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Numero do processo: 10530.723549/2009-88
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito
tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA.
Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.263
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), Sandro Machado dos Reis e Luiz Cláudio Farina Ventrilho, que davam provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara
Paschoalin.
Nome do relator: CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 139 2 Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), Sandro Machado dos Reis e Luiz Cláudio Farina Ventrilho, que davam provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Redatora Designada. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin, e Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 82), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 124.852,32, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 140 3 não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 141 4 f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Cientificado em 30/06/2011 (Fls. 94), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/07/2011 (fls. 96), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 142 5 É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A questão tratada nos presentes autos referese à atribuição dada pelo Recorrente aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram classificados em sua DIRPF como isentos ou nãotributáveis. Com efeito, as Leis nºs 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável. O STF, em sua Resolução nº 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual, que concedeu aos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal. Por esta razão, o Recorrente procedeu à retificação de sua DIRPF, para reclassificar os rendimentos recebidos do TJBA a título de abono variável como isentos ou nãotributáveis, diminuindo, dessa forma, a base de cálculo do imposto de renda do período e gerando, por conseguinte, mais saldo a restituir. Isto é, ao proceder a declaração retificadora, o contribuinte pretendia reaver os valores recebidos como abono variável que foram regularmente tributados pelo imposto de renda em sua declaração original. Assim, mesmo considerando que o contribuinte classificou indevidamente o abono variável em sua declaração retificadora, a fiscalização incorreu em erro ao lavrar o presente auto de infração, porquanto o lançamento é lastreado em crédito tributário já extinto pelo pagamento. Nessa conformidade, a Fiscalização deveria apenas não ter homologado a retificação da declaração feita pelo contribuinte, a fim de manter a tributação sobre os valores recebidos a título de abono variável pelo Recorrente. Jamais poderia, entretanto, lançar o crédito tributário que, conforme mencionado, já havia sido extinto pelo pagamento. Não obstante, analisando as leis federais que instituíram o abono variável aos Magistrado Federais, bem como a lei estadual que concedeu o abono aos membros do TJBA, verificase que ambos os abonos são idênticos, tendo sido instituídos para os mesmos fins. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 143 6 Ademais, considerando que o STF já reconheceu a natureza indenizatória do abono variável, fazse mister conceder ao abono variável dado aos membros do TJBA o mesmo tratamento tributário, isentando tais valores da tributação pelo imposto de renda. Outrossim, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer nº 2.160/2205, reconhece que é necessário conceder aos abonos variáveis em comento o mesmo tratamento tributário, sob pena de ferimento aos princípios da isonomia, proporcionalidade e razoabilidade, consagrados em nosso ordenamento jurídico. Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso, reconhecendo a não incidência do Imposto de Renda sobre o abono variável pago aos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 144 7 Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, tenho opinião diversa quanto à solução da lide. Inicialmente, quanto à suscitada nulidade do auto de infração, essa não merece acolhida. Diferentemente do alegado, a autoridade lançadora cuidou de especificar os elementos de prova em que se baseou para efetuar o lançamento de ofício (planilha de cálculo constante dos autos da Reclamação Trabalhista, recibos e DARF), destacou os critérios de cálculos utilizados, identificou, corretamente, os dispositivos legais aplicáveis ao caso, bem como lançou multa de ofício nos exatos termos previstos na legislação de regência. Examinando os autos, observase que foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido pela contribuinte, como também foram excluídas da base de cálculo do tributo a parcela que incidiu sobre férias indenizadas e 13° salário. Como bem esclareceu a decisão recorrida, o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam os rendimentos em questão, conforme disposto no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, em razão das diferenças terem sido recebidas acumuladamente, sendo que as bases de cálculo declaradas já se sujeitavam à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. No que tange à ilegitimidade da União para atuar como pólo ativo no presente procedimento administrativo fiscal, uma vez que competiria aos Estados reclamar o imposto indevidamente não recolhido, nos termos do que dispõe o art. 157, I, da Constituição Federal de 1988, importa ressaltar que o objetivo do disposto no mencionado artigo é a de promover a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, sem afetar a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, III., da Constituição Federal. O art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN didaticamente explicita: "Art. 6° A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único . Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos." (grifos acrescidos) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 145 8 Assim, não implicando a repartição de receitas transferência da condição de sujeito ativo, rejeitase a ilegitimidade ativa da União reclamada pelo autuado. Ainda importa observar que nos autos deste procedimento administrativo fiscal não se está discutindo o destino do imposto de renda retido na fonte mas, sim, o fato de o recorrente ter omitido na declaração de ajuste anual os rendimentos auferidos no anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12) Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, o interessado discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 146 9 remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, o contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem constar expressamente do texto legal, em conformidade com o disposto no art. 111, do CTN. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pelo recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Por outro lado, com base no posicionamento da Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e Res. nº 8, de 2008STJ, que tratam dos recursos repetitivos, verificase que foi negado provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional e manteve o acórdão da 4ª Região, o qual havia decidido que não cabe a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física sobre os juros moratórios incidentes sobre valores recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, por se tratarem de verbas indenizatórias. Respaldado nesse entendimento, entendo que devem ser refeitos os cálculos de fls. 11, que embasam o lançamento, de modo a contemplar a exclusão dos valores recebidos a título de juros, identificados nos documentos de fls. 24/27 (considerados no demonstrativo de fls. 11). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10530.723549/200988 Acórdão n.º 280102.263 S2TE01 Fl. 147 10 No tocante à multa de ofício, consoante vem sendo decidido por este Colegiado (confiramse os julgados 280101.675, 280101.676 e 280101.677, todos de 27/07/2011, relatados pelo Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães é incabível a exigência de tal penalidade quando o contribuinte demonstra ter sido induzida pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002955/2007-29
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
ILEGITIMIDADE PASSIVA DO AUTUADO
Não há ilegitimidade passiva de parte do autuado, se não restar provado nos autos que o contribuinte não tinha relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.904
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório Fl. 34DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10850.002955/200729 Acórdão n.º 280101.904 S2TE01 Fl. 32 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 25.357,59, referente ao exercício de 2003, a título de imposto (R$ 10.376,30), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 7.782,22), além dos juros de mora (R$ 7.199,07). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica decorrentes do êxito obtido no julgamento da Ação Declaratória nº 2003.83.000093234. Em sua impugnação, o contribuinte discorreu acerca da Apelação Cível n° 345122PE, cujo objeto é a não incidência de imposto de renda sobre os rendimentos relativos ao respectivo precatório. Disse que o TRF 5ª Região julgou improcedente a apelação cível, estando pendente de julgamento os embargos de declaração. Acrescentou que somente, no período de 08/05/2003 a 22/03/2005, havia medida liminar determinando a suspensão da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos do precatório. Pediu a exclusão da multa de oficio, por estar suspensa a ação, sem decisão quanto ao mérito, referindose ao art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A 3ª Turma da DRJ/SP2/SP, conforme Acórdão de fls. 21/24, não conheceu da impugnação relativamente à tributação dos rendimentos considerados omitidos por ser matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. Com relação à multa de oficio de 75%, manteve o lançamento, posto que à época da lavratura do auto de infração inexistia qualquer medida de suspensão da exigibilidade do crédito tributário de que trata o art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 10/07/2009 (fl. 28), o interessado interpôs recurso voluntário de fl. 29, em 22/07/2009. Em sua defesa, alegou, em síntese, que não foi ele que resgatou os recursos do precatório oriundo da Ação Declaratória nº 2003.83.000093234, cujo pagamento realizado em 2002 ficou depositado na Caixa Econômica Federal até dezembro de 2005. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O reccorrente alega que não recebeu os rendimentos decorrentes do êxito obtido no julgamento da Ação Declaratória nº 2003.83.000093234. Tal argumento, entretanto, não se sustenta, não somente pela falta de documentação que lhe dê respaldo, mas, principalmente, pelas informações consignadas em seu Comprovante de Rendimentos, à fl. 02, e na Ficha Financeira emitidados pela Polícia Federal, à fl. 05, que registram o recebimento pelo contribuinte, em janeiro de 2002 (mês de Fl. 35DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10850.002955/200729 Acórdão n.º 280101.904 S2TE01 Fl. 33 3 competência dezembro 2001), da quantia de R$ 76.703,59 a título de pagamento de exercícios anteriores. Ademais, pelo consta dos autos, a parcela de R$ 37.732,00 dos referidos rendimentos foi declarada na DIRPF sob exame como rendimentos isentos. Assim, em face da classificação indevida, a autoridade fiscal adicionou o referido valor como omissão de rendimentos à base de cáculo do ajuste anual. Não há dúvida de que o contribuinte fez opção pela via judicial, importando em renúncia à instância administrativa, relativamente à matéria concernente à incidência ou não do Imposto de Renda sobre os valores tidos como omitidos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 36DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727098/2009-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA.
Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte
mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis (Relator), Renato Coelho Borelli e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS Processo nº 10580.727098/200962 Acórdão n.º 280102.252 S2TE01 Fl. 134 2 MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis (Relator), Renato Coelho Borelli e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Redatora Designada Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Renato Coelho Borelli, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 89.318,63, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS Processo nº 10580.727098/200962 Acórdão n.º 280102.252 S2TE01 Fl. 135 3 no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS Processo nº 10580.727098/200962 Acórdão n.º 280102.252 S2TE01 Fl. 136 4 g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia." A impugnação foi considerada improcedente, conforme Acórdão de fls. 83/89. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado em face da Recorrente objetivando a cobrança de IRPF sobre verbas percebidas a título de diferença de remuneração calculada com base em Unidade Real de Valor – URV, incidente sobre o salário recebido por magistrados baianos, com base na lei estadual nº 8.730/2003. Alega a Recorrente a necessidade de que a incidência do tributo sobre a parcela recebida a título de URV seja verificada mensalmente, imputandoa, separadamente, Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS Processo nº 10580.727098/200962 Acórdão n.º 280102.252 S2TE01 Fl. 137 5 em cada um dos períodos. Somente com essa análise segregada é que poderá ser aferido se, no período, com o acréscimo do URV, haveria a tributação imputada pela fiscalização. Nada obstante, o presente Auto de Infração foi lavrado promovendose a cobrança do imposto de renda levandose em consideração o recebimento em parcela única. Isso não pode prosperar, na medida em que, em sendo aquela parcela mera recomposição de remuneração percebida pelo Recorrente, a mesma deve ser alocada no período autuado, procedendose as imputações das verbas remuneratórias a cada um dos meses trabalhados. Diante disso, dou provimento ao recurso do contribuinte, para cancelar o auto de infração. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS Processo nº 10580.727098/200962 Acórdão n.º 280102.252 S2TE01 Fl. 138 6 Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Sandro Machado dos Reis, tenho opinião diversa quanto à solução da lide. Inicialmente, quanto à suscitada nulidade do auto de infração, essa não merece acolhida. Diferentemente do alegado, a autoridade lançadora cuidou de especificar os elementos de prova em que se baseou para efetuar o lançamento de ofício (planilha de cálculo constante dos autos da Reclamação Trabalhista, recibos e DARF), destacou os critérios de cálculos utilizados, identificou, corretamente, os dispositivos legais aplicáveis ao caso, bem como lançou multa de ofício nos exatos termos previstos na legislação de regência. Examinando os autos, observase que foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido pela contribuinte, como também foi apurado o imposto de renda devido com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam os rendimentos em questão, conforme disposto no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, em razão das diferenças terem sido recebidas acumuladamente, sendo que as bases de cálculo declaradas já se sujeitavam à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. No que tange à ilegitimidade da União para atuar como pólo ativo no presente procedimento administrativo fiscal, uma vez que competiria aos Estados reclamar o imposto indevidamente não recolhido, nos termos do que dispõe o art. 157, I, da Constituição Federal de 1988, importa ressaltar que o objetivo do disposto no mencionado artigo é a de promover a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, sem afetar a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, III., da Constituição Federal. O art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN didaticamente explicita: "Art. 6° A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único . Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos." (grifos acrescidos) Assim, não implicando a repartição de receitas transferência da condição de sujeito ativo, rejeitase a ilegitimidade ativa da União reclamada pela autuada. Ainda importa observar que nos autos deste procedimento administrativo fiscal não se está discutindo o destino do imposto de renda retido na fonte mas, sim, o fato de a Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS Processo nº 10580.727098/200962 Acórdão n.º 280102.252 S2TE01 Fl. 139 7 recorrente ter omitido na declaração de ajuste anual os rendimentos auferidos no anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Neste caso, cabe à contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12) Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, a interessada discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, a contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS Processo nº 10580.727098/200962 Acórdão n.º 280102.252 S2TE01 Fl. 140 8 §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, a contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem constar expressamente do texto legal, em conformidade com o disposto no art. 111, do CTN. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pela recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Por outro lado, com base no posicionamento da Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e Res. nº 8, de 2008STJ, que tratam dos recursos repetitivos, verificase que foi negado provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional e manteve o acórdão da 4ª Região, o qual havia decidido que não cabe a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física sobre os juros moratórios incidentes sobre valores recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, por se tratarem de verbas indenizatórias. Respaldado nesse entendimento, entendo que devem ser refeitos os cálculos de fls. 12, que embasam o lançamento, de modo a contemplar a exclusão dos valores recebidos a título de juros, identificados nos documentos de fls. 19/22 (considerados no demonstrativo de fls. 12). No tocante à multa de ofício, consoante vem sendo decidido por este Colegiado (confiramse os julgados 280101.675, 280101.676 e 280101.677, todos de 27/07/2011, relatados pelo Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães é incabível a exigência de tal penalidade quando o contribuinte demonstra ter sido induzida pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS Processo nº 10580.727098/200962 Acórdão n.º 280102.252 S2TE01 Fl. 141 9 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS
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Numero do processo: 10510.003210/2007-38
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA.
Somente são dedutíveis as despesas pleiteadas com observância da legislação de regência e que estejam devidamente comprovadas nos autos, por intermédio de documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.980
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. Somente são dedutíveis as despesas pleiteadas com observância da legislação de regência e que estejam devidamente comprovadas nos autos, por intermédio de documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. Somente são dedutíveis as despesas pleiteadas com observância da legislação de regência e que estejam devidamente comprovadas nos autos, por intermédio de documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Fl. 139DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10510.003210/200738 Acórdão n.º 2801001.980 S2TE01 Fl. 121 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 25 a 31, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$4.705,25, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de glosas de deduções pleiteadas a título de dependente (R$1.272,00), despesas com instrução (R$1.998,00) e despesas médicas (R$13.840,00). No tocante às despesas médicas, foram glosados os valores referentes aos profissionais Atalo Crispin de Souza (R$ 700,00), Isabel Maria Silva (R$1.400,00), Soc. Hospital Amparo de Maria (R$ 3.720,00), Silvana B. de Andrade Lima (R$ 3.100,00), Eduardo Carlos Pereira (R$1.820,00), Silvana B. de Andrade Lima (R$ 3.100,00), num total de R$13.840,00, por falta de comprovação dos gastos (Enquadramento Legal: art. 8°, inciso 11, alínea 'a', e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF no 15/2001, art. 73 do RIR/99. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 101verso): O contribuinte reconhece expressamente indevidas as deduções do dependente, das despesas com instrução e de parte das despesas médicas (R$4.283,60). Contesta, entretanto, o lançamento em relação às demais despesas médicas, reafirmando têlas realizado conforme documentos que junta às fls. 03/20, o que equivale a um imposto impugnado, no valor de R$2.628,01, conforme extrato à fl.35. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3ª Turma da DRJ Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 101 e 102, após converter o julgamento em diligência para que o contribuinte comprovasse o efetivo pagamento a Eduardo Carlos Pereira dos Santos (R$1.820,00), Silvana Barros de Andrade Lima (R$3.100,00) e Hospital Amparo de Maria (R$2.536,40), julgou a impugnação procedente em parte, eis que restabeleceu despesas médicas referentes ao profissional Atalo Crispim de Souza, no valor total de R$600,00. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 08/10/2010 (fls. 104), o contribuinte apresentou, em 27/10/2010, o Recurso de fls. 105 a 111, argumentando, em síntese, que reconheceu como indevidas as despesas com instrução, dependente e parte das despesas médicas. Contesta, contudo, despesas médicas no montante de R$9.556,40, pois os recibos apresentados provam o direito à dedução pleiteada. Pondera que os pagamentos podem ser efetuados em espécie, sem a emissão de cheques. Quanto à efetividade dos serviços prestados, defende que os serviços não são comprováveis. Assevera que os recibos somente podem ser desconsiderados se o fisco provar que são inidôneos. Invoca julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes para amparar seus argumentos. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10510.003210/200738 Acórdão n.º 2801001.980 S2TE01 Fl. 122 3 Os documentos de fls. 111 a 118 acompanham o recurso voluntário e constituem em cópias do acórdão recorrido e correspondência que o acompanhou, cópias dos documentos de identificação do interessado e comprovante de residência. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 119, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese a glosa de despesas médicas. Quanto às despesas médicas glosadas, nos termos do inciso II, alínea “a”, §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. A dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, não se aplicando às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. Observase, portanto, que para se acatar uma despesa médica como dedutível é necessário que o contribuinte ou seus dependentes efetivamente tenham recebido serviços médicos e que tenha havido, no anocalendário a que se refere a declaração de ajuste anual, o correspondente pagamento pelo contribuinte. No caso, com propriedade, destacaram as autoridades julgadoras de primeira instância: No curso da ação fiscal o contribuinte fora intimado a comprovar as despesas médicas declaradas, tendoo feito parcialmente. Somente na impugnação é que apresentou os documentos de fls. 3/11, relativos as despesas médicas declaradas como pagas aos profissionais Eduardo Carlos Pereira dos Santos (R$1.820,00), Silvana Barros de Andrade Lima (R$3.100,00) e ao Hospital Amparo de Maria (R$2.536,40), esse último em valor menor que o declarado e sem identificação do(s) beneficiário(s) da prestação. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10510.003210/200738 Acórdão n.º 2801001.980 S2TE01 Fl. 123 4 Por essa razão, pela significância dos valores neles indicados e pelo fato de o contribuinte haver declarado pagamentos de mesma ordem de grandeza aos dois profissionais em outros exercícios, é que o processo fora convertido em diligência para comprovação do efetivo pagamento. Dados da base Receita Federal sugerem vinculo entre os profissionais emitentes dos recibos, bem como entre eles e o cônjuge do contribuinte, razão que põe em xeque a essência das declarações firmadas e justifica as provas complementares exigidas (fls.87 e 93). Da mesma forma, permanece(m) não indicado(s) o(s) beneficiário(s) da prestação dos serviços pelo Hospital Amparo de Maria. Como o contribuinte não comprova a efetividade dos pagamentos, na forma como intimado a fazêlo na diligência, mantémse indevida a dedução de tais valores. Permanece igualmente indevida a dedução da despesa médica declarada como paga a Isabel Maria da Silva (R$1.400,00), pois que o beneficiário da prestação não fora declarado pelo contribuinte como seu dependente no ajuste anual. Ora, em sede de recurso voluntário, o contribuinte nada de novo traz para afastar as falhas acima apontadas. Neste contexto, entendo que, observado o disposto no art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999 (Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora), o contribuinte, instado a comprovar as deduções pleiteadas está obrigado a carrear aos autos elementos hábeis e idôneos, suficientes a demonstrarem o direito alegado. Não o fazendo, cabe manter as glosas mantidas no acórdão recorrido. Quanto a posições jurisprudenciais invocadas, destaquese que, excetuando se as Súmulas CARF aprovadas, que não foram trazidas à colação, tais posições não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 142DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10916.000108/2003-94
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO—II
Data do fato gerador: 17/07/2003
REDUÇÃO TARIFÁRIA. ALADI-ACE N° 39. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. CARTA DE CORREÇÃO. A vinculação entre o Certificado de Origem e a Fatura Comercial garante o cumprimento dos requisitos de origem e propicia aos signatários do Acordo o beneficio tarifário, não sendo cabível a existência de divergências entre as informações, sob pena de desacreditar o declarado. A Carta de Correção destina-se apenas à retificação de erros formais do Certificado de Origem e deve ser expedida pela autoridade certificadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 301-34.592
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros, Luiz Roberto Domingo, Priscila Taveira Crisóstomo (suplente), Valdete Aparecida Marinheiro e Susy Gomes Hoffmann, que reconheciam a validade da carta de correção.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
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Numero do processo: 13629.001608/2007-09
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS.
A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos das despesas médicas questionadas, enseja a manutenção da glosa efetuada na ação fiscal, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.358
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos das despesas médicas questionadas, enseja a manutenção da glosa efetuada na ação fiscal, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado.
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DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos das despesas médicas questionadas, enseja a manutenção da glosa efetuada na ação fiscal, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13629.001608/200709 Acórdão n.º 2801002.358 S2TE01 Fl. 98 2 Relatório Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 07/11, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (Suplementar) correspondente ao exercício 2004, anocalendário 2003, no valor total de R$ 14.241,60, incluídos a multa de ofício e os juros de mora, estes calculados até 31/08/2007. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, a autoridade fiscal efetuou a glosa do valor de R$ 23.040,30 referente a despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte a título de dedução do imposto devido, conforme se observa do exceto a seguir transcrito (fl. 07): Dedução Indevida de Despesas Médicas. Conforme disposto no art. 73 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 23.040,30 deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art.8°, inciso II, alínea “a”, e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II, e 841, inciso II, do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS: Dedução indevida a titulo de despesas médicas. Em principio, admitese como prova de pagamento tãosomente os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Todavia, existem fortes dúvidas quanto à materialidade dos pagamentos e/ou quanto à efetividade dos serviços prestados. O fisco está, portanto, autorizado a solicitar outros elementos de provas do sujeito passivo ou seja, O EFETIVO PAGAMENTO DAS DESPESAS MÉDICAS. A legislação pertinente não deixa dúvidas quanto à necessidade de comprovação das despesas declaradas, conforme o artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto 3.000, de 29/03/1999. Transcrevemos: art. 73 do RIR/99, Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n ° 5.844, de 1943, art. 11, § 3 ° ). Cumpre o fisco, por injunção legal, adotar os cuidados necessários a preservar o INTERESSE PÚBLICO implícito na Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13629.001608/200709 Acórdão n.º 2801002.358 S2TE01 Fl. 99 3 defesa da correta apuração do tributo, que se entende da interpretação do art. 11 § 4 °, DecretoLei n ° 5.844, de 1943. Em resposta à intimação, o contribuinte apresentou recibos das despesas médicas sem as correspondentes provas da efetividade dos pagamentos respectivos. Foram aceitos os comprovantes (Recibos e Notas Fiscais) fornecidos por: Neurocenter S/C, Rideo Konisch, Fundação São Francisco Xavier, Fundação São Francisco Xavier (USISAÚDE) e Hospital Luxemburgo, no montante de R$ 2.694,67. O contribuinte foi REINTIMADO, em 22/06/07, a apresentar provas do efetivo pagamento à empresa SEMOL (CNPJ25.456.450/000114) no valor de R$ 9.585,30. O CONTRIBUINTE NÃO ATENDEU À REINTIMAÇÃO. Foram considerados e aceitos todos os recibos apresentados (R$ 2.694,67), exceto quanto aos recibos fornecidos pela empresa SEMOL que foram glosados. Total das despesas médicas declaradas: R$ 25.734,97. Valor Glosado: R$ 23.040,30. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação, às fls. 01/06, alegando, em síntese, que os documentos anexados ao processo comprovariam o equívoco da autoridade lançadora em efetuar a glosa de dedução das despesas médicas apontadas, sendo desnecessária a comprovação do efetivo desembolso dos valores, porquanto a lei não faz exigência quanto à comprovação destas despesas médicas por meio de cheques nominais e extratos bancários. Para reforçar seus argumentos colacionou pronunciamentos do então Conselho de Contribuintes. Ao final, solicitou o cancelamento do lançamento. A 1a Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora (MG), em decisão unânime, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão DRJ/JFA nº 0927.330, de 26/11/2009, às fls. 78/80. Manteve, deste modo, integralmente, a exigência tributária. Com a ciência da decisão a quo ocorrendo em 18/12/2009, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 83, o contribuinte interpôs, em 18/01/2010, o Recurso Voluntário às fls. 84/86, argumentando que: a decisão recorrida “orientase somente no sentido de manter a qualquer custo o lançamento, faltandolhe a imparcialidade que se entende deva ser uma das principais propostas de um tribunal”; o julgamento a quo não refutou a jurisprudência mencionada na defesa, ou seja, 04 (quatro) acórdãos do então Conselho de Contribuintes, pelo que entende serem válidas tais decisões, constituindose em um dos pilares de sua sustentação; a total parcialidade do órgão julgador de primeira instância também se verifica pelo fato de não ter sido efetuada qualquer análise, ainda que desfavorável, a outro importante pilar de sua defesa, qual seja, a constatação de que as exigências impostas pela autoridade lançadora nas intimações fiscais extrapolam os limites de sua competência, que está delimitada pela lei vigente; o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 é questionável, e sua alegada matriz legal, o DecretoLei nº 5.844/43, pode estar revogado em várias de suas disposições, tendo em vista que uma lei é revogada por uma nova que trate por completa a matéria objeto da precedente, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13629.001608/200709 Acórdão n.º 2801002.358 S2TE01 Fl. 100 4 podendo ser o caso do DecretoLei nº 5.844/43, cujo objeto teve de maneira abrangente recebido novo regramento em diplomas legais posteriores a ele, como por exemplo a Lei nº 9.250/95; requer, neste sentido, o cancelamento da Notificação de Lançamento em apreço, e o restabelecimento de sua DIRPF/2004 aos seus termos originais. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. De início cabe aqui salientar que não assiste razão ao contribuinte quanto à alegada parcialidade e/ou incoerência em que teria se pautado a decisão recorrida. Ao contrário do que sustenta o defendente, tratase o acórdão destacado (Acórdão DRJ/JFA nº 0927.330, às fls. 78/80) de uma peça minuciosa, cujo voto está devidamente concatenado às demais peças dos autos. Baseouse o Relator na documentação e nas informações constantes do processo para efetuar sua análise, manifestando, em seguida, com clareza, seu entendimento quanto à matéria em litígio. O resultado do julgamento pode não ter sido o esperado pela defesa, porém, quando a decisão recorrida firmou o entendimento de que o contribuinte não obteve êxito em comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, não obstante as oportunidades que lhe foram concedidas, seja na fase investigatória do lançamento, como na fase impugnatória, isto não pode ser tratado como “injustiça”, ou mesmo uma afronta ao direito de defesa do autuado. Prevaleceu, naquela decisão, o convencimento do Relator e dos demais membros daquela colenda Turma de Julgamento, de que não foram juntados documentos ou provas capazes de elidir a infração apontada na peça de autuação. Assim, a contrariedade do recorrente com a motivação esposada no acórdão guerreado não constitui qualquer vicio material capaz de incorrer em sua plena desconsideração, vez que o livre convencimento do julgador administrativo encontrase resguardado pelo art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Ressaltese ainda que não se verifica na espécie em exame o alegado vício na fundamentação legal do lançamento, porquanto vigentes na data da autuação todos os dispositivos normativos citados na peça fiscal (dentre os quais, aqueles relacionados ao Decreto nº 3.000/99 e à sua matriz legal, o DecretoLei nº 5.844/43). Quanto à matéria posta em discussão, o contribuinte reitera seus argumentos contra a exigência, por parte do fisco, de elementos de prova complementares aos recibos por ele apresentados para validar as despesas médicas glosadas. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13629.001608/200709 Acórdão n.º 2801002.358 S2TE01 Fl. 101 5 Sobre isto, o acórdão recorrido já deixou bem claro que, ante ao valor expressivo declarado pelo recorrente a título de dedução com despesas médicas, coube à autoridade fiscal, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, conforme se infere da interpretação do citado art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. Nessa situação, a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções, o que implica o contribuinte trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado, e que, no caso em pauta, está relacionado à comprovação do efetivo pagamento dos dispêndios informados pelo declarante como tendo sido efetuados com profissionais da área da saúde. No caso, observase que, de fato, são elevadas as deduções a título de despesas médicas (R$ 25.734,87) pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos do anocalendário em questão (docs. às fls. 53/55 dos autos). Somente o valor de R$ 2.694,67 restou devidamente comprovado pelo fiscalizado. E mesmo assim, o contribuinte limitouse a apresentar recibos desacompanhados de qualquer documentação hábil e idônea a comprovar a efetividade dos serviços, bem como os correspondentes pagamentos. Não foi comprovado sequer como se deu a quitação dos valores constantes desses documentos (recibos). Deveras, caberia ao autuado a apresentação de prova robusta e incontestável de que os pagamentos foram realizados efetivamente nos valores declarados. No entender deste relator extratos bancários que exibissem as ocorrências de saques efetuados em moeda corrente, de ordens de pagamento, ou de transferências bancárias, compatíveis em data e valor com recibos e/ou declarações apresentados, poderiam trazer as evidências exigidas para validação da dedução pleiteada. Todavia, no presente caso, tais elementos probatórios não foram apresentados pelo recorrente. Neste contexto, impende repisar que a simples apresentação de recibos e declarações, por si só, não se revela hábil a comprovar valores elevados de despesas médicas. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço, como também do pagamento correspondente. Este tem sido o entendimento desta Turma Colegiada, em situações similares, acompanhando, deste modo, diversas decisões proferidas por este Egrégio Conselho. Citese como exemplos, os seguintes julgados: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS APRESENTAÇÃO DE RECIBOS SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Recurso negado. (Acórdão nº 2101000675, 1a Câmara – 2a SJ, Sessão de 18/08/2010)” IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO. A dedução relativa às despesas médicas limitase aos pagamentos especificados em Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13629.001608/200709 Acórdão n.º 2801002.358 S2TE01 Fl. 102 6 recibos e notas fiscais comprovados com os efetivos desembolsos. Recurso negado. (Acórdão nº 10249110, 2a Câmara 1o CC, Sessão de 30/05/2008)” (grifei) Cabe neste ponto reiterar que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, quanto aos acórdãos do então Conselho de Contribuintes citados pelo contribuinte em sua argumentação de defesa, cumpre salientar que, excetuandose as Súmulas CARF aprovadas e as decisões judiciais que vinculam este Órgão (nos termos do art. 62A do seu Regimento), que não foram trazidas à colação, tais posições não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Procedente, portanto, a exigência fiscal. Face o acima exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10183.005821/2005-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.985
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
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RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. Otk. OTACILIO DA S CARTAXO Presidente VALDETE APA ECID MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi e Susy Gomes Hoffmann. Processo n. 0 10183.005821/2005-16 Resolução n.° 301-1.985 CC03/C01 Fls. 281 RELATÓRIO Adota-se o Relatório de fls. 225 a 227 dos auto emanado decisão da DRJ - 1 0 Turma de DRJ/CGE, por meio do voto do relator, Luiz Maidana Ricardi, nos seguintes termos: "Exige-se do interessado o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e multa por informação inexata na Declaração do 1TR — DIAC/DIAT/2001, no valor total de R$ 2.475.511,20, referente ao imóvel rural denominado: Estância Parolândia, com área total de 32.108,9 há, com Número na Receita Federal — NIRF 3.845.331-2, localizado no minicípio de Nova Mutum — MT, conforme Auto de Infração de .fls. 01 a 09, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03,06 e 07. 2.Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente a área isenta de Utilização Limitada de 16.081,0 há e o Valor da Terra Nua — VTN, foi emitida intimação para apresentação de diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, ,fls. 16 a 18. Entre os mesmos constam: Certidão ou Matriculas do Imóvel com averbação da Reserva Legal; Ato Declaratório Ambiental — ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA e Laudo Técnico de Avaliação, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, com o atendimento aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, entre outros comprovantes idôneos. 3.Em resposta, após pedir prorrogação de prazo, fls. 20 a 22, o interessado apresentou a carta de fls. 23 e 24, na qual lista os documentos encaminhados, juntados das .fls. 25 a 40, entre os quais: cópia das matrículas do imóvel e do requerimento do ADA elaborado em 05/06/2003. Na carta também havia sido solicitada mais dilação de prazo para apresentação do laudo técnico, o qual, acompanhado da cópia das matriculas do imóvel, do ART e demais anexo, foi juntado das fls. 42 a 96. 4. Com base na análise dos documentos apresentados o Fiscal verificou que nas matriculas do imóvel não há averbação da Reserva Legal, bem como o ADA foi entregue ao IBAMA em data que não abrange o exercício do lançamento. Relativamente ao I/TN, o laudo não foi elaborado de forma eficaz, sendo rejeitado. Entre as irregularidades desse documento consta que: as amostras utilizadas tem uma única fonte de informação do ramo imobiliário; não identificação dos imóveis ofertados ou transacionados; a informação do Orgdo oficial não faz referencia especifica ao imóvel avaliando; deliberadamente, entre os VIN máximo e minima apresentados, o profissional utilizou o mínimo; bem como a maioria dos valores de mercado apresentados é contemporânea ao exercício fiscalizado, entre outras incorreções. AA 2 [CC03/C01 Fls. 282 Processo n.° 10183.005821/2005-16 Resoluciio n.° 301-1.985 5. Assim, com essas verificações e em atenção à legislação pertinente citada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, a autoridade .fiscal procedeu it glosa da área de Utilização Limitada, bem como ci alteração do VTN, utilizando-se da tabela de valores de terras do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT, nos termos da legislação. As razões de fato e de direito foram registrados pelo fiscal para efetuar tais altera ções.Apurado o crédito tributário em questão foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência ao contribuinte, de acordo com o Aviso de Recebimento — AR de ,fls. 97 datado pelo destinatário, foi dada em 09/12/2005, sexta-feira. 6. Tempestivamente, em 09/01/2006, segunda feira, inventariantes dos espólios apresentaram impugnação, lis. 100 a 119. Fizeram explanação sobre os fatos afirmando apresentação de discrepância absurda no lançamento. Externaram suas discordiincias da desconsideração das áreas de Preservação Permanente de 650,0ha e de Utilização Limitada de 16.081,0 há, da diminuição do Grau de Utilização — GU para 39,3% e do aumento de aliquota para 12%, ao invés de 0,45% declarado pelos impugnantes, que assim deveria ser considerado pelo fisco, pois, essas são as verdadeiras situações retratadas do imóvel, que poderão ser comprovadas pela Autoridade Administrativa a qualquer momento, mediante a necessária e oportuna diligência in loco. Após esta introdução apresentaram questionamentos preliminares alegando, em resumo, o seguinte: 6.1. Mencionando a legislação pertinente reiteram em parte os fatos. Mencionam que o lançamento teve como escopo especificamente, a glosa de área de Utilização Limitada e a desconsideração do VTN de sua DITR. 6.2. Na sequencia, com outro enfoque, reiteram suas discordcincias da glosa da área de Utilização Limitada e da majoração do V77V , bem como dizem ter consciência das leis de regência e discordando da Intrução Normativa — IN aplicada comentam a respeito. 6.3. Explanam sobre a DITR, particularmente sobre a existência de área de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, bem como do VTN declarado e destacam a região de localização do imóvel, Regido do Meio Norte, que por si exige e merece tratamento diferenciado. 6.4. A Autoridade Administrativa apega-se a uma simples IN como se a mesma tivesse o condão de sobrepujar-se aos aspectos legais do ordenamento jurídico (leis ordinárias e complementares) e, principalmente, à preservação de fato da área, possível de comprovação por órgãos de fiscalização ambiental, através de georreferenciamente por satélite, bem como, com a própria diligência in loco, historicamente utilizada em procedimentos análogos para apuração de outros tributos, para dirimir dúvidas e praticar a justeza do lançamento dos créditos tributários constituídos. 6.5. Ao considerar "zero hectare" de Reserva Legal, não obstante o respeiro à preservação natural na área, da Reserva Legal obrigatória para aquela região, negando o direito de não ser gravado com o 3 Processo n. 0 10183.005821/2005-16 Resolução n.° 301-1.985 imposto na referida reserva, caracteriza violação do direito, o que por si só autoriza a descondiderar o lançamento do crédito tributário constituído, passível de nulidade absoluta. 6.6. Com referencia ao VTN diz não haver sido feita no Auto de Infração a base de cálculo do valor considerado, bastante superior ao VTN para aquela região, conforme comprova laudo de avaliação. 6.7. Explana a respeito da região do imóvel, como a falta de infra- estrutura e da obrigatoriedade de Reserva Legal, bem como o nível baixo do V'TN e diz que se as autoridades reguladoras do Meio Ambiente e da Preservação Florestal .16 reconheceram a exatidão dessas áreas, para deles discordar a Receita Federal poderá fazê-lo, somente, através de comprovação in loco mediante diligencia. 6.8. Após outras alegações, como a informação de que a propriedade se encontra sobe ameaça de desapropriação, finalizam requerendo, como preliminar, a total nulidade do crédito constituído e, por conseguinte, o arquivamento do Auto de Infração, sem que haja qualquer aplicação de penalidade administrativa, fiscal ou pecuniária, pois, entende que cumpriram as formalidades legais ao apresentar sua DITR e pagou, pontual e corretamente o imposto devido, 6.9. Na questão de mérito, de certa forma, entre outros assuntos, reiteram as matérias de preliminar. Ressaltam que é público e notório que a utilização econômica de qualquer área na Regido do Meio Norte passa pelo crivo de órgãos ambientais. 6.10. Aprofundanz-se na questão de existência da Reserva Legal e dizem estarem disponíveis para possíveis diligências in loco,. comentam sobre o laudo técnico, que por si só desterra a pretensão do Sujeito Ativo da Obrigação Tributária, quando insiste em constituir crédito tributário como se o Sujeito Passivo houvesse incorrido em crime de sonegação de informação, por ter instruído sua DITR/2001, de forma correta, legal e tempestivamente apresentada, embora não tenha, até aquela data, apresentado o ADA o que somente ocorreu em 06/06/2003. 6.11. Se isso não for suficientemente capaz para consubstanciar a prova, existe, ainda, o intrumento da diligência in loco, que o Auditor, por razões desconhecidas, não utilizou desse direito, por achar, talvez, mais prático, optar pela tributação total da área negando aos impugnantes a existência de qualquer Reserva Legal, aspecto absurdo, sob todos os pantos de vista. 6.12. Comentam a respeito do ADA reproduzindo dispositivos legais pertinentes à questão e sob o titulo Da ilegalidade do Ato Declaratório Ambiental, copiando jurisprudência externam discordância a respeito de sua exigência, bem como a da Averbagão junto à matricula do imóvel, que dizem terem apenas e tão somente caráter declaratório, para fim de dar-se publicidade ao ato já constituído pelos proprietários do imóvel. 6.13. Na sequência continuam na questão de exigência do ADA e da averbação e destacam, com menção de Acordão do Conselho de CC03/C01 Fls. 283 4 Processo n.° 10183.005821/2005-16 Resolução n.° 301-1.985 CC03/C01 Fls. 284 Contribuinte, de que a área de Preservação Permanente não está mais sujeita à prévia comprovação por parte do declarante e finaliza o titulo reiterando assunto de diligencia in loco. 6.14. No que tange ao VTN atribuído pela Autoridade Lançadora dizem estar distanciado da realidade do Mato Grosso e menciona laudo anexado. 6.15. Também discordam da alíquota de cálculo, com os mesmos fundamentos constantes das questões de preliminar e de mérito; contestam a aplicação da multa de oficio e dos juros, vez que, em momento algum ficou caracterizado que houve qualquer infragdo por parte dos impugnantes, portanto, entendem ser incabível, ilegal e inoportuna a aplicação de multa de 75%, vez que, em momento algum, tentaram locupletarem-se mediante apresentação de meios escusos ou documentação inidõnea. 6.16. Elaboraram quadros demonstrativos de distribuição das áreas e com os cálculos do GU e do VTN apuram diferença de imposto a recolher no valor de R$ 23,13. 6.17. Assim, por tudo o que foi dito e comprovado, requerem o acatamento da impugnação, para que, uma vez analisada e julgada procedente, seja-lhes dado provimento para cancelamento do crédito tributário constituído e sua total nulidade, culminando no arquivamento do Auto de Infração. 7. Os documentos que instruiram a impugnação, relacionados na .fls. 119, foram juntados das .fls. 120 a 218, cuja maioria e mais importantes são os mesmos já apresentados para a fiscalização, acrescido, entre outros, de cópia de oficias do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA, relativamente a questões de desapropriação e cópia de DITR e de acóddos judiciais inerentes a questões similares ti presente. A decisão recorrida emanada do Acórdão n° 04-09.907 fls.223 e 224 traz a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício:2001 Ementa: ÁREAS ISENTAS Para ser considerada isenta a área de reserva legal, além de estar devidamente averbada na matricula do imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental — ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA dentro do prazo legal, que é de seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR, e tem como requisito básico a referida averba cão. Da mesma farma a área de preservação permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo técnico especifico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadem as pretensas áreas. VALOR DA TERRA NUA — VTN 5 Processo n.° 10183.005821/2005-16 Resolução n.° 301-1.985 CC03/C01 Fls. 285 O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT, nos termos cia legislação, passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. LAUDO TÉCNICO DE A VALIA ÇÃO. Laudo Técnico elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de pregos contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade minima exigível e, conzprovadanzente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento. Lançamento Procedente" Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes (fls.239 a 264) através de procurador, legalmente habilitado, onde alega, em suma: "I — Da Tempestividade do Recurso; II- Da Impugnação Rejeitada; III A Função Extrafiscal do ITR; IV- As razões do Recurso, citando decisões de Egrégio Conselho que the favorece; dos requeisitos para isenção de áreas reservadas; da apresentação do ADA ao IBAMA; da área de preservação permanente; da Discordância do VTN; do Lançamento do Imposto em Relação ao Fato Gerador; da Ameaça de Desapropriação do imóvel; da Ilegalidade da aplicação da multa de 75%, dos juros Moratórios e Acréscimos; da Revisão do Lançamento". Finalmente, requer que essa Colenda Camara, recebe seu recurso voluntário, corn efeito suspensivo e provido integralmente com as argumentações de fato e de direito, desde a fase impugnatória, para que, à luz das provas insertar no processo e mais as que apresentou, com os devidos esclarecimentos que comporta a matéria, seja acatado e respeitado na integra, o imposto originalmente lançado em sua DITR/2001 (já recolhido) e, como consequência, tornar nulo o crédito adicional constituído de oficio e o acatamento da nulidade total do crédito tributário constituído em face do lançamento corno de direito e de inteira justiça. o relatório. 6 Processo n.°10183.005821/2005-16 ResoluçAo n.° 301-1.985 CC03/C01 Fls. 286 VOTO Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora 0 Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, pois, preenche as condições de admissibilidade. Do relatado, tratam os autos de imposição fiscal através de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente, onde se exige o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício de 2001, apurado após a alteração da declaração do contribuinte, ou seja: a) Na alteração da DITRJ2001 não foi considerada a exclusão de 16.081,0ha de Area de Utilização Limitada por supostamente indevida por apresentação intempestiva do ADA, fls. 39 (cópia simples) com a declaração de 16.054 há de reserva legal e apenas uma averbação (matricula 37096) fls. 38 de 3.499,4689ha instruido com o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal n° 0197/2005; b) Valoração da Terra Nua, conforme o relatado, impugnado e recorrido, o autor da lide não aceitou o laudo apresentado pelo Recorrente e considerou para cálculo do imposto o valor de R$ 262,21 por hectare, enquanto o preço médio apresentado pelo laudo anexado pelo Recorrente é de R$ 174,73 por hectare, para o exercício de 2001. Reza o artigo 3°, parágrafo 4°, da Lei n° 8.847 de 28 de janeiro de 1994, que a "autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua Mínimo — VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte". Entretanto, o Laudo Técnico de Discriminação e avaliação de VTN/Minimo 2001/02 de fls. 42 a 72 emitido pelo Responsavel Técnico, Engenheiro Agronomo Donésio M Silva — Crea — 490/D-MT, acompanhado de ilustração fotográfica de fls. 74 a 80, planta aerofotogramétrica de fls. 82, certidão das matriculas do imóvel fls. 84 a 88, resultado de análise de fls. 90 e anotação de responsabilidade técnica A.R.T de fls. 92 e 93 não foi aceito pela autoridade administrativa autor da lide inicial. Mas, a despeito de tudo isso, é preciso ressaltar que cabe ao julgador analisar livremente as matérias descritas pela fiscalização, as alegações e as provas apresentadas pela defesa, de modo a formar, para solução da lide, livremente sua convicção, nos termos do art.29 do Decreto n° 70.235/1972. Dessa forma, considero bom e prestável os documentos citados acima, juntados pelo contribuinte, apenas restando dúvidas quanto as areas declaradas em sua DITR que são identicas as constantes do Ato Declaratório Ambiental (cópia autenticada de fls. 95), quanto as areas de preservação permanente de 650 ha e de area de reserva legal de 16.054ha (excluida pela fiscalização como isenta do ITR) e a "Now" constante de fls. 57 do processo 10183.005823/2005-05 do Referido Laudo Técnico original, elaborado pelo engenheiro responsável que ficou 05 dias fazendo vistoria no imóvel (fls. 44) e que observa o seguinte: 7 Processo n.° 10183.005821/2005-16 Resolução n.° 301 -1.985 CCONC01 Fls. 287 "Nota: A propriedade possui aproximadamente 4.013,00 há enquadrados como Area de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, estando incluso nesse montante as Areas com formação vegetal que se encontra as margens das divisas com o rio Arinos e de outros cursos d'águas, nascentes, encostas, cumes dos morros, obedecendo a Legislação Federal Lei N° 7.803/89 que altera a redação da Lei N° 4.771/65 do Código Florestal. A AREA DE RESERVA LEGAL existente é muito maior que aquela averbada A margem da Matricula 37.096 (3.499,4689) haja vista que cem por cento do imóvel se encontra sem qualquer intervenção antrópica. Estima-se ser de 1.605,00 há (5% da Area Total) a Area considerada INAPROVEITAVEL ou imprestável para aproveitamento econômico." Assim, entendo que nesse grau de julgamento, a verdade material é imprescindível. Agora se faz necessário para a manutenção do lançamento tributário ou a declaração de sua insubsistência a produção de prova pelo IBAMA, da real existência de Areas a serem excluídas da tributação do ITR no imóvel do Recorrente. Diante do exposto, deve o presente julgamento ser convertido em diligência para que seja determinado ao IBAMA a verificação do Imóvel da Recorrente, vistoriando-o para em parecer indique quais as Areas existentes de preservação permanente e de reserva legal, pondo fim a dúvida material existente no caso. como voto. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2008 VALDETE APARE IDA ARINHEIRO - Relatora 8
score : 1.0
Numero do processo: 13894.000650/2003-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-02.084
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOÃO LUIZ FREGONAZZI
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos tennos do voto do relator. I JOÃ~NAZZIRelator hfIZ FItEGC Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Valdete Aparecida Marinheiro e José Fernandes do Nascimento (Suplente). Processo n.o 13894.000650/2003-31 Resolução n.o 301-2.084 RELATÓRIO CC03/COI Fls. 124 • • Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da autoridade julgadora de primeira instância, abaixo transcrito. Trata o processo de solicitação de regularização cadastral para inclusão na sistemática do Simples desde 12/07/1999 (fl.1), sob a alegação de que desde então efetua recolhimentos e apresenta declarações relativas ao sistema. Tal pleito foi indeferido pela DRF (fls. 77/79), sob afundamentação de que, embora esteja demonstrada a intenção da requerente em aderir à sistemática simpl[ficada, as atividades exercidas pela pessoa jurídica, na área de reforma de máquinas operatrizes, restauração e manutenção de equipamentos e máquinas industriais, vedam a opção pelo Simples, por assemelhar-se à atividade de engenheiro a teor do art. 9°, XIII, da Lei n" 9. 317, de 5 de dezembro de 1996 . Comunicada do indeferimento em 12/02/2004, a contribuinte /nan[festou seu inco'?formismo com o despacho denegatório, em 09/03/2004 (fls. 83/84), na qual alega, em síntese e fundamentalmente que tem co/no atividade o "comércio de peças, prestação de serviços de reforma de máquinas opera trizes, manutenção de equipamentos e máquinas inclusive junto a terceiros ", co,?forme se ver[fica nas alterações ao Contrato Social; presta serviços gerais, para os quais não há necessidade de pro.fissional na área da engenharia ou qualquer outro pro.fissional que dependa de habilitação legalmente exigida, uma vez que a prestação de serviços consiste meramente na substituição de peças defeituosas. Alega, ainda, que o rol do art. 9, inciso XIlJ, da Lei n° 9.317, de 1996, é exaustivo, não constando dele a atividade desempenhada pela empresa. Por fim, qfirma que há grande disparidade entre empresas catalogadas em um mesmo código na Secretaria da Receita Federal, não havendo como equipará-las de forma indiscriminada e sem critério . A DRJ-CAMPINAS/SP indeferiu a solicitação, por considerar que a prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais equiparam-se àquelas exercidas por profissionais de habilitação legalmente constituída, sendo atividades assemelhadas às exercidas por engenheiros ou técnicos. Irresignada, a querelante interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos já expendidos em sede de impugnação. É o relatório. 2 Processo n.o 13894.000650/2003-31 Resolução n.o 301-2.084 VOTO Conselheiro João Luiz Fregonazzi, Relator CC03/COl Fls. 125 o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. o cerne da lide diz respeito à controvérsia acerca do exerClClOde atividades supostamente vedadas para fins de exercer a opção pelo SIMPLES. A contribuinte em epígrafe presta serviços de refonna de máquinas operatrizes e manutenção de equipamentos e máquinas, o que a impediria de optar pelo SIMPLES, a teor do disposto na norma contida no artigo 9° da Lei n.O9.317, de 05 de dezembro de 1996, in verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: (..) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, .fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; A Coordenação-Geral do Sistema de Tributação - COSIT, por meio do Boletim Central n° 55 - SIMPLES - Perguntas e Respostas, de 24 de março de 1997, em resposta à pergunta de n° 07, assim se pronunciou: "7) Se constar do contrato social que a PJ pode exercer alguma atividade que impeça a opção pelo SIMPLES, ainda que não venha a obter receita dessa atividade, tal fato é motivo que impeça sua opção por esse regime de tributação? Se no contrato social constarem unicamente atividades que vedam a opção, a pessoa jurídica deverá alterar o contrato para obter a inscrição no SIMPLES, valendo a alteração para o ano-calendário subseqüente. Excepcionalmente, será admitida a alteração do contrato social para adaptá-lo ao SIMPLES, até 31/03/1997, desde que neste ano de 1997, não tenha obtido receitas de atividades impeditivas. Admitir-se-á, no entanto, a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, condicionando-se neste caso, porém, a possibilidade de opção e permanência no SIMPLES, ao exercício tão somente das atividades não vedadas. No que respeita à atividade de manutenção de equipamentos, a Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966, atribui ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CONFEA competência para regulamentar o exerCÍcio profissional da engenharia, arquitetura e agronomia: 3 Processo n.o 13894.00065012003-31 Resolução n.O 301-2.084 "Art. 26 - O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, (CONFEA), é a instância superior da .fiscalização do exercício profissional da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia. Art. 27 - São atribuições do Conselho Federal: ( .) .1) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente Lei, e, ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos;" CC03/COI Fls. 126 o CONFEA regulamentou o exerCÍcio da Engenharia por meio de resoluções: a) a Resolução CONFEA n° 218, de 9 dejunho de 1973, determina que a manutenção de equipamentos (art. 1°, item 17) é de competência dos Engenheiros Mecânicos, Engenheiros Mecânicos e de Automóveis, Engenheiros. Mecânicos e de Armamento ou Engenheiros de Automóveis (art. 12); Técnicos de nível superior ou Tecnólogos (art. 23); ou Técnicos de grau médio (art. 24); b) a Resolução CONFEA n° 262, de 28 dejulho de 1979, determina que a execução de serviços de manutenção de equipamentos também é de competência dos técnicos de 2° grau (art. 1(~item 12); e c) a Resolução CONFEA n° 313, de 26 de setembro de 1986, determina que a manutenção de equipamentos também é de competência dos Tecnólogos, egressos de cursos de 3° grau cujos currículos.fixados pelo Conselho Federal de Educação forem dirigidos ao exercício de atividades nas áreas abrangidas pela Lei n° 5.194/1966 (art. 1° c/c art. 3'~item 6). Assim, todos esses profissionais exercem serviços assemelhados ao de engenheiro. A vedação com base no exerCÍcio de atividades elencadas na lei não pode ser contestada. Tal não ocorre quando a vedação atinge atividades semelhantes, deixando ao alvedrio da administração buscar quais atividades são semelhantes àquelas vedadas. Ocorre que não vislumbro nos autos prova inequívoca de que a recorrente exerce de fato atividades vedadas, pois é possível que execute funções aquém da complexidade exigida para atividades desenvolvidas por engenheiros ou assemelhados. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem, para que verifique quais as reais atividades desenvolvidas pela recorrente, juntando provas. Sala das Sessões, em 13 de outubro de 2008 JOÃO L'J'F*Lz!-Relator 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10814.003807/2003-34
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Data do fato gerador: 06/02/2003
CONCOMITÂNCIA ENTRE A VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL RECONHECIDA PELO CONTRIBUINTE.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 301-34.211
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Data do fato gerador: 06/02/2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE A VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL RECONHECIDA PELO CONTRIBUINTE. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial, nos termos do voto da relatora. OTACÍLIO DAN CARTAXO - Presidente 4111 SUSY e OFFMANN—Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda e Patricia Wanderkoke Gonçalves (Suplente), Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Brochini. Esteve presente a advogada Dr a Lívia Marques Melo OAB/DF n° 8.155/E. Processo n°10814,003807/2003-34 CCO31C01 Acórdão n.° 301 -34.211 Fls. 364 Relatório Cuida-se de Auto de Infração lavrado pela Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo em 15/04/2003, contra a empresa BRACO SA, em que se impõe a exigência de IPI, juros de mora e multa, prevista no inciso I, do artigo 80, da Lei 4502/64, com redação dada pelo artigo 45 da Lei 9430/1996. Extrai-se dos fatos, que a empresa qualificada importou através da Declaração de Importação Consumo e Admissão Temporária n". 03/0105658-1 (fls.11), registrada em 06/02/2003, mediante admissão temporária por 120 meses, uma aeronave Bombardier, modelo CL-600-2B16-Variant CL 604 Challenger, constante do Licenciamento de Importação n°. 02/1292974-4, de 11/11/2002 (fls. 16). Analisando o caso, o Fisco entendeu ser devida a incidência da aliquota de 10% (dez por cento) para o Imposto Sobre Produtos Industrializados por se tratar de admissão temporária com pagamento de impostos proporcionais ao tempo da permanência no Pais, razão pela qual o enquadramento correto seria o consubstanciado no artigo 6°, da IN/SRF n°. 285/2003. Assim, a empresa não teria direito às reduções previstas na NC (88-1) da Tabela de incidência do IPI — TIPI, por se tratar, justamente, de importação de aeronave para uso próprio com prazo de validade, 120 meses, equivalente à totalidade da vida útil do bem. Dessa situação fática, desenrolaram-se os processos administrativo e judicial, com objetos concomitantes ou interligados por algum ponto em comum, que no mais das vezes deram causa à prioridade de julgamento em âmbito judicial. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls.50/66) alegando que por força de liminar nos autos da Ação Cautelar n°. 2003.61.19.001371-2, apensa ao Mandado de Segurança n°. 2002.61.19.005744-9, e pelo depósito judicial do montante do crédito controvertido, tem-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Por fim alega, que é incabível a imputação de multa sobre o crédito tributário objeto do presente auto de infração, nos termos do artigo 63 da Lei n°. 9.430/96. Em primeira instância administrativa reconheceu-se a concomitância de processos em via administrativa e judicial, manifestando-se o Nobre Julgador tão-somente quanto à incidência de multa de oficio. Destacou que o crédito tributário relativo à multa imposta pela fiscalização é decorrente da falta de pagamento de IPI, conforme preceitua o artigo 80, inciso I, da Lei n°. 4502/64, com redação dada pelo artigo 45, da Lei n°. 9430/96. E mais, que as ações judiciais em curso não suspenderam a exigibilidade do crédito tributário, eis que o depósito existente não foi integral, nos termos de fls.196. Por isso, julgou procedente a multa aplicada. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 235/262, entendendo que o crédito estava suspenso à época de seu lançamento, razão pela qual se torna indevida a incidência da multa de ofício, nos moldes do artigo 151 do CTN. 2 Processo n° 10814.003807/2003-34 CCO3/C01• Acórdão n.° 301-34.211 Fls. 365 A contribuinte apresentou petição (fls.3391340) ao Conselho de Contribuintes requerendo que o presente processo administrativo seja julgado prejudicado, em face da decisão do Poder Judiciário referente à aplicação da multa de mora. Os Membros da 1" Câmara do 3° Conselho de Contribuintes acordaram (fis.345/351) em converter o julgamento em diligência para que a repartição competente oficie a Recorrente para que, em vista do pedido de fls.339-340, apresente também a desistência do Mandado de Segurança n°. 2004.61.19.000758-3, e confirme a sua manifestação para que o julgamento reste prejudicado em face da efetiva concomitância entre via judicial e administrativa. Em resposta, a contribuinte informou o que segue: que o presente processo administrativo foi formalizado em decorrência da • lavratura de AIIM para cobrança do IPI, multa de ofício e juros; a cobrança do montante principal (IPI) é objeto de discussão na esfera judicial, através do Mandado de Segurança d. 2003.61.19.005744-9; a multa e os juros também são objeto de discussão processual, tendo sido proferido acórdão do Agravo de Instrumento n°. 2003.03.00.041928-9, reconhecendo ser indevida a cobrança; referido acórdão é objeto de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, não possuindo efeito suspensivo. Dessa forma, o acórdão proferido pelo TRF continua produzindo efeito; dessa forma, requer seja julgado o presente feito prejudicado. É o relatório. 111 3 . Processo n° 10814.003807/2003-34 CCO3/C01 • Acórdão n.° 301-34.211 Fls. 366 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffi-nann, Relatora Preliminarmete esclareço que foi protocolizada pelo contribuinte petição requerendo que o recurso voluntário seja julgado prejudicado em face da existência de efetiva concomitância entre o processo judicial e o administrativo. Dessa forma, em face da existência de ação judicial que reconheceu indevida a cobrança de IPI, juros e multa, resta prejudicada a análise do Recurso Voluntário, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Assim, em vista da expressa concordância da Recorrente, deixo de analisar o mérito do Recurso. Observo que o conhecimento deste recurso foi objeto de ação judicial pela Recorrente, que via Mandado de Segurança buscou ter reconhecido o seu direito de que o presente Recurso Voluntário fosse conhecido pelo Conselho de Contribuintes, e obteve a liminar para tanto. Ocorre que em vista de já a seu favor, decisão judicial que já decidiu a questão meritória objeto do presente recurso, a Recorrente apresentou a citada petição entendo por prejudicado o presente Recurso Voluntário. Portanto, em vista da manifestação expressa da Recorrente sobre a ordem judicial NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, em face da existência de pedido da Recorrente no sentido de restar prejudicada a via administrativa, com expressa renúncia à mesma. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de dezembro de 2007 03,_ SUSY G* orIWOFF \ ANN - Relatora 4
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Numero do processo: 10935.723196/2019-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2017
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NA LINHA DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2017
SIMPLES. EXCLUSÃO. VALOR DAS DESPESAS PAGAS NO ANO SUPERIOR EM 20% AO DOS INGRESSOS DE RECURSOS NO MESMO PERÍODO. VALIDADE.
Correta a exclusão do Simples Nacional, ante a constatação de que a empresa possui valor de despesas pagas no ano-calendário superior em 20% (vinte por cento) ao dos ingressos de recursos no mesmo período.
SIMPLES. EXCLUSÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADE VEDADA. VALIDADE.
O exercício da atividade de cessão de mão de obra constitui impedimento à adesão ou permanência no Simples Nacional.
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS.
A exclusão do Simples Nacional produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos 3 (três) anos-calendário seguintes.
Numero da decisão: 1002-002.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo que a exclusão do Simples Nacional produzirá efeitos pelo prazo de 3 (três) anos-calendário seguintes.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa
Nome do relator: Ailton Neves da Silva
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2017 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NA LINHA DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2017 SIMPLES. EXCLUSÃO. VALOR DAS DESPESAS PAGAS NO ANO SUPERIOR EM 20% AO DOS INGRESSOS DE RECURSOS NO MESMO PERÍODO. VALIDADE. Correta a exclusão do Simples Nacional, ante a constatação de que a empresa possui valor de despesas pagas no ano-calendário superior em 20% (vinte por cento) ao dos ingressos de recursos no mesmo período. SIMPLES. EXCLUSÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADE VEDADA. VALIDADE. O exercício da atividade de cessão de mão de obra constitui impedimento à adesão ou permanência no Simples Nacional. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do Simples Nacional produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos 3 (três) anos-calendário seguintes.
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INOVAÇÃO NA LINHA DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2017 SIMPLES. EXCLUSÃO. VALOR DAS DESPESAS PAGAS NO ANO SUPERIOR EM 20% AO DOS INGRESSOS DE RECURSOS NO MESMO PERÍODO. VALIDADE. Correta a exclusão do Simples Nacional, ante a constatação de que a empresa possui valor de despesas pagas no ano-calendário superior em 20% (vinte por cento) ao dos ingressos de recursos no mesmo período. SIMPLES. EXCLUSÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADE VEDADA. VALIDADE. O exercício da atividade de cessão de mão de obra constitui impedimento à adesão ou permanência no Simples Nacional. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do Simples Nacional produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos 3 (três) anos-calendário seguintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 31 96 /2 01 9- 35 Fl. 559DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 reconhecendo que a exclusão do Simples Nacional produzirá efeitos pelo prazo de 3 (três) anos- calendário seguintes. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB. Trata-se de Manifestação de Inconformidade ao Termo de Exclusão do Simples Nacional (TESN), que impôs ao contribuinte em epígrafe a exclusão do Simples Nacional a partir de 1° de fevereiro de 2017, com produção de efeitos pelo prazo de 10 (dez) anos, em face de duas imputações: (i) constatação de que, durante o ano calendário, o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; e (ii) constatação da realização de cessão ou locação de mão de obra. A exclusão do Simples Nacional foi consubstanciada pelo Termo de Exclusão do Simples Nacional (TESN) n° 15, de 28 de março de 2019 (fl. 450), proferido pela DRF em Cascavel/PR, e a ciência pessoal do responsável contratual da empresa deu- se em 04/04/2019 (fl. 464). I - DA REPRESENTAÇÃO DE EXCLUSÃO SIMPLES NACIONAL. Nos termos do Relatório de Exclusão do Simples Nacional (fls. 451/463), a empresa optou pelo Simples Nacional em 05/12/2016, mesma data de sua abertura na Junta Comercial, sendo que durante o período fiscalizado (ano de 2017) foi constatado a ocorrência de fatos ensejadores da sua exclusão do Simples Nacional. Para isso, a Fiscalização afirma que a empresa incorreu nas seguintes infrações fiscais impeditivas da sua permanência no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições do Simples Nacional: (i) ocorrência do exercício de atividade vedada ao ingresso no Simples Nacional por meio da cessão ou locação de mão de obra; e (ii) valor das despesas pagas supera em 20% o valor de ingressos de recursos financeiros obtidos no mesmo período. Para materializar a primeira infração enumerada acima, a Fiscalização diz que a empresa Jangada Conveniência e Serviços Ltda realizou atividade de cessão ou locação de mão de obra, ao disponibilizar seus segurados empregados para outras empresas do grupo econômico de fato, nos seguintes termos: "[...] 4.3. Do exercício de atividade vedada ao ingresso no Simples Nacional Fl. 560DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 O CNAE principal da empresa é o "4729-6-02 - Comércio varejista de mercadorias em lojas de conveniência" (tela de cadastro no CNPJ na fl. 376), porém, como dito pelo contribuinte, atua com cessão de mão de obra para postos de combustíveis do próprio grupo econômico de que faz parte. (g.n.) O art. 17, inciso XII, da Lei Complementar n° 123/2006 é claro ao vedar o ingresso no Simples Nacional às empresas que pratiquem cessão de mão de obra. Ademais, cabe frisar que a terceirização de trabalhadores para a área-fim só foi possível com a edição da Lei n° 13.429, de 31/03/2017, que alterou profundamente a Lei n° 6.019/1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas. Enfim, o contribuinte só poderia terceirizar obreiros dedicados à atividade preponderante da empresa a partir de março de 2017, e ainda assim estaria vedado de ingressar no Simples Nacional por conta de regramento próprio contido na Lei Complementar n° 123/2006. Vejamos: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XII - que realize cessão ou locação de mão-de-obra; Nota-se a má-fé do sujeito passivo que declarou perante o Estado desenvolver atividade permitida para o ingresso no Simples Nacional mas que, na prática, exerce atividade vedada com o intuito espúrio de redução dos tributos devidos em prol do grupo econômico. [...]" Para a segunda infração (valor das despesas pagas supera em 20% o valor de ingressos de recursos financeiros), a Fiscalização menciona a ausência da efetiva transferência de recuros financeiros para a empresa decorrente de um empréstimo e diz que o montante das despesas com salários é superior em 20% a entrada de recursos oriundos das receitas declaradas, já que, no ano-calendário de 2017, o valor da massa salarial declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP) corresponde ao montante de R$ 560.836,84, enquanto o valor da receita bruta declarado no Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (PGDAS-D) foi de R$ 60.631,45. A partir do exame da escrituração contábil, fiscal e documentos, a Fiscalização noticia que a empresa autuada compõe um grupo econômico de fato, que seria formado pelas seguintes empresas principais: Stang Distribuidora de Petróleo Ltda. (CNPJ 11.325.330/0001-73); Stang & Stang Ltda (CNPJ 08.033.253/0001-73); Centro Automotivo Delta Ltda (CNPJ 13.128.763/0001-64); Umuarama Comércio de Combustíveis Ltda (CNPJ 10.348.963/0001-34); Céu Azul Auto Posto Ltda (CNPJ 75.912.253/0001-30); Stang & Stang Comércio de Combustíveis e Derivados Ltda (CNPJ 15.759.712/0001-66). Registra também que detectou a utilização "do artificio de suprir o caixa com empréstimos para evitar o chamado "saldo credor de caixa"", nos seguintes termos: "[...] 4.2. Do suprimento de caixa Por meio da análise do razão contábil referente ao ano de 2017, verifica-se que a empresa utilizou-se do artificio de suprir o caixa com empréstimos para evitar o Fl. 561DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 chamado "saldo credor de caixa", no qual a conta representativa dos valores em espécie que a empresa possui (conta caixa) fica com saldo negativo. Os supostos empréstimos montam a R$544.000,00 durante o período. Por meio do Termo de Intimação Fiscal 002 o sujeito passivo foi instado a comprovar a efetiva transferência do empréstimo, mas não se manifestou a respeito. O suprimento de caixa sem a comprovação da efetividade da entrega dos recursos é considerado omissão de receitas conforme previsto no art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000/99, vigente à época dos fatos. Mesmo se tratando de empresa optante pelo Simples Nacional, a legislação citada se aplica à pessoa jurídica fiscalizada por força do art. 34 da Lei Complementar 123/2006. Os dispositivos legais citados são transcritos a seguir: (...) [...]" II - DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Em 26/04/2019, o contribuinte ingressou com Manifestação de Inconformidade ao Termo de Exclusão do Simples Nacional (TESN) n° 15/2019, na qual refuta a exclusão, sob as alegações que se seguem, em síntese (fls. 412/424). Da Impossibilidade de Exclusão do Simples Nacional. Não ocorrência da hipótese do inciso IX do art. 29 da LC 123/2006. A Defendente (empresa) sustenta que, no ano de 2017, houve o ingresso de recursos superior ao valor do montante de despesas pagas a título de remuneração dos segurados empregados que lhe prestaram serviços. Isso, porque segundo a Defendente, ocorreu aporte na empresa de recursos financeiros oriundos de empréstimos concedidos pelos seus sócios no valor de R$ 544.000,00. Afirma que a empresa se utilizou dos valores emprestados, sem qualquer conduta ilícita, e conseguiu liquidar suas despesas, nada mais que isso, sendo completamente atentatório aos direitos basilares dos contribuintes que esses valores de ingresso de recurso sejam desconsiderados apenas para a aplicação da sanção fiscal pretendida, isto é, a exclusão do Regime do Simples Nacional. Diz que não pode a autoridade fiscal presumir situações, desconsiderando fatos sem prova alguma das condutas, apenas para a aplicação de sanções aos contribuintes. Para tanto, informa que todas as alegações fiscais devem ser embasadas em provas cabais e amplamente motivadas, ao amparo da presunção de inocência, da prevalência do ônus da prova de quem acusa, o que não pode ser motivo para desqualificação dos atos praticados, para impor regimes mais gravosos, como arbitramentos e outros. Da Possibilidade de Terceirização e Permanência no Simples Nacional. A Defendente argumenta que as atividades desenvolvidas pela empresa, que são terceirizadas, não se enquadram no conceito de cessão de mão de obra, e, com isso, não haverá qualquer vedação quanto a sua permanência no regime do Simples Nacional. Para tanto, afirma que a redação do artigo 4°-A da Lei 6.019/74 determina que se considera prestação de serviços a terceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a sua execução. Fl. 562DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Menciona que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar conjuntamente a ADPF 324 e o RE 958.252 (repercussão geral), nos quais se discutia a licitude da terceirização de atividades precípuas da empresa tomadora de serviços, fixou a seguinte tese jurídica: "é lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante (tema 725 da repercussão geral)". Deste modo, entende que há previsão expressa de que a prestação da atividade- fim poderá ser transferida a outra pessoa jurídica. Com relação à vedação de permanência da empresa no Simples Nacional que realize a cessão de mão de obra, esclarece que de fato a LC 123/2006 faz essa vedação, mas o grande ponto é que não haverá que se falar em "cessão de mão de obra" no presente caso, e sim apenas a terceirização dos funcionários, os quais são de total responsabilidade da Defendente (empresa). Registra que não houve a caracterização de cessão de mão de obra, e, por consectário lógico, os requisitos previstos no §3° do art. 31 da Lei 8.212/1991 não foram preenchidos. Informa que se os trabalhadores se limitarem a fazer o que está previsto em contrato, mediante ordem e coordenação da empresa contratada, como ocorre no presenta caso, não existirá a disponibilização da mão de obra e, por conseguinte, não restará configurada a sua cessão, sendo que a própria empresa contratada se compromete à realização de tarefas específicas, que por ela devem ser levadas a cabo. Com isso, entende que não há que se falar em cessão de mão de obra. Da Impossibilidade de Aplicação dos §§ 1° e 2° do art. 29 da LC 123/2006. Neste item, a Defendente (empresa) alega que o parágrafo 1° do art. 29 da LC 123/2006 somente autoriza a exclusão do Regime Simples Nacional de 03 (três) anos se ocorrer as hipóteses dos incisos II a XII, o que conforme exposto no tópico acima não se mantém, pois houve o ingresso de recursos capazes de pagar as despesas, não havendo que se falar em exclusão do regime com base nesse dispositivo. Acrescenta que, para a aplicação desse §1°, visando a prolongação do prazo de exclusão em 03 (três) anos, devem-se caracterizar cabalmente todos os condicionantes autorizadores da medida, quais sejam: (i) empresa oferecer embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; e/ou (ii) empresa oferecer resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade. Afirma que as condicionantes retromencionadas jamais foram praticadas pela Defendente (empresa), que nunca criou embaraço ou resistência à fiscalização, além de ter respondido todas as intimações fiscais e disponibilizado todos os documentos solicitados, sem criar qualquer óbice aos fiscais, como relatado pelos próprios auditores em vários momentos do termo de exclusão em objeto. Fl. 563DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Portanto, essa exclusão prolongada baseada nesse dispositivo legal não tem qualquer aplicação, vez que a Impugnante jamais praticou as condutas indicadas, como comprovam os próprios fiscais. Em outro ponto, sustenta que o parágrafo 2° do art. 29 da LC 123/2006 é claro no sentido de se comprovar o artifício ardil fraudulento capaz de manter a Fiscalização em erro, o que jamais foi produzido por parte do fiscal, por não haver qualquer prova cabal no sentido da empresa funcionar com o objetivo sonegatório, o que há na realidade é apenas uma terceirização de atividades, conduta completamente autorizada por parte do ordenamento jurídico brasileiro. Assim, entende que os parágrafos 1° e 2° do art. 29 da LC 123/2006 não possuem qualquer aplicação, não podendo ser prevalecidos. Da Aplicação do art. 151, III, CTN. Suspensão do Crédito Tributário. A Defendente (empresa) sustenta que o Fisco está impossibilitado de realizar qualquer meio passível de exigência do crédito tributário - seja autuações, intimações, ou ações fiscais - enquanto pender qualquer decisão final administrativa provocada, como no presente caso, visto que neste lapso temporal não há se falar em exigibilidade de crédito tributário. Com isso, requer a aplicação do art. 151, III, CTN, para que se suspenda eventuais procedimentos fiscais capazes de constituição de créditos tributários. Em 29 de abril de 2020, o pleito do interessado foi julgado improcedente pela DRJ/BSB, conforme acórdão n. 03-091.166 (e-fl. 465), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. Independe da confirmação do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional para que se proceda de ofício o lançamento dos tributos devidos, seja por qualquer outra forma de tributação. SIMPLES NACIONAL. VALOR DAS DESPESAS PAGAS NO ANO CALENDÁRIO SUPERA EM 20% (VINTE POR CENTO) O VALOR DE INGRESSOS DE RECURSOS NO MESMO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez constatado que a empresa possui valor de despesas pagas no ano- calendário superior em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, constitui fato impeditivo ao enquadramento da pessoa jurídica no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata a Lei Complementar (LC) 123/2006. SIMPLES NACIONAL. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADE VEDADA. Fl. 564DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Uma vez constatado que a empresa exerce atividade de cessão de mão de obra, constiui fato impeditivo ao enquadramento da pessoa jurídica no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata a Lei Complementar n° 123/2006. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A ME ou EPP excluída do Simples sujeitar-se-á às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. O Termo de Exclusão do Simples Nacional ou Ato Declaratório Executivo determina o período a partir do qual a empresa está excluída do regime especial de tributação, surtindo efeitos a partir de então. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 485, cujos fundamentos são reproduzidos resumidamente em sequência (destaques do original). Como preliminar, o Recorrente defende a nulidade do lançamento, sob os argumentos de que houve vicio de incompetência da autoridade autuante motivado pela ausência de TDPF-Fiscalização, e falta de autorização judicial para compartilhamento de provas e busca e apreensão de documentos. No mérito, com relação à infração de excesso de despesas frente aos ingressos de recursos que deu azo à exclusão do Simples Nacional, sustenta que “não merece prosperar a decisão no que se refere à exclusão do regime do Simples Nacional por constatação de que durante o ano –calendário o pagamento das despesas superou em 20% o ingresso de recursos”, justificando que “a diferença entre as despesas e receitas foi suprida mediante empréstimos”, que “as transações foram feitas em espécie” e que “não existe a obrigação do contribuinte de fazer prova negativa, prova de que não houve fraude.” Aduz que “possui autonomia operacional, administrativa e contábil, sendo absurdo considerar que o fato de ser deficitária comprovaria o suposto intuito fraudulento em sua constituição.” Com relação à infração de cessão de mão de obra (que também constituiu motivo da exclusão), cita a Solução de Consulta Cosit - nº 465, para afirmar que “o serviço de limpeza de veículo mediante cessão ou locação de mão de obra NÃO é vedado às empresas optantes pelo Simples” e que “as atividades exercidas pelo Recorrente mediante cessão de obra são excepcionadas daquela vedação pela própria Lei Complementar nº 123/2006.” Argui que “não há o que se falar em ausência de comprovação do suprimento de caixa mediante empréstimos dos sócios, eis que devidamente contabilizados, bem como não deve ser elevado o prazo de vedação de nova opção pelo Simples Nacional para 10 anos, tendo em vista que a demonstração do emprego de meio fraudulento é requisito legalmente previsto para tanto, inexistente nos autos, pelo que a decisão merece reforma também neste ponto. Como forma de conferir lastro a seus argumentos, apresenta, ainda, acórdãos de jurisprudência e escólio de doutrina. Fl. 565DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 No mais, o Recorrente repete e reforça argumentos e fundamentos expendidos em sede de Manifestação de Inconformidade. Ao final, apresenta os seguintes requerimentos: 1) Pede o acolhimento das preliminares aventadas; 2) Na hipótese de rejeição das preliminares, pede a reforma do acórdão recorrido e, por conseguinte, a anulação da decisão de exclusão e a readmissão do Recorrente no Simples Nacional, bem como a desconstituição dos autos de infração decorrentes da referida exclusão; 3) Na eventualidade de ser mantida a decisão de exclusão, requer a redução da vedação a nova opção pelo regime simplificado para o prazo mínimo legalmente previsto; 4) ante a ausência de trânsito em julgado da decisão de exclusão, solicita a anulação de todos os procedimentos fiscais em que foram impostas obrigações tributárias baseadas em regime diverso do simplificado. É o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva , Relator. I - ADMISSIBILIDADE Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que, apesar de tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, o recurso não será conhecido na íntegra, eis que o Recorrente inova na sua linha de defesa, apresentando argumentos inéditos, não suscitados em sede de Manifestação de Inconformidade, consubstanciados nas alegações de que: - há nulidade do lançamento por vicio de incompetência da autoridade autuante e falta de autorização judicial para compartilhamento de provas e busca e apreensão de documentos; - o serviço de limpeza de veículo mediante cessão ou locação de mão de obra não é vedado às empresas optantes pelo Simples, com menção ao §5°- C do art. 18 da LC 123/2006 e à Solução de Consulta Cosit n° 465/2017. Tais matérias não podem ser analisadas por este colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não terem sido apresentadas no momento processual oportuno, Fl. 566DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 caracterizando-se como “preclusas”, a teor do disposto nos artigos 16, III e 17 do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I- (...) (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) para Cabe esclarescer, ainda, que o lançamento a que se referem os requerimentos de nulidade dizem respeito a outro processo administrativo – o de nº 10935.724403/2019-79-, motivo por que devem ser apresentados no bojo daquele processo, observando-se o rito estabelecido pelo decreto nº 70.235/72 – PAF. É que o alcance dos efeitos de julgados administrativos ou judiciais é restrito às matérias e aos integrantes do respectivo processo, o que, em regra, não permite a extensão daqueles efeitos a outros processos ou partes estranhas à lide. No caso dos autos, a lide foi delimitada tão somente pela insurgência do contribuinte contra o ato de exclusão de ofício do Simples Nacional praticado pela DRF/Cascavel, cabendo a este colegiado, portanto, avaliar apenas a regularidade ou não da exclusão, não sendo possível desbordar os limites delineados pelo objeto da relação jurídica processual instalada. Pelo exposto, a matéria e os requerimentos mencionados não serão conhecidos. II - DO EFEITO SUSPENSIVO DO RECURSO Nas suas razões de defesa, o Recorrente alega que não poderia haver o lançamento de ofício decorrente da exclusão do Simples Nacional em razão de ter apresentado recurso contra a exclusão com efeito suspensivo, previsto no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Em que pese o inconformismo do Recorrente, seu argumento não prospera. Os efeitos da exclusão, como visto, são os definidos pela lei nº 123/2006, e nela não há qualquer dispositivo que condicione a constituição de crédito tributário apurado em outro processo à decisão terminativa da exclusão do Simples na esfera administrativa. Na verdade, o Recorrente confunde o ADE de exclusão do Simples – que é declaratório – com o ato de lançamento fiscal – que é constitutivo –, tanto assim que em alguns trechos do Recurso usa o termo “lançamento” ao questionar o ADE mencionado. Fl. 567DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Basicamente, a diferença entre os dois conceitos é que o ato constitutivo produz efeitos a partir de sua realização, enquanto que o declaratório gera efeitos retroativos à data da declaração, por constituir-se num ato de reconhecimento de situação jurídica preexistente. No presente caso, cabe repisar que o objeto destes autos circunscreve-se à regularidade da exclusão do Simples, não cabendo, portanto, qualquer pronunciamento do colegiado sobre a arguição de falta de amparo legal para lançamento do crédito tributário decorrente da falta de “trânsito em julgado” do Ato de exclusão, a qual deve ser apresentada no processo nº 10935.724403/2019-79, no qual são discutidos os fundamentos e a regularidade do auto de infração relacionado à exclusão. Por fim, esclareço que, no âmbito do CARF, o assunto foi objeto de verbete sumular que reconhece a inexistência de óbice ao lançamento de ofício de créditos tributários devidos em face da exclusão relativo a ADE objeto de discussão administrativa: De qualquer modo, Súmula CARF nº 77 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, por falta de amparo legal, não merece guarida o requerimento apresentado pelo Recorrente. III - DO MÉRITO III.a - Da exclusão motivada por falta de comunicação obrigatória Como dito no preâmbulo, o Recorrente foi excluído do Simples Nacional por meio do Termo de Exclusão do Simples Nacional n° 15/2019, de 28/03/2019, em virtude de falta de comunicação de exclusão obrigatória por prática de cessão de mão de obra e constatação de que o valor das despesas superou em 20% o ingresso de recursos durante o ano-calendário. Com relação à cessão de mão de obra, o Recorrente sustenta, em suma, que as atividades por ele prestadas configuram apenas a terceirização de funcionários, e não cessão de mão de obra; que os trabalhadores fizeram o que estava previsto em contrato firmado entre as empresas, mediante ordem e coordenação da empresa contratada, não ocorrendo a cessão de mão de obra nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, e que o ônus da prova da efetiva cessão de mão de obra compete ao Fisco. O acórdão recorrido realizou percuciente análise sobre o tema, motivo pelo qual peço vênia para transcrever trechos principais dele extraídos para elucidação do caso: A Defendente (empresa) sustenta que exerce atividade de terceirização, que não se enquadraria no conceito de cessão de mão de obra. Logo, não existiria qualquer vedação quanto a sua permanência no regime do Simples Nacional. Fl. 568DF CARF MF Original https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 11 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Para tanto, afirma que a redação do artigo 4°-A da Lei 6.019/1974 determina que se considera prestação de serviços a terceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a sua execução. Não se acolhem essas alegações, haja vista que a atividade de terceirização desenvolvida pela Defendente, de fato, é inerente ao conceito de cessão ou locação de mão de obra previsto no parágrafo 3 o do art. 31 da Lei 8.212/1991. Isso porque todos os seus trabalhadores contratados no ano-calendário de 2017 (em torno de 17 funcionários na matriz e 8 funcionários na filial, CNPJ 26.660.379/000311) foram efetivamente disponibilizados para outras empresas do grupo econômico de fato -deixando a Defendente de com eles contar para outras tarefas que não as contratadas informalmente no caso em análise -, para prestar serviços de necessidade contínua das empresas tomadoras - Umuarama Comércio de Combustíveis Ltda (CNPJ 10.348.963/000134); Céu Azul Auto Posto Ltda (CNPJ 75.912.253/0001-30); Stang & Stang Comércio de Combustíveis e Derivados Ltda (CNPJ 15.759.712/0001-66) -, e nas dependências delas, conforme elementos probatórios acostados aos autos (tais como: contratação de funcionários para atividade específica de frentista e trocador de óleo, fls. 158/202; fotos e cupons fiscais, fls. 396/399; insuficiência anual de receita do seu objeto social como loja de conveniência, fls. 77, Livro Diário de 2017) e declaração da própria Defendente durante o procedimento de auditoria fiscal (fls. 122/123) nos seguintes termos “[...] Em atendimento ao termo de intimação fiscal supracitado, apresenta-se ficha registro de todos os funcionários, ativos, inativos ou afastados. Segue também lista com os registros ainda ativos, das que possuem, nesta data funcionários, para matriz e todas as filiais. Tratando-se da operação da empresa, esta não opera como loja de conveniência, não realizando atividade de compra e venda de mercadorias, desta forma, inexiste notas fiscais de aquisição, tampouco venda de produtos. Outro fato, é que a empresa não possui inscrição estadual, registro indispensável para a operação de compra e venda de produtos. Desta maneira, a forma de atuação da sociedade é a cobrança via emissão de nota fiscal de prestação de serviço, pela cessão de mão de obra, uma vez que os funcionários estavam terceirizados para os postos de combustíveis. Quanto ao local da prestação de serviços descrita acima, segue razão social e CNPJ das empresas que contrataram serviço. CÉU AZUL AUTO POSTO LTDA (CNPJ 75.912.253/0001-30) STANG & STANG C. DE C. E D. LTDA (CNPJ 15.759.712/0001-66) UMUARAMA COM. DE COMB. LTDA (CNPJ 10.348.963/0001-34) [...]” (Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n 002, de 28/11/2018, fls. 118/121) Ainda dentro do aspecto fático, constitui fato incontroverso que os trabalhadores da Defendente (Jangada Conveniência e Serviços Ltda) vieram das empresas CA Serviços e Conveniência Ltda e Horizonte Serviços e Conveniência Ltda, ambas integrantes do grupo econômico de fato (denominado de "grupo Stang"), conforme arquivo "Transferência de empregados.xlsx" (arquivo não-paginável, fl. 402), que contém exemplos do deslocamento de funcionários de uma loja de Fl. 569DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 conveniência para outra, todas do mesmo grupo econômico, sendo que o motivo da transferência informado em GFIP era os seguintes: "N2"(Transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de contrato de trabalho); e "N3" (Empregado proveniente de transferência de outro estabelecimento da mesma empresa ou de outra empresa, sem rescisão de contrato de trabalho). Isso evidencia a pulverização dos trabalhadores nas empresas do grupo econômico de fato com objetivo de dificultar a percepção da ocorrência da cessão de trabalhadores dentro do grupo. Dentro do aspecto jurídico, por expressa disposição do parágrafo 4° do artigo 31 da Lei 8.212/1991, os serviços exercidos por meio da Lei 6.019/1974 estão inseridos no rol elencado de cessão de mão de obra. Lei 8.212/1991: Art. 31. (...) § 3° Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. §4° Enquadram-se na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (...) IV - contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (g.n.) Por outro lado, a novel legislação sobre a terceirização de mão de obra, prevista no artigo 4°-A da Lei 6.019/1974, com redação dada pela Lei 13.429/2017, em nada inovou no cumprimento do regime tributário a ser adotado para as obrigações tributárias, e, por consectario lógico, a empresa que realizava atividade de cessão de mão de obra estava impedida de ingressar no Simples Nacional por conta de regramento próprio contido no inciso XII do art. 17 da Lei Complementar 123/2006. Lei Complementar 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XII - que realize cessão ou locação de mão-de-obra; (g.n.) Dessa forma, não se sustenta a alegação da Defendente de que inexiste motivação para exclusão da empresa do sistema simplificado de recolhimento de tributos do Simples Nacional (inciso I do art. 29 da LC 123/2006). (...) Não há reparos a fazer nos fundamentos expressos no acórdão recorrido, os quais demonstram de forma clara e objetiva a prestação de serviço caracterizado como cessão de mão de obra. Fl. 570DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Aduzo que não há necessidade de subordinação dos funcionários à contratante para configuração da cessão de mão de obra, como quer fazer crer o Recorrente, bastando que os trabalhadores fiquem à disposição dos contratantes, conforme reza o § 3° do art. 31 da Lei nº 8.212/91. Registro, ainda, que o conteúdo do recurso sobre o tema examinado é eminentemente argumentativo, eis que não foram indicados ou apresentados os contratos de prestação de serviço entre as empresas envolvidas, de modo a tornar possível a confirmação das alegações do Recorrente. Quanto à questão do ônus da prova, o ordenamento jurídico pátrio consagra no art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC) - aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal - regra específica sobre o tema: Art. 373 O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Como se observa, o ônus da prova compete a quem alega possuir o direito. Logo, não cabe ao Fisco aceitar como como verdadeiras simples alegações de que as atividades prestadas a outras empresas configurariam “terceirização” de mão de obra, porque “alegar sem provar é o mesmo que não alegar”, como diz um conhecido brocardo jurídico. Tampouco é aceitável a tentativa de transferir ao Fisco a obrigação de comprovar fato constitutivo do direito do Recorrente (de permanência no Simples), visto que esta responsabilidade é dele, de acordo com o que estabelece o diploma legal retro mencionado. Portanto, sem razão o Recorrente quanto aos argumentos apresentados. III.b - Da exclusão motivada pela constatação de que o valor das despesas superou em 20% o ingresso de recursos durante o ano-calendário Com respeito ao outro motivo de exclusão do simples (valor das despesas superou em 20% o ingresso de recursos durante o ano-calendário), o Recorrente argui, em síntese, que a diferença entre as despesas e receitas foi suprida por empréstimos, mediante uso de dinheiro em espécie. Sobre o tema, o acórdão recorrido apurou que não consta nos livros contábeis apresentados qualquer registro do pagamento de juros por meio de contas de resultado, e tampouco qualquer contrato de mútuo: Na documentação apresentada (Livros Contábeis: Diário e Razão, folhas 34/117), um ponto a ser esclarecido é que não há registro contábil do pagamento de juros por meio de contas de resultado. Certamente é concebido que o seu registro escorreito dever ser materializado em uma conta de despesa (conta de resultado), fato este não evidenciado na sua escrita contábil, nem na sua documentação apresentada nesta fase de julgamento. Fl. 571DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Isso significa que, para fins de registros contábeis, uma única operação de empréstimo inclui fluxos de caixa classificados em mais de uma atividade da empresa: operacionais, investimentos ou financiamentos (empréstimos). Assim, na espécie delineada pela Defendente, a parte dos juros deveria ser classificada como atividade operacional -transitando basicamente na Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) do respectivo período, por meio de conta de resultado (despesas operacionais) - , e a parte do principal deveria ser classificada como atividade de financiamento (empréstimo) - transitando em conta patrimonial (passivo circulante). No caso dos autos, não há qualquer operação de pagamento de juros materializada na escrita contábil da empresa. Ainda dentro da análise da documentação apresentada, não há sequer um suposto instrumento contratual de mútuo apresentado - que deveria conter a assinatura dos contratantes e a transcrição no Registro de Títulos e Documentos -, que, se existente, constituiria um reforço para a credibilidade da operação de mútuo, conferindo-lhe certeza, no mínimo, quanto às datas em que foi efetivamente firmado. Não tendo, pois, o instrumento de contrato de mútuo sob análise sido levado ao Registro Público, nem a comprovação da efetiva entrega dos recursos, a peculiar operação de empréstimo (mútuo) descrita pela Defendente, mesmo que o valor da operação tenha sido registrado no Livro Diário, não pode ser oposta ao Fisco ou a qualquer outro terceiro, consoante dispositivos do Código Civil Brasileiro (artigos 221 e 228). De fato, analisando-se os autos, constata-se que o simples registro contábil do valor de R$ 544.000,00 (quinhentos e quarenta e quatro mil reais) a título de empréstimo não se mostra suficiente à comprovação da origem e da efetividade do suprimento de caixa alegado, devendo a operação ser corroborada, no mínimo, por contratos de mútuo, registro contábil de contas reflexas e documentação hábil e idônea comprobatória da efetiva transferência de numerário e da origem do recurso, como regulado pela legislação comercial e tributária. No caso, o Recorrente não explica a origem do recurso supostamente recebido como suprimento de caixa, mesmo depois de regularmente intimado pela fiscalização, limitando- se a afirmar de forma genérica que teriam decorrido de “empréstimos”, sem detalhar como se deu a operação e sem identificar nominalmente qual dos sócios teria efetuado o suposto aporte de numerário. Além disso, mostra-se pouco crível o argumento de que o aporte de uma quantia tão expressiva para suprimento de caixa tenha sido feito fora do sistema bancário, especialmente pelo risco que envolve uma operação desta natureza nos dias de hoje. Portanto, sem razão o Recorrente também quanto ao ponto examinado. IV - Dos efeitos da exclusão do Simples Quanto ao tema, o Recorrente contesta a decisão de que a exclusão operaria efeitos pelo prazo de 10 (dez) anos a partir de fevereiro de 2017, expressa no acórdão recorrido. Para o exato entendimento da matéria, apresenta-se em seguida recorte do TESN nº 15/2019 que contém a fundamentação que deu suporte jurídico à exclusão Fl. 572DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Observou-se que a fixação dos efeitos da exclusão pelo prazo de 10 (dez) tem base no § 2 o do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 (destaques deste relator): Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: I – (...); (...) XII – (...) § 1 o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos-calendário seguintes. § 2 o O prazo de que trata o § 1 o deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. Esquadrinhando-se os dispositivos legais destacados, depreende-se que a fixação do prazo de 10 (dez) anos de impedimento à opção pelo Simples fica sujeito à comprovação da má-fé na conduta do contribuinte, caracterizada pelo seguinte conjunto de ações integradas: a) utilização de artificio, ardil ou outro meio fraudulento; b) que induza ou mantenha a fiscalização em erro; c) com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Após análise do TVF de e-fls. 446, na parte que toca à exclusão do Simples Nacional, verifica-se que a fiscalização não discorre diretamente sobre o tipo de artificio, ardil ou meio fraudulento utilizado pelo contribuinte que teria induzido a fiscalização em erro para o fim de suprimir ou reduzir pagamento de tributo. No item 4.3 do TFV, consta apenas uma única e parca referência da suposta má-fé do contribuinte, reproduzida na imagem que se segue: Fl. 573DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 Como se observa, a fiscalização presumiu que a má-fé do contribuinte estaria configurada com a simples entrega da Declaração fiscal informando atividade vedada ao ingresso no Simples Nacional. Entretanto, tal presunção fere o princípio da boa-fé objetiva, segundo o qual a má-fé não se presume, mas deve ser categoricamente comprovada. Nesse contexto, a confirmação da presunção dependeria da produção de argumentação mais consistente e prova mais robusta pela fiscalização, eis que competia a ela o ônus de provar que as informações prestadas na referida declaração careceriam de substância ou não teriam decorrido de “erro”, mas de “dolo” do contribuinte, o que não ocorreu. Mesmo que, num contexto mais amplo, fosse possível extrair dos autos que a conduta do contribuinte visou à supressão ou redução do pagamento de tributo, não há prova direta nos autos de que houve a aplicação de meios fraudulentos para induzir a fiscalização em erro para consecução daquele desiderato. Nesse sentido, não consta do TVF qualquer relato de embaraço a fiscalização, consubstanciado em ocorrências do tipo: desatendimento ou reiteração de intimações, ações postergatórias do contribuinte, ou qualquer outro ardil que pudesse justificar a classificação de sua conduta como manifestamente “fraudulenta” ou “dolosa”, a ponto de tumultuar a fiscalização ou induzi-la em erro, com o objetivo de suprimir ou reduzir o pagamento de tributos. A propósito, há sumula do CARF que, ainda que se refira a omissão de receita, e não propriamente à situação em questão, deixa clara a ideia de que o agravamento de penalidades deve ser acompanhado de comprovação do evidente intuito doloso: Súmula CARF nº 14 Aprovada pelo Pleno em 2006 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por todo o exposto, é de se deferir o pleito do Recorrente quanto ao tema examinado, no sentido de que a exclusão impede a opção pelo Simples Nacional pelos próximos 3 (três) anos-calendário seguintes ao da exclusão. DISPOSITIVO Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso, e no mérito, na parte conhecida, dou-lhe provimento parcial, reconhecendo que a exclusão do Simples Nacional produzirá efeitos pelo prazo de 3 (três) anos seguintes ao da exclusão. É como voto. Fl. 574DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1002-002.326 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.723196/2019-35 (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 575DF CARF MF Original
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