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Numero do processo: 10830.907968/2012-91
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2007
REGIME ESPECIAL. PDTI. IRRF. PAGAMENTOS AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DIREITO CREDITÓRIO.
Contribuinte regularmente enquadrada no Programa de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial - PDTI faz jus ao crédito incentivado de IRRF sobre pagamento a domiciliados no exterior a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industria.
Numero da decisão: 1401-003.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.907987/2012-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Nome do relator: Luiz Augusto de Souza Gonçalves
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2007 REGIME ESPECIAL. PDTI. IRRF. PAGAMENTOS AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DIREITO CREDITÓRIO. Contribuinte regularmente enquadrada no Programa de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial - PDTI faz jus ao crédito incentivado de IRRF sobre pagamento a domiciliados no exterior a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industria.
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PDTI. IRRF. PAGAMENTOS AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DIREITO CREDITÓRIO. Contribuinte regularmente enquadrada no Programa de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial - PDTI faz jus ao crédito incentivado de IRRF sobre pagamento a domiciliados no exterior a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industria. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.907987/2012-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 1401-003.939, de 12 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 79 68 /2 01 2- 91 Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 O cerne do litígio se resume em um pedido eletrônico de restituição (PER) que foi transmitido pela Recorrente relativamente a um crédito incentivado de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contrato de transferência de tecnologia. O recolhimento de IRRF, efetuado por meio de DARF foi arrecadado sob código 0422. A DRF de Campinas, SP, por meio de despacho decisório indeferiu o pedido em razão de o pagamento indicado ter sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação. Em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente alega, em síntese, que: 1. Em função de contratos firmados com empresa estrangeira, remete ao exterior determinados valores a título de royalties e outras licenças. Em função dessa remessa ao exterior, ao longo do tempo a recorrente efetuava a retenção e recolhimento de IRRF nos termos da legislação de regência; 2. Até o ano de 2005 a recorrente usufruía os benefícios fiscais previstos no Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI), cumprindo as obrigações pertinentes a este. Dessa forma a recorrente obteve por parte do Ministério da Ciência e Tecnologia a aprovação das Portarias nº 200 , de 18/06/1997 e a de nº 803, de 20/09/2000; 3. No regular desenvolvimento de suas atividades a recorrente celebrou três contratos de licenciamento de uso de marcas visando a exploração destas na produção e comercialização de seus produtos no país: 3.1. Licença para uso da marca “Logotipo 3M”; 3.2. Licença para marca “The Power Brand Trademarks”; 3.3. Licença para “Outras Marcas”. 4. Salienta que foi por meio da Portaria nº 803, de 20/09/2000, que foi concedido o benefício fiscal previsto no Decreto 949/1993, art. 13, V, referente a crédito de 50% do IR retido na fonte incidente sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial; 5. Tais contratos foram devidamente averbados junto ao INPI e são completamente independentes entre si, pois tem como objeto o licenciamento de marcas distintas; 6. Ao longo dos anos a recorrente sempre possuiu direito a crédito de IRRF sobre as remessas ao exterior a título de royalties, na forma da legislação vigente. Ocorre que com a edição da Lei nº 11.196/2005, a recorrente migrou do PDTI para regime específico previsto na mencionada lei. 7. Observa que os critérios e condições para o contribuinte usufruir o crédito de IRRF permaneceram inalterados. Apenas os percentuais sofreram alterações para 20% até o ano de 2008 e 10% de 2009 a 2013; Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 8. Especificamente, o art. 17, V, da Lei n.º 11.196/2005, que entrou em vigor a partir de janeiro de 2006, conferiu expressamente o direito ao crédito sobre o IRRF retido e pago sobre remessas ao exterior a título de royalties e outros direitos em virtude da transferência de tecnologia; 9. O Decreto n.º 5.798/2006, art. 3º, §4º dispôs expressamente que o crédito de IRRF a que se refere o inciso V, do art. 17 da Lei n.º 11.196/2005 seria objeto de restituição em moeda corrente, conforme disposto em ato normativo do Ministério da Fazenda (MF). 10. Entretanto, em que pese a previsão expressa contida na Lei n.º 11.196/2005 e no Decreto n.º 5.798/2006, a única norma infralegal expedida referente à forma de aproveitamento desse crédito só veio a ser editada em 30/08/2011 (Portaria MF n.º 426/2011), ou seja, cinco anos após a edição da lei e quase 3 anos depois da entrega do PER/DCOMP. Este ato previu expressamente qual seria a forma de aproveitamento do crédito de IRRF previsto na lei. 11. Até aquele momento a única forma possível de aproveitamento do crédito era o pedido de restituição. Foi neste contexto que a requerente apresentou o referido PER/DCOMP; 12. A requerente cumpre concretamente todas as condições elencadas na Portaria MF n.º 426/2011 no caso concreto e este fato evidencia o direito aos créditos pleiteados; 13. Além de não avaliar o contexto fático e jurídico do caso, o Despacho Decisório fez uma interpretação restritiva do art. 165 do CTN; 14. A Instrução Normativa SRF nº 267/2002, art. 41, §2º expressamente previa que “a restituição de crédito de IRRF será paga em moeda corrente, a pedido das empresas titulares de PDTI ou PDTA, no prazo de trinta dias contados da data de entrada do pedido, observadas as demais normas aplicáveis às restituições de tributos e contribuições administrados pela SRF.” 15. Outra questão relevante é que o Ato Normativo do INPI nº 135, de 15/04/1997, estabelece que o INPI averbará ou registrará conforme o caso os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas...). Por conseguinte, a legislação vigente determina que os contratos de licença de marca são contratos de transferência de tecnologia; 16. A requerente juntou a estes autos os contratos devidamente averbados junto ao INPI que ensejaram o recolhimento de IRRF e diante da documentação acostada, é incontestável seu direito aos créditos pleiteados, protestando pela realização de diligências para produção de provas caso os julgadores entendam que os documentos acostados aos autos não sejam suficientes. 17. Concluindo, a requerente argumenta que já usufruía do benefício de crédito de IRRF previsto no PDTI, concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia por meio das Portarias nº 200/1997 e 803/2000, que possuem as mesmas condições de aproveitamento dos benefícios previstos na Lei n.º 11.196/2005. Em resumo, a requerente alegar que: 17.1. Efetuou regularmente o recolhimento de IRRF incidente sobre a remessa de royalties ao exterior; Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 17.2. Os contratos que ensejaram o aproveitamento de créditos de IRRF foram devidamente averbados no INPI e importam transferência de tecnologia; 17.3. A recorrente realizou dispêndios em projetos de pesquisa no Brasil em montante correspondente ao dobro do benefício auferido; 17.4. A recorrente prestou as informações relativas ao seu projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia; 17.5. A recorrente atende aos requisitos exigidos pela Lei nº 11.196/2005 para gozar do incentivo de crédito de IRRF previsto em seu art. 17, V; 18. Levando-se em consideração todas as informações e documentos anexados entende ter demonstrado seu direito aos créditos de IRRF solicitados no PER/DCOMP e requer seja conhecida e totalmente provida a presente Manifestação de Inconformidade, ainda que seja necessária a baixa do processo em diligência para produção de perícia. 19. Para fins de perícia, a recorrente indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. 20. Consignou também na manifestação de inconformidade os dados bancários da empresa recorrente para fins de restituição. Por sua vez, a decisão de primeira instância, ainda que tenha reconhecido que a Interessada demonstrou que havia cumprido os requisitos materiais para gozo do regime especial (PDTI), negou a Manifestação de Inconformidade sob o argumento de que a portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia nº 803 de 28 de setembro de 2000 estendeu o benefício do incentivo fiscal apenas até 18 de junho de 2002, logo, a Contribuinte não fruía mais deste regime especial no período referência da PER apresentada. Por sua vez a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário visando a comprovação de que ainda estava em vigor o regime especial suscitado nos mês indicado no PER apresentado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF. Ressalvo que a decisão consagrada no paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pelo que adoto o entendimento que prevaleceu no colegiado, consignado no Acórdão nº 1401-003.939, de 12 de novembro de 2019, paradigma desta decisão, que passo a reproduzir. Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de validade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, o presente feito se debruça sobre pedido de restituição da Recorrente de crédito incentivado de IRRF sobre remessa de royalties ao exterior no âmbito do Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial – PDTI, instituído pela Lei 8.661/93. Segue transcrição do art. 4º, inciso V da citada lei: Art. 4º Às empresas industriais e agropecuárias que executarem PDTI ou PDTA poderão ser concedidos os seguintes incentivos fiscais, nas condições fixadas em regulamento: V - crédito de cinqüenta por cento do Imposto de Renda retido na fonte e redução de cinqüenta por cento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativos a Títulos e Valores Mobiliários, incidentes sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial;(Vide Lei nº 9.532, de 1997) § 3º Os benefícios a que se refere o inciso V somente poderão ser concedidos a empresa que assuma o compromisso de realizar, durante a execução do seu programa, dispêndios em pesquisa no País, em montante equivalente, no mínimo, ao dobro do valor desses benefícios. Posteriormente houve a redução dos percentuais para 30% no caso de fatos geradores ocorridos entre 1998 e 2003, 20% entre 2004 e 2008 e 10% de 2009 a 2013 sem alterar as condições de fruição do benefício, conforme Lei 9.532/97 que transcrevo: Art. 2º Os percentuais dos benefícios fiscais referidos no inciso Ie no§ 3º do art. 11 do Decreto-Lei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, com as posteriores alterações, nos arts. 1º, inciso II,19e23, da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, e no art. 4º, inciso V, da Lei nº 8.661, de 02 de junho de 1993, ficam reduzidos para: I - 30% (trinta por cento), relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003;(Vide Medida Provisória nº 2.199-14, de 2001) II - 20% (vinte por cento), relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III - 10% (dez por cento), relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. Tal beneficio foi regulamentado originalmente pelo Decreto nº 949/93. Segue os dispositivos que se aplicam ao caso: Regulamenta a Lei nº 8.661, de 2 de junho de 1993, que dispõe sobre os incentivos fiscais para a capacitação tecnológica da indústria e da agropecuária e dá outras providências. Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 Art.13. As empresas titulares dos PDTI ou PDTA poderão usufruir dos seguintes incentivos fiscais, quando expressamente concedidos pelo MCT: I - dedução, até o limite de oito por cento do Imposto de Renda (IR) devido, de valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto à soma dos dispêndios com atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico industrial e agropecuário, incorridos no período-base, classificáveis como despesas pela legislação desse tributo, inclusive pagamentos a terceiros, na forma prevista no art. 8º, podendo o eventual excesso ser aproveitado no próprio ano- calendário ou nos dois anos-calendário subseqüentes; ... V - crédito de cinqüenta por cento do IR retido na fonte e redução de cinquenta por cento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF), incidentes sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial; ... Parágrafo único. Na apuração dos dispêndios realizados em atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico industrial e agropecuário, não serão computados os montantes alocados, como recursos não reembolsáveis, por órgãos e entidades do poder público. .. Art. 20. Os incentivos fiscais dos incisos III e IV do art. 13 não serão concedidos simultaneamente com os previstos no inciso V do mesmo artigo. Art. 21. Quando o pleito contemplar os incentivos fiscais de que tratam os incisos V ou VI do art. 13, o PDTI ou PDTA deverá ser apresentado com a cópia da averbação dos contratos de transferência de tecnologia pelo Instituto de Propriedade Industrial (INPI). Art. 22. Os incentivos fiscais de que trata o inciso V do art. 13 somente serão concedidos à empresa que assumir o compromisso de realizar, na execução do PDTI ou PDTA, dispêndios em pesquisa e desenvolvimento, no País, em montante equivalente, no mínimo, ao dobro do valor desses incentivos, atualizados monetariamente. Art. 23. O crédito do IR retido na fonte, a que se refere o inciso V do art. 13, será restituído em moeda corrente, dentro de trinta dias de seu recolhimento, conforme disposto em ato normativo do Ministério da Fazenda. No caso, o ato normativo a que se refere o art. 23 supra é a Portaria MF nº 267/96, que definiu as condições para gozo do incentivo, conforme segue: PORTARIA MF Nº 267, DE 26 DE NOVEMBRO DE 1996 "Dispõe sobre a restituição de 50% do IRRF à empresas titulares de PDTI ou PDTA." Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, INTERINO, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 23 do Decreto nº949, de 5 de outubro de 1993, resolve: Art. 1ºA restituição de 50% (cinqüenta por cento) do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de "royalties", de assistência técnica, científica e de serviços técnicos especializados, previstos em contratos averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial, será paga em moeda corrente, a pedido das empresas titulares de Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI, ou de Programa de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário PDTA, no prazo de trinta dias, contados da data de entrada do pedido. Art. 2ºO pedido deverá ser dirigido à Unidade Local da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o domicílio fiscal da requerente, com a informação do número da conta-corrente e agência bancária em que a interessada deseja receber o crédito da restituição, anexado dos seguintes documentos. I - segunda via do Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF, autenticada mecanicamente, comprovando o recolhimento do imposto; II - certificado de averbação expedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI; III - portaria expedida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT, atestando que a empresa está habilitada ao benefício, com indicação da data de sua publicação no Diário Oficial da União; IV - certidões negativas expedidas pela Secretariada Receita Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, conforme estabelece, respectivamente, o art.60 da Lei nº9.069, de 29 de junho de 1995, e art. 84, inciso I, alínea "a", do Decreto nº612, de 21 de julho de 1992; V - comprovante dos valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes no exterior. Art. 3º Reconhecido o direito creditório, a restituição será paga, através da emissão de Ordem Bancária - OB, em favor do interessado. Pois bem, estabelecido as bases legais pertinentes a matéria sob análise, passamos a análise do caso concreto. A Recorrente cumpriu os requisitos dos incisos I e II do dispositivo retro juntando aos autos os respectivos documentos, tal circunstância foi reconhecida pela própria decisão de primeira instância. Quanto a habilitação expedida pelo MCT por meio de portaria, conforme disposto no inciso III supra, a Recorrente havia apresentado em primeira instância apenas a Portaria MCT nº 803 de 28/09/2000 que concedeu o incentivo previsto no inciso V do art. 13 do Decreto 949/93 até a data de 18/06/2002, in verbis: Portaria MCT nº 803, de 28 de setembro de 2000 (...) Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 Art. 2º O prazo para a fruição do incentivo fiscal de que trata o artigo anterior inicia-se na data de publicação desta Portaria e estende-se até 18 de junho de 2002. Neste ponto surge a divergência da Recorrente para com a decisão recorrida. Conforme constou da decisão atacada, não fora anexado aos autos qualquer outro ato autorizativo do MCT prorrogando o prazo de fruição deste benefício. Como o período de recolhimento do IRRF que a Recorrente busca a restituição ultrapassa esta data, seu pleito foi indeferido. Contudo, em sede de Recurso Voluntário a Interessada trouxe que em 06/05/2003 foi publicado a Portaria MCT nº 203/03 aprovando novo PDTI em favor da Recorrente nos termos que transcrevo: PORTARIA Nº 203, DE 30 DE ABRIL DE 2003 Dispõe sobre a aprovação do Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI de titularidade da empresa 3M DO BRASIL LTDA e concede os incentivos fiscais que especifica. O Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto nos arts. 5º, "caput", e 30 do Decreto nº 949, de 5 de outubro de 1993, as alterações da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, resolve: Art. 1º Aprovar o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI de titularidade da empresa 3M DO BRASIL LTDA, inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda sob o nº 45.985.371/0001-08, de acordo com o Processo MCT/SEPTE nº 01.0002/03, e conceder-lhe, para a aprazada e fiel execução do referido Programa, os seguintes incentivos fiscais: I - dedução, até o limite de quatro por cento do Imposto de Renda - IR devido, de valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto à soma dos dispêndios com atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico industrial, incorridos no período base, classificáveis como despesas pela legislação desse tributo, inclusive pagamentos a terceiros, na forma prevista no art. 8º do Decreto nº 949/93, podendo o eventual excesso ser aproveitado no próprio ano-calendário ou nos dois anos-calendário subseqüentes, no valor de até R$ 2.079.503,00; II - crédito de trinta por cento do IR retido na fonte e redução de vinte e cinco por cento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários incidentes sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de "royalties", de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial, no valor de até R$ 2.440.000,00. Art. 2º O prazo para a fruição do incentivo fiscal de que trata o artigo anterior inicia-se na data de publicação desta Portaria e estende-se por sessenta meses. Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 (...)” (grifou-se) Note-se que a portaria acima determina um prazo de 60 meses para concessão do incentivo em questão, logo a Recorrente poderia usufruí-lo até a data de 30/04/2008. Ainda, conforme portaria anexa aos autos de nº 10830.907977/2012-82 , julgado nesta mesma sessão, tem-se que foi publicada em 12/03/2007 a Portaria MCT nº 133/07 revogando a de nº 203/03 supra citada, a pedido da própria Recorrente face a sua migração para o regime especial regido pela Lei 11.196/2005, conhecida como “Lei do Bem”. Desta forma tem-se que no período compreendido entre 06/05/2003 até 11/03/2007 a Recorrente efetivamente gozava do direito aos benefícios fiscais do PDTI, instituído pela Lei 8.661/93. Ao contrário do constatado na decisão de primeira instância. Outrossim, importa dizer que os recolhimentos de IRRF objetos do presente pedido de restituição foram feitos sob o código 0422, específico para Royalties e Pagamento de Assistência Técnica, tendo como fato gerador importâncias pagas, remetidas, creditadas, empregadas ou entregues a residentes ou domiciliados no exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de: - pagamento de royalties para exploração de patentes de invenção, modelos, desenhos industriais, uso de marcas ou propagandas; - remuneração de serviços técnicos, de assistência técnica, de assistência administrativa e semelhantes; - direitos autorais, inclusive no caso de aquisição de programas de computador (software), para distribuição e comercialização no Brasil ou para uso próprio, sob a modalidade de cópia única, exceto películas cinematográficas. Em outras palavras, como bem asseverou a decisão de piso, trata-se de um código específico para remessas ao exterior de royalties e pagamentos de assistência técnicas. Assim, tem-se que os recolhimentos objetos da PER se enquadram efetivamente nas hipóteses do regime especial concedido à Recorrente. Diante deste cenário, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente usufruir do direito creditório oriundos do PDTI sobre os recolhimentos de IRRF referentes ao período de 06/05/2003 a 11/03/2007. É como voto. Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0520.20393.4PAC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VILMA SANTOS DA GRACA em 09/01/2020 11:02:00. Documento autenticado digitalmente por VILMA SANTOS DA GRACA em 09/01/2020. Documento assinado digitalmente por: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES em 10/01/2020. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 30/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP30.0520.20393.4PAC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 40A06EF5B14914FAB018E2EFF90A711D2BAF7F3AAB29443BDC00E9BDC363C41F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10830.909154/2012-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 35554.005633/2006-26
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004
De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto n° 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá
obrigatoriamente a disposição legal.
Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito-prejuízo.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a nulidade por vício formal, declarada no acórdão recorrido, em decorrência de ausência de fundamentação legal do arbitramento e por não ter sido mencionado
o fato de ter sido adotado o procedimento de arbitramento para apuração do crédito tributário, devendo o colegiado a qua apreciar as demais matérias do recurso. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto n° 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito-prejuízo. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a nulidade por vício formal, declarada no acórdão recorrido, em decorrência de ausência de fundamentação legal do arbitramento e por não ter sido mencionado o fato de ter sido adotado o procedimento de arbitramento para apuração do crédito tributário, devendo o eolegiado a qua apreciar as demais matérias do recurso. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffinann, ( arcos Candi idente em exercício Elias Sampaio Freire — Relator 1.1(!EDITADO EM: ' 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffinarm (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Damião Cordeiro de Moraes, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional sob o fundamento de que, em decisão não unânime, houve anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, ao argumento de existência de vício formal insanável, assim ementado: NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD VICIO INSANÁVEL. NULIDADE: A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito- NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fimdamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito-ELA determina a nulidade do lançamento, por caracterizar-se como vício insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70. 235/72 , RELATÓRIO FISCAL DO NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES, O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela ,fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório, Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação.. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO NOTIFICAÇÃO, É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, 2 3 Processo n° 35554.005633/2006-26 Acórdão n ° 9202-01.053 CSRF-T2 Fi 2 complementar o Relatório Fiscal dou FLD, trazendo as normas legais e/ou critérios de apuração utilizados pela .fiscalização na constituição do crédito previdenciário, que não foram expiicitauos naqueles anexos, e que deram causa ao cerceamento de defesa do contribuinte Processo anulado. A Fazenda Nacional alega em síntese que a) sucede da leitura detida da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, bem como do Relatório Fiscal de Notificação e demais termos que acompanham o procedimento fiscal, conclui-se que está em plena conformidade com o Decreto n° 70.235/72 e a Lei n° 8,212/91; e b) a descrição pormenorizada dos fatos, como a metodologia utilizada para cálculo e constituição do crédito previdenciário, bem corno qualquer elemento essencial encontram-se no processo, não restando evidências de situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. O contribuinte, cientificado do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, apresentou contra-razões. Argumentando em síntese que a fiscalização deixou de mencionar no Relatório Fiscal de Notificação o fato de ter adotado o procedimento de arbitramento para apuração do crédito tributário e também não informou o dispositivo legal que o embasaria. É o relatório, Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Entendo que o recurso especial preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele torno conhecimento. A questão controvertida posta à apreciação diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência da ausência da expressa fundamentação legal do arbitramento procedido e, ainda, não ter mencionado o fato de ter sido adotado o procedimento de arbitramento para a apuração do crédito tributário. No passado, por diversas vezes me manifestei pela nulidade de lançamentos fiscais que não apresentassem a expressa menção ao arbitramento, Aliás, este entendimento encontrava-se consolidado no âmbito das câmaras com competência para julgar os processos administrativos fiscais referentes às contribuições previdenciárias, desde que esta competência era exercida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS, que aprovou o enunciado n° 29: "Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito - FLD ou no Relatório Fiscal - REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento" Entretanto, a jurisprudência firmada no âmbito do CARF, no sentido de que não há nulidade sem prejuízo me fez reavaliar a questão. O seguinte precedente ilustra o entendimento dominante no CARF: NULIDADE - ENQUADRAMENTO LEGAL - Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do auto de infração findado na deficiência de enquadramento legal, quando os elementos contidos em termo, expressamente referido como parte integrante e indissociável da peça acusatória, e utilizado pela própria Impugnante em sua defesa, supre suficientemente falha porventura ocorrida, Se não há prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, o enquadramento legal da exigência, ainda que incompleto, não enseja a decretação de sua nulidade. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento.(Acórao 108-07651 da 8 Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Relatora: conselheira Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto) Modernamente, o direito processual, inclusive o administrativo fiscal, tem como primado a efetividade da tutela dos direitos assegurados, adotando a vertente de instrumentalidade do processo à persecução do direito material deduzido. As formalidades desmotivadas foram substituídas pela instrumentalidade e busca da eficiência na prestação jurisdicional. Ada Pellegrini Grinover sustenta que "a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação."1 Afirma, ainda, a referida autora que "o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão-somente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida".2 As formas do processo são meios para alcance da tutela jurisdicional. Caso a tutela jurisdicional pretendida seja alcançada, mesmo em detrimento das formas legalmente exigidas, não há nulidade. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Ou seja, podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art, 10, IV do Decreto n° 70,235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. 1 Ada Pellegrini Grinover e outros; As Nulidades no Processo Penal; São Paulo, p 26 2 Idem, p 27 '\Ç 4 Processo n° 35554.005633/2006-26 Acórdão n ° 9202-01.053 CSRF-T2 F1 3 Assim sendo, em atendimento ao princípio do pas de nullité sans grief, a invalidade processual há de ser entendida como urna sanção que somente será aplicada caso se constate a presença do binômio defeito e prejuízo, devendo o último ser entendido como obstáculo ao alcance da finalidade do ato processual. Isto é, não há de ser declarada a nulidade de ato processual se este não causa prejuízo a alguém, já que o processo, como meio de pacificação dos conflitos sociais, nada mais é do que o instrumento para efetivação do direito. Marcos Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, citando Ada Pellegrini Grinover lecionam: "Assim, antes de se anular o ato processual, é preciso examinar a possibilidade de se aproveitar o ato realizado, eliminando-se ou superando-se o vício que, sobre ele, pesa. Para Ada Pellegrini Grinover, "a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção,' o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação". Com efeito, é inútil, do ponto de vista prático, anular-se ou se decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. Afirma, ainda, a renomada autora que "o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema das nulidades e decorre da idéia geral de que as . formas processuais representam tão- somente um instrumento para a correta aplicação do direito, sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a . forma foi instituída estiver comprometida. Com efeito, a atipicidade do ato não conduz necessariamente ao pronunciamento de sua nulidade, Se o ato defeituoso alcançou os . fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido, São atos ineramente irregulares que não sofreram a sanção de ineficácia. Nessa linha, a nulidade não deve ser declarada em todos os casos em que o julgador se defronta com vício formal no ato de lançamento, só nos casos em que está configurado prejuízo às partes ou ao sistema processual." No presente caso, o contribuinte sequer argüiu a nulidade do lançamento, o que nos faz inferir que este não se sentiu prejudicado em sua defesa ante a ausência da expressa fundamentação legal do arbitramento procedido e, ainda, não ter sido mencionado o fato de ter sido adotado o procedimento de arbitramento para a apuração do crédito tributário. Tendo a nulidade por vício formal sido declarada de oficio pela câmara a quo. Destarte, não obstante a existência de vicio formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito-prejuízo. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL, DA FAZENDA NACIONAL, para afastar a nulidade por vício formal declarada no acórdão recorrido, em decorrência da ausência de fundamentação legal do arbitramento e não ter sido mencionado o fato de ter sido adotado o procedimento de arbitramento para a apuração do crédito tributário, devendo o colegiado a qua apreciar as demais matérias pertinentes ao recurso voluntário interposo pelo contribuinte. Elias Sarnímio Freire 6
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Numero do processo: 13876.000337/2007-44
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. DIFERENÇA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº
8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante 08, disciplinando a matéria, In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, por maioria de votos, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciáiias incidentes sobre a remuneração reconhecida
(salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante para aplicação do instituto, os quais se quedaram às conclusões do Conselheiro Relatar em virtude de aludido fato.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.100
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. DIFERENÇA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante 08, disciplinando a matéria, In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, por maioria de votos, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciáiias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante para aplicação do instituto, os quais se quedaram às conclusões do Conselheiro Relatar em virtude de aludido fato, Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, BarretoCarlos A Zresidente 5 1110\1 1 2010 Ryeardo HYrin ue Magalh-c EDITADO EM: Magalh- es de Oliveira — Relator Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conklheiro FranÁisco Assis de Oliveira Junior, Part'ciparar , do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), s Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.. Relatório LOJAS CEM S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.906.525-2, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes a parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas (salário-indireto) aos segurados contribuintes individuais (autônomos) e empregados, assim caracterizadas as importâncias concedidas à parte dos funcionários a título de plano de saúde, em desacordo com a legislação de regência que exige a extensão à totalidade dos segurados e dirigentes, em relação ao período de 07/1996 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal, às fis, 54/56. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da SRP em Sorocaba/SP, DN n° 21.038/0129/2007, às fis, 173/185, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 6" Câmara, em 07/10/2008, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão n° 206-01.352, com sua ementa abaixo transcrita: " Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração.' 01/07/1996 a 31/12/2005 PREPIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SALÁRIO INDIRETO - SEGURO SAÚDE DESCUMPRIMENTO DA LEI — NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - CO-RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS A não impugnação expressa dos „fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, invertendo neste caso o ônus da prova. 2 Processo n° 13876 000337/2007-44 Acórdão ii" 9202-01.100 CSRF-T2 H. 2 A assistência médica fornecida ao empregado, só não será considerado _salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos lermos do art. 28, "q" da lei, ou seja: "q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, ácidos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9528, de 10/12/97) Entendo que a verba assistência médica possui natureza salarial, ainda mais pelo fato de não ter havido a niesma cobertura a todos os empregados da empresa, o que alegado pelo próprio recorrente. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas ekncou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos . falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO, NFLD DECADÊNCIA. 05 ANOS. I - Na esteira da .jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior . de Recursos Fiscais, é de 05 anos a decadência das contribuições sociais. II - Tratando-se de tributação de salário indireto, a decadência reger-se-á pela regra do § 4° do art. 150 do CTN, uma vez que ocorrida a antecipação de recolhimentos em relação à folha de pagamento normal. Recurso Voluntário Provido em Partel ..] Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às tis, 241/262, com animo no artigo 7°, inciso 11, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos n's 301-33,233, 205-01310, 205-01-257, 204-0.2.061, dentre outros, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, eis que exigem, para aplicação do prazo decadencial do artigo 150, § 4', do CTN, a existência de antecipação de pagamento, o que não se vislumbra na hipótese vertente, impondo seja adotado o prazo inscrito no artigo 17.3, inciso I, do mesmo Diploma Legal, Infere que a jurisprudência deste Colegiada, corroborada pelo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 40, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõe-se ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 40, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de oficio previsto no artigo 150, § 4', do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso 1, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, aduz que para interpretação dos dispositivos legais que tratam da decadência impõe-se observar/verificar se houve pagamento de parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos, afastando o entendimento que a concepção de que as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados devem ser analisadas como um todo, como se verifica do posicionamento consolidado na 1a Turma Ordinária da 3' Câmara da 2' Seção do CARF, traduzido no Acórdão n° 205-01.257. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do deciswn ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4 0 Câmara da 2 Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas a respeito do prazo decadencial, consoante se positiva do Despacho n" 2400-265/2009, às fls. 269/270. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 281/294, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, sobretudo quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. Igualmente, a contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fis. 298/315, contra parte do Acórdão guerreado, mais precisamente em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a titulo de Plano de Saúde, não tendo obtido êxito em sua empreita, notadamente quanto aos pressupostos de admissibilidade de sua peça recursal, a qual não fora admitida nos termos do Despacho n° 2400-31/2010 de fi. 327, ratificado pelo Despacho n° 2400-68W2010, de E. 328, da lavra do Presidente da CSRF. É o relatório. 4 Processo n" 13876,000337/2007-44 Acórdão n." 9202-01.100 CSRF-12 Fl 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4" Câmara da 2" Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, trata-se de notificação fiscal exigindo contribuições previdenciárias incidentes sobre as importâncias concedidas aos contribuintes individuais e segurados empregados da notificada a título de Plano de Saúde, o qual não fora estendido à totalidade dos funcionários, contrariando a legislação de regência, configurando, por conseguinte, salário indireto. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, aplicando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4", do Código Tributário Nacional, restando decaído parcialmente o crédito tributário. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida nos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4", do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei n° 8212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados; 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, 1" Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: "Art. 17.3, O direito de a Fazenda Publica constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [ Com mais especificidade, o artigo 150, § 4', do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributas cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [ § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato geradot expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do terna, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8,212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n" 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: "Súmula n" 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4", do CTN, 6 Processo n" 13876000.337/2007-44 Acórdão n " 9202-01.100 CSRF-T2 El 4 independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante n° 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4 0, ou 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional, Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco torna a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte torna a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias, Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4', do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 40, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 17.3, inciso 1, do mesmo Diploma Legal, Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, cru verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não,. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei., E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? 7 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4", do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância.. Neste último caso, promover o lançamento de oficio da importância que imputar devida. Aliás, corno afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4', do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso 1, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4", Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso 1, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4 0, do CT'N quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso 1, Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 40, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, •or trata-se de salário indireto I ortanto diferen as de contribuições, tur...a=1....._te a contribuinterg_grnito das contribuiçõesões incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles gue sustentam ser determinante à aplicação do instituto entendimento não compartilhado por este Conselheiro. Assim, ocorrendo à comprovação de recolhimentos, em virtude dos fatos encimados, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua maioria, pela aplicação do artigo 150, § 4", do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem nesse sentido. Dessa forma, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 40 , do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacifica e doutrina majoritária. 8 Processo n" 13876 000337/2007-44 Acórdão n " 9202-01.100 CSRF-T2 Fl 5 Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 04/1212006, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 07/1996 a 11/2001, os quais se encontram fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 6" Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas, Rycardo e LPi wique Magalhães de Oliveira 9
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Numero do processo: 19991.000150/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.532
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ODASSIR GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente processo e o que está a ele apensado, de nº 19991.000141/2009 81, de Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento de créditos da Cofins e do PIS/Pasep vinculados às receitas de exportação, formulados, respectivamente, nos termos do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, e entregues em 26/10/2007, relativamente aos períodos de apuração de abril a junho de 2007, no valor de R$ 167.827,41 e de R$ 36.436,22. Não constam dos autos quaisquer pedidos de compensação de débitos. Fiandose em dois termos de constatação elaborados pelas suas seções de fiscalização e de arrecadação a DRF em Poços de Caldas/MG elaborou Despacho Decisório indeferindo totalmente ambos os pleitos. De acordo com as autoridades fiscais, as operações de compra de café e que ensejaram a apuração de parte dos crédito postulados deramse junto a empresas consideradas inidôneas, porquanto em trinta e uma delas foram encontrados fortíssimos indícios de sua inexistência de fato, bem como de que se mostraram contumazes no não recolhimento de tributos e no descumprimento de suas obrigações acessórias. A conclusão da fiscalização é de que, na verdade, o café era adquirido junto a produtores rurais, pessoas físicas, os quais se valeriam de notas fiscais “de favor”, emitidas pelas referidas pessoas jurídicas tidas como inidôneas. Além disso, também não poderiam ser reconhecidos os créditos originados das compras junto a empresas cooperativas e a pessoas físicas, as quais, fosse o caso, ensejariam o direito na modalidade do “crédito presumido – atividades agroindustriais”, o qual, por sua vez, somente poderia ser utilizado para reduzir o montante das contribuições devidas, ou seja, não poderiam ser ressarcidos. Mas, mesmo assim, a interessada não preencheria os requisitos para tanto, especialmente pelo fato de não poder ser considerada como uma empresa agroindustrial. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, preambularmente, suscitou a nulidade do referido Despacho Decisório sob o argumento de que a questão da inidoneidade das empresas fornecedoras estaria pendente de julgamento no processo administrativo nº 13656.000021/200666. Para tanto, invocou a regra contida na alínea "a" do inciso VI, do art. 265, do Código de Processo Civil, segundo o qual, na ocorrência de pendência processual que prejudique o julgamento de determinado processo em virtude de seu objeto estar condicionado ao julgamento de outra causa, haveria que se suspender o curso do processo pendente para aguardar o julgamento do outro. Além disso, clamou pelo prestígio aos princípios da economia, celeridade processual e no interesse das partes, para postular a suspensão do julgamento do processo. Lançou mão de argumentos nesse mesmo sentido em face de “compensações” que estariam na dependência do que restar resolvido no processo de reconhecimento do crédito. Defendeu a lisura de seus procedimentos relacionados às suas obrigações tributárias e argumentou não ser sua atribuição a verificação da idoneidade ou inidoneidade de seus fornecedores, tampouco acerca do cumprimento por parte destas quanto à entrega de suas declarações de imposto de renda, dos pagamentos de tributos etc.; antes da própria Receita Federal do Brasil. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 3 3 Ainda invocando a nulidade do despacho decisório, argumentou ser inaplicável ao caso a restrição imposta pelo § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (sic1). Apresentou também argumentos no sentido de defender o aproveitamento dos benefícios relacionados às aquisições de cooperativas e de pessoas físicas. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG indeferiu os pedidos contidos na Manifestação de Inconformidade em decisão assim ementada: “SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, tendo a administração pública o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. CRÉDITO BÁSICO Comprovado que a empresa adquiriu a mercadoria de produtores rurais (pessoas físicas), ela não faz jus ao crédito básico da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria o café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades previstas na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso Voluntário, a interessada praticamente repetiu a argumentação lançada em sua Manifestação de Inconformidade. 1 Nao há, no despacho decisório, qualquer menção a esse dispositivo, até porque o processo versa apenas sobre pedido de ressarcimento. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 4 4 No essencial, é o Relatório. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 16/05/2011, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 15/06/2011, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. As arguições de nulidade trazidas pela Recorrente, na verdade, e com a devida vênia, se confundem com as questões de mérito e como tal serão tratadas. Pedido de sobrestamento deste julgamento A Recorrente clama pelo sobrestamento do presente julgamento sob o argumento de que o mesmo possuiria dependência do que restar definitivamente decidido noutro processo, o de nº 13656.000021/200666, que, segundo ela, trataria da questão envolvendo a inidoneidade das empresas fornecedoras de café. Alega também que a instância de piso praticamente reconhecera essa dependência ao fundamentar o voto ora recorrido no que restara decidido pela DRJ naqueloutro processo. Outro argumento lançado pela Recorrente para postular o sobrestamento do presente julgamento é o de que em tendo sido apresentado recurso no processo que trata do pedido de restituição (sic), este manteria imediatamente a suspensão da exigibilidade do débito em razão de manter suspenso o julgamento do pedido de compensação (sic). Pois bem. Primeiramente, de se esclarecer , aliás, conforme já dito acima, que estes dois processos tratam tão somente de pedidos de ressarcimento de Cofins e de PIS/Pasep sob o regime da nãocumulatividade, não estando a eles atrelado qualquer pedido ou declaração de compensação, até porque referidos créditos [relacionados às operações com o mercado externo] só podem ser utilizados para deduzir o valor devido no mês a título das referidas contribuições e/ou serem ressarcidos. Assim, nenhuma dependência haveria entre estes dois processos e o invocado processo de nº 13656.000021/200666. Aliás, de pesquisa que efetuei junto ao sistema eletrônico de controle de processos do CARF, o eprocesso, verifiquei tratarse o de nº 13656.000021/200666 também de pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, porém, relativos aos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, de sorte que, repito, relação alguma possui com os dois processos objeto deste julgamento. Tampouco o julgamento em definitivo da matéria lá tratada no referido processo nº 13656.000021/200666 versando sobre as alegadas inidoneidades dos fornecedores de café à interessada poderia trazer qualquer contribuição ao presente caso ora em discussão, haja vista que os períodos e as circunstâncias são completamente distintos, não podendo ser aceito o argumento do Fisco de que os mesmos eventos ocorridos no passado tenham se repetido no presente caso; ao menos, sem a demonstração cabal de que isso realmente tenha ocorrido. Pelo exposto, ou seja, pela inexistência de qualquer relação entre os presentes processos e o de nº 13656.000021/200666, afasto o pedido de sobrestamento do presente julgamento. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 6 6 Glosas efetuadas pela fiscalização A motivação das glosas dos créditos da Cofins e do PIS/Pasep foram as mesmas, estando elas identificadas, ao menos as relativas à Cofins, no demonstrativo elaborado pela fiscalização à fl. 926. Nele podemos verificar que foram três os motivos das glosas realizadas, verbis: “(1) relatório fiscal da Seção de Fiscalização de fls. 913 a 917; (2) – compra de cooperativa não faz jus ao crédito ordinário, conforme relatório fiscal SARAC de fls. 918 a 925; e (3) relatório fiscal da Seção de Arrecadação e Cobrança (Sarac) de fls. 918 a 925” Glosas do “tipo (1)” Comecemos pelas glosas fundadas no “relatório fiscal da Seção de Fiscalização de fls. 913 a 917”. Isto é, consoante se observa no referido quadro de fl. 926, na coluna ao lado das glosas realizadas, a glosa do tipo “(1)” referese às aquisições de café cru em grão junto à empresa Cerealista do Carmo Sul Ltda. havidas no mês de junho de 2007. E assim foi ela fundamentada pelo Fisco, verbis: “5. Cerealista Carmo Sul Ltda. Em contato com a fiscalização da DRF/Varginha que jurisdiciona a empresa, confirmamos a sua existência. Assim, selecionamos as notas fiscais de venda a ITAPORANGA, no período, anexo 04, fls. 1540, e elaboramos uma intimação, para que fossem apresentadas as comprovações dos pagamentos recebidos pela empresa, fls. 359366. Como não houve resposta à intimação, os pagamentos não foram confirmados. Então, elaboramos uma Representação, fls. 365, visando abertura de fiscalização na empresa” Na verdade, é preciso esclarecer que o trecho acima reproduzido foi retirado de um “Termo de Constatação Fiscal” lavrado em 22/10/2008, cópia às fls. 913/917, e que trata das conclusões tiradas pela fiscalização quando da análise de pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e de Cofins constante de outro processo administrativo, mais especificamente falando, aquele acima referenciado, de nº 13656.000021/200666. Lá a fiscalização apontou uma série de irregularidades envolvendo as compras de café em grão por parte da interessada junto a diversos fornecedores, dentre os quais a referida Cerealista Carmo Sul Ltda., e concluiu pelo não reconhecimento dos créditos delas oriundos. Já no “Termo de Constatação Fiscal Sarac” (sic), lavrado em 08/10/2009 para apontar as constatações feitas em relação aos pedidos de ressarcimento objeto destes dois processos que nos interessam neste momento, fls. 918/926, colhemos os seguintes excertos: Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 7 7 “No trabalho anterior da fiscalização foram constatados fortíssimos indícios falta lisura de suas operações de compra, uma vez que seus principais fornecedores, para aqueles períodos, foram considerados empresas inidôneas, com indícios de terem sido abertas por interpostas pessoas (laranjas) e o resultado daquela fiscalização mostrou a estranha vocação da ITAPORANGA em realizar compras de empresas inidôneas (algumas flagrantemente "de fachada" por serem inexistentes de fato), descartandose qualquer hipótese de que a empresa ITAPORANGA pudesse ser compradora de boafé. (sic) (grifei) Na ocasião foram constatadas irregularidades das seguintes empresas fornecedoras da empresa ITAPORANGA, conforme consta no relatório da fiscalização acostado a este processo: [...] 5. Empresa Cerealista Carmo Sul Ltda., CNPJ 04.439.727/000120; [...]” Observese que, pelo fato de não ter apresentado os comprovantes de recebimento das vendas que realizara para a interessada, a Cerealista Carmo Sul Ltda. foi incluída no rol das empresas tidas como “inidôneas”, como sendo uma “flagrantemente de fachada” [quando, na verdade, a própria fiscalização atestou a sua existência], como “abertas por interpostas pessoas – “laranjas” – etc. Além disso, as referidas constatações acerca da alegada inidoneidade da empresa Cerealista Carmo Sul Ltda. foram colhidas no bojo de uma investigação que nada têm a ver com os dois processos em comento, sendo certo que serviram para motivar as glosas das compras no mês de junho de 2007. De outra parte e voltando para os presentes processos, observo que as cópias das duas notas fiscais da Cerealista Carmo Sul Ltda. objeto das glosas, encontramse às fls. 240 e 241, e que, em resposta à intimação para a apresentação das cópias dos cheques relacionados aos pagamentos, dentre outros, das referidas aquisições, a interessada diz ter apresentado, em seu lugar, “cópias contábeis” dos cheques e as respectivas fichas de fornecedores do razão contábil2. De todo modo, não cuidou a fiscalização de carrear para este processo elementos concretos capazes de desconstruir a legalidade das duas notas fiscais de aquisição apresentadas pela interessada junto à Cerealista Carmo Sul Ltda.. Não basta, a meu ver, a simples alegação de que, no passado, em outro caso, envolvendo outro período de apuração, a compra efetuada junto ao mesmo fornecedor, revelarase, ou melhor, parecera suspeita. Tampouco se tem nestes dois processos a informação acerca dos resultados da “fiscalização” que teria sido aberta junto à empresa Cerealista Carmo Sul Ltda. Ou seja, foi com base apenas nas conclusões tiradas pela fiscalização noutra auditoria fiscal envolvendo a interessada, mas em relação a outro período, é que se procedeu à glosa dos créditos originados das aquisições de café junto à Cerealista Carmo Sul Ltda. 2 Vide resposta à fl. 346. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 8 8 De todo modo, abstermeei, por ora, de emitir o meu entendimento sobre essa glosa, assim o procedendo em face da necessidade de se aguardar novas informações da Unidade de origem em relação às outras glosas efetuadas, consoante deliberação nos tópicos seguintes. Glosas do “tipo (2)” Tratemos agora das glosas do “tipo (2)”, que constam do referido quadro de fl. 926, e foram identificadas como sendo “compra de cooperativa não faz jus ao crédito ordinário, conforme relatório fiscal SARAC de fls. 918 a 925”. Nele, verificamos que as glosas se referem às notas fiscais de compra efetuadas junto às empresas que tinham a expressão “Cooperativa” à frente de suas respectivas denominações sociais. Pois bem. Referido relatório de fls. 918 a 925, é, na verdade, o Termo de Constatação Fiscal Sarac, lavrado em 08/10/2009, no bojo destes dois processos, em que a fiscalização, descartando a possibilidade de que o contribuinte pudesse aproveitar créditos originados das aquisições junto a empresas cooperativas, teceu, ad argumentandum, comentários sobre quais requisitos deveriam ser obedecidos para que as aquisições junto às cooperativas pudessem ensejar o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade, ou seja, somente na modalidade do “crédito presumido – atividades agroindustriais”. Mas, aduziu ela, nem mesmo nessa circunstância, isso seria possível à ora interessada, porquanto a fiscalização considerou ser ela uma agroindústria. Pelas mesmas razões expostas no tópico anterior, deixo, por ora, de pronunciar o meu entendimento quanto a este tema, o que se dará quando do retorno do processo a julgamento em face da diligência a ser proposta logo abaixo. Glosas do “tipo (3)” Por fim, tratemos das glosas do tipo “(3)”, denominada de “(3) relatório fiscal da Seção de Arrecadação e Cobrança (Sarac) de fls. 918 a 925” Neste caso, o quadro de fl. 926, indica terem sido glosadas as notas fiscais de aquisição de café cru em grão efetuadas junto às empresas: Cafeeira São Sebastião Ltda., Moura & Scalco Ltda., S.A. Silveira e Gildo Borges Siqueira. Reproduzo excertos do referido relatório de fls. 918 a 925, que, como já dito acima, tratase do “Termo de Constatação Fiscal Sarac” lavrado no bojo destes dois processos, e que contem a motivação dada pela fiscalização para a não aceitação das notas adquiridas de referidas empresas. à Cafeeira São Sebastião Ltda. “9. Empresa Cafeeira São Sebastião Ltda, CNPJ 00.837.387/000135: A empresa Cafeeira São Sebastião Ltda., CNPJ 00.837.387/000135 forneceu produtos (café) a empresa Itaporanga Comércio e Exportação Ltda, CNPJ Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 9 9 26.379.511/000150, nos anos de 2006, 2007 e 2008, gerando supostamente créditos de PIS e Cofins para a empresa Itaporanga. Com o intuito de verificar a existência de tais operações a referida empresa ( Cafeeira São Sebastião Ltda.) foi intimada a confirmar a real ocorrência das citadas operações e o efetivo recebimento dos correspondentes valores, tendo sido a intimação recebida pela empresa que, posteriormente, requereu dilação de prazo para apresentar os documentos requeridos em razão da dificuldade de localização destes e das informações das instituições bancarias envolvidas, todavia não foi apresentado qualquer documento, a esta DRF, até 01.09.2009. Tal empresa entregou Dacon e DCTF. para os períodos de apuração do 1O e 2O sem/2006 e 1º sem/2007, sem informação de qualquer débito e/ou valores. Já as DCTF do 2° sem/2007 e 2008 foram entregues com saldo a pagar, todavia conforme tela da pesquisa de situação fiscal da empresa não quitou qualquer destes débitos declarados, salvo tributos retidos na fonte, segundo tela do sistema sinal 06, tudo conforme consta do processo administrativo de representação para inaptidão do CNPJ e para autuação da omissão de receita supra citada de n° 19.991.000.510/2009 36. Ou seja, a citada empresa não recolheu, em 2006 a 2008. qualquer valor, a título de PIS/Pasep, COFINS, IRPJ. CSLL. gerando, desta forma, créditos de PIS e COFINS sem a devida contrapartida em respeito ao princípio da não cumulatividade, para a empresa Itaporanga. Ou seja, tratase de empresa omissa contumaz, razão pela qual foi aberto o processo de representação para inaptidão do CNPJ, supracitado, de sorte que sejam considerados inidôneos, nos termos do art. 48 da IN RFB n° 748/2007 e não produzam efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos por ela emitidos, para gerar créditos das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos, desde 01.07.2004.” à Moura & Scalco Ltda. “20. Empresa Caixeta & Scalco Com. Imp. Exp. de Café, CNPJ 05.409.671/000124: A empresa Caixeta & Scalco Com. Imp. Exp. de Café, CNPJ 05.409.671/0001 24 forneceu produtos (café) a empresa Itaporanga Comércio e Exportação Ltda, CNPJ 26.379.511/000150, no ano de 2007, gerando supostamente créditos de PIS e COFINS para a empresa Itaporanga. Com o intuito de verificar a existência de tais operações a referida empresa (Caixeta & Scalco Com. Imp. Exp. de Café) foi intimada, a confirmar a real ocorrência das citadas operações e o efetivo recebimento dos correspondentes valores, tendo sido a intimação recebida pela empresa, esta respondeu que realizou tais operações de venda e que recebeu o valor total de R$ 131.868,00 por tais operações. A citada empresa entregou DACON , DIPJ e DCTF , para os períodos de apuração em questão, sem informação de qualquer débito e/ou valores, tudo conforme consta do processo administrativo de representação fiscal. n° 19.991.000.511/200981. Ademais, tela do sistema de controle de pagamentos SINAL 06, do processo administrativo de representação para inaptidão do CNPJ , n° 19.991.000.511/2009 81, demonstra que a citada empresa não recolheu qualquer valor, a título PIS, COFINS , CSLL e IRPJ, no ano de 2007. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 10 10 Ou seja, empresa nunca recolheu qualquer valor a título de PIS, COFINS, todavia emite notas fiscais de vendas de produtos gerando desta forma, créditos de PIS e COFINS sem a devida contrapartida em respeito ao princípio da não cumulatividade, para a empresa Itaporanga. Isto posto protocolamos este processo administrativo de representação fiscal, n° 19.991.000.511/200981 com o fito de cientificar a SAFIS da DRF/Varginha/MG da citada omissão de receita e para as demais providencias que o caso requer.” à S.A. Silveira 10. Empresa S. A. SILVEIRA, CNPJ 07.336.072/000153: A empresa S.A. SILVEIRA, CNPJ 07.336.072/000153 forneceu produtos (café) a empresa Itaporanga Comércio e Exportação Ltda, C N P J 26.379.511/0001 50, nos anos de 2006 e 2007, gerando supostamente créditos de PIS e COFINS para a empresa Itaporanga. Com o intuito de verificar a existência de tais operações a referida empresa (S.A. SILVEIRA) foi intimada, a confirmar a real ocorrência das citadas operações e o efetivo recebimento dos correspondentes valores, todavia, não foi localizada no endereço informado no C N P J (inexistência de fato), tudo conforme consta do processo administrativo de representação para inaptidão do CNPJ. n° 19.991.000.429/200956, que foi aberto em virtude das inúmeras irregularidades constatadas com a citada empresa, conforme segue. A referida empresa está omissa de entrega de DIPJ, DCTF e DACON. nos anos de 2006 e 2007 (conforme consta do processo administrativo de representação para inaptidão do CNPJ , n° 19.991.000.429/200956). Ademais, tela do sistema de controle de pagamentos SINAL 06, constante do processo administrativo de representação para inaptidão do CNPJ, n° 19.991.000.429/200956, da conta de que a empresa S. A. Silveira, não recolheu, de 30.01.2004 a 12.08.2009 (mais de 5 anos), qualquer valor, a qualquer título. Ou seja, tratase de empresa omissa contumaz e inexistente de fato, razão pela qual foi aberto o processo de representação para inaptidão do CNPJ, supraciatado, de sorte que sejam considerados inidôneos, nos termos do art. 48 da IN RFB n° 748/2007 e não produzam efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos por ela emitidos, para gerar créditos das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos, desde 30.11.2004 (data de abertura da empresa).” à Gildo Borges Siqueira 21. Empresa Gildo Borges de Siqueira, CNPJ 02.675.896/000134: A empresa Gildo Borges de Siqueira, C N P J 02.675.896/000134 forneceu produtos (café) a empresa Itaporanga Comércio e Exportação Ltda, CNPJ 26.379.511/000150, no ano de 2007, gerando supostamente créditos de PIS e COFINS para a empresa Itaporanga. Com o intuito de verificar a existência de tais operações a referida empresa (Gildo Borges de Siqueira) foi intimada, a confirmar a real ocorrência das citadas operações e o efetivo recebimento dos correspondentes valores, tendo sido a intimação recebida em 20.07.2009 e sem resposta a esta DRF, até 01.09.2009. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 11 11 A citada empresa não entregou DACON, DIPJ e DCTF, períodos de apuração em questão, tudo conforme consta do processo administrativo de representação fiscal, nº 19.991.000.519/200947. Ademais, tela do sistema de controle de pagamentos SINAL 06, do processo administrativo de representação para inaptidão do CNPJ, n° 19.991.000.519/2009 47, demonstra que a citada empresa não recolheu qualquer valor, a título PIS, Cofins, CSLL e IRPJ, no ano de 2007. Ou seja, empresa nunca recolheu qualquer valor a título de PIS, COFINS, todavia emite notas fiscais de vendas de produtos gerando desta forma, créditos de PIS e COFINS sem a devida contrapartida em respeito ao princípio da não cumulatividade, para a empresa Itaporanga. Logo, concluise que, tratase de empresa omissa contumaz, razão pela qual foi aberto o processo de representação para inaptidão do CNPJ , supraciatado, de sorte que sejam considerados inidôneos, nos termos do art. 48 da IN RFB n° 748/2007 e não produzam efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos por ela emitidos, para gerar créditos das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos, desde 01.07.2004.” Observo ainda que a fiscalização deixou consignado no referido Termo de Constatação o seu entendimento de que no mercado envolvendo as transações com café as pessoas físicas passaram a valerse de artifícios fraudulentos, como o de forjar a existência de pessoas jurídicas, para que seus clientes pudessem se aproveitar dos créditos da não cumulatividade pelos percentuais máximos permitidos, e não apenas na forma do “crédito presumido das atividades agroindustriais”. Levou em conta também para a realização das glosas, a ausência da contrapartida dos recolhimentos das duas contribuições da parte dos fornecedores, o que restaria comprovado nas informações que colheu. De sua parte, e contra essas graves imputações, a Recorrente, em apertada síntese, alegou ser compradora de boafé e que não seria tarefa sua, e sim da Receita Federal, atestar a idoneidade dessas empresas, não podendo ela, a Recorrente, ser responsabilizada ou penalizada pelo alegado descumprimento das obrigações principais e acessórias junto ao Fisco dos seus fornecedores. Pois bem. Para a fiscalização a interessada adquiriria o café em grão junto pequenos produtores rurais, pessoas físicas, os quais, com o intuito de propiciar o aproveitamento de um valor maior a título de crédito do PIS/Pasep e da Cofins, emitiriam documentos fiscais de favor como se pessoas jurídicas legalmente estabelecida fossem. Tanto assim, que elaborou representações fiscais tendentes ao reconhecimento oficial e formal da inidoneidade de todos os documentos fiscais emitidos por essas empresas, nas quais apontava as mazelas perpetradas pelas mesmas. Essas representações fiscais foram autuadas em processos administrativos, os quais, consoante consulta que realizei no sistema Comprot do Ministério da Fazenda3, apontam: 3 http://comprot.fazenda.gov.br/egov/Cons_Generica_Processos.asp, em 05/07/2012. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000150/200972 Resolução n.º 3401000.532 S3C4T1 Fl. 12 12 Processo Empresa Andamento 19991.00019/200947 Gildo Borges Siqueira Arquivado em abril de 2012 19991.000429/200956 S.A. Silveira Arquivado em abril de 2012 19991.000511/200981 Moura & Scalco Ltda. Em andamento 19991.000510/200936 Cafeeira São Sebastião Ltda. Em andamento Mesmo para os processos de representação instaurados para a declaração da inaptidão dessas empresas e já “arquivados”, não se tem notícia nos presentes autos, porém, acerca do seu desfecho, isto é, não se sabe se foram expedidos, ou não, os atos declaratórios declarando a inidoneidade das notas fiscais de venda emitidas pelas respectivas empresas. Desta feita, temse, inegavelmente, que as glosas do “tipo (3)” foram efetuadas na presunção de que as empresas envolvidas eram inidôneas e que, portanto, seus documentos fiscais também o seriam, o que implicaria na impossibilidade de seu aproveitamento para gerar créditos para a interessada. Também me intriga o fato de que a fiscalização não teceu qualquer comentário acerca da comprovação, ou não, por parte da interessada, dos pagamentos das notas fiscais objeto das glosas, não obstante o documento de fl. 346 estivesse indicando que os mesmos foram apresentados ao Fisco. Em face do exposto, e por conta das dúvidas surgidas em relação a este item, voto pela conversão do presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem: a) colacione aos autos o resultado definitivo na esfera administrativa de cada uma das representações fiscais listadas na tabela acima; e b) manifestese sobre a confirmação, ou não, quanto à existência de comprovantes dos pagamentos das compras de café representadas pelas glosas em discussão do tipo (3), que constam do quadro de fls. 926. Conclusão Em face de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que sejam trazidos ao processo os resultados das representações fiscais voltadas para a decretação da inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelas empresas neles listadas e relacionados às glosas do “tipo (3)”, bem como para que sejamos informados acerca da comprovação dos pagamentos das aquisições de café por parte da interessada. A interessada deverá ser cientificada quanto ao resultado da presente diligência para que sobre os seus termos se manifeste, caso deseje, no prazo de trinta dias, ao final do qual o presente processo deverá retornar a este colegiado. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 37311.000421/2004-79
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2402-000.162
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente. Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 37311.000421/200479 Resolução n.º 2402000.162 S2C4T2 Fl. 952 2 RELATÓRIO Tratase de Embargos de Declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL em face do v. acórdão de 933/943, proferido por esta Eg. Turma, através do qual foi declarada a decadência da totalidade do crédito tributário lançado na NFLD combatida. Sustenta a embargante ter o acórdão incorrido em omissão, na medida em que, ao analisar a decadência, deixou de considerar que o lançamento objeto dos presentes autos é substitutivo e decorrente da NFLD 35.386.5990, anteriormente anulada por vício formal, através de decisão da Secretaria da Receita Previdenciária. Acresce que, uma vez considerado o caráter substitutivo da presente NFLD, a decadência não poderia ser reconhecida em sua totalidade, conforme restou entendido no julgamento do v. acórdão embargado. Prestadas as devidas informações à Eg. Presidência desta Turma, fora determinada a inclusão do recurso em pauta de julgamentos para análise das questões suscitadas pelo contribuinte. É o que bastava relatar. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 37311.000421/200479 Resolução n.º 2402000.162 S2C4T2 Fl. 953 3 VOTO CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Tem razão a embargante. Quando do julgamento do recurso voluntário, o qual se deu pelo rito determinado no art. 47 do Regimento Interno deste Eg. Conselho, tendo sido decidido com base no recurso padrão, fora declarada a decadência da integralidade dos períodos lançados na NFLD, uma vez estes se remetem ao período 05/94 a 07/98. De fato, em referido julgamento, não se considerou que a presente NFLD é substitutiva da NFLD n. 35.386.5990, a qual foi anulada por erro formal, por não constar de seu relatório fiscal a fundamentação legal do procedimento de aferição indireta. Ou seja, referida questão ficou omissa. Diante dos fundamentos constantes nos Embargos de Declaração, tal peculiaridade deverá ser considerada por este Eg. Conselho na análise da decadência, pois poderão haver períodos que não estejam fulminados pelo Instituto, nos termos do art. 173, II, do CTN, a seguir: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado Entretanto, ao analisar os autos do presente processo, apesar do próprio relatório fiscal fazer menção ao caráter substitutivo do lançamento, não constam maiores informações acerca do lançamento original e que tragam ao julgador a certeza na análise do termo inicial e final do prazo decadencial. Assim, reconhecendo, desde já a omissão apontada nos Embargos, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando a baixa dos autos, para que a autoridade competente informe a este Conselho, (i) qual a natureza das contribuições lançadas na NFLD 35.386.5990, apontando (ii) os período do lançamento efetuado, (iii) a data da cientificação do contribuinte, bem como (iv) a data em que foi preferida a decisão que anulou a NFLD 35.386.5990 e (v) a data em que se tornou definitiva referida decisão anulatória. Por fim, que faça juntar aos autos da presente processo cópia da NFLD 35.386.5990, bem como de seus anexos, inclusive o relatório fiscal. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 37311.000421/200479 Resolução n.º 2402000.162 S2C4T2 Fl. 954 4 Após, que seja o contribuinte intimado, para, querendo, em 30 (trinta) dias, apresentar manifestação sobre o resultado da diligência. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 99DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Numero do processo: 10845.003467/94-03
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 302-00.889
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: UBALDO CAMPELLO NETO
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Brasília-DF, em 18 de agosto de 1998 ~-D~A---- Presidente 1\ f',"OC"IlAi:'O":A.C:.RAL DA rAZ~~~:-.A""(IO"At C'oo.dena~ao-Gera' ,: r epr •• en~açao Extrajudicial "fO~;'~!'i.Em_._.J..í~ __.'1lL_ ~ ~ ~. ---LU-C1-A-N-A-C-OR-T-EZ-R-õftj'iPONiES ~ ~ • Procur.dOrO ..40 FIU.nda:tolllcIOnol ALDO CAMPELLO O Relator 1 50UT1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CIDEREGATTO, ELIZABETH MARIA VIOLATTO, RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e LUIS ANTONIO FLORA . tIne MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃON> RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.287 302-0.889 AQUATEC QUÍMICA S/A DRF/SANTOS/SP UBALDOCAMPELLONETO RELATÓRIO • • • • Retoma este processo de diligência determinada por esta Câmara, através da Resolução no 302-825/97, cujo relatório e voto têm o seguinte teor: "A empresa acima identificada importou, através da D.I040698/93, 13.000 kg. do produto identificado no quadro 11 da adição 001 da referida DI como sendo Álcool Graxo Ceto Estearílico (Álcool Graxo Industrial) de denominação comercial "HYDRENOL D", classificando-o no código tarifário 1519.20.9999 (alíquota de 0% tanto para o lI, quanto para o I.P.I.). O AFTN designado procedeu à complementação do exame da D.I, e, com base no laudo do Labana nO4268/93, constatou tratar-se o produto importado de Álcool Estearílico Industrial (Álcool Ceto- Estearílico), um álcool graxo (gordo) industrial com características de cera industrial, cuja classificação tarifária reside no código NBM/SH 1619.20.0100 (alíquota de 0% para o lI. e 15%para o IPI.) Dessa forma incorreu o contribuinte em insuficiência de recolhimento do IP.I vinculado, cuja exigência foi formalizada no Auto de Infração de fls. 01 a 05. Irresignada com o lançamento, a autuada, tempestivamente, apresentou suas razões de defesa de fls. 20 a 30, alegando: 1. Que o Laudo do Laboratório não propiciou os elementos necessários para a classificação pretendida pela fiscalização, pois a mercadoria examinada é definida como um álcool esteárico, álcool gorduroso industrial que possui enquadramento nominal na posição 1519 da TAB. 2. Que quanto a complementação do laudo "com características das ceras artificiais" trata-se de uma definição secundária já que a classificação é prioritariamente determinada pela natureza química da mercadoria e não pela sua aplicação; 2 .' ~STÉroODAFAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA • • RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 3. Que as regras gerais para a interpretação da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, descartam quaisquer dúvidas que ainda se possa ter sobre o assunto, pois qualquer menção de uma matéria numa determinada posição da Nomenclatura se refere a essa matéria, que em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias; 4. Que, nestas condições só os Álcoois Gordurosos não nominalmente especificados e, que tenham características típicas das ceras, têm condições de serem definidos e portanto classificados como "ceras artificiais". o lançamento foi considerado procedente pela Decisão nO182/94, fls. 37. A empresa apresentou recurso a este Colegiado, tempestivamente, argüindo o seguinte: A Recorrente submeteu a despacho aduaneiro 13.000 (treze mil) quilos do produto denominado ÁLCOOL GRAXO ESTEARÍLICO, de nome comercial "HYDRENOL D". Classificou o referido produto, na posição 1519.20.99 da Tabela Aduaneira do Brasil, que determina a alíquota de 0% para o Imposto de Importação e 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Em ato de conferência da citada mercadoria, o Sr. agente fiscal, tendo dúvida com relação à classificação adotada pela autora, solicitou a realização de laudo de análise, pelo Laboratório Nacional de Análises em Santos. • • Com fundamento no resultado do referido laudo de análise, o qual entendeu ser o produto um álcool Estearílico industrial com características de cera artificial, concluiu o Sr. agente fiscal pela impropriedade da classificação adotada pela autora, determinando como correto posicionamento tarifário o item 1519.20.0100, da TAB, que prevê uma alíquota de 0% para o Imposto de Importação e 15% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. As afirmações do laudo, no sentido de que o produto HIDRENOL D tem características de cera artificial e não possui constituição química definida, as quais fundamentaram a autuação em tela, não podem prosperar, pois, como se verá, não resistem a uma correta análise do assunto . 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 o produto HDRENOL D, conforme define o laudo de análise, é constituído de 29,0% de álcool cetílico, 69,8% de álcool estearílico e 1,2% de álcool mirístico. Apesar do álcool estearílico e o álcool cetílico, ou a mistura de ambos, serem semelhantes a uma cera, suas propriedades químicas, bem como a sua aplicação, em nada assemelham-se a esta. Com efeito, o álcool estearílico e cetílico possuem as seguintes características: a) não são ésteres; b) possuem ponto de fusão definido; c) possuem composição química definida e constante. • • Por outro lado, as propriedades mais comuns das ceras são: a) repe1ência a água; b) atóxicos; c) solúveis nos solventes orgânicos comuns; d) insolúveis em água; e) são combustíveis; t) não possuem composição química definida, sendo subprodutos de outros processos industriais . Como se percebe, o produto importado pela autora é uma mistura definida e conhecida de álcool cetílico e estearílico, cujas propriedades fisicas e químicas e a sua própria utilização em nada se assemelham às das ceras.industriais. Estabelecidas estas diferenças fundamentais entre o produto importado pela autora e as ceras artificiais, fica claro que o entendimento do agente fiscal afrontou a própria nota explicativa do sistema harmonizado, que na posição 34.04 define a cera artificial: "as ceras artificiais (por vezes conhecidas na indústria por ceras sintéticas) e as ceras preparadas (definidas na nota 5 do presente capítulo), constituídas por matérias orgânicas de peso molecular relativamente elevado e que não são compostos de constituição química definida apresentados isoladamente"(,grifo nosso). o fato é que o álcool estearílico e o cetílico, no seu emprego não substitui nenhum tipo de cera, e a despeito de algumas semelhanças fisicas, tais misturas não podem ser consideradas ceras artificiais . 4 • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 Por outro lado, tendo em vista que a discussão no processo administrativo teve como finalidade definir a correta classificação fiscal do produto, entende a autora que, face às características fisicas e químicas do HYDRENOLD, conforme acima descrito, deve o mesmo ser enquadrado no item 1519.20.9903 - álcool esteárico, que estabelece a alíquota de 0% para o Imposto de Importação e para o Imposto sobre Produtos Industrializados, pois a nota explicativa do Sistema Harmonizado da TAB, ao definir tal posição afirma que: • • • "O álcool estearílico industrial, que é uma mistura dos álcoois estearílico e cetílico, obtido por redução da estearina ou de óleos ricos em ácido esteárico ou ainda a partir do óleo de espermacete, por hidrogenação e hídrólise seguida de destilação. Este álcool apresenta- se sob a forma de um sólido branco cristalino à temperatura ambiente". Como se percebe, o produto em questão pode ser classificado no item declarado quando da importação - 1519.20.9903 - , mas, em nenhuma hipótese, no item 1519.20.0100, pretendido pela ré, uma vez que, como ficou demonstrado, não possui características de cera artificial. VOTO - Tendo em vista as dúvidas oriundas da análise dos autos, proponho a conversão do julgamento em diligência ao LABANA para que se pronuncie quanto ao atendimento dos requisitos elencados as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da Posição 34.04 ("ceras artificiais e ceras preparadas"), item por item. Vale ressaltar que o Laudo anexo aos autos diz, apenas, tratar-se o produto em litígio de "Álcool Estearílico Industrial com características de cera artificial" • O cumprimento da diligência se encontra às fls.62/63. Éo relatório. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA.' '. RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 VOTO A decisão de primeira instância está assim ementada: • • "DESCLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA - O produto de denominação comercial "HYDRENOL D", identificado pelo LABANA como sendo um "Álcool Estearílico Industrial (Álcool Ceto - Estearílico), um Álcool graxo (gordo) industrial, com características de cera artificial", tem sua correta classificação no código TAB/SH 1519.20.0100". O Laboratório Nacional de Análises - Labor/Santos, emitiu a seguinte Informação Técnica n° 077/97: "Em atendimento à solicitação de informação técnica exarada às folhas 57, 58, 59, 60 e 61 do presente processo, referente à mercadoria ÁLCOOL GRAXO CETO-ESTEARÍLICO, HIDRENOL D, de interesse da firma em epígrafe, informamos: As características de ceras para a mercadoria analisada são: 1. apresenta ponta de fusão superior a 40°C (a mercadoria analisada apresentou faixa de fusão de 52-53°C); 2. a uma temperatura de 10°C acima de seu ponto de fusão, a viscosidade do produto medida no viscosímetro, tipo rotativo, marca Brookfield é menor que 50 cps (a mercadoria analisada apresentou viscosidade em viscosímetro tipo rotativo a ~O rpm fuso n° 31 a temperatura de 63°C<50cps), 3. previamente fundido e após ter deixado solidificar apresenta-se opaco e ao exercer uma ligeira pressão toma-se brilhante; a)não é susceptível de modelação; b)previamente fundido e após ter deixado solidificar apresenta-se duro e quebradiço; 5. funde-se sem decompor e não se toma estirável acima de seu ponto de fusão; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.287 302-0.889 6. sua consistência varia com elevação da temperatura, bem como a sua solubilidade em solvente orgânico. A mercadoria analisada apresenta todos os parâmetros ou requisitos previstos no texto da Posição 3404 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado para as características de ceras, incluindo os dizeres do item C das exclusões da referida posição. De acordo com Referências Bibliográficas, Álcool Estearílico Industrial apresenta características de Cera. Em função disso, é utilizado na fabricação de produtos farmacêuticos e cosméticos (cremes, pomadas, loções, ungüentos, etc) por conferir aos produtos finais: emulsão de boa estabilidade, textura suave, poder emoliente, ajudar a manter a unidade das formulações e, ao mesmo tempo, resistência à água. Desta forma, ratificamos as Conclusões e Respostas aos Quesitos do Laudo de Análises nO4268/93, ou seja: Trata-se de Álcool Estearílico Industrial (Álcool Ceto-Estearílico), um Álcool Graxo (Gordo) Industrial com características de Cera." Contudo, a recorrente não tomou conhecimento do resultado da diligência solicitada através da Resolução 302-825/97, fato que poderia ensejar • alegação de cerceamento do direito de defesa. Assim, converto o julgamento em nova diligência à Origem para que seja dada vistas à recorrente do resultado de tal Resolução. Eis o meu voto. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 1998 • // .£/b~ ~ 4t#6, t5&\LDO CAMPELLO NifO J_ Relator • 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 19515.002453/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.487
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONÇA
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ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 421 2 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 30/06/2009, o primeiro exigindo PIS nãocumulativo não recolhido (fls.129/133) e o segundo exigindo a COFINS nãocumulativa também não recolhida (fls.134/136), ambos relativos aos fatos geradores ocorridos em junho, julho e dezembro de 2004. A Autuada apresentou impugnação (fls.141/179), mas a DRJ manteve o lançamento, proferindo acórdão com a seguinte ementa (fls.224/241): “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Procede o lançamento das diferenças não recolhidas nem declaradas pelo sujeito passivo. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Os juros sobre o capital próprio, dado seu caráter inequívoco de receita financeira, constituem parcela integrante da base de cálculo do Pis e da Cofins, a qual, nos termos da legislação de regência, abarca a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da classificação contábil que esta lhes haja atribuído. BASE DE CÁLCULO. HIPÓTESES DE EXCLUSÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As hipóteses de exclusão da base de cálculo são apenas aquelas previstas no art. 10, §3°, da lei n° 10.637/2002, o qual não menciona os juros sobre o capital próprio. JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO. DIVIDENDOS. CONCEITUAÇÃO. Os juros sobre o capital próprio não se confundem com os dividendos, possuindo natureza jurídica visceralmente distinta. Enquanto os primeiros têm por escopo remunerar o capital do investidor, estando limitados à variação da TJLP, estes últimos representam parcela do lucro distribuída aos sócios segundo o valor das quotas que possuem no capital da sociedade investida. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. As ‘despesas de juros sobre o capital próprio’ não figuram dentre os créditos de Pis previstos no art. 3° da lei n° 10.637/2002, de modo que não podem ser descontadas do montante devido em cada período de apuração. DESPESAS DE JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO. DEFINIÇÃO. As ‘despesas de juros sobre o capital próprio’ nada mais são do que juros pagos ou creditados aos sócios ou acionistas a título de remuneração do capital próprio, não se confundindo com as chamadas ‘despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica’, mencionadas no art. 3°, V, da lei no 10.637/2002 (redação anterior à lei n° 10.865/2004), as quais constituem juros pagos em razão de empréstimos ou financiamentos contraídos com pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO. Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento, procede a exigência de multa de oficio, nos termos do art. 44, I, da lei n° 9.430/96. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 422 3 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SELIC, visto estar amparada em lei (art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96). (...) LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIDO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. CITAÇÕES DE JURISPRUDÊNCIA. No julgamento de primeira instância, a autoridade julgadora observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada ao entendimento firmado pelo órgão julgador de segunda instância nem tampouco à jurisprudência judicial existente sobre a matéria. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. É inadmissível na esfera administrativa por absoluta falta de previsão legal a produção de sustentação oral na fase de julgamento de primeira instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/11/2009 (fl.245) e interpôs o Recurso Voluntário em 18/12/2009 (fls.250/290), com as alegações resumidas abaixo: Fez o parcelamento do valor lançado, mas ele ainda não foi consolidado, por isso Recorre por cautela; Nulidade do acórdão da DRJ, em razão do cerceamento de defesa ao não apreciar matérias constitucionais arguidas; Os juros sobre capital próprio não podem ser confundidos com os juros comuns, pois se trata de uma espécie de distribuição de lucros entre os sócios; Os juros de capital próprio não têm natureza receita, por isso não sofrem incidência do PIS e da COFINS; Na autuação não foram levados em consideração os descontos os quais a Recorrente tinha direito, em razão das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoas jurídicas, na forma do art. 3o, inciso V, da Lei nº 10637/2002; Inaplicabilidade da taxa SELIC sobre os créditos tributários. Ao fim, a Recorrente pediu que fosse conhecido o Recurso para cancelar o auto de infração. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 423 4 Em 01 de março de 2010 a Recorrente atravessou petição (fls. 302/304) desistindo parcialmente do Recurso Voluntário, afirmando que os lançamentos referentes aos meses de junho e dezembro de 2004 foram calculados sobre a base de cálculo correta e mantendo o recurso somente em relação ao período de julho de 2004, sob alegação de que, nesse período, nada foi recebido a título de juros sobre capital próprio e que a Fazenda encontrou esse valor em razão de erro no preenchimento da DIPJ, a qual já foi retificada. A Fazenda apresentou contrarrazões (fls.405/417), na qual defendeu a validade do acórdão da DRJ, alegou que o PIS e a COFINS incidem sobre os juros de capital próprio, que está prescrita a alegação da recorrente de erro no preenchimento da DIPJ e que a aplicação da Taxa SELIC aos créditos tributários é legal, pedindo, ao fim, que seja negado provimento ao Recurso Voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme já relatado acima, a Recorrente desistiu do recurso em relação aos fatos geradores ocorridos em junho de dezembro de 2004, mantendo o Recurso somente em relação ao fato gerador de julho de 2004, sob a alegação de que não recebeu juros de capital próprio nesse período. Como no pedido de desistência a Recorrente informa expressamente que nos meses de junho e dezembro de 2004 “foram calculados sobre a base de cálculo correta” e que se insurge somente contra o mês de julho de 2004 porque “nada foi recebido a título JCP (Juros sobre Capital Próprio)”, temse uma concordância tácita de que os juros sobre capital próprio incidem sobre o PIS e COFINS, tornando a questão, no presente caso, incontroversa, de modo que se torna desnecessário o conhecimento da matéria. Portanto, o cerne da questão resumese em saber se a Recorrente recebeu ou não juros de capital próprio em julho de 2004, se a retificação é válida e se cabe a aplicação da Taxa SELIC sobre os créditos tributários. Mas antes disso, cabe analisar a alegação da Fazenda, em relação à prescrição da alegação de erro no preenchimento da DIPJ. 1. Da nulidade do acórdão da DRJ Alega a Recorrente que as instâncias administrativas têm competência para apreciar questões de constitucionalidade e que a não apreciação das matérias constitucionais suscitadas ocasionam cerceamento de defesa, gerando a nulidade da decisão. O fato de a DRJ não ter apreciado as questões constitucionais alegas pela Recorrente não leva à nulidade do acórdão, pois já está pacificado que a instâncias Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 424 5 administrativas não podem afastar a aplicação de lei com base em inconstitucionalidade. Nessa linha é a Súmula nº 02 do CARF, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, agiu bem a DRJ em apreciar as questões constitucionais as quais também não serão conhecidas nesta instância em razão da Súmula no 02 do CARF. 2. Da preclusão do argumento do Erro Material Segundo a Fazenda Nacional, o argumento de erro material no preenchimento da DIPJ está precluso, haja vista o fato de a Recorrente não ter alegado essa matéria na Impugnação. Analisando os autos, notase que na impugnação, mais precisamente na fl.142 dos autos, a recorrente afirma que recebeu juros de capital próprio no mês de julho de 2004. Logo, realmente o argumento de erro material é novo. Mas ao que parece a este julgador, o erro foi percebido somente após a apresentação da impugnação, pois esta foi protocolada em 10/07/2009 (fl.141), enquanto a DIPJ retificadora foi enviada somente em 23/11/2009 (fl.318). Isso denota que a Recorrente percebeu o erro somente após o julgamento da DRJ, o que justificava a apresentação de novos argumentos em fase recursal, por se tratar de fato novo. Esse fato faz surgir outra questão que não foi levantada por nenhuma das partes, mas que deve ser apreciada por este Conselho, qual seja: a validade da retificação da DIPJ após o lançamento, matéria que será apreciada em seguida. 3. Validade de retificação de DIPJ após o lançamento Inicialmente cabe destacar que a análise dessa questão não configura inovação em esfera administrativa, pois, como mencionado no tópico anterior, se trata de fato novo, o qual foi suscitado pela própria Recorrente. O § 1º, do art. 147, do CTN Código Tributário Nacional – dispõe que retificação da declaração será admissível somente quando estiver acompanhada da comprovação do erro e antes do lançamento. Apesar disso, como o processo administrativo busca a verdade material dos fatos, a jurisprudência administrativa, em alguns casos, é no sentido de aceitar a retificação, mesmo após o lançamento, desde que esteja provado o erro, conforme é possível verificar nas decisões abaixo: “(...) DIPJ e DCTF. RETIFICAÇÃO. DIVERGÊNCIA. A apresentação de DIPJ retificadora após o lançamento de ofício deve vir acompanhada de provas suficientes a demonstrar o mero erro de preenchimento por parte do contribuinte. Quando devido o lançamento em razão de divergência entre DIPJ e DCTF deve ser lançado apenas o montante não declarado em DCTF. Recurso Voluntário Provido em Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.002453/200945 Resolução n.º 3401000.487 S3C4T1 Fl. 425 6 Parte. (1o Conselho de Contribuintes, 8a Câmara, Turma Ordinária. Acórdão 10809.545. Processo 14041.000341/200425, julgado em 24/01/2008)” “DIPJ. EFEITOS. A DIPJ é meramente informativa, não constituindo confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário que, não sendo declarado em DCTF, deve ser constituído por lançamento de ofício. DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO. Incabível a retificação de valores declarados, quando não são trazidos à colação elementos que permitam a sua apuração. Recurso improvido”. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3a Câmara. Turma Ordinária. Processo: 11543.004178/200106. Acórdão 10322.990.Publicado no D.O.U. nº 167 de 29/08/2007) No caso em tela, a Recorrente juntou cópia da página do seu livro razão (fl.317), onde consta o recebimento de juros sobre o capital próprio dos meses de junho e dezembro de 2004 (meses que a Recorrente desistiu do Recurso) e não há registro de recebimento dos juros sobre capital próprio em relação ao mês de julho de 2004. Esse documento, apesar de não provar cabalmente o erro – por ser apenas uma folha separada – apresenta forte indício do erro material. Portanto, para afastar qualquer equívoco e para formar a convicção deste julgador, conforme disposto no art. 29, do Decreto nº 70.235/72, converto o julgamento em diligência, para que sejam analisados os livro contábeis originais da Recorrente, em busca das respostas para os seguintes quesitos: Qual o valor recebido pela Recorrente a título de juros sobre capital próprio no mês de julho de 2004? O cálculo efetuado no auto de infração para o mês de julho de 2004 está correto? Após o resultado da diligência, deve ser elaborado relatório conclusivo e dar ciência à Recorrente para que se manifeste no prazo de 30 dias. Após esse prazo, os autos devem retornar a este Conselho, ainda que a Recorrente não tenha se pronunciado. Ex positis, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015357/00-70
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 1997, 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CABIMENTO.
Os embargos é meio cabível para sanear erro de fato. Confirmado o alegado erro de fato em razão da indicação errada de um valor, devem os embargos serem acolhidos com efeitos infringentes para sanar o erro.
Numero da decisão: 1401-005.749
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998 de R$ 208.171,42 e o total do crédito reconhecido para o mesmo ano no valor de R$223.412,34.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga , Andre Luis Ulrich Pinto e Barbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 1997, 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CABIMENTO. Os embargos é meio cabível para sanear erro de fato. Confirmado o alegado erro de fato em razão da indicação errada de um valor, devem os embargos serem acolhidos com efeitos infringentes para sanar o erro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998 de R$ 208.171,42 e o total do crédito reconhecido para o mesmo ano no valor de R$223.412,34. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga , Andre Luis Ulrich Pinto e Barbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 53 57 /0 0- 70 Fl. 1176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 Relatório Trata-se de Embargos de embargos declaratórios opostos pela contribuinte em epígrafe contra o Acórdão nº 1401-003.053, por meio do qual os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada em 13/12/2018, deram provimento parcial ao recurso voluntário. O processo trata de pedidos de restituição apresentados em 2000 relativos aos anos-calendário 1997 e 1998, acompanhados de pedidos de compensação posteriormente convertidos em declarações de compensação. Por bem descrever os fatos transcrevo parcialmente o relatório da decisão da DRJ: A Interessada protocolou, em 09/10/2000, Pedido de Restituição no valor de R$767.343,96, tendo informado como motivo do pedido: “compensar o Imposto de Renda sobre Aplicação Financeira, Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica, Contribuição Social e IRPJ, referente ao período de Janeiro a Dezembro de 1998 com outros Tributos, conforme Instrução Normativa 21/97” (fl. 03). Anexou diversos documentos. Atrelou ao referido pedido, Pedidos de Compensação (fls. 04 e 392, este retificado à fl. 396). À fl. 593 (numeração eletrônica), consta Pedido de Restituição referente ao período de janeiro a dezembro de 1997, no montante de R$353.378,46. 2. A DERAT/SP exarou, em 19/05/2004, Despacho Decisório (ciência em 16/06/2004; AR fl. 553) em que indeferiu o Pedido de Restituição e não homologou as compensações pleiteadas, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 541 a 546). 2.1. Por força do § 4º, do art. 74, da Lei 9.430/96 e alterações, o presente pedido de compensação deve ser considerado como Declaração de Compensação, desde seu protocolo. 2.2. O pedido da interessada diz respeito à restituição de créditos de CSLL, IRPJ e IRFON incidente sobre aplicações financeiras e sobre prestação de serviços a pessoa jurídica referentes ao ano-calendário (AC) 1998. Assim, a documentação de fls. 14 a 230, bem como as planilhas de fls. 05 e 06 são estranhas ao presente processo, por serem pertinentes aos anos-calendário 1996, 1997 e 1999. 2.3. No caso em tela, a interessada optou, no Exercício 1999, AC 1998, pela tributação com base no lucro real com apuração anual (fl. 426). Assim, a pessoa jurídica obrigou- se ao recolhimento mensal do imposto e da contribuição social com base em receita estimada. Os recolhimentos por estimativa efetuados durante o AC e o imposto retido na fonte podem ser deduzidos do imposto apurados em 31.12.1998. Em sendo negativo o resultado, o mesmo poderá ser restituído à pessoa jurídica, desde que formalmente requerido à autoridade administrativa. 2.4. Todavia, constata-se que a interessada não apurou Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ) e tampouco de CSLL (SNCSLL) em sua DIPJ/1999 (vide fls. 340, 360, 436 e 437), muito embora tenha apurado Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa CSLL neste Exercício. 2.5. Assim, improcede o pleito da interessada de ver restituído os valores recolhidos à titulo de imposto de renda e contribuição social devidos por estimativa, vez que não caracterizam recolhimentos indevidos, posto que os recolhimentos por estimativa para a pessoa jurídica optante pela tributação anual do lucro real são obrigatórios por força de lei. Tais recolhimentos deveriam ter sido computados na apuração anual do Fl. 1177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 Imposto/Contribuição e se desta apuração resultasse SNIRPJ e/ou de CSLL, poderia, a critério do sujeito passivo, ser requerida a restituição desses saldos. 2.6. Igualmente, não são indevidas as retenções na fonte do imposto incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras, posto que efetuadas em consonância com a legislação tributária. Desta forma, é impertinente o pedido de restituição do IRFON, por não ser indevida a retenção efetuada, não caracterizando indébito fiscal. 2.7. Conforme já exposto acima, a interessada não apurou SNIRPJ em sua DIPJ/1999, deixando de pleitear a dedução do IRFON sobre aplicações financeiras e prestação de servidos (confira fls. 340 e 436). Ressalta-se que não basta ter havido a retenção para ser autorizada a sua dedução do imposto apurado no encerramento do exercício, mas é necessário que os rendimentos sujeitos à retenção tenham sido oferecidos à tributação. 2.8. Na verificação da apuração do saldo negativo, deve estar demonstrado que as receitas financeiras, sobre as quais incidiu o IRRF, foram efetivamente oferecidas à tributação na apuração definitiva do imposto, condição sine qua non para que este pudesse ser aproveitado na declaração. 2.9. Diante do relatório e da fundamentação apresentada, INDEFIRO o pedido de restituição de fl. 01, e em consequência, NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas no presente processo. Apresentada manifestação de inconformidade, em 20 de março de 2015 a DRJ em São Paulo a julgou improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1998 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo extingue- se após o transcurso de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÕES. Não confirmada a existência de direito creditório, líquido e certo, em favor da Recorrente, mantém-se a decisão recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997, 1998 Fl. 1178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÕES. Não confirmada a existência de direito creditório, líquido e certo, em favor da Recorrente, mantém-se a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a Recorrente sustenta, em síntese: (i) quanto ao pedido de restituição referente ao ano-calendário 1997, no valor de R$353.378,46, atrelado ao pedido de compensação apresentado em 10.11.2000 ratificado no mesmo valor em 21.11.2002 (fl. 463): (a) houve homologação tácita do pedido de compensação, uma vez que a ciência do despacho decisório ocorreu apenas em 18.04.2012 (fl. 868). Nesse ponto, aponta que a decisão recorrida se equivoca quando afirma que a ciência do despacho decisório ocorreu em 16/06/2004 (cf. AR de fl. 553) já que o despacho decisório ali referido analisou apenas o ano-calendário 1998 (b) subsidiariamente, defende que o direito creditório encontra-se devidamente comprovado pela documentação acostada aos autos, de sorte que o simples erro de preenchimento da DIPJ no período não elide seu direito creditório. (ii) quanto ao pedido de restituição referente ao ano-calendário 1998, no valor original de R$767.343,96, transmitido em 1.10.1999 e retificado em 16.07.2004 para R$2.285.210,00: (a) o mero erro de preenchimento de sua DIPJ não pode elidir seu direito creditório, de maneira que, uma vez intimada do teor do despacho decisório, a Recorrente transmitiu em DIPJ retificadora para corrigir os dados, chegando à conclusão de que seu direito creditório correspondia ao total de R$2.285.210,00, o que ensejou a substituição do pedido de restituição formulado. Tal pedido não estaria abrangido pela decadência eis que a contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição do saldo negativo relativo ao ano-calendário 1998 apenas teve início em outubro de 1999, quando do prazo fatal para a apresentação da DIPJ 1999/1998. Antes da entrega da declaração de rendimentos o contribuinte não pode pleitear a restituição de valores de estimativa que entende devidos, de modo que há uma suspensão fática do prazo decadencial (impedimento do exercício de um direito que desqualifica como omissiva a conduta do titular desse direito). (b) defende que o direito creditório encontra-se devidamente comprovado pela documentação acostada aos autos. (iii) pleiteia a realização de diligência em homenagem ao princípio da verdade material. (iv) pleiteia, ademais, a suspensão da incidência de juros de mora enquanto suspensos os julgamentos por este CARF. Às fls. 1070 a 1.081 - Acórdão nº 1401-003.053 – esta 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que deu parcial provimento ao recurso voluntário, recebendo a seguinte ementa: Fl. 1179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa quando da entrada em vigor da legislação que criou a declaração de compensação DCOMP serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sendo o prazo para homologação de 5 anos contado da data da entrega. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANALISADO DOZE ANOS APÓS A SUA APRESENTAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. A unidade de origem (DERAT) exaure sua competência ao analisar pedidos e declarações de restituição ou compensação, de maneira que a revisão do conteúdo de despachos decisórios passa a ser competência da Delegacia de Julgamento (DRJ). Porém, no caso em que a DERAT deixa de analisar um dos créditos pleiteados no pedido de restituição tal competência não é exaurida para tal crédito, podendo ser exercida mesmo doze anos após a apresentação do pedido, via despacho decisório complementar, eis que a análise de pedidos de restituição não está sujeita a prazo decadencial. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO ORIGINADO DE RETENÇÕES DE IRRF. REQUISITOS. A restituição de saldo negativo originado de retenções de fonte depende de prova das retenções, bem assim do oferecimento dos rendimentos à tributação. A ausência de documentos contábeis que permitam verificar se realmente as receitas em questão estão inseridas no valor total oferecido à tributação impede o reconhecimento do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. É de se admitir a retificação de pedido de restituição de saldo negativo apresentado dentro do prazo hábil para tanto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago a maior ou indevidamente desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. A contribuinte foi cientificada do acórdão em 03/07/2019 (fl. 1105), por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico), e lhe opôs, em 08/07/2019 (Termo de Solicitação de Juntada à fl. 1106), embargos de declaração tempestivos, com fundamento no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Fl. 1180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015). Alega a embargante a existência dos seguintes vícios no Acórdão nº 1401- 003.053: a) Contradição quanto ao não reconhecimento das compensações efetuadas com base em decisão judicial proferida no processo judicial nº 94.0032457-0 (existência de fato superveniente à interposição do recurso voluntário) e da aplicação retroativa do art. 170-A do CTN; b) Erro material quanto ao pagamento de R$ 1.903,43 na apuração do saldo negativo de CSLL para o ano de 1998. Os embargos apenas foram admitidos em relação à alegação de Erro material quanto ao pagamento de R$ 1.903,43 na apuração do saldo negativo de CSLL para o ano de 1998, restando devidamente delimitada a matéria colocada em julgamento para esta TO. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. Os embargos de declaração opostos pelo contribuinte foram parcialmente admitidos pelo Ilmo. Presidente desta TO. Como bem verificado no referido despacho, da verificação da cópia de DARF acostada à fl. 699 dos autos, é de fácil constatação que o valor efetivamente recolhido em 29/05/1998, sob o código de receita 2484, foi de R$ 1.093,43, como afirma a embargante. Dessa forma, o acórdão embargado incorreu em erro material ao transcrever o valor relativo ao aludido recolhimento como R$ 1.903,43, ao invés de R$ 1.093,43. O erro provocou ainda reflexos na totalização do saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998 (o acórdão apontou R$ 208.981,42; o valor correto é R$ 208.171,42) e do valor total do crédito reconhecido para o mesmo ano (o acórdão apontou R$ 224.222,34; o valor correto é R$ 223.412,34). Fl. 1181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.749 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.015357/00-70 Portanto, assiste razão à Embargante razão pela qual acolho os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998 de R$ 208.171,42 e o total do crédito reconhecido para o mesmo ano como R$ 223.412,34. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1182DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.000010/2005-15
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Rateio de Despesas. Para que o Fisco não acate o método de
rateio utilizado pelo sujeito passivo, cabe a ele — Fisco — comprovar que o contribuinte não utilizou o método eleito. Não é cabível a inversão do ônus da prova a fim de obrigar o sujeito passivo a comprovar a regularidade de suas despesas .
Rateio de Despesas . Comprovação do criterio, A prova da utilização do critério previsto em convênio de rateio se faz pelos meios admitidos em Direito.
A juntada de documentos após a apresentação da impugnação e do
recurso voluntário que ocorre para esclarecer os fatos já colacionados na impugnação e no recurso voluntário não está atingida pela preclusão. A sua análise se justifica frente ao principio finalistico do processo administrativo fiscal. O acatamento das provas está previsto pelo principio do livre convencimento do julgador consubstanciado no artigo 29 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 9101-000.621
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Designada para redigir o voto vencedor nesta parte a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto votou pelas conclusões
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO
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VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. Ementa: Rateio de Despesas. Para que o Fisco não acate o método de rateio utilizado pelo sujeito passivo, cabe a ele — Fisco — comprovar que o contribuinte não utilizou o método eleito. Não é cabível a inversão do ônus da prova a fim de obrigar o sujeito passivo a comprovar a regularidade de suas despesas . Rateio de Despesas . Comprovação do criteria, A prova da utilização do critério previsto em convênio de rateio se faz pelos meios admitidos em Direito. A juntada de documentos após a apresentação da impugnação e do recurso voluntário que ocorre para esclarecer os fatos já colacionados na impugnação e no recurso voluntário não está atingida pela preclusão. A sua análise se justifica frente ao principio finalistico do processo administrativo fiscal. O acatamento das provas está previsto pelo principio do livre convencimento do julgador consubstanciado no artigo 29 do Decreto 70,235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Designada para redigir o voto vencedor nesta parte a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto votou pelas conclusões. A CAIO MARCOS CA 0 Presidente Substituto. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Relator. ES HOFFMANN - Redatora Designada. EDITADO EM: 2 5 FRI 201'1 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Relatório Em face do Acórdão n° 101-95.980, proferido pela Egrégia Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu ilustre representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 663/675, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Camara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 7', II, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente a época) e nas razões seguintes . Em 28,12,2004, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de fls. 108/120, por meio do qual foi constituído credito tributário no valor de R$ 298.216,18, relativo aos anos-calendário 1999 a 2002. 0 lançamento tem origem na glosa (i) de despesas desnecessárias; e (ii) de prejuízos compensados indevidamente, sendo a primeira infração o objeto do recurso . Segundo o Termo de Constatação Fiscal de fls, 83/101, nos anos 1999 a 2002, foram apropriados a credito da conta "Despesas de Pessoal" valores decorrentes de "Convénio de Rateio de Custos Comuns", firmado entre a contribuinte e empresas do "Conglomerado O contrato de rateio de despesas previa que os custos decorrentes seriam rateados de acordo com a efetiva utilização, mediante apresentação prévia de demonstrativos de custos. No entanto, segundo a Fiscalização, a contribuinte não demonstrou os métodos estatísticos e matemáticos que teriam sido empregados para a apuração dos valores rateados, não comprovando, assim, a efetiva utilização dos serviços e a sua compatibilidade e proporcionalidade com a necessidade das empresas. Em decorrência, foi aplicado o método de custeio indireto, utilizando-se como parâmetro a receita bruta dás conveniadas para a obtenção do critério de rateio de 2 Processo ri° 16327 000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão ii " 9101-00,621 Fl 2 despesas, tendo sido apurada a diferença a tributar de R$ 210.989,66 em 1999; R$ 69,528,03, em 2000; R$ 8.2,548,59, em 2001; e R$ 64.176,10 em 2002. A Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fls. 648/659, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, Em suas razões, afirmou que a fiscalização não rejeitou o critério adotado pela contribuinte para o rateio de despesas, nem realizou qualquer diligencia para verificar as alegações da contribuinte. O ônus da prova compete àquele que alega os fatos, O Fisco não demonstrou a irregularidade do critério adotado pela contribuinte, razão pela qual restabeleceu a dedutibilidade das despesas decorrente do rateio, A Fazenda Nacional apresentou o recurso de fls. 663/675. Indicou como paradigma o acórdão 105-16141. Em suas razões, afirmou que a contribuinte não comprovou, por documentos hábeis, o critério de rateio utilizado. Defendeu a impossibilidade de admitir como prova os pareceres técnicos apresentados pela contribuinte em memoriais de julgamento, oferecidos diretamente a Camara. Afirmou que, segundo os pareceres de auditoria, a divisão das despesas entre as sociedades seria resultado de apuração corn base em técnica contábil, o que comprova a viabilidade da contribuinte tê-la demonstrado e comprovado durante o processo administrativo. A contribuinte não apresentou nenhuma prova de que as despesas deduzidas corresponderiam ao previsto no convênio de rateio de custos. Acrescentou que a contribuinte não comprovou que as despesas foram tateadas como previsto nos pareceres anexados aos memoriais de julgamento. Não consta nos autos nenhum documento que permita audit& o rateio de despesas corn base nos critérios alegados pelo recorrido. Afirmou que a apuração de despesas que poderiam ser rateadas pela contribuinte é espécie de arbitramento e após o arbitramento, ainda que o contribuinte apresente escrituração regular, não se pode cancelar o auto de infração, não havendo a figura do "arbitramento condicional", A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso, As fls. 689/696. Em suas razões, afirmou que a decisão recorrida, ao aceitar a juntada dos laudos, sopesou os princípios da verdade material e do formalismo moderado com o principio finalistico do processo. Acrescentou que o acórdão paradigma invocado pela recorrente não serve como paradigma, haja vista que naquele processo administrativo a Camara não recebeu a documentação comprobatória anexada aos autos. Por fim, afirmou que a decisão recorrida demonstrou que a convicção dos conselheiros fundamentou-se na análise detalhada da documentação comprobatória produzida nos autos. A análise precisa e exemplificada da metodologia de apuração dos custos foi feita nos autos do processo n° 16327.000009/2005-91. o relatório. 3 Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO A decisão recorrida cancelou a exigência tributária sob o fundamento de que a inércia do Fisco em apurar as critérios utilizados, justifica a manutenção das critérios utilizadas pela recorrente. Em suas razões, afirmou, em síntese, o seguinte: No mérito, o argumento a ser enfrentado diz respeito a possibilidade do Fisco, unilateralmente, afastar o critério de ayleio...deggsp_ggs:xlilizedg...pgkiscorrente a licando critério diverso, sob argumento de que as despesas deduzidas não teriwn sido efetivam ente coin provadas. (...) O Fisco, de posse das justificativas, e não satisfeito com as alegações apresentadas, constatou a infração, afastou o critério direto de rateio de despesas utilizado, e aplicou critério indireto, no seu entender, mais correto. Asti icon este ato ela min com Soya ao e etiva das des esas rateadas o tie invalidaria o critério direto de rateio das despesas. Mas, não guestionpj, em momento dRum, o critério adotado pdo_rpsgraygGitoLmesmo intimou o mesmo ou o Banco Itail SA. a demonstrar efetivamente a utilizaclio do critério direito de rateio das des , analise dos documentos atinentes ao critério e ao próprio rateio das despesas, bem como quaisquer esclarecimentos adicionais, poderiam ter sido perfeitamente obtidos na sede da recorrente, ou do Banco Itaa S.A; conforme, alias', claramente colocado as .fils, 38, na resposta ao Termo de Intimação n° 009 a 037 inércia do Fisco, que não procedeu à qualquer diligencia para verificar as alegações da recorrente, e tomar legitima a alteração do critério de rateio das despesas, toma a autuação nula. De fato, é sabido que o ônus da prova compete aquele que alega os fatos. O Fisco, no caso em tela, alegou serem in verídicos, ou melhor, não comprovados, Os critérios de rateio utilizados pelo recorrente, porém, em momenta algum se prontificou a demonstrar a irregularidade, ou a infirmar o rateio efetuado, ou mesmo a intimar o recorrente para que .fizesse a demonstração do critério direto de rateio das despesas.," (grifos nossos) A Fazenda Nacional, por sua vez, indicou como paradigma o Acórdão 105- 16141, cuja ementa tem o seguinte teor: Processo n' 16327.000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n " 9101-00.621 Fl. 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2000, 2001 Ementa: CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO SOBRE AÇÕES, PREÇO RECEBIDO.. O preço recebido pela cessão do direito de friar na constituição do usufruto sobre ações deve ser apropriado como receita operacional, AUTO DE INFRAÇÃO, NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível falar em nulidade do Auto de Inft.ação„ RATEIO DE CUSTOS DEDUTIBILIDADE Não comprovado o critério utilizado para rateio das despesas de pessoal, entre empresas inter1igadas, paysitect critério base na receita bruta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências .fiscais decorrentes dos mesmos fatos.(grifos nossos) O Acórdão paradigma não aceitou o critério de rateio de despesas da contribuinte, sob o fundamento de que "os laudos com data pretérita à ocorrência da fiscalização poderiam ter sido apresentados aos AFRS no curso dos trabalhos de auditoria, porém assim não agiu a empresa". Afirmou que a empresa poderia ter apresentado os laudos anteriormente, permitindo a "aferição não só dos custos globais, como dos métodos de rateio pela auditoria. Diante de tal impossibilidade, e consciente de que efetivamente a autuada utilizara a rede Itaz2 para colocar os seus produtos, a ,fiscalização não teve outra alternativa senão utilizar o método de repartição dos custos de acordo com o percentual da receita. Como não hei arbitramento condicional e nem lançamento condicional, não há como acatar os laudos, pois acatá-los seria o equivalente a modificar a base de cálculo, alterar o critério de lançamento". No presente caso, contudo, a discussão refere-se A possibilidade de o Fisco alterar, de modo unilateral, o critério de rateio de despesa adotado pelo contribuinte. A questão principal, que motivou o cancelamento do lançamento pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, na decisão ora recorrida, foi a inércia do Fisco em diligenciar, perante as empresas do grupo Dail e da própria contribuinte, para verificar o critério de rateio utilizado e, sendo o caso, apontar as irregularidades apuradas e desconsiderar o método utilizado pela contribuinte. Sobre os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, o art. 67 do Regimento Interno do CARF dispõe o seguinte: Art, 67, Compete ti CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der â lei tributária interpretação divergente da que Ihe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1 0 Para efeito da aplicação do caput, entende-se como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem integrar a estrutura do CARP'. § 2° Não cabe recurso especial de dads& de qualquer das turmas que aplique sumula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Camara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar; decida pela anulação da decisão de primeira instância, § 3° 0 recurso especial intoposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanta à matéria pré-questionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais, Observa-se, dessa maneira, que, em que pese serem similares as situações fãticas que originaram ambos os lançamentos, a questão debatida no acórdão paradigma não corresponde àquela discutida e acolhida no acórdão recorrido, não havendo, portanto, divergência entre aludidas decisões, a decisão recorrida e o paradigma. Assim, o recurso especial apresentado não atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido . Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo-se a decisão recorrida em todos os termos, ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Relator 6 Processo n° 26327 000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n ° 9101- 00.621 Fl 4 Voto Vencedor Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN Considerando que este processo foi julgado na mesma sessão de julgamento do Recurso 151,000 da empresa do mesmo Grupo Econômico — a Haft Capitalização S/A — Processo Administrativo número 16327,000011/2005-60, tendo o Recurso Especial do Procurador apresentado os mesmos Acórdãos Paradigmas e a mesma matéria, como redatora do voto vencedor, peço vênia para transcrever o mesmo voto por mim proferido naquele processo, devendo ser observado que eventuais alterações faticas não devem ser consideradas, pois o terna de julgamento em ambos os casos é idêntico. Pois bem, Passo ao voto. O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Contudo, necessário se faz a análise criteriosa quantos aos demais requisitos de admissibilidade. Primeiramente, tem-se que a recorrente suscitou divergência jurisprudencial no que se refere à aplicação e interpretação do artigo 16, §4°, do Decreto 70.235/72, diante do fato de que, na decisão tecorrida, a Camara a quo "deu provimento ao recurso voluntário, com base em 'pareceres técnicos' apresentados pelo Recorrido, oferecidos diretamente a Ccimara, que foram anexados aos autos" Assim, afirmou que "A se considerar que tais pareceres' representam prova documental da dedutibilidade das despesas glosadas, a e, câmara a quo divergiu da jurisprudência de outras câmaras acerca do disposto no art 16, §4° do Decreto 70.235/72" A Fazenda Nacional, corn objetivo de demonstrar a caracterização da divergência jurisprudencial argumentou no sentido de que, ao se considerarem, no acórdão recorrido, os pareceres técnicos como provas documentais, não poderia estar justificado o seu acolhimento (dos pareceres técnicos) com base em uma das exceções previstas no artigo 16, §4°, do Decreto n° 70.235/72, pois nenhuma delas restou configurada, divergindo, destarte, do entendimento retratado nos acórdãos paradigmas. Defendeu que, não caracterizada nenhuma das exceções, tern-se como preclusa a possibilidade de juntar novos documentos após a impugnação, consoante se entendeu nos acórdãos paradigmas. Todavia, ao ser realizado o devido cotejo entre as decisões reputadas como divergentes por parte da recorrente, constata-se, forçosamente, em verdade, quanto a este ponto — preclusão — o dissídio não se faz presente . Primeiramente, é necessário conceituar-se o que se entende por divergência jurisprudencial, passível de enfrentamento por parte deste órgão julgador: trata-se da 7 ocorrência de decisões divergentes, sobre uma mesma questão de direito baseadas numa situação fática semelhante, prolatadas por órgãos julgadores de um mesmo tribunal. Ressalte-se: a questão de direito deve ser a mesma, é dizer, as decisões confrontadas devem retratar interpretações diversas especificamente sobre uma questão, a qual deve constituir, nas decisões confrontadas, efetivamente, a sua fundamentação determinante, Diante disso, tem-se que o acórdão recorrido, ao referir-se h questão da possibilidade de levar em consideração os pareceres juntados pelo contribuinte diretamente ao Conselho de Contribuintes, foi expresso no sentido de que "da análise dos documentos trazidos, a primeira constatação que aflora é de que a possibilidade de verificação do rateio pelo fisco não se resumiria a analisar 'planilhas e demonstrativos', exigindo uma auditoria profunda, tal corno as feitas_ Essa constatação atenua a percepção de que o contribuinte teria descumprido seu dever de colaboração com a fiscaliza cão". Desta forma, baseando-se no princípio finalistico do processo, conjugado com o principio da verdade material, entendeu-se naquele julgado no sentido de acolhimento dos documentos trazidos pelo contribuinte, sobretudo porque permitiram a formação da convicção daquele órgão julgador em relação à celeuma presente nos autos, qual seja, a caracterização e comprovação da efetivação do critério de rateio alegado pelo contribuinte. Nos dois primeiros acórdãos suscitados como paradigmas, por outro lado, o órgão julgador decidiu sobre a apresentação direta de documentos juntamente com o recurso voluntário, sob a argumentação do contribuinte no sentido da "quase impossibilidade" de juntada de tais documentos anteriormente, no sentido de que "a situação de 'quase impossibilidade' da produção da prova no momento oportuno (impugnação, ou in casu, manifestação de inconformidade) não está elencada dentre as exceOes enumeradas no §4° do artigo 16 do Decreto n° 70,235/72, de enumeração taxativa". Vê-se, assim, que o acórdão recorrido, proferido no presente processo, não perpetrou interpretação do artigo 16, §4°, do Decreto n° 70,235/72, de modo que não se pode falar em divergência de interpretação da lei tributária. Note-se que, na medida em que a recorrente cita como constituinte do dissídio a interpretação de um dispositivo de lei, especificando tal dispositivo, ela restringe a questão de direito aos lindes da proposição normativa em questão. Se o órgão julgador prolator da decisão combatida não interpretou o artigo de lei invocado, não se pode admitir como caracterizada a divergência jurisprudencial. Ademais, a questão de direito objeto de interpretação no acórdão recorrido refere-se ao livre convencimento do julgador, correspondente ao artigo 29 do Decreto 70.235/72, o qual dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Por outro lado, não há identidade de situações faticas entre o acórdão recorrido e os dois acórdãos paradigmas, pois estes se referem a pedido de restituição de saldo credor de IRPJ (primeiro acórdão) e de pedido de ressarcimento do IPI (segundo acórdão) em que a juntada da documentação que comprove o direito à restituição ou ressarcimento são condições essenciais ao pedido, e nestes casos, o ônus da prova do cumprimento dos requisitos ao ressarcimento ou restituição pertence ao contribuinte. No caso objeto deste processo, o tema refere-se ao ônus de provar a correção do critério do rateio de despesas (num primeiro momento durante a fiscalização e sobre ela a Processo n" 16327 000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n " 9101-00.621 F1 5 recairia tal ônus) e de demonstrar o erro da autuação ao tomar o método indireto como critério para o rateio (em sua defesa). Assim, não ha qualquer similitude entre as situações fiticas do acórdão recorrido e dos dois acórdãos paradigmas. Assim, para os dois primeiros acórdãos não estão presentes os requisitos necessários ao surgimento do dissídio jurisprudencial: a) não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido; e, b) não há apreciação da mesma questão de direito urna vez que o acórdão recorrido não trata da questão da preclusdo. Portanto, não pode ser conhecido o Recurso Especial no que tange ocorrência da preclusão. Ainda, no que se refere ao terceiro acórdão juntado corno paradigma, apesar de minha posição pessoal de que o Recorrente deve fazer um criterioso cotejo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido, curvo-me à posição majoritária desta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que havendo a mesma situação fática (no caso ocorreu porque os acórdãos versam sobre a fiscalização feita em todo o Grupo 'tar» e soluções jurídicas distintas aos fatos apresentados, há de ser conhecido o Recurso, especialmente se há o cotejo, ainda que feito de forma muito breve. Portanto, por estas razões conheço do Recurso Especial proposto pela Fazenda Nacional em vista do paradigma veiculado pelo .3°. Acórdão apresentado. No mérito não vejo corno ser modificado, neste item, o resultado do Acórdão Recorrido, seja pelos próprios fundamentos trazidos no Acórdão, seja por outros fundamentos ora indicados. Para mim a questão original é sobre o ônus da prova.. O Recorrente participou de urn "Convênio de Rateio de Custos Comuns" em conjunto com outras empresas do Grupo hair, Neste convênio foi firmado entre as partes urn critério pelo método direto de rateio, conforme se depreende do relatado no Termo de Verificação Fiscal, as cláusulas do referido convénio, assim disciplinaram o tema: "a) O Banco Itaii S/A manterá estrutura material e de pessoal que atenda tis necessidades dos contratantes, nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais (sistema de computadores) e recursos humanos, com vistas ei consecução dos respectivos objetivos sociais,. b) Os custos decorrentes da manutenção dessa estrutura serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização, segundo métodos estatisticos e matemáticos; c) 0 Banco liaá S/A preparará os demonstrativos dos custos e do respectivo rateio" Constata-se pelo Termo de Verificação Fiscal que a fiscalização não descaracterizou o convênio de rateio, mas o método adotado, E por que assim procedeu? 9 Porque entendeu corno licito o convenio. Todavia, desde o inicio solicitou provas que eram conflitantes corn o método eleito para rateio pelo Grupo Hair, Explico melhor. O método eleito pelo Ita1.1 não era aquele que a fiscalização pretendia que o Grupo comprovasse. Note-se a resposta do Grupo hati ao pedido feito pela Fiscalização, conforme disposto no termo de verificação fiscal, do qual se extrai o trecho constante de fls, 121/122 dos autos. "0 contrato denominado Convênio de Rateio de Custos Comuns (CRCC), existente entre o Banco Pali S.A (Banco NO e a Dail Capitalizaçâo S/A (Itaucap), considera que as empresas necessitam de estrutura material e de pessoal que atenda as necessidades operacionais de ambas e que há interesse em obter a otimização dos recursos disponíveis, a nível de pessoal especializado e equipamentos em geral, ganhando em economia de escala e que o banco manterá estrutura que atenda cis necessidades comuns. Assim, os custos decorrentes do compartilhamento dessa estrutura serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização entre referidas empresas. 0 processo de apuração do montante a ser rateado mensalmente toma como base os valores efetivamente utilizados, bem como os volumes produzidos pelos recursos compartilhados. Para tanto, utiliza-se um modelo de apuração de custos por produto, em que os custos departamentalizados são alocados aos produtos através da medição dos custos das áreas envolvidas, a saber: Area de Negócios, Unidade de Processamento de Serviços as Agencias (UPSA), Sistemas e 6rgiios Gestores (como a contabilidade, par ex). Sendo assim, coma é utilizado o modelo acima, que é válido para o conjunto de empresas envolvidas no compartilhamento de custos, a identificação/qualificação dos funcionários envolvidos . fica prejudicada, visto que elas não se dedicam exclusivamente ao produto de capitalização. Por outra lado, os recursos envolvidos no compartilhamento e o processo de rateio abrangem um imenso volume de informações por forgo do que se torna dificultada sua entrega imediata. guisa de exemplo, para fins de comprovação do efetivo compartilhamento de recursos, anexamos o demonstrativo anexo I, onde se apresentam os valores de custos apurados, relativos às áreas do Banco Itaii envolvidas na comercialização, atendimento a clientes, processamento e controle contábil dos produtos da Anexamos, ainda, demonstrativos (anexo 2), onde se relaciona, 2,245 pontos de venda (agências e postos de atendimento bancário), em praticamente todo o território nacional, por meio dos quais foram comercializados 1.360,434 titulas de capitalização ativos que Itaucap tinha em 31.1299" E, em nova intimação, a confusão continua e resulta numa autuação que, em momenta algum, desqualifica o convênio firmado. lo Processo n" 16327.000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00.621 Fl 6 Parece-me que desde o inicio a fiscalização queria que o Grupo comprovasse o rateio por um método diverso daquele que foi o efetivamente eleito no convênio. E, como o Grupo, por uma impossibilidade total de fazê-lo, não apresentou a comprovação pretendida pela fiscalização, foi surpreendido com urna autuação que alterava o critério. Registre-se o que constou do Termo de Verificação Fiscal (fls. 129/130): 4.2 Não obstante a posição do Banco Rai S/A, esta ,fiscalização não mediu esforços para obter mais informações não só perante a ITA6 CAPITALIZAÇÃO S/A, coma também .junto ás demais empresas do "conglomerado que participaram, no mencionado ano-calendário, do denominado 'Convênio de Rateio de Custos Comuns' Todavia, todos os esforços foram infrutíferos, tendo em vista que o Banco _Bait S/A, a MCI CAPITALIZAÇÃO S/A, bem coma a maioria das empresas relacionadas no item 13, conforme se comprova pela juntada de parte dos Termos de Intimação lavrados por esta fiscalização e anexados ás fls.. 76/95, deixaram de apresentar as planilhas de rateio, elaboradas pelo custo dos homens/hora utilizados, bem como qualquer prova, ou indicio de provas da efetiva utilização dos referidos serviços, 4,3 Outrossim, é inegável a eventual participação de funcionários do Banco Itati S/A em servigos junto as empresas do "conglomerado ItatC", participantes do Convênio de Rateio de Custos Comuns, incluindo a ITACT CAPITALIZAÇÃO S/A., , 4..5 Em sendo o rateio realizado pelo método direto, o Banco Itaú S/A, a ITACI CAPITALIZAÇÃO S/A, bem como as demais empresas, teriam que demonstrar o custo homens/hora das áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais e recursos humanos utilizados nas operações que modificam a situação patrimonial da ITA0 CAPITALIZAÇÃO S/A, Não havendo apresentado esses elementos de prova, resta comprovado que o rateio dessas despesas foi realizado em total desacordo com o pactuado no "Convênio de Rateio de Custos Comuns", ou seja, o rateio não foi realizado de acordo com a efetiva utilização dos serviços já relacionados. Em outras palavras, não foi utilizado o método direto para o rateio de despesas de pessoal das áreas de auditoria, contencioso Judicial, consultoria .jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais e humanos, Pelo que constou de todo o Termo de Verificação Fiscal, em especial dos trechos citados, fica claro para mim que a Fiscalização não entendeu o método eleito pelo Grupo ItaU O método eleito pelo Grupo 'tail foi o método direto, como constou do referido convênio e que aqui mais uma vez se repete: "Os custos decorrentes da manutenção dessa estrutura serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização, segundo métodos estatísticos e matemáticos." 11 Assim, em vez de buscar entender estes métodos estatisticos e matemáticos (que a propósito estão elucidados pelo Recorrido em sua impugnação e em seu Recurso Voluntário e novamente provados por auditores externos nos documentos juntados) a Fiscalização insistiu em pedir uma documentação desconexa corn o que determinava o convênio e , como não houve resposta especifica porque impossível — adotou o critério de rateio pelo método indireto,. Assim, não ha como concordar corn o pedido da Recorrente. Cito, aqui, por relevante para o presente caso, passagem do voto proferido no acórdão n° 107-09.588, que se refere a uma das autuações perpetrada em face do Grupo hat, da antiga Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com o seguinte teor: "Como regra geral, o dever da prova é do fisco. Neste sentido é o art 923 do R1R/99... ArL 923 A escrituraçâo mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-lei ix, 1,598, de 1977,, artigo 9". Parágrafo 10 , Art. 924. Cabe 6. autoridade administrativa a prova da in veracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei no, L.598, de 1977, art, 9, parágrafo 2") Portanto é o . fisco gue deve provar que a despesa ou custo inexistente ou que é .falso o documento que suportou o lançamento contábil ou ainda que a despesa não é normal, usual ou necessária. Esse ônus .jamais pode ser transferido ao contribuinte, quando os comprovantes . forem apresentados ou quando os esclarecimentos prestados foram sifficientes sustentar o lançamento contábil, dando ao fisco elementos necessários para que empreenda as diligencias que entender necessárias. fato notório que grupos de instituições . financeiras compartilham estrutura operacional e de pessoal da alta administração. O simples relato dos acontecimentos permite antever açodamento por parte da fiscalização. Decerto premido pela aproximação do prazo decadencial, o auditor fiscal, à vista das informações obtidas, não empreendeu as diligencias necessárias, Teria apurado que, em relação à ação fiscal levada efeito no controlador Banco 'Ifni SIA e ern outras empresas do grupo, outras unidades da Receita Federal adotaram critério diferente no tratamento da questão, no mínimo refizerem o rateio para distribuir as despesas comuns. Assim, na medida em que a fiscalização levada a termo no Banco Pa(' SA, empresa centralizadora do rateio de custos não deixou dúvidas quanto ao . fato de que entre as empresas do Conglomerado Itaú havia o compartilhamento de custos comuns, resta patente a inversão do ônus da prova„ Isso porque, caberia a fiscaliza cão a prova de que os critérios de rateio utilizados pelo Banco Itaú não poderiam ser aceitos, naturalmente não mediante a simples exibição de planilhas e demonstrativos 12 Processo n° 16327000010/2005-15 CSRF-T1 Acórdão n,° 9101-00.621 Fl 7 segundo o particular critério eleito pelo .fisco, mas, sim, pela realização de profunda auditoria. Aliás, tendo o Banco Itaá SA (empresa centralizadora dos custos comuns), assim como a recorrente, prestado às autoridades de „fiscalização da DEINF Sao Paulo e da DEINF Rio de Janeiro os esclarecimentos suscitadas, especialmente quanto aos critérios que presidiram o rateio de custos pelas empresas do Conglomerado Bali e as razões pelas quais não poderiam atender o particular critério eleito pelo fisco, realmente caberia às azaoridades de fiscalização a prova de que os critérios de rateio empreendidos na empresa centralizadora das custos comuns não poderiam ser aceitos. Isso sob pena de ofensa ao art. 845, §10 do RIR/99- que reza que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elementos seguros de prom ou indícios veemente de falsidade ou inexatidão"-, como assim já decidiu este Colegiado em matéria análoga no recente Acórdão 107- 0941, de minha relatoria" (Luiz Martins Valero), Estamos frente, consoante o meu entendimento, a urn nítido caso de impossibilidade de prova do fato nos tennos do requerido pelo fisco, até porque tal fato, relativo ao critério de rateio suscitado na fiscalização, não fora, efetivamente, aquele demonstrado pelo contribuinte. 0 fisco, na hipótese, estabeleceu, corno condição A não autuação do contribuinte, a produção de urn prova que não poderia perpetrarr . Pode-se afirrnar estar-se diante de urna verdadeira "prova diabólica", aquela que, na definição de Alexandre Câmara, citado por Fredie Didier, refere-se "àqueles casos em que a prova da veracidade da alegação a respeito de um fato é extremamente dificil, nenhum meio de prova sendo capaz de permitir tal demonstração" I . Na verdade, o que se tem 6 urn prova bilateralmente diabólica, a qual impossível para as duas partes. A aplicação dessa doutrina convém ao presente caso, sobretudo, porque enseja uma razoável solução jurídica para o seu deslinde Realmente, conforme os mesmos autores, segue-se que: "Para definir qual será sua regra de julgamento Onus objetivo), cabe ao juiz verificar, ao fim da instrução, qual das partes assumiu o 'risco de inesclatecibilidade; submetendo-se possibilidade de uma decisão desfavorável. Assim, se o .fato insuscetível de prova for constitutivo do direito do autor: a) e o autor assumiu o risco de inviabilidade probatória ('inesclarecibilidade), o juiz, na sentença, deve aplicar a regra legal (3.33, CPC) do ônus da prova (regra de julgamento) e dar pela improceddncia " 2 , Ora, por óbvio, não se pode admitir que o peso da não comprovação daquilo que o fisco exigiu, na medida em que se trata de prova impossível, possa recair sobre o contribuinte. Sendo o Fisco o responsável por trazer h tona o fato a ser provado, especialmente I DIDIER ,JR. Fredie; BRAGA, Paula Sarno; e OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil. Vol 2. 20 edie5o 2008. Ed, Jus Podivm. p 87 2 Idem p 88. 13 tendo em vista que o contribuinte Ado poderia fazer prova de tal fato — a prova do rateio nos termos perseguidos pela fiscalização — aquele (o Fisco) é quem deve arcar com o "risco de inesclarecibilidade". Se a ausência da prova rendeu ensejo à autuação, esta, indubitavelmente, não merece prosperar. Ademais, nos termos do citado Acórdão da antiga 7', Camara do 1°. Conselho de Contribuintes, ulna vez que as despesas estavam regularmente escrituradas e nos termos da legislação em vigor, a presunção da legitimidade do lançamento tributário nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, pertence ao sujeito passivo, quando as regras instrumentais foram regularmente obedecidas. Desta forma, caberia ao Fisco comprovar que as despesas tomadas pela Recorrida não foram feitas em consonância com a lei e quando se fala em comprovar, isto significa que o Fisco teria que ter provado que o Grupo had não logrou comprovar que teria feito o rateio de despesas nos termos propostos no Termo de Rateio. Entretanto, o Fisco não procedeu a verificação dos efetivos métodos de rateio utilizados pelo Grupo de empresas e assim não conseguiu elidir o lançamento realizado pelo próprio sujeito passivo . Como já expus em trabalho anteriormente realizado: Assim, sempre que alterar a norma individual e concreta expedida pelo sujeito passivo, a Administração Pública, por intermédio de seus agentes, terá de fundamentar o seu ato, apresentando as provas de que aquela norma expedida pelo sujeito passivo não deve ser admitida como válida no sistema. Porém, deve ser verificado que também a norma individual e concreta que documenta a incidência tributária expedida pelo sujeito passivo possui uma presunção de validade nos termos afirmados no capitulo anterior. Ora, uma vez enunciada pelo sujeito passivo, ela somente pode ser alterada pelo próprio sujeito passivo ou pela Administração Pública, de acordo com regras especificas e a partir da demonstração de que aquele primeiro enunciado não condiz com os aspectos formais relativos ao ato, ou não se harmoniza com os relatos sobre o evento social que deu causa a tributação, isto quando .ficar demonstrado, por meios de prova, que aquele enunciado do antecedente da norma individual e concreta não se sustenta perante a análise das provas. Portanto, entendo que o lançamento tributário ora em discussão, no que tange ao tema do rateio de despesas, não pode prosperar, em vista de ter sido realizado corn evidente inversão do ônus da prova e sem que o Fisco tenha desqualificado o critério de rateio utilizado pelo Grupo ItaiL Todavia, ainda que se quisesse adentrar no mérito da comprovação do critério de rateio, tenho a convicção de que restou comprovado nos autos que o Grupo obedeceu aos critérios anteriormente definidos no Convênio firmado, conforme ficou muito esclarecido pelo Acórdão recorrido. Neste tópico gostaria de esclarecer o seguinte sobre o voto prolatado pela Camara a quo: No voto proferido tomou-se o voto elaborado pela Conselheira Sandra Faroni que assim se posicionou: 14 Processo n° 16327000010/2005-15 CSRE-T 1 AcOrdão fl . 0 9101-00,621 FL 8 De se observar que a fiscalização não rejeitou o critério adotado pelo impugn ante, mas se viu impossibilitada de conferi-lo, pela não apresentação dos demonstrativos que o respaldam. Não cabe exigir da ,fiscalização que, ante a ausência de .fornechnento de elementos para averiguar o rateio feito, o homologue. Por outro lado, não é razoável impugnar o rateio de despesas, se não houver dúvidas quanto à efetiva repartição de custos. Assim, a .fiscalização agiu com ponderação e equilibria ao acatar o rateio aplicando o método indireto, o único a que pode ter acesso e que, inclusive, é o mais frequentemente adotado. Ora, pelo que já expus não concordo com esta premissa. Em sua impugnação e em seu recurso a empresa autuada, ora recorrida demonstrou, exaustivamente, os critérios do rateio, trazendo inclusive laudo técnico explicativo destes critérios . Os demais documentos trazidos após o Recurso Voluntário tam o condão de corroborar aquilo que já estava demonstrado e de cabalmente provar que os critérios eleitos no termo de convênio foram obedecidos nos anos subseqüentes. Assim, ainda que não fosse necessário, a meu ver, a autuada demonstrou e comprovou que o critério de rateio eleito foi feito . E, neste item, é indiscutível que os laudos apresentados pela Recorrida, puseram fim h questão na medida em que comprovam que o critério adotado ea legitimo e condizente com a legislação em vigor. Nestes termos concordo com a conclusão da Conselheira Sandra Faroni em seu voto, nos seguintes termos: considero que os documentos trazidos, cuja anexação aos autos foi determinada, demonstram que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e ã necessidade das empresas, não podendo prevalecer a glosa. Por todo o exposto, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. SUSY GOME A - Redatora Designada 15
score : 1.0
Numero do processo: 15979.000295/2007-19
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO.FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE.
A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal.
DECISÃO RECORRIDA NULA.
Numero da decisão: 2401-001.205
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO : Processo n° 15979.000295/2007-19 Recurso n° 148.184 Voluntário Acórdão n° 2401-01.205 — 4a Câmara / ia Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCLARIAS - CONSTRUÇÃO CIVIL - RESPONSABILIDAE PESSOA FÍSICA Recorrente ANTÔNIO MENDES E LÍDIA DOS ANJOS PEREIRA M. MENDES Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO.FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. DECISÃO RECORRIDA NULA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. C/1\----\\È„/ I - ---- ELIAS SAIV\IP2I0 FREIRE - Presidente Nj-- ,)‘• n;.; r. KLEBER FERREIRA DE ARAUJO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 15979.000295/2007-19 S2-C4T 1 Acórdão n.° 2401-01.205 Fl. 111 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n° 35.792.609-9, posteriormente cadastrada na RF'B sob o número de processo constante no cabeçalho, lavrada em nome das pessoas fisicas já qualificadas nos autos, na qual são exigidas as contribuições dos segurados e as seguintes contribuições patronais: para a Seguridade Social, incluindo aquela destina ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, e as destinas a outras entidades e fundos. O crédito em questão reporta-se a competência 12/2003 e assume o montante, consolidado em 22/06/2005, de R$ 84.463,18 (oitenta e quatro mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dezoito centavos). De acordo com o relatório da NFLD, fls. 16/19, os fatos geradores presentes no lançamento foram os pagamentos de remuneração aos trabalhadores que laboraram na edificação de imóvel de propriedade dos notificados. Afirma-se que a referida edificação vincula-se a projeto arquitetõnico aprovado pelo Processo n. 8073/95 da Prefeitura da Estância Balnearia de Praia Grande, para construção de um prédio com área construída total de 1.305,11 m2, sendo 297,39 m2 de área comercial e 1.077,72 m2 de área residencial. O período de construção da obra foi de 07/1995 (alvará) a 10/2000 (habite-se). Informa-se que as base de cálculo foram obtidas por aferição indireta, utilizando-se o método de obtenção da mão-de-obra com base na área e no padrão da obra, conforme tabelas fornecidas pelo Sindicato da Construção Civil. Afirma-se que a área comercial já fora regularizada anteriormente, com Certidão Negativa de Débito emitida em 18/04/1997. A autoridade notificante afirma que os interessados foram convocados a promover a regularização da obra e o seu não comparecimento deu ensejo a ação fiscal da qual resultou a presente NFLD. Os notificados apresentaram impugnação, fl. 27, na qual pugnam pelo cancelamento do crédito, visto que o imóvel em questão já se encontra regularizado, conforme CND anexada. Diante das alegações constates na defesa, o órgão de julgamento de primeira instância determinou a realização de diligência fiscal. A auditoria se manifestou, fls. 83/86, contestando as razões do notificado. Aponta o fisco vários fatos relativos à CND apresentada que levam a indícios de irregularidade na sua emissão. Ao final opina pela manutenção da A Delegacia da Receita Previdenciária em Santos (SP) declarou procedente o lançamento, fls. 88/94. 3 Não se conformando, os notificados interpuseram recurso voluntário, lis. 97/100, no qual alegam que a CND é atestado de regularidade fiscal do contribuinte e protesta pelo cancelamento da NFLD. É o relatório. • 4 Processo n° 15979.000295/2007-19 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.205 EL 112 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Na espécie, há um incidente processual que não pode ser negligenciado. Explico. Após a apresentação da defesa o processo foi baixado em diligência para que a auditoria se pronunciasse sobre as alegações dos notificados. Emitido o pronunciamento fiscal, o julgador de primeira instância decidiu pela procedência do lançamento, considerando as informações prestadas em sede de diligência fiscal. Ocorre que ao sujeito passivo não foi possibilitado o contraditório, posto que, houvesse determinação nesse sentido, não lhe foi dada ciência do resultado da diligência fiscal perpetrada, para que pudesse fazer o seu contraponto antes da emissão da decisão a quo. Uma leitura dos termos da Informação Fiscal juntada, fls. 83/86, não deixa dúvidas de que as alegações ali presentes, rebatem as alegações da defesa. Tal fato evidencia a ocorrência de falha que, embora sanável, não pode ser desconsiderada por esse colegiado. Tenho que reconhecer que a irregularidade apontada contraria norma de observância obrigatória contida no art. 5.0, LV, da Carta Magna, a qual garante aos litigantes, em processo administrativo ou judicial, o direito ao contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido, a Decisão Notificação não pode subsistir, posto que negligenciou a oportunidade da recorrente de se contrapor a alegações trazido aos autos pelo fisco. Não há dúvida de que o decisum em comento atropelou garantia processual de ordem pública, pelo que deve ser declarada nulo. É esse o entendimento expresso no Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, que, ao tratar das nulidades no processo administrativo fiscal, prescreve: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. sÇ 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 2 0 Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (...)(grifos não originais) , 5 N,;; "-, Portanto, a nulidade da DN merece ser decretada para que se possa oferecer oportunidade à recorrente de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal, antes de qualquer decisão da Receita Federal do Brasil a respeito do AI sob enfoque. Voto, assim, por declarar nula a decisão de primeira instância e os atos processuais subsequentes, para que a contribuinte seja intimada a se manifestar em relação à diligência fiscal, retomando o processo o curso normal a partir de então. Sala das Sessões, em 8 de junho de 2010 KLEBER FERREIRA DE AMJJJO - Relator 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA 0.Wrii+, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS W, QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n": 15979.000295/2007-19 Recurso tf: 148.184 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo• de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.205. Brasilia,-05 de julho de 2010 / (rr,/ ELIAS SÃIVIPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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