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Numero do processo: 12045.000435/2007-00
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN.
Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal.
O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação.
PROCESSO ANULADO
Crédito Tributário Exonerado:
Numero da decisão: 2301-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do(a) relator(a). Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Nelson Borges de Barros Neto
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente na data de formalização.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Damião Cordeiro de Moraes
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. PROCESSO ANULADO Crédito Tributário Exonerado:
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. PROCESSO ANULADO Crédito Tributário Exonerado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do(a) relator(a). Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Nelson Borges de Barros Neto (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente na data de formalização. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 35 /2 00 7- 00 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Damião Cordeiro de Moraes Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA contra decisão monocrática que julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, considerados pelo contribuinte como sócios das empresas contratadas. 2. A decisão recorrida restou assim ementada: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea ‘a’ da Lei 8.212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” 3. Em assentada anterior a então 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS em acórdão da lavra do Conselheiro Edson de Jesus Jinkins, deu provimento parcial ao recurso do contribuinte para afastar a incidência de multa de mora e parcela excedente ao limite máximo do saláriodecontribuição. 4. O Fisco, por sua vez, apresentou recurso revisional do acórdão vergastado, aduzindo, em síntese, afronta ao disposto no §2º, do art. 63 da Lei n.º 9.430/96. 5. Aberto o prazo regimental para a apresentação de contrarazões, não houve manifestação da empresa. 6. Por fim, analisando o pedido de revisão manejado pelo Fisco, o Presidente desta então Câmara proferiu despacho acolhendo o recurso. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000435/200700 Acórdão n.º 2301000.735 S2C3T1 Fl. 768 3 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do pedido de revisão do acórdão, exarado pela então 2ª CAJ, nos termos do despacho proferido pelo nobre presidente desta Câmara, uma vez que também entendo que a decisão judicial tem efeito direto no presente processo administrativo no que diz respeito ao domicílio fiscal do recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Uma vez conhecido do revisional passo a enfrentar as questões trazidas pelo recorrente, iniciando pelo domicílio tributário do contribuinte. 3. Frisese desde logo que a matéria deve ser novamente enfrentada por este Colegiado, ante a juntada nos autos de documento novo, conforme autorizado pelo art. 16, §4º, alínea ‘b’, do Decreto n.º 70.235/72, qual seja a decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte. 4. Com efeito, a decisão judicial foi no sentido de reconhecer o erro no domicílio tributário do recorrente, inclusive com determinação no sentido de “julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores – RJ”, portanto, estabelecimento diferente daquele escolhido pelos auditores para executar procedimento fiscalizatório. 5. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 6. Com razão o contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 7. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 8. Com dito alhures, a questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontrase em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20a alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 – Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2o do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Não obstante repute louvável toda e qualquer medida administrativa que tenha como escopo resguardar o munus fiscalizatório dos órgãos públicos, mormente em se tratando de hipótese de persecução de débitos fiscais, a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2o do art. 127 do CTN “A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito...” , não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000435/200700 Acórdão n.º 2301000.735 S2C3T1 Fl. 769 5 domicílio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distância da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstância ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização/arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria nº 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995, promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores – RJ. Condeno o Réu no reembolso das custas judiciais e no pagamento de honorários de advogado, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa. É como voto. EMENTA ADMINISTRATIVO – ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO – RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2O, DO CTN. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 I – Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II – A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2o do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III – Recurso provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas. Decide a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, à unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, constante dos autos, que fica fazendo parte integrante do presente julgado. Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2007. (data de julgamento) SERGIO SCHWAITZER RELATOR PROCESSO Nº 2003.51.01.0224300 IV APELACAO CIVEL ( AC /346266 ) AUTUADO EM 14.07.2004 PROC. ORIGINÁRIO Nº200351010224300 JUSTIÇA FEDERAL RIO DE JANEIRO VARA: 19CI APTE: MI MONTREAL INFORMATICA LTDA ADV: JOAO LUIZ PINTO DA NOBREGA E OUTROS APDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS ADV: FERNANDO LINO VIEIRA RELATOR: DES.FED.SERGIO SCHWAITZER 7A.TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Em 07/12/2007 12:40 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(O) Décima Nona Vara Federal do Rio de Janeiro(GR 00/0162527)07/0162527 Em 27/11/2007 12:40 Trânsito em Julgado DATA DO ÚLTIMO PRAZO: · Em 05/11/2007 16:44 Recebimento NA(O) SUBSECRETARIA DA 7A.TURMA ESPECIALIZADA” 9. Considerando a decisão judicial, a qual não pode ser desconhecida da administração, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores – RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000435/200700 Acórdão n.º 2301000.735 S2C3T1 Fl. 770 7 10. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. 11. Com efeito, a fiscalização deixou de observar a legislação que disciplina a matéria relativa ao domicílio tributário, a começar pelo próprio Código Civil: Código Civil: “Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: ... IV das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.” 12. A seu turno, o Código Tributário Nacional assevera com clareza: “Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: ... II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior.” 13. Pelos dispositivos legais acima alinhavados, constatase que é pacifico o entendimento quanto ao estabelecimento do domicílio tributário por intermédio da fixação da sede da empresa. É bem verdade que o órgão fiscalizador pode recusar o domicílio eleito nas hipóteses previstas no artigo 127, §2° do CTN, mas desde que o faça de forma justificada. Para tanto, o ato normativo cuidou de estabelecer regras para a fixação de ofício do domicílio. Neste caso, o estabelecimento centralizador é aquele onde se encontra a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral. 14. Em síntese, temos que, em regra, é respeitada a vontade do sujeito passivo na eleição de seu domicílio tributário e, conseqüentemente, de seu estabelecimento centralizador perante o fisco, que pode ser alterada de ofício nas hipóteses, comprovadamente, de impedimento ou dificuldade para a realização da auditoria fiscal. E no presente caso a fiscalização em momento algum recusou o domicílio eleito pelo recorrente preferindo, entretanto, defender o acerto da fiscalização no estabelecimento determinado pelos próprios auditores. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 15. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 16. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório. 17. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vício formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 18. Assim, conheço do pedido de revisão e voto pela ANULAÇÃO do lançamento. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10314.004178/2005-62
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 20/04/2005, 22/04/2005
Produto Comercialmente Denominado Etiqueta Disccover. Classificação Produtos impregnados de substância odorífera que não pode ser utilizado como per fume, água-de-colônia ou quaisquer das demais aplicações elencadas no capitulo 33 classifica-se no código 3307 90.00.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/04/2005, 22/04/2005
Inovação na Fundamentação da Exigência. Impossibilidade
Tendo em mente que ao julgador é defeso inovar na fundamentação da exigência, constatado que a classificação fiscal a ser empregada não corresponde à indicada pelo Fisco ou à defendida pelo Sujeito Passivo, forçoso é concluir pela improcedência do lançamento Aplicação do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-00.670
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em dar movimento ao recurso voluntário. A Conselheira Maria Regina Godinho declarou-se impedida de votar.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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II ll,GAMENLO Processo n" 10314.004178/2005-62 Recurso n" 344.612 Voluntk"Itio Acórdão n" 3192-00.670 — 1" Ciinara / 2" Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2010 Matéria Classificação de Mercador ias Recorrente FRAGRANCE EXPERTISE INTERNACIONAL„ CONSULTORIA Dl IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO 1TDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/04/2005, 22/04/2005 Produto Comercialmente Denominado Etiqueta Disceover. Classificação Produtos impregnados de substância odorífera que não pode ser utilizado como per fume, água-de-colônia ou quaisquer das demais aplicações eleneadas no capitulo 33 classifica-se no código 3307 90.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/04/2005, 22/04/2005 Inovação na Fundamentação da Exigência. "Impossibilidade Tendo em mente que ao julgador é defeso inovar na fundamentação da exigência, constatado que a classificação fiscal a ser empregada não corresponde à indicada pelo Fisco ou à defendida pelo Sujeito Passivo, forçoso é concluir pela improcedência do lançamento Aplicação do § 3" do art. 18 do Decreto o' 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em dar movimento ao recurso voluntário A Conselheira Maria Regina Godinho declarou-se impedida de votar. Lui,.5,:i-Maerra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 28/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Maria Regina Godinho (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes hufrásio (Suplente) Relatório Por bem descrever a mat&iri litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de auto de infração, livrado em 04/05/2005, em face do contribuinte em epígrafe, forma/irando a exigêrrcia do Imposto de Importação, Imposto .sobre Produtos Industrializados e multa do controle administrativo, no valor de R$ 287 966, .3,5, em face dos fetos a seguir desci- dos O importador; por meio das Declarações de Importação DI 0.5/0406.304-3 e da D1 05/0410205-7, regisfi ridos em 20/04/05 e 22/04/05 respectivamente, submeteu a despacho 1.030 mil unidades mais 1 100 unidades ri/sei Ovaladas, na primeira, corno sumi° E7.IOUE7AS DIS('COVER UNILEUER DO VE e ETIQUETAS DIS('C'OVER NA"! URA BONITO A THOS classificando-as como OUTROS IMPRESSOS 1)(1131,1(1'1A RIOSAWTALOGOS COMEI?ClAIS, L7C. ( 4911.10.90 ) Idem, na segunda DI cem 1.100 ETIOUETAS DISCOVER NATURA PÁ 1'! 02 CONFORRTABLE GREEN, 1 100 mil ETIOUET4S DISC'0 VER I 11,4TURA PAU 2 COTTON - GLAZE, .1100 mil LIJO (AIAS DESCCOVER NATURAL, KAIAK FEMININO, 1 100 mil ETIOWEAS DISCCOVLI? NATURAL MAMAE E BEBE e 1.100 mil ETIOUL TAS DISCOVER NATURA DUE l'EMININO LUNAR 6, confin me descrito nas respectivas declarações, Com a 117ES7fla elassificacão de 01:111.?.0S IMPRESSOS PUBL/CUAREOSKA7',ILOGOS ('0A1LIK.VAIS, ER": (491.1 10 90) ConfOrme dito pelo representante legal, a interessada utiliz,ou a classificação, acima, face a uma CONSULTA junto a SRF, ainda SEM- DECISÃO, sob protoc:olo 1.96700303593/2005-67. Segundo cópias reprogrr't,ficas apresentarias da consulta, parece que o patrono da interessada labora em erro, talvez por infor mações feriu:virias pela próprio interessada Segundo verificado, rçji;fida mercadoria não tem, ainda, classificação pacifica como pretende o patrono da importadora. Nota- Si que, embora tenham patrocinado junto a ADUANA INGLESA o reconhecimento cla classificação 4911,10 90, junto à ADUANA FRANCESA confirme se constata pelos documentos acostados a consulta, referida mercadoria só adentra o país francês se classificado corno PERFUME ( 3303.00 .10 ), com aliquotas de 18Wezoito por cento) de Imposto de Importação e de 42-(quarunta e dois por cento) de Imposto sobre Produtos Industrializados vinc:idade a importação Observa-se que, na classificação eleita pela importadora, as aliquoras .são de 6% dcze s.s eis poi cento) de Imposto de Impor tação com 0%(zero por cento) de IPf vincuhrdo Processo ri" 10314,00417W2005-62 S3-C112 Acórdão n " 3102-00..670 H 167 A mercadoria se trrata de ETIQUETAS PLÁSTICAS AUTO- ADES1UAS transparentes, sem qualquer indicação ou referencia a qualquer empresa ou produto conforme se constata pelas amostra.s coladas em ane yo a este Auto de Infração e :suas eopia.s. Esse fato, ,S".M já descaracteriza, por si sé, a cla.s.sificação 4911.10.90 OUTROS IMPRESSOS .PUBLI(.11>I1?IOS/C4TALOGOS COMERCIAIS:, Entretanto, não baStaSSe„ quando se descola uma das- partes, dessas etiquetas, pode-se sentir o PERFUME da essência a que se releve. As citadas etiquetas- podem .ser coladas em anúncios-, em folhetos, ïr vi sais• ou qualquer outra mídia impres:Sa, que se possa utilizar, para motivar a compra do produto (perfumes, :sabonetes, shampus, etc.. produzidos pela importadora interessada Assim, respaldado pelo entendimento da Aduana Francesa, cujo país se notabiliza pela produção dos . melhores perfumes do inundo, é entendimento da fiscalização que a classificação fiscal correta é no código NC11/1- 330.3.00.10, necessitando inclusive precauções por parte da ANTISA. Cientificado do auto de infração ., pessoalmente„ em 0.5/05/2005 l-/rente)„ o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70 235/72, em 13/05/2005, dc fls. 45 à 53, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento, Na fOrrna do artigo .16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alou resumidamente que.. O lançamento não pode prosperar porque a mercadoria importada não .se trata de Irei-Mine, não tendo as-sim classificação . fiscal no código "IVCM .3303.00..10, O produto importado é aplicado em material de propaganda (catálogos, revistas, Já/belos, cartão postal), destinado à marketing, promoções e publicidade É importante instrumento de divulgação de produtos em ..sua fase de lançamento, O material volátil/odor/fico é aplicado a uma área central substancialmente impermeável ao lupor, na forma de disco, hexágono ou similar O selo adesivo entre as camadas pode ser fOrmado pelo contato de adesão de. .superficic entre as faces opostas das camadas base e cobertura, A impugnante utilizou os critérios das Regras Gerais do Sistema Harmonizado que apontam como classificação .fiscal correta o código NCM 4911.10.90 - "Outros impressos publicitários"; A essência que o produto contém advém de outro processo de fabricação; 3 O produto importado não contém amo ytra do perfume que se quer divulgar O que .se pretende r transmitir o odor do produto a ser divulgado. Motivo pelo qual não .1e deve utilizar na pele humana pois não teria qualquer efeito prático,- A Alfândega Britânica .sugere a clas.sificação fiscal do 'Usa:over- na posição 4911, O produto não está regrynado na 4.N. P115:4, pois não há qualquer substancia nociva a saúde como alega a fis-(alização; Inaplicável a multa do controle administrativo,. Pugna a improcedência do Auto de Infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, .juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto • Cla.ssilicação de Mercadorias Dora do fato geradot • 20/04/2005 Importação de L'IlQUE1AS .01SCCOVER c.'orn classificação fiscal no código NCM 4911.10.90. As eiradas etiquetas podem ser coladas em anúncios, em folhetos-, revistas ou qualquer outra mídia impressa, que se possa taitiza -i, fiara Motivar a compra do produto (perfumes, sabonetes, shampus, etc Fiscalização empreendeu elas.sificação fiscal do produto no código N(71.1 3.303.00.10. A nota 1 c) do ('apitado 48 determina que o papel impregnado ou revestido de cosméticos deve ter classcação lis •cal no Capítulo 3.3 .4 descrição da mercadoria elaborada pelo importador não retraia com fidelidade a inClcadoria importada Cabível a multa do controle administiativo. Após tornar ciência da decisão recorrida cru 02/02/2009, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 20/02/2009, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as ale gações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relatou '.1.'oino conhecimento do presente recurso, que 1-bi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção.. Sendo certo que as demais questões de mérito só são relevantes se mantida a acusação do Hsco, o ponto principal a ser solucionado no presente litígio é a definição da. correta classificação fiscal. Áti #9.° Processo n 004178/2005-62 S3-C11.2 Aeótrião n " 3102-00.670 H 168 Nesse contexto, não vejo como prosperar nem a pretensão da recorrente de classificar o produto na posição 4911, nem a do Fisco de fazê-lo no código 3303. Não vejo como considerar a etiqueta em questão um impresso do Capítulo 49 simplesmente porque tais produtos não veiculam qualquer informação ou ilustraç',-ío e, como se extrai das considerações das Notas Explicativos do Sistema Harmonizado (NESH) aprovadas pela Instrução Normativa SRE n" 157, de .200.2, esse é o fator preponderante para a cla.ssi reação em qualquer das posições desse capítulo. Confira-se a redação das Considerações Gerais (os destaques não constam do original): RewrIvadas (IS 1' dr OS e VCCÇÕCN este Capítulo compreende a totalidade dos mie/atos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham. Relevantes, ainda, as considerações da NESI-1 acerca da posição 4911: Esta posição compreende todo.s os artios impressos (incluídas as fotografias tiradas diretamente), do presente Capítulo (ver (is. Considerações Gerais), que não se encontrem inehtídos nas - posições precedentes deste mesmo Capítulo Não há margem, portanto, para enquadrar em uma das posições do Capítulo 49 produto que não contenha matéria impressa ou ilustrada., Igualmente importante é consignar a. condição .estampado na NESI1 da. posição 3.303, onde se lê: A presente posição compre caule os pernoites que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (s. ticks)), e as' águas-de-colônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. (destaquei) Com eleito, apesar de possuir propriedades odoríficas, mais do que não se apresentar em uma das formas &arcadas no texto da nota, o produto litigioso, pelo menos segundo os elementos carreados ao processo, não se presta para perfumar o corpo, afastando igualmente a pretensão de classifica-lo na posição 3.303.. Tratando-se de material impregnado de substância com propriedade - odorífera, caberia aplicar a nota 4 do Capítulo 33.. 4 Consideram-se produtos de pernoitaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas., na acepção da posição 33.07, entre outros, os .seguintes produtos. . os' saquinhos- contendo partes de planta aromática; preparações odoríferas que atuem por combustão, papéis perfumadas e papéis' impregnados ou revestidos de cosméticos, soluções líquidas para lentes' de contato ou para olhos artificiais; pastas ("omites"), feltros e falsos' tecidos, impregnados., revestidos ou recobertos de perfione ou de cosméticos; produtos de toucador preparados, para animais. 5 Assim, se o produto exala perfume, mas não se destina a per:filmar o corpo, penso que a posição que melhor classifica o produto litigioso é a 3307 3.307 PREPARAÇÕES PARA BARBEAI? (ANTES, 1RANTE OU APOS), DESOD01?AN1 L5' CORPORAIS, PREPARAÇÕES PARA BANI IOS, DEPILATÓRIOS, OUTROS PRODUTOS DE PERI , UM/1RI4 OU DE TOUCADOR PRE,PAK1DOS E OU!!?,4S P1?P,PA1?AÇÕES COSMÉTICAS, NÃO P.,,SPE(117CAD OS NEM COMPRELNDH)OS EM OUTRAS POSIÇ7ÓP„S',. DESODORANITS DE AMBIENTES, P1?ÉPAR,4DOS, MESA/ O NÃO PERP UMADOS. COM OU SEM PROPRIEDADES DESINPE TA NTES A posição 3307, por sua vez, assim se desdobra: 3.307 10 00 Niparações paia bal Pear (antes, durante ou após) 3307 20 Desodorantes (..oi pinais e antiperspirantes $307 30 00 Sais pei flanado s outras papar aç..ões para banhos $307 4 Preparações para peifiunar ou para desodorizar ambientes, incluídas US preparações odoiíferas para cei imónias figi o sw s 3307 90 00 Outi os Sendo certo que não se discute o emprego das etiquetas perfumadas em uma das finalidades descritas nas subposições 3307,10 00, 3307.20, 3307.30 00, 3307 4, o código que classifica o produto é o :3307.90 00. Definido que a classificação indicada pelo Fisco não se revela correta e que a aplicação de terceira classificação implicaria inovação na fundamentação, não há como se promover tal ajuste em sede de julgamento, sob pena de violar-se o art. 18, 3" do Decreto n" 70.235, de 19171. Se não ha meios para ajustar o lançamento, só saneável por meio de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, não ha outra solução senão decretar-se a improcedência da ex igênci a. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. — -,IusA,-61--cdi-CrTicrra de Castro § 3' Quando, em exames posterimcs, dilig,âncias ou perícias, realizados no curso do processo, tbrem ificadas inconeções, omissões ou inexatidões de que remi/tem agravamento da exigência inicial, inovação Ou alteração da fundamentação legal da exi23ncia, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementai, devolvendo-se, ao sujeito passivo, piazo para impugnação no concernente à matéria modificada 6
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000365/2007-32
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/2006
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL PARA ANALISAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS.
Os auditores da Receita Federal do Brasil possuem competência para considerar os atos praticados pela empresa como simulados e promover o lançamento do crédito tributário, reconhecendo vínculo empregatício não apontado pela empresa, limitado, evidentemente, aos efeitos tributários de tal reconhecimento.
PROFISSIONAL DE MEDICINA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO CONFIGURADO. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO.
O reconhecimento do vínculo empregatício entre o Hospital e o profissional de medicina depende de prova cabal da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento - devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN - as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do (a) Redator(a) designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela manutenção da multa aplicada; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, na questão da desconsideração dos vínculos pactuados e enquadramentos como segurados empregados - somente em relação aos trabalhadores que atuam nos setores da UTIadulto, plantão UTI neonatal, plantão centro cirúrgico e laudos exames eletrocardiográficos emergenciais - nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Marcelo Oliveira acompanhou a votação por suas conclusões, devido à ausência de comprovação do requisito subordinação; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redatores designados: Mauro José Silva (decadência) e Damião Cordeiro de Moraes (descaracterização do vínculo pactuado).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES - Relator.
(assinado digitalmente)
MAURO JOSÉ SILVA Redator designado.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL PARA ANALISAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Os auditores da Receita Federal do Brasil possuem competência para considerar os atos praticados pela empresa como simulados e promover o lançamento do crédito tributário, reconhecendo vínculo empregatício não apontado pela empresa, limitado, evidentemente, aos efeitos tributários de tal reconhecimento. PROFISSIONAL DE MEDICINA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO CONFIGURADO. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO. O reconhecimento do vínculo empregatício entre o Hospital e o profissional de medicina depende de prova cabal da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL PARA ANALISAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Os auditores da Receita Federal do Brasil possuem competência para considerar os atos praticados pela empresa como simulados e promover o lançamento do crédito tributário, reconhecendo vínculo empregatício não apontado pela empresa, limitado, evidentemente, aos efeitos tributários de tal reconhecimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 65 /2 00 7- 32 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 836 2 PROFISSIONAL DE MEDICINA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO CONFIGURADO. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO. O reconhecimento do vínculo empregatício entre o Hospital e o profissional de medicina depende de prova cabal da subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do médico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do (a) Redator(a) designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela manutenção da multa aplicada; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, na questão da desconsideração dos vínculos pactuados e enquadramentos como segurados empregados somente em relação aos trabalhadores que atuam nos setores da UTIadulto, plantão UTI neonatal, plantão centro cirúrgico e laudos exames eletrocardiográficos emergenciais nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Marcelo Oliveira acompanhou a votação por suas conclusões, devido à ausência de comprovação do requisito subordinação; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 837 3 Redatores designados: Mauro José Silva (decadência) e Damião Cordeiro de Moraes (descaracterização do vínculo pactuado). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA – Redator designado. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 12/07/2007, em desfavor de HOSPITAL SÃO LUCAS DE TAUBATÉ S/C LTDA, face às contribuições devidas à Seguridade Social, referentes às contribuições sociais a cargo do segurado e da empresa, inclusive para o financiamento das prestações por acidente do trabalho e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como às devidas a outras entidades, conforme relata o AFRFB no Relatório Fiscal de fls. 131/146. Ademais, o presente lançamento constituiuse no valor de R$ 1.738.965,54 (um milhão, setecentos e trinta e oito mil, novecentos e sessenta e cinco reais e cinqüenta e quatro centavos), tendo em vista que fora verificado que quase todos os médicos do hospital eram tidos pela contratante como prestadores de serviços terceirizados, entretanto, concluiuse que se tratava de relação de emprego, haja vista que prestam serviços de forma direta, habitual, remunerada, pessoal e subordinada à notificada, sendo certo que o Relatório Fiscal contém a desconsideração de cada um dos contratos apresentados durante a auditoria fiscal, com minuciosa menção dos elementos de convicção encontrados. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fls. 323/364, tendo o acórdão de fls. 761/780 julgado o lançamento procedente e mantido o crédito tributário, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 838 4 Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD N° 37.037.5807, de 12/07/2007. INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucional idade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Art. 97 e 102, I "a", da CF. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. MÉDICO PLANTONISTA. Uma vez caracterizados os pressupostos do segurado empregado, são devidas as correspondentes contribuições previdenciárias. O médico plantonista é considerado segurado empregado quando presentes subordinação, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade. Artigo 12, I, "a", da Lei n°8.212/91. CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Pode a autoridade fiscal, atuando em nome da Administração Tributária, desconsiderar a classificação adotada pela empresa ou a nome dado ao negócio jurídico celebrado, se verificar que isto não corresponde à realidade fática. Artigo 229, § 2°, do RPS/99, bem como artigos 118 e 123 do CTN. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. O art. 45 da Lei 8.212/91 não foi até hoje declarado inconstitucional, estando em plena vigência, não podendo deixar de ser aplicado pela Administração. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao lançamento por homologação, tendo o ente tributante dez anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, e multa de mora, que não podem ser relevados (art. 34 e 35, da Lei n° 8.212/91). Lançamento Procedente Irresignada com a r. decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário de fls. 787/831, alegando, em síntese: a) Que o prazo de decadência para efetuar cobrança de contribuições previdenciárias é de 5 (cinco) anos conforme se depreende no art. 150, §4°, do CTN, a contar da ocorrência do fato gerador, razão pela qual todos os tributos cobrados nas competências de 01/1997 a 07/2002 encontramse decaídos; b) Que, de acordo com a Lei 11.457/2007, a Receita Federal não tem competência para estabelecer vínculo empregatício entre partes ou para descaracterizar uma relação autônoma de prestação de serviços, sendo atribuição da Justiça do Trabalho; c) Que a NFLD carece de nulidade, vez que ao ser lavrada, a Fiscalização deixou de indicar as alíquotas e bases de cálculos referentes às contribuições lançadas, bem como houve precariedade dos fundamentos do crédito fiscal; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 839 5 d) Que a nulidade advém do cerceamento à defesa, decorrido da falta de requisitos legais essenciais e acessórios da autuação, haja vista a Fiscalização não ter apresentado elementos probatórios suficientes que justificassem a configuração do vínculo empregatício, notadamente em relação ao requisito subordinação, indispensável à caracterização do segurado como empregado; e) Que deveria haver uma diligência, tendo em vista que com a realização desta tornarseia possível à fiscalização ter acesso às informações que permitirão a conclusão sobre o verdadeiro montante dos valores já recolhidos por tais profissionais; f) Que a multa seja modificada, levandose em consideração os princípios da Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e do NãoConfis, bem como que seja excluída a Taxa SELIC como juros na quantificação do valor devido. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 840 6 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da preclusão sobre as matérias não alegadas Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 841 7 ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da Decadência Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatase que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 842 8 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 843 9 Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 844 10 4. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 5. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso dos autos, verificase que o contribuinte pagou parcela das contribuições previdenciárias referentes ao período do lançamento, fato este evidenciado pelo próprio relatório fiscal. Ademais, não tendo sido constatado dolo, fraude, ou simulação na conduta da Recorrente, verificase circunstância necessária à aplicação do art. 150, §4º do CTN e, conseqüente, afastamento do seu art. 173, I. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 12/07/2007 e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos anteriormente a julho/2002, tenho como certo que estão decaídas as competências de 01/1997 a 07/2002, isto é, anteriores a julho/2002. Da alegação de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade da NFLD por não discriminar base de cálculo e fato gerador – Do pedido de diligência Primeiramente, a ora recorrente alega que quando da lavratura da presente NFLD, a fiscalização teria incorrido em numerosos equívocos, dentre os quais destacou a ausência de indicação das alíquotas e bases de cálculos referentes às contribuições lançadas e a precariedade dos fundamentos do crédito fiscal. Deste modo, teria se caracterizado e o cerceamento de defesa, tendo em vista que faltaram requisitos legais essenciais e acessórios da autuação, razão por que deveria haver a nulidade da presente notificação. Todavia, a pretensão do contribuinte não merece prosperar. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 845 11 Cerceamento de defesa ocorre quando há uma limitação na produção de provas de uma das partes no processo, que acaba por prejudicar a parte em relação ao seu objetivo processual. Qualquer obstáculo que impeça uma das partes de se defender da forma legalmente permitida gera o cerceamento da defesa, causando a nulidade do ato e dos que se seguirem, por violar o princípio constitucional do devido processo legal. No caso dos autos verificase que a presente notificação encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, conforme disposto na legislação citada no Relatório Fiscal (fls. 131/146) e no “Fundamentos Legais do Débito” (fls. 113/119). Ademais, imperioso destacar que a fiscalização constituiu o crédito previdenciário correspondente, conforme determina o art. 37, da Lei n° 8.212/91, e artigos 229, 243 e 245 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com descriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, em total consonância com as normas legais. Portanto, constatase que os requisitos formais exigidos para o devido processo administrativo fiscal foram devidamente atendidos, razão pela qual não deve ser acolhida a alegação de cerceamento de defesa e consequentemente o pedido de nulidade da presente notificação. Outrossim, alega a recorrente que não há débitos e que por essa razão deveria ser realizada diligência para averiguação dos valores recolhidos pelas pessoas jurídicas constituídas pelos médicos para dissimular a relação jurídica efetivamente estabelecida com o hospital. Imperioso salientar que o contribuinte deveria ter realizado prova, ainda que por amostragem, de que tais pessoas jurídicas efetivamente recolheram contribuições, até para que esses valores fossem deduzidos do montante total devido pela empresa. Em outras palavras, caso tivesse sido apresentados os recolhimentos efetuados pelos demais contribuintes, a fiscalização estaria obrigada a considerálos em documentos apropriados. Contudo, a ora Recorrente limitouse a afirmar eventual duplicidade, ou seja, não se desincumbiu do seu ônus, razão pela qual se torna inviável e manifestamente protelatório o pedido de diligencia formulado. Da competência da Receita Federal para verificar existência de vínculo empregatício Aduz o contribuinte que a Receita Federal não tem competência para estabelecer vínculo empregatício entre partes ou para descaracterizar uma relação autônoma de prestação de serviços. O art. 116, parágrafo único do CTN dispõe que: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 846 12 “a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.” Por outro lado, a Lei nº 10.593/2002, que disciplinava a carreira dos AuditoresFiscais de Contribuições Previdenciárias, atribuía a competência para lançar e constituir os créditos previdenciários. Assim, no exercício legal de sua atividade, o auditorfiscal pode desconsiderar as atividades da empresa como simuladas e promover o lançamento do crédito tributário, reconhecendo vínculo empregatício não apontado pela empresa, limitado, evidentemente, aos efeitos tributários do vínculo empregatício. Para ratificar esse entendimento, basta verificar que o Projeto de Lei que resultou na edição da Lei nº 11.457/2007, que criou a Super Receita, continha originariamente dispositivo que restringia à decisão judicial a desconsideração da pessoa, ato ou negócio jurídico que implique reconhecimento de relação de trabalho, com ou sem vínculo empregatício (art. 6º, §4º), tendo sido vetado pelo Presidente da República. Assim, persiste no ordenamento jurídico pátrio a autorização para o Auditor Fiscal exigir o adimplemento das contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento a prestadores de serviços a partir da consideração de vínculo empregatício, não sendo tal ato de competência privativa da auditoriafiscal de natureza trabalhista, tampouco exclusivamente da Justiça do Trabalho. No caso dos autos, a fiscalização identificou a existência de segurados enquadrados como empregados nos termos do art. 12, I, “a” da Lei nº 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Deste modo, ainda que formalmente a relação firmada entre a empresa e o segurado tenha aparência de vínculo diverso, pode a fiscalização desconsiderar o vínculo pactuado e aplicar a legislação na qual está o segurado enquadrado, nos termos do art. 229, §2º do Regulamento da Previdência Social. O regime jurídico aplicável ao segurado é o legalmente previsto, não tendo importância a forma adotada pelas partes, pois esta não tem o condão de afastar a previsão normativa. Não é por outra razão que a legislação admite que, diante de simulação, seja aplicada a disciplina jurídica prevista para o fato dissimulado, consoante preceitua o art. 167 do Código Civil. Afasto, assim, a alegação de nulidade suscitada pela Recorrente. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 847 13 Da existência de vínculo empregatício Verificada a competência da Receita Federal para desconsiderar os negócios jurídicos considerados como simulados, impõese analisar os fatos que ensejaram A aplicação do regime jurídico previsto aos segurados empregados. No caso dos autos, verificouse a ocorrência de todos os requisitos necessários para a caracterização da relação de emprego exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n. º 8.212/91 c/c art. 9. º, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n. º 3.048/99, quais sejam, a não eventualidade (habitualidade), a remuneração, a pessoalidade e a subordinação. Conforme afirmado pela fiscalização, “no período auditado houve apenas uma contratação de profissional médico como segurado empregado do nosocômio na função de Coordenador da UTI ADULTO, e mais nenhuma contratação de médico segurado empregado, principalmente para o serviço de emergência, porém sempre ocorreram pagamentos por serviços prestados. A maioria desses médicos supostamente autônomos passou a receber honorários como pessoas jurídicas a partir de 2003, embora exercessem a mesma atividade, além de que os próprios médicos é quem prestavam serviço, o que deixa evidente a pessoalidade. A remuneração era estipulada por plantão e/ou tarefas estipuladas, com remuneração fixa e previamente pactuada, submetidas à política adminitrativa da empresa. Dessa forma, a fiscalização demonstrou a presença de subordinação, pessoalidade, onerosidade e nãoeventualidade, requisitos necessários à caracterização do vínculo de emprego e caracterizou a pessoa física, enquadrada como autônomo pela empresa, como segurado empregado da recorrente, não merecendo qualquer reparo a autuação em comento. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 848 14 Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa moratória A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 849 15 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 850 16 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 851 17 Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para reconhecer a decadência dos períodos de 01/1997 a Fl. 17DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 852 18 07/2002, isto é, anteriores a agosto/2002, bem como para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Fl. 18DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 853 19 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado (Decadência): Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo Fl. 19DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 854 20 único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 855 21 Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 856 22 Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). Fl. 22DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 857 23 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Fl. 23DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 858 24 Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.733SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido Fl. 24DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 859 25 pela Lei 11.733/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No entanto, como a vinculação imposta aos Conselheiros pelo art. 62A do RICARF só abrange o teor do que foi decidido em Recursos Repetitivos, o julgado da Segunda Turma não tem tal status e não se refere à composição de toda a Primeira Seção como o Resp 973.733, concluímos que não podemos tomar o referido ED como interpretativo do Resp 973.733. Logo, não estamos desvinculados de acompanhar o conteúdo do Resp 973.733, notadamente o item da ementa daquele Acórdão, o que resulta em mantermos nossa posição de considerar que mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, adotaremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 860 26 Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 861 27 Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 2007, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 12/2001. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Redator Designado (descaracterização do vínculo pactuado): DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO Tratase de recurso voluntário interposto pelo HOSPITAL SÃO LUCAS DE TAUBATÉ SC LTDA em face da decisão que manteve o lançamento de débito devido ao fato de a empresa ter deixado de declarar em GFIPs as remunerações pagas a título de serviços prestados por médicos e por médicos cooperados. Conforme relatado na sessão de julgamento, o recorrente se insurge contra o lançamento efetuado em razão da caracterização de segurados empregados dos profissionais médicos que exerciam funções de plantonistas, supervisores e laudistas do Departamento de Emergência do Hospital recorrente, uma vez que a fiscalização teria verificado a presença dos requisitos caracterizadores da relação de emprego. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem firmado jurisprudência no sentido de permitir a desconsideração dos atos privados, tais como os de contratação de pessoa jurídica, pela autoridade tributária, com a consequente caracterização da relação de emprego. Tanto a legislação quanto a jurisprudência admitem a desconsideração contratual para fins fiscais, quando essa é pressuposto da exação autuada (cf. CTN, 123, 116 p. ún. c/c arts. 12, I, 32 e 37 da Lei n. 8.212/91 c/c arts. 9º, 229, § 2º, 243 e 245 do Dec. 3048/99; STJ, REsp 515821/RJ, Min. Franciulli, DJ 25.4.05; CARF, 2ª S. 6ª TE, ac. 280600159, proc. 35582002542200782, rel. Cons. Kleber Araújo, d. 2.6.2009). A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que aplico ao caso por ser tratar de norma de regência das relações trabalhistas que não pode ser descartada, assevera em seu art. 3º que “considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Pela legislação previdenciária, empregado é aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Presentes estes elementos, o Fisco está autorizado a desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 862 28 Diante da existência de contratos de prestação de serviços firmados diretamente pelo contribuinte com terceiros, transferese para a fiscalização o ônus de provar que, a despeito da existência de tal contrato, na realidade, a relação estabelecida tem natureza jurídica de vínculo de emprego. Extraise do relatório da notificação fiscal de lançamento do débito os contratos desconsiderados pela fiscalização tinham como objeto o desenvolvimento das seguintes atividades médicas: (a) plantão UTI adulto; (b) plantão UTI neonatal; (c) plantão centro cirúrgico; (d) coordenador de setor; (e) conselho interdepartamental; (f) laudos exames eletrocardiográficos. Especificamente quando se tratar de profissionais liberais – acima de tudo quando se cuidam de médicos plantonistas –, é vedado ao fisco conjecturar que as atividades desenvolvidas pelos médicos seriam serviços prestados de forma habitual, pessoal e subordinada, caracterizandoos, assim, como segurados empregados. Via de regra, não se presume a subordinação do médico. O reconhecimento do vínculo empregatício entre o Hospital e o profissional de medicina depende de prova cabal da subordinação. Segundo Maurício Godinho Delgado: "A subordinação, como se sabe, é aferida a partir de um critério objetivo, avaliandose sua presença na atividade exercida, no modo de concretização do trabalho pactuado. Ela ocorre quando o poder de direção empresarial exerce se com respeito à atividade desempenhada pelo trabalhador, no modus faciendi da prestação de trabalho. A intensidade de ordens no tocante à prestação de serviços é que tenderá a determinar, no caso concreto, qual sujeito da relação jurídica detém a direção da prestação dos serviços: sendo o próprio profissional, desponta como autônomo o vínculo concretizado; sendo o tomador de serviços, surge como subordinado o referido vínculo" (in Curso de Direito do Trabalho", 3ª ed. LTr, 2004. p. 334). De acordo com as Cortes trabalhistas, a presunção da subordinação vai contra a natureza do serviço prestado pelo médico, verbis: “MÉDICO RELAÇÃO DE EMPREGO. ÔNUS DA PROVA. O médico encontrase enquadrado na categoria dos profissionais liberais, quais sejam, aqueles que exercem, profissionalmente, com liberdade de concepção, independência de opinião e autonomia de execução, atividades que demandem a aplicação de conhecimentos técnicos e científicos. Tal peculiaridade, conquanto não implique em óbice ao acolhimento do pedido de reconhecimento de vínculo de emprego entre as partes, transfere para o reclamante o ônus de provar que a prestação de serviços era subordinada. Inexistindo prova nos autos tendente a evidenciar a existência de subordinação na relação travada entre o profissional e o hospital em cujas dependências este se ativava, mostrase inviável reconhecer o vínculo de emprego postulado”. (TRT da 10ª Região. 00189200700710005 RO. Rel. Desembargador André R. P. V. Damasceno. DEJT 17/04/2009). Fl. 28DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 863 29 “VÍNCULO DE EMPREGO – MÉDICO – Não é empregado, mas sim autônomo, o profissional que pode se fazer substituir por outro no trabalho em clínica médica. Aonde a pessoalidade não é configurada (mormente quando elevado é o nível do trabalhador), não há como presumir a subordinação jurídica, sob pena desta Justiça especializada agasalhar indesejado enriquecimento sem causa” (TRT da 2ª Região. RO 54228. Rel. Juiz Ricardo Verta Luduvice . DOESP 17/10/2003). “VÍNCULO DE EMPREGO MÉDICO PLANTONISTA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS INSCRITOS NOS ARTS. 2º E 3º DA CLT NÃO CONFIGURAÇÃO. Verificado que o Reclamante, como médico cumpria alguns poucos plantões semanais na emergência do hospital, recebendo integralmente e apenas os valores das consultas pagas pelos pacientes que ali atendia, inclusive podendo se fazer substituir por outros cadastrados na empresa, em tal relação não estão presentes os requisitos inscritos nos arts. 2.º e 3.º da CLT, o que obsta o reconhecimento do almejado liame empregatício. Relações jurídicas desta natureza se apresentam marcadas pela autonomia do profissional, liberal que é por excelência, não a desnaturando o fato deste sujeitarse a normas de organização interna do estabelecimento, de modo que os direitos e obrigações delas decorrentes se situam na órbita civil” (TRT da 10ª Região. 01205200801310000 RO. Juiz do Trabalho Convocado João Luis Rocha Sampaio. DEJT 23/10/2009) Esclarecese que o médico está enquadrado na categoria dos profissionais liberais, aqueles que exercem profissionalmente, com liberdade de concepção, independência de opinião e autonomia de execução, atividades que demandem a aplicação de conhecimentos técnicos e científicos. É certo que tal peculiaridade não obsta o reconhecimento de vínculo de emprego. Todavia, transfere para a administração tributária o ônus de provar que a prestação de serviços se deu de forma subordinada. Sobre a subordinação dos profissionais médicos nas unidades emergenciais e de tratamento intensivo, o voto do Juiz do Trabalho Convocado João Luis Rocha Sampaio no RO 01205200801310000 dispõe da seguinte forma: “Convém salientar que normas de organização dos serviços não importa, necessariamente, em submissão a controle diretivo ou disciplinar, sobretudo quando envolve emergência de unidade hospitalar, cujas peculiaridades da atividade impõem, por sua própria natureza, rígido padrão de funcionamento. Significa dizer que não detêm aptidão para afetar e descaracterizar a autonomia que usufruem os profissionais médicos. Os dados coligidos deixam entrever a ausência de subordinação no liame travado entre as partes, cumprindo acentuar que a coordenação exercida pelo Reclamado se mostra insuscetível de desnaturar a real índole da relação mantida entre as partes. Tudo sinaliza na direção de que existiu, na realidade, autêntica parceria entre as partes, na medida em que o Autor, valendose da estrutura do Hospital e da projeção deste perante a comunidade local, auferia os ganhos provenientes dos pagamentos efetuados pelos pacientes que para ali acorriam e por ele eram atendidos, isto sem a necessidade de arcar com os custos da manutenção de um consultório próprio. [...] O visível propósito das partes, por conseguinte, como aflora claro dos autos, foi no sentido de se vincularem a contrato de caráter autônomo, desvestido de subordinação e dependência. Tal quadro apresentase divorciado da situação abstratamente Fl. 29DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 864 30 definida nos arts. 2.º e 3.º da CLT, donde exsurge a convicção de que não se configura, na espécie, liame empregatício. A índole civil da avença afigurase, diante disso, marcante e patente” (TRT da 10ª Região. DEJT 23/10/2009). A existência de controle da carga horária (por meio do “MAPAS DOS MÉDICOS”), como indicativo de subordinação e pessoalidade, não é determinante para caracterização da relação de emprego. De modo geral, as escalas de trabalho não são fatores indicativos do vínculo de emprego. Sob este ponto, o trecho do voto do Desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto, no precedente supracitado, é esclarecedor: “A subordinação compreende o poder de o empregador em dirigir, punir e controlar a prestação pessoal dos serviços. Havia escalas de trabalho, o que é patente, tendo em vista a necessidade prévia da presença do trabalhador, face às próprias peculiaridades da Reclamada. Escalas não são fatores indicativos do vínculo de emprego. A existência de vários horários de trabalho, os quais se alteraram ao longo da prestação dos serviços, vem a indicar a atuação do medico na formulação dos seus horários nas próprias escalas. A ausência de qualquer tipo de punição caso em que o profissional não pudesse ir ao trabalho na sua escala, o que é patente pela visão global do relato do Sr. José Juarez. Portanto, não se tem a presença do poder diretivo do empregador em relação à Reclamante”. (TRT da 2ª Região. 02037.2009.316.02.008.RO Rel. Desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto. DOESP 08/04/2011). Além da contratação direta do contribuinte com pessoas jurídicas de direito privado regularmente constituídas, bem como cooperativas médicas, foram acostados aos autos diversos memorandos em que os próprios médicos comunicam aos seus superiores a substituição do profissional plantonista, o que demonstra a ausência dos elementos caracterizadores de uma ralação de trabalho, quais sejam a subordinação e pessoalidade. Como é cediço, na autuação fiscal das contribuições sociais previdenciárias, o agente público deve aterse também à legislação e à jurisprudência trabalhista sobre a matéria. Assim, para se configurar a incidência da contribuição, primeiramente devese verificar a presença dos elementos ensejadores da relação empregatícia. Como visto, na espécie, do próprio teor das informações trazidas nos autos, podese depreender que os profissionais do contribuinte efetivamente prestaram serviços de forma autônoma para a pessoa do recorrente. Impõese pontuar que o fato de os médicos laborarem na atividadefim do sujeito passivo, ante as especificidades próprias da profissão de médico, também não caracteriza per si vínculo empregatício, até porque não há vedação legal para contratação de autônomos na atividade fim de hospitais, conforme acima exposto. Por fim, diante das provas dos autos, entendo que ser indevida a exação sobre os pagamentos realizados aos médicos que trabalhavam no plantão UTI adulto, plantão UTI neonatal e plantão centro cirúrgico. Assim, concluise que, quanto aos profissionais das áreas de plantão UTI adulto, plantão UTI neonatal, plantão centro cirúrgico e laudos exames eletrocardiográficos emergenciais, nem a autuação fiscal, nem o acórdão recorrido lograram êxito em provar a condição de segurados empregados do contribuinte. Com relação a estes profissionais médicos plantonistas e intensivistas, não há como se presumir a subordinação jurídica. Ante a inexistência de provas e a demonstração pormenorizada do vínculo empregatício por parte do auditorfiscal, temse por parcialmente insubsistente a desconsideração da relação jurídica existente entre recorrente e prestadores de serviços, Fl. 30DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2301002.274 S2C3T1 Fl. 865 31 mantendo a exação no que diz respeito as atividades de coordenador de setor e do conselho interdepartamental. CONCLUSÃO Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, conforme acima delineado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado (descaracterização do vínculo pactuado). Fl. 31DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 12/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000443/2007-11
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006
RETIFICAÇÃO DE DCOMP. COMPENSAÇÃO.
Uma vez negada a retificação de DCOMP para alteração do crédito compensando do sujeito passivo, sendo este o exclusivo suporte fático de compensação posteriormente declarada, não se pode homologá-la.
Numero da decisão: 3402-002.234
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior votou pelas conclusões.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006 RETIFICAÇÃO DE DCOMP. COMPENSAÇÃO. Uma vez negada a retificação de DCOMP para alteração do crédito compensando do sujeito passivo, sendo este o exclusivo suporte fático de compensação posteriormente declarada, não se pode homologá-la.
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Recorrente INFRAERO Recorrida DRJ em BRASÍLIADF ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006 RETIFICAÇÃO DE DCOMP. COMPENSAÇÃO. Uma vez negada a retificação de DCOMP para alteração do crédito compensando do sujeito passivo, sendo este o exclusivo suporte fático de compensação posteriormente declarada, não se pode homologála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior votou pelas conclusões. Gilson Macedo Rosenburg Filho – PresidenteSubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 04 43 /2 00 7- 11 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Relatório Tratase de Pedidos de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitidas em 14 de outubro de 2005 e em 15 de fevereiro de 2006 para declarar a compensação de débito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de setembro de 2005 e de janeiro de 2006 e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de setembro de 2005 com crédito do PIS decorrente de pagamento efetuado em valor maior que o devido no período de apuração de junho de 2003. As compensações não foram homologadas, pois parte do pagamento de que decorreria o crédito pleiteado estaria alocado ao débito de PIS de junho de 2003 e a diferença fora objeto de compensação tratada no processo administrativo nº 14033.000260/200797. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em BrasíliaDF (DRF/BSA) não conheceu dessa manifestação por entender que “não se discute a inexistência do crédito que fundamentou o ato de não homologação, mas apenas as conseqüências do indeferimento do pedido de retificação da Dcomp que foi objeto da nãohomologação” e essa matéria estaria submetida ao rito processual da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário para alegar, em síntese, que a manifestação de inconformidade deve ser conhecida, pois a contribuinte insurgiuse contra o despacho decisório que não homologou as compensações declaradas. Ao final, solicitou a recorrente a reforma da decisão recorrida para que sejam homologadas as compensações declaradas, tendo em vista a retificação do PER/DCOMP. Na sessão de 08 de dezembro de 2010, este colegiado resolveu dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o nãoconhecimento da manifestação de inconformidade para que a DRJ/BSA proferisse decisão com exame do mérito das alegações apresentadas. A manifestação de inconformidade foi apreciada pela 4ª Turma de julgamento da DRJ/BSA, que a indeferiu, e, contra essa decisão foi interposto recurso voluntário para alegar, em síntese, que possui o crédito para a compensação debatida nestes autos, pois retificara o PER/DCOMP nº 06672.14340.131103.1.3.041220 (processo nº 14033.000260/200797), para alterar a origem do crédito, antes que fosse proferido o despacho decisório. Ao final, solicitouse o provimento do recurso voluntário para se homologar a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 14033.000443/200711 Acórdão n.º 3402002.234 S3C4T2 Fl. 148 3 O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Por tudo que consta destes autos, observase que a homologação da compensação ora pretendida restou subordinada à decisão sobre a retificação da DCOMP nº 06672.14340.131103.1.3.041220, sendo este o único suporte fático das razões recursais apresentadas. Ocorre que o procedimento de retificação de PER/DCOMP não se submete ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, estando, portanto, fora da esfera de competências deste colegiado, que, em face da decisão final administrativa que não acolheu a retificação pretendida, vêse obrigado a negar provimento ao recurso voluntário, visto que não foi aceita a retificação da precitada DCOMP e o crédito indicado nestes autos para a compensação declarada já foi integralmente utilizado em compensações anteriores. Notese que não se examinam aqui alegações concernentes à retificação de DCOMP, visto que cabíveis apenas no procedimento próprio da retificação de DCOMP, sobre o qual não cabe a este colegiado manifestarse, e às questões de direito atinentes à compensação precede a questão fática da origem do crédito pretendido, que não foi ultrapassada, tendo em vista a não aceitação da retificação da DCOMP solicitada. Esclareçase que não se está afirmando aqui que o direito creditório adviria de retificações de DCOMP ou de DCTF. O que aqui se tem é que o crédito alegado surgiria pela redução de débito anteriormente confessado em DCOMP, por meio de retificação dessa DCOMP. Destarte, como a retificação não foi aceita, o crédito lá declarado continua integralmente alocado aos débitos confessados na DCOMP original. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721068/2009-53
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi OAB 334956 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 68 /2 00 9- 53 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 114/153, visando modificar a decisão de piso que manteve a deliberação do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte em tomar crédito de PIS do período de 01/10/2008 a 31/12/2008, proveniente de despesas de fretes decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos. Consta do Despacho Decisório de fls. 44 que o exame do crédito foi formalizado de ofício para tratamento manual de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER – registrado sob nº 33455.46894.140809.1.5.102172 e homologando as compensações declaradas nas Dcomp nºs 18745.87709.140809.1.7.104776,, até o limite do crédito reconhecido de PIS, reconhecendo o crédito de R$ 119.628,38, dos R$ 269.033,80, decorrentes de operações no mercado interno, referentes ao 4º Trimestre/2008. Sendo que os débitos assim compensados foram cadastrados no SIEF e estão controlados pelo processo eletrônico de cobrança nº 08.1.04.002010 002082. A divergência se refere apropriação de créditos relativos ás despesas de fretes tomados decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, cujo entendimento é de que essas despesas não integram o conceito de insumo utilizado na produção e por não se tratar de custo de fretes na operação de venda, mesmo pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliados no país. Extraíse, também, da “Informação Fiscal”, o raciocínio de que as despesas descritas no tópico acima não geram direito a créditos a serem descontados das contribuições do PIS e da COFINS. Irresignada com o conteúdo do Despacho Decisório, a Manifestante discorre sobre suas operações, alega que atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não apenas pela fabricação do mesmo, mas também pela extração de minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo (fertilizantes). Destaca que possui diversos estabelecimentos no território nacional, dentre as unidades mineradoras encontram aquelas localizadas em Minas Gerais e na Bahia, bem como os complexos industriais, assim como, possui uma unidade portuária no Estado do Ceará. Assevera que as despesas efetuadas com frete contratados quando da aquisição de insumos, bem como para a realização de transferências de matérias primas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais a confecção do produto, por essas razões o indeferimento parcial do pleito desrespeita disposição legal que assegura o direito a tomada do crédito dos insumos utilizados na produção de bens e serviços, violando, via de conseqüência, o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12º do art. 195 da Constituição Federal, por essa razão entende que deve ser reformada a decisão. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721068/200953 Acórdão n.º 3302002.983 S3C3T2 Fl. 7 3 Quanto aos insumos extraídos pela Manifestante em suas unidades mineradoras, bem como, os adquiridos de terceiros, disse que são indispensáveis ao processo produtivo. Concluiu afirmando o direito assegurado pela norma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, que elenca os custos e despesas sobre os quais o crédito poderá ser calculado, aplicandose o inciso I, para as empresas comerciais que compram e revendem as mercadorias e o inciso II para as empresas industriais e prestadores de serviços. Os argumentos restaram rechaçados ao fundamento de que os gastos efetuados com fretes na transferência de bens e insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito do PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, por falta de previsão legal, decisão essa que encontra assim resumida: “Cumpre destacar, novamente, que o crédito das contribuições no sistema da não cumulatividade decorre de determinações legais explícitas. E no caso não há base legal para creditamento sobre aquisições isoladas de serviços de fretes nas operações de transferências entre estabelecimentos diferentes da pessoa jurídica, pois não se confundem com fretes na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), como já salientado no Relatório Fiscal. Ainda sobre as possibilidades aventadas para justificar o creditamento, temse o fato de que os gastos com fretes sobre a transferência de produtos e insumos entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica geraria direito ao crédito, por se tratarem de aquisição de serviços utilizados como insumo. Entretanto, tal argumentação não pode prosperar. Isso porque os serviços adquiridos para utilização como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.864, de 2004, implica necessariamente que tais serviços sejam consumidos ou aplicados no processo produtivo, conforme está estabelecido no art. 8º, § 4º, inciso I, letra ‘a’ da IN SRF nº 404, de 2004, já transcrita. Por certo, os serviços de fretes decorrentes dessas transferências não são serviços aplicados especificamente no processo produtivo. Poderseia aceitar que seriam serviços aplicados em fase anterior, preliminar ao processo produtivo, qual seja a aquisição de bens que, geralmente, vão a estoque antes da produção e, dessa forma, os dispêndios com fretes sobre a transferência de produtos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, não são passíveis de creditamento.” A conclusão do voto se refere ausência de comprovação da vinculação do frete com os insumos transportados: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal”. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Ciente da decisão, a Interessada interpôs o Voluntário, e em razões recursais mantém os mesmos fundamentos e irresignação com as glosas, reprisa os termos da defesa e os pleitos formulados em Manifestação de Inconformidade. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda trazida no bojo desse caderno se resume a tomada de crédito de PIS sobre frete de insumos decorrentes de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A glosa encontra justificada por ausência previsão legal e de que só cabe tomada de crédito de frete nas vendas das mercadorias quando o ônus é suportado pelo vendedor. A discussão se restringe a frete. A Interessada argumenta que os insumos dispensam altercação por serem básicos na produção de fertilizante, declina o nome de alguns dos itens. Em relação ao frete sustenta que esses decorrem do transporte contratado com pessoa jurídicas cujo objeto é a transferência da matéria prima extraídas de minas de sua propriedade para os complexos industriais que encontram implantados longe do local de exploração. De outra banda a Informação Fiscal pouco ou quase nada menciona, afirma que investigou o processo industrial da contribuinte, e, por razões tais entendeu glosar parte dos créditos provenientes de alguns insumos adquiridos e produtos em elaboração, bem como, frete relacionado com a transferência da matéria prima explorada pela Contribuinte para o pátio do complexo industrial por ausência de previsão legal. O inconformismo trazido a exame se refere a frete. Lendo a conclusão do voto do Acórdão recorrido, a conclusão encontra fundamentada na inexistência de comprovação: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal.” Embora a fundamentação do Despacho Decisório é de que restaram comprovado os desembolsos das aquisições de insumos e da prestação de serviços de transportes. Em sede de ressarcimento e ou restituição, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado, mas, a fiscalização não glosou por ausência de comprovação. A motivação para glosa não decorre de ausência de documento capaz de não justificar a tomada do crédito, segundo se extraí do relatório fiscal, houve notificação para que a Recorrente prestasse informação e planilhas, bem como, apresentasse os livros fiscais, e especificação dos serviços considerados como Despesas de Frete. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721068/200953 Acórdão n.º 3302002.983 S3C3T2 Fl. 8 5 Portanto, quanto a essa questão não há de se enxergar, pois em momento algum houve registro da ausência de comprovação, sendo assim, tratase de decisão equivocada. Em síntese, o tema se refere a frete de transferência entre e estabelecimentos, é o que se vê do Despacho Decisório. Em sendo assim, o ponto nodal da discussão se refere ao frete pago a terceiros no transporte de insumos básicos, necessários e essenciais atividade produtiva da Recorrente, capaz de obstar a atividade da empresa. A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceira pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final. A meu sentir, impedir a tomada de crédito quando se trata de processo produtivo verticalizado configura, no meu entendimento, uma punição ao contribuinte, por buscar, em decorrência da característica do produto produzido, cercarse de segurança da fonte dos insumos para que o processo produtivo não sofra interrupção. Algumas empresas como a Recorrente necessitam de produzir o próprio insumo, entre tantas, destacase as àquelas voltadas à produção de celulose, que precisam plantar eucalipto e posteriormente transportar até unidade fabril. O serviço de transporte nesse caso, quando tomado de pessoa jurídica interna, configura custo de fabricação do produto final, não há como dissociar esse fato, sem o qual obsta todo o processo produtivo. Assim, penso diversamente do signatário do despacho decisório, bem como, do julgador de piso, pois a meu ver tratase de custo necessário e essencial atividade fabril, e, se revela específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece. No caso concreto, o frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local que é produzido o fertilizante se insere no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento, nesse sentido pronunciou o Min. Campbell Marques, de onde se extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento: “... o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.” Explica ainda que, não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Com essas considerações, conheço do recurso e dou provimento para autorizar a tomada de crédito decorrente de frete de insumos entre a extração dos minerais até o complexo fabril da Recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11080.730028/2011-18
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Auto de Infração sob n° 51.004.345-3
Consolidado em 28/10/2011
COMPETÊNCIA. A Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009 (Publicada no DOU de 23 de junho de 2009, Seção I, fls. 34 a 39 Retificado no DOU de 26 de junho de 2009, Seção I, fl. 231) {Com alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 - Publicadas nos DOU de 31.08.2009 e de 22.12.2010} do MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, determinou ao CARF, no artigo 3°, competência à Segunda Seção para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de, entre outras, Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007.
PRINCÍPIOS. Princípios constitucionais não afrontados e que não interfiram no tramitar processual administrativo, não causa nulidade a ação fiscal.
Não demonstrando a Recorrente, como ocorreu no caso, de forma contundente e definitiva donde houve afronta qualquer um dos princípios no tramitar do presente processo administrativo, não pode alegar nulidade.
Por outro lado, como afronta a princípio constitucional é matéria de ordem pública, se localizada pelo julgador, há de ser analisada e julgada, o que não ocorreu no caso em tela.
PROVA DA AUTUAÇÃO
A autuação fiscal que analisa os documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e este, em sua, alega irregularidade, não pode ser conhecida, porque, se houvesse não poderia este se valer de sua torpeza.
Ademais, quando a autuação fiscal não agride os artigo 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há de se falar em nulidade por erros materiais.
MULTA
Quando não há insurgência espontânea do Recorrente em sede de recurso voluntário, em matéria de multa, por não se tratar de matéria de ordem pública, não há de ser analisada quanto a benesses da sua aplicação.
Recurso Voluntario Negado
Numero da decisão: 2301-003.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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A Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009 (Publicada no DOU de 23 de junho de 2009, Seção I, fls. 34 a 39 Retificado no DOU de 26 de junho de 2009, Seção I, fl. 231) {Com alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 Publicadas nos DOU de 31.08.2009 e de 22.12.2010} do MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, determinou ao CARF, no artigo 3°, competência à Segunda Seção para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de, entre outras, Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. PRINCÍPIOS. Princípios constitucionais não afrontados e que não interfiram no tramitar processual administrativo, não causa nulidade a ação fiscal. Não demonstrando a Recorrente, como ocorreu no caso, de forma contundente e definitiva donde houve afronta qualquer um dos princípios no tramitar do presente processo administrativo, não pode alegar nulidade. Por outro lado, como afronta a princípio constitucional é matéria de ordem pública, se localizada pelo julgador, há de ser analisada e julgada, o que não ocorreu no caso em tela. PROVA DA AUTUAÇÃO A autuação fiscal que analisa os documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e este, em sua, alega irregularidade, não pode ser conhecida, porque, se houvesse não poderia este se valer de sua torpeza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 28 /2 01 1- 18 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Ademais, quando a autuação fiscal não agride os artigo 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há de se falar em nulidade por erros materiais. MULTA Quando não há insurgência espontânea do Recorrente em sede de recurso voluntário, em matéria de multa, por não se tratar de matéria de ordem pública, não há de ser analisada quanto a benesses da sua aplicação. Recurso Voluntario Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Corrêa. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11080.730028/201118 Acórdão n.º 2301003.313 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Numa ação fiscal foram autuados vários AI’s, sendo este o Debcad nº 51.004.3453, que abrange a contribuição destinada ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social (20%), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (2%), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e, ainda, a contribuição da empresa em relação a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho UNIMED (15%). Devidamente noticiada do AI, apresentou impugnação com suas razões, cuja peça defendente foi julgada improcedente. Em 16.ABR.2012 tomou ciência da Decisão Notificação e em 15.MAI.2012 aviou o presente Recurso Voluntário, com as seguintes alegações: Preliminares de: i) tempestividade; ii) da competência do 1° Conselho de Contribuinte para julgar o presente Recurso Voluntário; iii) divaga sobre os princípios basilares do processo administrativo que deverão ser aplicados no caso em tela; Mérito alega: a) que os documentos apresentados nos autos são insuficientes para provar a autuação; b) que o ônus de provar que os lançamentos são nulos é do FISCO; Pede ao final a anulação do AI. É a síntese do necessário. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. PRELIMINARES TEMPESTIVIDADE. Não há que se perder tempo com razões para demonstrar a tempestividade do presente recurso, uma vez que ele foi protocolizado com menos de 30 dias da ciência da DN, razão assaz para comprovar sua regularidade. COMPETÊNCIA. Sem razão a Recorrente quanto a competência do 1° Conselho de Contribuintes para julgar o presente remédio processual, eis que as alterações trazidas pela PORTARIA Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009 (Publicada no DOU de 23 de junho de 2009, Seção I, fls. 34 a 39 Retificado no DOU de 26 de junho de 2009, Seção I, fl. 231) {Com alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 – Publicadas nos DOU de 31.08.2009 e de 22.12.2010} do MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos II e IV do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4° do Decreto n° 4.395, de 27 de setembro de 2002, e tendo em vista o disposto nos arts. 25 e 49, § 3° da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, e nos arts. 32 e 43 do Anexo I do Decreto n° 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, resolveu, entre outras, no artigo 3° da lei supra, dar competência à Segunda Seção para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de, entre outras, Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. PRINCÍPIOS. Divaga sobre os princípios, que segundo a Recorrente são basilares ao tramitar processual administrativo, o que não se discorda, pois, em que pese a singeleza apresentada em suas razões, antes, porém, foi objetiva e consistente. Entretanto, não demonstrou de forma contundente e definitiva donde foi aviltado qualquer um dos princípios no tramitar do presente processo administrativo, o que cabia a ela. Mas, afronta a princípio constitucional é matéria de ordem pública, devendo, se localizada pelo julgador, ser analisada e julgada, o que não ocorreu no presente caso, razão assaz para determinar que não houve qualquer ilegalidade na presente autuação fiscal. Assim, sem razão também neste quesito. MÉRITO Diz a Recorrente que os documentos apresentados são insuficientes para demonstrar a ilegalidade por ela cometida, mas que o ônus não cabe a ela, mas sim ao FISCO de fazer esta prova. Alega também que os documentos apresentam várias irregularidades, tais como datas incorretas, preenchimentos indevidos e outros. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11080.730028/201118 Acórdão n.º 2301003.313 S2C3T1 Fl. 4 5 Sem razão. As afirmações da Recorrente não podem prosperar pelas razões adiante expostas. Os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, determinam, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Como se vê, de acordo com o art. 59, I, só se pode cogitar de declaração de nulidade de Auto de Infração que se insere na categoria de ato ou termo – por vício insanável, quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente. Já a segunda possibilidade de ocorrer a nulidade está estampada no inciso II do mesmo artigo, donde descreve com bastante nitidez que há nulidade quando existir afronta ao direito de defesa. Em ambas possíveis possibilidades de nulidade retratadas no artigo supra, no presente caso não ocorreram. E, ademais, ficou sobremaneira demonstrado que a Recorrente tomou conhecimento da ação fiscal com percuciência, inclusive e, sobretudo das exigências que lhe foram imputadas, conforme se observa de sua manifestação. E, como se tudo isto não fosse suficiente, há ainda o fato de não ter ocorrido prejuízo à defesa, uma vez que o AI foi lavrado com base nas informações prestadas pela própria Recorrente, a partir das informações existentes nas suas folhas de pagamento e nas declarações em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, POR ELA CONFECCIONADA. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, supracitado. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. O fato do Auto de Infração ter sido lavrado em 28/10/2011 com a ciência do contribuinte em 31/10/2011 não acarretou prejuízo algum ao contribuinte. A cientificação de cada documento consta aposta pelo contribuinte na folha de rosto de cada Auto de Infração e no relatório fiscal, observandose que o prazo de defesa foi corretamente observado, tendo como marco inicial para a sua contagem o dia 31/10/2011. Portanto, não há nenhuma irregularidade quanto a este aspecto. A ausência de data e hora da lavratura do Auto de Infração encontrase sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através da Súmula nº 07: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Assim, os fatos apontados não maculam de nulidade o crédito e, com fulcro no art. 60 do Decreto 70.235/72, convalidase a autuação. MULTA A Recorrente não se insurgiu espontaneamente contra a multa aplicada. Antes pensava esse singelo Julgador que a multa era matéria de Ordem Pública, e, diante de tal pensamento, ainda que não houvesse expressamente indignação expressa pelo Recorrente quanto a aplicação multa, dela havia pronúncia. Todavia, hodiernamente, evoluo o meu voto, no sentido que a multa não é de Ordem Pública, caindo, portanto, na vala das matérias comuns, pois, quanto as matérias não suscitadas em sua defesa penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como são os casos da aplicação de multas não anatematizadas pelos recorrentes, e que antes tinham o meu pronunciamento, independente de se objurgada em peça recursiva ou não, mas que amadureço pela razão acima, haja vista não considerar a multa matéria de ordem pública. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para, no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo na íntegra a decisão antes hostilizada. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 13706.001537/88-24
Data da sessão: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 1996
Ementa: PIS/FATURAMENTO EX.: 1987 e 1988 - Tratando-se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao
julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e
efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-40.596
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SP1RIT COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. e ANTONIO DAREITAS DUTRA PRESIDENTE URSL SEN REI»» ;IRA FORMALIZADO EM: 1 8 OUT 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, RAMIRO HEISE, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. MNS • y„ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1PROCESSO N°. : 13706/001.537/88-24 ACÓRDÃO N°. : 102-40.596 RECURSO Nc. : 82.754 RECORRENTE : SPIRIT COMÉRCIO DE ROUPAS LIDA RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 e anexos, lavrado contra SPIRIT COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA., CGC n°. 28.756.070/0001-93, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, RJ, formalizando a exigência de PIS FATURAMENTO, relativa aos exercícios de 1987 e 1988, no valor equivalente a Cz$ 6.030,00 e correspondentes gravames legais. O lançamento, com base no artigo 3 0, letra "b" da Lei Complementar if 07/70, combinado com o artigo 1 0 § único da Lei Complementar n° 17/73 e art. 40 letra "b", § 1 0 letra "b "do Regulamento aprovado pela Resolução BACEN 174/71, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo n° 13706/001.552/88-18. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 26/09/88, sua impugnação de fls. 06/27, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 2619/91, foi proferida às fls. 37/38, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procede . 'í 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13706/001.537/88-24 ACÓRDÃO N°. : 102-40.596 Ciente da decisão singular em 10/06/91 (fls. 39v), a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 42, juntando os anexos de fls. 43/48, reiterando, na essência, os argumentos anteriormente expendidos. É o relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA P. , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - pr. PROCESSO N°. : 13706/001.537/88-24 ACÓRDÃO N°. : 102-40.596 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n°. 13706/001.552/88-18. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 29 de janeiro de 1993, foi julgado procedente, conforme faz certo o Acórdão n. 102-27.801. Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida; Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 23 de agosto de 1996. URS .4_ NSEN 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10907.002245/2008-87
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 27/08/2008
INFORMAÇÃO PRESTADA NO SISTEMA MANTRA SOBRE OS CONHECIMENTOS ELETRÔNICOS – CE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETO-LEI 37/66.
O descumprimento do prazo previsto no art. 22 da IN SRF nº 800/2001 configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 3102-01.362
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 27/08/2008 INFORMAÇÃO PRESTADA NO SISTEMA MANTRA SOBRE OS CONHECIMENTOS ELETRÔNICOS – CE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETO-LEI 37/66. O descumprimento do prazo previsto no art. 22 da IN SRF nº 800/2001 configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66.
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DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETOLEI 37/66. O descumprimento do prazo previsto no art. 22 da IN SRF nº 800/2001 configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa , Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência de multa administrativa, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devido ao descumprimento no prazo para registro das informações de carga constantes do Conhecimento Eletrônico – CE. O contribuinte solicitou ao Fisco a retificação dos CE nº 160805158125832, 160805158137920, 160805158143571 e 160805158179509, corrigindo o número do BL utilizado no 1º transporte. O lançamento considerou 4 (quatro) declarações com descumprimento do prazo e lançou a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cada declaração no valor total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Inconformada, a empresa impugnou o lançamento, A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pelo provimento parcial da manifestação de inconformidade, reduzindo o lançamento de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) para R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por entender que a autuação deveria ocorrer somente uma vez, visto ter ocorrido apenas uma infração, onde o sujeito passivo deixou de informar tempestivamente os dados relativos a carga que deveria desconsolidar, referente a somente um determinado conhecimento master. Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, alegando que teria prestado as informações dentro do prazo e apenas solicitou a retificação de mero dado informativo, cuja alteração não implica em mudança significativa do Conhecimento Eletrônico. Informa que a alteração foi por exigência do Departamento de Marinha Mercante, visando manter o benefício fiscal do drawback, sendo assim, apenas teria ocorrido uma complementação por exigência daquele Departamento. Alega que a exigência foi baseada no art. 64 do Ato Executivo COREP nº 03, editado pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão Aduaneira da Receita Federal, mas tal exigência não encontra respaldo legal, especialmente no DecretoLei nº 37/66, não podendo assim a norma infralegal, determinar a aplicação de penalidades. Alega que os dados lançados originalmente no sistema referente aos Conhecimentos Eletrônicos Agregados (HBL), foram baseados nos dados do Conhecimento Eletrônico Master (MBL), alem das indicações apontadas nos Conhecimentos de Transporte marítimo, sendo todas as informações realizadas no prazo determinado pela Receita Federal. Defende a Recorrente que a responsabilidade por infrações praticadas no âmbito aduaneiro não é objetiva e sim por culpa presumida. Segundo essa premissa não incorreu em nenhuma infração, por ter a intenção de prestar as informações no prazo regulamentar, não logrando êxito por circunstâncias alheias à sua vontade e em nenhum momento, os interesses da fiscalização foram violados, não existindo embaraço a atividade fiscal. Pede a aplicação do instituto da denúncia espontânea por ter apresentado a solicitação das informações constantes dos Conhecimentos Eletrônicos, sem nenhuma intervenção da fiscalização aduaneira. Alega violação do princípio da irretroatividade em razão da previsão do art. 50 da IN SRF nº 800/2007 que determinava: “os prazos de antecedência previstos no art 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009”, assim, a penalidade aplicada à Recorrente somente poderia teria sua exigência permitida a partir da data constante do art. 22 da IN SRF 800/2007. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.002245/200887 Acórdão n.º 3102 001.362 S3C1T2 Fl. 2 3 Finalizando, a recorrente requer a declaração de nulidade do Auto de Infração e o provimento do recurso para reformar a decisão a quo julgando totalmente improcedente o lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Denúncia espontânea Inicialmente cabe manifestação em relação à existência de denúncia espontânea, em razão das retificações dos CE terem sido solicitados anteriormente ao lançamento e o procedimento fiscal. Analisando a impugnação, verificase que tal matéria não foi objeto de contestação. Portanto, a decisão a quo não poderia e não se manifestou sobre tais fatos. Diante da ausência do questionamento da matéria na primeira instância, a apreciação por este colegiado não é mais possível, conforme determina o art. 17, do Decreto nº 70.235/72. “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Entretanto, em que pese a impossibilidade da análise das alegações destas duas matérias, mesmo se apreciadas, não trariam melhor sorte a Recorrente. A espontaneidade para efeitos tributários exige que o ato praticado não tenha interferência da Fiscalização, mas também é exigido que a irregularidade praticada não tenha ocasionado prejuízo, conforme definido no art. Xx do Código Tributário Nacional – CTN. No caso em estudo, considerando o caráter informativo e de controle, constante das declarações aduaneiras, não há como afastar o prejuízo causado aos controles tributários e administrativos. A informação incorreta dos dados do transporte da carga, afeta os controles efetuados pela órgãos responsáveis pelo comércio exterior. Os controles específicos que deveriam ter sido realizados com a carga, já não mais será possível. A corroborar este Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 entendimento, ainda temos o fato que a carga com informação equivocada foi objeto de Declaração de Importação e neste caso, qualquer controle anterior foi prejudicado. Portanto, aqui não há como prosperar o argumento da espontaneidade para afastar a penalidade aplicada. Ofensa a princípios constitucionais Sobre a alegação da Recorrente que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais, também nesta matéria não pode prosperar as alegações do recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador e estando a multa prevista em Lei e em plena vigência, não há que se considerar qualquer ofensa a preceitos constitucionais. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o viés constitucional da penalidade aplicada, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Atribuição da Receita Federal para definir obrigações acessórias A Recorrente tece nos seus argumentos diversas considerações acerca da obrigação acessória constante da IN SRF nº 800/2007. Para um melhor deslinde da questão faz se necessário, antes de qualquer discussão, a análise da atribuição da Receita Federal para criar obrigações acessórias. A definição de obrigação acessória e assunto pertinente aos órgãos da administração tributária, para confirmar este entendimento, basta a análise da matéria do ponto de vista dos diplomas legais que atribuem competência a Receita Federal para definir obrigações acessórias. O art. 113 do Código Tributário Nacional definiu o que vem a ser obrigação principal e obrigação acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.002245/200887 Acórdão n.º 3102 001.362 S3C1T2 Fl. 3 5 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Conforme definido no CTN, a obrigação acessória é prestação comissiva ou omissiva previstas na legislação tributária, no interesse da arrecadação ou fiscalização tributária. A obrigação acessória não se confunde com a obrigação principal de recolhimento tributário, mas conforme, descrito no código, visa o controle e a fiscalização. Não há como falar em obrigação acessória ligada a lançamento, mas a obrigação de fazer ou não fazer do sujeito passivo. A alegação que a obrigação acessória somente poderia ser definida em lei e não em normas administrativas, não encontra respaldo nas normas de direito tributário, pois, no art. 113 é esclarecido, de forma cristalina, que a obrigação acessória nasce da legislação tributária. A legislação tributária abarca outros institutos normativos, tais como decretos e normas complementares como preceitua o art. 96 também do CTN. Ao analisar a questão Luciano Amaro define que mesmo nos casos em que a obrigação acessória foi definida por ato de autoridade administrativa, mesmo assim, podese dizer que decorre de “lei”, visto o caráter de vinculação legal da administração tributária. “Parece que ao dizer serem as obrigações acessórias decorrentes da legislação tributária, o Código quis explicitar que a previsão dessas obrigações pode estar não em “lei”, mas em ato de autoridade que se enquadre no largo conceito de “legislação tributária” dado no art. 96; mesmo, porém que se ponha em causa um dever de utilizar certo formulário escrito em ato de autoridade, melhor seria dizer que a obrigação, em situações como esta, decorre da lei, pois nesta é que estará o fundamento com base no qual a autoridade pode exigir tal ou qual formulário, cujo formato tenha ficado a sua discrição. E, obviamente, também nessas situações, o nascimento do dever de alguém cumprir tal obrigação instrumental surgirá, concretamente, quando ocorrer o respectivo fato gerador”. 1 Detalhando ainda, se restasse dúvida, a atribuição da Receita Federal de definir obrigações tributárias, foi editada a MP 1.788/98, convertida posteriormente na Lei nº 9.779 de 19 de janeiro de 1999, que no seu artigo 16, torna inconteste a atribuição da Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed.,São Paulo, Saraiva. pg. 276277. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável” Conforme descrito acima a alegação a Receita Federal possui a competência legal para criar e regular obrigações acessórias referente aos tributos por ela administrados. Destarte, quaisquer declarações, controles e prazos referentes a tributos sobre o seu controle, são de cumprimento obrigatório pelos intervenientes do comércio exterior e o seu descumprimento enseja a aplicação das penalidades pertinentes. A inaplicabilidade do principio da boafé e da ausência de dano no descumprimento das obrigações acessórias Quanto à discussão sobre dano ou prejuízo a administração aduaneira e aplicação do principio da boafé no descumprimento das obrigações acessória, também não se aplica nestes casos. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente, nos termos previstos no art. 136, do Código Tributário Nacional. In verbis. “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” O art. 136 explicita a posição adotada no Código, de afastar as características subjetivas para análise da responsabilidade. As sanções estão previstas em lei e salvo disposição em contrário, não consideram o instituto da subjetividade, não sendo considerada na aplicação da penalidade, a intenção do agente no ato comissivo ou omissivo. Esta posição adotada pelo Código fica mais óbvia, quando é aplicada aos tributos e controles aduaneiros que por origem, não possuem caráter arrecadatório, mas de controle e segurança da soberania nacional. As obrigações aduaneiras, tanto principais, quanto acessórias, são determinadas em função de decisões administrativas e políticas de Estado. As obrigações acessórias, definidas no controle aduaneiro, caminham em conjunto com os controles administrativos e fitosanitários. Todas as informações exigidas nas declarações tipicamente aduaneiras são relevantes e determinam critérios de riscos que levam a verificações mais complexas ou mais simples, inclusive podendo definir a ausência total da verificação física das mercadorias importadas. Dai a definição de sanções aplicáveis a descumprimento de obrigações acessórias. As penalidades previstas no descumprimento de obrigações acessórias reafirmam o entendimento, que as declarações são relevantes para a atividade aduaneira, e a falta ou informação em atraso prejudicam sobremaneira o controle, portanto, a sanção aplicada vem no intuito de estimular o correto cumprimento das obrigações acessórias, punindo aquele que falta com as informações nos termos previstos pela norma. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.002245/200887 Acórdão n.º 3102 001.362 S3C1T2 Fl. 4 7 Prazo para informação dos dados da carga e desconsolidação no Siscomex No recurso, é alegado ainda, que a exigência do prazo para informação dos dados de embarque, previsto no artigo 22, da IN SRF nº 800/2007, somente poderia ser exigido a partir de abril de 2009, nos termos do art. 50, da mesma Instrução Normativa. Os dois artigos em discussão estão assim redigidos. “Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. (...) Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.” A leitura dos artigos mostra que as alegações da Recorrente não podem prosperar. A alteração da exigência do prazo para 1º de abril de 2009 é uma facilidade criada pela Administração Tributária, concedendo um prazo para que os transportadores e seus representantes se adéqüem às novas exigências. Ou seja, o prazo para informação nunca deixou de existir, simplesmente foi alterado a sua exigência e a própria instrução normativa, tratou de definir um termo inicial para início das novas exigências. O inciso II do artigo 50, deixa explicito, que as cargas transportadas, deverão ser informadas antes da atracação ou da desatracação. A Recorrente alega que a desconsolidação não seria informação referente à carga transportada e portanto, não estaria alcançada nas definições do inciso II, do art. 50. Neste ponto, também não assiste razão a Recorrente, a desconsolidação é da carga, pois, como é cediço, a carga consolidada tem definição genérica, sendo que, a informação detalhada irá acontecer com o ato de desconsolidação, portanto, as informações referentes a desconsolidação estão incluídas dentro das informações da carga transportada, razão por que, estão abarcadas nas determinações do inciso II, do artigo 50, da IN SRF nº 800/2007 e deveriam ser informadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. Enquadramento legal da penalidade aplicada Insurgese a Recorrente contra o enquadramento legal, utilizado no enquadramento da penalidade aplicada, qual seja a alínea “e”, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/66. Em razão da falta de informação da carga, não configuraria embaraço a fiscalização e portanto, o enquadramento não poderia ser utilizado no Auto de Infração. Aqui incorre a Recorrente em erro de argumentação, pois, o enquadramento legal, utilizado para Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10907.002245/200887 Acórdão n.º 3102 001.362 S3C1T2 Fl. 5 9 aplicação da penalidade é alínea “e”, do inciso IV, do art. 107 do DL nº 37/66, que trata da falta de prestação de informação a que estava obrigada. “ Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; “ Alega a Recorrente que o descumprimento do prazo para informação do embarque somente poderia ensejar a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no inciso “c” do art. 107 do DL 37/66, em razão do art. 44 da IN 28/1994. “Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 44 da instrução normativa somente confirma que o descumprimento das obrigações acessórias constituem embaraço a fiscalização, não determinando qual a penalidade a ser aplicada. A penalidade é definida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal que diante dos fatos, verifica o enquadramento legal e aplica a penalidade prevista. No caso em estudo foi aplicado o inciso “e” do art. 107, do DL nº 37/66. Que define a penalidade para os casos de informação intempestiva referentes a carga transportada o que se amolda perfeitamente ao caso em tela, visto a discussão travada em todo o processo versar sobre a informação intempestiva de dados de carga. Portanto, não há qualquer reparo no enquadramento legal utilizado no Auto de Infração. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 Winderley Morais Pereira Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/03/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000720/2005-10
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural pelo reconhecimento da isenção concedida às áreas de preservação permanente, no prazo definido pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Luciano Lopes de Almeida Moraes e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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É obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural pelo reconhecimento da isenção concedida às áreas de preservação permanente, no prazo definido pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Luciano Lopes de Almeida Moraes e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. _.) p M9'rem Helena Traj ano Dar4rim - Presidente-1 EDITADO EM: 08/09/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajam D'amorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Exige-se do interessado o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao l'TR, aos juros de inova e à multa por informação inexata na Declaração do 1TR — DIAC/DIAT/2001, no valor total de RS 15.591,29, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda Indumel Santa Helena, com área total de 794,2 ha, com Número na Receita Federal — N1RF 3.878 544-7, localizado no município de Passos Maia SC, COillbrille Auto de Infração de fls. 01 a 09 e 22 a 24, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das lis 03, 04, 06, 07 e 23. hricialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente as áreas isentas de Preservação Permanente, 215,0 hectares e de Utilização Limitada, 138,5 hectares, o interessado .foi intimado a apresentar, com base na legislação pertinente detalhada no Termo de Intimação, fls. 14 e 15, diversos documentos Alguns deles foram: Certidão atual da Matrícula do imóvel; Cópia do Termo de Averbação de Reserva Legal, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis TRARL/IBAMA, acompanhado de planta topográfica delimitando a área de Reserva Legal; laudo técnico de profissional habilitado lavrado de acordo com os requisitos das normas da Associação Brasileira de Noi mas Técnicas — ABNT comprovando a existência da Preservação Permanente; Ato .Declaratório Ambiental — .ADA tempestivo apara o exercício 2001, entre outros, bem como quaisquer outros documentos adicionais emitidos pelos IBAMA ou outros órgãos ligados à preservação ambiental, que o intimado entender necessários à comprovação das áreas acima mencionadas. Em resposta, através da carta de fl. 17, Mam apresentados os documentos de fls. 18 a 20, os quais são cópia das matriculas do imóvel e do ADA, protocolado no 1BAMA em 08/07/1998. Com a análise tia documentação, relativamente à existência da área de Preservação Permanente, a autoridade .fiscal verificou que nem o documento requerido e nem qualquer outro que pudesse razoawhnente substituí-lo foi apresentado, razão pela qual essa área . foi glosada. Foi ressaltado, ainda, que a informação de sua dimensão no ADA difere da infbrmada na DITR, pois, enquanto nesta está 215,0 hectares, naquele documento consta 93,7 ha e como, todavia, não houve 2 Processo n° 10925.000720/2005-10 Acórdão n " 3102-00,083 S3-C1T2 Fl. 91 comprovação da existência nem de uma e nem de outra qualquer dimensão, a glosa total se tornou o único resultado possível. Quanto à Reserva Legal, a mesma foi aceita de acordo com a declaração. Tendo em vista a refèrida constatação de ausência de compi ovação da existência e regularização total da Preservação Permanente, como consta da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais que embasaram a glosa dessa área e demais alterações conseqüentes, .foi apurado o crédito tributário e lavrado o Auto de Infração, cuja ciência ao interessado, de acordo com o Aviso de Recebimento — AR de fl. .26 datado pelo destinatário, foi dada em 15/04/2005, Em 04/05/2005 foi apresentada impugnação, fls. 27 e 28, na qual, não concordando com os termos do Auto de Infração — o impugnante argumentou, em resumo, o seguinte Na houve intenção de descumprir a solicitação e quando do envio dos documentos foram apresentados o que se tinha à mão no momento. Quando da apresentação da DIA T/2001 havia unia discrepância de informação, tendo em vista que a compra da área foi qfetuada na data de 11/06/2001, motivo pelo qual julga necessário que haja, realmente, mudança quanto ao item Preservação Permanente, mas, cabe lembrar que por ser uma propriedade de 794,2 hectares a existência de cursos d'água é inevitável e deve manter preservado, por ser de interesse COM11111 de todos, conforme legislação. Para cumprimento das leis foram averbadas nas matrículas do imóvel o Termo de Responsabilidade e Manutenção da área de Reserva Legal, de 158,8 hectares, e a de Preservação Permanente, 189,9 hectares, Analisando os fatos, a declaração foi devidamente retificada, modificando a área de Preservação Permanente de 215,0ha para 189,911a, ficando as demais áreas inalteradas, Prosseguiu com mais explicações e .fez uma lista das documentos apresentados, afirmando, à vista do exposto, estar demonstrada a insubsistência da ação .fiscal e, esperando seja acolhida a impugnação, requereu o cancelamento do débito reclamado. Os documentos que instruíram a impugnação constam das fls. 29 a 49, entre os quais: Laudo Técnico; Anotação de Responsabilidade Técnica — ART; cópia de Termo de Responsabilidade de Manutenção de Área de Reserva Legal, de Interesse Ecológico e de Preservação Permanente; cópia das matrículas do imóvel contendo a averbação do mencionado termo de responsabilidade; cópia da declaração retOcadora apresentada em 02/05/2005, data da impugnação; cópias e mapas da propriedade demonstrando as áreas preservadas. 3 A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto, Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício. 2001 Preservação Permanente - Reserva Legal Para ser considerada isenta a área de reserva legal, além de estar devidamente averbada na matrícula do imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - MAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR, e tem como requisito básico a referida averbação. Da mesma forma a área de preservação permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo técnico especifico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensas áreas. Comprovação Parcial É possível rever o lançamento alterando-o, na medida dos comprovantes apresentados. Lançamento procedente em parte. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n" 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator julgamento deste processo, na forma da Portaria if 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório, Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Trata-se de exigência de Imposto Territorial Rural relativa ao ano de 2001, quando o contribuinte, ora recorrente, tem dois pedidos de ADA um de 1998 e outro de 2005. O recurso voluntário apresentado cuida somente da área de preservação permanente. Existe um laudo técnico com mapa (instruido devidamente com o respectivo ART e assinado por engenheiro agrônomo), apontando 138,5 ha de preservação permanente, enquanto que o primeiro pedido de ADA indica 93.7 ha e o segundo, 189,9 ha para a mesma área de preservação permanente. 4 uctPA keeU, arcelo Ribeiro Nogueira / Li..ut. cá Processo n" 10925 000720/2005-10 83-C11-2 Acórdão n." 3102-00.083 Fl 92 A decisão de primeira instância limitou-se a reconhecer a isenção da área de preservação permanente no valor declarado através do primeiro pedido de ADA, contudo, observo que há averbação à margem da matrícula do imóvel, além da reserva legal, de uma área de preservação permanente de 138,5 hectares, em 17/12/1997, mais outra área que o contribuinte chamou de área de interesse ecológico com 51,4 ha, na mesma data, Assim, VOTO, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a área de preservação permanente de 189,9 hectares, conforme a averbação feita pelo contribuinte à margem da matrícula do imóvel e que consta do Termo de Responsabilidade de Manutenção firmado pelo ora recorrente e de seu último pedido de ADA. Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado A exemplo do que tem ocorrido em outros processos submetidos à decisão deste colegiado, o que se discute não é a existência ou não das áreas de reserva legal e de preservação permanente, mas a obrigatoriedade da utilização dos documentos exigidos em lei para a concessão da isenção, em contraposição à admissibilidade de outros meios de prova capazes de confirmar a existência das áreas preservacionistas. O lançamento diz respeito aos exercícios de 2001. Há que se observar, neste ponto, que, no caso do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, o fato gerador OCOIre dentro do ano de exercício. Significa dizer que, se o Imposto refere-se ao exercício de 2001, seu fato gerador está situado dentro do mesmo ano de 2001. Portanto, a DITR sub examine refere-se ao exercício de 2001, tendo o fato gerador do Imposto ocorrido no dia primeiro de janeiro de cada ano, conforme previsto no artigo 1° da Lei 9,393/96, Art.. I" O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado .fora da zona urbana cio município, em 1" de janeiro de cada ano, Até a entrada em vigor da Lei 10.165 de 27 de dezembro de 2000, não havia previsão legal para exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA como documento indispensável à fruição da isenção, " Art. 17-0, Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3,11 do Anexo VII da Lei 272 9,960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vis-toria.(Redação dada Dela Lei n° 10.165, de 2000) ,sç 1°-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo A.DA,(1ncluido pela Lei n o 10.165, de 2000). § 1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do 1TR é obrigatóricL(Redaoão dada pela Lei no 10.165, de 2000)" (grifei) É incontroverso que, na data de ocorrência do fato gerador ., vigia a Lei 10,165/2000 que passou a exigir a apresentação do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Segundo entendo, inexiste razão para que esse colegiada afaste a aplicação de urna lei vigente à época da ocorrência do fato gerador. De fato, salvo melhor juízo, falece competência a esse tribunal administrativo para afastar a aplicação da norma em vigor, sob qualquer pretexto. O próprio Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes delimita o universo no qual os integrantes deste colegiada devem apoiar suas decisões, ao excluir da sua competência o controle da constitucionalidade das leis. Art. 49, No . julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Também há que se levar em consideração o disposto no Código Tributário Nacional no que se refere às condições para concessão da isenção de tributos. Art 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão, § 1 - Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Ç. -2 O despacho referido neste artigo não gera direito- adquirido, aplicando-se, quando cablvel, o disposto no artigo 155, Não se trata, portanto, de caso de valoração das provas apresentadas pelo contribuinte ou de aplicação do princípio da verdade material, mas exclusivamente de aplicação do teor do Código Tributário Nacional no que tange à comprovação, pelo contribuinte, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a concessão da isenção, dentre os quais está a apresentação do Ato Declaratório Ambiental para as áreas de reserva legal e de preservação permanente e de averbação das primeiras à margem da escritura do imóvel. Na parte que se refere à alegação de que já foram providenciadas as ações com vistas à regularização dos problemas identificados pela fiscalização, é de se observar o Processo n° 10925,000720/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n " 3102-00.083 Fl 93 teor da Instrução Normativa n° 60/01, vigente à época da ocorrência do fato gerador ., que determinava esse prazo., Art.. 17 Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Mama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte.' I - as áreas de reserva legal e de servidão .florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do lbama, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei no 4,771, de 1965; II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declamatório junto ao 'bania; (grifei) iii - se o contribuinte não requerem; ou se o requerimento não for deferido pelo lbama, a Secretaria da Receita Federal .fará lançamento suplementar, recalculando o 1TR devido, iii — se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não ..for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal .fará lançamento suplementar; recalculando o ITR devido O Código Tributário Nacional trata do fato gerador das obrigações principais e acessórias: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115, Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. (o original não está grifado). Não resta dúvida de que o Código estabelece urna importante distinção quanto ao instrumento legislativo hábil a definir situações geradoras de obrigações principais e acessórias Apenas para as primeiras o legislador estabeleceu a reserva legal. Disso decorre que nada obsta à Receita Federal do Brasil definir, por meio de norma regulamentar, prazo ou outras obrigações de cunho acessório, com vistas à melhor administração do Imposto. Por outro lado, assim especifica o Código em relação às conseqüências do descumprimento das obrigações acessórias: Art. 113, A obrigação tributária é principal ou acessória. § I" A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 2'A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 3" A obrigação acessória, pelo simples fido da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.. (grifei) Ou seja, descumprida a obrigação acessória sem, por óbvio, que isso tenha implicado a falta de comprovação do adimplemento da obrigação principal, cabe a aplicação da penalidade pecuniária, mas não decorre disto a conversão desta em obrigação principal no que concerne ao pagamento dos tributos devidos. Até dado momento, é possível a apresentação dos documentos exigidos em lei como necessários à comprovação do direito à isenção, cabendo, até este ponto, exclusivamente a aplicação de da penalidade pecuniária devida pelo descumprimento da obrigação acessória. posteriores. Dito momento está especificado no Decreto 70.235/72 e alterações Art. 16. A impugnação mencionará I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fino e de direito em que se fundamenta, Os' pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1." da Lei n," 8.748/93) IV- as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as .justifiquem, com a .formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1." da Lei n." 8.748/93) § Considerar-se-á não .fbrmulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Acrescido pelo art. 1. 0 da Lei ti.° 8..748/93) § 2. ▪ defeso ao impugwante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Acrescido pelo art. 1,0 da Lei ri." 8,748/93) § ▪ Quando o imptignante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Acrescido pelo art, 1. 0 da Lei 0..0 8.748/93) § 4.". A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (grifei) , Processo n" 10925.000720/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n." 3102-00.083 Fl 94 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de fbrça maioG b) refira-se a fato ou a direito superveniente,. c) destine-se a contrapor .fátos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art.. 67 da Lei n," 9,532/97) § 5. ". A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com . fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n." 9.532/97) § 6. ". Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for intoposto recurso, se, em apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n," 9..532/97) (grifei) O contribuinte pode apresentar os meios de prova de que disponha até a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento a menos que constate-se uma das ocorrências previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do § 4" do artigo 16, situação em que poderá fazê-lo mesmo depois de proferida a decisão de primeira instância. No que diz respeito à concessão da isenção e sua posterior revogação de oficio, cumpre relembrar o teor do contido no artigo 179 do Código Tributário Nacional agora combinado com o artigo 155 do mesmo diploma legal, Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado .faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. § I" Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2" O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de oficio, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfizer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora. (grifei) I - com imposição da pena/idade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em beneficio daquele; II - sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo (Mico No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito Aplicando-se o artigo 155 ao processo de concessão de isenção, como reza o parágrafo 2° do artigo 176, tem-se que ela, a isenção, será revogada de oficio sempre que for apurado que o beneficiado não cumpria os requisitos para a concessão do favor. Sem a obtenção do ADA e averbação da área de reserva legal, dois requisitos definidos em lei como necessários à concessão da isenção, forçoso assumir que o contribuinte não satislà2-..ia as condições ou não cumprira os requisitos para a concessão do ..favor ao tempo em que efetivou a declaração do ITR revisada pela fiscalização, mesmo que, posteriormente, tenha regularizado sua situação. Ante o exposto, considerando que o direito à isenção deve ser provado pelo contribuinte, cabendo à fiscalização revogá-lo em procedimento de revisão do auto-lançamento procedido pelo mesmo sempre que se constate que ele não preenchia ou deixou de preencher as condições para cor essão e, ainda, que a obtenção extemporânea do ADA não faz prova em relação a fatos pie é -itos, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte 10
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001848/2004-41
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
Ementa: PEDIDO DE INCLUSÃO DE OFÍCIO AO SIMPLES. Verificado
que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, deve ser autorizada sua inclusão no sistema.
Recurso Provido
Numero da decisão: 1402-000.156
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE INCLUSÃO DE OFÍCIO AO SIMPLES. Verificado que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, deve ser autorizada sua inclusão no sistema. Recurso Provido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T12:15:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T12:15:38Z; Last-Modified: 2010-09-02T12:15:38Z; dcterms:modified: 2010-09-02T12:15:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:5163ab04-6fa7-4dde-b92c-5f442c222a4e; Last-Save-Date: 2010-09-02T12:15:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T12:15:38Z; meta:save-date: 2010-09-02T12:15:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T12:15:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T12:15:38Z; created: 2010-09-02T12:15:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-09-02T12:15:38Z; pdf:charsPerPage: 1166; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T12:15:38Z | Conteúdo => r, S1-01T2 Fl 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10930.001848/2004-41 Recurso n" 336,941 Voluntário Acórdão n" 1402-00.156 — 4" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2010 Matéria Enquadramento no Simples Recorrente CASA SERRA MORENA LIDA Recorrida DRJ Curitiba (PR) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE INCLUSÃO DE OFÍCIO AO SIMPLES. Verificado que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, deve ser autorizada sua inclusão no sistema. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do eolegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 4- tôn José Praga d- SouzaAlbertingSantos de Lima Relator Presidente EDITADO EM: 07/04/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Albertina Silva Santos de Lima, Roberto Armond, André Ricardo Lemes da Silva e Adriana Giuntini Viana, Relatório CASA SERRA MORENA LTDA recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70,235 de 1972 (PAF), O processo entrou em pauta no dia 13/11/2008 na 1'. Câmara do antigo 3'. Conselho de contribuintes que converteu o julgamento em diligência mediante resolução de n. 301-2.085, fls. 78 —82, cujo relatório aqui adoto, para verificar se a contribuinte realmente exerce atividade vedada. Em atendimento, foi lavrado relatório fiscal de fls. 86 a 87 constatando que a contribuinte exercer atividade de recuperação de peças mecânicas (torno, solda fieza, etc), tendo juntado fotos de fls. 90 94 e notas fiscais de fls. 95 a 165. Cientificado o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio José Praga de Souza - Relator O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Compulsando os autos verifica-se que tanto a DRF quanto a DRJ calcaram a não inclusão da empresa do Simples apenas no fato de constar que a empresa exerce a atividade de recuperação de peças, que seria serviço profissional de engenharia„ Realmente, dentre as vedações ao enquadramento no Simples, o inciso XIII, do art. 9, da Lei IV 9.317, de 05.12.1996, as atividades de engenheiro, ou a essas assemelhadas; verbis" mencionado dispositivo legal: "Art. 9" - Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.„) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor; jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." (Grifei) 2 Processo n° 109:30 001848/2004-41 Si-C412 Acórdão n " 1402-00.156 Fl 3 Todavia, na diligência fiscal de fis. 86/87 e anexos de fls. 88 e seguintes, ficou patente que a empresa não exerce atividade de engenharia, tampouco manutenção industrial e sim recuperação de peças simples. Estou convencido que a contribuinte não exerce atividade vedada. Voto por dar provimento ao recurso. An nio .Toraga d g. Souza 3 = - MTNISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo a' : 10930..001848/2004-41 Acórdão n" : 1402-00.156 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial IV 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, a 6 A GO 2 J10 444 nste a e JUW a ousa "Ir .-3A'iketWia da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [] com Embargos de Declaração. xl Ikpi Câmara FlsMINISTÉRIO DA FAZENDA .: ‘• 7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF i a Seção QUARTA CÂMARA - 1 a SEÇÃO CARF Processo n° : 10930.00184812004-41 Interessado(a) : CASA SERRA MORENA LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção/4a Câmara Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1402-00,156, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão Em Chefe da Secretaria
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