Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10120.904643/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência , nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10120.904643/2009-68
conteudo_id_s : 6572100
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1302-000.204
nome_arquivo_s : 1302000204_10073901284200908_201211.pdf
nome_relator_s : GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10120904643200968_6572100.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência , nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
id : 4557225
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:07 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087524713594880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 70 1 69 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.901284/200908 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.203 – 2ª Turma Ordinária Data 06 de novembro de 2012 Assunto DCOMP Recorrente PROBOAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligencia nos termos do voto proferido pelo Relator, vencidos os Conselheiros Eduardo de Andrade e Luiz Tadeu Matozinho Machado, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matozinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10073.901284/200908 Resolução nº 1801000.203 S1TE01 Fl. 71 2 RELATORIO O presente processo versa sobre o PER/DCOMP, transmitido em 29/06/2006, onde consta o crédito original de R$ 794,86, referente a pagamento realizado através de DARF, pago indevidamente de CSLL estimativa (cód. 2484), sendo utilizado para compensação de R$ 779,14. No Despacho Decisório, consta a não homologação da DCOMP, sob alegação de que foi localizado o pagamento, mas este foi utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte de CSLL cód.2484 PA 05/2003 (R$ 794,86). A interessada através da manifestação de inconformidade se insurgiu, em 01/06/2009, contra o Despacho Decisório, do qual teve ciência em 05/05/2009 apresentando os argumentos que se seguem: que o pagamento é o modo natural de extinção da obrigação tributária. que a administração está sujeita a vários tipos de controle, iniciado por seu próprio, ou autorevisão. quando a atuação da autoridade administrativa está viciada, nada impede sua revisão, que está prevista no art.149, VIII do CTN. o agente público tem o poderdever de anular, corrigir ou modificar o auto de infração à vista da auto tutela administrativa. no processo administrativo é dever da autoridade levar em conta todas as provas e fatos de seu conhecimento e até mesmo determinar a produção de provas e diligências. devese buscar a verdade material sempre e em caso de dúvida a solução deve ser mais favorável ao acusado, ficando afastadas as presunções. ante o exposto, tendo a impugnante demonstrado cabalmente a origem do crédito que ocasionou a compensação, tornase insubsistente o lançamento, cessando a cobrança que se dá por erro ou abuso de direito. A 8ª Turma da DRJ/RJ através do acórdão nº 1238.062, não homologou as compensações pleiteadas, em decisão unânime, alegando em síntese o seguinte: o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, introduzido pelo art.67 da Lei n° 9.532/1997 condicionou a aceitação de prova documental após a impugnação, aos casos de força maior, fato ou direito superveniente e, ainda, para contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso em tela, este direito precluiu. documentação existente no feito é suficiente para a perfeita compreensão do feito. Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10073.901284/200908 Resolução nº 1801000.203 S1TE01 Fl. 72 3 a compensação não foi homologada, porque foi localizado o pagamento, mas este foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte relativo ao CSLL estimativa —cod.2484 PA 05/2003. analisandose o processo, verificase que a interessada declarou na DCTF original, que o CSLLestimativa, relativa a maio de 2003, montava R$ 794,86. Na realidade, as estimativas de IRPJ e CSLL não são tributos, posto que, o IRPJ e a CSLL só passam a existir a partir de 31 de dezembro que é a data da ocorrência do fato gerador, quando é feita a apuração destes tributos, conforme disposição do art.2°, §3° e § 40 da Lei 9.430/96. não consta da referida norma qualquer outra possibilidade para utilização das estimativas. A verificação de que houve ou não recolhimento a maior ocorre somente em 31 de dezembro. O que pode ser utilizado para a compensação como crédito é o saldo negativo do IRPJ e da CSLL e não os valores pagos a titulo de estimativas. na verdade, as estimativas são meros pagamentos antecipados que são utilizados para a dedução do valor devido no momento da apuração desses tributos. Tais pagamentos só se transformam em tributo quando são incluídos na apuração do imposto. Tanto isso é verdade que não é possível a cobrança de estimativa não paga, posto que, a obrigação tributária principal somente surge com a ocorrência do fato gerador (art.113, §1° do CTN) e isto só ocorre em 31 de dezembro. A falta de recolhimento das estimativas somente gera multa. ressaltese que a PGFN nem ajuíza mais tal tipo de cobrança, pois, é pacifico nos tribunais que não se pode cobrar um tributo antes dos seu nascimento, ou seja, só é possível a cobrança de tributo após a ocorrência do fato gerador. Atentese que o art.44§ 1º, II da Lei 9.430/96, que versa sobre lançamento de oficio, prevê o lançamento somente da multa de isolada para o caso de falta de pagamento de estimativas, ou seja, não prevê que se lance essas estimativas. “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: s¢ 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (). IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente.". as estimativas de IRPJ e CSLL, não sendo tributos, não podem ser utilizados como crédito para a compensação, posto que, o caput do art.74 da Lei 9430/96, com redação dada pela Lei 10.637/2002 somente autoriza a compensação entre tributos. O § 12 do mesmo dispositivo confirma tal vedação ao considerar como não declarada a compensação que não se refira a tributos administrados pela RFB. ademais, a compensação foi feita no ano de 2006, ou seja, sob a égide da IN SRF n° 460/2004, que no seu art. 10, proibia expressamente a utilização de tributos pagos por estimativa para a compensação. Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10073.901284/200908 Resolução nº 1801000.203 S1TE01 Fl. 73 4 “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retencdo ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” portanto, mesmo que fosse comprovada a existência de pagamentos indevido ou a maior de CSLL estimativa, este não seria compensável. na impugnação, a interessada faz menção à revisão e anulação de lançamento, produção de provas por parte do Fisco na busca da verdade material, inversão do ônus da prova. nos processo de compensação, cabe ao contribuinte comprovar as compensações por ele efetuadas na Dcomp. Não é possível que o Fisco tenha que comprovar o que foi declarado pelo contribuinte Intimado da decisão por AR em 01/09/11 a Contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 30/09/11 alegando em síntese o seguinte: a decisão proferida pela DRJ deixou de corrigir o equivoco, partindo da premissa de que o pagamento, embora localizado, teria sido integralmente utilizado na quitação de débito da Recorrente relativo ao CSLL estimativa cod. 2484 PA 05/2003, o que não é autorizado pela Lei. há que se esclarecer que, a Recorrente não considerou as estimativas de IRPJ e CSLL como tributos recolhidos, mas sim a utilização do valor pago a maior, após a apuração do ano fiscal. No próprio acórdão é trazido o exemplo prático, isto é, o momentum em que as estimativas passam a categoria de tributos recolhidos, qual seja, com o término do ano fiscal, 31 de dezembro. e foi exatamente esta a hipótese destes autos: a Recorrente declarou o IRPJestimativa, relativo a maio de 2003, como estava obrigada pela Lei. Ao fim daquele exercício, foi apurado o efetivo crédito tributário devido e, em sendo tal valor superior àquele já estimado e, de fato, recolhido aos cofres públicos, se postulou pela correspondente compensação. Esta compensação foi reclamada no ano de 2006. a Recorrente realizou um "encontro de contas": o crédito estimado em 2003, teve seu valor apurado/confirmado ao final daquele exercício, e em 2006 foi solicitada a compensação legal do crédito tributário recolhido a mais. ao contrário do entendimento esposado no v. acórdão recorrido, o art° 10 da IN SRF n° 460/2004, aplicável à espécie, não veda a utilização de tributos pagos por estimativa para a compensação, apenas não traz esta previsão expressa. Fosse a intenção do Legislador impedir tal prática, teria assim indicado naquele dispositivo legal. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10073.901284/200908 Resolução nº 1801000.203 S1TE01 Fl. 74 5 a referida IN sequer veda a compensação de crédito tributário recolhido por estimativa, somente considera possível a compensação a partir do ano seguinte ao da retenção. Assim sendo, uma vez comprovado o valor de crédito tributário devido, pertinente e cabível a compensação. não fosse possível a compensação, se constituiria então o indébito fiscal, a ser restituído. Até mesmo em nome da economia processual, está legitimada a compensação em tais casos no caso o crédito tributário foi apurado, confirmado, e postulada a compensação, nos precisos termos da Legislação em vigor. Os documentos comprobatórios foram apresentados no curso do processo instaurado, sendo de se invocar o disposto no art° 4 o da IN SRF n° 460/04, que determina: “Art. 4o A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.” seguindo este raciocínio, assim se posicionou a jurisprudência administrativa: “N° Recurso 870009 Número do Processo 10783.903279/200834 Órgão Julgador Segunda Turma Especial/Primeira Seção de Julgamento. RECURSO VOLUNTARIO PROVIDO POR UNANIMIDADE Data da Sessão 30/03/2011 Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Acórdão n° 802000.851 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, ano calendário: 2002 – DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Restando comprovado nos autos que houve recolhimento de IRPJ por estimativa relativa a determinado período de apuração no curso do ano calendário, mas não utilizado para o mesmo período, não há óbice que o valor seja indicado para compensação de IRPJ por estimativa em período de apuração posterior no mesmo ano calendário. N° Recurso 512995 Número do Processo 19647.010809/200676 Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10073.901284/200908 Resolução nº 1801000.203 S1TE01 Fl. 75 6 Órgão Julgador Terceira Turma Especial/Primeira Seção de Julgamento RECURSO VOLUNTARIO Recurso Voluntário Provido em Parte POR UNANIMIDADE. Data da Sessão 29/03/2011. Relatora MARIA DE LOURDES RAMIREZ. Acórdão n° 1801000.530. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário determinando, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora. Ementa NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n°. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta questão, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. assim a jurisprudência administrativa dominante, é no sentido de que autorizar a compensação de crédito tributários sejam estes estimados ou já confirmados, desde que regularmente demonstrados. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10073.901284/200908 Resolução nº 1801000.203 S1TE01 Fl. 76 7 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. A 8ª Turma da DRJ/RJ, não homologou as compensações pleiteadas, primeiro pelo argumento de que as estimativas de IRPJ e CSLL não são tributos, posto que, o IRPJ e a CSLL só passam a existir a partir de 31 de dezembro que é a data da ocorrência do fato gerador, quando é feita a apuração destes tributos, conforme disposição do art.2°, §3° e § 40 da Lei 9.430/96. Depois de que não consta da referida norma qualquer outra possibilidade para utilização das estimativas além da compensação ter sido feita no ano de 2006, sob a égide da IN SRF n° 460/2004. Portanto, mesmo que fosse comprovada a existência de pagamentos indevido ou a maior de CSLL estimativa, este não seria compensável. Ou seja, a questão que se coloca para análise nestes autos basicamente se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Visto que a DRJ do Rio de Janeiro não se pronunciou propriamente sobre o crédito, se posicionando basicamente sobre a impossibilidade da compensação por falta de previsão legal, passo a discorrer sobre esta possibilidade. O Recorrente em seus argumentos de defesa se utilizou de jurisprudência deste E. Conselho, no caso, o Acórdão Acórdão n° 1801000.530, de 29/03/2011, em que foi Relatora a conselheira Maria de Lourdes Ramirez e do qual participei do julgamento. Naquela ocasião decidimos que, relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. No nosso entendimento não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Peço permissão para reproduzir as palavras proferidas naquele voto, pela Ilustre Conselheira, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. “...... Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10073.901284/200908 Resolução nº 1801000.203 S1TE01 Fl. 77 8 a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969. ........ No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de CSLL relativa ao mês de janeiro de 2003, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 3.328,31, para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2003, já que a DCOMP foi formalizada em janeiro de 2004. Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de CSLL foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2003, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 97 a 101: “6. Os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005... .” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10073.901284/200908 Resolução nº 1801000.203 S1TE01 Fl. 78 9 do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que se juntem as provas documentais que comprovem a existência ou não do crédito pleiteado. Das informações ora requeridas e juntadas aos autos, à recorrente deve ser dada a devida ciência e concedido prazo regulamentar para, desejando, se manifestar a respeito. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0322.14288.8TCI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 06/12/2012 10:02:37. Documento autenticado digitalmente por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 06/12/2012. Documento assinado digitalmente por: EDUARDO DE ANDRADE em 11/03/2013 e GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 06/12/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/03/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0322.14288.8TCI Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 48E07BF96D92AC08B7DECD15AA4916DE211E76EE Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10120.904643/2009-68. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 37184.001394/2006-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2004 a 28/02/2006
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
PROVAS DOCUMENTAIS
As provas documentais deverão constar da impugnação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-000.339
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 28/02/2006 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. PROVAS DOCUMENTAIS As provas documentais deverão constar da impugnação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 37184.001394/2006-16
conteudo_id_s : 6570504
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.339
nome_arquivo_s : Decisao_37184001394200616.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 37184001394200616_6570504.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
id : 9227765
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087524831035392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 433 1 432 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37184.001394/200616 Recurso nº 158.994 Voluntário Acórdão nº 240300.339 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 9 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SERPOL SEGURANÇA PRIVADA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 28/02/2006 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. PROVAS DOCUMENTAIS As provas documentais deverão constar da impugnação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari . Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, Acórdão n° 018.580 5ª Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal. O lançamento foi assim descrito no relatório do acórdão supra citado: Versa o presente processo sobre Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD 35.703.6107, lavrada em 29/06/2006, pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que de acordo com os diversos Relatórios que compõem o lançamento, referese às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, relativas à rubrica Segurados, calculadas com base no desconto dos segurados conforme consta em folha de pagamento (descontandose o declarado em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, objeto dos levantamentos 111 e 112 da NFLD DEBCAD 35.703.6085, Proc.37184.001392/200627) , totalizando o valor de .R$ 141.242,49 (cento . e quarenta e um reais e duzentos e quarenta e dois reais e quarenta e nove centavos), consolidado em 29/06/2006 e correspondente ao período de 01/04/2004 a 28/02/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 12/07/2006. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37184.001394/200616 Acórdão n.º 240300.339 S2C4T3 Fl. 434 3 • Os demonstrativos anexos da autuação não são claros, de difícil compreensão, repetem períodos, sem contudo indicar sua origem, tornando obscuro o entendimento por parte do contribuinte a respeito do papeis de trabalho coligidos pelo ilustre agente fiscal; • Ilegalidade da não consideração da retenção de 11% para todo o período do lançamento devida pelo governo do estado do Amapá; • Ilegalidade/inconstitucionalidade da taxa SELIC; • Direito à relevação da multa. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Preliminar Inconstitucionalidade competência A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento e competência deste colegiado para decidir sobre a questão. Inicialmente devese registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. O Decreto nº 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, que aprovou a Estrutura Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no artigo 32. Art. 32. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado judicante, paritário, compete julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II, e 37, § 2o, do Decreto no 70.235, 6 de março de 1972, alterado pela Medida Provisória no 449, de 3 de dezembro de 2008. Parágrafo único. Metade dos conselheiros integrantes do CARF será constituída de representantes da Fazenda Nacional, e a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 outra metade, de representantes dos contribuintes, indicados pelas confederações representativas de categorias econômicas de nível nacional e pelas centrais sindicais Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62 expressamente veda aos julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARFnº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37184.001394/200616 Acórdão n.º 240300.339 S2C4T3 Fl. 435 5 Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Vícios do lançamento Contribuinte alega que os demonstrativos anexos da autuação não são claros, de difícil compreensão, repetem períodos, sem contudo indicar sua origem, tornando obscuro o entendimento por parte do contribuinte a respeito do papeis de trabalho coligidos pelo ilustre agente fiscal. Abaixo ficará demonstrado que não cabe razão a tal alegação. Analisando os documentos componentes do lançamento verificase no Relatório Fiscal, folhas 38 a 42, que os valores lançados foram calculados com base no desconto dos segurados conforme consta em Folha de Pagamento, descontados aquele declarado na Gula de Recolhimento do Fundo de Garantia do tempo de Serviço e Informação a Previdência Social – GFIP. Além da apresentação de planilha detalhando mês a mês o lançamento, registra o Relatório Fiscal que o lançamento é resultado de diferenças entre as folhas de pagamento e os valores declarados nas GFIP. 3.2. Analisando a documentação apresentada pela empresa, constatouse que há diferenças entre os valores de INSS Devido conforme descontado dos segurados (e registrado ,em Folha de Pagamento) e os valores de INSS Recolhido em Guias de Recolhimento da Previdência Social GPS. 3.3. É sobre estas diferenças (parte descontada dos segurados) que trata esta NFLD. Dentre os demais elementos e relatórios presentes no processo, destaco os abaixo e concluo que não verifico os vícios apontados. Instruções para o Contribuinte (IPC), que fornece ao sujeito passivo orientações, entre outros assuntos de seu interesse sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso. Discriminativo Analítico do Debito (DAD), que discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriormente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; Discriminativo Sintético do Débito (DSD), que discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Relatório de Lançamentos (RL), que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; Fundamentos Legais do Débito (FLD), que informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores; Relatório de Documentos Apresentados (RDA), este relatório relaciona as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas; Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), este relatório demonstra os documentos apropriados pela fiscalização: GPS e LDC. Relatório de Representantes Legais (REPLEG), que lista todas as Pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Relação de Vínculos (VÍNCULOS), que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) inicial e de prorrogação; Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD); Termo de Encerramento da AuditoriaFiscal (TEAF); Relatório Fiscal (REFISC), que se destina à narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal. Ilegalidade da não consideração da retenção de 11% Questiona o contribuinte da não consideração dos valores retidos pelo tomador de serviços. Conforme analisado na decisão da DRJ, folhas 403 a 410, os valores recolhidos pelos tomadores de serviço foram considerados e apropriados ao débito, conforme demonstrado no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Registro que cabe ao contribuinte fazer prova de suas afirmações e que nenhuma cópia de Nota Fiscal registrando o destaque da retenção foi trazida ao processo. Abaixo apresento transcrição do trecho citado. 9.4 Da análise dos autos, em especial do Relatório de Documentos Apresentados — RDA, , constante, , de fls. 11/16, que relaciona por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37184.001394/200616 Acórdão n.º 240300.339 S2C4T3 Fl. 436 7 confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificações' anteriores e do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA, de fls. 17/25, que demonstra como os documentos apresentados pelo contribuinte ou apurados em ação fiscal foram apropriados pela fiscalização, GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos), observo que tendo sido a fiscalização procedida no estabelecimento da empresa cedente da mãode obra, foram considerados para fins de compensação dos valores apurados a título de contribuições devidas, todos os recolhimentos efetuados no código de pagamento da Guia de Previdência Social —GPS 2640, de uso exclusivo de Orgão do Poder Público, para recolhimento de contribuição retida sobre nota fiscal da prestadora, restando claro e inequívoco o procedimento adotado pelo Agente Fiscal, por ocasião de ação fiscal junto à prestadora, uma vez que, todos os recolhimentos efetuados por tomadora Órgão do Poder Público, a título de retenção, constantes do Sistema AGUIA, foram abatidos do lançamento: 9.5 Outrossim, quanto ao disposto no § 50 do art. 33 da Lei n° 8.212/1991, que estabelece que: "0 desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.", tal dispositivo legal, desacompanhado de provas cabais, não possui o condão de elidir o procedimento fiscal adotado, uma vez que, necessário seria a apresentação pela empresa notificada de notas fiscais, contendo desconto de contribuições efetuados, sem o devido recolhimento, os quais constituiriamse em DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos) cuja previsão de abatimento do valor apurado encontrase previsto no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA, de fls. 17/25, o qu não aconteceu inclusive, por ocasião da defesa, como já comentado no item 8 precedente. Direito à relevação da multa. Contribuinte pleiteia o direito à relevação da multa previsto no artigo 291 do Regulamento da previdência Social, aprovado pelo decreto 3049/99. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Visto que a previsão de relevação da multa está dirigida para casos de descumprimento de obrigação acessória e este processo trata de obrigação principal, concluise que não procede o pleito da recorrente. Juros SELIC Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37184.001394/200616 Acórdão n.º 240300.339 S2C4T3 Fl. 437 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002159/2007-09
Data da sessão: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1302-000.020
Decisão: Revolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200909
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 16327.002159/2007-09
anomes_publicacao_s : 200909
conteudo_id_s : 6568180
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1302-000.020
nome_arquivo_s : 1302000020_16327002159200709_200909.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : MARCOS RODRIGUES DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 16327002159200709_6568180.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Revolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
id : 4629582
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:09 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087524871929856
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-07-01T12:38:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-07-01T12:38:24Z; Last-Modified: 2011-07-01T12:38:24Z; dcterms:modified: 2011-07-01T12:38:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7440aa88-d6f8-44ab-9df4-709a6a840c65; Last-Save-Date: 2011-07-01T12:38:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-07-01T12:38:24Z; meta:save-date: 2011-07-01T12:38:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-07-01T12:38:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-07-01T12:38:24Z; created: 2011-07-01T12:38:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-07-01T12:38:24Z; pdf:charsPerPage: 1095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-07-01T12:38:24Z | Conteúdo => SI—C3T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo if 16327.002159/2007-09 Recurso n° 167.188 Resolução n° 1302-00.020 — 3' Camara / 2 Turma Ordinária Data 30 de setembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BANCO ITAÚ BBA Recorrida 10a TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SO-I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Revolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. MARCOS RODRIGUES DE MELLO — Presidente e Relator EDITADO EM: ¡MI (\ J '") si I I Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Benedicto Celso Benicio Júnior (Suplente Convocado), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Suplente Convocada), Jose de Oliveira Ferraz Correa (Suplente Convocado), Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. Processo n° 16327.002159/2007-09 SI-C3T2 Reso1uc5o n.° 1302-00.020 Fl. 2 Relatório e Voto Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 154 a 158), lavrado em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, relativos ao ano-calendário de 2003, em face da compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL. Relata o autuante, no Termo de Verificação Fiscal —IRPJ/CSLL, o seguinte (fls.161 a 172): Em 10 de outubro de 2007, pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal, o contribuinte foi intimado a manifestar-se sobre a exatidão das bases de utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL levantadas, assim como sobre o saldo do crédito de CSLL, decorrente de base de cálculo negativa ate 31/12/1998, no valor de R$ 8.477.093,45, em 31/12/2003. Em resposta, o contribuinte apresenta demonstrativos, relacionado as compensações de oficio de base de cálculo negativa de CSLL e de prejuízo fiscais efetuadas, relacionando-as aos processos administrativos lavrados e a situação atual dos mesmos. Além do mais, informa que as compensações de oficio não foram consideradas em sua base de cálculo já que os autos estão sendo questionados administrativamente ou judicialmente. HISTÓRICO DAS COMPENSAÇ ÕS DE OFÍCIO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL EFETUADAS: Em 27 de março de 2000, nos autos do processo administrativo n"16327.000555/00-28, a fiscalização constatou que o contribuinte amparado por liminar em mandado de segurança no processo n"93.03.114.727-8, junto ao TRF da 8" Região, deixou de adicionar aos lucros líquidos dos respectivos meses/anos-calendário de 1994 a 1998, para efeito de determinação do lucro real, o montante dos tributos cuja exigibilidade estava suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Foi lavrado o competente auto de infração, com exigibilidade suspensa, sendo o contribuinte intimado a proceder as alterações em seus controles afim de excluir do valor do prejuízo fiscal apurados, os valores discriminados afolha 163. DEMONSTRATIVO DE APURA 0'0 DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS QUE GERARAM COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL NO ANO-CALENDÁRIO DE 2003: Os valores tributáveis de IRPJ e de CSLL, originados por compensações indevidas de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL estão descritos nos demonstrativos, constantes do ANEXO II. 0 valor tributável de IRPJ é de R$ 121.147.312,63; e o da CSLL soma o montante de R$ 147.113.890,72, sendo composto por R$ 147.000.178,12 (compensação excedeu o saldo de base de cálculo negativa); de R$ 113.712,60, de excesso de recuperação de crédito, que convertido para saldo de base de cálculo negativa de CSLL a 18% compõe um saldo de base de cálculo negativa de CSLL a 18% de R$ 631.736,67. \ DO LANÇAMENTO: 2 Processo n° 16327.002159/2007-09 SI-C3T2 Resolução n.° 1302-00.020 Fl. 3 Para constar e surtir todos os efeitos de ordem legal, lavramos o presente TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO FISCAL DE DRPJ e CSLL, do BANCO ITA0 BRA S/A (CNPJ: 31.516.198/0001-94), ANO-CALENDÁRIO DE 2003, relativo a infração — COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE PREJUIZO FISCAL E BASE DE CALCULO NEGATIVA DE CSLL), no sucessor e responsável tributário BANCO ITA0 BBA S/A (CNPJ: 17.298.092/0001-30), como parte integrante do AUTO DE INFRAÇÃO, em três vias de igual teor, uma das quais fica em poder do autuado. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 19/12/2007 foi lavrado o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido -CSLL (fls. 154 a 158), no montante de R$ 30.581.005,79 (fl.03), com os valores a seguir discriminados: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido -CSLL Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ CSLL Art. 2° e §§ da Lei n°7.689/88; art. 58 da Lei n°8981/95 e art. 16 da Lei n°9.065/95; art. 1° da Lei n°9.316/96; art. 37 da Lei n°10.637/02. 13.240.250,16 Juros de Mora (até 30/11/2007) Art. 28 c/c 6°, § 2°, da Lei n° 9.430/96. 7.410.568,01 Multa de Oficio (75%) Art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. 9.930.187,62 TOTAL 30.581.005,79 DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 19/12/2007(f1.154), o contribuinte apresentou, em 10/01/2008, a impugnação de fls.174 a 194, acompanhada dos documentos de fls. 195 a 579, alegando, em síntese, o seguinte: DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 1. 0 Auto de Infração não se revestiu das formalidades previstas no Decreto n°70.235/72, visto que a descrição do suposto fato gerador, como se veil a seguir, é contraditória e confusa, de modo que não traz elementos suficientes a permitir a adequada defesa dos interesses da Requerente. 1.1 Pretender-se que a Requerente em 2003 tivesse realizado compensação de acordo com ajustes impostos pelo Fisco somente em 28/09/2004 não só é totalmente desarrazoado, como é inviável! Tal fato evidencia a total falta de lógica da Fiscalização no momento da formalização do lançamento. Deixa clara a improcedência do Auto de Infração devido a imprecisa e confusa descrição dos fatos supostamente sujeito h incidência da CSLL. 1.2. 0 Auto de infração em momento algum faz referência direta ao PA n°16327.001177/2004-12. A autuação limita-se afirmar que "em 28 de setembro de 2004, foi lavrado auto de infração, referente a atividades exercidas no exterior ...". 3 Processo n° 16327.002159/2007-09 Sl-C3T2 ResolucAo n.° 1302-00.020 Fl. 4 1.3. Para a realização de qualquer lançamento, de acordo com o artigo 10 do Decreto n°70.235/72 é preciso haver uma descrição precisa e completa dos fatos questionados, o que não ocorreu, impedindo a Requerente de exercitar em plenitude a ampla defesa e ao contraditório. 1.4. Assim, resta demonstrado que o Auto de Infração é improcedente e deve ser cancelado, uma vez que não se reveste das formalidades essenciais impostas pela legislação tributária. 1.5. 0 presente processo cobra valores de CSLL decorrente de uma suposta redução indevida da base de cálculo da CSLL no ano-calendário de 2003 em virtude de compensação de saldos inexistentes de base de cálculo negativa. As bases de cálculo negativas teriam sido compensadas nos PA's: n°16327.001311/2002-13, n°16327.001177/2004-12, todos em andamento, dos quais o presente processo e reflexo. A Requerente deixou para efetuar os ajustes determinados pela Fiscalização, quando os processos acima referidos, estivessem encerrados, pois apenas nesse momento os créditos já estariam definitivamente constituídos, ou teriam sido cancelados, o que não traria motivo para a realização dos ajustes. DO MÉRITO A MULTA E OS JUROS 2. Em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o auto de Infração não poderia ter sido lavrado com multa e juros morat6rio. 2.1. Ainda que procedente a autuação, o que se considera para argumentar, o artigo 132 do CTN, norma especifica aplicável às situações em que há a incorporação de urna sociedade (como no presente caso), estabelece que a Requerente, na condição de incorporadora, não responde pelas penalidades aplicadas à sociedade incorporada (BBA Finanças), quando o lançamento ocorrer após a data da incorporação. 2.2. Ad argumentandum, a multa de oficio no valor de 75% da exigência mantida, é excessiva e extrapola os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida. 2.3. A taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários. 2.4. Se aplicável a taxa SELIC, ela somente poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de oficio, que é penalidade e não tem natureza tributária. Dessa forma, requer-se o acolhimento integral da presente Impugnação, determinando o cancelamento da exigência consubstanciada no Auto de Infração em questão, assim como das penalidades e dos juros aplicados. A DRJ decidiu: 4 Processo n° 16327.002159/2007-09 SI-C3T2 Resolução n.° 1302-00.020 Fl. 5 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 2003 AUTO DE INFRA ÇÁ -0. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Pelo arrazoado da impugnação verifica-se que a requerente tem pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados e, assim, rejeita-se a preliminar de cerceamento de direito de defesa. MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. Não comprovada a vigência de medida liminar em Mandado de Segurança ou Medida Cautelar, por ocasião do lançamento, aplica-se multa de oficio. MULTA DE OFICIO. RESPONSABILIDADE DE SUCESSOR. 0 sucessor responde pelo pagamento da multa de oficio e dos juros de mora aplicados a sucedida antes ou depois da incorporação. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. INCIDÊNCIA. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita a incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. A recorrente tomou ciência em 05/05/2008 e apresentou recurso em 28/05/2008. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e, em especial: 1.5. 0 presente processo cobra valores de CSLL decorrente de uma suposta redução indevida da base de cálculo da CSLL no ano- calendário de 2003 em virtude de compensação de saldos inexistentes de base de cálculo negativa. As bases de cálculo negativas teriam sido compensadas nos PA 's: n°16327.001311/2002-13, n"16327.001177/2004-12, todos em andamento, dos quais o presente processo e reflexo. Analisando a situação dos citados processos verifico: 16327.001311/2002-13 — questiona a dedutibilidade de juros incorridos sobre tributos com a exigibilidade suspensa — teve preliminar de decadência acolhida em parte e aguarda julgamento de recurso especial junto à CSRF; 16327.001177/2004-12 - refere-se a matéria discutida no MS 2003.61.00.003516-8 — já julgado na esfera administrativa e aguarda a conclusão do processo judicial na Deinf/Sdo Paulo. 5 Processo n° 16327.002159/2007-09 S 1 -C3T2 Resolução n.° 1302-00.020 Fl. 6 Entendo que a solução dos citados processos, seja na esfera administrativa seja na judicial, interferem no resultado do julgamento do presente processo. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da Receita Federal aguarde a decisão definitiva nos processos acima e, após, remeta o presente processo a este CARF acompanhado daquelas decisões. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002052/00-36
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1302-000.019
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: WiILSON FERNANDES GUIMARÃES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200909
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 11020.002052/00-36
anomes_publicacao_s : 200909
conteudo_id_s : 6568152
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1302-000.019
nome_arquivo_s : 1302000019_164422_110200020520036_016.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : WiILSON FERNANDES GUIMARÃES
nome_arquivo_pdf_s : 110200020520036_6568152.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
id : 4629375
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:09 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087524912824320
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:50:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:50:35Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:50:36Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:50:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:50:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:50:36Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:50:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:50:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:50:35Z; created: 2010-04-05T15:50:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2010-04-05T15:50:35Z; pdf:charsPerPage: 1094; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:50:35Z | Conteúdo => SI-C3 12 F I I 'Z 1/4-;;;;4**1•Me, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. ...—. ., .— „. s Processo e 110205302052/00-36 Recurso n° 164.422 Resolução n° 1302-00.019 — 3° Câmara I 22 Turma Ordinária Data 29 de setembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RANDON S/A - IMPLEMENTOS E SISTEMAS AUTOMOTIVOS Recorrida 5a TURMA/DRS-PORTO ALEGRE/RS Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatono e voto que integram o presente julgado. , MARCOS RODRIGUES DE MELLO — Presidente 7--- I WILS N FERNA Atmil.. _ , • MARAES/— Relator(1, vo• x,,/ 1 EDITADO EM - 1 :, 14\ R--2C11° -- -: ra — Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Femandes Guimarães, Regis Magalhães Soares Queiroz (Suplente Convocado), Lavima Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Suplente Convocada), José de Oliveira Ferraz Conta (Suplente Convocado), Irineu Bianchi (Vice-Presidente), e Marcos Rodrigues de Mello (Presidente). Ausente, justificadarnente, o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. 1 Relatório e Voto. RANDON S/A IMPLEMENTOS E SISTEMAS AUTOMOTIVOS, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que indeferiu, em parte, os pedidos veiculados através de mimifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul. Trata o processo de pedidos de restituição de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, relativos a saldos negativos apurados nos anos-calendário de 1996, 1997 e 1998, cumulados com pedidos de compensação. Reproduzo, a seguir, relatório elaborado em primeira instância. "Trata-se de Pedidos de Restituição, totalizando o valor (principal) R$ 1.606730,56: - pedido de 01 de "1RPj pago a maior nos anos de 1997 e 1998", para compensação, no valor (principal) de R$ 1,311036,39; - pedido de fl. 02 de "CSLL paga a maior nos anos de 1996 e 1997" para compensação, no valor (principal) de R$ 294.693,67. Adicionalmente, a interessada apresentou pedidos de compensação dos valores acima com tributos administrados pela 51117 confbrme documentos de folhas 03 e 04. nis documentos foram cancelados e substituídos pelos documentos de folhas 242 e 243. Após análise das informações constantes dos pedidos de restituição e compensação apresentados pela interessada, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul elaborou intimação (fls. 387 a 389) para prestação de esclarecimentos e apresentação de documentos pela interessada. Tendo sido apresentados vários documentos e termos de esclarecimento pela interessada, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul realizou nova análise e em Despacho Decisório DRiF/CX77Gizbinete, de 24 de outubro de 2003 (fls. 668 a 675), reconheceu o direito creditorio da interessada contra a Fazenda Pública da União no valor de R$ 1.517.191,06, valor posteriormente retificado para R$ 1.514.008,41 (conforme doc de fls. 1084 a 1087), homologando os pedidos/declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. Os Jimdamentos do despacho decisório encontram-se relatados a .seguir. 1 — O valor do direito creditório da interessada, referente ao IRPJ, reconhecido pela delegacia de origem, foi de: (I) R$ 1.203,607,45 relativo a 1997, a titulo de saldo negativo do imposto, apurado no período e não utilizado em períodos subseqüentes, sendo esse valor composto por recolhimentos realizados a partir de 2001 (em parcelamento) e (2) R$ 15.707,31 em 31/12/1998, a titulo de saldo negativo do imposto. O total reconhecido, portanto, alcança o montante (em valores originários) de R$ 1.219.314,76, em detrimento do valor objeto do pedido, que alcançou a cdra (em valores 2 _2(< Processo ri° 11020.002052/00-36 S1-C31'2 Resolução a° 1302-00.019 Fl. 2 originários) de R$ 1.312.036,89; a diferença, no valor de R$ 92.722,13, é devida aos motivos abaixo. a) Não foi aceito o valor informado pela interessada na declaração de IRPJ referente a novembro e dezembro de 1996, por referir-se a direitos creditórios surgidos posteriormente, em 1997, o que seria proibido pelo art. 14 da IN SRF n° 21, de 1997. Tal procedimento ensejou a inexistência do saldo negativo de 31/12/1996, posteriormente utilizado para compensar débitos e, conseqüentemente, prejudicou o valor do presente processo. b) Não foi aceito o valor informado pela interessada na declaração de 1RPJ referente ao ano-calendário de 1997, relativamente ao mês de abril, por tratar-se de compensação do débito com saldo negativo do ano de 1996 (que, conforme item acima) era inexistente. Esse procedimento implicou redução do direito creclitõrio alegado pela interessada, referente a 1997. c) Na declaração de IRPJ relativa ao ano-calendário de 1997 lei informado o valor total de R$ 274.067,50 (R$ 241.807,45 + RS 32.260,05)a título de IRRF a ser compensado com débitos no ano (com estimativas ou no ajuste anual). Desse valor, não foi aceito o valor de R$ 4.867,90 (foi erroneamente digitado o valor de R$ 2.049,90 na fl. 661 e devidamente retificado para 4.867,90 na 11. 994). A razão da não aceitação desse valor foi a falta da comprovação da respectiva origem, pelos seguintes motivos: - a utilização do IRRE relativo ao ano de 1994 resultou em saldo negativo de IRPJ para o período (passível de utilização em 1997) no valor de 4.535,3547 Ufir, que, foi atualizado para 01/01/96 pela taxa de R$ 0,8287 e, a partir daquela data, pela variação da taxa SELIC, para quitação de débitos da interessada; - a utilização do 'ARE relativo ao ano de 1995 resultou em um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 147453,86 (passível de utilização em 1997), atualizado para 01/01/96 e, a partir dessa data, pela variação da taxa SEL1C, para quitação de débitos da interessada. Cumpre referir que, das retenções na fonte informadas pela interessada no período, somente não foram aceitos os valores de R$ 6.534,30 (doe de fl. 588) por tratar-se de tributação definitiva (art. 36 da Lei n° 8.541, de 1992) e de RS 8,47 (doe de fl. 584) por tratar-se de retenção ocorrida em maio de 1995, sendo que a empresa Randon Implementos S/A somente teria sido incorporada em 30106/1995. - a apuração do saldo negativo dos anos de 1994 e 1995 encontra-se apresentada na tabela de ft 655 (retificada na JI. 993) e a utilização desse saldo para compensar débitos de 1997 encontra-se na tabela de 661 (retificado na II. 994), resultando no valor em aberto de R$ 4.867,90. d) Do valor informado pela interessada, a titulo de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste de 1997 (R$ 1.040.167,59) somente foram aceitos R$ 947.611,63. A razão do indeferimento da diferença, de RS 92.555,96, reside no fato de que ela corresponde a juros sobre o valor original, de R$ 947.611,63. Esse valor original consiste no somatório das estimativas pagas no próprio ano-calendário (inibi-macio 3 na declaração original). Na declaração retificadora, a interessada realizou a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto (de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão) e, assim, considerou o valor recolhido a titulo de adiantamento mensal do imposto como indevido desde seu recolhimento, computando — conseqüentemente — acréscimo de juros sobre ele desde a data do recolhimento. A fiscalização, entendendo que não podia ser realizada essa mudança, indeferiu o montante de juros referentes ao próprio ano-calendário. e) Na Declaração de IRPJ relativa ao ano-calendário 1998, parte dos valores informados a titulo de compensação de saldo negativo de declaração de períodos anteriores não foram aceitos porque o valor pela interessada informado, a titulo de saldo negativo de períodos anteriores, considerava pagamentos (relativos a 1997 — estimativas — no valor de RS 1.203.607,45) que não tinham sido realizados até o momento da declaração (que foram objeto de parcelamento posterior, somente quitado em 2003), sendo aceito apenas o valor original de 52.552,39, recolhido no período. J) Na declaração de IRPj relativa ao ano-calendário de 1998, do valor informado a titulo de pagamento indevido, que incluía o valor original e os respectivos juros, somente fisi aceito o respectivo valor original. Esses valores, na declaração original, referiam-se a adiantamento mensal do imposto (apurado pela sistemática da receita bruta) e na declaração retificadora fira mudada a sistemática de apuração dos adiantamentos mensais (para balancete de suspensão ou redução). A fiscalização, entendendo que não podia ser realizada essa mudança, indeferiu o montante de juros informados. 2 — O valor do direito creditório da interessada, referente à CSLL, reconhecido pela delegacia de origem, foi: (I) com relação a 1996, a totalidade do valor pedido, de RS 59.309,86 e (2) com relação a 1997, de RS 235.383,80, inclusive superior ao valor objeto do pedido, que alcançava a cifra de RS 234.383,81. Com relação a 1997, mesmo reconhecendo o valor antes demonstrado, é feita uma critica aos elementos informados na respectiva declaração retificadora; pois, ria declaração original, constava adiantamento mensal do imposto apurado pela sistemática da receita bruta e, na declaração retificadora, fora mudada a sistemática de apuração dos adiantamentos mensais (para balancete de suspensão ou redução). A fiscalização entendeu que não podia ser realiza cia essa mudança. A seguir, para fins de clareza, estão representados os valores pedidos pela interessada, em comparação com os valores reconhecidos pela autoridade preparadora." 4 Processo n°11020.002052/00-36 St-C312 Resolução n.°1302-00.019 El. 3 Pedido inicial (lis. 01 e 02) IRPI CSLL Total irpj 1997 996.977,98 esti 1996 59.309,86 irpj 1998 315.058,91 esti 1997 234.383,81 1.312.036,89 293.693,67 1.605.730,56 Valor inicialmente reconhecido (d spacho de fls. 6681675) 1.517.191,06 Valor reconhecido após retificação do erro da planilha de fl. 661 1.514.008,41 Diferença 3.182,65 Explicitando dos valores deferidos IRPf CSLL Total irpj 1997 1.203.607,45 esti 1996 59.309,85 iipj 1998 15.707,31 est/ 1997 235.383,80 1.219.314,76 294.693,65 1.514.008,41 De acordo com a Notificação DRF/CXL/Sixor n°498, de 28 de outubro de 2004 (fi. 983) a interessada em 04/11/2004 (conforme AR de fl. 988) foi cientificada: - do Despacho Decisório DRFICXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003; - de que foram realizadas compensações constantes do processo até o limite do crédito reconhecido; - de que restaram débitos a serem pagos constantes da Carta de Cobrança — Saort de n°310/2004 (fl. 984)e DARES (fl. 986e 987). Em 02 de dezembro de 2004, a interessada apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMILL4DE ao indeferimento parcial de seu pleito, realizado através do despacho decisório DRF/CSL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003 (fls. 1006 a 1042), argumentando estar demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento parcial de seu pleito e requerendo que fosse acolhida sua Manifestação de Inconformidade, reconsiderado o Despacho decisório DRF/CXL/Gabine(e, de 24 de outubro de 2003, e o cancelada/arquivada a Carta Cobrança n õ 310/2004 — SAORT (ff 1042). As alegações da manifestação de inconformidade estão a seguir relatadas. a) Insurge-se contra o fato de não ter sido aceito o valor por ela informado na declaração de IRPJ referente a novembro e dezembro de 1996, por referir-se a direitos creditórios surgidos posteriormente, em 1997, o que seria proibido pelo art. 14 da fiV SRF n° 21, de 1997, ou seja, que seria necessária solicitação especifica à SRF, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação — item 3.1 do despacho decisório. Alega que o pedido de restituição em tela (objeto do presente processo) supriria essa condição. 1)) Insurge-se contra a não-aceitação do valor por ela informado na declaração de IRPJ do ano-calendário dei997, relativamente ao más de abril, por tratar-se de compensação do débito com saldo negativo do ano de 1996, que seria inexistente — item 3.2 do despacho decisória Alega que, com a aceitação dos valores referentes a novembro e ( .7‘r, dezembro de 1996— item anterior — resta existente o saldo negativo de 1996, para aproveitamento no mês de abril de 1997. c) Concorda com a não-aceitação de alguns créditos informados a titulo de IRRF pela inexistência da origem de tal importância — item 3.3 do despacho decisório. d) Insurge-se contra a aceitação parcial do valor por ela informado a titulo de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste de 1997 (do valor informado, R$ 1.040.16259 somente foram aceitos RS 947.611,63 e indeferida a diferença, de R$ 92.555,96, correspondente a juros incidentes sobre o valor original, de R$ 947.611,63), sob afundamento de que, esse valor refere-se a estimativas pagas no próprio ano- calendário, informadas na declaração original, sobre o qual não incidem juros e que, na declaração retificadora, não poderia ter sido realizada a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto (de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão)— item 3.4 do despacho decisório. Alega que a opção por estimativas sobre a receita bruta ou com base em balanceies de suspensão ou redução é urna faculdade sua e que, considerando a utilização de balancetes de suspensão ou redução, não teria havido imposto a pagar nos meses em que efetuou antecipação do tributo, recolhida a titulo de estimativa apurada sobre a receita bruta. Conclui, assim, que a estimativa paga corresponderia a pagamento indevido e que, a partir do momento desse pagamento, já incidiriam juros mortztários. e) Insurge-se contra a aceitação parcial do valor por ela informado a titulo de pagamentos indevidos ou a maior, relativos ao ano-calendário 1998. Parte dos valores informados a . titulo de compensação de saldo negativo de declaração de períodos anteriores não haviam sido aceitos porque o valor pela interessada infirmado, a titulo de saldo negativo de períodos anteriores, considerava pagamentos (relativos a 1997 — estimativas — no valor de R$ 1.203.607,45) que não tinham sido realizados até o momento da declaração (que foram objeto de parcelamento posterior, somente quitado em 2003) — item 3.5 do despacho decisório. Alega que teria havido saldo negativo de 1997 já apurado, composto por estimativas mensais superiores ao valor devido ao final do período e que essas estimativas teriam sido posteriormente quitadas (no ambito do citado parcelamento). J9 Insurge-se contra a aceitação parcial do valor por ela informado a titulo de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste do ano- calendário de 1998 — item 3,6 do despacho decisório alegando as mesmas razões de inconformidade apresentadas contra o item 3.4 do despacho decisório, relatados na letra (d), acima. g) Insurge-se contra a fundamentação constante do item 4.2 do despacho decisório que, com relação a 1997, não aceita na íntegra os elementos informados na respectiva declaração retificadora; pois, na declaração original, constava adiantamento mensal do imposto apurado pela sistemática da receita bruta e, na declaração retificadora, fira mudada a sistemática de apuração dos adiantamentos mensais (para balancete de suspensão ou redução), entendendo, a fiscalização, que a opção seria definitiva. Alega, em resumo, as mesmas razões de inconformidade apresentadas contra o item 3.4 do despacho decisório, relatados na letra 61), acima. ‘- Cl\ ( 6 Processo M 11020002052/00-36 81-C3112 Resolução n.°1302-00.019 Fl. 4 h)Insurge-se, finalmente, contra a fundamentação constante do item 6 do despacho decisório. De acordo com o despacho decisória, o valor do saldo negativo de Imposto de Renda, relativo ao ano-calendário de 1997, composto por antecipações mensais do tributo, devidas e não absorvidas pelo valor apurado ao final do período (que foi inferior ao das antecipações) resultou em saldo negativo do Imposto de Renda, passível de restituição / compensação. Ainda de acordo com o despacho decisório, as citadas antecipações mensais não teriam sido recolhidas tempestivamente, tendo sido objeto de parcelamento (processo administrativo n° 11020-002265/00-77, deferido em 31/10/2000 e com a ultima parcela paga em 31/03/2003) e, assim, a autoridade preparadora entendeu que os valores a serem restituídos/compensados somente deveriam ser acrescidos de juros a partir da data do efetivo recolhimento (ocorrido entre 2001 e 2003). A interessada, entretanto, discorda da conclusão esposada no despacho, alegando que, tendo recolhido os valores relativos a 1997 com os respectivos acréscimos moratórias, seu direito creditó rio remonta ao final do ano-calendário de 1997 e que, assim, os juros moratórias deveriam ser considerados a partir dessa data. Afirma a interessada que, alternativamente, a autoridade poderia ter considerado o termo inicial da fluência dos acréscimos legais na data do efetivo pagamento do parcelamento, mas que, nesse caso, deveria considerar no valor do indébito a ser restituído o total pago (valor original e acréscimos). i) Pede perícia, nos seguintes termos "para verificação das razões de fato e de direito alegadas na presente :Manifestação, a fim de demonstrar a inexistência de qualquer débito tributário", nomeando e qualificando perito para tal. Tendo sido constatada a presença de erros de digitação na elaboração das planilhas de fls. 661 e seguintes (referidas pelo despacho decisório), a Delegacia da Receita Federal em Ceceias do Sul / RS, emitiu o documento de fis 998 a 1005, denominado Despacho Decisório Retificador DR(70(I/Gezbinete, de 29 de novembro de 2004. De acordo com o conteúdo do referido documento, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul mantém o mérito e a fundamentação do Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003 (fls. 668 a 675), porém, com filiem° nas planilhas retificadas ais. 993 e seguintes), conclui que o direito creditaria da interessada contra a fazenda pública ficaria reduzido ao montante de R$ 1.514.008,41, conforme tabela abaixo: Pedido inicial (fls. 01 e 02) Total irpj 1997 996.977,98 csll 1996 59.309,86 irpj 1998 315.058,91 es111997 235.383,81 1312.036,89 294.693,67 1,606.730,56 Valor inicialmente reconhecido (despacho de Es. 6681675) 1.517.191,06 Valor reconhecido após retificação do erro da planilha de fi. 661 1.514,008,41 Não foi dada ciência do referido documento à interessada, conforme pode se depreender da análise dos autos do processo. Não logrando, assim, tal documento, tornar sem efeito o Despacha Decisório de 24 de outubro de 2003. 7 A Quinta Dirimi da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em - Porto Alegre decidiu, conforme acórdão 075 de 15 de março de 2006, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que, mantendo-se a validade do Despacho Decisório DRFICXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2003 09s. 668 a 675), fosse providenciada sua retificação, em documento contendo apenas a referência aos erros de fato e sua retificação, com abertura de prazo para manifestação da interessada sobre a parte retifica& A Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul — RS, mantendo na Integra o Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 24 de outubro de 2093, em termos de (1) fatos analisados, (2) documentação referenciada e (3) fiendamentação legal, indicou as planilhas onde tinha ocorrido erro de digitação, na informação DRF/CXL/Gabinete, de 12 de abril de 2006 (fls. 1084 a 1087), conforme a seguir: sorna dos valores devidos e nã'o quitadas no AC 1997 valor inicialmente digitado fl 661 39.229,68 valor posteriorinente retificado 11 994 42047,68 diferença 2.818,00 Saldo negativo reconhecido, referente à declaração do AC 1997 valor inicialmente digitado 11 655 1.258.977,84 valor posteriormente retificado fl 993 1.256.159,84 diferença (2.818,00) Crédito a compensar em 1998, relativo ao AC 1997 valor inicialmente digitado fl 662 54.327,39 valor posteriormente retificado (1 995 51.509,39 diferença em 31/12/1997 (2.818,00) • diferença em julho/98 - variação da selic: 1,1294 (3.182,65) Valor do crédito não quitado relativo ao AC 1997 valor inicialmente digitado [1 662 87378,35 valor posteriormente retificado 11995 90.561,00 diferença 3.182,65 Valor do crédito não quitado relativo ao AC 1998 valor inicialmente digitado fl 663 86.308,23 valor posteriormente retificado 11 996 89.490,88 diferença 3.182,65 A ciência da informação acerca da retificação realizada foi dada à interessada em 19 de abril de 2006 (II. 108). A interessada apresentou, em 17 de maio de 2006 (confomze documento de P. 1091 a 1101), manifestação sobre a informação acerca da retificação, requerendo: (I) preliminarmente a nulidade da retificação realizada, pelo transcurso do prazo de 5 anos do pedido (2) a declaração da preclusão da Autoridade Fazendaria de apresentar quaisquer novos cálculos, em virtude da instauração da fase litigiosa do processo, (3)a desconsideração da Informação DRF/CXL/Gabinete, de 12 de abril de 2006, por descumprimento dos requisitos do § 30 do art. 18 do Decreto 70.235, de 1972 (PAF). Adicionalmente, reiterou as alegações de sua Manifátação de Inconformidade original (fls. 1006 a 1042), bem como o respectivo pedido de perícia. CA. 8 Processo n° 11020.002052/00-36 S1-C3T2 Resolução n.° 1302-00.019 El. 5 A 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão n° 10- 9.960, de 29 de setembro de 2006, pelo deferimento parcial da solicitação formalizada pela contribuinte, conforme ementa a seguir transcrita. "EXISTÊNCIA DE INCOERÊNCIA ENTRE DOCUMENTOS, NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO E RETIFICAÇÃO DE LAPSO MANIFESTO. INEXISTÊNCIA DE INOVAÇÃO MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO IMPUT'ADA À INTERESSADA. A Retificação de lapso manifesto que não consiste em inovação material no despacho decisório original não logra agravar a situação da interessada; mormente quando todos os fatos a ela imputados já tinham sido corretamente descritos e todos os documentos a ele relativos já tinham sido juntados ao processo. A existência de incoerência entre: (a) o que era descrito no despacho e (b) o que havia sido digitado em planilhas por ele referidas demanda esclarecimento, o que foi realizado através da retificação. PERÍCIA PRESCINDÍVEL INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância deve indeferir o pedido de perícias, quando entendê-las prescindíveis ou impraticáveis. IRPJ. CSLL. DIREITOS CREDITÓRIOS SURGIDOS POS7ERIOI?MENTE AO DÉBITO, IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DIRETO EM DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. NECESSIDADE DE PEDIDO EM PROCESSO ESPECIFICO. Direitos creclitórios surgidos posteriormente ao débito não podem ser objeto de aproveitamento direto, em declaração de Imposto de Renda, mas — para aproveitamento — devem ser objeto de pedido em processo especifico. IRPJ. CSLL. ADIANTAMENTOS MENSAIS DO IMPOSTO DE RENDA. REGRA GERAL: ESTIMATIVAS SOBRE A RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. VALOR RECOLHIDO PASSÍVEL DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO SEM ATUALIZAÇÃO DENTRO DO ANO-CALENDÁRIO. A OPÇÃO PELA UTILIZAÇÃO DE BALANCETES DE REDUÇÃO OU SUSPENSÃO DO IMPOSTO SOMENTE É POSSÍVEL ATÉ A DATA DO RECOLHIMENTO DA ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos realizados a titulo de adiantamento mensal do imposto de renda podem ser objeto de dedução do tributo devido ao final do período, porém sem atualização dentro do ano-calendário. A regra geral de apuração dos adiantamentos mensais é a utilização da receita bruta e acréscimos. A opção pela utilização de balanceies de suspensão ou redução, na apuração dos adiantamentos mensais do imposto, demanda levantamento específico de balanço, ou balancete, com transcrição no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês Não tendo sido provado o cumprimento destes . • .. requisitos, conclui-se pela utilização da regra geral — adiantamentos apurados sobre a receita bruta e acréscimos. 112PJ. CSLL, SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA E CSLL NA APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO AO FINAL DO ANO- CALENDÁRIO. POSSÍVEL A COMPENSAÇÃO OU O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COM ATUALIZAÇÃO A PARTIR DO PRIMEIRO DIA g ---r---------+: . . -- DO ANO-CALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. Foi apurado, em 1997, saldo negativo de Imposto de Renda, pelo valor das antecipações mensais superar o imposto devido ao final do período de apuração. As antecipações mensais, apesar de não terem sido recolhidas tempestivamente foram objeto de parcelamento já quitado e, conseqüentemente, recolhidas com os devidos acréscimos legais. Tal procedimento resulta em idêntico efeito ao do recolhimento espontâneo, ou seja, purgada a mora (pelo recolhimento de acréscimos legais sobre o valor principal parcelado) os recolhimentos operam efeito ex-turze. Assim, resta caracterizado o saldo negativo do imposto, passível de restituição / compensação acrescido de juros equivalentes a taxa SELIC a partir de I o de janeiro de 1998." Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 1.255/1270, por meio do qual sustenta: - que há extrema necessidade de realização de pericia para que, demonstrando o equívoco da autoridade julgadora de primeira instância, seja constatado que ela efetuou as apurações e os recolhimentos das antecipações mensais de imposto de renda através do método de suspensão/redução do devido por estimativa, apurações essas alicerçadas em balanços ou balancetes de redução ou suspensão do imposto, devidamente transcritos no Livro Diário, conforme consta em anexo; - que não procede a alegação de que ela efetuou a trocado tipo de adiantamento mensal do imposto. de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base cm balancete de redução ou suspensão; - que, caso não seja deferido seu pedido de perícia, requer a análise das provas anexadas ao recurso; - que os saldos negativos de imposto de renda dos períodos de janeiro a julho de 1996 e dc agosto a outubro de 1996, conforme as respectivas DIPJs, atualizados até dezembro de 1996, devem ser aceitos para a compensação com débitos de IRPJ apurado em novembro de 1996, tendo em vista se tratarem de tributos da mesma espécie e de créditos anteriores aos débitos, tal qual a previsão do artigo 14 da Instrução Normativa 110 21 . de 1997, uma vez que foi parcialmente homologado o Pedido de Compensação dos créditos de 1997 e de 1998 com os débitos de 1996; - que o crédito correspondente ao saldo negativo apurado nos meses de novembro e dezembro de 1996 deve ser mantido, sendo possível sua compensação com débito apurado no mês de abril do ano-calendário de 1997, restabelecendo-se o saldo negativo apurado no ano-calendário de 1997; - que, caso as compensações requeridas não sejam homologadas, o efetivo pagamento do imposto tomará as compensações solicitadas sem efeito, liberando os créditos correspondentes para utilização em futuras compensações, a partir do encerramento do presente processo. . No que tange aos demais créditos não reconhecidos pela autoridade julgadora de primeira instância, sustenta a Recorrente, com base cru argumentação anteriormente expendida, que há saldos negativos e pagamentos indevidos de IRPJ e CSLL, nos anos-calendário de 1997 du1998, superiores aos considerados pela Receita Federal. . —( _ Processo n° 11020.002052/00-36 S1-C3T2 Resolução n.° 1302-00.019 • Fl. 6 Ao final, alegando que o acórdão recorrido não está suficientemente claro acerca dos valores envolvidos, ensejando obscuridade e incerteza acerca do valor cobrado, ressalta ser importantíssima a realização da perícia antes requerida. O quadro abaixo permite visualizar a origem dos créditos pleiteados e o montante reconhecido pela autoridade que primeiro analisou os pedidos (Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul). Tributo/Ano Pedido Reconhecido Dt5) DRF — Caxias do Sul (R$) IRPJ/1997 996.977,98 1.203.607,45 IRPJ/1998 315.058,91 15.707,31 TOTAL /.312.036,89 1.219.314,76 CSLL11996 59109,86 59.309,85 CSLL/1997 234.383,81 235.383,80 TOTAL 291693,67 294.693,65 Os valores representam os montantes originais requeridos pela contribuinte. Considerados os valores originais, a diferença entre o pleiteado pela Recorrente e o reconhecido pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul foi de RS 92.722,13, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A análise empreendida pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul envolveu também a parcela de restituição determinada com base na atualização, pela aplicação da taxa selic, dos valores originais acima indicados. Nessa linha, as glosas efetuadas nos valores originais e nas atualizações efetuadas pela contribuinte (juros selic) tiveram por base os seguintes fatos: 1. a contribuinte registrou na linha 6 da Ficha 09 (SALDO DE IR A COMPENSAR DE PERIODOS ANTERIORES) da declaração relativa ao período de novembro a dezembro de 1996 1 o valor de RS 93.769,23 (fls. 70). De acordo com informações prestadas por ela (fls. 392), tal valor seria referente aos saldos negativos dos períodos de janeiro a julho de 1996 e agosto a outubro de 1996, atualizados até dezembro de 1996 (mês do vencimento do IRPJ devido por estimativa correspondente a novembro de 1996). A compensação não foi aceita porque os referidos saldos negativos seriam decorrentes de compensação solicitada por meio do pedido de fls. 243, cujo crédito seria do exercício de 1998, com quitação posterior ao débito apontado na citada ficha, o que contrariaria as disposições do artigo 14 da IN SRF n° 21/97; 2. em razão da não aceitação descrita no item anterior, também não foi aceita a compensação do montante de RS 50.705,16, informado na linha 11 da Ficha 09 (SALDO I Conforme informação contida nos autos, em virtude cisões, a contribuinte entregou declarações relativas ao ano- calendário de 1996 para os períodos de janeiro a juilho, agosto a outubro e novembro a dezembro. 11 -s5,2 - - 1 NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES) do mês de abril da declaração relativa ao ano- calendário de 1997, que, de acordo com informação da contribuinte, seria referente a saldo negativo apurado em dezembro de 1996; 1 3. foram glosados valores relativos ao imposto de renda retido na fonte; 4. de um total de R$ 1.040.167,59, declarados a titulo de pagamentos a maior efetuados nos meses de maio a novembro de 1997, acrescidos de taxa sclic até 31 de dezembro de 1997, aceitou-se apenas a importância original paga a titulo de estimativa no montante de R$ 947.611,63; 5. foram glosados parte dos valores informados a titulo de compensação de saldo negativo de declaração sem processo nos meses de junho e julho de 1998; 6. de um total de R$ 317.070,26, declarados a titulo de pagamentos a maior efetuados nos meses de setembro e novembro de 1998, acrescidos de taxa selic até 31 de dezembro de 1998, aceitou-se apenas a importância original paga a título de estimativa no montante de R$ 311.996,36; 7. relativamente à CSLL, de um total de R$ 270.390,17, declarados a titulo de pagamentos a maior efetuados nos meses de janeiro a junho de 1997, acrescidos de taxa selic até 31 de dezembro de 1997, aceitou-se apenas a importância original paga a titulo de estimativa no montante de R$ 235.383,81. A autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, decidiu; .• • "a) Não tem razão a insurgente quanto à alegação de que o pedido de restituição objeto do presente processo supriria a condição do art. 14 da IN SRE n ó 21, de 1997, consistindo em solicitação específica à SRE, por meio de Pedido de Restituição_ Com efeito, não foi aceito valor informado pela interessada na declaração de IRPJ referente a novembro e dezembro de 1996, por referir-se a direitos creditórios surgidos posteriormente. Saliente-se que esse valor foi diretamente informado em Declaração de apuração do Imposto de Renda referente ao ano-calendário de 1996 e, portanto, antes do deferimento do direito creditório objeto do presente processo. Esse valor não podia ser utilizado diretamente pela interessada, para gerar saldo a seu favor, sob pena de se criar um aproveitamento duplo de um único direito (utilizar saldo negativo de imposto para quitar débitos anteriores e, assim, gerar mais saldo negativo do imposto, passível de restituição.). 19 A não-aceitação do valor por ela informado na declaração de IRPJ do ano-calendário de 1997, relativamente ao mês de abril, por tratar- se de compensação do debito com saldo negativo do ano de 1996, à época inexistente item 3.2 do despacho decisório -- é uma conseqüência do que foi exposto no item (a) acima. Assim, resta improcedente a alegação da insurgente relativamente a este aspecto da decisão. c) Resta incontroversa a não-aceitação de alguns dos créditos informados pela insurgente a titulo de IRRF, pela inexistência cia origem de tal importância — item 3.3 do despacho decisório -- devidamente retificado nos termos do documento de/Is. 1084 a 1087, denominado infimmação DRUCXL/Gabinete, de 12 de abril de 2006. TL , ( ét/ 12 Processo IR 11020.002052/00-36 S1-C3T2 Resolução n.° 1302-00.019 Fl.1 Não tendo sido apresentada inconformidade especifica quanto ao mérito desses valores, eles revelam-se incontroversos. Quanto à retificação de lapso manifesto constante das planilhas que referem esses valores, entendo ser perfeitamente possível, conforme analisado acima neste voto. d) A inconformidade contra a aceitação parcial do valor, pela insurgente informado a titulo de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste de 1997 (do valor informado, R$ 1.040.167,59 somente foram aceitos R$ 947.611,63 e indeferida a diferença, de R$ 97555,96, correspondente a juros incidentes sobre o valor original, de R$ 947611,63), sob o fundamento de que, esse valor refere-se a estimativas pagas no próprio ano-calendário, informadas na declaração original, sobre o qual não incidem juros e que, na declaração retificadora, não poderia ter sido realizada a troca de tipo de adiantamento mensal do imposto (de estimativa sobre a receita bruta para estimativa com base em balancete de redução ou suspensão) — item 3.4 do despacho decisório — é um ponto crucial na presente controvérsia. Com efeito, o entendimento acerca deste aspecto do processo afeta diretamente o valor do direito creditório, sendo responsável por uma parcela relevante da diferença entre o valor do pedido de restituição e o valor do direito creditório reconhecido no despacho decisório. Entendo que está correto o entendimento apresentado no despacho decisório, acerca da definitividadc da opção pelo método de apuração das antecipações mensais do imposto e que por via de conseqüência, é improcedente a alegação da interessada de que poderia a qualquer momento alterar essa opção. É verdade que a opção por apuração e recolhimento das antecipações mensais de Imposto de Renda (obrigatórias para os contribuintes optantes pela sistemática do Lucro Real Anual) podem ser realizados através de dois métodos: (I) estimativas sobre a receita bruta e acréscimos — que é a regra geral e (2) estimativas apuradas através de balanços ou balanceies de redução ou suspensão do imposto — que consiste em um beneficio que pode ser utilizado pelo contribuinte, desde que cumpridos os respectivos requisitos. Nesse sentido, cabe fazer referência aos artigos 223, 225 e 230 do Decreto 3.000, de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda e os artigos 10 e 12 da Instrução Normativa SRF n° 93, de 1997: --- Pela leitura dos dispositivos acima, percebe-se que há— efetivamente — a possibilidade de opção pelo recolhimento das antecipações mensais por estimativa do imposto calculado sobre a receita bruta ou a partir de balanceies de redução. Entretanto, resta claro que a opção pela utilização de balanceies de suspensão ou redução demanda levantamento especifico de balanço, com transcrição no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Saliente-se que a insurgente não trouxe ao processo qualquer prova nesse sentida Assim, não tendo sido provado o cumprimento das condições para aproveitamento da suspensão ou redução do tributo, pela utilização do balancete de suspensão ou redução, resta a opção (7- padrão - antecipações mensais do imposto por estimativa sobre a receita bruta e acréscimos. Sendo devidas as antecipações mensais, por estimativa sobre a receita bruta, não há que se falar em pagamento indevido de antecipação mensal, mas - tão somente -- em saldo negativo do tributo (apurado ao final do exercício, mediante a diferença entre o imposto devido e as antecipações mensais - sem qualquer atualização dentro do próprio exercício). Dessa forma, resta correto, neste ponto, o procedimento realizado pela delegacia de origem, que embasou o despacho decisório ora atacado. e) Não tem razão a insurgente quanto à irresignação relativa à aceitação parcial do valor por ela informado a título de pagamentos indevidos ou a maior, relativos ao ano-calendário 1998. Com efeito, aqui se aplicam as mesmas razões antes apresentadas, neste voto, no item (a), acima. fi Também, não tem razão a insurgente quanto à irresignação relativa à aceitação parcial do valor por ela (alarmado a título de pagamentos indevidos ou a maior, no ajuste do ano-calendário de 1998, pelas mesmas razões já apresentadas, neste voto, no item (d), acima. g) Pelas mesmas razões, já apresentadas neste voto, na letra (d), acima, entendo que não tem razão a insurgente, quando a sua li-resignação contra a fundamentação constante do item 4.2 do despacho decisório que, com relação a 1997, que não aceita na íntegra i • os elementos informados na respectiva declaração retificadora. Nesse sentido, são aplicáveis as mesmas razões já apresentadas, neste voto, no item (d) «cima. h,) Com razão a insurgente em sua ithesignação contra a fundamentação constante do item 6 do despacho decisório. De acordo com o despacho decisório: (I) o valor do saldo negativo de Imposto de Renda, relativo ao ano-calendário de 1997, composto por antecipações mensais do tributo, devidas e não absorvidas pelo valor apurado ao final do período (que jOi inferior ao das antecipações mensais) resultou em saldo negativo do Imposto de Renda, passível de restituição / compensação; (2) as citadas antecipações mensais não teriam sido recolhidas tempestivamente, tendo sido objeto de parcelamento (processo administrativo n° 11020-002265/00-77, delerido em 31/10/2000 e com a última parcela paga em 31/03/2003); (3) a autoridade preparadora concluiu, assim, que os valores a serem restituídos / compensados somente deveriam ser acrescidos de juros a partir da data do efetivo recolhimento de cada parcela (referente ao parcelamento ocorrido entre 200) e 2003). O saldo negativo do imposto de renda do ano-calendário de 1997 era passível de restituição acrescido de juros equivalentes à taxa SELIC, a partir de 1 0 de janeiro de 1998, mediante a formalização de processo específico. Nesse sentido, cumpre fazer referência ao conteúdo do MAJUR IRRE98 -- Manual de Instruções para o Preenchimento da Declaração - Imposto de Renda -- Pessoa Jurídica, que na página 87, item (76 das instruções do preenchimento da linha 08/26 - Saldo do Imposto de Renda, dispõe: Linha 08/26 -Saldo de Imposto de Renda t r a____flses. 14 Processo n° 11020.002052/00-36 S1-C3T2 Resolução n." 1302-00.019 FI. 8 Pessoas Jurídicas Submetidas à Apuração Anual do Imposto O saldo terá o seguinte tratamento b) se negativo, poderá ser compensado com o imposto a ser pago nos períodos subseqüentes, acrescido dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e custódia — SELIC para Titulas Federais acumulada mensalmente, a partir de 1° de janeiro de 1998 até o mês anterior ao da compensação e de 1% no mês da compensação, facultada a opção pelo pedido de restituição em processo especifico. (grifos na transcrição) No presente caso, é pacifico que houve saldo negativo apurado em 1997 e que esse saldo negativo de Imposto de Renda é resultante da confrontação entre as antecipações mensais e o imposto devido ao final do período de apuração. Cumpre referir que as antempagões mensais, apesar de não terem sido recolhidas tempestivamente, foram objeto de parcelamento quitado anteriormente à data do despacho decisório em tela e, conseqüentemente, recolhidas com os devidos acréscimos legais o que resulta em idêntico efeito ao do recolhimento espontâneo, ou seja, purgada a mora (pelo recolhimento de acréscimos legais sobre o valor principal parcelado) os recolhimentos operam efeito ex-tunc. Assim, resta caracterizado o saldo negativo do imposto. Ora, havendo saldo negativo do imposto em 31/12/1997, esse saldo é passível, de restituição / compensação acrescido de juros equivalentes à taxa SELIC a partir de I" de janeiro de 1998, confirme visto acima. i) A perícia requisitada pela insurgente é perfeitamente dispensável. Entendo ser aqui aplicável o artigo 18 do Decreto n°70.235/1972, com a redação dada pelo artigo I° da Lei n°8.748/1993, que preceitua o indeferimento de diligências ou perícias quando forem prescindíveis ou impraticáveis. ••• (GRIFO DO ORIGINAL) Diante dos elementos trazidos ao processo, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligincia para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte preste os seguintes esclarecimentos: • a) informar se o valor registrado como SALDO DE IR A COMPENSAR DE PERIODOS ANTERIORES (linha 6 da Ficha 09) da declaração relativa ao período de novembro a dezembro de 1996, no montante de R$ 93.769,23, decorre de saldos negativos dos períodos de janeiro a julho de 1996 e agosto a outubro de 1996, atualizados até dezembro de 1996, o que implicaria não ter havido violação das disposições do artigo 14 da IN SRF 21/97; e b) informar qual a forma de apuração das estimativas devidas assinalada pela contribuinte nas declarações que foram objeto de retificação (anos-calendário de 1997 c de 1998), se com base na receita bruta ou com suporte em balanços/balancetes de suspensão/redução; c) independentemente da forma assinalada (receita bruta ou balanços/balancetes de suspensão/redução), informar como foram efetuados os recolhimentos das estimativas is devidas (se com base na receita bruta ou com suporte em balanços/balanceies de suspensão/redução); d) caso as estimativas tenham sido recolhidas com base em balanços/balancetes de suspensão/redução, informar se a contribuinte observou as determinações da legislação de regência e explicitar a natureza das retificações empreendidas. Solicita-se que os esclarecimentos que ora se requer sejam objeto de parecer conclusivo, o qual deverá ser cientificado à contribuinte para, se quiser, aduzir razões. • 77---N\ 1 W(.1 son Perna ião‘'n... - arães, rel tor. ...- Np. \. ------ 16
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000468/2008-17
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.185
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201207
numero_processo_s : 16327.000468/2008-17
conteudo_id_s : 5314088
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1302-000.185
nome_arquivo_s : Decisao_16327000468200817.pdf
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 16327000468200817_5314088.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
id : 5225959
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:14 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087524918067200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000468/200817 Recurso nº Resolução nº 130200.185 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 03 de julho de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ALLIANZ SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Marcos Rodrigues de Mello – Presidente Waldir Veiga Rocha – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório ALLIANZ SEGUROS S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1631.002, de 14/04/2011, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, em 27/03/2008, foram lavrados contra a instituição financeira Fl. 546DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.000468/200817 Resolução n.º 130200.185 S1C3T2 Fl. 2 2 contribuinte acima identificada, os Autos de Infração a seguir discriminados, para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulados, no valor total de R$1.601.411,66, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora (calculados até 29/02/2008). A ciência da autuação ocorreu em 11/04/2008 (fls. 28). [...] 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04 e 11), a apuração do crédito tributário referese à “GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES” e à “BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES (FINANCEIRAS). COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODO ANTERIOR (FINANCEIRAS)”. 2.1. No Termo de Verificação Fiscal à fl. 27 conta que: O contribuinte acima identificado aparece junto ao SAPLI com inconsistência na compensação do prejuízo fiscal de IRPJ e da base de cálculo de CSLL, no anobase de 2004. No caso há compensação de saldos inexistentes. Verificase junto ao SAPLI alterações de ofício dos valores informados pela contribuinte em suas DIRPJ. No caso do IRPJ as alterações estão consubstanciadas nos processos 16327.002216/200741 e 16327.002217/200796, em julgamento. No caso da CSLL, no processo 16327.001950/200611, cuja redução do saldo se deu em função de decisão DRJ. O excesso de compensação se dá pela utilização de prejuízo não operacional na compensação com lucro operacional. Apesar da relação de causa e efeito entre os autos de infração citados acima e a ausência de crédito, é necessário que o contribuinte apresente impugnação, em função da independência dos lançamentos. O crédito será constituído na forma da legislação aplicável. 3. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de sua advogada e procuradora (docs. de fls. 55), apresentou, em 09/05/2008, a impugnação de fls. 30 a 49, acompanhada dos documentos de fls. 50 a 297. 3.1. Na peça de defesa, após descrição dos fatos, a interessada argui inexistência de cobrança em relação ao IRPJ, alegando que: • a cobrança do IRPJ decorre da compensação indevida de prejuízo fiscal no ano calendário 2004 na ordem de R$2.893.693,53, cuja origem se deu pelos lançamentos efetuados nos processos administrativos 16327.002216/200741 e 16327.002217/2007 96; • a redução do prejuízo fiscal lançado nos processos supracitados (R$ 1.786.494,95 + R$ 676.709,08 = R$ 2.463.204,03) não corresponde com o valor da compensação considerada indevida objeto de autuação (R$ 2.893.693,53); Fl. 547DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.000468/200817 Resolução n.º 130200.185 S1C3T2 Fl. 3 3 • Tendo em vista o equívoco cometido pelas autoridades administrativas ao glosar prejuízo fiscal maior do que o montante lançado nos processos administrativos 16327.002216/200741 e 16327.002217/200796, o crédito tributário de IRPJ e CSLL constituído no auto de infração não corresponde ao suposto crédito tributário devido, conforme demonstrativo que apresenta à fl. 33 (IRPJ lançado a maior: R$ 235.144,09); • o processo 16327.002216/200741 originouse de auto de infração lavrado, no dia 27/12/2007, com o intuito de prevenir a decadência, uma vez que a Impugnante não vem adicionando ao lucro líquido para a determinação do lucro real o valor correspondente ao INSS depositado judicialmente, por força de medida liminar concedida nos autos da Medida Cautelar Inominada n° 2000.03.00.0067311. O crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa. Ainda sobre referido processo, a impugnante registra que: •• a Impugnante impetrou Ação Ordinária protocolizada sob o n° 96.00127670 para declarar a inexistência de relação jurídica tributária que a obrigue a recolher o INSS e o seu adicional, instituído pela LC n° 84/96, incidente sobre os repasses efetuados a título de comissões aos corretores, bem como sobre os pagamentos efetuados aos médicos pelas indenizações de seguro saúde. Solicitou e obteve medida liminar para efetuar depósito judicial; •• com a revogação da LC n° 84/96 e a publicação da Lei n° 9.876/99, a qual também dispõe sobre a incidência acima, a Impugnante impetrou a ação ordinária n° 2001.61.00.0047526, apenas com o intuito de prosseguir com a discussão judicial e foram utilizados exatamente os mesmos argumentos; •• A Lei n° 8.541/92 em seu artigo 8º dispõe que os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, haja ou não depósito judicial em garantia, serão considerados indedutiveis para fins de apuração do lucro real. Em decorrência do diploma legal retro descrito, a Impugnante impetrou Mandado de Segurança Preventivo protocolizado sob o n° 97.00020045, para garantir a dedutibilidade dos tributos questionados judicialmente para fins de apuração do IRPJ, porém, a segurança solicitada foi denegada. Em fevereiro de 2000, foi impetrada a Medida Cautelar Inominada n° 2000.03.00.0067311, a qual solicita a dedutibilidade dos tributos questionados judicialmente, tendo sido concedida a liminar, assegurando a dedutibilidade dos depósitos judiciais de INSS efetuados nos autos da ação ordinária n° 96.00127670, até haja pronunciamento do relator ou da turma julgadora do recurso de apelação; •• o procedimento adotado pela Impugnante para a apuração do IRPJ no ano de 2002, a qual resultou prejuízo fiscal no montante de R$13.653.379,98, está de acordo com a legislação fiscal vigente, e suportado por liminar concedida pelo Poder Judiciário. •• a redução do prejuízo fiscal do ano de 2002 na ordem de R$1.786.494,95, a qual foi proposta pelo processo, administrativo nº16327.002216/200741, está com sua exigibilidade suspensa pois foi lavrado o auto de infração correspondente; •• resta cristalino que o lançamento do auto de infração relativo ao IRPJ anocalendário 2004, originado pela glosa de parte do prejuízo fiscal apurado em 2002, pelo processo n° 16327.002216/200741, foi equivocado e é indevido; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.000468/200817 Resolução n.º 130200.185 S1C3T2 Fl. 4 4 • processo 16327.002217/200796, também decorre de auto de infração lavrado no dia 27/12/2007, o qual alegou a existência de exclusões não autorizadas na apuração do lucro real do anocalendário de 2002. As supostas exclusões indevidas decorrem de duas situações distintas: (1a) exclusão na apuração do lucro real dos juros Selic no montante de R$11.937.301,90, decorrentes de pagamento de tributos questionados judicialmente, quando o valor adicionado em anos anteriores, identificado pela AFRFB, foi de R$11.660.772,46, o que gerou a diferença de R$276.529,44 e (2a) o valor dos juros excluídos no ano de 2002, na ordem de R$ 400.212,49, decorrente do pagamento de IRPJ discutido judicialmente, alegando que, embora o valor excluído tenha sido adicionado no ano de 2001, referido valor deve seguir a dedutibilidade do principal, e como o principal é indedutivel, a exclusão dos juros caracterizou como indevida. (E ainda explana a respeito do referido processo sob os tópicos “II. 1.2.1 Exclusão de juros maior do que o montante adicionado” e “II. 1.2.2 Exclusão de juros decorrente de pagamento do IRPJ”, conforme exposto às fls. 37/45); • Diante de todos os argumentos apresentados e considerando o fato de que tanto o processo n° 16327.002216/200741 como o processo 16327.002217/200796 encontramse com a exigibilidade suspensa, se traduz a inaceitável constituição, no auto de infração ora discutido, do crédito tributário de IRPJ relativo ao anocalendário de 2004 na ordem de R$1.580.607,72, o qual se originou pela redução do prejuízo fiscal apurado pela Impugnante no anocalendário de 2002; • a cobrança do IRPJ1 decorre da compensação indevida de base negativa de CSLL no anocalendário 2004 na ordem de R$105.796,69, cuja origem se deu pelo lançamento, efetuado em 20/12/2006 e controlado no processo administrativo 16327.001950/200611, em que se alegou a omissão de rendimentos no anocalendário de 2000, tendo sido constituído, dentre outros, o crédito tributário de CSLL na ordem de R$8.500,89 (principal). Referido auto de infração foi objeto de impugnação, tendo sido objeto do Acórdão nº 16.13644, em que foi exonerada parte do crédito tributário lançado de CSLL, uma vez que no anocalendário de 2000 a impugnante havia apresentado base negativa de CSLL. Aguarda apreciação do recurso voluntário, razão pela qual o crédito tributário correspondente encontrase com a exigibilidade suspensa. (Passa então a discorrer sobre as razões de defesa daquela autuação fls. 46 a 48); • Diante dos argumentos acima apresentados, a IMPUGNANTE requer o regular conhecimento e o integral provimento da presente Impugnação Administrativa, a fim de que o AUTO DE INFRAÇÃO seja anulado com o conseqüente arquivamento do Processo Administrativo. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1631.002, de 14/04/2011 (fls. 305/311), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 IRPJ. PREJUÍZO FISCAL INEXISTENTE. GLOSA. A compensação de prejuízo fiscal procedida em valor que excede ao saldo de prejuízo fiscal existente deve ser objeto de glosa e lançamento de ofício. Não cabe a apreciação de matéria objeto de lançamento em outro processo administrativo. 1 De fato, a impugnante se refere à CSLL e não ao IRPJ. Esta nota não consta do relatório original transcrito. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.000468/200817 Resolução n.º 130200.185 S1C3T2 Fl. 5 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Data do fato gerador: 31/12/2004 CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA INEXISTENTE. GLOSA. A compensação de base de cálculo negativa de CSLL procedida em valor que excede ao saldo de prejuízo fiscal existente deve ser objeto de glosa e lançamento de ofício. Não cabe a apreciação de matéria objeto de lançamento em outro processo administrativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Ciente da decisão de primeira instância em 12/05/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 314, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/06/2011 conforme carimbo de recepção. No recurso interposto a interessada se insurge contra a decisão recorrida, sustentando ser “mais óbvio e sensato que o Princípio da Razoabilidade se sobreponha ao Princípio da Oficialidade”. Esclarece que “o que requer a Recorrente é a simples utilização do bom senso para não seguir adiante com a cobrança de um valor que, posteriormente, pode deixar de existir em razão de uma decisão proferida em outro processo administrativo”. Passa, então, a demonstrar a vinculação, por sua ótica, entre os lançamentos de que cuida o presente processo e os processos administrativos nº 16327.001950/200611 (CSLL), nº 16327.002217/200796 (IRPJ) e nº 16327.002216/200741 (IRPJ), de forma em tudo semelhante ao que consta na peça impugnatória. Seu objetivo é sempre chegar à conclusão de que seria incoerente decidir sobre uma utilização indevida, no anocalendário 2004, de prejuízos fiscais que foram ajustados (reduzidos) em anos anteriores, sem antes decidir sobre a procedência ou não daquele ajuste. Mutatis mutandis, o mesmo raciocínio se aplicaria à CSLL. Ao final, a recorrente conclui como segue: Diante dos argumentos acima apresentados, a Recorrente requer o regular conhecimento e o integral provimento do presente Recurso Voluntário, a fim de que o Processo Administrativo em epígrafe fique suspenso até a decisão final dos referidos Processos Administrativos, por ser esta medida de JUSTIÇA! Fl. 550DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.000468/200817 Resolução n.º 130200.185 S1C3T2 Fl. 6 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da acusação de que, no anocalendário 2004, a contribuinte teria compensado saldos de prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores em valores excedentes àqueles de que efetivamente dispunha. A mesma acusação é feita com relação à compensação de bases de cálculo negativas da CSLL. No termo de fl. 27, o AuditorFiscal autuante esclarece que houve alterações de ofício dos valores informados pela contribuinte em suas declarações de exercícios anteriores, mediante os processos nº 16327.002217/200796 e nº 16327.002216/200741, para o IRPJ e mediante decisão de primeira instância no processo nº 16327.001950/200611, para a CSLL. Primeiramente, deve ser examinado o pedido da recorrente de que o julgamento do presente processo administrativo fique no aguardo de decisão administrativa final nos processos nº 16327.001950/200611, nº 16327.002217/200796 e nº 16327.002216/200741. Compulsando os autos e mediante consulta ao sistema eprocesso, é possível fazer as seguintes constatações, para cada um dos três processos em análise: (1) Processo nº 16327.001950/200611 – Este processo se encontra no CARF, aguardando julgamento do recurso voluntário na 1TO/2C/1SJ. O acórdão de primeira instância, prolatado em 30/05/2007, manteve os lançamentos mas, em relação à CSLL, afastou a exigência diante da existência de base de cálculo negativa apurada pelo contribuinte no próprio período (AC 2000), reduzindoa de R$ 25.172.856,47 para R$ 25.066.595,27. (2) Processo nº 16327.002217/200796 – Este processo se encontra aguardando distribuição/sorteio para julgamento do recurso voluntário na 1ª Seção de Julgamento deste CARF. O lançamento, mantido em primeira instância, reduziu o prejuízo fiscal apurado no anocalendário 2002 (vide fl. 21). (3) Processo nº 16327.002216/200741 – Este processo se encontra na DICAT/DEINF/SP, desde 08/02/2008. Não há registro dele no CARF nem no sistema eprocesso. O lançamento reduziu o prejuízo fiscal apurado no ano calendário 2002, além de aumentar o lucro real do anocalendário 2003 e a compensação de prejuízos anteriores naquele ano (vide fls. 22/23). É de se entender que, por se tratar de matéria totalmente concomitante àquela discutida judicialmente, o processo foi movimentado diretamente para a DICAT/DEINF/SP, aguardando decisão no processo judicial. Considero demonstrado que as decisões que se há de tomar nos três processos administrativos acima referidos constituem questões prejudiciais ao julgamento deste. Não é possível decidir sobre a procedência de glosas por excesso de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL no anocalendário de 2004 sem o conhecimento acerca Fl. 551DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.000468/200817 Resolução n.º 130200.185 S1C3T2 Fl. 7 7 do destino dos ajustes feitos pelo Fisco nos anoscalendário anteriores, ainda pendentes de solução administrativa (situação dos processos nº 16327.001950/200611 e nº 16327.002217/200796) ou judicial (situação do processo nº 16327.002216/200741). Encaminho, então, meu voto para a conversão do presente julgamento em diligência, para aguardar na Unidade Preparadora a decisão final nos processos nº 16327.001950/200611, nº 16327.002217/200796 e nº 16327.002216/200741. Antes de retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento, deverão ser acostadas a estes autos cópias da decisão final proferida em cada um dos três processos mencionados. Waldir Veiga Rocha Fl. 552DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012622/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1302-000.057
Decisão: Resolvem os membros do colegiada por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10680.012622/2006-26
conteudo_id_s : 6568828
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1302-000.057
nome_arquivo_s : Decisao_10680012622200626.pdf
nome_relator_s : LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680012622200626_6568828.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiada por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
id : 9220389
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:34 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087524968398848
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-02-14T13:32:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-02-14T13:32:42Z; Last-Modified: 2011-02-14T13:32:43Z; dcterms:modified: 2011-02-14T13:32:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:578a6cc5-6116-44fd-a315-647723b1d85e; Last-Save-Date: 2011-02-14T13:32:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-02-14T13:32:43Z; meta:save-date: 2011-02-14T13:32:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-02-14T13:32:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-02-14T13:32:42Z; created: 2011-02-14T13:32:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-02-14T13:32:42Z; pdf:charsPerPage: 859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-02-14T13:32:42Z | Conteúdo => Si-C1T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo te 10680,012622/2006-26 Recurso n° 501,108 ResoInção n" 1302-00.057 — 3' Câmara / 2' Turma Ordinária Data 02 de setembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente EMICON MINERAÇÃO E TERRAPLENAGEM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiada por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente / ,Aytiv/I,A. MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatora EDITADO EM: 20 DEZ 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. Processo n° 10680,012622/2006-26 .51-C111 Resoluçào n.° 1302-00.057 H. 2 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte EMICON MINERAÇÃO E TERRAPLENAGEM LTDA. (fis 02/07) para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2006, além de multa isolada, no montante de RS 1.181.733,79, abrangendo fatos geradores ocorridos em 2003. Na descrição dos fatos, a fiscalização esclareceu tratar-se de insuficiência dos valores pagos a título de crédito tributário, quando comparados às DCTF e DIPJ entregues pelo contribuinte, Foi também apurada a insuficiência dos tributos reflexos. A ciência do lançamento ocorreu em 13/12/2006 (fis 67/71) e o contribuinte apresentou impugnação em 11/01/2007 (fis 76/116), cuja síntese segue. O contribuinte argumenta que, quando do recebimento da autuação, não entendeu o fundamento de seus termos porque não havia feito a entrega das citadas DCTF nem apresentado a declaração de rendimentos do exercício de 2003/2002. (ii) Ressalta que, com suas atividades paralisadas, deixou de apresentar as DCTF em face da dispensa autorizada nos termos do inciso III do art° 3 0 da IN SRF n" 126, de 30/10/1998. Entretanto, ao tomar ciência das peças do processo, foi surpreendido com as cópias de DCTF e DIPJ/2003, cuja elaboração e entrega não foram feitas pelo impugnante, razão pela qual não reconhece a validade dessa documentação. (iii) Consta que os documentos foram elaborados e transmitidos pelo contador de nome "Ivan Cabral da Silva", pessoa que nunca foi contratada nem autorizada • pelo impugnante a fazer ou a entregar as mencionadas declarações. (i) (iv) (v) Prossegue o impugnante argumentando e anexando documentos para provar sua inatividade durante o ano de 2002, embora não consiga fazer a declaração de inatividade de 2003/2002, pois tinham entregue a declaração sem conhecimento da empresa e de seus sócios, além de não possuir o número do recibo da entrega absurda feita, Sustenta o impugnante que os lançamentos questionados, em face das provas apresentadas e porque todos os tributos apurados foram fundamentados com base em declarações não apresentadas pelo autuado, devem ser declarados nulos 2 Processo tf 10680.012622/2006-26 S1-C1T1 Resolução n.° 1302-00.057 Fl. 3 de pleno direito, por faltar-lhes a materialização do fato gerador do imposto previsto no art. 43 do CTN Em razão dos questionamentos suscitados, foi exarada a Resolução DR1/BHE n° 802, de 26/06/2007 (fis 1.39/14.3), para que fosse verificada a autenticidade da DIPJ/2003, que serviu de base para o lançamento ou atestar a existência de movimentação financeira ou comercial por parte da empresa autuada, no ano-calendário de 2002, compatível com os valores informados na citada declaração. Foi então elaborado o Relatório de Diligência Fiscal (fis 178/180), com retorno do processo para julgamento. Não tendo sido confirmada a autenticidade da DIPJ/2003, e uma vez que a autoridade fiscal remeteu a questão do rastreamento de informações ao Serviço de Tecnologia Setec — da DRF/Belo Horizonte/MG, foi expedida a resolução DRJ/BHE ri° 925, de 03/06/2008 (fis 181/184), para que o referido serviço especializado verificasse a autenticidade da DIPJ/2003. O Setec juntou telas de fls. 186 e 187 e, em despacho de fl 188, afirma que não foi possível a confirmação da autenticidade das declarações, tendo enviado o processo para o Serviço de Fiscalização da DRF para verificação dos complementares, O Serviço de Fiscalização, em despacho de fis. 189/190, retomou o processo para o Setec, ressaltando que, para a realização da diligência complementar, era necessária a informação dos endereços das estações de trabalho de onde foram transmitidas as diversas declarações. Não sendo possível a localização das estações, anotou ainda a autoridade fiscal que o Setec deveria encaminhar o processo para a DRJ. Ainda à fl 190, foi exarado despacho pelo Setec remetendo o processo a DRJ de Belo Horizonte. Os membros da 2' Turma de Julgamento desta mesma DRJ, acordaram, por unanimidade de votos, considerar improcedente o lançamento, pois, uma vez que fica estabelecida dúvida fundada quanto à autoria e às circunstâncias materiais do fato, presume-se que o sujeito passivo não apresentou a DIPJ em questão. Não lhe cabe, portanto, cumprir nenhuma obrigação dela decorrente. Assim, com relação ao crédito tributário exonerado, coube RECURSO DE OFÍCIO a este conselho, É o relatório. 3 4 Processo e 10680.012622/2006-26 Resolução n ° 1302-00..057 Fl. 4 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora O recurso de oficio atende às condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. As declarações DCTF e DIPJ são obrigações acessórias consoante o artigo 113 do Código Tributário Nacional. As condições e os prazos relativos à entrega das declarações são definidos na legislação tributária, publicamente divulgada. Nessa linha, se as declarações são entregues tempestivamente, pelos meios admitidos pela autoridade fiscal e em conformidade com tais normas, elas têm pressuposta legitimidade, até prova em contrário. A DCTF principalmente tem, já desde 1998, a natureza de confissão de dívida e exerce um papel fundamental na arrecadação inerente aos tributos federais por homologação. O contribuinte então é obrigado a pagar o tributo e declarar a dívida, o que liquida por si só o tributo devido e confirma a boa qualidade da arrecadação tributária, certificando, dentre outros, as baixas chances de posterior pedido de restituição. É essa obrigação de auto-lançamento, corroborado pelas declarações acessórias, que garante ao Estado parte majoritária da arrecadação federal, assunto de interesse público. Esse sistema de arrecadação e fiscalização dos tributos por homologação portanto deve ser protegido, já que traz o estímulo para o pagamento tempestivo e para o cumprimento espontâneo da obrigação tributária em geral e evita a injustiça social trazida pela infração tributária. Para que esse sistema tenha estabilidade jurídica e administrativa, é forçoso reconhecer como pressuposto que as declarações apresentadas regularmente à autoridade fiscal, nos termos e meios próprios, são a priori legítimas até prova em contrário. Em tese, a prova quanto ao erro ou insubsistência de declaração cabe ao contribuinte, consoante jurisprudência do Conselho. Ocorre que neste caso o impugnante alegou que esteve com suas atividades paralisadas e deixou de apresentar as DCTF em face da dispensa autorizada nos termos do inciso III do ali' 3° da IN SRF n° 126, de 30/10/1998. Nesse sentido, infirma a autenticidade da DCTF. Como impor ao contribuinte que faça prova negativa de que não foi ele que apresentou a DCTF que o sistema da Receita acusa constar em seu nome? A exigência de prova negativa, se tangencial' o fato impossível, leva ao cerceamento do direito de defesa. Menos justo seria culminar exigindo tributo de contribuinte que, por estar inativo, não teria capacidade contributiva. De um lado, ternos portanto um direito individual a preservar, de ampla defesa, mas de outro temos o sistema de arrecadação federal por zelar, de interesse público. Diante desse impasse e visando alcançar portanto a verdade material dos fatos, capazes ou não de ensejar a incidência tributária, é necessário converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal preparadora possa colher outros elementos de prova capazes de confirmar, ou não, a versão apresentada pelo contribuinte para os fatos e confirmar, ou não, a veracidade dos dados constantes nas declarações apresentadas à autoridade por conta do contribuinte interessado. Nesse sentido, peço à autoridade fiscal preparadora que proceda, por favor, às seguirQ5 providências. Processo n" 10680.012622/2006-26 SI-CM Resolução n.° 1302-00.057 Fl 5 1 — Intimar o contribuinte para que Informe o CPF, CRC e o endereço onde trabalhava à época o Sr. Ivan Cabral da Silva, para eventualmente confronto desses dados com a diligência que foi feita em busca do IP de origem da declaração, verificando se de fato poderia ser o Sr. Ivan a transmitir a DCTF. 1,2, Apresente o contrato de prestação de serviços de contabilidade firmado com o Sr. Ivan Cabral da Silva ou com a empresa de contabilidade na qual esse Sr. trabalhava, contrato esse aplicável aos anos de 200.3 e 2004. 1,3. Apresente, com relação ao ano-calendário de 2003: balanço, balance, livro razão, livro caixa, registro de entrada e saída de materiais, RAIS, LALUR se aplicável; além disso, solicitar ao contribuinte que apresente talão de notas fiscais emitidas no período, se houver. 2 - Verificar nos sistemas da Receita Federal do Brasil se o contribuinte efetuou pagamento de tributos no ano, incluindo INSS, se apresentou GFIP ou se houve denúncia de CPMF ou de Imposto de Renda Retido na Fonte de rendimentos, tendo a empresa recorrida como contribuinte. Caso haja retenções ou pagamentos, informar de forma sintética o tributo envolvido, a base de cálculo do ano ou mês conforme o caso, o montante dos tributos assim retidos ou recolhidos. No caso do Imposto de Renda na Fonte, detalhar, pelos códigos de retenção, o tipo de rendimento que ensejou a retenção. 3 - Verificar se esses documentos corroboram, ou não, a infomação de que o contribuinte estava inativo no ano-calendário de 2003, nos termos do inciso III do art° 3' da IN SRF n° 126, de .30/10/1998, 4 Caso seja verificada atividade financeira, fiscal ou operacional do recorrido no ano de 2003, intimar o recorrido para apresentar documentos que confirmem ou infirmem as bases de cálculo e os tributos devidos declarados em DCTF e DIPJ. Caso não haja resposta, reintimar por mais duas vezes, 5 — Confrontar os documentos obtidos para concluir a diligência informando se o contribuinte esteve ou não inativo no ano de 2003 e, caso estivesse ativo, se a movimentação financeira ou tributária do contribuinte verificada no período é compatível com os tributos declarados como devidos pelo contribuinte em DCTF e DIPJ, 6 — Realizar relatório de diligência com as informações e conclusões pertinentes, tecendo outros esclarecimentos que entender importantes para o deslinde da matéria, e intimar o recorrido de seu conteúdo, bem como dos documentos que o corroboram, para que se manifeste por escrito, concedendo prazo para tanto. Ll, 5 Processo n° 10680.012622/2006-26 Si-C1T1 Resolução n 1302-00.057 Fi 6 7 — Decorrido o prazo, anexar eventual resposta do contribuinte a este processo e encaminhar o processo novamente a este Conselho para julgamento. É como voto. ?,VIeNíA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatora 6
score : 1.0
Numero do processo: 35415.000197/2006-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário foi apresentando fora do prazo legal de 30 dias da ciência do acórdão de 1 instância, motivo pelo qual não poderá ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-000.371
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do
recurso por intempestividade.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário foi apresentando fora do prazo legal de 30 dias da ciência do acórdão de 1 instância, motivo pelo qual não poderá ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 35415.000197/2006-93
conteudo_id_s : 6572296
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.371
nome_arquivo_s : Decisao_35415000197200693.pdf
nome_relator_s : CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 35415000197200693_6572296.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso por intempestividade.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
id : 9230271
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:47 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087524982030336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 196 1 195 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35415.000197/200693 Recurso nº 157.669 Voluntário Acórdão nº 2403000.371 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente CARBEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário foi apresentando fora do prazo legal de 30 dias da ciência do acórdão de 1 instancia, motivo pelo qual não poderá ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel De Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 499DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 452 a 472 contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Osasco/SP às fls. 424 a 435, que julgou PROCEDENTE o lançamento constante da Notificação Fiscal de Lançamento de débitos – NFLD nº 35.831.6375, no valor de R$ 2.041.672,13 (dois milhões, quarenta e um mil, seiscentos e setenta e dois reais e treze centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 78 a 84, a cobrança constante na NFLD referese às contribuições devidas por parte da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidente sobre a folha de salários dos empregados alocados nas atividades da empresa; contribuições destinadas a Terceiros incidentes sobre a folha de salários dos empregados alocados nas atividades da empresa: INCRA, SENAI e SEBRAE (a empresa possui convênio com o FNDE para o Salário Educação e com o SESI); adicional de RAT para financiamento da aposentadoria especial após 25 anos; contribuições devidas por parte da empresa relativas ao contrato de trabalho por prazo determinado — Lei 9601/08; contribuições sobre patrocínio a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional devidas pela entidade patrocinadora, cujos descontos de 5% não foram comprovados. O período objeto da cobrança corresponde às competências 12/02, 06/03, 12/03, de 04/2004 a10/2005, inclusive. Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls.354 a 376, onde, em síntese: Afirmou que a notificação fiscal estava genérica, trazendo leis, artigos e incisos de maneira superficial, não sendo possível saber com exatidão quais os dispositivos infringidos. Como também asseverou que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é nula, por cerceamento à defesa da autuada, pois, segundo a recorrente, há equívoco na capitulação dos institutos tidos como infringidos. Aduziu ainda a falta de demonstração probatória e legal, o que teria acarretado a iliquidez e incerteza do débito, pois não haveria como verificar os cálculos efetuados, bem como a origem da base de cálculo eleita; Quanto à natureza jurídica das declarações (multa de oficio), assegurou que a forma pela qual são apresentados os valores apurados pela fiscalização, não é possível identificar se o auto de infração fora efetivamente aplicado pelo agente fiscal, considerando que a NFLD não apresenta de forma detalhada as multas e as cobranças de juros que foram imputadas à empresa. Considerou ser a multa de ofício incabível, pois a única infração cometida pelo sujeito passivo, foi a falta de pagamento, podendo ser exigíveis somente a multa de mora ou os juros de mora; Fl. 500DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35415.000197/200693 Acórdão n.º 2403000.371 S2C4T3 Fl. 197 3 Em relação à taxa SELIC, considerou ser ilegal e inconstitucional. Evidenciou que os juros de mora e os juros remuneratórios são distintos por suas características, sendo a SELIC utilizada para juros remuneratórios e não moratórios, como pretende o Fisco. Neste sentido, asseverou que a referida taxa não pode ser aplicada na composição do débito da autuada, devendo ser excluída e recalculado o crédito fiscal existente, aplicandose os juros de mora estabelecidos no art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional; Em relação à cobrança concomitante de multa e de juros de mora, considera a configuração de "Bis in idem", por serem de mesma natureza, já que a multa moratória aplicada sobre o total do débito tributário, jamais poderá ser exigida da Impugnante, tendo em vista acarretar “bis in idem” sendo contrário aos princípios norteadores do Direito Tributário; Quanto à contribuição ao SEBRAE, alegou que a impugnante não é contribuinte do SEBRAE. Aduz que a contribuição ao SEBRAE (de interesse de categorias profissionais e econômicas) somente pode ser cobrada de seus beneficiários, pois se isto não for respeitado, o “Interesse" previsto no supracitado texto para a validade da cobrança não existirá, acarretando a inconstitucionalidade da exigência; Quanto à contribuição de 0,2% (dois décimos) exigidos pelo INSS, incidente sob a folha de salários e destinada ao INCRA, aduziu que não houve recepção da Constituição Federal de 1988, tendo em vista que não se encontra inserida na regra exceptiva do artigo 240. Explicou que a contribuição ao INCRA guarda identidade de base de cálculo com a contribuição prevista na Lei 8.212/91, que também é vedada pela Constituição Federal de 1988, sendo tal procedimento apenas admitido nas hipóteses expressamente contempladas no texto constitucional, como no caso do PIS, art. 239, e contribuição do salário educação art. 212. Sustentou que a contribuição ao INCRA, antes da Constituição Federal de 1988, tinha a natureza jurídica de imposto, não sendo admitida sua transmutação em CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico); Por fim, afirmou que o argumento de que a contribuição em apreço é de intervenção no domínio econômico, é insubsistente, tendo em vista que não há qualquer referibilidade entre os sujeitos passivos da contribuição social e sua destinação, critério essencial para correta conformação dessa espécie tributaria. Fl. 501DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Diante do exposto, requereu que fosse julgada nula a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Secretaria da Receita Previdenciária em OsascoSP proferiu decisão (DN n 21.028.0/0005/2007) nos seguintes termos : PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. JUROS DE MORA. MULTA DE MORA. SEBRAE. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADES. ESFERA ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. São devidos os juros de Mora e Multa de Mora de caráter, irrelevável previstos na Lei 8.212/91.Matérias relativas a inconstitucionalidade de leis e ilegalidade de atos normativos não devem ser apreciadas na esfera administrativa. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 452 a 472, alegando preliminarmente o descabimento do depósito recursal e referendando todos os argumentos defensórios já apresentados na impugnação, pretendendo a reversão do decisum. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35415.000197/200693 Acórdão n.º 2403000.371 S2C4T3 Fl. 198 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. I – DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: Cabe destacar que os processos administrativos que tramitam neste Contencioso são regidos pelas regras do Decreto n° 70.235/72, espécie normativa que regula o processo administrativo fiscal em âmbito federal. Desse modo, as regras previstas neste Decreto deverão ser seguidas sob pena de sua violação constituir hipótese de não admissibilidade de impugnações e/ou recursos. No caso em tela, a empresa teve ciência da DecisãoNotificação n° 21.028.0/0005/2007 na data de 12/03/2007 mediante Aviso de Recebimento (fls.441 a 444), sendo tal intimação admitida pelo Decreto, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Assim, realizada a intimação, se o sujeito passivo pretender, poderá interpor recurso voluntário a contar da data da ciência do acórdão. Então vejamos a previsão do Decreto, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão A ciência da decisão ocorreu em 12/03/2007 através de Aviso de Recebimento (fls.441 a 444), e o recurso voluntário foi protocolado em 18/04/2007 (vide informação às fls.492). Entretanto, o prazo para apresentação de recurso expirouse em 11/04/2007 (30 dias a contar de 13/03/2007 1º dia útil após 12/03/2007), segundo o art.5° e parágrafo único do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual o recurso não poderá ser conhecido. Desse modo, percebese que houve interposição do recurso voluntário fora do prazo legal, motivo pelo qual não poderá nem sequer ser conhecido para apreciação de mérito. CONCLUSÃO: Voto pelo NÃOCONHECIMENTO do recurso voluntário em razão de sua intempestividade. Fl. 503DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35415.000197/200693 Acórdão n.º 2403000.371 S2C4T3 Fl. 199 7 Fl. 505DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720706/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.192
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62-A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10840.720706/2011-14
conteudo_id_s : 5353933
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1302-000.192
nome_arquivo_s : Decisao_10840720706201114.pdf
nome_relator_s : PAULO ROBERTO CORTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10840720706201114_5353933.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62-A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 5492206
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:14 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087525006147584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 344 1 343 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720706/201114 Recurso nº Resolução nº 1302000.192 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de agosto de 2012 Assunto Sobrestamento de julgamento Recorrente MARLENE HELENA DO NASCIMENTO OLIVEIRA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha (Presidente), Paulo Roberto Cortez, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 345 2 Relatório MARLENE HELENA DO NASCIMENTO OLIVEIRA – EPP, firma individual, já qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão proferida no acórdão nº 0625.446, de 10/02/2010, pela 2ª Turma da DRJ/Curitiba, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Consta dos autos que, em ação fiscal levada a efeito, restou comprovado que a contribuinte ofereceu a tributação, a título de receitas de vendas no anocalendário de 2006, o valor de R$ 557.723,29, enquanto que a movimentação financeira em sua conta corrente bancária foi de R$ 5.792.873,36. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, sob o entendimento de que a fiscalizada cometeu crime contra a ordem tributária e incorreu na prática de sonegação fiscal, ao omitir da apuração mensal do Simples e em sua DSPJ parte das receitas auferidas. A fiscalização, no Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal, informa que: • iniciou as investigações pelo exame do Livro Razão, onde ficou demonstrado que a contribuinte não mantinha escrituração regular de sua movimentação financeira e bancária; • observou, no curso da ação fiscal, que o total de lançamentos a créditos em contas bancárias montava R$ 6.591.701,28, dos quais foram excluídos aqueles que correspondiam a transferências entre contas de mesma titularidade e os depósitos identificados, o que resultou no valor de depósitos a serem comprovados de R$ 4.145.007,94; • apesar de intimada a comprovar a origem dos recursos depositados, a contribuinte se manteve inerte; • com relação aos valores da movimentação bancária da contribuinte há depósitos correspondentes a créditos por desconto de títulos, desconto de cheques ou oriundos de cobrança bancária, que aguardam correspondência com operações comerciais, cuja identificação foi possível por meio dos extratos de desconto – borderôs – fornecidos pelas instituições financeiras e pelos próprios extratos bancários; • os elementos trazidos aos autos permitem afirmar que, durante o ano de 2006, a contribuinte auferiu receitas de vendas identificadas e comprovadas no valor de R$ 3.380.841,31 que, cotejadas com a receita declarada, indicam a omissão de receitas em quase todos os períodos de apuração, que totalizam R$ 2.823.118,02; • a conduta de omissão de receitas ocorreu de forma reiterada, que implicou no recolhimento a menor dos tributos devidos ao Simples em todos os meses do anocalendário fiscalizado, o que afasta a hipótese de erro; Fl. 895DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 346 3 • os valores relativos aos depósitos bancários de origem não comprovada superaram os valores da omissão supramencionada, o que levou à apuração de omissão de receitas com base na presunção legal prevista no art. 42, da Lei 9.430/96, no valor de R$ 1.032.968,54; • como a contribuinte cometeu crime contra a ordem tributária e incorreu na prática de sonegação de fiscal, pois omitiu da apuração mensal do Simples e em sua DSPJ parte das receitas auferidas em cada um dos meses do • anocalendário de 2006, foi aplicada a multa no patamar de 150%, prevista no inciso II, do art. 444, da Lei 9.430/96, sobre a omissão de receitas apuradas com base nos extratos bancários; • lavouse Termo de Sujeição Passiva Solidária em face da Sra. Marlene Helena do Nascimento Oliveira e o Sr. Amauri Aparecido Lemos de Oliveira, que, efetivamente, exerciam a administração da empresa, pois mantinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, e a prática de sonegação fiscal, nos termos do art. 135, III, e 137, I, todos do CTN; • assim, comprovada o auferimento de lucro bruto superior ao limite para enquadramento no Simples no anocalendário de 2006, foi expedido o Ato Declaratório Executivo ADE 57, de 21 de março de 2011, cujos efeitos retroagiram ao dia 1º de janeiro de 2007, para excluíla do regime de tributação especial; • foi formalizada Representação Fiscal para fins penais, por intermédio do Processo 15956.000053/201170, já que no curso da ação fiscal restou comprovado, ao menos em tese, os crimes definidos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90. Ao tomar ciência dos autos de infração lavrados, apresentou Impugnação onde defendeu, em apertadíssima síntese, o que se segue: a) a quebra do sigilo bancário foi procedida de forma ilegal; b) não foi considerado pela fiscalização que os descontos de cheques efetuados nas contascorrentes da contribuinte decorreram da movimentação de capital de giro; c) inexistiu a aquisição de bens pela contribuinte durante o período de apuração, e que a movimentação bancária só ocorreu para compra e venda das mercadorias que são comercializadas pela Empresa; d) existem valores em duplicidade, uma vez que foram considerados quando do depósito e novamente quando de sua liberação; Fl. 896DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 347 4 e) sobre os depósitos oriundos de contacorrente de titularidade do Sr. Aníbal Lemes de Oliveira, informa que eles consistem em empréstimos pessoais, que não podem ser caracterizados como receitas passíveis de tributação; f) meros depósitos não são suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receitas. Ao ser submetido sua Impugnação a julgamento, os membros da 3ª Turma da DRJ/POR, em 07 de julho de 2011 o proveram parcialmente, conforme se extrai de sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. DEPÓSITOS. DUPLICIDADE. Devem ser expurgados do lançamento os valores de depósitos bancários comprovadamente considerados em duplicidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 348 5 As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ao ser cientificada do teor da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância, apresentou Recurso Voluntário a este Colegiado, argumentando que: g) para amparar e apurar possíveis irregularidades praticadas pela contribuinte, a fiscalização emitiu diversos ofícios para as instituições bancárias, para que lhe fossem fornecidos os extratos bancários da movimentação das contas correntes da titularidade da empresa; h) com o fornecimento dos extratos bancários a fiscalização, foi apurado que houve suposta omissão de receita, tendo em vista diversos “depósitos de origem não comprovadas”; i) a via eleita pela Secretaria da Receita Federal para obtenção dos extratos bancários não se mostra legal, pois a vida em sociedade pressupõe segurança e estabilidade, e não a surpresa. Para garantir isso, é necessário o respeito a inviolabilidade das informações do cidadão em respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana; j) a exceção para mitigar esta regra só pode vir por ordem judicial e para instrução penal. O sigilo das operações financeiras das pessoas físicas e jurídicas advém do direito constitucional elencado no inciso X e XII, do art. 5º, da CF; k) com a quebra de seu sigilo, terceiros foram afetados quanto à garantia constitucional da inviolabilidade do sigilo, vez que mantinham relação direta com a empresa, como ocorreu com o Sr. Aníbal Lemes de Oliveira; l) o sigilo de dados bancários confidenciais também diz respeito as pessoas jurídicas, sendo que ocorre infringência de garantia constitucional, quando efetivada fora das hipóteses previstas na LC 105/01; m) a contribuinte tem relações jurídicas distintas com o fisco e com as instituições financeiras, visto que o sigilo inerente à cada uma destas atividades devem ser mantidas em seus respectivos âmbitos; n) a quebra do sigilo bancário somente pode ser decretada em caráter excepcional, caso que não ocorreu no presente caso, já que não houve autorização judicial para tanto; o) agir dessa forma permite a banalização dos direitos que a CF tenta proteger. Assim, utilizado meio ilícito – quebra de sigilo bancário – para a Fl. 898DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 349 6 obtenção de provas, contra a contribuinte, o auto deve ser julgado insubsistente, bem como serem declaradas nulas as penalidades aplicadas; p) não foi considerado que os descontos de cheques efetuados nas contas correntes da empresa são decorrentes de movimentação de capital de giro e que não são uma forma de receita, e sim uma mera movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor; q) não houve aquisição de bens, sejam móveis, sejam imóveis, pela contribuinte durante o período de apuração da infração, sendo que a movimentação bancária somente ocorreu para compra e venda das mercadorias que são por ela comercializados; r) existem vários valores que foram considerados em duplicidade, vez que foi considerado quando do depósito e novamente considerados quando os depósitos são liberados; s) com relação aos depósitos oriundos de conta corrente de titularidade do Sr. Aníbal Lemes de Oliveira, informa que tais valores consistem em empréstimos pessoais, não podendo, desta forma, serem caracterizados como receitas passíveis de tributação; t) assim, tais valores deverão ser apurados e descontados do valor de “depósitos de origem não comprovada”; u) meros depósitos não são e nunca foram documentos suficientes para comprovar e fundamentar uma possível omissão de receitas, conforme doutrina de Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário; v) os depósitos foram tomados como um indício de omissão de receita que não conseguem formar uma situação suficiente de presunção de omissão de receita; w) indícios, para que se tornem presunções válidas, necessitam de uma prova que consubstancie, o que não ocorreu no caso dos autos; x) para reforçar sua tese, cita decisão proferida pelo extinto Conselho de Contribuintes no Processo 10983.005629/9810; y) ao final pede o provimento de seu recurso. É o relatório. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 350 7 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A infração apurada pelo Fisco foi a omissão de receitas, quantificadas mediante depósitos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem. Entre outras razões recursais, o sujeito passivo argúi a inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual a fiscalização teve acesso, administrativamente, à movimentação bancária da pessoa jurídica fiscalizada. No âmbito administrativo, releva observar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, que transcrevo abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 351 8 § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessao de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Pois bem. A matéria da qual trata este processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue1: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Embora reconhecida pela Suprema Corte a repercussão geral (CPC, art. 543A), não encontro menção, no referido Recurso Extraordinário, ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 7147572: 1 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. 2 DJe nº 217, divulgado em 14/11/2011. Decisão Monocrática. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 352 9 DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 3543933: REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). DECISÃO: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, 3 DJe nº 195, divulgado em 10/10/2011. Relator Min. Luiz Fux. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Resolução n.º 1302000.192 S1C3T1 Fl. 353 10 parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Tenho por certo, assim: (i) que o presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; (ii) que ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e (iii) que recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Por todo o exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 903DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007271/2008-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR
Integra o salário-de-contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.
DILIGÊNCIA
A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.285
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos em dar
provimento parcial ao recurso determinando recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o salário-de-contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. DILIGÊNCIA A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10380.007271/2008-88
anomes_publicacao_s : 201012
conteudo_id_s : 6567564
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.285
nome_arquivo_s : 240300285_10380007271200888_201012.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10380007271200888_6567564.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
id : 4738472
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:11 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087525011390464
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-14T20:44:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2505083_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-14T20:44:45Z; Last-Modified: 2011-01-14T20:44:45Z; dcterms:modified: 2011-01-14T20:44:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2505083_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:ace4f49e-6dcf-471b-8454-b06575adc857; Last-Save-Date: 2011-01-14T20:44:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-14T20:44:45Z; meta:save-date: 2011-01-14T20:44:45Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2505083_0.doc; modified: 2011-01-14T20:44:45Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-14T20:44:45Z; created: 2011-01-14T20:44:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-01-14T20:44:45Z; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-14T20:44:45Z | Conteúdo => S2-C4T3 Fl. 135 1 134 S2-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.007271/2008-88 Recurso nº 416.566 Voluntário Acórdão nº 2403-00.285 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS Recorrente SLS TERCEIRIZAÇÃO DE SERCIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o salário-de-contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. DILIGÊNCIA A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Fl. 146DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato . Fl. 147DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.007271/2008-88 Acórdão n.º 2403-00.285 S2-C4T3 Fl. 136 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza, Acórdão 08 – 15.403 - 5ª Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), o lançamento refere-se a diferenças de contribuições dos segurados incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais. O período de lançamento do débito é de Janeiro /2004 a Dezembro/2004, inclusive 13 salário. As bases de cálculo e as alíquotas aplicadas estão detalhadas no relatório Discriminativo Analítico do Débito – DAD. Os levantamentos presentes no lançamento foram assim descritos no Relatório Fiscal: 5.1 — FP1 - FOLHA DE PAGAMENTO FORA GFIP Este levantamento contempla as remunerações pagas aos segurados empregados apurados nas Folhas de pagamentos e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. 5.2 — SAC — SALÁRIOS CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de salários, ordenados, pagos aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social 5.3 — FEC — FÉRIAS CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de férias pagas aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social 5.4 — 13C —13 SALÁRIO CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de 13 Salário pagos aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social 5.5 — HEC — HORAS EXTRAS CONTAB FORA FP: Fl. 148DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Este levantamento contempla as remunerações de Horas Extras pagas aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social 5.6 — GRC — GRATIFICAÇÃO CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de Gratificações pagas aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social 5.7 — PRO – PRÓ-LABORE : Este levantamento contempla Pró-Labore pago aos sócios da empresa , apurados na contabilidade e não declarados na GFIP ; 5.8 - AUT — AUTÔNOMOS: Este levantamento contempla valores pagos aos Prestadores de Serviço pessoas físicas, sem vinculo empregatício (Autônomos). Os valores foram obtidos a partir dos lançamentos contábeis e recibos de prestação de serviços , a título de amostragem cópias anexas , não foram declarados na GFIP. 5.9— ALI - ALIMENTAÇÃO SEM PAT FORA FP: Este levantamento contempla a remuneração in natura paga na forma de Alimentação a segurados empregados, em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei 6321/76 e Lei 8.212/91 com alterações da Lei 9.528/97 em seu artigo 28, na alínea 'c' do parágrafo 9°. A empresa não estava inscrita no PAT em 2004, só foi inscrita em 2006, conforme comprovante anexo. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 258 a 273, onde alega, em síntese, que: • Questiona o procedimento de contribuições sobre salários indiretos, caracterizados pelo fornecimento de alimentação aos segurados empregados, sem que a empresa estivesse devidamente cadastrada no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT e apresenta jurisprudência. • Questiona a multa aplicada. • Discorre sobre a verdade material e requer realização de perícia, além de juntada posterior de documentos necessários à ampla via probatória, formula quesitos e indica assistente técnico. É o Relatório. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.007271/2008-88 Acórdão n.º 2403-00.285 S2-C4T3 Fl. 137 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. PAT Quanto ao auxílio-alimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o salário-de-contribuição: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de salário-de-contribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 150DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento está correto. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Verdade Material - Perícia Quando abre a discussão acerca da verdade material no recurso, a recorrente afirma que os valores foram declarados na contabilidade, nos termos abaixo registrados: DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Relativamente a diferença de folhas de pagamento, pagamentos a contribuintes individuais (pró-labore/autônomos), e pagamentos de remunerações a empregados constantes só na contabilidade sem constar em folha de pagamento, verifica-se claro erro por parte do Fisco, na medida em que os valores relativos às Contribuições Previdenciárias, foram devidamente declarados na contabilidade. Efetivamente, vários fatos geradores não declarados ao fisco foram extraídos dos registros contábeis. Isso está bem caracterizado no relatório Fiscal quando apresenta os levantamentos presentes no lançamento, abaixo elencados: Fl. 151DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.007271/2008-88 Acórdão n.º 2403-00.285 S2-C4T3 Fl. 138 7 SAC — SALÁRIOS CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de salários, ordenados, pagos aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social FEC — FÉRIAS CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de férias pagas aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social 13C —13 SALÁRIO CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de 13 Salário pagos aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social HEC — HORAS EXTRAS CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de Horas Extras pagas aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GRC — GRATIFICAÇÃO CONTAB FORA FP: Este levantamento contempla as remunerações de Gratificações pagas aos segurados empregados apurados na contabilidade e não declarados na GFIP- Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social PRO – PRÓ-LABORE : Este levantamento contempla Pró-Labore pago aos sócios da empresa , apurados na contabilidade e não declarados na GFIP ; AUT — AUTÔNOMOS: Este levantamento contempla valores pagos aos Prestadores de Serviço pessoas físicas, sem vinculo empregatício (Autônomos). Os valores foram obtidos a partir dos lançamentos contábeis e recibos de prestação de serviços , a título de amostragem cópias anexas , não foram declarados na GFIP. ALI - ALIMENTAÇÃO SEM PAT FORA FP: Este levantamento contempla a remuneração in natura paga na forma de Alimentação a segurados empregados, em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Fl. 152DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei 6321/76 e Lei 8.212/91 com alterações da Lei 9.528/97 em seu artigo 28, na alínea 'c' do parágrafo 9°. A empresa não estava inscrita no PAT em 2004, só foi inscrita em 2006, conforme comprovante anexo. Ademais, deve ser considerado o fato de que os documentos que serviram de base para o lançamento foram elaborados pelo próprio recorrente e colocados à disposição da fiscalização. Portanto, não há que se falar em ausência da verdade material quando os documentos são de total conhecimento do impugnante, vez que foram por ele mesmo elaborados. Registro também que ao lançamento foram anexadas cópias de documentação, compondo uma amostra, as quais comprovam a origem dos fatos geradores. Conforme o Decreto 70.235/72, cabe à autoridade julgadora de primeira instância determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Conforme acórdão, o pedido de perícia foi analisado e denegado. Concordo com a decisão de primeira instância e entendo que prescindir da diligência não afeta o resultado do julgamento. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Para a questão da “juntada posterior de documentos necessários à ampla via probatória” requerida pela recorrente, registro que o artigo 16 do decreto 70.235/72 estabelece que o momento para apresentação de provas é quando da impugnação. Art. 16. A impugnação mencionará: III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Conclusão À vista do exposto, voto por determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 153DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.007271/2008-88 Acórdão n.º 2403-00.285 S2-C4T3 Fl. 139 9 Fl. 154DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/01/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000045/2005-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.047
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso, objeto do presente processo, nos termos do art. 62-A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 12 09:00:04 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 14120.000045/2005-45
conteudo_id_s : 6567200
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1301-000.047
nome_arquivo_s : Decisao_14120000045200545.pdf
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 14120000045200545_6567200.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso, objeto do presente processo, nos termos do art. 62-A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 9215891
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 12 09:56:22 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727087525022924800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.331 1 1.330 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000045/200545 Recurso nº 334.310 Resolução nº 130100.047 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de março de 2012 Assunto Sobrestamento de julgamento Recorrente ORI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. (contribuinte), JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e RONALDO GOLDONI (responsáveis tributários) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso, objeto do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI, CPF 519.118.33120 e RONALDO GOLDONI, CPF 689.473.99191, já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 6.109, de 24/06/2005, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.332 2 Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 22/03/2005 (ciência em 07/04/2005, fls. 1039/1041), para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, quais sejam, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 972), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl. 1002), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) (fl. 1010), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl. 1017) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) (fl. 1024), acrescidos de multa de ofício de 150%, além de juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 1.214.588,89, tudo relativo ao anocalendário 2000, conforme demonstrativo consolidado de fl. 04. O lançamento identifica, no polo passivo da obrigação tributária, a pessoa jurídica ORI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA., na qualidade de contribuinte, e as pessoas físicas JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e RONALDO GOLDONI, na qualidade de responsáveis tributários. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância: [...] 2.Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foram apuradas omissões de receitas caracterizadas por operações de créditos bancários cuja origem não foi justificada por meio de documentos hábeis e idôneos, de todos os períodos de apuração do ano de 2000. Aplicados os percentuais respectivos, sobre a receita omitida, obtevese o montante dos tributos que, acrescidos dos consectários legais, resultou no valor acima especificado. 3.Os enquadramentos quanto à infração, multa e juros moratórios encontramse às f. 975, 999, 1005, 1009, 1013, 1015, 1020, 1023, 1027 e 1030. 4.Os demonstrativos quanto aos valores apurados encontramse às f. 1031 a 1037. 5.No Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos Autos de Infração (f. 977 a 996), o autuante detalha o procedimento levado a efeito explicitando os dados, documentos e fatos de interesse fiscal, cujos trechos de maior relevância são abaixo transcritos: “Em visita realizada junto a Empresa estabelecida na Rua Coronel Antonino, 7.433, Bairro Nova Lima, nesta capital, apurei que a Empresa não estava estabelecida no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, ficando impossibilitado de cientificar o contribuinte do "Termo de Início de Fiscalização". Foi lavrado em 31/08/2004 "Termo de Constatação".(Doc. 020). (...) Enviei em 01/09/2004 ofício para a JUCEMS solicitando cópia do contrato social e das alterações do contribuinte. (Doc. 022) Em 16/09/2004 a JUCEMS encaminhou os documentos.(Doc.023 a 034) Pela análise dos documentos recebidos verifiquei que a Empresa Ori não realizou alteração de endereço, foi constituída em 03/08/1998 e Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.333 3 seus sócios atuais são: Valdir Balestreri, portador do CPF 375.330.02091 e Odenir Camilo de Lima Guimarães, portador do CPF 337.171.84172. (...) Em 14/09/2004 o sócio Odenir Camilo de Lima Guimarães apresentou se na sede da Delegacia da Receita Federal e dentre outras coisas informou que: Não tem condições de apresentar os documentos s o l i c i t a d o s no termo de início de fiscalização posto que muito embora conste como sócio da Empresa Ori Ind. e Com. de Cereais Ltda, o mesmo não o é, que todos os documentos estão em poder dos verdadeiros proprietários que é o Sr. Ronaldo Goldoni e sua mãe Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni. Relatou que a Ori I ndú s t r i a e Comérci o de Cerea is Ltda , sucedeu a Cerealista Juliana Com. Imp. Exp . De Cereais L tda , que os sócios e v e rdade i ro s proprietários da Cerealista Juliana eram a Sra. Julieta Goldoni e seu esposo Orivaldo Goldoni. Quando o Sr orivaldo falesceu (sic) assumiu a Empresa seu filho o Sr. Ronaldo Goldoni. Que foi admitido para trabalhar na Cerealista Juliana como empregado, exercendo a função de gerente comercial, sua admissão se deu em 07/07/1988. Que a Cerealista Juliana começou a apresentar dificuldades financeiras, que em razão disso seus verdadeiros sócios abandonaram a Cerealista Juliana e resolveram constituir no mesmo local, com o mesmo ramo de atividade a Empresa Ori Indústria e Comércio de Cereais Ltda, que inicialmente os sócios da Ori foram o Sr. Valdir Balestreri que era módico veterinário da Fazenda da Família Goldoni e a Sra. Alberta Pires Guerra, encarregada administrativa da Cerealista Juliana. Que a Sra. Alberta por motivos pessoais solicitou ao Sr. Ronaldo Goldoni que a retirasse do contrato social da Ori, foi neste momento que o declarante foi forçado a participar do quadro societário da empresa Ori, posto que, se não aceitasse perderia seu emprego. Que quem efetivamente administrava a empresa Ori era o Sr. Ronaldo Goldoni sua mãe a Sra. Julieta, o Sr. Ronaldo gerenciava a empresa por intermédio de procuração com amplos poderes do Sr. Valdir e o declarante assinava o que lhe pediam posto que estava pessoalmente na empresa trabalhando. Que o declarante nunca recebeu lucros ou qualquer vantagem por constar como sócio no contrato social da Ori, que o declarante só emprestou seu nome, que não houve a aquisição de cotas de capital social, que os móveis, as instalações físicas, marcas etc... eram todas da Cerealista Juliana, que na época em que constituíram a Ori foi elaborado um contrato de aluguel fictício com a Sra. Julieta proprietária do imóvel a fim de viabilizar a abertura da empresa perante os Órgãos Públicos especialmente a concessão do alvará de licença junto a Prefeitura Municipal e o cadastro no ICMS, que os funcionários que eram registrados na Cerealista Juliana foram transferidos para a Ori, que conhecia o Sr. Valdir Balestreri posto que ele cuidava da Fazenda e o declarante cuidava da empresa, que não mantém contato com o Sr. Valdir posto que o mesmo foi assassinado na cidade de Rio Verde de Mato Grosso a aproximadamente cinco meses, que moveu reclamatória trabalhista contra Ronaldo e Julieta Goldoni em 06/11/2002, e que Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.334 4 dentre os pedidos solicita seja retirado seu nome do contrato social da empresa Ori por entender ser uma fraude contra o poder público e credores, que a reclamatória trabalhista foi julgada procedente em primeira e segunda instância estando na iminência de transitar em julgado, que oportunamente conforme sentença judicial será oficiada a JUCEMS para as providências cabíveis e que a reclamatória trabalhista possui grande quantidade de documentos úteis para provar suas afirmações, e que fica a disposição para a apresentação de esclarecimentos e demais documentos". (...) Para provar suas afirmações, apresentou vasto elenco de documentos que foram recebidos pela fiscalização conforme "Termo de Retenção" lavrado no mesmo dia (14/09/2004). (Doc.049 a 136 ). (...) A fim de comprovar as alegações do Sr. Odenir de que a Empresa Cerealista Juliana Ltda de propriedade do Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni, era antecessora da Empresa Ori, enviei ofício para o Ministério do Trabalho, para verificar os vínculos empregatícios das duas Empresas através da Relação Anual de Informações Sociais "RAIS". (Doc.155 e 156). Em resposta ao ofício, o Ministério do Trabalho encaminhou as informações. (Doc. 157 a 162) Analisandose a RAIS final do ano de 1998 entregue pela Cerealista Juliana, verifiquei que todos os seus funcionários, com exceção da Lilian Clarice Coronel Zarate, aparecem como funcionários da Empresa Ori na RAIS do ano de 1999 , o que atesta a veracidade com provas materiais, das informações prestadas pelo Sr. Odenir. (Doc. 157 a 162) (...) Enviamos oficio para a JUCEMS solicitando cópia do contrato social e alterações da Empresa Cerealista Juliana Ltda, a fim de confirmar se os sócios são realmente o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni. (Doc. 179 ). A JUCEMS enviou oficio encaminhando os documentos solicitados, onde ficou confirmado que os sócios da referida Cerealista são o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni. A Empresa não foi legalmente baixada na JUCEMS e nem nos cadastros da Receita Federal (Doc. 180 a 230) (...) Lavrei em 26/10/2004, "Termo de intimação Reiteração" para o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni (Doc. 249 a 252) para: 1 Considerando que o Sr. Ronaldo e a Sra. Julieta até o momento não apresentaram qualquer justificativa em relação ao "termo de intimação" lavrado em 16/09/2004 e recebido em 20/09/2004. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.335 5 Reiteramos a intimação para que se manifestem por escrito sobre as informações e os documentos solicitados, especialmente os itens "I", 1 até 10 e, "II", 1 e 2 . 2 Apresentar cópia dos extratos bancários das contas correntes.... (...) Considerando a recusa na apresentação dos documentos fiscais e contábeis e os fortes indícios de que a Empresa foi constituída por interpostas pessoas e, considerando os termos do Art. 6 da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, requisitamos as informações bancárias junto as Instituições Financeiras, Banco BCN S/A e Banco Mercantil de São Paulo S/A, a fim de determinar o montante da omissão de rendimentos realizada pela Empresa Ori. (Doc. 503 e 505) As requisições de informações sobre movimentação financeira foram recebidas em 25/11/2004. (Doc. 504 e 506) (...) Lavrei em 14/12/2004 “Termo de Intimação – Reiteração das Intimações Recebidas em 20/09/2004 e 29/10/2004” para o sr. Ronaldo Goldoni e a Sra.Julieta Cavagnoli Goldoni, informando a eles que até o momento ambos não apresentaram qualquer justificativa em relação as intimações recebidas; que considerando a farta documentação enviada pela fiscalização para ambos conforme diversos “termos de entrega de documentos” os mesmos ficam intimados a manifestaramse por escrito a respeito dos fatos que lhe são imputados. O Termo foi por eles recebido em 16/12/2004. (Doc. 509 a 511) (...) Em 22/12/2004 As Instituições Financeiras enviaram para a fiscalização cópia dos extratos bancários da Empresa ORI no período de 01/2000 até 31/12/2002. (...) Lavrei em 01/02/2005 "Termo de Intimação" para a inventariante do Sr. Valdir Balestreri para comprovar com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos bancários. (Doc.844 a 846) O Termo foi recebido em 03/02/2004. (Doc.847) Lavrei em 01/02/2005 "Termo de Intimação" para o sócio Odenir Camilo de Lima Guimarães para comprovar com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos bancários (Doc.848 a 850) O Termo foi recebido em 04/02/2004. (Doc.851) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.336 6 O Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni apresentaram em 11/02/2005 correspondência expondo e requerendo que: (Doc.961 a 964). A Cerealista Juliana pertence a Sra. Julieta e seus filhos, teve suas atividades paralisadas há mais de oito anos, que tinha o Sr. Odenir como gerente e que por dificuldades financeiras viuse obrigada a encerrar suas atividades. Com o encerramento das atividades o Sr. Odenir propôs para a Sra. Julieta a criação da Empresa Ori, já que existiam todos os maquinários para tal fim, bem como, era a Sra. Julieta proprietária das marcas dos cereais industrializados pela então Cerealista Juliana. Os documentos juntados com a manifestação do Sr. Odenir, como contrato de locação e cessão de direito de uso de marcas pertencentes a Cerealista Juliana, comprovam que houve, efetivamente, a constituição de nova empresa e com sócios distintos, pois, ressaltase, tais documentos encontravamse na posse do Sr. Odenir. Que os contratos de locação e cessão de uso das marcas não são atividades ilícitas. Que, embora a Justiça do Trabalho tenha firmado entendimento de que o Sr. Odenir era "laranja" da Sra. Julieta e do Sr. Ronaldo, cuja decisão está sendo atacada através da Ação Rescisória, a ser proposta perante o Tribunal, é inegável que o Sr. Odenir foi e é proprietário da Empresa OR1. Que o Tribunal do Trabalho, não tem força para desconstituir o contrato social que foi firmado sem vícios ou máculas. Que a condição de sócio efetivo é comprovada pelo simples fato do mesmo ter carreado a este processo os documentos juntados em sua manifestação, Que tais documentos estão na posse de quem é o proprietário da empresa não podendo valerse da própria torpeza para se ver livre da responsabilidade fiscal. Que os documentos pertinentes a movimentação da Empresa não estão assinados pela Sra. Julieta que não é e nunca foi proprietária da ORI. Que com relação a participação do Sr. Ronaldo Goldoni, o mesmo era realmente procurador do Sr. Valdir, que o Sr. Valdir era médico veterinário e atuava na fazenda de propriedade da família Goldoni, bem como tinha outras atividades, tais atividades proporcionavam ao mesmo uma situação financeira abastada, razão pela qual investiu na ORI, fazendo a exigência que o Sr. Ronaldo Goldoni seria seu representante naquela sociedade. O Sr. Valdir moveu reclamatória trabalhista contra a família Goldoni, conforme sentença trazida pela inventariante do mesmo, a participação societária de Valdir na ORI foi mantida. E, que estão impossibilitados de comprovarem a origem dos recursos constante da intimação posto que não são e nunca foram proprietários da ORI. (...) Com relação a apresentação dos documentos fiscais e contábeis, bem como, a comprovação efetiva da origem dos créditos bancários, apesar de reiteradas intimações, tanto os sócios, (Odenir e Valdir) como o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni nada justificaram.” Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.337 7 6.A pessoa jurídica foi intimada na pessoa dos sócios constantes no contrato social (primeira alteração contratual f. 29 e 30) em 7 de abril de 2005 e os coautuados pessoas físicas na mesma data, por via postal (Avisos de Recebimento às f. 1039 a 1041). 7.Após requerimento e recebimento de partes do processo (f. 1055 a 1059), Odenir Camilo de Lima Guimarães protocolou, em 6 de maio de 2005, o documento de f. 1068 a 1076, firmado por procurador (instrumento de mandato à f. 1077), bem como anexos (f. 1078 a 1090), no qual aduz em síntese que: 7.1 – embora constasse como sócio no contrato social da empresa Ori Indústria e Comércio de Cereais Ltda., tal fato ocorreu em face de coação pelos reais proprietários da empresa, nunca tendo se beneficiado administrativa ou financeiramente; 7.2 – pleiteou junto à Justiça do Trabalho o reconhecimento do vínculo empregatício, obtendo decisão favorável, inclusive com a ordem para que fosse oficiado à Junta Comercial, para as medidas que fossem pertinentes; 7.3 – sejam excluídos do arrolamento de bens e direitos o imóvel matrícula 126.546, livro 2, do Registro de Imóveis da 1ª Circunscrição de Campo Grande (MS) e o veículo Vectra placas HRP 7942; 7.4 – os reais proprietários da empresa Ori Indústria e Comércio de Cereais Ltda. são Julieta Cavagnoli Goldoni e Ronaldo Goldoni, de acordo com vasta documentação já apresentada, requerendo, portanto, a sua exclusão do pólo passivo deste processo. 8.Os coautuados, pessoas físicas, Julieta Cavagnoli Goldoni e Ronaldo Goldoni protocolaram impugnação conjunta em 6 de maio de 2005 (f. 1091 a 1111), firmada por procuradores (instrumentos de mandato às f. 1237 e 1238), acompanhada dos anexos de f. 1112 a 1236, na qual, em resumo, informam e alegam que: 8.1 – os reais sócios da empresa Ori Indústria e Comércio de Cereais Ltda. são os constantes no contrato social; 8.2 – a decisão errônea da Justiça do Trabalho que firmou entendimento de que Odenir Camilo de Lima Guimarães era “laranja” está sendo contestada em face de ação rescisória; 8.3 – a própria Justiça Obreira reconhece Valdir Balestreri como um dos sócios da pessoa jurídica multicitada; 8.4 – tais decisões, proferidas no âmbito trabalhista não têm o condão de “desconstituir o contrato social firmado sem vícios ou máculas”, restando assim clara a ilegitimidade passiva de Julieta Cavagnoli Goldoni e Ronaldo Goldoni neste feito fiscal; 8.5 – houve excesso no arrolamento de bens e direitos; 8.6 – não há como se proceder a lançamento tributário com base em extratos bancários, ante ao entendimento jurisprudencial que colaciona e por ferir o art. 9º, inciso VII, do Decretolei n. 2.471/88, bem como a Súmula n. 182 do antigo TFR; 8.7 – a Taxa Selic é inaplicável como índice de correção monetária, devendo ser aplicado o IGPm (FGV), bem como o percentual de um por cento de juros moratórios de acordo com o art. 161, caput e § 1º, do CTN. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.338 8 9.Requerem, ao final, o acatamento da preliminar de ilegitimidade de parte e, caso contrário, o excesso de arrolamento, a improcedência dos AI´s pela impossibilidade de lançamento de tributos com base em extratos bancários e, por fim, a ilegalidade da Taxa Selic, devendo ser aplicados o IGPM (FGV) como índice de correção monetária e os juros moratórios pelo percentual de 1%. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS analisou as impugnações apresentadas e, por via do Acórdão nº 6.109, de 24/06/2005 (fls. 1242/1259), não conheceu da impugnação de Odenir Camilo de Lima Guimarães, rejeitou as preliminares de ilegitimidade de parte e ilegalidade arguidas por Julieta Cavagnoli Goldoni e Ronaldo Goldoni e, no mérito, considerou procedentes os lançamentos com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2000 Ementa: INTIMADO PESSOA JURÍDICA. IMPUGNAÇÃO EM NOME DE PESSOA FÍSICA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de impugnação apresentada por pessoa física em seu próprio nome, quando não tenha ela sido intimada nessa qualidade, mas sim a pessoa jurídica da qual aquela fazia parte do quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. Após o advento da Lei n. 9.430/96, é perfeitamente legal o lançamento de tributos com base em depósitos bancários não comprovados, mormente se não foram apresentados livros e documentos contábeis e fiscais. TAXA DE JUROS SELIC. LEGALIDADE. Uma vez prevista em lei a aplicação da taxa Selic como juros moratórios, não procedem as alegações de inaplicabilidade ou de ilegalidade. A contribuinte ORI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. foi cientificada da decisão em 14/07/2005 (AR à fl. 1264) em seu endereço cadastral e não apresentou recurso voluntário. Os responsáveis tributários JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e RONALDO GOLDONI foram cientificados da decisão em 29/11/2005 por via postal (AR às fls. 1277 e 1278), e apresentaram recurso voluntário conjunto em 22/12/2005 (fls. 1279/1305). Em seu recurso, após historiar, por sua ótica, os fatos ocorridos e a decisão de primeira instância, alegam preliminarmente sua ilegitimidade passiva, vez que não seriam sócios da empresa ORI Ind. e Com. de Cereais. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.339 9 Afirmam que, segundo o contrato social daquela empresa, os verdadeiros sócios da empresa seriam os Srs. Odenir Camilo de Lima Guimarães e Valdir Balestreri, e somente a eles caberia responder pelo presente procedimento. Argumentam que o Sr. Odenir teria criado a empresa ORI, do que fariam prova o contrato de locação e cessão de direito de uso das marcas que constam dos autos e que estavam de posso do Sr. Odenir. Lembram, ainda, que [...] não se pode olvidar que o recurso administrativo interposto pelo Sr. Odenir de Camilo Lima Guimarães não foi conhecido, acarretando os efeitos da revelia, portanto, a preliminar argüida de ilegitimidade de parte proferida por ele, repassando a responsabilidade de seus atos para os ora recorrentes, restou improcedente, acarretando a responsabilidade sobre o mesmo. Pedem, então, que seus nomes sejam excluídos do pólo passivo do presente processo administrativo. No mérito, trazem os argumentos abaixo sintetizados: a) Seria impossível o lançamento de imposto de renda com base em extratos bancários. Os bens relacionados no Termo de Arrolamento de Bens e Direitos não seriam, em hipótese alguma fatos geradores de impostos relacionados à empresa ORI. Por outro lado, argumentam que “a movimentação financeira bancária interna, envolvendo transferências, empréstimos ou adiantamentos a terceiro, dentro de um exercício, não são fatos que alteram o resultado final da receita tributável e, tampouco caracterizam a distribuição disfarçada de lucros”. Cita doutrina que entende aplicável e expõe seu entendimento de que seria necessária, além da presunção legal, a comprovação da utilização dos valores movimentados como renda consumida, evidenciado sinais de riqueza não justificável. Transcreve jurisprudência administrativa e invoca a aplicação da Súmula nº 182 do extinto TFR. Conclui com o pedido de nulidade dos lançamentos com base em extratos bancários. b) A quebra de sigilo bancário no processo administrativo seria ilegal e inconstitucional. Invocam a aplicabilidade dos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal como garantia do sigilo bancário como direito fundamental do indivíduo. Somente mediante ordem judicial o sigilo poderia ser quebrado. Os arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 seriam, portanto, inconstitucionais. Pede o cancelamento dos créditos tributários lançados. c) Teria ocorrido excesso no arrolamento de bens e direitos, alguns dos quais seriam impenhoráveis. d) Os juros de mora, cobrados mediante taxa acima de 1% ao mês, seriam abusivos, diante do art. 161 do CTN. Em 10/11/2006 o processo foi levado a julgamento perante a Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Na oportunidade, mediante o acórdão nº 301 33.440 (fls. 1310/1321), aquele colegiado decidiu, por unanimidade de votos, declinar competência em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.340 10 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A infração apurada pelo Fisco foi a omissão de receitas, quantificadas mediante depósitos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem. Entre outras razões recursais, os sujeitos passivos argúem a inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual a fiscalização teve acesso, administrativamente, à movimentação bancária da pessoa jurídica fiscalizada. No âmbito administrativo, releva observar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, que transcrevo abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.341 11 Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Pois bem. A matéria da qual trata este processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue1: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Embora reconhecida pela Suprema Corte a repercussão geral (CPC, art. 543A), não encontro menção, no referido Recurso Extraordinário, ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram 1 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.342 12 referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 7147572: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 3543933: REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). DECISÃO: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, 2 DJe nº 217, divulgado em 14/11/2011. Decisão Monocrática. 3 DJe nº 195, divulgado em 10/10/2011. Relator Min. Luiz Fux. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Resolução n.º 130100.047 S1C3T1 Fl. 1.343 13 secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Tenho por certo, assim: (i) que o presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; (ii) que ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e (iii) que recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Por todo o exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 13DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
