiscais de compras 11, no 1° semestre de 2003 totalizando R$ 6.706.429,68, líquido de Notas Fiscais de devoluções e canceladas. No corpo das Notas Fiscais, consta que "a mercadoria encontrase depositada na SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, 01.457.287/000227, Av. Dois, 240 Industrial Uberaba MG, CNPJ” ou "Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod. MG 190, km 72, Lote C', Zona Rural, Nova Ponte MG". RECANTO DO SABIÁ ALIMENTOS LTDA, CNPJ 04.374.030/000119 (fls. 232 a 323 do Anexo 10): Notas Fiscais de compras totalizando R$ 895.947,80 em 2003. Declarou que compramos matéria prima (milho) através da Laço Assessoria e Representação Lida, com os seguintes contatos: Cláudio Stein Pena, CPF 474.292.08649, e Adilson Bragança, CPF 742.705.91668, telefone 313296 9599" (o CPF 474.292.08649 informado é de Carlos Otávio Stein Pena). Nas Notas Fiscais consta que "a mercadoria encontrase depositada na SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, 01.457.287/000227, Av. Dois, 240, Industrial, Uberaba MG, CNPJ" ou "Nova Ponte Serviços Gerais Lida, CNPJ 01.053.102/000138, Rod. MG 190, km 72, Lote C', Zona Rural, Nova Ponte MG". NUTRIARA ALIMENTOS LTDA, CNPJ 03.267.162/000189 (Anexo 17): Notas Fiscais de compras totalizando, livre de Notas de devoluções e vendas canceladas, R$ 3.311.030,01 e R$ 612.420,57, respectivamente em 2002 e 2003. Nestas Notas Fiscais consta que "a mercadoria encontrase depositada na SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, 01.457.287/000227, Av. Dois, 240, Industrial , Uberaba MG, CNPJ" ou "Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod. MG 190, km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte MG". Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 616 11 Em oficio de 22/09/2008, declarou que "as operações comerciais realizadas com a empresa Nutrilinea Produtos Alimentícios Ltda eram negociadas e fechadas somente por telefone através da empresa de representação 'Laço Assessoria' estabelecida em Contagem MG com os senhores Cláudio Stein e Adilson Bragança, CPF 742.705.91668, telefone 3132969599". A fiscalização intimou uma série de pessoas que estiveram ligadas à empresa, seja como avalista de contratos de aluguel, outras citadas pelos seus clientes e ex sócios, e os seus depoimentos estão anexados no Anexo 19. No TVF foram resumidos nas fls.97/102. IV RESPOSTAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Foram juntados nos anexos 13 a 17 as respostas das instituições financeiras. O Banco Rural, Unibanco, Bradesco e Brasil apresentaram cópias de frente e verso dos maiores cheques, todos eles assinados apenas pelo sócio Joaquim dos Santos. A maioria dos cheques são nominais ao próprio emitente, endossados por Joaquim dos Santos, sacados na boca do caixa, não são cruzados, ocultando o beneficiário por meio de identidade e documentos fiscais falsos e inidôneos. Os contratos de financiamento apresentados pelas instituições financeiras estão assinados apenas pelo sócio Joaquim dos Santos. Apenas no Banco do Brasil e Bradesco, o sócio Alexandre Henrique Cardoso Naves assina contratos de financiamento (de valor irrisório com relação aos outros), inclusive como avalista (em conjunto com Joaquim dos Santos). Não foram apresentados contratos ou cheques nos quais tenha assinado Carlos Luiz Machado, que passou a compor o quadro social juntamente com Joaquim dos Santos a partir de 29/08/2002, com a retirada de Alexandre Henrique Cardoso Naves. Todos os bancos apresentaram cópias da identidade falsa de Joaquim dos Santos (n° M1.256.189 de Colatina/ES), seu comprovante de residência a Rua Rosário, 170, Apto. 01, CEP 31230680, Bom Jesus, Belo Horizonte/MG, sua Declaração Comprobatória Percepção de Rendimentos de 22/04/2002 (R$ 4.200,00 mensais) assinada pelo contador Wainer Teófilo Alves, e alterações contratuais. Além dos documentos citados cada instituição apresentou ainda: Banco Rural (fls. 99 a 366 do Anexo 15) cópias de balancetes de verificação de 30/06/2002 e 31/08/2002, assinadas pelo contador Wainer Teófilo Alves e pelo sócio Joaquim dos Santos, comprovando receita auferida acumulada de R$ 9.324.256,69, até 31/08/2002; cinco cédulas de Crédito Bancário no valor total de R$ 4.500.000,00, todos assinados por Joaquim dos Santos, nos quais Carlos Otavio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena assinam como avalistas, devedores solidários e fiéis depositários de duplicatas. Em alguns destes contratos, suas esposas, respectivamente, Lúcia Helena Mundim Pena e Neila Pinheiro Stein Pena, também avalizam. SECULUS Crédito Financiamento (fls. 02 a 98 do Anexo 15) Dezessete (17) operações de empréstimo (capital de giro e títulos descontados) no valor total de R$ 6.999.515,57, efetuadas entre 29/04/2002 e Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 617 12 22/04/2003. Em todas elas assinam como devedores solidários e avalistas Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena. Pela empresa os contratos são assinados apenas pelo sócio Joaquim dos Santos. Observase que nas planilhas de operações de empréstimo, o endereço comercial dos dois avalistas é o mesmo da Nutrilinea, Rua Coronel Vieira Cristo, 265, Bairro Camargos, Belo Horizonte/MG; SOFISA (fls. 02 a 75 do Anexo 13) cópia de demonstrativo de Faturamento Mensal, de 08/03/2004, assinado por Joaquim dos Santos, informando receita total de R$ 76.088.351,40, auferida em 2003 pela Nutrilínea; Contratos de Abertura de Crédito, de 26/06/2003, no valor de R$ 1 milhão, e Cheque Empresa, de 09/10/2003, no valor de R$ 100 mil. Apenas Joaquim dos Santos assina pela empresa, e Cláudio Fernando Stein Pena assina como devedor solidário e interveniente garantidor. No primeiro deles, assina também corno devedor solidário Estanislau Raimundo Ribeiro, CPF n° 246.933.67672 (Rua Granito de Faria, 880, Ribeirão das Neves/MG, sócio da NUTRICOM); Banco do Brasil (fls. 02 a 500 do Anexo 13) cópias de balancetes de verificação de 31/12/2002, assinadas pelo contador Wainer Teófilo Alves e pelo sócio Joaquim dos Santos, informando receita auferida de R$ 10.492.622,26 no ano de 2002; Bradesco (fls. 76 a 374 do Anexo 14) limite de crédito rotativo de R$ 200.000,00, no qual os sócios assinam inclusive como avalistas (Alexandre Henrique Cardoso Naves e Joaquim dos Santos), a partir de 04/12/2002 a 27/08/2003; todos os cheques apresentados (cópias) são assinados e endossados por Joaquim dos Santos e sacados na boca do caixa; UNIBANCO (Anexos 16 e 17) ficha cadastral pessoa física de Joaquim dos Santos de 13/09/2002 tem Alexandre Henrique Cardoso Naves e Wainer Teófilo Alves como referências; todos os cheques são assinados por Joaquim dos Santos; V RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Conclui a fiscalização que os sócios de direito da empresa são pessoas interpostas dos titulares de fato da sociedade Sr. CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA, CPF 542.976.48687, e Sr. CARLOS OTAVIO STEIN PENA, CPF 474.292.08649, pelas razões a seguir: Estes senhores são responsáveis pela comercialização e armazenagem de mercadorias vendidas pela NUTRIL.INEA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA em depósitos de empresas de seu grupo e responsabilidade: SPASSO Empreendimentos e Serviços Lida, CNPJ 01.457.287/000146 (em Uberaba, Sacramento, e Uberlândia) e NOVA PONTE Serviços Gerais Lida, CNPJ 01.053.102/000138 (em Nova Ponte); Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 618 13 Estes senhores assinaram, em 01/07/2002, pela LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda, CNPJ 02.595.332/000191, da qual são sócios, contrato de representação comercial com a .fiscalizada a qual teve como representantes legais o Sr. Joaquim dos Santos (que eles afirmam não terem sequer conhecido e do qual nada souberam informar) e o Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves (que dizem ser único sócio da empresa com quem negociavam); o Sr. Alexandre negou ter sido sócio da empresa após sua retirada na JUCEMG, e declarou que este contrato comercial foi assinado após sua retirada da sociedade, com data retroativa '; de fato, a cópia deste contrato entregue pelo Sr. Alexandre é datado de 01/07/2002, mas o reconhecimento de firma é de 31/10/2002; Carta de funcionária (Lessandra) da LAÇO Assessoria e Representação Comercial Lida comunicando à imobiliária a entrega das salas (do edifício a Avenida Barão Homem de Melo 4386, Bairro Estoril, Belo Horizonte/MG) tanto da Laço (3° andar,) como da Nutrilínea (401 e 402) evidencia a responsabilidade administrativa de sua empresa, a LAÇO, na administração da Nutrillirea Produtos Alimentícios Ltda. Tanto estes senhores, como vários empregados de suas empresas, eclararam que nunca viram o Sr. Joaquim dos Santos, nem mesmo conheceram outro sócio da empresa que não o Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves; No entanto, os referidos senhores assinaram inúmeros contratos bancários totalizando mais de R$ 12 milhões em 2002 e 2003 com Bancos Rural, Sofisa, e Seculus Crédito Financiamento, como avalistas, devedores solidários e .fiéis depositários; em todos estes contratos, assina isoladamente pela empresa apenas o Sr. Joaquim dos Santos; Alugaram 17 (dezessete) veículos da Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda (de sua sociedade) para a Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda conforme Contrato de Locação de Bens Móveis, de 01/09/2002; este contrato foi assinado por Cláudio Fernando Stein Pena pela Spasso, e isoladamente por Joaquim dos Santos pela Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda; O Sr. Alexandre afirmou que também não conheceu o Sr. Joaquim dos Santos, e negou taxativamente que tenha desempenhado qualquer atividade administrativa ou comercial na Nutrilínea, após sua retirada da empresa; Após a retirada do Sr. Alexandre como sócio da empresa em 29/08/2002, as únicas provas de participação sua na empresa são um pequeno limite de crédito rotativo (R$ 200 mil) no Bradesco, como avalista (desprezível com relação ao total movimentado), enquanto que as provas de envolvimento comercial, bancário e administrativo dos irmãos Stein Pena são inúmeras, conforme comprovado no curso desta ação fiscal, demonstrando o seu interesse comum nas atividades econômicas da empresa, como sócios efetivos não constantes do contrato social (sócios de fato); Fl. 13DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 619 14 Não há como os referidos senhores tenham assinado vultuosos empréstimos bancários da Nutrilínea, como avalistas, devedores solidários e fiéis depositários, e contratos comerciais, sem sequer conhecer a pessoa o sócio administrador Joaquim dos Santos – que consta como único responsável pela empresa nestas transações. Não incorreriam em tais riscos, sem serem eles próprios, os arquitetos, beneficiários e responsáveis pelas atividades comerciais desenvolvidas pela empresa. VI LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANOSCALENDÁRIO 2002 E 2003: OMISSÃO DE RECEITAS DE REVENDA DE MERCADORIAS Por ter ocorrido comprovadamente dolo, fraude e simulação, a regra contida no § 4° do artigo 150 do CTN, relativa aos tributos lançados por homologação, é afastada, aplicandose portanto o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Em 16/09/2004, a empresa apresentou intempestivamente declaração como inativa, com relação aos anoscalendário de 2002 e 2003. Desta forma, a decadência se opera a partir de 01/01/2009 e 01/01/2010, respectivamente. A partir de 01/10/2003 foi a autuada excluída do simples, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 61, de 15/09/2008, não impugnado e que transitou em julgado administrativamente em 30/10/2008 (processo n° 10680.010264/200889, cópia às fls. 34 a 40 do Anexo 19 deste processo). Assim, nos termos do artigo 23, § 1°, inciso II, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo artigo 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, por se encontrar o sujeito passivo em lugar incerto e ignorado, foi novamente reintimado pelo Edital N° SEFIS/DRF/053/2008, de 24/10/2008, do TERMO DE CONSTATAÇÃO e REINTIMAÇÃO FISCAL n° 2, de 20/10/2008. Neste termo foi cientificado das verificações fiscais procedidas. Também foram cientificados os responsáveis Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena do Termo de Sujeição Passiva Solidária, de 12/11/2008. Neste termo, o sujeito passivo foi "REINTIMADO" a atualizar sua escrituração e a apresentar elementos relativos aos anoscalendário de 2002 e 2003, relacionados no TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL, de 07/08/2008, até então não apresentados. O sujeito passivo foi cientificado que estaria sujeito: I Lançamento de oficio por omissão de receitas de venda de mercadorias comprovadas por valores de Notas Fiscais líquidos de devoluções/cancelamentos no valor total líquido de R$ 44.147.254,68 com relação ao SIMPLES do anocalendário de 2002 com base nos valores informados e comprovados por treze clientes listados no quadro abaixo; II Lançamento de oficio por omissão de receitas de venda de mercadorias comprovadas por valores de Notas Fiscais líquidos de devoluções/cancelamentos no valor total líquido de R$ 38.259.510,75, no anocalendário de 2003, do IRPJ e reflexos em Contribuição Social sobre o Lucro, PIS e COFINS'; Não tendo, mais uma vez o sujeito passivo atendido à reintimação, lançouse de ofício por omissão de receitas com base nas Notas Fiscais, demonstrativos e Fl. 14DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 620 15 comprovantes entregues por treze clientes da fiscalizada, pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte no anocalendário de 2002 e IRPJ e reflexos da Contribuição Social sobre o Lucro, PIS e COFINS, no anocalendário de 2003, conforme lhe foi cientificado nos itens I e II do citado termo. VII LANÇAMENTO DE OFICIO ANOCALENDÁRIO 2003: DEPÓSITOS DE ORIGEM INCOMPROVADA No item 3 do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 2, de 20/10/2008, o sujeito passivo foi intimado a: "Informar e comprovar mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos creditados/depositados no anocalendário de 2003, nas contascorrentes de sua titularidade conforme individualizados na Relação de Créditos/Depósitos anexa a este termo, em número de 729 registros, no valor total de R$ 53.475.411,74; caso existam entre os depósitos relacionados, transferências adicionais de conta de mesma titularidade não constatados por esta .fiscalização, deve o contribuinte declarar e comprovar o banco, agência e número da conta de origem". Esclareceu o autuante que, conforme cientificado ao contribuinte e responsáveis, não foram incluídos nesta relação todos os créditos/depósitos menores ou iguais a R$ 5.000,00, bem como os valores que, por análise individualizada e conciliação, são possivelmente originários de transferência entre contas de titularidade do contribuinte, e de devolução de cheques emitidos pelo contribuinte, depósito de cheques devolvidos, empréstimos e estornos, atendendo às determinações contidas no § 3° e inciso I do artigo 42 da Lei n" 9.430/96. Assim, não tendo o sujeito passivo informado ou comprovado no prazo, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados e depositados no anocalendário de 2003, foi feito o lançamento de oficio por omissão de receitas do IRPJ e seus reflexos. VIII ARBITRAMENTO DO LUCRO ANOCALENDÁRIO DE 2003 No item III do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 2, de 24/10/2008, foi o contribuinte cientificado que estaria sujeito ao arbitramento do lucro do anocalendário de 2003, conforme artigo 47, inciso I e VII da Lei n° 8.981/95, artigos 16 e 29 da Lei n° 9.430/96, c/c o artigo 7° do decretolei ri° 1.598/77, caso não entregasse no prazo marcado os livros contábeis e fiscais (também cientificado aos responsáveis nos Termos de Sujeição Passiva Solidária). Esgotadas as oportunidades para que o sujeito passivo atualizasse sua escrituração, não tendo atendido às reiteradas reintimações neste sentido, e na impossibilidade de determinação do Lucro Real, enquadrouse nas hipóteses de arbitramento do lucro definidas pelo artigo 47, incisos I e VII, da Lei n° 8.981/95. IX AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO O agravamento da multa teve como base o artigo 44, inciso II, § 2°, da Lei n° 9.430/96, c/c os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A empresa entregou declarações como INATIVA, apesar de ter emitido grande quantidade de Notas Fiscais e ter efetuado vultuosas movimentações financeiras, encerrou irregularmente suas atividades. Declarou à Secretaria de Fl. 15DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 621 16 Estado da Fazenda do Estado de Minas Gerais no biênio receitas de R$ 12.288.200,10 e R$ 44.444.494,77. Tais fatos confirmam a intenção manifesta da empresa e seus responsáveis em estabelecer junto ao fisco estadual as condições mínimas necessárias para obtenção de autorização para impressão de documentos fiscais e prosseguir suas atividades a margem da tributação. Considerando que valeuse de interpostas pessoas para dar aparência legal para viabilizar a comercialização de mercadorias e a movimentação bancária, inclusive com indícios de falsificação de identidade do sócio majoritário e administrador, os valores de receita apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada estão sujeitos ao lançamento de oficio por multa agravada. X SOLICITAÇÃO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO Em 28/11/2008, o Sr. Cláudio Fernando Stein Pena solicitou dilação do prazo para apresentação dos documentos por 60 (sessenta) dias, por intermédio de sua procuradora Aída Carolina Campos Menezes, OAB n° 109.970, a qual juntou escrituras públicas de procuração de ambos, Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena. Justificou o pedido afirmando que os livros de escrituração da empresa, as declarações anuais e, principalmente a "origem dos recursos creditados e depositados no anocalendário de 2003 demandam muito mais tempo para organizar e entregar a Receita Federal", aduzindo que "o contribuinte está promovendo diligências internas na empresa e na contabilidade para juntar toda documentação necessária o mais rápido possível." O autuante, quanto a este pedido, argumenta que em 29/08/2008, os responsáveis solidários, ora peticionários, compareceram por sua livre e espontânea vontade e declararam ao Auditor signatário que foram apenas representantes comerciais da fiscalizada, demonstrando conhecimento dos procedimentos que estavam sendo levados a efeito contra aquela e conclui que tiveram tempo suficiente para organizar a contabilidade e sua documentação para atender o fisco. XI TERMO DE SUJEIÇÃO SOLIDÁRIA Às fls 257/262, consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária (A), dando ciência ao Sr. Cláudio Fernando Stein Pena, CPF n" 542.976.48687, pelas exações a serem lançadas em nome de Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda, CNPJ n° 04.628.638/000122. Às fls. 267/272, consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária (BI), dando ciência ao Sr. Carlos Otávio Stein Pena, CPF n° 474.292.08649, pelas exações a serem lançadas em nome de Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda, CNPJ n°04.628.638/000122. Às fls. 279 e 280 constam os Termos de Sujeição Passiva Solidária (A2) e (B2), contra respectivamente Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena, cientificandoos dos Autos de Infração do presente processo. 3IMPUGNAÇÃO NUTRILÍNEA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA Intimada por edital afixado em 05/12/2008, a empresa apresentou impugnação em 05/01/2009, de fls. 285/306, acompanhada dos documentos de fls. 307/323, alegando em resumo: Improcedência do lançamento Nulidade do arbitramento: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 622 17 Os autuantes, no Termo de Verificação Fiscal, afirmam que, na busca da verdade material, tiveram o cuidado de realizar diversas diligências e intimações, solicitando todas as informações necessárias para esse fim. Não procede, contudo, os fundamentos do TVF. A empresa não foi regularmente intimada, sequer o último procurador designado como administrador da empresa autuada foi intimado. Por outro lado, se se atribuiu a terceiros a condição de "donos do negócio", deveriam estes serem intimados para apresentar a documentação da empresa, violandose assim o principio do contraditório e o da ampla defesa. O fisco, ao realizar o lançamento, utilizouse de dados fornecidos por instituições financeiras e por clientes da empresa autuada que dizem unicamente respeito ao ICMS. Alega também que a fiscalização não realizou as investigações necessárias para adquirir elementos para a apuração do lucro real, o que invalida o arbitramento, posto que ilegal, configurando um ato discricionário inadmitido na espécie, fadado à nulidade. E mais, a empresa autuada teve documentos furtados, fato registrado em Boletim de Ocorrência e noticiado em jornais o extravio dos documentos. Além disto, diversos documentos fiscais estão de posse da fiscalização do Estado de Minas Gerais, conforme recibo de entrega anexados. Os agentes fiscais, portanto não realizaram a devida intimação a quem de direito e, com isto, não analisaram os documentos que ora se anexam. Destarte, a nulidade total do lançamento se impõe, posto que a lei obrigava a autoridade administrativa lançadora a esgotar todos os meios para adquirir os elementos necessários para que tivesse condições de apurar o imposto pelo lucro real. Não o fazendo, agiu em confronto com a legislação própria. Extinção do suposto crédito tributário pela decadência: Estão sendo exigidos tributos cujos respectivos fatos geradores ocorreram entre maio/2002 e dezembro de 2003. Contudo, a lavratura do auto de infração somente foi feita em dezembro de 2008, mas o contribuinte só foi intimado do lançamento depois de cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores, em dezembro de 2008. Diante disto, resta inegável que houve a caducidade do direito da Receita Federal de exigir o crédito tributário erroneamente lançado relativamente aos fatos geradores de 2002 e 2003, conforme dispõem os artigos 150, § 4°, e 156, inciso V, do CTN. Cita jurisprudências administrativas e textos de autores sobre o tema, para corroborar sua tese. Cancelamento da Multa Agravada: Afirma que a prova de que a impugnante agiu de máfé deveria ser produzida pelos agentes fiscais, o que não foi feito, não merecendo prosperar o agravamento da multa. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 623 18 Argumenta que a incidência de multa agravada em virtude de pretensa fraude não tem cabimento na espécie, além de configurar um verdadeiro confisco por seu montante excessivo e despropositado, em razão da natureza do delito ou infração tributária, além de não ser permitida pela constituição, é afastada pela própria diretriz da capacidade, que a fraude, no conceito do art. 72 da Lei n° 4.502/64, exige a conduta dolosa, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador. Diz que em nenhum momento a fiscalização demonstrou que a suposta sonegação imputada aos coobrigados tenha gerado, para eles, alguma receita clandestina ou patrimônio oculto. Cancelamento da Multa Qualificada: Alega não poder prevalecer a aplicação da multa qualificada, sob o argumento que a empresa não atendeu às intimações da fiscalização, porque não foi regularmente intimada, via seu procurador, o que macula o trabalho fiscal. Reafirma a ocorrência do extravio dos documentos objeto de Boletim de Ocorrência e comunicados na imprensa e, ainda, a posse de documentos pelo fisco estadual. Pedido Finalizando, requer que seja julgada procedente a impugnação e, conseqüentemente, a improcedência do lançamento. Caso não seja este o entendimento, que seja reconhecida a decadência dos créditos tributários anteriores a dezembro de 2003, bem como o cancelamento das multas agravada e qualificada. 4 IMPUGNAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS: Cláudio Fernando Stein Pena Carlos Otávio Stein Pena Cientificados dos lançamentos por intermédio de procuradora constituída, em 11/12/2008, nos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 279 e 280, as pessoas físicas acima identificadas apresentaram impugnação de fls. 324/340, acompanhada dos documentos de fls.341/395, alegando em resumo: Inexistência de Base Legal para a Pretendida Responsabilidade Solidária A defesa argumenta que o instrumento processual utilizado para impor a aludida responsabilidade aos autuados é inadequada, por absoluta falta de previsão legal ou mesmo regulamentar. Enquanto que no Direito Tributário o principio da legalidade representa a necessidade de definição, exaustiva, em lei, de todos os aspectos da hipótese de incidência dos tributos (arts. 150, I, da Constituição, 9º, I, e 97 do Código Tributário Nacional), referido principio também assume urna feição própria no Direito Administrativo, segundo a qual a administração apenas pode agir em conformidade estrita com a lei e, conseqüentemente, com a sua fiel regulamentação (art. 37, caput, CR/88). Não há qualquer norma legal ou regulamentar estabelecendo os requisitos e a forma de lavratura de "Termo de Responsabilidade Solidária". Fl. 18DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 624 19 Tratase de nulidade absoluta e não ratificável, eis que praticado sem apoio na lei ou mesmo em regulamento, com patente violação não só do artigo 37, caput, da CR/88, como também ao artigo 99 do CTN. Para que fosse estabelecida a responsabilidade solidária, seria essencial a existência de hipóteses legais predeterminadas e precisas nas quais pudesse ser imputada, e que todos os requisitos estipulados sejam, objetivamente, cumpridos, demonstrando que o autuado é o responsável tributário, segundo critério legal. Todavia, a conclusão fiscal no sentido de formalizar a responsabilidade solidária, além de desprovida de qualquer critério legal objetivo, padece de provas concretas, baseandose em meros indícios. O simples fato da empresa Nutrilinea ter mantido com a sociedade de titularidade dos impugnantes não implica em qualquer irregularidade. Tanto em relação aos contratos de armazenagem quanto de representação comercial ou mesmo de aluguel de veículos, não há que se falar em simulação, como pretende o fisco, haja vista que as operações comerciais foram realizadas, com emissão de notas fiscais e efetivas transações financeiras, como se infere da documentação fiscal e extratos bancários em anexo. Nessas relações comerciais, os valores e demais condições comerciais em nenhum momento foram questionados pela auditoria fiscal, tendo sido pactuados segundo padrões normais de mercado. Quanto ao depoimento do antigo sócio, Sr. José Alexandre (sic), que serviu para o fisco concluir que os sócios que o sucederam seriam interpostas pessoas, por urna questão lógica, ele próprio também poderia ser de fato sócio da empresa, tendo todo interesse de eximilo de qualquer responsabilidade, o que inclui, naturalmente, a alegação de falsidade e simulação em documentos fiscais por ele firmados, razão pela qual seu depoimento, elemento probatório principal trazido pelo fisco neste sentido, é parcial, não podendo ser considerado. No que diz respeito ao fato alegado pelo fisco, que uma funcionária de empresa de titularidade dos impugnantes teria formalizado devolução de imóvel alugado pela Nutrilinea, evidenciando que ambas sociedades tinham administração comum, não possui requisitos formais válidos para instrução processual, tendo em vista, segundo dizeres do próprio fisco, que a assinatura da aludida carta estava ilegível. Não procede, ainda, a aventada vinculação entre a devedora principal e os autuados em razão do aval concedido por estes últimos a contrato de empréstimo em favor da primeira, tendo em vista que se beneficiam, indiretamente, da capitalização da contratante, justificando a formalização do dito aval. Os diversos depoimentos de terceiros, clientes da devedora principal, de que um dos autuados era seu contato comercial é absolutamente regular, já que há entre a Nutrilínea e a sociedade que ele efetivamente participa um contrato de representação comercial real. Impossibilidade de Atribuição de Solidariedade Passiva com fulcro no art. 124 do CTN Sustenta, inicialmente, que a expressão interesse comum, presente no dispositivo legal em alusão, deve ser interpretada como interesse essencialmente jurídico, e não meramente econômico, posto que este estaria presente em qualquer relação comercial entre duas partes e, portanto, elas seriam solidariamente responsáveis, transformando a exceção em regra. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 625 20 Analisando a questão sobre este prisma, é de se convir que deveria a fiscalização demonstrar que os contratos firmados pela devedora principal eram usados para transferir recursos aos verdadeiros titulares, o que pressupõe superfaturamento, ou que estes sócios de fato efetivamente dirigiam a empresa, inclusive, financeiramente, isto é, detinham instrumentos de mandato que lhes concediam amplos poderes para gerir contas bancárias e representar a referida sociedade. Nenhuma destas hipóteses foram demonstradas ou provadas. Inaplicabilidade do artigo 135, III, do CTN Defende que igualmente não é de prosperar a imputação de responsabilidade aos autuados com fulcro no artigo 135, III, do CTN, como relatado no TVF. Ao estender aos diretores, gerentes, e representantes das pessoas jurídicas responsabilidade pessoal pelo pagamento dos créditos tributários devidos por estas, nas hipóteses de infração à lei ou a seus atos constitutivos, o citado dispositivo legal institui uma responsabilidade de caráter subjetivo, caracterizada apenas mediante dolo específico e atos fraudulentos à lei ou ao contrato, que tenham acarretado a falta de pagamento de tributo devido. No caso em tela, não ficou demonstrada na investigação fiscal prova ou indício de que tivessem agido de forma dolosa, ou com fraude à lei ou ao estatuto social, mesmo porque não participam da sociedade autuada. Ilegítima Desconsideração da Personalidade jurídica por Suposta Simulação Contesta o fato do fisco imputar responsabilidade a terceiros mediante desconsideração direta e unilateral de atos e situações jurídicas, pois a regra, no Direito Privado, é que a decretação de nulidade de atos ou negócios jurídicos depende da autuação do Poder Judiciário, não podendo ser imposta de urna parte a outra. Assim dispõe o artigo 50 do Código Civil, que trata da desconstituição da personalidade jurídica das personalidades jurídicas das sociedades. Da mesma forma, os artigos 167 e 168 do Código Civil, que regulam as ipóteses de simulação, deixa clara a necessidade de reconhecimento judicial para que possa ser, efetivamente, desconsiderado o ato respectivo. A Lei Complementar n° 104/01, que alterou o artigo 116 do CTN, autoriza o fisco, mediante prévio procedimento administrativo, nos termos da lei, sejam considerados atos e negócios jurídicos que denominou dissimulados. Entretanto os efeitos da norma dependem de edição de lei ordinária que não foi editada até o momento. Cita jurisprudências administrativas e textos de autores sobre o tema, para corroborar sua tese. Pedido Finalizando, requerem os impugnantes que seja decretada a insubsistência da sujeição passiva solidária e anulado o auto de infração, protestando pela posterior juntada de documentos. A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 02 21.960, de 16 de abril de 2009, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevo. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 626 21 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA TERCEIROS São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SOLIDARIEDADE São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. DECADÊNCIA TERMO INICIAL DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LEGISLAÇÃO As jurisprudências e doutrinas não vinculam a Administração Tributária Federal por não configurarem "legislação tributária". ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. SIMPLES Sistema Integrado de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Verificada omissão dc receitas é cabível o lançamento de oficio no SIMPLES nas empresas que optaram por este sistema de tributação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITAS ANOCALENDÁRIO DE 2003 Configuram omissão de receita, por presunção legal relativa, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA MAJORADA E AGRAVADA É legítima a exigência de multa de 150 %, prevista no artigo 44, inciso I, § 1º da Lei n° 9.430/96, nos casos enquadráveis nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Este percentual será aumentado de metade, no caso de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação, conforme o § 2º do mesmo artigo 44 da Lei nº 9.430/96. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 627 22 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 470/490, por meio do qual, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, sustenta: a nulidade do arbitramento e dos lançamentos tributários; a extinção do crédito tributário constituído em virtude de decadência; a improcedência do agravamento da multa; a improcedência da qualificação da multa. Às fls. 544, a contribuinte, representada por novo procurador e alegando que a ciência da decisão de primeiro grau se deu pela apresentação do recurso voluntário em 16 de junho de 2009, requer, em 25 de junho de 2009, a juntada posterior (até 14 de julho de 2009) de aditamento ao recurso anteriormente apresentado. Às fls. 550/564, a contribuinte, complementando o recurso voluntário, alega: serem nulos os lançamentos tributários em virtude da incompetência da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte; impossibilidade de tributação pelo SIMPLES no anocalendário de 2002, em razão da apresentação de DECLARAÇÃO DE INATIVA; impossibilidade de tributação pelo SIMPLES do excedente aos limites estabelecidos pelo citado regime de recolhimento; decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2002; o lançamento deveria ter sido feito contra os verdadeiros titulares das contas na condição de contribuintes; necessidade de aplicação do percentual de 9,6% à totalidade dos depósitos bancários de origem não comprovada, inexistindo motivo para aplicação do percentual de 12%; inaplicabibilidade da multa agravada de 225%; ausência de motivos capazes de justificar a qualificação da multa; não incidência de juros selic sobre a multa de ofício. Às fls. 572/592, Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena, apontados como sujeitos passivos solidários, impetram recurso voluntário, por meio do qual sustentam: ter havido erro na identificação do sujeito passivo; nulidade do Termo de Responsabilidade Tributária; impossibilidade de o Fisco imputar responsabilidade a terceiro mediante desconsideração direta e unilateral de atos e situações jurídicas; Fl. 22DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 628 23 ausência de intimação para comprovar a origem dos créditos bancários; decadência do direito de constituir os créditos tributários. É o Relatório. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 629 24 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Não identifico nos autos a comprovação da ciência da pessoa jurídica autuada da decisão prolatada em primeira instância, motivo pelo qual tenho por verdadeira a afirmação contida no aditamento de fls. 550/564 no sentido de que tal fato se deu em 16 de junho de 2009, por meio de comparecimento espontâneo (apresentação de recurso voluntário), merecendo ser ressalvado, contudo, que causa estranheza o fato de a contribuinte ter apresentado recurso contra uma decisão da qual não havia tomado ciência. Nessas circunstâncias, tenho por tempestivos os recursos voluntários interpostos. Antes de avançar às defesas impetradas, apresento síntese dos fatos apurados pela Fiscalização no curso do procedimento de fiscalização. 1. a empresa fiscalizada declarouse à Receita Federal INATIVA nos anos de 2001 a 2003 e, a partir de 2004, deixou de apresentar as declarações a que estava obrigada; 2. de acordo com dados levantados pela Fiscalização, a contribuinte movimentou nos anos de 2002 e de 2003 R$ 41.124.364,48 e R$ 72.675.074,27, respectivamente; 3. ao Fisco estadual, a contribuinte declarou receitas nos montantes de R$ 12.288.200,10 e R$ 44.444.494,77, nos anos de 2002 e de 2003, respectivamente; 4. informações colhidas junto a clientes da contribuinte indicam que ela auferiu receitas nos montantes de R$ 40.615.962,72 e R$ 24.390.274,42 nos anoscalendário de 2002 e 2003; 5. a contribuinte não foi localizada no endereço indicado como sendo o seu domicílio fiscal; 6. o sócioadministrador da contribuinte e responsável perante a Receita Federal, Sr. JOAQUIM DOS SANTOS BRITO, não foi localizado em seu endereço; 7. foi constatado que o sócioadministrador da fiscalizada sempre assinou Joaquim dos Santos (em contratos e cheques) e não JOAQUIM DOS SANTOS BRITO; 8. no cadastro CPF consta alteração efetuada em 31/03/2006 (posterior ao desaparecimento da empresa), de nome e endereço de Joaquim dos Santos, domiciliado na Rua Rosário, 170, Apto 01, CEP 31230680, Bom Jesus, Belo Horizonte/MG, para Joaquim dos Santos Brito, domiciliado na Faz. Esconso, Casa, Zona Rural, Iraquara/BA, CEP 46980000; 9. de acordo com controles internos da Receita Federal o sócioadministrador apresentou declaração de rendimentos apenas até 2004 (DIRPF 2005), enquanto era sócio da autuada, sendo omisso a seguir, e não apresentou nenhuma movimentação financeira na base Fl. 24DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 630 25 de dados CPMF, e, até 2004, declarou Rendimentos Tributáveis na faixa de isenção, e nada declarou como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis e Sujeitos à Tributação Exclusiva no período fiscalizado; 10. da mesma forma, o sócio CARLOS LUIZ MACHADO declarou Rendimentos Tributáveis na faixa de isenção e nada declarou como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis e Sujeitos à Tributação Exclusiva, tendo movimentado nos bancos menos de seis mil reais no biênio fiscalizado 2002/2003 e só apresentou declarações no período em que era sócio da fiscalizada; 11. por meio de informação prestada por terceiro (MULTIPLIK CORRETORA E ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS LTDA.), foi constatado que a contribuinte tinha um escritório do qual não constava registro na RECEITA FEDERAL; 12. entre os documentos entregues pela MULTIPLIK, constava uma carta assinada por LESSANDRA, (conforme comprovação posterior, era funcionária da empresa LAÇO ASSESSORIA) dirigida à Imobiliária, de 10/04/2002, solicitando: “'1. Fazer o Distrato do Contrato em nome de Laço Assessoria; 2. Confeccionar contrato em nome da Nutrilinea”; 13. por meio de outra diligência, foi encontrada entre os documentos cadastrais de locação da 705 do mesmo edifício a Avenida Barão Homem de Melo, 4386, da qual a MULTIPLIK era também administradora, cópia de fax enviado pela empresa LAÇO ASSESSORIA, em 06/10/2003, com assinatura ilegível aposta sobre o nome LESSANDRA, de devolução de chaves das salas 401, 402 e 705 até 30/10/2003, e com a informação de que as salas 401, 402 permaneceriam em nome da Nutrilinea, e que as salas do 3° andar teriam previsão de devolução até 30/11/2003 (as salas do 3° andar eram ocupadas pela Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda.); 14. os fatos descritos nos itens 12 e 13 acima autorizaram a conclusão de que a administração do escritório não declarado à Receita Federal pela fiscalizada e das salas do 3° andar eram conjuntas e feitas pelo escritório da LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda, sociedade de Cláudio Fernando Stein Pena, CPF 542.976.48687, e Carlos Otavio Stein Pena, CPF 474.292.08649; 15. a Secretaria da Fazenda do estado de Minas Gerais, respondendo ofício encaminhado pela Fiscalização, informou que a contribuinte encontravase com sua inscrição cancelada no cadastro de contribuintes em virtude da utilização de elementos falsos no processo de inscrição estadual; 16. de acordo com informações colhidas junto ao Fisco estadual, a contabilidade da contribuinte era de responsabilidade de profissional (WAINER TEÓFILO ALVES) em relação ao qual constavam indicações de que seria responsável pela constituição de empresas visando utilizar documentos fiscais para fins ilícitos; 17. transcrevo, abaixo, fundamentos para expedição de ATO DECLARATÓRIO DE INIDONEIDADE OU FALSIDADE DOCUMENTAL por parte da Fazenda estadual; As mercadorias (milho em grãos) constantes de sua documentação fiscal não transitavam pelo estabelecimento, mas, sim, ficavam estocadas, em 2002 e 2003, na sua quase totalidade em duas empresas: na NOVA PONTE Serviços Gerais Ltda, Fl. 25DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 631 26 CNPJ 01.053.102/000138 e SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000146. Acrescentese a isto o fato de que o estabelecimento não tinha capacidade física para armazenar tamanha quantidade de grãos discriminadas nos documentos fiscais, associado à fraude e falsidade na alteração do contrato social. Nunca houve o efetivo exercício de atividade industrial nem comercial: Não houve efetivo exercício de atividade industrial nem comercial. As atividades industriais constantes do cadastro fiscal não foram desenvolvidas pela empresa, haja visto (sic) que o estabelecimento não possuía máquinas, equipamentos que possibilitassem industrialização ou a comercialização conforme previsto nos contratos sociais. Tudo isto foi constatado 'in loco'. No local havia apenas um mobiliário e um funcionário com a finalidade de evitar o bloqueio da Inscrição Estadual por desaparecimento. Na verdade, nunca houve entrada ou saída de mercadorias do estabelecimento. Ressaltamos, nunca houve de fato o exercício dessas atividades e o funcionamento da empresa. Apresentação de dados falsos perante a Junta Comercial de Minas Gerias, Secretaria da Receita Federal, e SEF/MG: Houve utilização de dados falsos para obtenção de inscrição estadual/ alteração de quadro societário (falso endereço residencial do sócio): o sócio Joaquim dos Santos jamais residira no endereço declarado perante a Junta Comercial, Secretaria da Receita Federal, e SEF/MG, conforme documentos em anexo, notadamente a declaração do proprietário do imóvel. Ainda que fossem os dados verdadeiros, a moradia é bem simples, em bairro favelizado, incompatível com a situação de sócioproprietário de empresa que declarou como receita bruta em 2002 o valor de R$ 36.154.915,64, e em 2003, R$ 79.374.353,00. Utilização de sócioslaranjas: Ao lado da falsidade comprovada, as provas obtidas configuram o que vulgarmente conhecemos como 'sócioslaranjas', escondendo os verdadeiros proprietários de empresa. Do exame das condições econômicas e sociais da moradia em si, de sua respectiva localização, há de fato incompatibilidade sócioeconômica do sócio em relação ao volume de recursos movimentados pela empresa... Interrelação com um verdadeiro esquema de sonegação: Há uma interrelação entre diversas empresas, todas elas do mesmo contabilista, Sr. Wayner Teófilo Alves. Situamse na região metropolitana de Belo Horizonte e são constituídas com o fim específico de obter autorização para impressão de documentos fiscais (AIDF) e posteriormente utilizarse de tais documentos. Para obter a inscrição estadual e posteriormente a AIDF, alugam uma pequena loja ou depósito e os mantém abertos, sem mercadorias, com apenas um mobiliário e um funcionário, até que o fisco faça as diligências devidas para a concessão da inscrição estadual e para a liberação do AIDF. Desaparecimento do contribuinte: Conforme diligência realizada na data de 27/02/2004, constatouse que a empresa havia devolvido as chaves à administradora do imóvel, configurando o encerramento irregular das atividades da empresa, sem sua prévia dissolução legal. Isso constitui infração da lei, com conseqüente responsabilidade do sóciogerente pelos débitos fiscais da empresa. A jurisprudência tanto do Supremo Tribunal Federal quanto do Superior Tribunal de Justiça possuem precedentes indicando a aplicação do art. 135, inciso III, do CTN nas hipóteses de dissolução irregular da sociedade por quotas de responsabilidade limitada. Inscrição estadual com dolo e fraude: Assim, conclusivamente, foram comprovados diversos fatos que configuram utilização de simulação e fraude na constituição da empresa. Tendo em vista os fatos e provas que demonstram a Fl. 26DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 632 27 simulação da existência da empresa (inexistência de fato das atividades previstas no contrato social), falsidade na apresentação de informações perante a Junta Comercial, Secretaria da Receita Federal, e SEF/MG; a simulação no quadro societário da pessoa jurídica; a simulação na alteração do contrato social; a não localização dos sócios, e outras irregularidades, foi elaborado e publicado o ato de idoneidade n° 13.062.310.000211. (GRIFOS DO ORIGINAL) 18. apesar de a alteração de endereço não ter sido comunicada à Receita Federal, a Fiscalização encaminhou intimação para a Av. Prestes Maia 1101, Centro, CEP 01031001, São Paulo/SP, vez que tal endereço constava de alteração contratual (quarta e última) enviada pela Junta Comercial do estado de Minas Gerais; 19. a intimação referenciada no item anterior foi devolvida pela empresa de correios com a informação NÃO EXISTE O NÚMERO INDICADO; 20. transcrevo abaixo informações trazidas pela autoridade fiscal acerca do Sr. JOAQUIM DOS SANTOS BRITO, sócioadministrador da fiscalizada; Em 22/10/2008, foi encaminhado a esta fiscalização pelo Sr. Gumercindo Souza de Araújo (tel. 07436414488, cel. 07499631611), OABBA n° 381B (remetente: Av. Adolfo Mortinho 119, 1° andar, Irecê, Bahia, CEP 44900000), Escritura Pública de Declaração lavrada em 16/09/2008 pela qual Joaquim dos Santos Brito compareceu ao Cartório de Notas e Protestos 1° Ofício de Iraquara/Bahia, acompanhado de duas testemunhas (Esmeralda de Souza e Maria Ires dos Anjos Alves Evangelista) que declararam, 'cada uma de sua vez' que: 'o Sr. JOAQUIM DOS SANTOS BRITO é surdo mudo e que nasceu e sempre viveu na mesma localidade do Esconso, do município de Iraquara, Bahia, sem jamais ter saído do estado da Bahia ou mesmo da sua região', e que 'a presente é para declarar a firma ou firmas abertas em nome dele são fraudulentas, pois o mesmo além de ser surdomudo é analfabeto e não possui qualquer condição de constituir empresa alguma'. Esta declaração foi assinada pelas duas testemunhas e teve impressões digitais do Sr. Joaquim, nela apostas. Foram juntadas cópias da verdadeira identidade (Cl/RG n° 1013662130 SSP/BA) e CPF (n° 000.851.74521) do Sr. JOAQUIM DOS SANTOS BRITO. 21. transcrevo, a seguir, excertos do Termo de Verificação Fiscal acerca das informações prestadas pelos clientes da fiscalizada; A partir das informações de DIPJ's de clientes com relação a vendas do contribuinte, mediante TERMOS DE INTIMAÇÃO n° 01 a 10, de 01/02/2007, e reintimações, em cumprimento de MPFExtensivos ao MPF n° 0610100/2007 000050, dez empresas foram intimadas a apresentar a esta fiscalização: “Demonstrativo das Compras efetuadas em 2002 e 2003 da empresa supra identificada, indicando número da Notas Fiscais de Entrada (Compra), valor, data de emissão, recebimento e natureza da mercadoria, e data do respectivo pagamento”, “Notas Fiscais de Compra em 2002 e 2003 (originais ou cópias autenticadas)”, “Comprovantes hábeis e idôneos dos pagamentos efetuados (originais ou cópias autenticadas)", “Cópias assinadas pelo responsável pela contabilidade das folhas onde foram escriturados no Livro Diário (ou Razão), os lançamentos contábeis das Notas Fiscais e respectivos pagamentos”, e Contratos comerciais (cópias autenticadas), e “identificação (nome, CPF, cédula de identidade, telefone de contato) da pessoa responsável pela Nutrilínea, nas negociações”. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 633 28 Estas empresas apresentaram Demonstrativo das Compras de “milho em grãos” e respectivos pagamentos, efetuadas no biênio 2002/2003 junto à fiscalizada, cópias autenticadas de Notas Fiscais, comprovantes de pagamento, e cópias de sua escrituração (documentos juntados aos Anexos 01 a 12 deste processo). ... A seguir, uma síntese das respectivas respostas: CAMP INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA., CNPJ 01.083.448/000189 (Intimação n°01 e resposta às fls. 02 a 198 do Anexo 07 deste processo): compras em 2002 totalizando R$ 593.799,30, 'condições de pagamento contra apresentação'. AGROAVICOLA VENETO LTDA., CNPJ 01.153.928/000179 (Intimação n° 02 e resposta às fls. 199 a 250 do Anexo 07): Nas Notas Fiscais de compras em 2002 totalizando R$ 331.985,22, encontramse as seguintes 'Informações Complementares': 'mercadoria recebida de SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda., CNPJ 01.457.287/000227, a Av. Dois, 240, Industrial, Uberaba,/MG' e 'entregue diretamente ao destinatário através de remessa por conta e ordem de terceiros'. CORN PRODUCTS BRASIL INGREDIENTES INDUSTRIAIS LTDA., CNPJ 01.730.520/000112 (Intimação n°03 e resposta nos Anexos 01 a 03 deste processo): Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003, totalizando R$ 12.367.898,91 e R$3.647.234,53, respectivamente. Contatos comerciais junto a Nutrilínea eram feitos com Adilson Antonio Bragança e Claudio Fernando Stein Pena (fone 3121919507 e celular 319237 0896), endereço Rua Gardênia 330, Chácara Boa vista, Contagem/MG (domicílio fiscal da Espaço Industrial, Comercial e Distribuição Ltda, CNPJ 02.006.037/0001 52, sociedade de Cláudio Fernando Stein Pena, Carlos Otavio Stein Pena, e Adilson Antonio Bragança). As mercadorias estavam estocadas na SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000146, Anel Viário Ayrton Senna 2000, Distrito Industrial Uberlândia, Av. Dois, 240, Uberaba. Esclareceu que não apresentou as primeiras vias originais das Notas, 'visto que as mesmas foram apreendidas pelo fisco estadual, conforme Auto de Apreensão de Livros e Documentos anexo'. CARGILL NUTRIÇÃO ANIMAL LTDA (Purina), CNPJ 02.391.178/0001 36 (exAgribands do Brasil Ltda) (Intimação n° 04 e resposta às fls. 251 a 297 do Anexo 07): Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003, totalizando R$ 1.237.252,66 e R$ 513.581,78, respectivamente, e como contatos junto a Nutrilínea: 'corretor autônomo Fernando Marçal (03199714422)'. Consta nas Notas Fiscais de vendas da Nutrilínea a esta empresa que as mercadorias estavam estocadas na Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod MG 190 km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte/MG. COOPERATIVA CENTRAL DOS PRODUTORES RURAIS DE MINAS GERAIS LTDA, CNPJ 17.249.111/000139 (Intimação n°05 e resposta no Anexo 08): Fl. 28DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 634 29 Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003, totalizando R$ 8.122.961,68 e R$ 5.657.465,61, respectivamente. Declarou: 'As negociações entre a Nutrilinea e a Cooperativa eram fritas através da Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda, com o contato Sr. Adilson Antonio Bragança, CPF 742.705.91668, Identidade M5.004.188, fones (031) 32475200, 32969599, 99927383'. Na 'Autorização para Fornecimento', consta como 'Vendedor: Adilson 3133646240/ 'Mercadoria será depositada na Spasso Empreend. e Serv. Ltda' e/ou 'Nova Ponte Armazéns Gerais'. Conforme maioria das Notas Fiscais apresentadas, as mercadorias estavam estocadas na Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod MG 190 km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte/MG, e na SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000227, Av. Dois, 240, Industrial, Uberaba/MG. TOTAL ALIMENTOS S/A, CNPJ 18.631.739/000167 (Intimação n° 06 e resposta às fls. 02 a 180 do Anexo 09): Notas Fiscais de compras em 2002 e 2003, totalizando R$ 5.148.393,00 e R$ 5.823.503,33, respectivamente, e como contato junto a Nutrilínea: 'Adilson 3121919500 / 3191678980'. Nas Notas Fiscais, consta que 'a mercadoria encontrase depositada na SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000227, Rua Dois, 240, Distrito Industrial II, Uberaba/MG', ' SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000499, Anel Viário Ayrton Senna 2000, Distrito Industrial II, Uberlândia/MG', 'SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda, CNPJ 01.457.287/000308 Rod BR 262 km 754 GP Zona Rural Sacramento MG', e, 'Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, CNPJ 01.053.102/000138, Rod MG 190 km 72, Lote C, Zona Rural, Nova Ponte/MG'. DAGRANJA AGROINDUSTRIAL LTDA, CNPJ 59.966.879/000173 (Intimação n°07 e resposta no Anexo 11): Notas Fiscais de compras totalizando, líquido de devoluções, os valores de R$ 4.129.243,73 e R$ 7.225.591,87, em 2002 e 2003, respectivamente. Não tem registro do contato junto a Nutrilínea, mas 'Fernando' assina alguns recibos. Nas Notas Fiscais: 'Mercadorias encontrase depositada na SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda: Av. Dois, 240, Industrial, Uberaba/MG, CNPJ 01.457.287/000227', 'Rod. BR 262 km 754 GP Zona Rural, Sacramento/MG, CNPJ 01.457.287/000308', e 'Anel Viário Ayrton Senna 2000, Distrito Industrial II, Uberlândia/MG, CNPJ 01.457.287/000499'. ... A partir de informações constantes da RAIS Relação Anual de Informações Sociais (da base do CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, fls. 154 a 199 do Anexo 19), que é documento informado pela empresa, que contem a relação das pessoas físicas com vínculo empregatício, verificouse que o Sr. ADILSON ANTONIO BRAGANÇA, CPF 742.705.91668, mencionado como contato junto a vários clientes, trabalhou na SPASSO Armazéns Gerais Ltda, CNPJ 70.978.390/ 000154, de 1/07/1996 a 30/12/1998, e na LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda., 02.595.332/000191, de 2/10/2000 a 30/06/2005 (sociedades de Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otavio Stein Pena). Desde 13/08/2003, é sócio administrador da ESPAÇO Industrial, Comercial e Distribuição Ltda., CNPJ 02.006.037/000152, em conjunto com Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Fl. 29DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 635 30 Otavio Stein Pena. O Sr. Adilson não foi encontrado por esta fiscalização, em seu endereço cadastral a Rua Ulisses Marcondes Escobar, 95, CEP 30575110, Buritis, Belo Horizonte/MG. O Sr. FERNANDO FERREIRA MARÇAL, CPF 130.141.376/34, mencionado como contato (pela Cargill Nutrição Animal Ltda) junto a Nutrilínea, é também fiador do contrato de locação do escritório clandestino da Nutrilínea nas Salas 401 e 402 do prédio situado a Avenida Barão Homem de Melo 4386, juntamente com Saturnino Pinheiro Neto, CPF 477.009.39691, e Rosana Machado Pinheiro e Silva, CPF 554.306.35634. Compareceu nesta DRF em atendimento ao Termo de Intimação n° 16 (MPFD 0610100/2008006920) e manuscreveu declaração a esta fiscalização afirmando que foi fiador do mencionado contrato de locação por solicitação de seu amigo 'Dr. Saturnino o qual solicitou de mim tal favor por amizade dele com o Sr. Alexandre a quem não conheço tanto'. Assim justificou ter tido o seu nome como contato junto a clientes da Nutrilínea: 'Como corretor de milho fazia negócios para o Grupo Spasso', e 'Conheci o Grupo Spasso intermediando negócios de milho no mercado', e 'Não tive contato direto com tal empresa, tudo era através do Grupo Spasso' (fls. 127 a 129 do Anexo 19). Em declaração a esta fiscalização (Termos de Intimação n° 15, de 27/05/2008, e n° 27, de 29/09/2008, Termo de Declaração de 05/06/2008 e, declaração manuscrita de 16/10/2008, MPFDiligências nºs. 0610100/2008006911 e 02330 1), o Sr. SATURNINO PINHEIRO NETO informou que Fernando Ferreira Marçal 'trabalhava como corretor de grãos para a Laço', e que 'Adilson Antonio Bragança trabalha na área comercial do Grupo Spasso'. Disse ainda que assinou como fiador do contrato de locação em decorrência de sua amizade desde infância com o sócio Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves1, e que 'não conhece o sócio Joaquim dos Santos'. Aduziu que 'tanto o declarante, como o Sr. Alexandre e os irmãos Stein são antigos conhecidos e naturais de Monte Carmelo/MG' e que 'seu trabalho para a Laço consistia na análise jurídica de editais e contratos de concorrência pública na área de fornecimento de gêneros alimentícios, relativos aos quais a Laço dava assistência a seus clientes' (fls. 63 a 69 do Anexo 19). Conforme RAIS (da base do CNIS), o Sr. Saturnino Pinheiro Neto trabalhou com vínculo empregatício no Grupo Spasso de 01/04/1996 a 28/02/1997, e de 01/08/1998 a 30/01/1999 (LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda e SPASSO Armazéns Gerais, respectivamente). A Sra. ROSANA MACHADO PINHEIRO E SILVA (Termos de Intimação n° 14, de 27/05/2008, e n° 24, de 29/09/2008, Termo de Declaração de 05/06/2008, e, declaração manuscrita de 16/10/2008, MPFDiligências n° 0610100/200800690 3 e n° 0610100/2008023298), afirmou que assinou o contrato de locação, como fiadora, em decorrência de sua amizade com o sócio Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves. Disse que: 'No período de meados de 1999 a 2007, prestou serviços com vínculo empregatício, na área financeira, para a Spasso Empreendimentos, empresa de propriedade de Carlos Otávio Stein Pena e seu irmão, Cláudio Stein Pena, situada até 2006 na Avenida Barão Homem de Melo'; que 'Adilson Antonio Bragança trabalhava e ainda trabalha no Grupo Spasso'; que 'Cláudio Stein é casado com a irmã de seu marido Saturnino Pinheiro Neto'; e 'tanto a declarante, como o Sr. Alexandre Henrique Cardoso e os irmãos Stein, donos da Spasso, são antigos conhecidos seus e naturais de Monte Carmelo/MG'. Aduziu ainda que: 'O Sr. Alexandre freqüentava assiduamente o escritório da empresa Spasso na Avenida 1 O Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves constou como sócio da fiscalizada no período de 20/08/2001 a 29/08/2002. Fl. 30DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 636 31 Barão Homem de Melo, e tinha ligações com a Spasso, as quais não soube precisar' (fls. 56 a 62 do Anexo 19). A Sra. Rosana Machado Pinheiro e Silva trabalhou com vínculo empregatício na Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda e TC Log Transportes de Cargas e Logística Ltda EPP, desde 01/08/1998 a 30/04/2007 (da RAIS, base CNIS). Em 29/08/2008, os Srs. CLAUDIO FERNANDO STEIN PENA, CPF 542.976.48687, e CARLOS OTAVIO STEIN PENA, CPF 474.292.08649, se apresentaram espontaneamente a esta fiscalização, se dizendo preocupados com o bom nome de seus clientes Sadia e Nhô Bento (Recanto do Sabiá Alimentos Ltda) que, segundo eles mesmos, foram intimadas por esta fiscalização a informar os seus contatos junto a Nutrilínea. Prestaram a seguinte 'Declaração' (manuscrita pelo primeiro, e assinada por ambos, fls. 69 a 126 do Anexo 19): 'Nós, Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otavio Stein Pena, abaixo identificados e assinados, procuramos de livre e espontânea vontade o Auditor Fiscal da Receita Federal, Sr. Tarcisio Lodi, motivados por clientes de nossa corretora, a Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda, os quais receberam intimações para prestar esclarecimentos acerca de transações comerciais da empresa Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda. Neste ato apresentamos cópia de contrato de representação comercial entre a Laço e a Nutrilínea e declaramos que durante todas as transações comerciais tivemos contatos apenas com o Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves e jamais tivemos contato com o Sr. Joaquim dos Santos. A maior parte dos contatos com o Sr. Alexandre eram realizados pelo telefone e em nosso escritório na Av. Barão Homem de Melo 4386, sala no terceiro andar. Sabemos que a Nutrilinea tinha uma sala na Av. Barão Homem de Melo não sabendo o número da sala. Informamos ainda que os serviços por nós prestados a Nutrilínea era apenas de intermediação comercial através da Laço Assessoria onde emitíamos Notas Fiscais de Serviços de intermediação dos negócios entre a Nutrilínea e os clientes. Através da Spasso Armazens Gerais eram prestados serviços de Armazenagem e Beneficiamento de cereais. Também foi realizada prestação de serviços entre a Nova Ponte Serviços Gerais Ltda e a Nutrilinea. Esta empresa Nova Ponte é de propriedade de nosso pai, Sr. Fábio Mundim Pena e nossa irmã Karin Stein Pena, onde a administração era executada por nós. Todos os pagamentos dos clientes eram efetuados diretamente a Nutrilínea e não havia nenhuma interferência e participação da Laço Assessoria e seus sócios na administração financeira e comercial da Nutrilínea'. (grifei) O contrato de representação comercial entre a Laço e a Nutrilínea, por eles apresentado, está datado de 01/07/2002 e assinado pelos Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otavio Stein Pena, pela Laço, e por Alexandre Henrique Cardoso Naves e Joaquim dos Santos, pela Nutrilínea (fls. 72 a 75 do Anexo 19). No dia seguinte, o Sr. Cláudio Fernando Stein Pena encaminhou por intermédio de um bilhete, 'cópias de NF 's de prestação de serviços e de corretagem das empresas Nova Ponte Serviços Gerais Ltda, Spasso Empreendimentos e Serviços e Laço Assessoria e Representação Comercial contra a empresa Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda para anexar a nossa declaração feita anteriormente'. Solicitada a comparecer a esta Delegacia (Termo de Solicitação de Comparecimento n° 29, MPFDiligência vinculado n° 0610100/2008023298), a primeira sócia FABIANA CUNHA CARDOSO NAVES2 (tel. 32968506) se 2 A Sra. Fabiana Cunha Cardoso Naves constou como sóciaadministradora da fiscalizada no período de 20/08/2001 a 05/04/2002. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 637 32 apresentou, em 15/10/2008, acompanhada do marido Alexandre Henrique Cardoso Naves e, declarou de próprio punho, em separado do cônjuge, que: a empresa foi constituída 'com o objetivo de fazer tomate seco, mas o negócio não deu certo, razão pela qual passamos para frente. A minha função era fazer tomate seco, ficando toda a parte administrativa com meu marido, razão pela qual não sei para quem transferiu a empresa' (fls. 135 a 138 do Anexo 19). O Sr. ALEXANDRE HENRIQUE CARDOSO NAVES que, espontaneamente, acompanhou a esposa, confirmou estas declarações, aduzindo em declaração manuscrita, sob testemunho dela, que: 'Não tendo dado certo o negócio, decidimos transferir a empresa para terceiros contando com a intermediação de um contador conhecido na região do CEASA de nome Wainer Teófilo Alves, quando foi também transferido o endereço da empresa para região do Bairro Camargos. Durante o período de transição da empresa para transferência aos novos sócios, eu e minha esposa assinamos contratos de locação, alteração de contrato social, tendo recebido R$ 5.000,00 por depósito bancário em minha conta corrente, não tendo conhecido pessoalmente os novos sócios. Neste período de transição, posso ter assinado algum documento da empresa por solicitação do contador. Durante esse período de transição e após o mesmo, declaro que não desempenhei qualquer atividade administrativa ou comercial na Nutrilínea' (fls. 139 a 153 do Anexo 19). Posteriormente, em 22/10/2008 (MPFDiligência n° 0610100.2008.022062), o Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves compareceu novamente e declarou que a conta n° 9601 da agência 29823 do Bradesco foi 'a única conta bancária movimentada' 'durante o tempo que foi sócio junto com a esposa'. Disse ainda: 'Durante o período de transição, participei da abertura de uma conta no Banco do Brasil em nome da Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda, sem porém participar da movimentação bancária desta conta ou de qualquer outra'. 'Declaro que quem eu desconfio que cuidava da movimentação bancária da Nutrilínea era Rosana da minha cidade de Monte Carmelo'. Quando confrontado com cópia do contrato de locação das Salas 401 e 402 da Avenida Barão Homem de Melo 4386, acrescentou: 'Lembrome ao ver o contrato de locação que o nome mencionado acima de Rosana é Rosana Machado Pinheiro e Silva. Depois que sai da sociedade da Nutrilinea, mantive um escritório na Av. Raja Gabaglia, próximo da esquina da Av. Barão Homem de Melo onde trabalhava com comércio de café pela empresa Demais Alimentos Ltda onde era sócio. Às vezes, uma funcionária da Laço Assessoria e Representação de nome Alessandra me pedia para assinar documentos da Nutrilinea/Nutricom referentes ao período em que ainda era sócio'. Em 06/11/2008, o Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves trouxe nova Declaração por ele assinada na presença do Auditor Fiscal signatário deste termo, reiterando as declarações acima e ainda: que a Única conta por ele movimentada foi a de 'n° 9601 da agência 29823 do Bradesco', e que não conheceu pessoalmente os novos sócios da empresa para quem ele e a esposa venderam a empresa por R$ 5 mil em uma intermediação efetuada pelo contador Wainer Teófilo Alves. Com relação a documentos em que assina com o Sr. Joaquim dos Santos, declarou que assinou todos os documentos que a ele foram apresentados pelo contador e funcionária da Laço, 'confiando na autenticidade da assinatura, uma vez que vários tinham firma reconhecida em cartório', e que: 'alguns contratos me foram apresentados pelo Wainer Teófilo Alves e outros por Lessandra Santos Leal, não me recordando quais eram apresentados por cada um'. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 638 33 Com referência ao contrato de representação comercial entre a Laço Assessoria e Representação Ltda e a Nutrilínea que lhe foi apresentado pelo Auditor Fiscal signatário (a cópia que foi entregue à fiscalização pelos irmãos Stein Pena), disse que o mesmo 'está incompleto, uma vez que o mesmo não apresenta o selo do cartório com a data de reconhecimento de firma', e que: 'foi assinado após minha retirada da sociedade, com data retroativa'. Com efeito, a cópia deste contrato entregue pelos irmãos Stein Pena não traz o verso da última folha, constante da cópia autenticada entregue pelo Sr. Alexandre (fls. 143 a 146 do Anexo 19); constatouse que, realmente, este contrato é datado de 01/07/2002, mas o reconhecimento de firma foi feito 120 dias após, em 31/10/2002, o que é indício de simulação. O Sr. Alexandre reafirmou que: 'após a transferência na Junta Comercial, não desempenhei nenhuma atividade administrativa ou comercial na Nutrilinea, dedicandome a administrar a empresa Demais Alimentos Ltda com um escritório na Av. Raja Gabaglia 4000, sala 311, em Belo Horizonte', e juntou a esta Declaração, o contrato de locação desta sala, datado de 25/10/2002. Juntou ainda, cópia autenticada em 06/11/2008, de um Contrato de Locação de Bens Móveis da Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda e Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda, datado de 01/09/2002, e assinado por Cláudio Fernando Stein Pena, pela Spasso, e por Joaquim dos Santos, pela Nutrilínea, ambos com firma reconhecida em 05/09/2002 pelo mesmo cartório, (1° Serviço Notarial de Belo Horizonte), no qual comparece como testemunha Lessandra Santos Leal (fls. 147 a 149 do Anexo 19). Por intermédio deste contrato, a Spasso aluga 17 (dezessete) veículos seus para a Nutrilínea. Conforme já descrito, entre os documentos entregues pela imobiliária administradora do escritório clandestino das Salas 401 e 402 da Avenida Barão Homem de Melo 4386, constam ainda duas cartas assinadas por Lessandra, dirigidas à Imobiliária: uma, de 10/04/2002, em atenção a Maria José, funcionária da Multiplik, solicitando: '1. Fazer o Distrato do Contrato em nome de Laço Assessoria; 2. Confeccionar contrato em nome da Nutrilínea'. A segunda, de 06/10/2003, cópia de fax da Laço Assessoria, assinada por Lessandra, comunicando devolução das Salas 401 e 402 da Nutrilínea até 30/10/2003, e também a 'previsão de devolução das salas do 3° andar até 30/11/2003'. Notese que o endereço cadastral da LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda é Av. Barão Homem de Melo 4386, Salas 301 a 309. ... Estes fatos demonstram que a administração do escritório clandestino da Nutrilínea e das salas do 3° andar (endereço da Laço) eram conjuntas e feitas pelo escritório da LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda, sociedade de Cláudio Fernando Stein Pena, CPF 542.976.48687, e Carlos Otavio Stein Pena, CPF 474.292.08649, envolvendo inclusive locação de veículos da SPASSO. (GRIFEI) 22. a análise da documentação entregue pelos estabelecimentos bancários evidenciaram que os cheques emitidos pela fiscalizada, supostamente assinados pelo sócio JOAQUIM DOS SANTOS, em sua maior parte eram nominais ao próprio emitente e endossados pelo citado sócio, sacados na “boca do caixa”, não eram cruzados, denotando, com isso, mecanismos para obstaculizar a efetiva identificação dos beneficiários; Fl. 33DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 639 34 23. referida documentação possibilitou ainda verificar que os contratos de financiamento também foram supostamente assinados por JOAQUIM DOS SANTOS, sendo que apenas uma pequena parte, de valor irrisório em relação aos outros, continha a suposta assinatura do sócio ALEXANDRE HENRIQUE CARDOSO NAVES; 24. todos os estabelecimentos bancários apresentaram cópia da identidade falsa de JOAQUIM DOS SANTOS, de comprovante de endereço, de declaração comprobatória de percepção de rendimentos assinada pelo contador WAINER TEÓFILO ALVES e de alterações contratuais, tudo com objetivo de dar aparência de legalidade aos negócios realizados com as instituições financeiras, eis que oculto os reais responsáveis e beneficiários das irregularidades engendradas; 25. os contratos bancários avalizados pelos senhores Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena como devedores solidários e fiéis depositários foram, todos, assinados pelo Sr. Joaquim dos Santos, que, como restou exaustivamente demonstrado, desconhecia por completo a utilização do seu nome; Como bem destacado pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento, não se revela plausível que tais senhores tenham assumido tal grau de responsabilidade, sem, como afirmaram, sequer conhecer o sócioadministrador da empresa envolvida; Na mesma linha, não se mostra razoável que os senhores Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena tenham alugado dezessete veículos à fiscalizada desconhecendo o Sr. Joaquim dos Santos, tido como sócioadministrador da locatária; Neste ponto, releva transcrever a seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal: Por outro lado, tanto estes senhores, como sua contadora Lessandra Santos Souza, e os seus exempregados Saturnino Pinheiro Neto e Rosana Machado Pinheiro e Silva e excorretor Fernando Marçal, também afirmaram que nunca viram Joaquim dos Santos e que não conheceram outro sócio da empresa que não o Sr. Alexandre. Aliás, digase de passagem, é claro que nunca viram, pois, o Sr. Joaquim dos Santos é analfabeto, jamais saiu da Bahia, e naturalmente alguém assinou em lugar dele, de forma fraudulenta, não só as alterações do contrato social, como contratos bancários, comerciais, e cheques (todos os cheques, entregues pelos bancos, foram assinados apenas por Joaquim dos Santos). ... Com efeito, depreendese que ninguém conheceu Joaquim dos Santos, nem teve conhecimento de qualquer envolvimento ou participação sua nas atividades comerciais da empresa: nem os antigos sócios Fabiana e Alexandre que para ele venderam as cotas (eles afirmam que foram intermediados pelo contador Wainer), nem os exempregados do Grupo Laço, nem mesmo seus representantes comerciais e devedores solidários de contratos bancários Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otavio Stein Pena que com Joaquim dos Santos, fizeram enormes transações comerciais. Em suma, os sócios e as pessoas ligadas ao Grupo Laço/Spasso afirmam que o sócio administrador da fiscalizada era o Sr. Alexandre, enquanto que este tenta insinuar, mas sempre aparentando claramente ter receio em afirmar, que as Fl. 34DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 640 35 atividades administrativas da Nutrilínea após sua saída oficial eram exercidas pelo Grupo Laço/Spasso. O fato concreto é que as atividades comerciais da Nutrilínea de venda de milho em grão, se iniciaram apenas após a saída da sócia Fabiana e entrada de Joaquim dos Santos na sociedade em Abril de 2002. O Sr. Alexandre declarou que a única conta por ele movimentada em nome da empresa foi a de 'n° 9601 da agência 29823 do Bradesco'. No entanto, no denominado 'período de transição', o Sr. Alexandre assinou (pela empresa e como fiador) com Joaquim dos Santos apenas dois pequenos contratos com o Banco do Brasil (de R$ 5 mil e R$ 28 mil em agosto/2002), bem como teve fichas cadastrais preenchidas em todos os bancos, em contas abertas neste 'período de transição'. Não explicou a esta fiscalização as razões pelas quais sua esposa se retirou da empresa antes dele; inferese que tinha alguma razão a mais para aceitar ficar mais tempo na empresa, mesmo após ter desistido da fabricação de tomate seco em conjunto com sua esposa. Não justificou por que aceitou assinar tantos contratos em conjunto com o 'laranja' Joaquim dos Santos, sem têlo jamais visto, tendo apenas afirmado que foi solicitado a fazêlo pelos funcionários do Grupo Spasso/ Laço e pelo contador Wainer. Considerando que não foram constatadas outras atividades suas além da assinatura de contratos sociais, representação comercial, de locação e fichas cadastrais e cartões de assinatura bancários , deduzse que sem dúvida tinha conhecimento das novas atividades da fiscalizada embora delas efetivamente não tenha participado a não ser com sua assinatura para dar respaldo legal e visibilidade a uma empresa constituída por 'laranjas', ou seja, o Sr. Alexandre foi nada mais nada menos que um 'testa de ferro' dos verdadeiros responsáveis pelas transações. Os fatos acima descritos deixam fora de dúvida de que encontramse reunidos nos autos elementos que permitem afirmar: a) que a empresa fiscalizada efetivamente não foi localizada no endereço indicado como sendo o seu domicílio fiscal; b) que a constituição da empresa fiscalizada se deu por meio de interposição de pessoas de reduzida capacidade econômica no seu quadro societário, com uso, inclusive, de recursos fraudulentos; c) que a fiscalizada não detinha estrutura societária, capacidade operacional e quadro de pessoal para realizar negócios da magnitude dos apurados pela Fiscalização; d) que a operacionalização dos negócios em nome da fiscalizada foi efetivamente capitaneada pelos senhores Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena por meio de suas empresas; e) que o conjunto probatório aportado aos autos demonstram a prática de ilícitos graves, inclusive a utilização de documentos falsos, material e ideologicamente; Passo, agora, a apreciar as razões de defesa submetidas a esta instância julgadora. NUTRILÍNEA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA Fl. 35DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 641 36 NULIDADE DO ARBITRAMENTO E DOS LANÇAMENTOS Alega a Recorrente que não foi regularmente intimada e que os fundamentos do Termo de Verificação Fiscal são improcedentes. Diz que o último procurador designado como seu administrador não foi intimado. Argumenta que, ao contrário do que ficou decidido em primeira instância, não procede a alegação de que somente em março de 2009, ao transmitir a DIPF relativa ao exercício de 2008, é que restou alterado o endereço para Divinópolis, pois o citado administrador reside há anos em Divinópolis, Minas Gerais. Sustenta que, se foi atribuído a terceiros a condição de "donos do negócio", deveriam estes terem sido intimados para apresentar a documentação da empresa, para acompanhar a fiscalização, para apresentar os livros fiscais necessários e para demonstrar sua evidente ilegitimidade passiva. Argumenta que os agentes fiscais utilizaram como base de cálculo simplesmente os valores informados em notas fiscais apresentadas por clientes, sem conceder nenhuma oportunidade de se comprovar e fornecer informações pertinentes ao imposto de renda como os custos, despesas, devoluções, transferências, vendas canceladas, e outros fatos que interferem diretamente na apuração do imposto de renda e contribuições sociais. Sustenta que é induvidoso que não pode ser admitida a tributação pelo lucro arbitrado quando a autoridade fiscal não motivou a utilização desta forma simplificada e onerosa de apuração, sendo que o lançamento nesta modalidade é totalmente improcedente. Diz que, conforme se pode comprovar de cópias dos documentos que disse anexar, ela teve documentos furtados e que diligenciou para lavratura de Boletim de Ocorrência, tendo providenciado a publicação em jornais sobre o extravio de documentos. Adita que diversos documentos fiscais estão de posse da fiscalização do Estado de Minas Gerais, conforme recibo de entrega de documentos anexados à impugnação. Absolutamente improcedente a argumentação de ausência de intimação regular, vez que o Termo de Constatação e Início da Ação Fiscal (fls. 188), noticiando o fato de a contribuinte e o seu sócioadministrador não terem sido localizados nos seus respectivos domicílios fiscais, foi devidamente cientificado à Recorrente, por meio de edital (fls. 190), nos exatos termos do disposto no artigo 23, § 1°, inciso II, do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972. O sócioadministrador, por sua vez, foi cientificado por via postal, conforme aviso de recebimento de fls. 211. No que diz respeito ao Procurador da Recorrente (Hélvio Alves Pereira), a intimação foi devidamente encaminhada para o domicílio fiscal informado à Receita Federal, cabendo ressaltar que tal providência (intimação ao Procurador), à luz do que dispõe a norma reguladora do processo administrativo fiscal, seria dispensável, eis que em relação à Recorrente o procedimento de intimação já havia sido realizado em perfeita harmonia com a citada norma. Relativamente aos terceiros apontados como sujeitos passivos solidários ao final do procedimento de fiscalização, resta claro que a intimação inicial não poderia a eles ser dirigida, visto que a inclusão no pólo passivo se deu a partir da coleta de informações no transcorrer da ação fiscal, isto é, em um primeiro momento, inexistia a possibilidade lógica de intimálos, vez que, a priori, a autoridade fiscal desconhecia o fato de eles terem participado diretamente das atividades econômicas efetivadas em nome da pessoa jurídica submetida ao procedimento fiscal. Não obstante, a partir do momento em que restou evidenciada tal participação, tais pessoas foram devidamente cientificadas dos fatos apurados, tendo sido dado, inclusive, prazo para manifestação (Termos de Sujeição Passiva Solidária – A, fls. 257/262 e fls. 267/272). Fl. 36DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 642 37 A alegação de ocorrência de roubo, além do fato de só ter sido noticiada por meio da impugnação interposta, vem acompanhada de documento (cópia de Boletim de Ocorrência) que ainda que se empregue um esforço hercúleo para considerálo como elemento de prova, não traz qualquer referência aos Livros contábeis e fiscais exigidos pela Fiscalização. Ademais, referese ao roubo de uma motocicleta e aponta como ENVOLVIDO pessoa em relação a qual não se tem qualquer informação capaz de vinculála à Fiscalizada. Além disso, a publicação feita em jornal comunica apenas extravio de notas fiscais, documentos que, ainda que apresentados, não seriam capazes de impedir o arbitramento contestado. Improcedente de igual forma a alegação de que a autoridade fiscal não concedeu oportunidade para comprovar e fornecer informações relativas a custos, despesas, devoluções, transferências, vendas canceladas, e outros, pois, como já foi dito, a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar documentos, porém, preferiu manterse silente durante todo o curso da ação fiscal. Notese, inclusive, que a Recorrente foi alertada no sentido de que a ausência de resposta às intimações formalizadas poderia implicar lançamento de ofício por meio de arbitramento, qualificação e agravamento da multa. Quanto à suposta retenção de documentos por parte do Fisco estadual, o RECIBO de fls. 323 faz referência, apenas, a notas fiscais e livros fiscais, documentação que, também, não impediriam o arbitramento do lucro, vez que, para que fosse possível apurar o lucro efetivo (LUCRO REAL) seria essencial a apresentação do Livro Diário e do Livro Razão, bem como os documentos que serviram de suporte para os registros neles efetuados. Rejeito, pois, a nulidade argüida. DECADÊNCIA Esclarece a Recorrente que as exigências formalizadas dizem respeito a fatos geradores de maio de 2002 a dezembro de 2003, sendo que a lavratura dos autos de infração foi efetivada em dezembro de 2008. Alega que, nos termos do art.173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o prazo decadencial de cinco anos é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e não do primeiro dia do exercício seguinte ao da entrega da declaração, como afirmado pela autoridade fiscal. Diante de tais circunstâncias, sustenta que, relativamente às exigências do período de janeiro a novembro de 2002, não há como afastar a decadência, visto que o lançamento, feito no regime do SIMPLES, cuidou de períodos de apuração mensais. De fato, no ano de 2002, os lançamentos tributários alcançaram fatos geradores ocorridos no período de maio a dezembro de 2002, e, considerando que foram efetivados no regime do SIMPLES, os períodos de apuração são mensais. Em convergência também com o alegado pela Recorrente, não encontro justificativa legal capaz de dar azo à tese de que a contagem do prazo previsto no inciso I do art. 173 do CTN se dá a partir da entrega da declaração. Assim, considerando o fato de que a Recorrente foi cientificada dos lançamentos em 11 de dezembro de 2008, os fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 2002 já não mais poderiam ser objeto de lançamento, em virtude da caducidade do direito. Fl. 37DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 643 38 IMPROCEDÊNCIA DO AGRAVAMENTO DA MULTA Insurgese a Recorrente contra o agravamento da multa, sendo que, nesse caso, no primeiro recurso apresentado trata o agravamento como se qualificação fosse. No aditamento apresentado, tratando adequadamente o agravamento da multa, diz que o procedimento não pode prevalecer porque ela não foi, via seu procurador, regularmente intimada a apresentar documentos. Argumenta que, como já havia dito, teve extraviados diversos documentos. Alega que, se a suposta falta de atendimento já resultou no arbitramento de lucro, não há que se falar em aplicação de multa agravada, sob pena de se punir duas vezes a empresa sobre o mesmo fato. Afirma que para justificar o agravamento da multa de ofício de 150% para 225%, a auditoria cita os mesmos fundamentos utilizados para a qualificação da penalidade de 75% para 150%. Aduz que, se a própria Receita Federal declarou a empresa “inexistente de fato”, não pode por outra via multála por não ter respondido às intimações. Creio que o agravamento da multa, no presente caso, não pode subsistir. Não exatamente em razão dos argumentos trazidos pela Recorrente, eis que os questionamentos relacionados à intimação do seu administrador e ao extravio de documentos, já devidamente apreciados, são improcedentes. Improcedente, também, a alegação de que a autoridade fiscal utilizouse dos mesmos fundamentos para qualificar e agravar a multa, pois, em conformidade com o assinalado às fls. 121 (Termo de Verificação Fiscal), a qualificação derivou da conduta dolosa, enquanto que o agravamento tomou por base o fato de as intimações formalizadas não terem sido atendidas. Releva destacar que a inexistência de fato que levou à declaração de inaptidão da inscrição da Recorrente decorreu da não localização da empresa no endereço eleito por ela como domicílio fiscal. Contudo, do ponto de vista estritamente jurídico, descabe falar em inexistência, pois, do contrário, a impugnação e o recurso voluntário apresentados sequer deveriam ser conhecidos. O que a Fiscalização efetivamente fez foi demonstrar, por meio de aporte de provas robustas, que a constituição da Recorrente teve por objetivo manter à margem da tributação rendas auferidas por outras empresas integrantes de um mesmo Grupo, eis que de propriedade das mesmas pessoas e explorando segmentos de uma mesma atividade econômica. Nessa linha, a autoridade fiscal, constatando a interposição de pessoas no quadro societário da fiscalizada, tinha como certo que os sócios indicados nos atos constitutivos da contribuinte não dispunham de meios para atender as intimações formalizadas, motivo pelo qual, ausentes os elementos que possibilitariam apurar o resultado efetivo, arbitrou o lucro, direcionando a sujeição passiva para os verdadeiros titulares do negócio. Vêse, assim, que a ausência de resposta às intimações guarda intrínseca relação com aquilo que a própria Fiscalização pretendeu demonstrar, isto é, criação de empresa por meio de interposição de pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com uso de meios fraudulentos, visando sonegar tributos. Não me parece que nessas circunstâncias, em que a ausência de resposta da fiscalizada integra a conduta dolosa da contribuinte, se possa aplicar o agravamento referenciado pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que, se assim for, convergindo de forma Fl. 38DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 644 39 oblíqua para o alegado pela Recorrente, estarseá aplicando duas penalidades sobre o mesmo fato. IMPROCEDÊNCIA DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Argumenta a Recorrente que a caracterização de fraude, para efeito de aplicação do art. 173 do CTN como contagem de prazo decadencial e de multa qualificada, é aquela prevista no art. 71 da Lei n°4.502/1964. Diz que, pela leitura de dito dispositivo legal, não há como se caracterizar fraude simplesmente por se incluir “pessoas interpostas” no contrato social. Sustenta que tal fato poderia acarretar tentativa de frustração de execução fiscal, e não encobrimento de fato gerador. Afirma que a prova de que ela tenha agido de máfé deveria ser produzida pelos agentes fiscais, o que, para ela, não foi feito. Alega que, em matéria fiscal, o dolo especifico ou próprio é o elemento subjetivo necessário à configuração do delito que somente pode ocorrer com o elemento subjetivo, isto é, na modalidade dolosa especifica. Aduz que, nessas circunstâncias, a incidência de multa agravada em virtude de pretensa fraude não tem cabimento na espécie, além de configurar um verdadeiro confisco por seu montante excessivo e despropositado. Deixando de tecer comentários acerca do suposto caráter de confisco na aplicação da multa, visto que nos termos da súmula CARF nº 2 este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre eventual inconstitucionalidade da lei tributária, creio que os fatos e apurações até agora descritos são mais do que suficiente para demonstrar o caráter doloso da conduta dos sujeitos passivos apontados pela autoridade fiscal. Aqui, como restou demonstrado, não se trata simplesmente de incluir “pessoas interpostas” com intuito de frustrar eventual execução fiscal. Tratase, a bem da verdade, da prática de inúmeras fraudes, ideológicas e materiais, objetivando, como já dito, sonegar tributos. Não me parece lúcido não enxergar fraude naquele que, movimentando financeiramente mais de cem milhões de reais, se declara INATIVO ao Fisco Federal. Vejo como dispensável repetir, aqui, os variados fatos apontados pela Fiscalização, que, em seu conjunto, tornam inatacável a imputação de conduta dolosa feita pela autoridade fiscal. JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Argumenta a Recorrente que, da comparação entre os valores apurados nos autos de infração e aqueles constantes dos DARFs enviados juntamente com a intimação recebida, percebese que a autoridade fiscal está exigindo juros SELIC sobre a multa de ofício cobrada. Diz que é necessário realçar que tal exigência não possui base legal. No que tange a essa matéria, acolho a tese esposada pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a Fl. 39DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 645 40 multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1o do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém Fl. 40DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 646 41 quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Entendo, pois, que os juros de mora sobre a multa de ofício lançada devem subsistir, porém, nos termos do previsto no art. 161 do Código Tributário Nacional, isto é, no percentual de 1%. A Recorrente traz, ainda, considerações acerca das seguintes matérias: incompetência da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte para promover os lançamentos; impossibilidade de tributação no regime do SIMPLES no anocalendário de 2002; impossibilidade de tributação no regime do SIMPLES do excedente aos limites estabelecidos pelo referido sistema de recolhimento; aplicação da disposição contida no parágrafo 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96; e necessidade de aplicação do percentual de 9,6% à totalidade dos depósitos bancários de origem não comprovada, inexistindo motivo para aplicação do percentual de 12%. Referidos argumentos, trazidos por meio de aditamento ao recurso, não foram apresentados por ocasião da interposição da impugnação. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Não obstante, em relação à questão da aplicação do percentual de arbitramento, creio que a argumentação da Recorrente deve ser conhecida, eis que, se procedente, tratase de erro na determinação da base de cálculo de tributo, devendo, nesse caso, ser retificado de ofício. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 647 42 Nessa linha, constato que, de fato, no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – LUCRO ARBITRADO, fls. 50 dos autos, a autoridade autuante utilizou o percentual de 9,6% para determinar o lucro arbitrado com base na receita de revenda de mercadorias, e de 12% no que diz respeito às receitas decorrentes de origem não comprovada. Como se vê, incorreu em erro a referida autoridade ao utilizar o percentual de 12%, eis que, tratandose de imposto de renda pessoa jurídica e de receita de revenda de mercadorias (ainda que apurada por meio de presunção legal) o percentual a ser aplicado é de 9,6%. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPETRADO POR CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA E CARLOS OTÁVIO STEIN PENA DECADÊNCIA Alegam os Recorrente que foram intimados dos autos de infração, por edital, no dia 05 de janeiro de 2009, pois o edital foi afixado na repartição do Fisco (Delegacia da Receita Federal) na data de 05 de dezembro de 2008 até o dia 23 de dezembro de 2008. Sustentam que, em conformidade com as regras do processo civil, atinentes à ciência dada por edital, observase que o prazo do edital, para dar como cientificado os recorrentes, contase após ter transcorrido o prazo de 30 dias. Dizem que somente depois de transcorrido os trinta dias é que passa a transcorrer o prazo para a devida apresentação da impugnação. Com isso, argumentam que a ciência somente se efetivou no mês de janeiro de 2009 (07 de janeiro), quando então estariam aptos a apresentar a impugnação, pois, somado os quinze dias a contar do dia 23 de dezembro, se chegaria ao dia 07 de janeiro de 2009. Aduz que o Fisco poderia argüir ainda que a ciência do Termo de Responsabilidade Solidária se deu no dia 11 de dezembro de 2008, quando a advogada dos Recorrentes assim o procedeu, porém, ela não detinha poderes para ser cientificada do Termo e este deveria ter sido cientificado pessoalmente, por aviso de recebimento ou por edital. Primeiramente, um esclarecimento: os Recorrentes não questionaram, por ocasião da interposição da impugnação, o procedimento de ciência promovido pela unidade administrativa competente. Tal fato, por si só, autorizaria não conhecer da matéria nesta fase processual, ex vi do disposto artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, como visto anteriormente. Não obstante, tratandose de matéria (decadência) que, ainda que não suscitada, deveria ser conhecida de ofício, passo a demonstrar a improcedência das alegações trazidas pelos Recorrentes. A ciência, aos ora Recorrentes, dos autos de infração lavrados, foi efetivada por meio dos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 279 e 280. A signatária dos referidos Termos, Sra. AÍDA CAROLINA CAMPOS MENEZES, encontravase devidamente habilitada, conforme instrumentos públicos de procuração de fls. 266 e 274. Nos citados instrumentos, restou assinalado: ...com poderes da cláusula "ad judicia et extra", em qualquer juízo, instância ou tribunal, ainda que administrativos, inclusive o Mandato (sic) de Procedimento Fiscal n° 0610100/20080011486, podendo propor as ações competentes e defender Fl. 42DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 648 43 as contrárias, impetrar Mandado de Segurança, seguindo e acompanhando umas e outras até final decisão, usando os recursos legais e acompanhandoos, sendo lhes conferidos, ainda, poderes especiais para desistir, transigir, firmar compromissos e acordos, receber e dar quitação, enfim, praticar todos os atos necessários ao bom e fiel cumprimento do presente mandato, inclusive substabelecer. A ciência aos Recorrentes se deu, portanto, em 11 de dezembro de 2008, sendo absolutamente improcedente o reconhecimento de caducidade além do que já foi admitido no presente processo. Se, por outro lado, admitíssemos que a ciência dos feitos fiscais foi realizada por meio do edital de fls. 278, como querem crer os Recorrentes, tal providência (ciência) teria sido efetivada em 23 de dezembro de 2008, nos exatos termos do disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, parcialmente, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: ... § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: ... II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou ... § 2° Considerase feita a intimação: ... IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. ... Notase, assim, que, em consonância com a norma processual aplicável, a intimação é considerada feita, no caso da utilização de EDITAL, quinze dias após a sua publicação. Fl. 43DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 649 44 No caso presente, adotada a tese dos Recorrentes, a ciência dos autos de infração teria sido efetivada em 23 de dezembro de 2008, isto é, quinze dias após a sua publicação (05 de dezembro de 2008). SUJEIÇÃO PASSIVA Sustentam os Recorrentes que lhes foi imputado a participação societária na Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda. (a autuada), porém não são e nem nunca foram sócios da empresa em comento. Afirmam que toda a fiscalização e a imputação da sociedade está pautada em uma presunção, sem nenhuma comprovação efetiva de que os mesmos seriam sócios da empresa. Alegam que as suas empresas eram representantes comerciais e detinham assuntos negociais com a fiscalizada, mas nunca foram gestores ou sócios da mesma, limitandose a efetuar a administração das suas próprias empresas na execução dos trabalhos contratados. Aditam que a Fiscalização acabou por desconsiderar juridicamente a estrutura societária da empresa fiscalizada, concluindo que os sócios de fato seriam distintos daquelas pessoas indicadas nos documentos societários, o que não seria permitido ao Fisco. Em primeiro lugar, afasto o argumento de que a Fiscalização imputou aos Recorrentes participação societária na empresa autuada. Na verdade, com suporte em disposições do Código Tributário Nacional, a autoridade fiscal, consubstanciada elementos robustos de prova, demonstrou que os senhores CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA e CARLOS OTÁVIO STEIN PENA, por meio de suas empresas, efetivamente participaram da organização de um “esquema” de sonegação, eis que agiram, isto é, praticaram atos, dolosamente, tentando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, indicado nas peças acusatórias). Neste particular, sirvome de conclusões estampadas no voto condutor da decisão exarada em primeira instância que, com maestria, sintetizam os fatos apurados pela Fiscalização. Ali, restou consignado: ... Expostos de forma resumida os resultados decorrentes de um trabalho amplo de investigação levado a efeito pela fiscalização nos estritos limites de suas atribuições regulamentares, confrontados com as impugnações apresentadas, fica patente a improcedência dos argumentos dos defendentes. Assim, no que respeita aos depoimentos e testemunhos colhidos pela fiscalização, o seu uso como prova no processo é legítimo. Em verdade, de conformidade com o que se viu nas anotações feitas no TVF, evidenciam a comunhão de interesses e de bens dessas empresas (LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda, SPASSO Empreendimentos e Serviços Ltda SI'ASSO e Nova Ponte Serviços Gerais Ltda) e, principalmente das pessoas físicas (Cláudio Fernando Stein Pena, Carlos Otávio Stein Pena) para a consecução das atividades comerciais da autuada, conforme concluiu a autoridade fiscal. Neste contexto, as notas fiscais anexadas pela defesa a fim de atestar as propaladas relações comerciais não explicam uma série de fatos evidenciados pelo Fl. 44DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 650 45 trabalho fiscal, que indicam que estas relações transcendem em muito o que se pode considerar como normal no âmbito de meras relações de comércio, a saber: sócios e exsócios não tinham capacidade financeira e patrimonial para participarem da empresa Nutrilínea; o sócio principal, podemos assim dizer, Joaquim dos Santos, foi inserido no contexto dos negócios de forma fraudulenta, com documentação montada; os contatos dos clientes nos negócios com a Nutrilínea apontam sempre na direção da Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda, seus donos, os irmão Stein Pena; os contratos financeiros enviados pelas Instituições Banco Rural, SOFISA e SECULUS, firmados pela Nutrilínea, representada por Joaquim dos Santos, tem sempre como avalista, devedor solidário ou interveniente garantidor os Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena; a Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., representada pelo Sr. Cláudio Fernando Stein Pena, alugou 17 caminhões para a Nutrilínea, representada por Joaquim dos Santos somente, apesar de ter textualmente afirmado jamais ter tido contato com esta pessoa; o fato da Nutrilínea não ter espaço fisico ou equipamento para realizar seus negócios, enquanto que toda a mercadoria (milho) era enviada dos armazéns das empresas dos irmãos Stein Pena para os clientes. A conjugação dos fatos acima relatados, extraídos dos autos, afasta a hipótese de que houve tãosomente uma "mera relação comercial" entre as pessoas físicas que figuram no rol dos responsáveis pelo crédito tributário e a empresa Nutrilinea Produtos Alimentícios Ltda. Sendo assim, não há como escapar da conclusão fiscal, segundo a qual, restou comprovado que quem efetivamente exercia a direção da empresa Nutrilinea Produtos Alimentícios Ltda. eram os Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena. A defesa argumenta que "se de fato estivéssemos diante da utilização de interpostas pessoas e empresas, a conseqüência lógica seria que os recursos emprestados fossem direcionados aos impugnantes ou às suas empresas, o que não ocorreu e, ademais, não foi nem ao menos aventado pelo Fisco, quanto mais comprovado." Ora, o que a fiscalização quis mostrar, como explicado acima, era a implausibilidade de se ter uma relação meramente comercial entre a Nutrilínea e os responsabilizados, e sim que estes eram seus verdadeiros donos. O que ficou claro foi a intenção de se eximir das obrigações fiscais, como ficou veementemente caracterizado pelo simples fato da empresa terse declarado inativa e jamais ter apresentado uma DCTF. Portanto, não há dúvidas quanto à caracterização da responsabilidade pelo crédito tributário, dada às das provas que a fundamenta, cuja força probante se sustentou diante das impugnações apresentadas. (GRIFOS DO ORIGINAL) Destaco que, diferentemente do alegado pelos Recorrentes, não houve desconsideração jurídica da estrutura societária da empresa fiscalizada, mas, sim, constatação fática de que por meios fraudulentos foram introduzidas interpostas pessoas (“LARANJAS”) na referida estrutura societária, restando evidenciada, pelo conjunto probatório aportado aos autos, a participação dos Recorrentes em tal intento. NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA Fl. 45DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 651 46 Alegam os Recorrentes que não há em todo o ordenamento jurídico brasileiro norma que determina, imputa, configure ou mesmo discipline um "Termo de Responsabilidade Solidária", restando tal imputação nula de pleno direito, por estar eivada de vícios que a condenam. Sustentam que o ato foi praticado sem apoio na lei, o que leva à conclusão de que se encontra eivado de uma nulidade absoluta, não podendo, assim, prosperar. Aditam que, ainda que o Termo de Responsabilidade Solidária fosse previsto e regulamentado em lei, ainda assim não se sustentaria a afirmação dos auditores, uma vez que nunca possuíram qualquer vínculo com a empresa fiscalizada. A alegada ausência de vínculo entre os Recorrentes e a empresa fiscalizada deve ser de imediato afastada, eis que, como já dito, os elementos colhidos pela Fiscalização e reportados no Termo de Verificação Fiscal, mais do que comprovarem tal vínculo, deixam fora de dúvida que os senhores CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA e CARLOS OTÁVIO STEIN PENA, como mentores dos ilícitos praticados, foram os reais beneficiários do produto da sonegação engendrada. No que diz respeito à utilização do Termo de Sujeição Passiva Solidária, sirvome, mais uma vez, das brilhantes considerações esposadas no voto condutor da decisão de primeira instância, vez que, ao meu ver, são irretocáveis. Não procede este argumento da defesa. A legislação tributária define os princípios gerais e formas que devem ter os termos decorrentes da atividade fiscalizadora, com vistas a formalizar os procedimentos e atos inerentes a esta atividade. O Decreto n° 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, por seus artigos 8° e 10, estabelece: "8º Os termos decorrentes de atividade fiscalização serão lavrados, sempre que possível, em livro fiscal, extraindose cópia para anexação ao processo; quando não lavrados em livro, entregarseá cópia autenticada à pessoa sob fiscalização. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 a qualificação do autuado; 11 o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Pretenderse a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária sob o argumento de que o mesmo não se encontra relacionado em dispositivo legal, redundaria em obrigar o legislador a elaborar uma infindável relação de títulos de documentos. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 652 47 A legislação define os princípios gerais que devem ser observados na formalização dos termos e atos decorrentes da ação fiscal. Tanto o Termo de Sujeição Passiva Solidária quanto o auto de infração obedeceram às determinações dos artigos transcritos, ou seja, os documentos encontramse revestidos das formalidades legais. No presente processo há uma série de termos que durante a ação fiscal deram forma aos procedimentos e atos do autuante. Assim foram lavrados: Termo de Verificação Fiscal, Termo de Constatação e Início de Ação Fiscal, Termo de Reintimação Fiscal, Termo de Intimação, que apresentaram os requisitos legais. Também o auto de infração foi lavrado com todos os elementos definidos no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, não havendo nenhum vício formal ou legal que leve à nulidade do ato. FUNDAMENTOS LEGAIS – ARTS. 124 E 135 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Argumentam os Recorrentes que não basta para ser apontado responsável solidário, nos termos do art. 124, I do CTN, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. Para eles, é preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, omissão de rendimentos por depósito bancário, etc. No que tange ao art. 135 do mesmo diploma, alegam que este versa, expressamente, sobre responsabilidade pessoal, portanto, exclusiva. Sustentam que, no caso, o contribuinte deve ser necessariamente excluído do pólo passivo da relação obrigacional. Argumentam, ainda, que a Fiscalização acabou por desconsiderar juridicamente a estrutura societária da empresa fiscalizada, concluindo que os sócios de fato seriam distintos daquelas pessoas indicadas nos documentos societários. Em razão disso, sustentam que não é permitido ao Fisco imputar responsabilidade a terceiro mediante desconsideração direta e unilateral de atos e situações jurídicas. Reconhecendo a existência de uma certa restrição à aplicação da disposição contida no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional a situações semelhantes à retratada nos autos, concordo, em parte, com os argumentos trazidos pelos Recorrentes e, em razão disso, concluo em sentido diverso. Em convergência com o alegado, tenho que a imputação de solidariedade passiva nos termos do inciso I do art. 124 do CTN exige demonstração da participação direta dos imputados no fato gerador da obrigação, realizandoo. A meu ver, entretanto, isso é suficiente à introdução de tais participantes no pólo passivo da obrigação, sendo redundante afirmarse que seria necessário trazer informações acerca da disponibilidade de renda ou obtenção de receita, eis que aquele que realiza o fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza é, evidentemente, quem teve a disponibilidade jurídica ou econômica da Renda. Por bem resumir os fatos apurados e já referenciados na presente análise, transcrevo o seguinte excerto do voto condutor da decisão de primeiro grau: Para tratar de tais questões propostas pela defesa há de se fazer um resumo dos fatos expressos no TVF e dos documentos anexados aos autos, além daqueles já Fl. 47DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 653 48 tratados em tópico anterior, quando se tratou de analisar a preliminar de decadência e a pertinência da multa agravada. no cadastro de contribuintes do Estado de Minas Gerais, a empresa encontra se cancelada por motivo de obtenção de inscrição estadual com elementos falsos, tendo sido publicado o Ato Declaratório n° 13.062.310.00211, de 18/05/2004, que declarou inidôneos todos os documentos fiscais emitidos pela Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 10 do Anexo 18); no citado Anexo 18, fls. 02/141, encontramse detalhados os procedimentos efetuados pela fiscalização da Secretaria de Estado da Fazenda, nos quais se concluiu que a empresa não exerceu suas atividades no estabelecimento, não possuía estrutura física, não possuía máquinas, equipamentos ou quaisquer bens que possibilitassem a comercialização das mercadorias, e nunca houve, de fato, o exercício dessas atividades e o funcionamento da empresa. As mercadorias de sua documentação fiscal ficavam estocadas nas empresas Nova Ponte Serviços Gerais e Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda.; a Nutrilínea Produtos Alimentícios apresentou Declaração de Inativa nos anoscalendários fiscalizados de 2002 e 2003, além de jamais ter entregue uma DCTF. Isto, conforme já observado anteriormente, apesar de ter comercializado milhões de reais em mercadorias, no período de maio de 2002 a dezembro de 2003, conforme demonstrativo de fls. 126/167; Joaquim dos Santos, CPF 000.851.74521, que entrou para a sociedade em 25/03/2002, segunda Alteração Contratual, tendo permanecido até 07/01/2004, conforme última Alteração Contratual não informada à Receita Federal, é interposta pessoa conforme se depreende da farta documentação anexada aos autos. O verdadeiro vive e sempre viveu no interior do Estado da Bahia. No Cadastro das Pessoas Físicas da RFB constava como seu endereço Rua do Rosário, n° 170, apto. 1, Bom Jesus, Belo Horizonte — MG. Declaração do proprietário deste imóvel dá conta que não conhece a citada pessoa nem foi seu locatário; Joaquim dos Santos apresentou declaração de rendimentos apenas até 2004 (DIRPF 2005), enquanto era sócio da Nutrilínea, sendo omisso a seguir. Não apresentou nenhuma movimentação financeira na base de dados CPMF e, até 2004, declarou Rendimentos Tributáveis na faixa de isenção, e nada declarou como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, e Sujeitos à Tributação Exclusiva, no período fiscalizado. Os únicos bens declarados são as cotas da empresa fiscalizada, 'adquirida em 05/04/2002' por RS 45.000,00, e na `RM Distribuidora e Logística Ltda, no valor de R$ 3.000,00, adquirida cm 23/09/2002' (empresa não localizada) conforme DIRPF 2003. Na DIRPF 2004, declarou '57000 cotas da empresa Estrela Transportes Ltda., CNPJ 25.962.788/000148, no valor de R$ 57.000,00 adquirida em 30/12/2002'. Estas empresas totalizavam um capital investido pelo sócio de R$ 105.000,00 sem nenhuma origem declarada (DIRPF's às fls. 311 a 319 do Anexo 18); também o sócio CARLOS LUIZ MACHADO declarou Rendimentos Tributáveis na faixa de isenção, e nada declarou como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, e Sujeitos à Tributação Exclusiva, e movimentou nos bancos menos de seis mil reais no biênio fiscalizado 2002/2003. Apresentou declarações apenas enquanto era sócio da Nutrilínea, sendo omisso em 2005, 2001 e 2000. Únicos bens declarados foram as 5000 cotas da empresa fiscalizada (DIRPF's às fls. 320 a 327 do Anexo 18). A intimação inicial foi também enviada ao sócio Carlos Luiz Machado, CPF n° 554.168.45953, por via postal com aviso de recebimento ao seu endereço Fl. 48DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 654 49 Avenida Florianópolis, 21, Centro, Campo Verde/MT, CEP 78840000, mas o envelope foi devolvido pelos Correios com carimbo de desconhecido; o sócio Alexandre Henrique Cardoso Naves se desligou da empresa em 01/08/2002, cedendo seu lugar para Carlos Luiz Machado. É oportuno frisar que os irmãos Stein Pena afirmam que o único contato com a Nutrilínea era com esta pessoa, mas o Sr. Alexandre negou ter sido sócio ou que tenha desempenhado qualquer atividade administrativa ou comercial na Nutrilínea após esta data; em depoimento prestado para a fiscalização, fls. 70 do Anexo 19, os irmãos Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena declararam que: ".Neste ato apresentamos cópia de contrato de representação comercial entre a Laço e a Nutrilinea e declaramos que durante todas as transações comerciais tivemos contatos apenas com o Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves e jamais tivemos contato com o Sr. Joaquim dos Santos. A maior parte dos contatos com o Sr. Alexandre eram realizados pelo telefone e em nosso escritório na Av. Barão Homem de Melo 4386, sala no terceiro andar. Sabemos que a Nutrilinea tinha uma sala na Av. Barão Homem de Melo não sabendo o número da sala. Informamos ainda que os serviços por nós prestados a Nutrilinea era apenas de intermediação comercial através da Laço Assessoria onde emitíamos Notas Fiscais de Serviços de intermediação dos negócios entre a Nutrilínea e os clientes. Através da Spasso Armazéns Gerais eram prestados serviços de Armazenagem e Beneficiamento de cereais. Também foi realizada prestação de serviços entre a Nova Ponte Serviços Gerais Ltda. e a Nutrilínea. Esta empresa Nova Ponte é de propriedade de nosso pai, Sr. Fábio Mundim Pena e nossa irmã Karin Stein Pena, onde a administração era executada por nós. "(grifo não consta do original). observese que o Sr. Alexandre Henrique Cardoso Naves não pertencia à empresa desde 01/08/2002, enquanto que as notas fiscais de beneficiamento de milho apresentadas pelos declarantes da Nova Ponte Serviços Gerais e Spasso Empreendimentos e Serviços Gerais Ltda., e da Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda. de intermediação de negócios com a Nutrilínea são posteriores àquela data e a maior parte é de 2003. As empresas emitentes das notas são de propriedade ou administradas pelos irmãos. interessante destacar que a Nutrlínea não tinha espaço, equipamento e instalações, mas quem vendia/comercializava, beneficiavam, estocavam e entregavam seus produtos eram as empresas dos irmãos Stein Pena; afirmaram os irmãos que jamais tiveram contato com o Sr. Joaquim dos Santos, o que deve ser verdade para a pessoa moradora no interior da Bahia, cujo nome verdadeiro é Joaquim dos Santos Brito, detentor do CPF 000.851.74521. Mas firmaram o Contrato de Representação Comercial com a Nutrilínea, assinado por Joaquim dos Santos e Alexandre Henrique Cardoso Naves, em 01/07/2002(Fls. 143/146 do Anexo 19); o Sr. Cláudio Fernando Stein Pena, representando a Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., assina um Contrato de Locação de Bens Móveis (17 caminhões) para a Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda, e quem a representa e assina por ela é apenas Joaquim dos Santos, em 01/09/2002 (fls.147/149). Observe se que, nesta época, o Sr. Alexandre Naves já saíra da sociedade; às fls. 34/35 do Anexo 14 constam Contratos de Abertura de Crédito de 26/06/2003 da SOFISA, no valor de R$ 1 milhão, e Cheque Empresa de 09/10/2003 Fl. 49DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 655 50 no valor de R$ 100 mil: apenas Joaquim dos Santos assina pela empresa, e Cláudio Fernando Stein Pena assina como devedor solidário e interveniente garantidor; às fls. 06/66 do Anexo 15 constam 17 operações de empréstimo da SECULUS CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A (capital de giro e títulos descontados) no valor total de quase R$ 7 milhões de reais, efetuadas entre 29/abril/2002 e 22/abril/2003 e, em todas elas, assinam como devedores solidários e avalistas Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena; pela empresa os contratos são assinados apenas pelo sócio Joaquim dos Santos; às fls. 139/160 do Anexo 15 constam cinco Cédulas de Crédito Bancário do Banco Rural no valor total de R$ 4.550.000,00 (contratos e respectivos Termo de Constituição de Garantia) de 03/10/2002, de 02/12/02, 25/02/2003, 20/06/2003 (e respectivas prorrogações de vencimento, sucessivamente em 18/08/2003, e de 28/10/2003), 23/09/2003, todos assinados apenas por Joaquim dos Santos, nos quais Carlos Otavio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena assinam como avalistas, devedores solidários e fieis depositários de duplicatas. E eles afirmam que jamais tiveram contato com o Sr. Joaquim dos Santos! nos anexos 01 a 12 constam Demonstrativo das Compras de milho e os respectivos pagamentos efetuados em 2002 e 2003 junto à fiscalizada, cópias autenticadas das Notas Fiscais, comprovantes de pagamento e copia da escrituração, fornecidos por 13 clientes. Dentre outras coisas, cabe destacar que na maioria das Notas Fiscais consta que as mercadorias estavam estocadas ou na Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., filiais de Uberaba, Uberlândia e Sacramento, ou na Nova Ponte Serviços Gerais Ltda., da cidade do mesmo nome, todas em Minas Gerais. Relembrando, citadas empresas pertencem ao irmãos Stein Pena. a Nutrilínea fez contrato de locação das salas 401 e 402 do imóvel situado na Av. Barão Homem de Melo nº 4.386, Estoril, Belo Horizonte MG, em 17/04/2002, fls. 164/169 do Anexo 18. A Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda;, alugava essas mesmas salas até então, tendo feito Distrato Contratual em 30/04/2002, fls. 185/190 do Anexo 18. Às fls. 170 consta correspondência de Lessandra Santos Souza, solicitando à Multiplik Corretora e Administradora de Imóveis Ltda, responsável pela administração do aluguel das referidas salas, solicitando exatamente fazer o distrato de uma e contrato da outra. Às fls. 171 do Anexo 18 consta outra correspondência da mesma Lessandra para a Multiplik, informando que as salas serão devolvidas até 30/11/2003. Em seu depoimento de fls. 133 do Anexo 19, a Sra. Lessandra afirma que desde 1996 trabalha para os mesmos grupo de empresas, Spasso Armazéns Gerais e Laço Assessoria e Representações Comerciais, confirma que assinou a carta de devolução das salas, mas diz não se lembrar o porque. Poderseia ainda relatar outros fatos, outros depoimentos, mas o que se descreveu até aqui é o suficiente para a conclusão a que se quer chegar. Destacados os pontos acima do TVF e do processo, cumpre verificar se, em seu conjunto, podem se constituir elementos de prova para caracterizar a responsabilidade tributária ora analisada. Isoladamente, cada fato ou aspecto listado constitui indício, ou seja, fatos conhecidos e verificados. Isoladamente podem não ter a força de se comprovar a matéria imputada aos responsabilizados. Mas no seu conjunto, somados, fazem prova do ilícito, porque indicam sempre a mesma direção. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 656 51 Deve ser ressaltado ainda que vale para o processo fiscal a mesma regra do art. 332 do CPC, segundo a qual "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funde a ação ou a defesa". Como bem ressaltou a decisão de primeira instância, analisados de forma conjunta, os elementos reunidos pela Fiscalização não deixam dúvida de que os senhores CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA e CARLOS OTÁVIO STEIN PENA, por meio de suas empresas e fazendo uso de documentos falsos, concorreram diretamente para a concretização das hipóteses de incidência apontadas no processo, sendo irrefutável que, ambos, tinham interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores decorrentes. A citação feita pela autoridade fiscal ao art. 135 do Código Tributário Nacional, a meu ver, não macula o feito, eis que possível a convivência, no caso vertente, do ali previsto com o disposto no inciso I do art. 124. Tomando por base o disposto no art. 29 da norma processual vigente (Decreto nº 70. 235, de 1972), tenho que, no presente caso, o art. 124, I, serve de fundamento para estabelecer a solidariedade passiva entre as pessoas envolvidas, enquanto que o art. 135 dá azo à responsabilidade pessoal dos senhores CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA e CARLOS OTÁVIO STEIN PENA, eis que quem participa de fraude obviamente age à revelia da lei. Nesse momento, releva repisar que não houve desconsideração jurídica de estrutura societária da empresa, mas, sim, identificação dos verdadeiros titulares dos negócios realizados pela fiscalizada. Em que pese a existência de referências nesse sentido no Termo de Verificação Fiscal, aqui também não se tratou de desconsideração de atos e situações jurídicas, pois, exatamente em razão dessa impossibilidade, é que foi constituída a obrigação contra a pessoa jurídica NUTRILÍNEA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, sendo certo, contudo, que, diante da interposição de pessoas, a responsabilidade pessoal pelo crédito tributário, que é disso que o art. 135 trata, foi imputada aos senhores CLÁUDIO FERNANDO STEIN PENA e CARLOS OTÁVIO STEIN PENA Por fim, cabe registrar que, a exemplo do ocorrido em relação à empresa fiscalizada, aqui também os Recorrentes inovam ao trazer à discussão matérias não suscitadas na peça impugnatória. Com efeito, no recurso voluntário interposto os Recorrentes alegam que na tributação dos depósitos bancários sem comprovação da origem a autoridade deixou de observar formalidade exigida pela lei (intimação para comprovar a origem dos créditos bancários). Argumentam, ainda, que o percentual de 9,6% deveria ser aplicado à totalidade dos depósitos bancários de origem não comprovada, inexistindo motivo para aplicação do percentual de 12%. Nessas circunstâncias, tomo por base mais uma vez as disposições do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 para não conhecer tais questionamentos, excetuada, contudo, a questão da aplicação do percentual de 12% (em vez de 9,6%), por mim já abordada no presente Voto. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015517/200819 Acórdão n.º 130200.655 S1C3T2 Fl. 657 52 Considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer a caducidade do direito de se efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2002, reduzir a multa de ofício aplicada para 150%, retificar, de ofício, o percentual de determinação do lucro arbitrado aplicado às receitas decorrentes de depósitos de origem não comprovada de 12% para 9,6% e determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício aplicada. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 52DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 10/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10380.011366/2008-04
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 11 36 6/ 20 08 -0 4 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.011366/200804 Resolução nº 2402000.396 S2C4T2 Fl. 430 2 Relatório Tratase de infração ao disposto no art. 22, da Lei n.° 8.213, de 24/07/1991, regulamentado pelo artigo 336, do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, e alterações posteriores, por ter a empresa deixado de comunicar acidentes de trabalho ocorridos com seus empregados. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: 5. Alegou a autuada que, no Anexo II que acompanha o Auto de infração e seus Relatórios, encontrase simples relação de 653 empregados, sem a descrição do fato que o Auditor entendeu ser enquadrado na categoria de acidente de trabalho. 6. Argumentou a impugnante que, por ter o trabalho da fiscalização sido desenvolvido em tempo exíguo, inexistiu trabalho investigativo quanto aos eventos caracterizados como acidentes de trabalho, constantes do Anexo II. Além disso, existe registro de verificação física em estabelecimento efetivamente visitado, o que revelaria simples conjectura em desfavor do contribuinte, embora o art. 293 do Decreto n.° 3.048/99 determine o contrario. 7. Segundo argumentou a autuada, foi desrespeitada a determinação constante tanto do art. 293 do Regulamento da Previdência Social como do artigo 301 da Instrução Normativa INSS/DC n.° 70/2002, quanto â necessidade de descrição clara e precisa dos fatos que ensejaram a autuação e das circunstâncias em que foi praticada. 8. No intuito de demonstrar tal argumentação, a autuada citou os casos de Magda Maria de Lima Sousa, Georgiane Chaves da Silva e Maria Arlete Silva dos Santos, constantes do Anexo H, as fis. 09, em que inexistiria descrição clara e precisa do evento acidente de trabalho. Tal procedimento diverge do normatizado pelo INSS, eis que no art. 337 do Regulamento da Previdência existe a exigência de caracterização do acidente de trabalho através da verificação do nexo causal entre o acidente e a lesão, a doença e o trabalho e a causa mortis e o acidente. 9. Alegou a defendente que a Administração tem à sua disposição os meios de prova da ocorrência do acidente a qual seria verificada através de perícia técnica conforme descrito nos arts. 71 a 74 da Instrução Normativa n.° 70/2002. Através de perícia seria possível descrever clara e precisamente o acidente. 10. Entendeu a defendente que a presente autuação não levou em consideração o principio explicitado na Lei n.° 9.784/99 de que deve existir adequação entre meios e fins, sendo vedada a imposição de sanções em medida superior aquelas estritamente necessárias ao Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.011366/200804 Resolução nº 2402000.396 S2C4T2 Fl. 431 3 atendimento do interesse público. Tal adequação entre meios e fins não teria sido observada na ação fiscal que gerou a emissão do Auto sob análise eis que: a ação foi realizada em tempo exíguo e desproporcional a magnitude da infração; não foram comprovados fatos através de perícia legalmente prevista; não foram atendidas regras próprias do "modus operandi" do INSS sobre aposentadoria especial. 11. Em face do disposto na Lei n.° 9.784/99 quanto a atuação administrativa ser pautada pela observância de formalidades essenciais a garantia dos administrados, concluiu a autuada que deve ser aplicado o postulado da inversão da prova. 12. Entendeu a autuada que a Administração Tributária, nos termos do art. 293 do Regulamento da Previdência Social, deverá constatar a infração, com base em outros fatos, cabendo a Administração o ônus da prova, para identificar esses fatos e evidências. 13. Uma vez que os registros da empresa não afirmam terem ocorridos os eventos apontados como acidentes de trabalho e a empresa nunca foi autuada pelos auditores do Ministério do Trabalho, "intérpretes naturais da legislação trabalhista", caberia demonstrar no presente auto de infração a motivação clara e precisa da sua lavratura bem como as circunstancias que determinaram a conclusão quanto a ocorrência de acidentes de trabalho conforme previsto na Lei n.° 8.213/91. 14. Defendeu a autuada que a caracterização do acidente de trabalho, inclusive em questões submetidas ao Poder Judiciário, sempre exige prova, não sendo válida a simples relação de nomes e datas. De acordo com o art. 19 da Lei n.° 8.213/91, o acidente de trabalho é aquele que provoca perda ou redução da capacidade para o trabalho, sendo esse fato possível de ser avaliado somente diante das circunstancias. 15. Relativamente ao mérito, reivindicou que cabe ao INSS, na presente autuação, o ônus de determinar os motivos pelos quais ocorreram os acidentes de trabalho, conforme dispõem o art. 293 do Regulamento da Previdência Social, os arts. 923 e 924 do RIR e o art.9º do Dec. n.° 70.235/82. Ainda quanto ao mérito, requereu o reconhecimento de que o acidente do trabalho exige prova, não implementada nos autos. 16. Nos termos do art. 19 da Lei n.° 8.213/91, acidente de trabalho é o que ocorre a serviço da empresa ou pelo exercício de trabalho pelo segurado especial, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho, devendo a empresa comunicar o acidente de trabalho à Previdência em conformidade com o disposto no art. 22 da mesma Lei. 17. Dispõe acerca da obrigatoriedade da comunicação do acidente de trabalho o disposto no art. 22, da Lei n.° 8.213, de 24/07/1991, regulamentado pelo art. 336 do Regulamento da Previdência Social. 18. Relativamente aos eventos listados no Anexo I que acompanha o Auto de Infração, em que, apesar de existirem na empresa as Comunicações de Acidentes de Trabalho CATs, não foi comprovada a Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.011366/200804 Resolução nº 2402000.396 S2C4T2 Fl. 432 4 apresentação das mesmas ao INSS, a empresa não contestou a ocorrência dos acidentes nelas apontados. Segundo a autuada, tais Comunicações foram apresentadas junto ás Agências da Previdência Social, conforme comprovariam os ofícios e os comprovantes de protocolo das CATs anexados à defesa. 19. Entretanto, os comprovantes de entrega ou de protocolo das Comunicações de Acidentes de Trabalho, não demonstra a apresentação das CATs relativas aos seguintes empregados: Lucivânia Freitas de Sousa, Francisco de Assis P Lima, Josué Vieira Severo, Iran João Vieira de Araújo relativamente a esse segurado, o oficio de fls. 128. confirma a comunicação efetuada relativamente à segurada Josefa Costa da Silva, mas informa não ter sido encontrada CAT relativa a Iran João Vieira Araújo Marcones Pereira Araújo, bem como dos empregados de Russas, especificados ás fls. 08 (Anexo l). 20. Relativamente aos eventos listados no Anexo II que acompanha o Auto de Infração, os quais são descritos pelos Auditores Fiscais autuantes como se tratando de acidentes de trabalho que não geraram afastamento superior a quinze dias, ou que não geraram sequer afastamento, deveriam os mesmos ser comunicados ao INSS, em conformidade com o disposto no art 228 da Instrução Normativa INSS/DC n.° 84/2003 e no art. 228 da Instrução Normativa INSS/DC n.° 95/2003. Nos termos do art. 234 da Instrução Normativa INSS/DC n.° 70/2003, a Comunicação de Acidente de Trabalho CAT deve ser emitida mesmo que não tenha sido determinado o afastamento do trabalho. 21. Da mesma forma, dispõe a Instrução Normativa INSS/DC n°100 de 18.12.2003, no seu art. 404, inciso VII, quanto à obrigatoriedade de comunicar o acidente de trabalho ainda que não tenha havido afastamento do trabalho. 22. Verificase que o acidente de trabalho, conforme definido no art. 19 da Lei n.° 8.213/91, provoca perda ou redução da capacidade para o trabalho, não restando quantificada a duração da perda temporária da capacidade de trabalho, se inferior ou superior a quinze dias.Da mesma forma, não é possível concluir quanto à necessidade de se afastar do trabalho, ou seja, um acidente que provoque uma visita ao serviço médico da empresa para simples curativo já apontaria a existência de perda ou redução da capacidade laboral durante esse lapso temporal, seja ele de minutos ou de horas. 23. Quando a perda da capacidade de trabalho provoca afastamento superior a quinze dias, é direito do empregado receber da Previdência Social, em conformidade com o art.59 da Lei n.° 8.213/91, o beneficio denominado auxíliodoença, o qual, quando estabelecido o nexo causal entre o acidente e a lesão, detém natureza acidentária. Tal nexo causal deve ser estabelecido pela perícia médica do INSS, no sentido de determinar se, em face da incapacidade laboral, o beneficio concedido deve ter natureza previdenciária ou acidentária. 24. Entretanto, se o afastamento causado pelo acidente de trabalho não alcançar mais de quinze dias, cabe 6 empresa, nos termos do art. 59, § 3.°, da Lei n.° 8.213/91, pagar a remuneração devida ao empregado Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.011366/200804 Resolução nº 2402000.396 S2C4T2 Fl. 433 5 que será considerado licenciado, não passando o trabalhador pela avaliação da perícia médica do INSS. Segundo o parágrafo 4.° desse mesmo artigo, a empresa que dispuser de serviço médico, próprio ou em convênio, terá a seu cargo o exame médico e o abono das faltas correspondentes ao período referido no § 3°, somente devendo encaminhar o segurado à perícia médica da Previdência Social quando a incapacidade ultrapassar 15 (quinze)dias. 25. Quanto ao Anexo II, a caracterização de parte dos eventos nele constantes como acidentes de trabalho restou demonstrada nos Relatórios de Análise de Acidentes emitidos pelo SESMT da empresa, devidamente acostados aos autos, de fls. 37 a 101. Nesses Relatórios consta a descrição do acidente e da lesão dele resultante, configurandose, na maioria das vezes, a ocorrência do chamado acidente típico. Nos citados eventos, assim como nos outros constantes dos autos, o próprio Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho SESMT, ao emitir "Relatório de Análise de Acidentes" reconhece tratarse de acidente típico de trabalho. 0 trabalho investigativo necessário para caracterizar os eventos neles descritos como acidentes de trabalho se configura, portanto, na simples leitura dos Relatórios. 26. Quanto à descrição clara e precisa dos fatos que ensejaram a autuação e das circunstâncias em que foi praticada, os dados constantes dos referidos Relatórios de Análise de Acidentes são suficientemente esclarecedores, pois: descrevem os eventos ocorridos na empresa e os caracterizam como acidentes de trabalho. Tais acidentes de trabalho deveriam ter sido comunicados ao INSS, através da entrega de Comunicação de Acidente de Trabalho CAT. 27. Entretanto, assiste razão 6 autuada quando reivindica a caracterização de cada um dos eventos constantes do Anexo II como acidente de trabalho. Uma vez que, dos 653 eventos listados no referido Anexo, apenas 64 deles são comprovados através de copias dos Relatórios de Análise de Acidente acostadas aos autos, fazse necessário demonstrar que as demais ocorrências se configuram também em acidentes de trabalho. 28. Desse modo, afigurase razoável a realização de perícia junto à empresa para examinar as demais descrições constantes dos Relatórios de Análise de Acidente existentes no SESMT. 29. Ao Serviço de Fiscalização, para que seja apontado Auditor Fiscal para realização de perícia junto à autuada, na sede da empresa, em Russas, visando esclarecer os seguintes quesitos: 29.1 Todos os eventos constantes do Anexo II que acompanha o Auto de Infração, fls. 09 a 23, foram descritos em Relatório de Análise de Acidente emitido pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho SESMT da empresa? 29.2 Caso não seja constatada tal descrição dos eventos nos citados Relatórios, existem no SESMT outros documentos comprobatórios que caracterizem esses eventos como acidentes de trabalho? É o Relatório. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.011366/200804 Resolução nº 2402000.396 S2C4T2 Fl. 434 6 Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator A decisão recorrida promoveu a redução da multa também por considerar a inclusão indevida de supostos acidentes de trabalho não comunicados ao INSS, num total de 31 das 55 ocorrências. Embora a decisão recorrida tenha apresentado os fundamentos de sua decisão, o lançamento preferiu trazer nos anexos os dados de identificação dos segurados e data do acidente. Vêse que mais de 50% das ocorrências foram consideradas improcedentes. O recorrente reitera que muitos das remanescentes também não justificariam a autuação, inclusive reitera com outros documentos suas razões. Assim, considerando esses fatos, principalmente o que se refere aos anexos do auto de infração, fazse necessária nova diligência para que se examinem detalhadamente quantas das ocorrências efetivamente constituem as hipóteses legais para a autuação. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13656.000231/2004-92
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. RESSARCIMENTO
As aquisições de produtos agrícolas de cooperativas agropecuários não geram créditos declutivers da contribuição devida mensalmente e/ ou passiveis de compensação e ressarcimento.
CRÉDITO-PRESUMIDO (CRÉDITO-INDÚSTRIA). RESSARCIMENTO
A comercialização de produtos agrícolas adquiridos de terceiros já
beneficiados não gera crédito-presumido de PIS.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.674
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. RESSARCIMENTO As aquisições de produtos agrícolas de cooperativas agropecuários não geram créditos declutivers da contribuição devida mensalmente e/ ou passiveis de compensação e ressarcimento. CRÉDITO-PRESUMIDO (CRÉDITO-INDÚSTRIA). RESSARCIMENTO A comercialização de produtos agrícolas adquiridos de terceiros já beneficiados não gera crédito-presumido de PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Voluntário Negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1Y, TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13656,0002.31/2004-92 Recurso n" Voluntário Acórdão n" 3301-00.674 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2010 Matéria PIS NÃO-CUMULATIVO Recorrente EXPORTADORA POÇOS DE CALDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. RESSARCIMENTO As aquisições de produtos agrícolas de cooperativas agropecuários não geram créditos declutivers da contribuição devida mensalmente e/ ou passiveis de compensação e ressarcimento, CRÉDITO-PRESUMIDO (CRÉDITO-INDÚSTRIA). RESSARCIMENTO A comercialização de produtos agrícolas adquiridos de terceiros já beneficiados não gera crédito-presumido de PIS, DECLARAÇÃO DE. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Participaram do presente julgamento: os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais (Relatar), Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio 'faveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRI Juiz de Fora, MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às fls. 209/213 que indeferiu o pedido de ressarcimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), não-cumulativa, apurado para os períodos de competência do 3" e 4" trimestres de 2003, em face de exportações, e não homologou a compensação dos débitos fiscais declarados, A autoridade administrativa competente glosou os valores dos créditos sobre as aquisições de cooperativas por não ter incidido Cofins nessas operações e, ainda, glosou créditos-presumido dessa contribuição pelo fato de a requerente não se caracterizar como pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal, pelo fato de não ter produzido os produtos comercializados por ela, Inconformada, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade às fls., 241/251, alegando, as razões que foram assim sintetizadas por aquela DM: "a) o fato de a produção supostamente .ser feita por terceiro não tira sua qualidade de produtora, h) as cooperativas são pessoas jurídicas de direito privado e as aquisições de mercadoria feitas a elas geram o crédito da contribuição Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DR.1 julgou-a procedente em parte, reconhecendo o direito de a recorrente se creditar da Cofins sobre as aquisições de cooperativas, quando essas sociedades pagavam a contribuição sobre a comercialização da produção entregue pelos seus cooperados, conforme acórdão n" 09-27..620, às fls. 157/161, sob as seguintes ementas: CRÉDITO PRESUMIDO - AGROINDUSIRIA Para .fazer jus ao crédito presumido - agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria a café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades previstas na legislação de regência Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso volt -rtá -i'r o fls.. 268/281, requerendo, a sua reforma a fim de que se reconheça o seu dir •ito ressarcimento/compensação da contribuição para o PIS sobre as aquisições de cooperati. bem como do crédito-presumido dessa contribuição. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado às fls. 271/281 sobre: 1) os requisitos para a caracterização da pessoa jurídica corno sendo produtora e a legislação aplicável; 2) a produção realizada pela recorrente através de terceiros; e, 3) a caracterização das cooperativas como pessoas jurídicas de direito privado, concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento/compensação dos créditos pleiteados pelo de fato de as cooperativas estarem sujeitas à contribuição para o PIS e, portanto, as aquisições efetuadas delas geram créditos dessa contribuição; e, ainda, e, quanto ao crédito-presumido, por exerc - karrõ 2 Processo n" 13656.000231/2004-92 S3-C3-1-1 Acórdão n " 33(11-00..674 Fi 285 cumulativamente a atividade de beneficiamento do café adquirido e comercializado por ela, ou seja, de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar esse produto. É o relatório.. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.235, de 06 de março de 1971 Assim, dele conheço.. As questões de mérito opostas nesta fase recursal se restringem às matérias de mérito expendidas contra as glosas sobre aquisições de cooperativas e à glosa do crédito- presumi do (crédito-indústria). Quanto à glosa sobre aquisições de cooperativas, a legislação que instituiu a contribuição para o PIS com incidência não-cumulativa, a Lei n° 10.637, de 30/12/2002, vigente no período, objeto do ressarcimento em discussão, em relação aos créditos, assim dispunha, in verbis: "Art. 3' Do valor apurado na forma do art. 2 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a; 1 - bens adquiridas para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos 111 e IV do § 3" do art. 1"; 11 - bens e serviços utilizados como instrui° na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; ( § 2' Não dará direito a crédito o valor. - da aquisição de bens ou serviços não suieitos ao paga/Wel; o da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse álibi o quando revendidos ou utilizados como bisamo em prod /tas u serviços sujeitos à ai/quota O (zero), isentos ou não ale dos pela contribuição ) § 10 Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas .jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01 0.5, 0504 00, 0701 90.00, 0702 00 00, 0706.10 00, 0708, 0709,90, 07.10, 0712 a 07 14, 15.07 a 1.5,14, 1.515.2, 1.516.20 00, 15.17, 1701 11 00, 1701.99 00, 1702 90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805 00 00, 20.09, .2101 11.10 e 2.209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação 3 humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do copla deste arlie0, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residente.s no Pais (destaques mio- originais) Ora, segundo o inciso TI do § 2" do art. 3", transcritos anteriormente, os valores das aquisições de bens ou serviços não-sujeitos ao pagamento da contribuição para o PIS não dará direito a crédito. As aquisições de cooperativas, por força do disposto na MP n" 2..158-35, de 24/08/2001, art.. 15, e nas Leis n" 10.676, de 22/05/2003, e n" 10.684, de 30/05/2003, art. 17, as receitas decorrentes da comercialização da produção agrícola entregue pelos cooperados, beneficiada e/ ou industrializada e armazenada pelas cooperativas não sofrem incidência da contribuição para o PIS pela exclusão dos seus valores da base de cálculo dessa contribuição.. Dessa forma, não há que falar em aproveitamento de créditos dessa contribuição decorrentes de aquisições de cooperativas agropecuárias„ Já em relação à glosa do crédito-presumido (crédito-indústria) do PIS, de acordo com o inciso II do caput do art. 3 0, citados e transcritos anteriormente, àquele crédito somente se aplica aos bens e serviços utilizados como instinto na fabricação de produtos destinados à venda. No presente caso, conforme demonstrado no despacho decisório e na decisão recorrida, a recorrente apenas adquiriu os produtos e os revendeu, Em momento algum, a recorrente contestou e/ ou provou que os produtos adquiridos por ela foram utilizados como illSUMOS na fabricação dos produtos vendidos, Alternativamente, defendeu aplicação da Lei n" 10.276, de 10/06/2001, art. I", § 1", Li, que prevê o aproveitamento do crédito-presumido do IPI sobre os custos decorrentes de industrialização por encomenda, sob o argumento de que o beneficiamento par terceiros se enquadraria também neste dispositivo. Contudo, esse entendimento é equivocado, ao contrário do seu entend r aquela lei trata exclusivamente do crédito-presumido do IPI. O crédito-presumi contribuição para o PIS foi instituído pela Lei n" 10,637, de 30/12/2002, art. 3", § 10 inciso II do caput do seu art. 3", Ressalte-se, ainda, que a industrialização por encomenda a terceiros beneficia o industrial que a encomendou e se aplica somente a produtos industrializados nos termos da legislação do IPI. Assim, a glosa do crédito-presumido da contribuição para o PIS, efetuada pela autoridade administrativa competente e mantida pela DRJ deve ser mantida. Quanto à compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a transmissão de pedido de ressarcimento/declaração de compensação (Per/Dcomp), bem como a extinção dos débitos fiscais declarados, a Lei IV 9,430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe, in verbis: "Ai t. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou 4 Processo n" 1.3656 0002.31 /2004-0 S3-C3T1 Acórdão n "3301-00.674 Fi 286 contribuição administrado pela Secreta; ia da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela itrIP n" 66, de 29/08/2002, convet tida na Lei n" 10.637, de 30/12/2002). "§ 1" A compensação de que trata o capa será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados".(Redação dada pela A/11 3 n" 66, de 29/08/2002, convertida na Lei 11" 10.637, de 30/12/2002). .,`; 2". A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de •sua ulterior homologação (Redação dada pela IVIP n" 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n" 10.637, de 30/12/2002), ) • 6"A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a e yigência dos débitos indevidamente compensados § 7" Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados (• • 1, §9" É .facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no §7", apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. § 10, Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconfOrmidade cabeiá recurso ao Conselho de Contribuintes. ,, c4,11 A manifestação de inconformidade e o recurso de q e tratam os §§ 9" e 10 obedecer'ão ao rito In ocessual do Dect ,to n" 70 235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disp st no inciso III do art. 1.51 da Lei n" .5.172, de 2.5 de outubr . 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débiM- objeto da compensação. ) Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a transmissão de Per/Dcomps pelo contribuinte, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. No presente caso, confor le demonstrado, inexistem créditos financeiros a serem repetidos/compensados. 5 Assim não há que se falar em homologação cia compensação dos itos fiscais declarados... Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provit ao presente recurso voluntáM Josg(AaoYeitorino de Morais 6
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002027/90-32
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo
matriz è aplicável ao julgamento do processo
decorrente, dada a relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.203
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para adequar esta decisão ao decidido no processo matriz, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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I T":.FS 1)E 1-'1 I CPI LTDA„ . ; - . . - • . : : \ ^'‘ 2 OOLIT 1995 - „ A 2. . _ _ . ; ; . ;•, .--• • . - • . • . . . : ••• ,: • , ••• . •: ••••••••• : • " r. : : •:• _ . • • : • : : ••: . ••• : : : : . : . : : •••• . : " . • • : " , : : : : ••• . : • ; - • . ••• : E• • • : • : : . •:: ; : ; • ; ; ;‘, • f ,e7 T 'PS\ 3. • . : . . . , • • • . • • • , • • • . • • •-•• • " • • .....•:•••••••:,..--,À • . , .,,• .., • .... •• • : . . •• : • " -S; • • • ";_ • . . •• 4. PR -EME T RO oC)1\-n•---•;ELH C) I)E C.::::).t-r7TR T. I-3 .15 TI ::-:. 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