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Numero do processo: 10831.002104/87-45
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 1988
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
- Caracteriza-se cerceamento ao direito de defesa a inobservância das condições obrigatórias estabelecidas pela art. 11 e incisos do Decreto nº 70.235/72.
- Processo anulado à partir da Notificação de lançamento,inclusive.
Numero da decisão: 303-25.171
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em anular, o processo, a partir da notificação de fls. 08, por cerceamento do direito de
defesa, tendo em conta não foram informados ao contribuinte, os
critérios para imputação proporcional do débito, vencidos os Conselheiros Carlindo de Souza Machado e Silva e Hélio Loyolla de Alencastro que proviam o apelo, apenas para fins de exclusão da multa moratória, na forma do relatório e votos, que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Jose Jadir dos Santos.
Nome do relator: WILFRIDO AUGUSTO MARQUES
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Recorrente RHODIA S/A. Recorrid IRF - VIRACOPOS - SP. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Caracteriza-se cerceamento ao direito de defesa a inobser vãncia das condiçOes obrigatórias estabelecidas pela art. 11 e incisos do Decreto n 2 70.235/72. - Processo anulado à partir da Notificação de lançamento,in clusive. VIST O, relatado e discutido o presente processo, ACÓRDAM os Membros da Terceira Cãmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em anular, o proces - so, a partir da notificaçao de fls. 08, por cerceamento do direito de defesa, tendo em conta não foram informados ao contribuinte, os critérios para imputaçao proporcional do débito,. vencidos os Conse- lheiros Carlindo de Souza Machado e Silva e Hélio Loyolla Ide Alencas- tro que proviam o apelo, apenas para fins de exclusao da multa morató ria, na forma do relatório e votos, que passam a integrarlo presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Jose Jadir dos San tos. Brasília -DF, o00P 27 de abridpde 1988 ar HÉLIO LOY0 LA DE ALENCAS RO - Presidente /( WIL 'IDO /PUGUSTO MA UES - Relator LUIZtREDERICO DE B FSSAnftWC- Proc. da Faz. Nacional VISTO EM SESSÃO DE* 2 Lii\4)1983 Participaram,ainda,do presente julgamento os seguintes Conselheiros: PAULO AFFONSECA DEBARROS FARIA JUNIOR, CARLINDO DE SOUZAjMACHADO E SILVA, RUBENS PELLICCIARI, FLÚVIO CÁSSIO DE MELLO E SOUZA(suplente), MURILLO FORJAZ MATHIAS e CELITA OLIVEIRA SOUSA. Recurso do Procurador N2 303.0.957 - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL ME - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECURSO N 2 109.726 ACÓRDÃO N 2 303 - 25.171 RECORRENTE: RHODIA S/A RECORRIDA : IRE - VIRACOPOS - SP. RELATOR : WILFRIDO AUGUSTO MARQUES RELATÓRIO Pela Notificação de Lançamento n 2 140/87, foiiexigido o recolhimento do saldo remanescente do Imposto de Importação feito com insuficiência quando do registro da D.I. n 2 001973, de 23.02.87. Alega a Fiscalização que pela DCI n g 00365, de 06.03.87, foi recolhido o valor de Cz$2.007,61, referente à diferença do I.I. originária por desclassificação, apurada em ato de conferencia dos bens objeto da citada D.I., sendo que tal diferença deveria ser acrescida da multa de mora, juros de mora e correçao monetária. As fls. 08, despacho determinando a reabertura do prazo e esclarecendo a exigência no tocante à técnica de imputação propor cional de pagamento, normatizado pela IN SRF n g 053, de 23.07.81 e pela IN n 2 19, de 19.03.84. Novamente a importadora invoca as decisões deste Conse- lho, concluindo que não havendo remanescente do Imposto de Importa- ção, nem incidência de correção monetária, juros de mora' e multa de mora, o recolhimento efetuado pela D.C.I. n 00365/87,f1s. 03, é perfeito, extinguindo-se o crédito na forma do artigo 156, inciso I, do C.T.N. Com base no relatório e parecer de fls. 19/21, o Sr. Inspetor da Receita Federal no Aeroporto de Campinas-SP, julgou pro cedente a exigência. Tempestivamente é interposto recurso onde são renovadas as razões apresentadas na impugnaçao. É o Relatório. ;,' ., ; FLS.1.1.5 Recurso n 2 109.726. . Acordao n 2 303 - 25.171 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL VOTO Verifica-se, portanto, que constata a insuficiência do re colhimento do Imposto de Importação a empresa apresentou a Declara - ção Complementar de Importaçao n 2 00365, de 6 de março de1987, re colhendo o valor de Cz$160,61, fls. 03. Posteriormente, em revisao aduaneira a fiscalização apurou que era de Cz$ 493,12, a qual deveria 1 ser acrescida a correção monetaria, juros de mora e multa de mora. Alega a Recorrente que concordando com a desclassificação recolheu os impostos complementares de conformidade com a Instruçao Normativa SRF n 2 40/74. Não concorda, todavia, com a exigência formalizada para' exigir a diferença a título de multa de mora, juros de mora resul - tando no imposto diferença do II de Cz$ 493,12. Quanto à multa de mora alega que houve divergência no enquadramento tarifário e consequente pagamento a menor do imposto e nao atraso no pagamento, portanto, éincabível' a multa, conforme inómeros julgados deste Conselho representados por mais de 206 acór- dãos já citados pela Recorrente. i No tocante aos juros de mora,,os mesmos nãosk cabíveis nos casos de pagamentos complementares efetuados por ocasi jo de conferen- cia aduaneira. i1 Acata a Recorrente a exigência somente no concernente à incidência da correção monetária sobre a diferença do Imposto de Im portação recolhido com a D.C.I. n 2 00365/87. Apesar da manifestação da Recorrente no sentido de concor dar com parte da exigência fiscal, de análise minuciosa dos autos do processo constata-se que a instrução do processo não atendeu ao dis- posto pelo art. 11 do Decreto n 2 70..235/72, caracterizando flagran- te cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. Com efeito, além de não constar a qualificação do notifi- cado e o dispositivo legal infringido, não foi explicitada a sistema tica observada para a apuração do crédito tributario que, segundo conta da Notificação de fls. 08, e da decisão do Sr. Inspetor, de fls. 21, teria sido elaborada com base na , técnica de imputação pro- porcional do pagamento, normatizada pela IN SRF N 2 053, de 23.07.81, e da IN SRF n 2 19, de 09.03.84, e ainda pelo Manual de Aplicação de Acréscimos Legais de Tributos Federais". Ocorre que a simples citação das Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal e do "Manual de Aplicação de Acresci - mos legais de Tributos Federais", não supre _a obrigação da Fiscali zaçãode pautar suas exigências em manifestações claras e objetivas, permitindo ao contribuinte o amplo exercício do seu direito de defe sa. Ante o exposto, voto no sentido de, preliminarmente, pro- por a anulação do processo, à partir da Notificação de Lançamento n 2 140/87, tendo em vista que nao-forã 'informado à Recorrente os cri térios utilizados para a apuração do crédito tributário, caracterizan do-se, assim cerceamento do direito de defesa. 1 1 Sala das Sessões, em 27 de abril de 1988. e"fWILFRI AU 1JSTO inarelator OLS/CF ] 1 1 , ,
score : 1.0
Numero do processo: 10711.001334/89-33
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 1990
Numero da decisão: 303-00.314
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de
remessa do processo à egrégia lª Câmara, vencidos os Cons. Paulo César Bastos Chauvet, relator, Luiz Eduardo sá Roriz e Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior; por maioria de votos em converter o julgamento em diligência à Universidade de São Carlos, por intermédio do voto do relator designado. Vencidos os Cons. Paulo César Bastos Chauvet, relator, Luiz Eduardo Sá Roriz e Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior. Ausente, justificadamente, o Cons. Evandro Neiva de Amorim.
Nome do relator: PAULO CESAR BASTOS CHAUVET
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Sessão dli.5.~:,d.e....£.eVeTe.irode1990...... ACOROÃO N.o . Recurso n.o Recorrente Recorrid 111.116 - Processo n~ 10711.001334/89-33 HERGA INDÚSTRIAS QUíMICAS LTDA IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO R E S O L u ç'Ã O 303-0.314 VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos de recuK so int~rpoito por HERGA INDÚSTRIAS QUíMICAS LTDA. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Cons,ª • lho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a pr~liminar de remessa do processo ~.egr~gia lª Câmara, vencidos os Cons. Paulo C~sar . '. . Bastos Chauvet, relator, Luiz Eduardo sá Roriz e Paulo Affonseca de BaK ros Faria Júnior; por maioria de votos em converter o julgamento em di- lig~ncia ~ Universidade de S~o Carlos, por interm~dio do voto do rela- tor designado . Vencidos os Cons. Paulo C~sar Bastos Chauvet, relator, Luiz Eduardo sá Roriz e Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior. Ausen- te, justificadamente, o Cons. Evandro Neiva de Amorim. Sala 15 de de 1990. VISTO EM SESSÃO DE: HÉLIO LOYO LA DE ALENCASTRO - Presidente ,'V~££~ JO~~~; D~ FON~~A ~ ;elator designado 'VV' ~ .../(' CLAÚDIO BRANIDT.DN'SILVA'SOBRINFlO .;-"--PrbC'~C';da' 'Fáz~'Nacional 2 2 JU~J 1~~O Participaram,ainda,dopresente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLINDO DE SOUZA MACHADO E SILVA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, PAULO CÉSAR BASTOS CHAUVET, LUIZ EDUARDO SÁ ROHIZ,HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO EjOSÉ ARUALDO DE CASTRO ALVES (Supl~nte). SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECORRENTE: HERGA INDÚSTRIAS QUíMICAS LTDA. RECORRIDA : IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO RELATOR DESIGNADO : JOSÉ ALVES DA FONSECA R E L A T Ó R I O Recurso: v O T O Fls. 02 111.116 • vo ao la HERGA INDÚSTRIAS QUíMICAS LTDA., submeteu a despa - cho de importação, por meio da DI n2 14.706/87 (fls. 3, 5, 7/8) a mer cadoria declarada como "ESTEARIL DIMETIL AMINA-ADOÇEN 343, classifi ~ cando-a no código TAB 29.22.31.99, "compostos de função amina. Outras monoaminas acíclicas e aromáticas, seus derivados e seus sais". Em ato de revisão, verificou a fiscalização, com base no Laudo de Análi- se n2 3535/87 (fls. 14), tratar-se de "uma amina graxa, de origem ani mal sem constituição química definida", do código TAB 38.19.99.00.Foi lavrado auto de infração (fls. 1) com exig~ncia da diferença do IPI e aplicação das multas previstas nos arts. 526, 11, do R.A. e 364,11, do ~~PI/82. Posterior informação t~cnica.ratificando o mencionado lay do LABANA,~ juntada aos autos (fls. 25). Na impugnação (fls. 32), discorda a empresa do re - sultado do laudo, alegando que, há anos, importa o produto em causa sempre com a mesma classificação, código TAB 29.22.31.00. .~ A decisão da autoridade de 12 grau (fls. 50/53),que leio em sessao, foi no sentido de julgar inteiramente procedente a açao fiscal. Inconformada, interpôs a interessada recurso (fls. 56/60) a este Conselho, alegando, em síntese: a) o produto "ADOGEM 343" foi corretamente' classificado na posição 29.22.31.00; tendo o laudo t~cnico afirmado, ,peremptoriamente, que o produto importado .~;l,lITladeterminadaesp~c ie de amina, segue- se que irreprochável foi a classificação fiscal uti lizada - "posição 29.22 - Compostos de função ami - na", já que tem todas as características de mat~ria prima, e não de produto quimicamente preparado; b) deixou a Fazenda Nacional transcorrer o prazo decadencial (fatal e improrrogável) de 5 dias para efetuar qualquer impugnação àquela classifica- ção e, em conseqü~ncia, para cobrar eventuais dife- renças de impostos que julgar credora; c) incabível ~ a revisão do lançamento em virtude de mudança de crit~rio fiscal (súmula 542 do Tribunal Federal de Recursos), se não houver por parte do fisco inequívoca prova de dolo, fraude ou simulação cometida pelo contribuinte. Conforme se verifica, a recorrente protesta por nQ exame do produto pelo I~N.T.'Para tanto, apresenta quesitos (quatro, todo), constantes 80 Do([::<.,Iil'~ 8,de fls. 95, e mais doi!:jacrescidos pg petição de fls. 105. lar definidos? tá presente a -K~CURSO:lll.llb RESOLUÇÃO: 303-0. 314 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Em caráter excepcional, entendo deva ser ouvida o~ tra instituição técnica a respeito da identificação do produto efetiva- mente importado, ~ vista da contraprova existente no LABANA, paraexcl~ ir-se eventual argutção de cerceamento do direito de defesa. Assim sendo, voto para que o julgamento do processo seja convertido em diligênciá ~ Universidade Federal de são Carlos, por intermédio da reparti~ão de origem, com a sblicitação de que a renomada instituição identifique quimicamente o produto, mediante o exame da con traprova a ser anexada ao processo, e se digne responder aos ;'quesitos (emn~mero de quatro) constantes do documento de fls. 95 e os arrolados na petição de fls. 105, dos autos, bem assim aos que abaixo seguem: 1 - o produto examinado é derivado de gordura ani mal (sebo)?; 2 - Tem, ou nao, constituição quimica e peso molec~ 3 - Entre as substâncias encontradas na análise,es- estearil dimetil amina? 4 - Caso positivo, em que proporção? Sala das Sessões, em 15 de fevereiro de 1990. ~')hÁ~ JOSÉ ALVES DA FONSECA - Relator designado. ~. III .-.L.LO RESOLUÇÃO: 303-0.314 SERVI CO PÚBLICO FEDERAL v O T O ~~"VE N C I O O Conforme se viu, o que basicamente se discute nos autos é a classificação tarifária do produto importado. Sequer se constata nos documentos técnicos pertinentes ao processo qualquer elemento que po~ sa configurar como indevida a declaração da mercadoria. Assim, por se tratar de matéria de privativa competência, com o mesmo entendimento dado a quest6es similares tratadas em outros .~,- processos, voto pela remessa do presente para julgamento pela 1ª Câm-ª. ra deste Conselho. Sala das Se~s6es~ em 15 de fevereiro de 1990. 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720211/2008-49
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ENQUADRAMENTO LEGAL.
Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na
Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural.
ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO.
Para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, as áreas de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ENQUADRAMENTO LEGAL. Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. 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Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 190 2 produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 146/149), que reproduzo a seguir: “Contra a contribuinte interessada foi emitida, em 14.07.2008, a Notificação de Lançamento nº 06109/00019/2008 de fls. 27/31, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 41.620,43, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2005, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Santo Antônio das Minas Vermelhas”, cadastrado na RFB, sob o nº 1.537.0194, com área de 836,5 ha, localizado no Município de Patos de Minas/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 01/02, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido junto ao IBAMA; 2º Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado de ART registrada no CREA, Fl. 201DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 191 3 identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o art. 9º do Decreto nº 4.449/2002; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 5º cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva particular do patrimônio natural; 6º Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT. Em resposta, foi apresentada a correspondência, de fls. 03/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15/20. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da correspondente DITR/2005, a fiscalização resolveu glosar integralmente as áreas de preservação permanente, de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural, respectivamente, de 18,0 ha, 177,4 ha e 641,1 ha, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável/alíquota de cálculo, e disto resultando o imposto suplementar de R$19.730,00, conforme demonstrado às fls. 30. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 28/29 e 31. Da Impugnação Após tomar ciência do lançamento, em 22.07.2008 (às fls. 141), a contribuinte interessada protocolou em 21.08.2008, a impugnação de fls. 33/53, acompanhada dos documentos de fls. 54, 55, 56/58, 59/61, 62, 63/66, 67/70, 71, 72, 73, 74, 75, 76/81, 82/86, 87, 88/93, 94, 95, 96, 97, 98, 99/102, 103/105, 106/134, 135, 136, 137 e 138. Em síntese, alega e solicita que: entende que deva ser declarada a nulidade do Auto de Infração pois considera que não há correlação entre os fatos narrados e o Fl. 202DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 192 4 enquadramento legal e transcreve legislação citada pela autoridade fiscal; discorda do lançamento, com a glosa das áreas ambientais, ressaltando que foi desconsiderado por completo as informações prestadas, em resposta à intimação; ressalta que a atividade administrativa em questão poderia ter atendido aos princípios administrativos da busca da verdade real e da eficiência por meio da consideração dos esclarecimentos e laudos apresentados, que demonstravam a realidade do imóvel; alega que ficou aguardando a procedência de seus esclarecimentos, sendo, pois surpreendida pela ciência da existência do Auto de Infração e tal ocorrência deu ensejo à obstrução de seu direito de defesa; cita ensinamento doutrinário para referendar tese sobre a busca da verdade real pela Administração Pública, bem como a sua capacidade de largo alcance no que diz respeito à coleta de provas e documentos ligados aos eventos pertinentes; esclarece que a aquisição das glebas, que formam o imóvel, fora realizada no escopo de manutenção das áreas preservacionistas existentes, beneficiandose da permissão de oferecer estas áreas como “reservas” (áreas preservacionistas), situada na mesma bacia hidrográfica de áreas existentes em outro município, sendo que após estudo realizado nestas áreas, os 836,6 ha, foram divididos em 18,0 ha de área de preservação permanente, 177,4 ha como área de reserva legal e 641,1 ha como área de reserva particular do patrimônio natural; esclarece que, em 21.11.2005, por força de Mandado Judicial de Retificação de Área, a área registrada na matrícula nº 13.916, fora retificada para 764,8 ha, passando a área total do imóvel para 1.038,8 ha; ressalta que a área do imóvel não se trata de área economicamente aproveitável, sendo que foi adquirida visando unicamente manter e preservar a mesma, logo não deve ser considerada como tributável; informa que em 2005 contratou empresa que elaborou laudo técnico visando a compensação das Reservas Preservacionistas existentes nestas glebas, tendo sido elaborado o projeto para formalização de criação de RPPN, documento em anexo; por meio da prestação de serviço dessa empresa, foi elaborado laudo técnico visando à compensação da Reserva Legal para os imóveis rurais de sua propriedade, localizados no município de Uberlândia – MG, com processos no IEF; em setembro de 2006, após a formalização de processo junto ao IEF, toda a área do imóvel, vale dizer, 1.038,8 ha, foi cadastrada como RPPN; Fl. 203DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 193 5 informa, também, que contratou a empresa Topsat Topografia e Projetos Ambientais, tendo então regularizado a criação da RPPN, bem como a compensação de reservas definidas, conforme documentação apresentada nas primeiras informações solicitadas pelo agente fiscal; ressalta que a RPPN se trata de uma servidão administrativa criada por meio de ato volitivo do proprietário da terra, dentro de uma sistemática de incentivo do Poder Público, com o objetivo de preservar o meio ambiente; entende que houve equívoco do Agente Fiscal, que não fez um levantamento do imóvel tributado, tendo unicamente desconsiderado a declaração apresentada sob o fundamento de apresentação intempestiva do ADA e também da não averbação da área a margem do registro do imóvel; alega que comprovou documentalmente e comprova na impugnação, que o imóvel é formado unicamente de áreas preservacionistas, conforme consta na declaração, sendo certo que tais áreas podem ser excluídas da base de cálculo do ITR e cita e transcreve ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes para referendar sua tese; informa, que, na oportunidade, apresenta Laudo Técnico, firmado por engenheiro agrônomo, que comprova que a gleba possui caráter preservacionista, sendo que a mesma nunca foi antes aproveitada economicamente, para cultivos em geral, encontrandose intacta e portanto deve ser excluída da base de cálculo do ITR; quanto às glosas efetuadas, ressalta que administração, em nenhum momento, demonstra a falta de veracidade da declaração do contribuinte e apenas ressalta o disposto no art. 111 do CTN, informando que no presente caso deverá ser dada interpretação literal à legislação; a autuação desconsidera as informações prestadas pelo contribuinte e a existência das áreas de preservação permanente, reserva legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural, por entender que o contribuinte não estava acobertado como o ADA e averbação destas áreas no registro de imóveis, desconsiderando a obrigatoriedade da busca pela verdade real acerca dos fatos jurídicos tributários, em uma verdadeira contradição entre política ambiental e a tributária, com reflexos negativos na política agrícola; cita e transcreve Acórdão do Conselho de Contribuintes, Decisões Judiciais e entendimentos doutrinários sobre o tema para referendar sua tese; conclui que a impugnação deve ser julgada procedente, para reformar o auto de infração e manter a declaração do contribuinte, por pautarse na impossibilidade de glosar as áreas de reserva legal, preservação permanente e RPPN, pela falta da apresentação intempestiva do ADA e averbação de tais Fl. 204DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 194 6 áreas junto ao registro de imóveis, frente ao maciço posicionamento doutrinário e jurisprudencial dominante; por fim, requer seja julgada procedente a impugnação para anular a Notificação de Lançamento, em face dos motivos expostos, e solicita que as intimações, para o presente feito, sejam encaminhadas diretamente ao endereço dos procuradores da impugnante.” A 1a Turma da DRJ/Brasília julgou o lançamento procedente (fls. 145/158), em suma, por não vislumbrar a ocorrência de qualquer irregularidade capaz de macular a Notificação de Lançamento e, no mérito, pela ausência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA, contendo a informação das áreas glosadas, sendo que, em relação às áreas de reserva legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), também não consta a averbação, à margem da matrícula do imóvel, na data de ocorrência do fato gerador. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/11/08 (fls. 162), a interessada encaminhou via postal o Recurso de fls. 163/186, reiterando as alegações expostas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima Como a data em que o recurso foi postado não está legível, consideroo tempestivo, devendo, portanto ser conhecido, por atender as demais condições de admissibilidade. Inicialmente, cumpre assinalar que não procedem as alegações acerca da nulidade da notificação de lançamento, posto que infundadas, como perfeitamente demonstrado no acórdão de primeira instância, razão pela qual peço venia para adotar como razões de decidir os fundamentos expostos no voto do relator daquele aresto, abaixo transcritos: “Antes de abordarmos as questões de mérito, cabe rebater os argumentos da contribuinte, que, em sua peça de defesa, alegou, dentre outras coisas, que o enquadramento legal leva a concluir que os textos que servem de tipificação legal à aplicação da autuação não mantém qualquer correlação entre o fato imputado e a aplicação da penalidade, sendo, portanto, nula a Notificação de Lançamento. Pois bem. O direito a ampla defesa ou ao contraditório, encontrase previsto no art. 5º, LV, da Constituição Federal, que assim dispõe: “art. 5º (...) I a LIV (...) Fl. 205DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 195 7 LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...)” O contraditório no processo administrativo fiscal tem por escopo a oportunidade do sujeito passivo conhecer dos fatos apurados pela autoridade fiscal, devidamente tipificados à luz da legislação tributária, e, dentro do prazo legalmente previsto, poder rebater, de forma plena, as irregularidades então apontadas pela autoridade fiscal, apresentando a sua versão dos fatos e juntando os elementos comprobatórios de que dispuser. Em suma, é o sistema pelo qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e de reagir contra esses. No presente caso, o trabalho fiscal iniciouse na forma prevista nos arts. 7º e 23 do Decreto nº 70.235/72, observada, especificamente, a Norma de Execução Cofis nº 003/2006, de 29.05.2006, que disciplinou os trabalhos de malha das declarações do ITR, aplicável ao exercício de 2005, retidas para efeito de verificação, análise e cobrança, se fosse o caso, além de relacionar os documentos de prova a serem exigidos para fins de comprovação dos respectivos dados cadastrais. Assim, foi a contribuinte regularmente intimada a apresentar os documentos exigidos para justificar, para fins de exclusão do ITR, as áreas declaradas como sendo de preservação permanente, de reserva legal e Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, sob pena de que fosse efetuado o lançamento de ofício. Em resposta, a interessada apresentou documentos diversos, que foram juntados às fls. 03/20, tendo a autoridade fiscal, após constatar que não foram cumpridas as exigências relacionadas na intimação de fls. 01/02, decidido pela emissão da presente Notificação de Lançamento, efetuando as glosas das áreas ambientais. Importante, também, ressaltar que não compete à autoridade administrativa produzir provas relativas a as matérias tributadas, isto porque o ônus da prova – no caso, documental é do contribuinte, o qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do autolançamento, prevista no § 4º do art. 150, do CTN, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do ITR devido naquele exercício, e apresentálos à autoridade fiscal, quando exigido. Também, nesse mesmo sentido, há de se observar o disposto no art. 40, do Decreto nº 4.382, de 19/09/2002 (RITR), que estabeleceu: “Art. 40. Os documentos que comprovem as informações prestadas na DITR não devem ser anexados à declaração, devendo ser mantidos em boa guarda à disposição da Secretaria Fl. 206DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 196 8 da Receita Federal, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às situações e aos fatos a que se referiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, parágrafo único)”. No caso, o procedimento de ofício está em consonância com o disposto no art. 14 da Lei 9.393/96, por ter ficado caracterizada, no entendimento da autoridade fiscal, a hipótese de informação incorreta no respectivo DIAT, por não terem sido cumpridas as exigências previstas para exclusão das áreas de preservação permanente, de reserva legal e RPPN do ITR/2005. Ademais, verificase na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, de fls. 28/29, peça integrante da referida Notificação de Lançamento, que as glosas das áreas ambientais declaradas (preservação permanente, reserva legal e RPPN) foram devidamente justificadas e fundamentadas pela fiscalização, com base no Decreto nº 4.382, de 19.09.2002 (RITR), que consolida toda a legislação aplicada ao ITR, em consonância com o princípio do contraditório e da ampla defesa. Resta pacífico, portanto, que a infração encontrase devidamente caracterizada. Tanto é verdade, que a interessada refutou, de forma igualmente clara e precisa, as imputações que lhe foram feitas, como se observa do teor de sua impugnação, em que a autuada expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, discutindo o mérito da lide relativamente a cada matéria envolvida, no caso as áreas ambientais, nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto 70.235/72, bem como apresentando a documentação que entendeu pertinente. Nesse sentido, não restam dúvidas de que a requerente compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência, e, portanto, não cabe a alegação de que o enquadramento legal, contido na Notificação de Lançamento, caracterizaria inexistência de tipificação e muito menos prejuízo ao entendimento da autuada. Também não pode justificar a nulidade da presente Notificação de Lançamento o fato de a autoridade fiscal não ter acatado os documentos de prova apresentados pela requerente para comprovação das áreas ambientais do imóvel, posto que a aceitação ou não dos mesmos, depende dos critérios de avaliação utilizados na análise desses documentos, à luz da legislação de regência. Em suma, não obstante as alegações da requerente, entendo que a Notificação de Lançamento contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, trazendo, portanto, as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV e principalmente aquelas necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa da autuada. Assim, não se verificou qualquer irregularidade capaz de macular a Notificação de Lançamento.” Fl. 207DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 197 9 Quanto ao mérito, não há qualquer reparo a ser feito no lançamento e no acórdão recorrido, como será demonstrado a seguir. De acordo com o “Complemento da Descrição dos Fatos” da respectiva notificação de lançamento (fls. 28/29), a área de preservação permanente foi glosada devido à ausência de ADA, e as áreas de reserva legal e de RPPN, além da ausência de ADA, por não terem sido averbadas à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador, 01/01/05 para o exercício 2005. A partir do exercício 2001, a protocolização tempestiva do ADA é um dos requisitos legais para que as referidas áreas não sejam tributadas pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, § 1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000)" (destaques meus) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tais pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, que compilou a legislação do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal; III – de reserva particular do patrimônio natural; (...) Fl. 208DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 198 10 § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (destaque meu) Para o exercício 2005, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido no art. 9º, § 3º, II, da IN SRF nº 256, de 11/12/02, in verbis: IN SRF nº 256, de 11/12/02 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal; III – de reserva particular do patrimônio natural; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.. (destaque meu) Assim, como no presente caso a recorrente não comprovou a protocolização do ADA no Ibama relativo ao exercício 2005, não se encontra atendida uma das condições previstas na legislação para a exclusão das áreas glosadas da base de cálculo do ITR. A exigência da averbação das área de reserva legal e de RPPN, para fins de redução da base de cálculo do ITR, constitui matéria bastante controversa no âmbito deste Conselho, sendo objeto de distintos entendimentos, sendo que me alinho àquele que considera tal exigência imprescindível para exclusão da aludida área da base de cálculo daquele tributo, devendo a averbação ser feita até a data da ocorrência do fato gerador, por se tratar de ato Fl. 209DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 199 11 constitutivo e não mera formalidade, haja vista o disposto no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que é o dispositivo legal que determina a averbação da respectiva área, e também ao disposto no art. 1.227, do Código Civil, que trata sobre os direitos reais sobre imóveis, abaixo transcritos: Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (destaque meu) Código Civil Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código”. Especificamente no que tange à necessidade da averbação das áreas de RPPN no registro de imóveis competente, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a exigência em questão advém do disposto no art. 21, §1º, da Lei nº 9.985/2000, que assim dispõe: Art. 21. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. § 1º O gravame de que trata este artigo constará de termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis Por oportuno, confirase a legislação compilada no Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (RITR/2002), acerca da matéria: “Art. 13. Consideramse de reserva particular do patrimônio natural as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Fl. 210DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 200 12 registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21). Parágrafo único. Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador.” (grifos meus) É importante destacar que, em nenhum momento, foram apresentados documentos que comprovem que as aludidas áreas foram averbadas à margem da matrícula do Registro de Imóveis competente, mesmo em data posterior à ocorrência do fato gerador. Convém ressaltar que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas declaradas. Ou seja, o declarante não é obrigado a anexar quaisquer documentos comprobatórios das informações prestadas na DITR, quando de sua entrega, todavia, se intimado a apresentar a respectiva documentação, deve atender, sob pena de glosa das referidas áreas, como no caso em pauta. Vejamos abaixo o conteúdo do dispositivo legal citado: Lei nº 9.393, de 1996 Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (destaque meu) É importante esclarecer que, para fins do benefício pretendido, fazse necessário que todos os requisitos legais estejam preenchidos, entre eles a protocolização tempestiva do ADA a partir do exercício 2001 e a averbação tempestiva das áreas de reserva legal e de RPPN. Nesse aspecto não há como nortear o julgamento exclusivamente pela verdade real, como postula a recorrente, posto que a legislação condiciona a fruição do benefício ao preenchimento de tais requisitos, não sendo suficiente para tanto somente a comprovação da existência das respectivas áreas. Vêse, portanto, que os argumentos da contribuinte não são hábeis a afastarem o acerto do lançamento e da decisão recorrida. Acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão Fl. 211DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.720211/200849 Acórdão n.º 2801002.481 S2TE01 Fl. 201 13 pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por fim, quanto à solicitação de que as intimações sejam encaminhadas diretamente para o endereço de seus procuradores, tal pretensão não merece acolhida, pois não há previsão legal para esse procedimento, de acordo com o disposto no artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972. Diante do exposto acima voto por REJEITAR a preliminar suscitada e por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 212DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09425.DIEC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 26/06/2012 09:27:49. Documento autenticado digitalmente por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 26/06/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 26/06/2012 e WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 26/06/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1019.09425.DIEC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9B2D62C8C6D6C4B90209AE87DF5B77B206D4D1FB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10675.720211/2008-49. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10907.001915/2005-03
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução de despesas médicas e despesas com instrução.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. REMISSÃO.
O benefício da remissão somente pode ser viabilizado se existente lei de amparo.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados.
Preliminar de Decadência Acolhida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.582
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário 1999, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeitase a pretensa dedução de despesas médicas e despesas com instrução. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. REMISSÃO. O benefício da remissão somente pode ser viabilizado se existente lei de amparo. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. Preliminar de Decadência Acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10907.001915/200503 Acórdão n.º 280102.582 S2TE01 Fl. 162 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência em relação ao ano calendário 1999, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Eivanice Canário da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Por meio do Auto de Infração de fls. 41/49, exigese do contribuinte R$ 12.590,65 de imposto sobre a renda de pessoa física e RS 9.442,97 de multa de oficio de 75%, além dos acréscimos legais. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 42/43, referese à consideração de que houve deduções indevidas de despesas nas bases de cálculo do IRPF dos anoscalendário 1999 a 2003 (exercícios 2000 a 2004), nos seguintes valores: Dedução indevida 1999 2000 2001 2002 2003 Despesas Médicas 15.710,47 14.703,00 15.715,50 3.240,00 2.839,54 Despesa com instrução 1.279,60 1.088,80 836,80 914,16 773,76 Cientificado do lançamento, por via postal, em 24/08/2005 (fl. 51), o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 15/09/2005, a impugnação de fls. 53/66, acompanhada dos documentos de fls. 67/97, sintetizada a seguir. Inicialmente afirma serem improcedentes as glosas de despesas com instrução e despesas médicas, dizendo comproválas documentalmente, por meio de recibos, contratos, extratos, certidões e outros. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10907.001915/200503 Acórdão n.º 280102.582 S2TE01 Fl. 163 3 Referindose à exigência relativa ao anocalendário 1999, alega a decadência, em face do transcurso do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador, uma vez se tratar de hipótese de lançamento por homologação. Suscita "entendimento administrativo" de que a contagem se iniciaria com o prazo de entrega da declaração, em 30 de abril, expirando, no caso, em 30/04/2005, ao passo que a lavratura do auto ocorreu em 21/12/2005. Acrescenta haver decisão da 4ª Turma, por maioria, nesse sentido (da qual anexa cópia). Transcreve a disposição do art. 150, § 4º, do CTN, ilustrando a matéria com jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Cita a definição de lançamento contida no art. 142 do CTN e, a titulo de "entendimento jurídico", argumenta, com base no art. 173, I, combinado com o art. 43 do CTN, que, tendo findada a aquisição de disponibilidade econômica em 31/12/1999, data em que caracterizado o fato gerador, teria a administração até a data de 01/01/2005 para efetuar a homologação de oficio, o que culmina na ilegalidade da cobrança do auto de infração. Em virtude do vicio argüido, alega ser integralmente nulo o auto de infração. Argumenta que a quitação do auto de infração que lhe é imputado é "tarefa" impossível, em face do valor aferido, que conflita com o principio da razoabilidade e da proporcionalidade. Destaca a importância do principio da legalidade e diz que a multa tributária tem caráter punitivo, com o fim de reprimir a pratica ou omissão de determinado ato; que, assim, incorre em desvio de finalidade, uma vez imposta sobre contribuinte que "jamais tivera problema algum com o fisco" e que "sempre acreditou com ele estar quite". Em última análise, alega não constar de forma ostensiva o número do processo como manda o art. 2°, § 5°, V, da Lei n° 6.830, de 1980, e nem ter sido inserida a "preparação e a numeração por processo manual, mecânico ou eletrônico", conforme "artigo 5º, parágrafo 7º da legislação mencionada. Por fm, requer o cancelamento da exigência relativa ao ano base de 1999, bem como a análise da documentação aduzida e comprovada.” O lançamento foi julgado procedente, conforme Acórdão de fls. 98/105, que restou assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10907.001915/200503 Acórdão n.º 280102.582 S2TE01 Fl. 164 4 0 direito de constituir o crédito tributário decorrente de dedução indevida de despesas decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o fisco tomou conhecimento do procedimento adotado pelo contribuinte, mediante entrega da declaração de rendimentos em que fez constar tal intento. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de oficio pelo percentual legalmente determinado. Regularmente cientificado daquele acórdão em 22/07/2008 (AR, fl. 106), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 107/122, em 19/08/2008, no qual repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, o recorrente suscita a ocorrência da decadência em relação ao lançamento referente ao anocalendário 1999, exercício 2000. De plano, importa registrar que não houve a imposição de multa de oficio qualificada para as exigências formalizadas no presente lançamento. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10907.001915/200503 Acórdão n.º 280102.582 S2TE01 Fl. 165 5 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10907.001915/200503 Acórdão n.º 280102.582 S2TE01 Fl. 166 6 artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado no ano calendário 1999, conforme consta da cópia da DIRPF/2000 (fls. 11/13). Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31/12/1999. Ora, se somente em 24/08/2005 (fl. 52) o contribuinte foi notificado do auto de infração, resta cancelar o lançamento referente ao ano calendário 1999, exercício 2000, por força da decadência. Quanto à suscitada nulidade do lançamento, é de se rejeitar porquanto todos os requisitos previstos no art. 10, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. Esclareçase que a ação fiscal se revestiu de todas as formalidades exigidas no art. 10, do Decreto n°70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição lega! infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Cabe ressaltar que o art. 59, do Decreto n° 70.235, de 1972 especifica como hipóteses de nulidade, os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, às quais não se aplicam ao presente procedimento fiscal. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10907.001915/200503 Acórdão n.º 280102.582 S2TE01 Fl. 167 7 No mérito, devem ser mantidas as glosas das deduções a título de despesas médicas e despesas com instrução, uma que o recorrente não traz aos autos novos elementos de prova hábeis a comprovar as referidas despesas. No que tange à alegada dificuldade para quitar o crédito tributário em questão, importa esclarecer que, na forma do art. 97, VI, do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão (anistia e isenção), suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, sendo que, na espécie, não há amparo legal à pretensão do recorrente. Registrese que não compete a este órgão de julgamento afastar a aplicação da lei, com base em suposta inconstitucionalidade. Aliás, tal entendimento é posição sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante se verifica do enunciado da Súmula n.º 2, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Salientese, ainda, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência do lançamento referente ao anocalendário 1999, exercício 2000. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N
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Numero do processo: 11610.011388/2006-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTENÇÃO DO AGENTE.
Caracteriza-se como infração a omissão de rendimentos constatada em
procedimento de ofício, cabendo a exigência do imposto e encargos legais, uma vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.393
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTENÇÃO DO AGENTE. Caracterizase como infração a omissão de rendimentos constatada em procedimento de ofício, cabendo a exigência do imposto e encargos legais, uma vez que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11610.011388/200614 Acórdão n.º 2801002.393 S2TE01 Fl. 91 2 Contra o contribuinte, já identificado nos autos, foi lavrado o auto de infração às fls. 35/39, referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2003, ano calendário 2002, para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 28.570,04, incluídos o principal, a multa de oficio de 75%, e os juros de mora, estes calculados até o mês de setembro de 2006. A infração consubstanciada na peça de autuação diz respeito à omissão de rendimentos decorrentes do trabalho assalariado recebidos no ano base de 2002 das seguintes fontes pagadoras: a) com vínculo empregatício: a.1) Núcleo Estadual do Ministério da Saúde São Paulo (CNPJ n° 00.394.544/019870) Valor: R$ 29.532,88 IRRF: R$ 1.779,01; a.2) Samarim Assistência Nefrologia S/C (CNPJ n° 59.277.806/000174). Valor: R$ 14.235,29 IRRF: R$ 45,06; a.3) Associação Benef. dos Hosp. Sorocabana (CNPJ n° 61.667.580/0001 60). Valor: R$ 13.928,67 IRRF: R$ 94,00; e b) sem vínculo empregatício: b.1) Unimed Paulistana Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico (CNPJ n° 43.302.472/00130). Valor: R$ 13.920,50. IRRF: R$ 405,25. Diante deste fato, e baseandose nos dados informados pela contribuinte na declaração de ajuste anual apresentada em 16/04/2003 (ND 08/11.345.144 às fls. 23/24), a autoridade lançadora procedeu a alteração dos valores dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica de R$ 0,00 para R$ 71.617,34, e do imposto de renda na fonte de R$ 0,00 para R$ 2.323,32. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, doc. às fls. 01/05 e anexos, alegando, em síntese, que: sua declaração de rendimentos do exercício 2003, anocalendário 2002, foi encaminhada à Receita Federal por meio da Internet, tendo sido preenchidos de forma correta diversos campos de sua declaração (fls. 08/12), a ao final calculado um imposto devido de R$ 4.557,88, parcelado em três parcelas de R$ 1.519,29. apesar de ter preenchido corretamente sua declaração, verificase no recibo de entrega via internet (fls. 07) que os valores constantes da declaração não foram apontados, o que não invalida ou torna ineficaz toda situação jurídicotributária por si retratada; informara em sua declaração que recebera R$ 73.957,34 e sofrera a incidência de imposto de renda na fonte de R$ 2.319,42, tendo sido autuado por deixar de declarar R$ 71.617,34, bem como o imposto de renda retido na fonte de R$ 2.323,32, sendo que alteração feita na presente autuação foi para menor, tratandose de um contrasenso a presente exigência tributária, uma vez que já foi recolhido o que era devido; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11610.011388/200614 Acórdão n.º 2801002.393 S2TE01 Fl. 92 3 o auto de infração foi lavrado porque na folha de recibo de entrega não fora apresentado o resumo do que continha na declaração completa; não se diz que o recibo de entrega da declaração de ajuste anual completa não foi corretamente preenchido, pois se tal ocorreu, em nada prejudicou, pois na última pagina da declaração vemos a demonstração dos dados que se transportam para a página do recibo; é induvidoso que houve razoável cumprimento da obrigação acessória, na exata medida em que nada prejudicou a apuração da obrigação principal, sendo desproporcional autuar alguém que não preencheu uma página e que, inclusive, acabou por recolher tributo a maior; Ao final, o impugnante solicitou que se declarasse insubsistente o lançamento, não se permitindo qualquer inscrição em dívida ativa, bem como não fosse apontado o pretenso crédito em qualquer cadastro de dívida ativa e/ou fosse tomado como impeditivo para emissão de certidão negativa. Na sequência, a 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), à unanimidade de votos, decidiu pela procedência em parte do lançamento para que o valor principal recolhido, conforme DARF às fls. 13/15, e confirmado à fl. 57, fosse apropriado sem a incidência da multa de oficio de 75%, devendo esta ser acrescida juntamente com os juros de mora apenas sobre o valor remanescente do imposto conforme apurado naquele julgado (Acórdão DRJ/BSA n° 0328.880, de 15/01/2009, às fls. 60/66). Devidamente intimado da decisão de primeira instância em 08/10/2010, conforme documento à fl. 74/v, o contribuinte interpôs, em 20/10/2010, o Recurso Voluntário às fls. 79/80, reiterando os argumentos apresentados quando da impugnação ao lançamento, e acrescentando, em síntese, que: devido a sua pouca familiaridade e experiência com a nova tecnologia (computador e internet) cometeu o equivoco, talvez por erro no comando de digitação, de enviar o Recibo de Entrega de Declaração de Ajuste Anual em branco, sem os valores apurados, porém com seus dados pessoais preenchidos; os demais informes referentes aos rendimentos tributáveis recebidos, rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, declaração de bens e direitos, pagamentos, doações, relação dos dependentes, assim como o resumo da declaração de ajuste anual foram todos enviados e devem constar na base do banco de dados da Receita Federal, e o cálculo do imposto a pagar foi gerado automaticamente pelo programa do IRPF, resultando em 03 parcelas no valor de R$ 1.519,29, que foram devidamente recolhidas, através de DARF; a referida omissão de rendimentos através de lançamento de oficio, do qual é acusado, ocorreu de forma involuntária e sem qualquer intenção manifesta de favorecimento pessoal indevido; junta ao processo cópias dos recibos de DARF pagos, recibo de entrega da declaração e dos informes enviados à Receita Federal’ É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11610.011388/200614 Acórdão n.º 2801002.393 S2TE01 Fl. 93 4 Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata o presente lançamento de omissão de rendimentos do trabalho assalariado recebidos pelo contribuinte de pessoas jurídicas, infração apurada pela fiscalização com base em informações constantes nas DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte) apresentadas pelas fontes pagadoras. De fato, no presente caso, o recorrente encontravase obrigado a apresentar a declaração de ajuste anual informando todos os seus rendimentos. Em sua peça recursal, o interessado apresentou alegações que considero insuficientes e incapazes de desconstituir a presente exigência. Argumenta que, por ter pouca familiaridade com o uso do computador e da internet, teria cometido erro de digitação ao “enviar o Recibo de Entrega de Declaração de Ajuste Anual em branco, sem os valores apurados, porém com seus dados pessoais preenchidos”. No entanto, diferentemente do que sustenta o recorrente, todos os demais dados (rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, ou sujeitos à tributação exclusiva, declaração de bens e direitos, pagamentos, doações, relação dos dependentes, resumo da declaração) não foram informados à Receita Federal. Somente consta no banco de dados do fisco a entrega pelo contribuinte, em 16/04/2003, da DIRPF/2003 com ND 08/11.345.144, cópia às fls. 23/25. Observase que referida declaração de rendimentos (original) apresentase com os campos de preenchimento “zerados”, ou seja, sem qualquer informação, inclusive, no tocante aos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no ano de 2002. Sobre isto, por relevante, transcrevo o seguinte excerto da decisão vergastada, cujo entendimento ali expresso adoto in totum, neste voto, como razões de decidir: fl. 63 dos autos (...) No caso aqui em análise, efetivamente ocorreu a omissão de rendimentos. Ao contrário do alegado pelo impugnante de que havia preenchido diversos campos de sua declaração, verificou se através dos sistemas da Receita Federal e do Recibo de Entrega da Declaração de Ajuste Anual Completa (fls. 07) que a Declaração de Ajuste Anual, anocalendário 2002, encaminhada em 16/04/2003 via Internet, foi enviada com os campos de preenchimentos zerados. Os documentos juntados às fls. 08/12 não comprovam que as informações constantes neles tenham sido enviadas para a Receita Federal, pelo contrário o documento que comprova as informações declaradas e enviadas à Receita Federal é o Recibo Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11610.011388/200614 Acórdão n.º 2801002.393 S2TE01 Fl. 94 5 de Entrega da Declaração de Ajuste Anual Completa (fls. 07), onde os campos de preenchimento estão zerados. Cabe esclarecer que os valores omitidos, os quais foram objeto da presente autuação, foram verificados através das informações prestadas pelas fontes pagadoras nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), valores esses corretos, tendo em vista que o contribuinte não trouxe outros documentos aos autos que demonstrassem estarem errados. (...) No caso, a cópia de declaração de rendimentos colacionada pelo contribuinte com o fito de provar sua alegação, às fls. 86/88, não o socorre, porquanto inexistente nos autos elemento de prova de que a mesma foi devidamente apresentada e/ou transmitida, ou ainda, que tenha ocorrido sua recepção tempestiva pelo fisco, não se revelando, portanto, tal documento, prova hábil a invalidar o lançamento. Com efeito, antes de iniciado pela fiscalização o procedimento para lançamento de ofício do imposto devido, poderia o recorrente ter efetuado a retificação de sua declaração, amparandose no instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Todavia, tal medida não adotou, conforme se verifica nos autos. A título de esclarecimento, cabe salientar que na legislação tributária a responsabilidade por infrações é objetiva, não se questionando sobre a vontade ou intenção do agente. Não se exige, portanto, a presença do dolo como elemento subjetivo para caracterizar se houve ou não uma infração, sendo irrelevante na solução da lide o argumento do recorrente de que teria agido de forma “involuntária e sem qualquer intenção manifesta de favorecimento pessoal indevido”. Nesse sentido dispõe o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Com relação às deduções almejadas, também nesta fase recursal, nenhuma documentação foi apresentada pelo contribuinte para a necessária comprovação, ficando suas alegações restritas àquelas apresentadas quando da impugnação ao lançamento, mas que foram corretamente apreciadas no acórdão de primeira instância. Ressaltese ainda que os recolhimentos espontâneos efetuados pelo recorrente por meio dos documentos (DARF) às fls. 13/15 foram confirmados e considerados no julgamento a quo, conforme se observa da leitura do Acórdão DRJ/BSA n° 0328.880, às fls. 60/66. Isto posto, VOTO em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11610.011388/200614 Acórdão n.º 2801002.393 S2TE01 Fl. 95 6 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000184/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos da lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.570
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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DEDUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos da lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 18329.000184/200917 Acórdão n.º 2801002.570 S2TE01 Fl. 55 2 Relatório Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 09/12, exigese do recorrente o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (Suplementar) relativo ao exercício 2007, ano calendário 2006, no valor total de R$ 16.710,37, incluídos a multa de oficio (75%) e os juros de mora, estes calculados até 30/10/2009. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça fiscal, a autoridade lançadora efetuou a glosa do montante de R$ 30.000,00 referente a despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração, por falta de comprovação da efetiva realização destes gastos. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação, à fl. 01, argumentando, em síntese, que referidas despesas médicas foram pagas em moeda corrente nacional conforme constante de sua declaração de bens, que no anterior apresentava o valor de R$ 195.850,00 de saldo em caixa, sendo que no ano seguinte em que efetuou tais despesas este saldo ficou reduzido a R$ 50.000,00. Com o objetivo de comprovar suas alegações juntou ao processo recibos, às fls. 05/07, bem como folhas de sua declaração de rendimentos referente ao exercício 2007, às fls. 02/04. A 8a Turma de Julgamento da DRJ/Porto Alegre/RS, em decisão unânime, julgou improcedente a impugnação, mantendo, deste modo, a exigência fiscal, nos termos do Acórdão DRJ/POA nº 1032.525, de 28/06/2011, às fls. 33/34. Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 04/08/2011, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 35, o contribuinte interpôs, em 0209/2011, o Recurso Voluntário às fls. 36/37, reiterando os argumentos apresentados quando da impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A discussão referese à glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte como tendo sido realizadas no anocalendário 2006 com a profissional Cely Elena Modesti Jimenez no valor total de R$ 30.000,00. Diante dos recibos acostados ao processo, entende o recorrente que referida documentação seria suficiente para fins de comprovação de que o serviços foram prestados, bem como dos correspondentes gastos. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 18329.000184/200917 Acórdão n.º 2801002.570 S2TE01 Fl. 56 3 Todavia, a respeito, o acórdão recorrido deixou bem claro que a dedução com despesas médicas fica condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. E mais, que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. No presente caso, o interessado limitouse a apresentar recibos desacompanhados de quaisquer documentos hábeis a comprovar a efetividade dos serviços, bem como dos correspondentes pagamentos. E mais, após o exame destes (recibos) anexados pelo recorrente, concluise, na verdade, que não há nestes documentos a informação do beneficiário dos serviços médicos prestados, faltandolhes ainda a indicação do endereço da profissional que os emitiu, requisitos necessários para validação da dedutibilidade dessas despesas médicas pleiteadas, nos termos do artigo 8°, inciso II, e § 2°, da Lei n° 9.250, de 1995, que assim dispõe: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...]§ 2°. O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destaquei) Como se vê, a questão é exclusivamente de prova, que poderia ter sido apresentada pelo interessado já por ocasião da impugnação, e posteriormente, quando da interposição do recurso voluntário, ora em análise. Ressaltese ainda que o contribuinte não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 18329.000184/200917 Acórdão n.º 2801002.570 S2TE01 Fl. 57 4 demonstrou qualquer obstáculo que o impedisse de trazer à colação documentação (tais como: relatórios dos profissionais prestadores dos serviços, laudos periciais, fichas de tratamento, etc.) que viesse comprovar que os serviços efetivamente lhe foram prestados. Também não apresentou prova do efetivo pagamento (desembolso) destes valores. É relevante neste ponto salientar que, diante de pagamentos de despesas onde se pleiteará, a posteriori, a dedução para fins de cálculo do imposto de renda a pagar ou a restituir, o contribuinte deve se cercar de precauções para a eventualidade da necessidade de comprovar o que foi declarado. No mesmo sentido, destaco o seguinte julgado deste Egrégio Conselho: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO. A dedução relativa às despesas médicas limitase aos pagamentos especificados em recibos e notas fiscais comprovados com os efetivos desembolsos. Recurso negado. (Acórdão nº 10249110, 2a Câmara 1o CC, Sessão de 30/05/2008)” (grifei) Quanto à alegação do litigante de que estaria demonstrado em sua declaração de rendimentos a existência de recursos suficientes para o pagamento destas despesas em moeda nacional corrente, compartilho com a conclusão posta na decisão recorrida de que tal elemento, por si só, não se revela prova hábil a comprovar os pagamentos destas despesas médicas declaradas e que foram glosadas pela autoridade fiscal. Por derradeiro, cabe ressaltar que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Diante do exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 23/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006473/2007-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.520
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 632DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10980.006473/200762 Acórdão n.º 280102.520 S2TE01 Fl. 613 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Por meio do auto de infração de fls. 11/18, exigese do contribuinte R$ 56.985,59 de Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, R$ 42.739,19 de multa de oficio de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e R$ 47.879,29 de encargos legais calculados até 04/2007, decorrente da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício 2002, anocalendário 2001. A autuação foi fundamentada nos art. 1° ao 3° e 6°, da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. 1° ao 3° e 6º, da Lei 8.134, de 14 de abril de 1990; art. 1°, 3°, 6°, 8°, II, "g", 11 e 32, da Lei n.° 9.250, de 26 de dezembro de 1995; art. 21, da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Lei 9.887, de 07 de dezembro de 1999; art. 45, do RIR/1999, e art 51, da IN SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, e decorreu das seguintes irregularidades: • omissão de rendimentos recebidos da 3M do Brasil Ltda (R$ 30.000,00), da Associação dos Amigos do Hospital de Clinicas (R$ 1.560,00), conforme DIRF; • dedução indevida de despesas do livro caixa, no valor de R$ 204.589,77, por falta de comprovação e; • ajuste do IRRF a compensar de R$ 5.137,19 para R$ 13.092,78, conforme descrição à fl. 13. Cientificado da exigência em 08/05/2007 (fl. 557), o contribuinte apresentou, em 06/06/2007, por meio de representante legal (procuração à fl. 548), a impugnação de fls. 01/10, instruída com os documentos de fls. 11/546, onde preliminarmente, nos termos do § 4º do art. 150, e inciso I do art 173 do CTN, alega a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, pois só foi cientificado do lançamento em 07/05/2007. Para corroborar transcreve doutrinas e jurisprudências. Se não acolhida a preliminar de decadência, requer que se considere declarados os rendimentos autuados recebidos da Associação dos Amigos do Hospital de Clinicas, no valor de R$ 1.560,00, em face de já terem sido oferecidos à tributação em sua DIRPF, bem assim, que seja restabelecida a dedução das despesas de livro caixa glosadas, conforme documentação anexa, recalculandose o valor do IR, abatendose os consectários legais proporcionais. Consoante despacho de fl. 558, retornouse o processo à unidade de origem para que a autoridade autuante procedesse ao exame da documentação apresentada na impugnação, o que resultou na informação de fl. 560.” Fl. 633DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10980.006473/200762 Acórdão n.º 280102.520 S2TE01 Fl. 614 3 O lançamento foi julgado procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 562/572, que restou assim ementado: PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO No lançamento de oficio o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, 1, do Código Tributário Nacional, iniciando a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PARCIAL Considerase como nãoimpugnada, no mérito, a parte do lançamento com a qual o contribuinte não se manifesta expressamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO PARCIAL. Cabe excluir da tributação parte da omissão autuada, bem assim, a compensação do imposto atinente a essa parcela, quando se constata que os rendimentos já haviam sido submetidos à tributação pelo contribuinte na declaração de ajuste anual. DESPESAS DO LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente as despesas de consumo indispensáveis percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, são dedutíveis na declaração do contribuinte e estão condicionadas à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. Regularmente cientificado daquele acórdão em 12/05/2008 (AR, fl. 575), o interessado, representado por seu advogado (fl. 548), interpôs recurso voluntário de fls. 576/588, em 09/06/2008. Em sua defesa, sustenta que foi notificado do auto de infração em questão quando já havia sido atingido pelos efeitos jurídicos da decadência. Alternativamente, requer sejam analisados os documentos em anexo, que comprovam a sua inscrição em congressos e seminários, para que se compute as deduções do "Livro Caixa", no ano de 2001, glosadas pela Fiscalização, recalculandose o IR devido em 30/04/2002, abatendose o consectários legais proporcionais. Pretende, ainda, sejam aceitas as deduções das despesas com assinatura da Revista Caras, National Geografic e o Jornal Folha de São Paulo, pois são utilizados não só para sua instrução, mas também para ficarem à disposição dos pacientes enquanto aguardam atendimento na sala de espera. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10980.006473/200762 Acórdão n.º 280102.520 S2TE01 Fl. 615 4 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, o recorrente suscita a ocorrência da decadência em relação ao lançamento em apreço, restrito ao anocalendário de 2001. De plano, importa registrar que não houve a imposição de multa de oficio qualificada para as exigências formalizadas no presente lançamento. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10980.006473/200762 Acórdão n.º 280102.520 S2TE01 Fl. 616 5 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N Processo nº 10980.006473/200762 Acórdão n.º 280102.520 S2TE01 Fl. 617 6 Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado, conforme consta da cópia da DIRPF/2002 (fl. 552/555). Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31/12/2001. Ora, se somente em 08/05/2007 (fl. 557) o contribuinte foi notificado do auto de infração, resta cancelar o lançamento por força da decadência. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 637DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por TANIA MARA PASCHOALI N
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Numero do processo: 13701.000732/2004-86
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO RETIFICADORA QUE RESULTA EM IMPOSTO A PAGAR. DEVOLUÇÃO DE RESTITUIÇÃO INDEVIDAMENTE RECEBIDA PELO DECLARANTE.
Se, após a retificação da DIRPF, o resultado do ajuste anual passa a ser de imposto a pagar e não a restituir, a notificação de lançamento nada mais está exigindo senão apenas o valor que foi indevidamente restituído, acrescido dos respectivos juros moratórios.
Recurso Voluntário Negado..
Numero da decisão: 2801-002.455
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO RETIFICADORA QUE RESULTA EM IMPOSTO A PAGAR. DEVOLUÇÃO DE RESTITUIÇÃO INDEVIDAMENTE RECEBIDA PELO DECLARANTE. Se, após a retificação da DIRPF, o resultado do ajuste anual passa a ser de imposto a pagar e não a restituir, a notificação de lançamento nada mais está exigindo senão apenas o valor que foi indevidamente restituído, acrescido dos respectivos juros moratórios. Recurso Voluntário Negado..
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DEVOLUÇÃO DE RESTITUIÇÃO INDEVIDAMENTE RECEBIDA PELO DECLARANTE. Se, após a retificação da DIRPF, o resultado do ajuste anual passa a ser de imposto a pagar e não a restituir, a notificação de lançamento nada mais está exigindo senão apenas o valor que foi indevidamente restituído, acrescido dos respectivos juros moratórios. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13701.000732/200486 Acórdão n.º 2801002.455 S2TE01 Fl. 50 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, às fls. 03/05, onde está o fisco a exigir a devolução de restituição que o recorrente recebera indevidamente em razão de DIRPF retificadora que alterou o resultado de imposto da restituir de R$ 1.574,53 para saldo de imposto a pagar de R$ 553,69. Inconformado com a exigência, o interessado apresentou impugnação (doc. à fl. 01/02) alegando divergência entre os dados declarados e os valores apurados após revisão, motivo pelo qual anexa os respectivos comprovantes das deduções feitas em sua declaração, que não foram consideradas. Ao apreciar a lide, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro II/RJ decidiu pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/RJOII nº 1320.316, de 27/06/2008, às fls. 35/37. Devidamente intimado da decisão a quo em 04/05/2010 (AR à fl. 38/v.), o contribuinte interpôs, em 26/05/2010, o Recurso Voluntário às fls. 40/41, com as seguintes razões de defesa: “(...) Em 31/04/2004, apresentei uma retificadora, para correção de somente um item em despesas pagas pelo contribuinte. Sendo este item em favor do clube Sul América Saúde Vida CNPJ 60.267.481/000128, no valor de 2.685,00, por ter sido lançado indevidamente. Para minha surpresa, desconheço até o presente o que se sucedeu, com a minha retificação, pois em seguida em 15/05/2004, recebi uma notificação para devolução da restituição e imposto a pagar, a qual contestei, pois somente essa despesa deveria ser corrigida e não as demais, porém o sistema retirou todas as minhas despesas dedutíveis. Em 02/06/2004 protocolei impugnação, alegando que os valores informados divergem dos valores por mim declarados e acostei os comprovantes dos pagamentos efetuados, que foram indevidamente retirados da minha declaração original de 18/04/2003. Requeiro a este Conselho, a regularização do fato, retificando somente a extração da despesa referente, ao pagamento em favor do Clube Sul América Saúde e Vida CNPJ 60.267.481/000128, no valor de 2.685,00 e mantendo os demais lançamentos. (...)” É o relatório. Voto Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13701.000732/200486 Acórdão n.º 2801002.455 S2TE01 Fl. 51 3 Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como síntese dos fatos, esclareçase que o recorrente havia originalmente apresentado declaração de rendimentos (DIRPF) em 18/04/2003, com resultado de imposto a restituir de R$ 1.574,53, tendo apresentado, posteriormente, em 31/04/2004, declaração retificadora modificando o resultado para saldo de imposto a pagar no valor de R$ 553,69. Em sua defesa o contribuinte sustenta que teria ocorrido falhas no processamento de sua declaração retificadora, posto que teriam sido excluídas deduções que haviam sido informadas na declaração originalmente apresentada ao fisco, pelo requer que estas sejam recompostas por decisão deste Colegiado. Ocorre que, como bem asseverou o órgão julgador de primeira instância, a declaração retificadora sob exame foi espontaneamente apresentada pelo recorrente, no prazo previsto na legislação, tendo exercido, de forma lídima, a faculdade que lhe foi permitida pela legislação para que pudesse efetuar alterações nos dados, informações e valores contidos na declaração original. Destaquese que, por ocasião da entrega da DIRPF retificadora, restou integralmente substituída por esta a declaração anterior apresentada ao fisco. No mais, quanto ao pleito apresentado na peça recursal para inclusão de deduções, entendo que equivale a um pedido de retificação da declaração. A respeito, a decisão de primeira instância deixou claro que a Notificação de Lançamento objeto dos autos nada mais exigiu senão o valor que foi indevidamente restituído por conta da retificação feita pelo próprio recorrente. E deste modo, com razão a decisão recorrida, ao destacar que a alteração das informações prestadas na declaração retificadora configurase matéria estranha ao presente julgado, que poderia ter sido objeto inclusive de pedido de revisão de declaração, a ser formulado perante à Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte. Destarte, temse que o julgamento a quo não merece reparos, devendo ser confirmados seus judiciosos fundamentos. Diante do exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13701.000732/200486 Acórdão n.º 2801002.455 S2TE01 Fl. 52 4 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720421/2008-96
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Os valores pagos à título de despesas médicas podem ser deduzidos como despesa médica na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, desde que tais pagamentos restrinjam-se ao tratamento do próprio contribuinte e dos dependentes incluídos nessa declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.577
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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DESPESAS MÉDICAS. Os valores pagos à título de despesas médicas podem ser deduzidos como despesa médica na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, desde que tais pagamentos restrinjamse ao tratamento do próprio contribuinte e dos dependentes incluídos nessa declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Eivanice Canário da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10580.720421/200896 Acórdão n.º 280102.577 S2TE01 Fl. 84 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR/BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA) emitiu em nome do contribuinte acima identificado Notificação de Lançamento (fls. 4/7), referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2006; anocalendário 2005, em procedimento de fiscalização. Detectadas deduções indevidas a título de despesas médicas, de R$ 16.547,47, apurouse imposto de renda suplementar de R$ 3.635,08, em substituição a saldo de imposto de renda a restituir de R$ 915,47. Cientificado, o contribuinte impugna o lançamento (fl. 2/3), aduz que declarou despesas médicas pagas a Petros, CNPJ 35.053.942/0001, de R$ 4.798,29, e o restante, no valor de R$ 19.545,63, corresponde a despesas cuja documentação (recibos, comprovantes e documentação auxiliar) relacionada a três CNPJ e a um CPF afirma apresentar. Reconhece a impossibilidade de comprovar o valor de R$ 4.975,82, vinculado ao CNPJ 13.926.639/000144 e requer o cancelamento do lançamento, a revisão dos cálculos ou outra providência equivalente. Anexados à impugnação comprovante de rendimentos Petros (fls. 9 e 11); informação de empréstimos Petros (fl. 10), conta médico hospitalar (fl. 12), notas fiscais (fls. 13/14) e recibos (fls. 15/16).” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 48/51, que restou assim ementado: DEDUÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível a dedução se não comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, inclusive a apresentação de documentação hábil e idônea. Regularmente cientificado daquele acórdão em 05/12/2011 (AR, fl. 66), o interessado, representado por seu advogado (fl. 54), interpôs recurso voluntário de fls. 55/62, em 30/12/2011, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de defesa: • discorda da glosa das despesas médicas tidas com sua esposa devido ao fato dela não ter figurado como dependente em sua declaração, alegando que não a incluiu como dependente por causa de seu óbito ocorrido no curso do anocalendário em tela; • aduz que as despesas foram efetivamente provadas e seus respectivos pagamentos foram efetuados na forma legal e, ainda que o pagamento tenha sido em espécie, sendo que isto não constitui qualquer ilegalidade; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10580.720421/200896 Acórdão n.º 280102.577 S2TE01 Fl. 85 3 • afirma que apresentou os documentos que dispunha referente às despesas com a Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros; • pleiteia, em caso de ser mantido o lançamento, seja apurada a existência créditos perante a Fazenda Nacional compensáveis com as quantias devidas, considerando que há em seu favor decisão judicial relacionada à não incidência do imposto de renda sobre resgate de contribuições efetuadas para entidades de previdência privada no período de 01/01/1989 a 31/12/1995. • É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A glosa das despesas médicas objeto do presente lançamento é decorrente da constatação pela autoridade fiscal de que o contribuinte apresentou gastos indevidos com saúde. A decisão recorrida assim se manifestou sobre a referida glosa: “Na declaração de ajuste anual retificadora anocalendário 2005, ND 05/35.642.476 (fls. 39/42), de 18/03/2007, foram declaradas despesas médicas de R$ 24.343,92, relacionadas a sete prestadores de serviços, e após análise pela fiscalização dos comprovantes apresentados, foram consideradas comprovadas despesas de R$ 7.796,45, e portanto glosadas despesas de R$ 16.547,47. Cabe registrar que o contribuinte reconhece a impossibilidade de comprovar despesas médicas declaradas como pagas ao Hospital São Rafael, CNPJ 13.926.639/000144, de R$ 4.975,82. O contribuinte anexou à impugnação oito documentos (fls. 9/16) cuja análise constata que reapresentou documentos já aceitos pela fiscalização, a exemplo de despesas com plano de saúde do contribuinte (Petros e Fundação Petros), de R$ 4.798,29 (fl. 9), despesas com consultas médicas, de R$ 500,00 (fls. 15/16), e despesas com exames laboratoriais, de R$ 37,94 (fl. 13), no total de R$ 5.336,23, valor inferior ao comprovado no procedimento fiscal, de R$ 7.796,45. Os demais documentos anexados (fls. 10/12 e 14) não comprovam despesas dedutíveis, seja porque comprovantes de empréstimos Petros e informações sobre comprovantes (fls. 10/11), seja porque despesas com terceira pessoa, Rosa Helena Conceição de Araújo (fls. 12 e 14), não relacionada como sua dependente, observandose mais uma vez que a legislação Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10580.720421/200896 Acórdão n.º 280102.577 S2TE01 Fl. 86 4 tributária dispõe, de modo preciso, que, na obtenção da base de cálculo do imposto, só podem ser deduzidas despesas médicas relativas ao próprio contribuinte e a seus dependentes. Enfim, o contribuinte não apresentou qualquer documento hábil e idôneo para comprovar as despesas médicas glosadas, de R$ 16.547,47.” O recorrente reclama a dedução de despesas médicas pagas a Petros, as quais já foram consideradas pela fiscalização, conforme registrou a decisão recorrida. Também pretende sejam consideradas as despesas médicas pagas referentes a sua esposa Rosa Helena Conceição de Araújo, argumentando que não a incluiu como dependente em sua declaração em razão de seu óbito ter ocorrido no curso do anocalendário de 2005. Ocorre que, segundo a legislação de regência, é admissível a dedução pelo valor total anual da dedução de dependente (cônjuge e outros dependentes) que falece durante o anocalendário. Assim, não tendo o contribuinte relacionado o cônjuge como dependente, é de se manter a glosa porque a despesa médica não foi realizada com o contribuinte ou um de seus dependentes, requisito legal para a admissão da despesa como dedução (art. 8º, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.250/95). Quando ao pedido de aproveitamento/compensação de suposto indébito tributário, esclareçase que tal solicitação deve se formalizada em processo próprio junto à Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, já que se trata de matéria estranha ao lançamento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002732/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, tendo o fisco o prazo de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, a contar desta data, para efetuar eventuais lançamentos, por força do disposto no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. PEDIDOS DE PROVAS ROBUSTAS PELO FISCO. POSSIBILIDADE.
O direito às deduções de despesas médicas está condicionado à prova da realização dos serviços prestados, e dos seus pagamentos. Provas estas que devem ser analisadas em conjunto, e dentro do contexto apresentado. Quando as provas apresentadas não forem suficientes, pode o fisco solicitar mais elementos probantes.
Preliminar de decadência Acatada.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2801-002.511
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação ao ano-calendário 2002, restabelecendo, assim, dedução com despesas médicas no valor de R$ 5.000,00, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, tendo o fisco o prazo de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, a contar desta data, para efetuar eventuais lançamentos, por força do disposto no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. PEDIDOS DE PROVAS ROBUSTAS PELO FISCO. POSSIBILIDADE. O direito às deduções de despesas médicas está condicionado à prova da realização dos serviços prestados, e dos seus pagamentos. Provas estas que devem ser analisadas em conjunto, e dentro do contexto apresentado. Quando as provas apresentadas não forem suficientes, pode o fisco solicitar mais elementos probantes. Preliminar de decadência Acatada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 99 1 98 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.002732/200841 Recurso nº 922.623 Voluntário Acórdão nº 280102.511 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente ADRIANO MOURAO PARREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, tendo o fisco o prazo de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, a contar desta data, para efetuar eventuais lançamentos, por força do disposto no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. PEDIDOS DE PROVAS ROBUSTAS PELO FISCO. POSSIBILIDADE. O direito às deduções de despesas médicas está condicionado à prova da realização dos serviços prestados, e dos seus pagamentos. Provas estas que devem ser analisadas em conjunto, e dentro do contexto apresentado. Quando as provas apresentadas não forem suficientes, pode o fisco solicitar mais elementos probantes. Preliminar de decadência Acatada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação ao anocalendário 2002, restabelecendo, assim, dedução com despesas médicas no valor de R$ 5.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10680.002732/200841 Acórdão n.º 280102.511 S2TE01 Fl. 100 2 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 64), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em decorrência de fiscalização autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF N° 06.1.01.002008002215, foi lavrado o Auto de Infração juntado nas fls. 01/16, destes autos, de responsabilidade de ADRIANO MOURAO PARREIRA, CPF n° 371.898.08604, onde ficou apurado imposto de renda pessoa física relativo aos anos calendários de 2002 a 2004, exercícios de 2003 a 2005, no valor de R$4.914,04 que, somados os devidos acréscimos legais faz com que a exigência do crédito importe em R$11.552,21, a saber: Imposto de Renda Pessoa Física............................... R$ 4.914,04 Juros de Mora (calculados até 29.02.2008).............. R$ 2.952,65 Multa Proporcional ...................................................R$ 3.685,52 Total da exigência .....................................................R$11.552,21 De acordo com os demonstrativos de fls. 05/08, valor do imposto calculado para cada ano calendário compreende: Ano Calendário 2002 —R$2.200,00; Ano Calendário 2003— R$1.732,50; Ano Calendário 2004 R$ 981,54. Consoante firmado no Auto de Infração e Termo de Verificação de fls. 10 a 13, o imposto incide sobre valores utilizados como dedução da base do imposto de renda a titulo de despesas médicas, assim discriminadas: Profissional CPF 2003 2004 2005 Rosângela Maria Toledo 230.426.2 1634 5.000,00 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10680.002732/200841 Acórdão n.º 280102.511 S2TE01 Fl. 101 3 Caldeira Marcos Vinícius Fernandes de Castro (1) 504.634.1 1668 3.000,00 3.300,00 5.000,00 Maria Beatriz Santiago Santos (1) 666.648.3 7668 3.000,00 Marcos Ozanan Correa 270.124.3 3604 2.000,00 Marcelo da Costa Cruz 006.270.1 1691 2.750,00 1.400,00 Total despesas médicas declaradas 8.000,00 9.050,00 8.400,00 Total despesas recibos apresentado s 5.000,00 2.750,00 3.400,00 Despesas indevidas (glosadas) 8.000,00 6.300,00 7.000,00 (1) — não apresentou recibos Relata a autoridade lançadora que a glosa das deduções foi motivada na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas declaradas como realizadas com os profissionais Rosângela Maria Toledo Caldeira, Marcos Ozanan Correa e Marcelo da Costa Cruz e, com relação aos profissionais Marcos Vinicius Fernandes de Castro e Maria Beatriz Santiago Santos, por falta de apresentação de recibos. de se ressaltar que no Auto de Infração encontrase informado que nos anos calendários de 2000 a 2002, 133 contribuintes declararam haver feito pagamentos de despesas médicas para Marcos Vinicius Fernandes de Castro, o que totalizou a soma de R$1.301.203,00, rendimento este não corroborado nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Este fato constou Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10680.002732/200841 Acórdão n.º 280102.511 S2TE01 Fl. 102 4 de relatório recebido pelo ora autuado, sobejando, aqui, maiores esclarecimentos acerca do assunto. Consoante descrito nos Termos de Verificação Fiscal e de Inicio de Fiscalização, o lançamento foi precedido de intimação para apresentação de documentos (recibos bem como provas do efetivo pagamento de tais despesas médicas), tendo o contribuinte apresentado documento relacionando recibos entregues e informando que não possuía recibos emitidos por Marcos Vinícius Fernandes de Castro e Maria Beatriz Santiago Santos. Após verificação da documentação apresentada, a autoridade lançadora procedeu As glosas de dedução que importaram em R$8.000,00 no exercício de 2003, R$6.300,00 no exercício de 2004 e R$7.000,00 no exercício de 2005, o que pode ser visualizado no quadro de fls. retro. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 12.03.2008, pela via postal, conforme documento de fls. 42 e em 17.03.2008, o lançamento foi impugnado com os argumentos abaixo, em síntese, colocados. Depois de identificarse, diz o impugnante que em atendimento aos termos de intimação recebidos, compareceu A Receita Federal e entregou a documentação solicitada surpreendendo se, ao depois, com o recebimento do auto de infração onde se aponta um credito tributário no valor de R$11.552,21, que é absolutamente incompatível com seus rendimentos. Afirma que o lançamento referente ao ano calendário de 2002, exercício de 2003 já foi alcançado pela prescrição, com fundamento no artigo 901, Seção II do Decreto n° 3.000, de 1999. Pede que os recibos assinados por Marcos Ozanan Correa CPF n° 270.124.33604, relativos ao ano de 2005, no valor de R$2.000,00 sejam reconsiderados esclarecendo que não possui outros elementos de prova do pagamento, que foi feito em espécie e que o profissional que os assinou encontrase à disposição no endereço e telefone indicado no recibo. Requer, ao final, isenção da multa relativamente ao imposto calculado sobre o valor dos recibos emitidos por Marcos Vinícius Femandes de Castro (exercícios 2004 e 2005) e Maria Beatriz Santiago Santos (exercício 2004). O documento de fls. 51 registra que foi transferido para o processo de n° 10680.720288/200840 o crédito tributário relativo aos exercícios de 2003 e 2004, no total de R$1.623,03. Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DESPESA MÉDICA. GLOSA DE DEDUÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10680.002732/200841 Acórdão n.º 280102.511 S2TE01 Fl. 103 5 Somente pode ser analisada pela autoridade julgadora a matéria expressamente impugnada. DESPESA MÉDICA. GLOSA DE DEDUÇÃO. EXIGÊNCIA DO EFETIVO PAGAMENTO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA. Ausente nos autos a comprovação do efetivo pagamento da despesa médica cujo valor foi utilizado como dedução da base de cálculo do imposto devido, mantémse a glosa efetuada pela autoridade lançadora. Cientificado em 17/08/2011 (Fls. 87), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/09/2011 (fls. 89 a 91), argumentando basicamente que: a) Os recibos de despesas médicas e odontológicas dos profissionais abaixo indicados, cujas cópias foram apresentadas em 04/03/2008, conforme protocolo na ANEXO I, correspondem à realidade dos serviços prestados: Profissional CPF 2003 2004 2005 Rosângela Maris T Caldeira 230.426. 21634 R$ 5.000,00 Marcos Ozanan Coelho 270.124. 33604 R$ 2.000,00 Marcelo da Costa Cruz 006.270. 11691 R$ 2.750,00 R$ 1.400,00 b) Estas despesas foram devidamente declaradas como rendimentos nas correspondentes declarações de IRPF dos profissionais indicados, sendo que os mesmos estão à disposição dessa Delegacia, nos telefones e endereços já indicados. c) Não disponho de outros comprovantes destes pagamentos já que foram efetuados em espécie, com recursos que constaram nas minhas declarações de IRPF, e através de cheques, em algumas ocasiões “prédatados”, sendo que não foi possível localizar o correspondente número, uma vez que os canhotos dos talonários foram eliminados. d) Não era do meu conhecimento, na ocasião, que o tipo de recibo apresentado para a comprovação destas despesas, tradicionalmente utilizado por profissionais liberais que prestam serviços a pessoas físicas, não são reconhecidos pela legislação tributária vigente. e) Em 11/04/2008 compareci à unidade desta Delegacia, atendendo ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 2005/606204481391108, DE 25/02/2008 (ANEXO II), para apresentação de todos os documentos (originais e cópias) correspondentes a minha declaração de IRPF 2004/2005, sendo que fui dispensado da entrega destes documentos, pelas AFRFB´s Suely Siqueira (mat 16261) e Requel (mat 16464), sob Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10680.002732/200841 Acórdão n.º 280102.511 S2TE01 Fl. 104 6 a alegação de que minha “declaração foi selecionada para trabalho manual”. f) Insisto na aplicação da condição de prescrição ou decadência, previsto no Art 901, Seção II, do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Lei nº 5.172, de 1996, Art 174), entendendo que o fato gerador corresponde aos serviços prestados no ano de 2002. g) Acrescento, ainda, mais alguns documentos referentes aos serviços prestados: . Cópia da ficha de atendimento utilizada pelo profissional Marcelo Costa Cruz, referente ao tratamento odontológico realizado ao meu filho e dependente Eduardo de Vilheba Parreira (ANEXO III). . Cópia de declaração do profissional Marcelo da Costa Cruz, destinada a essa Delegacia, ratificando a veracidade dos recibos apresentados (ANEXO IV). h) Outros documentos de comprovação dos serviços prestados pelos profissionais relacionados estão sendo localizados e serão apresentados à essa Delegacia, assim que disponíveis. i) Cabe ainda esclarecer que desde abril/2008, venho efetuando os pagamentos do imposto não recolhido referente aos demais comprovantes, conforme processo 10680.720.288/200840. Portanto, em caso de indeferimento, deverão ser excluídos tais valores. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Segundo os autos, resta em litígio as glosas de despesas médicas relativas aos profissionais Rosângela Maria Toledo Caldeira (exercício 2003, no valor de R$5.000,00), Marcos Ozanan Correa (exercício 2005, no valor de R$2.000,00), e Marcelo da Costa Cruz (exercícios 2004 e 2005, nos valores respectivos de R$2.750,00 e R$1.400,00). Em seu recurso, o contribuinte combate a glosa de tais despesas com a alegação da decadência de parte do lançamento, com a afirmação de que os recibos apresentados correspondem a realidade dos fatos, e com documentos que comprovariam a realização dos serviços. Em primeiro lugar cabe analisar a questão preliminar relativa ao aspecto decadencial. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10680.002732/200841 Acórdão n.º 280102.511 S2TE01 Fl. 105 7 Como se verifica nos autos, pede o recorrente a decadência do lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao ano calendário 2002; portanto, com fato gerador em 31, de dezembro do ano 2002. Por seu turno, o Imposto de Renda das pessoas físicas obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso em exame houve o pagamento do IRPF, e a antecipação do imposto mediante retenção de IRRF pela fonte pagadora, conforme se observa no próprio auto de infração de folhas 05 dos autos, e na DIRPF do contribuinte, de folhas 28 e seguintes dos autos; portanto o lançamento relativo ao ano calendário de 2002 poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2007. Tendo sido notificado contribuinte em 02 de março de 2008 (folha 42 dos autos), o foi após o período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, decaído estava o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário relativo ao ano calendário de 2002. Superada a questão preliminar da decadência, passo a analisar o mérito da questão restante, relativas aos exercícios 2004 e 2005. As glosas mantidas pela DRJ são combatidas pela recorrente unicamente com a apresentação de recibos, com a afirmação de que os recibos apresentados correspondem a realidade dos fatos, e com documentos que comprovariam a realização dos serviços. Ressaltese que as glosas são decorrentes da falta de comprovação efetiva dos pagamentos. No presente caso, entendo, assim como a fiscalização, e a DRJ, que os recibos apresentados não possuem valor probante absoluto, e devem ser analisados dentro do contexto geral; razão pela qual havia a necessidade de apresentação de provas complementares da efetividade dos seus pagamentos. Este colegiado tem entendido que havendo questionamento por parte da autoridade lançadora, no que se refere a efetividade das despesas médicas declaradas e aos seus Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10680.002732/200841 Acórdão n.º 280102.511 S2TE01 Fl. 106 8 respectivos pagamentos, cabe ao sujeito passivo apresentar elementos seguros de prova da improcedência do lançamento. Assim, como o recorrente não logrou êxito em provar cabalmente a efetiva realização dos pagamentos, não há reparos ao acórdão recorrido. Ante tudo acima exposto, e o que mais contam nos autos, voto por dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo a decadência relativa ao lançamento do ano calendário 2002, restabelecendo a dedução da despesas médica no valor de R$5.000,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE
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