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Numero do processo: 10380.009929/2004-62
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ.
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido. Nesse sentido é o precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o qual vincula este órgão julgador, nos termos do art. 927, inciso III do CPC, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO POR COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
A compensação, ainda que homologada, não pode ser equiparada ao pagamento, para fins de contagem do prazo decadencial. No caso, quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999 não restou comprovado o pagamento mediante DARF, ainda que parcial, do tributo exigido e, portanto, o fisco tem o direito de efetuar o lançamento de ofício a eles relativos, com a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 3402-006.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos para suprir a omissão ventilada e dar-lhe provimento, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência de parte do crédito tributário em relação aos meses em que foi comprovado pagamento mediante DARF, quais sejam, janeiro/1999 a abril/1999 e setembro/1999. Pelo voto de qualidade, por não reconhecer a decadência quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro (relator), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que reconheciam a decadência destas competências, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (suplente convocado). Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido. Nesse sentido é o precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o qual vincula este órgão julgador, nos termos do art. 927, inciso III do CPC, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. DECADÊNCIA. PAGAMENTO POR COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. A compensação, ainda que homologada, não pode ser equiparada ao pagamento, para fins de contagem do prazo decadencial. No caso, quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999 não restou comprovado o pagamento mediante DARF, ainda que parcial, do tributo exigido e, portanto, o fisco tem o direito de efetuar o lançamento de ofício a eles relativos, com a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN.
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DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido. Nesse sentido é o precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o qual vincula este órgão julgador, nos termos do art. 927, inciso III do CPC, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. DECADÊNCIA. PAGAMENTO POR COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. A compensação, ainda que homologada, não pode ser equiparada ao pagamento, para fins de contagem do prazo decadencial. No caso, quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999 não restou comprovado o pagamento mediante DARF, ainda que parcial, do tributo exigido e, portanto, o fisco tem o direito de efetuar o lançamento de ofício a eles relativos, com a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos para suprir a omissão ventilada e darlhe provimento, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência de parte do crédito tributário em relação aos meses em que foi comprovado pagamento mediante DARF, quais sejam, janeiro/1999 a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 99 29 /2 00 4- 62 Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 3 2 abril/1999 e setembro/1999. Pelo voto de qualidade, por não reconhecer a decadência quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro (relator), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que reconheciam a decadência destas competências, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (suplente convocado). Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como meu o relatório desenvolvido pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, quando da lavratura do acórdão n. 3402002.415 (fls. 928/936), o que passo a fazer nos seguintes termos: O processo trata de auto de infração formalizado para constituir os créditos tributários referentes às diferenças apuradas entre o valor escriturado e o valor declarado/pago, o procedimento de verificações obrigatórias. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo manteve em parte o lançamento tributário nos termos do Acórdão nº 6.274, de 20 de maio de 2005. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 3402001.846, de 18 de julho de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 4 3 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, podese afastar a aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo do PIS e da Cofins, até a vigência das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A Fazenda Pública opôs embargos de declaração sob alegação de omissão da decisão acima mencionada quanto a inclusão na base de cálculo da Cofins do ICMS –Substituição Tributária, da subvenção para custeio e investimento e das variações cambiais ativas. Segundo a embargante, a decisão deu provimento ao recurso sem, contudo, atentar para a natureza específica e peculiaridades das receitas envolvidas, variações cambiais, subvenção de custeio e investimento e ICMS – Substituição Tributária. Defende a embargante que a subvenção para custeio deve fazer parte da base de cálculo da Cofins por ser considerada receita operacional. As receitas oriundas das variações cambiais ativas, por se caracterizarem acessórias das receitas de exportações devem fazer parte do conceito de faturamento e ser tributada pela Cofins. Por derradeiro, afirma a embargante que o ICMS – Substituição Tributária deve fazer parte da base de cálculo da exação, uma vez que a legislação interna do Estado do Ceará não estipulou o quantum foi pago na condição de contribuinte e o quantum foi pago na condição de substituto tributário. (...) (grifos nosso). 2. Uma vez processado, os embargos de declaração interpostos pela União foram julgados procedentes, nos termos abaixo indicados: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa. CONSULTA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É de observância obrigatória a solução de consulta provocada pelo sujeito passivo, tanto para o consulente como para administração, uma vez que está vinculada a observar a decisão dada à consulta apresentada pelo consulente, já que expressa a sua interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 5 4 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração e acolhêlos para sanar a omissão, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso apenas para afastar as receitas oriundas das variações cambiais e das subvenções para custeio e investimento da base de cálculo da Cofins, mantendo no cálculo da exação o valor do ICMS. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Souza Bispo que entendeu que as subvenções de custeio fazem parte do faturamento, logo, haveria omissão quanto a essa matéria. Declarouse impedido o conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. 3. Não obstante, uma vez intimado desta decisão, o contribuinte interpôs os embargos de declaração de fls. 1.620/1.656 alegando, em suma, os seguintes vícios: · Vícios de Omissão · Ausência de análise do prazo decadencial que fulminou grande parte do crédito tributário · Falta de análise do histórico fático, normativo e legislativo · Não apreciação da efetiva fundamentação contida no auto de infração e da correspondente ausência de fundamentação quanto a suposta infração relacionada ao ICMSST · Desconsideração da mudança de entendimento do Fisco sobre o fundamento da Solução de Consulta n° 46/98 e o provimento judicial favorável à Embargante · Vícios de Contradição · Fundamentação legal diversa à que baseia a autuação · Submissão do contribuinte e do CARF às Soluções de Consulta 4. Em despacho de admissibilidade (fls. 1.676/1.681), o então Presidente desta turma julgadora, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, admitiu o recurso do contribuinte apenas para sanar suposta omissão em relação à discussão quanto à decadência, o que fez nos seguintes termos: Compulsando o recurso voluntário, fls. 940 a 970, verifico que o ora embargante ofereceu preliminar de decadência pela regra do § 4° do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN. Quanto ao mérito, arguiu a inconstitucionalidade declarada pelo STF da ampliação da base de cálculo da Contribuição. Apoiandose em decisão do STJ no REsp 601.741, a exigência feita no Estado do Ceará quanto à não exclusão dos valores de ICMS Substituição Tributária das bases de cálculo da Cofins é ilegal e dupla. Da mesma forma, insurgiuse contra a incidência Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 6 5 da Cofins sobre receitas relativas aos programas de incentivo financeiro implementados pelos governos do Ceará e Rio Grande do Norte ("PROVIN", "PROADI" e "FDI"). Defendeu, de igual modo a exclusão da tributação das receitas de variação cambial. Finalmente, alegou que alguns valores de Cofins pagos pelo contribuinte não foram corretamente computados. Essa rápida revisão permite concluir que o embargante está correto ao inquinar o Acórdão nº 3402002.415 do vício de omissão, no que tange à arguição da preliminar de decadência. Tanto nesta decisão quanto na que ela integrou, a matéria não foi abordada. O vício merece saneamento e, desde já, admitese o apelo ao Colegiado Recursal para que ele seja saneado. A revisão também permite constatar que as demais omissões suscitadas resumemse, na verdade, em manifestações da insatisfação do embargante para com o que foi decidido pelo acórdão embargado. De omissões não se trata, posto que não foram arguidas no recurso voluntário, nem se trata de pontos sobre os quais o Colegiado deveria manifestarse de ofício. (...). A embargante ainda acusa a decisão recorrida de fundarse em legislação distinta da que embasou o lançamento e de vincular o contribuinte e o CARF a soluções de consulta que em nada se refere ao período de janeiro/99 a fevereiro/01, mas a período e norma muito diversos, ou seja, às normas do Protocolo ICMS 46/00 e ao período de março/2001 a dezembro/2003. Ab initio, cumpre gizar que a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, e não aquela que possa existir, por exemplo, com a prova dos autos” (STJ, REsp 322056), nem “a que porventura exista entre a decisão e o ordenamento jurídico; menos ainda a que se manifeste entre o acórdão e a opinião da parte vencida” (STF, Emb Decl RHC 79785). Assim, no caso, não vislumbro a contradição alegada pelo embargante, na medida em que, conforme consignado, o aludido vício de intelecção deve ser interno, aquilatável entre as proposições manifestadas pelo juízo naquele mesmo julgado, e não eventual divergência entre os fundamentos da decisão e demais provas e fatos do processo, isto é, externo ao julgado. (...). Com essas considerações, forte no § 3° e em face do que dispõe o § 7, todos do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, admito os embargos interpostos, no que tange à omissão pela falta de apreciação da arguição de decadência, formulada no recurso voluntário. Portanto, incluase o presente processo em Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 7 6 lote para sorteio a um dos conselheiros da 2ª TO/4ª C/3ª S/CARF. (grifos nosso). 5. Diante deste despacho decisório e, ainda, levando em consideração o potencial efeito infringente dos embargos interpostos, esta Turma julgadora veiculou a resolução n. 3402000.834 (fls. 1.688/1.692) determinado que a União fosse intimada para, querendo, manifestarse a respeito do recurso interposto. 6. Devidamente intimada, a União apresentou sua manifestação as fls. 1.694/1698, oportunidade em que, em suma, alegou inexistir prova do pagamento de tributo a implicar a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 150, § 4º do CTN, afastando, por conseguinte, o precedente do STJ formado sob o rito de recursos repetitivos e externado no REsp n. 973.733. 7. Não obstante, por entender que haveriam indícios de pagamento do tributo exigido (COFINS) para o período objeto de questionamento (janeiro a dezembro de 1999), essa Turma julgadora novamente baixou o caso em diligência (resolução n. 3402001.006 fls. 1.707/1.712), determinando o que segue: (...). 14. Diante deste quadro, em respeito ao princípio da verdade material e, ainda, para evitar a judicialização de uma exigência fiscal que pode ser indevida, o que, por conseguinte, é ofensivo as ideias de eficiência e moralidade pública, entendo por bem converter em julgamento em diligência para que a unidade preparadora apresente nos autos os extratos de eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de COFINS para o período compreendido entre janeiro e setembro de 1999. 15. Concluída a diligência, o Recorrente deverá ser intimado para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. (...). 8. Ato contínuo, a unidade preparadora manifestouse a fl. 1.720 nos seguintes termos: ...segue em anexo, para ciência, o resultado da diligência, representado pelas cópias das telas dos pagamentos efetuados a título de COFINS, código 2172, pelo contribuinte acima identificado, no período de 01/01/1999 a 30/09/1999, recuperadas do Sistema SIEF/Documentos de Arrecadação Pagos. 9. Tal informação veio devidamente instruída com consulta formulada pela RFB (fls. 1.715/1.719). 10. Intimado a respeito, o contribuinte manifestouse por meio da petição de fls. 1.726/1.731, oportunidade em que vindicou o reconhecimento da decadência para o período compreendido entre janeiro e maio de 1999, haja vista prova cabal do pagamento parcial, da exação aqui tratada. Não obstante, em relação ao período compreendido entre junho e setembro Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 8 7 de 1999, alegou que também fez pagamentos parciais, o que se deu mediante compensação. Para comprovar tais fatos juntou aos autos os documentos de fls. 1.735/1.757. 11. Tendo em vista os fatos inovadores apresentados pela recorrente, proferi despacho de fls. 1.786/.1.789, chancelado pelo Presidente desta Turma julgadora, oportunidade em abri vista para manifestação da Fazenda Nacional, a qual foi acostada aos autos as fls. 1.794/1.796. 12. Não obstante, diante dos novos documentos apresentados pelo contribuinte, este colegiado resolveu novamente baixar o caso em diligência por intermédio da resolução n. 3402001.358, que assim prescreveu: (...). 13. De forma muito objetiva, os novos fatos trazidos ao conhecimento desta Turma julgadora e retratados pelos documentos de fls. 1.734/1.757, acabam por suscitar em nova dúvida por parte do Relator deste caso. 14. A primeira delas é por qual razão a guia DARF de fl. 1.757, que comprova o pagamento (ainda que parcial) de COFINS referente a competência de setembro de 1999 e pago em outubro daquele ano e que não foi detectado pela unidade preparadora quando das informações prestadas as fls. 1.715/1.719. Assim, para dissipar qualquer dúvida acerca desta pagamento, resolvo novamente converter o julgamento em diligência para que: (i) a unidade preparadora certifique a validade do aludido pagamento, prestando as informações cabíveis no presente processo. 15. Não obstante, em relação ao período compreendido entre junho e agosto de 1999, a recorrente traz aos autos os documentos de fls. 1.735/1.756 (DCOMP's) que atestariam que também houve pagamento parcial de COFINS para tais meses, ainda que mediante compensação. Acontece que a assertividade de tal afirmação depende de verificar se tais compensações foram ou não homologadas pela autoridade competente, o que me motiva a também converter o presente julgamento em diligência para que: (ii) a unidade preparadora ateste a situação processual das compensações referidas nos documentos de fls. 1.735/1.756, bem como preste outros esclarecimentos que entender pertinentes acerca de tais compensações. 16. Concluída a diligência, o Recorrente deverá ser intimado para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. (...). Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 9 8 13. A respeito dessa nova diligência a unidade preparadora elaborou a objetiva manifestação de fls. 1.829 e 1.831, a respeito do qual o contribuinte se manifestou por intermedio da petição de fls. 1.838/1.842. 14. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 15. Os embargos de declaração de fls. 1.620/1.656 são tempestivos e, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 1.676/1.681, atacam omissão que será sanada nos termos a seguir propostos. Logo, tal recurso deve ser conhecido por esta Turma julgadora. I. Da decadência de parte do crédito debatido 16. Conforme já mencionado no relatório, o contribuinte questionou a decadência de parte do crédito tributário aqui debatido, mais precisamente a parcela compreendida entre janeiro e setembro de 1999, questão essa que, todavia, não foi objeto de tratamento pelo acórdão embargado e que, por conseguinte, configura a omissão a ser sanada pelo presente recurso. 17. Feitas tais considerações e também levando em consideração as diferentes respostas elaboradas pela unidade preparadora às variadas resoluções deste colegiado no presente caso, resta claro que parte do crédito aqui debatido está decaído. Tal questão não demanda maiores digressões, haja vista que, em se tratando de exigência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial será interferido de acordo com a existência ou não de pagamento parcial do tributo para o período autuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recurso repetitivo, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 10 9 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos nosso). 18. Por seu turno, referido precedente do STJ deve ser seguido por este Tribunal Administrativo, nos termos do que estabelecem o art. 927, inciso III do CPC, bem Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 11 10 como o art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. 19. Assim, diante de tal precedente vinculante, resta agora analisar as manifestações ofertadas pela unidade preparadora em resposta às resoluções deste colegiado. Primeiramente, em relação a resolução n. 3402001.006 (fls. 1.707/1.712), a unidade preparadora atestou (extrato de pagamentos de fls. 1.715/1.719) a existência de pagamentos, ainda que parciais, em relação a exação aqui tratada para o período compreendido entre janeiro e abril de 1999. Logo, deve ser convocada a ratio decidendi do sobredito precedente pretoriano, com o consequente reconhecimento da decadência para tais períodos. Não houve, todavia, comprovante de pagamento para o mês de maio de 1999, conforme atestam os citados documentos de fls. 1.715/1.719, o que faz incidir a regra do art. 173, inciso I do CTN. 20. Por sua vez, em relação a resolução n. 3402001.358 (fls. 1.804/1.809), assim se manifestou a unidade preparadora (fls. 1.829 e 1.831): Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 12 11 21. Em suma, em relação ao mês de setembro de 1999, a unidade preparadora reconhece que a guia DARF acostada aos autos a fl. 1.757 implicou o pagamento parcial de COFINS para o mês de setembro de 1999, o que mais uma vez nos remete à ratio decidendi do já mencionado precedente vinculante do STJ, ou seja, redunda em também reconhecer a decadência desta competência (setembro de 1999). 22. Por fim, em relação aos meses de junho, julho e agosto de 1999, a unidade preparadora atesta que o contribuinte efetuou pagamentos parciais para tais competências, o que fez por intermedio de compensações retratadas nos processos administrativos 10380.005116/9910, 10380.021064/9911 e 10380.021064/9911, compensações essas que, segundo vaticinado pela referida manifestação fazendária, foram integralmente homologadas. Logo, também resta configurado o pagamento parcial de COFINS para os meses de junho, julho e agosto de 1999, o que resulta no reconhecimento da decadência para as exações pertinentes a tais períodos, mais uma vez com fundamento no já citado precedente vinculante do STJ. 23 Assim, levando em consideração que o recorrente comprovou o pagamento parcial de COFINS para o período compreendido entre janeiro e abril de 1999 e junho e setembro de 1999, conforme atestou resultado de diligência (manifestações de fls. 1.715/1.719, 1.829 e 1.831), a contagem do prazo decadencial no presente caso deve se dar nos termos do art. 150, § 4º do CTN. 24. Logo, levando em consideração que a exigência aqui debatida abrange o período compreendido entre janeiro e setembro de 1999, deveria o presente lançamento, para tais competências e levando em consideração o mês mais recente (09/1999), ter sido realizado até setembro de 2004. Ocorre que a notificação da recorrente acerca do presente lançamento só seu deu em 29/10/2004 (fl. 04), ou seja, já quando decaído tais parcelas do crédito tributário, o que implica a sua extinção, nos termos do art. 156, inciso V do CTN. Dispositivo 25. Diante do exposto, conheço os embargos de declaração interpostos pelo recorrente para suprir a omissão lá ventilada para, ato contínuo, darlhe parcial provimento com efeitos infringentes, reconhecendo, pois, a decadência de parte do crédito tributário aqui Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 13 12 debatido, mais precisamente os valores referentes ao período compreendido entre janeiro e abril de 1999, bem como junho e setembro de 1999. 26. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar quanto ao reconhecimento da decadência dos valores referentes aos meses de junho, julho e agosto de 1999. Conforme relatado, no referido período constatouse que não houve pagamento antecipado, ainda que parcial, dos débitos lançados e sim compensação. Embora ambas sejam formas de extinção do crédito tributário, previstas no art. 156 do CTN, entendo que compensação e pagamento não se confundem. Portanto, inexistindo pagamento antecipado só resta a aplicação do critério decadencial geral, expresso pelo art. 173, inc. I, do mesmo Código. Para a aplicação do retrocitado REsp 973.733/SC deve ser considerado que se o STJ utilizou a expressão "pagamento antecipado" sem fazer nenhuma referência à "compensação", entendo que somente o efetivo pagamento em pecúnia foi considerado pela corte no momento da prolação do repetitivo, não sendo lícito estender a interpretação contida no referido julgado no caso de compensação. Reforça esse entendimento o fato de o art. 156, VII, do CTN referirse ao "pagamento antecipado" conjugado com a homologação do lançamento nos termos do art. 150, §§ 1º e 4º do CTN. Portanto, entendo que o "pagamento" referido no art. 150, § 1º do CTN é o pagamento no seu sentido estrito, mediante DARF, do crédito tributário e que foi esse "pagamento" o considerado pelo STJ na prolação do REsp 973.733/SC. Tal entendimento é corroborado ainda pelas decisões nos acórdãos da CSRF nº 9303002.384 e 9303007.696. Assim, por não haver antecipação de pagamento nos períodos de apuração de junho, julho e agosto de 1999, deve por isso ser utilizado o critério do art. 173, inc. I, do CTN, para verificação da decadência de o Fisco efetuar o lançamento. Como o primeiro dia do exercício seguinte a estes períodos foi 01/01/2000, na data da ciência do auto de infração, que se deu em 29/10/2004 (fl. 04), não havia decorrido o lustro decadencial. No período compreendido entre janeiro e abril de 1999 e setembro de 1999, conforme atestou resultado de diligência (manifestações de fls. 1.715/1.719 e 1.831), restou comprovado o pagamento antecipado mediante DARF, devendo a contagem do prazo decadencial se dar nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Nesse sentido voto por conhecer os embargos de declaração interpostos pelo recorrente, dandolhe parcial provimento com efeitos infringentes, reconhecendo, pois, a decadência quanto às competências de janeiro/1999 a abril/1999 e setembro/1999. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1858DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000523/2007-73
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo (Sumula 01 do Segundo Conselhos de Contribuintes)
Numero da decisão: 2102-000.200
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso, em razão
da opção pela via judicial.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS trl,i1r>j7 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10932.000523/2007-73 Recurso n° 158.260 Voluntário Acórdão n° 2102-00.200 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2009 Matéria IPI Recorrente INCOM INDUSTRIAL LTDA. Recorrida DRJ- RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo (Sumula 01 do Segundo Conselhos de Contribuintes) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC9 1 D AM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂM • ' • da . EGUN o -' .EÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISC - IS po unahim . i ade l e votos, em não se conhecer do recurso, em razão da opção pela via jdi al.I( , Á .4 i . i, t (I á` "` • C.S~ ' - ' , e g ; '' ' ' ' COE HO MARQUES, ../ NP GO ES1 R, lator P. iciparam, ainda, d4 presente julg ento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cass ,i no Keramidas, Mauricio Taveira Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Gileno Gurjão Barreto. 1 , , Processo n° 10932.000523/2007-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.200 Fl. 289 Relatório Trata-se de auto de infração no valor de R$6.035.273,76, lavrado contra o contribuinte em detrimento a falta de recolhimento do IPI, pois o mesmo teve glosado seu crédito na aquisição de insumos isentos, não-tributados ou tributados a aliquota zero. A ciência do auto de infração ocorreu em 26/09/2007. Alega a recorrente que seu direito de creditar-se destes insumos estaria garantido pela liminar concedida no mandado de segurança n. 2003.61.14.000672-4, sendo que, posteriormente, em grau de apelação, o Tribunal Regional Federal da 3 a região reformou a segurança anteriormente concedida em decisão publicada em 04/12/2006. Em sua impugnação administrativa, apresentada tempestivamente, a recorrente argumenta que: (i) a autoridade administrativa não poderia ter lavrado o presente auto de infração em virtude da matéria se encontrar "sub judice". (ii) o art. 151 do CTN dispõe que a medida liminar em mandado de segurança é uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. (iii) o acórdão proferido pelo TRF3 apenas deu provimento à apelação e a remessa oficial, omitindo-se quanto à cassação da medida liminar. (iv) a punição a qualquer acusado, mesmo em processo administrativo, só pode ser imposta depois do devido processo legal, ou seja, depois de esgotados todos os recursos que couberem na ação. (v) o IPI é imposto não cumulativo, razão pela qual devido ao principio da não cumulatividade, o contribuinte tem o direito de creditar-se do imposto pago na aquisição dos insumos utilizados no processo produtivo. Cita o art. 153, § 3 0, do CTN. (vi) Em razão de o débito encontrar-se "sub judice", requer o cancelamento do presente Auto de Infração. A DRJ de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, decidiu no seguinte sentido: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Período de apuração: 31/01/2003 a 09/01/2004 FALTA DE RECOLHIMENTO DE IPI. GLOSA DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IMPOSTO. CONCOMITÂNCIA. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute esfera administrativa a mesma matéria discutida no proces • judicial, mas, tão somente, os diferentes objetos, como é o cas• sle(k/ 2 Processo n° 10932.000523/2007-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.200 Fl. 290 do aspecto formal do despacho denegató rio e a aplicação e alcance do ADN COSIT n°03/96. Lançamento Procedente. Não satisfeita com o acórdão proferido, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alega a violação dos direitos básicos do contribuinte bem como salienta que o acórdão recorrido nega vigência a preceitos constitucionais basilares como o contraditório e a ampla defesa, além de alegar a inaplicabilidade do ADN COSIT 03/96 para o presente caso, trazendo jurisprudência pertinente ao tema. É o relatório. Voto Conselheiro, ALEXANDRE GOMES, Relator O presente recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente possui como base de argumentação de seu recurso a alegação de que a decisão recorrida viola princípios constitucionais basilares do ordenamento jurídico brasileiro como o contraditório, a ampla defesa, o devido processo legal, duplo de jurisdição e do direito de petição. Acontece que em momento algum a autoridade administrativa infringiu estes preceitos constitucionais, uma vez que lhe competia efetuar o lançamento dos valores apropriados na contabilidade a título de insumos isentos, não tributados ou tributados a alíquota zero, mesmo que decorrentes de liminar em ação judicial. Este lançamento teria o condão apenas de afastar a decadência do direito de a fazenda lançar seus créditos, caso a demanda judicial fosse julgada improcedente posteriormente. Alias, deve-se registrar que o lançamento ocorreu em 26/09/2007, sendo que de acordo com os documentos juntados a decisão que autorizava a escrituração dos créditos relativos aos insumos isentos, não tributados e os com alíquota zero, foi revertida em decisão do TRF da 3° Região que restou publicada em 04/12/2006. Ainda para constar registrado, em 23/01/2008, a demanda judicial transitou em julgado negando o direito do contribuinte em creditar-se do IPI relativo aos insumos não tributados, isentos ou tributados a alíquota zero, conforme decisão. exada às fls. 74 a 81 Assim, havendo identidade de objeto entre a di.c ssão judicial e o processo administrativo, é de ser reconhecida a concomitância, para que s, • garantidas a segurança jurídica e os princípios da inafastabilidade e unicidade jurisdicional. 3 - Processo n° 10932.000523/2007-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.200 Fl. 291 Neste sentido, o Segundo Conselho de Contribuintes editou a Súmula 01, que assim versa: "SÚMULA n°1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo". Não havendo mais matérias discutidas no Recurso Voluntário que se limitou a discutir a improcedência do • amento face à existência de processo judicial discutindo, deve a decisão pro s a p- a RJ 1 e Ribeirão Preto ser mantida, por seus próprios fundamentos somados ao s aq 1. ad s. Porto,. o ixpo.to, oto • sentido de não conhecer do Recurso Voluntario. .1. s Se .sõ -s, e 05 v, e junho de 2009 '• AI ND ' E GO ES .41M 4
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720004/2006-19
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2005
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento
a nulidade do ato administrativo.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM
NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO.
Tem cabimento o agravamento da multa de ofício proporcional no caso de não atendimento pela Recorrente, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. CSLL. COFINS. INSS.
Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.574
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO. Tem cabimento o agravamento da multa de ofício proporcional no caso de não atendimento pela Recorrente, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. CSLL. COFINS. INSS. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 786DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 191 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 78/85, com a exigência do crédito tributário no valor de R$35.468,03, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação, referente ao anocalendário de 2004, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de Receitas – Depósitos Bancários Não Escriturados – Apuração efetivada a partir dos valores creditados na conta corrente nº 15.2454 da agência nº 1.3250 do Banco Bradesco S/A, fls 29/55, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea. Item 2 – Insuficiência de Recolhimento – Em decorrência da omissão de receitas houve aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do anocalendário de 2004. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: Fl. 787DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 192 3 II O Auto de Infração às fls. 102/109 com a exigência do crédito tributário no valor de R$35.468,03 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 86/93 com a exigência do crédito tributário no valor de R$60.948,72 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 94/101 com a exigência do crédito tributário no valor de R$121.897,67 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 110/117 com a exigência do crédito tributário no valor de R$227.272,04 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada por edital em 20/06/2006, fl. 122, a Recorrente apresentou a impugnação em 20/07/2006, fls. 127/134, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que está domiciliada na Av. Juscelino Kubischek, 676, sala A, centro, na cidade de Mundo NovoMS, em conformidade com os registros internos da RFB. Esclarece De outro lado, pelo que consta do próprio procedimento fiscal, a impugnante sofreu mandado de busca e apreensão em sua sede, tendo sido arrecadados por policiais federais, em cumprimento da ordem judicial do juízo federal de Maringá PR, toda a documentação contábil e bancária que havia nos arquivos da empresa. Diz o procedimento é nulo, uma vez que O requerimento feito pela impugnante para dilação de prazo, buscava apenas tempo hábil para que a instituição bancária fornecesse a i documentação exigida pela autoridade fiscal, não indicando qual prazo pretendido tendo, em vista não ter sido declarado pelo banco, qual tempo necessário para tanto. Pugnando pela concessão de tempo razoável para tais diligências. Fl. 788DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 193 4 Esperava a impugnante, em nome do principio da ampla defesa e do contraditório, que a autoridade fiscal lhe intimasse novamente para a apresentação da documentação requisitada, ou até mesmo, da decisão que negasse a concessão de novo prazo. Flagrante afronta aos princípios constitucionais. No mérito, explica Ademais, a impugnante não pode sofrer sanção dupla, primeiro a justiça determina a apreensão de toda a documentação arquivada na empresa, e depois a autoridade fiscal requisita a apresentação de tais documentos, que já estão de posse da justiça. E a impugnante sem ter com cumprir tais exigências, e comprovar a movimentação bancaria, sofre autuação, que pode impedir a própria existência da empresa. A simples movimentação bancária não pode ensejar que a • empresa tenha tido lucro, e não pode servir como receita para a aplicação de multa fiscal. Nem todos os valores creditados em sua conta corrente podem ser considerados como renda. Pois, em conta corrente são depositados valores utilizados para pagamento de todas as despesas da empresa, dentre outros valores, que as vezes somente por ali passam, por este, ou outro motivo, que por si só, não constituem ilícito tributário, esse é o maciço entendimento doutrinário e jurisprudencial [...] [...] Portanto, não havendo prova alguma que a movimentação bancária em conta corrente da impugnante, tenha natureza de renda, e apenas os extratos bancários não podem servir como base para a presente autuação, o presente auto de infração é de ser declarado nulo. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exaustivamente exposto, é que se requer: Seja a acatada as preliminares argüidas, declarando a nulidade dos referido autos, a partir da intimação da abertura do procedimento. No mérito, protestando provar o alegado por todos os meios pertinentes legais e admissíveis, somado aos docs. já acostados aos autos, é que demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer seja acolhida a presente impugnação, cancelando o auto de infração declarando a sua total improcedência. Por ser a mais inteira expressão de justiça! Nestes termos, pede e aguarda deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0417.724, de 28/05/2009, fls. 143/149: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Fl. 789DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 194 5 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS, E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Nos termos da legislação e da doutrina tributária, o procedimento de fiscalização é inquisitório, abrindose à contribuinte a faculdade de exercitar os princípios do contraditório e da ampla defesa quando é intimada para impugnar o lançamento. IRPJ SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. Configura omissão de receitas, sujeita ao imposto, a diferença entre os valores creditados em conta bancária e o declaração em DIPJ/Simples, cuja origem dos recursos não restou comprovada pela contribuinte após regularmente intimada. AUTUAÇÕES REFLEXAS Do SIMPLES: CSLL COFINS PIS CSLL/INSS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Notificada em 13/08/2009, fl. 159, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10/09/2009, fls. 175/187, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta No mérito, inicialmente cabe consignar que a recorrente a todo momento procurou auxiliar no procedimento fiscalizador, no entanto, esteve com as mãos atadas, tendo em vista que como já noticiado nos autos, todos os documentos, livros, comprovantes, agendas, anotações, etc.., foram apreendidos pela autoridade policial, quando da deflagração da odiosa OPERAÇÃO HIDRA, que a bem da verdade, com relação ao investigado RONY HACC.BOEIRA, cônjuge da sócia da recorrente. Desta forma, as tidas comprovações de origem dos valores movimentados em conta bancária, restou por demais prejudicadas, pois encontravamse, e atualmente, permanecem impedidos de ter acesso aos documentos apreendidos, cujos poderiam mudar a situação da recorrente frente ao fisco. De um lado, a autoridade fiscal arrecada todos os documentos possíveis encontrados na residência e empresa da recorrente, e não devolvem, impedindo de justificar qualquer movimentação financeira. De outro lado, a autoridade fiscal exige que se comprove ao fisco que os valores movimentados em conta bancária, no entanto, qualquer alegação, é repudiada pelos agentes fiscais, pois há poucos meios de provas em mãos da recorrente. Prejudicando a própria apuração da verdade real, tão buscada pela legislação tributária. Não há que se falar em cerceamento de defesa, mais sim, em verdadeira injustiça contra a pessoa da recorrente. [...] Fl. 790DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 195 6 Assim, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n" 9.430/96, não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica. [...] Concluise, portanto, que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Conclui Protestando provar o alegado por todos os meios pertinentes legais e admissíveis, demonstrada a insubsistência e improcedência total do auto de infração, requer seja acolhida as preliminares inicialmente argüidas, declarando a nulidade do presente auto de infração, e caso V.S. as entendam pelo . afastamento das preliminares, no mérito, que seja o presente recurso acolhido, determinando o arquivamento do AUTO DE INFRAÇÃO constante do processo fiscal de nº 13161.720004/200619. Por ser a mais inteira expressão de justiça! Nestes termos, pede e aguarda deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, porque contêm vícios insanáveis. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). Neste sentido, no exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração, fls. 78/117, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Os procedimentos foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente Fl. 791DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 196 7 para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, com a apresentação da peça de defesa regularmente se instaurou a fase litigiosa no procedimento e o conjunto de documentos que constituem o processo permaneceu na Repartição de origem à disposição da Recorrente para vistas facultativamente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Logo, não cabem reparos aos procedimentos fiscais, porque foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim, o seu pedido deve ser indeferido. A Recorrente afirma que não poderia sofrer sanção dupla, ou seja, pelo Poder Judiciário e pelo Poder Executivo. Diferente do seu entendimento, os Poderes da União são independentes e harmônicos entre si (art. 2º da Constituição da República Federativa do Brasil) e assim as ações poderiam ser realizadas concomitante no regular desempenho das funções institucionais. A Recorrente argúi que o crédito tributário foi constituído com base em indícios, uma vez que o depósito bancário não pode ser considerado aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. A Lei nº 9.430, de 1997, prevê: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 792DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 197 8 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, positiva que, por presunção relativa, constitui omissão de receita os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. É regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da escrituração contábil da Recorrente, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre estes valores. Constatada a disparidade não justificada a origem dos depósitos bancários pela Recorrente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=quebra+sigilo+banc%C3%A1rio+n%C3%A3 o+caracteriza+carf&f1tipoDocumento=, acesso em 15/04/2011): Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10248883 do Processo 10925001705200416 Data 23/01/2008 Ementa [...] PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumese a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. Recurso negado. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma OrdináriaTítulo Acórdão nº 10420234 do Processo 10166016945200284 Data 21/10/2004 Ementa [...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada. Recurso negado. [...] Fl. 793DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 198 9 Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10249163 do Processo 10425000875200597 Data 26/06/2008 Ementa [...] PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. [...] Preliminar afastada. Recurso parcialmente provido. No presente caso, a omissão de receita foi apurada efetivada a partir dos valores creditados na conta corrente nº 15.2454 da agência nº 1.3250 do Banco Bradesco S/A, fls 29/55, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. Estes depósitos foram considerados omissão de receita em decorrência desta presunção legal que inverte o ônus da prova, ou seja, a autoridade fiscal fica desobrigada de comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabendo à Recorrente desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida, o que não ocorreu nos autos. A referida presunção legal é resultado de uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal. As provas do ilícito tributário constante nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem qualquer incorreção nos Autos de Infração e nos Demonstrativos anexados, fls. 69/119. Logo, não cabem reparos aos procedimentos fiscais. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 794DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 199 10 I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Vale transcrever excertos da jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=multa+agravada+dep%C3%B3sito+carf+irpj +intima%C3%A7%C3%A3o&f1tipoDocumento=, acesso em 15/04/2011): Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10809632 do Processo 11041000567200458 Data 25/06/2008 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 1998 [...] .MULTA AGRAVADA DESATENDIMENTO À INTIMAÇÃO FISCAL Constatado que o contribuinte não atendeu à intimação para prestar os esclarecimentos constantes de termo fiscal afigurase como correta a aplicação da multa agravada em metade do percentual original, na forma da Lei nº 9.430/96, art. 44, §2º, "a", alínea esta introduzida pela Lei nº 9.532/97 e posteriormente renumerada para inciso I pela Lei nº 11.488/2007. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10708627 do Processo 10247000032200327 Data 22/06/2006 Ementa [...] PENALIDADE MULTA AGRAVADA. Segundo o art. 44, inciso I, § 2º, letra "a", da Lei nº 9.430/96, as multas de ofício passarão a 112,5% no caso de não atendimento do sujeito passivo, no prazo marcado para a intimação, para prestar esclarecimentos. No presente caso, a Recorrente foi previamente notificada da ação mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, fls. 01/03, do Termo de Início de Fiscalização, fls. 56/60, do Termo de Intimação Fiscal, fls. 66/67 e finalizou em 20/06/2006 com a ciência válida dos Autos de Infração, fl. 122. Os extratos bancários foram obtidos mediante Ação Judicial nº 2005.70.03.0075865 que tramita na Seção Judiciária do estado do Paraná/Justiça Federal, fl. 26/27. Analisando estas notificações e os respectivos atendimentos verificase que, após intimada, a Recorrente não entregou os documentos solicitados. Cabe esclarecer que em 21/02/2006 a Recorrente foi cientificada do MPF e do Termo de Inicio de Fiscalização n° 004/2006, fls. 02 e 56/61, com a seguinte solicitação: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e na forma do disposto no art. 7° da Lei n°2.354/54 e no art. 7° do Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972, damos início à fiscalização do contribuinte acima identificado, INTIMANDO0 a apresentar os elementos abaixo especificados: Prazo: 20 (vinte) dias Fl. 795DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 200 11 Período de Apuração: AnosCalendário 2004 Exercícios 2005 1 Documentação comprobatória da origem dos recursos depositados/ transferidos em contas corrente e/ou poupança, mantidos em seu nome, conforme relação em anexo; 2 — Livros de escrituração contábil, indicando a contabilização dos eventos que ocasionaram os lançamentos bancários da relação anexa; 3 Demonstrações contábeis (Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício) do referido período; 4 — Cópia do Contrato social e alterações; 5 — Relação de todos os bens Imóveis e veículos e dos bens móveis com valor acima de R$ 3.000,00. A resposta à presente intimação deverão ser prestadas por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados e encaminhados aos Auditores Fiscais signatários na DRF Dourados/MS, situada à Av. Marcelino Pires, 1595 Centro, CEP 79800004 Dourados MS. A Recorrente protocolizou em 13/03/2006 correspondência, fls. 62 a 65, encaminhando as cópias do Contrato Social e da 1ª Alteração Contratual e com a solicitação de prorrogação de prazo para apresentação dos demais documentos. Deste modo, inferese que ela não permaneceu inerte à intimação para prestar esclarecimentos e de modo a não restar caracterizada a recusa ao atendimento de intimações fiscais. O que justifica a aplicação da multa agravada é a falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos e não o fato de as informações serem prestadas de forma insatisfatória com solicitação de dilação probatória. Por esta razão, não tem cabimento o agravamento da multa de ofício proporcional, uma vez que a Recorrente atendeu, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à CSLL, ao COFINS e ao INSS, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Fl. 796DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 201 12 Em face do exposto voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar o agravamento da multa de ofício proporcional. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 797DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720046/2007-94
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
Ementa:
ITR — INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO
Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados.
VTN — ARBITRAMENTO — TABELA SIPT
A fixação do VTN, por meio de informações sobre pregos de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita Federal, encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 1996.
VTN DECLARADO — SUBAVALIAÇA0
A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento
do VTN.
LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — MUDANÇA DO VTN
Laudo técnico, baseado unicamente no valor contábil do imóvel, não pode ser aceito como prova para a discussão da glosa do VTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.576
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 Ementa: ITR — INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. VTN — ARBITRAMENTO — TABELA SIPT A fixação do VTN, por meio de informações sobre pregos de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita Federal, encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 1996. VTN DECLARADO — SUBAVALIAÇA0 A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — MUDANÇA DO VTN Laudo técnico, baseado unicamente no valor contábil do imóvel, não pode ser aceito como prova para a discussão da glosa do VTN. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-19T12:11:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-19T12:11:31Z; Last-Modified: 2011-10-19T12:11:31Z; dcterms:modified: 2011-10-19T12:11:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:eb93bc92-5175-4096-a3a1-bc11f4e32f19; Last-Save-Date: 2011-10-19T12:11:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-19T12:11:31Z; meta:save-date: 2011-10-19T12:11:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-19T12:11:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-19T12:11:31Z; created: 2011-10-19T12:11:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-10-19T12:11:31Z; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-19T12:11:31Z | Conteúdo => S2-CIT1 Fl 138 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10670.720046/2007-94 Recurso n° 341.877 Voluntário Acórdão n° 2101-00.576 — 1 0 Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2010 Matéria ITR Recorrente ASAMAR S/A Recorrida 1" TURMA/DRI-BRASÍLIA/DF Assunto: imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 Ementa: ITR — INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. VTN — ARBITRAMENTO — TABELA SIPT A fixação do VTN, por meio de informações sobre pregos de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita Federal, encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 1996. VTN DECLARADO — SUBAVALIAÇA.0 A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da area ern que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — MUDANÇA DO VTN Laudo técnico, baseado unicamente no valor contábil do imóvel, não pode ser aceito como prova para a discussão da glosa do VTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do vjj da Relatora. CATS MARCOS CAND DO - Presidente -A-11(kEita,I110' HO LARIA.— Relatora EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Jose Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Silva e Gonçalo Bonet Allage, Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento N° 06108/00007/2007, que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel rural Fazenda Alamo, localizado no município de Bocaiúva (MG), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 637,00, a titulo de imposto, acrescido da multa de o ficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, no exercício 2003, com supedâneo nos artigos 10, § 1° e inciso I, e 14 da Lei IV 9393, de 19/11/1996, com a alteração seguinte: i) Valor da Terra Nua (VIN) de R$ 462.200,00 para R$ 1.619.024,00. 2, Conforme Descrição do Fatos e Enquadramento Legal do lançamento, com relação à situação do imóvel sobre o qual recai a exação, após intimação, o sujeito passivo apresentou os seguintes documentos: i) cópia autenticada do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado aos 16/04/2001; ii) cópia autenticada de Laudo Técnico, assinado por engenheiro agrônomo e florestal, datado de 25/01/2001, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART); iii) cópia autenticada de Laudo de Vistoria, emitido pelo IBAMA, que confirma os dados constates do ADA; iv) cópia autenticada de certidão da matrícula n° 1,848, no cartório de Registro de Imóveis da cidade de Bocaiúva (MGt 2 Processo n" 10670 720046/2007-94 S2-C1T1 Acendlio n 2101-00.576 Fl 139 3. A autoridade fiscal efetuou o arbitramento do VTN corn base em informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), da Secretaria da Receita Federal. 4. Em contraposição ao lançamento, foi apresentada a impugnação de fls. 79 a 86. 5. Submetida a lide a julgamento, os membros da la Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasilia (DF) acordaram por dar o lançamento corno procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — BR Exercício: .2003 DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o TITN arbitrado pela fiscalização para o ITR/2003, por falta de documentação hábil para comprova,- o valor declarado e as características particulares desfavoráveis do inzóvel, que o justifica.ssem. DA TIPIFICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, 110 caso de informação inexata na declaração do ITR/2004, cabe exigi-lojuntamente com a multa aplicada aos demais tributos. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destina-se a fornecer subsídios para convicção do julgador, com o aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nay autos, não suprindo a obrigação legal prevista Lançamento Procedente 6. Intimado aos 14/02/2008, o sujeito passivo apresenta sua irresignação por meio de recurso voluntário tempestivo (fls. 129 a 134). 7. No apelo interposto, o autuado expõe, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: I — a equivocada manipulação dos dados referentes ao período de apuração para base do valor da terra nua, vez que deveriam ter sido observados os dados referentes a 2002, já que o imposto foi apurado a 1° de janeiro de 2003; II — a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG) deixou de enviar a tabela em que constam os preços das terras nuas, praticados no ano 2002, o que impossibilita saber com exatidão qual o VTN adotado, devendo ser aceito o valor declarado. 8. Ao final, defende que se acatem os termos da defesa para considerar o lançamento improcedente. 3 9. Vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MP n° 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3°, III. o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora 0 recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O objeto do auto de infração é a cobrança de valores auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel Fazenda Alamo, localizado no município de Bocaiúva (MG), no exercício 2003, em face da modificação do Valor da Terra Nua (VTN), apresentado na declaração do ITR, do Valor da Terra Nua (VTN) de R$ 462.200,00 para R$ 1.619.024,00. Em sua defesa, argumenta a recorrente estar plasmada a equivocada manipulação dos dados referentes ao período de apuração para a base do valor da terra nua, vez que deveriam ter sido observados os dados referentes a 2003, já que o imposto foi apurado a 1° de janeiro de 2003. Também, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG) deixou de enviar a tabela em que constam os preços das terras nuas, praticados no ano 2002, o que impossibilita saber com exatidão qual o VTN adotado, devendo ser aceito o valor declarado Segundo o § 2° do artigo 8' da Lei re 9.393, de de 19/11/1996, o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1' de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR, e será considerado auto-avaliação da terra nua a preço de mercado. Nesse sentido, o sujeito passivo apresentará o VTN, que sera submetido apreciação do órgão fiscal, e, em sendo verificada a subavaliação, corn an -imo nas informações veiculadas pela tabela do Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituída pela Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, para a fixação do VIN, por meio de informações sobre preços de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita Federal, o fisco procederá a correção do valor declarado. Tal procedimento encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei no 9.393, de 19/11/1996, nos seguintes termos: .Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bent como de subamliacão ou prestagao de Wormag -oes inexatas, incorretas ou .fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informacões sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de ittilizaçao do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalizactio,, 4 Processo ti0 10670.720046/2007-94 S2-C1T1 AcOrdilo tr.° 2101-00.576 Fl 140 § 1°. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Azricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (destaques da transcrição) Por seu turno, no artigo 12, § 1 0, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/02/1993, que determina os parâmetros para justa indenização em desapropriações para reforma agrária, indica os aspectos que devem ser considerados para a detenninação do valor da terra nua do imóvel, e que serão levados em conta pela Secretaria da Receita Federal para a fixação dos preços de terras, para fins de base de cálculo do 1TR, com a seguinte dicção: Artigo 12, Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social, 1" - A identificagão do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: - valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II - valor da terra nua, observados os seRuintes aspectos: a) localização do imóvel: pi capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. (destaques da transcrição) A Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, em seu artigo 3 0, indica as Secretarias de Agricultura dos Estados ou entidades correlatas como fontes das informações sobre os valores das terras que serão inseridos para a formação da tabela do SIPT, litteris: Art 3". A alimentação do SIFT COIn os valores de terras e demais dados recebidas das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e coin os valores de term nua da base de declarações do 1TR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Assim, a instituição da tabela do SIPT não se deu sob a égide da Lei n° 9.393, de 19/11/1996, o que se encontra em total confonnidade com as determinações do artigo 97 do Código Tributário Nacional, não havendo que se falar em equivocada manipulação dos dados referentes ao período de apuração para a base do valor da ten -a nua, vez que devem ser observados os dados para o VTN praticados em 1 0 de janeiro de 2003, data do fato gerador do tributo. Por tal, não se configura irregularidade, quando o o Oficio n° 036/2004 GAB. SEC, de 30/11/2004, if 98, encaminhado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG) à autuada, no qual constam os preços das terras nuas, pesquisadas pela Secretaria de Estado da Agricultura de Minas Gerais, relacionando os VTN de 2000 a 2004, onde se destaca que o valor adotado foi praticado durante o primeiro semestre de 200.3, já que a data do fato gerador do tributo está incluída em tal período. 4 5 Também, não vislumbramos prejuízo A defesa da recorrente pelo alegado de que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG) deixou de enviar a tabela em que constam os preços das terras nuas, praticados no ano 2002, já que o VTN adotado pela fiscalização fora aquele constante da tabela SIFT. O instrumento hábil para contraditar o VTN adotado pela fiscalização, deve ser o laudo técnico de avaliação, em que reste comprovado existir em sua propriedade características peculiares que a distingam das demais da regido, A vista do qual, poderá a autoridade administrativa rever o VTN que fora atribuído ao imóvel rural. Na espécie, o sujeito passivo aduz aos autos o Laudo Técnico de fls. 11 a 13, que não se presta como documento hábil a contraditar o VTN adotado pelo fisco, pois não demonstra a possível distorção. 0 laudo pericial 6 prova legal que tem o poder de infirmar os valores constantes de instrução normativa quando apresenta dados consistentes do real valor de mercado do imóvel. Corn efeito, o laudo de avaliação que preencha os requisitos legais é o meio hábil para que a autoridade administrativa possa rever o VTN questionado pelo contribuinte, e, por se configurar em prova de fundamental importância para o deslinde dos casos em que esteja presente tal questionamento, o laudo de técnico de avaliação deverá fornecer elementos suficientes ao embasamento da revisão do VTN, demonstrando que o imóvel possui peculiaridades especificas que o distingue dos demais da regido. In casu, não apresentou o recorrente elementos capazes de contraditar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Forte no exposto, e de tudo que dos autos consta, somos por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2010 Ana yie Olímpio Nolan ac r' 6
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Numero do processo: 10920.001935/94-10
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 202-00.181
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência em favor do Terceiro Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: Oswaldo Tancredo de Oliveira
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DRJ em Florianópolis - SC / 10920.001935/94-10 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Sessão Recurso Recorrente :, Recorrida : .. n (I.' 'f-J, ~t ./lI swaldo Tancredo de Olive!ra Relator < RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do' Segundo Conselho de Contribuintes, por 'unanimidade de votos, declinar competência em favor do Terceiro Conselho de Contribuintes. Vistós, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por:. - SABROE TUPINIQUIM TERMO INDUSTRIAL LTDA. Participaram, ainda, do presente j amento, os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tâiásio Campelo Borges, José de Almeida C6elho, Maria Teresa Matínez López,Ricardo Leite Rodrigues e Helvio Escovedo Barcellos. Eaal/cf7gb .• 551/92. .1O REtATóRIO \ ~ I 99.7.46 SABROE TUPINIQUIM TERMOINDUSTRIAL LTDA.' 10920.001935/94-10 202-00.181' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Feito o presente esclarecimento, temos que, no presente caso, as apontadas irregularidades" das quais resultaram o denunciado ressarcimento indevido', são descritas no Termo de Verificação de fls. 83/88, conforme reproduzimosresumidamerite, a saber: 1 ~ irregularidade decorrente do uso indevido de alíquota .zero e Decreto rio Nos casos em que ditas irregularidades importaram em apuràção de débitos do imposto em valores maiores do que os registrados nos livros fiscais, houve ação. fiscal apartada, ó . chamado "processo matriz", que. se acha tramitando paralelamente ao presente,' ao qual efetivamente o presente se acha "i~timamente" ligado. 2.1 - é transcrito o artigo 17 e seu inciso I do Decreto-Lei nO2.433/88, alterado pelo Decreto-Lei n°, 2.451/88, que atribui isenção do citado imposto para "equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, importados ou de lfabricação nacional, bem como os acessórios, sobressalentes e ferramentas que acompanhem esses bens", .quando (inciso I): 2 - . irregularidades decorrentes do u~o indevido de redução e isenções do Imposto sobre' Produtos Industrializados, "por adquirente"; 2 Preliminarmente, esclareça:..se que o presente litígio envolve denúncia fiscal sobre irregularidades várias qué teriam resultado em ressarcimentos a título de incentivos, de forma indevida, pu em valores.maiores do que os devidos .. Recurso Recorrente : , Processo :.' Resolução :. A contribuinte fabrica telhas termoisolantes com o nome comercial de , Termotelhas UPK e Termozip, classificando-as incorretamente nas posições NBM 7308.90.9900 e 7610.90.9900, de alíquota ~ero.' Segundo o ParecerCST nO'836/92, as telhas termo-acústicas classificam-se nas posições NBM 7326.90.9900 e 7616.90:9900, ambas de alíquota de 15% . .Quanto ao Decreto n° 551/92, o mesmo nã0 abrange as telhas termo-acústicas; 3 - irregularidades decorrentes de classificação fiscal e alíquota incorretas; I 'I, \i • 3\ . \ b) Avipal S.A., avicultura; e a) Frigorífico Kaiowa S.A., '~bate e frigorificação de bovinos; I 10920.001935/94-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DAFAZENDÀ \ . Por fim, ainda quanto a esse item, diz que as saídas de mercadorias da posição 8418.69.0600 não são isentas, porque não inCluídas na relação anexa ao Decreto n° 151/91; 3.1 - Portas Frigoríficas e AGessórios, classificados pelo contribuinte na posição 7308.30.0000, alíquota zero, diz que a classificação corretá é na posição 8418.99.9900, de alíquota de 15%, a partir de 01.04.90, e 8% em data anterior. Em face dessa definição, passa a indicar as vendas da autuada realizadas para estabelecimentos que não se enquadram na figura de "estabelécimento industrial", a saber: c) Cooperativa Agrícola de Cotia, apenas parte das instalações são destinadas à industrializaçãode'produtos. \ Justifica declarando que' as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado enunciam na posiçao 7308 "excluem-se desta posição: ... c) os conjuntos metálicos que const~tuam, manifestamente, partes ou órgãos de máquinas (Seção XVI)". Constituindo partes ~ecâmaras frÍgoríficas, as portas frigoríficas classificam-se na posição 8418.99.9900; ~ . Por fim, .ainda quanto a esse item, é transcrito o art. 8° do RIPI, que define "estabelecimento industrial". . Em seguida, é transcrito o art. 50, inciso ( da Lei nO7.988/89, que modificou a referida isenção, no sentido de que, "a partir de l° de janeiro de, 1990", as isenções em causa foram "trat:'lsforrnadas em reduções de 50% do IPI": "adquiridos por empresas industriais para integrar o seu ativo imobilizado, destinados ao emprego no processo produtivo em estabelecimento industrial." Processo Resolução: 3.2 - Painéis e Acessórios Frigoloc ou Spyropainéis, classificados pela contribuir;te na posição 7308.90.9900,' classificam-se corretamente na posição 8418.99.9900, . alíquota de 15%. São painéis termoisolantes modulares, componentes de câmaras frigoríficas , . modulares, classificáveis na posição 8418.99.9900, conforme Parecer Simples CST n'?807 (DOU de 10.07.90); MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: 10920.001935J9~-10 202-00.181 ~=-- """"IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII~~~IIIIIIIIIII d Finaliza o referidó termo com a indicação de que o mesmo "é parte integrante do auto de infração". I' !tJJ , . / 4 o crédito tributário assim levantado tem a suaexigênci~ formalizada no Auto de Infração de fls. 91/92, instaurado em 04.11.94, com discriminação dos valores exigidos, a título de ressarcimento indevido, e mais juros de mora Calculados até 31.10.94, com intimação para cumprimento, ou impugnação, no prazo da lei. Em impugnação tempestiva, a autuada descreve os principais itens da denúncia fiscal a que acaQamos de nos referir para concluir que se u:ata de matéria idêntica ao processo- matriz (Termo de Verificação de Créditos Tributários), exposta à saciçdade pela impugnante naquele feito, razãop~la qual requer seja este apreciado em. conjunto com aquele e, ao 'final, . cancelado in tatum o presente auto .de infração e arqúivado o respectivo processo. . . Segue-se a relação dos processos de ressarCimento, com identificação do n° do processo, período a que se refere e valor ressarcido, bém como o valor ressarcido e o valor a que tinha direito, com exigência da diferença, esclarecendo-se que o primeiro ressarcimento, entre os relacionados, se verificou em 28.03.89, e os seguintes a partir de 10.01.94. . 3.4 _ no caso da posição 8418.69.9900, adotada pela contribuinte, ,a posição. correta é 8418.99.9900, alíquota de 15% em ambas. A contribuinte tem destacadocoÍn alíquota menor, de 10o/~,conforme notas fiscais relacionadas; , ' 3.5 _ instalações elétricas, partes de instalações frigoríficas, classificadas pela contribuinte na posição 7610.90.9900, classificam-se como partes, da' posição 8418.99.9900, .alíquota de 15%; A descrição genenca, assumida como "equipamento frigorífico", nas .notas .fiscais, conforme informação prestada pela contribuinte, são produtos para geração de frio em câmaras frigoríficas, o que classifica o equipamento ~à posição 8418.99.9900 (aliás, a posição àdotada pela contribuinte, em alguns casos); 3.6 _ no caso do uso da posição 9032.89.0203, para conjunto de equipamentos _ para atmosfera controlada, a Lei n° 8.643/93; arr. 10, parágrafo único e anexo I,excluiu da isenção do IPI a citada posição. A alíquota vigente é de 15%. 3.3 _ equipamentos frigoríficos, classificados pela contribuinte nas posições 841869.0500 e 8418.99.9900, classificam-se corrétamente na posição 8418.99.9900, alíquota de .15%. . São .anexos por cópia os principais elementos do chamado "processo matriz", inclusive a impugnação da autuada, de onde extraímos a contestação aos itens da denúncia referentes ao presente litígio. Assim, na parte que interessa ao presente litígio, diz a impugnante que a sua atividade é a fabricação de componentes destinados aediJicações pré-fabricádas, bem como à montagem das edificações no local da obra (Doc. 06 - contrato de prestação de serviços com terceiros): por edificações pré- fabricadas, invoca o conceito que se extrai dos léxicos, conforme transcreve às fls. 245. J "1!, Processo Resolução .: MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE' CONTRIBUINTES 10920.001935/94-10 202-00.181 Diz que fica certificado, portanto,'que as operações realizadas pela impugnante, in casu, são de industrialização e fornecimentos de produtos destinados às edificações pré- 'fabricadas. Por sua vez, os produtos utilizados pela impugnante no exerClClO de suas atividades. são as telhas termoisolantes, painéis frigoloc e spyropainéis, portas e estruturas de alumínio. o painel frigoloc é um sIstema modular que garante o perleito isolamento de paredes e tetos, sendo preso um ao outro por sistema fecholoc e às vigas de estrutura metálica ou de concreto. Pode chegar a 12 metros de' comprimento e é de fácil instalação e remodulação (doc. 07 - prospecto do produto frigoloc). . Por sua vez, o Styropainel é um sistema de painéis auto~portantes, constituídos de revestimento em chapas metálicas e núcleo isolante e fabricado em comprimento padronizado, , de 12 metros (doc. 08 - prospecto do Styropainel). . Como se vê, ambos produtos, como as portas e estruturas metálicas de alumínio . (docs. 09 e 10 - ,demonstrativos dos produtos), são destinados à indústria de pré-fabricação, construção de galpões, supermercados, etç., bem como câmaras frigoríficas de grande porte. Não 'restam dúvidas, pórtanto, quanto à COlTetaclassificação fiscal dispensada pela impugnante aos seus produtqs. . Nessa medida, há de se esclarecer que o benefício aplicável à matéria não é do art. 45, VII, do RIPV82, por ter sido o referido dispositivo revogado pelo art. 41, 9 l°, do ADCT, dispositivo que transcreve. Acrescenta que a lei a que se,refere o 9 l° em questão foi a Lei n° 8.402, de 08 de janeiro de 1992, que restabeleceu, com data retroativa a 05 de outubro de 1990, os benefíCios fiscais de que trata o dispositivo transitório. Não o fez, entretanto, no que diz respeito ao ramo de construções e edificações pré-fàbricadas. ' 5 , , I il , I I' I1 10920.001935194-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA frocesso Resolução: No que diz respeito à aplicação dos incentivos destinados, ao implemento do parque 'industrial, diz que a fiscalização entendeu que o disposto no art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88 não se aplicaria às operações de fornecimento de máquina~ realizadas pela impugnante, pois, em sua maioria, os adquirentes não preenchem os requisitos do art. 8° do RIPI/82, por produzirem produtos não tributados. L~nçou, dessa forma, o imposto qu.e seria incidente dos fornecimentos realizados para os clientes que relaciona,. a saber: Renar, Maçãs S/A (doc. 12), Perdigão Agroindustrial S/A (doc. 1,3),FrigoríficQ Kaiowa S/A (doc. 14), Brasfrigo SA (doc. 15), Randon Agro Silvo Pastoril Ltda. (doc. 16 e Avipal S/A (doc. 17). 6 A Portaria nO2~3/81, portanto, é inaplicável à matéria, pois, ao limitar o alcance da isenção, o fez em atendimento ao não mais vigente art. 45, VI!. Pouco interessa, portanto, que, anteriormente, as portas e telhas, fossem excluídas do benefício, à luz do referido ato ministerial, pois a norma aplicável ao caso é a do Decreto n° 551/92, como acima propugnado, prescrevendo- se para os produtos sob comento a alíquota zero. , I Não poderia, portanto, o Fiscal ter se apoiado em norma revogaoa para operar o lançamento do imposto, mormente quando não há dúvidas q~anto à correta classificação fiscal dispensada pela impugnante aos seus produtos. Impugna o valor adotado corno base de cálculo para a Nota Fiscal n021.152, de 23 de maio de 1992 (doc. n° 11), como sendo Cr$ 55.575.091,78, quando, na realidade, o ya10r correte~,sobre o qual seria aplicada a alíquota de 15%, como foi, éde Cr$5.575.091,78. Ademais, o Decreto n° 551/92 é expresso quando r~duz a zero os produtos arrolados em seu anexo I, dentre eles os produtos fabricados pela impugnante. Conclui, no particular, que, certificada a classificação correta 'dos produtos e , inaplicabilidade do 'art. 45, VII, do RIPI/82, ao caso, depreende-se a improcedência do auto de infração, também neste tópico; razão pela qual deve ser anulado o auto de infração. Depois de relacionar os estabelecimentos destinatários, transcreve o art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433í88 para afirmar que a isenção ali prevista se refere à aquisição realizada por estabelecimentos industriais, não condicionando a que estes operem saídas tributadas. A isenção ficou 'condicionada à destinação das máquinas, aparelhos e equipamentos, isto é, o , benefício só seria concedido nos c~sos em que tais produtos fossem ~estinados à instalação, à ampliação ou à modernização do estabelecimento industrial. O conceito de I estabelecimento industrial não deve ser interpretado restritivamente, sob pena ,de se perder a realidade que interessa à incidência da norma. Nesse passo, busca o que qualifica de ensinamento do Professor e'Juiz do Tribunal Regional Federal da sa Região, Hugo' Brito Machado, sob a evoluçãá da interpretação da" lei tributaria no tempo, çonforme transcreve. ~ / 10920~001935J94-10 '202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Processo . Resoluç&o : ( 'I. ~ i f ! ! . Também invoca, a propósito, o voto do ilustre então Conselheiro Ditimar Souza' Britto, sobre o processo produtivo e operação de industrialização, conceito aplicável" ao entendimento amplo que propu gana (fls. 339). , I . Invo,ca, também, a decadência em. relação às vendas para aqueles estabelecimentos, realizadas entre janeiro- de 1989 e março do mesmo. ano, conforme especifica, operações que se enquadram Íla decadência, nos termos do art. 173 do CTN e, concluindo; que deve ser anulado o auto de infração no que se refere àquelas operações. Também contesta os casos de revenda de materiais, no mesmo estado em que foram adquiridos, nas quais não se cáracteriza 'o fato gerador do impos~o. Trata-se de ~imples revendas feitas pela' impugnante a consumidor final, sç:mque tenha havido industrialização. Depois de contestar alguns casos específicos, onde teria havido erro na fundamentação legal, analisa a denúncia, no que respeita ao pedido d~ restituição e ressarcimento, propriamente ditos: " Diz que, em decorrência das alegadas irregularidades até aqui relacionadas, . . principalmente quanto às reclassifiCações adotádas pela fiscalização, conclui o Fisco pelo indevido ressarcimento .!ie IPi realizado pela Fazenda à impugnante, bem como ,crédito por ela utilizado. Diz que; provada à saciedade a corre,ção dos procedimentos dispensados pela impugnante no tocante aos materiais beneficiados pela isenção e alíquota zero, não ppde prosperar a pretensão da administração fazendária, devenoo igualmente ser reformado esse tópico, de modo a se excluir a exigência do crédito tributário. Conclui declarando que efetllará o recolhimento.do imposto, relativamente aos . casos e~pecíficos que enuncia. . \ I.Pede; afinal, a produção de prova pericial e realização de diligência"por se ( tratar de. matéria que, aos' olhos do. Fisco, pode. gerar controvérsia, em função <:lopróprio entendimento pela qual foi autuada, sob pena de total nuliqade da peça fisc,al, desde o início. Segue-se a decisão recorrida, nos termos que sintetizamos.' 7 ,8 No período de saldo devedor, .IPI a pagar, foi lavrad6 o ch~ado processo matriz a que antes nos referimos, já julgado em primeira instância (decisão por cópia anexa). 10920.001935/94-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA ., ,"0',', . Em decorrência das irregularidades assim relacionadas, houve ressarcimento indevido, referente aos processos ele'ncados às fls. 87/88, que deram origem ao auto de infração, de que estamos tratando. . . Quanto ao item I - uso indevido de alíquota zero do Decreto n° 551/92 - contesta as classificações adotadas pela impugnante para Termo-Telha e Termo-zipe ~espectivos acessórios, nos códigos 7308.90.9900 (revestidas de ferro e aço) e 7610.90.9900 (revestidas de aluTIÚnio).Entende. correta a classificação adota.da pela fiscalização, respectivamente, nos códigos 7326.90.9900 (ferro e aço) e 7616.90.9900 (alumínio) -,alíquota de 10%. Diz que, desde logo, tais produtos não se acham contemplados pela redução a zero das alíquotas, estabelecida no Decreto nO551/92 .. 3 ~ classificação fiscal e álíquotas incorreta~, referentes às mercadorias Portas Frigoríficas e Acessórios, Painéis Frigoloc, Spyropainéis' e Acessórios, Equipamento Frigorífico, Instalações Elétricas, partes de instalações frigoríficas, Equipamento de Atmosfera Controlada. No caso da posição 8418.69.9900, adotada pela .contribuinte, a posição adequada é a 8418.99.9900 e a alíquota vigente é de 159'0 em ambas. A contribuinte tem destacado com alíquota de imposto menor (10%), conforme notas fiscais relacionadas. •L - a contribuinte fabrica telhas termoisolantes, com o nome comercial de Termo-telha UPK e Termo-zip, classificando-as incorretamente nàs posições NBM 7308.90.9900 e 7610.90.9900~ com alíquota zero. O DecretonO 551/92 não contempla as telhas termoacústicas; 2 - ,utilização indevida da isenção prevista no Decreto-Lei n° 2.433, de 1988, art. 17-1, com as alterações do Decreto.:.Lei n° 2.451/88 e da Lei n~ 7.988, de 1989, art. 5°; e Esclarece, preliminarmente, que, para melhor instrução do presente, foi determinada a realização de diligência (fls. 180), da qual foram prestados esclarecimentos, n"o sentido de que o presente restringe-se ao período de saldo credor da apuração do IPI reescriturado a.parti,r das irregularidades constatadas, conforme item I do Term9 de Verificação de Créditos Tributários, Ressarcimento Indevido, fls ..83 dos autos. Processo Resolução: Depois desses esclarecimentos, passa a se referir aos itens da denúncia, . constante do Termo de Verificação (fls. 83.e seguintes), já mencionada no presente relatório, a saber: Leio, a seguir, a seqüência d~ interpretação que conduziu a esse entendimento, à luz das Regras' Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, conforme conduzida na citada decisão recorrida, às fls. 294 a 296. ' - . ~.'tl /r~ 9 10920.001935/94-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA .Acrescenta que do Auto de infração de fls. 91 e sua folha de contInuação - Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal - não constam quaisquer referências à revogação do art. 17, I, do Decreto-Lei n° 2.433/88, pelo art. 41, do ADCT, bem como nenhuma menção ,é feita ,. no Termo.de Verificação de Créditos Tributários (fls. 85/86). Assim, improcedentes as alegações da autuada nesse sentido. Sem nenhum amparo legal de - isenção ou redução de alíquota, "a empresa continuou, nos anos ae 1993 e 1994, ~ dar saída de mercadorias de sua industrialização, partes de câmaras frigoríficas, sem destaque do IPI, ,conforme se constata do Relatório Cla~sificação Fiscal I Quanto às vendas nos anos de 1988 e 1989; das mesmas mercadorias, para as empresas indicadas, são as mesmas razoes de tributar. O fato concreto é que essas mercadorias não fazem jus à nenhuma isenção, Daí, ser ou não ser estabelecimento industrial' é secundário, neste caso. Processo Resolução: Parte de câmara frigorífica classifica-se na posição 8418.90.9900, também fora da isenção do art. 17, I, do Decreto-Lei n° 2.433/88. Nesse passo, invoca o Parecer CST (DCM) 807, de 29.06.90, resultante de. ' ' . Recurso de Ofício, cuja ementa decl~a que "Câm~as Frigoríficas modulares, fabricaqa's com perfis de alumínio e chapa de fibra de vidro com isolamento térmico de poliuretano injetado: 8418.99.9900- apresentadas separadamente (câmara desprovida de, evaporador frigorífico e de qualquer outro dispositivo permutador de calor)". . \ , ., Em decorrência de recurso de ofício, a CST emItIU o Parecer nO 836, de 07.07.92; que ampara dita classificação (7326,90.9900), conforme ementa do citado parecer, que leio, às fls. 293, posição não contemplada nos anexos I e II do Decreto n° 551/92. , / No tocante ao uso indevido da isenção prevista no Decreto-Lei n° 2.433/88, art. 17, I, e da redução da Lei n° 7.988/89, art. 5°: I, vale-se a citada decisão da argumentação .desenvolvida na denúncia fiscal, a qual declara que a isenção prevista nos citados dispositivos legais, que são transcritos, refere-se a máquinas e aparelhos e respectivos acessórios. O que a autuada comercializou, sob o pretenso abrigo dos arts. 17, I, e 5°, da Lei n° 7:988/89, foram partes de çâmaras frigoríficas, cuja classificação fiscal adequada não se confunde com máquinas, aparelhos e instrumentos e seus acessórios, como pretende a autuada. Portanto, fora do alcànce da isenção. Com essas çonsiderações, diz que o auto de infração não merece reparos . I //ti. ,/ / 10 I / 10920.001935194-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA c) a Lei nO 8.402/92 não restabe'ÍecelÍ os incentivos previstos no art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88;. . Em cqnclusão, julga procedente o ~ançarriento. Recurso tempestivo a este Conselho, com as alegações que resumimos. .-Demais, redução de alíquota hão garante a utilização dos créditos do IPI, os quais devem ser estomados, muito menos o seu ressarcimento em dinheiro. Diz que persiste a decisao .recorrida em afirmar que os produtos fabricados pela recorrente (telhas, painéis e portas termo-isolantes, compostas de aço ou alumínio) não foram . ' elencadas no /Decreto nO 551/92, inão havendo isenção, nem sequer por aquele dispositivo. Afirma, ainda, que as regras de classificação fiscal impõem o enquadramentó dos produtos por ela fabricados na última posição da Seção, a exemplo do que já fora decidido ,nos autOs do processo matriz. , a) a Lei nO'8.191/91, pelo seu art. 7°, -revogou o art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88, com a redação dada pelo art. lO do Decreto-Lei n° 2.451/88. O'Decreto n° 551/91, que listou as classific~ções fiscais das mercadorias abrangidas pela isenção instituída pelo seu art. 10, não incluiu as classificações utilizadas pela empresa; b) a Lei n° 8.643/93, que prorrogou as isenç'Ões previstas no art. 1° da Lei n° 8.191/91, exclui da lista algumas classificações, entre elas as relativas a ''Equipamento~ de Atmosfera Controlada" - 9032.89.0203; d) as reduções de alíquota constantes dos anexos I e ndo Decreto nO141/92 não . / beneficiam aSpartes de câmaras frigoríficà~ e acessórios . e Alíquota Incorreta (fls. 38 a 55). As classificações' fiscais utilizadas são 7308.30.000 , 7308.90.990 _ 7308.90.0100 - 7610.90.9900 - 8418.69.9900 e 9032.89.0203., Algumas mercadorias, como no caso do Painel Frigoloc, Porta para Câmara Frigorífica, Spyropainel e , . Visor para Porta com Atmosfera Controlada, receberam até cinco classificações, o que é inadmissível dentro das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Para os ano~ de 1993 e 1994, as isenções e incentivos são os previstos na Lei n° 8.191, de 12.06.96; Lei n° 8.402, de{09.01.92; Lei n° 8.643, de 01.04.93; reduções de alíquotas previstas no Decreto hO551, de 01.06.92, sen90 que em nenhum dos djspositivos legais acima citados se enquadram as mercadorias comercializadas pela autuada. E esclarece:_ Processo Resolução: , Passando a contestar a referida decisão, (wmeça pela negativa da preliminar na qual solicitava perícia, cuja negativa o foi sem a mais TIÚrtimamotivação. . ReclassÍficaas câmaras frigoríficas de que se ocupa a recorrente, da posição 8418.69.9900, para a 8418.99.9900,çieixando de considerá-las equipamento, desqualificando o beneficio do D~creto-Lei n° 2.433/88. r._ íl!f' /. , 11 10920.001935194-10 . . 202-00.181 '. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . MINISTÉRIO DA FAZENDA f. . Nessa linha; concluiu a decisão de primeira instânoia ter sido realizada restitui'ção a maior de IPI, mantendo in-totum o auto impugnado. Mas não deve prosperar a decisão monocrática, pelas razões de sobejo que serão'exploradas e que levatãóà conclusão da necessÍdade de sua reforma, çom a conseqüente anulação do auto. Assim, entende que, nesse particular, a decisão recorrida peca por duas razões, o que, de per si, ensejaa sua anulação: a uma, pelo próprio fato de negar a reiilização da perícia que, como asseverado, demonstra':'se imprescindível à elucidação dos fatos,dé que tratam os presentes autos, retaliando o direito de defesa d~ contribuinte; e a dua's, por não fundamentar a negativa do pedido, o que se demonstra suficiente à caracterização, mais uma vez, do cerceamento do direito de d~fesa. Reitera que a complexidade da matéria está a exigir' uma perícia para perfeito esclarecimento da autori~ade julgadora e tece longas considerações em torno dessa necessidade. Invoca decisões administrativas, cujas ementas transcreve, as quais declararam a nulidade de decisões no mesmo sentido. .Na mesma esteira; os materiais destinados à Frigorífico Kaiowa S/A, Abate Frigorificação de Bovinos e à Avipa S/A Avicultura não es~ariam albergados pelo beneficio do art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88, pelo motivo de que "ser ou não estàbel~cimento industrial é secundário, neste; caso. ", Processo Resolução: ..•...... '. .' Vem, de outro lado, afastar a pretensão da recorrente de utilizar-se da isenção 'do Decreto-Lei n° 2.433/88, art. 17, não sob 'o argumento de que teria sido revogado, que foi a razão da' autuação, mas sob premissa diversa da anteriormente assumÍda, de que formam Ilpartes de telhados e de câmaras frigoríflcas, tais como Termotelhas, Painéis, Portas, 'Equipamento frigorífico, cuja classificação fiscal ádequada' não se confund,e com máquinas, aparelhos e instrumentos e seus acessórios, como prete!1de a requerente. Portanto, fora do alcance das isenções concedidas pelos diplomas legais aqui mencionados, (...)" razão pela qual Ilnão fazem jus a nenhuma is~nç~o." '. \12 Quanto ao mérito. 10920.001935/94-10 202-00.181 • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIÇ) DA FAZENDA Processo Resolução Assim é que a recorrente pautou sua defesa no sentido de ser apropriada a classificação fiscal utilizada, tendo em vista as Regras Gerais de Interpretação da Nomenclatura , de Mercadorias Brasileira NBM, à vista do princípio constitucional da essencialidade, informador do IPI. " No que diz respeito à classificação fiscal, diz que ,se d~ve afastar a'pretensão do julgador singular em fundamentar sua decisão na inaplicabilidaqe do Decreto' n° 551/92, o que fez em consideração ~ impugnação originariamente apresentada, sobre a qual, como se expôs, deixou' de ap~eciar toda a arg~mentação, mormente aquela de nulidaqe do procedimento fi~cal, o que Já .justifica'a nulidade da decisão. I Por outro lado, inaplicável aO'caso o Parecer CST (DAM) nO836/92. Primeiro, . por não trazer as razões de ~er a classificação correta aquela por ele preconizada, fixando-as' ao arrepio das Normas de Interpretação da,NBM; segundo, por ser interpretativo, não lhe sendo dado retroagir para impor situação mais onerosa à contribuinte (CTN, art. 106). Além do mais, Por essa razão, pede a anulação da referida decisão, de forma a ser determinada a realização da perícia pleiteada (diligência), e novo julgamento pela autoridade de primeira' instância. Para tanto, a recorrente formula des<Íejá os quesitos constantes d~ Anexo A. . \ . ~essa linha é que vem sustentando tratar os produtos destinados à atividade de pré-fabricação os materiais de que se ocupa. E isso foi admi~ido pela decisão recorrida .na tentativa de afastar' o benefício do Decreto-Lei n°. 2.433/88, regularmente utilizado pela contribuinte. De fato, com vistas a desqualificar isenção desse diploma de 1988, expressou-se o julgador singular no sentido de que tais materiais "foram partes de telhados e de câmaras I frigoríficas" tais como Termotelhas, Painéis, Portas, Equipamento Frigorífico, cuja classificação fiscal adequada não se confunde com máquinas, aparelhos e instrumentos e seus acessórios, como pretende a requerente", questão que poderia ter sido sanada com a realização da diligência/perícia. I • I , Enfatiza, afinal, que os produtos de que se ocupa (telhas, painéis, etc.) são destinados exclusivamente à construção de pré-fabricados que se acoplam ao solo, podendo ser. . removidos ou não sem dano. Sua característica termo-isolante não tem o condão de gerar frio, apenas de manter a temperatura gerada por máquinas próprias (compressores, evaporadores ...). Agrega que isso foi ratificado pela recorrente, quando fez juntar aos autos do processo denominado matriz o Parecer do Instituto Paulista de Tecnologia - IPT e da Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e Capitalização (docs. 04 e 05 da impugnação ao processo matriz), que, aliás, foram simplesmente desc,onsiderados pela decisão recorrida. ~. . / 10920.001935194-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Processo Resolução: ,-; Instruem o recurso os qu~sitos para, a perícia/diligência, bem como os documentos nele invocados. I 13 É o relatório. ( . . Por tais razões" deve ser alterada a deCisão, quanto a esse tópico. verifica-se que o citado parecer aplica-se única e exclusiv~mente às câmaras' frigoríficas e partes de câmaras" destinadas à "geração de 'frio", que não é a ~ipótese dos autos., ' No que se refere à utilização da isenção do Decreto-Lei n° 2.433/88, em que' pese ter a decisão ~ecorrida aceito o fato de quesome~te com 'a Lei nO8. i91, de 1991, tivesse sido o benefício revogado, desqualificou o penefício da recorrente, sob a alegaçãO de não estarem alcançàdos os produtos por ela fàbricados, mas não pela qualidade dos' destinatários. Trata-se:, então, de fixar corretamente a 'premissa da exoneração fiscal em questão, se interessa ou não a qualidade dos destinatários dos produtos. Ainda 'que ~ste Conselho não entenda ser o caso de anulação, requer seja reformada a decisão, pelas razõesexp-ostas, e que seja julgado improcedente o auto de infração. Em concl~são, diz que, tendo em vista a preliminar levantada, deve ser anulada a decisão recorrida, por cerceamento do ,direito de defesa, por ter sido negada a períçla requerida, fundamental à elucidação da matéria.. ' \ , Pronunciaménto do Procurador da Fazenda Nacional, em contra-razõ~s, declarando que a fundamentação e~posta na informação fiscal, bem comQ no próprio ato decisório, esclarecem suficientemente a questão discutida no presente, esgotando ,a matéria. A deCisão recorridá deve ser mantida. I I, ' " , Também contesta a classifi~ação do' equipamento frigorífico completo na posição 8418. 99.9900. Aqui, não foi levado em consideração o Parecer nO807/90, segundo o qual "Câmaras frigoríficas modulares, fabricadas com perfis de alumínio e chapa de fibra de vidro com isolamento térmico de poliuretano injetado: 8418.69.0500 - incorporado em evaporador frigorífico e apresentada juntamente com um grupo frigorífico de compressão destinado a ser instalado remotamente à ,câma)?a". Não' é o caso, portanto, das câmaras frigoríficas modulares, fabricadas com perfis de álumínio e chapa de fibra de vidro com isolamento térmico de , \ poliuretano injetado, apresentadas separadamente (câmara desprovida de evaporador frigorífico' e de qualquer outro dispositivo permutador de calor) - posição 8418.99.9900, como quis a deCisão recorrida. VOTO DO CONSELHEIR-RELATOR OSWALDO TANCREDO DE OLIVEIRA I 10920:001935194-10 202-00.181 - J t4 Sála das Sessões, em 03 de junho de 1998 l " .,'L '~~_{')~(/' , '- {,L,a'./ LJ d ti . {j Cf' iCi/'-- OSWALDO TANCREDO DE OLIVEIRA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA A matéria do presente recurso tem por objeto litígio decorrente de lançamento ' de ofício sobre classificação de mercadorias na TIPI. Por força do Decreto n° 2.562, de 27 de abril próximo passado, a competência para julgar' sobre á matéria, em questão foi transferida deste para o Terceiro C,onselho de Contribuintes. ' A~sim senq6, e tendo em vista a vigência imediata, do referido diploma, alcançando inclusive os recursos em trl:!JIlitàção,proponho o encanpnhamento deste àquele Eg. Conselho. ' Processo . ,Resolução: 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001968/2003-80
Data da sessão: Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/01/1999
COFINS. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º, DO CTN. ART. 45 DA LEI Nº
8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE.
0 prazo decadencial para a constituição do crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é o estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento parcial, não se aplicando o art. 45 da Lei n° 8.212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante n° 08, do Egrégio STF, que vincula o julgador administrativo,
conforme art. 103-A da Constituição Federal.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-000.286
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Teresa Martinez López declarou-se impedida de votar.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1997 a 31/01/1999 COFINS. DECADÊNCIA. ART. 150, § 40, DO CTN. ART. 45 DA LEI N" 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. 0 prazo decadencial para a constituição do crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é o estabelecido no art. 150, § 40, do CTN, independentemente da existência de pagamento parcial, não se aplicando o art. 45 da Lei n° 8.212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante n° 08, do Egrégio STF, que vincula o julgador administrativo, conforme art. 103-A da Constituição Federal. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Teresa Martinez López declarou-se impedida de votar 0 !. 1. no exercicio da Presidència --,41111111111110"'"v anzanR al:7ce -presidente EDITADO EM: 30/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, José Adão Vitorino de Morais, Luis Marcelo Guerra de Castro e Leonardo Siade Manzan. Relatório O contribuinte em epígrafe, por intermédio de seu representante legal, com fulcro no art. 7 0, II, do antigo RICSRF, interpôs o presente Recurso Especial de Divergência a Egrégia Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais - CSRF contra parte do acórdão da antiga Primeira Camara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que negou provimento ao seu recurso voluntário em decisão assim ementada: COFINS. NORMAS GERAIS. DECADÊNCIA. 0 prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário em relação a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é de 10 (dez) anos, regendo-se pelo art. 45 da Lei n°8.212/91. (.) Recurso negado. Em seu arrazoado do apelo especial, o contribuinte alega haver divergência de interpretação dos preceitos contidos nos arts. 150, § 4 0, do CTN e do art. 45 da Lei n° 8.212/91, isto 6, divergência quanto ao prazo decadencial da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Cita como paradigma vários arestos, os quais apontam o prazo decadencial de 5 anos para a citada Contribuição, nos termos do art. 150, § 4 0, do CTN. O recurso interposto foi admitido pelo Despacho n° 201-182, exarado pela Presidente daquela Primeira Camara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do recurso interposto e não apresentou contrarrazões. ' Subiram, por conseguinte, os autos a esta Casa para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Siade Manzan, Relator O recurso é tempestivo e, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF n° 256, de 22 de junho de 2009, preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento e passo a sua análise. Trata-se de controvérsia quanto ao prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo A Cofins. A decisão recorrida entende que o prazo de decadência para o lançamento da COFINS é de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei no 8.212/91, enquanto o contribuinte defende ser de cinco anos, conforme previsto no artigo 150, § 4°, do CTN. Vejamos. O lançamento por homologação é aquele que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da 2 Processo no 10882.001968/2003-80 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.286 Fl. 394 autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, consoante os preceitos do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66. Chamo a atenção para o vocábulo "atividade", acima grifado, pois o objeto de homologação pelo Fisco não e, e nunca foi, o pagamento, e sim, a atividade do contribuinte de apurar o crédito e tomar todas as providências necessárias à sua satisfação. Por isso, independe, para o inicio da contagem do prazo decadencial, se houve ou não pagamento parcial. 0 termo inicial do prazo decadencial 6, por conseguinte, o momento da ocorrência do fato gerador. Aliás, outra não é a posição da antiga Egrégia Segunda Turma, hoje Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, conforme se depreende do Aresto CSRF/02-01.766 (Sessão de 14 de setembro de 2004), cuja ementa transcrevo adiante: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA 0 PIS - DECADÊNCIA - A contribuição social para o PIS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n 146, III, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. Ã falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Inaplicável a regra estabelecida no art. 45 da Lei n" 8.212/91, até porque a referida lei não incluiu a contribuição para o PIS entre as fontes de custeio da Seguridade Social. Recurso negado. (CS RF/01 -05.157). 0 prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conforme registrado supra, é regido pelo art. 150, § 40, do CTN, que assim dispõe: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ora, já não existem mais dirvidas de que a Cofins é um tributo sujeito a lançamento por homologação e, por isso mesmo, como já dito, deve seguir o estabelecido no CTN, independentemente de ter ou não havido pagamento antecipado por parte do contribuinte, pois o que homologa-se não é o pagamento em si, mas a atividade de apuração do montante devido. 3 Essa 6, e sera sempre minha posição com relação ao prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Não consigo entender o dispositivo legal (art. 150, § 40, do CTN) de outra forma. Outra ressalva que me sinto obrigado a fazer: não há razão para contar-se de , forma diversa o prazo decadencial do PIS e da Cofins, pois ambas são Contribuições Sociais, isto 6, são das mesmas espécie e subespécie! Qualquer alteração que pretenda-se realizar nos prazos decadenciais deverá ser feita necessariamente por Lei Complementar. Aliás, outra não é a expressão de nosso Diploma Magno, a saber: CF/88, Art. 146, III, "b", verbis: Cabe a lei complementar: III — estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. (Grifou-se). Por fim, importante destacar que a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi objeto da Súmula Vinculante n° 08, do STF, aprovada na Sessão Plenária de 12/06/2008, tornando-se, portanto, indiscutível tal matéria, em razão da vinculação da Administração ao disposto em Súmula Vinculante, conforme determina o art. 103-A, da Constituição Federal. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para reconhecer a decadência parcial do lançamento. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10831.001940/85-78
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 1986
Ementa: Divergência de nome do fabricante em mercadoria importada do exterior. Inserção do nome no Conhecimento Aéreo, somente, no tipifica a infração. Divergência de valor aduaneiro não caracterizada, por falta de subsídios processuais,desautoriza a autuação.
Recurso provido
Numero da decisão: 303-24.498
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Hélio Loyolla de Alencastro que negava provimento. Os Conselheiros João Evangelista Carneiro da Cunha Neto, Luiz Carlos Nogueira, Afonso Celso Mattos Lourenço e Paulo Moreno de Almeida votaram pelas conclusões, na forma do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sidney Campos Pessoa
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Wo"9„ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 1112P sesselodalifevereiro de 1936 ACORDÃO N.° 303-24.498 Recurso n.° 108.042 - Proc. 10831/001940/85-78 Recorrente LABORATÓRIOS AYERST LTDA. Recorrld IRF - VIRACOPOS - SP • , Divergência de nome do fabricante em mercadoria importa da do exterior. Inserção do nome no Conhecimento Aéreo, somente, no tipifica a infração. Divergância de valor aduaneiro não caracterizada, por falta de subsídios pro cessuais,desautoriza a autuação. Recurso provido. Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conse lho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Hélio Loyolla de Alencastro que nega va provimento. Os Conselheiros João Evangelista Carneiro da CunhaNe • to, Luiz Carlos Nogueira, Afonso Celso Mattos Lourenço e Paulo Mor; no de Almeida votaram pelas conclusOes, na forma do relatório e vo- tos que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sess5--, em 27 de fevãkgL iro de 1986. 111 /212 HÉLIf LOYO D ALENCASTRe , D res dente • e SIDNEY DE •I'v IP O ' • • • — ' - tor / • JO r' i D1A SI'VA - Procurador da Fazenda Nacional. RECU! .-PR666R , D. DA FAZENDA NACIONAL: 303.0.903 VISTO EM SESSÃO DE: 2 1 MAR 1986 PARTICIPARAM, AINDA, DO PRESENTE JULGAMENTO OS SEGUINTES CONSELHEIROS: AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, JOÃO EVANGELISTA CARNEIRO DA CUNHA NETO, LUIZ_CARLOS NOGUEIRA, SALUSTIANO DE PINHO PESSOA NETO, PAULO MORENO DE ALMEIDA e WILFRIEO AUGUSTO MARQUES. , Fls.02,, - • . Recurso: 108.042. . .• . Ac6rdão:303-24.49$', , SERMO ' KIBLICO FEDERAL , • , . - M2 - 32 CONSELHO DE CONTRIBUINTES \ . , • • , RECORRENTE: LABORATÓRIOS AYERST LTDA. I • . , RECORRIDA : IRF - VIRACOPOS - SP I , ' : RELATOR , : SIDNEY DE CAMPOS PESSOA • RELATÓRIO , , . . , . . . De decisão do Sr. Inspetor da IRF de Viracopos, em Campi- nas, recorre Laboratório trerst Ltda. a estè Colegiado, decisão essa que compeliu a Recorrente ao pagamento da multa de Cr$ 151.563.399 (cento e cinquenta e hum milhOes quinhentos e sessenta'e treis mil - trezentos e noventa e nove cruzeiros), por infração ao art. 526, inc. :IX do Regulamento Aduaneiro, baixado pelo Decreto n 2 91.030/85; como lo se ve da autuação de fls. 01/01v., foi a constrita ' compelida a tal o- brigação porque em ato de conferencia documental do despacho que , pro- moveu de mercadorias importadas da Inglaterra pela DI n 2 009783/86, ao amparo da GI n2 018-85/034516-5 e acobertadas pelos conhecimentos aé- reos n2s HAWB.220-9914-2271 e HAWB 13121 (18.151\kgs de HALOMETANE B. P.), foi constatada a divergencia do nome do fabricante da referida mercadoria, bem COMO a divergência entre o valor declarado para fins alfandegários e o constante da mencionada Guia de Importação. . , . , Com efeito, tendo a Recorrente declarado na DI e com base da GI que a mercadoria era fabricada por ISS Chemicals Limited, do Reino Unido, e exportada por Ayerst International , Inc., dos Estados Unidos da América, entenderam as autoridades aduaneiras de Viracopos que o fabricante era o próprio exportador; isto, pelo exame do restan' te da documentação, "especificamente do Conhecimento, Aéreo de Carga, de. fls. 5, do qual consta ser o fabricante o embarcador - "shipper" - da mercadoria:* • Além disto, diz a autuação, consta do Mesmo, Conhecimento Aéreo que o valor declarado para a Alfândega é o de £21.387,21 que convertidos en dólares norte americanos, ao câmbio da época, resulta- ria em US$ 28.524,11 em flagrante desacordo com o valor constante , da , GI - fls. 07 - que é de US$ 42.426,00. ' Tais fatos caracterizariam a infração do, dispositivo apon tado; dai, a autuação e a cominação pecuniária. I , Em defesa de fls. 10/14, de forma tempestiva, a autuada impugna a exigencia tributária, resumindo sua argumentação nos seguin tes . tópicos: a) que a CACEI expediu a GI que dá inteira cobertura à o peração de que fala á D.I.; b) que a CACEX não expediria a Guia senão houvesse consonância entre o pedido (P.G.I.) e os constantes da Lista de Preços que faz juntar à defesa; c) que o preço unitário de US$ 23.57, aposto no campo 27 da Guia e o mesmo da referida Lista;°. d) que , o art. 92 do Dec. 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro) bem como o item 4.1.2. do CoMunicado CACEX 133/85 (eu' s textos transcreve) dão - n . . . , , . , .... Fls.03 Recurso: • 108.042 Acórdão:303-24.496 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL • inteiro lastro ao seu procedimento; e) que o valor aposto no Conheci- mento é feito por funcionários da transportadora,\sem, muitas vezes a vigilância do embarcador, e, além do mais o Conhecimento "nada deci de" em relação ao valor aduaneiro; f) que quanto à divergência do no- me do fabricante, é tranquila a jurisprudência do Conselho quanto à não tipificação da infração, quando estiverem presentes os demais re- quisitos da documentação. A informação fiscal de fls. 37/38, argumentando que a au- tuada não apresentou nenhuma razão que pudesse elidir a validade da exigência tributária, pugna pela sua manutenção. Em parecer fundamentado, acompanhado de Minuta de deci- são, é, reiterado o pedido de manutenção da exigência, a fls. 39/43, pela SECTRI da . IRP recorrida. Leio, em sessão, os argumentos para tal utilizados, de . fls. 41/42 e os consideranda de fls.42/43. . A decisão, ora recorrida, de fls. 44 encampando aqueles tio pronunciamentos, julga procedente a ação fiscal, mantendo a autua - ção. O recurso de inconformidade com tal decisão encontra-se a fls. 47/50, de forma tempestiva, no qual são repisados os mesmos argu mentos de defesa. 1 ' É o relatório. VOTO .Tem esta Câmara entendido em inúmeros julgados (na atual composição, por maioria) Que a divergência do nome do fabricante nos despachos aduaneiros, quando não ocorre a irregularidade em qualquer dos outros requisitos, tais com o preço, o peso, o valor, a qualida- de, a quantidade, a alíquota tarifária, a origem ou a»procedância não op se tipifica a infração administrativa ao controle das 'importaçOes. No caso sbb censura é a Recorrente, autuada, acusada da divergência de dois requisitos: o do nome do fabricante e o do valor. aduaneiro. Então, a hipótese diverge dos julgados pacíficos supra apontadod. Vejamos, pois, de ocorreram as duas divergências, para se aferir da ocorrência ou não da infração de que fala Auto. Diz o Auto de Infração que teria se verificado a divergên cia do nome do 'fabricante, porque no Conhecimento Ae±eo de fls. 05 consta como "embarcado/su e exportador o próprio fabricante da mercado- ria, á firma I.S.C. Chemicals Ltd., -de Bristol, Inglaterra, ao contrá rio da ''demais documentação (D.I.; G.I., etc.) onde o nome do exporta dor é Ayerst International Inc., de Nova York, EE.UU. e'o nome do fa- bricante é a referida I.S.C. Chemicals Ltd., de Brilto4 Inglaterra. Por isto, aplicou-se a multa do inciso IX do art. 526, do R.A.. • : " 1 '. . \ . . Fls.04. , I ' . • Recurso: 108.042 ' Agordao:303-24.49$ . 1 .. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL . . . . . . . a .; \ * • . . , . Onde, a divergência o nome do fabricante? - 1 \ , . . Penso que teria ocorrido, se positiyada a infração, . uma divergência do nome do exportador (melhor dizendo, do embarcador - . " "shipper) e nunca do nome do fabricante. . , , I .., • : Se, /'Io Conhecimento Aéreo, documentolindigitadamente alve jado pela autuação, não existe campo próprio para se,apor o nome do . fabricante (mas; sim, do exportador ou embarcador), como teria o Co, , : nhecimento divergido da demais documentação quanto ao nome do fabri - .cante? Parece-me, data venha, incoerente, contraditória, descabi , • : . da e ate, :violenta, a imputação; ademais, se calda e se embasa em do: bumento grafado em lingua estrangeira, desaCompanhado de tradução pa- ra o.vernáculo, d que por si sO, ex-vi lege; lhe retira a validade co . MD alicerce para a imputação. I . ' . Não vejo a ocorrência desta infração,a da divergência do 111 nome do fabricante, nome este que é o mesmo (I.S.C. Chemicals Ltd. ) em toda a documentação, inclusive no Conhecimento Aéreo. Por isto;can . • celo a multa do iric. IX do art. 526, do Regulamento Aduaneiro que a= , plicou oA.I.. . I , . . Quanto a divergência do valor aduaneiro, diz a autuação que ela ocorreu pdrque "o valor declarado para a Alfândega é £21.387,20 (moeda inglesa) que, convertido para dólares americanosIàs .taxas vigentes, redunda em US$ 28.524.11 em flagrante desacordo com o preço constante da GI, ou seja US$, 42.426,00, caracterizando este ' fato o , superfaturamento". Por isto.aplicou-se à autuada a multa de 100% sobre a diferença de US$ . 13.901,89, prevista no art. 526, III:do - Regulamento Aduaneiro. . - • ,i . • ' Ora, o único documento do despacho que .consigna o valor . traduzido em moeda inclesa l a libra, é o Conhecimento Aéreo que é um documento preenchido e expedido pelo transportador e, não, pelo im 11 portador ou pelo exportador. No restante da documentação, D.I., G.I., Fatura Comercial, etc., o valor (preço) está representado em dolar a-- , mericano, coincindente em todos os documentos. Estes' documentos, sim, são . expedidos pelo importador ou pelo exportador, ou pelo menos, (no caso da'GI), ' coM elementos por eles (em um deles) fornecidos; \ , • 'Por outro lado, não consta do processo 'qualquer elemento que demonstre eatar . 'correta a conversão do valor em libras para ddla- res norte-americanosç como aponta o Auto de Infração: Fico, pois, ór- fão de éubsidiosLpara aquilatar da certeza ou da correção daquela con_ versão. . .. , • . • I . • 'E como'cluod non est in acotbs, non 2st in mundo, não me sinto em condiçSes de aferir do acerto ou não da autuação. E na du *da ou ria falta de elementos . processuaisessuais que con-, firmem a acusação, e, com apoio, até, na própria letra do Código Tri- butário Nacional, art. 112, II, rejeito a i utação feita à Recorren- te, de ter pratiCado ..superfaturamento. . • . . ,. . • , .,.. ,• . . , .....,-- • Fls . 05 Recurso: 108.042 Acórdão:303-24.49'8 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL • • Como já repelira a aplicação da multa pelo inc. III, do art. 526, do MA. divergência de fabricante, repilo, igualmente j a im- posição da multa por infringência do inc. IX do' mesmo artigo. Po estrada de consequência, conheço do recurso para, de mentis, dar- e provimento. Sala das Sess3es, em 27 de - - - . ro de 1986. , • , gania SIDNEY DE fror ''ESSOA Relator • • • , •
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Numero do processo: 10880.909859/2006-75
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (Relator) e Solon Sehn.
Fez sustentação oral: Dr. Phelippe Falbo Di Cavalcanti Mello, OAB/PE n. 24.635.
RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente
CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator
[assinado digitalmente]
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Redator ad hoc
EDITADO EM: 31/03/2019
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Suplente convocada), Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Regis Xavier Holanda (Presidente à época). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Francisco José Barroso Rios e, momentaneamente, o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (Relator) e Solon Sehn. Fez sustentação oral: Dr. Phelippe Falbo Di Cavalcanti Mello, OAB/PE n. 24.635. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA – Relator [assinado digitalmente] RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Redator ad hoc EDITADO EM: 31/03/2019 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (Suplente convocada), Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli (Suplente convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 59 /2 00 6- 75 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.909859/200675 Acórdão n.º 3802001.747 S3TE02 Fl. 161 2 Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Regis Xavier Holanda (Presidente à época). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Francisco José Barroso Rios e, momentaneamente, o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Na condição de Presidente da Terceira Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1, c/c art. 19, inciso VII2, do Anexo II do RICARF, designome Redator para formalizar o presente acórdão, relativo a este processo, tendo em vista que o Relator originário, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, deixou de integrar o Colegiado antes de formalizálo. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro, no repositório oficial do CARF, conforme a seguir: Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, não homologando a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP, fundamentandose em crédito pelo recolhimento indevido de PIS sobre o valor de Notas Fiscais de Bonificação por ele emitidas no período de apuração de 31.10.1998, em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; 2 Art. 19. Aos presidentes das Seções incumbe, ainda: (...) VII praticar atos inerentes à presidência de Câmara vinculada à Seção nas ausências simultâneas do Presidente da Câmara e de seu substituto (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018). (...) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.909859/200675 Acórdão n.º 3802001.747 S3TE02 Fl. 162 3 alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório Não Reconhecido. Inconformado, o recorrente apresenta os mesmos argumentos trazidos em primeira instância e reitera a legalidade de seu procedimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui o voto disponibilizado pelo Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, porém com ajustes, conforme a seguir: Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, relator Estando presentes os requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, e não havendo qualquer nulidade, o recurso deve ser conhecido. A compensação não foi homologada, consoante conclusão do Acórdão 16 29.712, de 17/02/2011, da 9ª Turma da DRJ/SP1: Conclusão Ao declarar que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, a Contribuinte assumiu a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza. Relativamente a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, o CTN, assim estabelece em seu art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [negrejouse] Compete à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é requisito indispensável e é incumbência do suposto credor. Como visto, a defesa não logrou êxito ao pretender fazêlo. Desta forma, com o pagamento em Darf integralmente utilizado e não sendo possível reconhecer o indébito (crédito) alegado e cabe manter a decisão contestada que não homologa a Declaração de Compensação. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.909859/200675 Acórdão n.º 3802001.747 S3TE02 Fl. 163 4 Tendo em vista o que dos autos consta, a lide administrativa limitase a definir se é possível ou não a exclusão dos descontos incondicionais da base de cálculo do PIS. Nos termos do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) têm como base de cálculo o faturamento mensal das empresas, assim entendido como a receita bruta resultante das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições, entretanto, estabelece a legislação de regência (Lei nº 10.833, de 2003, artigo 1º, par. 3º) que serão excluídas da receita bruta (i) as vendas canceladas, (ii) os descontos incondicionais concedidos, (iii) IPI, e (iv) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituição tributário. Consideramse descontos incondicionais concedidos, os descontos que não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Vale dizer, podem ser excluídos do cômputo da receita bruta para efeitos de apuração da base de cálculo da COFINS e do PIS, os descontos que não estiverem associados a uma condição ou evento futuro posterior à emissão dos respectivos documentos fiscais, constituindose em mera liberalidade do vendedor. Sabese, nesse contexto, que a concessão de descontos financeiros é prática bastante comum no mercado das empresas importadoras, onde uma parcela do benefício fiscal usufruído pelas trandings companies não raramente é repassado aos clientes como atrativo para a realização de operações em patamares de competitividade. Ocorre que, nos casos em que o desconto concedido e repassado ao cliente não é mencionado no documento fiscal de venda, a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS acaba sendo formada pela integralidade do valor faturado, tendo em vista uma equivocada interpretação imprimida pela Receita Federal do Brasil, ainda que, na prática, a receita de venda seja menor. Nestas condições, atentandose para o disposto na legislação aplicável e para o entendimento jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal em casos análogos, onde a receita bruta tributável, para fins de PIS e COFINS, deve ser aquela efetivamente ingressada no caixa da empresa em contrapartida pela venda de mercadoria e/ou pela prestação de serviços, temse que os valores concernentes a descontos financeiros incondicionais que porventura tenham servido de base de cálculo para as referidas contribuições, mostramse passiveis de ressarcimento, ainda que não tenham sido destacados nos documentos fiscais, por se tratar de exigência meramente formal e desprovida de previsão legal e constitucional. Neste sentido, conforme noticiado pelo recorrente, o entendimento consolidado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) é o de que a “a concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita” (SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 136 de 21 de Agosto de 2012). Desta forma, tendo o Recorrente demonstrado que o valor das mercadorias por ela entregues gratuitamente em bonificação, no intervalo correspondente ao período de apuração de out/1998, efetivamente compuseram a base de cálculo da PIS que recolheu, conforme as cópias de seus demonstrativos contábeis, das respectivas apurações mensais de créditos e débitos e da planilha de tributos apurados no período, dúvidas não restaram quanto ao necessário provimento do Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.909859/200675 Acórdão n.º 3802001.747 S3TE02 Fl. 164 5 presente Recurso Voluntário, para que se reconheça o crédito da Recorrente e se homologue a compensação por ela realizada por meio da PER/DCOMP nº 12289.25234.150903.1.3.043476. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo provimento do recurso. Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Nestes termos, o relator original votou pelo provimento do recurso. Esclareçase que os ajustes feitos no voto consistiram basicamente na exclusão da reprodução (imagem), na íntegra, do voto do acórdão da DRJ/SP1, tendo sido mantida apenas a sua conclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc De igual modo, também adoto aqui o voto vencedor do então Conselheiro Regis Xavier Holanda, disponibilizado em meio magnético, conforme a seguir: Conselheiro Régis Xavier Holanda, redator designado No caso presente, deseja a recorrente ver reconhecido direito creditório por ter recolhido indevidamente PIS e COFINS de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre remessas de produtos em bonificação ao entendimento de que tais operações não geram obrigação fiscal pois não são consideradas vendas aptas à geração de receita. A DRJ São Paulo I, ao analisar a matéria, julgou improcedente a manifestação de inconformidade pelos seguintes fundamentos de fato e de direito: a) que enquanto existente a confissão, o débito temse como legítimo e apto a ser extinto pelo correspondente DARF pago. Esgotado o valor do DARF pela sua vinculação ao débito que foi lançado ou confessado por qualquer meio previsto (como, por exemplo, a DCTF), não remanesce valor a ser eventualmente restituído ou compensado; b) que os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos; c) os documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. A decisão restou assim ementada: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.909859/200675 Acórdão n.º 3802001.747 S3TE02 Fl. 165 6 IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Negritos apostos. A solução da lide em casos dessa natureza perpassa pelo enfrentamento de duas questões: as de direito e a probatória. Em outras palavras, reconhecido, em tese, os fundamentos jurídicos base do indébito tributário – in casu, a exclusão da base de cálculo das contribuições em tela dos valores referentes à bonificação de mercadorias, há que se passar a uma segunda etapa da análise referente à prova do direito alegado. Inicialmente, ante a ausência de determinação legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, por si só, não constitui motivo suficiente para o indeferimento do direito creditório pleiteado ou, se for o caso, da não homologação da compensação declarada. Assim, embora adequada e oportuna, a retificação prévia da DCTF não é requisito obrigatório para fim de formalização do pedido de restituição ou da declaração de compensação. Dessa forma, apresentada prova inequívoca quanto ao erro do valor do débito declarado e atendido o prazo quinquenal de decadência, é possível a retificação de ofício da correspondente Declaração e o reconhecimento do indébito tributário. Em relação à questão seguinte, debruçandome sobre o voto apresentado pelo i. relator Conselheiro Cláudio Pereira, filiome à tese apresentada, tendo como referência a Solução de Consulta nº 136, de 21 de Agosto de 2012, de que “a concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita”. Vencidas, pois, as questões de direito, restanos a análise do conjunto probatório acostado aos autos para aferirmos, atento à dicção legal do artigo 170 do CTN, a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para comprovação do direito alegado juntou a recorrente, essencialmente, cópias de notas fiscais de bonificações (e.g. fl 41), apurações mensais (e.g. fl 39); demonstrativos contábeis (e.g. fl 40) e planilhas de tributos apurados (e.g. fl 80, Cofins). Entretanto, após análise dessa documentação, entendo, data maxima venia, que a mesma não se apresenta hábil à demonstração da existência do direito creditório. Da decisão recorrida, colhemse as seguintes anotações de relevo: As apurações mensais de créditos e débitos Pis e Cofins (e.g. fl 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: “Mercado Interno”; “Diversos”; “Freegoods” bem como mostrar que Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.909859/200675 Acórdão n.º 3802001.747 S3TE02 Fl. 166 7 houve um recolhimento de Pis e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas deve ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. Destaques apostos. Com efeito, a documentação juntada não nos permite aferir questões basilares para a definição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É certo que foram apresentadas diversas notas fiscais de bonificações de mercadorias, porém a documentação acostada não nos permite atestar, por exemplo, se as mesmas realmente compuseram a base de cálculo das contribuições. Como assinalado, os demonstrativos contábeis apresentados não trazem registros específicos das operações, nem sequer foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Por fim, entendo também descabida uma possível sugestão de realização de diligência. Com efeito, o Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências ou perícias: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.909859/200675 Acórdão n.º 3802001.747 S3TE02 Fl. 167 8 indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93) Negrito aposto. Dessa forma, com base nesses dispositivos, as diligências ou perícias determinadas pela autoridade julgadora objetivam elucidar questão imprescindível ao julgamento da lide, nunca suprir deficiência probatória imputada ao recorrente que, em diversas oportunidades, poderia ter carreado aos autos os elementos necessários e suficientes à comprovação da certeza e liquidez do direito creditório alegado. Portanto, competindo à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN, e não logrando êxito em fazêlo, há que se manter o indeferimento do pleito do recorrente. Assim, pelo exposto, voto pelo integral desprovimento do recurso. Régis Xavier Holanda, Redator designado Com base nos fundamentos expostos o colegiado, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900241/2006-35
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ - DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO INTEGRALMENTE - DCOMP APRESENTADA EM ATRASO - EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA NO MOMENTO DA COMPENSAÇÃO - INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN. Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso. Sendo exigível a multa de mora no momento das compensações, correta a imputação implementada pela Delegacia de origem, que resultou na homologação apenas parcial das compensações.
Numero da decisão: 1802-000.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Marcelo de Assis Guerra e Marco Antônio Nunes Castilho, que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO INTEGRALMENTE DCOMP APRESENTADA EM ATRASO EXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA NO MOMENTO DA COMPENSAÇÃO INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN. Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso. Sendo exigível a multa de mora no momento das compensações, correta a imputação implementada pela Delegacia de origem, que resultou na homologação apenas parcial das compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Marcelo de Assis Guerra e Marco Antônio Nunes Castilho, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 118 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 119 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que manteve a homologação apenas parcial em relação a Declarações de Compensação apresentadas pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0527.925, às fls. 77 a 80: Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMP apresentadas em 29/10/2003, por meio das quais o contribuinte em epígrafe extinguiu débito de COFINS (junho a agosto/2003), valendose de crédito referente a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002, no valor original de R$ 401.142,37 (fls. 64/70). Confirmadas as retenções na fonte consideradas no período, o direito creditório foi integralmente reconhecido. Todavia, seu valor atualizado, valorado em 29/10/2003, mostrouse insuficiente para liquidar os débitos de COFINS compensados, como demonstrado à fl. 13 e a seguir consolidado: Débito Compensado Crédito Vl. Utilizado Débito amortizado na data de valoração Saldo PA Valor Original Valorado Principal Multa Juros Total Devedor 07/2003 159.062,96 165.638,26 195.138,43 159.062,96 31.812,59 4.262,88 195.138,43 06/2003 3.794,99 4.008,87 4.722,85 3.794,99 758,99 168,87 4.722,85 08/2003 300.396,68 231.495,24 272.724,51 236.084,24 34.279,43 2.360,84 272.724,51 64.312,44 Totais 463.254,63 401.142,37 472.585,79 398.942,19 66.851,01 6.792,59 472.585,79 64.312,44 Remanescendo saldo devedor de R$ 64.312,44, foi emitido despacho decisório de homologação parcial das compensações, atestando que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP: 35871.33923.291003.1.3.027936. Cientificado em 29/07/2008 (fl. 71), o contribuinte, por seu procurador (fls. 38/53) apresentou em 27/08/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 01/09, juntando os documentos de fls. 10/53 e alegando que a insuficiência do crédito decorre do indevido acréscimo de multa moratória sobre os valores compensados. Invoca o disposto no art. 138 do CTN, aplicável na medida em que presentes todos os requisitos ali previstos. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 120 4 “Isto porque o procedimento de compensação, com a devida informação dos débitos compensados, foi apresentado à Administração Tributária logo após a data de vencimento de cada tributo e antes de qualquer procedimento fiscal. Além disso, o crédito foi objeto de pedido de ressarcimento. Logo, não é razoável e nem juridicamente sustentável a manutenção de multa moratória nessas circunstâncias, na medida em que, para todos os efeitos, a liquidação dos débitos mediante compensação equivale ao vocábulo “pagamento” disposto no enunciado normativo.” Classifica a falta de recolhimento de tributo como ilícito de natureza substancial, por se tratar de descumprimento de obrigação tributária principal, de forma que não resta dúvida de que a sanção que lhe corresponde é penalidade que se subsume por completo ao ditame do art. 138 do CTN. Acrescenta que não compete ao intérprete fazer qualquer distinção que o legislador não fez ao editar a norma. Reportase a entendimentos, neste sentido, manifestados pelo Supremo Tribunal Federal, Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao final, pede a homologação da compensação de todos os débitos declarados pela empresa, excluindose a multa indevidamente considerada no demonstrativo apresentado junto à decisão em análise. Como já mencionado, a DRJ Campinas/SP manteve a homologação apenas parcial em relação às Declarações de Compensação apresentadas pela Contribuinte, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO INTEGRALMENTE. DCOMP APRESENTADA EM ATRASO. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS. MULTA DE MORA. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea tem por pressuposto o efetivo pagamento de débitos, acompanhados dos juros de mora, quando devidos. A compensação, mediante DCOMP, de débitos já vencidos, e desacompanhada dos juros de mora, não afasta a aplicação da multa de mora nos cálculos de imputação do direito creditório reconhecido aos débitos compensados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 133DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 121 5 Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento também sustentou que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente seria aplicável aos casos de quitação de débito por pagamento e não por compensação. Além disso, registrou que há previsão expressa para a incidência de multa de mora sobre os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação, conforme o art. 61 da Lei 9.430/1996, norma que ficaria completamente esvaziada se prevalecesse o entendimento defendido pela Contribuinte, pelo seguinte motivo: (...) admitir a possibilidade de exclusão da referida multa em virtude da denúncia espontânea do débito, mediante declaração e recolhimento (ou compensação) deste, levaria, fatalmente, a uma única conclusão: de que nunca seria possível exigir a multa de mora, pois se o contribuinte recolhe o tributo em atraso, mas voluntariamente, ocorreria a denúncia espontânea, como pretendido, e se efetua o pagamento por força de ato da fiscalização tributária já é caso de aplicação da multa de ofício. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 24/02/2010, a Contribuinte apresentou em 24/03/2010 o recurso voluntário de fls. 91 a 98, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 122 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio versa sobre Declarações de Compensação – Dcomp apresentadas pela Contribuinte, envolvendo a quitação de débitos de Cofins com crédito referente a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor original de R$ 401.142,37. A Delegacia de origem, embora tenha reconhecido o saldo negativo apurado pela Contribuinte, homologou apenas parcialmente as compensações, porque o crédito não foi suficiente para quitar todos os débitos em sua integralidade, decisão que foi confirmada pela Delegacia de Julgamento. As Dcomp foram apresentadas em 29/10/2003, e os débitos de Cofins são referentes aos meses de junho a agosto do mesmo ano. Vêse, portanto, que as compensações ocorreram após o vencimento dos tributos. O principal aspecto da controvérsia é que a Contribuinte não considerou no encontro de contas o acréscimo da multa moratória sobre os débitos, entendo estar desobrigada desta rubrica por força do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Deste modo, ao computar a multa moratória, por considerála devida mesmo no caso de recolhimento espontâneo, a Delegacia de origem verificou que o crédito era insuficiente para a quitação dos débitos, remanescendo em aberto parte do débito da Cofins de agosto/2003. Pelas Dcomp de fls. 64 a 70, percebese que a Contribuinte também não computou no encontro de contas (que é a data da transmissão da Dcomp) os juros incidentes sobre o débito, o que levou a Delegacia de Julgamento a concluir que ela pretendeu compensar apenas o principal, sem nem mesmo acrescêlo dos juros de mora, fato que, segundo a DRJ, configuraria um motivo adicional para afastar a aplicação do art. 138 do CTN, pois este dispositivo exige o “pagamento do tributo devido e dos juros de mora”. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 123 7 Entretanto, estas mesmas Dcomp indicam que o crédito recebeu o acréscimo dos juros Selic apenas até a data de vencimento dos débitos, e não até o encontro de contas. Os quadros abaixo indicam a correta aplicação dos juros Selic, tanto sobre o crédito, quanto sobre os débitos: Data de Valor original Juros Selic da apuração do Valor do Crédito Apuração do Crédito Crédito até o encontro acrescido da Selic de contas (29/10/2003) 31/12/2002 401.142,37 17,81% 472.585,83 Período de Valor original Juros Selic do vencto. do Valor do Débito Apuração do Débito Débito até o encontro acrescido da Selic de contas (29/10/2003) jun/03 3.794,99 4,45% 3.963,87 jul/03 159.062,96 2,68% 163.325,85 ago/03 300.396,68 1,00% 303.400,65 Total 463.254,63 470.690,36 Apesar do problema no preenchimento das Declarações de Compensação, relativamente aos juros, que afetou para menos tanto o débito quanto o crédito, observase que o valor do crédito consumido nas Dcomp foi suficiente para quitar o principal acrescido dos juros de mora (em sua integralidade), e que, portanto, a insuficiência do crédito está relacionada apenas à exigibilidade ou não da multa de mora nas compensações realizadas pela Contribuinte. Esse, inclusive, é o ponto abordado nas peças de defesa, não havendo qualquer contestação sobre a exigibilidade dos juros no caso de tributo pago a destempo. Portanto, em relação a esse processo, não vejo como afastar a aplicação do art. 138 do CTN com o argumento de que a quitação do débito se deu sem o acréscimo dos juros de mora. Outro aspecto apontado na decisão de primeira instância como óbice para a aplicação do instituto da denúncia espontânea é que a quitação do débito teria se dado por compensação, e não por pagamento. Segundo a DRJ, a compensação também é uma hipótese extintiva do crédito tributário, mas não definitiva como o pagamento, eis que sujeita a nãohomologação no prazo de 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP, podendo até mesmo ser considerada como não declarada, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Nestes termos, a compensação não poderia ser equiparada a pagamento para fins de aplicação do art. 138 do CTN. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 124 8 Não compartilho do mesmo entendimento. A meu ver, a quitação por compensação guarda perfeita harmonia com o instituto da denúncia espontânea, sem embargos de sua falta de definitividade. Aliás, o pagamento, considerado em seu sentido estrito (pagamento em moeda), também pode não se configurar como uma extinção integral e definitiva do débito, eis que pode ser realizado com insuficiência, e, neste caso, é totalmente cabível um procedimento de revisão por parte do Fisco, para exigir as diferenças apuradas. E se por força do art. 138 do CTN, o Contribuinte não precisasse recolher a multa moratória no caso de quitação com pagamento em moeda, não vejo porque deveria recolhêla se a quitação se desse por compensação. Assim, a questão a ser examinada se resume à exigibilidade ou não da multa moratória, considerandose nesta análise simplesmente o fato de o pagamento extemporâneo ter sido realizado por iniciativa do próprio Contribuinte, antes de qualquer procedimento de fiscalização. Sobre a exigibilidade da multa de mora, a Administração Tributária já manifestou o seu entendimento, por meio do Parecer Normativo CST n º 61, de 26/10/1979, nos seguintes termos: 4.1 As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. 4.2 Punitiva é aquela que se fundamenta no interesse público de punir o inadimplente. É a multa proposta por ocasião do lançamento. É aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir. 4.3 A multa de natureza compensatória destinase, diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. É penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios. O antigo Conselho de Contribuintes também proferiu diversos acórdãos sustentando que o art. 138 do CTN não afasta a incidência da multa de mora, conforme ementas a seguir: MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA O pagamento do imposto devido fora dos prazos fixados pela legislação tributária, ainda que espontaneamente, obriga ao acréscimo de multa e juros moratórios (Ac. 10610930, de 23/09/1998) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN É devida a multa de mora nos casos de recolhimento de tributos e contribuições com atraso, uma vez que o instituto da denúncia Fl. 137DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 125 9 espontânea, protege o sujeito passivo, tãosomente da imposição de multa punitiva, decorrente de procedimentos de ofício. (Ac. 10513504, de 29/05/2001) DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA. Vencida e não paga a obrigação constitui em mora o devedor nos mesmos moldes de toda e qualquer obrigação civil, sendo portanto cabível a multa de mora mesmo que o tributo tenha sido recolhido espontaneamente. (Ac. 10244873, de 20/06/2001) Além disso, encontrase na doutrina manifestações consistentes que seguem essa mesma linha de entendimento. Registrese aqui o pensamento de Paulo de Barros Carvalho: “Modo de exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela Autoridade Administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (CTN, art. 138). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, § único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra”. (Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 2a ed., São Paulo, Saraiva, 1986, pp. 322/3) Nesse mesmo passo, os ensinamentos de Fábio Fanucchi: .....“o atraso no recolhimento de tributos, quando o sujeito passivo providencia a regularização de sua situação perante a Fazenda Pública, sem que a isto seja compelido por ação fiscal, dá como resultado a necessidade de aduzir à parcela tributária multas moratórias e juros de mora, conforme preceitos expressa e geralmente integrados nos textos das diversas legislações tributárias específicas (federal, estaduais e municipais). Estas são penalidades de natureza civil, simplesmente repositivas que pretendem colocar o valor do crédito em situação idêntica àquela que ele possuía à época em que o seu pagamento deveria ter sido satisfeito, ou, que pretendem ressarcir a Fazenda Pública dos prejuízos causados pelo atraso no recebimento de valores que lhe caiba deter em época anterior”. (Fábio Fanucchi, Curso de Direito Tributário Brasileiro, 4ª ed., Resenha Tributária, p. 453) Fl. 138DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 126 10 De fato, a multa moratória pelo atraso no pagamento de tributo guarda muita semelhança com as penalidades de natureza civil, cujos contornos são melhor compreendidos à luz da Teoria Geral das Obrigações. Seu sentido não é apenas reforçar o vínculo obrigacional legal (pagamento no prazo), mas também estabelecer uma préliquidação de perdas e danos, cuja ocorrência se dá por uma presunção legal absoluta. Deste modo, a obrigação pecuniária, relativamente à multa de mora, surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo, ainda que aquele intente, por exemplo, comprovar a inexistência de prejuízo real para a Fazenda Pública, posto que, em relação a isso, não cabe prova em contrário. E por esse mesmo motivo, não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora. Sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo, e somente disso. A incidência da multa de ofício, ao contrário, dada a sua característica de verdadeira penalidade administrativa, fica condicionada a outros fatores, cuja ocorrência pode se dar após o vencimento do tributo, como a confissão do débito, a apresentação de pedido de parcelamento, o seu recolhimento extemporâneo, etc. Mas a multa moratória não, sua incidência independe de qualquer um destes fatos. Da mesma forma, também é irrelevante para a caracterização da mora (ou inadimplência) o fato de o débito vir a ser declarado em DCTF somente depois de realizado o pagamento extemporâneo. Com efeito, o desrespeito ao prazo legal para o recolhimento do tributo, uma vez configurado, não se desfaz em razão do cometimento de outras infrações à legislação tributária (p/ ex., omissão de informações ao Fisco), estas sim passíveis de serem revertidas pelo instituto da denúncia espontânea. O próprio STJ, ao editar a Súmula 360, em 27/08/2008, consolidou o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não se aplica à inadimplência, para fins de afastar a multa pela mora: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Em relação ao caso sob exame, poderia se alegar ainda que os débitos só foram declarados após o pagamento extemporâneo (conforme DCTF de fls. 14 a 37), e que, por isso, não seria aplicável a Súmula 360. Quanto a esse aspecto, é preciso esclarecer, à parte o problema da extemporaneidade, que normalmente é isso o que ocorre, ou seja, os pagamentos são realizados, via de regra, antes da declaração dos débitos. Basta verificar que há tributos apurados mensalmente, ou com períodos de apuração ainda menores, enquanto que os contribuintes apresentavam DCTF por períodos trimestrais (exatamente como aconteceu com a Contribuinte em questão, para os débitos de julho e agosto/2003). Fl. 139DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 127 11 Sendo assim, a regra é que o débito seja pago antes mesmo de ser informado à Receita Federal, e nem por isso a falta de pagamento no prazo legal deixa de ser considerada como inadimplência. Do contrário, haveríamos de entender que, por exemplo, o contribuinte que paga um tributo em atraso, mas antes da data para a entrega da DCTF, não está em mora, enquanto que se pagasse esse mesmo tributo após ter entregue a DCTF passaria, aí sim, a estar em mora, e somente nesse caso excluído do art. 138 do CTN. Todavia, não é aceitável que se defina a mora do contribuinte, no que toca a pagamento, pela entrega ou não de DCTF. Certamente, a inadimplência está configurada nas duas hipóteses acima, ainda que a infração quanto ao prazo de recolhimento esteja (ou venha estar) acompanhada de outras infrações à legislação tributária (não entrega de declarações, entrega de declaração com informações incorretas, omissões na escrituração, adulteração de documentos etc.). Nesse último caso, ou seja, havendo outras infrações, passa a ser aplicável o benefício da denúncia espontânea, mas para fins de afastar as multas por essas outras infrações. Esta é, a meu ver, a correta interpretação para a Súmula 360 do STJ. O fato é que para débitos regularmente declarados, a única infração que pode haver em relação à obrigação principal é a mora do contribuinte, e nenhuma outra. Assim, como o benefício da denúncia espontânea não é aplicável para fins de afastar a multa pela mora, o STJ sumulou o assunto. Isso não implica dizer, entretanto, que a Súmula do STJ manifeste entendimento diverso em relação à mora no pagamento pelo fato de ela estar acompanhada de outras infrações à legislação tributária. Ou seja, uma vez revertidas essas outras infrações e evitada a punição administrativa prevista para elas, em razão da denúncia espontânea por parte do contribuinte, subsiste ainda a mora, dada a sua irreversibilidade, bem como a exigibilidade dos acréscimos legais dela decorrentes (juros e multa de mora). Todas essas considerações servem apenas para evidenciar que o fato de a DCTF ter sido apresentada após o pagamento extemporâneo em nada afeta a exigibilidade da multa de mora. Contudo, vale frisar novamente que, pelo menos para os débitos de julho e agosto/2003, a declaração foi entregue após o pagamento extemporâneo porque o prazo final para sua apresentação superou aquela data. Concluo, portanto, que a multa de mora era devida no momento das compensações realizadas pela Contribuinte, e, nestes termos, considero correta a imputação implementada pela Delegacia de origem, que resultou na homologação apenas parcial das compensações. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 140DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.900241/200635 Acórdão n.º 180200.883 S1TE02 Fl. 128 12 Fl. 141DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 11/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001680/92-08
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 1994
Numero da decisão: 108-00.057
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
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DRF EM FEIRA DE SANTANA - BA R E S O L U ç A O NO. 108-00.057 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VIGOR INDUSTRIA E COMERCIO DE VELAS E SABAO LTDA .• RESOLVEM os'Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por unanimidade de votos, converter o julgamento do re- curso em diligência, nos termos do voto do relator. Sala das Sessões (DF), em 18 de maio de 1994 • VISTO EM" SESSAO DE: PRESIDENTE - RELATOR - PROCURADOR DA FAZENDA NA- CIONAL • Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros:, SANDRA MARIA DIAS NUNES, PAULO IRVIN DE CARVALHO VIANNA,ADELMO MARTINS SILVA, MARIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR, LUIZ ALBERTO CAVA MACEI- RA e RENATA GONÇALVES PANTOJA . • PROCESSO NQ 10530-001.680/92-08 RECURSO NQ 106.175 .Re solução rf9 10 8- 00. O57 -~--"_. ~- ---- ---"""- __ ..-} 2. • •• RECORRENTE: VISOR INDUSTRIA E COM~RCIO DE VELAS E SABAO LTDA. RELATOR IO VIGOR INDUSTRIA E COM~RCIO DE VELAS E SABAO LTDA., recorre de decisào do Delegado da Receita Federal em Feira de Santana, que manteve integralmente exig~ncia de 61.598,87 UFIR, r-f.;)lat.ivament.ea impoE,to de r'enda dDS e).:en:í.cios de 198B a 1990. A exigência alcança omissào de receit.a apurada em levantamento especifico quantitativo no exerci cio de 198B (Cz$ 1.629.727,90) e arbitramento dos resultados dos exercícios de 1989 a 1991, por ter a empresa optado indevidamente pela tributaçâo com base no lucro presumido com receitas superiores ao limit.e máximo em dois exercí.cios conE,f:.~CUti vos:;,. Na impugnaç~o, a recorrent.e alega ter sido a exigência baseada em levantamento quantitativo de material de embalagem, quando deveria se basear em matéria prima e n.o é suficiente o levantamento de produto facilmente destrutivel, como é o caso de embalagens de papelào e indica alguns erros formais do levantamento. Alega insufici~ncia de provas e pede o cancelamento da exigência. Afirma ainda, que a empresa se f?nquadr-c~va nos 1imi teE; de opç~o pelo Iucro presumido e nào podia ter seus resultados arbitrados. Na decisào monocrática, a autoridade julgadora refuta os erros formais apontados no levantamento e entende ser a movimentaçâo de embalagens suficiente para quantificar igual movimentaç~o de unidades produzidas, já que nenhuma prova de destruiç~o foi apresentada pela impugnante. Reafirma a quebra do limite de faturamento e mantém o arbitramento por falta de cont.abilidade regular. No recurso, além da repetiç~o de alguns argument.os da impugnaç~o, a recorrente passa a discorrer sobre prova subsidiária, alegando que a embalagem é material secundário e s;;uamov j.mc~~nti,ilÇ;;':(Osel~ve clpE'nir.\Scomo prc,va subsidiária. cLljCo') levi~ntamc-;)nt.odevf~I'-ia se baSI':?ar-em matéria prima, cujo c:\pr"oveitam€'.mt.o n,,'dundcl em índi ces variáveis de pr'oduç2\'C).. Junta cópia de ocorr~ncia lavrada na Policia Militar da Bahia, no dia 23 de Junho de 198B (fls. 65), segundo a qual a ,3utu,3da ter-ia sido vitim~'.'iIde incênd io em SUê.'lSinsti~1.:~çek':'H!, danificando ura tii:l.nquE?de p.:~rê.'lfinae o telhado dCI r-e<:into/ • 3. Resoluçãon9 108-00.057 Deixa de atacar explicitamente o lançamento no que refere ao iarb.i.tr-amento mat:;,no 'fecho, n~i terê~ os termos da .impugnaç~o!, pedindo o cancelamento da exig~ncia. It. o J'-'elatóF'io. VOTO do Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO Forê':\m ;.::<.tendidosos pn~ssupostos de admiss.i..biIidi:\de do recurso, inclusive quanto ao prazo de interposiç~o, devendo o mesmo ser conhecido. o primeiro item da exig~ncia, consubstanciado em levantamento físico quantitativo do material de embalagem, leva seu deslinde a matéria de prova. Trou>:e a n::~cor-rentf2,nê~ fase anteriormente no processo que de parte da quest~o. 1'-eCLlf"!SaI, p()d(~ ~';E~l~ pr-ova n;;.ooferecida d~?c.u;.1.\la ,'::tüdes 1inde •• • Tendo existido inc&ndio no estabelecimento da recorrente, podel'-ia ocor-n~r dano aDS estoqu€~S dE~ emba Iagens, ainda m,'::t,Ú" sendo (~las dE~ Pi::\PEd.~O,podf.~~r-ii::\mser dE~E~truídas t.antcl pelo fDgo quanto pela aç~D dos bombeiros com o uso de água. N~o é püssível, pelos documentos juntados, const.atar se os estoques de embalagens se localizam próximo à área at.ingida nem se a aç~o do fogo ou dos bombeiros pode ter danificado os E?st!:)ques. Por outro lado a ocorr&ncia do inc&ndio em nenhum momento foi indi.cada, nê~ 'fase de f.if:~ci:\li~~aç~oaLI de impugnaç~o, o que levou a autoridade julgadora a desconhecer tal fato, de cujo conhecimento poderia decorrer decis~o diferente daquela pr-olatada. ?-)ssim, tf.~~ndoOCOFT ido inc],us~o no recurso de prova miAt€'~rial importante para o deslinde da quest~o, da qual a autoridade mCH'locrática n~o tomou conheci.mento, voto POF' tr-ans10r-mar o pn~SE?nt.e julg,'::tmento(~m d.i]'ig~ncia, para que D Sr. Delegi:\do conheça da prova e determine a constataçào, no local do !sini!str-c),!:5etal sinistro ou a aç:~o dos bClmbeiros pode ter danificado os ~:?stoql..lesde embalagens, ~?labor-ando relat.ór-io c.ircun!5ti::\nciado,df,'cujo cont.f.~Lldodeve Sf::.'r- dado ci'ê'ncia ao contribuinte para, querendo, manifeste-se no prazo de 30 dias, retornando o processo a este Conselho, para devidament.e instruído ser finalmente aR eciado. 99.4 Con~;;elheir.o 00000001 00000002 00000003
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